E N T R E L A Ç O S
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Sábado, Dezembro 14, 2002




Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um individuo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Ai entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente."

E assim sendo como gosto demais
de você fico aqui pensando em tudo
o que posso desejar a você neste novo ano de 2003:

Para você, desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.

Para você,
Desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir
Todas as músicas que puder emocionar.

Para você neste novo ano,
Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
Que sua família esteja mais unida,
Que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente para
Repassar o que realmente desejo a você.

Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes, que eles possam te mover a cada minuto
Ao rumo da sua FELICIDADE !

Feliz Vida Nova !
Carlos Drumond de Andrade


Com certeza para o meio ambiente as duas mil toneladas de óleo poderão trazer sérias conseqüências, mas convenhamos toda esta quantidade de carros, e olha as marcas Audi, Volvo e BMW, há apenas 25 metros de profundidade é uma tentação, não?

Sábado, 14/12/2002 - 15h55m
Navio com 2.862 carros de luxo afunda no Mar do Norte
Reuters



O navio 'Tricolor' que afundou na França

LONDRES - Um navio de bandeira norueguesa que transportava 2.862 carros das marcas Audi, Volvo e BMW, além de 2.000 toneladas de óleo, afundou no Mar do Norte hoje depois de uma colisão com outra embarcação em meio a um denso nevoeiro. Os 24 tripulantes foram resgatados em segurança, informaram as guardas costeiras britânica e francesa.

Os tripulantes do cargueiro "Tricolor", em sua maioria filipinos, abandonaram o navio quando ele atingiu uma inclinação de 15 graus depois da colisão durante a madrugada na entrada norte do estreito de Dover, entre a Inglaterra e a França.

O capitão do Tricolor e dois oficiais foram levados a bordo do outro navio - chamado Kariba, de bandeira das Bahamas - que estava a caminho do porto de Antuérpia, na Bélgica, para inspeção, informaram as guardas costeiras. O restante da tripulação foi resgatado por um rebocador e levado a um hospital no porto francês de Dunkirk, mas não há notícia de feridos.

Até o momento, as autoridades francesas não registraram nenhum vazamento de óleo. O navio, que transportava os 2.862 carros de luxo de Zeebrugge para Southampton, está a 25 metros de profundidade. O outro navio, o Kariba, ficou bastante danificado, mas ainda pode seguir até o porto de destino, segundo o Lloyd¿s.



Isso é que é paixão, faltou umzinho para chegar aos cem mil corações. E os ingleses hein quem diria?


Nicole Wong é moradora em Singapura. Como prova de amor ao marido deu a ele 99.999 corações de papel.

Netinho está recebendo 7 mil cartas por dia. Bateu os galãs da Globo.

O indiano Subhash Chandra Agrawal adora escrever para jornais. Já enviou 1.226 cartas a redações de todo o mundo.

A tenista Serena Williams comprou outra casa em Los Angeles. US$ 1,5 milhão.

Em 1950 as americanas levavam em média 131 minutos para preparar um almoço. Hoje gastam 17 minutos.

70% dos turistas que visitam São Paulo se hospedam em casa de parentes e amigos, segundo a Embratur.

Francis Coppola comprou por US$ 31,5 milhões um novo vinhedo na Califórnia. O cineasta produz o vinho Napa Valley.

Ben Affleck e Jennifer Lopez fazem o enxoval do bebê. Berço de US$ 58 mil e US$ 60 mil em roupas.

1,5 milhão de declarações foram retidas pela Receita na malha fina. 50% a mais do que em 2001.

80% dos fumantes ingleses preferem não transar por um mês a viver sem cigarros. Os dados são do Grupo Antitabagista Scape.



Brasil, 14/12/2002 - Lula se emocionou muito ao falar que o diploma de presidente é o primeiro que recebeu em sua vida.

Sábado, 14 de dezembro de 2002, 11h35
Lula chora ao ser diplomado presidente

Durante um discurso emocionante, Luiz Inácio Lula da Silva chorou ao receber na manhã de hoje o diploma de presidente da República. "Eu, que tantas vezes fui acusado de não ter um diploma superior, ganho o meu primeiro diploma, o diploma de presidente da República do meu País", afirmou, com a voz embargada pelas lágrimas. O vice-presidente eleito, José Alencar, também foi diplomado na cerimônia.
Lula fez um discurso rápido, que durou pouco mais de quatro minutos. No início, bem-humorado, deu risada ao dizer que era incapaz de falar por apenas cinco minutos, como prevê o protocolo. Ao elogiar o processo eleitoral, no entanto, se emocionou. "Se havia alguém no Brasil que duvidasse que um torneiro mecânico, saído de uma fábrica, chegasse à Presidência da República, 2002 provou o contrário", disse, chorando.

A cerimônia começou por volta das 11h, e foi acompanhada por dezenas de convidados entre familiares, autoridades e políticos. Nelson Jobim presidiu o evento. Em seu discurso, pediu desculpas pelas filas e problemas enfrentados por eleitores no primeiro turno.

O diploma entregue pelo TSE representa o reconhecimento oficial do resultado do pleito deste ano. O documento também autoriza Lula e José Alencar a tomarem posse no Congresso Nacional, respectivamente, como presidente e vice-presidente da República.

Encerrada a sessão, Lula retornaria à Granja do Torto. Hoje, ele ainda deve almoçar em um restaurante de Brasília para comemorar a diplomação e se reunir com o cantor Gilberto Gil, cotado para o Ministério da Cultura.


A Revista Isto É, ainda não publicou sua capa, mas uma das reportagens interessantes e talvez por isso esteja melhor a meu ver que a Revista Veja é os brasileiros do ano. E o FHC é um deles, para ler toda a reportagem que já está online é só acessar o link http://www.terra.com.br/istoe .



Fernado Henrique Cardoso
Do planalto para o clube de Madri, em nome da democracia

Antônia Márcia Vale

O presidente Fernando Henrique Cardoso ainda não deixou o poder, mas já entrou para a história. É protagonista do mandato presidencial mais longo alcançado por vias democráticas no Brasil. A era FHC pode ser caracterizada como um tempo de inovações na política e economia brasileiras. Após décadas de assaltos e sobressaltos financeiros e institucionais, Fernando Henrique conseguiu trazer ao País o que os nascidos a partir de 1960 não conheciam: a estabilidade do Estado Democrático e da moeda. Não houve temor nem ameaça de rupturas.

Ao receber a medalha da Suprema Distinção da Câmara dos Deputados, no dia 27 de novembro, FHC declarou-se ¿um presidente que não fez mais do que cumprir o que a Constituição mandava: respeitar as instituições¿. Fez sim. Consolidou a democracia e deu transparência ao funcionamento da administração pública e da utilização do dinheiro dos contribuintes. É verdade que em sua passagem pelo Planalto FHC foi o governante que mais editou medidas provisórias, quase 1.500 nos dois mandatos.

O uso constante desse mecanismo legal ¿ criado para ser um instrumento de socorro em horas de extrema dificuldade ¿ foi uma das maiores fontes de críticas ao governo pela oposição, especialmente os parlamentares do PT. Mas ao menos uma MP os petistas terão que agradecer para sempre: a de número 76, publicada no Diário Oficial da União de 28 de outubro.

No dia seguinte à realização do segundo turno das eleições, Fernando Henrique fez o que nenhum outro presidente jamais fizera: deu a seu sucessor a oportunidade de conhecer as entranhas do Executivo antes de assumir a chefia da Nação. Graças à MP que colocou 50 cargos do governo à disposição dos membros da equipe de transição indicados pelo futuro presidente, Luiz Inácio Lula da Silva não vai chegar ao Planalto de olhos vendados. Fernando Henrique fez ainda mais. Chamou Lula para indicar servidores de alto escalão que precisam ter seus mandatos aprovados pelo Congresso e comprometeu-se a encaminhar ainda este ano os nomes dos técnicos que o eleito quer na direção do Banco Central. Dessa forma, o novo ocupante do Planalto não terá de ficar com uma equipe interina na direção do BC até que o parlamento volte do recesso, em fevereiro. A compra de aviões caça para recompor a frota da Força Aérea também foi deixada para 2003.

FHC abriu mão de controlar uma licitação de US$ 700 milhões. Essas atitudes e outras, como a implantação da Lei de Responsabilidade Fiscal, consolidam a imagem de estadista cuidadosamente construída por ele ao longo dos anos de professor e de vida pública.





O novo rei do Congo "Além de maracatu, a festa da posse contará com outros espetáculos folclóricos. O PT gosta de folclore.
Mussolini também gostava. E Hitler. E Stalin. Folclore é coisa de regimes nacionalistas e totalitários"

Um dos coordenadores do PT disse que "a festa da posse terá a cara do governo Lula". Para saber o que irá acontecer nos próximos quatro anos, portanto, é muito mais útil estudar a origem do maracatu do que descobrir o nome do presidente do Banco Central. O PT teima com esse negócio de maracatu. Em seu programa de cultura, cita-o como exemplo daquilo que o novo governo saberá incentivar. Um incentivo que já se manifestará na festa da posse, com um espetáculo de maracatu na Esplanada dos Ministérios, saudando a passagem, em carro aberto, do glorioso presidente Lula. Como eu nunca tive a menor idéia do que fosse maracatu, achei melhor me informar.

Aparentemente, trata-se de uma dança pernambucana. Acompanhada de batuque. Copiei a letra de um tradicional maracatu: "Nagô Nagô / Nossa Rainha já se coroou / Nagô Nagô / A boneca é de seda / Seda e madeira". Ignoro o que seja essa boneca de seda e madeira. Quanto à rainha, representa a rainha do Congo. De fato, o maracatu é uma homenagem dos ex-escravos aos reis do Congo. Durante a festa, um caboclo se veste de rei, uma cabocla se veste de rainha, outros caboclos se vestem de legionários romanos (?), e todos eles saem pulando alegremente pelas ruas de Olinda. Deve ser muito bonito. Do ponto de vista histórico, porém, é o contrário do que o PT postula. O PT sempre falou em reforçar a cultura nacional, resistindo bravamente ao colonialismo americano. Os reis do Congo, que dominavam parte dos atuais Congo e Angola, comportaram-se de maneira oposta: no fim do século XV, assim que entraram em contato com os colonizadores portugueses, decidiram macaquear a cultura alienígena, convertendo-se imediatamente ao catolicismo e adotando nomes exóticos, como Afonso I. A partir daquele momento, dedicaram-se a um lucrativo comércio de escravos, capturando-os nas tribos vizinhas e vendendo-os aos brancos em troca de bens de luxo.

Além de maracatu, a festa da posse contará com outros espetáculos folclóricos. O PT gosta de folclore. Mussolini também gostava. E Hitler. E Stalin. Folclore é coisa de regimes nacionalistas e totalitários. Até hoje funciona assim. O líder carismático da extrema direita austríaca, Joerg Haider, sempre aparece nas festas populares de seu país tomando cerveja com trajes típicos. De certa forma, é o que fará Lula, transformando a festa da posse num grande desfile de maracatu. No maracatu, ex-escravos se fantasiam de rei e rainha do Congo. Em Brasília, o ex-operário Lula calçará seus sapatos J. Jacometti, fabricados em Franca especialmente para ele, com couro de cabra por fora e couro de carneiro por dentro, e desfilará pela Esplanada dos Ministérios num imperial Rolls-Royce conversível, aplaudido por centenas de milhares de pessoas, muitas das quais interessadas num dos 18.500 cargos de confiança do governo federal.

Personalidades políticas do mundo inteiro prometem participar do evento, transmitido ao vivo por um pool de emissoras de TV. Com a apoteose de um show de música caipira. O governo do PT terá a cara de um desfile de maracatu. Eu já estou fantasiado de legionário romano. Pronto para saudar Lula, o novo rei do Congo.




O presidente eleito confirmou a indicação de Marina Silva para a pasta do Meio Ambiente e oficializou que Celso Amorim será ministro das Relações Exteriores, Roberto Rodrigues vai para a Agricultura e Luiz Fernando Furlan, para o Desenvolvimento, Indústria e Comércio.


Natal sem gafe

Basta pensar por alguns minutos para evitar um presente que desagrada
Fabio Mangabeira



Para quem não sabe do que o cunhado ou o sobrinho gostam, a consultora de estilo Chris Francini lembra uma regra simples. "Crianças gostam de brinquedos, adolescentes ficam satisfeitos com roupas de grife e adultos dão importância a produtos duráveis e de qualidade", ela diz. Observe outras recomendações:

Evite dar utensílios para o lar ou eletrodomésticos, a não ser que seja aquele sonhado aparelho de som ou DVD. Nem pense em panelas, lençóis e aspiradores de pó.

Nada de peças íntimas ou sabonetes para colegas de trabalho. Prefira um porta-retratos, um CD ou um livro.

Cachorros, gatos e outros bichos, só com aprovação prévia da família.

Bebidas, só para o anfitrião da festa. Mas é bom saber se ele bebe e que tipo de bebida prefere.

É melhor não comprar roupas para uma pessoa gorda. Prefira acessórios como carteiras ou bolsas.

Peças para decoração são sempre bem-vindas, mas quem presenteia deve conhecer bem a casa do presenteado.

Tapetes, espelhos e quadros são ótimos para quem precisa deles.

Para fazer o bem

Um clique no mouse já ajuda muito
Xico Buny



O roqueiro Bono Vox, líder da banda irlandesa U2, criou uma página na internet com links para entidades com ação social destacada em todo o mundo. O Hospital do Câncer, de São Paulo, é a única instituição brasileira citada. O endereço é www.paulhewson.com. Confira outros endereços da internet pelos quais se podem fazer doações sem burocracia para algumas instituições:

www.hcanc.org.br
Para doações ao Hospital do Câncer, de São Paulo.

www.clickfome.com.br
Projeto Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida.

www.clickajuda.com.br
O internauta escolhe a instituição, e a doação de 50 centavos fica por conta dos patrocinadores do site.

www.filantropia.org.br
Lista de 400 entidades que precisam de doações.


Livros espertos

Para saber mais, da ioga à teoria da relatividade



A revista Superinteressante, da Editora Abril, empresa que edita VEJA, lançou uma coleção para quem quer entender aquilo de que muito se ouve falar e pouco se vê explicar. São livros de bolso, vendidos a 12,90 reais, que procuram conjugar o prazer da leitura com a clareza e a profundidade dos temas abordados. Os primeiros títulos da coleção Para Saber Mais tratam de ioga e do sistema operacional de computadores Linux. Os próximos abordarão MP3, maconha, espiritismo e teoria da relatividade.

