Voces encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Comentários de Livros, revistas e de jornais que já li e que por julgá-los interessantes postarei aqui, espero, todos os dias para que você sempre tenha algo que lhe facilite no seu dia a dia ou nas suas atividades. Se ele cumprir parte desses objetivos, estarei feliz por ter podido repartir essas conquistas.
Email: cassiano.leonel@terra.com.br
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Embora todas as cronicas abaixo já sejam dos Jornais do domingo dia 09 esta ainda é do Estadão de hoje, sábado. Mas embora de hoje não poderia deixar de colocar, pois se completa com a crônica do Paulo Sant'Ana, quando escreve sobre os aumentos de preços.
BRASÍLIA - Os senadores iniciaram o ano parlamentar com uma nova regalia: a de dispor mensalmente de R$12 mil para despesas "do exercício da função" nos Estados. O benefício aos 81 parlamentares custará por ano R$ 11,6 milhões, o que daria para atender 232 mil pessoas no programa Fome Zero. O ato foi aprovado pela Mesa Diretora anterior, presidida pelo senador Ramez Tebet (PMDB-MS), mas o atual presidente interino, Paulo Paim (PT-RS), informou que todos os partidos avalizaram a nova verba.
Com o pomposo nome de "verba indenizatória nos Estados", ela foi criada há dois anos para os deputados, na gestão do ex-presidente da Câmara e governador de Minas, Aécio Neves (PSDB). Até janeiro, os deputados recebiam R$ 7 mil. Um dia antes de começar a nova legislatura, no dia 1.º, o então presidente interino da Casa, Efraim Morais (PFL-PB), hoje senador, concordou em atender a seus colegas e elevou o benefício para R$12 mil, valor adotado também pelo Senado.
Técnicos do Senado informam que a extensão da mordomia de uma Casa para outra teria sido provocada pela pressão dos 12 deputados eleitos senadores.
São eles: além de Efraim, Aloizio Mercadante (PT-SP), Arthur Virgílio (PSDB-AM), Flávio Arns (PT-PR), Heráclito Fortes (PFL-PI), Hélio Costa (PMDB-MG), João Ribeiro (PFL-TO), Lúcia Vânia (PSDB-GO) Magno Malta (PL-ES), Paulo Octávio (PFL-DF), Paulo Paim (PT-RS) e Sérgio Guerra (PSDB-PE). "Eles alegaram que não poderiam perder uma renda comprometida."
Era só o "empurrãozinho" que faltava para os senadores aprovarem o benefício. Não se tem notícias de senadores incapacitados de exercer o mandato nos Estados por falta de dinheiro. Mas é certo que nenhum deles, nem os novos, protestou contra a aprovação de mais um benefício.
Como os R$ 11, 6 milhões de gastos com a verba não constava no orçamento do Senado, de R$ 1,04 bilhão, outras despesas terão de ser cortadas, pelo menos por enquanto. O senador Paulo Paim sugere que sejam reduzidas as obras previstas para os próximos meses. O grosso do dinheiro do Senado - cerca de 85% - é empregado na folha de pagamento dos servidores, aposentados e pensionistas.
Além do salário de R$ 12,7 mil, os senadores ainda dispõem de R$ 48 mil para o pagamento dos funcionários em cargos de confiança do gabinete - dinheiro que sai direto do caixa do Senado. Em tese, os recursos para os salários deveriam ser divididos para três assessores com salário de R$ 6 mil cada um, mais seis secretários com salários de R$ 5 mil. Só que a distribuição do dinheiro normalmente é feita com mais pessoas ganhando menos. Eles têm ainda recursos garantidos para o pagamento de quatro passagens aéreas por mês e o custeio de um apartamento funcional ou o auxílio-moradia, de R$ 3 mil.
Acredito seja um ótimo livro para se ler. Hoje passei a tarde na Saraiva Book Store no Praia de belas. Encontrei amigos e colegas do trabalho. E folhei uma dezena de livros, mas me dei de presente apenas e tão somente o dicionário Inglês/Inglês MACMILLAN com CD sem capa dura por R$ 67,00 enquanto com a brochura era R$ 85,00. Como o conteúdo é o mesmo preferi o primeiro. A two-color dictionary crated in the USA and Britain. Over 100.000 references with 30.000 idioms and prhases. Consultas no www.macmillandictionary.com
O crime de ser mulher
A China vem mudando há décadas.
Mas ser chinesa ainda não ficou mais fácil, diz a jornalista Xinran Hue Isabela Boscov
Aos 7 anos, Xinran Hue viu o pai ser preso e os móveis e livros da família serem atirados numa fogueira por policiais. Nem suas tranças escaparam do fogo. Por causa das fitas "imperialistas" e "reacionárias" que as prendiam, elas foram cortadas e queimadas. Logo depois foi a vez de a mãe de Xinran ser detida, e de a menina e seu irmão pequeno serem enviados a uma escola militar ¿ o único tipo de estabelecimento de ensino que permaneceu aberto durante o período da Revolução Cultural chinesa, nos anos 60. Como eram filhos de "lacaios do capitalismo", Xinran e seu irmão entraram no rol das crianças "negras". Só se alimentavam de sobras, não podiam brincar com as crianças "vermelhas" para não conspurcar o clima de pureza maoísta reinante entre elas, agüentavam cusparadas e agressões dos colegas, sob os auspícios da guarda local, e passavam por horas diárias de massacre ideológico para admitir a natureza reacionária de sua família. Nos anos 80, quando a China começou a ensaiar seu processo de abertura e Xinran pôde finalmente escolher uma profissão, ela quis trabalhar como jornalista na rádio de Nanquim, no leste do país.
Lá, ela deu início a um experimento inédito entre os chineses, ainda que velhíssimo e consagrado em todo o Ocidente: um programa para o qual os ouvintes ¿ e principalmente as ouvintes ¿ mandassem cartas, dividindo seus problemas e pedindo conselhos. Xinran acabou se tornando uma espécie de celebridade, e é dessa sua experiência com as misérias pessoais femininas, num país que nunca teve consideração por elas, que nasceu As Boas Mulheres da China (tradução de Manoel Paulo Ferreira; Companhia das Letras; 286 páginas; 35 reais).
O livro só pôde ser publicado porque, em 1997, Xinran trocou a China pela Inglaterra, onde se casou com um inglês e dá aulas na Universidade de Londres. Composto de quinze histórias, cada uma sobre uma personagem encontrada pela jornalista por intermédio do programa Palavras na Brisa Noturna, ele pretende traçar um panorama da condição feminina na China revolucionária. Uma menina foi vendida em casamento para um velho e acorrentada, sem que os moradores do povoado ou as autoridades se dispusessem a interferir ¿ isso porque existem "36 virtudes, mas não ter herdeiros é um mal que nega todas elas", e o velho estaria, portanto, no direito de assegurar sua continuidade.
Outra garota, continuamente molestada pelo pai, arruinou deliberadamente sua saúde para se refugiar num hospital ¿ onde morreu de septicemia. Há ainda o caso de uma moça que foi reduzida a um estado permanente de catatonia depois de assistir à tortura da irmã, acusada de ser contra a revolução. Xinran fala também de universitárias tornadas cínicas e descrentes pela competição com os homens, de homossexuais à margem da lei e de belas militantes dadas como esposas a figurões do Exército. A despeito de sua prosa meio desajeitada, Xinran consegue aquilo que pretende: mostrar como as mulheres chinesas passaram, em 1949, de joguetes da tradição a peões do todo-poderoso Partido Comunista, e como sempre coube a elas a pior parte nas diversas e traumáticas fases da revolução. Não menos interessante é o cenário que o livro compõe do dia-a-dia dos chineses, com os obstáculos da burocracia, os sobressaltos da vigilância ideológica e sexual e, apesar disso, o apego ao país e à cultura.
As Boas Mulheres da China, entretanto, se torna notavelmente mais forte quando Xinran faz com o leitor aquilo que suas ouvintes faziam com ela: compartilhar as suas próprias histórias. Neta de um grande industrial e filha de cientistas, a autora levou a vida típica de alguém que cresceu junto com a China revolucionária: primeiro ocultando as riquezas que haviam sobrado, depois as perdendo todas e enfrentando a perseguição, tudo sempre sob a guarda do governo e longe dos pais, que estavam ora a serviço do Partido, ora atravessando árduos períodos de reeducação ideológica. Xinran calcula que todo o tempo que passou junto da família não some dois anos. Já quarentona, abraçou a mãe pela primeira vez, e foi recebida com constrangimento visível. Pelo que se pode depreender de seus relatos, esse tipo de amargura não é exatamente uma exceção. É, na verdade, algo próximo da regra num país onde, por gerações, os relacionamentos amorosos e familiares foram assunto de Estado.
Cidadãs de segunda
"A garota (acorrentada) tinha só doze anos. Nós a tiramos do velho (que a comprara), que chorava e praguejava amargamente. (...) Não recebi nenhum elogio por salvar a menina, só críticas por 'deslocar soldados, causar agitação entre as pessoas' e desperdiçar o tempo e o dinheiro da emissora. Fiquei abalada com essas queixas. Havia uma garota em perigo e, ainda assim, ir em socorro dela foi visto como 'exaurir as pessoas e drenar o Tesouro'. Quanto valia, exatamente, a vida de uma mulher na China?"
Acredito que quando as pessoas manifestaram sua vontade nas últimas eleições esperavam por mudanças, ansiavam e necessitavam delas. Contudo, conforme nosso cronista ai abaixo, as coisas continuam tal qual. Talvez mais acentuadamente priorizando os grande grupos, as multinacionais, e outras áreas. Enquanto os trabalhadores permanecem com aumento zero nos seus salários, e sem direito sequer a protestos pois o que tem de trabalhador procurando trabalho, basta ver a fila dos anúncios. O número de inscrições para os concursos e por ai vai. Grande Sant'Ana logo vem o carnaval como você escreveu. O campeonato brasileiro já começou, então deixa a vida me levar. Aliás o Zeca Pagodinho está no Planeta Atlândida deste noite.
Paulo Sant'ana
09/02/2003
Cascata de aumentos Porque o espera um ano de 2003 inédito entre as temporadas de tremendas dificuldades de sobrevivência e franciscana exigüidade orçamentária dos lares.
Os governos parece que se transformaram todos em meras agências reguladoras de preços.
O governo tal autoriza aumento no preço da gasolina, que entre nós atinge a soma somítica de R$ 2,40 por litro, em média. Qualquer percurso que se faça com um carro suga amargamente o bolso do cidadão, transformando-se o automóvel em uma cruz financeira que seu motorista carrega pelas ruas e pelas estradas.
Um homem me mostra, durante a longa, exasperante e cafajeste fila que montaram para atendimento dos clientes em uma agência bancária, o DOC que lhe corresponde para pagamento do IPTU de um box de estacionamento na Rua Riachuelo, centro da nossa capital.
