E N T R E L A Ç O S
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Sábado, Abril 19, 2003




Empresas
Fusão de Varig e TAM tem semana decisiva

Integrantes do conselho da Fundação Ruben Berta articulam mudanças na instituição

Os vôos da Varig decolaram normalmente ontem, depois de a empresa pagar à BR Distribuidora e garantir o fornecimento de combustível para os aviões até terça-feira, mas tudo indica que os próximos dias serão de tensão para a companhia aérea. O conselho deliberativo da Fundação Ruben Berta (FRB), à qual cabe aprovar ou rejeitar a fusão com a TAM, decidiu acompanhar de perto a situação da empresa, em meio às crises internas do Grupo Varig e às divergências dos últimos dias com o governo.

Na prática, boa parte dos conselheiros está sem informação sobre a proposta apresentada pelo Banco Fator e descontente com as divergências internas no conselho de curadores, um grupo de sete pessoas eleitas para administrar a FRB. Ontem, informou-se que o Banco Fator deverá apresentar à Fundação, na terça-feira, o modelo proposto para a fusão. De acordo com fontes ligadas ao conselho curador da FRB, apesar de toda a polêmica, até agora não houve nenhuma informação oficial sobre a participação de cada companhia aérea na empresa que pode surgir com a união.

No próximo dia 24, um grupo de integrantes do colegiado se reunirá no Rio para discutir a situação do grupo e montar estratégia para a aprovação de um requerimento de assembléia extraordinária da FRB, com pedido de destituição e recomposição do conselho de curadores. Até ontem, o requerimento tinha cerca de 110 assinaturas do total de 220 membros do colegiado, segundo um dos integrantes.

A maioria reclama da falta de um Plano B, para o caso de o projeto de fusão com a TAM ser considerado inadequado ou simplesmente fracassem as negociações em andamento.

O governo, por meio do ministro da Defesa, José Viegas Filho, deixou claro não estar disposto a tolerar objeções ao processo de fusão com a TAM. Viegas chegou a afirmar que "se a Varig preferir ficar sozinha, ficará sozinha'', em clara alusão às declarações do presidente da FRB-Par, holding controladora do grupo Varig, Gilberto Rigoni, contrárias à fusão.

Fusão complicada
Os obstáculos e as restrições à integração com a TAM:

A modelagem elaborada pelo Banco Fator prevê a divisão do grupo Varig. As companhias Varig, Rio Sul e Nordeste fariam parte da nova empresa.

As demais empresas do grupo, como VarigLog, Varig Engenharia de Manutenção (VEM), Sata, Amadeus e Rede de Hotéis Tropical continuariam sob controle da Fundação Ruben Berta.

A nova empresa usaria os serviços dessas empresas do grupo, com receita revertida para a Fundação Ruben Berta.

A principal discordância de algumas facções dentro da Varig quanto a esse modelo é a participação reduzida do grupo Varig na nova empresa.

Segundo fontes do mercado, a Varig ficaria com apenas 10% da nova companhia. O Banco do Brasil, junto com a TAM e investidores estrangeiros - principalmente os atuais credores da Varig - dividiriam o restante do capital.




David Coimbra
19/04/2003


Paciência!

Cara, eu tinha que ter mais paciência. Paciência é um troço fundamental para tudo que se faça, nesse vale de lágrimas. Os japoneses é que sabem bem disso. Já contei como funciona a sinaleira no Japão? Assim: um japonês vai atravessar a rua. Olha à esquerda e à direita.Nenhum carro. Nada. Zero. A rua está tão vazia quanto o espaço que o Bush tem entre as orelhas. Mas o sinal está vermelho para ele. Então ele espera na calçada. Espera, espera, espera, espera. Só atravessa quando o sinal abre.

Já com os carros a coisa é diferente. O carro vem vindo. O sinal está vermelho. Aí o motorista dá uma reduzida, confere se não há algum pedestre nas imediações. Se não tem ninguém na iminência de atravessar a rua, ele toca. Quer dizer: o semáforo é para pedestres, não para carros.

Eu, no Japão, tentava proceder como eles. Parava no meio-fio e ficava esperando.
Esperando esperando esperando. Nenhum carro até onde a vista alcançava e eu esperando.Uma vez cronometrei: eu e meus amigos pedestres japoneses perdemos quatro minutos aguardando o sinal esverdear. Quatro minutos! Jesus Cristo, que agonia me deu. Eles, não. Eles mantinham a tradicional serenidade japonesa.

São assim em qualquer circunstância. Jamais se impacientam. Dominam a própria ansiedade e, desta forma, dominam o tempo.

Um dia disse isso ao cônsul do Japão. Que admirava sobremaneira a paciência oriental. Ele respondeu que nós brasileiros também somos muito pacientes. Fiquei espantado.

¿ Em que situação, por exemplo?

Ele:

¿ Nas filas. Os brasileiros ficam às vezes horas numa fila sem reclamar.

Sacudi a cabeça. Disse-lhe que aquilo não era paciência, mas resignação. O brasileiro está tão acostumado a ser maltratado que nem reclama mais. Claro, às vezes é até saudável se conformar com uma derrota, com uma perda, e desistir. Simplesmente desistir. Mas o abandono sem luta, isso é que não.

Tenho dúvidas se o cônsul entendeu.

O Tite conseguiu reunir esses dois predicados, durante essa sua última crise no Grêmio. Em primeiro lugar, não se conformou: trabalhou, lutou, reagiu e, o mais importante, mudou. Em segundo, e talvez ainda mais relevante, teve paciência. Esperou que a má fase se dissipasse. E a má fase se foi, como um dia se vai todo o mal. Foi um sábio, o Tite. Um japonês de sabedoria. Soube usar o tempo a seu favor, não contra. Como queria saber fazer isso, meu Deus!

O bom

O campo do Maracanã é grande, é um campo para quem sabe jogar futebol. Quanto maior o espaço, mais o talento se irradia e fulge. Em compensação, mais evidente se torna a FALTA de talento.

Num campo daquelas dimensões, o ruim se vê exposto a uma luz constrangedora. Ele não está sempre coagido pela marcação, não precisa dar um bico na bola, espantá-la para longe dele. Não. A bola está ali, e o espaço também. Resta decidir o que fazer com ela e aí reside todo o drama do perna-de-pau.

O que aconteceu no Maracanã, quinta-feira, foi que alguns jogadores menos ilustrados no nobre esporte bretão se engasgaram com todo aquele espaço. Foi demais para eles. Ficou bom para Carlos Alberto, o 10 do Fluminense, que se destacou dos outros de tal forma que parecia um profissional no meio dos amadores. Carlos Alberto. Esse, se não se arrepender, ainda vai jogar entre os Ronaldinhos.




Jorge Furtado
19/04/2003


Guerra e Paz

Os primeiros pilotos americanos, ainda bem, começam a voltar para casa. Eles foram ao Iraque procurar armas de destruição em massa, mas, como não encontraram, jogaram suas próprias armas de destruição sobre a massa de miseráveis. A outra desculpa inventada pelos piratas de Bush para roubar petróleo foi a de transformar o Iraque numa democracia.

Depois da II Guerra Mundial, os Estados Unidos já jogaram suas bombas sobre 19 países, a lista foi compilada pelo historiador William Blum: China 1945-46, Coréia 1950-53, China outra vez 1950-53, Guatemala 1954, Indonésia 1958, Cuba 1959-60, Guatemala outra vez 1960, Congo 1964, Peru 1965, Laos 1964-73, Vietnã 1961-73, Camboja 1969-70, Guatemala de novo (é pertinho) 1967-69, Granada 1983, Líbia 1986, El Salvador 1980, Nicarágua 1980, Panamá 1989, Iraque 1991-99, Sudão 1998, Afeganistão 1998 e Iugoslávia 1999. Isso para não falar dos mísseis inteligentes que erraram de país e acertaram o Irã e a Turquia. Sabem quantos destes bombardeios provocaram democracias? Nenhum.

Mas agora vai ser diferente, aleluia! Sunitas, xiitas e curdos, assim que tiverem a chance de comer alguma coisa, vão se reunir alegremente para eleger um republicano branco e sem bigode, aleluia! E o Coelhinho da Páscoa vai trazer de volta para o menino Ali Ismael Abbas, de 12 anos, o pai, a mãe (grávida de cinco meses), o irmão e os dois braços que ele perdeu enquanto dormia. Aleluia!

Chega de guerra. Em tempos de paz, nada melhor que visitar uma livraria. Porto Alegre já era a cidade com mais leitores do Brasil, já tinha a Feira do Livro e alguns dos melhores sebos do país, já tinha boas livrarias e já tinha grandes livrarias. Mas não tinha um livraria boa e grande. Agora tem. Se o paraíso de Borges é uma biblioteca infinita, a sala de espera é a Livraria Cultura.

Eu sei, o prédio do Shopping Bourbon assusta, parece o resultado do surto psicótico de um arquiteto que teve uma má viagem enquanto lia um catálogo de materiais de construção. Mas o conteúdo vale a viagem. Você pode ir ver Durval Discos ou Carandiru nas ótimas salas do Arteplex e, chegando duas horas antes, mergulhar no labirinto de delícias da Cultura. Quer sugestões de livros para esquecer a guerra? Seda, de Alessandro Baricco, uma pequena e indescritível obra-prima, só lendo.

Minha Querida Sputnik, de Haruki Murakami, grandes personagens numa história originalíssima: rapaz se apaixona por moça. Biografia de uma Árvore, do Carpinejar, nada melhor que boa poesia. Quer uma sugestão de livro para não esquecer da guerra? Maus, de Art Spiegelman, o maior gênio das artes gráficas desde Steinberg, Millôr e Crumb. Maus é uma história em quadrinhos sobre o tempo em que os nazistas eram alemães. Vai estragar seu dia, eu garanto. Não perca.
jorge.furtado@zerohora.com.br




Como estou a 400 km de Porto Alegre, privilegiado que sou por poder ter saido um pouco e respirar novos ares, estou postando daqui e como é dia do Indio me faz lembrar o aniversario de minha amada e querida amiga Tania do DF. Abraços, tudo de bom, que voce merece e repito que sinto saudades de ocê.

Lya Luft
19/04/2003


Borghetti e o mar de todos os naufrágios

Não se vai ao ateliê de Lou Borghetti como para uma visitinha social: ninguém entra impunemente em contato com a arte. Eu, quando estou ali, tenho vontade de ficar num canto sendo um bicho, um móvel, um objeto, à espreita. Naquele jogo de luz e sombras, cheiros, cores e formas, a desordem aparente confere ao detalhe um profundo sentido. É uma atmosfera dramática, a um tempo sensual e solene. E sempre a música - quase toda vez em que entro, ela escuta ópera. (Callas? esqueci de perguntar, mas isso é Borghetti.)

Caixas com tampo de vidro espalhadas nas grandes mesas e no chão. De saída me prende uma, com um pequeno rosto em gesso branco (eu acho), misto de máscara mortuária e máscara veneziana. Que vida se congelou naquela caixa? Em todas elas, grandes ou pequenas, preservam-se amor e dor, sonho e morte. O perverso e o delicado, algo oculto que chama: Vem, vem...

A arte de Lou se faz com delírio e tenacidade, ímpeto e requinte. Um retrato de moça antiga, um bilhete escrito em uma velha máquina de escrever. Sedas amarelecidas que ainda farfalham numa dolorosa sensualidade. Mãos da Monalisa, um coração de metal, e algo que de início não identifico: um preservativo.

