E N T R E L A Ç O S
Click for Porto Alegre, Brazil Forecast

Sábado, Dezembro 07, 2002


E estas são as capas das duas revistas semanais. Ou a gente ganha em espaço e diminue a resolução ou melhora a resolução e aumenta o tamanho dos arquivos. Assim preferi chegar a um misto. Mas quando for preciso vê-las mais claramente estão individualizadas nos posts mais abaixo. Também queria fazer fisoterapia para ter umas colegas de aula assim...



Internet

Cursinho online
Sites simulam provas e ajudam os alunos a enfrentar o vestibular
Fabiana Fevorini

Hora de revisão: sites para se preparar para os exames



ENSAIO A candidata a fisioterapeuta Aline Polleti acima faz simulados pelo computador Entre a segunda quinzena deste mês e o início de janeiro começa a maratona de provas da segunda fase do vestibular das mais importantes universidades do País. Especialistas em educação e professores dos cursos pré-vestibular são unânimes em dizer que o ideal, às vésperas das provas, é consolidar o que se aprendeu ao longo do ano.

Nessa corrida para refrescar a memória, a internet pode ser uma boa aliada. Há sites para todas as necessidades: desde os que ajudam a fixar as matérias até os que fazem a simulação das provas, com direito a correção e lista de classificação.

¿A internet funciona como um intensivo, onde o aluno encontra o resumo das matérias e faz exercícios¿, diz Luci Ayala, diretora editorial do Klick Educação, portal criado para ajudar o aluno a estudar. A página é como uma apostila eletrônica e seu acesso é reservado aos assinantes, que desembolsam R$ 9,90 ao mês. ¿A preocupação é fazer com que o aluno aprenda, sem decorar, para assimilar o conteúdo das disciplinas e transmiti-lo de forma clara e objetiva nas provas¿, ensina Luci.

Além de revisar disciplinas clássicas, os sites trazem a seleção das provas dos anos anteriores e uma lista de exercícios resolvidos. Podem-se baixar livros inteiros, de graça, e conferir os resumos e as análises das obras literárias que mais caem nas provas. Algumas páginas se sofisticaram tanto que ensinam a escrever uma redação, o cavalo de batalha da maioria dos candidatos. Basta enviar o texto por e-mail e recebê-lo de volta com comentários e dicas para redigir melhor.

Pela frequência de acessos, as provas dos anos anteriores são líderes em audiência. O site de quase todos os cursinhos alimentam bancos de dados com as questões dos exames passados. Pensando nisso, o Objetivo lançou um simulado eletrônico em que o aluno testa seus conhecimentos sem sair de casa. Basta baixar as questões no horário marcado, resolvê-las no tempo previsto e enviar de volta para a avaliação. O teste é gratuito e teve dez mil inscritos. A estudante Aline Oliveira Polleti, 20 anos, foi uma das que se renderam ao conforto da tecnologia. ¿A pressão é menor quando se faz um simulado online, e os sites que tiram dúvidas por e-mail são os mais úteis¿, afirma a candidata a uma vaga em fisioterapia.

A internet pode servir de guia, mas jamais substituirá o professor. O risco de obter informações equivocadas é grande. Segundo Leandro Tessler, coordenador do vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), alguns resumos de livros circulam pela rede repletos de erros graves. ¿O vestibulando que não for crítico e desconfiado pode entrar numa fria¿, diz Tessler, que recomenda aos universitários buscar nos noticiários informações sobre atualidades.
¿É uma maneira de ficar mais crítico e alerta às questões do dia-a-dia.¿ São esses os alunos que as universidades esperam.


E esta como sempre é a capa da Revista semanal Isto É, que está on line no site do Terra no link da própria capa da revista. Boa leitura e as duas tem reportagens interessantes, assim vá na sua banca mais próxima e adquira-as, para entre outras coisas a fazer neste domingo lê-las com calma.



MUNDO


VENEZUELA FRATURADA
Opositores de Chávez se enfrentam em outra greve geral

COMPORTAMENTO

MDMA
A droga escolhida pelos
jovens para substituir o ecstasy

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

O NÓ DA QUESTÃO
Cientistas montam equações para definir
o melhor jeito de atar gravatas e sapatos

CURSINHO ONLINE
Sites ajudam vestibulandos
na reta final dos exames

ASTROLOGIA

O QUE VEM POR AÍ
Mapa astral de Lula dá algumas dicas de como será o novo governo




Diogo Mainardi

Lula me diverte "Para impedir escutas telefônicas, Lula tem um celular com misturador de vozes.Como se ele precisasse desses expedientes tecnológicos para tornar sua linguagem absolutamente incompreensível"

Quatro por cento de antipatriotas, segundo o Ibope, acham que Lula fará um governo ruim ou péssimo. Como se atrevem? Considerando os trinta e poucos dias desde seu triunfo eleitoral, Lula está destinado à glória.

Em Pernambuco, ele declarou que "Fernando Henrique viajou muito pela China, Inglaterra, mas eu vou viajar pelo Brasil". De fato, antes mesmo de assumir ele já terá visitado Argentina, Chile, Estados Unidos, México e, sobrando um tempinho, Dinamarca.

Pernambuco é a terra natal de Lula. Ele chorou muito num comício em Garanhuns. Depois chorou muito em Caetés. Para acabar com a seca no Nordeste, sua melhor idéia até agora foi recriar a Sudene. Quanto à transposição do Rio São Francisco, evitou posicionar-se, dizendo que "será uma decisão técnica, política e do povo". Difícil saber o que acontecerá se os técnicos recomendarem uma coisa e o povo quiser outra.

Ainda a propósito da seca no Nordeste, Lula propôs criar um conselho para discutir a questão da água. Ele também propôs um conselho para a política previdenciária, outro para o combate à violência e outro para o pacto social. Este último conselho se reuniu pela primeira vez em novembro. O presidente da Fiesp considerou-o "sem agenda, foco e método". Lula rebateu que era exatamente o que ele pretendia: "É maravilhoso que tenhamos vindo para cá sem que tivéssemos definido o que fará o conselho". Muito mais maravilhoso, claro, é ir para o Palácio do Planalto sem ter definido o que fará o governo.

Ao ser eleito, quando lhe perguntaram qual seria sua primeira medida como presidente, Lula disse que evitaria fazer algo que pudesse parecer "apenas um merchandising". No dia seguinte, anunciou o Fome Zero.

Para financiar o Fome Zero e outros programas assistenciais, Lula resolveu aumentar o Cide, um imposto sobre a gasolina. Até o último debate do primeiro turno, Lula nem sabia o que era o Cide, tanto que foi incapaz de responder a uma pergunta de Garotinho sobre o assunto. Espera-se que ele continue ignorando a existência de muitos outros impostos, caso contrário vem aumento por aí.

Nas últimas semanas, Lula sempre apareceu em companhia de Marisa, sua mulher. Ela foi vista toda de branco no dia das eleições ("Para atrair boas vibrações") e tremendo de medo num avião ("Eu sou ariana"). Lula tem uma visão doméstica da política. Comparou a atividade de um presidente à do síndico de um prédio e comentou que governar "é igualzinho ao que a gente faz em casa, quando marido e mulher discutem para comprar uma geladeira". Além disso, jurou cuidar dos pobres como se fossem seus filhos. É disso que a gente precisava: de um novo "Pai dos pobres".

Lula disse: "Eu gosto do povo, e o povo gosta de mim". Lula também gosta de ser fotografado no meio do povo. Volta e meia ele desce do BMW blindado para autografar a perna engessada ou a camisa do Corinthians de algum eleitor. Quem se preocupa com essa sua exuberância é o serviço de segurança, que não sabe como protegê-lo. O mesmo serviço de segurança, para impedir escutas telefônicas, dotou-o de um celular com misturador de vozes. Como se Lula precisasse desses expedientes tecnológicos para tornar sua linguagem absolutamente incompreensível.

Lula prometeu que não vai decepcionar o povo brasileiro. A julgar por esse começo, realmente será uma festa. Eu já comecei a me divertir.


Stephen Kanitz

Escolhendo uma profissão "Faça um favor à sociedade e àqueles
que adorariam estar em seu lugar: não tome a vaga de quem realmente precisa"



Ilustração Ale Setti



Todo jovem tem de tomar pelo menos duas grandes importantes decisões na vida. A escolha da profissão e a do cônjuge. A maioria estuda e namora o futuro cônjuge nos mínimos detalhes, mas escolhe e descarta dezenas de profissões com uma única frase. Muitos passarão mais tempo no emprego do que com o marido, a esposa e a família. Quando chegarem em casa, todos já estarão dormindo. Como melhorar a escolha da profissão com a mesma dedicação com que se escolhe um cônjuge?

1. Namore também sua profissão. Se seus pais possuem um conhecido que exerça uma profissão, peça permissão para acompanhá-lo por algumas semanas para sentir como é seu dia-a-dia. Mesmo que tenha de ficar nos corredores, você verá o ambiente, sentirá um pouco a rotina diária. Assista a uma semana de aulas em sua futura faculdade. Comece a explorar as variantes da profissão, descubra as linhas de pensamento, os estilos. Quem são as "feras" dessa área e como são os estilos de vida. Combinam com o seu?

2. Não se apresse. Se você estiver na dúvida quanto à escolha da profissão, tire um ano mochilando pelo mundo afora. É preferível "perder" um ano a perder toda uma vida profissional. A escolha da profissão precisa ser cuidadosa, porque hoje em dia é mais fácil trocar de cônjuge que de profissão. Aos 32 anos você não terá mais disposição para prestar um novo vestibular. Essa pressão da sociedade e dos pais para uma escolha imediata vem do tempo em que a expectativa de vida de um adulto era de somente quarenta anos. Hoje a expectativa média de vida é de 82 anos. Um ano ou dois não farão a mínima diferença.

3. O não por exclusão. Nossa tendência é sempre achar algum defeito numa idéia nova. "Engenheiros sujam as mãos", "contabilidade é para tímidos", "advocacia é para quem fala bem", "finanças e economia são para especuladores". Toda profissão tem seus defeitos. Se você andou escolhendo algumas profissões por exclusão, volte atrás e pense de novo.

4. Explore o cinza. Justamente porque o estereótipo do advogado é aquele que fala bem, existe enorme falta de advogados que sejam bons em matemática. Por isso, advogados tributaristas, os que mexem com números, são muito bem pagos no Brasil.

5. Não confunda interesse com proposta de vida. Todos nós deveríamos ter interesse em história e filosofia. Espero que nos fins de semana vocês leiam esses temas, e não mais um livro técnico. Todo mundo deveria estudar um pouco de economia, psicologia e direito, mas nem todos irão querer estudar essas matérias a vida inteira. O simples interesse não é suficiente para fazer de você um profissional dedicado e totalmente comprometido para o resto da vida. Uma fã do pianista Arthur Moreira Lima disse que daria a vida para tocar como ele. "Pois eu dei a minha vida", respondeu Moreira Lima. Se você está disposto a dar sua vida por história ou filosofia, aí não é um mero interesse, é sem dúvida uma vocação. Portanto, vá em frente. Se você escolher uma profissão no par-ou-ímpar, lembre-se de que poderá estar tirando a vaga de alguém que tem vocação, a vaga de um futuro Moreira Lima. Faça um favor à sociedade e àqueles que adorariam estar em seu lugar: não tome a vaga de quem realmente precisa. A sociedade, os excluídos e seus futuros professores agradecerão efusivamente. Portanto, vá com calma. Estude a vida inteira e escolha sua profissão de uma forma profissional. Boa sorte e meus votos de sucesso.