Valor do imposto: R$ 60. Valor da taxa de lixo: R$ 154. Mas que taxa de lixo é esta de box de estacionamento? E por que a taxa de lixo custa quase três vezes o preço do imposto? E o valor venal do box, calculado pela prefeitura, é de R$ 10 mil. Só que o proprietário só conseguirá R$ 5 mil se for vendê-lo, e olhe lá.
O IPTU foi reajustado em quase 25%!
Estão reajustando as tarifas de telefone em 23%. A energia elétrica terá seus preços reajustados em 30%.
Em dezembro, a passagem de ônibus em Porto Alegre custava R$ 1,10. Foi reajustada em 13,64%. Passados agora dois meses, neste fevereiro, mais um aumento de 16% recai sobre a passagem, custando hoje R$ 1,45.
Mais de 30% de aumento em dois meses! Centenas de milhares de porto-alegrenses não ganham vale-transporte. E muitos deles terão de pagar agora pelas suas quatro passagens diárias R$ 5,80. O que quer dizer que só com transporte uma pessoa gasta aqui na nossa capital mais de R$ 100 mensais.
Quando várias pessoas em uma família são obrigadas, para estudar ou trabalhar, a pagar essa quantia pelo ônibus, temos então que o orçamento deste lar é ferido de morte por esse custo.
Os governos apenas chancelam os aumentos, pouco se lhes dá que o povo pene para continuar sobrevivendo.
Mas por que a passagem de ônibus é aumentada em mais de 30% em 60 dias, se os salários só têm esse reajuste depois de três anos? Ou então nunca têm reajuste os salários, caso de várias categorias de funcionários públicos estaduais, que não recebem aumento em seus vencimentos há oito anos?
O povo vendo as categorias privilegiadas, os príncipes da República reajustarem seus ganhos anualmente ou em grandes tacadas, caso dos parlamentares, desanima, resigna-se, enche-se de nojo e de perigosa inconformidade.
E vá reajuste. E todos os reajustes em mais de dois dígitos e em mais de 20% anuais.
Um empobrecimento geral da classe média e dos trabalhadores.
Onde é que isto vai parar? Será que a grande maioria do povo brasileiro, nos próximos anos, terá de ser alvo do Fome Zero?
O mais grave problema brasileiro hoje são estes aumentos desproporcionais em todas as tarifas e nos combustíveis, com os salários congelados ou arrochados.
E, incrivelmente, os governantes e os legisladores não dizem uma palavra sobre esse esfolamento da economia popular.
Nem uma palavra.
Só autorizam todos os dias novos aumentos!
Isso é um precipício.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
É verdade que a certa altura consultou o relógio, um modelo barato, e comentou, não sem humor: "Sempre calculo mal o tempo". Nem por isso parou de falar. Mas, falando, ele não é um caudilho demagógico, não é um líder fanático. Esse é o Fidel, que há quarenta e quatro anos se mantém no poder. E qual o segredo para tanta longevidade na posição de mandatário daquela que talvez seja a única remanescente das democracias socialistas?
Moacyr Scliar
09/02/2003
Cuba: a controvérsia Atingiu a Revolução Cubana os seus ideais? A julgar por três indicadores clássicos, sim. A mortalidade infantil é notavelmente baixa, a expectativa de vida é notavelmente alta, o nível educacional é notavelmente elevado. Os casos de Aids são muito poucos, o problema das drogas é pequeno. Há pouca violência - andar na rua é seguro - não há desemprego: a economia sendo estatizada, o governo proporciona emprego a todo mundo. O salário pode ser baixo, a atividade pode ser apenas formal, a eficiência pode ser baixa - mas, de qualquer modo, não é desemprego, coisa que compromete decisivamente a dignidade da pessoa.
Há pobreza, sim. Muita pobreza. Mas, em primeiro lugar, não é pobreza abjeta, com gente buscando comida no lixo. Em muitos países da América Latina fala-se na necessidade de uma melhor distribuição de riqueza. Em Cuba, como não há riqueza, o que se conseguiu foi distribuir melhor - mais democraticamente - a pobreza. Nas cidades brasileiras, há bairros ricos (não raro muito ricos) e pobres (não raro muito pobres). Em Cuba, a pobreza mora nos deteriorados palacetes que um dia foram de milionários e que depois, sob a forma de cortiços, passaram a abrigar muitas famílias. Existe desigualdade? Provavelmente sim, mas não se expressa em termos de propriedade. Os "mais iguais" de Orwell talvez tenham mais privilégios e mordomias, mas não terão a posse dos meios de produção de que falava Marx.
O que nos remete a um outro fenômeno: a longevidade do regime cubano. São 44 anos, o que não é pouco. E, sobretudo, 44 anos com o mesmo mandatário, o que era de esperar num regime de partido único, no qual as eleições têm um resultado absolutamente previsível. Aliás, quando lá estive estava em curso um processo eleitoral, inimaginável no Brasil: nenhuma faixa de propaganda nas ruas, nenhum santinho, nenhum horário eleitoral partidário. Em alguns lugares estavam afixados os currículos dos candidatos, e isso era tudo. "Aqui não gastamos dinheiro em publicidade eleitoral", disse Fidel.
Freqüentemente chamado de ditador na imprensa mundial, Fidel Castro não é, contudo, um déspota. Não, pelo menos, no sentido comum do termo. Trata-se, em primeiro lugar, de alguém que chegou ao poder lutando contra um regime opressivo e que foi recebido pela população como um libertador. Hoje as memórias da revolução cubana podem parecer coisa do passado, mas o envelhecido Fidel Castro continua um líder carismático, uma figura paternal.
Basta vê-lo na tevê, como aconteceu na noite do dia 18 de janeiro. Era um programa sobre as eleições do domingo seguinte. Surpreendentemente, Fidel não foi o primeiro a falar; duas outras pessoas lhe precederam. Mas então tomou a palavra e aí falou. E falou. E falou. É uma característica sua: fala como se tivesse todo o tempo do mundo (pelo menos daquela parte do mundo que governa) a sua disposição.
É verdade que a certa altura consultou o relógio (um modelo barato) e comentou, não sem humor: "Sempre calculo mal o tempo". Nem por isso parou de falar. Mas, falando, ele não é um caudilho demagógico, não é um líder fanático. Parece, antes, um velho professor dirigindo-se à classe ou um patriarca falando ao clã; gesticula muito, faz comentários engraçados. Detalhe: usa números. Uma quantidade assombrosa de números - parece ter na cabeça todas as cifras que se referem a Cuba, quer se trate de economia, saúde, ou educação. Nesse programas, anotou também dados fornecidos pelos outros participantes, que não deixou de comentar. É uma energia inesgotável, em se tratando de um homem velho (que fica, inclusive, ofegante).
De outra parte, o culto à personalidade é muito menor, e muito menos grotesco, do que na União Soviética de Stalin, na China de Mao ou no Iraque de Saddam Hussein. Os letreiros patrióticos também são raros (e são as únicas peças de publicidade). A figura mais presente - em cartazes, nas camisetas, em pôsteres - é, por razões óbvias, a de Guevara. Presente ao Fórum Social Mundial, Aleida Guevara, filha do Che (e, significativamente, médica) queixou-se da comercialização da figura de seu pai. Queixa justificada e provavelmente inútil. O mercado tem a habilidade de se apossar até da figura de seus potenciais inimigos.
scliar@zerohora.com.br
O surpreendente quando se educa uma criança é perceber o quanto, por eles, a gente acaba produzindo uma versão 2.0 do nosso desempenho dentro de casa - ali onde costuma ser o refúgio mais seguro para as nossas pequenas e grandes imperfeições. Queremos que eles procedam exatamente como nós achamos que devem e muitas vezes eles tem o seu póprio jeito de fazer as coisas. Sonhamos sempre que eles serão uma cópia nossa melhorada, mas muitas vezes eles querem ser originais. Por isso nada melhor que csrecer junto com os filhos. Errando e aprendendo, aprendendo e errando. Sei de todas as minhas peraltices da minha infância, do tanto de trabalho que dei a minha mãe. Mas hoje é sempre uma alegria estarmos juntos.
Um economista uma vez me disse que filhos são um péssimo negócio em termos de previdência privada. Sujeito que deposita boa parte do seu salário na formação e manutenção dos pequenos sonhando com uma velhice tranqüila num sobradinho em Gramado está fazendo um investimento de altíssimo risco.
O princípio é mais ou menos o seguinte: são tantas as variáveis a considerar na hora de calcular a projeção de rentabilidade do seu hoje risonho bebê que mesmo o investidor mais ousado e agressivo desanimaria. A começar pelo prazo em que os depósitos começariam a ser sacados. Antes ou depois da primeira grande viagem, do primeiro apartamento, da primeira casa na praia do seu filho? Será que ele vai preferir ajudar o velho paizinho a conhecer a Itália ou mandar o guri do meio para um intercâmbio nos Estados Unidos? Vai bancar um MBA ou pagar a previdência privada da vovó?
A maioria das pessoas que decide ter filhos, claro, nunca pensou nisso nesses termos - a não ser, vá lá, o meu amigo economista. Sonha-se com uma cópia nossa melhorada. Imagina-se um bebê adorável, uma criança esperta, um adolescente que nos encha de orgulho e, se tudo der certo, um adulto de sucesso que nos ame e cuide de nós quando estivermos velhinhos. Mas quem disse que as trocas amorosas são menos imponderáveis que um investimento no mercado financeiro?
O lar mais ajustado pode criar filhos que querem distância de casa ou que são levados para longe por esse ou aquele motivo. Nada garante que teremos a companhia deles na velhice, e seu amor depende mais de milhares de pequenos gestos trocados ao longo de toda a vida do que do fato de termos mudado suas fraldas ou pagado sua escola.
A minha teoria - sim, eu também tenho uma teoria - é que mesmo de uma perspectiva absolutamente egoísta ter filhos pode, sim, ser um bom negócio. E não falo aqui da experiência única que é abandonar-se ao amor incondicional que uma criança oferece - amores não costumam ser incondicionais por muito tempo. O surpreendente quando se educa uma criança é perceber o quanto, por eles, a gente acaba produzindo uma versão 2.0 do nosso desempenho dentro de casa - ali onde costuma ser o refúgio mais seguro para as nossas pequenas e grandes imperfeições. É como se o olhar de uma criança pudesse ter o efeito da câmera escondida em um reality show, com a diferença de que o público é alguém que você ama e está querendo influenciar.
Quando a mãe vê, trocou o ovo frito pela alface, porque, óbvio, quer que a criança aprenda a comer salada. De uma hora para a outra, o pai pára de falar palavrão por qualquer coisa, e nunca esquece de escovar os dentes antes de dormir, e vê menos televisão. Mais um pouco e os dois estão evitando as piadas preconceituosas, e pensando quase o tempo todo se estão sendo justos, e generosos, e maduros o suficiente.
