E N T R E L A Ç O S
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Sábado, Março 08, 2003




Para as fátimas, sandras, flávias, kellys, sirleis, traudis, dulcis, maras, celys, aparecidas, elizabetes, carolinas, felicitas, noelis, ros e outras tantas que moram no meu coração o meu abraço e os votos de um dia super feliz.

O vestido
Adélia Prado

No armário do meu quarto escondo de tempo e traça meu vestido estampado em fundo preto.
É de seda macia desenhada em campânulas vermelhas à ponta de longas hastes delicadas.
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito, meu vestido de amante.

Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.
É só tocá-lo, volatiza-se a memória guardada:
eu estou no cinema e deixo que segurem minha mão.
De tempo e traça meu vestido me guarda.




Todo o esforço compensa este amor pelas mulheres e a Cora Coralina é um exemplo fantástico da espécime.

Todas as vidas
Cora Coralina

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando pra o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...

Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho,
Seu cheiro gostoso
dágua e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano.

Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.

Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.

Vive dentro de mim
a mulher roceira.
Enxerto da terra,
meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos.
Seus vinte netos.

Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo alegre seu triste fado.

Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida
a vida mera das obscuras.




A arte de ser feliz
Cecília Meireles

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Ás vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.




No país do Carnaval
"Por trás da fachada irreverente do Carnaval, só há um desavergonhado
e rastejante beija-mão"


O camarote de Gilberto Gil, em Salvador, consagrou a ascensão do novo poder político brasileiro. O ministro Antônio Palocci, acompanhado pela mulher, Margareth, apareceu com uma camisinha pendurada no pescoço. Onde Palocci estava no Carnaval de 2002? No desfile de escolas de samba de Ribeirão Preto? Ou vistoriando os estragos causados pelas enchentes em sua cidade? E o ministro Jaques Wagner? No ano passado, ele proferiu um discurso contundente sobre a farra de recursos públicos no Carnaval baiano, acusando a prefeitura de Salvador de "engordar os bolsos de fabricantes de bebidas e trios elétricos".

Neste ano, ao lado do prefeito Imbassahy, Wagner rendeu-se à atmosfera festiva do camarote de Gil. Com muito uísque e cerveja grátis, assistiu à passagem dos trios elétricos abraçado à mulher, Fátima, que vestia um "top" da estilista Vera Arruda, segundo as colunas sociais. No discurso do ano passado, Wagner também denunciou o ex-governador Antonio Carlos Magalhães de se valer da construtora de seu ex-genro para desviar as verbas do orçamento da Bahia e depositá-las em contas particulares no Econobank, das Ilhas Cayman. Excepcionalmente, Antonio Carlos Magalhães não compareceu ao camarote de Gil neste Carnaval.

Mas compareceu em 2002. E em 2001. E em 2000. Em 2002, ao vê-lo no camarote de Gil, o trio elétrico de Armandinho, Dodô e Osmar prestou-lhe uma comovida homenagem. Em 2001, a banda Chiclete com Banana proclamou que "A Bahia não vai deixar ACM só". Em 2000, o bloco Filhos de Gandhi definiu-o como "o presidente da moralidade do Brasil". Carnaval é assim mesmo. Por trás da fachada irreverente, só há um desavergonhado e rastejante beija-mão. Basta ver a Beija-Flor, que ganhou o concurso das escolas de samba do Rio de Janeiro com seu enredo chapa-branca, de propaganda oficial, abençoado por aquele assustador fantoche de Lula.

A filha do ministro José Dirceu foi fotografada no camarote de Gil. No ano passado, quem passou por lá foi um dos filhos do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Arnon. Outro filho ilustre, José Sarney Filho, mereceu elogios de Gil por sua atuação como ministro do Meio Ambiente do governo Fernando Henrique Cardoso. Gil votou em Fernando Henrique em 1994, contra Lula. Em 1998, um primo de Collor, Euclides Mello, então candidato ao governo de Alagoas, declarou contar com o apoio de Gil. Onde Euclides Mello se encontrava no Carnaval de 2003?

Se o camarote de Gil pode ser usado para traçar o mapa do poder político no Brasil, outra notícia do período de Carnaval, dada sem o menor destaque nas páginas locais de O Globo, ajuda a delinear o perfil moral do brasileiro: "Walter Barbosa Júnior furtou a carteira do turista chileno Ricardo Ramos.

Após uma perseguição, um grupo de trinta banhistas espancou o ladrão, levando-o para o mar, na tentativa de afogá-lo, o que só não aconteceu pela ação de seis guardas". Naquela segunda-feira, o jornal estava cheio de referências aos dois malfeitores do momento, Fernandinho Beira-Mar e Silveirinha. Os trinta linchadores de Copacabana foram perdoados. O Brasil não tem espaço para tantos vilões ao mesmo tempo.

Diogo Mainardi
Revista Veja




Beijinho, beijinho; tchau, tchau
Cada vez mais mulheres aceitam e buscam o sexo sem compromisso, com amigos ou desconhecidos

Ariel Kostman

Candidatos a "ficantes"

ex-namorado (vantagem: confiança)

amigo (vantagem: carinho)

desconhecido (vantagem: anonimato)

homem muito mais jovem (vantagem: baixíssima expectativa de compromisso)

homem muito mais velho (vantagem: experiência)

Montagem sobre fotos de Pedro Rubens

Nas relações amorosas, sabe-se desde sempre, mulher é louca por um compromisso. Mas, enquanto o parceiro ideal não chega, cada vez mais moças estão aderindo a uma prática que já foi exclusiva dos homens: o sexo casual, do tipo uma vez só e adeus. No universo feminino, sexo sem compromisso (definição: você não só não espera um telefonema no dia seguinte como foge dele) virou algo mais generalizado do que em qualquer época anterior, ocorre em qualquer faixa de idade e é praticado de maneira muito mais aberta inclusive, discutido com as amigas que também fazem.

Ao contrário dos anos 70, quando, no auge do movimento hippie e antes do fulminante advento da Aids, o celebrado amor livre era comportamento restrito a grupos alternativos, hoje é atitude que permeia todas as tribos, de punks a esportistas, de clubbers a patricinhas. E artistas, naturalmente: entre um namoro firme e outro, beldades de coração libertário como Vera Fischer e Luana Piovani se divertem com quem podem e querem.

As adeptas das relações casuais têm até um hino, o hit dos Tribalistas Já Sei Namorar. Observe: é só tocar o refrão "Eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo me quer bem" que as mulheres presentes se agitam e fazem coro. "O legal do sexo sem compromisso é que você não se preocupa tanto com o parceiro. Você pensa mais é no seu próprio prazer", diz a paulistana Lisandra Maioli, 24 anos, uma das poucas a concordar em se identificar para esta reportagem (os tempos mudaram, mas a experimentação sexual da mulher ainda é socialmente desconfortável).

Um exemplo? Durante as férias em Porto Seguro, na Bahia, Lisandra conheceu um rapaz num bar e menos de uma hora depois estavam fazendo sexo na praia. "Eu sabia que seria só aquela noite e tratei de aproveitar da melhor maneira possível", lembra. Para ela, o mais importante nesse tipo de relação é a atração física. "Sei perfeitamente separar sexo de amor", garante. Só lamenta que alguns parceiros insistam em compromisso. "Por mais que eu fale que não precisa me telefonar no dia seguinte, alguns ligam e querem sair de novo."

Em suas pesquisas sobre o tema, Ailton Amélio, professor de relacionamento amoroso do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, vem observando um aumento significativo no número de mulheres que fazem sexo no primeiro encontro. "Muitas não mais exigem segurança ou compromisso. Precisam apenas estar no clima", diz Amélio. Para gerações mais veteranas, é difícil acreditar que isso aconteça mesmo com tanta naturalidade, sem corações partidos nem auto-estimas estilhaçadas. Para especialistas, a adesão feminina ao sexo casual provavelmente foi impulsionada pela prática do "ficar", tipo de relacionamento que cresceu vertiginosamente nos anos 90.

"O ficar é um encontro de um dia ou uma noite que pode ir de uma simples troca de beijos a uma relação sexual", define a psicóloga carioca Jacqueline Chaves, autora do livro Ficar com: um Novo Código entre Jovens. No meio ultrajovem em que vingou (meninos e meninas de 11, 12 anos já ficam), o relacionamento em geral acaba não passando de beijos e carícias. Quando a garota se torna mais velha, eventualmente ela continua ficando, só que em estágios mais adiantados.

Bonita e discreta, a estudante de publicidade R., de 22 anos, considera-se uma menina "totalmente normal" e não vê nenhum problema em manter relações sexuais com alguém que acabou de conhecer. "Para fazer sexo, basta eu ter vontade", define. Ela conta que certa vez flertou com um desconhecido no balcão do check-in de um vôo para o Nordeste. O vôo foi cancelado e a companhia acomodou os passageiros em um hotel. "Fomos para o quarto e passamos a noite juntos", lembra R. "No dia seguinte, não trocamos telefones, nada.

Foi pura atração física. E foi muito gostoso." Nem todas as experiências, claro, são prazerosas. "Às vezes, o cara não é legal, e no dia seguinte dá uma sensação ruim, meio de nojo. Mas passa." R. também mantém relações eventuais com outro parceiro bem comum entre as adeptas do sexo casual: o ex-namorado.

"Quando um dos dois está a fim, liga para o outro", conta. "Sem sentimento e sem esperança de voltar." A vantagem desse tipo de parceria é a baixa expectativa além do conhecimento do histórico médico dele. A desvantagem é o vai-e-vem derrapar para um relacionamento mal resolvido. "Eu tenho o que chamo de 'amigos de manutenção', rapazes que já conheço e com quem rola quando dá vontade. É melhor do que sair com desconhecidos", acredita M., universitária carioca de 24 anos.

Continua abaixo




E esta é a capa das duas para comparação uma do ladinho da outra. O bom mesmo é sempre ter as duas.

Continuação do post acima

Perguntas sobre sexo sem compromisso eram recorrentes no recém-extinto programa Peep, da MTV, no qual as apresentadoras Didi Wagner e Penélope Nova e o médico Jairo Bouer respondiam a dúvidas sobre questões sexuais. "O fato de uma garota querer ter uma noite de prazer, extravasar a libido, não é mais visto com maus olhos", acredita Didi. Que o diga Viviane Silva, hostess de um bar na Vila Olímpia, em São Paulo, reduto de jovens de classe média onde as garotas estão cada vez mais desinibidas. "Elas chegam em grupo e pedem que eu as coloque em uma mesa perto de homens bonitos", entrega.

A freqüentadora Camila Moreira, 21 anos, aspirante a cantora, dá nome e sobrenome e comenta abertamente o assunto até com certo tom de desafio. "Saio à noite para 'caçar', sim, e faço sexo sem compromisso numa boa. Uma vez transei com um cara no banheiro de uma danceteria. Não sabia nem o nome dele", conta. Quais os pré-requisitos de um "ficante", como são chamados os parceiros eventuais? "Ser bonito, beijar bem e saber tocar uma mulher", lista. "Muitas meninas até gostariam de um relacionamento mais profundo, mas não acham homens dispostos a isso", analisa a terapeuta Cláudia Marra, do Instituto Kaplan. "Aí, descobrem que o prazer pode ser algo mais objetivo e concreto."

Nem por isso deixam de tomar cuidado ¿ muito cuidado ¿ para não divulgar sua opção pelo sexo casual para além do clubinho de amigas que fazem o mesmo. "Transar com vários homens do mesmo grupo ainda dá o que falar", diz S., carioca, 20 anos, estudante de direito. "Por isso, sempre escolho bem as minhas aventuras." Em tempo: todas as garotas entrevistadas para esta reportagem juram por tudo que é sagrado que exigem do parceiro o uso de camisinha. Por precaução, também carregam um estoque na própria bolsa.