Stephen Kanitz é administrador
(www.kanitz.com.br)


Resta uma esperança?
Capítulos atrasados, atores estressados, trama maluca. E a Globo intervém na novela das 8
Ricardo Valladares

Fotos TV Globo/João Miguel Júnior




Gianecchini e Ana Paula (no alto), Paulo Ricardo e cena de enterro na semana retrasada: decúbito ventral e dorsal, galã tatuado e encosto


Nesta segunda-feira, a novela Esperança, da Rede Globo, deve levar ao ar uma cena em que Maria (Priscila Fantin) e Farina (Paulo Goulart) discutem a compra de uma fazenda. Como os personagens são italianos, os diálogos serão naquela língua estranha que se tornou uma das marcas registradas do autor Benedito Ruy Barbosa. A cena, contudo, não foi escrita por Benedito. O texto foi o primeiro concluído por Walcyr Carrasco, noveleiro que, na segunda-feira, recebeu da Globo uma dupla missão: acabar com o atraso na entrega dos capítulos, que estavam chegando às mãos dos atores pouco antes das gravações, e dar sentido a uma trama cada vez mais desmilingüida, cuja audiência caiu a meros 39 pontos de média.

Há tempos Benedito Ruy Barbosa vinha enfrentando dificuldades para trabalhar. Três meses atrás, ele deixou seu sítio no interior de São Paulo e enclausurou-se num quarto de hotel no Rio de Janeiro, na esperança de acertar o passo. Funcionou por pouco tempo. Logo o bloqueio de escritor voltou a manifestar-se, agravado por outros problemas. A mãe de Benedito está bastante doente, e chegou a ser internada numa UTI. O próprio autor, fumante inveterado, descobriu que tem enfisema pulmonar. Nas últimas semanas, ele só conseguia escrever respirando com o auxílio de um inalador. A gota d'água ocorreu na terça-feira retrasada, quando ele sofreu um acidente com o carro. No dia seguinte, sentou-se em frente ao computador e percebeu que não tinha uma idéia sequer para dar continuidade às peripécias de Toni, Camille e companhia. "Eu travei. Não saía mais nada", conta o autor. Diante da impossibilidade, pela primeira vez em 37 anos de carreira, Benedito resolveu aceitar a ajuda de um co-autor.

Não era apenas Benedito que sofria com a situação. Com os atrasos na entrega dos capítulos, a produção das cenas foi ficando cada vez mais empobrecida. "Apareciam instruções pedindo uma ceia judaica, mas não dá para fazer isso de uma hora para a outra. Tínhamos de ficar mesmo no arroz com feijão", diz um diretor da Globo. Os flashbacks se tornaram um recurso comum e, para encher o tempo, cenas que deveriam durar vinte segundos se estendiam por mais de um minuto. Muitos atores passaram a reclamar de estresse. Na semana passada, Ana Paula Arosio desmaiou enquanto gravava uma cena. O elenco recebia o texto às 7 horas da manhã para encená-lo às 10 horas nos estúdios da Globo. Havia quem decorasse as falas no carro, a caminho da emissora. Por respeito ao autor, ninguém reclamava em público. A exceção foi a atriz Beatriz Segall, que em outubro apareceu na novela como Antônia, mãe do português José Manoel (Nuno Lopes). Encerrada sua participação, ela disparou, durante uma entrevista no sofá de Hebe Camargo, no SBT: "É uma tremenda falta de respeito com o ator entregar o texto daquele jeito". Benedito ficou magoado. "Não fui eu quem a escolheu para fazer o papel. Para mim, ela é a eterna Odete Roitman", devolveu o autor, referindo-se ao papel de vilã desempenhado por Beatriz na novela Vale Tudo, de 1988.




Seria até possível fazer vista grossa a tudo isso se Esperança fosse um sucesso. Mas não é. Faz tempo que ela nem se aproxima dos 45 pontos de ibope, uma média que seria considerada razoável pela emissora. Benedito Ruy Barbosa tem razão ao lembrar que a Globo errou na estratégia de lançamento da novela. Ela estreou ao mesmo tempo que a Copa do Mundo de Futebol. Depois veio o horário político, que a obrigava a começar mais tarde e tirava a paciência do espectador. Ainda assim, Esperança é uma trama em que sobram maluquices. Um capítulo foi uma mistureba ecumênica: houve cenas de umbanda, casamento católico e festa judaica. Noutro, veio à tona que um dos malvados da trama, o personagem Maurício, não era mau de verdade. Ele sofria a influência do espírito atormentado do pai. Quando se deu conta disso, ele proporcionou uma bela cerimônia funerária ao sujeito para tentar livrar-se do encosto. No quesito galã, o extraordinário Reynaldo Gianecchini não conseguiu comover a audiência. O jeito foi apelar para o vocalista do conjunto RPM, Paulo Ricardo, que acaba de entrar na história. Nos bastidores, todos estão maravilhados com a memória fotográfica de Paulo Ricardo. Ele bate o olho no texto e o decora instantaneamente. É uma vantagem e tanto em se tratando de gravações conturbadas. Todos torcem para que ele ajude a levantar a audiência. "O Paulo é muito gracioso e as mulheres o adoram", diz um diretor da Globo. Há algo de errado quando a grande aposta de uma novela é um cantor. E Paulo Ricardo ainda tem um problema: ele é todo tatuado. Esperança se passa em 1934 e não tem pirata na história. A Globo adoraria colocá-lo numa cena apimentada, com pouca roupa, mas não sabe o que fazer com as tatuagens.

Aliás, como sempre ocorre quando uma novela começa a dar errado, as cenas de sexo aumentaram de freqüência nos últimos tempos. Gianecchini e Ana Paula Arosio volta e meia são convocados a colocar-se em posições de decúbito ventral (ele) e dorsal (ela). Emilio Orciollo Netto já foi visto de ceroulas e chupando o dedão do pé de Miriam Freeland. Fora da alcova, Walcyr Carrasco pretende promover algumas reviravoltas. O personagem Toni, por exemplo, deverá passar um tempo na cadeia, depois de envolver-se com agitadores comunistas. Ele também criou um papel para o ator Osmar Prado. "No momento em que o Benedito melhorar, eu volto para o meu cantinho", diz Carrasco. Isso não deve acontecer tão cedo. Por algum tempo, o contato de Benedito com a novela será mínimo. Ele nem foi consultado a respeito da contratação de Osmar Prado. "A rigor, eu teria direito de veto, mas a última coisa que quero é criar problemas. Até porque gosto muito do trabalho do Walcyr", diz ele. No cenário mais provável, Benedito deverá escrever apenas os últimos capítulos de Esperança, que irão ao ar em fevereiro de 2003.


Essa e uma das reportagens da Revista Veja que está em sua parte Geral - Comportamento, que não engrandece nada o nosso sexo frágil, mas que é uma realidade presente.

Elas bebem demais
Casos de alcoolismo entre as garotas já são quase tão numerosos quanto entre os rapazes
Rosana Zakabi
Liane Neves



Chope entre amigos: livres para adotar os maus hábitos masculinos

Sempre foi assim: na juventude, os rapazes tomam alguns porres homéricos. A novidade é que isso também está se tornando normal entre as garotas. Elas vêm abusando do álcool com uma sede sem comparação com a da geração de suas mães. Até o início dos anos 90, de cada cinco jovens que procuravam ajuda médica devido a problemas de alcoolismo, apenas um era do sexo feminino. Hoje, a média é de dois rapazes para uma garota. A Universidade Estadual Paulista (Unesp) concluiu no fim de outubro um estudo com 318 calouros com idade entre 18 e 20 que bebiam pesado mais de duas vezes por semana. Descobriu que as meninas não só bebem em quantidade semelhante à dos rapazes como também se envolvem quase na mesma proporção em acidentes de carro quando estão embriagadas. "A relação encontrada foi de três garotas acidentadas para cada cinco rapazes", diz Florence Kerr-Corrêa, professora de psiquiatria e coordenadora da pesquisa. Durante o levantamento, a universidade promoveu uma campanha de conscientização para diminuir o consumo de álcool entre os estudantes. Em seis meses, o porcentual geral de acidentes de carro envolvendo alunos embriagados caiu de 15% para 7%. Mas, entre as garotas, a queda foi menor: passou de 10% para 8%.

A bebedeira é sintoma de uma mudança maior no comportamento das adolescentes. Na última década, elas ganharam maior liberdade para freqüentar bares, festas e danceterias. Acabaram adquirindo alguns dos maus hábitos masculinos. "Elas passaram a ser educadas em casa da mesma forma que os garotos", diz o psiquiatra paulista Içami Tiba, autor de livros sobre o comportamento dos adolescentes. "Se os filhos podem tomar alguns goles de cerveja ou caipirinha em churrascos ou reuniões de família, as garotas também conquistaram o direito de fazer o mesmo." Uma complicação é que, nesse aspecto, também há uma diferença entre os sexos. Estudos mostram que as mulheres tendem a ficar tão embriagadas quanto os homens com apenas metade da dose tomada por eles. Isso decorre da maior quantidade de gordura corporal e, portanto, menor quantidade de água no organismo feminino. Os médicos acreditam que elas também possuam em menor quantidade alguns tipos de enzima que metabolizam o álcool no estômago.

Elas não apenas estão bebendo mais como também começando a fazê-lo mais cedo. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) entrevistaram 6.417 jovens de 10 a 20 anos para descobrir como anda o consumo de álcool entre eles. Concluíram que 20% dos meninos e 15% das meninas entre 10 e 12 anos haviam ingerido álcool nos últimos trinta dias. Entre 13 e 15 anos, o porcentual foi maior: 43% dos garotos e 40% das meninas tinham consumido bebidas alcoólicas. Grande parte das mulheres que procuraram os 91 postos de atendimento dos Alcoólicos Anônimos no Distrito Federal tem entre 19 e 20 anos ¿ cinco anos atrás, a média era de 30 anos ou mais. "A maioria das mulheres só busca ajuda quando percebe que chegou ao limite e perdeu o controle sobre a bebida", diz Denise De Micheli, pesquisadora do departamento de psicobiologia da Unifesp.


Como sempre durante todos os fins de semana, aqui está a capa da Revista Veja que amanhã estará nas bancas.


Capa: ilustração de Hector Gómez e foto de Eduardo Nicolau/AE

E estes são os principais assuntos da mesma.

