E N T R E L A Ç O S
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Sábado, Abril 12, 2003




E eu amo de paixão o IGUATEMI, o de Porto Alegre, o de São Paulo, o de Salvador e o de Maceió, mas evidente que o de Porto Alegre, já proporcionou-me momentos inesquecíveis.

Moacyr Scliar
13/04/2003


A ilha do consumo (e da fantasia)

Iguatemi chega aos 20 anos, e todo o empreendimento que atinge esta idade provecta (provecta em termos de sociedade de consumo; jovem, em termos de pessoa) é uma instituição. Aliás, não só o Iguatemi. O shopping se tornou um símbolo de nossos tempos. É uma invenção americana, como a tevê e a Internet, o que faz algumas pessoas torcer o nariz, mas é uma realidade que se impôs. Melhor shopping do que bombas, inteligentes ou não.

É claro que o shopping não surgiu do nada. A idéia de concentrar várias formas de venda num mesmo local vem desde as feiras medievais. Mas estas eram temporárias e sujeitas a intempéries. Aí apareceram as galerias, sobretudo as francesas, que tanto fascinavam Walter Benjamin e das quais temos um modelo na tradicional Galeria Chaves. As galerias realmente impressionavam pela elegância. Mas na verdade eram locais de passagem, com uma entrada e uma saída. O shopping é diferente. O shopping é um sistema fechado, uma ilha de consumo no meio do caos urbano.

A gente vai ao shopping para lá ficar; é um programa, garantido pela tríade consumo-comida-diversão. Fazemos compras (ao menos em época de liquidação), depois entramos no cinema para ver o último filme que Hollywood nos oferece, e por fim vamos à praça de alimentação, onde aliás se come razoavelmente bem. Enfim, ali estão todas as gratificações capazes de nos transformar em bebês satisfeitos.

Há um estilo de vida do shopping, como o provam os jovens que lá marcam encontro, que lá batem papo com amigos, e lá namoram (a esta altura, muito casamento deve ter nascido no Iguatemi). "Dating is like shopping", dizia um artigo numa dessas revistas americanas de psicologia-pop que por acaso li (e que me dei ao trabalho de copiar). Marcar um encontro é como ir às compras. Explica a autora: às vezes entramos na loja certa e encontramos o item perfeito, às vezes dá tudo errado. Mas a sábia senhora tem conselhos para evitar a frustração: "Vá a lugares onde você poderá encontrar a 'mercadoria' exata. Se você gosta de arte, entre num museu". E nem uma palavra sobre shoppings, ingrata terapeuta?

No inverno americano, as pessoas vão ao shopping de manhã para caminhar ao abrigo da intempérie - e há longos trajetos a fazer lá dentro, desde que as vitrinas não nos distraiam, claro. É um programa de terceira idade, porque este é um outro efeito dos shoppings: eles "compartimentalizam" a clientela. Nos cinemas do Moinhos de Vento, por exemplo, o público é em geral de meia-idade. O consumo de pipoca e de refrigerante é muito menor, o barulho da mastigação também, o que pode ser uma boa notícia para os cinéfilos.

Mas a maior prova de que o shopping se tornou uma instituição é que ele hoje faz parte do folclore urbano, aquelas historietas apócrifas que a gente ouve e que passam por verdadeiras. Em qualquer lugar do mundo as pessoas contarão a história do menino que se perde dos pais num shopping e que é encontrado na manhã seguinte, semi-anestesiado e com uma cicatriz cirúrgica: um rim lhe foi retirado, obra da máfia dos órgãos para transplante. Quem são estes invisíveis vilões, ninguém sabe.

Como o Fantasma da Ópera, eles se escondem nos desvões e nas sombras que existem mesmo nos shoppings feericamente iluminados. E que nada mais são do que a projeção dos labirintos de nosso próprio inconsciente. O shopping é um refúgio para muitos pesadelos da vida urbana. Mas, mesmo nele, não fugimos de nossas fantasias. O que podemos fazer é trocar estas fantasias por outras. Neste sentido, as ofertas dos shoppings representam o ápice da sedução.
scliar@zerohora.com.br




Martha Medeiros
13/04/2003


Nossos velhos

Foto(s): Reprodução/ZH

Pais heróis e mães rainhas do lar. Passamos boa parte da nossa existência cultivando estes estereótipos. Até que um dia o pai herói começa a passar o tempo todo sentado, resmunga baixinho e puxa uns assuntos sem pé nem cabeça. A rainha do lar começa a ter dificuldade de concluir as frases e dá pra implicar com a empregada. O que papai e mamãe fizeram para caducar de uma hora para outra? Fizeram 80 anos.

Nossos pais envelhecem. Ninguém havia nos preparado pra isso. Um belo dia eles perdem o garbo, ficam mais vulneráveis e adquirem umas manias bobas. Estão cansados de cuidar dos outros e de servir de exemplo: agora chegou a vez de eles serem cuidados e mimados por nós, nem que pra isso recorram a uma chantagenzinha emocional. Têm muita quilometragem rodada e sabem tudo, e o que não sabem eles inventam. Não fazem mais planos a longo prazo, agora dedicam-se a pequenas aventuras, como comer escondido tudo o que o médico proibiu. Estão com manchas na pele. Ficam tristes de repente. Mas não estão caducos: caducos ficam os filhos, que relutam em aceitar o ciclo da vida.

É complicado aceitar que nossos heróis e rainhas já não estão no controle da situação. Estão frágeis e um pouco esquecidos, têm este direito, mas seguimos exigindo deles a energia de uma usina. Não admitimos suas fraquezas, seu desânimo. Ficamos irritados se eles se atrapalham com o celular e ainda temos a cara-de-pau de corrigi-los quando usam expressões em desuso: calça de brim? frege? auto de praça?

Em vez de aceitarmos com serenidade o fato de que as pessoas adotam um ritmo mais lento com o passar dos anos, simplesmente ficamos irritados por eles terem traído nossa confiança, a confiança de que seriam indestrutíveis como os super-heróis. Provocamos discussões inúteis e os enervamos com nossa insistência para que tudo siga como sempre foi.

Essa nossa intolerância só pode ser medo. Medo de perdê-los, e medo de perdermos a nós mesmos, medo de também deixarmos de ser lúcidos e joviais. É uma enrascada essa tal de passagem do tempo. Nos ensinam a tirar proveito de cada etapa da vida, mas é difícil aceitar as etapas dos outros, ainda mais quando os outros são papai e mamãe, nossos alicerces, aqueles para quem sempre podíamos voltar, e que agora estão dando sinais de que um dia irão partir sem nós.
martha.medeiros@zerohora.com.br




Luis Fernando Verissimo
13/04/2003


Miss Simpatia

Os organizadores do baile pediram para as quatro, Aline, Monica, Elvira e Maria José, esperarem num camarim para relembrarem aquela noite inesquecível, 30 anos antes

Aline foi Rainha do Sesquicentenário da Independência, Mônica e Elvira, Princesas, e Maria José, Miss Simpatia. E aconteceu de se encontrarem numa festa, justamente a festa com que o clube festejou os 30 anos do memorável baile em que as quatro tinham sido eleitas. Aline, Rainha. Mônica e Elvira, primeira e segunda princesas, respectivamente. E Maria José, a Zequinha, Miss Simpatia. No encontro, elas gritaram e pularam e se abraçaram exatamente como tinham feito naquela noite, ao ouvirem o resultado do concurso. Bem, não exatamente. Estavam trinta anos mais velhas. Mônica e Elvira tinham engordado bastante, como se engordar fosse uma sina das princesas. Aline não podia pular muito por causa do rosto e dos seios novos, sua última plástica fora semanas antes. Quem gritou e pulou com o mesmo entusiasmo foi a Zequinha. A Zequinha era assim. Esfuziante. Desde pequena. "Esfuziante" era um adjetivo criado para ela. A Zequinha continuava esfuziante.

As quatro não tinham mais se visto desde o baile memorável. Aline, que estava noiva na ocasião (e, cochichava-se, grávida), casara em seguida, com um militar, e se mudara para o Rio. Mônica, que só viera à cidade para o feriado de 7 de Setembro e o baile, voltara para a escola. Elvira ficara na cidade até o fim daquele ano mas freqüentava pouco o clube, quase não era vista, falava-se que tinha problemas em casa. No fim do ano desaparecera, junto com a família. Só a Zequinha nunca fora embora. Zequinha continuava na cidade.

Os organizadores do baile pediram para as quatro esperarem num camarim, antes de serem chamadas ao palco para relembrarem aquela noite, 30 anos antes. As quatro aproveitaram para trocar informações sobre suas vidas. Aline contou que estava no quarto marido. Gritos das outras. Mônica contou que trabalhava muito (psicóloga, consultora de empresas), nunca casara, mas tinha um relacionamento com um homem bem mais moço. Mais gritos. Elvira contou que chegara a trabalhar como modelo, até tentara alguma coisa em televisão, mas agora só se dedicava a tratar do pai. As outras se lembravam, claro, dos problemas do seu pai. Ninguém se lembrava, mas todas fizeram ruídos de comiseração. Principalmente a simpática Zequinha. E quando as outras perguntaram como tinha sido a sua vida, Zequinha disse "A minha? Comparada com a de vocês, não foi nada!". Rindo, como se "nada" fosse tudo que ela queria. A Zequinha vivia para o marido, os filhos e os netos, não queria outra coisa. A Zequinha continuava contente da vida.

Foi quando a Aline ficou séria e perguntou:

- Você não ficou chateada com o que eu disse aquela noite, ficou?

- Que noite? - perguntou Zequinha, ainda rindo.

- Do concurso.

- Eu não me lembro do que você disse!

- Jura?

- Juro. A única coisa que eu lembro daquela noite é o pulo que eu dei quando anunciaram o resultado. Eu, Miss Simpatia!

- Eu lembro do que você disse, Aline.

- Eu também.

Mônica e Elvira, primeira e segunda princesa, lembravam-se da maldade da Rainha. Trinta anos antes, Aline dissera que escolher alguém como Miss Simpatia num concurso de beleza era apenas uma maneira polida de lhe dizer que estava na festa errada. A faixa de Miss Simpatia não era consolo suficiente para Zequinha por não ser tão bonita quanto ela, Aline, e suas princesas.

- Juro que não me lembro! - disse Zequinha.

Aline explodiu:

- Pare com isso, Zequinha! Quer parar com isso? Eu era uma beleza e me transformei nisto. Até o meu cabelo é falso. Que saber? Até o cabelo. Essas duas ficaram esses horrores. Quando eu olho a minha faixa de Rainha, choro, está entendendo? Choro. Nenhuma de nós é mais o que era. E você continua a ser simpática! Só você ainda merece a sua faixa. Pare de ser simpática, Zequinha!

Aline passou a soluçar. As duas princesas não lhe deram atenção. Zequinha tentou consolá-la. Abraçou- a . Disse "Pronto, pronto". O que poderia fazer?

Continuava simpática.




E para voces que curtem ele, e aliás achei merecido ter sido o campeão, e evidente que não foi de graça, senão por muito trabalho que chegou lá, ai está a foto do nosso Kayky Brito. Bom domingo a todos nós e fiquem com os anjinhos.




