Voces encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Comentários de Livros, revistas e de jornais que já li e que por julgá-los interessantes postarei aqui, espero, todos os dias para que você sempre tenha algo que lhe facilite no seu dia a dia ou nas suas atividades. Se ele cumprir parte desses objetivos, estarei feliz por ter podido repartir essas conquistas.
Email: cassiano.leonel@terra.com.br
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Noticia-se hoje um aumento, amanhã outro, quando a gente pensa que se vai respirar finalmente, sem mais nenhum reajuste, vem a notícia de outro aumento. Mas é assim mesmo Sant'Ana, acho que concede estes aumentos entende muito de psicologia, aí eles programam, de sorte a não conceder todos de uma só vez.
Assim para esquecer de uns nada melhor que outros aumentos. Aí aqueles que já aconteceram na semana passada são esquecidos por conta dos aumentos desta semana que por sua vez serão esquecidos por conta dos aumentos da semana que vem. É assim mesmo meu nobre Sant'Ana. Bom domingo a todos nós.
Esta sucessão incrível e brutal de aumentos nos preços das tarifas que se derruba sobre as pessoas chega a me lembrar de uma história cômica das nossas ruas.
É que mal o povo se recupera de um aumento de 25% no IPTU e de 23% na telefonia celular, anuncia-se para breve um reajuste de 30% nas tarifas de água da Corsan.
Cá para nós, seria o caso de pedirmos compaixão ao governador Rigotto. Não é crível que se vá aumentar a tarifa de água em 30%. É demais. Ninguém mais agüenta.
Esses desvarios nos reajustes das tarifas estão crucificando os consumidores. Não há lógica econômica alguma que explique as tarifas de toda ordem, inclusive a passagem dos ônibus, subindo entre 23% e 30% a cada ano, enquanto os salários são reajustados a um terço desse índice!
O povo vai empobrecendo e mergulhando na inadimplência. Os impostos e as tarifas devoram os orçamentos, não sobrando às pessoas qualquer dinheiro para comprar no comércio, que não compra da indústria, decretando o caos econômico e social, via principalmente o desemprego.
E nem uma palavra de consolo dos governantes, que tinham o dever de pelo menos encorajar os governados, dizendo estarem atentos a essa carnificina socioeconômica, tudo fazendo para contê-la.
Na marcha em que vão esses reajustes, todo o povo brasileiro em breve terá de ser atendido pelo Fome Zero.
É um aumento atrás do outro, uma desgraça se sucede a outra a cada dia.
Como naquele caso do cego que estava pedindo esmolas ali na esquina do Cinema Vitória, Avenida Borges de Medeiros.
Uma senhora caridosa, dessas que se comovem com a sorte dos pedintes, aproximou-se já com seu óbolo à mão, não sem antes lhe fazer uma pergunta:
- Mas o senhor não estava aqui mesmo, ontem, como surdo-mudo? Como é que agora aparece como cego?
- É para a senhora ver como ando carregado e as desgraças se sucedem comigo assim tão rapidamente.
E deu de mão na moeda da senhora.
É bem assim com esses aumentos da gasolina, do gás, do telefone, das taxas de água e energia elétrica, passagens de ônibus, lotação etc.
Noticia-se hoje um aumento, amanhã outro, quando a gente pensa que se vai respirar finalmente, sem mais nenhum reajuste, vem a notícia de outro aumento.
Como no caso do ceguinho da esquina do Cinema Vitória e dos reajustes nas tarifas, uns atrás dos outros, lembro da minha tia Malvina, que sempre sabiamente dizia: "Depois da tempestade, vem o lodaçal".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Em relação a Cuba, a grande questão é: estão os cubanos satisfeitos com a situação de seu país? Muita gente se queixa, inclusive para os visitantes da ilha ("Fidel Castro é diabólico", disse-me um padre), mas, em termos mais abrangentes, a pergunta fica sem resposta, num país de partido único e de mídia controlada. Os jornais, como é o caso do tradicional Granma, e a tevê parecem estar baseados na fórmula: alguma informação e muita doutrinação. Isto não quer dizer distorção: essa imprensa talvez não minta, mas seleciona. De Cuba, só notícias boas. Dos inimigos, só notícias ruins E é claro que o grande vilão é representado pelos Estados Unidos. Mas um dos artigos que li chamou-me a atenção pelo tom de queixume. Lembrava que, logo após o 11 de setembro, Cuba tinha oferecido solidariedade, e até ajuda aos norte-americanos; Bush, porém, tinha reagido levantando suspeitas de que o país pudesse estar preparando armas químicas.
O que remete à questão fundamental de Cuba, a sua relação com o muito próximo e muito poderoso vizinho do Norte. Cuba precisa do comércio internacional, precisa de turistas, precisa de dólares. Os Estados Unidos poderiam resolver muitos problemas da ilha. Mas, é claro, só o farão em seus termos. A palavra-chave aí não é democracia; a palavra-chave é interesse. Interesses que, no passado, eram, no mínimo escusos. A ligação entre o crime organizado nos Estados Unidos e Batista era muito bem conhecida, mas isto não incomodava Washington. Porém toda a história que veio depois, a aliança com a União Soviética, a fuga de cubanos (que hoje constituem um poderoso grupo de pressão nos Estados Unidos) mudou tudo.
A melhor coisa de Cuba é o povo cubano. Raramente se verá gente tão amável, tão ansiosa por ajudar o visitante, tão bem-humorada. Os cubanos adoram bater papo. E adoram música. Por toda parte há gente cantando, gente tocando instrumentos musicais, gente dançando. Estive algumas vezes na Europa Oriental na época do comunismo, e me lembro das caras fechadas, do clima de depressão. Em Cuba não há disso. Há compensações para a pobreza: serviços de saúde, provisão, ainda que escassa de alimentos, estímulo à atividade esportiva e cultural. E participação. As pessoas têm um espaço para falar e para escutar. Mesmo que do ponto de vista prático o resultado possa não ser significativo - ao fim e ao cabo a decisão fica, como em todos os lugares, com o governo - do ponto de vista humano esta é uma gratificação importante.
Estes canais de expressão podem conter o germe de uma mudança cujo rumo ainda é indefinido. No anitigo Teatro Terry, em Cienfuegos, vimos um notável grupo de dança, o Chorus Perpetuus. São seis jovens que, no começo do espetáculo, estão presos uns aos outros por pulseiras de pano. Um a um, os jovens procuram se desprender do grupo e dançar individualmente - uma tentativa que os outros tratam de impedir. O desgarrado sempre volta - até que no final todos se livram dos laços que os aprisionam. Que metáfora é essa? De que libertação se trata? Da libertação pela qual lutaram os jovens guerrilheiros de Sierra Maestra, a libertação da miséria e da desigualdade - ou de uma outra libertação? Só o tempo dirá.
Cartas, recados, e-mails - Como vocês podem imaginar, recebi muitas cartas, e-mails e comentários acerca de minhas impressões sobre Cuba. Impressões eminentemente pessoais, devo dizer. Estive lá apenas duas semanas, e isto não é suficiente para uma análise profunda. Mas é suficiente para uma opinião, mesmo porque, sobre Cuba, todos têm opinião - em geral do tipo, "sim, mas". Ou seja, tudo depende do que a pessoa coloca junto ao "sim" e o que coloca junto ao "mas": Sim, Cuba é uma ditadura, mas acabou com a miséria. Ou então: Sim, Cuba acabou com a miséria, mas é uma ditadura.
O doutor Franklin Cunha lembra que os bons níveis de saúde em Cuba já foram objeto de elogios da Organização Panamericana de Saúde. Outros leitores, ao contrário, dizem que os dados cubanos são mentirosos. "O melhor hospital de Havana corresponde ao pior aqui do Estado", diz o José Gutierrez, de Capão da Canoa. Já o dr. Carlos Eduardo Carrion diz que Cuba pode até ter um bom sistema de saúde, mas é uma ditadura - e vale a pena elogiar uma ditadura? F Por esta pequena amostragem, os leitores já podem ver como as opiniões se dividem.
Esta é, justamente, a vantagem da democracia: permite cotejar as opiniões, permite ver o que pensa a maioria. Temos, sim, de melhorar o nível de vida de nossa população. Mas a maneira mais sensata de fazê-lo ainda é através da democracia, com todas as imperfeições que ela possa ter. Churchill uma vez disse que a democracia é a pior forma de regime, com exceção de todas as outras. A democracia é imperfeita. Como a humanidade. E é melhor ficar do lado da humanidade e de suas imperfeições.
scliar@zerohora.com.br
Deixe-me se for capaz, ela dizia, sensual e misteriosíssima, segurando uma lâmina de barbear na frente do espelho do banheiro. E estava certa. Desde o dia em que conheci a loira da platinum plus, mais ou menos na mesma época em que a Ipirella preguiçosamente estirava suas curvas nos outdoors de Porto Alegre e o rapaz de calça tergal cumpria sua interminável maratona de "senta, levanta", a publicidade tornou-se tão onipresente na minha vida como o refrão de Ragatanga neste verão.
Gostos televisivos vão e vêm. Num dia você é fã de Vila Sésamo, no outro não passa sem as novelas da Janete Clair, mais adiante só quer saber dos documentários do GNT. Mas os jingles, os personagens, os slogans de comerciais vão persegui-lo para sempre onde quer que você sintonize. E não são apenas os comerciais eficientes que ficam martelando na sua cabeça, os que ganham milhares de prêmios ou criam bordões que entram para o imaginário nacional - "A gente veio aqui pra beber ou pra conversar?". Os que repetem interminavelmente o nome do produto ou usam um locutor com uma voz tão insuportável que é impossível não prestar atenção também nos atormentam a memória, mesmo tempos depois de saírem do ar. Deixe-os se for capaz.
Um dos slogans que eu nunca consegui esquecer vem de um anúncio de tinta pra cabelo: "Eu tenho só uma vida e quero vivê-la loira". É o paroxismo da publicidade, não é mesmo? Brilhante em sua concisão e apelo. Que se dane a genética, o tempo e eventualmente até mesmo a noção do ridículo: se um barato qualquer - ser loira, dar a volta ao mundo, cantar no Canecão - literalmente faz a sua cabeça, por que não ir atrás? Se alguém é abençoado com a sorte de saber o que quer com tanta certeza assim, tem obrigação de fazer alguma coisa a respeito. Porque a maioria das pessoas não tem essa segurança toda, nem mesmo a objetividade para identificar todos os passos necessários para chegar aonde quer.
Claro que nem tudo na vida é tão fácil quanto sentar-se na cadeira do cabeleireiro e decidir-se entre o "loiro médio" e o "blondíssimo", mas, enfim, identificar prioridades já é um primeiro passo. O único perigo é cair na armadilha de associar a cor do cabelo, ou o modelo do carro, ou o tamanho do peito com satisfação pessoal - necessidades não-básicas tendem incrivelmente ao infinito. Para nos vender aquele tubinho de tinta, a publicidade faz essa associação de forma explícita. Mas desde de manhã, na frente do espelho, até a hora de escovar os dentes antes de dormir fazemos isso o tempo todo também, e sem perceber. Porque a hegemonia do consumo e o culto à aparência é da natureza da nossa época, como o buraco na camada de ozônio e a Internet.
A fronteira entre alguns pequenos prazeres cotidianos - se achar linda numa blusinha nova ou brincar com a cor dos cabelos - e o simples consumismo é às vezes mais fluida do que imaginamos. Todo mundo tem direito a sonhar com cachinhos dourados e olhos cor de violeta, mas sendo pão-duro com o preço simbólico do que se está comprando: cada coisa com o valor que ela tem, nem um tostão a mais.
martha.medeiros@zerohora.com.br
Os relatos se contradizem. Uns garantem que eles cruzaram espetos, outros insistem que não chegou a isso. O fato é que os dois tiveram que passar pelo posto médico antes de irem para a delegacia. Porque houve sangue.
Tinham combinado um churrasco na praia para os pais da Vanessa, a Van, conhecerem os pais do Ricardo, o Dão. A Van e o Dão estavam praticamente (essa palavra que não diz nada e serve para tudo) casados, era hora dos pais se conhecerem.
- Meu pai é um grande assador - dissera a Van.
- Meu pai faz um churrasco diferente - dissera o Dão.
Eles deveriam ter previsto o que iria acontecer, mas não previram.
Decidiram que estava na hora das famílias se encontrarem e que um churrasco na casa de praia dos pais da Van seria uma ocasião perfeita para o encontro. Os dois assadores certamente se entenderiam. Quem não se entende, numa churrasqueira?
Começou mal. O pai da Van fez ao pai do Dão a pergunta fundamental, a pergunta que estabelece, de saída, a escola do assador. E dizem que também define índole e caráter.
- Sal grosso ou salmoura?
- Nem sal grosso nem salmoura - respondeu o pai do Dão. - Tenho uma técnica na grelha que dispensa o sal.
O que significa que o pai da Van já começou desestabilizado. Já começou em desvantagem. Mas procurou não demonstrar sua insegurança ao se dirigirem os dois, lado a lado, para a churrasqueira.
O pai da Van pensando "Eu deveria ter desconfiado quando ele perguntou se tinha caipirinha de Underberg".
Ficara combinado que o pai do Dão traria a sobremesa, mas ele tomara a liberdade de trazer algumas coisinhas mais, que talvez agradassem. Invenções suas. Por exemplo: um combinado de aipim com queijo, para ser servido, com orégano e geléia de pimenta, como aperitivo, "para nos libertar da ortodoxia do salsichão". E alguns cortes de carne que o pai da Van talvez nem conhecesse, como uma parte, recém-descoberta, do cordeiro que...
Sentados em cadeiras de armar sobre o gramado que separava a casa da churrasqueira, os outros não acompanhavam o que se passava à beira das brasas. A luta de egos e de estilos que, em vez de aproximar os dois pais, os impelia para um desfecho imprevisível, potencialmente trágico. Só se deram conta do que estava acontecendo quando ouviram a voz do pai da Van que gitava "Ah, é? Ah, é?" com raiva, e quando olharam para dentro da churrasqueira... Bom, aí é que vem a divergência. Uns dizem que viram os dois esgrimando com espetos, outros dizem que viram os dois engalfinhados, rolando pelo chão de lajotas. O fato é que, pouco mais de meia hora depois de terem sido apresentados um ao outro, os dois assadores estavam lutando.
Na delegacia, o pai da Van contou que agüentara tudo, o pouco caso do outro com o sal grosso e o espeto, as frescuras para substituir o bom e honesto salsichão, os cortes de carne exóticos para serem preparados de maneiras exóticas ("Até com kiwi!"), mas não se controlara quando o outro chamara a costela de "lugar comum" do churrasco, de "banalidade ultrapassada" e, finalmente (aí sim, viera a explosão) de "falta de imaginação".
Ninguém falava assim da costela na frente do pai da Van. Era como se falasse mal de um parente. Desrespeito, não!
- Ah, é? Ah, é?
E atacara.
O noivado, ou coisa parecida, da Van e do Dão resistiu à briga, e aos processos mútuos por lesões corporais, dos seus pais. As mães até ficaram amigas, mas nunca conseguiram que os maridos se reaproximassem. O pai do Dão dizendo que com retrógrado maluco não havia papo, e o pai da Van dizendo que com quem insultava costela não havia papo. E alguém comentou que era assim em todas as artes: o inevitável conflito entre classicismo e vanguarda.
Águas límpidas e quentes, provocadas entre outros fatores pela baixa intensidade dos ventos, fizeram a festa de quem optou pelo litoral gaúcho, como a estudante Shenia Milano, veranista de Arroio Teixeira (foto Ricardo Duarte/ZH)
A reforma das aposentadorias "Um problema na discussão atual é que muitos brasileiros influentes querem mudar o sistema, mas nem sabem qual é o sistema que adotamos"
Ilustração Ale Setti
Antigamente, a solução para se aposentar com dignidade era ter muitos filhos, o que trouxe explosão demográfica, pobreza e miséria. Por isso, a maioria dos países criou um sistema de aposentadoria e proteção social chamado Sistema por Repartição Social. Nele, todos os jovens contribuem igualitariamente para que todos os velhos possam se aposentar com dignidade.
