E N T R E L A Ç O S Testando cor de fundo
E N T R E L A Ç O S

Sábado, Junho 21, 2003




Moacyr Scliar
22/06/2003


As festas da inocência

O caipira chega na guichê da estação rodoviária da cidadezinha e pede:

- Moço, eu quero uma passage pro Esbui.

- Como disse?

- Eu quero uma passage pro Esbui.

- Esbui? Sinto muito, mas não temos passagem para Esbui.

O caipira então volta-se para o amigo que o aguarda na porta:

- Ói, Esbui, o óme falô que pr'ôce num tem passage, não!

A piadinha acima é uma das milhares que circulam na Internet sobre esse típico personagem brasileiro, o caipira. Como as outras, não têm muita graça; como as outras, debocha da ingenuidade do interiorano, o homem da roça, pouco familiarizado com a vida (e com a safadeza) da cidade. Mas é exatamente este homem da roça, o caipira, que as festas juninas celebram.

Festas alegres, claro, sem o apelo ao sexo que caracteriza o Carnaval: festas de brincadeiras inocentes, como eram as festas pagãs européias que, nesta época do ano, marcavam a chegada do verão e o começo da colheita. Noites quentes, que convidavam a ficar ao ar livre para jogos e brincadeiras. No Brasil, essas festas remetem à época em que a população era eminentemente rural; hoje, ao contrário, três quartas partes dos brasileiros vive nas grandes cidades, o que pode ter sido inevitável, mas dificilmente será considerado uma melhora.

De qualquer modo, o citadino brasileiro encontrou no caipira um alvo predileto de deboche. A própria palavra já é meio pejorativa; "caipira" poderia ser uma corruptela de caipora, aquela grotesca criatura do foclore que trazia infelicidade a quem o via. O caipira era visto como uma figura apática, passiva, da qual é exemplo o Jeca Tatu de Monteiro Lobato, personagem que teve duas versões. Na primeira, o escritor paulista descreveu o caboclo como um preguiçoso, um verdadeiro parasita. Depois, descobriu com os sanitaristas que o homem do campo era na realidade um doente, infestado de vermes, e escreveu um famoso texto pedindo perdão ao Jeca e oferecendo-lhe um tratamento, o Biotônico Fontoura.

Doente, pobre, o homem do campo mantinha, contudo, sua crença na espécie humana. Em vilas do Interior as portas não são chaveadas; as pessoas acolhem com a maior hospitalidade os desconhecidos.

Essa confiança foi aos poucos desaparecendo. A manchete de Zero Hora no último domingo falava no "país bandido", o Brasil do crime, da transgressão, ao qual devemos acrescentar o Brasil da corrupção, o Brasil da mentira e do engodo. Isso não é resultado da urbanização, que é, aliás, um processo inevitável; isso é resultado, antes de mais nada, de uma espantosa desigualdade social. Na cidade, e por causa da maior proximidade entre as pessoas, a desonestidade e o cinismo encontram terreno fértil; mas também é verdade que, na cidade, as pessoas podem conviver, podem se organizar, podem lutar juntas para melhorar suas vidas, coisa que o homem do campo, também explorado, dificilmente podia fazer.

Do Brasil rural ficou, portanto, uma dupla imagem, lírica de um lado e debochada de outro, e essa dupla imagem reaparece nos festejos juninos, por exemplo na tradicional cena do casamento da roça.

As crianças que se fantasiam de caipira sempre aparecem com o chapéu de palha, o lenço ao pescoço, o bigodinho - e, graças a um simples truque de maquiagem, desdentadas. Muito simbólico: era um Brasil desdentado, o do caipira. Desdentado, mas sorridente.
scliar@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Paulo Sant'ana
22/06/2003


O prazer sexual

A revista IstoÉ publicou na capa que 40% dos homens brasileiros têm ejaculação precoce e 27% das mulheres não têm orgasmo.

Mas que estranho páreo sexual é este em que uns cruzam indevidamente a fita de chegada e outros sequer se desgrudam do partidor?

Outra coisa que eu não entendo é como é que novilho precoce é tão delicioso e ejaculação precoce é uma porcaria.

Tenho um amigo que vê duas pragas caírem sobre si. Ele nunca teve o orgasmo ideal, que é o orgasmo longevo.

Ele sempre tem dois orgasmos no mesmo episódio: o primeiro é o precoce, o segundo é o tardio. Os dois o surpreendem sempre na direção do seu carro, à entrada e à saída do motel.

E ainda sai criticando a parceira, dizendo que ela não tem orgasmo.

E mais uma coisa me intriga profundamente: é que nunca ouvi falar, sequer uma vez, de orgasmo precoce feminino.

O que me faz compreender que, ao contrário do homem, que em alguns casos tem o orgasmo na hora errada, ou a mulher tem orgasmo na hora certa ou não tem acesso nenhum ao orgasmo.

Tenha-se como orgasmo na hora certa aquele em que o homem ou a mulher chegam ao êxtase sexual exatamente no momento em que se verifica o auge da excitação do parceiro ou parceira.

O ideal, quase nunca conseguido, é quando os dois parceiros são alvos do orgasmo no mesmo instante. O orgasmo simultâneo é uma loucura e por ele a paixão se incendeia.

Mas o ser humano é muito complicado neste aspecto. Dá para arrolar várias manifestações normais, porém excêntricas, outras doentias, da espécie humana: a libido sem potência, a potência sem libido (priapismo), o prazer sem orgasmo (incluída a ninfomania), o orgasmo sem prazer, a ejaculação sem orgasmo, o orgasmo sem ejaculação (freqüente nos imberbes), o meio orgasmo (comichão) e o orgasmo múltiplo (notável em algumas raras mulheres).

Pelo orgasmo múltiplo, se desata na pessoa, durante o ato sexual, um pináculo de sensações prazerosas, intensas e consecutivas, sem interrupção, mediante as quais vai se sucedendo uma incontrolável e benfazeja bateria de êxtases.

Acredita-se que a suprema realização da pessoa humana seja o orgasmo múltiplo, algo assim equiparável ao que Homero sentiu quando escreveu A Ilíada e Einstein ao acabar de desenvolver a teoria da relatividade.

Finalmente, um orgasmo muito verificado na natureza humana: o orgasmo onírico, manifestado num sonho.

O orgasmo onírico compreende três tipos. O primeiro é quando a pessoa tem um sonho proibido, no sonho ela pratica sexo com um parceiro ou parceira impossíveis, inacessíveis a ela na vida real.

O segundo tipo é aquele em que a pessoa sonha estar fazendo sexo com alguém que aparentemente não a interessa na vida real, mas que pelo sonho se revela então ser uma fantasia sua inconfessável.

E o terceiro tipo é aquele em que a pessoa sonha estar fazendo sexo com alguém que muito deseja ou muito desejou, talvez uma reminiscência.

Os orgasmos oníricos se verificam quase sempre que a pessoa que é paciente deles está vivendo um longo jejum sexual, sendo muito comum nos mosteiros, nos conventos e nos cárceres.

Isso comprova que a criatura humana é inseparável do sexo, é capaz de exercitá-lo até mesmo quando está dormindo.

No orgasmo onírico, tanto em homens quanto nas mulheres, verifica-se também a ejaculação.

E na grande maioria desses sonhos eróticos não sobrevém o orgasmo, interrompido pelo despertar da pessoa.

É o lamentado despertar precoce.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Bom é verdade tudo isso ai abaixo. Quantas vezes ficamos horas ou dias de cara amarrada por tão pouca coisa. E as 16:10 hs de hoje entrou o inverno que é a estação que mais turistas tras ao sul. Esperamos que eles sejam bem recebidos e desde já aceitem as boas vindas quando vierem para cá.

Martha Medeiros
22/06/2003


A porta do lado

Li uma ótima entrevista dada pelo médico Drauzio Varella à revista Marie Claire, não lembro exatamente em que edição. Disse ele na entrevista que a gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada. E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente. É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping). Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.

Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior. Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes. Será que nada dá errado pra eles? Dá aos montes. Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença.

O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote. Que audácia contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato. Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente. O mundo versus eles.

Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato. Eu ando deixando de graça, pra ser sincera. 24 horas têm sido pouco pra tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorada.

Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem, pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a porta do lado e vou tratar do que é importante de fato. Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado.
martha.medeiros@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Luis Fernando Verissimo
22/06/2003


O que eu pediria ao diabo

A lenda de Fausto e do seu pacto com o diabo foi usada por vários escritores, como Goethe e Thomas Mann, e interpretada de várias maneiras. Fausto simbolizaria a ambição humana pelo poder em trágico confronto com Deus e o destino, ou o espírito humano disposto a desafiar a natureza e a danação eterna pelo conhecimento, o que também acaba mal, mas traz a civilização. De qualquer jeito, é o mito inaugural do homem moderno, que sacrificou sua alma para ter a ciência. E é revivido cada vez que alguém precisa decidir, mesmo metaforicamente, se aceita ou não negociar a alma com o diabo. Ou que alguém apenas imagine como agiria na mesma situação.



* * *

Eu, por exemplo, já pensei muito no que pediria ao diabo em troca da minha alma. Depois de vencidas as primeiras etapas, de estabelecer contato (um anúncio nos classificados?), marcar o encontro ("Eu vou ser o único com chifres e cascos, não tem como errar"), submeter minha alma à avaliação (ela não deve valer muito mas dizem que o diabo não pechincha) e acertar os termos do contrato (meu advogado e um advogado do diabo), o que eu, finalmente, pediria? Já que não quero nem poder, nem glória, nem, na minha idade, loiras ilimitadas?


* * *

O diabo, acostumado a grandes transações através da história com a humanidade e o seu ego, talvez se surpreendesse com as minhas pretensões. Embora elas talvez fossem típicas de uma humanidade de classe média já descrente de qualquer transformação na sua espécie, um pouco enfarada dos grandes temas míticos e resignada à falta de grandeza em geral. Não, eu não pediria sabedoria e domínio sobre o tempo e o espaço. Pediria, para começar, que a minha mala fosse sempre a primeira a aparecer na esteira no aeroporto.

Posso ver a cara do diabo, diante do meu pedido.

- O quê?

- Quero que a minha mala seja sempre...

- Eu ouvi. Só não acreditei. Você tem certeza que é isso mesmo que quer? Em troca da sua alma?

- Para começar.

- Pense no que está fazendo! É a sua alma, a sua eternidade, que você está me entregando. E em troca quer essa... Essa mesquinharia?!

- Mesquinharia? Pra você. Minha mala nunca - nunca! - é a primeira a aparecer na esteira. É uma aberração estatística. Pelo menos uma vez ela poderia ter aparecido, mas nunca aconteceu. Quero ter a felicidade de ver a minha mala aparecer na frente das outras. E não uma vez. Todas as vezes!

- Você não quer conhecer os segredos da matéria e do universo? Você não quer todos os poderes do mundo?

- Quero um poder só.

- Qual?

- O de abrir celofane de CD com a unha, e rápido.

O diabo faz a pergunta com cara de quem prefere não ouvir a resposta:

- Como é?

- Quero o poder de arrancar o celofane que envolve os CDs usando só a unha, sem precisar recorrer a tesourinhas, facas ou dentes, rapidamente e na primeira tentativa.

- Está bem - suspira o diabo, desolado com a qualidade dos novos Faustos. - O que mais?

- Preciso pensar um pouco. O que mais? Ah, sim. Cartilagem de galinha.

O diabo não consegue mais nem falar. Me manda prosseguir com um gesto desanimado.

- Não quero mais ter a surpresa de morder uma cartilagem de galinha, frango ou galeto. Nunca mais. Pelo resto da vida.

O diabo parece estar a ponto de desistir, de mim e da minha alma. Ele deveria ter previsto isso quando o convenci a aceitar minha assinatura no contrato com Bic vermelha em vez de sangue. Mas o contrato está assinado e tem que ser honrado.

- Que mais? - pergunta o diabo, de olhos fechados.

- Vaga em estacionamento de shopping. Sem precisar rodar muito. Para sempre.