Sem sair de casa
Experiências de quem abandonou o mundo corporativo e montou um escritório no aconchego do lar mostram o que há de vantajoso nessa opção
Leila Souza Lima

Em casa como no trabalho. Será essa a impressão das pessoas que optam por um novo estilo de vida e passam a trabalhar em casa? A resposta pode variar, de acordo com a realidade de cada uma. Mas algo é inegável: É cada vez maior o número de profissionais que, por inúmeras razões, resolvem abandonar o ambiente corporativo e montar um escritório na extensão da sala, em um cômodo extra e até no quartinho de empregada.

Foi o que fez a tradutora Elena Pires Ferreira, que, após 18 anos de secretariado e cinco como tradutora em uma empresa, resolveu transferir todas as atividades para seu apartamento, precisamente para o quartinho de empregada. ¿Meu marido se aposentou e optei por ficar perto dele. Não há como não ter interferência no cotidiano, mas já trabalho dessa forma há 10 anos¿, conta Elena.

Por interferência, leia-se solicitação dos familiares no meio do ¿expediente¿, chamado de amigos e vizinhos, ligação de clientes fora de hora, entre outros incômodos a que está sujeito esse profissional, também apelidado de houser (aquele que gosta de ficar em casa).

Margarete Rodrigues da Silva, que atuou por 20 anos em empresas do mercado financeiro, foi pelo mesmo caminho. Levada pela necessidade de acompanhar melhor a infância da filha de cinco anos, passou a operar de casa. ¿Esse lado compensa tudo. Agora tenho mais tempo para ficar com minha filha. A desvantagem é que a gente perde o contato direto com o público e, com isso, oportunidades de conquistar novos clientes¿, analisa Margarete.

Mudança requer estrutura, como um canto para montar o escritório

Em contrapartida, ela acha que ficou mais imune aos vícios do mercado, à boataria, e que assim consegue trabalhar melhor. ¿Não há problema em separar as coisas. Minha filha vai à escola, meu marido, para o trabalho, e eu fico sozinha, tranqüila¿.

Na balança de perdas e ganhos pesam, além da necessidade de estar perto da família, a busca por qualidade de vida, de liberdade para administrar o tempo e até a vontade de aumentar os rendimentos. Afinal, nem todo mundo que decide trabalhar em casa é casado ou tem filhos.

O modelo de vida requer alguma estrutura ¿ computador, telefone, escritório ¿, além de uma boa rede de contatos. O profissional pode ser contratado de uma empresa ou prestador de serviço, o chamado freelancer. O importante, segundo quem experimenta, é fazer essa escolha com prazer, e não só pelos ganhos. Se não, o efeito pode ser inverso. A pessoa pode ficar profundamente infeliz, se sentir sozinha e fracassar profissionalmente.




Domingo, 13 de abril de 2003.

Receita de bolo
A convite do DIA, atrizes assistem a Como Perder um Homem em 10 Dias e falam o que é proibido e permitido no início de uma relação
Zean Bravo

Paula, 24 anos,e Gisele, 21, que levou a amiga Raquel Cardoso, 21, (da esq. para a dir), se divertiram e se identificaram com as situações mostradas no filme

Não esqueça objetos fofinhos e coloridos, nem mesmo a utilitária escova de dentes na casa do sujeito com quem você está saindo há uma semana. Muito menos deixe 17 mensagens na secretária eletrônica, ou ligue para falar amenidades no trabalho dele. E nunca pense em apelidar o órgão sexual do cara na primeira transa. A menos que você queira levar um fora, como a jornalista Andie (a carismática atriz Kate Hudson), na comédia romântica Como Perder um Homem em 10 Dias, que estréia dia 25 nos cinemas. Para escrever um artigo que leva o título do filme, ela inicia um relacionamento com o publicitário Ben (Matthew McConaughey) e faz de tudo para que ele se livre dela. Detalhe: por conta de uma aposta, Ben atura absurdos sem reclamar.

Exageros à parte, a trama agradou às atrizes Gisele Policarpo e Paula Picarelli, ambas no ar em Mulheres Apaixonadas, que assistiram a uma sessão exclusiva do filme a convite do DIA. Eu me identifiquei. Esse jogo, a ansiedade de não saber se liga ou não é assim. Você não conhece bem a pessoa, mas cria fantasias. Existe essa coisa que o filme mostra de ela se imaginar casada e com filhos. Acontece comigo, admite Paula, 24 anos, que está começando uma relação. Aprendi a não fazer uma viagem distante nesse início. Você não sabe como ele vai se portar¿, ensina.

Solteira há seis meses, Gisele acredita que num relacionamento não existe certo ou errado. Você pode ser grudenta no início, dar muito mole e o cara não se assustar. Tem os românticos que gostam. Mas a minha experiência mostrou que gostamos dos mais difíceis, entrega Gisele, 21 anos, que dispensou um pretendente que ligava demais. Ele era lindo e estava gostando, mas perturbou tanto que perdi o tesão de conhecer¿, continua a atriz.

Para o escritor e guitarrista da banda Glamourama, Carlos Jazzmo, não existe nada mais broxante do que mulher imitando voz de criança. Apelidinho também não rola, revela o músico de 26 anos. Jazzmo não esquenta se a menina liga no dia seguinte, desde que para um número dado por ele. Mas não gosta quando ela deixa claro que ele é especial. Se ela me compara com outros para elogiar, eu fujo. Transei com uma menina na primeira noite e ela veio com essa história, toda romântica. Quando percebeu que não agradou, virou o jogo. Mostrou que não estava para papo e se transformou numa fera sexual. Dispensei mais sexo.

A secretária Aline Souza, 32 anos, lembra que se revelar uma maratonista sexual na primeira transa também pode assustar. Deixe para ir evoluindo depois, diz ela, que fica aflita enquanto não é chamada de namorada. Sei que homem não gosta, mas forço uma barra para ele decidir logo. É complicado sair com ele e não saber como apresentá-lo aos outros, resigna-se.




ANDRÉ FORASTIERI

Nós não vamos pagar nada daqui pra frente

O direito de copiar e distribuir sem lucrar

Information Wants To Be Free é o famoso lema da Electronic Frontier Foundation, a ONG que luta pelos direitos do cidadão digital. Mas a nova geração global está traduzindo 'free' por 'grátis'. Em pouco tempo nós não vamos pagar nada por músicas, filmes, games, softwares e revistas como esta. Tudo o que pode ser digitalizado pode ser copiado facilmente. Mas hoje as leis de propriedade intelectual (ou copyright) dão ao criador, pessoa ou empresa, direitos exclusivos de copiar, modificar ou distribuir sua obra. A primeira lei do gênero é inglesa, de 1710. Dava direitos ao autor de um livro por 14 anos e, se ele estivesse vivo depois disso, mais 14.

Depois a reprodução era livre. Hoje, nos Estados Unidos, que têm as leis mais abrangentes, o copyright vale por 75 anos após a morte do criador. É assim que Mickey, Ernest Hemingway ou Louis Armstrong continuam rendendo para as empresas que detêm seus copyrights.

Mas hoje existe o movimento copyleft, que quer revogar os direitos de copyright para que qualquer um possa copiar e distribuir qualquer obra. Sempre sem tirar lucro disso. É o que diferencia o copyleft da pirataria.

É eticamente defensável e uma radicalização do movimento do software livre, cujo líder, Richard Stalmann, acaba de visitar São Paulo. Seu objetivo é 'criar e disponibilizar software grátis e eficiente para todas as necessidades de toda a humanidade'. Está dando muito certo. Um dos resultados é o famoso Linux, o sistema operacional gratuito. Quem precisa de PC para funções básicas já tem ótimas opções na faixa, inclusive em português confira o novo site http://www.openoffice.org.br.

Além da teoria tem a prática. Ninguém vai pagar se puder obter de graça, especialmente os mais jovens e os mais duros. Basta ter acesso a um PC, que hoje se monta por R$ 1.000. Mas temos alternativas populares pipocando: o PC do Milhão, as LANhouses, projetos como os Telecentros paulistanos, escolas informatizadas e até o Wal-Mart, que anunciou esses dias PCs por US$ 200 nos EUA e em breve no planeta.

Fora tudo isso há a pirataria, que (como as drogas) repressão nenhuma consegue deter e gerou prejuízo de US$ 4,2 bilhões em 2001 apenas para as gravadoras US$ 1 bilhão só nos quatro maiores pirateiros, Brasil, Rússia, China e México.

A grande pergunta é: os criadores vão continuar produzindo sem a expectativa de retorno financeiro sem a chance de ficar milionários? Spielberg, os Racionais, escritores, editores, criadores de softwares e games vão morrer de fome? E as empresas de comunicação, vão falir ou vão se reinventar?

Ninguém sabe responder. Mas enfrentar o copyleft, o movimento do software livre e a pirataria é derrota certa. Nós não vamos pagar nada e cada vez mais gente sabe disso.

André Forastieri é editor




E ai estão as capas das duas revistas semanais Veja e Isto É, com reportagens interessantes, fundamentalmente, sobre a guerra, ainda. E abaixo a crônica do Diogo Mainardi para a Revista Veja. Boa leitura e ótimo sábado a todos nós.

Diogo Mainardi

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Enfim, como diria Gil...

"Lula atribuiu-se o mérito de ter salvado a economia. Como os índices só haviam piorado porque acreditaram em suas bravatas, não há do que se gabar. Ele só consertou um pouco do estrago que havia feito"

Gilberto Gil almoçou na Associação Comercial do Rio de Janeiro. Depois do almoço, discurso. Depois do discurso, entrevista coletiva. Depois da entrevista coletiva, deslocamento para a Biblioteca Nacional. Outro discurso. Não sei para onde Gil foi depois disso. Desisti de segui-lo. Cansei. Durante o almoço, Gil revelou gostar da vida de ministro. Há algo de errado em quem gosta da vida de ministro.

Entre uma coisa e outra, acompanhei Gil por cerca de cinco horas. Não consegui colher uma única declaração aproveitável. No discurso da Biblioteca Nacional, por exemplo, a propósito de um dicionário de música popular brasileira, ele citou Octavio Paz, que teria escrito sobre a "suspensão no ar, na atmosfera, no éter, de signos, símbolos, microrganismos, partículas, células, em extraordinária rotação sobre nossas cabeças, que são os verbetes, em seu próprio suporte, as palavras, com todos os seus interstícios, em suas materializações nos livros...". Preciso reler Octavio Paz urgentemente. Nesse ponto do discurso, perdi a concentração. Deixei de transcrevê-lo. Para passar o tempo, comecei a contar quantas vezes Gil empregava a interjeição "enfim". Foram dezessete.

Bem melhor do que ouvir um discurso de Gil é ouvir um de Lula. Nunca houve, em nossa história, um presidente que falasse tão claro quanto ele. Poucos dias atrás, em Barcarena, no Pará, Lula disse que o Brasil foi castigado por políticos que pensam apenas em seu mandato. No mesmo discurso, ele demonstrou que, como o resto dos políticos, pensa apenas em seu mandato, reivindicando mais quatro anos no poder. Ou seja, 100 dias depois da posse, já estamos novamente em campanha eleitoral. E podemos contar com um presidente que, segundo sua própria definição, se considera um castigo para o país.