É um sistema coletivo, que segue o princípio social de "cada um de acordo com sua capacidade contributiva, para cada um de acordo com sua necessidade social". Quem ganha mais contribui mais, mas não recebe mais na aposentadoria, como seria num sistema capitalista. Muitos brasileiros acham que estão contribuindo para sua própria aposentadoria e por isso teriam um direito adquirido de se aposentar, mas esse não é o espírito do sistema. As contribuições são para pagar os atuais aposentados, e não para criar um fundo para a própria aposentadoria, tanto é que o governo nunca o criou. Nesse sistema, o que entra sai, não há acumulação capitalista. Os que contribuem hoje simplesmente torcem para que a nova geração seja tão generosa quanto nós fomos e que contribua para que possamos nos aposentar. Esse sistema foi instituído quando havia 33 jovens contribuindo para cada aposentado, mas hoje são três jovens para cada aposentado, razão do déficit e da preocupação do ministro da Previdência.
Alguns intelectuais marxistas estão agora argumentando que só se tem direitos adquiridos sobre bens, não sobre seres humanos. Argumentam que ninguém pode ser obrigado a pagar a aposentadoria de outro. Segundo Friedrich Hegel, o grande mentor de Marx, só se tem direitos adquiridos sobre a casa que se construiu, o dinheiro que se poupou, mas ninguém tem direitos adquiridos sobre a renda de futuras gerações. Rui Barbosa, que era liberal, defendeu a mesma tese com relação aos negros quando a classe escrava queria indenização: "Não há direito adquirido sobre seres humanos". Citam também a lei romana Poetelia Papiria, de mais de 2.400 anos, que proíbe escravizar pessoas por dívidas.
Por outro lado, muitos funcionários públicos, juízes e professores universitários, como eu, aceitaram os salários mais baixos do serviço público pela perspectiva de uma aposentadoria integral. Fizemos um contrato social com a futura nova geração, ela não pode agora nos deixar morrer de fome.
O outro sistema muito usado no mundo, seja no setor público, seja no privado, é o Sistema por Provisão Solidária. Cada geração poupa coletivamente ao longo dos anos para prover os gastos inevitáveis na velhice, sem ter de depender das contribuições futuras dos jovens. É um sistema cooperativo em que cada geração gera e guarda os recursos necessários para sua velhice. É eminentemente solidário porque, se, por azar, você morrer um ano antes de se aposentar, seu capital não volta para sua família, como voltaria num sistema capitalista e individualista. Seu dinheiro é mantido solidariamente para custear os companheiros mais longevos, segundo um cálculo atuarial.
Os recursos são administrados por uma cooperativa de poupança, também chamada de fundo de pensão, em que todos são donos, ou então pelo Estado segundo os critérios estipulados pelo artigo 201 da Constituição, que ninguém lê. O dinheiro fica investido normalmente por trinta anos, em grandes projetos sociais de infra-estrutura de longa duração. Esses investimentos geram empregos para a nova geração, sem precisar de capital estrangeiro, dívidas externas, FMI, crises cambiais, fontes de vários de nossos problemas.
Na Provisão Solidária, os direitos adquiridos são sempre assegurados, o direito de reaver os investimentos na forma de um pagamento mensal, embora o valor exato dependa da gestão da cooperativa ou do gestor público.
Um problema na discussão atual é que muitos brasileiros influentes querem mudar o sistema, mas nem sabem qual é o sistema que adotamos. Repartição Social e Provisão Solidária são duas filosofias de prática social e políticas públicas distintas, dois conceitos de solidariedade e sociedade bem diferentes, que geram resultados sociais e econômicos bem diversos. Ambos têm leais defensores, e um grande problema. A nova geração não consegue contribuir para os dois sistemas ao mesmo tempo, como querem alguns.
E como sempre coloquei aqui as capas das duas revistas lado a lado para voces decidirem, ai estão as capas das duas revistas semanais. Olhem e decidam se possível pelas duas, pois são normalmente pontos de vistas diferentes e reportagens complementares.
Bom ai está a capa da Revista Veja que estará nas bancas amanhã bem cedinho. Mais acima postarei algumas coisas como o comentário do Stephen Kanitz que é sempre interessante e se houver alguma coisa boa na área reservada aos assinantes prometo trazer aqui para voces.
Para quem não conhece Porto Alegre, Floresta é um bairro meio residencial - meio comercial, mas não é com certeza, o Point dos bares de Porto Alegre, que ficam no Bom Fim e Cidade Baixa. O Bom Fim, próximo ao Parque da Redenção, também teve problemas tanto quanto os abordados na crônica abaixo, mas agora restabeleceu-se. Acredito que já está habitável outra vez, e continua a ser um bairro da classe média Porto Alegrense.
O fato é que me comovi com a sorte dos moradores das imediações da Praça Florida.
Houve uma tal degeneração urbana, via decadência social, naquele conjunto de ruas, que a prefeitura tinha de considerar a brutal desvalorização dos imóveis ali localizados, reduzindo prontamente o valor do IPTU que cobra deles.
Naquelas ruas que margeiam a Praça Florida, nomeadas abaixo, seus moradores se viram ilhados, como que num gueto, sem qualquer possibilidade de outra locomoção ou passeio que não seja recolherem-se imediatamente a seus lares, enfurnando-se dentro de casa, torcendo ainda para que os distúrbios das calçadas não os atinjam fisicamente no recôndito do lar, eis que auditivamente já convivem num inferno.
A desordem venceu ali a lei. E os marginais encurralaram os moradores dentro das casas, tangidos ao medo.
A carta que reproduzo abaixo dá uma idéia mais ampla do apartheid incrível verificado no bairro Floresta, vizinho do Centro.
"Prezado Paulo Sant´Ana. Ao ler sua coluna (ZH, 12/02/03), pude notar que ao menos uma pessoa, que nem é moradora do nosso bairro, demonstra preocupação com o que acontece diariamente aqui no bairro Floresta.
A Rua São Carlos e transversais estão se tornando um inferno. Os moradores da Rua São Carlos, bem como das transversais Sete de Abril, Câncio Gomes, Hoffmann, Almirante Barroso, Álvaro Chaves e Praça Bartolomeu de Gusmão (Pracinha Florida) estão em pânico. Estão presos em suas casas, impossibilitados de sair à noite e constrangidos ao chegarem em casa, vindos do trabalho e/ou das escolas com seus filhos, pois estas ruas, a partir das 19h, estão sob o domínio de prostitutas, travestis e traficantes, que mandam e desmandam neste local. Impossibilitados de se manifestar pessoalmente, pois temem represálias, os moradores já não sabem a quem apelar.
Como o senhor mesmo observou em sua coluna, diariamente tais indivíduos postam-se em frente às nossas casas e nas esquinas e ali, homens e mulheres seminus realizam o mercado da prostituição, praticando sexo na rua, nos canteiros, dentro dos automóveis estacionados em frente às nossas casas etc. Brigas, gritos, tiros e assaltos são freqüentes a qualquer hora da noite. Defecam e urinam nas calçadas, atiram preservativos e seringas por toda parte".
Prossegue: "O tumulto no trânsito ocasionado por motoristas que por ali passam a fim de olhar por curiosidade, bem como os que ali vão para dar ou receber serviços sexuais, é indescritível.
Diariamente os moradores telefonam para a polícia, pois em certas noites é impossível dormir em nossas casas devido às manifestações estrondosas desses travestis. A polícia afirma que nada pode fazer, pois não pode prender sem flagrante (basta permanecer cinco minutos de tocaia que você verá verdadeiros absurdos no que se refere a atentado ao pudor e a perturbação pública). Dizem também ser impossível impedir o direito de trabalho destas pessoas. Ou seja, os incomodados que se retirem, como costumam nos dizer os travestis indignados com nossa posição contrária a sua permanência. Inclusive, uma secretária do governo anterior também teve esta mesma atitude em um seminário realizado pela prefeitura em agosto passado.
Hoje, se denunciarmos abertamente esses elementos, amanhã estaremos sendo apedrejados em nossas casas, em nossos carros, como já tem acontecido, além de outros tipos de ameaças a nós e nossas famílias.
Então, eu pergunto: onde está a autoridade? Onde está o poder público constituído? Será que existe? É a desmoralização completa do cidadão, que fica à mercê desses elementos que nos incomodam a noite toda e todas as noites da semana.
Senhores, nada, absolutamente nada tem sido feito pelas autoridades a fim de sanar estes abusos, além de cobrar regiamente o IPTU. A cada dia esta situação piora. São necessárias medidas urgentes para estes fatos. É necessário tomar providências já.
Desculpe o desabafo, mas após ler sua coluna senti que posso contar com sua valiosa atenção e divulgação.
Obrigada, sinceramente! (ass.) Paulo Cezar Záchia Cerutti (paulo.cerutti@via-rs.net)".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Acho que nós, gaúchos, morremos de vontade de ser os bacanas do Brasil. Ou tão bacanas quantos os que se dão bem nacionalmente: paulistas e cariocas. Ficamos cismados como os baianos fazem mais sucesso do que nós na música. E isso é feio. Ser invejoso é feio, mas uma hora dessas a gente também irá crescer, eu acredito.
Show do Gil no Planeta Atlântida. No intervalo entre uma música e outra, a platéia começa a gritar: "Ah, eu sou gaúcho!". Gil não entende o que estão dizendo, chega mais perto do público e pede para repetir. Quando decifra a frase, diz: "E eu sou baiano!". E prossegue falando que tem também os mineiros, os paulistas, o pessoal de Fortaleza, do Rio Grande do Norte e do Sul... Enfim, que tudo isso é o Brasil. Todos somos brasileiros, e é essa diversidade toda que faz do Brasil um país interessante. Foi educado. Na verdade, pareceu um tanto surpreso com esse tipo de grito, em princípio tão fora de propósito. A sua resposta imediata foi que ele era baiano, como quem diz: "Sim e aí?".
O grito de afirmação da condição de gaúcho se repete em comícios, em shows, em jogos de futebol. Mesmo que seja jogo da Seleção Brasileira. Mesmo que seja comício para presidente. Ou show de banda de rock americana, pra quem ser gaúcho não deve significar lhufas.
Mas o que está sendo gritado na verdade? Parece ao mesmo tempo um grito de orgulho e de auto-afirmação. Ecos de separatismo e de Revolução Farroupilha. Mas o que parece mesmo, para mim, é uma baita duma formação reativa. Aquele sentimento que Freud mostrou: dizer uma coisa quando na verdade o que queremos é o contrário. Acho que nós, gaúchos, morremos de vontade de ser os bacanas do Brasil. Ou tão bacanas quantos os que se dão bem nacionalmente: paulistas e cariocas. Ficamos cismados como os baianos fazem mais sucesso do que nós na música. E os mineiros? Por que eles e não a gente? Ah, quando o Paraná começa a passar na nossa frente, não agüentamos. Aí, é demais. Então, dizemos, que se lixem! Fiquem vocês com o Brasil. Vamos cair fora. Nós nos bastamos e nos amamos. Nós somos gaúchos.
Esse sentimento dúbio é o que dificulta enxergar nossas qualidades do tamanho que elas realmente são. Ou, pior, só reconhecermos o nosso valor depois que o Brasil, aquele Brasil que nós não somos, concede a nós o passaporte para fazer parte do país.
Enquanto isso, criamos a literatura gaúcha, a música gaúcha, o teatro gaúcho, o cinema gaúcho... Sim, há peculiaridades locais. Sim, nós nos validarmos também é saudável. Mas o que interessa é perguntar se estamos sendo novos e bons a ponto de virar referência, trazendo uma contribuição relevante para o cenário. Em muitos casos, estamos. E o valor disso independe de reconhecimento externo. Nei Lisboa, por exemplo, não é só um dos melhores compositores gaúchos. É um dos melhores compositores de música popular brasileira dos últimos 20 anos. Temos que dizer isso para nós mesmos e para o resto do Brasil.
É claro que os paulistas gritam "eu sou paulista" todo dia, dominando a economia brasileira. Os cariocas todo dia na TV, que é feita no Rio e vendida como nacional para todo o país. Talvez o grande segredo deles tenha sido gritar: "Ah, eu sou brasileiro!".
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br
Aliás, o melhor da amizade é poder ficar quieto. Porque também a gente não liga todo dia para os amigos pra dizer: "Olha, vi tua namorada no shopping, ela está uma ruína, né?" E esperar que as pessoas se manifestem, sobretudo que gostem, seria mortal: o estresse liquidaria com a alegria do trabalho. Imaginem, uma pessoa escreveu dizendo que não vê comentários neste blog e há o espaço para eles em todos os posts. E aí se as pessoas não querem comentar os escritos ou as imagens, vou ficar mais triste do que normalmente já sou?
Há qualquer coisa de especial nisso da crônica. Eu tinha esquecido como era, botar minha cara na janela do jornal. Isso do gosta/não gosta, fala/não fala. O cronista não escreve para ser gostado nem xingado, embora sabendo que vão acontecer as duas coisas. Ele escreve porque sim. Num ano serão dezenas de artigos, em alguns anos tudo se perdeu na poeira aquela.
Inevitavelmente no dia da crônica, as pessoas te olham com diversas caras (algumas por conta da paranoiazinha de todo escritor): a cara do que acha que devia dizer alguma coisa mas não leu; o que gostou mas podia ter sido melhor, sobretudo se for amigo: pra eles, a gente tem de ser sempre o máximo. O que detestou e sente até pena de você. Tem o eterno sabichão: "Você está quase acertando..." Há o que gostou mas não é de falar, aí faz aquele olhar cúmplice. Aliás, o melhor da amizade é poder ficar quieto. Porque também a gente não liga todo dia para os amigos pra dizer: "Olha, vi tua namorada no shopping, ela está uma ruína, né?"
Esperar que as pessoas se manifestem, sobretudo que gostem, seria mortal: o estresse liquidaria com a alegria do trabalho. A unanimidade provaria que a gente nem existe. Crônica algumas vezes também é feita, intencionalmente, para provocar. Além do mais, em certos dias mesmo o escritor mais cancheiro não está lá grande coisa.
Tem os que mostram sua cara escrevendo neste endereço eletrônico para reclamar: moderna demais, antiquada demais. Alguns discorrem sobre o assunto, e é gostoso compartilhar idéias.
Velhice e Alma com osteoporose, por exemplo, renderam um montão de recados: "Você escreveu exatamente o que eu sinto", "Isso é exatamente o que falo com meus pacientes", "É isso que digo para meus pais". Os estímulos são valiosos pra quem nesses tempos andava meio assim: "Toda a minha família e eu agora nos telefonamos nos sábados perguntando: Já leste a Lya?" Isso é como me botarem no colo - também eu preciso. Na verdade nunca fui tão posta no colo por leitores como nesta janela do jornal.
De modo que está sendo ótima essa brincadeira séria. Porque eu levo a sério ser sério... mesmo quando parece que estou brincando. E essa é uma das maravilhas de voltar a fazer crônica. Além dos amigos que estou conquistando - e até reencontrando - aqui.
Relatório dos inspetores não confirma acusações dos EUA sobre armas no Iraque
Centenas de cidades em todo o mundo fazem hoje manifestações contra a guerra
Esta é a capa da Revista Isto É que pela terceira semana sai na frente da Revista Veja e publica sua capa e as reportagens já na sexta-feira a noite. Da reportagem principal posto aqui a primeira parte, mas como está toda no site da Revista, aqueles que se interessarem é só acessar o site da mesma, cujo link está na capa. Possui inúmeras outras reportagens interessantes como sempre e no domingo já estará em todas as bancas do País e numa bem pertinho aí de sua casa. Boa leitura.
Verde que te quero dólar
Com tecnologia e pesquisa, a agropecuária bate recordes sucessivos, cresce a ritmo chinês e cria um país à parte, moderno e rico Eduardo Marini e Luiza Villaméa
Revolução: Os irmãos Gatto, que começaram embaixo da lona, hoje controlam 12,5 mil hectares e uma fábrica de sementes
Valter, Luiz Carlos e Clair Gatto, os três gaúchos da foto ao lado, estão em Barreiras, no oeste da Bahia, desde 1981. Nos dois primeiros anos, chuvas e ventanias foram enfrentadas embaixo de uma lona. Hoje, a Fazenda Irmãos Gatto se espalha por 12,5 mil hectares (cada hectare mede dez mil metros quadrados) do chamado anel da soja, uma das regiões mais produtivas do País.
Cinco mil hectares estão cobertos de soja e milho e 500, de pés de algodão. Dois anos antes do início dessa saga, Orlando Tomo, filho de japoneses nascido no interior paulista, arrematou 1,1 mil hectares em Rio Verde, no sudoeste de Goiás, com o que sobrou da compra de outro pedaço de terra no Alto Araguaia. ¿Comprei 230 oquerón (¿alqueirões¿ nordestinos, cada um com 4,84 hectares) com o torôco (troco). Dois mil cada oquerón.¿, explica o produtor, com seu sotaque carregado. Tomo só fez o negócio porque o preço era baixo demais. Não acreditava no potencial da propriedade nem no da cidade. Por isso, deixou a terra abandonada nos anos 80 e arrendou-a na década seguinte. Agora, prepara-se para colher sua primeira safra ¿ 60,5 mil sacas de 60 quilos de soja.
