Voces encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Comentários de Livros, revistas e de jornais que já li e que por julgá-los interessantes postarei aqui, espero, todos os dias para que você sempre tenha algo que lhe facilite no seu dia a dia ou nas suas atividades. Se ele cumprir parte desses objetivos, estarei feliz por ter podido repartir essas conquistas.
Email: cassiano.leonel@terra.com.br
Créditos:http://www.giffs.hpg.ig.com.br/
Bom e como sempre aqui estão as duas capas juntinhas para voces compararem e escolherem. O melhor é sempre as duas mas se optarem por uma ou por outra por aqui, quem sabe, já ajude adecidir.
Tempo de luz
Será inaugurada nesse sábado 30, pelo sétimo ano consecutivo, a árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro: 82 metros de altura, 2,6 milhões de microlâmpadas e 20 mil metros de mangueiras luminosas em forma de laços. A árvore conta ainda com oito canhões especiais que farão um verdadeiro balé de luz ao redor do monumento.
São Paulo também terá a sua árvore oficial pela primeira vez. Montada no lago do Parque do Ibirapuera, ela terá 55 metros de altura, 800 mil lâmpadas e 500 bolas de acrílico vermelhas iluminadas por dentro e acionadas por computador. O cenógrafo português Abel Gomes, que projetou as duas árvores, falou a ISTOÉ:
ISTOÉ Por que São Paulo esse ano? Gomes A árvore já virou paixão unânime no Rio de Janeiro, é a sétima vez que a montamos. São Paulo também merece algo assim e espero que o sucesso seja igual.
E esta é a capa da Revista semanal Isto É que está disponível no endereço do Terra e no índice que coloco abaixo estão os assuntos, alguns bem interessantes e que vale a pena dar uma lida. Adquira sua Revista semanal na sua banca mais próxima. A SEMANA
Tempo de luz Leia outras notas Datas Frases
ARTES & ESPETÁCULOS
Arte Banquete visual Em São Paulo, a ótima mostra Da antropofagia a Brasília: Brasil 1920-1950 repensa o modernismo Livros IV Faltou dendê Nelson Motta frustra com policial baiano
Livros Overdose de riso Bastidores temperados com sexo e drogas do programa saturday night live viram best-seller Cinema Rato que ri Stuart Little 2 seduz crianças e adultos
Livros II A dama dos palcos Biografia desvenda o mito Cacilda Becker, a atriz que era múltipla Cinema II Encurralado Ônibus 174 analisa um trágico sequestro
Livros III Sol nascente Mishima faz elogio do Japão que não se rende
Coluna Em Cartaz
CARTAS
Cartas dos leitores
BRASIL
Política Os pepinos no ar PT se surpreende com a grande quantidade de problemas que serão herdados do atual governo Nordeste Os primeiros papéis Documentos reforçam investigação do Ministério Público sobre lavagem de dinheiro de políticos e empresários
Polícia PCC vai à lona Ex-capo desmonta facção e conta por que prefeito foi executado Pesquisa Crescimento indesejado IBGE constata que a pulverização das cidades nos últimos dez anos trouxe ainda mais miséria
Denúncia A nova maldição Reserva indígena, que pode ter a maior mina de diamantes do mundo, é explorada pelo crime organizado, que fatura US$ 20 milhões por mês
Coluna Fax Brasília
CIÊNCIA & TECNOLOGIA
História Patrimônio a perigo A miséria, o trânsito e a ocupação irregular ameaçam cidades que integram a herança cultural brasileira Genética Uma longa caminhada Pela análise do DNA, cientistas decifram os caminhos trilhados pelo ser humano desde seu surgimento na África
Ecologia Sob controle Monitoração ajuda a salvar baleias e mogno
Coluna Século 21
COMPORTAMENTO
Gastronomia Iguaria presidencial Chef paulista faz o prato que seduz a família de FHC e agrada também ao alto escalão petista Criança Brincadeira não tem hora Para exercitar a mente, atividades lúdicas. Não só no recreio, mas também na sala de aula
Decoração Vestidas para brilhar Loja em São Paulo faz exposição de mesas de Natal decoradas por estilistas famosos Alternativo Cartas na mesa Pela primeira vez, tarólogos realizam encontro nacional para discutir a profissão
Coluna Gente
ECONOMIA & NEGÓCIOS
Aviação Varig versus Varig Além dos problemas econômicos, a maior empresa aérea do País tropeça nos conflitos internos Inflação A volta dos dois dígitos Não surpreendem mais as estimativas de que o País chegará ao final do ano com taxa de 10%
Estatal Uma bomba de R$ 7,5 bi Justiça pune Byron Queiroz e seis diretores do BNB por fraudes em balanço e gestão irregular da instituição Comércio Feijoada e tango Reduzir a corrupção, aumentar o crédito internacional e as negociações bilaterais são os desafios para o crescimento da América Latina
EDITORIAL
Terra de ninguém
EDUCAÇÃO
Dignidade O povo da lata O Brasil ultrapassa o Japão e é o campeão mundial de reciclagem de latinhas de alumínio. A atividade tira milhares da miséria
ENTREVISTA
Saia, batom e garras Para a feminista Thais Corral, este século é o das mulheres, que estão mais bem preparadas para buscar consensos e promover avanços sociais
INTERNACIONAL
Intolerância Sangue na passarela Jornalista desencadeia violência entre muçulmanos e cristãos na Nigéria ao afirmar que Maomé cobiçaria uma miss
MEDICINA & BEM ESTAR
Tratamento Solte o freio Alterações da fala, como a língua presa, podem ser tratadas com cirurgia e sessões de fonoaudiologia Prevenção Fluxo sem barreiras Campanha previne a trombose venosa profunda, uma das maiores causas de mortalidade mundial
Epidemia Risco anunciado Mulheres já somam metade dos casos da doença no planeta
"Lula enfrenta problemas de peso.Poucos dias atrás, declarou que, para ser ministro, é irrelevante possuir uma grande massa cerebral. Menos irrelevante, presume-se, é possuir uma grande massa corporal. Graças aos petistas superalimentados, renovamos nossas esperanças"
O lado bom dessas tragédias é que acabam aumentando nossa cultura geral. O que eu saberia sobre a abundante safra de ópio em Jalalabad sem os bombardeios americanos? Ou sobre o marido da presidente da Indonésia sem o atentado de Bali? Ou sobre o musical russo Nord-Ost sem os terroristas chechenos? Ou sobre o concurso de Miss Mundo sem os massacres na Nigéria? Lamento apenas que minha memória seja tão curta. Durante o genocídio em Ruanda e Burundi, aprendi montes de coisas sobre hutus e tutsis. Agora nem lembro mais quais eram os altos e quais eram os baixos. Atualmente, meu interesse está todo voltado para o governador Julio Miranda, da província de Tucumán, na Argentina, onde criancinhas miseráveis morrem de fome. Daqui a alguns meses, certamente já terei esquecido todos os escândalos envolvendo seu nome.
A fome é uma importante fonte de curiosidades socioeconômicas. Quase tudo o que sei sobre os países mais desastrados do planeta depende exclusivamente de seus famintos. De acordo com o Programa Mundial de Alimentos, da ONU, 800 milhões de pessoas estão passando fome neste momento. Cerca de 10 milhões se encontram na Etiópia, cuja renda per capita anual, nas últimas duas décadas, caiu de 190 para 108 dólares. Em Madagascar, o número de famintos deve chegar a 400.000, em conseqüência de crises políticas e desastres naturais. Na Coréia do Norte, 45% das crianças com menos de 5 anos podem ser consideradas subnutridas. E mais de 600.000 palestinos, nos territórios ocupados, sobrevivem apenas graças à ajuda de órgãos humanitários.
Para quem quer testar os próprios conhecimentos geográficos, o Programa Mundial de Alimentos distribui gratuitamente um Mapa da Fome. É possível transformá-lo numa espécie de Show do Milhão da miséria, com perguntas sobre o índice de desenvolvimento humano de Malauí, ou sobre os Estados fronteiriços de Mianmar, ou sobre a taxa de analfabetismo feminino do Iêmen. Vergonhosamente, o Brasil não consta desse mapa. Fomos excluídos pela ONU. Como se nossos 40 milhões de famintos fossem uma mera invenção eleitoreira de Lula. Como se Ronaldo pudesse perder tempo com o programa Fome Zero. É paradoxal que, no mesmo período em que Ronaldo se engajava na campanha alimentar de Lula, os dirigentes de seu time, o Real Madrid, o acusavam de estar diversos quilos acima do peso, por causa de sua voracidade por hambúrgueres e Coca-Cola. O hipercalórico Ronaldo fez uma única exigência a Lula: a de que seu desafeto Sócrates fosse mantido a distância. Quando ainda estava em atividade, Sócrates era conhecido como Magrão, atributo que o tornaria uma testemunha perfeita para o Fome Zero. Infelizmente, nada em seu atual estado justifica o apelido.
Outro que enfrenta problemas de peso é Lula, assim como todos os seus principais assessores e ministeriáveis. Poucos dias atrás, Lula declarou que, para ser ministro em seu governo, é irrelevante possuir uma grande massa cerebral. Muito menos irrelevante, presume-se, é possuir uma grande massa corporal. De fato, o governo petista terá a mais alta tonelagem da história da República. É graças a essa gente superalimentada que podemos renovar nossas esperanças no futuro. Daqui por diante, nenhum brasileiro comerá menos de 11.000 calorias por dia. Diogo Mainardi - Revista Veja
Expectativas de inflação "Ninguém quer sair na fotografia dizendo que espera uma inflação de 30% pelo IGP-M para 2003, mas essa é, goste-se ou não, a opinião média do mercado"
Ilustração Ale Setti
Há uma novidade perturbadora neste fim de governo, e sobre a qual os especialistas exibem desconforto em revelar suas verdadeiras opiniões. Trata-se dela mesmo, a Velha Senhora, o monstro que se julgava extinto, o vício que aparentemente abandonamos.
A despeito dos indícios, ninguém se atreve a se revelar pessimista, ao menos em público. O país está carregado de bons fluidos gerados pela eleição. A estabilização foi uma dura conquista da sociedade, que apoiou a URV, o real e a desindexação e, com isso, redefiniu hábitos e conceitos e recompôs uma parte importante de nossa identidade nacional, a moeda, um símbolo tão prezado quanto a bandeira e o hino. Saímos do ilusório, a inflação, para o real, com todas as suas mazelas. Não queremos voltar no tempo.