Na semana anterior, Lula havia declarado algo ainda mais espantoso. Ele reconheceu que, quando estava na oposição, disparava bravatas o tempo todo. Indiretamente, ele chamou seus eleitores de otários. Porque quem acredita em bravatas só pode ser otário. Lula está certo, claro. Porém é surpreendente que ele tenha a coragem de debochar de seus eleitores em público, de forma tão ostensiva. Nem o mais brucutu dos coronéis nordestinos trataria seu curral eleitoral com tanto desdém. Estou começando a desconfiar dessa história de que Lula saiu de Pernambuco num pau-de-arara. Ele deve ter algum parente latifundiário em Garanhuns.

Na segunda-feira, em cadeia nacional, Lula traçou um balanço de seus primeiros meses de governo. Atribuiu-se o mérito de ter salvado a economia, melhorando câmbio, balança comercial e risco país. Como esses índices só tinham piorado porque os investidores acreditaram em suas bravatas, não há do que se gabar, visto que ele se limitou a consertar um pouco do estrago feito anteriormente. Com muito laquê e piscando o olho esquerdo sem parar, Lula levou cinco horas para extrair nove minutos de programa. Pois eu passei cinco horas com Gil e extraí ainda menos. Ponto para Lula.




E esta é a capa da Revista Isto É, praticamente igual, não fossem as manchetes. Acima voce terá as duas juntinhas para comparar melhor.

ESTAREI VIVO AMANHÃ?A ciência descobriu um jeito de avaliar a velocidade de sua caminhada rumo ao destino final

BRASIL

A NOSSA GUERRA
Confrontos vitimaram mais PMs no RJ que soldados dos EUA no Iraque

NA SURDINA
Senadores articulam estratégia para salvar mandato de ACM

OS MAIS ACESSADOS

Um guia que ensina como prevenir e
tratar doenças

REFLEXOLOGIA
Saiba como está sua saúde massageado as solas dos pés

MUNDOS PROIBIDOS
Saiba mais sobre os tabus da cultura ocidental
TRADUTOR: Seu nome em hieróglifos
SEXO: Guia de posições

ECONOMIA

O REAL NAS ALTURAS
Valorização da moeda brasileira
vai ajudar a combater a inflação

TESTES

O MASCOTE IDEAL
Descubra qual o bicho de estimação mais recomendado para você e saiba como cuidar dele

TRABALHO: você é workaholic?

CÃES: que cachorro você é?

INTUIÇÃO: Você tem 6º sentido?

PERDÃO: o peso do ressentimento

Confira outros teste

A GUERRA DE BUSH

O HORROR PELAS RUAS
Invasão dos aliados gera carnificina, destruição e o caos na distribuição de remédios e comida

COLCHA DE RETALHOS
Fragmentada por diferenças etno-religiosas, a oposição iraquiana tenta ganhar espaço no poder

A FACE DO TERROR
Megalomaníaco, o ditador
Saddam Hussein forjou seu país

GARRAS AFIADAS
Força bélica dos EUA não
impõe limites a seus ataques

CIÊNCIA E MEIO AMBIENTE

A CHAVE DA VIDA
Experiência brasileira abre caminho a uma nova era na medicina para tratamentos sob medida

COMO SERÁ SEU BEBÊBrinque com a genética
e calcule as chances de seu pimpolho, prestes a nascer, puxar pelo pai ou pela mãe

TRISTE RESCALDO
Ainda são amargos os prejuízos
do vazamento que poluiu dois rios

MEDICINA

O CERCO SE FECHA
Cientistas identificam o vírus
da pneumonia asiática

INFOGRÁFICOS

ALERTA GERAL
Vírus desconhecidos são
ameaças de epidemia

ARMAS NUCLEARES
Confira o arsenal atômico das maiores potências do mundo

BOICOTE GERAL
Protestos no mundo tentam brecar consumo de produtos americanos




Capa: foto AP
Edição 1 798 16/4/2003

Ai está a capa da Revista Veja deste fim de semana, cujos destaques estão abaixo para que você de uma olhadinha.

Seções

Brasil

Previdência: Os principais pontos da reforma
Funcionalismo: Servidores ganham 1% de aumento
Justiça: Os candidatos ao Supremo
São Paulo: Marta Suplicy entre crise, vaias e a reeleição

Artes e Espetáculos

Música: Os últimos discos cubanos de Ry Cooder
Cinema: Jennifer Lopez, a queridinha de Hollywood
Livros: Diário de um Fescenino, de Rubem Fonseca
Livros: O Ajudante, de Robert Walser

Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo

Especial

O que os EUA farão com tanto poder
O desafio do pós-guerra
Democracias não guerreiam entre si
A repercussão nos países islâmicos
Atrás dos bilhões

Internacional

Cuba: Fidel Castro põe a oposição na cadeia

Economia e Negócios

Turismo: Os estrangeiros sumiram

Geral

Sociedade: A dura vida da segunda esposa
Ambiente: O tubarão-martelo ameaçado de extinção
Beleza: Radiofreqüência contra as rugas
Saúde: Quando a redução de estômago compensa

Guia

Crianças: Ministério da Saúde condena a chupeta
Alimentos: Como pode haver ovo de Páscoa branco?
Crédito: Como sair das listas dos inadimplentes

O que estou lendo
Pergunte ao Guia




Joelmir Beting
Sábado, 12 de abril de 2003


Mitigando riscos

A morosidade anedótica do aparelho judiciário verde-amarelo de hepatite tem muito a ver com o mau funcionamento da economia e, por extensão, com o mau condicionamento da sociedade. Recente estudo do Ipea enquadra o problema e esboça a solução. É preciso reorganizar e reaparelhar o sistema em todas as suas esferas e instâncias. Incluído o manicômio legiscrativo em que opera.

Ocorre que o orçamento do Judiciário para 2003 acaba de sofrer um corte linear de 60,2%. Ano passado, já havia sido mutilado em 43,2%. Exposição de motivos do novo arrocho orçamentário que só faz por agravar a aflição da cidadania no rodapé da magistratura anacrônica e entulhada: os tribunais têm de enquadrar-se na Lei de Responsabilidade Fiscal. Casa de ferreiro, espeto de ferro, uai.

Fiquemos na frágil ponte pênsil que liga o emperrado sistema judicial ao espaçoso sistema financeiro. Ontem, nesta coluna, tratamos da sobrecarga das despesas processuais no regime de crédito bancário curto e caro - caro e curto até por causa disso. A taxa de juros não deixa de expressar a taxa de riscos dentro de um sistema juridicamente poroso e gasoso.

O novo Sistema Central de Risco de Crédito (SCR), instalado pelo Banco Central, com plataforma online de provisão, consulta e análise, já permite patrulhar por controle remoto a "gestão de risco" por banco, por linha de banco, por cliente de banco e por operação por cliente. O grampo digital pode identificar indícios de gestão temerária.

Cada instituição financeira passa a fornecer ao SCR algo mais que a CPF ou o CNPJ do cliente - também a ficha do cliente, o histórico da relação, o tipo e o porte de cada operação, o leque de garantias colaterais, os indexadores embutidos, as condições renegociadas, as inclinações da inadimplência... Que trabalheira!

A mitigação dos riscos operacionais e jurídicos do regime de crédito (na direção do rebaixamento dos juros) vai depender da qualidade da regulação do sistema financeiro. Tarefa já iniciada pelo Congresso. Próximo passo: calibrar o grau de autonomia do Banco Central. Que já se livrou da cobertura oblíqua de riscos de crédito em sua conta Reservas Bancárias, por obra e graça da ignição, ano passado, do chipado Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB).

Outra medida de bom tamanho é a da disseminação da Cédula de Crédito Bancário (CCB). O novo instrumento, a juros menores, aguarda o sinal verde do Congresso. Ele abriga trâmite judicial simplificado na retomada do empréstimo a perigo. A disseminação da alienação fiduciária para créditos lastreados por garantias contratuais em títulos e recebíveis igualmente veste a camisa da redução de riscos e de juros.

No mesmo espírito, investe-se em novas regras de transparência bancária (com site já instalado) para municiar as opções do cliente e atiçar a competição entre os bancos. Nessa mesma onda, vem aí a portabilidade de informações cadastrais de um banco para outro(s) banco(s) - se solicitado ou autorizado pelo próprio cliente.

E mais: deve ser ampliada e acelerada a chamada Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira. Ela garante aos bancos autenticidade, integridade, privacidade e validade dos contratos eletrônicos de crédito. Sem que os mutuários saiam do escritório ou do dormitório.

Secos & molhados

Lei de falência - Já nas dores do parto no Congresso, a nova Lei de Falência vai igualmente rebaixar os riscos bancários. Ela hospeda um arremedo de Proer para cada empresa na marca de pênalti (para apartar e salvar o lado bom da própria). A empresa pode salvar-se. Os responsáveis, não. Até aqui, ocorre o contrário.

Preferências - Falta remover um conflito de interesses na formação da fila de credores do espólio. Os funcionários continuam na cabeça da fila, mas com limite linear para o resgate automático de salários e direitos. Os credores de garantias contratuais querem o segundo lugar, ocupado até aqui pelo Fisco.

Faz sentido - O consultor jurídico Jairo Saddi propõe os fornecedores em terceiro e o Fisco em quarto. Justifica: 1) os funcionários entraram com o trabalho; 2) os banqueiros entraram com o dinheiro; 3) os fornecedores entraram com




CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SÁBADO, 12 DE ABRIL DE 2003

MEC tem novas regras para Fies

Cristovam Buarque

O Financiamento Estudantil (Fies) terá novas regras a partir do segundo semestre e atenderá a 70 mil novos estudantes. O governo também pretende criar o Programa de Assistência Estudantil (PAE). A idéia é conceder 30 mil bolsas integrais a universitários, que irão prestar serviço voluntário na alfabetização de jovens e adultos durante o período em que utilizarem a bolsa de estudos.

As medidas foram anunciadas ontem pelo ministro da Educação, Cristovam Buarque. O MEC investirá R$ 140 milhões no Fies e R$ 50 milhões no PAE. Os alunos matriculados em cursos de licenciatura em Matemática, Física, Química, Biologia, Ciências, História, Letras e Educação Física terão pontos a mais para a concessão do Fies. Ex-aluno de escola pública e candidatos que são docentes do Ensino Básico terão preferência na fase de seleção. As instituições de Ensino Superior poderão aderir ao novo sistema, entre 30 de junho e 11 de julho. A inscrição de alunos ocorre de 21 de julho a 22 de agosto.

O ministro ainda adiantou que haverá concurso para contratar 7.700 médicos e enfermeiros para hospitais universitários, que receberão, em junho, mais de 7 mil novos equipamentos e R$ 100 milhões em recursos da Educação e da Saúde. E o governo enviará ao Congresso projeto de lei acabando com a lista tríplice para nomeação de reitores e irá liberar as universidades para definirem concursos, licenças de viagens de docentes e número de vagas para os professores substitutos.




Paulo Sant'ana
12/04/2003


Os ladrões de Bagdá

A decisão norte-americana de que suas tropas não se transformem em milícias policiais está causando um desmantelo gigantesco na ordem pública no Iraque.

