E N T R E L A Ç O S
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Sábado, Maio 10, 2003




Paulo Sant'ana
11/05/2003


O ápice da guerra

A madrugada e o dia de sexta-feira foram sangrentos e agitados em duas capitais brasileiras.

No Rio de Janeiro, 10 traficantes foram mortos pela Polícia Civil, enquanto três PMs acabaram executados por delinqüentes.

Um cabo da PM estava fazendo compras à paisana, junto com sua mulher, quando o supermercado no Andaraí foi assaltado.

Desarmado, ele nada pôde fazer e fingiu ser um civil. Mas os assaltantes o reconheceram, por morarem no mesmo bairro, e o fuzilaram diante da mulher.

Em Belém do Pará, a cidade entrou em pânico com uma série de assaltos a banco e outros estabelecimentos.

O terror entre a população começou desde as 8h, quando o primeiro carro-forte do Banco do Brasil foi assaltado, a polícia tiroteou com os bandidos, que fizeram diversos reféns, sendo mortos dois assaltantes.

Daí em diante até o fim do expediente bancário, o centro da cidade e arredores viveram horas de pavor, sendo assaltadas duas agências bancárias, dois carros-fortes, um sindicato, uma distribuidora de cigarros, um posto de gasolina e uma revendedora de carnes.

E as balas se cruzando entre polícia e assaltantes. O trânsito interrompido, multidões fugindo, a paralisação da cidade.

Entre os habitantes de Belém, havia uma sensação monocórdica: "Isto aqui está virando um Rio de Janeiro".

Esses dias um outro assalto já tinha conflagrado um quarteirão inteiro em Tucuruí, interior do Pará.

O crime em massa tem apenas o centro nervoso no Rio de Janeiro, mas começa a se alastrar por vários outros pontos do país.

E como ele está ligado às drogas, e a distribuição delas não vai parar, o crime também não vai parar.

O que vai acontecer agora é o endurecimento por parte das forças policiais no Rio de Janeiro.

Porque estão paralisando as universidades, as escolas e as creches, ameaçadas pelos traficantes.

Ou seja, o funcionamento normal da cidade ameaça entrar em colapso. As favelas serão invadidas, muitos traficantes serão mortos, mas fatalmente tombarão inocentes e também policiais.

Ontem, sábado, deve ter havido represálias dos traficantes aos seus 10 mortos da sexta-feira.

Já se sabia que havia uma guerra, mas agora é que ela vai mostrar a sua face mais cruel.

Não tem mais volta. O terrível é que os traficantes se confundem com os moradores comuns das favelas, muitas vezes solidários pela incestuosidade moral, são milhões de habitantes nos morros, sendo quase impossível a distinção nos também milhões de barracos.

Para se buscar as agulhas, vão acabar queimando muitos palheiros.

Rios de sangue vão correr até que o crime volte à sua voltagem normal.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Moacyr Scliar
11/05/2003


Foto(s): Reprodução/ZH

A mãe de Eva

Convenhamos: não é exatamente grandioso o papel da primeira mulher na Bíblia. Para começar, Eva é criada depois de Adão, e a partir de uma costela - querem osso mais humilde? - deste. Seu papel, explicitado no monólogo de Jeová ("Não é bom que o homem esteja só"), é prover companhia a Adão. Ou seja: uma função basicamente auxiliar. Mas aí Eva, induzida pela serpente, resolve tomar uma iniciativa, experimentando o fruto proibido, que depois Adão come também. Deus castiga o casal, mas agora começa pela mulher: "Entre dores darás à luz os filhos".

Ou seja: a maternidade é anunciada como punição. Até aquele momento, Eva nada sabia de gravidez, pela simples razão de que até aquele momento o primeiro homem e a primeira mulher nada sabiam de sexo. Andavam nus, mas não se envergonhavam; nem, claro, se excitavam. O fruto proibido é a metáfora para o despertar do sexo, cujas conseqüências eram, para ambos e para Eva principalmente, completamente desconhecidas. Mas ela não se assusta, não se rebela. Continua a Bíblia: "O homem conheceu Eva". Entre parênteses, é fantástico o uso do verbo "conhecer" como metáfora, porque conhecimento é exatamente isso, penetrar na intimidade das pessoas e das coisas.

Eva concebe e dá à luz. Em meio a dores, decerto, mas não sem gratidão: "Ganhei um homem com a ajuda do Senhor". Depois ela dá à luz a Abel (e ainda a Set) e desaparece para sempre. Nada sabemos do seu sofrimento naquela terrível passagem em que Caim mata Abel. Aliás, nada sabemos de seu sofrimento em geral. Mas não é difícil imaginá-lo. Pensemos nessa pobre moça no momento do parto. Por quem grita uma parturiente nessa hora? Por quem gritamos, em última instância, todos nós? Pela mãe. A mãe é, nesta Terra, o refúgio, o consolo, a ajuda. Eva, porém, não tem mãe. Ela tem, como Adão, um Pai - distante, severo. A mãe, que poderia lhe ter ensinado sobre a gravidez e o parto, a mãe que poderia estar ao lado dela nesse momento crucial, a mãe é uma abstração (ou, pior ainda, a mãe é uma costela).

De jovem afoita que era, Eva torna-se mulher. E assume uma dimensão grandiosa no momento da maternidade. Deve ter tido aí a visão de todos esses bilhões de criaturas, que incluem de Bush ao mendigo da esquina, de Gisele Bündchen à faxineira. Todos, indiretamente, seus filhos.

Mas ela própria não teve mãe. Não houve uma mulher em cujo colo ela pudesse sentar, cuja mão pudesse beijar, molhando-a de lágrimas. Eva nunca pôde comprar um presente do Dia das Mães. No entanto - notem o paradoxo - é este mudo sofrimento que mais a qualifica como uma figura materna. Mãe é isto: é agüentar em silêncio as dores do mundo, sem se queixar, sem ter a quem recorrer - e ainda agradecendo ao Senhor.
scliar@zerohora.com.br




Martha Medeiros
11/05/2003



As mães de ontem e hoje

As mães do início do século passado eram mães em tempo integral. Cozinhavam, bordavam e ficavam em casa espiando os pivetes brincar no pátio, sempre alertas para quando o galho mais alto da árvore fosse almejado por eles. Desce daí, guri. Eram mães presentes e envolvidas, mães sem outras grandes ambições. Ouviam rádio, liam livros, mais tarde descobriram o cinema, mas respeitavam os limites da fantasia e da realidade. Sonhavam, essas mães, com galãs, com Paris, com uma hipotética autonomia, mas os questionamentos existenciais não pesavam na alma, eram mães que não eram tentadas pelo possível, apenas pelo irreal.

Já as mães do início deste século lêem a Nova, a Marie Claire, a Claudia, a Elle, e livros que contam aventuras femininas, biografias, entrevistas da Madonna. As mães de agora trabalham, têm colegas, relacionam-se, saem sozinhas com as amigas, viajam, são livres e independentes. São mulheres que têm o mundo ao alcance dos seus desejos. Conquistaram o direito maior: fazer escolhas. Ter filhos, mesmo quando é a ambição maior, deixou de ser a única.

Digo isso porque somos inclinados a achar que o passado sempre foi um tempo melhor, mais razoável de ser vivido, com valores menos flexíveis que os de hoje. Se a gente for pensar na violência urbana e na vulgarização dos costumes, o passado traz mesmo boas lembranças, mas a maternidade ganhou muito com o tempo. Ganhou mães por opção.

Não é nada fácil ser mãe hoje. Não só por causa das preocupações, estresse e tudo o mais que se comenta. Não é fácil porque elas poderiam não ter sido mães e ter sido felizes do mesmo jeito, porque poderiam não ter sido mães e terem se realizado numa vida menos estável, poderiam não ter sido mães e terem seu tempo igualmente ocupado com outras emoções intensas. Mas quiseram ser mães. São mães. Dividem esta tarefa com todas as outras tarefas.

Desejam às vezes estar em outro lugar, desejam às vezes serem menos requisitadas, menos equilibradas, menos exemplo de vida, mas são mães, estão onde têm que estar, não abandonam seu posto, reconhecem sua doação e também o que recebem em troca, quiseram ser mães, enfrentam pequenas renúncias diárias e ainda assim são mães sensacionais, são mães não porque a vida pra isso as conduziu, mas por vontade própria, porque compraram esta briga, porque optaram por se desmembrar em tantas, porque têm um legado pra deixar de herança, não criam mais bibelôs, há gente de verdade sob sua guarda.

Parabéns a todas as mães que não precisavam ser mães, que tiveram acesso a outras opções de vida, que poderiam ter aberto mão se quisessem, mas que não abriram mão de nada e mostram todo dia do que são capazes.
martha.medeiros@zerohora.com.br




Luis Fernando Verissimo
11/05/2003


Novos loucos

Fiquei em pânico. Como aquilo podia ter acontecido logo comigo? Procurei ajuda médica. O médico não ajudou nem um pouquinho. Disse que era uma alucinação

Novos tempos, novas loucuras. As pessoas tinham pesadelos com automóveis, quando aqueles primeiros monstros barulhentos começaram a aparecer nas ruas. Outras foram tomadas pelo delírio de voar, depois das primeiras experiências com aviões, e atiravam-se de penhascos com asas mecânicas às costas, abanando-as furiosamente até se esborracharem lá embaixo. A eletricidade despertou a imaginação criativa de muita gente. Minha mãe conta que o pai dela fazia todos em casa se darem as mãos e depois enfiava um metal na tomada de luz: o choque que percorria a família inteira só podia fazer bem. Isto talvez explique o subseqüente comportamento estranho de alguns descendentes. De acordo com a lógica que diz que com a invenção do fogo, inventaram o piromaníaco, cada nova técnica inaugura uma nova forma de loucura.

Como a da Jussara, por exemplo. Jovem executiva, dinâmica, sem tempo a perder, foi a primeira do seu grupo a usar o celular de ouvido, aquele que permite a pessoa ficar em permanente contato com o mundo, com as mãos livres. No outro dia, conta a Jussara, ela teve o seguinte diálogo pelo seu fone atachado.

- Alô.

- Alô?

- Quem é?

- Eu.

- "Eu" quem?

- Pra quem você ligou?

- Quem fala?

- Hein?

- Eu quero falar com a Jussara.

- É a Jussara que está falando!

Juro, conta a Jussara. Eu estava falando comigo mesmo. Não me lembro se fui eu que liguei ou eu que atendi. Encerrei a conversa imediatamente, claro. Mas fiquei em pânico. Como aquilo podia ter acontecido? Procurei ajuda médica. O médico não ajudou. Disse que era uma alucinação, que eu precisava de descanso, e principalmente de tirar aquele fone do ouvido. Como eu posso fazer isso? E as chamadas que preciso receber o dia inteiro? E se eu mesmo estiver tentando me dar uma informação importante? E acho que não posso mais tirar o fone do ouvido. Não tiro nem para tomar banho. Ele e o ouvido já se integraram, já nasceu uma pelezinha, só tirando com o ouvido junto. Com licença... Alô. Jussara. Quem fala? Alô?

