E N T R E L A Ç O S Testando cor de fundo
E N T R E L A Ç O S

Sábado, Junho 14, 2003




Maluquinhos

Inspirado na convivência com o filho Gabriel, Felipe Camargo adapta e dirige nova montagem do clássico de Ziraldo, que estréia hoje, na Gávea
Ana Lúcia do Vale

Era uma vez dois meninos maluquinhos: um grande e um pequenininho. Os dois tinham o olho maior que a barriga, vento nos pés, umas pernas enormes e muitos, muitos macaquinhos no sótão. ¿Somos maluquinhos sim¿, diz rindo Gabriel, de 10 anos, filho de Felipe Camargo, 42 anos, e Vera Fischer, 51, que deixou o pai cheio de idéias depois de receber a tarefa de ler na escola o best-seller de Ziraldo O Menino Maluquinho ¿ que já vendeu 2,5 milhões de exemplares. As idéias foram tantas, que Felipe não só adaptou, transformando o livro em peça infantil, como dirigiu o espetáculo que estréia hoje às 17h, no Teatro Vannucci, no Shopping da Gávea. ¿O livro do Ziraldo é o roteiro da infância de todos nós¿, diz Felipe.

Escrito em 1980, O Menino Maluquinho já foi adaptado para teatro, televisão e até cinema, por Helvécio Ratton. Para não se influenciar ao contar a história do garoto que faz estripulias, mas sente quando os pais se separam, Felipe preferiu não assistir ao filme. ¿O livro não tinha conflitos nem ação dramática. Coloquei isso e aumentei a cena da separação, que era menor no livro¿, explica Felipe, que, como o filho, também viveu a experiência da separação dos pais (Gabriel aos 4 anos e ele, aos 8). ¿Na maioria das vezes, o casal se separa por gostar de coisas diferentes. Mas o importante é criar um relacionamento amistoso depois¿, acredita.

No cenário do artista plástico Afonso Tostes, à direita do público, entre desenhos feitos por crianças, está lá o de Gabriel, em que ele fez dois ¿Maluquinhos¿ de panela na cabeça: um de patins e outro de skate. ¿Gosto de comédia e o livro tem isso¿, diz Gabriel.

A opinião do filho foi importante para Felipe. O menino assistiu ao ensaio da peça duas vezes. ¿Na primeira, disse que gostou. Na segunda, também usou poucas palavras, mas acrescentou um ¿muito¿. Ele fala pouco, como os meninos da idade, mas tem sensibilidade. Depois, fez várias observações bem pertinentes¿, diz o agora diretor, orgulhoso.

Com 14 atores no palco, Felipe não demorou a achar seu Maluquinho: fez testes e escolheu Jorge Neves, jovem protagonista de Mauá, O Imperador e o Rei, filme de Sérgio Rezende. Jorge acredita que estava meio predestinado para o papel. Nasceu há 23 anos, quando Ziraldo lançou o livro, que foi o primeiro que leu e a primeira peça que viu. Aconselhado por Felipe, não quer fazer uma caricatura infantil.

¿Não tem mentira para criança. Se ela não gosta, começa a gritar e quer logo ir ao banheiro¿, acredita Jorge. E o diretor acrescenta: ¿Procurei fazer a peça com o máximo de respeito às crianças, que são inteligentes e sensíveis. Não temos que dar tudo tatibitate¿. Que sejam felizes, como o Maluquinho foi no livro.

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Compra de imóvel mais ágil com o uso do FGTS
Dinheiro do fundo será liberado em três dias
Cristiane Campos

A liberação do uso do dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para compra da casa própria ficará mais fácil a partir de segunda-feira. A Caixa Econômica Federal substituiu o preenchimento do formulário, que contém cinco vias, pelo Sistema de Utilização do FGTS em Moradia Própria (Siump), totalmente informatizado. O trabalhador terá o dinheiro do fundo liberado em três dias úteis. Qualquer agente financeiro poderá enviar à Caixa suas solicitações de liberação de FGTS através da Internet.

O novo sistema vai permitir a compra de imóvel pronto, em construção, amortização e a liquidação de saldo devedor com uso do FGTS. Segundo o diretor da Caixa, Joaquim Lima, a amortização do saldo devedor será implantada no segundo semestre, porque ainda faltam alguns ajustes no sistema. ¿Para dar mais velocidade ao mercado de compra e venda, será firmado um convênio com os cartórios para diminuir prazos de validação dos documentos, de autorização do saque do FGTS e do registro de propriedade no cartório imobiliário¿, disse Lima.

São 400 mil saques por ano para compra do imóvel

Hoje, o trabalhador leva 30 dias para fazer a operação. Com o novo sistema e o convênio, o prazo será reduzido pela metade. A medida vai contribuir para aquecer o mercado imobiliário, que faz restrições quanto ao uso do FGTS e da carta de crédito, por causa da demora na liberação do dinheiro para o vendedor. ¿Queremos acabar com o preço diferenciado para a compra do imóvel com o FGTS. O serviço de despachantes será dispensado, porque o trabalhador poderá fazer a soliciatação de saque sozinho. O objetivo é baratear o custo final da moradia¿, afirmou Lima.

Anualmente, são feitos 400 mil saques para compra da casa própria ¿ R$ 3 bilhões ao todo. No período de transição, o trabalhador poderá encontrar os dois métodos nos agentes finaceiros, mas, a partir de setembro, só valerá o novo modelo.

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CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2003
Evento avalia atuação de bancos

Debater o papel das instituições financeiras no desenvolvimento social brasileiro é o objetivo do seminário 'Os Bancos, a Engenharia e o Desenvolvimento Nacional'. O encontro é organizado pela Federação Nacional dos Engenheiros e pelo Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul e ocorre nesta segunda-feira e na terça-feira no Centro de Eventos do Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre. Três focos principais de interesse serão abordados no seminário: apresentar a prefeituras e outras instituições os caminhos para que possam ter acesso a linhas de crédito disponíveis para investimentos; apresentar as linhas de investimento e fomento e as prioridades dos bancos públicos; e apresentar as formas de prestação de serviços de engenharia aos bancos.

A programação prevê que o ministro das Cidades, Olívio Dutra, e o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, falem durante a abertura do encontro sobre 'A Política Nacional para o Desenvolvimento Urbano e Rural dos Municípios'. Também participarão diretores dos principais bancos públicos, que apresentarão projetos de desenvolvimento para áreas urbanas e rurais. O evento tem apoio do Banco do Brasil, Banrisul, BRDE, BNDES e Caixa Econômica Federal.

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Martha Medeiros
15/06/2003


Ilustríssimos

Sua família sempre lhe chamou de Guto, tanto que você já nem lembra que nome realmente tem. É Guto pra lá e pra cá. Foi Guto no jardim de infância, Guto no colégio, Guto no clube. Você tem todos os motivos, portanto, para ficar lívido e com as pernas bambas quando sua mãe grita lá do quarto: "Ricardo Augusto, venha já aqui". Ricardo Augusto??? Alguma você aprontou.

Por que cargas d'água somos tratados tão respeitosamente quando alguém está com vontade de nos enforcar? Sua mulher sempre lhe chamou de Beto: só lhe chama de Valter Alberto quando está a ponto de pedir o divórcio. E seu pai só lhe chama de Ana Beatriz quando avisa que a mesada será cortada. Por que cortar a mesada da sua Aninha, papai? A senhora sabe muito bem. Você acaba de virar senhora com 14 anos.

Recebo um monte de e-mails carinhosos que começam com um simples Martha, ou Cara Martha, ou Prezada Martha, uma intimidade natural, já que de certo modo participo da vida das pessoas através do jornal. Mas quando entra um e-mail intitulado Dona Martha, valha-me Jesus Cristo. Respiro fundo porque já sei que vão me detonar de cima a baixo, vão me chamar das coisas mais horríveis, vão me humilhar até me reduzirem a pó. Mas leio tudo, pois lá no finalzinho encontrarei o infalível "Cordialmente, fulano." Cordialmente é ótimo. Cordialmente, fui esculhambada.

E quando chega uma correspondência pra você em que no envelope está escrito Ilustríssima? Penso três mil vezes antes de abrir. Mas abro, mesmo sabendo que não é convite pra festa, pré-estréia de filme, desfile de moda, sessão de autógrafos ou inauguração de restaurante. Ilustríssima? Só pode ser convite para palestra de algum PhD em física quântica, para comemoração do bicentenário de uma loja de molduras ou convocação para reunião de condomínio. Os ilustríssimos não merecem se divertir.

Agora, pânico mesmo, só quando me chamam de Vossa Excelência. Como não sou o Presidente da República, volto a pensar três mil vezes antes de abrir a correspondência, mas resolvo não abrir coisa nenhuma. Só pode ser do Judiciário. Intimação pra depor.
martha.medeiros@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
15/06/2003


O dia 16 de junho é dedicado ao livro "Ulysses", de James Joyce
Foto(s): divulgação, Agência RBS/ZH

Um dia, um livro

Este dia 16 de junho é o Bloomsday, o Dia de Bloom. Quem foi Bloom? Um santo, como Santo Antônio ou São Jorge? Um mártir, como Tiradentes? Um herói, como Zumbi dos Palmares? Não. Leopold Bloom nunca existiu. Ele é o personagem literário do romance Ulysses, de James Joyce, cuja ação se passa em uma única cidade, Dublin, em um único dia, 16 de junho de 1904. Desde então os admiradores de Joyce, que hoje são legião, reúnem-se neste dia para uma verdadeira maratona de homenagens ao grande escritor, uma tradição que, aqui no Brasil, foi lançada pelo poeta e crítico paulista Haroldo de Campos.

O que torna Ulysses uma obra cult na literatura? A história, aparentemente, nada tem de sensacional, não é uma intriga mirabolante. Baseada, como o próprio nome do livro o indica, na Odisséia de Homero, gira basicamente em torno a três personagens: Stephen Dedalus, que está procurando o pai, Leopold Bloom, coletor de anúncios, e sua infiel esposa, Molly Bloom. Ao longo do dia, vários incidentes se sucedem, e, para narrá-los, Joyce usa uma linguagem completamente inovadora. Ele não se restringe ao inglês habitual, mas inventa constantemente palavras, o que se constitui num fascinante desafio para o leitor - Joyce disse que uma pessoa poderia dedicar a vida a ler e interpretar o seu livro, o que pode parecer exagero de autor orgulhoso, mas não o é. Traduzi-lo é uma tarefa gigantesca, como tem dito o nosso mestre Donaldo Schüler, que trabalha uma outra obra de Joyce, o Finnegans Wake.

É na verdade um trabalho de recriação. Ulysses foi traduzido por um outro mestre do idioma, Antonio Houaiss (isto mesmo, aquele do dicionário Houaiss), que teve, também, de recriar numerosos vocábulos. Tão difícil era o inglês de Ulysses, que os próprios tipógrafos se atrapalhavam; cerca de 1200 erros foram achados quando se comparou a obra impressa com o original. Muitos desses erros certamente foram objeto de grande reflexão por parte dos especialistas, o que faz lembrar uma historinha ocorrida aqui em Porto Alegre, com um filme de Jean-Luc Godard. Projetada em pré-estréia, a obra parecia incompreensível, mas logo surgiram teorias sobre o "sentido do tempo" em Godard, teorias que geraram muita discussão. Mas então se descobriu: o operador do cinema simplesmente tinha trocado a ordem dos rolos.

Publicado em 1922, o mesmo ano da Semana de Arte Moderna no Brasil, Ulysses representou, como esta, um escândalo literário. Rotulado como indecente, foi até objeto de uma ação judicial, sem falar em críticas contundentes: Virginia Woolf lamentou a "obsessão cloacal" de Joyce. O tempo mostrou, contudo, que se tratava de uma autêntica obra-prima. Meus dois trechos favoritos são primeiro aquele em que Joyce narra um trajeto feito por Bloom e Dedalus sob a forma de perguntas e respostas, como num catecismo ("Que reminiscências fizeram temporariamente franzir sua testa?

Reminiscências de coincidências, verdade mais estranha que ficção...") e depois, naturalmente, o monólogo final de Molly semiadormecida, páginas e páginas de fluxo de consciência, sem pontos, sem vírgulas, com um final comovedor ("puxei-o para mim de tal modo que pudesse sentir meus seios perfumados sim e seu coração batia loucamente e sim eu disse sim farei Sim.")

Sim. Atrás do Bloomsday há uma história de amor. Foi em 16 de junho de 1904 que Joyce levou a passear por Dublin Nora Barnacle, camareira de um hotel, por quem estava apaixonado. Casaram, e ela o acompanhou por várias cidades européias, onde Joyce lecionou inglês (inclusive para Italo Zvevo, o autor do fantástico A Consciência de Zeno). Como muitos escritores, Joyce tinha com sua cidade (e seu país) um caso de amor e ódio. Caso este que ele soube transformar numa obra-prima da modernidade literária.

Recado - falando em livro, em Saturno nos Trópicos menciono Robert Burton, autor de A Anatomia da Melancolia, que todo o mundo confunde com Richard Burton. Mas não se chateiem: no próprio livro este erro passou despercebido da revisão.

scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
15/06/2003


Os taxistas condenados

Dói na alma assistir à sorte do taxista Osvaldo Mazoni, com 68 anos, assassinado na noite de quinta-feira última na Vila Nova, enquanto fazia uma corrida para um casal de criminosos.

Ele apanhou seus assassinos no Shopping Praia de Belas, onde fazia ponto, sendo baleado na nuca e na perna num acesso sem saída da Vila Nova, permanecendo seu cadáver dentro do carro, com os algozes fugindo, depois de roubarem-lhe sua carteira com pequena quantia em dinheiro.

Um crime brutal, desnecessário e bárbaro.

Duas horas antes, na noite da mesma quinta-feira, outro taxista, Joci Leonel de Moura, com 60 anos, foi assaltado na Restinga Velha (mesma direção da Vila Nova), sendo baleado na boca. Até sexta-feira estava internado em estado grave no Hospital Moinhos de Vento, podendo vir a falecer.

Não conheço o caso dos outros municípios, dos outros Estados, nem dos outros países. Mas posso afirmar que não há profissão no mundo em que se corra maior risco de vida do que ser taxista em Porto Alegre.

A questão é aritmética: sabem por que é muito difícil acertar na Mega Sena? Porque concorrem junto com cada apostador que gasta R$ 1 em seu boleto outras 20 milhões de apostas idênticas. Concorrer contra 20 milhões é não ter quase a mínima chance.

Da mesma forma, com a loteria federal. Concorrem 100 mil bilhetes contra o bilhete da gente. É muito difícil ser premiado.

Pois bem, mas se apenas 400 apostas concorressem tanto na Mega Sena quanto na loteria federal, a chance de os apostadores se tornaria muito maior.

Quem apostasse em uma loteria qualquer que tivesse apenas 399 concorrentes contra si, se persistisse nessa aposta durante um, dois ou três anos, acabaria acertando no prêmio maior.

Porque isso é aritmético, é estatístico.

Pois é esta chance de ser afinal o grande vencedor de uma loteria que tenha apenas 400 apostadores, em um, dois ou três anos, que tem em realidade um taxista de Porto Alegre de vir a ser assaltado e assassinado, se trabalhar à noite.

É óbvia a explicação: 400 motoristas de táxi trabalham à noite em nossa capital, contra 4 mil que trabalham durante o dia.

Sendo assassinados de oito a 10 taxistas por ano em nossa cidade, às vezes mais, às vezes menos, o taxista que trabalhar entre cinco e 10 anos, durante a noite, aqui, será assassinado obrigatória e matematicamente. Isso se tiver sorte, porque se tiver azar pode ser assassinado no primeiro mês de trabalho à noite.

O leitor pode achar que isso é um exagero, mas não é. Esse taxista que foi assassinado na quinta-feira e o outro que está por morrer e foi também assaltado na mesma noite, tinha o primeiro 68 anos, cerca de 25 anos de profissão, o segundo tem 60 anos, mais de 20 de profissão. Era absolutamente esperado que sofressem esses ataques.

Porque assassinados são oito ou 10 taxistas por ano. Mas assaltados são cerca de 3 mil os taxistas, por ano, em Porto Alegre, quase 10 por dia.

Tanto que sempre que entro num táxi pergunto ao taxista quantas vezes ele foi assaltado. E não raro a maioria dos profissionais que entrevisto já foram assaltados de cinco a 10 vezes, dependendo do número de anos de trabalho que ostentam.

Agora coloque-se o leitor na pele dos familiares dos motoristas de táxi que trabalham à noite. E na pele dos próprios taxistas.

Eu converso com eles. São homens marcados para morrer no serviço. É fatal que isso aconteça, a menos que mudem de profissão.

Não tem jeito de evitar. É impossível selecionar as corridas. Já são poucos os clientes da noite, se forem se recusar a fazer corridas na atmosfera noturna, que quase sempre não inclui pessoas que estão se dirigindo para o trabalho, para os shoppings ou para os bancos, seus rendimentos, que já são poucos, reduzem-se terrivelmente ainda mais.

Ser motorista de táxi à noite em Porto Alegre é estar incluído na proporção inversa da Mega Sena: não ser assassinado em um, dois ou três anos será como ganhar o primeiro prêmio da loteria.

Vai morrer ali adiante. E é tremendamente sinistro que pessoas que ganham mal, que não possuem seguro de vida, que estejam nessa profissão para defender a sua sobrevivência, que se atiram para as noitadas de trabalho por absoluta necessidade, tal a imensa probabilidade de que serão assaltados, podendo ser assassinados, tanto que 90% dos taxistas não trabalham à noite em face do perigo que isso encerra e da probabilidade matemática de que perderão suas vidas, tenham de pagar esse tributo.

Mas alguém precisa ser taxista à noite. E cabem a esses mártires anônimos da comunidade o risco, o perigo e, pela estatística, a fatalidade de ter de trabalhar à noite.

Que vida tensa e arriscada levam estes homens. Que destino! Que sorte madrasta a dos homens que, vergastados pela necessidade, possuem a quase certeza que vão morrer no trabalho.

É um holocausto moderno e urbano. Uma barbárie e um genocídio.

Ergam junto ao Laçador uma estátua aos taxistas noturnos. Ninguém merece mais esta homenagem que estes nossos adrede condenados.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
15/06/2003


A cláusula do elevador

Porque eram precavidos, porque queriam que sua união desse certo, e principalmente porque eram advogados, fizeram um contrato nupcial. Um instrumento particular, só entre os dois, separado das formalidades usuais de um casamento civil. Nele estariam explicitados os deveres e os compromissos de cada um até que a morte - ou o descumprimento de qualquer uma das cláusulas - os separasse.