Deverá ter faturamento bruto de pelo menos US$ 605 mil, cerca de R$ 2,15 milhões, se vender o produto para o mercado internacional ao preço mínimo de US$ 10 a saca, como espera. A média histórica de preço da saca de soja no mercado internacional é US$ 9. O lucro do produtor varia de 20% a 50% da produção, dependendo do nível de endividamento e da necessidade de repor insumos para a próxima plantação.
É raro descobrir viagens do purgatório ao paraíso rápidas como essas em qualquer ramo de atividade. Os casos dos irmãos Gatto e de Tomo não são, no entanto, frutos exclusivos do talento de empreendedores competentes e solitários. ISTOÉ visitou fronteiras agrícolas em várias regiões do País e encontrou resultados de uma espécie de furacão de bonança que atingiu a agropecuária brasileira na década passada e, sobretudo, nos últimos cinco anos. O alto investimento em tecnologia e as pesquisas de centros eficientes, como a Embrapa, provocaram uma revolução nos índices do campo.
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8:40 PM
by Cassiano Leonel Drum
O tablóide inglês Daily Mirror aproveitou o Dia dos Namorados no país para mandar uma mensagem de paz ao mundo. A capa da edição desta sexta-feira trouxe o presidente americano, George W. Bush, beijando o primeiro-ministro inglês, Tony Blair, junto com a frase: "Faça amor, não faça guerra".
A decisão de oferecer apoio ao plano americano de ataque ao Iraque levou Blair a um de seus mais baixos índices de popularidade. Neste sábado, centenas de cidades por todo o mundo serão palco de manifestações contra a guerra.
Para onde foi o amor? Casos como o de Sara e Alexandre Alvarenga, que tentaram matar os filhos, mostram que a violência invadiu a família e ameaça aquela que era considerada a mais sagrada das instituições
Situações que favorecem as agressões no ambiente familiar
Chico Silva, Juliana Villas e Rita Moraes
Colaboraram Carla Gullo, Greice Rodrigues e Madi Rodrigues
Depois de um almoço típico de domingo na casa de uma tia, o produtor e cantor sertanejo Alexandre Alvarenga, 31 anos, e sua mulher, Sara Maria, 32, destroçaram o quadro de família feliz que representavam no bairro de Cambuí, em Campinas, interior de São Paulo. Tidos como pais amorosos e cuidadosos com os filhos, José Alexandre, um ano, e Alessa, seis, eles quase os mataram depois de jogar seu carro contra outro veículo. Num acesso de fúria, Alexandre bateu várias vezes a cabeça em seu Pálio, arremessou o bebê contra o pára-brisa de uma Blazer em movimento e começou a bater a cabeça da filha numa árvore próxima. A mãe, como que contagiada, também socava a cabeça na árvore. Os dois só foram contidos com sedativos. Acusado de dupla tentativa de homicídio, o casal ficou, por decisão judicial, quase a semana inteira na ala de psiquiatria do Hospital Celso Pierro, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Na quinta-feira 6, um laudo toxicológico divulgado pelo Hospital Celso Pierro informou que o casal usou cocaína, sem precisar, no entanto, se no momento do acidente estavam sob efeito da droga.
O casal, que pode pegar até 30 anos pelo crime, foi levado ao Centro de Detenção Provisória do Complexo Penitenciário de Campinas e Hortolândia. O bebê teve traumatismo craniano e permanece em estado grave no Hospital Municipal Mário Gatti, enquanto sua irmã, que sofreu ferimentos leves, está sob os cuidados dos avós maternos.A dupla desafinou.
Um sujeito tranquilo. Era essa, até a tarde do domingo 2, a melhor forma para definir Alexandre Alvarenga, 31 anos. No prédio em que vive, no chique Cambuí, em Campinas, ao lado da esposa, Sara, 32, e dos filhos, Alessa, seis, e José Alexandre, um, levava uma vida sossegada e, acima de tudo, discreta. Um dos funcionários do edifício conta jamais ter ouvido qualquer sinal de briga ou discussão no apartamento. Não havia também nenhum indício de que o casal consumisse algum tipo de droga. Com grande espanto, receberam a notícia do resultado do exame toxicológico na quinta-feira 6. A prova revelou que o casal havia consumido cocaína. Empregados e moradores contam que Sara e Alexandre nunca levantaram suspeitas. Eles não desgrudavam dos filhos, que eram cercados de mimos e carinhos. Costumavam levá-los ao estúdio na casa da mãe de Alexandre. A rotina do casal, que saía todos os dias para trabalhar no final da manhã e só retornava no início da madrugada, dificultava a criação de vínculos de amizade no prédio. Síndica há 11 anos, Marley Biagiotti, 56 anos, conta que não conhecia o apartamento da família. ¿Eles eram simpáticos, mas muito reservados¿.
O músico teve uma formação rígida. Maria José Camargo Alvarenga, sua mãe, é católica fervorosa e trabalha como ministra da Igreja de São Sebastião, no bairro de Bela Vista, onde mora. Viúva há 21 anos, criou Alexandre e a irmã, Daniela, 28, portadora de doença mental, praticamente sozinha. Alexandre não foi de dar trabalho.Até então, nunca havia usado drogas, odiava cigarros e bebidas alcoólicas. As festas na casa deles só têm refrigerante e suco. Se alguém está fumando na casa da mãe, ele pede para a pessoa ficar lá fora, conta Irma Rampasso Germano, 59 anos, amiga de infância e vizinha de Maria José. No final de janeiro, diz ainda Irma,ele teria dito à mãe que estava apreensivo por ter entrado num caminho errado, do qual não conseguia mais sair. Não se sabe a que se referia, talvez ao ingresso na droga.
A religiosidade do casal Alvarenga também chamava a atenção.Certa vez, ele me disse para ir à igreja e distribuiu panfletos do grupo de oração do qual fazia parte¿, diz um funcionário do condomínio onde residiam. Xandy e Sara seriam integrantes da Renovação Carismática, corrente da Igreja Católica da qual faz parte o padre cantor Marcelo Rossi. A pedido da mãe de Alexandre, o padre Eduardo, coordenador da corrente em Valinhos, município vizinho a Campinas, foi ao hospital rezar pelo casal e pela saúde do bebê. Mas na comunidade ninguém sabe informar se Xandy e Sara frequentavam o grupo de oração. Eu não os conheço. Mas a Renovação Carismática é muito maior do que isso tudo. Estou orando pelo destino dessa família, diz Carlos Alvin, coordenador da Renovação em Campinas. Maria José, a mãe do músico, disseque o casal estava afastado da Igreja havia alguns meses.
No almoço do domingo, Alexandre teria tomado um copo de cerveja e começou a falar em Deus com certo exagero. A Maria me disse que até estranhou, de tanto que ele falou em Deus naquele dia, conta Irma. Ao sair da casa da tia, o casal deixou a mãe de Alexandre na casa de uma amiga. Depois, seguiria para o estúdio de gravação, nos fundos da casa de Maria José, para encontrar alguns músicos. Alexandre, entretanto, fez um percurso diferente do habitual e foi parar próximo ao Bosque dos Alemães, onde de forma insana quase matou os filhos.
De acordo com a agência de notícias Anhanguera, o pai de Sara, Santo Otávio Rosolen, disse, após visita ao hospital, que o casal estava participando de uma seita demoníaca contatada pela internet. Agora eles estão com o pai, teria dito a moça, acreditando na morte das crianças. A informação teria sido confirmada pela própria Sara a um carcereiro da cadeia pública de Valinhos, onde ela esteve detida. Dois dias depois, Santo desmentiu o que havia dito e não se manifestou mais. Em sua casa impera a lei do silêncio. Os Rosolen estão com a guarda de Alessa e ficam o dia todo com as janelas fechadas. O único a se manifestar é João Suzuki, cunhado de Sara. Ele afirma que o casal não participava de seita alguma. Não sei a que igreja eles iam, se iam. Já deixei minhas duas filhas sob os cuidados deles e, até onde eu sei, são normais. Nas demais tentativas de falar com os Rosolen, a reportagem de IstoÉ foi atendida pelo interfone da casa. A voz que se identificou apenas como João, amigo da família, disse que Alexandre e Sara eram da Renovação Carismática. Alessa, que já se recuperou dos ferimentos na cabeça e está com a avó materna, perguntou pelos pais algumas vezes e se distrai brincando com as primas, alheia ao estado de saúde crítico em que se encontra o irmão.
E a da esquerda o presente de Dia dos Namorados do ator Rodney Dangerfield para sua mulher vai ser levado de helicóptero até sua casa em Los Angeles. Quem pode, pode.
No dia dos namorados que é comemorado nesta data, internacionalmente, já que aqui é no dia 12 de junho, veja mais algumas fotos disponíveis no site do Terra.
A esquerda a noiva Sucada Thongyoy, 31, recebe um beijo de seu noivo, Sutep Youchang, 34, durante seu casamento, celebrado no Dia dos Namorados.
E a direita noivas e noivos posam sobre elefantes durante sua cerimônia de casamento na província de Ayutthaya
Bom pelo menos o Banco do Brasil desencanta e descobre que mulher tem tanta ou até mais capacidade que alguns homens e nomeia uma para a diretoria do banco. E vamos aguardar para ver se o Conselho Deliberativo da PREVI aprova o nome do funcionário de carreira do Banco para a Presidência da mesma.
CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 14 DE FEVEREIRO DE 2003
Brasília - O presidente do Banco do Brasil, Cássio Casseb Lima, anunciou ontem o nome da primeira mulher na história do banco a ocupar o cargo de diretora. A pedagoga Rosa Said comandará a Gestão de Pessoas. A BrasilPrev será presidida por Eduardo Bom Angelo - que tem formação pela USP e pós-graduação pela EASP-FGV/SP - e presidiu a Cigna Previdência e Investimentos, entre 1998 e 2002. Para a presidência da Caixa de Previdência (Previ), foi indicado o jornalista Sérgio Rosa, funcionário do BB. O nome de Rosa será submetido ainda ao conselho deliberativo da entidade.
Voces verificam que em todos os balanços divulgados pelos bancos, os lucros cresceram ainda mais em 2002. E bancos pequenos, como o Real e o Unibanco apresentando lucros cima de 1 bilhão é uma comprovação de que a população deve efetivamente estar mais pobre destes mesmos valores.
O Unibanco registrou lucro líquido de US$ 1,010 bilhão em 2002, superando em R$ 38 milhões o lucro de 2001. Uma das razões é o aumento na base de clientes, o que garantiu maior volume de receitas com prestação de serviços. As receitas do banco com prestação de serviços em 2002 cresceram 19,7%, passando para R$ 2,616 bilhões.
O Banco Real, a operação brasileira do holandês ABN Amro Bank, alcançou lucro de R$ 1,208 bilhão em 2002, com crescimento de 54% em comparação ao resultado ano anterior. Os ativos do Banco Real cresceram 16,2%, e atingiram R$ 37 bilhões.
Os fundos e carteiras administrados pelo Real, porém, recuaram 19,8%, fechando o ano com R$ 13,9 bilhões.
Bom pelo menos está dizendo o obvio que não pode desisitr de recursos que estão pedindo além do que foi decidido pelo STF. Mas é bem mais fácil explicar, e concordar que os que estão pedidndo somente os planos e que, neste caso, não adianta recorrer, que será somente um ganho de tempo, pois que terá que paga-los de qualquer forma, poderão voltar aos tribunais de origem para pronto pagamento, isso se o FGTS tiver recursos para bancar, mas ai já é outra conversa.
A Caixa Econômica Federal explicou ontem que nunca cogitou desistir de todos os recursos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) porque é "obrigada" a mantê-los.
Em nota distribuída ontem, a autarquia explica que os recursos que estão no tribunal foram interpostos contra decisões dos Tribunais Regionais Federais que a condenam a pagar a correção também para outros planos econômicos, além dos planos Verão e Collor 1, e que se estendem a outros aspectos processuais, como honorários advocatícios e juros moratórios.
A direção da Caixa admitiu, porém, que "poderá analisar também cada um dos processos do STJ com vistas a adotar o mesmo procedimento em relação aos processos que tenham decisão específica sobre os planos Verão e Collor 1", referindo a acordo firmado com o Supremo Tribunal Federal (STF), em fevereiro de 2002. Para poder desistir de ações judiciais, lembra a nota, é preciso que haja concordância da Advocacia Geral da União (AGU).
A direção da autarquia insiste em que não foi iniciado "nenhum entendimento junto ao STJ", como afirmou no início da semana o presidente do tribunal, ministro Nilson Naves.
Como é que uma mesma pessoa pode ser assim tão profundamente amorosa e tão traiçoeiramente cruel, a comprovar o verso imortal de Olavo Bilac, que diz que "residem juntamente no peito do homem um demônio que ruge e um deus que chora"? Como os dois ainda são jovens, solteiros, não teem a idéia do que é perder um filho fruto de um amor, esperado, amado por nove meses e quando chega é usurpado furtivamente.
E não tem idéia do que é ficar assim por 16 e 23 anos na busca dia após dia deste filho. De todas as noites vendo-o nos sonhos, de procurá-lo em todos os rostos que eram encontrados na rua. Ainda que Deus foi generoso e pôs fim a esta busca, fazendo-os encontrar estes filhos. Só que a dor maior ainda é esta da indiferença e até acredito, nem tanto pela indiferença, como pelo amor dedicado ao algoz.
Paulo Sant'ana
14/02/2003
Filhos do coração
Supera a literatura este caso dos dois jovens que foram seqüestrados quando ainda eram bebês em maternidades de Brasília e Goiânia.
O rapaz tem agora 16 anos, a garota, 23 anos. Foram criados pela seqüestradora, que chegou até a simular o parto do rapaz, enganando seu marido.
O que impressiona neste caso é a distância afetiva enorme que separa as duas mães biológicas e legítimas dos dois jovens. A ponto de que nenhum dos dois seqüestrados sequer admitiu a hipótese de vir a se juntar à sua mãe biológica. Pela simples e brutal razão de que não cogitam de se separar da mãe ilegítima, por quem eles nutrem original amor, nascido e desenvolvido na criação generosa que a seqüestradora lhes ministrou.
É também fantástico que a seqüestradora não tenha se satisfeito em roubar Roberta de sua mãe biológica, em plena maternidade, em 1979.
Compreende-se e quase se tolera que uma mulher, impedida de ter filhos, embora cometa crime hediondo, principalmente contra a mãe biológica, seqüestre um bebê e se transfigure em sua mãe para todos os outros efeitos.
No entanto, Vilma Martins Costa, a seqüestradora, diante do sucesso de seu crime, foi seqüestrar outra criança sete anos mais tarde, formando assim um deletério casal de filhos, conseguido à base da dor e do desespero das mães legítimas de quem foram arrancados.
E o mais incrível neste caso é que o objetivo da seqüestradora não era iníquo, era nobre: ser mãe e ter filhos, dedicar-lhes amor profundo e guiá-los pela vida.
Como é que esta mulher que assim mostrou um móvel tão digno para seu indigno gesto, pôde conviver durante estes últimos 23 anos com seu próprio coração, ao mesmo tempo tão largo e humano pelo amor que dedicou a seus filhos espúrios quanto frio, pétreo e cruel para com as mães biológicas surripiadas de seus dois amados rebentos?
Como é que uma mesma pessoa pode ser assim tão profundamente amorosa e tão traiçoeiramente cruel, a comprovar o verso imortal de Olavo Bilac, que diz que "residem juntamente no peito do homem um demônio que ruge e um deus que chora"?
Mas não me sai da cabeça a indiferença glacial dos dois jovens para com suas mães biológicas, não lhes dando qualquer esperança de que as venham a reconhecer como titulares do seu amor, enquanto manifestam claramente uma fidelidade perpétua pela seqüestradora, cuja criação os conquistou em definitivo.
E chega a ser espetacularmente filosófico que não tem valor moral algum o registro de nascimento que os pais fazem no cartório: os filhos é que, depois de criados, tinham que ir ao cartório para registrar e declarar se reconhecem ou não reconhecem os seus pais como verdadeiros pais.
