E N T R E L A Ç O S
Click for Porto Alegre, Brazil Forecast

Sábado, Fevereiro 22, 2003




Em que cama você acorda?

Pesquisadores descobrem uma fase do sono só para lembrar onde você adormeceu

21/02/03

Quarto de Van Gogh em Arles, tela pintada em 1889 pelo holandês
Antes mesmo de abrir os olhos, você já reconhece o lugar: é a sua cama, no seu quarto, na sua casa. Mesmo se a cama for estranha, ou se você tiver adormecido nos pés dela, o mais provável é que você não se espante ao acordar: seu cérebro sabe onde você dormiu. E não estamos falando apenas de uma questão de hábito, de dormir sempre no mesmo lugar -- embora mamíferos, como nós, tendam a voltar sempre ao mesmo canto da toca para dormir. Pelo contrário: o truque também funciona para quem vive pulando de cama em cama, viajando a trabalho ou movido a festas, badalações e outros prazeres. O cérebro, antes de dormir, 'toma nota' do local em que vai adormecer, e revê o recado várias vezes ao longo da noite. Como? Ativando especificamente os neurônios do hipocampo que representam a localização da cama da vez.

A 'revisão' da localização da cama acontece durante um recém-descoberto terceiro tipo de sono, que sucede quase todo período do já conhecido sono REM (com sonhos) ou se intromete no sono não-REM (sem sonhos). A descoberta, publicada em 2002 no Journal of Neuroscience, é dos pesquisadores Beata Jarosiewicz, Bruce McNaughton e William Skaggs, da Universidade do Arizona (EUA). Os dois últimos já estudam há algum tempo o comportamento do hipocampo durante o sono. Essa estrutura é responsável tanto pela formação de novas memórias quanto pela navegação espacial -- ou seja, saber onde você se encontra e como chegar ao local desejado.

Em um estudo de 1998, Skaggs e McNaughton haviam determinado que, enquanto no sono não-REM a maioria dos neurônios no hipocampo do rato é ativada, ainda que de forma desorganizada, durante o sono REM permanece em ação somente um grupo seleto de neurônios -- aqueles que representam os locais explorados no dia. É como se o cérebro ao sonhar revisse uma fita com os acontecimentos do dia -- um Vale a pena ver de novo neuronal.

Às duas fases principais do sono conhecidas junta-se agora uma terceira, durante a qual a grande maioria dos neurônios do hipocampo ficam silenciosos, e apenas uns três de cada cem permanecem ativos. O que esses poucos neurônios têm de especial? A resposta veio com o trabalho de doutorado de Beata Jarosiewicz, que registrou a atividade de algumas dezenas de neurônios no hipocampo de ratinhos que exploravam seu ambiente no laboratório e depois adormeciam à vontade onde quisessem. Os neurônios ativados durante a nova fase do sono representam o local exato no ninho em que o ratinho adormeceu.

Como é possível dizer isso? Fácil: existem neurônios no hipocampo que entram em ação somente em certos locais do ambiente, e sinalizam a posição do animal como aquela flecha vermelha nos mapas que indica 'Você Está Aqui'. No caso da terceira fase do sono, os neurônios ativados são os mesmos que entraram em ação antes enquanto o ratinho, ao explorar o ambiente, por acaso passava pelo local onde mais tarde ele adormeceria.

Ao longo de uma noite de sono, a nova fase ocorre várias vezes, e em todas os mesmos poucos neurônios são ativados: sempre aqueles que representam o local onde o animal ainda dorme. E mais: se durante a noite o ratinho acordar e mudar de posição, os neurônios ativados nas próximas vezes serão aqueles que representam a localização da nova cama, e não mais a anterior, do começo da noite!

Além de ocorrer várias vezes durante a noite, tanto em sono não-REM quanto logo após os episódios de sono REM, a nova fase também acontece invariavelmente no momento em que o animal desperta naturalmente de um sonho. Como também nós costumamos acordar naturalmente de um episódio de sonhos, a recapitulação do lugar em que adormecemos é pelo jeito a última coisa que o cérebro faz antes de acordar. Donde a sensação, na maioria das vezes, de saber onde estamos antes mesmo de abrir os olhos.

Só faltou fazer um experimento: transferir os ratinhos no meio da noite, sem acordá-los, para outro lugar no ninho. Em teoria, não há como o hipocampo adormecido registrar a mudança de local, e portanto os mesmos neurônios devem continuar sinalizando a cama original durante a noite. Jarosiewicz já pôs mãos à obra: ela fez os animais adormecerem sobre uma grande plataforma giratória e já tem os primeiros resultados.

Ainda são preliminares, com poucos animais, mas o veredicto já se anuncia: os mesmos neurônios se mantêm ativos a noite inteira, mesmo com a rotação lenta da plataforma, e se 'lembram' do lugar onde o animal adormeceu originalmente. O ratinho acorda do outro lado do 'quarto' e, segundo William Skaggs contou por e-mail ao Cérebro Nosso, parece bastante surpreso -- como se estranhasse a nova cama e achasse que não era bem ali que ele deveria estar...

O que não é, de fato, nenhuma surpresa. Afinal, essa é a apenas a versão científica de um experimento feito todas as noites em vários lares, e cuja resposta pais e filhos já conhecem há gerações: a última coisa que as crianças esperam, ao adormecer na cama dos pais, é acordar de manhã em seu próprio quarto. Isto é, se a criança não acordar e seu hipocampo não flagrar a tentativa de mudança de cama. É reclamação na certa...

Suzana Herculano-Houzel
O Cérebro Nosso de Cada Dia




Nada mais justo e esperado que isso ocorresse. Se todos os vôos estão com 40% ou 50% de assentos vazios, porque não reduzir-se o número economizando em combustível, tripulação e taxas nos aeroportos. Não precisa nem ser aluno do SEBRAE para saber que o caminho é esse. Bom domingo para todos nós

Empresas
Varig e TAM vão reduzir número de vôos


Varig e TAM devem anunciar, nesta segunda-feira um corte de até 40% na oferta de assentos para vôos domésticos. As companhias começam a operar vôos juntas logo após o Carnaval, provavelmente no dia 10 de março, após a conclusão dos estudos de unificação das rotas.

Será a primeira medida tomada pelas duas maiores companhias do setor no país desde o anúncio da intenção de unir suas operações, feito no último dia 6. A redução dos vôos deve atingir principalmente as operações nos aeroportos de Congonhas (SP), Santos Dumont (RJ), Pampulha (MG), Brasília(DF) e Curitiba (PR).




Meu nobre cronista, esqueceste de um detalhe. O de que se o Govêrno é o principal dono da Petrobrás como é o principal dono do Banco do Brasil e como é o único dono da CAIXA, então estas empresas tem de mostrar eficiência e como fazer para transformar isto em números? Aumentando os preços dos combustíveis, as taxas de juros e diminuindo os custos, como salários e outros insumos fixos. Quanto a população do País, seu bem estar, seu desenvolvimento... Há bom... ai é outra conversa.

Paulo Sant'ana
23/02/2003


Afinal, quem é que manda?

Abri os jornais de sexta-feira e quase não acreditei no que li, vindo dos lábios do presidente da República: "Dolarizaram o Brasil. Álcool, gasolina e aço aumentam por causa do dólar. Como explicar o recente aumento de 47% do preço do aço? O poder político foi terceirizado. As agências reguladoras aumentam a gasolina, a luz, o álcool, e o presidente fica sabendo no dia seguinte pelos jornais, não tenho controle sobre essas agências. Criaram um poder paralelo. Preciso da ajuda de vocês (parlamentares) para interferir nessa estrutura".

Não fosse por um detalhe apenas, este colunista assinaria embaixo do que o presidente Lula disse.

É que são tão insuportáveis e injustos estes reajustes nas tarifas que ficamos depressa imaginando o que pensa e faz o presidente Lula a respeito disso.

E agora ficamos sabendo pelo próprio Lula que ele está profundamente preocupado com essa alta selvagem dos preços nas tarifas dos telefones, da energia elétrica, da água, do gás de cozinha, da gasolina etc.

E quer, como disse, acabar com esse "poder paralelo" das agências reguladoras de preços das tarifas.

Na verdade, se o presidente da República ou os governadores e prefeitos não têm poder para determinar os preços da energia elétrica, da água e do telefone, estará decretado que não vivemos numa democracia, porque todos os agentes que determinam esses preços terão de guardar uma relação com o voto, em suma, com a vontade popular.

Um presidente da República, um governador ou um prefeito, o povo pode derrubar pelo voto. Os integrantes dessas agências reguladoras de preços não podem ser derrubados pelo voto, nada têm a ver com uma eleição.

E o que o povo não pode eleger ou derrubar pelo voto não pode ser atuante na decisão de importantes medidas da ordem social e política, no caso o preço das tarifas.

Nisso de mudar essa sinistra equação, o Lula tem razão e teria o meu apoio, creio que de todo o povo brasileiro.

Mas acontece que há um pecado fundamental na fala de Lula. Ele incluiu entre as tarifas que têm seu preço aumentado em excesso a gasolina.

E, como se sabe, a gasolina, o diesel, o gás de cozinha são produzidos pela Petrobras, empresa que é controlada pelo governo, em face de a maioria das ações serem estatais.

Quem planeja, controla e fixa o preço dos combustíveis, pois, é o governo. E não se tem notícia, até mesmo isso se nota na fala de Lula, de que seu governo não irá permitir as contínuas altas nos preços dos combustíveis, até mesmo porque a gasolina já viu aumentado seu preço no governo Lula, em face do aumento no preço do álcool, também fixado pela Petrobras.

A fala de Lula nos transmite a idéia de que só o governo pode impor preços injustos e excessivos, as agências não.

E de que a alta dos combustíveis (preços cobrados pelo governo) é devida à oscilação do dólar.
Pergunta-se então: mas as outras tarifas (água, luz, telefone) não dependem da oscilação do dólar? Dependem. E só porque seus preços não são fixados pelo governo federal Lula os acha excessivos?

Insisto: e os combustíveis? Por que Lula não baixa os seus preços, se é dele o poder de fazê-lo? Eu sei, não baixa por causa da alta do dólar, ou seja, o governo se submete ao mercado.

Mas se quem manda nos preços, isto é, em tudo, são as agências reguladoras e o mercado, em que manda o governo? A resposta terrível é: em nada.

Porque esse quadro, contra o qual o Lula já se revolta, nos mostra que na verdade não é um presidente da República que elegemos há pouco tempo e nas últimas eleições.

Elegemos um prefeitão, que não tem poder para decidir nada importante, só assuntos comezinhos.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Moacyr Scliar
23/02/2003


Batalha final: o intervalo

Foto(s): Reprodução/ZH>

A Batalha Final não será travada entre anjos e demônios, ou entre Bush e Saddam Hussein, ou entre o PT Light e os Radicais Livres. A Batalha Final, ao menos no Rio Grande do Sul, será travada entre os adeptos da praia e os inimigos desta. É um conflito antigo e quase chegou a se institucionalizar, quando foi criada a Sapa, Sociedade dos Amigos de Porto Alegre, formada por urbanóides que cantavam as glórias da Capital no verão: tráfego livre, restaurantes vazios, ruas silenciosas. Os veranistas poderiam mobilizar a SACC, Sociedade dos Amigos de Capão da Canoa, e outras similares, mas nunca o fizeram, provavelmente por desdém ao adversário.

Mas desdenhar não significa ignorar. Um dos exercícios prediletos dos gaúchos no verão, e que na verdade já se constitui em escaramuça preliminar à Batalha Final, é lamentar, cinicamente, a sorte dos que estão lá. "Lá" pode ser a cidade, para os veranistas, ou o litoral, para os que não gostam da praia. Este exercício assume várias modalidades. Vamos supor, por exemplo, que ocorra uma onda de calor, daquelas capazes de fazer suar o próprio demônio. Os que estão na praia manterão um diálogo mais ou menos assim:

- O pessoal lá deve estar torrando...

