E N T R E L A Ç O S
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Sábado, Março 15, 2003




Os habtantes de Mirasol, não podem descuidar-se de seus pas animals, nem siameses, nem angoras, nem himalaios, tampouco dos sem pedigree. Pois todos podem virar churrasquinho nas mãos ai do nosso amigo Elias Cassani. Se a moda pega, por esse Pais, quanto serviço reduzido nas carrocinhas das prefeituras que recolhem os perdidos e abandonados.



Paulo Sant'ana
16/03/2003


Uma prisão injusta

O aposentado Elias Cassani, com 70 anos, residente em Mirassol, distante 453 quilômetros da capital paulista, foi preso em flagrante por manter o estranho hábito de capturar e matar gatos para alimentar-se com sua carne.

Ele foi apanhado pela polícia quando tinha acabado de tirar a pele de um gato siamês e se preparava para colocá-lo na panela.

Em vistoria na casa do idoso, os policiais encontraram outros dois gatos, vivos, dentro de um saco plástico.

Também foi encontrada na cozinha do aposentado uma espécie de armadilha para capturar felinos.

O aposentado confessou à polícia que tem o hábito de comer gatos, "inclusive ensopados e fritos".

Foi feito um termo circunstanciado pela polícia, indiciando o aposentado por "crueldade contra animais". Ele foi liberado, mas pode até pegar de 10 a 30 dias de prisão por seu ato, no processo que se instaurará na Justiça.

Em sua defesa, o aposentado declarou que não consegue comprar alimentos com a pequena aposentadoria que recebe.

Eu jamais teria a coragem de maltratar um gato ou um cachorro, quanto mais matá-los para me alimentar, mas quero dizer que não há nenhuma possibilidade de esse homem vir a ser condenado, sob pena de séria injustiça.

A menos que possam condená-lo por furto dos gatos, embora nenhuma queixa contra ele tenha sido apresentada a esse respeito.

É que certa vez fui procurar no dicionário o significado da palavra "rês". E vi então que era sinônimo de "gado".

E gado, pelo dicionário, queria dizer "todo animal de quatro patas que serve para alimentar o homem".

Quem está me lendo conhece a crueldade a que são submetidos os bovinos, os ovinos, os caprinos e os suínos que servem para alimentar o homem? Há bois, por exemplo, que são abatidos nos matadouros a porretadas nas cabeças.

É portanto atividade lícita, sem nenhuma penalização, abater mamíferos que servem para alimentar a espécie humana.

Dir-se-á que o gato é um animal doméstico. Mas a galinha também é, no entanto se torce o pescoço dela para cozinhá-la com arroz.

O que aconteceu com este pobre homem é que ele tem uma fome que se tornará insaciada se ele não abater os gatos. Ele não tem dinheiro para se alimentar de outra forma.

Esses dias li um estudo que diz que não há fome no Brasil, o que há é desnutrição. Mentira. Há fome, sim, no Brasil, basta haver miséria para existir a fome.

Como já expliquei tecnicamente acima, os gatos se constituíam no gado do aposentado paulista. Ele escolhe qual é o seu gado. E sai para capturar e abater as suas reses.

Sem dúvida que pratica crueldade contra os gatinhos, mas é a mesma crueldade que está por trás dos suculentos churrascos que nós todos comemos.

É evidente que este homem, sob acirrado estado de necessidade, tratou de solucionar a sua sobrevivência do modo que lhe pareceu mais apropriado para suas características físicas e sociais.

Manter a vida é manter também a dignidade. Sua atitude foi de legítima defesa da própria vida.

E se parece crueldade digna de pena de prisão matar animais para alimentar-se, então me encarcerem: porque há décadas que na minha mesa são servidos pratos de animais que são abatidos com a mesma violência e ausência de compaixão com que seu Elias Cassani matava os gatos para poder continuar vivendo.

Com uma agravante para mim, que bem poderia dispensar da minha mesa o gado e me alimentar de peixes ou aves.

Já seu Elias, pobre coitado, ao preço que estão as aves e os peixes, nem sonhar com eles não pode.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Moacyr Scliar
16/03/2003


O código dos casais


Esses tempos o Globo Esporte mostrou uma reportagem com uma atleta vencedora do triatlo. Ali estava a jovem nadando, correndo de bicicleta, e também recebendo a atenção de um sorridente rapaz, identificado como "treinador e maridão".

Maridão. O aumentativo indica que deve ser uma categoria superior à de marido, um termo análogo a "mulherão" de que a Martha Medeiros falou numa bela, e recente, crônica ("maridão" deveria casar com "mulherão"). De fato, não são muitos os maridos que se dedicam a treinar as mulheres (mas também não muitas as que vencem o triatlo). Aumentativos nem sempre são simpáticos (grandão, gordão, altão) mas, no caso de marido, e para usar uma palavra que rima, trata-se de um galardão. Marido, quando é promovido, e promovido por méritos especiais, passa a ser maridão. Implica obrigações, mas também algumas regalias, como essa de aparecer na tevê.

E maridinho? Que eu lembre é usado, em situações de súplica: "Vamos ao cinema, maridinho?" é o apelo dirigido ao marido afundado na poltrona e meio adormecido diante da tevê.

Bem, e existe o marido mesmo, o cônjuge normal. Mas, e isto é um mistério, não existe a marida. Existe a mulher: marido e mulher. O marido dirá aos amigos algo como "minha mulher me mata se eu chego tarde", mas ela não usará a expressão "meu homem não gosta que eu faça isso". Esse "meu homem", convenhamos, sôa esquisito. Lembra o tempo das cavernas: "meu homem" é um troglodita de tanga, com a clava ao ombro, pronto para moer o crânio de um espécime feminino. Ou então submissão: "Eu sou apenas uma mulher", dizia a já, meio antiga, canção. De qualquer jeito, "eu vos pronuncio marido e mulher" é a frase que oficializa e sacramenta o casamento.

Mas há outras formas de tratamento. "Esposo" e "esposa": detestável. Se o cara diz: "quero apresentar minha esposa", ou ele está numa situção extremamente formal (numa festa, diante do chefe ou ele é extremamente quadrado. Pior ainda é o "quero apresentar a minha senhôra". Notem o circunflexo no ô: não é erro, não, caro editor, é para mostrar que o "senhôra" dos quadrados tem até pronúncia diferente. De novo, o teste da recíprocra é decisivo: nunca se ouviu falar de uma mulher dizendo algo como "o meu senhor gosta de risoto". Só no tempo da escravatura.

Essas coisas sempre revoltaram os contestadores. Entre os comunistas, por exemplo, não havia essa história de "marido" e "mulher". O casamento poderia estar até legalizado (nem sempre o era), mas o tratamento era um só: "meu companheiro", "minha companheira". Hoje essas expressões são usadas nas uniões consensuais, aquelas que em tempos remotos eram consideradas "imorais", de modo que o significado político dos termos se esvaziou.

Existem também os apelidos e os diminutivos, que começam já no namoro (e às vezes são a única coisa que lembra o tempos do namoro). "Meu bem" é clássico, "benzinho" também. Mas o horrendo "benhe", que os cartunistas gostam de satirizar, deveria ser banido.

Há também os derivados, como é o caso de "benzoca". Conheço um casal em que ele é o "zozoco" e ela a "zozoca" - provenientes, suponho, de "benzoco" e "benzoca". A etmologia, nesses casos, torna-se uma especialidade muito complicada.

Curioso: um apelido gera automaticamente outro. Se ele é o "nêgo", ela vira inevitavelmente a "nêga". Apelidos que, entre parênteses, nada tem a ver com a cor da pele. Dizem que no Brasil o racismo é disfarçado; neste caso ele deve estar muito bem disfarçado, porque nos Estados Unidos, nenhum branco chama a mulher, por mais trigueira que ela seja, de algo como "my blackie".

Finalmente, temos as variantes zoológicas, "gato" e "gata", "gatinho" e "gatinho", "pombinho" e "pombinha" e assim por diante. Tudo a denotar essa cumplicidade que vai nascendo ao longo do tempo - na cama e no carro, na mesa e no banheiro - e que acaba se expressando num idioma próprio. Para entendê-lo, só tradutor. Mas certamente nesses casos o tradutor não é bem-vindo.
scliar@zerohora.com.br




Neste domingo que está chegando e nos dias que estão por vir, vamos procurar estar em paz e aceitar serenamente que nós não temos todas as armas para conquistar o que desejamos, não temos munição suficiente para levar todos os nosos planos adiante e não possuimos um exército que diga amém para todos os nossos delírios.




Martha Medeiros
16/03/2003


Paz


Paz: artigo de luxo. Desde 11 de setembro de 2001, paz é o que mais se quer, o que mais se procura, pessoas se vestem de branco, empunham cartazes e pedem paz no morro, paz no Oriente Médio, paz nas escolas, paz em todo lugar onde haja possibilidade de conflito ou onde o conflito já dê as cartas.

A utilidade disso tudo? Relativa. As manifestações são muito bem intencionadas, por vezes emocionantes, mas a opinião pública infelizmente não tem poder de veto, apenas pressiona. Sei, pressionar é importante, mas a coletividade não tem conseguido provocar grandes comoções em quem realmente decide as guerras. Se a gente quer mesmo ser útil, poderíamos começar tentando ficar em paz consigo mesmo e com os outros, uma coisa que parece tão comum e que na verdade é tão rara.

Paz se pratica no dia-a-dia, dentro da família, com os amigos, no local de trabalho, na beira da praia, nas filas, no trânsito. Não adianta vestir branco numa passeata e depois soltar os cachorros em quem lhe cruzou a frente do carro. Grande porcaria empunhar um cartaz dizendo "Fora Bush" se meia hora depois este pacifista estará sendo prepotente dentro do escritório em que trabalha. O que mais vejo é gente que se diz do bem, mas que no cotidiano abusa da grosseria.

Quer fazer alguma coisa pelo mundo? Comece deixando os outros em paz. Não os iraquianos ou uma tribo indígena, mas os outros coladinhos em nós: Paulos, Flavias, Rodrigos, Silvanas. Nós sempre temos uma alfinetadinha guardada na manga, uma fofoquinha aparentemente indolor para passar adiante, uma criticazinha construtiva pra doar generosamente. Se fôssemos pacifistas mesmo, saberíamos que nem toda intromissão é bem-vinda e seríamos parceiros apenas de risadas, confidências, dores e entusiasmos, o que já é bastante coisa.

E trate de cuidar da sua paz também. Quantos, numa passeata em Trafalgar Square ou na Avenida Paulista, estão em paz? Você se sente em casa dentro do seu próprio corpo? Muitos não passam de hóspedes de si mesmos. Estar em paz é aceitar serenamente que você não tem todas as armas para conquistar o que deseja, não tem munição suficiente para levar todos os seus planos adiante e não possui um exército que diga amém para todos os seus delírios.

Você está só e é um sujeito heróico dentro do possível. Costuma ir à luta por um emprego, por um amor, por grana, por objetivos razoáveis, e quando não dá certo, não dá, e quando erra, paciência, e quando acerta, oba, e quando está cansado, se recolhe, e quando está triste, chora, e quando está alegre, vibra, e quando enxerga longe, vai em frente, e quando a visão embaça, freia, e quando está sozinho, chama, e quando quer continuar sozinho, não chama.