Não há mais governo, não há mais Estado, portanto não há mais lei, e não há forças que substituam provisoriamente o governo. Instala-se assim um caos total nos últimos dias no Iraque, uma anarquia descontrolada, propícia aos mais desabalados e sangrentos distúrbios.

Bagdá foi entregue às pilhagens. Os saques às repartições públicas e às lojas do comércio estão sendo irrestritos. E se espalham sobre as propriedades particulares, com a classe média e os ricos refugiando-se em hotéis e guetos, à espera de que a ordem seja restabelecida.

Surgem nessa hora os aproveitadores de todos os tipos. Há gente que agora saúda os fuzileiros norte-americanos, que no entanto dias atrás pulava em torno dos tanques de Saddam, solidária com a resistência do ditador.

A diferença entre os pilhadores de hoje no Iraque e os das guerras antigas, entre as quais as protagonizadas pelos mongóis e pelos romanos dos tempos da República, é que os saques não são praticados pelos vencedores.

As pilhagens são feitas de vencidos sobre vencidos. Isso dá lugar aos ajustes de contas pessoais e políticas.

Evidentemente que esse morticínio não está chegando ao conhecimento da opinião pública mundial, ele acontece lá longe dos holofotes da imprensa, que estão dirigidos somente para os derredores das tropas invasoras.

Mas correm soltos nos anônimos cantões iraquianos os assassinatos, a tortura, os estupros e os roubos de toda ordem.

Tudo porque as forças invasoras lavaram as mãos sobre o poder de polícia que deveriam ter organizado para a hipótese de que fosse arrebentado o cordão da ordem pública, no instante em que se destituiu o poder antes erigido.

Tudo que não for ato de hostilidade contra as tropas inglesas e norte-americanas é permitido, pertence à indiferença das tropas invasoras.

E se houve saques recentemente ao comércio de diversas cidades norte-americanas que foram alvos de blecaute, imaginem a fúria de que ficam tomados os salteadores neste Iraque das estátuas do poder derrubadas, que não significam somente a libertação da tirania, mas o salvo-conduto para a barbárie da atmosfera da impunidade, ainda maior quando deparam os ladrões, os assassinos e os vingativos com a mais completa ausência de lei e de autoridade.

Esses acontecimentos são bem elucidativos de quanto a norma legal impede a natureza humana de dar vazão a seus instintos bestiais.

E de certa forma nos remetem para a reflexão do que acontece nas favelas cariocas e de outras grandes cidades brasileiras, onde a norma que rege as relações é ditada pelo poder armado dos traficantes.

Por vezes, essa lei é até boa reguladora dos costumes internos. Mas não raro ela franqueia o medo e a barbárie.

O coronel Ibes Pacheco me manda avisar que hoje e amanhã estará se realizando no Shopping Moinhos de Vento o 4º Encontro de Colecionáveis Cervejeiros do Mercosul e Europa, onde serão mostradas as coleções de latas de cerveja de todo o mundo.

Quem coleciona qualquer coisa vai ter um prato cheio. E a entrada é livre.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Teatro
E Deus criou o pecado

Quem disse que história antiga não traz gente para o teatro? Adão & Eva reuniu uma platéia de quase 2 mil pessoas em cinco sessões no Theatro São Pedro, durante o Porto Verão Alegre, usando música, dança comédia e melodrama para lembrar de onde viemos. Adão & Eva volta a cartaz de sexta a domingo, no Teatro do Ipe.

O segredo do sucesso de Adão & Eva é que a peça não termina com a expulsão do casal do Paraíso, condenado por ter cometido o pecado original.

- Tentamos recriar Adão e Eva nos dias de hoje - lembra Flávio Bicca, com a autoridade de quem interpreta Deus em cena.

O diretor Rogério Beretta explica como o primeiro casal da Terra se adaptou ao mundo pós-moderno. A passagem bíblica se limita ao 1º ato. No segundo, Adão (Marcelo Casagrande) e Eva (Chana Manica) são dois jovens escondidos numa ilha paradisíaca, tentando viver seu amor longe dos pais. Divino (Bicca), pai de Adão, é o deus dos novos tempos. Geneticista e megaempresário, tem o poder da criação. A mãe de Eva atende por Lucifernanda (Suzete Castro Martinez), famosa e inescrupulosa advogada, especializada em lavar dinheiro dos países do Eixo do Mal. Completam o elenco, Rafael Braga e Ana Guasque.

A atualização ganha contorno em duas torres de madeira erguidas no palco, que tanto podem ser colunas que elevam os espíritos ao Céu quanto os prédios do World Trade Center, em cenário criado pela artista plástica Zoé Degani. Beretta e Bicca concordam que Adão & Eva serve como metáfora para os tempos atuais.

- Não estabelecemos juízo de valor. Deus precisa do Diabo para que suas qualidades apareçam. E quem é que ia ensinar Adão e Eva a se multiplicarem? - completa Bicca.

Adão & Eva
O QUE: Adão & Eva, direção de Rogério Beretta. Recomendado para maiores de 14 anos. Duração: 90 minutos
QUANDO: de sexta a domingo, às 21h
ONDE: no Teatro do Ipe (Borges de Medeiros, 1.945, fone 3221-8799)
QUANTO: R$ 15 e R$ 12 (Clube do Assinante), antecipados nas Farmácias Panvel do Shopping Bourbon Ipiranga e Praia de Belas




Lya Luft
12/04/2003


As perdas & os ganhos

A equipe de psicólogos de um grande hospital me pediu uma palestra sobre perdas: a perda de uma pessoa amada, a perda da própria saúde, a proximidade da morte: tudo o que desconstrói o que parecia sólido em nós.

O que lhes podia dizer, a eles, competentes profissionais que enfrentavam diariamente os dramas que afluem para um hospital? Então procurei ser simples: falar das naturais dificuldades em lidar com qualquer perda - também fora do contexto hospital, saúde, vida & morte.

Primeiro, não queremos perder. É lógico não querer perder. Aliás, nem deveríamos ter de perder nada: saúde, pessoas, posição, dignidade ou confiança. Mas uma constante alternância de ganhos e perdas forma a nossa humanidade mais pessoal. Nós somos isso.

Segundo, perder dói mesmo. Não há como não sofrer. É tolice dizer "não sofra, não chore". Também o luto e a dor são importantes - desde que não nos paralisem demasiado por demasiado tempo.

Terceiro, precisamos de recursos internos para enfrentar a dor. O apoio dos outros é relativo e passageiro. A força decisiva terá de vir do nosso interior, onde vai sendo depositada a bagagem de nossa vida. Lidar com a perda vai depender do que encontraremos ali: se nesse lugar crescem árvores sólidas, teremos onde nos agarrar. Se houver apenas plantinhas rasteiras, estaremos mal. Por isso, aliás, a tragédia faz emergir forças insuspeitadas em algumas pessoas, e para outras aparece como uma injustiça pessoal ou uma traição da vida.

Uma doença grave, um insulto à dignidade ou o esvaziamento da nossa confiança nos deixam encurralados. Não vemos mais sentido em nada, e isso será mais difícil se até ali vivemos sem pensar; se corremos desnorteados no tempo em que possuíamos, sem refletir, isso que agora perdemos.

Não acho que todos devêssemos ser filósofos ou fanáticos de nenhuma religião. Não acredito em muita teorização sobre o sentido da existência. Mas creio numa expressão meio fora de moda, que no meu caso não tem conotação religiosa: vida interior. Que é o espaço da ética, dos afetos, da humildade, da coragem, e da crença na nossa transcendência. Somos parte de um misterioso ciclo vital que é o da própria natureza, e nos confere sentido. Dentro dele, mesmo sendo insignificantes, temos grandeza. Por tudo isso que não compreendemos mas podemos sentir, a vida vale a pena - mesmo quando o mundo parece desabar sobre nós.

PS: Falando em perdas: leio que alguns servidores federais terão o insultuoso "reajuste" de 1 (um, um, UM!!!) por cento; outros, quatro ou pouco mais. São as pessoas que trabalham e lecionam nas nossas universidades e hospitais, que em todas as repartições ajudam a fazer funcionar este país nosso. Eles também são trabalhadores, gente!




Ana Amélia Lemos
12/04/2003


Fies e a dívida

O número de mensagens que esta coluna recebe sempre que o tema crédito educativo é abordado confirma a gravidade do problema, não só em relação à reabertura do Fies, como no pagamento dos financiamentos vencidos, cujo custo está alarmando, com razão, recém formados e suas famílias. Exemplos são muitos. A recém formada Josselma Merheb tem salário de R$ 530 e o pagamento mensal à Caixa, por causa do Creduc, é de R$ 560.

A Comissão de Educação da Câmara Federal pretende apresentar MP para aumentar os recursos das loterias para o crédito educativo, garantindo reabertura logo do Fies. A Comissão vai realizar, também, seminário em maio, tratando dessas questões. O problema atinge alunos e as faculdades que estão sem receber os créditos do governo. O deputado Osvaldo Biolchi (|PMDB) pediu ontem ao MEC a liberação desses recursos para evitar problemas ainda mais graves no ensino superior. Na segunda-feira, a Assembléia gaúcha se ocupa desse problema no grande debate organizado pelo deputado Sanchotene Felice (PSDB).

Fórum das Águas

Ercy Torma, presidente da ARI, ficou encantado com o tratamento que recebeu do presidente do Senado, José Sarney. Acompanhado dos senadores Pedro Simon e Paulo Paim e do secretário executivo do Fórum, José Roberto Ramos, Ercy falou da importância do evento que terá investimentos de R$ 2,5 milhões. A TV Senado abriu espaço pra o tema, com entrevista de 40 minutos com o presidente da ARI, que também esteve reunido com a diretora de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Maria de Fátima Coelho.

Transgênicos
O desembargador federal Catão Alves, presidente do TRF, em Brasília, prometeu a um grupo de parlamentares da Comissão de Agricultura agilizar a decisão sobre a soja transgênica, assunto que se arrasta desde 1987 naquela corte. Embora o magistrado não tenha se comprometido com datas, os parlamentares, entre os quais Darcísio Perondi (PMDB), saíram animados. "Acredito que a solução definitiva para a liberação das plantas transgênicas está mais próxima", resumiu Perondi.

Mulher
A gaúcha Ane Cruz acompanhou a ministra Emília Fernandes nos compromissos, ontem, em Porto Alegre. Ane integra a Subsecretaria de Monitoramento de Programa e Ações Temáticas e, no governo passado, foi coordenadora-geral adjunta da Coordenadoria da Mulher do RS.

Disputas
PMDB e PDT se engalfinham pela vaga no Tribunal de Contas do Estado. Pela tradição a vaga seria de João Luiz Vargas, do PDT. Mas na briga entrou agora João Osório, do PMDB. Em Brasília, divergências internas na bancada do PP. Como dizem os colunistas sociais, não se deve convidar para a mesma mesa os deputados Augusto Nardes e Júlio Redecker. Na raiz dos atritos, a sucessão no diretório nacional do partido.