Um ninho de pássaro, plumas brancas: penso em maternidade e acolhimento, mas no fundo vejo sangue de parto ou de ternura assassinada. Pedaços de poemas. Frases escritas em círculo na letra da artista: mandalas. Da letra, da seda, dos arames finos e das palavras - até do símbolo infinito de um mata-insetos -, arqueia-se uma elaborada construção feita de materiais e a eloqüência do silenciado. Desde tempos perdidos, tudo espera ser visto e elaborado, para voltar à vida através da arte.

Aí me viro, e meu coração desfalece: espumas precipitam-se sobre pedras em uma tela grande. Ouço o rumor das ondas, sinto maresia em minha boca. Involuntariamente exclamo: Mas esse é O MAR DE TODOS OS NAUFRÁGIOS!

Pelas mãos da artista se transfiguram os remanescentes de um naufrágio pessoal ou coletivo, consciente ou inconsciente. O que está nessas caixas e telas são destroços de tantas vidas, todas as vidas - a nossa vida. Seda, letra, seio, fios de metal, um olho e mais adiante o ninho com sangue: essa vigorosa humanidade primitiva nos define. O trabalho de Borghetti é uma celebração daquilo que apesar de tudo persiste e é belo, que se desmonta e se recupera incessantemente, como nas transformações da natureza. É uma trama lúcida e onírica onde rótulos e explicações se tornam supérfluos. Pois Lou é também meio bruxa, disso nunca duvidei.

Um pouco de mim permanece naquele ateliê muito depois de eu ter saído: essa obra nos mostra humanos e transcendentes, perdidos mas recuperados, e sempre inconclusos. Como a vida, a arte nunca está terminada.




Paulo Sant'ana
19/04/2003


Dois assaltos

Recebo um relato interessante sobre um efeito colateral nocivo de um assalto: "Prezado Sant'Ana. Hoje de madrugada, meu filho foi assaltado em ocorrência que culminou com troca de tiros entre o assaltante e a BM e após o fato, no qual o criminoso não andou 10 metros com o carro - porque a rua em que estavam é sem saída e a BM logo chegou, pois já estava em perseguição ao assaltante -, meu filho, a vítima, foi obrigado a pagar o guincho, para levar o carro, que nada sofrera, até a polícia civil.

Desnecessário dizer que a perícia em questão era irrealizável, pois o carro não só foi removido do local - guinchado - como, antes, meu filho foi instado a retirar dele tudo que entendesse necessário. Posteriormente, o próprio delegado, muito prestativo, aliás, reconheceu que tais perícias jamais são feitas. Primeiro, porque só teria valor se feita no local; segundo, porque a polícia não tem condições de realizá-las dessa forma. A situação é absurda.

O Estado não oferece segurança a seus cidadãos e, ainda por cima, obriga-os a pagarem pelo risco que correm e pela violência a que são submetidos. Indignada com o ocorrido, eu, que até pela minha atividade profissional - sou procuradora de Justiça -, tenho hábito de pensar em como promover o justo, o correto, o melhor, sinto-me em verdadeiro abandono dentro da minha cidade, do meu Estado, do meu país. Podia ter perdido meu filho e, provavelmente, ainda teria que pagar o transporte do carro para efeitos dos mais espúrios. A propósito, para me consolar, quando demonstrei minha inconformidade com o fato, os policiais me informaram que todos estranham a situação, mas que, acionado o seguro, eu seria ressarcida. Sem comentários. Peço a tua ajuda, a quem sempre leio e vejo se insurgir contra essas situações absurdas e incompreensíveis de que somos alvo. Obrigada. (ass.) Ana Luiza Mercio Lartigau".

É interessante o relato da senhora procuradora. Seu filho teve de pagar pelo serviço de guincho como se fosse tributável ser vítima de violência.

Esta cobrança do guincho é um desses costumes antigos que atentam contra a lei e o bom senso, no entanto acabam institucionalizados.

Se o poder público decide por guinchar um carro, em qualquer hipótese, terá de ser dele o ônus do serviço. No entanto, sempre se cobra dos cidadãos, quando dos acidentes, quando dos estacionamentos proibidos, agora se sabe que também quando são vítimas de crimes e os carros, mesmo sem nexo material com o delito, têm de ser enviados à perícia.

Que fazer? Acho que nada. Desanima a cada dia o triunfo das injustiças. Ontem, por exemplo, fiquei sabendo que a maioria das ações que as pessoas prejudicadas empreendem com base no Código de Defesa do Consumidor prescreve e se torna inútil por desaparelhamento total do Estado nos órgãos específicos para que, logo em seguida acolhidas, sejam providenciadas.

"Querido Paulo Sant'Ana

Estou te escrevendo para te pedir um grande favor. Como sei que a tua coluna é muito lida, somente através dela poderei reaver duas fitas VHS de formatura das minhas filhas e um álbum de fotos de formatura, que foram furtados junto com outros pertences em um assalto à mão armada que eu, minha mãe e minhas filhas sofremos sábado (12/04) à noite na Praça Júlio de Castilhos, quando fomos a Porto Alegre para uma consulta médica. Todos os pertences, assim como documentos, eu não estou pretendendo reaver, somente estas fitas, as quais não tenho mais como recuperar. A quem devolver terei imenso prazer em poder gratificar e a ti ficarei eternamente agradecida. (ass.) Maria de Fátima Caldeira Skrebsky".

Eu transcrevi este e-mail só pelo fato de que a missivista, se despreza os outros valores todos que lhe foram roubados no assalto e dá assim tanta importância a essas duas fitas, pelo seu valor estimativo, é porque são essenciais para ela essas gravações.

Normalmente, os ladrões põem fora esse tipo de coisa. E se alguém achou as fitas, comunique-me.

Mas queixa de assalto é um dos itens que mais freqüenta a minha correspondência. Que século!
psantana.colunistas@zerohora.com.br


Conflito
Sai Saddam, entra o fundamentalismo



Um protesto inédito reuniu ontem em Bagdá milhares de xiitas, que gritavam slogans contra Saddam e George Bush (foto Hussein Malla, AP/ZH)


Sexta-feira, Abril 18, 2003




Stephen Kanitz

O próximo jogo econômico

"Estamos sempre atolados e discutindo os problemas econômicos do passado, sem tempo para discutir as tendências do futuro"

Imagine-se técnico da seleção da economia brasileira. O Brasil está perdendo o jogo da globalização por 4 a zero. Você se reúne com seus assistentes para analisar as opções.

Ilustração Ale Setti

A primeira opção é mandar todo o time para o ataque. Isso significa incentivar a indústria brasileira a adotar programas de qualidade e produtividade, apoiar as exportações, investir em tecnologia e aumentar a competitividade. É o que nossos governos têm feito desde 1950, sem muito sucesso.

Outra opção seria criar uma enorme confusão no meio-de-campo, provocar a expulsão de adversários como a Alca e o FMI e anular a partida, já que as regras foram inventadas por eles. Essas são basicamente as únicas opções discutidas pela maioria dos especialistas e partidos políticos.

Existe ainda uma terceira opção, pouco analisada, que parte da percepção de que temos perdido a maioria dos jogos econômicos porque ficamos o tempo todo tentando entender ou então mudar as regras. Quando finalmente aprendemos os truques e os macetes, as regras já mudaram, e os que querem mudá-las nem sabem como. A verdade é que nunca vamos ganhar jogos com regras escritas por outros. Jogos econômicos são ganhos muito antes de o time entrar em campo, nos meses de treinamento intensivo, na organização e administração do time. O Brasil sempre entra em campo anos depois de o jogo ter começado.

Precisamos nos preparar para o próximo jogo internacional. Precisamos nos preparar para os jogos e as regras que estarão por vir, e até criar nossos jogos com nossas regras.

Tudo isso pode parecer muito óbvio, mas nunca foi feito. Estamos sempre atolados e discutindo os problemas econômicos do passado, sem tempo para discutir as tendências do futuro. Perdemos anos corrigindo o passado, como fizemos na Constituição de 1988, e não discutindo as possibilidades do futuro. Pior, nossos políticos e nossa imprensa só ouvem aqueles que explicam o presente, e não aqueles que se preocupam com o futuro. Por definição, o futuro não é notícia, porque ainda não aconteceu.

"Qual será o próximo jogo econômico internacional?" é portanto a pergunta cuja resposta vale ouro. Infelizmente, não tenho espaço nem competência para me estender convincentemente nesse assunto. Por isso, vou dar um exemplo dos jogos possíveis, um exemplo didático, não uma proposta concreta.

Um dos jogos que imagino é o turismo da terceira idade de média renda. O mundo está envelhecendo e, com os progressos da ciência, a população do Primeiro Mundo estará vivendo cada vez mais. Lugares como Miami, Costa Brava e Lisboa ficarão pequenos para acolher os milhões de velhinhos e velhinhas aposentados dos Estados Unidos e da Europa, que fogem dos rigores de seu inverno.

Se estivermos preparados, eles poderão escolher cidades mais quentes e mais baratas, como Salvador, Fortaleza, Natal e Maceió, cidades com a tradicional hospitalidade brasileira. Um milhão de velhinhos com aposentadoria anual média de 20.000 dólares para gastar nos trariam 20 bilhões de "exportações" por ano. Dois milhões de velhinhos resolveriam para sempre nossos problemas cambiais.

Mas, para que o Brasil participasse desse jogo, precisaríamos nos preparar desde já. Em vez de construir hotéis de luxo, teríamos de erguer milhares de flat services. Em vez dos cassinos que muitos querem criar, teríamos de construir dezenas de campos de golfe, se o MST permitir. Em vez de boates, precisaríamos de bingos, quadras de bocha e piscinas térmicas, além de resolver nossos problemas de segurança.

Mais importante seria a construção de centros ortopédicos e geriátricos de qualidade internacional, o que nos traria ainda mais divisas. E aqui, caro leitor, vem o ponto crucial. Esses investimentos levam tempo para ser feitos. E, uma vez construído, um hospital cardiológico ou ortopédico leva no mínimo dez anos para ganhar reputação internacional. Ou seja, já estamos atrasados e podemos perder também esse barco, porque nunca pensamos nos jogos do futuro, somente nos erros do passado.

Stephen Kanitz é administrador
www.kanitz.com.br




Bem-vindo ao século XIX

"Bush foi acusado de remeter o mundo de volta ao século XIX. Devemos ser gratos aos americanos. Se o mundo retrocedeu de fato, significa que nós ficamos um pouco menos defasados"

Eu, no lugar dos iraquianos, teria feito exatamente a mesma coisa. Ao deparar com o primeiro tanque americano, teria largado minha espingarda, tirado o uniforme, dado umas chineladas no retrato de Saddam Hussein para o cinegrafista da CNN e aproveitado a confusão para pilhar uma escrivaninha de fórmica no Ministério das Relações Exteriores.

Ouvi muita gente comparar a ocupação do Iraque a uma guerra colonial. O presidente dos Estados Unidos foi acusado de remeter o mundo de volta ao século XIX. Se é verdade que voltamos ao século XIX, exijo que me dêem, imediatamente, um novo Flaubert. Não só Flaubert. Exijo também um novo Tolstoi, um novo Eça, um novo Machado, um novo Dickens, um novo Van Gogh, um novo Darwin, um novo Pasteur, um novo Tocqueville.

Os únicos que não têm do que reclamar desse retorno ao passado são os brasileiros. Pelo contrário. Devemos ser muito gratos aos americanos. Se o mundo de fato retrocedeu para o século XIX, significa que nós ficamos um pouco menos defasados. Quando alguém denunciar que temos trabalho escravo, podemos nos defender com o argumento de que, no século XIX, a escravidão ainda era muito comum. O mesmo vale para o trabalho infantil ou para a fome. A Alemanha implantou seu serviço público de saúde em 1840, para combater as epidemias de tifo e cólera. Em Manaus, atualmente, 700 pessoas contraem malária por dia. Cedo ou tarde o Brasil empatará com a Alemanha do século XIX.

Há também aquela velha chateação do analfabetismo. O Brasil, segundo o governo, tem mais de 20 milhões de analfabetos. Ou seja, uns 12% da população. Em 1890, nos Estados Unidos, o analfabetismo era ainda pior, atingindo 13,3% da população. Eles só conseguiram nos superar na década seguinte, em 1900, quando o número caiu para apenas 10,7%. Podemos rebater, porém, que aí não vale, porque eles já estavam entrando no século XX.

O ministro da Educação, Cristovam Buarque, quer erradicar o analfabetismo nos próximos quatro anos. Para isso, criou o programa Analfabetismo Zero, que, antes mesmo de iniciar, foi rebatizado de Brasil Alfabetizado. O programa ainda não está funcionando porque o governo não tem idéia de que método usar para alfabetizar essa gente toda, mas Cristovam Buarque já cuidou do principal: a campanha publicitária. O mote é: "Faça um gol de letras". Jogadores de futebol irão incentivar os analfabetos a se matricular no programa do governo. O primeiro jogador a ser procurado foi Ronaldo. Cristovam Buarque chegou a viajar para Madri a fim de engajá-lo na campanha. Como não havia sido consultado anteriormente, Ronaldo não recebeu o ministro. Podemos imaginar, no entanto, seu depoimento: "Se eu não tivesse largado os estudos para jogar no dente-de-leite do São Cristóvão (São Cristovam?), hoje em dia não teria uma Ferrari, uma casa em Paris, outra em Milão, outra no Rio de Janeiro, e não teria montes de mulheres e amigos ilustres, e não seria bajulado pelo governo. Não siga meu exemplo: estude".

Segundo o Datafolha, 85% dos brasileiros sentem orgulho do país. Agora que estamos no século XIX, temos bons motivos para nos orgulhar.

Diogo Mainardi
Revistaveja




Bom ai estão as capas das duas revistas semanais que, incrivelmente, estão bem diferentes neste fim de semana de Páscoa. Acredito que se o judiciário quiser efetivamente os juros vão ser regulados por sentenças judiciais, que em suma deveriam fazer justiça com quem efetivamente paga, paga e normalmente continua devendo ainda mais do que o que tirou de emprestimo.

Golpe no abuso
Sentença histórica do STJ coloca freio na cobrança excessiva de juros financeiros


Hélio Contreiras

Firmeza: decisão considera abusivo juro que exceda o valor da Selic mais 6% ao ano

Os juros abusivos cobrados pelo sistema financeiro, que já causaram o fechamento de muitas empresas e a inadimplência de clientes de bancos e financeiras, acabam de sofrer um golpe no Judiciário. Ao adotar a primeira jurisprudência sobre o novo Código Civil, o Superior Tribunal de Justiça censurou os juros elevados. Foi uma sentença histórica, diz o advogado José Cretella Neto, autor do livro Fundamentos Principiológicos do Processo Civil (editora Forense). De acordo com a sentença, ¿os juros bancários, cobrados na vigência do contrato, poderão ser considerados abusivos quando forem excessivos em relação à taxa média do mercado¿.

Para Cretella Neto, a sentença do STJ pode ser o primeiro passo para o Judiciário limitar os juros que oneram as empresas e o cidadão. O advogado admite que ¿os tomadores de empréstimos no sistema financeiro, especialmente em financeiras, poderão recorrer à Justiça contra os altos juros, muitas vezes acima em até 100% aos adotados pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A sentença do STJ admite que os juros podem ser considerados abusivos quando excedem a taxa Selic, do Copom, mais 6% ao ano. ¿Sem dúvida, a sentença do STJ pode inibir as taxas abusivas, pois é um precedente contra o abuso na cobrança de juros exagerados no mercado, e estimula ações contra o sistema financeiro, disse Cretella Neto.

O ministro do STJ Antonio Pádua Ribeiro afirmou, no plenário do tribunal, que ¿não se trata de criticar o lucro em si, mas o desvirtuamento de um sistema que privilegia o capital em detrimento da produção, com a colaboração, certamente involuntária, do próprio Poder Judiciário. O magistrado deu ênfase ao fato de que, desde a implementação do Plano Real, em 1994, os indicadores revelam que a inflação tem permanecido sob relativo controle, variando pouco em torno dos 5% anuais, com tendência de redução.

Os ministros do STJ admitiram até a possibilidade de os juros serem liberados. Mas o ministro Ari Pargendler fez uma ressalva: Pode-se, em casos concretos, reconhecer a existência de juros abusivos. Para o secretário de Planejamento de São Paulo, o economista Andrea Calabi, os juros estão elevados no Brasil para o empresário e para o consumidor, mas baixá-los em curto prazo pode comprometer o equilíbrio da economia. Para o ex-presidente do BNDES, não se pode regular juros por decreto nem por sentença judicial, mas sim através de política monetária e metas de inflação. Calabi considera que os juros elevados criam efeitos negativos a curto prazo, mas garantem condições de crescimento auto-sustentável a longo prazo.




Os destaques da Revista Isto E deste fim de semana são os que seguem: Boa leitura

Um guia que ensina como prevenir e tratar doenças

REFLEXOLOGIA
Saiba como está sua saúde massageado as solas dos pés

MUNDOS PROIBIDOS
Saiba mais sobre os tabus da cultura ocidental

TRADUTOR: Seu nome em hieróglifos

SEXO: Guia de posições

TESTE

ESTAREI VIVO AMANHÃ?
A ciência descobriu um
jeito de avaliar a velocidade de sua caminhada rumo ao destino final

CIÊNCIA

SEM AGROTÓXICOS
Orgânicos crescem a todo vapor e já movimentam R$ 11 bi no mundo

IMBRÓGLIO NACIONAL
Impasse trava condução dos projetos sustentáveis em florestas

MEDICINA E BEM-ESTAR

CEGONHA A PRAZO
Clínicas de reprodução
assistida facilitam pagamento

SEM MARCAS
Fim do verão abre temporada contra as manchas de sol

A GUERRA DE BUSH

BUSH DÁ AS CARTAS
Depois da vitória, os EUA refazem o "eixo do mal" e ameaçam a Síria

IRAQUE VIVE O CAOS
Vácuo de poder espalha onda
de saques e acertos de contas

TESOURO ROUBADO
Vandalismo dizima riquezas
da antiga Mesopotâmia

O ETERNO RETORNO
Com o fim do regime iraquiano, questão palestina volta à tona

PRESÍDIOS 5 ESTRELAS
Saiba mais sobre penitenciárias que oferecem tratamento de primeira a internos em outros países

BRASIL

TESTEMUNHA BOMBA
Depoimento leva máfia do propinoduto carioca ao xadrez

A FÉ QUE SE MOVE
Novo Atlas da religião mostra expansão de pentecostais no País

PROCESSO!
Geraldo Mesquita tentará levar adiante processo contra ACM

ECONOMIA

R$ 10 BILHÕES
É quanto consumidores da Eletrobrás podem receber de volta

CHEGA DE JUROS ALTOS
STJ coloca freio na cobrança excessiva de juros financeiros

COMO SERÁ SEU BEBÊ
Brinque com a genética e calcule as chances de seu pimpolho, prestes a nascer, puxar pelo pai ou pela mãe

TESTES

MIAUUUUUUU!
Ouça diferentes miados e saiba se você entende o que o bichano pede

Confira outros teste




Ana Amélia Lemos
18/04/2003


O custo da BR-101
O ministro dos Transportes, Anderson Adauto, tem repetido, nas audiências que tratam do edital da duplicação da BR-101, no trecho Palhoça (SC) a Osório (RS), que o valor dessa obra é de US$ 1,1 bilhão. O agente financeiro é o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O antecessor de Anderson Adauto, o deputado Eliseu Padilha (PMDB), refez as contas tomando por base a nova realidade cambial com desvalorização do dólar frente ao real. Está convencido de que é possível executar a obra por U$ 700 milhões. Assim, reduzindo-se o valor do financiamento junto ao BID, a operação poderá ser agilizada para atender a emergência da duplicação, que vem enfrentando resistências na área ambiental, na indígena e até em mobilização de moradores incomodados com as conseqüências da obra para suas cidades, como ocorre em Araranguá.

Equipe
A ministra Emília Fernandes, titular da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, apresentará sua equipe em cerimônia marcada para o próximo dia 23, no auditório do Ministério da Educação, onde a SPM está funcionando desde 31 de março. Foi o próprio Cristovão Buarque que ofereceu à ministra Emília Fernandes as dependências do MEC para instalar a secretaria que antes funcionava no Ministério da Justiça.

Correios
O presidente da ECT, Airton Dipp, está entusiasmadíssimo com o desafio que tem pela frente para cumprir as metas de inclusão postal, bancária e digital, em todo o país, até o final do governo, determinadas pelo presidente Lula e pelo ministro Miro Teixeira. A empresa está licitando a compra de 4,3 mil computadores para o projeto Correios-Net, cujo piloto, em 120 pontos, está sendo um sucesso. A inclusão digital vai atender cidades com mais de 10 mil habitantes.

Crédito educativo
Os argumentos usados pelo deputado Osvaldo Biolchi (PMDB) convenceram o ministro da Educação, Cristovão Buarque (PT), de que a reabertura do Fies, neste semestre, é inadiável. Na próxima semana o ministro irá conversar com o colega Antônio Palocci, da Fazenda, para examinar o aumento dos recursos para garantir essas operações. Caso contrário, como explicou o deputado gaúcho, muitos acadêmicos terão de cancelar as matrículas. Na reunião do Conselho de Reitores (CRUB), em Florianópolis, esse tema também foi debatido.

Infância
O gaúcho Norton Lenhart, presidente da Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, entregou, em reunião com a secretária de Justiça, Cláudia Chagas, em Brasilia, estudo da Organização Mundial de Turismo sobre métodos de combate à prostituição infantil. Sugeriu que o Ministério da Justiça elabore cartilha sobre o tema, para ser distribuída em todos os hotéis do país. Propôs, ainda, que estabelecimentos que protegem crianças e adolescentes recebam selo com essa identificação.
ana.amelia@zerohora.com.br




David Coimbra
18/04/2003


A gravata de Irineu

Um dia, Irineu acordou e pensou que ia ficar muito bem de gravata. Nunca tinha usado gravata, trabalhava numa papelaria, funcionário de papelaria não precisa de gravata. Mas naquele dia imaginou-se de gravata e murmurou para si mesmo: "Olha que vou ficar bem".

Depois do trabalho, Irineu foi ao shopping. Experimentou um terno. Mirou-se no espelho. Sorriu em aprovação. Comprou logo três ternos e três gravatas. No dia seguinte, barbeou-se com esmero, vestiu o terno, laçou o pescoço com a gravata, olhou-se mais uma vez no espelho e mais uma vez sorriu:

- Fiquei bem.

Ao chegar à mesa do café, a esposa arregalou os olhos.

- Que é isso, Irineu???

- Uma gravata, ué.

E saiu, deixando a esposa a mascar sucrilhos, intrigada e muda. Na papelaria, a reação dos colegas foi estrepitosa. Ouviu piadinhas, ouviu uma dúzia de perguntas. Depois do almoço, Priscila, a mulher mais linda da papelaria, se aproximou dele e sussurrou com aquela sua voz rouca:

- Estás muito bem de terno, Irineu.

Irineu ficou encantado. Decidiu usar terno todos os dias, apesar dos protestos da mulher.

- Não entendo - reclamava ela, passando a mão nos cabelos. - Não entendo!

Irineu é que não entendia tamanho escândalo. Já circulava pela papelaria um boato de que ele seria o novo gerente. Boato que foi ouvido pelo atual gerente. Que passou a lançar olhares desconfiados para Irineu. Um dia, o homem chegou a advertir:

- Cuidado, seu Irineu...

Já a Priscila não saía mais do seu lado. Sorria para ele. Convidava-o para cafés. Os colegas repararam. Em uma semana, não se falava de outro assunto na papelaria: Irineu, o futuro gerente, estava tendo um caso com a bela Priscila. Irineu negava. Em vão. Quanto mais jurava que nada daquilo era verdade, mais os outros comentavam:

- Esse Irineu é fogo!

Passados alguns dias, Irineu chegou em casa e encontrou a mulher sentada à mesa da cozinha, chorando.

- Que houve???

- Não agüento mais isso! - ela gritou. - Não agüento! Estou indo embora. Vou pra casa da mãe.

Irineu tentou argumentar. Prometeu desistir da gravata. Não adiantou. Ela estava decidida. E se foi mesmo, escorregando nas lágrimas. Irineu ficou sozinho. Suspirou. Sua vida estava se complicando. "Tudo por causa de uma gravata", grunhiu. Teria de se livrar da maldita gravata. Saiu caminhando lentamente pela casa. No corredor, abriu o paletó, afrouxou o nó da gravata. Estava prestes a tirá-la, a jogá-la no lixo, quando entrou no quarto e se viu refletido no espelho grande. Aprumou-se, então, e se admirou. Apertou novamente o nó da gravata. Sorriu, enfim. E falou em voz alta, resolvido e feliz:

- Ninguém vai me tirar essa gravata. Ninguém! Fico muito bem de gravata!
david.coimbra@zerohora.com.br




E assim está sendo com a reforma da Previdência: Põe o bode na sala. Ah, não está bom assim como foi concebida tira o bode da sala e aprovam o que eles querem. E a energia elétrica que é atrelada ao dólar, por que vai subir se o dólar está baixando, só que neste caso o Governo lavou as mãos, porque diz que quem dita e autoriza os preços são as empresas reguladoras e não o Governo? Para uma sexta-feira santa até que está bem oportuno!

Paulo Sant'ana
18/04/2003


Farelos do queijo

A depressão também se dá freqüentemente quando a mente de uma pessoa, em relação a si própria, se convence de que está tratando com um chato.

Este fato de o governo federal não ceder em reduzir o preço dos combustíveis depois desta queda violenta do dólar em 15% só durante o governo Lula, tendo elevado o preço da gasolina, do gás de cozinha e do diesel quando da elevação do dólar, me faz lembrar a fábula do macaco-juiz.

Duas gatas roubaram um queijo e não sabiam como dividi-lo. Procuraram um macaco e pediram que ele servisse de juiz arbitral.

O macaco deu uma dentada no queijo, dividiu-o em duas partes desiguais, colocou cada uma delas na balança.

O prato da balança que tinha a parte maior do queijo pendeu para baixo. O macaco deu uma dentada na parte maior, mas tirou de propósito mais que o necessário.

A balança caiu para o outro lado. O macaco fingiu restabelecer o equilíbrio com outra dentada. E continuou assim até que as gatas se alarmaram: "Aceitamos a partilha como está. Dá-nos o queijo.

Retrucou o macaco: "Se vós aceitais, a justiça não aceita".

E continuou a roer a porção mais pesada até que engoliu o queijo inteiro.

Assim é a "justiça" do governo e da Petrobras. Quando o dólar subiu a R$ 3,60 e o barril de petróleo a US$ 38, tarifaram depressa a gasolina e os outros combustíveis lá em cima, os preços insuportáveis que estamos pagando.

Agora que o dólar baixou em 15% e o preço internacional do petróleo em cerca de 25%, abissais e surpreendentes quedas, o governo nem se mexe e deixa os preços dos combustíveis para o consumidor intocáveis.

Igual ao macaco, o governo e a Petrobras, deram uma dentada forte no consumidor quando o dólar e o petróleo aumentaram de preço, continuam a morder o queijo agora que o dólar e o petróleo tiveram queda assombrosa nos seus preços.

Essa fábula do queijo é muito ilustrativa deste grande logro. Porque, na verdade, não fossem os impostos federais, estaduais e municipais que incidem sobre os combustíveis, a gasolina não estaria custando R$ 2,30; em alguns municípios, R$ 2,60.

Custaria R$ 0,60. Ou seja, o macaco come todo o queijo e as gatas (os consumidores) ficam a ver navios.

E depois querem que não haja violência nas ruas. Quando o poder público estabelece a lei, isto é, que os combustíveis têm alta de preço quando subirem o dólar e o petróleo, e conseqüente baixa nos preços quando esses dois indicadores declinarem, desrespeitando acintosamente este critério para locupletar-se, as vítimas dessa iniqüidade passam a não acreditar nas outras leis e a desrespeitá-las.

Este fato é hoje o maior escárnio econômico-social brasileiro. Há agora murmúrios de que o governo, diante do escândalo, cogita de baixar o preço dos combustíveis.

Se isso acontecer, quem é que quer apostar que o macaco vai destinar às gatas apenas alguns farelos do queijo?
psantana.colunistas@zerohora.com.br


Conflito
Nem zôo de Bagdá escapa de saques



Trabalhadores tentam fazer funcionar uma das estações hidráulicas da capital iraquiana, para normalizar o abastecimento (foto Tsuyoshi Takeda, AP/ZH)




Caro assinante,

aqui estão os destaques de VEJA deste fim de semana.

Boa leitura e bom fim de semana. Feliz Páscoa

Kátia Perin - VEJA on-line
vejaonline@abril.com.br


O conteúdo integral das revistas estará disponível na internet a partir de sexta à tarde

Especial

Desde a queda de Bagdá, a turma linha-dura do governo americano tem feito de tudo para que o mundo pense que a bola da vez é a Síria. Mas a Casa Branca decidiu que uma terceira guerra não interessa, pelo menos até as eleições presidenciais de 2004.
O poder dos aiatolás
O que une e o que separa os árabes

No site: acesse no especial Guerra no Iraque os vinte principais personagens do confronto.

Geral

Os benefícios do check-up. Descobrir uma doença ainda em fase inicial é o maior trunfo dos médicos. E hoje eles dispõem de um arsenal fantástico para seus diagnósticos.
No site: leia reportagens de arquivo sobre check-up.

Brasil

Depois de moer os radicais do PT e guiar a campanha de Lula, José Dirceu vira a estrela do governo com ares de superministro.
No site: acompanhe notícias diárias sobre política nacional.

Internacional

O Nobel de literatura José Saramago rompe com o regime de Cuba por causa da execução de três pessoas que responderam pelo crime de seqüestrar uma embarcação para fugir do país.

Ginástica

Exercícios dentro da piscina consomem quase duas vezes mais calorias que os feitos no solo. A nova moda nas academias é correr na esteira dentro da água.

Sociedade

A qualidade de vida dos cães de estimação melhorou muito nos últimos tempos. Hoje há serviços e mordomias de todos os tipos para a cachorrada, desde rações sofisticadas até o luxo dos pet shops.
No site: relação de endereços sobre cães.

Artes e Espetáculos
Música: Principal ícone da música pop, Madonna completa vinte anos de carreira e lança o CD American Life, em que se mostra na melhor forma.

No site: ouça músicas e acesse outras informações.

Cinema: Em Leitão- O Filme, que já está em cartaz nos cinemas, o porquinho cor-de-rosa é esnobado e decide fugir por um tempo. Pooh, Tigrão, e os outros companheiros da turma partem em sua procura. Um ótimo programa para crianças.
No site: acesse trailer, fotos e papel de parede para o computador.

Livros: O romance histórico Napoleão, do escritor francês Max Gallo, é uma obra 100% narrativa, sem análises, sem citações, extremamente fluente e fácil de ler. O protagonista aparece em todas as cenas e está sempre muito próximo ao leitor.
No site: leia trechos do livro.

Novos palcos
Com a abertura de quatro salas de espetáculos e outras três em fase de construção, a cidade ganha 7.400 poltronas a mais e um reforço em sua programação cultural.

Fiscais da natureza
Histórias de uma garotada que veste a camisa da ecologia e faz até os pais mudarem de hábitos.


Quinta-feira, Abril 17, 2003




Este problema é horroroso, tendo em vista que as imobiliárias não dispõem de pessoal para acompanhar todos os interessados que chegam querando olhar este ou aquele imóvel. Assim, fornecem as chaves dos portões de entrada, das portas de entrada e dos apartamentos ou salas a serem alugados. Assim Os meliantes fazem as cópias de que eles precisam, devolvem as originais e ficam aptos a entrar sem problemas no edificio. Coitados de quem possui as salas ou apartamentos no mesmo prédio.

Marco Antônio Birnfeld

Culpa de imobiliária que fornece chaves de imóvel a quem depois realiza arrombamento

A responsabilidade da imobiliária que trabalha com aluguéis vai, mesmo, até a obrigação de pagar prejuízos causados por quem tenha podido dispor das chaves do imóvel oferecido em locação. Esta tese ¿ sustentada pela advogada Eunice Dias Casagrande ¿ foi reconhecida pelo juiz Mauricio da Costa Camborgi, da 8ª Vara Cível de Porto Alegre. A advogada - que alugava o conjunto nº 204 do prédio localizado na Rua Ramiro Barcelos nº 839 - teve seu escritório arrombado. Ficou provado que o furto foi praticado por uma ou mais pessoas que se utilizaram de cópias das chaves do prédio e da sala (vaga) contígua ao escritório de Eunice. Tais chaves tinham sido fornecidas a terceiros pela Auxiliadora Predial S/A, que oferecia, ao mercado, a locação de um conjunto no mesmo andar.

O furto ocorreu em 15 de agosto de 2002 e, com o arrombamento, os meliantes subtrairam, do escritório de Eunice, dois computadores, duas impressoras, fax, tapetes e objetos de decoração. A Auxiliadora Predial sustentou, na contestação, sua tradição (80 anos no mercado, sem nunca ter enfrentado um caso assim) e ¿a rigorosa identificação e controle dos interessados que recebem chaves para visitar imóveis desocupados¿. Disse se estar presente diante de ¿caso fortuito, ou força maior¿.

O juiz acolheu o pedido de dar por rescindido o contrato de locação, pois ¿é obrigação do locador garantir o uso pacífico do imóvel locado¿. Diante do fato concreto de que foi a imobiliária ¿ preposta da locadora ¿ que contribuiu culposamente com o fato lesivo ¿ deve só ela indenizar os prejuízos, que serão apurados em liquidação de sentença. Imobiliária e locadora ainda podem recorrer ao TJRS. (Proc. n° 111013877)




Marco Antônio Birnfeld


Serasa tem injunção em 2,5 milhões de negócios diários

A Câmara dos Deputados aceitou, na sexta-feira, o pedido de abertura de CPI para investigar as atividades da Serasa - Centralização de Serviços dos Bancos S/A. O autor do requerimento é o deputado Fernando Lúcio Giacobo (PPS-PR). Ele questiona a licitude da captação e posterior comercialização de informações feitas pela Serasa. Segundo ele, "é grave que uma entidade de direito privado tenha acesso a dados pessoais e os comercialize, visando o lucro".