Primeiro passo para a paz: reconciliar-se consigo próprio. É o que a gente pode fazer de mais concreto, por mais abstrato que pareça.
martha.medeiros@zerohora.com.br




Luis Fernando Verissimo
16/03/2003


Filmes
Antigamente, pelo menos em Porto Alegre, os cinemas mostravam filmes "científicos" em sessões especiais a partir da meia-noite, aos sábados. "Científico" queria dizer que tratavam de sexo. Mas quem ia aos cinemas esperando ver na tela o que não podia ver em nenhum outro lugar, salvo eventuais revistas estrangeiras com fotos de mulher nua ou quadrinhos clandestinos de sacanagem nacionais, se decepcionava. Os filmes eram quase sempre sobre doenças venéreas, seu tratamento e suas terríveis conseqüências. Mas tinham o seu público. E, acredite ou não, sessões separadas para homens e mulheres.

Não sei o que pensavam que aconteceria se homens e mulheres se sentassem lado a lado para ver os tais filmes. Sexo grupal, certamente, não seria. O efeito mais provável das cenas mostradas era as pessoas renunciarem ao sexo para sempre. Mas havia a divisão. E pensei nela assistindo As Horas. Não que o filme lembre um daqueles documentários "científicos". É que me senti como um penetra numa sessão só para mulheres. Temendo ser identificado a qualquer momento como "um deles", um homem, e denunciado à gerência. As Horas não é um filme "para mulher" no sentido amplo de ser reflexivo e psicologicamente denso e não ter o Charles Bronson. Também é um filme para homens, só que numa platéia separada. Na presença de mulheres, não há como os homens não se considerarem intrusos, espiões, vendo coisas que não são para os seus olhos, rituais secretos de uma tribo que decididamente não é a sua. Os beijos na boca vistos no filme são de várias categorias de beijo na boca - desesperado, compreensivo, apaixonado - e são todos entre mulheres, um claro sinal de que não temos nada a contribuir a essas estranhas transações, nem compreensão. E na presença de mulheres os homens não podem chorar sem constrangimento. Pois eles têm muitas razões para chorar vendo As Horas. Os homens são os desgraçados do filme. Os maridos sofridos e pacientes de mulheres difíceis, os filhos emocionalmente marcados por toda a vida por mães complicadas, os coadjuvantes desprezados de dramas femininos que não lhes dizem respeito.

Numa sessão segregada, só para eles, os homens poderiam soluçar à vontade.

Eu tinha lido que Michael Caine era a única razão para ver O Americano Tranqüilo. Não é. O trabalho de Caine como um típico herói de Graham Greene, um homem atrás da culpa que o salvará, é extraordinário, mas o filme não é ruim, e não tem nenhuma ambigüidade com relação ao papel dos americanos na degringolada que levou à guerra do Vietnã, como se temia. O católico Greene não podia entrar nos Estados Unidos porque era considerado comunista, mas nunca foi inteiramente aceito como autor engajado pela esquerda porque o seu assunto era sempre a alma humana, ou o que há de mais individual e anti-político na gente. Mas nas suas buscas pela redenção ou pelo desencanto final, ele observou o sangrento século 20 como poucos e em O Americano Tranqüilo fez um dos seus livros mais políticos. Na sua autobiografia, Greene conta que se tivesse que escolher uma epígrafe para toda a sua obra seria um trecho de um poema de Robert Browning, "Nosso interesse está na margem perigosa das coisas, no ladrão honesto, no assassino terno, no ateu supersticioso... Observamos enquanto eles mantêm o equilíbrio do estonteante caminho do meio".

O estonteante caminho pelo meio das nossas contradições, que também passa pelo meio dos perigosos paradoxos da História, é o caminho escolhido por Greene. O filme não é tão bom quanto Michael Caine, mas, como ele, é grahamgreenesco de cima a baixo.

Se o filme Chicago fosse do Fosse, seria ótimo. Não apenas porque seria melhor do que esse mas porque, com Sweet Charity e Cabaret, dois outros musicais que ele dirigiu no teatro e depois no cinema, completaria uma simétrica trilogia da renovação do gênero by Bob Fosse. Ninguém antes dele tinha usado a câmera e a montagem como parte da coreografia, aproveitando a técnica do cinema um pouco como tinha explorado a expressividade do corpo humano na dança, de formas nunca antes imaginadas. Ele fez dois outros filmes além de Charity e Cabaret: outro musical, All That Jazz, autobiográfico e bom, apesar de um pouco megalomaníaco demais, e Lenny, uma biografia do cômico Lenny Bruce, em preto e branco, com Dustin Hoffman, que precisa ser revisto porque provavelmente era melhor do que se pensava. Chicago é um filme de Bob Fosse sem o essencial, o próprio Bob Fosse, mas bem-vindo assim mesmo: porque continua o que ele começou, e simplesmente por ser um filme musical, que alguém já descreveu como a grande contribuição americana ao surrealismo, e que tinha desaparecido. Vale principalmente pelas poderosas coxas da Catherine Zeta-Jones.

Era compreensível que providenciassem um novo nariz para a Nicole Kidman, já que era inaceitável uma Virginia Woolf de nariz arrebitado. Mas, se podiam fazer o nariz que quisessem, por que fizeram um nariz errado? Pelo que se vê nas fotografias a escritora tinha um nariz longo, mas reto, e o que deram para a atriz é aquilino. Ou adunco. Aquilino é como bico de águia, adunco é como o que mesmo? De qualquer jeito, está errado. Dizem os maldosos que o importante era que o nariz falso não desmanchasse na água. De qualquer jeito, por trás do nariz está a Nicole, o que torna qualquer crítica irrelevante.


Estradas
Travessias ameaçadas



Por 40 anos, as pontes das rodovias gaúchas foram se deteriorando por falta de manutenção. Pelo menos 11 ligações entre municípios, como a ponte sobre o Rio Conceição, na BR-285, unindo Ijuí e Coronel Barros, estão em condições precárias. Nos últimos seis meses, quatro delas sofreram sérios abalos, ruíram ou foram interditadas (foto Renoir Sampaio, especial/ZH)




Golpe em sites eróticos faz internauta pagar ligação internacional
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online

As empresas de telecomunicações e o Procon estão alertando os usuários de internet para um dos problemas que vêm subindo no ranking de reclamações da entidade de defesa do consumidor.

Segundo o Procon, o acesso a alguns sites, principalmente de jogos e eróticos, pode fazer com que um computador, até mesmo sem que o usuário perceba, seja desconectado do provedor local, e reconectado automaticamente a outro provedor no exterior, gerando uma ligação internacional (DDI).

Para que isso ocorra, o site estrangeiro envia uma mensagem para que o usuário faça um "download grátis" de alguma imagem ou aplicativo. Ao baixar a foto ou jogo, o internauta está na verdade instalando um programa em seu computador. Esse programa desconecta o computador do provedor local e gera uma ligação internacional para um provedor fora do país.

O usuário só percebe o problema quando recebe na conta de telefone a cobrança pelo DDI. Ao ligar para a empresa telefônica contestando a cobrança da ligação desconhecida, o consumidor descobre o golpe.

As empresas de telefonia já identificaram cinco países nos quais estão hospedados esses sites: Portugal, Liechtenstein, Reino Unido, Nauru e Ilhas Salomão. Há também uma lista de telefones que estão sendo bloqueados automaticamente pelas teles, mas só é possível identificar esses números depois que as reclamações dos usuários são registradas pelas empresas.

O Procon divulgou um folheto com dicas para evitar esses problemas, elaborado em parceria com a Telefônica, Embratel, Intelig e Abranet (associação dos provedores de internet). Em breve as informações serão envidas na conta de telefone dessas empresas.

Veja as dicas do Procon para evitar esse problema:

- Diante de anúncios que lhe prometam acesso "gratuito" a sites eróticos ou de jogos, pense bem. O ''download 100% grátis'' que eles normalmente oferecem pode não ser das imagens, mas do programa que entra no seu computador e faz as ligações internacionais. Não quer pagar por elas? Então NÃO faça esse download!

- Quando seu computador abrir telas perguntando se você aceita fazer o download de programas que você não solicitou, ou não conhece, responda NÃO.

- Alguns arquivos desconhecidos podem realizar essas ligações automaticamente _muito cuidado com qualquer deles, especialmente se as mensagens estiverem em uma língua que você não compreenda bem.

- Na pasta "Painel de Controle" de seu computador, você tem acesso a um item chamado "Opções da Internet", no qual você pode desabilitar alguns tipos de arquivos em sua máquina, ou escolher uma configuração de "Segurança Alta", diminuindo as chances de eles virem a se alojar em seu computador, sem que você os perceba.




Talvez em função desta postura do Presidente é que a Ministra tenha que de quando em vez desautorizá-lo em seus pronunciamentos. Será que ele aprenderá?

14/03/2003 - 09h00
Bush invadiria Brasil se houvesse poço, diz presidente da Petrobras
da Folha de S.Paulo

"Se souber que nós temos essa reserva gigante de petróleo, o Bush [George W. Bush, presidente dos Estados Unidos] vai querer invadir Sergipe e não o Iraque."

A afirmação foi feita pelo presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, que é mineiro mas fez carreira política em Sergipe, a um grupo de assessores, ao criticar a nota da ANP (Agência Nacional do Petróleo) com a informação da descoberta do campo em Sergipe.

De acordo com o que a reportagem apurou, Dutra considerou que, além de ter cometido um erro grosseiro, a ANP foi precipitada ao fazer o anúncio da reserva de óleo da Petrobras em Sergipe.

O erro decorre do fato de a ANP ter informado que se tratava de um campo de petróleo com 1,9 bilhão de barris, o correspondente a 14,5% das reservas do país (13,1 bilhões de barris).

Num campo como esse, segundo a Petrobras, só se explora de 20% a 30% do total.




Garota Verão é de Santa Maria

Reprodução/RBS TV



Rafaela Koehler Zanella é a grande vencedora do Garota Verão 2003. A candidata de Santa Maria foi escolhida na manhã deste sábado em Capão da Canoa. Em Balneário Camboriú, o concurso será no dia 22 de março. Parabéns a Rafaela e a cidade de Santa Maria que costumeiramente consegue classificar as suas candidatas.


AVIAÇÃO

VAM ou Tarig?

O que muda na vida do passageiro com a parceria das companhias aéreas



A possível fusão das duas maiores empresas aéreas nacionais ainda está na fase do protocolo de intenções, mas os consumidores já sentem os efeitos práticos. No último dia 10, começaram a operar os vôos compartilhados. Em alguns trechos, a pessoa compra bilhete de uma companhia e pode ir parar na aeronave da outra. Na prática, isso significa menor oferta de horários ¿ com dois vôos de empresas diferentes transformados em um só. Tire algumas dúvidas.

Vôos

TAM e Varig terão 111 vôos compartilhados, em alguns horários, nos seguintes trechos: São Paulo (Congonhas) para Rio, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte (Pampulha) e Florianópolis; Rio (Santos Dumont) para Vitória e Belo Horizonte (Pampulha); Curitiba para Florianópolis e desta para Porto Alegre.

Quem me leva?

O passageiro poderá saber no ato da reserva em qual companhia aérea vai voar.

Aeronaves

Para os vôos comuns serão usados os Airbus A319 (132 assentos) e A320 (150 assentos) da TAM ou o Boeing 737-300 (132 assentos) da Varig.

Serviço de bordo

Foi criada uma caixinha de lanche padrão para os vôos compartilhados.

Preços

Fique de olho. TAM e Varig manterão políticas independentes. Isso quer dizer que elas podem cobrar preços diferentes para o mesmo assento. Na ponte aérea, o valor é unificado.

Milhagem

Cada empresa conservará seu programa de fidelidade. A pessoa pontua na companhia pela qual comprou o bilhete, mesmo que voe na aeronave da outra.

Classe executiva

Não existirá nos vôos compartilhados.




E aí está a capa das duas revistas para você poder comparar e comprar as duas que é o melhor.

