E N T R E L A Ç O S Testando cor de fundo
E N T R E L A Ç O S

Sábado, Junho 14, 2003




Maluquinhos

Inspirado na convivência com o filho Gabriel, Felipe Camargo adapta e dirige nova montagem do clássico de Ziraldo, que estréia hoje, na Gávea
Ana Lúcia do Vale

Era uma vez dois meninos maluquinhos: um grande e um pequenininho. Os dois tinham o olho maior que a barriga, vento nos pés, umas pernas enormes e muitos, muitos macaquinhos no sótão. ¿Somos maluquinhos sim¿, diz rindo Gabriel, de 10 anos, filho de Felipe Camargo, 42 anos, e Vera Fischer, 51, que deixou o pai cheio de idéias depois de receber a tarefa de ler na escola o best-seller de Ziraldo O Menino Maluquinho ¿ que já vendeu 2,5 milhões de exemplares. As idéias foram tantas, que Felipe não só adaptou, transformando o livro em peça infantil, como dirigiu o espetáculo que estréia hoje às 17h, no Teatro Vannucci, no Shopping da Gávea. ¿O livro do Ziraldo é o roteiro da infância de todos nós¿, diz Felipe.

Escrito em 1980, O Menino Maluquinho já foi adaptado para teatro, televisão e até cinema, por Helvécio Ratton. Para não se influenciar ao contar a história do garoto que faz estripulias, mas sente quando os pais se separam, Felipe preferiu não assistir ao filme. ¿O livro não tinha conflitos nem ação dramática. Coloquei isso e aumentei a cena da separação, que era menor no livro¿, explica Felipe, que, como o filho, também viveu a experiência da separação dos pais (Gabriel aos 4 anos e ele, aos 8). ¿Na maioria das vezes, o casal se separa por gostar de coisas diferentes. Mas o importante é criar um relacionamento amistoso depois¿, acredita.

No cenário do artista plástico Afonso Tostes, à direita do público, entre desenhos feitos por crianças, está lá o de Gabriel, em que ele fez dois ¿Maluquinhos¿ de panela na cabeça: um de patins e outro de skate. ¿Gosto de comédia e o livro tem isso¿, diz Gabriel.

A opinião do filho foi importante para Felipe. O menino assistiu ao ensaio da peça duas vezes. ¿Na primeira, disse que gostou. Na segunda, também usou poucas palavras, mas acrescentou um ¿muito¿. Ele fala pouco, como os meninos da idade, mas tem sensibilidade. Depois, fez várias observações bem pertinentes¿, diz o agora diretor, orgulhoso.

Com 14 atores no palco, Felipe não demorou a achar seu Maluquinho: fez testes e escolheu Jorge Neves, jovem protagonista de Mauá, O Imperador e o Rei, filme de Sérgio Rezende. Jorge acredita que estava meio predestinado para o papel. Nasceu há 23 anos, quando Ziraldo lançou o livro, que foi o primeiro que leu e a primeira peça que viu. Aconselhado por Felipe, não quer fazer uma caricatura infantil.

¿Não tem mentira para criança. Se ela não gosta, começa a gritar e quer logo ir ao banheiro¿, acredita Jorge. E o diretor acrescenta: ¿Procurei fazer a peça com o máximo de respeito às crianças, que são inteligentes e sensíveis. Não temos que dar tudo tatibitate¿. Que sejam felizes, como o Maluquinho foi no livro.

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Compra de imóvel mais ágil com o uso do FGTS
Dinheiro do fundo será liberado em três dias
Cristiane Campos

A liberação do uso do dinheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para compra da casa própria ficará mais fácil a partir de segunda-feira. A Caixa Econômica Federal substituiu o preenchimento do formulário, que contém cinco vias, pelo Sistema de Utilização do FGTS em Moradia Própria (Siump), totalmente informatizado. O trabalhador terá o dinheiro do fundo liberado em três dias úteis. Qualquer agente financeiro poderá enviar à Caixa suas solicitações de liberação de FGTS através da Internet.

O novo sistema vai permitir a compra de imóvel pronto, em construção, amortização e a liquidação de saldo devedor com uso do FGTS. Segundo o diretor da Caixa, Joaquim Lima, a amortização do saldo devedor será implantada no segundo semestre, porque ainda faltam alguns ajustes no sistema. ¿Para dar mais velocidade ao mercado de compra e venda, será firmado um convênio com os cartórios para diminuir prazos de validação dos documentos, de autorização do saque do FGTS e do registro de propriedade no cartório imobiliário¿, disse Lima.

São 400 mil saques por ano para compra do imóvel

Hoje, o trabalhador leva 30 dias para fazer a operação. Com o novo sistema e o convênio, o prazo será reduzido pela metade. A medida vai contribuir para aquecer o mercado imobiliário, que faz restrições quanto ao uso do FGTS e da carta de crédito, por causa da demora na liberação do dinheiro para o vendedor. ¿Queremos acabar com o preço diferenciado para a compra do imóvel com o FGTS. O serviço de despachantes será dispensado, porque o trabalhador poderá fazer a soliciatação de saque sozinho. O objetivo é baratear o custo final da moradia¿, afirmou Lima.

Anualmente, são feitos 400 mil saques para compra da casa própria ¿ R$ 3 bilhões ao todo. No período de transição, o trabalhador poderá encontrar os dois métodos nos agentes finaceiros, mas, a partir de setembro, só valerá o novo modelo.

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CORREIO DO POVO
PORTO ALEGRE, DOMINGO, 15 DE JUNHO DE 2003
Evento avalia atuação de bancos

Debater o papel das instituições financeiras no desenvolvimento social brasileiro é o objetivo do seminário 'Os Bancos, a Engenharia e o Desenvolvimento Nacional'. O encontro é organizado pela Federação Nacional dos Engenheiros e pelo Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul e ocorre nesta segunda-feira e na terça-feira no Centro de Eventos do Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre. Três focos principais de interesse serão abordados no seminário: apresentar a prefeituras e outras instituições os caminhos para que possam ter acesso a linhas de crédito disponíveis para investimentos; apresentar as linhas de investimento e fomento e as prioridades dos bancos públicos; e apresentar as formas de prestação de serviços de engenharia aos bancos.

A programação prevê que o ministro das Cidades, Olívio Dutra, e o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski, falem durante a abertura do encontro sobre 'A Política Nacional para o Desenvolvimento Urbano e Rural dos Municípios'. Também participarão diretores dos principais bancos públicos, que apresentarão projetos de desenvolvimento para áreas urbanas e rurais. O evento tem apoio do Banco do Brasil, Banrisul, BRDE, BNDES e Caixa Econômica Federal.

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Martha Medeiros
15/06/2003


Ilustríssimos

Sua família sempre lhe chamou de Guto, tanto que você já nem lembra que nome realmente tem. É Guto pra lá e pra cá. Foi Guto no jardim de infância, Guto no colégio, Guto no clube. Você tem todos os motivos, portanto, para ficar lívido e com as pernas bambas quando sua mãe grita lá do quarto: "Ricardo Augusto, venha já aqui". Ricardo Augusto??? Alguma você aprontou.

Por que cargas d'água somos tratados tão respeitosamente quando alguém está com vontade de nos enforcar? Sua mulher sempre lhe chamou de Beto: só lhe chama de Valter Alberto quando está a ponto de pedir o divórcio. E seu pai só lhe chama de Ana Beatriz quando avisa que a mesada será cortada. Por que cortar a mesada da sua Aninha, papai? A senhora sabe muito bem. Você acaba de virar senhora com 14 anos.

Recebo um monte de e-mails carinhosos que começam com um simples Martha, ou Cara Martha, ou Prezada Martha, uma intimidade natural, já que de certo modo participo da vida das pessoas através do jornal. Mas quando entra um e-mail intitulado Dona Martha, valha-me Jesus Cristo. Respiro fundo porque já sei que vão me detonar de cima a baixo, vão me chamar das coisas mais horríveis, vão me humilhar até me reduzirem a pó. Mas leio tudo, pois lá no finalzinho encontrarei o infalível "Cordialmente, fulano." Cordialmente é ótimo. Cordialmente, fui esculhambada.

E quando chega uma correspondência pra você em que no envelope está escrito Ilustríssima? Penso três mil vezes antes de abrir. Mas abro, mesmo sabendo que não é convite pra festa, pré-estréia de filme, desfile de moda, sessão de autógrafos ou inauguração de restaurante. Ilustríssima? Só pode ser convite para palestra de algum PhD em física quântica, para comemoração do bicentenário de uma loja de molduras ou convocação para reunião de condomínio. Os ilustríssimos não merecem se divertir.

Agora, pânico mesmo, só quando me chamam de Vossa Excelência. Como não sou o Presidente da República, volto a pensar três mil vezes antes de abrir a correspondência, mas resolvo não abrir coisa nenhuma. Só pode ser do Judiciário. Intimação pra depor.
martha.medeiros@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
15/06/2003


O dia 16 de junho é dedicado ao livro "Ulysses", de James Joyce
Foto(s): divulgação, Agência RBS/ZH

Um dia, um livro

Este dia 16 de junho é o Bloomsday, o Dia de Bloom. Quem foi Bloom? Um santo, como Santo Antônio ou São Jorge? Um mártir, como Tiradentes? Um herói, como Zumbi dos Palmares? Não. Leopold Bloom nunca existiu. Ele é o personagem literário do romance Ulysses, de James Joyce, cuja ação se passa em uma única cidade, Dublin, em um único dia, 16 de junho de 1904. Desde então os admiradores de Joyce, que hoje são legião, reúnem-se neste dia para uma verdadeira maratona de homenagens ao grande escritor, uma tradição que, aqui no Brasil, foi lançada pelo poeta e crítico paulista Haroldo de Campos.