- Nem fala. Dizem que ontem os termômetros estavam marcando mais de quarenta... Já imaginou o asfalto derretendo?

Os citadinos que sobreviveram à canícula vão contra-atacar. O Atlântico, por exemplo, paga o pato:

- Não sei que graça o pessoal acha naquele mar: marrom, frio... Se ainda fosse o Caribe, aquela água azul, morna...

- E o vento? Quem é que agüenta o nordestão?

Pois é. Ninguém agüenta o nordestão, nem o congestionamento nas estradas, nem os carros que circulam no centro de Atlântida ou Capão da Canoa com os alto-falantes a todo o volume. Enfim, a julgar por estes diálogos, sofre quem está na praia e sofre quem está na cidade - mas quem está na praia encontra consolo no sofrimento dos que estão na cidade, e vice-versa (vice-versa, mesmo: às vezes o pessoal da cidade acaba indo para a praia e aí muda completamente o discurso; aquela coisa de passar de oposição a governo).

Agora, o veraneio está chegando ao fim e todo mundo passa a partilhar um destino comum. Mas isto não significa que a Batalha Final foi evitada. Ela foi apenas adiada. No ano que vem os preparativos continuam.

Diário de Bordo

Nomes - Inesgotável, a lista dos nomes que condicionam destino. O Antônio Augusto lembra o nome do Corregedor da Receita Federal (que aliás faz um grande trabalho), o Moacir Leão. De fato, o Leão da receita está bem representado. E, em nome da tribo Moacir (os com i e os com y), agradeço, Antônio Augusto. - E falando em juristas, o Mauro Duarte lembra que há um defensor público chamado Líbero Ateniense. Eloqüente esta, hein, Mauro?

Nada como um Líbero para defender a liberdade, e nada como um Ateniense para lembrar que Atenas foi cidade-mãe da democracia. - O Mauro Duarte também lembra o nome do ministro do Turismo, Walfrido dos Mares Guia. Espero que ele guie os turistas nos mares e nas terras, Mauro. - E o Milton Jung, a voz ancestral do rádio gaúcho, comparece com o nome de um jogador de futebol: Rubian Grande Craque. Quem é esse jogador, Milton? No Cruzeiro garanto que não jogou.

Livros - Começam os lançamentos de 2003. Em primeiro lugar, claro, temos A Duquesa Voadora (RBS) em que Celia Ribeiro conta tudo sobre viagens. Um consolo para quem está voltando, sugestões para quem está planejando viajar. Mais duas boas dicas: Ou César ou Nada (Ediouro), do espanhol Manuel Vázquez Montalbán, uma sátira histórica sobre o famoso clã dos Bórgias; e O Pianista (Record) de Waldyslaw Szpilman, autobiografia de um famoso sobrevivente do gueto de Varsóvia, e que deu origem ao premiado filme de Roman Polanski.

Monterroso - Falando em livros, o guatemalteco Augusto Monterroso, que faleceu na semana passada aos 81 anos, era um grande escritor, excelente pessoa (conheci-o há uns anos, no México) e o autor do menor miniconto do mundo, resumido a apenas uma frase: "Quando despertou, o dinossauro ainda estava ali." Bota síntese nisso.

Picasso - Para quem ainda não viu: não percam - vou repetir: não percam - a exposição das gravuras de Picasso no Santander Cultural. É uma das melhores mostras que já passaram por Porto Alegre. E, se estiver passando o documentário sobre o cartunista underground Robert Crumb no cinema do Santander, não percam também. É uma dilacerante análise da relação entre arte e doença mental.
scliar@zerohora.com.br





Martha Medeiros
23/02/2003



O fofocômetro
Cláudia Laitano (interina)

Nada como uma boa fofoca para desenhar o mapa da moralidade pública. Funciona assim: pega-se uma notícia potencialmente picante e mede-se o índice de indignação geral da nação - se há indignação geral da nação. O método, vamos chamá-lo de "fofocômetro", funciona especialmente bem na pausa para o cafezinho, no bar do escritório. Preste atenção na opinião daquela secretária do quarto andar de quem você não sabe nem o nome. Um rápido comentário dela pode conter mais sabedoria antropológica do que uma tese acadêmica.

Digamos que se escolha a Xuxa para testar o método. O Brasil está cheio de mães solteiras - ricas e pobres, famosas e anônimas - mas alguém imaginaria que a opinião pública veria com tanta tranqüilidade o fato de a apresentadora infantil mais famosa do país ter decidido ter um filho fora do casamento? Eu, confesso, fiquei surpresa. Xuxa sequer se deu ao trabalho de simular um namoro convincente. Sasha nem tinha nascido e estava claro que papai e mamãe não iriam brincar de casinha. Estranhou-se bem mais, alguns anos antes, o fato de uma modelo loira e famosa ter se apaixonado por um homem atraente, rico, famoso - e negro.


Pronto, ficamos sabendo que hoje é OK ter filhos fora do casamento, mas que relacionamentos inter-raciais ainda provocam um certo estranhamento. Não é bacana o fofocômetro? Agora vamos pegar a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Casada, mãe de três filhos, bem-sucedida, Marta apaixonou-se por outro homem, o bonitão Luis Favre. Políticos - e empresários e cantores sertanejos e até o caixa do meu banco - trocam suas esposas por outras o tempo todo, mas quando uma mulher poderosa faz isso dispara imediatamente o ponteiro do fofocômetro. Como assim jogar fora um casamento estável daqueles? Como assim se apaixonar depois dos 50? Como assim um argentino?

Senhores costumam apreciar moças mais jovens - os americanos têm uma expressão fantástica pra isso, "trophy wife", esposa troféu, o prêmio por chegar-se à idade madura rico e poderoso é ter o privilégio de renovar a frota doméstica -, mas a Marília Gabriela namorar o Reynaldo Giannechini é considerado muito esquisito, mais ainda depois que ele ficou famoso. São coisas que o fofocômetro nos revela a respeito do nosso país, em que nenhum ator da Globo é gay, mas é totalmente aceito que uma cantora de MPB seja lésbica.

Tudo isso, claro, nos faz chegar ao episódio da escuta telefônica de ACM. Numa história tão cheia de lances sensacionais - arapongagem, ciúme patológico, curralismo político - chama a atenção como nas primeiras reportagens sobre o assunto sequer era mencionada a dona Arlete, mãe dos quatro filhos de Antonio Carlos Magalhães, casada com ele há mais de 50 anos. Adriana, a moça com quem o senador teria se relacionado por 10 anos, é chamada o tempo todo de "namorada", o que nos revela que foi abolida a expressão "amante" do léxico nacional.

A ser verdade tudo o que se disse sobre o namoro, abolidas foram também todas as pequenas gentilezas historicamente dirigidas às esposas legítimas pelos maridos infiéis. A instituição do casamento sai desse episódio tão anacrônica e desvalorizada como uma nota de 10 cruzeiros.

Qual a moral disso tudo? Não sei. Espera um pouquinho que eu vou ali no bar ver o que o pessoal está comentando.
martha.medeiros@zerohora.com.br




Luis Fernando Verissimo
23/02/2003


Coisas que não existem mais

Cigarreira, por exemplo. Não existe mais. Nunca fumei, mas lembro que acompanhava, fascinado, o ritual dos fumantes que traziam seus cigarros naqueles estojos de metal, dourados ou prateados. Só havia cigarreiras para homens. Mulher fumando era uma raridade, e fumando em público um escândalo, mas mesmo que fumassem como homens as cigarreiras não eram para elas. Eram coisas sólidas, másculas, coisas para trazer no bolso interno do paletó, como uma arma ou um documento importante, inimagináveis entre as frivolidades de uma bolsa feminina.

Oferecer o cigarro de uma cigarreira a uma mulher era um ato, ao mesmo tempo, de compreensão (não a condeno por fumar, mas entendo que você não pode andar com cigarros na bolsa), de sedução (sim, sou um homem de cigarreira, e você sabe o que isso significa) e de cumplicidade (estou lhe abrindo um dos meus recessos, você está se servindo da minha intimidade, talvez até lendo a inscrição no interior, mas é só um vislumbre, o máximo permitido a alguém do seu gênero).

E depois da cigarreira fechada com um estalo, o isqueiro tirado de outro bolso e oferecido aceso, numa rápida coreografia solícita, pois um homem de cigarreira geralmente também era um homem de isqueiro infalível. Parte do ritual era bater com a ponta do cigarro na superfície da cigarreira. Para o fumo baixar e encher a extremidade do cigarro, que sempre ficava meio vazia, era isso? Por alguma razão, sempre achei o gesto de bater com a ponta do cigarro o gesto definidor de gente grande. Você seria adulto quando batesse com a ponta de um cigarro ante de levá-lo a boca, e se batesse o cigarro na tampa de uma cigarreira prateada ou dourada, seria um adulto especial.

Eu treinava para esse dia batendo com a ponta de cigarros de chocolate. Lembra cigarro de chocolate? Mas nunca fiz a transição do chocolate para o fumo. Talvez já prevendo que os cigarros me fariam mal (naquele tempo ninguém ainda concluíra que sugar fumaça não podia fazer bem), talvez porque não tivesse muito entusiasmo em ser adulto.

Rede de cabelo para homem. Também não existe mais. Usavam para dormir e para jogar futebol. Você vê as fotografias de times de futebol daquele tempo e sempre tem uns três ou quatro com uma rede - ou meia - na cabeça, para manter os cabelos no lugar. Que tempo era esse? Acho que até o fim dos anos 50 homem ainda usava rede na cama e no campo. Hoje, no campo se não na cama, a cabeça raspada substituiu a rede e a escolha é entre cabelos esvoaçantes ou cabelo nenhum. Não há qualquer relação conhecida entre o uso da rede de cabelo e o tipo de futebol que se jogava então e não se joga mais. E que fim levou chapéu de mulher com véu? Se ainda existe eu não tenho visto.

Os chapéus vinham com véus que cobriam o rosto da mulher. A cobertura era apenas simbólica, pois os véus eram diáfanos e o rosto da mulher ficava reconhecível, mas o que simbolizava a falsa máscara? Talvez a moda viesse do fim da era vitoriana e fosse uma espécie de antídoto para o inevitável relaxamento de costumes que já começara: a mulher estava a meio caminho entre repressão e a liberação mas ainda obrigada a simular recato, e a não ser identificada na rua. No véu estava implícito o anonimato, e a distância.

Atrás do seu véu a mulher continuava sendo um ser enclausurado, olhando o mundo - simbolicamente - através de treliças conventuais, não importa o que estivesse fazendo por baixo da mesa. Já que para proteger do sol é que não era. Naquele tempo levantar o véu de uma mulher para beijá-la equivaleria a um descerramento, a uma cortina de primeiro ato, mesmo que ela estivesse vestindo só o chapéu. Os véus davam um ar de mistério lúbrico às mulheres. O que jamais se poderia dizer das redes de cabelo para homens.

E mata-borrão? Já devemos estar na segunda geração humana que não sabe o que é mata-borrão. Que nunca viu um mata-borrão, salvo em filme de época. Como explicar o prático objeto em forma de semicírculo com uma maçaneta em cima se, além de tudo, ele tinha um nome errado, um nome que desvirtuava sua função? Em vez de matar, o mata-borrão previnia o borrão, era um evita-borrão, portanto um difamado pelo próprio nome. A pronta aplicação da superfície porosa do papel do mata-borrão que absorvia o excesso de tinta molhada impedia que a tinta se espalhasse, ou fosse acidentalmente borrada e... Enfim, é um pouco difícil de explicar para quem não sabe nem o que é tinta molhada.

Não existem mais cigarreiras ou cigarros de chocolate, nem jogadores de futebol com rede de cabelo ou mulheres com véus e os mata-borrões não encontraram outra função no mundo - ao contrário, por exemplo, dos tinteiros, que dão bons vazinhos, ou dos dinossauros, que foram para o cinema - e o tempo continua fazendo das suas, passando desse jeito. Agora só falta eu ficar adulto de repente


Isso sim é terrível, quando quem deveria proteger e instruir é o primeiro a barbarizar e vilipendiar. E quantos passam impunes por esta vida... lamentavelmente.