Depois de se integrar à Sociedade Brasileira de Eubiose, Flávio Lacerda passou a se alimentar só de oxigênio e luz solar

Apagão alimentar Tão exótica quanto os raelianos, a Sociedade Brasileira de Eubiose defende o apagão alimentar. O grupo acredita que é possível viver sem nenhum tipo de alimento. Discípulo de Evely Levy a mentora do grupo no Brasil , o estudante mineiro Flávio Lacerda Júnior, 28 anos, é um comedor de luz solar e oxigênio. Desde que aderiu à filosofia, há oito meses, ele já emagreceu mais de 20 quilos. Apesar da considerável perda de peso, Flávio jura se sentir melhor agora do que quando se empanturrava com guloseimas. Estou convencido de que o ser humano não precisa de comida. Vivo muito melhor agora. Comida é um vício desnecessário, pior do que a dependência de cocaína ou de bebida alcoólica, afirma. O estudante alterou sua rotina drasticamente. Antes de abandonar a comida de vez, encarou uma dieta de matar faquir. No início fica-se sete dias sem comer, só ingerindo líquidos, e depois o mesmo tempo só tomando suco natural.

Fiz alguns exercícios de respiração para aprender a utilizar melhor o oxigênio, fonte de energia que já oferece tudo de que o organismo humano precisa para sobreviver. No mundo, cerca de dez mil pessoas aderiram à causa. Para eles, o poder da mente é maior do que a necessidade de comer. A dieta à base de sol e ar é duramente combatida pelos médicos.




Bom esta é a capa da Revista Isto É, deste fim de semana, que entre tantas reportagens trás esta ai, que postei só um pouqinho abaixo, sobre os Raelianos. No post inferior a Capa da Revista Veja.


ETs, clones e gurus
Líder dos raelianos chega ao Brasil na semana que vem. A visita desperta curiosidade sobre o misterioso mundo das seitas

Chico Silva
Colaboraram: Juliana Villas e Antônia Márcia Valle (Brasília)

No sábado 22, chega ao Brasil o francês Claude Vorilhon. Ex-jornalista especializado em automobilismo, este senhor não vem aqui atrás de praias, samba e caipirinha. Sua missão está além desses simplórios prazeres terrenos. Há 30 anos, ele abandonou seu nome de batismo no topo de um vulcão extinto, situado em uma região montanhosa no centro da França. Ali, após contato com um ET, ou Elohim (em hebraico, os que vêm do céu), nascia Raël, o líder da seita mais comentada do momento. O Movimento Raeliano acredita na existência de extraterrestres e vê na clonagem a salvação dos males da humanidade. Durante sua visita, o líder dos raelianos tentará um encontro com o presidente Lula. Lançará também seu novo livro, Sim à clonagem humana.

Os raelianos são a grande novidade neste obscuro mundo de congregações, ordens e grupos de orientação nada ortodoxa. Quem os integra busca paz e equilíbrio espiritual longe das grandes instituições religiosas. Em comum, além do mistério que os cerca, carregam a perseguição e o desprezo das igrejas tradicionais.




Capa: fotos de AP e Gamma

Internacional

Guerra: As razões de George W. Bush para atacar
Guerra: As armas dos Estados Unidos contra o Iraque
Terrorismo: A história da passagem de Bin Laden pelo Brasil
Venezuela: Por que o país mergulhou no abismo

Artes e Espetáculos


Cinema: Eminem, o Elvis do rap
Cinema: Deus É Brasileiro, de Cacá Diegues
Livros: A Jogada Turca e Rainha do Inverno, de B. Akunin
Televisão: Os diálogos tolos da novela das 8

Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo

Brasil

Governo: O mau começo do projeto Fome Zero
Governo: A briga do PT com as agências reguladoras

Geral

Sexo: Travestis brasileiros casam-se na Europa
Imigrantes: Os dólares dos dekasseguis
Sociedade: Os maiores salários da TV americana
Ambiente: Vírus Ebola pode acabar com os gorilas
Esporte: A invasão de atletas estrangeiros na NBA
História: Elisa Lynch, a amante de Solano López
Cosmética: Os cremes que atuam como remédio
Medicina: Uma novidade sobre o câncer no pulmão
Estilo: Gordinhas, mas sensuais

Economia e Negócios

Internet: O sucesso das livrarias virtuais

Guia

Aviação: O que muda com a fusão TAM-Varig
Bebidas: As cachaças de luxo
Viagem: O Taiti por 2.000 dólares
Imposto de renda: Onde tirar as dúvidas na internet
Segurança: Cuidados com o playground de seu prédio
Óculos de sol: Que diferença faz usar lentes com proteção UVA e UVB?

O que estou lendo

Pergunte ao Guia




A musa veste minissaia Triton (R$ 95) e top Doc Dog para Index (R$ 128). Botas de couro preto do seu guarda-roupa

Sábado, 15 de março de 2003.

Gueixinha brasileira
Sabrina Sato troca o quimono pela minissaia, peça campeã nas coleções de outono-inverno e marca registrada do figurino da musa do Big Brother
Alícia Uchôa




A japinha mais brasileira do País reinventou a gueixa, que ganhou traços nacionais. Novo ícone da minissaia, Sabrina Sato, 22 anos, posou para o Caderno D mostrando como usar a peça, tendência campeã da próxima estação. Com o estilo Pocahontas, ou Pôca-ropa, como foi chamada no Big Brother Brasil, a bailarina combina o modelito com adereços indígenas .Eu mesma faço, conta.

Com apenas três dias de realidade, a paulista já tem de novo os pés no chão e planeja sua mudança para o Rio. Moderada, ela trata com mais cautela seu futuro com Dhomini e garante que ainda não decidiu posar nua. Por enquanto não rola. Quero conversar com calma com meus pais e ainda não tive tempo. Dependendo da carreira que escolher seguir, não vou posar, assegura. Mas vai ser difícil resistir à torcida dos fãs mais afoitos. Para acalmar os ânimos, ela estará en ensaio sensual no site Paparazzo a partir de amanhã.

Mesmo livre das câmeras, Sabrina não deixou de ser o centro das atenções do lado de fora da casa. Com 170 milhões de consultores sentimentais de plantão, a paulistinha experimentou o gostinho da fama. Saio na rua e as mulheres falam: Sabrina, você tem que ficar com o Dhomini. Mas também tem os caras que falam: Pô, Sabrina, como você foi ficar com aquele cara?, ri. Sobre o futuro com o mineiro, ela explica: Não nos prometemos nada aqui fora. Só combinamos de conversar. O que um sente pelo outro existe. Eu me apaixonei mesmo.

E não são só os marmanjos que estão encantados. As mulheres também se rendem à sua simpatia e, como Manuela a namorada oficial de Dhomini , não têm ciúmes da moça. Enquanto dava entrevista, uma fã pede uma foto para dar de presente ao marido Ele adora você. Mas tanta civilização, como Pedro Bial chamou a relação entre Sabrina e Manuela, assusta até a dançarina. Não posso julgar, mas não seguraria essa barra. É muita exposição. Cada vez que eu a via, saía do meu universo lúdico e voltava à realidade, diz.




Quem tem um aliado de pezo como o Senador Pedro Simon, já está seguro com certeza e pouca gente vai ter a coragem de atirar pedras, ainda mais, quem também tem telhado de vidro.

Rosane de Oliveira
15/03/2003


Convencer ou enquadrar

Um governo que consegue a proeza de ter o senador Pedro Simon como fiador de um ministro ameaçado de demissão não merece sofrer tanto com a oposição interna. É com essa oposição - minoritária mas barulhenta - que o presidente Lula vai falar olho no olho, hoje, na reunião do diretório nacional do PT, em São Paulo. Com o senador gaúcho a conversa seria mais fácil.

Simon, o derrubador de ministros do governo Fernando Henrique, saiu ontem em defesa de José Graziano e pediu que se tenha paciência com o presidente Lula e seu programa de combate à fome. E olha que o PMDB participava do governo FH e, por enquanto, não ocupa cargos na equipe de Lula.

É verdade que o problema de Graziano é bem diferente do de ministros que Simon ajudou a derrubar com seus discursos inflamados. O ministro da Segurança Alimentar e Combate à Fome não é suspeito de corrupção nem de envolvimento em qualquer negócio espúrio. É acusado de inépcia como executivo, defeito grave para quem está encarregado de gerir um programa ambicioso como o Fome Zero.

O comando nacional do PT tem dois caminhos para lidar com os rebeldes que volta e meia incorporam o espírito da oposição: convencer ou enquadrar. A primeira tentativa será convencer os descontentes de que as medidas amargas são necessárias neste momento e que mudanças bruscas na política econômica poderiam empurrar o país para o caos. Se o verbo for insuficiente, parte-se para o enquadramento: a política é essa, o partido não pode criar dificuldades para o presidente e cada um terá que votar com o governo.

Os petistas sairão da reunião do diretório comprometidos com resoluções que têm o efeito de um colete de gesso. Um dos pontos é o apoio às medidas que serão encaminhadas pelo governo ao Congresso - aí incluídas as reformas tributária e previdenciária e a autonomia do Banco Central. Outro, o apoio à política econômica conduzida pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que agrada ao FMI e aos investidores internacionais e desagrada à esquerda do partido por manter os juros altos e elevar a meta de superávit primário.
rosane.oliveira@zerohora.com.br




Ricardo Silvestrin
15/03/2003


Mi Buenos Aires querido

O Filho da Noiva e Esperando o Messias, dois filmaços argentinos. Ambos têm como moldura a situação recente do país, com as quebras de bancos e a falência do modelo econômico. Mas são muito mais do que isso. O primeiro é caliente, cheio de fortes emoções. A gente se identifica com os personagens, dá vontade de chorar, sai mexido do filme. O segundo é mais frio, mais jovem, com recursos formais de vanguarda. Mas também faz pensar e emociona.

Nunca compartilhei muito dessa história de rivalizar com os argentinos. Tem uma série de piadas pejorativas de ambos os lados, nosso e deles, espelhando no fundo uma disputa pela hegemonia da América do Sul. Tudo bem que no futebol a coisa pega e acabo também xingando os hermanos. Quando o Simeone então chuta a orelha de um brasileiro deitado, quero invadir o campo e agarrar esse argentino pelo cangote.

Mas se o único sentimento que você tem pelos nossos vizinhos é esse, de agarrá-los pelo cangote, aconselho o seguinte roteiro. Comece pelo Filho da Noiva. Você vai ver um filme humano como há muito não se faz por aí. Na empolgação, veja também Esperando o Messias. No meio do filme, você talvez ache que está faltando alguma coisa. Não falta nada. É que você saiu do Filho da Noiva pensando que iria levar uma porrada de emoção outra vez.. Esqueça isso e olhe o segundo filme como ele é. Vai ver que tem coisas legais pra caramba.

Depois do cinema, vá a uma boa livraria e pegue um dos livros de contos do escritor argentino Júlio Cortázar. Pode ser O Bestiário, ou quem sabe Todos os Fogos, o Fogo. São pérolas. A seguir, leia o Aleph, livro de contos do Jorge Luis Borges. Achou complicado? Então leia mais outro: Ficções. Você vai ver que é complicado mesmo. Mas é genial.

Certo, agora passe numa boa loja de CDs e leve o Astor Piazzola tocando seu elegante bandoneon com o sopro chic do Gerry Mulhigan. É o golpe fatal. Não tem quem resista. Você vai ficar querendo ver e sentir mais de perto esse clima. Ainda mais agora que a moeda deles está valendo bem menos do que a nossa. Vai acabar viajando para Buenos Aires. Chegando lá, vai conhecer o que todo turista acaba conhecendo: a Boca, o Caminito, o Café Tortoni...

