E N T R E L A Ç O S

Front page


Archive

Voces encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Comentários de Livros, revistas e de jornais que já li e que por julgá-los interessantes postarei aqui, espero, todos os dias para que você sempre tenha algo que lhe facilite no seu dia a dia ou nas suas atividades. Se ele cumprir parte desses objetivos, estarei feliz por ter podido repartir essas conquistas. Email: cassiano.leonel@terra.com.br http://www.giffs.hpg.ig.com.br/


-> Blogs que eu visito <-

->Spiritusnet<-
->Adesivo<-
->Kelly Coimbra<-
->M_Storm<-
->Meu irmão<-
->Metade mim<-
->Maravilhoso<-
->Os Garotos da Bela vista<-
->Andrea Tedeschi<-
->Superzap<-
->Letras & Mids<-
->Eu hein<-
->Gravataí Merengue<-
->Gifs Animadas<-
->Tuz entre o céu e a terra<-
->MELGAMA<-
->LeandroMattoso<-


This is my blogchalk:
Brazil, RS, Porto Alegre, Santana, Portuguese, Spanish, Cassiano Leonel Drum, Male,Internete, Bancos.

Aprenda Java Script



Tempo de Acesso

Você está aqui a:


Sábado, Março 22, 2003

Posted 11:13 PM by Cassiano Leonel Drum

Posted 9:54 PM by Cassiano Leonel Drum


Paulo Sant'ana
23/03/2003


Desespero por não ser criança

De um lado, a casca de laranja é da cor laranja. Do outro lado, a casca de laranja é de cor branca.

Por isso é que na minha infância alguém inventou o jogo do bambá. Consistia em quatro rodelas de cascas de laranja que eram atiradas para cima por nós, os meninos contendores.

Sorte era quando caíam no chão duas rodelas brancas e duas rodelas laranjas. Ou quatro brancas. Ou quatro laranjas. Ganhava-se a parada.

Perdia-se o jogo quando caíam no chão três rodelas brancas ou três rodelas laranjas.

Passei a infância toda jogando bambá.

Quando não era bambá, era bola de gude. Não havia maior felicidade que se ir dormir com um saquinho cheio de bolas de vidro, algumas tipo gasosas, outras, dizem que vindas da Argentina, com largas manchas leitosas, eram mais valorizadas, outras ainda bolões ou temíveis bolinhas de aço.

O saco cheio de bolitas era garantia de que no dia seguinte haveria disputa às ganhas nos jogos em triângulos ou círculos que se desenhavam no chão.

Havia meninos com enorme destreza, eram os que "pelavam" os outros no jogo, tomando-lhes todas as bolinhas.

Dia de imensa tristeza e até de lágrimas quando se perdiam todas as bolitas no jogo, como arrumar dinheiro para comprar outras?

Quando não era bola de gude, era bilboquê. Uma bola de madeira amarrada por um cordão a um bastonete. A técnica consistia em enfiar o bastonete no furo da bola, depois de impulsioná-la para cima.

Eram horas e horas nesse exercício atraente de destreza. Os meninos e meninas mais apurados na arte inventavam mágicos regalitos.

Eu não era do grupo dos que empunhavam os bodoques, as fundas, com que matavam passarinhos ou testavam suas pontarias em alvos inanimados.

Eu era do grupo da pelada com bola de meia. Bola de couro, nem pensar: custava uma fortuna. Até as bolas de borracha eram de difícil aquisição.

O jeito então era a bola de meia, feita com essas longas meias de seda femininas, que enchíamos de pano e de papel e depois as costurávamos.

Horas e horas, meses e meses, anos e anos consumíamos as nossas vidas nas peladas com bolas de meia nos gramados que eram fartos e vastos, antes da fúria imobiliária.

De longe, víamos as meninas brincando de roda e com bonecas. Quando não dava número para a pelada ou para a bola de gude, o jeito era ingressar nas matas do Morro da Polícia para colher amoras, goiabas, araçás e romãs.

Vendo na televisão esses estúpidos bombardeios sobre Bagdá, não compreendo como a vida não consiste na eterna infância, um tempo de devaneios e de sonhos em que se ia dormir obrigado pelos pais, mas cheio de ânsia para que raiasse o sol e se fosse gastar o dia com a felicidade inefável dos jogos e das brincadeiras.

Como era bom ser criança, sem passar pela cabeça o futuro. E sem viver agora esse presente aterrorizante da guerra. E de desemprego e inflação.

Que delícia ser criança! Que saudade de ser criança!
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Posted 9:47 PM by Cassiano Leonel Drum


Moacyr Scliar
23/03/2003


Filme e realidade

Como o bifronte deus Jano, os americanos têm duas faces. Uma é a face ameaçadora, a face com que tempos convivido nos últimos meses, face belicosa, agressiva. A outra é a face amável, a face que encontra no cinema a sua expressão e que é celebrada na entrega do Oscar. Arte originariamente francesa (mas que nem por isso banida, como aconteceu recentemente com os croissants), a cinematografia encontrou nos Estados Unidos seu lar, graças a uma combinação de espírito inovador, de tecnologia avançada, e de faro para descobrir aquilo de que o público gosta. Disto os concorrentes deste ano são uma amostra significativa, como muita gente aqui já pôde constatar: uma das compensações para quem fica em Porto Alegre no mês de fevereiro é assistir aos filmes do Oscar com a maior tranqüilidade.

Os cinco concorrentes a melhor filme são todos boas obras, mas, como também é a regra no Oscar, não excepcionais. Dificilmente a premiação irá para alguma película inovadora, revolucionária; o que predomina é o gosto da maioria, e a maioria tem aplaudido Chicago, Gangues de Nova York, As Horas, O Senhor dos Anéis (As Duas Torres) e O Pianista. Esses filmes têm, contudo, algum detalhe que os diferencia de seus precursores. O Pianista aborda o tema do Holocausto, como muitas obras já o fizeram, mas concentra-se no drama pessoal do protagonista. As Horas consegue, através de uma tríplice narrativa, captar o espírito de Virginia Woolf e mostrar como sua obra retrata a condição feminina.

(Que deveria, no entanto, excluir o nariz de Nicole Kidman - provavelmente um dos maiores erros de cálculo na história do cinema: o filme passou a girar em torno a essa prótese. O escritor russo Gogol escreveu um conto chamado O Nariz em que esta parte da anatomia transforma-se num ser autônomo; o mesmo acontece aqui.)

Chicago recupera um gênero autenticamente americano, como foi o faroeste, o que lhe dá grandes chances. Musical é uma coisa que os americanos realmente sabem fazer. Mais musicais, menos guerra, não seria uma má idéia. Uma idéia capaz de merecer até um Oscar.

Diário de Bordo

Cultura em alta - Como sabemos, o ano começa em março - e o ano cultural começou, em Porto Alegre, em grande estilo. Primeiro foi a inauguração do espaço do Instituto Moreira Salles, no Shopping Bourbon Country, com a bela exposição de fotografias de Cristiano Mascaro (que tem uma visão insólita da arquitetura gaúcha). Foi uma celebração, magistralmente conduzida por Antonio De Franceschi, brilhante intelectual e superintendente executivo do IMS. Aliás, o Bourbon Country vai se transformar em pólo da cultura; além do espaço mencionado, e dos excelentes cinemas, teremos, ao lado, a Livraria Cultura, que já é um "must" para quem vai a São Paulo.

Pedro Herz, um dos melhores livreiros deste país, está entusiasmado com o projeto que é, vocês verão, realmente inovador. A inauguração é no dia 7 de abril. Não percam. ¿ Já no dia 14 a Ospa voltou à atividade agora regida pelo maestro Isaac Karabtchevsky. Na presidência está de novo Ivo Nesralla, cuja paixão pela música acompanho desde o tempo em que éramos ambos estudantes universitários. ¿ Começam no dia 26, às 19h as obras do Multipalco Theatro São Pedro. Será apresentado um multimídia de Néstor Monasterio baseado em Romeu e Julieta. A entrada é franca, mas espera-se que o público compre (por R$ 10) uma das minipás oferecidas pela Tramontina.

O evento estará sendo, como sempre, capitaneado por dona Eva Sopher, em quem Brecht veria uma legítima herdeira da Mãe-Coragem. ¿ Neste fim de semana começa a série da RBS TV A Ferro e Fogo, cujo título é baseado em uma obra do saudoso Josué Guimarães. Lembro de Josué comentando com entusiasmo o seu texto. Ele era, como Erico Verissimo, um grande narrador, destes que dão ao leitor (e agora ao telespectador) o prazer e a emoção da história. E, o que é mais importante, história do Rio Grande. ¿ Aquele "marasmo cultural" de que falava o Iberê Camargo, pelo jeito acabou.

Nomes - Inesgotável, a lista dos nomes que condicionam destinos.. A Camila Saccomori, aqui de ZH, e a Cristina Pescador, de Caxias, trazem ambos o mesmo fantástico nome: trata-se do autor de Sexos Trocados, e que se chama John Colapinto. Por este sobrenome vocês já sabem como se faz para trocar o sexo: é só colar. A Camila sacou bem, e a Cristina também pescou bem... ¿ O Felinto Santos diz que em Novo Hamburgo há um administrador rodoviário que se chama Ronaldo Estrada. Tenho certeza de que o Ronaldo brilha na estrada. ¿ O Mauro Duarte diz que o comandante das tropas americanas na França, à época da primeira guerra, era o General French. Com a atual hostilidade dos americanos em relação à França, Mauro, esse general já estaria na reserva.
scliar@zerohora.com.br

Posted 9:42 PM by Cassiano Leonel Drum


Martha Medeiros
23/03/2003



Casa Pueblo

Digamos que você está a fim de viajar para fora do país mas não tem dinheiro suficiente para ir muito longe. Que você sonha em conhecer a Grécia, mas gostaria de poder ir de carro. Que deseja estar numa cidade com beleza, limpeza e segurança de nível internacional, mas só tem um feriadão pra fazer isso. Olha que sortudos que nós, gaúchos, somos: Punta del Este é aqui do lado.

Punta tem um mistério: os 700 quilômetros que a separam de Porto Alegre parecem mais curtos do que os 450 quilômetros que separam Porto Alegre de Florianópolis. Claro, a BR-101 tem tudo a ver com isso. Ir para Santa Catarina provoca um desgaste emocional que torna a viagem muito mais exaustiva. A ida até Punta só é ligeiramente tensa até Pelotas, que é a parte mais movimentada da viagem.

Depois é sopa no mel. Hoje em dia, falou Punta, pensou Conrad, o hotel-cassino que hospeda as celebridades que saem na revista Caras. Com todo o respeito que o Conrad merece, Punta é muito mais simples, e portanto muito mais sofisticada, do que essa versão Las Vegas que a imprensa às vezes privilegia. Estive lá no feriado de Carnaval e fiz um dos programas mais bacanas da cidade, ao menos para meu critério: fui visitar a Casapueblo, que abriga o museu e o ateliê do artista plástico Carlos Paez Vilaró.

Me senti em vários lugares ao mesmo tempo. Por fora, a Casapueblo parece uma construção de Gaudí, o famoso arquiteto catalão. Localizada à beira de um penhasco em frente ao mar, me senti também na ilha grega de Santorini, o branco e o azul parecendo as únicas cores do mundo. Ao contemplar os quadros de Vilaró, me senti na Espanha, tal a influência de Picasso em sua obra. E ao participar do ritual de despedida do sol, voltei pra dentro de mim.

É um ritual que se repete todos os dias do ano, quando o sol se põe. As pessoas se reúnem num dos terraços da Casapueblo e, enquanto tomam alguma coisa (um clericot, uma cerveja, um suco, um cálice de champanhe, o que o bolso permitir), assistem ao sol se pôr enquanto escutam pelo alto-falante um poema declamado na voz do artista, em que ele fala da importância do sol, de como aquele sol está indo embora porque precisa iluminar um novo dia dooutro lado do mundo, e de como ele já aqueceu as tardes de pessoas que já não estão entre nós e etc e tal. Piegas?

É. Pôr-do-sol é uma coisa meio cafona, se a gente for pensar bem. Mas vou dizer uma coisa: provoca uma calma rara na gente, uma sensação de que as coisas realmente importantes são duas ou três. E certamente as maquininhas caça-níqueis do Conrad não estão entre elas.
martha.medeiros@zerohora.com.br

Posted 9:38 PM by Cassiano Leonel Drum


Luis Fernando Verissimo
23/03/2003


Conhecer o Aurelinho
Eles viajaram no mesmo avião, lado a lado. Não se falaram. Nem se tocaram, fora uma leve cotovelada, involuntária, na hora de cortar o bife.

Desculpe.

Tudo bem.

Só. Nem mais uma palavra. Ela olhando para a frente o tempo todo, ele olhando pela janelinha, espiando a revista de bordo, tentando dormir. Ela pensando no que a esperava, o enterro da tia Chica, pobre da tia Chica, o encontro com os primos que mal conhecia, a chateação. Tinha boas recordações da tia Chica, única irmã do seu pai, mas não a via há muitos anos. Se obrigara a ir ao enterro em memória do pai. Pobre da tia Chica. Papai a adorava. Mas ia ser uma chateação. Como era mesmo o nome dos primos? Tinha um Saul. Sabia que tinha um Saul. Mas e os outros?

Também ficaram juntos na fila do táxi, sem se falarem. Ele tinha mais ou menos a sua idade. Quarenta e tantos, cinqüenta. Uma boa cara, apesar da expressão triste. Por que será que nem me olha? Eu não estou tão acabada assim. Ou estou? Preciso dar um jeito nesta cara. Botox não, Deus me livre. Mas preciso dar um jeito. Na minha cara, na minha vida, na...

Pegue esse você.

Mas você está na minha frente.

