E N T R E L A Ç O S
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Sábado, Janeiro 25, 2003




Desculpem por estar em ingles mas é do New York Times de hoje, então não poderia ser diferente e poderá ser acessado no link da própria noticia.
Fiquei com pena foi do Presidente do Banco Central por ter escorregado na neve Suiça. Assim terá que ficar uma semana trabalhando dentro do Hospital público em Davos. Tivesse em Porto Alegre, isso não teria acontecido.

Lula defends Davos visit at alternative forum
By Raymond Colitt in Porto Alegre

Luiz Inácio Lula da Silva, Brazil's president, said he would use his address to the World Economic Forum in Davos to lobby for a more equitable global economic order.

Speaking at the World Social Forum in Porto Alegre, the president said: "Many people in Davos don't like me without knowing me. So I make a point of going there to say the same thing I would tell anyone of you here," he told a large gathering at the World Social Forum. "I will tell them that we need to have a new world economic order, where wealth is distributed more equally, where the poor countries have the opportunity to be less poor."

His decision to go to Davos had triggered criticism among his more radical leftwing supporters at theWorld Social Forum, which his Workers' party (PT) has been backing since its creation three years ago.

Yet Mr Lula da Silva insisted that not all problems could be blamed on an inequitable world economic order. "We are poor. Part of the fault may lie with the rich nations. But partially the fault may lie with part of the South American elite," which were corrupt in governing several countries, he said.

The president acknowledged the enormous expectations that his government created not only at home but for Latin America's left and for Socialists around the world. While renewing campaign pledges to end famine, improve health and education, and carry out an agrarian reform, he called on supporters to have patience. "A good coach is not one who begins winning but ends winning a game. I have four years to proceed calmly and cautiously," he said.

The former labour union leader said he had asked the organisers of the Porto Alegre forum to reconsider their invitation to him, suggesting that it could compromise its political autonomy. While a few delegates opposed Mr Lula da Silva addressing the forum, the vast majority on Friday repeatedly interrupted him with applause. The forum's steering committee justified his presence, arguing he would be speaking as the president of the host country.

Mr da Silva also announced, however, he would accept an invitation to go to next year's World Social Forum, which will be held in India.




Bom como sempre ai estão as duas capas das revistas semanais deste fim de semana. curtam, leiam e bom fim de semana. Para quem curte o "Femme Fatale" estou colocando na medida do possível fotos dos principais personagens.
Stephen Kanitz

Executivos e empresários "Com setenta anos de atraso, estamos finalmente começando a trilhar o caminho da democratização dos meios de produção"

Ilustração Ale Setti

Antigamente, revistas de negócios sempre traziam na capa um grande empresário. Executivos como Henrique Meirelles, Alain Belda e Carlos Ghosn ficavam em segundo plano.

Por isso, a maioria dos brasileiros acredita até hoje que empresários mandam no país, que são os "donos do poder", e que um bando de empresários internacionais, reunidos neste momento em Davos, está decidindo os rumos da humanidade.

Há muito tempo as companhias no resto do mundo não são mais dirigidas por empresários, e sim por administradores profissionais, sem laços de família nem mesmo de nacionalidade com aqueles.

Administradores profissionais são eleitos democraticamente por milhares de pequenos acionistas. Por sua vez, empresários são eleitos por cinco ou seis membros de uma única família. Administradores profissionais podem ser demitidos, e por isso pensam mais como trabalhadores que como acionistas. Empresários nunca são demitidos quando sabem controlar o capital da companhia, objetivo número 1 da empresa com ações em bolsa no Brasil. Por essa razão, nossa bolsa está morrendo.

Administradores profissionais competentes fazem o jogo político de conciliar interesses conflitantes de trabalhadores, clientes, ecologistas, fornecedores e acionistas. Os empresários administram quase que exclusivamente pensando nos interesses da família.

Da mesma forma que a separação da Igreja e do Estado foi um marco da evolução política da humanidade, a separação do empresário capitalista da gestão da empresa foi um importante avanço na evolução das companhias democráticas e pluralistas.

Aceito a crítica de que muitos gestores e executivos profissionais só defendem os acionistas controladores, mas aí o problema é do modelo econômico vigente, de negar aos acionistas majoritários que detêm até 85% do capital o direito de voto.

Nossos empresários e o Estado chegam a controlar empresas privadas ou estatais tendo somente 17% das ações, ao arrepio do alienável direito ao voto que está na Constituição. Nas empresas democráticas, em que todos têm o direito de voto, agradar a 5 milhões de acionistas é quase impossível, a não ser pela eficiência.

O problema da Enron e do capitalismo americano atual foi a criação dos bônus anuais e stock options para executivos, que passaram a agir cada vez mais como os capitalistas de antigamente e cada vez menos como os administradores profissionais que deveriam ser. Mas isso tem fácil solução. É só cortar esses privilégios.

Pela primeira vez um jornal de negócios brasileiro cria um prêmio não para empresários, mas para "reconhecer e prestigiar profissionais que inspiraram seus times com capacidade de liderança, ousadia e visão estratégica". Um prêmio para administradores, e não para capitalistas. O jornal Valor Econômico virou no ano passado uma importante página no jornalismo econômico. Uma quebra de paradigma não trivial. Abilio Diniz e Eugênio Staub, dois dos contemplados, são chamados agora de "gestores de empresas", e não mais de empresários, como de costume.

Dos 22 vencedores do ano passado, doze são formados em administração de empresas, quatro na FGV e dois em Harvard. Quebrou-se um paradigma cultural e do jornalismo brasileiro, a veneração do "empresário" como agente de mudanças, e introduziu-se a equipe de administradores profissionais no centro da questão.

A era do empresário terminou nos Estados Unidos em 1930, com os Rockefeller, Ford, Carnegie, que lentamente foram substituídos por administradores profissionais sem nenhum parentesco com a família. O século XX viu a substituição do acionista controlador pelo administrador conciliador, o que foi possibilitado pela pulverização do capital entre milhares de pessoas.

Com nada menos que setenta anos de atraso, estamos finalmente começando a trilhar o mesmo caminho, o caminho da democratização dos meios de produção.


Stephen Kanitz é administrador
www.kanitz.com.br




Bom atrasou mas ai está a Capa da Revista Veja que amanhã bem cedinho estará nas bancas de todo o País. Os destaques estão abaixo como em todos os fins de semana. leiam, curtam e não deixem de comprá-las.

Capa: foto de Pedro Rubens
Edição 1 787 29/1/2003

Especial
Alexei Caio: arte marcial no combate ao diabetes. Brasil
Lula une os dois fóruns. Internacional
Pacifistas ironizam
a união Blair-Bush.

Internacional

Iraque: Uma superarma americana contra Saddam
Cuba: Eleições à moda de Castro
Venezuela: Ex-presidente Jimmy Carter tenta resolver a questão

Artes e Espetáculos

Televisão: Dilson, o novo Bambam do Big Brother
Televisão: R.R. Soares, o pastor que está em todas
Música: O maestro de uma sinfonia só
Cinema: O Chamado, de Gore Verbinski
Cinema: Um Globo de Ouro para Almodóvar
Livros: Cimbeline, Rei da Britânia, de William Shakespeare
Livros: A compra por impulso

Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo

Brasil

Globalização: Porto Alegre versus Davos
Inflação: Juros sobem e a luta continua no governo Lula
Governo: Gushiken, o curinga de Lula
Governo: A crise com o ministro dos Transportes
Rio de Janeiro: As provas contra Silveirinha e cia.
Congresso: Sarney e ACM a toda
Congresso: Os mercadores do poder

Geral

Turismo: Por que o Maranhão está virando estrela
Moda: O surfe nas passarelas
Especial: Diabetes, inimigo silencioso de milhões de pessoas
Genética: Animais clonados são diferentes da matriz
Paleontologia: O dinossauro de quatro asas
Comportamento: A febre do mangá

Economia e Negócios

Diversão: Melhores salas atraem maior público aos cinemas
Trabalho: Pesquisa mostra que o emprego está nas microempresas

Guia

Pirataria: Como identificar um produto falsificado
Turismo: Os pacotes para o Carnaval
Dança: Ritmos para se divertir e ficar em forma
Carro: Os pneus trazem informações importantes

O que estou lendo




A mobilização foi organizada durante uma semana, tempo que permitiu a adesão de pessoas até do Interior. Uma família de Erechim soube da ação que ocorreria na noite de sexta-feira por intermédio de um parente e se deslocou para participar da invasão. Menos a policia da capital não sabia de nada. Sabe, porque lá naquela região não devia e não deve haver nem um policial que pudesse repassar as informacões ao comando. E assim são com as invasões em fazendas e em outros tantos lugares. Resta saber quanto tempo os regularmente inscritos vão ter que esperar até que o nosso judiciário autorize a reintegração da posse. Ainda mais que todas as unidades já possuem energia elétrica e possivelmente água ligada.

Habitação
Casas da Caixa são invadidas na Capital
Brigada Militar, chamada para impedir ação, não conseguiu conter grupo de famílias

Centenas de pessoas invadiram por volta das 22h15min de ontem um conjunto habitacional que está sendo construído pela Caixa Econômica Federal na Rua Atílio Supperti, 600, no bairro Vila Nova, na zona sul da Capital.

O condomínio Par tem 216 sobrados, cada um com dois quartos, cozinha, sala e banheiro, foi totalmente ocupado após a derrubada de uma cerca. A Brigada Militar foi acionada antes da invasão, formou um cordão de isolamento, mas não conseguiu impedir a entrada das famílias. Após a ocupação, os soldados se retiraram do local.

De acordo com uma das líderes da invasão, que não quis se identificar, as famílias que participaram da ocupação são oriundas do bairro Campo Novo e de outros bairros da Zona Sul.

- É uma invasão do povo, de quem vive em subabitações e de quem não tem emprego - afirmou a mulher que estava coordenando o grupo.

A mobilização foi organizada durante uma semana, tempo que permitiu a adesão de pessoas até do Interior. Uma família de Erechim soube da ação que ocorreria na noite de sexta-feira por intermédio de um parente e se deslocou para participar da invasão.

José Jurandir Packowski, encarregado-geral da construtora AJ Sperotto Engenharia Camaquã, contou que a obra seria concluída em oito dias. Todos os sobrados, inclusive, já têm energia elétrica instalada. Segundo ele, o pessoal da construtora ouviu falar da invasão ontem à tarde e chamou a Brigada Militar para impedi-la - algo que não ocorreu.

A invasão provocou desespero em quem esperava receber as casas do governo federal. Inscrito no programa de habitação desde 1988, um homem correu para a frente do condomínio quando soube da notícia. Para ficar mais perto da obra, o morador chegou a alugar uma casa na mesma rua por R$ 300.

- Ouvi o barulho das pessoas arrebentando as cercas e as portas e corri para ver. Estou desolado - disse o homem que não quis se identificar.

Consultado às 22h50min por telefone, o chefe de gabinete do Ministério das Cidades, Dirceu Lopes, a quem está vinculado o programa habitacional do governo federal, não sabia da invasão e nem da situação do condomínio. O ministro das Cidades, Olívio Dutra, não foi encontrado ontem à noite em Porto Alegre.




