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Voces encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Comentários de Livros, revistas e de jornais que já li e que por julgá-los interessantes postarei aqui, espero, todos os dias para que você sempre tenha algo que lhe facilite no seu dia a dia ou nas suas atividades. Se ele cumprir parte desses objetivos, estarei feliz por ter podido repartir essas conquistas.
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Sábado, Abril 19, 2003
Posted
9:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
Empresas
Fusão de Varig e TAM tem semana decisiva
Integrantes do conselho da Fundação Ruben Berta articulam mudanças na instituição
Os vôos da Varig decolaram normalmente ontem, depois de a empresa pagar à BR Distribuidora e garantir o fornecimento de combustível para os aviões até terça-feira, mas tudo indica que os próximos dias serão de tensão para a companhia aérea. O conselho deliberativo da Fundação Ruben Berta (FRB), à qual cabe aprovar ou rejeitar a fusão com a TAM, decidiu acompanhar de perto a situação da empresa, em meio às crises internas do Grupo Varig e às divergências dos últimos dias com o governo.
Na prática, boa parte dos conselheiros está sem informação sobre a proposta apresentada pelo Banco Fator e descontente com as divergências internas no conselho de curadores, um grupo de sete pessoas eleitas para administrar a FRB. Ontem, informou-se que o Banco Fator deverá apresentar à Fundação, na terça-feira, o modelo proposto para a fusão. De acordo com fontes ligadas ao conselho curador da FRB, apesar de toda a polêmica, até agora não houve nenhuma informação oficial sobre a participação de cada companhia aérea na empresa que pode surgir com a união.
No próximo dia 24, um grupo de integrantes do colegiado se reunirá no Rio para discutir a situação do grupo e montar estratégia para a aprovação de um requerimento de assembléia extraordinária da FRB, com pedido de destituição e recomposição do conselho de curadores. Até ontem, o requerimento tinha cerca de 110 assinaturas do total de 220 membros do colegiado, segundo um dos integrantes.
A maioria reclama da falta de um Plano B, para o caso de o projeto de fusão com a TAM ser considerado inadequado ou simplesmente fracassem as negociações em andamento.
O governo, por meio do ministro da Defesa, José Viegas Filho, deixou claro não estar disposto a tolerar objeções ao processo de fusão com a TAM. Viegas chegou a afirmar que "se a Varig preferir ficar sozinha, ficará sozinha'', em clara alusão às declarações do presidente da FRB-Par, holding controladora do grupo Varig, Gilberto Rigoni, contrárias à fusão.
Fusão complicada
Os obstáculos e as restrições à integração com a TAM:
A modelagem elaborada pelo Banco Fator prevê a divisão do grupo Varig. As companhias Varig, Rio Sul e Nordeste fariam parte da nova empresa.
As demais empresas do grupo, como VarigLog, Varig Engenharia de Manutenção (VEM), Sata, Amadeus e Rede de Hotéis Tropical continuariam sob controle da Fundação Ruben Berta.
A nova empresa usaria os serviços dessas empresas do grupo, com receita revertida para a Fundação Ruben Berta.
A principal discordância de algumas facções dentro da Varig quanto a esse modelo é a participação reduzida do grupo Varig na nova empresa.
Segundo fontes do mercado, a Varig ficaria com apenas 10% da nova companhia. O Banco do Brasil, junto com a TAM e investidores estrangeiros - principalmente os atuais credores da Varig - dividiriam o restante do capital.
Posted
9:21 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
19/04/2003
Paciência!
Cara, eu tinha que ter mais paciência. Paciência é um troço fundamental para tudo que se faça, nesse vale de lágrimas. Os japoneses é que sabem bem disso. Já contei como funciona a sinaleira no Japão? Assim: um japonês vai atravessar a rua. Olha à esquerda e à direita.Nenhum carro. Nada. Zero. A rua está tão vazia quanto o espaço que o Bush tem entre as orelhas. Mas o sinal está vermelho para ele. Então ele espera na calçada. Espera, espera, espera, espera. Só atravessa quando o sinal abre.
Já com os carros a coisa é diferente. O carro vem vindo. O sinal está vermelho. Aí o motorista dá uma reduzida, confere se não há algum pedestre nas imediações. Se não tem ninguém na iminência de atravessar a rua, ele toca. Quer dizer: o semáforo é para pedestres, não para carros.
Eu, no Japão, tentava proceder como eles. Parava no meio-fio e ficava esperando.
Esperando esperando esperando. Nenhum carro até onde a vista alcançava e eu esperando.Uma vez cronometrei: eu e meus amigos pedestres japoneses perdemos quatro minutos aguardando o sinal esverdear. Quatro minutos! Jesus Cristo, que agonia me deu. Eles, não. Eles mantinham a tradicional serenidade japonesa.
São assim em qualquer circunstância. Jamais se impacientam. Dominam a própria ansiedade e, desta forma, dominam o tempo.
Um dia disse isso ao cônsul do Japão. Que admirava sobremaneira a paciência oriental. Ele respondeu que nós brasileiros também somos muito pacientes. Fiquei espantado.
¿ Em que situação, por exemplo?
Ele:
¿ Nas filas. Os brasileiros ficam às vezes horas numa fila sem reclamar.
Sacudi a cabeça. Disse-lhe que aquilo não era paciência, mas resignação. O brasileiro está tão acostumado a ser maltratado que nem reclama mais. Claro, às vezes é até saudável se conformar com uma derrota, com uma perda, e desistir. Simplesmente desistir. Mas o abandono sem luta, isso é que não.
Tenho dúvidas se o cônsul entendeu.
O Tite conseguiu reunir esses dois predicados, durante essa sua última crise no Grêmio. Em primeiro lugar, não se conformou: trabalhou, lutou, reagiu e, o mais importante, mudou. Em segundo, e talvez ainda mais relevante, teve paciência. Esperou que a má fase se dissipasse. E a má fase se foi, como um dia se vai todo o mal. Foi um sábio, o Tite. Um japonês de sabedoria. Soube usar o tempo a seu favor, não contra. Como queria saber fazer isso, meu Deus!
O bom
O campo do Maracanã é grande, é um campo para quem sabe jogar futebol. Quanto maior o espaço, mais o talento se irradia e fulge. Em compensação, mais evidente se torna a FALTA de talento.
Num campo daquelas dimensões, o ruim se vê exposto a uma luz constrangedora. Ele não está sempre coagido pela marcação, não precisa dar um bico na bola, espantá-la para longe dele. Não. A bola está ali, e o espaço também. Resta decidir o que fazer com ela e aí reside todo o drama do perna-de-pau.
O que aconteceu no Maracanã, quinta-feira, foi que alguns jogadores menos ilustrados no nobre esporte bretão se engasgaram com todo aquele espaço. Foi demais para eles. Ficou bom para Carlos Alberto, o 10 do Fluminense, que se destacou dos outros de tal forma que parecia um profissional no meio dos amadores. Carlos Alberto. Esse, se não se arrepender, ainda vai jogar entre os Ronaldinhos.
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9:14 AM
by Cassiano Leonel Drum
Jorge Furtado
19/04/2003
Guerra e Paz
Os primeiros pilotos americanos, ainda bem, começam a voltar para casa. Eles foram ao Iraque procurar armas de destruição em massa, mas, como não encontraram, jogaram suas próprias armas de destruição sobre a massa de miseráveis. A outra desculpa inventada pelos piratas de Bush para roubar petróleo foi a de transformar o Iraque numa democracia.
Depois da II Guerra Mundial, os Estados Unidos já jogaram suas bombas sobre 19 países, a lista foi compilada pelo historiador William Blum: China 1945-46, Coréia 1950-53, China outra vez 1950-53, Guatemala 1954, Indonésia 1958, Cuba 1959-60, Guatemala outra vez 1960, Congo 1964, Peru 1965, Laos 1964-73, Vietnã 1961-73, Camboja 1969-70, Guatemala de novo (é pertinho) 1967-69, Granada 1983, Líbia 1986, El Salvador 1980, Nicarágua 1980, Panamá 1989, Iraque 1991-99, Sudão 1998, Afeganistão 1998 e Iugoslávia 1999. Isso para não falar dos mísseis inteligentes que erraram de país e acertaram o Irã e a Turquia. Sabem quantos destes bombardeios provocaram democracias? Nenhum.
Mas agora vai ser diferente, aleluia! Sunitas, xiitas e curdos, assim que tiverem a chance de comer alguma coisa, vão se reunir alegremente para eleger um republicano branco e sem bigode, aleluia! E o Coelhinho da Páscoa vai trazer de volta para o menino Ali Ismael Abbas, de 12 anos, o pai, a mãe (grávida de cinco meses), o irmão e os dois braços que ele perdeu enquanto dormia. Aleluia!
Chega de guerra. Em tempos de paz, nada melhor que visitar uma livraria. Porto Alegre já era a cidade com mais leitores do Brasil, já tinha a Feira do Livro e alguns dos melhores sebos do país, já tinha boas livrarias e já tinha grandes livrarias. Mas não tinha um livraria boa e grande. Agora tem. Se o paraíso de Borges é uma biblioteca infinita, a sala de espera é a Livraria Cultura.
Eu sei, o prédio do Shopping Bourbon assusta, parece o resultado do surto psicótico de um arquiteto que teve uma má viagem enquanto lia um catálogo de materiais de construção. Mas o conteúdo vale a viagem. Você pode ir ver Durval Discos ou Carandiru nas ótimas salas do Arteplex e, chegando duas horas antes, mergulhar no labirinto de delícias da Cultura. Quer sugestões de livros para esquecer a guerra? Seda, de Alessandro Baricco, uma pequena e indescritível obra-prima, só lendo.
Minha Querida Sputnik, de Haruki Murakami, grandes personagens numa história originalíssima: rapaz se apaixona por moça. Biografia de uma Árvore, do Carpinejar, nada melhor que boa poesia. Quer uma sugestão de livro para não esquecer da guerra? Maus, de Art Spiegelman, o maior gênio das artes gráficas desde Steinberg, Millôr e Crumb. Maus é uma história em quadrinhos sobre o tempo em que os nazistas eram alemães. Vai estragar seu dia, eu garanto. Não perca.
jorge.furtado@zerohora.com.br
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9:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
Como estou a 400 km de Porto Alegre, privilegiado que sou por poder ter saido um pouco e respirar novos ares, estou postando daqui e como é dia do Indio me faz lembrar o aniversario de minha amada e querida amiga Tania do DF. Abraços, tudo de bom, que voce merece e repito que sinto saudades de ocê.
Lya Luft
19/04/2003
Borghetti e o mar de todos os naufrágios
Não se vai ao ateliê de Lou Borghetti como para uma visitinha social: ninguém entra impunemente em contato com a arte. Eu, quando estou ali, tenho vontade de ficar num canto sendo um bicho, um móvel, um objeto, à espreita. Naquele jogo de luz e sombras, cheiros, cores e formas, a desordem aparente confere ao detalhe um profundo sentido. É uma atmosfera dramática, a um tempo sensual e solene. E sempre a música - quase toda vez em que entro, ela escuta ópera. (Callas? esqueci de perguntar, mas isso é Borghetti.)
Caixas com tampo de vidro espalhadas nas grandes mesas e no chão. De saída me prende uma, com um pequeno rosto em gesso branco (eu acho), misto de máscara mortuária e máscara veneziana. Que vida se congelou naquela caixa? Em todas elas, grandes ou pequenas, preservam-se amor e dor, sonho e morte. O perverso e o delicado, algo oculto que chama: Vem, vem...
A arte de Lou se faz com delírio e tenacidade, ímpeto e requinte. Um retrato de moça antiga, um bilhete escrito em uma velha máquina de escrever. Sedas amarelecidas que ainda farfalham numa dolorosa sensualidade. Mãos da Monalisa, um coração de metal, e algo que de início não identifico: um preservativo.
Um ninho de pássaro, plumas brancas: penso em maternidade e acolhimento, mas no fundo vejo sangue de parto ou de ternura assassinada. Pedaços de poemas. Frases escritas em círculo na letra da artista: mandalas. Da letra, da seda, dos arames finos e das palavras - até do símbolo infinito de um mata-insetos -, arqueia-se uma elaborada construção feita de materiais e a eloqüência do silenciado. Desde tempos perdidos, tudo espera ser visto e elaborado, para voltar à vida através da arte.
Aí me viro, e meu coração desfalece: espumas precipitam-se sobre pedras em uma tela grande. Ouço o rumor das ondas, sinto maresia em minha boca. Involuntariamente exclamo: Mas esse é O MAR DE TODOS OS NAUFRÁGIOS!
Pelas mãos da artista se transfiguram os remanescentes de um naufrágio pessoal ou coletivo, consciente ou inconsciente. O que está nessas caixas e telas são destroços de tantas vidas, todas as vidas - a nossa vida. Seda, letra, seio, fios de metal, um olho e mais adiante o ninho com sangue: essa vigorosa humanidade primitiva nos define. O trabalho de Borghetti é uma celebração daquilo que apesar de tudo persiste e é belo, que se desmonta e se recupera incessantemente, como nas transformações da natureza. É uma trama lúcida e onírica onde rótulos e explicações se tornam supérfluos. Pois Lou é também meio bruxa, disso nunca duvidei.
Um pouco de mim permanece naquele ateliê muito depois de eu ter saído: essa obra nos mostra humanos e transcendentes, perdidos mas recuperados, e sempre inconclusos. Como a vida, a arte nunca está terminada.
Posted
9:05 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
19/04/2003
Dois assaltos
Recebo um relato interessante sobre um efeito colateral nocivo de um assalto: "Prezado Sant'Ana. Hoje de madrugada, meu filho foi assaltado em ocorrência que culminou com troca de tiros entre o assaltante e a BM e após o fato, no qual o criminoso não andou 10 metros com o carro - porque a rua em que estavam é sem saída e a BM logo chegou, pois já estava em perseguição ao assaltante -, meu filho, a vítima, foi obrigado a pagar o guincho, para levar o carro, que nada sofrera, até a polícia civil.
Desnecessário dizer que a perícia em questão era irrealizável, pois o carro não só foi removido do local - guinchado - como, antes, meu filho foi instado a retirar dele tudo que entendesse necessário. Posteriormente, o próprio delegado, muito prestativo, aliás, reconheceu que tais perícias jamais são feitas. Primeiro, porque só teria valor se feita no local; segundo, porque a polícia não tem condições de realizá-las dessa forma. A situação é absurda.
O Estado não oferece segurança a seus cidadãos e, ainda por cima, obriga-os a pagarem pelo risco que correm e pela violência a que são submetidos. Indignada com o ocorrido, eu, que até pela minha atividade profissional - sou procuradora de Justiça -, tenho hábito de pensar em como promover o justo, o correto, o melhor, sinto-me em verdadeiro abandono dentro da minha cidade, do meu Estado, do meu país. Podia ter perdido meu filho e, provavelmente, ainda teria que pagar o transporte do carro para efeitos dos mais espúrios. A propósito, para me consolar, quando demonstrei minha inconformidade com o fato, os policiais me informaram que todos estranham a situação, mas que, acionado o seguro, eu seria ressarcida. Sem comentários. Peço a tua ajuda, a quem sempre leio e vejo se insurgir contra essas situações absurdas e incompreensíveis de que somos alvo. Obrigada. (ass.) Ana Luiza Mercio Lartigau".
É interessante o relato da senhora procuradora. Seu filho teve de pagar pelo serviço de guincho como se fosse tributável ser vítima de violência.
Esta cobrança do guincho é um desses costumes antigos que atentam contra a lei e o bom senso, no entanto acabam institucionalizados.
Se o poder público decide por guinchar um carro, em qualquer hipótese, terá de ser dele o ônus do serviço. No entanto, sempre se cobra dos cidadãos, quando dos acidentes, quando dos estacionamentos proibidos, agora se sabe que também quando são vítimas de crimes e os carros, mesmo sem nexo material com o delito, têm de ser enviados à perícia.
Que fazer? Acho que nada. Desanima a cada dia o triunfo das injustiças. Ontem, por exemplo, fiquei sabendo que a maioria das ações que as pessoas prejudicadas empreendem com base no Código de Defesa do Consumidor prescreve e se torna inútil por desaparelhamento total do Estado nos órgãos específicos para que, logo em seguida acolhidas, sejam providenciadas.
"Querido Paulo Sant'Ana
Estou te escrevendo para te pedir um grande favor. Como sei que a tua coluna é muito lida, somente através dela poderei reaver duas fitas VHS de formatura das minhas filhas e um álbum de fotos de formatura, que foram furtados junto com outros pertences em um assalto à mão armada que eu, minha mãe e minhas filhas sofremos sábado (12/04) à noite na Praça Júlio de Castilhos, quando fomos a Porto Alegre para uma consulta médica. Todos os pertences, assim como documentos, eu não estou pretendendo reaver, somente estas fitas, as quais não tenho mais como recuperar. A quem devolver terei imenso prazer em poder gratificar e a ti ficarei eternamente agradecida. (ass.) Maria de Fátima Caldeira Skrebsky".
Eu transcrevi este e-mail só pelo fato de que a missivista, se despreza os outros valores todos que lhe foram roubados no assalto e dá assim tanta importância a essas duas fitas, pelo seu valor estimativo, é porque são essenciais para ela essas gravações.
Normalmente, os ladrões põem fora esse tipo de coisa. E se alguém achou as fitas, comunique-me.
Mas queixa de assalto é um dos itens que mais freqüenta a minha correspondência. Que século!
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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9:00 AM
by Cassiano Leonel Drum
Conflito
Sai Saddam, entra o fundamentalismo
Um protesto inédito reuniu ontem em Bagdá milhares de xiitas, que gritavam slogans contra Saddam e George Bush (foto Hussein Malla, AP/ZH)
Sexta-feira, Abril 18, 2003
Posted
10:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
Stephen Kanitz
O próximo jogo econômico
"Estamos sempre atolados e discutindo os problemas econômicos do passado, sem tempo para discutir as tendências do futuro"
Imagine-se técnico da seleção da economia brasileira. O Brasil está perdendo o jogo da globalização por 4 a zero. Você se reúne com seus assistentes para analisar as opções.
Ilustração Ale Setti
A primeira opção é mandar todo o time para o ataque. Isso significa incentivar a indústria brasileira a adotar programas de qualidade e produtividade, apoiar as exportações, investir em tecnologia e aumentar a competitividade. É o que nossos governos têm feito desde 1950, sem muito sucesso.
Outra opção seria criar uma enorme confusão no meio-de-campo, provocar a expulsão de adversários como a Alca e o FMI e anular a partida, já que as regras foram inventadas por eles. Essas são basicamente as únicas opções discutidas pela maioria dos especialistas e partidos políticos.
Existe ainda uma terceira opção, pouco analisada, que parte da percepção de que temos perdido a maioria dos jogos econômicos porque ficamos o tempo todo tentando entender ou então mudar as regras. Quando finalmente aprendemos os truques e os macetes, as regras já mudaram, e os que querem mudá-las nem sabem como. A verdade é que nunca vamos ganhar jogos com regras escritas por outros. Jogos econômicos são ganhos muito antes de o time entrar em campo, nos meses de treinamento intensivo, na organização e administração do time. O Brasil sempre entra em campo anos depois de o jogo ter começado.
Precisamos nos preparar para o próximo jogo internacional. Precisamos nos preparar para os jogos e as regras que estarão por vir, e até criar nossos jogos com nossas regras.
Tudo isso pode parecer muito óbvio, mas nunca foi feito. Estamos sempre atolados e discutindo os problemas econômicos do passado, sem tempo para discutir as tendências do futuro. Perdemos anos corrigindo o passado, como fizemos na Constituição de 1988, e não discutindo as possibilidades do futuro. Pior, nossos políticos e nossa imprensa só ouvem aqueles que explicam o presente, e não aqueles que se preocupam com o futuro. Por definição, o futuro não é notícia, porque ainda não aconteceu.
"Qual será o próximo jogo econômico internacional?" é portanto a pergunta cuja resposta vale ouro. Infelizmente, não tenho espaço nem competência para me estender convincentemente nesse assunto. Por isso, vou dar um exemplo dos jogos possíveis, um exemplo didático, não uma proposta concreta.
Um dos jogos que imagino é o turismo da terceira idade de média renda. O mundo está envelhecendo e, com os progressos da ciência, a população do Primeiro Mundo estará vivendo cada vez mais. Lugares como Miami, Costa Brava e Lisboa ficarão pequenos para acolher os milhões de velhinhos e velhinhas aposentados dos Estados Unidos e da Europa, que fogem dos rigores de seu inverno.
Se estivermos preparados, eles poderão escolher cidades mais quentes e mais baratas, como Salvador, Fortaleza, Natal e Maceió, cidades com a tradicional hospitalidade brasileira. Um milhão de velhinhos com aposentadoria anual média de 20.000 dólares para gastar nos trariam 20 bilhões de "exportações" por ano. Dois milhões de velhinhos resolveriam para sempre nossos problemas cambiais.
Mas, para que o Brasil participasse desse jogo, precisaríamos nos preparar desde já. Em vez de construir hotéis de luxo, teríamos de erguer milhares de flat services. Em vez dos cassinos que muitos querem criar, teríamos de construir dezenas de campos de golfe, se o MST permitir. Em vez de boates, precisaríamos de bingos, quadras de bocha e piscinas térmicas, além de resolver nossos problemas de segurança.