Internacional
Iraque: A visita dos inspetores da ONU ao palácio de Saddam
Israel: Guerra provoca crise no turismo
China: Campeã em suicídio de mulheres

Guia
Moda: Quanto custa desfilar com roupa de pele animal
Seguro: As apólices necessárias para ter tranqüilidade
Transporte: A versatilidade das econômicas scooters
Games: Mais parecidos com computadores e até com acesso à internet
O que estou lendo

Brasil
Sucessão: O encontro de Lula com Bush
Sucessão: Como abrir as portas dos ricos
Sucessão: A formação do ministério do PT
Estados: A briga dos governadores pelo 13°

Geral
Educação: Caem os salários dos formandos de MBA
Dieta: A nova moda da comida crua
Cidades: Valencia inaugura obra de 1,5 bilhão de reais
Tecnologia: O conforto dos equipamentos sem fio
Adolescentes: Crescem os casos de alcoolismo entre garotas
Estilo: O artista plástico Bob Wilson cria bolsas para a Vuitton
Estilo: Os estranhos modelos dos novos relógios
Moda: O terninho permanente da futura primeira-dama
Sociedade: As grandiosas festas de formatura
Saúde: O primeiro antidepressivo em forma de adesivo
Turismo: Dicas para uma viagem mais econômica

Economia e Negócios
Produtividade: O salto do Brasil na década de 90

Artes e Espetáculos
Televisão: Desesperança em Esperança
Livros: Os bastidores da troca de editora por Paulo Coelho
Livros: Churchill, de Lord Roy Jenkins
Música: Shut Up, de Kelly Osbourne

Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo




E se um dia for ceifado deste mundo, talvez alguém escreva em minha lápide: a eternidade dura muito pouco: eu quero ser feliz aqui e agora". Pois é meus leitores,quantos livros bons para ler e as féris estão próximas para quem vai tirar férias,já que eu faço dois intensivos nesse verão, então nada melhor que bons livros para levar a tira colo..

Ricardo Silvestrin
07/12/2002


Não terceirize sua vida

Esse é um verso de um poema do livro novo do Chacal. O rapaz é carioca e está lançando A Vida É Curta pra Ser Pequena. O livro comemora os 50 anos de idade do poeta. Outro que completou 50 este ano é o Geraldo Carneiro. Mineiro de nascença, mudou-se ao três anos de idade para o Rio, ou seja, é um poeta carioca também. O livro dele se chama Lira dos Cinqüent'anos.

Quem tem 50 em 2002 tinha 18 em 1970. Sexo, drogas e rock and roll, o fim dos Beatles, Rolling Stones, Tropicalismo, ditadura e poesia marginal. Eu tinha sete, estava no primeiro ano e já sabia ler. Tinha aprendido pela TV com a Bibi Ferreira, vendo o Capitão Asa na Tupi. Essa é uma informação importantíssima para marcar o contexto histórico!

Bom, mas os dois poetas felizmente não morreram e, pelo contrário, continuaram publicando seus poemas. Vamos ver o que eles dizem aqui e agora. Aliás, Aqui Agora é o título de um dos poemas do Chacal: "o aqui agora está mudado / em 68 / era viver intensamente / em 2001 / uma odisséia no atolado / condenado ao presente / sem futuro nem memória / a vida é um disco arranhado / paralisada pra sempre / condenado ao presente / figurante de novela / fazendo papel de otário / ouvindo a mesma notícia / aqui agora impotente".

E o Geraldo, no poema Manual dos Cinqüenta: "ao longo desses anos, fez mil planos, / quase todos ainda irrealizados. / perdeu o pai, a mãe; perdeu também / parte da faculdade de enxergar / que sempre pareceu-lhe imprescindível, / por permitir-lhe perscrutar poemas / e contemplar criaturas belas; / só acumulou espantos e quimeras, / mas continua crédulo e cretino, / e ainda pior: repleto de esperanças. / em suma, continua acreditando / que a realidade é uma alucinação / criada pela falta de utopia. / se um dia for ceifado deste mundo / (como se vê, é um otimista irredutível), / talvez alguém escreva em sua lápide: / a eternidade dura muito pouco: eu quero ser feliz aqui e agora".

Quer mais? Vá comprar os livros, que esses são meus! Devem ser encontrados nas boas casas do ramo. As que não tiverem não são boas. O do Chacal é da Frente Editora. Ele vem aqui em Porto Alegre para o Free Zone no dia 10, no Opinião. Pretende fazer um lançamento no dia 11. O do Geraldo Carneiro é da editora Relume Dumará. E já que você vai à livraria pra comprar poesia, aproveite e traga também o Ruminações, do Donizete Galvão, editora Nankin, e o Muitas Vozes, do Ferreira Gullar, José Olympio Editora. São quatro dos livros de poemas que mais gostei de ler ultimamente. Mas leia você e fique livre pra achar o que quiser. Não terceirize a sua opinião.
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br


Moacyr Scliar
08/12/2002




Caixa de ressonância
A ditadura brasileira foi muito menos sanguinária do que a ditadura argentina. Lá, os mortos chegaram aos milhares - sem falar nos que foram presos ou tiveram de se exilar. Em compensação, se é que se pode falar em "compensação" numa situação dessas, a cinematografia argentina entendeu muito melhor o fenômeno do autoritarismo do que a cinematografia brasileira. Aqui não foi produzido nenhum filme digno de nota sobre o tema. Mas do vizinho país veio A História Oficial, contando uma história que àquela época era comum: filhos dos chamados "desaparecidos" eram adotados por pessoas às vezes até ligadas ao regime, o que gera um drama pessoal no limite do pesadelo.

A História Oficial tinha uma excelente protagonista, Norma Aleandro. Que agora reaparece em O Filho da Noiva, de Juan José Campanella. Os dois filmes têm algo em comum: retratam momentos da crise argentina. No caso presente, trata-se da crise econômica que desestabiliza a classe média - esta, uma autêntica caixa de ressonância dos problemas argentinos. O que temos aí é o dono de um restaurante cujos negócios vão mal, cuja ex-esposa o atormenta, cuja namorada o intima a casar-se - enfim, uma situação que todos nós conhecemos. Não se trata da miséria e da violência, como em Cidade de Deus, mas nem por isso é menos autêntico o retrato de uma face da América Latina. Uma face que é preciso conhecer. Afinal, a eleição de Lula deveu-se em grande parte a essa classe média.

Mas O Filho da Noiva não se restringe a isso, como sugere o próprio título. Norma Aleandro, mãe do personagem principal, está internada em um asilo, com Alzheimer. O marido, vivido pelo excelente Hector Alterio, tem, em relação a ela, um sentimento de culpa: homem de esquerda, ele havia se recusado a casar-se no religioso. Agora, no fim da vida, quer proporcionar à esposa essa derradeira homenagem. O problema é que, no direito canônico, uma pessoa com uma severa limitação mental (o caso da doença de Alzheimer) não pode casar-se. No final, eles bolam uma solução que dá ao filme o final feliz que a platéia espera de qualquer filme.

O Filho da Noiva não é uma obra-prima. Mas é um filme que fala diretamente ao coração das pessoas e que tenta mostrar o lado humano da crise econômica. Um lado que os números, embora mais precisos, acabam por ocultar. Quando falamos de desempregados, não estamos só falando de força de trabalho imobilizada. Estamos falando de pessoas que acordam a cada manhã sem saber o que vai ser feito de seu dia. Uma pessoa assim não apenas deixa de ganhar um salário; passa também pela sombria experiência de sentir-se desnecessária. O restaurante do protagonista principal é comprado por investidores estrangeiros; será "modernizado", o que significa que pessoas serão despedidas. Será que a suposta modernização compensa todo esse crescimento? Não haverá alguma maneira de manter a dignidade dos seres humanos, mesmo sacrificando rendimentos de acionistas ou proprietários? De uma maneira até ingênua, mas sempre amável e até melancólica, essa é a questão que o filme coloca. Uma questão a que o Brasil se dedicará a responder nos próximos quatro anos.
scliar@zerohora.com.br




Não raro sou possuído desse desejo do Veríssimo de vencer grandes distâncias, mas a de vencê-las sem me chatear. E na verdades grande parte das conquistas modernas é de conquistas contra o aborrecimento. Mas assim, eu poderia, por exemplo, ir junto com a minha mensagem ao computador de tantas pessoas que gosto e daqui a pouco estar ali em sua frente ou do seu lado, lhe falando, lhe tocando, podendo ouvi-las e sentí-las diretamente. Ah quando isso for possível quero estar ou voltar aqui, acreditem.

Luis Fernando Verissimo
07/12/2002


Transmaterialização

Como ir daqui para ali, ou para lá, da maneira mais rápida possível sempre foi uma preocupação do Homem, desde que ele se chamava Ogk e vivia em cavernas. Ele inventou a roda já pensando na bicicleta, na charrete e, eventualmente, no Concorde. Mas um dos paradoxos da sua vida é que, a cada aumento da rapidez e do alcance dos seus meios de ir de um lugar para outro, aumenta a distância que ele quer percorrer. Até o foguete supersônico parece lento, hoje, quando o objetivo não é mais chegar ao fim da savana, mas aos confins do Universo. E a ambição do homem passou a ser não a de vencer grandes distâncias, mas a de vencê-las sem se chatear. Grande parte das conquistas modernas é de conquistas contra o aborrecimento.

O transporte ideal imaginado pelo homem é o que não depende de transporte: você se desmaterializa aqui e se rematerializa ali, ou lá, em segundos. Isto já está previsto pela ficção científica há anos e serviria inclusive para viagens internacionais, eliminando-se o desconforto dos longos vôos, sem falar das refeições de bordo, mas talvez não o risco de você se rematerializar em Londres enquanto sua bagagem se rematerializa em Bangcoc.

Haveria outros riscos, como o mostrado no inesquecível filme A Mosca, em que uma mosca entra numa cápsula de desmaterialização junto com um homem, suas poeiras se misturam e quando o homem se rematerializa, é metade mosca. Imagine tendo que explicar para a imigração, no seu destino, que é por isso que você não se parece com sua foto no passaporte. Mas, uma vez resolvidas as questões técnicas, viagens por transmaterialização podem ser uma realidade em breve, talvez até a tempo de salvar a Varig.

Imaginei uma variante da transmaterialização: no futuro as pessoas seriam desidratadas e mandadas em pequenos pacotes pelo Correio, o que baratearia muito o custo das viagens. No ponto de chegada, bastaria reidratá-las. E então saberíamos a verdadeira natureza de cada um. Pois ao pó de algumas pessoas seria suficiente acrescentar água e bater, outras trariam recomendações especiais (acrescente álcool em vez de água, mexa em vez de bater, mantenha o pó longe das crianças etc) e outras só voltariam ao seu estado natural acrescentando leite morno e mexendo devagar. É ou não é? Talvez com um pouco de noz-moscada.




Bom fim de semana para você também minha cara amiga Jane Marion, e a todos os leitores desse blog. Fico devendo a música de fundo e as imagens, mas só pela mensagem este sábado que está assim nublado e com grandes promessas de chuva já fica todo colorido e radiante de sol.