O que torna Ulysses uma obra cult na literatura? A história, aparentemente, nada tem de sensacional, não é uma intriga mirabolante. Baseada, como o próprio nome do livro o indica, na Odisséia de Homero, gira basicamente em torno a três personagens: Stephen Dedalus, que está procurando o pai, Leopold Bloom, coletor de anúncios, e sua infiel esposa, Molly Bloom. Ao longo do dia, vários incidentes se sucedem, e, para narrá-los, Joyce usa uma linguagem completamente inovadora. Ele não se restringe ao inglês habitual, mas inventa constantemente palavras, o que se constitui num fascinante desafio para o leitor - Joyce disse que uma pessoa poderia dedicar a vida a ler e interpretar o seu livro, o que pode parecer exagero de autor orgulhoso, mas não o é. Traduzi-lo é uma tarefa gigantesca, como tem dito o nosso mestre Donaldo Schüler, que trabalha uma outra obra de Joyce, o Finnegans Wake.

É na verdade um trabalho de recriação. Ulysses foi traduzido por um outro mestre do idioma, Antonio Houaiss (isto mesmo, aquele do dicionário Houaiss), que teve, também, de recriar numerosos vocábulos. Tão difícil era o inglês de Ulysses, que os próprios tipógrafos se atrapalhavam; cerca de 1200 erros foram achados quando se comparou a obra impressa com o original. Muitos desses erros certamente foram objeto de grande reflexão por parte dos especialistas, o que faz lembrar uma historinha ocorrida aqui em Porto Alegre, com um filme de Jean-Luc Godard. Projetada em pré-estréia, a obra parecia incompreensível, mas logo surgiram teorias sobre o "sentido do tempo" em Godard, teorias que geraram muita discussão. Mas então se descobriu: o operador do cinema simplesmente tinha trocado a ordem dos rolos.

Publicado em 1922, o mesmo ano da Semana de Arte Moderna no Brasil, Ulysses representou, como esta, um escândalo literário. Rotulado como indecente, foi até objeto de uma ação judicial, sem falar em críticas contundentes: Virginia Woolf lamentou a "obsessão cloacal" de Joyce. O tempo mostrou, contudo, que se tratava de uma autêntica obra-prima. Meus dois trechos favoritos são primeiro aquele em que Joyce narra um trajeto feito por Bloom e Dedalus sob a forma de perguntas e respostas, como num catecismo ("Que reminiscências fizeram temporariamente franzir sua testa?

Reminiscências de coincidências, verdade mais estranha que ficção...") e depois, naturalmente, o monólogo final de Molly semiadormecida, páginas e páginas de fluxo de consciência, sem pontos, sem vírgulas, com um final comovedor ("puxei-o para mim de tal modo que pudesse sentir meus seios perfumados sim e seu coração batia loucamente e sim eu disse sim farei Sim.")

Sim. Atrás do Bloomsday há uma história de amor. Foi em 16 de junho de 1904 que Joyce levou a passear por Dublin Nora Barnacle, camareira de um hotel, por quem estava apaixonado. Casaram, e ela o acompanhou por várias cidades européias, onde Joyce lecionou inglês (inclusive para Italo Zvevo, o autor do fantástico A Consciência de Zeno). Como muitos escritores, Joyce tinha com sua cidade (e seu país) um caso de amor e ódio. Caso este que ele soube transformar numa obra-prima da modernidade literária.

Recado - falando em livro, em Saturno nos Trópicos menciono Robert Burton, autor de A Anatomia da Melancolia, que todo o mundo confunde com Richard Burton. Mas não se chateiem: no próprio livro este erro passou despercebido da revisão.

scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
15/06/2003


Os taxistas condenados

Dói na alma assistir à sorte do taxista Osvaldo Mazoni, com 68 anos, assassinado na noite de quinta-feira última na Vila Nova, enquanto fazia uma corrida para um casal de criminosos.

Ele apanhou seus assassinos no Shopping Praia de Belas, onde fazia ponto, sendo baleado na nuca e na perna num acesso sem saída da Vila Nova, permanecendo seu cadáver dentro do carro, com os algozes fugindo, depois de roubarem-lhe sua carteira com pequena quantia em dinheiro.

Um crime brutal, desnecessário e bárbaro.

Duas horas antes, na noite da mesma quinta-feira, outro taxista, Joci Leonel de Moura, com 60 anos, foi assaltado na Restinga Velha (mesma direção da Vila Nova), sendo baleado na boca. Até sexta-feira estava internado em estado grave no Hospital Moinhos de Vento, podendo vir a falecer.

Não conheço o caso dos outros municípios, dos outros Estados, nem dos outros países. Mas posso afirmar que não há profissão no mundo em que se corra maior risco de vida do que ser taxista em Porto Alegre.

A questão é aritmética: sabem por que é muito difícil acertar na Mega Sena? Porque concorrem junto com cada apostador que gasta R$ 1 em seu boleto outras 20 milhões de apostas idênticas. Concorrer contra 20 milhões é não ter quase a mínima chance.

Da mesma forma, com a loteria federal. Concorrem 100 mil bilhetes contra o bilhete da gente. É muito difícil ser premiado.

Pois bem, mas se apenas 400 apostas concorressem tanto na Mega Sena quanto na loteria federal, a chance de os apostadores se tornaria muito maior.

Quem apostasse em uma loteria qualquer que tivesse apenas 399 concorrentes contra si, se persistisse nessa aposta durante um, dois ou três anos, acabaria acertando no prêmio maior.

Porque isso é aritmético, é estatístico.

Pois é esta chance de ser afinal o grande vencedor de uma loteria que tenha apenas 400 apostadores, em um, dois ou três anos, que tem em realidade um taxista de Porto Alegre de vir a ser assaltado e assassinado, se trabalhar à noite.

É óbvia a explicação: 400 motoristas de táxi trabalham à noite em nossa capital, contra 4 mil que trabalham durante o dia.

Sendo assassinados de oito a 10 taxistas por ano em nossa cidade, às vezes mais, às vezes menos, o taxista que trabalhar entre cinco e 10 anos, durante a noite, aqui, será assassinado obrigatória e matematicamente. Isso se tiver sorte, porque se tiver azar pode ser assassinado no primeiro mês de trabalho à noite.

O leitor pode achar que isso é um exagero, mas não é. Esse taxista que foi assassinado na quinta-feira e o outro que está por morrer e foi também assaltado na mesma noite, tinha o primeiro 68 anos, cerca de 25 anos de profissão, o segundo tem 60 anos, mais de 20 de profissão. Era absolutamente esperado que sofressem esses ataques.

Porque assassinados são oito ou 10 taxistas por ano. Mas assaltados são cerca de 3 mil os taxistas, por ano, em Porto Alegre, quase 10 por dia.

Tanto que sempre que entro num táxi pergunto ao taxista quantas vezes ele foi assaltado. E não raro a maioria dos profissionais que entrevisto já foram assaltados de cinco a 10 vezes, dependendo do número de anos de trabalho que ostentam.

Agora coloque-se o leitor na pele dos familiares dos motoristas de táxi que trabalham à noite. E na pele dos próprios taxistas.

Eu converso com eles. São homens marcados para morrer no serviço. É fatal que isso aconteça, a menos que mudem de profissão.

Não tem jeito de evitar. É impossível selecionar as corridas. Já são poucos os clientes da noite, se forem se recusar a fazer corridas na atmosfera noturna, que quase sempre não inclui pessoas que estão se dirigindo para o trabalho, para os shoppings ou para os bancos, seus rendimentos, que já são poucos, reduzem-se terrivelmente ainda mais.

Ser motorista de táxi à noite em Porto Alegre é estar incluído na proporção inversa da Mega Sena: não ser assassinado em um, dois ou três anos será como ganhar o primeiro prêmio da loteria.

Vai morrer ali adiante. E é tremendamente sinistro que pessoas que ganham mal, que não possuem seguro de vida, que estejam nessa profissão para defender a sua sobrevivência, que se atiram para as noitadas de trabalho por absoluta necessidade, tal a imensa probabilidade de que serão assaltados, podendo ser assassinados, tanto que 90% dos taxistas não trabalham à noite em face do perigo que isso encerra e da probabilidade matemática de que perderão suas vidas, tenham de pagar esse tributo.

Mas alguém precisa ser taxista à noite. E cabem a esses mártires anônimos da comunidade o risco, o perigo e, pela estatística, a fatalidade de ter de trabalhar à noite.

Que vida tensa e arriscada levam estes homens. Que destino! Que sorte madrasta a dos homens que, vergastados pela necessidade, possuem a quase certeza que vão morrer no trabalho.

É um holocausto moderno e urbano. Uma barbárie e um genocídio.

Ergam junto ao Laçador uma estátua aos taxistas noturnos. Ninguém merece mais esta homenagem que estes nossos adrede condenados.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
15/06/2003


A cláusula do elevador

Porque eram precavidos, porque queriam que sua união desse certo, e principalmente porque eram advogados, fizeram um contrato nupcial. Um instrumento particular, só entre os dois, separado das formalidades usuais de um casamento civil. Nele estariam explicitados os deveres e os compromissos de cada um até que a morte - ou o descumprimento de qualquer uma das cláusulas - os separasse.