Quase sempre acabam ficando sós, porque os pais não toleram que as filhas fiquem grávidas cedo e não querem-nas mais em suas casas. O seu namorado, ou o co- participe parte em busca de outras meninas, pois ele não quer saber de responsabilidades e ela acaba tendo que criar o seu filho ou vira tragédia para o bebê, antes ou depois de nascer e assim é muitas vêzes.

Jorge Furtado
25/01/2003


Mães sós têm muitas

Na visita a um lugar exemplarmente miserável, a favela Brasília Teimosa, em Pernambuco, Lula esteve em muitas casas onde só moram mulheres e crianças. O presidente fez um apelo à paternidade responsável, o que é importante. É importante, mas é pouco. Como alertou o doutor Drauzio Varella em artigo para a Folha de S. Paulo, nos últimos 10 anos a porcentagem de crianças menores de seis anos criadas sob responsabilidade exclusiva das mães aumentou de 10,5% para quase 18%. Enquanto a natalidade geral do país cai, aumenta a fertilidade (número de filhos) entre as meninas mais pobres.

Só quem nunca parou para pensar no assunto não sabe por quê. Meninas ricas e pobres vivem numa sociedade cada vez mais liberal, estão sujeitas aos mesmos apelos sensuais da mídia e aos efeitos dos mesmos hormônios. Mas só as meninas ricas lêem jornais, freqüentam boas escolas, visitam seus médicos e têm dinheiro para comprar pílulas e camisinhas. O Brasil é campeão mundial de má distribuição de renda e também de gravidez na adolescência, uma combinação que esvazia escolas, enche presídios e não pode deixar ninguém otimista a respeito do futuro.

Os programas públicos de planejamento familiar costumam enfrentar oposição daqueles que, à direita ou à esquerda, alimentam-se da miséria e da ignorância: igrejas primitivas, políticos profissionais e outros mercadores do futuro alheio, gente que nega aos mais pobres aquilo que garante para os seus filhos. Tão importante quanto distribuir renda é distribuir informação. Investir seriamente num programa de planejamento familiar, com educação sexual nas escolas, nos meios de comunicação, com programas específicos nos postos de saúde e distribuição gratuita de anticonceptivos, talvez seja a mais importante tarefa de um governo que pretende mudar o Brasil. E pode ser feito.

Fórum Social Mundial, Porto Verão Alegre (com dezenas de peças), 35 filmes nos cinemas (seis brasileiros), shows do Paulinho da Viola, Jorge Benjor e Nei Lisboa, a volta da Família Sujo... E tem gente que ainda reclama de Porto Alegre no verão. Queriam o quê? Uma exposição do Picasso?
jorge.furtado@zerohora.com.br




Bom a exemplo disso meu professor de inglês até que tem paciência, ele fica falando devagar cada palavra para eu repetir até que eu consiga pronunciá-la mais ou menos corretamente ai ele se dá por satisfeito. Bom não fosse assim como é que eu aprenderia a dizer pilow - tavesseiro.

Lya Luft
25/01/2003


Histórias de família

Entra ano, sai ano, em alguns encontros maiores de repente todo mundo explode em risada, bah, como é que você lembrou dessa, heim? São as histórias de quando eles eram projetos de gente.

Ou adolescentes.

Ou de quando se casaram. Ou, ou...

No tempo em que ainda não era um agrônomo barbudo, mas um menino de bochechas rosadas e olhos de um prodigioso azul, ele fez e desfez, montou e remontou a palavra que significava o seu amado travesseiro. Aquele, de quase-bebê, que levava por toda a parte. Não adiantou pai e mãe - mesmo sabendo que era bobagem - pronunciarem a palavra "correta" diante dele várias vezes.

O correto dele era outro.

Tudo começou com o pedido:

- Mãe,onde tá o meu sivola?

Vários minutos pra descobrir o que era. Cebola? Cavalo? Ceroula nem existia naquela casa. Finalmente, ele mesmo encontrou, veio abraçado ao seu tesouro:

- Ó, mãe, pra nanar.

- Ah, isso aí é o seu travesseiro, filhinho, tra-ve-ssei-ro.

Nos olhos de azul-porcelana uma obstinação tranqüila:

- Sivola.

Semana depois a coisa começou a se desenroscar:

- Mãe, me dá o meu sivelo.

Ah... tinha melhorado, mas ainda... A gente sabia que não adiantava discutir nem ensinar. Mesmo assim, tentava:

- Filhinho, olha pra mamãe.

Dois holofotes azuis, como só menino de três anos. Aquela placidez.

- Fala com a mamãe: Tra-ve-ssei-ro.

Ele pronunciou, caprichando, na mesma entonação da mãe:

- Si-vo-la.

- Será que esse menino está brincando comigo? Mas com só três anos?

Os lagos suíços refletiam a impotência materna, que nada, mestrado de Lingüística, que nada, livros de português. Nada disso, aquilo ali é que era o real.

Mais uns dias e o objeto mágico tinha virado tassivola. Depois, tassevelo. Tavesselo posteriormente, e, por fim, a mãe escutou, extasiada:

- Tavessêro!

O menino era um gênio. O pai depressa escreveu um artigo na coluna de Português que publicava diariamente, e a história - com tantas outras - entrou para os anais da família.

O das histórias publicáveis, naturalmente.




Ai está o meu nobre San'Ana a escrever e a fazer eco as mais de cem mil pessos que sairamem passeata na abertura doFSM, porque lhe resta ainda entusiasmo para protestar, que ainda têm força para dizer ao mundo que algo precisa ser feito para mudar este estado de coisas que privilegia alguns e amassa os outros.

Paulo Sant'ana
25/01/2003


Um Fórum acusatório

O que impressiona nestas 100 mil pessoas que tomam de assalto Porto Alegre para o Fórum Social Mundial é que elas não se acomodaram.

Elas vieram aqui dizer que não concordam com o rumo econômico e social que deram ao mundo.

Estas 100 mil pessoas, falando por si ou por seus circunstantes, não se paralisaram, indefesas, como tantas outras em número maior do que o delas, por impossibilidade ou omissão, à espera de se tornarem vítimas fatais da desigualdade que impera em todos os quadrantes.

O que impressiona nestas 100 mil pessoas é que elas estão vivas, que lhes resta ainda entusiasmo para protestar, que ainda têm força para dizer ao mundo que algo precisa ser feito para mudar este estado de coisas que privilegia alguns e amassa os outros.

O que impressiona nesta multidão pintada com todas as tintas da diversidade racial e geográfica é o seu inconformismo, a sua insatisfação com o destino que lhes foi traçado ou foi imposto a seus semelhantes.

E o que mais impressiona é que da marcha que reuniu anteontem todas as tendências e todas as origens, assim como de outros vários encontros no Fórum, ecoou um grito desesperado em favor da paz, quando o mundo vê anunciada com perigosa antecedência a declaração de guerra no Oriente Médio.

Paz é o que querem os participantes do Fórum Social Mundial.

E além da paz, eles pedem por igualdade, não a igualdade que nivela os homens em seus bens patrimoniais, mas a igualdade de oportunidade para os cidadãos e os povos e para as nações.

Eles pregam pela igualdade que admite as diferenças, mas propugna aos menos afortunados condições dignas de sobrevivência.

Elas clamam por uma vida decente para os menos favorecidos, uma vida pelo menos esperançosa, uma vida de chances, uma vida com horizontes, sem submissão e sem odiosas hegemonias que oprimem pela força.

A mensagem que emana deste Fórum é de ânsia de vida e de solidariedade. É também contra os efeitos nefastos da guerra anunciada para fevereiro entre EUA e Iraque, cujos presságios já deixam aqui mesmo no Brasil, nos últimos cinco dias, rastros de mais pobreza e desemprego, pela alta sinistra do dólar, que antecederá tristemente a uma maior desolação social e econômica, assim que rufarem com maior determinação os tambores de guerra.

Estes 100 mil protagonistas do Fórum têm o mérito de não permanecerem de braços cruzados, aqui e de todas as partes de onde puderam vir até aqui, diante das ameaças que possam a eles e a tantos bilhões de seres humanos soçobrá-los, mergulhando-os cada vez mais na opressão social ou nas outras conseqüências pérfidas dos embates bélicos programados, tão facilmente evitáveis pelos homens bons e lúcidos quanto inexoravelmente fatais para os poderosos e iníquos.

O que impressiona neste Fórum é que ele aviva a consciência mundial para a insanidade dos que se arremessam cada vez mais para o acúmulo de riquezas de uns e de pobreza dos outros.

E o que mais impressiona neste Fórum é que ele é um alerta impávido de que a humanidade deseja profundamente a paz, que se for maculada pela guerra o será pelo impulso louco de uns poucos, que não têm mandato legítimo para arrastar os povos para a dor e a destruição.

Este Fórum, assim tão alegre e descontraído em algumas das suas manifestações, ergue no entanto um dedo grave e acusatório para a injustiça reinante no mundo.

Podem continuar todos os desmandos dos homens. Mas pelo menos existiu este Fórum para execrá-los.
psantana.colunistas@zerohora.com.br



Clima
Sol quente e mar gelado



O dia foi de vento e água fria no litoral gaúcho, e os veranistas preferiram tomar sol, mas alguns não dispensaram o banho, como no Cassino (foto Nauro Júnior/ZH)




Tudo bem que esteja cada vez mais fácil ter um telefone, ainda mais celular. Mas subindo 20% as mensalidades e mais os pulsos para uma inflação que está prevista de 8% este ano e que esteve prevista 6% o ano passado, não dá para entender, mesmo sendo economista. Do jeito que está indo as Companhias Telefônicas vão dar os telefones de presente para você pagar apenas as mensalidades, pois assim o custo do aparelho já está embutido na mesma.

Reajuste nas tarifas de celular pode chegar a 20%

20:12 24/01
Da Redação do DIA para o iG (editorultimosegundo.com)

RIO - A Anatel aprova na próxima semana o reajuste das tarifas de telefonia celular. O índice do aumento não foi definido e a agência não revela quanto as operadoras pediram, mas o valor, que será aplicado também nas ligações feitas de telefones fixos para celulares, deve ficar em torno de 20%.

A forma de cálculo leva em conta o IGP-DI, segundo os contratos das empresas. O IGP-DI acumuladono ano de 2002 foi de 26,41%. A expectativa, no entanto, é de que em algumas regiões o índice não seja totalmente repassado ao usuário, por conta da forte concorrência. O último reajuste dos celulares foi em fevereiro, quando o aumento médio foi de 9,9%, abaixo da inflação acumulada no período, de 14%.


Sexta-feira, Janeiro 24, 2003




Esta semana é a capa da Revista Veja que atrasou assim ai está apenas a capa da Revista Isto É deste fim de semana que já está on line e cujos destaques estão abaixo para vocês terem uma preliminar.