Crime
Inocência ameaçada



A cada oito horas, uma criança é vítima de ataque com fins sexuais no Estado, boa parte deles ocorrida em ambiente familiar (foto Ronaldo Bernardi/ZH)




Cinco estrelas

Imperdível a seleção de filmes inéditos na telinha da Rede Telecine, na Sessão Preview, que vão ao ar em março: Onde Mora o Coração, com Ashley Judd e Sally Field; Atrás das Linhas Inimigas, com Owen Wilson e Gene Hackman; O Amor é Cego, com Gwyneth Paltrow e Jack Black; Pecado Original, com Antonio Banderas (foto) e Angelina Jolie, e A.I. - Inteligência Artificial, com Joel Osment e Jude Law.




Comissão de frente
A atriz Roberta Rodrigues mostra com quantos tops se faz um carnaval
Márcia Disitzer


Esse ano não vai ser igual àquele que passou. Vai ser muito melhor. Afinal de contas, os blocos e escolas de samba da cidade ganharam a presença cheia de gingado e energia da atriz Roberta Rodrigues. A musa do filme Cidade de Deus tem roubado a cena e esbanjado charme nos ensaios do Monobloco e planeja sair na Grande Rio e no Salgueiro. Amo Carnaval. Se pudesse, desfilaria em todas as escolas. A batida do samba me deixa superempolgada, diz Roberta. E é nas quadras que Roberta tem experimentado o gostinho da fama e do assédio masculino.

Os meninos vêm elogiar minha atuação em Cidade de Deus e aproveitam para soltar piadinhas, falam que são os homens perfeitos para mim, diverte-se a moça, que está namorando há três meses e apaixonada. Ele trabalha em cinema, atrás das câmeras. Prefiro não dizer quem é, emenda a atriz, que se prepara para fazer sua primeira novela. Serei a empregada Zilda em Mulheres Apaixonadas, conta.

Para cair no samba, Roberta elege sua peça preferida: Sou fissurada em tops. Ando com top e jeans o ano inteiro. Tem tudo a ver com o Carnaval do Rio. Falou e disse.




Todos os fins de semana voces encontram aqui as capas e algumas reportagens das revistas semanais Veja e Isto É. O site da Isto É é aberto mas a Veja de vez em quando põe matéria em área restrita aos assinantes. A reportagem abaixo bem como outras interessantes voces poderão ler no site da própria revista, cujo link está aí na própria.

Obrigado por nada
Das três protagonistas de As Horas, a homenageada Virginia Woolf é de longe a menos interessante


Nicole, como Virginia: à frente no páreo do Oscar por um nariz

Até publicar Mrs. Dalloway, em 1925, a inglesa Virginia Woolf não era uma escritora convicta de seu talento. Esse seu quarto romance, contudo, deu a ela a certeza de algo ainda maior seu poder renovador dentro da literatura. O livro acompanha um dia na vida de Clarissa Dalloway, socialite londrina de meia-idade que organiza uma festa para aquela noite, tira uma soneca à tarde e relembra escolhas amorosas do passado, perguntando-se se elas foram certas. O trivial, dizia Virginia com seu livro, é tão ou mais potente na vida de uma pessoa do que o trágico ou o heróico. É ele, na verdade, que nos constitui. Mrs. Dalloway tem gerações de admiradores entre eles, o escritor americano Michael Cunningham, que em 1999 foi premiado com o Pulitzer por uma variação em torno desse tema. As Horas (o título que Virginia escolhera inicialmente para seu livro) observa um dia na vida de três protagonistas diferentes.

Uma delas é a própria Virginia Woolf, que, em 1923, começa a escrever Mrs. Dalloway durante um odioso exílio no campo, com o qual seu marido espera recuperá-la de uma depressão. A outra é Laura Brown, uma dona-de-casa americana do início dos anos 50. Grávida do segundo filho e apaixonada por uma vizinha, Laura encontra em Mrs. Dalloway um eco de sua própria vacuidade, e contempla o suicídio (pelo qual a própria escritora optou em 1941, aos 59 anos).

A última é a agente literária Clarissa Vaughan, uma Mrs. Dalloway moderna, que em 2001 se esconde de seu desespero preparando uma festa para um ex-amante, que está morrendo de Aids. Um assunto tão literário e introspectivo não parece ser a matéria-prima ideal para uma superprodução com elenco estelar e indicações para o Oscar às pencas. Mas é isso que o diretor Stephen Daldry (de Billy Elliot) conseguiu com sua adaptação de As Horas (The Hours, Estados Unidos, 2002), que estréia nesta sexta-feira no país.

Quanto à outra pretensão do inglês Daldry a de fazer um filme "relevante", o sucesso é apenas parcial. Julianne Moore e Meryl Streep, como, respectivamente, Laura e Clarissa, estão num de seus melhores momentos. O que, em se tratando delas, não é pouco. Quando elas entram em cena, o tema maior do filme, o do poder que a arte tem de sobreviver e transformar, ganha sangue e músculos. Já quando é Nicole Kidman que aparece como Virginia Woolf, é preciso se contentar com um esqueleto e alguma cartilagem essa na forma da já famosa prótese nasal com que se procurou imitar o perfil aquilino (e muito celebrado à sua época) da escritora.

Nicole fala com voz grave, arrasta o passo e nitidamente se empenha para entrar na pele de Virginia. Mas esse esforço e a visão simplista de Daldry sobre a personagem, que ele reduz a uma neurótica cheia de literatices drenou da atuação toda a energia. Ainda que a Academia adore esse tipo de truque, pelo que Nicole desponta como favorita ao Oscar, não pode ser dessa mulher que as outras duas tiram tanta inspiração. Num filme que quer ser um tributo à coragem de Virginia, esse não é um defeito pequeno.




Esta é parte da reportagem da Revista Veja deste fim de semana, cuja capa está ai acima para voces verificarem.

Eles têm a força
Criança, não senhor pré-adolescente.
A meninada de 8 a 12 anos vive e
consome feito gente grande. E ainda
ensina os pais a lidar com o computador


Ariel Kostman
Pedro Rubens



A turminha poderosa ouvida por VEJA: Stella Lourenço, Stephanie Lourenço, Mayara de Aguiar, Jessika Mussato, Aline Daguano, Aline Bayon, Kaique de Lima e Fernando Caetano (na frente); Gabrielle Inácio, Larissa de Moura, Júlia Machado, Valéria Mendonça, Marcos Gomes e Tiago da Cruz (segunda fila); Javier Marrero, Morgana Freitas e Joseph Kalim (terceira fila); Allan Chagas, George Lourenço, Gabriela Busnelo, Patrícia Helou e Julieth Venegas (atrás)

Marina acessa a internet diariamente. Lê os e-mails enviados pelas amigas e entra em salas de bate-papo. Martim gosta de assistir aos clipes da MTV. Ambos adoram marcas e novidades tecnológicas. Martim e Marina foram namorados durante cinco meses, mas terminaram. Seria apenas mais uma história comum de adolescentes, não fosse pela idade dos personagens. Martim tem 11 anos. Marina, 10. Os dois são típicos representantes de uma nova e poderosa congregação: os tweens, abreviação da palavra between (entre, em inglês) e trocadilho com teens (adolescentes).

Deparamos aqui com um fenômeno de força e amplitude ainda pouco analisadas, de um tipo que não se via desde a "invenção" dos adolescentes, na década de 50. Naquela época, empurrada pelo rock e pelos filmes de Hollywood, a garotada do ginásio e do colegial começou a assumir um inédito controle de sua vida e de suas atitudes ¿ e, claro, se rebelar. Resultado: o mercado acordou para um contingente inexplorado de consumidores, a sociedade precisou se reacomodar diante de uma nova realidade e os pais, inicialmente pasmos, tiveram de mudar. Algo semelhante acontece agora, com menos traumas, em relação aos tweens. Os mais novos têm 8, 9 anos; os mais velhos, 12 ou 13. Até recentemente, pertenciam ao vasto e indiferenciado mundo das crianças. Agora, essa turminha ultrajovem tem voz ativa em casa, sabe muito bem o que quer, namora, sai com os amigos e consome como gente grande. E, claro, se rebela contra pais controladores.

Devido à contração da unidade familiar, muitas vezes são filhos únicos, ou no máximo dividem o trono com um irmão. Mimados e paparicados, são o equivalente ocidental dos pequenos imperadores, como os chineses chamam os frutos da política oficial de um só filho. Quem tem um desses em casa já sabe: eles mandam e desmandam como gente grande.



Marcelo Keller, 12: celular da moda e quarto equipado com os eletrônicos "essenciais"

A mãe de Marina, Maria Cecília Camargo Victolo, terapeuta em São Paulo, acha que a filha é bem mais madura do que ela era aos 10 anos. Em todos os sentidos. "Meu mundo era bem menor. Marina já viajou duas vezes para o exterior, tem muito mais conhecimentos e informações do que eu tinha", diz. "E mexe muito melhor do que eu no computador. Muitas vezes, ela é que me ensina o que fazer." Nascidos e criados com a internet já como um mero fato da vida, os tweens costumam ter maior facilidade para lidar com informática do que os adultos ¿ uma fonte inesgotável de espanto, admiração e orgulho para a maioria dos pais. De tão informatizados, põem o computador em posição mais importante, na ordem das prioridades, do que a televisão.

Faz sentido: vieram justamente da internet, dos bate-papos e dos games, mais do que de qualquer outra fonte, a informação e a desenvoltura que puseram essa turminha na porta do mundo dos adultos. Mais decididos e mais independentes, os tweens de classe média, em conseqüência, adquiriram um alto poder de compra. Nunca garotos e garotas de 10 anos tiveram tanto dinheiro nas mãos e tamanha autonomia para decidir o que fazer com ele. Os meninos gastam com cinema, CDs, cartuchos de videogame e ingressos para jogos de futebol. As garotas compram roupas, cosméticos, perfumes, bijuterias e, também elas, CDs. A maioria não ganha mesada ¿ prefere ir tirando dinheiro dos pais aos poucos.

É trabalhoso, mas compensa, porque "rende mais". Detestam mágicos, palhaços e qualquer coisa que se relacione ao universo infantil; suas festas têm, isso sim, dança e horário avançado. Começam por volta das 21 horas, acabam lá pelas 2. Quando estão com amigos, abominam a presença de papai e mamãe, uma dupla posta no mundo, como se sabe, para constranger filhos. "Uma das coisas que eu mais detesto é quando meu pai me beija na frente dos meus amigos", declara o precoce Martim.




Não sei como o médico dará um atestado se não houver exame laboratorial comprovando a existência da doença, a menos que já exista uma cadeira na medicina que ensine aos médicos que determinada cor, mancha, algum sinal enfim visual existente na pessoa lhe de certeza de que aquele paciente é portador de HIV. Desconheço, mas como tudo evolui muito rapidamente, quem sabe já exista. De toda a sorte a Juiza acredita que uma coisa substitua a outra.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SÁBADO, 22 DE FEVEREIRO DE 2003
Juíza obriga Caixa a pedir só atestado

A juíza da Vara Federal de Execuções Fiscais de Santa Maria, Ana Cristina Kramer, condenou, nesta semana, a Caixa Econômica Federal (CEF) a não exigir mais, em todo país, a apresentação do exame laboratorial específico aos portadores do vírus HIV no momento do saque do saldo das contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
A CEF deve limitar-se a solicitar atestado médico.

A sentença confirma liminar concedida em outubro de 2001, atendendo à ação civil pública do Ministério Público Federal. Em sua decisão, a juíza afirma que a CEF extrapolou os limites legais, gerando, senão constrangimento, 'um empecilho a mais a onerar a situação do portador da doença'. A Caixa alega que a medida visa a evitar saques fraudulentos. A multa diária por descumprimento é de R$ 5 mil.