Passaram boa parte do noivado preparando o documento. Tudo correu bem até chegarem à cláusula que tratava da fidelidade. Ele ponderou, chamando-a de "cara colega", entre risadas (estavam na cama), que a obrigação de ser fiel deveria constar do contrato, claro, desde que a cláusula correspondente permitisse uma certa flexibilidade.

- Vejo que o nobre causídico advoga em sem-vergonhice própria - brincou ela, cutucando-o.

- Não, não - disse ele. - Só acho que devemos levar em consideração as hipóteses heterodoxas. As eventualidades aleatórias. As circunstâncias atenuantes. Em outras palavras, as oportunidades imperdíveis.

E exemplificou:

- Digamos que eu fique preso num elevador com a Luana Piovani.

- Sei.

- Só eu e ela.

- Certo.

- Depois de 10, 15 minutos, ela diz "calor, né?" e desabotoa a blusa. Mais 10 minutos e ela tira toda a roupa. Mais cinco minutos e ela diz "não adiantou" e começa a abrir o zíper da minha calça...

- Sim.

- O contrato deveria estabelecer que, em casos assim, eu estaria automaticamente liberado dos seus termos restritivos.

Ela concordou, em tese, mas argumentou que a licença pleiteada deveria ser mais específica, rechaçando a sugestão dele de que o inciso expiatório se referisse genericamente a "Luana Piovani ou similar". Depois de alguma discussão, ficou decidido que ele estaria automaticamente liberado da obrigação contratual de ser fiel a ela no caso de ficar preso num elevador com a Patrícia Pillar, a Luma de Oliveira ou uma das duas (ou as duas) moças do Tchan, além da Luana Piovani, se o socorro demorasse mais de 20 minutos.

Isso estabelecido, ela disse:

- No meu caso, deixa ver...

- Como, no seu caso?

- No caso de eu ficar presa num elevador com alguém.

- Defina "alguém".

- Sei lá. O Maurício Mattar. O Antônio Fagundes. O Vampeta.

- O Vampeta não!

- É só um exemplo.

- Não pode ser brasileiro!

- Ah é? Ah é?

Foi a primeira briga deles. Ele se considerava um homem moderno e um escravo da Justiça, mas aquilo era demais. Não conseguia imaginar ela presa num elevador com um homem irresistível, ainda mais com a absolvição pelo adultério garantida em contrato.

Sugeriu o Richard Gere. Ela não era louca pelo Richard Gere? O Richard Gere ele admitia. Ela achou muito engraçado. As chances de ela ficar presa num elevador com o Richard Gere eram muito menores do que as chances dele de ficar preso com a Luana Piovani, que morava no Brasil, ora faça-me o favor.

- Então, o Julio Iglesias.

- O quê?!

- O Julio Iglesias vem muito ao Brasil.

- Eu tenho horror do Julio Iglesias!

- Bom, se você vai começar a escolher...

Finalmente, chegaram a um acordo. Ele ainda relutou, mas no fim se viu sem nenhuma objeção convincente. Ela estaria liberada de ser fiel a ele se um dia ficasse presa num elevador com o Chico Buarque. Mas só com o Chico Buarque. E só se o socorro demorasse mais de uma hora!

Publicado no dia 7 de março de 1999. Luis Fernando Verissimo está de férias.

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Município
Cidade gaúcha, sotaque uruguaio

Gaúchos de Chuí têm suas vidas estreitamente ligadas ao Uruguai, como os irmãos Maurício e Bruna (foto) que estudam no país vizinho (foto Nauro Júnior/ZH)

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DIOGO MAINARDI
O nosso Berlusconi

"Lula é igual a Berlusconi. Pouco a pouco, os italianos estão se desencantando com seu primeiro-ministro. O populismo berlusconiano começa a perder o fascínio dois anos depois de conquistar o governo. Lula ainda chega lá"

Lula é igual a Silvio Berlusconi, o primeiro-ministro da Itália. É o Berlusconi da esquerda. Berlusconi assumiu o poder dois anos atrás com a promessa de reativar a economia italiana. Como nesse período a economia italiana ficou estagnada, crescendo ainda menos que a média européia, Berlusconi dobrou a aposta e passou a prometer que em breve o governo dará início a uma mítica fase dois. Lula adotou a linguagem berlusconiana e também prometeu dar início à fase dois. Essa fase dois, segundo o governo brasileiro, é um ciclo de desenvolvimento que irá gerar um crescimento de 4% do PIB. Berlusconi ganhou as eleições prometendo crescimento de 4% do PIB.

Berlusconi, como Lula, não gosta de ser interrogado pela imprensa. Prefere discursar para platéias de adoradores, indo de um lado para o outro do palco, com o microfone na mão, aplaudido pela claque, como um animador de auditório. Berlusconi não tem grande educação formal, mas seus escorregões gramaticais servem para tirar a pompa e aumentar a identificação do público. Em todas as ocasiões, Berlusconi conta a fábula de sua ascensão social. De origem humilde, tornou-se o homem mais rico da Itália, uma versão capitalista de Lula, o retirante nordestino que saiu do pau-de-arara para o Palácio do Planalto. O pensamento de Berlusconi só admite parábolas futebolísticas. Ao tratar de economia, da reforma previdenciária ou do Afeganistão, ele sempre cita o Milan, da mesma forma que Lula sempre cita o Corinthians. A diferença é que Berlusconi é dono do Milan, enquanto Lula não passa de um torcedor do Corinthians. É a diferença que há, atualmente, entre direita e esquerda.

Berlusconi acha que tudo pode ser resolvido com uma boa conversa. Os jantares em sua casa são mais importantes que as reuniões no Parlamento, mais ou menos como os churrascos de Lula. Berlusconi acha também que seu prestígio internacional pode levar a uma rápida solução dos maiores problemas da humanidade. Ele já se atribuiu o mérito de ter evitado uma crise nuclear entre Estados Unidos e Rússia, e, outro dia mesmo, em Israel, apresentou uma receita milagrosa para acabar o conflito no Oriente Médio. Lula é igual. Chegou à reunião do G-8 e logo tirou da cartola uma solução muito simples para a fome no mundo. Os países desenvolvidos ignoraram a proposta, mas nossos chargistas perceberam seu alcance histórico. Chico Caruso, na TV, mostrou Lula marcando um gol de letra contra a fome. Berlusconi e Lula contam com o apoio irrestrito da TV. Berlusconi é dono da TV italiana. Lula não é dono de nada, mas conhece o segredo do cofre para salvar os empresários do setor.

Outras analogias entre Berlusconi e Lula: ambos reclamam dos juros, ambos culpam os governos anteriores por seus fracassos, ambos concederam anistias fiscais para cobrir o rombo estatal, ambos pressionam o FMI para tirar os investimentos em infra-estrutura do cálculo do déficit, ambos prometem criar empregos através de incentivos à produção. Pouco a pouco, os italianos estão se desencantando com Berlusconi, como demonstraram as eleições da semana passada. O populismo berlusconiano começa a perder o fascínio dois anos depois de conquistar o governo. Lula ainda chega lá.

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EDIÇÃO Nº 1759

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Boa parte dos homens e mulheres não sente prazer com o sexo. A boa notícia é que há alternativas para tratar os problemas e virar esse jogo

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Especial
José Rainha Júnior, 42 anos, não ocupa nenhum cargo na hierarquia do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mas continua sendo o líder dos sem-terra com maior capacidade de atrair seguidores em todo o Brasil.

Brasil
Previdência: os servidores são minoria, custam caro, escoram-se em privilégios e argutamente passam a impressão de que são vítimas.
Partidos: Cúpula do PSDB sofre cobrança de um débito de 32 milhões de reais - quantia quase idêntica à soma de tudo que foi oficialmente gasto na campanha de José Serra à presidência.

Entrevista
Para José Bonifácio Sobrinho, o ex-todo-poderoso da Globo, as emissoras brasileiras fazem concessões desnecessárias ao mau gosto. "É desagradável ver televisão ao meu lado, eu mudo de canal o tempo todo", diz.

Internacional
Bombas e mísseis estouram no Oriente Médio e ameaçam o plano de paz para a região. O grupo extremista Hamas promete novas investidas contra os israelenses. O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, diz que se defenderá.

Arquitetura
O brasileiro Oscar Niemeyer é o convidado deste ano pela Galeria Serpentine, de Londres, uma das mais respeitáveis do mundo, para projetar seu pavilhão temporário de verão. A direção justificou a escolha com a seguinte definição: "Niemeyer é o Picasso da arquitetura."
No site: leia mais sobre o arquiteto.

Estética
Um aparelho chamado Visia é capaz de fazer um mapeamento minucioso da pele do rosto, revelando manchas e problemas invisíveis a olho nu.

Economia e Negócios
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reúne-se nesta semana com o presidente americano George W. Bush. No encontro os dois discutirão as vantagens e desvantagens da Alca para o Brasil.

Alimentos
Depois de mostrar diamantes e pérolas, o Museu de História Natural de Nova York faz uma exposição memorável sobre a história do chocolate.

Arqueologia
Pesquisadores ingleses acreditam ter identificado a múmia de Nefertiti, a rainha do Egito, famosa por sua beleza e morta há 3.300 anos. Os restos estão em estado deplorável, mas os traços do rosto e do pescoço guardam traços de altivez e elegância.

Segurança
Empresa brasileira começou a fabricar jaquetas e coletes à prova de bala desenhados especificamente para o público e o clima brasileiros. São roupas discretas e elegantes, o único problema é que pesam além do normal.