A Serasa, criada em 1968, é hoje uma das maiores empresas de análise e informações do mundo - segundo ela própria anuncia em seu saite na Internet. Conta com um quadro de 2.000 profissionais, estando presente em todas as capitais e principais cidades. São "140 pontos estratégicos" - conforme ela própria define. A Serasa participa no respaldo à maioria das decisões de crédito e de negócios tomadas em todo o Brasil, com injunções em mais de 2,5 milhões de negócios por dia, para mais de 300 mil clientes diretos ou indiretos.

De acordo com a decisão da presidência da Câmara, "há número suficiente de assinaturas e fato determinado, devidamente caracterizado no requerimento, atendidas, assim, as disposições do art. 58, § 3º, da Constituição Federal e do art. 35, § 1º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, pelo que determina-se a publicação do requerimento e a constituição da Comissão nos termos regimentais." (RCP nº 10/2003)

No RS, a Serasa começou a - além das fontes bancárias - dispor de informações sobre o ajuizamento de ações de execução e de busca e apreensão a partir de 29 de janeiro de 1993. Nessa data, o então corregedor-geral substituto da Justiça gaúcha, Sérgio Pilla da Silva, através de ofício-circular aos cartórios da distribuição de todas as comarcas gaúchas, autorizou o fornecimento periódico de relação das ações de execução e busca e apreensão distribuídas nesse ofício, em forma de certidão, vedada a sua publicação pela imprensa, mesmo parcialmente. Em 27 de maio de 1999, essa disposição foi parcialmente alterada pelo vice-corregedor Paulo Monte Lopes, estabelecendo que no momento da expedição das certidões à Serasa, os cartórios deveriam informar, concomitantemente, a existência de eventuais ações revisionais relacionadas com as execuções e buscas e apreensões.

A partir de 13 de agosto de 1999, o livre acesso de que a Serasa gozava nos cartórios da distribuição no RS foi proibido através de ato (nº 22477/98-7), do então corregedor-geral Aristides Pedroso de Albuquerque Neto. A proibição está em vigor. Serventuários dos foros do RS não podem proporcionar nenhuma listagem sobre as ações em curso à Serasa. Esta vem, desde então, se municiando de dados através dos cartórios de protesto, bancos e demais instituições financeiras.




Paulo Coelho

Uma lenda árabe da criação


"Oh! Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós. Amém".

No seu Livro do Fantasma, Alejandro Dolina associa a história da areia a uma das lendas da criação do povo árabe.

Diz ele que, assim que terminou de construir o mundo, um dos anjos advertiu o Todo-Poderoso que esquecera de colocar areia na Terra; grave defeito, se considerarmos que os seres humanos estariam privados para sempre de caminhar junto aos mares, massageando seus pés cansados e sentindo o contacto com o chão.

Além disso, o fundo dos rios seria sempre ríspido e pedregoso, os arquitetos não poderiam usar um material indispensável, as pegadas dos namorados seriam invisíveis; disposto a remediar seu esquecimento, Deus enviou o Arcanjo Gabriel com uma enorme bolsa, para que derramasse areia em todos os lugares que fosse necessário.

Gabriel fez as praias, o leito dos rios, e quando voltava para o céu trazendo o material que havia sobrado, o Inimigo - sempre atento, sempre disposto a estragar a obra do Todo-Poderoso - conseguiu fazer um furo na bolsa, que arrebentou, derramando todo o seu conteúdo.Isso aconteceu no lugar que é hoje a Arábia, e quase toda a região se transformou num imenso deserto.

Gabriel, desolado, foi pedir desculpas ao Senhor, por ter deixado que o Inimigo se aproximasse sem ser visto. E Deus, em Sua infinita sabedoria, resolveu recompensar o povo árabe pelo erro involuntário do seu mensageiro.

Criou para eles um céu cheio de estrelas, como não existe em nenhum outro lugar do mundo, para que sempre olhassem para o alto.

Criou o turbante, que - debaixo do sol do deserto - é muito mais valioso que uma coroa.

Criou a tenda, permitindo que as pessoas se movessem de um lugar para o outro, sempre tendo novas paisagens ao redor, e sem as obrigações aborrecidas de manutenção de palácios.

Ensinou o povo a forjar o melhor aço para a espada. Criou o camelo.

Desenvolveu a melhor raça de cavalos.

E lhe deu algo mais precioso que estas e todas as outras coisas juntas: a palavra, o verdadeiro ouro dos árabes. Enquanto os outros povos modelavam os metais e as pedras, os povos da Arábia aprendiam a modelar o verbo.

Ali, o poeta passou a ser sacerdote, juiz, médico, chefe dos beduínos. Seus versos possuem poder: podem trazer alegria, tristeza, saudade. Podem desencadear a vingança e a guerra, unir os amantes, reproduzir o canto dos pássaros.

E conclui Alejandro Dolina:

"Os erros de Deus, como os de grandes artistas, ou dos verdadeiros enamorados, desencadeiam tantas compensações felizes, que as vezes vale a pena desejá-los".

A Sabedoria Árabe

Ary de Mesquita tem uma ótima compilação de textos, num livro muito interessante (A Sabedoria Árabe, Ed. Ediouro). Aqui vão alguns provérbios e máximas:

Se não puderes ser uma estrela no céu, seja uma lâmpada em sua casa.

Anônimo

Depois da morte, o sábio continua vivo, embora seu corpo esteja reduzido a cinzas. Mas o ignorante, mesmo vivo, já está morto.

Ibn as-Sid

O amor é uma doença da qual ninguém quer livrar-se. Quem foi atacado por ela não procura restabelecer-se, e quem sofre não deseja ser curado.

Ibn Hazmal-Andaluzi

Assim como as esposas tem ciúme da amante do marido, muitas amantes tem ciúme da esposa.

Anônimo

Provérbio de Túnis

Quando vires dois dragões brigando, fica distante e não procure pacificá-los; eles podem fazer as pazes e terminar lhe atacando.

Anônimo




Não entendi bem porque só uma Agência e vinculada ao EN NOVO HAMBURGO irá postergar o atendimento a população. Será que nos demais municipios não houve esta necessidade? Quanto ao aumento dos recursos para o FIES é necessário mas não basta aumentar o número de beneficiarios, há que se prever uma forma de os beneficiarios conseguirem pagar, após a formatura.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 17 DE ABRIL DE 2003


CEF de Canoas facilita a entrega de benefícios

Devido à grande procura pelos cartões de benefícios sociais dos programas Bolsa-Escola, Bolsa-Alimentação e Vale-Gás na agência central da Caixa Econômica Federal (CEF), em Canoas, o banco ampliou horário de atendimento hoje, das 9h às 19h. A entrega será feita mediante apresentação do RG. A agência fica na rua Fioravante Milanez, 147. Serão distribuídos benefícios a 6 mil famílias que se cadastraram no final de 2002, sendo que cada familiar contemplado recebe R$ 15,00.

MP que amplia repasse da CEF ao Fies será debatida

Os ministros da Educação, Cristovam Buarque, e da Fazenda, Antônio Palocci, e o vice-líder do PMDB, Osvaldo Biolchi (PMDB/RS), discutem na próxima semana uma nova medida provisória (MP), que aumenta de 30% para 90% o repasse da receita líquida das loterias da Caixa Econômica Federal ao Financiamento do Ensino Superior (Fies). Com o acréscimo de cerca de R$ 600 milhões, o Fies teria condições de atender mais alunos em todo o país.




Arrocho nos servidores
Reforma da Previdência de Lula inclui contribuição de inativos, idade maior para aposentadoria e benefício menor. Governadores apóiam


BRASÍLIA - O Governo Lula vai arrochar os servidores aposentados, além dos ativos, na Reforma da Previdência. Reunião com 25 governadores chegou a consenso sobre alguns pontos do projeto a ser enviado ao Congresso Nacional. Haverá contribuição previdenciária dos inativos que ganham mais de R$ 1.058 ¿ valor de isenção do Imposto de Renda. Falta definir somente se, na proposta, o piso será fixado em reais ou se será adotado especificamente o limite de isenção do IR. Outra decisão: foi estabelecido teto de R$ 2.400 para os benefícios dos futuros servidores.

A contribuição será padronizada em 11%, índice pago hoje pelos servidores ativos da União. A idade mínima para aposentadoria no funcionalismo com salário integral será elevada: 60 anos para homens e 55 para mulheres.

Para os atuais servidores, haverá uma regra de transição. Será permitido antecipar em até sete anos o pedido de aposentadoria, mas com uma espécie de pedágio: o benefício será reduzido em 5% para cada ano antecipado, podendo chegar a 35%. Outra mudança diz respeito ao funcionário que se aposentar pelo tempo de contribuição nos regimes público e privado. Ele vai receber benefício proporcional ao tempo de contribuição no setor público ¿ e não mais o salário integral.

Na reunião, Lula conseguiu um compromisso dos governadores, que prometeram, se necessário, brigar no Judiciário para fazer prevalecer a cobrança da contribuição previdenciária dos inativos. O assunto é muito polêmico. Vale lembrar que, no Governo Fernando Henrique, a proposta foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).


Coelho da Páscoa vai distribuir cestas básicas para o Fome Zero

Brasília, 17/04/2003 - O Coelho da Páscoa acaba de fechar um compromisso com o governo Lula: em vez de distribuir ovos de chocolate neste feriado, o bichano irá distribuir cestas básicas para apoiar a campanha Fome Zero. O estimado roedor justificou sua súbita adesão ao projeto como pura consciência social.

Declarou que a distribuição da cesta básica é uma utilização mais inteligente do dinheiro, já que pelo preço de três ovos médios de chocolate é possível comprar uma cesta e atender melhor toda uma família.

Entretanto, alguns de seus detratores já dizem que a adesão do Coelho foi uma questão de sobrevivência mesmo. Com as coisas do jeito que estão, se ele - um coelho bem nutrido, de carne saborosa, nutritiva -, chegasse na casa dos brasileiros com míseros ovinhos, correria o sério risco de deixar de ser um símbolo para acabar virando o almoço de páscoa.






Pizzaria reúne artistas e reverte renda para Fundação Cafu

Quarta, 16 de abril de 2003, 23h43

A pizzaria Leona, em São Paulo, reuniu na noite desta quarta-feira alguns artistas no evento "Pizza com Estrelas", com renda revertida para a Fundação Cafu, mantida pelo pentacampeão para ajudar crianças carentes.

Rodrigo Faro compareceu com a namorada Vera Viel e com irmão Danilo Faro. Gigi Monteiro também prestigiou o evento.

Mas a sensação da noite foi a roqueira Syang. Em um certo momento, ela chamou os fotógrafos, levantou a saia, virou-se e mostrou a inusitada calcinha: "Have Fun", que em português significa "Divirta-se".

Segundo ela, um apelo à paz mundial...











José Simão
simao@uol.com.br

Páscoa Urgente! Menos ovo e mais galinhagem!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Na boca do feriadão! E o que abre e o que fecha na Páscoa? As pernas! Menos ovo e mais galinhagem. Esse é o slogan da Semana Santa: menos ovo e mais galinhagem. De santa já basta a semana. E sabe como é ovo de Páscoa de dupla sertaneja? Um faz força e o outro bota o ovo. E diz que 1 milhão de carros vão deixar a cidade. E vai sobrar alguém pra dar uma coelhada? Como disse aquela amiga: procura-se um coelho pra dar uma coelhada rápida!

E dois argentinos vieram pro Brasil e ficaram sem dinheiro. Aí um deles foi pra rua e pendurou um cartaz no pescoço: ´Estou desempregado, tenho três filhos e preciso de ajuda´. Conseguiu R$ 10. Aí o outro argentino disse: ´Pois eu consegui R$ 10 mil´. ´Como?´ ´Pendurei um cartaz no pescoço: faltam R$ 5 pra eu voltar pra Argentina´. Choveu grana!