Prioridades
O deputado Eliseu Padilha (PMDB) decidiu concentrar sua ação parlamentar na área de sua especialidade, a dos transportes. Ex-ministro do governo FH, Padilha coloca como prioridades a duplicação da BR-101. Lembra que 80% dessa obra foi feita na sua gestão, ligando Belo Horizonte a Palhoça/SC. Outro tema será tornar o Porto de Rio Grande como o porto do Mercosul, ampliando os investimentos que terão reflexos diretos sobre a economia da Metade Sul. Por fim, aponta como meta a linha 2 do Trensurb.
ana.amelia@zerohora.com.br


Conflito
EUA caçam 52 líderes iraquianos



Fotos de Saddam e assessores foram impressas em cartas de baralho
Mulheres espreitam curiosas o descanso de um marine do 3º Batalhão durante patrulha na periferia de Bagdá (foto Kuni Takahashi, AP/ZH)


Sexta-feira, Abril 11, 2003




Tão antigo, mas ao mesmo tempo tão recente. Como é sexta-feira, deixo-os com a poesia abaixo. Se voces não estivessem tão distantes fisicamente, estariam aqui, bem pertinho e eu estaria super feliz e contente. Mas voces estão no meu coração, nas sextas-feiras, nos sábados....em todos os dias... sempre.

Seria Tão Diferente

Seria tão diferente...
se os sonhos que a gente gosta
não terminassem tão de repente.

Seria tão diferente...
se os bons momentos da vida
durassem eternamente.

Seria tão diferente...
se a gente que a gente gosta
gostasse um pouco da gente.

Seria tão diferente...
se quando a gente chorasse,
fosse só de contente.

Seria tão diferente...
se a gente que a gente ama
sentisse o que a gente sente.

Mas, é tudo tão diferente!
Os sonhos que a gente gosta
terminam tão de repente!

A gente que a gente gosta
nem sempre gosta da gente!
E das vezes que a gente chora,
poucas vezes são de contente!
E a gente que a gente ama
não sente o mesmo que a gente!

Mas...poderia ser tão diferente!

Se dê uma chance de ser diferente! Tente, ouse, opte pela felicidade e
aí será diferente!

autor desconhecido




Se voces procurarem, apenas alguns dias atrás a noticia era de que a VASP estaria adquirindo mais 30 aeronaves, e estava com um lucro para lá de relevante em seus balanços. Até se comentou, por que as outras companhias não davam uma olhadinha para ver o que ela andava fazendo. Só que agora, apenas uma semana, ou nem isso depois os salários estão atrasados e a crise é similar. Então não dá para entender como muda a situação de uma empresa tão rapidamente.

Vasp atrasa salários, diz sindicato

Depois da TAM e Varig, agora foi a vez da Vasp acender a luz vermelha. A companhia deixou de pagar os salários de março de cerca de 4.000 funcionários. O pagamento deveria ter sido feito na segunda-feira da semana passada.
Segundo a presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio, a Vasp também deixou de pagar a diária de alimentação, de R$ 22, destinada para os tripulantes que viajam a trabalho e passam a noite fora de seu local de residência.

"Quando o tripulante viaja, tem de receber essa diária de alimentação para poder almoçar, jantar. E a Vasp não pagou os salários e ainda cortou a diária de alimentação´´, disse Baggio. Para a sindicalista, a situação da Vasp é muito preocupante. ´A empresa já passou por um forte processo de reestruturação e era uma das únicas que ainda não havia atrasado o salário dos funcionários´´, afirmou Baggio.

A Vasp empreendeu em 2000 um forte programa de reestruturação para sanear suas dívidas. A companhia cortou suas operações internacionais e reduziu de 9.000 para 4.000 o número de funcionários. A reestruturação concentrou suas dívidas no setor público e a empresa passou a voar apenas com frota própria.

O porta-voz da Vasp, José de la Peña, disse que o pagamento dos salários deve ser regularizado ainda hoje. ´Era para ter caído [o depósito] na conta dos trabalhadores ontem. Deve ter havido algum problema de sistema. Mas o dinheiro deve estar na conta de todos os empregados até o final do dia.´´

Segundo ele, o atraso no pagamento foi provocado por falta de dinheiro. ´Enfrentamos o problema de todas as outras companhias aéreas. O número de passageiros não cresce há 10 anos, o dólar e o preço do querosene da aviação dispararam.´´

Peña afirmou que não existe nenhum problema estrutural na Vasp. ´O nosso problema é o problema do país e do setor aéreo. A economia precisa voltar a crescer para as empresas não entrarem em colapso´´, disse ele.
(AF)




Porto Alegre marcha nesta sexta contra a guerra e pela paz
10/04/03 - 15:05 - CUT/RS

A capital do Forum Social Mundial está pronta para a grande marcha contra a guerra de Bush e pela paz, que será realizada nesta sexta-feira, dia 11, com saída às 17h no Largo Glênio Peres, no centro de Porto Alegre.

Ontem, dia 9, os organizadores da marcha concederam entrevista à imprensa no plenarinho da Assembléia Legislativa. Coordenada pelo presidente da CUT/RS, Quintino Severo, a coletiva contou com a presença do Chefe de Gabinete da Casa Civil, Carlos Alberto Pacheco dos Campos, o representante da Prefeitura de Porto Alegre, Gerson Almeida, a deputada Jussara Cony pela Assembléia Legislativa, o presidente da Federação dos Metalúrgicos, Milton Viário, o diretor da Federação dos Bancários Juberlei Bacelos, a diretora da CUT e do Cpers-Sindicato Selene Michelin e a diretora da CUT no Comitê contra a Guerra do RS Rejane de Oliveira. Também participaram Saraí Brixner pela Via Campesina, Carlos Borges pelo movimento negro, e Rafael Freire pelo Comitê da Juventude contra a guerra.

O representante do Governo do Estado, Carlos Alberto Pacheco dos Campos, destacou que o governo não poderia se furtar de apoiar esse movimento da sociedade gaúcha contra a guerra nesse momento tão crítico para o mundo.

Gerson Almeida disse que para o governo municipal esta guerra é ilegítima, ilegal e imoral e que até o momento nenhum argumento para a guerra se caraterizou. Segundo ele, há muitos anos não se via uma unidade com um leque tão plural para organizar uma manifetação, como esta para a Marcha contra a Guerra e pela Paz. Informou ainda que a Prefeitura declarou ponto facultativo a partir das 17h de sexta-feira para que os servidores municipais possam participar da marcha, vai ceder o palco para o ato-show e está negociando com a EPTC e SMT a liberação de ônibus para transportar os moradores dos bairros de Porto Alegre. Também liberou o Ateliê Livre para a criação de faixas, cartazes, etc.

A deputada Jussara Cony disse que os servidores da Assembléia Legislativa também terão ponto facultativo na sexta, a partir das 17h. Ela se emocionou ao lembrar da importância do simbolismo do percurso da marcha que sairá do Largo Glênio Peres até o Largo Zumbi dos Palmares, dois lutadores pela liberdade, pois estava presente na platéia a esposa de Glênio Peres, Alícia Peres.

Milton Viário salientou que todas as pessoas, mesmo as que não vão participar da marcha, usem branco na sexta-feira. Segundo ele, a Trensurb vai caracterizar o trem da Paz que sairá de São Leopoldo por volta das 17h. Além disso, falou do engajamento da Comunidade Palestina, que vai fechar as portas de suas lojas na rua Voluntários da Pátria, a partir das 17h, quando passar por lá a caminhada que saí da frente do Cpers-Sindicato com as pessoas que vem do Interior, para participar da marcha.

O Cpers está disponibilizando um ônibus para cada um de seus 42 Núcleos. A Via Campesina também trará integrantes dos movimentos sem terra, dos desempregados e pequenos agricultores. Rejane de Oliveira, do Comitê contra a Guerra, destacou que os senadores Emília Fernandes, Sérgio Zambiasi e Paulo Paim vão participar da manifestação. Pedro Simon não poderá estar presente, mas enviará uma mensagem por escrito.

Já estão confirmados os músicos Nei Lisboa, Bebeto Alves, Nelson Coelho de Castro, Nanci Araújo, Zé Caradípia, Marcelo Kará e Isabel Ibias. Eles animarão o ato-show a partir das 19h, no Largo Zumbi dos Palmares (antigo Largo da Epatur). Todos os músicos vão participar gratuitamente como parte de sua colaboração à luta pela paz.

A manifestação inicia às 15h, com o hasteamento da Bandeira da Paz e abraço ao Guaíba, nas imediações da Usina do Gasômetro. No mesmo horário, os estudantes concentram-se no Colégio Julinho. As caravanas do Interior têm encontro marcado em frente ao Cpers-Sindicato, a partir das 16h30min.

A concentração de manifestantes para a marcha será no Largo Glênio Peres, a partir de 17h. Depois, às 18h, inicia a caminhada até o Largo Zumbi dos Palmares.

Os organizadores da marcha são: Comitê contra a Guerra, Governo do Estado, Assembléia Legislativa, Prefeitura de Porto Alegre, Câmara de Vereadores, Trensurb, CUT/RS, Federações e Sindicatos filiados, Federação dos Comerciários, Ugeirm-Sindicato, Atempa, Assufrgs, Cpers, Via Campesina, UFRGS, FAPA, UNE, UBES, UGES, UEE, Umespa, UJS, Conam, Federação de Mulheres Gaúchas, Comunidade Cultural Palestina, IECLB, CNBB, Pastorais Sociais, Movimento Mundial pela Paz, Movimento Focolares, PMDB, PSDB, PDT, PPS, PSB, PC do B, PSTU, PCB, PV e PT.




Caixa revoga normativo da RH 008

A reunião de negociação entre a CNB/CUT (Confederação Nacional dos Empregados), assessorada pela CEE/Caixa (Comissão Executiva dos Empregados), e a direção da Caixa Econômica Federal, realizada ontem à tarde, em Brasília, deu um importante passo rumo a solucionar os problemas enfrentados pelos empregados.

Na ocasião, a empresa aceitou pedido feito pela CNB/CUT de revogação imediata da RH 008, norma que permite a demissão de empregados sem justa causa, e informou que resguarda para si o direito de estabelecer normativos sobre demissões de trabalhadores.

"A RH 008 gerou problemas graves e a Caixa, hoje, reconhece que a medida foi um equívoco. Dentro do estatuto, a autonomia para demissões é do presidente da empresa, que será delegada à Direh (Diretoria de Recursos Humanos)", observou Luiz Otávio Cuiabano, gerente nacional de Relações Trabalhistas e Previdência e coordenador da comissão de negociação da Caixa.

A CNB/CUT cobrou da empresa a imediata reintegração de todos os demitidos pela RH 008. A reivindicação foi descartada pelos representantes da Caixa. O assunto, no entanto, voltará a ser discutido em nova rodada de negociação, marcada para 23 de abril.

A reunião de ontem prosseguiu a retomada das negociações entre a empresa e os representantes dos empregados, definida no último dia 12 de março. O princípio da negociação permanente foi reafirmado. Confira abaixo os demais pontos discutidos no encontro:

Saúde

A Caixa concorda com a formação de grupos de trabalho para discutir, especificamente, Pams (Programa de Assistência Médica Supletiva), PRT (Programa de Readaptação ao Trabalho) e RH 025, que determina regras para a revisão das licenças médicas. Esses grupos serão paritários, compostos por três representantes de cada lado.

