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Voces encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Comentários de Livros, revistas e de jornais que já li e que por julgá-los interessantes postarei aqui, espero, todos os dias para que você sempre tenha algo que lhe facilite no seu dia a dia ou nas suas atividades. Se ele cumprir parte desses objetivos, estarei feliz por ter podido repartir essas conquistas.
Email: cassiano.leonel@terra.com.br
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Sábado, Maio 31, 2003
Posted
7:47 PM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
01/06/2003
Super gaúcha
Sou urbana, gosto de cidade grande, não gosto de mato, de bicho e de pão feito em casa. Pronto. Falei. Acredite: não é um desvio de caráter. É o meu jeito. Minhas preferências. Não jogue no lixo tudo o que a gente construiu juntos só por causa deste detalhezinho bobo. Desde que eu era pequena que sítios, fazendas e assemelhados nunca me seduziram. Tenho medo de cobra, não sei andar a cavalo e suo frio só em pensar em encontrar uma perereca no banheiro. Eu bem que gostaria de me adaptar, pois se todo mundo diz que não há nada melhor do que a vida no campo, alguma verdade há nisso. Eu gosto de árvores, de flores, de silêncio, eu fiz minhas tentativas. Eu tentei ser normal. Achei que bastaria calçar botas de couro, mas é pouco. É preciso vocação.
Minha inaptidão para o mundo campeiro fica bem demonstrada quando o assunto é gastronomia. Eu não gosto de charque. Eu não gosto de chimarrão. Eu não gosto de doce de abóbora. Eu não gosto de leite recém tirado da vaca. Restou-me a resignação: vim ao mundo com este defeito de fábrica e não há nada que se possa fazer. Todas as pessoas possuem uma espécie de deficiência, e algumas são bem piores do que as minhas. Há quem seja vegetariano. Não cheguei a esse extremo. Uma picanha, não recuso. Mal passada, melhor ainda.
Estamos vivendo uma fase de ufanismo gaudério. De repente, o Rio Grande do Sul ganhou destaque, devido à minissérie e ao livro A Casa das Sete Mulheres, da minha talentosa amiga Leticia Wierzchovski. Toda a população está se sentindo orgulhosa de pertencer a esta terra. Uma rede de lojas, recentemente, colocou uma campanha publicitária no ar com a seguinte pergunta: o que é ser gaúcho? As melhores respostas ganharam prêmios. Eu não ganharia nem um tapinha nas costas.
Ser gaúcha, eu responderia, é gostar de ler Michael Cunningham, de ir ao cinema, de viajar para o Rio, para Punta, para Nova York. É caminhar na esteira de uma academia, trabalhar até tarde num escritório e antes de voltar pra casa passar no Zaffari e comprar uma pizza congelada. Ser gaúcha é ouvir bossa nova, gostar de praia e ficar só de camiseta e meias comendo Ruffles na frente da tevê. É preocupar-se com a meteorologia porque amanhã é dia de fazer escova e você morre de medo que chova e o cabelo vá por água abaixo. É acordar com as galinhas, mas sem ver as galinhas, a não ser na hora do almoço, grelhadas. Ser gaúcha é ter bom humor e nojo de barata, é adorar a Internet e assistir ao pôr-do-sol da sacada. Ser gaúcha é ter nascido aqui mas ser feliz em qualquer lugar, com o estilo de vida que escolher.
Eu me sinto tão gaúcha quanto as prendas que dançam nos CTGs, tão gaúcha quanto as mulheres que encilham cavalos, que cozinham em fogões a lenha, que ordenham vacas e bordam tapetes. Aliás, eu bordo tapetes. Aliás, eu nasci neste Estado. Aliás, somos todos gaúchos, nenhum mais gaúcho que o outro.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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7:39 PM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
01/06/2003
As pessoas correm para fazer exercício, mas também se faz exercício caminhando. Quem estará com a razão?
Foto(s): arte/ZH
Êxtase e sofrimento
Há uns anos, fiz um curso de saúde pública na Universidade de Massachusetts, Estados Unidos. Tornei-me amigo de um dos professores, conhecido epidemiologista que tinha interesse pelo Brasil e volta e meia me perguntava coisas a respeito de nosso país. Uma tarde, eu caminhava pelo campus da universidade quando avistei o homem, fazendo o seu jogging. Vinha correndo em minha direção e parei para cumprimentá-lo. Para minha surpresa, contudo, simplesmente passou por mim, ofegante, suarento - sem me ver. Mais surpreendente ainda era a expressão de seu rosto, em que se misturavam sofrimento e êxtase. Como se estivesse em outra dimensão.
Estava em outra dimensão. Estava em outro tempo, em outro lugar: transportado, como acontece com aqueles que têm paixão pela corrida. Paixão esta que o entusiasmo por provas como a maratona que se realiza em Porto Alegre neste domingo.
As pessoas correm para fazer exercício. Mas também se faz exercício caminhando e nos últimos anos tem havido uma discussão sobre o que é mais conveniente, se caminhar ou correr. Será a Batalha Final travada entre a Tribo dos Corredores e a Tribo dos Caminhantes? Não creio. Mesmo porque trata-se de coisas diferentes, correspondendo cada uma delas a uma atitude perante a vida. Caminhar é o que todos fazemos no cotidiano; a caminhada como exercício é apenas uma variante de algo habitual.
Correr, não. Correr é uma ruptura com o convencional. As pessoas correm em situações excepcionais: quando estão com muita pressa, quando estão assustadas. Já o corredor (e sobretudo o corredor de maratona), corre por razões diferentes. Corre por esporte, naturalmente, mas corre obedecendo a um impulso, um impulso que faz com que o contato dos pés com o solo seja o mais breve possível; do chão, o corredor só quer o impulso. Se pudesse, correria no ar, num plano mais elevado, não tão elevado como aquele que buscava Ícaro da lenda grega, que, com as asas fabricadas pelo pai, voou quase até o sol, mas elevado, de qualquer maneira; desligado da Terra que todos prosaicamente pisamos e na qual um dia seremos sepultados.
Mas em matéria de romper com o convencional, pode-se ir mais adiante. Barry T. Bates, professor na Universidade de Oregon, preconiza uma outra forma de corrida: correr de costas. Diz ele que isto proporciona um melhor contato dos pés com o solo e que estimula a coordenação motora.
Pode ser esquisito ver alguém correndo de costas. Mas, convenhamos: em matéria de simbolismo, é o máximo. O corredor convencional vê na sua frente o trajeto que vai percorrer, isto é, o futuro. É a maneira como vivemos, projetando-nos constantemente para um tempo vindouro que, esperamos, será melhor que o presente. O corredor de costas, não: só vê o trajeto que já percorreu. Ou seja: o passado. O passado pode ser formado de doces lembranças, mas também de momentos amargos. Walter Benjamin fala do Anjo da História, expulso do Paraíso por uma ventania que o projeta, de costas, para o futuro. Olhos arregalados, este Anjo vê as ruínas do tempo amontoarem-se constantemente a sua frente. O que chamamos progresso, diz Benjamin, é esta feroz ventania.
São coisas em que a gente pode pensar quando está correndo (de frente ou de costas). Porque correr é penetrar em uma outra dimensão. Da qual a fantasia nunca está por completo ausente. Com todo o sofrimento e todo êxtase que isto possa provocar.
scliar@zerohora.com.br
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7:32 PM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
01/06/2003
O meu livro
São os melhores momentos deste afã diário de escrever há 31 anos, a agonia e o êxtase de todos os dias oferecer aos leitores uma visão individual do mundo que nos cerca.
Já está nas livrarias o Melhor de Mim, 64 crônicas em 150 páginas. É possível que tenham escapado da peneira muitas das 12 mil colunas que já assinei em Zero Hora que valesse a pena serem incluídas.
Mas quando repasso os olhos pela seleção do Henrique Erni Gräwer e por algumas que pessoalmente fiz questão de incluir no livro, considero-as profundamente representativas da minha índole e da rede de prospecção da minha sensibilidade.
No domingo, Zero Hora tem muito mais leitores. Por isto estou escolhendo hoje a coluna pela qual convido os leitores e os amigos todos que puderem dar uma chegada na noite de autógrafos do livro, que será a partir das 19h da próxima terça-feira, 3 de junho, nas Livrarias Porto, no Shopping Iguatemi.
Impossível mandar convites individuais para todos. Faço-o portanto por aqui, na esperança de encontrá-los em bom número lá.
Este negócio de escrever crônicas é muito estranho. Dias há em que os assuntos escasseiam. Dias no entanto há em que os assuntos pululam.
Fora dos assuntos, dias há em que o cronista está eufórico, outros dias há em que está depressivo, a velha bilateralidade do espírito humano.
Quando está depressivo, leva mais de oito horas para desvencilhar-se da infertilidade inspiracional e se atrever a começar o texto.
Quando está eufórico, se lhe exigirem três crônicas, ele as escreve imediatamente, sem titubear e com inteiro êxito.
Às vezes encontro pessoas que me manifestam a sua perplexidade por eu conseguir escrever uma crônica por dia há tantos anos.
A perplexidade delas é menor ainda do que a minha. Não sei como posso, o que sei é que muitas das crônicas são feitas pela pressão, pela exigência de que elas têm de ser feitas, dali a pouco roda o jornal e não pode sair sem a coluna.
Mas muitas delas também foram feitas com singela espontaneidade, brotaram na cama ao deitar ou levantar, no táxi, na conversa de bar, depois corri para o computador com aquele tema regurgitando dentro de mim, pronto para ser exposto, ainda melhor adornado no conteúdo ou na forma pela mecanicidade automatizada do exercício de escrever: as melhores sacadas surgem em meio à escrita, nos solavancos do andor.
E algumas há em que o autor não desconfia de que haverá repercussão e, no entanto, no dia seguinte, todo mundo fala nelas.
E há outras em que quem escreve acha que acertou na veia, mas vê no dia seguinte que não acertou. E há as que julga insossas e realmente redundam num desastre.
E há ainda uma outra categoria: a gente tem a certeza de que escreveu uma grande crônica e no dia seguinte ela retumba em todas as rodas e em todos os lábios, ganhando a melhor de todas as recompensas: é recortada e posta num quadro ou guardada para sempre na carteira.