Então vai passear um pouco e notar como tem livraria naquela cidade. Como disse um amigo meu, o professor Gérson Pinto, o que tem de livraria lá é o que tem de farmácia aqui. Pra que tanta farmácia? Se você chegar a essa comparação entre o número de livrarias deles e o nosso número de farmácias, está perdido. Vai voltar todo aquele sentimento de disputa e contrariedade que parecia ter superado. A única coisa que vai pensar obsessivamente andando por Buenos Aires é "ah, se eu cruzo com o Simeone!".
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br




Paulo Sant'ana
15/03/2003


Guerra inextricável

Se eu ou o meu leitor ou leitora soubermos que uma pessoa vai morrer, já ficaremos preocupados.

Como então não nos abalarmos se temos a certeza de que 100 mil, 200 mil, 300 mil pessoas podem perecer numa guerra entre EUA e Iraque?

Silenciosamente, a opinião pública mundial torce portanto para que não haja o conflito.

O mundo ficou tão pequeno diante das estruturas da informação, a televisão nos abre diariamente uma janela de nossa casa com visão para todo o planeta, que é impossível deixar de comover-se com a ameaça dessa guerra.

Mesmo que seja tão distante o cenário projetado para esta guerra, parece que ele está na nossa vizinhança.

A tragédia programada nos alcança, nos toca e também nos ameaça.

Há dois fatos que não consigo compreender nesta guerra, por mais que eu me debruce sobre as toneladas de noticiário.

E tenho a certeza de que essa é a grande perplexidade de todas as pessoas, dos leitores, do mundo inteiro.

É o seguinte: os EUA pressionam a ONU há vários meses para que o Iraque se desarme. E até o Iraque andou destruindo alguns mísseis esses dias.

Mas ao mesmo tempo em que joga todo o poder de sua diplomacia para que o Iraque se desarme, os EUA dão a entender que o ataque ao Iraque é inevitável.

Qual é o país que, sob invasão iminente, vai tomar a providência de desarmar-se?

Os EUA dão a impressão de que querem que o Iraque se desarme para depois atacá-lo.

Essa equação da guerra ainda não deu para entender.

Outra movimentação que intriga profundamente é a seguinte: os EUA declaram por seu presidente e mais destacados auxiliares que vão atacar o Iraque mesmo que o Conselho de Segurança da ONU lhes negue autorização.

Apesar disso, estão voltando todo o seu arsenal diplomático para a tarefa de convencer o Conselho de Segurança da ONU a autorizar o ataque.

Se autorizar, ataca. Se não autorizar, ataca também.

Então para que este esforço tremendo para conseguir a autorização, constrangendo os outros países?

Como quem diz: "Ou vocês da ONU sobrevivem como organização, concedendo-nos o aval do ataque, ou não o concedem e se desmoralizam para sempre com a deflagração da guerra".

Já com o parceiro mais fiel de Bush, o primeiro-ministro inglês Tony Blair, se dá um fato curiosíssimo: a rainha Elisabeth não quer a guerra, o príncipe Charles não quer a guerra, o Partido Trabalhista, a que Blair pertence, não quer a guerra, o povo inglês inteiro não quer a guerra.

Mas Tony Blair quer a guerra.

Como é que um homem só, contra todo o seu país, pode jogar a sua nação para a guerra?

Não será a hora de a democracia aperfeiçoar-se e exigir de um mandatário eleito que ele para tomar atitudes importantes terá que possuir a autorização de seus governados?

Ou qualquer governante eleito tem a faculdade de contrariar visceralmente seus eleitores no exercício do poder?
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Que neste sábado metade de março, nós consigamos observar a paisagem, e como na vida, não fixarmos os olhos apenas nos problemas, mas percebermos, também, a magia de todas as coisas.

Lya Luft
15/03/2003


Torres de magia

Apesar dos pessimistas, as coisas em geral não pioram: elas mudam. Como nós. Não acho que na maturidade estou deteriorando, mas mudei em relação aos 30 anos. Espero aos 80 estar mais mudada... não liquidada.

Quando se trata de praia é assim. Falam da deterioração de Torres: "Um lixo, um horror, o calçadão quebrado, a praia mais suja do que nunca". Este ano fiz ali apenas duas visitas breves. Há muito ela deixou de ser uma praia exclusiva por ser distante demais: a vida é para todos, e a elegância não vem do dinheiro nem das roupas, mas da postura interior que dita o comportamento.

O calçadão estava normal, a praia idem: nem maravilhas, nem horrores. Ruas piores do que o habitual: uma pena. Donos de restaurantes e hotéis queixam-se da freqüência reduzida, porém os morros estão invadidos por turistas: com tantos visitantes andando por ali, tudo vai-se esboroar mais depressa. Mas também o Partenon, as Pirâmides, até a remota Petra são atropelados por milhares de vândalos pateando por toda parte, soterrando em lixo e decibéis os patrimônios da humanidade.

Eu, como a realidade só existe através do olhar de cada um de nós, continuo vendo Torres pelo olho mágico do meu romantismo. Levo minha neta para a ponte na Torre do Meio e a fotografo no instante em que ela abre os braços para o mar. Para ela o portal que as águas cavaram na pedra bruta é "a entrada do palácio do Rei Tritão", pai das sereias que penteiam seus cabelos na Ilha dos Lobos. Uma tempestade noturna vista de muitos andares acima das águas nos fez imaginar as donzelas escamadas recolhidas em suas cavernas de cristal embaixo da ilha.

Na paisagem - como na vida - podemos fixar o olho apenas nos problemas, ou perceber também a magia de todas as coisas. Torres ainda me encanta, pelos amigos; pelas falésias; pelo vento no alto do morro onde em criança eu colhia as tataravós daquelas florzinhas rosa, e levava para os mortos do cemitério meio abandonado que desapareceu.

Pergunta de todo ano: será para esvaziar mais a minha Torres que não resolvem ao menos afastar da Praia Grande o símbolo desta nossa sociedade estridente - aquele palco incansável que a cada fim de semana faz tremer camas, casas e edifícios, e até mesmo o meu obstinado amor pelo lugar?

PS: Martha (Medeiros), torrense como eu: obrigada pela citação! Um pouco de futilidade bem-humorada ajuda a suportar os pernósticos. Fora disso, acho que quando nos domina ela é uma doença da alma. Beijo da L





Ela lia Daniel Defoe na praia

Décio estremeceu, quando a viu. Ela estava sentada numa cadeirinha de plástico, sob um daqueles guarda-sóis de aluguel, de frente para o mar da Praia Brava. Lia. Ele não conseguiu distinguir o que era, mas não era revista, não era jornal; era livro. Uma mulher tão jovem e tão linda lendo um livro na beira da praia. Não devia ser uma mulher comum, ah, não. Se bem que podia ser um livro de auto-ajuda canastrão, um Harry Potter raso, essas coisas. Que fosse. Aquela mulher, aparentemente especial, ali, diante dele ¿ uma oportunidade rara. Como se ele fosse o centroavante e se visse livre na marca do pênalti, o goleiro esparramado no chão, o gol aberto, a felicidade a dois metros de distância. No futebol, poucas vezes Décio experimentou essa sensação. No futebol, ele jogava nas agruras da zaga, longe das realizações da centroavância. Os centroavantes é que estavam acostumados com a felicidade. Ele não.

Mas agora sua vez havia chegado. Décio decidiu que tinha de falar com ela. Traçou um plano. Por sorte, viera com suas raquetes de frescobol. Sim, as raquetes de frescobol se constituíam num trunfo, naquele momento. Caminhou até a moça, não sem alguma hesitação. Estava a uns três passos, no momento em que ela recolheu a atenção do livro, levantou o queixo lentamente na sua direção e lhe untou com um olhar esverdeado. Décio sentiu a alegria e a angústia se lhe embolarem no peito, como se fossem dois gatos brigando. Teve vontade de sair correndo ou se jogar aos pés dela, não sabia qual das duas vontades era a mais forte. Preferiu manter-se nos limites da estratégia inicial.

Pode cuidar das raquetes enquanto tomo um banho de mar? ¿ pediu, voz de leite condensado.

Desde que eu possa jogar depois ¿ respondeu ela, sorrindo um sorriso que matou secas todas as tatuíras num perímetro de cinco metros.

Décio gaguejou um claro, depositou as raquetes na areia e deslizou rapidamente para o mar. Entre um jacarezinho e outro, pensava que havia se dado bem, ah, havia, ela não teria lhe concedido aquele sorriso, nem teria sido tão simpática, nem teria pedido para usar suas raquetes, se não estivesse interessada nele. Tudo estava dando certo. Obrigado, Senhor. Na volta, o romance seria desencadeado. Talvez eles até jogassem frescobol juntos. Pena que ele não vestira aquela sunga azul, ele ficava bem melhor com a sunga azul...

Décio saiu do mar. Ajeitou com as mãos o cabelo molhado. Encolheu a barriga. Pensou que não devia ter desistido de fazer os abdominais diários. Mesmo assim, seguiu em frente com galhardia. Perto dela, sorriu seu sorriso mais requintado, um sorriso de Sean Connery.

Esmerilhou a voz para dizer um oi:

Oi.

Oi ela retribuiu sorrindo. Bom sinal.

Quer jogar? ele apontou para as raquetes deitadas na areia.

Não, obrigada. Agora, não.

Bem, talvez ela tivesse falado que queria jogar só para ser simpática. Mas ainda havia o livro. O livro era um ponto de contato importante. O livro era decisivo.

O que tu estás lendo?

Ela mostrou a capa. Diário do Ano da Peste. Daniel Defoe.

Jesus-Maria-José, Décio adorava Daniel Defoe! Já lera Moll Flanders, já lera Robinson Crusoé e, o fato mais ribombante do verão, já lera o bendito Diário do Ano da Peste!

Muito bom esse livro ¿ comentou.

Já leu?

Já.

E agora? Falar o quê? Do livro, certamente. De Daniel Defoe, sua vida atribulada, os 210 volumes que escreveu, tudo! Mas Décio não falou nada. Não conseguiu se resolver sobre como introduzir a conversa. Levantou-se, tão-somente, sentindo-se pusilânime. Disse tchau. Ela respondeu tchau. E ele se foi, em direção ao Bar do Pirata. Caminhou meio zonzo, com a sensação de que cometera um erro terrível. Foi assim, aturdido, que encontrou Guto. Sentiu que devia lhe contar a história. Guto sabia das coisas. Era o chefe dos garçons do Pirata.

Diziam até que era centroavante ou havia sido, em alguma grande área do passado. Guto ouviu em silêncio. Em seguida, segurou seus ombros. Sacudiu-o. Gritou:

Foi um erro, sim! Vai lá. Volta. Fala com ela. Seja centroavante!

Centroavante, centroavante. Décio nem se despediu do Guto. Girou nos calcanhares e voltou, pensando sempre que devia ser um centroavante. Mas, ao chegar na mesma faixa de areia que a vira, sob o mesmo guarda-sol alugado, a surpresa. Que na verdade não foi surpresa alguma: ela tinha ido embora. Décio baixou a cabeça. Zagueiro. Ele não passava de um zagueiro. Dos toscos, ainda por cima. Preparou-se para ir embora, arrastando os pés na areia, como um caranguejo manco. Foi então que alguém lhe bateu no ombro. Décio se virou. Era o rapaz que alugava guarda-sóis.

A moça me disse pra entregar isso aqui pra alguém que estivesse de sunga verde, camisa laranja, boné azul e com raquetes de frescobol na mão. Só pode ser o senhor.