Claro que nem todos os brócolis do mundo vão impedir que seu filho venha a preferir um hambúrguer a uma salada verde, pelo menos por boa parte da vida dele. Mas, com sorte, alguns desses pequenos esforços para ser um exemplo bacana pro guri vão acabar entrando definitivamente para o seu repertório. Não é exatamente como descobrir uma conta na Suíça, mas na hora de refazer as contas e fechar o balanço - talvez naquele adorável sobradinho em Gramado - essas moedinhas podem fazer toda a diferença.
A cronista Martha Medeiros está de férias durante o mês de fevereiro
martha.medeiros@zerohora.com.br
Homem chega em casa acompanhado de outro homem. A mulher estranha. Não conhece o outro homem. E o marido não disse nada sobre trazer alguém para jantar.
- Me apresenta o seu amigo, bem?
- Este é o ... Como é seu nome mesmo?
- Arides - diz o outro.
- Arides - diz o marido. - E ele não é meu amigo.
- Colega? Do trabalho?
- Também não.
- Quem é então?
- Sabe o cara que me assalta praticamente todos os dias? No mesmo lugar? Sempre o mesmo cara?
- Sei.
- É ele.
- O quê?! E você me traz ele pra casa?
- Ele já levou a minha carteira. Aliás, levou várias carteiras. Eu até peço para ficar com os documentos para transferir para a próxima carteira, que sei que ele também vai roubar. Já ficou com o meu relógio. Aliás, vários relógios. Eu compro relógio, saio na rua, ele me assalta e pega o relógio. Já roubou celular, calculadora, lapiseira, sapato...
- E por que você trouxe ele pra casa?
- Cansei de levar coisas daqui pra ele. Ele que venha buscar, pô!
Família na sala, vendo TV. Todos no mesmo sofá.
MÃE: Ih... Perdi meu brinco.
PAI: Deve ter caído dentro do sofá.
(Mãe começa a procurar o brinco dentro do sofá. Vai encontrando outras coisas).
MÃE: Uma caneta esferográfica... Uma tampa de caneta esferográfica, sem a caneta... Uma moeda... Um comprimido... O que é isto?
PAI: Minha piteira! Deve estar aí dentro há anos. É do tempo em que eu ainda fumava.
MÃE: Um sutiã?!
FILHA (PEGANDO O SUTIÃ RAPIDAMENTE): É meu.
MÃE: Como é que o seu sutiã foi parar aí dentro?
FILHA: Não esquenta, mãe.
MÃE: Mais moedas... Aak!
(Ela arregala os olhos. Pegou uma coisa estranha que não sabe o que é. Quando puxa, vê que é a mão de uma pessoa. Depois um braço).
TODOS: O que é isso?
MÃE: Tem alguém aqui dentro!
(Todos ajudam a puxar. De dentro do sofá começa a sair uma velhinha).
MÃE: É a mamãe! Ela está viva!
TODOS: Vovó!
MÃE (ABRAÇANDO A VELHINHA, QUE ESTÁ MUITO FRACA): Mamãe! Nós tínhamos dado a senhora como perdida! E a senhora está viva!
VELHINHA: Ali ali, minha filha. Ali ali.
PAI: Como foi que sobreviveu aí dentro todo esse tempo? A senhora comia o quê?
VELHINHA: Migalhas. Amendoim. Pipoca. Farelo de biscoito. Tudo que caía dentro do sofá.
(Ela está muito fraca. É amparada por todos e levada para sentar numa poltrona).
VELHINHA: Eu perdi alguma novela boa?
(Depois, mostrando o que tem na mão:)
VELHINHA: Ah, minha filha, olha... O seu brinco.
"Senhores congressistas, sua atenção por favor. Não quero interromper as suas queixas e trocas de sintomas, mas chegou a hora da distribuição dos brindes. (APLAUSO) Acho que todos concordarão que o nosso Congresso Internacional de Hipocondríacos foi um sucesso. E este foi apenas o primeiro. Outros virão (PALMAS). Infelizmente, a maioria dos que estão aqui hoje não participará do congresso do ano que vem, se seus prognósticos se confirmarem. Mas outros tomarão nosso lugar na defesa desta causa tão incompreendida. Sim, fazem pouco de nós. Riem dos nossos autodiagnósticos. Não acreditam nas nossas doenças. Mas estamos dispostos a morrer para provar que estávamos com a razão! (APLAUSOS ENTUSIASMADOS). Eu mesmo acordei esta manhã com umas pontadas aqui do lado e... Mas deixa pra lá. Esta é uma ocasião festiva. Quero propor um brinde: à nossa pouca saúde!
(TODOS BRINDAM "À POUCA SAÚDE!") E vamos ao sorteio dos brindes, gentilmente oferecidos pelos patrocinadores deste nosso encontro. Dois kits de primeiros-socorros. Um jogo de máscaras cirúrgicas descartáveis, para usar em casa. Um medidor de pressão portátil, que pode ser usado no trabalho, na rua ou em ocasiões sociais. Um gravador portátil para levar no bolso e ter a quem se queixar quando se está sozinho. Um ano de chapas grátis na Clinica Radiológica "Rei do X". E, o grande prêmio da noite... Uma semana com tudo pago para dois numa suíte do novo Hospital Santa Genoveva, com análises clínicas incluídas! (PALMAS FRENÉTICAS)."
Para voce que entrou agora pouco e se quiser dizer da onde foi o felizardo dos dez mil acessos. espero que continue voltando aos quinze aos vinte mil e assim sucessivamente.
Bom se a moda pega, por exemplo por aqui já há muito existe o Banco da Mulher em que para ser correntista tem que ter os predicativos. Agora as construtoras começam a produzir edificios para o mercado feminino. Logo, logo vamos ter taxas de juros diferenciadas pois como a inadimplênica feminina é menor a taxa de risco poderá ser reduzida. Bom para elas. Mas já estou ficando com uma pontinha de ciúmes.
Construtora vai lançar financiamento habitacional mais em conta para o mercado feminino. Desconto valerá até a entrega das chaves
Cristiane Campos
Como as mulheres não param mesmo de avançar no mercado de trabalho, a Tecnisa Engenharia decidiu lançar em março um financiamento habitacional específico para o sexo feminino. Haverá desconto de 5% nas prestações durante a construção do imóvel, que leva em média de 25 meses. Também a Construtora Santa Isabel lançará em março um empreendimento no Recreio dos Bandeirantes, com 28 opções de plantas, para atender especialmente ao mercado feminino.
A inadimplência das mulheres no mercado imobiliário é pequena. Em cada 10 pessoas que não pagam em dia o financiamento, só três são mulheres. Por isso não é justo que elas paguem a mesma taxa de juros que a dos homens. Estamos abrindo para o setor o que já é praticado pelas seguradoras, explica Romeo Deon Busarello, diretor de Marketing da Tecnisa. Para um apartamento de dois quartos, a prestação custa em média R$ 800, com o desconto de 5% cairá para R$ 760 por mês.
Na pesquisa realizada pela Tecnisa Engenharia foi constatado que 94% dos negócios são fechados a partir da opinião das mulheres. Elas representam 42% da População Economicamente Ativa (PEA). Com esses dados, não é possível desenvolver um projeto residencial sem pensar nos anseios femininos, afirma Busarello. Segundo a gerente de Arquitetura da Santa Isabel, Margareth Ferreira, as mulheres se preocupam com os detalhes. Já os homens querem saber quanto custa e quando fica pronto o apartamento.
Posted
11:16 AM
by Cassiano Leonel Drum
E bem interessante a reportagem abaixo, que não posto toda porque não está em espaço reservado aos assinantes, portanto pode ser lida na integra no link da foto.
Com filhos no currículo
Um dilema atormenta as mulheres:
o que pôr em primeiro lugar, o desejo de ser mãe ou a ambição de vencer na vida profissional Gabriela Carelli
Zeca Rodrigues
Livre-se da culpa
A paulista Cláudia Costin é dona de um impressionante currículo profissional. Entre 1998 e 1999, ela foi ministra da Administração Federal. No ano seguinte, foi coordenar o setor de projetos para a América Latina e o Caribe do Banco Mundial, em Washington. Dois anos depois, de volta ao Brasil, assumiu a direção de uma grande empresa e hoje ocupa uma secretaria no governo de São Paulo. Sua receita para conciliar filhos e trabalho é a seguinte: livrar-se da culpa de não estar todo o tempo à disposição das crianças. Uma forma de atingir esse objetivo é deixar que elas participem do dia-a-dia da mãe. "Costumo levar serviço para casa e mostrar a eles, pedir opinião. Com isso, eles entendem que meu trabalho é importante e lidam melhor com a ausência", diz.
Cláudia Costin, 47 anos
Ocupação: secretária da Cultura do Estado de São Paulo
Carga diária de trabalho: doze horas
Filhos: Marina, de 23 anos, e Maurício, de 13 (na foto, com a mãe)
Ainda que a temperatura estivesse com previsão de queda nesta fim de semana, continua com seus 26, 28 graus, conforme pode ser vista ai na página. Nublado sim, mas sem chuva para que possamos pelo menos dar uma caminhada, andar de bike, ou ir caminhar ali na Redençao ou no Parcão. Ai acima estão as capas das duas revistas semanais para você estar atualizado com que elas estão publicando e que na opinião deles mereceu destaque.
Boa leitura, bom fim de semana para nós todos.
Posted
10:46 AM
by Cassiano Leonel Drum
Capa: foto de Zeca Rodriguez (colorizada digitalmente)
Para você leitor deste blog ai em primeira mão a capa da Revista Veja deste fim de semana. Os destaques estão abaixo para você verificar e se gostar adquira numa banca bem pertinho de você.
Especial Raquel Siqueira com a filha Ana: executiva e mãe.
Brasil Heloísa Helena: radicalismo e censura do partido.
Internacional Soldados americanos prontos para atacar Saddam.