Ou seja, fica paradoxal e sublimemente provado, por esse importante detalhe, que filhos não nascem da caverna do ventre, mas têm origem e se legitimam nas dobras do coração.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Como são estudos de caso acredito todos possamos aproveitar e aprendermos com os conselhos fornecidos nos três exemplos abaixo:
Três Casos Típicos analisados num encontro mundial de gestão empresarial
Caso 1:
Ia uma jovem passear com o seu namorado, quando ouviram uns empregados de uma obra gritar:
- Oh cara, não leva para passear, leve ela pra um lugar escuro e traça!!! O rapaz, muito envergonhado,
segue o seu caminho com a namorada e passam por um parque onde estão vários aposentados sentados que,
ao vê-los, começam a falar ao noivo:
- De mãozinha dada com a mina, devia é levá-la para um motel, seu tonto!!!!
O rapaz, cada vez mais envergonhado, deixou namorada em sua casa e despediu-se:
- Então até amanhã, meu amor!
A noiva responde-lhe :
- Até amanhã, surdo de merda!!!
Conclusão:
Escuta e põe em prática os conselhos dos consultores externos. É gente com experiência e, se não escutá-los, sua imagem e gestão empresarial ver-se-ão seriamente deterioradas.
Caso 2:
Um réu, condenado a prisão por assassinato em primeiro grau, consegue fugir depois de 25 anos na prisão.
Ao fugir, entra numa casa onde dorme um jovem casal. O assassino prende o homem a uma cadeira e a
mulher na cama. A seguir, encosta o seu rosto ao peito da mulher, diz alguma coisa, a seguir sai do quarto.
Imediatamente, arrastando a cadeira, o marido aproxima-se da esposa e lhe diz:
- Meu amor, este homem não vê uma mulher há anos. Eu o vi beijando teu peito e aproveitando que ele se
afastou um pouco, quero pedir-te que coopere com ele e faça tudo o que ele te pedir.
Se ele quiser fazer sexo contigo não o evite e finge que gosta.
Por favor, as nossas vidas dependem disso!!! Seja forte, minha linda, eu te amo. A jovem esposa diz ao marido:
- Querido, estou feliz que pense assim! Realmente este homem não vê uma mulher há anos, e, no entanto,
não estava beijando meu peito. Ele me disse ao ouvido que gostou muito de você e foi no banheiro procurar vaselina.
Seja forte, meu lindo, eu também te amo muito.
Conclusão:
Não estar verdadeiramente informado pode trazer sérios inconvenientes.
A informação atualizada e exata é fundamental para evitar surpresas desagradáveis.
Caso 3:
Um rapaz vai a uma farmácia e muito embaraçado diz ao farmacêutico:
- Senhor, me vê um preservativo. A minha namorada me convidou para ir jantar esta noite na casa dela.
Já saímos há três meses e a mina parece que vai me pedir para lhe pôr o "termômetro".
O farmacêutico vende o preservativo e o jovem sai da farmácia. De imediato, o rapaz volta a entrar, dizendo:
- Senhor, é melhor comprar outro, porque a irmã da minha namorada, é uma boazuda de primeira, passa a
vida a cruzar as pernas na minha frente que às vezes até lhe vejo as entranhas. Acho que também quer algo,
e como vou jantar hoje lá na casa ... O farmacêutico vende o preservativo e o jovem sai da farmácia.
Logo em seguida o garoto volta, dizendo:
- Senhor, acho que vou comprar mais um, porque a mãe da minha namorada também é muito da hora.
Quando a filha não está no pé, passa a vida a insinuando de um modo que me deixa embaraçado,
e como eu hoje vou jantar lá na casa...
Chega a hora da comida e o rapaz senta-se na mesa com a sua namorada ao lado.
O rapaz, baixa imediatamente a cabeça, une as mãos e começa a rezar:
- Senhor, abençoa estes alimentos, bzzzz, bzzzz, bzzzz,... damos-te graças por estes alimentos ...
Passa um minuto e o rapaz continua de cabeça baixa rezando:
- Obrigado Senhor por estes dons, bzzz, bzzz, bzzz....
Passam cinco minutos e prossegue :
- Abençoa Senhor este pão, bzzz, bzzz, bzzz,....
Passam mais de dez minutos e o rapaz continua de cabeça baixa rezando.
Todos se entreolham surpreendidos e a namorada diz-lhe ao ouvido:
- Meu amor, não sabia que eras tão crente ...!!!
- E eu não sabia que o teu pai era farmacêutico !!!
Conclusão:
Não comente os planos estratégicos da empresa com desconhecidos,
porque isso pode destruir a sua própria organização. J.C.Orbatiuck
E para concuir este espaço de recreio, mais esta enviada pelo Dr Andre A Ponssoni:
O pai vai escutar a conversa de sua filha com o namorado trancados no quarto dela e, após murmúrios e beijos, ele escuta a filha dizer carinhosamente:
"Só casando..."
Ufa, respira aliviado o pai, a minha filha, só depois de casar, pensa ele.
Insiste mais um pouco, e a ouve novamente repetir mais vigorosamente:
"Só casando..."
A tranqüilidade bate a sua porta e o paizão fica imaginando como ele a educara tão divinamente. Mas a dúvida ainda existia e ele a escuta dessa vez já gritando:
"Só casando..."
Aliviado, se dirige à sala de estar onde acende um cigarro e agradece ao Senhor:
"Obrigado, meu Deus, por mostrar a minha filha o caminho certo."
Após alguns minutos, chega a filha toda escabelada na sala:
- Oi pai, nem vi que o senhor estava aí. Ah, vou aproveitar para lhe apresentar meu namorado novo, o "Zando".
Bom se continuar assim logo, logo teremos apenas uma empresa aérea no País, porque unindo as três maiores, com certeza a Gol não sobreviverá sozinha, pois como irá fazer frente aos preços da outra gigante que se formará da junção das três que já são superiores.
A Vasp ainda espera fazer parte de um acordo para a reestruturação do setor aéreo no país. Segundo o presidente da companhia, Wagner Canhedo, a Vasp continua buscando negociar com Varig e TAM, que anunciaram na semana passada a intenção de criar uma nova empresa nacional. No entanto, ele diz que o modelo que as duas companhias sugeriram até o momento não interessa à Vasp. ´Há cinco anos nós já defendíamos uma fusão, mas não concordamos que ela abrigue os ativos intangíveis. Para que a nova empresa tenha futuro ela deve ser criada somente com ativos reais", diz. O empresário, no entanto, diz não ter idéia sobre os números que estes ativos representam nas três empresas.
O modelo de fusão defendido por Canhedo prevê a participação igualitária das empresas e, caso alguma não tenha ativos suficientes para participar, ficaria devendo à holding. ´Assim, quando fossem distribuídos os dividendos, o valor seria descontado." Canhedo também defende que antes de uma fusão as companhias resolvam problemas pendentes e organizem seus balanços.
Um destes problemas é o crédito de ICMS que as empresas aéreas possuem junto aos Estados. As companhias pedem que o crédito seja federalizado, para facilitar o recebimento, e que depois o governo federal receba o valor dos governos estaduais. A Vasp teria, segundo Canhedo, cerca de R$ 500 milhões a receber.
Outra briga é a reparação das perdas sofridas ao longo dos planos econômicos, que as empresas estão tentando resolver na Justiça. De acordo com Canhedo, após esses dois passos seria ainda necessário enxugar os balanços e só então pensar na fusão.
Do governo, o empresário solicita redução da carga tributária e a federalização dos crédito. Segundo ele, enquanto as empresas norte-americanas pagam 7%, as brasileiras pagam 37%. ´Fora isso, nós empresários temos de fazer o dever de casa", colocou.
Caso a Vasp não seja incluída na fusão com a Varig e a TAM, Canhedo disse que a empresa vai seguir o seu caminho aplicando um plano de crescimento. Ele negou que a saída seja um plano B. ´Vamos seguir o que já está planejado", garante. O plano inclui dobrar a frota atual, que atualmente conta com 32 aviões. Canhedo disse que a empresa está negociando com a Boeing e a Embraer para esta renovação e que buscaria recursos no mercado internacional para bancar a operação.
O presidente da Vasp diz que a compra dos novos aviões não aprofundaria ainda mais a crise no setor, que passa por um dos maiores excessos de oferta de assentos já vistos. ´A Vasp não tem participação nesse excesso de oferta. Ela foi causada pela TAM, Varig e Gol", disse.
Se conseguir implantar o plano de crescimento, Canhedo acredita que a Vasp vai conseguir fechar no azul neste ano. Os balanços de 2002 ainda não estão fechados mas, segundo ele, a previsão é que a Vasp feche o ano com um prejuízo de cerca de R$ 20 milhões. Ainda assim ele comenta que a empresa está em uma situação confortável diante de outras companhias.
Canhedo também descartou qualquer possibilidade de a Vasp fechar um acordo de fusão com a Gol, por exemplo. A Gol é uma empresa com uma trajetória totalmente diferente da Vasp", disse. (AF)
Carlos Borges, presidente da Fenae, será o vice-presidente de Transferência de Benefícios da Caixa Econômica Federal. O anúncio oficial aconteceu ontem. Os nomes de Carlos Borges e dos outros dois vices foram aprovados na última sexta-feira pelo Conselho de Administração da Caixa.
Há dois mandatos na presidência da Fenae, o maranhense Carlos Borges já foi diretor financeiro da Federação, de 96 a 99, diretor de esportes e vice-presidente, de 93 a 96, e conselheiro fiscal, de 90 a 93. Borges também foi presidente da Fenae Corretora de Seguros e Administração de Bens.
Empregado da Caixa desde 82, Carlos Borges foi gerente e chefe de setor nas áreas de Administração e Recursos Humanos. No movimento, também atua há diversos anos na Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa), é membro do Conselho Nacional da Confederação Nacional dos Bancários (CNB-CUT) e representou os trabalhadores no Conselho Curador do FAT e os associados da Funcef no Comitê de Investimentos da fundação. Formado em Economia, fundou e dirigiu o diretório acadêmico de seu curso, na UFMA (Universidade Federal do Maranhão).
Os dois vices indicados ontem são Fábio Lenza, para Negócios Bancários e Imobiliários, e Paulo Roberto Paixão Bretas, para Logística.
O currículo de ambos divulgado pela Caixa é o seguinte:
"Fábio Lenza é empregado da Caixa e atuava, até recentemente, como secretário parlamentar na Câmara dos Deputados. Engenheiro civil, tem experiência na Caixa como consultor nas áreas de orçamento, controladoria e conformidade, bem como na supervisão de atividades de informações gerenciais, avaliação de desempenho e controles internos. Ainda na Caixa, foi gerente das áreas de Canais Alternativos, Negócios por Telemarketing e Informações Negociais. Lenza já atuou como consultor na área de gestão, especialmente planejamento estratégico, avaliação de desempenho de unidades e indicadores de desempenho e financeiros."
"Paulo Roberto Paixão Bretas é um profissional de mercado especialista em planejamento estratégico, acompanhamento e controle gerencial, gerência de informações e cenários macroambientais. Já atuou como professor e gerente de programas de desenvolvimento de executivos na Petrobras, Banco Alfa, Credicard, Banco do Nordeste e Bradesco, entre outros. Como executivo, participou com êxito da elaboração de projetos e planos estratégicos nas áreas de televisão, internet e telecomunicação. Paulo atuava como professor na Universidade Estadual de Minas Gerais e como professor e gerente de projetos na Fundação Dom Cabral."
Os demais vices da Caixa são Wilson Risolia (Ativos de Terceiros), Aser Cortines (Desenvolvimento Urbano e Governo), João Dornelles (Controladoria), Marcos José Rodrigues Torres (Administração de Riscos), Fernando Nogueira da Costa (Finanças e Mercado de Capitais) e João Carlos Garcia (Segmentos e Distribuição).
Bom agora temos ai a figura do Presidente do STF, criticando a postura da CAIXA que teima em protelar as ações, tão somente para ganhar tempo, já que os recursos serão improvidos como se sabe. Não está sendo colaborativa e ainda está se incompatibilizando com o judiciário, onde as relações já não são as melhores, ainda que patrocine muitos eventos daquela. Fico chateado que seja assim.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, criticou ontem a decisão da Caixa Econômica Federal (CEF) de continuar recorrendo apenas para ganhar tempo, nas causas já perdidas relativas à correção dos saldos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) referentes aos planos Collor e Verão.
- Seria má-fé continuar com esses recursos sabendo que não vão ser providos - disse Mello.
Segundo ele, esses recursos meramente protelatórios "emperram a máquina do Judiciário".
Para o presidente do Supremo, seria "louvável" se a Caixa desistisse dos recursos existentes no Superior Tribunal de Justiça (STJ). No início da semana, o presidente do STJ, Nilson Naves, disse que tinha informação "quase oficial" de que a Caixa analisaria as ações existentes no tribunal sobre FGTS para verificar se era o caso de desistir delas.
A informação foi negada pela Caixa em duas notas oficiais, criando mal-estar entre a instituição e o tribunal.
Mello observou que a correção do FGTS já foi decidida pelo STF e que essa triagem nos processos já vem sendo feita em seu tribunal por funcionários da CEF desde o ano passado. Já foram homologados 33.025 pedidos de desistência da Caixa em ações sobre o FGTS no Supremo.
Meu nobre Sant'Ana explica, mas não justifica as atitudes de nosso goleiro, que é sempre o primeiro a entrar nas discussões e empurra-empurra que se metem os jogadores do Grêmio. E isso só acontece quando falta futebol. Porque enquanto eles estão gnhando as coisas estão ótimas, mas quando estão perdendo ninguém ouse encostar num jogador gremista que arma-se aquela confusão. Como ultimamemente está faltando futebol, as confusões estão sendo sistemáticas.... Que feio isso.
Desculpem os leitores que não gostam que eu aborde futebol nesta coluna, mas é que inúmeros colorados me escreveram estranhando que eu não tivesse me fixado na suposta ou concreta cabeçada que o goleiro gremista desferiu no juiz reserva, durante escaramuças do Gre-Nal.
Pois agora então, atendendo aos leitores, vou me manifestar sobre essa polêmica que já dura quatro dias.
Ontem, no Sala de Redação, o Wianey Carlet, em determinado momento, perguntou: "O que o Danrlei foi fazer, saindo de sua área, lá perto do círculo central do gramado, metendo-se naquela confusão toda?"
O Cacalo, acuado, respondeu bem: "É preciso ficar claro que não é proibido ao goleiro, durante o jogo, sair da sua grande área. Ele pode atuar em todo o campo".
Foi a partir desse raciocínio do Cacalo que me acendeu uma luz dentro de minha calota craniana, dando-me plena compreensão dessas atitudes do Danrlei.
Acompanhem-me em minhas razões. O goleiro do Grêmio esteve recentemente suspenso por um longo ano pela Confederação Sul-Americana de Futebol por ter sido acusado de desferir um chute em um bandeirinha de um jogo da Libertadores. Como vou demonstrar logo a seguir, uma punição profundamente injusta.
Agora os colorados verberam que Danrlei deu cabeçada no rosto do juiz reserva, reclamando ao tribunal sua punição.
Como sabem os amantes do futebol, o goleiro pode usar, dentro da sua grande área, as mãos, os pés e a cabeça.
Se sair da grande área, no entanto, somente poderá usar os pés ou a cabeça.
Sabendo disso, Danrlei, lá fora da grande área, no jogo da Libertadores, usou do pé para chutar o bandeirinha.
E agora, no Gre-Nal, Danrlei teve o cuidado de não dar soco ou tapa no juiz reserva, aplicou-lhe presumida ou concretamente uma cabeçada.
Ou seja, quando sai para fora da área e se mete em confusão, Danrlei respeita rigorosamente a lei do futebol, só usando os pés ou a cabeça.
Na única vez que usou as mãos, dando um soco no rosto do diretor gremista Dênis Abraão, Danrlei tinha perfeita noção de que o jogo acabara havia minutos, o juiz já estava no chuveiro fazia muito tempo.
É que ele sabiamente tem conhecimento de que, se usar das mãos com o tempo de jogo transcorrendo, será punido.
Só agora é que percebi o porquê de Danrlei, quando se instala uma confusão entre os jogadores no meio do campo ou na lateral do gramado, corre em desabalada carreira para o local, mas sempre com as mãos às costas.
É que ele tem bem ciente em seu espírito que fora da sua grande área não pode usar as mãos.
Nenhum juiz, bandeirinha ou juiz reserva foi até agora atingido por Danrlei com soco ou bofetada. Só pontapé e cabeçada. Como manda a lei.
Cá para nós, não se pode condenar um atleta que assim tão ciosamente cumpre com os preceitos legais.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Ainda bem meu amigo Nilson que no meio de tantas noticias de guerra e de alta nos preços apareça uma velhinha assim querendo ultrapassar alguns obstáculos que até então não haviam sido conseguidos.