CARINHO

Carinho gesto encantado
E até apaixonado
Que pode e é sentido
Por todos que são amados
Basta um pequeno toque

Uma palavra amiga
Um breve telefonema
Para mudar nossa vida
Uma carta, um bilhete
Que chame nossa atenção
Falando doces palavras
Que toquem o coração

Uma flor que é colhida
Bem a beira de um caminho
E que é oferecia...
É um gesto de carinho!
Se mostrar preocupado

Quando o outro não está bem
Ficar sempre lado a lado...
É um carinho também!
O olhar que nos procura
No meio da multidão
Nos faz sentir importantes
Vai tocar o coração

A atenção dedicada
O abraçar um amigo
A preocupação que é mostrada
Quando se está em perigo

É tão fácil dar carinho
Use a imaginação
É barato...custa pouco
E faz bem ao coração.

Bom Fim de Semana
Beijos carinhosos.......Jane Marion




Paulo Sant'ana
07/12/2002


A fidelidade do cão
Um homem estava caído, ferido gravemente, populares e policiais rodeavam o corpo, mas não conseguiam desgrudar as mandíbulas do cão pertencente ao ferido, que cravou os dentes no cinto das calças do dono desfalecido e não queria se separar dele.

Era necessário retirar o cão dali para transportar o ferido até à ambulância que estava chegando, mas ninguém conseguia arrancar o cão fiel ao dono moribundo da sua mordida trincada no cinto do seu dono.

Um popular trouxe uma ferramenta e enfiou-a entre os dentes do cão, tentando destravar as mandíbulas do animal, que não cedia.

Os atendentes médicos, tensos, diziam ser urgente que o homem fosse recolhido imediatamente a um pronto-socorro, mas o cão, mesmo espancado, resistia em permanecer atado ao dono pela sua obstinada arcada dentária, fechada, inalteravelmente fixada sobre a fivela do cinto do ferido.

Até que se resolveu colocar e transportar o ferido para dentro da ambulância, junto com seu cão, que se recusava terminante a separar-se do seu dono diante da ameaça da sua morte que presidia a cena.

Outro dia, eu comentei aqui a intuição brilhante da cadela Guria, que entendeu que sua sobrevivência entre os cães vadios do Morro Santa Teresa dependia de uma utilidade social que ela emprestasse à sua vida.

E resolveu ser a largadora dos ônibus no fim da linha 195, junto da RBS TV. Todos os ônibus que partem de lá têm a cadela como guardiã e sinalizadora de sua largada, o que lhe granjeou a estima e a admiração dos motoristas e populares.

Este outro cão a que assisti ser transportado junto com seu dono até o hospital, ligado obsessivamente por suas presas ao cinto do seu dono, entendeu também, sei lá por que instinto de fidelidade ao seu dono, que a única forma de não separar-se dele naquele instante dramático era abocanhar o seu cinto, não havendo força humana que pudesse separá-lo de seu amigo.

Enquanto a ambulância se dirigia para o hospital com o cão e seu dono ligados por aquela corrente férrea de amor e solidariedade, veio-me à lembrança um discurso célebre do jovem advogado George Graham Vest, que mais tarde se tornaria senador pelo Missouri.

Vest representava um cliente que processou o vizinho por ter matado seu cão. Eis o discurso inesquecível, pronunciado no fim do século 19. Só peço aos leitores que recortem o discurso e o guardem, para evitar pedidos posteriores de reprodução, sempre difíceis:

"Senhores do júri, o melhor amigo que um homem tem no mundo pode se voltar contra ele e se tornar seu inimigo. Seu filho ou filha, que ele criou com amor, podem se mostrar ingratos. Aqueles que estão mais próximos e são nossos entes mais queridos, aqueles aos quais confiamos nossa felicidade e nosso bom nome podem trair nossa fé. O dinheiro que tem, um homem pode perder. Voa para longe. Provavelmente, quando mais se precisa dele.

A reputação de um jovem pode ser sacrificada no momento de um ato impensado. As pessoas que estão prontas a cair de joelhos para nos prestar honras podem ser as primeiras a atirar a pedra da injúria quando o erro coloca sua nuvem sobre nossas cabeças. O único amigo absolutamente altruísta que o homem pode ter neste mundo egoísta, o único que nunca lhe abandona, o único que nunca se prova ingrato ou falso é o seu cão. O cão de um homem permanece a seu lado na prosperidade e na pobreza, na saúde e na doença. Ele dormirá no chão frio, onde os ventos gelados do inverno sopram e a neve cai intensamente, só para poder estar perto, ao lado do dono.

Ele beijará a mão que não tem comida alguma para oferecer. Lamberá as feridas e machucados que surgem em um encontro com a rispidez do mundo. Guardará o sono de seu pobre dono como se ele fosse um príncipe. Quando todos os outros amigos o abandonam, ele permanece. Quando a riqueza vai embora e a reputação se estraçalha, ele é tão constante, em seu amor quanto o Sol em sua jornada pelos céus. Se o destino conduz o dono à marginalidade no mundo, sem amigos e sem lar, o fiel cão não pede mais privilégios do que de acompanhá-lo, guardá-lo contra o perigo, lutar contra seus inimigos.

E, quando chega a última de todas as cenas, e o fim leva o dono em seu abraço, e todo o seu corpo está deitado no chão frio, não interessa se os outros amigos seguem o seu caminho. Ali, ao lado do túmulo, o nobre cão será encontrado com a cabeça entre as patas, os olhos tristes mas abertos, em completo alerta, fiel e verdadeiro até mesmo na morte".
psantana.colunistas@zerohora.com.br




E este também foi enviado pelo Dr Orbatiuk, meu amigo curitibano.

Acordei nesse primeiro dia de Dezembro com vontade de comprar um presente para Jesus, afinal, não existe maior amigo que o Mestre dos Mestres, e no dia 25 o aniversário é Dele.

Sai cedo de casa e fui ao maior shopping-center da cidade, pensei primeiramente numa camisa branca, mas quando vi que o branco mais branco da Terra ainda era cinza perto da sua pureza, fiquei com vergonha e desisti.

Em outra vitrine vi um sapato de couro, lindo e caríssimo, mas quando lembrei dos seus pés calçados pelas sandálias da missão cumprida, achei que não existiria na Terra algo tão confortável que merecesse seus pés.

Uma caneta, foi isso que a próxima vitrine me apresentou, uma linda caneta de marca famosa, seria um lindo presente, mas lembrei-me que Ele nunca escreveu nada, tudo que Ele falou, mostrou na prática, servindo e amando sempre.

Lembrei-me, que um dia Ele falou que não tinha sequer um travesseiro para recostar sua cabeça, e pensei no melhor travesseiro de plumas de uma loja especializada em sono, era importado e muito confortável, mas lembrei-me que os justos dormiam tranqüilos e que Ele jamais usaria o travesseiro.

E, assim fui olhando as vitrines, abotoaduras de ouro, malas de viagem, bebidas finas, comidas importadas, tudo supérfluo, tudo matéria que o tempo iria corroer. Confesso que sai um pouco chateado do Shopping, afinal eu saíra para comprar um presente para Você Jesus, e não havia achado nada.

Na porta do Shopping um menino muito miudinho sorriu para mim, perguntou meu nome e eu o dele, ele riu e me estendeu a mão, tinha o rosto muito sujo, as mãos encardidas, perguntei pela sua mãe, ele deu de ombros, sobre o pai, nem sabia onde estava...perguntei se ele queria tomar um lanche, ele sorriu um sim, pegou na minha mão.

Na porta do Shopping olhou para suas roupas e olhou para mim, sabia que não estava corretamente vestido, peguei-o no meu colo, era a senha para ser feliz, seus olhinhos miúdos percorriam aquelas luzes, enfeites e pessoas bonitas como se fosse um filme de Walt Disney...

Na lanchonete sentou na cadeirinha giratória e sorriu como"reizinho", e entre uma montanha de batatas fritas, ríamos felizes como dois velhos amigos.

Falamos sobre bolinha de gude, pipas e bola de futebol, coisas importantes para o ser humano, principalmente quando somos crianças. Devoramos dois lanches, e quando perguntei se ele queria um sorvete gigante como sobremesa, seus olhos brilharam feito o sol, pedi um instante, fui até o caixa, quando voltei com os sorvetes na mão ele já não estava ali... Por instantes pensei que ele tinha ido ao banheiro, ou estaria olhando a lanchonete, mas não estava ali mesmo.

Foi quando sobre a caixa de batatas vazias vi um papelzinho, um bilhetinho escrito com letra miúda que dizia assim:

"Obrigado pelo melhor presente de aniversário que poderia me dar: Fizeste feliz um dos pequeninos do mundo! "

assinado,
Jesus




Essa mensagem recebi do meu amigo Horbatiuk e por isso reparto-a com voces.

Deus nunca se engana!

Há uma igreja nos EUA chamada "Almighty God Tabernacle" (Tabernáculo do Deus Todo-Poderoso).

Num sábado à noite o pastor dessa igreja ficou trabalhando até mais tarde e decidiu chamar sua esposa por telefone antes de voltar para casa. Era por volta das 22h.

A esposa não atendeu ao telefone, apesar do pastor deixar tocar várias vezes. Ele pensou que sua esposa estivesse ocupada e continuou a fazer mais algumas coisas.

Mais tarde, ele tentou de novo e sua esposa atendeu de imediato. Ele perguntou por que ela não havia atendido antes e ela disse que o telefone sequer havia tocado. O pastor ficou bravo, esquecendo-se de que deveria ser um marido compreensivo.
Na segunda-feira seguinte, o pastor recebeu um telefonema no escritório da igreja, do número que ele havia discado no sábado à noite.

O homem com quem falava queria saber o por que o pastor havia ligado para ele no sábado. O pastor não entendeu o que aquele homem estava dizendo. Então, o homem disse: "O meu telefone tocou, tocou, mas eu não respondi."

O pastor então lembrou-se do engano e pediu desculpas por pertubá-lo, explicando que ele havia tentado falar com sua esposa.

O homem respondeu: "Tudo bem. Deixe-me contar minha história: Eu estava planejando me suicidar no sábado à noite. Antes, porém, eu orei dizendo: "Deus, se tu existes e estás me ouvindo e não queres que eu faça isso, dá-me um sinal, agora."

Naquele momento, o telefone começou a tocar. Eu olhei para o identificador de chamadas e lá estava escrito: "Almighty God" (Deus Todo-Poderoso). E eu fiquei com medo de atender!"

Nem sempre podemos saber a importância de uma mensagem numa página, um telefonema ou um e-mail ou enviado a um amigo ou até por engano a alguma pessoa. Nao se chateie se, de repente, perceber que o fez por engano.

DEUS NUNCA SE ENGANA!


Sexta-feira, Dezembro 06, 2002




Depois da chuva da madrugada, o sol se fêz presente nesta sexta-feira e nesse fim de tarde e, ninguém melhor que a Florbela Espanca para aguardar a noite e o fim de semana que se aproxima. Gosto dela, quando escreve: E as lágrimas que choro, branca e calma, Ninguém as vê brotar dentro da alma! Ninguém as vê cair dentro de mim!

Tortura

Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida Verdade, o Sentimento!
- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isso que sinto!


Lágrimas Ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela espanca


Fico imaginando aqui no Brasil essa possiblidade de os consumidores se unirem e fazerem algo assim parecido. Será que é sonho ainda que sonho..?