- Tá bom. Que mais?

- É isso.

O diabo abre os olhos. Tenta, pela última vez, dar um significado maior ao nosso encontro, ou um valor maior à sua compra.

- Você não quer que eu lhe revele a razão e o objetivo da vida?

- Tá doido.

- Não quer nada mais em troca da sua alma? Nenhum outro poder que a maioria dos mortais não tem?

- Nenhum.

Mas aí me ocorre outro.

- Ah sim. O poder de acertar o timer do video-cassete!

E então o diabo desiste.

Comente o texto acima:


Futebol
A paixão que vem do berço



Consulados mirins no interior e núcleos infantis são as mais recentes armas da dupla Gre-Nal para perpetuar um amor que, às vezes, começa no berçário (foto Ricardo Chaves/ZH)
O negro no futebol brasileiro

Comente o texto acima:




Palavras com P

"O crescimento tem a natureza de um palíndromo: falta de dinheiro, que tem o mesmo sentido quer se leia da esquerda para a direita, quer da direita para a esquerda"

Se o governo for bem-sucedido em usar seu primeiro ano para os "males necessários", aí incluídos o fim da inflação e a reforma da Previdência, terá feito uma aposta inteligente. Poderá, assim, reservar todo o restante da administração para seguir a sabedoria florentina de fazer o bem aos poucos e por período prolongado. Será necessário controlar ansiedades e, principalmente, ter sucesso em promover o crescimento, processo que nada tem de pacífico.

Ilustração Ale Setti

Com efeito, o país está prenhe de crescimento há muitos anos, mas parece tropeçar nas palavras, quando se trata de definir o "novo modelo". Com o propósito de esclarecer as preliminares para o crescimento, eis aqui um pequeno dicionário com verbetes, muitos com P, relevantes para o problema.

1. Primário. O leitor que ouve a expressão "superávit primário" pode ter a falsa percepção de que o governo possui uma sobra de dinheiro e não gasta porque não quer. Errado. O superávit primário, de 4,5% do PIB em doze meses, é o produto das contas do governo excluindo juros. É um artificialismo contábil, sem o qual temos déficit, e grande, de 4,8% do PIB. Perde-se muita precisão com o amplo uso do conceito "primário". Note-se que seria fácil propor, por exemplo, um superávit "principal", que exclui o resultado da Previdência, ou o "primordial", que não inclui os investimentos, ou o "proporcional", que aparta as despesas com pessoal. Todos teriam algum propósito, mas, de verdade, seriam apenas palavras com P com o fito de engabelar. O número que realmente conta, despesa menos receita, sem truques, tudo incluído, é o déficit nominal: aproximadamente 63 bilhões de reais nos últimos doze meses.

2. PIB. A despeito de o governo dar um prejuízo desse porte, todo ele coberto com novo endividamento público, a dívida pública como proporção do PIB permanece estável, ou mesmo caindo, graças em boa medida ao bendito denominador. O leitor com pendores matemáticos notará que algo está errado, pois o denominador não está crescendo. Procede, mas a conta é feita com o PIB nominal, o qual, ainda que parado em termos reais, cresce com a inflação.

3. Penúria. Afastados os truques acima explicados, a conclusão é que o setor público não tem dinheiro para investir, e a penúria é invariante a mudanças no conceito de déficit: qualquer aumento de despesa gera mais dívida, não importa se a nova despesa for financeira ou de investimentos em saneamento.

4. Investimento Privado. O total do investimento, público e privado, feito no Brasil deve andar por volta de 16% do PIB, menos da metade do que se observa nos países emergentes da Ásia. Não há outra explicação para o baixo crescimento no Brasil. O que ainda não foi inteiramente percebido é que, como o governo se encontra em estado de Penúria, caberá ao setor privado responder pela diferença. A técnica para acordar o investimento privado é um tanto diferente do que muitos imaginam: a vontade política não é relevante e a vontade privada é caprichosa.

5. Privatização. A mais maldita das palavras com P continua a fazer muito sentido na medida em que se trata de transferir responsabilidades de investimento para o setor privado, processo esse amplamente bem-sucedido em setores como siderurgia e telefonia. Pode ser mais difícil em setores nos quais interesses públicos e privados estejam em conflito. Mas novas possibilidades precisam ser pesquisadas.

6. Parceria Público-Privada (PPP). O tema tem sido bastante discutido, mas ainda não há muita clareza sobre seu significado, que pode perfeitamente ser apenas privatização prudente, por partes, pactuada ou apenas petista. O setor privado desconfia porque a hostilidade para com as agências reguladoras, ou para com os indexadores dos contratos de concessionários, para não falar em problemas em nível estadual, fez crescer a importância de duas palavras com R: risco regulatório.

Moral da história: o crescimento tem a natureza de um palíndromo ¿ um verso, palavra ou problema (falta de dinheiro) que tem o mesmo sentido quer se leia da esquerda para a direita, quer da direita para a esquerda.

Gustavo Franco é economista da PUC-RJ e ex-presidente do Banco Central
(gfranco@palavra.com, www.gfranco.com.br

Comente o texto acima:




PONTO DE VISTA: Stephen Kanitz

Não é fácil ser pai

"Todo brasileiro tem duas famílias para sustentar, a sua e o governo"

Se seu pai anda cansado, abatido, desmotivado e sem pique para conversar com você, quero apontar uma das razões desse desânimo. O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) acaba de realizar um estudo mostrando que a carga de impostos sobre a população brasileira chegou a 41% do PIB, neste primeiro trimestre de 2003. Nada a ver com o governo Lula, mas fruto de leis anteriores. Quando você nasceu, dezoito anos atrás, pagavam-se 20% do PIB em impostos. Mas esses valores não contam toda a verdade. O IBGE inclui no seu cálculo do PIB uma economia informal de 10%, na qual ninguém paga imposto. Portanto, o correto seria dizer que a CARGA TRIBUTÁRIA é de 45,5%, paga por 90% da população honesta. O governo só recebe 41% porque 10% da população não paga nada. Mas o drama não pára aí. Com a privatização de empresas públicas, quem custeia hoje os investimentos em telefonia, siderurgia, mineração, bancos, eletricidade e pedágios é a população. Os impostos deveriam ter diminuído com as economias da privatização, mas isso não aconteceu.

Ilustração Ale Setti



Em 1994, foi implantado um imposto sobre pequenas fortunas que ninguém percebeu, nem aprovou, muito menos calcula. Todo contribuinte de classe média tem de pagar todo ano de 15% a 20% sobre a inflação incidente em cima do seu pequeno patrimônio, incluindo casa, ações e aplicações financeiras. É que desde 1994 não se corrigem mais os valores da declaração de bens, e de lá para cá todos já estão devendo 25% de seus bens para o Erário, pagos no dia em que forem vendidos. Seu patrimônio tem os dias contados. Mas isso deixarei para os tributaristas e os contadores comentarem.

Como a taxação da renda chegou ao limite do politicamente aceitável, estudiosos estão recomendando taxar o patrimônio da classe média via outro imposto. Inicialmente, um imposto sobre as grandes fortunas e um aumento no imposto sobre herança para 45%, além de aumentos do IPTU e da manutenção da CPMF.

E tem mais: embora dívidas do governo não sejam consideradas imposto, elas são recursos que o governo gasta hoje e que você terá de saldar amanhã, com impostos futuros. Essas dívidas aumentaram nos últimos anos entre 2% e 4% ao ano. Se alguém fizer todas as contas, talvez chegue à conclusão de que já ultrapassamos em muito os 50% de taxação. E como sempre acontece com as médias, metade da população paga acima dela. Nesse caso, quem paga é a classe média. Rico tem paraíso fiscal, pobre tem pouca renda para taxar. Seu pai talvez já esteja na faixa dos 55%.

Todo brasileiro, portanto, tem duas famílias para sustentar, a sua e o governo. Além dos impostos, seus pais têm de pagar gastos com a saúde da família, a educação, a segurança e a previdência privada, antes função do Estado, e que segundo o mesmo estudo do IBPT aumentaram para 30% do PIB. Na Suécia, onde os impostos são elevados, o Estado devolve esse valor em serviços.

Deduzindo tudo isso, mais os custos fixos da família, mais os antidepressivos e o seu presente de Natal, não sobra nem 10% para o seu abnegado pai gastar egoisticamente com ele mesmo, tomando um chope com os amigos de vez em quando.

Mas nem isso é possível, a classe média recebe pedidos constantes das igrejas, das ONGs, inclusive meus, no sentido de que doem 10% de sua renda para uma campanha ou para a filantropia. Trabalhar para ficar com zero no fim do mês é muito desanimador. Com o aumento da carga tributária, essas doações foram, obviamente, as primeiras que a classe média reduziu. Por isso, a fome aumentou e os nossos problemas sociais cresceram. Razão pela qual mais impostos serão necessários.

Em resumo, seus pais trabalham que nem uns loucos para os outros. Essa abnegação altruística, esse trabalho voluntário, esse sacrifício para o bem público e da família são dignos de um santo.

Você não precisa agradecer o sacrifício, nenhum filho pediu para nascer, nem criou essa enxurrada de impostos. Mas, em lugar de recriminá-lo pelas horas que ele trabalha, motive-o de vez em quando. Beije-o cada vez que ele chegar em casa, abra mão da sua mesada e agradeça todo dia pela sua luta incansável em prol dos outros. Ele ficará extremamente feliz. E estude bastante, porque um dia quem pagará esses impostos será você.

Stephen Kanitz é administrador por Harvard
www.kanitz.com.br

Comente o texto acima:




DIOGO MAINARDI
E o Dirceu, hein?

"José Dirceu é considerado o mais refinado estrategista do PT. A refinada estratégia política que adotou, desde que assumiu o poder, consiste em distribuir empregos, premiando aliados e punindo opositores"

José Dirceu tem o poder de nomear quem ele quiser para o governo federal. Controla 17.851 vagas de primeiro, segundo e terceiro escalões. Ele acha pouco. Tão pouco que resolveu sair à caça de mais um cargo público, participando da festa de lançamento da candidatura do seu filho à prefeitura de uma pequena cidade no interior do Paraná. A festa foi promovida pelo apresentador Ratinho, cujo filho, Ratinho Júnior, também se lançou na política, tendo sido eleito para a Assembléia Legislativa do Estado. O governador do Paraná, Roberto Requião, prestigiou o evento.

Da mesma forma que José Dirceu e Ratinho, Requião sempre apoiou a carreira de seus familiares no aparelho estatal. Um de seus irmãos é secretário da Educação. Outro é superintendente do Porto de Paranaguá. Para dirigir o Museu Oscar Niemeyer, Requião apontou ninguém menos que sua mulher, Maristela. O Museu Oscar Niemeyer, inaugurado no ano passado, é o maior do Brasil, mas até hoje permanece deserto, porque não tem acervo próprio.

José Dirceu é considerado o mais refinado estrategista político do PT. A refinada estratégia política que adotou, desde que assumiu o poder, consiste em distribuir empregos, premiando aliados e punindo opositores. As empresas estatais sempre constituíram um precioso reservatório de cargos para a barganha política. É significativo que José Dirceu, no discurso de lançamento da candidatura do filho, tenha decretado o fim das privatizações no Brasil. É igualmente significativo que o encontro tenha contado com a presença de Jorge Samek, antigo secretário de Abastecimento de Requião e atual diretor de Itaipu, uma das principais estatais criadas pelo regime militar.

O mesmo regime militar que, perseguindo José Dirceu, o obrigou a refugiar-se no interior do Paraná, onde viveu sob falsa identidade e gerou o filho que acaba de se candidatar à prefeitura. O filho de José Dirceu apresenta-se aos eleitores com o apelido de Zeca do PT, como o governador de Mato Grosso do Sul, outro aliado do governo que tem o costume de rechear de parentes a administração pública. A mulher de Zeca do PT, Gilda dos Santos, coordena a política social de Mato Grosso do Sul, enquanto o sobrinho do governador, Vander Loubet, defende os interesses do Estado no Congresso Nacional.