Parabéns

A maioria gosta, sim, da festinha-surpresa na firma

Se você fica realmente constrangido ao ser alvo de um Parabéns a Você no trabalho, saiba que faz parte de uma minoria. Pesquisa da empresa de recursos humanos Dow Right, com 200 profissionais, mostra que só 31,5% não gostam da homenagem. Uma parte fica vermelha de vergonha e outra considera perda de tempo. Quase 70% costumam festejar e agradecem as palmas.

BOA NOTÍCIA

Tomate e cenoura contra o HPV
Delfin Fujiwara



Saladas, frutas e legumes tornam as mulheres menos suscetíveis ao câncer cervical e a infecções causadas pelo vírus HPV, ou papilomavírus humano. Um estudo publicado no jornal Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention, dos Estados Unidos, acompanhou 200 mulheres portadoras do HPV por nove meses. As que consumiam mais vegetais apresentaram maior quantidade de substâncias como licopeno, vitamina A e carotenóides na corrente sanguínea. Esses nutrientes seriam capazes de diminuir as infecções cervicais causadas pelo HPV.

MÁ NOTÍCIA

Dieta pode influenciar a acne

Pesquisadores da Universidade Estadual do Colorado, nos Estados Unidos, concluíram que o tipo de alimentação está entre as causas da acne. Foram acompanhados 1 300 adolescentes de tribos indígenas da ilha de Papua Nova Guiné e dos aches, uma tribo paraguaia. Os kitivans, da Nova Guiné, se alimentam de frutas, peixes e tubérculos; os aches, de mandioca-doce, amendoins e vegetais. Dietas ricas em frutas, carnes, peixes e vegetais podem ter efeito terapêutico sobre a acne graças à redução dos níveis de açúcar no sangue e ao melhor aproveitamento da insulina, grandes culpados pelo problema, disseram os estudiosos.



Capa: foto de Alex da Silva/Agência o Globo


Bom, como sempre, ai está a capa da Revista Veja que amanhã bem cedinho estará nas bancas. Os destaques estão abaixo para aqueles que quiserem saber quais as resportagens que encontrarão na mesma.

Seções

Carta ao leitor
Entrevista: Frei Betto
Ponto de vista: Luiz Felipe de Alencastro
Cartas
Em foco: Gustavo Franco
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas
Diogo Mainardi
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

Economia e Negócios
Comércio: Martins, o gigante do atacado

Internacional

Venezuela: O cerco a Hugo Chávez

Guia

Natal: Evite gafes na hora de presentear
Corpo: Opções para entrar em forma rapidamente
Casa: As novas TVs, mais leves e melhores
Ensino: Como reconhecer a boa escola
O que estou lendo

Brasil
Sucessão: O PT toma um choque de realidade
Sucessão: Quem é o futuro presidente do Banco Central
Sucessão: Lula, o Felipe González brasileiro
Justiça: As conexões do narcotráfico em Brasília

Geral

Nutrição: A onda agora é o nutricionista particular
Turismo: As praias do sossego do litoral baiano
Gastronomia: O melhor restaurante do mundo
Saúde: Vírus atrapalha os cruzeiros no Caribe
Aviação: A reforma de 200 milhões de reais do Air Force One
Ambiente: A pele das roupas que vem da criação em cativeiro
Moda: Calcinhas à mostra
Especial: Os avanços sociais do governo FHC
Aventura: O mergulho em cavernas

Artes e Espetáculos

Fotografia: As 100 mais belas obras arquitetônicas do Brasil
Televisão: A nova legislação para as emissoras regionais
Televisão: Xuxa e os problemas da bruxa Keka
Música: A nova fase de Christina Aguilera
Cinema: Chegadas e Partidas, com Kevin Spacey
Livros: Outra tradução de Dom Quixote
Livros: As cartas entre Drummond e Mário de Andrade

Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo




Comportamento
Amigas de filas e de festas




Pedir furo em fila de festa é uma arte há muito praticada pela dupla da foto. A farmacêutica Ana Paula Schuster e a administradora Carolina Biazus, ambas de 23 anos, saem juntas desde a adolescência.

O pai de Ana nunca queria esperar muito pelas gurias quando as deixava na rua, por isso descia do carro e as ajudava a passar na frente, pedindo "um furinho para as meninas bonitas, por favor".

- Mico total, mas dava certo. Com os feios era mais fácil de conseguir - recorda Ana.

Noutra feita, a fila estava tão imensa que Carolina foi sozinha batalhar um espacinho na frente. Descolou um furo e chamou a amiga. Ao chegar no lugar, o susto de Ana: Carolina havia pedido o favor justamente para um ex-namorado recente de quem Ana estava fugindo há algum tempo.

- Eu não o conhecia, só percebi que tinha algo errado porque a Ana começou a me beliscar - diverte-se Carolina.

Não canse suas panturrilhas

O empresário Luciano Ignaczak, 24 anos, gosta tanto de baladas que abriu um site dedicado somente à divulgação e "análise" das mesmas (festas.floripa.com.br). Entre outras filosofias, ele indica a necessidade de saber ocupar bem o tempo na fila e saber qual festa merece a espera. Com a palavra, o entendido:

- Ninguém sai de casa com a intenção de ir para um lugar quase vazio, afinal o objetivo (o meu pelo menos) é ver pessoas diferentes. Melhor ainda se for em grande quantidade. Algumas das baladas em que enfrentei as filas mais longas estão entre as melhores que já fui - relata Luciano.

Para escolher qual fila merece seu tempo, o empresário indica conhecimento prévio do local e do tipo de festa que vai rolar.

- A fila se torna uma ótima aliada na hora da escolha para quem está desinformado. Entre na que tiver mais mulheres - sentencia o empresário.

Se tem gente é porque rende


Já virou folclore: se um lugar de Porto Alegre não tem fila, é um fracasso. Sabendo disso, será que os empresários da noite não se sentem tentados a "forçar" uma filinha para atrair público? Apenas um segurança - que ainda preza por seu emprego - admitiu que sim.

- É uma prática mercadológica comum, estudamos na faculdade - filosofa o estudante de Publicidade Marco Antônio Filho, que delata também o corriqueiro desligamento do ar-condicionado para que as pessoas sintam calor e sede e consumam mais.

A preferência do público por ver a quantidade de gente esperando gera situações como a relatada pela promoter da Dado Bier, Pati Leivas.

- Na antiga casa, a fila era na rua, mais visível. Agora a espera é dentro do próprio Shopping Bourbon Country, então as pessoas não vêem e até acabam achando que não tem gente, o qué é uma inverdade.

Outra situação é quando, milagrosamente, a fila acaba cedo, mas a casa está cheia.

- As pessoas ficam receosas de entrar porque acham que, se não tem fila, lá dentro não está "bombando" - diz Jana Rosa, promoter da Liquid.

Elvis Felipe de Azevedo, do Manara, acha que a fila expõe as pessoas a um desconforto desnecessário, mas credita um pouco da demora ao check-in.

- Bolsa de mulher é um desastre para achar os documentos. O que também trava fila é que tem gente que fica na porta esperando os amigos - explica.




Comportamento

Passinho à frente, por favor
CAMILA SACCOMORI



Quem sai para a balada em Porto Alegre não consegue escapar de uma boa fila. Pode começar já no carro, numa rua atravancada de motoristas procurando estacionamento. Segue-se a fila básica, em pé, para entrar no local da festa. Depois de esperar entre ínfimos 30 minutos - com sorte - e morosas duas horas, tem-se o alívio momentâneo de um ar-condicionado. Mas logo a odisséia do enfileiramento humano recomeça: fila para o banheiro, fila para pagar a conta e, para quem estende o programa, fila do cachorro-quente ou do McDonalds.

O que é programa de índio para uns acaba se tornando palco de situações divertidas e até românticas para muitos habitués de casas noturnas da Capital. Zero Hora esteve em uma dezena de lugares para descobrir como a galera enfrenta tanta provação por uma boa night.

Grande parte dos entrevistados considera a fila um "mal necessário". Adriano Braga, 37 anos, ex-modelo e dono da academia Top Fitness, diz que já badalou o Brasil e o mundo inteiro.

- Tem lugares que dá gosto de ficar na fila, por causa da qualidade da festa - comentou, enquanto entrava pela lateral VIP do Café do Prado.

A casa, aliás, é uma das recordistas de filas aos sábados.

- Todo lugar bom tem uma. Aqui, é o charme da casa - declara o gerente, Marcos Fanfa.

Tem ainda os que só esperam em casos especiais. Às 23h da última terça-feira, na inauguração do bar Arkbari, as amigas Simone Breigeron e Tatiana Laitano eram as últimas de uma fila que só terminou às 3h30min.

- Acho que, dependendo da festa, é normal esperar mais tempo - opinou Simone, 23 anos.

- Viu como a minha teoria tem lógica? - rebateu a amiga Tatiana, dois anos mais velha que Simone, que momentos antes dissera que a paciência dependia da idade.

Namoros e desmaios

Na turma dos que não encaram fila nem sob decreto, está Álvaro Gomide, 24 anos. A revolta ocorreu em um episódio em uma boate. Ele ganhou uma pulseira vip que isentava fila. Na rua, havia quatro. Questionado sobre a ordem das mesmas, um porteiro lhe mandou entrar "na fila que isenta a fila".

- Totalmente contraditório! Sem falar que a dos "sem-pulseira" andava muito mais rápido - relata.

Um tradicional "casei na fila" aconteceu com a jornalista Lidyane Araújo, 26 anos. Em 1996, numa extinta boate da Capital, ela encarava uma espera básica quando uma turma chegou pedindo furo.

- Num dos caras eu gamei. Duas horas depois, desistimos e fomos para um bar. O carinha da fila virou um rolo de três anos.

Flávia Melo já simulou uma queda de pressão. Tudo para entrar mais rápido na festa.

- Comecei a pedir sal, água... Quando vi, já estava dentro - diz.

Nem sempre fila é sinônimo de espera à toa. O programador Fernando Artmann, 23 anos, que o diga. Numa noite, ele aguardava inutilmente por uma chance de entrar na Eletric Circus, em Portão. Enquanto comentava com amigos sobre os cambistas que vendiam ingressos mais baratos, um golpe da sorte: o dono escutou o papo.

- Ele nos ofereceu champanhe em troca da identificação dos sujeitos. De quebra, escapamos da gigantesca fila - recorda Fernando.

Numa das reinaugurações de uma boate na Grande Porto Alegre, a fila foi trancada para se fazer uma queima de fogos. Tudo lindo até a contabilização dos estragos.

- Do céu começou a cair fuligem nas pessoas que estavam da fila. Ficaram todas imundas, com braços pretos e camisas manchadas. As mulheres, principalmente, com roupas e cabelos sujos, fizeram um escândalo. Engraçadíssimo - conta o estudante de publicidade Marco Antônio Soares Filho, 21 anos.




E quantas vezes somos humilhados assim mesmo, ou numa simples oferta de cartão de crédito, Quando passamos por viado, ou num jogo de futebol, mas a pior mesmo é a célebre frase: "Pelo menos tenho banho quente em casa", essa sim é terrível, pois devem fazer parte da minoria ainda dos brasilieiros, o que é humilhante.

David Coimbra
14/12/2002


Quanta humilhação

Tempos atrás, o telefone tocou na Redação. Trim. Queriam falar com o David Coimbra.

¿ Pois não? ¿ era eu quem havia atendido.

A moça do outro lado da linha informou que trabalhava para um cartão de crédito.

¿ O senhor quer o nosso cartão?

Fiquei feliz. Queria, sim. Aí a moça começou a pedir dados. Diversos dados. Forneci tudo direitinho. Ela disse que ia me ligar outro dia. Outro dia, ela ligou, desta vez seca como um chute do Rodrigo Fabri:

¿ Olha, o senhor não tem condições de ter o nosso cartão de crédito.

Fiquei petrificado. Eu era uma estátua de sal com o telefone na mão. Me senti um chiclete velho, um pano de chão, uma escova de dentes de cachorro. O cartão de crédito me desprezava. Milhares, quiçá milhões de pessoas em todo o mundo tinham aquele cartão de crédito, mas eu não era bom o suficiente para eles. Eu era um dos que ficavam de fora da festa. Todos entram, menos esse aqui. Minha primeira reação foi de despeito. Pensei em desdenhar:

Eu não queria essa porcaria de cartão mesmo!

Mas já tinha dito que queria. Então perguntei, contristado:

Moça, me diz: por que tu me ligaste a primeira vez? Foi para me humilhar? Foi isso?

Hoje, anos depois, ainda acho que foi isso. Continuo magoado com o cartão de crédito.

O drama dos veados

Pior é o que acontece com o veado. O bicho, digo. Pois foi do bicho veado que surgiu o termo ¿viado¿ como designação para homossexuais, quem me contou foi um leitor. É que, quando entram no cio, as veadas, ou seja lá como for o nome das fêmeas dos veados, exalam uma substância chamada feromônio a fim de atrair os machos para a cópula. O problema é que a veada desprende um montão de feromônio, lambuza todo o veado que a cobre. Aí, os outros veados do bando, sentindo o cheiro do feromônio no amigo, vão lá e, CRAU!, você entende...

Que terrível humilhação para o veado.

O inferno de Dante

Mas e o Dante, então? O Dante é o DJ Dante. Di-Djei, manja? O cara que bota música nas festas. O Dante uma vez foi jogar futebol conosco. É preciso que se diga que ele não é exatamente um virtuose da bola. Só que pensava estar jogando de brincadeirinha, que ninguém ia se importar com a sua perebice. Um erro. A turma leva o joguinho a sério. Com 10 minutos de partida, o Juninho já xingava:

Mas tu é muito ruim!

Depois, o goleiro do próprio time dele, o Paulo Moreira:

Não passa a bola presse morto!

E o Juninho outra vez:

Tu é uma ferida!

E o Paulo Moreira:

Por que é que vocês passaram a bola pra ele? Eu disse pra não passar a bola pra ele!

O Juninho:

Tu é uma bosta!!!

O Paulo Moreira:

Tirem a bola dele!!! Pelo amor de Deus, tirem a bola dele!!!

O Dante ficou traumatizado. Nunca mais foi jogar com a gente. Na verdade, abandonou para sempre o futebol.

Jamais fui tão humilhado na vida ¿ conta, vez em quando, a dor pingando de cada vogal.

