E N T R E L A Ç O S Testando cor de fundo
E N T R E L A Ç O S

Sábado, Junho 07, 2003




Foto(s): Fernanda Davoglio, divulgação/ZH

Olha só que coisa mais amada isto: os fotógrafos Fernanda Bigio Davoglio e Guilherme Dias inauguram segunda-feira, no Restaurante Casa do Marquês (Marquês do Pombal, 1.814), uma exposição denominada Pares Ímpares, só com retratos de casais. A mostra, montada em função do Dia dos Namorados (é dia 12 agora, não esquece, vacilão!), é composta de 15 fotos de pombinhos apaixonados.

As fotos, que poderão ser conferidas no segundo piso do restaurante, registram casais como a atriz Ingra Liberato e o músico Duca Leindecker (foto), Tiago Mari e Bibiana Bolson Pereira - a dupla dona da loja A Mulher do Padre em Porto Alegre - e os guris Renato Ruschel e Victor Lazzarotto.


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Moacyr Scliar
08/06/2003


Foto(s): Arte/ZH

Aos namorados da Protásio Alves

Sábado, 31 de maio de 2003, 10 horas da manhã. Caminho pela Avenida Protásio Alves em direção à lavanderia quando, de repente, deparo com um casal de namorados adolescentes. Beijam-se.

Beijam-se: em plena Avenida Protásio Alves, às 10 horas da manhã, eles se beijam. Passa por eles um fluxo incessante de pessoas, mas não notam, desligados que estão da realidade do cotidiano. Beijam-se. Duas bocas unidas: um sistema fechado - mais fechado é impossível - de troca de paixões.

Beijam-se e, beijando-se, geram um poderoso campo de energia, cuja existência eles mesmos ignoram. Uma energia que, de imediato, reorganiza o mundo, o universo, em círculos concêntricos no centro dos quais está um casal de namorados porto-alegrenses.

Eles são o centro? Eles são o centro, sim. O centro não são os ditadores, nem os magnatas, nem os megaempresários, nem os artistas de cinema, nem os intelectuais, nem os caudilhos. O centro são os namorados. E os círculos concêntricos são muitos, os mais remotos a milhares de quilômetros de distância.

Num longínquo círculo, por exemplo, soldados se enfrentam em batalha encarniçada, mas os namorados o ignoram: eles se beijam.

Num outro longínquo círculo: terroristas estão preparando uma bomba que, esperam, vai matar muitas pessoas. Mas os namorados o ignoram: eles se beijam.

Num terceiro e igualmente longínquo círculo o guru de uma religião qualquer anuncia que o fim está próximo. Mas os namorados o ignoram: eles se beijam.

Num quarto círculo, banqueiros, em reunião secreta, discutem uma operação financeira que vai lhes render bilhões. Mas os namorados o ignoram: eles se beijam.

Num quinto círculo, cirurgiões estão concluindo uma operação complicada: conseguiram salvar uma pessoa. Mas os namorados o ignoram: eles se beijam.

Num sexto círculo manifestantes protestam contra uma injustiça qualquer, uma das muitas que todos os dias são praticadas. Mas os namorados o ignoram: eles se beijam.

O amor, nós sabemos, é lindo. E é poderoso também. Ele percorre a história da humanidade como uma oculta corrente, tocando corações, mobilizando mentes. "O amor é o grande tema, é o único tema" (Stendhal). Provocando um sorriso bem-humorado: "Senhora, eu vos amo tanto/ que até por vosso marido me dá um certo quebranto" (Mario Quintana). Despertando melancolia: "Amor - chama, e depois fumaça" (Manuel Bandeira). Ou até azedume: "E depois, amada?/depois dores sem remédios/ depois pranto, depois tédio/ depois...nada." (Menotti del Picchia).

Bom humor ou melancolia ou azedume, nada disso interessava aos namorados da Protásio Alves. Eles não estavam pensando em nada. Eles não atentavam a nada: que os passantes mostrassem ternura ou surpresa, irritação ou inveja, a eles não interessava. Eles se beijavam.

Dedico estas linhas a todos os namorados, de todas as avenidas do mundo. Beijem-se, namorados. Amem, namorados. Não se importem com o que virá depois. Vivam este momento mágico, porque todos nós o estamos vivendo com vocês.
scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
08/06/2003


Os tempos de rapaz

Ah, os tempos gloriosos da juventude, quando contávamos os trocados do bolso para tomar o café com sanduíche e depois varávamos a noite nas primícias filosóficas das conversas nas esquinas.

Ah, os tempos gloriosos da nossa juventude, quando ainda nos empenhávamos em debates intensos sobre a razão da vida, a finitude da vida, a nossa origem e o nosso destino, tontos por não saber quem tinha nos dotado assim de tanta energia e como haveríamos de empregá-la quando cessasse aquela folgada irresponsabilidade do celibato!

Ah, os tempos em que não atinávamos para a idéia da morte, quando nem desconfiávamos que dia haveria de chegar em que a ambicionaríamos.

Ah, os tempos gloriosos da juventude, quando não percebíamos que aquela folgada boemia que nos envolvia de uma felicidade inebriante tinha que ser debitada a que não tínhamos passado nem futuro.

Sem passado para lamentar ou remoer, sem futuro que nos atormentasse, vivíamos a delícia suprema de colher o momento que passava, egressos de uma infância de alegres tolices e ainda não ameaçados pelo horizonte grave das preocupações com a sobrevivência.

Era o tempo de gozar a vida e a saúde, uma existência sem orçamentos, os bolsos vazios de dinheiro mas a alma repleta de sonhos, o tempo em que ainda se acreditava na bondade do homem e na infalibilidade da justiça.

O tempo em que ainda não duvidávamos de Deus e de que a Providência haveria de dispor favoravelmente sobre os nossos destinos.

O tempo do devaneio, o tempo do monopólio da esperança, quando a névoa da inocência cobria os nossos pensamentos e nem desconfiávamos de que havia inveja ou maldade a presidir os atos dos homens, muro intransponível contra o qual nos estatelaríamos mais adiante.

Tempos de chinelos, tamancos, calções, corridas e correrias, em que não se tinha noção de pobreza ou de riqueza, em que nada se almejava porque se pensava que não havia diferenças, que todos eram iguais, que as disparidades tinham a utilidade apenas da identificação, sem o conteúdo demarcatório das camadas.

Atirávamo-nos à poesia, ao namoro e à vagabundagem com o fascínio dos alegres e embriagávamo-nos de bons sentimentos, inconscientes de que nos aguardava logo em seguida uma época de ambição que haveria de toldar a nossa candura, transformando-nos em feras para enfrentar as outras feras ou sendo resignadamente submetidos ou devorados por elas.

Ah, os tempos gloriosos da juventude irresponsável. Os tempos do soneto, da serenata, da deliciosa e excitante transição das histórias em quadrinhos para os livros, do companheirismo com os outros homens e do ideal casto de conquista platônica das moçoilas.

O tempo em que a gente percorria as ruas e os campos como que envoltos na serenidade que domina os pássaros, sem ameaças. E sem futuro.

Ah, os tempos da boemia e da camaradagem!

Os únicos e escolhidos tempos de legítima e genuína vida. Transbordante vida!

Os encantadores tempos das tonteiras de rapaz.

Ah, os tempos felizes e gloriosos da inexperiência!
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Martha Medeiros
08/06/2003



Repouso

Uma jornalista outro dia me perguntou se eu achava que a conquista amorosa tinha que ser cotidiana. Para ilustrar a pergunta (ou sutilmente condicionar minha resposta), ela citou um verso do poeta Nei Duclós: "ninguém é lugar de repouso". Um belo verso, que faz a gente pensar que não podemos descansar sobre um amor já conquistado, que devemos permanecer incansáveis em busca de seu incremento.

Pois é, belo verso, mas não concordo. Acho que a pessoa com quem a gente vive pode e deve ser lugar de repouso: é uma das sofisticações do amor. Depois de muitos anos juntos, é claro que a paixão evapora e a rotina toma conta. São favas contadas, acontece com todos os casais. Fazer o quê? Usar lingerie sexy, descobrir lugares inusitados para transar, "reinventar" a relação? Bobajada. Uma relação desgastada é coisa séria, não se salva com meia dúzia de truquezinhos de revista. Ao contrário, a gente tem é que tirar proveito deste momento sereno, que também tem seu valor.

É a delícia das delícias seduzir, cometer insanidades, viver adrenalizado por uma paixão. Muitos casamentos acabam pela falta disso tudo, mas se você não pretende terminar o seu e não está disposto a voltar para a excitante vida de solteiro, tire proveito da mansidão da sua história. Se você está há muitos anos com a mesma pessoa, provavelmente ela é quem melhor conhece você, já não é preciso dar muita explicação. Seus motivos, ânsias, métodos e desejos são conhecidos de cima a baixo, de trás pra frente, economiza-se muito em palavras, os gestos falam por si, e o silêncio é bem-vindo. Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso?

Longos amores conseguem atravessar a fronteira do estranhamento, um vira pátria do outro, amizade com sexo também é um jeito legítimo de se relacionar, mesmo não sendo bem encarado pelos caçadores de emoções. Se o telefone toca, é ótimo; se não toca, o mundo não acaba: não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. Sentar, ambos, de frente pra lua, se houver lua, ou de frente pra chuva, se houver chuva, e fazer um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. Alguém como lugar de repouso. Até que sejam reconvocados pra guerra.
martha.medeiros@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
08/06/2003


O meu e o seu

Quarto de motel. Homem e mulher na cama. Toca um telefone celular.

- É o meu ou o seu?

- Deve ser o seu.

Homem pega o celular da mesa de cabeceira do seu lado e instrui a mulher:

- Não pára.