E lhe entregou um livro. Daniel Defoe. Décio abriu a capa. Na folha de rosto, um nome: Dani. E um número de telefone: 3333... Décio sorriu. Olhou para o pôr-do-sol. Sentiu a felicidade lhe pulsando nos lóbulos das orelhas. Às vezes, até os zagueiros se dão bem.
david.coimbra@zerohora.com.br


Garota Verão
Beleza na passarela



A final do Garota Verão, o maior concurso de beleza do sul do país, será disputada hoje, às 10h, em Capão da Canoa (foto Paulo Franken/ZH)


Sexta-feira, Março 14, 2003




CLÁUDIO HUMBERTO
QUEM NÃO CHORA NÃO MAMA, E O GOVERNO FEDERAL TAMBÉM CHORA
(Ministro Olívio Dutra (Cidades), defendendo a união do País para enfrentar a escassez)

Lula recusa comenda do STM
O presidente do Superior Tribunal Militar, ministro Olympio Pereira da Silva Júnior, que deixa o cargo dia 19, nem sequer obteve resposta ao ofício que enviou a Lula, oferecendo-lhe a Medalha do Mérito Judiciário Militar no grau máximo (grã cruz). Diante da insistência do STM por uma resposta, o Palácio do Planalto informou que o presidente não deseja receber a honraria. Os ministros estão muito ofendidos.

O mais antigo
O STM não é tribunal de exceção, como imaginam Lula e o PT: criado em 1808, é o mais antigo tribunal superior do País. Entre seus ministros está, por exemplo, o ex-deputado Flávio Bierrrenbach, que lutou contra a ditadura. Mas a extinção do STM é consensual, nos meios jurídicos.

Mãe quer Sergipe
Dona Clóris, madrinha do Albatroz, navio que dará apoio às plataformas de petróleo, jogou água fria na campanha carioca. A refinaria é nossa. Ela disse ao jornal O Peru Molhado, de Búzios (mas não publiquem, por favor), que defende junto ao filho, senador José Eduardo Dutra (PT-SE), presidente da Petrobrás, que a refinaria vá para Aracaju.

Que mudança?
Aposentados do Banco do Nordeste protestaram ontem contra o presidente Lula e o ministro Ciro Gomes, que nomearam diretor do BNB Carlos Antônio Morais Cruz, da tropa de choque de Byron Queiroz.

Chega de apelidos
Aos que não gostam de chamar ninguém pelo apelido: o verdadeiro nome do petista que está sendo chamado de Babá é Heloíso Heleno.

A reação de Babá
O deputado Babá (PT-PA) quase teve um troço ao assistir a autocrítica dos ministros Palocci e Mantega pela oposição a FhC. Sou PT e não me autocritico, bradou Babá, em nota à imprensa na qual lista os pecados do antecessor de Lula e conclama a união de petistas não arrependidos.

É bomba!
Os EUA têm a Moab, a mãe de todas as bombas. O Brasil tem Wilma Costa, a bomba de todas as mães.

Vida difícilÉ dura a vida de desempregado: sábado, o ex-senador José Serra pagou R$ 16.285,14 para voltar de Nova York na primeira classe do vôo 8865 da Varig. Já o seu amigo Nelson Jobim, ministro do Supremo, coitado, só pôde usufruir a classe executiva, onde uma poltrona custa R$ 12.756,00.

Renda mínima
Após aumentar o próprio salário para R$ 12 mil, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), viu sua mulher ganhar um emprego de R$ 9 mil na assessoria no Sesi, presidido pelo companheiro Jair Meneghelli. O casal agora tem uma renda familiar de dar inveja a qualquer Fome Zero.

Sem seguro
As famílias dos sete policiais assassinados no Rio, nos últimos dias, sofrerão mais do que imaginam: elas simplesmente não receberão seguro de vida. É que o governo do Estado deu calote nas seguradoras.

Notícia velha
A escolha do ex-deputado Paes de Andrade para ser embaixador em Lisboa, só agora confirmada, já era do conhecimento dos leitores desta coluna desde o dia 7 de fevereiro.

Vereadores agredidos
Na Marcha em Defesa dos Municípios, em Brasília, o presidente Lula quis agradar a platéia de 2 mil prefeitos, dizendo que é preciso ¿valorizá-los¿, que são aporrinhados por vereadores que enchem a cara nos bares da vida. Ele não sabia que ali estavam 800 vereadores de todo o País.

Reação contra Lula
Como gaúcho não leva desaforo para casa, o presidente da União de Vereadores do Rio Grande do Sul (e vice-presidente nacional da entidade), Luiz Fernando Alves de Godoy, apresentou moção de repúdio contra as palavras do presidente. Lula não se desculpou.

Mudou de opinião
Quando esteve em Porto Alegre, durante a campanha, o presidente Lula declarou em setembro que os vereadores são a base da pirâmide democrática. Para o presidente, Pirâmide Democrática deve ser o nome de algum boteco.

Know how
Repercute no mundo essa história de conta secreta para doações ao combate a fome. Portugal já pediu cópia do modelo ao ministro Graziano.

Abandono e omissão
O maestro Martinho Lutero, cidadão honorário de Milão, e o músico Nenê Ribeiro, um dos fundadores do PT, estão entre os brasileiros que subscreveram denúncia ao Itamaraty contra a direção do Instituto Brasil-Itália de Milão, cujo desleixo põe em risco um acervo com 9 mil livros e 1.500 partituras raras, por exemplo. O consulado brasileiro se omite.

Piada de mau gosto
Médico respeitado em Fortaleza, José Iran Rabello foi acusado pela Renault/Nissan de adulterar a mangueira do seu Clio, incendiado como outros, até na própria revendedora, a Dolle. Há 64 queixas contra a empresa, inclusive de venda de um mesmo veículo para dois clientes. A picape Frontier sofreu recall após a morte do motorista, diz um vendedor.

Poder sem pudor: Quem tinha votos
Quem narrou o seguinte episódio ao então repórter Murilo Melo Filho foi o senador conterrâneo Dinarte Mariz: O presidente Castelo Branco chamou-me ao Palácio das Laranjeiras para conversar sobre a sucessão no Rio Grande do Norte. Começou dizendo que quem realmente tinha votos lá no Estado era o meu adversário, Aluízio Alves. Ponderei-lhe:

- Vossa Excelência me perdoe. Mas, se o critério é este, quem devia estar aí no seu lugar era o Juscelino, que tem votos. Muitos, aliás."

EM DIA O banco Itaú reafirma que nada deve ao INSS, apesar das garantias em contrário de técnicos do Ministério da Previdência.
Claudio Humberto com Teresa Barros




14.03.2003, 12h18 - Banco do Brasil: déficit de funcionários é de 15 mil

Folha Dirigida

Devido à firmeza com que o governo Lula está conduzindo o combate à terceirização, o Banco do Brasil (BB) não terá mais como continuar com o quadro de pessoal terceirizado. Hoje, a instituição possui cerca de 90 mil funcionários, dos quais 14% são estagiários. Isso sem contar os terceirizados, que representam uma parcela representativa do funcionalismo do BB .

Segundo Marcel Barros, diretor da Federação dos Bancários da CUT, além do problema da terceirização, o Banco do Brasil enfrenta ainda uma carência crônica de servidores nas agências bancárias em todos os estados. "Hoje a instituição está com orçamento engessado, mas necessita de um pessoal qualificado, sobretudo nas agências, responsáveis pelo funcionamento do banco", aponta Barros, que já integrou a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil.

Caso fosse realizado um concurso hoje para o Banco do Brasil, haveria uma carência de cerca de 15 mil funcionários, sendo boa parte destinada a substituir os terceirizados e os estagiários. "Utilizar a mão-de-obra de estudantes é absurdo, porque eles não têm direitos", frisa Barros.

Com a política adotada nos últimos anos, não são apenas os estagiários que sofrem com a falta de
direitos. Depois de reduzir o quadro de pessoal em cerca de 50 miempregados, entre 1995 e 1998, o governo autorizou a contratação de 20 mil funcionários com contrato de trabalho diferenciado dos antigos, no período de 1998 a 2002.

Nesse novo contrato, deixam de constar algumas cláusulas, como plano de cargos e salários, adicional de hora extra (redução de 60% para 50% ), licença-prêmio, participação nos lucros, entre outras.

Esses são alguns dos problemas que a Federação dos Bancários da CUT busca solucionar. "Todos os bancos federais estão passando por essa crise, mas as perspectivas são de que haverá melhorias no governo Lula", diz Barros.

Concurso - O último concurso realizado pelo Banco do Brasil foi no ano passado, quando foram oferecidas vagas para o cargo de escriturário apenas em São Paulo. Em 2001, as oportunidades abrangram os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Tocantins.




14.03.2003, 12h05 - Fenae quer concurso na Caixa Econômica Federal

Folha Dirigida

A Caixa Econômica Federal (CEF) possui elevado índice de trabalhadores terceirizados em suas agências. No ano passado, foi realizado concurso para técnico bancário, destinado aos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. No entanto, o presidente, da Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), José Carlos Alonso, disse em entrevista à Folha Dirigida, que a carência atinge todo o país e que há necessidade de realizar concursos periódicos para suprir totalmente o déficit de pessoal.

"A Caixa possui hoje 55 mil empregados no total, e esse número é insuficiente para atender às necessidades. O Banco Central dispõe de informação segunda a qual a Caixa possui 106 mil trabalhadores, sendo que 51 mil são terceirizados e estagiários. Então, a carência de empregados não é só porque há terceirizados não. Hoje, com a quantidade de empregados e com os terceirizados permanece carência de pessoal", ressaltou.

José Alonso explicou que apenas a substituição dos 51 mil terceirizados por pessoas concursadas não resolveria o problema, pois o quantitativo de pessoal permaneceria idêntico ao atual. Ele disse que, para melhorar o atendimento geral da Caixa, seria necessário um número muito, superior a esse, porém, preferiu não arriscar um quantitativo.

"Hoje o atendimento é moroso. Com a questão do Fundo de Garantia, há um volume muito grande de pessoas que vão para a Caixa, os empregados, não conseguem dar conta desse volume de trabalho que é imposto", disse.

José Alonso disse que a Fenae pretende, junto à Confederação Nacional dos Bancários (CNB), rediscutir a política de Recursos Humanos, pois, segundo ele, nos últimos anos essa política foi bastante prejudicada, e agora é preciso recuperar todo o período de falta de valorização e de estímulo aos traba1hadores."Nós precisamos ter um quadro de trabalhadores que permita que os funcionários possam atender à população em condições dignas e num ritmo suportável de trabalho".

O presidente da Fenae disse que ira cobrar da nova diretoria da Caixa, de Jorge Mattoso, a contratação imediata dos aprovados no concurso realizado no ano passado, para Rio e São Paulo, e pedir a realização de concursos periódicos.

"A Caixa não pode ficar sem ter concurso e pessoas aprovadas disponíveis para assumir. Porém, essa decisão não fica apenas restrita ao âmbito interno da Caixa. Nós vamos precisar pressionar para que o Ministério da Fazenda autorize essas contratações".





Temos uma distribuidora da Petrobrás aqui a 14 km de Porto Alegre. Entretanto aqui a gasolina em média deve ser R$ 2,29 a R$ 2,35 o litro. Agora, alguém sabe dizer, por que ali em Curitiba os preços são tão expressivamente menores? É porque aqui em Porto Alegre o Posto que vender a preços menores dos estipulados pelo Sindicato é taxado de desonesto e de vender gasolina misturada. Enquanto isso a cada 50 litros nós desembolsamos R$ 15,00 a mais. Pode?