Em quase seis meses de atuação parlamentar, Loubet apresentou cinco projetos. Um confere incentivos fiscais a municípios de Mato Grosso do Sul e os outros quatro outorgam concessões a emissoras de rádio. Loubet pronunciou também quatro discursos, em que ressaltou o compromisso do PT com o bem-estar da população, a importância da visita de Lula a Mato Grosso do Sul e a derrocada do modelo oligárquico e das práticas obsoletas que a eleição de seu tio, Zeca do PT, representa. O modelo oligárquico e as práticas obsoletas realmente terminaram no Brasil. José Dirceu que o diga.

Comente o texto acima:




A Veja andou reformulando o seu site, ao invés de melhorarem, estragaram tudo. É simples basta eles fazerem outra vez, quem não tem competência da primeira vez, tenta a segunda, a terceira e assim sucesssivamente. Ou então muda de ramo. Por esta razão e até que eles ajeitem tudo por lá, não dá para postar nada da revista.

Enquanto isso meus caros amigos a gente lê a Isto É que também está ótima.

Cores, cheiros, sons e sabores exercem um poder grandioso sobre os humanos. A ciência já sabia que entre os animais isso é freqüente, mas só recentemente é que se provou pela primeira vez que também somos influenciáveis pela magia dos afrodisíacos. A palavra vem de Afrodite, a deusa grega do amor, e está associada a tudo o que desperta o desejo, sexual ou não.

Longe dos laboratórios, é na vida real que essas bebidas, condimentos, fragrâncias, formas e substâncias podem deixar uma noite muito mais especial. ISTOÉ preparou uma galeria de fotos com dicas de afrodisíacos para fazer do seu Dia dos namorados uma data inesquecível. Acesse já e confira!






Comente o texto acima:




20 de junho de 2003

Caro assinante,
aqui estão os destaques de VEJA desta semana.
Boa leitura e bom fim de semana.
Kátia Perin - VEJA on-line (vejaonline@abril.com.br)

Especial
A discriminação sexual resiste, mas há sinais de que a luta contra o preconceito atravessa fase de transformação significativa. Em vez de manter o confinamento como técnica de defesa, os gays começam a se expor, a se exibir e a emergir. Muitos apostam que as piores barreiras já foram vencidas.

Brasil
Estava tudo na Carta ao Povo Brasileiro: No documento lançado há doze meses, o PT descrevia o que seria a sua gestão, e as promessas estão sendo respeitadas.
No site: leia notícias diárias sobre política

Começou a descida dos juros
Planalto não cede a pressões na Previdência
Poder de José Dirceu passa por lipoaspiração
As peripécias de Maluf pelos cassinos

Entrevista
O intelectual palestino Edward Said diz que o plano de paz proposto pelo governo americano para o Oriente Médio está fadado ao fracasso. E que é um erro enxergar os árabes como selvagens atrasados.
¿ No site: leia o especial A Questão Palestina

Internacional
Exilados iranianos recorrem à auto-imolação em série como forma de protesto na Europa. Em apenas dois dias da semana passada, oito pessoas transformaram-se em tochas humanas durante manifestações.

Tecnologia
Máquinas capazes de executar tarefas úteis dentro de casa chegam ao mercado. É o caso do robô aspirador de pó que possui sistema de ultra-som para desviar de degraus e móveis.

Realeza
O príncipe William, segundo na linha de sucessão à rainha Elizabeth, completou 21 anos e é hoje o membro mais popular da monarquia inglesa. A família real aposta em seu carisma e sua beleza - herdados da mãe, a princesa Diana - para garantir a simpatia dos súditos.

Aviação
Estados Unidos preparam festa de arromba para comemorar o centenário do vôo dos irmãos Wright, que, para os americanos, inventaram o avião. Nas homenagens, Santos Dumont é esquecido.
No site: galeria de fotos

Guia
Algumas companhias que voam do Brasil para o exterior fazem de seus cardápios uma introdução à cozinha de seus países. O serviço dá um upgrade no vôo.

Saúde
Há no Brasil um novo remédio para a calvície. Como os outros, ele não acaba com o problema, mas pode retardar a perda de cabelos.

Esporte
O meia inglês David Beckham é a maior estrela do futebol atual em termos de marketing. Ele tem a capacidade de gerar publicidade e vender produtos em escala global, tanto em proveito próprio quanto para o time.
No site: galeria de fotos do ídolo

Ginástica
Malabarismo, trapézio e outras técnicas circenses transformaram-se em modalidades esportivas dentro de algumas academias de São Paulo e Rio. Os exercícios não são tão eficientes quanto a aeróbica, mas divertem bem mais.

Cinema
Hulk, o novo filme de Ang Lee, tem uma ambição: casar o drama psicológico do personagem principal com a ação mirabolante que garante o caixa dos estúdios de Hollywood. A união, no entanto, parece que não deu certo.
No site: trailer e fotos do filme

Televisão
A atriz Giulia Gam faz sucesso como a obsessiva Heloísa, em Mulheres Apaixonadas. Longe da TV ela continua a interpretar papéis densos no teatro.
No site: outras fotos da atriz

Música
O herói da guitarra tornou-se uma relíquia da cultura pop. Uma prova cabal da decadência do estilo "soleiro" acaba de chegar às lojas no disco St. Anger da banda Metallica. Não há solos, firulas ou exibição de virtuosismo.
No site: ouça sucessos da banda

Veja São Paulo
Um luxo só
Mesas impecáveis, menus sofisticados e convidados milionários. Quem são e como recebem as maiores anfitriãs paulistanas.

Veja Rio
Inverno
Férias em clima de fazenda, quartos especiais para curtir o frio com luxo e conforto e os prazeres gastronômicos da temporada.

O conteúdo integral das revistas estará disponível
na internet a partir de sábado pela manhã

Comente o texto acima:




Lya Luft
21/06/2003


Por que escrever?

Escritores devem escrever, não falar. Mas talvez por ser uma espécie de moda, somos a toda hora interrogados, chamados a depor sobre nosso trabalho.

Há temas que se repetem, perguntas que se perpetuam; inquietações coincidem entre o escritor e seus leitores, entre quem dá algum depoimento e quem assiste. "Por que você escreve?" é a primeira e universal indagação.

Se entrevistarem 10 escritores, haverá 10 depoimentos diferentes. Cada um vive e trabalha do jeito que é: mais cerebral ou mais emotivo, mais racional ou mais intuitivo, mais ligado a temas históricos e sociais, ou escavando obsessivamente a paisagem interior. Nessas entrevistas, sempre me interessou mais o que o jornalista tinha a questionar. Muita reflexão levei desses encontros, muitas novas indagações.

Um escritor respondeu que se parasse de escrever morreria, portanto escrevia para não morrer; uma mulher dizia que escrevia para não enlouquecer, outra revela que o faz para ser amada.

Sou dos que escrevem como quem assobia no escuro: falando do que me deslumbra ou assusta desde criança, dialogando com o fascinante - às vezes trevoso - que espreita sobre meu ombro nas atividades mais cotidianas. Para mim, escrever é espreitar as águas interiores observando os vultos no fundo, misturados com minha imagem refletida na superfície.

Tudo isso é jogo - contraponto da vida concreta, onde, ao contrário do que alguns pensam, gosto mais do sol do que da sombra. Mas a sombra me interessa mais. Não vigio em quartos fechados, mas amo o vasto mar; não me esgueiro, mas - apesar de todas as fragilidades - avanço.

Minha literatura não emerge de águas tranqüilas: fala de minhas perplexidades enquanto ser humano, escorre de fendas onde se move algo que, inalcançável, me desafia. Embora alguns de meus livros recentes sejam mais doces, e neles eu exerça essa conversa ao pé do ouvido do leitor - meu amigo imaginário - que hoje tanto me agrada, quase sempre escrevo sobre o que não sei, e por isso me interessa, e por isso me preocupa ou assusta... e por isso me comove.

Criar personagens trágicos não significa que o autor seja pessimista: muitos humoristas são calados e deprimidos. Nem sempre a filosofia de meus personagens tem muito a ver com a minha, nem vivo as suas trajetórias. Mas sou mãe desses que dormem dentro de mim como filhos possíveis, sementes plenas do sono do fruto.

Tenho um olho otimista que vive (e convive) e um olho pensativo: este contempla, perscruta, inventa suas ficções. Talvez a resposta à pergunta eterna seja simplesmente: escrevo porque é isso que - bem ou mal - eu sei fazer. E que me salva, como me salvam o amor, a amizade, e a própria vida.

Comente o texto acima:




Ricardo Silvestrin
21/06/2003


Pila, pila, me dá, pila, pila!

Paul McCartney contou uma conversa sua com Michael Jackson. Foi na década de 80. O ex-Jackson Five pediu um conselho ao ex-Beatle: o que ele sugeria como uma boa aplicação para o dinheiro? Pois o Paul disse ao Michael que investisse em música, quem sabe criando um selo para novos artistas. Paul conta que um ano depois encontrou Michael, que lhe disse: "Segui o seu conselho, investi em música. Comprei todos os direitos de imagem dos Beatles".

Uma das tantas coisas em que fiquei pensando depois de ver o excelente filme do Jorge Furtado O Homem que Copiava foi na grana para a arte. No início, aparecem os apoiadores, e chamou a atenção que o filme recebeu o prêmio de um projeto do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Superlouvável a iniciativa do governo. Também palmas para todas as outras instituições privadas que botaram grana. Mas isso também aponta para um outro ponto. Provavelmente, se não tivessem havido nem o projeto nem os apoios, deixaria de ser realizado um filme cheio de qualidade. Nele, tem uma série de opções estéticas interessantíssimas de Jorge Furtado. Por exemplo, seu compromisso com uma visão crítica dos problemas sociais brasileiros.

Mas isso tratado num universo criativo novo, instigante. Não é o velho cinema brasileiro quase panfletário. Também não é um cineminha modernoso seqüelado. Furtado faz justiça com as próprias lentes quando resolve de maneira fantasiosa os problemas dos seus personagens, não os deixando realisticamente na pior, mas cinematograficamente numa boa. Mostra que gosta do seu povo e que, se dependesse dele, eles teriam o melhor dos tratamentos.

Outra opção da arte de Furtado: Porto Alegre. Pelo filme, de repente fica claro que é possível contar infinitas histórias dentro da mesma cidade. Os atores de fora do Estado, como Luana Piovani ou Pedro Cardoso, falam o nosso tu. É uma certa militância lingüística que coloca o nosso falar como possível. Contudo, uma obra rica como essa ainda precisa ficar juntando uma grana daqui, outra dali. Tudo bem que temos as leis de incentivo. Mas se você encontrar algum Michael Jackson gaúcho que não sabe o que fazer com o dinheiro, diga pra ele investir no nosso cinema. Mas investir como negócio, não como apoio pra receber desconto de imposto. Business, meu chapa. Ele tem aqui talento pra ganhar muito dinheiro.
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Paulo Sant'ana
21/06/2003


Ainda as caturritas

Lá do Ibama me telefonaram dizendo que estão me mandando as razões por que proibiram a caça dos marrecões e liberaram a caça às graciosas caturritas, o que lamentei aqui nesta coluna.

Logo que chegarem as razões do Ibama, irei publicá-las. Mas antes quero dar lugar aqui a um engenheiro agrônomo, que visivelmente entende do assunto e faz algumas revelações curiosas.

Eis seu e-mail: "Prezado Paulo Sant'Ana. Sensibilidade à parte, gostaria de falar-te um pouco sobre marrecões e caturritas. A natureza não tem fronteiras, marrecões são aves migratórias, como bem o dizes, vêm da Argentina e cruzam o pampa gaúcho, mas, acredite, são tão importantes naquele país quanto no nosso. Ao pousarem, em bando, nos banhados e pisotearem a lama de suas margens carregam, grudadas em suas patas, sementes minúsculas que vão sendo deixadas aqui, ali e acolá, ao longo de sua trajetória".