Depois:

- Alô. Sim. Oi.

Ele diz silenciosamente para a companheira: "É a Dóris, minha mulher". Depois continua:

- Ahn. Sei. Tá. Diz o número dele, que eu não tenho aqui. Estou almoçando.

Silêncio. Depois.

- Oquei. Vou ligar agora mesmo.

Ele desliga o celular, depois digita um número.

- Alô? Sr. Godinho? Awui é o iãiãiã...

Ele tapa o bocal e diz para a mulher:

- Pára só um pouquinho.

Depois continua, no telefone.

- Aqui é o Tubino. Certo. Minha mulher disse que o senhor queria falar comigo... Ah, sei. Oquei. Ótimo. Celular? Pegamos a fera. Qual é o número? Pode dizer que eu guardo. Tá...tá...tá...Obrigadão!

O homem desliga o telefone.

- Que história é essa? - pergunta a mulher.

- Esse Godinho é um detetive. Estava fazendo uma investigação pra mim. Desconfiei que a minha mulher tinha um amante. O Godinho descobriu o número do celular dele. Vou dar um susto nesse safado...

O homem digita um número no seu celular. Toca o celular da mulher, na mesa de cabeceira ao seu lado. Ela não se mexe.

- Você não vai atender seu celular?

Ela continua na mesma posição, olhando para o teto. Diz:

- Não.

Tubino espera um pouco, depois desiste, desliga o celular e o recoloca sobre a mesa de cabeceira. O celular da mulher pára de tocar.

Os dois ficam deitados lado a lado, olhando para o teto, em silêncio. Há um espelho no teto e, na verdade, os dois ficam se olhando nos olhos. Ela fala primeiro.

- Por que você tem tanta certeza de que é um amante?

- Podem ser muitos?

- Pode ser uma.

Tubino não diz nada. Fica pensando: a Dóris, com aquele seu jeito de sonsa, quem diria. Em algum lugar, alguém cantarola o adágio falso do Albinoni.

O meu ou o seu (2)

Um português e um brasileiro conhecem-se num bar, começam a conversar e no meio da conversa ouvem o som de um telefone celular tocando. Um deles diz:

- Não pode ser para mim. Ninguém sabe que estou aqui.

- Então deve ser pra mim, porque eu disse onde ia estar - diz o outro, pegando o celular do primeiro porque esqueceu o seu em casa.

Em Portugal esta história é contada exatamente ao contrário.

Comunicação

Casais com problemas de comunicação têm um antecedente antigo. Adão e Eva, segundo Gênesis.

Pode-se imaginar o clima quando Adão acordou e levou dois sustos: estava sem uma costela e com uma mulher. Especula-se que os dois levaram dois dias para se falar. Para começar, não tinham sido formalmente apresentados. E que assunto poderiam ter, naquele primeiro encontro?

- Como foi seu dia?

- Nem me fale. Até a hora da sesta estava tudo normal. Depois eu sofri uma cirurgia e mudei de estado civil e a população da Terra duplicou, tudo em questão de horas.

- E eu? Há horas eu nem existia. Agora estou aqui, mulher feita, nua e falando aramaico.

Minha tese é que Adão e Eva só se falaram no terceiro dia, e assim mesmo porque Adão foi levado por uma necessidade premente.

- Me coça atrás?

E Eva coçou suas costas, e Adão finalmente compreendeu os desígnios do Senhor ao criar a mulher. Embora nos anos que se seguiram não fossem poucas as vezes em que pensou em dizer a Deus que preferia sua costela de volta.

Quando passaram a ter assunto, Adão e Eva despertaram o ciúme de Deus.

Porque tinham uma coisa em comum da qual Deus não compartilhava: a humanidade, suas glórias e suas misérias. Os banhos de riacho e o medo do escuro, o cafuné e o furúnculo. E Deus providenciou o pecado para ter um motivo nobre para expulsá-los do Paraíso, já que não podia só alegar tagarelice. E quando a prole de Adão e Eva deu sinais de entendimento, pois falavam a mesma língua e celebravam a mesma humanidade, Deus decretou a destruição de Babel e a confusão das línguas. E assim duas vezes usou Deus o demônio para criar a desarmonia entre os homens. Primeiro na forma da Serpente. Depois na forma do Mau Tradutor.

Mas tudo que é humano quer se comunicar. Sem a mulher, Adão arranjaria outro jeito de coçar as costas. Talvez encontrasse até uma maneira de se reproduzir sozinho. Afinal, anos depois, um descendente seu inventou o xerox. Quando Deus lhe deu a mulher não lhe deu uma fêmea, uma companheira ou alguém para cuidar das suas camisas. Deu o que ele precisava para progredir, a precondição para o autoconhecimento e a razão, sem falar na literatura.

Um interlocutor.

Publicado no dia 16 de março de 1997. Luis Fernando Verissimo está de férias.


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Conjuntura
Os pólos opostos do desenvolvimento no Rio Grande do Sul



São Vendelino (foto) é o município em que o PIB mais cresceu, enquanto Osório, a apenas cem quilômetros, teve o menor crescimento

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FATAL

"Os moços tão bonitos me doem,
impertinentes como limões novos.
Eu pareço uma atriz em decadência,
mas, como sei disso, o que sou
é uma mulher com um radar poderoso.
Por isso, quando eles não me vêem
como se dissessem: acomoda-te no teu galho,
eu penso: bonitos como potros. Não me servem.
Vou esperar que ganhem indecisão. E espero.
Quando cuidam que não,
estão todos no meu bolso."


AMOR FEINHO

"Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho."

Adelia Prado

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Despedida
Vânia Moreira Diniz

Quando eu parti da minha terra,
Admirando sua beleza em nostalgia,
Subindo triste e pensativa a serra,
As lágrimas desciam em lenta agonia.

Ali eu tinha vivido o tempo inteiro,
Na cidade maravilhosa, uma elegia,
O sofrimento era imenso e certeiro,
E no pensamento as praias eu via.

Do mar tinha antecipada saudade,
Recordava suas águas que eu amava,
Mas a despedida era uma verdade
Que por dentro amarga eu lastimava.

Antevia outra cidade outra vida,
Concepções, pensamentos e valores,
Diversas transformações e morada,
Que subjetivamente suscitavam pavores.

Sentia falta de família e amigos queridos,
Que nas horas lentas de dor ou martírio,
E nos episódios tão maravilhosos vividos,
Estavam sempre ao meu lado em convívio.

A minha infância lembrava com carinho,
Os colegas eu evocava com forte ternura,
E os via todos em uniforme azul-marinho,
Com o quente casaco amarrado à cintura.

Deixava as minhas lembranças mais tépidas,
Ao calor conhecido e familiar da terra natal,
Na qual corria com pernas fortes e lépidas,
Ao encontro de realizações frágeis como cristal.

Outra era iniciava e esperava que a juventude,
Ajudasse a superar as mágoas da despedida,
E prosseguia querendo mudar a saudosa atitude
Da temporada encantada e sedutora já vivida.

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Olha, sou supeito, mas confirmo tudo o que ela escreve ai abaixo a respeito. Contudo, que seriam os homens sem elas, eu pelo menos, adoro,adoro, adoro...

"Vantagens de Ser Homem"

Sabe aqueles dias em que você acorda com um desejo incontrolável de ser mulher? Aposto que sabe sim. Não precisa disfarçar. Pode ser aquela vontade de vestir uma minissaia e ir trabalhar em dias de calor africano. Pode ser para sentir orgasmos múltiplos (que só as mulheres sortudas têm) ou porque você é um durango desgraçado que se revolta em ter que pagar mais caro nas boates. Ou simplesmente porque não tem carro.

Agora sabe o que você faz quando sentir essa vontade? E-S-Q-U-E-Ç-A!!!.

Espere, sente e deixe a vontade passar. Se ainda estiver em dúvida. Leia minha lista de vantagens para você continuar sendo homem, bem, até que alguém prove o contrário.

1 - Homem faz xixi de pé, (perfeito para todos os ambientes e ocasiões, como em estradas, festas fuleira e estádios de futebol).

2 - É mais forte (perfeito para abrir vidros de azeitona e carregar malas).

3 - Não menstrua todo santo mês (conseqüentemente não gasta grana em absorventes, não mancha suas cuecas brancas de renda com sangue, argh, e não sofre de cólicas ou TPMs).

4 - Não tem que fazer depilação (com exceção de nadadores).

5 - Homem pode esquecer de fazer a barba, ficar umas duas noites sem dormir e ficar rústico. A mulher fica acabada mesmo.

6 - Podem cair de bêbado sem que te chamem de vagabunda.

7 - Pode galinhar à vontade sem que te chamem de vagabunda.

8 - Pode fazer sexo com um monte de mulheres e não ser tachado de fácil ou pervertida.

9 - Pode alugar filmes eróticos tranqüilamente, sem que o cara da locadora fique olhando de forma estranha.

10 - Ganha mais fazendo o mesmo trabalho.

11 - Homem não sofre assédio sexual (será? E a Demi Moore, não conta?).

12 - Homem não fica grávido (e para ter filho não fica com as tetas caídas).

13 - Não fica grávido (sem saber quem é o pai).

14 - E ainda pode ter filhos até uns 80 anos.

15 - Homem não faz aborto.

16 - Não entra na menopausa.

17 - É muito mais fiel aos amigos do que as mulheres são entre amigas e conhecidas.

18 - Homem goza mais rápido.

19 - Goza na mão. E até vendo revista.

20 - Homem não tem celulite.

21 - Não pinta as unhas (aquelas unhas descascadas horrorosas? Jamais).