CAPA

É HORA DE SE MEXER
Aulas relaxantes e contato com a natureza. Esta é a nova receita das academias para o verão

BRASIL

TUDO VERDADE
Ex-secretário da Fazenda do Rio diz que Silveirinha confirmou esquema de desvios para a Suíça

AZEDOU!
Quércia barra acordos pró-Sarney para a presidência do Senado e ressuscita nome de Michel Temer

HAJA NEURÔNIO!
Faça o teste e descubra qual é o seu tipo de inteligência

Confira outros testes:

CÃES: qual deles você seria?
LIBIDO: a marcha de sua "máquina"
INTUIÇÃO: você tem sexto sentido?
CRIANÇA: calcule sua idade emocional

ECONOMIA E NEGÓCIOS

DURA REALIDADE
Nova equipe econômica enfrenta turbulência com alta de juros

MADE IN EMBU
Libbs dá lição de como ficar livre da ditadura do dólar

GALERIAS

É BOMBA!
ISTO É: mostra o mapa das armas nucleares do planeta em fotos Acesse ainda:
ESPIÕES: objetos usados por agentes
FÉ: lugares sagrados do mundo

MEDICINA E BEM-ESTAR

CAÇA ÀS BRUXAS
"Xerife" descobre cientistas que, ligados à indústria do cigarro, fazem pesquisas livrando fumantes passivos do risco de doenças

MEU NOME É TRABALHO
Depressão durante as férias pode ser sinal da doença do ócio

MUNDO

TRINTA ANOS DEPOIS
Garantido há décadas, o direito ao aborto está novamente ameaçado nos Estados Unidos

OS MAIS ACESSADOS

HIERÓGLIFOS
Escreva seu nome usando a escrita sagrada dos faraós

CORAÇÃO
Calcule seu risco de ter problemas cardíacos

GUIA DE POSIÇÕES SEXUAIS
Bonecos articulados mostram o que fazer entre os lençóis


Benzadeus! As duas morenaças da foto à esquerda são as gêmeas gaúchas Deise e Sara Teles, de 19 anos, as duas novas Piratinhas Montilla. As moças são garotas-propaganda do Ron Montilla e foram apresentadas aos sortudos foliões que pularam no último Recifolia, evento festeiro que rolou de 16 a 19 de janeiro no Recife.

A beleza das gêmeas é motivo de orgulho para três cidades do interior do Estado: elas nasceram em Muçum, foram registradas em Encantado e cresceram em Montenegro. Deise e Sara devem estampar a capa da revista Playboy em fevereiro. Dançando ao lado dos também gêmeos Gustavo e Flávio Mendonça na folia na capital pernambucana, as gauchinhas fizeram muito marmanjo cortar a bebida porque mulher bonita assim em dobro só podia ser efeito do álcool...




Foto(s): Patricia Santilli, divulgação/ZH




Diplomacia
Verhofstadt e Rafael
MOISÉS MENDES


Quem estiver enfarado de tanta opinião sobre a ida de Lula a Davos pode pular este texto. Rafael Lemos dos Santos, 18 anos, pede a palavra para discordar de cientistas, políticos ou simples palpiteiros. Ele tem a seguinte opinião:

- Lula deve ir lá para dizer aos ricos que vai ajudar os meninos de rua do Brasil.

Rafael, menino de rua de Porto Alegre, é colega de Fórum de Noam Chomsky, Bernard Cassen, Emir Sader, Cândido Grzybowski e de todas as outras sumidades envolvidas na controvérsia da viagem de Lula. Ontem, depois da abertura oficial, ele e 10 adolescentes se reuniram na saída da PUC para contar moedas. Queriam pegar um ônibus e seguir adiante, até o Centro, de onde sairia a caminhada até o anfiteatro. É dura a vida de um participante do FSM, onde a utopia do guri converge com o apelo pela paz de iraquianos, americanos, israelenses, palestinos.

Ongs internacionais, ministros, intelectuais que só existiam até agora nos livros que circulam pela província sobem e descem as escadarias da PUC ao lado dos Rafaéis e seus parceiros do Movimento Nacional de Meninos de Rua (MNMMR). O sonho grandioso do cientista Chomsky, que vislumbra um recuo de Bush na decisão de atacar o Iraque, convive com o sonho miúdo dos habitantes das rua. Se forem lembrados em Davos, já está bom.

Não existe nada parecido ou com o porte do FSM no mundo hoje. Chomsky e Rafael têm seus espaços garantidos no Fórum, um nas grandes conferências, o outro, numa das 1,7 mil oficinas, e ali oferecem o que têm a dar. O FSM é amplo e acolhedor, mas rejeita os metidos a bacana. O secretário-executivo da Comissão de Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Francisco Whitaker, lembrava ontem que no ano passado o primeiro-ministro belga, Guy Verhofstadt, mandou dizer de Bruxelas que iria a Davos e depois viria a Porto Alegre.

O belga pediu vaga numa conferência, chegou a sugerir data e horário. Mandaram dizer que não viesse, não só por ser um neoliberal, mas pela prepotência de se achar tão importante a ponto de se autoconvidar e agendar a fala. No FSM de 100 mil participantes de 126 países e 5,5 mil ONGS, um vistoso Verhofstadt vale menos que um Rafael catando moedas.




De nada vai adiantar a lágrima que lhe derramei. Uma lágrima sozinha não chega a ser nem uma migalha de justiça. Pois é o reverso da medalha ou o feitiço virando-se contra o feiticeiro.

Paulo Sant'ana
24/01/2003


A doméstica de Alvorada

Adura e sacrificada lida das pessoas pobres!

Este caso que vou contar agora mostra como o rigor da lei se derruba sobre as pessoas humildes com extraordinário vigor, tornando-as perplexas.

Aconteceu agora aqui ao lado da Capital, em Alvorada. Uma mulher separou-se do seu marido, que lhe deixou três filhos pequenos.

Não sei se por livre vontade ou por imposição da Justiça, o ex-marido está pagando à ex-mulher a importãncia de R$ 300 mensais, a título de pensão alimentícia às três crianças.

São gente pobre, como se vê. A mulher não poderia sobreviver com estes R$ 300. Foi então empregar-se como doméstica.

Alguém tinha de ficar cuidando dos três filhos da empregada doméstica. Ela deixou então para este encargo a sua ex-sogra, mãe de seu ex-marido, avó das três criança.

Enquanto a avó cuidava dos netos, a mãe foi ser empregada doméstica.

Um belo dia a empregada doméstica recebe em casa uma intimação da Justiça do Trabalho, afim de responder a uma reclamatória, ajuizada por sua ex-sogra, que por cuidar dos netos se julgava empregada da ex-nora.

Resultado da ação: a Junta da Justiça do Trabalho, entendendo que há uma relação de emprego entre a avó e a mãe das crianças, condenou a empregada doméstica a anotar a carteira de trabalho da ex-sogra, a efetuar o pagamento de todas as parecelas devidas até aquele dia e a providenciar o recolhimento dos descontos previdenciários respectivos.

Por essa decisão, desaparece a figura clássica da avó que cuida dos netos para a mãe trabalhar.

Vira em pó, como por um milagre, aquele ditado: ''Ser avô corresponde a ser pai duas vezes". Ou aquele outro : ''Ser avô é ser pai com açúcar".

O desfecho deste caso na Justiça do Trabalho é fantástico. Porque se diz correntemente que a Justiça do Trabalho é contra os patrões.

Só que desta vez a sentença transformou-se em verdugo de uma empregada doméstica, a quem investiu da condição de patrão, de empregadora.

Uma avó cobrando na Justiça os cuidados que presta a seus netos! Sei lá em quanto importou a condenação, mas o valor deve ter ultrapassado os R$ 300 que o ex-marido pagava de pensão à mãe dos seus filhos.

Teríamos então que toda a pensão alimentícia que o ex-marido paga à ex-mulher, daqui por diante será destinada aos bolsos da mãe do ex-marido, a avó que cuida dos netos.

E a empregada doméstica fica a ver navios!

Evidentemente que eu não conheço os detalhes do processo, e a avó deve ter lá as suas razões para cobrar por seus serviços, que ela e a Justiça do Trabalho julgaram desligados do seu dever de parentesco, na linha vertical.

O que sei é que o primeiro dever de cuidar dos filhos é da mãe. Só em segundo plano vem o dever da avó de cuidar dos netos.

Mas a mãe não pôde cuidar dos seus filhos, teve de sair à luta para trabalhar.

E se a avó fica cuidando dos filhos do seu filho, passa ela a ter direito a uma remuneração?

A sentença é histórica. Porque transformou em empregadora uma empregada doméstica, o que é curiosíssimo.

E transformou em babá ou em empregada doméstica uma avó, por cuidar dos seus netos.

Este caso ainda vai dar muito o que falar nos círculos dos advogados e escritórios de advocacia trabalhista em nosso meio e em todo o país.

Mas eu não consigo conter - e por isso é que escrevi esta coluna - uma profunda misericórdia que senti por esta brava e sacrificada mãe que foi ser empregada doméstica para ajudar na sobrevivência de seus três filhos.

De nada vai adiantar a lágrima que lhe derramei. Uma lágrima sozinha não chega a ser nem uma migalha de justiça.

É que comove sempre a todos nós a sorte ingrata das pessoas humildes.

Que tempos duros os que vivemos! Não vai faltar a vez de mãe cobrar salário para cuidar dos seus filhos.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Pois é e quantos voces conhecem e eu também destes companhantes que estão ali, mas na verdade não estão. Que não teem mais ilusões. Que se resignaram com a platitude da existência. E sabendo que ela passa célere, voando e sem se dar conta ela acaba num acaso desses qualquer...

David Coimbra
24/01/2003


O acompanhante

O acompanhante de banho de sol. Quando você estiver na Orla e vir um, pare. Faça um momento de reflexão. Porque, na sua frente, estará um homem que conhece a vida. Que não tem mais ilusões. Que se resignou com a platitude da existência.

É fácil reconhecer um acompanhante de banho de sol. Você o encontrará sentado numa cadeirinha de plástico, o opaco dos olhos boiando no vaivém das ondas. Ao seu lado, deitada na canga, estará a mulher que ele acompanha. Ela toma banho de sol.

A rotina do acompanhante não varia muito. Quase sempre, é acordado pela mulher com o mesmo brado:

- Vamos à praia! À praia! Praia!

Não adianta argumentar que está com sono. A justificativa para o toque de despertar é que há sol, e ela PRECISA tomar banho de sol. O acompanhante se levanta, estremunhado, e, oh, Deus, lambuza-se de repugnante protetor solar. Em seguida, reúne as cadeirinhas dobráveis, o guarda-sol, uma sacola para o lixo, as raquetes de frescobol e o dinheiro para o milho cozido, equilibra tudo nos braços, calça os chinelos e vai. A mulher caminha à frente, cumprimenta as amigas. O acompanhante parece em condição humilhante, mas a verdade é que quase nunca chama a mulher de buana.

Na praia, o acompanhante tem a tarefa de plantar o guarda-sol na areia. Uma etapa delicada. Se por acaso o guarda-sol voar com o vento, o acompanhante enfrentará o olhar de desprezo da mulher, um olhar que cuspirá: "Que espécie de homem é esse que não sabe nem sequer colocar um guarda-sol? Garanto que aquele surfista ali sabe".