O banho do Peninha

Finalmente, temos o caso do Peninha, o famoso Eduardo Bueno. Antes de se tornar biógrafo do Brasil, o Peninha pegava no gol. Certa feita, enfrentando o time de uma vila aí, ele discutiu com um atacante adversário. O Peninha, sabe como é o Peninha, começou a despejar adjetivos e metáforas sobre a cabeça suada do dito cujo. Que, na falta de argumentos mais sólidos, CATAPLAM!, pespegou um soco no bem desenvolvido nariz do Peninha, rojando-o, com o Peninha atrás, à poeira do chão. Furioso, porém sem disposição para o confronto corpo-a-corpo, o Peninha contra-golpeou com a única arma que, acreditou, era capaz de ferir o tal dito cujo. Gritou, segurando o nariz ensangüentado:

Pelo menos eu tenho banho quente em casa!

Humilhante. Para o Peninha, claro.

Isso tudo, isso é que é humilhante. Ser driblado pelo Diego ou pelo Robinho, não. Não é humilhação. É do jogo. Drible é do jogo, firula é do jogo, exibição é do jogo. A torcida adora, vai aos estádios para isso. Árbitros mal-humorados, comentaristas rabujentos, técnicos retranqueiros, esses não gostam do jogo. Gostam só de vencer o jogo. Viva o drible. Quem acha que drible é humilhação não sabe o que é humilhação.
david.coimbra@zerohora.com.br


Sexta-feira, Dezembro 13, 2002




Afinidade é um sentimento singular, discreto e independente. Pode existir a quilômetros de distância, mas é adivinhado na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar..Você sabe mais do que ninguém o que é esse sentimento porque você também vivencia isso ao longo do dias, quando você encontra algum texto que tem tudo a ver com você..Com o seu jeito de ser e de pensar. E assim o Artur da Tavola definiu de uma forma muito nossa e por isso muito singular o que é afinidade. Eu espero que você sinta esse mesmo sentimento que sinto quando leio esse texto, porque eu acho que ele é uma grande verdade.


Afinidade

Afinidade não é o mais brilhante,
mas é o mais sutil, delicado e
penetrante dos sentimentos.
Não importa o tempo, a ausência,
os adiantamentos,
a distância,
as impossibilidades.
Quando há afinidade,
qualquer reencontro retoma a relação,
o diálogo, a conversa,
o afeto, no exato ponto
de onde foi interrompido.

Afinidade é não haver
tempo mediante a vida.
É a vitória do adivinhado sobre o real,
do subjetivo sobre o objetivo,
do permanente sobre o passageiro,
do básico sobre o superficial.

Ter afinidade é muito raro,
mas quando ela existe,
não precisa de códigos
verbais para se manifestar.
Ela existia antes do conhecimento,
erradia durante e permanece depois que as
pessoas deixam de estar juntas.

Afinidade é ficar longe,
pensando parecido a
respeito dos mesmos fatos que
impressionam, comovem, sensibilizam.

Afinidade é receber o que vem
de dentro com uma aceitação
anterior ao entendimento.

Afinidade é sentir com...
Nem sentir contra, sem sentir para.
Sentir com e não ter necessidade de
explicação do que está sentindo.
É olhar e perceber.

Afinidade é um sentimento singular,
discreto e independente.
Pode existir a quilômetros de distância,
mas é adivinhado na maneira de falar,
de escrever,
de andar,
de respirar.....

Afinidade é retomar a relação
no tempo em que parou.
Porque ele (tempo) e
ela (separação) nunca existiram.
Foi apenas a oportunidade dada (tirada)
pelo tempo para que a maturação
pudesse ocorrer e que cada
pessoa pudesse ser cada vez mais.

- Artur da Távola -




Olhe-me, !!!

Estou na sua frente, sou uma mãe com meu bebê nos braços...

Não lhe peço nada, vim para lhe oferecer minhas mãos cheias de carícias, meu colo esperando sua cabeça onde pode descansar, meu manto para enxugar suas lágrimas.

Levanta sua cabeça olhe-me, no fundo de meus olhos encontrará tudo o que está procurando e, quando abrir o cofre que lhe dou, toma dele o grande amor que ali guardo e entrega-o a toda a humanidade.

Ame, cante, ria, presenteie toda esta formosa fé que preenche sua alma ao aceitar em olhar-me.

Desejando-lhe muita paz... luz... e sol...

iluminando seus caminhos...




Meu desejo também a todos os leitores deste Blog, aos amigos, visitantes e a pessoa que me enviou este desejo.

Desejo a você:

Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor

Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial

E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a banda passar

Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança

Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira

Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-sol na roça
Uma festa

Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena

Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho TINTO
Bolero de Ravel...

Um beijo, um cheiro e o carinho meu e os votos sinceros de bom Fim de semana




Rcebido da Jane Marion de São Paulo, da qual já estou com saudades de escrever novamente no ICQ, But este mês efetivamente está dificil. Sei que você é compreensiva e por tudo o que que tenho de bom recebido de você, estarei eternamente agradecido.

SÓ PARA PESSOAS FENOMENAIS

Tenhas sempre presente que a pele se enruga, o cabelo embranquece, os dias convertem-se em anos...
Mas o que é importante não muda; a tua força e convicção não têm idade.
O teu espirito é como qualquer teia de aranha. Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada conquista, vem um novo desafio. Enquanto estiveres viva, sente-te viva.

Se sentes saudades do que fazias, volta a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amarelecidas...
Continua, quando todos esperam que desistas.
Não deixes que enferruje o ferro que existe em ti.

Faz com que em vez de pena, te tenham respeito.
Quando não conseguires correr através dos anos, trota.
Quando não conseguires trotar, caminha.
Quando não conseguires caminhar, usa uma bengala.
Mas nunca te detenhas!!!

(Madre Teresa de Calcutá)




AUTO-ESTIMA

Se um dia alguém fizer com que
se quebre a visão bonita que você tem de
si, com muita paciência e amor reconstrua-a.

Assim como o artesão recupera a
sua peça mais valiosa que caiu no chão,
sem duvidar de que aquela
é a tarefa mais importante,
você é a sua
criação mais valiosa.

Não olhe para trás.
Não olhe para os lados.

Olhe somente para dentro, para
bem dentro de você e faça
dali o seu lugar de descanso,
conforto e recomposição.

Crie este universo agradável para si e seja feliz.
O mundo agradecerá o seu trabalho.
- Brahma Kumaris -




Lembro que é antiga esta lenda mas nunca é demais recordá-la. Ainda mais nesta época do ano em que a proximidade do Natal, o fim e o princípio do ano deixam a gente com os sentimentos mais a flor da pele: Conta-se que certa mulher pobre com uma criança no colo, passando diante de uma caverna escutou uma voz misteriosa que lá dentro lhe dizia:

"Entre e apanhe tudo o que você desejar, mas não se esqueça do principal. Lembre-se, porém, de uma coisa: Depois que você sair, a porta se fechará para sempre. Portanto, aproveite a oportunidade, mas não se esqueça do principal...." A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas jóias, pôs a criança no chão e começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia no seu avental.

No silêncio da caverna a voz misteriosa falou novamente: "Você só tem oito minutos". Esgotados os oito minutos, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta se fechou... Lembrou-se, então, que a criança ficara lá e a porta estava fechada para sempre! A riqueza durou pouco tempo e o desespero dessa mulher durou para sempre.

Do mesmo jeito acontece, às vezes, conosco. Temos uns oitenta anos para viver, neste mundo, e uma voz sempre nos adverte: "Não se esqueça do principal!" E o principal são os valores espirituais, a oração, a vigilância, a família, os amigos, a vida enfim! Mas a ganância, a riqueza, os prazeres materiais, , as tarefas do dia a dia, os encargos extras que arranjamos nos fascinam tanto que o principal vai ficando sempre de lado...

Assim, esgotamos o nosso tempo aqui, e deixamos de lado o essencial: "Os tesouros da alma!" Que jamais nos esqueçamos que a vida, neste mundo, passa rápido e que a morte chega de inesperado. E quando a porta desta vida se fechar para nós, de nada valerão os arrependimentos e as lamentações.

Portanto, que jamais esqueçamos do principal!




O mesmo PT que criticou Armínio teve que se render à lei da vida: para dirigir o Banco Central, é preciso alguém que conheça o mercado, entenda suas regras, compreenda suas sutilezas. Armínio se revelou um craque no seu ofício - e ontem recebeu elogios do próprio Lula. Se o sucessor até ontem era tucano, fica difícil entender porque o PT não manteve o próprio Armínio, que nem filiação partidária tem. Pois é minha cara Rosane tem coisas que nem Froid explica. A questão que fica é comose sentirão os eleitores do nosso companheiro Dornelles que votaram nele e o elegeram e agora terão um outro deputado no seu lugar, mas indiretamente elegeram o Presidente do Banco Central e isso convenhamos não é pouco coisa também.

Rosane de Oliveira
13/12/2002


Companheiro Meirelles

Quem há dois anos viu o então presidente do BankBoston, Henrique Meirelles, ser aclamado no Fórum da Liberdade como uma espécie de guru dos liberais, jamais imaginaria que aquele homem de voz grave e nenhum traço de esquerdismo um dia integraria o governo do PT. A platéia também não acreditava que Luiz Inácio Lula da Silva pudesse um dia se tornar presidente, mas esta é outra história. O personagem em questão é Meirelles, o executivo brasileiro que chegou à presidência mundial do BankBoston, um símbolo do capitalismo globalizado, e naquele abril de 2001 circulou cercado de seguranças até no interior do Teatro do Sesi.

A esse homem o presidente eleito chamou de "companheiro" ontem à tarde. Para ser presidente do Banco Central, Meirelles fez o que Armínio Fraga fizera em 1999: abriu mão de um salário milionário no mundo dos negócios para virar funcionário público, ganhando menos de R$ 8 mil por mês. A oposição da época dizia que indicar Armínio para o Banco Central era como colocar o vampiro para cuidar do banco de sangue.

Armínio trabalhava para o megaespeculador George Soros, conhecia as manhas do mercado, tinha chegado ao topo na sua área. Meirelles também tinha chegado ao topo da carreira como executivo no BankBoston e andava em busca de novos desafios, mas para aceitar o convite de Lula teve de fazer um sacrifício adicional: abrir mão de um mandato de deputado, para o qual foi eleito com mais de 180 mil votos.

É preciso ter muita certeza de não estar entrando numa canoa furada para renunciar ao mandato antes de assumir, frustrando milhares de eleitores. A renúncia indica que o companheiro Lula garantiu um mínimo de autonomia - e que está disposto a arcar com o ônus de indicar um banqueiro que além de popular em Wall Street se elegeu deputado pelo PSDB.

Por ora, Lula não tem com o que se preocupar. As escassas reações negativas se limitaram aos de sempre: a extrema esquerda do PT, representada pela senadora Heloísa Helena e por meia dúzia de deputados. Da CUT a Armínio Fraga, passando pela nata do empresariado nacional, a indicação de Meirelles foi saudada como um acerto de Lula.

O mesmo PT que criticou Armínio teve que se render à lei da vida: para dirigir o Banco Central, é preciso alguém que conheça o mercado, entenda suas regras, compreenda suas sutilezas. Armínio se revelou um craque no seu ofício - e ontem recebeu elogios do próprio Lula. Se o sucessor até ontem era tucano, fica difícil entender porque o PT não manteve o próprio Armínio, que nem filiação partidária tem.
rosane.oliveira@zerohora.com.br




Nem tantos meses meu caro Paulo Sant'Ana mas, com certeza já poderiam ter escolhido o homem que deveria dar um basta neste clima de vilência e medo a que a população esta submetida.

Paulo Sant'ana
13/12/2002


Não há plano nem secretário!

A impressão forte que se desprende desse vazio estratégico e político é que não há plano nem orientação para a Secretaria da Segurança Pública.

Se se for apontar o principal problema gaúcho, ninguém deixará de indicar a segurança pública.

Vivemos no setor uma calamidade. Desde os presídios estrebuchando com o dobro da sua capacidade carcerária até a proliferação assustadora dos assaltos e outros roubos, como os seqüestros relâmpagos, a população reclama e clama por uma ação abrangente e enérgica do novo governo em matéria de segurança pública, o que por certo se refletiu fortemente nas urnas da última eleição.

E até agora não há plano nem executor do plano. Fazendo adivinhar que novamente presidirão a segurança pública o improviso e o empirismo.

É verdade que foi uma surpresa a eleição de Germano Rigotto. Mas agora ela já se tornou uma surpresa velha e gasta. Ou seja, desde que se delineou a vitória de Rigotto, o novo governador tinha que ter-se equipado de um planejamento profundo e extenso sobre a área da segurança pública.

E principalmente tinha que já ter constituído a sua equipe para a segurança pública, com extensão à política carcerária, com o nome do secretário e seus auxiliares já designados, investidos nas ações preparatórias.

Que transição falha e romântica foi esta que não abrangeu a segurança pública, o principal e mais dramático problema do governo?

Os deputados Vieira da Cunha e Mendes Ribeiro, lamentavelmente, não aceitaram o convite para assumir a secretaria.

A pressa e a imprevidência podem ensejar que daqui a pouco aceite outro curioso, outro neófito, outro inexperiente.

E que se assista nos albores da nova administração a mais uma aventura de acefalia na liderança administrativa do setor, abandonada ao sabor das iniciativas autônomas das duas polícias, tontas, sem bússola e sem condão, sem comando lúcido que unifique, cerebralize e torne eficazes suas ações, neste instante marcado pela mais alta demanda da população por segurança.

Chega a ser desolador que não haja até agora plano nem secretário para a segurança.

Espanta que não haja também até agora secretários para a saúde e para a educação. Mas tornou-se tão nevrálgica a segurança pública, tão aflitiva, tão urgente, mais que a saúde por ser a segurança da exclusiva e privativa competência da esfera estadual, não partilhada como a outra, que não há justificativa para essa amorfia deplorável.

Tudo indica que haverá pressa e solução improvisada para o impasse, quando há meses já tinham de estar escolhidos o chefe da Polícia Civil e o comandante da Brigada Militar, sob a liderança do novo secretário, planejando e organizando a sua ação.