E diz que o Bush não vai tomar nem a Síria e nem o Líbano. Ele vai tomar uma Bavária! Tropas tomam Bagdá, Saddam toma Doril e Bush toma uma Bavária! E um amigo vai comprar um míssil Tomahawk e jogar na casa da sogra. Ataque preventivo! Antes que ela peça pra ele provar aquele suflê de abobrinha de novo.

BBB! Big Bush in Bagdá! A imagem do ano: a derrubada da estátua do sósia do Saddam pelos marines. E aí eu criei a CAMPANHA PRA DERRUBAR ESTÁTUA BREGA! E aí uns leitores pediram pros marines virem pra Pindamonhangaba pra derrubar a estátua do Jeca Tatu! E um sobrevivente do Rio de Janeiro pediu pros marines derrubarem a estátua do D. Pedro 1º na praça Tiradentes e, no lugar, botar a estátua da Malu Mader pelada. E Niterói pede pra derrubar a estátua de Araribóia!

E os habitantes de Ouro Fino mandaram um ultimato com 10 mil assinaturas pros marines derrubarem a estátua do Menino da Porteira! Que fica bem no trevo. E Goiânia pede uma forcinha pra derrubar a estátua do Bandeirante. E aí eu pergunto: se derrubarem todas as estátuas, onde os pombos vão cagar? Rarará!

E a penúltima derradeira do Bestiário Tucanês. É que uma amiga foi levar o carro pra consertar e estava a placa: ´Reparação estética automotiva´. Tucanaram a oficina. Socorro! Tá mais fácil acabar com a pneumonia asiática que com o tucanês.
Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. ´Suspeito´: implante de silicone no peito feito no SUS. ´Sustentar´: tentar uma consulta no SUS! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Nos ovos! De Páscoa, claro!

Email simao@uol.com.br




Joelmir Beting
Quinta-feira, 17 de abril de 2003


Câmbio ótimo?

Os exportadores, arrotando de barriga cheia, preparam-se para comer chocolate amargo nesta Páscoa da reestabilização. Eles começam a chiar contra a "excessiva apreciação do real", já abaixo de R$ 3,10 por dólar, com viés para R$ 2,99. Uma revalorização ainda a meio caminho. A bolha cambial de 2002, com pico de R$ 2,95 em outubro, continua parcialmente inflada.

Nos cálculos de Paulo Leme, do Goldman Sachs, o dólar abaixo de R$ 3,10 ainda estaria sobrevalorizado em 25%. É o que garante, segundo ele, uma certa média ponderada pelo comércio exterior, vulgo trade weighted.

A bordo de outra metodologia, Fernando Ferreira, da Global Invest, puxa a série desde julho de 1994 aqui para a ponta de abril de 2003 e decreta: pela evolução dos preços internos na produção ou no atacado (IPA), o dólar deveria estar cotado a R$ 3,35. Mas pela variação dos preços no consumo ou no varejo (IPCA), a taxa de equilíbrio não passaria hoje de R$ 2,62.

Pelo sim, pelo não, o próprio mercado financeiro, auscultado pelo Banco Central na última sexta-feira, prefere projetar dólar a R$ 3,50 na ponta de dezembro. Ou a R$ 3,70 no final de 2004. Algo como descartar algum "downshooting" aí pela proa, mantendo-se o patamar do "overshooting" produzido pelas atribulações de 2002.

Bola de cristal de lado, os exportadores se perguntam qual seria uma cotação ótima para o câmbio flutuante nesta altura do calendário da reversão das expectativas. Teria de ser cotação suficientemente alta para preservar a competitividade lá fora e suficientemente baixa para não inviabilizar a estabilidade aqui dentro.

Empresários, economistas e consultores chegados ao comércio exterior localizam essa cotação ótima no eixo de uma banda de flutuação que teria R$ 3,50 por teto e R$ 3,10 por piso. Que tal uma taxa mediana, de maio a dezembro, de exatos R$ 3,33? Ano passado, de janeiro a dezembro, a mediana foi de R$ 2,94. Com IPCA projetado para 12,4% pelo mercado, faria sentido.

Essa mediana guardaria neutralidade em relação ao IPCA - o estrago já foi feito. Estaria em sintonia com um déficit externo em conta corrente de US$ 4 bilhões no ano (para um PIB estimado em US$ 455 bilhões). Teria a ver, igualmente, com Selic adernada, entre abril e dezembro, de 26,50% para 22,50%.

Claro, sem perder de vista as condicionantes do mercado cambial propriamente dito. Entre as quais, uma presença afirmativa do Banco Central, ator de mercado em regime de flutuação limpa. Para o consultor Elie Raphael Levy, um governo Lula teria vocação, por exemplo, para a centralização seletiva das operações de remessa pela CC5 (com ágio de 35% na remessa de residentes no país). Seria uma penada menos penosa que a de inundar o mercado com títulos cambiais sob pressão de "hedge" especulativo.

Quanto aos contatos incestuosos do câmbio com a Selic, a idéia de Elie Raphael Levy não é menos abrasiva: 1) o limite superior da Selic já foi testado para juros, preços, negócios e empregos; 2) que tal ensaiar, pela primeira vez, um limite inferior da taxa básica para testar respostas do IPCA e do PIB? O Fed de Greenspan adotou e mantém o limite inferior (1,75%) e o mundo não acabou por causa disso. Ao contrário, parou de afundar.

SECOS & MOLHADOS

Pela práxis - Os exportadores tarimbados já estão praticando dólar a R$ 3,00 para negociar tabelas de preços com a ilustre clientela lá fora. Nessa taxa, dá para manter poder de briga e margem de lucro. Até porque, dolariza-se também a tabela de preços em real para o mercado interno. Fácil.

Na balança - E os importadores ainda na moita? Metade acha que só voltará ao mercado com a retomada do PIB e não com a inclinação do câmbio. A outra metade jura que um câmbio no declive pesa mais que um PIB no aclive para a retomada das compras lá fora.

No colchão - Sob o guarda-chuva transparente do FMI e deitado em colchão de reservas de quase US$ 44 bilhões, o Banco Central poderia sinalizar para o mercado cambial uma sugestão que teria partido do partido de Lula: (re)comprar dólares abaixo de R$ 3,00 e (re)vender dólares acima de R$ 3,50. Sem grilo.




Nilson Souza
17/04/2003


O gene da felicidade

Agora que sabemos todas as letras, vai ser muito mais fácil caçar as palavras.

Na linguagem figurada da ciência, significa encontrar as instruções sobre o funcionamento do organismo, as fórmulas capazes de prevenir e curar doenças, talvez até mesmo a bula do elixir da longevidade ou - sonho dos sonhos - da vida eterna. Resta torcer para que tais receitas não estejam escritas com letra de médico, pois correremos o risco de levar mais alguns anos para decodifícá-las.

Em meio a toda essa barafunda ouvi alguém dizer que todos os indivíduos possuem, em algum ponto daquele cordão imenso que os cientistas acabam de desenrolar, o chamado Gene da Felicidade. Seria ele o responsável pelo fato de algumas pessoas estarem sempre de bom humor, enquanto outras já acordam azedas e passam o tempo todo amarguradas. Estudos feitos com gêmeos idênticos teriam comprovado que o ser humano realmente possui uma determinação genética imune até mesmo aos tropeços da vida.

Pode ser, mas a gente olha em volta e custa a acreditar que alguma orientação interna seja mais forte do que as loucuras externas. Tudo bem, descobrimos o mapa da vida e é bem provável que os nossos sucessores neste planeta sejam beneficiados pela descoberta. Mas, infelizmente, também foi a ciência - disfarçada com a máscara da tecnologia - que descobriu mil maneiras de matar e destruir. Talvez o desafio dos cientistas, agora, seja encontrar uma maneira de tornar dominante o gene da felicidade e recessivo o da maldade.

Um dia perguntaram ao escritor francês Émile Zola se a ciência prometeu a felicidade para o homem. Ele respondeu, sabiamente:

- Ela prometeu a verdade e a questão é saber se algum dia faremos felicidade com verdade.

Faremos?
nilson.souza@zerohora.com.br




Aconselho a todos os pais, mães, tios e avós de crianças que estimulem essa cerimônia repleta de ternura e imaginário junto aos seus filhos, sobrinhos e netos, em todas as Páscoas. E eu assino embaixo.

Paulo Sant'ana
17/04/2003


O ninho da Páscoa

Na minha infância e adolescência, por nenhuma forma comíamos qualquer tipo de carne na Quinta e na Sexta-Feira Santas.

Nem salames, nem lingüiça, nem qualquer embutido. Era lei férrea. E nada de qualquer manifestação de alegria dentro de casa. Os dias que antecediam o Sábado de Aleluia eram inteiramente dedicados a um recolhimento, à reflexão, a única atração era saber-se se o cardápio consistia em bagre ensopado, em jundiá, em dourado, em corvina, às vezes uma salada de batata com bacalhau. Camarão eu só fui conhecer depois que tinha 30 anos.

No bairro em que eu morava, o Sábado de Aleluia era comemorado desde as primeiras horas da manhã, o que era costume em todo o Rio Grande do Sul.

"Rompeu a aleluia", era um lema daquele dia. Sucediam-se as brincadeiras, com os meninos e as meninas dando tapas uns nos outros, a significar a caçada ao Judas.

Pela tarde e pela noite dezenas de bonecos de Judas eram espancados com porretes e taquaras, enforcados, dependurados nos postes e nas árvores, depois incendiados.

Era a idéia de que se fazia justiça com o traidor de Cristo, o apóstolo que entregou Jesus por 30 dinheiros.

Mas o linchamento de Judas era mais um festejo do que um ato de vingança ou ira, preparava-se o clima para a Páscoa, uma das ocasiões mais alegres da garotada.

Guardo a melhor lembrança das Páscoas da minha infância. Nunca em toda a minha vida talvez eu tenha sido tomado por maior emoção e expectativa do que na véspera da Páscoa.

Acreditava-se piamente naquele tempo no Coelho da Páscoa. E nós, crianças, íamos para a cama na noite do Sábado de Aleluia tomados de uma tensão, deslumbrados.

Custávamos a conciliar o sono. E pela manhã a ânsia de procurar por baixo da cama ou em cima do pixixê, às vezes maliciosamente colocado dentro do roupeiro, o ninho de ovos tão ambicionado durante o ano inteiro.

E a curiosidade sobre o tamanho dos ovos e dos coelhinhos de chocolate! E a imprescindibilidade dos ovos coloridos de açúcar. E os pequeninos ovos de chocolate com papel brilhante e outras guloseimas espalhadas pelas palhas do ninho!

E o ninho empunhado, numa corrida frenética até as casas vizinhas, no cotejo indispensável com os ninhos dos outros garotos.

Foi a mais deliciosa e esplêndida fantasia da minha vida. Aconselho a todos os pais, mães, tios e avós de crianças que estimulem essa cerimônia repleta de ternura e imaginário junto aos seus filhos, sobrinhos e netos, em todas as Páscoas.

Não há condição de ser má ou violenta uma criança a quem tenha sido oferecido na Páscoa o encanto indefinível na crença e no sonho do Coelhinho.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Luis Fernando Verissimo
17/04/2003


A destruição do cenário

A França, que não quis atacar o Iraque, representa hoje a antítese preferida de todo o mundo para os truculentos americanos. Ela é a razão que resistiu aos brados de guerra, a potência que não perdeu a cabeça, e espera-se que lidere a alternativa civilizada para o que os Estados Unidos estão aprontando. O que não deixa de ser engraçado, porque os franceses sempre tiveram um fraco pelo jeito americano de ser e agir, um certo encanto com os bárbaros. Desde que Alexis de Tocqueville voltou de lá para explicar os americanos aos franceses, no século 19, a França não sabe se lamenta ou se imita os Estados Unidos, aquela estranha terra de novidades que fez a revolução antes dela. Na mania pelo novo e pelo "gadget", na sua busca da racionalização pela técnica, os franceses são muito mais americanos do que cartesianos.