Não, tudo bem. Eu pego o outro.

Obrigada

O primo Saul a abraçou e a chamou de Cris. Agradeceu por ela ter vindo. A mãe falava muito nela. Sempre dizia ''é uma pena vocês não conviverem mais com a prima Cristina, com a filha do Paulo". É uma pessoa adorável. Desde pequeninha, uma menina adorável. Ela ia gostar muito de saber que você veio, Cris, disse Saul. Ninguém a chamava de Cris. O Saul era gordo e estava com os olhos vermelhos. Levou-a para cumprimentar o resto da família. Ela estava no meio de um círculo de primos lacrimejantes, tentando lembrar seus nomes, quando viu o homem entrar. Seu vizinho do avião. Ele também sorriu ao reconhecê-la.

Coincidência.

Pois é.

Você é...

Cristina, sobrinha da tia Chica.

Cristina?!

Ela estranhou. Por que aquela surpresa? O rosto dele parecia ter se inundado de prazer.

Eu sou o Aurélio. Aurelinho. A sua tia Chica vivia...

Claro! A tia Chica vivia dizendo que eles precisavam se conhecer. Aquilo até virara uma brincadeira na família. A Cristina e o Aurelinho da dona Marta eram feitos um para o outro, segundo a tia Chica. Só precisavam se conhecer. Mas nunca se encontravam, por mais que a tia Chica tentasse aproximá-los. O pai de Cristina repreendia a irmã: "Não tente fazer o papel do destino, Chica. Um dia eles vão se encontrar". E o encontro nunca se dera.

Quando a Cristina vinha passar as férias no Sul, o Aurelinho estava na praia. Na vez em que o Aurélio, já homem feito, fora ao Rio com ordens da tia Chica para procurar a Cristina, alguma coisa acontecera. Uma inundação ou uma revolução. Não tinham se encontrado. Anos depois, quando o Paulo se queixava para irmã de que a filha não se acertava com ninguém, a tia Chica sentenciava: "É porque ela não conheceu o Aurelinho". Conhecer o Aurelinho se transformara num adágio familiar, significando acertar a vida. E agora ali estava ele. O Aurelinho da dona Marta, em pessoa, radiante no meio do velório por ter finalmente encontrado a Cristina do seu Paulo.

Você também mora no Rio.

É.

A sua mãe, a dona Marta...

Faleceu.

Mm.

Não conversaram muito mais do que isso durante o velório, e se perderam um do outro depois do enterro. Mas descobriram que estavam no mesmo hotel - e em quartos contíguos! Naquela noite, eram as únicas duas pessoas no bar do hotel, e no dia seguinte as únicas duas no café da manhã. Trocaram reminiscências da tia Chica, riram bastante, ele contou que também não era casado e que nunca se acertara com ninguém. Foram para o aeroporto no mesmo táxi, mas só quando se viram outra vez sentados lado a lado no mesmo vôo foi que Cristina perguntou:

Você não acha tudo isto coincidência demais, não?

Você quer dizer que...

Que a tia Chica pode estar orquestrando tudo.

Lá de cima?

Sei lá. Ela pode estar, finalmente, em posição de determinar nosso destino. E está puxando as cordinhas.

Será?

Quando chegaram no Rio, marcaram um jantar num restaurante para aquela noite mesmo. Coincidência ou não, o fato era que o encontro tão desejado pela tia Chica finalmente acontecera. Mas quando entrou no seu apartamento e olhou em volta, as suas coisas desorganizadas como ela queria, aquele cenário de resignação confortável e boa solidão, tudo que ela teria que desalojar para acomodar o destino, Cristina pensou: não vou. Desculpe, Aurelinho, mas não vou. E pensou: boa tentativa, tia Chica. Mas tarde demais.

Posted 9:32 PM by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
No rumo de Bagdá



Quase sem enfrentar resistência, comboios com centenas de caminhões e blindados já haviam avançado até a noite mais de 150 quilômetros em direção à capital do país

A coluna de 2 mil blindados e caminhões dos EUA que cruza o deserto e se aproxima da cidade lança a Guerra do Iraque em uma fase repleta de incógnitas, entre as quais a estratégia para a conquista da capital

Posted 8:10 PM by Cassiano Leonel Drum



A guerra ao alcance de todos
Com a ofensiva americana para depor Saddam, telespectadores de todo o mundo acompanham ao vivo a trituração de Bagdá por mísseis guiados por satélite
Jaime Klintowitz

Os Estados Unidos prometeram triturar o Exército iraquiano e depor Saddam Hussein com uma ofensiva rápida e furiosa ¿ estratégia militar conhecida por seu nome alemão, Blitzkrieg. A expressão, que traz à memória o rolo compressor dos tanques nazistas no fim dos anos 30, é a única velharia nesta guerra. O conflito, em que só na sexta-feira passada foram despejadas centenas de mísseis sobre Bagdá, é de um tipo novo na história da humanidade. Em primeiro lugar, trata-se de uma guerra que os americanos chamam de "preventiva", aquela na qual se mata o adversário na expectativa de que ele, mais cedo ou mais tarde, tentaria nos aplicar algum golpe sujo. Uma segunda característica desta guerra é que ela deixa boa parte do trabalho pesado por conta de equipamentos high-tech e do poderio aéreo, o que diminui drasticamente o risco de baixas nas forças atacantes. Mísseis e bombas guiados pela rede de satélites em órbita permitem que os bombardeios sejam limitados aos alvos estratégicos e militares. Um míssil orientado por informações de computador e por satélites tem margem de erro do alvo inferior a 1 metro. Ou seja, não erra. Com isso é possível reduzir o número de civis mortos. "O ponto é que nós não devemos atacar tudo nem precisamos destruir tudo", explicou o coronel Gary Crowder, comandante da Força Aérea americana. "Bagdá não vai parecer Dresden." A cidade alemã citada pelo coronel foi arrasada até os alicerces pela aviação aliada no fim da II Guerra.

Posted 12:22 PM by Cassiano Leonel Drum


CINEMA

Durval Discos: lado A e lado B

Durval Discos (Brasil, 2003. A partir de sexta-feira em São Paulo e Porto Alegre) Na concepção da diretora Anna Muylaert, esse é um filme com lado A e lado B, como os discos de vinil que o Durval do título vende em sua loja. No lado A, fica a comédia de costumes. Durval (Ary França) e sua mãe, Carmita (Etty Fraser), moram e trabalham, sozinhos e solitários, numa casa em São Paulo.

Ele estacionou na adolescência, e ela está entrando na senilidade razão pela qual o filho a convence a contratar uma empregada. Chega Célia (Letícia Sabatella), que some logo na primeira noite, deixando em seu lugar uma menina, com um bilhete em que pede aos patrões para cuidar de Kiki, sua filha, por dois dias. Aí o filme dá sua virada. Já apaixonados pela menina, a única coisa viva em sua rotina, mãe e filho descobrem pelo noticiário que Kiki não é exatamente filha de Célia.

Mas não conseguem abrir mão dela. Quanto mais adiam a decisão de entregá-la à polícia, mais fundo atolam no drama. Esse lado B de Durval Discos dá seus pulos, mas eles não chegam a diminuir o interesse do filme. Há que destacar ainda a criatividade visual da diretora e as boas atuações de França e Etty, que somam para uma produção de tom bem mais pessoal do que é norma no cinema brasileiro recente.

Posted 12:15 PM by Cassiano Leonel Drum


Diogo Mainardi
Revista Veja


Lula lá. Mas lá onde?
"Não dá para julgar o desempenho de um presidente em três meses. Porém dá para julgar seus discursos.
Leio todos os discursos de Lula. Não entendo uma palavra"

Cheguei em terceiro lugar numa enquete sobre o jornalista que mais torce contra o governo Lula. Como assim? Só terceiro? Tem tanta gente percebendo a enrascada em que nos metemos que, daqui a pouco, corro o risco de ser considerado um governista.

Não dá para julgar o desempenho de um presidente em menos de três meses. Porém dá para julgar seus discursos. Leio todos os discursos de Lula no site da Radiobrás. Não entendo uma palavra. Exemplo: "Acho que o meu papel é afirmar que a maior preocupação que o ser humano possa ter é que nós vamos mudar este país". O que significa? Que seu papel é mudar o país? Ou que seu papel é apenas afirmar que vai mudar o país? E o que isso tem a ver com a maior preocupação do ser humano?

Na primeira reunião do Conselho de Segurança Alimentar, Lula disse que, "muitas vezes, a gente não consegue nem detectar o faminto e se aqueles que estão comendo, estão comendo as calorias necessárias a uma qualidade de vida humana que as pessoas têm que ter". O que ele quis insinuar com "vida humana"? Que um faminto pode ser visto como uma vida animal? Uma vida vegetal? Até para elogiar seus ministros Lula é ambíguo: "Eu acho que o Furlan e o Roberto Rodrigues estão para o Brasil como pessoas da melhor qualidade". Ou seja, é possível que, em termos absolutos, eles não sejam da melhor qualidade, mas ao menos são o máximo que o Brasil pode oferecer.

Quando não confunde seus ouvintes, Lula os desarma com obviedades: "Levanto todo dia de manhã e falo para a Marisa que nós temos que fazer as coisas muito bem pensadas". Seria bastante surpreendente se ele dissesse a Marisa que, naquele dia, só pretendia cometer barbaridades irrefletidas. Lula também dispõe de fórmulas simples que podem ser empregadas em todas as circunstâncias, como "O povo está precisando de feijão com arroz e não de guerra". Daria para substituir "guerra" por "inflação", ou "juros altos", ou "vôlei de praia", ou "cotonetes", e a afirmação permaneceria irrefutável.

Ocasionalmente, Lula parece acrescentar uma nova palavra ao seu vocabulário, mas nem sempre consegue inseri-la no contexto apropriado: "Uma das coisas que eu mais admiro é um militante que vai para a rua com sua bandeira. Eu acho uma coisa fantástica e inusitada". O que há de inusitado num militante com uma bandeira? Outras vezes, o raciocínio de Lula dá tantas voltas que não é fácil descobrir aonde ele pretende chegar: "Eu comecei com isso, para dizer que todos nós aqui, presentes, que os problemas de gênero, além das questões dos direitos que temos que colocar, nas nossas Constituições, como um todo, tem um problema cultural".

Lula costuma rechear seus discursos de parábolas futebolísticas. Revelam o estado de espírito com o qual ele assumiu o poder: "Eu não tenho pressa. Vejam que, quando a Portuguesa Santista foi atabalhoada, o São Paulo marcou 5, quando ela jogou corretamente, só foi 1 x 0". O ambicioso projeto de Lula resume-se a transformar o Brasil numa retranqueira Portuguesa Santista e, possivelmente, perder de pouquinho. Se não der certo, ninguém poderá culpá-lo. Como ele disse em outro pronunciamento oficial, "vou agir assim porque tenho consciência da responsabilidade que está nas costas das pessoas que me elegeram". Ouviram? A responsabilidade é dos eleitores, não dele.

Posted 10:06 AM by Cassiano Leonel Drum


Bom tivemos passando pelos principais jornais nacionais, ZH, Correio do Povo, Estado, Jornal do Comércio e aí estão as crônicas que achei interessantes neste dia. Tudo isso, penso facilita, porque você não precisa entrar em área reservada, cadastrar senhas, ou enfrentar outras barreiras a mais para ler as matérias.

Espero que você tenha um bom sábado, com muitas programações e, fundamentalmente, muitos encontros, ou um só, mas que seja aquele encontro esperado durante toda a semana, ou por muito mais tempo.



Espaço Vital
Marco Antonio Birnfeld



Ação contra a cobrança ilegal de custas em Tabelionatos e Registros de Imóveis

Quatro promotores de Justiça, lotados na comarca de Esteio, sustentam que tabelionatos e cartórios do registro de imóveis estão cobrando emolumentos de forma ilegal e em valores extrapolados. Os agentes do M.P. ingressaram com ação civil pública contra o Estado do RS e contra os serventuários Wanderlei Fries (tabelião) e Silvia Maria de Souza Silveira (titular do Registro de Imóveis). A petição é assinada pelos promotores Gustavo Ronchetti, Felipe Kreutz, Ivana Huppes e André Caruso Mac-Donald. Eles pedem após manifestação do Estado em 72 horas a concessão da liminar para sustar o último aumento das chamadas ¿custas cartorárias.

Embora a ação só venha em caso de concessão da liminar e procedência final a produzir efeitos iniciais em Esteio, ela pode estar significando uma largada para procedimentos semelhantes em outras comarcas do Estado. Numa petição de 15 laudas (disponível em www.espacovital.com.br), os agentes do Ministério Público demonstram que os emolumentos dos tabelionatos e registros de imóveis vêm sendo fixados e cobrados indevidamente, contrariando a lei federal nº 10.169/2000.

Entre as alegadas irregularidades, a cobrança em URE (unidade referencial de emolumentos) com correção mensal. Os artigos 2º e 5º da lei federal que regula a matéria estabelecem que os valores serão expressos em reais e que os reajustes sujeitam-se à publicação das respectivas tabelas, até o último dia do ano, observado o princípio da anterioridade. Os promotores, no ponto, fazem uma indagação: que parcela mensal da população tem reajuste mensal em seus vencimentos ?

Outro aspecto é que é vedado fixar emolumentos em percentual incidente sobre o valor do negócio jurídico objeto dos serviços notoriais e de registro (art. 2º da lei já referida). Em todo o Estado do RS a cobrança é feita por percentual ad valorem. A ação objetiva também que, no final, os réus sejam condenados a restituirem, com correção e juros legais, os valores cobrados em excesso. A ação foi distribuída à 3ª Vara de Esteio. O juiz (Plinio Caminha de Azevedo) ainda não decidiu sobre as primeiras providências. (proc. nº 014/1.03.0000991-5) .