Dona Ana salvou a minha semana. Já não agüentava mais ver tantas atrocidades no telejornal quando surgiu aquela velhinha sorridente com o rosto pintado. Prestei a maior atenção. Era dona Ana Prado Ferreira, uma costureira paulista de 81 anos, no seu primeiro dia de aula na faculdade de Letras da PUC de Campinas.
Por trás das rugas coloridas havia uma história comovente. Filha de agricultores do interior de São Paulo, ela conseguiu freqüentar apenas as duas primeiras séries do ensino básico. Casou-se aos 16 anos, teve quatro filhos, ficou viúva e lutou muito para criá-los. Somente com todos casados e ela já com 70 anos, pôde retornar aos estudos. Durante 10 anos, freqüentou supletivos e cursinhos para estudantes carentes. Deu-se mal em dois vestibulares no ano passado, mas este ano conseguiu uma vaga no curso de Letras da universidade campinense.
Mesmo pela tevê, podia-se perceber sua felicidade no primeiro dia de aula, especialmente ao ter o rosto de caloura tardia pintado pelas jovens colegas. Foi para casa, de ônibus, exibindo orgulhosa a máscara de tinta. De ônibus porque dona Ana ganha apenas R$ 200 de aposentadoria e nem sabe como vai pagar a mensalidade da faculdade. Basta ouvi-la, porém, para se ter certeza de que conseguirá:
- Com dinheiro se paga tudo. Mas não tendo é melhor, porque é preciso lutar, e a vida se torna um grande desafio.
A vida é mesmo um constante desafio e nem todos o encaram com a disposição da velhinha de Campinas. Esta semana mesmo li uma reportagem sobre a dificuldade dos jovens para administrar a frustração de rodar no vestibular. Muitos desanimam, entram em desespero e precisam até de acompanhamento psicológico para entender que têm uma vida inteira pela frente e que podem tentar de novo quantas vezes tiverem vontade. Seria bom que essa garotada conhecesse dona Ana, que também podia se chamar dona Perseverança.
E ela já projeta outros desafios: quer aprender inglês, "mexer com computador" e escrever um livro. Uma bela história ela já tem para contar. A sua.
Dona Ana alegrou a minha semana.
nilson.souza@zerohora.com.br
Se o problema é o eixo, vamos cuidar para que o nosso eixo nesta quinta-feira, esteja centrado ou voltado para o lado bom, resistindo todas as tendências e atrações que aconteçam querendo levá-lo para o outro lado.
O redator do discurso em que o Bush lançou a frase "eixo do mal" para descrever o Iraque, o Irã e a Coréia do Norte conta que sua frase original era "eixo de ódio", mas foi mudada para "eixo do mal" porque precisavam de um tom mais escatológico: a guerra de Bush é contra o Mal absoluto e com maiúscula, não contra ódios, que podem ser negociados e podem até ter razão.
A palavra "eixo" foi escolhida para evocar o eixo original formado pela Alemanha, a Itália e o Japão na II Guerra Mundial, a última guerra indiscutível em que os Estados Unidos se meteram. David Frum, o redator do discurso (que assim que saiu do governo escreveu um livro), diz que a Coréia do Norte foi acrescentada ao "eixo do mal" à última hora para haver uma identificação numérica instantânea com o trio de demônios antigos. Se arrependeram. Os coreanos ficaram ofendidos e ameaçam os americanos com ataques nucleares e estes estão tendo que dizer calma, calma, era só retórica, enquanto se concentram no Iraque.
A evocação da II Guerra é intrigante porque a geração para a qual Eixo ainda significaria alguma coisa está se acabando, ou perdendo a memória. Mas a referência era menos a um precedente histórico do que a um clima, um bom sentimento de uma nação em guerra a seu próprio respeito e a respeito da justiça da sua missão. A referência ainda funciona. As imagens e o espírito daquela época atravessaram os anos, e guerras perdidas e incompreendidas, e ainda dominam a imaginação americana.
Não demorará para vermos rapazes sorridentes pintando recados para Saddam em bombas, como faziam para Hitler ou Tojo. Os rapazes serão outros e as bombas serão mais destrutivas, mas o espírito de jovialidade guerreira será o mesmo. E será outra maneira de dizer que em 60 anos as coisas não se complicaram tanto assim, que ainda são os bons contra os maus. Ou os eixos do Mal.
O tom escatológico agrada à extrema direita religiosa que apóia Bush e mostra um entusiasmo pouco cristão por atacar os outros. (Bush declarou que o seu pensador político favorito era Jesus Cristo e uma vez disse que, antes de tomar qualquer decisão, se perguntava "O que Jesus faria nesta situação?" Numa recente manifestação contra a guerra em Washington um dos cartazes dirigidos a Bush perguntava "O que Jesus bombardearia?").
A retórica fundamentalista da turma do Bush se iguala, no seu reducionismo conveniente, à do outro lado quando este chama os Estados Unidos de Grande Satã. É para dizer que quem não está com eles está com o terror, e vice-versa, e pronto. No meio destas duas teologias armadas, ficamos nós, nos borrando. Sem falar, claro, nos civis do Iraque, de Israel ou de outros lugares onde cairão os foguetes abençoados dos dois lados.
Prédio da prefeitura velha, que era amarelo, está sendo repintado nos tons castanhos que tinha na época de sua inauguração, em 1901 (foto Paulo Franken/ZH)
Para voces lerem o texto abaixo é fácil imaginar o que são as brigas no orçamento brasileiro quando a verba toda de um Ministério que era de 4 bilhões e agora ficou pouco menos de 200 milhões como é o do Ciro Gomes. Pois basta ver só o orçamento para a guerra americano, que dá exatamente 100 vezes o valor que era destinado para o Ministro Ciro gastar.
Em comparação também dá para imaginar o que é a diferença de PIBs, pois se apenas 4,4% do PIB é gasto com a guerra e isso representa 390 bilhões, o PIB todo deve chegar a mais de 11 trilhões. Se considerarmos que o do Brasil não deve chegar nem a 1 trilhão, isso também representa 11 PIBs brasilieiros, o que não deixa de ser uma diferença bem relevante.
"Ainda nesta década, os gastos militares dos Estados Unidos serão maiores que os gastos militares do restante do mundo."
(Arturo Valenzuela, da Georgetown University
Para que a eclosão dessa guerra de padrão isquemia cerebral transitória? Basta a atual decretação do "estado de guerra', com direito a um "alarme laranja" de quatro horas, na tarde da última sexta-feira (eu estava lá, em Nova York), para justificar no Congresso, na imprensa e na cidadania a nova espichada do já paquidérmico orçamento militar dos Estados Unidos.
Yes, exatamente nesta semana de dentes, garras, barris e fuzis arreganhados, desembarca no Congresso americano o orçamento federal para 2004. No ventre dele, a pesada conta da rubrica Defesa Nacional, vulgo ervanário do Pentágono. Um aumento de "apenas" 4,4% para os gastos militares, agora recalibrados em US$ 390,4 bilhões no interior de um orçamento federal da ordem de US$ 2,231 trilhões.
Eis a questão. Joga-se com a recarga do Efeito Saddam para a reversão de uma tendência natural de redução dos gastos militares em todo o mundo, incluído o planeta China. A "pax" americana, pós-queda de muros, de pontes e de torres, vai consumir 3,4% do PIB projetado para o ano que vem.
A exposição de motivos do Pentágono joga com a teoria romana do "capacete do mundo" - agora que europeus e asiáticos, neste replay iraquiano, reafirmam a posição assim filosofada por Adoniran Barbosa: "Bom de briga é quem tira o corpo fora." Vai daí que os auditores do Pentágono avisam que, ainda nesta década, em valor corrente, a Defesa Nacional estará desfrutando de meio trilhão de dólares por ano.
Dá para encarar? Enquanto os Estados Unidos empenham 3,4% do PIB em gastos de guerra em tempo de paz, a União Européia contenta-se com a média ponderada de 1,8%, o Canadá nada além de 1,4% (sob o guarda-chuva do vizinho fanfarrão), o Japão sente-se seguro com 0,8%, a Rússia (o urso soviético que virou bode capitalista) baixou a crista de 14% para 1,7% e a China comunista... bem, é segredo de Estado. Afinal, qual é o PIB da China?
Esses dados relativos não valem um bodoque em matéria de guerra. O poder de fogo é medido em valores absolutos. A potência dissuasória do Pentágono em pessoal, pesquisa, logística, arma, munição e suporte, dentro e fora de casa, vai subir para R$ 390,4 bilhões em 2004 - com ou sem um novo piparote em Bagdá agora em 2003.
Sem entrar nos diferenciais de qualidade do gasto ou de eficiência da máquina, vale um grifo curioso: o aparato científico-tecnológico de aplicação militar ostensiva mobiliza mais de US$ 55 bilhões por ano e corresponde a US$ 28 mil por soldado - contra US$ 7 mil na Inglaterra ou na França.
No mais, são 1,4 milhão de homens e mulheres com crachá da Defesa Nacional. Dos quais, 285 mil estacionados em 727 instalações militares no Exterior. Inclusive, Cuba.
SECOS & MOLHADOS
Sobremesa - Penada legiscrativa de novembro de 2001, fumaça densa ainda exalando das entranhas revolvidas do World Trade Center, estabelece que, em caso de eclosão de guerra real, relâmpago ou encrencada, os gastos adicionais podem trafegar por fora dos limites do orçamento militar em curso. Nesta bola da vez do Iraque, a coisa oscilaria de US$ 50 bilhões a US$ 170 bilhões.
Overdose - Peritos militares sustentam que os Estados Unidos estão realmente empenhados em matar rato com tiro de canhão. Pelo tamanho, formato e conteúdo do arsenal já disponível em terra, no mar, no ar, no espaço sideral e no mundo virtual, bastaria um quinto dele para garantir a autopromoção de "fiscal do Universo".
Bigbusiness - O problema é que a opinião pública americana sabe que o Pentágono garante 11 milhões de empregos diretos e indiretos e realiza o "espírito de fronteira" da Nação na vanguarda chipada das conquistas científicas e tecnológicas também para uso civil.
Segundo o Relatório Reservado de nº 2070 de 7 de fevereiro, o governador Germano Rigotto teria encomendado a assessores da área econômica um estudo sobre a venda do Banrisul.
Atentos e preocupados, o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região e a Federação dos Bancários RS protocolaram na tarde de hoje, às 14h45min, um ofício solicitando audiência com o Governador e pedindo ¿esclarecimentos do Sr. Governador sobre qual a real intenção de privatizar o Banco do Estado do Rio Grande do Sul e qual papel será destinado ao Banrisul na sua Administração.
Os representantes dos bancários foram recebidos pelo chefe adjunto da Casa Civil, Adilson Troca, que garantiu uma data para a audiência com o governador Germano Rigotto e disse que não há intenção do governo para a privatização do Banrisul.
A diretoria do Sindicato repudia a retomada de qualquer estudo visando a entrega do Banrisul. Trata-se de um banco público, saneado, viável, lucrativo e fundamental para o desenvolvimento econômico e social do Rio Grande.
Leia a íntegra do ofício:
OF. SEEB/POA/SG Nº 008 Porto Alegre/RS, 11 de fevereiro de 2003.
Ao
Exmº Sr. Governador
Estado do Rio Grande do Sul
Germano Rigotto
O Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região e a Federação dos Bancários do Rio Grande do Sul, no seu papel histórico de defesa dos interesses dos trabalhadores bancários, vêm solicitar a Vossa Excelência uma audiência para tratar de assunto de relevante importância para os empregados do Banrisul e para a sociedade gaúcha.
A publicação Relatório Reservado, nº 2070, de 7 de fevereiro de 2003, da Margem Editora e Gráfica do Rio de Janeiro, cuja cópia anexamos, dá ciência do início de estudos para a privatização do Banrisul, fato que traz profunda preocupação ao Sindicato e ao quadro funcional do Banco.
Isto posto, gostaríamos de esclarecimentos do Sr. Governador sobre qual a real intenção de privatizar o Banco do Estado do Rio Grande do Sul e qual papel será destinado ao Banrisul na sua Administração.
No aguardo de sua resposta, apresentamos as nossas
Cordiais Saudações
DEVANIR CAMARGO DA SILVA - Presidente
ANTONIO PIROTTI PEREIRA ¿ Diretor de Saúde
PAULO STEKEL ¿ Diretor da Federação dos Bancários RS
Leia na íntegra a matéria publicada no Relatório Reservado.
Banrisul namora privatização depois de quatro anos de divórcio
Parafraseando Keynes,muda o governo, muda a realidade¿. A privatização do Banrisul, tratada como um tabu nos quatro anos da gestão Olívio Dutra, começa a sair do limbo. O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, teria encomendado a assessores da área econômica um estudo sobre a venda do banco.
Que fique bem claro, ainda não dá para os potenciais candidatos esfregarem as mãos. A operação está no nascedouro e o governo pretende conduzi-la com uma farta dosagem de cautela. Não sem motivos. A negociação do Banrisul ainda teria de ser submetida a uma consulta pública.
Além disso, o mandato de Rigotto está entrando apenas no seu segundo mês e um pouco de cuidado nunca é demais quando se trata de um dos pontos mais polêmicos da campanha eleitoral.
Porém, excessos de prudência à parte, o fato é que não existe mais no Palácio Piratini a intestina resistência com que Olívio Dutra sempre encarou o leilão.
É bem verdade que Germano Rigotto tratou o assunto com reservas durante sua campanha. Mas, como a História está cansada de provar, do palanque para o gabinete vai uma brutal diferença de realidade.
O governador iniciou seu mandato com a premente necessidade de gerar caixa. O déficit mensal já passa dos R$ 100 milhões, o que obrigou Rigotto a anunciar um corte de gastos de R$ 300 milhões até o fim do ano.
Além destes fatores, é importante enfatizar o quanto a ambiência está favorável para a privatização do Banrisul. As recentes trocas de controle no setor bancário e a iminência de venda do BEC, Besc, BEM, Banestes e BEP só fazem aumentar a cobiça dos candidatos e, conseqüentemente, as possibilidades de um ágio mais elevado. Até porque, se comparado a todos os demais bancos estaduais já em processo de privatização, o Banrisul é o diamante mais precioso.
Seus R$ 11 bilhões em ativos superam, com sobras, a soma de todas estas cinco instituições.
O volume de depósitos, de R$ 6,4 bilhões, é dez vezes superior ao do banco catarinense.
Em termos de rede de atendimento, o banco gaúcho tem 108 agências a mais do que o Besc 364 a 256. Somados, as agências de BEC, Banestes, BEM e do piauiense BEP não chegam a 260.
A Caixa Econômica Federal teve R$ 1 bilhão em títulos públicos penhorados pela Justiça para pagar sua dívida com a Funcef.
A notícia foi divulgada pelo jornal Correio Braziliense, em sua edição de sábado, 1º de fevereiro. "A briga entre a Caixa e a Funcef se arrasta desde a criação do fundo de pensão, em 1977.
A fundação cobra repasses que nunca foram feitos pelo banco para garantir a aposentadoria complementar de seus empregados", diz a matéria.
O jornal informa que a diretoria da Caixa tomará uma decisão assim que os três nomes remanescentes do conselho diretor, ou seja, os vice-presidentes, sejam nomeados, o que pode acontecer ainda hoje. Jorge Mattoso, presidente da Caixa, informou que os diretores da Funcef também já foram chamados para uma reunião sobre o tema, fato ainda não comunicado aos diretores do fundo.
O movimento dos empregados defende o imediato pagamento da dívida por parte da Caixa. O montante já ultrapassa R$ 3 bilhões, e tem crescido ao longo do tempo pela falta de pagamento.
A dívida, cujo valor tem base em cálculos atuariais, remonta à origem da fundação, com a incorporação dos empregados, inclusive os já aposentados, oriundos de planos anteriores. O saldo cresceu com as mudanças na política de recursos humanos da patrocinadora sem a contrapartida do provisionamento de recursos para a fundação.
O teor e o valor da dívida foram reconhecidos pela Caixa, em 1993, em contrato assinado com a Funcef. A Caixa suspendeu os pagamentos em 1996, alegando ter respaldo de um parecer do TCU, pelo qual o cálculo da dívida era "exagerado".
A penhora dos títulos é resultado de uma ação em que a Funcef pediu à Justiça, em 2002, o arresto de bens, referentes às parcelas ao acordo que já venceram.