E não há surpresa nenhuma que cresça espiralmente a criminalidade por um lado, quando transversalmente decaiam tanto a prevenção e a repressão a ela, se o embate é entre o crime organizado e a segurança pública tristemente desorganizada.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Luis Fernando Verissimo
13/12/2002

Sem alternativas

Quando Paul O'Neill, um homem da indústria, foi escolhido como secretário do Tesouro dos Estados Unidos, um posto ocupado há anos por executivos financeiros, especulou-se que com sua nomeação Bush estava dizendo aos bancos e às grandes corretoras que o setor produtivo se imporia a Wall Street na conduta da política econômica americana e, através do FMI etc, da política econômica de meio mundo. Se houve mudança não deu para notar - O'Neill caiu porque o desemprego aumentou nos Estados Unidos, porque ele não teve o entusiasmo para cortar impostos de ricos que deveria ter tido, segundo seus críticos, e porque disse muita bobagem, não porque tentou ser muito diferente dos seus predecessores - e, mesmo, quem determina as mudanças que contam na economia americana é o Greenspan. A substituição de O'Neill também não representou uma retomada do Tesouro pelo setor financeiro, porque o setor financeiro nunca perdeu seu domínio real e porque o seu substituto também é da indústria. O que nos interessa no caso do O'Neill é como a origem do nome de um ministro pode vir carregado de implicações, pelo menos teóricas, onde existem alternativas na definição de uma política econômica.

Todos os nomes sugeridos para a direção do Banco Central do Brasil, sem exceção, tinham a mesma origem e as mesmas implicações. Claro, procurava-se alguém experimentado em finanças porque o cargo não é o de secretário do Tesouro ou coisa parecida, é o de Greenspan do Lula. O cara. Mas não havia um que não pertencesse à irmandade, que sugerisse outra mentalidade ou uma deviação, por sutil que fosse, da ortodoxia, ou da gravata. O que acabou sendo escolhido, o ex-BankBoston (em vez do Icatu, do Goldman Sachs, do MCM Consultores etc), é um homem com grande reputação internacional, respeitadíssimo, viva ele. Mas faltou alguém para inspirar a especulação, mesmo irreal, mesmo ao nível da ilusão com o O'Neill, de outra coisa. Ao menos uma tênue sugestão de alternativa.


Informe Especial

13/12/2002
Opinião ZH

Um atraso inaceitável
Grande número de escolas estaduais gaúchas reclama que há um atraso de três meses nas verbas destinadas à manutenção. Mais grave do que isso, a informação da Secretaria da Fazenda é de que não há prazo para a regularização desses pagamentos. Ora, se há um setor que não pode ficar à míngua de recursos é o da estrutura de formação de crianças e adolescentes. Não é aceitável que a proclamada prioridade à educação seja esquecida ao menor aperto de caixa do Tesouro.

Calor global
Medições de temperatura realizadas pela ONG Earth Policy Institute, a partir de dados obtidos pela Nasa, indicam que 2002 será o segundo ano mais quente de toda a história dos registros climáticos, superado apenas por 1998.

A temperatura média global de janeiro a novembro foi de 14,65ºC, um pouco menor que a média de 1998, de 14,69ºC.

Os registros globais de temperatura começaram a ser feitos em 1867.


Foto: Nauro Júnior/ZH

Solidão: em uma bóia da Lagoa dos Patos, um pescador tenta a sorte

Troco em cores

Em Jundiaí, São Paulo, o vigia de uma papelaria, revoltado com um pichador pego em flagrante pintando a parede do estabelecimento, deu o troco na mesma moeda: usou a tinta do vândalo para pintar as roupas do jovem.


Vale do Sinos
O Senado aprovou ontem a concessão de um canal de TV à Unisinos, no sistema UHF. O serviço atingirá 14 municípios no Vale do Sinos e um público estimado em 1,5 milhão de pessoas. A autorização é válida por 15 anos e tem caráter exclusivamente educativo.

Verissimos
A filha de Erico Verissimo, Clarissa, imortalizada na obra do pai, estará presente na inauguração do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo.

Casada e morando há muitos anos nos EUA, Clarissa vem pouco ao Brasil, mas decidiu conciliar a visita à mãe, Mafalda, com a homenagem que será prestada ao pai no dia 17.

Os tempos mudam
A indicação do ex-presidente do BankBoston Henrique Meirelles encontrou poucas manifestações contrárias. Em fevereiro de 1999, a indicação de Armínio Fraga, ligado ao megainvestidor George Soros, encontrou uma reação diferente:

Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente de honra do PT:
¿É como se a polícia estivesse indicando Castor de Andrade para mandar
prender os bicheiros. Só nos resta rezar.¿

Guido Mantega, economista, um dos formuladores do programa petista:
¿Continuo pessimista porque tudo indica que o governo não vai mudar de
estratégia. Ao contrário, continuará seguindo a cartilha do FMI.¿

Faixa ostentada pela CUT e pelo MST à frente do prédio do BC:
¿Peguem as galinhas, que a raposa tomou conta do galinheiro.¿

Olívio Dutra, governador gaúcho:
¿A mudança no comando do Banco Central revela que o FMI está mandando
e desmandando na nossa economia.¿

Lauro Campos, senador (PT-DF):
¿Um vampiro vai presidir o banco de sangue.¿


Foto: Almir Dupont/Pioneiro

Miss Rio Grande do Sul
Juliana Lopes, 20 anos, de Santa Maria, é a nova Miss Rio Grande do Sul. A final do concurso foi realizada ontem à noite, em Bento Gonçalves. Concorriam ao título 52 candidatas.




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uma FERRAMENTA, um RODAPÉ, mas o CABEÇALHO,
a LETRA CAPITULAR, a BARRA
DE ROLAGEM de seu caminhar.

Que Ele seja a FONTE da graça
para sua ÁREA DE TRABALHO,
o PAINTBRUSH para COLORIR seu sorriso,
a CONFIGURAÇÃO de sua simpatia,
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o TAMANHO de seu amor,
o PAINEL DE CONTROLE,
para CANCELAR seus RECUOS
COMPARTILHAR seus RECURSOS e
ACESSAR o coração de suas amizades..

COPIE tudo que é bom
DELETE seus ERROS.
Não deixe à MARGEM ninguém,
ABRA as BORDAS de seu coração,
REMOVA dele o VÍRUS do egoísmo.

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Autor Incerto e antigo


Quinta-feira, Dezembro 12, 2002




É que na competição que se instala entre os carros na sucessão de percursos, um desvia daqui e um fecha de lá, os motoristas vão quebrando os seus galhos na disputa quase sempre agressiva e mal-humorada pelos espaços. As vantagens e desvantagens eventuais que se verificam nessa luta tensa e indormida da corrida desvairada e às vezes louca vão embrutecendo os espíritos. E eu acresentaria ainda mais no fim de mais um ano, quando o tempo é sempre curto e quando as pessoas tem mais pressa de fazer alguma coisa ou de chegarem aos seus destinos. E ai é isso meu caro leitor, aquele salve-se quem puder, nas ruas e nas calçadas, porque ai também há atropelamentos, e um bate e bate de sacolas, que fica efetivamente difícil não ser agredido por uma delas.

Paulo Sant'ana
12/12/2002


O pedestre é sagrado

Estou convencido de que a única forma de diminuir a violência no trânsito é pela educação dos seus personagens, os motoristas e os pedestres.

O que eu noto é que determinados motoristas, um grande número, não sei se a maioria ou uma imensa minoria, entram no trânsito com um impulso de belicosidade, de agressão.

Existe uma visível pressa, uma ânsia de chegar antes e na frente dos outros que se constitui num traço característico do ato de dirigir.

Parece que os outros motoristas são inimigos, no mínimo adversários. Necessitam ser transpostos, há uma inegável delícia em deixá-los para trás.

Como isso não é possível sempre, o nervosismo e a agressividade vão crescendo nas mentes dos motoristas durante o percurso.

Um motorista de temperamento instável e emocional no trânsito já é um problema para todo o trânsito. Muitos motoristas despidos da serenidade indispensável à direção dos veículos, somados, co-relacionados no curso e fluxo de uma rua ou avenida, fatalmente criarão ali uma atmosfera de potencial violência, fartamente suscetível de acidentes.

Eu comecei há poucos dias a utilizar o meu espaço do Jornal do Almoço para sensibilizar as pessoas para o respeito aos pedestres.

É que na competição que se instala entre os carros na sucessão de percursos, um desvia daqui e um fecha de lá, os motoristas vão quebrando os seus galhos na disputa quase sempre agressiva e mal-humorada pelos espaços.

As vantagens e desvantagens eventuais que se verificam nessa luta tensa e indormida da corrida desvairada e às vezes louca vão embrutecendo os espíritos.

Sem acidentes, há um empate entre as forças iguais dos veículos, que eu chamaria de brutamontes de ferro e lataria. Só que os nervos já estão à flor da pele e há muita distância ainda para transpor.

Nessa agonia do trânsito, não percebida somente por aqueles que fazem apenas duas viagens por dia, mas sentida na carne por grande parte dos motoristas que passam horas dirigindo na cidade, durante os dias, os meses e os anos, instala-se um clima de potencial violência.

Que quase sempre se derruba, como na selva, sobre os mais fracos: os pedestres.

Foi assim que preguei em duas edições do Jornal do Almoço, em síntese, que "é preciso respeitar e ser tolerante com o pedestre, mesmo quando ele está errado".

Depois das minhas duas prédicas, choveram junto a mim protestos de motoristas, declarando que eu estava incentivando o erro e o atrevimento dos pedestres.

Parte das reclamações era de pessoas que têm razão quanto às infrações e audácia imprudente dos pedestres nas travessias.

Mas grande parte das restrições eram de motoristas que entendem erradamente que os leitos das ruas e das avenidas lhes pertencem, não cabendo aos pedestres atravessá-los, a menos que nas faixas destinadas a isso e assim mesmo com o sinal verde para eles.

Em suma, gente que acha que pedestre tem que ser atacado quando está atravessando de modo irregular.

Ou seja, bati nas pedras rudes da incompreensão. Mas não vou desistir.

E vou continuar batendo na mesma tecla: é preciso respeitar o pedestre, mesmo quando ele estiver errado.

"O pedestre é sagrado", é esta mentalidade que precisamos criar e firmar para sempre dentro de nós. Essas mortes e esses atropelamentos todos se dão porque incrivelmente a nossa cultura manda atacar com violência e indiferença o pedestre, quando ele está errado.

Vamos ter de mudar isso. Vamos ter de partir para essa revolução.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Com certeza a condição de magro natural (ou magro de ruim, como gostam de dizer) seria o ideal, só que muitos engordam com tal facilidade que parece que o próprio ar que respiram, conspira para que eles ganhem uns quilinhos a mais e ai haja esforços com lipoaspirações, reduções de estômagos e outros auto-sacrifícios em nome da estética. Felizmente também não tenho tido essa preocupação ou essa é uma preocupação a menos já que o buraquinho da cinta, meu medidor diário de há muito continua sendo o mesmo e, algumas vezes, até solicita um anterior.


Nilson Souza
12/12/2002


O clube da sementinha

Tenho uma confissão constrangedora a fazer neste período de festas e culpas: sou um come-e-não-engorda. Isso mesmo, jamais fiz um regime na vida e mantenho o mesmo peso da época pré-histórica em que me apresentei na base aérea de Canoas como candidato voluntário ao serviço militar obrigatório. Era assim: quem conseguisse uma vaga na Aeronáutica - que tinha uniforme mais bonito e arroz com frango para os aniversariantes do mês - escapava do Exército, onde, segundo contavam os que por lá tinham passado, os sargentos eram cruéis e a comida era ruim. Tive que correr durante 12 minutos, saltar sobre barreiras e escalar uma corda pendurada num hangar, mas acabei sendo aceito. Descobri, em seguida, que os sargentos eram camaradas e a comida era boa, mas os exercícios de ordem unida e o futebol me ajudaram a manter a forma. Aos 18 anos, tudo é fácil.

Ainda agora, mais de três décadas depois, conservo alguns hábitos e praticamente o mesmo peso da temporada de caserna. Com outras idéias, evidentemente. Naquele ano de descobertas da juventude, por exemplo, aprendi entusiasmado a manejar armas - e espero nunca mais ter que empunhar um desses instrumentos de matar. Mas isso é assunto para outra crônica. O que quero comentar aqui é essa verdadeira obsessão das pessoas por emagrecer. Revelei minha condição de magro natural (ou magro de ruim, como gostam de dizer os amigos debochados) para que os leitores compreendam melhor o meu espanto com lipoaspirações, reduções de estômagos e outros auto-sacrifícios em nome da estética.

A cada dia, surgem fórmulas e métodos novos para ajudar quem não consegue fechar a boca por conta própria. Ultimamente tenho observado companheiros e companheiras de trabalho recorrerem a um profissional especializado que implanta sementinhas nas orelhas dos pacientes. Mesmo nesta época em que os jovens perfuram narizes, línguas e umbigos apenas para ostentar adereços, a semente auricular me parece uma coisa estranha. Sei lá, passa a idéia de que nascerá um arbusto no canal auditivo, ou coisa assim. Mas os implantados garantem que não dói, não incomoda e dá resultado. Pelo jeito, até curtem o acessório imperceptível. Parecem formar uma irmandade: comentam animados as consultas ao Doutor Sementinha, trocam receitas e patrulham-se de forma amistosa. De vez em quando, um deles desconfia de que o outro está mascando alguma coisa e dispara:

- Comendo bombom, hein?

Na maioria das vezes, é alarme falso, mas os sócios do clube fazem questão de ser solidários na abstinência.


Quarta-feira, Dezembro 11, 2002




A g e n d a de q u i n t a - f e i r a

Enquanto você vai montando mentalmente sua agenda para este dia, o gênio de Albert Eisntein aconselha...

¿Procure ser uma pessoa de valor, em vez de procurar ser simplesmente uma pessoa de sucesso¿. Não esqueça que todas as coisa tem um preço mas nem todas as coisas tem valor.

E valores importantes que você carrega como honestidade, humildade e lealdade, nunca poderão ter um preço...

Um ótima quinta-feira para você e para a minha amiga que veio da Agência Parobé para a AG Porto dos Casais aqui em pleno Shopping João Pessoa, o recado é que aguardo-a para o almoço, conforme combinado para um dia desses... deste ano, ainda espero!!!




P a r e c e

Parece até que hoje eu havia ingerido algumas "piñas coladas", pois estava todo gracioso...Todas as questões que eram formuladas eu tinha as respostas na ponta da língua, de pronto, sem devaneios. Até as minhas colegas das falas na ponta da língua estranharam hahahaha. Acontece, às vêzes... mas depois também abaixou a pressão, fiquei uma lerdezaaaaa só e sempre naquela hora que mais precisava estar ativo, soberbo, ereto, quando fui atender a um Oficial ...

O que será que os astros querem dizer com isso, nem li meu horóscopo matinal ???