Posted 9:46 AM by Cassiano Leonel Drum


Joelmir Beting
Sábado, 22 de março de 2003



A paz dos barris


Fiquem frios. Não vai faltar diesel nesta Quaresma nem peixe na Semana Santa. O estoque brasileiro de segurança no inflamável mercado de combustíveis, reforçado desde novembro, aproxima-se de cem dias corridos de consumo. Sem contar o ingresso da supersafra da cana e do álcool aqui pelas quebradas do Sudeste.

O informe da calmaria é do Grupo de Acompanhamento do Suprimento de Petróleo e Derivados, mantido pelo Ministério de Minas e Energia. Que dá números redondos aos poços e aos postos. O consumo nacional de derivados contenta-se há meses com a média diária de 1,7 milhão de barris (de 159 litros). A extração nacional do óleo bruto avança para 1,6 milhão. E a capacidade de refino da Petrobrás segura as pontas até 1,8 milhão de barris.

No petróleo, nossa vulnerabilidade externa tornou-se meramente residual. Primeiro, porque o petróleo-é-nosso já é da ordem de quase 9 barris para cada 10 de consumo. Segundo, porque não mais importamos a gororoba fóssil do Golfo Pérsico, onde os barris de petróleo estão misturados com barris de pólvora - para todo o sempre. Do total importado, cerca de 30% tem selo saudita. A fatia do leão vem da África Ocidental e aqui da América Latina.

Para tranqüilizar o mercado interno, especialmente o setor de transporte de cargas movido a diesel, chegado ao jogo da estocagem defensiva, a Petrobrás lembra que no duplo "oil shock" da Opep nos anos 70 a gente importava 83 barris em cada 100 consumidos. Na Guerra do Golfo, em 1991, a dependência externa já havia caído para 54/100. Agora, nada além de 10/100.

No mais, o importante é bebemorar no posto da esquina o tiro pela culatra do choque que não houve: ao disparo do primeiro míssil na direção dos quintais de Saddam, os preços do petróleo não explodiram. Bem ao contrário, declinaram. Na Bolsa Internacional de Petróleo, de Londres, o barril do tipo nobre, o Brent, baixou a crista de quase US$ 40, em janeiro, para menos de US$ 26, nesta semana da guerra com aviso prévio.

Até que a posição estatística do mercado mundial nada tem de confortável ao fim de um inverno acima da média e de um estoque abaixo da própria. Mas cabe lembrar que o consumo global, estacionado em 77 milhões de barris por dia, tem no Golfo Pérsico menos de um terço da oferta total. A Opep toda, com 11 bandeiras, cobre 40% do mercado (em 1980, mais de 65%). A cota do Iraque, sob severo boicote desde 1991, não tem passado de 3% do consumo mundial.

Claro que não se menospreza o tesouro depositado pela natureza nas trapas da antiga Mesopotâmia. O texano Bush que o diga. O Iraque tem a segunda maior reserva do mundo. Espécie de cheque visado para saque futuro. E mais: óleo bruto de primeira classe, com extração a custo mínimo.

No deserto sulino de Majnoun, no entorno de Basra, onde nossa Braspetro cravou suas sondas nos anos 80, o barril custa ainda hoje a merreca de US$ 1 na boca do poço.

SECOS & MOLHADOS

Maluquice - Eu estive em Majnoun em abril de 1989. Na época, Saddam fazia musculação para, com a cumplicidade do Irã, matar 3,6 milhões de árabes e de persas em oito anos de guerra a troco de nada. Pois a guerra estouraria meses depois exatamente ali, em Majnoun. Que, em árabe, significa deserto maluco.

Fenômeno - Deserto maluco porque, durante cinco meses por ano, se apresenta coberto por uma lâmina d'água de 3 metros de espessura por 220 km2 de área. Águas do transbordo dos Rios Eufrates e Tigre e do degelo dos picos nevados do Irã. Na areia ou na água, a Braspetro cometeu 14 furos e bateu no óleo raso e nobre em todos eles. Ali, em se furando, tudo dá.

Microcosmo - A bênção das águas do Majnoun sustenta fauna e flora de padrão hollywoodiano. Sob calor de até 55 graus ao meio-dia e frio de 5 graus à meia-noite do mesmo dia. Em especial, peixes, cobras, flamingos, javalis, búfalos e papiro a dar com pau. Tudo manejado pelos nômades Marsh, os indomáveis.

Posted 9:42 AM by Cassiano Leonel Drum


CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SÁBADO, 22 DE MARÇO DE 2003

Mercado festeja avanço da guerra

Risco país recua, dólar cai 2,16%, Bolsa sobe 1,96% e títulos da dívida externa têm uma grande demanda

Mercados internacionais tiveram uma sexta-feira muito animadora

São Paulo - A euforia que tomou conta ontem dos mercados internacionais contagiou os ativos brasileiros mesmo após os Estados Unidos terem lançado o mais pesado ataque contra o Iraque. Houve forte demanda por títulos da dívida externa do país, levando o C-Bond a subir 1,77%, para fechar em 78,875% do valor de face. Foi o nível mais alto desde 29 de abril de 2002. O risco- país recuou 4,08%, para 1.033 pontos, o menor desde o dia 3 de junho passado. O dia também foi positivo para o câmbio, com queda de 2,16% na cotação do dólar, que encerrou em R$ 3,405, o menor valor registrado desde 17 de janeiro.

Além da melhora do cenário externo, o anúncio de que a Petrobras, Bradesco e ABN-Amro Bank captaram recursos no exterior, apesar da guerra, estimulou os investidores a vender dólares. Segundo o economista-chefe do banco JP Morgan, Luis Fernando Lopes, o interesse por títulos de mercados emergentes permanece elevado, o que explica o bom desempenho do C-Bond. Ele aponta que, nas últimas quatro semanas, o fluxo líquido de recursos para papéis de empresas e governos emergentes atingiu 553 milhões de dólares, o nível mais elevado desde 1998.

"O apetite por esses títulos continua alto e, mesmo depois do início da guerra, não há sinais de arrefecimento", disse o economista. Os papéis brasileiros têm sido bastante procurados porque seguem oferecendo rendimento elevado. Um risco-país de 1.033 pontos significa que os títulos do país pagam, em média, 10,33 pontos porcentuais acima dos papéis do Tesouro americano.

O risco da Turquia, por exemplo, está na casa dos 700 pontos. Analistas explicam que medidas como o aumento do superávit primário, que o governo federal tem adotado para ampliar a capacidade de solvência do país, deixam os investidores mais seguros para comprar ativos brasileiros.

No mercado de câmbio, o impacto positivo decorreu das notícias sobre as captações no exterior da Petrobras , que vai emitir um bônus de 200 milhões de dólares, sem nenhuma garantia, e do Bradesco, que deve obter a mesma quantia com o lançamento de títulos lastreados em ordens de pagamento de seus clientes no exterior. O clima de otimismo ainda foi reforçado pelo fato de o ABN Amro Bank ter concluído a captação de um bônus de 150 milhões de dólares, por nove meses, pagando 5,7% ao ano. A captação é a primeira operação brasileira no período de guerra. O dia terminou com saldo positivo também na Bovespa, com alta de 1,96% e volume de negócios atingindo R$ 617,517 milhões.

Posted 9:32 AM by Cassiano Leonel Drum


Não há lugar no mundo neste instante para o cantar dos pássaros, para as juras de amor dos namorados, para a visão romântica da Lua, para os passeios entre as árvores e nas margens dos rios. Então diria, meu nobre Sant'Ana que há um desencanto global, de como as coisas acontecem e se sucedem. Pelo menos para lá estão voltados todos os olhares e todas as atenções, enquanrto aqui as chacinas nas perfierias das grandes cidades continuam, agora com menos importância, em função daquela.



Paulo Sant'ana
22/03/2003


Um show de destruição

Houve certamente durante a II Guerra Mundial bombardeios mais severos de cidades como aquele acontecido ontem em Bagdá.

Dresden, cidade alemã, foi arrasada em 13 e 14 de fevereiro de 1945, casualmente também por ingleses e norte-americanos, dizem que a guerra já estava ganha, o massacre foi absolutamente desnecessário.

Três mil e quinhentas toneladas de bombas foram despejadas sobre a bela Dresden, apelidada de "Florença do Elba".

Trinta e cinco mil civis foram mortos. Dresden ardeu por vários dias e, quando as chamas se apagaram, a cidade não passava de um monte de ruínas.

Mas, ontem, aquela sucessão de bombas e mísseis que foram jogados sobre Bagdá foi presenciada pelo mundo inteiro pela televisão.

Cada bomba que explodia e levava pelos ares os prédios doía no coração dos telespectadores.

Evidentemente que naqueles quarteirões inteiros bombardeados havia hospitais, colégios, creches, lares, multidões de pessoas acuadas pelo medo, acima e abaixo da terra.

Não há como qualquer pessoa lúcida e sensível que tenha presenciado ontem aquele possante bombardeio deixar de se sentir completamente deslocada neste mundo.

Se já nos apavora o avanço do crime organizado e da violência atacando todos os recantos que cercam nosso cotidiano, como não nos aturdir até o desespero com essa destruição planejada de uma cidade e de um país?

Os bandidos urbanos atiram-se à barbárie dos seus assaltos e assassinatos, mas existe ainda sobre eles uma ordem pública, que embora claudicante tenta contê-los e reprimi-los.

Mas não há ninguém para conter nem reprimir os governos que apóiam essa guerra perversa, nem o imperial Bush, a quem não comovem as manifestações antibelicistas dos cidadãos de todo o mundo nem o apelo do Papa.

E não há ninguém para convencer o tirano Saddam Hussein de renunciar ao poder e evitar assim que milhares de seus compatriotas sejam mortos ou mutilados pelas bombas que caem em cima do Iraque como folhas amarelas de outono levadas pelo vento até o chão.

O mundo clama por paz nas ruas, enquanto se elevam acima dos edifícios de Bagdá os cogumelos da guerra.

Não há lugar no mundo neste instante para o cantar dos pássaros, para as juras de amor dos namorados, para a visão romântica da Lua, para os passeios entre as árvores e nas margens dos rios.

Cessa a poesia em todo o mundo, desaparece a esperança, aquelas cenas de ontem tiram do homem qualquer possibilidade de avanço, de progresso, de compreensão, de fraternidade e de amor.

É a humanidade mirando-se no espelho e percebendo quão horrenda é a sua face.

Não há nenhuma chance de não se ficar arrasado quando se sabe que depois desta guerra, enquanto se estará fazendo o rescaldo de suas ruínas, teremos de enfrentar uma reforma da Previdência.

É triste, mas, por tudo isto e mais ainda por aquela mostrenga e suicida retranca que o Tite armou no México, a vida se torna cada vez mais inviável.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Posted 9:20 AM by Cassiano Leonel Drum


Se cada um cultivar afeto, beleza e lealdade em seu ambiente, por pequeno que seja, esses milhões de minúsculos oásis espalharão - e espalham - seu espaço de claridade no mundo. E não haverá apenas sombra e medo e horror. Pensemos nisso neste sábado de guerra, em que todos os jornais estão focados neste assunto, bem como as revistas semanais, cujas capas já estão abaixo e os canais de TV. Bom fim de semana a todos nós, porque no nosso País, a guerra é outra, bem mais silenciosa, porem não menos relevante.


Lya Luft
22/03/2003


Tambores de guerra

Rasteja sobre o mundo mais uma vez a sombra de uma guerra explícita. Porque pequenas guerras mais ou menos ignoradas estão acontecendo sempre em países aqui e ali. Sem falar desta em nosso próprio país - a guerra do narcotráfico - alimentada cada vez que alguém acende um inocente cigarro de maconha ou dá uma cheirada de coca numa festinha qualquer. E sua irmã, a perversa guerrilha urbana que é a violência do trânsito e da bandidagem impune.

Mas desta vez é a guerra alardeada, propagandeada, a grande morte mil vezes anunciada. Violência em close-up com todos os recursos à mão para melhor matar e assistir à matança nos quatro cantos da terra.

Insisto em que o ser humano não é original. Recoberto de algum requinte, continua feroz. Contemplando a violência dos tempos atuais, penso nos tempos antigos. A Idade Média. As Cruzadas. A Santa Inquisição. Quando visitei pela primeira vez a catedral de Colônia, inimaginavelmente grande, a primeira coisa que me ocorreu foi como teria sido quando de sua construção. Aquele monstro alteando-se do nada, em torno centenas de choupanas miseráveis onde miseráveis seres humanos morriam na imundície e na lama, construtores ínfimos daquela maravilha máxima. Entrei na catedral com certo enjôo. Pois o humano ainda me comove mais do que a arte.

Agora a guerra é mais suja, dizem alguns, pois se mata de longe, apertando botões ou lançando veneno. Antes se rasgava o ventre do outro ou se decepava sua cabeça, depois se corria, mãos molhadas de sangue, a estuprar mulheres e crianças na aldeia próxima. Os gritos dos torturados pela Santa Inquisição continuam ecoando pelas cidades onde eles sofreram e morreram por razões abjetas.

Mas o mundo não é só isso. O mesmo animal predador que mata por lucro e poder também produz arte, ama, é generoso e digno; sabe refletir, ensinar, expressar idéias incríveis, acolher o amigo, segurar a mão do amado que morre.

Pode parecer tolo, mas eu acredito firmemente que nos momentos de sombra, mais do que argumentar e gritar ou deprimir-se, a gente devia acender a pequena chama de algo positivo. Se cada um cultivar afeto, beleza e lealdade em seu ambiente, por pequeno que seja, esses milhões de minúsculos oásis espalharão - e espalham - seu espaço de claridade no mundo. E não haverá apenas sombra e medo e horror.