PRX

A CNB/CUT, depois de esclarecer que o assunto não estava em pauta na reunião, voltou a defender a aplicação da Convenção Coletiva Nacional da categoria bancária, que prevê critérios para a distribuição dos lucros. A Caixa, em resposta, comunicou que ainda não possui proposta definida sobre o tema. O assunto voltará a ser discutido na próxima rodada de negociação.

RH 002

A CNB/CUT voltou a solicitar a alteração da norma sobre demissão em estágio probatório, principalmente com relação à sistemática de avaliação (a cargo de uma única pessoa) e direito de defesa, hoje inexistente.

A empresa propõe fazer curso de integração de três dias ao novo empregado, ao mesmo tempo em que aceita a seguinte sistemática de avaliação: no prazo de 90 dias, período em que o empregado estará em experiência, haverá duas avaliações - a primeira em 30 dias, e a segunda, em 75 dias. A revisão das demissões já efetuadas, como a que ocorreu recentemente na Bahia, não foi aprovada pela diretoria da Caixa. A questão voltará a ser discutida na reunião de 23 de abril.

Organização do movimento

Sobre o reconhecimento dos delegados sindicais, a Caixa informou que ainda não há uma discussão acumulada na diretoria da empresa sobre esse assunto, que será retomado na próxima rodada.
Quanto à liberação das Apcefs, a empresa argumentou que há restrições por parte do TCU (Tribunal de Contas da União) e que o assunto também retornará para debate.

A proposta da Caixa de liberação de dirigentes sindicais foi considerada insuficiente pela CNB/CUT, devendo retornar na próxima reunião.




Aproxima-se mais um fim de semana, igualzinho a todos os outros, depois um feriado prolongado, sonhado, esperado e querido por muitos. Muitos planos são feitos, muitas pessoas são contactadas para participarem e serem figuras coadjuvantes neste tempo em que espera-se mudar-se a rotina.

Como não tenho planos, não estou fazendo planejamento e minha previsão é de que tanto matutina quanto vespertinamente nada mude no feriado, minhas perspectivas são apenas de descanso, de uma leitura amena talvez, de um filme ou um vídeo mais relaxado. Mais nada! E incrível que o tempo passa. E os feriados passam, e a vida célere vai passando. Fumaça em dia de vento forte é tudo.

E o pior é que não há medicina , nem tratamento médico para estes sintomas. Ou se busca efetivamente uma motivação, e alguma saída ou o coração vai ficando pequeno, desacostumando de amar, e dando lugar a razão cada vez mais senhora de tudo e que tudo quer resolver sozinha isso é o que temo. Então não adianta fazer Programa de Preservação de Saúde senão se fizer um Programa de Preservação do Espírito.

E quando ele anda inquieto, quando um infinito de coisas boas e bonitas existem, mas para ele nada disso é importante alguma coisa não está bem. Sequer férias em algum lugar paradisíaco irá resolver, até porque poderá agravar seu estado, em lugares assim, sozinho sem poder repartir as belezas e as atrações, sem poder estar com ninguém.

Pode ser que seja apenas um sentimento de sexta-feira. Mas o certo é que há o sentimento e quer queira ou não queira ele põe a razão a refletir sobre esta realidade: e aí, é fim de semana, as pessoas vão sair, se encontrar, vão juntas para algum lugar, interior, praia, ou outra cidade, e você o que fará? E no Feriado, serão quatro dias. Tempo mais que suficiente para vivenciar e reviver grandes amores, intensas paixões, inesquecíveis alegrias.

Pois é, deixa para lá, vamos viver a sexta-feira...




José Simão
simao@uol.com.br


Iraque Urgente! Tá todo mundo raspando o bigode!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Pensamento do dia: a 'Playboy' tá usando tanto computador que já virou obra de ficção. Rarará! E o funcionalismo público tá adorando o reajuste do Lulalelé! E um funcionário público vai até trocar de carro: o velho Fusca por um Fusca velho!
E adorei o economês da Maria da Conceição Tavares: 'Não adianta dar autonomia pro BC porque quem manda é o FMI! Não está assinada a PORRA DO ACORDO?'. Economês castiço!

Iraque Urgente! Os brimos não querem mais ficar com a cara do Saddam. Tá todo mundo raspando o bigode. E o Frank fez uma charge hilária: 'Barbearia Bagdá, desconto para sósias, 50%'. E a queda da estátua do Saddam? O Blair teve orgasmos cívicos. O Bush não sentiu nada porque não sabe o que quer dizer orgasmo! Rarará! E aquele ministro que xinga todo mundo, o Al Sarrafo, informou que 'de todos os sósias do Saddam, o menos parecido com ele era o da estátua'.

Próxima bomba: Hong Kong! O Bush vai mandar bombardear Hong Kong por estar espalhando pneumonia asiática sem o aval do Pentágono. Vai fazer um ataque preventivo antes que um chinês espirre nele! Vai ser a Operação Vitamina C! E já tem gente que acha que foram os americanos que jogaram o vírus na China. Vírus Amigo! Rarará!

E sabe por que os americanos atiraram nos jornalistas? Censura prévia! E a Al Jazeera está revoltada com os americanos por terem jogado um míssil na emissora. Porque eles já tinham mandado a posição exata da emissora pra evitar bombardeamento: 'Al Jazeera localizada em latitude 33,19 e longitude 44,24'. E o Pentágono: 'Entendido, latitude 33,19 e longitude 44,24, bateria, FOGO!'. Rarará!

Saddam contra-ataca! É que eu vi na internet www.zungpans.kit.net uma coisa hilária. O Saddam: 'Usaremos uma arma poderosíssima - importada do Brasil - que vai destruir o cérebro dos inimigos'. É só distribuir fones de ouvido pros marines. Aí eles ligam e VAI LACRAIA! VAI LACRAIA!

E a penúltima derradeira do Bestiário Tucanês. É que um professor de Direito Civil de Rondônia disse: 'Vocês que serão operadores do direito'. Tucanaram os advogados! E um amigo foi comer uma feijoada no Itaim e tava lá a placa embaixo da tigela do feijão: 'Black beans'. Tucanaram a feijoada! Tucanaram o Brasil!

Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Curador': o chinês da acupuntura! Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Email: simao@uol.com.br




Bom até que enfim implementam-se outras modalidades de crédito para a classe média, que há muito foi relegada para que se desse prioridade a baixa renda. E assim aumemtam-se as construções, vendem-se mais material e geram-se novos empregos, não é disso que precisamos?

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 11 DE ABRIL DE 2003
CEF financiará o imóvel na planta

Rio - A Caixa Econômica Federal (CEF) prepara para o segundo semestre o lançamento de um fundo de investimentos em direitos de crédito sobre imóveis na planta. O fundo financiará a compra dos imóveis pelos mutuários, remunerando os cotistas através das prestações pagas.

Segundo o vice-presidente de Administração de Recursos de Terceiros da CEF, Wilson Risolia, a modalidade ainda irá gerar emprego e um funding para a indústria de construção civil. A Caixa pretende estimular a construção de imóveis para clientes com perfil de baixa inadimplência, para reduzir o risco do investimento.




David Coimbra
11/04/2003


Graça no pau-de-arara
Em plena ferocidade da ditadura, o dramaturgo Augusto Boal foi preso pela repressão. Num repente, viu-se metido numa daquelas salas fétidas e escuras, bem manietado, pendente de um pau-de-arara. A certa altura do suplício, sofrendo atrozmente sem nem saber a razão, Boal perguntou por que estavam fazendo aquilo com ele.

- Por quê? - gritava. - Por quê???

O torturador, sem vacilar:

- Porque você denunciou que existe tortura no Brasil.

Mesmo ali, nu e desamparado, pendurado de cabeça para baixo, sob as mais cruéis sevícias, Boal não resistiu ao absurdo da situação e teve um acesso de riso.

Imagino que os iraquianos estejam se sentindo mais ou menos assim. Os americanos anunciam: "Vamos libertá-los!" E os libertam de fato, destruindo suas cidades, matando suas crianças, mutilando-os. Aqueles iraquianos ensangüentados, se arrastando pelo chão, implorando por clemência aos tanques invasores, aqueles iraquianos que choram sobre os ataúdes de seus filhos, aqueles iraquianos que fugiram de suas casas e cidades, aqueles iraquianos todos estão apenas sentindo o gosto da liberdade.

De rir.

O Saddam tem 12 sósias. Fico pensando no processo de seleção. O sujeito vem arrastando suas sandálias por uma rua de Bagdá e chega um funcionário do governo:

- Com licença, queríamos contratá-lo como sósia do presidente.

- Sósia? O que precisa fazer?

- Não é muito complicado. Basta vestir um uniforme e sair por aí quando a situação estiver complicada e alguém quiser matar o presidente, ou seqüestrá-lo, ou trucidá-lo, ou jogar um Tomahawk nele. Verdade que, eventualmente, o sósia morre em lugar do presidente. Fora esse inconveniente, o serviço é fácil. E tem um bom plano de saúde e, claro, tíquete refeição.

- Hmm... - o iraquiano cofia o bigode. - Quanto ganha?

Cara, o salário tem de ser muito bom. Gostaria muito de saber o que recebem esses sósias do Saddam.

Isso nos remete a uma instigante questão: e se o Grande Irmão do Norte decidir invadir o Brasil? O Moisés Mendes, por exemplo, acha que eles cobiçam nossas reservas de carqueja. Tem lógica: americano come muito mal. Batata frita com ketchup, maionese com ketchup, sorvete com ketchup. Então, carqueja faz falta para eles. Se nos invadissem, talvez resistíssemos mais do que o Iraque. Garanto que resistiríamos. Mas e os sósias do Lula? Onde vamos encontrar sósias do Lula? Que problema.
david.coimbra@zerohora.com.br




Pois é a guerra deles de lá, está acabando e as entidades promotoras de tantos protestos não terão mais porque sairem as ruas. Só que a nossa guerra aqui continua, tal qual, como antes e sem previsão de término. Por que será que para esta daqui não há nenhum protesto? Será por que não dá IBOPE?

Paulo Sant'ana
11/04/2003


Rio subjugado
O que impressiona nestas quatro noites de terror a que foi submetida a população do Rio de Janeiro, somente este ano, com incêndio de ônibus e carros e ataques com bombas a shoppings e outros prédios é que a polícia chega sempre tarde e nenhum terrorista é preso.

Os ataques não visam a lucros, portanto são ataques terroristas, que têm a finalidade de apavorar a população, dominá-la pelo medo, paralisar o comércio, fazer sentir à sociedade que o poder dos delinqüentes corre paralelo ao das autoridades.

Anteontem, dois PMs que estavam de serviço no Largo de Campinho, bairro da Zona Norte próximo de Bangu, foram assassinados a tiros por traficantes e tiveram suas armas e objetos pessoais roubados.

Eram quatro horas da madrugada. Uma hora antes, 20 homens metralharam o Shopping Santa Cruz, a loja McDonald's e uma universidade, em Santa Cruz, outro bairro próximo a Bangu. Um microônibus também foi incendiado.