Mas com certeza ele está lá com este prognóstico: Bom dia para superar suas inibições e garantir o respeito pela sua individualidade. Faça um retorno aos valores antigos. Dica do dia: Seu sentimento de autoconfiança pode aumentar muito na medida em que enfrentar os desafios e aprender com eles.




Essa receita é do Drummond. E esse é meu presente para vocês de ano novo, pois embora ele ainda esteja há quase vinte e dois dias, como os demais 343 que já passaram estes nem se fala. Será um piscar de olhos, e pronto lá se foi o ano de 2002..

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo
o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo,
remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ver,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha
ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens

Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependida
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,
você, minha cara, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.




Sabe aquele vélha história de quando você adquire alguma coisa, investe um montão nela, na estética, no reforço, no seu funcionamento e quando está tudo ajustadinho você coloca a venda por preço inferior ainda ao que você adquiriu. Pois é, ainda bem que os governadores tanto o que está saindo quanto o que está entrando em Santa Catarina, conseguiram reverter e fazer com que a União e nós por tabelinha não tivéssemos este prejuizo. Aleluia.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 11 DE DEZEMBRO DE 2002


BC cancela edital de venda do Besc

Brasília - O Banco Central cancelou ontem o edital de venda do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), que estava com leilão marcado para a próxima segunda-feira. A decisão do BC confirmou o que se esperava após a sentença do Supremo Tribunal Federal (STF) concedida na semana passada. Os ministros do STF reconheceram os argumentos dos procuradores catarinenses, que alegaram prejuízos aos cofres públicos com a venda do Besc.

A ação movida pelos procuradores alega que o preço mínimo do banco foi definido em R$ 572 milhões sem que fossem considerados os custos totais da operação. Para os procuradores, o prejuízo se deve aos gastos feitos no saneamento do Besc, que exigiram financiamento de R$ 2,1 bilhões junto à União.




Bom felizes os que adquiriram e fizeram parte dos 150 milhões aplicados. Os demais, vão ter que usar ou o consórcio ou começar procurar imóveis novos, o que está muito difícil de adquirir, tanto pelos preços lá nas alturas como pelo tamanho exíguo dos mesmos.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUARTA-FEIRA, 11 DE DEZEMBRO DE 2002

Caixa não opera mais com usados

Brasília - A Caixa Econômica Federal suspendeu o recebimento de novos pedidos de empréstimos da classe média para a compra de imóveis usados. De acordo com a Caixa, a linha de crédito destinada a este público não está mais disponível porque os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), no valor de R$ 150 milhões, já estão esgotados.

A modalidade de crédito foi aberta em agosto, com correção pela TJLP, mais 5,5% ao ano, para imóveis avaliados em até R$ 450 mil. Quem já deu entrada no pedido de financiamento terá sua proposta analisada e liberada conforme a avaliação do crédito.



Jennifer Lopez em vestido de baile, rumo a um baile beneficente a esquerda

Terça-feira, 10/12/2002 - 22h12m
Jennifer Lopez está de volta aos cinemas em nova versão de 'Uma linda mulher
Giovana Hallack - Globonews.com


A velha história da Gata borralheira que vira princesa já rendeu alguns clássicos contos-de-fadas em Hollywood. Como 'Minha querida dama', em que Audrey Hepburn interpretava uma florista sem classe que se transformava em uma mulher fina da sociedade. Ou 'Uma linda mulher', com Julia Roberts fazendo o papel de garota-de-programa que se fazia passar por socialite. A nova protagonista desta transformação é Jennifer Lopez. A partir desta sexta, ela estará nos cinemas americanos em 'Maid em Manhattan'. E muito bem acompanhada: seu par romântico é Ralph Fiennes.

No filme, J. Lo é Marisa Ventura: mãe solteira que - assim como a atriz - nasceu no Bronx. E que faz de tudo para sustentar o filho. (Por algum motivo, todos os filhos de mãe solteiras de produções hollywoodianas são garotos simpáticos e fofos). Todos os dias, a moça sai do Bronx para ir trabalhar num hotel de luxo em Manhattan como arrumadeira. Até que, nos corredores do tal hotel, encontra seu príncipe encantado. E que príncipe: ele é o candidato ao senado Christopher Marshall (Ralph Fiennes).

Como Marisa está sem seu uniforme de camareira, ele acha que ela é mais uma hóspede fina-e-rica do hotel. A moça não desfaz a confusão, o filho-simpático se apega ao pretendente da mãe e pronto: está armada a confusão. Da noite para o dia, a arrumadeira se transforma no par romântico do candidato. Com direito a baile de gala beneficente com longo rosa estilo Grace Kelly e fotos em jornais.

Em entrevistas, J.Lo tem dito que se sentiu muito à vontade no papel. Porque ela é do Bronx. Porque ela já morou em hotéis. E porque ela acha completamente possível este tipo de amor impossível. Quando um repórter perguntou à atriz se ela não achava que as comédias românticas criavam falsos padrões de relacionamento, Lopez fez a linha 'o amor supera obstáculos'. 'Não importa com quem você é quando há amor. Mesmo que o seu namorado seja o presidente dos Estados Unidos', disse ela, que é rica, superstar e namora o Ben Affeck.

A atriz disse que se tornar uma "camareira invisível" foi o maior desafio do filme. "A produção gravou fitas e fitas do circuito interno de hotéis. Além do mais, por cinco anos eu praticamente morei em hotéis. Então, conheço muito da vida nestes corredores. Consegui perceber como as arrumadeiras conseguem passar despercebidas. E levei isso para o filme", disse.

O momento 'transformação' pode ser um impulso na carreira da atriz. Como se ela, que vende discos, lança perfumes e freqüenta colunas de fofoca diariamente precisasse disso... Mas, verdade seja dita: apesar do sucesso, sua carreira cinematográfica é medíocre. Seu último filme foi o fraco 'Basta' e ela ainda tem no seu currículos produções como 'O casamento de meus sonhos' e 'Anaconda'. Embora isto seja muito imporovável - tão impróvável quanto encontrar um príncipe encantado - alguns analistas arriscam que 'Maid in Manhattan' pode render a Lopez uma indicação ao Oscar. E fazer por J. Lo o que 'Uma linda mulher' fez por Julia Roberts.




Paulo Sant'ana
11/12/2002


O prazer da mesa

Há dois tipos de mulheres despedaçadas: as magras demais, que nunca conseguem engordar; e as gordas prováveis: as magras que sabem que seu destino é engordar.

Isso também se dá com os homens, mas nos homens a beleza e a vaidade não são fundamentais.

Já com as mulheres, o seu tormento principal é a possibilidade de engordarem e assim se tornarem inviáveis como agentes ou objetos de desejo.

Há também as magras inverossímeis: por trás daquela esbeltez está uma mulher massacrada pelos agentes químicos que ingere para não engordar. Ou então torturada por uma dieta que a debilita organicamente, a ponto de não se orgulhar de sua beleza enfermiça e artificial.

Há também as magras dilaceradas, entre as quais grande parte das modelos, que renunciaram definitivamente aos pães, às massas e aos doces ou a qualquer espécie de carboidratos.

Vivem a calcular sobre o custo-benefício de serem vaidosas do seu corpo, abstendo-se totalmente do imenso prazer de comer, o maior prazer animal, que talvez supere até o prazer do sexo, o que as torna seres corroídos pelo remorso de sacrificarem suas vidas em nome da aparência física e do fascínio estético.

São superiores aos olhos dos outros, inferiores aos olhos de si próprias.

É uma questão de optar entre ser feliz ou parecer feliz. De entregar-se aos prazeres da mesa ou ao prazer sádico de seduzir os homens ou o seu homem, o velho dilema humano entre ser diletante ou profissional.

Tanto as que sucumbem à gordura quanto as que resistem na elegância são felizes ou infelizes à sua maneira.

Há vantagens em comer à tripa forra, mas também sempre sobrevém um remorso.

Não há caminho ou escolha na vida que não implique lucros e perdas simultâneas.

Nos banquetes e outras festas, há mulheres que vão para comer, outras vão para exibirem-se. cada uma delas se realiza da sua forma. E cada uma delas vive na festa um momento de glória íntima e de desgraça, orgulhando-se ou arrependendo-se do caminho que se traçou.

Com os homens acontece rigorosamente o mesmo. Apenas eles se iludem machistamente, entendendo que podem perfeitamente serem gordos e ainda assim se tornarem irresistíveis às mulheres ou às suas mulheres. Ledo engano.

E são raras as mulheres - e os homens -, que podem até não saber, mas são os escolhidos dos deuses: por mais que comam ou bebam de tudo que bem entendam, não engordam e mantêm portes físicos atraentes.

E por isso tudo é que as multidões se atiram freneticamente às corridas, às caminhadas, à malhação e a todas as espécies de exercícios.

Só por esse atalho é que se pode compensar o prazer irrenunciável de comer.

Pelo da dieta, não acredito. É desumano viver como os coelhos, de verduras.

E é tão sedutora a mesa farta que, dentro dos próximos meses, com a implantação pelo Lula do programa Fome Zero, nem os pobres brasileiros terão mais o direito (ou o dever) de serem magros.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Martha Medeiros
11/12/2002


Manhattan Connection
Vira e mexe a gente bota a boca na televisão brasileira. Programas populares vão existir sempre, em qualquer país: ainda é o anestésico mais barato do planeta. Mas o conteúdo desses programas é cada vez mais raso, pra não dizer grotesco, e as boas alternativas se reduzem dia após dia. Pra quem só conta com a tevê aberta, salvam-se alguns telejornais, minisséries, programas de entrevistas, humorísticos e algumas novelas, que entretêm. Mas quem quer um programa que contribua com cultura e informação, que apresente avaliações diversificadas sobre o que acontece no mundo, tem que ter tevê a cabo. Poucos podem. E os que podem também estão ficando na mão.

Mal nos despedimos, com dó, do Revista Europa (GNT) e já enfrentamos a ameaça de extinção do Manhattan Connection, que vai ao ar no mesmo canal. Há alguns anos que o Manhattan é nosso parceiro (meu, ao menos) dos finais de noite de domingo, desde quando contava com a participação de Paulo Francis e Nelson Motta. Hoje quem está na linha de frente é Lucia Guimarães, Lucas Mendes, Caio Blinder e Arnaldo Jabor, e o programa segue instigante, porque levanta assuntos econômicos, políticos e culturais analisados por brasileiros que vivem lá, e que portanto apresentam pontos de vista diferentes dos nossos.

Ok, o Jabor dá seus palpites daqui, mas o Jabor é onipresente. É um programa elitista? Não seria, se vivêssemos na Suécia, mas vivendo no Brasil, sim, é elitista. Só que o elitismo também merece sobreviver. Se há milhões de pessoas que passam o domingo em frente à tevê pra saber com quem um tal de Junior vai casar (quem assiste ao Gugu regularmente sabe do que estou falando), também há uma parcela de pessoas que acha importante ver as imagens de uma exposição que está acontecendo no MoMA ou ouvir a opinião de jornalistas inteligentes sobre as atitudes do Bush e do Bin Laden e da Madonna ou do raio que o parta, simplesmente porque prefere dar audiência pra quem tem o que dizer. Cada um se alimenta do que urge sua fome.

Pois tudo indica que nós, famintos de visões mais abertas e contraditórias deste hospício chamado mundo, vamos ter que pedir uma esmolinha pelo amor de Deus. Patrocínio!! Se o programa não conseguir patrocínio, sairá do ar no final do ano. Então, se algum empresário tiver uma graninha sobrando (é com vocês dois que estou falando), e quiser associar sua marca a um programa assistido por gente interessada em arte, viagens, livros, música e, principalmente, por gente que está disposta a evoluir através da informação, invista no Manhattan Connection.

Seja o mecenas de um pedaço de Brasil muito insignificante, porém um pedaço que consome passagens aéreas, telefones celulares e tem conta em banco, e que também merece, coitado, ter seu gosto respeitado. Viva o Gugu, viva a Luciana Gimenez, viva o Faustão, vida longa a todos os que trazem divertimento para a maior parte do povo brasileiro, mas que seus patrocinadores sejam solidários e também dêem uma forcinha para esta minoria que teima em assistir coisa boa.
martha.medeiros@zerohora.com.br




Luis Fernando Verissimo
11/12/2002


Robert de Niro

Miguel de Cervantes levou 10 anos para escrever a segunda parte de Don Quixote de La Mancha. Nesses 10 anos, a primeira parte ficou famosa. De sorte que, quando o cavaleiro e seu fiel Sancho Panza retomam suas aventuras pelo mundo, é o mesmo mundo do primeiro volume mas com uma diferença importante: neste mundo existe um livro publicado e muito comentado sobre as aventuras de um certo fidalgo chamado Don Quixote de la Mancha e seu escudeiro, do qual o próprio Don Quixote, tornado famoso pelo livro, ouve falar, embora não chegue a ler. As alucinações do Don no primeiro volume tomam forma e o assolam de verdade no segundo, em grande parte porque, depois da publicação do primeiro volume, suas humilhações são esperadas, e provocadas, pelo público. E assim, como observou o escritor Martin Amis num comentário sobre a obra, o aristocrata enlouquecido pela literatura que se transforma no seu próprio personagem andante num mundo irreal, do primeiro volume, enfrenta uma realidade enlouquecida pela literatura, no segundo. Como o próprio Cervantes, que quando escreveu o segundo volume já não era o mesmo escritor, era o mesmo escritor tocado pelo sucesso da primeira parte, portanto com outra relação com seu personagem - e com a realidade.

Acho que o Borges tem um conto sobre a impossibilidade de desenhar um mapa cem por cento fiel do mundo e dos seus habitantes, pois o último homem desenhado teria que fatalmente ser o desenhista fazendo o desenhista fazendo o desenhista fazendo o desenhista fazendo o desenhista... O que impede que um filme com o, digamos, Robert de Niro seja um retrato cem por cento fiel, absolutamente realista, dos Estados Unidos? O fato de que nos Estados Unidos retratado no filme não existe um ator chamado Robert de Niro, pois só isso explica que o personagem do Robert de Niro possa andar em qualquer lugar, no filme, sem que alguém grite "Robert de Niro!" e peça o seu autógrafo, ou comente a semelhança do personagem com o ator, estragando toda a trama. O que isto tem a ver com o Don Quixote de la Mancha, Borges ou o que quer que seja, pergunta você? Estou surpreso de você ter chegado até o fim deste texto, quanto mais de ainda fazer perguntas. Não posso responder. Eu não estou aqui desde a terceira linha.