Edição 1 789 12/2/2003
Seções
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Internacional
Iraque: Bush diz que o jogo acabou
Iraque: A guerra na terra do petróleo
Espaço: Os custos e os riscos das viagens de ônibus espacial
México: O subcomandante Marcos está em baixa
Artes e Espetáculos
Televisão: A febre dos geradores de caracteres
Televisão: Bismarck, de James Cameron
Livros: As Boas Mulheres da China, de Xinran
Música: As novas divas do jazz
Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo
Brasil
Partidos: O PT enfrenta seus radicais
Geral
Especial: O dilema das mulheres entre a carreira e os filhos
Ginástica: Nova técnica indica muito peso e movimentos lentos
Saúde: Outra droga contra a artrite reumatóide
Estilo: A roupa faz a diferença na vida profissional
Economia e Negócios
Comércio: Wal-Mart, o colosso americano do varejo
BNDES: As confusões de Carlos Lessa
Aviação: TAM e Varig assinam protocolo para a fusão
Guia
Casamento: Cerimônias que fogem ao convencional
Turismo: Hotéis para quem gosta de animais
Moda: Botas e meias que farão sucesso no inverno
DVD: Escolha de acordo com o tamanho da tela
Carro: Conheça um novo jipe, o EcoSport
Carnaval: Ainda dá para garantir a fantasia
Dentes: Quanto custa um plano de saúde dental
Vídeos: O roteiro seguro para melhorar os vídeos caseiros
Pronto vão mecher outra vez no bolso dos coitados que tem que se deslocar para trabalhar. e olha R$ 0,30 centavos para ir mais R$ 0,30 para voltar, serão R$ 0,60 por dia. Como a semana tem cinco dias representará R$ 3,00 e isso é um almoço a menos a ser consumido. Se olhar por outro ângulo é mais uma empurradinha para emagrecer e afinal tem ai muitos livros para serem devorados e assim não há porque almoçar todo o dia. Economiza meu filho.
A tarifa única do táxi-lotação subirá de R$ 1,90 para R$ 2,20, anunciou, ontem, o presidente da Associação dos Transportadores de Passageiros por Lotação (ATL), Magnus Aurélio Isse. O aumento, que depende de homologação da prefeitura, atende à lei que estabelece que a tarifa do lotação é 50% superior à passagem de ônibus da Capital. O último reajuste foi em 19 de dezembro. Na Capital, 403 lotações servem cerca de 100 mil passageiros/dia.
Meu amigo Vicente, está ficando famoso, não só ai no Jornal Correio do Povo, como na RBS TV. Abaixo o mesmo substituindo o Superintendente com o Fernando Gerente da Agência e a primeira gaucha ganhadora no sorteio do consórcio de imóveis da CAIXA..
Adriane Rocha Donaduzzi (C) terá crédito de R$ 50 mil
A primeira contemplada por sorteio do Consórcio Imobiliário da Caixa Econômica Federal (CEF) recebeu ontem a carta de crédito de R$ 50 mil. Moradora da Capital, a dentista Adriane Rocha Donaduzzi, de 28 anos, foi sorteada na assembléia do dia 16 de janeiro. No mesmo dia, outros dois participantes, residentes em Apucarana (PR) e Brasília asseguraram a liberação dos recursos por lance. 'Não esperava ser a primeira, mas se a sorte está do meu lado é sinal de que não precisarei mais dividir o consultório dentário com dois colegas', afirmou, após a cerimônia na agência Menino Deus.
Lançado em novembro, o consórcio chegou ao mercado como mais uma alternativa de aquisição da casa própria para famílias de várias faixas de renda. É possível comprar imóveis, lotes urbanizados ou pode ser usado para quitar o saldo devedor habitacional. O superintendente de Negócios em exercício, Vicente Reckziegel, disse que as prestações variam de R$ 304 a R$ 1,6 mil. 'O contrato de consórcio não gera resíduos e não há incidência de juros sobre valor das prestações e saldo devedor, o que torna o consórcio competitivo frente ao sistema normal.'
Lauro Quadros, médico honorário, lembrava, esses dias, o jeito peculiar que tinha o nosso Mário Quintana de falar: cerrando a boca, abrindo pouco os maxilares. Isso porque o grande poeta tinha de segurar aquilo que numa época se chamou de "chapa" ou "dentadura".
Mário não foi o único. Sua geração pagou, em dentes perdidos, um pesado tributo à idade. E havia várias razões para isso, razões essas que começavam na infância. Em primeiro lugar, não se fazia uma prevenção adequada da cárie dentária. Não se conhecia o papel do flúor, por exemplo. Escova e pasta de dentes existiam, mas não fio dental, nem escovas interdentárias. Não se sabia que o açúcar e seus derivados podem cariar os dentes. Aliás, o Brasil, país produtor de açúcar, pagou caro por essa suposta riqueza; Gilberto Freyre diz que, no Nordeste, as senhoras e senhoritas eram obesas e tinham uma péssima dentadura.
Durante muito tempo, dente cariado era sinônimo de extração. O instrumento pelo qual o dentista era mais conhecido era o temível boticão. Para o que colaborava a teoria do "foco infeccioso". O que era isso? Foco infeccioso era um lugar do corpo em que os micróbios se desenvolviam, produzindo toxinas que resultavam nas mais variadas doenças e sintomas. Dor de cabeça, por exemplo. Cada vez que uma pessoa de meia-idade tinha uma dor de cabeça cuja causa o médico não conseguia esclarecer, os dentes pagavam o pato.
Mas as gengivas não ficavam inteiramente nuas. Existiam as dentaduras postiças. Em termos de prótese, dificilmente se poderia inventar uma coisa mais patética. Durante o dia, era um problema manter as tais dentaduras no lugar. Não foram poucos os banhistas entusiastas que deixaram suas dentaduras no fundo do Atlântico (até hoje deve haver muito peixe com dentes humanos). De noite, as dentaduras eram colocadas no clássico copo sobre a mesa de cabeceira. A primeira coisa que a pessoa fazia, ao acordar, era colocar seus dentes.
Estamos falando, obviamente, em gente que podia pagar por essas próteses, quase sempre muito caras. Os pobres tinham duas alternativas: ou ficavam sem dentes ou então - e, de novo, isso era comum no Nordeste - compravam a dentadura de um finado. Dentaduras eram comuns nas feiras nordestinas. O problema era encontrar uma que servisse. O que correspondia, mais ou menos, a acertar na loteria.
Tudo isso, felizmente, passou. As pessoas estão chegando a idades avançadas com dentes razoavelmente preservados - notando-se que, a partir de certa fase, o problema já não é a cárie, mas sim a doença periodontal, das gengivas, que pode também resultar em perda dentária. Mas hoje ninguém mais se resigna a perder um dente, nem a ter uma arcada deformada - há velhinhos usando aparelho como se fossem adolescentes.
O que é uma boa coisa. Lutar pelos dentes é lutar pela vida, pela saúde. É não aceitar resignadamente os efeitos do tempo sobre o organismo. Uma boa dentadura é mais do que um sorriso bonito. É dignidade. E isso não tem preço.
scliar@zerohora.com.br
Renasce a rivalidade A vinda do centroavante Christian para o Grêmio estremece a rivalidade Gre-Nal.
Há visivelmente um sentimento de remorso e de dor entre os colorados.
E uma euforia incontida entre os gremistas.
Os dois clubes há muito tempo não contavam com centroavantes ilustres nos seus times. Pois não é que volta para um deles justamente aquele que foi ídolo no outro?
Silenciosamente, os dirigentes gremistas festejam a contratação, sentindo que foi dupla a conquista: preencheram a grande lacuna do time e lancetaram o rival, trazendo um jogador que fazia parte do imaginário colorado, o último destacado representante da melhor recordação colorada, antes que o time afundasse em indefinições e derrotas.
O ano de 2003 ameaça ser uma exclusiva discussão sobre a presença de Christian no time do Grêmio e a falta que ele ainda faz no time do Internacional.
A menos que o jogador não confirme as virtudes que mostrou anos atrás vestindo a camisa colorada, foi um grande golpe de marketing do Grêmio.
Basta ver a inflamada carta que recebi de um torcedor colorado, transcrita abaixo:
"Cansado de receber provocações sem sentido, resolvi respondê-las à altura, para não deixar a ala azul sem compreender corretamente o que está acontecendo do lado vermelho do Rio Grande. Não fiquem chateados, caros adversários monumentais, mas o Deus Negro será para sempre nosso ídolo. Somos genuínos. Mantemos nossas raízes. Não jogamos terra em cima da história só por que isso convém. O Deus Negro será eternamente um grande centroavante COLORADO. Sua melhor fase ele já viveu lá. Ele NASCEU lá. Seu nome já está no nosso livro.
Seus gols, inclusive os do 5 a 2, na NOSSA história. História que também é a dele. Seu nome vai ser imortalizado por ter sido um grande centroavante do Internacional que teve PASSAGEM pelo Grêmio. Temos essa clareza de discernimento. Isso ninguém vai mudar. Vibrem por mais um bom centroavante a vestir a camisa listrada. É justo. É compreensível. Mas saibam que nós vibramos por ter um centroavante que nasceu no nosso clube, que defendia as suas cores porque são as dele também. Esse é o sentimento que temos pelo 'Deus Negro' - alcunha que teve origem nas arquibancadas do Beira-Rio. Sentimento que é único, exclusivo, inigualável.
Nenhum outro clube poderá produzir tamanha identificação com ele. Pode parecer o desabafo de um colorado magoado, mas não é. Não me sinto mal por saber que o Christian está no Grêmio. Sabemos o que ele pode vir a representar nesse clube, e sabemos que isso será infimamente menor do que já representa ao Inter. Independentemente de quantos gols ele faça na nova casa, jamais será gremista. Assim como jamais Jardel seria colorado. Ele vai jogar com a camiseta gremista da mesma forma que jogou com a do PSG, do Bordeaux, do Galatasaray, do Palmeiras etc. É um profissional, assim ele deve agir. Mas tenham uma certeza: só uma camiseta para ele é especial, a colorada!
Ver o Grêmio reconhecer a qualidade de Christian ao contratá-lo é um orgulho para qualquer colorado. Ver a Azenha se curvar aos seus talentos é uma homenagem a todos os gaúchos de sangue e lenço vermelhos. O Christian hoje é azul. O Jesus Christian, o Deus Negro, o maior goleador colorado da história dos campeonatos brasileiros, esse sempre será vermelho. Christian, torcemos por ti. Só não torcemos para o teu novo clube. (ass.) Leandro Mello".
Meu Deus, isso é essência pura de dor-de-cotovelo!
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Clitóris A uma cautelosa leitora que pergunta se a pronúncia deve ser /clítoris/ ou /clitóris/, informo que nem sempre teremos certeza quanto à correta localização da sílaba tônica de certos vocábulos eruditos. Enquanto os vocábulos usuais são pronunciados sem a menor hesitação, os de uso mais restrito podem representar dificuldades embaraçosas. Como se deve pronunciar Nobel? É hieroglifo ou hieróglifo? É necrópsia ou necropsia? Como determinar a sílaba que deve receber o acento tônico nesses vocábulos? Em suma, como definir a prosódia dessas palavras de pronúncia hesitante?
Não é por acaso que essas indecisões são particularmente mais freqüentes em vocábulos eruditos de origem grega e latina. Embora haja certas regras gerais para a passagem do Latim para o Português e para a transliteração do Grego, tantos são os fatores intervenientes (históricos, fonéticos, ortográficos, etc.) que se torna impossível determinar, de antemão, qual a pronúncia a ser adotada em cada caso. Um dos grandes especialistas no ramo, o erudito José Inez Louro, da cidade do Porto, em seu esgotado O Grego Aplicado à Linguagem Científica, chega a dizer que "só por um acaso a sílaba tônica grega continua a ser tônica no Latim ou no Português".