Um dia de protestos contra o consumismo
Por Leander Kahney

18h - 26 de novembro de 2002
Com a aproximação da temporada de compras de fim de ano, ativistas anticonsumo se preparam para celebrar o Buy Nothing Day, um crescente protesto contra os excessos dos consumidores.
Por Leander Kahney.



No Canadá, eles estarão vestidos como "ovelhas cegas consumistas". No Japão, um "Papai Noel Zen" vai liderar um grupo de meditação. Em Londres, haverá mesas onde as pessoas irão cortar seus cartões de crédito. Na próxima sexta-feira, o dia seguinte ao feriado americano de Ação de Graças e o dia mais importante do ano para o comércio dos Estados Unidos, milhares de ativistas anticonsumo irão aos shopping centers do mundo todo para convencer as pessoas a não fazer compras.

Tudo faz parte do Buy Nothing Day, - o "Dia do Não Compre Nada" - um movimento crescente, distribuído ao redor do mundo contra o frenesi consumista de fim-de-ano. Liderado pela revista anticonsumismo canadense Adbusters os eventos do Buy Nothing Day estão sendo organizados por vários grupos de defesa do consumidor, ambientalistas, ativistas antiglobalização e, pela primeira vez, grupos religiosos.

O Buy Nothing Day desse ano promete ser o maior de todos: mais de um milhão de pessoas em pelo menos 65 países devem evitar as lojas na próxima sexta. Mais voltados à celebração do que ao debate, os ativistas estão planejando festas de rua, comércio de trocas, destruição de cartões de crédito e muito teatro popular. Em alguns lugares, os manifestantes estarão vestidos como policiais, distribuindo "multas" a quem for visto com sacolas de compras. Outros vão usar máscaras de porco e andar guinchando pelas ruas.

"As pessoas nunca questionaram realmente o consumo", diz Kalle Lasn, autor do livro Culture Jam e co-fundador da Adbusters. "As pessoas gostam de pensar que, ao comprarem coisas, estão ajudando a economia, mas a idéia de que também estamos assassinando o planeta não é algo em que se pense muito".

Atualmente em seu 11º ano, o Buy Nothing Day continua a crescer, num verdadeiro testemunho do poder organizador da Internet. O protesto começou como uma brincadeira na costa noroeste do Pacífico, e decolou em 1995 quando a Adbusters começou a promovê-lo em seu website. Os protestos de 1999 contra a Organização Mundial de Comércio em Seattle deram ao movimento outro impulso importante. Subitamente, grupos políticos discordantes perceberam que tinham objetivos comuns. O Buy Nothing Day tem o apoio de ambientalistas, grupos anticonsumo e igrejas, que há muito criticam a comercialização dos feriados religiosos.

A Internet pode ter sido interessante para organizar o movimento, mas para atingir as massas é preciso usar a TV. A Adbusters conseguiu arrecadar cerca de US$ 10 mil em doações para um comercial de 30 segundos durante o programa Moneyline, apresentado por Lou Dobbs na rede de TV americana CNN, o único programa que aceitou exibir o anúncio. "Lutamos por dez anos para conseguir espaço na TV. "Lutamos por dez anos para conseguir espaço nas emissoras", conta Lasn. "Eles dizem que, já que estamos indo contra grandes corporações milionárias, devemos nos ferrar".

Mesmo que o movimento se dê bem nos Estados Unidos, ele tende a ter mais sucesso na Europa. Os compradores europeus simpatizam mais com os objetivos da campanha, diz Lasn. Lá, as manifestações acontecem no último sábado de novembro. Este ano, porém, Lasn diz perceber um "alarde maior do que o usual", conseqüência dos ataques terroristas e a subseqüente "guerra contra o terror". "Muita gente sentiu um frio na espinha depois dos ataques, e começou a questionar o próprio estilo de vida", explica. "Uma das principais causas desses ataques é a grande desigualdade entre ricos e pobres no mundo".

"Vinte por cento da população mundial consome 86% dos recursos naturais do mundo", continua. "Isso deixa apenas 14% para os 4 ou 5 bilhões de pessoas que restam no Terceiro Mundo. Para muitos, essa é uma das causas da guerra contra o terrorismo que somos obrigados a fazer agora. Muita gente relaciona o Buy Nothing Day aos ataques de 11 de setembro, em parte porque nossos líderes querem que sejamos grandes consumidores".




Papai Noel chega à era digital
Por Steve Kettmann
18h - 2 de dezembro de 2002


Crianças do mundo inteiro estão usando o e-mail na hora de escrever para o Bom Velhinho. Algumas mensagens até são respondidas. Por Steve Kettmann.

BERLIM - Todos os anos, cartas de crianças do mundo todo se amontoam na agência de correio do Pólo Norte. Mas um número cada vez maior de crianças prefere enviar por e-mail sua lista de presentes ao Papai Noel. "Muitas cartas de lugares diferente chegam até aqui", conta Donna Matthews, gerente do setor "Pólo Norte" do correio americano - onde as cartas endereçadas a "Papai Noel, Pólo Norte" acabam chegando. O escritório recebe cerca de 500 mil cartas por ano.

"Não vejo uma grande redução no número de cartas para o Papai Noel", conta Matthews. "Recebemos cartas o ano todo e de todos os lugares". Mas é difícil vencer o imediatismo do e-mail, que criou um estilo todo novo de pedidos de Natal.

"Papai Noel, eu acho você a pessoa mais legal da Web", disse Megan, uma irlandesa 9 anos da cidade de Waterford, num e-mail enviado através do site EmailSanta.com, que recebe cerca de um milhão de mensagens ao Papai Noel em língua inglesa todos os anos, de acordo com um porta-voz. "Eu estava no shopping hoje e tive que enfrentar uma grande fila para dizer a você o que eu quero ganhar", disse Nichole, 8 anos, de Tucson, Arizona. "Então eu gosto muito de poder escrever para você à noite, sem ter que esperar na fila. Bem, pelo menos posso fazer isso logo depois do meu irmãozinho".

Muitas crianças admitem abertamente que, tendo sido criadas num mundo informatizado, sua caligrafia e ortografia não são muito boas. Elas preferem digitar - e contar com a ajuda de um corretor ortográfico. O problema é que isso pode significar ter que dividir o computador. "Querido Papai Noel, eu não tenho um endereço de e-mail. Então, estou usando o do meu irmão", explica Lorna, 7 anos, de Essexville, Michigan. "Por favor, cuide para não misturar nossos presentes".

Um dos riscos mais óbvios de enviar e-mails ao Papai Noel é jamais poder contar com uma resposta. As cartas enviadas pelo correio tradicional geralmente contam com voluntários que respondem o maior número possível. A maior parte dos sites de Natal emite algum tipo de resposta automática, mas respostas com um toque pessoal são menos comuns.

Uma empresa alemã de pesquisa de mercado chamada Mummert Consulting vem avaliando estes sites há dois anos, e encontrou alguns resultados não muito favoráveis. Ano passado, por exemplo, a empresa (cuja sede fica em Hamburgo) enviou e-mails a 19 sites diferentes de Papai Noel no mundo todo, escrevendo e configurando as mensagens como se tivessem sido compostas por crianças. Cada um dos e-mails, enviados no começo de dezembro, pediu uma resposta dentro de duas semanas. "Das 19 mensagens, 15 não receberam qualquer resposta", disse Roland Heinze, representante da Mummert. "É muito decepcionante para qualquer menino ou menina que escreve para o Papai Noel não receber resposta. Cada vez mais crianças vão enviar seus pedidos de Natal por e-mail. É uma tendência inquestionável".

Em termos gerais, os sites alemães se saíram melhor do que os americanos, canadenses e holandeses, de acordo com o estudo da Mummert. O primeiro site no ranking da empresa, porém, foi o EmailSanta.com, baseado em Calgary, Canadá. "A mensagem foi respondida no mesmo dia, e a resposta trazia o nome da criança e a lista de presentes", disse Heintze. "A resposta continha pelo menos algum nível de personalização".

Dois sites alemães que oferecem versões em outras línguas também mandaram respostas: o North-Pole.net e o MagicCreator.com. Sites parecidos com estes devem surgir em breve, e certamente encontrarão um bom público, especialmente se puderem se sair melhor do que os avaliados pela Mummert, que divulga seu ranking atualizado no final do mês.

A prática de enviar e-mails ao Papai Noel pode até dar origem a um novo tipo de spam. "Oi, Papai Noel!", escreveu Amanda, 8 anos, de Palaka, Flórida. "Lembra de mim? Eu escrevi para você há uns dois minutos. Você já está enjoado de mim?"




Para os pilotos da nossa Varig deve ser terível chegar a Dezembro, e receber 68% dos seus salários, mas quem sabe ainda seja uma façanha, pelo menos continua com o emprego. Já a poderosa United Airlines entrou em falência e seus pilotos não deverão ter o mesmo tratamento. Quanto ao aumento do cigarro, era bom que mechesse ainda mais no bolso das pessoas que fumam, pois quem sabe mechendo ai onde é mais dolorido elas reflitam e tomem uma decisão que há muito deveriam ter tomado: a de parar de vez de fumar.

Conjuntura
Varig parcela salários e dívida com Infraero
Rio


A Varig fechou acordo de renegociação da dívida que tinha pendente com a Infraero, no valor de R$ 161 milhões.

Deste total, R$ 125,5 milhões vão ser pagos à estatal com emissão de debêntures não-conversíveis em ações. O restante será parcelado.

A Varig também vai aumentar o valor do pagamento diário de R$ 1,5 milhão que vem fazendo à Infraero para R$ 2 milhões, para amortizar as parcelas atrasadas. A dívida total da empresa com a estatal soma R$ 340 milhões.

Além disso, a companhia decidiu parcelar o pagamento dos salários referentes a novembro. No dia 9, serão pagos integralmente os salários com valor líquido até R$ 1,2 mil. Os que ganham até R$ 2 mil receberão 85% do valor. Quem ganha de R$ 2 mil até R$ 5 mil receberá 74%, e acima de R$ 5 mil, 68%. O saldo será pago ainda este mês, segundo a companhia, em data ainda não definida.


Reajuste
Preço dos cigarros sobe até 17% a partir de hoje
Sexta, 6 de Dezembro de 2002, 5h30
Fonte : INVERTIA

Os preços dos cigarros vão sofrer um reajuste de até 17% a partir de hoje. O aumento vai compensar a alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em vigor desde o dia 1 de dezembro.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostrou que o cigarro teve um aumento expressivo em outubro (5,26%). No acumulado do ano, o índice ainda é baixo: 2,38%.




É uma tarefa ardua Senhor Presidente nomear 20.000 cargos, e ainda bem que foi quando o Lafaiete era Presidente do Banco do Brasil, porque esta mesma figurinha foi também presidente da Caixa. Quanto a nomeação por questão de competêrncia e não política, vamos ver o que acontece.

Transição
Banco do Brasil recusou cartão de crédito a Lula
Quinta, 5 de Dezembro de 2002, 12h24
Fonte : Investnews - Gazeta Mercantil

"É um erro fazer nomeações políticas e não por competência ou ética"

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva conta uma história para ilustrar o erro de se fazer nomeações políticas e não por competência ou padrões éticos.