Um vizinho do polígono atacado deu o seu depoimento: "Foi uma ação terrível. Cheguei a pensar que estava em Bagdá e que tanques de guerra poderiam chegar a qualquer momento. O céu ficou todo iluminado com balas traçantes. Os bandidos sequer tiveram o cuidado de esconder os rostos. Eram todos muito jovens. O pior é que a polícia só chegou uma hora depois".

A novidade nessas sortidas cariocas de terror são as balas traçantes, que iluminam o céu no seu trajeto rumo ao alvo.

Ou seja, os terroristas possuem armamento moderníssimo: fuzis e metralhadoras importados, superiores ao arsenal da polícia.

Em pleno Botafogo, nos cercados de Copacabana, o maior shopping do Rio, o Rio-Sul, à 1h30min, teve a sua principal porta bombardeada por três tripulantes de um automóvel, que jogaram uma granada e desapareceram num automóvel em alta velocidade.

Por enquanto, estão atacando de madrugada, quando os contingentes policiais estão desmobilizados e os terroristas parecem apenas exercitar suas novas armas, o que fazem também contra facções rivais, não raro as vítimas desses embates são postas dentro de automóveis e cremadas com incêndio nas rodovias.

As autoridades atribuem essa ofensiva atemorizante às restrições que os chefes do tráfico estão sofrendo na cadeia, com proibição da visita de advogados a presos e pelo suposto espancamento de presos nas casas de custódia Jorge Santana e Bangu V, no último dia 31.

De dentro dos presídios é passada a ordem para os ataques e verdadeiras milícias organizadas se lançam às ações intimidativas e predadoras.

Quanto mais aperta o torniquete nos presídios, mais aumentam as perturbadoras ofensivas dos bandidos.

Decide-se portanto no Rio de Janeiro, neste instante, a sorte da ordem pública e institucional brasileira. Se tiverem sucesso os bandidos, o terror pode alastrar-se das fronteiras do Estado do Rio de Janeiro e o Brasil se tornará uma Colômbia.

Não é difícil de prever que em breve as Forças Armadas terão de se dedicar permanentemente ao combate ao narcoterror, saindo definitivamente para as ruas.

As polícias no Rio já se tornam tão insuficientes quanto inconfiáveis.
psantana.colunistas@zerohora.com.br


Conflito
Caos no Iraque



Com o vácuo de poder, até hospitais são pilhados
Sob o olhar complacente de militares, saqueadores tomam as ruas de Bagdá pelo segundo dia (foto Jerome Delay, AP/ZH)


Quinta-feira, Abril 10, 2003




Parece incrível mas, quase tudo o que se precisa tem que ir para a Justiça neste País, para poder valer os direitos que administrativamente poderia ser resolvido. Aí eles ficam ganhando tempo, até porque os honorários e as custas processuais não sai do bolso dos administradores que assim agem. E depois se a Lei não prevê este tipo de benefício e é clara, conforme referencia do Juiz, há que se mudar a Lei, ou requerer sua inconstitucionalidade.

Bom mas não quero chateá-los com isso e nem ficar irado. Amanhã já é sexta-feira, último dia útil desta semana que antecede outras duas que serão mais curtas, ou seja de 4 dias apenas. Na primeira, trabalharemos até na quinta e na outra começaremos na terça-feira. Se considerarmos o Judiciário a próxima será de apenas tres dias. Está na Lei... Tenhamos todos uma noite feliz.

Cassiano

Órfã maior de 21 anos tem direito à pensão por morte

O INSS deve continuar pagando pensão por morte a uma estudante universitária maior de 21 anos, até que ela tenha concluído o curso superior, ou completado 24 anos de idade. A decisão é do juiz da 3ª Vara Federal de Florianópolis, Sérgio Eduardo Cardoso, que na última quinta-feira concedeu liminar à filha de uma falecida servidora da autarquia previdenciária. Para receber o benefício, a cada seis meses a jovem deve provar ao INSS que permanece na universidade. A estudante está freqüentando a 5ª fase do curso de Direito. Ela ingressou na Justiça Federal para continuar tendo direito à pensão que recebe do INSS, em função de a mãe ter sido servidora do órgão.

Segundo o juiz, o Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos Federais não prevê, de fato, a extensão do período de recebimento da pensão por morte, uma vez que fixa em 21 anos a idade limite. Todavia, Cardoso considerou que, ¿não obstante a clareza da lei, vejo que o caso dos autos está a merecer um exame aprofundado das razões que fundamentam o pedido da autora¿.

O magistrado citou como exemplo o Regulamento do Imposto de Renda, que permite sejam considerados dependentes, para fins de dedução, os maiores de 24 anos, ¿se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau¿. Também apontou o entendimento do Poder Judiciário acerca da obrigação de pagar pensão alimentícia, que fixa em 24 anos o limite para que o beneficiário permaneça recebendo o benefício. (Proc. nº 2003.72.00.000695-2)

Marco Antonio Birnfeld
10/04/2003




José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! Aliados inauguram o Bagdonald´s!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Derrubaram a estátua do Saddam Hussein! Ou será que é a estátua do sósia do Saddam? E daria pra eles aproveitarem a onda e derrubarem a estátua do Borba Gato aqui em São Paulo? E o colunista Ciro Botelho lançou uma enquete na coluna: ´Where is Saddam?´.

Raspou o bigode, cortou o quibe fora e tá dando aulas de dança do ventre em Paris! Cortou o quibe e soltou a esfirra!
E quando é que eles vão inaugurar o Bagdonald´s? O Big Bagdonald´s? E tudo que termina em ´ista´ o Bush está querendo exterminar: terrorista, pacifista, feminista, onanista e JORNALISTA! Fogo amigo mata jornalistas! Fogo Muy Amigo! E quem está ganhando a guerra é o Fogo Amigo. O Fogo Amigo do Bush. Ué, ele não vivia de fogo? Companheiros inseparáveis. Bush fica de fogo e manda um fogo amigo! Fogo amigo-da-onça!

E continuo com a minha campanha para salvar o mundo: precisa-se urgente de uma voluntária pra fazer blow job no Bush! Chupeta Humana. Ops, a Chupeta Humanitária! E uma amiga minha quer mandar uma canibal fazer um blow job no Bush. Aí ela dá uma bela mordida e arranca o pingolim dele. E como se chama isso? CHUPETA AMIGA!

E o jogo Flamengo x Bahia? O zagueiro do Flamengo levou um chute do goleiro na nuca e fez um gol contra. Como se chama isso? CHUTE AMIGO! E o Romário, que tá lá no Qatar? Os árabes querem devolver o baixinho. Árabe não gosta de fazer mau negócio. O Romário ganhou uma fortuna, não fez um gol e ainda é vaiado. Ele vai acabar como comentarista esportivo da Al Jazeera! E ainda vão acabar cortando o pingolim dele fora!

E a penúltima derradeira do Bestiário Tucanês. É que o presidente da Câmara de Americana subiu à tribuna e declarou que é ´modelador capilar com mais de 40 diplomas´. Tucanaram o barbeiro. Tucanaram o salão. E aquele comercial do Fiat Sena, que vem com ´sky windows´. Tucanaram o teto solar. Socorro. Temos que chamar o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês! Que é pior que praga de sogra: a véia morre, mas a praga fica. Rarará!

Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. ´Recuperado´: companheiro que operou as hemorróidas. Rarará. ´Centelha´: careca, companheiro que não tem grana pra comprar peruca. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

E não se esqueça que em tempo de guerra qualquer buraco vira trincheira!

Email simao@uol.com.br




Credores impõem atraso de salário

BR e Banco do Brasil estrangulam operação da Varig

A dificuldade da Varig em negociar débitos com os seus credores mais implacáveis - entre os quais se destacam a BR Distribuidora e o Banco do Brasil - resultou em mais um atraso no salário de seus funcionários. Os empregados foram informados que o pagamento de março, que deveria ter sido feito até ontem, começará a ser depositado amanhã.
A Varig informou que os salários até R$ 600 serão pagos integralmente. Os que ganham de R$ 600 até R$ 1 mil receberão 60% do total. Acima de R$ 1 mil, o pagamento será feito na semana que vem.

Agravadas pela intransigência da BR e do Banco do Brasil em negociar débitos como fazem normalmente com outros clientes, as dificuldades levaram a Varig a atrasar pagamento dos salários em meados de junho do ano passado. O 13º salário dos funcionários também não foi integralmente pago. A empresa informou que o 13º foi parcelado em quatro vezes e que duas parcelas já foram quitadas. De fevereiro até maio, a Varig se comprometeu a depositar o 13º no dia 17 de cada mês.

A FRB-Par Investimentos, controladora do Grupo Varig, realiza amanhã uma assembléia para homologar a saída do presidente do seu Conselho de Administração, Yutaka Imagawa. Um novo conselho de administração deverá ser eleito na reunião, já que alguns conselheiros foram indicados por Imagawa e devem pedir demissão. O executivo foi destituído no último dia 25 de março.




E a CAIXA elaborou uma série de projetos para ocupar espaço neste Shopping que promete ser um dos mais bonitos aqui no centro da Capital. Não sei como andam estes estudos, mas acredito até que houve desistência, numa ida para a contra-mão da história, porque provavelmente lá teremos outras agências de outros bancos. É a Lei da Física fazendo a sua parte. Se você não ocupar os espaços, outros veem e ocupam-os, não há como fugir.

Gaúchos redescobrem prédio histórico na Capital
Obras do Shopping Total reapresentam a cervejaria Brahma
TATIANA CRUZ

Em meio a uma das avenidas mais movimentadas da Capital, uma aula de história é oferecida aos gaúchos.

Na esteira das obras do Shopping Total, a remoção de um dos seis muros que cercam o antigo prédio da cervejaria Brahma devolve ao público uma visão privilegiada. Na Avenida Cristóvão Colombo, no bairro Floresta, começa a ser recuperado um passeio por tendências arquitetônicas que emolduraram quase um século de indústria no Rio Grande do Sul.

Depois de 10 meses de obras, os muros erguidos há quase 80 anos começam a ser removidos. Voltam a ficar exposta relíquias arquitetônicas já quase esquecidas pelos porto-alegrenses. São ornamentos, esculturas, frontões, torres e cúpulas escondidas do público por paredões de até cinco metros de altura e desfigurados pela lógica industrial. O primeiro muro, removido no mês passado, dá passagem a um dos prédios principais do shopping, onde funcionará a entrada de pedestres.

Detalhes dos prédios foram recuperados

Conforme integrantes da equipe de restauro dos quatro prédios tombados pelo patrimônio histórico, nos próximos 15 dias o restante dos muros também deverá ruir.

- O público terá uma aula de história. Quando começamos o projeto, encontramos janelas de vidro belíssimas fechadas com alvenaria e outras verdadeiras obras de arte modificadas. Hoje, quem passa por aqui, passeia pela história - assegura um dos arquitetos responsáveis pelo restauro, Analino Zorzi.

- Recuperamos as características arquitetônicas de cada um dos quatro prédios tombados e de seus anexos. Os ornamentos, antes escondidos em fachadas monocromáticas, hoje chamam a atenção, têm cor - completa o restaurador.