Mais importante seria a construção de centros ortopédicos e geriátricos de qualidade internacional, o que nos traria ainda mais divisas. E aqui, caro leitor, vem o ponto crucial. Esses investimentos levam tempo para ser feitos. E, uma vez construído, um hospital cardiológico ou ortopédico leva no mínimo dez anos para ganhar reputação internacional. Ou seja, já estamos atrasados e podemos perder também esse barco, porque nunca pensamos nos jogos do futuro, somente nos erros do passado.
Stephen Kanitz é administrador
www.kanitz.com.br
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10:32 AM
by Cassiano Leonel Drum
Bem-vindo ao século XIX
"Bush foi acusado de remeter o mundo de volta ao século XIX. Devemos ser gratos aos americanos. Se o mundo retrocedeu de fato, significa que nós ficamos um pouco menos defasados"
Eu, no lugar dos iraquianos, teria feito exatamente a mesma coisa. Ao deparar com o primeiro tanque americano, teria largado minha espingarda, tirado o uniforme, dado umas chineladas no retrato de Saddam Hussein para o cinegrafista da CNN e aproveitado a confusão para pilhar uma escrivaninha de fórmica no Ministério das Relações Exteriores.
Ouvi muita gente comparar a ocupação do Iraque a uma guerra colonial. O presidente dos Estados Unidos foi acusado de remeter o mundo de volta ao século XIX. Se é verdade que voltamos ao século XIX, exijo que me dêem, imediatamente, um novo Flaubert. Não só Flaubert. Exijo também um novo Tolstoi, um novo Eça, um novo Machado, um novo Dickens, um novo Van Gogh, um novo Darwin, um novo Pasteur, um novo Tocqueville.
Os únicos que não têm do que reclamar desse retorno ao passado são os brasileiros. Pelo contrário. Devemos ser muito gratos aos americanos. Se o mundo de fato retrocedeu para o século XIX, significa que nós ficamos um pouco menos defasados. Quando alguém denunciar que temos trabalho escravo, podemos nos defender com o argumento de que, no século XIX, a escravidão ainda era muito comum. O mesmo vale para o trabalho infantil ou para a fome. A Alemanha implantou seu serviço público de saúde em 1840, para combater as epidemias de tifo e cólera. Em Manaus, atualmente, 700 pessoas contraem malária por dia. Cedo ou tarde o Brasil empatará com a Alemanha do século XIX.
Há também aquela velha chateação do analfabetismo. O Brasil, segundo o governo, tem mais de 20 milhões de analfabetos. Ou seja, uns 12% da população. Em 1890, nos Estados Unidos, o analfabetismo era ainda pior, atingindo 13,3% da população. Eles só conseguiram nos superar na década seguinte, em 1900, quando o número caiu para apenas 10,7%. Podemos rebater, porém, que aí não vale, porque eles já estavam entrando no século XX.
O ministro da Educação, Cristovam Buarque, quer erradicar o analfabetismo nos próximos quatro anos. Para isso, criou o programa Analfabetismo Zero, que, antes mesmo de iniciar, foi rebatizado de Brasil Alfabetizado. O programa ainda não está funcionando porque o governo não tem idéia de que método usar para alfabetizar essa gente toda, mas Cristovam Buarque já cuidou do principal: a campanha publicitária. O mote é: "Faça um gol de letras". Jogadores de futebol irão incentivar os analfabetos a se matricular no programa do governo. O primeiro jogador a ser procurado foi Ronaldo. Cristovam Buarque chegou a viajar para Madri a fim de engajá-lo na campanha. Como não havia sido consultado anteriormente, Ronaldo não recebeu o ministro. Podemos imaginar, no entanto, seu depoimento: "Se eu não tivesse largado os estudos para jogar no dente-de-leite do São Cristóvão (São Cristovam?), hoje em dia não teria uma Ferrari, uma casa em Paris, outra em Milão, outra no Rio de Janeiro, e não teria montes de mulheres e amigos ilustres, e não seria bajulado pelo governo. Não siga meu exemplo: estude".
Segundo o Datafolha, 85% dos brasileiros sentem orgulho do país. Agora que estamos no século XIX, temos bons motivos para nos orgulhar.
Diogo Mainardi
Revistaveja
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10:05 AM
by Cassiano Leonel Drum
Bom ai estão as capas das duas revistas semanais que, incrivelmente, estão bem diferentes neste fim de semana de Páscoa. Acredito que se o judiciário quiser efetivamente os juros vão ser regulados por sentenças judiciais, que em suma deveriam fazer justiça com quem efetivamente paga, paga e normalmente continua devendo ainda mais do que o que tirou de emprestimo.
Golpe no abuso
Sentença histórica do STJ coloca freio na cobrança excessiva de juros financeiros
Hélio Contreiras
Firmeza: decisão considera abusivo juro que exceda o valor da Selic mais 6% ao ano
Os juros abusivos cobrados pelo sistema financeiro, que já causaram o fechamento de muitas empresas e a inadimplência de clientes de bancos e financeiras, acabam de sofrer um golpe no Judiciário. Ao adotar a primeira jurisprudência sobre o novo Código Civil, o Superior Tribunal de Justiça censurou os juros elevados. Foi uma sentença histórica, diz o advogado José Cretella Neto, autor do livro Fundamentos Principiológicos do Processo Civil (editora Forense). De acordo com a sentença, ¿os juros bancários, cobrados na vigência do contrato, poderão ser considerados abusivos quando forem excessivos em relação à taxa média do mercado¿.
Para Cretella Neto, a sentença do STJ pode ser o primeiro passo para o Judiciário limitar os juros que oneram as empresas e o cidadão. O advogado admite que ¿os tomadores de empréstimos no sistema financeiro, especialmente em financeiras, poderão recorrer à Justiça contra os altos juros, muitas vezes acima em até 100% aos adotados pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A sentença do STJ admite que os juros podem ser considerados abusivos quando excedem a taxa Selic, do Copom, mais 6% ao ano. ¿Sem dúvida, a sentença do STJ pode inibir as taxas abusivas, pois é um precedente contra o abuso na cobrança de juros exagerados no mercado, e estimula ações contra o sistema financeiro, disse Cretella Neto.
O ministro do STJ Antonio Pádua Ribeiro afirmou, no plenário do tribunal, que ¿não se trata de criticar o lucro em si, mas o desvirtuamento de um sistema que privilegia o capital em detrimento da produção, com a colaboração, certamente involuntária, do próprio Poder Judiciário. O magistrado deu ênfase ao fato de que, desde a implementação do Plano Real, em 1994, os indicadores revelam que a inflação tem permanecido sob relativo controle, variando pouco em torno dos 5% anuais, com tendência de redução.
Os ministros do STJ admitiram até a possibilidade de os juros serem liberados. Mas o ministro Ari Pargendler fez uma ressalva: Pode-se, em casos concretos, reconhecer a existência de juros abusivos. Para o secretário de Planejamento de São Paulo, o economista Andrea Calabi, os juros estão elevados no Brasil para o empresário e para o consumidor, mas baixá-los em curto prazo pode comprometer o equilíbrio da economia. Para o ex-presidente do BNDES, não se pode regular juros por decreto nem por sentença judicial, mas sim através de política monetária e metas de inflação. Calabi considera que os juros elevados criam efeitos negativos a curto prazo, mas garantem condições de crescimento auto-sustentável a longo prazo.
Posted
9:54 AM
by Cassiano Leonel Drum
Os destaques da Revista Isto E deste fim de semana são os que seguem: Boa leitura
Um guia que ensina como prevenir e tratar doenças
REFLEXOLOGIA
Saiba como está sua saúde massageado as solas dos pés
MUNDOS PROIBIDOS
Saiba mais sobre os tabus da cultura ocidental
TRADUTOR: Seu nome em hieróglifos
SEXO: Guia de posições
TESTE
ESTAREI VIVO AMANHÃ?
A ciência descobriu um
jeito de avaliar a velocidade de sua caminhada rumo ao destino final
CIÊNCIA
SEM AGROTÓXICOS
Orgânicos crescem a todo vapor e já movimentam R$ 11 bi no mundo
IMBRÓGLIO NACIONAL
Impasse trava condução dos projetos sustentáveis em florestas
MEDICINA E BEM-ESTAR
CEGONHA A PRAZO
Clínicas de reprodução
assistida facilitam pagamento
SEM MARCAS
Fim do verão abre temporada contra as manchas de sol
A GUERRA DE BUSH
BUSH DÁ AS CARTAS
Depois da vitória, os EUA refazem o "eixo do mal" e ameaçam a Síria
IRAQUE VIVE O CAOS
Vácuo de poder espalha onda
de saques e acertos de contas
TESOURO ROUBADO
Vandalismo dizima riquezas
da antiga Mesopotâmia
O ETERNO RETORNO
Com o fim do regime iraquiano, questão palestina volta à tona
PRESÍDIOS 5 ESTRELAS
Saiba mais sobre penitenciárias que oferecem tratamento de primeira a internos em outros países
BRASIL
TESTEMUNHA BOMBA
Depoimento leva máfia do propinoduto carioca ao xadrez
A FÉ QUE SE MOVE
Novo Atlas da religião mostra expansão de pentecostais no País
PROCESSO!
Geraldo Mesquita tentará levar adiante processo contra ACM
ECONOMIA
R$ 10 BILHÕES
É quanto consumidores da Eletrobrás podem receber de volta
CHEGA DE JUROS ALTOS
STJ coloca freio na cobrança excessiva de juros financeiros
COMO SERÁ SEU BEBÊ
Brinque com a genética e calcule as chances de seu pimpolho, prestes a nascer, puxar pelo pai ou pela mãe
TESTES
MIAUUUUUUU!
Ouça diferentes miados e saiba se você entende o que o bichano pede
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Posted
9:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ana Amélia Lemos
18/04/2003
O custo da BR-101
O ministro dos Transportes, Anderson Adauto, tem repetido, nas audiências que tratam do edital da duplicação da BR-101, no trecho Palhoça (SC) a Osório (RS), que o valor dessa obra é de US$ 1,1 bilhão. O agente financeiro é o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O antecessor de Anderson Adauto, o deputado Eliseu Padilha (PMDB), refez as contas tomando por base a nova realidade cambial com desvalorização do dólar frente ao real. Está convencido de que é possível executar a obra por U$ 700 milhões. Assim, reduzindo-se o valor do financiamento junto ao BID, a operação poderá ser agilizada para atender a emergência da duplicação, que vem enfrentando resistências na área ambiental, na indígena e até em mobilização de moradores incomodados com as conseqüências da obra para suas cidades, como ocorre em Araranguá.
Equipe
A ministra Emília Fernandes, titular da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, apresentará sua equipe em cerimônia marcada para o próximo dia 23, no auditório do Ministério da Educação, onde a SPM está funcionando desde 31 de março. Foi o próprio Cristovão Buarque que ofereceu à ministra Emília Fernandes as dependências do MEC para instalar a secretaria que antes funcionava no Ministério da Justiça.
Correios
O presidente da ECT, Airton Dipp, está entusiasmadíssimo com o desafio que tem pela frente para cumprir as metas de inclusão postal, bancária e digital, em todo o país, até o final do governo, determinadas pelo presidente Lula e pelo ministro Miro Teixeira. A empresa está licitando a compra de 4,3 mil computadores para o projeto Correios-Net, cujo piloto, em 120 pontos, está sendo um sucesso. A inclusão digital vai atender cidades com mais de 10 mil habitantes.
Crédito educativo
Os argumentos usados pelo deputado Osvaldo Biolchi (PMDB) convenceram o ministro da Educação, Cristovão Buarque (PT), de que a reabertura do Fies, neste semestre, é inadiável. Na próxima semana o ministro irá conversar com o colega Antônio Palocci, da Fazenda, para examinar o aumento dos recursos para garantir essas operações. Caso contrário, como explicou o deputado gaúcho, muitos acadêmicos terão de cancelar as matrículas. Na reunião do Conselho de Reitores (CRUB), em Florianópolis, esse tema também foi debatido.
Infância
O gaúcho Norton Lenhart, presidente da Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, entregou, em reunião com a secretária de Justiça, Cláudia Chagas, em Brasilia, estudo da Organização Mundial de Turismo sobre métodos de combate à prostituição infantil. Sugeriu que o Ministério da Justiça elabore cartilha sobre o tema, para ser distribuída em todos os hotéis do país. Propôs, ainda, que estabelecimentos que protegem crianças e adolescentes recebam selo com essa identificação.
ana.amelia@zerohora.com.br
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9:21 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
18/04/2003
A gravata de Irineu
Um dia, Irineu acordou e pensou que ia ficar muito bem de gravata. Nunca tinha usado gravata, trabalhava numa papelaria, funcionário de papelaria não precisa de gravata. Mas naquele dia imaginou-se de gravata e murmurou para si mesmo: "Olha que vou ficar bem".
Depois do trabalho, Irineu foi ao shopping. Experimentou um terno. Mirou-se no espelho. Sorriu em aprovação. Comprou logo três ternos e três gravatas. No dia seguinte, barbeou-se com esmero, vestiu o terno, laçou o pescoço com a gravata, olhou-se mais uma vez no espelho e mais uma vez sorriu:
- Fiquei bem.
Ao chegar à mesa do café, a esposa arregalou os olhos.
- Que é isso, Irineu???
- Uma gravata, ué.
E saiu, deixando a esposa a mascar sucrilhos, intrigada e muda. Na papelaria, a reação dos colegas foi estrepitosa. Ouviu piadinhas, ouviu uma dúzia de perguntas. Depois do almoço, Priscila, a mulher mais linda da papelaria, se aproximou dele e sussurrou com aquela sua voz rouca:
- Estás muito bem de terno, Irineu.
Irineu ficou encantado. Decidiu usar terno todos os dias, apesar dos protestos da mulher.
- Não entendo - reclamava ela, passando a mão nos cabelos. - Não entendo!
Irineu é que não entendia tamanho escândalo. Já circulava pela papelaria um boato de que ele seria o novo gerente. Boato que foi ouvido pelo atual gerente. Que passou a lançar olhares desconfiados para Irineu. Um dia, o homem chegou a advertir:
- Cuidado, seu Irineu...
Já a Priscila não saía mais do seu lado. Sorria para ele. Convidava-o para cafés. Os colegas repararam. Em uma semana, não se falava de outro assunto na papelaria: Irineu, o futuro gerente, estava tendo um caso com a bela Priscila. Irineu negava. Em vão. Quanto mais jurava que nada daquilo era verdade, mais os outros comentavam:
- Esse Irineu é fogo!
Passados alguns dias, Irineu chegou em casa e encontrou a mulher sentada à mesa da cozinha, chorando.
- Que houve???
- Não agüento mais isso! - ela gritou. - Não agüento! Estou indo embora. Vou pra casa da mãe.
Irineu tentou argumentar. Prometeu desistir da gravata. Não adiantou. Ela estava decidida. E se foi mesmo, escorregando nas lágrimas. Irineu ficou sozinho. Suspirou. Sua vida estava se complicando. "Tudo por causa de uma gravata", grunhiu. Teria de se livrar da maldita gravata. Saiu caminhando lentamente pela casa. No corredor, abriu o paletó, afrouxou o nó da gravata. Estava prestes a tirá-la, a jogá-la no lixo, quando entrou no quarto e se viu refletido no espelho grande. Aprumou-se, então, e se admirou. Apertou novamente o nó da gravata. Sorriu, enfim. E falou em voz alta, resolvido e feliz:
- Ninguém vai me tirar essa gravata. Ninguém! Fico muito bem de gravata!
david.coimbra@zerohora.com.br
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9:17 AM
by Cassiano Leonel Drum
E assim está sendo com a reforma da Previdência: Põe o bode na sala. Ah, não está bom assim como foi concebida tira o bode da sala e aprovam o que eles querem. E a energia elétrica que é atrelada ao dólar, por que vai subir se o dólar está baixando, só que neste caso o Governo lavou as mãos, porque diz que quem dita e autoriza os preços são as empresas reguladoras e não o Governo? Para uma sexta-feira santa até que está bem oportuno!
Paulo Sant'ana
18/04/2003
Farelos do queijo
A depressão também se dá freqüentemente quando a mente de uma pessoa, em relação a si própria, se convence de que está tratando com um chato.
Este fato de o governo federal não ceder em reduzir o preço dos combustíveis depois desta queda violenta do dólar em 15% só durante o governo Lula, tendo elevado o preço da gasolina, do gás de cozinha e do diesel quando da elevação do dólar, me faz lembrar a fábula do macaco-juiz.
Duas gatas roubaram um queijo e não sabiam como dividi-lo. Procuraram um macaco e pediram que ele servisse de juiz arbitral.
O macaco deu uma dentada no queijo, dividiu-o em duas partes desiguais, colocou cada uma delas na balança.
O prato da balança que tinha a parte maior do queijo pendeu para baixo. O macaco deu uma dentada na parte maior, mas tirou de propósito mais que o necessário.
A balança caiu para o outro lado. O macaco fingiu restabelecer o equilíbrio com outra dentada. E continuou assim até que as gatas se alarmaram: "Aceitamos a partilha como está. Dá-nos o queijo.
Retrucou o macaco: "Se vós aceitais, a justiça não aceita".
E continuou a roer a porção mais pesada até que engoliu o queijo inteiro.
Assim é a "justiça" do governo e da Petrobras. Quando o dólar subiu a R$ 3,60 e o barril de petróleo a US$ 38, tarifaram depressa a gasolina e os outros combustíveis lá em cima, os preços insuportáveis que estamos pagando.
Agora que o dólar baixou em 15% e o preço internacional do petróleo em cerca de 25%, abissais e surpreendentes quedas, o governo nem se mexe e deixa os preços dos combustíveis para o consumidor intocáveis.
Igual ao macaco, o governo e a Petrobras, deram uma dentada forte no consumidor quando o dólar e o petróleo aumentaram de preço, continuam a morder o queijo agora que o dólar e o petróleo tiveram queda assombrosa nos seus preços.
Essa fábula do queijo é muito ilustrativa deste grande logro. Porque, na verdade, não fossem os impostos federais, estaduais e municipais que incidem sobre os combustíveis, a gasolina não estaria custando R$ 2,30; em alguns municípios, R$ 2,60.
Custaria R$ 0,60. Ou seja, o macaco come todo o queijo e as gatas (os consumidores) ficam a ver navios.
E depois querem que não haja violência nas ruas. Quando o poder público estabelece a lei, isto é, que os combustíveis têm alta de preço quando subirem o dólar e o petróleo, e conseqüente baixa nos preços quando esses dois indicadores declinarem, desrespeitando acintosamente este critério para locupletar-se, as vítimas dessa iniqüidade passam a não acreditar nas outras leis e a desrespeitá-las.
Este fato é hoje o maior escárnio econômico-social brasileiro. Há agora murmúrios de que o governo, diante do escândalo, cogita de baixar o preço dos combustíveis.
Se isso acontecer, quem é que quer apostar que o macaco vai destinar às gatas apenas alguns farelos do queijo?
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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9:10 AM
by Cassiano Leonel Drum
Conflito
Nem zôo de Bagdá escapa de saques
Trabalhadores tentam fazer funcionar uma das estações hidráulicas da capital iraquiana, para normalizar o abastecimento (foto Tsuyoshi Takeda, AP/ZH)
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12:10 AM
by Cassiano Leonel Drum
Caro assinante,
aqui estão os destaques de VEJA deste fim de semana.
Boa leitura e bom fim de semana. Feliz Páscoa
Kátia Perin - VEJA on-line
vejaonline@abril.com.br
O conteúdo integral das revistas estará disponível na internet a partir de sexta à tarde
Especial
Desde a queda de Bagdá, a turma linha-dura do governo americano tem feito de tudo para que o mundo pense que a bola da vez é a Síria. Mas a Casa Branca decidiu que uma terceira guerra não interessa, pelo menos até as eleições presidenciais de 2004.
O poder dos aiatolás
O que une e o que separa os árabes
No site: acesse no especial Guerra no Iraque os vinte principais personagens do confronto.
Geral
Os benefícios do check-up. Descobrir uma doença ainda em fase inicial é o maior trunfo dos médicos. E hoje eles dispõem de um arsenal fantástico para seus diagnósticos.
No site: leia reportagens de arquivo sobre check-up.
Brasil
Depois de moer os radicais do PT e guiar a campanha de Lula, José Dirceu vira a estrela do governo com ares de superministro.
No site: acompanhe notícias diárias sobre política nacional.
Internacional
O Nobel de literatura José Saramago rompe com o regime de Cuba por causa da execução de três pessoas que responderam pelo crime de seqüestrar uma embarcação para fugir do país.
Ginástica
Exercícios dentro da piscina consomem quase duas vezes mais calorias que os feitos no solo. A nova moda nas academias é correr na esteira dentro da água.
Sociedade
A qualidade de vida dos cães de estimação melhorou muito nos últimos tempos. Hoje há serviços e mordomias de todos os tipos para a cachorrada, desde rações sofisticadas até o luxo dos pet shops.
No site: relação de endereços sobre cães.
Artes e Espetáculos
Música: Principal ícone da música pop, Madonna completa vinte anos de carreira e lança o CD American Life, em que se mostra na melhor forma.
No site: ouça músicas e acesse outras informações.
Cinema: Em Leitão- O Filme, que já está em cartaz nos cinemas, o porquinho cor-de-rosa é esnobado e decide fugir por um tempo. Pooh, Tigrão, e os outros companheiros da turma partem em sua procura. Um ótimo programa para crianças.
No site: acesse trailer, fotos e papel de parede para o computador.
Livros: O romance histórico Napoleão, do escritor francês Max Gallo, é uma obra 100% narrativa, sem análises, sem citações, extremamente fluente e fácil de ler. O protagonista aparece em todas as cenas e está sempre muito próximo ao leitor.
No site: leia trechos do livro.
Novos palcos
Com a abertura de quatro salas de espetáculos e outras três em fase de construção, a cidade ganha 7.400 poltronas a mais e um reforço em sua programação cultural.
Fiscais da natureza
Histórias de uma garotada que veste a camisa da ecologia e faz até os pais mudarem de hábitos.
Quinta-feira, Abril 17, 2003
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9:15 PM
by Cassiano Leonel Drum
Este problema é horroroso, tendo em vista que as imobiliárias não dispõem de pessoal para acompanhar todos os interessados que chegam querando olhar este ou aquele imóvel. Assim, fornecem as chaves dos portões de entrada, das portas de entrada e dos apartamentos ou salas a serem alugados. Assim Os meliantes fazem as cópias de que eles precisam, devolvem as originais e ficam aptos a entrar sem problemas no edificio. Coitados de quem possui as salas ou apartamentos no mesmo prédio.
Marco Antônio Birnfeld
Culpa de imobiliária que fornece chaves de imóvel a quem depois realiza arrombamento
A responsabilidade da imobiliária que trabalha com aluguéis vai, mesmo, até a obrigação de pagar prejuízos causados por quem tenha podido dispor das chaves do imóvel oferecido em locação. Esta tese ¿ sustentada pela advogada Eunice Dias Casagrande ¿ foi reconhecida pelo juiz Mauricio da Costa Camborgi, da 8ª Vara Cível de Porto Alegre. A advogada - que alugava o conjunto nº 204 do prédio localizado na Rua Ramiro Barcelos nº 839 - teve seu escritório arrombado. Ficou provado que o furto foi praticado por uma ou mais pessoas que se utilizaram de cópias das chaves do prédio e da sala (vaga) contígua ao escritório de Eunice. Tais chaves tinham sido fornecidas a terceiros pela Auxiliadora Predial S/A, que oferecia, ao mercado, a locação de um conjunto no mesmo andar.
O furto ocorreu em 15 de agosto de 2002 e, com o arrombamento, os meliantes subtrairam, do escritório de Eunice, dois computadores, duas impressoras, fax, tapetes e objetos de decoração. A Auxiliadora Predial sustentou, na contestação, sua tradição (80 anos no mercado, sem nunca ter enfrentado um caso assim) e ¿a rigorosa identificação e controle dos interessados que recebem chaves para visitar imóveis desocupados¿. Disse se estar presente diante de ¿caso fortuito, ou força maior¿.
O juiz acolheu o pedido de dar por rescindido o contrato de locação, pois ¿é obrigação do locador garantir o uso pacífico do imóvel locado¿. Diante do fato concreto de que foi a imobiliária ¿ preposta da locadora ¿ que contribuiu culposamente com o fato lesivo ¿ deve só ela indenizar os prejuízos, que serão apurados em liquidação de sentença. Imobiliária e locadora ainda podem recorrer ao TJRS. (Proc. n° 111013877)
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9:04 PM
by Cassiano Leonel Drum
Marco Antônio Birnfeld
Serasa tem injunção em 2,5 milhões de negócios diários
A Câmara dos Deputados aceitou, na sexta-feira, o pedido de abertura de CPI para investigar as atividades da Serasa - Centralização de Serviços dos Bancos S/A. O autor do requerimento é o deputado Fernando Lúcio Giacobo (PPS-PR). Ele questiona a licitude da captação e posterior comercialização de informações feitas pela Serasa. Segundo ele, "é grave que uma entidade de direito privado tenha acesso a dados pessoais e os comercialize, visando o lucro".
A Serasa, criada em 1968, é hoje uma das maiores empresas de análise e informações do mundo - segundo ela própria anuncia em seu saite na Internet. Conta com um quadro de 2.000 profissionais, estando presente em todas as capitais e principais cidades. São "140 pontos estratégicos" - conforme ela própria define. A Serasa participa no respaldo à maioria das decisões de crédito e de negócios tomadas em todo o Brasil, com injunções em mais de 2,5 milhões de negócios por dia, para mais de 300 mil clientes diretos ou indiretos.
De acordo com a decisão da presidência da Câmara, "há número suficiente de assinaturas e fato determinado, devidamente caracterizado no requerimento, atendidas, assim, as disposições do art. 58, § 3º, da Constituição Federal e do art. 35, § 1º, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, pelo que determina-se a publicação do requerimento e a constituição da Comissão nos termos regimentais." (RCP nº 10/2003)
No RS, a Serasa começou a - além das fontes bancárias - dispor de informações sobre o ajuizamento de ações de execução e de busca e apreensão a partir de 29 de janeiro de 1993. Nessa data, o então corregedor-geral substituto da Justiça gaúcha, Sérgio Pilla da Silva, através de ofício-circular aos cartórios da distribuição de todas as comarcas gaúchas, autorizou o fornecimento periódico de relação das ações de execução e busca e apreensão distribuídas nesse ofício, em forma de certidão, vedada a sua publicação pela imprensa, mesmo parcialmente. Em 27 de maio de 1999, essa disposição foi parcialmente alterada pelo vice-corregedor Paulo Monte Lopes, estabelecendo que no momento da expedição das certidões à Serasa, os cartórios deveriam informar, concomitantemente, a existência de eventuais ações revisionais relacionadas com as execuções e buscas e apreensões.
A partir de 13 de agosto de 1999, o livre acesso de que a Serasa gozava nos cartórios da distribuição no RS foi proibido através de ato (nº 22477/98-7), do então corregedor-geral Aristides Pedroso de Albuquerque Neto. A proibição está em vigor. Serventuários dos foros do RS não podem proporcionar nenhuma listagem sobre as ações em curso à Serasa. Esta vem, desde então, se municiando de dados através dos cartórios de protesto, bancos e demais instituições financeiras.
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8:53 PM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Coelho
Uma lenda árabe da criação
"Oh! Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós. Amém".
No seu Livro do Fantasma, Alejandro Dolina associa a história da areia a uma das lendas da criação do povo árabe.
Diz ele que, assim que terminou de construir o mundo, um dos anjos advertiu o Todo-Poderoso que esquecera de colocar areia na Terra; grave defeito, se considerarmos que os seres humanos estariam privados para sempre de caminhar junto aos mares, massageando seus pés cansados e sentindo o contacto com o chão.
Além disso, o fundo dos rios seria sempre ríspido e pedregoso, os arquitetos não poderiam usar um material indispensável, as pegadas dos namorados seriam invisíveis; disposto a remediar seu esquecimento, Deus enviou o Arcanjo Gabriel com uma enorme bolsa, para que derramasse areia em todos os lugares que fosse necessário.
Gabriel fez as praias, o leito dos rios, e quando voltava para o céu trazendo o material que havia sobrado, o Inimigo - sempre atento, sempre disposto a estragar a obra do Todo-Poderoso - conseguiu fazer um furo na bolsa, que arrebentou, derramando todo o seu conteúdo.Isso aconteceu no lugar que é hoje a Arábia, e quase toda a região se transformou num imenso deserto.
Gabriel, desolado, foi pedir desculpas ao Senhor, por ter deixado que o Inimigo se aproximasse sem ser visto. E Deus, em Sua infinita sabedoria, resolveu recompensar o povo árabe pelo erro involuntário do seu mensageiro.
Criou para eles um céu cheio de estrelas, como não existe em nenhum outro lugar do mundo, para que sempre olhassem para o alto.
Criou o turbante, que - debaixo do sol do deserto - é muito mais valioso que uma coroa.
Criou a tenda, permitindo que as pessoas se movessem de um lugar para o outro, sempre tendo novas paisagens ao redor, e sem as obrigações aborrecidas de manutenção de palácios.
Ensinou o povo a forjar o melhor aço para a espada. Criou o camelo.
Desenvolveu a melhor raça de cavalos.
E lhe deu algo mais precioso que estas e todas as outras coisas juntas: a palavra, o verdadeiro ouro dos árabes. Enquanto os outros povos modelavam os metais e as pedras, os povos da Arábia aprendiam a modelar o verbo.
Ali, o poeta passou a ser sacerdote, juiz, médico, chefe dos beduínos. Seus versos possuem poder: podem trazer alegria, tristeza, saudade. Podem desencadear a vingança e a guerra, unir os amantes, reproduzir o canto dos pássaros.
E conclui Alejandro Dolina:
"Os erros de Deus, como os de grandes artistas, ou dos verdadeiros enamorados, desencadeiam tantas compensações felizes, que as vezes vale a pena desejá-los".
A Sabedoria Árabe
Ary de Mesquita tem uma ótima compilação de textos, num livro muito interessante (A Sabedoria Árabe, Ed. Ediouro). Aqui vão alguns provérbios e máximas:
Se não puderes ser uma estrela no céu, seja uma lâmpada em sua casa.
Anônimo
Depois da morte, o sábio continua vivo, embora seu corpo esteja reduzido a cinzas. Mas o ignorante, mesmo vivo, já está morto.
Ibn as-Sid
O amor é uma doença da qual ninguém quer livrar-se. Quem foi atacado por ela não procura restabelecer-se, e quem sofre não deseja ser curado.
Ibn Hazmal-Andaluzi
Assim como as esposas tem ciúme da amante do marido, muitas amantes tem ciúme da esposa.
Anônimo
Provérbio de Túnis
Quando vires dois dragões brigando, fica distante e não procure pacificá-los; eles podem fazer as pazes e terminar lhe atacando.
Anônimo
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12:38 PM
by Cassiano Leonel Drum
Não entendi bem porque só uma Agência e vinculada ao EN NOVO HAMBURGO irá postergar o atendimento a população. Será que nos demais municipios não houve esta necessidade? Quanto ao aumento dos recursos para o FIES é necessário mas não basta aumentar o número de beneficiarios, há que se prever uma forma de os beneficiarios conseguirem pagar, após a formatura.
CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 17 DE ABRIL DE 2003
CEF de Canoas facilita a entrega de benefícios
Devido à grande procura pelos cartões de benefícios sociais dos programas Bolsa-Escola, Bolsa-Alimentação e Vale-Gás na agência central da Caixa Econômica Federal (CEF), em Canoas, o banco ampliou horário de atendimento hoje, das 9h às 19h. A entrega será feita mediante apresentação do RG. A agência fica na rua Fioravante Milanez, 147. Serão distribuídos benefícios a 6 mil famílias que se cadastraram no final de 2002, sendo que cada familiar contemplado recebe R$ 15,00.
MP que amplia repasse da CEF ao Fies será debatida
Os ministros da Educação, Cristovam Buarque, e da Fazenda, Antônio Palocci, e o vice-líder do PMDB, Osvaldo Biolchi (PMDB/RS), discutem na próxima semana uma nova medida provisória (MP), que aumenta de 30% para 90% o repasse da receita líquida das loterias da Caixa Econômica Federal ao Financiamento do Ensino Superior (Fies). Com o acréscimo de cerca de R$ 600 milhões, o Fies teria condições de atender mais alunos em todo o país.
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12:27 PM
by Cassiano Leonel Drum
Arrocho nos servidores
Reforma da Previdência de Lula inclui contribuição de inativos, idade maior para aposentadoria e benefício menor. Governadores apóiam
BRASÍLIA - O Governo Lula vai arrochar os servidores aposentados, além dos ativos, na Reforma da Previdência. Reunião com 25 governadores chegou a consenso sobre alguns pontos do projeto a ser enviado ao Congresso Nacional. Haverá contribuição previdenciária dos inativos que ganham mais de R$ 1.058 ¿ valor de isenção do Imposto de Renda. Falta definir somente se, na proposta, o piso será fixado em reais ou se será adotado especificamente o limite de isenção do IR. Outra decisão: foi estabelecido teto de R$ 2.400 para os benefícios dos futuros servidores.
A contribuição será padronizada em 11%, índice pago hoje pelos servidores ativos da União. A idade mínima para aposentadoria no funcionalismo com salário integral será elevada: 60 anos para homens e 55 para mulheres.
Para os atuais servidores, haverá uma regra de transição. Será permitido antecipar em até sete anos o pedido de aposentadoria, mas com uma espécie de pedágio: o benefício será reduzido em 5% para cada ano antecipado, podendo chegar a 35%. Outra mudança diz respeito ao funcionário que se aposentar pelo tempo de contribuição nos regimes público e privado. Ele vai receber benefício proporcional ao tempo de contribuição no setor público ¿ e não mais o salário integral.
Na reunião, Lula conseguiu um compromisso dos governadores, que prometeram, se necessário, brigar no Judiciário para fazer prevalecer a cobrança da contribuição previdenciária dos inativos. O assunto é muito polêmico. Vale lembrar que, no Governo Fernando Henrique, a proposta foi considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
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12:24 PM
by Cassiano Leonel Drum
Coelho da Páscoa vai distribuir cestas básicas para o Fome Zero
Brasília, 17/04/2003 - O Coelho da Páscoa acaba de fechar um compromisso com o governo Lula: em vez de distribuir ovos de chocolate neste feriado, o bichano irá distribuir cestas básicas para apoiar a campanha Fome Zero. O estimado roedor justificou sua súbita adesão ao projeto como pura consciência social.
Declarou que a distribuição da cesta básica é uma utilização mais inteligente do dinheiro, já que pelo preço de três ovos médios de chocolate é possível comprar uma cesta e atender melhor toda uma família.
Entretanto, alguns de seus detratores já dizem que a adesão do Coelho foi uma questão de sobrevivência mesmo. Com as coisas do jeito que estão, se ele - um coelho bem nutrido, de carne saborosa, nutritiva -, chegasse na casa dos brasileiros com míseros ovinhos, correria o sério risco de deixar de ser um símbolo para acabar virando o almoço de páscoa.
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12:18 PM
by Cassiano Leonel Drum
Pizzaria reúne artistas e reverte renda para Fundação Cafu
Quarta, 16 de abril de 2003, 23h43
A pizzaria Leona, em São Paulo, reuniu na noite desta quarta-feira alguns artistas no evento "Pizza com Estrelas", com renda revertida para a Fundação Cafu, mantida pelo pentacampeão para ajudar crianças carentes.
Rodrigo Faro compareceu com a namorada Vera Viel e com irmão Danilo Faro. Gigi Monteiro também prestigiou o evento.
Mas a sensação da noite foi a roqueira Syang. Em um certo momento, ela chamou os fotógrafos, levantou a saia, virou-se e mostrou a inusitada calcinha: "Have Fun", que em português significa "Divirta-se".
Segundo ela, um apelo à paz mundial...
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7:47 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Simão
simao@uol.com.br
Páscoa Urgente! Menos ovo e mais galinhagem!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Na boca do feriadão! E o que abre e o que fecha na Páscoa? As pernas! Menos ovo e mais galinhagem. Esse é o slogan da Semana Santa: menos ovo e mais galinhagem. De santa já basta a semana. E sabe como é ovo de Páscoa de dupla sertaneja? Um faz força e o outro bota o ovo. E diz que 1 milhão de carros vão deixar a cidade. E vai sobrar alguém pra dar uma coelhada? Como disse aquela amiga: procura-se um coelho pra dar uma coelhada rápida!
E dois argentinos vieram pro Brasil e ficaram sem dinheiro. Aí um deles foi pra rua e pendurou um cartaz no pescoço: ´Estou desempregado, tenho três filhos e preciso de ajuda´. Conseguiu R$ 10. Aí o outro argentino disse: ´Pois eu consegui R$ 10 mil´. ´Como?´ ´Pendurei um cartaz no pescoço: faltam R$ 5 pra eu voltar pra Argentina´. Choveu grana!
E diz que o Bush não vai tomar nem a Síria e nem o Líbano. Ele vai tomar uma Bavária! Tropas tomam Bagdá, Saddam toma Doril e Bush toma uma Bavária! E um amigo vai comprar um míssil Tomahawk e jogar na casa da sogra. Ataque preventivo! Antes que ela peça pra ele provar aquele suflê de abobrinha de novo.
BBB! Big Bush in Bagdá! A imagem do ano: a derrubada da estátua do sósia do Saddam pelos marines. E aí eu criei a CAMPANHA PRA DERRUBAR ESTÁTUA BREGA! E aí uns leitores pediram pros marines virem pra Pindamonhangaba pra derrubar a estátua do Jeca Tatu! E um sobrevivente do Rio de Janeiro pediu pros marines derrubarem a estátua do D. Pedro 1º na praça Tiradentes e, no lugar, botar a estátua da Malu Mader pelada. E Niterói pede pra derrubar a estátua de Araribóia!
E os habitantes de Ouro Fino mandaram um ultimato com 10 mil assinaturas pros marines derrubarem a estátua do Menino da Porteira! Que fica bem no trevo. E Goiânia pede uma forcinha pra derrubar a estátua do Bandeirante. E aí eu pergunto: se derrubarem todas as estátuas, onde os pombos vão cagar? Rarará!
E a penúltima derradeira do Bestiário Tucanês. É que uma amiga foi levar o carro pra consertar e estava a placa: ´Reparação estética automotiva´. Tucanaram a oficina. Socorro! Tá mais fácil acabar com a pneumonia asiática que com o tucanês.
Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. ´Suspeito´: implante de silicone no peito feito no SUS. ´Sustentar´: tentar uma consulta no SUS! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Nos ovos! De Páscoa, claro!
Email simao@uol.com.br
Posted
7:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Joelmir Beting
Quinta-feira, 17 de abril de 2003
Câmbio ótimo?
Os exportadores, arrotando de barriga cheia, preparam-se para comer chocolate amargo nesta Páscoa da reestabilização. Eles começam a chiar contra a "excessiva apreciação do real", já abaixo de R$ 3,10 por dólar, com viés para R$ 2,99. Uma revalorização ainda a meio caminho. A bolha cambial de 2002, com pico de R$ 2,95 em outubro, continua parcialmente inflada.
Nos cálculos de Paulo Leme, do Goldman Sachs, o dólar abaixo de R$ 3,10 ainda estaria sobrevalorizado em 25%. É o que garante, segundo ele, uma certa média ponderada pelo comércio exterior, vulgo trade weighted.
A bordo de outra metodologia, Fernando Ferreira, da Global Invest, puxa a série desde julho de 1994 aqui para a ponta de abril de 2003 e decreta: pela evolução dos preços internos na produção ou no atacado (IPA), o dólar deveria estar cotado a R$ 3,35. Mas pela variação dos preços no consumo ou no varejo (IPCA), a taxa de equilíbrio não passaria hoje de R$ 2,62.
Pelo sim, pelo não, o próprio mercado financeiro, auscultado pelo Banco Central na última sexta-feira, prefere projetar dólar a R$ 3,50 na ponta de dezembro. Ou a R$ 3,70 no final de 2004. Algo como descartar algum "downshooting" aí pela proa, mantendo-se o patamar do "overshooting" produzido pelas atribulações de 2002.
Bola de cristal de lado, os exportadores se perguntam qual seria uma cotação ótima para o câmbio flutuante nesta altura do calendário da reversão das expectativas. Teria de ser cotação suficientemente alta para preservar a competitividade lá fora e suficientemente baixa para não inviabilizar a estabilidade aqui dentro.
Empresários, economistas e consultores chegados ao comércio exterior localizam essa cotação ótima no eixo de uma banda de flutuação que teria R$ 3,50 por teto e R$ 3,10 por piso. Que tal uma taxa mediana, de maio a dezembro, de exatos R$ 3,33? Ano passado, de janeiro a dezembro, a mediana foi de R$ 2,94. Com IPCA projetado para 12,4% pelo mercado, faria sentido.
Essa mediana guardaria neutralidade em relação ao IPCA - o estrago já foi feito. Estaria em sintonia com um déficit externo em conta corrente de US$ 4 bilhões no ano (para um PIB estimado em US$ 455 bilhões). Teria a ver, igualmente, com Selic adernada, entre abril e dezembro, de 26,50% para 22,50%.
Claro, sem perder de vista as condicionantes do mercado cambial propriamente dito. Entre as quais, uma presença afirmativa do Banco Central, ator de mercado em regime de flutuação limpa. Para o consultor Elie Raphael Levy, um governo Lula teria vocação, por exemplo, para a centralização seletiva das operações de remessa pela CC5 (com ágio de 35% na remessa de residentes no país). Seria uma penada menos penosa que a de inundar o mercado com títulos cambiais sob pressão de "hedge" especulativo.
Quanto aos contatos incestuosos do câmbio com a Selic, a idéia de Elie Raphael Levy não é menos abrasiva: 1) o limite superior da Selic já foi testado para juros, preços, negócios e empregos; 2) que tal ensaiar, pela primeira vez, um limite inferior da taxa básica para testar respostas do IPCA e do PIB? O Fed de Greenspan adotou e mantém o limite inferior (1,75%) e o mundo não acabou por causa disso. Ao contrário, parou de afundar.
SECOS & MOLHADOS
Pela práxis - Os exportadores tarimbados já estão praticando dólar a R$ 3,00 para negociar tabelas de preços com a ilustre clientela lá fora. Nessa taxa, dá para manter poder de briga e margem de lucro. Até porque, dolariza-se também a tabela de preços em real para o mercado interno. Fácil.
Na balança - E os importadores ainda na moita? Metade acha que só voltará ao mercado com a retomada do PIB e não com a inclinação do câmbio. A outra metade jura que um câmbio no declive pesa mais que um PIB no aclive para a retomada das compras lá fora.
No colchão - Sob o guarda-chuva transparente do FMI e deitado em colchão de reservas de quase US$ 44 bilhões, o Banco Central poderia sinalizar para o mercado cambial uma sugestão que teria partido do partido de Lula: (re)comprar dólares abaixo de R$ 3,00 e (re)vender dólares acima de R$ 3,50. Sem grilo.
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7:40 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
17/04/2003
O gene da felicidade
Agora que sabemos todas as letras, vai ser muito mais fácil caçar as palavras.
Na linguagem figurada da ciência, significa encontrar as instruções sobre o funcionamento do organismo, as fórmulas capazes de prevenir e curar doenças, talvez até mesmo a bula do elixir da longevidade ou - sonho dos sonhos - da vida eterna. Resta torcer para que tais receitas não estejam escritas com letra de médico, pois correremos o risco de levar mais alguns anos para decodifícá-las.
Em meio a toda essa barafunda ouvi alguém dizer que todos os indivíduos possuem, em algum ponto daquele cordão imenso que os cientistas acabam de desenrolar, o chamado Gene da Felicidade. Seria ele o responsável pelo fato de algumas pessoas estarem sempre de bom humor, enquanto outras já acordam azedas e passam o tempo todo amarguradas. Estudos feitos com gêmeos idênticos teriam comprovado que o ser humano realmente possui uma determinação genética imune até mesmo aos tropeços da vida.
Pode ser, mas a gente olha em volta e custa a acreditar que alguma orientação interna seja mais forte do que as loucuras externas. Tudo bem, descobrimos o mapa da vida e é bem provável que os nossos sucessores neste planeta sejam beneficiados pela descoberta. Mas, infelizmente, também foi a ciência - disfarçada com a máscara da tecnologia - que descobriu mil maneiras de matar e destruir. Talvez o desafio dos cientistas, agora, seja encontrar uma maneira de tornar dominante o gene da felicidade e recessivo o da maldade.
Um dia perguntaram ao escritor francês Émile Zola se a ciência prometeu a felicidade para o homem. Ele respondeu, sabiamente:
- Ela prometeu a verdade e a questão é saber se algum dia faremos felicidade com verdade.
Faremos?
nilson.souza@zerohora.com.br
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7:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
Aconselho a todos os pais, mães, tios e avós de crianças que estimulem essa cerimônia repleta de ternura e imaginário junto aos seus filhos, sobrinhos e netos, em todas as Páscoas. E eu assino embaixo.
Paulo Sant'ana
17/04/2003
O ninho da Páscoa
Na minha infância e adolescência, por nenhuma forma comíamos qualquer tipo de carne na Quinta e na Sexta-Feira Santas.
Nem salames, nem lingüiça, nem qualquer embutido. Era lei férrea. E nada de qualquer manifestação de alegria dentro de casa. Os dias que antecediam o Sábado de Aleluia eram inteiramente dedicados a um recolhimento, à reflexão, a única atração era saber-se se o cardápio consistia em bagre ensopado, em jundiá, em dourado, em corvina, às vezes uma salada de batata com bacalhau. Camarão eu só fui conhecer depois que tinha 30 anos.
No bairro em que eu morava, o Sábado de Aleluia era comemorado desde as primeiras horas da manhã, o que era costume em todo o Rio Grande do Sul.
"Rompeu a aleluia", era um lema daquele dia. Sucediam-se as brincadeiras, com os meninos e as meninas dando tapas uns nos outros, a significar a caçada ao Judas.
Pela tarde e pela noite dezenas de bonecos de Judas eram espancados com porretes e taquaras, enforcados, dependurados nos postes e nas árvores, depois incendiados.
Era a idéia de que se fazia justiça com o traidor de Cristo, o apóstolo que entregou Jesus por 30 dinheiros.
Mas o linchamento de Judas era mais um festejo do que um ato de vingança ou ira, preparava-se o clima para a Páscoa, uma das ocasiões mais alegres da garotada.
Guardo a melhor lembrança das Páscoas da minha infância. Nunca em toda a minha vida talvez eu tenha sido tomado por maior emoção e expectativa do que na véspera da Páscoa.
Acreditava-se piamente naquele tempo no Coelho da Páscoa. E nós, crianças, íamos para a cama na noite do Sábado de Aleluia tomados de uma tensão, deslumbrados.
Custávamos a conciliar o sono. E pela manhã a ânsia de procurar por baixo da cama ou em cima do pixixê, às vezes maliciosamente colocado dentro do roupeiro, o ninho de ovos tão ambicionado durante o ano inteiro.
E a curiosidade sobre o tamanho dos ovos e dos coelhinhos de chocolate! E a imprescindibilidade dos ovos coloridos de açúcar. E os pequeninos ovos de chocolate com papel brilhante e outras guloseimas espalhadas pelas palhas do ninho!
E o ninho empunhado, numa corrida frenética até as casas vizinhas, no cotejo indispensável com os ninhos dos outros garotos.
Foi a mais deliciosa e esplêndida fantasia da minha vida. Aconselho a todos os pais, mães, tios e avós de crianças que estimulem essa cerimônia repleta de ternura e imaginário junto aos seus filhos, sobrinhos e netos, em todas as Páscoas.
Não há condição de ser má ou violenta uma criança a quem tenha sido oferecido na Páscoa o encanto indefinível na crença e no sonho do Coelhinho.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
17/04/2003
A destruição do cenário
A França, que não quis atacar o Iraque, representa hoje a antítese preferida de todo o mundo para os truculentos americanos. Ela é a razão que resistiu aos brados de guerra, a potência que não perdeu a cabeça, e espera-se que lidere a alternativa civilizada para o que os Estados Unidos estão aprontando. O que não deixa de ser engraçado, porque os franceses sempre tiveram um fraco pelo jeito americano de ser e agir, um certo encanto com os bárbaros. Desde que Alexis de Tocqueville voltou de lá para explicar os americanos aos franceses, no século 19, a França não sabe se lamenta ou se imita os Estados Unidos, aquela estranha terra de novidades que fez a revolução antes dela. Na mania pelo novo e pelo "gadget", na sua busca da racionalização pela técnica, os franceses são muito mais americanos do que cartesianos.
A cultura da desbravação que acompanhou o crescimento dos Estados Unidas - primeiro a da fronteira selvagem na conquista de um continente, depois a da industrialização também selvagem e as novas artes industriais que vieram atrás, tudo, enfim, que era rude e vulgar na experiência americana - horrorizou e fascinou os franceses em partes iguais, mas o fascínio venceu. Os melhores músicos e críticos de jazz da Europa são franceses, alguns dos melhores autores de livros "noir", outra arte americana, são franceses, e apesar de toda a suposta resistência da gastronomia francesa à barbárie culinária, o "fast food" reina entre os jovens.
A França inventou o cinema e sempre teve uma indústria cinematográfica forte, mas os heróis dos críticos e diretores do Cahier de Cinema e da Nouvelle Vague eram Sam Fuller, Nicholas Ray e outros selvagens. Já se disse que nada tipifica a atitude francesa com relação à cultura americana melhor do que o difícil romance da Simone de Beauvoir com o escritor Nelson Algren, notório bêbado e jogador de pôquer que era uma espécie de anti-Sartre e, dizem, não tirava o charuto da boca nem para beijá-la.
E havia o Jerry Lewis. Chegou a virar piada a admiração de críticos de cinema franceses pelos filmes do Jerry Lewis. Uma teoria sobre o significado maior dos seus filmes, facilmente gozável mas instigante assim mesmo, era a da "destruição do cenário": nas suas comédias mais físicas do que orais, Lewis sempre acabava pondo abaixo um cenário, estruturas que representariam os limites da invenção e da arte, ou a repressão social, ou uma sociedade inteira. Quem sabe Bush não será o próximo Jerry Lewis da ambígua fascinação francesa? Em matéria de destruição de cenários, ele é o artista do momento.
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7:28 AM
by Cassiano Leonel Drum
Futebol
Virada salvadora no final
George comemora com Tite o segundo gol do Grêmio sobre o Vitória, que deixou o time em quinto no Brasileirão (foto José Doval/ZH)
Quarta-feira, Abril 16, 2003
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8:39 PM
by Cassiano Leonel Drum
Quarta, 16 de abril de 2003, 17h02
Programa Fome Zero é alvo de fraude na Web
Giordani Rodrigues
Se você quisesse depositar uma certa quantia numa conta bancária, iria dar seu dinheiro a uma pessoa que você nunca viu, para que ela fizesse o depósito e depois lhe entregasse o comprovante? Provavelmente não. Mas é mais ou menos isto que um indivíduo está propondo às pessoas no site de leilões Mercado Livre.
Há dois dias, um usuário registrou-se com o apelido de "Fome.Zero" no Mercado Livre e criou duas páginas, em que propunha: "Ajude uma criança!! Doe valores de R$ 0,01 até R$ 1.000,00". O dinheiro deveria ser depositado em uma conta bancária fornecida por este usuário, que se encarregaria de repassar a quantia para as contas do Programa Fome Zero, principal iniciativa social do governo Lula. Depois disso, o doador receberia o comprovante de depósito, por e-mail ou pelo correio tradicional. "Servimos apenas como intermediador do seu dinheiro! Nenhuma parte ficará com nós (sic)", garantia o texto da página, que usava o logotipo oficial da campanha.
Quem tivesse cadastro no site de leilões e clicasse no botão "comprar", receberia por e-mail os dados do responsável pela página ― um certo Emanuel da Silva Reis, que forneceu o e-mail projeto_fome@zipmail.com.br para contato e um telefone que estaria instalado em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. InfoGuerra ligou para o número informado e descobriu que no local não havia ninguém com o nome citado. Na verdade, tratava-se da residência de um advogado da cidade de Orlândia, a 60 quilômetros de Ribeirão Preto. Ele disse que não conhecia qualquer pessoa com o nome de Emanuel e acha que alguém pode ter usado seu telefone por engano ou propositalmente, para prejudicá-lo.
A coordenação do Programa Fome Zero foi contatada por e-mail, mas não respondeu a mensagem até o momento de publicação desta matéria. Porém, o atendimento telefônico do programa informou que já recebeu denúncias de golpes aplicados por pessoas que tentam se aproveitar da boa-fé da população utilizando os símbolos da campanha. O atendente disse ainda que ninguém está autorizado a receber dinheiro em nome do projeto.
Na página com informações sobre doações encontram-se links e dados de contas bancárias para quem quiser contribuir com dinheiro. Neste caso, as doações são feitas diretamente em contas específicas da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil e não há necessidade de intermediários. Além destes bancos, as casas lotéricas são as únicas autorizadas a receber dinheiro vivo para a campanha. Denúncias de fraudes podem ser feitas pelo telefone 0800 707 2003 ou na seção Fale conosco do site oficial www.fomezero.gov.br.
A página fraudulenta criada no Mercado Livre, pode ser vista aqui. Um dado curioso é que na página de cadastro do Mercado Livre há a informação de que "todos os dados inseridos são verificados" pela equipe do site. No campo destinado ao número de telefone há ainda um segundo aviso: "O telefone deve ser de linha fixa, não podendo ser celular ou móvel. Avisamos que este número será verificado". Mesmo com estas afirmações, as denúncias de fraudes no site têm crescido tanto que foi criado um blog com o endereço Mercadolivre.blogger.com.br apenas para tratar destes casos.
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4:01 PM
by Cassiano Leonel Drum
21:09 14/04
Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel nahumsirotsky@ig.com.br
ISRAEL - Não há pistas de Saddam. Sabe-se que agentes especiais da CIA, FBI e outros serviços o procuram.Bin Laden nunca foi encontrado, apesar de um prêmio de 25 milhões de dólares por informação segura que leve até ele. E não creio que Saddam se esconda fora do Iraque. Qualquer país que o receba, ou o entrega logo ou, descoberto o exílio, será arrasado.
Os americanos dizem que a guerra foi vencida e o regime de Saddam desfeito. Pegá-lo não é fundamental. É uma desculpa muito pobre. A grande maioria dos iraquianos não colaborará com a coalizão antes que haja provas do que aconteceu com aquele que foi o poder indiscutível por 24 anos.
É tudo muito estranho. Saddam tinha centenas de milhares de homens em armas. A Guarda Republicana, sua tropa de elite, era constituída de várias divisões bem armadas e treinadas. E os fedayyin, tropas irregulares indiferentes à vida, eram dezenas de milhares. E do exterior chegaram incontáveis voluntários para lutar por ele. O que aconteceu com toda essa gente? Não há como esconder tantos cadáveres. E o cheiro de morte permanece por tempos.
Será que todos despiram seus uniformes e se esconderam como civis? E a tralha humana, os saqueadores, guardaria segredo? Qualquer um poderia virar rei com uma única informação? Ninguém falou. O país foi saqueado em seus bens, história e honra. Onde se escondem esses bandidos que não tem porque serem discretos?
Foi em Bagdá que nasceram as histórias das Mil e Uma Noites, Ali Babá, Aladin. Um povo pode ficar pobre e não perder sua imaginação.Quando se fala com um beduíno no deserto, logo se entende o que quer dizer história oral. Ele aponta o local pelo qual teriam passado os israelitas na saída do Egito há quase 4 mil anos, assim como se fala de vivos. Não há história escrita pelos beduínos. Há setores do povo iraquiano altamente preparados. São uma elite intelectual em qualquer lugar do mundo. O povo tende a ser alfabetizado. O maometano tem de ler o livro sagrado, o Corão, para suas preces. Alguém viu. Ninguém viu.
Correm versões de que Saddam está vivo. Seus filhos. Morreu. Mas, e as tropas? Terão elas se travestido de saqueadores?
É essencial desvendar o mistério de Saddam. O Iraque tem magníficas montanhas cheias de cavernas. Todos os mitos partem de uma verdade. Nessas mesmas cavernas, Ali Babá e seus 40 ladrões se escondiam. Não seria ilógico imaginar que parte das tropas fiéis a Saddam está escondida em cavernas previamente preparadas para recebê-las, e que só espera o pó baixar para atuar como guerrilhas que incomodarão demais. Os americanos dizem que as grandes batalhas acabaram, e sobram focos de resistência. Será eufemismo para guerrilha?
A guerra custou menos aos americanos do que morrem cariocas num fim de semana normal. Eles tinham absoluta superioridade em armas e no comando. Mas assim é demais? Fizeram a mágica do desaparecimento de dezenas de milhares de soldados iraquianos alem dos feridos e capturados. Muita gente mesmo.
Fizeram desaparecer 51 pessoas das mais procuradas, o grupo íntimo de Saddam, generais, cientistas, familiares. Se a lista fosse completa, teria de incluir muitas centenas.
E como explicar uma vitória tão fácil? Saddam não se entregaria vivo para não dar aos americanos o prazer de julgá-lo e condená-lo. Dá para especular. Faltou comando central na resistência aos americanos. O que torna provável que Saddam tenha sido invalidado ou morto nos primeiros dias. Vivo e ativo, ele faria as tropas resistirem muito mais. Talvez, ferido, tenha sido escondido. Sob esta hipótese, voltará para lutar e, no mínimo, morrer como herói, ou resistir por um longo tempo. E atrair apoio. Ou desestabilizar o mundo árabe.
Trata-se de uma especulação que faço. Não tem sentido o que aconteceu. Foi fácil demais. Tomara que seja minha imaginação funcionando e apenas isto.Mas, pensem comigo: onde estão todos? E tantos desaparecidos? Ninguém falou de túmulos coletivos? Ainda por algum tempo continuarei confiando no que dizem os americanos, porém desconfiando.
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10:51 AM
by Cassiano Leonel Drum
Gostei dessa novidade, o problema é achar as ditas placas mães. Mas é só uma questão de paciência e logo estarão ai para nos auxiliar e agilizar nosso processamento. De toda a forma é bem interessante o gráfico comparativo, por esta razão posto aqui para voces. Tenhamos todos uma ótima quarta-feira anti-véspera de feriado, já que amanhã as 16:00 já estarei saindo para a Páscoa e 21 de abril. Não sei se o resultado da eleição para a APCEF foi satisfatório, parece que não, pois inclusive a chapa UM, vencedora, está revendo os votos expressivos ganhos pela outra chapa.
Quanto ao acerto da dívida da Patrocinadora com a FUNCEF, tenho dúvidas, se efetivamente, não deveria ser melhor discutida, pelo menos, num fórum mais amplo.
Quarta, 16 de abril de 2003.
Dupla dinâmica
Duas memórias são mais rápidas que uma
Paulo Couto
Dual DDR, TwinBank, Dual Channel... vários nomes para uma mesma técnica que permite dobrar a banda de tráfego de uma memória DDR comum. E o mais importante é que as placas-mãe que dispõem desse recurso já chegaram ao Brasil e em breve serão muito populares.
Para entender como funciona o barramento de memória, vamos imaginar um modelo didático bem simples onde o processador se comunica com o chipset da placa-mãe na velocidade do barramento frontal (FSB ou Front Side Bus) e o chipset por sua vez se comunica com os módulos de memória na velocidade do barramento da memória. Na época do Pentium III, o barramento frontal, ou FSB, era de 133Mhz (1.064 MB/s) e as memórias eram as populares PC133, que também forneciam 1.064 MB/s. Ou seja, os barramentos estavam equilibrados.
Com o aparecimento dos processadores Athlon, Duron e Pentium IV, essa relação deixou de ser equilibrada e as memórias PC133 passaram a oferecer menos dados do que os processadores eram capazes de digerir. O Pentium IV até podia usar as memórias Rambus, ou RDRAM, mais rápidas que as PC133, mas absurdamente mais caras. Para quem não tinha dinheiro sobrando ou comprou um processador AMD, nada feito!
O lançamento das memórias DDR resolveu parcialmente esses problemas, mas só agora, com o Dual DDR é que efetivamente a memória deixou de ser um gargalo no desempenho final do sistema, como pode ser observado no gráfico ao lado, que mostra o tráfego máximo de cada categoria de memória e dos principais processadores atuais.
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10:27 AM
by Cassiano Leonel Drum
Conselho Deliberativo da Funcef aprova proposta para pagamento de dívida da Caixa
Com o chamado "voto de qualidade" dos representantes da Caixa, o Conselho Deliberativo da Funcef aprovou ontem a proposta da empresa para pagamento da dívida com a fundação, que prevê desconto de R$ 1,4 bilhão nos valores correspondentes à multa e mora (R$ 456,7 milhões), erro material (R$ 693,8 milhões) e às reservas do grupo ex-Sasse - INSS (R$ 267,7 milhões).
Na ocasião, foram apresentadas duas propostas para votação: a da Caixa, que contempla ainda a antecipação do pagamento da dívida a vencer - em valores que chegam aproximadamente a R$ 1,8 bilhão, e a dos conselheiros eleitos - José Carlos Alonso, Antônio Braúlio de Carvalho e Francisca de Assis Araújo, estabelecendo premissas fundamentais que guardam princípios de segurança e eqüidade para a quitação da dívida e para os planos de benefícios da fundação. Como houve empate, a aprovação da proposta da Caixa foi garantida pelo "voto de minerva".
Inicialmente, o débito da empresa com a Funcef totalizava R$ 4,2 bilhões, mas uma série de descontos reduziu o valor para cerca de R$ 2,7 bilhões. Desde quando essa proposta foi apresentada ao Conselho Deliberativo, os conselheiros eleitos vêm questionando o desconto de R$ 1,4 bilhão em relação ao valor integral da dívida.
O entendimento, neste caso, é de que esse desconto está indevido. Ontem mesmo, logo após a reunião do Conselho Deliberativo, os conselheiros eleitos divulgaram um documento no qual resgatam a história da dívida e comprovam a insustentabilidade da tese de desconto do erro material, que a Caixa indevidamente insistiu em manter.
No documento, depois de questionarem que o acordo aprovado pode levar a fundação a uma situação de desequilíbrio atuarial, os conselheiros eleitos reafirmam a necessidade de discussão global sobre todas as questões que envolvem a fundação, favorecendo assim o processo de democratização da gestão na Funcef.
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10:20 AM
by Cassiano Leonel Drum
Chapa1, liderada por Célia Zingler presidirá a APCEF-RS
A Chapa 1 venceu as eleições da Apcef-RS. De um total de 2.386 votos, liderou a votação para a Diretoria com 1.477 votos, para o Conselho Deliberativo com 1.424 votos e para o Conselho Fiscal com 1.296 votos.
Para a Diretoria, Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal a Chapa 2 chegou a 828, 794 e 764 votos respectivamente.
O atual mandato da atual diretoria se encerra no dia 30 de abril.
Veja os integrantes da nova Diretoria Executiva, Conselho Fiscal e Deliberativo.
Diretoria Executiva
PRESIDENTE - Célia Margit Zingler - Ag. Santa Cruz do Sul
VICE-PRESIDENTE - Ruben Danilo Pickrodt, Ag. Otávio Rocha
DIRETORIA EXECUTIVA TITULARES - Relações do Trabalho - Devanir Camargo da Silva, Ag. Otávio Rocha
Aposentados e Social - Jesualda Lanzini Prado ¿ GIFUG
Saúde - Jailson Bueno Prodes - Ag. Cristo Redentor
Cultura - Rosaura de Fatima Berni Couto - Ag. Menino Deus
Esporte - Sergio Aveline Squeff - Ag. Partenon
Comunicação - Paulo Ricardo Belotto ¿ Ag. Igrejinha
Patrimônio - Ricardo Munhos de Campos ¿ GIFUG
SUPLENTES: Ricardo Luis da Rocha Christino - RETPV Viamão, Marisa Zancan Godoy - Ag. Gravataí, Gustavo Maximiano Camacho Leal - Ag. Guaíba, Beatriz Maria Berghahn - Ag. Menino Deus, Celso Danieli - Ag. Assis Brasil, Maria Meneghini Bueno ¿ Aposentada, Geraldo Otoni Xavier Brochado - Ag. Azenha, Amanda Angelica Gonzales Cardoso ¿ JURIR, Francisco Satyro Valente Neto ¿ Aposentado
CONSELHO FISCAL
TITULARES: Patricia Strapasson Pizzolatti ¿ RERHI, Felisberto Machado de Souza ¿ REREV, Rose Mary da Cruz Rocha Wegelt - Ag. Canoas
SUPLENTES: Dóris Caudeic Tavares - Ag. Frederico Westphalen, Julcemar Sitta - Ag. Marau, Regis Moreno Nogueira Santos - Ag. Carazinho
CONSELHO DELIBERATIVO REGIONAL VALE DO TAQUARI TITULAR: Luiz Carlos Born - Ag. Arroio do Meio
SUPLENTE: Jose Bohn - Ag. Venâncio Aires
REGIONAL CENTRO TITULAR: Sonia Maria Batistela Guterres - Ag. Imembuy SUPLENTE: Athos Ronaldo Miralha da Cunha - Ag. Santa Maria
REGIONAL FRONTEIRA OESTE TITULAR: Flavio Dornelles Pare - Ag. Uruguaiana SUPLENTE: Jefferson Araujo da Silva - Ag. Alegrete
REGIONAL GRANDE POA TITULARES: Paulo Daisson Gregorio Casa Nova - GITER, Carlos Alberto Trasel ¿ JURIR, Luciana Oliveira Rosa - Ag. Partenon, Fernando Centeno Leinstner - Ag. Praça da Alfândega, Marcelo Cardoso Carlucci ¿ JURIR SUPLENTES: Maria Regina P. Figueiró ¿ Aposentada, Marcos Machnacz Ferreira - Ag. Praça da Alfândega, Marcos Leite de Todt - Ag. Praça Rui Barbosa, Luiz Carlos Lasek - Ag. Praça Rui Barbosa, José Carlos Necchi Barcelos - Ag. Tristeza
REGIONAL LITORAL SUL TITULAR: Jonas Aguiar - Ag. Rio Grande
SUPLENTE: Maria das Graças Souto Lages ¿ Aposentada
REGIONAL MISSÕES TITULAR: Moacir Scheuer Deves - Ag. Ijuí. SUPLENTE: Jorge Luis Marcanth Cappelari - Ag. Santa Rosa
REGIONAL PASSO FUNDO TITULAR: Mauro Savaris - Ag. Passo Fundo. SUPLENTE: Ademir Viazi Schmitt - Ag. Passo Fundo
REGIONAL SERRA TITULAR: Nelson Schlindweinl - RERET Caxias do Sul. SUPLENTE: Ana Lucia Rodrigues Martins - RERET Caxias do Sul
REGIONAL SUL TITULAR: Cristina de Souza Gularte - Ag. Pelotas. SUPLENTE: Joni Bersch - Ag. Pelotas
REGIONAL VALE DO RIO PARDO TITULAR: Adroaldo Schmidt Carlos - Ag. Cachoeira do Sul. SUPLENTE: Volmar Fernando Alves Dal Santo - Ag. Rio Pardo REGIONAL VALE DOS SINOS TITULAR: Ercio Karoly - Ag. Portão. SUPLENTE: Marcos Antonio Koch - PAB Justiça Federal
REGIONAL LITORAL NORTE TITULAR: Vera Lucia Bueno de Oliveira - Ag. Osório SUPLENTE: Nei Glades de Francisco - Ag. Torres
REGIONAL ALTO URUGUAI TITULAR: Ricardo Luiz Müller Ag. Erechim. SUPLENTE: Paulo Roberto Rohenkohl - Ag. Erechim
REGIONAL FRONTEIRA SUL TITULAR: Milton Flavio dos Santos Otarão - Ag. Bagé. SUPLENTE: Milton Trindade Ianzer - Ag. Bagé
REGIONAL VALE DO PARANHANA TITULAR: João Alberto Holsbach - Ag. Taquara SUPLENTE: Dirceu D¿Ávila Sampaio - Ag. Taquara.
Fonte: Carolina Coronel - Imprensa FEEB/RS
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9:05 AM
by Cassiano Leonel Drum
Quarta-feira, 16 de abril de 2003
Joelmir Beting
New York, New York
O que importa não é onde estamos.O que importa é para onde vamos.
Aldous Huxley (1894-1963), escritor inglês
Entre aspas: A mudança mais sutil em Nova York refere-se a algo de que as pessoas não falam mas que está doravante na cabeça de todo mundo. Pela primeira vez em sua história, a cidade sente-se destrutível. Uma simples revoada de aviões pode rapidamente acabar com esta ilha da fantasia, queimando suas torres, derrubando suas pontes e transformando galerias de metrô em crematórios para milhões.
E mais: A suspeita da mortalidade passa a fazer parte da vida de Nova York, seja no ronco dos jatos sobre nossas cabeças, seja nas manchetes pretas da última edição. Todos os nova-iorquinos precisam conviver agora com essa sinistra possibilidade de aniquilação sem aviso prévio. Devido à concentração da própria metrópole, Nova York tem, dentre todos os alvos americanos, uma clara prioridade. Na mente de qualquer pervertido que enlouqueça, Manhattan deve exalar um encanto irresistível.
E ainda: Foi-se o tempo em que a estátua da Liberdade era o farol da vida para o mundo inteiro. Ela passa a dividir esse papel com a Morte amoitada no enigma de pedra e aço que se tornou um espaçoso alvo a céu aberto. Algo que se projeta rumo às nuvens para encontrar-se, a meio caminho, com os aviões que podem destruí-la. Capital do mundo, capital de tudo e capital de todos, ela deve ser o endereço ideal para o Parlamento da Humanidade, ao lado do East River, hospedar as discussões em todas as línguas para que os aviões permaneçam em terra e que sua missão assassina, em qualquer tempo ou lugar, seja abortada.
Concluindo: A dois quarteirões do East River, há um velho salgueiro que se impõe sobre um jardim. Uma árvore estropiada pelo tempo, hoje mantida de pé por fios de arame mas muito amada por todos que a conhecem. De certa forma, ela simboliza Nova York. Sobrevive a tudo que lhe é hostil. Despeja seiva em meio ao concreto. E nunca deixa de buscar o sol. Pois sempre que a observo de perto e desfruto a sombra fria de sua copa, penso comigo: esta árvore precisa ser salva. Se ela morrer, tudo morrerá.
Trechos finais do livro Here is New York, de autoria do jornalista americano E.B. White, ensaísta da revista The New Yorker. Primeira edição em português, de 2002, da Editora José Olympio, com tradução de Ruy Castro. Atenção para o detalhe: o autor E.B. White, morto em 1985, aos 86 anos de idade, escreveu Here is New York em agosto de 1948, quase 55 anos atrás. Que tal?
Nada a ver com os horrores de 11 de setembro de 2001, certo? Ou será que não? O braço oculto do terror acaba de ser reconvocado pela extirpação cirúrgica da tirania de Saddam dos desertos oleosos do Iraque. Ao tempo em que o ¿Tratamento Rumsfeld, Bagdá ainda fumegando, elege a Síria como a nova bola da vez da pax americana sem fronteira nem bandeira.
O próprio E.B. White deixou anotado no prefácio da primeira edição: A febre característica de Nova York não se altera no tempo. Com isso, não me preocupo em revisar o texto para atualizá-lo em futuras edições da Harper, se as houver. Sinto que será obrigação do leitor, não do autor, atualizar-se sobre Nova York.
SECOS & MOLHADOS
Medo maior - Depois da tempestade, vem a inundação. Nova York do WTC sente-se vingada com a derrubada dominó do Talebã no Afeganistão e de Saddam no Iraque? Não. Os nova-iorquinos sentem-se mais que nunca ameaçados por novos atentados do terrorismo organizado e suicida - tão inestancável dentro dos Estados Unidos como o poder de fogo dos Estados Unidos em terras alheias.
Quarta guerra - James Woolsey, ex-diretor da CIA, disse ao Financial Times que, enterrada a guerra fria, a terceira, "está começando a Quarta Guerra Mundial" - a do terrorismo agora politicamente legitimado que ataca das sombras e às sombras retorna. Ileso. E o palco dessa nova guerra não está nos desertos remotos. Está em Nova York. Ou Washington. Ou Londres.
Vivo ou morto? - Enquanto isso, o consultor Gustav Lindstrom, do Instituto de Segurança da União Européia, desanca Rumsfeld: "Deixar escapar o mulá Omar, chefe do Talebã, foi uma distração. Não deitar a mão em Bin Laden, dono da Al--Qaeda, é uma burrice. E não localizar Saddam, bem, aí já é palhaçada."
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8:59 AM
by Cassiano Leonel Drum
Gol apresenta primeiro lucro
Longe dos enormes prejuízos das concorrentes, a Gol anunciou ter fechado 2002 com lucro líquido de R$ 3,9 milhões, depois de um prejuízo de R$ 5,4 milhões em 2001.
Além de lucrar já no segundo ano de operações, a companhia dobrou sua participação no mercado nacional de aviação, de 8,5% no final de 2001, para 17% no ano passado. Em 2002, a empresa transportou 4,8 milhões de passageiros, 174% a mais do que no ano anterior, enquanto sua frota dobrou para 19 aviões.
Em fevereiro deste ano, a Gol fechou acordo com um sócio de peso, a gigante internacional de seguros AIG. Estima-se no mercado em cerca de US$ 20 milhões o preço da participação adquirida pela AIG. Valor que, convertido em reais, coincide com o aporte da ordem de R$ 90 milhões feito ao capital social da Gol no mesmo mês.
A companhia recuperou o nível de ocupação de seus vôos em março, próximo de 64%, depois de uma queda em fevereiro. Mas, em razão das incertezas que cercam o mercado de aviação no Brasil e no mundo, congelou seus planos de expansão e suspendeu a entrega de mais três Boeing 737 prevista para os próximos meses.
Varig deve cerca de R$ 135 milhões à BR
O presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, disse ontem que a dívida da Varig com a BR Distribuidora continua em discussão. A empresa aérea deve à BR cerca de R$ 135 milhões. Por enquanto, não há nenhuma definição sobre o assunto.
Meses atrás, chegou-se a temer que a empresa não iria mais voar em razão da dívida contraída para o fornecimento de querosene de aviação. Para evitar o problema, o governo determinou que as empresas estatais, como BR e Infraero, deixassem de cobrar as dívidas, segundo fontes do setor.
Vasp atrasa salários de empregados
Os funcionários da área de manutenção da Vasp realizaram ontem de manhã uma paralisação contra o atraso de salários. Segundo o presidente do Sindicato dos Aeroviários do Estado de São Paulo, Uébio José da Silva, os trabalhadores querem agendar um encontro com a direção da companhia aérea:
- Queremos saber quando é que a empresa vai regularizar os salários.
A Vasp descumpriu a promessa feita na sexta-feira de pagar os salários de março dos 4 mil empregados. O pagamento deveria ter sido feito no dia 7 de abril.
Na segunda-feira, a empresa informou que os trabalhadores receberiam seus salários, mas os depósitos não foram feitos até agora. Procurada, a companhia não soube informar se os salários continuavam atrasados nem quando o pagamento seria regularizado.
Silva disse que se o atraso no pagamento persistir, o sindicato irá convocar uma assembléia para colocar em votação uma proposta de greve.
A Vasp empreendeu em 2000 um forte programa de reestruturação para sanear suas dívidas. A companhia cortou suas operações internacionais e reduziu de 9 mil para 4 mil o número de funcionários.
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8:54 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ana Amélia Lemos
16/04/2003
Endividamento estudantil
O drama dos recém-formados que não conseguem emprego e, ao mesmo tempo, precisam pagar a dívida do crédito educativo ganhou grande visibilidade pela insistência deste espaço em tratar do problema. Apareceu uma luz no fim do túnel. O caso é muito sério e os exemplos chegam de todo o Estado e de outras regiões do país. O engenheiro recém-formado Gustavo Scolari Conceição, de Porto Alegre, faz mestrado e recebe bolsa da Capes de R$ 750. A sua prestação do crédito educativo é de R$ 900. Como dá dedicação exclusiva ao mestrado, está no impasse. A dívida de Gustavo, que era de R$ 31 mil, passou para R$ 58 mil.
O relator da MP 107, que altera o Refis, deputado professor Luizinho (PT-SP), admitiu à colunista, ontem, que pretende incluir no Refis pessoas físicas, permitindo, portanto, o pagamento parcelado do Creduc. Discutiu a alternativa com os deputados Paulo Pimenta (PT/RS) e Beto Albuquerque (PSB/RS), que confirmaram a gravidade do problema e apoiaram essa boa solução para o pagamento da dívida.
Pneumonia
A pneumonia asiática, que suspendeu a feira de calçados de Hong Kong, poderá afetar os negócios na Feira de Máquinas para a indústria calçadista que se realiza em Novo Hamburgo na próxima semana porque muitos compradores são japoneses, chineses e coreanos. O deputado Henrique Fontana (PT) pediu ontem ao Ministério da Saúde providências para a prevenção e para garantir o movimento da feira.
Sem atraso
O criador do programa Primeiro Emprego, no governo Olívio Dutra, o deputado Tarcísio Zimmermann (PT), não quer adiamento do lançamento do programa idêntico no governo Lula. Defende que a implantação comece no dia 1º de maio. Argumenta que 30% dos 12 milhões de desempregados são jovens entre 16 e 24 anos. O ministro do Trabalho, Jaques Wagner, admitiu que pode adiar o lançamento por conta de dificuldades burocráticas e políticas.
Universalização postal
A Empresa de Correios e Telégrafos vai investir, este ano, R$ 800 milhões na qualificação dos serviços, inclusão bancária e inclusão digital, através da Correios-NET, anuncia o presidente, Airton Dipp. A ECT deve contratar mais 5 mil funcionários, e a universalização total dos serviços postais no país deve estar concluída até o final do governo de Lula, que determinou atendimento prioritário à zona rural e às favelas. O Bradesco, por licitação, está captando depósitos e serviços bancários nas 2.750 agências do banco postal da ECT. Pagou R$ 200 milhões e já está apurando lucro apreciável. Banco do Brasil e Caixa Federal dormiram no ponto...
b>Seguro agrícola
Está saindo do forno a proposta de seguro agrícola que vai garantir o seguro da produção e não apenas o seguro do crédito, como ocorre hoje. O relator do projeto, Luis Carlos Heinze (PP), discutiu o assunto com lideranças do agronegócio e com o ministro Roberto Rodrigues, em São Paulo, segunda-feira.
* Colaborou Geanoni Mousquer
ana.amelia@zerohora.com.br
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8:49 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
16/04/2003
As masmorras de Cuba
Quando se pensava que Fidel Castro estivesse a remoer piedosas intenções de armistício político em Cuba, alquebrado pelos seus 76 anos, eis que se anuncia que 78 intelectuais, artistas, jornalistas e políticos foram condenados a penas que vão de seis a 28 anos de prisão.
Os julgamentos foram típicos de uma tirania: réus sem direito a defesa e apelação, sem presença do público e da imprensa.
Não há outra forma de as ditaduras sobreviverem sem a imposição do medo. E os métodos de Fidel Castro neste aspecto são bem nítidos: em apenas oito dias, as autoridades cubanas condenaram e executaram por fuzilamento três dos 10 balseiros que tentaram fugir de Cuba para Miami numa embarcação seqüestrada.
E logo em seguida, em plena guerra do Iraque, com a opinião pública toda voltada para o Oriente Médio, condenaram os 78 cubanos dissidentes a pesadas penas de prisão.
Vê-se assim que a ditadura cubana tem seu critério: a quem comete materialmente delitos, como os balseiros fujões, a pena de morte.
Para quem comete delitos de consciência, ou seja, conspira por prédicas ou propaganda contra o governo, a prisão.
Só assim pode manter-se um governo autoritário por tantas décadas: mandando para a cadeia os que se atreverem a lhe fazer oposição, mesmo que por pseudodelitos de pensamento.
Enquanto se estimula entre os súditos o expediente da delação em Cuba, premiando com honras públicas seus agentes, que foram solenemente consagrados por terem se infiltrado nas organizações oposicionistas durante 12 anos e deposto no julgamento secreto contra os 78 condenados, entre eles o maior poeta da ilha, Raúl Rivero, sentenciado com 20 anos de prisão.
Um poeta e mais 77 cubanos foram encarcerados. A bela e exuberante América não consegue livrar-se dos seus regimes despóticos.
Estranha abertura econômica a da China e de Cuba, que paralelamente a um mergulho no regime capitalista mantêm férreas ditaduras de esquerda.
Mas até essas prisões em Cuba atestam que lá está em curso uma movimentação inquieta de reorganização da sociedade civil, mediante a busca febril de uma abertura política que possa vir a implantar a democracia na pequena ilha caribenha.
Não adianta, o homem atravessa os milênios entregando-se a um jogo de dúplice atividade, os sonhos de liberdade dos povos tentando abrir caminho à unha por entre as tropas totalitárias de seus governantes.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:47 AM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
16/04/2003
Turismo no shopping
Estou satisfeita com o bairro onde moro, mas ele me impede de fazer uma coisa que eu adoraria: caminhar pelas redondezas e fazer todas as compras a pé. Farmácia, mercearia, livraria, butique, cabeleireiro, floricultura, revistaria, todos um ao lado do outro, e ainda cafés charmosos com mesinhas na rua para um pit-stop: quem me dera. Meu bairro é residencial demais e não oferece estas facilidades. Em vez disso, costumo rumar para o shopping mais perto da minha casa. Não é a mesma coisa, mas é onde eu consigo fazer tudo o que eu preciso num único quarteirão.
Shopping, pra mim, nunca foi programa. Jamais fui a um shopping por não ter nada melhor pra fazer. Vou porque preciso comprar um sapato, um presente. Ou para ir ao cinema. Nunca para bater perna. Por isso, sempre observei com certo estranhamento as turmas escolares, formadas por crianças bastante humildes, que são levadas para passear no shopping. Não podendo comprar, vão fazer o quê? Andar de escada rolante e olhar as vitrinas, a decoração, o luxo a que não costumam ter acesso.
Por mais que estas crianças estejam realizando uma fantasia, sempre achei meio cruel vê-las tão perto e ao mesmo tempo tão longe dos seus sonhos de consumo. Ficava pensando se isso não provocaria uma certa fratura em sua auto-estima. Aí lembrei de minha primeira viagem ao Exterior, que fiz com dinheiro contadinho: freqüentei galerias e centros comerciais elegantes, onde um livro de arte custava o que eu tinha pra me sustentar a semana inteira. Mas eu não estava nem aí pra minha incapacidade de aquisição, o que eu queria era ver, cheirar, tocar, aprender. Até hoje, não poder comprar algo não me provoca tristeza nem inveja. O que me angustia é o não conhecimento das coisas, é o não saber, muito mais do que o não ter.
Moacyr Scliar escreveu em sua última crônica dominical que o shopping é um refúgio para muitos pesadelos da vida urbana. Talvez seja isso que as professoras estejam fazendo quando levam crianças pobres para passear no shopping: é uma outra espécie de parque de diversão, onde elas estão momentaneamente livres da violência, da chuva, da feiúra do seu cotidiano. Um lugar para aguçar os sentidos e matar a curiosidade da garotada. Turismo pelo Primeiro Mundo. Algum mal nisso?
Vá saber. Tem gente que freta uma van e faz turismo pelas favelas, com máquinas fotográficas penduradas no pescoço. O princípio da coisa deve ser o mesmo.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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8:42 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Fogaça
16/04/2003
Sentado na cadeira
Sentado aqui, em minha casa, diante da televisão, estupefato e horrorizado ante o caos, a morte, a desordem e o sofrimento que se instalaram no Iraque, sinto-me mal no sossego da minha cadeira.
Meu sentimento de desconforto, no entanto, tem uma dimensão e uma complexidade que vão além de uma simples questão de "consciência política", ou dos gestos - permanentes e necessários - de reivindicação da paz.
Há um certo padecimento moral, que nos atinge a todos, mesmo a nós, que olhamos o mundo ocidental, cristão e capitalista aqui do nosso viés periférico. Confrangidamente, constata-se que a vitória militar das tropas invasoras no Iraque não significa, ao fim e ao cabo, uma vitória das razões da guerra. Essas razões continuam não existindo agora, depois da derrocada de Bagdá, tanto quanto não existiam antes. Ganhamos apenas a amarga certeza de que houve grandes - e talvez irreparáveis - perdas nesse caminho.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas foi despudoradamente desmoralizado, e, sem deixar pedra sobre pedra, ruiu com ele todo o sistema multilateral de paz e estabilidade construído penosa e meticulosamente pelas nações democráticas nos últimos 50 anos. Penso, pois, nas guerras que, graças a isso, não serão evitadas no futuro. E isso me desconforta, aqui na cadeira de minha sala.
Não estou em uma aldeia qualquer do deserto, não sou eu que estou vendo meu país ser invadido e ocupado por tropas estrangeiras, não sou eu que estou lá, em meio ao caos, em meio à autodevastação. Mas não me subtraio da dolorosa constatação de que esses povos não são vítimas apenas da lógica do Pentágono. São, também, vítimas da arrogância, da incompetência e do despotismo histórico de suas elites, únicas responsáveis pela perpetuação da pobreza e do atraso secular a que têm sido submetidos.
Essas mesmas elites ressentidas e autocráticas não hesitam em estimular e patrocinar, estupidamente, ações de terror que a outra coisa não levam, ao fim de tudo, senão a mais destruição e sofrimento. Tristemente, não houve entre eles ninguém para lembrar que não há exemplo, na História, de vitória final do terrorismo. Nem contra as democracias nem contra os impérios. Não houve ninguém capaz de lembrar, no 11 de setembro, que justamente o povo mais inocente e mais humilde acabaria pagando a conta daquele gesto de demência.
Que trágico privilégio é este, que nos reserva a pós-modernidade, de assistirmos, da cadeira de nossas salas, à marcha inexorável da irracionalidade e ao soçobrar de uma civilização?
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8:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
16/04/2003
Pantufas de porquinho
As pessoas estão sempre procurando novos desafios. Alguém sai aqui da Zero Hora e deixa um imeil coletivo para a Redação: Parto em busca de novos desafios...Certo. Mas e os velhos desafios? Já foram vencidos? Além disso, quem falou que é preciso ter sempre um novo desafio a enfrentar?
Essa a causa de tantas separações. Você chega em casa e a mulher está de abrigo e pantufas de porquinho agora no inverno as mulheres usam muito abrigo e pantufas de porquinho. Você odeia abrigo. Você tem ojeriza a pantufas de porquinho. Você olha e pensa: Estou precisando de novos desafios...
Risonha ilusão. Chegará o dia em que o novo desafio também usará abrigo e pantufas de porquinho. Ou você descobrirá que ela sofre de flatulência, hoje em dia há muitas mulheres que sofrem de flatulência essas dietas vegetarianas, sabe como é.
O ideal seria você se acertar com o velho desafio, reformular a relação com ela. O que, espetáculo!, seria um novo desafio.
O Carlos Miguel, por exemplo, está enfrentando um novo desafio que nada mais é do que o velho. Ele volta ao Grêmio, onde foi grande, para provar que ainda pode ser grande. Tudo seria mais fácil se nunca tivesse saído, pois não?
Ela estava bebendo chope
Tenho um amigo que, tempos atrás, resolveu se separar da mulher exatamente para tentar a sorte em novos desafios. Separou-se mesmo. Passadas algumas semanas, estávamos juntos em um bar quando chegou um conhecido nosso e, antes mesmo de sentar, informou casualmente:
Tua mulher está no bar ao lado.
Foi como se o raio paralisante do Space Ghost tivesse atingido o meu amigo. Ele ficou quieto durante uns 15 minutos, alheio à conversa, mexendo no potinho de ketchup com uma batata frita fria, até que se levantou e anunciou:
Vou lá.
Foi. Para nossa grande apreensão. Voltou em cinco minutos, catatônico. Deparara com a ex-mulher de minissaia, sem os óculos que usara em 10 anos de casamento, bebendo chope numa mesa com dois homens, rindo e bebendo, rindo e bebendo, rindo e bebendo.
Meu amigo sentou-se diante de nós, perturbado, fitando o horizonte. Em seguida, balbuciou, sem se dirigir a ninguém em especial:
Ela está bebendo chope... Ela nunca bebeu chope...
Foi o começo de um período trágico para o meu amigo. Ele passou a encarar a ex-mulher como um novo desafio. Só que aí era tarde. Não adiantou ele implorar para que ela voltasse, não adiantou ele se humilhar, não adiantou nem usar os filhos como chantagem. Era o fim. Hoje, decorrido já um ano desde aquele encontro horrendo, ele começa a se recuperar. Mas ainda suspira, com saudade dos velhos e bons desafios.
Um menino
Carlos Miguel e Daniel Carvalho encontraram-se no programa Bate-Bola, da TVCOM, domingo passado. Impressionou-me a autoconfiança do Miguel. Cabelo penteadinho para frente, estilo senador romano, falava com o queixo erguido, o verde dos olhos faiscando.
Esse menino tem futuro ¿ referia-se ao Daniel. Mas, garanto, logo vão dizer desse menino o que dizem de mim: que esse menino anda na noite, que esse menino bebe, que esse menino não se cuida.
Esse menino, esse menino. Fiquei pensando: será que o Daniel não acha meio depreciativo?
Não achou. Em seguida, ele mesmo tomou a palavra e começou, enfático:
Eu sou um menino! Gosto de fazer o que os meninos fazem! Gosto de ir a um posto, gosto de tomar uma cerveja, gosto de sair por aí, como todos os meninos. Sou um menino! Um menino!
Aí está, pois: ele é um menino. E que todos compreendam essa condição: um menino faz coisas de menino.
12 sisos
A impressão que tenho é que há 12 sisos na minha boca. Agora tenho de tirar outro. Por que, meu Deus? Por quê? Por que a vida é assim tão complicada, tão cheia de perdas? Já me imagino na cadeira do doutor Ramão, cantando tristemente a poesia do Chico:
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim...
Por quê? Por quê???
Estava assim desesperançado quando meu amigo Eduardo Delgado colocou a mão no meu ombro e me consolou:
A vida é como um campeonato de 46 rodadas. Há vitórias, há empates, mas também há muitas derrotas.
Suspirei. Filosofia rasteira às vezes é uma bênção.
david.coimbra@zerohora.com.br
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8:36 AM
by Cassiano Leonel Drum
Conflito
Um país em busca de identidade
Mesmo em meio a blindados, as crianças de Bagdá retomam a rotina jogando futebol nas ruas (foto John Moore, AP/ZH)
Terça-feira, Abril 15, 2003
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10:43 PM
by Cassiano Leonel Drum
Orgasmo em barra
O melhor amigo da mulher vem sempre embaladinho e derrete na mão
Por Gisela Rao
Querido leitor, não adianta: o melhor amigo da mulher não é o cão, não é o Ricardão e não é o Nestor, o vibrador... É o chocolate!!!
O chocolate é um cara mesmo muito incrível: ele está sempre acessível, anima a gente, deixa alegrinha, ligadinha, não custa caro, é bonitinho, gostoso... Eu sei, querido leitor, tá achando que eu recebi o santo no Réveillon e despiroquei de vez... e que troquei meu namorado por um Lolo. Mas não é isso, não. Mulher é um bicho carente por natureza, isso todo mundo sabe. E, às vezes, nossos amores não querem ou não podem dar atenção pra gente, aí o negócio é apelar pro colo em barrinhas. Aliás, eu li uma matéria falando que o chocolate teria uma substância parecida com a que as mulheres liberam no orgasmo, o que explicaria esse apego todo.
Fala a verdade, ninguém é mais companheiro da gente, na hora de um pé na bunda, do que uma caixa de bombons Godiva... Porque pé na buzanfa é jogo duro, dói demais e te deixa com a sensação de que você e um pano de chão são primos de primeiro grau.
Outro dia, fui almoçar com uma amiga que mora em Nova York. Adivinha o assunto do almoço? Relacionamento, claro! Ela virou e disse que se o cara com quem ela está vira e diz que não tá mais a fim... ela nem liga.
Como assim, nem liga? perguntei.Ah, querida, depois que dois prédios caem em cima da sua cabeça, você não liga pra mais nada...
Cruzes... É ruim, hein...
Agora, deixando o Bin Laden pra lá e voltando ao assunto: mulheres (de quem você, querido leitor deste Blog, gosta muito) às vezes são mesmo estranhas.
Além de um pouco carentes, nós, mulheres, somos especialistas na arte de tolerar (e depois jogar na cara, claro! Hehehe.
Quando a gente começa a namorar um rapaz, tentamos descobrir tudo sobre o relacionamento dele com a mãe. Geralmente, esse relacionamento foi um desastre. Aí, imediatamente, morremos de pena dele, assumimos o lugar da mãe e então começa a engolição de sapos. Toleramos todas as esquisitices dele, lembrando sempre que o coitado sofreu muito nas mãos da mãe.
Toleramos tanto as esquisitices dele que o fofo acaba dando um pé na bunda da gente. Não há nada neste mundo que faça mais mal para o fígado do que levar um pé depois de ficar meses tolerando um maluco. Dá uma raiva, mas dá uma raiva! Dá vontade de ligar pra mãe dele e falar:
Massacrou pouco, dona!
Mulher é legal!
Mas, claro, depois passa, tudo passa... e voltamos a ser lindas, leves e soltas.
É legal ser mulher.
Eu sei que o meu amigo e querido leitor odeia quando boto coisa da Internet na minha coluna, mas não resisti. Olha aí uma listinha de coisas que só as mulheres entendem:
Por que é bom ter cinco pares de sapatos pretos.
A diferença entre creme, marfim e bege-claro.
Como é gostoso usar roupas soltas.
Que uma salada, uma bebida diet e um sundae de chocolate fazem um almoço equilibrado.
Descobrir um vestido de marca em oferta pode ser uma experiência de vida.
A inexatidão de toda balança.
Por que um telefonema entre duas mulheres nunca dura menos que 10 minutos.
Que achar o homem ideal é difícil, mas achar um bom cabeleireiro é praticamente impossível.
Hehehe... Swásthya!
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10:33 PM
by Cassiano Leonel Drum
Esse bicho complicado chamado mulher
É só chegar aos 30 e pronto: todas as mulheres padecem desse mal
Por Raul Marinho
Você, leitor esperto, já deve ter percebido que mulher, além de ser um bicho esquisito e sangrar todo mês, é muito difícil de entender. Quando a gente acha que está mais acertando, descobre que está vacilando ao extremo. Mas, quando a gente acha que está fazendo tudo errado, pode ficar certo que está mesmo! Entender as mulheres é mais ou menos como pegar um manual de instruções escrito em russo e gravado em um arquivo padrão Macintosh e tentar lê-lo em português em um PC. Eu também não entendo as mulheres, mas colecionei algumas dicas úteis que poderão te ajudar a, pelo menos, saber por que esse bicho é tão complicado.
Tudo começou quando a gente vagava pelas savanas africanas, centenas de milhares de anos atrás. Nossos tataravós eram uns macacos pelados com algumas características diferentes do restante da macacada. Os primeiros exemplares de Homo Sapiens tinham cérebros proporcionalmente gigantescos, grande habilidade manual - fruto do polegar opositor - e andavam em somente duas pernas. Além disso, eles se organizavam em bandos de caçadores-coletores, nos quais os machos caçavam e defendiam o grupo de predadores e inimigos da mesma espécie enquanto as fêmeas se ocupavam dos cuidados com a prole e da coleta de alimento nas redondezas.
O tempo passou, nós inventamos a agricultura e deixamos de ser nômades. Isso fez muita diferença na nossa organização social, pois nós começamos a TER coisas. O território, que era de todos, passou a ter um dono. A comida, que pastava livremente ou crescia nas árvores, agora era dos pastores e agricultores. Mais um pouco e criou-se o comércio e o dinheiro e, com isso, deixamos de ser caçadores-coletores definitivamente. Tudo bem que tem uns índios paraguaios (os aches) e os aborígenes australianos que ainda vivem da caça e da coleta, mas são exceção num mundo alimentado por vegetais plantados e cultivados e por animais criados em estábulos ou pastagens.
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10:31 PM
by Cassiano Leonel Drum
Esse bicho complicado chamado mulher
O problema é que, nesse processo de evolução social e de profundas mudanças no ambiente, nós conservamos o cérebro idêntico ao que tínhamos 100 mil anos atrás. Um cérebro que, hoje sabemos, carrega um grande número de comportamentos pré-programados, mais ou menos como a BIOS do seu computador. Esses comportamentos começaram a ser mapeados matematicamente graças à descoberta de um novo ramo da Matemática chamado Teoria dos Jogos. Hoje em dia, a Biologia Evolutiva, armada com as ferramentas da Teoria dos Jogos, consegue entender melhor por que agimos como agimos.
O conceito fundamental por trás dessa teoria toda é o do Gene Egoísta. Eu, você, a Gisele Bündchen, a Ellen Rocche... Todos nós somos meros escravos de nossos genes, uns bichinhos absolutamente obcecados pela replicação. Esses caras não estão nem aí pra você. Para eles, a única coisa que importa é se multiplicar o máximo possível. E, como eles só se replicam através do sexo - e aí é que entra a parte boa da história -, esses carinhas fazem qualquer coisa para que seus escravos tenham o maior sucesso reprodutivo possível. Legal, né? Pois é, mas a história se complica daqui pra frente.
Primeiro, porque os comportamentos básicos que nós carregamos em nosso DNA foram estabelecidos no tempo em que nós éramos caçadores-coletores. Repare no comportamento de um homem e de uma mulher para comprar uma calça, por exemplo. O homem vai até a loja, vê o bicho-calça na vitrine, entra e abate o animal com um golpe de sua lança-cartão ou tacape-talão de cheques. A mulher, enquanto isso, vai buscar a fruta-calça no bosque, visitando dezenas de árvores-lojas, vendo que fruto-roupa está mais maduro, até que colhe aquelas que julgue as melhores.
Depois, porque homens e mulheres têm preocupações opostas quanto a um troço chamado Investimento Parental, carinhosamente apelidado de IP pelos biólogos. Resumidamente, o IP diz que o esperma é barato, enquanto o óvulo é caro. Para o homem, é muito fácil e prático contribuir com seu esperma. Ejaculou, tá ejaculado, um abraço, muito prazer e vamo que vamo. Já para a mulher, o buraco é literalmente mais embaixo... É ela quem vai engravidar, quem vai ter que cuidar do filho por vários anos, enfim: é ela quem fica com o mico. Por isso, um comportamento tipicamente feminino na escolha de seus parceiros sexuais é saber até que ponto o cidadão está comprometido com a história. "Será que esse babaca só quer me comer ou tá a fim de me dar uma força se eu engravidar?" Basicamente, é essa pergunta que o DNA feminino obriga as mulheres a fazer. E o nosso DNA, obviamente, diz: "Lógico, querida! Eu vou estar ao seu lado para sempre e para o que der e vier! Conte comigo!", mesmo que você esteja de mudança para Hong Kong na manhã seguinte.
Repare no comportamento masculino e feminino quanto aos ciúmes, por exemplo. Nós não estamos muito preocupados se nossa mulher suspira pelo Gianecchini - desde que ela não vá até o Projac pra dar pro cara. Mas ficaríamos muito putos se ela desse pro garçom em uma viagem para o hotel-fazenda da convenção da firma dela. Elas, ao contrário, talvez perdoassem uma escapada àquela famosa casa onde se tiram fotos e se toma café. Mas nós seríamos trucidados se soubessem que babamos pela vizinha, mesmo se nunca tivéssemos encostado um dedo nela. Nosso grande temor é que nossa mulher engravide de outro e a gente crie os filhos; enquanto elas morrem de medo de a gente mudar de tribo e as abandonar - risco praticamente inexistente em uma escapada puramente sexual.
Esse comportamento tão diferente é resultado de cérebros profundamente desiguais. Desde a gestação até os primeiros anos de vida, homens e mulheres são bombardeados com quantidades e qualidades hormonais completamente distintas. Isso leva a formas de pensar e de agir díspares e aí é que está a razão da maior parte dos desentendimentos entre os sexos. Por esse motivo, inúmeras discussões entre homens e mulheres parecem nunca ter fim: ambos têm razão, cada um a seu modo. Para nós, homens, mulher é realmente um bicho esquisito - e sangrar todo mês é uma das menores esquisitices!
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10:27 PM
by Cassiano Leonel Drum
O homem ideal
Ele existe. sim. E, graças a Deus, está muito longe da perfeição
Por Ailin Aleixo
O homem ideal me faz rir mas nunca usa o riso contra mim. Tem a rara habilidade de saber ouvir e só diz o que é necessário, bom ou a dura e intransponível realidade. Compreende a diferença entre estar presente e fazer companhia.
Não é prolixo, nem tenta impressionar. Não precisa entender de vinho, charutos ou golfe; precisa ser autêntico e admitir que não entende de vinho, charutos nem de golfe (e eventualmente confessar que gosta mesmo é de pinga). Ele não exige a todo instante meu lado risonho porque sabe, como sabe de tantas outras coisas não ditas em sentenças ou discursos, que os dias negros fazem parte de mim.
Nota as sutis alterações de humor pelo tom da minha voz e, antes de prejulgar as razões, se predispõe a fazer cafuné ou, sensato, cala-se ao meu lado olhando para a TV. E não exige explicações porque possui uma calma sabedoria que me impele em sua direção: dividir minhas angústias e anseios com este homem é tão acolhedor quanto deitar na grama sob o sol de outono.
O homem ideal me dá bronca quando abuso da minha independência ou como chocolate demais e depois reclamo do peso. Ele compra sorvete light e evita discussões posteriores. Compreende que preciso da sensação indescritivelmente libertadora de sumir por algumas horas e, mesmo não concordando com ela, não me interroga como um oficial do DOI-Codi quando piso em casa, levemente para não o acordar, às 2 da manhã.
O homem ideal canta. Não precisa ser afinado, mas sussurra (seja ao telefone ou ao vivo) canções que, num dia qualquer, mencionei gostar. Pode saber dançar. E, se não souber, que mantenha a dignidade e fique sentadinho me observando. Também bebe. Meio pinguço, é daqueles que ficam charmosos de matar com um copo de uísque nas mãos. É deliciosamente sacana três doses acima do normal. Enterra os bons modos e fecha abruptamente a porta do quarto, sem tempo para que eu responda à pergunta nem sequer formulada. Adormece aconchegado a mim, mas não suporta ficar agarrado durante toda a noite.
Ele faz asneiras
E também curte cozinhar. Diverte-se tanto numa loja de condimentos como diante de uma prateleira de CDs. Não me expulsa da cozinha mesmo que eu esteja atrapalhando. Não me dá fusilli na boca mas o serve no meu prato, com pouco queijo e muito molho.
O homem ideal está sempre disposto a me ouvir, mesmo que seja nos minutos desagendados à força durante o dia cheio, e não usa trabalho nem cansaço como desculpa para suas eventuais faltas; as assume e, até, se desculpa. Não se esquiva de discutir os problemas que não se solucionam com notas de 100. Não considera fraqueza dizer que me ama. Pede ajuda quando sente que o peso colocado sobre seus ombros extrapolou sua força. E chora. Não faz promessas porque sabe que nem sempre é possível cumpri-las. Vive regido por sua consciência e, impulsivo, assassina a etiqueta e comete atos passionais. Então faz besteiras, erra, engana-se. E nem por isso deixa de ser maravilhoso ¿ apenas segue sendo magnífica e tropegamente humano.
O homem ideal é imperfeito, numa imperfeição que combina exatamente com a minha.
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12:41 PM
by Cassiano Leonel Drum
Tudo bem que lá no Iraque em razão da guerra ocorram os incêncios, agora em Ouro Preto, é descaso mesmo com tudo, com os prédios, com as ruas e não deve ser falta de recursos, não!
Estado e Prefeitura podem ser responsabilizados por destruição causada pelo fogo em Ouro Preto
Ministério Público diz haver indícios de incêndio criminoso
O Globo
Globo Minas
CBN
As chamas se alastraram com rapidez
BELO HORIZONTE - A Promotoria de Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio do Ministério Público informou que os governos estadual e municipal podem ser responsabilizados pelos estragos provocados por um incêndio num casarão histórico de Ouro Preto ontem à noite. O estado teria responsabilidade pela falta de estrutura do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil e a Prefeitura ficaria com a culpa pelo mau funcionamento dos hidrantes próximos ao prédio. A brigada de incêndio da cidade conta com apenas um carro e seis hidrantes, sendo que só um estava funcionando. Guarnições de Belo Horizonte, Ouro Branco, Mariana e Itabirito foram enviadas para ajudar a combater o fogo, controlado por volta das 21h.
- Uma cidade como Ouro Preto necessita de um sistema de combate a incêndio mais eficiente - criticou Benedito de Oliveira, diretor do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que disse ter alertado recentemente as autoridades sobre o problema.
Caso sejam responsabilizadas, as autoridades estaduais e municipais podem enfrentar processo por improbidade administrativa e omissão, o que possibilitaria inclusive seu afastamento. Os proprietários do casarão e das lojas que funcionavam no prédio também podem enfrentar processo. Em nota oficial, o MP de Minas afirma que há fortes indícios
de que o incêndio tenha sido criminoso. O órgão vai investigar eventual crime contra o patrimônio cultural tombado pela União.
Técnicos do Ministério Público vão avaliar o casarão destruído pelo incêndio. O MP informou que já estava investigando, desde fevereiro deste ano, as precárias condições de combate ao fogo em Ouro Preto. Há 18 dias, houve uma vistoria municipal na loja onde o fogo teria começado e nada de irregular ou perigoso foi constatado.
A Prefeitura deve divulgar nesta terça-feira uma nota oficial com o balanço dos danos sofridos pelo patrimônio histórico. O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, garantiu que a área será recuperada e um trabalho preventivo será organizado na cidade, para evitar novas tragédias.
Em pouco mais de três horas, o fogo destruiu um casarão de 200 anos e atingiu parcialmente o prédio da Câmara dos Vereadores, na Praça Tiradentes, no centro histórico da cidade. O fogo começou por volta das 18h e teria sido provocado por um curto-circuito na loja de jóias Amsterdam Sauer, instalada no térreo do casarão, onde funcionou o antigo Hotel Pilão e cuja construção é do início do século XIX. As labaredas alastraram-se rapidamente pelo prédio.
O incêndio aconteceu três dias depois de encerrada a vistoria do representante da Unesco, o arquiteto dominicano Esteban Prieto Vicioso, à cidade. O relatório com as conclusões sobre a vistoria deve ficar pronto em um mês. A coordenadora de cultura da Unesco no Brasil, Jurema Machado, informou que o documento deve destacar a falta de planejamento na expansão urbana e conter informações sobre a destruição causada pelo fogo e as condições de prevenção a esses acidentes.
Ouro Preto, que recebeu o título de Patrimônio Mundial da Humanidade em 1981, corre o risco de entrar para a lista de patrimônios ameaçados.
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8:49 AM
by Cassiano Leonel Drum
Bom ai está a promessa do Presidente da Caixa para a reabertura dos financiamentos, inclusive para imóveis usados, contemplando a classe média, ainda que em junho. Bom para as construtoras que terão flexiblidade do prazo na análise de risco e para o Brasil, vez que, quem vende um usado, normalmente, é para adquirir um novo.
Reabertura para usados
Caixa anuncia volta de financiamento de imóveis, até junho, para as famílias com renda superior a R$ 2 mil
Cristiane Campos
A Caixa Econômica Federal voltará a financiar, até junho, imóveis usados para famílias que recebem acima de R$ 2 mil por mês. O anúncio foi feito por Jorge Mattoso, presidente da instituição, em almoço no Rio com empresários da construção civil. A linha foi suspensa em dezembro porque o dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT-Habitação) para usados teria acabado. Outra novidade é o lançamento de um programa de crédito com recursos do FAT para revitalizar centros urbanos.
Os contratos para compra de imóveis usados têm reajuste pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), hoje em 12%, mais 5,5% ao ano. A avaliação máxima do imóvel é de R$ 450 mil para regiões metropolitanas. O financiamento máximo é de R$ 180 mil.
¿A meta da Caixa é acabar com o déficit habitacional sem causar prejuízo futuro para a instituição¿, explicou Mattoso. Ele informou que a concessão de crédito será reformulada e transparente. O cliente e a construtora, se for o caso, serão informados sobre um financiamento negado. Candidatos à compra da casa poderão acessar o site da Caixa e consultar a cartilha sobre risco de crédito. O serviço estará disponível ainda este ano.
Análise das construtoras terá prazo ampliado
Mattoso tranqüilizou os empresários prometendo que será ampliado o prazo de análise de risco das construtoras, feito pela Gerencia de Risco de Crédito para novas construções. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Rio (Sinduscon-Rio), Roberto Kauffmann, a Caixa precisa ser mais flexível também na análise de risco das construtoras, além de criar programas habitacionais para que o orçamento de R$ 5,3 bilhões, anunciado semana passada, possa ser realmente utilizado para construção de imóveis.
O vice-presidente de Desenvolvimento Urbano da Caixa, Aser Cortines, informou que, nos últimos sete anos, o Rio só utilizou 10,8% dos recursos destinados à habitação. Imóveis na planta construídos com dinheiro do FGTS representaram 8,9%. Com recursos do banco, o percentual subiu para 22,5%. O número ainda é muito pequeno. Em São Paulo, 60% do orçamento foram destinados a imóveis na planta.
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8:41 AM
by Cassiano Leonel Drum
Joelmir Beting
Terça-feira, 15 de abril de 2003
Erguendo a crista
Lula no G-8 e Cafu na ONU. O presidente da República acaba de ser convidado para a próxima reunião do G-8, na primeira semana de junho, em Evian, França. E o capitão do penta, titular da Roma, deve ser nomeado embaixador da ONU para a campanha mundial de combate a "moradias precárias".
Brasil falando para o mundo. O presidente Lula desfruta de muita credibilidade lá fora. Algo parecido com sua popularidade aqui dentro. Ele se apresenta, diz o diplomata Rubens Ricupero, como líder natural do planeta dos emergentes e submergentes. O convite do G-8, tal como os reiterados elogios do FMI, neste fim de semana, demonstra isso. Clube fechado dos ricos, o G-8 reúne as sete maiores economias do mundo, com a Rússia de contrapeso.
Moscou ampliou o G-7 para G-8, não pela sua força econômica (menor que a da Coréia do Sul), mas pela sua biografia soviética. Traduzida na posse, ainda hoje, de um arsenal nuclear capaz de varrer 11 vezes a vida do planeta Terra. Para que a segunda?
Cafu notabilizou-se no penta da bola por ter erguido a taça do mundo, perante 1,2 bilhão de terráqueos televidentes, com o peito pintado de orgulho: "100% Jardim Irene". Ainda hoje um dos distritos mais pobres de São Paulo, o Jardim Irene da infância de Cafu não tinha água nem esgoto, não tinha luz nem asfalto. Só havia uma escola primária e nenhum posto de saúde.
Para o arquiteto italiano Pietro Garau, coordenador da força-tarefa da ONU para assuntos de habitação e saneamento, Cafu pode falar muito bem em nome de 1,6 bilhão de seres humanos desprovidos de um "hábitat" digno de gente. E o "hábitat" decente é algo mais que um direito humano - é um direito animal.
O próprio governo Lula acaba de reabrir os cofres da Caixa Econômica Federal para injetar poupança ociosa no programa da casa popular.
Um Brasil distraído transformado em um Jardim Irene do tamanho de 7,2 milhões de moradias precárias, em espaços urbanos absolutamente degradados e de regeneração praticamente impossível. Foi o que suspirou fundo o mesmo Pietro Garau, semana passada, na enorme favela paulistana de Heliópolis.
No rodapé do G-8, o governo Lula espera acelerar a diplomacia econômica do não-alinhamento político inaugurada pelo governo FHC. Nesta ópera Bush encenada no Iraque, o governo Lula já disse a que veio. Somos pelo multilateralismo pós-queda de muros, de torres e de pontes. E temos massa crítica suficiente para liderar os países em desenvolvimento na abrasiva carpintaria de acordos regionais e de tratados globais de comércio de bens, de serviços e de direitos.
Desfrutamos de autoridade moral nessa empreitada, disse ao jornal "Valor", de ontem, o jurista Luiz Olavo Baptista, um dos sete juízes do tribunal de apelação da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra. "O Brasil tem imagem positiva na comunidade internacional porque cumpre acordos, respeita tratados e não renega compromissos. O que reforça posições severas do país em todos os contenciosos. Nos quais tem ganho mais casos do que perdido."
SECOS & MOLHADOS
Mata-burros - A ocupação do Iraque começa a dar muita mão-de-obra para a diplomacia político-militar da categoria rosca sem-fim. Virtualmente rachada, a União Européia não tem vez nem voz para vestir a camisa da ONU (que também pouco pesa). A China prefere o bico no toco, enquanto Bush já aponta o dedo em riste para a Coréia do Norte e para a Síria.
Campo minado - Analistas políticos reafirmam que o segundo maior perdedor da guerra no deserto, além da tirania de Saddam, foi o multilateralismo diplomático. Reacende-se a chama do imperialismo unipolar, com direito a ondas encavaladas de antiamericanismo raivoso, com sobras para o terrorismo explícito. Ou legitimado.
Acostamento - Enquanto isso, o professor Marcos Sawaya Jank, da USP, sustenta que não há mais clima para a desgastante negociação da agenda agrícola da OMC. E, sem avanços na OMC, a construção melindrosa da Alca, insistência americana, pode sair para o acostamento de uma eventual resistência brasileira.
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8:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Simão
simao@uol.com.br
Iraque Urgente! Soltaram a Xoxana!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Ops, direto do país da piada pronta: sabe como se chama o acupunturista chinês que trata da bursite do Lula? Doutor Anghu. ANGHU DE CAROÇO! Fome Zero! É como disse aquele nordestino: macho não tem bursite, tem rolite! Rarará! E mais uma piada pronta: sabe como se chama aquela soldada americana que foi resgatada? Xoxana! Soltaram a Xoxana.
Não é só no Brasil que a sacanagem rola solta. Lá no Iraque liberaram a Xoxana. Coitada, vai demorar uns dez anos pra desarregalar os olhos! E ontem foi o grande lançamento do Vivo, o celular português. À venda em todas as padarias. Já vem com bigode! Superprático: 'Me dá seis pãezinhos e um celular fresquinho!'. Aliás, sabe por que os portugueses lançaram o celular no Brasil?
Pra gente parar de usar o telefone da padaria. E a grande novidade do celular português é que já vem com cem metros de fio! E se o carregador pifar, você pode carregar na bateria do carro! E os portugueses estão comprando tudo, tomando tudo de volta: celular, hotel, praia, padaria! Deram ré na caravela! E aí eu perguntei pruma amiga: 'Você quer um Vivo?'. 'Nem morta!'
BBB! Big Bush in Bagdá! E agora o Bush cismou com a Síria. Vai lançar a Operação Beirute: Saddam no pão sírio! E pegaram um meio-irmão do Saddam. Meio-irmão não vale. Tem que ser um irmão inteiro. Como disse o Bush: 'Agora vocês têm que pegar outro meio-irmão pra pegar um irmão inteiro'.
Campanha pra Derrubar Estátua Brega. Depois da derrubada da estátua do Saddam, eu pedi para os marines virem pra São Paulo pra derrubar a estátua do Borba Gato. E Campinas pediu pra derrubar a estátua do Carlos Gomes e botar a estátua da Cláudia Raia pelada. E agora recebo mais um pedido urgente: 'Simão, pede pros marines fazerem um servicinho aqui em Pindamonhangaba, terra do Alckmin Picolé de Chuchu, porque inauguraram na rotatória a ESTÁTUA DO JECA TATU!' Diz que o prefeito tá fazendo autopropaganda.
E a penúltima derradeira do Bestiário Tucanês. É que apareceu uma promotora no 'Jornal da Globo' falando em 'relações homoafetivas'. Tucanaram o cash! Tucanaram o bas-fond! Socorro! É mais fácil acabar com pneumonia asiática que com o tucanês!
Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. 'Parapeito': sutiã. 'Parapeito grande': silicone. Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! O já famoso Estoura Brasil! UFA!
Email simao@uol.com.br
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8:29 AM
by Cassiano Leonel Drum
Alguma coisa deve estar errada com a comunicação na CAIXA: só vejo anuncios gratuitos do Banco do Brasil, assim em letras garrafais, tudo bem que seja no Correio do Povo, mas e ai por que não a CAIXA também? Acredito que tenha as mesmas linhas, que as taxas de juros sejam equivalentes, todavia, os anuncios são todos para o Banco do Brasil.
CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA, 15 DE ABRIL DE 2003
BB e Federasul acertam crédito à microempresa
Convênio entre Banco do Brasil (BB) e Federasul possibilita que micros e pequenas empresas possam financiar compra de equipamentos, insumos e serviços. Segundo o superintendente Valmir Pedro Rossi, a meta é atingir 100 mil empresas no RS. 'O BB segmentou sua atuação no mercado de pessoa jurídica em três pilares: corporate, médias e grandes, e micros e pequenas empresas. Nesse último, a Federasul fortalecerá nossa atuação', disse.
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8:22 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
15/04/2003
Mortes agônicas
Se ainda fosse em Bagdá, onde não há luz elétrica e todos os serviços públicos tiveram um colapso, se admitiria.
Mas este homem que ficou mais de 24 horas sem assistência, na esquina da Avenida Ipiranga com a Erico Verissimo, debaixo de uma ponte, vindo a morrer depois de frio, de fome e de doença, é um libelo definitivo contra o atendimento de urgência da saúde pública e da assistência social.
A alegação inicial dos serviços de socorro era de que ele não era atendido por ser um indigente, quando exatamente por isso tinha de ser imediatamente atendido.
Ou seja, presumia o serviço público que ele não tivesse doença, era apenas um mendigo abandonado debaixo de uma ponte.
Nem a proposição de tirar o homem ali daquele apodrecimento em vida para que não fosse tomado de repente pela doença ou pela inanição animou os detentores dos serviços de socorros.
Estabeleceu-se um jogo de empurra, o homem tinha de ser socorrido pelo serviço social, não era doente, era mendigo.
Como se um mendigo prostrado debaixo de uma ponte durante 48 horas, sem movimentar-se e sem qualquer alimentação, não tivesse que ser assistido imediatamente em sua saúde.
O resultado foi o mais atroz abandono a que uma pessoa humana pode sujeitar-se, à vista de todos, no centro ativo daquilo que se pode chamar de civilização, uma das esquinas mais movimentadas de Porto Alegre.
O caso tende a ser abafado, como o foi o desses dias, em que um paciente com doença cardíaca também não foi atendido a tempo e veio a morrer sem qualquer assistência.
E vai se juntar a tantos com outras anônimas vítimas, que perecem sem assistência, sem o registro da imprensa.
Reclama-se uma imediata tomada de posição do prefeito e do secretário da Saúde municipal. É necessário pôr um cobro a essa irracional indefinição entre doença e indigência, que paralisa o serviço de socorro, com a vida humana ficando dependente desse macabro impasse de competência.
É urgente a aquisição de mais ambulâncias da Samu, quando a vida das pessoas está em jogo é simplesmente inaceitável que a recusa ao atendimento dos chamados esteja a martelar os ouvidos desesperados da população desassistida.
E chega a ser de revoltada incompreensão que não estejam unificados e entrosados os serviços municipais de socorros a doentes e indigentes, evitando dessa forma a recusa pronta dos dois setores ao atendimento, sempre que houver dúvida sobre a natureza da prestação do serviço.
Sem falar no drama trágico das pessoas que ficam sem saber a quem recorrer, submetidas a uma indústria do chute.
Enquanto isso, as mortes se sucedem. A agonia das mortes sem assistência durante muitas horas ou durante vários dias.
É de impressionante sincronia o depoimento de pessoas de outros Estados que visitam Porto Alegre e elogiam com entusiasmo a limpeza das nossas ruas, passeios e parques.
Mas é indiscutível também que o abandono de doentes e indigentes pelos órgãos incumbidos de socorrê-los é importante fator avaliativo da qualidade de vida da nossa cidade.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:17 AM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
15/04/2003
Saindo do templo
Digamos que a medicina é, segundo a expressão clássica, um sacerdócio. Pergunta: qual o templo em que este sacerdócio é exercido? Qual o seu sagrado cenário?
O hospital, será a resposta que ocorrerá de imediato a muitas pessoas. De fato, o hospital é o lugar em que se travam muitas, e dramáticas, batalhas pela vida, sobretudo na sala de cirurgia, na emergência, mas também nos quartos e enfermarias, sempre mostrados nos filmes e séries do cinema e da TV. Também o laboratório de pesquisa é fascinante, nesta época de tremendos progressos científicos. E os serviços de diagnóstico, particularmente aqueles que usam avançada tecnologia. Quando se pergunta a estudantes de Medicina onde querem trabalhar, estes são os lugares que mencionam.
Mas é preciso lembrar que a medicina também pode ser exercida - precisa ser exercida - em outros locais, muito menos sofisticados, quando não desagradáveis e francamente perigosos. O posto de saúde é um destes. Situadas em vilas populares, estas unidades estão rodeadas pela pobreza e pela transgressão. As condições de atendimento são precárias. Uma médica contou-me esses dias que estava atendendo um paciente quando um intruso penetrou na apertada sala: um enorme rato. O homem pediu licença, matou o bicho com um chute, e continuou enumerando suas mazelas para a trêmula doutora.
Por todas estas razões devemos admirar este singular médico chamado Drauzio Varela que, voluntariamente, trabalhou por mais de uma década naquela medonha prisão chamada Carandiru. A experiência do doutor Drauzio, transformada em livro e agora transposta para a tela por Hector Babenco, é transcendente, sobretudo porque nascida de uma genuína disposição. No ano passado, conversamos longamente na lanchonete do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e fiquei impressionado por sua simplicidade e, sobretudo, por sua sinceridade.
É o desejo de ajudar que leva o doutor Varela a partilhar seus conhecimentos com o público através da Folha de S. Paulo e da Globo. A lição que nos transmite é essa: medicina não é algo confinado ao hospital e ao laboratório. Medicina diz respeito à vida. E, como tal, tem de estar em toda a parte, em todos os cenários, mesmo os mais populares, mesmo os mais violentos.
scliar@zerohora.com.br
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8:14 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luís Augusto Fischer
15/04/2003
Efeito retardado
Tem coisas que só o tempo mostra, como sabemos. O presente pode encobrir certos significados, mas o futuro os desvela. Coisas que estão acontecendo neste 2003 mal iniciado vão repercutir lá adiante, sabe-se lá a quanta distância de nós.
Pegue-se o caso do Iraque de agora. Estes dias li, na Carta Capital, um artigo de Nicolau Sevcenko falando da história daquele malfadado país. Sendo um leitor razoavelmente pertinaz de jornais, me surpreendi com a revelação do texto: o Iraque existe apenas desde o fim da I Guerra, quando a Inglaterra, para administrar aquele pedaço do planeta, resolveu criar um país misturando três etnias, os curdos (hoje ao norte do país), os sunitas da Mesopotâmia e um povo xiita (ao sul). Deu o poder aos sunitas, os mais bem colocados economicamente.
Passa-se o tempo; curdos ao norte e xiitas ao sul mal suportam a ditadura do sunita Hussein. Isso não explica tudo, mas dá uma notícia dos efeitos de longo prazo de uma decisão como aquela tomada pela Inglaterra, de criar um país artificialmente. (Assim também são vários dos países de origem árabe, com fronteiras nacionais visivelmente riscadas no mapa, sem maior consistência histórica.)
Um processamento literário deste tema a gente pode ler em Uma Questão Pessoal, do romancista japonês Kenzaburo Oe, prêmio Nobel de 1994 (mas não por isso), recentemente relançado no Brasil pela Cia. das Letras, com tradução de Shintaro Hayashi. O enredo básico nos oferece o seguinte cardápio: professor de cursinho, sujeito que teria podido fazer carreira acadêmica, tem um filho, que nasce defeituoso. O menino vem ao mundo com uma anomalia cerebral (parece ter duas cabeças), que parece ter alguma relação, mesmo que remota, com a bomba atômica lançada pelos Estados Unidos sobre Hiroshima e Nagasáki, no Japão, em 1945.
Pode-se lembrar o dado trágico de que o autor, na vida real, passou por experiência semelhante - seu filho nasceu com um problema parecido, em 1964. Mas não é isso que importa, nessa tão pungente ultrapassagem da realidade em direção à arte. O que vem ao caso mesmo é a tênue e possivelmente inútil consciência que temos nós, que somos contra a guerra, acerca dos horrores que ainda virão, a médio prazo, neste pobre Iraque massacrado por décadas de ditadura e por uma invasão assassina.
fischer@zerohora.com.br
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8:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
Liberato Vieira da Cunha
15/04/2003
Porto Alegre já foi melhor
Disse o motorista do táxi:
- Não vê que hoje de manhã peguei uns gringos no Morro de Santa Teresa e pelas tantas cruzamos os Eucaliptos. Aí eu falei pra eles: este era o estádio do glorioso Sport Club Internacional. Mas os caras nem estavam, de maneiras que eu dei de lembrar de quando eu era guri e vendia coisas ali, na arquibancada.
- Que coisas?
- Nada de uísque, conhaque, isso é só incomodação. Me entregavam um tabuleiro como os dos baleiro-balas das matinês. Eu vendia amendoim, caramelo, rapadura de leite. Na copa tinha Laranjinha, Crush, guaraná Caçula.
- Nem uma ceva?
- Bom, quem sabe uma Oriente. Mas estou lhe contando o que eu via.
- Trabalhava na copa também?
- E ainda de cachorreiro. Carregava a cesta, mais um fervedor, que era de metal.
- Um fervedor?
- De latão bem polido, um espelho. Tinha lugar pra salsicha, pro pão quentinho. Eta, bico jeitoso. Eu morava em Navegantes, mas era só tomar dois bondes, um até o Abrigo, outro até a José de Alencar.
- Não peguei muito essa época dos bondes. Sou do Interior. Sou de Santaclara.
- Pena, doutor. Bota diferença nesses ônibus de agora. Nos bondes não tinha assaltante drogado. Porto Alegre já foi melhor.
- Melhor como?
- Sem roubo, seqüestro. Sabe que esses dia limparam meu neto perto do Mercado? Carteira, documento, relógio. E um dos chapados ainda encheu ele de pancada. Passou um calço e se serviu.
- Um dos chapados?
- Entupido de tóchico. Isso não tinha antes. O-lhe, eu atravessava sem medo meia Zona Norte pra levar minha noiva no cinema, uma vez levei até na sessão da meia-noite, e na saída tomamo sorvete. Cinema, sorveteria, não era em shopping. Era na beira da calçada. Não importava a hora, ninguém te afanava. E tem mais: nada de grade nas casas. Grade é pra bandido, não pra cidadão honesto. E o Carnaval? Era uma maravilha, na Borges, nem sombra de arrastão.
Os táxi não eram táxi, eram auto de praça. Nunca jamais um chofer de praça era depenado, morto. A cidade era outra. Está ouvindo essas indecência aí no rádio? Não tinha. Tinha programa família. O Pinguinho, o Walter Broda, O Direito de Nascer. Miss era tipo a Marta Rocha. Baile era no respeito. Tinha sabe o que na Rua da Praia? Café com banda de música. E a gente dormia sem susto, quando se escutava um barulho era o leiteiro, era o padeiro, era trabalhador que madrugava.
- Bons tempos, hein? Pode me largar naquela esquina?
- Largo, doutor, mas olho vivo, que tá ficando tarde. Manjou aqueles marginal logo adiante? Tão tudo entupido de tóchico. Aliás, quer um palpite, doutor, e de graça? Volte pra essa tal de Santaclara.
liberato.vieira@zerohora.com.br
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8:09 AM
by Cassiano Leonel Drum
Conflito
O fim dos combates
Cercado de luxo, um tenente do exército americano experimenta a cama do filho mais velho de Saddam, Uday (John Moore, AP/ZH)
Segunda-feira, Abril 14, 2003
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9:40 PM
by Cassiano Leonel Drum
Nada melhor que encerrar a segunda-feira com poesias. E estas abaixo são lá do Rompe Nuvem, cujo link está abaixo, para se voces desejarem, dar uma conferida. Gosto da forma como ele escreve, do conteúdo, enfim, como diz nosso Ministro da Cultura, é sempre bom bom ler. Fiquem com os anjinhos e tenhamos todos uma noite feliz.
via crucis
acostuma-te a menos
sê entre os pequenos
cresça em humildade
em ti está a felicidade
sofra tudo e toda cota
siga tua meta tua rota
se és incompreendido
não se dê por vencido
a mente tua luz calma
e transparente a alma
olha nos olhos e vibra
sê simples te equilibra
se pensam te humilhar
resigna-te em silenciar
e amanhã novo prisma
deixa falar teu carisma
a palavra
a palavra carece de ser nova ou renovada
palavra não repetida quando pronunciada
palavra cuja pronúncia não se repita
palavra significando diferente se escrita
palavra silenciosa diante de olhos idem
palavra que olhos leiam e investiguem
o fim
não se depende do fim para acabar
nem pode ser um fim o término de tudo
não é o fim o princípio da conclusão
o fim não resume a praxe do finalmente
no fim nada resulta em nada mesmo
enfim o fim é o fim em si por si só
a fim de resolver o que é fim sem fim
o fim no fim é o fim simplesmente
dilema
o poeta vive um dilema
e este o afeta
enfrenta o problema
de forma direta
sem teorema
sem rumo e meta
nenhum esquema
linha torta ou reta:
entre viver o poema
ou escrever o poeta
teus olhos
são as lágrimas
pérolas
polidas
expelidas
por duas ostras
libertarde
ela se viu
ela se viu livre de mim
livre de mim
livre
no mundo
tudo no mundo cabe
cabe no mundo de tudo
todo mundo cabe no mundo
menos eu e o mundo meu
no mundo teu
palavras
palavras em convulsão
palavras em profusão
palavras em progressão
palavras em vão
palavras vão e vêm
palavras sem elos
palavras sem elas
palavras são sem
palavras não têm direção
Poemas de Flávio José de Almeida
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8:11 PM
by Cassiano Leonel Drum
Páscoa
Cacho de ovos
Lançamentos que imitam bombom, trufa ou telefone prometem aumentar em até 20% as vendas de chocolate nesta Páscoa
Mariana Abreu Sodré
Os corredores dos supermercados já estão lotados de ovos de Páscoa. É hora de, apesar do cunho religioso da festa, cristãos ou não se fartarem, sem culpa, de chocolates. Também pudera, são tantas opções de cor, sabor e tamanho que não dá para resistir. Este ano, segundo o Sindicato da Indústria de Produtos de Cacau, Chocolates, Balas e Derivados, o setor espera vender 18,6 mil toneladas. Além disso, estima-se que chocolates artesanais e caseiros, feitos por pequenas empresas ou donas-de-casa de mão cheia, totalizem pelo menos quatro mil toneladas. A fartura é tanta que nem o aumento de 30% no preço final dos ovos, decorrente da cotação do cacau em dólar, deve coibir o consumo.
A indústria espera um aumento de 20% nas vendas em relação ao ano passado. Os ovos escolhidos a dedo lambuzado, claro são os lançamentos deste ano e mostram que atingir esta meta não é tão difícil. Escolha o seu, e boa Páscoa!
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6:47 PM
by Cassiano Leonel Drum
Páscoa boa para cachorro. E gato
Barras de chocolate, bombons e ovos feitos com ingredientes específicos para animais fazem a alegria dos donos que querem que o bicho participe da festa
Gislandia Governo
A maioria das pessoas não resiste à tentação de comer chocolate. Até aí, nenhuma novidade e nenhum problema. O chato é que, muitas vezes, têm o péssimo hábito de dividir a guloseima com o animal de estimação, porque não resistem aos olhares pedintes do bichinho obviamente atraído pelo cheiro delicioso. Mas o que muitos donos desconhecem é que dar chocolate de consumo humano para o cão ou gato pode causar sérios danos à saúde do animal.
Ok, mas a Páscoa vem aí e ninguém quer deixar seu bichinho de fora da festa. O coelhinho pode então trazer guloseimas feitas especialmente para os animais. Barras de chocolate, bombons e até ovos de Páscoa feitos com ingredientes adequados para cães e gatos são encontrados na maioria das lojas. A principal diferença entre o chocolate para cães e o tradicional é a ausência de teobromina, que pode causar intoxicações no delicado organismo dos animais. O restante dos ingredientes é basicamente o mesmo: aroma de baunilha ou cacau, leite desnatado e gordura vegetal, entre outros.
A ingestão recomendada do produto varia de acordo com o porte do animal. Muitas pessoas dão chocolate para o cachorro e acham que não tem problema algum apenas porque o animal nunca passou mal. Mas há cães mais sensíveis, que com pouca quantidade passam mal, e os mais resistentes, que não demonstram qualquer reação. Só que, dependendo da quantidade de chocolate para consumo humano dado ao animal, pode até levar a uma séria intoxicação, alerta a veterinária Isabela Morand.
O chocolate para cães pode ser consumido diariamente, durante todo o ano, como sobremesa ou simplesmente como um agrado ao cãozinho. Barrinhas podem ser dadas inteiras, independentemente de raça ou porte. Já as pastilhas são recomendadas em porções diárias de até seis unidades para raças pequenas e 12 para grandes. O melhor é que, diferentemente do chocolate tradicional, o feito especialmente para os cães não vicia e nem contém estimulantes. Eles não vão virar chocólatras, os donos podem ficar tranqüilos.
Posted
8:56 AM
by Cassiano Leonel Drum
Pois é fiquem ai com a Carga Pesada da Patricia Pilar, já que esta semana será uma carga leve, tendo em vista o Dia Santo de sexta-feira e o Feriado Nacional de Segunda-feira. Na verdade teremos duas semans ai de carga leve, então que desejo e espero que voces aproveitem-nas.
Teremos a Páscoa ai no meio para construirmos os ninhos do coelhinho e colocarmos os chocolates, os ovinhos de amendoim e ocarinho que queremos dar para poder esperar que por sua vez ele, o coelhinho, lembre-se de nós também.
Posted
8:48 AM
by Cassiano Leonel Drum
Na estrada da vida
De volta à rotina de atriz, Patrícia Pillar fala do ano atípico que viveu, por causa do câncer e do envolvimento na carreira política do marido
Marcelle Justo
A vida de Patrícia Pillar voltou ao normal depois de um ano muito atribulado e repleto de emoções, quando sofreu com um câncer de mama e viajou pelo Brasil colaborando na campanha presidencial do marido Ciro Gomes, hoje ministro da Integração Social. De volta à televisão, como a caminhoneira Rosa, namorada de Pedro (Antônio Fagundes) no seriado Carga Pesada que estréia dia 29, ela se mostra animada com as novidades no trabalho. Cada papel é como uma paixão. Sinto todos aqueles sintomas, como a ansiedade, admite a atriz.
Do câncer, Patrícia diz que restaram o acompanhamento médico mensal e muitos presentes. Nada mais. Para mim, agora é vida normal. Apenas presto mais atenção no meu corpo. Ano passado, ganhei muita coisa, crucifixo, terços, Nossas Senhoras. Tudo está guardado num cantinho da minha casa. Além disso, foi bom ouvir as pessoas pedindo para eu voltar para a TV. Os olhares e os abraços eram mais fortes. Senti o calor das pessoas, conta Patrícia, que não descarta a possibilidade de ter um filho. Toda mulher pensa em ser mãe, diz a atriz de 39 anos.
Quanto à participação ativa na campanha do marido, Patrícia garante que não se preocupou em ficar marcada. Foi um ano atípico para mim. Mas foi muito rico também, pela campanha e pela doença. Nunca calculei fazer isso ou aquilo em função da minha carreira. Faço o que acho certo e não deixaria de me envolver nas situações da vida. Sei que elas vão me ensinar, avisa Patrícia, que já se acostumou com a diferença de agendas com o marido político. Adoro ficar em casa, quietinha no meu canto. Mas está difícil¿, lamenta a atriz, que se diz satisfeita com as novas aventuras, por conta de Rosa.
¿Modéstia à parte, dirijo caminhão muito bem¿, diverte-se Patrícia, quase entregando um dos colegas de cena. Tem alguém aqui com algumas dificuldades, diverte-se a atriz, que aproveitou a vida como uma caminhoneira para conversar com mulheres na estrada. Gosto de ter pretexto para conhecer pessoas, conta Patrícia, que dirigiu a primeira vez de Resende ao Rio na pista de testes da Volks. Quando reparei, a Patrícia já estava dentro do caminhão dirigindo. Foi menos um problema para mim, entrega Marcos Paulo, diretor do seriado.
INSPIRAÇÃO - Nas gravações, conheci duas motoristas. Uma era médica e perdeu o emprego. Para se sustentar, foi dirigir táxi. A outra era professora que, para sobreviver, começou a dirigir ônibus. E vi também uma família em que marido e mulher se revezavam.
MULHER DE MINISTRO - Todos me perguntam o que vou fazer agora no campo social. A mesma coisa que eu já fazia. Vou continuar ajudando as mesmas instituições.
QUÍMICA - Não só o perfil de mulher batalhadora bastou na escalação de Patrícia Pillar como Rosa na nova safra do Carga Pesada. Levei em conta a química de Patrícia com Fagundes e Stênio. Não queria correr o risco de ter pessoas desagregadoras no elenco, justifica Marcos Paulo.
TRAMA - Com direção de núcleo de Marcos Paulo e direção geral de Roberto Naar, a nova versão de Carga Pesada o programa foi exibido há 23 anos - foi escrita por Leopoldo Serran, com a colaboração do escritor Ivan Santanna, autor de Carga Perigosa. Nos quatro episódios já gravados (o diretor já pensa em mais oito), os caminhoneiros Bino (Stênio Garcia) e Pedro continuam sócios de um caminhão de transporte. Rosa é uma viúva que assumiu o caminhão do marido.
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8:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
O B da Guerra e Impactos da Liberdade
O B de Bagdá me ensorbebeceu. Baixei no be-a-bá das bobagens. Buli a babel das baboseiras. Bolei: be glad to be here in Colombia (Beliz de bestar aqui con los brimos en Golombia). Bela burrice. O bom do bem é que se auto-absolve: not Colombia, but Bolivia. Os bambas Bush e Blair bagunçaram a bela ONU. Bailaram em Belfast, de bélicas desurbanidades, e, em breve, baterão um babado em Bilbao, bajulando Aznar que botará um basta nos bascos. Bagageiros dos B1, B2 e B52 balisticamente abarrotados, os borrifadores de bombas verbalizarão boletim aos flibusteiros dos 7 bares: abaixem os berros proibidos de derrubação em Basra, ou combateremos Abu e Bin em Bogotá, Líbia, Brazil e Boréia do Norte.
Abrilhantaremos os objetivos tabelados pela habilidade dos observadores nas belonaves calibradas vibrando barragens de tubos em brasa. Benevolência dos bambambans da big bang acaba em bordunas e bordoadas. Boa bisca. Os bololôs bacteriológicos e seus bigodes se esboroaram e já não submetem, ao bel benzer, os habitantes aborígenes de Babilônia. Bombardeios em cabeças árabes restabeleceram a berdade dos batos. Biba la libertad. Abajo Buñuel. Bich bin berliner.
herken@terra.com.br
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8:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
14/04/2003
Estava escrito
Depois do sucesso da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, quem quiser saber o futuro do planeta deve procurar uma série de textos escritos por Paul Wolfowitz e outros na revista Weekly Standard, editada por William Kristol, nos anos 90, ainda durante o governo Clinton. Os textos faziam parte de um "Projeto para um Novo Século Americano" e podem ser consultados como se consulta um roteiro, para saber o que vem agora. Porque está tudo lá, a começar pela ocupação do Iraque para, entre outras coisas, intimidar a Síria e o Irã e dominar os recursos e a política da região. As repetidas ameaças do secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, à Síria já estariam preparando o terreno para o passo seguinte.
Wolfowitz, Kristol e os outros idealizadores do Projeto, como Richard Perle e John R. Bolton, acabaram formando o núcleo de ideólogos neoconservadores que assumiram a política externa americana com a eleição de Bush, para desconcerto inclusive da velha-guarda republicana, como Bush pai, James Baker etc. Num artigo recente na New Statement sobre esta tomada de assalto do poder americano pelos neoconservadores, Michael Lind identifica no "pentágono" que sustenta a claque - além do lobby da direita israelense, fundações conservadoras com financiamentos milionários como a American Enterprise Institute, institutos de estudo direitistas e impérios de mídia como o de Rupert Murdoch - o fundamentalismo religioso americano.
Este pode dizer que a vitória sobre o Mal representado pelo fundamentalismo satânico (o outro) está prevista nos versos milenaristas da Bíblia. Os pragmáticos do movimento também podem dizer que tudo já estava escrito, mas no Weekly Standard.
A forma como se deu a ascensão dos neocons e o triunfo do seu projeto para uma América über alles provoca espanto - e teses conspiratórias a gosto. Nada teria acontecido se não tivessem roubado os votos do colégio eleitoral da Flórida de Gore (que ganhou na votação popular nacional), com a ajuda da maioria conservadora da Corte Suprema. Ou se o escolhido para vice não fosse o Dick Cheney, que providenciou a aproximação de Bush com os homens do Projeto e acrescentou uma sexta ponta ao pentágono, a conveniência para o complexo industrial e petroleiro da nova e lucrativa disposição guerreira. Ou se não tivesse acontecido o 11/9.
O roteiro está sendo seguido e está dando certo. O Século Americano começa ao contrário de como terminou o mundo no poema de Eliot, com um estouro. E, vá lá, alguns gemidos também, mas estes são só de crianças desmembradas. Estamos falando de coisas sérias.
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8:22 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Pedro Goulart
14/04/2003
Tum, tum, tum
Quando a ONU negou a autorização para a invasão do Iraque isso só ajudou aos interesses americanos. Deu-lhes a chance de ampliar ainda mais a eficiência daquilo que fazem como ninguém: propaganda. E a propaganda devia mostrar a todos, de maneira superlativa e sem sombra de dúvidas, quem é quem. A civilização com todos seus mecanismos, abstratos ou não, tem falhado sempre em momentos como estes, quando a lei da selva se sobrepõe e revela que é melhor ser temido do que amado.
Lembro de um documentário que passou na TV sobre os cães selvagens africanos. O narrador do filme explicava que os tais cães eram realmente muito selvagens e, acima de tudo, extremamente ferozes. Além disso, andavam em grupo e nesse episódio a que assisti estavam à procura de caça. Ao longe, levantando poeira, apareceu uma manada de gnus. Os cães correram, cercaram e atacaram. Eles eram selvagens, mas não eram bobos, por isso logo se concentraram num gnu mais fraquinho que corria manquitolando e por essa razão vinha mais atrás. Deu cão, 12 contra um.
Enquanto a matilha preparava-se para iniciar o banquete aconteceu aquilo que motivou essa narrativa: ao fundo uma mancha escura tomou a forma inequívoca de um leão e este marchava firme em direção à cena. Devo lembrar o quanto selvagens e ferozes eram os cães. E estavam em grupo. E famintos. Pois bem, o leão aproximou-se sem qualquer vacilo ou consideração. Tum, tum, tum. Cada passo era uma certeza da própria força. Tudo isso com aquele olhar blasé, próprio dos leões. Os cães, ao notarem a ameaça, bem que tentaram dar uma ou duas rosnadas, afinal eles eram selvagens. Mas no código genético do cão selvagem africano está impresso que cão apanha de leão e estamos conversados.
Em vista disso, afastaram-se. O leão chegou e sem esforço ou cerimônia abocanhou a caça, levantando-a como se fosse um algodão doce. Deu meia volta e, assim como veio, foi-se. Tum, tum, tum. Sem nunca o-lhar para trás, despreocupado se estava sendo seguido ou ameaçado. Sabia-se leão, rei dos animais, dono do campinho. Aquilo não era roubo mas algo que lhe pertencia por direito.
Americanos não atacaram o Iraque para encontrar armamento bélico proibido, isso talvez seja um bônus. Sequer pelo petróleo, isso será um bônus. Americanos invadiram o Iraque por desaforo. Não só contra os árabes ou mesmo Saddam, que é um fdp e merece arder no inferno. O desaforo é contra nós. Eu e você. Qualquer um que não é americano. Fecharam as fronteiras da razão, cerraram os dentes e resolveram dar uma bofetada no mundo. Para dar o exemplo, de modo que ficasse claro, depois do 11 de setembro, quem é que, afinal de contas, manda nessa merda.
jose.pedro@zerohora.com.br
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8:17 AM
by Cassiano Leonel Drum
E o volei gaucho está de parabéns pela terceira vez a ULBRA conquista o campeonato brasileiro, e destaca-se no cenário nacional, vez que times fortes do Rio, São Paulo e Minas, e com patrocinadores relevantes não conseguiram o feito.
Esportes
Ninguém segura o vôlei da Ulbra
Equipe tricampeã brasileira desfilou com o troféu ontem em Canoas depois de vencer a Unisul no sábado em Florianópolis (Paulo Franken/ZH)
Domingo, Abril 13, 2003
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4:39 PM
by Cassiano Leonel Drum
Esse conceito e estes mandamentos é lá do http://www.valebeijo.com.br/index/index.asp
beijo sm. Ato de tocar com os lábios em alguém ou algo, fazendo leve sucção, ósculo.
beijar v. t. Dar beijo em; oscular P.2. Trocar beijos ou beijocas.
Os mandamentos do beijo
1. Você não deve apertar muito forte;
2. Você não deve pedir por um beijo, simplesmente dê um;
3. Você deve beijar a toda oportunidade.
Então você já sabe, não é e nem precisou ler isso primeiro? Sendo assim, ótimo e se não for, agora você já está sabendo.
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4:33 PM
by Cassiano Leonel Drum
"Beijar,
linda palavra!...
Um verbo regular
que é muito irregular,
nos tempos e
nos modos..."
Monólogo - Mário de Sá Carneiro
poeta português (1890 - 1916)
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3:34 PM
by Cassiano Leonel Drum
Os benefícios de beijar
por Kristi Sandlin
Se os olhos são os portais da alma, então os lábios são o caminho da mente. Nós reagimos aos pensamentos com um sorriso, a um amor expresso com as palavras e às intenções com um beijo.
Um beijo pode dizer muitas coisas que são difíceis de colocar em palavras. "Beijar é uma arte e uma expressão altamente individual e pessoal da afeição e do amor".
Um beijo é geralmente a primeira vez que dois povos têm um contato próximo um com o outro. Uma fonte anônima no "Livro dos Beijos" por William Bastão descreve um beijo como algo que você não pode dar sem fazer exame, e não pode fazer exame sem dar. Uma outra fonte anônima diz que você não deve esperar para conhecer melhor alguém antes de beijá-la, você deve beijá-la primeiramente para depois então você conhecê-la melhor.
A beleza do beijo é que traduz cada língua e religião. Jr. de Vaughn Bryant, professor do departamento de antropologia no Texas A&M, dita que o primeiro beijo erótico foi trocado aproximadamente 1500 A.C. na Índia. Antes desse tempo não há nenhuma evidência (tabuletas de argila, pinturas da caverna ou registros escritos) que indique o histórico do beijo. Bryant disse também que o ato de friccionar e pressionr os narizes e a troca das línguas entre amantes, se popularizou aproximadamente em 1500 A.C.
Foram os Romanos que descobriram o beijo. Os Romanos beijavam-se cumprimentado uns aos outros, beijavam as vestes e os anéis de seus líderes e estátuas dos deuses mostrando sua submissão e respeito.
É um fato científico que beijar estimula nosso cérebro a produzir o oxytocin, um hormônio que nos dá aquela ótima sensação que sentimos ao beijar.
Sabe-se também que a química provocada faz com que um beijo alerte outro. Quando nós beijamos, os interiores de nossas bocas e as bordas de nossos lábios produzem uma substânciaquímica que aclama para mais beijos.
Um estudo em 1997 na universidade de Princeton concluiu que nossos cérebros estão equipados com os neurônios que nos ajudam a encontrar os lábios de nossos amantes no escuro. Não é nenhuma novidade que muitos casais apreciam se beijar em um teatro escuro.
Os médicos e os psicólogos alemães concluíram que aqueles que beijam, faltam menos ao trabalho por motivo de doença do que aqueles que não beijam. Aqueles que beijam, também sofrem menos acidentes no trabalho, ganham 20 a 30 por cento a mais e vivem aproximadamente cinco anos a mais.
O Dr. Arthur Sazbo, um psicólogo alemão, diz que a razão desta ótima fortuna é a energia positiva que o beijo passa para aqueles que beijam no começo do dia. Consequentemente, se você quiser ter mais dias felizes, saudáveis, ser bem sucedido, e viver mais, você deve beijar o seu amor antes que você vá trabalhar, todos os dias.
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