COMBUSTíVEIS-Sindicato reclama de dumping e empresários falam em concorrência



Nova guerra de preços baixa gasolina para R$ 1,94

Donos de postos teriam se reunido para combinar o novo preço

A gasolina baixou para R$ 1,94 e pode chegar a R$ 1,89 nos próximos dias. (Jonathan Campos)


Distribuidoras e donos de postos de gasolina de Curitiba estão travando mais uma guerra de preços que, ontem, derrubou o valor do litro da gasolina para R$ 1,949, em grande parte da cidade. O consumidor pode desembolsar até 9% a menos pelo combustível que, na semana passada, custava de R$ 1,99 a R$ 2,10.

A felicidade do motorista não é, no entanto, a alegria do revendedor de gasolina. De acordo com o presidente do Sindicombustíveis, sindicato que representa os postos do Paraná, Roberto Fregonese, os preços beneficiam o consumidor, mas são resultado de uma prática ilegal de comércio. Ele denuncia que as distribuidoras estão praticando dumping ¿ quando um produto é vendido abaixo do custo. "As distribuidoras reduzem a sua margem a índices negativos e obrigam os postos a vender com preços reduzidos, e com prejuízos", afirma.




Bom não estou vendo a nossa Ministra das Minas e Energia muito preocupada com este episódio. Enquanto isso, as ações oscilam ao sabor dos boatos e os interessados enchem os bolsos de grana enquanto os cidadãos comuns assistem de camarote este jogo de braço. Pena que seja assim!



Joelmir Beting
Sexta-feira, 14 de março de 2003



Mancha de óleo

Descobrir petróleo no Brasil equivale a um autêntico parto de montanha. A estóica Petrobrás, que não tem máquinas e homens em quantidade suficiente para prospectar esta nossa terceira maior bacia sedimentar do mundo sob uma só bandeira, teve de apurar tecnologias sem paralelo para encontrar e explorar petróleo e gás natural sob águas profundas em plataformas "offshore".

Com o detalhe caprichoso: na maioria das ocorrências, óleo pesado de segunda linha, começando pelos maiores achados na Bacia de Campos, endereço de 82% da atual oferta nacional.

Eis que, de repente, as sondas da Petrobrás batem em óleo leve de primeira qualidade, de padrão árabe, tipo café arábico, o mais valorizado. Onde? Sob os mares verdes de Sergipe. Pelo cheiro da naftalina, ocorrência de grande magnitude.

A nova descoberta brasileira ocorre exatamente na crista do maremoto dos blefes de guerra por sobre as colossais reservas do Golfo Pérsico. E com o barril "Brent" da excelsa mercadoria cotado acima de US$ 37, alta de 72% nos últimos 12 meses.

Era para o brasileiro soltar rojão de vara de quermesse paroquial. Afinal, estamos perto de 90% da auto-suficiência em combustíveis fósseis. Pois cadê o clima de festa? Assim como nossos canarinhos desafinam e nossos submarinos naufragam, estamos outra vez fazendo de uma grande notícia uma enorme trapalhada - já com pinta de escândalo corporativo, digno de um indefectível requerimento petista de CPI pra cima da ANP e da CVM.

ANP é sigla da Agência Nacional de Petróleo. Ela teria se antecipado no anúncio da descoberta, atropelando segredos de negócio da Petrobrás e melindres de poder do Planalto. A Petrobrás notifica que a agência agiu de maneira "confusa e precipitada" e emitiu informação relevante "incompleta e equivocada". Ainda não se teria uma avaliação segura da extensão e do conteúdo do "front" sergipano.

CVM é sigla da Comissão de Valores Mobiliários. Ela responde pela fiscalização do mercado brasileiro de ações, tripulado pelas empresas de capital aberto e coração nem tanto. Das quais a sociedade exige total transparência de planos, de contas e de decisões.

Como é sabido, a Petrobrás nasceu há meio século como empreiteira do monopólio estatal da União. Deveria ter desfilado até hoje crachá de autarquia federal e não de empresa negociada em bolsa no interesse de acionistas privados. A autoridade sobre ela, ungida pelo monopólio estatal, estaria não numa assembléia de milhares de acionistas, mas numa assembléia de milhões de cidadãos.

Neste bizarro episódio, a CVM tem de sair a campo para decifrar o genoma de três pepinos: 1) por que houve corrida às ações da Petrobrás no dia anterior à divulgação da descoberta; 2) quem seriam os autores do vazamento dessa preciosa dica de mercado ("insider information"); 3) quem teria deixado impressões digitais nas compras de véspera das ações da Petrobrás.

SECOS & MOLHADOS

Prato cheio - Em resumo: forte odor de óleo queimado nas engrenagens do escandalômetro verde-amarelo. Um prato cheio para o governo Lula alimentar o questionamento público das nove agências reguladoras criadas. Elas monitoram negócios privados instalados no vácuo de extintos monopólios estatais. "Com excessiva autonomia", deplora o presidente.

Sem trauma - No mais, a Opep fez reunião em Viena para deixar tudo como está para ver como é que fica - antes, durante e depois da guerra que ainda não houve. Politicamente constrangida, ela promete apagar qualquer incêndio na coreografia do mercado. Cotações acima de US$ 35 já estariam "precificando" eventual bushada em Bagdá.

Óleo bruto - Com o reparo: não é tranqüila a posição estatística do mercado.

Para a queima global de 77 milhões de barris por dia, a margem ociosa da Opep (58% da oferta mundial) não tem passado de 3%. E os estoques dos países ricos (74% da demanda total) estão abaixo de 50 dias corridos de consumo.

Nos Estados Unidos, 23.




A seguir, uma centelha faz a nuvem explodir, em forma de cogumelo, sobre uma zona de matança que compreende um terreno equivalente a três campos de futebol. Quem estiver nessa área será despedaçado pela explosão ou literalmente incinerado pela onda de calor gerada, superior a 3 mil graus centígrados. E quantas dessas serão tuilizadas em locais diferentes? E quantas pessoas desaparecerão nessa onde?



Paulo Sant'ana
14/03/2003


A mãe de todas as bombas

Por que as pessoas em todas as latitudes e em todos os países não querem que se desate a guerra entre EUA e Iraque?

Muito porque uma guerra provoca males econômicos, a vida das pessoas e das nações se atrapalha pela alta dos preços e por outros embaraços industriais e comerciais, além dos custos bilionários de uma ação bélica de tal monta, que acabam agredindo a economia norte-americana, com reflexos em todo o mundo.

Mas o motivo maior por que ninguém quer a guerra é a consciência da carnificina.

Saddam Hussein é um pérfido e sanguinário ditador. Mas o povo iraquiano, que será imolado pela guerra, não tem culpa pela crueldade do seu governante, que se mantém no poder pelo autoritarismo.

Agora mesmo se tem notícia de que os EUA testaram com sucesso a Moab (Massive Ordnance Air Burst), a denominada "mãe de todas as bombas.

Ela será empregada no ataque sobre o Iraque. A terrível arma tem a capacidade de espalhar à meia altura, sobre o alvo, um nuvem de sete toneladas de uma mistura gelatinosa que tem como principais ingredientes nitrato de amônia e pó de alumínio.

A seguir, uma centelha faz a nuvem explodir, em forma de cogumelo, sobre uma zona de matança que compreende um terreno equivalente a três campos de futebol. Quem estiver nessa área será despedaçado pela explosão ou literalmente incinerado pela onda de calor gerada, superior a 3 mil graus centígrados.

A considerar-se que as forças norte-americanas contam também com armas que destroem eficazmente abrigos leves ou arrasam abrigos subterrâneos, tem-se idéia do cenário infernal em que se transformarão as cidades iraquianas, inclusive a superpopulosa Bagdá (5 milhões de habitantes).

Evidentemente que poderão morrer centenas de milhares de civis iraquianos, se Saddam Hussein cumprir com a sua promessa de que resistirá até o fim nas principais áreas urbanas.

Não há como a humanidade não se sensibilizar contra este verdadeiro genocídio. A antevisão deste rastro enorme de cadáveres, sangue e dor está mobilizando diversos governos a tentar inibir a obsessão de Bush em decretar o morticínio.

Houvesse evidência de que o Iraque põe em risco a segurança do Oriente Médio ou do mundo, se justificaria o ataque. Mas estão lá os inspetores da ONU a negar essa ameaça.

Então vivemos neste instante uma expectativa magistral em todo o mundo: a de verificar se é possível que se deflagre, pela primeira vez na história da humanidade, uma guerra que afronta a consciência universal.

O Grêmio, contra o Bolívar, ganhou ontem os três pontos que o levam para as proximidades da classificação para a segunda fase da Libertadores.

Mas quem achava que o Grêmio subestimou o Gauchão viu que não é bem assim: o time foi novamente precário e desentusiasmante contra um adversário sofrível.

Não se desata o nó gremista. Parece que a ordem é mesmo sofrer.
psantana.colunistas@zerohora.com.br


Oriente Médio
Um refúgio para iraquianos



Oziris Marins
Enviado Especial/Amã

Em meio a altos montes, a cerca de 50 quilômetros do centro da capital da Jordânia, Amã, está Al-Mahatta, o único local no qual é permitido o transbordo de iraquianos vindos de Bagdá ou outras cidades do país de Saddam (foto Oziris Marins/ZH)


Quinta-feira, Março 13, 2003




CLÁUDIO HUMBERTO
13/03/2003



O RISCO-BRASIL ESTÁ LIGADO À MAIORIA NO CONGRESSO
(Renan Calheiros, líder do PMDB, após impor a primeira derrota ao governo, no Senado)

PT abandona ACM e PFL grita
O PSDB continua em cima do muro, mas o PFL assumiu oposição clara ao governo Lula. Ontem, durante reunião da bancada na Câmara, o governo foi duramente atacado. Os pefelistas acusam Lula de ¿copiar¿ as propostas do partido. O líder da bancada, José Carlos Aleluia (BA), até ameaça processar o PT e o presidente por ¿apropriação indébita¿. O governo acha que é uma reação ao PT, que abandonou ACM à própria sorte. Definitivamente.

Que austeridade?
Lula nem pode reclamar, depois de criar tantos ministérios. A moda pegou, reforçando a idéia de que esquerdista gosta mesmo é de emprego público: a estatal Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), do Ministério das Cidades, que tinha três diretorias, agora tem cinco. E deve chegar a seis.

Notícias de um abuso

A Radiobrás, que divulga ações do governo, não tem jornalistas em Minas, Bahia ou Ceará, mas nomeou correspondente em Buenos Aires o ex-presidente da estatal, Carlos Zarur. O espertalhão criou o cargo para ele mesmo, conforme a coluna já revelou. E o contribuinte paga a conta.

Gafes no Planalto
A tardia homenagem do presidente ao Dia da Mulher foi marcada por gafes. Primeiro, Lula esqueceu de citar a ministra Dilma Roussef. E a secretária de Políticas de Mulheres Emília Fernandes chamou de prefeita a governadora potiguar Wilma Faria, e errou o nome da prefeita de Maceió, Kátia Born.

Falta acordo
Continua o impasse na Delegacia do Trabalho do Rio. O atual delegado Luiz Edmundo Vieira é protegido do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), mas o ministro do Trabalho se opõe a sua permanência e o PT do Rio quer o cargo. O ministro José Dirceu exige ¿solução de consenso¿. Está difícil.

Ah, bom
A criação de número recorde de ministérios e de diretorias nas estatais deve ser o que o presidente Lula chama de ¿geração de empregos e renda¿.

Viva a bomba
Um grupo norte-coreano teve recepção inesperada, ontem, na Comissão de Defesa Nacional da Câmara. Os visitantes denunciaram a ameaça americana de atacar o país, e foram saudados pelo deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ), que cumprimentou a Coréia do Norte pelo seu programa nuclear:

- Só é respeitado no cenário internacional o país que tem bomba atômica.