E o melhor elogio que recebi nestes 31 anos de labor escrito foi de um oficial da reserva, se bem lembro, que diante de uma crônica minha em que eu entendia que se aproximava a minha morte, ele me mandou dizer:
- Nada de morrer, Paulo Sant'Ana. Como ficarão as paredes das cozinhas sem as tuas crônicas coladas nelas?
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:30 PM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
01/06/2003
Escolha
Nélia ficou muito impressionada quando perguntou à amiga Laurita o que ela achava do Paulo Artur, da sua intenção de casar com o Paulo Artur, e a Laurita ficou olhando para ela em silêncio, depois disse:
- Nelinha, você tem um compromisso com a espécie.
- O quê?
Nélia não sabia de compromisso algum. Que espécie? Laurita suspirou e perguntou o que Nélia estava pensando. Que a questão era só aquela? Que era simples assim, caso ou não caso? Que não havia uma história por trás da sua história pessoal, a história da raça, a história dos genes da raça? A espécie humana, Nelinha. A espécie humana. Você é responsável pela espécie humana.
Nelinha cada vez mais assustada.
- Eu?!
- Somos nós, as mulheres, que determinamos a evolução da espécie. Nós somos as responsáveis. Você e eu, Nelinha. É assim em todas as espécies, a fêmea tem a última palavra sobre quem vai impregná-la, sobre que tipo vai se reproduzir, sobre qual corrente genética continua e qual acaba. Você já pensou nisso? No poder que você tem? Com um simples "não" você pode interromper uma linhagem de DNA que vem desde a criação do mundo. Recusando-se a ter seu filho, você pode, sem saber, estar negando a reprodução do último descendente direto de Adão, e bem feito.
- Mas o Paulo Artur não...
- Nelinha. Escuta. O período de namoro, de noivado, é a oportunidade que nós temos de avaliar se o homem que pretende depositar sua semente em nós merece isso. Ele só quer cumprir o seu papel, que é passar adiante, por assim dizer, a sua encomenda genética. Não está nem aí. Cabe a nós ter critérios e selecionar os melhores, para o bem da espécie, Nelinha. A corte, o assédio, a conquista, tudo isso existe até entre os cascudos, Nelinha, até entre os cascudos, e é a ajuda que a Natureza nos dá para fazermos a seleção. Para compararmos os machos em todos os quesitos que significarão a evolução ou o atraso da raça. Estejam eles trocando cabeçadas numa savana africana ou comparando bíceps ou carteiras de ações na nossa frente, os machos estão se entregando ao nosso escrutínio, à nossa sentença. Disputando a nossa aprovação e o privilégio de usarem o nosso ventre. Mas a decisão final é nossa. A responsabilidade é nossa, Nelinha.
Nélia ficou muda. Não sabia que era tão importante. Laurita arrematou, para completar:
- E o Paulo Artur, francamente...
Paulo Artur não tinha nada para contribuir à espécie a não ser sua cara. E uma coisa de que a espécie decididamente não estava precisando era outra covinha no queixo.
Escolha (2)
Não que a Laurita também não tivesse se enganado um dia, o que podia explicar sua atitude, e os cantos da boca puxados para baixo.
Ele se chamava Candiota e, semanas antes do casamento marcado, disse para Laurita que iria abandoná-la.
- É outra? - perguntou Laurita, soerguendo-se na cama. (Nota pessoal do autor: sempre gostei muito de "soerguer-se", mas tive poucas chances de usá-lo. Agradeço a oportunidade. Um abraço nos meus familiares. Segue a história.)
- Não - respondeu Candiota. - É Outro.
Como não percebeu o "O" maiúsculo, Laurita pensou que o Candiota, logo o Candiota, um homem tão reto, fosse homossexual. Mas Candiota apressou-se a corrigir o engano. O Outro era o Senhor.
- Fui chamado pelo Senhor.
Deus o convocara para seu ministério e Candiota não podia ter qualquer distração na sua luta contra o Demônio, muito menos a Laurita, com seus mamilos tipo medalhão. Laurita não casou com o Candiota e com mais ninguém. Renunciou a sua missão, que era reproduzir tantos Candiotas quantos pudesse para ajudar o Brasil, em favor da missão do Candiota, de combater o Demônio em todas as suas manifestações.
Anos depois, num baile de Carnaval, Laurita julgou identificar o Candiota num grupo de homens fantasiados de legionários romanos que circulavam pelo salão com mulheres seminuas sentadas sobre os ombros. Não pôde ter certeza que era o Candiota porque ele era o único que segurava a mulher ao contrário e tinha a cara enterrada entre as suas coxas. Talvez não fosse o Candiota.
Talvez fosse o Candiota e eles estivessem numa missão secreta para o Senhor, em território inimigo. Talvez fosse o Candiota e o Demônio simplesmente o derrotara. Talvez fosse o Candiota e ele tivesse mentido para ela. Eu também não sei. O fato é que foi depois disso que a Laurita ficou assim, amarga e filosófica, e com os cantos da boca puxados para baixo.
Publicado no dia 21 de março de 1999. Luis Fernando Verissimo está de férias.
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7:23 PM
by Cassiano Leonel Drum
Gente
Retratos do sul do Rio Grande
O Rio Grande dos tipos que ajudaram a construir seus mitos ainda resiste no sul do Estado. Nesta edição e até o próximo sábado, ZH conta as histórias de personagens como o peão que só conhece o mundo ao redor da fazenda, a professora rural, o fazendeiro e outros nove preservadores da nossa história na série Retratos do Sul do Rio Grande (foto Adriana Franciosi/ZH)
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7:17 PM
by Cassiano Leonel Drum
Ele está uma arara porque estão construindo um edifício com seu nome, ah mas esse Diogo Mainardi é mesmo muito folgado, voces concordam?
Vergonha de ser Diogo
"Toda novela tem de ter um Diogo.
Agora é nome também de um prédio de apartamentos em São Paulo.
A garota-propaganda do Diogo é Fernanda Young. Ou seja, avacalharam o meu nome"
Diogo é nome de personagem de novela. Toda novela, por algum motivo, tem de ter um. Para minha vergonha, Diogo agora virou também nome de prédio de apartamentos. De fato, estão construindo um prédio chamado Diogo na Vila Nova Conceição, em São Paulo. O Diogo, conforme anúncio publicado nos jornais, dispõe de "port-cochère" e "vignerie". Não sei o que significa "port-cochère", mas "porte cochère", com "e" e sem hífen, é um pórtico para carruagens. Por outro lado, ignoro o termo "vignerie", sobretudo na acepção de adega. O estilo arquitetônico do Diogo, a se julgar pela maquete, é semelhante ao do Cingapura, o conjunto habitacional graças ao qual Paulo Maluf conseguiu eleger seu sucessor, Celso Pitta. Estilo legitimamente paulistano, portanto. A garota-propaganda do Diogo é Fernanda Young. Ou seja, avacalharam o meu nome. Ainda bem que não moro mais em São Paulo.
Eu nunca entendi o motivo, mas os paulistanos realmente gostam de São Paulo. Os cariocas realmente gostam do Rio de Janeiro. Até os maringaenses realmente gostam de Maringá. Duas semanas atrás, com o único propósito de manifestar meu entusiasmo pelo Canal Rural, mencionei a feira do gado de Maringá. Os maringaenses acharam que eu estava debochando da cidade e encheram-me de cartinhas iradas. Rinaldo acusou-me de falta de ética. Thaís chamou-me de irresponsável. Matheus, de preconceituoso. Rosenei e Helenice afirmaram que eu não sabia o que era cultura. O Lions Clube ficou indignado.
O que mais irritou os maringaenses foram os índices socioeconômicos citados no artigo. A mortalidade infantil de Maringá, segundo eles, não é de 26,44 por 1.000, mas apenas de 11,54. O analfabetismo não atinge 16% da população adulta, mas apenas 5%. Peço perdão aos maringaenses, porém a culpa não foi minha. Colhi as estatísticas num documento da própria prefeitura. Especificamente, no relatório do comitê intermunicipal do Fome Zero. Quando é para se apresentar aos eleitores, a prefeitura de Maringá desaparece com seus miseráveis. Quando é para pleitear mais verbas federais, aparecem famintos por todos os lados. O Fome Zero não tem a menor chance de funcionar.
O leitor Cláudio Marcos aproveitou sua cartinha para reclamar que já está cansado de meus ataques contra Gilberto Gil. Ele está certo, claro. Pego demais no pé de Gil. O problema é que Gil provoca. Outro dia perguntaram-lhe qual era o livro mais importante de sua vida. Ele deveria ter mentido. Deveria ter dito Grande Sertão ou algo do gênero. Gil acabou escolhendo o livro do I-Ching. Um ministro da Cultura não tem o direito de responder que seu livro predileto é o do I-Ching. Pior: Gil admitiu que só toma decisões fundamentais depois de consultar as moedas do I-Ching. Foi o que aconteceu quando Lula o convidou para ser ministro.
As moedas o aconselharam a aceitar o cargo, porque ele é um hexagrama 2, um receptivo, dotado da perseverança de uma égua, animal que combina a agilidade do cavalo com a docilidade da vaca, como concordariam os leiloeiros da feira do gado de Maringá. Não sei que caminho as moedas indicarão à cultura brasileira. Só sei que, ao longo de nossa história, nunca tivemos muita sorte com moedas.
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6:55 PM
by Cassiano Leonel Drum
BB paga dívida histórica
Banco do Brasil gasta R$ 27 milhões para quitar débito trabalhista de 30 anos
SÃO PAULO - O Banco do Brasil vai pagar a seus funcionários reajuste de 3% que deixou de conceder 30 anos atrás. O presidente do banco, Cássio Casseb Lima, fez o anúncio ao visitar o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. O pagamento vai beneficiar 1.500 bancários sindicalizados (hoje aposentados) e seus herdeiros. O desembolso, de R$ 27 milhões, faz parte de uma nova conduta do BB, de não questionar assuntos já decididos pela Justiça.
A ação se iniciou em 1973, quando o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto corrigiu os salários dos funcionários paulistas pelo índice de preços do Rio. Na capital paulista, o indicador era maior. A Justiça emitiu parecer favorável, mas só agora o BB decidiu pagar a conta.