Guia
O que significam os nomes de produtos químicos que aparecem nos rótulos de comidas e bebidas industrializadas.

Moda
Adeus camiseta larga e bermuda velha. Ir à academia hoje requer, além de preparo físico, um visual caprichado e em alguns casos até roupa de grife.

Televisão
A série A Grande Família é o programa dos sonhos dos executivos da Globo atualmente. Ele é barato, custa menos de 200.000 reais por capítulo, alcança 40 pontos de Ibope e atinge público de todas as idades e classes sociais.

Cinema
O novo filme de Joel Shumacher, Por um Fio, que estréia sexta, conta a história de um jovem encurralado por um matador em uma cabine telefônica. É um retrato da hostilidade urbana.
No site: fotos e trailer do filme

Livros
Em São Francisco de Assis ¿ o Santo Relutante, o escritor americano Donald Spoto retrata o playboy e o trovador hedonista que, convertido, descobriu mais alegria em dividir do que em acumular.

Música
As gravadoras começaram a explorar um novo fenômeno: cantores que depois de dominar a arte de apresentar-se em botecos, criam discos que produzem fielmente seus shows.

Veja São Paulo
De Frente com Jô
O intrigante mundo de José Eugênio Soares, o homem de sorriso fácil e olhar enigmático que volta aos palcos paulistanos.

Veja Rio
Oásis no Comércio do Centro

Lojistas transformam edifícios de escritórios em shopping centers e se afastam das ruas apinhadas de camelôs.

O conteúdo integral das revistas estará disponível na internet a partir de sábado pela manhã

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Cláudio Moreno
03/06/2003


A Tróia de cada um

No Natal de 1829, o pequeno Heinrich Schliemann ganhou uma bela História Universal ilustrada para crianças. Ao ver a impressionante gravura que representava a tomada de Tróia pelos gregos, perguntou onde ficava aquela cidade fabulosa; o pai, sorrindo, informou-lhe que tudo não passava de uma lenda contada pela Ilíada de Homero. O menino de nove anos não se conformou: "Não pode ser. Um dia eu vou encontrar os restos desta cidade".

A partir deste dia, a Ilíada tornou-se sua companheira inseparável; sempre com ela na cabeça, trabalhou vários anos no comércio, viajou pelo vasto mundo, ganhou muito dinheiro com o ouro da Califórnia e ficou rico com a Guerra da Criméia. Em 1868, quatro décadas depois, ele pôde dedicar-se a seu sonho. Como acreditava que todas as referências geográficas de Homero eram verdadeiras, Schliemann foi afunilando a sua pesquisa até chegar a Hissarlik, na Turquia. Ali deviam estar as ruínas de Tróia, dentro de uma colina verdejante separada do mar por uma larga planície, certamente a mesma onde gregos e troianos tinham lutado por dez anos inteiros.

Convencido de que precisava de uma companheira para a grande empreitada, passou a procurar uma esposa que fosse grega, jovem, órfã e que apreciasse Homero. Dentre as várias candidatas, sobressaiu-se Sophia Ergastromenos, dona de todas essas qualidades e de outras mais; ela o acompanhou pelo resto da vida, trabalhando nas escavações, compartilhando suas vitórias e vindo a escrever, mais tarde, a sua biografia oficial. Em Hissarlik, Schliemann acabou descobrindo não uma, mas sete cidades enterradas na colina, umas sobre as outras, em camadas sucessivas que atravessavam vários milênios de história. Schliemann definiu uma delas como sendo a Tróia de Príamo, de cujas muralhas a bela Helena deve ter assistido à guerra que ela própria causou.

Ao apresentar ao mundo as riquezas que pertenciam ao tesouro de Príamo, ele ganhou celebridade instantânea e o ódio dos arqueólogos, que até hoje contestam o seu sucesso. Dizem que ele escolheu as ruínas erradas, destruiu vestígios importantes e inventou registros falsos em suas anotações. E daí? Ele teve fé em Homero - que é o mesmo que fé na infância - e encontrou sua Tróia, cumprindo assim a promessa que um menino fez a seu pai. Quem o entendeu mesmo foi Freud, o arqueólogo da alma humana, que disse invejar este homem que, junto com o tesouro de Príamo, tinha encontrado a rara felicidade de realizar o sonho de uma vida toda.
claudio.moreno@zerohora.com.br

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Lya Luft
14/06/2003


O menino e sua mãe

Faz uns 30 anos, um menino e sua mãe voltavam das compras no ônibus quase vazio. Ele segurava no colo o presente cobiçado: um microscópio "de verdade", dado pelo pai, mas a mãe fora com ele comprar. De vez em quando ele passava a mão no pacote: "Parece mentira, né, mãe?" Olhar sonhador. No meio do trajeto houve então um desses diálogos inesquecíveis.

- Mãe, que igreja é essa?

- Nossa Senhora Auxiliadora.

- Por que tem tanta Nossa Senhora? Não era só uma?

- É uma sim, filho, mas ela tem muitos nomes.

- E o Nosso Senhor é São Pedro, né?

- Não, é Jesus, ora. Quem casou com ela foi São José. São Pedro era amigo de Jesus. - a mãe suspirou: não praticar religião dava nisso.

- Ah... e por que o José não é o Nosso Senhor, se era casado com Nossa Senhora? - Os olhos azuis começavam a deixar a mãe inquieta.

- Acho que é porque Jesus e Nossa Senhora são mais importantes, filho.

- Mas o José não era pai dele?

- Não era de verdade, o pai dele era Deus, José era pai adotivo.

- Então Jesus não nasceu da sementinha do José?

O silêncio no ônibus começava a se tornar imenso. O menino falava em voz alta e clara, pra ele era tudo natural, assim ensinavam em casa.

- Não, filho, Deus fez brotar a sementinha direto em Nossa Senhora, foi um milagre.

- Ué, então não foi como nas pessoas? - (O silêncio do ônibus podia ser cortado com faca.) A mãe se fez de distraída, mas agora o menino pensava concentrado.

- Mãe, como é que antigamente as primeiras pessoas sabiam como se fazia pra ter bebê, se ninguém tinha ensinado elas?

- Ora, filho, essas coisas a natureza ensina.

- Mas a natureza não é pessoa pra ensinar a gente...

- Quer dizer, quando a gente cresce aprende por si.

- Mãe, olha, aí estava escrito Rua Mozart! Eu acho que ele mora aqui!

- Ele quem?

- O MOZART, mãe, ora. Quem ia ser?

- Não, filho, ele viveu na Europa.

- Ah é? Até achei que era nos Estados Unidos, onde moram as pessoas importantes, o presidente Kennedy e o Cyborg.

Finalmente desembarcaram; o menino retomou seu ar sonhdor e ainda segurando o pacote.

Mãe, como eu tenho um pai bom, né? - E acrescentou depressa: - Mãe também, é claro.
Lya.luft@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
14/06/2003


Um marginal do progresso
Este surgimento da era do conhecimento pela informatização apanhou-me no contrapé. Pensei que, depois de tantos anos de estudo, trabalho e até sacrifício pessoal para construir minha carreira, estava aparelhado profissionalmente para a luta dura da sobrevivência.

Jornalista e com o diploma de bacharel em Direito, imaginei-me completamente equipado para desenvolver uma dessas duas profissões - ou ambas - sem necessitar mais de qualquer preparo fundamental.

E de repente deparo com a vinda do computador, a modificar todas as relações humanas, desde a cultura até o lazer. E me sinto, por não ter-me atirado ainda a essa necessária e talvez imprescindível atividade, como um marginal do progresso e do conhecimento.

Eu pensei que tinha tudo e noto agora que não tenho nada. Devo começar novamente todo o meu aprendizado. Ou me familiarizo com a máquina ou logo em seguida estarei ultrapassado.

Tenho a sensação, portando um diploma de curso superior, de que terei de ingressar novamente no curso primário. Qualquer garoto que possua um Pentium hoje está à minha frente. E o grande trunfo que eu tinha sobre todos os jovens, a experiência, desapareceu completamente nessa onda maluca de software e hardware que varre os meus arredores.

Até o meu poeta preferido, Augusto dos Anjos, cujo livro surrado e páginas amareladas guardo com cuidado na gaveta, está na Internet. Todos os seus poemas, ali prontinhos a se estalar diante dos olhos mediante uma simples digitação. E todos os outros poetas. E todos os escritores. E todos os jornais, e todas as manchetes deles em todo o mundo.

E todas as doenças catalogadas, os tratamentos respectivos prescritos, até com os remédios e a posologia. E a mágica maravilhosa dos

CD-ROMs, a História, a Ciência, as Artes, a Geografia, a comunicação instantânea com as pessoas de todos os povos, tudo isso ali oferecido na geringonça estupenda que traz todo o mundo de fora para dentro de casa, reunindo serviços que antes eram dispersos e de acesso difícil, demorado ou custoso, como as bibliotecas, as pinacotecas, as escolas, a televisão, o jornal, o rádio, as atividades lúdicas em geral, a informação e a cultura. E a tormentosa dificuldade de memorizar o conhecimento agora facilitada banalmente pelo computador.