Com uma área construída de 63 mil metros quadrados e investimento de aproximadamente R$ 45 milhões, o Total abrirá as portas com 557 espaços comerciais, cinco salas de cinema, um supermercado, bingo e um museu da cerveja. A inauguração está prevista para 29 de maio.




Nilson Souza
10/04/2003


Dia do beijo

Ah, não! Outro tombo!

Mas parei a tempo e fiquei observando quem vinha. Era uma moça mirradinha, com um bebê no colo. Estava distraída porque tentava encobrir a cabeça da criança com as mãos, para evitar que o sol da manhã atingisse diretamente o seu rosto. Devia ser uma mãe de primeira viagem. Estava tão feliz e apaixonada pelo seu filhote que nem notou a minha presença. Afastei-me discretamente para dar-lhe passagem e ela aproveitou a minha sombra para dar uma paradinha, retirou a mão do rosto da criança e aplicou-lhe um beijo estalado na bochecha.

Aquele beijo teve o efeito de uma trégua nos meus pensamentos ruins.

Por curiosidade, quando cheguei ao trabalho, constatei no calendário que neste domingo celebra-se o Dia Internacional do Beijo. Procurei me informar a respeito e descobri um montão de curiosidades a respeito do tema, entre as quais a de que existem 484 formas de beijar e a de que um beijo movimenta 29 músculos da face e da língua. Tem também a pesquisa de um cientista alemão que descobriu, observando 124 casais se beijando em lugares públicos, que normalmente as pessoas giram a cabeça para o lado direito (na direção do ombro direito) quando vão beijar.

Sei lá se tem fundamento isso, mas de uma coisa tenho absoluta certeza: aquele bebê jamais vai esquecer os beijos estalados que levou nos intervalos dos raios de sol.

Se você acredita nisso, aproveite o próximo domingo para exercitar este que é o mais sincero gesto de amor.
nilson.souza@zerohora.com.br




Paulo Sant'ana
10/04/2003


Sem dobrar os joelhos

Mas que trapalhada armaram para derrubar aquela estátua do Saddam ontem!

Tentaram primeiro, com um cabo de aço puxado por um tanque, passar uma rasteira no Saddam, puxando-o pela perna. E ele, firme.

Depois os marines tiveram a idéia de tapar o rosto de Saddam com a bandeira norte-americana.

O mundo inteiro assistia à cena pela televisão, é evidente que o comando americano deve ter admoestado os marines: tanto não era aconselhável erguer a bandeira estadunidense num monumento, passando a idéia de uma conquista e do estabelecimento no Iraque de um protetorado, quanto dali a pouco a estátua iria tombar e com ela ruiria também a bandeira vitoriosa, um contra-senso!

Retiraram a bandeira. Aí outra asneira. Ataram no pescoço do Saddam uma bandeira do Iraque.

Mas como ligar o Saddam ao Iraque, se a simbologia da queda da estátua era exatamente a contrária? Não era o Iraque que tinha de ser derrubado - e sim Saddam. Retiraram também a bandeira do Iraque.

Mas a estátua de Saddam não queria ceder, dando uma falsa impressão dos fatos, afinal o Iraque parecia subjugado.

Resolveram enlaçar o cabo de aço no pescoço de Saddam. E nada de a estátua ceder.

Que homem duro de ser vencido!

Até que veio abaixo a estátua, sob os vivas histéricos da platéia.

Mesmo derrubado, o imenso Saddam de aço, incrivelmente, não dobrou os joelhos. Caiu firme como uma rocha.

Restou aquela cena patética da cabeça de Saddam sendo arrastada pelas ruas, com um menininho a lhe desferir cascudos no percurso.

Enquanto isso, o caos se instalava em Bagdá. Os edifícios eram saqueados, jornalistas portugueses agredidos a coronhadas de fuzis por partidários de Saddam, a anarquia tomou conta da cidade.

Aquela seqüência alucinante de fatos tinha como ponto central da transmissão de televisão os acontecimentos favoráveis aos EUA.

Apareciam iraquianos amaldiçoando Saddam e abençoando Bush. Sem dúvida que as cenas mostradas ontem, de rejeição a Saddam e veneração aos norte-americanos libertadores, serviram para aplacar a revolta pacifista que se instalou nos espíritos de todo o mundo.

Como não era difícil de prever, ficou amenizada a posição de Bush e da invasão, caíra um tirano detestável, pelo menos para isso servia a aventura autoritária dos EUA.

E muito mais ainda se saberá sobre as crueldades de Saddam, com o que a popularidade de Bush subirá a níveis inéditos e sua reeleição estará garantida.

As vítimas sangrentas da guerra, de ambos os lados, em poucos dias serão esquecidas.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Luis Fernando Verissimo
10/04/2003


Retrocesso

Ainda não se sabe ao certo quantos civis iraquianos morreram na guerra. Não nesta, na outra. As estimativas variam, de acordo com as simpatias de quem conta. As crianças que morreram nos anos de embargo econômico depois de 91 devem ser consideradas baixas de guerra? Ou elas também são vítimas do Saddam, que poderia ter evitado suas mortes deixando o poder? O fato é que em 12 anos não apareceu uma contabilidade confiável dos "estragos colaterais" de 91.

Desta vez, com os americanos e os ingleses e seu amor à estatística no poder, talvez se tenha uma contagem exata dos mortos no Iraque. Ou talvez não. A guerra da informação continuará depois da guerra real e é possível que nem a tradição de independência e objetividade da imprensa anglo-saxônica sobreviva ao banho de sangue de Bagdá e à necessidade de atenuar, de alguma maneira, a enormidade do crime cometido, e os números tétricos desta guerra também se percam numa conveniente indefinição.

Pois se não interessará mais nem por que houve a guerra, se por petróleo barato ou outra causa nobre, que diferença fará a forma como os iraquianos foram liberados na invasão sem provocação do seu país? Matar também é liberar. Outra coisa que talvez não sobreviva a estes dias inacreditáveis é o nosso velho hábito de confundir tecnologia com civilização.

Um hábito do qual já deveríamos ter desconfiado quando se concluía que só um povo civilizadíssimo como o alemão seria capaz de desenvolver métodos de extermínio em massa tão eficientes quanto os dos nazistas. Hoje a maior potência tecnológica do mundo emprega toda a sua engenhosidade num retrocesso histórico de cem anos, com a ocupação colonialista de um país, na comparação, primitivo. Como num daqueles filmes de viagem no tempo, soldados americanos invadiram o século 19 com armas do século 21 - para depois da previsível chacina desfilarem em Nova York como heróis.

Estamos de volta ao imperialismo clássico, à hipocrisia dos cruzados, à prepotência pia mascarando a rapinagem. Que outra história estão contando os mísseis inteligentes, os guerreiros com visão noturna e a fantástica nova doutrina do bombardeio libertador - para não falar, claro, na eleição de um Bush - senão a da falência da civilização, ou dos meios para medi-la?

Amanhã haverá uma marcha de protesto em Porto Alegre, saindo do Largo Glênio Peres às 17h, com a participação de quem é pela paz.


Conflito
A queda de Bagdá



Regime de Saddam desmorona diante de tanques dos EUA no coração da cidade
Três semanas depois de uma salva de mísseis lançada sobre Bagdá anunciar o início da Guerra no Iraque, a cidade de 5 milhões de habitantes caiu quase sem resistência diante do poderio militar dos Estados Unidos.

Sem notícias do ditador Saddam Hussein, ministros e outros ex-líderes iraquianos desapareceram de uma Bagdá em caos, tomada por hordas de saqueadores

Um marine coloca a bandeira dos EUA em uma estátua de Saddam no centro de Bagdá, pouco antes de ela ser derrubada e pisoteada por iraquianos (Laurent Rebours, AP/ZH)


Quarta-feira, Abril 09, 2003




Restam sete meses para que haja esta possibilidade, e como há uma fila enorme de interessados, resta saber quando começarão os contratos para a implementação prática do proposto. Mas ai está a vocação da CAIXA e é nesta área que é o seu forte.

Caixa vai liberar R$ 3,5 bi para financiar a habitação

A Caixa Econômica Federal vai liberar R$ 5,3 bilhões para a construção, compra e reforma de moradias em 2003, segundo divulgou hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O anúncio foi feito durante cerimônia realizada no Palácio do Planalto, com a presença do ministro Olívio Dutra (Cidades) e do presidente da Caixa, Jorge Mattoso. Com os R$ 5,3 bilhões, a Caixa espera financiar cerca de 360 mil famílias, sendo que 67% dos beneficiados teriam renda de até cinco salários mínimos.

Os recursos viriam, principalmente, da própria Caixa, do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). A Caixa também anunciou que o PSH (Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social) terá R$ 350 milhões em subsídios. Com isso, 44 mil famílias de baixa renda teriam acesso a moradia.

As regras do subsidio também mudaram. A partir de agora, poderão ser inscritos no programa famílias com renda de até R$ 720, e não mais de até R$ 580. O valor dos imóveis que poderão ser comprados também subiu, de R$ 10.000 para R$ 21.000 nas principais regiões metropolitanas do país e de R$ 10.000 para R$ 16.000 nas demais cidades. A diferenciação entre cidades deve-se ao valor mais alto dos imóveis nas grandes cidades.

O governo aumentou ainda o valor do subsídio que será dado às famílias de baixa de renda para a aquisição das moradias, que passa de R$ 4.500 para R$ 6.000. Essa elevação também só vale para as principais regiões metropolitanas.

No PSH, os projetos imobiliários são realizados em parceria com governos estaduais e municipais, o que possibilita reduzir o custo médio de cada unidade. A previsão é de que a Caixa feche 2003 com 63.636 moradias financiadas por meio do PSH. (AF)


Pedro Bial

Pedro Bial é bem brasileiro, a despeito de seus olhos azuis. Cordial no trato e franco na conversa, consegue ser simpático mesmo quando expõe pontos de vista opostos ao do interlocutor. Antes do gravador começar a rodar, fez questão de mostrar o depoimento do escritor britânico de origem indiana Rudyard Kipling: Por que me recuso a dar entrevistas? Porque é imoral! É tão criminoso quanto uma ofensa contra minha pessoa. Um assalto que merece punição. Mas Bial não está querendo intimidar. Ao contrário, parece demonstrar o quanto duvida de sua profissão de origem, o jornalismo. Ou ele já não seria mais repórter, deglutido e transmutado em apresentador de TV?

Pedro Bial já escreveu livro de reportagem, dirigiu documentário sobre Guimarães Rosa (Os Nomes do Rosa) e filme de ficção sobre o mesmo (Outras Histórias) e apresenta um programa de literatura na Globo News.
Ao contrário de muita gente em sua posição, esse ipanemense que morou oito anos em Londres como correspondente da Globo tem coragem para expressar livremente suas opiniões. Não tiro o meu da reta, diz, questionado sobre o apelo popularesco do BBB. Faço parte do show. Podem rir, fazer piada de mim.

Aos 44 anos, três casamentos desfeitos e quatro coberturas de guerra depois (Angola, Sarajevo, Romênia e Golfo), Bial quer paz. Admite que viveu um período de excessos que culminou na briga pública com a ex Giulia Gam e tenta s