Porque se a gente não acreditar nisso, melhor será correr para o campo de batalha e abrir o peito à primeira bala de quem quer que seja.

Posted 9:12 AM by Cassiano Leonel Drum


Jorge Furtado
22/03/2003


Deus e o Diabo
Vamos ver se você está bem informado. Complete o seguinte texto:

"No dia ..... (a) de setembro de ..... (b) uma explosão destruiu ...... (c). A responsabilidade de tal ato não foi fixada com precisão até hoje, mas os ..... (d) acusaram imediatamente a ..... (e).

A civilização ocidental está pronta para ser submetida a outra grande prova da sua capacidade de sobreviver ao desastre. Mais uma vez, o mundo marcha para a guerra. Os líderes mundiais não atentaram nas lições da terrível provação da última guerra e sucumbiram às tentações do poder e da cobiça.

Uma das principais causas da guerra foi a adoção de uma política isolacionista pelos Estados Unidos, que não aceitaram as resoluções da ....... (f). Muitos acreditam que a posição americana é obra exclusiva dos reacionários ferrenhos e dos nacionalistas impenitentes. Espalha-se pelo mundo a convicção de que Tio Sam fora meter-se no que não era da sua conta.

A política da Inglaterra com respeito à manutenção da paz é quase que o oposto da política francesa. Separados do resto da Europa pelo Canal da Mancha, os ingleses não se sentem levados a preocupar-se tanto com a segurança nacional. A política partidária americana também desempenhou papel considerável no caminho para a guerra. As eleições de outubro de ...... (g) foram vencidas pelos republicanos. Embora uma análise posterior demonstrasse que a maioria do eleitorado havia votado nos democratas, os votos estavam distribuídos de tal maneira que os republicanos ganharam o controle tanto do Senado como da Câmara.

Foram feitas diversas tentativas para salvar a paz. Importantes intelectuais, através de artigos no New York Times, desafiavam o governo norte-americano a aceitar a proposta francesa. Todas as tentativas de desarmamento fracassaram. Começou a correr o mundo a idéia de uma guerra preventiva.

...... (h) anunciou que as operações militares haviam começado. Como justificativa, alegava que ...... (i) já havia mobilizado e cometido atos hostis contra ...... (j) e que a 'bárbara perseguição' contra homens, mulheres e crianças ...... (l) já não podia ser tolerada por uma grande nação."

Se você respondeu (a) 11, (b) 2001, (c) o World Trade Center, (d) americanos, (e) Al Qaeda, (f) ONU, (g) 2000, (h) Bush, (i) o Iraque, (j) os Estados Unidos e (l) iraquianas, errou tudo.

As respostas certas são (a) 18, (b) 1931, (c) Estrada de Ferro da Manchúria, (d) japoneses, (e) China, (f) Liga das Nações, (g) 1918, (h) Hitler, (i) a Polônia, (j) a Alemanha e (l) alemãs. Todas as frases do texto são do livro História da Civilização Ocidental, de Edward McNall Burns (Editora Globo, 1975), no capítulo que trata das causas da II Guerra Mundial, que matou 50 milhões pessoas.

Saddam é um milionário que chegou ao poder de forma ilegítima, é um fanático religioso e um assassino, mata criancinhas em nome de Deus e da pátria. Bush é um milionário que chegou ao poder de forma ilegítima, é um fanático religioso e um assassino, mata criancinhas em nome de Deus e da pátria. Salman Rushdie tem razão: "O nome do problema é Deus". Não o Deus de cada um, mas o Deus coletivo, evocado pelos tiranos para mandar inocentes ao matadouro. Na luta entre o deus de Bush e o deus de Saddam, o diabo ri. jorge.furtado@zerohora.com.br

Posted 9:08 AM by Cassiano Leonel Drum


David Coimbra
22/03/2003

Vergonha no México

O presidente Flávio Obino emocionou-se quase às lágrimas antes do jogo do Grêmio. Lembrou de Everaldo, que se sagrou campeão do mundo na mesma Cidade do México onde o Grêmio foi se apresentar, ontem de madrugada, e por pouco não chorou.

Depois do jogo, devia ter chorado mesmo. De vergonha.

Deu vergonha de ver o Grêmio jogar. Vergonha porque o Grêmio vilipendiou as tradições do futebol brasileiro e suas próprias tradições centenárias. Na mesma cidade que ovacionou Pelé e Rivellino, o Grêmio foi menos do que um time pequeno. Foi um time de várzea. Mas dos ruins.

Pois nem os times médios da várzea jogam como o Grêmio jogou.

Imagino as cabeças iluminadas da comissão técnica gremista instruindo os jogadores antes da partida. A preleção de Tite deve ter durado não mais que 10 segundos:

¿ Danrlei, dá chutão pra cima. Pessoal, todo mundo atrás.

O Grêmio se resumiu a isso. A única vez em que Danrlei não mandou um balão aleatório para o campo adversário foi aos 40 minutos do primeiro tempo. Incrivelmente, ele teve a idéia de jogar a bola com as mãos diretamente nos pés de um companheiro. O desfecho do lance foi uma inédita troca de passes do Grêmio e uma bola chutada na trave por Caio.

Fora esse lance solitário, o Grêmio foi um time covarde, que enxovalhou seu próprio nome. Um time de fazer chorar.

Que altitude, o quê!
Altitude? Balela. Se os jogadores do Grêmio tentassem jogar futebol, correriam menos do que correram ontem, quando ficaram o tempo todo atrás do adversário, acantonados na área feito ratos acuados.

Mas, claro, pedir para o Grêmio de Obino e Tite jogar futebol seria demais. Jogar futebol está fora da pauta do Grêmio neste ano

Cotação
Danrlei. Não fosse ele, o medíocre Pumas teria feito 3 ou 4 a 0. Anderson Polga, Amaral e Caio, esses tentaram jogar bola. O resto... foi o resto. Claudiomiro foi o zagueiro tosco de sempre. Anderson Lima e Fabri não jogam desde o ano passado. Roger, o bravo Roger, talvez esteja precisando de um programa de recondicionamento físico, de uma temporada em um spa.
Basílio, esse o Tite diz que o mantém em campo para ter um velocista. Ora, se não precisa jogar futebol, por que o Grêmio não contrata o Claudinei Quirino, que corre muito mais?

A propósito, todos os dias, o Luiz Zini Pires passa aqui na Editora de Esportes e geme:

¿ Quem sugeriu a contratação do Basílio e dispensou o César? Quem indicou esse cara?

Descubram, por favor!

Fazendo essa descoberta talvez muita coisa seja desvendada, no Olímpico.

Os funcionários
Começo a entender o motivo da adoração dos jogadores pelo Tite: eles não precisam jogar, para ter lugar assegurado no time. Futebol não é uma exigência, no Olímpico. Basta que o sujeito seja amigo, camarada, esteja sempre de bom humor, seja leal e amigo, que ele terá o emprego garantido.

O Grêmio virou uma espécie de funcionalismo público da bola.

Deu
Cá entre nós: o Tite já está fora. Eu sei disso, você sabe disso, a torcida sabe disso, a direção sabe disso e até o Tite sabe disso. Melhor seria acabar logo com o sofrimento. Claro, não é só o Tite que deve sair. O certo, certo mesmo, seria dispensar do vice de futebol ao vendedor de churros. Todos. E já. Para dar tempo ao novo treinador e seus auxiliares.

Agora, é preciso ressaltar a qualidade de Tite. Ele é um bom treinador. O problema é que a relação entre ele e os jogadores, entre ele e os dirigentes, entre ele e o Grêmio, essa relação desgastou. Não tem mais solução imediata. A separação é o melhor caminho. Quem sabe mais tarde, no futuro que até pode ser próximo. Quem sabe... Agora, não dá mais.

Toda a diferença
A diferença entre o jogo medonho do Inter na quarta-feira e o jogo medonho do Grêmio na madrugada de ontem é a vontade. O Inter quis jogar futebol. Não conseguiu, mas quis. O técnico Muricy Ramalho voltou de Belém do Pará furioso, imprecando contra o time, prometendo mudanças imediatas. Tite volta sorrindente, elogiando a equipe, achando que poderia ter vencido a partida. Vontade. Essa tem sido toda a diferença entre um Grêmio péssimo e um Inter ruim em 2003.
david.coimbra@zerohora.com.br

Posted 9:02 AM by Cassiano Leonel Drum

Reportagem Especial
EUA começam a ocupar o Iraque
Quase sem enfrentar resistência, comboios com centenas de caminhões e blindados já haviam avançado até a noite mais de 150 quilômetros em direção à capital do país



Carro de combate dos marines monta guarda junto a um pôster de Saddam na cidade de Safwan, no sul do país (foto Laurent Rebours, AP/ZH)


Posted 1:32 AM by Cassiano Leonel Drum


Bom este é o editorial da Revista Isto É, deste fim de semana. O cômico, não fosse dramático e trágico, mesmo, foi assistir a uma TV portuguesa reprisar o Presidente tendo o seu cabelo alisado, antes de declarar ao mundo as suas razões para a Guerra. Não está errado o horário deste post, é este mesmo, portanto meus amigos fiquem, com os anjinhos e bom sonhos.

Cretinice e insensatez

Minutos depois de as primeiras bombas e os primeiros mísseis atingirem Bagdá, no amanhecer da quinta-feira 20, a rede de tevê britânica BBC anunciou o pronunciamento do responsável pelo feito, George W. Bush. Junto com o anúncio da fala do presidente americano, a rede inglesa colocou no ar as imagens de Bush filho em plenos preparativos e ensaios para explicar ao mundo que sua tão sonhada guerra havia começado. Não fosse trágico, seria cômico, muito cômico.

Diante das câmeras, Bush, com o seu inconfundível ar parvo, decorava o discurso, ajeitava-se na cadeira e experimentava expressões dramáticas que se adequassem à tarefa, entre sorrisos e caretas cínicas, patéticas e constrangedoras. A exibição de cretinice explícita foi feita defronte às câmeras ¿ em transmissão global da BBC, que foi depois reprisada por outras emissoras ¿ enquanto seus cabelos eram ajeitados por uma auxiliar.

A cretinice só não é maior que a insensatez. O bombardeio à capital iraquiana na sexta-feira foi brutal, e assistir a ele pela tevê foi uma experiência deprimente. Por mais inteligentes que sejam as bombas, é difícil acreditar que os cinco milhões de habitantes de Bagdá tenham sobrevivido incólumes ao verdadeiro desabamento dos céus sobre suas cabeças.

Também é difícil acreditar que, depois de tudo isso ¿ e a guerra ainda está em seus primórdios ¿, os americanos sejam recebidos com aplausos quando chegarem a Bagdá, como defende o secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld. E se a insensatez, como se vê, é recorrente, a cretinice também o é. Perguntado sobre o que o presidente Bush havia sentido ao assistir ao triste espetáculo do bombardeio pela tevê, seu porta-voz, Ary Flescher, respondeu: ¿O presidente não gosta de assistir à televisão.¿

Posted 1:01 AM by Cassiano Leonel Drum
Visual bem recheado
Gordinhas cheias de atitude ensinam como ter quilos a mais sem estilo de menos

Silvia Rogar

Divulgação
Cida Souza


Kelly: do reality show da família Osbourne para o sucesso próprio a esquerda
Karin: aprendendo a se conformar com sua "estrutura grande" a direita

Sejamos sinceros: não aconteceu uma revolução mundial e, de repente, todas as mulheres passaram a sonhar com uma silhueta cheia de quilos a mais. Em compensação, o campo das bem fornidas está pipocando de novidades positivas. Nos Estados Unidos, uma adolescente rechonchuda, mas muito descolada, tem levado um sopro de alívio para as sofridas vítimas da ditadura da magreza: Kelly Osbourne, 18 anos, 1,55 metro, 55 quilos e muita atitude.

Filha do roqueiro Ozzy e revelação do reality show exibido pela MTV que acompanha o cotidiano de sua família, Kelly não malha e não faz regime, adora roupas e maquiagem e explora ao limite seu jeito sexy-exagerado de ser. Chama tanto a atenção que, num intervalo de poucos meses, apareceu na lista das mulheres mais bem-vestidas da revista People e na das mais malvestidas composta todo ano pelo conservador estilista Mr. Blackwell. Kelly tornou-se um dos modelos de comportamento mais positivos para as meninas acima do peso em um país onde 68% das mulheres vestem o equivalente ao manequim 44 no mínimo.

No Brasil, onde 40% das pessoas estão acima do peso ideal, o exemplo do momento de cheinhas cheias de charme está no grupo Rouge, um sucesso instantâneo que já vendeu 1 milhão de discos desde agosto. Igualmente vindas de um reality show, duas das cinco integrantes do Rouge, Karin e Fantine, fogem do padrão magrinho o que é uma novidade numa banda brasileira moldada para agradar aos adolescentes. "Queríamos cantoras que fossem a cara das brasileiras, normais", diz Alexandre Schiavo, vice-presidente de marketing da Sony. Se você quiser ler mais a respeito é só clicar ai no link da revista.

Posted 12:49 AM by Cassiano Leonel Drum


Comparando assim as duas capas das revistas semanais, até parecem que combinaram para expor as mesmas, embora se diga que, normalmente, elas são frutos de exaustivos estudos para depois virarem a capa definitiva. Enfim ai estão as duas capas para que voces comparem e se decidam. Como sempre, ainda acho, que a melhor decisão é pelas duas.

Posted 12:27 AM by Cassiano Leonel Drum


Capa: fotos de AP e Gamma

E esta é a capa da Revista Veja, que como a da Revista Isto É, também aborda basicamente a guerra.