O presidente do Sindicato dos Bancários, João Vaccari Neto, pediu ao presidente do BB que o banco passe a participar da negociação salarial com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) e os sindicatos, ¿seguindo princípio constitucional¿. Hoje, o BB negocia com a Contec (Confederação Nacional de Trabalhadores de Crédito), numa campanha separada dos funcionários de bancos privados. Casseb não se pronunciou a respeito, mas reafirmou a disposição para o diálogo.
O presidente do BB anunciou também que vai rever as taxas de empréstimos para os funcionários do banco. Ele se surpreendeu ao saber que eles tomavam empréstimos em bancos concorrentes.
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6:50 PM
by Cassiano Leonel Drum
A Lei está ai para ser cumprida, mas todos os dias elas são sistematicamente desobedecidas, infringidas e ignoradas. E por isso todos os anos se formam centenas e centenas de advogados, pois dessa forma só resta buscar na justiça o seu cumprimento.
Lei da fila volta a vigorar
Clientes de bancos só podem esperar até 20 minutos
Clientes poderão esperar no máximo 20 minutos nas filas dos bancos. A Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público Estadual conseguiu que os agentes financeiros cumpram a Lei Municipal 2.861/99 (Lei dos 20 minutos). A 12ª Câmara Cível negou, terça-feira, recurso de 23 bancos contra a liminar do MP para garantir o direito.
A lei determina ainda senhas e assentos para idosos, gestantes e deficientes, e que os bancos não discriminem clientes e não-clientes. A escala dos caixas deve ficar visível, para que o cliente fiscalize se o funcionário foi deslocado para outra função.
Segundo o promotor Rodrigo Terra, a liminar voltará a valer quando a decisão sair no Diário Oficial. Quem tiver queixas poderá passar fax para (21) 2240-6250. Ao descumprir a liminar, o banco será multado em R$ 50 mil por ocorrência e responder por crime de desobediência de ordem judicial.
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4:09 PM
by Cassiano Leonel Drum
Relações divertidas
Por Lina de Albuquerque
Fotos: Everton Ballardin
REVELAÇÕES DIVERTIDAS
Depois de coroada, Gislaine Ferreira, que concorreu pelo Estado de Tocantins, desfila pela passarela da casa de espetáculos Via Funchal, em São Paulo, exibindo o manto e a faixa do título máximo do concurso de beleza nacional.
O Via Funchal estava que era uma maravilha. Quando Daniela Mercury chegou para cantar, os microfones pifaram, a música continuou tocando e a cantora não conseguiu driblar ela mesma. Uma senhora arriscava da platéia um palpite sobre a mais bonita, confundindo as meninas do grupo baiano Ilê Ayê, que participavam da coreografia da cantora, com as candidatas a Miss Brasil.
Depois foi a vez da estrela do brega pop, Wanessa Camargo, entrar no túnel do tempo e aparecer no intervalo cantando "Eu e a Brisa", de Johnny Alf, exatamente como a cantora Márcia interpretava esse clássico nos festivais da Record dos anos 60. Em seguida, voltou a ser ela mesma, martelando para o público o seu atual sucesso radiofônico: "Você sabe que sou louca por você, lá, lá, lá".
Fábio Júnior também compareceu, mas teve de ir embora correndo para fugir das fãs. "Eu não morro sem dar uma bicota naquele homem", prometia a dona de casa Rosana Bertani, 39. Ela só aceitou desembolsar R$ 100 para assistir ao concurso na companhia do filho de 15 anos depois de saber pela televisão que o seu ídolo estaria no Via Funchal. Isso também é um concurso de miss.
A alardeada modernidade foi marcada pela escolha de um júri de personalidades em evidência, para o qual muitas vezes os holofotes do concurso foram desviados. Estavam ali a empresária de moda Costanza Pascolato, o fotógrafo JR Duran, a soprano Celine Imbert, a jornalista e consultora de moda Gloria Kalil, o estilista Alexandre Herchcovitch, os colunistas José Simão e César Giobbi, a jornalista e escritora Danuza Leão, o narrador esportivo Silvio Luiz, a modelo Ana Hickmann e até a segunda-dama da República, Marisa Alencar.
Famosos que apresentaram etapas do desfile apareciam vestidos de outros famosos, mais uma idéia de Paulo Borges. A apresentadora de TV Astrid Fontenelle trazia a marca do estilista Fause Haten; Márcia Goldschmidt, que também apresenta um programa, vestia Walter Rodrigues; Marcos Mion, de Ricardo Almeida, e assim por diante. O deslumbramento era tal que o desfile das misses propriamente dito servia apenas de coadjuvante da ostentação do falso luxo e glamour que ali se instalaram.
Nos intervalos do desfile, era comum despontarem de suas mesinhas algumas mulheres com idades e vestidos atemporais. Com pose de misses clonadas, elas também se submetiam aos flashes, só que das máquinas fotográficas trazidas nas bolsinhas das amigas. Outras vieram munidas de binóculos para acompanhar tudo mais de perto, não importando se estavam sentadas a dez ou a cem metros do palco. Duas amigas, ambas na faixa dos 50 anos de idade, esperaram mais de 30 anos para assistir ao concurso ao vivo. Desde os anos 70, não desgrudam o olho do desfile transmitido pela televisão. "Estamos muito emocionadas", dizia uma delas, binóculo em punho.
No camarim das misses, o clima era um pouco diferente. Embora nervosas, as moças tentavam manter o característico sorriso congelado quando algum jornalista se aproximava delas. "Misses passam laquê e gás paralisante no sorriso", escreveu o jurado e colunista José Simão. "Alguém tem aí um xampu para emprestar para a Miss Pernambuco?", gritava um cabeleireiro para o outro numa descontração típica de dia de feira.
De jeans e sem maquiagem, as concorrentes pareciam sósias umas das outras. Davam entrevistas enquanto se arrumavam e discorriam sobre temas variados, do uso de silicone à literatura. Algumas, como a estudante de veterinária Claudia Boschilia, a Miss Rondônia, revelaram que substituíram a antiga obsessão literária das misses, o livro "Pequeno Príncipe", pelo "Senhor dos Anéis". O problema é que insistiam em explicar o intrincado enredo do sucessor de Saint-Exupéry.
Caídos de pára-quedas no evento, dois modelos da Elite tentavam descobrir o que fariam nas horas seguintes. "Fomos chamados para participar de um evento com deputados, mas não era nada disso. Acho que vamos levar as flores para as misses ou segurar o microfone, se elas começarem a tremer na hora de falar", disse Leandro Seacassi, 26 anos, num canto do camarim. O também modelo Rafael Verga, 21 anos, estava chateado de perder o Skol Beats, um dos maiores festivais de música eletrônica do mundo, que acontecia em São Paulo na mesma noite. Já a Miss São Paulo, a estudante de Direito Juliana Volpine, nem sabia direito o que vinha a ser Skol Beats.
"Adoro rock e música sertaneja", dizia ela, dando provas da mais completa tolerância musical. "A única coisa que consigo me lembrar de um concurso desse tipo é que Martha Rocha foi Miss Brasil algum dia", continuava Rafael, fazendo alusão à famosa consagração de 1954, ano em que nem sequer era nascido.
Camarins são muito reveladores num concurso assim. É lá que se entende por que um corretivo de olheiras é cotado ao preço de ouro. Nos dias que antecedem o desfile as misses simplesmente não dormem. Para piorar, elas se metem em carreatas abertas e passam horas acenando para a multidão. "Fiquei com o braço duro de tanto dar tchauzinho", disse a Miss Piauí, a estudante de cursinho Elaine Fernandes. Para ajudar a divulgar o evento, todas as candidatas se vêem obrigadas a fazer tudo em grupo. Dormem, acordam e comem no mesmo horário. Se uma delas não aparece para tomar o café da manhã, as outras 26 ficam esperando.
"Estava perto da avenida Paulista e quase fui atropelado por uma comitiva de misses andando bem juntinhas", contou o advogado Leandro Ricci, que depois disso resolveu assistir pela primeira vez ao concurso pela TV. Parece ter ficado marcado pelo acontecimento. "Não é todo dia que a gente tromba com um grupo desses."
Misses são seres gregários, pelo menos antes do resultado final. E são sinceras de fato. Neste ano, ao se despedir do seu mandato, a catarinense Thaiza Thomsen confirmou que sinceridade realmente conta pontos no reino da beleza. Thaiza reinou só por dois meses. Ela ganhou o título depois que um jornal do Rio Grande do Sul publicou a certidão de casamento da ex-Big Brother Joseane de Oliveira, destronada por ter ocultado que era casada. "Ser miss foi muito bom, eu ajudei muito a mim mesma", ela carimbou antes de coroar Gislaine Ferreira, a Miss Tocantins. Muita gente na platéia não segurou o riso. E ela chorou.
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9:21 AM
by Cassiano Leonel Drum
Como sempre em todos os fins de semana ai estão as capas das duas revistas semanais. Uma das reportagens principais da Revista Veja é essa abaixo sobre o Presidente.
Sem medo de ser feliz na cadeira de presidente
Muito à vontade no cargo, Lula conquista maioria no Congresso e garante que aprovará as reformas
André Petry e Maurício Lima
Dida Sampaio/AE
O presidente, às gargalhadas: para ele, o chefe da nação não pode vender ilusões nem fazer terrorismo
Com cinco meses de governo, Luiz Inácio Lula da Silva parece nunca ter feito outra coisa na vida além de vestir a faixa presidencial. Em seu gabinete, onde recebeu jornalistas na semana passada para dar a primeira entrevista coletiva desde a posse, Lula mostra-se à vontade no cargo, sentadíssimo na cadeira, à larga com os rapapés do poder ¿ como se estivesse à beira da churrasqueira em seu sítio ou nos gramados do Palácio da Alvorada a correr atrás de patos. O presidente parece feliz da vida. Mantém os mesmos torturantes embates com a gramática, mas até isso, para ele, é motivo de sátira.
"É que sou do partido dos trabaiador", diz. Também mantém o hábito, popularizado nos debates da campanha eleitoral, de encerrar uma resposta (qualquer resposta) dizendo que, além de tudo o que acabou de expor, também pretende "ouvir a sociedade, os segmentos organizados da sociedade". É o Lula de sempre, mas com uma surpreendente exibição de conforto e autoconfiança em comparação com aquele Lula sindicalista e eterno candidato derrotado à Presidência. O poder está fazendo bem a esse homem.
Lula está caminhando pela manhã um total de 4.200 metros, na tentativa de adelgaçar a silhueta. Acha que está vencendo a batalha contra a gulodice e a vida sedentária. Aliás, no dicionário de Lula parece não haver batalha que não possa ser vencida. Pelo menos, é o sinal que ele emite através de variações fisionômicas que paradoxalmente carregam o interlocutor sempre para o mesmo ponto. Com uma cigarrilha café-crème entre os dedos, quando os fotógrafos não estão por perto, e um esboço de sorriso nos lábios, se estiver fazendo uma tirada espirituosa, ou então um cenho crivado de rugas, se o assunto for espinhoso, desemboca inevitavelmente num cenário positivo.
"Estou certo de que vamos aprovar as reformas", garante o presidente, em referência às propostas previdenciária e tributária que tramitam no Congresso Nacional. "Não vou cometer nenhum erro político neste ano, vou aproveitar todas as oportunidades", assegura, cenho franzido. "Vou fazer o jogo político como jamais foi feito neste mundo velho de guerra." Faz parte do papel de um presidente vender segurança e demonstrar firmeza. Lula vem cumprindo com naturalidade essa parte do roteiro. Sua atuação é tanto mais convincente quanto mais se acumulam ganhos diante dos desafios práticos que enfrentou em cinco meses de administração.
Na semana passada, quando os cardeais do PMDB decidiram aderir à base de apoio ao governo, Lula cravou mais uma vitória ¿ e, desta vez, inédita. É a primeira vez que um partido político dá apoio ao Planalto sem antes já receber a cadeira de um ministério. Um estudo elaborado por Octavio Amorim Neto, cientista político da Fundação Getúlio Vargas, mostra que, em quase quarenta anos de democracia ¿ do período que vai de 1946 a 1964 e, mais tarde, de 1985 até hoje ¿, todos os partidos que fecharam acordos com o governo levaram, antes, sua contrapartida em cargos de primeiríssimo escalão.
Naturalmente, o PMDB só aderiu ao governo Lula sob a promessa de que vai ganhar um ministério, mas o acordo inverteu a lógica tradicional do leilão político: antes de abocanhar sua fatia, o novo aliado terá de mostrar-se fiel ao governo nas votações realizadas no Congresso. Nos moldes em que foi selada, a negociação resultou positiva para a imagem pública de ambos os lados, na medida em que joga para mais tarde, para quando o ministério sair, a exposição da natureza puramente fisiológica do matrimônio.
Em se tratando do PMDB, que há muito deixou de ser um partido para tornar-se uma confraria em que cada um parece olhar na direção contrária do outro, o governo tomou uma precaução adequada. Afinal, na gestão de Fernando Henrique Cardoso, o partido foi um aliado desde o momento da posse, já no primeiro mandato, e no entanto jamais conseguiu votar unido. Segundo o levantamento de Amorim Neto, a taxa de infidelidade do PMDB, no governo anterior, chegou perto de 40%, enquanto a das demais legendas governistas mal passou dos 20%. É impossível afirmar que, desta vez, o PMDB terá um comportamento distinto com o governo Lula, embora a promessa de ministério sirva como elemento aglutinador. "Vamos ver agora se a promessa vai proporcionar um maior índice de adesão ao governo", diz Amorim Neto. No primeiro teste, ocorrido na semana passada, quando a Câmara votou o novo valor do salário mínimo, a bancada do PMDB até que conseguiu conter o grosso de seu furor de infidelidade: 26% dos deputados votaram contra. É um índice alto, mas bem abaixo da taxa histórica de quase 40%.
O presidente não emite sinal de insegurança diante desse quadro precário. Ao contrário. Do 3º andar do Palácio do Planalto, sentado à imensa mesa redonda de seu gabinete, Lula permanece fiel ao papel que traçou para si próprio: não vender ilusões, mas também não vender terrorismo. "Eu não sou louco", explica. E aponta as barreiras que já ultrapassou, apesar do descrédito inicial. Ninguém acreditava, por exemplo, que certos indicadores econômicos ¿ o dólar, o risco país, a cotação dos títulos externos, a inflação ¿ fossem apresentar resultados positivos em apenas cinco meses de governo petista.
Também quase ninguém acreditava, noutro exemplo, que o governo petista conseguiria emplacar uma ampla maioria no Congresso. E eis que ela está aí. Com a chegada do PMDB, resultado do trabalho incessante do ministro da Casa Civil, José Dirceu, Lula conquistou uma boa superioridade parlamentar. Na matemática, tem ao seu lado nove legendas, com um plantel de 326 deputados e 53 senadores ¿ número suficiente para aprovar o que quiser no Congresso.
Na vida prática, em que nem todos os parlamentares são fiéis, a vida do governo está até melhor. Descontando-se os governistas que arrastam asa para a oposição, e adicionando-se os oposicionistas que adoram flertar com o governo, o Palácio do Planalto tem uma maioria ainda mais folgada: em torno de 370 deputados e sessenta senadores, quadro muito semelhante ao que havia no melhor momento do governo de Fernando Henrique. Apesar das imensas dificuldades pela frente ¿ juros na estratosfera, economia paralisada, desemprego batendo recordes ¿, Lula exibe a certeza de que está no caminho certo. Depois de quase duas horas de conversa com jornalistas, o presidente levanta-se bem-disposto e anuncia compromisso mais urgente: assistir a um filme no Palácio da Alvorada em companhia da atriz Luana Piovani. Não estende o convite a ninguém na sala. "É que sou do partido dos trabaiador", diverte-se.
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9:08 AM
by Cassiano Leonel Drum
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Pesca: Metas do governo são irreais para o setor
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Carro: CD, DVD e MP3, tudo no painel
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9:02 AM
by Cassiano Leonel Drum
Se a moda pega por aqui também, Vai ter muito ladrão seguindo o tesoureiro na saida, para levar o que ela leva. Para ganhar R$300.000,00 isso também leva um bocado de meses. Felizmente eles cumpriram com a promessa e liberaram o restante da famíia e o próprio tesoureiro, porque tudo deu certinho. E se não desse..?
Bando faz gerente refém e leva R$ 300 mil da CEF
Assalto foi antes de agência abrir em Resende
Seis assaltantes roubaram ontem aproximadamente R$ 300 mil da Caixa Econômica Federal (CEF) de Resende, depois de seqüestrarem o tesoureiro José Luiz Fernandes, 40 anos, a mulher dele e dois filhos, um de 13 e outro de 16 anos, cujos nomes não foram revelados. Os bandidos, armados com pistolas, um fuzil e uma granada, renderam a família na noite de quinta-feira, por volta de 22h30, quando os quatro chegavam em casa, no bairro Eucaliptal. Os marginais passaram a noite na residência.
O delegado da Polícia Federal Hilton Coelho, que está investigando o assalto, disse acreditar que o bando seja o mesmo que há menos de um mês roubou a agência do Banerj na cidade, após manter reféns a gerente Sônia Maria Mustafa Bornia, 37, e o filho dele, Tiago, 15 anos. ¿Tudo indica que o assalto de ontem tenha sido praticado pelo mesmo bando¿, afirmou o policial.
De acordo com ele, por volta de 6h30 da manhã de ontem, os marginais saíram da casa de Fernandes e se dividiram em dois grupos. O tesoureiro ficou com uma parte do grupo, e os demais levaram a mulher e os filhos dele para um matagal, no bairro Boa Esperança.
Por volta de 8h30, assim que dois carros-fortes deixaram malotes no banco, obrigaram Fernandes a entrar na agência, de onde saiu pouco depois com o dinheiro numa bolsa, sem que os vigias suspeitassem. O tesoureiro foi abandonado num posto de gasolina às margens da Via Dutra, às 10h30. Pouco depois, o restante da família foi liberado.
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8:54 AM
by Cassiano Leonel Drum
Treze gabinetes de aluguel
Solução mais rápida é instalar novos vereadores da Câmara do Rio em salas comerciais. O gasto para equipar escritórios será de R$ 234 mil
Pedro Motta Lima
O aluguel de 13 escritórios comerciais próximos ao Palácio Pedro Ernesto, na Cinelândia, é a solução mais rápida para instalar os novos vereadores da Câmara do Rio. Segundo o presidente da Casa, Sami Jorge (PDT), essa é a única saída possível para a falta de espaço, até que haja nova sede. A medida, segundo estimativa do diretor da Associação Brasileira de Administradoras de Imóvel (Abadi), Rogério Quintanilha, custará aos cofres públicos R$ 6.500 por mês. Além disso, para equipar os gabinetes da mesma forma dos já existentes, a Câmara gastará, pelo menos, R$ 234 mil. Sessão quinta-feira aprovou mudança na Lei Orgânica do Município, aumentando de 42 para 55 o número de vereadores do Rio.
Para não depender da locação dos escritórios por muito tempo, Sami Jorge planeja a construção de nova sede para o Legislativo Municipal. O primeiro passo será dado ainda este ano, ao elaborar o orçamento da Câmara para o ano que vem. A proposta vai destinar verba para um concurso de projetos, que seria coordenado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), e até recursos para o início da construção.
O tamanho médio dos novos gabinetes será de aproximadamente 30 m, mesma medida dos atuais. Mas não basta ter o espaço: os 13 recém-chegados precisarão de condições de trabalho. Para montar escritório com as mesmas características dos que já existem, será necessário desembolsar, pelo menos, R$ 18 mil por sala.
A conta leva em consideração que os vereadores dispõem de duas TVs de 20 polegadas, três computadores, um notebook, um videocassete, dois aparelhos de fax, 20 cadeiras, seis telefones, um scanner de mesa, três impressoras, uma máquina copiadora, 14 mesas e equipamentos de escritório como fichários, papeleiras e grampeadores para trabalhar. A Câmara ainda abastece os gabinetes com disquetes, canetas, papel e até açúcar e adoçante.
¿É claro que temos que dar a mesma condição de trabalho para os que ocuparem as novas vagas. Não pode haver distinção entre vereadores eleitos¿, afirmou o primeiro secretário da Mesa Diretora, Ivan Moreira (PFL), que se absteve de votar a mudança.
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8:40 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
31/05/2003
O dinheiro serra as grades
A cidade se encontra amanhã pela manhã com um dos seus grandes eventos: a Maratona de Porto Alegre.
É a festa dos que não desistem, dos que insistem, dos que se surpreendem consigo próprios.
Há deficientes de toda ordem nas competições, desde os que estão sobre cadeiras de rodas até os que não enxergam, mas seguem em frente num brado de coragem e participação que serve de exemplo aos que desanimam e se deixam transpor por obstáculos bem menores.
Mais de mil atletas, a maioria de fora de Porto Alegre, concorrerão na Maratona, 2,5 mil enfrentarão a Rústica e outros mil atletas mirins comporão a Maratoninha.
Está tudo pronto para a largada, lá se vão a infância, a juventude e a maturidade ao encontro da saúde física e espiritual, movida pelo desafio da superação.
E nós vamos para o largo do percurso, a admirar a obstinação desses atletas vindos de todos os cantos do Estado e do Brasil para tornar ainda mais agradável e auspiciosa a vida em nossa cidade.
Não se pode chamar de espetacular e sim de risível a fuga do traficante Cláudio Roberto Moreira Pacheco, o Sussuquinha, do Batalhão de Choque da PM carioca.
Antes, ele já havia fugido de duas delegacias da Polícia Civil, a 14ª e a Polinter. E numa outra vez fugiu também do Presídio Hélio Gomes.
Ou seja, não há lugar em que o prendam de que ele não fuja. Ele gerencia pontos importantes do tráfico em várias favelas cariocas e os seus carcereiros não resistem às suas propostas financeiras em troca da liberdade.
Mas é que agora ele estava preso não num presídio. Nem numa delegacia. Mas num quartel.
Foi posto na mesma cela em que estiveram presos meses atrás seis líderes do Comando Vermelho, entre eles o Fernandinho Beira-Mar.
Esta cela em que Sussuquinha estava solitariamente preso é a mesma que abrigou Beira-Mar, isto é, de segurança máxima.
Como numa mágica, ele serrou as grades da cela. Só que num quartel como este da Polícia de Choque não basta sair da cela, tem também de sair do quartel.
E entre a cela e o portão da frente do quartel há centenas de metros e inúmeros policiais a transpor.
Como é então que ele recebeu a serra para quebrar as grades? Como é então que ele sumiu como um milagre, não sendo avistado por nenhum dos soldados que estavam de plantão?
Tanto o secretário da Segurança, Anthony Garotinho, quanto o comandante-geral da PM não têm dúvidas: daquele quartel só pode fugir um preso com conivência dos seus carcereiros.
Em outras palavras, o traficante Sussuquinha é importante no comércio de drogas. Ele tem muito dinheiro. E compra sua liberdade a peso de muito dinheiro.
Desde a denúncia daquele tenente-coronel do 14º BPM carioca de que um secretário de Estado solicitou que ele aliviasse a pressão sobre os traficantes do Complexo da Mangueira, somada agora a esta fuga injustificável de Sussuquinha, robustecem-se os indícios de que o Rio de Janeiro tem parte considerável das suas forças policiais e de setores políticos importantes comprometidos com o tráfico de drogas.
Isso se dá pela montanha de dinheiro que rola no tráfico, capaz de seduzir até mesmo as entidades comunitárias, além dos mal pagos contigentes policiais, levando a todos de roldão.
Quando ainda mais se diminuem os direitos dos funcionários públicos e a reforma previdenciária já assegurou que eles vão ganhar na aposentadoria bem menos do que ganhavam na atividade, é certo que dentro de pouco não haverá mais carcereiros de confiança para guardar os presos.
Quando o carcereiro se miserabiliza e o criminoso lida com grandes montantes de dinheiro, tombam ainda mais as grades das prisões.
Eu não conheço nada mais ameaçador para a ordem social.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
Jorge Furtado
31/05/2003
Medo de Aeroporto
Não gosto de viajar. Viajo a trabalho pelo menos duas vezes por mês há muitos anos e até gosto de estar em outros lugares. Não tenho medo de avião, tenho medo é de aeroporto. Viagens ficaram ainda mais desagradáveis depois do 11 de Setembro de 2001. Voltei do Rio poucos dias depois do atentado e tive uma tesourinha de unha apreendida como se fosse uma bomba de fragmentação, com direito a requerimento em três vias e olhares suspeitos de vários policiais.
Já recusei alguns convites de viagens graças aos relatos dos maus-tratos sofridos por muita gente em alfândegas americanas. No Brasil, a paranóia já diminuiu, agora só as facas são de plástico, parece que a Al Quaeda não tem treinamento para usar garfos em atentados, e eles voltaram a ser de metal.
Quase tudo que envolve uma viagem me irrita: arrumar malas, escolher roupas que certamente não vou usar e esquecer coisas fundamentais, chegar ao aeroporto cedo demais ou em cima da hora, filas no guichê, mudanças do portão de embarque, salas de espera, chamadas confusas para o embarque imediato dando prioridade aos passageiros acompanhados de crianças ou com dificuldade de locomoção que ninguém respeita.
Gente que embarca carregando malas, ursos ou berimbaus que evidentemente não cabem nos compartimentos superiores e deveriam ter sido despachados, recados sobre epidemias mortais ou sobre máscaras de oxigênio que cairão automaticamente sobre sua cabeça, avisos inaudíveis em várias línguas, informações sobre a temperatura externa ou a velocidade do avião, talheres de plástico, comida esquentada em microondas e embalada em folhas de alumínio que você não tem onde pôr.
Embalagens de manteiga que não abrem ou se rasgam, coca sem gás, vinho ruim, revistas de bordo (todas são péssimas), vizinhos de assento que aproveitam sua imobilidade para contar cirurgias, gente que se levanta mal o avião aterrissa para pegar suas bolsas antes que elas fujam, descer do avião e pegar um ônibus lotado até o terminal e rezar para sua mala aparecer no desfile da esteira rolante. Entre todas as frases brilhantes, preconceituosas e elitistas do Paulo Francis, minha preferida era sua definição de viagem: "Viajar é coisa de pobre". Moro em Porto Alegre e trabalho no Rio, fazer o quê?
Se viajar já era chato, ficou muito pior com a fusão da Varig e da TAM. As empresas estão operando juntas, mas, ao que parece, seus computadores se odeiam. Agora todos os vôos têm gente brigando por estar com o mesmo assento marcado, todos os vôos atrasam, e as chamadas para embarque viraram uma piada. Em Congonhas (São Paulo), as salas de embarque da TAM e da Varig são separadas, cada uma numa ponta do aeroporto.
Na semana passada, nossa filha de dois anos tinha uma passagem TAM enquanto eu e a Nora tínhamos passagem Varig, no mesmo avião. Fomos informados que ela não poderia embarcar conosco, teria que esperar sozinha, na sala da TAM. Felizmente a bagunça é completa e lá ninguém pede documentos no embarque. Troquei de passagem com um sujeito que, pensando bem, era muito parecido com o Bin Laden. Para completar, a chegada a Porto Alegre tem sempre um estresse adicional: ali ninguém respeita a fila do táxi. Os engravatados e as peruas são os piores, parecem achar que fila é uma instituição indigna, não combina com seus celulares minúsculos ou suas tinturas de cabelo. Furadores de fila são a mais baixa espécie de vida animal, deveriam ser banidos da vida em sociedade em prisões de segurança máxima.
jorge.furtado@zerohora.com.br
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8:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
31/05/2003
Nós, os exóticos
Uma editora alemã me pede que traduza poemas de autores (alemães) sobre o Brasil.
Como sempre, eles falam da floresta amazônica, muito pouco real, aliás. Uma floresta poética, com "mulheres de corpos alvíssimos espreitando entre os troncos das árvores, e olhos de serpentes hirtas acariciando esses corpos como dedos amorosos". Não faltam também flores azuis, rios cristalinos e tigres mágicos.
Traduzo os poemas por dever de ofício, mas com uma secreta - e nunca realizada - vontade de inserir ali um grãozinho de realidade.
Nas minhas idas (nem tantas) ao Exterior, onde convivi sobretudo com escritores ou professores e estudantes universitários - portanto, gente razoavelmente culta -, fui invariavelmente surpreendida com a profunda ignorância com respeito de quem, como e o que somos.
- A senhora é brasileira? - comentaram espantados alunos de uma universidade americana famosa. - Mas a senhora é loira!
Depois de ler num congresso de escritores em Amsterdã um trecho de um de meus romances traduzido para o inglês, ouvi de um senhor elegante, dono de um antiquário famoso, que segurou comovido minhas duas mãos:
- Que maravilha! Nunca imaginei que no Brasil houvesse pessoas cultas!
Pior ainda, no Canadá certa vez alguém exclamou entre espantado e incrédulo:
- Escritora brasileira? Ué, mas no Brasil existem editoras?
A culminância foi a observação de uma crítica berlinense, num artigo sobre um romance meu editado por lá, acrescentando, a alguns elogios, a grave restrição: "Porém não parece livro brasileiro, pois não fala nem de plantas, nem de índios, nem de bichos".
Diante dos três poemas sobre o Brasil, esquisitos para qualquer brasileiro, pensei mais uma vez que esse desconhecimento atroz não se deve apenas à natural (ou inatural) alienação estrangeira quanto ao geograficamente fora de seus interesses, mas também é culpa nossa. Pois o que mais exportamos de nós é o exótico e o folclórico. Em uma feira do livro de Frankfurt, no espaço brasileiro, o que se via eram livros (não muito bem arrumados), muita caipirinha na mesa, e televisões mostrando Carnaval, futebol, praia e... mato.
E eu, mulher essencialmente urbana, escritora das geografias interiores de meus personagens neuróticos, me senti tão deslocada quanto um macaco em uma loja de cristais.
Mesmo que eu tentasse explicar, ninguém acreditaria que eu era tão brasileira quanto qualquer negra de origem africana vendendo acarajé nas ruas de Salvador. Porque o Brasil é tudo isso. E, chegando ao meu limite espacial desta coluna, deixo o segundo capítulo para outro dia...
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8:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
31/05/2003
Era assim que Nicolinha olhava para você quando sua vida ainda era colorida, quando o sol ainda esquentava seus ombros, quando o mundo ainda sorria para você, quando, afinal, sua vida ainda valia alguma coisa, pobre de você
Foto(s): divulgação Warner Bros/ZH
Afaste-se de Nicolinha
Dia desses escrevi sobre Nicolinha. A Kidman. Aí teve um leitor que mandou um imeil: "Estou sem compromisso. Nicolinha está sem compromisso. Já pensou se nos encontramos?"
Claro que jamais pensei nisso, no encontro da Nicolinha com meu leitor, por que catzo pensaria uma coisa dessas? Mas posso dizer a ele que, para seu bem, seria ótimo que tal não acontecesse. Se acontecesse, acarretaria uma tragédia na vida do meu leitor. E nem precisaria ser exatamente a Nicolinha, mas qualquer mulher como ela. Pelo seguinte:
Imagine que você mesmo, amigo que ora me lê com tanta generosidade, acabe tendo um caso com uma Nicolinha. Aquela mulher inefáááável, como diria o Professor Ruy. De fato, você nunca viu mulher igual, nem de longe. Suas noites de amor são luxuriantes, você não caminha mais; flutua. Vocês está sempre com um meio sorriso imbecil a dançar em seus dentes. Sua vida é feliz, feliz, feliz.
Aí ela vai embora. Inevitável que ela vá embora - ou você acha que uma mulher como Nicolinha ficaria muito tempo com você? Por favor!
Então, ela se foi. Você não tem mais Nicolinha. Mas teve, esse o problema. Que mulher irá satisfazê-lo agora, depois que você teve Nicolinha? Você tinha a melhor! E ela se foi, como qualquer primavera se vai. As mulheres se sucedem, e você não acha graça em nenhuma. Você lembra daquelas noites, suspira, pensa no futuro e vê que lá não está Nicolinha. Lá, tudo é escuridão.
Você se transformou numa pessoa infeliz só porque, um dia, envolveu Nicolinha com seus braços e beijou o longo e alvo pescoço que sustenta aquela cabeça perfeita.
Tal qual o Grêmio, que só se satisfaz se estiver na Libertadores. Fora da Libertadores, fica macambúzio como se tivesse que fazer tratamento de canal. Melhor seria, talvez, se nunca tivesse disputado a Libertadores. Ficaria satisfeito com um reles Gauchão. A felicidade da ignorância, sim, senhor. Assim como é melhor para você, leitor, que nunca fique com Nicolinha. Nunca. Deixe-a para mim. Eu agüento esse sofrimento.
Um imeil estranho
Vivo recebendo imeils estranhos. Há um recorrente, sobre cartuchos de tinta reciclados. Embora não use a impressora tanto assim, até entendo esse imeil - os vendedores de cartuchos calculam que todos os donos de computadores os usem. Mas e os pisos de mármore, por que me mandam imeils a respeito de pisos de mármore? Um piso de mármore não combinaria com a decoração do meu apartamento. Definitivamente, não tenho interesse em pisos de mármore. E ontem veio um anúncio de venda de bebedouros. O que eu ia fazer com um bebedouro lá em casa? Estranho que me mandem esse troço.
Muito mais útil aquele outro que perguntava: "Problemas com baratas, formigas e moscas?". Interessei-me. Tenho problemas com umas formiguinhas bem pequenas que volta e meia aparecem lá na cozinha. Mato-as todas, promovo uma chacina, e elas voltam e voltam e voltam. Um inferno. Então, imagino que esse imeil guarde a solução para essa inquietante questão. Um dia leio todo o imeil e respondo para eles.
Mais curioso é o que me mandou experimentar porangaba super. Será que é bom? Será que é um suco? Uma vitamina? Vou provar, logo que descobrir o que é uma porangaba.
Agora, há dois tipos de imeil que não compreendo. Um é o que pede que eu faça algo para solucionar a crise do Grêmio. O que eu poderia fazer? O Christian não resolveu, como eu resolveria? O presidente Flávio Obino é um homem sobejamente inteligente, ele deve encontrar uma saída, e a saída talvez esteja até ao lado dele, talvez sempre tenha estado lá.
O outro tipo de imeil que não entendo mesmo é um que me mandam todos os dias: "Faça do seu pênis um PÊNIS". Assim, com maiúsculas. Trata-se de uma técnica de aumento do pênis. Todos os dias me mandam isso. Todos! Por que, hein? Por quê??
O melhor do Sant´Ana
Estou me deliciando com O Melhor de Mim. Quer dizer, de mim, não: do Sant´Ana. É o livro com 64 crônicas escolhidas dele. Lá está uma das melhores frases já escritas em Zero Hora. Essa:
"Ex-mulher é cargo de confiança; atual mulher é cargo de carreira".
Não é perfeita?
Mas esse não será o livro definitivo do Sant´Ana. O definitivo nós já combinamos. É o que vou escrever sobre a vida dele. Tudo sobre o Sant´Ana. Inclusive as histórias mais sórdidas, e sobretudo estas.
Aguarde.
david.coimbra@zerohora.com.br
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8:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Sistema Prisional
Um abrigo para o crime
A BM encontra arsenal na Casa Pio Buck, em Porto Alegre, que acolhe detentos de regime aberto e semi-aberto (foto Ronaldo Bernardi/ZH)
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Sexta-feira, Maio 30, 2003
Posted
8:13 PM
by Cassiano Leonel Drum
Esta é a capa da Revista Isto É deste fim de semana e as manchetes principais estão ai abaixo para você verificar. Caso queira ir adiantando sua leitura, é só acessar o site pelo link disponível.
Números comprovam que a violência e o crime organizado tomaram o País
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ECONOMIA E NEGÓCIOS
MAIS UMA TENTATIVA
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Secretário dos EUA veio acelerar Alca, mas voltou de mãos vazias
CAÇA À MALANDRAGEM
Postos terão devassa se não repassarem baixas à gasolina
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JANELA RUSSA
Russos comemoram os 300 anos
de São Petersburgo relembrando os áureos tempos da cidade
Acesse já a reportagem
gráfica sobre as novas
drogas que fazem
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AS ÁGUAS DA MORTE
Despejo de lixo tóxico do rio Tietê engrossa a lista de contaminações. Elas já afetam a vida de cinco milhões de brasileiros
TESTE
PET: qual bicho é ideal para você?
CÃES: que cachorro você é?
INTUIÇÃO: Você tem 6º sentido?
PERDÃO: os custos do ressentimento
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TUCANOS DO B
Dissidentes pretendem criar novo partido de centro-esquerda
PT.COM.GAVETA
Governo Lula comanda operação-abafa e enterra CPIs
NO BANCO DOS RÉUS
Justiça acolhe denúncia contra ex-fiscais do Rio
Poucas pessoas conseguem parar de fumar. O que impede é a força do vício. ISTOÉ preparou uma calculadora para avaliar o seu grau de dependência
LIVROS
RIMA FRACA
Genro de Carlos Drummond acusa o poeta das sete faces de amor incestuoso pela filha
MEDICINA E BEM-ESTAR
AFINAL, SERVE PARA QUEM?
Pesquisa diz que reposição hormonal pode dobrar chances de Alzheimer em idosas
BELA, MAS COM CUIDADO
Composto usado contra acne pode trazer complicações
COMPORTAMENTO
DOENTES DE AMOR
Não são apenas as mulheres as vítimas do amor obsessivo.
Homens também fazem da vida um verdadeiro inferno
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10:41 AM
by Cassiano Leonel Drum
Desejos
Afonso Romano de Sant' Ana
Disto eu gostaria:
ver a queda frutífera dos pinhões sobre o gramado
e não a queda do operário dos andaimes
e o sobe-e-desce de ditadores nos palácios.
Disto eu gostaria:
ouvir minha mulher contar:
-Vi naquela árvore um pica-pau em plena ação,
e não:-Os preços do mercado estão um horror!
Disto eu gostaria:
que a filha me narrasse:
-As formigas neste inverno estão dando tempo às flores,
e não:-Me assaltaram outra vez no ônibus do colégio.
Disto eu gostaria:
que os jornais trouxessem notícias das migrações
dos pássaros
que me falassem da constelação de Andrômeda
e da muralha de galáxias que, ansiosas, viajam
a 300 km por segundo ao nosso encontro.
Disto eu gostaria:
saber a floração de cada planta,
as mais silvestres sobretudo,
e não a cotação das bolsas
nem as glórias literárias.
Disto eu gostaria:
ser aquele pequeno inseto de olhos luminosos
que a mulher descobriu à noite no gramado
para quem o escuro é o melhor dos mundos.
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8:47 AM
by Cassiano Leonel Drum
O Rio pela metade do preço
A partir de domingo, cariocas, moradores da cidade e vizinhos da Baixada vão poder fazer programas turísticos e culturais com desconto médio de 50%. É escolher uma das 48 atrações e aproveitar
Flávia Motta
A macaca Nica, da espécie africana Guenon-de-cauda-vermelha, é atração do Zôo
Pão de Açúcar, Jardim Zoológico, Corcovado. Que o Rio de Janeiro é repleto de atrações pra lá de interessantes, o mundo inteiro sabe. E que o carioca por preguiça ou comodidade é um dos que menos vão visitá-las, também. É para estimular o turismo interno que começa domingo a 5ª edição do Projeto Carioquinha. Durante todo o mês de junho 48 atrações, entre elas o Maracanã, o Trem do Corcovado e uma penca de museus oferecem descontos e até entradas gratuitas para quem nasceu, mora na cidade ou é de municípios vizinhos.
O passeio de jipe tem parada na Vista Chinesa. De R$ 89 por R$ 25
Muitos cariocas passam por pontos turísticos sem conhecer sua história ou jamais tê-los visitado. A idéia é criar uma oportunidade para que o carioca não adie mais aquele passeio que planeja fazer, mas sempre deixa para depois. É um projeto que levanta a auto-estima do carioca, diz Carlos Alberto Amorim Ferreira, presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagem do Rio de Janeiro.
E como no Rio a beleza natural está incluída no pacote turístico, escaladas, vôos de asa-delta, saltos de pára-quedas e até passeios de jipe entraram na promoção. Dono de uma agência de ecoturismo, Antônio Nápoles oferece desconto num passeio até a Pedra Bonita e aposta no sucesso do projeto. É um lugar onde os cariocas normalmente não vão até porque o acesso é difícil. Mas, como o ecoturismo está na moda, a turma está começando a se animar, empolga-se.
Prova da animação é a tesoureira Nélia Amaral, 41 anos. No Rio há 14 anos, a baiana fez uma lista de lugares que vai visitar. Quero ter coragem para pular de asa-delta. Vou aproveitar o desconto do cinema da Casa França-Brasil e também conhecer o Maracanã, enumera ela, que conheceu o Pão de Açúcar ano passado, durante o Carioquinha. Quem vier de Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Mangaratiba, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Paracambi, Nova Iguaçu, Queimados, São Gonçalo, São João de Meriti, Seropédica e Tanguá também tem direito à promoção.
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8:42 AM
by Cassiano Leonel Drum
Sexta-feira, 30 de maio de 2003
Joelmir Beting
Pedalando sem rodas
Do alto de sua informalidade semântica, o presidente Lula diz que "este país" está montado em uma bicicleta ergométrica no canto do apartamento da estagnação econômica: a gente pedala, pedala e pedala e continua sempre no mesmo lugar.
Enquanto o IBGE revela que a economia brasileira realmente pedalou feio na bicicleta ergométrica do primeiro trimestre (com queda do produto por habitante), a pesquisa Dieese/Seade avisa que estamos a bordo da maior taxa de desemprego (20,6%) de todos os tempos. Ou desde a primeira sondagem mensal da série, nos idos do Muda Brasil de 1985.
O relatório do Dieese/Seade demonstra que desgraça pouca é bobagem. Ao lado da queda do emprego, tem-se em decorrência a queda do salário real no emprego formal e no trabalho informal (em maioria). Queda de 3,6% da remuneração periclitante da força de trabalho metropolitana. Os homens baixaram a média mensal para R$ 1.015 e as mulheres para R$ 661.
Culpa da "herança maldita" do governo FHC, suspira o ministro Guido Mantega, do Planejamento e do Orçamento (arrochado). Nada a ver com a elevação dos juros e dos impostos desde janeiro nem com a redução de 14,4% na oferta de crédito bancário no primeiro quadrimestre. De nada valeu o refresco da carestia nossa de cada dia, que trocou o aclive pelo declive entre o Natal e o carnaval da esperança nacional.
Economistas e empresários admitem, nesta altura do calendário, que 2003 já pode ser considerado um "ano perdido". Um desencanto coletivo para o discurso petista da retomada do crescimento econômico por cima e ao largo da ortodoxia monetarista que teima em paralisar a economia, endividar o governo e empobrecer a Nação.
Ortodoxia que nos vende o peixe podre de uma pajelança atravessada. Ela sustenta que os compulsórios e os juros permanecem no alto porque os riscos da inadimplência e de uma "farra de crédito" inflacionária ainda são de assustar Átila e Drácula.
Sim, para o BC, a febre é a causa da infecção. Ou seja: não são os juros extorsivos em prazos inexeqüíveis que provocam a inadimplência; é a inadimplência que justifica para as empresas juros anuais de 74% no capital de giro ou de 77% nas duplicatas. Ou para as famílias, de 209% no cheque especial, de 232% no cartão de crédito ou de 302% no empréstimo pessoal.
Eis o tamanho da bicicleta ergométrica pedalada hoje por 175 milhões de brasileiros. Dos quais, pelo menos dois terços ainda acreditando na promessa dos 10 milhões de novos empregos em quatro anos do governo Lula.
Eles votaram nisso.
SECOS & MOLHADOS
Anorexia 1 - O governo retira da oferta de crédito 68% dos depósitos bancários. Isso força o setor a ter de ganhar mais sobre menos e não, como no mundo todo, menos sobre mais. O governo lucra com isso, sem trabalho e sem risco: na surdina, ele embolsa 29% da taxa final camuflada de cunha fiscal.
Anorexia 2 - O governo vacila em amarrar medidas para a redução pactuada do "spread" dos bancos. Entre outras, a redução da cunha fiscal - mais vale tributar menos sobre mais do que mais sobre menos. Ou o fim da porosidade jurídica que patrocina o calote de caso pensado por sobre o cadáver de garantias bancárias de mentirinha.
Anorexia 3 - Afrouxar o garrote monetário, irmão siamês do garrote tributário, seria como devolver o peixe ainda vivo ao rio que passa. O Brasil não pode perpetuar a covardia de praticar os juros e os impostos mais criogênicos do mundo civilizado. Um dos dois deve estar errado: ou o Brasil ou o mundo.
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8:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Simão
simao@uol.com.br
Buemba! Marta taxa CD do Supla!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E essa saiu na capa da UOL: ´Homem bonito produz esperma melhor´. Então o meu não vale porra nenhuma. Rarará. E diz que o Lula emagreceu sete quilos. Ou seja, não reduziu os juros, mas reduziu a pança! E uma amiga minha comprou o CD do Supla e quer saber se precisa pagar taxa pra mãe dele. Rarará. E o cúmulo da sinceridade é o nome daquele restaurante em Fortaleza: ´Falta de Opção´! Rarará!
E mais uma pérola antalógica da minha morenanta predileta Lucianta Gimenez. Agora é uma pérola por dia. Vai acabar virando uma ostra de tanta pérola. É que ela estava fazendo propaganda de xampu. ´Esse xampu tem um preço que é o MÁXIMO´. Então não compro! Pronto! Rarará. E o preço da gasolina? Como disse aquele consumidor de gasolina: eu não tenho posto, só levado. E um outro ainda me disse que a situação tá tão braba que ele não tem posto e nem levado! E eu já disse que o Brasil é um país tão católico que até a gasolina é batizada! Rarará!
E essa pesquisa: ´Brasileiro tem metade das relações que gostaria´. Mas como disse um amigo: ´Depende! Com a patroa eu gostaria de ter metade das relações que sou obrigado a ter´. E mais uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde: ´o mundo gastou cinco vezes mais com implante de seios e viagra que com a investigação do mal de Alzheimer´. Ou seja, daqui a 30 anos vamos ter idosos com peitos enormes e ereções extraordinárias, mas incapazes de lembrar o que fazer com essas duas coisas. A peituda encontra com o pintudo e vão jogar biriba! Rarará!
E continua a todo o vapor o Manual do Contra da Heloísa Helena. Diz que a Heloísa Helena tá louca pra ficar grávida. Só pra ter CONTRAções. E quando pega uma bula de remédio só lê as CONTRA-indicações. E a Heloísa Helena só é a favor na hora de receber o CONTRAcheque. Rarará.
E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que a ministra das Minas e Energia disse que quer ´evitar a extração indevida de renda dos revendedores de combustíveis´. Tucanou o roubo na bomba! E cartaz na entrada de uma academia de ginástica em Florianópolis: ´Horário especial para a terceira juventude´. Tucanaram os véios de novo? Tá mais fácil acabar com a pneumonia asiática que com o tucanês!
Atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. ´Jurista´: companheiro que empresta dinheiro a juros. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! UFA!
Email simao@uol.com.br
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8:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
E Porto Alegre, ganha mais um Shopping, diferenciado com uma série de atrações como uma microcervejaria. É mais um ponto de encontro da população nos sábados e domingos, pois pelo menos são mais seguros.
Zero Hora, está recheado de cadernos especiais hoje, com Especial Indústrias, trazendo A Força da Zona Sul, Caderno sobre o Inverno na Serra, com uma série de indicações e fotografias, além do caderno normal de Gastronomia das sextas-feiras e do Segundo Caderno com a programação do fim de semana. Ótima sexta-feira a todos nós.
Comércio
Shopping Total abre hoje ao público com 450 lojas
Empreendimento está localizado na antiga fábrica da Brahma
Porto Alegre ganha hoje um novo shopping center. O horário de abertura do Shopping Total neste primeiro dia será mais cedo, às 9h30min, para visitação da comunidade do bairro. E, possivelmente, ocorrerá ao som da antiga sineta da fábrica da Brahma, que costumava acordar a vizinhança, diariamente, às 6h45min.
OTotal, construído no terreno da antiga fábrica da Brahma, no bairro Floresta, anuncia um perfil de shopping de descontos com a mesma estrutura de outros centros de compras.
- Não queremos competir com outros shoppings. Estamos entrando com uma idéia nova: a de um shopping para comprar - disse ontem o superintendente do empreendimento, Eduardo Oltramari.
Hoje será inaugurada a primeira fase do shopping, com 450 lojas. O investimento total da administradora PortoShop foi de R$ 45 milhões e deve gerar 2,5 mil empregos diretos. Ao longo do segundo semestre, serão inauguradas outras operações, como um supermercado Zaffari, uma biblioteca pública, cinco cinemas, uma megastore da Reebok e uma filial do centro de diversões Playcenter. Além disso, os túneis que cortam o terreno, construídos sob a antiga fábrica para ligar a casa do mestre cervejeiro ao setor produtivo, serão utilizados pela vinícola Aurora para uma adega de vinhos aberta ao público. Em agosto, será inaugurada a microcervejaria Brauhaus, da Alemanha.
Oltramari explica que o conceito de um shopping de descontos diferenciado - com um mix de produtos mais diversificado e maior ênfase em moda feminina - é conseqüência de quatro pesquisas de mercado. Com base nesses estudos, a PortoShop espera um fluxo de 600 mil pessoas por mês.
- O excelente padrão de infra-estrutura vai surpreender a muitos - avisa o superintendente.
Ao contrário de outros shoppings, o lojista do Total paga apenas um aluguel mensal, explica Oltramari, sem taxas extras para divulgação ou participações sobre as vendas. Cerca de 30% das operações são de empresas de fora do Estado - apesar de ter sido dada a preferência para lojistas gaúchos, diz o superintendente. Ontem à noite, a PortoShop e lojistas promoveram uma festa de inauguração para cerca de 4 mil pessoas.
O centro de compras
O Total abre hoje com 450 lojas e 63 mil metros quadrados de área construída. São 1.374 vagas no estacionamento, que será gratuito nos primeiros meses de funcionamento - depois, o shopping deverá cobrar uma taxa.
Opções culturais, como a instalação de uma biblioteca, uma microcervejaria e uma área de diversões para crianças, além de cinemas, serão inauguradas ao longo do segundo semestre.
O horário do Total será o mesmo de outros shoppings, das 10h às 22h - a abertura excepcionalmente hoje será às 9h30min. Aos domingos, o centro de compras funcionará das 14h às 20h.
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8:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
30/05/2003
O Professor Juninho quer casar
Chega um momento na vida em que um homem precisa dizer:
- Basta!
Foi o que o Professor Juninho disse, ao acordar ao lado de mais uma loira linda e nua. Sua vida se resumia a isso, nos últimos anos: a noites de sexo enlouquecedor com mulheres belíssimas de quem ele mal sabia o nome. Não agüentava mais.
- Basta! - gritou mais uma vez o Professor Juninho, enxotando a loira da sua cama, atirando-lhe nos seios rijos a minissaia minúscula e as botas de cano alto. Ela se foi, deixando no quarto apenas o rastro de perfume e a lembrança dos desvarios que cometeram durante a madrugada. Naquele instante, Juninho tomou a resolução:
- Quero casar.
Foi quando começaram os seus problemas. Porque as mulheres não querem saber de compromisso com o Juninho. Aproximam-se dele, levam-no para cama, fazem TUDO com ele, e depois partem. Elas não acreditam mais que ele pense em algo honesto e maduro e adulto. Não acreditam nas suas boas intenções. Então, os relacionamentos do Juninho são sempre superficiais. Sexo, prazeres, loucuras. Nada mais.
Dia desses, o Professor Juninho estava com uma morena espetacular. Sabe essas morenas espetaculares? Pois é, ele estava com uma. Ela o içou para o terraço do triplex onde mora. Começou a agarrá-lo. A boliná-lo. Abatido, desencantado, Juninho permitiu que ela fizesse o que queria. Ao mesmo tempo, olhou para baixo e viu que no salão acontecia uma festa familiar. Aniversário de criança, decerto. Meninos e meninas corriam, ruidosos, entre as mesas. Os casais conversavam pachorrentos diante de empadinhas e guaranás diets. Juninho suspirou, enquanto a morena desabotoava o sutiã e seus seios, blop!, blop!, saltavam agressivos para o exterior, causando deslocamento de ar. Juninho desviou os olhos daqueles seios empinados e arfantes. Voltou a olhar para o salão de festas. Ele queria estar lá embaixo, queria ser um daqueles maridos, um daqueles pais. Queria uma vida caseira, uma vida decente. Uma vida familiar. Isso: queria uma família! Nada de sexo casual! Nada de perder a sanidade de tanto prazer! Nada de mulheres alucinantes!
Juninho queria uma esposa.
Mas as mulheres não querem casar com o Juninho. As mulheres não o levam a sério. Elas só querem que ele as use, depois as jogue fora. O Professor Juninho, agora, anda desolado pela noite, em busca de uma mulher de verdade, uma mulher que não seja descartável. Faz meses que arrasta sua solidão pelos bares, pelas boates, pelas esquinas escuras da cidade. Pobre homem. Será que, um dia, haverá uma mulher que aceite casar com o Professor Juninho?
david.coimbra@zerohora.com.br
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8:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
30/05/2003
Grêmio em ruínas
Não sei o que seria pior, se perder nos pênaltis ou levar uma punhalada aos 90 minutos. Mas toda a partida indicava a lógica fatalista sobre a derrota do Grêmio: Danrlei sofria o segundo frango em duas partidas, o Independiente tinha um gol anulado absolutamente legítimo e, se o juiz estava a favor do Grêmio, corria-se o risco de que o destino poderia postar-se contra.
Outra falha de Danrlei no segundo gol. O jogador que se constituíra numa lenda gremista dos últimos anos falhava rotundamente na importante decisão.
Vivemos um clima de desastre: mal colocado no Brasileirão, desclassificado no Gauchão, fora da Libertadores e mergulhado numa crise financeira que imita a Argentina.
O Grêmio, tão glorioso dos últimos anos, padece agora de uma aflição indescritível. Nunca se perderam tantos campeonatos em dois anos seguidos como haveria a derrota de ontem culminar. É preciso ter muita coragem e muito ânimo para resistir, desde a torcida até a direção.
O empate no Olímpico e a derrota de ontem nada mais foram do que a comprovação da ruindade gremista dos últimos tempos. O Grêmio foi goleado várias vezes, até mesmo dentro do seu próprio estádio, revelando-se sempre uma fragilidade incompatível com a fortuna que gasta para manter este plantel milionário.
Toda esta fortuna foi desperdiçada por um vazio na liderança técnica, incrivelmente ignorado pela direção, tolerado e protegido pela crônica esportiva.
Cabe a nós, gremistas, reerguermos o Grêmio destas ruínas.
Na região metropolitana de São Paulo, uma em cada cinco pessoas da população economicamente ativa está desempregada. A taxa de desemprego é de 20,6%.
Isso quer dizer que só em torno da capital paulista há cerca de 2 milhões de desempregados.
Ontem também foi divulgado que o índice de desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre passa dos 16%. Em outras palavras, para cada seis pessoas, uma está desempregada em nosso meio.
Mais preocupante no entanto é que esta taxa de desemprego vem subindo mês a mês, de março para cá. Ou seja, o aperto que o governo dá na inflação faz subir o número de desempregados.
É o típico caso do cobertor curto. Levanta os juros para conter a inflação, o cobertor tapa o rosto, mas destapa os pés pelo desemprego.
Certamente Lula e o seu Banco Central temem, caso reduzam os juros, que a atividade econômica cresça mas traga junto consigo o veneno mortal da inflação.
Ninguém consegue me dizer nem eu sei aferir o que é pior: se a inflação ou se o desemprego.
No caso da inflação, ela ficou tão mais perversa no Brasil porque um estratagema incrível passou a acompanhá-la desde o governo Fernando Henrique: os salários dos trabalhadores e os vencimentos dos funcionários não são reajustados pela inflação real. No tempo do Sarney, com inflação de mais de 70% ao mês, os salários eram reajustados.
Agora não o são. Então parece que a inflação é um mal mais terrível do que o desemprego, eis que atinge indistintamente a todos, até mesmo aos que estão em atividade.
Deve ser por isso que Lula fez a escolha de Sofia: optou pelo desemprego para estancar a inflação.
Desculpem a comparação, mas a situação do governo de Lula ficou igual à do Grêmio. Com a derrota, o Grêmio mergulhou numa crise pré-falimentar, tanto política, quanto esportiva, mas principalmente econômica.
No caso de Lula, o agradável apoio que recebe nas pesquisas que atestam a confiança que os brasileiros continuam depositando nele se explica também pelo que pode ocorrer no Brasil caso Lula fracasse.
Depois de sua eleição quase plebiscitária, se Lula falhar, os brasileiros não terão mais a quem apelar e nós viraremos uma Argentina, onde a desilusão com os políticos levou à quebra do país e à desordem.
Por isso não há quem não torça pelo Lula. Torcer contra ele significa a própria ruína do secador.
Os próximos meses serão tão importantes e decisivos para o governo de Lula quanto o jogo de ontem o era para o Grêmio.
Ainda bem que em política tudo não se decide numa só noite, como no futebol. Aqui no Brasil vem se decidindo há muitos anos. Espera-se que Lula ponha cobro a essa dramática tendência.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:20 AM
by Cassiano Leonel Drum
Futebol
Tristeza em Medellín
A imagem do técnico Tite no Estádio Atanásio Girardot resumiu toda a dor gremista. O time está fora da Libertadores, apesar da sua bravura em Medellín. O gol do Independiente aos 45 minutos do segundo tempo, decretando a derrota de 2 a 1 do time gaúcho, foi um castigo exagerado. O sonho do tri desmoronava naquele instante e fazia o Grêmio mergulhar em um período de incertezas ¿ provavelmente sem seu treinador e guru (foto Paulo Franken/ZH)
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Quinta-feira, Maio 29, 2003
Posted
8:41 PM
by Cassiano Leonel Drum
Como continua frio por aqui, não há como estender-se, embora fosse o meu desejo, pelo menos por mais algum tempo. Assim concluo mais este dia com essa poesia ai do Charles Chaplin. Para você a quem adicionei hoje na minha lista de emails, é o meu último pensamento. Até...
Ei, você!!!
Sorria...
Mas não se esconda atrás desse sorriso...
Mostre aquilo que você é, sem medo...
Existem pessoas que sonham com o seu sorriso, assim como eu...
Viva! Tente!
A vida não passa de uma tentativa.
Ei, você!!!
Ame acima de tudo... ame a tudo e a todos...
Não feche os olhos para a sujeira do mundo... Não ignore a fome!
Procure o que há de bom em tudo e em todos.
Não faça dos defeitos uma distância, e sim, uma aproximação...
Aceite a vida, as pessoas... Faça delas a sua razão de viver...
Entenda!
Entenda as pessoas que pensam diferente de você (Não as reprove).
Ei, você!!!
Olhe...
Olhe a sua volta quantos amigos...
Você já tornou alguém feliz hoje, ou fez alguém sofrer com seu egoísmo?
Ei, você!!!
Não corra...
Para que tanta pressa?
Corra apenas para dentro de você...
Ei você!!!
Sonhe...
Mas não prejudique ninguém e não transforme se sonho em fuga.
Acredite !
Espere !
Sempre haverá uma saída... sempre brilhará uma estrela.
Chore, lute !!!
Faça aquilo que gosta, sinta o que há dentro de você.
Ei você!!!
Ouça...
Escute o que as outras pessoas têm a dizer... É importante !!!
Suba... Faça dos obstáculos, degraus para aquilo que você acha supremo...
Mas não esqueça daqueles que não conseguem subir a escada da vida.
Ei, você!!!
Descubra...
Descubra aquilo que há de bom dentro de você.
Procure acima de tudo ser gente... Eu também vou tentar.
Ei, você!!!
Não vá embora.
Eu preciso dizer-lhe que...
Te adoro, simplesmente porque você existe!!!
Charles Chaplin
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