Como a coisa rola

O sexo casual normalmente acontece depois de uma noitada numa boate com muita bebida. Locais mais comuns: carro, praia, lugares públicos.

Para aventuras, elas preferem desconhecidos ou "os amigos da noite", com quem mantêm uma amizade superficial.
os atributos físicos e a perícia amorosa do eleito contam mais do que qualquer coisa.

Colaborou Silvia Rogar,
do Rio de Janeiro





E esta é a capa da Revista Isto É deste fim de semana. Como a guerra já tem até data 17 de março eles anteciparam-se ao previsto e colocam uma série de reportagens sobre os efeitos e conseqüências da mesma. Vale a pena ler.




Como em todos os fins de semana esta é a capa da Revista Veja que estará nas bancas amanhã e que trás ente outras noticias os destaques abaixo: Muitas noticias sobre as mulheres aproveitando a data comemorada de hoje.

Especial
Luis Fernando Verissimo é uma paixão nacional. Aos 66 anos, ele está longe de ser uma celebridade como Paulo Coelho, mas já se tornou um escritor do grande público. Seus livros, suas crônicas e tirinhas de HQs são apreciados pela maioria dos brasileiros.

Brasil

O aumento do salário dos parlamentares - Em duas votações, a primeira delas em dezembro, congressistas reajustaram o salário em 55% e elevaram em 70% a verba para despesas extras.

O MST retoma as invasões

Medidas do governo para conter a violência

O que fazer com a safra transgênica

Internacional
EUA vão à guerra com ou sem o aval da ONU - Isolamento dos Estados Unidos amplia, mas a diplomacia dos países contrários à guerra não parece capaz de evitá-la.

Preso um dos chefões da Al Qaeda

Uribe pede ajuda a Lula contra as Farc

Entrevista
O psicanalista Adam Phillips, editor da nova tradução da obra de Freud, diz que a psicanálise funciona, mas precisa se libertar do controle dos iniciados.

Beleza
Mulheres na faixa dos 50 anos falam sobre seus métodos para manter saúde, beleza e jovialidade. As receitas incluem muito exercício físico, uso de bons cosméticos e alguma intervenção cirúrgica.

Ambiente
Pesca predatória e poluição na região do Mar Cáspio ameaçam iguarias consumidas pelos ricos, como o caviar.

Comportamento
Cada vez mais mulheres aceitam e buscam o sexo sem compromisso, com amigos ou mesmo com homens desconhecidos. Tudo enquanto o parceiro ideal não aparece.

Meteorologia
Antes, para obter uma resposta sobre previsão de tempo os brasileiros preferiam consultar as estrelas. Agora, eles podem confiar nos meteorologistas.
No site: acesse endereços sobre a previsão do tempo.

Artes e Espetáculos

Música: O mundo bizarro em que vive Michael Jackson não pára de revelar surpresas das mais incríveis. Na semana que passou a revista americana Vanity Fair publicou reportagem sobre um vodu que ele teria feito contra o diretor Steven Spielberg e ainda ouviu testemunhas de pessoas que já o viram sem a suposta prótese de nariz. "Ele parece uma múmia egípcia", disseram.
No site: fotos da transformação de Jackson, rádio com seus sucessos e uma cronologia com os principais fatos de sua vida.

Cinema: Mais um herói salta das histórias em quadrinhos para a tela do cinema. Dessa vez é o Demolidor - O Homem sem Medo. O filme conta a história do advogado Matt Murdock (Ben Affleck) - que é cego, mas seus outros sentidos funcionam além do normal. De dia, ele é um profissional respeitado e, de noite, um herói mascarado em busca de justiça.
No site: trailer, fotos e curiosidades sobre a produção.

Dança: Artistas brasileiros falam sobre o árduo caminho a ser percorrido até conquistar espaço internacional no mundo das artes.

Achados incríveis
Só numa cidade como São Paulo é possível encontrar lojas especializadas em mapas, livros de gourmet, vinhos argentinos, anões de jardim e até chapéus do Vietnã

Loucos por um fogão
Eles freqüentam todos os cursos de culinária, gastam fortunas em equipamentos e utensílios e adoram passar seu tempo livre dentro de uma cozinha




Mulher ao cubo
Orgulhosas da condição feminina, elas não descem do salto: são mulherzinhas dos pés à cabeça, 24h por dia
Alícia Uchôa



"Estou sem fazer a unha por causa da minissérie. Para mim, é quase como falta de banho" Daniela Escobar

Cremes, maquiagem, bolsas e sapatos. Apesar das conquistas femininas, elas não dispensam mimos de vaidade mesmo com a correria do dia-a-dia. Hoje, no Dia Internacional da Mulher, mulheres, meninas e mulherões apresentam os kits básicos da sobrevivência e manutenção de suas belezas.

Para se manter impecável na rotina do dia-a-dia é preciso ficar alerta. O cotidiano te leva a relaxar. Se você não perceber, vai optando pelo conforto e pela praticidade. Sou uma lutadora, não desço do salto ou deixo de fazer as unhas duas vezes por semana, conta a empresária Fátima Lomba, 36 anos, dona da loja multimarcas Novamente e vaidosa de carteirinha. Tenho mania de tudo. Sou empresária, mãe, namorada, atleta e consumista como todas essas mulheres, confessa ela, que tem tara por maquiagem, mesmo não usando nem um batonzinho. Compro um monte de cosméticos e acabo não passando nada. Aí entro na loja, acho lindo e penso que dessa vez vou usar. Há uns 20 anos tento e não consigo, assume.



Posso usar jeans e camiseta. Mas vai sempre ter um detalhe transadinho ou um acessório que faça a diferença¿ Ticiane Pinheiro

Versátil, mulher que é vaidosa tem sempre um lado camaleoa e, no guarda-roupa, peças para compor bem todos os estilos. Sou a mulher que quero ser e brinco com a maneira de vestir, não importa se me acham feia, cafona ou excêntrica. O que pouca gente sabe é que blefo quase todo o tempo, entrega Fátima, que sabe usar o visual como arma e já montou até um kit namorado, com roupas esportivas para agradar ao respectivo.

A modelo Ticiane Pinheiro, 24 anos, também é adepta de múltiplos estilos. Sou mutante. Visto-me de acordo com o meu estado de espírito. Tem dia em que quero ser hippie ou fazer um estilo surfista. Às vezes, prefiro um visual mais patricinha, enumera ela, que vai estampar a capa da Playboy de abril ao lado da mãe, Helô Pinheiro. De um estilo ou de outro, a composição nunca pode ser de qualquer jeito. Eu posso estar hippie, mas combinandinha. Posso usar jeans e camiseta. Mas vai sempre ter um detalhe transadinho ou um acessório que faça a diferença, ensina. Como boa garota de Ipanema, ela não dispensa o bronzeado. Detesto ficar branca e, por isso, se precisar, vou de blush, diz a moça, que se intitula como uma vaidosa rápida, sem perder horas em frente ao espelho para se arrumar.

Apresentadora do programa de beleza Superbonita, do GNT, Daniela Escobar, 34 anos, garante ter mais teoria do que prática de vaidade. Mas acaba se entregando. Costumo passar rímel e batom antes de sair de casa e levo sempre na bolsa hidratante e creme para os olhos, dá a dica a atriz, que defende o mínimo higiênico da vaidade. O limite é se gostar. Estou sem fazer a unha por causa da minissérie (A Casa das Sete Mulheres) e, para mim, é quase como falta de banho, exagera ela, que gosta de estar sempre produzida. Para não arriscar, misturo só duas cores, mas combino até a lingerie com a roupa.

Clássicas, peruas ou modernas, vaidade é bom e toda mulher gosta. Se cuidar é questão de auto-estima. Nesse quesito, Fátima é incisiva: Se a mulher perder a vaidade, vai ficar igual ao homem, e ela é feita para ser um complemento.




Artigo
A mulher e o racionalismo
CELSO JACOB PETRY/ Escritor, jornalista e pesquisador


Depois da queda dos regimes comunistas, a liberdade e a independência financeira das mulheres são apontadas por alguns autores - entre os quais, cito a renomada economista francesa Béatrice Majnoni d'Intignano - como a maior reviravolta da segunda metade do século 20. Afirmam eles que as mulheres, servas dos homens e da família até o século 19, tornaram-se, na atualidade, as mediadoras de fato da sociedade pós-moderna. Devemos nos perguntar, entretanto, se, além de alguns aspectos isolados - como a conquista da igualdade formal de direitos civis, a partir de 1870, e o direito à contracepção e ao aborto, obtido nos anos 70 -, as mulheres realmente já conseguiram derrubar o separatismo elitista dos homens que perdura desde a Idade Antiga.

Não há como duvidar de que grande
parte do dito sexo frágil já saiu da
cozinha e trabalha cada vez mais

Foram os gregos - aqueles desocupados do século 4° a.C - que incutiram em nós essa besteira do preconceito machista. Em um de seus diálogos, Platão conta que um jovem poeta, Agatão, admirador de Sócrates, festejou o primeiro lugar obtido num concurso poético com um grande jantar, que terminou em farra. Como Sócrates não apreciava esse tipo de festa, Agatão o convidou, na noite seguinte, para um jantar mais íntimo, restrito a poucos amigos de alto nível intelectual. Quando acabaram de jantar, as mulheres tiraram a mesa e se retiraram. Os homens, livres das mulheres, por sua vez, elegeram o tema e o colocaram em debate: o amor, em todas as suas formas e variantes.

Na prática, hoje não é diferente. Também à nossa volta, os convívios festivos até são mantidos com as mulheres, mas as discussões sobre negócios ou políticas devem se dar, de preferência, somente entre os homens. Isso ocorre porque muitos homens, sobretudo executivos, compartilham ainda, na prática, as teses de Sócrates e Platão quanto à inferioridade intelectual e profissional das mulheres.

Esses homens fecham-se em torno de suas idéias e de seus planos, defendendo, tenazmente, os redutos onde exercem o poder contra a irrupção feminina. Explica-se aí por que, ainda hoje, nas empresas públicas ou privadas, a quase totalidade dos papéis dirigentes é reservada à ala masculina.

Mesmo diante do intenso propalar da evolução feminista atual, as mulheres ainda continuam na ante-sala, sendo, de certo modo, uma espécie de iceberg da sociedade. Os discursos oficiais ajudam a mascarar muitas vezes essa realidade. Na maioria das situações que nos cercam, percebemos que o mundo dos líderes ainda é patriarcal.

Vejamos, por exemplo, na política: embora a mulher represente mais de 50% do eleitorado, é preciso estabelecer, por lei, um coeficiente mínimo de candidatas por partido, para evitar que haja apenas candidatos masculinos. Isso, por si só, prova o quanto do caminho ainda há para ser trilhado até que as mulheres ocupem o espaço que lhes pertence por direito natural.

Por outro lado, não há como duvidar de que grande parte do dito sexo frágil já saiu da cozinha e trabalha cada vez mais. Mas, entretanto, a maioria absoluta apenas alimenta o gueto do colarinho rosa, atuando como secretárias, caixas, serventes, transformando-se, muitas vezes, como os menores da indústria nascente do século 19, em um exército de mão de reserva de trabalhadores. Sendo empregadas muitas vezes em trabalhos temporários, recebendo salários desiguais, sendo menos sindicalizadas e, conseqüentemente, com menos instrumentos de luta.