Seções

Internacional

Guerra: As razões de George W. Bush para atacar
Guerra: As armas dos Estados Unidos contra o Iraque
Terrorismo: A história da passagem de Bin Laden pelo Brasil
Venezuela: Por que o país mergulhou no abismo

Artes e Espetáculos

Cinema: Eminem, o Elvis do rap
Cinema: Deus É Brasileiro, de Cacá Diegues
Livros: A Jogada Turca e Rainha do Inverno, de B. Akunin
Televisão: Os diálogos tolos da novela das 8

Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo

Brasil

Governo: O mau começo do projeto Fome Zero
Governo: A briga do PT com as agências reguladoras

Geral

Sexo: Travestis brasileiros casam-se na Europa
Imigrantes: Os dólares dos dekasseguis
Sociedade: Os maiores salários da TV americana
Ambiente: Vírus Ebola pode acabar com os gorilas
Esporte: A invasão de atletas estrangeiros na NBA
História: Elisa Lynch, a amante de Solano López
Cosmética: Os cremes que atuam como remédio
Medicina: Uma novidade sobre o câncer no pulmão
Estilo: Gordinhas, mas sensuais

Economia e Negócios

Internet: O sucesso das livrarias virtuais

Guia

Aviação: O que muda com a fusão TAM-Varig
Bebidas: As cachaças de luxo
Viagem: O Taiti por 2.000 dólares
Imposto de renda: Onde tirar as dúvidas na internet
Segurança: Cuidados com o playground de seu prédio
Óculos de sol: Que diferença faz usar lentes com proteção UVA e UVB?

O que estou lendo
Pergunte ao Guia

Posted 12:23 AM by Cassiano Leonel Drum


Desculpem a demora, mas esta noite tive outros compromissos, Mas ai está a capa da Revista Isto É deste fim de semana e como não deveria ser diferente, os destaques são as noticias sobre a guerra. E sobre isso estava olhando os estatísticos de plantão afirmarem que a palavra guerra ganhou nas pesquisas de longe, nesta semana até dos sites de sexo. Isso me faz lembrar que a guerra não é apenas mais espetacular do que a paz, mas do que o sexo também.


Sexta-feira, Março 21, 2003

Posted 8:32 AM by Cassiano Leonel Drum


Joelmir Beting
Sexta-feira, 21 de março de 2003


Viés da incerteza

A incerteza é a turbina que aciona e sustenta a alta dos juros, dos custos, dos preços, dos riscos. A incerteza é a genética da volatilidade dos ativos, dos mercados, dos negócios, dos empregos. Então, o Banco Central sai a campo para combater os efeitos da incerteza e - bingo! - realimenta o apetite da própria.

A estréia do viés de alta na taxa básica de juros, mantida em sobrevida de 26,50% ao ano, só faz por aumentar a aflição dos aflitos.

A medida eleva o grau de incerteza do próprio sistema financeiro. Ou pior: de toda a gestão financeira em todos os setores da economia. Na ponta do crediário para consumo, as lojas entraram ontem em estado de alerta laranja. Não há mais espaço para o repasse da alta. Os mutuários estão no bagaço e as vendas a prazo devem fechar este primeiro trimestre cerca de 12% abaixo do programado.

Na plataforma interbancária, os juros a futuro já subiram de bate-pronto. Algo como uma "precificação" preventiva de um iminente aumento da Selic sem aviso prévio. Ou antes da próxima canetada do Copom, agendada para 23 de abril.

Com guerra ou sem guerra, a incerteza é nossa e ninguém tasca. De reunião em reunião, o arrocho monetário não se desvia da lógica estrábica - a de combater o atual ciclo de inflação de custos com xarope amargo aviado para surtos de inflação de demanda. Para o senso comum de economistas, consultores, empresários e até de sindicalistas (vixe!), só recessão derruba inflação.

Em sendo assim, basta elevar a Selic à direita da vírgula para congelar ou mesmo reverter todos os preços em liberdade em todos os setores da economia brasileira. Exatamente os preços mais bem-comportados no ventre do IPCA. O núcleo dos preços livres desabou em fevereiro de 1,91% para 1,25% (dentro do IPCA de 1,57%). O detalhe: desse bloco no declive fazem parte também os preços dolarizados por um "overshooting" cambial já superado.

Competiria ao Copom, escudeiro do IPCA, prestar um favor cívico ao debate nacional: discutir com o governo Lula, que está muito a fim, como amainar a febre dos preços e tarifas administrados pelo setor público. Vale refrescar aqui: de janeiro de 1995 a dezembro de 2002, oito anos corridos, o IPCA escalou 100,7%. Em seu interior, elevação ponta a ponta de 78% para os preços livres de mercado e de 238% para os preços tabelados de governo.

Estes, fora do alcance da panacéia da Selic - um mal desnecessário.

O duro é agüentar a retórica monitorada pelo sistema financeiro, ganhador líquido da "austeridade monetária responsável e inabalável". Afinal, o negócio é não solapar a "confiança do mercado", como se confiável fosse o capital volátil que nos deu uma pastosa banana no ano passado. Da qual ele mesmo se confessa, hoje, arrependido.

E que tal fertilizar a confiança do capital produtivo, outra vez na moita da incerteza? A quem o leitor faria agrado ou curvaria a espinha: ao capital volátil ou ao capital produtivo?

SECOS & MOLHADOS

Hipocondria - Para cima, todos os demônios empurram. A Selic sobe por causa da inflação, por causa da eleição, por causa da aversão, por causa da corrupção. Ela volta a subir por causa do risco País, por causa do câmbio, por causa dos argentinos, por causa dos americanos, por causa dos barris de petróleo, por causa dos barris de pólvora...

Sem trégua - Se o problema agora é Bush, Saddam & Cia., o viés de alta acabará mantido por tempo indeterminado. Guerra curta ou guerra longa, tanto faz. Somos todos reféns de um "espírito de cautela" em overdose - no limiar da covardia. A tal ponto que, quando não temos problemas, inventamos fantasmas.

Força zero - Política monetária anoréxica casada com política tributária criogênica. E tome estagnação da economia brasileira, um tigre enjaulado vestido de anta. Em oito anos de governo FHC, crescimento anual médio de 2,2%. Neste triênio 2001/2003, abaixo de 1,5%. Crescimento zero do produto por habitante.

Posted 8:25 AM by Cassiano Leonel Drum


Olha ai meu irmão Leandro Matoso, lugares especiais para se visitar naquele fim de tarde. E para você que vai ao Rio seguido, sugestões para se ir, bem acompanhado, é claro.

Escondidinhos

Lojas e restaurantes localizados em pontos pouco explorados da cidade atraem pessoas em busca de diversão e tranqüilidade
Flávia Motta

Uma loja de quadrinhos numa galeria lá em Jacarepaguá; o showroom de duas novas grifes num prédio antigo, em meio ao burburinho de Copacabana, um restaurante charmosíssimo instalado em uma ilha, em plena Lagoa de Marapendi. Nem só de descobrir belezas naturais vive o carioca. Uma conversa entre amigos pode acabar revelando que a galeria ali do lado de casa à qual não se dá a menor bola pode esconder aquela lojinha ou restaurante bacana que num instante vira seu point preferido.

Quem passa pela Rua Prudente de Moraes, em Ipanema, por exemplo, nem imagina que o terraço do Hotel Everest abriga o simpático Grill 360°, com vista da praia, da Lagoa, do Cristo Redentor e até de um pedaço do Pão de Açúcar. Freqüentado quase sempre pelos hóspedes do hotel, ele surpreende quem pisa ali. ¿A vista é linda e é ideal para um jantar especial¿, elogia a produtora de TV Clarissa Vasconcellos, 23 anos, que proporcionou a um amigo um jantar inesquecível no terraço.

Também inesquecível é uma ida ao Laguna. Localizado na Ilha da Gigóia, o restaurante tem seu charme anunciado já na chegada: o acesso a ele só pode ser feito por barco. Lá, toalhas de chita cobrem as mesas, cercadas de velas, tochas e muitas árvores. ¿Os clientes se sentem fora do Rio¿, diz Tatiane Escobar, dona do lugar com o marido, o alemão Christian Haupt. ¿As pessoas não vêm só para comer, mas para relaxar¿, emenda ele.

E para relaxar vale também uma ida à Favela Hype. Descontraída, com ares modernosos, a loja fica num ponto pouco badalado de Santa Teresa. ¿Você passa e nem imagina o que é. Pensa que é mais um dos ateliês de Santa. De vez em quando rola um acarajé, umas cervejas e eles colocam umas mesas na porta. As roupas são legais, têm preço de feira mas não adianta querer chegar, pegar e passar no caixa. É outro ritmo, bem mais tranqüilo¿, avisa a empresária Marta Zimpeck, 37 anos, apresentada ao espaço por uma amiga. E viva o boca-a-boca!

Posted 8:15 AM by Cassiano Leonel Drum


Reuniões muitas, seminários, palestras, congressos e outros tantos nomes que se queira dar, mas na prática o que ocorre infelizmente, é a completa falta de recursos como bem vimos abaixo e o Ministério das cidades tem muito menos. A poupança que também é uma das fontes, está tendo perdas substanciais de depósitos, mas também pudera.

Meus amgos, então pelo menos, se toma cafézinho, fala-se de amenidades, e se encontram. Este, talvez seja o ponto forte de tudo isso.

Conjuntura
Olívio assina convênios para construção de moradias
Ministro faz palestra em Porto Alegre


O ministro das Cidades, Olívio Dutra, firma hoje convênios com a prefeitura de Uruguaiana para a construção de moradias, que deverão beneficiar 900 famílias de baixa renda.

Com parceria da Caixa Econômica Federal, o convênio será assinado no Loteamento Tabajara Brites, às 11h.

Olívio também dará palestra sobre política habitacional, na Capital, no Sindicato da Construção Civil (Sinduscon/RS), às 20h. Amanhã, o ministro participará da cerimônia de entrega de casas do Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social para 22 famílias em Sapucaia do Sul, às 11h, no bairro Vargas. À tarde, fará o discurso de encerramento do Seminário Estadual de Habitação, em Porto Alegre, na Igreja da Pompéia.

Posted 8:02 AM by Cassiano Leonel Drum


Ainda que cara era uma alternativa que havia para a compra de imóveis pela classe média, pois 5,5% de juros mais TJLP de 11,00%, isso representava quase 1,5% ao mês de juros.Mesmo assim, esgotaram-se os recursos e a próxima reunião do conselho do FAT será só em abril. Quer dizer, não há nem sequer interesse de ambos os lados na aplicação desses recursos, senão se anteciparia a reunião, ou teria-se marcado uma, ainda antes dos recursos acabarem.

Pena para a construção civil, que poderia gerar mais empregos e vendermaismaterial, mais ainda para a população que carece de imóveis para morar.

Caixa suspende financiamento habitacional

A Caixa Econômica Federal encerrou a linha de financiamento habitacional para imóveis novos (prontos), com recursos provenientes do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Segundo a instituição, os R$ 300 milhões repassados pelo FAT para atender as famílias de classe média já foram utilizados e os recursos estão esgotados. Além disso, estão suspensos há quase três meses os empréstimos para aquisição de imóveis usados, também com dinheiro do FAT.

Para tentar resolver o problema, a Caixa vai pedir ao Conselho Deliberativo do FAT (Codefat), a liberação de outros R$ 200 milhões. A próxima reunião do conselho está prevista para abril. Desde que a Caixa sofreu uma reestruturção, em meados de 2001, essa linha tem sido a única alternativa de crédito oferecida pela instituição para a classe média.

De acordo com as regras do programa FAT-Habitação, a taxa de juros cobrada nos empréstimos para compra de imóveis prontos e usados é de 5,5% ao ano, mais a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que atualmente está fixada em 11% ao ano.

Posted 7:53 AM by Cassiano Leonel Drum


Parabéns meu nobre Paulo Santana pelo resultado da pesquisa e pelo prestigio do amigo. Isso que ainda não pesquisou emquantos blogs, por exemplo, são transcritas as suas crônicas, como neste desde o início.

Paulo Sant'ana
21/03/2003


Muito obrigado

Não tomem por vanglória o registro de hoje nesta coluna. É um agradecimento aos gaúchos pela recompensa que me concedem a tantos anos de trabalho indormido, citando-me há 12 anos como uma das marcas mais destacadas na prestigiada pesquisa da revista Amanhã.

Porto Alegre e o Rio Grande do Sul se constituem no pequeno e grande mundo da minha vida.

Este ano a pesquisa trouxe uma novidade: ressaltou a preferência da classe C, a mais numerosa da sociedade gaúcha.

E no seio desse grande público, que apontou centenas de marcas da sua escolha, empresas, produtos, instituições, profissionais, ser escolhido como a imagem entre todas a mais lembrada é fato que confesso me honra e me orgulha.

Assim, humildemente, por esse reconhecimento a 31 anos contínuos do meu esforço, agradeço aos gaúchos esta significativa homenagem que me prestam, à revista Amanhã pela idoneidade de seu documentário e à RBS por ter-me proporcionado esta exposição pública por mais de três décadas, na qual procurei ser apenas digno e justo ao meu tempo e aos meus conterrâneos.

Obrigado por me fazerem sentir útil e feliz.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Posted 7:50 AM by Cassiano Leonel Drum


David Coimbra
21/03/2003


Sant'Ana e Gilgamesh

O problema é o desejo. Disse isso para o Paulo Sant'Ana dias atrás, aqui no bar da Zero. Estávamos, nós e alguns colegas, debatendo sobre as dores do mundo, prontos para resolvê-las enquanto nossos expressos não vinham, e tive essa súbita iluminação: o desejo. Lembrei do princípio da filosofia budista: o desejo é a fonte de toda dor. Eliminado o desejo, elimina-se a dor.