22 - Não precisa dos 258 produtos básicos presentes no cuidado pessoal feminino entre cremes, adstringentes, delineadores, condicionadores, máscaras e outros mimos.

23 - Pode até ser feio (se for bem sucedido, rico e bom de cama, pode ganhar o mundo).

Tettê acha que tem muitas vantagens em ser mulher. Uma delas é poder escrever para os homens. Ela é co-autora do livro "Guia do Homem, que a Mulher Também Deve Ler".


















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Viver é deixar viver...

A cabeça de uma mulher pode parecer sempre muito confusa na visão de muitos homens. E desvendar o emaranhado de idéias desse nosso "Arquivo Confidencial" é uma tarefa um tanto difícil, confesso que até para nós mesmas. Buscamos nossa realização profissional e sentimental, sem nunca querer deixar de conviver com questões cotidianas como família, marido, filhos, almoço, jantar, escola, empregada, sogra, trânsito, compromissos profissionais, festas de aniversário. Em outras palavras, tudo que a grande maioria das mulheres modernas têm que enfrentar no dia-a-dia. E nos perdemos, nos encontramos, sorrimos, choramos e desesperamos com muita facilidade e quase que ao mesmo tempo.

Uma enxurrada de livros e revistas aterrissam em nossas mãos, repletos de receitas para emagrecer, rituais para viver melhor, lições para atingir o orgasmo, enfim, são verdadeiros guias. Há quem critique, mas nunca o mercado editorial brasileiro levou tantas informações, sobre assuntos mais variados e ousados possíveis, para um grande número de pessoas. Cabe a cada um julgar e distinguir as informações e absorver o que há de melhor nessa história toda.

Claro que não existe um manual que nos ensine a ser mães, esposas, namoradas e profissionais perfeitas... mas a história de vida dos outros, um depoimento emocionado, um problema contado na revista, uma crise pessoal evidente, o choro, o riso, a emoção - sempre podemos aprender com os outros. Você só precisa se permitir aprender a viver e a conviver com nosso indecifrável mundo. E que ninguém ouse deixar de ouvir a nossa voz, somos a maioria no mundo, por enquanto!

Um grande beijo

Marta Vicentin

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Tragédia urbana
Em Mulheres Apaixonadas, Fernanda morre ao ser atingida por uma bala perdida durante assalto em que Téo fica ferido
Marcelle Carvalho


Fernanda (Vanessa Gerbelli) tem destino trágico na novela Mulheres Apaixonadas, deixando Salete órfã

Os pressentimentos da pequena Salete (Bruna Marquezine) em relação à perda da mãe, Fernanda (Vanessa Gerbelli), vão se concretizar de forma bem trágica, em Mulheres Apaixonadas.

Fernanda vai morrer com uma bala perdida num assalto no Leblon. Vai estar no carro com Téo (Tony Ramos), que também vai ficar ferido, adianta o autor Manoel Carlos, confirmando a idéia de rechear a novela com situações bem atuais, sejam elas boas ou más.

E por ironia do destino, o acidente acaba colocando Helena (Christiane Torloni) e Fernanda frente à frente. Helena só vai conhecer Fernanda no hospital, quando for visitar o ex-marido e ficar sabendo que ele estava acompanhado de Fernanda, conta Maneco. A tragédia acaba interrompendo os planos da ex-garota de programa de procurar Helena para tratar de um assunto comum: Lucas (Victor Curgula), filho de Fernanda que foi adotado por Helena.

Enquanto a tragédia não se instala na trama, Helena, que esta semana tomou uma dose extra de coragem e partiu para o ataque a César (José Mayer), vai ficar ainda mais incisiva na reconquista do médico. Em cena prevista para ir ao ar na segunda-feira, a professora pede uma carona ao médico e garante que não vai desistir dele. Estamos exatamente na metade da novela. A partir de agora Helena vai investir no seu romance com César, até conseguir reatar a antiga relação, avisa Maneco.

Mas para quem pensa que Luciana (Camila Pitanga) vai sofrer horrores com uma separação de César, Maneco alivia o lado da moça. De início Luciana manterá seu romance com ele, mas ela também voltará a se encantar com o primo Diogo (Rodrigo Santoro), afirma o autor. O que não era difícil de acontecer, pois assim como o relacionamento de César e Helena, o de Luciana e Diogo também nunca foi bem resolvido.

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Prova de amor
Saber comprar presente sozinho para mulher é qualidade de poucos (e valorizados) homens. Os que não sabem contam como se viram
Flávia Motta


Vinícius Trindade desistiu de desvendar as vontades da namorada: dia 12 vai com ela comprar o presente

Sejam dois meses ou dois anos juntos, com a proximidade do Dia dos Namorados, quinta-feira, muito homem começa a se afligir com a simples tarefa de comprar o presente para a amada. Nunca sei o que ela quer. Já teve vezes de a gente estar junto no shopping, eu mostrar uma coisa achando que ia agradar e ela achar horrível, lembra o universitário Vinícius Trindade, 23 anos, que costuma enveredar por livros, flores ou poesias que ele mesmo faz. Tento pegar dicas, seguir alguma lógica, mas nunca chego lá, lamenta ele que, desta vez, vai sair com a moça no dia 12 para comprarem juntos o presente. ¿Ela sabe que é complicado o negócio¿, conforma-se.


Salvitti é do estilo econômico

A namorada do universitário Mário Lyra, 25 anos, também sabe que a tarefa não é fácil, mas e daí? Ela não ajuda. Vamos fazer dois anos de namoro e estou fazendo enquete até em lista da Internet, conta ele, que acha o tempo a maior barreira. Quanto menos tempo de namoro, melhor. Os truques que funcionaram com as outras vão sempre parecer novos, ensina.


Mário Lyra fez até enquete na Internet para conseguir uma boa sugestão

O ator Cauã Raymond, o Maumau de Malhação, até poderia usar truques anteriores, já que este é o primeiro Dia dos Namorados que passa com Aline Moraes, a Clara de Mulheres Apaixonadas. Mas o moço teve uma ajuda extra da sorte.A gente fez umas fotos juntos, ela adorou uma das roupas e, na mesma hora, pedi para o estilista separar, conta. Cauã diz que, quando gosta de alguém, sempre acerta no presente. Mas reconhece que Aline facilita: Ela dá umas dicas.

Mas Cauã não é o único que se diz bem-sucedido ao presentear. Não é que eu não saiba do que ela gosta, mas não consigo encontrar nada em que bata o olho e ache a cara dela. Não gosto de pegar dicas. A idéia do presente é surpreender¿, pondera o universitário Gabriel Maciel, 22 anos, para certo desespero da namorada, a comerciante Danielle Souto, 24. Realmente ele me surpreende muito. Uma vez, ganhei uma caixa enorme e quando abri, era um porta CD. Dou dicas, mas é brabo mesmo, brinca ela. E, aos que acham que homem não tem talento para escolher presente, Mário é taxativo: Mulher é que tem dificuldade para aceitá-los.

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A incoerência populista

Governo Lula só acerta na cópia a Pedro Malan

ARTHUR VIRGÍLIO NETO


O governo Lula é contraditório. Acerta, em linhas gerais, no macroeconômico, até porque repete e aprofunda Pedro Malan, e se equivoca quando, por falta de autoconfiança, deixa de reduzir juros e permite o agravamento da crise. Bem no macroeconômico, é desastrado no micro, produzindo sandices sobre as agências reguladoras, não compreendendo que elas são o Estado - que nem sempre tem objetivos iguais aos do governo - e afugentando investidores essenciais para a retomada do crescimento.

Ora, se a lógica das reformas remete à lógica das agências e Lula demonstra haver compreendido a importância de uma agenda que já era do PSDB há mais de uma década, espero, de repente, um fiat lux em relação à necessidade do marco regulatório.

No administrativo, a ação governamental é inexistente. Não é ação, porém inação. Inchou a máquina: hoje são 35 entidades com status de ministério, empregando políticos, amigos do poder, derrotados nas urnas e sem metas específicas e claras a cumprir. Não consegue fazer do Fome Zero, segundo o ministro Ciro Gomes, mais que um gesto conjuntural de 'caridade'. Não consegue sequer repassar o dinheiro às crianças beneficiárias do bolsa-escola. Demorou 60 dias para incorporar reajuste de 1% - na campanha prometeu 72% - aos servidores federais. Não consegue governar o país.

No tocante às reformas, é sempre bom poder saudar a adesão do PT ao campo da lucidez. Foram longos anos de espera. Anos em que o apoio do PT - às vezes até a singela não-obstrução - teria evitado o atraso.

No genérico, estamos, claro, com as reformas que foram combatidas e obstaculizadas, pelo corporativismo aliançado aos interesses econômicos. No específico, vamos sugerir emendas para transformar a derrama tributária proposta pelo PT em instrumento a serviço do Brasil.

Eles querem, basicamente, fazer caixa. Nós queremos alterações estruturais, de amplo impacto e longa duração.

Queremos mais que o remendo acanhado do ICMS. 'Ambiciosa' a idéia do governo, quando pereniza a CPMF e brinda a ele próprio, com R$ 20 bilhões de aumento de carga tributária. 'Ambiciosa', outra vez, quando, ao proibir a concessão de isenções de ICMS pelos Estados, reonerando os preços da cesta básica, de remédios essenciais, de assistência hospitalar, garantindo mais R$ 10 bilhões, que sairão do bolso do contribuinte mais pobre. Dúbio, quando ameaça o Pólo Industrial de Manaus. Iníqua, quando não define a compensação aos Estados exportadores, pela incorporação à Constituição, dos termos da Lei Kandir.

E a Previdência? Abandonam o PL-09, que dará aos Estados e ao país um horizonte de longo prazo de equilíbrio fiscal. Não respeita, ao contrário de Fernando Henrique, os direitos adquiridos e a expectativa de direitos. Não enfrenta os desequilíbrios estruturais.

O princípio norteador é o 'caixa' imediato. Daí esse presente de grego que é o teto de R$ 2.400 para os trabalhadores do setor privado inscritos no INSS. Parece medida simpática, não fosse pelo fato de que o pagamento desse valor ficará somente para quem se aposentar não agora, mas muito tempo depois.

Vamos ao debate, pois. Vamos à luta por verdadeiras e profundas reformas. Não temos compromisso com o governo Lula. Temos compromisso com a nação.

Arthur Virgílio é senador pelo PSDB do Amazonas e líder do partido no Senado

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O estudo não compensa

O Brasil precisa de educação. Já o jovem brasileiro precisa é de dinheiro mesmo


Todos os experts concordam: o Brasil precisa é de educação. Há dez dias, um professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) afirmou que as diferenças educacionais explicam 40% das diferenças de renda entre os brasileiros. Para cada ano na escola a renda futura do estudante seria 16% maior.

Quer dizer que quem estuda mais ganha mais? Não. A FGV prova que quem estudou (no passado) ganha mais (hoje) do que quem não estudou. O resto é empulhação eleitoral e marketing de cursinho. Para o jovem brasileiro em 2002 o crime compensa muito mais que o estudo. Existem duas razões para isso. A primeira é que o Brasil tem se mostrado um país pouco inteligente. A média de estudo para a população acima de 15 anos é de 4,9 anos, na rabeira do planeta. A educação brasileira em todos os níveis é uma porcaria.

Quanto a nossas melhores escolas e universidades e seus formandos, atenção para o novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e seu Índice de Avanço Tecnológico. É uma síntese de oito indicadores diferentes que representam a capacidade de inovação de cada país, o que cada um tem a contribuir para a humanidade. Ganha o país mais inteligente. O Brasil instruído ficou em 43o.

A segunda razão é que não basta ter diploma, o diploma tem de render uma boa grana. Nações muito bem educadas já jogaram seus melhores cérebros na rua, da União Soviética à Argentina. Resta a eles engolir a frustração mal remunerada ou tentar debandar para países ricos. Aqui, igual. Piora cada vez mais a vida do brasileiro educado, viajado e bilíngüe. Boa parte está desempregada ou vegetando em frilas e subempregos.

Está apelando também. Big Brother é exemplar: entre jovens brancos de classe média vale tudo por R$ 500 mil (até entrar para a indústria do seqüestro, cujos mandantes são os criminosos com maior índice de escolaridade). Com tudo isso, é espantoso que tantos brasileiros insistam em estudar. Principalmente os que têm de trabalhar também. O universitário favelado do Rio de Janeiro, por exemplo, tem renda equivalente à metade da média dos universitários da cidade (nem compare com os da Barra).

É muito mais natural para os mais pobres se garantir no crime. Um estudo em 51 favelas cariocas deixa muito claro. Acima dos 15 anos de idade, 20% dos favelados são analfabetos, mas o restante é quase: só 15% cursaram o ensino fundamental. Os salários dos meninos olheiros dos traficantes chegam a R$ 1.200 mensais. Compare com os bairros mais pobres de São Paulo, onde o salário médio do chefe de família é R$ 450. Já está achando que o crime compensa? Pois saiba que na periferia paulistana 41% dos homens entre 15 e 19 anos não freqüentam escola e um terço entre 18 e 24 anos está desempregado.

E as meninas? Vida dura também. Na periferia paulistana 12% das garotas entre 14 e 17 anos são mães. Nas favelas do Rio metade das meninas entre 15 e 17 anos não estuda nem trabalha. Opção financeira mais rentável? Tráfico. Ou descolar um gringo em Copacabana. Seguindo as regras clássicas da especulação financeira, no crime vale a regra de quanto maior o ganho maior o risco. Na década de 70 o típico preso no Estado de São Paulo era casado, tinha 27 anos e alguma formação profissional.

Hoje mais de um terço tem entre 18 e 25 anos e escolarização pífia. Entre o estudo e o crime existe sempre a possibilidade do extermínio. Segundo o Ministério da Saúde, de 1981 a 1989, 59 mil brasileiros entre 15 e 24 anos foram assassinados. Subiu para 112 mil entre 1991 e 1999. Hoje, nas capitais brasileiras, 43% das mortes entre jovens de 15 a 24 anos são assassinatos. Boa parte dos jovens morre pelas mãos de jovens. O restante fica para a própria polícia, que pouco diferencia o estudante do criminoso.

André Forastieri é editor

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Helena Ranaldi está na capa da Revista Época desta semana que tras como principal reportagem esta abaixo:

O difícil adeus ao cigarro

Com força de vontade e tratamento adequado para cada tipo de fumante, é possível vencer o vício

AIDA VEIGA E RENATA LEAL


''Parei há quatro meses. Eu me considero uma vitoriosa porque adorava cigarro. Até hoje, chego a sonhar que estou fumando''

HELENA RANALDI , atriz de 37 anos, ex-fumante Maurilo Clareto/ÉPOCA

O Brasil tem 40 milhões de fumantes. Ainda são muitos, mas o número vem caindo. O volume de cigarros queimados no país caiu 32% em dez anos, e uma pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (Inca) descobriu que 21,4% da população carioca fuma, contra 29,8% em 1989. Os dados demonstram que a política antitabagista do governo começa a dar resultados. Na semana passada o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, recebeu um prêmio da Organização Mundial da Saúde (OMS) por seu empenho nas negociações do tratado mundial antitabaco. Aprovado no fim de maio por 171 países, o documento prevê uma guerra contra a indústria do fumo, com medidas como a abolição quase total de propaganda de cigarro em cinco anos e taxações e financiamento para levar os plantadores de tabaco a mudar de negócio.

Entende-se o esforço. Deixar de fumar é um desafio que poucos conseguem vencer. Segundo um estudo publicado pela revista New Scientist, 85% dos que param voltam a dar suas baforadas depois de um ano. Alguns recaem antes. Só 3% conseguem, de fato, abandonar o vício. Quem procura ajuda médica, toma remédio e faz terapia aumenta sua chance de sucesso para 20%. O Brasil é um dos recordistas em motivação para largar o cigarro. Um estudo feito pela psiquiatra Analice Gigliotti, chefe do setor de dependência química da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, mostra que 81% dos fumantes brasileiros querem parar. É um porcentual só comparável ao dos suecos, com 85%. Mas o índice de tentativas frustradas entre os brasileiros é igualmente alto: cada um já tentou parar cinco vezes, em média - sem sucesso. Difícil é, mas vale a pena.

O tabaco causa 50 tipos de doença. As mortes anuais em virtude de seu uso chegam a 5 milhões no mundo, 200 mil no Brasil. 'Já tomei a decisão de parar, porque quero ver meus filhos crescer. Mas não consigo', afirma a ex-deputada federal Rita Camata, de 41 anos. Na condição de vice do candidato a presidente José Serra, antitabagista convicto, ela reduziu o consumo diário. Nas duas vezes em que engravidou, chegou a parar completamente. Mas depois voltou. 'Sou dependente', confessa. 'Não me sinto à vontade para acender um cigarro nem em minha própria casa, mas ainda não sei viver sem fumar.' O Brasil tem 40 milhões de fumantes. 81% querem parar, mas só 3% conseguem, de fato, abandonar o cigarro

A dependência começa um ano após as primeiras tragadas, devido a causas físicas e psicológicas. 'A nicotina faz o cérebro liberar substâncias que provocam uma grande sensação de prazer, diminuem a ansiedade e a fome e aumentam a concentração e a memória', comenta a psiquiatra Maria Madalena Pizzaia, coordenadora do ambulatório de tabagismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Já existem remédios - tanto os antidepressivos como os repositores de nicotina - que combatem a falta desses efeitos agradáveis em quem pára de fumar. Ela explica que a diferença entre o sucesso e o fracasso na empreitada contra a fumaça pode ser o estado emocional.

Ter muita vontade e escolher o momento apropriado são fatores importantes. No mês passado, a cardiologista Jaqueline Issa, coordenadora do ambulatório de tabagismo do Instituto do Coração de São Paulo (Incor), lançou o livro Fumar É Gostoso¿ Parar É ainda Melhor, um manual de auto-ajuda baseado em sua experiência clínica. Segundo ela, se usar o medicamento adequado considerando seu perfil, na dose correta, o ex-fumante não sofrerá os sintomas da abstinência. 'Se, além do tratamento, ele consegue enfrentar aquelas situações em que sempre fumava, acabará conseguindo', afirma.

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E como sempre em todos os sábados ai estão as capas das duas revistas semanais para voces compararem, e irem adiante naquilo que voces acharem interessante. Boa leitura e bom fim de semana a todos nós.

Menos deus, por favor
Diogo Mainardi

"O Brasil tem deus demais. Tem deus no futebol, nos vidros dos carros, na TV, no rádio, nos hospitais, nas salas de aula, na reforma agrária, na política. Em nome de deus, qualquer um pode enfiar a mão no bolso dos outros"

Atletas de Cristo. Eu torço contra. Deveria ser proibido comemorar um gol mostrando camisetas com mensagens evangélicas. Os alemães concordam comigo e não permitem o proselitismo religioso nos campos de futebol. Quem desobedece é punido. Uma camiseta com um simples "Deus é fiel", ou "Jesus vive e me ama", ou "100% Jesus", rende uma suspensão equivalente à de uma cotovelada no septo nasal do adversário.

O atacante brasileiro Cacau, do time do Nuremberg, burlou as regras do campeonato alemão inscrevendo em sua camiseta um alusivo "J...". É o mesmo estratagema adotado por fabricantes de cigarros para anunciar em corridas de Fórmula 1. Cacau equiparou Deus a um maço de Marlboro. Passei a torcer contra ele. Para minha felicidade, seu time acaba de ser rebaixado para a segunda divisão.

Kaká, como Cacau, também usa todos os meios para difundir sua fé. Tem uma pulseira com o nome de "Jesus". Sua secretária eletrônica se despede com um "Deus te abençoa". Seu autógrafo vem acompanhado pela frase "Deus é fiel". Em sua chuteira está escrito, novamente, "Deus é fiel", só um pouquinho menor que o logotipo da Adidas. Quando marca um gol, ele ergue os braços para o céu e proclama "Deus é fiel". Kaká é o homem-sanduíche de Deus.

Ou melhor, o homem-sanduíche da Igreja Renascer em Cristo. Algum tempo atrás, ele bateu a coluna ao mergulhar numa piscina. Deus, por intermédio da Igreja Renascer, livrou-o de ficar paraplégico. A Igreja Renascer pertence ao compositor gospel Estevam Hernandes, autor dos memoráveis versos apocalípticos "Extra Extra / O mundo acabará / Amanhã de manhã".

Estevam Hernandes, que se definia como bispo, elevou-se humildemente à condição de apóstolo. Um dia ele ainda vira santo. Fernando Henrique Cardoso concedeu-lhe catorze rádios FM e dois canais de TV, mas nas últimas eleições ele pediu votos para Lula. Até o ano passado respondia a mais de cinqüenta processos na Justiça, juntamente com sua mulher, a bispa Sonia. Torço contra Kaká. Vejo com satisfação que seu futebol piora a cada dia que passa.

Os alemães implicam com os Atletas de Cristo porque acreditam que a ostentação de um deus pode ofender aqueles que cultuam outros deuses e aqueles que não cultuam deus algum. A legislação alemã é muito restritiva em relação às religiões mais agressivas na arregimentação de fiéis. A distância que separa conversão e coerção, para eles, é mínima. A Bélgica é ainda mais severa. Os grupos religiosos incluídos na categoria de seitas sofrem uma série de limitações, dos adventistas do sétimo dia aos mórmons, da Opus Dei à Associação Cristã de Moços.

O país mais rigoroso no tratamento reservado aos cultos religiosos, porém, é a França. É o contrário do Brasil. O Brasil tem deus demais. Tem deus no futebol, nos vidros dos carros, na TV, no rádio, nos hospitais, nas salas de aula, na reforma agrária, na política. Qualquer um pode atribuir-se milagres em nome de deus. E, em nome de deus, qualquer um pode enfiar a mão no bolso dos outros. Precisamos de menos deus.

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Caro assinante,
aqui estão os destaques de VEJA desta semana.

Boa leitura e bom fim de semana.
Kátia Perin - VEJA on-line
vejaonline@abril.com.br

O conteúdo integral das revistas estará disponível na internet a partir de sábado à tarde

Especial
Nunca como agora as pessoas tiveram tantas armas para combater as condições adversas associadas à idade. De acordo com médico americano Michael Roizen, se uma pessoa fizer tudo certo, ela pode ter uma idade biológica vinte anos mais jovem que sua idade no calendário.
¿ A idade real de seu corpo
¿ "É possível prolongar a juventude"
¿ Doze regras para frear o envelhecimento

Brasil
Lula está entrando no sexto mês de governo e começa a ouvir algumas cobranças. Em alguns setores florescem sinais de descontentamento e em outros cresce a certeza de que ele não vai governar só para a base petista.

Entrevista
O paulistano Flavio de Andrade, presidente da Souza Cruz, revela como é a guerra diária para vender um produto demonizado.

Internacional

Um momento histórico: O presidente americano George W. Bush patrocina o início de um novo processo de paz entre israelenses e palestinos.

Onde estão as armas?: O governo dos Estados Unidos pode ter mentido para justificar a guerra contra o Iraque. O grande problema agora é encontrar as tão propagadas armas de destruição em massa que os americanos disseram estar em poder de Saddam Hussein.

Medicina
Desde o fim dos anos 90, alguns médicos vêm recorrendo à anestesia peridural torácica para cirurgias do coração. Ela apenas bloqueia a dor na região do tórax, sem alterar a consciência nem a capacidade respiratória do paciente que será operado.

Realeza
Exposição no Palácio de Kensington, em Londres, mostra chapéus da rainha Elizabeth e faz uma viagem por seu meio século de reinado na Inglaterra.
No site: galeria de imagens.

Estilo
Lojas de aeroporto vão vender linha exclusiva de roupas e acessórios de estilistas nacionais. Os produtos vão desde de kits de caipirinha até roupas para bebês.

Espaço
A Agência Espacial Européia lançou a sonda Mars Express para procurar água e sinais de vida no planeta vermelho. Marte ainda é um mistério fascinante para cientistas de todo o mundo.
No site: leia seção Jornada Espacial.

Artes e Espetáculos
Televisão: Foi-se o tempo em que a TV exibia atrações leves do final da tarde ao início da noite. Hoje essa faixa de horário converteu-se em um bolsão de mau gosto.

Cinema: O Homem que Copiava, do diretor gaúcho Jorge Furtado, é um filme que não se parece com nenhum outro. Fala da vida de André, um jovem que ganha pouco, consome pouco, e faz fogueiras com notas de dinheiro.

Livros: Baseados em uma lista de dez "livros amigos" feita pelo fundador da psicanálise, Sigmund Freud, cinco personalidades brasileiras - que têm em comum o fato de serem leitores vorazes - apresentam suas listas de títulos marcantes.

Bombons e flores? De Novo?
Gaste entre 30 e 1.000 reais em presentes e programas diferentões e turbine o seu Dia dos Namorados.

Dia dos Namorados
Internet, encontros de solteiros e outras formas de iniciar um romance. E um roteiro de restaurantes charmosos.

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CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, SÁBADO, 7 DE JUNHO DE 2003
Educação financeira é o tema de cartilha do BC

Brasília - O Banco Central lançou ontem o programa de educação financeira do qual fazem parte cartilhas com respostas às perguntas mais freqüentes sobre temas da economia brasileira, feitas pelo público no site do banco (www.bcb.gov.br). As primeiras três cartilhas impressas possuem edição limitada. Juros, spread bancário, índices de preços e Comitê de Política Monetária (Copom) são alguns assuntos tratados. O endereço para ir direto é o abaixo, o qual já consultei, com o porém de que estão em Acrobat Reader que é necessário baixar para quem não tem. Mas são ótimas com gráficos coloridos, vale a pena imprimir para consultas posteriores.

http://www.bcb.gov.br/mPag.asp?perfil=1&cod=1365&codP=498&idioma=P

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Rosane de Oliveira
07/06/2003


Teste para professores

Ter mantido o provão instituído nas universidades por seu antecessor Paulo Renato Souza foi um dos maiores acertos do ministro da Educação, Cristovam Buarque, neste início de governo. Porque é inconcebível o MEC não ter instrumentos de avaliação da qualidade do ensino nas universidades. Agora, o ministro avança e anuncia um provão para professores, sem se preocupar com a rejeição que a iniciativa de Paulo Renato provocou no meio acadêmico.

É possível que os opositores da idéia venham a queimar bonecos do ministro em passeatas, mas certamente serão mais numerosas as vozes para saudar qualquer esforço de qualificação do ensino público. Em última instância, é para isso que servirá o provão, se o ministro conseguir colocar o plano em prática. Os professores do Ensino Fundamental que, voluntariamente, quiserem se submeter ao teste, concorrerão a bolsas para se aperfeiçoarem.

Se o governo Lula tem mesmo compromisso com a melhoria da escola pública, está na hora de o MEC patrocinar a qualificação dos professores do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Com os salários aviltados, os professores têm extrema dificuldade para bancar a continuidade dos estudos em instituições particulares. O sistema de bolsas permitirá que se aprimorem em suas regiões de origem, sem necessidade de o governo inchar as estruturas das instituições públicas.

Para os recém-formados em cursos de licenciatura o exame será compulsório - o que é ótimo, porque obrigará os cursos superiores a manterem permanente vigilância sobre a qualidade.

A preocupação do MEC com o ensino básico não deve se restringir às escolas públicas. Ainda que as instituições privadas sejam fiscalizadas pelos pais que pagam mensalidades elevadas, é preciso ter instrumentos para avaliar se as crianças têm um nível de conhecimento compatível com a série que freqüentam.
rosane.oliveira@zerohora.com.br

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Ricardo Silvestrin
07/06/2003


O balde

Ia caminhando pela São Carlos e dei de cara com o Bob Esponja. Um bonecão pendurado na vitrina por apenas doze reais. Ele é um personagem da Nickelodeon, uma esponja do mar, mas com formato de esponja de limpeza. Usa uma calça quadrada. Tem aquela inocência que causa pena e riso, estilo o Magro, do Gordo e o Magro, ou os personagens de Jerry Lewis. Vendo o Bob Esponja e outros desenhos inusitados e instigantes da Nick e do Cartoon Network fiquei pensando sobre a criatividade contemporânea. Por onde ela anda?

Vamos ver/ouvir na música popular. A indústria do disco está ficando muito mal-acostumada. Buscar uma nova bunda parece mais rentável do que investir numa nova banda. Fico com o Karnak. André Abujamra e sua turma vêm fazendo uma música livre de verdade, sem pagar pedágio para nenhuma tendência da hora.

Vamos olhar as artes plásticas. Uma das artes mais criativas do século 20 enfrenta hoje um questionamento que vem de gente como Ferreira Gullar, por exemplo. Qual o limite dessa inventividade toda? O que diferencia uma grande obra de um grande engodo? Acho toda essa polêmica legal para que as pessoas possam entrar em crise mesmo e, a partir daí, fazer o novo de novo. Mas continuo votando nas artes plásticas como a mais desreprimida das artes.

Na literatura, parece que o surto de experimentação que marcou o século passado passou. Mas em contrapartida, ficamos com relatos realistas e poemas muitas vezes recareteados. O lance contemporâneo mais digno de Borges foi o plágio do livro do Scliar pelo ganhador do Booker Prize.

Na TV, enquanto o requentado rola solto, o programa Hermes e Renato, da MTV, debocha de tudo, mantendo o senso crítico e a irreverência acesos. A banda heavy metal Massacracion, com o vocalista cantando em falsete, é tudo de bom.

Cinema: recebi um artigo do poeta e jornalista Nei Duclós sobre Matrix. Conseguiu me mostrar algo além dos badalados efeitos de computação, apontando para um debate sobre a descentralização da informação na Internet. Duclós fala que a Internet surgiu durante a guerra fria com o objetivo de não haver um centro que armazenasse e de onde saísse a informação. Terminada a guerra fria, estamos no quadro de hoje. Idéias interessantes, novos artistas, mas também boatos, vírus, pornografia emanam de todos os lugares possíveis. Basta alguém lançar na rede. A questão é se isso continuará assim, livre, auto-regulado, ou se será dominado novamente por um poder central. Em Matrix, o plural foi dominado pelo poder único. Matrix visto pelos olhos do Duclós ganha mais pontos no ranking criativo atual.

Mas o balde, aquele que de tempos em tempos é chutado, parece estar muito tranqüilo no seu lugar. Ou se tem uma arte de mercado, ou uma arte de gente pouco informada, ou de gente informada, mas caretésima. Sugiro ver o Capitão Lento, do Cartoon Network, para tomarmos um gás de irreverência.
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

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Lya Luft
07/06/2003


Nós, os diferentes

O tema do exotismo que os estrangeiros tanto requisitam do Brasil e dos brasileiros me remete a outro preconceito parecido, num momento em que virou moda (ou mania) tentar definir quem é o que e como: gaúchos, nordestinos, mineiros? Em qualquer lugar do Brasil acima do Paraná, é freqüente o tedioso comentário, pronunciado com um misto de lisonja ou ironia: "Vocês lá do Rio Grande do Sul nem são brasileiros, são europeus!"

Não acho nem simpático, nem inteligente, nem elogioso. Mexe com brios que tenho desde criança, quando, numa cidadezinha então povoada sobretudo por descendentes de imigrantes alemães, se falava em um "nós" (os de sobrenome Schmidt, Schneider) e um "eles, os brasileiros" (de sobrenome Silva, Rocha).

Por conta dessa loucura proibiam-se namoros, liquidavam-se amizades, vidas eram podadas, eventualmente grassavam suspeitas de parte a parte. Aos oito anos decidi e anunciei em casa: "Se eu nasci no Brasil, se até minhas avós nasceram aqui, sou tão brasileira quanto minha amiguinha Rosa, ou nossa cozinheira negra Julieta, e acabou-se".

Lembro que foi em um almoço de família, e que os adultos me olharam - não pela primeira nem última vez -, como sempre que aquela menininha de idéias esquisitas questionava alguma coisa que, sem explicação nem fundamento, estava estabelecida. Para eles era assim, "e acabou-se". Mas para mim nada era estabelecido e "acabou-se", se eu não o pudesse entender, ou ao menos sentir firmeza na misteriosa explicação de algum adulto. Muito castigo levei por isso.

Hoje, quando escuto comentários (exóticos) sobre quem é ou não brasileiro, minha resposta é a minha certeza - ou pelo menos a minha particular verdade: sou tão brasileira quanto qualquer negra que vende acarajé nas ruas de Salvador. Diferenças nesse sentido? Bom, a cor da pele e dos olhos; o sobrenome; talvez - não mais necessariamente - diferenças econômicas; e o fato de que os antepassados dela vieram de navio, acorrentados, para trabalhar aqui, e os meus vieram de navio - quem sabe na mesma época - não acorrentados mas quase, em condições dificílimas, também para trabalhar aqui. Em situação não tão extrema, nem privados da liberdade, largados numa região ainda selvagem, muitas vezes ludibriados e maltratados, enfrentando isolamento, doenças, idioma e costumes estranhos.

Os únicos brasileiros de verdade, afinal, seriam os índios (frase também gasta) - de quem conseguimos arrancar quase todos os direitos. De modo que pretender me elogiar, ironizar - ou discriminar - como sendo mais "européia" do que brasileira, me faz lembrar o crítico que, há muitos anos, pensou me agradar afirmando em um artigo: "Ela é mulher, mas escreve com mão de homem".

PS: O preconceito também é uma doença da alma.


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Paulo Sant'ana
07/06/2003


Toque de recolher

Inúmeras vezes me fixei aqui nesta coluna em chamar a atenção para o domínio da delinqüência sobre as comunidades faveladas do Rio de Janeiro.

Sabe-se que o Rio de Janeiro, em matéria de criminalidade, fornece apenas protótipos de conduta delinqüencial para o resto do país.

O arrastão foi modalidade instituída no Rio de Janeiro, em poucos anos estava se manifestando caracteristicamente em Porto Alegre.

Da mesma forma, o assalto a condomínios de apartamentos. Os assaltos aos ônibus e seus passageiros foi também irradiado do Rio de Janeiro, em poucos anos, para Porto Alegre.

Quando o cronista manifesta assim insistentemente a sua preocupação com o que acontece na paisagem criminal carioca, está afirmando que, por metástase, logo em seguida os tipos criminais se transferirão do Rio para cá.

Pois os acontecimentos últimos na Vila Nova Brasília, em Porto Alegre, bairro Sarandi, dão a exata medida de que estamos aos poucos e aos trancos, mas severamente, nos igualando ao Rio de Janeiro em matéria de caos policial para conter o avanço administrativo do crime sobre várias comunidades da capital e seus arredores.

Gangues de jovens armados passeiam ostensivamente pelas ruas e pelos becos da Vila Nova Brasília.

No sábado passado, uma briga entre dois traficantes por um ponto de venda de drogas culminou com um tiroteio que durou seis horas de intenso embate.

Diz um comerciante da Vila Nova Brasília: "As crianças já foram assaltadas indo para a escola. Choram. Têm medo. Por aqui ninguém tem liberdade de ir e vir".

O mesmo comerciante pensa em abandonar a Vila, com medo de criar seus filhos em meio àquele explosivo clima de violência.

"Vivemos a ditadura do tráfico. O Rio de Janeiro é aqui", diz uma auxiliar de enfermagem, que recomenda à sua mãe que não saia de casa sem extrema necessidade e que, quando começarem os tiroteios, deite-se no chão.

No sábado do tiroteio, os líderes do tráfico na Nova Brasília bateram às portas das casas e recomendaram aos moradores que não saíssem à rua depois das 19h para não serem atingidos pelos enfrentamentos a bala.

Ou seja, está implantado em Porto Alegre, como já aconteceu no ano passado no bairro Rubem Berta, o toque de recolher das comunidades, conforme cobertura insistente que vem fazendo sobre esses acontecimentos o Diário Gaúcho e a Rádio Gaúcha.

Em tudo, sobre crime e tráfico de drogas, Porto Alegre se aproxima das favelas do Rio de Janeiro.

São tão imensas as legiões que se dedicam ao tráfico de drogas e ao exercício de gangues, que as forças policiais capitulam.

Há muito mais gente dedicada ao crime e à rebeldia social do que policiais. E estas legiões estão encravadas nas comunidades, passando a administrá-las em matéria de segurança pública, aliás, de insegurança pública.

Chamada ocasionalmente para atender ocorrências, a polícia lá comparece para se deter sobre eventos. Mas a dinâmica social transcende os eventos, ela é permanente. E a rotina dessas comunidades é marcada, obviamente, pela ausência da polícia, com o que os agentes do crime vão tomando conta dos territórios e impondo o seu poder e sua lei.

Toque de recolher em bairros e vilas de Porto Alegre. O medo silencia os moradores e os torna complacentes súditos dos criminosos.

O Rio de Janeiro nos parece tão distante. Mas ele se repete todos os dias aqui no nosso meio.

Eu nunca tinha visto uma reviravolta tão grande em tão pouco tempo no meio social brasileiro: é uma guerra e é uma insurgência.

E a vitória, todos os dias, em todas as horas, pertence às forças do mal.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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David Coimbra
07/06/2003


Sem timoneiro

Em 1957, Mao Tsé-tung decidiu que a China se transformaria no maior produtor de aço deste imenso vale de lágrimas. Queria superar a Grã-Bretanha, os Estados Unidos, queria ser o número 1. Acalentava a idéia doce e mágica de que, com uma superprodução de aço, tornaria a China potência mundial. Aí mandou que cada um dos então 600 milhões de chineses se empenhasse na produção de aço. Grandes fornos foram incrustados nos pátios das escolas e das fábricas, nas ruas das cidades, no agreste distante. Os estudantes e os professores pararam as aulas. Saíam pelas ruas procurando rebites, pregos, parafusos, clipes, tudo que pudesse ser jogado nas fornalhas para ser fundido em aço. Os comerciantes, os industriários e os agricultores eram obrigados a cessar suas atividades para fazer aço. Havia quotas de aço a serem preenchidas, bem como quotas de lenha para alimentar as fornalhas.

Como os agricultores abandonaram as colheitas, os alimentos começaram a escassear. Mao destinava a maior parte da produção para as cidades. Assim, a fome grassou no campo. Em menos de um ano, cerca de 30 milhões de chineses morreram de inanição, a maioria camponeses que, de acordo com os dirigentes comunistas, deveriam ser os principais beneficiários da revolução que derrubara Chang Kai-chek. Aquela tragédia ficou conhecida pelos chineses simplesmente como A Fome. Décadas mais tarde ainda falavam da Fome como se fosse uma entidade. Ou um fantasma. Tudo por causa de uma única medida equivocada do Grande Timoneiro Mao.

Um único erro.

Mao continuou errando durante sua trajetória assassina como ditador da China. E, por conta disso, os chineses continuaram sofrendo torturas, humilhações e morte. Mao era um guerrilheiro competente, um general brilhante, um homem de ação. Mas, como administrador, não passava de um fracasso rotundo.

É assim. Basta um administrador incompetente para que o direito entorte e o certo vire errado. O Grêmio está nesse caminho. Usando ainda a metáfora marítima que tanto agradava ao Grande

Timoneiro, claro está que o Grêmio é um barco à deriva. Não tem timoneiro algum, não tem comando, não tem idéias, nem planejamento.

O presidente Flávio Obino é um homem cordato e competente, já demonstrou eficiência em outras áreas, mas agora está pecando por inação. O presidente Flávio Obino precisa agir com força e já. Precisa ser decidido. Precisa ser direto e rascante. Ou colocar ao seu lado alguém que assim seja. Antes que o ano do centenário seja também conhecido como o Ano da Fome.

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Arte
Mundo dos bonecos encanta crianças na Serra



As atrações do fim de semana de encerramento do 15º Festival Internacional de Teatro de Bonecos, em Canela, incluem um desfile pelo centro da cidade, hoje à tarde, e as apresentações de grupos holandeses e espanhóis (foto Robinson Estrásulas/ZH)


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Sexta-feira, Junho 06, 2003




Esta foto foi-me enviada pelo Gilberto Simon lá do Porto Imagem ver o último link a esquerda ai na página onde existem outros fotos belíssimas, além de outros assuntos interessantes lá no novo site deles. O título é a Lua de Floripa. Tenham todos uma ótima noite e amanhã a gente se encontra logo cedinho se Deus quiser e Ele há de querer.

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Esta é a capa da Revista Isto É deste fim de semana e as manchetes principais estão abaixo.

BRASIL

OS ABACAXIS DO PRESIDENTE
Além de convencer críticos de que não repetirá política de FHC, Lula tem de aplacar a fúria dos juros

A JURISPRUDÊNCIA DO GRAMPO
STF usa nova lei para processar deputado sem aval da Câmara

TEM PEIXE NA REDE
Empresários de futebol são presos pelo escândalo dos fiscais

ISTOÉ SÃO PAULO

AMORES IMPROVÁVEIS
A história de casais muito diferentes que deram certo
As dicas de roteiros

COMPORTAMENTO

AS NOVAS MORENAS
Acabou o reinado das loiras! A cor do inverno é castanho-escuro

MUNDO

CONTROVÉRSIA
Midia americana pode virar grande monopólio

CIÊNCIA E TECNOLOGIA

AMAZÔNIA EM TRANSE
Clima da floresta poderá ser tão árido quanto o de Brasília

PLANO DE VÔO
Ministro fala a ISTOÉ sobre o acordo espacial com a Ucrânia

TESTES

HUMANOS OU ROBÔS?
Teste se você está mais para super-homem ou C3PO

PET: qual bicho é ideal para você?

CÃES: que cachorro você é?

INTUIÇÃO: Você tem 6º sentido?

SEXO: até quando vai durar seu apetite

ECONOMIA E NEGÓCIOS

CHEGOU, BRILHOU
Parceria de Guanaes com Assolan faz da esponja de aço um sucesso

AQUI É LEGAL
Publicitários em Cannes tentam seduzir agências estrangeiras

QUEM DIRIA...
Reunião de biliardários discute o maior sofrimento da humanidade

MEDICINA E BEM-ESTAR

ATAQUE DIRETO
Pesquisa comprova que bloquear vasos é uma saída para inibir tumores

REGRESSO À CIDADANIA
Enfermos aptos a voltar para casa começam a deixar manicômios

OS MAIS ACESSADOS COMO SERÁ SEU BEBÊ
Calcule as chances de seu pimpolho, prestes a nascer, puxar pelo pai ou pela mãe

GUIA DE POSIÇÕES SEXUAIS:
Bonecos mostram o que fazer

GRAFOLOGIA: Confira se a sua letra revela mesmo seu perfil

HIERÓGLIFOS: Escreva seu nome à moda dos faraós

REFLEXOLOGIA
Dor em pontos nas solas dos pés revela problemas de saúde

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Aprendendo a Amanhecer...

Todo dia é um novo dia,
cheio de novas possibilidades,
novas pessoas e novas propostas.

A vida é um banquete.

Se fechamos os olhos e ouvidos
não conseguimos ver,
nem escutar os sons e imagens
que acontecem ao nosso redor.

Se fecharmos as portas do coração,
somos incapazes de sentir afeto,
amor e gratidão.
Deixamos assim,
o trem da existência passar,
enquanto pensamos nas perdas do passado
e nas possibilidades do futuro.

A Vida é AGORA.

É essa tendência boba de pensar só nas
perdas que nos faz perder ainda mais.
Por mais que a gente queira, ou não,
as coisas vão continuar acontecendo.
Como um novo dia.
Amanhecendo...

Autor desconhecido

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Faz algumas semanas era para ter um almoço que por algumas circunstâncias não ocorreu. Depois, foram passando outros dias e completando outras semanas e este almoço até agora, ainda não aconteceu. E hoje sexta-feira mais uma semana encerra-se, deixando a esperança para que ele ocorra na próxima que virá. Sim porque, afinal sempre que uma semana finda, inicia-se por sua vez, outra semana. E ainda bem que é assim.

A i n d a

Não digamos "não", nem "nunca mais"...
não digamos "sempre" ou "jamais"...
digamos, simplesmente: "ainda"!...

Ainda nos veremos um dia...
Ainda nos encontraremos na estrada da vida...
Ainda encontraremos a pousada,
o afeto almejado, a guarida...

Ainda haverá tempo de amar,
sem medo, totalmente... infinitamente...
sem ter medo de pedir, de implorar,
ou chorar...

Ainda haverá tempo,
para ser feliz novamente...
Ainda haverá tristeza,
ainda haverá saudade,
ainda haverá primavera,
o sonho, a quimera...

Ainda haverá alegria,
apesar das cicatrizes...
Ainda haverá esperança,
porque a vida ainda é criança...
e amanhã será outro dia!...

Ainda ficaremos juntos
Ainda nos amaremos mais...
Amo você mas isso não é ainda...

Será para sempre e
Não te esquecerei jamais!

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36.000 ACESSOS

Nestas trinta e seis semanas de existencia neste endereço ENTRELAÇOS chega aos 36.000 pages wiews. Pode não ser relevante, mas também pode ser e muito. Assim escrevo, que de toda a sorte é muito gratificante chegar a esse número, para algo que quando iniciei, jamais havia sonhado ou pensado chegar a tanto.

Assim me emociono e me encanto com a gentileza e paciência de voces, que são as pessoas que diariamente me visitam por alguma razão, enfim. Podem crer, sempre me esforçarei e darei o melhor de mim para que vocês continuem vindo aqui e recebam, com carinho, um grande beijo no coracão de cada um. Thanks meus caros leitores amigos.

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Gestor: R$ 3.433
A Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento prepara abertura de concurso para seleção de analistas de Orçamento, gestores e especialistas em Políticas Públicas. Serão oferecidas 160 vagas, sendo 90 para o cargo de gestor. Os novos servidores ficarão vinculados ao Ministério do Planejamento, mas serão distribuídos em outros ministérios. Do total, 70 vagas serão para analista de Orçamento. Os vencimentos, incluídas gratificações, chegam a R$ 3.433.

O concurso terá duas etapas. A primeira delas será a de provas escritas e avaliação de títulos, ambas eliminatórias e classificatórias. Os aprovados farão a segunda fase, que é o curso de formação, na Escola Nacional de Administração Pública (Enap), recebendo bolsa equivalente a metade do salário. O calendário do concurso será divulgado nos próximos dias, com o lançamento do edital. As inscrições poderão ser feitas pela Internet.

Oficiais da Aeronáutica
A Aeronáutica inscreve até dia 18 interessados ao estágio de adaptação de Oficiais Temporários. São 140 vagas para profissionais das áreas de Engenharia, Arquitetura, Fonoaudiologia, Pedagogia, Psicologia, Direito, Nutrição, Serviço Social, Enfermagem e outras. A idade limite é de 42 anos. A taxa de R$ 50 deve ser paga no Banco do Brasil (agência nº 3602-1, conta nº 170.500-8), em favor do Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica. O edital está disponível na Internet, no site http://www.fab.mil.br/ingresso. Outras informações podem ser obtidas pelos telefones (31) 3490-5098 e 3490-5066.

Cursos de auxiliar e garçom
O Restaurante-escola do Palácio Guanabara, da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), abriu inscrições para cursos profissionalizantes de auxiliar de cozinha e garçom. Serão 60 vagas, sendo 30 para cada especialidade. Para se inscrever, é preciso ter no mínimo 17 anos e a 5ª série do Ensino Fundamental. Interessados devem procurar o Centro de Referência e Informação da escola, das 8h às 17h, com uma foto 3x4, identidade, CPF, além de comprovantes de residência e escolaridade. O restaurante fica na Rua Pinheiro Machado s/nº (prédio anexo ao Palácio Guanabara), em Laranjeiras.