Porém uma ligação amorosa é uma longa elaboração: enfrenta toda uma série de transformações de parte a parte. Mudamos, e o parceiro não muda necessariamente no mesmo ritmo, com a mesma intensidade ou no mesmo sentido. Temos novos interesses, outros horizontes por vezes inesperados, e não conseguimos comunicar isso ao parceiro, muitas vezes, fechado em si mesmo. E isso quando estamos apaixonados não nos é dito e não acreditaríamos se nos fosse mostrado. Então só vinvenciando mesmo para acreditarmos nestas possibilidades.

Lya Luft
22/02/2003


Revogue-se a esperança

No amor pensamos viver finalmente o mito da fusão com o outro. Queremos perder a identidade nas mãos daquele que de momento é "tudo" para nós. A paixão inicial quer ver e mostrar. É compulsão de nos abrirmos com o outro revelando os menores detalhes de nosso corpo e alma, incansáveis relatos do passado, trocas que parecem levar à sonhada união total.

Porém uma ligação amorosa é uma longa elaboração: enfrenta toda uma série de transformações de parte a parte. Mudamos, e o parceiro não muda necessariamente no mesmo ritmo, com a mesma intensidade ou no mesmo sentido. Temos novos interesses, outros horizontes por vezes inesperados, e não conseguimos comunicar isso ao parceiro, fechado em si mesmo.

Um dos dois fatalmente envelhece antes, adoece mais. Pode ter reveses financeiros, pode ter fracassos profissionais. Pode evoluir com a idade e as circunstâncias, ou ficar atrás em relação ao outro. Instala-se entre ambos, então, freqüentemente, o jogo de poder em que nem sempre o mais "forte" leva vantagem: o mais "fraco" também tiraniza aquele que (nem sempre as mulheres) se submeteu mais, abdicou de mais coisas. Podou suas asas e truncou seu destino para não "humilhar"o parceiro.

Se for mulher, mais complexo o drama. Porque é convenção nossa, ou legado das cavernas, que o homem seja o dono do dinheiro (=poder) e a mulher a que vive de mesada. Conheço mulheres de sucesso que a cada fim de mês entregam o dinheiro para que o marido o administre, porque se sentem incapazes, ou pior: temem que o marido inseguro se torne agressivo.

Uma terapia dos dois, ou a dois, um aconselhamento que seja, pode ser uma excelente ferramenta. Férias longe de trabalho e filhos, oportunidade de reencontro e conversas honestas. Freqüentemente aquele que poderia dar o passo decisivo e consertar sua vida - mesmo dentro dessa relação - não se permite isso. A culpa não deixa. O medo de perder o parceiro não permite. O receio da solidão, pior ainda.

Não há receita. Não há escola. Não há manual. O instinto e o afeto é que fazem com que os bons casais, os casais amorosos, usem as crises para se renovar e crescer - se possível juntos. Desde que o instinto seja saudável, o afeto seja bom, a personalidade aberta.

Ou tudo fica como está, e só piora: por baixo das aparências corre então o rio turvo do lento e tácito suicídio a dois, fisico ou moral. É a morte das alegrias e da ternura, um acordo fatal, monumento alto e frio onde se pode ler a inscrição: Revogue-se a esperança.




Às vezes não sabemos o que fazer nas férias, está aí uma boa dica para começar: Agende a leitura das obras completas de Machado de Assis, Cervantes, Joyce, Shakespeare e Proust e pronto, você não terá um dia livre nas férias e nos próximos muitos anos. Mas não deixe que isso o desanime, não poder ler tudo não quer dizer não ler nada, ao contrário.

Jorge Furtado
22/02/2003


O melhor de tudo

De jeito nenhum você vai conseguir ler todos os livros que você não pode deixar de ler de jeito nenhum. Desista. Para ler tudo que tinha que ler você teria que, como um pianista russo, ter começado aos três anos de idade e só parado para dormir e ir ao dentista. Isso para não falar dos filmes, peças, exposições e shows que você não pode perder de jeito nenhum e de todos os compromissos (trabalhar, buscar as crianças no colégio, ir ao dentista) que, isto sim, você não pode deixar de fazer de jeito nenhum.

Agende a leitura das obras completas de Machado de Assis, Cervantes, Joyce, Shakespeare e Proust e pronto, você não terá um dia livre nos próximos muitos anos. Mas não deixe que isso o desanime, não poder ler tudo não quer dizer não ler nada, ao contrário. Você não tem tempo para ler tudo o que o Jorge Luis Borges escreveu, mas tem tempo de sobra para ler um conto ou dois, o que o deixará louco para ler tudo que ele escreveu, nos levando de volta ao problema inicial.

Outra maneira de enfrentar o problema é ler os livros dos caras que leram todos os livros que você deveria ter lido. Quer dizer, você não precisa ouvir discos inteiros da Marisa Monte ou do Aerosmith se existem os discos O Melhor de Marisa Monte e O Melhor de Aerosmith, e nem esses você precisa ouvir inteiros.

Você não precisa ler Petrônio, Amiano Marcelino ou Ariosto se você pode ler Mimesis, de Erich Auerbach (da coleção Estudos, editora Perspectiva), que leu todos eles e te dá o caminho das pedras. Pode acontecer de, num capítulo ou outro, você deparar com alguém como Montaigne, que você nunca tinha lido, o que faz você se sentir um completo idiota, largar o livro do Auerbach e procurar um do Montaigne. E chegar à conclusão que de jeito nenhum você vai conseguir ler todos os livros, enfim.

E isso para limitar o problema aos textos de ficção. Se você lembrar dos ensaios, dos textos científicos, dos filósofos e das biografias, pode ficar bloqueado e não conseguir ler mais nada. Calma. Acaba de ser lançado no Brasil Os Investigadores (editora Civilização Brasileira), o terceiro e último volume da trilogia de Daniel J. Boorstin, que começou com Os Descobridores (sobre ciência), continuou com Os Criadores (sobre arte e literatura) e termina agora com Os Investigadores (sobre filosofia e religião).

Boorstin é americano, professor de história, foi muitos anos diretor da biblioteca do congresso, a maior do mundo. Seus livros, escritos numa linguagem simples (isto é, que eu sou capaz de entender) e muito agradável (isto é, são livros bem grossos e eu li até o fim), são um completo painel do conhecimento humano, uma espécie de Raça Humana, Melhores Momentos. Desculpe dizer isso, mas você não pode deixar de ler esses livros de jeito nenhum.
jorge.furtado@zerohora.com.br


Implodem-se edifícios, destrõem-se pontes, explodem-se barcos. Quanto tempo será levarão para repor o que era uma ponte e até lá quanta volta a população será obrigada a fazer?

Estradas
Ponte pelos ares



Uma implosão destruiu ontem a maior parte da ponte sobre o Rio Vacacaí, em Santa Maria, que estava interditada desde outubro do ano passado devido a um desnível nas vigas de sustentação (foto Charles Guerra/Agência RBS )

--------------------------------------------------------------------------------




Bom pode até ser garoto mas tem alguns anos já de janela, e de Natal Luz, onde foi destaque e fêz com que tivesse esta possibilidade e essa ascenção direta para o Vaticano.

PERSONAGEM
Garoto de 12 anos é o primeiro brasileiro
no Coro do Vaticano

O garoto Rafael Fortes será o primeiro brasileiro a fazer parte do Coro da Capela Sistina no Vaticano. Rafael é gaúcho e tem 12 anos. Cantará em latim e será coroinha nas missas celebradas pelo papa João Paulo II . O talento de Rafael foi descoberto no Coro do Instituto de Meninos Cantores de Novo Hamburgo, mais conhecido como Coro dos Canarinhos, onde ele se sobressaiu como solista.


ISTOÉ Muito feliz?
Rafael Muito. Mas vou sentir saudades dos meus pais.

ISTOÉ O que você costuma ouvir?
Rafael Gosto muito de Bach e Mozart e toco MPB no piano. Vou tocar Chico Buarque e Djavan para os meus colegas no Vaticano.


Sexta-feira, Fevereiro 21, 2003




Pedras no caminho
Depois do ufanismo inicial, governo e mídia americanos apontam os riscos de uma guerra


Osmar Freitas Jr. Nova York

O presidente George W. Bush começa a admitir que um ataque não será um simples passeio

Demorou, mas finalmente o governo americano começa a admitir publicamente aquilo que era apenas cochichado por poucos nos corredores do Pentágono: o fato de que a ação militar no Iraque vai provocar reações incertas na região do Golfo Pérsico e, depois, no resto do mundo. As revistas semanais imprimiram análises dando conta de cenários sombrios para depois da guerra. Em seguida, foi a vez da mídia diária e finalmente, ainda que com menor intensidade, das redes de televisão. Falou-se da possibilidade real de Saddam Hussein incendiar os poços de petróleo de seu país e tentar o mesmo com o Kuait e a Arábia Saudita. E mais: o monstro de Bagdá poderá empregar armas químicas e biológicas durante a duração do conflito. Para muitos, essa constatação se traduz como ¿o óbvio ululante¿. Mas o que agora salta aos olhos tinha sido abafado aos ouvidos americanos.





Em sua primeira edição deste 2003, ISTOÉ já havia publicado linhas bem definidas para os cenários que agora saem das gavetas oficiais do Departamento de Defesa. Não se trata aqui de alardear um furo de reportagem, mas sim de constatar que a antevisão do pesadelo do pós-guerra já era conhecida no Pentágono. Afinal, foram fontes dos departamentos de Estado e Defesa e dos serviços de inteligência que informaram a revista. Resta saber por que as mesmas considerações não foram publicadas já naquela época pela imprensa americana.

Esses dados não foram passados para muita gente em jornais, revistas e televisões dos EUA. A idéia era segurar pelo maior tempo possível o impacto que essas informações poderiam ter no país e no mundo, disse uma fonte de ISTOÉ no Pentágono. Se hoje já existe oposição à guerra, imagine se um cenário tenebroso sobre o pós-ataque tivesse sido divulgado há dois ou três meses, adverte uma fonte do Departamento de Estado. A estratégia do governo no momento é ir aos poucos mostrando o tamanho da encrenca, no estilo da piada: A vovó subiu no telhado.

O que se revela agora, diga-se, ainda não dá conta de toda a extensão dos estragos que uma segunda guerra no Golfo pode trazer. Fala-se de um grande número de baixas nas tropas americanas e das dificuldades de reconstrução do Iraque, caso seus poços de petróleo sejam incendiados. Começa-se a reconsiderar o tempo necessário de ocupação. Isso por causa da possibilidade de fragmentação do país, com xiitas no sul perseguindo sunitas que até agora ocupam o poder e curdos ao norte proclamando independência e fundando um país cujas fronteiras imaginárias abocanham parte da Turquia e do Irã.

Tudo isso empalidece diante do que pode acontecer se os poços de petróleo do Kuait e da Arábia Saudita forem atingidos por bombas químicas ou biológicas. O barril de petróleo, que é vendido hoje a US$ 34, poderia saltar para US$ 60 ou mais. E a recessão de agora poderá parecer bonança. Que os poços iraquianos estão minados nós já sabemos. O que ainda não conseguimos apurar é se as minas estão na superfície ou nas profundezas, o que causaria danos muito piores nos equipamentos e retardaria ainda mais a reconstrução do país, diz a fonte de ISTOÉ no Pentágono. Isso tudo sem imaginar qual seria a reação de Ariel Sharon, caso um Scud iraquiano carregado de gás nervoso caísse no meio de Tel Aviv.




Esta é a capa da Revista Isto É que entre outas reportagens ótimas traz a que coloco abaixo, em função do pessimismo com que é colocada, principalmente pelo economista Luiz Paulo Rosenberg, quando diz que este ano já era. Será que ele tem razão?

Amargo 2003
Segunda alta dos juros no ano sufoca ainda mais o País, que deverá viver outro ciclo de crescimento medíocre

O ano que já acabou: confira a evolução das taxas de juros

João Paulo Nucci
Colaborou Lino Rodrigues


Tinha tudo para ser bom. O furacão eleitoral que enlouqueceu o mercado financeiro terminou junto com 2002. O dólar entrou em janeiro mansinho, mansinho, depois de meses de desvario. O surpreendente clima de confiança no novo governo contagiou até os mais renitentes críticos do presidente Lula, criando uma situação politicamente confortável no País.