Lula lembra que, na época em que Lafaiete Coutinho era presidente do Banco do Brasil (foi nomeado pelo então presidente Fernando Collor e ocupou o cargo em 1991-92), Lula, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, pediu ao banco um cartão de crédito. Depois de muito esperar, foi informado que, por motivos políticos, não poderia ter um cartão do BB.

Procurou, então, o presidente do Bradesco, Lázaro Brandão. Em dez dias obteve o cartão. "O Lafaiete não pensou no interesse do banco", disse.

A história foi contada na terça-feira à noite, durante a recepção na Embaixada do Brasil no Chile. É um palacete do século XIX, encravado na avenida principal de Santiago, a Libertador Bernardo O''Higgins. Como era comum em construções da época, a porta do prédio dá direto na calçada, sem recuo ou jardins de entrada. As janelas ficam no segundo andar.

Lula estava encerrando sua primeira viagem internacional após as eleições, na qual foi tratado com as honras de chefe de Estado pelos presidentes do Chile, Ricardo Lagos, e da Argentina, Eduardo Duhalde.

Ao seu lado, companheiros de longa data que o acompanham há várias viagens - o senador eleito Aloizio Mercadante, o secretário-geral do PT, Luiz Dulci, e o secretário de relações internacionais do PT, Marco Aurélio Garcia. Lula parecia tranqüilo, relaxado e muito à vontade no átrio do palacete, de pé direito duplo e vista para um gramado com árvores e um pequeno lago, uma raridade no clima desértico de Santiago.

Aos jornalistas foi feito um pedido para "não assediar o presidente". Mas ele logo se aproxima dos repórteres. Fala-se de futebol (Lula é corinthiano e acompanha os campeonatos). mas o assunto é inevitável:

"Presidente, e os ministros?", pergunta um repórter. "Meu caro, já tenho quase todos os nomes, mas não tenho pressa (de anunciar)", respondeu.

"Não tinha de ser antes da viagem aos Estados Unidos (marcada para 10 de dezembro e com tempo hábil para a aprovação de nomes antes do recesso parlamentar)?", observa o repórter. "Indiferente", diz Lula.

O presidente eleito está animado. Observa que é dada pouca importância para cargos que são tão ou mais influentes quanto alguns ministérios. "Quantos ministros vale uma Petrobras, um BNDES, mas é que o presidente do BNDES não está todo dia na imprensa."

Para sua surpresa, Lula terá de nomear mais de 20 mil cargos. "Vocês sabiam que o presidente tem de nomear o presidente do Sesi (Serviço Social da Indústria)"

Lula não vai mexer nas indicações que o presidente Fernando Henrique Cardoso já fez para cargos de embaixador. "Não vou mandar um diplomata voltar depois de um mês (que chegou ao país determinado)".




A gente fica imaginando se essa pessoa era catequista de jovens de bairro, como será estão se sentindo os seus catequisados..?

Paulo Sant'ana
06/12/2002


Qualquer religião produz fanáticos
Mais um caso de crime familiar condói a opinião pública gaúcha. Em Erechim, um empresário matou a mulher, dois filhos de 12 e 16 anos, depois se suicidou.

Mas um detalhe do local do crime chamou mais a atenção que todos os outros: no hall da casa, havia uma Bíblia aberta, em página com trechos sobre a morte, ao lado de vários projéteis detonados de 38, o calibre do revólver usado para a matança.

O delegado de polícia que atendeu o caso deduz que o empresário tenha recarregado a arma à cada morte e lido trechos da Bíblia nos intervalos dos homicídios múltiplos.

Perguntem à polícia sobre o trecho da Bíblia que estava assinalado na página que estava aberta. Certamente ele contém a promessa da vida eterna e a desimportância da vida terrena.

Não há nenhuma diferença entre os terroristas que se suicidam com explosivos e este eliminador da família de Erechim.

Ele convenceu sua mulher e seus filhos, ajudado pelo tranqüilizante que lhes ministrou e que os sedou, de que era inútil prosseguir nesta vida, de que as dificuldades financeiras que enfrentava eram intransponíveis, de que se abria para os quatro a esplêndida vida eterna que sucede à morte, generoso que estaria o seio divino à sua acolhida.

A diferença entre o crente e o fanático religioso é que o primeiro aproveita a vida na Terra para praticar o bem e pregar a palavra de Deus, entendendo a existência como oportunidade ideal para ser feliz, mediante a espera deleitosa da bem-aventurança eterna, recompensa para seus atos justos.

Já o fanático religioso entende que a vida é um inferno, que desde que os motivos de seu suicídio agradem a seu deus, ou homenageiem-no, terá a vida eterna sob a proteção deliciosa de sua divindade.

Este assassino suicida de Erechim era um fervoroso católico, catequista de jovens do bairro.

De repente, ante graves obstáculos financeiros, distorceu violentamente sua fé para o fanatismo, de tal sorte que imaginou que o assassinato de sua mulher e dos seus dois filhos significava a libertação deles dos males da existência, suicidando-se a seguir para juntar-se a eles na vida eterna em que acreditava.

Na sua loucura, matou a mulher e os filhos porque os amava e queria livrá-los das aflições terrenas, seguindo atrás deles para o destino celestial.

A cada tiro que dava nas cabeças dos familiares, lia um trecho da Bíblia. E o mais terrível é que as circunstâncias todas levam a que se acredite que ele convenceu as suas três vítimas da sua proposta insana.

Quanto à série impressionante de crimes familiares que assalta o Rio Grande e o Brasil, trata-se de uma mera coincidência.

Com exceção desse crime de Erechim, movido unicamente pelo fanatismo religioso, os outros todos são meras reproduções da História: muitas vezes, não há ambiente mais propício, paradoxalmente, ao cultivo do ódio, pela convivência estreita, diuturna, imperiosa e inevitável, do que o lar.

E como os laços de parentesco são indestrutíveis, os desvios de personalidade encontram na violência a única forma de eliminá-los.

Esses parricídios, matricídios, filicídios e uxoricídios (assassinato da esposa) são apenas uma onda casual. Vão passar.

E nunca vão passar.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Luis Fernando Verissimo
06/12/2002


Histórias, histórias: Xerexexê

O futebol tem muitas histórias. Esta é a do Romualdão e o juiz de Guadaloupe. O Romualdão era capitão do time e achava que uma das funções de um capitão era pressionar o juiz. Juiz deve ser pressionado sempre, era a opinião do Romualdão. Juiz tem que ouvir reclamações quando apita qualquer coisa, certo ou errado, e o encarregado de fazer as reclamações é o capitão. Respeitosamente, ressalvava o Romualdão. Mãos nas costas, alto nível. Mas sempre. São raríssimos, na história do futebol, casos de juízes que reverteram uma decisão depois de ouvir uma reclamação de jogador. Romualdão sabia disto. Mas a questão não era essa.

O juiz precisava saber que estavam de olho nele. Que ele não estava enganando ninguém. E o veículo desta desconfiança constante, desta cobrança implacável, era, naturalmente, o capitão. Que, afinal, também era uma autoridade em campo. Uma autoridade menor, mas autoridade. E vigilante. Por isso, as torcidas tinham se acostumado a ver o Romualdão, mãos nas costas, conferenciando com o juiz, às vezes longamente. Alguns juízes não queriam conversa e mandavam o Romualdão se afastar. O Romualdão se afastava, mas reclamando. E quando o juiz era estrangeiro? Em que língua o Romualdão reclamava?

Que se soubesse, o Romualdão era monoglota convicto. Como fazia? Um dia o Romualdão contou. Quando o juiz era estrangeiro, ele costumava falar "Xerexexê, xerexexê, xerexexê", só variando o tom. "Xerexexê, xerexexê, xerexexê", fosse o juiz alemão, castelhano ou coreano. O importante não eram as palavras, era a cena. Era o juiz se sentir pressionado e a torcida ver o Romualdão pressionando o juiz, como deve fazer qualquer bom capitão. Muitas vezes, quando a torcida pensava que o juiz estrangeiro estava dando explicações ao Romualdão, estava apenas dizendo "O quê?" E o Romualdão: "Xerexexê, xerexexê, xerexexê, pô!" Um dia, o juiz era de Guadaloupe. Dois minutos de jogo, falta contra o time do Romualdão.

O juiz em cima: piii. E o Romualdão em cima do juiz: "Xerexexê, xerexexê, xere..." Não completou sua argumentação. Foi expulso de campo antes do último "xexê"! Cartão vermelho. O juiz de Guadaloupe dando pulos. Se tivesse cartão roxo, mostraria o roxo. O que queria dizer "xerexexê" em guadaloupês? O Romualdão conta que nunca ficou sabendo. E que, a partir daí, sempre que se dirige a um juiz estrangeiro, se limita a referências à sua mãe e ao sucesso que seus hábitos exóticos devem fazer na profissão que escolheu, sempre em tom ponderado e respeitoso. E em bom português, que é para não haver mal-entendidos.


Quinta-feira, Dezembro 05, 2002




A P R E N D I


Aprendi que se aprende errando. Que crescer não significa fazer aniversário. Que o silêncio é a melhor resposta, quando se ouve uma bobagem. Que trabalhar significa não somente ganhar dinheiro.

Pode ser que as pessoas não acreditem mas aprendi que amigos a gente conquista mostrando o que somos. Que os verdadeiros amigos sempre ficam com você até o fim, não importa qual seja ele. Que a maldade, muitas vezes, se esconde atrás de uma bela face.

Reclamando aprendi que não se espera a felicidade chegar, mas se procura por ela. Que quando penso saber de tudo ainda não aprendi nada. Que a Natureza é a coisa mais bela na Vida.

E aprendi que amar significa se dar por inteiro. Que um só dia pode ser mais importante que muitos anos. Que se pode conversar com estrelas. Que se pode se confessar com a Lua.

Nas muitas viagens que fiz, aprendi que se pode viajar além do infinito. Que ouvir uma palavra de carinho faz bem à saúde. Que dar um carinho também faz e que fazer alguém feliz pode nos fazer sentir também a maior felicidade.

De tudo quanto sonhei aprendi que sonhar é preciso. Que se deve ser criança a vida toda apesar da idade e que nosso ser é livre em que pesem alguns grilhões, muitas vezes quererem acorrentá-lo..

Imperiosamente aprendi que Deus não proíbe nada em nome do amor. Que o julgamento alheio não é importante. Que o que realmente importa é a Paz interior. E finalmente, aprendi que não se precisa morrer, para se aprender a viver.




Enquanto durar

Não sei... Lendo aquele texto dos suicídios de jovens, penso que muitas vezes não estamos satisfeitos com a durabilidade de nossa vida, ou a achamos curta ou longa demais. Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:

colo que acolhe,
braço que envolve,
palavra que conforta,
silêncio que respeita,
alegria que contagia,
lágrima que corre,
olhar que acaricia,
desejo que sacia,
amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não seja nem curta,
nem longa demais, mas que seja intensa,
verdadeira, pura...enquanto durar...

Duas dezenas, tres... oito, nove dezenas de anos
podem ser muito ou pouco, depende do que fizermos
neste tempo.