Passaram boa parte do noivado preparando o documento. Tudo correu bem até chegarem à cláusula que tratava da fidelidade. Ele ponderou, chamando-a de "cara colega", entre risadas (estavam na cama), que a obrigação de ser fiel deveria constar do contrato, claro, desde que a cláusula correspondente permitisse uma certa flexibilidade.

- Vejo que o nobre causídico advoga em sem-vergonhice própria - brincou ela, cutucando-o.

- Não, não - disse ele. - Só acho que devemos levar em consideração as hipóteses heterodoxas. As eventualidades aleatórias. As circunstâncias atenuantes. Em outras palavras, as oportunidades imperdíveis.

E exemplificou:

- Digamos que eu fique preso num elevador com a Luana Piovani.

- Sei.

- Só eu e ela.

- Certo.

- Depois de 10, 15 minutos, ela diz "calor, né?" e desabotoa a blusa. Mais 10 minutos e ela tira toda a roupa. Mais cinco minutos e ela diz "não adiantou" e começa a abrir o zíper da minha calça...

- Sim.

- O contrato deveria estabelecer que, em casos assim, eu estaria automaticamente liberado dos seus termos restritivos.

Ela concordou, em tese, mas argumentou que a licença pleiteada deveria ser mais específica, rechaçando a sugestão dele de que o inciso expiatório se referisse genericamente a "Luana Piovani ou similar". Depois de alguma discussão, ficou decidido que ele estaria automaticamente liberado da obrigação contratual de ser fiel a ela no caso de ficar preso num elevador com a Patrícia Pillar, a Luma de Oliveira ou uma das duas (ou as duas) moças do Tchan, além da Luana Piovani, se o socorro demorasse mais de 20 minutos.

Isso estabelecido, ela disse:

- No meu caso, deixa ver...

- Como, no seu caso?

- No caso de eu ficar presa num elevador com alguém.

- Defina "alguém".

- Sei lá. O Maurício Mattar. O Antônio Fagundes. O Vampeta.

- O Vampeta não!

- É só um exemplo.

- Não pode ser brasileiro!

- Ah é? Ah é?

Foi a primeira briga deles. Ele se considerava um homem moderno e um escravo da Justiça, mas aquilo era demais. Não conseguia imaginar ela presa num elevador com um homem irresistível, ainda mais com a absolvição pelo adultério garantida em contrato.

Sugeriu o Richard Gere. Ela não era louca pelo Richard Gere? O Richard Gere ele admitia. Ela achou muito engraçado. As chances de ela ficar presa num elevador com o Richard Gere eram muito menores do que as chances dele de ficar preso com a Luana Piovani, que morava no Brasil, ora faça-me o favor.

- Então, o Julio Iglesias.

- O quê?!

- O Julio Iglesias vem muito ao Brasil.

- Eu tenho horror do Julio Iglesias!

- Bom, se você vai começar a escolher...

Finalmente, chegaram a um acordo. Ele ainda relutou, mas no fim se viu sem nenhuma objeção convincente. Ela estaria liberada de ser fiel a ele se um dia ficasse presa num elevador com o Chico Buarque. Mas só com o Chico Buarque. E só se o socorro demorasse mais de uma hora!

Publicado no dia 7 de março de 1999. Luis Fernando Verissimo está de férias.

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Município
Cidade gaúcha, sotaque uruguaio

Gaúchos de Chuí têm suas vidas estreitamente ligadas ao Uruguai, como os irmãos Maurício e Bruna (foto) que estudam no país vizinho (foto Nauro Júnior/ZH)

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DIOGO MAINARDI
O nosso Berlusconi

"Lula é igual a Berlusconi. Pouco a pouco, os italianos estão se desencantando com seu primeiro-ministro. O populismo berlusconiano começa a perder o fascínio dois anos depois de conquistar o governo. Lula ainda chega lá"

Lula é igual a Silvio Berlusconi, o primeiro-ministro da Itália. É o Berlusconi da esquerda. Berlusconi assumiu o poder dois anos atrás com a promessa de reativar a economia italiana. Como nesse período a economia italiana ficou estagnada, crescendo ainda menos que a média européia, Berlusconi dobrou a aposta e passou a prometer que em breve o governo dará início a uma mítica fase dois. Lula adotou a linguagem berlusconiana e também prometeu dar início à fase dois. Essa fase dois, segundo o governo brasileiro, é um ciclo de desenvolvimento que irá gerar um crescimento de 4% do PIB. Berlusconi ganhou as eleições prometendo crescimento de 4% do PIB.

Berlusconi, como Lula, não gosta de ser interrogado pela imprensa. Prefere discursar para platéias de adoradores, indo de um lado para o outro do palco, com o microfone na mão, aplaudido pela claque, como um animador de auditório. Berlusconi não tem grande educação formal, mas seus escorregões gramaticais servem para tirar a pompa e aumentar a identificação do público. Em todas as ocasiões, Berlusconi conta a fábula de sua ascensão social. De origem humilde, tornou-se o homem mais rico da Itália, uma versão capitalista de Lula, o retirante nordestino que saiu do pau-de-arara para o Palácio do Planalto. O pensamento de Berlusconi só admite parábolas futebolísticas. Ao tratar de economia, da reforma previdenciária ou do Afeganistão, ele sempre cita o Milan, da mesma forma que Lula sempre cita o Corinthians. A diferença é que Berlusconi é dono do Milan, enquanto Lula não passa de um torcedor do Corinthians. É a diferença que há, atualmente, entre direita e esquerda.

Berlusconi acha que tudo pode ser resolvido com uma boa conversa. Os jantares em sua casa são mais importantes que as reuniões no Parlamento, mais ou menos como os churrascos de Lula. Berlusconi acha também que seu prestígio internacional pode levar a uma rápida solução dos maiores problemas da humanidade. Ele já se atribuiu o mérito de ter evitado uma crise nuclear entre Estados Unidos e Rússia, e, outro dia mesmo, em Israel, apresentou uma receita milagrosa para acabar o conflito no Oriente Médio. Lula é igual. Chegou à reunião do G-8 e logo tirou da cartola uma solução muito simples para a fome no mundo. Os países desenvolvidos ignoraram a proposta, mas nossos chargistas perceberam seu alcance histórico. Chico Caruso, na TV, mostrou Lula marcando um gol de letra contra a fome. Berlusconi e Lula contam com o apoio irrestrito da TV. Berlusconi é dono da TV italiana. Lula não é dono de nada, mas conhece o segredo do cofre para salvar os empresários do setor.

Outras analogias entre Berlusconi e Lula: ambos reclamam dos juros, ambos culpam os governos anteriores por seus fracassos, ambos concederam anistias fiscais para cobrir o rombo estatal, ambos pressionam o FMI para tirar os investimentos em infra-estrutura do cálculo do déficit, ambos prometem criar empregos através de incentivos à produção. Pouco a pouco, os italianos estão se desencantando com Berlusconi, como demonstraram as eleições da semana passada. O populismo berlusconiano começa a perder o fascínio dois anos depois de conquistar o governo. Lula ainda chega lá.

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EDIÇÃO Nº 1759

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Boa parte dos homens e mulheres não sente prazer com o sexo. A boa notícia é que há alternativas para tratar os problemas e virar esse jogo

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Especial
José Rainha Júnior, 42 anos, não ocupa nenhum cargo na hierarquia do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mas continua sendo o líder dos sem-terra com maior capacidade de atrair seguidores em todo o Brasil.

Brasil
Previdência: os servidores são minoria, custam caro, escoram-se em privilégios e argutamente passam a impressão de que são vítimas.
Partidos: Cúpula do PSDB sofre cobrança de um débito de 32 milhões de reais - quantia quase idêntica à soma de tudo que foi oficialmente gasto na campanha de José Serra à presidência.

Entrevista
Para José Bonifácio Sobrinho, o ex-todo-poderoso da Globo, as emissoras brasileiras fazem concessões desnecessárias ao mau gosto. "É desagradável ver televisão ao meu lado, eu mudo de canal o tempo todo", diz.

Internacional
Bombas e mísseis estouram no Oriente Médio e ameaçam o plano de paz para a região. O grupo extremista Hamas promete novas investidas contra os israelenses. O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, diz que se defenderá.

Arquitetura
O brasileiro Oscar Niemeyer é o convidado deste ano pela Galeria Serpentine, de Londres, uma das mais respeitáveis do mundo, para projetar seu pavilhão temporário de verão. A direção justificou a escolha com a seguinte definição: "Niemeyer é o Picasso da arquitetura."
No site: leia mais sobre o arquiteto.

Estética
Um aparelho chamado Visia é capaz de fazer um mapeamento minucioso da pele do rosto, revelando manchas e problemas invisíveis a olho nu.

Economia e Negócios
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne-se nesta semana com o presidente americano George W. Bush. No encontro os dois discutirão as vantagens e desvantagens da Alca para o Brasil.

Alimentos
Depois de mostrar diamantes e pérolas, o Museu de História Natural de Nova York faz uma exposição memorável sobre a história do chocolate.

Arqueologia
Pesquisadores ingleses acreditam ter identificado a múmia de Nefertiti, a rainha do Egito, famosa por sua beleza e morta há 3.300 anos. Os restos estão em estado deplorável, mas os traços do rosto e do pescoço guardam traços de altivez e elegância.

Segurança
Empresa brasileira começou a fabricar jaquetas e coletes à prova de bala desenhados especificamente para o público e o clima brasileiros. São roupas discretas e elegantes, o único problema é que pesam além do normal.

Guia
O que significam os nomes de produtos químicos que aparecem nos rótulos de comidas e bebidas industrializadas.

Moda
Adeus camiseta larga e bermuda velha. Ir à academia hoje requer, além de preparo físico, um visual caprichado e em alguns casos até roupa de grife.

Televisão
A série A Grande Família é o programa dos sonhos dos executivos da Globo atualmente. Ele é barato, custa menos de 200.000 reais por capítulo, alcança 40 pontos de Ibope e atinge público de todas as idades e classes sociais.

Cinema
O novo filme de Joel Shumacher, Por um Fio, que estréia sexta, conta a história de um jovem encurralado por um matador em uma cabine telefônica. É um retrato da hostilidade urbana.
No site: fotos e trailer do filme

Livros
Em São Francisco de Assis ¿ o Santo Relutante, o escritor americano Donald Spoto retrata o playboy e o trovador hedonista que, convertido, descobriu mais alegria em dividir do que em acumular.

Música
As gravadoras começaram a explorar um novo fenômeno: cantores que depois de dominar a arte de apresentar-se em botecos, criam discos que produzem fielmente seus shows.

Veja São Paulo
De Frente com Jô
O intrigante mundo de José Eugênio Soares, o homem de sorriso fácil e olhar enigmático que volta aos palcos paulistanos.

Veja Rio
Oásis no Comércio do Centro

Lojistas transformam edifícios de escritórios em shopping centers e se afastam das ruas apinhadas de camelôs.

O conteúdo integral das revistas estará disponível na internet a partir de sábado pela manhã

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Cláudio Moreno
03/06/2003


A Tróia de cada um

No Natal de 1829, o pequeno Heinrich Schliemann ganhou uma bela História Universal ilustrada para crianças. Ao ver a impressionante gravura que representava a tomada de Tróia pelos gregos, perguntou onde ficava aquela cidade fabulosa; o pai, sorrindo, informou-lhe que tudo não passava de uma lenda contada pela Ilíada de Homero. O menino de nove anos não se conformou: "Não pode ser. Um dia eu vou encontrar os restos desta cidade".

A partir deste dia, a Ilíada tornou-se sua companheira inseparável; sempre com ela na cabeça, trabalhou vários anos no comércio, viajou pelo vasto mundo, ganhou muito dinheiro com o ouro da Califórnia e ficou rico com a Guerra da Criméia. Em 1868, quatro décadas depois, ele pôde dedicar-se a seu sonho. Como acreditava que todas as referências geográficas de Homero eram verdadeiras, Schliemann foi afunilando a sua pesquisa até chegar a Hissarlik, na Turquia. Ali deviam estar as ruínas de Tróia, dentro de uma colina verdejante separada do mar por uma larga planície, certamente a mesma onde gregos e troianos tinham lutado por dez anos inteiros.

Convencido de que precisava de uma companheira para a grande empreitada, passou a procurar uma esposa que fosse grega, jovem, órfã e que apreciasse Homero. Dentre as várias candidatas, sobressaiu-se Sophia Ergastromenos, dona de todas essas qualidades e de outras mais; ela o acompanhou pelo resto da vida, trabalhando nas escavações, compartilhando suas vitórias e vindo a escrever, mais tarde, a sua biografia oficial. Em Hissarlik, Schliemann acabou descobrindo não uma, mas sete cidades enterradas na colina, umas sobre as outras, em camadas sucessivas que atravessavam vários milênios de história. Schliemann definiu uma delas como sendo a Tróia de Príamo, de cujas muralhas a bela Helena deve ter assistido à guerra que ela própria causou.

Ao apresentar ao mundo as riquezas que pertenciam ao tesouro de Príamo, ele ganhou celebridade instantânea e o ódio dos arqueólogos, que até hoje contestam o seu sucesso. Dizem que ele escolheu as ruínas erradas, destruiu vestígios importantes e inventou registros falsos em suas anotações. E daí? Ele teve fé em Homero - que é o mesmo que fé na infância - e encontrou sua Tróia, cumprindo assim a promessa que um menino fez a seu pai. Quem o entendeu mesmo foi Freud, o arqueólogo da alma humana, que disse invejar este homem que, junto com o tesouro de Príamo, tinha encontrado a rara felicidade de realizar o sonho de uma vida toda.
claudio.moreno@zerohora.com.br

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Lya Luft
14/06/2003


O menino e sua mãe

Faz uns 30 anos, um menino e sua mãe voltavam das compras no ônibus quase vazio. Ele segurava no colo o presente cobiçado: um microscópio "de verdade", dado pelo pai, mas a mãe fora com ele comprar. De vez em quando ele passava a mão no pacote: "Parece mentira, né, mãe?" Olhar sonhador. No meio do trajeto houve então um desses diálogos inesquecíveis.

- Mãe, que igreja é essa?

- Nossa Senhora Auxiliadora.

- Por que tem tanta Nossa Senhora? Não era só uma?

- É uma sim, filho, mas ela tem muitos nomes.

- E o Nosso Senhor é São Pedro, né?

- Não, é Jesus, ora. Quem casou com ela foi São José. São Pedro era amigo de Jesus. - a mãe suspirou: não praticar religião dava nisso.

- Ah... e por que o José não é o Nosso Senhor, se era casado com Nossa Senhora? - Os olhos azuis começavam a deixar a mãe inquieta.

- Acho que é porque Jesus e Nossa Senhora são mais importantes, filho.

- Mas o José não era pai dele?

- Não era de verdade, o pai dele era Deus, José era pai adotivo.

- Então Jesus não nasceu da sementinha do José?

O silêncio no ônibus começava a se tornar imenso. O menino falava em voz alta e clara, pra ele era tudo natural, assim ensinavam em casa.

- Não, filho, Deus fez brotar a sementinha direto em Nossa Senhora, foi um milagre.

- Ué, então não foi como nas pessoas? - (O silêncio do ônibus podia ser cortado com faca.) A mãe se fez de distraída, mas agora o menino pensava concentrado.

- Mãe, como é que antigamente as primeiras pessoas sabiam como se fazia pra ter bebê, se ninguém tinha ensinado elas?

- Ora, filho, essas coisas a natureza ensina.

- Mas a natureza não é pessoa pra ensinar a gente...

- Quer dizer, quando a gente cresce aprende por si.

- Mãe, olha, aí estava escrito Rua Mozart! Eu acho que ele mora aqui!

- Ele quem?

- O MOZART, mãe, ora. Quem ia ser?

- Não, filho, ele viveu na Europa.

- Ah é? Até achei que era nos Estados Unidos, onde moram as pessoas importantes, o presidente Kennedy e o Cyborg.

Finalmente desembarcaram; o menino retomou seu ar sonhdor e ainda segurando o pacote.

Mãe, como eu tenho um pai bom, né? - E acrescentou depressa: - Mãe também, é claro.
Lya.luft@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
14/06/2003


Um marginal do progresso
Este surgimento da era do conhecimento pela informatização apanhou-me no contrapé. Pensei que, depois de tantos anos de estudo, trabalho e até sacrifício pessoal para construir minha carreira, estava aparelhado profissionalmente para a luta dura da sobrevivência.

Jornalista e com o diploma de bacharel em Direito, imaginei-me completamente equipado para desenvolver uma dessas duas profissões - ou ambas - sem necessitar mais de qualquer preparo fundamental.

E de repente deparo com a vinda do computador, a modificar todas as relações humanas, desde a cultura até o lazer. E me sinto, por não ter-me atirado ainda a essa necessária e talvez imprescindível atividade, como um marginal do progresso e do conhecimento.

Eu pensei que tinha tudo e noto agora que não tenho nada. Devo começar novamente todo o meu aprendizado. Ou me familiarizo com a máquina ou logo em seguida estarei ultrapassado.

Tenho a sensação, portando um diploma de curso superior, de que terei de ingressar novamente no curso primário. Qualquer garoto que possua um Pentium hoje está à minha frente. E o grande trunfo que eu tinha sobre todos os jovens, a experiência, desapareceu completamente nessa onda maluca de software e hardware que varre os meus arredores.

Até o meu poeta preferido, Augusto dos Anjos, cujo livro surrado e páginas amareladas guardo com cuidado na gaveta, está na Internet. Todos os seus poemas, ali prontinhos a se estalar diante dos olhos mediante uma simples digitação. E todos os outros poetas. E todos os escritores. E todos os jornais, e todas as manchetes deles em todo o mundo.

E todas as doenças catalogadas, os tratamentos respectivos prescritos, até com os remédios e a posologia. E a mágica maravilhosa dos

CD-ROMs, a História, a Ciência, as Artes, a Geografia, a comunicação instantânea com as pessoas de todos os povos, tudo isso ali oferecido na geringonça estupenda que traz todo o mundo de fora para dentro de casa, reunindo serviços que antes eram dispersos e de acesso difícil, demorado ou custoso, como as bibliotecas, as pinacotecas, as escolas, a televisão, o jornal, o rádio, as atividades lúdicas em geral, a informação e a cultura. E a tormentosa dificuldade de memorizar o conhecimento agora facilitada banalmente pelo computador.