Além disso, a comunidade científica não é uma só, unânime e homogênea. Dentro dela também existe uma rica variedade lingüística, tornando impossível o consenso sobre a forma de pronunciar (ou mesmo grafar) certos vocábulos. Em diversas situações, minha cara leitora, somos forçados a optar entre diferentes versões de uma palavra, baseando-nos, para isso, em nossa formação cultural, em nosso convencimento íntimo e no exemplo dos especialistas que respeitamos.
Queres ter uma visão do inferno? Compara dicionários. Se tomarmos o Houaiss, nosso melhor dicionário, mais o indispensável o Aurélio (2ª edição) e o clássico Ramiz Galvão (Vocabulário Etymologico, Ortographico e Prosodico das Palavras Portuguezas Derivadas da Língua Grega), veremos que o Aurélio registra acetonúria (com a variante acetonuria), R. Galvão registra acetonuria e Houaiss registra ambas, mas prefere acetonuria. Houaiss e Aurélio concordam em esfíncter e eczema, mas R. Galvão finca pé em esfincter (rimando com mulher) e éczema! Que tal?
E clitóris? Como se diz o nome desse ponto ainda tão pouco explorado da anatomia feminina? Apesar de ter sido descoberto no Renascimento por Realdo Colombo (segundo ele, "uma coisinha tão bonita e com tanta utilidade", De re anatomica, 1559), a sua pronúncia até hoje ainda traz dúvidas para os estudiosos. A maioria dos falantes diz clitóris, e esta pronúncia é confirmada por toda a tradição de dicionaristas de peso. Assim registram, no século 19, Morais, Lacerda e Aulete; no século passado, Houaiss, Aurélio e Nascentes. A única voz destoante entre as autoridades é Ramiz Galvão, que argumenta que a quantidade grega mandaria dizer clítoris; nosso sábio da belle époque (seu dicionário é de 1909), contudo, não insiste nessa prosódia, porque ele prefere mesmo é a forma clitóride, que ele classifica como um "substantivo feminino"! Dizer "a clitóride" é tão extravagante que já parece perversão...
E aí vem a nota desagradável: eu citei acima o Aurélio da 2ª edição, quando o autor ainda estava vivo. Sua lição é inequívoca: registra apenas clitóris, sem variantes ou hesitações. Qual não é a minha surpresa quando abro o Aurélio XXI (que recebeu vários acréscimos e emendas de uma tal "equipe"... será que ouço o mestre Aurélio rangendo os dentes em seu túmulo?) e me deparo com um verdadeiro qüiproquó: clitóris é dado como mera variante de clítoris, que remete à famigerada clitóride, com direito a verbete e tudo! Esta é mais uma que o Aurélio XXI me apronta; estou colecionando os casos e vou aproveitá-los para mostrar, em um próximo artigo, como uma nova edição de um dicionário não é necessariamente melhor que a anterior.
claudio.moreno@zerohora.com.br
A alma com osteoporose Terei de mandar este bilhete por correio (ainda bem que não precisa ser por mensageiro a cavalo) em vez de lhe passar imediatamente pelo computador. Pois você me disse que nem pensa em adquirir uma "geringonça" dessas. Detesta modernismos e mudanças. Portanto, embora infeliz, não quer mudar nada em sua vida. Também comentou que jamais permitirá nenhuma reforma em sua casa. "Tudo deve ficar como está desde que foi construída". Onde se viu, nunca reformar nada na casa, na vida - na gente mesmo? Vagamente você sente que ainda poderia fazer algo em seu favor, mas está desanimado.
Se quer começar, vá pelo prático e pequeno: para uma mulher doméstica, arrumar armários botando fora uma porção de velharias inúteis, ou alterar a posição dos móveis conforme seu agrado - ainda que os outros da casa reclamem - pode ser um começo. Pra você, eu diria, por exemplo (correndo intencionalmente o risco de lhe parecer fútil): compre um computador. Use-o para pesquisar, para se comunicar e divertir. Fique ligado no mundo. Escolha o que há de positivo na modernidade. Pra que ficar de fora com ar tristonho? Enclausurar-se não ajuda a ninguém, muito menos a você mesmo, e promove a autocompaixão - que é um feio sentimento.
Você ficou chocado ao perceber que tinha "perdido o bonde da vida profissional e pessoal porque não estava atento aos sinais". Conheço gente da sua área e da sua idade que ainda se informa e atualiza por puro prazer. Não é verdade que uma profissão "largue a gente". É sempre a gente que ficou no ar, desatento.
Use seu tempo e dinheiro (já que você tem ao menos o suficiente) para sua alegria. A vida é uma mesa posta, com venenos mortais, pratos insossos e alguns deliciosos. Alguns conscientemente escolhem veneno, achando que viver é sofrer, e ponto final. Outros comem e vivem sem sal. Mas há os que, quando podem, pegam as delícias da vida. Espero que você não ache que prazer é ruim. Opte pelo positivo. Queira ser um pouco feliz, entusiasme-se por alguma coisa dentro de suas condições, faça um esforço para se libertar da areia movediça do pessimismo.
Pensar sempre negativo vira doença, uma osteoporose da alma.
Mas se nada disso for possível porque esse, como você diz, é o seu jeito, aceite este bilhete como uma afetuosa falta minha de... jeito.
PS: Gente, os "amigos" de que falei - e falarei - aqui são amigos imaginários. Sim, eu ainda tenho um pé na infância.
"Todos eles se tornaram parte desse menino que ia para longe todos os dias. E que agora vai, e sempre irá, para longe todos os dias". Todos os dias nós vamos para longe, com o pensamento, com o coração, com nossa palavras através deste veículo chamado internete.
E invadimos cidades, casas e até ambientes íntimos de dezenas de pessoas. Vamos todos os dias para lá de nossa imaginação e por isso é bom que sempre estejamos íntegros, inteiros, e com o coração sempre aberto para dar e receber carinho, carícias, a mão no cabelo, o beijo na face e o abraço. Ah aquele abraço tão terno, tão esperado, tão maravilhoso.
Hoje quando completar-se-ão dez mil acessos neste endereco, sinto-me ainda mais responsável por todos aqueles a quem cativei por uma ou outra razão. Minha esperança e minha fé é de poder estar correspondendo e continuar merecendo esta confiança e este carinho. Tão bom, por que é como se nunca estivesse só. Como se minhas palavras jamais fossem ditas para as paredes.
Alguém as lê, alguém lhes dá importância e quando estou triste, escrevo aqui e sei que minha tristeza será entendida, quem sabe até compartilhada. Assim como quando estou alegre, também. Tenhamos todos um bom fim de semana. Este que ultrapassa os dez mil acessos. Beijão nas bochechas de todo o mundo.
Quem nunca ouviu 30 vezes a mesma música numa mesma tarde, sozinho em casa, cantando, às vezes disfarçando e cantando baixo, às vezes aos gritos, que atire o primeiro disco do Raul Seixas. As letras de música suprem parte da necessidade que todos nós temos de ouvir e dizer poesia. "Quando menino, cada vez que me apaixonava por um poema, eu o lia repetidas vezes sem parar, até o saber de cor. Depois andava sozinho, dentro ou fora de casa, para poder ter o prazer de o declamar incessantemente para mim mesmo. Vi crianças que ainda fazem isso." Quem conta é o Harold Bloom, na sua introdução aos Contos e poemas para crianças extremamente inteligentes de todas as idades, selecionados por ele e traduzidos por José Antonio Arantes, editora
Objetiva. Bloom defende a leitura em voz alta, especialmente da poesia mas também da prosa, como um "teste válido" para a qualidade de um texto. (Isso para não falar dos roteiros de cinema ou televisão, onde o texto só existe para ser ouvido.) "Declamar um poema ruim é uma experiência de dar vergonha", diz Bloom. Mas ouvir um poema bom pode ser uma revelação, aquele momento mágico onde vemos surgir um amigo novo, que vai nos acompanhar para sempre. E ele conclui: "Talvez seja também o misterioso momento em que nasce um novo poeta ou um novo contador de histórias".
O Sarau Elétrico (no Bar Ocidente, terças, mas eles estão de férias), criado e apresentado pela Katia Suman, pelo Luis Augusto Fischer e pelo Frank Jorge (e reforçado com a contratação do Moreno), é um destes raros eventos culturais que, por tão vivos, naturais e excitantes, nem parecem que são eventos culturais. "Cultura? É mesmo? Sabe que eu nem percebi? Sei lá, estava tomando cerveja e ouvindo Drummond, me passou". Minha sugestão para a volta do Sarau, depois das férias é essa: poemas para crianças.
E já mando o primeiro (só uns pedaços) do Walt Whitman, da seleção do Bloom. Chama Era uma vez um menino que ia para longe:
"Era uma vez um menino que ia para longe todos os dias. E o primeiro objeto que encontrava, nesse objeto se tornava. E esse objeto se tornava parte dele o resto do dia. Ou uma fração do dia. Ou muitos anos ou longos ciclos de anos. Os primeiros lilases se tornaram parte desse menino. E a relva e as ipoméias brancas e vermelhas. E o trevo branco e vermelho, e o canto do papa-mosca. E os cordeiros de três meses e a ninhada rosa da porca, e o potro da vaca e o bezerro da égua. E o velho bêbado que ia cambaleando para casa, vindo do anexo da taverna de onde acabara de se levantar. E a professora da escola primária que passava no caminho da escola. E todas as mudanças da cidade e do campo aonde ele fosse.
Os próprios pais, ele, que o gerou, e ela, que o concebeu no útero e o trouxe à luz, deram a esse menino mais de si mesmos do que isso. Deram a ele mais tarde, todos os dias, tornaram-se parte dele. (...) Os costumes da família, o linguajar, as visitas, os móveis, o coração ansioso e inchado, afeto que não será negado, a noção do que é real, o pensamento de que no final das contas não seria irreal, as dúvidas das horas do dia e as dúvidas das horas da noite, o curioso se e como. (...) Todos eles se tornaram parte desse menino que ia para longe todos os dias. E que agora vai, e sempre irá, para longe todos os dias".
jorge.furtado@zerohora.com.br
O céu ficou cinza no final da tarde de ontem, como na foto em Rio Grande. A chuva típica de verão veio logo depois, aliviando um pouco o calor que tem atormentado o Estado. Em algumas cidades, o vento forte chegou a assustar (foto Flávio Neves/ZH)
Já escrevi há uns dias atrás sobre a concorrência a que nós homens estamos submetidos, pois além de todos os motivos abaixo elencados, temos os Shoppings, cada vez mais maravilhosos. Os cinemas com atores famosos e por ai vai. Como sobreviver e ter a preferência ainda?