Finalmente encolhido na sua cadeirinha, o acompanhante passa a exercer sua principal atividade durante as horas seguintes: nada. O vento o impede de ler jornal e, se você estiver imaginando "pô, mas há mulheres seminuas ao redor, ele pode botar os olhos a pastar", você se engana. Caso ele faça isso, a mulher ralhará: "Você está olhando!" Logo, as alternativas do acompanhante são:

1. Olhar para aquele gordo ali adiante

2. Olhar para o vazio

Ele olha para o vazio. Passa horas olhando para o vazio, sentindo o cérebro atrofiar, enquanto a mulher, ao lado, assa lentamente. É assim que você o reconhecerá e o reverenciará. Quando ela enfim decide ir-se, o acompanhante recolhe as cadeiras, desmonta o guarda-sol, enfia o lixo no saquinho, empilha tudo nos ombros, salta sobre os chinelos e a segue de perto. A mulher ajeita o biquíni, veste a saída de praia que comprou ontem, vira-se:

- Estava divertido, não?

O acompanhante concorda e pensa que está prestes de chegar o melhor momento do dia, depois que ele sair do banho e puder relaxar, com uma cervejinha na mão. Mas ela anuncia:

- Mais tarde eu quero ir ao centro, comprar umas coisinhas...

O acompanhante suspira. Ele não tem ilusões. Ele conhece a vida.
david.coimbra@zerohora.com.br


Quinta-feira, Janeiro 23, 2003



Silvio Ávila/Folha Imagem

Manifestantes anti-globalização carregam globo na abertura do Fórum Social

Bom esta é uma das fotos das que estão no site UOL sobre o Forum Social Mundial que iniciou oficialmente nesta data aqui em Porto Alegre. Agora a noite era grande a movimentação para a chegada do Presidente que participa amanhã do Forum e que depois vai para Davos na SUIÇA. E a minha diretora estava festejando seu aniver com todo o povo do CCAA hoje ali na Vieira de Castro, 32. Parabéns minha diretora e amanhã nos encontramos outra vez.


Encontros em Porto Alegre e Davos colocam em debate os principais problemas do planeta

Davos e Porto Alegre A partir de hoje, Porto Alegre (RS) e Davos (Suíça) serão centros das discussões econômicas e sociais. O 3º Fórum Social Mundial (FSM), na capital gaúcha, deve receber 100 mil participantes, número que é duas vezes maior que o da edição de 2002 (50 mil) e cinco vezes maior que o da primeira edição, em 2001 (20 mil).





Jovens chegam ao acampamento em Porto Alegre para participar do Forum Social Mundial.

Concebido como uma resposta popular ao Fórum Econômico Mundial (reunião de líderes políticos e empresariais mundiais que se encontram anualmente em Davos, Suíça), o FSM deste ano também terá uma programação maior do que as edições anteriores. Os participantes assistirão a 1.714 atividades (no ano passado foram realizadas 800). Serão seminários, painéis, conferências e oficinas com expositores e debatedores representando quase 5 mil organizações de 121 países.

O Conselho Internacional do FSM definiu cinco eixos temáticos para o encontro deste ano: desenvolvimento democrático e sustentável; princípios e valores, direitos humanos, diversidade e igualdade; mídia, cultura e contra-hegemonia; poder político, sociedade civil e democracia; e ordem mundial democrática, combate a militarização e promoção da paz.

Na Suíça, as incertezas da economia, as ameaças do terrorismo e o risco de uma nova guerra no Iraque serão os itens principais no cardápio do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Os tópicos designados para discussão são: desafios corporativos; economia global; \"governança\" global; segurança e geopolítica; e confiança e valores.

O Fórum Mundial deverá reunir 30 chefes de governo e de Estado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também vai participar do encontro, depois de passar pelo Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, irá no fim de semana para Davos. O chefe da diplomacia americana, que sairá de Washington amanhã, fará um discurso no domingo.

Powell também pretende encontrar-se com diversas personalidades presentes em Davos, mas não há uma relação destes encontros. A presença de Powell em Davos acontecerá na véspera da apresentação, na segunda-feira, no Conselho de Segurança da ONU, de um informe dos chefes da missão de inspetores no Iraque, Hans Blix e Mahamed ElBaradei.

Linguagem

Movimento alternativista - É o movimento antiglobalização, que busca evitar domínio de uma cultura ou idioma e o fluxo desequilibrado de capitais.

Economia solidária - Modelos de produção em grupos ou comunidades, como o cooperativismo. Em linguagem popular: a união faz a força.

Governança econômica global - Política de redução das desigualdades apontadas entre os países, com a preocupação de tornar as situações mais justas.

Vigilância cidadã - Papel do cidadão de vigilante do poder público, não limitando a ação política à escolha de um candidato. Consciência da coisa pública: \"aquilo que não pertence a ninguém é de todos.\"

Mercantilização da educação - Educação entendida como um negócio, um produto comercial. Processo que se agravou no país a partir de 1968, quando o regime militar focou esforços no ensino secundário e relegou à iniciativa privada a criação de vagas de nível universitário.

Multilateralismo democrático - Liberdade de todos os países inserirem seus produtos no mercado mundial e atuarem em condições iguais nos organismos internacionais.

Democracia participativa - Pode ser definida como o uso de instrumentos de democracia que aproximam o poder público da sociedade em geral, promovendo gestões mais transparentes. Um exemplo é o orçamento participativo.




Dois países ali vizinhos França e Inglaterra e com torcidas totalmente opostas ao que o Presidente do Brasil possa fazer quando sair do Forum Social Mundial em Porto Alegre para Davos na Suiça. Até parece um pouco irônico, não.

Quarta-feira, 22/01/2003 - 23h09m
Franceses esperam que Lula brilhe em Davos. Ingleses ironizam

PARIS e LONDRES - Conta a mitologia do boxe que, sentado num canto do ringue, entre dois rounds, exausto pela troca de sopapos com George Foreman, Muhammad Ali escutou ao pé do ouvido um estímulo do seu treinador:

Se Foreman ganhar, ele, sua família e os amigos ganham. Se você perder, o mundo perde sussurrou o treinador.

Há um mundo que torce por Lula em Davos. Na França, este universo de simpatizantes projeta no presidente brasileiro a figura emblemática do boxeador que se serve de suas vitórias para dar ressonância a uma causa além das cordas. A imagem sai nos bulevares com os manifestantes antiglobalização da associação Attac, passa pelo gabinete do prefeito socialista de Paris e chega à mesa dos cafés, onde intelectuais de esquerda comemoram que idéias alvissareiras finalmente apoderaram-se dos tristes trópicos.

O Le Monde Diplomatique estampa na primeira página da edição deste mês um título de Copa do Mundo: Viva o Brasil!. O editorial informa que, pela primeira vez, o imenso Brasil (...) é governado, de forma democrática, por um líder da esquerda radical que rejeita a mundialização liberal. (...) É um evento de primeira grandeza.

Semana passada, o prefeito de Paris, o socialista Bertrand Delanoë, disse:

Alegro-me em saber que vamos encontrá-lo em Paris este mês.
O último encontro oficial do presidente Lula na Europa será no dia 28 de janeiro, com o presidente francês, Jacques Chirac.

Em Londres, a controvérsia sobre a ida de Lula ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, foi tratada de maneira irônica pelo jornal inglês Financial Times, que sugere que a viagem não fará mais do que aumentar a milhagem do presidente.

O jornal chama a tentativa de Lula de se equilibrar entre correntes opostas já que ele vai ao Fórum de Porto Alegre primeiro de dançar em duas festas. O FT diz que os ativistas antiglobalização não vêem com bons olhos chefes de Estado, mesmo de esquerda.

E conclui que, na pior das hipóteses, a viagem de Lula a Davos vai servir para o presidente juntar mais pontos no programa de milhagem, já que trocou o jato presidencial por um avião comercial.



Doce lar: Rosângela, uma das beneficiárias do programa,espera pela hora do sorteio, no final da tarde de hoje, para saber em qual apartamento irá morar
Foto(s): Flávio Neves, especial/ZH

Acho que com tudo isso ainda não explicaram para a Rosângela que ela não será a dona ou será somente depois que pagar os quinze anos de prestação que começa em 07 de março, pois o PAR não dá a propriedade ao sorteado no caso, mas somente a posse. Me parece que para a nossa linda pretendente ai da foto isso ainda não está muito claro. E os recursos estão ai para todas as prefeituras e governos interessados. Por que Pelotas e não Santa maria, Passo Fundo ou outra...?

Serviços
O sonho da casa própria chega para 160 famílias
Programa de Arrendamento Residencial, da CEF, sorteia apartamentos em condomínio recentemente concluído
FÁBIO SCHAFFNER/ Casa Zero Hora/Pelotas

A inauguração do primeiro condomínio do Programa de Arrendamento Residencial (PAR), da Caixa Econômica Federal (CEF), hoje, em Pelotas, credencia 160 famílias à conquista da casa própria. Os apartamentos do Residencial Guerreiro serão sorteados às 17h, na Associação Rural.

Todos os dias, rumo ao trabalho, a agente administrativa Rosângela Mendes passava em frente às obras do conjunto residencial, um dos seis do PAR em Pelotas. Do carro, comemorava:

- É aqui que eu vou morar.

Depois de três anos desembolsando R$ 300 mensais de aluguel, Rosângela está na iminência de morar na tão sonhada casa própria. Hoje, vai descobrir, durante o sorteio na Associação Rural de Pelotas, em qual dos 160 apartamentos do condomínio irá viver.

Uma das primeiras inscritas no programa, Rosângela vai reduzir as despesas com habitação, morar mais perto do emprego e aumentar o convívio com a família.

- Nem acredito que, em breve, estarei aqui, na minha casa. Parece um sonho - revela.

Pelotas é a segunda cidade do país em volume de recursos contraídos no PAR, ficando atrás somente do Rio de Janeiro. Em 2002, cerca de R$ 20 milhões foram investidos na construção dos seis condomínios. Outros 708 apartamentos estão em obras e devem ser concluídos até o fim do ano.

No Residencial Guerreiro, a entrega das chaves está prevista para o dia 7 de fevereiro. Os contemplados pagarão uma mensalidade de R$ 165 durante os próximos 15 anos, com vencimento da primeira prestação 30 dias após a posse.

Em caso de inadimplência por mais de 90 dias, a CEF retoma a propriedade do imóvel. Pelo contrato, o devedor não tem direito a ressarcimento das prestações pagas.

O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), Sérgio Passos, comemora a construção dos seis condomínios. Conforme Passos, o PAR injeta recursos, gera empregos e acelera a economia do município. O construtor afirma que 900 postos de trabalho - 130 novos - estão sendo ocupados nos canteiros de obras.

- Passamos de uma média anual de 150 mil metros quadrados construídos para 230 mil metros quadrados - calcula Passos.

Três novos condomínios serão construídos na cidade

Na escrivaninha do secretário municipal de Habitação e Cooperativismo, Paulo Ribeiro, repousam ainda três outros projetos a serem assinados. Em março, deve ser firmada a construção de 404 apartamentos, nos bairros Fragata, Areal e Porto. Com custo aproximado de R$ 22,4 mil, cada imóvel tem valor de mercado de R$ 32 mil.

Para facilitar a adesão do Sinduscon e das construtoras ao programa, a prefeitura está reduzindo as despesas das empresas em 13% do custo de cada imóvel, com benefícios fiscais e isenções de tarifas.