Com efeito, muitos séculos depois da formação da cultura machista ocidental, período em que o homem segregou a mulher fora dos centros das grandes discussões - trancando-a nos recintos domésticos, dedicados aos afetos, à estética, à criação dos filhos -, a humanidade ainda tem dificuldades em romper as amarras do preconceito. Vítimas da racionalidade, tanto homens quanto mulheres, ao longo dos anos, avançaram menos em função desse equívoco.




Trabalho
Mulher enfrenta condições mais duras de trabalho
Desemprego feminino é superior ao masculino, aponta pesquisa
São Paulo

As mulheres, cujo dia internacional se comemora hoje, vêm entrando com mais força no mercado de trabalho, mas encontram piores condições de trabalho que os homens. Conforme levantamento divulgado ontem pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), as taxas de desemprego das mulheres em seis regiões metropolitanas do país superam as dos homens.

Quando conseguem trabalho, as mulheres ocupam mais serviços sem garantias (carteira assinada, férias, Fundo de Garantia), como o de empregada doméstica. A diferença de rendimentos em relação aos homens tem caído, mas porque os salários dos homens vêm sido reduzidos.

Segundo o levantamento, em 11 anos até 2001, 12 milhões de mulheres entraram no mercado de trabalho no país, em busca de realização profissional, para se manter ou para ajudar nas despesas de casa. No início dos anos 90, as mulheres ocupadas ou desempregadas representavam 35,5% da População Economicamente Ativa (PEA). Em 2001, já eram 41,9% da PEA, ou seja, 34,8 milhões de pessoas. Nas regiões metropolitanas, já chegam perto de 45%. A PEA inclui todas as pessoas com mais de 10 anos empregadas ou procurando emprego.

Segundo o levantamento, na região metropolitana de Porto Alegre, a taxa de desemprego foi de 17,9% para as mulheres (a menor do país) e de 13,1% para os homens. A maior aproximação entre os rendimentos de homens e mulheres ocorreu também na região de Porto Alegre, onde as mulheres ganham 71,7% do valor médio que os homens recebem.




Continua prevalecendo ainda a idéia de que arrecadar muito de poucos que são os que pagam é melhor do que arrecadar pouco de uma leva bem maior de gente que teria condições de pagar se assim fosse. Dai porque prolifera os CDs piratas os DVDs, os programas de computador. Se a diferença não fosse tanta, ninguém compraria pirata e todos pagariam por um oficial o preço justo.

Mas não essa exorbitância que colocam, até porque os impostos são astronômicos, exatamente porque eles preferem assim. E a população prefere do outro jeito e ai mais de hum milhão de contribuintes não pagam, então ainda acho que o Govêrno perde e muito este jogo de braço.

Paulo Sant'ana
08/03/2003


De cortar o coração

Só a mais rematada estupidez pode considerar que sou a favor dos loucos dos volantes, dos que imprimem velocidade de 120 km/h, mesmo

Evidentemente que só posso condenar o excesso de velocidade, pregando que as pessoas que o empregam sejam severamente punidas.

Quando me volto contra a proliferação dos pardais - por sinal mantida pelo atual governo estadual, quando foi promessa do candidato a governador Germano Rigotto que iria reformular radicalmente o sistema, já vamos para três meses de gestão e nada foi feito, lamentavelmente - é porque me comovo socialmente com as centenas de depoimentos de pessoas multadas que chegam até meu local de trabalho.

São pessoas que não têm como pagar as multas, junto com o IPVA, elas somam mais do que os seus salários.

E gente que é multada, na sua grande maioria, por trafegar a 68 km/h, 70 km/h, 72 km/h.

Milhares são multados por trafegarem a pouco mais de 50 km/h, violando os controladores de velocidade de locais mais sensíveis.

Zero Hora de ontem trouxe matéria exclusiva: 1 milhão de veículos gaúchos estão trafegando irregularmente, seus proprietários não pagaram o IPVA e as multas que venciam no ano passado.

A grande maioria desses motoristas foi surpreendida por um fato que já está se tornando corriqueiro: o valor das multas supera o do IPVA. Ou as multas se igualam ao imposto.

São 1 milhão de gaúchos, entre os mais de 3 milhões que são motorizados, que na sua maioria não suportam pagar as multas a que foram apenados.

Afora os que foram penalizados e pagaram as suas multas no prazo conveniente.

Muitas dessas pessoas me escrevem, me comovem, me sensibilizam com suas razões: passaram pelos pardais com módica velocidade. Por descuido.

É de cortar o coração o relato que me fazem.

Nunca trafegam a 80 km/h ou a 90 km/h. Dizem pateticamente que nunca bateram com seus carros, nunca foram protagonistas de acidentes, não são pessoas que ofereçam perigo às outras e a si próprias no trânsito, são cidadãos comuns, cordatos, nunca vão matar ninguém no trânsito, até mesmo porque seus excessos de velocidade são discretíssimos, assim mesmo quando assaltados por natural distração passam por um controlador a 60 km/h, 70 km/h, com sua atenção voltada para o trajeto.

E lhes sobrevêm as multas, absolutamente naturais para pessoas que são obrigadas a dirigir por longo tempo diariamente e vivem sitiadas pelos pardais por todos os lados que vão.

São milhões de pessoas, é nessa quantidade enorme de gente que se baseia a indústria da multa. Tanta gente circulando, mesmo a velocidades aceitáveis, não agressivas, em nada potencialmente criminosas, evidentemente que milhões de motoristas vão passar entre 10% a 20% a mais do que a velocidade permitida - e a multa vai apanhá-los como se fossem pessoas socialmente indesejáveis, com comportamento de alto risco.

Essas pessoas são responsáveis por 90% das multas, o grosso da arrecadação. Os outros 10% são os da velocidade realmente excessiva e perigosa.

Mas os pardais engordam em arrecadação contra os motoristas não perigosos.

É contra esta tempestade de multas por velocidade que não apresenta nenhum risco para a vida de ninguém que eu me volto.

É contra essa nova sanha fiscalista e arrecadatícia do trânsito que eu me bato. E não a favor dos que arriscam ou ceifam a vida dos outros por velocidades excessivas que obviamente são condenadas pelo senso comum e por mim também.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Mesmo para as mulheres presas há que se ter a liberdade de sonhar; de ter esperança; de amar; de avivar ou manter laços afetivos; de ainda crescer internamente, no convívio com outras pessoas que sofrem o mesmo, ou algo parecido, ou ainda as que delas devem cuidar. Porque senão que sentido ainda teria a vida?


Lya Luft
08/03/2003


Da pobreza das palavras

Neste Dia da Mulher chovem convites para todo mundo que de alguma forma se comunica. Prometi à minha nova editora, a Record, não ser demais um bicho da minha toca, e vencer mais vezes a minha inenarrável preguiça de dar palestras e entrevistas. Um convite para um encontro esta tarde foi irrecusável: falar para as mulheres do presídio Madre Pelletier.

Tenho com aquela casa uma singular ligação, quase nunca expressa: sua biblioteca tem meu nome. Lá estive para a inauguração há uns poucos anos. Recordo minha dificuldade em falar para aquelas mulheres de todas as idades e jeitos, que me olhavam. O que esperariam? Com que misto de curiosidade e indiferença, desconfiança, ressentimento ou expectativa me contemplavam?

Lá dentro não importam nomes mais ou menos conhecidos: há seres humanos, solidão e dor. Esperança em algumas, para outras nada. Fiquei extraordinariamente comovida, e me senti muito desconfortável. Pois logo eu sairia dali para a liberdade, que é meu ambiente natural. Mas elas, todas aquelas mulheres, ficariam. Por um ano, 20 anos, uma vida?

Falei pouco naquela vez, sentindo-me inútil e até ofensiva diante dos seus dramas que não conheci. Embora elas nem imaginassem, fui irmã de cada uma delas, de um modo que não sei explicar. Senti, quase, uma espécie de culpa por não ficar ali também. Sem duvidar de que algumas até cometeram crimes graves, senti vergonha por uma humanidade na qual não lhes foi concedido um bom lugar, ou foi tudo difícil demais.

Talvez hoje eu tente lhes falar - mais uma vez inevitavelmente inadequada - de uma coisa que nem destino nem azares, nem enganos ou necessidade, nem mesmo um crime realmente cometido pode lhes tirar: a liberdade interior. Talvez a sua mais concreta e imediata possibilidade humana. A liberdade de sonhar; de ter esperança; de amar; de avivar ou manter laços afetivos; de ainda crescer internamente, no convívio com outras pessoas que sofrem o mesmo, ou algo parecido, ou ainda as que delas devem cuidar.

E, por último, a liberdade que se oferece nos livros daquela modesta biblioteca: pois ali podem viajar, aprender, distrair-se, consolar-se. Mesmo atrás dos muros, todas podem ser tocadas pela beleza da arte, pela emoção e pela delicadeza que também existem no ser humano e na vida. E que elas não sentirão apenas porque está nos livros, mas porque existe DENTRO DELAS, espelhando o que está escrito - talvez mais intensamente do que em muitas de nós que naufragamos na nossa futilidade, soltas neste vasto mundo.

Mas esse será um dos mais difíceis encontros de minha vida.




Jorge Furtado
08/03/2003


Qual a sua vice-pátria?

Eu sei, o conceito é absurdo, a própria idéia de pátria é meio estranha. Tem um personagem do Vonnegut em O Espião Americano que, ao ser perguntado em juízo se ama seu país, diz que "não consegue envolver-se emocionalmente com imóveis". Um país, é claro, é mais que um imóvel, é uma memória comum, feita com uma língua e uma história.

Minha vice-pátria é os Estados Unidos. Nunca morei lá, mas não há outro país do qual eu tenha tantas boas lembranças, e olha que Paris tem um sorvete de chocolate inesquecível. Não tenho espaço aqui nem mesmo para começar uma lista dos escritores, músicos, cineastas, atores, artistas plásticos (etc etc) americanos que fazem parte da minha educação sentimental, faça você a sua própria lista.

Todos os nascidos depois de 1914, quando o centro financeiro mundial mudou-se de Londres para Nova Iorque, cresceram sob o império americano. Impérios estabelecem suas fronteiras pelas armas, mas mantêm seu domínio com uma mistura de força, poder econômico, riqueza cultural e bom senso. Ao inventar uma guerra bem mais difícil de explicar do que a média, os americanos podem estar decretando o fim do seu império. Líderes devem saber que trocar a admiração pelo medo é sempre um mau negócio.

Impérios

Para quem acha que os impérios são eternos ou para quem quer entender como e por que eles terminam, está nas bancas um livro novinho em folha, escrito por Suetônio há quase 2 mil anos: A Vida dos Doze Césares (Ediouro, apresentação de Carlos Heitor Cony). Caio Suetônio, tranqüilo, historiador e senador romano, viveu de 69 a 141 D.C. Era íntimo do imperador Adriano e se tornou ainda mais íntimo da imperatriz Sabina, causa de sua desgraça. A Vida dos Doze Césares é um minucioso e apavorante relato da intimidade dos palácios romanos, de Julio César a Domiciano, período de apogeu e queda do império.

O melhorzinho matou a mãe, e isso não é figura de linguagem. Alguns capítulos, como os sobre Calígula e Nero, são desaconselháveis aos de estômago sensível. Para se ter uma idéia dos prazeres gastronômicos da turma, o prato preferido do imperador Aulo Vitélio se chamava "escudo de Minerva", feito com fígados de peixe, miolos de pavão, línguas de papagaio e ovas de moréia. Com mel!

ABZ?