Celina Côrtes, Lena Castellón e Rita Moraes
Colaborou Osmar Freitas Jr., de Nova York
Isabella: pouco tempo para namorar
Escutar sinos tocando, sentir-se como se fosse uma explosão de fogos de artifício. O ser humano adora fazer analogias para descrever o orgasmo, ápice da relação sexual. Tanto falatório, porém, pode causar expectativas demais. Se o clímax para você não tem essa pirotecnia toda, relaxe. Segundo os especialistas, cobrar emoções tão intensas ou esperar o espetáculo é exagero. A realidade é que, para grande parte das mulheres, o prazer total na cama ainda é um sonho. No Brasil, 30% da população feminina queixa-se da falta de orgasmo, de acordo com estudo do Projeto Sexualidade do Hospital das Clínicas de São Paulo. E 34,6% reclama da falta de desejo ¿ entre os homens, essa taxa é bem menor: 12%.
Há algumas razões que explicam o pouco apetite sexual feminino. A primeira é biológica. A mulher tem menos desejo do que o homem porque suas taxas de testosterona, o hormônio relacionado à libido, são mais baixas. A outra causa vem do estilo de vida da mulher atual. O romance fica para trás, em algum lugar entre diversos desafios. As mulheres estão no trabalho, cuidam dos filhos e ainda têm opções de entretenimento que desviam suas atenções. Sobra pouco tempo para o sexo, afirmou a ISTOÉ John Bancroft, diretor do Kensey Institute, fundação ligada à Universidade de Indiana (EUA) e especializada no estudo da sexualidade humana. A mulher deixa a pior hora para fazer sexo. A do cansaço. Cuida de tudo primeiro para depois pensar no assunto, analisa a médica Nilva Pereira, do Centro de Assistência Integral à Saúde da Mulher da Universidade Estadual de Campinas (SP).
A arquiteta carioca Isabella Leite, 43 anos, sabe do que falam os especialistas. Quando entrou em seu segundo casamento, há 13 anos, foi viver em Londres com o marido e os dois filhos do primeiro casamento, onde dispunha de excelente infra-estrutura doméstica. Três anos depois, voltou ao Rio de Janeiro e montou um escritório em casa. O tempo para a vida pessoal ficou menor e os encontros amorosos se reduziram a uma vez por semana. O ritmo só muda quando os filhos estão com o ex-marido. Nessas horas namoramos mais, conta.
Felizmente, a ciência está fazendo sua parte. Recentemente, anunciou-se a criação de uma espécie de poção do amor para mulheres saudáveis. Trata-se de um spray nasal desenvolvido pela empresa americana Palatin Technologies, de New Jersey. A fórmula seria capaz de deixar as mulheres altamente excitadas. O motivo? Uma substância conhecida pela sigla PT-141. É uma proteína (conjunto de aminoácidos) que age numa área do cérebro responsável pelo despertar do desejo. No ano passado, testes em ratas mostraram que as fêmeas intensificaram as suas investidas sexuais. Agora, o spray foi experimentado por mulheres, com resultado promissor. Os cientistas ofereceram a substância a 16 voluntárias, enquanto outras 16 receberam placebo. Todas assistiram a vídeos eróticos e receberam um aparelho para medir a intensidade do fluxo de sangue na vagina. Nas que usaram o PT-141, o fluxo sanguíneo e a excitação foram maiores. A empresa espera comercializar o spray dentro de três anos. Outra companhia de New Jersey, a NexMed, trabalha na criação de um creme para turbinar o sexo feminino. O Femprox é a base de prostaglandina, hormônio já usado contra a impotência. De acordo com a empresa, os estudos mostraram que o creme aumenta o fluxo sanguíneo e a lubrificação na região genital, facilitando o ato.
Posted
11:11 PM
by Cassiano Leonel Drum
Há mais uma possível saída para incrementar a vida sexual da mulher. Trata-se da utilização de um remédio antidepressivo à base de bupropiona. No ano passado, o pesquisador americano Robert Segraves apresentou um trabalho com 66 pacientes que revelou que a bupropiona aumentou o desejo de voluntárias que não tinham depressão, mas sofriam de disfunção de libido. A droga atua sobre a dopamina, substância cerebral associada ao prazer, mas não reduz a libido como outros medicamentos da mesma classe. Durante o tratamento de 12 semanas,
a frequência de fantasias sexuais cresceu 157%.
E a excitação aumentou 84%. No momento, Segraves conduz outra pesquisa em três centros americanos. Os especialistas acompanham 80 mulheres que têm o mesmo problema do estudo anterior: falta de desejo. Nossa impressão é de que mais um terço das pacientes tem respostas positivas à droga, disse Segraves a ISTOÉ.
Enquanto essas pílulas não chegam às farmácias, as mulheres procuram outras saídas. A comerciante Joana (nome fictício), 42 anos, de São Paulo, optou por abrir o jogo quando a vida sexual perdeu qualidade. Casada há mais de duas décadas, ela diz que a cama esfriou porque o marido ficou muito deprimido com a morte do pai. Joana teve de cuidar da saúde dele, que não saía do quarto. A depressão foi superada, mas a relação não melhorou. O sexo escasseou, juntamente com o desejo e o orgasmo. Foi então que Joana alertou o companheiro. Fui franca. Contei que não sentia nada quando transava, recorda-se. Depois de algum tempo, a comerciante procurou ajuda especializada. Há um ano, o casal faz terapia. Nas sessões, discuto o problema e recebo orientações, diz. Como parte do tratamento, Joana foi a sex shops e comprou lingeries bem sexies. Estamos fazendo a lição de casa, brinca.
Ai está a capa da Revista Isto É deste fim de semana que outra vez ganhou da Revista Veja. Abaixo os destaques da mesma para vocês lerem em primeira mão.
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Imaginar que o casamento será eternamente um conto de fadas é uma utopia. Todo casal tem dificuldades pelas próprias diferenças individuais. Cada um vem com uma história de vida, com sua bagagem, seus sonhos, aliados às diferenças sociais, culturais, idade, criação familiar, relacionamentos falidos. Todo casal passa por isso. O que difere cada situação é o comportamento do casal diante da crise. É imprescindível manter a calma, o bom senso, o auto-controle, evitar a discussão e jamais faltar com o respeito ao companheiro(a). Isso não é fácil.
A somatória das dificuldades mal resolvidas, frustrações e mágoas acabam minando o relacionamento. E, muitas vezes, os problemas são tantos que parece só restar uma saída: a separação. Mas, nesta hora, cadê a paciência, a tolerância e aquelas juras de amor eterno?
Vivemos na era da comunicação. Mesmo com todo aparato tecnológico nunca se viveu um período tão difícil na comunicação interpessoal. Apesar do homem ser considerado pelos cientistas e estudiosos um animal social, ainda encontra dificuldades para viver em grupo. A vida moderna e as angústias das cidades transformam o ser humano, cada vez mais, num animal individualista, solitário e egoísta.
Pressões internas e externas, mostradas nos jornais ou na telinha da tv, abalam nosso dia a dia. Ameaças de guerra, pressão profissional, desestabilização da moeda, fome, miséria, demissões em massa, enchentes, homicídios, drogas, tragédias e assaltos podem trazer medos, angústias, ansiedade e estresse. Desequilibrado o ser humano é capaz de cometer as maiores e mais absurdas atrocidades.
Os lares hoje são melhores, mais sofisticados, pelo menos boa parte deles, mas, mais parecem moradias de pessoas do mesmo nome. Está faltando calor humano, afeto, respeito ao próximo, valores morais e familiares. Tantos abalos no cotidiano podem desestabilizar a segurança do relacionamento. Na hora do conflito: Tolerância - zero. Paciência- esgotada. Amor eterno- quem jurou?
Pelo que se não há condições de se dar de ré de errados caminhos. E aquele velho proverbio continua revigorado de que a guerra é bem mais espetacular do que a paz. É ao meu ver só uma questão de se encontrar uma noite mais ou menos escura e dar início.
Os Estados Unidos continuam mobilizando seu arsenal para uma guerra contra o Iraque. Mais de 110.000 soldados já estão na região do Golfo Pérsico e outras dezenas de milhares estão a caminho e devem chegar antes do fim do mês. Nesta quinta-feira, a ordem de seguir para o Oriente Médio foi passada para a 101ª Divisão Aerotransportada do Exército, uma das unidades de atuação mais importante na Guerra do Golfo, em 1991.
Considerada uma divisão de elite de assalto aéreo, a 101ª possui cerca de 16.000 homens e 270 helicópteros de guerra. O comando das Forças Armadas americanas confirmou a ordem para que a unidade inicie viagem para o Golfo, mas não revelou quantos soldados foram mobilizados nem o destino exato da tropa.
No início da semana, os helicópteros da 101ª já começaram a voar para a base naval de Jacksonville, para serem embarcados nos navios que os levarão ao Oriente Médio. Como a tropa possui alto poder de mobilização veloz, foi uma das mais utilizadas no curto período de guerra terrestre da outra invasão americana ao Iraque, em 1991. Integrantes da divisão também estiveram no Afeganistão, no ano passado.
Três navios porta-aviões americanos já estão em posição de ataque ao Iraque, dois deles no Golfo Pérsico e um no Mar Mediterrâneo. Um quarto porta-aviões iniciou viagem, juntamente com sua esquadra de batalha, na última terça-feira.
Enquanto as tropas mobilizam-se, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, viajou para a Europa a fim de angariar apoio ao plano americano. Ele ficará três dias no continente. O primeiro encontro foi com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, em Roma. Em seguida, Rumsfeld visitará uma base no norte da Itália onde estão tropas americanas e irá a Munique, na Alemanha. "A hora é crítica. O momentum se aproxima", disse ele, ao iniciar a viagem.
Você concordaria com o casamento de uma menina de 13 anos? Participaria de um ritual vodu? Faria tatuagens por todo corpo? Há comunidades ao redor do mundo em que hábitos e costumes como esses considerados intolerantes por nossa sociedade ¿ são absolutamente corriqueiros. É o que se chama de tabu.
E incluem ritos de passagem, religiões, crendices, culinária, curandeirismo, sexualidade, tatuagens e esportes sangrentos, só para citar alguns desses hábitos. ISTOÉ recorreu a essas cenas produzidas pelo canal National Geographic em 24 países e preparou uma reportagem fotográfica sobre o tema. Acesse já e descubra por que os tabus exercem tanto fascínio no mundo ocidental.
O meu nobre SantAna está mais polido, mas evidente, com o puxão de orelha que levou. Só que como ele diz nada é permanente e os recursos cabíveis deverão ser usados nos respectivos prazos processuais. É assim mesmo meu caro SantAna quando temos um ponto de vista, ele pode ser contestado por quem tem um outro. E nada melhor que o diálogo para se chegar a um consenso. Assim como você arrefeceu no seu comentário de hoje a respeito, os juizes, por sua vez, devem ser mais corteses da próxima vez, pelo menos é o que espera-se. Bom para os estagiários de direito que vão se familiarizando com esses reveses processuais.
Agradeço aos inúmeros leitores que me prestaram solidariedade diante da resposta pouco cortês dos dois magistrados do Trabalho de Alvorada que publiquei ontem em minha coluna.
Afora esses percalços de interlocução, vale como útil, no entanto, o debate sobre o caso da mãe que foi obrigada a assinar a carteira de trabalho da sua ex-sogra, por ter entendido a avó (e a primeira instância da Justiça do Trabalho) que tinha de ser remunerada pelos cuidados que presta aos netos, enquanto a mãe trabalha como doméstica.
Os eminentes juiz e juíza do Trabalho defenderam ontem aqui a sentença, emitida pela sua Vara de Alvorada, que impôs à mãe pagamento de atrasados e admissão como empregada da avó que cuidava dos seus filhos enquanto ela laborava como empregada doméstica, argumentando que "na hipótese concreta, inexiste o dever jurídico de a avó cuidar dos seus netos".
É isso que me parece frágil e discutível, o que será certamente considerado no recurso para a segunda instância sobre a decisão da primeira.
É que o artigo 1.694 do novo Código Civil estabelece o seguinte: "Podem os parentes, os cônjuges e os companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitarem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender as necessidades de sua educação".
O antigo Código Civil só se referia a "alimentos". Sabiamente o novo Código acrescentou "as necessidades de sua educação" como dever também do parentesco, a tese que defendi na coluna original para manifestar a minha estranheza com a sentença.
Além disso, o artigo 1.696 do mesmo Código Civil estende claramente aos avós o dever de prestar alimentos aos netos, deixando intuir claramente que a educação também, a julgar pela ressalva do artigo anterior: "O direito à prestação de alimentos é recíproco entre pais e filhos e extensivo a todos os ascendentes, recaindo a obrigação nos mais próximos em grau (avós), uns em falta de outros".
Mas, pelo amor de Deus, se o novo Código Civil, com excelente sensibilidade social, entende ser dever dos avós, na falta dos pais, alimentar e educar os netos, não seria exigência demasiada que a lei tivesse previsto o "cuidado dos netos" como obrigação dos avós?
Parece-me claro que no conceito "educação" está implícito o cuidado dos netos como dever dos avós, na falta dos pais.
E a falta dos pais é nítida neste caso em que a mãe, obrigada pela luta da vida, sai a trabalhar como doméstica.
Parece-me claro que se cria nestes intervalos de trabalho da mãe, com o fim de sustento dos filhos, uma figura que eu denominaria de "guarda presumida e eventual dos netos pela avó", fazendo desaparecer a relação trabalhista que obrigaria a mãe a remunerar a avó.
Pela história desta coluna de admiração quase que reverencial à missão árdua e espinhosa dos juízes, cujas quase todas as decisões hão de sempre atingir partes inconformadas, seria ocioso que eu declarasse o meu respeito pela sentença emanada contra a mãe, em favor da avó, pela Justiça do Trabalho de Alvorada.
Mas cumpro dizer que a decisão pode muito bem ser atacada e contestada na instância superior com sólidos embasamentos jurídicos, sociais e de bom senso. Jurídicos, principalmente.
E é quase certo que o será.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Vejam que as coisas são discutidas agora para talvez ainda este ano surtirem algum efeito. Mas isso não é nada prático meu Presidente. Ou é apenas para gerar noticias nos jornais. Ontem discutiu-se com os usineiros, a questão do álcool, mas o efeito prático nas bombas, ninguém soube precisar quando ocorrerá e eu já fico perguntando se ocorrerá?
Crédito
Lula discute redução de juros com representantes dos bancos
Governo pede apoio à microempresa
Brasília
Durante almoço com o presidente e oito diretores da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou ontem na mesa a intenção do governo: encontrar maneiras de reduzir as taxas de juros ao consumidor e expandir o crédito, especialmente às microempresas.
Segundo o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, "foi um diálogo produtivo":
- A idéia é que as discussões tenham resultado e se reflitam nas taxas ainda neste ano.
Segundo o presidente da Febraban, Gabriel Jorge Ferreira, os principais obstáculos à redução dos juros ao consumidor são os tributos sobre as operações de crédito, o elevado recolhimento compulsório dos bancos, a alta inadimplência e as regras dos contratos de crédito.
Também pudera enquanto nos empréstimos, no cheque especial e nos cartões de crédito as taxas são 6, 8 e 12 vezes ao que está sendo pago de rendimento na caderneta de poupança, quem tem esses recursos disponíveis vais escolher outra opção, com certeza. E se não forem modificadas as regras urgentemente, as perdas deverão continuar acontecendo a passos bem largos, sistematicamente.
Brasília - Depois de se beneficiar com a crise de confiança que atingiu os fundos de investimentos, a poupança registra saques expressivos desde outubro. Em janeiro, os saques superaram os depósitos em R$ 1,015 bilhão, a maior perda desde abril de 2002. O déficit é creditado ao aumento do rendimento dos fundos, aos gastos de fim de ano e à opção pelo pagamento de dívidas que cresceram com os juros.
Dinheirinho daqui, dinheirinho dali e o BNDEs está ai para ajudar as empresas endividadas a sairem do vermelho. O certo é que diminue a concorrência e daqui ha pouco as grandes compram as pequenas como acontece com os bancos e logo, teremos uma só. Será? Como fêz o São Tomé, vamos esperar ver para crer.
O governo poderá injetar, via BNDES, recursos na Varig e na TAM, que anunciaram hoje plano de fusão, e também em outras companhias aéreas, para ajudar na restruturação do setor.
"O governo poderá aportar recursos quando estiverem asseguradas condições de funcionamento estável e sustentável das empresas", disse o ministro da Defesa, José Viegas.
O ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, reforçou o que afirmou Viegas. Disse que interessa ao governo que as empresas aéreas sejam "saudáveis" e a busca de uma nova estrutura para o setor, mas avisa: "O governo não atuará como hospital de empresas." "Vamos apoiar soluções de mercado para reestruturar o setor", afirmou.
Posted
7:27 PM
by Cassiano Leonel Drum
Marcela Faria Duarte, 13 anos e Fernanda Faria Duarte, 16 anos
"A dica para meninas que têm os olhos verdes, como a Marcela, é repetir a cor na roupa, para destacá-los", diz a consultora.
Para quem tem pele clara, como a Fernanda, a dica é usar tons suaves de rosa e bege. "Se esse fôr o seu caso, fuja dos tons neon, que se sobrepõem ao tom de pele. Você vê a cor e não vê a pessoa."
Marcela veste blusa Colcci (R$ 45) e colar Bella Golzer (R$ 174)
Fernanda veste blusa Osklen (R$ 97) e brinco Arts Acessórios (R$ 18,90).
A nova companhia aérea vai operar com 218 aeronaves e 26 mil funcionários, aproximadamente, juntando frota e pessoal. Pelo menos não estão falando em demissões, como acontece em todas as fusões. Vamos ver até quando isso se mantém.
BRASÍLIA - A Varig e a TAM anunciaram, hoje, a assinatura de um protocolo de intenções para criar uma nova empresa, juntando os dois ativos. Os ministros da Defesa, José Viegas, e o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, participaram da divulgação do acordo, feita pelos presidentes das duas empresas, Daniel Mandelli (TAM) e Manuel Guedes (Varig).
Segundo os presidentes, serão contratadas consultorias para avaliar a situação das empresas e definir a estratégia de negócios para a companhia criada hoje. Os ministros Viegas e Furlan acreditam que, para se chegar a um bom termo, serão necessárias mudanças na legislação do setor, o que esperam que ocorra já no âmbito da criação da Agência Nacional de Aviação Civil.
Para o ministro da Defesa, essa é uma solução empresarial que o governo acredita ser um passo definitivo para a reestruturação do setor aéreo e que poderá garantir sustentabilidade às empresas. José Viegas admitiu que, num segundo momento, o governo pode participar com um aporte de capital ou renegociação de dívidas, desde que seja, segundo ele, uma situação equânime, envolvendo credores e devedores.
A nova companhia aérea vai operar com 218 aeronaves e 26 mil funcionários, aproximadamente, juntando frota e pessoal. Hoje, as duas companhias detêm 70% do mercado doméstico de aviação e faturaram US$ 3,97 bilhões em 2002. O cronograma inicial prevê que a nova empresa esteja pronta para operar em cinco ou seis meses.
Hoje, a dívida da Varig está em torno de US$ 800 milhões e a TAM tem compromissos de financiamento, como aluguel de aeronaves, de US$ 500 milhões.
E você o que prefere, de paixão viver muito ou de paixão morrer cada dia um pouco..?
Paixão é a alucinação amorosa. E os apaixonados são de duas espécies: os generosos, que se dão inteiramente, se jogando nas mãos do outro, e os possessivos, que querem que o outro se incorpore a eles convertidos em sombra viva.Mas talvez haja um terceiro tipo: o dos que não se apaixonam, mas despertam paixões. Na impossibilidade ou no medo de se apaixonar, posto que paixão é abismo, alimentam-se da paixão alheia, ou melhor, incentivam a paixão em torno para preencher algo em si.
A paixão, por isso é arma de dois ou três gumes. E corta. E sangra. Se não sangrou, se não teve insônia, se não desesperou, se não ficou com a alma dependurada num fio de telefone, se não ficou exposto na úmida espera, paixão não era. Talvez fosse desejo, que o desejo é diferente. No desejo a gente quer o outro para possuí-lo apenas passageiramente. É como se fosse um apetite despertado por um fruto ou alguma comida saborosa que saliva nossos sentidos. É como se fosse possuir um objeto na vitrina. É um desejo de posse natural, estético, erótico, mas sendo mais desejo que qualquer outra coisa, isto vai passar. E passa.
Incrível mas na paixão, não. Na paixão, a gente quer fundir com o outro. Para sempre. De corpo e alma. Perde totalmente o centro de gravidade. Transfere a moradia de seu ser para a casa do alheio. É como se vestisse a pele do outro. E se o outro disser assim: "Vai ali buscar aquela estrela ou mesmo a Lua" (como naquele lindo conto de Murilo Rubião chamado Bárbara), se o outro disser isto, a gente vai airosamente buscar o que ele quer. E se o outro disser: "Não estou gostando de seu nariz", a gente opera, corta, joga fora, não só o nariz, mas qualquer outra coisa, porque, nesse caso, qualquer palavra ou sugestão é ordem.
X de todos os problemas a paixão é boa?A paixão é ruim? Ninguém sabe. Ela acontece. Como certas tempestades, ela acontece. Assim como depois dos vendavais os elementos da natureza já não são os mesmos, ninguém será o que era depois do desvario da paixão.Vidas renascem com paixões.Outras viram cinzas por causa dela.E há pessoas que são como aquela ave mítica - a Fênix, vivem renascendo das cinzas da paixão.Marx, portanto, errou completamente. Não é a luta de classes que move a história, é a paixão. Paixão é a revolução a dois. Ela desafia o sistema.Diante dela, a comunidade fica abalada. A paixão é anti-social e egoísta, no que é diferente do amor maduro, longo e duradouro, que fecunda a vida dos amantes e reforça os laços da comunidade. Com Romeu e Julieta, por exemplo, fez-se a revolução a dois.
Assim foi com Tristão e Isolda, com Guinevere e Lancelot. Não é de hoje que os reinos se fazem e se refazem por causa da paixão.Existe diferença entre amor e paixão?No amor, claro que há luminosa coabitação. Mas o amor é também paciente construção. Já a paixão é arrebatamento puro e aí a voragem é tão grande que pode tudo se esgotar de repente.Quantas vezes se apaixona numa vida?Há gente que vive se inventando paixões para viver, que vive morrendo de amor. E há gente que organiza toda sua vida em torno de uma única e consumidora paixão.
O desafio, é que a paixão é transgressão. Quanto mais obstáculos inventarem, mais o apaixonado os saltará. E o apaixonado não tem medo do ridículo. O que lhe importa o mundo, se seu mundo é apenas o mundo da pessoa amada?A paixão tem cor. Mais que vermelha e rubra, é roxa. Pressupõe morte e ressurreição.De paixão vivemos muito.De paixão morremos sempre.
Ainda assim, me consola pensar que nossa capacidade de ousar e nossa coragem para a aventura ainda nos levarão a superar a miséria, a fome e as guerras. Os recursos como se sabe desde que aprendemos microeconomia, são escassos e se direcionados para uma causa, logo não poderão ser aplicados em outra. E segundo o Presidente as viagens espaciais continuarão ainda que muitos parceiros já tenham desistido da parceria.
Sou um leitor atento de reportagens sobre a conquista do espaço. Sei que tem gente que ainda não se convenceu da chegada do homem à Lua, mas eu considero uma bênção que essa façanha tenha ocorrido na minha geração. Fez bem para a auto-estima da humanidade. Deixou-nos a sensação de que somos capazes de realizar qualquer coisa. Também acho que a fortuna aplicada nas viagens interplanetárias seria melhor empregada na melhoria da vida na Terra, mas estou consciente de que a escolha não é essa. Ainda assim, me consola pensar que nossa capacidade de ousar e nossa coragem para a aventura ainda nos levarão a superar a miséria, a fome e as guerras.
Escrevi "nossa coragem", mas acho que jamais entraria num foguetão daqueles. Imagino que não há momento de maior terror para um ser humano do que estar sentado dentro de uma nave enquanto a contagem regressiva chega ao final. Por mais treinado que o sujeito esteja, duvido que não se pergunte:
- O que é que estou fazendo aqui?
Mas a curiosidade humana é maior do que o medo. Mesmo com acidentes catastróficos como o do último sábado, tem sempre fila de espera para uma voltinha pelo caminho das estrelas. E deve ser mesmo uma experiência única, inigualável. Esta semana li o relato de uma das vítimas da Columbia, a médica Laurel Clark, que havia mandado um e-mail do espaço para familiares e amigos. Vejam o que ela contou na sua derradeira mensagem:
"Eu vi muitas coisas incríveis: tempestades de relâmpagos no Pacífico, a Aurora Australis nascendo no horizonte, com o desenho urbano das cidades da Austrália abaixo dela; a Lua crescente surgindo no topo da Terra, as vastas planícies da África e as dunas do Cabo Horn, rios passando por fendas entre grandes montanhas, as cicatrizes da humanidade, a contínua linha da vida estendendo-se da América do Norte, passando pela América Central e até a América do Sul, uma Lua crescente sobre o nosso planeta azul".
A descrição poética e entusiasmada explica o mistério. Os astronautas tiveram uma morte horrível, é verdade, mas certamente passaram por uma experiência maravilhosa. Quantos seres humanos, dos milhões e milhões que passaram e passarão pelo planeta azul, poderão dizer algum dia que viram as cicatrizes da humanidade?
nilson.souza@zerohora.com.br
Bom o Juiz da sentença não deve ter gostado nada do que o Sant'Ana escreveu, tanto que frisou: A imprensa tem a obrigação de contribuir para o esclarecimento da coletividade, inclusive em temas jurídicos, não para submergi-la mais ainda na ignorância. Os comentários podem ser lidos nos arquivos deste Blog.
Paulo Sant'ana
06/02/2003
A visão da Justiça
Sobre aquele caso da avó que cuidava dos netos para a ex-nora e teve ganho de causa na Justiça do Trabalho, que mandou que sua carteira fosse assinada e recebesse os atrasados, recebo agora o pedido de publicação da visão da Justiça sobre o caso:
"Prezado senhor: sob o título 'A doméstica de Alvorada', V. Sa. publicou coluna em ZH do dia 24/01/03 tecendo considerações sobre as conseqüências danosas (eu, o colunista, não escrevi que eram danosas) de sentença da `Junta da Justiça do Trabalho´, que reconheceu vínculo de emprego de uma trabalhadora doméstica com a ex-sogra, a qual fora encarregada de cuidar dos netos enquanto aquela ia ao trabalho.
As apreciações sobre assunto de natureza jurídica e social feitas por V. Sa. requerem manifestação, mais ainda porque sua coluna expressa opinião de pessoa que freqüentou curso de Ciências Jurídicas e Sociais (Direito).
Inicialmente, o juízo em questão é a Vara (não 'Junta') do Trabalho de Alvorada.
A sentença, sujeita a recurso, reconheceu o vínculo de emprego com base nos elementos de prova trazidos ao processo, `detalhes´ esses que V. Sa., como aliás colocou, desconhece.
Ao contrário do afirmado na coluna, o Direito não exclui a possibilidade de haver vínculo de emprego entre parentes. E a afirmação de que a Justiça do Trabalho é 'contra os patrões' constitui antiga mistificação. O que o Direito constitucional e trabalhista de países civilizados já sedimentou há décadas é que o juiz deve observar em sua atuação princípios jurídicos voltados à proteção do indivíduo fragilizado, o que ocorre especialmente em relações como a de emprego. De outro lado, não possuem fundamento jurídico as afirmações relativas ao suposto 'dever de parentesco' dos avós de cuidarem dos seus netos enquanto a mãe vai ao trabalho, dever esse que teria sido ignorado pela Justiça do Trabalho.
Primeiro, porque o dever de prover todo o necessário para o desenvolvimento dos filhos decorre do exercício do poder familiar (pátrio poder). Daí por que em hipótese alguma poderiam os pais buscar vínculo de emprego face aos seus filhos. Também os avós não poderiam reclamar vínculo de natureza trabalhista se estivessem exercendo a guarda de seus netos, situação que no caso não se verificava. Segundo, porque o art. 229 da Constituição estabelece que os filhos maiores é que têm o dever de amparar os pais na velhice.
Também o art. 230 estabelece deveres da família, sociedade e Estado para com as pessoas idosas. Portanto, na hipótese concreta inexiste o propalado dever jurídico da avó de cuidar de seus netos. A imprensa tem a obrigação de contribuir para o esclarecimento da coletividade, inclusive em temas jurídicos, não para submergi-la mais ainda na ignorância.
Por fim, a situação existencial de nora, sogra e netos que vivem numa cidade com população empobrecida e marginalizada, 'aqui ao lado da Capital', como diz a coluna, poderia suscitar indagações menos superficiais, como, por exemplo: por que a sociedade quer impor aos idosos deveres que juridicamente não possuem? Por que o parágrafo único do art. 7° da Constituição não reconhece às domésticas o direito previsto em seu inciso XXV (acesso gratuito dos filhos menores de seis anos a creches e pré-escolas)?
Por que o salário que no Brasil é pago a uma empregada doméstica não lhe permite colocar os filhos menores em uma creche? Não será tudo isso expressão de cultura escravista que, mais de século após a abolição, insiste em se fazer atuante? E ainda, a coluna ressalta a 'curiosa' situação de uma empregada doméstica ter se transformado em patrão, como se, face à sua profissão, não pudesse contratar serviços. Não haveria aí um pequeno indício discriminatório? (ass.) José Felipe Ledur e Lila Paula Flores França, juízes do Trabalho em Alvorada".
Bom e a previsão de chuva e de queda de temperatura já não é mais previsão, a chuva já se faz presente agora quando são oito horas da manhã. Será que pode ser feita mesmo esta comparação de que em Davos estava a gente grande, em Porto Alegre as crianças, divertidas e inconseqüentes..?
Luis Fernando Verissimo
06/02/2003
Outro tom
No ano passado, o próprio ombudsman da Folha de S. Paulo estranhou o tom da cobertura que o jornal tinha feito do Fórum Social Mundial de Porto Alegre. O pouco-caso da Folha chamou atenção por ser o mais surpreendente, mas o resto da grande imprensa brasileira tratou os dois primeiros fóruns da mesma maneira, como uma espécie de circo dos bons sentimentos, politicamente retrógrado e algo ridículo. Em Davos estava a gente grande, em Porto Alegre as crianças, divertidas e inconseqüentes. Em Davos o cérebro, em Porto Alegre o coração, e o Carnaval.
Este ano, o tom da cobertura mudou. Um pouco pela coincidência com a posse do Lula, um pouco pela evidência, reconhecida até em Davos, de que um outro mundo, mais do que possível, é urgente, e muito pelo reconhecimento tardio de que Porto Alegre dá boa matéria jornalística a quem consegue enxergar o Fórum sem prevenções, e além das maluquices.
Todos os fóruns tiveram gente importante dizendo coisas importantes sobre as questões que são, afinal, as mais sérias e menos infantis das nossas vidas, como a distribuição de água e alimento, sem falar de justiça, no único planeta que temos. Até reacionários babões e empresários preocupados só com negócios, vencida a cegueira ideológica, veriam a relevância de discutir que vida econômica é possível na periferia da hegemonia americana, novas idéias para a democratização da administração pública etc.
E em que outro lugar do mundo, em qualquer época, houve algo parecido com a união de judeus e palestinos no ato contra o suicídio mútuo e pela paz, que foi o clímax emocional do Fórum? As crianças deram um bom exemplo de idealismo prático. No confronto Porto Alegre/Davos, o coração tem sido mais racional, em termos da nossa sobrevivência como espécie, do que o cérebro. E, além de tudo, há o Carnaval.
Amostra do lado conseqüente do Fórum é a entrevista com Lori Wallach, da ongue americana Public Citizen, feita em Porto Alegre e publicada pelo Estado de S. Paulo. Se você não leu, afaste o papagaio e recupere do fundo da gaiola o caderno de economia do Estadão do último domingo para saber o que nos espera se aceitarmos a Alca no prazo e na forma como e