Continua: "São semeadores responsáveis pela dispersão de inúmeras espécies vegetais que de outros recursos não dispõem para fazê-lo. De tais plantas dependem peixes e outros seres vivos, já que a vida consiste em uma teia de total e harmônica interdependência.

E a caturrita, que é tão nossa, o que se passa com ela? Por que o seu abate é liberado? Isso advém da interferência do homem. Sempre que o homem rompe com o equilíbrio ambiental, a natureza retrata esse desequilíbrio de forma implacável. As caturritas, no Rio Grande do Sul, nunca foram problema para as lavouras (nota do colunista: será que o Ibama irá confirmar isso quando me enviar as suas razões?). Sua população estava em perfeita sintonia com o meio em que se desenvolvia. Então, introduziu-se o eucalipto, originário da Austrália, e ele desenvolveu-se muito bem em nosso Estado. Pelo seu rápido crescimento e múltiplas utilidades, o eucalipto incluiu-se em definitivo em nossa paisagem.

Enquanto isso acontecia, nossos bosques e capões de árvores nativas, muitas delas madeira de lei de excelente qualidade, foram cedendo espaço, abatidos para lenha e carvão, mourões, cabos de ferramentas etc.

Nossas matas, de porte relativamente baixo, abrigavam as caturritas, que construíam seus ninhos de forma que lhes é peculiar, mas sempre sujeitas ao ataque de predadores, também integrantes da natureza, num equilíbrio tal que uns e outros mantinham-se em quantidade compatível.

O eucalipto alto, solitário, em bosques, renques ou capões alienígenas, ensejou um novo patamar às caturritas, que logo encarapitaram seus ninhos no topo das árvores e assim fizeram-se inacessíveis a muitos dos seus predadores naturais. Daí o número excessivo de caturritas. Daí o problema que antes não existia e que hoje leva o Ibama a autorizar a matança de animais realmente tão nossos e tão graciosos.

Nenhuma ação contra a natureza resulta impune. Essa é a verdade. Abraços. (ass.) José da Costa Sacco".

O que recebo de e-mails pedindo que se afastem do Grêmio os dirigentes Luiz Eurico Vallandro e Luiz Onofre Meira, ambos de grandes serviços já prestados em outros anos ao clube, é um manancial.

Pedem que eles se demitam. Mas eles não se demitem.

Acontece que para os postos hoje ocupados por esses dois gremistas foram convidados vários conselheiros ilustres, inclusive ex-presidentes, como Cacalo, Adalberto Preiss, vários outros, mas ninguém aceitou a incumbência. Vallandro e Meira aceitaram. Mas não querem sair de jeito nenhum.

Então o Grêmio hoje se debate centralmente neste dilema sem solução: há uns que não querem pegar e há outros que não querem largar.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comente o texto acima:


Evento
Fãs gaúchos recebem Harry Potter



O lançamento do quinto livro da série do menino bruxo, Harry Potter e a Ordem do Fênix, teve festa e concurso de fantasias em Porto Alegre (foto Júlio Cordeiro/ZH)


Comente o texto acima:

Sexta-feira, Junho 20, 2003




HORA DO AMOR

PABLO NERUDA

Completamente bêbado de amor estou agora,
levantaram-se em minha alma as doçuras perdidas
as trêmulas campanas de uma vida sonora
carregam os celestes cansaços desta vida.

Vem crepúsculo morno, vem aurora rosada,
vem fragância de beijos, vem calor de mulher.
Tanto tempo já faz que não espero a amada,
que me mordem os cães do desejo e da sede.

Mas se bêbado vou de amor já não me importa,
a esperança longínqüa que não pode volver,
as minhas rosas levo se a vida me for curta,
é claro!, os meus rosais sei que vão florescer.

Se porém levo todo os meus rosais fechados
dá-me fraterna mão, dá-me um fruto Senhor,
da-me dois seios mornos e dois olhos amados,
porque sem eles, ai, que me vai ser do amor?

Comente o texto acima:




Ola meus amigos. Esta é a capa da Revista Isto É que já está online no www.terra.com.br/istoe para quem quiser adiantar a leitura. E no domingo com certeza estará em todas as bancas e numa bem pertinho ai de sua casa. Trás entre outras reportagens as boas e urgentes maneiras e escolhi estas na internete para voces.

1 Decrete o fim do spam, o famoso lixo virtual. Principalmente aquelas correntes engraçadinhas que terminam com mande esta mensagem para toda sua lista...
2 Use o sinal de baixa prioridade quando sua mensagem for uma brincadeira. O sinal de alta prioridade só deve ser usado em casos de real urgência.

3 Comece sua mensagem com uma saudação ao interlocutor. Oi, Joana, como vai? ou Prezado Renato são suficientes. É essencial que o destinatário sinta que o e-mail foi escrito exclusivamente para ele.

4 Quando enviar uma mensagem para várias pessoas, não exponha os endereços de todos no cabeçalho. Envie a mensagem para seu próprio endereço e mande cópia oculta para os outros.

5 Não escreva palavras apenas com letras maiúsculas. Na internet, escrever em maiúsculas é o mesmo que GRITAR.

6 Nunca deixe de preencher o campo assunto (ou subject). Assim, uma pessoa que recebe muitas mensagens pode escolher qual ler primeiro.

7 Em fóruns e listas de discussão, não manifeste comentários desnecessários. Também não use a lista para escrever para apenas um dos membros. Quando o fizer, peça desculpas.

8 Arquivos muito grandes sobrecarregam a caixa do destinatário. Fotos em alta resolução e programas, apenas quando solicitados.

Comente o texto acima:




Joelmir Beting
Sexta-feira, 20 de junho de 2003


Onde há fumaça


A fumaça do tabaco vai matar, este ano, perto de 5 milhões de fumantes em todo o mundo. Ou 0,5% dos 1,1 bilhão de dependentes. Palavra de Harlem Brundtland, diretora da Organização Mundial de Saúde (OMS). Isso já não é mais estatística. É um holocausto.

Eis que a própria OMS, ao fim e ao cabo de quatro anos de carpintaria diplomática, faz desfilar na mesa de governos e de Parlamentos de seus 192 países membros o texto final de um tratado global contra o tabaco. Minuta coordenada pelo diplomata brasileiro Luiz Felipe Seixas Correa.

Primeiro do gênero na área da Saúde, o tratado global vai precisar de apenas 40 signatários, ainda este ano, para entrar em vigor no ano que vem.

A exposição de motivos tem somente cinco palavras em todas as línguas:

tabaco faz mal pra saúde.

Nada de novo na frente ocidental. É o que se sabe desde que os colonizadores europeus transplantaram do Novo Mundo para o Velho Mundo o primeiro rolo de fumo de corda dos índios americanos. A novidade está no enfrentamento orquestrado do desafio, até aqui encarado em bases estritamente nacionais.

O tratado proíbe a publicidade do cigarro e afins em toda a multimídia moderna, restringe aqui e ali a livre comercialização do produto, recomenda a sobrecarga tributária do produto já devidamente confiscado e garante legitimidade jurídica a fumantes que apelam aos tribunais contra os fabricantes por danos causados pelo próprio hábito de fumar.

Para variar, nenhuma iniciativa sobre restrições à fabricação do cigarro ou ao cultivo do tabaco. Tem-se a impressão, mais uma vez, que o cigarro não faz mal à saúde. O que faz mal à saúde é a propaganda do cigarro. Proíbe-se a publicidade comercial e estamos todos com a consciência limpa pelo dever cumprido. Permanecem a salvo os impostos draculianos e os empregos diretos e indiretos nas lavouras, nas fábricas e no varejo mais capilar do Brasil e do mundo.

Outro reparo pertinente de estudiosos do melindroso assunto: restrições ao tabaco estão dourando o apelo do fruto proibido e atiçando o crime organizado para entrar de sola nesse megamercado. Mercado que declina nas classes A e B e avança nas classes C e D. O cigarro é o único lazer do pobre. Faz parte da cesta básica de quem não tem dinheiro para comida, para condução, para remédio.

A indústria do ramo, cada vez mais acuada, celebra a expansão dos negócios nos mercados emergentes da Ásia e da África e espanta-se com a explosão do mercado em todo o Leste Europeu, nova Meca do contrabando universal. O cigarro socialista era um quebra-peito insuportável. Agora, eles tragam Hollywood made in Brazil.

SECOS & MOLHADOS

Um minuto - Em janeiro de 1991, escombros do Muro ainda no asfalto, noite de inverno abaixo de zero, entrei numa histórica cervejaria de Berlim Oriental e não suportei sequer um minuto lá dentro. Todo mundo fumando ao mesmo tempo e já por longo tempo. Não dava para enxergar ninguém nas mesas ao lado. Havia camelôs de cigarros ocidentais do lado de fora.

Um sufoco - Fumei dos 19 aos 40 anos. Fumava mais de três maços por dia. Reduzir a carga para um ou dois maços era um sacrifício. Então, sacrifício por sacrifício, parei de fumar da noite para o dia. No dia de Natal de 1976. Sofri três meses de cão, com dores de estômago, tontura, insônia e nervos à flor da pele.

Nunca mais - A ruptura foi tão penosa que, até por causa disso, nunca mais coloquei um cigarro na boca. Nem charuto. Pois já lá se vão 26 anos e meio e a vontade de fumar não me largou até hoje.

Comente o texto acima:




José Simão
simao@uol.com.br


Lulalá Urgente! O sapo virou príncipe!

Buemba! Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional! Direto da República da Língua Plesa! Direto do País da Piada Pronta! Manchete de um jornal do Amazonas: ´Detentas femininas formam quadrilha para comemorar festa junina´. E o sapo virou príncipe! O Lula recebeu o prêmio Príncipe das Astúrias. É o conto da Bela Adormecida: o sapo barbudo virou príncipe! E o FHC deve ter subido no salto Luís 15 de tanta inveja. E os juros? Caíram 0,5%. Cortaram um dedinho! Rarará!

E um leitor de Crato, no Ceará, foi pro supermercado comprar pão, e a data da fabricação era o dia seguinte. Inventaram o PÃO PRÉ-DATADO! E eu adoro aquela seção dos jornais: ´O que abre e o que fecha no feriadão´. As pernas! Perna e porta de geladeira! Rarará! E aí diz que o professor perguntou pra loira: ´Qual o órgão do corpo humano que pode crescer 80 vezes?´. ´O pênis!´ ´Pode perder as esperanças, é o útero.´ Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

Tormento Econômico. E aí o lojista perguntou pro cliente: ´Seu cheque tem garantia?´. ´Tem sim, devolução garantida.´ E o que mais corre nos shoppings agora é cheque-boi: o comerciante olha pro cheque e diz HUUUUMMM! E novo slogan do SPC: ´Agora só falta você´. Aliás, chifre e nome no SPC, um dia você vai ter! E a situação tá tão braba que já estão vendendo raspadinha de viagra. Garantia de meia hora!

E feriadão é bom pra pagar pedágio. O famoso Roubágio! A única coisa boa do pedágio é que estão aceitando Visa. Socorro.
Antes a gente usava cartão pra ir pra Miami. Agora a gente usa cartão pra ir pra Maresias! Aliás, sabe o que um amigo meu fez no pedágio? Desceu do carro e cantou o Hino Nacional: ´Ó pátria amada idolatrada, pague pague´.

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que um amigo meu de Rio Claro foi estacionar no shopping e ficou seguindo as placas ´estacionamento alternativo´ e caiu numa barroca. Tucanaram o terreno baldio. E, em Porto Alegre, legalizaram a profissão de ´condutor de veículo vertical´. Tucanaram o ascensorista. Socorro. Chama a Swat e a Heloísa Helena pra eliminar o tucanês!

E atenção. Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. ´Quem foi Passos Dias Aguiar?´: motorista do Lula! Rarará! Quanto mais infame, melhor! ´Estouro´: touro que vai pra Parada Gay. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã!
Por hoje é só. Pra feriadão tá muito bom. Eu não vou ficar queimando piada e depois o povo volta de viagem, e eu vou ter que contar tudo de novo! UFA!