Ou faço urgentemente um curso de informática e me introduzo de volta ao mundo, que passou por mim como um cavalo de eletricidade, deixando-me desaparecido na poeira de um atraso violento e repentino, ou afundo definitivamente como um ser primitivo, tonto entre os civilizados.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Chuvarada inunda ruas



Chuva da madrugada de ontem afetou especialmente a zona sul da Capital, como Belém Novo (foto Fabrício Barreto, especial/ZH)

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E hoje falei rapidamente com uma pessoa, sobre tarefas e rotinas, mas minha vontade era falar de outros assuntos, por exemplo de nós. Mas a voz, não saiu e a oportunidade pequenina acabou num piscar de olhos de um vento que passou. Escrevi e postei hoje a noite em outro endereço, que talvez divulgue oportunamente. Esta poesia ai abaixo tem uma musica linda e se voces quiserem ouvi-la deixo o link ai. Bons sonhos e que os anjinhos os protejam nesta noite e sempre.


N a m o r a r

Namorados, solteiros e casados

Um jeito de ser apaixonado

Um constante estado de cativar

Um infindável sentido de junto querer estar

Conjugação plena e infinita do verbo amar



Sentir no coração o mesmo palpitar

Inconfundível tremor só de pensar

Uma música marcada na memória

para eternamente lembrar

Sentir o mesmo perfume

mesmo quando junto não se está


Namorar...

Romântica expressão

do verbo amar!


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Sexta-feira, Junho 13, 2003




Reinventando Neruda
Antonio Carlos de Faria

Dia dos Namorados. Numa mesa do Villarino, um homem lê o pequeno livro que acaba de retirar de um embrulho de presente. "Cien Sonetos de Amor", de Pablo Neruda, edição original, garimpada em um sebo. O garçom se aproxima e o leitor pede um uísque.

O homem solitário saboreia com avidez os versos que Neruda escreveu em 1959. Quem o vê não desconfia que a leitura só há pouco tempo se tornou um de seus prazeres. O livro nem era para ele. Era para uma ex-namorada, um presente que ficou sem futuro e que ele resolveu se dar.

A namorada foi embora, mas ficou o Neruda que ele aprendeu a admirar por causa dela. Nos encontros dos dois, ambos aprenderam algumas coisas. Ela, depois de apreender o que estava disponível, decidiu que era hora de ir.

A iniciação a Neruda aconteceu aos poucos, durante momentos íntimos em que ela lhe recitava as poesias do chileno. Quando os versos começaram, ele fez um gracejo, manifestando que sua natureza rude não era suscetível a tais sutilezas. Ela sorriu e pediu para ele ser paciente, pois iria ouvir algo sobre a carnalidade do mundo.

O namoro terminara há alguns meses, mas ele continuou apaixonado. Não por ela, mas pela poesia. Não por uma mulher, mas pela mulher. O leitor solitário aprendera com o poeta que objeto da paixão pode ter várias faces.

A leitura no Villarino não é um acaso. Nos anos 50, Neruda visitou o pequeno bar do centro do Rio e deixou poemas em suas paredes, já cobertas por criações dos freqüentadores, entre elas poesias de Vinicius de Moraes e os primeiros compassos de Aquarela do Brasil, por Ary Barroso.

A tradição registra que o antigo dono do bar, revoltado com os calotes constantes, decidiu pintar aqueles painéis, pois não admitia que além de não ser pago ainda fornecesse espaço para que seus devedores se imortalizassem.

Os versos de Neruda não permaneceram nas paredes, mas o leitor solitário está ali para reinventá-los em seu rito pessoal.

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Sanduíche à gaúcha

Rodrigo Fonseca


Entra em cartaz Arizona nunca mais 2, ops!, entra em cartaz o novo filme dos irmãos Joel e Ethan Coen, tsc!, quer dizer, entra em cartaz um filme muito na linha daquilo que os irmão Coen fazem, e... ah, deixa pra lá. Só não esqueça a analogia. Pense o seguinte: O homem que copiava, uma comédia de amor, suspense e ação como há muito não se via, é um misto quente à gaúcha, gostoso pra burro, que reinventa uma série de clichês que o cinema esgotou.

O parentesco com a obra os diretores de Fargo vem daí. Da habilidade de usar a força da arte da palavra (leia-se roteiro) em comunhão com a pintura de paisagens fílmicas (isto é, fotografia) para injetar novidade em situações surradas que, uma vez em cena, fazem o espectador pensar, refletir e se divertir. Isso é culpa de Jorge Furtado, um cara em quem a galera do cinema deve prestar muita atenção. Afinal, se já brilhava majestoso na seara dos curtas-metragens com seus Ilha das flores e Sanduíche, ele agora periga virar rei também nos longas-metragens.

Sua primeira incursão por essa praia já havia sido uma festa: a comédia romântica Houve uma vez dois verões, que dialogava com os mesmos elementos deste charmoso noir clean. Mas em O homem que copiava ele deixou de lado a timidez de principiante no formato dos longas e soltou sua verve de dramaturgo, mergulhando nas nuanças psicológicas de uma gente nem ruim nem boa feito a gente, para gerar uma fábula absurda sobre a aventura da paixão. Seu foco repousa em um quixote da periferia, André (Lázaro Ramos, infalível) e seu macunaímico Sancho Pança (Pedro Cardoso, que foge do tom caricatural de seus últimos trabalhos na TV, oferecendo um humor renovado).

Juntos, nas mãos do generoso Furtado, eles tentam dar seu recado em um universo cheio de perigos, de opressão. Um mundo parecido com os dos quadrinhos, mas bastante real. O que torna o filme uma experiência ainda mais intensa. Visceral. No mais do mesmo desta filosofice, um refresco: ver Luana Piovani turbinada, pondo uma calça apertadíssima, é um presente dos céus.

Três bons momentos

A GALINHA
O que faz o personagem de Pedro Cardoso com uma galinha no carro? Não é só você que não sabe. Os outros personagens do filme também não têm a mínima idéia do que ele possa estar tramando. Mas o bicho será importante para o ¿bom¿ desfecho da história.

O POEMA
Os papos de Sílvia (Leandra Leal) e André (Lázaro Ramos) são muito legais. O primeiro presente que ela dá ao rapaz é um livro de sonetos de Shakespeare. Na cena, uma seqüência lenta e lírica, a garota explica o sentido do texto a André, verso por verso.

NA CAMA
Cardoso (Pedro Cardoso) insiste, insiste e, quase no fim do filme, consegue ir pra cama com Marinês (Luana Piovani). Rola sexo, mas o espectador não vê nada. Ele fica tontinho com tanta beleza e até fuma uma caneta, isso mesmo, para tentar relaxar.

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O contador de boas histórias
Jorge Furtado faz uma fábula despretensiosa sobre a juventude sem perspectiva

Homem que copiava é um filme raro na atual cinematografia brasileira. O segundo longa de Jorge Furtado dribla maiores pretensões. Não é resultado de adaptação de best-seller e tampouco esfrega tratados sociológicos nas fuças do espectador. O filme parte de uma história própria e simples, a partir da vidinha sem-graça de André (interpretado por Lázaro Ramos), um operador de fotocopiadora louco para ganhar algum dinheiro e conquistar a vizinha, a quem admira secretamente. Com as participações estelares de Luana Piovani - em sua segunda incursão na tela grande - e de Pedro Cardoso e seus contornos ora de suspense policial, ora de comédia romântica, o longa, cheio de referências da cultura pop, poderia se passar perfeitamente por um ''filme-pipoca'' nacional. E, no entanto, em suas sutilezas, faz um retrato muito eficiente de uma numerosa porção de brasileiros, situada entre os miseráveis e a classe média, que conta seus trocados para continuar vivendo - sem estereotipar, definir ou glamourizar seus mocinhos e bandidos.

A estréia em cerca de 75 salas das principais capitais do país revela a confiança na popularidade de O homem que copiava. Tarefa facilitada pelas diversas leituras de um filme, que o próprio diretor define como uma colagem. ''Poderíamos descrevê-lo como uma comédia com Luana Piovani, ou um longa sobre a má distribuição de renda no país, ou poderíamos dizer para os psicanalistas que é um filme sobre uma jovem que tenta matar o pai'', brinca Furtado. ''É uma tática eficiente da dramaturgia. Não precisa entregar tudo de cara, logo no cartaz''. Lázaro Ramos, ótimo na pele de André, também confia na amplitude do filme. ''O homem que copiava levanta questionamentos que eram meus quando jovem. Fala para jovens que sonham com um futuro melhor e não sabem como chegar lá'', diz.

À primeira vista uma história simples, ela se descortina em um conto genuinamente brasileiro - e, va lá, com uma generosa dose da tal contrapartida social para dar e vender. André, o protagonista, ganha dois salários mínimos: na primeira cena, abandona a carne no caixa do supermercado só para poder comprar fósforos; Sílvia, a paixão platônica, trabalha como vendedora e sonha conhecer o Rio; Marinês, a amiga, deseja se casar com um holandês rico; e Cardoso, o futuro comparsa, quer ganhar dinheiro para conquistar Marinês. ''O dinheiro é o quinto elemento. É curioso como os filmes não falam tanto assim de dinheiro, quando é nele que as pessoas mais pensam'', analisa o diretor.

Sobram na tela atos moralmente repudiáveis, mas que, graças ao charme dos atores, acabam levando a torcida da platéia: desde a cópia de cédulas de dinheiro (que tiveram que ser entregues ao Banco Central logo após o término das filmagens), até um assalto a banco, se faz de tudo para crescer na vida. ''É uma fábula baseada em observação. Normal que as pessoas torçam por André. Hamlet e Romeu mataram às dezenas, mas eram os heróis'', justifica Furtado.

A série de desdobramentos e reviravoltas que movimentam o filme não perde o fluxo, cortesia de um roteiro preparado minuciosamente. Do primeiro dos 19 tratamentos de roteiro até a estréia foram sete anos. Planejado para ser o primeiro longa de Furtado nas telas - depois que Anchietanos, o projeto original, encontrou seu lugar num episódio de Comédia da vida privada, na Rede Globo, há dois anos -, o filme deu lugar ao juvenil Houve uma vez dois verões, rodado em dois meses pelo diretor com o objetivo de se exercitar um pouco. E, para O homem que copiava, apenas a preparação da apresentação de André durou mais de um ano para ser escrita.

O entrosamento entre os quatro atores principais transparece na tela, com ótimo resultado. Fora Lázaro Ramos, o trio formado por Leandra Leal, Luana Piovani e Pedro Cardoso já havia sido escolhido desde o início. E Furtado extrai ótimo desempenho de todos eles. ''A função primordial é escolher um bom elenco. Creio que o maior trabalho do diretor acontece antes das filmagens, e não durante'', afirma Furtado.

E é nestes quatro personagens que está focada a ação - junto com outros dois coadjuvantes, o traficante Feitosa e o padrasto da menina Sílvia (Júlio Andrade e Carlos Cunha Filho). Suficiente para o diretor e roteirista traçar um painel de um extrato social, de jovens sem formação profissional e sem muitas perspectivas no futuro. ''Gosto muito de histórias de pequenos formatos. Sinto que é melhor do que encher a tela de personagens. Com quatro, pode se desenvolver bem suas características, sem cair no estereótipo'', lembra o diretor.

Mesmo sem arroubos de experimentação, o filme mostra um lado inovador na sua linguagem, que mescla o ritmo das histórias em quadrinhos - presentes nas revistas Animal espalhadas pela mesa de André e na camiseta do Surfista prateado -, animações que surgem à vontade para traduzir alguns pensamentos de André, feitas por Allan Sieber (o criador do premiadíssimo curta Deus é pai), e dezenas de flashbacks. ''Como é muito difícil filmar cinema no Brasil, havia até pouco tempo atrás a idéia de que a cada filme era necessário inventar a roda. E, aos poucos, viu-se que contar uma história de cada vez, como o Beto Brant e a Suzana Amaral fazem, por exemplo, já é suficiente para mostrar um pedacinho do nosso país'', diz Jorge Furtado.

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Sexta-feira, 13 de junho de 2003
Joelmir Beting



Nosso cheque visado


Um quilo de petróleo vale, agora, nesta média diária de junho, na Bolsa de Londres, exatos US$ 0,17. Um quilo de ouro, na bolsa ao lado, em Londres, está cotado a US$ 10.122. Um quilo de cocaína genuína, segundo consta em Nova York, não sai ou não entra em qualquer mercado por menos de US$ 140 mil. Pois um quilo de hormônio do crescimento humano, sintetizado pela moderna engenharia genética, já está acima de US$ 20 milhões.

Essa comparação esdrúxula (eta, palavrinha esdrúxula) tem tudo a ver com a crescente relevância científica, econômica e estratégica dos arroubos da chamada bioeconomia, na garupa chipada da infoeconomia. Promessas de exploração monitorada e sustentável do patrimônio coletivo da biodiversidade universa.

Ocorre que o Brasil, gigante ainda deitado, é o titular soberano do maior repositório de biodiversidade do planeta, tal como a gente aprende na escola primária e declina no Hino Nacional. A novidade está nos primeiros ensaios de valoração econômica da biodiversidade verde-amarela.

Bem, há que se dar um desconto à chutometria que embasa simulações do gênero. A primeira delas é a suposição de que temos no território nacional, com sobras para a plataforma continental, uma fauna e flora de aproveitamento econômico a futuro da ordem de US$ 2,4 trilhões. Uau!

Esse número transitou em relatórios e manifestos encaixados na vasta agenda da Cúpula Mundial do Desenvolvimento Sustentável, a Rio+10, ano passado, na África do Sul. Longe ou perto da verdade, a ser considerada por volta de 2040, se tanto, o certo é que a biodiversidade brasileira, para além da Amazônia, equivale a um cheque visado, para saque futuro, emitido pela natureza em nome do Brasil. Ou como costumo dizer lá em casa: "Ah! Como eu gostaria de ser neto de mim mesmo!"

Do afluente mercado global do crédito de carbono, a partir do Brasil, aos recentes gols de placa da genômica brasileira, o importante é que, malgrado ainda deitados, já estamos acordados em nosso berço esplêndido. Esforço e talento são as moedas de ouro dos nossos pesquisadores. As moedas de chumbo ainda são o suporte institucional poroso e o capital de risco escasso.

Caso, por exemplo, do domínio do genoma do zebu brasileiro, boi de capim.

Projeto da Fapesp estatal, orçado em US$ 1 milhão e bancado pela parceria privada Central Bela Vista Genética Bovina. É uma corrida contra o relógio do genoma bovino americano, boi de ração. O projeto deles acaba de ser amarrado no Texas por um contracheque privado de US$ 50 milhões.

SECOS & MOLHADOS

Pelo nelore - Nosso primeiro genoma bovino privilegia o zebu Nelore, raça de maior extensão em nosso rebanho de 167 milhões de cabeças. A ordem é identificar genes de maior potencial para desenvolver e democratizar a reputação do Nelore em sanidade, rusticidade, produtividade e qualidade da carne.

Rede Onsa - Chamado Genoma Funcional do Boi, o projeto mexe com os 20 laboratórios da Rede Onsa, instituto virtual de genômica criado em 1997. A Fapesp espera concluir o seqüenciamento genético e a análise funcional até o final de 2003.

Em parceria - O modelo de genômica brasileiro apóia-se na parceria da atividade acadêmica com a iniciativa privada. Caso do Forest, projeto de genoma do eucalipto, em parceria com Ripasa, Suzano, Duratex e Votorantim (VCP). Ela também atua como incubadora de empresas de biotecnologia de origem acadêmica, tais como Alellyx, Scyla e Cana Vialis.

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José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! Namorado entra numas e dá duas!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E três pensamentos fundamentais para o Dia dos Namorados. Pensamento um: 'Namorada é como carro, quando você já tem é que aparecem as oportunidades'. Pensamento dois: 'Se o teu namorado lhe trair, não pense em se atirar do prédio, lembre-se: você tem chifres e não asas!'. E pensamento três: 'O namoro vai pro brejo quando você engole muito sapo e come pouca perereca!'. E eu já disse que o meu primo vai dar um celular pra namorada: um OI e um tchau!

E avisa pro Lula que eu sei como passar as reformas sem machucar ninguém. Chama o Mantega. Com o Mantega as reformas passam mais fácil. E essa manifestação do contra em Brasília é praga do FHC Boca de Sovaco: 'O Lula ainda vai ter um PT pra encher o saco'. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

E uma amiga que namora um homem horroroso me disse que 'É melhor um feio na mão que dois lindos se beijando'. Rarará! E uma amiga minha vai comemorar o Dia dos Namorados tendo orgasmos múltiplos COM ECO. Pro prédio inteiro ouvir. E a Federação do Comércio declarou que vendeu mais no Dia dos Namorados que no Dia das Mães. É que mãe é mãe, tá sempre lá. Não pode pedir demissão!

E um cara me disse que não tem namorada porque com três quilos de silicone ele faz uma melhor em casa. E uma outra disse que não tem namorado porque homem só serve pra três coisas: trocar pneu do carro, abrir tampa de maionese e assistir ao programa do Milton Neves! E um outro me disse que está procurando uma namorada meiga. Meigalinha!

E o que você deu pra sua namorada? DEI DUAS! E aí uma outra foi jantar fora no Dia dos Namorados e pediu um pato. Aí chegou em casa e repetiu a dose: comeu outro pato. Rarará! E tem aquela traveca que cortou o pingolim e perdeu o namorado. O namorado perdeu o interesse. Ela cortou fora a única coisa que prendia o namorado! Rarará. E uma outra foi ver uma exposição de beijos no Dia dos Namorados mas me disse que há um ano não sabe o que é uma língua!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que a mãe de um amigo foi operada no Einstein e na sala de recuperação a enfermeira disse: 'Agora é só esperar o agente de transporte'. Tucanaram o maqueiro! Rarará!

Atenção. Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Abiscoitar': dar duas no Dia dos Namorados. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. UFA!

Email simao@uol.com.br

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David Coimbra
13/06/2003


Ovos em neve

Gosto do nome daquela comida: ovos em neve. Idílico. Evoca, sei lá, os Alpes. Ou os Andes. Minha irmã Silvia fazia muito isso, mas chamava pelo pouco poético nome de "clarada". Porque, afinal, ovos em neve nada mais são do que a clara do ovo misturada com açúcar e batidabatidabatida até se transformar numa espécie de algodão doce. Minha irmã só parou de fazer ovos em neve depois que adotamos uma codorna como bicho de estimação. É que o cocô da codorna é branquinho e molenga, igual aos ovos em neve. Então, minha irmã ficava com nojo. Clarada nunca mais.