A cultura da desbravação que acompanhou o crescimento dos Estados Unidas - primeiro a da fronteira selvagem na conquista de um continente, depois a da industrialização também selvagem e as novas artes industriais que vieram atrás, tudo, enfim, que era rude e vulgar na experiência americana - horrorizou e fascinou os franceses em partes iguais, mas o fascínio venceu. Os melhores músicos e críticos de jazz da Europa são franceses, alguns dos melhores autores de livros "noir", outra arte americana, são franceses, e apesar de toda a suposta resistência da gastronomia francesa à barbárie culinária, o "fast food" reina entre os jovens.

A França inventou o cinema e sempre teve uma indústria cinematográfica forte, mas os heróis dos críticos e diretores do Cahier de Cinema e da Nouvelle Vague eram Sam Fuller, Nicholas Ray e outros selvagens. Já se disse que nada tipifica a atitude francesa com relação à cultura americana melhor do que o difícil romance da Simone de Beauvoir com o escritor Nelson Algren, notório bêbado e jogador de pôquer que era uma espécie de anti-Sartre e, dizem, não tirava o charuto da boca nem para beijá-la.

E havia o Jerry Lewis. Chegou a virar piada a admiração de críticos de cinema franceses pelos filmes do Jerry Lewis. Uma teoria sobre o significado maior dos seus filmes, facilmente gozável mas instigante assim mesmo, era a da "destruição do cenário": nas suas comédias mais físicas do que orais, Lewis sempre acabava pondo abaixo um cenário, estruturas que representariam os limites da invenção e da arte, ou a repressão social, ou uma sociedade inteira. Quem sabe Bush não será o próximo Jerry Lewis da ambígua fascinação francesa? Em matéria de destruição de cenários, ele é o artista do momento.


Futebol
Virada salvadora no final



George comemora com Tite o segundo gol do Grêmio sobre o Vitória, que deixou o time em quinto no Brasileirão (foto José Doval/ZH)


Quarta-feira, Abril 16, 2003




Quarta, 16 de abril de 2003, 17h02
Programa Fome Zero é alvo de fraude na Web

Giordani Rodrigues

Se você quisesse depositar uma certa quantia numa conta bancária, iria dar seu dinheiro a uma pessoa que você nunca viu, para que ela fizesse o depósito e depois lhe entregasse o comprovante? Provavelmente não. Mas é mais ou menos isto que um indivíduo está propondo às pessoas no site de leilões Mercado Livre.

Há dois dias, um usuário registrou-se com o apelido de "Fome.Zero" no Mercado Livre e criou duas páginas, em que propunha: "Ajude uma criança!! Doe valores de R$ 0,01 até R$ 1.000,00". O dinheiro deveria ser depositado em uma conta bancária fornecida por este usuário, que se encarregaria de repassar a quantia para as contas do Programa Fome Zero, principal iniciativa social do governo Lula. Depois disso, o doador receberia o comprovante de depósito, por e-mail ou pelo correio tradicional. "Servimos apenas como intermediador do seu dinheiro! Nenhuma parte ficará com nós (sic)", garantia o texto da página, que usava o logotipo oficial da campanha.

Quem tivesse cadastro no site de leilões e clicasse no botão "comprar", receberia por e-mail os dados do responsável pela página ― um certo Emanuel da Silva Reis, que forneceu o e-mail projeto_fome@zipmail.com.br para contato e um telefone que estaria instalado em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. InfoGuerra ligou para o número informado e descobriu que no local não havia ninguém com o nome citado. Na verdade, tratava-se da residência de um advogado da cidade de Orlândia, a 60 quilômetros de Ribeirão Preto. Ele disse que não conhecia qualquer pessoa com o nome de Emanuel e acha que alguém pode ter usado seu telefone por engano ou propositalmente, para prejudicá-lo.

A coordenação do Programa Fome Zero foi contatada por e-mail, mas não respondeu a mensagem até o momento de publicação desta matéria. Porém, o atendimento telefônico do programa informou que já recebeu denúncias de golpes aplicados por pessoas que tentam se aproveitar da boa-fé da população utilizando os símbolos da campanha. O atendente disse ainda que ninguém está autorizado a receber dinheiro em nome do projeto.

Na página com informações sobre doações encontram-se links e dados de contas bancárias para quem quiser contribuir com dinheiro. Neste caso, as doações são feitas diretamente em contas específicas da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil e não há necessidade de intermediários. Além destes bancos, as casas lotéricas são as únicas autorizadas a receber dinheiro vivo para a campanha. Denúncias de fraudes podem ser feitas pelo telefone 0800 707 2003 ou na seção Fale conosco do site oficial www.fomezero.gov.br.

A página fraudulenta criada no Mercado Livre, pode ser vista aqui. Um dado curioso é que na página de cadastro do Mercado Livre há a informação de que "todos os dados inseridos são verificados" pela equipe do site. No campo destinado ao número de telefone há ainda um segundo aviso: "O telefone deve ser de linha fixa, não podendo ser celular ou móvel. Avisamos que este número será verificado". Mesmo com estas afirmações, as denúncias de fraudes no site têm crescido tanto que foi criado um blog com o endereço Mercadolivre.blogger.com.br apenas para tratar destes casos.




21:09 14/04
Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel nahumsirotsky@ig.com.br

ISRAEL - Não há pistas de Saddam. Sabe-se que agentes especiais da CIA, FBI e outros serviços o procuram.Bin Laden nunca foi encontrado, apesar de um prêmio de 25 milhões de dólares por informação segura que leve até ele. E não creio que Saddam se esconda fora do Iraque. Qualquer país que o receba, ou o entrega logo ou, descoberto o exílio, será arrasado.

Os americanos dizem que a guerra foi vencida e o regime de Saddam desfeito. Pegá-lo não é fundamental. É uma desculpa muito pobre. A grande maioria dos iraquianos não colaborará com a coalizão antes que haja provas do que aconteceu com aquele que foi o poder indiscutível por 24 anos.

É tudo muito estranho. Saddam tinha centenas de milhares de homens em armas. A Guarda Republicana, sua tropa de elite, era constituída de várias divisões bem armadas e treinadas. E os fedayyin, tropas irregulares indiferentes à vida, eram dezenas de milhares. E do exterior chegaram incontáveis voluntários para lutar por ele. O que aconteceu com toda essa gente? Não há como esconder tantos cadáveres. E o cheiro de morte permanece por tempos.

Será que todos despiram seus uniformes e se esconderam como civis? E a tralha humana, os saqueadores, guardaria segredo? Qualquer um poderia virar rei com uma única informação? Ninguém falou. O país foi saqueado em seus bens, história e honra. Onde se escondem esses bandidos que não tem porque serem discretos?

Foi em Bagdá que nasceram as histórias das Mil e Uma Noites, Ali Babá, Aladin. Um povo pode ficar pobre e não perder sua imaginação.Quando se fala com um beduíno no deserto, logo se entende o que quer dizer história oral. Ele aponta o local pelo qual teriam passado os israelitas na saída do Egito há quase 4 mil anos, assim como se fala de vivos. Não há história escrita pelos beduínos. Há setores do povo iraquiano altamente preparados. São uma elite intelectual em qualquer lugar do mundo. O povo tende a ser alfabetizado. O maometano tem de ler o livro sagrado, o Corão, para suas preces. Alguém viu. Ninguém viu.

Correm versões de que Saddam está vivo. Seus filhos. Morreu. Mas, e as tropas? Terão elas se travestido de saqueadores?

É essencial desvendar o mistério de Saddam. O Iraque tem magníficas montanhas cheias de cavernas. Todos os mitos partem de uma verdade. Nessas mesmas cavernas, Ali Babá e seus 40 ladrões se escondiam. Não seria ilógico imaginar que parte das tropas fiéis a Saddam está escondida em cavernas previamente preparadas para recebê-las, e que só espera o pó baixar para atuar como guerrilhas que incomodarão demais. Os americanos dizem que as grandes batalhas acabaram, e sobram focos de resistência. Será eufemismo para guerrilha?

A guerra custou menos aos americanos do que morrem cariocas num fim de semana normal. Eles tinham absoluta superioridade em armas e no comando. Mas assim é demais? Fizeram a mágica do desaparecimento de dezenas de milhares de soldados iraquianos alem dos feridos e capturados. Muita gente mesmo.

Fizeram desaparecer 51 pessoas das mais procuradas, o grupo íntimo de Saddam, generais, cientistas, familiares. Se a lista fosse completa, teria de incluir muitas centenas.

E como explicar uma vitória tão fácil? Saddam não se entregaria vivo para não dar aos americanos o prazer de julgá-lo e condená-lo. Dá para especular. Faltou comando central na resistência aos americanos. O que torna provável que Saddam tenha sido invalidado ou morto nos primeiros dias. Vivo e ativo, ele faria as tropas resistirem muito mais. Talvez, ferido, tenha sido escondido. Sob esta hipótese, voltará para lutar e, no mínimo, morrer como herói, ou resistir por um longo tempo. E atrair apoio. Ou desestabilizar o mundo árabe.

Trata-se de uma especulação que faço. Não tem sentido o que aconteceu. Foi fácil demais. Tomara que seja minha imaginação funcionando e apenas isto.Mas, pensem comigo: onde estão todos? E tantos desaparecidos? Ninguém falou de túmulos coletivos? Ainda por algum tempo continuarei confiando no que dizem os americanos, porém desconfiando.




Gostei dessa novidade, o problema é achar as ditas placas mães. Mas é só uma questão de paciência e logo estarão ai para nos auxiliar e agilizar nosso processamento. De toda a forma é bem interessante o gráfico comparativo, por esta razão posto aqui para voces. Tenhamos todos uma ótima quarta-feira anti-véspera de feriado, já que amanhã as 16:00 já estarei saindo para a Páscoa e 21 de abril. Não sei se o resultado da eleição para a APCEF foi satisfatório, parece que não, pois inclusive a chapa UM, vencedora, está revendo os votos expressivos ganhos pela outra chapa.

Quanto ao acerto da dívida da Patrocinadora com a FUNCEF, tenho dúvidas, se efetivamente, não deveria ser melhor discutida, pelo menos, num fórum mais amplo.

Quarta, 16 de abril de 2003.
Dupla dinâmica

Duas memórias são mais rápidas que uma

Paulo Couto

Dual DDR, TwinBank, Dual Channel... vários nomes para uma mesma técnica que permite dobrar a banda de tráfego de uma memória DDR comum. E o mais importante é que as placas-mãe que dispõem desse recurso já chegaram ao Brasil e em breve serão muito populares.

Para entender como funciona o barramento de memória, vamos imaginar um modelo didático bem simples onde o processador se comunica com o chipset da placa-mãe na velocidade do barramento frontal (FSB ou Front Side Bus) e o chipset por sua vez se comunica com os módulos de memória na velocidade do barramento da memória. Na época do Pentium III, o barramento frontal, ou FSB, era de 133Mhz (1.064 MB/s) e as memórias eram as populares PC133, que também forneciam 1.064 MB/s. Ou seja, os barramentos estavam equilibrados.