A palavra "atachado", aí em cima, não existe, claro. É um aportuguesamento de "attached", computês que quer dizer, ahm, assim, hmm, bem... "atachado". O computador também está criando muitos malucos novos. Como o Marco Tulio, que recebe e-mails do além, e responde. Marco Tulio garante que já se correspondeu com o papa Inocêncio III, Vitor Hugo, os marechais Deodoro, Rondon e Tito, Mata Hari, Roy Rogers, Carlos Gardel, Cristovão Colombo, Frank Sinatra, Lucrecia Borgia ("Uma simpatia!"), Moisés, Ankito etc. Descobriu o "chat room" em que todos se reúnem por acaso e não há dia em que não se comunique com um deles. Segundo Marco Tulio, como é difícil encontrar um assunto comum a todos, eles acabam trocando idéias sobre o equipamento de cada um.

- Vocês sabiam que o Voltaire tem um Pentium 4 com 256 megabaites de memória e processador de 2.4 hz?

Velhas superstições ganham novos adeptos com as novas técnicas. Tem gente que acredita que as câmeras fotográficas digitais não apenas capturam a alma do fotografado como a transformam em microimpulsos que sobem para formar um cinturão eletrônico em volta da terra, onde a mistura com o ozônio impedirá sua redenção final. Velhas crenças em misturas mortais, como a do leite com melancia, crescem para incluir, por exemplo, misturar "Subcomandante Marcos", tequila com pimenta e Prozac, e "magret de canard" antes de pular numa piscina, se você usa botox. Quem tem silicone deve passar pelos detectores de metais dos aeroportos de costas, senão os seios podem explodir. Guardar o viagra numa cesta com ovos frescos por uma noite e fazer o sinal da cruz antes de ingeri-lo aumentam sua eficácia.

Etcetera, etcetera.


Educação
Escolas começam a reagir contra as drogas



Sob pressão do tráfico, colégios recorrem à prevenção e, quando ela falha, até à polícia
Policiais são convidados a falar com alunos da Escola Nossa Senhora do Brasil, na Capital (foto Ricardo Chaves/ZH)




E ai estão as capas das duas revistas semanais para voce escolherem. Salientando sempre que o bom mesmo é adquirir as duas que como sempre trazem reportagens interessantes sobre os fatos da semana. Como a previsão é de que faça um domingo maravilhoso, pelo menos aqui em Portinho já que no Rio de janeiro, por exemplo, continua chovendo, aproveite para sair, andar, passear e visitar a sua mãe. Ou para receber a visita da sua, como aconteceu comigo. Ela acabou chegando agora as dezoito horas. Então, estou com minha mama em casa e isso é muito bom, até porque nem todos podem ter essa felicidade. A todos voces meus amigos, um bom domingo, abraços nas suas mamães e aproveitem de verdade o domingo.




Capa da Revista Isto É, deste fim de semana, que em razão de ainda estar fora a banda larga, não foi possível colocá-la ontem como de costume nos outros fins de semana. Amanhã bem cedinho já estará nas bancas de todo o País e numa pertinho ai de sua casa. E online ai no link. Boa leitura.




Caro assinante,

aqui estão os destaques de VEJA desta semana.

Boa leitura e bom fim de semana. Feliz Dia das Mães!

Kátia Perin - VEJA on-line
vejaonline@abril.com.br


O conteúdo integral das revistas estará disponível na internet a partir de sábado à tarde

Especial
O brasileiro José Luis Cutrale e sua família detêm 30% do mercado global de suco de laranja, a mesma participação da Opep no negócio de petróleo. Sua empresa, fundada por seu avô no começo do século, é responsável pela venda de um de cada três copos de sucos de laranja comercializados no exterior.

Brasil
Lula faz da palavra seu principal instrumento de governo, e diz o que poucos políticos já ousaram dizer. Até esta sexta-feira, Lula contabilizava 60 pronunciamentos oficiais. Só em abril, foram 25 discursos.

Internacional
No ocaso de sua ditadura no Iraque, Saddam Hussein acrescentou um título espetacular ao seu currículo: o de maior ladrão de banco da história. Ele surrupiou 1 bilhão de dólares em dinheiro vivo dos cofres do Banco Central iraquiano.

Entrevista
Condenado à morte por fanáticos muçulmanos em 1989, o escritor Salman Rushdie diz que já não teme seus inimigos, mas acha que a religião é um veneno para o mundo.

Cidades
O Queens, um bairro pobre de Nova York, entra no circuito das artes e do turismo. Até o Museu de Arte Moderna (MoMA), cuja sede em Manhattan passa por uma reforma, transferiu seu acervo para lá.
No site: acesse galeria de fotos.

Ciência
Um artigo publicado no Journal of the Royal Society of Medicine, uma das mais importantes revistas científicas da Inglaterra, diz que o alemão Albert Einstein e o inglês Isaac Newton provavelmente sofriam de uma doença conhecida por Síndrome de Asperger, um tipo de autismo.

Riqueza
A fortuna do espanhol Amancio Ortega, dono da marca Zara, é a maior do mundo da moda. Ele tem 1.600 lojas vendendo suas roupas em 45 países, entre eles o Brasil.

Economia
Grande parte dos brasileiros que sonham mudar de vida pensam em abrir uma pousada. Na opinião de especialistas, porém, é preciso muita cautela, pois os riscos são grandes.
No site: acesse endereços sobre o assunto.

Comportamento
O rap, estilo de música nascido nos bairros negros dos EUA, ficou restrito aos guetos por mais de duas décadas, Atualmente, rappers homossexuais já fazem sucesso cantando o gênero que se consolidou como homofóbico.

Artes e Espetáculos Especial: Com The Matrix Reloaded, os irmãos Wachowski iniciam a nova fase de seu plano de dominação global. Sua primeira providência: reinventar a ciência do cinema.

Cinema: Em Embriagado de Amor, o humorista Adam Sandler tira sua máscara de comediante e revela um mundo de frustração, neurose e insegurança.

Música: O cantor Ney Matogrosso não é bom moço nem galã. Mas sua maneira de cantar enlouquece as senhoras brasileiras. Seus shows são repletos de mulheres na terceira idade, animadíssimas com o rebolado do artista.
No site: acesse músicas e fotos do artista.

Livros: No livro Gênio, o crítico Harold Bloom estuda 100 gênios da literatura mundial, entre eles o brasileiro Machado de Assis e os portugueses Luís de Camões, Eça de Queirós e Fernando Pessoa.
No site: leia trechos do livro.

Os melhores cinemas da cidade
A opinião de quinze especialistas e os preferidos do público.

O grande show da literatura
A Bienal do Livro completa vinte anos e reúne mais de 900 editoras no Riocentro.




David Coimbra
10/05/2003


Foto(s): Arte/ZH

Alguém Algum Dia Vai Ter De Me Explicar Esse Troço

Vamos dar seqüência à nossa palpitante série, agora com dúvidas dos leitores. Ó:

O leitor Rafael de Oliveira tem duas dúvidas.

Dúvida A: por que a região conflagrada da grande área é chamada de Zona do Agrião? Procedente, o questionamento. O agrião é uma salada saborosa, a minha mãe sabe fazer um agrião ótimo, com vinagre de vinho, azeite de oliva, sal e uma pitadinha de pimenta. Além disso, extrai-se dele um eficiente remédio contra a tosse. Hmmm... Salada talvez tenha algo a ver com confusão, uma vez que a salada é uma misturança, bem próprio daquele alvoroço que se dá nas cobranças de escanteio. Mas por que o agrião em particular? Poderia ser Zona da Alface, ou Zona da Chicória, ou Zona da Beterraba, só que não é nenhuma delas. É agrião. Alguém aí pode me dizer por quê?

Dúvida B: a banheira. Diz-se do jogador impedido que ele está na banheira. Por que seria? Pus-me a refletir acerca da banheira. Lembrei da primeira vez que tomei um banho de banheira. Estava na Itália, em Milão. Como se sabe, os europeus não são dados a banhos de chuveiro. Está certo, não são apreciadores de banhos em geral, mas os chuveiros creio que os europeus os abominam. Eles têm lá a banheira e, acoplado a ela, um chuveirinho que parece um telefone na ponta de uma mangueira. Devem ter uma técnica especial para tomar banho com o chuveirinho, devem ter, porque é complicado. Quando você vai lavar a cabeça, por exemplo, precisa segurar o chuveirinho ou entre as pernas ou com o ombro e a cabeça. Difícil.

Mas, enfim, lá estava eu, no gigantesco hotel Leonardo da Vinci, em Milão, enchendo minha banheira de água quente. Mergulhei nela e, aaaahhhh, que sensação deliciosa. Repousante, sim, senhor, aquilo era repousante. Quase dormi na banheira. Mas, quando saí, Jesus!, me deu um banzo, minha pressão despencou, tive de me deitar para não desmaiar ali mesmo, feito um saco de pano vazio. Concluí que banho de banheira era algo perigoso. Depois percebi que deve ter sido o efeito da longa viagem, porque hoje tenho banheira em casa, com hidromassagem e tudo, e nunca tive problemas.

Dito isso, volto a perguntar: por que o jogador impedido está na banheira? Por quê? A gente não sabe nada neste mundo, realmente.

Correr atrás do prejuízo.

Por que alguém faria isso? A gente corre atrás das coisas que quer pegar, não é mesmo? Sobretudo das mulheres, nossa vida é correr atrás das mulheres. Mas quem, afinal, quer sair em perseguição a um prejuízo para finalmente agarrá-lo? Pois é. Então, por que um time que está perdendo corre atrás do prejuízo? Para tomar uma goleada de vez? Estranho...

O leitor Fábio Brodacz escreveu pedindo que lhe dirimisse a seguinte cisma:

Por que o Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense não é chamado de Porto-Alegrense? E, se o que vale é o Grêmio, então o Sport Club Internacional não deveria se chamar Sport?

Proponho um meio-termo, Fábio: que o Grêmio, agora, passe a se chamar Foot-Ball; e o Inter, Club. Já estou vendo as torcidas cantando:

¿ Eeeeeeu soooou Cluuuuub, com muito orgulho, com muito amoooooor...

Ou:

¿ Dá-lhe, dá-lhe Foot-Baaaaaaall...

Vai ficar legal.

Claudiomiramente
O Claudiomiro disse que quer tomar um chope comigo. Disse aí para o Diogo e o Benfica, que cobrem o Grêmio. Veja a minha fase: o Claudiomiro. Nenhuma loira de olhos translúcidos, nenhuma morena de perfil espanholado. O Claudiomiro. Zagueirão, quase um metro e noventa de altura. E feio. Pô!

É que o Claudiomiro não gostou de críticas que fiz a algumas de suas atuações, então queria saber se tenho algo contra ele, imagino que seja isso.

Mas já que estamos com chopes praticamente agendados, vou aproveitar para fazer o seguinte: vou ELOGIAR o Claudiomiro. Pois se o Claudiomiro às vezes é tosco, se às vezes ele se precipita ao dar o combate ao atacante, não se pode negar que o Claudimiro nunca, jamais se amedronta. A bravura do Claudiomiro é tamanha que contagia os demais jogadores. Foi assim que jogou Gavião, quinta-feira: jogou como um Claudiomiro, sem vacilar, entrando em cada bola de dentes cerrados e músculos explodindo. E nos primeiros 20 minutos de jogo foi desta forma que o Grêmio inteiro se comportou: claudiomiramente, marcando sem dar quartel, espanando a bola quando necessário, ganhando o jogo a dentadas.

É desse jeito que joga o meu colega de chope.
david.coimbra@zerohora.com.br




Paulo Sant'ana
10/05/2003


Amnésia

Esses dias fiz aqui uma coluna inteira lamentando o precário estado das estradas federais no Rio Grande do Sul, chamando a atenção também para a paralisação do projeto de duplicação da BR-101, que liga Florianópolis a Porto Alegre.

Na ocasião, chamei a atenção para o fato de o governador Germano Rigotto estar apoiando o presidente Lula da Silva em todas as iniciativas para as reformas previdenciária e tributária.

E concluí que era de se esperar que o governador gaúcho usasse de sua influência junto a Lula para que as BRs gaúchas fossem imediatamente reparadas, com a duplicação da BR-101 reiniciada.

Zero Hora de ontem publicou que entre os pedidos de Germano Rigotto a Lula, na audiência de anteontem em Brasília, estava a solução para as obras da BR-101 e a conservação das rodovias federais no RS.

E que o presidente afirmou que as obras de duplicação do trecho sul da BR-101 vão começar em breve. E em relação à recuperação das rodovias federais no Estado, o governo acenou que pedirá o auxílio da Petrobras numa operação tapa-buracos.

É então de se reconhecer que Germano Rigotto está atento e dinâmico na defesa dos interesses gaúchos junto ao governo federal, surtindo efeitos benéficos ao RS a sua aproximação com Lula e seu apoio às reformas, delicada e meticulosa estratégia que o governador gaúcho se traçou.

Os observadores políticos concluem que Rigotto está se portando com maestria nesse comportamento, desconhecendo até mesmo as críticas que o PT gaúcho fez a seu governo no horário político.

Foram os próprios deputados federais petistas que pesquisaram nos anais do Congresso um voto de José Dirceu na Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados, em 1999, sobre a cobrança de contribuição previdenciária dos inativos.

Entre outros argumentos, José Dirceu, hoje principal articulador político do governo e chefe da Casa Civil, assinou embaixo desse texto: "Trata-se sem dúvida de grave incoerência: não é possível assegurar ao aposentado ou ao pensionista regime de previdência de caráter contributivo, a menos que se queira dar-lhes direito a nova aposentadoria ou pensão, ou seja, direitos derivados daqueles que já exercem, adquiridos em função da nova contribuição. Isso porque, como é óbvio, aposentados e pensionistas já integram o regime de previdência, como beneficiários".

Já na convenção do PFL de anteontem, o líder do partido na Câmara, José Aleluia, mostrou a todos os presentes um fita de áudio com entrevista de Lula durante a campanha presidencial. Olhem o que dizia o candidato: "Os servidores públicos de hoje têm razão em brigar, até porque uma decisão do Supremo Tribunal Federal garantiu a eles o atual sistema de aposentadoria, então você não pode mexer. Quem vier aqui dizer para vocês que vai mexer está mentindo. A regra não pode mudar para quem já está porque é uma decisão do Supremo Tribunal Federal".

Esses dois flagrantes desconstroem completamente a intenção do PT de expulsar seus membros que votarem contra a taxação dos inativos.

E mostram que se cria prática republicana no Brasil: tanto Fernando Henrique quanto Lula, quando no poder, apelam para que esqueçam o que disseram quando estavam na oposição.
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Ricardo Silvestrin
10/05/2003


Waly deu o bolo

Waly Salomão tinha me dado o ok por e-mail. Ele iria participar de um dos shows dos PoETs, o grupo de poesia e música do qual faço parte, junto com os poetas Ronald Augusto e Alexandre Brito. Nosso roteiro apresenta a tese e as evidências de que os poetas são ETs: "qualquer um pode ver / dentro da palavra poeta / tem um ET" - como cantamos no hino dos PoETs. Waly era um dos ETs convidados, mas inventou de morrer esta semana, que finda sem um dos mais inquietos poetas brasileiros contemporâneos.

Ali por 96, fui convidado pela Câmara do Livro para coordenar uma mesa sobre poesia e vanguarda na Feira do Livro de Porto Alegre. Entre outros convidados, estavam o Waly e o Mário Chamie, criador de um movimento póetico da década de 60 chamado Poesia Práxis. A discussão se polarizou entre os dois. Chamie, em sua fala, sempre deixava implícita uma crítica à poesia concreta. Nada mais natural, pois a Poesia Práxis nasceu num ambiente de crítica ao concretismo. Mas Waly não deixava barato nunca e rebatia sempre a fala de Mário, que por sua vez rebatia o que Salomão dizia. Eu, que devia coordenar, nada podia fazer, pois os dois ficaram literalmente possuídos pelo jogo infindável de argumentos contra e a favor do concretismo.

Quando deu uma brecha, talvez mais pelo cansaço, eu disse que, para a minha geração de poetas, aquele debate, em forma de militância, soava estranho. Na verdade, a oposição poesia concreta X poesia não concreta para mim não fazia mais sentido. Aprendi da poesia concreta o que ela trouxe em termos de teoria da poesia, em releitura da tradição literária, em revisão ou nova visão sobre autores consagrados ou marginalizados, em consciência da linguagem e de novas possibilidades criativas. Como também elaborei as críticas aos limites das argumentações concretistas quando afirmavam sobre a morte do verso tradicional ou as críticas mais contemporâneas sobre um certo fetichismo da linguagem. Mas prefiro ver a tradição literária como uma soma de experiências e de visões em torno do gênero poético. Esse gênero tão antigo e sempre renovado, a ponto de criar discussões acaloradas que, para um leitor não especializado, podem parecer coisas de ETs mesmo. E terminei minha fala dizendo um poema meu sobre isso tudo: "o primeiro poeta / já era o segundo / por mais que se cave / o buraco é mais fundo / a bênção Bashô / a bênção Drummond / dorme em paz Li Tai Pô / sonha Cruz e Souza com o som / a nave do novo / e sua viagem eterna / este poema / escrevi na caverna".

Depois do debate, houve uma sessão de autógrafos em que os participantes da mesa estavam presentes e pudemos conversar um pouco mais. Uma das falas de Waly que não esqueci é que era preciso se ter um diálogo altivo em relação à tradição literária. Ou seja, o passado é importante, mas precisamos olhá-lo de igual para igual. Trocamos uns poemas por e-mail e iríamos ter em breve um encontro bem mais extenso em que cantaríamos as canções compostas pelos PoETs e o homenagearíamos. Que bolo, hein, seu Waly!
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br




Lya Luft
10/05/2003


Visitas à velha senhora

Faz alguns anos me tornei visita. Primeiro, em seu apartamento com os móveis pessoais e objetos de antigamente. Depois passei a vê-la no quarto da clínica onde recebe cuidados que em casa já era impossível dar. Seu universo fora reduzido ao próprio mundo interior: ali comemorava 15 anos, ali era noiva ou tinha um bebê. Geralmente ostentava um sereno ar sonhador; em certas horas dialogava enfaticamente com quem só ela podia ver. Mais bem-humorada na alienação do que nos últimos anos de lucidez ameaçada.

Eventualmente parecia a elegante anfitriã que um dia fora: "Você quer um chá?", perguntava duas, cinco, 10 vezes, não por insistência mas porque ao indagar já o esquecia. Era um lampejo da que outrora recebia amigos na sua sala entre velhos tapetes persas e vasos de cristal, onde floresciam como requintadas esculturas daquelas inesquecíveis rosas do seu jardim, de nomes hieráticos e belos.

No começo me reconhecia, para logo me confundir com outras pessoas; depois, nunca mais percebeu quem eu era. O discreto quarto de agora e a casa de outros tempos fundiram-se, primeiro numa paisagem esfumada e nos últimos anos em praticamente nada. Limbo.

O que sonha, na redoma da sua desmemória? Embora dominada pela enfermidade que lhe trava cérebro e corpo, ela resiste ao tempo e ao meu desejo de ao menos mais algum contato - resiste até mesmo à morte.

Às vezes eu a pressinto, a Senhora Morte, à espreita num canto do aposento. Preguiçosa ou cruel, lixa as longas unhas roxas e cobre a cara com seus cabelos brancos de melancólica Rapunzel. Tem tempo, sabe esperar - espera demais, às vezes.

Há algumas semanas escrevi sobre a velhice, quando existem lucidez, afetos e projetos: existe vida. Para que não pensem que ignoro o lado da sombra, relato aqui um pouco das minhas inúteis e profundamente tristes visitas àquela velha dama.

Aconchegada na sua cápsula do tempo, da última vez que a vi, ela, que há muito não falava, entreabriu os olhos e disse baixinho para si mesma, para alguém - para ninguém: "Que bom estar assim, tão leve e tão jovem". E voltou a enrolar-se no xale de sua ausência.

Um dia finalmente a Senhora Morte há de se compadecer: sem dor nem alarde soprará a chamazinha tênue, fechando a última porta desse tão longo corredor, e levará consigo a velha dama. Mas o riso alegre, o passo enérgico, o perfume, a voz - e aquelas rosas - permanecerão comigo: imagens inapagáveis de quem na verdade já partiu, mesmo que ainda não tenham baixado todas as cortinas.




Ana Amélia Lemos
10/05/2003


Débito dos estudantes
Na próxima semana poderá ocorrer a primeira reunião de governo para examinar a solução para a inadimplência no crédito educativo. O estoque da dívida é de R$ 1,8 bilhão. O Ministério da Educação e a Caixa Econômica Federal ainda não se entenderam nesse impasse. A Secretaria Nacional do Tesouro será o fiel dessa balança. Ainda não há solução à vista mas "o governo quer resolver essa pendência que aflige milhares de estudantes gaúchos", garantiu o vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB), após reunião na CEF, quinta-feira.

Turismo
O secretário de Políticas de Turismo Milton Zuanazzi participa em Assunção, na próxima semana, da reunião do Mercosul que vai discutir temas relacionados ao setor, e em especial ao ecoturismo e turismo rural.

Aposentados
Titular da Comissão de Constituição e Justiça, o deputado José Ivo Sartori (PMDB) é contra a cobrança de contribuição de aposentados, prevista na proposta do governo que já está na Câmara. Sartori já tem pronta emenda que veta essa contribuição.

Convocação
O deputado Orlando Desconsi (PT) abre mão do pagamento extra na convocação extraordinária de julho, quando a União terá de desembolsar R$ 15 milhões. Já pediu ao departamento de pessoal que esse pagamento não seja efetuado na folha de julho da Câmara dos Deputados.

Transgênicos
O maior número de emendas à MP 113 que trata da comercialização da soja foi apresentado pelos deputados gaúchos, entre os quais Darcisio Perondi e Osvaldo Biolchi do PMDB.

Rebelião
Os deputados Cézar Schirmer, presidente do PMDB regional, e Mendes Ribeiro Filho, presidente do diretório metropolitano do PMDB, rejeitam qualquer acordo com o governo do PT. Essa também é a posição dos deputados Eliseu Padilha, Tarcísio Perondi e José Ivo Sartori.

Estrada
O deputado Franscisco Appio pediu, da tribuna da Câmara dos Deputados, que o Ministério dos Transportes asfalte a BR-470 (Nova Prata/Lagoa Vermelha) para facilitar o escoamento da produção da região nordeste.

Vinho e renda
O ministro da Agricultura Roberto Rodrigues quer conhecer a região produtora de uva e vinhos no Rio Grande do Sul. No encontro com empresários do setor, em Brasília, homenageou dois ex-ministros da pasta, o senador Pedro Simon (PMDB) e o deputado Francisco Turra (PP), que também compareceram ao encontro que discutiu uma política para a vitivinicultura brasileira. Reconheceu que os subsídios pagos pela França e Itália são elevadíssimos no setor de vinhos.
ana.amelia@zerohora.com.br



Segurança
Tática da BM inibe crimes em Lajeado



Aumento do efetivo, patrulhamento intensivo, blitze e operações especiais fizeram o número de ocorrências cair 28% no último mês (foto Roberto Vinícius, especial/ZH)




Queria lembrá-los que a Mel lá no site da Melgama tem uns cartões lindos para serem enviados para o dia das mães, para os amigos e para tantos outros motivos. O link voces tem a esquerda ai no Blog. Para quem gosta de contos, continuo lendo e curto enormemente já há algum tempo o caderno mágico do Denis e agora recentemente o Blog Não discuto de minha patrícia que se chama Patrícia.

Temos fotos lindas e recente sobre Porto Alegre lá no Porto Imagem e poesias e imagens linda lá no Blog da Clara Temporal. A Kelly Coimbra continua enviando aqueles emails fantásticos, bem como a Jane marion, meus amigos valdemar e Orbatiuck. E assim tantos outros amigos e pessoas continuam fazendo seus trabalhos admiráveis e que só por isso já vale a pena ficar aqui lendo, mesmo que com linha discada, com temperatura baixa, e assim pela madrugada a dentro.




Como continuo sem ADSL, pois a Brasiltelecom, desta vez já está me deixando pelo terceiro dia consecutivo sem estabilidade nas linhas, tenho que usar linha discada e ai é impossível ficar pagando duplamente para obter o mesmo serviço. Assim tenho consultado os emails unicamente. Mas amanhã, sábado ficaram de resolver de uma vez por todas, ou simplesmente volto para o virtua a cabo e não terei mais problemas com o ADSL. As coisas são simples, é que de vez em quando, nós queremos complicar tudo. Fiquem com os anjinhos e não esqueçam de adquirir ou arranjar o presente para as suas mamães, amanhã.

Elas ficam falando, "não só preciso de um abraço", mas no fundo tem alguma coisa material de que elas sempre gostam além do abraço evidentemente.


Sexta-feira, Maio 09, 2003




De Niro vale o ingresso

O Último Suspeito traz o celebrado ator como policial que vê o filho drogado se envolver num assassinato



Lamarca (Robert De Niro) tenta proteger o filho (James Franco) que ele abandonou ainda criança

Existe um princípio mulherzinha que diz: filme que tem Brad Pitt no elenco nunca é ruim. Afinal... tem Brad Pitt! O mesmo princípio poderia ser aplicado a produções estreladas por Robert De Niro, claro que mais pelo talento dramático do ator do que propriamente por seus dotes físicos (se bem que ele continua batendo um bolão, prestes a fazer 60 anos). Mas, verdade seja dita, de uns tempos pra cá Mister De Niro tem se metido nuns projetos meia-bomba. Deve ser preguiça, acomodação, vai saber.

O caso de O Último Suspeito (City By The Sea), que chega hoje ao circuito, é um pouco diferente. De Niro está bem na pele do investigador Vincent LaMarca, profissional respeitado mas angustiado, que mantém uma relação morna com a namorada Michelle (a ótima Frances McDormand), de quem tenta esconder um passado doloroso. Mas o filme do diretor escocês Michael Caton-Jones, embora tenha uma trama interessante, é um tanto arrastado. Começa como um thriller policial, passa ao drama familiar e volta à ação no fim, quando o espectador já está meio cansado daquilo tudo. Mas, lembre-se: tem De Niro em boa forma.

Vamos à história: 14 anos depois de ter abandonado a família na decadente Long Beach, LaMarca descobre que seu filho, o viciado Joey (James Franco, de Homem-Aranha), é o principal suspeito da morte de um traficante. Dividido entre o dever de prender o filho e o desejo de tentar salvá-lo da justiça, o policial precisa voltar à cidade à beira-mar (daí o título original) para enfrentar o passado. A trama foi inspirada num caso real.

Promoção.Os 20 primeiros leitores que ligarem entre 9h15 e 9h40 para 0800-909021 ganham dois ingressos e uma camiseta oficial de O Último Suspeito. Os 30 seguintes ganham dois ingressos para assistir ao drama policial.

Humor com sexo trocado

Homem vira mulher e mulher vira homem na comédia Garota Veneno, mais uma a fazer graça com o tema

Tatiana Contreiras



Lulu (Alexandra Holden), April (Anna Faris) e Keecia (Maritza Murray ): unidas para ajudar Jessica (Rob Schneider)

Duas pessoas completamente diferentes trocam de corpo por causa de magia antiga. Parece meio batido? E é. Garota Veneno, que estréia hoje, traz para as telas a mesma idéia de clássicos da Sessão da Tarde, como Tal Pai, Tal Filho e Se Eu Fosse Minha Mãe com uma Jodie Foster jovenzinha. Se a idéia é velha, pelo menos a história ganha uma atualizada. Com o careteiro Rob Schneider (de Gigolô Por Acidente) no elenco, o filme até arranca umas risadinhas.

Não que seja um grande mérito. Schneider (que assina o roteiro, com o diretor Tom Brady) vive Clive, um ladrão bronco e asqueroso, que acidentalmente tem seu corpo trocado com o de Jessica (Rachel McAdams, a cara da atriz Regiane Alves), patricinha popular e malvadinha. Praticante de pequenas crueldades no cotidiano, um dia Jessica rouba uma relíquia: um par de brincos do Antigo Egito, usado numa magia. Um brinco cai na mão de Clive e pronto: eles acordam trocados.

Vivendo as agruras de ser uma mulher em corpo de homem, Schneider consegue fazer graça, principalmente nas cenas ao lado das amigas de Jessica, como April (Anna Faris, de Todo Mundo em Pânico e clone de Britney Spears). Mas fica claro que mesmo as engraçadas caras e bocas do ator não seguram a historinha fraca, sem maiores tiradas e seqüências e final previsíveis.

Para os desatentos, um aviso: produtor executivo do longa, o ator Adam Sandler faz uma ponta como um vendedor rastafari, valorizando um filme que tem destino certo: virar clássico das locadoras e da Sessão da Tarde, onde realmente vai cair melhor e ser até ótimo.



Amor na maturidade

Claire (Julia Blake) trai o marido com Andreas (Charles Tingwell)

A sexualidade na terceira idade é o mote do longa Amor Eterno Amor, que estréia hoje. Cinqüenta anos depois, o músico aposentado Andreas (Charles Tingwell) descobre que Claire (Julia Blake), a mulher que amou na juventude, mora em sua cidade. Ele escreve a ela propondo um encontro. Ela reluta, mas quando os dois se vêem, se sentem apaixonados como na juventude. O problema é que Claire vive um casamento morno com John (Terry Norris), que tentará fazer a mulher desistir da aventura. E, depois de anos de casamento, ela vai se sentir dividida entre o afeto do marido e o amante. Claire e Andreas viveram um caso à época do pós-guerra, na Bélgica, onde foram gravadas cenas em flashback. O longa também foi filmado na Austrália.




Amiga
Florbela espanca

Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor,
A mais triste de todas as mulheres.

Que só, de ti, me venha mágoa e dor
O que me importa a mim?! O que quiseres
É sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!

Beija-me as mãos, Amor, devagarinho...
Como se os dois nascêssemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...

Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei p'rà minha boca!...


De Joelhos

"Bendita seja a Mãe que te gerou."
Bendito o leite que te fez crescer.
Bendito o berço aonde te embalou
A tua ama, para te adormecer!

Bendita essa canção que acalentou
Da tua vida o doce alvorecer...
Bendita seja a Lua, que inundou
De luz, a Terra, só para te ver...

Benditos sejam todos que te amarem,
As que em volta de ti ajoelharem
Numa grande paixão fervente e louca!

E se mais que eu, um dia, te quiser
Alguém, bendita seja essa Mulher,
Bendito seja o beijo dessa boca!

Para quê?!

Tudo é vaidade neste mundo vão...
Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!

Até o amor nos mente, essa cançao
Que o nosso peito ri à gargalhada,
Flor que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisam pelo chão!...

Beijos de amor! P'ra quê?!... Tristes vaidades!
Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!

Só neles acredita quem é louca!
Beijos de amor que vão de boca em boca,
Como pobres que vão de porta em porta!...




Talvez você nem goste de jurisprudência, de julgamentos de leis ou assuntos afins, mas é interessante saber o que andam pensando nossos juristas, por isso coloco o post relativamente longo abaixo. Se você não gosta, pule por favor. Como hoje é sexta-feira, a noite já deverei colocar a capa da Revista Isto É e da Revista Veja se sair até lá.

Normalmente a Revista Veja só tem publicado a capa de sua revista no sábado, mas tudo bem. A sexta-feira está toda de azul em Porto Alegre, em razão da vitória de 3 x 0 ontem do Grêmio sobre o Olimpia do Paraguai, em que peze o céu estar com algumas nuvens cinzas e a temperatura continuar baixa. Vê-se gente vestida de sobre-tudo, de luvas de mantos, cachecóis e outras peças a mais, tornando tudo muito colorido, mas o que predomina mesmo é o cinza e preto.

Vamos para o fim de semana do dia das mães. Segundo fim de semana de maio que célere passa. Esperamos que seja ótimo, que tenha muitas alegrias e que acima de tudo seja cheio de graça. Uma ótima sexta-feira a todos nós.




Marco Antônio Birnfeld
Jornal do Comercio



Indenização para pastor evangélico cobrado por supostas ligações ao telessexo

A Brasil Telecom S/A vai ter que devolver R$ 2.253,54 que cobrou e recebeu indevidamente e pagar R$ 5.400,00 como reparação pelo dano moral ao pastor evangélico José Moacir de Andrade, 58 anos. As contas mensais de sua linha telefônica residencial passaram a apresentar, a partir de julho de 1998, grande número de débitos para serviços de telessexo, Globo-Promo, bolada milionária, telesorte, serviço de sabedoria e assemelhados. Como o pastor quitava a Brasil Telecom através de débito automático em conta bancária, os valores absurdos foram pagos e ele não conseguiu, administrativamente, receber a devolução. O número da linha telefônica foi trocado, mas no mês seguinte sucederam-se novos débitos por ligações semelhantes. Como Moacir negou-se ao pagamento da nova conta, a linha foi desligada. Ele ingressou em Juízo, buscando a devolução e uma reparação pelo dano moral.
A sentença de primeiro grau foi de improcedência, porque o juiz entendeu não ser possível fazer a inversão da prova - isentando a Brasil Telecom de comprovar que as ligações tivessem sido feitas pelo pastor. Houve apelação, improvida por maioria. Mas um voto vencido do desembargador Luiz Ary Vessini de Lima inverteu o ônus da prova pois há verossimilhança nas alegações e hipossuficiência do consumidor¿.
O pastor ingressou, então, com embargos infringentes, acolhidos por maioria (6x2) pelo 5º Grupo Cível do TJRS. A partir de voto do relator Paulo de Tarso Vieira Sanseverino, o julgado estabeleceu que a prestadora dos serviços de telefonia não se desincumbiu do encargo probatório¿, prevalecendo as alegações do autor de que não realizou as ligações. Tanto mais, ¿por ser aposentado, pastor evangélico, idoso e residir apenas com sua esposa¿. Atuou em nome do vencedor, a advogada Vera Maria Pinto. A decisão transitou em julgado. (Proc. nº 70004009692)

Dono de jornal condenado por chamar promotor de alienígena

O proprietário do jornal Novo Tempo, de Garibaldi, Fernando Carlos Mayer, foi condenado a dois anos e seis meses de reclusão, pela ¿prática de discriminação contra raça¿. A vítima foi o promotor de Justiça Damasio Sobiesiak. Ele foi atingido por uma publicação jornalística afirmando que ¿se trata de um alienígena (*) de passagem por Garibaldi. A juíza Rosangela Menezes converteu na sentença - em que pese ¿os antecedentes do réu não sejam bons, pois responde a inúmeros processos - a pena privativa de liberdade em restrição de direitos. Assim, Mayer deverá pagar dez salários mínimos (R$ 2.400,00) a uma entidade com destinação social. Foi mantida a sanção financeira (30 dias-multa, à razão de 1/10 do salário mínimo, equivalendo a R$ 720,00). A sentença já foi atacada por recurso de apelação ao TJRS.
Segundo a denúncia, as imputações foram de nítido rancor, porque o promotor de Justiça Damasio Sobiesiak ingressou com ação civil pública contra a empresa jornalística Promonal Ltda., de propriedade de Fernando Carlos Mayer. Essa ação obteve liminar, sustando o pagamento de R$ 17.600,00 que seria feito pelo Município de Garibaldi. O promotor Damasio já tinha sido desagravado pela Associação do Ministério Público, ante outras referências jornalísticas desairosas.
A denúncia foi recebida pela juíza de Garibaldi em 25 de junho de 2001, sendo decretada a prisão de Fernando Carlos no dia seguinte, com o seu recolhimento ao presídio estadual de Bento Gonçalves. O jornalista foi liberado no mesmo dia pela concessão de um habeas corpus no TJRS. Ao depor, Fernando, assumiu a autoria dos artigos jornalísticos, defendendo que ditas manifestações não foram efetivadas com a intenção de praticar ato de discriminação racial. Essa tese foi rechaçada na sentença porque outras publicações afirmaram que os membros do Ministério Público são alienígenas; pessoas estas que estão de passagem, sem história, sabe-se lá de onde vieram e para onde vão. (Proc. nº 16.801)

(*) Alienígena - que ou quem é natural de outro país; estrangeiro, forasteiro; que ou o que pertence a outros mundos; de origem estranha, estrangeiro; (Fonte: Dicionário Houaiss)


STF barra cobrança de inativos no Rio

O STF acabou, de uma vez por todas, com a expectativa de o governo do Rio de Janeiro cobrar uma contribuição dos servidores inativos. A decisão foi unânime e confirmou vários precedentes do STF contrários à cobrança. O tribunal já derrubara a primeira tentativa do Rio de cobrar os inativos, em abril de 2000. Na ocasião, os ministros consideraram inconstitucional a lei estadual nº 3.189, de 1999, que previa o pagamento. O governo do Rio não se deu por satisfeito e manteve a cobrança. Alegou, para tanto, que dois dispositivos dos decretos-lei estaduais nº 83 e 99, de 1975, autorizavam a taxação de 2% sobre os benefícios de aposentadoria e pensão dos servidores inativos do Estado.
A Procuradoria Geral da República entrou com uma reclamação contra o Estado do Rio e o STF concedeu liminar para barrar a taxação, em setembro de 2000. Agora, o STF julgou o mérito e manteve a suspensão de cobrança. A decisão mantem o entendimento do STF de que não pode incidir contribuição previdenciária sobre aposentadoria e pensão, como diz o artigo 195 da Constituição. Juristas ligados ao governo acreditam que este entendimento pode ser modificado, se o governo alterar o artigo 195 por emenda constitucional. Essa seria a saída para instituir a cobrança, já que o STF decidiu, em 1999, que o governo não pode implementá-la por lei ordinária.
O relator do processo dos servidores inativos, ministro Gilmar Mendes, considerou "inadmissível" a alegação do Estado de que poderia cobrar dos servidores aposentados com base em decretos-lei de 1975. Ele citou precedentes do tribunal que suspenderam esse tipo de taxação. Em outubro de 1999, o STF já derrubara a contribuição aos inativos do Estado do Amazonas. Em dezembro daquele ano, o STF impedira o Município do Rio de cobrar dos aposentados e pensionistas municipais. Os demais ministros seguiram o voto de Mendes.


Bem hipotecado para garantir crédito pode ser penhorado para quitar dívida alimentar

O bem dado em garantia de dívida já vencida pode ser livremente penhorado por outras dívidas. Mas o bem hipotecado em garantia de dívida - ainda por vencer - só pode ser penhorado pelo crédito alimentar da autora da ação de indenização correspondente à pensão alimentar, mas não para a parcela correspondente ao dano moral. O entendimento é da 4ª Turma do STJ e foi firmado em um recurso em que o Banco do Brasil buscava o reconhecimento de que seriam impenhoráveis os bens dados em garantia por cédula hipotecária. O bem estava para ser penhorado para pagar indenização a uma jovem em razão da morte de toda sua família, em acidente automobilístico em São Paulo.
Em setembro de 1992, Camila Porto perdeu os pais e os dois irmãos em um acidente de carro, causado por Sebastião Pugliani, que dirigia na contramão, uma camioneta de seu pai (João Pugliani). Camila, então com 11 anos de idade, ajuizou ação de indenização contra pai e filho. Ambos foram condenados a pagar pensão mensal de 2/3 dos salários de seus pais, até que a menina completasse 25 anos, despesas de funeral e sepultura das quatro vítimas e 1.200 salários pelo dano moral.
Como não pagaram os valores da condenação, o representante da menor pediu a penhora de bens de João Pugliani. A medida levou o BB a protestar por preferência, no caso de arrematação, embora defendesse a impossibilidade de ser penhorado bem já hipotecado. A pretensão foi indeferida pelo TJSP, levando o banco a recorrer ao STJ.
Para o relator do caso, ministro Ruy Rosado, o bem dado em hipoteca para garantia de crédito rural é impenhorável, enquanto não vencida a dívida. Depois do vencimento - que é o caso de uma das propriedades de Pugliani, dada em garantia a uma dívida vencida desde 1999 - pode ser livremente penhorado por outras dívidas. O ministro ressalta que o crédito tipicamente alimentar é privilegiado porque deve ser pago, antes dos demais. Não há lei que assim estabeleça, mas tal posição decorre do preceito constitucional que determina a prisão do devedor de alimentos, a evidenciar que essa obrigação é mais relevante do que as demais¿, conclui (Resp nº 451199)

Pérolas processuais

1) De um avaliador, descrevendo bens para penhora, em execução: "... o material é imprestável mas pode ser utilizado".

2) Decisão em uma execução, no Mato Grosso: "Arquive-se esta execução, porque o exequente foi executado (a bala) pelo devedor."

3) De um termo de encerramento de laudo judicial, em processo que tramitou perante Vara Cível do foro João Mendes - SP : "Os anexos seguem em separado".




José Simão
simao@uol.com.br


Beira-Mar Urgente! Passar pó engorda?

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E o Beira-Mar tá cada dia mais gordo. Obeso! Eu acho que vou abrir uma academia pra traficante: Drug Fitness! Ou melhor: PÓ FITNESS! Ministério da Saúde adverte: passar pó engorda! Rarará! Diz que é a comida da primeira classe da Polícia Airlines! Deve ser melhor que aquele canelone de plástico da Varig! Que vai se juntar com a TAM e formar a TAVA. Viação Tava: tava no horário, tava barato e tava de overbook!

Aliás, eu desafio qualquer companhia aérea a falar pra Heloísa Helena: 'A senhora não pode embarcar porque tá de overbook'. Precisa ter muito peito! Rarará!

Favela da Rosinha Urgente! Tô adorando o Capitão Bolinha, ops o Garotinho: 'A situação é de descontrole'. Quem manda isolar o Beira-Mar? Rarará! E que bom que ele avisou, senão como é que a gente ia saber? E diz que o Ministério da Justiça vai adotar uma resposta padrão quando perguntarem onde se encontra o Beira-Mar: 'Em trânsito'. Rarará! Tá preso no trânsito!

Aquele concorrente do Viagra, o Levitra, acaba de ser lançado na Argentina: Levitra Perón! Rarará! E tem muita gente preocupada com a taxação dos inativos. Tanto que uma velhinha falou pro velhinho: 'É verdade que vão tributar o teu pinto?'. Rarará! E Reforma de Previdência é sempre assim: você morre e continua pagando! E diz que aposentado não morre de velhice, morre de ódio!
Hoje no Tom Brasil, Show da Heloísa Helena! A Heloísa Helena virou performática, multimídia. Já tá dando show!

Ela foi dar uma palestra no Maranhão e o convite-flyer era o seguinte: 'Sarney que se cuide, Heloísa Helena vem aí'. E existe agora uma nova gíria: baixar uma heloísa helena. 'O cara quis folgar comigo mas aí baixou uma heloísa helena e botei ele pra correr.' E tem aquela amiga minha que achou uma gata na rua, pegou pra criar, a gata se revelou uma encrenqueira, arranhou todo mundo e foi batizada de Heloísa Helena! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que eu estava ouvindo a rádio Bandeirantes quando um coronel disse: 'Estamos tomando todas as precauções para que não ocorra traslado ou subtração do Beira-Mar'. Tucanou a fuga! Socorro. Tá mais fácil acabar com a gripe asiática que com o tucanês!

Atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Prudente': companheiro que separou dinheiro pro dentista. Sem medo de ser feliz. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Email simao@uol.com.br




Joelmir Beting
Sexta-feira, 9 de maio de 2003


Mãos ao alto!

O arrocho monetário é um mal desnecessário. Até por overdose, o crédito bancário curto e caro funciona como veneno puro disfarçado de remédio duro.

Sim, a doutrina econômica reinante ainda acredita que o terrorismo financeiro da produção e do consumo é a única vacina eficaz contra o coronavírus da inflação de demanda.

A pajelança da usura consentida e estimulada, segundo essa mesma dissonância cognitiva de base acadêmica, deve ser aviada até mesmo em casos clinicamente comprovados de inflação de custos. Incluídos os próprios "custos financeiros proibitivos da produção", no grifo do empresário José Alencar, que está vice-presidente da República.

Faltou dizer: o arrocho monetário do setor privado rebate feito bumerangue no serviço da dívida do setor público. O governo é o maior devedor no sistema financeiro nacional. Ele empina um papagaio do tamanho do Everest.

Algo acima de 55% do PIB. E, na rolagem dessa dívida, quem acaba determinando a taxa de juros não é o governo sem opção, é o tal de "mercado" sem coração.

Ao Brasil que arrisca, emprega, trabalha, produz e consome, a oferta de crédito bancário tem ficado de há muito abaixo de 25% do PIB. Ou em exatos 23,7% em março último. Sobre o primeiro trimestre de 2002, o garrote de janeiro a março concedeu um refresco de mais 4,1% para o setor industrial em troca de uma redução de 14,1% para o comércio e os serviços.

Esse purgante financeiro criogênico, destilado por um monetarismo equivocado e anoréxico, constitui o maior gargalo institucional da economia e da sociedade. Um desvio de rota que estiola a economia, incapacita o governo e empobrece (e embrutece) a sociedade. Só há um ganhador líquido com esse modelo no qual "as taxas de juros não passam de um verdadeiro assalto":

bancos e fundos aqui dentro e lá fora. Os nossos continuam desfilando rentabilidade de até 25% do patrimônio líquido.

O certo é que da aplicação dogmática do arrocho monetário desde a "debt crisis" dos anos 80, temos que o PIB brasileiro passou do crescimento médio sustentável de 7,1% ao ano na década de 70 para 2,2% na década de 90. Ou para 1,3% neste triênio 2001/2003. Abaixo do crescimento continuado da população, agora pelo trote bem comportado de 1,4%.

Enquanto isso, o governo Lula (exceção do vice Alencar) lava as mãos para essa monetarice importada da Escola de Chicago e prefere atacar bois de piranha intelectuais do tipo intervenção ou não no câmbio, focalização ou não da plataforma social, adoção ou não do regime de superávit anticíclico...

SECOS & MOLHADOS

Assalto 1 - Inventário do IBGE revela que o consumo das famílias brasileiras movimenta diretamente 61% do PIB. O problema é que "as taxas de juros proibitivas" do crédito de bancos e de lojas oscilam ao redor de 110% ao ano. Sem alternativa. Aqui no Brasil, para diversas categorias de consumo, quem não deve não tem.

Assalto 2 - O consumo cotidiano igualmente é movido a crédito na classe média bancarizada. Consumo diário bancado por cheque especial e por cartão de crédito. Pois esse capital de giro da classe média, sem garantias bancárias, desfila juros, em média, de 177% ao ano no primeiro e de 194% ao ano no segundo.

Assalto 3 - E a classe pobre, refém do MSB - Movimento dos Sem-Banco? Bem, ela é atraída pelo canto de sereia de financeiras televisivas do crédito fácil. Pagando juros de até 335% ao ano. Fácil.




Varig tem quarto presidente em oito meses

Afastado de companhia por pressão de credores em 2002, Roberto Macedo volta à direção

Em mais um lance no jogo de poder dentro da Varig, o Conselho de Administração da empresa escolheu como novo presidente-executivo Roberto Macedo, funcionário de carreira afastado durante conturbada negociação com credores no ano passado.

Ele será o interlocutor da "velha guarda'' da controladora da Varig, a Fundação Ruben Berta (FRB), nas negociações de fusão com a TAM. Apesar de terem votado a favor do modelo de fusão apresentado pelo Banco Fator, os membros mais antigos do Conselho Curador da Fundação resistem em aceitar a perda de poder dentro da nova empresa. A Varig ficaria com apenas 5% da companhia que será criada com a união.

Macedo será o segundo presidente da companhia aérea este ano, depois que Manuel Guedes pediu demissão em abril. Desde agosto de 2002, quatro executivos já passaram pela presidência da Varig.

Ontem, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) confirmou ter recebido do banco Fator, que prepara a modelagem da fusão, um documento que pode ser aceito como uma carta-consulta sobre a disposição de participar financeiramente da nova empresa. O BNDES foi convidado, na carta, a participar das negociações com os credores da Varig. Os recursos desembolsados pelo banco na nova empresa dependerão do nível de adesão dos credores à reestruturação das dívidas - de US$ 1,2 bilhão. O banco Fator trabalha com cenário de aporte de até US$ 600 milhões.

Macedo foi afastado da Varig em outubro de 2002. Na época, capitaneados pelo então presidente da Varig Arnim Lore, os credores costuravam um acordo de reestruturação com o BNDES. O executivo era afinado com o presidente do Conselho de Curadores da Fundação, Yutaka Imagawa, contrário ao acordo com os credores.

A Varig confirmou que Macedo vai cuidar do "dia a dia da empresa, da relação com os órgãos governamentais e com os credores para garantir a fusão''. Alberto Fajerman, que ocupava a presidência interinamente, continua como vice-presidente de Planejamento.

A empresa
Frota: 109 aviões
Dívida total: US$ 1,2 bilhão
Funcionários: 18 mil*
Participação de mercado em 2002: 39,25%*
Patrimônio líquido: negativo em R$ 2,5 bilhões**
Faturamento: R$ 4,67 bilhões**
* inclui VarigLog e VEM
** referente ao período de janeiro a setembro de 2002.
A parceria

Com ou sem fusão, o acordo entre TAM e Varig mostrou resultados positivos em abril, com maior ocupação nos aviões das duas companhias no primeiro mês inteiro de operações conjuntas pelo sistema de code-sharing. A Varig passou de 58% de ocupação para 61%, e a TAM de 52% para 55%. A média do mercado ficou em 59%, segundo dados do Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea).




David Coimbra
09/05/2003


Como ir ao cinema sozinho

Isso de ir ao cinema sozinho. Durante a semana, nenhum problema. Chego de mão no bolso, tomo um expresso antes, dou a chamada passada d´olhos... peraí, um apóstrofo, estava ansioso para usar um na página 3. Vou até repetir: dou uma passada d´olhos no último Ed MacBain que comprei ali na livraria e, enfim, entro na sessão. Ao fim do filme, saio tranqüilo, vou para casa pensando na história, talvez encontre o Eduardo e o meu irmão Régis para um chope, e talicoisa.

O drama é o sábado à noite. Uma vez tentei ir ao cinema sozinho num sábado à noite. Cheguei lá e, puxa, todos aqueles casais. Eles ficaram me olhando:

- Olha aquele cara sozinho no cinema num sábado à noite.

Tenho certeza que apontavam para mim. Que cochichavam. Alguns riam. Eu, um cara sozinho, absolutamente sozinho, uma aberração. O que havia de errado comigo, que não estava de namorada? Será que ela havia me dado o bolo, coitado de mim? Será que nenhuma mulher dessa cidade fervente de mulheres solteiras, descasadas, viúvas, sequiosas de companhia, será que nenhuma delas queria ir comigo ao cinema justamente num sábado à noite???

Era o que comentavam. Sei disso! Comprei meu ingresso e me aprumei. Queria salvar minha dignidade. Tentei aparafusar no rosto uma expressão satisfeita, de quem estava sozinho por preferência, entendem? Uma opção. Ensaiei até um meio sorriso. Se tivesse um celular faria de conta que estava conversando com uma moça. Falaria no tom que habitualmente as pessoas usam ao celular. Aos berros:

- Alô? Ah, oi, Clá. Estou entrando no cinema. Por que não te convidei? Bem, Clá, tu sabes que gosto de ir ao cinema sozinho. A solidão também é importante, Clá. Lembra quando tu ganhaste o Garota Verão e as pessoas não te deixavam em paz? Pois é, Clá. A solidão às vezes é um bálsamo. Depois? Está certo, depois do filme nos encontramos, querida. O quê? Hein? Ah, pode ser aquela calcinha preta de rendinha que tu usaste a última vez...

Mas não tinha celular. O único recurso era a linguagem não-verbal. Como se parece uma pessoa completamente satisfeita por estar sozinha no cinema num sábado à noite? Já sei: sobrancelha esquerda levantada, olhar sonhador de quem está esperando uma noite inefável, talvez um assobiozinho. Sim, um assobio pega bem.

Foi assim que entrei na sala. O filme começou. O mundo ficou sem importância por duas horas. Esqueci de tudo, até que estava sozinho no cinema num sábado à noite. Mas, quando a ação acabou, as luzes se acenderam, como sempre se acendem. Os casais todos se levantaram, vestiram seus casacos, apanharam suas bolsas. Antes que reparassem em mim, saí pisando firme, sem olhar para os lados. Não queria encontrar ninguém conhecido. Deus me livre pegar a fama de quem vai sozinho ao cinema num sábado à noite.

david.coimbra@zerohora.com.br




Paulo Sant'ana
09/05/2003


Habemus centroavante!

Grande vitória do Grêmio. Passar pelo time que tirou o título do Grêmio no ano passado teve um sabor especial.

Mas acima de tudo a vitória se tornou ainda mais significativa pelo que ela promete para o futuro do Grêmio na Libertadores.

Rodrigo Fabri fez um golaço com o pé direito, ele que tem foguete no pé esquerdo. E já há quatro meses e meio não fazia gol, o que exasperava o torcedor.

Foi o gol e o jogo da redenção de Fabri, que, se voltar a ser o Fabri do ano passado, cruzando também a bola para o terceiro gol de Christian, garante ao Grêmio credenciais valiosas para chegar ao título.

Mas também foi a redenção de Christian. Aquele seu gol do primeiro tempo fez renascer no Olímpico o Christian colorado que encantou os torcedores do grande rival.

E tanto não vinha bem o Christian que as pessoas duvidavam até do que ele fizera no Internacional, esquecendo-se de que ele foi o maior centroavante colorado depois de Dario.

Aquela passagem do pé direito para o pé esquerdo e o chute certeiro para o encontro da trave e das redes serviram para dar confiança ao próprio Christian e à torcida, que agora se mune de mais fé, depois da reafirmação do ansiado centroavante.

E aquelas cabeçadas tantas que ele deu que há tanto tempo não dava?

Quem tem centroavante fica a um passo de ser campeão.

E foi também a redenção da torcida gremista. Há tempos afastada do Olímpico em grande número, a torcida atendeu aos apelos gremistas oficiais e extra-oficiais e foi ao estádio.

Os jogadores do Grêmio e de qualquer time ficam mais confiantes dentro de campo quando se sentem apoiados assim por um estádio lotado.

Na próxima fase, contra o Independiente colombiano, é certo que mais gremistas ainda irão ao Olímpico. E o Grêmio pode, a crer pelo progresso de Christian, pela recuperação de Fabri como goleador, que é seu único papel na intermediária do adversário, pelo chute forte que tem e que havia desaparecido, mas reapareceu ontem na mágica do pé trocado, pela afirmação dos outros todos jogadores que ontem não mereceram tecnicamente qualquer reproche, construir um escore aqui na próxima partida das quartas-de-final, que será dia 21 no Olímpico, que já poderá garanti-lo entre os quatro semifinalistas, antes mesmo do jogo de volta.

Esse foi o alento do jogo de ontem. A certeza de que agora temos time.

E parabéns ao Tite, que trocou com sucesso o caio pelo Luís Mário.

Quem tem centroavante tem time.

Quando Christian foi contratado, fiz uma coluna inteira agradecendo à direção gremista e afirmando que o presidente Flávio Obino estava tornando o time do Grêmio, com a aquisição do ex-colorado, uma equipe digna da grandeza tradicional do clube e do ano do centenário.

Depois, com as atuações discretas de Christian, cheguei a pensar que tinha errado na minha previsão.

Imaginem o meu contentamento ao ver o Christian ontem. Ele significou talvez a exata diferença do Grêmio de agora e o Grêmio do ano passado, quando fomos desclassificados perante o mesmo Olimpia por um rigor da arbitragem na cobrança de um pênalti, mas originalmente porque não tínhamos centroavante.

Agora temos. E aí tricoleia o olho da gateada.
psantana.colunistas@zerohora.com.br


Grêmio
Goleada com a marca de Christian



Autor de dois gols e principal nome do jogo, centroavante abraça Tite e festeja a vitória de 3 a 0
sobre o Olimpia, que leva o Grêmio às quartas-de-final da Copa Libertadores (foto Ricardo Duarte/ZH)


Quinta-feira, Maio 08, 2003




Varig e TAM impedidas de demitir até a fusão
Governo não aceita corte de 350 funcionários


Viegas, com a mão no gesso: responsável por negociar com as aéreas

BRASÍLIA - O Governo decidiu suspender as demissões na Varig e na TAM enquanto o processo de fusão não for concluído. A decisão revoga até o corte de 350 funcionários anunciado pela Varig no fim de semana. O ministro da Defesa, José Viegas, se encontra até amanhã com os presidentes da Varig, Alberto Fajerman, e da TAM, Daniel Mandelli, para notificá-los.

A decisão foi tomada em reunião com representantes dos sindicatos nacionais dos Aeroviários e dos Aeronautas e do Conselho de Administração da Varig. Manifestamos nosso descontentamento e o ministro disse que faria um esforço. Não sei até que ponto ele tem força política para bancar essa posição, disse Selma Balbino, presidente do Sindicato dos Aeroviários. Segundo ela, o Governo tem consciência de que haverá demissões com a fusão, mas alega que ainda não é o momento.

A partir de hoje, a Bolsa de São Paulo retira as ações da Varig do Nível 1 (espécie de selo de qualidade que garante ao investidor maior proteção). O motivo foi um novo atraso na entrega do balanço da empresa do ano passado.

Responsável por tentar contornar a crise no setor aéreo, Viegas é mais um integrante do Governo a usar gesso. Ele quebrou o dedo anular da mão direita em casa, enquanto fazia jardinagem. A cadeira em que estava quebrou e Viegas caiu sobre a mão.




Como enfrentar o Dia das Mães sem filhos

CLÁUDIA COLLUCCI
colunista da Folha Online


E ele chegou novamente. O fatídico Dia das Mães bate mais uma vez em nossas portas e nos lembra que mais um ano se passou e o filho tão desejado ainda não veio. Ao mesmo tempo, a data serve para renovarmos nossas esperanças. Afinal, só aqui neste espaço, quantas mulheres não relataram suas gravidezes durante este ano? Vamos lá, sejamos otimistas, é só uma questão de tempo! Por isso, levante a poeira e dê a volta por cima.

Para fazer deste dia (ou desta semana) algo a mais que um muro de lamentações cheios de por ques? por ques? e por ques?, tenho uma proposta a vocês. Que tal uma visita a um hospital infantil, a um orfanato ou alguma instituição que cuide de crianças órfãs ou abandonadas pelos pais?

Sei que nada preenche o vazio do filho que ainda não veio, mas, além de ser uma forma de extravasar o amor maternal, é uma excelente maneira de fazer uma criaturinha feliz, pelo menos por algumas horas. Infelizmente não tenho aqui uma lista de locais que possam ser visitados, mas creio que não seja difícil encontrá-los. É só uma questão de interesse.

Entendo que, para muitas de nós, essa não é uma tarefa fácil. Especialmente quando se tratam de crianças doentes. Eu, particularmente, estou determinada a enfrentar essa trava. Já me programei para visitar, no próximo sábado, uma instituição de crianças deficientes que ajudo financeiramente há três anos, mas nunca tive coragem suficiente de visitá-la.

Sei que devo derramar muitas lágrimas, já que sou uma chorona de carteirinha, mas tenho certeza de que é possível levar um pouco de alegria a essas crianças. E um pouco de paz aos nossos corações também.

Lançamento do livro - Quero convidar já por antecipação todas as leitoras do Rio de Janeiro para o lançamento do meu novo livro 'Por que a gravidez não vem?' (editora Atheneu), que acontece no próximo dia 17, no Rio Centro, durante a Bienal do Livro. O livro, como já falei anteriormente, foi escrito a partir das dúvidas publicadas nesta coluna nos últimos dois anos. Conta com a participação dos médicos, das psicólogas Malu e Sâmara e da advogada Patrícia Bono, que responderam às dúvidas de leitoras nesse período.

Abaixo-assinado - Tenho outra ótima novidade a vocês. Foi entregue ontem nas mãos do ministro da Saúde, Humberto Costa, o abaixo-assinado pedindo atenção para a área de infertilidade na rede pública de saúde. No texto, relatamos a cruel situação que passa hoje o casal brasileiro que não tem condições de recorrer às caras clínicas de reprodução assistida particulares. O ministro prometeu olhar com carinho para essa questão. É claro que nada vai mudar assim tão rapidamente no cenário da saúde pública, mas, pelo menos, o Ministério da Saúde está ciente de que o problema existe. Coisa que os governos passados pareciam ignorar.

Inseminação grátis - O Programa de Inseminação Artificial Intrauterina da Unifesp/Escola Paulista de Medicina reabriu inscrições e realizará duas reuniões com casais no mês de maio. O programa oferece o chamado 'tratamento de baixa complexidade', destinado a mulheres inférteis, que não precisam de uma terapia muito sofisticada para engravidar. Este tratamento é destinado às mulheres que apresentam certas características biológicas que impedem a ovulação, mas que podem ser tratadas apenas com baixas doses de hormônio. Nesses casos, não são necessárias técnicas mais complexas, como a fertilização assistida (também conhecida como bebê de proveta). O tratamento é gratuito, cabendo às pacientes os custos dos medicamentos. Porém, é mais indicado para mulheres com menos de 35 anos e com pouco tempo de infertilidade (menos de três anos).

As mulheres interessadas em participar do Programa da Unifesp deverão se cadastrar pelo telefone 0/xx/11/ 3897-1345. Elas serão atendidas por ordem de inscrição. As reuniões com os casais selecionados acontecerão durante o mês de maio, na Rua Botucatu, 725, Vila Clementino (SP).

Mediservice - Após a divulgação da informação sobre o convênio firmado entre a Mediservice, o centro de reprodução humana do hospital Albert Einstein e a Androfert, de Campinas, para a realização de fertilização in vitro, tenho recebido muitos e-mails de leitoras aflitas por informações sobre como ter acesso ao tratamento. Ontem, do diretor da Mediservice, Domingos Ciangoli Neto, passou-nos alguns esclarecimentos sobre o assunto:

1 - A Mediservice é uma administradora de planos de saúde e não comercializa planos de saúde individuais ou coletivos, apenas planos empresariais

2 - A pessoa que trabalha em uma empresa já parceira da Mediservice tem duas alternativas: negociar diretamente com o RH ou serviço social da empresa a cobertura integral da FIV ou procurar a Mediservice para que haja um encaminhamento direto às clínicas. Nesse caso, terá de pagar o preço fechado entre a Mediservice e as clínicas, cerca de R$ 5.000 por cada ciclo de FIV.




Bem que o Presidente poderia contratar o Tom, assim nem precisaria ligar pedindo apoio às suas reformas, era só pedir ao Tom que fizesse isso. E aliás, poderia até viajar e deixar que o Tom resolvesse os problemas por telefone em seu nome. Se a moda pega...

Quinta, 8 de maio de 2003, 10h38
Tom Cavalcanti passa trote em senadores


O humorista Tom Cavalcanti passou um trote em alguns parlamentares em Brasília ao imitar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ligações telefônicas. A brincadeira foi um pedido feito a Tom pelos senadores cearenses Tasso Jereissati (PSDB) e Patrícia Gomes (PPS).

O líder do PT, Tião Viana (AC), foi o primeiro a cair no trote. Viana foi logo recebendo uma bronca. "Você está me esculhambando no plenário", teria dito Tom, imitando Lula. "Presidente, aqui é o Tião, não é o Arthur [referindo-se ao líder do PSDB, Arthur Virgílio]", reagiu o líder, segundo o jornal Folha de S. Paulo. Viana gostou da brincadeira e admitiu ter pensado que se tratava mesmo de Lula.

O próprio Virgílio foi a segunda vítima. Ele levou o mesmo trote dado em Viana. Não entendeu o que estava acontecendo e logo uma assessora estragou a brincadeira, informando sobre o humorista.

O líder do governo, Aloizio Mercadante (PT-SP), não entrou no jogo. "A voz era boa, mas estranhei o canal. O Lula não ligaria para o Tasso para falar comigo", disse ao jornal.

Jereisati teve a idéia de passar o trote depois que Tom Cavalcanti enganou sua secretária, passando-se pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.




Paulo Sant'ana
08/05/2003


Miserabilização do funcionalismo
A Assembléia Legislativa aprovou anteontem o reajuste de vencimentos para o Judiciário, o Ministério Público e o Tribunal de Contas. Todos os integrantes desses setores, inclusive os funcionários subalternos, tiveram aprovado o reajuste de 28,8%.

Da mesma forma, os deputados estaduais e os funcionários do Poder Legislativo tiveram seus ganhos reajustados.

Esses poderes nada mais fazem, anualmente, do que preservar seus servidores da inflação.

Esse reajuste de 28,8% é, por exemplo, da mesma proporção dos reajustes das tarifas de energia elétrica e água.

É evidente, sob pena de ruína dos servidores públicos, que eles têm de ver reajustados anualmente os seus vencimentos, aliás como manda a Constituição Federal.

A grande massa de servidores do Estado, no entanto, serve ao Poder Executivo.

Ontem começaram a bater aqui na mesa do colunista os e-mails de servidores do Poder Executivo, que reclamam do governador Germano Rigotto a imediata reposição de suas perdas, a maioria das categorias há oito anos sem reajuste.

Quem tem apropriados e justos reajustes anuais, caso dos funcionários do Legislativo e do Judiciário, consegue equilibrar os seus orçamentos.

Mas quem não recebe nunca reajuste, caso dos funcionários estaduais do Poder Executivo, mergulha num processo de miserabilização que com certeza vai sensibilizar o governador.

Rigotto não pode condescender com esse abismo de desigualdade.

Esse abandono salarial dos funcionários públicos estaduais se espelha na situação dramática que vivem os praças da Brigada Militar.

O soldado PM no Rio Grande do Sul percebe R$ 600 de vencimentos, contra R$ 1,3 mil nas PMs de Rio e São Paulo.

A oficialidade da Brigada Militar sente a pressão da tropa. com relatos comoventes de PMs que viram bater à porta de seus humildes lares a miséria e até a fome.

Fica difícil, quase impossível, que muitos não cedam à corrupção, injustificável, mas estatisticamente inevitável.

Não dá para combater a violência incontida com esses salários aviltantes.

Um erário que está arrecadando R$ 0,70 por cada litro de gasolina consumido no Estado, via ICMS, fica obrigado a reajustar imediatamente os vencimentos de seus servidores, que entraram em colapso salarial.

Olhando o perfil dos futuros adversários, percebe-se que é plenamente possível o Grêmio vir a conquistar esta Libertadores.

Esse destino imponderável passa pelo jogo de hoje, sendo imperioso o comparecimento dos gremistas logo à noite no Olímpico, quando o Grêmio pode dar o passo de restar entre os oito finalistas.

Vamos nos tocar para o Olímpico!
psantana.colunistas@zerohora.com.br




Mãe
Hans Christian Andersen

Sentada ao pé do leito do filhinho, a mãe angustiada receia que ele morra. O rosto da criança empalideceu, e ela fechou os olhinhos. Respirava com dificuldade, e de vez em quando parecia suspirar. E nesses momentos o olhar da mãe era ainda mais cheio de ternura.

Batem à porta. Entra uma velha pobre, envolta em um velho manto: bem precisava ela de alguma roupa quente, na verdade, pois esta história se passou em pleno inverno. Lá fora tudo estava coberto de gelo e de neve, e soprava um vento tão cortante, que gretava o rosto.

A velha tiritava, e como a criancinha adormecera por um instante, a mãe foi por na lareira uma caneca de cerveja, para que a velha a bebesse quentinha. A visitante sentou-se na cadeira, e ficou acalentando a criança, enquanto a mãe se acomodou em uma cadeira velha, ao seu lado; tinha os olhos fixos no filhinho doente, que respirava com dificuldade, e segurava-lhe a mãozinha.

Não te parece que não vou perdê-lo? Deus Nosso Senhor não me tirará, não é? A velha que era a Morte sacudiu a cabeça de uma maneira estranha, que tanto podia significar sim, como não. A mãe baixou os olhos, derramando lágrimas. Pesava-lhe a cabeça; havia três dias e três noites que não pregava olho. E adormeceu, por um único minuto.

Despertou sobressaltada, franzida de frio; olhou em roda, aflita. Sumira-se a velha, sumira-se a criança. No seu canto, o velho relógio sussurrava e rangia. O forte peso de chumbo ia até o chão. E de repente... Pum!... O relógio parou. Saiu a pobre mãe correndo, e gritando pelo filhinho. Lá fora, no meio da neve, estava sentada outra mulher, com um vestido preto muito comprido, que lhe disse: Quem esteve no teu quarto foi a Morte. Vi quando ela fugiu, levando teu filhinho.

Anda mais veloz que o vento, e nunca devolve o que tirou. Dize-me que caminho ela tomou é só o que te peço! Dize-me por onde ela foi, e hei de encontrá-la! Eu sei o caminho disse a mulher de preto. Mas antes que o mostre, canta-me todas as canções que cantaste para o teu filhinho. Gosto delas: ouvi-as, em tempos passados. Sou a Noite, e vi tuas lágrimas, quando as cantavas. Cantá-las-ei para ti todas, todas! Mas tem piedade! Não me faças perder tempo: preciso alcançá-la, preciso recuperar o meu filhinho!

Mas a Noite ali ficou, muda e imóvel. Então a mãe, torcendo as mãos, cantou: cantava, chorando. Foram muitas as canções, mas mais ainda as lágrimas. E a Noite disse então: Entra à direita daquele pinheiral tenebroso. Vi a Morte tomar esse rumo, levando o teu filhinho. Dentro da floresta cerrada o caminho bifurcava-se e ela ficou sem saber que lado tomar. Mas viu um espinheiro, despido de flores ou folhas, porque era inverno rigoroso; os galhos estavam cheios de flocos de gelo.

Não viste passar a Morte com o meu filhinho? Vi, sim. Mas só te direi que caminho tomou, se me aqueceres no teu seio. Estou morrendo de frio! Já estou todo gelado! E ela apertou o espinheiro firmemente ao peito, para que ele degelasse. Os espinhos se lhe cravaram na carne, o sangue escorria em grandes gotas. Mas o espinheiro brotou: na noite glacial, rebentou em folhas e flores tão grande é o calor, junto ao coração dolorido de uma mãe. Então lhe mostrou o caminho.

E a mãe chegou a um grande lago, sem barco nem balsa. Não estava tão gelado que pudesse suportar o seu peso; nem tão livre e raso, que desse passagem a vau. Todavia ela precisava atravessá-lo, para encontrar o filho. Então a mãe se deitou, para beber o lago e assim esgotá-lo. Nenhum ser humano pode conseguir semelhante coisa. Mas a mãe, no meio da sua imensa dor, esperava que se produzisse um milagre.

Não, nunca o conseguirás! disse o lago. Vamos ver se podemos chegar a um acordo. Eu gosto de colecionar pérolas, e teus olhos são duas das mais fascinantes que já vi. Se quiseres deixá-los cair em mim, juntamente com as tuas lágrimas, levar-te-ei para a grande estufa onde mora a Morte, cultivando flores e árvores. Cada planta ali é uma vida humana.
Que não daria eu para chegar até onde está meu filhinho! disse a mãe.

E ela chorou e chorou, e seus olhos caíram no fundo do lago, e lá viraram em duas pérolas preciosas. Mas o lago, com se fosse um balanço, ergueu-a e, num tirão só, levou-a até a outra margem. Havia lá uma casa maravilhosa, de uma légua de comprimento; nem se sabia bem se aquilo era um cerro, cheio de bosques e cavernas, ou uma obra de carpintaria. A pobre mãe, contudo, não a podia ver, porque chorara os olhos, juntamente com as lágrimas.

Onde poderei encontrar a Morte, que carregou meu filhinho? Ela ainda não chegou disse uma velha de cor embaciada, que andava por ali vigiando a estufa da Morte. Mas como encontraste o caminho? Quem te auxiliou? O Senhor Deus me ajudou. Ele é misericordioso, e tu também o serás agora. Onde poderei encontrar meu filhinho? Não o conheço. E tu não enxergas. Esta noite murcharam muitas flores e muitas árvores. A Morte não tardará a chegar, para as transplantar. Sabes bem que cada criatura humana tem uma árvore ou uma flor da vida, conforme a sua índole.

Tem a aparência de plantas comuns, mas possuem coração, que bate. O coração das crianças também pode pulsar. Guia-te pelas pulsações: talvez reconheças as do teu menino. Mas que me darás tu para que te diga o que ainda será preciso fazeres? Nada tenho para dar respondeu a mãe, angustiada. Mas irei para ti até o fim do mundo, se quiseres. Não tenho negócios por lá disse a velha. Mas podes dar-me teu lindo cabelo preto.

Sabes, certamente, que é lindo, não é? Pois gosto muito dele! Em troca, podes levar o meu, todo branco. Sempre é alguma coisa... Se é só o que desejas exclamou a mãe dou-te meu cabelo com muita alegria. E deu-lhe os lindos cabelos, recebendo em troca a cabeleira branca da velha. Entraram então na grande estuda de Morte, onde cresciam, em maravilhosa convivência, árvores e flores. Havia ali belos jacintos, abrigados em redomas, e grandes peônias, vigorosas como árvores. E plantas aquáticas, umas bem frescas e viçosas, outras meio doentes, que tinham cobras d'água na corola, e caranguejos pretos seguros à haste.

Viam-se também palmeiras esplêndidas, carvalhos e plátanos; salsa e tomilho em flor. Todas as árvores e flores tinham nome, e cada uma representava uma vida humana. E esses seres humanos estavam ainda vivos, um na China, outro na Groenlândia por todas as partes do mundo. Havia árvores grandes em vasos pequenos, de modo que as raízes ficavam apertadas, e os vasos estavam a ponto de estourar; outras, flores frágeis e franzinas, achavam-se em terra forte, rodeadas de musgo, mimadas e bem tratadas. A mãe aflita debruçava-se sobre todas as plantas pequenas, para escutar-lhes as pulsações do coração.

E, entre milhões, reconheceu o coração do seu filhinho. Aqui está ele! gritou ela, estendendo os braços para um pequeno açafrão, que, doentio, já estava derreado. Não toques na flor! gritou a velha. Quando a Morte chegar precisava atravessá-lo, para encontra-espero-a a todo o instante não a deixes arrancar a planta; dize-lhe que arrancarás todas as outras flores. Ela ficará assustada com essa ameaça, porque é responsável perante Deus. Nenhuma delas deve ser arrancada antes que Ele o permita.

Nesse momento passou pela sala um sopro glacial, e a mãe cega sentiu que era a Morte que chegava. Como conseguiste achar o caminho? Como foi que chegaste mais cedo do que eu? Sou mãe. A Morte estendeu o braço em direção à pequenina flor fanada, mas a mãe a cerrava entre as mãos, abrigando-a com firmeza com tanto carinho, que não tocava em uma só pétala. A Morte soprou-lhe nas mãos, e a mãe sentiu que aquele hálito gelado era mais frio do que o vento mais gélido. E as mãos penderam-lhe, inertes. Nada podes contra mim! disse ela. Mas Deus pode respondeu a mãe.

E eu faço apenas o que Ele manda. Sou o Seu jardineiro. Tomo todas as Suas flores e árvores, a fim de transplantá-las para o grande jardim do paraíso, no país desconhecido. Não te posso dizer, porém, de que modo elas crescem ali, nem como vivem. Devolve-me meu filho! suplicou a mãe, exclamando: E segurou com as mãos as duas flores mais bonitas, Apanharei todas as tuas flores... tamanho é o meu desespero! Não toques nelas! gritou a Morte. Dizes que és tão infeliz, e queres fazer com que outra mãe seja igualmente infeliz?

Outra mãe? murmurou a pobre mulher, largando imediatamente as duas flores. Toma teus olhos! disse a Morte. Pesquei-os no lago. Seu brilho subia do fundo, e eu não sabia que eram teus. Fica com eles: agora estão ainda mais límpidos do que eram antes. Lança um olhar para o fundo desse poço profundo. Direi o nome das duas flores que querias arrancar, e verás o que tencionavas destruir e aniquilar.

A mãe olhou para dentro do poço. Grande alegria era ver uma das flores, que se tornava uma benção para o mundo, espalhando felicidade e alegria ao redor de si. Depois apareceu a vida da outra, formada de preocupações e de miséria, de tristeza e calamidades. Ambas as coisas saem da vontade de Deus disse a Morte. Qual das duas é a flor da desgraça, e qual é a abençoada?

Não te direi. Mas fica sabendo: uma dessas flores é a do teu filho. O que viste é o destino do teu filhinho, o futuro do teu próprio filho! Ouvindo essas palavras a mãe lançou um grito de aflição. Qual é a de meu filho? Dize-me! Liberta a inocente criança! Redime o meu filho daquela miséria! Antes leva-o contigo! Leva-o para o reino de Deus! Esquece as minhas lágrimas! Esquece os meus rogos, esquece tudo o que fiz! Não te compreendo disse a Morte. Queres que eu te devolva o teu filho, ou devo leválo para aquele lugar que não conheces?

E a mãe, torcendo as mãos, ajoelhou-se, para suplicar a Deus: Senhor! Não me escutes, se eu te pedir uma coisa contra a Tua vontade, que é sempre a melhor! Não me escutes, não me escutes! E baixou a cabeça sobre o peito. E a Morte foi embora, levando a criança para o país desconhecido.

Este conto foi retirado da coleção Contos de Andersen, volume A Rainha da Neve, Editora Globo, 1967. Compilação e tradução de Pepita Leão.




Nilson Souza
08/05/2003


A outra mãe

Li na juventude - e depois voltei a reler muitas outras vezes - um conto do dinamarquês Hans Christian Andersen que considero a melhor representação escrita do amor de uma mãe pelo seu filho. É uma história triste e cheia de simbolismos, que emociana, surpreende e impõe uma profunda reflexão sobre o significado da vida. Tentarei resumi-la:

Numa cabana isolada, em pleno inverno de uma dessas terras geladas do universo do escritor, uma mãe angustiada vela pelo filhinho gravemente enfermo. Batem à porta. É uma velha esfarrapada que pede abrigo. A mulher recebe a visitante e a gente logo se dá conta de quem ela é. Como estava havia três dias e três noites sem dormir, a mãe pega no sono por alguns minutos. Quando acorda, sobressaltada, está sozinha.

Desesperada e desorientada, sai correndo pela neve. Encontra uma mulher vestida de preto, que lhe propõe indicar o caminho tomado pela raptora desde que a mãe lhe cante todas as canções que costumava cantar para o filho. Sem outra opção e entre lágrimas, ela canta para a Noite.

Retoma a perseguição pela floresta e depara