Com certa licença sociológica, diz-se que foi a sociedade que se negou, a partir de 1999, a "transmitir" a desvalorização cambial em inflação, tendo em vista seu desejo de preservar a estabilidade. Mais preciso, e nada contraditório, seria lembrar que a política monetária foi estrita, a indexação salarial, contida, e a execução fiscal, apertada. Nesse regime, o repasse do câmbio para os preços ao consumidor tem sido pequeno. Diz-se que o IPCA "engravidou" algumas vezes, nos últimos anos, do dólar, este rufião incontrolável, e dos volúveis IGPs, que o seguem. Mas a atmosfera macro tem sido hostil à evolução dessa gravidez; o bebê de Rosemary não nasceu.
Com efeito, não retornamos à esbórnia anterior a 1994, mas, de praticamente zero em 1996-1997, a inflação foi para 21,05% no IGP-M, considerando doze meses terminados em novembro de 2002. E 8,4% no IPCA até outubro. Pior que isso é verificar que as expectativas para 2003 estão ruins, e piorando. Sobre isso pouco se fala, e o que é dito não é propriamente a expressão da verdade.
Tempos atrás, quando foi inventado o Comitê de Política Monetária (Copom), no Banco Central, começaram a ser coletadas opiniões das instituições financeiras sobre o que elas esperavam para juros e inflação, entre outras variáveis da economia. Os membros do Copom sabiam que as respostas não revelavam o que os bancos realmente pensavam, mas o que eles gostariam que o BC pensasse ser a opinião deles sobre juros e inflação. A diferença é enorme, e evidente.
Senão, vejamos: na posição de 22 de novembro de 2002, o "survey" do BC revelava que a mediana das expectativas para a inflação pelo IGP-M em 2003 era de exatos 14%, ou seja, um recuo moderado diante dos números de hoje.
Será que é nisso que o mercado acredita mesmo?
Para testar essa hipótese, o leitor deve tentar comprar um título indexado ao IGP-M para o prazo de doze meses. O papel apenas será encontrado com ágio, de tal sorte que o rendimento efetivo do título, ou a taxa interna de retorno, será de menos 0,29% anuais. Para o mesmo prazo, uma aplicação a juros pré-fixados rende 30,81%. Como essas taxas estão arbitradas, ou seja, o mercado é indiferente entre IGP-M menos 0,29% e 30,81%, segue-se que a expectativa "implícita" de variação do IGP-M nos próximos doze meses é de 30,52%. Isso antes no anúncio do IGP-M para novembro, que cresceu espantosos 5,19%.
Por que, então, esse mesmo povo diz ao BC que está esperando que seja 14%?
É claro que há uma diferença entre prever, de público, um número ruim para 2003 e escolher um número para apostar algum dinheiro. Se o ato de prever é grátis, e se há boa vontade a ser amealhada revelando-se publicamente otimista e confiante, todos o farão, no limite do que for sensato. Mas quando se trata de apostar, e perder muito dinheiro se o número escolhido for diferente do observado, aí, sim, o sujeito deve usar seu melhor julgamento, e sem fazer propaganda. O fato é que ninguém quer sair na fotografia dizendo que espera uma inflação de 30% pelo IGP-M para 2003, mas essa é, fora de dúvida, goste-se ou não, a opinião média do mercado. Reverter essas expectativas antes de elas se consolidarem é um desafio já posto para o próximo governo.
Gustavo Franco é economista da PUC-RJ e ex-presidente do Banco Central (gfranco@palavra.com www.gfranco.com.br)
Basta olhar para os lados. Ele está em todo canto. Quando toca num restaurante, é um deus-nos-acuda. Os homens reviram os bolsos e as mulheres vasculham as bolsas à procura do aparelhinho: "Alô? Alô?". Os espalhafatosos berram como se estivessem sozinhos em casa, sem a menor cerimônia. Os mais discretos tentam disfarçar a conversa, virando-se para o lado ou colocando a mão sobre a boca. Mas todos falam. Para boa parte dos brasileiros, a vida é impensável sem um telefone celular. De 1990 para cá, o número deles saltou de menos de 700 para quase 32 milhões. Ocorre que, como toda devoção, a religião do celular começa a ter seus hereges. São pessoas que acreditam que é melhor viver sem o aparelhinho. Elas estão ao alcance pelo telefone apenas quando se encontram em casa ou no trabalho. Do contrário, só mesmo com a ajuda de um pombo-correio.
O empresário paulista Marcelo Beraldo tinha no celular um artigo de primeiríssma necessidade. Até que percebeu que não era tão ruim assim passar algumas horas do seu dia fora do ar. "Livrei-me de um fardo. Agora, eu me sinto mais livre", diz Beraldo. O celular estava levando o modelo carioca Ângelo Aguiar, de 26 anos, à loucura. "Não suportava mais ter de parar o que estava fazendo para atender o telefone", conta. Para os "sem-celular", é indescritível o prazer de saber que não estão disponíveis para qualquer um, a qualquer hora e em qualquer lugar (veja quadro). Mas até que ponto a culpa é da tecnologia?
A verdade é que, em geral, aposentar o telefone portátil é uma medida drástica tomada por quem não consegue controlar de jeito nenhum seus impulsos comunicativos ¿ e tem o bom senso de encarar isso como um problema. Para disfarçar essa incapacidade, muitos passam a falar em "ditadura do celular", uma asneira de uso muito corrente nas esquálidas universidades brasileiras. Para quem quiser justificar de maneira mais espirituosa a decisão de abandonar o aparelhinho, recomenda-se a leitura do ensaio Como Não Usar o Telefone Celular, do escritor italiano Umberto Eco, um anticelular convicto. Ele diz que apenas certas categorias de pessoas realmente necessitam de um telefone desse tipo. São elas: os doentes, os médicos, os bombeiros e os adúlteros. Para estes últimos, o aparelho seria indispensável "para receber ligações do parceiro secreto sem que os familiares, as secretárias ou os colegas mal-intencionados possam interceptar o telefonema". Ou seja, como você não é doente, médico, bombeiro nem adúltero...
Pessoal, como sempre os leitores deste Blog estão tendo em primeira mão a reportagem principal e a capa da Revista Veja que estará nas bancas amanhã bem cedinho. Sempre procuro colocar mais da Revista Veja que da Revista Isto É por ela estar em espaço reservado aos assinantes.
Seções
Carta ao leitor - Entrevista: José María Aznar Ponto de vista: Cluadio de Moura Castro Cartas - Em foco: Gustavo Franco Radar - Holofote Contexto - Veja essa Arc - VEJA on-line Gente - Datas Diogo Mainardi - VEJA Recomenda Os livros mais vendidos
Economia e Negócios Aviação: A crise da Varig
Internacional
Terrorismo: Israelenses são atacados no exterior Terrorismo: Dinheiro saudita nos atentados de 11 de setembro
Guia
Corpo: Exercícios e cardápio para entrar em forma Veraneio: Vale a pena comprar uma casa na praia? Crime: O conto-do-vigário via internet Trabalho: Habilidade de negociação ajuda a enfrentar crises O que estou lendo
Brasil
Inflação: A volta do velho fantasma Partidos: Governadores tucanos lutam pelo comando do PSDB Distrito Federal: Joaquim Roriz encurralado Sucessão: Lula chama os sindicalistas à responsabilidade Reforma: Trapalhada na edição da minirreforma
Geral
População: Desigualdade entre negros e brancos persiste Automóveis: O carro brasileiro feito para vencer ralis Saúde: O apoio do grupo Re Vida aos pacientes com câncer Turismo: Trancoso ganha resorts e perde a tranqüilidade Games: Os atletas dos novos jogos até parecem de verdade Sociedade: Eles não querem mais saber de celular Internet: Spams, as mensagens indesejadas que atolam seu micro Estilo: Novas técnicas e estampas nos biquínis deste verão Dieta: O minirregime para perder 3 quilos em três semanas Comportamento: O que querem os consumidores de produtos orgânicos Tecnologia: Presentes para um Natal tecnológico
Artes e Espetáculos
Cultura: Gunther von Vagens, o escultor de cadáveres Música: O CD póstumo de Cássia Eller Televisão: Gugu em crise Livros: Uma biografia do craque Ronaldinho
Não foi por acaso que os brasileiros, num tempo não muito distante, escolheram como símbolo da inflação uma figura mitológica, o dragão. Esse é justamente um de seus truques mais tinhosos: fingir que não existe. Quando se percebe, a inflação já está instalada no país. O que parecia um animal de contos de fadas de repente está solto pelas ruas queimando dinheiro de verdade, destruindo riqueza e produzindo tensões e caos social. Pois o truque da invisibilidade inflacionária foi usado de novo no Brasil, quase uma década depois de o bicho ter suas garras arrancadas e de ter sido acorrentado no porão pelo Plano Real. A inflação mal foi assunto nos infindáveis programas de televisão da última campanha eleitoral para a Presidência da República. Ela apareceu descrita apenas como um perigo distante nos programas de governo dos candidatos derrotados e do vencedor, Luiz Inácio Lula da Silva. Pois neste fim de ano os brasileiros descobrem assustados que a inflação voltou a ser sua maior preocupação. Os sinais de alerta são claros e facilmente percebidos por uma população que sofreu com a carestia como nenhuma outra nas últimas décadas. Os preços dos produtos nos supermercados, padarias, lojas e postos de gasolina de todo o país, medidos pelo chamado índice nacional de preços ao consumidor amplo (IPCA), subiram como que impulsionados por um foguete. O IPCA de 2002, segundo avaliação de uma centena de instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central, pode chegar a 10%. "No fim do ano, o índice deve bater em 11%. A inflação de dois dígitos é um fato consumado", diz Luiz Roberto Cunha, economista e membro do conselho consultivo do IBGE para o IPCA. Por outro índice, que mede compras e vendas no atacado, a inflação deste ano bateu em 20%. E há previsão de crescimento no ano que vem.
Inflação anual de dois dígitos é algo que não se via no Brasil havia mais de seis anos. Esse é um marco que não pode passar sem que se acione um alerta vermelho diante dos olhos das autoridades. Como os gigantes, que também nascem pequenos, o dragão da inflação, especialmente o da espécie brasileira, sai do ovo cuspindo um foguinho brando e com uma carinha inocente. Logo, porém, ele se transforma num monstro incontrolável. Por essa razão, alertam todos os economistas ouvidos por VEJA, o ano de 2003 tem de ser dominado pela luta prioritária para deter o crescimento do animal inflacionário. "As pessoas não dizem abertamente, porque isso é constrangedor, mas o mercado está apostando numa disparada inflacionária em 2003. O desafio do novo governo é reverter o mais rapidamente essa expectativa", diz Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central.