A Zero Hora do último domingo tinha uma boa matéria sobre a provável invasão do Iraque pelo exército americano. O título: "O ABZ da guerra". ABZ? O que houve com o velho e bom ABC? Se o significado e o tamanho são os mesmos, qual o sentido da novidade? O abc (ou abecê), forma substantivada das três primeiras letras, é usado em português para designar qualquer glossário em ordem alfabética, faz tempo e todo mundo entende. Outra forma bastante utilizada é o "de A a Z", também serve. ABZ parece um ABC para fanhos.
jorge.furtado@zerohora.com.br




Neste dia Internacional da Mulher, a pergunta que fica é: "O que um homem apaixonado não faz pela mulher amada?" Parabéns a todas as mulheres, brancas, negras, loiras, morenas, e que todos os dias seja "Dia da Mulher".

David Coimbra
08/03/2003


Com a namorada, morro acima

Foto(s): reprodução/ZH

Certa feita, uma antiga namorada minha resolveu que começaria um intenso programa de exercícios físicos. Ela nunca tinha sido disso. Tratava-se de uma sedentária, apreciava comidas consistentes e não se intimidava com horários ou tamanhos de porções. Uma vez, a vi engolir três pratos de feijoada às duas da manhã. Olhava para ela comendo com todo aquele elã e me preocupava:

Será que tu não vais passar mal?

Ela nem respondia, distraída que estava ao trinchar um opulento naco de paio, fazendo nham, nham.

Apesar de sua invejável capacidade de consumo alimentar, ela era delgada e longilínea feito uma gueparda selvagem e elegante como uma jovem corça. Mesmo assim, decidiu que era chegada a hora de fazer ginástica. Matriculou-se numa academia. Comprou pesos. Um dia, cheguei em casa e deparei com ela de quatro no tapete da sala, erguendo e abaixando a perna ritmadamente, com pesos pendurados nos tornozelos.

Meu Deus! assustei-me.

Ela, sem parar:

Exercitando os glúteos.

Era estranho.

Bem. Num verão, decidimos ir para Florianópolis. Não tínhamos carro, fomos de ônibus. Eu carregava a mala maior, com as coisas dela, uma mala pesadíssima. Enquanto suava e resfolgava, vergado ao peso da mala, reclamei:

Parece que tu botaste teus pesos aqui.

Ué surpreendeu-se ela mas é claro que botei! Não vou interromper meus exercícios nas férias. É preciso ter força de vontade.

Eu, pelo menos, fiz exercícios.

Mais tarde, já em Floripa, ela propôs:

Que tal fazermos um trekking?

Hein?

Trekking, você sabe. Diz-se tréquin. Algo que pode ser definido como caminhar no mato. Ela queria fazer isso. Havia inclusive descoberto que, se fôssemos até uma certa Lagoinha do Leste, faríamos um trekking ótimo e ainda aproveitaríamos a paisagem de uma praia intocada pelo homem, área de preservação ambiental. Não sou dado a ecologias, mas topei. Gosto de fazer as vontades da mulher que está comigo.

Antes de sairmos, ela passou numa vendinha. Voltou com água mineral, um pão de bom tamanho e uma lingüiça de mais ou menos três palmos de comprimento e larga bitola. Olhei para aquilo:

Lingüiça?

Por que não?

Ela realmente gostava de comidas consistentes.

Que fazer? Botei a mochila nas costas, tomei-a pela mão e rumamos para a tal Lagoinha. Ao chegarmos na trilha que dava para a praia, vacilei. Era uma estradinha precária que serpenteava morro acima, um morro alto, bem alto, coberto por vegetação fechada e hostil. Virei-me para minha namorada:

Será?

Mas ela saltitava de contentamento.

Trekking! exultava. Ótimo exercício! Ótimo!

Aiai. Lá fomos nós. No início, não parecia tão difícil, mas logo a trilha se tornou cerrada e íngreme. Escalávamos pedras, saltávamos barrancos, afastávamos galhos, me sentia um bandeirante desbravando o Sertão, me sentia o Tarzan, o Jim das Selvas, o Mógli. Vez em quando, uma cobra passava rastejando diante de nós, havia insetos de todos os tipos, em todos os lugares. Suávamos, bufávamos e a Lagoinha nunca chegava. No meio do caminho, depois de uns 45 minutos de caminhada, ela se atirou ao chão, abriu os braços e avisou:

Não dou mais um passo.

Ah, não, agora vamos!

Não dou mais um passo!

E o trekking? E os exercícios físicos? E a força de vontade?

Mexi com seus brios. Ela se levantou. Seguimos claudicantes até a Lagoinha. Aliás, linda. Mas não consegui aproveitar muito a paisagem: estava cansado demais e a idéia de que teria de percorrer todo o caminho de volta me oprimia. Além disso, não havia variedade de opções de divertimento na Lagoinha. Era só natureza, natureza, natureza por todos os lados. Nem um único barzinho para tomar uma cerveja e aplacar a fome. Resolvemos voltar logo. Subimos o morro, enfrentamos a selva, puf, puf! Em meia hora, tremíamos de fraqueza. Ficava pensando naquela tainha recheada do Arante e me deprimia.

Culpava a namorada pela aventura malsucedida, ela me xingava por não apoiar seu programa de exercícios físicos, a situação estava ficando delicada. Foi então que lembrei: a lingüiça! Rindo de satisfação, saquei a lingüiça da mochila, fiz um sanduíche gigante com o pão e dividi com a namorada. Foi uma refeição formidável, que serviu para reinstalar a harmonia entre nós. Aquela experiência me ensinou algumas coisas. Anote aí a moral da história:

1. Nem sempre é saudável fazer todas as vontades da mulher amada.

2. Exercícios físicos em excesso podem prejudicar os relacionamentos amorosos.

3. Carregue sempre uma lingüiça quando for fazer trekking, pelamor de Deus.

Os riscos de Tite
Ninguém corre mais riscos, no Gre-Nal, do que Tite. Se o Grêmio perder, o técnico fica pendurado no emprego por um liame muito tênue, que pode se romper ao primeiro empate na Libertadores da América. Duvido mesmo que Tite termine o semestre como treinador do Grêmio, em caso de derrota no clássico.

O jogo dos 9
Gre-Nal é jogo para centroavante e esse Gre-Nal terá dois centroavantes ortodoxos. Christian, contaram-me os repórteres que cobrem o Grêmio, só falava na possível cobrança da torcida do Inter, durante o treino de sexta-feira. Estaria nervoso? Tal nervosismo influenciaria em sua atuação?

André, por outro lado, está na penumbra, ninguém fala dele. Mas é centroavante, e centroavante é sempre perigoso.
david.coimbra@zerohora.com.br


Automobilismo
Mundial de Fórmula-1 estréia com novas regras



Rubens Barrichello é um dos favoritos para a vitória no GP da Austrália, em Melbourne, prova de abertura da temporada, prevista para a meia-noite de sábado para domingo, com transmissão ao vivo pela RBS TV (foto Ross Land AP/ZH)


Sexta-feira, Março 07, 2003




Renée Zellweger e Richard Gere cantam e dançam em Chicago

Um é o recordista de indicações ao Oscar: tem 13 no total. O outro aparece 7 vezes na lista dos candidatos ao cobiçado prêmio, cuja entrega acontece dia 23, nos Estados Unidos. O musical Chicago, de Rob Marshall, e o drama O Pianista, de Roman Polanski, estréiam hoje no circuito carioca e são as grandes pedidas do fim de semana. Ambos concorrem merecidamente à estatueta de melhor filme, ao lado de As Horas, Gangues de Nova York e O Senhor dos Anéis As Duas Torres, todos já lançados por aqui.

Estrelado pela ótima Renée Zellweger (candidata a melhor atriz), Chicago é um musical de encher olhos e ouvidos, daqueles que o público sai do cinema querendo cantar e dançar igualzinho ao elenco. Adaptado de um espetáculo de sucesso da Broadway, o filme critica com humor e acidez a indústria da fama. Conta a história de Roxie Hart (Renée), mocinha dissimulada que, na Chicago dos anos 20, sonha ser estrela de cabaré.




Não comunica porque é altamente constrangedor, assim como deveria ser o anúnico dos lucros exorbitantes obtidos pelos bancos. E ai as companhias aéreas tem que absorver este aumento de 24,4% no combustível sem poder repassar nas passagens aéreas e ainda tem que gerar lucro. Por isso que todo os dias está ficando um avião da VARIG retido em algum aeroporto internacional para garantir dividas. A GOL não corre este risco porque não viaja para o exterior.

E assim foi com o Gáz de cozinha que as empresas distribuidoras tiraram os descontos do butijão de 13 Kg porque os outros também haviam aumentado num percentual tão relevante quanto a querozene. E o salário mínimo é daquele tamanho....

Empresas
Petrobras aumenta querosene de aviação

A Petrobras aumentou os preços do querosene de aviação em 24,4% desde 1º de março. A estatal do petróleo informou que não comunica esses reajustes porque estão previstas nos contratos com as distribuidoras de combustíveis mudanças para cima ou para baixo todo dia primeiro de cada mês.

No dia 1º de fevereiro, o reajuste foi de 2,8% enquanto o aumento anunciado no fim do ano passado para entrar em vigor em janeiro deste ano chegou a 14,8%. O querosene de aviação representa 35% do total de custos das empresas aéreas.




Talvez mesmo aqui, nesta Porto Alegre de mulheres às vezes amargamente sedutoras, a profundidade das relações comece a valer mais do que a diversão rápida, a aparência fútil. É bem possível, senão com todas as mulheres já é um bom começo que seja com algumas de destaque.


David Coimbra
07/03/2003


Deborah, Ivete e Kermat

A cidade de Hira já existia bem uma dúzia de séculos antes de os casais açorianos aportarem na curva de rio onde hoje fica a Ponte de Pedra, fundando a capital de todos os gaúchos. Mas, apesar das distâncias temporais e espaciais, as duas cidades, a vetusta Hira e a moderna Porto Alegre, guardam entre si uma fundamental semelhança: tornaram-se célebres devido à beleza de suas mulheres.

Uma das beldades da Hira do século sete, de tão formosa tornou-se obsessão para um soldado de Maomé. O soldado só pensava nela, só falava dela. A ponto de Maomé prometer que, tomada a cidade, Kermat, esse o nome da moça, pertenceria ao soldado.

Mas o cerco a Hira demorou além da conta, Maomé morreu e só um ano depois de ele ingressar no Sétimo Céu foi que a cidade capitulou. O soldado procurou o general encarregado do cerco. Era Khalid, chamado, não sem motivo, de "a espada de Alá". Khalid o ouviu e, embora fosse feroz, não era insano a ponto de desobedecer ao Profeta. Sem demora, comunicou a Kermat que ela seria entregue ao soldado, para grande consternação da família da moça. Kermat, no entanto, manteve-se calma como a noite do deserto.

- O tolo me viu quando era jovem - explicou aos parentes - e esqueceu-se de que a juventude não dura para sempre.

Kermat tinha razão. Ao encontrar-se com ela, o soldado engoliu em seco, coçou a cabeça e concordou que era mesmo uma maldade privar a moça da convivência com seus familiares. Aceitou libertá-la em troca de uma irrisória porção de ouro como compensação.