David Coimbra
11/12/2002


Domingo na padaria

Esse domingo agora resolvi fazer um café colonial e fui à padaria, comprar coisinhas. Havia uma velhinha na minha frente. Bem pequena, menos de metro e meio, e magrinha. Estava escolhendo com critério o que ia levar. ¿Doce bonito, esse. De que é esse doce? Ah, coco com leite condensado? Adoro coco com leite condensado. Quanto custa? Bom, então vou levar um desses pra comer hoje de tarde, o senhor me vê aquele maiorzinho ali, está bem? Muito obrigado, ah, tá bonito mesmo esse docinho de coco com leite condensado¿.

Na hora de pagar, a velhinha sacou uma niqueleira da bolsa e despejou dezenas de moedas sobre o balcão. ¿Dez, trinta e cinco, quarenta, sessenta e cinco, quanto é que o senhor disse que era mesmo?¿ Sobraram ainda umas moedinhas de um centavo. Antes de sair, o atendente lhe deu uma folhinha da padaria com o calendário de 2003. Ela ficou exultante. ¿Muito obrigado, muito obrigado, a folhinha é muito bonita. Agora vou pra casa comer meu doce de coco com leite condensado¿.

E se foi, faceira com seu doce de coco com leite condensado.

Eu ia pagar, quando um homem de uns 50 anos se apresentou, sorridente.

¿ Posso passar na tua frente um pouquinho? É que eu só quero comprar bala...

¿ Pode, claro.

Ele apontou para umas balinhas retangulares de baunilha, também gosto daquelas balinhas.

¿ Um real dessas.

Deu um monte de balinha. Ele olhou para mim, contente.

¿ Ah, agora vou para casa, ver televisão e comer essas balinhas...

Sorri de volta. E ele se foi pela rua, satisfeito.

Fiquei imaginando a tarde dos dois. A velhinha sentada diante do seu doce de coco, olhando para ele, antecipando o prazer de comê-lo, esfregando as mãos, salivando. O homem aboletado na frente da TV, se divertindo com o Faustão, vez por outra pescando uma balinha no pacote jacente ao lado.

Passaram um domingo feliz, ambos, tenho certeza. A felicidade pode ser simples, pois não? Uma tarde de TV com balinha de baunilha, um doce cremoso e uma folhinha de padaria na parede. Como era alegre o tempo em que nos contentávamos com o Gauchão. Hoje, o Grêmio chega em terceiro colocado no Brasileiro, está na Libertadores, e há quem fale em fracasso.
Quem reclama não tem a sabedoria da velhinha do doce e do homem das balas. Eles, sim, sabem que tudo sempre pode ser pior.


Terça-feira, Dezembro 10, 2002


Que felicidade chegar aos 38 anos, bela e famosa assim e quantas desejariam estar no seu lugar. Parabéns a dona Luma de Oliveira e continue assim sendo exemplo de mulher.

Luma de Oliveira chega aos 38 anos como referência de beleza

Terça, 10 de dezembro de 2002, 10h10



Luma de Oliveira no quarto ensaio para a Playboy
Divulgação


Fluminense de Nova Friburgo, Luma de Oliveira comemora 38 anos de idade nesta terça-feira (10) e continua referência de beleza brasileira. Musa dos desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, a atriz leva uma vida reclusa desde o casamento com milionário mineiro Eike Batista, em 1991. O último trabalho da atriz na televisão foi na novela Meu Bem Meu Mal, em 1990.

Entretanto, Luma volta às primeiras páginas dos jornais do País quando embeleza a Sapucaí. A atriz tornou-se indispensável na passarela desde que amadrinhou a bateria da Caprichosos de Pilares com os seios à mostra, em 1987. Em 1998, ela desfilou com uma "coleira" com o nome de seu marido para a Tradição e, novamente, provocou polêmica.

Luma traz no currículo os títulos de "A Mulher da Década", conquistado em 1990, e "Miss Playboy Internacional", atribuído por jurados de vários países em 1988; no cinema, estrelou os filmes O Noviço Rebelde (1997), Boca Celeste (1994), Boca de Ouro (1990) e Heróis Trapalhões - Uma Aventura na Selva (1988); na telinha participou das novelas Meu Bem Meu Mal (1990) e O Outro (1987) e, por fim, quatro ensaios fotográficos da revista Playboy. No último, o marido Eike Batista usou todos os recursos e argumentos para fazer impedi-la de posar nua. Ele tentou seduzi-la com dinheiro e não conseguiu resultado.

Hoje, com 11 anos de casada e dois filhos ¿ Thor e Olin -, Luma virou empresária e é dona, desde 1993, da Clarity, fábrica de cosméticos com sede em Belo Horizonte. Em setembro passado, a atriz disse em entrevista ao jornal carioca O Dia que deseja voltar a atuar e já estuda propostas para o cinema e teatro.




Tudo que nós precisamos mesmo saber sobre como viver, o que fazer, e como ser, aprendemos no jardim de infância. A sabedoria não está no topo da montanha mais alta, no ultimo ano de um curso superior, mas no tanque de areia do pátio da escolinha maternal, por onde passamos.

Vejam e relembrem se não foi lá que aprendemos a:

Dividir tudo com os companheiros.
Jogar conforme as regras do jogo.
Não bater em ninguém.
Guardar os brinquedos onde os encontrava.
Arrumar a "bagunça" que nós mesmos faziamos.
Não tocar no que não era nosso.
Pedir desculpas, se machucavamos alguém.
Lavar as mãos antes de comer.
Apertar a descarga da privada.
Biscoito quente e leite frio fazem bem à saúde.
Fazer de tudo um pouco - estudar, pensar e desenhar,
pintar, cantar, dançar, brincar e trabalhar,
de tudo um pouco todos os dias.
Tirar uma soneca todas as tardes.

Ao sair pelo mundo, cuidado com o transito, ficar sempre de mãos dadas com o companheiro e sempre "de olho" na professora.

Pense na sementinha de feijão, plantada no copo de plástico : as raízes vão para baixo e para dentro, e a planta cresce para cima - ninguém sabe como ou por quê, mas a verdade é que nós também somos assim.

Peixes dourados, porquinhos da índia, esquilos, hamsters e até a semente no copinho de plástico - tudo isto morre. Nós também.

E lembre-se ainda dos livros de histórias infantis e da primeira palavra que você aprendeu, a mais importante de todas : OLHE !

Tudo o que você precisa mesmo saber está por aí, em algum lugar. A regra de ouro, o amor e os princípios de higiene. Ecologia e política, igualdade e vida saudável.
Escolha um desses itens e o elabore em termos sofisticados, em linguagem de adulto; depois aplique-o à vida de sua família, ao seu trabalho, à forma de governo de seu país, ao seu mundo, e verá que a verdade que ele contém mantém-se clara e firme. Pense o quanto o mundo seria melhor se todos nós - o mundo inteiro - fizéssemos um lanche de biscoitos com leite às três da tarde e depois deitássemos, sem a menor preocupação, cada um no seu colchãozinho, para uma soneca. Ou se todos os governos adotassem, como política básica, a idéia de recolocar as coisas nos lugares onde estavam quando foram retiradas; arrumar a "bagunça" que tivessem feito.

E é verdade, não importa quantos anos você tenha : ao sair pelo mundo, vá de mãos dadas, e fique sempre "de olho" no companheiro.




Em razão de meu intensivo de inglês este mês e em janeiro, tenho procurado ser breve nos meus posts e a idéia de procurar ser breve, verdadeira inspiração, ocorreu-me num posto de gasolina. Estava abastecendo meu nem tão novo automóvel com a mais pura gasolina, de alta octanagem.

Combustível de luxo. O carro protestou : começou a ratear nos cruzamentos, vazava combustível pelas esquinas. Deixava marcas nas garagens e ruas por onde ficava estacionado. Eu logo entendi o que estava acontecendo. De vez em quando me sinto assim, como o tanque do meu carro.

Excesso de informação, excesso de complexidade, e eu é que começo a ratear pelas esquinas - um ratear existencial pelos cruzamentos da vida, justamente nos locais e horas em que tenho de tomar as mais difíceis decisões, e inevitavelmente descubro que ou sei demais, ou sei de menos. Quanto mais penso sobre a vida, mais me convenço de que ela não é nenhum piquenique nem de dia de semana nem de domingo.




Ela é o meu sol, a minha essência, meu horizonte, meu sopro de brisa, minha pétala, minha água de coco, meu samba de raiz, minha filha e minha mãe, meu ideal e minha utopia. Também a imagino tudo isso... e faço minhas as palavras do Sant'Ana.

Paulo Sant'ana
10/12/2002


Meu sonho. Ou esperança

Passo ocasionalmente por um cinema e me chama a atenção o nome de um filme: Coisas que Você Pode Dizer só de Olhar para Ela.

Fico encantado com o título do filme.

Quem nunca se queda assim extasiado toda vez que se depara ante um homem ou uma mulher especiais?

Eu, por exemplo, sinto-me investido de uma sensação térmica de 60ºC quando estou falando com ela no bar.

É um calorão por todo o meu corpo, quase me ponho dormente, domina-me uma lassidão febril, ao mesmo tempo que se excita a minha imaginação a ponto de crê-la meu Éden, a minha única salvação, a última e definitiva enseada em que se amainará a tempestade.

Olha ela ali se aproximando! Não me viu? Ou finge, para se valorizar?

Aquela outra vez, realmente não me percebe, mas meus olhos de predador a perseguem devotadamente.

Vendo-a por apenas um instante, já me enche o dia.

Esquecendo-a por apenas um momento, sinto que desperdiço toda a vida.

Sua voz me soa a cântico de pássaro em bando folgazão.

Seu sorriso se abre para mim como uma corola de açucena.

Com quem ela se encontra quando não a tenho próxima?

Será que é tão terna também com os outros?

Aquela frase que me insinuou é uma sua constante em todos os seus circunlóquios?

Quando sem propósito me toca, ali onde me toca, minha pele fica coberta de um pólen de excitação e de ternura que se gruda à epiderme por vários dias.

Dissimuladamente, cruzo por onde ela passa, torcendo por um seu olhar, por uma palavra, ah, se ela demonstrasse contentamento em me ver!

Quando se ausenta por alguns dias, estou me asfixiando.

Quando volta, sinto falta de ar.

Quando me ignora, o dia todo é depressivo.

Quando me nota, sinto-me eterno.

Quando me zomba, decaio.

Quando me acaricia, estremeço.

Quando sei que vou vê-la, entonteço nos deveres.

Quando não a vejo, sinto que não me diferencio de um crustáceo.

Ela é o meu sol, a minha essência, meu horizonte, meu sopro de brisa, minha pétala, minha água de coco, meu samba de raiz, minha filha e minha mãe, meu ideal e minha utopia.

Meu sonho!

Ou minha esperança.

E pior - ou melhor - é que ela não sabe nada disso tudo.




Não sei, se concordo hoje com a crônica do Veríssimo, mas também o que importa, concordar ou discordar: se não tivesse reprimido nenhum impulso e feito tudo que deu vontade de fazer, na hora em que deu vontade, você hoje estaria preso, ou gravemente desfigurado. Civilização é auto-controle ele diz. Mas muias vezes nós só nos arrependemos das coisas que não fizemos e ai choca-se um pouco com essa teoria. Quantas coisas você meu caro leitor, como eu, também se arrepende hoje por não ter feito? E não tem aquela música que está fazendo sucesso: Se tivesse namorado mais, trabalhado menos...

Luis Fernando Verissimo
08/12/2002


Fizemos bem
Do baú. Console-se com o seguinte pensamento: se não tivesse reprimido nenhum impulso e feito tudo que deu vontade de fazer, na hora em que deu vontade, você hoje estaria preso, ou gravemente desfigurado. Civilização é auto-controle.

Só chegamos vivos a este ponto porque resistimos à tentação de dizer aquela verdade, enterrar o nariz entre aqueles seios fazendo "ióim, ióim", jogar tudo no 17 ou sair dançando com o PM. Todo homem (mulher, menos) é a soma não das suas decisões, mas das suas hesitações, ou do que, pensando melhor, decidiu não fazer.

Nunca lamente o caminho não tomado, ele provavelmente levaria à ruína - ou à fortuna, mas ela não lhe faria bem. Quanta gente você não teve vontade de esgoelar e no fim apenas sorriu e limpou sua lapela? Quanto jornal você não teve vontade de amarrotar e jogar no lixo, desejando que em vez do jornal fosse o articulista, mas se conteve, e passou, educadamente, à página seguinte? Fez bem. Ignore o aviso de que a repressão de impulsos leva a manchas na pele, cavernas no fígado e sono agitado do qual você acorda soqueando o travesseiro. Acredite, pensar melhor é muito mais saudável.

Uma retrospectiva de tudo que você imaginou fazer e não fez o convenceria disso: foi ou não foi mais prudente abandonar aquele plano de dinamitar o Ministério da Fazenda e, em vez disso, mandar uma carta com ironias pesadas sobre o modelo econômico aos jornais? A orelha dela estava ali, a poucos palmos da sua boca, por que não dar uma mordidinha, só porque vocês estavam numa roda com outros, inclusive o marido dela, seu patrão, e ninguém entenderia quando você explicasse que confundira a orelha com um canapé? Mas você recuou, civilizadamente. Fez bem.

Eu, por exemplo, fiz bem quando resisti ao impulso de fugir de casa para ser aviador. Poupei-me da frustração de descobrir que eles não aceitavam pilotos de caça com menos de seis anos de idade. Um dia corri atrás de uma menina para dizer que a amava, pensei melhor e apenas esbarrei nela, esperando que ela interpretasse a colisão como uma declaração. Deixei-a sentada no chão, chorando, mas escapei do ridículo, pois eu nem sabia seu nome.

Pensei vagamente em estudar arquitetura, como todo mundo. Acabaria como todos que eu conheço que estudaram arquitetura, fazendo outra coisa. Poupei-me daquela outra coisa, mesmo que não tenha me formado em nada e acabado fazendo esta estranha outra coisa, que é dar palpites sobre todas as coisas.

É verdade que às vezes me pergunto como teria sido se eu não tivesse reprimido o impulso de ir estudar cinema em Londres. Eu hoje poderia ser, sei lá, um dos melhores lavadores de pratos do Soho. Agora é tarde, nunca saberei. Mas acho que fiz bem.




Como serão os gestos de um homem que espera a mulher que ama. Há um traço leve de impaciência, um toque ágil de conformidade, um luzir de desejo, uma sombra de inquietude no homem que espera a dona de seu sentir...?

Liberato Vieira da Cunha
10/12/2002


Homem à espera

O homem não estava muito certo da extensão de suas posses e quis saber no balcão do bar quanto lhe custaria a taça e quanto o prensado. Mostrava-se mais seguro de seu destino, que era esperar. Escolheu a mesa junto à porta.

Parecia tomado dessa abstração atenta dos cães. Bebericava concentrado e alheio o café, economizava distraído e aplicado o sanduíche, um simples olhar fixo de desinteresse lhe bastava para examinar quem chegava, para decidir que não era quem esperava.

Quem esperava?

Não esperava uma amada. Há uma dose de contido alvoroço, de domada ansiedade em cada mínimo gesto do homem que espera a mulher que ama. Há um traço leve de impaciência, um toque ágil de conformidade, um luzir de desejo, uma sombra de inquietude no homem que espera a dona de seu sentir.

Aquele homem não esperava um amigo. Amigos são essas pessoas com quem se repartem segredos, a quem se pedem 10 reais, se conta de um erro, uma traição, um fracasso. Com um amigo um homem divide um trago, um homem entrega culpas, um homem devassa medos.

Quem esperava aquele homem?

Aquele homem perdia-se às vezes em pensamentos tristes. Era como se recordasse alguém que não tinha sido. Não tinha sido trapezista, aviador, bombeiro, ofícios com que sonhava nas longas caminhadas pelos trilhos da Viação Férrea em direção à escola, em direção ao imenso disco do sol nascente, carregando a feia, a velha, pesada pasta de couro herdada de um tio e de um primo e de um irmão mais velho, a pasta que guardava, de contrabando, o revólver de plástico de Gene Autry.

Não tinha sido nada do que sonhara e talvez agora fosse tarde para tudo.

E a face do homem se crispou de saudade de si mesmo caminhando pelos trilhos da Viação Férrea.

Suas feições toscas só se abrandaram quando entrou no bar o menino carregando a pasta de couro.

Era um menino como ele: abstraído e atento na aparência, foi-se chegando à sua mesa, abriu a pasta e disse:

- Passa a grana, chefia.

O homem notou o revólver, algo diverso do de Gene Autry: não era de plástico. O homem que esperava quis levar a mão ao bolso traseiro da calça, onde escondia uma reserva técnica de moedas de 25. Qualquer coisa em seu gesto fez adulta a face do menino. Qualquer coisa no universo tingiu tudo de uma doída, cegante claridade, como se explodisse, sem aviso, o disco do sol nascente.
liberato.vieira@zerohora.com.br




Estou curioso para saber do resultado do encontro, vez que tantos plesbiscitos se fêz por aqui, há tão pouco tempo, fundamentalmente se era contra ou a favor, que até para acreditar hoje numa solução a favor seria estar sonhando.

Ana Amélia Lemos
10/12/2002


O encontro de Lula e Bush

A última incursão do presidente eleito no Exterior, antes de assumir o poder, tem muitos simbolismos e, também, utilidade prática. Luiz Inácio Lula da Silva, longe do país, livra-se da incômoda pressão de aliados e correligionários, nesta fase decisiva da montagem do ministério. Do simbolismo, reaviva-se a imagem de 22 anos passados. Tancredo Neves, eleito pelo colégio eleitoral, em 1985, mereceu as honras do governo norte-americano por ter sido responsável pela redemocratização do Brasil, que continua sendo principal parceiro econômico dos Estados Unidos, na América do Sul. Ronald Reagan, também republicano, vivia momentos de prestígio e popularidade. Hoje George W. Bush abre as portas da Casa Branca para receber o ex-líder sindical, fundador de um partido de esquerda, dispensando ao sucessor de Fernando Henrique Cardoso as homenagens pela festejada vitória nas urnas.

Por que tantas deferências? O governo dos Estados Unidos trabalha, com empenho, para viabilizar um projeto de integração hemisférica, liberalizando o comércio entre os 34 países das três Américas. A Área de Livre Comércio das Américas (Alca), idealizada pela Casa Branca e cujas bases foram lançadas na transição do governo Itamar Franco para Fernando Henrique Cardoso, na Cúpula de Miami, em 94 e vista com restrições pelo partido do presidente eleito, que, em algum momento, apoiou um plebiscito contra a criação da Alca, patrocinado pela CNBB, com apoio do MST e outras instituições de esquerda. Na campanha eleitoral, o comando do PT recomendou que o partido retirasse o apoio formal ao tal referendum. Mas para não abalar as esperanças dos grupos mais radicais do partido, o presidente eleito tem recorrido à retórica para dizer que a Alca não poder ser, apenas, um projeto de anexação. Essa tem sido, até agora, a pregação de Fernando Henrique Cardoso, que manteve estreita relação pessoal com a democracia Bill Clinton, mas sempre fez questão de manter relacionamento formal com George W. Bush. O fato é que Luiz Inácio Lula da Silva já foi entronizado no palco da política externa, tão sofisticado quando duro e desafiador. Depois de uma oportuna visita à Argentina e ao Chile, o presidente eleito, hoje, deve deixar a retórica de lado e, olho no olho, dizer a Bush como quer a Alca e como pretende pautar a relação dos dois países.
ana.amelia@zerohora.com.br


Segunda-feira, Dezembro 09, 2002




Amanhã comemoraremos os 54 anos da Declaração Universal dos Direito Humanos, muitos artigos como vocês mesmos podem comprovar ainda são infringidos sistematicamente passados este tempo.

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III) da Assembléia Geral das Nações Unidas, de 10 de dezembro de 1948.

PREÂMBULO

Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo;

Considerando que o desprezo e o desconhecimento pelos direitos humanos resultaram em atos de barbárie que ultrajaram a consciência da Humanidade, e que o advento de um mundo em que os seres humanos gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do terror e da miséria, foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum;

Considerando ser essencial que os direitos humanos sejam protegidos através de um regime de direito, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à revolta contra a tirania e a opressão;

Considerando que é essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações;

Considerando que os povos da Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, e na igualdade de direitos dos homens e da mulheres e se declararam resolvidos a promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de uma liberdade mais ampla;

Considerando que os Estados-membros comprometeram-se a promover, em cooperação com a Organização das Nações Unidas, o respeito universal e efetivo aos direitos e liberdades fundamentais do homem;

Considerando que uma concepção comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento de tal compromisso,

A Assembléia Geral

Proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que todos os indivíduos e todos os órgãos da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se empenhem, através do ensino e da educação, em promover o respeito a esses direitos e liberdades, e em promover, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, o seu reconhecimento e a sua observância efetivos e universais, tanto entre os povos dos próprios Estados-membros quanto entre as dos territórios colocados sob a sua jurisdição.

Artigo I

Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir uns para com os outros com espírito de fraternidade.

Artigo II

Todos os homens podem invocar os direitos e as liberdades estabelecidos na presente Declaração sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, origem nacional ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra situação.

Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença um indivíduo, seja esse país ou território independente, sob tutela, sem governo próprio ou sujeito a qualquer outro tipo de limitação de soberania.

Artigo III

Todo homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo IV

Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos são proibidos sob todas as suas formas.

Artigo V

Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamentos ou punições cruéis, desumanos ou degradantes.

Artigo VI

Todos os homens têm o direito ao reconhecimento, em todos os lugares, da sua personalidade jurídica.

Artigo VII

Todos são iguais perante a lei e, sem qualquer distinção, têm direito a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo VIII

Todo homem tem direito a recurso efetivo dos tribunais nacionais competentes contra atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.

Artigo IX

Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo X

Todo homem tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial, que decida sobre seus direitos e deveres ou sobre o fundamento de qualquer acusação criminal contra ele apresentada.

Artigo XI

Todo homem acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que sua culpa fique legalmente comprovada em um julgamento público, no qual todas as garantias necessárias à sua defesa lhe tenham sido asseguradas.

Ninguém poderá ser condenado por qualquer ação ou omissão que, no momento em que foram praticadas, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será imposta pena mais grave do que aquela que era aplicável no momento em que o ato delituoso foi cometido.

Artigo XII

Ninguém sofrerá interferências arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Todo homem tem direito a proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo XIII

Todo homem tem direito à liberdade de locomoção e de escolha de sua residência dentro das fronteiras de cada Estado.

Todo homem tem direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, bem como de a ele regressar.

Artigo XIV

Todo homem vítima de perseguição tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.

Este direito não pode, porém, ser invocado no caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atividades contrárias aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XV

Todo homem tem direito a uma nacionalidade.

Ninguém poderá ser arbitrariamente privado da sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo XVI

Homens e mulheres maiores de idade têm o direito de contrair matrimônio e de constituir uma família, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião; e, durante o casamento e na sua dissolução, gozam de iguais direitos.

O casamento só será válido com o livre e pleno consentimento dos nubentes.

A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.

Artigo XVII

Todo homem tem direito à propriedade, seja individualmente ou em sociedade com os outros.

Ninguém será arbitrariamente privado da sua propriedade.

Artigo XVIII

Todo homem tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou de crença, bem como a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

Artigo XIX

Todo homem tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser incomodado por suas opiniões e de procurar receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios de expressão, independente de fronteiras.

Artigo XX

Todo homem tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.

Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo XXI

Todo homem tem o direito de tomar parte no governo do seu país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.

Todo homem tem direito de acesso, em condições de igualdade, ao serviço público do seu país.

A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade deve exprimir-se através de eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que salvaguarde a liberdade de voto.

Artigo XXII

Todo homem, como integrante da sociedade, tem direito à sua segurança social e à realização ¿ através do esforço nacional e da cooperação internacional e conforme a organização e os recursos de cada Estado ¿ dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.

Artigo XXIII

Todo homem tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições equitativas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.

Todo homem tem direito, sem qualquer discriminação, a igual remuneração por igual trabalho.

Todos os que trabalham têm direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhes assegurem, bem como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e completada, se possível, por todos os outros meios de proteção social.

Todo homem tem o direito de organizar sindicatos e a eles se filiar para a defesa dos seus interesses.

Artigo XXIV

Todo homem tem direito a repouso e lazer, e, principalmente, a uma limitação razoável das horas de trabalho e a férias periódicas remuneradas.

Artigo XXV

Todos os homens tem direito a um padrão de vida que lhes possa assegurar, bem como aos seus familiares, saúde e bem-estar, principalmente no que se refere a alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e aos serviços sociais necessários, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda de meios de subsistência por circunstâncias alheias à sua vontade.

A maternidade e a infância têm direitos a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

Artigo XXVI

Todo homem tem direito à educação. A educação será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. O ensino elementar será obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser acessível a todos, o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todas as pessoas em plena igualdade, baseada no mérito.

A educação será orientada no sentido da plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve fortalecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.

Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo XXVII

Todos os homens têm o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios.

Todos os homens têm direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística de sua autoria.

Artigo XXVIII

Todo homem tem direito a que reine, no plano social e no plano internacional, uma ordem capaz de tornar plenamente efetivos os direitos e as liberdades estabelecidos na presente Declaração.

Artigo XXIX

Todos os homens têm deveres para com a comunidade, fora da qual não é possível o livre e pleno desenvolvimento da sua personalidade.

No exercício dos seus direitos e liberdades, ninguém estará sujeito senão às limitações determinadas pela lei, com vistas exclusivamente a assegurar o devido reconhecimento e o respeito dos direitos e liberdades dos outros e de satisfazer as justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar em uma sociedade democrática.

Em hipótese alguma estes direitos e liberdades poderão ser exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XXX

Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a reconhecer para qualquer Estado, grupo ou indivíduo, o direito de exercer qualquer atividade ou de praticar qualquer ato destinado a destruir os direitos e liberdades nela estabelecidos.




Gosto do Paulo lemninski que conforme anotações:

1944- Nasce em Curitiba, Paraná, a 24 de agosto, Paulo Leminski Filho, filho de Paulo Leminski e Áurea Pereira Mendes.

1958- Foi para o mosteiro São Bento em São Paulo e ficou o ano inteiro.

1963- Participa do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda em Belo Horizonte-MG. Casou com Neiva Maria de Souza e se separou em 1968.

1964- Pubicação de poemas na revista INVENÇÃO em São Paulo, porta-voz da poesia concreta paulista.

1965-Professor de História e de Redação em cursos pré-vestibulares.

1966- Classifica-se em primeiro lugar no II Concurso Popular de Poesia Moderna, promovido pelo jornal O Estado do Paraná.

1968/88- Vive com a poeta Alice Ruiz, com a qual teve três filhos (Miguel Ângelo, falecido aos 10 anos, Áurea Alice e Estrela.)

1969/70- Mora no Rio de Janeiro.

1970/80- Diretor de criação e redator de publicidade.

1973- Morte do pai.

1975- Publicação do CATATAU.(depois de 8 anos de elaboração).

1978-Morte da mãe.

1980-São Paulo- Colaboração no FOLHETIM e revista VEJA.

1984/86-Tradução de John Fante, James Joyce, Yukio Mishima, John Lenon, Alfred Jarry e Samuel Beckett.

1986- Publicação do livro Infanto-Juvenil GUERRA DENTRO DA GENTE.

1988- Escreve o Jornal de Vanguarda na TV Bandeirantes, São Paulo.

1988/89- Passa a viver com a cineasta Berenice Mendes.

07.06.89- Morre em Curitiba - Paraná, de cirrose hepática.

uma carta uma brasa através

por dentro do texto

nuvem cheia da minha chuva

cruza o deserto por mim

a montanha caminha

o mar entre os dois

uma sílaba um soluço

um sim um não um ai

sinais dizendo nós

quando não estamos mais



um bom poema

leva anos

cinco jogando bola,

mais cinco estudando sânscrito,

seis carregando pedra,

nove namorando a vizinha,

sete levando porrada,

quatro andando sozinho,

três mudando de cidade,

dez trocando de assunto,

uma eternidade, eu e você,

caminhando junto




Voces imaginam o que é ter milhas acumuladas ao longo do tempo para num momento possível poder viajar. Fazer as resevas se programar e daqui a pouco correr o risco de ter que esperar ou não não ter mais sequer a oportunidade de poder contar com esta chance. Enfim é mais um dos problemas, pelo que se vê e se lê de má administração e que a população brasileira sente-se envolvida de um ou outro modo. Boa semana a todos nós se Deus quiser.

Empresas
Modelo de gestão é visto como entrave


A Varig mantém a imagem de companhia viável, apesar das dificuldades que a levaram a acumular uma dívida de US$ 764 milhões. Esta é a avaliação de consultores financeiros e especialistas no setor aéreo.

As opiniões também convergem na crítica ao modelo de governança da companhia: a gestão implementada ao longo dos 75 anos pela Fundação Ruben Berta (FRB). Para o economista e consultor Paulo Rabello, o fato de a empresa ter aviões modernos e não estar perdendo clientes indica o caminho da recuperação. Mas, se não houver mudanças na estrutura administrativa, a Varig corre o risco de não ter como fechar o balanço de 2003, alerta Rabello:

- Não se trata de "demonizar" a FRB. O problema é que a fundação tem um caráter benemerente que, a meu ver, até deve ser preservado, mas está impedindo a solução para a crise.

Contratado pela Associação de Pilotos da Varig (Apvar) para fazer um diagnóstico da empresa, Rabello coloca outro pressuposto para a recuperação: a negociação com funcionários, cujo fundo de pensão é credor de cerca de R$ 1 bilhão da empresa. Por último, é preciso um acordo em que todas as partes participem "do jogo arriscado" da reestruturação.

Pagamentos a dois credores condicionam serviços

As aeronaves da Varig só deixarão de decolar se a empresa deixar de bancar à vista os R$ 5 milhões diários exigidos pela BR Distribuidora para fornecer combustível à empresa, diz Alexandre Torrano, da Itaú Corretora. Para o consultor, como o grupo fez acertos provisórios com os únicos credores capazes de paralisar decolagens e aterrissagens (a BR e a Infraero, administradora dos aeroportos), não há risco de interrupção dos serviços a médio prazo:

- O que pode acontecer é um encolhimento mais acelerado do tamanho da companhia.

Se o impasse entre FRB e credores não for resolvido, alguns analistas não descartam a intervenção do governo na empresa. Pelas regras do setor, a Varig não pode pedir concordata, por ser concessionária de serviço público. Mas o Departamento de Aviação Civil (DAC) apresentou recomendação contrária à intervenção.




São tantas emoções

Na saída do Fale com Ela, do Almodóvar, decidi que iria ficar um ano sem assistir a outro filme. Envolvida que estava com o que tinha acabado de ver, pensei em me conceder um ano sabático-cinematográfico, se é que isso existe. Achei que não veria algo que me comovesse daquela maneira tão cedo.

Pois vi. Meu coração foi profundamente atingido por O Filho da Noiva, filme do argentino Juan José Campanella. Sigo achando que o filme do Almodóvar foi o grande presente para os cinéfilos neste ano de 2002, mas teve concorrência.

Resumir filmes é sempre uma tarefa ingrata, basta ler no jornal as três linhas que procuram dar uma situada sobre o que o público vai ver. No caso deste filme: "Em Buenos Aires, dono de restaurante está em crise: os negócios vão mal, a ex-mulher reclama que ele não dá atenção à filha pequena e o pai quer se casar na igreja com a mãe, que sofre de Alzheimer". Não deixa de ser isso o filme e, no entanto, é muito mais.

Assim como o filme do Almodóvar, mas com um roteiro completamente diferente (o filme argentino é mais convencional, em certos momentos quase resvala pra pieguice e pro clichê, mas não cai), O Filho da Noiva privilegia a emoção, aquela emoção que de tão surrada, tão batida, tão cantada e versada, perdeu terreno para a virtualidade, para a velocidade, para a tal modernidade. No entanto, ao retirar-se de cena, desprezada, esta emoção deixou de ser banal para ganhar uma certa sofisticação. Emoção agora é cult.

Adélia Prado já dizia que o sentimento é a coisa mais fina que existe, e eu digo amém e me curvo em reverência. Nada no mundo é mais importante do que duas pessoas e a potência avassaladora que existe entre elas: seja uma amizade de infância, seja uma atração sexual, seja um amor que não se esgota com o tempo, seja um encantamento platônico ou uma comoção familiar. São sensações que arrepiam, dão medo, nos paralisam, fazem a gente bater a cabeça contra a parede, correr atrás do prejuízo, fazer papel de bobo, dar um abraço tão forte que o outro até se assusta, mas gosta. Tenho uma piedade infinita das pessoas que temem seus próprios sentimentos, que sonegam amor e carinho, achando que se expor de coração aberto é uma forma de fraqueza.

Essas criaturas existem, e sofrem. Talvez precisem ver filmes como este, vê-los e revê-los insistentemente, até entender: não há vida onde há só racionalidade. Emocionar-se é despir-se, o que não é uma coisa fácil, mas toda intimidade conduz à nudez, e toda nudez à nossa verdadeira natureza.
martha.medeiros@zerohora.com.br




Vivemos uma vida e definitivamente, muita vezes, desconhecemos as pessoas que conosco convivem, isso confirma-se mais uma vez na cronica abaixo em que a a mulher e o marido ficaram assim por mais um tempo, olhando-se mutuamente. Quase como se tivessem sido apresentados naquele momento. Quem é você com quem estive vivendo nos últimos 20 anos?

José Pedro Goulart
09/12/2002


O tempo de cada coisa

A mulher escorreu o arroz e tomou a medida em uma xícara. Depois, separou os temperos, esmagou o alho, picou a cebola e cortou o pimentão em tiras. Lavou o charque que estava de molho e, tomando cuidado com o tempo de cada coisa, preparou o arroz de carreteiro. O marido chegou e sentou-se à mesa. Abriu para si uma cerveja preta. A mulher veio com uma travessa de onde saía fumaça. Assim que iniciou a comer, o marido notou que a mulher havia posto pimentão na comida. Ele, que não detestava pimentão, só não gostava no carreteiro, reclamou. Ela procurou explicar. Disse que não sabia o porquê de ter posto pimentão, já que também não gostava. Mas argumentou que achou que ele iria gostar e disse mais, disse que o pimentão era uma novidade naquele prato de receita simples e sempre igual.

Empolgada, como quem se descobre com um argumento imbatível, ela afirmou que aquilo era um símbolo, uma coisa que talvez representasse uma ruptura naquela vida regular e massacrante na qual haviam ambos se metido. Fosse milho, por exemplo, como já tinha posto em outras ocasiões, nada disso iria se revelar.

"Cala a boca!", ele disse. E se pudesse teria engolido cada sílaba de volta, pois tão bruscamente quanto expressara sua vontade, havia se arrependido. Mas era tarde. Agora estavam ali, cada um experimentando uma surpresa diferente. Ele por não saber que podia dizer aquilo que havia dito. Ela por não esperar ouvir. A mulher e o marido ficaram assim por mais um tempo, olhando-se mutuamente. Quase como se tivessem sido apresentados naquele momento. Quem é você com quem estive vivendo nos últimos 20 anos?

Ao deter-se no rosto dela, ele percebeu que havia rugas em volta dos olhos e a descobriu envelhecida. Havia, inclusive, um tufo de cabelos brancos brotando na testa sob a tintura desbotada. Mas, ao par disso, experimentou uma ternura que há muito não sentia. Ela, provavelmente ainda mais chocada, descobriu que ele estava usando bigode. Bigode? Mas há quanto tempo? Por mais que puxasse da memória, não havia jeito de lembrar. Surpreendeu-se achando-o bonito, rejuvenescido.

Talvez com medo de trair-se, ela levantou primeiro. Sem palavras, recolheu os pratos da mesa. O dela, praticamente intocado. O dele, comido pela metade e cheio de pequenos pedaços de pimentões nas bordas. Ela foi até o lixo e enquanto despejava a comida experimentou uma sensação de desperdício como nunca antes. Sentiu então um súbito desejo de vingança e disse, controlando a raiva. "E você, faça o favor de tirar esse bigode ridículo."
jose.pedro@zerohora.com.br


Domingo, Dezembro 08, 2002




É quem sabe eu seja meio assim como Manoel de Barros: Pois que gosto de andar por desvios, e não andar muito por estradas - Pois é nos desvios que se encontra as melhores surpresas e os ariticuns mais maduros.


Doença das Frases

"Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas leituras não era a beleza das frases, mas a doença delas.

Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor, esse gosto esquisito. Eu pensava que fosse um sujeito escaleno. -Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável, o Padre me disse.

Ele fez um limpamento em meus receios. O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença, pode muito que você carregue para o resto da vida um certo gosto por nadas...E se riu.

Você não é de bugre? - ele continuou. Que sim, eu respondi. Veja que bugre só pega por desvios, não anda em estradas - Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas e os ariticuns maduros.

Há que apenas saber errar bem o seu idioma. Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de gramática."

Manoel de Barros




Mais um domingo, e como nesse não recomendei que fossem ao parque eu fui, porque não basta recomendar, tem que exercitar. Andei de bike pela manha, e fui a missa das 19:00. Depois li a revista Época, além da Veja todinha e a Viagem. E agora estava lendo algumas letras de música como esta que trago para o presente: Vivo a te buscar porque pensando em ti corro contra o tempo e descarto os dias em que não te vejo, como de um filme a ação que não valeu. Rodo as horas para trás roubando um pouquinho e ajeito o meu caminho para encostar no teu.

VALSA BRASILEIRA


"Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo

Eu descartava os dias
Em que não te via
Como de um filme
A ação que não valeu

Rodava as horas para trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Para encostar no teu

Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento

Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer

E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer"

Valsa Brasileira - Edu Lobo e Chico Buarque


Pessoal não deixem de votar na garota do tempo no link ai embaixo da promocão do Jornal o Dia do Rio, achei interessante e vi por acaso quando pesquisava as charges de hoje. Imagine se cada jornal promovesse as garotas de suas cidades com um concurso assim, todos ganhariam. Vamos lá Correio do Povo, O Sul, Zero Hora, JC e outros veículos por aqui.



Bom acho que a reportagem é deveras interessante porque muita gente quer mesmo aproveitar essa época para assim como os empregados tiram férias, mesmo desempregado também tirar e por que não? E aí terá que ser inventado uma desculpa que é só desculpa conforme se vê.



Mito ou realidade?
Leila Souza Lima

Quem acredita em Saci Pererê, mula-sem-cabeça e que passar embaixo de escada dá azar não deve sair de casa para procurar emprego até o Carnaval passar. Muita gente acha que, no período compreendido entre os últimos meses do ano e o fim da temporada de verão, as empresas param de contratar e o mercado experimenta uma espécie de recesso, o que é desmentido por headhunters, conselheiros de carreiras e até por gente que conseguiu se empregar nesta época.

O conselheiro de carreiras Gutemberg Brito de Macedo, diretor da Gutemberg Consultores, é taxativo: ¿Não tem essa, todo dia é dia de procurar emprego¿. Ele credita a idéia de que existe uma baixa temporada nas contratações à mania que as pessoas têm de propagar algo que ouviram sem checar (o que aliás é muito comum na cultura brasileira). ¿É como dizer que o Brasil só começa a andar depois do Carnaval ou que ninguém consegue emprego depois dos 40 anos. De tanto ouvir e repetir essas frases, as pessoas acabam acreditando nelas¿, diz Macedo.


O Sistema Nacional de Empregos (Sine), que capta vagas através de centros de oportunidades espalhados por todo os estado, pode ser um bom termômetro. Nos meses de setembro, outubro e novembro, as ofertas de emprego subiram devido às contratações em regime temporário, especialmente nas áreas de comércio e serviços.


Segundo Claudia Cunha, coordenadora de intermediação de vagas, os empregos temporários representam de 10% a 15% do total de oportunidades. Nos últimos meses, passaram para 35%. ¿Então, as vagas fixas diminuíram 20% em média. Mas não se pode afirmar que houve uma queda brusca. Essa oscilação ocorre o ano todo¿, analisa Claudia. Ela constatou um dado importante: no último trimestre de 2001, a captação de vagas permanentes subiu 32% em relação ao mesmo período em 2002. Outro indicador que compromete a idéia de desaquecimento em contratações é que a oferta de vagas em outubro aponta aumento de 3% em comparação com o mesmo mês ano passado.


Mas, apesar dos indícios de que os empregos não desaparecem, Claudia confessa acreditar que o período não é bom para quem quer uma chance. ¿Eu mesma acho que é mais difícil conseguir emprego nesta época. Sei lá, por crendice, acho. Mas não há base nenhuma para afirmar que isso acontece¿, reflete.



Assim como Claudia, há quem pense que não vale a pena empenhar grandes esforços em busca de uma colocação no mercado, o que pode ser uma armadilha, principalmente para quem já está abatido com a demissão. A pessoa corre o risco, alerta Macedo, de se entregar às circunstâncias e culpar o mercado por um possível fracasso pessoal.


A dica do consultor para quem está em busca de uma oportunidade, independente da época do ano, é administrar os recursos para que se ganhe fôlego na busca ao emprego. Em dificuldades financeiras, o profissional pode aceitar a primeira proposta que aparecer, o que pode acabar com a carreira, alerta o consultor. Também não importa o nível do cargo. É preciso se informar o máximo sobre o mercado, a empresa para a qual vai se oferecer. Macedo recomenda obstinação e foco.




Por fim e pela ordem como deveria ser a do Willy publicada no Jornal Tribuna da Imprensa do Rio de Janeiro



E essa é do Zota publicada no Jornal a Tribuna de Vitória,ES e achei fantástica porque retrata mais um dos nossos problemas deste mês que é o amigo oculto.




Essa acima e a debaixo são dos meus conterraneos do Vale dos Calçados publicadas sempre no Jornal NH de NovoHamburgo,RS. A de cima é do Sinovaldo e a debaixo é do grande Tacho, que vale a pena ser vistas sempre no link do Jornal que está aí para voces.




Essa Charge acima é do Ronaldo publicada no Jornal do Commercio de Pernambuco.Será que nosso Presidente segura o grande Dragão da Inflação?



Essa é do Sinfronio publicada no Jornal Diário do Nordeste de Fortaleza. Onde é apresentado o novo Banco no qual o Arminio Fraga ficará. Será..?




Essa acima é do Ique publicada no Jornal do Brasil



E essa foi publicado no Liberal On LIne de Belém, de autoria do JBosco, e nos mostra o presente deixado pelo Papai-Noel para o Rio de Janeiro.


Como em todos os domingos uma rápida passadinha por todos os jornais que publicam suas charges para que voces se divirtam com as mesmas.



Publicada na Gazeta On Line pelo Amarildo, efetivamente já sabíamos aqui no Brasil.



E essa acima é do Aroeira publicada no Jornal http://odia.ig.com.br/ em que retrata a demora para a divulgação dos nomes para o novo Ministério.


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