Comente o texto acima:




David Coimbra
20/06/2003


Minha morte

O velho senador Pinheiro Machado, chamado com reverência de O Chefe por seus colegas congressistas, prócer da Primeira República e, o mais importante, antepassado dos meus amigos Zé Antônio e Ivan, pois o senador Pinheiro Machado ensinava amiúde aos seus discípulos:

- Vista sempre roupas de baixo de seda. Se a morte chegar de surpresa, você será um defunto digno e bem-composto.

O senador soube ser um defunto decoroso. Quando uma punhalada traiçoeira ceifou-lhe a vida, estava impecavelmente trajado com a seda mais macia.

Eu cá fico pensando numa morte gloriosa. Tipo:

Estou escrevendo e o celerado irrompe na Redação. Tem uma arma na mão direita. Olha-me com fúria.

- David Coimbra! - grita, silenciando o ambiente. Cento e oitenta pares de olhos giram na direção dele e dele para mim. Pressinto a gravidade da situação. Ponho-me de pé. - Você me destruiu, David Coimbra! - continua, brandindo a arma, perdigotos de espuma branca saltando-lhe da boca. - Todos os meus planos de enriquecer com a exploração de milhares de velhos e criancinhas foram pelos ares por sua causa! Por sua causa!

Então compreendo: eu havia gorado os planos malignos daquele bandido com minhas denúncias no jornal.

- Vou te matar! - ele está fora de si.

Meus colegas começam a gritar:

- David, corra! Corra!

Mas estufo o peito:

- Prefiro morrer com dignidade.

E o outro: PÁ!, desfere o tiro. Cambaleio, a mão no coração. Ele sai correndo, mas logo é imobilizado pelos guardas do prédio.

E ela: ela está ali adiante, no outro canto da sala. Ela assistiu a toda a cena e agora vê que vou cair. Se precipita para mim, desesperada:

- David! Oh, não! David! Davizinho!

No momento em que desabo, ela me abraça. Estamos os dois no chão, ela sentada, minha cabeça pendente sobre o colo dela.

- Oh, não - balbucia. - Oh, não!

Olho nos olhos dela. Ela entende que vou morrer. Que é o fim.

- Meu amor - ela se emociona. - Meu amor! Te amo! Sempre te amei! Fui uma tola por não ter dito isso antes! Uma tola! Uma tola!

Ao que, abro a boca. Vou falar algo. Mas a voz me falta. Cerro as pálpebras. É o fim. Ela jamais saberá quais seriam minhas últimas palavras.

The end.

Ela urra, enlouquecida de dor:

- Oh, não! Meu amor! Meu amor!

A Redação inteira assiste, de olhos marejados.

Ah, que morte! Que doce morte!

david.coimbra@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Paulo Sant'ana
20/06/2003


A fraude do mercado

Até agora, o Lula tinha sido atingido somente pelo fogo amigo: as críticas ao seu governo partiam dos radicais do PT e do vice-presidente José Alencar.

Mas agora um fogo inimigo assesta suas baterias sobre Lula e seu governo: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso bateu forte, exigindo medidas para tirar o governo da letargia.

Não se ia morrer sem ter visto isto, o mesmo Fernando Henrique que quebrou o país, fazendo-o mergulhar na mais profunda recessão e no mais cruel desemprego, criticando o Lula por ter adotado exatamente a mesma orientação econômico-social que os tucanos empregaram no poder.

Ou seja, Fernando Henrique criticando Lula por imitá-lo. Dá para acreditar nisso?

A rigor, só existe uma diferença entre o governo de Fernando Henrique e o de Lula até agora: ela é favorável ao Lula, trata-se do dólar, que baixou violentamente no governo de Lula.

Embora para o povo brasileiro não tivesse sido repassada qualquer vantagem na queda do dólar: recorda-se que os preços em quase sua totalidade tiveram alta astronômica quando o dólar foi quase a R$ 4, tendo sido lícito esperar que, agora, com a queda do dólar em exatamente 18,53% no governo Lula, tivesse sido corrigido o custo de vida para baixo.

Mas nada disso aconteceu. Pagamos alta de preços em todos os gêneros pela alta do dólar e, quando a moeda norte-americana se desvalorizou, sob o governo Lula, nenhum preço foi corrigido para baixo, com exceção dos míseros 6,5% de redução no preço da gasolina.

Ou seja, fomos vítimas do conto do pacote. O pão teve seu preço aumentado de modo violento na alegação de que o trigo é importado e o dólar estava lá em cima. O mesmo com as passagens de ônibus, o táxi, tudo.

Agora o dólar veio cá para baixo e o pão continua com o mesmo preço, o que quer dizer: fortunas colossais são feitas em cima das oscilações cambiais, sempre com os consumidores pagando o pato e seus exploradores a gozar a locupletação.

Eu não posso entender é como o governo se mostra totalmente impotente para coibir essa fraude do mercado. Pois é facilmente acessível a qualquer pessoa razoavelmente inteligente que, se os remédios, o pão, os artigos de higiene, até mesmo a cesta básica têm seus preços aumentados em razão da alta do dólar, quando da queda do dólar os preços em geral têm que ser reduzidos proporcionalmente.

Mas isso não aconteceu, não está acontecendo e só nesta paulada os orçamentos dos brasileiros foram reduzidos em 20%.

E, de paulada em paulada, o povo vai empobrecendo. Os pobres dobram a reta da miséria, a classe média agoniza no rumo da pobreza, multidões incalculáveis mergulham no desespero de um custo de vida insustentável.

E dê-lhe cheque especial para tornar tudo ainda mais sinistro.

Se alguém já ouviu sequer uma palavra do Lula, do Meirelles, do José Dirceu, do José Genoino sobre essa arapuca em que o mercado encerrou os brasileiros, aumentando os preços no dólar em alta e não os baixando no dólar em queda, ganha um prêmio.

Ninguém do governo moveu até agora uma só palha para impedir esse assalto do mercado sobre o povo. E, além de nada fazer para proteger seu povo, ninguém do governo sequer protesta contra esta salafrariedade do mercado.

Assim é que precisamos sair dessa enrascada: Lula implorando paciência, o mercado sacaneando, o povo estremunhando e o ex-presidente secando.

Quem tem as rédeas é Lula. Espera-se que ele dê depressa largada no páreo, chicoteie o alazão e vá depois de rebenque erguido até a fita da chegada.

Porque já está demorando demais esta sirena anunciadora da largada.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comente o texto acima:


Basquete
Cestinhas do futuro



Na tentativa de revitalizar o basquete no município, Santa Cruz do Sul montou um projeto que ensina o esporte a mais de 300 crianças (foto Daniela Xu, especial/ZH)


Comente o texto acima:

Quinta-feira, Junho 19, 2003




Bom e o dia santo acabou, amanhã é sexta-feira e embora esteja de folga muitos estarão trabalhando. Até porque este País anda precisando de muito trabalho e dedicação de nós seus filhos. Olha só quem falando, mas enfim...Desejo desde já uma ótima sexta-feira a nós todos.

MOMENTOS

"Como são difíceis os momentos.
Momentos de decisões,
momentos de escolhas,
momentos de solidão,

momentos a dois,
momentos de partida,
momentos que em frações de segundos,
decidimos nossos destinos,
nossos caminhos.

Momentos em que nem sempre estamos equilibrados,
lúcidos em tomá-los.
Momentos que se tornarão talvez eternos
ou passageiros,
que se tornarão a dúvida ou a certeza,
uma realidade ou um sonho,
uma alegria ou uma lágrima.

Momentos que farão de frações eternos dividendos.
Momentos que nos tornarão heróis ou covardes,
que nos farão amar ou odiar.
Momentos que serão lembranças ou esquecimentos,
serão eternidade ou passagens,
sublimes ou ilusórios.

Momentos de paixão,
momentos de capricho,
momentos de amantes,
momentos de loucuras,
momentos de anseios,
momentos de desejos.

Momentos, momentos...momentos,
Momentos que terei para decidir.
Se na minha vida,
aquele momento que realmente me tocaram,
aqueles que realmente me fizeram,
valeram que ter a certeza de que todos
os nossos momentos valeram a pena,
pelo simples fato de termos vivido!..."

Autor Desconhecido.

Comente o texto acima:




Nilson Souza
19/06/2003


A capa mágica

Li outro dia numa revista especializada em curiosidades que a capa da invisibilidade das histórias de Harry Potter não é mais apenas uma fantasia criada pela imaginação da escritora escocesa J.K. Rowling. Para quem não leu os livros (a garotada que se prepare, pois o quinto volume da série, com 896 páginas, estará sendo lançado neste sábado nos países de língua inglesa), esclareço que se trata de uma capa mágica, com o poder de tornar invisível seu usuário. Graças a ela, o menino bruxo escapa de situações difíceis, descobre segredos, ouve conversas sigilosas e se esconde de seus inimigos.

Pois agora os cientistas estão aperfeiçoando em laboratório um equipamento eletrônico que possibilitará a uma pessoa transitar no meio da multidão sem ser percebida. A reportagem não explica exatamente como se dará isso. Imagino que seja alguma espécie de raio verde, capaz de nos deixar transparentes ao olhar alheio - ou então alguma roupa extravagante que adquire a cor e a forma da paisagem por onde o indivíduo transita.

Sei lá que utilidade prática terá um negócio desses, mas me parece um certo desperdício de tecnologia. Quem vai querer ser invisível numa sociedade voltada para as celebridades? As pessoas fazem qualquer coisa para serem notadas, vistas e apontadas como diferentes. Pintam-se, tatuam-se, colorem os cabelos, vestem roupas extravagantes ou até mesmo roupa nenhuma, desde que consigam atrair as atenções.

Além disso, na correria do mundo atual não é preciso muito para ficar invisível. Outro dia tivemos uma prova disso em Porto Alegre, quando algumas pessoas famosas vestiram o uniforme colorido dos varredores de rua e passaram despercebidas em lugares de grande movimento. Nesse episódio, o fenômeno também poderia ser definido como cegueira do descaso - outra doença comum nas grandes cidades. O indivíduo afetado pela enfermidade só vê o que lhe interessa ver.

O que me preocupa nesta experiência que mistura tecnologia com bruxaria é a possibilidade de que o novo equipamento caia em mãos desonestas, dando poderes indevidos a bisbilhoteiros e ladrões. A realidade - como diz o premonitório aviso - pode ser mais fantástica do que a ficção.

nilson.souza@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Paulo Sant'ana
19/06/2003


Bancos adoram juros altos

Leio uma manchete inacreditável num jornal da Capital, há três dias: "Bancos esperam que Banco Central não ceda a pressões sobre juros".

E logo a seguir o presidente da Federação das Associações dos Bancos (Febraban), Gabriel Jorge Ferreira, declarou que "esperava uma decisão técnica do Banco Central sobre a taxa básica de juros". Segundo ele, a definição sobre a redução da taxa de 26,5% não poderia se basear nas pressões registradas nas últimas semanas.

Ou seja, a raposa opinando sobre o sistema de segurança do galinheiro.

Como é que os bancos vão querer que se reduzam os juros, se por ano os juros no cheque especial estão em 206%?

Como é que os bancos vão querer que se reduza a taxa dos juros, se por ano os juros estão tabelados em cerca de 236% no cartão de crédito?

E nas financeiras os juros estão fixados em torno de 300% ao ano para os empréstimos.

Reduzir o juro é acabar com a farra dos bancos, com os lucros fantásticos deles.

Mas o presidente da Febraban deveria no mínimo se sentir suspeito para emitir uma opinião destas.

Pelo que eu, que não tinha opinião, já passo a adotar a do vice-presidente da República, José Alencar: a decisão sobre taxa de juros é política.

Diminuir o desemprego é decisão política. Decisão técnica só serve para aumentar os lucros colossais dos bancos.

Recebo do secretário da Segurança: "Caro Paulo Sant'Ana. Dos inúmeros problemas que tive de enfrentar na secretaria, um deles exigiu-me especial atenção, quais sejam as incidências criminosas envolvendo os profissionais e usuários dos táxis em nossa capital. Tendo recebido em audiência o sindicato da categoria - Sintaxi - determinei, por meio de portaria, ou seja, respaldo e ação oficiais, a formação de grupo de trabalho que visa, precipuamente, a dar uma maior condição de segurança a todos aqueles que prestam ou se utilizam desse serviço público (cópia da portaria anexa).