Sábia Kermat. Compreendia que a beleza é um bem frágil, como já disse o poeta Ovídio. Agora, no Carnaval, li que algumas mulheres estavam pouco se importando com as exigências estéticas nacionais. Li que a Deborah Secco e a Ivete Sangalo, por exemplo, desfilaram com barriguinhas se pronunciando debochadamente para fora dos biquínis sumários, e desfilaram faceiras e desfilaram orgulhosas. Tudo isso li e pensei: talvez as mulheres estejam entendendo o quanto a beleza é fugaz, como entendia Kermat. Talvez a nossa superficialidade contemporânea esteja sendo vencida, afinal. Talvez mesmo aqui, nesta Porto Alegre de mulheres às vezes amargamente sedutoras, a profundidade das relações comece a valer mais do que a diversão rápida, a aparência fútil.

Talvez.

Mas, pensando bem, talvez a Deborah e a Ivete não estejam tão mal assim. Vivas à autoconfiança da Deborah Secco e da Ivete Sangalo!




Pois é, deve saber muito bem disso o senador Paulo Paim (PT), que pregava com insistência o salário mínimo de US$ 100 quando estava na oposição, mas hoje se resignou ao salário mínimo de menos de US$ 70 que será decretado por Lula em maio. Portanto quem vai ter que berrar agora é quem era governo antigamente. Porque um salário de menos U$ 70,00 deve ser o menor salário da Amércia do Sul.

Paulo Sant'ana
07/03/2003


Momento infeliz

Naquilo que mais se temia o Lula, é onde o governo dele vem tendo a mais alta competência: gestão da economia.

A balança comercial brasileira apresenta resultado extraordinariamente alentador, sobe o superávit fiscal, o Risco Brasil baixou a inéditos 1.100 pontos, o dólar caiu novamente a R$ 3,50.

Com esses indicadores todos favoráveis, exulta e está cada vez mais prestigiado o ministro Antônio Palocci, cuja gestão se parece com a de Pedro Malan, dirigida toda ela a dar credibilidade ao Brasil perante os investidores internacionais.

Incrível é que justamente nesta hora a esquerda petista, representada aqui no Rio Grande do Sul pelo deputado Raul Pont, com repercussão nacional ao se aliar à senadora Heloísa Helena, protesta e não concorda especificamente com o gerenciamento econômico do governo, o ponto forte de Lula até agora.

Nesta hora em que o governo de Lula, por sua gestão econômica austera, recebe generosos elogios do FMI, que acabou de injetar o auxílio de US$ 4 bilhões para o Brasil, mesmo com a taxa básica de juros fixada pelo governo Lula em índice recorde, estrangulando o crédito e o desenvolvimento, ataca o bom senso que a ala radical petista venha a criticar justamente a face governamental mais sólida, saliente e prometedora: a política econômica ditada pelo Banco Central e pelo Ministério da Fazenda.

O que se sabia - e nada até agora demonstrou o contrário - é que não há maneira de o Brasil sobreviver como nação atuante e competitiva se romper com a ordem econômica globalizada. Isso até pode nos causar prejuízos consideráveis, mas a única forma de Lula manter a viabilidade política de seu governo é não deixar o país quebrar pela ruptura com o tecido econômico mundializado.

A oposição a Lula que Raul Pont e a senadora Heloísa Helena ensaiam tende a isolá-los dentro do PT.

Porque era preciso que entendessem a estratégia imprescindível que, neste atual contexto, tem de adotar quem chega ao poder: antes que se tornar autêntico, um governo tem de se mostrar viável.

Dado o sucesso do ministro Palocci, eufórico ontem ao anunciar os indicadores econômicos, os radicais do PT deveriam esperar momento mais propício para contestar o governo de Lula, como por exemplo quando ele intentar junto ao Congresso a reforma previdenciária.

Aí é que vai pretear o olho da gateada.

É que mais do que nunca se nota a pororoca violenta que se instala em um partido viciado na oposição, como o PT, quando depara com a responsabilidade de governar.

O Movimento dos Sem-Terra acaba de invadir várias fazendas e sedes regionais do Incra, desafiando a autoridade do governo.

Faz me lembrar que, no início do governo, o Lula compareceu a uma grande reunião do PT, quando espocavam de todos os lados reivindicações dos seus correligionários.

Foi quando o presidente saiu-se com esta: "Quero lembrar aos companheiros que agora estamos no governo".

Parecia a Lula que tinha comparecido a uma reunião da oposição.

Governo é uma coisa, oposição é outra: deve saber muito bem disso o senador Paulo Paim (PT), que pregava com insistência o salário mínimo de US$ 100 quando estava na oposição, mas hoje se resignou ao salário mínimo de menos de US$ 70 que será decretado por Lula em maio.
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Ambiente
Tartarugas são retiradas do Parcão



Foto Ronaldo Bernardi/ZH


Quinta-feira, Março 06, 2003




As mulheres que nós amamos

Esta crônica eu dedico a todas as mulheres que não me querem

Por Paulo Rebêlo
Especial para o PERNAMBUCO.COM


As mulheres que nós amamos não são, necessariamente, as mulheres que nós estamos apaixonados ou para as quais dizemos "eu te amo". As mulheres que nós amamos não são as mulheres que nós amamos no sentido literal da palavra, mas sim no sentido lato. Até parece complicado, mas não é.

As mulheres que nós amamos se enquadram naquele seleto grupo de mulheres súperas e maravilhosas que passam pelas nossas vidas -- e só eventualmente pela nossa cama. Deixam cicatrizes que não envelhecem. Deixam marcas e lembranças que vão servir de mote, até o fim de nossos dias, nas conversas de bar, no trabalho e até com a família.

Sim, em conversas com a família também, porque diferentemente do que possa parecer, uma mulher maravilhosa não precisa ser linda e ter um corpo bonito. Na verdade, algumas mulheres maravilhosas até fogem do padrão universal de beleza e nem por isso deixam de ser animalidademente desejadas. É algo intrínseco a elas, consciente ou não, talvez herança genética. A diferença é o "jeitinho" delas.

Se você, homem bacana e joiado, parar para pensar um pouco, vai conseguir recriar em sua mente todas as mulheres que nós amamos desde a época do ginásio, quiçá do primário. Sempre havia aquela especial, que se destacava entre as demais. Na universidade e no trabalho não foi diferente, sempre há aquelas mais desejadas, idolatradas, cortejadas.

Elas nem são as mais bonitas, nem têm o corpo mais torneado. São apenas maravilhosas, simplesmente súperas, majestosas. São as mulheres que nós amamos porque são únicas, do jeito especial delas.

Elas fazem você acreditar que Deus realmente existe, mas também fazem você ter certeza que nem Deus as entende. Afinal, o que leva tantas dessas mulheres maravilhosas a muitas vezes escolher (ou se apaixonar, escolha o termo) por um troglodita ou um orangotango, em vez de um cara bacana e joiado feito você, leitor desta coluna? Se Deus existe, duvido que Ele consiga responder.

As mulheres que nós amamos são indescritíveis. Algumas delas carregam aquele jeitinho de menina sapeca; algumas têm aquela voz rouca que deixa você de cabelo em pé; outras possuem uma voz suave e baixinha, que surtem efeito similar. Outras têm aquele olhar maroto, meio tímida e meio selvagem; aquele sorriso sedutor, aquele andar diferente, aquela conversa cheia de gestos. Às vezes é o senso de humor delas, o espírito etílico, o gosto por algum vinho, o do Porto, por exemplo, a inteligência ou a simpatia.




Não há como provar cientificamente. Só quem entende o que são essas mulheres maravilhosas é quem conhece, quem estuda com elas ou trabalha junto a elas; quem percebe essas mulheres.

Às vezes, essas mulheres maravilhosas nem gostam da fruta; preferem maçã no lugar da banana. Não importa. Nem por isso elas deixam de ser maravilhosas, súperas, deusas, musas. E apenas reforçam nossa fé de que, um dia, iremos conseguir (re)convertê-las e mostrá-las que a banana tem muito mais potássio do que a maçã.

Por mais que você tente ignorá-las, por mais que você tente pensar em outra coisa, elas continuarão lá. Na mesa à sua frente no bar, na editoria do concorrente, no escritório vizinho. Às vezes, até mesmo na cadeira que está a seu lado.

O único problema é que nem todas essas mulheres maravilhosas sabem quão maravilhosas elas são e, com certa freqüência, se deixam encantar por cidadãos broncos que são verdadeiros pocotós. Mas isto é assunto para nossa próxima coluna, sobre os homens pocotós, ainda em homenagem ao dia 8 de março.

Não obstante, elas continuam sendo as mulheres que nós amamos... mesmo quando não nos amam!

www.rebelo.org




Bom, também não seria justo que só o deles ficasse intacto e não tivesse os riscos que os demais carros dos reles mortais teem todos os dias. Vai ver o dele vai aparecer rapidinho.

Risco máximo
Ladrões levam carro do ministro da Justiça em São Paulo

Claudio Tognolli*

A Polícia Federal, a PM e a Polícia Civil foram acionadas para investigar o roubo do carro do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e dos pertences de sua mulher, dona Leonor.

O assalto se deu às 12h20 desta quinta-feira (6/3). Dona Leonor saia de uma clínica e já caminhava em direção ao veículo. Os ladrões chegaram antes. O roubo se deu em um cruzamento do Brooklin Novo (bairro da zona Sul da Capital), à altura do número 200 da rua Ribeiro do Vale.

O motorista, chamado Marcelo, ouvia música com o vidro do carro, o Ômega CRZ 1803, abaixado, quando foi surpreendido pelos meliantes.

O delegado da Polícia Federal Gilberto Tadeu confirmou que a PF foi acionada para oferecer proteção e investigar o episódio.

Revista Consultor Jurídico, 6 de março de 2003.




Amanhã seremos nós a entrar para este grupo seleto a quem hoje as empresas já estão de olho. Ainda bem que não seremos os precursores.

OPORTUNIDADES

De olho na terceira idade
Empresas criam produtos e serviços para idosos atrás de qualidade de vida
Silvana Caminiti

Cada dia mais empresas investem na criação de produtos e serviços para o público da terceira idade. E o motivo é claro: o brasileiro está vivendo mais e as pessoas mais velhas estão investindo mais em si mesmas.

A unidade da rede de escolas de idiomas Wizard da Tijuca, por exemplo, está lançando um novo programa de estudo, o ¿Chá das Cinco¿, especialmente criado para atender turmas especiais formadas por alunos com mais de 50 anos.

A unidade é considerada uma das melhores franquias da rede de 1.200 escolas de idiomas pelo País, e as turmas especiais terão, no máximo, cinco e, no mínimo, três alunos. ¿Esses alunos terão professores altamente capacitados e treinados para ensiná-los¿, comenta Raquel Pedrosa, diretora da unidade.

Ela lembra que os alunos da terceira idade terão a opção de escolher entre cinco idiomas (inglês, espanhol, francês, italiano e alemão) e que o curso tem duração de dois anos e meio para as línguas inglesa e espanhola e dois anos para as demais. As aulas acontecerão duas vezes por semana, com carga horária de oito horas/aula por mês. O aluno poderá escolher as turmas de segunda-feira e quarta-feira ou terça-feira e quinta-feira, de 17 às 18 horas.

De acordo com Raquel, a escola vai organizar todos os meses um encontro, com direito a chá e biscoitinhos, para seus alunos que fazem parte do Chá das Cinco. ¿Esses eventos terão como objetivo promover a confraternização e interação entre os participantes. Assim, eles poderão, além de aprender um idioma, se atualizarem e se divertirem¿, diz.

Wizard Tijuca:(21) 2254-4990




Enquanto é só alegria ótimo, e aí está no inicio das matérias de hoje as duas camisetas lado a lado, Inter e Grêmio em paz e confraternizando. Pena que em São Paulo já não tenha sido a mesma coisa e que o troféu da Gaviões tivesse que ser dedicado a um participante morto nos confrontos de torcida.