E é assim. A civilização está cimentada no desejo. O motoboy, o agente funerário, o taxidermista, o homem comum passa o dia a se deslumbrar com as curvas macias das Ellens Roches, as coberturas com piscina, as Ferraris flamantes, e depois, ao olhar para a própria vida, o que ele vê? A esposa Odete, que está com pedra na vesícula. O apartamento alugado, que está com vazamento na caixa de gordura. A ficha de ônibus.

Uma tortura. Tântalo a sofreu, na Grécia antiga. Por ter entregue o manjar dos deuses aos humanos, foi condenado a ficar mergulhado na água até o queixo. Quando ia bebê-la, a água baixava. Ele nunca conseguia saciar a sede, pobre Tântalo. O homem comum, que afinal somos todos nós, vive assim. Vive acicatado por feéricos comerciais de TV, pela fulgurância do cinema, vive ansioso de tanta velocidade.

Donde a angústia. A verdadeira diversão parece estar sempre em outro lugar, você está sempre perdendo alguma coisa importante, está sempre sentindo saudade de algo que ainda não aconteceu. Você quer chegar logo, e se esquece de aproveitar a viagem.

Mas, se você não desejasse, não sentiria nada disso. Se se contentasse com o apartamento alugado, com a ficha de ônibus e sobretudo com a Odete e suas doces mazelas, não haveria sofrimento. Porque nada há de errado em ser comum. Nada há de errado em se resignar. Pois alguns problemas não têm solução mesmo. Às vezes, é preciso conviver com a perda, com a escassez, com a deficiência. Com a dor.

Essa ansiedade existe desde sempre, e o homem não aprende nunca. O primeiro texto literário da História, A Epopéia de Gilgamesh, dá testemunho disso. O texto foi escrito há cinco mil anos, exatamente na Mesopotâmia, onde ora se trava essa guerra que, como todas as guerras, é produto da ambição desmedida de que falo. A Epopéia narra inclusive a história do dilúvio. E faz uma reprimenda a Gilgamesh por, já naquela época, desejar demais:

Ó Gilgamesh, por que corres em todas as direções?

A vida que procuras jamais a encontrarás.

Quando os deuses criaram o mundo, também criaram a morte;

A vida, eles a conservam em suas mãos.

Enche teu estômago, Gilgamesh,

Sê alegre de dia e de noite.

Dia e noite sê alegre e contente!

Veste-te de roupas limpas,

Lava tua cabeça; lava-te com água!

Olha a criança que pega a tua mão;

Goza a esposa em teu seio.
david.coimbra@zerohora.com.br

Posted 7:46 AM by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Ataques por ar, terra e mar



No segundo dia de ataques, Estados Unidos e Grã-Bretanha deram uma demonstração do que pretendem fazer durante a guerra no Iraque. Bombardearam Bagdá com intensidade, atingindo um dos palácios de Saddam Hussein e três prédios do governo, lançaram mísseis sobre Mosul, ao Norte, e teriam ocupado uma cidade ao Sul.
Incêndios provocados por mísseis consomem prédios do regime em Bagdá, como o do Ministério do Planejamento às margens do Rio Tigre (foto Faleh Kheiber, Reuters/ZH)


Quinta-feira, Março 20, 2003

Posted 11:29 PM by Cassiano Leonel Drum


Cômico, não fosse trágico. E ai a guerra de informação é fantástica. 10 civis foram mortos. Um civil morreu. Meus caros quantos morrem por dia aqui na Capital neste trânsito maluco, de todos os dias? Na ida para o trabalho no meio do túnel, antes da rodoviaria, havia um motoqueiro estendido ainda no chão.

Meu Deus, pensei esse cara estava trabalhando para ganhar sua vida. E quando mais ele correr e tirar aqueles fininhos, mais ele poderá ganhar. Só que com o sol brilhante e a escuridão do túnel no seu capacete deve tê-lo feito achar que conseguia passar e não pode, batendo atrás de um carro.

Para essas mortes eu não vejo passeata, não vejo protestos. E em todas as capitais acontece isso. Só que são apenas estatísticas, que a Secretaria de Segurança Publica daqui não possui, ou não quer divulgar. De toda a forma bons sonhos, meus amigos e até.



José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! Míssil inteligente tem o QI do Bush!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço desarmado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! GUERRA! Chuva de macbombas! Superman x Musulman! Começou o videogame de pobre! E a CNN tá mais pra Atari que pra videogame. E a Globo só entrou com o bombardeio depois do jogo. Já sei, os soldados estavam assistindo o jogo do Santos. São santistas. E adoro esse míssil inteligente. Deve ter o QI do Bush. E a BBC flagrou o Bush passando laquê antes do pronunciamento. É pro neurônio não cair. Laquê pra segurar neurônio. É um filme de cowboy: 'O Neurônio Solitário'!

E aquela loira peladona que invadiu o Big Bode? E o Bial gritando: 'Segurança! Segurança!'. Eu só quero saber se o Bial tem alergia a loiras ou a peladonas em geral. E o Rio quer trocar o Beira-Mar pelo Andinho. Aí eu sugeri trocar a Marta Suplicy pela Vera Fischer. E um carioca quer trocar o Cesar Maia e a Rosinha por duas ajudantes de palco do Gugu!

E o Saddam era alvo dos mísseis do primeiro ataque, uma 'tentativa de decapitação'. Decapitação? É homenagem à França? E em vez de matar o Saddam, mataram um taxista jordaniano. Que devia ser a cara do Saddam. Pontaria de bêbado!

E Portugal entrou na guerra e já está prestando ajuda humanitária; jogou duas toneladas de tíquete-refeição. Assim eles escolhem o que comer! Rarará! E em Sertãozinho abriram uma nova filial do McDonald's. Ótimo, assim eles não precisam ir até Ribeirão Preto pra protestar contra o Bush! E diz que depois do Iraque, vão atacar a Somália e o Iêmen. Mais mendigo? Daqui a pouco vão bombardear o lixão de Carapicuíba!

E diz que o Bush pode vir procurar petróleo nos poços do Brasil. Só que no fundo do poço, não tem petróleo. Tem nóis. Oi nóis aqui! No fundo do poção! E corre na internet uma relação de países bombardeados pelos americanos: Vietnã, Camboja, Congo, Iraque, Afeganistão, Nicarágua, Cuba e Granada. Em quais desses países os bombardeios fizeram emergir um governo democrático e respeitador dos direitos humanos?

E a penúltima derradeira do Bestiário Tucanês. É que um amigo estava no aeroporto de Londrina quando viu a placa no estacionamento: 'Cuidado, local sujeito a detritos de aves'. Tucanaram a velha e boa cagada de passarinho. Rarará. Socorro. Temos que chamar o Oswaldo Cruz, o Colin Powell e o Bin Laden pra erradicar o tucanês. Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Canguru': líder espiritual de cachorro. Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.

Email simao@uol.com.br

Posted 7:25 PM by Cassiano Leonel Drum


Noites do Norte

Futebol, arquitetura e rock'n'roll em Manchester, capital européia da atitude
Por Jardel Sebba

Paris é romântica, Roma é histórica, Londres é cosmopolita. Mas não há lugar na Europa como Manchester, na Inglaterra. Enquanto outras cidades têm praças, monumentos, estátuas, a atração da principal cidade do norte da Inglaterra não salta aos olhos num primeiro momento.

Manchester tem atitude. Pioneira da Revolução Industrial, berço de inovações da ciência e da indústria, Manchester carrega o orgulho de ser um lugar de trabalho. De gente que cresce nas dificuldades. De posição política independente, combativa. E de ter a cena musical mais rica do planeta, com bandas como Buzzcocks, Joy Division, The Fall, Smiths, Stone Roses, Happy Mondays, New Order, Chemical Brothers, Oasis e Doves.

Andando pela cidade, é impossível saber que tantas bandas legais saíram dali. A cidade repudia qualquer tipo de sentimento nostálgico. Manchester é a capital mundial do desapego ao passado. Não por descaso, mas pela renovação. Enquanto a vizinha e arqui-rival Liverpool parou no tempo, Manchester se orgulha de olhar para a frente. Se parasse para cultuar o Joy Division, talvez não houvesse Smiths. Se parasse para celebrar os Smiths, talvez não houvesse Stone Roses.

Atitude de uma cidade que teve que se reinventar quando a prosperidade da era industrial ruiu, na década de 70. E que teve literalmente que se reconstruir quando uma bomba do IRA explodiu em pleno centro comercial, em 1996. Atitude de quem tem um dos times de futebol mais ricos do mundo, com estrelas de salário milionário, mas onde quem não trabalha duro nem dá o sangue pelo time vai ter uma "conversinha" com Roy Keane, o capitão irlandês sangue-quente.

Com cara e jeito de cidade do interior, Manchester tem pouco mais de 400 mil habitantes na sua área central, que pode perfeitamente ser desbravada a pé. Mas a cidade é rodeada por uma série de pequenos distritos que compõem a Greater Manchester, esta com 2,5 milhões de pessoas. São tão parte da cidade que nenhum deles tem centro comercial (só comércio local) e o transporte público de Manchester cobre todos eles. As pessoas moram nesses distritos e trabalham, fazem compras e se divertem em Manchester.
Com certeza bem mais economica para nós turistas, ao invés de Londres ou outra capital

Posted 7:13 PM by Cassiano Leonel Drum


À espera da primeira broxada

Pode tirar esse sorrisinho da cara. Não aconteceu ainda¿ Mas vai acontecer

Por Lusa Silvestre
. .. .
É inevitável. Porque, se não for por problemas psicofisiológicos, será por decurso de prazo. A idade é um vagãozinho de mina de carvão, como aqueles de filmes do Indiana Jones, descendo pelo trilho, cada vez mais carregado de banha, cada vez mais rápido rumo à pirambeira.

O sujeito hoje em dia dura numa boa até os oitentinha, ajudado pelas vitaminas, pelos médicos, pelos remédios. Esse avanço todo tem um custo. As costas doem, você não consegue cobrar um escanteio decente, e o rapaz lá embaixo perde o viço, a animação. O fluxo sangüíneo se torna preguiçoso, optando por ficar onde a presença é indispensável: coração, pulmões, esses órgãos sem graça do primeiro escalão.

Todo mundo vai, cedo ou tarde, passar por isso. Por um momento, dispensemos o tarde. Já vamos estar preocupados com o colesterol, a coluna, a bengala. O problema é o cedo; a primeira falência vascular peniana acontecendo antes da dentadura no copo.

Pra mim, um dos principais problemas de broxar é que jamais acontece quando se está sozinho. Quantas vezes você já deu bola fora e ¿ graças aos céus ¿ não tinha ninguém pra ver? Aqui, não: haverá testemunha. O jeito é torcer pra essa pessoa ser alguém com quem já se tem uma história de sucessos, uma reputação. Aí, não é tão grave. Claro que vai surgir um teretetê cabeça, uma conversinha. Surge quando a gente enche a cara, quando somos grossos no telefone, como não vai vir numa hora dessas?

Aqui, o jeito vai ser mesmo segurar o empate. Deixar claro que não é nada com ela. E qual é o problema de não corresponder uma vez na vida, me diga? Pelo menos em casa você tem o direito de pipocar. Agora, se for uma conquista recente, xiiiiii, tomara que haja tempo hábil pra desfazer a má impressão. Ou tomara que ela não saia por aí contando. A pior coisa que pode acontecer é broxar com uma fofoqueira.

Vai acontecer

Essa primeira broxada vai ter um palco. Eu pessoalmente acho melhor que aconteça fora de casa. A gente pode sempre jogar a culpa no campo inimigo, reclamar da luz, do colchão, das velas aromáticas etc. E fica mais fácil mesmo; dá pra voltar rápido pro nosso canto e pedir arrego pra umas barras de chocolate. Se for em casa, como fazer pra escapar do constrangimento? Chamar um táxi pra ela? Não, não, não. Vamos encarar a situação: broxamos. Um mínimo de elegância é bem-vindo. Ela já está se achando uma jubarte de proporções continentais. Vamos pelo menos massagear o pé dela uns minutos, já que o ego foi pro chapéu.

E daí, quanto tempo esperar até tentar de novo? Ponho a culpa na, no, sei lá, no que estiver mais perto? Certeza, mesmo, só uma: vai acontecer. E já que não se pode fazer nada, que tal pegar uma cerveja e esperar pelo evento com classe? Vai ficar tudo bem. Nós fomos treinados desde crianças para ter ereções, faz parte do nosso currículo fundamental. Hoje em dia, está ainda mais fácil se defender; até inventaram um remedinho pras emergências.

Basta carregar um daqueles comprimidos azuis na carteira. Só ele estando lá já é um baita apoio moral. Aliás, sinal dos tempos: aos 16, a gente carregava camisinha na carteira. Aos 25, Engov. Próximo passo: Viagra. Não tem jeito, nada muda: entra ano, sai ano, e elas ainda vão perceber nossa ereção pelo volume do bolso da calça.

Posted 7:02 PM by Cassiano Leonel Drum


Quando o dique estoura

Finais não precisam ser horríveis. É suficiente serem tristes

Por Ailin Aleixo

Como termina um amor? Talvez não termine, somente mude para o terreno da amizade sem nos darmos conta. O carinho, o respeito, a vontade de dividir alegrias corriqueiras continuam a viver e nem sequer notamos que algo morreu. Não admitimos a possibilidade de o eterno não existir. Mas morreu algo quase imperceptível, que só notamos quando não está mais lá, entrelaçando as mãos.