Ou faço urgentemente um curso de informática e me introduzo de volta ao mundo, que passou por mim como um cavalo de eletricidade, deixando-me desaparecido na poeira de um atraso violento e repentino, ou afundo definitivamente como um ser primitivo, tonto entre os civilizados.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Chuvarada inunda ruas



Chuva da madrugada de ontem afetou especialmente a zona sul da Capital, como Belém Novo (foto Fabrício Barreto, especial/ZH)

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E hoje falei rapidamente com uma pessoa, sobre tarefas e rotinas, mas minha vontade era falar de outros assuntos, por exemplo de nós. Mas a voz, não saiu e a oportunidade pequenina acabou num piscar de olhos de um vento que passou. Escrevi e postei hoje a noite em outro endereço, que talvez divulgue oportunamente. Esta poesia ai abaixo tem uma musica linda e se voces quiserem ouvi-la deixo o link ai. Bons sonhos e que os anjinhos os protejam nesta noite e sempre.


N a m o r a r

Namorados, solteiros e casados

Um jeito de ser apaixonado

Um constante estado de cativar

Um infindável sentido de junto querer estar

Conjugação plena e infinita do verbo amar



Sentir no coração o mesmo palpitar

Inconfundível tremor só de pensar

Uma música marcada na memória

para eternamente lembrar

Sentir o mesmo perfume

mesmo quando junto não se está


Namorar...

Romântica expressão

do verbo amar!


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Sexta-feira, Junho 13, 2003




Reinventando Neruda
Antonio Carlos de Faria

Dia dos Namorados. Numa mesa do Villarino, um homem lê o pequeno livro que acaba de retirar de um embrulho de presente. "Cien Sonetos de Amor", de Pablo Neruda, edição original, garimpada em um sebo. O garçom se aproxima e o leitor pede um uísque.

O homem solitário saboreia com avidez os versos que Neruda escreveu em 1959. Quem o vê não desconfia que a leitura só há pouco tempo se tornou um de seus prazeres. O livro nem era para ele. Era para uma ex-namorada, um presente que ficou sem futuro e que ele resolveu se dar.

A namorada foi embora, mas ficou o Neruda que ele aprendeu a admirar por causa dela. Nos encontros dos dois, ambos aprenderam algumas coisas. Ela, depois de apreender o que estava disponível, decidiu que era hora de ir.

A iniciação a Neruda aconteceu aos poucos, durante momentos íntimos em que ela lhe recitava as poesias do chileno. Quando os versos começaram, ele fez um gracejo, manifestando que sua natureza rude não era suscetível a tais sutilezas. Ela sorriu e pediu para ele ser paciente, pois iria ouvir algo sobre a carnalidade do mundo.

O namoro terminara há alguns meses, mas ele continuou apaixonado. Não por ela, mas pela poesia. Não por uma mulher, mas pela mulher. O leitor solitário aprendera com o poeta que objeto da paixão pode ter várias faces.

A leitura no Villarino não é um acaso. Nos anos 50, Neruda visitou o pequeno bar do centro do Rio e deixou poemas em suas paredes, já cobertas por criações dos freqüentadores, entre elas poesias de Vinicius de Moraes e os primeiros compassos de Aquarela do Brasil, por Ary Barroso.

A tradição registra que o antigo dono do bar, revoltado com os calotes constantes, decidiu pintar aqueles painéis, pois não admitia que além de não ser pago ainda fornecesse espaço para que seus devedores se imortalizassem.

Os versos de Neruda não permaneceram nas paredes, mas o leitor solitário está ali para reinventá-los em seu rito pessoal.

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Sanduíche à gaúcha

Rodrigo Fonseca


Entra em cartaz Arizona nunca mais 2, ops!, entra em cartaz o novo filme dos irmãos Joel e Ethan Coen, tsc!, quer dizer, entra em cartaz um filme muito na linha daquilo que os irmão Coen fazem, e... ah, deixa pra lá. Só não esqueça a analogia. Pense o seguinte: O homem que copiava, uma comédia de amor, suspense e ação como há muito não se via, é um misto quente à gaúcha, gostoso pra burro, que reinventa uma série de clichês que o cinema esgotou.

O parentesco com a obra os diretores de Fargo vem daí. Da habilidade de usar a força da arte da palavra (leia-se roteiro) em comunhão com a pintura de paisagens fílmicas (isto é, fotografia) para injetar novidade em situações surradas que, uma vez em cena, fazem o espectador pensar, refletir e se divertir. Isso é culpa de Jorge Furtado, um cara em quem a galera do cinema deve prestar muita atenção. Afinal, se já brilhava majestoso na seara dos curtas-metragens com seus Ilha das flores e Sanduíche, ele agora periga virar rei também nos longas-metragens.

Sua primeira incursão por essa praia já havia sido uma festa: a comédia romântica Houve uma vez dois verões, que dialogava com os mesmos elementos deste charmoso noir clean. Mas em O homem que copiava ele deixou de lado a timidez de principiante no formato dos longas e soltou sua verve de dramaturgo, mergulhando nas nuanças psicológicas de uma gente nem ruim nem boa feito a gente, para gerar uma fábula absurda sobre a aventura da paixão. Seu foco repousa em um quixote da periferia, André (Lázaro Ramos, infalível) e seu macunaímico Sancho Pança (Pedro Cardoso, que foge do tom caricatural de seus últimos trabalhos na TV, oferecendo um humor renovado).

Juntos, nas mãos do generoso Furtado, eles tentam dar seu recado em um universo cheio de perigos, de opressão. Um mundo parecido com os dos quadrinhos, mas bastante real. O que torna o filme uma experiência ainda mais intensa. Visceral. No mais do mesmo desta filosofice, um refresco: ver Luana Piovani turbinada, pondo uma calça apertadíssima, é um presente dos céus.

Três bons momentos

A GALINHA
O que faz o personagem de Pedro Cardoso com uma galinha no carro? Não é só você que não sabe. Os outros personagens do filme também não têm a mínima idéia do que ele possa estar tramando. Mas o bicho será importante para o ¿bom¿ desfecho da história.

O POEMA
Os papos de Sílvia (Leandra Leal) e André (Lázaro Ramos) são muito legais. O primeiro presente que ela dá ao rapaz é um livro de sonetos de Shakespeare. Na cena, uma seqüência lenta e lírica, a garota explica o sentido do texto a André, verso por verso.

NA CAMA
Cardoso (Pedro Cardoso) insiste, insiste e, quase no fim do filme, consegue ir pra cama com Marinês (Luana Piovani). Rola sexo, mas o espectador não vê nada. Ele fica tontinho com tanta beleza e até fuma uma caneta, isso mesmo, para tentar relaxar.

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O contador de boas histórias
Jorge Furtado faz uma fábula despretensiosa sobre a juventude sem perspectiva

Homem que copiava é um filme raro na atual cinematografia brasileira. O segundo longa de Jorge Furtado dribla maiores pretensões. Não é resultado de adaptação de best-seller e tampouco esfrega tratados sociológicos nas fuças do espectador. O filme parte de uma história própria e simples, a partir da vidinha sem-graça de André (interpretado por Lázaro Ramos), um operador de fotocopiadora louco para ganhar algum dinheiro e conquistar a vizinha, a quem admira secretamente. Com as participações estelares de Luana Piovani - em sua segunda incursão na tela grande - e de Pedro Cardoso e seus contornos ora de suspense policial, ora de comédia romântica, o longa, cheio de referências da cultura pop, poderia se passar perfeitamente por um ''filme-pipoca'' nacional. E, no entanto, em suas sutilezas, faz um retrato muito eficiente de uma numerosa porção de brasileiros, situada entre os miseráveis e a classe média, que conta seus trocados para continuar vivendo - sem estereotipar, definir ou glamourizar seus mocinhos e bandidos.

A estréia em cerca de 75 salas das principais capitais do país revela a confiança na popularidade de O homem que copiava. Tarefa facilitada pelas diversas leituras de um filme, que o próprio diretor define como uma colagem. ''Poderíamos descrevê-lo como uma comédia com Luana Piovani, ou um longa sobre a má distribuição de renda no país, ou poderíamos dizer para os psicanalistas que é um filme sobre uma jovem que tenta matar o pai'', brinca Furtado. ''É uma tática eficiente da dramaturgia. Não precisa entregar tudo de cara, logo no cartaz''. Lázaro Ramos, ótimo na pele de André, também confia na amplitude do filme. ''O homem que copiava levanta questionamentos que eram meus quando jovem. Fala para jovens que sonham com um futuro melhor e não sabem como chegar lá'', diz.

À primeira vista uma história simples, ela se descortina em um conto genuinamente brasileiro - e, va lá, com uma generosa dose da tal contrapartida social para dar e vender. André, o protagonista, ganha dois salários mínimos: na primeira cena, abandona a carne no caixa do supermercado só para poder comprar fósforos; Sílvia, a paixão platônica, trabalha como vendedora e sonha conhecer o Rio; Marinês, a amiga, deseja se casar com um holandês rico; e Cardoso, o futuro comparsa, quer ganhar dinheiro para conquistar Marinês. ''O dinheiro é o quinto elemento. É curioso como os filmes não falam tanto assim de dinheiro, quando é nele que as pessoas mais pensam'', analisa o diretor.

Sobram na tela atos moralmente repudiáveis, mas que, graças ao charme dos atores, acabam levando a torcida da platéia: desde a cópia de cédulas de dinheiro (que tiveram que ser entregues ao Banco Central logo após o término das filmagens), até um assalto a banco, se faz de tudo para crescer na vida. ''É uma fábula baseada em observação. Normal que as pessoas torçam por André. Hamlet e Romeu mataram às dezenas, mas eram os heróis'', justifica Furtado.

A série de desdobramentos e reviravoltas que movimentam o filme não perde o fluxo, cortesia de um roteiro preparado minuciosamente. Do primeiro dos 19 tratamentos de roteiro até a estréia foram sete anos. Planejado para ser o primeiro longa de Furtado nas telas - depois que Anchietanos, o projeto original, encontrou seu lugar num episódio de Comédia da vida privada, na Rede Globo, há dois anos -, o filme deu lugar ao juvenil Houve uma vez dois verões, rodado em dois meses pelo diretor com o objetivo de se exercitar um pouco. E, para O homem que copiava, apenas a preparação da apresentação de André durou mais de um ano para ser escrita.

O entrosamento entre os quatro atores principais transparece na tela, com ótimo resultado. Fora Lázaro Ramos, o trio formado por Leandra Leal, Luana Piovani e Pedro Cardoso já havia sido escolhido desde o início. E Furtado extrai ótimo desempenho de todos eles. ''A função primordial é escolher um bom elenco. Creio que o maior trabalho do diretor acontece antes das filmagens, e não durante'', afirma Furtado.

E é nestes quatro personagens que está focada a ação - junto com outros dois coadjuvantes, o traficante Feitosa e o padrasto da menina Sílvia (Júlio Andrade e Carlos Cunha Filho). Suficiente para o diretor e roteirista traçar um painel de um extrato social, de jovens sem formação profissional e sem muitas perspectivas no futuro. ''Gosto muito de histórias de pequenos formatos. Sinto que é melhor do que encher a tela de personagens. Com quatro, pode se desenvolver bem suas características, sem cair no estereótipo'', lembra o diretor.

Mesmo sem arroubos de experimentação, o filme mostra um lado inovador na sua linguagem, que mescla o ritmo das histórias em quadrinhos - presentes nas revistas Animal espalhadas pela mesa de André e na camiseta do Surfista prateado -, animações que surgem à vontade para traduzir alguns pensamentos de André, feitas por Allan Sieber (o criador do premiadíssimo curta Deus é pai), e dezenas de flashbacks. ''Como é muito difícil filmar cinema no Brasil, havia até pouco tempo atrás a idéia de que a cada filme era necessário inventar a roda. E, aos poucos, viu-se que contar uma história de cada vez, como o Beto Brant e a Suzana Amaral fazem, por exemplo, já é suficiente para mostrar um pedacinho do nosso país'', diz Jorge Furtado.

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Sexta-feira, 13 de junho de 2003
Joelmir Beting



Nosso cheque visado


Um quilo de petróleo vale, agora, nesta média diária de junho, na Bolsa de Londres, exatos US$ 0,17. Um quilo de ouro, na bolsa ao lado, em Londres, está cotado a US$ 10.122. Um quilo de cocaína genuína, segundo consta em Nova York, não sai ou não entra em qualquer mercado por menos de US$ 140 mil. Pois um quilo de hormônio do crescimento humano, sintetizado pela moderna engenharia genética, já está acima de US$ 20 milhões.

Essa comparação esdrúxula (eta, palavrinha esdrúxula) tem tudo a ver com a crescente relevância científica, econômica e estratégica dos arroubos da chamada bioeconomia, na garupa chipada da infoeconomia. Promessas de exploração monitorada e sustentável do patrimônio coletivo da biodiversidade universa.

Ocorre que o Brasil, gigante ainda deitado, é o titular soberano do maior repositório de biodiversidade do planeta, tal como a gente aprende na escola primária e declina no Hino Nacional. A novidade está nos primeiros ensaios de valoração econômica da biodiversidade verde-amarela.

Bem, há que se dar um desconto à chutometria que embasa simulações do gênero. A primeira delas é a suposição de que temos no território nacional, com sobras para a plataforma continental, uma fauna e flora de aproveitamento econômico a futuro da ordem de US$ 2,4 trilhões. Uau!

Esse número transitou em relatórios e manifestos encaixados na vasta agenda da Cúpula Mundial do Desenvolvimento Sustentável, a Rio+10, ano passado, na África do Sul. Longe ou perto da verdade, a ser considerada por volta de 2040, se tanto, o certo é que a biodiversidade brasileira, para além da Amazônia, equivale a um cheque visado, para saque futuro, emitido pela natureza em nome do Brasil. Ou como costumo dizer lá em casa: "Ah! Como eu gostaria de ser neto de mim mesmo!"

Do afluente mercado global do crédito de carbono, a partir do Brasil, aos recentes gols de placa da genômica brasileira, o importante é que, malgrado ainda deitados, já estamos acordados em nosso berço esplêndido. Esforço e talento são as moedas de ouro dos nossos pesquisadores. As moedas de chumbo ainda são o suporte institucional poroso e o capital de risco escasso.

Caso, por exemplo, do domínio do genoma do zebu brasileiro, boi de capim.

Projeto da Fapesp estatal, orçado em US$ 1 milhão e bancado pela parceria privada Central Bela Vista Genética Bovina. É uma corrida contra o relógio do genoma bovino americano, boi de ração. O projeto deles acaba de ser amarrado no Texas por um contracheque privado de US$ 50 milhões.

SECOS & MOLHADOS

Pelo nelore - Nosso primeiro genoma bovino privilegia o zebu Nelore, raça de maior extensão em nosso rebanho de 167 milhões de cabeças. A ordem é identificar genes de maior potencial para desenvolver e democratizar a reputação do Nelore em sanidade, rusticidade, produtividade e qualidade da carne.

Rede Onsa - Chamado Genoma Funcional do Boi, o projeto mexe com os 20 laboratórios da Rede Onsa, instituto virtual de genômica criado em 1997. A Fapesp espera concluir o seqüenciamento genético e a análise funcional até o final de 2003.

Em parceria - O modelo de genômica brasileiro apóia-se na parceria da atividade acadêmica com a iniciativa privada. Caso do Forest, projeto de genoma do eucalipto, em parceria com Ripasa, Suzano, Duratex e Votorantim (VCP). Ela também atua como incubadora de empresas de biotecnologia de origem acadêmica, tais como Alellyx, Scyla e Cana Vialis.

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José Simão
simao@uol.com.br


Buemba! Namorado entra numas e dá duas!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E três pensamentos fundamentais para o Dia dos Namorados. Pensamento um: 'Namorada é como carro, quando você já tem é que aparecem as oportunidades'. Pensamento dois: 'Se o teu namorado lhe trair, não pense em se atirar do prédio, lembre-se: você tem chifres e não asas!'. E pensamento três: 'O namoro vai pro brejo quando você engole muito sapo e come pouca perereca!'. E eu já disse que o meu primo vai dar um celular pra namorada: um OI e um tchau!

E avisa pro Lula que eu sei como passar as reformas sem machucar ninguém. Chama o Mantega. Com o Mantega as reformas passam mais fácil. E essa manifestação do contra em Brasília é praga do FHC Boca de Sovaco: 'O Lula ainda vai ter um PT pra encher o saco'. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

E uma amiga que namora um homem horroroso me disse que 'É melhor um feio na mão que dois lindos se beijando'. Rarará! E uma amiga minha vai comemorar o Dia dos Namorados tendo orgasmos múltiplos COM ECO. Pro prédio inteiro ouvir. E a Federação do Comércio declarou que vendeu mais no Dia dos Namorados que no Dia das Mães. É que mãe é mãe, tá sempre lá. Não pode pedir demissão!

E um cara me disse que não tem namorada porque com três quilos de silicone ele faz uma melhor em casa. E uma outra disse que não tem namorado porque homem só serve pra três coisas: trocar pneu do carro, abrir tampa de maionese e assistir ao programa do Milton Neves! E um outro me disse que está procurando uma namorada meiga. Meigalinha!

E o que você deu pra sua namorada? DEI DUAS! E aí uma outra foi jantar fora no Dia dos Namorados e pediu um pato. Aí chegou em casa e repetiu a dose: comeu outro pato. Rarará! E tem aquela traveca que cortou o pingolim e perdeu o namorado. O namorado perdeu o interesse. Ela cortou fora a única coisa que prendia o namorado! Rarará. E uma outra foi ver uma exposição de beijos no Dia dos Namorados mas me disse que há um ano não sabe o que é uma língua!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que a mãe de um amigo foi operada no Einstein e na sala de recuperação a enfermeira disse: 'Agora é só esperar o agente de transporte'. Tucanaram o maqueiro! Rarará!

Atenção. Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Abiscoitar': dar duas no Dia dos Namorados. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. UFA!

Email simao@uol.com.br

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David Coimbra
13/06/2003


Ovos em neve

Gosto do nome daquela comida: ovos em neve. Idílico. Evoca, sei lá, os Alpes. Ou os Andes. Minha irmã Silvia fazia muito isso, mas chamava pelo pouco poético nome de "clarada". Porque, afinal, ovos em neve nada mais são do que a clara do ovo misturada com açúcar e batidabatidabatida até se transformar numa espécie de algodão doce. Minha irmã só parou de fazer ovos em neve depois que adotamos uma codorna como bicho de estimação. É que o cocô da codorna é branquinho e molenga, igual aos ovos em neve. Então, minha irmã ficava com nojo. Clarada nunca mais.

Fui descobrir que a verdadeira identidade da clarada é ovos em neve bem mais tarde, a Silvia já desistira dela. Você talvez detivesse essa informação, mas de uma coisa não deve saber: como se chama a colher que batebatebate a clara até virar uma neve doce feito o afago da mulher amada? Aquela colher estranha, comprida, com uma ponta arredondada como se fosse o esqueleto de arame de uma lâmpada, como é seu nome?

Vou dizer: fuê. Descobri recentemente. Imagino que venha do francês, fuê tem um som afrancesado. Ainda não consta nos dicionários, mas suponho que em breve o Houaiss registrará: "Fuê - colher com a qual se batebatebate a clara até que ela se transforme em doces, vaporosos, inefáveis e alvos ovos em neve".

Encanta-me isso de haver nome para tudo em português, ainda que adaptado de outras línguas. Não há o que não tenha nome na língua falada por Camões e Wianey Carlet. Aqueles ossinhos dos dedos. Alguém os batizou de falange, falanginha e falangeta. Quem teve essa idéia tão bem-humorada? Só pode ter sido um gozador.

Aí está: houve gente que refletiu sobre as menores minudências, sobre cada dança semestral do Nordeste, sobre cada ânsia humana, sobre cada rebite ou botão ou parafuso, e lhes pespegou nomes em límpido português.

Há tantos nomes, tantos, que alguns objetos, ações e sentimentos levam mais de um. Tantos, tantos, que existem os jamais utilizados. O Ary Barroso, por exemplo, incrustou numa única música, a patriótica Aquarela do Brasil, não apenas um "inzoneiro", mas uma "merencória". Quem mais, além do Ary Barroso, algum dia falou essas palavras?

- Você está parecendo merencória, hoje, Cris...

- Merencória? Eu??? Merencória é a mãe!

Temos palavras para tudo, na língua portuguesa, a última flor do Lácio. Então, alguém aí por favor me diga: por que usamos delivery quando pedimos pizza? Por que falamos mixed crowd? Essa semana mesmo houve um encontro de publicitários na Serra. Imagino um cardume de carecas com rabo-de-cavalo falando upgrade. Por que os publicitários falam tanto upgrade??? Digam merencório, encham a boca com inzoneiro, mas upgrade, não. Não me venham com upgrade!
david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
13/06/2003


Uma passeata surrealista

O senhor Umberto Alencar Kober, residente em Dom Feliciano, é proprietário de posto de gasolina naquele município.

E manda dizer que não representam a verdade os e-mails que esta coluna recebeu daquela cidade, comunicando que o litro da gasolina comum estava custando nos postos R$ 2,50.

No seu posto de gasolina, o litro está sendo cobrado a R$ 2,35. Quinze centavos a menos do que o anunciado.

Pede o registro da inexatidão da notícia anteriormente divulgada.

Como a informação que o senhor Umberto tacha de errônea dizia que os três postos de combustíveis de Dom Feliciano cobravam R$ 2,50 pelo litro da gasolina comum, é de se concluir que os outros dois postos da cidade também não cobrem este preço, e sim os R$ 2,35 agora revelados.

É mais caro do que a média de Porto Alegre, mas não é o preço abusivo denunciado por alguns consumidores de lá.

Sem dúvida alguma, as manifestações ocorridas anteontem em Brasília vão entrar para a história da política nacional.

Havia 36 parlamentares federais do PT entre os manifestantes. A maioria deles votará a favor da reforma da Previdência. No entanto, juntaram-se aos servidores públicos na manifestação contra o governo e contra a reforma.

Não dá para entender. Ou, melhor, dá. É que esses deputados do PT estão sendo cabresteados pela direção partidária a votar a favor das reformas. No entanto, toda sua vida pública foi dedicada também à causa dos funcionários públicos, aproveitaram para integrar a procissão dos protestos, talvez na esperança de que o governo atenue as medidas mais severas da reforma.

Essa presença insólita dos deputados petistas que apóiam o governo na passeata demonstra cabalmente que eles violentarão suas consciências quando proferirem seus votos no plenário, a favor da reforma.

E ao mesmo tempo suscita uma confusão que hoje é a marca do estado de espírito dos petistas nesse episódio: votam com o governo, mas estão contra o governo.

Vai daí que cenas inusitadas ocorreram na manifestação que reuniu 20 mil pessoas em torno do Palácio do Planalto: tanto o líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino, quanto o novo presidente da CUT, Luiz Marinho, discursaram no palanque e seguiram juntos com a passeata debaixo de vaias dos manifestantes.

É a primeira vez que, em meio ao andor de um préstito de protestos, integrantes da própria passeata são hostilizados com ofensas, arremessos de garrafas de plástico e até de cusparadas por parte dos seus companheiros de manifestação.

Chama a atenção tanto a coragem do líder do PT na Câmara quanto a do presidente da CUT, que se mantiveram impávidos no comício, resistindo às agressões dos manifestantes.

E também o espírito democrático dos organizadores da manifestação, que mesmo repudiando a posição dos companheiros que estão a favor do governo, ainda assim permitiram que eles fossem até o fim do percurso. Poderiam tê-los expulsado das manifestações, mas aceitaram o contubérnio ideológico sem ação físico-administrativa mais radical.

Lula disse anteontem que "quem é dissidente é dissidente, quem é companheiro é companheiro". A aceitação pelos manifestantes da companhia na passeata dos que apóiam o governo demonstra uma mais civilizada compreensão: "Todos são companheiros, até mesmo os que apóiam o governo e estão contra nós".

O fato é que, chegado ao poder, o PT dividiu-se. E se se mantêm ainda íntegro é às custas de ameaças de expulsão do partido pelo governo e de cusparadas por parte dos discordantes do Planalto.

Mas o que mais intriga a todos os observadores políticos mais aguçados é que, se ainda há oposição no país, ela se pronuncia mais acentuadamente dentro do próprio PT.

Também é a primeira vez que um partido, ao mesmo tempo, lidera a situação e a oposição no país.

Por enquanto, essa contradição estupenda vai sobrevivendo. Ali adiante, pode estourar a pororoca.

Estarei hoje autografando meu novo livro no Big Cristal, das 18h às 20h.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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A trapalhada do homem mais poderoso do mundo

O presidente George W. Bush atrapalhou-se com o veículo Segway e quase caiu (foto Steven Senne, AP/ZH)

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Sou uma pessoa comum

Sara Maria Binatti dos Anjos

Sou uma pessoa comum.
Fui criada com princípios morais comuns.
Quando criança, ladrões tinham a aparência de ladrões e nossa única
preocupação em relação à segurança, era a de que os "lanterninhas" dos
cinemas nos expulsassem devido às batidas com os pés no chão, quando uma
determinada música era tocada no início dos filmes, nas matinês de
domingo.
Mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades presumidas,
dignas de respeito e consideração.
Quanto mais próximos e/ou mais velhos, mais afeto.
Inimaginável responder deseducadamente a policiais, mestres, idosos,
autoridades. Confiávamos nos adultos porque todos eram pais/mães de todas
as crianças da rua, do bairro, da cidade.
Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror.
Ouvindo hoje o jornal da noite, deu-me uma tristeza infinita por tudo que
perdemos. Por tudo o que meu filho precisa temer.
Pelo medo no olhar de crianças, jovens, velhos e adultos.
Matar os pais, os avós, violentar crianças, seqüestrar jovens, roubar,
enganar, passar a perna tudo virou banalidades de notícias policiais,
esquecidas após o primeiro intervalo comercial.
Agentes de trânsito multando infratores, são exploradores, funcionários de
indústrias de multas.
Policiais em blitz são abuso de autoridade.
Regalias em presídios são matéria votada em reuniões.
Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos
honestos.
Não levar vantagem é ser otário.
Pagar dívidas em dia é bancar o bobo, anistia para os caloteiros de
plantão.
Ladrões de terno e gravata, assassinos com cara de anjo, pedófilos de
cabelos brancos.
O que aconteceu conosco?
Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por
traficantes, grades em nossas portas e janelas. Crianças morrendo de
fome, gente com fome de morte.
Que valores são esses?
Carros que valem mais que abraço, filhos querendo-os como brindes por
passar de ano.
Celulares nas mochilas dos que recém largaram as fraldas.
TV, DVD, telefone, vídeo game, o que vai querer em troca desse amasso,
meu filho?
Mais vale um Armani do que um diploma. Mais vale um telão do que um papo.
Mais vale um baseado do que um sorvete. Mais valem dois vinténs do que
um gosto.
Que lares são esses?
Bom dia, boa noite, até mais. Jovens ausentes, pais ausentes, droga
presente e o presente uma droga.
O que é aquilo?
Uma árvore, uma galinha, uma estrela.
Quando foi que tudo sumiu ou virou ridículo?
Quando foi que sentí amor pela última vez? Quando foi que esquecí o nome
do meu vizinho? Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa,
comida, calçado sem sentir medo?
Quando foi que fechei a janela do meu carro?
Quando foi que me fechei?
Quero de volta a minha dignidade, a minha paz e o lugar onde o bem e o mal
são contrários, onde o mocinho luta com o bandido e o único medo é de quem
infringe, de quem rouba e mata.
Quero de volta a lei e a ordem.
Quero liberdade com segurança.
Quero tirar as grades da minha janela para tocar as flores.
Quero sentar na calçada, e minha porta aberta nas noites de verão.
Quero a honestidade como motivo de orgulho.
Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olho no olho.
Quero a vergonha, a solidariedade e a certeza do futuro.
Quero a esperança, a alegria.
Eu quero ser gente e não peça de um jogo manipulado por TV a cabo.
Eu quero a notícia boa, a descoberta da vacina, a plantação do
arroz. Eu quero ver os colonos na terra, as crianças no colégio, os
jovens divertindo-se, os velhinhos contando histórias..
Eu quero um emprego decente, um salário condizente, uma oportunidade a
mais.
Uma casa para todos, comida na mesa, saúde a mil.
Quero livros e cachorros e sapatos e água limpa.
Não quero listas de animais em extinção.
Não quero clone de gente, quero cópia das letras de música.
Eu quero voltar a ser feliz!
Quero dizer basta a esta inversão de valores e ideais.
Quero mandar calar a boca quem diz "a nível de", "neste país", "enquanto
pessoa", "eles têm que", "é preciso que".
Quero xingar quem joga lixo na rua, quem fura a fila, quem rouba um lápis,
quem ultrapassa a faixa, quem não usa cinto, quem não paga a conta, quem
não dignifica meu voto.
Quero rir de quem acha que precisa de silicone, lipoaspiração, implante,
dieta, cirurgia plástica, conta no banco, carro importado, laptop, bolsa
XYZ, calça ZYX para se sentir inserido no contexto ou ser "normal".
Abaixo a ditadura do "tem que", as receitas de bolo para viver melhor, as
técnicas para pensar, falar, sentir!
Abaixo o especialista, o sabe-tudo rodeado de microfones e câmeras!
Abaixo o "TER", viva o "SER"!
E viva o retorno da verdadeira vida, simples como uma gota de chuva,
limpa como um céu de abril, leve como a brisa da manhã!
E definitivamente comum, como eu.