Podia ser bom, mas não está sendo. Duas altas consecutivas nos juros (a última, que alçou a taxa básica a 26,5%, foi anunciada na quarta-feira 19), um pacote de um ajuste fiscal de R$ 14 bilhões e um aumento no depósito compulsório dos bancos (o que significa menos crédito na praça) depois, o cenário é desalentador. O País não pode conviver com essa taxa de juros. É incompatível juro alto e crescimento econômico, disse o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.

Em outras palavras, o que Dirceu disse é que o País vai passar mais um ano atolado em um índice de crescimento medíocre, insuficiente para combater uma das mais altas taxas de desemprego da história, entre outros entraves. Nada muito diferente do que aconteceu nos últimos 20 anos de economia estagnada. É um momento transitório, diz o braço direito de Lula, que no dia seguinte anunciou a disposição do governo em promover alterações na legislação de falências que resultariam, num futuro distante, na queda dos juros. Dirceu falou também, vagamente, na criação de uma política de incentivo para retomada do investimento público.

A justificativa para a alta dos juros tem um pé no Brasil (a inflação mostra sinais de resistência, diz a nota do comitê que decidiu pelo aumento) e outro no Oriente Médio (o iminente ataque americano ao Iraque). Abafar o ímpeto já diminuto da economia resultaria, na lógica do governo, em chegar ao final do ano com o índice de inflação controlado um objetivo louvável, porém xtremamente custoso para o setor produtivo, a chamada economia real. O governo paga agora, com o desgaste que sofre, o custo da manutenção da estabilidade. E torce para que o cenário externo melhore para engatar uma curva negativa dos juros.

O mercado financeiro, que vive lua-de-mel com o governo Lula e, especialmente, com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, aplaudiu as medidas, consideradas necessárias para a manutenção da estabilidade. O próprio ministro confirmou publicamente sua fé na alta dos juros e no aumento do depósito compulsório, dizendo que a atenção na política monetária já resultou na volta do crédito externo e na melhoria do risco Brasil.

Já o setor produtivo acionou suas trombetas. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou a obsessão do governo com a política monetária em detrimento do desenvolvimento. ¿É insustentável a opção de se combater a inflação com elevação do desemprego, queda dos salários reais e arrocho de margens do setor produtivo, afirmou o presidente Horacio Lafer Piva em nota à imprensa. Já está comprometido o crescimento da economia nestes seis primeiros meses de 2003, e o restante do ano está sob severa ameaça, segue a nota. A Federação do Comércio do Estado faz a mesma avaliação. Após a decisão, a entidade reviu sua expectativa de crescimento real para no máximo 1%, ante os 2% a 3% que se esperavam no início do ano.

O economista Luiz Paulo Rosemberg é mais mundano em sua avaliação. O fato é que 2003 já era, afirma. O ministro Palocci discorda e diz que a decisão não afetará o crescimento da economia. Ele não deixa de ter razão. O que já era medíocre continuará medíocre.




Este cidadão enquanto esteve na Presidência da CAIXA aumentou em até 80% os salários da alta cúpula da CAIXA e da carreira Gerencial. Criando um enorme fosso entre os empregados das demais carreiras, como analistas, advogados que defendem a empresa e os demais empregados sem função, fundamentalmente os que trabalham em Agências.

Tomara que os empregados da Nossa Caixa tenham um destino melhor na sua gestão e que os Diretores e Vices Presidentes não sejam multiplicados como foram na CAIXA.

Nossa Caixa promete retomar privatização
21/02/03 - 9:37 - Lucimar Cruz Beraldo - FETEC/CUT-SP

Albuquerque, que por 10 meses esteve à frente da presidência da Caixa Econômica Federal, dá como certa a continuidade na criação de subsidiárias da Nossa Caixa, por meio de parcerias, para atuar em áreas como Fundo de Pensão, Previdência, seguros, capitalização, entre outras. Também destaca a necessidade de criação de novos produtos, a exemplo do cartão de crédito, como forma de fidelizar clientes. Outra meta destacada pelo novo presidente é a expansão dos pontos de atendimento, por meio de abertura de agências e de maior utilização do correspondente bancário.

Para o diretor de Bancos Estaduais da FETEC/CUT-SP, Elias Maalouf, o discurso de Valdery Albuquerque demonstra a intenção do governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, de insistir com a privatização da Nossa Caixa. ¿O histórico de Valdery na Caixa Econômica mostra que enfrentaremos um linha dura pela frente¿.

Na avaliação de Elias, a intervenção na Usceesp ¿ associação dos funcionários ¿ foi articulado pelo próprio banco, já de olho na continuidade do processo de doação do patrimônio público à iniciativa privada. ¿Tanto é que a alegação do banco para tentar derrubar a liminar que impede a privatização da administradora é de que a Usceesp não tem legitimidade para contestar a venda. Só que a justificativa é descabida, pois o processo de autoria da associação, contestando a privatização, é anterior ao golpe na Usceesp¿.

Segundo o dirigente, o movimento sindical está atento e trabalhando, não só na mobilização nos locais de trabalho, mas também no acompanhamento jurídico para impedir a privatização de mais um bem público.

Banco público X desenvolvimento

Elias Maalouf critica a gestão da Nossa Caixa, que cada vez mais vem diminuindo o papel que o banco deveria desempenhar. ¿O balanço de 2002, com queda no lucro de 10,9%, é uma demonstração do fracasso dessa gestão. A direção do banco afirma que a privatização das subsidiárias é uma forma de gerar receita. Só que diminuirá ainda mais a função social do banco, já tão reduzida nos dias de hoje¿.

O diretor da FETEC explica que, atualmente, apenas 12,5% dos ativos totais do banco são destinados ao crédito, enquanto no BB esse percentual é de 35%. ¿Destes 12,5%, a maior parte é crédito pessoal, o que não contribui para a atividade econômica. Isso é papel de financeira, não de banco. Em contrapartida, 75% do ativos da Nossa Caixa estão hoje aplicados em títulos do governo federal. Na prática, a instituição está deixando de aplicar no desenvolvimento para especular¿, denuncia o dirigente.

Elias reforça que o movimento sindical não é contra a criação de subsidiárias. ¿Mas elas devem ter controle estatal e a Nossa Caixa pode muito bem contribuir para a construção de um novo país, financiando setores que podem gerar emprego e renda¿.
A Nossa Caixa é hoje o único banco estadual de São Paulo. O outro, o Banespa, que era o maior banco estadual do país, foi privatizado em 2000 pelos governos Covas/Alkmin e FHC e entregue para os espanhóis do Santander.


Pois é e trata-se de remédios, não é nem um produto superfluo. Muitos desses que os aposentados provavelmente precisam no seu dia a dia. Só que para os aposentados o aumento do teto é negado e mantido congelado. Já para as multinacionais de medicamentos tudo é liberado. Hoje são nossos avós e pais e amanhã seremos nós...

Governo libera preços
Laboratórios recebem autorização para reajustar preços de 260 remédios que não exigem receita
Luciene Braga

A partir de hoje, estão liberados os preços de 260 remédios que podem ser comprados sem receita médica e que tenham pelo menos cinco concorrentes. Encaixam-se na descrição remédios populares, como Anador, Baralgin, Dipirona, Novalgina, Aspirina, Sonrisal, AAS, Melhoral e Cebion e Coristina.

A Câmara de Medicamentos (Camed), formada por representantes dos Ministérios da Saúde, Fazenda e Justiça, dispensou os fabricantes desses remédios do congelamento. A decisão teria sido confirmada na quarta-feira, em reunião com o setor, que o Governo classificou como um encontro para ampliar o acesso da população aos medicamentos.




Segundo integrantes da Camed, embora os laboratórios venham pedindo reajustes de 18% desde o ano passado, alegando a necessidade de compensar perdas com importações, a medida não significa aumento, porque os valores deixarão de ser tabelados, mas vão continuar monitorados. O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Gastão Wagner, acredita que a concorrência vá se encarregar da regulação.

Os preços dos demais remédios ficam congelados até o dia 1º. O Ministério da Saúde informou que a medida atinge 8% dos medicamentos livres da apresentação de receita, que representam quase 2% dos produtos farmacêuticos vendidos no País.




Deve ser altamente frustrante para os milhões de aposentados que contribuiram com o teto para a previdência e que depois este teto ficou limitado a dez salários mínimos de R$ 156,10. Sim mas há quanto tempo já foi para R$ 180,00 e depois para R$ 200,00 e agora a proposta é que vá para R$ 234,00. Só que o teto está limitado a R$1.561,00 e vai continuar. Mas não era extamente o Partido dos Trabalhadores que defendiam que isso estava totalmente errado e injusto?

BRASÍLIA E RIO - Uma articulação do líder do Governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), com apoio do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), derrubou da pauta de votação a Proposta de Emenda Constitucional que fixa em 10 salários mínimos (R$ 2.000) o valor mensal máximo dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social que inclui os trabalhadores da iniciativa privada. Sarney decidiu enviar a matéria para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o que significa retardar a tramitação da proposta no Congresso.

Com isso, os ganhos dos aposentados continuam limitados a R$ 1.561. Sarney tomou a decisão em função do requerimento de não-prosseguimento da tramitação feito pelo líder do Governo. Mercadante quer o projeto submetido à votação dentro do contexto da discussão da Reforma da Previdência. A votação seria uma precipitação, disse.

O texto da emenda propõe que o valor mensal da aposentadoria não poderá ser menor que um salário e nem superior a 10 mínimos. A atual legislação estabelece que o maior benefício terá que ter seu valor real preservado (hoje, R$ 1.561). O senador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) defendeu o projeto. Para ele, desde que a regra constitucional está em vigor, o maior benefício está sendo achatado e hoje vale apenas sete mínimos, e não os 10 salários usados como referência.




Eles divulgam assim com a maior naturalidade esses aumentos de lucros, e enquanto isso os trabalhadores que dependem de ônibus, carro ou outro meio de transporte para ir para o seu serviço está cada vez mais pobre, espoliado pelos preços cada vez mais alto dos combustíveis. Para que? Para no fim de cada exercicio, eles divulgarem os lucros cada vez maiores.

Combustíveis
Alta dos preços fez lucro da BR subir 80%
Rio

O aumento do preço dos combustíveis e a receita extraordinária obtida com a venda de participações em 13 companhias estaduais de gás garantiram à BR Distribuidora crescimento de 80% no lucro no ano passado.

Oresultado atingiu R$ 675 milhões, enquanto em 2001 foi de R$ 374 milhões. A venda das 13 participações para a Petrobras representou para a BR Distribudora lucro de R$ 334 milhões.

Segundo o novo presidente da companhia, Rodolfo Landim, o aumento nos ganhos também foi fruto de melhoria na eficiência da empresa. O faturamento da BR foi de R$ 23,34 bilhões no ano passado. Em 2001, chegou a R$ 19,95 bilhões.

Para este ano, a BR Distribuidora vai investir cerca de R$ 400 milhões, o mesmo valor de 2002. As prioridades, informou Landim, são melhorar a imagem visual dos postos e ampliar a rede de gás natural veicular (GNV).




Precisamos crer que existe algo mais neste Vale de Lágrimas. Algo mágico, superior, invisível, poderoso o suficiente para nos presentear com a felicidade, afinal. Porque a felicidade é custosa e frágil, quebra-se à menor perda, e a vida é pontilhada de perdas. Espero que a sexta-feira seja ótima para todo mundo e aos aniversariantes de hoje aquele abraço e os votos de muita saúde no corpo, paz no espírito e dim dim no bolso.

David Coimbra
21/02/2003


A jaqueta marrom

Tenho uma jaqueta marrom que, quando a visto, sei lá, acho que fico parecido com um daqueles americanos que cruzam os Esteites de costa a costa, indolentes em seu carros conversíveis, sem dar importância a nada, nem a ninguém. Um Bruce Springsteen, talvez.

Legal.

Mas o problema é que ela é marrom. Faz-me lembrar do Roberto Carlos. Porque o Roberto Carlos odeia marrom, jamais bota roupa marrom. O Rei é supersticioso. Ouvi dizer que ele não gosta de virar à esquerda, quando está de carro. Imagino-o chegando ao aeroporto, querendo ir para o Gigantinho, mandando o motorista não dobrar à esquerda, acabando em Gravataí.

Pois é, mas ainda que as esquisitices do Rei sejam de fato esquisitas, termino por levá-las a sério, em algum momento. Fico olhando para minha jaqueta marrom. Levo a mão ao queixo. Pergunto para o cabide: uso?

Uso, uso. Mas sempre hesito. Sou influenciável. Cortar as unhas, por exemplo. Uma vez minha mãe disse que cortar as unhas de noite deixa a gente desprotegido contra os maus espíritos. Ora, não acredito em maus espíritos e tampouco no poder protetor das unhas integrais, mas quem disse que consigo cortar unha à noite?

E o sal, então! Se derramo sal, de imediato jogo três pitadas por cima do ombro, que é o antídoto contra a má sorte provocada pelo sal derramado. Não interessa quem esteja na mesa de trás, lá vai sal. Sempre fico meio sestroso, quando derramo sal.

Se um gato preto passa pela minha frente também me dá alguma inquietação. Mas não chego a extremos como o meu amigo Amilton Cavalo. Um dia, um gato preto passou em frente ao Amilton. Como é sabido, para bloquear os malefícios de uma passada de gato preto pela frente, só se a vítima der uma volta completa em torno do bicho. Bem, o Amilton tentou fazer isso. O gato correu. O Amilton correu atrás. O gato correu ainda mais, gatos são assaz velozes, alcançam 50 km/h. O Amilton se esforçou, perseguiu o gato por quadras, subiu toda a lomba da Plínio. Lá em cima, perto da Carlos Gomes, o gato homiziou-se sob um carro, o Amilton deu a volta no carro e ficou finalmente sossegado.

Superstições são irresistíveis. Porque é penoso acreditar que nosso destino depende exclusivamente do esforço que empreendemos, do comportamento que temos. Precisamos crer que existe algo mais neste Vale de Lágrimas. Algo mágico, superior, invisível, poderoso o suficiente para nos presentear com a felicidade, afinal. Porque a felicidade é custosa e frágil, quebra-se à menor perda, e a vida é pontilhada de perdas. Então, se a felicidade depender de um gesto ou uma miçanga, por que não tentar? Por que não? Acho que não vou usar mais aquela jaqueta marrom.
david.coimbra@zerohora.com.br



Para uma sexta-feira esta confissão não é nada legal, mas acho que pode ser desenvolvida meu nobre Sant Ana e espero que você busque auxílio. Assim suas crônicas não perderão o brilho também.

Paulo Sant'ana
21/02/2003


A libido na escrita

Eu gostaria de escrever como o fazem algumas pessoas, por ato instintivo.

Isso ocorre da seguinte maneira: essas pessoas sentam no computador e saem escrevendo.

Ou seja, não têm assunto, mas são impelidas a escrever pela sua natureza de escrevedoras.

Há gente que nasceu para falar, vive falando. Quando não há ninguém com quem conversar, falam sozinhas.

E há gente que nasceu para escrever. Escreve mesmo sem ter assunto.

Esses faladores contumazes dão a vida por um bate-papo. Não deixam nunca de puxar assunto dentro dos elevadores, dos ônibus, em qualquer parte que estejam e em que sintam aquela necessidade imperiosa de falar com alguém, de estabelecer conversação.

Um dos estratagemas para falar estando sozinho é cantar. O indivíduo que canta, quase sempre, não só gosta de falar como gosta de ouvir-se a si próprio.

E uma característica básica do canto é que é uma prática onanística que tem uma vantagem considerável sobre a conversa: quem canta quando está sozinho nunca é interrompido. Nem pelos aplausos.

O bate-papo, portanto, é o deleite máximo dos faladores. Outra realização suprema dos faladores é o microfone.

Quando um falador consegue um emprego numa emissora de rádio ou de televisão, seja de locutor, apresentador ou debatedor, eis aí como se pode definir a felicidade: une o útil com o prazeroso.

A mesma coisa se dá com os escrevinhadores compulsivos, aqueles que escrevem mesmo sem ter assunto.

Por sinal, escrever é a mesma coisa que conversar, com o detalhe de que quem escreve está em última análise falando consigo próprio.

O escrevedor nato senta no computador sem assunto, não sabendo ele próprio que tema irá abordar. Mas começa a escrever instintivamente.

Ou seja, ele puxa o assunto consigo mesmo. E uma vez puxado o assunto, a autoconversa está detonada, o escritor só parará de escrever quando estiver cansado de si mesmo.

Já comigo se dá diferente, como não tenho nenhuma tendência para ficcionista, só sento no computador quando possuo já um assunto.

Com assunto, a minha pena escorre fácil. O diabo é a agonia de que me possuo para achar um assunto, levo horas de torturante aflição.

Tudo porque não sou um escrevinhador inventivo, só consigo escrever sobre fatos ou idéias estabelecidas.

Quase sempre, tudo sobre o que vou escrever já está na minha cabeça, ao contrário dos grandes escritores, cujas maiores sacadas emergem justamente no transcurso do exercício da escrita.

Comigo é assim, quando minha cabeça está vazia de idéias, a lauda do computador ficará vazia de frases, nem adianta sentar para escrever que nada redundará.

Já os instintivos escrevem por ato reflexo, jorra-lhes a inspiração, não lhes faltam assuntos nem idéias, são capazes de escrever um grosso livro em apenas 10 dias.

Os instintivos nasceram para escrever, enquanto eu quase morro de sacrifício para escrever. Ou melhor, para arranjar uma idéia para escrever.

Porque se me ocorre a idéia, então eu me delicio de prazer ao escrever.

Ou seja, não me falta potência, a libido é que me é rara.
psantana.colunistas@zerohora.com.br



América Latina
Prisão de grevista abre nova crise na Venezuela



Detenção de um dos líderes da greve que parou o país por dois meses gerou protestos em Caracas (foto AP/ZH)


Quinta-feira, Fevereiro 20, 2003




Este site abaixo tem coisas lindas e poesias fantásticas como esta abaixo. Se voces quiserem visitá-lo é só clicar no link ai do título da poesia.

No mais amanhã será outro dia. Sexta-feira outra vez, e esta página chega aos 12 000 acessos. São rostos desconhecidos de perto e de longe. São amigos que silenciosamente me acompanham pelos dias que se sucedem. E quando desperto é para vocês o meu primeiro pensamento. Do que colocar aqui para fazê-los voltar sempre. Não fiquem tirstes não quando, as vezes, coloco que escrevo para as bordas desta página que teima em me limitar e que insiste em ser apenas e tão somente uma página.

Eu sei que voces estão comigo, pois de vez em quando, quando entro aqui, compartilho com três ou quatro amigos o acesso. E isso é bom. Melhor se pudesse estar fisicamente juntos, olhos nos olhos. Mas enfim, o universo deverá conspirar para um dia, quem sabe, a gente se encontrar, aqui... em outro lugar... ou noutra vida que deverá existir. Bons sonhos...

PARA O RESTO DE NOSSAS VIDAS

Existem coisas pequenas e grandes...
coisas que levaremos para o resto de nossas vidas.

Talvez sejam poucas.. quem sabe sejam muitas...
depende de cada um...
depende da vida que cada um de nós levou.

Levaremos lembranças...
coisas que sempre serão inesquecíveis para nós...
coisas que nos marcarão...
que mexerão com a nossa existência em algum instante.

Provavelmente iremos pela a vida a fora colecionando essas coisas..
colocando em ordem de grandeza cada detalhe que nos foi importante,
cada momento que interferiu nos nossos dias...
que deixou marcas...
cada instante que foi cravado no nosso peito como uma tatuagem.

Marcas... isso... serão marcas...

Umas mais profundas,
outras superficiais porém com algum significado também.
Serão detalhes que guardaremos dentro de nós e que
se contarmos para terceiros talvez não tenha a menor importância
pois só nós saberemos o quanto foi incrível vivê-los.

Poderá ser uma música.. quem sabe um livro...
talvez uma poesia.. uma carta.. um e-mail.. uma viagem...
uma frase que alguém tenha nos dito num momento certo.

Poderá ser um raiar de sol...
um buquê de flores que se recebeu...
um cartão de natal...
uma palavra amiga num momento preciso.

Talvez venha a ser um sentimento que foi abandonado...
uma decepção... a perda de alguém querido...
um certo encontro casual... um desencontro proposital.

Quem sabe uma amizade incomparável..
um sonho que foi alcançado após muita luta...
um que deixou de existir por puro fracasso.

Pode ser simplesmente um instante... um olhar...
um sorriso.. um perfume... um beijo.

Para o resto de nossas vidas levaremos pessoas guardadas dentro de nós.

Umas porque nos dedicaram um carinho enorme...
outras porque foram o objeto do nosso amor...
ainda outras por terem nos magoado profundamente...
quem sabe haverão algumas que deixarão marcas profundas
por terem sido tão rápidas em nossas vidas
e terem conseguido ainda assim plantar dentro de nós tanta coisa boa.

Lá na frente é que poderemos realmente saber a qualidade de vida que tivemos,
a quantidade de marcas que conseguimos carregar conosco
e a riqueza que cada uma delas guardou dentro de si.

Bem lá na frente é que poderemos avaliar do que exatamente foi feita a
nossa vida... se de amor ou de rancor...
se de alegrias ou tristezas.. se de vitórias ou derrotas...
se de ilusões ou realidades.

Pense sempre que hoje é só o começo de tudo...
que se houver algo errado ainda está em tempo de ser mudado
e que o resto de nossas vidas de certa forma ainda está em nossas mãos...




Bom voces hão de convir comigo que os juros de 26,5% é uma mera referencia, já que para quem precisa de crédito esta taxa não é anual,mas sim trimestral, nãose falando do cheque especial porque ai grandes noticias desta semana apontaram que ela chega a 185% a.a.

E acho que isso faz parte do marketing, pois é exatamente o que acontece com as Companhias Aéreas. Elas elevam os preços das passagens e depois oferecem descontos de até 80%. E agora esta semana a GOL cobra a ida e a volta ela faz por meros R$ 1,00. As Montadoras de carros estão anunciando 5 a 6% de aumento nos preços de tabela. Depois oferecem IPVA pago, frete gratuito ou incluido no preço.

E assim é a taxa básica de juros. Eles sobem 1,00%. Depois o Presidente da república fala com os Presidentes dos Bancos Federais e reduzem um pouco a taxa na ponta e fica tudo como estava antes. Só que psicologicamente as pessoas põem o pé no freio, postergando compras imediatas, deixando de comprar a prazo e assim por diante e engessam a economia.

Lula pede que bancos federais estimulem crescimento
(AF)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu nesta quinta-feira aos presidentes da CEF (Caixa Econômica Federal), BB (Banco do Brasil) e BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) uma ação "coordenada e sinérgica" para estimular o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

A pedido do presidente, os bancos deverão ter atenção particular com o financiamento da pequena e média empresa, o apoio às cooperativas, o crédito à agricultura familiar, as obras de saneamento básico e habitação popular, o fomento às exportações, o incentivo ao desenvolvimento regional e a geração de empregos.

Havia especulações de que Lula poderia pedir aos bancos públicos a definição de medidas que compensassem a alta dos juros básicos da economia e o aumento dos depósitos compulsórios. Apesar disso, a reunião de quatro horas de duração terminou sem declarações, com a divulgação de uma nota de quatro parágrafos e nenhuma medida concreta.

Para tanto, reuniram-se desde às 1 h com Lula o presidente da CEF, Jorge Mattoso, do BB, Cássio Casseb, e do BNDES, Carlos Lessa, além dos ministros Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), Dilma Roussef (Minas e Energia), Guido Mantega (Planejamento), Jaques Wagner (Trabalho), José Dirceu (Casa Civil), Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência).

Juros
O ministro José Dirceu disse nesta quinta-feira que o país não pode conviver com as atuais taxas de juros, elevadas na quarta-feira em um ponto percentual pelo Banco Central, afirmando que a medida tem caráter "transitório".

"O Brasil não pode conviver com essa taxa de juros. Eu acredito que o Banco Central, ao tomar essas medidas, está olhando o cenário internacional e a pressão inflacionária que existem hoje. Eu tenho certeza de que o Brasil vai reduzir juros no futuro", declarou Dirceu, pela manhã, ao chegar para um café da manhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Alvorada. Ele não especificou quando seria feita a redução na taxa básica dos juros, hoje em 26,5% ao ano.




20.02.2003, 11h34 - Prosseguem os debates sobre a composição da dívida da Caixa

R e u n i ã o

Aconteceu ontem a segunda reunião do grupo de trabalho que analisa a dívida da Caixa com a Funcef. Na ocasião, os membros eleitos do Conselho Deliberativo da fundação voltaram a cobrar um levantamento mais detalhado sobre a composição do débito.

Os representantes dos empregados querem que a empresa apresente um histórico de itens como os valores da carteira de imóveis e da carteira de ações, alterações de premissas atuariais, legislação, alteração de regulamentos, alterações na forma de custeio, nos planos de cargos e salários da Caixa ou outro evento, sempre correspondentes ao período de janeiro de 1989 a dezembro de 1995. Com base nesses números, será possível avaliar melhor o impacto das operações nos resultados da Funcef ou na responsabilidade da Caixa por serviços eventualmente prestados.

Durante a reunião de ontem, a Caixa apresentou justificativas para a sua proposta de composição da dívida, que inclui os valores apurados nas deduções: multa e mora (R$ 437 milhões), erro material (R$ 649 milhões) e reservas do grupo Sasse - INSS (R$ 260 milhões). As deduções totalizam R$ 1,3 bilhão. Seria ainda antecipado o pagamento da dívida ainda a vencer, em valores que chegam a R$ 1,7 bilhão.

Por outro lado, os conselheiros eleitos apontam a necessidade de que a Funcef passe por uma discussão ampla e abrangente, envolvendo questões como passivo oculto, avaliação atuarial, democratização da gestão, planos de benefício, aposentados e pensionistas, Prevhab etc. A próxima reunião do grupo de trabalho está marcada para segunda-feira da próxima semana, às 10h, em Brasília.

Também ontem aconteceu reunião entre Antônio Bráulio e José Carlos Alonso, membros eleitos do Conselho Deliberativo da Funcef e diretores da Fenae, e Bernardo Montello, técnico responsável pela avaliação atuarial da fundação. Os temas debatidos se referem também à dívida da Caixa.




24º lugar no mundo em utilização da internet e estacionado é uma colocação nada cômoda para o Brasil, que ainda é considerado um País de jovens. Quem sabe o Governo Lula não dá um incentivo aí para a população poder adquirir o seu microzinho para acessar a rede..

Joelmir Beting
Quinta-feira, 20 de fevereiro de 2003



Meia-volta, volver


A digestão de jibóia dos entulhos da bolha pontocom/datacom/telecom está chegando ao fim. O ainda estressado "bigbusiness" das novas tecnologias da informação (TI) ensaia entregar o bastão avariado a uma nova onda de soluções interativas já na idade das tecnologias da comunicação (TC).

Consultores do ramo sustentam que o megamercado das inovações tecnológicas, que chegou a desfilar o crachá presunçoso de Nova Economia, ainda não sabe como se faz a coisa certa. Mas já é uma grandeza o número de pessoas, de empresas e até de governos que já sabem como se faz as coisas erradas.

Vai daí que os negócios chipados começam a dar a volta por cima da desilusão das últimas mil e uma noites. Pesquisa da Giga Information Group, divulgada terça-feira, revela que os investimentos das empresas americanas em TI/TC voltaram a crescer em 2002, rompendo o viés de baixa apurado em 2001. Expansão modesta de 2,1%, longe da média de 14% ao ano no qüinqüênio da "irrational exuberance" de 1995/99.

As inversões somaram US$ 725 bilhões. O setor público, atiçado pelas áreas de Saúde, Educação e Defesa, aplicou US$ 123 bilhões.

Na faixa das 1.500 maiores empresas, a fatia de TI/TC voltou a situar-se, em média, acima de 2,5% do faturamento bruto.

Aqui no Brasil, a coisa não tem passado de 1%. Fonte: Perfil da Empresa Digital 2002, pesquisa divulgada ontem, realizada pela Fipe, em parceria com a Compuware, por encomenda da Fiesp. As médias empresas investiram, em média, R$ 310 mil. As pequenas, R$ 36 mil. As grandes, R$ 2,1 milhões.

Muito ou pouco para o estágio verde-amarelo? O suficiente para um Brasil que acaba de ser promovido do 38.º para o 29.º lugar no "ranking" global do World Economic Forum, divulgado anteontem. Intitulado Relatório Mundial de Tecnologia da Comunicação e Informação 2002/2003, o documento mede a pulsação de cada economia nacional em TI/TC.

A metodologia dá maior peso à pontuação de cada país em infra-estrutura de telecomunicações, em desempenho de mercado, em ambiente político e em modelo regulatório. Mas as melhores notas do Brasil estão na informatização do sistema financeiro e no chamado governo eletrônico. Neste quesito, somos hoje o 8.º melhor do mundo.

No "ranking" global, os Estados Unidos acabam de perder a liderança para a Finlândia - abstraindo-se as dimensões e as complexidades da sociedade americana. Em 29.º lugar, o Brasil lidera na América Latina. Em segundo, o Chile (35.º); em terceiro, a Argentina (45.º); em quarto, o México (47.º).

Nos usos da internet, especificamente, estamos estacionados na 24.ª posição. Com ênfase na inclusão digital de empresas e de governos. No sistema educacional, não figuramos entre os 50 mais bem equipados.

SECOS & MOLHADOS

Na berlinda - Para os consultores do World Economic Forum, o relançamento dos negócios de TI/TC vai depender do grau de convalescença nas duas pontas da cadeia tecnológica: o das telecomunicações (telecom) e o da internet (pontocom).

Em apuros - A base das teles continua no contrapé do endividamento e da descapitalização em todo o mundo. Elas tiveram de dar passos maiores que as pernas no triênio 1997/99. A ponta da Web transita da quebradeira da primeira onda para a vigília da segunda onda: a da banda larga verdadeiramente larga. Coisa para 2007. No mais tardar, 2010.

Em marcha - O meio-de-campo da computação ou da informática (datacom) volta a abrir suas asas sobre nós. A dinâmica do negócio está na criação de necessidades desnecessárias que se tornam absolutamente imprescindíveis no lançamento de cada uma delas.




Quem diz que não há uamento de salários? Houve sim no Senado, na Câmara dos Deputados e agora nas Câmaras de Vereadores dos quase 6 mil municípios brasilieiros. Como Porto Alegre possui 33 vereadores, para estes está havendo aumento sim. E olha que belo percentual de aumento, vocês não concordam que para o Salário Mínimo este aumento estaria de bom tamanho?

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 20 DE FEVEREIRO DE 2003

Salário de vereador passa a R$ 7,15 mil

A mesa diretora da Câmara Municipal de Porto Alegre definiu ontem o reajuste de 75% em relação ao salário dos deputados estaduais. Com isso, os vereadores que recebiam R$ 4,5 mil passam a ganhar R$ 7,15 mil mensais. O aumento foi aprovado por unanimidade e valerá a partir deste mês. Segundo o presidente da Câmara, João Antônio Dib, a atualização era necessária, pois há nove anos os salários dos vereadores não tinham reajustes.

O valor da cota básica que os gabinetes recebem mensalmente para despesas com telefone, xerox e material de expediente foi mantido em R$ 8 mil. As duas ajudas anuais, no valor de um vencimento cada, também não sofreram modificações.




Já não diziam alguns poetas que lá fora chove mas aqui dentro quanto sol há. Ou lá fora há um sol que brilha, mas aqui dentro só nuvens escuras anunciando temporal... Que bom mesmo seria se os meteorologistas pudessem anunciar só tempo bom lá fora e dentro das pessoas também.

Paulo Sant'ana
20/02/2003


A meteorologia e o mercado
O Paulo Borges é o apresentador de meteorologia na RBS TV. Eu não sei como é que uma pessoa, anunciando o tempo, pode se tornar famosa.

Mas o Paulo Borges tem tanta comunicabilidade e talento que já marcou um tipo na nossa televisão.

Um dia eu flagrei uma antológica do Paulo Borges no Jornal do Almoço. Ele entrou no ar e disse: "Chove em todo o Rio Grande do Sul, principalmente em Santa Maria".

Eu não sei de onde é que ele tirou que, chovendo em todo o Estado, a chuva maior era em Santa Maria. Aqui em Belém Novo choviam até canivetes.

Eu acho que o raciocínio do Paulo Borges foi o seguinte: se chove em todo o Estado e se Santa Maria é o centro do Estado, então é lá que está chovendo mais. É o raciocínio do funil.

Só pode ter sido.

Além de tudo, o danado do Paulo Borges ainda é charmoso. Em toda loja de conveniência que entro, lá vem uma graciosa balconista se dirigindo a mim com ar de apaixonada.

Penso burra e vaidosamente que é por mim, qual nada! Todas as balconistas de lojas de conveniência e de magazines vêm me perguntar sobre como é que elas fazem para se encontrar com o Paulo Borges:

- Seu Sant'Ana, eu sou louca por ele. O senhor tem de dar um jeito de fazer eu me encontrar com o Paulo Borges, eu não morro sem sair e dançar com ele.

Mas não é só de rosas a relação do Paulo Borges com os telespectadores. Recebo cinco e-mails de comerciantes de Torres, três deles do sexo feminino.

Eles dizem que estão sendo prejudicados em suas vendas, pois quase todas as quintas ou sextas-feiras o Paulo Borges anuncia chuva em Torres no fim de semana.

- Sant'Ana, sabendo que vai chover, muita gente desiste de vir a Torres. E os nossos negócios ficam prejudicados. Não dá para tu pedires para o Paulo Borges se omitir ou anunciar tempo bom na divisa do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, ao contrário do que ele faz quase todas as semanas?

Está aí o registro. E é um caso de pensar se um bom meteorologista não seria aquele que só anunciasse tempo bom. Quando o céu enferrujasse em determinada região, o meteorologista só anunciaria o tempo nos lugares em que fosse reinar o sol.

E não é difícil cometer essa discriminação, como é que o contrário o Paulo Borges sabe fazer: "Chove em todo o Estado, principalmente em Santa Maria".

O meteorologista precisa ficar atento e cuidadoso às graves repercussões econômicas dos seus presságios.

O melhor meteorologista gaúcho seria aquele que anunciasse para todo fim de semana calor senegalesco no Litoral e neve em Gramado e Canela.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




É uma pena que os professores não peçam por uma história de um livro que você leu nas férias, seus personagens principais e secundários. Tudo bem, mas pelo menos a narratória de um acontecimento inusitado, ou corriqueiro, mas alguma coisa, pelo menos...

Nilson Souza
20/02/2003


Papirofobia

As férias escolares estão terminando e a menina dos meus olhos - que, na verdade, é uma menina de verdade - ainda não leu um só livro, apesar da minha branda insistência. Não forço, mas faço uma pressãozinha mal disfarçada sempre que tenho oportunidade:

- E se a professora pedir para cada aluno contar uma história que leu nas férias?

Ela nem me responde, pois sabe que a professora não fará uma exigência dessas. Desconfio até que essa minha cruzada pela leitura corre o risco de ser considerada antipedagógica, pois as férias foram feitas para o descanso e para a diversão. Eu descanso e me divirto com um livro nas mãos, mas sou obrigado a reconhecer que uma menina de nove anos - atarefada com as amigas, com a praia, com a televisão, com o jogo da amarelinha (não é que ressuscitaram essa brincadeira?), com o computador e com mais uma infinidade de atrativos - tem pouco tempo para isso. Ainda assim, continuo tentando, ardilosamente, convencê-la a dar uma volta pelas páginas de um livro.