Insultos e traições não são necessários para que o amor termine. Alguns, os mais rudes, clamam pela destruição total, precisam do insuportável para divisar aquilo que um dia foi claro e luminoso transformou-se num lodaçal onde ambos se afogam, puxados pelo peso do rancor, pela negativa em abandonar o navio, mesmo rodeados pelos destroços. Não é necessário exterminar tudo de belo para notar que as cores desbotaram e, apesar de ainda harmônicas, já não enchem os olhos de satisfação. A maior dor vem com a constatação de que só amor não basta ¿ a tela que pintamos a quatro mãos pode continuar linda, mas foi, imperceptivelmente, sendo esvaziada de significados e se transformou em algo que observo, mas do qual, tristemente, não faço parte.

O espaço que o amor toma é muito grande; preenche tudo. No momento em que diminui (talvez não diminua, apenas sofra uma metamorfose: não acredito que o amor possa arrefecer, apenas se transforma em outra coisa, inominável) sentimos como se tivessem arrancado nosso fígado, nosso rim. Somos assolados pela convicção tão hesitante quanto lancinante de que não sobreviveremos à sensação de não termos mais porto, segurança, paz. A voz cálida ao telefone. Nos invade a certeza ainda mais cruel de que, depois dessa fissura, não poderemos levar isso adiante, não poderemos provocar mais dor nem infligi-la a nós mesmos. A certeza de que fomos lançados em alto-mar e já não nos cabe querer ou não ¿ a realidade não precisa de nós.

Casa vazia

Então vem o assombro, a sensação de trairmos o outro por já não conseguirmos ser parte de dois, pela estranha e urgente necessidade de sermos um, sozinhos, de nos vermos despejados da visão carinhosa e complacente. ¿Perdi algo que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se tivesse perdido um terceiro apoio que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Esse terceiro apoio eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Sei que só com duas pernas é que posso caminhar, mas a ausência do apoio me faz aflita e me assusta, era ele que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, sem querer precisar me procurar.¿ (Clarice Lispector)

E será inútil esforçar-se para esquecer ¿ tudo o que um dia se misturou carregará consigo partículas do outro. Talvez venha o arrependimento, o recomeço, as cores voltem a brilhar como antes ¿ mas não se pode contar com isso. Não se pode contar com nada. O único caminho viável é viver e correr o sagrado risco do acaso. E substituir o destino pela probabilidade.

O único caminho é entregar-se à desorientação e ter fé, muita fé, de que ela nos leve a um lugar mais calmo, inabitado por nossa agonia e pelo medo de ficarmos sós.

Posted 6:57 PM by Cassiano Leonel Drum


Não quero mais um homem rústico
Nada como uma boa dose de realidade para calar o besteirol

Por Kika Salvi

Então, você deve se lembrar de minhas férias cariocas, quando conheci um negão tudo-de-bom no bondinho de Santa Teresa. É, aquele que eu queria que fosse traficante-do-bem, mas infelizmente era só um jornalista de primorosa aptidão para o ofício, além de escritor, editor, blablablá (não lhe faltava gabarito). Pois é, aquele.

Bom, todo mundo adora recordação de viagem. Na lembrança tudo fica mais bonito: do calor senegalês resta a brisa agradável sobre a pele, da espera no check-in fica a imagem do bonitão que está ao lado, do aperto na ponte-aérea fica o friozinho na barriga com a decolagem promissora. Registrar os pepininhos e desapontamentos das férias é profanar nossa autobiografia. E aqueles poucos minutos de conversa foram perfeitos para um registro magnânimo do passeio no bonde: os primeiros olhares, os sorrisos sutis, a espirituosidade e a gentileza foram todos capturados para aquela página do livro da existência.
Era natural que, quando voltasse à Guanabara, tratasse de apurar as impressões então causadas. Claro.

Você também faria isso. Ainda mais depois de uma instigante correspondência virtual (homem que escreve bem é um baita afrodisíaco). No dim-dom da campainha, antes ainda de a porta abrir, lampejou na minha cachola o primeiro raio da consciência. Foi um tal de ¿O que é que eu vim fazer aqui?¿ reverberando na idéia que ou eu saía correndo antes que a porta se abrisse ou tratava de abafar o meu grilinho com os neurônios-diabinhos. Então abafei.

O polvo gigantesco

Não faltaram elogios e gentilezas, tanto quanto comentários abusados. Sentei na ponta extrema do sofá, num recado óbvio (e esquizofrênico, eu sei) de que existia uma fronteira. Aos poucos ela foi sendo invadida, desfeita pela sociabilidade dos vizinhos. Até que um deles se metamorfoseou em polvo-gigante e parecia ter mil e um tentáculos: mal escapava de um e lá estava outro prontinho pra me agarrar. Achei melhor irmos jantar (era esse o combinado, uma passadinha em sua casa e depois sair pra comer).

Me desvencilhei do gostosão em nome de um retoque no batom diante do espelho. E o molusco gigantesco se antecipou sob a minha saia e abocanhou a pobre nádega vulnerável. Vixe Maria! A essa altura já me passava tudo na idéia: minha estupidez de estar ali, um jeito de escapar, como botar meu biquininho no dia seguinte com uma mordida roxa na saliência. Em pânico, encarnei o olhar de súplica e afastei meu belo mouro. Então ele me abraçou, num gesto que deveria sugerir acalento genuíno.
Meu São Crispim! Foi aí que senti a gravidade da situação. O moço ostentava uma ¿big Coke¿ entre os trópicos, e a primeira imagem que me veio ao pensamento foi de mim partida ao meio por aquela potência nuclear.

Virgem Santa! Tratei de sair dali rapidinho, sem muitas delongas (nada que eu dissesse àquela altura colaria, então pra que subestimar a inteligência do sujeito?), num gesto desesperado de sobrevivência e preservação das minhas partes delicadas. Não me pergunte se o polvo ficou em polvorosa porque essa parte prefiro omitir, mas nem andar sozinha pela rua sombria atrás de um táxi me deixou tão aterrorizada quanto aquela promessa arrasadora.

Disso registre só o que importa acerca da ousadia feminina: ela só fica de pé na fantasia. Ou nos redutos do amor de longa data. Saiu daí, é puro blablablá.

Posted 2:07 PM by Cassiano Leonel Drum


Você sabe amar de Verdade ?

Eu estou aprendendo !!!
Estou aprendendo a aceitar as pessoas,
mesmo quando elas me desapontam.
Quando fogem do ideal que tenho para elas,
quando me ferem com palavras ásperas ou ações impensadas.
É difícil aceitar as pessoas
assim como elas são,
não como eu desejo que elas sejam.

É difícil, muito difícil, mas estou aprendendo.

Estou aprendendo a amar.
Estou aprendendo a escutar,
escutar com os olhos e ouvidos,
escutar com a alma
e com todos os sentidos.
Escutar o que diz o coração,
o que dizem os ombros caídos, os olhos, as mãos irrequietas.
Escutar a mensagem que se esconde por entre as palavras
corriqueiras, superficiais;


Descobrir a angústia disfarçada,
a insegurança mascarada,
a solidão encoberta..
Penetrar o sorriso fingido,
a alegria simulada, a vangloria exagerada.
Descobrir a dor de cada coração.

Aos poucos, estou aprendendo a amar.
Estou aprendendo a perdoar.
Pois o amor perdoa, lança fora as mágoas, apaga as cicatrizes
que a incompreensão e a insensibilidade gravaram no coração ferido.

O amor não alimenta mágoas com
pensamentos dolorosos.
Não cultiva ofensas com lástimas e autocomiseração.
O amor perdoa, esquece,
extingue todos os traços de dor no coração.

Passo a passo, estou aprendendo
a perdoar e a amar .
Estou aprendendo a descobrir o valor que se encontra
dentro de cada vida, de todas as vidas.
Valor soterrado pela rejeição, pela falta de
compreensão, carinho e aceitação,
pelas experiências duras vividas ao longo dos anos.

Estou aprendendo a ver nas pessoas a sua alma e as possibilidades que Deus lhes deu.

Estou aprendendo.
Mas como é lenta a aprendizagem !!!
Como é difícil amar !!!

Todavia, tropeçando, errando, nos meus muitos anos atuais, estou aprendendo...
Aprendendo a pôr de lado minhas próprias dores, meus interesses, minha ambição, meu orgulho, quando estes impedem o bem-estar e a felicidade de alguém !!!

Como é duro amar !!!
Eu estou aprendendo...

Posted 1:50 PM by Cassiano Leonel Drum


A i n d a


Não digamos "não", nem "nunca mais"...
não digamos "sempre" ou "jamais"...
digamos, simplesmente: "ainda"!...

Ainda nos veremos um dia...
Ainda nos encontraremos na estrada da vida...
Ainda encontraremos a pousada,
o afeto almejado, a guarida...

Ainda haverá tempo de amar,
sem medo, totalmente... infinitamente...
sem ter medo de pedir, de implorar,
ou chorar...

Ainda haverá tempo,
para ser feliz novamente...
Ainda haverá tristeza,
ainda haverá saudade,
ainda haverá primavera,
o sonho, a quimera...

Ainda haverá alegria,
apesar das cicatrizes...
Ainda haverá esperança,
porque a vida ainda é criança...
e amanhã será outro dia!...

Ainda ficaremos juntos
Ainda nos amaremos mais...
Amo você mas isso não é ainda...
Será para sempre e
Não te esquecerei jamais!

Posted 10:48 AM by Cassiano Leonel Drum


Amigo Dennis, aprendi a admirá-lo pelo que você escreve, pelo que você é e acima de tudo por tudo o que você escreve que sente. Assim, acho que não poderia contribuir de forma melhor que postar aqui os escritos do seu Blog e colocar o link para que meus amigos e leitores também se solidarizem com você, neste momento de ângustia. Abraços, amigo e coragem, a vida continua, embora muitas vezes desejarmos que ela finde.

Amigos queridos, as coisas continuam difíceis.

Sinto que estou melhor, psicologicamente melhor, mas ainda existem uma tristeza muito grande e uma cratera de perplexidades dentro de mim. Tenho fé, busco refúgio em Deus, sempre tentando encontrar um ponto de equilíbrio, um entendimento maior. Faço tudo o que está ao meu alcance e tenho conseguido seguir adiante, dia a dia, dentro da serenidade possível.

Pessoas maravilhosas estão ao meu lado, próximas, me ajudando. Pessoas maravilhosas, mesmo longe de mim, têm enviado muitas mensagens de apoio, de carinho, de fé. Sou agradecido a cada um que se preocupa comigo, podem estar certos disso.
Tenho entrado pouco na Internet, por isso recoloquei o sistema do Yaccs. Compreendo que as pessoas queiram dizer algo, e queiram saber como andam as coisas. Por isso, recoloquei o sistema de comentários sem filtro.Minha mãe continua lá na UTI, adormecida. Tudo na mesma; melhora aqui, piora ali. Deus, nem sei mais o que pensar! Quero cultivar um sentimento de esperança, mas quero ¿ ao mesmo tempo ¿ cultivar uma grande aceitação.

Há momentos em que eu assisto a um filme qualquer na tv, ou em que eu estou almoçando num restaurante, e até me esqueço da situação triste de minha mãe. De repente, vem aquilo tudo de volta à minha cabeça e o meu coração fica pequenino outra vez. Acho que tudo isso é natural, dentro da situação que atravesso. Há alguma coisa de novo debaixo do sol? Não, não há!

A dor que eu sinto hoje é semelhante às dores de muitos, passadas, presentes e, mesmo, futuras. Não podemos sair do mundo todos juntos, de mãos dadas com as pessoas que amamos. Sei disso, claro. Partimos em fila, um depois do outro; é assim que acontece. Desejo muito que minha mãe melhore, que fique mais tempo comigo, mas... é só um querer de filho. Deus é quem vai decidir!

Queria tanto poder abraçar e beijar cada um dos amigos que estão torcendo por mim! Sintam-se - todos vocês - abraçados e beijados, está bem?

Dennis

Posted 10:40 AM by Cassiano Leonel Drum


Muitos de vocês já sabem dos problemas sérios que estou enfrentando. Não está sendo nada fácil, meus amigos; tenho caído e me levantado diversas vezes a cada dia. Hoje, minha mãe completa o seu 12º dia de internação em uma UTI. É um caso grave, gravíssimo, os médicos têm feito tudo para que ela reaja, para que ela saia do estado crítico. Num dia, surge uma pequena melhora, o meu coração se enche de esperança, mas... no dia seguinte, aparece algum elemento complicador e eu vou ao fundo do poço.

Minha mãe, e os mais próximos sabem disso, sempre foi uma mulher valente, controlada, discreta, serena. Nunca vi minha mãe esbravejar, perder o controle, dar piti. Não, não. Ela sempre foi um monumento de tranqüilidade. Por ser tão controlada e não ser dada a sentimentalidades, eu a achava um tanto fria. Cheguei a pensar que não me amasse. Confesso que, dentro de mim, sempre censurei aquele seu jeito de ser. Faz 12 dias, descobri, espantado, que amo demais minha mãe; e descobri que ela me ama, e que sempre me amou muito. Naquela UTI, eu e ela nos compreendemos... e a dor imensa que me invade, agora... é saber que, provavelmente, não terei chances de colher os frutos dessa mútua compreensão, dessa plenitude de amor e entendimento.
Minha mãe dorme. Não me pode ver, ouvir, não me pode oferecer o timbre querido e calmo de sua voz.

Os meus olhos estão queimados de tanto chorar; sou um marmanjo, por fora, e um menino de 7 anos, por dentro. Penso como adulto, mas sofro como criança à beira da orfandade.

Nestes poucos dias, descobri muitas coisas sobre mim mesmo. Descobri, por exemplo, que nada sei da vida, nem da morte. O pouco que julgava saber, da vida como da morte, é-me insuficiente, terrivelmente insuficiente, não aplaca meu sofrimento.