Os 41 metros quadrados de cada apartamento são distribuídos em dois quartos, banheiro, sala e cozinha. Os condomínios têm vigilância 24 horas, estacionamento, playground, salão de festas, creche e canchas de esporte. O sucesso da iniciativa já valeu à prefeitura o ingresso em outros dois programas de financiamento de imóveis da CEF. Um é voltado a famílias com renda mensal entre R$ 1,2 mil e R$ 2 mil. O outro é destinado a quem recebe até R$ 200 por mês e prevê a construção de 125 casas de 23 metros quadrados até o final do ano. Os recursos - R$ 4,5 mil por pessoa - são a fundo perdido.

- Estamos tentando reduzir um déficit habitacional estimado em 10,8 mil famílias - diz Ribeiro.

Como aderir ao PAR
Pelotas é a segunda cidade do país em volume de recursos captados para o Programa de Arrendamento Residencial (PAR). Hoje, será inaugurado o primeiro condomínio, com 160 apartamentos
- Mais de 5 mil famílias estão inscritas no PAR em Pelotas
- Cada família precisa ter renda mensal de três a seis salários mínimos (entre R$ 600 e R$ 1,2 mil)
- O interessado precisa comprovar pelo menos 80% da renda familiar. Os 20% restantes podem ser fruto de economia informal
- A distribuição dos 160 apartamentos será realizada hoje, por sorteio, entre os primeiros inscritos
- Os contratos serão assinados em 7 de fevereiro. Na ocasião, serão entregues as chaves às primeiras famílias contempladas
- Um mês depois, em 7 de março, vence a primeira prestação, no valor de R$ 165. A taxa de condomínio está sendo estimada em R$ 30 mensais
- A CEF permite um atraso de até 90 dias no pagamento das prestações. Caso esse período seja ultrapassado, o imóvel é retomado e o valor aplicado pelo comprador não será devolvido
- As inscrições ao PAR continuam abertas no saguão da prefeitura (Praça Coronel Pedro Osório, 101), de segundas a sextas- feiras, das 9h às 12h




Bom pelo menos em 2005 os nossos taxistas poderão exercitar melhor o seu inglês, pois que o Forum retorna a Porto Alegre. E para os mais aventureiros daqui a pouco dão uma esticadinha em Nova Délhi ali na India em 2004 e assim mantém a forma.

Reportagem Especial
Fórum Social deixa Porto Alegre em 2004

No ano em que o maior encontro da esquerda mundial dobra seu público, a comissão organizadora decidiu que o evento mudará de continente. O Fórum Social Mundial se despede de Porto Alegre depois de três edições e será realizado em Nova Délhi, na Índia.

Uma das justificativas do conselho internacional do Fórum para a mudança é a dificuldade de africanos e asiáticos viajarem a Porto Alegre. Outra explicação são as dificuldades de organizar e custear o evento, que a cada ano se torna maior.

Em 2005, o Fórum Social Mundial voltará à Capital do Rio Grande do Sul.




Em breve os homens estarão depilando até os pêlos pubianos, como fazem todas as mulheres que usam tanga ou biquíni.
E nesse ritmo os carecas se tornarão em apelos irresistíveis de sensualidade. Será, olha só quem imaginaria? Mas de toda a sorte é uma guerra que não meche com a cotação do dólar, que não afeta os preços da gasolina, portanto é uma guerra bem mais light que a outra a que estamos ameaçados.

Paulo Sant'ana
23/01/2003


Guerra aos pêlos

Aparentemente, os pêlos que crescem no nosso corpo são os da cabeça: o cabelo, o bigode, a barba, as sobrancelhas e os pêlos do meato externo do ouvido.

Os outros pêlos, todos abaixo do pescoço, não crescem, ficam sempre do mesmo tamanho. Os pêlos da minha axila, por exemplo, têm o mesmo comprimento de quando eu tinha 18 anos. Os pêlos pubianos também estacionam no tamanho, o mesmo com os pêlos dos braços e das pernas.

Mas alguém me advertiu que não é bem assim a coisa: todos os pêlos que cortamos ou raspamos crescem. Se os das axila não crescem infinitamente é porque nunca os cortamos.

Será mesmo assim?

Isso me veio ao raciocínio porque já é de uso antigo a depilação masculina: os homens há muito tempo depilam as sobrancelhas e a cavidade externa do ouvido.

Só que agora surgiu a moda do homem depilar todos os seus pêlos. Eu estava caminhando na Rua da Praia com um amigo, quando ele me disse: "Vou ter de te deixar, tenho hora marcada com a depiladora".

"Mas como, vais depilar o quê?", perguntei-lhe. E ele me disse que iria tirar, pelo método da cera quente, muito dolorido, os pêlos das pernas, dos braços, do peito, das costas e do abdome.

Cai duro para trás. Perguntei-lhe se não ia também depilar os pêlos pubianos, ele me disse que por enquanto não, mas quando a moda o exigisse ele o faria.

Foi-se portanto o tempo em que os homens desejavam ser cabeludos, dizia-se que se tornavam mais atraentes às mulheres. Circulava até uma anedota que eram vendidas perucas de peito.

É tudo uma questão de avanço dos costumes. Muitos homens desconhecem que ficam com má aparência quando não cortam os pêlos dos ouvidos. E passam a vida inteira com os ouvidos peludos.

O mesmo com as sobrancelhas. Mas se alguém os adverte para aquele mau aspecto dos ouvidos peludos ou da assimetria na linha ou altura das sobrancelhas, eles concordam em se depilar.

O que comanda é a aparência. Mas a vaidade comanda também. Estes homens que estão depilando as costas, as pernas, os braços e os peitos, fazem-no porque entendem que seus músculos ficam melhor definidos e as mulheres gostam disso.

Os tradicionalistas consideram a depilação masculina uma frescura, mas os modernos nem ligam para essa acusação, alegam que a depilação, pelo contrário, acentua-lhes a masculinidade.

Em breve os homens estarão depilando até os pêlos pubianos, como fazem todas as mulheres que usam tanga ou biquíni.

E nesse ritmo os carecas se tornarão em apelos irresistíveis de sensualidade.

Excetuadas as preferência exóticas, do campo do fetiche, a regra de senso estético comum é a de que os pelos têm de ser raspados, cortados ou aparados, caso do cabelo, da barba, dos ouvidos ou das sobrancelhas.

Só que agora estão cortando ou depilando também os pêlos dos membros inferiores e superiores, dos peitos e das costas. E até das axilas!

Uma revolução. Que vai acabar com o homem usando batom.

E o marco-limite dessa feminilização masculina está muito bem fixado na nossa lembrança, foi há uns quarenta anos: depois que o homem adotou a bolsa leva-tudo, não parou mais de desmunhecar.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Ora, a bandeira norte-americana, como a cubana, como a brasileira e como todas as outras, representa muito mais do que os governantes de plantão. Simboliza, acima de tudo, o sentimento de identificação e de amor de um grupo de indivíduos pela sua terra natal. Pena que hoje está chovendo torrencialmnte, mas fico com inveja quando antes de inciar minha aula, vejo este ônibus de dois andares, cheio de gringos passa com eles olhando com curiosidade para todos os lados. Também gostaria de estar ali e visitando não a minha cidade, mas outra em qualquer lugar deste mundo.


Nilson Souza
23/01/2003


Todas as bandeiras

Moro numa cidade que tem um ônibus de dois andares e que está transformada, por estes dias, na capital mundial das boas intenções. Enquanto metade da população porto-alegrense corre para o mar, como tartarugas recém-nascidas, visitantes das mais diversas tribos chegam para desfrutar do nosso calor - no sentido que se queira dar à palavra. É bonito ver a cidade assim, com tanta gente interessada na paz e na solução dos problemas sociais que afligem a humanidade. Sei que existe uma distância abissal entre a teoria e a prática, mas me conforta estar entre homens e mulheres que preferem o diálogo às armas.

Li outro dia que a maior delegação estrangeira neste festival de fóruns que aqui se realiza é a norte-americana. A informação me fez supor - ingenuamente, talvez - que dessa vez não haverá queima de bandeiras em praça pública. É a parte do espetáculo que me desagrada. Lembra-me o período da ditadura militar em nosso país, quando algumas pessoas rejeitavam os símbolos nacionais por considerá-los apenas a representação do autoritarismo vigente. Ora, a bandeira norte-americana, como a cubana, como a brasileira e como todas as outras, representa muito mais do que os governantes de plantão. Simboliza, acima de tudo, o sentimento de identificação e de amor de um grupo de indivíduos pela sua terra natal.

Não sou dos mais nacionalistas, até mesmo por acreditar que nossa pátria verdadeira é esse planeta maltratado. Queiramos ou não, somos todos irmãos, e nem o ódio, nem as fronteiras e muito menos as bandeiras nos livrarão do destino comum. Ainda assim, me emociono quando vejo o pavilhão nacional sendo hasteado ao som do hino que tão bem conhecemos. Acredito que todas as pessoas, de todas as nacionalidades, sentem algo semelhante quando confrontadas com seus respectivos símbolos. Não gostaria de ver uma bandeira do meu país sendo queimada.

Sabem por quê?

Porque moro numa cidade que tem um ônibus de dois andares - de onde os visitantes de todas as nacionalidades podem observar melhor a nossa felicidade por receber o mundo em nossa casa.
nilson.souza@zerohora.com.br




O truque de confundir interesse geopolítico nacional com imperativos morais também não é novidade, todos os impérios fizeram o mesmo. A questão é se é isso mesmo, se é pelo petróleo e até pode ser, mas sabemos também de que forma os iraquianos são governados hoje e isso também não é tolerável a meu ver. Ai chegar a ponto de guerra é uma distancia enorme, mas como o Veríssimo escreve, a história não demonstra que sempre foi exatamente assim.

Luis Fernando Verissimo
23/01/2003


A guerra de dois minutos

Ninguém pode acusar os americanos de não serem claros. Todas as razões práticas para atacar não a Arábia Saudita, mas o Afeganistão na represália ao 11/9, tolerar a Coréia do Norte mas insistir em invadir o Iraque e favorecer uma "mudança de regime" na Venezuela também, estão num estudo oficial publicado não faz muito sobre a necessidade de os Estados Unidos garantirem suas fontes de petróleo por qualquer meio, no ocaso da civilização do hidrocarbono. O estudo não estava em nenhum dossiê secreto, saiu nos jornais. E ninguém pode acusar o Bush de sutileza. Ele declarou num discurso recente que sua missão na Casa Branca era impedir que qualquer nação do mundo se igualasse à dele em poderio militar ou econômico. Também, pressupõe-se, por qualquer meio.

Tudo bem. Sobrevivência e prevalência eterna, nenhuma potência na história do mundo quis outra coisa, mesmo que não o dissesse tão abertamente, e o fato do país que consome, sozinho, mais de um quarto de toda a energia produzida no planeta fazer tudo por petróleo também não deveria surpreender. O truque de confundir interesse geopolítico nacional com imperativos morais também não é novidade, todos os impérios fizeram o mesmo. Já se disse no passado que quem não era pela colonização era pela barbárie, e quem denunciava a evangelização como disfarce da espoliação era contra Deus, como hoje se diz que quem é contra o bombardeio de civis é a favor de tiranos ou quem é contra Bush é a favor do terrorismo. Ou quem é contra o Eurico Miranda é contra o Vasco.