Fui descobrir que a verdadeira identidade da clarada é ovos em neve bem mais tarde, a Silvia já desistira dela. Você talvez detivesse essa informação, mas de uma coisa não deve saber: como se chama a colher que batebatebate a clara até virar uma neve doce feito o afago da mulher amada? Aquela colher estranha, comprida, com uma ponta arredondada como se fosse o esqueleto de arame de uma lâmpada, como é seu nome?

Vou dizer: fuê. Descobri recentemente. Imagino que venha do francês, fuê tem um som afrancesado. Ainda não consta nos dicionários, mas suponho que em breve o Houaiss registrará: "Fuê - colher com a qual se batebatebate a clara até que ela se transforme em doces, vaporosos, inefáveis e alvos ovos em neve".

Encanta-me isso de haver nome para tudo em português, ainda que adaptado de outras línguas. Não há o que não tenha nome na língua falada por Camões e Wianey Carlet. Aqueles ossinhos dos dedos. Alguém os batizou de falange, falanginha e falangeta. Quem teve essa idéia tão bem-humorada? Só pode ter sido um gozador.

Aí está: houve gente que refletiu sobre as menores minudências, sobre cada dança semestral do Nordeste, sobre cada ânsia humana, sobre cada rebite ou botão ou parafuso, e lhes pespegou nomes em límpido português.

Há tantos nomes, tantos, que alguns objetos, ações e sentimentos levam mais de um. Tantos, tantos, que existem os jamais utilizados. O Ary Barroso, por exemplo, incrustou numa única música, a patriótica Aquarela do Brasil, não apenas um "inzoneiro", mas uma "merencória". Quem mais, além do Ary Barroso, algum dia falou essas palavras?

- Você está parecendo merencória, hoje, Cris...

- Merencória? Eu??? Merencória é a mãe!

Temos palavras para tudo, na língua portuguesa, a última flor do Lácio. Então, alguém aí por favor me diga: por que usamos delivery quando pedimos pizza? Por que falamos mixed crowd? Essa semana mesmo houve um encontro de publicitários na Serra. Imagino um cardume de carecas com rabo-de-cavalo falando upgrade. Por que os publicitários falam tanto upgrade??? Digam merencório, encham a boca com inzoneiro, mas upgrade, não. Não me venham com upgrade!
david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
13/06/2003


Uma passeata surrealista

O senhor Umberto Alencar Kober, residente em Dom Feliciano, é proprietário de posto de gasolina naquele município.

E manda dizer que não representam a verdade os e-mails que esta coluna recebeu daquela cidade, comunicando que o litro da gasolina comum estava custando nos postos R$ 2,50.

No seu posto de gasolina, o litro está sendo cobrado a R$ 2,35. Quinze centavos a menos do que o anunciado.

Pede o registro da inexatidão da notícia anteriormente divulgada.

Como a informação que o senhor Umberto tacha de errônea dizia que os três postos de combustíveis de Dom Feliciano cobravam R$ 2,50 pelo litro da gasolina comum, é de se concluir que os outros dois postos da cidade também não cobrem este preço, e sim os R$ 2,35 agora revelados.

É mais caro do que a média de Porto Alegre, mas não é o preço abusivo denunciado por alguns consumidores de lá.

Sem dúvida alguma, as manifestações ocorridas anteontem em Brasília vão entrar para a história da política nacional.

Havia 36 parlamentares federais do PT entre os manifestantes. A maioria deles votará a favor da reforma da Previdência. No entanto, juntaram-se aos servidores públicos na manifestação contra o governo e contra a reforma.

Não dá para entender. Ou, melhor, dá. É que esses deputados do PT estão sendo cabresteados pela direção partidária a votar a favor das reformas. No entanto, toda sua vida pública foi dedicada também à causa dos funcionários públicos, aproveitaram para integrar a procissão dos protestos, talvez na esperança de que o governo atenue as medidas mais severas da reforma.

Essa presença insólita dos deputados petistas que apóiam o governo na passeata demonstra cabalmente que eles violentarão suas consciências quando proferirem seus votos no plenário, a favor da reforma.

E ao mesmo tempo suscita uma confusão que hoje é a marca do estado de espírito dos petistas nesse episódio: votam com o governo, mas estão contra o governo.

Vai daí que cenas inusitadas ocorreram na manifestação que reuniu 20 mil pessoas em torno do Palácio do Planalto: tanto o líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino, quanto o novo presidente da CUT, Luiz Marinho, discursaram no palanque e seguiram juntos com a passeata debaixo de vaias dos manifestantes.

É a primeira vez que, em meio ao andor de um préstito de protestos, integrantes da própria passeata são hostilizados com ofensas, arremessos de garrafas de plástico e até de cusparadas por parte dos seus companheiros de manifestação.

Chama a atenção tanto a coragem do líder do PT na Câmara quanto a do presidente da CUT, que se mantiveram impávidos no comício, resistindo às agressões dos manifestantes.

E também o espírito democrático dos organizadores da manifestação, que mesmo repudiando a posição dos companheiros que estão a favor do governo, ainda assim permitiram que eles fossem até o fim do percurso. Poderiam tê-los expulsado das manifestações, mas aceitaram o contubérnio ideológico sem ação físico-administrativa mais radical.

Lula disse anteontem que "quem é dissidente é dissidente, quem é companheiro é companheiro". A aceitação pelos manifestantes da companhia na passeata dos que apóiam o governo demonstra uma mais civilizada compreensão: "Todos são companheiros, até mesmo os que apóiam o governo e estão contra nós".

O fato é que, chegado ao poder, o PT dividiu-se. E se se mantêm ainda íntegro é às custas de ameaças de expulsão do partido pelo governo e de cusparadas por parte dos discordantes do Planalto.

Mas o que mais intriga a todos os observadores políticos mais aguçados é que, se ainda há oposição no país, ela se pronuncia mais acentuadamente dentro do próprio PT.

Também é a primeira vez que um partido, ao mesmo tempo, lidera a situação e a oposição no país.

Por enquanto, essa contradição estupenda vai sobrevivendo. Ali adiante, pode estourar a pororoca.

Estarei hoje autografando meu novo livro no Big Cristal, das 18h às 20h.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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A trapalhada do homem mais poderoso do mundo

O presidente George W. Bush atrapalhou-se com o veículo Segway e quase caiu (foto Steven Senne, AP/ZH)

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Sou uma pessoa comum

Sara Maria Binatti dos Anjos

Sou uma pessoa comum.
Fui criada com princípios morais comuns.
Quando criança, ladrões tinham a aparência de ladrões e nossa única
preocupação em relação à segurança, era a de que os "lanterninhas" dos
cinemas nos expulsassem devido às batidas com os pés no chão, quando uma
determinada música era tocada no início dos filmes, nas matinês de
domingo.
Mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades presumidas,
dignas de respeito e consideração.
Quanto mais próximos e/ou mais velhos, mais afeto.
Inimaginável responder deseducadamente a policiais, mestres, idosos,
autoridades. Confiávamos nos adultos porque todos eram pais/mães de todas
as crianças da rua, do bairro, da cidade.
Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror.
Ouvindo hoje o jornal da noite, deu-me uma tristeza infinita por tudo que
perdemos. Por tudo o que meu filho precisa temer.
Pelo medo no olhar de crianças, jovens, velhos e adultos.
Matar os pais, os avós, violentar crianças, seqüestrar jovens, roubar,
enganar, passar a perna tudo virou banalidades de notícias policiais,
esquecidas após o primeiro intervalo comercial.
Agentes de trânsito multando infratores, são exploradores, funcionários de
indústrias de multas.
Policiais em blitz são abuso de autoridade.
Regalias em presídios são matéria votada em reuniões.
Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos
honestos.
Não levar vantagem é ser otário.
Pagar dívidas em dia é bancar o bobo, anistia para os caloteiros de
plantão.
Ladrões de terno e gravata, assassinos com cara de anjo, pedófilos de
cabelos brancos.
O que aconteceu conosco?
Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por
traficantes, grades em nossas portas e janelas. Crianças morrendo de
fome, gente com fome de morte.
Que valores são esses?
Carros que valem mais que abraço, filhos querendo-os como brindes por
passar de ano.
Celulares nas mochilas dos que recém largaram as fraldas.
TV, DVD, telefone, vídeo game, o que vai querer em troca desse amasso,
meu filho?
Mais vale um Armani do que um diploma. Mais vale um telão do que um papo.
Mais vale um baseado do que um sorvete. Mais valem dois vinténs do que
um gosto.
Que lares são esses?
Bom dia, boa noite, até mais. Jovens ausentes, pais ausentes, droga
presente e o presente uma droga.
O que é aquilo?
Uma árvore, uma galinha, uma estrela.
Quando foi que tudo sumiu ou virou ridículo?
Quando foi que sentí amor pela última vez? Quando foi que esquecí o nome
do meu vizinho? Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa,
comida, calçado sem sentir medo?
Quando foi que fechei a janela do meu carro?
Quando foi que me fechei?
Quero de volta a minha dignidade, a minha paz e o lugar onde o bem e o mal
são contrários, onde o mocinho luta com o bandido e o único medo é de quem
infringe, de quem rouba e mata.
Quero de volta a lei e a ordem.
Quero liberdade com segurança.
Quero tirar as grades da minha janela para tocar as flores.
Quero sentar na calçada, e minha porta aberta nas noites de verão.
Quero a honestidade como motivo de orgulho.
Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olho no olho.
Quero a vergonha, a solidariedade e a certeza do futuro.
Quero a esperança, a alegria.
Eu quero ser gente e não peça de um jogo manipulado por TV a cabo.
Eu quero a notícia boa, a descoberta da vacina, a plantação do
arroz. Eu quero ver os colonos na terra, as crianças no colégio, os
jovens divertindo-se, os velhinhos contando histórias..
Eu quero um emprego decente, um salário condizente, uma oportunidade a
mais.
Uma casa para todos, comida na mesa, saúde a mil.
Quero livros e cachorros e sapatos e água limpa.
Não quero listas de animais em extinção.
Não quero clone de gente, quero cópia das letras de música.
Eu quero voltar a ser feliz!
Quero dizer basta a esta inversão de valores e ideais.
Quero mandar calar a boca quem diz "a nível de", "neste país", "enquanto
pessoa", "eles têm que", "é preciso que".
Quero xingar quem joga lixo na rua, quem fura a fila, quem rouba um lápis,
quem ultrapassa a faixa, quem não usa cinto, quem não paga a conta, quem
não dignifica meu voto.
Quero rir de quem acha que precisa de silicone, lipoaspiração, implante,
dieta, cirurgia plástica, conta no banco, carro importado, laptop, bolsa
XYZ, calça ZYX para se sentir inserido no contexto ou ser "normal".
Abaixo a ditadura do "tem que", as receitas de bolo para viver melhor, as
técnicas para pensar, falar, sentir!
Abaixo o especialista, o sabe-tudo rodeado de microfones e câmeras!
Abaixo o "TER", viva o "SER"!
E viva o retorno da verdadeira vida, simples como uma gota de chuva,
limpa como um céu de abril, leve como a brisa da manhã!
E definitivamente comum, como eu.

Recebi da minha amiga Jane Marion - Thanks Jane - Eu também compartilho de tudo isso


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Quinta-feira, Junho 12, 2003




Achei interressante esta imagem ai acima e trouxe para voces, enquanto chove torrencialmente nesta Porto Alegre. Sempre achei que deveria chover só a noite enquanto a gente dormia, para não atrapalhar as pessoas que vão e que vem para lá e para cá, durante o dia. Mas a noite a chuva me parece ainda mais tristonha. Pois as histórias nem sempre são as melhores nos sonhos, quando chove e quando a gente sonha. Há sempre uma angustia maior ou uma maior melancolia.

Ai fico pensando, a noite também não é um bom horário para chover. Acho que São Pedro que é o que comanda a chuva deveria mesmo era fazer chover só quando eu estivesse com voce. Bem pertinho, conversando, tocando e sendo tocado, assim eu nem perceberia a chuva eu acredito.

Fiquem com os anjinhos e com os pingos desta chuva. Amanhã haverá sol, espero e o dia de sexta-feira será tranquilo e bonito.

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Para as poesias e o site da Fatima há um link ai a esquerda que sugiro para quem gosta de musica e mensagens legais como estas que tenho trazido para cá. Como tenhos compromissos e tarefas ainda a desenvolver, tenhamos todos um feliz fim de noite e até amanhã se Deus quiser e Ele há de querer.

Eu sinto medo de ti.
Medo das barreiras que me impões, sem palavras
e que meu coração interpreta angustiado
nas entrelinhas do que não dizes .

Eu sinto medo de ti.
Tua doçura é névoa tênue e traiçoeira
a esconder muralha férrea, com a qual me choco
tantas vezes, entre perplexa e aparvalhada.

Eu sinto medo de ti.
Porque és todo razão, auto-controle e frieza,
jamais te soltas e te desmanchas em paixão
e as vezes és de uma dureza à prova de qualquer compaixão.

Eu sinto medo de ti.
Porque és capaz de desnudar-me de todas as camadas,
deixando-me quase em carne viva,
enquanto não perdes sequer um pelo,
a pele ou o vício de lobo predador, velho de guerra,
conhecedor da minha alma e da alma de tantas mulheres.

Eu sinto medo de ti.
Porque sonegas os "backs" de todos os meus "feeds",
e negas respostas às perguntas cruciais.
Me tens nas mãos feito marionete,
me confundes e me desmontas sem nenhuma culpa,
como se minhas dores fossem banais.

Eu sinto medo do amor que me despertas, tão grande e visceral.
Sinto medo da amplidão de todas as minhas expectativas.
Sinto medo da mágoa, que intensa, caminha paralela ao meu amor;
Dos extremos, da luz e da escuridão, do céu e inferno,
dos tantos altos e baixos que permeiam cada capítulo e cada cena do nosso roteiro.

Ah! Homem amado e faceiro, pedaço de mal caminho
ladrão de corações, tinhoso e traiçoeiro!
Tens o condão de fazer-se amar !
Um dia ainda curo-me de ti e vou te deixar
E ao conseguir tal feito, presto aqui um juramento
Hei de deixar escrito um manual ou cartilha,
Para que outras não caiam na tua armadilha.

Fátima Irene Pinto®

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Você ama de verdade?

Escolhemos a capa desta edição toda em vermelho para celebrar a paixão, o amor que move os casais apaixonados. O Dia dos Namorados, que comemoramos hoje, levará um grande número de casais aos restaurantes e motéis da cidade e movimentará milhares de reais no comércio de presentes e flores. Tudo isso faz parte, mas a data nos favorece a pensar sobre o amor com a cabeça e com o coração. Assim fica muito fácil refletir sobre o relacionamento que estamos vivendo, ou sobre aquele que gostaríamos de viver, enfim. Não importa se você namora, é casada, amante... é preciso questionar, sempre, para que a convivência com a pessoa amada não seja apenas suportável. Todas merecemos e queremos muito e muito mais.

De qualquer forma, comece sempre por gostar de você. Sinta-se bonita, arrume-se para você, e não para os outros, assim, sua auto-estima fica lá em cima. Depois sim, você poderá viver um amor real, tranqüilo, amigo, cúmplice, companheiro, quente, que a motive a reinventar sua vida sempre que você perceber que algo não vai bem.

Para terminar essa nossa conversa, selecionei um trecho lindo da "Crônica de Amor", de Roberto Freire.

"Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera".

Marta Vicentin

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Por que você me amou?

Por todos aqueles momentos
em que você me deu a mão,
Pela verdade que me fez ver
Por toda alegria que entrou na minha vida
Por enxergar acertos
no que eu julgava fossem erros
Por ter tornado meu sonho real
Pelo amor que encontrei em você
Eternamente agradecerei

Você me deu a mão
me amparou e me acompanhou
Por tudo isto...

Por ter me dado forças quando eu fraquejava
Por ter dito por mim o que eu não pude dizer
Por me mostrar o que eu não podia ver.

Voce mostrou o que de melhor havia em mim
me levou até onde eu não julgava alcançar.
Você foi a fé que me fez acreditar.
Pude me descobrir
através do seu amor...

Você me deu asas, me fez voar.
Segurei a sua mão
e pude tocar o céu
Achei em você a fé, que imaginava perdida.
Aprendi com você a buscar uma estrela.
Com você, pude de novo caminhar.
O seu amor me fez sentir o universo.
Agradeço cada momento vivido
como uma benção recebida

Você, sempre presente
Você, o carinho amigo
Você, a luz do caminho
Você, a minha verdade
Você, com o seu amor
fez o meu mundo melhor

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Sinta o amor
Tahyane

Quando a noite chega
traz com ela um bálsamo,
a abertura para um momento de paz
que fará você esquecer as agitações do seu dia.

É um momento mágico, encantado
onde você poderá entrar em íntimo contato
com o amor, ele estará com você!

Você consegue senti-lo esta noite?...
Ele está onde você estiver
Ele vive em seu coração...
Feche os olhos para o que está lá fora,
aconchegue-se ao seu coração.
Para sentir o amor,
precisa apenas ouvir o seu coração

O amor vive no coração de cada um de nós
Não existe um só ser no universo
que não tenha a essência do amor
em seu coração...

Descubra o ritmo e a rima
do pulsar de seu coração
Sempre haverá um outro coração
pulsando no mesmo ritmo que o seu.
Você quer sentir o amor esta noite?...

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Voces encontrrão por aqui uma série de poesias em homenagem ao dia de hoje e aos enamorados. Parabéns aqueles que possuem um coracão ocupado por esse sentimento chamado AMOR e também aqueles que ainda o tem vago, mas que continuam na busca. Que ela seja breve. FELIZ DIA DOS NAMORADOS.

Contra-senso
Marta de Mesquita da Câmara

Oh, meu amor, escuta, estou aqui.
Pois o teu coração bem me conhece:
eu sou aquela voz que, em tanta prece,
endoideceu, chorou, gemeu por ti!

Sou eu, sou eu que ainda não morri
- nem a morte me quer, ao que parece -
e vinha renovar, se inda pudesse,
as horas dolorosas que vivi.

Oh, que insensato e louco é quem se ilude!
Quis fugir, esquecer-te, mas não pude...
Vê lá do que os teus olhos são capazes!

Deitando a vista pelo mundo além,
desisto de encontrar na vida um bem
que valha todo o mal que tu me fazes!

Indicação de Sergio Faraco, escritor

Jamais saberás

Jamais saberás, Amor,
Das vezes incontáveis que me vens à mente,
De como eu tenho te amado loucamente,
Sem poder gritar ao mundo esta afeição!

Jamais saberás, Amor,
Dos acordes do meu violão plangente,
Que me pego a tocar, pra ti somente,
Como que a alcançar teu coração!