Para tanto, desde 21 de fevereiro reúnem-se, sob a coordenação da secretaria, planejando e promovendo ações, a Brigada Militar, a Polícia Civil, a EPTC, a SMT, o Sintaxi e outras entidades eventualmente convidadas para auxiliar o grupo de trabalho formado. Para teres uma idéia, em operações conjuntas decididas pelo grupo, em menos de 120 dias, já foram efetuadas 1.433 barreiras, 11.584 táxis e 21.335 usuários e profissionais abordados, presas seis pessoas, recolhidos 555 carros, apreendidas algumas armas, mais de 360 viaturas e 1,3 mil policiais envolvidos.

O trabalho deste grupo, caro Sant'Ana, tem evitado, com certeza, outras tragédias como a ocorrida na última quinta-feira com o senhor Joci, profissional honesto e trabalhador de 60 anos. Infelizmente, todo este trabalho não vai eliminar a possibilidade de ocorrências, mas conforta-nos até as próprias palavras do presidente do Sintaxi, senhor Adão Ferreira de Campos, participante do grupo que, em recentes declarações a Zero Hora, confirmou que, após o início das operações policiais ensejadas pelo planejamento do grupo, as incidências contra os profissionais taxistas diminuíram em 80%. Aproveito, finalmente, para dizer-te que, da mesma forma que estamos fazendo em relação aos táxis, vamos dar início, também por meio de portaria, a um trabalho com referência aos assaltos nos postos de combustíveis. Um abraço, (ass.) deputado federal José Otávio Germano, secretário da Justiça e da Segurança".

Um dos maiores dramas sociais do país está nesta singela carta: "Sant'Ana, em primeiro lugar, devo dizer que a tua coluna é uma das mais lidas de Zero Hora. E isso faz com que eu tome a liberdade e sugira um assunto que, se julgares com fundamento, gostaria que fosse comentado por ti, daquele teu jeito muito especial, muitas vezes batendo com vontade. Estou desempregado. Já perdi a conta de quantos currículos eu enviei, por correio, internet e pessoalmente.

Depois desta maratona que já dura aproximadamente um ano e meio, dei-me conta de que um candidato com as mesmas qualificações técnicas, com o mesmo nível intelectual e com a metade de minha idade, esse é contratado! Conclusão: 'Virei um ancião para o mercado de trabalho com 49 anos!' Achas o assunto interessante? Um abraço. (ass.) João Pedro dos Santos".

Não só o acho interessante como macabro, principalmente quando vejo que a reforma da Previdência pretende alargar ainda mais o limite de idade mínima para aposentadoria.

Os luminares da nação imaginam que as pessoas vão ter emprego depois dos 40 anos, aposentando-se 20 anos depois.

Está na cara que a aposentadoria só deveria levar em conta os anos de contribuição.

Ninguém vai se aposentar.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comente o texto acima:


Religião
Tapetes floridos em louvor a Cristo



Peças coloridas, como as feitas em Flores da Cunha, são uma tradição da festa de Corpus Christi, que celebra o sacramento da Eucaristia (foto Jefferson Botega/Agência RBS/ZH)

Comente o texto acima:




Giulia Gam na praça em frente ao restaurante Spot, em São Paulo

Giulia Gam, uma mulher normal
Carolina Camargo

Ao andar pela avenida Paulista, em São Paulo, lugar onde se sente em casa, Giulia Gam, 36, colhe os elogios por sua atuação em Mulheres Apaixonadas. Os comentários surgem de adolescentes ou mesmo de uma mulher que se aproxima e agradece: "Sou uma Mada (Mulheres que Amam Demais) em recuperação. Obrigada pelo que você fez", diz. A atriz, que nasceu em Perugia, na Itália, se sente satisfeita.

Passados os tempos difíceis, Giulia se encontra em um momento repleto de felicidade em sua vida. Depois de muita luta na Justiça, ela chega todos os dias do trabalho e tem o prazer de colocar Theo, 5, seu filho com o jornalista Pedro Bial, 45, para dormir. Simpática e atenciosa, Giulia aceitou falar das semelhanças entre sua personagem e sua vida, seu amadurecimento depois dos 30 anos, do filho e do relacionamento com os homens.

QUEM - Dizem que toda mulher tem um pouco da Heloísa. O que tem da Giulia nesse personagem?
GIULIA GAM - Eu digo que não tem nada. Não a associo diretamente à minha vida. Essa relação de ciúmes dela, desse jeito, não tenho mesmo. Jamais seria capaz. Sempre fui muito séria, tive pudor até demais, fui das que sofriam calada. Hoje em dia, treinando com a Heloísa, talvez até aprenda alguma coisa.

QUEM - Você é ciumenta?
GG - De fazer cena, invadir, ir atrás, não. Acho isso um desgaste muito grande. Antes de chegar nesse ponto, eu já separei ou então nem procurei saber. Nunca quis ir atrás de histórias. Já fui muito ciumenta com amigos, com meu filho, mas nunca nada que se aproximasse do que a Heloísa faz. Uma coisa que estou aprendendo com a personagem é que os homens têm o tempo deles de elaboração e não gostam de ficar discutindo a relação. Para a mulher, é insuportável, porque se as coisas não estão resolvidas, elas não conseguem dar um passo à frente.

QUEM - Você está namorando?
GG - Até brinquei outro dia no camarim que, em novela, você já tem que estar engrenado, porque senão... Não estou namorando alguém, assim, de ter uma relação. Claro que às vezes você sai, conhece pessoas. Mas nesse momento há coisas muito intensas acontecendo, que é a volta do meu filho, essa novela, as leituras teatrais que mantenho no Rio, a peça Os Sete Afluentes do Rio Ota, em São Paulo.

QUEM - Você é vaidosa?
GG - Quando você faz novela, tem que estar com a vida muito estruturada. Fisicamente, todo mundo sai muito desgastado porque não tem tempo de respiro. Então até as vaidades acabam... Me sinto uma operária. Você quer colocar a roupa mais vagabunda. No começo, vai bonitinha, bacana, animada, depois não agüenta mais maquiagem, roupa. Um lado meu que está ficando mais solto. Acabo sendo muito brincalhona e debochada comigo mesma, falo besteira. Não tenho essa vaidade clássica, de me arrumar. Mas claro que gostaria de fazer mais ginástica, colocar uma roupa legal, cuidar do cabelo.

QUEM - Com a novela e a peça, como faz para cuidar do Theo?
GG - Tento ao máximo levá-lo à escola, ficar de manhã com ele. Às vezes, ele dorme mais tarde só para me esperar. É mais difícil, porque você está mais cansada, então não tem aquele pique que uma criança de 5 anos requer. Ele sente, é claro, mas todos os dias passamos umas duas horas juntos e coloco o Theo para dormir.

QUEM - Você pensa em ser mãe novamente? Ter família grande?
GG - Agora minha família é meu filho. A gente não escolhe se vai ter um filho ou não. Se vai conhecer uma pessoa que te desperte a vontade de ser mãe. Às vezes, você tem grandes paixões, mas não tem vontade de ter um filho com aquela pessoa. Às vezes tem um homem maravilhoso, que seria um ótimo pai, mas não tem paixão. Claro que adoraria, de repente, ter outro filho, engravidar, passar por esse processo de novo. Criança é maravilhoso, mas cada vez mais vai depender das circunstâncias.

QUEM - Por que você perdeu a guarda do Theo? Foi por ter ido para Nova York?
GG - Todo mundo quer saber, mas eu não posso responder, porque isso tudo está dentro de um processo sigiloso. Não tem um motivo específico, foi toda uma situação colocada, levantada e foi provado e visto que tenho condições de ter meu filho.

QUEM - Na época em que você perdeu o Theo chegou a se comentar que era por causa de drogas...
GG - Drogas, não (risos). De jeito nenhum, não passou por aí. Não tenho nenhum relação de dependência química, seja com drogas ou com álcool, seja com nada. A única pequena dependência que herdei foi o cigarro, que estou louca para me libertar. Podem ficar tranqüilos.

QUEM - Dá para traçar um paralelo entre o relacionamento entre a Heloísa e o Sérgio e você e o Pedro Bial?
GG - Minha relação com o Pedro não passou por aí, inclusive porque a gente nunca brigou. Tivemos desencontros. De repente, duas pessoas que tinham uma comunicação perfeita não falavam mais a mesma língua.

QUEM - Como é o relacionamento com o Pedro hoje?
GG - O que eu queria resolver era o litígio, porque a criança sente tudo, a tensão dos pais, a coisa malresolvida. Graças a Deus não ficou nenhum rancor, nada.

QUEM - Qual o conselho que você dá para mulheres que são como a Heloísa?
GG - Passei por todos os conflitos da mulher moderna, seja na vida pessoal ou na ficção. O que posso falar é que é muito assustador perder as coisas, perder um casamento, uma relação, um momento de trabalho ou correr o risco de perder toda uma carreira, enfim. Perdas são pessoas que morrem. Você começa a perder dos 30 anos em diante, provavelmente, quando não antes. É muito duro o momento da perda, porque você acha que realmente não vai ter mais saída, não sabe como se reconstruir. E nesses momentos, falta muita paciência, porque a gente quer resolver logo.

Vá com calma, tenha carinho, procure pessoas que sejam afetivas com você. O grande problema do ser humano é o afeto. Assim como dá o clique da coisa desabar, vem o clique das coisas, aos pouquinhos, irem se reconstruindo. Você não vai conseguir tudo de uma vez. E aí é uma sensação muito boa, porque você sabe o valor de cada coisa, sabe por onde passou para chegar ali. É uma compaixão e gratidão muito grandes.


Comente o texto acima:

Quarta-feira, Junho 18, 2003




Há muita gente viajando hoje a noite, para rever parentes, amigos e amores ausentes do cotidiano. Irão aproveitar a sexta-feira para ficar bem juntinhos. Depois tem sábado e domingo, neste que é o último feriado do ano, pois agora mesmo só o Natal. Que todos tenham ótimos encontros, conversas felizes e que possam resolver bem tudo que ainda está sem resolução, ou resolvido mal.

Eu tambem viajo para visitar minha mãe na terra do Erico Veríssimo. Mas estarei por aqui sempre conversando e lendo se alguma coisa voces me deixarem escrita. A vida segue e como diziam aqueles versos, é bonita, é bonita, é bonita.

De um jeito que é só seu

Fátima Irene Pinto

Há um jeito que é só seu, de semear o bem.

Se tem sabedoria para falar, fale!
Há pessoas precisando de quem lhes rasque novos horizontes.

Se tem o dom de ouvir, ouça!
Há pessoas precisando falar para reogarnizar os pensamentos e sentimentos.

Se tem o dom de enxergar os talentos alheios, enalteça-os!
Há pessoas que desabrocham por conta de alguém que lhes reconheça um dom.

Se tem discernimento o bastante para fazer uma observação construtiva, faça-a!
Há pessoas persistindo no mesmo erro, por falta de alguém que as alerte com carinho e firmeza.

Se você não tem vocação para engajar-se em movimentos filantrópicos de grande alcance, tenha em mente que o maior bem a ser semeado começa dentro do seu lar.

Oferte a sua canção, a sua poesia, a sua hospitalidade, aquele prato que ninguém sabe fazer igual.

Oferte a sua diplomacia, a sua liderança ou a sua capacidade de atuar em segundo plano para o bem comum.

Oferte o seu talento para contar piadas e fazer rir.

A sua ternura natural no trato com crianças, idosos ou animais.

A sua capacidade de manter o sangue frio nas horas de crise, quando todos em sua volta desabam.

A sua santa paciência de permanecer num hospital ao lado de um enfermo terminal, ou de varar a noite num velório, naquela hora crítica em que todos vão embora.

Há um jeito que é só seu e todo seu, mesmo que seja ofertar uma flor sem ser dia de nada.