Paulo Sant'ana
06/03/2003


Grêmio e Bambas cresceram

Acomissão de frente da Bambas da Orgia, que recordava o antigo fardamento dos clubes de futebol, com as cores do Grêmio, passou quase um ano ensaiando aqueles passos de estética harmônica nunca antes vista entre nós.

A bateria da Bambas da Orgia era tomada inteiramente pela vestimenta autêntica dos mosqueteiros, símbolos do Grêmio.

Nas arquibancadas, independentemente dos clubes por que torciam, os espectadores portavam bandeiras do Grêmio, que drapejavam seu azul unânime pela avenida.

A escola avançava, a letra do samba-enredo exaltava as maiores conquistas do Grêmio, as várias nacionais, as duas da América, a insuperável do mundo em Tóquio.

Airton Ferreira da Silva, a maior glória viva do Grêmio, estava em cima de um carro, apesar da sua viuvez recente. E a Bambas recordava também a glória de Everaldo, seu ex-desfilante.

Mesmo os integrantes colorados da Bambas da Orgia entregavam-se ao desfile com o entusiasmo contagiante que, é lógico, também mostravam os gremistas.

Além de tudo, a Bambas da Orgia apresentava um desfile de rara beleza, o samba, as alegorias e o enredo se entrelaçavam numa sintonia impecável, impregnando a todos da melhor das impressões: tudo indica que hoje à tarde a Bambas será apontada pela apuração como campeã, embora como sempre a ameace um desfile estupendo da Imperadores do Samba.

O Grêmio recebia assim, pelo trabalho, dedicação e sensibilidade de uma escola de samba, talvez a maior homenagem que já lhe tenham prestado em seus cem anos de história, comemorados agora.

Chega a ser um milagre que um clube elitista tenha se transformado nos últimos 30 anos em uma agremiação tão arraigada no seio da população gaúcha de todos os níveis socioeconômicos, tornando-se um dos clubes mais populares do Brasil.

O Grêmio engrandeceu-se com este troféu que lhe concedeu a Bambas da Orgia.

E a Bambas da Orgia cresceu mais ainda depois que com maestria manuseou o Grêmio como seu enredo.

Foi um desfile inesquecível. E foi um dos maiores dias vividos pelo Grêmio.

Eu estava pensando que não foi assim tão constrangedor para a Bambas da Orgia partidarizar-se em favor do Grêmio, em meio a essa incendiada rivalidade Gre-Nal que nos domina.

É que a Bambas tem o azul como sua cor básica.

E este é o ano do centenário do Grêmio, a Bambas teve a sensibilidade de prever que a efeméride a anistiaria da parcialidade.

Só que daqui a seis anos, em 2009, será o Internacional que completará o seu centenário.

Antevejo uma briga séria até lá. A Bambas quererá igualar a sua preferência, escolhendo para si novamente o tema.

Mas a Imperadores, que é vermelho, tem uma munição extra para chamar para si a honra de tomar o centenário do Internacional como seu enredo: é que no mesmo ano de 2009 - dei-me conta ontem - a Imperadores do Samba, fundada em 1959, estará completando coincidentemente o seu cinqüentenário.

O azul que serviu de pretexto à Bambas este ano deverá dar lugar ao vermelho cinqüentão da Imperadores em 2009.

Ou, caso não se acertem, as duas saem com o mesmo tema. Será que o regulamento permite o desgaste dessa dubiedade?

A Beija-Flor ganhou por apenas um ponto da Mangueira. Foi merecido no entanto o título da escola de Nilópolis.

Eu bem que adverti muito ao Matias Flach de que a Beija-Flor era inimiga. Ela estava encantadora.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Eu, o Papa e milhares de seres humanos acreditamos que existe uma saída civilizada para o impasse. Por isso, faço uso deste espaço rotineiramente destinado a temas amenos para erguer mais uma pequena bandeira branca. Se você também fizer isso seremos milhares de bandeiras brancas a tremular por este ciber espaço e talvez isso sirva para que a paz reine de verdade.



Nilson Souza
06/03/2003


A superprepotência

Há uma guerra em torno da guerra. É a guerra de opiniões, um conflito de idéias que em certos momentos, infelizmente, também tende a descambar para a irracionalidade. Experimente se manifestar contra a obsessão guerreira de Bush e logo alguém vai dizer que você é aliado de um ditador sanguinário. Experimente dizer que Saddam Hussein merece ser banido do planeta por tudo o que fez aos curdos, aos países vizinhos e ao próprio povo iraquiano, e não faltará quem o acuse de cruzado racista. O mundo parece estar dividido entre belicistas e pacifistas.

Se é assim, assumo logo o meu lado e já vou adiantando aos rotuladores contumazes que não estou a serviço de nenhuma ideologia, não faço parte de nenhuma organização e nem me considero o último dos ingênuos. Sou da paz por uma razão básica: nada justifica matar pessoas. E a guerra, como todos sabemos, mata culpados e inocentes, arruína vidas, deixa seqüelas físicas e emocionais, acende o estopim do ódio e envenena a alma humana.

Não acho que o senhor Bush e seus falcões representem sequer a maioria do povo norte-americano nesta decisão arrogante, que ameaça transformar a superpotência numa superprepotência, acima do bem e do mal. É assustador constatar que a pátria das liberdades e da democracia esteja prestes a abandonar seus princípios mais caros apenas para mostrar ao mundo que tem a força. Também acho simplista demais a idéia de que o objetivo principal da anunciada invasão ao Iraque seja o petróleo, pois estaríamos voltando à época das pilhagens medievais. Seria um retrocesso inconcebível na história da raça humana.

As gigantescas manifestações de paz, que se multiplicam a cada dia pelos cinco continentes, comprovam que a humanidade não quer recuar para a barbárie. Eu, o Papa e milhares de seres humanos acreditamos que existe uma saída civilizada para o impasse. Por isso, faço uso deste espaço rotineiramente destinado a temas amenos para erguer mais uma pequena bandeira branca, na qual ouso acrescentar uma citação que me parece oportuna para o momento:

"Como não gostaria de ser escravo, também não gostaria de ser amo. Tudo o que diferir disto não será democracia".

Assina-a Abraham Lincoln.
nilson.souza@zerohora.com.br




Luis Fernando Verissimo
06/03/2003


O outro americano

Os produtores de O Americano Tranqüilo acharam que não pegava bem lançar o filme depois dos atentados de 11/9. Não havia clima para um filme sobre as ambigüidades da política externa dos Estados Unidos em reação ao terrorismo, mesmo que a história, sobre o começo do envolvimento americano no Vietnã, fosse antiga e os terroristas fossem outros. Continua não havendo clima, mas o Michael Caine insistiu, a Miramax cedeu e o filme foi lançado a tempo de Caine concorrer ao Oscar de melhor ator do ano passado.

No seu romance, publicado em 1955, Graham Greene escreve sobre a manobra americana para criar uma terceira força no Vietnã em lugar do agonizante colonialismo francês e contra os comunistas a partir de um atentado em Saigon em 1952, obra de um notório caudilho local, mas que os americanos atribuíram aos comunistas e propagaram pelo mundo em imagens terríveis, incluindo uma celebre reportagem fotográfica da revista Life. Nas suas memórias, Greene, que estava em Saigon na ocasião, conta que ficou intrigado com a presença de um fotógrafo da Life no local do atentado, investigou a participação da CIA no episódio e fez o livro, em que descreve os primeiros passos americanos naquele atoleiro.

Que depois incluiriam o apoio ao ditador Ngo Dinh Diem, que tiraram do exílio em New Jersey e instalaram em Saigon sob o controle de um coronel da CIA chamado Edward Lansdale, e eventualmente tropas americanas em combate. O curioso é que a primeira versão de

O Americano Tranqüilo no cinema, feita por Joseph Mankiewicz em 1958, foi usada, como o atentado em Saigon, para defender a intervenção americana. Segundo um artigo que li numa The Nation recente, o próprio coronel Landale sugeriu a Mankiewicz como ele poderia ajudar o regime de Diem e a posição americana no Vietnã e, como um abono, desacreditar intelectuais iludidos pela esquerda como o jornalista inglês do filme, e portanto o próprio Greene. Na versão de Mankiewicz, o americano tranqüilo, no caso catatônico, é Audie Murphy, o soldado mais condecorado da II Guerra Mundial que transformaram no pior ator do mundo. Ele é o inocente heróico e Michael Redgrave o inglês enganado que acaba em crise de remorso por não ter entendido a causa americana.

A certa altura, o americano chega a falar em Diem, sem citar seu nome, "um certo vietnamita vivendo em New Jersey", que seria o líder democrático ideal para o país. Diem já estava no poder em 1958. Cinco anos depois, claro, os próprios americanos arranjaram o seu assassinato. Mankiewicz foi um dos mais intelectuais diretores americanos, com sólidas credenciais "liberais", no sentido deles, mas fez o filme conforme a encomenda. Era o clima, era o clima.



Carnaval 2003
Harmonia na avenida



No desfile do Grupo Especial, em Porto Alegre, a Estado Maior da Restinga não conseguiu trazer o craque Ronaldinho, mas uniu gremistas e colorados (foto Ricardo Jaeger/Agência RBS)
Beija-Flor é a campeã do Rio de Janeiro




Para aqueles que têem Real e querem trocar por outra moeda, pela crônica abaixo fica bem claro que pelo dólar não será um bom negócio. Então a saida é comprar Euro mesmo, já que não dá para comprar libra ou marco.

Alberto Tamer
Quinta-feira, 6 de março de 2003


Dólar cai lá fora e pode agravar economia mundial

Mais um fantasma ronda a economia mundial. É a desvalorização do dólar, principalmente em relação ao euro. Isso estimulará as exportações americanas em detrimento das européias, mas, ao mesmo tempo, reduzirá a capacidade dos EUA de captar no mercado internacional recursos da ordem de US$ 1,2 bilhão por dia para cobrir o déficit de US$ 462,2 bilhões na balança em contas correntes. Ontem, para comprar um euro era preciso desembolsar US$ 1,10. É a maior queda do dólar na última semana, 1,7%.

Mas o que está acontecendo? Foi a guerra? Não apenas isso. O dólar já estava fraquejando com este clima bélico que não acaba nunca, com essa guerra inevitável que demora tanto.

O que provocou, ontem, a forte queda do dólar foram as declarações do secretário do Tesouro americano, John Snow, dando a entender que os EUA não pretendem intervir ou adotar qualquer política de defesa da sua moeda.

O mercado reagiu imediatamente. As repercussões do que o sr. Snow disse são mais sérias do que ele imagina. Alguns analistas comentavam, em Londres, que talvez o sr. Snow não fosse muito diferente do seu antecessor, o mestre de gafes, Paul O'Neill, que foi bruscamente afastado por Bush.

EUA importam US$ 1,4 tri!
Aqui, nesta questão da balança comercial, afirmavam ontem os analistas, está o argumento que leva os analistas a não acreditar em "deslize verbal" do novo secretário do Tesouro. "Estamos diante de um sinal verde (dos EUA) de aprovação do declínio do dólar", comentava o Paresh Upadhyaya, que participa da administração de um fundo de US$ 67 bilhões, no Putnam Investments, em Boston, à Bloomberg.

É sério, muito sério
Nas circunstâncias atuais, em que o próprio Greenspan admite claramente o fim do boom imobiliário, sustentáculo da economia americana no ano passado, a principal saída para os EUA crescerem é aumentar as exportações e reduzir o gigantesco déficit comercial de US$ 435,2 bilhões, em 2002, já a caminho dos US$ 500 bilhões nos dois primeiros meses do ano.