A novidade atual é este paradoxo: um poder imperial dedicado a nos convencer, com toneladas de bosta de touro, que seus estreitos interesses estratégicos são os de todo o mundo e ao mesmo tempo proclamando sem escrúpulo o seu desdém pela opinião do mundo. Bush é o mais sincero presidente americano desde Theodore Roosevelt, para quem os Estados Unidos também não precisavam de outra desculpa para a prepotência além da sua auto-evidente superioridade sobre o resto. Se for para a guerra pelo petróleo, Bush estará cumprindo com admirável transparência seus compromissos simultâneos com a hegemonia americana a qualquer custo e com a indústria de petróleo que ajudou a elegê-lo. Finalmente, um presidente que faz tudo o que se esperava dele.

Não é pequena a reação contra um ataque ao Iraque, dentro dos Estados Unidos. Ela inclui a ala menos bombástica do próprio partido Republicano. Se Saddam não der no pé antes, o melhor para Bush seria uma guerra de dois minutos. Se durar mais de dois minutos ele começa a ter problemas em casa.


Nada melhor que abraços depois da disputa acirrada e muias vêzes, com algumas inserções distorcidas.

Governo Estadual
Sorrisos e abraços no Palácio Piratini



Adversários do segundo turno ao governo do Estado, o secretário do governo Lula Tarso Genro e o governador Germano Rigotto se encontraram ontem (foto Nabor Goulart, divulgação/ZH)


Quarta-feira, Janeiro 22, 2003




Eu recebi muitas propostas de posar nua mas nunca aceitei porque não combina comigo. A gente passa a vida inteira tentando construir uma imagem e não dá para colocar tudo a perder. Concordo com a ex miss Deise Nunes. E outra é fumar constantemente, como se isso resolvesse todas as situações. Não assisto, até porque meu tempo esta curto neste mês ainda, mas pelo que leio ela poderia se valorizar efetivamente um pouco mais e não ser assim tão espontanea, tomando banho sem a parte de cima da roupa. Bom deixa para lá...


Televisão
Até onde a miss pode ir?
Comportamento da gaúcha Josiane de Oliveira, Miss Brasil 2002, no BBB3 causa polêmica
PAOLA DEODORO

Não ter filhos, ser solteira e nunca ter posado nua são algumas das exigências do regulamento do concurso Miss Brasil. Mas na lista dos pré-requisitos não consta nada sobre participar de programas de televisão ou expor a sua rotina ao vivo. Mesmo assim, o dia-a-dia da atual soberana, a gaúcha Josiane de Oliveira, 21 anos, na terceira edição do Big Brother Brasil, está causando polêmica.

Os comentários não nasceram apenas porque a miss, como todos os outros 13 participantes do programa, almoça e escova os dentes em rede nacional. A imagem de Josiane está comprometida por conta de um iminente relacionamento com o motoqueiro sul-mato-grossense Dilson, apelidado de Mad Max, o tipo mais cheio de músculos da casa. As investidas do fortão contra a miss resultaram, em menos de uma semana de confinamento, em horas de conversas ao pé do ouvido, promessas de carícias quentes e alguns beijos roubados, até que a própria Josiane resolveu tirar a prova e tascar um beijo no motoqueiro na madrugada de sábado.

O prato é cheio para alavancar a audiência do programa, já que o público adora um romance - como os dos casais Vanessa e Serginho, na primeira versão do programa, Thyrso e Manuela ou Tarciana e Jéferson, no BBB2. Mas ainda há quem se preocupe com a reputação da modelo, que leva o honroso título de mulher mais bela do país. Mesmo que o romance não prossiga, a modelo pode acabar expondo a sua rotina um pouco além da medida, de um jeito ou de outro.

"Josiane já cumpriu 90% das obrigações como Miss Brasil"

Foi o que aconteceu na última segunda-feira, quando Josiane tomou banho sem a parte de cima do biquíni.

Boanerges Gaeta Júnior, diretor do concurso Miss Brasil, alerta que atitudes como essa podem acarretar em algum tipo de penalidade:

- Eu não vi a cena do banho e não posso dizer o que vai acontecer com a Josiane. O que eu posso afirmar é que as restrições do regulamento (nunca ter sido fotografada ou filmada totalmente despida ou em parte que se desnudem) são para participar do concurso.

Depois de eleita, a carreira da miss é gerenciada pela comissão do concurso e as situações são estudadas isoladamente.

- Agora, Josiane já cumpriu 90% das obrigações como miss. Só lhe resta entregar a faixa em abril. Por isso, eu acredito que ela não vá perder o título, mas não está livre de sofrer alguma punição - explica o diretor.

Saiba mais
JOSIANE: "Quando entrei aqui estava com uma pessoa. Estamos juntos há seis anos, um relacionamento de altos e baixos. Você é maravilhoso, tem um coração enorme. Tudo o que me disse foi muito chocante e gostei muito. Não me arrependo do beijo, mas eu estou preocupada com a pessoa que está lá fora."
DILSON: "Sei que você beijou uma boca que não ama. Para homem é muito mais fácil fazer este tipo de coisa. Ele sente atração e beija. Quando te vi no hotel, foi um lance muito louco. Senti que me deu uma abertura, e chegou um ponto em que não pude mais agüentar. Você é um demônio, enlouquece, é fogo. Sou muito homem, e esse lance me pegou de jeito. Você não me magoou, gosto de você, porque tem todas as formas que a mulher devia ter. Você é linda, me deixa fora de controle."
JOSIANE: "Quando eu entro num relacionamento, entro de cabeça. Não consigo ficar fazendo carinho em você e ficar com medo de como você vai interpretar, sabe? Naquele dia em que você me beijou e eu me esquivei, devia ter ficado por ali. Não foi legal eu ter entrado no quarto e te beijado. Eu amo muito a pessoa que deixei lá fora, é com quem quero casar e construir uma família."

Deise Nunes, Miss Brasil 1986
Eu não tenho nada contra a Josiane namorar na televisão. Também não sei qual a situação dela aqui fora, se ela tem algum outro relacionamento. O que eu acho é que ela deve se preservar, não só por ser miss, mas porque ela é mulher e deve se respeitar. De alguma maneira o público cria uma expectativa sobre o comportamento de uma miss, principalmente porque ela é a atual Miss Brasil. Eu recebi muitas propostas de posar nua mas nunca aceitei porque não combina comigo. A gente passa a vida inteira tentando construir uma imagem e não dá para colocar tudo a perder.

Evandro Hazzi, missólogo
Eu acompanho o programa praticamente 24 horas por dia e acho que a Josiane está bem tranqüila, agindo naturalmente. A história com o Dilson até pode dar certo porque ele é o tipo de homem que ela gosta e é superenvolvente com as palavras. Quanto ao concurso, ela já está liberada para fazer o que quiser. Pode até posar para uma revista masculina. Afinal de contas, está prestes a entregar a faixa. Tem gente que me liga reclamando que ela fuma o tempo todo, mas a maioria das misses fuma. Ela tem planos de trabalhar na TV e tem que aproveitar as oportunidades.




É muito cedo para saber meu nobre Paulo San'Ana de suas interrogações e questionamentos. Mas não deixa de ter razão, quantos cidadões brasileiros estão ai no limiar de suas aposentadorias e preocupados com a mudança das regras. Aliás que é comum por aqui. A única certeza da permanência é das mudanças.

Paulo Sant'ana
22/01/2003


Reformas no escuro

Por enquanto é só expectativa, além de ansiedade: não se sabe ainda qual é o perfil do governo de Lula.

A única intenção definida do governo até agora é o combate à fome. Anuncia-se para dia 30, em Brasília, o lançamento do programa Fome Zero.

A palavra fome contém um ingrediente mágico: ninguém discorda de medidas contra a fome, há um respeito oculto mas bem pronunciado entre as pessoas pelos famintos.

Principalmente entre os que se alimentam, lhes é bem clara a idéia de como seriam suas vidas se não tivessem o que comer. Então, todos os brasileiros apóiam o Fome Zero. A esse respeito não há divergência.

No mais, quando se instalam as contradições, não se sabe qual é a condução que Lula dará para o problema da Previdência. Foi lançado um bode na sala pelos ministros, semeou-se a intranqüilidade entre os funcionários públicos, mas há a mais absoluta indefinição quanto aos rumos que tomarão as transformações.

Não se sabe, por exemplo, como será a forma de um dos pressupostos básicos da reforma previdenciária: os tais planos de previdência privada a que os funcionários públicos terão de aderir, se quiserem ganhar além do teto que será imposto a todos.

Quantos fundos de previdência privada faliram no Brasil nos últimos 30 anos? Alguém estará assegurado que irá durante toda a vida contribuir para um plano de aposentadoria privada e, quando aposentar-se, receberá os seus proventos?

O Estado garantirá aos contribuintes dos planos de aposentadoria privada que eles receberão os proventos em caso de falência do fundo para o qual contribuírem, assumindo os cofres públicos esse risco?

Quem já está aposentado não terá diminuídos os seus ganhos? Os atuais funcionários públicos, se for promulgada a reforma previdenciária, já terão suas vidas funcionais reguladas pelas transformações? Ou só valerão as modificações para aqueles que ingressarem no serviço público depois da nova lei?

A nova lei valerá para todos? Ou haverá carreiras típicas de Estado que ficarão de fora das desvantagens que são anunciadas debaixo de um clima que aos poucos vai se tornando de terror, não só porque se possa imaginar que o venha a ser como também pela voltagem das apreensões que aparecem nos e-mails que recebo, somados às movimentações nervosas das categorias que já se lançaram à pressão sobre os canais governamentais mais característicos de envolvimento com a questão?

Ninguém sabe nada. Esta reforma da Previdência, aliada à reforma tributária, que ontem o governo de Lula assegurou que acontecerá também neste ano de 2003, as duas pretendem mexer com estruturas seculares.

Será possível fazer duas reformas que atingirão e reduzirão direitos que remontam há várias gerações?

E qual será, afinal, a direção de pensamento do governo a respeito de tais reformas.

Ninguém sabe e todo mundo se confunde. Olhem aí o caso da reforma tributária. Ainda anteontem o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, descartou qualquer possibilidade de correção na tabela do imposto de renda, declarando que o governo não pode abrir mão de nenhum centavo.

Corrigir a tabela do imposto de renda significa atualizar os valores de referência sobre as quais incidem as alíquotas do tributo. Como existe inflação e os preços subiram, o poder de compra dos salários não aumentou, mas o valor do imposto que é descontado pelo contribuinte cresce de qualquer maneira.

Por justiça, tem de haver a correção. Mas o ministro da Fazenda não quer a correção, defende o erário. Só que, nos últimos anos, as bancadas do PT no Senado e na Câmara Federal bradaram por esta correção, lutaram para que os contribuintes fossem justamente aquinhoados com essa correção.

Lula concordará que o PT seja a favor e o governo contra uma correção que beneficie com justiça os orçamentos da classe média, que contribuiu decisivamente para sua eleição?

Ninguém sabe. Há uma perplexidade geral. E qual será a extensão da reforma tributária? Ela vai aumentar o imposto de renda sobre as pessoas físicas? Ou o das pessoas jurídicas?