Descobri, por outro lado, um novo modo de olhar as pessoas, principalmente as que sofrem, as que vivem o desamparo físico ou emocional. Estou cercado de amor, de apoio, de braços e ombros amigos. Todos me consolam, procuram aliviar meu fardo. Sou grato, profundamente grato, e peço a Deus que me seja dada a oportunidade de retribuir esses gestos de carinho.

Passaram-se 12 dias , 12 longos dias... e sinto que o meu coração ficou do tamanho de uma ervilha. Ainda não consegui evitar essas lágrimas que saltam dos meus olhos, sem pedir licença, sem respeitar as conveniências. Queria ser mais forte, mais filosófico, mais sensato, no entanto... é um menino de 7 anos que está vivendo esta dor. É com 7 anos que eu me sinto.Queria tanto, neste momento, ter um filho nos braços, mas não tenho esse filho. Queria tanto não sentir medo, mostrar-me, a mim mesmo, como um soldado valente, exemplar... mas um menino de 7 anos não pode ser pai, nem pode ser soldado...

Peço a Deus que me permita crescer novamente. Quero acordar, como antes, sentindo-me completo, inteiro, sentindo que tudo está bem... sentindo que tudo é exatamente o que deve ser, que tudo está onde deve realmente estar, porque este é o meu caminho, porque esta é a minha vida, e eu sou muito mais do que esta dor que me aflige. Minha vida mudou, eu mudei, preciso, quero seguir em frente.

Aconteça o que acontecer, desejo terminar este texto deixando um beijo para minha mãe. Não, não há nada que eu precise explicar a ela... porque ela já sabe o que importa saber. Foi ela quem fez meu coração.
Meu beijo para você, mãe!
Dennis

Posted 8:51 AM by Cassiano Leonel Drum


Artigo
Sobre vivos e mortos
PABLO MORENO/ Professor - Passo Fundo RS

Sou daqueles que acreditam que são as força opostas que impulsionam a roda d'água do universo. Para mim, continuar vivo é manter verde a árvore do apaixonar-se e ter sempre uma brasa de indignação faiscando. Em outras palavras, cultivar o amor e a repulsa, para não usar a palavra ódio, forte demais para nosso imaginário.

Quem não se apaixona e nem sente indignação está morto, ou é medíocre, que é uma forma de estar morto sem passar pelos ritos necessários. O medíocre, fingindo conformidade com o curso das coisas, engana a si mesmo e aos outros. É fácil descobri-lo. É aquele sujeito que, mesmo ante a guerra, proclama o inconsistente mote "faz parte". Como se fôssemos condenados a um destino inexorável, ditado por algum exótico poder extra-história.

Ante a iminência de uma
guerra, é muito fácil
distinguir os homens vivos

Além do medíocre, existe também outro tipo de morto-vivo. Chamarei de alienado. É aquele que, embora tenha paixão e indignação, é por causa ou personagem alheios, tomados como seus por falta de coragem, ou para comungar da aparente grandeza dos arautos. O tipo alienado sustenta seu discurso no discurso dos outros. "Você viu o que o fulano falou?" "A Revista X defende..." "A moça do telejornal anunciou..." Como se o nome de alguém ou de algo, por si só, avalizasse verdades absolutas para todos os cérebros.

Ante a iminência de uma guerra, é muito fácil distinguir os homens vivos. Há muitos por aí apaixonados e outros tantos indignados. Há, também, os medíocres, embora em menor número. A guerra é uma situação-limite na qual o amor e a indignação podem ser admirados na transparência de suas contraditórias forças. Na guerra, a vida é a juíza da história. Ao menos, deviam deixá-la no discernimento de todas as crises.

Porque a vida é a fundadora de todas as escolhas, condição sine qua non para todo argumento. Sob seu olhar, como quando ingerimos um contraste daqueles para radiografias viscerais, podemos enxergar os homens de grandes causas e diferenciá-los dos medíocres e alienados. Nenhum argumento justificará a morte, pois ela inviabiliza qualquer possibilidade de reavaliação dos rumos escolhidos.

A guerra/morte me causa indignação. A paz/vida me apaixona. Não digam que fiz uma opção por algum povo, por alguma personagem ou por um sistema político-econômico. Minha declaração também não é uma mostra de altruísmo, nem de grandeza de espírito. Sou é muito egoísta. Só estou defendendo aqui minha vida, com idéias, unhas e dentes, sendo "unhas e dentes" apenas força de expressão.

Quero amanhã de manhã, e nas manhãs que se seguirem, poder estar vivo para apaixonar-me pelas estrelas e indignar-me com as péssimas músicas que fazem sucesso, coisas triviais. Como sei que vou morrer de qualquer jeito, pretendo seja por causa natural. Causa natural eu chamo aquela que nos incendeia em profunda indignação, mas contra a qual não há nada a ser feito pelos homens. O que não é, absolutamente, o caso da guerra.

Posted 8:43 AM by Cassiano Leonel Drum


As bombas e os mísseis estão caindo certamente no sítio encantado dos Jardins Suspensos da Babilônia, uma das sete maravilhas do mundo antigo. E vê se alguém está lá preocupado com o que vai sobrar disso, se sobrar. Aliás, empresas já estão sendo convidadas para reconstruir estes lugares, não sei se estes monumentos. Quem sabe, não surge ai uma possibilidade de se refazer estes jardins para que os jovens, consigam ver in loco o que aprendem nos livros de história.



Paulo Sant'ana
20/03/2003

Luz e sombras

Eu não posso acreditar que, desde ontem, começou a ser bombardeada com ferocidade de 3 mil mísseis e bombas, em apenas 48 horas, a nação que foi na Antigüidade a fulgurante Babilônia, berço da história da humanidade.

As bombas e os mísseis estão caindo certamente no sítio encantado dos Jardins Suspensos da Babilônia, uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Este Iraque que hoje atrai a atenção do mundo porque está sendo alvo daquele que deverá ser o ataque bélico mais severo da história das milhares de guerras que já amargaram a humanidade já foi habitado e dominado por inúmeros povos que sublimaram a civilização: os sumérios, os assírios, os persas, os gregos, os romanos, os babilônios, os caldeus, os hititas e tantos outros que fizeram os pilares da experiência humana.

Diante da televisão, assistimos ao videogame das bombas e mísseis teleguiados sendo jogados sobre um território bíblico, pois foi ali, onde agora é o Iraque, que foi erguida a Torre de Babel.

E foi também nessa terra de magistral história, que começa a ser arrasada, que aconteceu o dilúvio que deu origem à Arca de Noé.

Se não bastasse, foi também dali onde hoje é o Iraque, naquele tempo a Suméria, 1.900 a.C., que saiu o patriarca Abraão para fundar com suas esplêndidas e revolucionárias idéias monoteístas o campo fértil das três fés basilares do mundo atual: o cristianismo, o judaísmo e o islamismo.

Ali na Mesopotâmia, com este nome porque se constituía no belo e melífluo vale entre os rios Tigre e Eufrates, exatamente ali onde é o Iraque, que desde ontem está sendo destruído, estava erguida a luminosa Babilônia, ao seu lado a superpopulosa e perversa cidade de Nínive, que o Senhor mandou que fosse convertida pelo profeta Jonas, o que foi engolido pela baleia.

A mesma Nínive em que o rei mesopotâmio Gilgamesh lutou, com atroz sofrimento físico e moral, pela sua imortalidade, sorvendo o elixir da eterna juventude, mas se provou para sempre que o limite da condição humana é a morte.

Ali mesmo, no Iraque que desde ontem está sendo varrido do mapa pelos mísseis e pelas bombas, um pouco depois, 1775 a.C., fundou-se no mundo o império da Justiça, através da edição do Código de Hamurabi, rei babilônio, instaurando-se um sistema de penas para os delitos e as transgressões, tendo o cuidado, pela primeira vez na História, de erigir inéditas disposições para a proteção das mulheres.

Uma terra sagrada assim como o Iraque não podia ser governada por um sanguinário ditador como Saddam Hussein. Nem ser dilacerada como vai ser por uma guerra tão incompreensível.

Essa é uma terra que tinha de ser tombada para ser admirada e adorada pelos homens.

Não é possível que uma mancha larga de sangue banhe as páginas da Bíblia e da História, lançando sombras sinistras sobre a luz desse território que transformou o homem bárbaro em civilizado.

E o espetáculo que está programado pela televisão e que estamos vendo é o homem civilizado voltar a ser bárbaro.

É definitivamente desanimador que isto se dê no mesmo local.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Posted 8:32 AM by Cassiano Leonel Drum


Nilson Souza
20/03/2003


Um pai no front

Perdi uma aposta informal para o meu companheiro de trabalho Oziris Marins. Ao vê-lo ansioso na antevéspera do embarque para a Jordânia, de onde faz a cobertura jornalística do conflito para a RBS, procurei acalmá-lo com uma afirmação temerária:

Aposto que essa guerra não vai sair. Vais fazer uma viagem de turismo e logo, logo estarás aqui, brincando com o Dudu.

Dudu é o filho do Oziris, tem seis anos e se tornou uma espécie de mascote desta Redação carente de crianças. Antigamente havia um programa de visitas destinado a escolares. De vez em quando éramos surpreendidos por uma turma de pirralhos uniformizados, desfilando silenciosos entre as mesas e computadores, obviamente por recomendação expressa e bem-intencionada das professoras. Só para implicar com as mestras, eu costumava dar uma contra-ordem:

Podem falar à vontade. Aqui não é proibido conversar como na sala de aula.

Para o filho do Oziris nunca foi preciso autorizar nada. Ele sempre fez da Redação uma extensão de sua casa. Entra quase voando, fala alto, responde a todas as provocações e, instruído pelo pai, não perde a chance de alardear sua condição de torcedor colorado. Todos se divertem com o menino e não há quem não se enterneça quando, ao final de um dia de peraltices, ele desaba no sofá do estúdio da TVCom e dorme profundamente. Aí é a nossa vez de fazer silêncio para não acordá-lo.

Na véspera do embarque do Oziris, Dudu esteve na Redação pela última vez e não estava para brincadeiras. Encontrei-me com ele na porta de entrada e ameacei-o com uma simulação de golpe de kung-fu, ou coisa parecida, mas ele preferiu não reagir. Passou direto à procura do pai. Sua preocupação era visível. Criança percebe tudo.

Oziris está dando um show de profissionalismo e competência na ante-sala da guerra. São tantos os boletins para rádio e televisão que a gente tem a impressão de que ele continua aqui, ocupando todos os espaços e ainda encontrando tempo para entrar apressado na Redação, bater continência como nos seus tempos de Aeronáutica, filar um cigarro de alguém e sair à procura do Dudu.

Ah, se os senhores da guerra entendessem que nada no mundo pode ser mais importante do que o amor e a amizade entre pais e filhos, entre irmãos, entre amigos, aposto que iam brincar de outra coisa. Ou melhor: não aposto mais nada.
nilson.souza@zerohora.com.br

Posted 8:28 AM by Cassiano Leonel Drum


Cortados do documento: os nomes de todas as empresas, americanas, britânicas e alemãs na sua maioria, que venderam tecnologia de guerra nuclear, química e biológica ao Iraque antes de 1991. Vejam, primeiro as empresas vendem, depois eu provoco uma guerra para destruir estas armas. Posteriormenete eu vendo e assim são os negócios.



Luis Fernando Verissimo
20/03/2003


Nomes de respeito

O documento de 12 mil páginas sobre suas armas que o Iraque forneceu às Nações Unidas no ano passado foi censurado antes de ser distribuído, a pedido dos Estados Unidos, segundo o jornal alemão Tageszeitung (saúde!), citado pelo jornalista Alexander Cockburn, que é provavelmente o último stalinista vivo mas um bom catador de hipocrisias.

Cortados do documento: os nomes de todas as empresas, americanas, britânicas e alemãs na sua maioria, que venderam tecnologia de guerra nuclear, química e biológica ao Iraque antes de 1991, encorajadas pelos respectivos governos, apesar das proibições em tratados da época. Nomes de respeito como Honeywell, Rockwell, Hewlett Packard, DuPont, Eastman Kodak, Bechtel. Saddam Hussein foi apoiado e armado pelos americanos quando era a alternativa secular preferível à teocracia hostil do Irã e Donald Rumsfeld o admirava, embora ele não fosse melhor caráter do que é hoje.

As empresas que armaram ilegalmente o Iraque tiveram seus nomes apagados do registro. (Grandes empresas costumam ter sucesso em manter seus nomes fora dos prontuários. Há bons exemplos disso aqui na república da impunidade e da corrupção sem corruptores. Tente encontrar uma relação dos empresários que financiaram a Operação Bandeirantes de caça clandestina aos subversivos em São Paulo, durante a ditadura militar, por exemplo. Sem intenção de mexer desnecessariamente no lodo do passado, apenas como curiosidade. Ou uma lista das grandes empresas que se submeteram ao achaque semi-oficializado do P.C. Farias, durante o governo Collor, e também continuaram com nomes respeitáveis.)

O governo americano já está escolhendo as companhias que vão reconstruir o Iraque depois da esperada devastação na guerra que começa. A maioria das favoritas na licitação, para um trabalho que custará estimados US$ 20 bilhões por ano por vários anos, é de amigas da Casa Branca, ou você esperava que escolhessem alguma francesa? Exemplo, conforme um artigo recente no Salon: a Kellogg Brown & Root, que pertence à Halliburton, que já foi dirigida pelo vice-presidente Dick Cheney, e que já lucrou bastante com o terror, construindo o campo de internamento de prisioneiros em Guantanamo, entre outras coisas.

E a ubíqua Bechtel, uma firma de engenharia com sede na Califórnia cuja influência na política e na história americanas, desproporcional ao seu cuidadoso perfil baixo, vem de longe, e já alimentou várias teses conspiratórias sobre poder secreto. Esperando a vez de pegar, literalmente, as s