E, para conseguir isso, é praticamente inevitável uma desvalorização do dólar.

O Departamento do Comércio dos EUA divulgou na semana passada os dados oficiais da balança comercial, iniciando o seu comunicado de imprensa com a seguinte frase: "O déficit comercial dos EUA saltou 21,5% em 2002 chegando a um recorde de US$ 435 bilhões, refletindo a continuada fraqueza da economia global e um dólar forte." É oficial, está lá, textualmente, com todas as palavras. Informa também que os maiores déficits foram com a Europa Ocidental - leia-se União Européia - e a China.

O déficit com a Europa Ocidental foi de US$ 89 bilhões, dos quais, US$ 66,8 bilhões com a Eurozona. Só para esclarecer o que não ficou claro demais na última coluna, o comércio com a China teve um déficit, contra os EUA, de US$ 103 bilhões e US$ 70 bilhões com o Japão.




Conseqüências para o Brasil

A imprensa tem dado muita declarações, algumas contraditórias, a respeito das repercussões da queda do dólar e da valorização do euro, sobre o comércio exterior brasileiro. A coluna pretende esclarecer alguns pontos.

1 - Um dólar mais fraco representa maior competitividade das exportações americanas para os países de moeda valorizada - a Europa da eurozona, o Japão, a China. Estes perderiam mercado para produtos americanos.

2 - Para o Brasil, um dólar forte tem efeito neutro em relação às exportações para os EUA, pois o real acompanha o dólar. Mas esse "dólar fraco" enfraquece as exportações e a economia dos países de moeda mais forte, exemplo, Eurozona.

3 - O Brasil exportou, no ano passado, US$ 15,5 bilhões para os EUA (25,7% do total) e US$ 15,1 bilhões para a União Européia, 25,5%. Só que, com os EUA, em 2002, tivemos um superávit de US$ 1,3 bilhão e com a União Européia, apenas US$ 42,8 milhões... Mais ainda, nossas exportações para os EUA aumentaram em 8% e para a UE apenas 1,67%.

4 - Em tese, as exportações brasileiras para a eurozona deveriam aumentar com a valorização do euro. Isso, porém, dificilmente poderá ocorrer porque a Eurozona está sofrendo um processo de profunda retração econômica, que certamente irá agravar-se se for confirmada uma política americana em favor do dólar fraco, roubando ou invadindo mercados europeus. Assim, a tendência natural, que já se sente neste momento, seria de a própria União Européia restringir importações, protegendo o seu produtor interno, e buscar espaço externo em mercados mais frágeis, competindo com países emergentes, como nós, sem recursos para subsidiar suas exportações.

A conclusão não é boa..

A conclusão é que um dólar fraco no comércio mundial somente iria enfraquecer ainda mais os países desenvolvidos como a Europa e o Japão, retardando a recuperação da economia global. E é dispensável dizer que o Brasil sofreria duplamente com esse atraso, pela maior dificuldade de captar recursos externos, diretos ou não e aumentar as exportações no nível necessário para gerar divisas. Falar que o euro forte nos ajuda é ver apenas a superfície do iceberg que se descola da geleira americana...





Se olharmos no mapa o tamanho do Chile ou da própria Argentina, representar 2,5 vezes o Chile ou 4 vezes a Argentina não nos dá orgulho nenhum. Agora perder para o México é bem complicado. E o pior é que as diferenças tendem a distanciar-se ainda mais.



Joelmir Beting
Quinta-feira, 6 de março de 2003


Ainda não decolou

Há cinco anos, março de 1997, a Bolsa de Valores de São Paulo movimentava, em média, negócios de US$ 1 bilhão por dia, dólar então na paridade forjada de R$ 1,05. O valor de mercado das empresas cotadas em bolsa transitava ao redor de US$ 340 bilhões.

Nesta Quaresma de 2003, dólar estacionado acima de R$ 3,50, o movimento diário da Bovespa mal passa de US$ 150 milhões e o valor de mercado das empresas negociadas está abaixo de US$ 100 bilhões. Ou exatos US$ 99 bilhões na travessia de fevereiro, segundo estimativas da consultoria Economática.

A desvalorização cambial de 240%, em cinco anos, não explica tudo. Em real, deflacionado pelo IGPM, o mercado brasileiro perdeu metade de sua densidade no mesmo período. Em valores nominais, o Ibovespa subiu, ponta a ponta, apenas 9%. Em dólar, despencou 68%.

A evaporação do mercado brasileiro, de resto espancado por tributos oblíquos sem paralelo lá fora, foi de tal ordem que das 285 empresas que totalizavam 99% do valor de mercado em março de 1997, um pelotão de 51 desertou da Bovespa sem deixar saudade. E duas dezenas das que resistiram, as maiores, preferiram colocar o pé direito na canoa chipada de Wall Street.

Vai daí que o mercado de ações, DNA do capitalismo social, desfila em versão brasileira um nanismo endêmico de doer o coração.

Nem mesmo a existência viscosa de empréstimos bancários curtos e caros consegue deslocar o financiamento do sistema produtivo do crédito para o capital. Ou do credor para o sócio. O que levou Roberto Campos, ainda nos anos 80, a redefinir o Brasil como um estranho no ninho: "Não somos um país capitalista. Ainda somos um país capinanceiro."

Com direito a disparates em cadeia. Nos últimos nove meses, temporada de juros no alto e em alta, na ponta da aplicação do crédito, os investidores em renda fixa, na base da captação do recurso, não estão conseguindo sequer empatar com a variação do IGPM. Não por acaso, o retorno sobre o patrimônio tem sido de 24,5% nos bancos e de -13 a +6% nas fábricas, nas lojas e nos serviços.

Pelo sim, pelo não, o presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho, deita o pé na estrada para fazer a catequese do investimento em ações e fundos de ações em locais de trabalho, em trios elétricos e em palanques de praia.

Esta semana, ele desfila em duas páginas da Veja a catequese do ABC do mercado dentro de fábricas do ABC. A idéia é antiga: popularizar a opção do investimento em ações, no vácuo das recentes investidas de rebarbas do FGTS em títulos da Vale e da Petrobrás.

O programa de popularização do mercado de ações, usinado pela Bovespa, já passou pelo sinal verde do governo Lula. O presidente está de olho nele desde as jornadas de transição. Falta quebrar a indiferença do Congresso. Raymundo Magliano já conversou, lá mesmo em Brasília, com 487 deputados e 63 senadores.

A referência é a de sempre: apenas 2% das famílias brasileiras têm pé-de-meia em carteiras próprias e/ou coletivas de ações. Nos Estados Unidos, para variar, 52%.

SECOS & MOLHADOS

Virou vice - Em cinco anos, o Brasil perdeu a liderança física da economia da América Latina. No PIB, caímos para vice, comendo a poeira do México. Na Bolsa, o valor de mercado aqui está agora 15% abaixo do valor de mercado no México. O efeito câmbio explica muito, mas não explica tudo. No PIB, vamos de 1,5% ao ano.

Virou coca - Em valor de mercado, o Brasil dos pregões, cotado a US$ 99 bilhões, ficou do exato tamanho da Coca-Cola. Ou menor que a Merck dos remédios, cotada na semana passada a US$ 117 bilhões. Se serve de consolo ou de fofoca, em bolsa o Brasil vale dois Chile e quatro e meia Argentina...

Virou pauta - Em tempo. A popularização do mercado de ações, a partir de penada na legislação do FGTS, virou projeto de lei e já tem como relator o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). O projeto enquadra o uso do FGTS e introduz na aplicação de risco em bolsa a garantia de um retorno mínimo de TR mais 3% ao ano. Ou seja: a rentabilidade máxima do dinheiro congelado no próprio FGTS.


Quarta-feira, Março 05, 2003




Fila Indiana

Para mim os homens caminham pela face da Terra em fila indiana
Cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás.

Na sacola da frente, nós colocamos as nossas qualidades.
Na sacola de trás guardamos os nossos defeitos.

Por isso durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes
que possuímos, presas em nosso peito.

Ao mesmo tempo, reparamos impiedosamente nas costas do companheiro que está
adiante, todos os defeitos que ele possui.

E nos julgamos melhores que ele, sem perceber que a pessoa andando atrás de
nós, está pensando a mesma coisa a nosso respeito.

Vamos mudar um pouco o conteúdo das duas sacolas e ter consiência do conteúdo da sacola de quem vai a nossa frente.

autor desconhecido ou ignorado




Parabéns a Beija Flor pelo campeonato de um dos maiores carnavais do País. Os baianos ainda garantem que o deles é o maior.

05/03/2003 - 17h11
Beija-Flor é a campeã do Carnaval carioca; Mangueira é vice
Fotosite

Depois de quatro vice-campeonatos, a escola de samba Beija-Flor é a campeã do Carnaval 2003 no Rio de Janeiro. Em segundo lugar ficou a Mangueira. A agremiação de Nilópolis alcançou 399,6 pontos. A Mangueira conquistou 398,6 pontos.

Em 2002, a Mangueira foi a campeã, e a Beija-Flor, vice.

A Acadêmicos de Santa Cruz foi a última colocada, com 371 pontos, e foi rebaixada para o Grupo de Acesso.

A Beija-Flor levou 4.100 componentes e 50 alas para a avenida. Neguinho da Beija-Flor cantou o samba, cujo enredo era "O Povo Conta a sua História: Saco Vazio Não Pára em Pé - A Mão que Faz a Guerra Faz a Paz".

Originalmente, haveria um duelo entre Jesus e o Diabo, em que Jesus apareceria armado com um revólver. Mas essa encenação não foi realizada pela escola, que poderia se desclassificar.

Os paulistass Jean Massumi e Viviane, do reality show "Big Brother 3", esfilaram como destaques num carro alegórico inspirado na Revolução Francesa.

O ator Edson Celulari participou da bateria, cuja rainha foi Raíssa, de Nilópolis, acompanhada de dez "princesas", a caçula com 7 anos.

Durante o desfile, a escola enfrentou problemas nos dois últimos carros. O oitavo carro, que homenageava o programa Fome Zero e trazia o boneco de Lula, teve que fazer uma manobra rápida para conseguir entrar na avenida.

Veja a letra do samba da Beija-Flor:

"O Povo Conta a Sua História"

Luz divina luz que me conduz,
Clareia meu caminhar, clareia,
Nas veredas da verdade: cadê a felicidade?
Aportei, num santuário de ambição,

E o índio muito forte resistiu
A tortura implacável assistiu
Enquanto o negro cantava saudade
Da terra mãe de liberdade

Na França, é tomada a bastilha
O povo mostra a indignação
Revoltado com o diabo
Que amassou o nosso pão

Grito forte dos Palmares: Zumbi
Herói da Inconfidência: Tiradentes
Nas caatingas do nordeste: Lampião
Todos lutaram contra a força da opressão

Nasce então,
Poderosa, guerreira,
E desenvolve seu trabalho social
Cultural aos pobres, abrigou maltrapilhos
Fraternidade, de modo geral
Brava gente sofrida, da baixada
Soltando a voz no planeta Carnaval

Eu quero: liberdade, dignidade e união
Fui lata, hoje sou pirata
Lixo ouro da região
Chega de ganhar tão pouco
Tô no sufoco: vou desabafar
Pare com essa ganância, pois a tolerância
Pode se acabar...