O novo esquema "Alugue um Estado" possibilita que companhias assumam simbolicamente o controle do minúsculo país europeu, de apenas 33 mil habitantes.
"A idéia básica é que um país inteiro hospede uma conferência, tendo várias possibilidade a sua disposição", disse Roland Buechel, diretor da agência estatal de turismo de Liechtenstein.
O conceito "Alugue um Estado" está baseado no do "Alugue um vilarejo", desenvolvido pela empresa de administração de eventos Xnet AG em pequenas cidades de Áustria, Alemanha e Suíça.
Os clientes contarão com programas talhados para suas empresas, que exporão suas marcas e envolverão a participação de autoridades locais em eventos especiais ¿ com exceção de membros do governo ou do príncipe Hans Adam.
Referente ao post abaixo, ou os meus estudos de economia estão ficando arcaicos e é preciso urgentemente uma reciclagem ou efetivamene o Banco do Brasil está extrapolando os seus objetivos. Não deveria ele atender fundamentalmente os agro-negócios, isso é, em termos de Rio Grande, os grangeiros e pecuaristas, e acima de tudo os pequenos agricultores, com taxas de juros acessíveis para o desenvolvimento dessas áreas?
E com um lucro de mais de 2 bilhões exatamente em cima desses clientes que deveriam ser o foco do banco voces acham que esses setores não empobreceram? Concordo que o Bradesco tenha um lucro recorde, é privado e seu fim é o lucro a qualquer custo.
Que o Itaú também tenha. Mas bancos ditos sociais e que são braços do Governo como CAIXA, com um lucro acima de 1 bilhão, BB com um lucro acima de 2 Bilhões eu não teria orgulho nesta divulgação. Isso é expoliamento do povo que precisa dessas instituições, lamentavelmente.
Quem está de sorriso largo são os acionistas do banco, pois o valor de suas açõe já subiram na bolsa. Mas o errado ainda deve ser eu, e desta forma tenho que procurar uma bolsa de estudo que me proporcione uma atualização nesse meio.
O Banco do Brasil obteve lucro de R$ 2,028 bilhões no ano passado. O resultado é 87,4% superior ao registrado em 2001 e o maior da história da instituição.
O BB superou o Bradesco, seu principal concorrente, que fechou 2002 com resultado positivo de R$ 2,023 bilhões. Mas o maior resultado referente ao ano passado já divulgado é do Santander Banespa, que lucrou R$ 2,8 bilhões.
O balanço do BB foi divulgado ontem pelo novo presidente da instituição, Cássio Casseb Lima, que elogiou seus antecessores:
- Parabenizo a direção anterior e todos os funcionários do banco pelo trabalho que fizeram.
O vice-presidente de agronegócios e governo do BB, Ricardo Conceição, destacou a estratégia montada desde a capitalização, em 1996, até chegar à reestruturação, em 2001, a fim de limpar o banco de ativos onerosos, tornando-o eficiente e competitivo no mercado.
- Esse resultado vem sendo preparado há oito anos - observou.
Carteira de crédito aumentou 26,4%
O gerente de relações com os investidores, Marco Geovanne, lembrou que o BB obteve esse resultado mesmo depois de fazer uma provisão pesada para créditos de liquidação duvidosa. Em um ano, a instituição aumentou em 40,3% essa provisão, de R$ 2,655 bilhões para R$ 3,726 bilhões. Em dezembro, o BB tinha cobertura de 177% para as operações de crédito com mais de 60 dias de vencimento.
- Fomos mais conservadores do que o Banco Central exige - afirmou Geovanne.
A carteira de crédito cresceu 26,4%, de R$ 49,9 bilhões em 2001 para R$ 63,1 bilhões em 2002. O gerente de relações com os investidores garantiu também que essa expansão foi feita sem crescimento da inadimplência. Segundo Geovanne, a participação de operações vencidas sobre o total da carteira caiu de 7,4% para 6%.
Oferta pública de ações deve ser retomada
As receitas de prestação de serviços cresceram 18,5%, enquanto ficou praticamente estável a despesa com pessoal, apesar do crescimento dos pontos de atendimento e da oferta de serviços.
O índice de Basiléia, que mede se a instituição financeira tem capital próprio suficiente para bancar o risco das suas operações de crédito, ficou em 12,2% ao final de 2002, acima dos 11% exigidos pelo Banco Central.
O presidente do BB reafirmou a disposição da instituição de analisar o melhor momento para retomar a oferta pública de ações, que foi suspensa em dezembro.
- É uma operação simpática para o banco que no momento certo vai ser anunciada - disse Casseb.
A divulgação do resultado, que superou as estimativas da maioria dos analistas, valorizou os papéis do banco negociados em Bolsa. As ações ordinárias fecharam ontem com alta de 4,46%, fechando a R$ 9,83 por lote de mil.
Pois é meu nobre Sant'Ana ainda bem que existem cronistas a comentarem essas coisas e a escrever sobre essa bagunça. Hoje, você já está nos melhores dias, passado evidentemente o extase do Zeca Pagodinho e o Planeta Atlântida.
Paulo Sant'ana
12/02/2003
O pântano da Praça Florida
Quem não anda de táxi em Porto Alegre, não vai acreditar: as tarifas atualmente cobradas têm origem e justificativa em três tabelas.
Vale o preço constante do taxímetro, acrescido da bandeira 2, mais uma outra tabela que o motorista constrangido apresenta ao passageiro no fim da corrida.
São três portanto as referências conjuntas pelas quais os motoristas e os passageiros estão obrigados a se guiar.
Evidentemente que os atritos entre passageiros e motoristas estão espocando. Imaginem como um motorista vai explicar para essas senhoras idosas que estão acostumadas a andar de táxi que, além do preço normal da corrida, soma-se a bandeira 2, e estes dois itens ainda são acrescidos de uma outra tabela de reajuste que o motorista trás à mão ou à socapa para chegar ao preço total!
É um desconforto para o passageiro, que se sente lesado, é um incômodo cruciante para o taxista, que se constrange em cobrar os três preço somados, certamente haverá por parte do usuário a suspeita de que ele está incorrendo num ludíbrio.
O preço é justo, entra governo federal e sai governo e os aumentos nos preços dos combustíveis continuam infernizando os brasileiros e a economia. Os sacrificados taxistas não podem se escusar de cobrar preços reajustados.
Mas o setor competente do governo municipal tem de ter agilidade para atualizar e unificar a tabela de preços.
Assim como está, é uma esculhambação.
Há alguns logradouros de Porto Alegre que estão se tornando símbolos da derrota retumbante do poder público para os marginais.
As administrações estadual e municipal desistiram deles e os entregaram à sanha de toda a sorte de inconvenientes e agressores.
É o caso da tradicional Praça Florida (Praça Bartolomeu de Gusmão), ali num vértice das ruas Comendador Azevedo e São Carlos, onde triangulam com a Avenida Farrapos.
A Praça Florida e todas as esquinas adjacentes se tornaram em ostensivos fumódromos de crack e cheiródromos de cola. As necessidades fisiológicas são satisfeitas ao ar livre, como se fosse um imenso WC público.
E por todos os cantos e derredores daquele polígono da mixórdia social se derramam as prostitutas e travestis, num mercado persa de sexo que aturde os moradores das cercanias, agredidos pelos profissionais eróticos até o desacato e outras afrontas.
E aquela gente toda que mora e transita por ali paga imposto predial, paga ICMS, sem qualquer retorno, por ausência completa, do respectivo policiamento municipal da praça e do policiamento estadual nas ruas circunvizinhas.
Quando assim as administrações públicas sucumbem ao império da desordem em plenos logradouros urbanos - a um passo do Centro - cercados de habitações por todos os lados e com fluxo animado de transeuntes, não é de admirar que os marginais mais afoitos se encorajem a toda a sorte de assaltos e seqüestros, sentindo e calculando a cidade como um campo livre e solto para suas tropelias.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Sete meses e 13 dias depois da conquista do Penta, a equipe brasileira (na foto, durante o treino em Guangzhou) disputa hoje o primeiro amistoso orientado pelo técnico Parreira (foto Reuters/ZH)
Thanks dona Joyce pela sua generosidade e informação, assim já da para ler esta página sem estar com este mouse para lá e para cá. Fico-lhe devendo, conforme prometido aqui na página, o cafezinho ou o chazinho com bolachas para quando você quiser. É só avisar.
Se refletirmos um pouco sobre este assunto, veremos que em geral, as normas sociais prescrevem uma postura dominadora, agressiva e ativa para os homens, contraposta a uma certa passividade e submissão da mulher. Isto diz respeito não apenas ao comportamento observável (quem toma decisões, quem trabalha mais ou menos é ativo) mas as atitudes e valores mais profundos, nem sempre explícitos, que subjazem e determinam comportamentos.
Conseqüentemente, o comportamento sexual determinado e mantido diferentemente entre o homem e a mulher cria desigualdades entre eles. O corpo é desenvolvido de forma divergente, e, desde cedo é condicionado e encorajado a desenvolver atividades que diferenciarão as suas habilidades.
DAOLIO (1995) e LOURO (1998) na esteira de ROMERO (1990), confirmam que as atividades corporais desenvolvidas na escola, procuram perpetuar e normatizar regras e comportamentos "adequados" aos meninos e meninas, na intenção de que eles se tornem homens e mulheres verdadeiros, a partir da premissa de que o corpo feminino seja construído diferentemente do corpo masculino.
Observamos, no cotidiano escolar, que a maioria dos professores, discrimina as crianças nas diversas atividades pedagógicas, pelo desconhecimento em relação à questão de gênero. Esse processo de diferenciação, entre meninos e meninas, reforça e reproduz padrões comportamentais, que a sociedade sexista impõe como apropriados a cada um deles separadamente.
Neste entendimento, julgamos imprescindível que o currículo dos cursos de Formação de Magistério transcenda o estudo do homem e da mulher interdependentes, para que as diferenças e as características pessoais não procedam e não salientem ainda mais as desigualdades.
Contudo, é exigido das crianças na ecola qie permaneçam em silêncio. E a criança que não brinca, não se aventura em algo novo, desconhecido, não poderá crescer. Porque se, ao contrário, é dado a ela a possibilidade de brincar, de fantasiar, de sonhar, está proporcionando a que criança se revele e mostre ter aceito o desafio do crescimento, a possibilidade de errar, de tentar e arriscar para progredir e evoluir.
Às vezes falta visão ao sistema escolar, às vezes falta escrúpulos. É difícil explicar a mobilidade a que são submetidas as crianças quando entram na escola. Mesmo se fosse possível (e não é) que uma pessoa aprenda melhor quando está imóvel e em silêncio, isso não poderia ser imposto, desde o primeiro dia de aula, de forma súbita e violenta. Só que ainda é assim, por mais incrível que possa parecer. O que é uma pena para estas crianças que começam as aulas em algumas cidades outra vez já na próxima segunda-feira.
Um homem também chora, menina morena
Também deseja colo, palavras amenas
Precisa de carinho, precisa de ternura
Precisa de um abraço da própria candura
É triste ver meu homem, guerreiro menino
Com a barra de seu tempo por sobre seus ombros
O homem se humilha se castram seu sonho
Não dá prá ser feliz".
(" Um homem também chora", letra e música de Gonzaguinha)
A angústia de clamar o quanto o homem sofre por não poder demonstrar a sua sensibilidade e sua ternura fica explícita numa das músicas conhecidas de Gonzaguinha.
Se, por um lado, esse turbilhão de emoções e sensações que tanto ele suplica "choro", "colo", "abraço" e "candura" e que não é permitido pela sociedade, ao homem externar, por outro lado, independente de sua vontade, apesar de tudo, são desejados pelo homem "guerreiro menino".
Por que foram negados ao homem manifestar sentimentos de candura e tristeza? Por que o homem não pode exprimir suas emoções?
Podemos inferir, que da mesma forma que esse homem é discriminado, da mulher, também são exigidos comportamentos estereotipados, que a sociedade considera adequados. Tanto o homem quanto a mulher são vítimas de condicionamentos, que são desenvolvidos e construídos culturalmente, conforme o seu sexo. E pior é que pouco evoluimos a respeito dese assunto.
Pessoal continuo precisando de ajuda para colocar esta pagina ai da largura que voces não precisem andar com este cursor para lá e para cá. Como já postei abaixo, procurei em todas as tables existentes e não achei uma que reduzisse a largura. Troquei de template e nada. A largura permaneceu igual. Então não é problema de template. Talvez algum comando java inserido, ou outra linhazinha qualquer.
Espero que os entendidos de HTML me ajudem, pois o que eu sabia, acho que desaprendi tudo, com isso que está ocorrendo. Tenhamos todos uma boa terça-feira.
Que feio tudo isso! Mas enfim é início de governo, as pessoas não estão afinadas ainda, está faltando aquela sintonia fina. De todo o jeito espero que saia uma nota conjunta das duas instituições esclarecendo o ocorrido e que não fiquem nesse jogo de braço de um querendo dar a notícia em primeira mão, isso é, antes do outro.
A Caixa Econômica Federal (CEF) e o Superior Tribunal Justiça (STJ) entraram publicamente em choque ontem sobre o destino de 60 mil processos que pedem reposição das perdas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) devido a planos econômicos.
A assessoria de imprensa da Caixa divulgou duas notas negando informações de que desistiria de recorrer de decisões nesses processos, mas o STJ confirmou que a avaliação para extinção dessas ações já começou.
O presidente do STJ, ministro Nilson Naves, disse em entrevista que as negociações para a Caixa retirar os recursos estão em andamento desde o fim de janeiro, quando um grupo de técnicos do tribunal, e um da Caixa, começaram a estudar os processos:
- Tive a informação de que haverá a desistência. As assessorias técnicas do STJ e da Caixa já estão examinando os processos desde o fim de janeiro. Agora, a Caixa vai fazer uma seleção e examinar cada um dos processos.
Embora o presidente do STJ diga que esses trabalhos já começaram, o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, afirmou, por sua assessoria, que a instituição nunca cogitou, neste governo ou no anterior, desistir de recorrer das ações que pedem a correção do FGTS.
"Nem eu ou qualquer um dos vice-presidentes da Caixa mandou uma equipe para tratar do assunto com o STJ. Isso nunca foi cogitado", disse Mattoso na nota, acrescentando jamais ter conversado com o presidente do STJ.
Para o tribunal, não faz sentido a Caixa continuar recorrendo desses processos em última instância porque o STJ já emitiu a Súmula 252 sobre o assunto, reconhecendo o direito dos trabalhadores à reposição de 16,64% referentes ao Plano Verão (janeiro de 1989) e de 44,8% ao Plano Collor 1 (março de 1990). Nos processos que se enquadram nessa súmula, a Caixa será derrotada.
Presidente do STJ pede aos TRFs que retenham processos
A certeza do presidente do STJ da desistência da Caixa o levou a recomendar aos Tribunais Regionais Federais (TRFs) que deixem de enviar esse tipo de processo ao STJ até a situação ser resolvida.
- Pedi aos tribunais regionais que segurem os processos até que se defina essa situação. Há inúmeros processos em que a melhor solução seria a desistência (dos recursos) - disse Naves.
Essa desistência daria seqüência ao acordo fechado pela Caixa em fevereiro de 2001, com o Supremo Tribunal Federal (STF), pelo qual o governo desistiu da defesa em processos que jamais poderia ganhar e que resultariam em custos desnecessários para União, Caixa e Supremo.
O presidente do STF, Marco Aurélio Mello, já oficializou a desistência da Caixa em 33.025 processos, e outros 34.294 aguardam sua assinatura para ter sua baixa homologada. A estimativa é que há 360 mil contestações judiciais em relação ao FGTS, dos quais 60 mil no STJ. Naves conversou ontem com presidentes dos tribunais regionais e concluiu que o número de 300 mil processos pode ser exagerado.
Naves e Mattoso negam que tenha tratado do assunto nos últimos dias. Mas têm encontro marcado na agenda do presidente do STJ para amanhã, às 16h30min. Segundo Naves, a audiência foi pedida pelo presidente da Caixa.
Idas e vindas - No domingo, a Agência Globo informou que Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Caixa Econômica Federal assinariam na segunda-feira um convênio pelo qual a instituição financeira desistiria de recorrer das decisões em processos que pedem a correção dos saldos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) expurgados por planos econômicos.
- Ontem de manhã, a Caixa divulgou nota negando que desistiria dos recursos nesses processos.
- À tarde, a instituição divulgou outra nota para desmentir notícia publicada no canal GloboNews.com sobre suposto telefonema em que os presidentes do STJ e da Caixa teriam discutido o acordo.