Jamais saberás, Amor,
Dos meus lábios percorrendo a tela fria,
Onde, sereno, tu sorris pra minha alegria,
Qual se fora angélica visão!

Jamais saberás, Amor,
O quanto eu tenho procurado em teu semblante,
Um só tom que a mim não soe dissonante,
Nos acordes deste meu querer, em vão!

E ainda, Amor,
Que eu cante os meus delírios, sem procedimento,
Senão aqui, por certo te direi no firmamento,
Que és a minha luz, em forma de ilusão!

Fátima Irene Pinto

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Os Versos Que te Fiz
Florbela Espanca

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm a dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Indicação de Manuela Sawitski, escritora

Milionários
Juana de Ibarbourou

Segura minha mão. Vamos para a chuva
descalços e com roupa leve, sem guarda-chuva,
com o cabelo ao vento e o corpo na carícia
oblíqua, refrescante e miúda, da água
Que riam os vizinhos! Posto que somos jovens
e nos amamos e adoramos a chuva,
vamos ser felizes com o prazer singelo
de um casal de pardais que arrulha na rua
Adiante estão os campos e o caminho de acácias
e a chácara suntuosa daquele pobre senhor
milionário e obeso, que com todos os seus ouros
não poderia comprar nenhum grama do tesouro
inefável e supremo que Deus nos deu:
somos flexíveis, jovens, estamos cheios de amor.

Indicação de Carlos Urbim, escritor

A Prisioneira
Marcel Proust

São sobretudo criaturas assim que nos inspiram amor, para nossa aflição. Pois cada ansiedade nova que por causa delas sofremos desfalca-lhes aos nossos olhos um pouco da personalidade. Estávamos resignados ao sofrimento, crendo amar fora de nós, e percebemos que nosso amor é função de nossa tristeza, que nosso amor é talvez a nossa tristeza, e que o seu objeto só em diminuta porção é a moça da cabeleira negra. Mas, afinal, são sobretudo criaturas assim que nos inspiram amor.

Indicação de Adriana Lunardi, escritora

Quero
Carlos Drummond de Andrade

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao dizer: Eu te amo,
desmentes,
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.

Quero ser amado por e eu tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,

a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e não sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.

No momento em que não me dizer:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amaste antes.

Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

Indicação de Luís Augusto Fischer, professor e escritor

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Amor em verso e prosa
No Dia dos Namorados, várias personalidades indicam textos sobre o mais abrasador dos sentimentos
CÍNTIA MOSCOVICH

Uma das experiências mais nobres e enlevantes pela qual o ser humano pode passar, o amor tem embalado, ao longo dos séculos, a pena de poetas e prosadores. Assim, no dia consagrado aos namorados, o Segundo Caderno pediu a personalidades atuantes da cena cultural que indicassem poemas e trechos em prosa sobre o transcendente sentimento amoroso. A diretora teatral Irene Brietzke preferiu colaborar com um soneto do inglês William Shakespeare, enquanto o escritor Sergio Faraco remeteu a um poema da poeta portuguesa Marta de Mesquita da Câmara.

A escritora Adriana Lunardi tem predileção pela prosa, escolhendo um trecho de A Prisioneira, quinto volume do Em Busca do Tempo Perdido, do francês Marcel Proust. O professor Luís Augusto Fischer e a escritora Manuela Sawitski também resolveram brindar os leitores com poemas: o primeiro escolheu um texto de Carlos Drummond de Andrade, e a segunda preferiu a portuguesa Florbela Espanca. O escritor e jornalista Carlos Urbim fez questão de traduzir um poema da uruguaia Juana de Ibarbourou.

O professor Cláudio Moreno optou por um texto do filósofo e antropólogo espanhol Alfonso Tresguerres. Como ilustração, foram escolhidas algumas obras expostas em galerias da cidade e que homenageiam a data dos amantes. O Segundo Caderno deseja a todos uma boa leitura e um lindo Dia dos Namorados. E, para aqueles que estão avulsos no mundo, os votos de que encontrem logo, logo a outra metade da laranja. Entrelaços une-se aos votos do Segundo Caderno.

Do amor
Alfonso Tresguerres

Dizia um filósofo espanhol que estar enamorado é uma espécie de patetice transitória - definição baseada naquilo que o enamorado melhor faz, que é agir como um pateta. E certamente só um tolo seria capaz de empobrecer sua vida mental, de reduzir seu campo perceptivo e motivacional até o extremo de concentrar-se em um só objeto, de tal maneira obcecado que todo o resto passa a segundo plano ou simplesmente desaparece. O enamorado, assim como os lunáticos ou os tontos, raciocina conforme uma lógica especial, em que os princípios da lógica propriamente dita quase sempre estão ausentes. Assim, o enamorado crê no que é incrível, espera o inalcançável, considera provável o impossível, e impossível o que é evidente. Por fim, quando um dia as coisas voltam a seu lugar, quando cessam os sintomas e desaparece a febre, custa-lhe entender o que aconteceu, e às vezes chega à triste conclusão de que ele mesmo tornou-se uma prova tangível do efeito Barnum, segundo o qual nasce um novo tolo a cada minuto, e uma prova também do que poderíamos considerar uma variante do mesmo efeito, que estabelece que um tolo, por tolo que seja, sempre vai encontrar alguém mais tolo do que ele e que, além disso, o admira e, melhor ainda, até se apaixona por ele. Assim vivemos.

Indicação de Cláudio Moreno, professor

Soneto nº 116
William Shakespeare

Que eu não veja impedimento
Na sincera união de duas almas.
Não é amor aquele que,
Encontrando modificações, se modifica

Ou diminui se o atinge o desamor do outro.
Oh, não! O amor é para sempre
E enfrenta ileso as piores tempestades.
É a estrela guia para cada barco errante,

De brilho intenso, mas valor secreto.
O amor não depende do Tempo
Não escolhe nem dia nem hora

Mas resistirá ao limiar da Morte.
E, se se provar que estou errado,
Nunca fiz versos, nem jamais alguém terá amado.

Indicação de Irene Brietzke, diretora teatral

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Nilson Souza
12/06/2003


A lição da Miss Japão

Se você tivesse que viver com apenas um dos cinco sentidos, qual deles escolheria? Perguntinha boba, pensei, quando ouvi o locutor do concurso Miss Universo questionar a representante do Japão. Na hora, nem pensei que era um despropósito sugerir a cruel possibilidade para pessoas que estavam lá exatamente por serem modelos de perfeição física. Apenas achei banal a questão porque a resposta me parecia óbvia.

O esquema do evento previa uma pergunta para cada uma das cinco finalistas. A bela da Venezuela deu uma resposta inteligente para a sua questão: "Se você pudesse apagar a História, o que excluiria?". Disse a moça que em primeiro lugar eliminaria as guerras e, depois, os efeitos nocivos da tecnologia. Mereceu os aplausos.

Para a estonteante representante da República Dominicana também foi feita uma pergunta interessante: "Qual o presente mais valioso que você já deu". A minutos de ser escolhida a mulher mais bonita do mundo, ela também deu uma resposta competente: "Segundo minha avó, foi uma cartinha que lhe escrevi quando tinha seis anos de idade, desejando-lhe melhoras da sua doença". O auditório se emocionou.

Mas a Miss Japão, para minha surpresa, não optou pela visão. Antes do delicado discurso da moça ser traduzido, repassei os cinco sentidos. Tem tanta gente sem tato por aí - e muitos nem parecem sentir a deficiência. Portanto, podia ser um sentido perfeitamente dispensável. Paladar? Disse um sábio que bom gosto é melhor do que mau gosto e que mau gosto é melhor do que gosto nenhum. Porém, como gosto não se discute, também esse talvez pudesse ser cortado. Do olfato nem é preciso falar nestes tempos em que populações inteiras utilizam máscaras sobre o nariz.

Pois a beldade oriental escolheu a audição e não a visão. Ouvi intrigado. Por que alguém, neste mundo comandado pelas imagens, pensaria em abrir mão deste sentido tão essencial? Achei que a menina se atrapalharia na hora de justificar a escolha, mas ela também conseguiu arrancar aplausos do público:

- Escolho a audição porque o que me entra pelos ouvidos chega mais rápido ao coração.

As palavras são realmente mágicas, pois têm o poder de despertar a imaginação, de emocionar e até mesmo de construir imagens que os olhos não vêem. Ouvir - ensinou-me a Miss Japão - é tão importante quanto ver.
nilson.souza@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
12/06/2003


O crime de morar no Interior

Foi muito duro para os bajeenses ler na minha coluna de ontem que a gasolina comum está sendo vendida em Porto Alegre por R$ 1,98. O Fantástic

O Fantástico divulgou que a gasolina mais cara do país é vendida em Bagé: nos postos mais afastados do Centro, R$ 2,49. Nos postos do Centro, R$ 2,47.

Mas os bajeenses já têm com o que se consolar: em Bento Gonçalves, a gasolina comum é vendida incrivelmente a R$ 2,40.

E em Dom Feliciano a gasolina atinge nos três postos da pequena cidade a mesma cifra: R$ 2,50.

Olhem como os moradores de Bagé terminam os e-mails que me mandam para reclamar da má sorte de serem penalizados por residirem lá na Fronteira, pagando 20% mais caro pela gasolina do que na Capital: "Solicito que omitas meu nome em qualquer publicação no jornal, para evitar constrangimentos".

Olhem como os moradores de Dom Feliciano terminam seus e-mails enviados para esta coluna, amaldiçoando a sua sorte de pagarem 25% a mais pela gasolina comum com relação à Capital: "Gostaria, se possível, de manter-me em sigilo, em razão de viver num município pequeno".

Isso quer dizer que os que pagam esses preços extorsivos no Interior têm medo dos que cobram os preços exagerados.

Isso transmite a idéia de que as relações sociais e econômicas nos municípios em que moram são presididas também pelos que mantêm os cartéis, sendo impossível enfrentá-los com protestos, sob pena de represálias.

E o impressionante é que o poder público não tenha erigido mecanismos para proteger essas indefesas comunidades dos cartéis.

É intolerável essa bárbara diferença de preço na gasolina na relação entre a Capital e alguns municípios do Interior.

A alegação de que o transporte torna o combustível mais caro é risível: por esse critério, a gasolina só poderia custar R$ 2,50 e R$ 2,40 se fosse vendida na Patagônia, milhares de quilômetros distante de Porto Alegre.

E como é que cidades próximas de Porto Alegre vendem sua gasolina a preços tão altos quanto o de Bagé?

É cartel mesmo. Cartel nas cidades distantes, cartel nas cidades próximas. E cartel multimilionário.

Tomara que o governo federal consiga êxito nessa sua iniciativa de diminuir seus impostos sobre os medicamentos de uso contínuo, com a finalidade de baratear seus preços nas farmácias.

Mas será preciso que também os governos estaduais se sensibilizem com a medida, reduzindo também seus impostos sobre tais medicamentos, talvez até isentando-os.

Há muita diferença entre o remédio eventual, aquele que é adquirido sazonalmente, e aquele que as pessoas são obrigadas a usar até a morte.

Estes medicamentos para o diabetes, para a hipertensão, para o câncer, para dezenas de outras moléstias, se constituem em um tributo perene para seus doentes, que são obrigados a despender quantias enormes, por mês, para adquiri-los.

É uma canga financeira que se aplica nessas pessoas, condenadas perpetuamente a carregá-la.

Não há nenhum sentido em que os impostos sobre os remédios de uso contínuo, perene salvação da vida dos doentes, tenham a mesma alíquota de impostos que os remédios eventuais.

Mas será que os governos estaduais entenderão isso? É dramática a posição dos consumidores de remédios de uso contínuo.

Governos que não compreendem essa diferença, assim como fabricantes de remédios que não repassarem as prováveis isenções tributárias para seus produtos, serão culpados pelo morticínio de milhões de cidadãos brasileiros.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Gauchão
Inter larga na frente



Time de Wilson (D) ganhou de 1 a 0 do São Gabriel e pode perder por diferença de um gol, na próxima quarta, para garantir vaga à final (foto Valdir Friolin/ZH)


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Quarta-feira, Junho 11, 2003




Bom e o dia tão esperado está chegando e amanhã já é dia 12. O Love Day, ou o dia dos namorados. Nesta semana a gente passou divagando, falando de amor e construindo imagens que repetissem o seu significado. Então amanhã é o dia e Entrelaços deseja que ele seja feliz para você e que você receba muitos presentes, abraços de quem está longe e de quem está pertinho e presente.

D I V A G A N D O
Fátima Irene Pinto


Não sei em que tempo da vida eu me fixei
Não sei das vezes que venci ou fracassei
Não sei se sabia das coisas ou se assim julguei
Não sei se cresci, regredi ou estacionei
Se bem ou mal resolvida aqui cheguei
Com marcas tantas e tão doridas que nem sei
Se são plausíveis, os sonhos todos que sonhei.

Amores, os tive para perder
A cada amor, lágrimas infindas a correr
Qual se fora estranha predestinação
Ver lacerado sempre e tanto o coração
Que pela ausência de amor, já quis morrer.

Esta é talvez a sina da poeta
Buscar aqui e ali su'alma dileta
Verter rimas doces, quentes, quietas
Como que a implorar:
Quero viver !!!

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T E M A

Como fazer poema quando não se tem o tema...
Quando já falamos exaustivamente da nossa saudade...
Quando já esmiuçamos todas as possibilidades de que por um milagre ou divina providência, elas deixem de ser impossibilidades, revertendo a nosso favor uma dolorosa realidade,
uma insustentável pendência?

Como fazer poema, diante da clara e inequívoca constatação
da imprudência de nosso coração, que faz escolhas insanas
sem estar nem aí com os apelos da razão
que clama por manifestar-se em tempo hábil,
antes que tudo termine em pizza ou termine na cama?

Porque sempre botamos a razão em segundo plano?
Se a ouvíssemos, sofreríamos menos, com certeza...
Mas seríamos amargos, insípidos e
por fundo de nossas vidas
teríamos apenas um cinzento pano.

Um pano pardacento, isento de qualquer beleza,
que só é bela porque conhece os matizes, e os matizes
nunca são cinzentos...
Os matizes sempre são intensos, na luz ou na escuridão,
nada têm a ver com a pardacenta razão.

Mas a beleza e a arte são domínios do coração,
assim como o amor, o ódio, a paixão, o sonho, a mágoa, a solidão, a insurreição...

E mesmo estes rascunhos nascidos da razão que questiona, filtra e seleciona,
se não tivessem por fundo um coração dilacerado,
até estes escritos mal alinhados morreriam na mente como um breve clarão, intenso, porém logo esquecido e apagado.

Agora já achei o tema... mas que me importa agora o tema,
se divagando sem querer eu já pari o meu recado?
Por sinal, um recado banalizado
muito conhecido dos amigos da pena e das penas,
que despejam em prosa e verso suas dores e dilemas
nascidas
de um coração lacerado
por um amor sufocado.

Fatima Irene Pinto

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Bom é ser feliz!!!

Bom, é viver em harmonia

com aqueles que estão ao nosso lado.

Bom, é estarmos sempre atento

às lágrimas alheias.

Bom, é respeitar nosso semelhante.

Bom, é realizar nossos sonhos

e continuarmos agradecendo à Deus.

Bom, é vivermos cada momento com alegria.

Bom, é trazermos para junto de nós

aqueles que precisam de carinho.

Bom, é invadirmos a alma dos amigos

com orações e luz.

Bom, é termos sempre a coragem

de dizer a verdade.

Bom, é esperar que a nossa vida seja sempre boa.

Bom, é não chorarmos por coisas perdidas,

só vale o choro quando é de felicidade.

Bom, é acordar, olhar para o espelho

e gostar do que vemos refletido.

Bom, é ter um grande amor

dentro do nosso coração, mas se este amor não existir,

que esteja em nós a procura por ele.

Bom, é fazer programas simples com a família,

mas na simplicidade sentir imensa alegria.

Bom, é sermos especiais sempre,

acreditar que existem pessoas que nos querem bem.

É sentirmos a maravilhosa vida

nos irradiando a cada dia.

Bom mesmo é ser feliz!!!

autor desconhecido

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Alô, doçura!
Operadores de celulares apostam no Dia dos Namorados


Romantismo: kit da Siemens inclui sais, sabonete, velas e bucha

Os namorados têm bons motivos para ficarem na dúvida sobre o melhor presente para sua cara-metade. Até mesmo aqueles que já decidiram presentear a alma gêmea com um celular. Tudo porque operadoras e fabricantes lançaram suas flechas para acertar em cheio o coração, e principalmente o bolso, dos apaixonados.

A Oi lançou serviços especiais para o Dia dos Namorados, como o Horóscopo do Amor (com previsões para relacionamentos, combinação de signos e outras dicas dos astros), o Eu e Você (avaliação do grau de sintonia do casal) e toques românticos para personalizar a chamada dos pombinhos. E a história de amor do casal pode render um aparelho Nokia 2100, na promoção Namorados em http://www.oi.com.br.

TIM, Nokia e SBT lançam o Celular do Milhão

Em parceria com a Nokia e o SBT, a TIM lança o Celular do Milhão. Nos modelos Nokia 3310 (GSM) e 1220 (TDMA), o celular custa R$ 379 e estará a venda a partir de segunda-feira em todo o País, nos planos pré-pagos. Ao comprar o lançamento, o usuário ganha 15 Revistas do SBT pelo celular, que possibilitam disputar o jogo Show do Milhão no próprio aparelho, concorrer a prêmios semanais de até R$ 3 mil e quem sabe participar do programa de TV Show do Milhão. O Celular do Milhão vem com seguro-desemprego e pode ser financiado em até 18 vezes. ¿Em um ano, o Celular do Milhão deverá conquistar mais de 500 mil novos clientes para a TIM¿, afirma o diretor-adjunto de marketing da TIM Brasil, Alberto Ceccarelli.


Nokia 2100 e Motorola C333: entre os destaques para o dia 12

Além disso, até amanhã a TIM dá um desconto de R$ 100 no modelo Siemens A40, que passa para R$ 109 nos planos pós-pagos e R$ 199 nos pré-pagos. E a promoção que dá desconto automático de R$ 160 na compra de dois aparelhos vale para dois modelos de Motorola, dois Siemens C45 ou ainda um Siemens C45 e um Motorola em qualquer combinação dos planos pré-pagos e pós-pagos. Mas quem optar por um modelo Siemens ganha também um kit especial para a comemoração do Dia dos Namorados, com direito a sais de banho, sabonete de ervas, velas e bucha vegetal. E as compras feitas até amanhã garantem tarifa especial de R$ 0,07 por minuto para um número TIM de mesmo DDD. Todos os modelos podem ser pagos em até 6 vezes sem juros no cartão de crédito. De olho no segmento jovem, o blah! oferece até 30 de agosto um toque exclusivo com a canção Um Amor Maior, nova música do Jota Quest, que se junta aos mais de mil ringtones oferecidos pela empresa.

ATL lança o primeiro TDMA com display colorido

A ATL aproveita a ocasião para lançar o Nokia 3520, primeiro celular TDMA com visor colorido e toque polifônico. No plano Perfil 60 ou superior, o aparelho sai por R$ 399, e no pré-pago por R$ 599, podendo ser parcelado em até 6 vezes. Quem escolher outros modelos da Nokia, como o 2220, 8265 ou 3520, leva uma mochila de presente. A operadora oferece ainda outros aparelhos de diversas marcas por preços a partir de 10 vezes sem juros de R$ 9,90. A promoção vai até domingo.

Telemar assina contrato com a Caixa Econômica Federal

E as telefônicas não param. A Telemar, por exemplo, acaba de assinar um contrato de mais de R$ 36 milhões com a Caixa Econômica Federal (CEF) para transmitir dados do banco nos 16 estados da área de concessão da operadora - entre Amazonas e Rio de Janeiro.



Celular do Milhão: usuário agora já pode jogar o Show do Milhão no aparelho e ganhar prêmios

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José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! Lula faz dieta e COME ZERO!

Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E a Martaxa declarou pra Mônica Bergamo que lê a minha coluna todo dia. Superobrigado, mas meu único medo é este: Marta lê a coluna do Simão, acha um lixo e TAXA! Rarará!

E a Hillary declarou em seu livro 'Tomou Cornil, o Chifre Sumiu' que o Pinton era infiel porque tinha problemas com a mãe e com a avó. Por isso que ele escolheu a Monica Chupinsky: tem a cara da mãe e o corpo da avó!

E essa a Hillary não contou no livro. O avião do Pinton estava para aterrissar quando o comandante anunciou: 'Favor apertar os cintos, fechar as mesinhas e botar a estagiária na vertical'. Rarará! E o Bush já tá confundindo carrinho de cachorro-quente com caminhão de armas químicas. Imagine se ele viesse pro centro de São Paulo e visse o nosso CHURRASCO GREGO! Aquilo que é arma de destruição em massa!

E diz que uma menina chegou em casa de madrugada com R$ 6.000, e o pai perguntou: 'O que é isso, ganhou na raspadinha?'. 'Não, ganhei na peludinha mesmo.' Rarará! E diz que duas loiras estavam se bronzeando na praia quando uma perguntou pra outra: 'Qual o seu protetor?'. 'Santo Expedito!' Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

E esta outra notícia: 'Suíça resiste à idéia de Lula pra fundo contra a pobreza'. Fome Zero sem Queijo! Fome Zero sem Fondue! E tem mala nova no governo Lula: José Malencar! E sabe como é o nome da dieta do Lula? COME ZERO! Esta é a grande manchete do dia: Lula faz dieta e COME ZERO!

Buemba 2! Hoje! Selecinha do Parreira x Nigéria. Eu quero ver o Galvão botar ovo. Eu quero ver o Galvão cacarejar, bater as asas e GOOOOL! E o Gagallo vai usar aqueles agasalhos horríveis, os Agagalhos Gagallo?! Por que ele não troca por uma cueca ou um baby-doll, que são muito mais confortáveis? E a cartolagem no Brasil é assim: federação é dinastia, e dirigente é cargo hereditário!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que eu estava ouvindo rádio quando apareceu a divulgação de um evento: 'O som será feito pela designer sonora das novelas da Globo'. Designer sonora? Tucanaram a sonoplasta! Rarará! Socorro. Tucanês é pior que praga de sogra: a véia morre, e a praga continua!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Suaviza': suar pra pagar o Visa! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! O já famoso Estoura Brasil! UFA!

Email simao@uol.com.br

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Martha Medeiros
11/06/2003


Jogos de amor

Milan Kundera escreveu um conto que está entre meus preferidos: chama-se O Jogo da Carona, publicado no seu livro Risíveis Amores. É a história de um casal que namora há um ano e que inicia uma viagem de carro. No meio da estrada, param num posto de gasolina. Enquanto ele abastece, ela vai ao banheiro. Quando retorna, ela faz para ele o célebre sinal de quem pede carona. Ele entra na brincadeira, abre a porta para ela e a partir daí ambos começam a se tratar como se estivessem se conhecendo naquele instante.

O que era para ser um simples teatrinho para animar a viagem acaba se transformando num jogo perigoso. Ela, que sempre foi pudica, começa a desempenhar o papel de uma sedutora insolente. Ele, que sempre foi gentil, começa a desempenhar o papel de um sujeito tirânico e grosseiro. Ambos muito convincentes, o que torna a situação cada vez mais desconfortável. À medida que a viagem avança, até mesmo o lugar de destino é trocado: o rapaz muda de estrada e escolhe uma cidade qualquer para pernoitar. Ela topa todas. É como se os dois estivessem sendo flagrados em suas verdadeiras personalidades. Mas qual é nossa verdadeira personalidade?

"As duas imagens superpostas diziam-lhe que sua amiga podia ter tudo dentro de si, que sua alma era terrivelmente amorfa, que a fidelidade podia existir nela tanto quanto a infidelidade, a traição como a inocência, a sedução como o pudor; (......) o rapaz compreendia que a diferença entre sua amiga e as outras mulheres era uma diferença muito superficial."

Para véspera do Dia dos Namorados, reconheço que esta é uma história inapropriada: falta-lhe romantismo. Mas gosto tanto deste conto que não me contive em comentá-lo. É um conto que trata sobre nosso eterno estranhamento diante de nós mesmos e, por conseqüência, diante de nossos pares. Que outras personas habitam em nós, em silêncio, aguardando apenas uma autorização para se revelar? Quem será a pessoa que amamos: apenas uma projeção, um produto do nosso desejo? Quando o casal do livro começou o jogo: no meio da estrada ou um ano antes, quando se conheceram?

Amanhã é dia de bombons, jóias, fondue de queijo, ursos de pelúcia, sexo, flores, declarações. Não vou dar uma de desmancha-prazeres, eu também gosto disso tudo, exceto ursos de pelúcia. Mas também gosto de livros, de histórias instigantes, do lado anárquico do amor, de suas tramas, transparências e segredos. Amanhã também é dia de a gente se perguntar: quem é, afinal, este que escolhi pra amar, e quem sou eu, esta que ele escolheu? Não vale blefar.
martha.medeiros@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
11/06/2003


Milagre na gasolina!

Tantas vezes reclamamos dos preços da gasolina nos postos, que agora cabe uma palavra de elogio e até de respeito à concorrência legítima e sadia que os postos de gasolina de Porto Alegre estão implantando em seu negócio.

Chegamos ontem ao preço honesto e saudável de R$ 1,98, em postos da Capital, na gasolina comum. Um verdadeiro milagre comercial, contrastando com o índice de inflação em Porto Alegre, outra vez acima da média nacional em maio.

Toda a atenção se volta agora para algumas cidades gaúchas onde permanecem preços extorsivos cobrados pelos cartéis combinados, incompatíveis com os preços agora fixados na Capital.

Não é civilizado nem sensato que as pessoas paguem 20% ou até 30% a mais pela gasolina pelo simples fato de que moram no Interior.

Os proprietários dos postos da Capital estão dando uma lição de capitalismo cordato aos seus colegas do Interior que se escondem atrás de cartéis incrivelmente não reprimidos.

E como o dólar baixou ainda mais depois que a Petrobras reduziu os preços da gasolina nas refinarias, espera-se que isso novamente aconteça nos próximos dias. A ordem, até mesmo pela recessão, é todo mundo baixar preços.

Há uma silenciosa frustração entre os amantes do futebol gaúcho com o que começa a ocorrer hoje em nosso meio: trava-se logo à noite a primeira rodada do quadrangular final do Gauchão, em dois turnos, sem a participação do Grêmio.

Os próprios dirigentes e torcedores do Internacional se constrangem. Perde a graça o Gauchão sem o Grêmio, como perderia se o ausente fosse o Internacional.

Por trás dessa desanimadora palidez do campeonato, esconde-se uma tragédia gremista. Incomparável em toda a história do clube: além de não ter-se classificado para o quadrangular, o Grêmio não ganhou sequer uma das seis partidas que o arrastaram para o desastre na fase classificatória: perdeu duas e empatou quatro.

Foi uma campanha calamitosa, reveladora da mais criticável incompetência gremista de todos os tempos.

Nem o Internacional, nem o São Gabriel, nem o 15 de Novembro, nem o Juventude, sequer encostam na fortuna que o Grêmio gasta com seu plantel profissional.

Pois o Grêmio ficou fora do Gauchão. Eu não posso entender como é que o Grêmio se deixou arrastar para este abismo de 2003, depois que já não tinha ganho nenhum dos campeoanatos que disputara em 2002, inclusive o próprio Gauchão.

Estavam todos hipnotizados pela auréola de vencedor do treinador Tite. Um vencedor que não ganhava nada.

Havia um tal ufanismo quanto às possibilidades do time, que quem ousasse criticar o treinador Tite era tido como excêntrico ou extravagante.

Tite era uma unanimidade elogiosa que compreendia a direção, a imprensa e a torcida. Um delírio que afrontava os números e a campanha cada vez mais fracassada do time, que batia todos os recordes de negatividade da história do clube.

Derrotas, derrotas e derrotas. Todas elas escondidas debaixo do tapete da perspectiva de sucesso do time na Libertadores da América, embora os indicativos da campanha levassem à possibilidade de um novo fracasso.

Nunca se viu um exemplo igual de cegueira coletiva. E de tanta insistência otimista que tenha trombado com tantos maus resultados.

Terminou como está aí: a ausência trágica do Grêmio no Gauchão, empalidecendo o campeonato e levando o clube a uma purgação de pecados que desgasta a sua imagem e afunda a alma dos seus torcedores até o mais tormentoso círculo do inferno.

Todo um povo e uma raça frustrados e enganados.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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José Fogaça
11/06/2003


O enigma da Mônica

Olha só quem foram minhas personagens preferidas do último fim de semana: ninguém menos do que a gloriosa Mônica - ela mesma - e seus indefectíveis amigos Cebolinha e Cascão. Em primeiro lugar, porque me vi tomado pela irresistível empatia do texto dos psicanalistas Diana Lichtenstein Corso e Mário Corso, O Enigma da Mônica, publicado no Caderno de Cultura da Zero Hora no sábado. Em segundo lugar, porque é sem dúvida merecedora do maior respeito a performance de Maurício de Souza, o criador e desenhista dessas carismáticas figurinhas, que logrou a façanha de completar quatro décadas de reconhecida integridade profissional e ver sua obra definitivamente incorporada ao imaginário infantil brasileiro.

Nos início dos anos 70, lembro-me bem, como militante pedagógico contra a tese conservadora, ainda então dominante, de que as histórias em quadrinhos dispunham à preguiça mental, retardavam o processo de abstração e indispunham a criança com o hábito da leitura, acabei desembocando, quase sem tempo para respirar, no grande hit da iconoclastia política daquele tempo - o livro escrito a duas mãos pelos sociólogos chilenos Ariel Dorfman e Armand Mattelart, Para Ler o Pato Donald, o mais demolidor destampatório ideológico dos tempos da Guerra Fria contra os quadrinhos, um verdadeiro bólido arremetido contra o planeta Disney.

Dorfman e Mattelart, produziram, nos últimos anos, uma obra acadêmica e literária vastíssima, embora boa parte dela hoje talvez esteja perdida no contrafluxo da História. Com o passar do tempo, tornou-se possível, também, enxergar com mais clareza o que de fato há em Para Ler o Pato Donald: a obsessão em identificar nas personagens das historietas não mais que ignóbeis agentes subliminares do imperialismo acabou conduzindo os autores, na verdade, ao esquecimento do fundamental: os valores da infância.

Esta é, pois, a novidade e a riqueza de O Enigma da Mônica: seu objetivo primacial é, sobretudo, traçar com carinho e percuciência, no mundo criado por Maurício de Souza, um cuidadoso mapa para a compreensão das diversas dimensões da infância.

Eis por que o trabalho da Diana e do Mário foram meu deleite do fim de semana. Não apenas porque eu seja um reles leitor revisionista de Dorfman e Mattelart. Mas principalmente porque, apesar de ter ainda só três anos, a Francesca pode me pegar desprevenido, a qualquer momento, com alguma pergunta sobre a poderosa Mônica e sua complicada relação feminista com aqueles que são, por assim dizer, os seus bravos e frágeis coadjuvantes masculinos, Cebolinha e Cascão. E é sempre bom estar preparado.
jose.fogaça@zerohora.com.br

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David Coimbra
11/06/2003


A prontinha
Conheço uma mulher que traiu o marido há pouco. Coisa recente. Cornos frescos, ainda fumegantes. Como foi ela própria quem me relatou o caso, e o fez até com certo orgulho, decidi investigar a respeito. Comentei:

- Então tu o traíste...

- Traí - parecia resoluta. - Traí! Meti-lhe cornos - falou "cornos" ilustrando com os dedos indicador e mindinho estendidos, um sorriso sardônico a dançar nos dentes perfeitos. E prosseguiu, faceira: - Guampas. Chifres. Ele pediu por isso.

- Pediu?...

- Pediu. Trabalhava demais. Só pensava no trabalho. Me deixava sozinha nos fins de semana. Saía com os amigos. E eu ficava por aí. Na noite. Sozinha. Prontinha.

Aquele prontinha. Chamou-me a atenção aquele prontinha. Disse-o com malícia. Assim: prontchiiinha. Excitante uma mulher se definir desta forma. Prontinha. Ela era uma prontinha. Olhei bem para ela. Sim, senhor, dei-lhe uma boa olhada, olhei tudo mesmo, tudo o que havia de bastante e de escasso. Claro, o marido não é meu amigo, compreenda, eu não daria uma boa olhada em mulher de amigo meu, mulher de amigo meu, para mim, é poste. Pois bem, estava ali olhando para ela, dos tornozelos macios às sobrancelhas de gaivotas no horizonte. Avaliei. Medi. Sopesei. Balancei a cabeça. Prontinha, pensei. E sussurrei, eu também:

- Prontchiiiinhaaaa...

Foi obsceno pronunciar prontinha daquela maneira. Fiquei nervoso. Ela sorriu. Estava se sentindo prontinha naquele exato instante, sei disso. Entendi tudo.

- É isso aí - falou, altiva, alargando ainda mais o sorriso. E se foi, ondulando os quadris de pecado, no rumo infalível da perdição.

Nós somos sempre culpados

Que lição você pode tirar disso tudo? É, porque você PRECISA tirar uma lição disso tudo. Bem, eu diria que fica patente a nossa inferioridade em relação às mulheres. Pois, se fosse o contrário, se fosse um homem a trair uma mulher, os argumentos que ele apresentasse, quaisquer argumentos, eles seriam aceitos?

A resposta é:

NÃO!

Um não rotundo, como diria o Brizola. Se o homem trai, ele é um cafajeste que enganou a pobrezinha. Se a mulher trai, ele mereceu. Quem mandou o otário não dar atenção à pobrezinha?

Alguns tipos sempre são culpados: nós homens; os goleiros. Nós homens somos os eternos canalhas, mesmo que traídos. Os goleiros são os eternos responsáveis pela derrota, jamais pela vitória. Vitória é trabalho para centroavantes. Não importa se o goleiro é Danrlei, Clemer, Eduardo Martíni ou João Gabriel. Se ele é goleiro, é candidato à tragédia, será inevitavelmente personagem de alguma tragédia, algum dia. Que fazer? O mundo é assim. O mundo é das mulheres e dos centroavantes. O mundo não é justo.

A primeira bola da cidade

O distintivo do Grêmio, se você ainda não reparou, ele é uma bola. Foi inspirado na primeira bola de futebol da história de Porto Alegre. O paulista Cândido Dias, que viera morar aqui, recebera a bola de presente dos seus irmãos, que moravam em São Paulo. Todos os domingos, Cândido se reunia com seus colegas comerciantes, iam para os muitos campos de várzea da cidade e se divertiam brincando com a bola e fazendo alácres piqueniques. Não jogavam futebol, ninguém na cidade jamais assistira a uma partida de futebol. Brincavam, tão-somente, atirando a bola um para o outro.

Aí está um dado fundamental: praticamente não existiam esportes ou jogos com bola no Brasil e muito menos no Rio Grande do Sul. Os esportes com bola foram, quase todos, inventados pelos ingleses e se disseminaram pela América do Sul lentamente. Em Porto Alegre, o que se praticava eram os esportes náuticos e as corridas de cavalo.

Até que o Rio Grande veio à Capital fazer uma partida de exibição, um time do Rio Grande contra outro time do Rio Grande. Foi um acontecimento. Quando o vapor que conduzia os jogadores entrou no Guaíba, houve salvas de canhão e fogos de artifício. Uma banda os esperava no porto. Os rapazes do Sul do Estado foram recebidos com discursos e levados em um séquito festivo pelas ruas da cidade. Na hora do jogo, havia mocinhas com vestidos domingueiros e sombrinhas para lhes proteger do sol - na época, peles bronzeadas não tinham nenhum prestígio.

Cândido Dias e seus amigos comerciantes assistiam à partida. Ninguém trabalhava, era feriado - 7 de setembro de 1903. O jogo estava em pleno andamento, quando, POF!, a bola de couro estourou, que as bolas do começo do século 20 eram de couro e estouravam amiúde. Pior: o Rio Grande não trouxera outra, bola de futebol era artigo raro, importado. O jogo ia acabar, toda a festa para nada. Então, Cândido e seus amigos se apresentaram na última hora, feito heróis. Eles tinham uma bola. Emprestaram-na, mas exigiram que os rapazes de Rio Grande lhes ensinassem as regras do jogo, além de alguns fundamentos - não sabiam nem sequer chutar, imagine.

Oito dias depois, o Grêmio foi fundado. O primeiro clube de futebol de Porto Alegre. E a bola de Cândido Dias, a pioneira bola de futebol da cidade, serviu de modelo para o escudo que hoje ornamenta o meio do peito da camisa tricolor. A bola ainda existe. Está em algum escaninho penumbroso do Olímpico, agora que o museu não existe mais. Contamos essa história, nós aqui do Esporte da Zero, no primeiro dia da série sobre os 100 anos do Grêmio. Serão 100 histórias. Faltam 96. Preste atenção no que virá pela frente. Vai valer a pena.
david.coimbra@zerohora.com.br

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Ciência e Tecnologia
Em busca de sinais de vida em Marte



O foguete Delta 2 eleva-se sobre o mar da Flórida (ao fundo), em Cabo Canaveral, levando a sonda Spirit (foto Reuters/ZH)


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Terça-feira, Junho 10, 2003




E hoje o tema de minha aula de inglês foi o de escrever um poema para o dia 12, próxima quinta-feira, em inglês evidentemente. E a minha professora ainda me reprendeu porque eu converso muito na aula. Para um capricorniano isso é inadmissível e ela sabe disso porque ela também é. Vai ser difícil deixar o vício de falar, mas enfim...

V Í C I O

poetisaelem


Eu que não fumo
Quase acendi um cigarro
Se tivesse um,
Talvez teria aceso
Mesmo sem o hábito.

Acho que vou tomar um porre,
Apesar que o de sexta
está de bom tamanho,
deixa pra lá.

Estou
Vazia e nua
Dividindo minha cama
Com as desilusões
E a saudade sua...

Mais um pouco,
E eu te esqueço...

Hipocrisia minha...
Não amo você?!
Você é tudo o que amo!

Engano,
Amor é exagero, utopia
É o vício mais grave,
Pertinente...

Quero um trago
De qualquer outro entorpecente
Mais ameno.

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Nunca chegou

A mensagem que nunca chegou
Ansiosa espera...
Era um dia especial,
amanheceu, entardeceu,
anoiteceu...passou
e sua mensagem não chegou

E eu tinha certeza que viria...
Depois de excitante expectativa,
a frustrante tristeza...
Dúvidas.. foi esquecimento?...
E as promessas?...
Foi impossibilidade?...
Eu tinha certeza que viria...
Não veio no dia esperado
e nem depois...

Promessas quebradas,
quando reconstruídas,
são como "quebra-cabeças"
ficam com aparência de remendos
Frágeis...

Sonhos desfeitos
não renascem das desilusões
É preciso criar novos sonhos
É preciso esquecer o que passou
É preciso começar de novo...
Vai valer a pena?...
Não sei...
Mas se não tentar jamais saberei.

Não sei o autor

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A m i z a d e

E um adolescente disse:
"Fala-nos da Amizade."
E ele respondeu, dizendo:
"Vosso amigo, é a satisfação
de vossas necessidades.
Ele é o campo que semeias com carinho
e ceifais com agradecimento.
E vossa mesa e vossa lareira.
Pois ides a ele com vossa fome
e o procurais em busca da paz.

Quando vosso amigo
manifesta seu pensamento,
não temeis o "não" de
vossa própria opinião,
nem prendeis o sim.
E quando ele se cala,
vosso coração continua
a ouvir o seu coração.
Porque na amizade, todos os desejos,
ideais, esperanças, nascem e são partilhados
sem palavras, numa alegria silenciosa.

Quando vos separeis de vosso amigo,
não vos aflijais.
Pois o que vós ameis nele
pode tornar-se mais claro na sua ausência,
como para o alpinista a montanha aparece
mais clara, vista da planície.

E que o melhor de vós próprio
seja para o vosso amigo.
Se ele deve conhecer o fluxo de vossa maré,
que conheça também o seu fluxo.
Pois, que achais seja vosso amigo
para que o procureis somente
a fim de matar o tempo?

Procurai-o sempre com horas para viver.
Pois o papel do amigo é o de
encher vossa necessidade, e não vosso vazio.
E na doçura da amizade,
que haja risos e o partilhar dos prazeres.
Pois no orvalho de pequenas coisas,
o coração encontra sua manhã
e se sente refrescado.

Kalil Gibran

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Como estamos na semana dos namorados, nada melhor que uma opção a mais para adquirir o seu apartamento ou sua casa para posteriormente você poder trazer o seu amor para dentro. Então pesquise e faça o consóricio na CAIXA.

CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, TERÇA-FEIRA, 10 DE JUNHO DE 2003

Consórcio Imobiliário da Caixa vendeu 6 mil cotas

Brasília - Desde o lançamento, em novembro de 2002, o Consórcio Imobiliário Caixa já comercializou mais de 6 mil cotas. Com valor médio de R$ 50 mil e 120 meses de prazo para pagamento, até o fechamento de maio, o consórcio da CEF tinha contemplado 190 cotas de todo o país, totalizando quase R$ 7 milhões de crédito. Até 30 de junho, quem adquirir a cota terá 25% de desconto na taxa de administração antecipada. Informações: 0800 702-4000 ou www.caixaconsorcios.com.br.

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Moacyr Scliar
10/06/2003


Das sombras para a luz

Uma das primeiras pessoas a chamar a atenção para a violência contra as crianças foi o médico norte-americano John Caffey. Pequeno teste: qual era a especialidade dele? Médico-legista? Psiquiatra?

Não. O doutor Caffey era radiologista. Alarmado pelo número de fraturas que via em radiografias de crianças pequenas, resolveu investigar o assunto e divulgar os seus achados, desencadeando uma verdadeira comoção, primeiro no meio médico e depois entre o público em geral.

Agora: não deixa de ser simbólico que um especialista em Raios X tenha feito esse alerta. É claro que as lesões nas crianças eram constatadas por muitas outras pessoas, que nada falavam porque havia uma verdadeira conspiração de silêncio em torno ao assunto. Mas o doutor Caffey não tomava conhecimento disso. Ele via ossos quebrados em crianças e falou das crianças com ossos quebrados. Usou as sombras da radiografia para lançar luz sobre um problema por muito tempo ignorado. Ignorado, por quê? Porque a violência contra crianças era aceita como procedimento "educativo".

A punição de escolares era comum nas escolas do passado. A palmatória fazia parte do equipamento educacional. Era a versão brasileira da vara e do chicote, que a Europa consagrou como instrumento pedagógico e do qual nem mesmo reis escaparam: Frederico o Grande, da Alemanha, era chicoteado pelo pai, e George III mandou que seus filhos fossem chicoteados, como "os filhos de qualquer cavalheiro" (democrático, esse monarca). "Poupa a vara e estragarás a criança" era um dito muito comum, num tempo em que a pouca gente ocorreria fazer o contrário: poupar a criança, deixando a vara em desuso.

Daí para os ossos quebrados era apenas um passo. Ou seja, foi transposta a tênue fronteira que separa a disciplina (muito necessária, nestes tempos de permissividade exagerada) do abuso. E abuso, infelizmente, é um amplo território, no qual cabem até práticas doentias, como violência sexual. Em dimensões tais que já se configuram como problema de saúde pública, responsável por sofrimento e por morte.

Por tudo isso, é mais do que oportuna a campanha que a RBS está lançando no sentido de orientar a população, e que tem como lema: "Amor é a melhor herança. Cuide das crianças". Uma frase que sintetiza tudo. O afeto é o antídoto não só contra a violência, mas contra a carência emocional que leva os jovens à droga, ao crime - à desgraça. Dificilmente poderia ser escolhido um tema melhor. Com esta campanha vamos fazer do Rio Grande um lugar melhor para pais e filhos. Vamos trocar as sombras da violência pela luz do entendimento.
scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
10/06/2003


Toque de recolher II

O dinâmico e cordial secretário da Segurança Pública, bacharel José Otávio Germano, apesar de Zero Hora já ter exposto suas razões e de sua área nas edições de sábado e domingo, empenhou-se em que esta coluna também o faça, publicando desmentido oficial de que não existiu toque de recolher na Vila Nova Brasília, em Porto Alegre, constante da minha coluna de sábado.

O secretário enviou-me extensa carta, incabível no estreito tugúrio retangular que compreende este espaço no jornal.

Mas afirma que "especificamente, em relação à Vila Nova Brasília, mote principal da tua coluna, afirmo-te peremptoriamente que não houve e não haverá toque de recolher ou espaço livre para criminosos e principalmente traficantes, nesta vila ou em qualquer outra de Porto Alegre".

Temerária afirmação, caro secretário, como se verá mais adiante.

A seguir, o secretário arrola diversas medidas de policiamento preventivo e investigação, tomadas por contingentes da Polícia Civil e Brigada Militar, culminadas com ocupação temporária da Vila Nova Brasília pelas forças policiais, tendo sido ouvidas mais de 300 pessoas. Foram ações coordenadas e planejadas da Secretaria da Segurança.

E termina assim a autoridade máxima da segurança entre nós: "E menos ainda permitiremos que os boatos mentirosos, principais geradores deste medo (da população), que visam, sobretudo, a dar a impressão de desestruturação do trabalho policial, sejam utilizados 'politicamente' por quem quer que seja. Se há uma guerra, e esta muitas vezes há, aqui no nosso meio, iremos vencê-la. O que me faz, respeitosamente, 'discordar' de ti, pois confio cegamente que a vitória, a qual tu te referes, a ser conquistada dia a dia, sempre será das forças do bem" (estava assinada a carta do secretário).

Pouco antes de o secretário da Segurança redigir esta carta enviada ao colunista, a execução de um homem, na madrugada de domingo, foi o clímax de uma série de tiroteios havidos em todas as noites, desde a quarta-feira passada, na Vila Jardim Protásio Alves, quando uma residência de um dos chefões do crime ali foi incendiada pela facção rival. Ao amanhecer de domingo, os moradores da Vila Jardim Protásio Alves assistiram a grupos de bandidos ostentando pelas ruas revólveres e armas pesadas.

Já então pela tarde de domingo, anteontem, um grupo de irmãos que domina o tráfico de drogas e os assaltos na Vila Jardim Protásio Alves e imediações, deu ordem aos comerciantes da comunidade para fechar suas portas às 18h, o que aconteceu em todos os estabelecimentos, com exceção de um, que desafiou a ordem, certamente garantido por segurança privada reforçada.

A ordem anterior dos delinqüentes, de que os carros só podiam entrar na vila com os faróis desligados, foi deixada de lado.

Ou seja, o segundo toque de recolher dentro da mesma semana.

Para tranqüilizar o secretário Germano, que, sei, confia neste colunista, eu próprio ouvi pelo telefone relato circunstanciado de um morador que recebeu a ordem de fechar seu comércio. E o fechou.

Louve-se o esforço da área da segurança para não permitir que esse procedimento criminal não se torne rotina em Porto Alegre, com a tecnologia delinqüencial carioca e específica de fechamento do comércio pelos líderes do tráfico e dos assaltos se transferindo para Porto Alegre.

Mas essa é uma nova pressão arterial do crime a que as nossas autoridades policiais têm de ir se acostumando e fazendo tudo para baixá-la ou equilibrá-la, no metabolismo da cidade.

Quanto à utilização "política" do noticiário, não vejo nenhum indício dela, secretário Germano. Não garanto, mas parece-me ser isso inexato.

E o noticiário não é utilizado e não visa "a dar a impressão de desestruturação do trabalho policial".

O noticiário é em cima da notícia, vai lá na fonte primal e a colhe. Colhia-a no governo passado. E a colhe neste governo.

Diante das vozes queixosas das ruas e das vítimas, a imprensa não pode ter nenhum compromisso com o silêncio.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Luís Augusto Fischer
10/06/2003


A academia e as letras

Mas vamos conferir, ou, como se prefere hoje em dia, vamos checar o estado do debate: (1) Scliar é um escritor de obra madura, reconhecida, abrangente e de bom nível médio, com bons pontos altos, e por isso merece as glórias literárias; (2) a Academia, por extenso Academia Brasileira de Letras, vem tentando melhorar seu plantel, investindo ultimamente na sedução de escritores de obra qualificada (João Ubaldo Ribeiro, Carlos Heitor Cony, Raymundo Faoro), mais do que em figurões apenas aparentados com as melhores letras (Roberto Marinho, José Ribamar Sarney, Ivo Pitanguy); (3) a candidatura de Scliar nos fala muito de perto aos brios, porque parece ser uma compensação pela rejeição a que foi submetido Mario Quintana, que mais de uma vez embarcou na conversa da eleição.

Tudo somado, a sensação predominante é a de tomarmos a iminente eleição de Scliar como adequada, considerando as coisas pelo lado especificamente literário, e como justa, pelo lado político da nossa condição periférica. Mas não temos falado de outra dimensão da coisa toda: a ingenuidade do cidadão gaúcho médio no que se refere ao tema, ingenuidade que o faz pensar na eleição para a Academia como pensa na convocação de um jogador para a Seleção principal - isto é, como uma questão da Federação, da Igualdade de Direitos entre as províncias.

Trata-se de uma ilusão, é claro. A Academia não é uma instituição tão republicana, nem tão federativa assim. Que seja freqüentada por gente boa como os antes citados, entre outros, é uma casualidade, não uma determinação institucional ou uma vocação histórica. Muita gente literariamente irrelevante já vestiu fardão, assim como alguns gênios não entraram nela. Drummond recusou candidatar-se; Falcão não foi convocado para a Copa de 78. A Academia aumentará seu grau de proximidade em relação à vida literária brasileira com a entrada de Scliar, mas ainda tem muito que mudar para começar a ser de fato uma instituição representativa.

fischer@zerohora.com.br

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Liberato Vieira da Cunha
10/06/2003


Fábulas veríssimas

"Saio à noite em passeios solitários pelas ruas de Berkeley. É interessante andar por um mundo de desconhecidos. É quase o mesmo que não existir. Agora eu sei como deve sentir-se um fantasma. Mas esse papel de espectro me agrada pelo que tem de novo e repousante. Diverte-me, dando-me além de tudo uma sensação de humildade e ao mesmo tempo de segurança."

O trecho aí em cima é de Erico e guarda uma tranqüila verdade, que independe dos tempos e dos ventos. Eu próprio a comprovei em distantes latitudes: há um estranho prazer em caminhar feito uma sombra por uma cidade que nunca se desvendará inteiramente a ti. Não há melhor exercício de solidão povoada.

Tanto quanto o parágrafo de branda humanidade que reproduzi, e que pode ser encontrado nas páginas de A Volta do Gato Preto, me impressiona a serena permanência de Erico. Esse livro retrata uma América que não mais existe, uma época que a História arquivou. Mas eu torno de vez em quando a ele, talvez por saudade do que não conheci, de um momento da longa trajetória do homem sobre a Terra em que era simples distinguir os mocinhos dos bandidos. Ou quem sabe pela razão mais lógica de que Erico é um grande escritor.

No último verão reli seus primeiros romances, que o converteram em um nome nacional, o único autor brasileiro a viver com o produto do que escrevia - e isto há mais de seis décadas. A Porto Alegre retratada neles é improvável, a começar porque ninguém se atreveu a erguer aqui o Edifício Megatério. E no entanto seus personagens e suas tramas me fascinam: são um convite irrecusável à reflexão e ao sonho.

Reincido também com alguma constância nos dois Gatos Pretos. Mas de toda a sua obra admirável meus preferidos são O Continente e o primeiro volume de Solo de Clarineta, nos quais, para dizer o mínimo, transparece sua alma. É rara - e falo aqui de toda a literatura em língua portuguesa - tão completa entrega de alguém a seus leitores, sem ocultar nenhum dos demônios e desejos de que se teceu sua vida pelos séculos dos séculos.

Noto porém que me faço algo solene. Erico não era. Erico era um narrador de fábulas. Todas de tal modo veríssimas que jamais descobres onde fala o memorialista, onde soa a voz do ficcionista.

Onde lês o corajoso testemunho do lúcido observador de sua circunstância, onde visitas a realidade transfigurada em faz-de-conta.
liberato.vieira@zerohora.com.br

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Lula responde a crianças de Pelotas



Estudantes exibem a carta do presidente da República, que já recebeu 1.056 correspondências enviadas por gaúchos (foto Nauro Júnior/ZH)


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Segunda-feira, Junho 09, 2003




UM CERTO CORAÇÃO


Tava tudo lá no cantinho,
amontoado, em caquinhos.
Eram tantos os pedaços,
tava tão quebrado,
tava todo estilhaçado.
Juntei com cuidado,
deu um trabalho...
foi demorado.
Havia uma parte
que nem tinha mais conserto,
tava cheia de defeito,
apesar disso,
fui dando um jeito.
Aí, comecei a reconstrução
levou um tempão,
quando tava tudo encaminhado,
que já tava tudo encaixado,
deu um problema,
ah meu Deus... que pena!
Passou um vendaval tremendo,
uma brisa, um vento....
nem sei....
e destruiu ele outra vez.
Foi difícil reunir tudo novamente,
quase fiquei doente.
Recomecei então a reconstrução,
sem a ajuda de ninguém,
pedir ajuda pra quem?
Aí, catei tudo aos pouquinhos,
com muito carinho.
Cada um dos caquinhos
tinha uma história,
um segredinho.
Fui pegando um por um,
juntando novamente,
ele foi ficando mais decente,
já tava até parecendo um coração,
apesar de muito carente.
Mas agora dentro dele,
não tinha mais emoção,
ele tava vazio
oco e frio.
Não batia mais alucinado,
isso agora era coisa do passado.
Guardei-o na gaveta,
só de recordação,
pra manter aquela ilusão.
Aquele coração....
num era mais o meu não,
o meu sempre foi quente,
animado e ardente,
e aquele tava retalhado,
frio e amargurado.
O coração que eu tinha no peito
não tinha defeito,
sangrava de todo jeito,
mas sabia bater com precisão.
Ele enchia o corpo de paixão,
transbordava a mente de ilusão,
arrepiava a pele de tesão,
ah!!....esse que tava estragado,
num era o meu não.
Vou deixar ele guardado,
prefiro viver sem coração
do que com esse remendado,
duro e maltratado,
seco e arruinado.
Se alguém por aí puder me ajudar,
eu vou gostar.
Preciso de outro novo pra comprar,
zero quilômetro, tinindo,
que não viva se partindo,
que não se iluda a todo instante,
que seja forte,
com um vermelho vibrante.
Dá pra você me ajudar?
Ei... você aí... que quebrou ele todinho,
que não lhe teve nenhum carinho.
Fique sabendo viu?
Ele num tinha garantia,
por tremenda covardia.

AUTOR DESCONHECIDO

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Bom esta semana todos estaremos mais sensíveis, afinal dia 12 é o dia dos namorados. No dia 13 é dia de Santo Antonio e há mensagens, out-doors, cartazes, enfim uma série de anúncios veiculados nos dizendo disso. Até achei interessante, hoje a tarde, um que dizia assim: "Mãe perdoa, namorado não". Entendi como se a gente tivesse esquecido, ou não comprado o presente para nossa mãe, tudo bem, ela até faz de conta que não é relevante. Agora o namorado, jamais terá o mesmo procedimento, e se você não cumprir com o hábito correrá o risco de ser passada adiante. Veja só.

Mas enfim, estão ai os compromissos para esta semana. E que compromissos. Boa sorte, e espero que você possa encontrar uma ótima opção. No fundo, acho que vale mesmo é o sentimento e não o bem material. Pois de nada adianta um presente valioso se não for verdadeiro o que tens no coração.

Aonde?

Ando a chamar por ti, demente, alucinada,
Aonde estás, amor? Aonde...aonde...aonde?...
O eco ao pé de mim segreda...desgraçada...
E só a voz do eco, irônica, responde!

Estendo os braços meus! Chamo por ti ainda!
O vento, aos meus ouvidos, soluça a murmurar;
Parece a tua voz, a tua voz tão linda
Cantando como um rio banhado de luar!

Eu grito a minha dor, a minha dor intensa!
Esta saudade enorme, esta saudade imensa!
E só a voz do eco à minha voz responde..

Em gritos a chorar, soluço o nome teu
E grito ao mar, à terra, ao puro azul do céu:
Aonde estás amor? Aonde...aonde...aonde?...

Eu quero amar perdidamente

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder ... pra me encontrar

Adelia Prado

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Afeto

Muita gente vive preocupada com a possibilidade da falta de vitaminas e minerais em seu organismo, daí o consumo fantástico e abusivo de tônicos e fortificantes de efeito duvidoso, quase sempre inúteis, a não ser em casos de desnutrição. Poucos se preocupam com uma doença muito difundida que acomete pessoas de todos os níveis sociais e qualquer idade, cuja causa está na escassez do mais importante alimento do mundo: O AFETO.

Vivemos hoje voltados para dentro, tão absortos em nossas ambições, nosso trabalho, nossos problemas, que mal percebemos a existência de outros seres ao redor, de olhos postos em nós, na expectativa de uma palavra, um gesto de amor, uma atenção especial - e até nos lares infelizes, e especialmente aí, o problema é sentido de forma mais aguda.

Pais, filhos, avós, parentes, embora cumpram consciensiosamente suas obrigações e convivam em harmonia, na verdade estão afastados por falta de diálogo diário, na suposição errônea de que sabem que são amados e não há por que mostrar. De fato, qualquer pessoa pode sentir-se solitária no meio de entes queridos se não estiver ligada aos seus pensamentos, suas idéias e emoções.

Assim como o corpo requer suprimento diário para se manter forte, do mesmo modo a alma necessita renovar sua ração para manter-se firme, equilibrada e sadia. Seu principal alimento é o afeto, as vitaminas de que nutre chamam-se atenção, cortesia, consideração, presença. Ela, como os passarinhos, nutre-se de pequenas migalhas para ser feliz, que nada custam, mas cuja falta a faz minguar e morrer.

Precisamos dizer às pessoas que nos cercam, repetidas vezes, que pensamos nelas e que são necessárias para nós, pois todos só sentem-se bem quando são importantes para alguém. Quanto mais auto-suficiente e dominador for o indivíduo, maior a carência de afeto, a necessidade de sentir-se amado. Quanto mais se avança na idade, mais dependente e sedento fica-se de atenção dos que nos cercam, de um gesto de carinho que a maioria das pessoas, mesmo amando, é tão avara em dar.

Todos somos como as crianças, que sem receio solicitam incessantemente a atenção e a carícia dos pais. Não há nenhum tônico do coração ou dos nervos, nenhuma receita em toda a Medicina, que rejuvenesça mais, revigore e purifique a mente do que um ato de ternura, um beijo espontâneo, uma frase sincera de elogio. "Sinto-me tão feliz quando você está junto de mim". "Preciso tanto de você!" "Não sei o que seria de mim sem você."

São expressões que traduzem o que realmente sentimos, mas que raramente dizemos. É a melhor terapêutica para uma vida longa, o mais eficaz preventivo que conheço para evitar enfartes, úlceras, derrames e outros males que abreviam nossa existência neste atribulado planeta.

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A moeda e o amor

Falar em certo e errado é como examinar as duas faces de uma mesma moeda. A moeda é uma só, nada além de uma dualidade de perspectivas.

Ao aceitar que uma moeda é nada mais que uma moeda, você deve estar ciente da diferença entre as duas faces. O que é o ódio senão o desconhecimento do amor? E a mentira, senão a verdade distorcida? Todavia, cada um tem sua própria história pra contar sobre o que a vida é ou não.

Pergunto: como confirmar que uma pessoa está certa ou errada? A verdade é relativa à perspectiva do observador. Certo e errado, bem e mal, são polaridades de avaliação na mente de quem observa Ninguém é digno o bastante e sábio o bastante para julgar um semelhante.

Certo e errado são criações de uma mente polarizada e não a observação amorosa da vida, singela como ela é. E apenas na concepção da humanidade pode existir algo como a perfeição da vida. E no âmago da vida, há somente amor.

Vinicius de Morais

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Comida amiga
Qualidade da alimentação no trabalho tem peso nos resultados e deve receber atenção de empregadores e empregados
Leila Souza Lima

Quando se fala em alimentação no trabalho, não importam os meios, mas o que se põe no prato. Da pensão com comida caseira, passando pelo restaurante a quilo, até o prato a la carte, o importante é escolher alimentos de todos os grupos. Hábitos alimentares, dizem médicos e nutricionistas, também são responsáveis pela capacidade de produção, conseqüentemente, por resultados. Algumas empresas levam o assunto tão a sério que desenvolvem programas de educação internos e reservam boa parte dos investimentos para a área.

O Programa de Alimentação do Trabalhador do Ministério do Trabalho estabelece para refeições principais (almoço, jantar e ceia) mínimo de 1.400 calorias, admitindo-se redução para 1.200 calorias, no caso de atividade leve. Para o trabalho intenso, a taxa sobe para 1.600 calorias, mediante justificativa técnica. O percentual protéico-calórico (NdpCal) em todas as refeições deve ser de pelo menos 6%. Isso observando que é necessário ingerir alimentos de todos os grupos: massas, carnes, verduras e legumes. Mas será que todo mundo segue direitinho a regra?

Nutricionista deve participar de projetos alimentares

O ideal é ingerir calorias que supram as perdas. O prato deve ter 50% de carboidrato, 30% de proteína e o restante distribuído por gorduras e fibras. É o básico, ensina Veronica Figueiredo de Moraes, gerente de operações da GR Serviços de Alimentação. Mas ela afirma que a boa alimentação depende de iniciativa de ambos os lados do trabalhador e do patrão. A GR vai até as empresas parceiras e implementa ações de educação para que o trabalhador escolha melhor seus alimentos, além de criar campanhas de análise do condicionamento físico, tudo com foco na qualidade de vida, explica Veronica.

A nutricionista lembra que há regras impostas pela vigilância sanitária a serem seguidas por todos os refeitórios e restaurantes, dentro ou fora da empresa: temperatura de quentes e gelados, higiene na manipulação de alimentos, higiene ambiental, tempo de exposição da comida, entre outras. É fácil perceber se há problemas, através de sinais visuais e das sensações, como cheiros. A falta de cuidado pode causar intoxicações, frisa Veronica. A nutricionista destaca ainda que, em caso de desconfiança quanto à procedência dos produtos, é melhor não comê-los. E que verduras e legumes só podem ser consumidos crus quando higienizados. Se houver dúvida quanto a isso, é melhor esquecê-los e optar pelos cozidos.

Outro fator importante: é obrigatória a participação de nutricionistas em equipes multidisciplinares de entidades públicas ou particulares destinadas a planejar, coordenar, supervisionar, implementar, executar e avaliar políticas, programas, cursos, pesquisas ou eventos de qualquer natureza. Basta que estejam relacionados direta ou indiretamente a alimentação.

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Caixa terá aprendizes

Instituição está selecionando parceiros para viabilizar a contratação de jovens

Trezentos jovens poderão integrar o Programa Adolescente Aprendiz, promovido pela Caixa Econômica Federal, em parceria com entidades sem fins lucrativos. As contratações começarão em julho, e os candidatos devem ter de 15 a 16 anos. A meta é beneficiar 3.700 menores no País até o ano que vem. O programa visa oferecer o primeiro emprego com carteira assinada. Os jovens receberão salário mínimo e benefícios, como vale-transporte e alimentação.

É preciso estar pelo menos na 7ª série do Ensino Fundamental (1º Grau) e pertencer a famílias em que a renda por pessoa não passe de meio salário mínimo. O projeto é regido pela Lei de Aprendizagem 10.097, de 2000. As entidades interessadas devem estar inscritas nos Conselhos Municipais da Criança e do Adolescente e buscar informações por e-mail: cerhu@caixa.gov.br. A partir do dia 27, a Caixa divulgará a relação dos convênios que poderão ser procurados pelos estudantes.

Adolescentes terão aulas de cidadania

Inédito, o programa vai abrir caminho a jovens como William David Araújo da Silva, 16 anos, que entrou para a Caixa em setembro, segundo a lei para contratação de menores. Foi meu primeiro emprego com carteira assinada, um empurrãozinho, já que toda empresa pede experiência. E o legal é que, nas horas vagas, todo mundo me incentiva a aprender outras coisas, como mexer no microcomputador, conta William.

Os adolescentes terão carga de trabalho de cinco horas por dia, uma hora só para treinamento nas áreas administrativa e bancária. Fora do trabalho, eles terão aulas de cidadania e educação digital.

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Marco A. Birnfeld

Net condenada por imprudência na tentativa de desmontar a concorrência

A Net Sul Comunicações S/A foi condenada, na órbita da responsabilidade civil, pelo agir imprudente que se aproxima do dólo, por formular denúncia indevida contra sua pequena concorrente Canal Livre Sistema de Comunicação Ltda. e contra seu titular, engenheiro Ernesto Stapenhorst. Uma decisão da 10ª Câmara Cível do TJRS manda a Net pagar uma reparação de R$ 24 mil.
Os fatos lesivos ocorreram no dia 04 de junho de 2001. Na ocasião, agentes da 8ª DP, em diligência aparatosa, abordaram o engenheiro Ernesto em seu escritório, levando-o para depor. Simultaneamente, uma equipe dava buscas nos condomínios onde estaria ocorrendo a pirataria de sinal.

Ao concluir o inquérito, o delegado concluiu que face às diligências referentes ao mandado de busca, executado por agentes desta DP em companhia de técnicos da NET e de um representante jurídico, e após as oitivas das testemunhas e do acusado, deixamos de indiciá-lo por não vislumbrarmos qualquer ilícito penal que o mesmo possa ter praticado.Os supostos sinais pirateados eram, na verdade, regulares, pois gerados pela Tecsat, representada em Porto Alegre pela Canal Livre.
A empresa lesada e o engenheiro Ernesto Stapenhorst foram a Juízo, pedindo reparação financeira, mas não tiveram êxito no primeiro grau. A 10ª Câmara, porém, reformou a sentença da 7ª Vara Cível de Porto Alegre.

Para o desembargador Luiz Ary Vessini de Lima, nenhuma evidência suficientemente forte estava a justificar a precipitada denúncia e o corte manu militari que os técnicos da Net fizeram em instalações de terceiros. O julgado avança afirmando que a Net e seus prepostos agiram com inequívoca imprudência e imperícia, ao fazer a denúncia sem qualquer tipo de documentação, em especial pericial e fotográfica, baseando-se num suposto telefonema anônimo.

Para o relator o direito de combater a pirataria é legítimo, mas seu exercício tem que ser feito no limite da lei e no direito do próximo. Ao abordar a questão da imprudência da Net e reconhecer que ela ficou próxima do dólo, o julgado admite ter ocorrido manifesto interesse em desmontar a concorrência. Atuou em nome da Canal Livre e se seu titular o advogado Milton Carlos Löff. (Proc. nº 70005739529)

Pérolas processuais

1) De um relatório de fiscal do Banco do Brasil: Tendo em vista que o mutuário adquiriu aparelhagem para processar inseminação artificial e que um dos touros holandeses morreu, sugerimos que se fizesse o treinamento de uma pessoa para tal função¿.

2)De certidão de oficial de Justiça, após citar o réu em processo de execução: Desconfio que o executado está com intenção de pagar o débito.

3)De um despacho judicial: Sabendo-se que, na comarca, existem duas pessoas com o mesmo nome, cite-se também o homônimo para dizer de seu interesse no feito.
Frases extraídas de processos judiciais, enviadas por colaboradores

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Paulo Sant'ana
09/06/2003


Porre de impostos

Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas dá conta de que os brasileiros já levantam da cama pela manhã pagando impostos: 28% do creme dental, 32% do sabonete, 8% na tarifa de água e 25% na energia elétrica.

Quando toma café e consome seus itens favoritos - o café, o pão, os queijos, a manteiga -, o brasileiro paga 15% de impostos embutidos neles.

Se anda de ônibus ou de táxi, o imposto é de 5%. E se optar por uma bebida destilada, 65% do valor dela se constituirá em impostos. No caso da cerveja, o imposto gravado nela é de 30%.

Vinte e oito por cento dos preços dos remédios são destinados aos tributos. A grande mordida dos impostos se dá no preço dos combustíveis: 57% do preço de um litro de gasolina são devorados pelos impostos, contribuições e taxas.

Uma família, portanto, que ganhe R$ 3.748,80 por mês, 15,62 salários mínimos, gasta em impostos 30% desse total, o equivalente a R$ 1.124,64.

Desse total, 58% correspondem aos chamados "impostos invisíveis", aqueles que se embutem nos preços dos produtos e serviços (IPI, ICMS, ISS, Cofins, PIS e CPMF).

Sem falar no imposto de renda, no imposto predial, no IPVA, além da contribuição previdenciária.

O imposto de renda soma 14% do total dos impostos, enquanto que os impostos sobre o consumo vão a 45% do total de tributos cobrados da cidadania.

É uma fúria fiscal carnívora, que eleva a carga tributária brasileira para 36,45% do Produto Interno Bruto, nível que subiu para 41% no primeiro trimestre deste ano.

E cada vez mais todos os governos, municipais, estaduais e federais, a cada ano que passa, criam novos tributos e taxas, estando anunciada para logo em seguida a da Inspeção Veicular, em tudo redundante ao IPVA, mediante o qual já o contribuinte teria de ter seu carro inspecionado. É mais uma extorsão oficial a que todos os brasileiros proprietários de veículos serão submetidos.

Imensa farra fiscal que se derruba sobre os contribuintes, inapelavelmente.

Como a reforma previdenciária visa a tão-somente diminuir os ganhos dos servidores públicos, que terão seus proventos diminuídos na aposentadoria, enquanto suas despesas e os impostos que pagam continuarão sua sanha avassaladora - e obviamente a reforma previdenciária visa a tão-somente aumentar os impostos, a vida ficará insuportável no Brasil nos próximos anos.

Ser cadastrado nos bancos, nas áreas tributárias dos governos e no simples ato de consumo é uma condenação. Fecha-se um torniquete sinistro sobre as pessoas de bem.

Porque o mais confortável hoje no Brasil é ser clandestino, marginal ou traficante: não paga imposto. Mas onde quiser ser direito, é estrangulado pelos tributos.

O Paysandu, sem o Dario Pereira, que está chegando para o Grêmio, ganhou do Paraná ontem por 3 a 0.

Estes dias o São Paulo veio aqui no Olímpico, sem treinador, acabou ganhando do Grêmio por 2 a 1.

O Grêmio, sem o Tite, venceu o Fortaleza anteontem por 3 a 1.

Ou seja, está comprovado que treinador só atrapalha, sem ele os times deslancham e jogam livremente.

Eu até colocaria no Gre-Nal de domingo este mesmo time com que o Grêmio venceu o Fortaleza, sem seis titulares. Foi uma ótima atuação dos reservas, puro futebol, sem máscaras e sem expulsões. E, principalmente, sem treinador.

O time titular do Tite até então tinha só protagonizado fiascos.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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José Pedro Goulart
09/06/2003


Monogamia

Eu lembro bem daquele dia. Como poderia esquecer? Três amigos e eu subíamos a rua da minha casa conversando, bola de futebol debaixo do braço. Acho que eu tinha uns oito anos. Subitamente alguém fez a revelação que me deixou atordoado. Me disseram, e eu fui obrigado a acreditar tal a evidência do fato, que a minha mãe havia feito sexo com o meu pai. Quanto mais eu negava, mais eles apontavam para mim como sendo a prova definitiva. A minha própria mãe! A idéia de que havia infidelidade no mundo tinha sido cravada no meu coração feito uma estaca de vampiro.

Assim que esse é um assunto que sempre me inquietou. Não, não o da minha mãe a quem, aliás, eu já perdoei no ano passado. Mas o da fidelidade ou a idéia de uma relação monogâmica, estável e duradoura. E o que fazer com todas outras possibilidades? Como dominar a metralhadora giratória do desejo?

Sugiro um pequeno livro (121 páginas) sobre esse grande assunto: Monogamia. O autor, o psicanalista inglês Adam Philips, não tem nenhuma dúvida de que "a monogamia é a única questão filosófica séria". E se é uma "questão" é porque não há uma equação definitiva sobre o tema, mesmo porque não se trata de um julgamento moral. Mas a surpresa da abordagem está em aceitar a monogamia também como um ato de libertação. Isso depois de tantos anos em que o cinema ou a literatura, enfim, fizeram um tremendo esforço em tornar careta o casamento enquanto glamourizavam a galinhagem. A verdade é que, querendo ou não, a tal união monogâmica, estável e duradoura sobreviveu aos tempos modernos. E mais, faz sucesso.

Mas antes que se comemore a vitória da pantufa contra o salto alto é preciso compreender as razões do outro lado. Atire a primeira pedra aquele ou aquela que, estando numa relação monogâmica, nunca ficou olhando para as saídas de emergência, imaginando estar justamente ali, atrás de uma porta qualquer, o ser perfeito que irá lhe redimir daquela vidinha ordinária. A infidelidade é a ressurreição do desejo.

Adam Philips, entretanto, vê semelhanças nas atitudes daqueles que são monogâmicos e daqueles que não são. Ambos são idealistas quanto as suas convicções. Diferentemente dos céticos, esses é que são desalentadores, porque já partem para suas experiências convencidos de que se decepcionarão.
jose.pedro@zerohora.com.br

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Futebol
O novo Grêmio de Darío Pereyra



Técnico uruguaio fez um discurso realista e saudou a vitória gremista de 3 a 1 sobre o Fortaleza, sábado (foto Paulo Franken/ZH)


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