Com o aparecimento dos processadores Athlon, Duron e Pentium IV, essa relação deixou de ser equilibrada e as memórias PC133 passaram a oferecer menos dados do que os processadores eram capazes de digerir. O Pentium IV até podia usar as memórias Rambus, ou RDRAM, mais rápidas que as PC133, mas absurdamente mais caras. Para quem não tinha dinheiro sobrando ou comprou um processador AMD, nada feito!

O lançamento das memórias DDR resolveu parcialmente esses problemas, mas só agora, com o Dual DDR é que efetivamente a memória deixou de ser um gargalo no desempenho final do sistema, como pode ser observado no gráfico ao lado, que mostra o tráfego máximo de cada categoria de memória e dos principais processadores atuais.





Conselho Deliberativo da Funcef aprova proposta para pagamento de dívida da Caixa

Com o chamado "voto de qualidade" dos representantes da Caixa, o Conselho Deliberativo da Funcef aprovou ontem a proposta da empresa para pagamento da dívida com a fundação, que prevê desconto de R$ 1,4 bilhão nos valores correspondentes à multa e mora (R$ 456,7 milhões), erro material (R$ 693,8 milhões) e às reservas do grupo ex-Sasse - INSS (R$ 267,7 milhões).

Na ocasião, foram apresentadas duas propostas para votação: a da Caixa, que contempla ainda a antecipação do pagamento da dívida a vencer - em valores que chegam aproximadamente a R$ 1,8 bilhão, e a dos conselheiros eleitos - José Carlos Alonso, Antônio Braúlio de Carvalho e Francisca de Assis Araújo, estabelecendo premissas fundamentais que guardam princípios de segurança e eqüidade para a quitação da dívida e para os planos de benefícios da fundação. Como houve empate, a aprovação da proposta da Caixa foi garantida pelo "voto de minerva".

Inicialmente, o débito da empresa com a Funcef totalizava R$ 4,2 bilhões, mas uma série de descontos reduziu o valor para cerca de R$ 2,7 bilhões. Desde quando essa proposta foi apresentada ao Conselho Deliberativo, os conselheiros eleitos vêm questionando o desconto de R$ 1,4 bilhão em relação ao valor integral da dívida.

O entendimento, neste caso, é de que esse desconto está indevido. Ontem mesmo, logo após a reunião do Conselho Deliberativo, os conselheiros eleitos divulgaram um documento no qual resgatam a história da dívida e comprovam a insustentabilidade da tese de desconto do erro material, que a Caixa indevidamente insistiu em manter.

No documento, depois de questionarem que o acordo aprovado pode levar a fundação a uma situação de desequilíbrio atuarial, os conselheiros eleitos reafirmam a necessidade de discussão global sobre todas as questões que envolvem a fundação, favorecendo assim o processo de democratização da gestão na Funcef.




Chapa1, liderada por Célia Zingler presidirá a APCEF-RS


A Chapa 1 venceu as eleições da Apcef-RS. De um total de 2.386 votos, liderou a votação para a Diretoria com 1.477 votos, para o Conselho Deliberativo com 1.424 votos e para o Conselho Fiscal com 1.296 votos.

Para a Diretoria, Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal a Chapa 2 chegou a 828, 794 e 764 votos respectivamente.

O atual mandato da atual diretoria se encerra no dia 30 de abril.

Veja os integrantes da nova Diretoria Executiva, Conselho Fiscal e Deliberativo.

Diretoria Executiva

PRESIDENTE - Célia Margit Zingler - Ag. Santa Cruz do Sul
VICE-PRESIDENTE - Ruben Danilo Pickrodt, Ag. Otávio Rocha
DIRETORIA EXECUTIVA TITULARES - Relações do Trabalho - Devanir Camargo da Silva, Ag. Otávio Rocha

Aposentados e Social - Jesualda Lanzini Prado ¿ GIFUG
Saúde - Jailson Bueno Prodes - Ag. Cristo Redentor
Cultura - Rosaura de Fatima Berni Couto - Ag. Menino Deus
Esporte - Sergio Aveline Squeff - Ag. Partenon
Comunicação - Paulo Ricardo Belotto ¿ Ag. Igrejinha
Patrimônio - Ricardo Munhos de Campos ¿ GIFUG

SUPLENTES: Ricardo Luis da Rocha Christino - RETPV Viamão, Marisa Zancan Godoy - Ag. Gravataí, Gustavo Maximiano Camacho Leal - Ag. Guaíba, Beatriz Maria Berghahn - Ag. Menino Deus, Celso Danieli - Ag. Assis Brasil, Maria Meneghini Bueno ¿ Aposentada, Geraldo Otoni Xavier Brochado - Ag. Azenha, Amanda Angelica Gonzales Cardoso ¿ JURIR, Francisco Satyro Valente Neto ¿ Aposentado

CONSELHO FISCAL
TITULARES: Patricia Strapasson Pizzolatti ¿ RERHI, Felisberto Machado de Souza ¿ REREV, Rose Mary da Cruz Rocha Wegelt - Ag. Canoas
SUPLENTES: Dóris Caudeic Tavares - Ag. Frederico Westphalen, Julcemar Sitta - Ag. Marau, Regis Moreno Nogueira Santos - Ag. Carazinho

CONSELHO DELIBERATIVO REGIONAL VALE DO TAQUARI TITULAR: Luiz Carlos Born - Ag. Arroio do Meio
SUPLENTE: Jose Bohn - Ag. Venâncio Aires
REGIONAL CENTRO TITULAR: Sonia Maria Batistela Guterres - Ag. Imembuy SUPLENTE: Athos Ronaldo Miralha da Cunha - Ag. Santa Maria
REGIONAL FRONTEIRA OESTE TITULAR: Flavio Dornelles Pare - Ag. Uruguaiana SUPLENTE: Jefferson Araujo da Silva - Ag. Alegrete
REGIONAL GRANDE POA TITULARES: Paulo Daisson Gregorio Casa Nova - GITER, Carlos Alberto Trasel ¿ JURIR, Luciana Oliveira Rosa - Ag. Partenon, Fernando Centeno Leinstner - Ag. Praça da Alfândega, Marcelo Cardoso Carlucci ¿ JURIR SUPLENTES: Maria Regina P. Figueiró ¿ Aposentada, Marcos Machnacz Ferreira - Ag. Praça da Alfândega, Marcos Leite de Todt - Ag. Praça Rui Barbosa, Luiz Carlos Lasek - Ag. Praça Rui Barbosa, José Carlos Necchi Barcelos - Ag. Tristeza
REGIONAL LITORAL SUL TITULAR: Jonas Aguiar - Ag. Rio Grande
SUPLENTE: Maria das Graças Souto Lages ¿ Aposentada
REGIONAL MISSÕES TITULAR: Moacir Scheuer Deves - Ag. Ijuí. SUPLENTE: Jorge Luis Marcanth Cappelari - Ag. Santa Rosa
REGIONAL PASSO FUNDO TITULAR: Mauro Savaris - Ag. Passo Fundo. SUPLENTE: Ademir Viazi Schmitt - Ag. Passo Fundo
REGIONAL SERRA TITULAR: Nelson Schlindweinl - RERET Caxias do Sul. SUPLENTE: Ana Lucia Rodrigues Martins - RERET Caxias do Sul
REGIONAL SUL TITULAR: Cristina de Souza Gularte - Ag. Pelotas. SUPLENTE: Joni Bersch - Ag. Pelotas
REGIONAL VALE DO RIO PARDO TITULAR: Adroaldo Schmidt Carlos - Ag. Cachoeira do Sul. SUPLENTE: Volmar Fernando Alves Dal Santo - Ag. Rio Pardo REGIONAL VALE DOS SINOS TITULAR: Ercio Karoly - Ag. Portão. SUPLENTE: Marcos Antonio Koch - PAB Justiça Federal
REGIONAL LITORAL NORTE TITULAR: Vera Lucia Bueno de Oliveira - Ag. Osório SUPLENTE: Nei Glades de Francisco - Ag. Torres
REGIONAL ALTO URUGUAI TITULAR: Ricardo Luiz Müller Ag. Erechim. SUPLENTE: Paulo Roberto Rohenkohl - Ag. Erechim
REGIONAL FRONTEIRA SUL TITULAR: Milton Flavio dos Santos Otarão - Ag. Bagé. SUPLENTE: Milton Trindade Ianzer - Ag. Bagé
REGIONAL VALE DO PARANHANA TITULAR: João Alberto Holsbach - Ag. Taquara SUPLENTE: Dirceu D¿Ávila Sampaio - Ag. Taquara.

Fonte: Carolina Coronel - Imprensa FEEB/RS




Quarta-feira, 16 de abril de 2003
Joelmir Beting

New York, New York

O que importa não é onde estamos.O que importa é para onde vamos.
Aldous Huxley (1894-1963), escritor inglês

Entre aspas: A mudança mais sutil em Nova York refere-se a algo de que as pessoas não falam mas que está doravante na cabeça de todo mundo. Pela primeira vez em sua história, a cidade sente-se destrutível. Uma simples revoada de aviões pode rapidamente acabar com esta ilha da fantasia, queimando suas torres, derrubando suas pontes e transformando galerias de metrô em crematórios para milhões.

E mais: A suspeita da mortalidade passa a fazer parte da vida de Nova York, seja no ronco dos jatos sobre nossas cabeças, seja nas manchetes pretas da última edição. Todos os nova-iorquinos precisam conviver agora com essa sinistra possibilidade de aniquilação sem aviso prévio. Devido à concentração da própria metrópole, Nova York tem, dentre todos os alvos americanos, uma clara prioridade. Na mente de qualquer pervertido que enlouqueça, Manhattan deve exalar um encanto irresistível.

E ainda: Foi-se o tempo em que a estátua da Liberdade era o farol da vida para o mundo inteiro. Ela passa a dividir esse papel com a Morte amoitada no enigma de pedra e aço que se tornou um espaçoso alvo a céu aberto. Algo que se projeta rumo às nuvens para encontrar-se, a meio caminho, com os aviões que podem destruí-la. Capital do mundo, capital de tudo e capital de todos, ela deve ser o endereço ideal para o Parlamento da Humanidade, ao lado do East River, hospedar as discussões em todas as línguas para que os aviões permaneçam em terra e que sua missão assassina, em qualquer tempo ou lugar, seja abortada.

Concluindo: A dois quarteirões do East River, há um velho salgueiro que se impõe sobre um jardim. Uma árvore estropiada pelo tempo, hoje mantida de pé por fios de arame mas muito amada por todos que a conhecem. De certa forma, ela simboliza Nova York. Sobrevive a tudo que lhe é hostil. Despeja seiva em meio ao concreto. E nunca deixa de buscar o sol. Pois sempre que a observo de perto e desfruto a sombra fria de sua copa, penso comigo: esta árvore precisa ser salva. Se ela morrer, tudo morrerá.

Trechos finais do livro Here is New York, de autoria do jornalista americano E.B. White, ensaísta da revista The New Yorker. Primeira edição em português, de 2002, da Editora José Olympio, com tradução de Ruy Castro. Atenção para o detalhe: o autor E.B. White, morto em 1985, aos 86 anos de idade, escreveu Here is New York em agosto de 1948, quase 55 anos atrás. Que tal?

Nada a ver com os horrores de 11 de setembro de 2001, certo? Ou será que não? O braço oculto do terror acaba de ser reconvocado pela extirpação cirúrgica da tirania de Saddam dos desertos oleosos do Iraque. Ao tempo em que o ¿Tratamento Rumsfeld, Bagdá ainda fumegando, elege a Síria como a nova bola da vez da pax americana sem fronteira nem bandeira.

O próprio E.B. White deixou anotado no prefácio da primeira edição: A febre característica de Nova York não se altera no tempo. Com isso, não me preocupo em r