- Apesar da negativa da Caixa, a assessoria de comunicação do STJ divulgou nota no fim da tarde informando que estaria sendo formalizado um acordo, "no qual a autarquia desiste de dar seguimento às ações em que já há jurisprudência firmada no Supremo Tribunal Federal (STF)".
- Se a Caixa desistir dos recursos, as ações serão homologadas e baixarão a suas origens para o pagamento da correção aos trabalhadores.
Tinha fama de bêbado e só bebia leite. E eu o conheci pessoalmente: tinha fama de mal-humorado e nunca vi pessoa mais agradável no trato, mais cordial, mais simpática do que ele. Esse era José Lewgoy o homem que tinha o Bom Fim no coração.
Como nós ficamos rotulados ao longo da vida. Alguém consciente ou inconsciente expressa seu conceito de alguém que conhecemos e nós cremos. Não só acreditamos como repassamos e mantemos este conceito sobre esta pessoa ao longo da vida. Como se ela jamais mudasse, seu jeito de ser, sua maneira de agir. E a respeito de nós se sucede o mesmo.
Nossos amigos tem um conceito formado sobre nós e por mais que nos esforcemos, aprimoramos arestas aqui e ali, desenvolvemos habilidades, crescemos como seres humanos. Para os nossos amigos nós seremos sempre aquilo que eles pensaram lá no início quando nos conheceram. Que pena, que seja assim. Que pena! E o Lewgoy era um exemplo vivo disso.
Causa grande comoção em todos os meios o assassinato do jovem universitário Rodrigo Garrafiel Pimentel, 24 anos, sepultado na manhã de domingo.
Ele foi seqüestrado junto com um amigo na Avenida Goethe, na madrugada de sexta-feira.
O modo selvagem e incompreensível com que foi eliminado está enchendo de medo toda a sociedade porto-alegrense.
Rodrigo foi retirado do porta-malas do carro de seu amigo porque, durante o seqüestro, se debatia e dava pontapés na lataria.
Isso irritou os seqüestradores e os levou a massacrar o estudante a coronhadas.
Já em agonia, perdendo suas forças vitais, ainda assim os bandidos o mantiveram cativo, junto com seu amigo, durante 30 minutos, tendo sido tardio o socorro médico. Depois, durante 24 horas o rapaz penou na CTI do hospital, vindo a morrer após sofrimento terrível.
Estamos chegando a uma sucessão de crimes violentos que leva a um clímax de perplexidade.
Estou prevendo que o medo de que está tomada a coletividade pode se transformar numa ruptura da legalidade.
Compreende-se o furto, compreende-se o roubo, esses delitos são até tolerados pela consciência da sociedade.
Mas a violência revestida de verdadeira ferocidade por parte de muitos assaltantes é verberada com revolta inenarrável pelos familiares das vítimas e um sentimento geral de repulsa que vai acabar desembocando para a vingança, uma mobilização do povo para uma reação em bloco das comunidades, o que pode derivar perigosamente para a ilegalidade, via linchamentos e esquadrões da morte, um mal ainda maior.
A morte deste rapaz foi um ato animalesco. Nenhuma vantagem tinham os dois captores dos jovens em espancá-lo daquela forma tão cruel.
Foi pura maldade, genuíno banditismo. E as pessoas de bem se mostram acuadas, sabem que esta onda de crimes vem em tal crescendo que todos se sentem ameaçados.
O pior dessa desgraça é que ninguém mais tem esperança de que pelos meios legais se ponha cobro a esse massacre, um desvario.
Todos se sentem encurralados. E o medo pode a qualquer momento explodir em incontida reação, proporcionalmente violenta à ação bárbara dos criminosos.
Isso não vai virar uma guerra, já é uma guerra. Com um lado só dizimando.
Faleceu ontem o ator gaúcho José Lewgoy, mais de 50 anos nas telas e nos palcos. Tinha fama de bêbado e só bebia leite. E eu o conheci pessoalmente: tinha fama de mal-humorado e nunca vi pessoa mais agradável no trato, mais cordial, mais simpática do que ele.
Morre um grande ator e uma grande pessoa. Deixa uma grande saudade entre seus amigos, entre todos os artistas que privaram com ele, principalmente entre todos que assistiram a seus filmes e seu teatro.
Que dor causa na gente a morte de um grande praça como José Lewgoy. Que pessoa doce nos deixou!
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Pelo que li lá no Rio em razão do percentual reservado aos negros para ingresso na Universidade já está dando polêmica, porque muita gente mais ou menos já esta dizendo que é preto puro. Vocês verificam como mudam os conceitos quando os interesses estão em jogo.
"Preto, aqui, só o telefone." Esta frase de um diretor da Faculdade de Medicina, muito comentada à época em que eu lá era aluno, já não é verdadeira. Por uma simples razão: os telefones deixaram de ser pretos. Mas os negros continuam ausentes dos bancos universitários. Fazem parte de um grupo humano que, como o dos índios, pagou um pesado ônus na construção deste país. Até hoje os negros são pobres, até hoje são marginalizados - e até hoje estão fora da universidade.
Não só no Brasil, claro. O mesmo acontece, por exemplo, nos Estados Unidos. Lá foi estabelecido um sistema de cotas para minorias. Sistema semelhante, introduzido em 2001 no Brasil, acaba de ser aplicado no vestibular de uma grande universidade pública, a Uerj, do Rio de Janeiro. Com o que se acentua também a controvérsia. Os que são a favor de cotas dizem que o sistema repara uma injustiça histórica. Reconhecem que o difícil acesso à educação é uma conseqüência da baixa renda, mas alegam que elevar essa renda é um processo que vai levar anos, ou décadas, e que não dá para continuar sacrificando jovens enquanto tal não acontece. Citam o exemplo dos Estados Unidos: lá, a formação universitária teria ajudado a constituir uma classe média negra, algo que colaborou em muito para diminuir o conflito racial.
De outra parte, o vestibular, como processo de seleção, não é inteiramente satisfatório. Basicamente, leva em consideração o conhecimento (alguns diriam: a habilidade para responder a questões), coisa que por sua vez depende de escolaridade prévia, de preparação especial para o exame. Nada impede que uma universidade, sobretudo pública, introduza um outro critério - social, digamos assim - na seleção. Para voltar ao exemplo americano, é sabido que nos Estados Unidos muitas universidades dão preferência a estudantes que têm bom desempenho atlético; o critério social é um pouco melhor do que isso.
Os que são contra alegam que se trata de uma espécie de racismo às avessas, que o critério principal de admissão deveria ser a competência, e que não adianta só admitir o estudante se lhe faltarem condições econômicas para o curso.
Enfim, estamos diante de uma questão aberta. Não dá simplesmente para marcar com uma cruzinha a resposta certa. Será preciso observar o novo sistema, aprimorar seus acertos e corrigir suas eventuais falhas. Mas uma observação se pode fazer. No passado, existia nas universidades européias um coisa chamada numerus clausus: alunos de minorias não desejadas só podiam ser admitidos até um certo número. Convenhamos: o propósito das cotas pode ser discutível, mas é, pelo menos, mais generoso.
Uma das primeiras pessoas a me apoiar na carreira de escritor foi José Lewgoy: dizia que havia dado de presente meu livro A Guerra no Bom Fim a muita gente. José Lewgoy, que tinha o Bom Fim no coração, era assim: um grande ator - e um grande ser humano. scliar@zerohora.com.br
O adolescente que já fui, o adolescente que ainda somos, as rebeldias de todos os dia. As brigas com as rotinas diárias, mas como era bom dormir bem tarde e por sua vez também levantar assim quase no horário do almoço ao meio dia. Depois assumimos responsablidades e isso já não e mais possível a não ser em algum período de férias.
Só que ai, as férias tem que ser aproveitadas desde o primeiro dia. Então é aquela maratona e o dormir outra vez assim sem preocupações com o amanhã passa a ser uma esperança, ah minha nossa, tão vã como talvez a de ganhar na loteria. Mas continuamos lá jogando, um dia quem sabe! Um dia quem sabe a gente ainda possa dormir assim, outra vez até tarde...
Estive agora um par de semanas no Chile. As pessoas vão ao Chile por Neruda, pelos Andes, talvez pelo azul do Pacífico surpreendido desde a Baía de Valparaíso. Eu fui ao Chile por tudo isso e por três mulheres que amei: a do riso claro, lágrimas fáceis e luvas negras; a alta, bela e simples, que fazia estremecer um homem ao primeiro instante; e a de testa séria e nome inglês, que ensinava desenho.
O adolescente que já fui, e volta e meia sou, lia sobre essas damas no melhor dos livros do maior dos cronistas brasileiros, e se apaixonava por elas. Falo de Rubem Braga e de Ai de ti, Copacabana!, que, apesar desse título, transcorre de início entre a Cordilheira e o Oceano. Trato, como se nota, de coisas antigas e contudo presentes. Pois, de outra forma, por que devotaria, neste verão de 2003, muito do meu tempo no encalço do velho Braga, que morou em Santiago naquele distante ano da graça de 1955? A resposta é singela: Rubem criou ali breves momentos de eternidade.
Levei seu livro como companheiro de viagem e com ele transitei pelos gramados do Parque Balmaceda, a montanha que se faz violeta, o sol dos incas; cumprimentei o álamo real da Calle Roberto del Rio; contemplei a esquina de Ahumada e Agustinas de uma certa janela de sétimo andar.
Me entrego por vezes a lazeres insólitos. Já virei Paris de bar em bar, de café em café, no rastro de Scott e Hemingway. Já me detive numa escola de Buffalo e numa barbearia de St. Paul, nas pegadas do autor de Suave é a Noite. Já inspecionei a geografia do centro de Buenos Aires, das mesas da Confeitaria Richmond a um apartamento de nono piso da Galeria Güemes, atrás de indícios de St. Éxupéry. E já visitei um hospital em Londres, pela bastante razão de que ali Somerset Maugham completou sua formação de excelente médico das letras. A explicação desses roteiros singulares nada tem de difícil: os escritores são os que escrevem, mas também o que vivem. Não se espantem, assim, com minhas expedições à procura de Rubem Braga em Santiago e, por acréscimo, das três mulheres que o Sabiá da Crônica me condenou a amar.
Não achei nenhuma delas. Ou quem sabe as tenha visto, sem reconhecê-las, no brando olhar daquelas três velhas senhoras que tomavam chá no Tuesday, trocando não imagino que comprazidas lembranças.
Pois, se não me distrai a memória, uma delas usava luvas negras.
liberato.vieira@zerohora.com.br
Parece muito 41% a mais, Mas como há uma demanda reprimida por empréstimos, com certeza não será suficiente para atender as necessidades e melhorar o fluxo de caixa das micro e pequenas empresas. Como as taxas de juros continuam ainda elevadas, com certeza serão priorizadas aquelas com uma ótima perspectiva de retorno.
CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA, 11 DE FEVEREIRO DE 2003
Neste primeiro trimestre, a Caixa Econômica Federal dispõe de R$ 150 milhões para emprestar às empresas gaúchas - 41% a mais sobre 2002. Ano passado, a CEF destinou R$ 3,4 bilhões para micros e pequenas empresas do país - 62% a mais do que em 2001 (R$ 2,1 bilhões). O RS respondeu por 12,4% desses empréstimos. As regiões de Porto Alegre e Litoral Norte obtiveram R$ 95,9 milhões; o Interior, R$ 358 milhões, ou 77,5% do valor das operações.
Está uma novela este diz que não disse. Mas como amanhã a tarde está agendada reunião entre os dois Presidentes é possivel que divulguem nota em conjunto para acabar com esta celeuma criada ontem.
CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA, 11 DE FEVEREIRO DE 2003 Acordo vai reduzir ações do FGTS
STJ deve formalizar acerto com a CEF. Naves torce pela desistência, mas a Caixa nega informação
Brasília - O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Nilson Naves, pediu ontem aos cinco presidentes dos tribunais regionais federais (TRF) que não enviem ao STJ processos referentes às perdas de planos econômicos nas contas do FGTS. Segundo o ministro, o STJ deve formalizar um acordo com a Caixa Econômica Federal (CEF) nos mesmos moldes que a instituição firmou, em 2002, com o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os índices de reajustes do FGTS para a compensação das perdas nos planos Verão e Collor I. O acordo será estendido às ações que tramitam nos tribunais regionais, com a conseqüente desistência das ações por parte da Caixa. A desistência, segundo nota distribuída ontem da CEF, não será imediata, ao contrário da informação divulgada domingo à noite pela agência Globo. Em entrevista, o ministro Naves afirmou que teve informação 'quase oficial' de que haverá desistência. 'Estou torcendo para que a desistência vá em frente', enfatizou.
'As assessorias técnicas do STJ e da Caixa vêm discutindo desde o final de janeiro e o início de fevereiro', disse Naves, acrescentando que está tentando agendar encontro com o presidente da Caixa, Jorge Mattoso. A assessoria da Caixa rebateu as informações, desmentindo um telefonema entre os dois.
Pessoal, acho que desaprendi tudo o que sabia de html, pois não consegui reduzir a largura desta página de sorte a fazer com que vocêes não tenham que andar com o cursor para lá e para cá. Chequei todas as tables que havia no templates e nada. Troquei de template e também nada, então não é um problema do template, deve ser de alguma linha ai dentro, que se alguém quiser dar-me uma ajuda eu agradeceria. Pago cafézinho, chazinho com bolacha ou chocolate gelado.
Bons sonhos, não daqueles que a gente sonha todas as noites mas aqueles que a gente busca realizar, mais dia menos dia.
Bom vamos ver o que vai divulgar o STJ sobre essa publicação que vazou para a imprensa e agora a CAIXA nega que tenha dito ou feito qualquer coisa e aliás afirma que o novo Presidente sequer conhece o Presidente do STJ. Sem ser práticos, claro que o berrro é de quem assinou os acordos e agora a CAIXA sem mais e nem menos não mais recorreria. Já havia até pesquisa na internete para saber se esse procedimento estava correto ou errado. Ainda creio que eles vão encontrar uma saida honrosa.
Brasília - A Caixa Econômica Federal acabou de divulgar nesta tarde uma segunda nota para desmentir a informação de que teria desistido de recorrer de ações que pedem a correção dos saldos do FGTS dos planos Verão e Collor 1. Pela manhã, a Caixa divulgou uma nota negando a informação publicada hoje pelo jornal O Globo.
A Caixa sustenta que o presidente da instituição, Jorge Mattoso, que se encontra em São Paulo, nunca conversou por telefone com o presidente do STJ, ministro Nilson Naves. "Ainda não tive o prazer de conhecê-lo", afirmou Mattoso, de acordo com a nota. Logo após a primeira nota, o jornal publicou uma matéria confirmando a desistência da Caixa e informando sobre um encontro entre os dois.
Leia a íntegra da segunda nota:
"A Caixa Econômica Federal nunca cogitou, neste Governo ou no anterior, de desistir de recorrer das ações que pedem a correção dos saldos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ao contrário do que foi divulgado no noticiário do jornal O Globo e distribuído pela Agência Globo. O presidente da Caixa, Jorge Mattoso, que se encontra em São Paulo, não conhece, nunca falou ao telefone nem tem qualquer reunião prevista para hoje com o Presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Nilson Naves. ´Ainda não tive o prazer de conhecê-lo´, disse, desmentindo uma notícia publicada no canal GloboNews.com, sobre um telefonema trocado entre os dois, que nunca ocorreu. De acordo com o presidente da Caixa, as notícias divulgadas são absolutamente infundadas e improcedentes. ´Nem eu ou qualquer um dos vice-presidentes da Caixa mandou uma equipe para tratar do assunto com o STJ. Isso nunca foi cogitado´".
Já estou em dúvida sobre qual palavra vale mais: Se dos dirigentes da CAIXA ou do Presidente do STJ já que um afirma e outro desconfirma. Vamos aguardar para verificar quem é que diz a verdade. Mas que era salutar que a CAIXA fizesse isso que o STJ está dizendo que ela faria, ah com certeza era.
Finanças pessoais
Caixa nega que tenha desistido de recorrer de ações do FGTS Segunda, 10 de Fevereiro de 2003, 14h57
Fonte : JB Online
A Caixa Econômica Federal (CEF) divulgou nota nesta segunda-feira negando as informações sobre a desistência, por parte do banco, de recorrer de 360 mil ações e que pagaria o expurgo do FGTS com correção.
A CEF diz, ainda, que nenhum dos membros da diretoria, assessoria jurídica e de imprensa deu qualquer entrevista nesse sentido.