E como deverão ser profundas as reformas, não ficando ninguém que contribui de fora delas, o Fernando Henrique, com toda a força da sua reeleição, não conseguiu tocar num milímetro delas. O Lula protagonizará esta façanha?

Ninguém sabe, mas muita gente teme. E teme mais por não saber.

Os próximos meses serão de maiores esclarecimentos. E de maiores ainda embates e esperneios.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




As coisas quase nunca saem como a gente planejou, há sempre o elemento surpresa, que desencaminha nossos sonhos. É preciso ter muito pulmão para respirar fundo e muita cabeça fria para não botar tudo a perder. Por isso que aqueles que teem um pouquinho mais de experiência, evidentemente depois de cair e levantar diversas vêzes, acabam tendo um pouco mais de paciência e persevernça. Muitos dos nossos problemas por si só se resolvem.


Martha Medeiros
22/01/2003


Resistência à frustração

Quando eu era pequena, fazia uma brincadeira na piscina que até hoje as crianças fazem: tapar o nariz e a boca e ficar embaixo d´agua, contando os segundos pra ver quem consegue ficar mais tempo sem respirar. É bem verdade que a gente não precisa de uma piscina pra fazer este teste, pode fazer neste mesmo instante, aonde quer que esteja, mas éramos crianças, éramos imaginativos, éramos mergulhadores em alto-mar.

Testar nossa resistência é uma maneira de avaliar o quanto estamos preparados para as adversidades. Serão poucas as vezes na vida que teremos que passar um tempo sem respirar, oxalá nenhuma. Mas serão muitas as vezes em que teremos que testar nossa resistência à frustração.

Um...dois...três...quatro.... serão mais do que segundos, mais do que minutos ou horas trancando a respiração, lutando para não explodir. Algumas frustrações levam dias ou meses para serem elaboradas dentro de nós. As coisas quase nunca saem como a gente planejou, há sempre o elemento surpresa, que desencaminha nossos sonhos. É preciso ter muito pulmão para respirar fundo e muita cabeça fria para não botar tudo a perder.

A gente manda um e-mail amoroso e extenso e recebe uma resposta fria e lacônica. A gente arma uma festa na nossa casa e só aparecem três gatos pingados. A gente combina de ir para a praia no feriadão e pinta, de última hora, um plantão no trabalho. A gente economiza anos para comprar um carro e quando está com o dinheiro na mão, tem que emprestá-lo para alguém que ficou repentinamente doente na família. E as frustrações de amor? Uma atrás da outra. Parece que ninguém reage como a gente espera. Todos uns desmancha-prazeres.

Os que não têm muita resistência saem atropelando, cortando relações, dramatizando o que nem é tão dramático assim. Depois mergulham em longas depressões e custam a voltar à tona. Já os mais resistentes sabem que nada é tão sério nesta vida, a não ser ela própria, a vida, e tratam de aproveitá-la com mais serenidade e paciência. Contam até três, até dez, até vinte, e basta de autoflagelação: voltam a respirar.
martha.medeiros@zerohora.com.br


Litoral
Trancinhas ao sol



Mudar o visual usando um cabelo cheio de tranças é a nova moda deste ano entre os adolescentes que passam o verão no litoral gaúcho (foto Tadeu Vilani/ZH)


Terça-feira, Janeiro 21, 2003




Continuo estudando no meu intensivo, mas duas dezenas de dias já foram deste janeiro. Assim tenho mais 10 dias pela frente, que ainda serão um sufoco. Isso passará muito depressa. Hoje encontrei meu amigo Brasil, que continua em Brasília. Estava no Forum Mundial do Judiciário, que contou com a participação da CAIXA. Nossa é tanto Forum: Forum Mundial da Educação. Forum Mundial Social que acabamos nos perdendo e achando que tudo é Forum Social.

Os amigos

São tão amigos, que voltam.
São tão fraternos, que se unem.
São tão simples, que cativam.
São tão desprendidos, que doam.
São tão dignos, que amam,
compreendem e perdoam.

Os amigos
São tão necessários,
que sempre se fazem presentes.
São tão grandes, que se distinguem.
São tão dedicados, que edificam.
São tão preciosos, que se conservam.
São tão irmãos, que partilham.
São tão sábios, que ouvem,
iluminam e calam.

Os amigos
São tão raros, que se consagram.
São tão frágeis, que fortalecem.
São tão importantes, que não se esquecem.
São tão fortes, que protegem.
São tão presentes, que participam.
São tão sagrados, que se perenizam.
São tão santos, que rezam.
São tão solidários, que esquecem de si mesmos.
São tão felizes, que fazem a festa.

Os amigos
São tão responsáveis,
que vivem na verdade.
São tão livres, que crêem.
São tão fiéis, que esperam.
São tão unidos, que prosperam.
São tão amigos, que doam a vida.
São tão amigos, que se ETERNIZAM...

desconheço o/a autor(a)




Está ai também no Correio do Povo a noticia que a Zero Hora publicou logo abaixo com os dados sobre o banco.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA, 21 DE JANEIRO DE 2003


Palocci anuncia engenheiro no BB
Cássio Casseb Lima, paulista, 48 anos, ligado a Meirelles, diz que vai incentivar pequenas empresas


Palocci (E) apresenta Casseb, que tem boa experiência no mercado



Brasília - O novo presidente do Banco do Brasil (BB), Cássio Casseb Lima, anunciou o incentivo às micros e pequenas empresas, 'com responsabilidade de crédito e preocupação com o retorno dos acionistas', como meta da gestão iniciada nesta segunda-feira. Ele foi anunciado para o cargo ontem pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, depois de mais de duas semanas de negociações. Segundo Casseb, as micros e pequenas empresas são o melhor canal para o processo de geração de emprego defendido pelo governo.

O engenheiro paulista, de 48 anos, não é filiado ao Partido dos Trabalhadores, mas prestou serviço à Prefeitura de São Paulo e é ligado ao atual presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que o selecionou para atuar no BankBoston quando ainda estava na escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Casseb trabalha no mercado financeiro desde 1976, com passagem também pelos bancos Francês e Brasileiro, Mantrust SRL e Citibank, onde ocupou a vice-presidência financeira, além de ter presidido a Credicard Administradora e Cartões de Crédito. Ele destacou o perfil do BB como maior banco da América Latina, que opera com 3.300 agências, 9 mil pontos de atendimento, 80 mil funcionários e 15 milhões de contas.

Outras medidas citadas por Casseb é a venda de parte das ações do banco que excedem ao controle da União e a emissão de papéis da instituição no mercado internacional. Destacou, porém, que as ações devem ser implementadas 'no momento certo'. Casseb frisou que a taxa de câmbio atual já é um incentivo à exportação, adiantando que o BB poderá auxiliar as empresas, sem detalhar de que maneira isso seria feito.

O novo dirigente do BB participou, juntamente com o ministro Palocci, da escolha dos outros sete vice-presidentes do banco, que foram anunciados nesta segunda-feira. Edson Machado Monteiro, da BrasilCap, assumiu a área de varejo e José Luiz de Cerqueira César, diretor da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a de tecnologia e infra-estrutura. O vice-presidente de crédito e gestão de pessoas é Luiz Oswaldo Sant'Iago Moreira de Souza, que presidiu o Conselho Fiscal da Fundação Banco do Brasil em 2000. Luiz Eduardo Franco de Abreu, membro do Conselho Fiscal da Itausa, comandará a área de finanças e mercados de capitais da instituição. Adézio de Almeida Lima, gerente-executivo da diretoria comercial do banco, irá dirigir o setor de controle e relações com investidores. O ministro da Fazenda decidiu manter nos cargos os atuais diretores de negócios internacionais e de atacado, Rossano Maranhão Pinto, e de agronegócios e governo, Ricardo Conceição.




Bom até que enfim, foi escolhido o nome que estava faltando e o mercado aceitou bem, apesar de outras componentes estarem fazendo o dólar subir e a bolsa cair. Mas agora é trabalhar para que o Banco número 1 cumpra o seu papel e seus objetivos. Se no BB apenas dois Vices estãosendomantidos, na CAIXA o que preve-se é que apenas um permaneça: o da Contraladoria.

Conjuntura
Novo presidente do BB apóia venda de ações
Ministro da Fazenda nomeia Cássio Casseb Lima para dirigir o maior banco de varejo da América Latina

Depois de mais de duas semanas de negociações, o último cargo do primeiro escalão do governo Lula que faltava ser preenchido foi finalmente anunciado ontem.

O substituto do presidente do Banco do Brasil (BB), Eduardo Guimarães, será o engenheiro Cássio Casseb Lima, que já foi presidente da Credicard, diretor do Citibank e do Crédit Lyonnais. A data da posse ainda não foi marcada.

O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que fez o anúncio, também divulgou a nova diretoria da instituição. Manteve dois vice-presidentes e nomeou os ocupantes dos demais cargos (veja o quadro).

A nomeação de Casseb foi articulada pelo secretário de Finanças da prefeitura de São Paulo, João Sayad. Os dois são muito próximos. Casseb atuava ultimamente como consultor informal de finanças da prefeitura paulistana.

Foi o principal executivo do banco Mantrust SRL, fundado nos anos 90 por Sayad e por Henri Phillippe Reichstul, ex-presidente da Petrobras. Começou a carreira sob as ordens do atual presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, no BankBoston. Apesar dessas ligações, o executivo afirmou não ser vinculado a partidos políticos.

Casseb prometeu incentivar as micro e pequenas empresas para que criem empregos e contribuam para o desenvolvimento econômico do país. Paulista de 47 anos, também defendeu a venda de parte das ações do BB em poder do governo, sem perda do controle da União. A operação foi abortada no fim do governo Fernando Henrique. A venda só sairá no momento certo, afirmou. Palocci comentou que pedira a Casseb uma avaliação dessa medida.

Casseb afirma que uso político de recursos do banco é coisa do passado

Segundo Casseb, como maior banco da América Latina e com enorme penetração no território nacional, o BB deve dar grande contribuição ao governo no processo de crescimento do país. Ele lembrou que o banco destaca-se no fomento creditício a micro, pequenas e médias empresas, no setor agrícola e na exportação.

Casseb afirmou que o uso político dos recursos da instituição é coisa do passado. Ressaltou que não vê incompatibilidade entre as ações do banco de suporte às políticas do governo e o papel de instituição financeira que deve dar lucro aos acionistas:

O banco é uma empresa de capital aberto que precisa ser administrada com consciência e responsabilidade, visando retorno para o acionista.


Saiba mais
Dados sobre o Banco do Brasil e o novo presidente da instituição:


O PERFIL
Nome: Cássio Casseb Lima
Idade: 47 anos
Formação: Engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP)
Experiência:
Diretor do Crédit Lyonnais no Brasil (Banco Francês e Brasileiro)
Consultor financeiro da Votorantim
Diretor do Citibank - sua função incluía relacionamento com o governo brasileiro
Presidente da Credicard SA
Membro do conselho de administração da Tele Centro Sul

O PODER
O BB é a maior instituição de varejo da América Latina, com 9,2 mil pontos de atendimento.
O orçamento previsto para 2003 é de R$ 43,2 bilhões. Somente para a safra 2002/2003, o BB terá neste ano orçamento de R$ 13,8 bilhões.
O banco também é o principal agente financeiro para pequenos e médios exportadores, movimentando média de R$ 1 bilhão por mês.
O BB também patrocina o maior fundo de pensão da América Latina, a Previ, montada em patrimônio de R$ 38 bilhões.
Clientes: 15 milhões
Agências: 3.140
Ativos*: R$ 213,91 bilhões
Carteira de crédito*: R$ 63 bilhões
Lucro em 2002 até o terceiro trimestre*: R$ 1,428 bilhão
Dados do balanço do terceiro trimestre de 2002

OS CARGOS
A nova diretoria do BB fica assim:
Finanças: Luiz Eduardo Franco de Abreu (ex-Itaúsa e BRB)
Área de varejo: Edson Machado (ex-BB Capitalização)
Negócios internacionais e atacado: Rossano Maranhão Pinto
Agronegócios e governo: Ricardo Conceição
Tecnologia: José Luiz Cerqueira César (ex-Bolsa de Mercadorias & Futuros)
Crédito e gestão de pessoas: Luiz Oswaldo Santiago Moreira de Souza (ex-Previ e Fundação BB)
Relações com investidores: Adézio de Almeida Lima (atual gerente-executivo da diretoria comercial do BB)
Obs.: da antiga diretoria, apenas os vice-presidentes Rossano Maranhão Pinto e Ricardo Conceição estão sendo mantidos.

HISTÓRICO
O BB foi criado em 1808 por D. João VI. Na época, a sede da Coroa se transferiu de Portugal para o Rio.
Principal instituição financeira no país a oferecer crédito agrícola, iniciou atividades nessa área em 1888, época de recrutamento de imigrantes europeus para assentamentos em lavouras de café, então sob impacto da libertação da mão-de-obra escrava.
O crédito rural especializado e o começo do fomento da nascente atividade industrial se deu em 1937, a partir da criação da Carteira de Crédito Agrícola e Industrial.
O BB passou a ter maior participação no Exterior de 1967 em diante. Foram inauguradas agências e escritórios na América Latina e nos Estados Unidos.
Em 1986, o governo federal extinguiu a Conta Movimento mantida pelo Banco Central, que assegurava ao BB suprimento automático de recursos para operações permitidas aos demais intermediários financeiros. Em contrapartida, o banco é autorizado a atuar em todos os segmentos de mercado - começa a transformação em conglomerado financeiro.
No início do Plano Real, a instituição decide lançar um programa de desligamento voluntário. Saem 13.338 funcionários em 1995.
No ano seguinte, o Tesouro Nacional injeta R$ 8 bilhões no banco. O prejuízo em 1996 chegou a R$ 7,6 bilhões em razão de empréstimos de difícil retorno - ou seja, crédito dado por influência política, sem critérios técnicos.
A partir de então, a direção do banco buscou ampliar receitas, conter despesas e reajustou a estrutura administrativa e operacional. O BB voltou a apresentar lucro e, desde 2001, atua como banco múltiplo.




Para quem gosta de narrativas ai está a dica do Fischer são duas narrativas em que o velho e bom Francis escrito está em seu apogeu: o máximo de fúria contra o provincianismo mental, vazado em sua melhor frase, a serviço do exame profundo e impiedoso da cultura brasileira.

Luís Augusto Fischer
21/01/2003


Francis de volta

Dia 5 de fevereiro fechamos seis anos da morte de Paulo Francis. Muito tempo, pela régua da Novidade a Qualquer Custo, que rege nossa miserável vida diária; pouco tempo, pela régua da Cultura, que marca suas etapas em gerações e séculos. Há seis anos o Brasil intelectual perdeu uma figura aguda, inquieta, perturbadora.

Quem lembra apenas sua cara imensa e deselegante na telinha perde muito. Quem o conhece por escrito, do Pasquim antigo, de livros, da Folha de S. Paulo e do Estadão, sabe do mais substantivo: a frase instigante e cortante, entremeada de mil alusões intelectuais que ele nunca explicava e citações em língua estrangeira que ele não traduzia (porque considerava que o leitor bem que podia fazer o esforço de ir à enciclopédia e ao dicionário para sanar as dúvidas). Sabe da inteligência nervosa, capaz do insight e da iluminação, ainda quando incorreta politicamente ou equivocada esteticamente. De minha parte, posso afirmar que aprendi a pontuar lendo-o, e que desenvolvi minhas poucas habilidades de leitor e de crítico por causa de (e muitas vezes contra) suas observações.

Agora, uma nova editora, W11 (selo Francis, chique paca), acaba de repor na praça seus dois romances (há também duas novelas, que devem sair em seguida). São eles Cabeça de Papel e Cabeça de Negro, editados originalmente nos últimos anos de 70 (a reedição, além de haver deixado passar muitos erros de revisão, não teve a delicadeza de informar a data exata das primeiras edições, o que é ruim para o futuro). São duas narrativas em que o velho e bom Francis escrito está em seu apogeu: o máximo de fúria contra o provincianismo mental, vazado em sua melhor frase, a serviço do exame profundo e impiedoso da cultura brasileira.

O leitor iniciante em Francis talvez se choque um pouco com o ritmo agitado com que o narrador alinha fatos e comentários, num romance de idéias. E é provável que estranhe o tom agressivo dos personagens, sempre empenhados em externar opiniões arrasadoras. Mas será compensado: para além do festival de misantropia, mau humor e desgosto para com o Brasil real, lerá uma radical indagação sobre a derrocada do velho Rio pré-Brasília, sobre o destino do Brasil de 64 a 79 (os livros examinam economia e política, jornalismo e cultura na Ditadura Militar), sobre as alternativas no contexto da Guerra Fria, sobre o mundo de que somos contemporâneos, saibamos ou não. Francis sabia, e dizia com gana e qualidade tudo o que pensava.
fischer@zerohora.com.br




Se esta moda pega,ao longo dos quatro anos de governo teremos uma legião de barbudos que segundo os barbeiros é altamente atrativo, vez que eles terão mais clientes em seus estabelecimentos. Mas se seguir o preceito de que cada fio tem de crescer e atingir o comprimento que Deus lhe destinou, não vai ter é cliente. E ainda mais porque embora a barba cresça para baixo, ela é um símbolo de elevação espiritual.

Moacyr Scliar
21/01/2003


Está na cara

Qual a diferença mais evidente entre os membros do governo federal e os do estadual? Está na cara: a proporção de barbas e bigodes é muito maior nas faces de Brasília. O que parece ser uma tendência: tão logo entrou na equipe governamental, Ciro Gomes passou a exibir uma barba (verdade que meio rala, mas enfim). Pergunta: será que isto tem a ver com ideologia? O governo de Fidel Castro era um governo de barbudos - lembrança da fase de guerrilha, quando não tinham tempo para se barbear. Mas naquela época, Fidel ainda não era de esquerda. E também não era uma tendência: de Marx a Lenin, a Stalin, a Mao, a quantidade de pelos no rosto foi diminuindo.

Na verdade, barba é coisa que vem de mais longe. Jesus usava barba, os patriarcas bíblicos também, e até hoje, no Oriente Médio, os crentes de qualquer religião são barbudos (e Deus também, a julgar pelos quadros dos pintores famosos). Porque a barba aí é simbólica. Uma face escanhoada mostra falta de pudor: é uma epécie de nudez, tanto para homens como para mulheres. Por isso, as mulheres cobrem o rosto, coisa que os beduínos também fazem. A barba é, pois, exigência da tradição.

As barbas modernas são um pouco diferentes. Uma foto tirada no dia da posse mostrava Lula na cadeira de um barbeiro, coisa que um patriarca do Oriente Médio rejeitaria, indignado. A barba não pode ser aparada. Cada fio tem de crescer e atingir o comprimento que Deus lhe destinou. Porque embora a barba cresça para baixo, ela é um símbolo de elevação espiritual.

A barba moderna não chega a tanto, mas ainda representa um elemento de anticonformismo. Derrotado por Bush nas eleições americanas, Al Gore deixou crescer uma barba, talvez para demonstrar o seu protesto.

Protesto e anticonformismo são coisas saudáveis. O problema é que governo tem de governar. Daqui a pouco alguém estará dizendo que os preços sobem nas barbas do governo. O que não é bom nem para o governo, nem para as barbas. scliar@zerohora.com.br




Essa garota é assexuada, gélida, vegetariana e filatelista - pensei. Essa garota vai morrer virgem, intocada, apagando-se lentamente feito uma vela. Essa garota desconhece todos os prazeres, nunca experimentou um cálice de sherry, salta as partes que julga apimentadas de Vanity Fair. Ledo engano não é meu nobre Liberato, e quantas vezes nos enganamos com as aparencias, fazendo pré-julgamentos e formando conceitos antes mesmo de conversar e saber o que há no interior da pessoas.

Liberato Vieira da Cunha
21/01/2003


Túnel do tempo

O túnel do tempo às vezes se abre bem a tua frente, se escolheres o lugar certo em, digamos, Londres. Por volta das sete da tarde entrou no pub uma garota vestida à moda dos mil e oitocentos. As pessoas ali usavam jeans. A garota no entanto exibia um longo preto, luvas, sapatos de cano e cadarço e o ar indisfarçável de quem tinha escapado de um romance de Jane Austen.

Pediu um Tender Leaf, puxou da bolsa um volume encadernado, convocou uns óculos dourados que ela segurava como se fossem um pince-nez e imergiu na leitura. Sua pele alvíssima remetia a infinitos dias de chuva em lugares tipo Leinster Square e notei, fascinado, que portava uma sombrinha de seda gris austeramente engatilhada.

É uma garota evadida do passado - refleti. Com gestos delicados ela sorvia o chá, beliscava um cracker, suspirava. Imaginei um cocheiro de libré à sua espera lá fora, num phaeton, pronto a devolvê-la a uma mansão vitoriana, onde empregava seus lazeres entre o Steinway, poemas de Tennyson, telas de Alma Tadema, a Bíblia, jantares silentes com o tio visconde e padecente da gota.

Essa garota é assexuada, gélida, vegetariana e filatelista - pensei. Essa garota vai morrer virgem, intocada, apagando-se lentamente feito uma vela. Essa garota desconhece todos os prazeres, nunca experimentou um cálice de sherry, salta as partes que julga apimentadas de Vanity Fair.

Eu já a imaginava também sócia-atleta de um clube de bordado, professora de escola dominical, para sempre donzela, casta, angelical, ingênua, quando percebi que seu olhar se iluminava. Surgido de não sei onde, aproximou-se um sujeito enorme, que a beijou na boca, enquanto ela deixava cair, encantada, livro, óculos, xícara e pose. O cara tinha a musculatura de um gorila adulto, mais tatuagens do que a Pedra de Roseta e uma floresta de piercings que lhe descia das orelhas ao calcanhar. Ele acariciou o corpo da garota de uma forma tão explícita que escandalizou o garçom e tornou a beijá-la com o apetite de um motor de sucção. Ela se colava a ele, deliciada e cúmplice e amante.

É esse o problema com o túnel do tempo. Sempre desemboca na novela das oito.
liberato.vieira@zerohora.com.br