O movimento nos shopping centers aumenta com a proximidade do Natal: consumidores impressionados com os preços
Os especialistas lembram que os índices com impactos futuros mais significativos já estão apontando para a disparada inflacionária. O mais importante deles é o índice geral de preços do mercado (IGP-M). Esse índice mede principalmente os preços praticados nas transações no atacado entre empresas e fornecedores. Tem-se como certo que, quando o IGP-M fica muito inchado, ele acaba contaminando o IPCA, o índice que mede os preços nos supermercados. Isso significa que as empresas tendem a repassar seus custos para baixo, para as prateleiras, de modo que o consumidor arque com parte deles. Pois bem, no cálculo dos pessimistas, as projeções do IGP-M para o fim de 2003 chegam a assustadores 30%. Muitos economistas trabalham com a idéia de que atingirão os 25% no Natal do primeiro ano do governo Lula. No último Natal do governo Fernando Henrique Cardoso, o IGP-M não ficará abaixo de 20%, seu valor acumulado até a semana passada.
"A inflação brasileira superou neste mês aquele patamar mágico e cobiçado em que seu valor, de tão baixo, nem entra no cálculo das transações", diz Mailson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda do governo Sarney, que conviveu com uma inflação de quase 2.000% ao ano. Mailson faz referência à famosa definição de inflação baixa feita por Alan Greenspan, presidente do Fed, o banco central americano. Segundo Greenspan, a inflação é tolerável até o ponto em que as pessoas não a percebem nem a levam em consideração na hora de fazer as compras ou fechar negócios. A partir daí, quando ela começa a ser lembrada, pode-se saber que entrou num patamar preocupante. Isso acaba de acontecer no Brasil.
Os vilões da alta dos preços: os óleos de cozinha estão entre os itens que mais encareceram
Os dois dígitos do IPCA sinalizam perigo. Eles causam tanto temor quanto o primeiro gole de um alcoólatra depois de anos de abstinência. Em países como o Brasil, com memória inflacionária, esses sinais têm de ser levados muito a sério. As estatísticas mundiais mostram que os países que mais freqüentemente são castigados por surtos inflacionários são justamente aqueles que já sofreram com o problema da perda de valor da moeda no passado. Para quem já se esqueceu, nunca é demais lembrar que inflação significa tragédia e que, uma vez instalada, ela não recua facilmente. Depois de três décadas de esbórnia inflacionária, o Brasil tentou debelá-la com oito planos econômicos. A moeda nacional mudou de nome cinco vezes. Antes do Plano Real, todos os demais fracassaram, humilharam seus autores intelectuais e enterraram os presidentes do período no pântano da impopularidade. Por isso, a vitória do Real contra a inflação é tão valiosa. É preciosa porque foi um evento raríssimo na história da economia moderna. "A trágica história da inflação no Brasil nos lembra que não podemos arriscar nada nessa área", diz Eustáquio Reis, diretor de estudos macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Inflação tem diversas definições teóricas. A mais explicativa delas é a de que a química do fenômeno ocorre no bolso dos cidadãos. O processo inflacionário é, em suma, a corrosão do poder de compra do dinheiro. Seu efeito imediato é a concentração da renda nas mãos dos ricos e nos cofres do governo. Esse processo chamado de "imposto inflacionário" funciona contra o interesse dos mais pobres da sociedade, que não têm mecanismos para se defender da corrosão monetária. A inflação acaba também com os ganhos de produtividade das empresas, ao obrigá-las a montar departamentos inteiros para monitorá-la e estudar saídas para escapar de seus efeitos. O foco das companhias sai da produção para a ciranda financeira. Ganha-se mais especulando com inflação alta que produzindo aço, fazendo roupas ou enlatando óleo. A especulação tem até uma justificativa moral. As empresas se entregam a ela para se proteger da imprevisibilidade da economia. Muitas perdem o interesse em ampliar seus negócios. Para citar apenas um exemplo, fica-se com o cancelamento de um investimento de 220 milhões de dólares no Brasil anunciado pela Shell em 1993. A empresa anglo-holandesa suspendeu a construção de três refinarias que criariam mais de 1.000 empregos diretos alegando falta de confiança no futuro do país. A inflação em 1993 era de 30% ao mês.
A Alemanha na década de 20: hiperinflação e desespero
Quando se analisa o que os economistas chamam de "média móvel", ou seja, o comportamento da inflação em doze meses, não necessariamente de janeiro a dezembro, a indicação clara é a de que para o próximo ano a economia já carrega uma taxa de inflação em torno de 10%. Isso significa que, mesmo que o próximo governo faça tudo certo no começo, a inflação provavelmente não cederá do patamar dos dois dígitos. "A situação atual indica que um erro crasso de condução da política econômica pode trazer a inflação desastrosa de volta", diz Mailson da Nóbrega. Pelo que revela a história da inflação nas economias modernas, existe um ponto de aceleração que poderia ser denominado trampolim da inflação. Esse ponto se situa em torno dos 20% de inflação anual. "A experiência mostra que quando os índices se aproximam desse valor a pressão social pela indexação é quase invencível", lembra Mailson. Guarde na memória esse termo: indexação. Indexação é a correção legal automática de todos os preços, inclusive os salários. Esse movimento oferece uma proteção aparente contra a inflação, pois logo se transforma em combustível para a subida de preços. Não é preciso dizer que nunca os salários conseguem subir na mesma velocidade que os preços.
Posted
5:00 PM
by Cassiano Leonel Drum
O cenário futuro depende fundamentalmente do que o próximo governo fizer. Pelo que vêm dizendo os novos dirigentes da economia e da política no governo petista, o combate à inflação será prioritário. "A melhor inflação é a menor inflação possível", diz Aloizio Mercadante, senador eleito pelo PT de São Paulo. "Não vamos trabalhar com a idéia de que poderemos fazer frente a despesas usando recursos inflacionários", afirmou o deputado federal José Dirceu, um dos íntimos colaboradores de Lula. "O padrão de inflação considerado desejável pelo novo governo é aquele que não dá margem à demanda por reindexação e que garante o cumprimento de todos os contratos pré-fixados anteriormente", diz Antônio Palocci, o provável ministro da Fazenda do governo Lula. No discurso estão afiados e afinados. Isso é um ótimo sinal. Mas é sempre bom lembrar que o combate à inflação exige que o governo tome medidas fiscais austeras e, pelo menos no primeiro momento, impopulares. A tradução prática desse discurso é aumentar ainda mais os juros.
Por mais assustador que pareça para o Brasil, o atual campeão mundial de juros altos, a receita mais segura para conter a inflação são mais juros. "Não existe outra receita provada para debelar surtos inflacionários", diz Maílson. Interessante, notam os economistas, é o fato de que muitas vezes, para que a inflação permaneça domada, basta que o governo firme uma reputação de agir com rigor assim que o dragão venha a colocar a cabeça para fora do ovo. "Quando o mercado sabe que um banco central não tolera inflação, ele sempre espera índices inflacionários decrescentes. Essa expectativa de queda às vezes basta para quebrar a espinha dorsal da inflação", diz Roberto Padovani, economista da Consultoria Tendências.
Fora da receita clássica de bater duro com o aço dos juros bem no topo da cabeça do dragão, existem muitos descaminhos possíveis que podem fazer desembestar a inflação. O mais temido é a tentação inflacionária. A inflação pode ser muito tentadora para governos com dificuldades de fechar as contas públicas por três razões principais. A primeira delas é que as receitas federais, impostos e contribuições, estão indexadas aos índices inflacionários. Assim, se a previsão de receita de um ano era de 100 bilhões de reais, caso a inflação chegue a 10% ela passa automaticamente para 110 bilhões. Uma multiplicação indolor, sem que seja preciso cortar gastos nem contrariar interesses. A segunda razão é que uma parcela considerável das despesas pode ser paga só depois de seu valor ter sido corroído pela inflação. São as despesas de custeio, de investimento e principalmente a folha de pagamento do funcionalismo público, que responde por quase 30% dos gastos federais. A terceira razão é o impacto positivo sobre a dívida pública. Ela se deprecia fortemente porque os juros reais pagos pelo governo acabam sendo bem menores que os contratados. Juro real é calculado subtraindo dos juros nominais o valor da inflação. "Um governo em apuros pode ser tentado a aceitar um pouco de inflação. Isso traz alívio aparente", afirma Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. "No Brasil, isso equivale a riscar um fósforo na cozinha para verificar se o gás está vazando."
Muita gente vem se perguntando como o Brasil chegou ao ponto de colocar a perder a grande conquista da estabilidade dos anos FHC. O economista José Julio Senna divide a escalada da inflação em etapas. Na primeira, os índices foram afetados principalmente pelo dólar beirando os 4 reais e pela subida da cotação dos produtos agrícolas no mercado internacional. Quando o açúcar ou a soja sobem na Bolsa de Chicago, o preço sobe no portão da fazenda ou da usina no Brasil. Na segunda etapa, entraram em cena as incertezas da campanha eleitoral, que, justificadamente ou não, criaram a expectativa de inflação futura alta. Em terceiro lugar, houve a contaminação da alta de preços de produtos cuja produção e venda nada têm a ver com custos em dólares ou preços internacionais. Uma quarta etapa seria, na opinião de outros economistas, o comportamento contido do Banco Central, que não sinalizou com a firmeza necessária sua decisão de conter a inflação dentro da meta de 6,5% acertada com o FMI. "O futuro governo tem de anunciar logo uma meta e procurar cumpri-la. Caso contrário, vai jogar as expectativas inflacionárias para o alto", diz o economista Sérgio Werlang, diretor do Banco Itaú.
Posted
4:57 PM
by Cassiano Leonel Drum
Nas últimas semanas, os empresários da indústria e do comércio de vários ramos estão metidos numa guerra de nervos por causa da inflação alta. Os da indústria pedem prazos mais longos e menos reajustes a seus fornecedores de matéria-prima. Com o preço dos insumos nas alturas, produzir carros, alimentos ou roupas virou uma atividade de altíssimo custo. Na outra ponta, o varejo resiste em aceitar os aumentos, alegando que o consumidor não quer nem ouvir falar em mais reajustes. O melhor retrato disso é a recente briga entre os gigantes da indústria e as grandes redes de supermercados. O Grupo Pão de Açúcar, maior empregador direto do país, com 60.000 funcionários, iniciou uma polêmica com parte de seus 5.000 fornecedores ao anunciar que não estava disposto a repassar aumentos. Os executivos do grupo chegaram a ameaçar retirar das prateleiras algumas marcas que estariam apresentando altas consideradas abusivas.
"Estamos comprimindo nossa margem de lucro. O problema é que o consumidor não aceita mais repasses", disse Hugo Bethlem, diretor do grupo Pão de Açúcar. O óleo de soja, principal insumo para a fabricação de margarina, subiu 70% neste ano, mas a indústria só conseguiu repassar uma alta de 20% para o subproduto. "É claro que nós tivemos de absorver o resto do aumento", declara José Estanislau do Amaral, diretor de assuntos corporativos da Unilever, a maior produtora de bens não-duráveis do país e principal fornecedora dos supermercados brasileiros. Na Unilever, 80% dos custos de produção sofreram com a desvalorização do real. No setor automobilístico, as discussões entre os departamentos de compras das montadoras e de seus fornecedores têm sido ferozes. Ao contrário de outros tempos, a alta dos preços não é provocada exclusivamente pelo aumento da demanda. No setor eletroeletrônico, a inflação veio acompanhada da diminuição das vendas, o pior cenário possível que, levado às últimas conseqüências, produz estagflação ¿ a mistura intragável de preços altos e recessão. A situação a que se chegou não é cômoda mas pode ser revertida com a ação do novo governo. "Se o governo Lula souber dizer uma série de nãos, pode interromper o processo de escalada da inflação", diz o cientista político Sérgio Abranches. Os brasileiros esperam que o novo presidente diga os nãos necessários e reverta o dragão da inflação a sua condição de mito.
Posted
4:53 PM
by Cassiano Leonel Drum
O caminho do céu...
Estabilidade cambial ¿ A projeção do mercado para dezembro de 2003 mostra o dólar valendo 3,60 reais, o mesmo patamar de hoje.
Queda nos preços dos alimentos A safra recorde desse ano e o provável recuo das cotações internacionais dos produtos agrícolas vão ajudar. Os preços de soja, café, açúcar e milho subiram em média 60% e foram em grande parte responsáveis pela escalada da inflação em 2002.
Política econômica sólida Se prevalecer a opinião de Antônio Palocci e José Dirceu, o PT vai combater a inflação logo nos primeiros dias de governo. Com manutenção de juros altos, se necessário, e controle de gastos.
Supéravit comercial O país deve fechar 2002 com superávit comercial de 12 bilhões de dólares, contra 2,6 bilhões em 2001. Para o ano que vem, espera-se superávit de 15 bilhões de dólares.
Cenário externo A economia americana cresceu 4% no último trimestre e pode recuperar o vigor e o apetite para voltar a investir nos países emergentes.
...ou do inferno
Política econômica incerta - O novo governo pode não conseguir fazer as reformas estruturais previdência, tributária e trabalhista. Isso traria desconfiança.
Novos choques externos - A invasão americana ao Iraque pode levar a uma alta exagerada nos preços do petróleo.
Pressão cambial - O dólar pode não ceder e continuar pressionando os custos dos insumos dos produtos básicos.
Pressão popular Para contentar a população, o governo arrisca cair na armadilha de baixar artificialmente os juros.
Intervencionismo A história mostra que as tentativas de tabelar e controlar preços de cima para baixo só funcionam por algum tempo. Com medo de intervenções, indústria, comércio e prestadores de serviço reajustam seus preços preventivamente ou os retiram do mercado.
Indexação É a medida terminal. Preços e salários se metem numa corrida louca que se torna o mais poderoso combustível inflacionário.
TEMPOS DIFÍCEIS Roberto Faustino/Ag. Folha
Rosa Gauditano Marcos Rosa
Durante mais de três décadas, os brasileiros sofreram com a inflação e também com os planos criados para combatê-la: o congelamento de preços do Plano Cruzado causou desabastecimento. Em 1986 a inflação anual foi de 76%, mas no ano seguinte voltou com toda a força, atingindo 363%. As remarcações de preços eram quase diárias (acima, à esq.), o que provocava a perda do poder de compra dos salários. As empresas chegaram a ganhar mais com a especulação financeira do que produzindo. Com o Plano Real, o ritmo das remarcações diminuiu (acima, à dir.).
Com reportagem de Adriana Carvalho, Denise Ramiro, Marcelo Carneiro e Roseli Loturco
Voces estão lembrados daquele velho provérbio: Se correr o bicho pega e se parar o bicho come. estamos mais ou menos assim outra vez e não há jeito. Mas curta o fim de semana esse sábado lindo e quiça o domingo também. Eu terei que estudar.
Conjuntura Como proteger o seu dinheiro da inflação MARTA SFREDO
O susto com a divulgação do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), de 5,19% em novembro, pode ser transformado em aprendizado. É preciso reciclar algumas práticas dos anos 80 e adaptá-las aos tempos atuais.
Neste momento de incerteza sobre a natureza do repique inflacionário (pode ser bolha ou onda), o melhor é agir combinando o interesse individual com o coletivo, recomendam especialistas em finanças pessoais.
O estoque doméstico de produtos não-perecíveis, uma das antigas estratégias de sobrevivência na selva inflacionária, deve ser feita com cautela. O planejador financeiro Louis Frankenberg recomenda precaução porque a economia ao comprar por preço mais baixo pode ser perdida se a quantidade for mal calculada.
Para José Carlos Ewald, professor de Economia Doméstica na Escola de Pós-Graduação da Fundação Getúlio Vargas, o efeito colateral dos estoques pode ser a realimentação da inflação:
- As pessoas acham que o preço vai subir, compram especulativamente, e aí sobe mesmo. É uma das profecias auto-realizáveis.
Mauro Halfeld, outro especialista em planejamento financeiro, acredita que os estoques só são válidos para quem não tem como se proteger da elevação de preços com aplicações remuneradas.
- O governo não gosta dessa prática, mas quem não tem conta bancária não tem outra saída - resume.
Escolha de aplicação depende de quantia, prazo e perfil
Na hora de definir qual a melhor aplicação, é preciso levar em conta vários aspectos, da quantia e do prazo disponíveis até o perfil individual, lembra Marcelo Paixão, diretor de produto da MaxBlue. Para o aplicador interessado em proteger o dinheiro da inflação sem correr muitos riscos, recomenda fundos de investimento com remuneração pós-fixada atrelada ao juro.
- Os fundos IGP-M, que têm sido muito comentados, são mais indicados para quem está disposto a correr mais riscos, porque a maioria dos papéis tem prazo de vencimento em 2005 - alerta.
Também recomenda que os poupadores busquem informações sobre a composição das carteiras dos fundos. Uma das contra-indicações do momento são os que estiverem concentrados em créditos (debêntures, por exemplo), porque várias empresas enfrentaram problemas em honrar esses títulos no prazo.
Em primeiro lugar, tivemos um presidente que foi um cavalheiro. O termo pode parecer até arcaico, mas faz parte de uma cultura. Cavalheiro, Fernando Henrique tratou seus adversários com deferência, com cortesia. Nunca respondeu aos insultos com outros insultos; as expressões que eventualmente usou, "nhem-nhem-nhém", "neo-bobos" e outras, eram mais curiosas do que qualquer outra coisa. Aliás, cada vez que se pronunciava, deixava falar o professor universitário que tem dentro de si; seus discursos eram lógicos, eram didáticos e eram também corteses. Era, convenhamos, um prazer ouvi-lo, mesmo que não se concordasse com suas palavras.
Também é preciso dizer que nunca se vingou de ninguém. E poderia tê-lo feito: os mecanismos de poder lhe permitem. Se quisesse teria infernizado a vida de seus detratores mediante processos judiciais. Não o fez - e, de novo, isso é uma prova, senão de grandeza, pelo menos de estoicismo.
De Fernando Henrique pode-se dizer que era o homem certo no lugar errado. Na América Latina sempre se teve a 3idéia de que o presidente é o salvador da pátria, alguém a quem se confere plenos poderes para resolver todos os problemas. Fernando Henrique não se prestava a este papel. Daria um excelente presidente num regime parlamentarista, ou um excelente Ministro de Relações Exteriores. É um homem de representação e é um homem de idéias. Se essas idéias mudaram, e mudaram, é outra coisa. O certo é que algumas coisas ele ensinou, a começar pelo próprio Plano Real: pela primeira vez na história do Brasil uma medida de grande magnitude não foi enfiada goela abaixo na população, mas sim implantada de forma madura e esclarecida. A segunda lição está no processo de transição governamental: jogo limpo, aberto, sem sacanagem. Isto é Fernando Henrique Cardoso, mas é também, e principalmente, um novo Brasil, um Brasil maduro. A pobreza continua aí, a violência também, mas está mudando a maneira de lidar com a coisa pública. E isto, se não é uma garantia, é uma esperança - que devemos, ao menos em certa medida, a um homem chamado Fernando Henrique Cardoso.
Para encerrar, um detalhe curioso. Depois de digitar esta matéria, salvei-a - com o nome de FHC - em um lugar errado, e tive de deletá-la. Ao fazê-lo, o computador, esse implacável engenho de nosso tempo, perguntou-me: "Deseja mandar FHC para a lixeira?". Obviamente, eu desejava, sim, mandar a matéria FHC para a lixeira. Mas não o ser humano FHC. Uma diferença que me parece simbólica e muito instrutiva para os novos tempos que vivemos.
Pois é, eu ainda tenho dúvidas a respeito se não seria melhor o Grêmio jogar contra o São Paulo. Mas como sempre as coisas acontecem do melhor jeito prefiro pensar que enfrentar o Santos será o melhor.
Ruy Carlos Ostermann 30/11/2002
Raça
O que faltou ao São Paulo sobrou no Santos: marcação, aplicação, sacrifício, essa velha dimensão do futebol que a torcida são-paulina cobrava em coro nas arquibancadas do Morumbi: raça. O repórter Sílvio Benfica ajustou o sensor e percebeu que, não declarado mas entreouvido e por certo desautorizado, circulava um sentimento no Olímpico ontem de manhã, o de que, talvez, fosse preferível que tivesse passado o São Paulo.
O Grêmio lida com uma ambigüidade: está com desfalques (Roger, Gilberto e Gavião) que fragilizam a sua poderosa defesa e pode ter mais um, Tinga, que debilita o time todo. Uma ambigüidade e tanto. Seria preferível, se podia perceber no Olímpico, que o primeiro jogo fosse em Porto Alegre e não na Vila Belmiro, com tantos e sérios desfalques. A torcida jogaria tudo.
Mas não posso concordar embora possa entender. Sem Roger, Gilberto, Gavião e talvez Tinga seria igualmente difícil fazer escore em Porto Alegre contra o São Paulo e, na outra mão, um time reorganizado a partir da necessidade da resistência e do escore justo na Vila Belmiro é mais razoável.
O segundo jogo no Olímpico contra o Santos, ajustando-se o escore na Vila, é a grande chance do Grêmio chegar à final.
Sabiá
O Santos ganhou duas vezes do São Paulo, e duas vezes da mesma maneira: marcou a saída de bola macia e invariável do time de Osvaldo de Oliveira e foi contra-atacar. Revelaram-se aí dois especialistas jovens e hábeis, Robinho e Diego. Trata-se de uma inesgotável qualidade de atacante brasileiro: um modo malicioso de se mover, um retoque de passo e passe e, no caso dos dois, uma juvenil e muito inteligente vocação para o gol.
Contei mas depois, abalado por uma crise intestinal e só a líqüidos e sopinhas, me aborreci e deixei de contar. Mas 12 vezes, até o meu aborrecimento, Robinho recebeu a bola livre no lado esquerdo do ataque, tão livre que parecia o sabiá ciscando no meu pátio: tinha tempo para olhar, aprumar-se e começar.
No mínimo, porque não se deixa contaminar pela empáfia do São Paulo, Adriano estará ciscando junto.
Librelato
Não se pode morrer aos 21 anos. Não se pode, não se deveria, melhor que fosse proibido. É a mais inicial de todas as idades não porque contenha as autorizações legais que acarreta mas porque, se bem me lembro, é quando o mundo. as paixões, os grandes estremecimentos começam a ser formar como um sonho de possibilidades. Sempre é injusto morrer assim. A ordem da natureza é sábia e ao seu modo justa. Uma brutal interrupção como a do jovem Mahicon Librelato, vitimado num acidente na Beira-Mar Norte, num recanto articulado de Florianópolis, a velha ponte, a rodovia moderna, a elevação da cidade à esquerda, o remanso do mar à direita, os barcos, o céu, um lugar por onde todos de algum modo vão ou passam e voltam. Morrer aí, com 21 anos, sempre será injusto. ruy.ostermann@zerohora.com.br
Meu amigo Paulo Sant'ana a situação é essa e os salários você também está acompanhando as propostas são as mais absurdas, pois que a cesta básica de há muito já não dá para comprar. Ai os fiscais do prefeito Cesar Maia batem nos camelos lá no Rio, mas meu nobre prefeito, essas pessoas precisam levar comida para casa.
Paulo Sant'ana 30/11/2002
Recessão e inflação A velha maldita, a inflação, voltou. E saiu para as ruas para espalhar a sua baba contaminada, adoecendo as pessoas.
O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) bateu recorde e a inflação ficou em 5,19%, em novembro, a maior taxa do Plano Real.
Enquanto isso, a poupança paga menos de um quinto disso aos poupadores. E há fundos de investimento que estão pagando em um ano um pouco mais do que esta sinistra inflação de um só mês que nos aterroriza agora.
Uma estranha e assassina matemática coloca os preços lá em cima e os ganhos na poupança e nos salários cá em baixo.
E a cada dia que passa a aflição toma conta dos lares, das donas de casas, dos trabalhadores e dos funcionários públicos, impotentes e indefesos, vendo seus orçamentos se corroerem diante da espiral inflacionária. Só em novembro, vejam bem, só nos últimos 30 dias, o açúcar cristal aumentou em 22,64%.
Apenas em novembro, o milho teve um aumento de 24,45%. Os ovos tiveram seu preço aumentado em 23,79%. O arroz em casca subiu só em novembro 22,20%. O açúcar refinado em 34,27%. O limão aumentou só em novembro 33,23%. O álcool combustível: 20,14%. E a passagem de avião 15,15%.
É a disparada louca de preços, a pretexto da alta do dólar, enriquecendo uns poucos e empobrecendo ainda mais o povo brasileiro.
E esse índice do IGP-M tem reflexos nos preços da energia elétrica, na telefonia e nos aluguéis.
Ninguém se dá conta, mas essas altas vão tornar a vida do brasileiro num inferno neste final de ano e em todo o ano de 2003.
O governo que sai deixa esta triste herança no seu final de mandato de oito anos.
O governo que entra surge sob os tristes auspícios destas altas selvagens de preços.
Nem se responsabiliza o governo que sai, nem se responsabiliza o que está por entrar, no descuido da transição, quando ninguém sabe quem governa, os preços vão às nuvens.
Na moita e meio que discretamente, vamos igualando os nossos vizinhos, Argentina e Uruguai, que viram os seus preços aumentarem em mais de 100% em poucos meses, sem quaisquer reajustes salariais.
Aquilo que mais se temia, a conjunção da recessão, a falta de dinheiro junto com o desemprego, acrescidos agora da inflação desenfreada, está acontecendo.
Terminou a farra eleitoral, a esperança se alicerça no desespero.
Deus guarde a nossa sorte. Recessão com inflação é o pior de todos os males, o choro se une agora ao ranger de dentes.
Por que, sempre ao final de cada plano econômico, baixam sobre os brasileiros os cutelos da inflação?
Se o Lula não aplicar imediatamente uma política de choque sobre os preços, o seu governo naufraga pelo empobrecimento da classe média e miserabilização dos assalariados.
As posses vão dobrar a finados. psantana.colunistas@zerohora.com.br
Artigo Meu filho foi assaltado ontem EDUARDO BATTAGLIA KRAUSE/ Conselheiro da Agergs
Era dia, em rua e bairro movimentados como qualquer outro de nossa Capital. Foi-se mais um tênis e um relógio. Como troféu ele ficou com os sapatos de camurça que o assaltante deixou. É a quinta vez.
Acontece que tenho mais três filhos. Todos já foram assaltados. Perdas, menos mal, as mesmas: tênis, boné, camiseta, relógio, mochila...
O meu filho foi assaltado ontem. Os outros também. Eu já fui assaltado. A minha mulher já foi assaltada.
Ainda não me dei ao trabalho de sair a perguntar quem não foi assaltado. Eu não estou falando da criminalidade, inerente às grandes cidades. Eu não estou falando de latrocínio. Eu não estou falando do problema da droga, dos seqüestros. Eu estou falando que meu filho foi assaltado ontem. Certamente milhares de pares de olhos que estão lendo esta coluna são de pais como eu, cujos filhos foram assaltados ontem.
Alguns dias atrás, o jurista Paulo Brossard, brilhante como sempre, neste mesmo espaço, com o título "Assuntos não faltam", discorreu, dentre outros temas, com absoluta lucidez, acerca da falência da nossa segurança pública. Disse tão-somente a verdade.
Nós não queremos números. Nós queremos os nossos filhos vivos
Um dia depois de o meu filho ter sido assaltado, Luiz Pilla Vares, assessor do governo do Estado e figura ligada ao meio cultural, utilizando o título "Afogado em números", responde no mesmo espaço ao doutor Brossard. Elogia as ações do governo que integra e, de forma enfática, elenca números impressionantes, demonstrando que os efetivos das polícias civil e militar foram reforçados, o mesmo com a Susepe e o Instituto-Geral de Perícias. Fala em desbaratamento de quadrilhas organizadas, aumento das prisões, combate à corrupção e encerra dizendo que o jurista está equivocado. Agrega, ainda, que nos assuntos da segurança o atual governo tem o maior gosto de mostrar. Como se cuidar das vidas humanas, se justificasse simplesmente comparando-se o governo que fez mais e o governo que fez menos, em tal ou qual período. Termina dizendo que "é só termos oportunidade e sermos provocados e voltaremos a esse e a outros assuntos com o maior respeito à opinião pública".
Perdoe-me senhor Pilla Vares, mas o meu filho foi assaltado ontem. Talvez no exato momento em que o senhor estava confortavelmente sentado no seu gabinete em palácio se acercando dos expressivos números e tentando justificar o injustificável. A verdade é que eu não tenho mais paz. A minha mulher não tem mais paz. As pessoas, que são a opinião pública, não têm mais paz. Os nossos filhos não podem sair na rua. Por enquanto, ainda são os tênis, relógios, mochilas, de vez em quando alguns são mortos. Bem talvez isto não seja importante. Pra mim é. Para as pessoas que estão lendo esta coluna, tenho certeza que sim. Nós não queremos números. Nós queremos os nossos filhos vivos.
O pranto de Foguinho O maior orgulho dos nove anos de existência de Wellington Henrique Fontana, o Foguinho, é que, durante os jogos do Inter em 2002, entrou no gramado do Beira-Rio levado pela mão do atacante Mahicon Librelato. Foi assim em quase todas as partidas de Porto Alegre. Foguinho vestia com galhardia a camisa com o número do seu ídolo, trocava algumas palavras com ele e depois ia torcer do lado de fora do campo.
Foram dias felizes.
Que acabaram ontem de manhã. Ao saber da morte de Librelato, Foguinho começou a chorar e não parou mais. Recusou-se a ir para a Escola Maris e Barros, onde cursa a terceira série. Recusou-se a comer. Ficou trancado em casa, na Vila Safira, vestido com a camisa vermelha do Inter, soluçando. Vez em quando, gritava, melancólico:
Gooool do Librelato!
E apontava os indicadores para o céu, como fazia Librelato ao comemorar seus gols.
A mãe, Veronice, se desesperou ao ver o sofrimento do filho. Ligou para os professores da Escola Rubra, do Inter, onde Foguinho joga futebol. Queria pedir auxílio, uma ajuda psicológica, qualquer coisa, mas não conseguiu falar com ninguém.
Não sei mais o que fazer ¿ repetia ela ontem à tarde, aos prantos, afagando os cabelos vermelhos que deram o apelido ao filho. ¿ Não sei o que fazer para consolar o meu menino.
Um consolo talvez fosse dizer para essa mãe, para a mãe de Librelato, para todas as mães, que a tragédia desse atacante promissor não vai se repetir. Mas isso não é verdade. Outros jovens vão morrer em circunstâncias idênticas. Por um único motivo: falta de educação.
E não é a falta de educação de pequenos como Foguinho. Esses podem ser moldados, podem aprender. Os adultos, não. Os adultos, que estão acostumados a dirigir agressivamente, que estão anestesiados pelo desrespeito à lei, esses só serão educados pela punição.
É o papel dos pardais. Crianças como Foguinho não são punidas pelos pardais. Só é punido quem infringe a lei. Quando todos, motoristas neófitos e veteranos, estiverem finalmente educados, quando todos tiverem o singelo bom senso de cumprir o que determina uma placa de trânsito, os pardais não serão mais necessários. Ninguém será multado. Ninguém morrerá precocemente numa curva. Ninguém precisará consolar um menino como Foguinho, uma mãe como Veronice, uma família de coração esfacelado, como a triste família do jovem Mahicon Librelato.
A mesinha da sala
Durante o golpe militar chileno, os sicários do general Pinochet apreenderam um livro intitulado ¿O Cubismo¿ por acharem que se tratava de um texto sobre a revolução cubana.
Pior foi o que aconteceu ao autor do romance noir ¿Os Assassinos do Suicida¿. O coitado foi encarcerado e permaneceu incomunicável até que um censor mais iluminado lesse o livro e constatasse que a trama nada tinha a ver com o presidente deposto e morto, Salvador Allende.
Verdade que as ditaduras pouco se importam com o mal que infligem, mas, se Pinochet empregasse sequazes mais letrados, não cometeria tais injustiças.
Até nas ditaduras sanguinolentas é preciso uma réstia de conhecimento específico. Sou um defensor do profissionalismo. Até por que, sempre que julguei poder prescindir de profissionais, me dei mal.
Como quando fui comprar minha mesinha.
Era uma mesinha comum, de centro de sala. Vi-a em exposição na loja e apontei:
Quero essa.
Cinco minutos depois, o funcionário me veio com uma caixa de papelão estreita e comprida:
Ó a mesa.
Estranhei.
Queria pronta...
É barbada de montar argumentou o funcionário. Qualquer debilóide monta essa mesinha em 10 minutos.
Depois dessa observação, lá fui eu com a mesa. Cheguei em casa, abri a caixa, li com atenção as instruções e passei à ação. Duas horas depois, continuava sentado no chão da sala, cercado de pedaços de madeira que não se encaixavam, com vontade de dar um soco na cara do maldito funcionário da loja. Liguei para ele:
Preciso de alguém aqui pra montar a mesa.
Mas qualquer debilóide monta...
Então me manda um debilóide, que eu não consigo montar esse troço.
Vou dizer: mal e mal sei desenroscar uma lâmpada. Li esta semana que o Nilson Souza conserta as tomadas da casa dele. Fiquei admiradíssimo. O Nilson conserta tomadas! Eu, na minha estupidez, nem sabia que tomadas podiam ser consertadas ou mesmo estragar. Afinal, uma tomada é apenas um conjunto de orifícios que volta e meia são penetrados e... deixa pra lá, tomada pode estragar, sim, eu é que não sei consertar.
Enfim, sou pelo profissional. Pelo especialista. Não é por outro motivo que saúdo a contratação do Cláudio Duarte para cuidar do futebol do Inter. Ele é do meio. Ele conhece. E, para quem conhece, tudo parece fácil de fazer.
Nunca entendi a lógica dos que atacam os pardais. A velocidade máxima permitida nas ruas de Porto Alegre é de 60 quilômetros por hora, ponto. Se há ou não há pardais numa rua ou avenida pouco importa: quem passa de 60 está infringindo a lei, colocando em risco a vida alheia (além da própria) e deveria ser multado. E quem não passa não tem por que se preocupar com pardais.
Entre 1991 e 1996, os casos de morte no trânsito no Brasil aumentavam mais de 4% ao ano. Desde 1997, com o novo Código de Trânsito, as mortes diminuem 6% ao ano. O número de mortes ainda é absurdo, mais de 20 mil por ano. As vítimas da velocidade são, em boa parte, crianças. Os atropelamentos são a segunda maior causa externa de morte infantil no país. Segundo o Ministério da Saúde, 1.150 crianças morreram atropeladas em 2000. As crianças mais atingidas são, adivinhe, as mais pobres.
Um estudo recente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) constata que os pardais reduziram em pelo menos 1,5 mil o número de mortes no trânsito no Brasil, por ano. Foram comparadas as estatísticas de acidentes de trânsito, antes e depois da colocação dos radares, de 24 cidades brasileiras, além de trechos de rodovias estaduais e federais. Em São Paulo, são 16 mil atropelamentos por ano, com média de 862 mortes. A velocidade é a principal causa dos atropelamentos, seguida da falta de atenção de motoristas e pedestres. Os pardais diminuem a velocidade média dos veículos, o número de acidentes e também sua gravidade. Num atropelamento, há pouca chance de morte se o carro estiver a 30 km/h. A 40 km/h, a chance vai para 15%. Num carro a 60 km/h, a chance de morte salta para 70% e, caso o pedestre seja apanhado a 80 km/h ou mais, as chances de ele sobreviver são bem pequenas.
Graças aos pardais, 1,5 mil brasileiros deixam de morrer, por ano, na guerra do trânsito. Mais de quatro por dia. É chato ser multado, mas, a não ser que você acredite que o prazer de acelerar e de infringir a lei justifica a morte de quatro brasileiros por dia, tem que concordar comigo: os pardais deveriam ser camuflados. E móveis. jorge.furtado@zerohora.com.br
Tenho colocado aqui uma série de crônicas e reportagens sobre essa nossa guerra silenciosa que mata mais que qualquer guerra real, mesmo aquela lá do oriente médio. Hoje tem uma série de comentários a respeito, que perdoem se sou repetitivo mas acredito ser interessante até para refletirmos sobre isso
Guerra brasileira
Quem estiver disposto a fazer um teste, basta pegar uma edição do Diário Catarinense. Qualquer edição, de qualquer dia. É bem provável que encontre lá, em alguma das páginas da editoria de polícia, textos descrevendo um dos inúmeros e trágicos acidentes ao longo dos oito quilômetros da Avenida Beira-Mar Norte, de Florianópolis. Em fins de semana, então, o local vira zona de alto risco pela mistura explosiva de bares lotados, bebidas, exibicionismo e a atração irresistível pela alta velocidade. Foi neste ambiente que o atacante Mahicon Librelato, carreira profissional dando os primeiros passos, encontrou a morte aos 21 anos no início da madrugada de ontem (foto).
Para ele, a vida nem havia começado. Virou um número na trágica estatística deste ambiente insano das ruas e estradas brasileiras.
Tragédias como a de Librelato, um jovem saído da pequena Orleans, a 40 quilômetros de Criciúma, se repetem com freqüência tão espantosamente irracional que ficamos com a sensação de que as pessoas se negam a enxergar os números e os avisos. Fecham os olhos, aceleram e desprezam as sinalizações. Não percebem que esta guerra brasileira mata mais por ano do que a do Vietnã inteira ¿ e, principalmente, que interrompe vidas no seu início. Preste atenção nos números divulgados por médicos e autoridades de trânsito. Você vai descobrir, com a mesma sensação de impotência dos especialistas, que a tragédia atinge principalmente a juventude. É a parte saudável, vigorosa, a aposta de famílias no futuro, que é mais desfalcada.
É a inversão do processo natural da vida ¿ como disse há poucos dias o sofrido pai do soldado gaúcho morto no atentado terrorista de Bali.
Fico absolutamente espantado quando ouço ou leio pessoas dizendo que o dinheiro empregado em equipamentos coercitivos, como pardais e radares, deveria ser investido em campanhas educacionais. É o que mais se faz no Brasil há décadas ¿ e ninguém enxerga ou ouve. A imprensa repete campanhas de orientação a todo momento (na RBS há o Dirija pela Vida), os órgãos de trânsito fazem alertas e expõem carros destruídos nas esquinas esperando sensibilizar as pessoas, há um novo código de trânsito em vigor prevendo multas rigorosas e a apreensão de carteiras, e ninguém parece se preocupar.
As placas e sinaleiras por vezes dão a impressão de serem meros objetos decorativos de tantas infrações que os motoristas cometem. Basta circular pela cidade para constatar a absoluta indiferença de grande parte deles com os alertas da sinalização.
Querem alguns exemplos de como o motorista encara as leis de trânsito? Há pouco tempo, um ouvinte ligou para o Chamada Geral, da Rádio Gaúcha, reclamando de um radar móvel da polícia escondido em uma parada de ônibus. Fez o mesmo raciocínio que provoca certos acessos de fúria contra os pardais: os motoristas estavam sendo surpreendidos. Ora, as placas da estrada estabelecem os limites de velocidade. Se o motorista observasse a lei, nem 500 radares móveis iriam surpreendê-lo em infrações. Talvez nem fosse preciso gastar dinheiro nestes equipamentos. O que ele defendia, na verdade, era o direito de correr à vontade, impunemente. O mesmo ocorre com o pardal. Nenhum deles, como já escreveu a Rosane de Oliveira, sai atrás do carro para multá-lo. Ele está lá, parado. É fácil levar a chamada ¿fúria arrecadadora¿ à falência: basta respeitar o limite estabelecido. Há outro exemplo. Ontem, Zero Hora registrou o caso de um motorista que dirigiu na contramão na auto-estrada por 12 quilômetros, a 140 quilômetros por hora, em estado de embriaguez. Este motorista já deve ter lido e ouvido inúmeras campanhas educacionais. De nada adiantou no caso dele ¿ que nem preso foi.
Não é preciso ser perito também para deduzir o que ocorreu no caso de Mahicon Librelato. É difícil acreditar que uma picape como a dele, em velocidade normal, derrape, bata num poste, ultrapasse vários obstáculos e caia no mar, com as rodas para cima. A longa marca de freio no asfalto, de um carro com sistemas sofisticados de segurança, é outra evidência. Não importa se ele foi fechado por outro carro ou não, como lembrou seu tio no velório. Em condições normais, dificilmente haveria uma tragédia como a da madrugada.
Quando o código de trânsito surgiu, escrevi que não tinha esperança de que a cabeça dos adultos mudasse. O tempo reforçou meu pessimismo. É perda de tempo tentar mudar a cabeça deles. O jeito é educar as crianças (neste caso, sim, é válido investir pesadamente em educação), para que virem adultos responsáveis, e punir com multas rigorosas os motoristas atuais. Por mim, haveria um pardal a cada cem metros. Desta forma não precisaríamos mais lamentar mortes como a de Mahicon, nem chorar com o comovido desabafo da mãe do jogador que, em meio à dor, controlando os soluços com dificuldade enquanto olhava para o filho no caixão, agradecia a todos pela solidariedade. Não dá mais para suportar. mario.souza@zerohora.com.br"
Não entendo qual a dúvida do nosso grande e sempre Dom Juan Itamar sobre quem está mandando. Enfim, é o começo de muitas disputas e jogos de braço.
Itamar já ameaça romper com petista 29.Nov.2002
O governador de Minas Gerais, Itamar Franco, entrou em conflito com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta sexta-feira, Itamar divulgou uma nota à imprensa criticando Lula, o PT e o presidente Fernando Henrique Cardoso. De acordo com o jornal Valor Econômico, o governador mineiro ameaça romper com o novo governo antes mesmo da posse de Lula, em 1º de janeiro de 2003.
O motivo do conflito é a Medida Provisória que permitiria o pagamento de décimo-terceiro salário aos servidores de Minas Gerais através de uma transferência de recursos da União para o Estado. De acordo com o Valor, o coordenador da equipe de transição de governo, Antônio Palocci, vetou a MP, que vinha sendo negociada por Itamar desde abril e que foi acertada com FHC recentemente.
A seguir, a íntegra da nota divulgada nesta sexta-feira pelo governador Itamar Franco.
"É lamentável o não cumprimento do compromisso assumido pelo presidente da República comigo e com o governador eleito, Aécio Neves. E o que é mais constrangedor, pelo empenho que fizemos pela candidatura Lula, é o PT nos tratar como adversário. Se houvesse dúvidas, por parte da comissão de transição, poderiam ter-me chamado para esclarecimentos quanto ao sistema métrico-decimal e à aritmética. O PT, com esta atitude, está prejudicando mais de 1 milhão e 200 mil pessoas que seriam direta ou indiretamente beneficiadas com o 13º. O que nos resta perguntar é quem é afinal, hoje, o presidente da República: o ex-prefeito de Ribeirão Preto ou o professor Fernando Henrique?"
Cesta básica custa mais que um salário mínimo 29.Nov.2002
A pesquisa diária da Fundação Procon revelou que o preço médio da cesta básica em São Paulo ultrapassou os 200 reais, atual valor do salário mínimo, nesta sexta-feira. Depois de duas semanas de alta consecutiva, o preço chegou a 200,22 reais, superando o salário mínimo pela primeira vez desde 1999, quando o real sofria os efeitos da adoção do câmbio flutuante.
Segundo o Procon, o custo mínimo da cesta básica para os paulistanos é 142,77 reais e o máximo, 265,82. A alta dos preços em novembro foi de 8,33%, levando a inflação acumulada no ano para 25,56%. Nos oito anos de Plano Real, o custo da cesta básica aumentou 88,18%.
A cesta básica usada como referência pelo Procon possui 31 itens, sendo 22 alimentares, cinco de higiene pessoal e quatro de limpeza. Como nos índices nacionais de inflação, os alimentos são os principais responsáveis pela alta. Os recordistas da inflação foram a batata (4,95%), o alho (2,21%) e o feijão carioquinha (1,53%).
A alta do dólar, a entressafra na agricultura e até as exportações são citadas como provocadoras dos aumentos nos preços. "O impacto da alta do dólar reflete de muitas maneiras nos preços dos produtos. Itens que não têm nenhuma relação com o dólar são afetados, indiretamente, por exemplo, pelo aumento no setor de embalagens e reajuste dos combustíveis", declarou Vera Marta Junqueira, diretora de Estudos e Pesquisas do Procon, à Folha Online.
A sondagem diária do Procon envolve consultas aos preços de setenta supermercados das cinco regiões de São Paulo. A pesquisa é realizada em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).
Vocês imaginam ficar guardando no paiol de sua casa uma meia dúzia de bombinhas químicas assim ou ainda no celeiro juntamente com os animais. Todavia se desobedecer sabe-se qual é o fim que espera. Entre um e outro, com certeza os iraquianos ainda assim vão preferir cumprir as ordens.
O presidente do Iraque, Saddam Hussein, pode estar usando as casas de sua própria população para esconder as armas de destruição em massa dos inspetores estrangeiros da ONU, que visitam fábricas e instalações militares no país desde quarta-feira. De acordo com uma reportagem publicada nesta sexta-feira pelo jornal inglês The Times, Saddam ameaça quem não concorda em ajudar na missão.
A informação foi revelada por oficiais da inteligência inglesa, que capturaram conversas entre os oficiais iraquianos ligados a Saddam. Segundo os ingleses, funcionários do partido do governo, servidores públicos e cientistas receberam ordens para ocultar componentes do arsenal iraquiano em suas próprias casas. Se negarem o pedido, eles e suas famílias podem sofrer duras punições.
Ainda de acordo com a inteligência inglesa, os fazendeiros iraquianos foram obrigados a esconder barris de produtos químicos para fabricação de armas. Os barris foram misturados aos estoques de pesticidas das fazendas. Computadores portáteis com dados sobre o desenvolvimento de armas também são escondidos nas casas. Por enquanto, a ONU não inspecionou nenhuma casa ou fazenda no país.
Obstáculos - O Times revela que os inspetores estrangeiros têm conhecimento do problema, descoberto também por investigadores americanos. Porém, eles avaliam que é impossível vasculhar as casas - eles não sabem sequer onde começar, já que seria fácil para o governo despistar os inspetores e evitar as visitas às casas dos subordinados de Saddam. O governo do Iraque não comenta o caso.
A resolução da ONU que determinou a retomada das inspeções permite que os estrangeiros vistoriem locais civis, incluindo casas. Segundo o jornal inglês, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o primeiro-ministro da Inglaterra, Tony Blair, estão preocupados com as descobertas de seus agentes e estudam pressionar diretamente os oficiais iraquianos envolvidos nas inspeções.
Como tenho prova de inglês na segunda-feira e preciso conseguir uma nota razoável para passar de nível e fazer o intensivo de dezembro e janeiro e assim acabar os níveis intermediários, estou quanse que proibido de acessar este Blog e colocar mais notas e noticias como gostaria. Temos que melhorar a qualidade, quem sabe, em detrimento da quantidade, tomara que consiga e assim satisfaça essas duas buscas ou obetivos simultaneos. Desde já peço minhas mais humildes desculpas por erros ou por faltas que venha a ter neste período, pois continua válida a informação do Post abaixo de que: " Quem não tem competência, não se estabeleça". Assim, se é válida para os outros acredito, que muito mais para mim. Espero que voces tenham um bom fim de semana já que estou de saida para o meu, que o meu Grêmio vença ou empate lá na Vila Belmiro, estádio do Santos Futebol Clube que eliminou o São Paulo e que depois aqui no Olímpico a gente complete mais esta etapa e dispute a final.
Para finalizar lembro que dentro de todos os homens existe uma criança escondida. A vida é cheia de mistérios e são nesses mistérios que busco na poesia, nessa criança que há dentro de mim. A criança é ingênua, pura e simples, são nas coisas simples que estão as belezas do mundo.
A poesia é uma criança, simples, pura, verdadeira e direta; vem de dentro da alma. Talvez no mundo falte um pouco dessa eterna criança que é a poesia. Se eu pudesse ser um mago, assim como Merlin, lançaria essa criança sobre a Terra, criaria uma porção mágica de amor e introduziria no coração desses homens que controlam o mundo. "Mundo", palavra que tem um sentido tão gigantesco, mas que comparado ao universo, é apenas um grão de areia, frágil e sensível.
Às vezes a poesia é meia brusca para dizer certas coisas, mas ela também sabe ser frágil e sensível. A poesia é tudo no universo e você também é um(a) poeta(isa) - porque todos nós somos, às vezes somos para as multidões e outras somos para nós mesmos, não importa qual das duas formas seja, poeta é aquele que olha o mundo com os olhos do amor, e quando estiver lendo algo sublime, saiba que ali se encontra o amor, pois sem amor nada seremos.
Vocês desculpem mas o blogger da Globo está com problemas ha vários dias para postagem e poucos estão conseguindo inserir imagens, assim que quando isso normalizar volto a postar ou teremos todos que ir para o TERRA e sair da GLOBO, pois acho que antes de se estressar é melhor buscar outras saidas. Se voces entrarem no foro lá do BLOGGER é só reclamação, então a gente continua lembrado daquele vélho provérbio de quem não tem competência não se estabeleça. Pois é ele continua válido apesar da contemporaneidade.
Depois da cachorra Princesa que movimentou as manchetes essa semana, nada melhor que chegar na sexta-feira e encontrar outra cachorra mascote: desta vez a GURIA.
Paulo Sant'ana 29/11/2002
A cadela largadora
Perdoem-me os leitores do pecado da pieguice, mas este fato me emociona. Ele é apenas um vulgar detalhe do cenário cotidiano, mas envolve ternura e compreensão entre muitos seres humanos e um animal. Refiro-me à cadela Guria, que há anos vive no fim da linha 195 do ônibus TV, ali junto da estação da RBS TV. Por estranho instinto, Guria se determinou como guardiã de todas as saídas de ônibus naquele fim de linha. Mal ronca o motor do ônibus estacionado e ela se levanta e se põe de guarda, posta-se à frente do ônibus, serve-lhe de batedora, abre caminho aos latidos e afeta ferocidade no caso de que algum pedestre ou outro veículo se atravesse no caminho do ônibus que está iniciando o seu curso. É um ritual diário e repetitivo, uma solenidade que se banalizou no fim da linha, sob os olhares espantados dos transeuntes e agradecidos dos motoristas.
Guria foi quase que imperceptivelmente se tornando atração turística no Morro Santa Teresa. Avisado do estranho fenômeno de prestação de serviços de uma cachorra aos motoristas da linha 195, tive oportunidade de socorrer Guria há um ano, quando ela viu sua perna esmigalhada por um veículo que teve a audácia de interromper a largada de um ônibus. Um generoso veterinário, por meu apelo, abrigou-a em sua casa, operou-a, medicou-a, alimentou-a e a fez retornar muitos dias depois à sua faina. Era de ver a alegria dos motoristas quando ela retornou sadia e serelepe, pronta imediatamente ao trabalho. A segunda vez que acho que salvei a vida de Guria foi esta semana. Recebi diversos bilhetes aflitos dos motoristas da linha 195: o setor competente da prefeitura havia recolhido Guria ao Centro de Zoonoses, os motoristas imaginaram que ela seria morta, como acontece com os cães vadios ou doentes. E pediram que eu intercedesse. No Gaúcha Hoje de anteontem, apelei para os responsáveis pela captura de Guria para que a libertassem, em face do significado humano que se empresta a ela no fim da linha. Imediatamente os bons corações dos captores se sensibilizaram e o Diário Gaúcho de ontem estampava a foto colorida de Guria retornando ao trabalho, saudada efusivamente pelos motoristas.
O que levou esta cadela a assumir aquela postura marcial diante dos ônibus nas largadas, trancando o trânsito e dando preferência aos coletivos, acompanhando-os por um trecho até que eles sigam livre em frente? Certamente que ela foi levada instintivamente por um desejo de ser útil, não só de retribuir os alimentos e a água com que os motoristas sempre a obsequiam, mas através de um pressentimento atávico percebeu que sua sobrevivência dependia daquele seu protagonismo social. E assim vão passando os anos, vão morrendo por abandono ou profilaxia os outros cães todos que gravitam em torno do fim da linha 195-TV, mas sobrevive cercada de admiração e agradecimento dos motoristas a cadela Guria. Sempre disposta, sempre alerta, largando os ônibus todos os dias e todas as noites, ao sol ou à chuva, sem direito a folga semanal ou a férias, mas remunerada pelo fundo de garantia da amizade e do amor que lhe prestam os motoristas e os cobradores, seus solidários colegas de trabalho, gratos pelo respeito que ela empresta ao seu labor, maior muitas vezes do que lhes dedicam os passageiros a que servem com tanta presteza. Vida longa para Guria! A melhor civilização é a que protege e ama os animais. psantana.colunistas@zerohora.com.br
Que minha fala seja sempre firme, mas minha voz sempre doce. Que meu anjo da guarda faça com que o meu coração se dispa de toda e qualquer mágoa, rancor ou ressentimento e que o seu pulsar seja sempre no compasso da alegria de bem viver, amém e que o seu anjo da guarda proceda tal e qual o meu também.
Que meu anjo...
Que meu anjo da guarda me proteja de todos os inimigos visíveis e invisíveis. Que meu anjo da guarda ilumine minha mente, tornando puros e claros meus pensamentos, livrando-os de qualquer influência maléfica.