Finalmente o Blogger voltou a funcionar, Aleluia e tornar útil o botãozinho aquele que eu me queixava "Upload de Arquivo". Assim vamos ver qual será a outra parada e quando. Pois aqui também funciona muito aquela leizinha de Murf: "quando você mais quer colocar alguma coisa no ar, aí dá algo errado e ela não acontece".




Do meu chará Cassiano Ricardo encontrei essa relíquia de 1947, e por ai a gente pode ficar imaginando como era São José dos Campos. Só havia pirilampos imitando o céu nos campos. Tudo parecia certo. O horizonte estava perto. E hoje como será??

Cassiano Ricardo

Um dos grandes poetas modernistas era joseense. Embora tenha vivido para ver sua cidade industrializada e desenvolvida, seu olhar sobre São José dos Campos na década de 40 era nostálgico, romântico e revelava o provincianismo de uma época.

A flauta que me roubaram

Cassiano Ricardo - 1947

Era em São José dos Campos.
E quando caía a ponte
eu passava o Paraíba
numa vagarosa balsa
como a da cidade grande.
O horizonte estava perto.
A manhã não era falsa
como a da cidade grande.
Tudo era um caminho aberto.
Era em São José dos Campos
no tempo em que não havia
comunismo nem fascismo
pra nos tirarem o sono.
Só havia pirilampos
imitando o céu nos campos.
Tudo parecia certo.
O horizonte estava perto.
Havia erros nos votos
mas a soma estava certa.
Deus escrevia direito
por pequenas ruas tortas.
A mesa era sempre lauta.
Misto de sabiá e humano
o meu vizinho acordava
tranqüilo, tocando flauta.

Era em São José dos Campos.
O horizonte estava perto.
Tudo parecia certo
admiravelmente certo.




Este Blog sempre se preocupou com as questões sociais, voluntariado, ECA - Estatuto da Infância e da Adolescência, reciclagem e aproveitamento de resíduos e sempre incentivou as empresas amigas das crianças. Neste dia do Voluntário nada melhor que homenagear aqueles que de algum forma contribuem para a melhoria da questão social e da minimização das desigualdades.

Solidariedade

Muito obrigado, voluntário

No Dia Internacional do Voluntariado, gaúchos beneficiados agradecem pelo trabalho solidário recebido. O movimento, popularizado no Estado na última década, faz parte da rotina de mais de 24 mil pessoas


Um número cada vez maior de gaúchos tem razões para comemorar o dia de hoje, dedicado ao voluntariado. Desde que começou a ser difundido no Estado, na década passada, o movimento multiplicou o contingente de pessoas que prestam serviços gratuitos em entidades.

Apenas a organização Parceiros Voluntários contabiliza 23 mil gaúchos que dedicam algumas horas por semana para o auxílio a quem necessita, beneficiando um universo que ultrapassa as 100 mil pessoas.

- A comunidade não pode esperar tudo do governo e está procurando soluções sem ele. Para as entidades beneficiadas pelo voluntariado, significa atender mais gente, com mais qualidade e a um custo menor - afirma Humberto Ruga, fundador e presidente do conselho da Parceiros Voluntários.

A questão econômica é um dos pontos-chave da idéia. Cada R$ 1 que as empresas mantenedoras doam para a Parceiros Voluntários representa R$ 22 para a entidade beneficiada, graças ao trabalho gratuito.

Criada em 1996 e com 1,5 mil voluntários cadastrados, a Fundação Semear, de Novo Hamburgo, também surgiu para difundir o movimento. Mantida por empresários, a fundação capacita entidades e recruta pessoas dispostas a oferecer trabalho.

- As pessoas estão despertando para a responsabilidade social. Há empresas que nos procuram porque seus funcionários querem ajudar como voluntários - diz Cláudia Dias Cardoso, assessora de desenvolvimento social da Semear.

Léo Voigt, presidente do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (Gife), lembra que ações voluntárias sempre existiram, mas o conceito de voluntariado data dos anos 90 no país, e sua grande contribuição é permitir que profissionais competentes coloquem serviços à disposição de quem não poderia tê-los. Mas Voigt alerta que o trabalho voluntário não deve ser forma de resolver problemas pessoais.

- Há quem procure o voluntariado para solucionar um problema. Para ser legítimo, esse serviço tem de fazer mais bem a quem recebe do que a quem faz.

SAIBA COMO SE ENGAJAR

O voluntariado é indicado para pessoas com algum tempo livre por semana, com habilidades que possam ser usadas por entidades
Para ajudar, procure entidades que recrutam voluntários e cadastre-se
Veja se sua empresa não tem um projeto de voluntariado corporativo
Você pode procurar diretamente uma organização social e acertar o trabalho, mas muitas entidades temem a cobrança de direitos trabalhistas.

Recomendações
Voluntariado não é favor, mas compromisso. Não procure essa atividade em busca de satisfação pessoal, por recomendação médica ou como fonte de alívio psicológico algumas organizações:

Parceiros Voluntários:
(51) 3227-5819
www.parceirosvoluntarios.org.br

Fundação Semear:
(51) 594-4044
www.fundacaosemear.org.br

Fundação Thiago Gonzaga: (51) 3221-6899
www.vidaurgente.com.br


Já era sem tempo para um Banco que se auto intitula Banco Social e é na verdade pelos inúmeros serviços que presta a classe de trabalhadores, tivesse essa possiblidade para quem precisa de uma conta em banco.


CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 5 DE DEZEMBRO DE 2002


Pessoas sem banco terão vez na Caixa

Brasília - A Caixa Econômica Federal começou ontem a abertura de conta bancária para pessoas que nunca tiveram conta em banco. Batizada de Conta Eletrônica Caixa Aqui e lançada experimentalmente em alguns municípios em abril deste ano, a nova conta vai promover o acesso de milhões de famílias brasileiras a produtos e serviços financeiros. Inicialmente, a Conta Eletrônica será aberta em agências da Caixa que atendam às regiões da periferia das cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Curitiba, mas a meta da Caixa é estender a operação para toda a sua rede de 2 mil agências em todo o país até fevereiro.

A Conta Eletrônica é bastante simplificada: é exigido apenas o CPF, documento de identificação e comprovante de endereço. Não há quantia mínima para iniciar a conta e a movimentação é feita somente por meio de cartão magnético.


=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.
Triste realidade essa brasileira onde os jovens sem esperanças e sem perspectivas para sua vida e seu futuro, resolvem de dar um fim ou um basta nela, numa das fases mais bonita das pessoas que é a juventude, aumentando a estatística brasileira de 50 para cada um europeu..

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 5 DE DEZEMBRO DE 2002


Homicídio de jovens cresce no país
Pesquisador da Unesco denuncia que, para cada vítima morta na Europa, morrem 50 no Brasil

O número de homicídios entre jovens no Brasil cresceu 77% nos últimos 20 anos, conforme revelou o coordenador de pesquisas da Unesco, Júlio Jacobo, em palestra ontem na IV Conferência das Cidades, na Câmara dos Deputados. Nesse detalhe, segundo ele, o Brasil só perde para a Colômbia e Porto Rico. Destacou que para cada jovem morto na Europa, morrem 50 no Brasil. Segundo ele, os dados demonstram que os jovens brasileiros não têm perspectivas de vida, o que favorece a cultura da violência.
'Os jovens estão totalmente excluídos. O país tem que adotar políticas concretas de incorporação dessa juventude, nos níveis nacional, estadual e municipal', afirmou Jacobo. Durante os debates sobre o tema 'Planejamento das Cidades e a Violência Urbana', a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, do Instituto Polis, disse que o modo de construção das cidades brasileiras contribui para o elevado índice de violência urbana por favorecer a exclusão e a desigualdade social.

Para o presidente da Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior, deputado João Sampaio, a afirmação da arquiteta reforça a tese de que quanto mais precárias forem as condições urbanas, maior será a violência. 'Nossas cidades refletem a estrutura social. Se essa estrutura é injusta e excludente, as cidades também serão.'


.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.
O Blogger ainda não arranjou aquela tecla que diz: Upload de Arquivo e desta forma nada de postar imagens. Mas é Quinta-feira e Quinta é só um pouquinho mais que o meio da semana. . Assim...

Não quero ficar estressado nem cansado dos embates, a maioria áridos e poucos férteis, dos que pululam ululando com um zunido infernal, e daqueles mais calados, escrotos, dissimulados.

Não quero nem saber do povo que polemiza sobre pulgas ou sobre nadas, sobre conceitos ou livros, filosofias, poesias, coisas modernas e antigas, bichanos, religiões, ratos, cavalos e patos, e também politicagem, gente que brinca com a maldade, gente encastelada, fingida, enclausurada.

E ainda dos libertos que mais parecem cativos, dos que varam a madrugada importunando o juízo de quem tem e quem não tem. Essas coisas me entristecem não tanto porque não goste, nem também por ojeriza vez que umas me apetecem e outras até me estimulam.

O diabo é que tomam o tempo daquelas criaturas meio-moças meio-pétalas que se envolvem aguerridas em cada combate desse como se fosse uma guerrilha, e se exaurem, se aborrecem, choram, xingam e até ri.

Porque no fim eu sei que roubam dos leitores momentos que deveriam ser de deleite e de aprendizado para quem elabora e para quem usufrui.


Luis Fernando Verissimo
05/12/2002


Histórias, histórias: bichos

Dizem que os animais domésticos ficam parecidos com os seus donos e vice-versa, mas a equação não é justa com os bichos, como provam a dona Cecília e seu gato Ramsés. Depois de anos de convívio, a dona Cecília hoje toma leite em pires e se lambe toda, mas o Ramsés, por mais que tente, não consegue se interessar pela doutrina kardecista.

Fiquei olhando para o cachorro, depois que o dono me disse que ele era de uma raça polar que trazia na sua composição genética a disposição para enfrentar ursos, e lamentando que não pudéssemos conversar. Assunto não nos faltaria. Comentaríamos o calor do Brasil, e eu lhe confidenciaria que também não estava cumprindo o meu destino biológico.

Quando contaram que a Olguinha tinha sido comida pelos seus três cachorros pequineses, houve uma revolta geral. Impossível! Só poderia acreditar naquilo quem não conhecesse a raça dos cachorros pequineses. Ou (comentou alguém que preferiu ficar num canto e no anonimato e depois não disse mais nada) quem conhecesse bem a Olguinha.

Uma vez demos um hamster para as crianças e o hamster fugiu da sua gaiola e desapareceu numa estante de livros. Nunca mais foi encontrado. Durante muito tempo imaginamos que ele reapareceria, gordo, saciado, e voltaria cambaleante para sua gaiola, atrás do que muitas vezes também nos falta: tempo e paz para digerir os livros que consumimos com mais voracidade do que método. Mas o hamster nunca reapareceu. Desconfiamos que morreu de excesso de cultura. Outra vez um amigo me contou que seguira os rastros de uma falange de cupins através da sua biblioteca. Os invasores tinham atravessado coleções inteiras, capas duras e brochuras, deixando atrás de si um único túnel contínuo e caprichado. Só tinham interrompido a sua marcha para devorar a página inteira de um volume. Uma ilustração. Segundo o meu amigo, era a ilustração de uma biblioteca.

Minha infância foi sem bichos, mas certa vez um gato começou a freqüentar, por conta própria, nosso quintal. Era todo branco e tinha um olho azul e o outro cinza. Ficou durante anos e um dia desapareceu, tão misteriosamente quanto aparecera. Nunca quis se envolver muito conosco. Talvez alertado pelo nome que lhe demos: Bob.


.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=

ONU quer controle de natalidade

Interessante e curiosíssimo: o Corinthians marcava os gols e garantia o Grêmio na Libertadores e a torcida gremista não vibrava. Quando foi anunciado o fim do jogo em São Paulo, a torcida do Grêmio não vibrou por ter garantido a Libertadores no ano que vem. Mas à torcida só interessava a classificação, que afinal foi perdida. Mas a entrada na Libertadores tinha de ser festejada. A torcida só queria ganhar por diferença de três gols, ontem. E do jeito que o Grêmio jogou no primeiro tempo não havia como ganhar.

Não dá para entender a atuação de Rodrigo Mendes na partida. Escondia-se das bolas altas, só que todo o estádio estava vendo que ele se escondia. Foi apático, frouxo, sem vontade, uma grande decepção o Rodrigo Mendes de ontem e das últimas partidas. O Luís Mário também entrou sem nenhum entusiasmo. Todos tinham de ter a pegada e a garra de Tinga. E o Grêmio foi desanimador no primeiro tempo. Quem não faz gol no primeiro tempo, não pode tirar a diferença de três gols numa partida: que catástrofe a atuação de Rodrigo Mendes. Assim não há time que agüente.

Já foi um grande avanço esta recomendação da ONU para que o Brasil se entregue a um vasto programa de controle da natalidade.

Isto que estava na cabeça da ONU já perturbava há tempos a minha cabeça e as cabeças lúcidas da nossa terra gaúcha e do Brasil: quanto mais filhos, menos assistência escolar, menos saúde e mais fome.

É um equívoco pensar que a Igreja Católica é contra o controle da natalidade.

O controle da natalidade num país de 54 milhões de miseráveis como o Brasil é uma idéia luminosa.

E não poderia a Igreja Católica se voltar contra essa translúcida verdade. A Igreja tem lideranças sérias e inteligentes, não há de querer a Igreja que se multipliquem os famintos. Mesmo que se reduza sua fome, como o presidente eleito Lula acena neste instante.

Não há de querer a Igreja que se reproduza e aumente o sofrimento, pela fome e pela miséria.

Ao contrário, é missão da Igreja reduzir o sofrimento, minorar a pobreza e promover a felicidade das pessoas.

E a maternidade irresponsável e inculta, os filhos da escuridão, os condenados desde o nascimento à miséria, estes têm que ser evitados.

A Igreja é contra o aborto e contra todas as formas violentas de contracepção. Evidentemente que as mentes lúcidas da Igreja só podem apoiar o desestímulo ao nascimento desregrado pelos métodos contraceptivos civilizados.

Desde que o governo inicie uma larga política de controle da natalidade, destinando recursos para evitar os nascimentos indesejados por anovulatórios e laqueaduras de trompas em todo o país, em 10 anos já teremos uma redução drástica nas legiões de miseráveis, em 30 anos um radioso futuro estará aberto ao Brasil, livre do excesso populacional que o constringe a todos os males sociais.

E o incrível é que as mulheres pobres clamam por ajuda para não terem filhos. São obrigadas biologicamente ao sexo, mas batem nos postos de saúde e nos centros comunitários, como o São Operário, aqui entre nós, onde as voluntárias Ruth Vianna de Abreu, Ana Luz e Neiva Berni, sem ajuda governamental, realizam prodigioso trabalho com gestantes e mulheres em fase reprodutiva, incitando cientificamente 60 mulheres a não ter mais filhos.

Se tivessem recursos, elas e outros tantos abnegados do setor de saúde e do social, seriam atendidas centenas de milhares de mulheres, que pedem socorro para não engravidarem, mas soçobram diante do apelo do desejo, direito inalienável delas.

Elas têm o direito a amar e a não ter filhos miseráveis. É preciso que o poder público as atenda.

Em nome do futuro do Brasil.
psantana.colunistas@zerohora.com.br


Meu caro Nilson, tenho lá minhas dúvidas se o Papai Noel nessa concorrência toda por emprego também não precisará de diploma e de curso de especialização, caso contrário ele sobrará na fila como os milhares de pessoas que também ficam. E mesmo as crianças teriam dificuldades para escolher o dono do colo mais confortável, das palavras mais ternas e dos gestos mais carinhosos.

Nilson Souza
05/12/2002


Emprego temporário

Deu na televisão que tem um monte de gente disputando vaga de Papai Noel nas lojas e nos shoppings do país. A reportagem chamou a atenção para o fato de alguns candidatos terem curso superior - certamente para destacar que os diplomados estão encontrando tantas dificuldades em conseguir emprego quanto os trabalhadores de poucas letras. Não sei como os empregadores procedem na seleção dos pretendentes ao cargo, mas imagino que os testes convencionais tenham pouca serventia para o caso. Até a chamada boa aparência pode ser dispensada, pois o sujeito passará todo o horário de expediente enfiado numa fantasia vermelha e com o rosto encoberto pela barba espessa.

Talvez a entrevista seja decisiva:

- Por que o senhor deseja ser Papai Noel?

- Porque a inflação se encaminha para os dois dígitos e a remuneração auferida com esta ocupação estratégica me permitirá saldar alguns débitos.

- Outro economista! Fila da direita...

Nem sempre será tão fácil para o examinador definir o perfil do candidato.

- E o senhor?

- Eu me encontro excluído do processo produtivo e para não ser compelido ao subemprego da economia informal gostaria de vivenciar momentaneamente esta experiência.

- Sociólogos e filósofos na fila menor!

E assim seguiria o baile. Considerando-se o enorme contingente de desempregados, é provável que também aparecessem na fila de candidatos engenheiros, jornalistas, médicos, escritores, cada um com a sua própria linguagem, todos dispostos a adaptar seus conhecimentos profissionais à função. Seleçãozinha difícil essa. A não ser que o gerente ou o proprietário da loja tivessem o bom senso de entregar a tarefa às crianças.

Elas não teriam qualquer dificuldade para escolher o dono do colo mais confortável, das palavras mais ternas e dos gestos mais carinhosos, pois sabem desde o início dos tempos que Papai Noel não precisa de diploma nem de curso de especialização.

Basta-lhe conhecer um pouquinho da magia do Natal.
nilson.souza@zerohora.com.br


Quarta-feira, Dezembro 04, 2002


.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.
T E N T O

Tento encontrar alguma tecla que solucione o problema desse blog, e outros que teimam em não ser solucionados, algum atalho, palavra, letra talvez... Mas...

Além de míope, pois ainda não aprendi usar lentes e continuo somente e apenas com meus óculos de tempos idos, estou ficando vesgo pelo doloroso esforço repetitivo de ler entrelinhas.

E a conseqüência disso é a minha transformação num inusitado garimpador de coisas não ditas, num juntador de coisas apenas intuídas pelas pessoas e que na maioria das vezes nem sempre se confirmam.

Mesmo assim por, talvez, ser capricorniano daqueles mais teimosos, não desisto, nem retrocedo, porque minha cristalizada e doida convicção me faz crer que nas letras, como nos garimpos, o inexistente existe.


=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=..=.=.=.=.=.
Enquanto o Blogger não funciona continuo aqui sem poder inserir imagens... sem...

S E M

Sem amor, sem ninguém
Sem nenhum, sem cem
Sem bondade, sem maldade
Sem agora, sem passado
Sem futuro, sem presente
Sem memória
Sem ww.sem
(...)
Sem amor, sem ninguém
Sem Rimbaud, sem cem
Sem queijo, sem rato
Sem beijo, sem Lacan
Sem Freud, sem manhã
Sem sina, sem menino, sem menina
Sem Karma, sem cama
Sem drama, sem gasolina
(...)
É o w do w do w ponto plugado
E nesse jogo inventado eu fico sem ponto sem


.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=
S A B E

Sabe, eu espero que a montanha-russa do parque-de-diversões-da-vida não invente de travar comigo assim, de cabeça para baixo...

E depois tem uma coisa aqui dentro fazendo um barulho estranho... tum-tum, tum-tum. Nossa hoje é dia de prova! O Blogger não funciona! E eu devia era dizer "fora da área de cobertura e temporariamente desligado"! Tudo ficaria mais fácil...

Ah... não quero mais brincar de gente grande, não! Estou ficando cansado disso... É possível que alguém tenha um carrinho de controle remoto para me emprestar? Uma mamadeira?

Alguém para me levar para o playcenter, vaaaaiiii?


=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.==
Como o Blogger continua sem que se possa inserir imagens desculpem, mas os tracinhos estão colocados no lugar.

Martha Medeiros
04/12/2002


Suzane e Gustavo
Suzane von Richthofen planejou o assassinato do pai e da mãe, executados pelo namorado dela. Já Gustavo Napolitano matou a avó e a empregada. Dois casos parecidos e, no entanto, diferentes.

Suzane, movida pela paixão ou pela ganância, ou por ambos, teve muito tempo pra pensar no que estava fazendo, teve tempo de desistir, estava em pleno poder da sua capacidade mental. Foi metódica, calculista, fez o que fez porque quis.

Gustavo? Sinto uma pena enorme dele. Claro que lamento pela avó e pela moça que trabalhava na casa, ambas vítimas de um cruel destino, mas agora só resta ele em cena, e é sobre ele que falo. Piedade, sim. Gustavo é um jovem doente, viciado, que precisa de ajuda, internação, cuidados médicos. Ninguém cheira 27 gramas num dia só pra se sentir bacana e fazer festa; ninguém troca o carro da família por droga se não estiver completamente tomado: é fissura das mais destruidoras.

Suzane e Gustavo já eram. Duas juventudes desperdiçadas, dois corpos que não tomarão mais banho de mar, não dançarão, não irão a shows nem ao cinema. Duas vidas abortadas em plena gestação. Tinham formação suficiente para não caírem nessa, mas caíram, levaram outros, tomaram decisões estúpidas. Não tenho pena de Suzane. Mas tenho de Gustavo. Ambos merecem punição, mas Gustavo é quase tão vítima quanto a avó e a empregada. Quem esteve ao seu lado, quem percebeu o quanto ele estava afundando? Onde andavam os amigos, a família? Estava viciado há seis anos, revelou ele, ainda grogue, dentro de uma viatura. Desde os 16 anos de idade. Sozinho nesta viagem que poderia ter tido volta, se alguém tivesse tentado ajudá-lo.

Cocaína e solidão formam um coquetel barra pesada. Uns se matam no morro, outros se matam no Morumbi, todo mundo destruindo o que vê pela frente, o futuro inclusive. Dependência química. Crise de abstinência. Desespero. Isso não absolve um criminoso, mas deveria ao menos nos inquietar e servir de alerta. Suzane não matou com as pr