Mesmo que seja afagar as folhas de uma árvore, cantar junto com o seu canarinho, alisar o pelo de seu bichinho de estimação, aquele que você salvou da enxurrada.

Mesmo que seja uma prece sincera feita no silêncio do seu quarto.

Na contabilidade divina, pouco importa se o seu jeito de semear o bem alcançar uma criatura ou milhões de criaturas.

Você está fazendo a sua parte, de um jeito que é só seu.

É só isto que realmente importa!

"Dedicado a Old Chum e Ir. Zu"

Comente o texto acima:




Táticas para despir uma mulher

No mundo há diversos tipos de mulher. Mas uma coisa é certa: todas estão nuas e em algum lugar. E os homens sabem disso e pensam nisso antes mesmo de trocar duas palavras com uma moça atraente. Despir com os olhos é a tática número um de todo homem de boa imaginação.

Cá entre nós, existem mulheres bem mal despidas. Afinal, o negócio não se resume em simplesmente tirar a roupa. Isso qualquer um pode fazer de qualquer jeito, sem contar as vezes em que elas não tiram tudo por livre e espontânea cara de pau.

Saber despir uma mulher é também a sabedoria de saber deixar uma peça, de repente, vai fazer toda diferença. Ou de saber diferenciar um body de um espartilho na prática. Ou ainda importantíssimas como jamais "en la vie", num lapso de deselengância, aparecer pelado de meias em frente a qualquer mulher que não seja sua mãe.

Com os olhos
Tática bastante aplicada. Boa, pois pode ser utilizada em qualquer ocasião, com qualquer mulher e em todos os lugares, públicos ou não. Com limites, claro. Não vale forçar a barra ou babar.

Com as palavras
Evite grosserias do tipo: "Gostaria de ser o seu tampax" (célebre frase do não menos broxante Príncipe Charles). Prefira algo como "vou fazer você delirar, vou fazer você..." e cumpra a bendita promessa.

Com a sabedoria
Mostre o quanto admira a inteligência dela. Balbucie frases que não desprezem tal virtude, ou seja, papos cabíveis: "Você tem as pernas lindas" é melhor do que "nunca vi pernas mais fantásticas em minha vida". Afinal, mentira tem perna curta.

Com uma ordem
Diga incisivamente, olhos fixos nos dela, com segurança e tranqüilidade arrasadoras. "Tire a roupa! "Muitas vezes funciona. Muitas.

Com uma massagem
Isso mesmo. Reúna toda a sua vontade e algumas noções básicas de shiatsu e proponha uma massagem relaxante. Difícil ela dizer não. Se ela disser "fica pra outro dia", é sinal de interesse pequeno, quase nulo.

Com o teclado
Hoje em dia, o que não falta é peladona na net. Mas claro, você gostaria que sua participação fosse um pouco mais ativa, assim, com alguma interatividade. Entre num desses chats onde mulher procura homem, encontre um par que você julgue ser uma mulher (nunca se sabe) e comece a teclar. Depois é só pedir o ICQ e ativar os comandos - "tira, tira tudo".

Com um acidente
Use essa tática com muito critério, pois pode trazer mais problemas que soluções. Jamais derrame vinho tinto (que mancha) na blusa de seda da moça. Prefira água ou destilados, depois tente oferecer sua secadora para secar a blusa.

Comente o texto acima:




Opinião Econômica - Ações da Caixa

FERNANDO NOGUEIRA DA COSTA

A população urbana brasileira passou, na segunda metade do século passado, de 36% para 82% do total. Isso coloca graves problemas e desafios. Um dos maiores é o da desigualdade da renda. No Brasil, entre os 43 milhões de famílias em domicílios particulares urbanos, 46,4% recebem renda mensal de até três salários mínimos (R$ 720). Nesta faixa de renda mensal familiar, justamente, concentram-se 83,2% do déficit habitacional urbano, ou seja, 4,410 milhões de moradias.

A urbanização acelerada, a desigualdade e a pobreza das famílias, em meio à ausência de planejamento, acentuaram a ocupação desordenada das cidades, com a degradação dos ambientes natural, urbano e social.

As ações da Caixa, no novo governo, buscarão atender necessidades sociais básicas -emprego, habitação/saneamento, acesso bancário/microcrédito-, os chamados "fundamentos estratégicos do desenvolvimento humano". Serão instrumentos-chave no combate ao desemprego, ao déficit habitacional, à emigração rural, às doenças causadas por falta de água potável e esgoto, à informalidade e à desocupação.

No financiamento à habitação de interesse social, haverá crédito individualizado, para aquisição, construção ou reforma de casas próprias, desde a aquisição de material de construção e de lote urbanizado até a produção de empreendimento e construção ou reforma em assentamento rural. No PSH (Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social), dedicado às famílias com renda familiar bruta de até R$ 720, atende-se à produção de moradias, à melhoria das condições de habitação e à aquisição de moradias.

Sob o PAR (Programa de Arrendamento Residencial), para aquisição, produção ou recuperação de empreendimento habitacional, o acesso à moradia ocorre por meio de contrato de arrendamento, com opção futura de compra. Atende às famílias com renda familiar bruta de até seis salários mínimos. O arrendamento é equivalente a 0,7% do valor do imóvel.

Outro programa importante é o da reabilitação urbana de áreas centrais, que estabelece o centro de cidade como lugar de moradia. Trata-se da substituição da prática de expansão territorial das cidades por uma abordagem que privilegia a reabilitação de áreas consolidadas. Economiza nos gastos com infra-estrutura urbana e multiplica o emprego mais do que em construções novas.

Infelizmente, as famílias de baixa renda não detêm capacidade de pagamento no nível de mercado. Logo, em uma política redistributiva, recursos orçamentários (OGU, orçamentos municipais e estaduais) são necessários como fontes de subsídio, assim como do FAR e do FGTS. No nível de renda intermediário, é necessário completar o crédito (SFH) com subsídio. Somente no nível da classe média, podem ser utilizados mecanismos sustentáveis (SFI) com recursos captados no mercado (depósitos de poupança, letras hipotecárias, fundos de recebíveis imobiliários etc.).

Para melhorar as condições de vida e trabalho da população rural e reduzir a emigração, é necessário o apoio ao programa de formação e mobilização social para a convivência com o semi-árido, cuja meta é a construção de 1 milhão de "cisternas" (reservatórios de água de chuva) rurais. O programa está buscando garantir a 1 milhão de famílias rurais mais carentes (quase sempre dispersas) a superação de suas carências de água potável. Além disso, é um processo educativo e de transformação social, gerenciado pela sociedade civil. Amplia a prática da convivência sustentável e solidária com o ecossistema do semi-árido.
O projeto abrange os Estados da região Nordeste, onde o clima semi-árido se apresenta com maior intensidade e, consequentemente, os efeitos das secas são mais danosos à população sertaneja. A área de abrangência desse projeto compreende 1.012 municípios e uma população rural de 8,6 milhões de habitantes.

A Caixa, visando assegurar e ampliar sua capilaridade e participação no mercado nacional, está duplicando sua rede nacional de correspondentes bancários e efetivando um projeto de "bancarização da população". Por um lado, via Conta Caixa Aqui, quer ampliar as possibilidades de participação bancária de uma população que, embora muitas vezes com poupança, não dispõe de conta corrente. Por outro lado, pretende atender via "conta eletrônica" simplificada aquela parcela da população que não possui nenhum acesso bancário, apesar de receber benefícios sociais. É mais um passo da Caixa na perspectiva de possibilitar a inclusão social dessas pessoas "sem conta" com uma ampla "bancarização". Tal processo favorecerá um programa de microcrédito, cujo objetivo é propiciar às pessoas de baixo poder aquisitivo, fora do mercado de trabalho formal e com perfil empreendedor, acesso ao crédito, disponibilizado em cartão eletrônico e destinado à atividade produtiva.

Devido a sua capilaridade -é o único banco com representação em todos os 5.561 municípios brasileiros-, a Caixa já assume o pagamento de ampla parcela dos benefícios sociais. Sua centralização, além do ganho de escala, propiciará redução de custos, melhoria operacional e dos serviços prestados à população.

Com essas e outras ações a Caixa está então se preparando para a queda da taxa de juros, a redução de tarifas, a expansão do crédito, o lançamento de novos produtos financeiros, como os cartões de crédito populares e os fundos de recebíveis imobiliários, para propiciar o crescimento da economia brasileira.

Fernando Nogueira da Costa, 51, é vice-presidente da Caixa Econômica Federal e professor licenciado do Instituto de Economia da Unicamp.

Comente o texto acima:




É repetitivo mas vale a pena ler de novo, e mais uma vez e mais outra. Por que sempre pensamos que nunca acontecerá conosco. Só que pelas estatísticas quanto mais tempo isso não ocorrer, mais aumenta a probabilidade de que ocorra.

LEIA E PRESTE ATENÇÃO

(A pessoa que elaborou o conteúdo este deste e-mail é diretor de uma empresa de segurança no RJ)

Se um dia você for jogado dentro do porta-malas de um carro, chute os faróis traseiros até que eles saiam para fora, estique seu braço pelos buracos e comece a gesticular feito doido. O motorista não verá você, mas todo mundo verá. Isto já salvou muitas vidas.

Algo em torno de 99% de todos nós estaremos expostos a, ou tornar-nos-emos vítimas de, um crime violento.

Os três motivos pelos quais as mulheres são alvos fáceis para atos deviolência são:

a. Falta de estar cônscia. Você TEM que estar cônscia de onde você está e do que está acontecendo em volta de você.
b. Linguagem do corpo. Mantenha sua cabeça erguida, balance seus braços, e permaneça em posição ereta.
c. Lugar errado, hora errada. NÃO ande sozinha em ruas estreitas, nem dirija em bairros mal-afamados à noite.

As mulheres têm a tendência de entrar em seus carros depois de fazerem compras, refeições, ou depois do trabalho, e sentarem-se no carro (fazendo anotações em seus talões de cheques, ou escrevendo alguma lista etc.) NÃO FAÇA ISSO! O bandido estará observando você, e essa é a oportunidade perfeita para ele entrar pelo lado do passageiro, colocar uma arma na sua cabeça, e dizer a você onde ir. No momento em que você entrar em seu carro, tranque as portas e vá embora.

Algumas dicas acerca de entrar em seu carro num estacionamento ou numa garagem de estacionamento:
a. Esteja cônscia: olhe ao redor, olhe dentro de seu carro, olhe no chão dianteiro e traseiro de seu carro, olhe no chão do lado do passageiro, e no banco de trás.
b. Se você estiver estacionada perto de uma Van grande, entre em seu carro pela porta do passageiro. A maioria dos assassinos que matam em seqüência atacam suas vítimas empurrando-as para dentro das Vans deles na hora em que as mulheres estão tentando entrar nos carros delas.
c. Observe o carro estacionado no lado do motorista de seu veículo, e o carro estacionado ao lado do lado do passageiro de seu veículo.

Se uma pessoa do sexo masculino estiver sentado sozinho no assento do carro dele que fica mais próximo do seu carro, você fará bem em voltar para o shopping, ou para o local de trabalho, e pedir a um guarda ou policial para acompanhar você até seu carro. É SEMPRE MELHOR ESTAR A SALVO DO QUE ESTAR ARREPENDIDO.

(E é melhor ser paranóico(a) do que estar morto(a)).

Use SEMPRE o elevador em vez das escadas. (Escadarias são lugares horríveis para se estar só, são o local perfeito para o crime).

Se o bandido estiver armado e você não estiver sob controle dele, SEMPRE CORRA! O bandido só acertará um alvo móvel 4 vezes em 100 tentativas. E, mesmo assim, muito provavelmente NÃO acertará um órgão vital.
COOOOOOooooooooooRRRRRRRRRRRRA!

Como mulheres, estão sempre procurando ser condescendentes: PARE COM ISSO. Essa característica poderá resultar em que você seja estuprada ou assassinada!