As informações quanto à desistência da Caixa foram confirmadas pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), que também afirma que o acordo pode ser assinado nesta segunda-feira. O Superior Tribunal de Justiça diz ter sido informado pela Caixa, semana passada, que a instituição não iria mais recorrer.
Ainda bem que se chegou a este consenso, pois era completamente absurda a protelação com recursos daqui e dali para postergar um pagamento que já estava decidido. Resta saber quantas ações existem por estado dessas 360 mil, já que aqui impacta diretamente na nossa área e no meu trabalho.
Mas pelo menos ficou bem aquém da expectativa que se tinha de um milhão de ações. Para quem paga na média de 100 ações por dia, deve aumentar num número bem relevante.
A Caixa Econômica Federal (CEF) desistirá de recorrer nas 360 mil ações que pedem na Justiça a correção dos saldos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), referentes aos planos Verão e Collor 1.
Hoje, o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, e o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Nilson Naves, vão formalizar o acordo. Uma força-tarefa de servidores da Caixa e do STJ terá 30 dias para preparar a baixa e o arquivamento dos 60 mil processos que tramitam no tribunal. Trabalho igual deverá ser feito nos tribunais federais de recursos (TRFs), onde existem mais 300 mil ações.
Com a desistência da Caixa, a estimativa é de que, somente no STJ, 1,5 milhão de pessoas deverão ser beneficiadas com a correção. Advogados estimam que a conta para a Caixa deve chegar a R$ 3 bilhões, pois o valor médio das ações é de R$ 5 mil.
A decisão da Caixa beneficia trabalhadores que não aceitaram o acordo do governo Fernando Henrique Cardoso para pagar a correção e mantiveram as ações na Justiça. Agora, a Caixa vai pagar os índices que foram definidos pela Justiça, de 16,64% (Plano Verão) e de 44,80% (Plano Collor 1) em uma única vez e sem desconto.
Os valores a que cada trabalhador terá direito ainda terá de ser calculado. Depois, o dinheiro será depositado nas contas. O presidente do STJ comemorou a iniciativa da Caixa, que desafogará a Justiça e beneficiará os trabalhadores, adiantando uma decisão que poderia levar pelo menos dois anos.
- O benefício é grande para os trabalhadores porque a execução é imediata - afirmou o ministro.
O advogado Geraldo Estésio Soares, que representa trabalhadores de Cabo Frio (RJ), diz que quem aderiu ao acordo, mas não teve sua desistência homologada pela Justiça, pode desistir do acordo.
Beneficiários A desistência da Caixa de recorrer em ações no STJ favorecerá 1,5 milhão de trabalhadores
Pelo visto o Paulo ainda está deslumbado com o Planeta Atlantida e ainda não caiu bem na real ou a ficha a respeito do que foi o jogo de ontem, quando o Grêmio foi mais ruim do que o outro time ruim. Querer debitar ao Juiz a derrota é colocar um cisco no olho para não ver a cena cristalina de um time apático e sem vontade de vencer. Foi errado a cobrança de escanteio, ah isso foi. Ele não havia. Mas daí debitar o gol a marcação do mesmo vai uma longa distância.
E o segundo, foi terrível, estavam embolados uns oito jogadores do Grêmio na área e deixaram o cara chutar sozinho. E a disciplina, convenhamos parecia mais uma pelada dessas a que estamos acostumados, depois do almoço, lá pelas cinco horas da tarde quando todos já tomaram umas e outras. Pois não dava para se encostar que todos já queriam briga. Nesse aspecto o juiz foi conivente, sim e muito.
Depois não venham nos cobrar que não vivemos, que ficamos estáticos enquanto se sucedem em nossa volta os momentosos acontecimentos.
Estávamos pela madrugada no Planeta Atlântida, assistindo ao milagre de crianças de 15, 16 anos cantando com fragor as estrofes do samba Juras, de autoria de Sinhô, criado nos anos 30 e revivido nos lábios de Zeca Pagodinho.
E já pela tardinha vimos com espanto que bastou que os dois times se alinhassem em campo para travar o Gre-Nal e a chuva cessaria também por milagre para dar lugar a um dos melhores clássicos dos últimos tempos.
Depois não nos venham cobrar que não vivemos. Que estupendo mutirão para o entretenimento é este Planeta Atlântida!
É um milagre verdadeiro que 2,5 mil homens, entre operários de toda ordem, carpinteiros, ajustadores, 600 seguranças, bilheteiros, porteiros, recepcionistas, monitores, motoristas, engenheiros, consigam erguer em apenas 15 dias aquele campo teatral magnífico, aquele Circo Máximo de encantamento das multidões.
E tudo transcorrendo na mais absoluta normalidade, a juventude em legiões vibrando com as bandas e com os intérpretes, três palcos alternativos feéricos, assegurando a continuidade das apresentações, um grandioso espetáculo, com os pais em suas casas tranqüilos com a sorte dos seus filhos naquela planejada, organizada e bem-sucedida folia.
É apenas um, embora destacado, entre tantos eventos organizados pela RBS, que a liga indissoluvelmente à comunidade gaúcha.
O Planeta Atlântida é o banho lustral da alegria musical dos gaúchos.
O domingo fecharia com um Gre-Nal empolgante, com atuação magistral do Grêmio no primeiro tempo, quando poderia ter já decidido com escore amplo a partida - depois a retumbante reação colorada, com triunfo merecido de virada.
Mas nós, gremistas, temos mesmo um azar histórico com a família Barreto na arbitragem de Gre-Nais.
Para nosso azar e azar do árbitro Alexandre Barreto, de resto com boa atuação, Feijão cabeceou uma bola pela linha de fundo na área do Grêmio.
O juiz optou erradamente por escanteio. Cobrado, surgiu ali o gol de empate do Internacional, assegurando em seguida a vitória pelo segundo gol.
Azar do Grêmio, azar de duas gerações dos Barretos quando apitam Gre-Nais, os erros de arbitragem deles desfavorecem sempre o Grêmio nos clássicos, já vão lá quase 40 anos.
Carlos Simon, o melhor árbitro brasileiro, parece que estava apitando Bahia x Vitória lá no Nordeste. Azar. Só pode ser azar.
Se o Inter não ganhava Gre-Nais havia mais de três anos, o Grêmio caminha agora já para dois anos sem qualquer título. Nem o Gauchão.
É o contrafluxo do ranking.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Somos sonhadores, algo românticos, um pouco chatos, mas não loucos. E é graças aos nosso sonhos que vamos construindo, galgando degraus, e ultrapassando obstáculos. Ainda bem que somos sonhadores. E vamos construir uma semana fantástica com certeza, ainda que o domingo tenha tido revezes.
Antes da chegada dos ingleses, a Índia tinha todo o sal de que precisava nas planícies de Orissa e nos alagados de Gujarat. O sal existia em crostas no chão de Orissa e Gujarat, era abundante e barato e o seu comércio assegurara a sobrevivência dos nativos das duas regiões por milhares de anos, até a chegada dos ingleses. Os ingleses proibiram o comércio do sal de Orissa porque era muito barato e competia com o sal produzido em Cheshire, na Inglaterra. Para garantir que nenhum sal seria colhido em Orissa, determinaram que era crime colher sal em qualquer lugar da Índia. Houve fome na região de Bengala entre os nativos proibidos de explorar o sal sob os seus pés. A proibição durou anos. E foi numa praia de Gujarat, em 1930, que um homem chamado Gandhi desafiou a lei inglesa, dobrou o seu corpo frágil e buscou do chão um punhado de sal, iniciando um processo que acabaria 20 anos mais tarde com a independência da Índia. Um homem simplesmente se abaixou, pegou um pouco de sal, e mudou a História.
Nós, do Corpo Auxiliar "Luma de Oliveira" (Caldo) do PT (não nos envolvemos, mas colaboramos), preocupados com a alma do PT, concordamos que não existem muitas alusões aproveitáveis à situação brasileira no exemplo aí de cima. O jugo do capital financeiro nada tem a ver, longe de nós, com o colonialismo clássico, o FMI nada tem a ver com o "raj" inglês e suas imposições em favor dos interesses da Inglaterra e nem a imagem de um povo miserável impedido de compartilhar a riqueza sob os seus pés por regras vindas da matriz se adapta a nós, pelo menos não exatamente. E é claro que não imaginamos o Lula envolto num lençol desafiando o mercado e pregando a desobediência econômica em alguma praia em Brasília. Somos sonhadores, algo românticos, um pouco chatos, mas não loucos.
O que sentimos falta, isto sim, é de um gesto. Não um grande gesto rebelde mas um pequeno gesto inaugural. Alguém que tenha a singela coragem de apanhar um punhado de sal do chão e começar outra coisa, outra história, e uma que também acabe em independência de uma engrenagem infernal. Um sinal mínimo de que essa aparente faceirice em Brasília só porque o mercado (surpresa!) nos ama é disfarce, é astúcia. Porque sabemos que a boa vontade do capital internacional conosco, hoje, só denuncia a calhordice da crise criada artificialmente, ontem, para impedir a eleição do Lula, e do que esse bando é capaz. Porque sabemos que os ingleses agora são outros, mas, fora isso, não mudaram muito.
Um punhado de sal.o Caldo não pede outra coisa. Alguém que se abaixe e pegue um punhado de sal. Depois estamos até dispostos a esperar 20 anos pelo resultado do gesto.
Posted
8:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Olha ai nosso Ministro da Cultura, deslumbrado com o Planeta Atlântida .
Brincalhão e careteiro, Gilberto Gil foi um dos destaques da segunda noite do Planeta Atlântida, maratona musical que reuniu mais de 80 mil pessoas em dois dias de shows no litoral (foto Dulce Helfer/ZH)
Para quem assistiu o primeiro tempo achou que o Grêmio iria ganhar de goleada. Todavia na volta do segundo tempo o Grêmio recuou, ficou apático e permitiu que os colorados ganhassem confiança e atacassem mais. Fazendo muitas faltas desnecessárias, levando cartões amarelos sem necessidade o Grêmio perdeu a cabeça outra vez com o Danrlei e o jogo. Para quem aspira ganhar, pela terceira vez a Copa América o Grêmio está muito longe de concretizar esta aspiração. Falta tudo: garra, jogador e Treinador.
Porque meus amigos trocando de canal a gente vê jogo de futebol e aliás o São Caetano de três a zero para cima do Corintians. O Fluminense do Renato Gaucho de três a zero para cima do Flamengo. Ai é gostoso de ver. Agora o Grenal, ainda que o campo não ajudasse, foi um monte de empurrões, de chutões e de contemporização pelo árbitro que inclusive deu umzinho cartão amarelo para o Goleiro do grêmio quando este empurrou o árbitro reserva.
São Paulo - O Internacional venceu o Grêmio de virada por 2 a 1, na noite deste domingo, no estádio Olímpico. Daniel Carvalho e Vinícius fizeram para os colorados. Luís Mário descontou.
Com o resultado, o Inter passou a liderar sozinho o Grupo 1 do Gaúcho com 4 pontos. Juventude e Caxias têm 2. O Tricolor soma 1. O jogo acabou ainda com uma invencibilidade de três anos dos gremistas, que estavam invictos contra os rivais há 13 partidas.
O Grêmio iniciou o jogo mais ligado do que o Inter e com 11 minutos já tinha chegado com perigo ao gol de Clemer. Na base da velocidade de Basílio e dos deslocamentos de Luís Mário, o Tricolor gaúcho levou a melhor sobre os zagueiros colorados.
Somente aos 20 minutos o Inter reforçou a marcação e equilibrou o jogo, mas num ótimo lançamento de Polga, Luís Mário escapou na velocidade e abriu o placar.
Atrás no placar, o time do técnico Muricy Ramalho tentou o empate na base da vontade, mas faltou organização tática. O Grêmio continuou mais perigoso em campo e esteve perto de ampliar o placar ainda na etapa inicial.
A melhor chance do Inter foi numa falta cobrada por Flávio, que raspou a trave de Darnlei no fim do primeiro tempo.
Na etapa final, o Inter foi para cima e conseguiu o empate aos 22 minutos em cabeçada de Vinícius. O jogo ficou tenso, Danrlei agrediu o juiz reserva e o juiz teve trabalho para conter os ânimos.
O gol da vitória veio aos 42min num golaço de Daniel Carvalho
Joinville - Sentir saudade é reconstruir o ser querido a distância. Ao chegar ao fim mais um festival, constitui-se esta entidade incorpórea, que não se pode abraçar e que faz do corpo de cada um o seu corpo; do êxito alheio o seu sucesso; da nossa alegria a sua festa; e de qualquer derrota o seu fracasso. O semblante dos que partem é a sua face. Emprestamo-lhe os pés, as mãos, a velocidade, a roupa colorida, os movimentos, sons, emprestamo-lhe as ansiedades, os desejos e as satisfações.
E, agora, tudo se desintegra como se fosse um castelo de carta. Quatro mil e quinhentas cartas que vão cada uma para seu lado deste imenso Brasil por um correio sentimental, levando seu quinhão, seu instante de glória, o seu nó na garganta, o seu sonho encontrado ou distante, escancarado ou inconfessável; seu inchaço no ombro, a torção no joelho, sua dor e alegria, o corpo inteiro como uma chama acesa, uma garganta na ponta dos pés, a planta dos olhos como se fosse o mapa das horas, dos dias que são os dias da nossa vida. E estas imagens, estas eloqüentes imagens, são quase tudo que resta a dizer. (Joel Gehlen)
Uma ótica do professor de balé Jane Dickie
Joinville - O grande prazer em ensinar dança aflora quando tornam-se perceptíveis mudanças nos corpos dos alunos, corpos outrora desajeitados e hesitantes, movendo-se agora com leveza e controle. Essa alegria evidencia-se também em seus olhos, na expressão iluminada de seus rostos, atingindo satisfação plena pelo esforço da disciplina diária, em ser cada vez melhor. Mas nem tudo é sempre uma festa. Quase nunca é magia.
O ato de ensinar é uma tarefa tão complexa quanto o ato de aprender. Somente através do ensino aprende-se a ensinar. E não basta saber o quê ensinar, mas como ensinar, quando e, principalmente, a quem ensinar.
Tratando-se de dança clássica, essa afirmativa torna-se algo ainda mais difícil, exigindo do bom professor uma gama de habilidades em diversas áreas do conhecimento. Novamente, ensinar não é apenas o sinônimo de dar aula. É muito mais.
Em primeiro lugar, o bom professor de dança clássica deve ter vivido intensamente as experiências praticas daquilo que se propõe a ensinar: anos a fio de um correto treinamento técnico, assegurado dentro de uma metodologia clara e precisa de muitos anos, e vivência teatral como artista. Em segundo lugar, mas não menos importante, deve ter bom senso, tolerância e grande disposição para assimilar novos conhecimentos, reciclando-se e se tornando sempre atualizado quanto às mudanças na educação e no ensino da dança como forma de arte.
Não creio que existam prescrições fixas a seguir. Utilizando-se de sua experiência como bailarino que foi, de sua sabedoria, além de ensinar o aluno a conquistar o seu próprio corpo, o professor lida com a transformação do ser humano e sua plenitude - física e espiritual -, um comprometimento mútuo na lapidação desse futuro artista, tendo sempre em mente o bailarino numa metamorfose abrangente, quase infinita... às vezes, impossível.
Com os pré-requisitos necessários nas mãos (pernas endehors, boa extensão, flexibilidade, estabilidade, coordenação precisa de movimentos, perseverança e força) e respeitando as regras específicas para a maestria da técnica, a mecânica do movimento pode ser ensinada calculadamente: como saltar, como girar, e assim por diante. Mas, transformá-la em dança é outra história bem diferente, talvez o maior desafio para o professor. Pois se existe algo que o professor não pode ensinar, esse algo chama-se talento.
Mais do que amor pelo movimento, que gera a energia de controle do próprio corpo e que o desperta para a sensibilidade rítmica e musical, devem-se abrir os caminhos às possibilidades desse talento, para que os alunos tomem consciência do seu verdadeiro sentido, elevando-o ao máximo de sua expressão artística.
A visão de que nem todos têm a mesma capacidade de aprender tudo de uma só vez deve estar sempre presente na mente do professor. Com os olhos bem treinados, interesse em seus alunos e disposição de missionário, é dever do professor oferecer a seus alunos um ambiente propício ao desenvolvimento da disciplina, da concentração, confiança e respeito. Sem essa exposição, talvez a expressão artística que esteja potencializada no coração daquele aluno, ou de outro, jamais se manifeste abertamente. Jamais se torne realidade, para tornar-se novamente divina, no palco.
Jane Dickie é professora de balé na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil