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Voces encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Comentários de Livros, revistas e de jornais que já li e que por julgá-los interessantes postarei aqui, espero, todos os dias para que você sempre tenha algo que lhe facilite no seu dia a dia ou nas suas atividades. Se ele cumprir parte desses objetivos, estarei feliz por ter podido repartir essas conquistas.
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Sábado, Maio 17, 2003
Posted
7:41 PM
by Cassiano Leonel Drum
O Azeitador de Maquinário
Por Paulo Rebêlo
Especial para o PERNAMBUCO.COM
A palavra azeitador não está classificada no dicionário. Não tem nada a ver com azeite. Ou até tem, depende do ponto de vista. Azeitador é simplesmente o bondoso cidadão responsável por fazer a troca de óleo nas mulheres, a partir das necessidades exclusivas delas.
Bem-azeiturados são aqueles que já assimilaram a verdade: os engates do maquinário feminino requerem troca de óleo tanto quanto os engates masculinos. A natureza assim definiu. As mulheres, paulatinamente, acordam à realidade e param de ficar esperando príncipes encantados ou aquele cara que vai me assumir.
É quando entra em cena o azeitador, que efetua uma nobre e necessária manutenção no maquinário, sem responsabilidades posteriores típicas do bom moço mauricinho.
Como diz o sábio filósofo baiano Renato Fecchine: ele diz que é valentão, que quer tudo arrumadinho; só que quando deita longo ronca, e quando acorda está bem murchinho.
Quando o condutor oficial do maquinário feminino não sabe (ou não quer) mais fazer a fogueira pegar fogo, entra em cena o capeta dos engomadinhos, o Freddy Krueger dos engravatados, o anti-cocotagem, o verdadeiro profissional: o azeitador de maquinário.
Oficina de plantão e borracharia 24h
Todo homem adora ser convocado, às vezes em caráter de urgência e no meio da madrugada, para azeitar um maquinário. É uma questão de assistência social, de boa ação com a humanidade. Às vezes, até de convicção religiosa: quem não lembra da parábola do Bom Samaritano? Pois é. Um telefonema padrão, naquela sexta-feira à noite solitária:
-- Alô, Fulano?
-- Olá, Beltrana. Que surpresa, ligando a esta hora.
[ depois de um breve blá-blá-blá tradicional... ]
-- Fulano, você está muito ocupado? Não queria atrapalhar.
-- Estou sem fazer nada. De repente podemos combinar alguma coisa?
-- Olha, peguei um filme ótimo na locadora, mas não gosto muito de assistir filme sozinha. Você me conhece, né? [claro que o azeitador conhece, até demais]
- Eu poderia comprar uns sanduíches e passar aí, que tal?
- Que bom. Mas não pense outra coisa, é só para assistir filme, viu?
Ao dizer é só para assistir filme ou quero apenas conversar, nada mais e outras variações do gênero, a paciente deixa claro de que você não dará viagem perdida.
Iludidos são os enamorados que ignoram a existência do azeitador de maquinário. O azeitador geralmente é um ex-namorado; mas também pode ser um amigo mais próximo, um esquema plus ou esquema premium, uma paixão jurássica e reprimida, uma paixão platônica, enfim, todos essas espécimes que vivem de plantão.
A mulher não quer acabar o relacionamento seguro e estável que ela tem, resultado do inconsciente coletivo feminino de ¿estabilidade acima de tudo, estou ficando velha. Fazer o quê, então? Mais serviço para o azeitador, versão personnalité.
Com o azeitador, as mulheres se liberam para fazer o que não fazem com o oficial, nos sentidos vertical e horizontal da palavra.
Caso a digníssima esteja se sentindo escanteada, sem atenção, sem carinho ou simplesmente insatisfeita na horizontal mesmo, pode ter certeza que sempre haverá um azeitador de plantão para dar assistência física e psicológica. Sempre. E sempre significa sempre, mesmo. Com ênfase no sempre.
Freud não explica; O Azeitador, sim
A depender da disponibilidade na agenda do azeitador para bater um papo após a troca de óleo, ele pode até servir como confidente. Quando o azeitador é meio ranzinza, ou até muito ranzinza, às vezes Super Ranzinza, pode atuar como psicólogo emergencial. E funciona, acreditem.
Azeitador de maquinário é uma profissão milenar, não entra em extinção. Então, caro colega, se você não está dando no couro como deveria, mais dia ou menos dia ela irá precisar dos dedicados serviços beneficentes de um azeitador.
No início, toda cidadã desolada com o relacionamento reluta em admitir que precisa de ajuda profissional. Fica se perguntando se o problema não é com ela, fica dizendo para si mesma que é normal, que vai passar. Acontece que o tempo é o senhor da razão e, sem sombra de dúvida, chegará o dia em que o azeitador de maquinário entrará em ação. Até porque o tempo passa mesmo e a gente só vive uma vez.
Jamais podemos culpar o azeitador por namoros falidos. A culpa da incompetência alheia não é do azeitador, ele apenas efetua um serviço profissional de forma prestativa, sempre disposto a ajudar quem precisa. E não cobra nada.
Inclusive, é notório o fato de, muitas vezes, o azeitador ser o responsável por manter estável o relacionamento dos outros. Pois é. Depois de algumas paradas estratégicas com um bom azeitador de maquinário, a mulher até esquece a incompetência do oficial e o relacionamento dos dois (três) segue anos a fio.
O segredo de todo bom azeitador de maquinário é nunca esquecer do lema: elas querem estabilidade e segurança; então, se elas não tiverem isso com outro, vão querer ter com você.
O azeitador de maquinário só tem um bug: não pode se apaixonar. Porque, se isso acontecer, é bom estar preparado para, daqui a alguns meses, ter muita raiva daquilo que você já foi um dia.
www.rebelo.org
Posted
7:22 PM
by Cassiano Leonel Drum
Maitena lança na Bienal o segundo volume de 'Mulheres alteradas'
Giovana Hallack
Atenção mulheres solteiras: há um pequeno povoado no Uruguai, na beira do mar, onde quase todos os homens são solteiros maravilhosos. Lindos, bronzeados, surfistas e ainda cozinham para você!
- Mas não são para casar, queridas - avisa logo Maitena, autora de "Mulheres alteradas" e moradora do tal povoado, La Pedrera. A cartunista argentina está no Rio para lançar o segundo volume da série na Bienal. Neste sábado, ela participa do bate-papo no Café Literário, às 17h30m. O tema: 'você conhece a mulher alterada?'
Maitena conhece, e muito bem. Suas tiras retratam fielmente todas as crises femininas, mas com humor. Ela mesmo se considera alteradíssima:
- Quando fiz quarenta anos, passei um mês chorando. Estava casada, magra e cheia de sucesso, mas chorava sem parar - lembra Maitena, que completa 41 nesta segunda e promete comemorar em alto estilo, com uma festa.
Os livros são um sucesso. No Brasil, o primeiro volume já vendeu 45 mil cópias e até o final do ano será lançado o terceiro livro da série. Ao todo são cinco, que serão sucedidos pela nova série, 'Mulheres superadas'. Apesar do título, as 'superadas' não superaram coisa nenhuma. E continuam insatisfeitas:
- A insatisfação feminina não deve ter cura É um problema que se arrasta por gerações. Se o sujeito não liga, você reclama. Aí ele começa a ligar muito e você reclama mais ainda!
O sucesso de seus livros - que já foram lançados na América Latina e na Europa ("Podem ficar tranqüilas, mulheres também roem as unhas", diz ela) - é creditado pela autora à capacidade da mulher reconhecer (e rir de) seus problemas:
- Temos autocrítica. Se você aponta o defeito de um homem, ele enlouquece. Nós conseguimos aceitar mais nossos fracassos e falhas. E achar graça.
Os livros mostram diferentes mulheres, mas com muito em comum:
- Não importa se são ricas ou pobres, magras ou gordas. Todas mulheres dão importância ao corpo, ao amor e aos relacionamentos e se preocupam com filhos. Mesmo que optem por não tê-los.
Os tempos modernos e as trocas de papéis não assustam Maitena.
- Estamos procurando novas experiências, e isso é o mais importante. Não se trata de descobrir quem - homens ou mulheres - ganhou ou perdeu com as mudanças. Hoje temos possibilidade de experimentar.
Apesar de não se considerar uma feminista, defende o movimento:
- Foi o mais importante movimento do século passado, se formos levar em conta as mudanças que ele gerou. E se não fosse pelas feministas, até hoje estaríamos em casa passando roupa.
Apesar das conquistas do feminismo, ainda existem graves injustiças.
- A celulite, por exemplo. É muito injusto!
A obsessão feminina pelo corpo é real e Maitena acredita que os homens estão menos preocupados com os corpos femininos que as mulheres.
- Somo muito exigentes conosco e isso também reflete um narcismo. É importante buscar um equilíbrio, mas isso parece ser o mais difícil!
E apesar das suas críticas ácidas aos relacionamentos, ela acredita no casamento. Tanto que já se casou "quatro ou cinco" vezes. E tem três filhos. Acha que conseguiu evoluir ou, pelo menos, "escolher melhor".
- E cometer erros diferentes!
Mas faz caretas ao falar dos 'ex'. Não acredita em amizade após a separação. E muito menos sexo:
- Transar com o 'ex', para mim, é necrofilia.
Posted
7:04 PM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
18/05/2003
Vicente Celestino
Como confinar-se durante meses e anos dentro do lar sem o atrativo da televisão? Quem tem um pouco mais de recursos alarga o leque de canais com a NET e assiste a filmes bem mais interessantes, importantes formas de passar o tempo sem sair de casa, tanto pela ameaça da violência quanto pela carestia espalhada nos restaurantes e boates.
É irrenunciável ver televisão. Seja para ver um show, seja para assistir a esportes, seja para a novela, uma maneira que se encontra para fixar-se por meses numa mesma história ou num encadeamento de enredos, seja até para assistir de longe e de soslaio ao apavorante noticiário sobre a violência de que se foge ao sentar na poltrona ou afundar na cama.
O hábito de acordar cedo me vem da infância, quando não existia a televisão e eu era obrigado a recolher-me ao quarto, junto com meu irmão, logo após a janta.
O aparelho de rádio era monopólio do meu pai e ficava à sua cabeceira da cama, longe do meu quarto. Quantas vezes eu me esgueirava pela escuridão do corredor e ia até à porta do quarto de meu pai para filar a transmissão de rádio!
Às vezes até para escutar as novelas de rádio, as grandes coqueluches da época. Mas na maioria das ocasiões para ouvir os grandes cantores do rádio, daí que me surpreendo hoje cantando ainda enormes letras de músicas dos ídolos de então: Isaurinha Garcia, Linda Batista, Dalva de Oliveira, Nélson Gonçalves, Sílvio Caldas, Orlando Silva, Francisco Alves e tantos outros.
Era o tempo da glória de Vicente Celestino. Esses dias, aqui na Redação, o Moacyr Scliar foi me buscar lá no bar para cantar para o Luiz Zini Pires, que está preparando edição sobre o centenário do grande Vicente Celestino, o Coração Materno. Não me fiz de rogado:
Disse um campônio à sua amada
Minha idolatrada, diga o que quer.
Por ti vou matar, vou roubar,
Embora tristeza me cause, mulher.
Provar quero eu que te quero
Venero teus olhos, teu porte, teu ser
Mas diga, tua ordem espero,
Por ti não importa, matar ou morrer.
E aí a amada com campônio lhe pede uma prova do seu amor: que ele vá buscar de sua mãezinha (dele) inteiro o coração. O campônio loucamente cumpre o desígnio da namorada, rasga o peito da mãe, arranca-lhe o coração e leva-o como troféu para a camponesa.
Uma tragédia, a mãe acorda-o num pesadelo e joga-lhe sobre a cabeça a terrível culpa do matricídio, o campônio acaba se suicidando.
As letras eram longas, arrastadas, romanceadas, nas canções e nas serestas. Dramáticas letras das músicas que eu surripiava com meus ouvidos, como um meliante, às escondidas, do rádio de meu pai.
Vicente Celestino e sua metálica voz de tenor maldizia teatralmente sua amada:
"Eu ontem rasguei seu retrato
Ajoelhado aos pés de outra mulher".
Quando hoje me apodero da minha televisão no meu quarto, sinto piedade do menino que fui e não tinha um rádio para ocupar o abismo da sua noite.
E que se esforçava para decorar as letras das músicas, sem possuir uma vitrola.
Quanto me custou decorar centenas de letras de músicas que até hoje ainda guardo preciosamente em minha memória.
Era preciso rondar nas vizinhanças as casas dos que tocavam banjo, cavaquinho ou violão, ouvindo-os obsequiosamente em seus ensaios vespertinos, debaixo das figueiras, das pereiras, dos limoeiros, das aroeiras, o que me faz até hoje amar a música popular brasileira com um devotamento perpétuo.
Ah, se tivesse televisão no tempo de Vicente Celestino, subindo as escadarias de uma catedral:
"Porta aberta, tens o emblema de uma cruz,
Esta porta não se fecha, contra ela não há queixas,
São os braços de Jesus".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Posted
6:58 PM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
18/05/2003
Onde estão as noivas de antanho?
Foto(s): Arte/ZH
Antes que maio termine é bom lembrar que este costumava ser o mês das noivas. Será que ainda é? Será que alguém ainda noiva? Desculpem, mas esta pergunta me parece pertinente numa época em que até o casamento parece estar saindo de moda. Quem acha estranho o casamento deve olhar com estranheza ainda maior o noivado.
Não sem razão. O noivado do passado era uma espécie de limbo, uma situação intermediária em que a pessoa estava comprometida, mas não totalmente, e que podia se prolongar por muitos anos antes do casamento propriamente dito. Não é de admirar que muitas histórias e superstições tenham surgido desta situação. O vestido de casamento deve ser branco - a cor da pureza. Ai de quem ousasse pensar em outra cor; vermelho, por exemplo, sempre foi particularmente abominado. Versinhos em inglês resumem a ameaça: "Married in white, you have chosen right/ married in red, you'd better be dead" ("Casando de branco, você escolheu certo/ casando de vermelho, melhor teria sido a morte").
O noivo não pode ver a noiva antes da cerimônia: dá azar. A noiva deve usar algo novo - afinal, ela está começando uma vida nova - mas também algo antigo, simbolizando o repeito ao passado, e algo emprestado, que testemunha o apoio de pessoas ao casamento. Depois da cerimônia, todos os homens podem beijar a noiva - que assim se despede do mundo masculino. Joga-se arroz, símbolo de fertilidade, no jovem casal e assim por diante.
Isto quando o noivado termina em casamento, o que nem sempre acontece. Uma clássica, trágica e patética figura é a da Noiva Abandonada (e abandonada no templo, ao qual o noivo não comparece, é pior ainda). Hoje em dia, noiva abandonada vai à luta; entra na justiça, pede indenização. As pessoas já não são fatalistas, já não são humildes, já não se resignam a sofrer em silêncio - e neste sentido, as mulheres aprenderam muito, e podem até dar lições aos homens.
Mas a lenda da Noiva Abandonada permanece, sobretudo quando a pobre moça morre de desgosto, o que, nessas melancólicas histórias, é um desfecho freqüente. Dizem que, quando isto acontece, o espectro da Abandonada aparece e pode ser visto - em espelhos, à meia-noite em ponto.
O que implica uma mensagem. Porque o espelho é o símbolo maior de nossa vaidade. É ali que a figura espectral escolhe aparecer, como a lembrar que a vida é feita de ilusões e que atrás da promessa de felicidade pode estar a desilusão. Sem o noivado a vida fica mais simples. Mas fica mais pobre em fantasias, sempre necessárias. Como disse Eça, precisamos colocar, sobre a nudez crua da verdade, o véu diáfano da fantasia. No caso, o véu usado pelas noivas de antanho. Onde estão elas?
Diário de Bordo
Cartas, recados, e-mails - Comentando a matéria que escrevi acerca do hábito de ler no banheiro, o escritor Alexandru Solomon (SP) lembra a historinha de Voltaire. O filósofo francês mandou um apaixonado bilhete a uma senhora que queria conquistas. Esta, indignada, disse que ia rasgar a carta e usá-la para vocês já sabem o quê. Voltaire então compôs um poema: "Petits papiers, je vous envie/ allez, suivez votre destin./ Mais, en passant je vous en prie/ annoncez-moi chez le voisin." (Papeizinhos, eu vos peço/ ide, segui vosso destino./ Mas, de passagem, eu vos peço/ anunciai-me na vizinhança.) Pelo jeito, Voltaire acreditava que a propaganda é alma do negócio (sexual, no caso).
Agora, se a "vizinhança" estava receptiva, é outro problema. O Fermino Costa manda um curioso nome que condiciona destino. Trata-se de um delegado que investigou a fuga de presos através de um túnel e que se chama Nagashi Furokawa. Os presos cavaram o furo, mas quem cavou os presos foi o delegado. Que poderia ser também um bom jornalista: afinal, este é um ofício em que cavar um furo é a glória. Falando em interpretações, o escritor Carlos Osório Magalhães (Pelotas) usa a numerologia para me antecipar a vitória na candidatura à Academia Brasileira de Letras: diz ele que o número da cadeira ajuda: é 31, contrário de 13, portanto significando boa sorte.
Obrigado pelo bom augúrio, Carlos. Acho até que vou jogar na loteria. Falando em candidatura para a ABL, estou emocionado com o generoso apoio. Começou com a ARI, continuou com a bancada federal (uma iniciativa do senador Pedro Simon, ajudado pelo grande escritor que é Lourenço Cazarré), o TC do Estado, o Ministério Público, as Câmaras de Porto Alegre (através da vereadora Margarete Moraes) e de São Luiz Gonzaga, a FM Cultura com ajuda de um belíssimo time de escritores e intelectuais...
Aquele gurizinho que escrevia histórias numa casa humilde da Rua Fernandes Vieira nunca pensou que teria tal reconhecimento. Nada como ser escritor no Rio Grande. E falando em livro, o mais popular de nossos cronistas reúne sua produção em O melhor de Mim. Até no número de crônicas Paulo Sant'Ana é original: 64, uma para cada aninho de sua fantástica vida. E aí a gente só lamenta que Sant'Ana não seja centenário.
scliar@zerohora.com.br
Posted
6:53 PM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
18/05/2003
A última moda
Foto(s): Arte/ZH
A novidade ainda não foi anunciada nas páginas da Elle e também não foi comentada nos programas de moda da tevê. Ainda não fizeram desfiles no São Paulo Fashion Week. É quase um segredo de Estado, mas não demora estará nas passarelas e vitrinas de todo o país. O slogan da grife poderia ser: "Um dia você vai ter um". Seria um jeans? É moda casual? Casualíssima. Para ser usada em qualquer lugar, a qualquer hora do dia ou da noite. É a Linha de Roupas Balísticas Dissimuladas. Em bom português: roupas à prova de bala.
Recebi um catálogo com a nova linha de modelos femininos, masculinos e infantis. Isso mesmo, modelos infantis: jaquetinhas para a garotada. As fotos não foram tiradas pelo Duran, mas parece. Superprodução.
Delete da sua memória aqueles coletes rígidos e pesados usados apenas por pessoas ligadas às Forças Armadas ou por guarda-costas. Estamos falando de uma linha leve, confortável, flexível e confeccionada nos mais diversos tecidos. Coletes em estilo safári, agasalhos coloridos, jaquetas com acabamento em couro. Roupa esporte.
O preço? Sob consulta. Mas há boas promoções. Você pode comprar um colete III (que resiste a calibres acima de 9mm) pelo preço de um colete II. A jaqueta é reversível? Não, mas o miolo balístico é removível. E viva a rima.
Ainda bem que nós, gaúchos, temos o hábito e o dever de nos agasalhar em função do nosso inverno gelado. No tropicalíssimo Rio de Janeiro, onde esta moda tem mais urgência de ser comercializada, não sei como vão fazer.
Biquínis balísticos? Camisetas regatas dissimuladas? Nada que um bom estilista não resolva. Mas ele tem que ser rápido.
Tente ver o lado positivo disso tudo: sai mais em conta ter uma jaqueta blindada do que um carro blindado, sem falar que a jaqueta vai com você para qualquer lugar, de agências bancárias a pátios de universidade. O carro só lhe protege enquanto você está dentro dele.
Outro dia me disseram que eu andava muito alarmada e que isso não tinha cabimento, afinal a vida não anda tão brutal assim. Então recebi o catálogo de Roupas Balísticas Dissimuladas e resolvi que realmente era hora de escrever sobre algo mais leve, como moda, por exemplo.
martha.medeiros@zerohora.com.br
Posted
6:49 PM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
18/05/2003
Amigos para sempre
Eram tão amigos, tão inseparáveis, que decidiram morar juntos. Não na mesma casa, num condomínio de casas. Compraram um grande terreno e cada um dos quatro casais construiu sua casa. Nenhuma ficava a menos de 30 metros da outra, e a grande área verde era comum às quatro. Ali, Paulo e Marta Helena, Zé Carlos e Titina, Alex e Flávia, Marino e Júlia continuariam fazendo o que sempre faziam, o que gostavam de fazer, o que os mantinha unidos. Conviveriam. Reuniriam-se ora na casa de um, ora na casa de outro. Fariam jantares - sempre só os oito - todas as semanas. Jogariam. Vôlei: homens contra mulheres, ou times mistos (os que preferiam o Paul MacCartney contra os que preferiam o John Lennon, por exemplo; eram os anos 60). Mímica. War. Cartas. Tinham todos mais ou menos a mesma idade. Não tinham filhos. Quando viessem os filhos, eles seriam criados ali, no condomínio. Cresceriam juntos e seriam amigos como os pais eram amigos. Aquela amizade nunca acabaria. Amigos para sempre.
Na inauguração oficial do condomínio, com os oito reunidos no centro do gramado compartilhado pelas quatro casas, os oito com copos de champanha erguidos, o Paulo disse exatamente isso:
- Amigos, para sempre.
- Amigos para sempre - disseram todos.
Paulo disse mais. Disse:
- Que a nossa vida seja sempre assim. Que nada mude. Que nunca nos separemos!
- Que nunca nos separemos!
Trinta anos depois, Alex convenceu a Júlia, com quem tinha se casado depois do divórcio dela e do Marino, a visitar o local. Júlia resistira. O Alex tinha aquelas manias. Era um sentimental. Ela preferia não ser lembrada do passado. Mas o Alex insistira e agora ali estavam eles, no meio da grama alta, do capim que quase chegava aos seus joelhos, olhando em volta, olhando as três casas ainda de pé e o que restara da quarta casa depois do incêndio. "Que horror" disse a Júlia.
Só uma das casas estava ocupada e seu dono obviamente não se preocupava em conservá-la, ou em cuidar do terreno. A churrasqueira, que também era compartilhada pelo condomínio, estava coberta por vegetação selvagem. Um solitário espeto enferrujado jazia sobre lajotas rachadas como uma arma deixada para trás depois de uma batalha perdida. "Lembra?" disse Alex. "Anrã" disse Júlia, desanimada. Era ali, na churrasqueira comum, num ensolarado domingo de manhã, na absurda briga do Paulo e do Zé Carlos, por nada, por um mal-entendido bobo, que a mágica começara a se desfazer.
O fato do Paulo estar endividado e da Titina estar traindo o Zé Carlos com o Marino não ajudara, apesar do consenso de que o Zé Carlos sabia de tudo e não se importava e que o Paulo, sempre metido a grande coisa, merecia a ruína. Também fora ali, atrás da churrasqueira, que Alex e Júlia tinham começado seu namoro escondido. "Incrível", disse Alex, pensando na rapidez com que aquela amizade que duraria para sempre se desfizera. Culminando no episódio dos foguetes, a briga entre Paulo e Marta Helena e Zé Carlos e Titina porque o filho dos primeiros tinha passado no vestibular e o Zé Carlos Júnior não, os foguetes comprados para comemorar a vitória do Júnior atirados contra a casa de Paulo e Marta Helena porque estes festejavam a vitória do filho acintosamente, para humilhá-los. O incêndio da casa de Paulo e Marta Helena, o processo, a orelha do Zé Carlos quase arrancada pela Marta Helena, e tudo o que se seguira. Incrível.
- Você acha que a convivência humana é um inferno, Júlia?
- Vamos embora, Alex.
Ou: Paulo ergue o seu copo de champanha no meio do gramado e diz.
- Amigos para sempre.
Todos:
- Amigos para sempre!
Paulo:
- Que nossa vida seja sempre assim. Que nada mude. Que nunca nos separemos!
- Que nunca nos separemos!
Neste momento, algo acontece. Um raio atinge o copo erguido do Paulo. Há uma reversão de polos magnéticos. Qualquer coisa assim. E 30 anos depois os quatro casais continuam os mesmos. Ainda vivem no condomínio e ainda têm a mesma idade. Nada mudou. Os oito usam as roupas e os penteados dos anos 60. Quando se visitam, o que é freqüente, as mulheres vão de minissaias ou "hot pants", os homens de cabelos compridos e calças apertadas com boca-de-sino. O condomínio se transforma numa curiosidade, as pessoas vêm de longe para ver aquele fenômeno, a vida de oito amigos eternizados. Os oito fingem que não notam as pessoas espiando através da cerca, os helicópteros sobrevoando suas casas, e o fato de que nenhum deles envelhece ou muda de hábitos, ou consegue sair do condomínio. Com sua amizade salva do tempo, serão amigos para sempre, para sempre. Um inferno.
Desculpa
Na semana passada, incluí o cômico Ankito numa lista de pessoas que mandavam e-mails do além. Não sei se o Ankito usa e-mail, mas do além não é: vários leitores me avisaram que ele continua vivo e ativo. Espero que continue assim por muito tempo, e me desculpe.
Posted
6:47 PM
by Cassiano Leonel Drum
Sistema Prisional
24 horas no Presídio Central
ZH testemunhou a rotina dos presos que chegam à maior cadeia gaúcha (foto Júlio Cordeiro/ZH)
Posted
6:32 PM
by Cassiano Leonel Drum
Com orgulho
Exposição e livro de fotos reúnem famosos em imagens inusitadas, valorizando tipos e situações bem populares
Alícia Uchôa
A atriz Carolina Dieckmann encarou o tanque sem medo e descobriu que tarefas domésticas também podem servir para esfriar a cabeça
Roberta Rodrigues interpreta: Ela está se arrumando para o Baile funk
Luciana Curtis mostra que não precisa de véu para ser mística e religiosa
Baldan evita rotular os personagens e jura que a interpretação é livre, mas quem não gostaria de um malandro taxista com a cara do Gianecchini?
Não interessa se o assunto é futebol, samba ou religião. O importante é ter orgulho de ser brasileiro. Seja ele caipira, playboy ou funqueiro. O fotógrafo Ernesto Baldan se despiu de preconceitos e lança, segunda-feira, no NorteShopping, a exposição e o livro Sem Vergonha, com fotos inusitadas dos atores Reynaldo Gianecchini, Carolina Dieckmann, Roberta Rodrigues e Aline Moraes.
Vai ter gente vendo o sem vergonha na sacanagem, mas a idéia é não se envergonhar do que se gosta. Seja pagode ou calça apertada, é a nossa cultura, explica Baldan. No espírito da coisa, Roberta Rodrigues completa: Vergonha é um bloqueio. Não tenho vergonha de nada. É um engano achar que a loura é burra e a gostosa é vulgar. Por que o que é popular não pode ser chique? Todo mundo aceita a moda da heroína chique (onda de modelos fotografadas com cara de drogadas), mas não podemos nos divertir com a boquinha da garrafa?, protesta o fotógrafo.
Descendente de italianos, ele levanta a bandeira brazuca com orgulho. A gente não tem que se envergonhar dos nossos costumes e do gosto popular. Tenho orgulho disso tudo, enfatiza Baldan, que já expôs no Museu de Arte Moderna, mas só está realizado agora, no NorteShopping. Queria meu trabalho num espaço popular. E nada melhor do que um shopping com orgulho de ser suburbano, diz. As fotos têm a ver com a estética da Zona Norte e do que a gente faz, festeja o diretor de marketing do NorteShopping Marcelo Araripe.
O livro Sem vergonha (70 págs., R$ 5), que tem introdução de Hermano Vianna, reúne 60 fotos e tem ainda Elza Soares, Cauã Reymond, Graziela Schmitt e Jonathan Haagensen. A renda será revertida para o projeto Sambando Com o Pé no Futuro que, fora do Carnaval, ocupa quadras de escolas de samba com oficinas profissionalizantes. A exposição tem entrada franca.
Fotos: Ernesto Baldan
Posted
10:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
As rainhas das festas nas embaixadas
Adaptada aos novos tempos do governo Lula e sob o comando de embaixatrizes festeiras, a diplomacia de Brasília retoma a vida social
Sandra Brasil
Fotos Tina Coelho
A PROFESSORA GREGA
Antonia Doukas, da Embaixada da Grécia: festeira de primeira e referência para as embaixatrizes mais novas
A ALUNA ESPANHOLA
A bela Ralitsa, embaixatriz da Espanha, que se aconselha com a colega grega: dedicação aos esportes
Depois de oito anos convivendo com Fernando Henrique Cardoso, a comunidade diplomática de Brasília viveu uma fase de expectativa durante a eleição presidencial. Se os tucanos vencessem, os embaixadores teriam de se entender com José Serra, dono de um temperamento fechado e seco, muito diferente do sedutor FHC. Em caso de vitória do PT, havia dúvidas mais profundas do que apenas as de caráter pessoal. Alguns embaixadores manifestavam em conversas informais uma dose de preocupação exagerada. Temia-se que a relação com alguns países pudesse sofrer um certo arranhão. Houve até quem achasse que, apenas por razões ideológicas, a representação de Cuba acabaria ganhando um destaque especial, desproporcional à importância comercial da ilha para o Brasil. Lula venceu e, passados os quatro primeiros meses de governo, as preocupações pré-eleitorais se dissiparam ¿ e o circuito diplomático retomou o tradicional clima festivo, adaptadíssimo ao governo petista.
Basta conferir os números. VEJA pediu às representações diplomáticas com sede em Brasília que informassem quantas festas deram no ano passado e neste ano. Trinta das 94 embaixadas existentes no Distrito Federal responderam à pergunta. Elas informaram ter oferecido mais de 700 eventos em 2002, algo como catorze encontros sociais por semana. Computados os eventos promovidos por essas mesmas trinta embaixadas nos quatro primeiros meses do ano de 2003, a média permaneceu inalterada: catorze festas por semana. Ou seja, a Brasília dos embaixadores continua tão alegre sob a gestão Lula quanto era na fase FHC. Algumas das embaixadas mais festivas deste ano foram a de Israel, com dez recepções, a da Espanha, com onze, e a da Alemanha, com quinze eventos. No dicionário diplomático, "recepção" é palavra de definição ampla. Ela inclui almoços e jantares para políticos, promoção de exposições de arte, coquetéis e as festas propriamente ditas, que reúnem a elite local, brasileira e estrangeira, em torno de uma celebração. As festas raramente são dançantes.
Nem todos os encontros fazem o mesmo sucesso ou produzem os mesmos comentários positivos. Algumas embaixadas, por empenho pessoal dos titulares, conseguem agradar mais do que outras. Desde que assumiu em janeiro a chefia do grupo de países que integram a União Européia no Brasil, o embaixador Stratos Doukas, da Grécia, promoveu dezesseis recepções nos primeiros quatro meses de 2003 ¿ quase uma por semana. Suas festas são comentadíssimas e a chave do sucesso é sua mulher, Antonia, com quem Doukas está casado há 36 anos. Em Brasília, a embaixatriz Antonia já é tida como a nova "locomotiva" do mundo diplomático brasiliense. Ela se envolve pessoalmente não apenas na supervisão dos arranjos para os encontros, mas na decoração das mesas e na confecção dos pratos. Já preparou até feijoada. Entrosadíssima na sociedade local, por duas vezes ultrapassou os limites do restrito círculo diplomático e aceitou convite para ser jurada de concurso de miss. Antonia morou em sete países e fala quatro idiomas além do português fluente, que aprendeu quando morou no Rio de Janeiro entre 1977 e 1981. "Da primeira vez que morei no Brasil, o Lula era um sindicalista perseguido. A vitória dele demonstra o amadurecimento do país", avalia a embaixatriz. Antonia já preparou alguns almoços para ministros e auxiliares de Lula. Sobre os petistas, comenta que são ótimos convivas. "Foram todos muito pontuais", diz.
Por causa de seu destaque social, Antonia acabou se tornando uma espécie de professora das embaixatrizes mais novas. Uma de suas alunas mais notáveis é Ralitsa Pavlova de Coderch, 27 anos. Natural da Bulgária, ela é casada há dois anos com o embaixador da Espanha no Brasil, José Coderch, 28 anos mais velho. A bela e simpática Ralitsa está fazendo sucesso desde que chegou ao Brasil, em outubro de 2001. Com 1,78 metro e 63 quilos, ela causa furor por onde passa. A novata acompanha o marido a pelo menos quatro compromissos sociais por semana. "Com Antonia, aprendi que preciso ter um livro para fazer três anotações importantes de cada recepção que promovo. São elas: os nomes dos convidados, o menu e qual roupa eu estava usando", afirma Ralitsa, feliz com as atribuições de embaixatriz. Seu encantamento com o Brasil é tão grande que planeja desfilar na Mangueira no Carnaval e ter pelo menos o primeiro filho "brasileirinho". A jovem tem três paixões no Brasil: o Rio de Janeiro, farofa e pão de queijo. "Cheguei a comer vinte pães de queijo depois do café-da-manhã. Que perdição!"