Japa ao volante
Toma um susto quem entra no táxi Santana placa JES 0025, de Brasília: não, não é Luís Gushiken defendendo uns trocados nas horas vagas, mas um sósia perfeito. Só falta pintar de cinza os cabelos brancos para ficar igualzinho ao poderoso ministro de Comunicação de Governo.

Assim é fácil
O presidente do grupo Itaú Seguros, Luiz de Campos Salles, celebrou a lucratividade de 107% da seguradora, de R$ 311,6 milhões só em 2002. Um leitor do Rio Grande do Sul não se surpreendeu: ele quitou rigorosamente em dia todas as parcelas do seu carro, mas ao ocorrer um sinistro a apólice não foi honrada, obrigando-o a recorrer à Justiça para ressarcir o prejuízo.

Festa municipalista
Os quase dois mil prefeitos que participaram da Marcha em Defesa dos Municípios aqueceram o setor de serviços em Brasília, lotando hotéis, churrascarias e, sobretudo, boates. As garotas de vida difícil, que infestam a Esplanada dos Ministérios, não faturavam tanto desde a posse do governo.

Só para vips
Cliente da Fundação Cesp (fundo de pensão das empresas paulistas de energia), uma mulher não foi atendida no Hospital Sírio e Libanês, em São Paulo: não estava na ¿lista vip¿, constituída - segundo ela suspeita - de diretores da entidade, uma das maiores no setor de previdência privada.

Bem na foto
Foi idéia do próprio ministro Cristovam Buarque a visita que fez ontem à Comissão de Educação da Câmara. Deu certo: não deixou pergunta sem resposta e, no final, só ouviu elogios.

Bom e esta é a próxima capa da Time.





Nós já escrevemos aqui a respeito desse absurdo e aliás, hoje pela manhã, já anunciamos as contas no Banco do Brasil e na Caixa onde podem ser depositados os recursos. Agora quando esses recursos irão chegar e quem serão os beneficiados será outra conversa.

Cesar Giobbi
Quinta-feira, 13 de março de 2003


E a fome espera

Se os famintos brasileiros dependerem da velocidade do Fome Zero em se articular, vão morrer bem antes de receber a primeira colher de arroz...

Não é só o cheque de Gisele que está esperando por uma solução para ser depositado. Há uma oferta da Mastercard, levada por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, que ainda está aguardando um sim.

Imaginem que a empresa ofereceu, a custo zero, todos os cartões e máquinas leitoras de cartões para o programa do governo Lula. Uma doação. Trata-se de um novo tipo de cartão, de tecnologia nova, mais barato e de maior segurança. O Fome Zero estuda...

Diante da trapalhada do governo em administrar sua melhor idéia, os tucanos riem e caçoam dos petistas. Ao se encontrarem em Brasília, os primeiros dizem aos segundos: " O nosso Graziano era bem melhor que o de vocês..."




Joelmir Beting
Quinta-feira, 13 de março de 2003


Uma vida vale US$ 10?


Os contribuintes americanos vão pagar a conta da guerra com bolso, medo e sangue. O medo já está instalado no alarme laranja. O sangue ainda pode jorrar nas areias da antiga Mesopotâmia. Ou em alguma retaliação terrorista em Washington ou Nova York, de padrão 11 de setembro de 2001, o dia que ainda não terminou.

E o bolso? Ao tempo em que o governo Bush apresenta um orçamento nacional outra vez deficitário - e enfeitado por nova redução de impostos -, os gastos diretos e indiretos com a Defesa Nacional, vulgo Pentágono, avançam para mais de US$ 410 bilhões por ano-fiscal. Com reservas já soldadas de até US$ 94 bilhões para um segundo sopapo chipado pra lá de Bagdá.

Eis o custo socializado da guerra made in salão oval da Casa Branca de febre. Cada cidadão americano vai ter US$ 348 dos seus impostos desviados para o que o ex-presidente Jimmy Carter definiu segunda-feira, no The New York Times, como guerra sem causa, guerra injusta, guerra estúpida.

Eis que o professor Jeffrey Sachs, diretor do Centro de Desenvolvimento Internacional da Universidade de Harvard (presidida hoje pelo financista Larry Summers, ex-secretário do Tesouro), manda aviso aos navegantes da insensatez: esses mesmos US$ 348 per capita possibilitariam salvar da morte certa pelo menos 35 milhões de africanos de todas as idades - hoje condenados pela pandemia da aids, com sobras para a malária, a tuberculose e a inanição.

Será que uma vida humana não vale US$ 10? É o que se pergunta Jeffrey Sachs. Com adendo: "Milhões estão morrendo não porque a morte seja inevitável ou porque essas doenças não tenham cura. Elas simplesmente morrem porque não têm dinheiro para pagar remédios, médicos e clínicas em jovens Estados nacionais autodestroçados pela violência, pela corrupção e pela miséria."

Sachs bate ainda mais duro: "A triste verdade é que os africanos não faíscam nos radares da diplomacia americana. Afinal, eles não votam nos Estados Unidos nem compram produtos dos Estados Unidos."

Faltou dizer: famintos e enfermos não fazem revolução dentro de casa nem terrorismo fora dela; simplesmente, morrem de fome ou de doença, já dizia Madre Tereza de Calcutá. E a poucas horas de avião da riqueza global concentrada nos dois lados do Atlântico Norte.

Sachs não poupa o megabloco europeu. Feito Pilatos das mãos lavadas, líderes europeus jogam a decisão para uma ONU que nada decide e, quando decide, nada realiza. Que o diga o diplomata brasileiro José Maurício Bustani. Em abril do ano passado, ele foi removido, por ordem expressa de Washington, do cargo de diretor-geral da Organização para a Proibição das Armas Químicas, da ONU.

Por uma simples boa razão: ele se atreveu a ordenar a inspeção, não apenas de fábricas do "Eixo do Mal", mas também de fábricas americanas dentro e fora dos Estados Unidos.

SECOS & MOLHADOS


Exumação - Nos tratos e nos retratos da "pax americana" pós-guerra fria, Jeffrey Sachs convida-nos a repassar um dossiê chocante, publicado em 2001:

Late Victorian Holocausts (algo como Holocaustos do Período Victoriano Tardio), de autoria de Mike Davis, historiador inglês. Um tanto quanto ignorado pela mídia britânica, o livro continua produzindo constrangimentos políticos, éticos e morais.

Fatalismo - Seguinte: até o desmanche do colonialismo nos anos 50/70, Londres encarava a fome e a doença nas respectivas colônias como um fenômeno da natureza. A ordem era a da não-interferência nos "assuntos internos" das subnações subjugadas pelo Império. Exceção, claro, das brancas Austrália, Nova Zelândia e Canadá.

Nada mudou - Na reflexão de Jeffrey Sachs, as atuais bushadas da águia americana em nada diferem das antigas patadas do leão vitoriano. Por desígnios divinos, haveria povos e subpovos neste nosso vale de lágrimas.

Portanto, um mero retorno ao século 19.




E para que você vem até aqui, por acaso ou assiduamente, é minha esperança e meu desejo que tenhas uma tarde de rosas, mas sem os seus espinhos.

Quarto Motivo da Rosa

"Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verás, só de cinzas franzidas,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim."

Cecília Meireles




Como hoje é quinta-feira, está uma temperatura amena, conforme pode ser visto ai na página, e eu estou sem muito entusiasmo para olhar as noticias, prefiro ver outras coisas, e outros assuntos, que digam mais do que vai aqui dentro.E aqui dentro o que está a rolar é mais para poesias assim como esta abaixo. Porque ás vezes poemas querem dizer tanta coisa, outras não dizem nada, querem transformar letras mortas, apenas em vidas animadas e decompor frases tortas, em palavras certas ou erradas....

Poemas Tristes

Às vezes poemas querem dizer tanta coisa
Outras não dizem nada
Querem transformar letras mortas
Apenas em vida animada
Decompor frases tortas
Em palavra certa ou errada

Poesias são restos de sentimento
Cacos de liberdade ou coisa parecida
Fragmentos de dor e pensamento
Centelhas de emoção que querem ganhar vida.

Poetas são eternos sofredores
Podem ser mentirosos ou fingidores
Uns falam de alegrias outros de amores
Alguns tentam transformar o que está invisível
Em algo que tenha cores

E podem trazer a tona às lágrimas represadas
Do que se julga um insensível
Poemas podem falar de tudo
Ensinar a um cego o que é vazio
Põe palavras na boca de um mudo
Sopra frases aos ouvidos de um surdo

Mas eu gosto de escrever poemas tristes
Cada verso é uma batida do meu coração
As palavras são como reflexos do meu olhar
São lugares onde me perco para poder achar
A dor de viver aflora nas frases desse poema emoção

Se alguém algum dia quiser saber por onde andei
Ou quem eu fui
Que leia os meus versos
Porque foi neles onde fui mais feliz onde mais amei
Nos meus versos sou mais do que poderia ser
Quero aqui para sempre poder viver.

Ser poeta é transformar a própria vida em poesia
Os dias são os versos
As horas são as frases
As palavras são o agora
Ser poeta é viver amando o que não pode ser amado
É sentir saudade de algo que ainda não aconteceu
É chorar até a ultima lágrima
É sorrir até o ultimo sorriso

Todos nós somos poetas
Porque todos nós amamos
Uma partícula de mim está dentro de você
Eu e você no mesmo coração...
Por André Luis




Bom pelo menos já existem contas correntes onde possam ser depositados o dinheiro de quem quiser fazer doações ao Programa Fome Zero. Espero que depositem agora o cheque da nossa querida Gisele e não deixem-no nofundo de uma gaveta, como foi noticiado.

Agora, ainda cho que deveriam ser abertas poupanças, pois do jeito que a coisa vai, o dinheiro pelo menos poderia ir sendo corrigido. Senão não muda muito, sair de uma gaveta e ir para uma conta que não rende nada. Evidente que o obejtivo não é obter ganhos, mas pelo menos assegurar o poder de compra dos recursos.


CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 13 DE MARÇO DE 2003

FOME ZERO

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal já estão recebendo os depósitos em conta corrente para doações ao Programa Fome Zero. O número da conta do Banco do Brasil é 1002003-6, agência 1607-1. As doações também podem ser feitas pela Internet. Na Caixa, o número da agência é 0647, conta nº 2003-3, operação 006.




Bom seguindo esta tendência este custo logo, logo aparecerá, quem sabe, isentado de quem efetivamente comprar em alguma loja. Porque hoje não sei qual o percentual de gente que gasta alguma coisa no Shopping, mas a maioria vai mesmo para olhar que ainda não paga e usufruir do ar condicionado, economizando o seu de casa, não é verdade?

Paulo Sant'ana
13/03/2003


Ingresso pago no shopping

Não sei de quem foi a idéia, mas se trata da mais criativa (e lucrativa) invenção dos tempos modernos: o shopping center.

Não há praticamente nada que alguém tenha de fazer fora de casa que não exista no shopping center.

Passou a ser tão obrigatória a ida das pessoas aos shoppings que muito em breve, escrevam o que vou afirmar agora, mais tarde me cobrem, os shoppings centers irão cobrar entrada de seus freqüentadores.

Sob certo aspecto, isto já está acontecendo com a cobrança de estacionamento nos shoppings. Ninguém podia imaginar que se fosse cobrar para estacionar o carro de quem vai comprar nas lojas, mas foi imposto o pagamento do estacionamento e todo mundo acha isso natural.

Há no entanto um público que freqüenta o shopping que está isento de qualquer pagamento. Por enquanto. São os pedestres, quem não vai de carro ao shopping.