Que límpida seja minha intuição e que da minha mente jorrem cada vez mais idéias produtivas e construtivas. Que o meu anjo da guarda faça com que os meus olhos enxerguem sempre o melhor da humanidade, mas que também me previnam de qualquer embuste contra minha pessoa.
Que minha fala seja sempre firme, mas minha voz sempre doce. Que meu anjo da guarda faça com que o meu coração se dispa de toda e qualquer mágoa, rancor ou ressentimento e que o seu pulsar seja sempre no compasso da alegria de bem viver
Que o meu coração se renove a cada segundo, a cada minuto, a cada hora, a cada dia. Que o amor divino envolva o meu coração sendo um bálsamo curativo cicatrizando velhas feridas.
Que o meu anjo da guarda faça com que os meus braços e mãos estejam sempre prontos para o trabalho, mas também para dar e receber carinho.
Eu sei e imagino que para você também seja difícil seguir a risca esses conselhos, mas é uma época propícia para refletirmos por que é tão bonito teoricamente e na prática realizamos tão pouco disso que o texto abaixo sugere.
Olha teu jardim...
OLHA no teu jardim as rosas entreabertas, e nunca as pétalas caídas; OBSERVA em teu caminho a distância vencida e nunca o que falte ainda; GUARDA do teu olhar os brilhos de alegria e nunca as névoas de tristezas; RETÉM da tua voz risadas e canções e nunca os teus gemidos; CONSERVA em teus ouvidos as palavras de amor e nunca as de ódio; GRAVA em tua pupila o nascer das auroras e nunca os teus poentes; CONSERVA no teu rosto as linhas do sorriso e nunca os sulcos do teu pranto; CONTA aos homens o azul das tuas primaveras e nunca as tempestades do verão; GUARDA da tua face apenas as carícias, esquece as bofetadas
CONSERVA de teus pés os passos retos e puros, esquece os transviados; GUARDA de tuas mãos as flores que ofertaram, esquece os espinhos que ficaram; De teus lábios CONSERVA as mensagens bondosas, esquece as maldições; RELEMBRA com prazer as tuas escaladas, esquece o prazer fútil das descidas; RELEMBRA os dias em que fostes água limpa, esquece as horas em que foi brejo; CONTA e mostra as medalhas das tuas vitórias, esquece as cicatrizes das derrotas; OLHA de frente o sol que existe em tua vida, esquece a sombra que fica atrás;
Mas o que temos feito desta nossa existência que chega a parecer "infinita" e, no entanto, é tão breve?
Vejamos, Sêneca, o inspiradíssimo pensador voltado aos aspectos práticos da vida, nos diz que: "Parte do tempo nos é arrancada, parte nos é subtraída por amenidades, e o resto escorrega de nossas mãos. No entanto, a perda [de tempo] mais lastimável é a que se dá pela negligência. E, se considerarmos bem, a maior parte da vida se passa agindo mal [cometendo erros], uma grande parte sem fazer nada [nada de produtivo], toda a vida se passa fazendo outra coisa do que seria necessário fazer." Ah! E as coisas da vida não são mesmo assim? Não são tardias as nossas mais importantes descobertas? Não são irreparáveis os nossos maiores erros cometidos?
Isso prova que precisamos aprender a viver, e que viver não é apenas seguir em frente, respirando; é muito mais. Ou pode vir a ser muito mais. Na sua singela, mas grandiosa, primeira carta ao amigo Lucílio, Sêneca pergunta: "Que exemplo me darás de alguém que saiba valorizar o tempo, que dê consideração a um dia, que compreenda estar morrendo cotidianamente? Este é o erro: colocarmos a morte no futuro, quando grande parte dela já passou. Tudo o que está no passado a morte já o possui."Vimos que não há como negar a lúcida argumentação de Sêneca. De agora, deste exato instante para trás, até o dia em que nascemos, tudo é passado - tudo pertence à morte. No entanto, só pensamos na morte como algo que um dia chegará.
Vislumbramos um dia, lá adiante. Que engano! Os anos da nossa infância são propriedade da morte, as nossas esperanças e sonhos perdidos também são propriedade da morte, os minutos que já vivemos e que passaram, cada um deles e, neles, cada segundo, todos pertencem à morte. Não, isso não é ruim, não é mórbido, apenas nos ensina que, desde o momento em que demos o primeiro suspiro de vida, estamos aprendendo a ganhar e a perder, aprendendo a reter e a desprender, a viver e a morrer. Se você tem medo da velhice, das enfermidades ou da morte, não está dignificando a dádiva da vida. Erram muito aqueles que acreditam que o mundo seja um imenso parque onde tudo o que devemos fazer é lutar para encontrar mais prazer, mais alegrias, mais riquezas, mais amor e mais segurança.
E assim, por algum tempo, não todo o tempo, o mundo é exatamente do modo como olhamos para ele; alguns só têm olhos para o sexo, e para estes o mundo é uma tenda de prazeres carnais; alguns só têm olhos para o dinheiro, e para estes o mundo é um baú de riquezas; outros só têm olhos para a religião e a caridade, e para estes o mundo é um vestibular que conduz ao Paraíso; e há os que só têm olhos para si mesmos, e para estes o mundo é um imenso umbigo. Vemos, pois, que o mundo é tudo e é nada, é o que dele fazemos em nosso coração e em nosso pensamento. O mundo é uma criação da nossa mente, das nossas idéias, desejos e temores.
Relembrando para terminar, colocarei aqui as sábias palavras de Sêneca a Lucílio, pertencentes à carta XXII. É o trecho final, as últimas orações, mas tocam num tema importantíssimo, qual seja o modo como entramos e saímos da vida, nossa responsabilidade perante o próprio destino: "Epicuro diz que não há pessoa que saia da vida diferente do modo como entrou. Ele se engana: morremos piores do que nascemos. E a culpa é nossa, e não da natureza. Estaria no direito da natureza queixar-se de nós e dizer: "O que houve? Eu vos gerei sem desejos, sem temores, sem superstições e outras pestes; tal como entrastes, saí." Colheu o fruto da sabedoria o homem que morre tão seguro quanto nasceu, mas na realidade trememos quando o perigo se aproxima. Falta coragem em nós, empalidecemos, lágrimas caem, embora sejam inúteis. O que há de mais vil do que estar inquieto no limiar da segurança? A razão é que, destituídos de todos os bens, arrependemo-nos de ter desperdiçado a vida, não detivemos nenhuma parte dela; a vida simplesmente passou. NINGUÉM SE PERGUNTA SE VIVE BEM, MAS POR QUANTO TEMPO VIVERÁ. NO ENTANTO, TODOS PODEM VIVER BEM E NINGUÉM SABE POR QUANTO TEMPO VIVERÁ!"
Acabar com a fome, tirar todas as crianças da rua, criar milhões de empregos, segurar a inflação, conter a violência, aumentar o salário mínimo, disciplinar o trânsito, combater o crime, redistribuir as terras, promover reformas, estimular a produção, garantir educação de qualidade a todos, punir a corrupção, acabar com o analfabetismo, não aumentar impostos, cuidar da saúde da população e zelar pela democracia, pelas liberdades individuais e pela felicidade coletiva. Efetivamente é uma listinha de propósitos bem significante. A questão é conseguiremos nos desincumbir a contento da mesma? E você acha que pode?
Nilson Souza 28/11/2002
Lista de propósitos
Entre as manias que tenho (uma é gostar de você, diz a antiga canção), uma delas é anotar as tarefas do dia. Na verdade, anoto tudo. Sou meio dependente da caneta esferográfica. Raramente sou flagrado sem ela. Toca o telefone e já vou registrando o número de quem discou, o nome da pessoa, as palavras-chaves do seu discurso. Coisa de repórter. Costumo ler jornais e livros com um papel em branco ao alcance da mão. Termos desconhecidos, frases espirituosas, sacadas, curiosidades, tudo vai para o bloco de anotações para uso posterior ou mesmo para o esquecimento. Faço garranchos, muitas vezes nem eu entendo bem o que anotei. E não é raro que esqueça também por que anotei. Às vezes, encontro nos bolsos de alguma roupa menos freqüentada papéis com nomes estranhos e telefones mais desconhecidos ainda. Dá vontade de ligar para esclarecer o mistério, mas quase sempre apelo para a racionalização: se não lembro é porque não é importante.
Até no sábado, que é o meu dia de descanso, costumo fazer uma listinha de tarefas: cortar as unhas, consertar tomadas, lavar o carro, terminar a leitura de um livro, comprar um presente - essas coisas que não estão no registro automático da rotina. Algumas efetivamente realizo, outras ficam para o sábado seguinte (menos cortar as unhas, é claro). Já concluí que sou bem mais eficiente na elaboração de listas do que na execução das tarefas. Como, aliás, costumam fazer os políticos em campanha.
Vejam só essa listinha de propósitos que retirei recentemente da leitura dos jornais: acabar com a fome, tirar todas as crianças da rua, criar milhões de empregos, segurar a inflação, conter a violência, aumentar o salário mínimo, disciplinar o trânsito, combater o crime, redistribuir as terras, promover reformas, estimular a produção, garantir educação de qualidade a todos, punir a corrupção, acabar com o analfabetismo, não aumentar impostos, cuidar da saúde da população e zelar pela democracia, pelas liberdades individuais e pela felicidade coletiva.
Será que pelo menos algumas dessas disposições serão realmente cumpridas ou cairão todas no esquecimento como esse papel com nomes rabiscados que trago no bolso desde o dia da eleição? nilson.souza@zerohora.com.br
O homem é definitivamente um ser indecifrável é o final dessa crônica do Paulo Santana e não há como não concordar com ele. Leiam a crônica e vocês hão de convir qué assim é.
Só mais uma Grêmio
Que vitória suada e de profundo significado obteve o Grêmio ontem em Caxias.
A vitória da camiseta, da tradição, do maior clube, de melhor qualidade dos jogadores.
O Grêmio fica agora a um passo apenas da Libertadores. Mais uma passagem para a finalíssima e poderá disputar a Libertadores no ano do seu centenário.
E interessante: exatamente o cartão vermelho que o Adriano Chuva, de últimas infelizes atuações, recebeu no primeiro jogo acabou por determinar a classificação gremista.
Tite optou com felicidade e decisão pelo menino César, que terminou numa grande jogada marcando o gol da classificação.
Mas restou ainda assim inesquecível a campanha do Juventude neste Brasileirão: só foi se entregar porque não tinha jogadores de reposição para as ausências de Pitbull e Leonardo Manzi.
Agora resta a nós, gremistas, torcer hoje à noite, como se fosse ontem, pelo Santos. Isso trará o segundo jogo para Porto Alegre. E com a então desclassificação do São Paulo, só o Cori