Boa jogadora de tênis, Ralitsa torna-se professora nas quadras. Toda terça-feira, das 8 às 10 da manhã, ensina oito embaixatrizes a jogar na quadra da Embaixada da Espanha. Dos 12 aos 15 anos e meio, Ralitsa representou a Bulgária em diversos torneios na Europa. Foi graças ao tênis que conheceu o marido, então embaixador da Espanha na Bulgária. "Eu tinha 22 anos", conta. Uma lesão afastou-a do tênis profissional. Para manter a forma, Ralitsa pratica duas horas de atividade física todos os dias. Intercala o tênis com golfe, natação, squash e ginástica. Desde que chegou a Brasília, a embaixatriz já ganhou quatro torneios, o último em abril, no Clube da Aeronáutica. Ao todo, participaram 36 tenistas 33 homens e três mulheres. "Os generais ficaram brincando comigo. Diziam: 'O que vão falar das Forças Armadas brasileiras, que organizaram um torneio misto e quem ganhou foi uma mulher?'", diverte-se Ralitsa. Brinca-se em Brasília que a festa perfeita é aquela organizada por Antonia, da Grécia, com a presença de Ralitsa, da Espanha.
Paulo Lima
Emivaldo Silva
O BELGA "À CARIOCA"
O embaixador da Bélgica, acima e ao lado, com a mulher numa festa a fantasia, de "malandro carioca"
Os embaixadores formam um elo direto entre países. Cabe a eles a tarefa de trocar informações, promover o comércio internacional e ajudar na condução de contenciosos políticos e econômicos entre nações. A essas funções se soma a vida social, que é cansativa. Muitas vezes, são três jantares na mesma noite. "Os coquetéis são o terceiro expediente de um embaixador", resume Paulo Tarso Flecha de Lima, com a experiência de quem foi embaixador do Brasil em Londres, Washington e Roma durante doze anos. "Nesse meio, festa não pode ser entendida como futilidade."
Emivaldo Silva
A FANTASIA AMERICANA
Donna Hrinak em fantasia no 4 de julho
Quem leva a regra a sério é a embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak, que surpreendeu os convidados que compareceram à festa promovida por sua embaixada para comemorar o 4 de julho, data da independência dos Estados Unidos, no ano passado. Ela apareceu com uma roupa que era uma mistura de bandeira americana com Estátua da Liberdade. Já é grande a expectativa sobre qual traje Donna vestirá neste ano. Nesse universo estrangeiro, que raramente se mistura ao mundo dos debates políticos do Congresso Nacional, há poucos brasileiros além dos integrantes do governo. Um destaque é a cearense Maria do Carmo Veranneman, que se casou com o diplomata belga Jean-Michel Veranneman de Watervliet no começo dos anos 80. No ano 2000, Veranneman de Watervliet voltou como embaixador. Portanto, a embaixatriz da Bélgica é uma cearense. E detalhe: animadíssima. Para comemorar o Carnaval deste ano, Maria do Carmo promoveu um baile à moda antiga para 120 pessoas. Na festança, escolheu uma fantasia de baiana. "Meu marido disse que também queria usar algo do Brasil. Vesti-o de malandro carioca, com cordão dourado e pistola de brinquedo." Ela conta que alguns embaixadores convidados disseram que o belga estava vestido mesmo era de traficante do filme Cidade de Deus. Tudo não passou de uma homenagem ao Brasil. E que homenagem!
Com reportagem de Cynthia Almeida Rosa
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9:54 AM
by Cassiano Leonel Drum
Sérgio Abranches
A inteligência
da agricultura
"A Embrapa não pode parar, sobretudo em um governo que pretende alcançar a meta de fome zero"
Ilustração Ale Setti
Nos anos 70, o cerrado era um quase deserto, uma savana rala e despovoada. A Belém¿Brasília, um corte vermelhão em direção "ao continente perdido". Miragens da geração perdida dos 50. Hoje, o cerrado é responsável por quase metade dos grãos produzidos no Brasil. A Belém¿Brasília leva à fronteira agropecuária de alta produtividade e alto crescimento. A agricultura brasileira passou por enormes transformações estruturais tecnológicas e empresariais. Ocupou espaços considerados impróprios para plantação ou criação. Uma mudança que teve por trás muita inteligência.
Em 1973, um amigo meu, Carlos Baldijão, fazia pós-doutoramento em bioquímica em Cornell, nos Estados Unidos, onde eu estava também. Usava porcos em suas experiências. Ficávamos impressionados com a qualidade dos suínos de lá. A produção brasileira era de má qualidade e irrisória. Em 2001, produzimos 2,2 milhões de toneladas e exportamos 476 000 toneladas de uma carne suína de muito melhor qualidade e com menos colesterol.
Quem acha que galinha caipira é aquele animal de carne dura e baixa capacidade reprodutiva, que bota não mais que oitenta ovos por ciclo reprodutivo, comparados aos 330 ovos da galinha industrial, é porque não conhece a galinha 051. É uma caipira capaz de pôr entre 280 e 300 ovos e que pode ser criada nas condições de uma caipira comum. Nossa produção de frango em 1990 era de 13,6 quilos por habitante. Em 2002, foi de 33,8 quilos. Somos o segundo maior exportador mundial, abaixo apenas dos EUA. A exportação deles cresceu 4,3% entre 1997 e 2002. A nossa, 146%. Esse frango come ração de alta tecnologia, que tem milho e soja resultantes de grande avanço genético.
Nossa carne, vinte anos atrás, era de baixa qualidade, e o garrote típico ficava velho antes de se tornar pesado, dando carne dura. Hoje, a produtividade de nosso plantel rivaliza com a dos melhores do mundo. Nosso bezerro é rústico, fácil de criar, precoce, vai para o abate ainda jovem, produz carne de boa qualidade e macia.
Quando olhamos as vacas brasileiras no pasto, não estamos vendo tudo. O capim que elas comem é de uma espécie adaptada às condições climáticas e ao solo daquela região específica. O animal vem de uma linhagem de alta biotecnologia e bioengenharia, acopladas a apurada seleção desenvolvida por pesquisadores qualificados e produtores modernos.
A mesma história pode ser contada para caprinos e ovinos, trigo, milho e cevada, hortaliças, feijão e frutas. Por todo lado vemos a agricultura brasileira em franco progresso, sobretudo tecnológico, aumentando produção, produtividade e qualidade. Alguém quer plantar girassol de alta produtividade e mais resistente a doenças? Que tal experimentar o BRS 191, híbrido simples de girassol, precoce e com alto teor de óleo? Soja? Somos o maior produtor de baixo custo do mundo. Neste ano produziremos mais que os americanos. Temos espécies apropriadas para o cultivo em cada Estado produtor: a BRS 205 é para o Rio Grande do Sul, e a BRS 206, para o Mato Grosso do Sul. Nossa produção de grãos aumentou 94% entre 1990/1991 e 2002/2003 e a área plantada, somente 12%, um ganho de produtividade de 73%.
Todos os exemplos de novas espécies, animais e vegetais, são mais resistentes às principais doenças e pragas que tipicamente atacam as criações e culturas brasileiras.
O que eu ainda não disse é que no DNA de todo esse progresso técnico, do capim às vacas, do abacaxi ao feijão nordestino, de todas as BRS, está impresso "made by Embrapa" ou "em parceria com a Embrapa". Essa empresa estatal de serviços de alta qualificação é a inteligência por trás da agricultura brasileira. É claro que tal avanço não seria possível sem bons empresários, e os melhores desenvolvem sua própria capacidade tecnológica. Mas não conheço um caso de produtor brasileiro, pequeno, médio, grande ou enorme, que não se tenha beneficiado do trabalho da Embrapa.
Os projetos que a empresa toca e que dão continuidade ao imenso progresso técnico já conquistado estão ameaçados de paralisação por falta de recursos. Uma ameaça não só de estagnação, mas, em muitos casos, de regresso. O governo tem de saber que existem cortes que causam danos irreversíveis à saúde econômica do país. A Embrapa não pode parar, sobretudo em um governo que pretende alcançar a meta de fome zero. Mas está, também, na hora de os empresários reconhecerem que no DNA de sua riqueza atual há boa dose dessa inteligência subsidiada. Vale um esforço maior de parceria ao inverso, patrocinando parte desse patrimônio tecnológico imperdível. Esse pode ser o grande teste da inteligência empresarial do campo brasileiro.
Sérgio Abranches é cientista político
sergioabranches@sda.com.br
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9:43 AM
by Cassiano Leonel Drum
Caro assinante,
aqui estão os destaques de VEJA desta semana.
Boa leitura e bom fim de semana.
Kátia Perin - VEJA on-line
vejaonline@abril.com.br
O conteúdo integral das revistas estará disponível na internet a partir de sábado à tarde
Especial
Marisa Letícia Lula da Silva, 53 anos, tem rompido velhas barreiras. Ela é uma figura presente na maioria dos compromissos oficiais de Lula. Está sempre a seu lado e tem até um gabinete colado ao do marido no Palácio do Planalto.
No site: acesse galeria de fotos com várias fases da primeira-dama.
Brasil
Ameaça de expulsão revela o oportunismo dos radicais e o modo dissimuldao, quase envergonhado, com que a cúpula do PT se reciclou.
No site: acompanhe notícias diárias sobre política.
Internacional
Ao fim de duas guerras os americanos ainda não sabem responder onde estão Osama Bin Laden, o pai de todos os terroristas islâmicos, e Saddam Hussein, que até a semana passada continuava solto em seu país.
No site: acesse especial sobre a Guerra do Iraque.
Entrevista
O mais respeitado dissidente cubano, Oswaldo Payá, diz que o fim do comunismo depende apenas do "fatalismo biológico": a morte do ditador Fidel Castro.
Comportamento
Pesquisa inédita revela que o brasileiro quer fazer mais sexo, sente-se pressionado a satisfazer o outro e tem dificuldade em lidar com os problemas debaixo dos lençóis.
Ciência
Cardiologistas americanos anunciam que a pressão arterial ideal é aquela que fica abaixo do tradicional 12 por 8. Pessoas que sempre estiveram nesse patamar, considerado normal até então, agora já estão no grupo de risco para doenças do coração.
Diplomacia
Adaptada aos novos tempos do governo Lula e sob o comando de embaixatrizes festeiras, a diplomacia de Brasília retoma a vida social.
Consumo
A nova coleção de bolsas da Louis Vuitton mal chegou às lojas e as falsificações já estão espalhadas pela cidade nas bancas de camelôs.
Cidades
Com muita festa e um prefeito que saiu do armário, Berlim disputa o turismo GLS no mundo. O principal alvo são os turistas dos Estados Unidos, onde os gays têm alto poder aquisitivo e viajam mais do que a média da população.
Tradição
A Índia é o maior consumidor do metal nobre no mundo e gasta 1,5% do seu PIB em jóias. Boa parte é usada para pagar o dote milionário das noivas.
Artes e Espetáculos
Música: Um DVD duplo e um CD triplo trazem registros inéditos dos shows épicos do Led Zeppelin, banda inglesa dos anos 70. São imagens do grupo em ação na cidade de Nova York. Algumas passagens, nem mesmo os integrantes do Led conheciam.
No site: ouça sucessos.
Cinema: No filme Tiros em Columbine, o documentarista Michael Moor criva de balas o modo de vida americano, e a cultura de medo de que o país se alimenta.
No site: assista ao trailer e acesse as fotos sobre a produção.
Livros: Em O Paraíso na Outra Esquina, o escritor Mario Vargas Llosa fala de personagens que devotaram a vida a ideais radicais sem nunca alcançá-los.
No site: leia trechos do livro.
30 refúgios para você passar o fim de semana
25 programas para curtir o fim de semana
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9:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
17/05/2003
Meu outro lado
Deus,
eu faço parte do teu gado:
esse que confinas em sonho e paixão,
e às vezes soltas no pasto
de uma terrível liberdade.
Sou, como todos, marcada no flanco
pelo susto da beleza, o terror da perda,
e pela funda chaga desta arte
com que pretendo segurar o mundo.
No fundo,
Deus,
eu faço parte da manada
que corre para o impossível:
vasto povo desencontrado
a quem tanges, ignoras,
ou contornas com teu olhar absorto.
Deus,
eu faço parte do teu gado
estranhamente humano:
marcado para correr, amar, morrer,
querendo colo, explicação, perdão
e permanência.
PS: somos muitos, dizia, se lembro bem, o Demônio enfiado no corpo de algum infeliz. Todos somos muitos, sem sermos necessariamente diabos. Escrevi meu primeiro poema ainda menina; alguns de meus livros de criança, eventualmente em alemão, mostravam à margem minhas garatujas ("letra horrível", escrevia a professora inevitavelmente em meus cadernos), tentativas de traduzir aquilo para o português; de certa forma escrevi no ar meus primeiros romances quando fantasiava mil coisas embalada na rede do terraço grande, na casa de meu pai, diante do jardim, vendo ao longe os morros azulados. Quando, já adulta, tentei escrever algo mais intelectual, fui medíocre.
Em meus dois mestrados não consegui nota máxima: "Muito bem escrito, mas sem espírito científico", diziam os da banca. E acertaram, de modo que me recolhi à literatura, onde a mediocridade pelo menos não é marcada com notas. Agora dei para inventar histórias de criança, sobre uma bruxa boa e várias bruxas más. Porém esse meu outro rosto ainda está por se mostrar. Hoje, vai um poema do Secreta Mirada.
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9:12 AM
by Cassiano Leonel Drum
E depois eles não sentem nenhuma vergonha em divulgar os lucros de seus balanços: Vinha lendo ontem no avião de São Paulo para Porto Alegre as grandes manchetes, tanto da Folha quanto do Estadão: mais de 5 bilhões de lucros, retirados de quem? de voce, de mim de tantos assalariados que tiveram suas passagens de ônibus e lotação aumentadas por conta de um petróleo que baixou em torno de 50% e do dólar que diminuiu mais de 20%. Só que as passagens e os comubustíveis ficaram todos lá em cima. Pena, não é, que aconteça isso num governo chamado popular. Já quanto a saúde ser caso de justiça, bom para nós advogados, mas cadê nosso Ministro da Saúde?
Paulo Sant'ana
17/05/2003
Os leitos do tribunal
O Jornal do Almoço mostrou o caso do paciente que anteontem teve um derrame cerebral, sua família imediatamente levou-o para atendimento médico, 11 hospitais de Porto Alegre não tinham vaga para o urgente tratamento.
O paciente ficou oito horas em um posto de saúde, sob derrame. Ou seja, com as funções orgânicas ou a vida ameaçadas.
Como não havia solução para o dramático impasse, alguém deve ter sugerido à família do paciente que recorresse à Justiça, última instância dos desesperados.
Veio o mandado da Justiça para que fosse concedido o leito e o tratamento ao paciente, o que foi logo providenciado.
Mas foram oito longas horas de espera e do que se poderia chamar de agonia.
Aguça-me a curiosidade sobre o que está acontecendo com os inúmeros pacientes de doenças graves que necessitam de pronta internação e não possuem recursos ou não lhes ocorre a iniciativa de recorrer à Justiça.
Ou então aqueles casos de tal urgência que o recurso à Justiça, que implica demora, chegaria tarde. Ou na hipótese de que todos os pacientes que são recusados no internamento recorressem à Justiça, onde encontrariam lugares para eles?
Que estranha situação a de uma pessoa que é atacada por um derrame e a família sai com ela à procura de internamento, dizem-lhes então que têm de recorrer à Justiça.
Ou seja, a saúde virou um caso de Justiça. E quem sai atrás de um médico é obrigado a procurar um advogado.
A impressão que o Sistema Único de Saúde me transmite é de que esse racionamento brutal de vagas nos hospitais é proposital, faz parte de uma estratégia das autoridades: vende-se a dificuldade para que multidões de pacientes recorram ao tratamento particular, pago.
Ou seja, se forem oferecidas prontas vagas a todos os necessitados, todo o ônus do atendimento médico recairá sobre o SUS e explodirá seus cofres.
Só que esta provável manobra acarreta a dor e a morte das pessoas.
Um médico denunciou anteontem que só na unidade de saúde em que trabalha, um posto de Porto Alegre, existem cerca de 300 pessoas esperando por consulta com proctologista há cerca de dois anos. E há outras 250 pessoas aguardando também há cerca de dois anos consulta com urologista.
Se num só posto é este o número, se em só duas especialidades é este o número, são milhares os abandonados à dor e à própria sorte na saúde gaúcha.
Não é difícil de adivinhar o destino da totalidade dessas pessoas que não são atendidas: ou deram um jeito de pagar consulta ou, caso terrível de grande parte delas, viu agravar-se a sua moléstia, recorreu a um hospital, onde não havia vagas, apodreceu ou morreu.
Triste, arrasador.
E de tal forma já se institucionalizou esse colapso, que já o temos de encarar como definitivo.
A menos que irrompa de repente entre algum governante e parlamentares um surto de humanidade e lucidez.
Leio que tiveram alta significativa as ações da Petrobras anteontem, em razão de que foi divulgado o lucro da empresa nos últimos três meses, batendo um recorde.
Bem como esta coluna tinha previsto. Com os combustíveis tendo uma violenta alta atribuída ao dólar, que depois baixou e refletiu-se em ridícula redução dos preços nos postos, só podia mesmo a Petrobras engordar os seus ganhos.
E subiram suas ações, a maioria em poder público.
Como a maior parte do preço dos combustíveis, mais que o dobro do preço que cobra a Petrobras, reverte em impostos para os governos federal, estaduais e municipais, se esses entes federativos também negociassem ações no mercado, não haveria melhor negócio do que adquiri-las.
E o consumidor é que paga, esfolado, essa farra fiscal.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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9:03 AM
by Cassiano Leonel Drum
Jorge Furtado
17/05/2003
Atrás da porta
Veja uma semana de novelas e duvido que não depare com pelo menos uma escutada atrás da porta. Normalmente a porta está entreaberta, e o ator, em close, faz aquela cara de quem está escutando atrás da porta, você sabe como é, olhar de surpresa, boca entreaberta, sobrancelhas crispadas, esgares e suspiros, isso quando não leva a mão ao peito, compungido, e morde o lábio. O procedimento narrativo é tosco, uma das maneiras mais banais de fazer circular informações do enredo: o público sabe que Alberto ouviu a conversa entre Suzana e Reinaldo, e agora?
Shakespeare e Molière cansaram de botar gente escutando atrás da porta ou da cortina, e a tosquice se justifica plenamente numa novela. Imagine o que seja escrever 40 laudas por dia de uma trama que envolve mais de cem personagens. É trabalho para mentes brilhantes, não consigo nem datilografar nessa velocidade, o que dirá escrever.
Escutar atrás da porta é baixa dramaturgia, mas, eu acho, não é jornalismo. Eu sei que o episódio está superado, o Grêmio melhorou muito, temos centroavante, o Tinga deu um drible num jogador do Olimpia que eu não entendi até agora, e o Luis Mário está jogando muita bola, mas a publicação de uma conversa privada dos dirigentes do Grêmio foi um absurdo. Chego atrasado ao assunto, mas quero registrar meu protesto como gremista e como leitor.
Todo mundo sabe que os termos de uma conversa em particular são muito diferentes dos de uma conversa pública e que, variando o interlocutor, os termos também mudam. O que os jornalistas dizem dos atletas ou dirigentes em reuniões de redação ou o que os atletas e dirigentes dizem dos jornalistas no vestiário não é publicável. O mesmo vale para o que os diretores dizem sobre atores e vice-versa, ou o que os empregados dizem sobre os chefes, professores sobre os alunos, médicos sobre pacientes, publicitários sobre os clientes, e sempre vice-versa.
Nem precisamos sair de casa: ou você, em família, comenta o que pensa sobre os seus tios, primos, namoradas do tio, primo da cunhada, aquele gordo suado com bafo de alho, mesmo quando ele está na sala? E se o seu celular estiver ligado e amanhã o gordo suado ler sua opinião no jornal e vier tomar satisfação, com aquele bafo de alho?
Luiz Felipe foi vítima de uma artimanha semelhante quando uma equipe de televisão gravou, pela janela, o que ele dizia aos jogadores no vestiário. Imagine o que jogadores e dirigentes dizem no vestiário sobre os jogadores dos outros times, suas mães, esposas e irmãs. E aí? Qual o interesse jornalístico disso? Se os dirigentes estivessem planejando subornar um juiz, dopar jogadores ou assaltar um banco, a publicação poderia impedir um crime e a conversa é outra.
Não estavam. Chamar alguém de "ovelhinha" é de uma pureza que parece piada. O que se diz em casa ou no trabalho é uma coisa, o que se diz para o jornal é outra, ainda bem. O Dicionário Houaiss têm 75 palavras que definem o que seja publicar conversas ouvidas atrás da porta ou pela janela ou por um celular não desligado. Uma delas é mexerico. Jornalismo não está na lista.
jorge.furtado@zerohora.com.br
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8:59 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
17/05/2003
Moreninha, pequeninha
Foto(s): Arte/ZH
Ela tinha 18 anos. Ele 50. Ela era linda como só alguém de 18 anos consegue ser. Ele era um homem sisudo, casado, pai de dois filhos. Renato, esse o seu nome. Um exemplo de retidão conservadora. Tanto que usava bigode. Um bigode liso, ralo, aparado com precisão. Um bigode hoje em dia, imagine.
Havia mais de 30 anos, Renato trabalhava como supervisor de um clube de futebol. Adorava seu serviço burocrático e rotineiro. Quando o dia começava, Renato já sabia como terminaria. Isso, para ele, era a felicidade. Renato podia ser considerado uma espécie de Seu Verardi, do Grêmio. Estava tudo muito bem posto na sua vida, tudo agradavelmente estagnado.
Até que ela começou a olhar para ele.
Ah, Renato reconhecia aquele olhar. Já tinha sido olhado assim antes. Era um sinal. Quase um convite. Ele agora necessitava de cautela. Como se estivesse num jogo de xadrez. Cada movimento em falso poderia ser fatal. Cada avanço significava um perigo. Mas, como contava com a boa vontade dela, sabia que o sucesso era iminente, desde que tivesse paciência. Precisava apenas comentar:
Como tu estás linda hoje, Lari.
Ela se chamava Larissa. Fazia seis meses que estava no clube, trabalhando como secretária do Departamento de Futebol. Moreninha, pequeninha, riso fácil, Larissa enlevava o velho Renato com aquela sua voz rouca. E agora o olhava. A partir dessa deixa, ¿como tu estás linda hoje, Lari, Renato sabia o que aconteceria: depois de uma semana de conversa fútil, ela toparia sair com ele. Um jantar, dois, no máximo três, e iriam para um motel. Renato se cevaria nas jovens, tenras e rijas carnes de Larissa, teria algumas horas de prazer e, no dia seguinte... ia querer mais. Aquele dia se repetiria. Quem sabe por alguns meses. Renato ficaria apaixonado, como não ficar apaixonado por uma criatura tão deliciosa? Então, quando ele estivesse enfeitiçado até a raiz dos cabelos, quando não pensasse em mais nada a não ser Larissa, Larissa, Larissa, quando ela fosse toda a cor da sua vida, ela iria deixá-lo.
Ele sabia disso. A experiência avisava. Se a abordasse, iria sofrer. Porque ela era jovem demais. Suas referências, suas experiências, seus parâmetros, tudo era diferente. Nas primeiras crises, assim que passasse a empolgação, ela se cansaria dele. E partiria.
Não, não, Renato não poderia se aproximar daquele perigo adolescente. Melhor continuar com o afeto sereno da sua mulher, melhor continuar com seus filhos, sua casa, sua vida, suas tabelas de viagens, suas listas de material esportivo, seus formulários, oh, como amava aqueles formulários. Tudo estava certo, tudo estava no seu devido lugar. Para que mudar? Se desse um passo em direção àquela tentação de braços morenos, perderia essa vida. Sim, ele SE perderia.
Mas era para isso que Renato raciocinava, para isso servia sua inteligência e toda a sua vasta experiência. Exatamente! Ele era um homem vivido, ele conhecera muitas mulheres, ele sabia de todos os truques e como evitá-los. Não seria ele, o escolado Renato, o velho Renato, o malandro Renato, o homem que deslindava as manhas dos jogadores, das mulheres dos jogadores, das amantes dos dirigentes, não seria ele que que se deixaria seduzir por uma pirralha. Mesmo que a pirralha fosse fascinante e sensual e cheirosa e doce e... Foi nesse instante que Larissa passou diante da mesa de Renato. Passou olhando, como vinha olhando nos últimos dias. Sorria. Renato sorriu também. Debruçou-se sobre a mesa. Levantou uma sobrancelha. E disse, a voz saindo sozinha de sua garganta, como se não fosse dele:
Como tu estás linda hoje, Lari...
Em linha reta
As pessoas têm muitas certezas. Aquelas opiniões bem formadas e conclusivas. Todo mundo, os taxistas, os ascensoristas, os cirurgiões, os astrofísicos, os cantores de churrascaria. Todos. Como conseguem? Eu cá estou sempre cheio de dúvidas. Não consigo, por exemplo, desenvolver tanta convicção a respeito de um jogo de futebol. O time joga mal, perde e as pessoas já o definem como um aglomerado de pernas-de-pau. Mas, na rodada seguinte, o time goleia, e aí vai ser campeão do Brasil. Cada rodada um conceito. Sempre peremptório. Sempre definitivo. Como se consegue ter tanta certeza assim sobre tudo? Quarenta e seis rodadas, quarenta e seis opiniões. Sinto-me inferiorizado diante de tamanha sabedoria. Lembra o Poema em Linha Reta, que o Fernando Pessoa escreveu sob o pseudônimo de Álvaro de Campos. Aí vai um trechinho para inspirar o seu sábado:
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
david.coimbra@zerohora.com.br
Posted
8:53 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ensino
Caminhada contra a reforma
Os professores estaduais realizaram ontem em Porto Alegre uma assembléia de protesto à reforma da Previdência. Depois do ato, seguiram em direção ao prédio do IPE e, mais tarde, ao Piratini, para entregar reivindicações salariais (foto Mário Brasil/ZH)
Sexta-feira, Maio 16, 2003
Posted
9:11 PM
by Cassiano Leonel Drum
O silêncio da mente
A meditação entra na moda e conquista executivos, artistas, profissionais liberais, políticos e intelectuais
Celina Côrtes
Colaboraram: Leonel Rocha (Brasília) e Rita Moraes (São Paulo)

Assim como a psicanálise entrou na moda nos anos 70 e 80, quando nenhum intelectual que se prezasse escaparia do crivo de Freud, Lacan ou Jung, a meditação está virando uma ferramenta indispensável na busca do autoconhecimento e da felicidade. Até astros como Richard Gere e Madonna aderiram à prática.
No Brasil, artistas, executivos, políticos e profissionais liberais já a utilizam como arma contra o stress. Nos três centros da Fundação Siddha Yoga, em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, a procura por cursos aumentou 100% nos últimos cinco anos. No Instituto Nyingma do Rio, de budismo tibetano, houve um crescimento de adeptos de 20% em um ano. Até adolescentes começam a despertar para a busca do bem-estar.
Na casa da atriz Julia Lemmertz, a filha Luiza, 15 anos, já segue os passos da mãe, que tem o hábito há 20 anos e já chegou a meditar até em avião e atrás de cenário de novela. Consigo fazer tudo com mais clareza no meio da loucura e isso me ajuda a decorar os textos¿, diz a atriz. Luiza fez o curso de meditação na férias de janeiro e não quer outra vida. Sai para o colégio às 7 horas, mas antecipa o despertador em uma hora para aquietar a mente. É ótimo antes da aula. Dá um foco. Não fico mais nervosa nas provas, comemora a garota.
A meditação é uma prática milenar utilizada não só pelos orientais há mais de cinco mil anos, mas também pelos povos indígenas do Ocidente. A diferença é que o Oriente fez mais propaganda a respeito e manteve a prática, informa o xamã e terapeuta Sthan Xannia, do Paz Geia Instituto de Pesquisas Xamânicas, de São Paulo. Ele e seus adeptos praticam a meditação nativa que resulta da adaptação de práticas tradicionais de várias etnias.
A meditação ganhou projeção no Ocidente principalmente quando celebridades como os Beatles, na década de 60, começaram a se interessar pelo assunto.Também cresceu com a propagação do budismo, a doutrina criada na Índia há cerca de 2.500 anos, pelo príncipe Sidarta Gautama, o Buda, que abandonou a realeza em busca de iluminação espiritual.
Independentemente da linha, religiosa ou não, que a adote, ela é sempre um meio de entrar em contato consigo mesmo. Em quase todas as versões, consiste em se dedicar um tempo para aquietar-se, prestar atenção na respiração ou criar imagens ou emoções agradáveis. A maioria adota um mantra, uma frase ou uma palavra a ser repetida. Grande parte das práticas disponíveis no Brasil consta do livro O que é meditação (Ed. Nova Era), recém-lançado pela comerciante carioca Sandra Rosenfeld, 48 anos. Em pouco mais de 100 páginas, a autora discorre sobre como e por que meditar, de forma agradável e quase didática. Comecei há dez anos e no início frequentei templos, mas hoje exercito sozinha, durante 40 minutos, quando acordo e antes de dormir, conta ela.
Ligação Os locais mais procurados pelos brasileiros para a prática da meditação são os centros de siddha yoga, de zen-budismo, de budismo tibetano e principalmente as sociedades de meditação transcendental, que não tem ligação com nenhuma religião e possuem centros em 150 países. A meditação transcendental é uma técnica sistematizada na Índia há 50 anos pelo mestre Maharishi Mahesh Yogi, físico e matemático que aos 85 anos vive na Holanda. A diferença entre esta e outros métodos é que nela não se exige o controle dos pensamentos.
A técnica só se pode aprender pela prática e pela transmissão pessoal. Mas podemos dizer que não exige esforço, diz o suíço Markus Schuler, diretor da Sociedade Internacional de Meditação Transcendental de São Paulo. Para aprendê-la, entretanto, não é barato. O curso de uma semana custa em média R$ 1 mil. As técnicas tradicionais, em geral, são ministradas gratuitamente.
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9:01 PM
by Cassiano Leonel Drum
Ai está parte da reportagem principal da revista Isto É deste fim de semana, que encontra-se online no endereço www.terra.com.br/istoé
João Paulo Nucci, Luiz Cláudio Cunha e Sônia Filgueiras
Colaborou: Leonel Rocha (DF)
Brasil tem tudo para sofrer uma mudança importantíssima na próxima semana. Na terça-feira 13, o PMDB, maior partido do Senado e a segunda maior bancada da Câmara, entrou formalmente na base de apoio ao governo Lula, o que garante a maioria de votos no Congresso para a aprovação das reformas ainda no segundo semestre , consolidando um cenário de estabilidade vital para a economia.
E na quarta-feira 21, quando encerrar a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o País deve ver algo que não acontece desde agosto de 2002, no ocaso do governo FHC: a queda da taxa de juros, sonho de dez entre dez brasileiros. Técnicos da equipe econômica estão convencidos de que há espaço para baixar os juros já nesta semana. A dúvida é a intensidade da queda: 0,5% ou 1%. Seria o primeiro e modesto degrau de uma escada descendente por onde pode recomeçar a ascensão da economia brasileira. A angústia pela queda dos juros aflige até o funcionário público número 1 do País.
Na terça-feira, antes de almoçar com o PMDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrou o deputado Luiz Antônio de Medeiros (PL-SP) numa cerimônia da Marinha, em Brasília, e comparou a decisão de reduzir os juros com uma colheita: ¿É o mesmo que levar um engenheiro a um pomar e pedir a ele para colher tangerinas. Ele vai escolher as frutas verdes, antes de estarem maduras. O camponês não erra, sabe que a tangerina deve ser colhida em dois ou três dias. Assim são os juros¿, comparou. Especialistas da área econômica estão confiantes de que o terreno está maduro e
os frutos já podem ser colhidos.
O futuro ficou menos incerto na economia, com o entendimento acertado entre o Planalto e o PMDB. Existem muitos cálculos de parte a parte. Pelo governo, a conta das reformas não fechava sem a forte presença do PMDB, que tem, só no Senado, 22 cadeiras, quase o mesmo número de senadores (31) dos sete partidos que formam a base governista. Com o ingresso do PMDB no bloco oficial, o Palácio do Planalto passa a contar com 325 deputados e 53 senadores no Congresso, acima do quórum mínimo de 308 deputados e 49 senadores necessários para aprovar as reformas.
Os acertos políticos começam, finalmente, a sintonizar com os bons impulsos da economia. As taxas inflacionárias voltam a dar sinais de que foram domadas. ¿Já não existe risco de descontrole¿, reconheceu o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, na mesma terça-feira em que Lula falava da época da colheita. Na última semana, alguns índices inflacionários mostraram que o dragão está sob controle. O IPCA, que o BC olha com cuidado ao examinar a possibilidade de redução dos juros, fechou abril em 0,97%, taxa ainda alta, mas bem inferior à do mês anterior, que ficou em 1,23%. Já os índices calculados pela Fundação Getúlio Vargas e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) registram trajetória de queda nos preços do atacado, que antecipam o comportamento dos índices no varejo.
A Fipe, que mede a inflação de São Paulo, chega a prever risco de deflação neste mês. ¿Quem decide queda de juro é o BC, mas está claro que a evolução dos indicadores aponta para uma trajetória de queda gradual, progressiva e sustentada dos juros¿, reforça o economista e líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). Descontadas as flutuações de humor e realizações de lucro do mercado, o risco Brasil, que mede o índice de confiança dos investidores internacionais, cedeu mais de 300 pontos nos últimos dois meses, chegando à casa dos 800 pontos.
Pode não ser o ideal, mas a marca guarda uma distância confortável dos impensáveis 2.400 pontos registrados durante a campanha eleitoral de 2002, no auge da especulação que equiparou o Brasil a uma Argentina em moratória. O País está hoje muito menos vulnerável a choques externos do que no final do ano passado, declarou o presidente do BC, Henrique Meirelles, em Sevilha, na Espanha, na quinta-feira 15, durante reunião de dirigentes de bancos centrais das Américas. Meirelles, no entanto, mantém o discurso duro: juros menores só com a inflação domada.
E a capa como sempre em todos os fins de semana é esta aí abaixo:
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5:41 PM
by Cassiano Leonel Drum
Bem, como voces verificam foi rápido renovar o visto americano em São Paulo, embora as filas quilometricas e a papelada a ser analisada e ainda consegui trabalhar a tarde. Mas convenhamos, efetivamente é um teste de paciência que fazem com as pessoas que desejam passar ou visitar os Estados Unidos.
Sexta, 16 de maio de 2003.
CLÁUDIO HUMBERTO
O GOVERNO SARNEY TROCAVA CARGOS POR VOTOS, O DE LULA FAZ O CONTRÁRIO (Deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), que se opõe ao fisiologismo do seu partido)
Brasil já é lixão de pneus velhos
O decreto nº 4.592 do presidente Lula transforma o País no lixo preferencial do Primeiro Mundo, que não sabe o que fazer das sobras de sua produção anual de 900 milhões de unidades. Os encalhes vão para o Uruguai e a Argentina, de onde Lula autorizou a importação. Resíduo sólido de difícil eliminação, o pneu velho atenta contra a saúde pública, como criadouro do mosquito da dengue. Estudioso do tema, o senador Edison Lobão (PFL-MA) revelou que o Brasil importou 43 milhões de pneus usados, só no ano passado.
Amigo beneficiado
Um dos maiores beneficiados do decreto do presidente, liberando a importação de pneus usados, é Francisco Simeão. Amigo de Lula, ele é o dono de um jatinho Lear-Jet 31 muito usado por petistas ilustres. Chico Simeão é dono também da BS Colway, que, favorecido por liminares, importa por ano 1,2 milhão de pneus velhos, só da Europa.
Às claras
Os ministros e o chefe Lula adoram holofotes: a Presidência da República mandou instalar refletores no seu campo de futebol da Granja do Torno.
Rodovia privatizada...
O procurador Flávio Paixão de Moura Júnior pediu nulidade da licitação que privatizou em 1995 o trecho da BR-116 que liga o Rio a Teresópolis e Além Paraíba. E que os donos da lambança (governantes e beneficiários) indenizem a União por danos morais, com duas vezes o valor do contrato.
...inferniza Teresópolis
Os petistas Luiz Sérgio, Antônio Carlos Biscaia e Carlos Santana querem um debate público sobre a exploração (não há expressão mais adequada) da CRT na rodovia BR-116, com a participação dos moradores. Teresópolis foi dividida ao meio: quem mora no quinto distrito agora paga para ir ao centro.
Companheiro PO
Em discurso na festa dos 50 anos da Abav, o senador Paulo Octávio (PFL-DF) mostrou sua adesão aos novos tempos. Por duas vezes ele usou o pronome de tratamento petista "companheiro": para saudar o ministro Walfrido Mares Guia (Turismo) e o presidente da Abav, Tasso Gadzanis.
Negócio lucrativo
A importação de pneus usados é negócio de alta lucratividade, embora proibida no Brasil desde 1991. Importados graças a liminares, os pneus velhos custam 58 centavos de dólar a unidade e, depois de remoldados a baixo custo, são vendidos como seminovos a 25 dólares.
Passe disputado
Ex-secretário da Receita Federal no governo FhC, Everardo Maciel foi convidado pelo Banco Mundial para realizar estudos sobre a situação econômica e tributária no México. O serviço começa no dia 9 de junho. O ex-xerife tem também convite para virar conselheiro fiscal da Ambev.
Tá tudo dominado
Na prática, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, delegou a condução do problema transgênicos ao ministro Roberto Rodrigues (Agricultura), defensor radical dos organismos geneticamente modificados.
Pavio curto
Conhecido pelo pavio tão longo quanto seus cabelos, o ministro Ciro Gomes se irritou com os jornalistas que queriam saber se ele realmente abriria mão da candidatura presidencial, em 2006, conforme afirmara pouco antes, na Câmara. Foi mal-educado, como sempre: Ah, vão catar coquinho!.
Stand secreto
A embaixada do Brasil em Washington montou stand na feira de turismo World Travel Expo International de Gays e Lésbicas, no final de abril. O embaixador Rubens Barbosa informou ao Itamaraty que o stand recebeu mais de 700 visitas, em quatro horas. O Itamaraty manteve segredo.
Classificados PT
Chama-se Fernando Moura a figura que circula nos meios empresariais como amigo-irmão do ministro José Dirceu. Diante dos interlocutores, ele liga no celular e chama o ministro de Zé. Como diria o genial Elio Gaspari, é do tipo que persegue a diligência. Coisa de governo honrado. Pelo menos um empresário registrou o estilo de Moura para a eternidade.
Fome zerada
O líder do PSDB no Senado, Arthur Vírgílio (AM), acredita que o presidente Lula dá uma contribuição inestimável ao Fome Zero, com tantos convites a partidos e governadores na busca do apoio para as reformas: Um dia é café da manhã, noutro dia é almoço, churrasco e por aí vai, ironiza.
Turismo zero
A Câmara aprovou requerimento de Ronaldo Vasconcelos (PTB-MG) convocando Carlos Lessa, do BNDES, a explicar por que vai emprestar US$ 1 bilhão a empresas argentinas. Presidente da Subcomissão de Turismo, o deputado está perplexo: há anos o setor não vê a cor do dinheiro do banco.
Con Fidel, siempre
Virou novela o apoio de Chico Buarque a Fidel, no site http://www.porcuba.cult.cu, em "firmas finales". O nome do brasileiro continua lá, apenas mudou de lugar: "Chico Buarque" era seguido de "Chomsky, Noam"; agora, "Buarque de Holanda, Chico" está ao lado de "Brodsky, Patricio A". Todos dando a maior força no ditador que prende e até fuzila quem clama por liberdade.
Poder sem pudor: Sr. Lei, muito prazer
Durante o governo Fernando Henrique, no final de 1999, o ministro Pedro Malan (Fazenda) fingia interesse na reforma tributária, discutindo-a com parlamentares. Sempre muito cordial, ele perguntou ao deputado Antônio Kandir (PSDB), ex-ministro de Planejamento do mesmo governo:
- O senhor prefere que eu o chame de deputado ou de ministro?
Antônio Palocci (PT-SP) meteu o bedelho, provocando gargalhadas:
- Ministro, em São Paulo ninguém chama o Kandir de ministro, nem de deputado. Todo mundo chama ele de lei. Lei Kandir.
Cláudio Humberto com Teresa Barros
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5:27 PM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
16/05/2003
A Loba
Essa mulher, a Loba. Sua história é espantosa. No princípio, ela não era a Loba. Era uma mulher normal, das que assistem a Friends e lêem Bridget Jones. Casou-se com um nababo da cidade, um homem quase 30 anos mais velho. Viveram felizes por algum tempo, fizeram viagens, conheceram ramblas e bulevares. Ela ficou grávida. Concebeu uma linda filha de olhos aquosos e tez de leite. Tudo ia bem.
Aí o marido começou a mudar.
Açulado por maus amigos, ele passou a refocilar nos prazeres da noite porto-alegrense. Mulheres. Álcool. Loucuras. E embora a Loba seja uma mulher desejável, o casamento soçobrou. Abandonada com uma filha pequena, ela por pouco não perdeu a razão. Passou duas noites e dois dias chorando. No terceiro, reagiu. Deixou a filha com a mãe. Avisou que ia fazer uma viagem. Sumiu. Ninguém sabe para onde foi. Ao cabo de 40 dias, voltou mudada. Voltou transformada na Loba.
Entenda: ela era uma mulher pudica, moralista, reta como o caminho da virtude. Depois daquela quarentena que se tornou a Loba.
Claro, faz-se necessário ressaltar que ela não veste a pele de Loba em tempo integral. Durante o dia, trata-se de uma mãe zelosa, uma dona de casa perfeita. Mas, assim que o sol afunda nas águas turvas do Guaíba, dá-se a metamorfose. Ela solta os cabelos bastos, enfia-se em roupas sumárias, pinta-se agressivamente e sai. Sai todas as noites, de segunda a segunda, sem falta. Sai sozinha e sozinha chega aos bares e boates da cidade, os lugares mais conhecidos, mais freqüentados. Fica lá, sentada ereta, com uma bebida na frente, olhando séria para lugar algum. Um chamariz para os homens. E os homens se aproximam, assediam-na. Caem na cilada.
A Loba em pouco tempo os cativa. Porque a Loba primeiro promete, depois negaceia. Eis o segredo. Uma mulher, quando ela oferece desafios a um homem, aí que ela o conquista. A Loba entrega o corpo, jamais a alma. A Loba é misteriosa, é incompreensível. Isso corrói a sanidade mental dos homens, os tortura e os torna presas da sua perfídia. A Loba, depois que um homem se apaixona por ela, ela o abandona, como um dia foi abandonada.
Há dezenas de homens infelizes arrastando-se pela noite de Porto Alegre, vagando sem rumo pelas ruas sombrias. Vítimas da Loba. Se você vir uma mulher deslumbrante sentada sozinha numa mesa de bar, fitando o vazio, cuidado. Não se aproxime. Porque você apenas conseguirá algumas noites de sexo depravado, sexo enlouquecedor, sexo incomparável e inesquecível, porém casual. Porque você apenas irá se saciar de luxúria, antes de sofrer, sofrer, sofrer.
david.coimbra@zerohora.com.br
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5:24 PM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
16/05/2003
Um grande locutor
Todos os dias, há 31 anos, topo com ele nos corredores da Rádio Gaúcha, é um personagem indefectível do meu cotidiano.
Vejo-o conferindo os textos que dali a pouco lerá no microfone. Estou me referindo ao locutor de notícias José Aldair, 37 anos na Rádio Gaúcha.
Pelos cálculos que fiz, ele já leu cerca de 40 mil noticiários como este Correspondente Ipiranga que leva ao ar três a quatro vezes por dia para todo o Rio Grande e o Brasil, quase quatro décadas de infalíveis transmissões.
É um dos mais corretos e atilados locutores do país. Os ouvintes já estão acostumados à sua voz grave e vibrátil, à tonalidade séria e respeitável que imprime à sua voz, à pronúncia escorreita e estudada dos nomes estrangeiros, às meticulosas e apropriadas pausas entre as frases, os períodos e os assuntos.
Um extraordinário profissional, sua voz é a mais característica de todas as 400 vozes que falam diariamente na Rádio Gaúcha, ele é o distintivo e a marca mais notáveis da nossa emissora, tornou solenes os seus espaços diários, escutados sempre em silêncio, respeito e atenção pelos milhares de ouvintes, há mais de uma geração.
Como nunca trabalhou em televisão, não recebe nas ruas as galas que nós todos que expomos nos vídeos os nossos rostos encontramos diariamente no reconhecimento popular.
Ao que eu saiba, nunca recebeu prêmios por seu trabalho, essas pesquisas de preferência popular esquecem lamentavelmente os locutores, esses pilares do rádio, um veículo encravado definitivamente na alma popular.
O José Aldair é como o vinho, quanto mais antigo, melhor. E ele permanece ali no seu posto, das primeiras horas da manhã, no meio do dia, até as primeiras horas da noite.
Sua voz retumba todos os dias nas prosaicas habitações das vilas, nos casarios da mediania, nas alturas dos apartamentos e nos abrigos das vivendas urbanas, assim como nos mais longínquos rincões do meio rural.
Seus boletins são referências do jornalismo, pontuais e precisas fontes de informação, adornadas pela respeitabilidade que infunde a sua conspícua e enérgica dicção.
É um desses homens e profissionais que, mais que úteis e necessários, se tornam imprescindíveis. E que se incorporam de tal modo à dinâmica social do cotidiano, pela sua indispensabilidade, que talvez só venhamos a atentar para sua estupenda importância se, acaso, um dia, o que nunca acontecerá, nos faltasse.
Mas ele não falta nunca, está sempre ali na trincheira, como uma rocha altaneira, um carvalho imarcescível.
Que o seu destino é servir. E ele teima humilde, quase que anônimo mas sobranceiramente em servir.
Desculpem, mas hoje me tocou, num impulso que tolhi durante muitos anos, soltá-lo irreprimivelmente no reconhecimento ao mérito de um colega de trabalho, uma abelha da minha mesma colmeia, que engrandece a minha profissão, essa sublime saga do jornalismo que o José Aldair Nidejelski ainda mais enobrece.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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5:22 PM
by Cassiano Leonel Drum
Religião
A igreja feita de vidro
A capela da Ulbra em Canoas, com capacidade para 450 pessoas, construída com superfícies espelhadas, terá seu culto inaugural hoje (foto Elisângela Fagundes, divulgação/ZH)
Quinta-feira, Maio 15, 2003
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3:56 PM
by Cassiano Leonel Drum
Se a moda pega, os jornais e revistas de anuncios irão ganhar uma boa grana, com esses anuncios, por aqui, vocês concordam?
Quinta, 15 de maio de 2003, 09h35
Traída publica dados de mulher que pegou seu noivo
A polícia espanhola prendeu uma jovem de 22 anos acusada de publicar dados pessoais de uma mulher que, no passado, teve um caso com seu noivo. Os anúncios foram postados em sites de sexo na Internet.
Conforme a polícia da Catalunha, R.G.T. publicou nos sites nome e telefone da mulher com um recado para que todos os interessados entrassem em contato o mais rápido possível. A mulher acabou recebendo diversas ligações de pessoas que leram os anúncios. Ela precisou mudar seu número telefônico e fez uma denúncia à polícia.
Agentes do grupo de Delitos Informáticos da Polícia descobriram que os anúncios foram publicados por alguém de Barcelona e acabaram chegando até R.G.T. por interrogatórios. Ela confessou ser a autora da vingança e foi detida.
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12:40 PM
by Cassiano Leonel Drum
Amor - O Interminável Aprendizado
Affonso Romano de Sant'Anna
Criança, ele pensava: amor, coisa que os adultos sabem. Via-os aos pares namorando nos portões enluarados se entrebuscando numa aflição feliz de mãos na folhagem das anáguas. Via-os noivos se comprometendo à luz da sala ante a família, ante as mobílias; via-os casados, um ancorado no corpo do outro, e pensava: amor, coisa-para-depois, um depois-adulto-aprendizado.
Se enganava.
Se enganava porque o aprendizado de amor não tem começo nem é privilégio aos adultos reservado. Sim, o amor é um interminável aprendizado.
Por isto se enganava enquanto olhava com os colegas, de dentro dos arbustos do jardim, os casais que nos portões se amavam. Sim, se pesquisavam numa prospecção de veios e grutas, num desdobramento de noturnos mapas seguindo o astrolábio dos luares, mas nem por isto se encontravam. E quando algum amante desaparecia ou se afastava, não era porque estava saciado. Isto aprenderia depois. É que fora buscar outro amor, a busca recomeçara, pois a fome de amor não sabia nunca, como ali já não se saciara.
De fato, reparando nos vizinhos, podia observar. Mesmo os casados, atrás da aparente tranqüilidade, continuavam inquietos. Alguns eram mais indiscretos. A vizinha casada deu para namorar. Aquele que era um crente fiel, sempre na igreja, um dia jogou tudo para cima e amigou-se com uma jovem. E a mulher que morava em frente da farmácia, tão doméstica e feliz, de repente fugiu com um boêmio, largando marido e filhos.
Então, constatou, de novo se enganara. Os adultos, mesmo os casados, embora pareçam um porto onde as naus já atracaram, os adultos, mesmo os casados, que parecem arbustos cujas raízes já se entrançaram, eles também não sabem, estão no meio da viagem, e só eles sabem quantas tempestades enfrentaram e quantas vezes naufragaram.
Depois de folhear um, dez, centenas de corpos avulsos tentando o amor verbalizar, entrou numa biblioteca. Ali estavam as grandes paixões. Os poetas e novelistas deveriam saber das coisas. Julietas se debruçavam apunhaladas sobre o corpo morto dos Romeus, Tristãos e Isoldas tomavam o filtro do amor e ficavam condenados à traição daqueles que mais amavam e sem poderem realizar o amor.
O amor se procurava. E se encontrando, desesperava, se afastava, desencontrava.
Então, pensou: há o amor, há o desejo e há a paixão.
O desejo é assim: quer imediata e pronta realização. É indistinto. Por alguém que, de repente, se ilumina nas taças de uma festa, por alguém que de repente dobra a perna de uma maneira irresistivelmente feminina.
Já a paixão é outra coisa. O desejo não é nada pessoal. A paixão é um vendaval. Funde um no outro, é egoísta e, em muitos casos, fatal.
O amor soma desejo e paixão, é a arte das artes, é arte final.
Mas reparou: amor às vezes coincide com a paixão, às vezes não.
Amor às vezes coincide com o desejo, às vezes não.
Amor às vezes coincide com o casamento, às vezes não.
E mais complicado ainda: amor às vezes coincide com o amor, às vezes não.
Absurdo.
Como pode o amor não coincidir consigo mesmo?
Adolescente amava de um jeito. Adulto amava melhormente de outro. Quando viesse a velhice, como amaria finalmente? Há um amor dos vinte, um amor dos cinqüenta e outro dos oitenta? Coisa de demente.
Não era só a estória e as estórias do seu amor. Na história universal do amor, amou-se sempre diferentemente, embora parecesse ser sempre o mesmo amor de antigamente.
Estava sempre perplexo. Olhava para os outros, olhava para si mesmo ensimesmado.
Não havia jeito. O amor era o mesmo e sempre diferenciado.
O amor se aprendia sempre, mas do amor não terminava nunca o aprendizado.
Optou por aceitar a sua ignorância.
Em matéria de amor, escolar, era um repetente conformado.
E na escola do amor declarou-se eternamente matriculado.
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12:35 PM
by Cassiano Leonel Drum
Bom a nossa aula hoje no WISE UP, teve a coordenadora de professora, até porque ela usou o espaço da aula para apresentar a nossa nova - fessora nova - : A dona Marcia que juntamente com a Giovana estiveram presentes e participaram da aula. Bem que não é uma má idéia ter assim professoras junto com a gente ajudando a fazer os exercícios de aula.
Mas tudo bem terça-feira próxima já será com a dona Márcia. Seja bem vinda fessora e esperamos que sinta-se ótimamente, isso é em casa, entre nós.
Amanhã não deverei postar aqui neste espaço, vez que estarei indo hoje a noite para Sampa para renovar o visto americano amanhã lá no consulado. Se tiver um vôo logo depois de meio dia ainda posto a tarde, senão a noite estarei de volta a este espaço, com certeza. Então não fiquem chateados, é só porque ainda está fazendo muita névoa pela manhã aqui no Salgado Filho e os aviões estão decolando tarde, por isso já irei hoje a noite, de sorte que amanhã pela manhã já estarei lá.
Dona Ticcia lá do Não Discuto, nosso almoço acabou ficando para a próxima semana, espero, porque amanhã já é sexta-feira e não estarei por aqui. Segundas, quartas e sextas acho melhor, Mas se você preferir terças e quintas, This is not have problem.
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8:24 AM
by Cassiano Leonel Drum
Vinte dicas para aproveitar a solidão e uma para estragar tudo
Ulisses Tavares
Como dizia um filósofo ao final de muito pensar sobre a frágil condição humana: "só duas certezas: sozinhos nascemos, sozinhos morreremos". Mas, como dizia aquele meu amigo cínico e prático: "enquanto não morremos, e já que nascidos estamos, devemos achar maneiras agradáveis de preenchermos nossos momentos de solidão".
De solidão, todos os homens e mulheres entendem e sabem o quanto pode doer ou fazer crescer. O sábio Cazuza afirmava, numa canção, "que solidão é pretensão de quem fica fazendo fita". Impossível contestar. De fato, se você quiser ficar sozinho, vai ficar mesmo, principalmente se não tiver coragem de sair de seu casulo, de sua fortaleza emocional, de seu cofre, e tentar compartilhar sentimentos desgostosos e prazeres com os outros.
Afinal, nestes tristes tempos, que Einstein definiu como uma época em que é mais fácil quebrar o segredo do átomo que o segredo do coração de seu vizinho, seu irmão, seu amigo da esquina, se você não tomar a iniciativa de pegar o telefone e ligar, abrir a porta e sair, idem com a boca e falar, nada vai acontecer.
Porém, existe o estar sozinho por incompetência e o estar sozinho por escolha própria. Este último é tranqüilo, enriquecedor e necessário. Falando nele, e de conversas com chegados meus, fiz uma lista de sugestões úteis de como lidar com a solidão:
Leia um bom livro, e lembre-se: um bom livro é o que prende você e preenche.
Tire uma soneca, normalmente estamos mais cansados do que pensamos e o corpo está com atraso de anos de sono bom.
Pratique um passatempo qualquer, por mais idiota que seja, de golfe a palavra cruzada.
(Re) conheça seu corpo, feche (ou abra bem) seus olhos e sinta ou veja seus braços, sexo, barriga, pernas, etc, isso é muito diferente de se ver num espelho antes de ir pra balada.
Arrume sua casa, ter as coisas em ordem é como pôr a alma em ordem também.
Leve o cachorro pra passear, coitado, talvez ao contrário de você, ele adore sair.
Faça uma lista dos amigos, atuais e antigos, para os que você pisou na bola, ligue pedindo desculpas, para os outros, simplesmente diga que ligou porque estava com saudades.
Não faça nada, se dê esse prazer, esse luxo no mundo moderno, quem disse que você tem que estar sempre ocupado?
Família, lembra de seus parentes? Aquela tia que era ótima na sua infância e uma chata, na sua opinião, hoje em dia, vai adorar seu telefonema, e-mail, cartinha.
Um diário, há quanto tempo você não escreve um? Agora dá tempo.
Pense na vida, pense, repense, reflita, veja o que quer mudar, o que é possível mudar e o que não precisa mudar.
Deus, uau, o que é isso? Quem é? Todas as religiões concordam que pensar sobre Deus, é uma boa forma de rezar.
Sinta sua respiração, tente expirar e inspirar conteúdo o mesmo número de vezes.
Olhe para o céu, de preferência, deitado no chão do quintal ou da praça, imagine animais e formas que as nuvens sugerem.
Entre na Internet, em vez de mulheres peladas e sites de encontrados, procure museus, galerias de arte, biografias.
ONGs, serviços voluntários, associações comunitárias, já lhe ocorreu que praticar o bem aos outros, mais carentes que você, pode diminuir seu sofrimento?
Contar buraquinhos de um pedaço da parede, os iogues garantem que funciona e isso lhe trará paz, se bem que eles costumam usar uma mandala (aqueles desenhos repetitivos e coloridos)
Grite, reclame, fantasia, tudo em voz alta.
Agora, se você já tentou tudo isso e não gostou, radicalize, vá á luta e preencha seu vazio existencial paquerando alguém. Qualquer uma. Prometa mundos e fundos e fique com ela |