Recebi da minha amiga Jane Marion - Thanks Jane - Eu também compartilho de tudo isso


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Quinta-feira, Junho 12, 2003




Achei interressante esta imagem ai acima e trouxe para voces, enquanto chove torrencialmente nesta Porto Alegre. Sempre achei que deveria chover só a noite enquanto a gente dormia, para não atrapalhar as pessoas que vão e que vem para lá e para cá, durante o dia. Mas a noite a chuva me parece ainda mais tristonha. Pois as histórias nem sempre são as melhores nos sonhos, quando chove e quando a gente sonha. Há sempre uma angustia maior ou uma maior melancolia.

Ai fico pensando, a noite também não é um bom horário para chover. Acho que São Pedro que é o que comanda a chuva deveria mesmo era fazer chover só quando eu estivesse com voce. Bem pertinho, conversando, tocando e sendo tocado, assim eu nem perceberia a chuva eu acredito.

Fiquem com os anjinhos e com os pingos desta chuva. Amanhã haverá sol, espero e o dia de sexta-feira será tranquilo e bonito.

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Para as poesias e o site da Fatima há um link ai a esquerda que sugiro para quem gosta de musica e mensagens legais como estas que tenho trazido para cá. Como tenhos compromissos e tarefas ainda a desenvolver, tenhamos todos um feliz fim de noite e até amanhã se Deus quiser e Ele há de querer.

Eu sinto medo de ti.
Medo das barreiras que me impões, sem palavras
e que meu coração interpreta angustiado
nas entrelinhas do que não dizes .

Eu sinto medo de ti.
Tua doçura é névoa tênue e traiçoeira
a esconder muralha férrea, com a qual me choco
tantas vezes, entre perplexa e aparvalhada.

Eu sinto medo de ti.
Porque és todo razão, auto-controle e frieza,
jamais te soltas e te desmanchas em paixão
e as vezes és de uma dureza à prova de qualquer compaixão.

Eu sinto medo de ti.
Porque és capaz de desnudar-me de todas as camadas,
deixando-me quase em carne viva,
enquanto não perdes sequer um pelo,
a pele ou o vício de lobo predador, velho de guerra,
conhecedor da minha alma e da alma de tantas mulheres.

Eu sinto medo de ti.
Porque sonegas os "backs" de todos os meus "feeds",
e negas respostas às perguntas cruciais.
Me tens nas mãos feito marionete,
me confundes e me desmontas sem nenhuma culpa,
como se minhas dores fossem banais.

Eu sinto medo do amor que me despertas, tão grande e visceral.
Sinto medo da amplidão de todas as minhas expectativas.
Sinto medo da mágoa, que intensa, caminha paralela ao meu amor;
Dos extremos, da luz e da escuridão, do céu e inferno,
dos tantos altos e baixos que permeiam cada capítulo e cada cena do nosso roteiro.

Ah! Homem amado e faceiro, pedaço de mal caminho
ladrão de corações, tinhoso e traiçoeiro!
Tens o condão de fazer-se amar !
Um dia ainda curo-me de ti e vou te deixar
E ao conseguir tal feito, presto aqui um juramento
Hei de deixar escrito um manual ou cartilha,
Para que outras não caiam na tua armadilha.

Fátima Irene Pinto®

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Você ama de verdade?

Escolhemos a capa desta edição toda em vermelho para celebrar a paixão, o amor que move os casais apaixonados. O Dia dos Namorados, que comemoramos hoje, levará um grande número de casais aos restaurantes e motéis da cidade e movimentará milhares de reais no comércio de presentes e flores. Tudo isso faz parte, mas a data nos favorece a pensar sobre o amor com a cabeça e com o coração. Assim fica muito fácil refletir sobre o relacionamento que estamos vivendo, ou sobre aquele que gostaríamos de viver, enfim. Não importa se você namora, é casada, amante... é preciso questionar, sempre, para que a convivência com a pessoa amada não seja apenas suportável. Todas merecemos e queremos muito e muito mais.

De qualquer forma, comece sempre por gostar de você. Sinta-se bonita, arrume-se para você, e não para os outros, assim, sua auto-estima fica lá em cima. Depois sim, você poderá viver um amor real, tranqüilo, amigo, cúmplice, companheiro, quente, que a motive a reinventar sua vida sempre que você perceber que algo não vai bem.

Para terminar essa nossa conversa, selecionei um trecho lindo da "Crônica de Amor", de Roberto Freire.

"Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece a razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera".

Marta Vicentin

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Por que você me amou?

Por todos aqueles momentos
em que você me deu a mão,
Pela verdade que me fez ver
Por toda alegria que entrou na minha vida
Por enxergar acertos
no que eu julgava fossem erros
Por ter tornado meu sonho real
Pelo amor que encontrei em você
Eternamente agradecerei

Você me deu a mão
me amparou e me acompanhou
Por tudo isto...

Por ter me dado forças quando eu fraquejava
Por ter dito por mim o que eu não pude dizer
Por me mostrar o que eu não podia ver.

Voce mostrou o que de melhor havia em mim
me levou até onde eu não julgava alcançar.
Você foi a fé que me fez acreditar.
Pude me descobrir
através do seu amor...

Você me deu asas, me fez voar.
Segurei a sua mão
e pude tocar o céu
Achei em você a fé, que imaginava perdida.
Aprendi com você a buscar uma estrela.
Com você, pude de novo caminhar.
O seu amor me fez sentir o universo.
Agradeço cada momento vivido
como uma benção recebida

Você, sempre presente
Você, o carinho amigo
Você, a luz do caminho
Você, a minha verdade
Você, com o seu amor
fez o meu mundo melhor

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Sinta o amor
Tahyane

Quando a noite chega
traz com ela um bálsamo,
a abertura para um momento de paz
que fará você esquecer as agitações do seu dia.

É um momento mágico, encantado
onde você poderá entrar em íntimo contato
com o amor, ele estará com você!

Você consegue senti-lo esta noite?...
Ele está onde você estiver
Ele vive em seu coração...
Feche os olhos para o que está lá fora,
aconchegue-se ao seu coração.
Para sentir o amor,
precisa apenas ouvir o seu coração

O amor vive no coração de cada um de nós
Não existe um só ser no universo
que não tenha a essência do amor
em seu coração...

Descubra o ritmo e a rima
do pulsar de seu coração
Sempre haverá um outro coração
pulsando no mesmo ritmo que o seu.
Você quer sentir o amor esta noite?...

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Voces encontrrão por aqui uma série de poesias em homenagem ao dia de hoje e aos enamorados. Parabéns aqueles que possuem um coracão ocupado por esse sentimento chamado AMOR e também aqueles que ainda o tem vago, mas que continuam na busca. Que ela seja breve. FELIZ DIA DOS NAMORADOS.

Contra-senso
Marta de Mesquita da Câmara

Oh, meu amor, escuta, estou aqui.
Pois o teu coração bem me conhece:
eu sou aquela voz que, em tanta prece,
endoideceu, chorou, gemeu por ti!

Sou eu, sou eu que ainda não morri
- nem a morte me quer, ao que parece -
e vinha renovar, se inda pudesse,
as horas dolorosas que vivi.

Oh, que insensato e louco é quem se ilude!
Quis fugir, esquecer-te, mas não pude...
Vê lá do que os teus olhos são capazes!

Deitando a vista pelo mundo além,
desisto de encontrar na vida um bem
que valha todo o mal que tu me fazes!

Indicação de Sergio Faraco, escritor

Jamais saberás

Jamais saberás, Amor,
Das vezes incontáveis que me vens à mente,
De como eu tenho te amado loucamente,
Sem poder gritar ao mundo esta afeição!

Jamais saberás, Amor,
Dos acordes do meu violão plangente,
Que me pego a tocar, pra ti somente,
Como que a alcançar teu coração!

Jamais saberás, Amor,
Dos meus lábios percorrendo a tela fria,
Onde, sereno, tu sorris pra minha alegria,
Qual se fora angélica visão!

Jamais saberás, Amor,
O quanto eu tenho procurado em teu semblante,
Um só tom que a mim não soe dissonante,
Nos acordes deste meu querer, em vão!

E ainda, Amor,
Que eu cante os meus delírios, sem procedimento,
Senão aqui, por certo te direi no firmamento,
Que és a minha luz, em forma de ilusão!

Fátima Irene Pinto