Minha última cartada foi presenteá-la com uma obra da italiana Susanna Tamaro. Escreve bem a moça. Eu já havia lido um outro livro de sua autoria, Vá aonde seu Coração Mandar, e não tive dúvidas de que estava investindo na coisa certa. O livrinho chama-se Papirofobia e tem tudo a ver com a situação. Conta a história de um menino que não gostava de ler, embora seus pais vivessem cercados de livros e o pressionassem para se tornar um leitor. O relato é divertido e o desfecho é surpreendente. É claro que, na condição de padrinho zeloso, tratei de ler todo o livro antes de apresentar dona Susanna à mocinha.

Mais do que isso. Já participei de todas as suas brincadeiras na esperança de uma retribuição em leitura silenciosa. Outro dia tomei um suador na amarelinha, que no meu tempo de criança se chamava sapata e não tinha inferno. Também fiquei um tempão na frente do computador acompanhando sua habilidade num jogo eletrônico chamado The Sims. Como convencer a geração digital a ler histórias quando, com um simples clique, essa gente é capaz de criar um mundo virtual e dirigir a vida dos personagens?

Não é de admirar que tenham papirofobia. Socorro, Susanna Tamaro!
nilson.souza@zerohora.com.br




Como o Veríssimo anda muito por Paris, assim como Fernando Henrique, acho até razoável que apoie a política francesa do Chirac, pois se não gostasse tanto do regime daquele País, não teria porque andar assiduamente por sua Capital.

Luis Fernando Verissimo
20/02/2003


O anti-Bush

Não sei se você viu. Na apresentação do relatório dos inspetores de armas do Iraque ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, na semana passada, houve uma troca de sutilezas bem-humoradas entre os representantes da França, da Inglaterra e dos Estados Unidos.

No fim do seu pronunciamento, o ministro Dominique de Villepin, mais aristocrata francês impossível, disse que era por ser um país antigo que a França conhecia os horrores da guerra e aprendera a enfrentar terrorismo com sabedoria. Uma alusão clara ao desdém com que o secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, se referira à França e à Alemanha como a "Europa velha", cuja oposição à invasão do Iraque era, portanto, irrelevante. Risos educados no salão com o revide polido de Villepin, o único orador aplaudido do dia.

Jack Straw, o secretário do Exterior da Inglaterra, prefaciou a sua fala com uma referência à estocada do francês, dizendo que a nação inglesa também era antiga, pois fora fundada no século 11 (pausa) pelos franceses. Mais risos, inclusive de Villepin. E Colin Powell entrou no minueto verbal dizendo que falaria por um país relativamente novo, mas que era a mais antiga democracia ali presente. "Touché", como diria algum antepassado do Villepin. Se tivessem ensaiado, os três não teriam sido mais típicos das suas respectivas atitudes e do momento.

Ponderação e oratória elegante da França, ironia seca da Inglaterra e um toque de irreverência dos Estados Unidos, com Powell lembrando - intencionalmente ou não - que seu país fora o primeiro a pôr em prática teorias libertárias que na Europa não passavam da retórica e que era hora de serem práticos outra vez, Villepin querendo dizer que alguns séculos de civilização deveriam valer para alguma coisa, nem que fosse só esperar mais um pouquinho, e Straw, cujo país tem sido acusado de ser um cachorrinho dos Estados Unidos, latindo com inteligência.

É curioso que o governo do Chirac faça a resistência à truculência do Bush filho que o Mitterrand não fez à do Bush pai, mas hoje há determinantes novos na história, como a necessidade européia de ter uma política independente dos Estados Unidos para combinar com a autonomia econômica que pretende e - o lado prático da oratória inspiradora - os interesses da própria França no Iraque. Seja como for, apareceu o anti-Bush perfeito. Villepin se credencia como o terceiro personagem, como é que se diz? Emblemático, neste poderoso drama mundial de final imprevisível. Entre o Ogro de Bagdá e o Caubói Apocalíptico, surge a Velha Europa, no melhor sentido da palavra, em pessoa.


Isso era Porto Alegre ontem, para uma administraçãode mais de 12 anos, tenho minhas dúvidas se poderia estar pior.


Clima
Debaixo dágua



Uma tarde de chuva forte alagou e causou transtornos em várias cidades gaúchas. Na Capital, em menos de seis horas, choveu o equivalente a 20% do volume registrado desde 1° de janeiro. A Avenida Goethe ficou submersa (foto Genaro Joner/ZH)


Quarta-feira, Fevereiro 19, 2003




Chove nesta quarta-feira a noite e pelo que vi em todo o Estado. Porto Alegre como sempre, quando chove algumas ruas ficam alagadas e por isso mesmo impedidas de se transitar. Aliás, furtaram o Jet Sky do nosso amigo que aproveitava estes dias para usar o dito pelas ruas e avenidas de Porto Alegre. Não sei ainda se passei no meu intensivo de inglês de janeiro, até porque quiz desfrutar melhor este fevereiro que célere passa.

Nuvem de fumaça em dia de vento forte tem sido estes dias e deveriam passar mais lentamente até porque não estou mais estudando. Mas não é assim. Escrevam meus amigos. digam alguma coisa assim para eu não ficar aqui escrevendo para as bordas que teimam em me limitar. Sonhem com os anjinhos e até amanhã quando eu despertar, outra vez... Ainda bem que sempre existe uma amanhã..

O FABRICANTE DE BONECAS

Em um distante lugar viveu um amável velho que fazia bonecas.
Ele gastou toda a longa vida criando bonecas de todos os tipos, fazendo feliz todas as pequenas meninas do mundo.

Ele mantinha as tendências do mundo e tinha feito bonecas que diziam "Mamãe", bonecas que choravam, que andavam e piscavam.
Mas nosso fabricante de bonecas era muito sábio.
Ele sabia que era a hora dele dar uma contribuição especial.
Assim, com resolução no coração, ele fez a sua mais bonita criação.
Deu-lhe cachos marrons que trouxeram beleza ao longo cabelo.
Deu-lhe os mais belos olhos azuis que se poderia contemplar.

Esta boneca especial tinha longas pernas com as quais poderia dançar, correr e brincar, e até mesmo caminhar um bom pedaço.
Deu-lhe mãos bonitas para trabalhar e servir e ensinar todas as outras bonecas.
Os dedos dela eram longos e esbeltos.
Com estes, esperava o velho homem que ela confortasse com carinhos.
Tinha a face bonita.
Vestiu-lhe com um vestido cintilante e suave, e no último dia quando ela estava pronta, ele a ergueu com grande cuidado e a ajustou delicadamente na frente de um grande espelho.

- O que você acha? Ele perguntou - Você não é a boneca mais bonita do mundo?

A boneca olhou entusiasmada.
De repente a bonita face perturbou-se e irritada ela disse:
- Odeio esse cabelo marrom e eu sempre desejei olhos verdes.
Estas não são as cores que eu teria escolhido para mim.
E veja como são magras e longas as minhas pernas!
Como são grandes os meus pés!
Meu vestido é muito ordinário.
Eu não sou uma boneca bonita!

Tal e qual a boneca, nós fomos criados com as mais bonitas qualidades.
Não olhe nos espelhos da vida para desejar ser algo que você não é.

Nós devemos agradecer o grande "fabricante de bonecas" que nos fez...
autor desconhecido




Mistérios e desafios do número sem fim

Enquanto supermáquinas tentam ampliar e desvendar os limites do Pi, competição busca descobrir quem é capaz de memorizar a maior quantidade de suas casas decimais


ROBSON PEREIRA

Todo mundo conhece a fábula do cachorro que tenta morder o próprio rabo. Ele gira o mais rápido possível e quanto mais perto chega, mais longe fica do seu objetivo. Há mais de 2 mil anos, o homem experimenta um desafio semelhante, embora saiba que, como o cão da fábula, jamais chegará a lugar nenhum. E não há banda larga ou tecnologia de ponta que possa ajudá-lo.

Para o homem, o desafio está representado pela letra Pi, a décima sexta no alfabeto grego, adotada pela matemática moderna para representar a relação entre o perímetro do círculo e o comprimento do seu diâmetro. Parece complicado? Deixa pra lá. Vamos ficar com a fábula, que é mais saborosa.

Aprendemos na escola que o valor de Pi, a mais antiga constante matemática de que se tem notícia, é 3,1416. Esses cinco dígitos seriam uma aproximação de um cálculo realizado por chineses em 450 a.C. (3,1415926), com base nas descobertas feitas por Hipócrates, Arquimedes, Apolônio e outros matemáticos e astrônomos gregos.

As quatro casas decimais ensinadas na escola há muito são suficientes para atender a maioria das nossas necessidades. Para as aplicações que exigem um maior rigor nos cálculos, apelamos para os sete dígitos chineses.

Possivelmente, os gregos sabiam (ou desconfiavam) que o número de casas decimais do Pi era muito maior, mas acreditavam que depois de um certo ponto os dígitos entrariam em uma seqüência, que se repetiria mais para a frente.

Só no século 18 surgiram as primeiras evidências de que o valor exato do Pi - como o rabo do cachorro - jamais será alcançado. O matemático William Shanks, por exemplo, teve uma prova disso. Passou 15 anos de sua vida fazendo contas, com lápis e papel, e chegou a 707 casas decimais sem encontrar a tal seqüência lógica.

Depois dele vieram vários outros, até que em 1961 um IBM 7090 quebrou a barreira dos 100 mil dígitos do número de ouro da matemática. Em 1973, chegamos ao primeiro milhão de algarismos. Em 1991, pulamos para dois bilhões e recentemente chegamos à fantástica marca de 206.158.430.000 casas decimais, graças a um possante Hitachi SR8000, "pilotado" pelos japoneses Kanada e Takahashi.

O número atual é tão grande que é provável que jamais venha a ser impresso.

E para chegar até ele, o computador precisou de apenas 38 horas. Não foram em vão, mas Shanks bem que poderia ter usado melhor aqueles 15 anos de sua vida no século passado. Como consolo, resta o fato de que lápis e papel de um lado e o supercomputador, do outro, separados por mais de 130 anos, chegaram à mesma conclusão: a inexistência de uma seqüência lógica a guiar essa infinidade de números.

Mas a fábula continua. Enquanto supermáquinas tentam ampliar e desvendar os limites do Pi, meia centena de super-homens (não mais do que isso) participam de uma estranha competição para ver quem é capaz de memorizar a maior quantidade de casas decimais do precioso número. O recorde mundial (está no Guinness Book, acreditem) pertence a Sim Pohann, da Malásia, que decorou e citou 67.053 dígitos. O recorde anterior pertencia a Yip Swe, também da Malásia, que em 1998 memorizou os primeiros 60 mil dígitos do Pi.

Pohann e Swe são alguns dos nomes que no segundo semestre estarão participando do Campeonato Mundial de Memória, em Londres, promovido pela Federação Internacional de Memória Esportiva, IFMS na sigla em inglês. No ano passado, a batalha de neurônios foi vencida pelo inglês Andi Bell que, entre outras proezas, conseguiu memorizar 2.643 dígitos aleatórios em apenas 30 minutos. Também pertence ao mesmo Bell o atual recorde mundial de memória na categoria cartas (ele memorizou 1.197 cartas de baralho em 60 minutos).

Se alguém quiser tentar, a ficha de inscrição está no site da IFMS (www.worldmemorychampionships.com). Mas fica o aviso: a participação no torneio está condicionada a alguns atributos mínimos, entre os quais a capacidade do atleta em decorar uma seqüência mínima de 700 dígitos aleatórios em meia hora ou multiplicar dois números de oito dígitos cada em apenas 30 segundos. Claro, sem usar lápis e papel, como William Shanks ou o Hitachi SR8000, como Kanada e Takahashi.

Quem quiser treinar para uma eventual participação futura,