Oh!!! Meu Brasil
Overdose de amor nos traz
Se espelha, na família "Beija-flor"
Lutando eternamente pela Paz




Pois é difícil quem não tenha se enamorado um dia de uma Maria, entre tantas ou uma pessoa que não tenha na família uma mulher chamada Maria. Eu por exemplo não me enamorei de nenhuma Maria e não tenho uma irmã chamada com este nome, mas Mary sim.

Um mundo globalizado, repleto de Marias

Nome é o preferido para meninas nascidas na França, Bélgica, Suécia, Luxemburgo e Grécia

ROBSON PEREIRA

A integração cada vez maior dos países europeus está produzindo um curioso fenômeno: uma certa uniformidade na escolha de nomes para os bebês da chamada era da globalização. Até bem pouco tempo, o nome de uma pessoa era um bom indicativo do país em que ela nasceu. Hoje, dificilmente alguém identificaria a nacionalidade, por exemplo, de uma jovem de nome Maria. Portugal? Sim. Maria continua o nome preferido pelos papais portugueses. Espanha, idem, embora com um inconfundível acento na letra "i". Mas como explicar o fato de Maria também ter sido o nome mais escolhido no ano passado para as meninas nascidas na França, Bélgica, Luxemburgo, Suécia e até na Grécia?

A constatação faz parte de um estudo realizado pelo Parlamento Europeu, a partir de informações recolhidas diretamente nos cartórios civis de inúmeros países do Velho Continente. Outros nomes bem conhecidos dos brasileiros, como Julia, Lucas e Hugo, por exemplo, também registram uma grande incidência na moderna Europa.

Na Alemanha, nomes como Heinrich, Ludwig, Gertrud e Petra saíram de cena já há alguns anos e foram substituídos ao longo dos tempos por Daniel, Daniela e (de novo) Maria, entre outros. Ainda faltam maiores explicações para o "fenômeno", além da suposta tendência a um retorno aos nomes bíblicos, situação que teria se tornado mais perceptível na segunda metade dos anos 90.

Conservadorismo na escolha dos nomes dos filhos parece ser característica atualmente apenas de ex-comunistas ou de sisudos escoceses e irlandeses. Nos países do Leste Europeu, ainda prevalecem nomes como Dragan e Milka, os mais comuns na Eslovênia e na Croácia, ou Petr e Jana, na República Checa. Na Escócia e na Irlanda, os bebês continuam a ser chamados por Conor, Sean ou Jack ou, no caso das meninas, Chloe, Megan ou Emma.

A internet, tão pródiga na disseminação de modismos, parece ter ficado do lado de fora dos cartórios civis. Até agora, não há registros de bebês com nomes originários na web ou mesmo no mundo da informática. O que, convenhamos, é um bom sinal. Enquanto isso, quem quiser conferir os nomes mais utilizados em vários países tem uma base valiosa em www.idescat.es/onomastica/noms.stm.

Hollywood fashion O primeiro sucesso de Noel Rosa (1911-1937) foi um samba no qual o eterno compositor de Vila Isabel se perguntava com que roupa iria a uma festa para a qual fora convidado. Dúvida semelhante talvez tenha passado pela cabeça das principais estrelas de Hollywood que no dia 23 participarão da festa do Oscar. Mas a menos de três semanas para a premiação, é de se supor que a decisão já tinha sido tomada.

Difícil saber como cada estrela aparecerá para um público estimado em 1 bilhão de telespectadores em todo o mundo. Mas um rápido levantamento nos arquivos da Academia dá uma boa idéia, ao mesmo tempo em que revela a liderança de Giorgio Armani nas cerimônias de premiação realizadas nos últimos dez anos.

Entre outras estrelas, o estilista italiano foi a escolha de Jodie Foster (em 1992 e 1995), Glenn Close (1993 e 1997), Sharon Stone, (1996), Faye Dunaway (em 1997 e 1998) e Sophia Loren (1999). Na vice-liderança aparecem os modelos Christian Dior, usados por Madonna (1997), Celine Dion (1999) e Sigourney Weaver (2001).

Gwyneth Paltron optou pelo estilo americano de Calvin Klein em 1996 e 2000, mas foi com um Ralph Lauren que recebeu o Oscar por sua atuação em Shakespeare Apaixonado (1998). Helen Hunt também usou um Calvin Klein em 1997, mas nos dois anos seguintes desfilou modelos Gucci.

Jennifer Lopez demonstrou fidelidade ao estilista Badgley Mischka (1997, 1998 e 2000), o mesmo que vestiu Winona Ryder em 1996. Susan Sarandon, em 1997, usou um Donna Karan, enquanto Kim Basinger nas ocasiões em que compareceu à cerimônia de premiação alternou os americanos Brian Rennie e Randolph Duke.

Façam suas apostas para este ano e confiram o figurino desfilado nas festas do Oscar a partir de 1990 por cem grandes estrelas do cinema americano no site oficial da Academia www.oscar.com/style/evo32.html. Um detalhe especial: a Evolução do Estilo aborda também as etiquetas preferidas pelos astros de Hollywood. Mas como a semana é das mulheres, ficaram de fora deste texto.

Filmes de mulheres E já que falamos de mulheres e cinema, uma sugestão final é o endereço mantido pela Women Make Movies www.wmm.com. O site apresenta um catálogo de todas as mulheres que fizeram e continuam fazendo a história do cinema. A organização está completando 30 anos de existência. O aniversário, por sinal, foi comemorado na semana passada, em Istambul, na Turquia, com um festival de clássicos do cinema, protagonizados por mulheres. Vale a pena rever ou conferir grandes e inesquecíveis papéis femininos produzidos por Hollywood.




Só reitero que ainda não iniciou bem, o ano novo, como escreve o Joelmir, visto que eu inclusive só retorno ao trabalho no dia 10, isso é segunda-feira. Então imagino que para o Brasil o ano de 2.003 só comece mesmo na segunda-feira. E imagino que quem tenha ido hoje e vá amanhã, será assim para ver como andam as coisas, se suas cadeiras ainda estão lá naquele lugar onde haviam ficado lá em Dezembro ou seja em 2.002. Mas o trabalho mesmo também será, com certeza, só na Segunda-feira.

Joelmir Beting
Quarta-feira, 5 de março de 2003


Feliz ano novo

Começa nesta Quarta-Feira de Cinzas e de ressaca, já em plena Quaresma, o ano novo do Brasil. O próprio governo Lula, igualmente novo, avisou que precisaria de pelo menos dois meses para esquentar as cadeiras e as turbinas e desenhar seu plano de vôo para a travessia de 2003. Ano do vai ou racha ou rebenta a faixa.

As atividades econômicas em geral sempre funcionaram a meia bomba até a passagem do carnaval. Em janeiro e fevereiro, férias de verão, administra-se o provisório e a protelação. Fábricas, lojas e serviços em geral limitam-se a farejar iniciativas de mercado para o "depois do carnaval". Exceção, claro, dos negócios plugados direta ou indiretamente nas compulsivas demandas do lazer e da folia.

Para os investimentos em publicidade comercial, com sobras para a propaganda institucional, está estabelecido, desde os anos 50, um acordo tácito entre anunciantes, agências e veículos de comunicação: as campanhas anuais são colocadas em marcha só a partir de março, ano novo do Brasil.

Pelo cheiro da brilhantina, a temporada 2003 talvez não saia das estreitas bitolas de 2002 - o ano que ainda não terminou. E não por culpa do blefe político da guerra bushista lá fora. É por obra e desgraça de nossa guerra sem quartel e sem trégua contra a inflação indexada, contra o desvio de rota do câmbio ofídico, contra o trote de caranguejo das reformas institucionais, contra os efeitos perversos de uma política monetária equivocada.

Mas já que hoje é dia de ano novo, isolemos sinais positivos destilados pelo noticiário econômico da semana passada, vigília do carnaval da distensão nacional. De fora para dentro, a percepção de que "o pior já passou" expressa na revalorização do nosso estressado C-Bond e no declínio piedoso do famigerado risco país.

Sem mistério. O déficit externo em conta corrente já está abaixo de 1,5% do PIB e o superávit primário interno, o das contas fiscais, acaba de cravar 7% do PIB nesta decolagem do governo Lula. Lembram-se do pavor do tal de "mercado" com um Lula lá implodindo o ajuste externo e o aperto interno?

Pois essa manipulação importada, que a coluna sempre tratou como "pânico sacana", tende a continuar dando as cartas nesta Quaresma.

De que maneira? Mantendo no câmbio orquestrado a anterior "precificação" do Medo Lula acima de R$ 3,50. Cotação que amoita um prêmio de risco da ordem de 52,8%, arbitrado em causa própria pelos chacais da moeda na sinistrose de 2002.

Pelo sim, pelo não, salvo Bush em contrário, a banca internacional restabelece linhas de crédito para o Brasil em plena recarga da "aversão ao risco" da guerra alheia. Nossas empresas já estão rolando 100% dos papagaios vincendos nos dois lados do Atlântico Norte.

Pelos flancos da economia real, ainda no aguardo dos primeiros contratos e pedidos deste ano novo do Brasil, o destaque vai para o PIB verde de esperança: a nova safra brasileira de grãos, nesta primeira colheita do governo Lula, acaba de ser reestimada pelo IBGE em 107,4 milhões de toneladas. Um recorde. Um décimo maior que a da última colheita de FHC.

SECOS & MOLHADOS

Tartaruga - O organismo econômico brasileiro está vocacionado, historicamente, para um crescimento anual de 7%. Nos oito anos do governo FHC, real a bordo, a expansão anual média não passou de 2,3%. Aqui para 2003, cenaristas do sistema financeiro juram por todos os juros que o PIB não passará de 2%. Ano passado, nada além de 1,5%.

Para fora - O principal aditivo do PIB verde-amarelo de anemia é agora o setor exportador. Por enquanto, mais placebo que aditivo. Os embarques para o mundo crescem abaixo de 8% ao ano. Certo, o comércio mundial contenta-se com 5% ou mesmo com 3%. Mas nossa base de torque ainda é ridícula: estamos exportando menos de 8% do PIB. Bem abaixo da média de 19% do planeta dos emergentes, tigrada à frente.

Enjaulados - Com garrote tributário e arrocho monetário por enquanto irreversíveis, sem paralelo no mesmo planeta dos emergentes, jamais voltaremos a crescer 7% ao ano. Nem com reza brava.




Pessoal, de volta a terra, cheguei agora a noite, depois de ter iso visitar minha mãe, estou lendo os emails que são muitos e olhando as revistas que ficaram na caixa. Uma das noticias que me chama atenção é esta abaixo onde mostra que efetivamente é um caminho sem volta. Quando penso que 2,4 GHz já é uma velocidade razoável para se ter no processador, eles falam que até 2.010 nós chegaremos a ter processadores de 20 GHz de velocidade, isso é dez vezes a atual. Milhares ainda trabalham com um de 500 MHz ou menos, então imaginem como será daqui há menos de 8 anos, isso se chegar a tanto.

Ananda Chandrasecker: em 2010, os processadores chegarão a 20GHz

Um Fórum de novidades da Intel não estaria completo se não apresentasse novos desenvolvimentos em processadores. A principal novidade foi a apresentação do Pentium 4 de nome-código Prescott, que terá 1 MB de memória cache L2, o dobro da quantidade usada pelos Pentium 4 topo-de-linha disponíveis atualmente, o que deve aumentar bastante seu desempenho.

Esse novo processador deve ser lançado com um clock inicial de 3 GHz, podendo atingir 5 GHz (a Intel espera produzir processadores na faixa de 15 a 20 GHz de clock no ano de 2010). O barramento externo do Prescott será de 800 MHz, possivelmente 200 MHz transferindo quatro dados por clock ou