É que nesta lógica capitalista de que por qualquer serviço há que ser cobrada uma taxa, pela qual toda a comodidade tem um custo, que tem de ser ressarcido pelo usuário, vai acabar ficando insuportável aos shoppings não cobrar entrada dos pedestres. É que os shoppings gastam quantias enormes com ar condicionado, higiene e limpeza de suas instalações e segurança, o mesmo nexo que tornou natural a cobrança do estacionamento se faz presente na relação do shopping com os pedestres.

Tem um custo que multidões acorram aos banheiros dos shoppings, sempre muito limpos e confortáveis. E tem um custo que estas mesmas multidões vão se refugiar no interior dos shoppings para fugir da insegurança das ruas.

Ou seja, se custa caro a todas as pessoas a segurança pública, através dos impostos, sendo precária essa contraprestação do poder público, que não garante nas ruas segurança às pessoas, tão ou mais caro custa aos shoppings a segurança que eles emprestam aos seus freqüentadores.

Eu garanto assim que muito em breve os shoppings vão cobrar das pessoas que ingressarem neles uma taxa, que os remunerará pelo ar condicionado, pela limpeza de seus corredores, pela segurança máxima que prestam ao público que neles ingressa e até mesmo pelo lazer que significa um passeio pelo shopping, lugar que aos poucos vai acabar substituindo as ruas, os parques e os demais logradouros, onde se usufruía antigamente a paisagem humana, mas que aos poucos, desde muito tempo, se tornaram locais absolutamente inseguros.

Isto é muito difícil de entender mas é muito lógico: na marcha que vai, se não cobrarem entradas nos shoppings, eles deixarão de ser seguros, confortáveis e higiênicos.

É apenas uma profecia. Anotem aí.

A síntese do equívoco e do marasmo tático de Tite no Grêmio é a seguinte: afora o Diego do Inter, agora a fulgurante promessa, o melhor jogador do futebol gaúcho é o Tinga.

Erradamente, Tite tornou o Tinga num protetor dos zagueiros, no máximo um articulador defensivo que não passa do meio-campo.

Isso é o desperdício mais gritante do futebol. Com sua criatividade, Tinga tinha de ser o terceiro atacante. O que ele ia fazer de gols e servir seus companheiros de gols não é difícil de imaginar.

O Tinga jogando durante dois anos só na metade de campo gremista é como gastar pólvora em chimango.

É deplorável e revelador que o Tite não perceba isso.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Interessante este didcionário eletrônico do Nilson, também gostaria de ter um aqui no meu micro, ele só não diz como fazer para obtê-lo e então poder usufruir dessa maravilha.

Nilson Souza
13/03/2003


O Aurelião do bem

Tem um dicionário na tela do meu computador. Invenção maravilhosa essa: basta dar um ou dois cliques e as palavras se revelam em todos os seus sentidos. Parece mágica. Você está lendo ou escrevendo um texto e depara com a dúvida. A língua portuguesa é cheia de dúvidas. Em vez de sair perguntando por aí, ou de recorrer ao volumoso amansa-burros de papel, que pesa uma tonelada, é só provocar o senhor Aurélio iconizado que ele responde prontamente.

Só isso já me parecia a oitava maravilha do mundo, mas outro dia um colega fez a descoberta que me deixou estupefato (pasmado, assombrado, atônito). O tal dicionário manda mensagens edificantes. Toda vez que se faz uma consulta, ele abre a sua página com uma palavra em destaque - e é sempre uma palavra de entusiasmo, de otimismo, que expressa alguma coisa positiva.

Olhem só alguns exemplos que capturei ao acaso: estima, paciência, saúde, solidariedade, afeição, amizade, harmonia, arte, alegria, amor, perseverança. Percebam que não são termos escolhidos por mim. Abro o dicionário e a palavrinha aparece na tela, com o seu significado e a sua mensagem subliminar.

O que mais me impressiona é que alguém bolou isso. Imagino que tenha sido um desses jovens que sabem tudo de informática - e isso me deixa extremamente aliviado, pois acabei de ler no jornal um diálogo de boçalidades (estupidez, rudeza, grosseria) retirado de uma sala de bate-papo de Internet. Na conversa repleta de gírias e analfabetices (se me permitem usar um termo que não está dicionarizado), os garotos trocam ofensas, ameaças e revelam total insensibilidade em relação ao incidente que resultou na morte de outro jovem, em Porto Alegre.

Gostaria de emprestar-lhes o meu Aurelião eletrônico, que abro mais uma vez agora para captar a mensagem final desta crônica- e ele não me decepciona: tolerância.

Espero que um dia os garotos brigões descubram o significado dessa palavra.
nilson.souza@zerohora.com.br






Luis Fernando Verissimo
13/03/2003


Duplas

Alguém, algum dia, deveria fazer um estudo aprofundado sobre o Amigo do Herói, aquela figura que, desde Sancho Panza, atravessa as narrativas do Ocidente em várias formas, mas com certas características reincidentes. Ele é sempre um suberói, inferior, de algum jeito, ao herói. Ou é seu criado (Sancho escudeiro de Don Quixote, o negro enorme que fazia o trabalho braçal para o Mandrake e se chamava como?), ou é seu parceiro mas mais "primitivo" (Tonto com relação ao Zorro), mais burro ou ingênuo (o Magro, Jerry Lewis, Bud Abbot - ou o gordinho era o Lou Costelo?), mais adolescente (Robin, o "Centelha" companheiro do "Tocha Humana") etc.

Nos velhos filmes de caubói sempre havia o gozadão amigo do mocinho. O que representa a figura? É o sucedâneo do amigo imaginário que muitos têm na infância, existe apenas como um contraste para realçar as virtudes do herói ou uma platéia sempre pronta para adorá-lo, seria o lado humano, falível ou ridículo do herói transposto para outro, ou ali tem coisa e - segundo a moda de análises mais recente - todas são claramente relações homossexuais disfarçadas?

A coabitação de Sherlock Holmes e Watson sobreviveu à Era Vitoriana e Edwardiana sem levantar suspeitas, mas não resistiu ao psicologismo moderno, o mesmo que questionou o número de vezes em que o Gordo e o Magro apareciam na mesma cama e acabou com a inocência no mundo, e dizem que falta pouco para o Batman e o Robin assumirem. Enfim, respostas com quem se animar a fazer o estudo aprofundado.

Uma vez o Walmor Chagas me pediu uma peça para ele e o Italo Rossi e inventei uma história em que, por algum artifício teatral que não lembro mais, duplas famosas se misturavam em cena. Sherlock Holmes aprendendo a viver com "Centelha" ("Acenda meu cachimbo, sim, rapaz?"), Watson se esforçando para acompanhar o ritmo de Batman ("Meu velho, será que não tem um calçãozinho um pouco maior?"), Sancho Panza se convencendo de que em matéria de patrões estranhos o "Tocha Humana" deixava Don Quixote longe, Robin tentando inutilmente mobilizar o Gordo para a luta contra o Mal, Tonto perdendo a paciência com Madrake ("Cara-pálida tira cigarro aceso do ouvido de Tonto mais uma vez, leva bordoada"), Don Quixote e Dean Martin não encontrando assunto... Como as combinações eram improváveis, a peça também tinha o Marquês de Sade recebendo herr Sacher-Masoch em casa e sendo um anfitrião perfeito, inclusive derramando o chá fervendo no seu pulso em vez de na sua xícara.

No dia 26 deste mês começam as escavações no terreno onde será construído o Multipalco, extensão do Theatro São Pedro. Para ninguém se sentir excluído do acontecimento, a dona Eva venderá pás aos convidados da solenidade, que começa às 19h, e os porá a trabalhar. Antes, às 18h30min, será inaugurada, no teatro, uma placa em homenagem ao José Lewgoy. Vai ser um dia emocionante.


Futebol
Tite usa quatro atacantes para voltar a vencer



Pressionado por maus resultados (uma vitória em sete jogos), técnico (foto) monta um Grêmio ofensivo para enfrentar o Bolívar às 20h10min de hoje, no Olímpico (foto Mauro Vieira/ZH)


Quarta-feira, Março 12, 2003




Que guerra é esta?

Guerra é uma coisa complexa, envolvendo lutas pelo poder, por terras, por petróleo... Nem sempre há a certeza de quem é o mocinho e o bandido, caso do conflito entre o Iraque e os Estados Unidos. Para esclarecer dúvidas, conhecer as diversas opiniões sobre o embate, descobrir quem são os envolvidos e ainda participar das lutas pela paz, você pode dar uma olhada na seleção de sites sobre a guerra que a gente pesquisou.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/pulltogether/s_iraque.shtml

http://www.uruklink.net/iraq/

http://www.uruklink.net/mofa/epage.htm

http://www.uruklink.net/iraqinfo/eindex.htm

http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2002/iraque

http://terrorismo.embaixada-americana.org.br

http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/guerras_eua/index.html

http://www.energiatomica.hpg.ig.com.br

http://usinfo.state.gov

http://www.desarme.org/

http://www.indymedia.org/

http://www.hrw.org/us/index.php

http://www.votenowar.org/pr/

http://resistir.info/

http://members.cox.net/stopthewar/Portuguese.htm

http://greenpeace.terra.com.br/nowar/hipocrisia.asp




José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! Rubinho faz curva quadrada!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa. Socorro! Essa não! Rubinho erra na curva, roda e bate no muro! Precisa ser muito piloto pra conseguir fazer tudo isso! Só tem uma explicação: ele usa o capacete ao contrário! E devia ser piloto de enceradeira!

E ainda confessa que tava distraído. Distraído? Então não dá nem pra ser manobrista. Já imaginou o Rubinho como manobrista? Ele pega as chaves do seu carrão, se distrai e BATE NO MURO! Então não é mais escudeiro, é mureiro! O Rubinho é a maior prova de que não se deve dirigir e falar ao celular ao mesmo tempo. E o Galvão Bueno? O Galvão grita mais que viúva tirando atraso de sete anos! Rarará!

Buemba 2! Duas notícias abalaram o planeta! Essa vem de Belo Horizonte: 'Homem mata a sogra com pingüim de geladeira'. E essa outra: 'Seio de modelo explode'. A modelo inglesa Alicia Duvall, 24, quase morre: uma das próteses de silicone de seu peito explodiu. Isso mesmo: explodiu. É o PEITO-BOMBA! Rarará!

Já temos o homem-bomba, a mulher-bomba, o sapato-bomba, o supositório-bomba e agora o peito-bomba! E diz que a ONU perguntou ao Colin Powell: 'Como é que vocês têm tanta certeza de que o Iraque possui armas de destruição em massa?'. 'Nós guardamos os recibos', respondeu o Powell! E a guerra tá marcada pro dia 17 de março: segunda-feira! Só podia ser! Rarará!
Buemba 3! Seqüelas carnavalescas.

Um telerrepórter perguntou para uma gostosa na avenida: 'O que você faz pra ficar com esse bundão?'. 'Ah, eu malho bastante e a minha família sempre teve bunda grande, é genérico.' Bundão genérico? Novidade no mercado! E o cara do 'Cidade Alerta': 'Caiu um Mirage da FAB no Mato Grosso, mas o piloto se salvou porque ele acionou o assento injetável'. ASSENTO INJETÁVEL? Já sei: o piloto tomou uma injeção na bunda! Rarará!

E no último fim de semana comemoraram o Dia Internacional da Mulher. O Dia Internacional das Periquitas! Só que eu acho que o Dia Internacional da Mulher devia ser de noite. Rarará!

E eu perguntei prum amigo como ele comemorou o Dia da Mulher. 'Comendo a própria.' E um primo me disse que comemorou o Dia da Mulher arrumando outra! E uma amiga comemorou o Dia da Mulher fazendo um strip-tease pro marido. Pro marido da vizinha! E diz que em San Francisco tem tanta sapata que elas comemoram o Dia Internacional da MINHA Mulher.
Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar