E N T R E L A Ç O S
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Sábado, Maio 03, 2003




Ameaça
Adriana Falcão

Como tinha certeza absoluta de que ia ficar doida de uma hora para outra, só não sabia exatamente quando, dona Emiliana se tornou vigia dela própria.

Nome completo, endereço, telefone, número da carteira de identidade, CPF, filiação, data de nascimento dos filhos, a capital do Acre, a seleção de 70, o plural de bem-me-quer, a letra do Hino Nacional, tudo certo? Tudo. Ufa!

Ainda estava completamente lúcida.

Então não podia perder tempo.

Melhor lavar logo essa louça ou eu não vou ter sossego, quando endoidar, só de pensar que deixei a cozinha nesse estado.

E lavava logo a louça.

E aí varria a sala.

Não podia ver camisa com botão faltando.

Jamais deixava faltar açúcar.

Botava o leite do gato.

Adiantava o almoço de amanhã, sabe Deus?, para ninguém dizer que ela fez o desaforo de deixar os outros com fome.

Antes de dormir, anotava as coisas pendentes numa lista, para o caso de o juízo aproveitar para escapar durante o sono.

Quando acordava, de manhãzinha, sempre pensava: "É hoje".

E a sensação "daqui a pouco eu fico doida" a acompanhava o dia inteiro como uma presença quase viva, uma amiga, ou inimiga, um aviso, uma ameaça.

Para ela, as horas não passavam.

Eram vencidas.

Vitória conseguida graças à novena para Santo Expedito que já durava bem uns dez anos, sem falar no esforço pessoal que ela fazia para conservar a sanidade mental em perfeito estado, apesar da doidice ali por perto, rondando, esperando só uma chance para se instalar na cabeça dela.

Todo cuidado era pouco.

Dona Emiliana ainda tinha muito que fazer antes de ficar doida:

1 Comprar um fogão novo, daqueles que acendem sem fósforo.

2 Trocar a cortina do quarto.

3 Consertar o abajur da sala.

4 Assistir ao final da novela.

5 Ajeitar a vida dos meninos.

6 Ver Ana Emília vestida de noiva.

7 Ser avó.

8 Presenciar a formatura dos netos.

9 Conhecer a Espanha.

10 Aprender a tirar raiz quadrada.

E, se a lista diminuía, em seguida aumentava de novo, pois imagine se ela lá era burra de deixar tempo ocioso ou espaço vazio para coisa traiçoeira como doidice, que quando chega geralmente não avisa antes.

Por via das dúvidas, foi inventando de tudo para ocupar o pensamento nas horas vagas: decorava os livros da estante, todos em ordem alfabética, assistia a filmes de suspense só para descobrir o assassino, estudava qualquer tema relacionado aos batráquios, dava voltas no quarteirão enquanto exercitava o raciocínio: 194 vezes 321, mais 115, dividido por 97,5.

O pessoal da família estava mais do que acostumado a ver dona Emiliana correndo de um lado para outro para distrair o daqui a pouco.

Já o resto do povo comentava freqüentemente: "Essa mulher é doida", uma enorme desconsideração justo com ela, pessoa tão cuidadosa em assuntos como esse.




Não são dos bancários, são representantes dos bancos é bom deixar bem claro para que não haja confusão. Boa leitura, quando folhear todo o jronal e se tiver algo maisrelevante volto a colocar aqui para voces. E o programa para o sábado a noite já está organizadinho, pronto para ser colocado na prática? Sucesso, então na sua implementação.

Mercado Financeiro
Bancos têm novos representantes


Flávio do Couto e Silva, diretor jurídico do Banco Matone, foi eleito presidente da Associação e do Sindicato dos Bancos do Rio Grande do Sul. As eleições ocorreram semana passada.

Na associação, o primeiro vice-presidente é Fernando Guerreiro Lemos, e o segundo, Roberto Barbarini, presidente do Banrisul e do Banco do Bradesco, respectivamente.

No sindicato, Couto e Silva terá como vice-presidentes Fernando Guerreiro de Lemos, Airton Luis Rohde, do Banco John Deere, e Igor Bücker, do Banco A.J.Renner.




Paulo Sant'ana
04/05/2003


O mistério da beleza

Não se sabe por que mistério a região noroeste do Rio Grande do Sul produz as mulheres mais bonitas do mundo.

Gisele Bündchen é de Horizontina, ela é hoje disparado a maior top-model do mundo.

Anteontem eu vi uma reportagem no Jornal do Almoço que mostrou uma equipe européia de caçadores de beleza embrenhando-se pelo município de Maurício Cardoso e descobrindo uma menina de 14 anos, Graciela Mendes, a quem querem produzir também como pérola da beleza para as passarelas do mundo.

Graciela me pareceu uma menina normal, uma aldeã que mora numa habitação prosaica, quase um barraco, mas guarda uma energia potencial de beleza que parece ser característica telúrica do Rio Grande de Sul, não sei se são os ares daqui ou cultura alimentar dos gaúchos que forjam a formosura das nossas garotas.

Algo assim como o talento dos jogadores de futebol do Brasil, que os tornam ímpares no mundo.

Mas o que os especialistas internacionais de beleza viram nesta simples e modesta menina de Maurício Cardoso, além da simpatia e do viço que a tornam igual a milhões de outras garotas brasileiras e do mundo?

Eles já se aprestam em corrigir defeitos em sua dentadura que a nós, leigos, são imperceptíveis.

Vão também com uma cirurgia plástica aparar suas orelhas, conchas que eles acharam demasiadamente abertas e grandes para uma modelo.

Que misterioso encanto tem esta donzela que atraiu lá da Europa estes pesquisadores e de repente vão tornar esta menina pobre de Maurício Cardoso alvo dos holofotes suntuosos dos desfiles de moda mais sofisticados do planeta?

Serão seus pés? Será seu colo de gazela? Suas mãos de dedos finos e parelhos? Sua cintura de pilão, seu umbigo de morango?

Deve ser o conjunto da obra, que eles adivinham irão apaixonar as platéias de todo o mundo e os leitores das revistas mais consumidas.

O que intriga é que com afanosa freqüência vão surgindo a cada ano modelos femininos gaúchos que se destacam na arte da pose e do desfile, o primeiro requisito é ser gaúcha, a ponto de que as agências mais famosas de beleza, do centro do país e das capitais mundiais mais destacadas, dão preferência às nossas conterrâneas entre todas as garotas das diversas latitudes que as procuram.

Que mistério é este que faz da soja e das garotas belas os dois produtos mais atraentes do nosso Estado no mercado internacional?

Assim como a soja, a menina Graciela de Maurício Cardoso, com a correção de sua dentadura e do seu par de orelhas, será um produto transgênico pronto para ser devorado pelos olhos famintos de beleza de todo o mundo.

O que impressiona é que a Europa, com tantas loiras anglo-saxãs e escandinavas, venha de joelhos buscar aqui as nossas meninas da região noroeste do nosso Estado.

Será que o loiro das donzelas européias não contém para os olhos dos espectadores o louro fulvo das abelhas que fulge nos cabelos das moçoilas gaúchas.

Qual é o mistério desta formosura congênita? Será a gênese européia que veio melhor se caldear aqui na região meridional brasileira, no incesto do frio agudo com o calor vizinho dos trópicos?

E nós, pobres e incultos homens gaúchos, que até agora não nos tínhamos dado conta de que possuímos à nossa disposição, para namorar, noivar e casar as mulheres mais bonitas do mundo?

E quem achar aqui no Sul que a sua mulher não é lá essas coisas, como os experts internacionais de beleza estão afirmando, ofereça-lhe a recauchutagem de uma cirurgia plástica ou de uma correção dentária e verá que tem em seu poder e à sua mercê uma deusa decantada do Universo!

psantana.colunistas@zerohora.com.br




Moacyr Scliar
04/05/2003



Cultura no banheiro

Foto(s): Arte/ZH

Na semana passada, falou-se muito sobre livros. Escritores e leitores deram depoimentos sobre seus hábitos de leitura mostrando que, aqueles que lêem, formam realmente uma irmandade. Mas houve uma lacuna. Ninguém falou de um dos lugares prediletos para leitura: o banheiro. Não, não se trata de costume estranho. Muita gente lê no banheiro, como por exemplo, Ernst Hemingway - na casa dele, preservada como museu, pode-se ver pilhas de livros ao lado do vaso.

Como médico, não posso recomendar esse hábito - está classicamente associado ao surgimento de hemorróidas - mas, como escritor, e leitor, tenho de reconhecer que o banheiro é um lugar privilegiado para a leitura. É quieto, tem privacidade, e dá para esquecer o tempo - a menos que haja alguém esperando para entrar (e, convenhamos, nada mais aflitivo para a pessoa que está apertada do que encontrar o banheiro trancado). E há grande interesse no assunto. Se vocês digitarem "Leitura no banheiro" na Internet, obterão 430 mil referências. Haja banheiro, portanto. E haja leitura.

O que ler no banheiro? A resposta mais óbvia é o jornal - aliás, bem pode ser que você esteja lendo este texto no WC. O que a mim não incomoda. Qualquer vaidade que eu pudesse ter a respeito, perdi-a há muito tempo. Havia um poema de banheiro que dizia, filosoficamente: "Neste recinto sagrado/ onde a vaidade se acaba/ todo covarde faz força/ todo valente se c...". Os anônimos escritores de banheiro, aliás, deveriam um dia ter sua chance. Noel Nutels, grande sanitarista e grande gozador, era um colecionador destes textos, e garantia que entre eles havia verdadeiras obras-primas.

Depois do jornal, temos as revistas. Velhas: revista em banheiro e em sala de espera tem de ser, no mínimo, do ano passado. Mas, como no caso do jornal, não se trata bem de informação, trata-se de distração. Agora: para quem quer uma leitura mais séria, só se pode recomendar o livro.

Não qualquer livro. Há obras contra-indicadas no banheiro. Poesia, por exemplo: é inefável demais. Textos longos, eruditos, também não servem. Ninguém lerá Marx no WC. A propósito, a elaboração de O Capital custou caro ao traseiro de Karl. Tendo de passar longos períodos sentado na biblioteca, acabou desenvolvendo, não hemorróidas, mas dolorosos furúnculos.

"O mundo pagará por meus furúnculos", dizia, meio brincando, meio falando sério. E, em certo sentido, o mundo pagou mesmo: a luta de classes, inspirada falsa ou legitimamente pelo marxismo, serviu de pretexto para a execução de muita gente.

Falando em Marx: seria só questão de tempo para que o mercado descobrisse uma maneira de compatibilizar leitura com banheiro. Nos Estados Unidos, numerosas empresas comercializam papel higiênico com texto impresso. O que, em primeiro lugar, representa um considerável avanço em relação ao costume, comum no Brasil, de usar jornal para este fim. É uma desconsideração para com os jornalistas, e é desconfortável. Jornal não foi feito para isso. Além de soltar tinta, não é macio (e maciez é a coisa mais valorizada em propaganda de papel higiênico).

Depois é uma forma original, ainda que estranha, de divulgar a cultura. Estranhos, aliás, são os títulos de algumas destas obras - uma delas é um conto intitulado There's a snake in the toilet, há uma cobra no banheiro, o que não contribui muito para a tranqüilidade do leitor sentado no vaso.

Escrever para papel higiênico deve ser, antes de tudo, uma arte. Uma arte de síntese, em primeiro lugar. Além da limitação do tempo de leitura, que pode haver em alguns casos, existe o problema do gasto de papel, que é barato, mas não tanto - os fabricantes já chegaram a reduzir a metragem para manter o preço.

A arte de escrever em papel higiênico tem raízes no passado. Afinal, foi como rolo que o livro começou. Certo, era rolo de pergaminho (duvido que alguém usasse aquilo como se usou o jornal), mas não deixava de ter sua praticidade, tanto que a leitura na tela do computador obedece ao mesmo princípio.

Se esta arte tem passado, certamente terá futuro. Muitos dizem que as bibliotecas desaparecerão. Mas o banheiro, sem dúvida, persistirá. E enquanto estiver aí, haverá esperança para a literatura de banheiro. Hemingway gostaria desta.

scliar@zerohora.com.br




Martha Medeiros
04/05/2003


Mulheres que amam demais

De tempos em tempos surgem novos agrupamentos de pessoas que sofrem de uma mesma síndrome. Já houve os compulsivos por sexo, agora estão em evidência as mulheres que amam demais, que possuem até associações e grupos de encontros - MADA (Mulheres que Amam Demais Anônimas) - para tentar resolver o problema.

Amar demais é ruim? Acho que o amor não tem medida, não tem limite e nunca é ruim. A síndrome está mal batizada: deveria ser chamada de "Mulheres que se Amam Pouco". Porque se a gente está sufocando o outro é porque está sobrando pouco afeto pra nós mesmos.

Qualquer relação de dependência crônica é doentia. É caso para tratamento, e também para reflexão. Como pode alguém sentir um ciúme paralisante, que a impede de viver sua própria vida? Como podemos querer controlar a vida do outro se não conseguimos controlar nem mesmo nossa própria ansiedade? Acho que nada disso tem a ver com amar demais, e sim com amar de menos. São pessoas com baixa auto-estima. Sem se gostar, a gente se sente um trapo, e o amor que sentem por nós é sempre insuficiente.

Não sei como o problema começa, mas outro dia, lendo uma matéria voltada, para adolescentes, descobri como ele se incrementa. A reportagem era delicadamente intitulada "Como descobrir se você é chifrada".

E dava as seguintes sugestões para as garotas: seguir o namorado quando ele sair sozinho, criar um nome fictício no hotmail e se corresponder pela Internet com o namorado anonimamaente, dizer para o melhor amigo do namorado que ele admitiu que a traía para ver se o amigo confirma, fazer-se de amiga da ex-namorada dele para ver se ela conta coisas sobre o seu passado, e por aí vai.

Ou seja, um manual de como ser manipuladora, mentirosa e invasiva. Estas garotas amanhã serão as esposas que xeretam bolsos e colarinhos, e que integrarão o grupo das que "amam demais".

Respeito deficiências psicológicas, que aliás todos temos, mas não passo a mão na cabeça de ninguém quando a doença passa a se chamar burrice. E também não vou dizer que a maturidade cura tudo porque não cura. É possível ter auto-estima aos 16 anos e não tê-la nunca, nem aos 70 anos. O que fazer para controlar essa esquizofrenia emocional?

Tratar-se e não seguir esses comportamentos padrões divulgados por revistas e novelas. O amor não precisa ser sempre difícil, caótico e doentio. Muitas mulheres intitulam-se vítimas do amor e sentem com isso um prazer secreto. Relacionamentos fáceis não lhes interessam, relacionamentos fáceis não têm graça, não geram poemas nem piedade. Então sofrem. Mas não venham dizer que amam demais. Amam errado.

martha.medeiros@zerohora.com.br




Luis Fernando Verissimo
04/05/2003


Sinais e ruídos

Confesso que tenho uma certa implicância com as pessoas que fazem aspas com os dedos. Você as conhece: quando querem mostrar que uma palavra da frase que estão dizendo deve ser entendida como sendo entre aspas, levantam as mãos e imitam o sinal gráfico com dois dedos de cada mão, um par de aspas gestuais em cada ponta da palavra dita, que paira, invisivelmente, a sua frente.

Muitas vezes sacodem os dedos para enfatizar as aspas. As que sacodem os dedos são as piores. Mas já me disseram que o hábito é uma apropriação de sinais escritos pela fala que pode ser a precursora de outras formas de integração das duas linguagens. Por exemplo: três estocadas do dedo indicador no ar no fim de uma frase, significando reticências, ou uma rápida meia-lua com o dedo, talvez acompanhada de um ruído qualquer, como "suish", para mostrar onde entrou uma vírgula. Estocada e "suish", ponto e vírgula.

Um golpe horizontal com a mão espalmada significaria travessão, o mesmo golpe mais curto significaria hífen e um decidido golpe de cima para baixo, na diagonal, acabaria com qualquer dúvida sobre se aquele "a" falado é com crase ou não. Além de gestos, as pessoas podem usar o tom de voz ou a postura do corpo para transmitir como seria a palavra se, em vez de dita, ela fosse escrita: um tom soturno denotaria uma palavra em negrito, uma inclinação do corpo indicaria que a palavra é em grifo, ou itálico. Etcetera, etcetera.

Dizem que o homem é o único animal que fala pela mesma razão que é o único animal que se engasga. Algo a ver com a localização da laringe. Ou é da faringe? Enfim, algo no homem lhe dá o dom da expressão verbal que nenhum bicho tem, mas os bichos, em compensação, nunca se vêem na situação embaraçosa de dizer o que não deviam ou se engasgar na mesa.

O fato também sugere uma questão: foi a necessidade que o homem - ou, mais provavelmente, a mulher - sentiu de falar que determinou a eventual localização privilegiada da laringe, ou foi o acaso da laringe humana evoluir como evoluiu que determinou a fala? Sabe-se que a vida surgiu na Terra porque a combinação de condições - a nossa distância do Sol e a relação dos elementos na nossa sopa primeva - eram as ideais para haver vida.
Isto foi um acaso que só aconteceu aqui e todo o resto do Universo é apenas um bonito cenário de fundo para a nossa excepcionalidade, ou o acaso se repetiu em várias galáxias? O ser humano desenvolveu a fala por um acidente anatômico e assim virou gente ou a linguagem foi uma etapa lógica da sua evolução, porque para ser gente só faltava falar?

O próprio Darwin chegou a especular que a fala começou como pantomima, com os órgãos vocais inconscientemente tentando imitar os gestos das mãos. O que, de certa maneira, redime as aspas com os dedos, pois as aspas seriam anteriores à fala e não uma irritante novidade.

A linguagem oral teria se desenvolvido porque, antes da invenção do fogo, a linguagem gestual não era vista no escuro, e as pessoas, ou as pré-pessoas, não podiam se comunicar. A linguagem é filha da noite! Teorias estranhas sobre a origem da linguagem não faltavam. No século 17, um filólogo sueco afirmou com certeza que no Jardim do Éden Deus falava sueco, Adão falava dinamarquês e a serpente falava francês. Sempre a má-vontade com os franceses.

Na sua infância - a palavra "infância", por sinal, vem do latim "incapacidade de falar" - a humanidade não produzia palavras, mas certamente produzia sons, e uma das teorias sobre o nascimento de fonemas é que o ser humano teria começado a imitar os sons dos animais para identificá-los e que esta foi a última vez em que o mundo teve uma linguagem comum. Foi chamada de "teoria bow wow", e o nome já a desmentia, pois "bow wow" é como latem os cachorros anglo-saxões, enquanto os luso-brasileiros fazem "au-au" e os japoneses, segundo os japoneses, "bau-bau".

A única linguagem comum a toda a humanidade é a dos ruídos involuntários do nosso corpo, e o mundo, ou pelo menos a diplomacia, estaria em melhor estado se tivéssemos desenvolvido a capacidade de nos expressar com eles. Toda a espécie humana espirra e tosse da mesma maneira, não há como variar a pronúncia de um arroto e nada simboliza melhor a nossa igualdade intrínseca do que o pum, que todos dão da mesma maneira, não importa o que digam do pum alemão. Reuniões internacionais em que a comunicação se desse por meio dos nossos ruídos elementares certamente acabariam em entendimento e paz. E sem a necessidade de intérpretes.

Porque a verdade é que quando hoje se fala na linguagem humana como o que nos fez superiores aos animais e nos trouxe a civilização, esse "superior" e essa "civilização" são entre aspas.


Meus leitores: Como Zero Hora de domingo já circula sábado aqui em Portinho, e eles também, até por justiça, já colocam on line no sábado as matérias a seguir e daqui para cima já são do domingo dia 04 de maio de 2003. Portanto não se surpreendam com a data. Estou apenas antecipando a postagem de todas as manhãs para voces.

Retratos da guerra brasileira



Os enviados especiais de ZH ao Rio acompanharam chacinas, perseguições e ocupações de favelas na mais cruenta batalha urbana do país, na semana em que o ex-governador Garotinho deu início a nova estratégia de combate ao narcoterror (foto Ronaldo Bernardi/ZH)




Homem feminino

Já imaginou a reação das tietes se um dia Fábio Assunção acordasse mulher? O fotógrafo Jorge Bispo, sim. Ele fotografou o galã maquiado e de vestido cor-de-rosa, para a edição de dois anos da revista TPM, que chega às bancas esta semana. Bem à vontade, o ator global disse que, se acontecesse mesmo essa história maluca, teria de trocar todo o seu guarda-roupa. Não é uma idéia que me cai bem. Ser mulher dá muito trabalho!, comenta. Casado com a produtora Priscila Borgonovi e pai de um bebê de três meses, Assunção afirma que o único homem que pensaria em beijar seria o guerrilheiro Ernesto Che Guevara .






Miss Brasil já foi Rainha do Milho


Acusada de conquistar o título de Miss Brasil 2003 por meio de fraude, Gislaine Ferreira, 19 anos, não perde a majestade. Nascida em Minas Gerais, ela se inscreveu pelo Estado do Tocantins e emagreceu sete quilos para encarar a disputa. Com rosto de boneca e silhueta mignon 1,73m, 56 quilos, 90 cm de busto, 61 cm de cintura e 90 cm de quadris, Gislaine diz que venceu por mérito. Participo de concursos de beleza desde a adolescência: já fui Rainha Estudantil, Rainha do Milho e Miss Patos de Minas, enumera. Ah, o pai dela tem fazendas em Palmas, TO.







Está tudo errado
Um terapeuta faz sucesso ao pregar que os meninos devem ser educados de modo diferente do das meninas


Anna Paula Buchalla


O terapeuta familiar Steve Biddulph é extremamente popular na Austrália, país onde mora desde a adolescência, quando deixou a Inglaterra. Sua fama ganhou o mundo com o manual de auto-ajuda Criando Meninos. Ao todo, foram mais de 2 milhões de cópias vendidas. No Brasil, o livro atingiu a marca de 30.000 exemplares e está na lista de VEJA. A editora Fundamento, que publica os livros de Biddulph no país, acaba de lançar mais quatro títulos do autor. Entre eles, outro best-seller: O Segredo das Crianças Felizes. Juntos, seus cinco livros já somaram 11 milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo. Biddulph se tornou um sucesso, entre outros motivos, porque diz a pais e mães que meninos e meninas precisam ser criados de forma diferente, seja em casa ou na escola. É uma ducha de água fria na psicopedagogia moderna, que, desde os anos 60, martela a idéia de que as crianças dos dois sexos devem ter uma educação absolutamente igual. A maior diferença, enfatiza Biddulph, está no processo de desenvolvimento cerebral. No caso dos meninos, ele é mais lento, especialmente no que se refere à verbalização e à habilidade manual. Quando entra na escola, boa parte dos meninos apresenta-se defasada em até um ano em relação às meninas. Por esse motivo, o autor sugere que deveria ser considerada a hipótese de atrasar o ingresso dos garotos na 1ª série.

Criando Meninos parte do princípio de que, se o mundo precisa de homens melhores, é bom que se comece a tratar os meninos com mais compreensão e atenção. O livro avança em temas como os efeitos da testosterona no comportamento dos garotos e a descoberta da masculinidade. Aqui, Biddulph é incisivo: defende a importância de uma presença masculina forte e exemplar na vida dos meninos e afirma que os pais erram ao esperar dos pequenos que eles se tornem homens sozinhos. Pior do que isso, muitos estimulam seus filhos a adotar comportamentos grosseiros, como se isso fosse sinônimo de virilidade. É como se, ao educar um menino para ser gentil, o pai estivesse ferindo os princípios da masculinidade. "Os equívocos cometidos por pais e educadores são tão grandes que já se refletem em aspectos bem concretos", disse Biddulph a VEJA. Para o autor, os erros na formação dos garotos resultam em adultos inseguros emocionalmente e frustrados do ponto de vista profissional. "Os meninos, enfim, estão sendo criados para ser simplesmente máquinas de fazer dinheiro ou estúpidos bebedores de cerveja", resume.

ELAS E ELES

Priscila Prade
Pedro Rubens



Quando entram na escola, muitos meninos estão até um ano atrás das meninas no que se refere ao desenvolvimento das habilidades manuais e de expressão verbal. Segundo Steve Biddulph, o ideal é que os pais discutam com os professores da pré-escola se o seu filho deveria esperar mais um ano antes de ingressar na 1ª série.

Como os meninos têm movimentos de sintonia fina menos desenvolvidos do que os das meninas, seus gestos tendem a ser bruscos. Brincadeiras corporais, como as de luta, os ajudam a adquirir autocontrole. É errado tentar aboli-las totalmente.

Enquanto as meninas vivem rodeadas por mulheres durante o crescimento, os meninos convivem pouco com os homens ¿ em geral, são eles que passam mais tempo longe de casa. A falta de referência masculina adulta pode prejudicar a sua formação. Estimule seu filho a passar mais tempo com tios e avôs.




Trechos do livro Criando Meninos, de Steve Biddulph

Capítulo 2
OS TRÊS ESTÁGIOS DA INFÂNCIA

Os meninos não crescem todos de maneira suave e uniforme. Não basta dar cereais à vontade, camiseta limpa todo dia, para vê-los uma certa manhã acordarem homens feitos. Existe um programa a seguir. Qualquer um que conviva com meninos se surpreende com suas mudanças e com a variação de humor e energia que apresentam em ocasiões diferentes. A questão é entender o que fazer - e quando.

Felizmente, os garotos estão por aí há muito tempo, e não somos os primeiros a lidar com eles. Todas as culturas do mundo enfrentaram o desafio de educar meninos, e cada uma encontrou suas soluções. Foi só nas últimas décadas, tão sacudidas pelas mudanças, que nós falhamos em adotar um plano de ação real para criar bem os nossos meninos. É que estávamos muito ocupados fazendo outras coisas!

Os três estágios da infância são atemporais e universais. Sempre que falo com pais sobre esses estágios, eles dizem "Está certo!", porque a tese combina com a experiência deles.

Uma visão rápida dos três estágios

1. O primeiro estágio vai do nascimento aos seis anos - período em que o menino pertence principalmente à mãe. Ele é o menino "dela", embora o pai possa exercer um papel muito importante. Durante esse estágio, a meta deve ser dar amor e se­gurança, e fazer com que a "ligação" do menino à vida seja uma experiência calorosa e acolhedora.

2. O segundo estágio inclui o período que vai dos seis aos catorze anos - quando o menino, num impulso que vem de dentro, começa a querer aprender a ser homem, e se volta cada vez mais para o pai, com quem procura partilhar interesses e ativi­dades, embora a mãe continue muito envolvida e o mundo exterior também exerça atração. 0 objetivo desse estágio é criar competência e habilidade, desenvolvendo ao mesmo tempo afabilidade e bom humor para que ele se torne uma pessoa equilibrada. Esta é a idade em que o menino se sente seguro e feliz com sua masculinidade.

3. Finalmente, dos catorze anos à idade adulta - é o estágio em que o menino precisa de informação de mentores do sexo masculino para completar a jornada rumo à idade adulta. Mamãe e papai ficam um pouco de lado, mas devem cuidar para que bons mentores façam parte da vida de seu filho, senão, ele vai ter que contar com colegas despreparados para construir sua individualidade. 0 objetivo é adquirir habilidades, desenvolver responsabilidade e respeito próprio, fazendo parte, cada vez mais, a comunidade adulta.

Note bem: Esses estágios não indicam uma mudança brusca da figura da mãe para a figura do pai. A melhor situação é aquela em que pai e mãe se envolvem durante toda a infância e a adolescência. Os estágios indicam mudança na ênfase: o pai fica mais em evidência dos seis anos treze, e a importância dos mentores aumenta dos catorze em diante. Os pais devem sempre investigar a integridade dos mentores, procurar saber se são dignos de confiança.

Os três estágios nos mostram muito sobre o que fazer. Por exemplo: fica claro que os pais de meninos de seis a catorze anos não podem ser workaholics sempre ocupados com o trabalho, nem pessoas afastadas emocional ou fisicamente da família. Pais assim certamente prejudicariam seus meninos, embora a maior parte dos pais do século XX tenha agido desse modo - como muitos de nós sabemos por experiência própria.

Quando os nossos filhos estão lá pela metade da adolescência, os estágios nos dizem que precisamos buscar ajuda extra na comunidade -papel esse que costumava ser preenchido por parentes, por exemplo, tios e avós, ou pela relação entre mestre e aprendiz. Com muita freqüência, os jovens caem no mundo e não encontram ninguém que os apoiem então, passam a adolescência e o início da idade adulta em um perigoso estágio intermediário. Alguns simplesmente não crescem nunca.

É justo pensar que muitos problemas, especialmente de comportamento dos meninos na escola, acontecem porque não tínhamos conhecimento desses estágios e não oferecemos os componentes humanos adequados na época certa.

Os estágios são tão importantes que devemos estudá-los mais detalhadamente para decidir como agir em relação a eles. É o que vamos fazer.


Poder total, completo e imediato

Superpotência é pouco: a fulminante vitória militar no Iraque, triunfalmente celebrada na quinta-feira pelo presidente George W. Bush em traje de piloto, comprovou que os Estados Unidos não têm adversários que sequer se aproximem em superioridade de sua máquina de guerra.

Nesta análise publicada no jornal The New York Times, o colunista Gregg Easterbrook faz um balanço impressionante da supremacia americana em todos os campos da atividade militar e do que isso significa.
Gregg Easterbrook

Aviões-robôs que enganam radares, munições inteligentes guiadas por GPS que atingem precisamente o alvo programado, bombas antitanque teleguiadas, informações transmitidas por satélite para indicar aos comandantes em campo a localização exata das próprias tropas e dos inimigos durante as batalhas as Forças Armadas americanas exibiram toda essa tecnologia de ponta, e mais ainda, na conquista-relâmpago do Iraque. Nenhum outro país do planeta pode ser remotamente comparado à máquina de guerra dos Estados Unidos. É o melhor Exército que jamais existiu, tanto em termos absolutos quanto em comparação com os de outras nações. Melhor do que a Wehrmacht de 1940, melhor do que as legiões no auge do Império Romano. No futuro previsível, nenhum país vai sequer tentar chegar perto do poderio americano.

Essa constatação tem um significado importante: a corrida armamentista acabou, e quem ganhou foram os Estados Unidos. Outros países não se animam a reavivar a competição porque estão tão defasados que não teriam chance nem de entrar na briga. O fato é que a corrida armamentista entre as grandes potências, disputada durante séculos, chegou ao fim depois que o resto do mundo se curvou à vitória americana.

Neste momento, apenas um país dotado de armas nucleares, talvez a Coréia do Norte, tem condições de exercer algum tipo de pressão militar sobre o vencedor. Paradoxalmente, a fulminante vitória americana na corrida armamentista convencional pode provocar um novo surto de proliferação de armas nucleares. Sem nenhuma possibilidade de enfrentar os Estados Unidos na base do avião contra avião, aos países que buscam algum tipo de elemento dissuasório só restaria recorrer às armas atômicas.

Foi provavelmente devido à convicção de que não há como resistir ao poderio convencional americano que a Coréia do Norte anunciou duas semanas atrás que tem a bomba atômica. Caso o precedente se confirme, reforçando a impressão de que a Coréia do Norte se tornou imune a um ataque americano por contar com algum tipo de munição nuclear, outros países ¿ e o Irã é um candidato óbvio podem renovar os esforços destinados a obter esse tipo de armamento.

É impossível exagerar a superioridade militar americana. Durante a guerra ao Iraque, os Estados Unidos enviaram cinco de seus nove superporta-aviões para a região. Mais um deles, o décimo, está sendo construído. Nenhum outro país do planeta possui sequer um superporta-aviões, muito menos nove desses grupos de combate naval, acompanhados por cruzadores e escoltados por submarinos nucleares. A Rússia tem um porta-aviões moderno, o Almirante Kuznetsov, mas ele tem cerca de metade do tamanho do equivalente americano e tantos problemas operacionais que raramente deixa o porto. A Marinha da antiga União Soviética chegou a fazer estudos preliminares sobre um superporta-aviões, mas abandonou o projeto em 1992. Inglaterra e França têm somente porta-aviões, poucos e pequenos. E a China desistiu de construir um no ano passado.




Além disso, qualquer tentativa de construir uma frota naval que ameaçasse o Pentágono seria inútil, pois, em caso de conflito, acabaria afundada nos primeiros cinco minutos pelos submarinos de combate americanos. Sabendo disso, todos os outros países cederam aos Estados Unidos o domínio dos mares, motivo pelo qual as forças navais americanas podem navegar por onde bem entenderem. A corrida armamentista entre as marinhas de guerra, que durante séculos foi pedra fundamental na estratégia das grandes potências, é coisa do passado.

O poderio aéreo americano é igualmente incomparável. Os Estados Unidos têm mais caças e bombardeiros avançados do que todos os outros países do mundo juntos. Têm ainda três tipos de aviões "invisíveis" (os bombardeiros B-1 e B-2 e os caças F-117), além de outros dois modelos de caça, o F-22 e o F-35, esperando verba para entrar na linha de produção. No resto do mundo, nenhuma nação possui um único caça invisível. Alguns poucos países têm uma pequena quantidade de bombardeiros pesados. Mas os Estados Unidos têm esquadrilhas inteiras compostas dessas aeronaves de combate. Graças à frota de aviões de abastecimento, os bombardeiros americanos podem operar em qualquer lugar do mundo. Nenhuma nação tem algo que se compare ao avião-radar AWAC, que colhe imagens detalhadas do espaço aéreo em áreas conflagradas, ou ao novíssimo JSTARS, que rastreia o solo.

Nenhuma nação tem mísseis e bombas inteligentes com a mesma qualidade, nem na mesma quantidade, que os Estados Unidos. Uma demonstração dessa superioridade foi dada no mês passado, durante a segunda tentativa de assassinar Saddam Hussein. Passaram-se apenas doze minutos entre o momento em que um bombardeiro B-1 recebeu as coordenadas para atacar e o momento em que ele disparou quatro bombas inteligentes, programadas para cair a apenas 15 metros de distância uma da outra, com uma diferença de segundos. Todas acertaram os alvos.

A supremacia aérea americana é tanta que os adversários nem ousam levantar vôo. A Sérvia manteve seus aviões em terra durante o conflito de Kosovo, em 1999. Na guerra contra o Iraque, nenhum caça iraquiano saiu do solo para enfrentar o ataque dos Estados Unidos. Todos os governos do mundo sabem que, se tentarem enviar um único caça contra os americanos, seus aviões serão reduzidos a cacos antes mesmo de recolherem os trens de aterrissagem. A corrida armamentista aérea, tão relevante nos últimos cinqüenta anos, acabou.




As forças terrestres americanas têm um adversário em potencial a China, com seu grande Exército. Mas nada que signifique que a corrida armamentista em terra também não tenha acabado. Os Estados Unidos dispõem agora de 9.000 tanques M1 Abrams, a maior força blindada do mundo. Os canhões e o sistema de controle de artilharia do Abrams são tão extraordinariamente precisos que, em combate, destroem um tanque inimigo com um único disparo. Nenhuma nação produz nem planeja produzir no momento um equipamento dessa magnitude. Todas sabem que seria um gasto inútil. Mesmo que tivessem tanques mais avançados, os Estados Unidos os destruiriam pelo ar.

A supremacia em matéria de eletrônica também é enorme. Na guerra contra o Iraque, grande parte dos alvos foi "marcada" com o uso de aviões não tripulados, pilotados por controle remoto, como o Global Hawk que voa a 18.000 metros, muito acima do raio de ação das baterias antiaéreas. Além disso, os sensores do Global Hawk são tão sofisticados e seu equipamento de comunicação é tão avançado que deve levar uma década até que outro país desenvolva um equipamento similar e, até lá, os Estados Unidos terão aviões muito superiores nos campos de batalha.

Segundo a revista do The New York Times informou recentemente, os Estados Unidos estão desenvolvendo um modelo de caça não tripulado, operado por controle remoto e quase impossível de ser derrubado, a um preço razoavelmente acessível. Também estão criando helicópteros não tripulados para ser despachados ao campo de batalha antes das tropas. Nenhum outro país chega perto do avanço tecnológico e do controle de dados desses armamentos. Durante anos, o Pentágono terá o monopólio em matéria de aviões de combate não tripulados. A corrida armamentista eletrônica deve ter algum tipo de continuidade porque desenvolver tecnologia nessa área é muito mais barato do que construir navios ou aviões. Mas os Estados Unidos estão tão à frente que dificilmente serão destronados.

Além disso, os Estados Unidos detêm uma esmagadora liderança no uso militar do espaço. O comando militar americano não só utiliza mais e melhores satélites que o resto do mundo combinado como as forças dos EUA começam a receber informações via satélite em larga escala. A importância desses sistemas na conquista-relâmpago do Iraque ainda está por ser reconhecida. A liderança americana nesse setor só irá crescer, pois a Força Aérea dispõe hoje do segundo maior orçamento espacial do mundo, perdendo apenas para o da Nasa.

Toda essa vasta supremacia militar foi obtida, em parte, por um motivo: dinheiro. No ano passado, os gastos militares americanos excederam os de todos os outros membros da Otan, da Rússia, da China, do Japão, do Iraque e da Coréia do Norte combinados, de acordo com o Centro de Informação de Defesa, um grupo de estudos independente. É mais uma área para a qual todas as nações devem se curvar à superioridade dos Estados Unidos, pois nenhum outro governo teria condições de chegar perto.

Essa vantagem disparada tem sido criticada como excessiva, mas traz efeitos positivos. Os gastos militares globais chegaram ao auge em 1985 ¿ na época, o mundo gastava 1,3 trilhão de dólares. Desde então, esse valor vem declinando e chegou a 840 bilhões em 2002. Isso significa que houve uma queda de quase meio trilhão de dólares no total do que se gasta no mundo a cada ano com armas. Um sinal de que as outras nações admitem que a corrida armamentista está acabada.

A preeminência militar americana é reforçada pelo efetivo engajamento em operações de guerra. Com ou sem razão, os Estados Unidos entram em combate com freqüência. Cada batalha torna-se uma oportunidade de aprendizado para tropas e um teste para as novas tecnologias. Nenhum outro contingente militar tem a experiência dos americanos. Ainda há que mencionar o excelente preparo em treinamento e motivação de seus quadros. Essa vantagem competitiva aumentou quando os Estados Unidos começaram a colocar mulheres em postos de combate, o que dobrou o número de talentos em potencial.

A vantagem americana não confere invencibilidade às suas forças: o caro helicóptero de ataque Apache, por exemplo, saiu-se mal quando confrontado com armas de pequeno porte no Iraque. Mais importante ainda, a força esmagadora dificilmente garante que os Estados Unidos consigam impor tudo o que querem nas pendências mundiais. O uso da força é apenas um aspecto das relações internacionais. A experiência tem demonstrado que o poderio militar é útil na resolução de problemas militares, não das questões políticas.

A Coréia do Norte defronta agora com o mais poderoso aparato militar jamais existente. Apesar disso, pode ter condições de desafiar os Estados Unidos em razão da chantagem nuclear. No momento em que a corrida armamentista global chega ao fim com os Estados Unidos tão disparados na frente que não têm nenhum rival, o cenário resultante pode ser um mundo em que Washington tenha um poder historicamente sem precedentes mas muitas vezes não possa utilizá-lo.




Pessoal ai estão as duas capas das revistas semanais como sempre em todos os fins de semana, para que voces escolham, salientando sempre que o bom mesmo é ter as duas já que muitas vezes as reportagens se complementam. Boa leitura e um ótimo sábado e domingo.

Fora, Zumbi!
"A luta contra o racismo não se dá glorificando a figura de Zumbi nos livros escolares, mas ensinando que os brancos são negros e s negros são brancos"

Como Macunaíma, nascemos pretos e fomos embranquecendo à medida que nos afastávamos de nossa terra de origem. É o que ensina Genes, Povos e Línguas, do geneticista italiano Luigi Luca Cavalli-Sforza. Ele analisou mais exames de DNA do que o Ratinho. E, ao contrário do Ratinho, não usou o resultado dos exames para vender mais xampus contra piolho, e sim para traçar um mapa da evolução humana. Seus estudos demonstram que nossos conceitos de raça são uma empulhação. Não existe preto, branco nem amarelo. Ou dividimos a humanidade em mais de 1.000 etnias e línguas, ou acabamos com a classificação por raças, admitindo que somos todos parentes. Os primeiros homens surgiram na África.

Tínhamos a pele preta porque ela servia de proteção contra o sol equatorial. Os cabelos eram encarapinhados para reter o suor e resfriar a cabeça. Quando começamos a nos espalhar pelo mundo, 100.000 anos atrás, nossas características físicas foram se adaptando às novas condições climáticas. Quem se mudou para a Europa ficou com a pele branca para captar melhor os raios ultravioleta e suprir a carência de vitamina D. As narinas se estreitaram para aquecer o ar antes da chegada aos pulmões.

Os que migraram para o Oriente ganharam dobras adiposas em volta dos olhos para se proteger dos gélidos ventos siberianos. Debochamos muito de Michael Jackson, mas nossos antepassados sofreram as mesmas transformações que ele. Um sueco é um sudanês subnutrido. Um mongol é um pigmeu com frio.

O presidente Lula nomeou uma ministra para combater a discriminação racial. Ela é negra. Teria sido melhor se fosse branca, para mostrar que a discriminação racial não é nociva apenas para os negros, mas para a sociedade inteira, inclusive para os brancos. A ministra defende a política de cotas adotada nos Estados Unidos. É a lógica do gueto. Eu tentaria inverter a questão, extinguindo não só a discriminação racial, mas o próprio conceito de raça. Não é tão difícil assim.

Quando eu era pequeno, a escola ensinava que nossos índios pertenciam à raça vermelha. Certo dia, mudou-se de idéia e passou-se a ensinar que, na verdade, a raça vermelha não existia, porque os índios eram amarelos que tinham atravessado o Estreito de Bering 32.000 anos atrás. Seguindo o mesmo raciocínio, a raça amarela também não existe, tendo sido formada por africanos que migraram para a Ásia 100.000 anos atrás. E a raça branca, constituída por asiáticos que se mudaram para a Europa 43.000 anos atrás, é outra ficção genética.

Hoje em dia ninguém mais fala em raça vermelha. Seria igualmente correto que ninguém mais falasse em raça negra, branca ou amarela. O melhor jeito para acabar com o racismo no Brasil é eliminar o critério de raça. O movimento negro sempre lutou para que os negros se orgulhassem da própria cor. Eu aboliria essa idéia. Aboliria o Dia Nacional da Consciência Negra, a política de cotas, as ações afirmativas. Aboliria também o mito da miscigenação racial brasileira.

Quando se considera toda a história da humanidade, os alemães são tão miscigenados quanto nós. Raça é uma noção arcaica. Não tem base científica. A luta contra o racismo não se dá glorificando a figura de Zumbi nos livros escolares, mas ensinando que os brancos são negros e os negros são brancos.




Capa: foto de Pedro Rubens

Caro assinante,

aqui estão os destaques de VEJA desta semana.

Boa leitura e bom fim de semana.

Kátia Perin - VEJA on-line
vejaonline@abril.com.br

O conteúdo integral das revistas estará disponível na internet a partir de sábado à tarde

Especial
Mortal e muito perigoso, o vírus da Sars põe o mundo em pânico e pode chegar ao Brasil. Nos últimos seis meses, a contar do momento em que fez as primeiras vítimas na China, o vírus ultrapassou fronteiras e oceanos até se transformar na primeira epidemia mundial do século XXI.
No site: acesse especial sobre a pneumonia asiática.

Brasil
Com uma cena inédita, populosa e solene, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrega reformas no congresso em clima de unidade.
No site: leia especial sobre a reforma da Previdência

Internacional
Estados Unidos: Uma análise do colunista Gregg Eastbrook, publicada no jornal The New York Times, faz um balanço impressionante da supremacia americana em todos os campos da atividade militar e do que isso significa

Argentina: Dois candidatos peronistas concorrem ao segundo turno das eleições na Argentina: Carlos Menen e Néstor Kirchner. A população terá de escolher entre dois estilos.

Entrevista
Rudolph W. Giuliani, o político que livrou Nova York das quadrilhas e das drogas, diz que para vencer o crime é essencial afastar os maus policiais.

Economia e Negócios
O carro esportivo 350Z é a aposta da Nissan para recuperar terreno. Além de recuperar o glamour perdido nos últimos anos, a empresa espera que o carro alavanque o faturamento da companhia.

Saúde
Os médicos tentam entender por que os maiores estudos sobre reposição hormonal chegaram a resultados opostos.

Vinhos
A menos de dois dólares a garrafa, o vinho californiano Charles Shaw já vendeu 6 milhões de caixas e está revolucionando a indústria nos Estados Unidos.
No site: leia mais sobre vinhos.

Ginástica,
A ioga está se popularizando como uma eficaz ginástica capaz de ajudar na perda de alguns quilinhos, na flexibilidade do corpo e na rigidez dos músculos. Cerca de 5 milhões de brasileiros praticam a modalidade atualmente o país.

Moda
O guarda-roupa de inverno terá fortes influências vindas da China, do Japão e países vizinhos. Até o obi japonês, aquela faixa larga que fecha o quimono, foi adaptada para os trópicos.

Divertimento
O Yu-Gi-Oh, um jogo de cartas e de um desenho animado transmitido pelos canais Nickelodeon e Globo, é a nova mania da garota de 7 a 14 anos. Algumas lojas especializadas chegam até a organizar torneios para incrementar as vendas.

Criança
O terapeuta familiar Steve Biddulph ganhou o mundo com o manual de auto-ajuda Criando Meninos. Ao todo foram mais de 2 milhões de cópias vendidas. O livro parte do princípio de que, se o mundo precisa de homens melhores, é bom que se comece a tratar os meninos com mais atenção e compreensão.
No site: leia trechos do livro.

Riqueza,
Doze anos depois do comunismo, a Rússia já tem 17 nomes na lista dos mais ricos do mundo, preparada pela revista americana Forbes. Em quantidade, a nova classe dos bilionários russos só perde para os Estados Unidos, Alemanha e Japão.

Artes e Espetáculos
Música: Steve Jobs, o inventor dos computadores Macintosh, presidente da Apple e do estúdio de animação Pixar, voltou à cena com outra grande idéia. Ele lançou uma loja virtual que vende músicas via internet.

Cinema: Os astros de Hollywood gostam de virar diretores para segurar as rédeas e se defender dos erros alheios. George Clooney, Sean Penn e Denzel Washington estão entre os que decidiram se aventurar atrás das câmeras.
No site: acesse trailer e fotos.

Livros: O paulistano Orlando Paes Filho é o criador do personagem Angus, um escocês que recebe de seus ancestrais a missão de lutar contra o mal. O livro Angus - O Primeiro Guerreiro inaugura uma série de sete romances ilustrados com o herói.

Dia das mães
Mãe é tudo igual? Não. Quarenta dicas de restaurantes que combinam com o estilo da sua, da matriarca à moderninha.

Mães
Mulheres que abandonaram o trabalho para cuidar dos filhos e daquelas que conciliam a rotina estressante da carreira com o lar




Cheiro de Mãe

Sim, elas são quase todas iguais. Mas mudam de endereço, de personalidade e de perfume. Escolha o da sua



Clássica As mães clássicas preferem aromas tradicionais. Indico os de lavanda, orquídea e amadeirados suaves, diz o aromaterapeuta Zeca Catão. À esq., Tarsila de O Boticário (R$ 51,75); acima, lavanda Santo Sossego (R$ 52,50); à dir. Gloria, de Cacharel, aposta em notas de âmbar (R$ 157); abaixo, o perfume Anaïs Anaïs, de Cacharel, mistura sândalo e flores (R$ 177)



Romântica Para as mães românticas, o aromaterapeuta Zeca Catão sugere perfumes florais. À esq., o perfume Luiza Brunet Night da Avon tem notas de jasmim (R$ 44,80); à direita, a suavidade da fragrância Poême de Lancôme(R$ 199); abaixo, à direita, o Parfum DÉté de Kenzo conta com acorde floral (R$ 116); abaixo, Homenagem, da Água de Cheiro, tem notas de jasmim e rosas (R$ 41,90)



Executiva Mulheres com pé-no-chão e executivas, segundo Zeca Catão, costumam combinar com perfumes masculinos e fragrâncias amadeiradas. À esq.,Emporio Armani Masculino (R$ 161); abaixo, essência de sândalo no perfume Samsara Shine da Guerlain (R$ 122); à direita, Paloma Picasso (R$ 180) e abaixo, à direita, Miracle, de Lancôme, tem notas de âmbar (R$ 151)



Esportiva Disposição e energia. A mãe esportiva não abre mão de perfumes com notas frescas e cítricas, garante o aromaterapeuta Zeca Catão. Abaixo à esq., Polo Sport de Ralph Lauren tem gotas de limão (R$ 196); abaixo, à direita, da Shiseido, a Energizing Fragrance tem notas que dão ânimo e muita energia (R$ 218); no meio, Eau Torride de Givenchy é composto por notas de tangerina (R$ 104)



Exótica Segundo o aromaterapeuta Zeca Catão, versões com notas orientais são as perfeitas para quem tem em casa uma mãe exótica, meio zen. À esq., Revelar de Natura (R$ 58); abaixo, até o frasco do perfume Noa é diferente (R$ 143); à direita, Egeo Woman de O Boticário (R$ 39); abaixo, à direita, Sensi de Giorgio Armani tem notas florientais (R$ 177)


FICHA TÉCNICA:
PRODUÇÃO Mariana Salim;


ENDEREÇOS
Santo Sossego - Av. Ataulfo de Paiva 135/101, Leblon; O Boticário - Rua Barão de Mesquita 280, Tijuca; Água de Cheiro - Av. Almirante Barroso 22, Centro; Avon - SAC 0800-7082866; Giorgio Armani, Cacharel, Lancôme, Ralph Lauren e Paloma Picasso - 0800-7017323 ou na Polimaia (Expansão do BarraShopping); Natura - 0800-115566; Guerlain, Kenzo, Givenchy - 0800-170506; Shiseido - 0800-148023.




Paulo Sant'ana
03/05/2003


Um tratorista de princípios

Acena central do Jornal Nacional de ontem foi incontroladamente emocionante.

Um trator foi contratado pela prefeitura de Salvador para pôr abaixo uma prosaica casa de alvenaria, construída clandestinamente em uma vila.

Por ordem da Justiça, a residência tinha de ser demolida. Certamente havia sido dada ordem de despejo para os moradores da casa, que deviam encontrar-se nas proximidades do local, à espera do desfecho.

O tratorista, um negro humilde, empurrou o veículo até quase a parede da casa. Bastava que ele pisasse no acelerador e a possante lâmina do trator poria a casa abaixo.

O tratorista vacilou. E por fim negou-se à demolição.

Solenemente, o oficial de Justiça, cercado pelos moradores da vila e custodiado pela polícia, chamou o tratorista e armou um discurso: "Saiba o senhor que, se não jogar o trator sobre a casa, estará incorrendo no crime de desobediência e será preso".

O importante na cena foi a resignação do tratorista, depois de ouvir a recomendação e ameaça do agente da autoridade: subiu novamente para o volante, o que demonstrava a luta que se travava em seu íntimo, encaminhou cuidadosamente a pá do trator para a parede da casa, mas no instante final conteve o acelerador.

Desceu do trator e se entregou ao oficial de Justiça, sendo levado preso para a delegacia.

Mais do que não ter tido a coragem de demolir a casa, o tratorista teve a coragem de não demoli-la.

O que deve ter passado pela mente do humilde tratorista? Com certeza ocorreu-lhe que sua casa, onde naquele momento estavam seus filhos e sua mulher, era tão modesta quanto aquela que se lhe impunha demolir, talvez também construída sem licença.

Deve ter também ter pensado que aquela casa tinha sido erguida com o suor e o sonho dos seus moradores.

E que, se tivesse que ser demolida por uma imposição da lei, se fosse inevitável a sua destruição, como o era, que no entanto não o fosse pela suas mãos. Que, quando ele se empregou como tratorista, jamais pensou que no elenco de suas tarefas fosse constar a missão espúria de ter de demolir uma casa contra o desejo de seus aflitos moradores.

E não andou o trator do tratorista contra a casa. Revelando que acima da lei está a consciência humana.

E que, mesmo nestes tempos difíceis de desemprego, para o tratorista baiano não importava que seria demitido e preso. O que importava tão-somente era a sua consciência social.

O país inteiro assistiu ontem, sob aplausos silenciosos de toda a nação, no Jornal Nacional, a um operário, um simples homem do povo, declarar-se também um homem de princípios.

Enquanto existirem homens que se recusam, terminantemente ou hesitantemente, a exercer a função de carrasco, a humanidade continuará a ser viável.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




David Coimbra
03/05/2003


Onde fica o interruptor

Foto(s): Reprodução/ZH

Nada mais importante em uma viagem do que o interruptor. Você chega ao quarto do hotel, entra e pensa: onde fica o maldito interruptor? E sai tateando pelas paredes, tropeçando nas poltronas. Naquele momento, não existe outro problema na sua cabeça. Você só quer encontrar o interruptor e acender a luz e ver que tal será sua casinha dos próximos dias.

E, de fato, isso é tudo o que há de importante na vida. Quando você está à caça do interruptor, percebe que a implicância do seu chefe com os horários, a mania que sua namorada tem de dormir no cinema, o barulho que seu vizinho do andar de cima faz todos os dias às 6h da manhã, nada disso é realmente relevante.

Em viagem, o que interessa são as dificuldades comezinhas que você já resolveu no ramerrão do dia-a-dia ¿ o ônibus certo a pegar, onde fica o elevador, o que comer. Em viagem, aqueles seus problemas diários que tanto o incomodam ficam de tal forma distantes que você consegue enxergá-los como eles verdadeiramente são: deste tamainho. Aí você balança a cabeça, faz tsc tsc e comenta consigo mesmo:

Como é que eu dava bola pra isso, enquanto o que me faz falta de verdade é o interruptor?
Pois é. Só que, quando você está aqui, não consegue enxergar as coisas em perspectiva. Essa é a palavra: PERSPECTIVA. Aquilo que você diz: um dia ainda vou rir disso tudo. Por que você não consegue rir AGORA? Perspectiva, rapaz. Tudo do que você precisa é olhar as coisas em perspectiva. E compreender que, ao fim e ao cabo, só o que importa mesmo é saber onde fica o desgraçado do interruptor.

Faltou bom humor
Justamente a falta de visão em perspectiva que transformou o atual problema do Grêmio num pântano de dor e ressentimento. Falo da reunião dos dirigentes que vazou graças à inabilidade do presidente Obino no manejo do celular. Antes de mais nada, quero me solidarizar com o presidente: também sou canhestro com celulares. Tanto que não os uso. No máximo, peço emprestado aos amigos, não sem antes perguntar como se liga essa coisa, pô. Celulares e autos, nesses só vou de carona.

Mas o Grêmio. Tite e os jogadores ficaram ofendidos com o que foi dito na reunião, como se a reputação de suas mães tivesse sido vilipendiada para todo o sempre. Não foi o caso. Pense no que foi dito:

1. Palpites na escalação? Ora, os dirigentes não têm o direito de palpitar; têm o dever.

2. Comentários sobre a implicância do técnico com algum jogador? Todo torcedor acha que o técnico implica com um ou outro, por que o dirigente, o maior dos torcedores, não acharia?

3. Ovelhinhas? Qual é o problema? Poderiam ser peixinhos. Ou bruxinhos. Ou diabinhos. Que que tem?

Não havia motivo para tamanho escândalo. Se Tite e os jogadores encarassem a questão com o bom humor demonstrado pelo inteligente Flávio Obino, se vissem o caso em perspectiva, sabendo que todo esse debate não passará de folclore num futuro breve, tudo já estaria bem posto e resolvido.

Por que, meu Deus? Por quê???
Estava tomando um capuccino com o Cyro Martins, aqui do Diário Gaúcho. Conversávamos sobre o Destino com dê maiúsculo. O Cyro pediu um sanduíche de salaminho para a Lara. Deu uma mordida. Suspirou:

Por que o Destino é irônico? Por quê?

Apertei os lábios. Eu não sabia.

Podia ser meigo bufou o Cyro, adoçando o capuccino. Podia ser engraçado. Até sarcástico podia ser. Mas, não. O Destino tem que ser irônico.

Acenei com a cabeça. Arran, verdade. O Destino teima em ser irônico

Hoje mesmo, o que vai acontecer na Bahia? Caio e Douglas, os jogadores pedidos pela direção, vão entrar no time. Por força de lesão dos titulares, está certo. Mas vão entrar. Ironia. Fina e rascante ironia. Em algum lugar, o Destino deve estar sacudindo-se de tanto rir com o que apronta para o Grêmio, para o Cyro e, puxa, para mim.
david.coimbra@zerohora.com.br




O tempo precisa ser domesticado para não nos aniquilar, a vida tem de ser valorizada para não se desperdiçar. Nós precisamos nos des-banalizar um pouco. Como hoje está um sábado super lindo em Porto Alegre, dá até para arriscar a sair de bike, curtir o Moinhos de Vento ou o Marinha, ou ainda a redenção. De coração, espero que seu sábado seja ótimo.


Lya Luft
03/05/2003


Pensar, transgredir

Enquanto houver lucidez, é possível olhar em torno e dentro de nós: num intervalo que seja entre a correria do cotidiano, os compromissos, o shopping, a tevê, o computador, a lanchonete, a droga, o sexo sem afeto, o desafeto, o rancor, a lamúria, a hesitação e a resignação, parar para pensar. Pois refletir é transgredir a ordem do superficial.

Mas, se eu estiver agachado num canto tapando a cara, não escutarei o rumor do vento nas árvores do mundo, nem verei que o prato das inevitáveis perdas pode pesar mais do que o dos possíveis ganhos.

Somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo. O tempo, que aparentemente tudo leva e tudo devolve como as marés, só nos afoga na medida em que permitimos. O tempo precisa ser domesticado para não nos aniquilar, a vida tem de ser valorizada para não se desperdiçar. Nós precisamos nos des-banalizar um pouco.

Perdas & ganhos dependem da perspectiva e de possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.

Viver, como talvez morrer, é recriar-se a cada momento. A vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional, não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado. É preciso ser amado, e amar, e amar-se. E que o mínimo que a gente faça seja a cada momento o melhor e o máximo que se conseguiu fazer.

PS: Mesmo sem sessão de autógrafos, as correrias com um novo livro atordoam: viagens com mais horas de aeroporto e avião do que em qualquer cidade. Palestras, entrevistas. Em Belo Horizonte, uma psicanalista me diz: "Recomendo seus livros a pacientes meus, e por outro lado recebo pacientes que leram seus livros".

Espero que não a tenham procurado porque, lendo um de meus romances (são certamente menos doces do que este Perdas), acabaram endoidando.


Grêmio
Em busca da alegria



Em seu retorno ao time hoje, Tinga é a principal arma para bater o Bahia em Salvador e serenar os ânimos no Olímpico (foto José Doval/ZH)


Sexta-feira, Maio 02, 2003




Para finalizar, já que a Revista Isto É publicou sua capa que é essa aí acima, coloco abaixo os destaques da revista deste fim de semana. A Revista Veja, continua ainda com a capa anterior, embora já tenha enviado o email com os seus destaques. Assim deixo para publicar amanhã tudo junto.

BRASIL

ROLO COMPRESSOR
Governo decide jogar duro contra dissidentes para acelerar reformas

A LISTA DE ACM
Amigos contam aliados para tentar livrar senador da cassação

MAIS PROMESSAS
Ex-PF, Marcelo Itagiba vai tentar mudar clima de insegurança no RJ

SEIS POR MEIA DÚZIA
Angolanos trocam violência em seu país por terror imposto pelo tráfico

ECONOMIA

ARMADILHAS AMERICANAS
A Alca é uma delas e quem diz é um americano da gema, o historiador Thomas Skidmore

O CONTO DO MUSEU
Guggenheim no Rio de Janeiro custará quase US$ 160 milhões

MEDICINA E BEM-ESTAR

FÁBRICA DE MÉDICOS
Entidade denuncia a proliferação de faculdades de medicina de qualidade duvidosa

ATAQUE DECIFRADO
Filmagem de invasão do HIV à célula humana ajuda a decifrá-lo

COMO SERÁ SEU BEBÊ
Brinque com a genética e calcule as chances de seu pimpolho, prestes a nascer, puxar pelo pai ou pela mãe.

ISTOÉ SP

PAULOS DE SÃO PAULO
A história de alguns dos milhares de Paulos que ajudam a erguer a cidade

ISTOÉ SP: DIA DAS MÃES

MINHA MÃE É UMA SEREIA
Mulheres ensinam o que fazer para continuar bonita sem deixar de lado os afazeres do lar

Compras: o que dar para ela?
Dicas: passeios especiais
MUNDO

PASSADO X FUTURO
Peronistas disputam 2º turno das eleições presidenciais argentinas

APENAS ESCARAMUÇAS?
Bush anuncia fim dos combates em meio a hostilidades iraquianas

REFÉNS DA TECNOLOGIA
Matrix reflete a angústia de um mundo controlado pelas máquinas

AMEAÇA: "Em 30 anos humanos serão ultrapassados", diz cientista

PNEUMONIA ASIÁTICA

O QUE FAZER SE ELA CHEGAR AQUI?
ISTOÉ ouviu infectologistas e traz um guia especial sobre o assunto

OS MAIS ACESSADOS

Um guia que ensina como prevenir e tratar doenças

REFLEXOLOGIA
Saiba como está sua saúde massageado as solas dos pés

MUNDOS PROIBIDOS
Saiba mais sobre os tabus da cultura ocidental

Acesse ainda:
TRADUTOR: Seu nome em hieróglifos

SEXO: Guia de posições




Eu dou a mão a palmatória, e não raras vezes, fiquei sem saber o que fazer com o agora, levado pela correnteza da vida incerta, no malogrado ajuste do ponteiro das horas?

Muitas vezes ainda me sento à beira do caminho, extenuado, vendo a vida passar, como filme apenas, projetado na ínfima condição de mero expectador isolado, e é exatamente assim como me sinto neste aqui e agora.. Ótima noite a voces e que os anjos continuem velando seus passos, seus sonos e seus sonhos.

Q U E M

Quem nesta vida já não se sentiu assim
Sem rumo, perdido, rendido
Às contingências do momento?
Quem já não experimentou estas fases
Onde tudo é desalento
E embora abrigado, cercado de gente,
Continuou absolutamente só
Qual se estivera ao relento?

Quem já não se perdeu do passado?
Quem já não ficou sem vislumbrar futuro,
Sem sentir um medo atávico
E ver-se assim totalmente inseguro?

Quem já não ficou sem saber o que fazer com o agora,
Levado pela correnteza da vida incerta,
No malogrado ajuste do ponteiro das horas?

Quem já não se perdeu de Deus, após tê-lo encontrado?
Quem já não se perdeu do filho, após tê-lo criado?
Quem já não secou por dentro, após ter muito amado?
Quem já não se perdeu no caminho que parecia adequado?

Quem já não experimentou um medo visceral da morte?
Quem já não tremeu diante de uma súbita virada da sorte?
Quem já não teve todos os planos e sonhos desfeitos?
Quem já não se viu lesado nos seus mais legítimos direitos?

Quem já não se viu órfão de toda a esperança?
Quem já não se viu, de repente, sem guiança
Sem rumo, sem bússola, sem farol, sem diretriz,
Quem já não se sentiu um dia, desesperadamente infeliz?

Quem já não se sentou à beira do caminho, extenuado
Vendo a vida passar, como filme apenas, projetado
Na ínfima condição de mero expectador isolado
E nada mais reivindicou neste momento,
Senão a suprema bênção de poder ficar calado?

E poder então soltar o passado
Não temer mais o futuro
Abdicar de vez do agora
Voltar ao estado original
Após ter fechado um doloroso ciclo
Fazer-se pronto para mais uma volta
Da infinita espiral !


Fátima Irene Pinto®
Do Livro 'MOMENTOS CATÁRTICOS




Gostei da imprudência do coração que vive fazendo coisas insanas sem estar nem aí com os apelos da razão que clama por manifestar-se em tempo hábil, antes que tudo termine em pizza ou termine na cama? Mas também existem coisas melhores, ainda mais numa sexta-feira a noite como esta sexta-feira?

T E M A

Como fazer poema quando não se tem o tema...
Quando já falamos exaustivamente da nossa saudade...
Quando já esmiuçamos todas as possibilidades de que por um milagre ou divina providência, elas deixem de ser impossibilidades, revertendo a nosso favor uma dolorosa realidade,
uma insustentável pendência?

Como fazer poema, diante da clara e inequívoca constatação
da imprudência de nosso coração, que faz escolhas insanas
sem estar nem aí com os apelos da razão
que clama por manifestar-se em tempo hábil,
antes que tudo termine em pizza ou termine na cama?

Porque sempre botamos a razão em segundo plano?
Se a ouvíssemos, sofreríamos menos, com certeza...
Mas seríamos amargos, insípidos e
por fundo de nossas vidas
teríamos apenas um cinzento pano.

Um pano pardacento, isento de qualquer beleza,
que só é bela porque conhece os matizes, e os matizes
nunca são cinzentos...
Os matizes sempre são intensos, na luz ou na escuridão,
nada têm a ver com a pardacenta razão.

Mas a beleza e a arte são domínios do coração,
assim como o amor, o ódio, a paixão, o sonho, a mágoa, a solidão, a insurreição...

E mesmo estes rascunhos nascidos da razão que questiona, filtra e seleciona,
se não tivessem por fundo um coração dilacerado,
até estes escritos mal alinhados morreriam na mente como um breve clarão, intenso, porém logo esquecido e apagado.

Agora já achei o tema... mas que me importa agora o tema,
se divagando sem querer eu já pari o meu recado?
Por sinal, um recado banalizado
muito conhecido dos amigos da pena e das penas,
que despejam em prosa e verso suas dores e dilemas
nascidas
de um coração lacerado
por um amor sufocado.

Fátima Irene Pinto

Pagina do livro
MOMENTOS CATÁRTICOS




Como estava de folga hoje, consegui fazer meu passaporte, o outro apesar de renovado, já estava vencido e já dei uma passadinha pelo consulado do Japão para pegar alguns prospectos e folhetos sobre aquele País. Como ainda devo sair em junho dá um tempinho até de rever roteiros, ou por que não destinos?

E assim passou a sexta-feira pós-feriado. Ouvi música, como menino, bem displiscente, andei por ruas e avenidas, coisa que há muito não fazia, Já que a rotina de minha vida é ir sempre para o centro pela manhã e retornar ao fim do dia. Então hoje consegui fazer algo diferente.

Poderia até ter ido ao cinema, coisa que ainda quero fazer neste sábado ou domingo que ainda tenho. Sem pressa assim de ser feliz e na esperança que sejam dias lindos como foi esta sexta-feira, isso é, pode até fazer frio, mas que tenha sol pelo menos, quentinho, brilhante.

É isso, barriga para frente, bum bum para trás e vamos adiante.




Controlar os gastos é preciso

Fabrícia Kirmse

Sabe aquela velha e machista frase de caminhão O lugar que deixa as mulheres mais excitadas é o shopping. Bom, até que tem algum fundo de verdade, não acha? Roupas e mais roupas, cremes para o rosto, cabelos e corpo, acessórios, idas freqüentes ao salão de beleza, jóias... Que mulher nunca teve arroubos de consumismo exacerbado e gastou com o que nem precisava tanto assim?

Uma vez ou outra, vá lá. Mas tem gente que perde o controle quase toda semana ou, todo dia. E, depois, vem a facada: conta no vermelho, dívida no cartão e bolsos vazios. Mesmo quem tem grana para esbanjar deve tomar cuidado. Os impulsos consumistas, além de fazerem mal para a saúde financeira, também indicam que algo não vai bem no lado emocional.

Estourar o orçamento repetidamente é um vício igual ao alcoolismo. A doença tem até nome: oniomania, patologia em o indivíduo necessita comprar assim como o dependente químico necessita da droga.

Todo mundo sabe que as mulheres são mais suscetíveis a esse mal. Historicamente consumistas, não conseguimos nos controlar quando estamos diante de algo que faça brilhar os nossos olhos. E enquanto não adquirimos o precioso bem ¿ uma saia maravilhosa ou, quem sabe, aquele creme novo para os olhos, ficamos desesperadas. Claro, nem todas são assim. Mas, convenhamos: em geral, adoramos torrar dinheiro.

Portanto, é hora de repensar seus gastos e descobrir que há outras coisas tão interessantes ou mais do que comprar, comprar e comprar. Não acredita? Pois, pode ter certeza que, a partir do momento que conseguir segurar a onda e reduzir as despesas, você vai respirar aliviada.




Aprendi a me controlar

A produtora Christina do Nascimento, 24 anos, era uma consumista de mão cheia. Não tinha controle nenhum sobre os meus gastos. Comprava tudo que via pela frente, confessa.

Depois de se enrolar nas contas, aprendeu a lição. Cortei meu cartão de crédito e evito dar cheque. Antes tinha conta em dois bancos. Cancelei uma. Fica mais fácil de controlar. Além disso, procura comprar à vista. E já não gasto tanto com bobagem.

Consumismo doentio

Quando o consumo se torna desmedido, levando a pessoa a comprar seguidamente, sem necessidade, pode se tornar uma doença, chamada oniomania. Estar sempre comprando, adquirir vários objetos de uma só vez, às vezes, iguais, gastar além do que pode. Tudo isso caracteriza um consumismo doentio, explica a terapeuta Silvia Gomes de Matos.

Em alguns casos, esse comportamento é desencadeado por problemas pessoais.Compra-se muito e o que não precisa para compensar alguma dificuldade afetiva. Essas pessoas, geralmente, se afundam no cheque especial e vivem ultrapassando os limites. Limites são feitos para serem derrubados. Mas não de forma tão freqüente, avalia.

Doentio ou não, o consumismo, segundo a terapeuta, é fruto de valores distorcidos que foram gerados pela idéia de que ¿ter é mais importante do que ser. Isso dá margem para a ansiedade e o descontrole. Os valores afetivos acabam ficando para segundo plano.

O mais importante, ressalta, é não se deixar levar por esse ter desmedido. O ser é mais importante. Afinal, se eu valho pelo que eu tenho e não pelo que eu sou, o que fazer se não conseguir ter nada?

Se você acha que tem gastado demais, a especialista orienta a observar se os gastos estão voltados para que o realmente precisa ou se é um consumo incoerente. Será que a pessoa que consome desenfreadamente não está deixando de exercitar a interação com os outros para se apegar a bens materiais? Será que ela realmente necessita desse consumo ou está tentando cobrir alguma dificuldade íntima?

Perdi o controle

A aposentada N., 48 anos, que preferiu não se identificar, conta que ainda vive as conseqüências de seu consumismo desmedido. Não sei bem quando tudo começou. Mas, desde nova, gostava muito de gastar dinheiro. Por volta dos 30 anos, perdi o controle, lembra

Comprava roupas, bolsas, tinha mais de 50 pares de sapatos e muitos perfumes. Depois, iniciei um outro tipo de consumismo. Preocupada com a idade, vivia em clínicas de estética, comprava cremes caríssimos, meu dinheiro não dava para nada. Meu marido me largou alguns anos depois e só fui perceber que estava no fundo do poço, quando o banco cortou meu cartão, meu cheque e fiquei sem um tostão.

Atualmente, recebendo o salário da aposentadoria, N. ainda paga dívidas anteriores. Minha filha me ajuda a controlar as despesas. Já tive recaídas. Agora, faço análise duas vezes por semana. Acredito que meu descontrole foi fruto de problemas afetivos. Era infeliz no casamento e me achava a pior mulher do mundo. Pensava que seria melhor se tivesse mais, analisa.

Quando o marido é a solução

Há também o caso de mulheres que se apoiam completamente no marido, acreditando que ele se responsabilizará por seu sustento por toda a vida. Então, fazem gastos e mais gastos na conta do parceiro ou compram além do que podem, confiando que o homem da casa vai cobrir o rombo.

Esquecem-se, porém, de prever uma possível separação ou perda abrupta do marido. Ficam, então, completamente perdidas. Por isso mesmo, é bom saber que, em algum momento de sua vida, casada ou não, com ou sem maridão, as mulheres têm, inevitavelmente, que assumir a gestão do seu dinheiro. Nos EUA, estima-se que isso acontece com 80 a 90% das mulheres. Mesmo sem estatísticas sobre o assunto, basta olhar em volta para percebermos que também no Brasil, em algum momento, boa parte da ala feminina tem que administrar dinheiro. Portanto, é bom se preparar desde cedo.

Homens e mulheres

Segundo especialistas, os homens costumam ser mais econômicos nos investimentos. Mas abrem a carteira para realizar projetos audaciosos ou comprar carros potentes, geralmente, por mero impulso. As mulheres, por sua vez, preferem investimentos mais conservadores e não se intimidam em contrair dívidas, embora procurem manter o controle sobre os gastos.

As diferenças têm início na maneira de ganhar dinheiro. No livro A energia do dinheiro - estratégias para reestruturar sua vida financeira, a autora, Glória Pereira, explica que o homem vê o trabalho de forma diferente da mulher. Com a obrigação de ser o provedor, que ainda se faz presente neste novo século, o homem tem a vida profissional como prioridade e dedica-se integralmente a ela, muitas vezes em detrimento da vida pessoal. Assim, o dinheiro é visto como conseqüência do trabalho do homem, que costuma ter a mulher como responsável por administrar as despesas domésticas.

Já as mulheres vêem o dinheiro como meio de realizações de projetos pessoais. São muito mais emotivas. O trabalho é seu meio de conquistar renda para usufruir melhor a vida. Talvez, por isso mesmo, na hora de gastar, sejam impulsivas, o que não quer dizer, necessariamente, irresponsáveis.

O micro empresário Alessandro Rocha, 28, confessa que até já teve sua fase de esbanjador. Comprava roupas caríssimas, sem necessidade. Agora, acha que está mais consciente. Continuo gastando. Mas faço investimentos duradouros. Comprei um carro e estou investindo nos negócios. O mais importante para mim é pensar no futuro.

Já a comerciante Dôra Rezende, 29 anos, afirma que, além de investir na loja, também se permite comprar futilidades. Separo todo mês o dinheiro para o besteirol, diz. Que mulher consegue viver sem cremes, bijouterias, unha feita, cabelos escovados? argumenta.

ELES X ELAS

ELES...
trabalham pelo dinheiro
gastam pouco
compram produtos muito caros impulsivamente
não se intimidam diante de financiamentos
investem em aplicações de risco
economizam sem objetivo específico

ELAS...
trabalham para viver melhor
gastam sempre
compram produtos de diferentes preços
impulsivamente
preferem pagar à vista
investem em aplicações conservadoras
economizam para realizar sonhos

Se os homens pensassem como as mulheres e as mulheres pensassem como os homens

NA HORA DE GANHAR DINHEIRO...

Se os homens passassem a valorizar mais a qualidade de vida em detrimento do trabalho, viveriam por mais tempo e mais felizes, assim como as mulheres. Se o sexo feminino se espelhasse nas atitudes masculinas, seria mais obstinado e correria mais riscos, procurando melhores oportunidades profissionais.

NA HORA DE CONSUMIR...
Se as mulheres agissem como os homens, com certeza cairiam menos na tentação de adquirir acessórios e, conseqüentemente, ter sempre várias contas para pagar no final do mês. Se os homens aprendessem com as mulheres, pensariam duas vezes na hora de comprar um objeto muito caro e não assinariam o cheque sem antes calcular a relação custo x benefício.

NA HORA DE INVESTIR...
Se as mulheres seguissem o comportamento masculino, tenderiam a procurar rendimentos mais lucrativos. Ao mesmo tempo, os homens poderiam aprender com as mulheres a investir com segurança, conhecendo antes todos os detalhes da aplicação.




Como reduzir os gastos

1 Não há necessidade de comprar um vestido de R$500,00 que você só vai usar uma vez. Opte por um modelo mais básico e barato e invista nos acessórios. Além disso, pode transformar a peça, incluindo bordados e apliques, conferindo um visual mais arrumado. Há profissionais preparados para transformar seu modelito e, pode ter certeza, vai sair muito mais em conta!

2 Não há necessidade de ter vários shampoos e cremes para cuidar dos cabelos. Escolha os mais adequados para suas melenas e use-os da forma que o profissional de sua confiança indicar, sem desperdício.

3 Reduza suas idas ao salão de beleza. Se pensar bem, não há necessidade de fazer pé e mão toda semana.

4 Opte por comprar peças de roupas curingas, que podem ser usadas nas mais variadas ocasiões. Um terno preto, calça jeans, camisetas brancas básicas e camisas sociais de cores neutras nunca caem de moda e nos salvam em situação de emergência

5 Escolha acessórios que combinem com várias peças do seu guarda-roupa. Nada de comprar aquele colar extravagante que somente pode ser usado com um único vestido que você tem

6 Não exagere na maquiagem. Tenha na quantidade certa. Um conjunto para ser usado durante o dia e outro para a noite. Convenhamos: você nem usa todos aqueles batons da sua necessáire

7 Não é necessário ter um conjunto de roupa de ginástica para cada dia. Compre peças que possam ser combinadas. Tenha sempre uma regata preta e outro branca, por exemplo, que combinam com tudo.

8 Compre nos lugares onde já conhece os preços

9 Fique ligada nas promoções, que acontecem, principalmente, no final da estação. Evite, por exemplo, comprar aquela bela bota de couro no inverno. Vai lhe custar os olhos da cara.

10 - Diminua a conta do supermercado, pesquisando preços, tirando alguns itens ou substituindo-os por marcas mais baratas

11 Evite andar com cartão de crédito e talão de cheques na bolsa

12 A não ser em caso de real necessidade, você não precisa solicitar mais de uma talão de cheque por mês

13 - Monte seu orçamento de acordo com suas metas e objetivos de vida (casa própria, estudos, viagens, etc)

14 - Contabilize compras feitas com cartão e cheque pré; elas devem limitar-se à sua sobra de caixa mensal, quando houver. Caso não haja, esqueça estes gastos

15 - Gaste somente aquilo que ganha; sempre é possível economizar algum dinheiro, independente da quantia. Procure reservar de 5 a 10% de sua renda mensal para uma poupança, que pode ser sua reserva financeira para emergências, um plano de previdência e outros;

16 - Não se iluda com parcelas de valor baixo; os juros embutidos geralmente são abusivos

17 - Poupe dinheiro para comprar à vista, pois provavelmente você conseguirá um preço melhor

18 - Pague as contas em dia (evite despesas com multas e juros)

19 - Priorize seus gastos: uma poupança de R$ 30,00 por exemplo, é bem mais importante do que um plano mais completo de sua assinatura de TV a cabo.




E ai estão bons programas para quem mora no Rio ou para quem pensa em passar o fim de semana por lá. De todo o jeito informe-se sobre a programação de sua cidade e aproveite este que é o primeiro fim de semana de maio.

SHOW
Grandes encontros
Mistura Fina, Bar do Tom e Ballroom são palcos de shows com participações

O veterano Roberto Menescal (centro) recebe os rapazes do Bossacucanova em show com Wanda Sá e Miele

O fim de semana é de vários encontros pelo palco da cidade. No Mistura Fina, o compositor Chico Pinheiro lança o disco Meia Noite, Meio Dia. Nas apresentações, ele recebe algumas pessoas que estiveram nas gravações. Hoje quem dá as caras é Chico César. Amanhã e domingo, presenças femininas na temporada: Luciana Alves e Maria Rita Mariano ¿ filha de Elis Regina e César Camargo Mariano.

No repertório, músicas do CD como Meia Noite, Meio Dia (Chico Pinheiro), Totó (Aldir Blanc e Chico Pinheiro), Desde o Primeiro Dia (Paulo Neves e Chico Pinheiro), entre outras.

Já no Bar do Tom quem faz pequena temporada é o trio Wanda Sá, Roberto Menescal e Miele. O show Apenas Bons Amigos é, na essência, um grande encontro. Não bastasse isso, este fim de semana ainda tem participação. Embora o repertório não seja apenas de bossa, eles recebem o trio Bossacucanova. Márcio Menescal, filho de Roberto, é um dos integrantes do grupo, que faz bem boladas releituras de canções antigas.

Domingo, no Ballroom, o encontro é de guitarras. Pepeu Gomes faz show na casa e chama um velho conhecido. Davi Moraes, filho de Moraes Moreira, marido de Ivete Sangalo, durante algum tempo fez parte da banda de Pepeu. Eles lembram canções como Fazendo Música, Jogando Bola.





Olho no padre, outro na missa

Em peregrinação religiosa no Dia do Trabalho, Lula aproveita para fazer propaganda do seu Governo e dos projetos de refomas

SÃO BERNARDO DO CAMPO (SP) - O ex-líder sindical e presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou participar das tradicionais comemorações das centrais sindicais pelo Dia do Trabalho. Ele preferiu eventos religiosos e começou o dia assistindo a uma missa na Igreja Matriz em São Bernardo do Campo (SP), onde mora e onde iniciou sua carreira sindical no início dos anos 80. À noite, foi recebido na 41ª Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Indaiatuba (SP).

Católico praticante, Lula fez um breve discurso diante de uma grande platéia: falou da cotação do dólar, salário mínimo e lembrou que na época da ditadura militar a polícia ficava perto daquela igreja. Não para protegê-lo, mas para persegui-lo como opositor do regime.

A missa serviu para reforçar o que o seu Governo persegue desde o início de janeiro: a reforma da Previdência. Um grupo de jovens sobre pernas de pau entrou na igreja com faixas pedindo, além da reforma previdenciária, a reforma agrária. No dia 1º de Maio de 1979, eu estava na missa aqui (...). No 1º de Maio de 1980, não pude vir, porque estava na prisão, e há 23 anos eu e outros (companheiros) comparecemos a esta missa¿, disse Lula.

Mudanças no momento oportuno

Descontraído, vestindo uma camisa de manga curta, Lula se comprometeu a voltar em todos os 1º de Maio para informar o que tem feito como chefe de Estado a todos da Pastoral Trabalhadora. Lula afirmou que fará as mudanças prometidas em sua campanha eleitoral no momento oportuno, principalmente as que se referem ao combate à fome e à criação de empregos.

No discurso dirigido aos trabalhadores e trabalhadoras, disse que o que aconteceu na quarta-feira será registrado pela História. Lula se referiu à entrega das propostas de reformas Tributária e da Previdência ao Congresso. Foi um fato histórico fantástico com o apoio de 27 governadores, e olhem que só eram três do Partido dos Trabalhadores, disse ele.




José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! Ataque do Parreira é ataque de riso!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional! Direto da República da Língua Plesa! E aí diz que um velhinho perguntou pra velhinha: 'Você viu o meu Vivo?'. 'Vi... Faz uns 20 anos.' E sabe qual a diferença entre o Bush e o ACM? É que o Bush não escuta ninguém. E sabe por que o Gagallo ficou retido uma hora no aeroporto americano? Porque ele gritou: 'Vocês vão ter que me engolir'. E eles entenderam: 'Vocês vão ver eu EXPLODIR'. Rarará! Já o pessoal do site Kibeloco acha que confundiram o Gagallo com o técnico do Palmeiras, tráfico de drogas!

E o diretor do Palmeiras se chama Mustafá. Mustafá? O Bush vai mandar bombardear o Parque Antarctica! E a Selecinha do Parreira no muy amistoso com o México? A volta da retranca. O REITRANCA! O Parreira é o Reitranca Rua. E o ataque do Parreira é assim: dez atrás e um recuado! Ataque de riso! E o Parreira ainda se juntou com o Gagallo. Dupla Zero a Zero! E sabe por que eles não tomam Viagra? Porque eles já têm cabeça dura! Rarará!

E gol pro Parreira é palavrão. A filosofia dele é: quem quiser bola na rede que vá jogar basquete! Se o Ronaldo tivesse feito um gol, o Parreira entrava em depressão. 'E agora o que eu vou dizer lá em casa?'. Gol é apenas um detalhe!

Favela da Rosinha Urgente! E tô adorando o Capitão Bolinha. Ops, o Garotinho. Ops, o Xerife Little Kid, que disse que vai botar os presos pra confeccionar uniforme dos policiais. Presos confeccionam uniforme de polícia e já têm roupa pra fuga! Rarará! Ou então eles vão fazer o uniforme com um alvo nas costas!

E o Tutty Vasques disse que o Garotinho aceitou ser secretário da Bagurança porque não agüentava mais ficar em casa tomando conta de nove filhos! E eu já disse que o Garotinho devia ser segurança de baile infantil! E um carioca desanimado disse que a única saída pro Rio é a ponte aérea. E aí desce em São Paulo e é seqüestrado! Rarará. Brigar com traficante é coisa pra gente grande e não pra garotinho!

E a penúltima derradeira do Bestiário Tucanês. É que um amigo meu comprou uma delícia da Hikari e estava no envelope: 'pele de suíno desidratada'. Tucanaram a pururuca. Socorro. Tá mais fácil acabar com a pneumonia asiática que com o tucanês!

Cartilha do Lula. Mais um verbete do óbvio lulante. 'Pré-socráticos': jogadores do Timão antes do doutor Sócrates. 'Picardia': companheiro com doença venérea. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Quem não tiver colírio alucinógeno pode pingar água da bateria do carro que dá no mesmo!

Email simao@uol.com.br




Joelmir Beting
Sexta-feira, 2 de maio de 2003



Viva o bagaço

Os cálculos são ainda imprecisos para inventários do gênero. Mas consta que o bagaço de cana, subproduto da usinagem do açúcar e da destilação do álcool, estoca nesta nova safra paulista, que já começou, toda a energia elétrica equivalente à da central nuclear de Angra 2, que ainda não decolou - se é que vai decolar.

O aproveitamento do bagaço, até recentemente um rejeito ocioso e incômodo, era proibido pelo monopólio estatal da energia elétrica. Nem mesmo para co-geração de autoconsumo da própria usina de açúcar ou destilaria de álcool. Muito menos para a introdução do excedente gerado na rede pública da força e da luz.

Com o lembrete de sempre: por um capricho da natureza tropical, a moagem da cana aqui no Centro Sul ocorre precisamente na entressafra da água (de abril a outubro). O que confere ao bagaço uma supimpa condição de logística na matriz energética brasileira.

Pois, nesta sexta-feira, o presidente Lula inaugura a unidade geradora da térmica a bagaço da Santa Elisa, em Sertãozinho, SP, em clima de Agrishow na grande Ribeirão Preto a seus pés. Empresário bucaneiro, Maurílio Biagi Filho investiu R$ 50 milhões em troca de 60 MW de potência instalada. Com cacife de R$ 35 milhões do BNDES. A Santa Elisa vai consumir metade e vender a outra metade para a distribuidora CPFL, a maior do Estado.

Para o físico e pesquisador da Unicamp Rogério Cezar Cerqueira Leite, o bagaço na matriz energética brasileira estará logo mais tão enobrecido quanto o álcool na cesta básica dos combustíveis automotivos. Agora em tempo de declaração de guerra ao Efeito Estufa pela infantaria do Protocolo de Kyoto, já firmado por 57 países.

Brandindo o tratado de Kyoto aí pela proa de 2012, o Brasil coloca-se como fornecedor privilegiado da mistura carburante em escala planetária. A ordem é encaminhar a substituição progressiva da energia fóssil, finita e suja do petróleo politicamente chantagista pela energia da biomassa renovável e (quase) limpa.

Na cana-de-açúcar, estamos a cavalo de uma covardia de mercado, em termos globais. O corte iniciado de 315 milhões de toneladas de cana no Centro Sul ensaia desfilar um cust