Petrobras
A Petrobras recebe até dia 13 inscrições de jovens que concluíram o Ensino Médio ou cursos técnicos profissionalizantes. A empresa vai preencher 78 vagas no cargo de Operador I, sendo 37 em Duque de Caxias. O salário é de R$ 876, mas poderá chegar a R$ 1.708, com acréscimo de adicional de periculosidade. A empresa oferece alimentação, auxílio-educação, assistência médica e odontológica. A taxa, que é de R$ 30, deve ser paga na Caixa Econômica Federal.

Uma das agências fica na Avenida Rio Branco 39, Centro do Rio. A prova está marcada para o dia 20 de julho. Os candidatos vão responder a questões de Português, Matemática, Noções de Informática, Atualidades e Conhecimentos específicos. O edital está no site http://www.cespe.unb.br/petro2003.

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Desconto nos contratos
Milhares de mutuários no País poderão se livrar dos saldos devedores impagáveis já este ano
Cristiane Campos

Os 176 mil contratos habitacionais da Caixa Econômica Federal que estão chegando ao fim com saldos devedores impagáveis serão liquidados com descontos. Uma das alternativas estudadas é o método de quitação praticado pela Empresa Gestora de Ativos (Emgea), criada para administrar os contratos em desequilíbrio da Caixa. Nesse caso, seriam cobrados 12% do valor de mercado do imóvel. Para se ter idéia, a Emgea já concede o desconto para unidades avaliadas em R$ 5 mil. O mutuário paga R$ 600 e liquida a dívida.

O assunto começou a ser discutido em audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Urbano e Interior da Câmara dos Deputados, e contou com participação dos ministérios das Cidades e Fazenda, Caixa, Emgea e associações de mutuários.

A deputada Francisca Trindade (PT-PI) disse que o Governo tem urgência e até o fim do ano uma decisão será tomada. ¿Temos que focar o social, e não o retorno financeiro. A idéia é elaborar uma proposta para liquidar esses contratos sem prejudicar ainda mais os mutuários¿, explicou Francisca. Segunda ela, foi criado um grupo de trabalho para estudar a forma de estender a Lei 10.150. Ela perdoa o saldo devedor de mutuários que assinaram contratos com cobertura do Fundo de Compensação das Variações Salariais (FCVS) até 31 de dezembro de 1987. O plano é estendê-la para os financiamentos assinados entre 1988 e 1994.

Temos que rediscutir o papel da Emgea, porque somos um novo Governo, lembrou a deputada. Outro ponto tratado na audiência foram os leilões extrajudiciais que a Emgea vem fazendo. Só no Ceará, são 4 mil execuções. A idéia é suspender esses leilões enquanto não chegamos a um acordo, disse a deputada.

O secretário Nacional de Habitação, Jorge Hereda, concorda com a suspensão, mas destacou que é necessário verificar a forma legal para implantar a medida. O consultor-jurídico da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), Rodrigo Daniel dos Santos, acredita que o fim do pesadelo dos saldos devedores impagáveis está perto. Pela primeira vez, houve convergência de interesses. Antes, apresentávamos o assunto, mas o Governo só queria lucro. Agora, a visão é outra, comentou Santos. Um dos problemas para tanta urgência é que a inadimplência está elevada. Somente nos contratos da Caixa repassados para a Emgea, o índice chega a 44%.

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O rock resiste
Festas e shows dedicados ao bom e velho roquenrol têm público cativo nos quatro cantos da cidade
Eusébio Galvão


O trio Roga, Wilson Power e Edinho mantém a Alien Nation desde 97, sempre com discotecagem rock. A festa acontece toda sexta-feira na Bunker. Eles antecipam as novidades em http://www.aliennation.com.br

Morrer, ele nunca morreu. O rock pode até nem ser mais tão badalado nas pistas, mas sumir, jamais. Prova disso são os espaços que o Rio oferece a quem gosta do ramo. Alguns conhecidos, com bela infra-estrutura, como a recém-reformada Bunker. Outros, no peito e na raça, na casa dos idealizadores, como o Rock na Varanda. E aqueles com ar de fã, como o Florença Rock, que domingo traz o Ratos de Porão para o Rio. Todos na luta em prol de guitarras, baixos e baterias.




Gabriela Al-cici, Leandro Shonfclder, Tatiana Fake e Rafael Valverde batem ponto em noites roqueiras como a da Nautillus

A cena rock não acaba nunca. Pode cambalear, mas não cai. Sempre vai existir um bar pra juntar uma turma e em pouco tempo aquilo vira point, acredita o publicitário Jorge Esquerdo, 30 anos, ele mesmo assíduo freqüentador de redutos pela cidade afora. Jorge até já comprou antecipado ingresso para o show do Ratos de Porão, depois de amanhã.

É mais ou menos a mesma opinião que têm as amigas Debora Birocchi e Laura Dias, ambas de 17 anos, que na noite de domingo se esbaldavam num show do Nocaute no Existe Um Lugar, no Alto da Boa Vista. É bom ir aonde você possa ouvir o que gosta e se expressar como quiser, diz Debora. A dupla bate ponto todo sábado na Rua Ceará, berço do Garage, esteja ele funcionando ou não Se não tem Garage, toca-se no chão de um bar mesmo e sempre tem uma banda disposta a isso pra alegrar os presentes, emenda Jorge.


Raos de Porão: show no domingo

É para pessoas assim que os DJs Edinho, Wilson Power e Roga trabalham há 15 anos, desde os tempos do Crepúsculo de Cubatão. ¿Fazendo a coisa certa, a idéia anda¿, diz Wilson, que atribui o sucesso da festa Alien Nation (que mantém com Edinho e Roga) à combinação de amor pelo rock e infra-estrutura de primeira. Ar condicionado, banheiros legais e bebidas com preço digno, completa. Seu companheiro Edinho está empolgado com a nova etapa da festa, que encampou a London Burning também na Bunker e apresentará shows toda semana. Eu tenho banda e sei o quanto está difícil um lugar legal para tocar, desabafa. A vocalista da banda Chantilly, Tatiana Fake, 27, que prestigiou a Allien Nation sábado, na Nautillus, agradece. Quem vai a esses lugares é por causa da música. O mais legal é que os DJs pesquisam coisas novas sempre, diz.

Foi para abrir espaço aos novos que se ergueu a Casa da Zorra, no Engenho de Dentro. Estamos abertos e funcionando bem. Não é porque é underground que tem que ter banda ruim, destaca o produtor Luciano Pereira.

Promoção: Os 10 primeiros que apresentarem este jornal na bilheteria da Bunker 94, a partir das 22h de hoje, ganham dois ingressos. Os cinco primeiros que ligarem para 0800-909021, entre 11h e 11h15, levam dois convites para o show do Ratos de Porão.

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JOSÉ SIMÃO
simao@uol.com.br


Buemba! Sheila Mello trai as louras!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Alta Traição! Sheila Mello pinta o cabelo de ruivo! Mas continua loira de coração! E sabe o que é a Sheila Mello pintar o cabelo loiro de ruivo? Inteligência Artificial! E como é que trai as louras assim? Como é que abandona a piada? Loira pra mudar a cor do cabelo tem que fazer plebiscito! Ela tinha que continuar loira e fazer como a Carla Perez: que escreveu ACM com 'C' cedilha, AÇM!

E agora eu quero saber uma coisa importantíssima: ela pintou TUDO de ruivo? Senão ela vai ficar parecendo táxi argentino: uma cor em cima e outra embaixo. Rarará! Temos que esperar a próxima 'Playboy'! E será que não fazia parte do contrato? Saiu do É o Tchan não pode ser mais loura! É mole? É mole, mas sobe!

E o Zé Alencar? O Zé Alencar parece o Toppo Giggio! E diz que ele se anuncia assim: 'Meu nome é José Alencar, J de Juros e A de Altos'. E por que ele não fez um JURAmento de silêncio? E diz que o Zé Dirceu vai dar uma gelada no Zé Alencar: embaixador no pólo Norte. Ou então assessor do Itamar. Aliás, sabe qual a diferença entre o Itamar e o Zé Alencar? O topete! E sabe por que o Lula se encontrou com o Zé Alencar na Base Aérea de Brasília? Pra mandar o mineiro pro espaço!

Buemba 2! Lula é vaiado na CUT! O Lula sendo vaiado na CUT só pode ser VAIA AMIGA! Deixa eu entender: o hóme tem 78% de aprovação e é vaiado? Vaia Amiga! E aí o vice da CUT, Wagner Gomes, disse que foi uma vaia residual. E o que diabos quer dizer vaia residual? Já sei, vaia simples: ÚÚÚÚ! Vaia residual: Ú!

E a Hebe? A minha Lourebe Camargo! Recebeu da Fiam o título de professora honoris causa. Errado. Devia ser perua honoris causa! Rarará! E olha essa notícia bombástica: 'Bordel americano faz promoção para veteranos de guerra'. Tradução: mate um iraquiano e fature uma coelhinha! Só pode ser!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que um amigo entrou num restaurante em Lagoa da Prata, Minas, quando leu no cardápio: 'galináceo do campo'. Tucanaram a galinha caipira! Pior, um amigo estava andando quando viu uma casa com um São Jorge iluminado e a placa 'orientador espiritual'. Tucanaram o macumbêro. Socorro. Chama o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês!

E atenção. Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Extraído': companheiro que não é mais chifrado, companheiro que deixou de ser corno. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Email simao@uol.com.br

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David Coimbra
06/06/2003


O bigode e o mocotó

Há duas coisas que as mulheres de hoje detestam: bigode e mocotó. O que diz muito sobre elas. Voc