(a)Ted Bundy, o assassino seqüencial, era um homem de boa aparência, tinha boa formação acadêmica, e SEMPRE explorava a simpatia e o espírito conciliador e condescendente das mulheres. Ele andava com uma bengala, ou mancava, e freqüentemente pedia "ajuda" dentro de seu carro ou para seu carro, e era então que ele raptava sua próxima vítima.

(b)Pat Mallone contou-nos a história de sua filha, que saiu de um shopping e estava indo para o carro quando notou duas senhoras de mais idade andando na frente dela. Viu, então, um carro da polícia vir na direção dela, com dois policiais dentro, que a cumprimentaram. Notou, também, que as oito vagas para deficientes no estacionamento estavam vazias. Ao aproximar-se do seu carro, ela viu um homem, umas poucas fileiras além, pedindo ajuda a ela. Ele pedia para que ela fechasse porta do carona do carro dele. Ele estava sentado atrás do assento do motorista, e disse que era deficiente físico. Ele continuou chamando, mas ela decidiu voltar para o shopping, e então ele começou a xingá-la. Nesse ínterim, ela se perguntava por que ele não havia pedido auxílio às duas mulheres mais velhas, ou aos policiais, ou por que ele não estava estacionado em nenhuma das vagas para deficientes físicos.

Quando ela chegou de volta ao shopping, dois amigos dela, do sexo masculino, estavam de saída, e enquanto ela estava contando a eles a história e apontando para o carro, o homem do assento de trás passou para o assento da frente e o carro saiu em alta velocidade. Não se deixe apanhar nessa armadilha!

Gostaria que você encaminhasse este e-mail a todas as pessoas que você conheça. Ele poderá salvar uma vida. Uma vela não ilumina menos por passar luz para uma outra vela. O mundo em que vivemos está cheio de gente louca... é melhor estar a salvo do que estar arrependida.

Recebido do meu amigo João Batista Vieira do BCB

Comente o texto acima:




Acredito que é só uma questão de tempo para gandes empresas como CAIXA, Banco do Brasil e outros aderirem aos programas livres para haver uma migração em massa para esses sistemas. Afinal por que pagar, se você pode ter de graça?

De terno e gravata
Mais popular, Linux agora quer respeito também de empresas e governos
Alessandra Carneiro



Já se foi o tempo em que Linux era software de estudantes alternativos. Mais do que pingüim-propaganda de um sistema operacional de geeks anti-Microsoft, o Tux não aprendeu a beber, nem deixou o cabelo crescer; mas amadureceu, vestiu terno e gravata e quer respeito - mais do que merecido - de instituições governamentais e empresas privadas.

Em diversos países, como Alemanha, China, Itália, Peru,só para citar alguns exemplos, já foram criadas leis para incentivar o uso do software livre. Segundo um estudo da IDC, mais de 162 mil servidores de empresas vão estar equipados com Linux só na Europa Ocidental. E o futuro é ainda mais animador: até 2007, esse número deve triplicar. Ou seja, não haveria como o Brasil ficar de fora dessa.

E o Governo Federal sabe bem disso. Até o fim do ano o País terá 400 escolas públicas de Ensino Médio com laboratório de informática. ¿A meta é que todas as escolas públicas de 2º Grau contem com laboratório equipado com pelo menos um micro até o fim do mandato do presidente Lula. A idéia inicial é que os computadores sejam equipados com software livre¿, afirmou o ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, durante o Seminário Internacional da Informação, realizado no Rio.

O evento engloba uma série de encontros para discutir formas de propagar a inclusão digital no Brasil e no mundo e acontece até o fim de junho, considerado o Mês da Sociedade da Informação.

Fórum divulga Linux para grandes empresas

O Linux Corp, que acontece em São Paulo nos dias 1 e 2 de julho, vai ser um evento decisivo para fomentar o interesse de grandes corporações por softwares livres.

No fórum, serão reunidos as principais soluções, produtos, serviços, experiências e discussões sobre a migração corporativa para o Linux, com o objetivo de divulgar ainda mais a implementação da plataforma, numa época em que diversas empresas têm aderido ao Linux.

E os esforços para trazer seriedade e respeito à plataforma, a Conectiva, principal distribuidora do Linux no Brasil, investe em divulgações para empresários.

Na semana passada, a empresa realizou, em conjunto com a IBM, um evento voltado apenas para o setor corporativo com o intuito de apresentar o Conectiva 9, mostrando suas vantagens tecnológicas e, principalmente, tentando desfazer alguns mitos e preconceitos que empresários ainda têm com o Linux, ao ainda ver a plataforma como instável e insegura, por exemplo.

Eventos deram partida para promover Linux

No fim de maio, a Conectiva apresentou um fórum para divulgar o UnitedLinux Enterprise Edition para as empresas dentro da 2ª Oficina para Inclusão Digital + eGov Forum III, em Brasília. Destinado a governantes e empresários, o evento pôde mostrar a importância da adoção de programas abertos, com apresentação de Jaques Rosenzvaig, CEO da Conectiva, sobre a plataforma. ¿Engana-se quem acha que a adoção pública do Linux está pegando carona no novo governo. Trata-se de uma iniciativa que segue uma tendência mundial, que se transformará em realidade e em um brilhante futuro para o Linux na área pública¿, comenta Rosenzvaig.

No começo do mês, o IV Fórum Internacional de Software Livre 2003, que aconteceu em Porto Alegre, trouxe o nascimento do Projeto Software Livre Brasil (PSL BR) com apoio do Governo Federal. Com isso, pretende-se aumentar o uso dos softwares de código-fonte aberto em todo o País, promovendo a plataforma entre governos, entidades públicas e privadas, empresas e universidades.

Em 19 e 20 de agosto, o PSL BR aporta em Brasília para um encontro no Senado, com a intenção de começar uma forte disseminação do software livre pelo País.

E muita gente esteve de olho no nascimento deste projeto. Esta 4º edição do fórum reuniu 4 mil pessoas e 269 palestrantes, entre diversos representantes do Governo Federal.

Comente o texto acima:




José Simão
simao@uol.com.br


Aleluia! Tá saindo o chiclete de Viagra!

Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Agora só não goza quem não quer, parte 4! Tá saindo o chiclete de Viagra. Pra ficar de queixo duro? Ninguém mais vai ficar de queixo caído, só de queixo duro.

E a Pfizer comemorou os cinco anos de Viagra no Brasil com um show da Gal Costa. A Gal é maravilhosa, mas combinava mais com o Viagra umas bundudas de fora, tipo Sheila Mello. A não ser que a Gal fizesse uma versão especial de aniversário do Viagra: 'Meu nome é Pal!'. Rarará! 'Meu nome é Pal! Preciso me corresponder com um Viagra que seja o tal.' E pra soprar as velinhas de aniversário do Viagra precisa tomar Viagra?

E o Viagra já faz parte da vida nacional. Como disse um amigo meu: 'Sem Viagra não consigo mais levantar nem falso testemunho'. E diz que o único efeito colateral do Viagra é a mulher não aparecer! Aliás, diz que o único efeito colateral do Viagra é você não agüentar a emoção e cair duro! Tomou Viagra e caiu duro!

E o preço do Viagra? O Viagra sobe, e o pingolim desce! E aquele outro remédio, que promete 36 horas de ereção? Com 36 horas de ereção, você acaba comendo até o papagaio e a sogra!

E mais um capítulo do livro da Hillary, 'Chifring Living'. Hillary conta que quando soube da traição do marido ela mal conseguia respirar. A estagiária também mal conseguia respirar! Rarará! E esta notícia: 'Rio e São Paulo estão entre as metrópoles mais baratas'. Mais baratas, mais ratos, mais mosquitos da dengue, mais balas e mais buracos!

E sabe por que o comércio vendeu mais no Dia dos Namorados do que no Dia das Mães? Porque mãe é UMA SÓ! Rarará! E a situação tá tão braba que um amigo meu comemorou o Dia dos Namorados numa festa de casamento. Só gastou no flanelinha. E a situação tá tão braba que o joão-de-barro foi morar na casa da sogra. É mole? É mole, mas sobe!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que apareceu uma mulher no programa da Ana Maria Braga ensinando a fazer rabanada: 'Você não pode colocar mais de três pães no óleo para não ocorrer desvalorização do caldo'. Tucanaram a rabanada! Rarará! Socorro. Chama o Oswaldo Cruz e a Swat pra erradicar o tucanês! É mais fácil a Heloísa Helena ser a favor do que acabar com o tucanês!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Talento': o companheiro Rubinho dirigindo a sua Ferrari! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar Viagra no meu colírio alucinógeno. O já famoso Estoura Brasil!

Email simao@uol.com.br

Comente o texto acima:




Martha Medeiros
18/06/2003


Expectativas

O que você pensa de um livro, de uma cidade ou de uma pessoa está intimamente ligado ao que esse livro, cidade ou pessoa realmente é, e também ao que você acreditava que eles fossem. Quando você não espera grande coisa, tende a se surpreender positivamente. Quando você espera o máximo, tende a se frustrar. O nome da encrenca: expectativa.

Você vai ver um filme considerado a revolução cinematográfica do século e sai do cinema achando o filme "apenas" excelente. Você adorou, mas não conseguiu concretizar a fantasia induzida. É justo, isso?

Nos encontros amorosos, a expectativa é ainda mais tirânica. Você vai sair pela primeira vez com uma pessoa por quem está apaixonada e espera o quê? O nirvana. Você tem certeza de que ela vai fazer todas as perguntas que você ensaiou responder, de que ela vai gostar de tudo o que você gosta, e de que o primeiro beijo vai durar exatos quatro minutos e 37 segundos, como você cronometrou nos seus sonhos. Se não for exatamente assim... bom, você vai levar a história adiante porque é uma pessoa madura, mas onde foi parar o entusiasmo inicial? A expectativa deu cabo.

Tem gente que aterrissa pela primeira vez em Londres e diz: "Mas é só isso?" Tem gente que vê a Gisele Bündchen atravessando a rua e diz: "Ela não é tão bonita pessoalmente". É, a vida pode ser bem traiçoeira.

"Eu esperava mais/eu esperava menos". Essas são as duas frases mais comentadas no final de um show, de um jantar, de uma estréia. Difícil julgar a real qualidade daquilo que foi pré-idealizado. Só o que nos pega de surpresa pode ser avaliado com isenção. "Eu não esperava nada". Mas aí a gente perde o melhor da festa, que você sabe o que é, se conhece o ditado.

Exceções? Sempre há. Veneza, por exemplo. Por mais fotos e filmes que tenhamos visto, Veneza ao vivo sempre supera a imaginação. É uma cidade desconcertante, uma miragem. Tomara que não afunde, que resista sobre as águas por muitos e muitos séculos. A gente tem andado tão bem informado sobre tudo que carecemos cada vez mais de impactos e deslumbramentos.

martha.medeiros@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Paulo Sant'ana
18/06/2003


Absurdas explicações

Foi muito grave o que aconteceu na Avenida Nilo Peçanha anteontem, com carros sendo praticamente encobertos pelas águas em plena via urbana, como se fosse um acidente de quebra de barragem em uma estrada rural.

Várias pessoas correram risco de vida, outras se atiraram com notável desprendimento ao mergulho nas águas e salvamento das vítimas, que não tiveram qualquer culpa no evento, apenas se deslocavam por uma avenida de intenso tráfego, jamais imaginando que corriam risco de vida no caso de uma chuva forte.

Está sendo simplesmente invertido o raciocínio sobre estes acontecimentos: o poder público municipal, toda vez que ocorrem os graves alagamentos, atribui as ocorrências à fatalidade das intensas precipitações.

Quando, na verdade, todos os anos, principalmente no inverno, acontecem enchentes pluviais, com a prefeitura nada fazendo para preveni-las, mediante a instalação de mecanismos que evitem as crises ou as tragédias.

As declarações do coordenador da Divisão de Conservação do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) chegam a ser quase inacreditáveis.

Ele diz que "a Nilo Peçanha nunca foi considerada um dos pontos clássicos de alagamento, como a Goethe ou o Túnel da Conceição".

É exatamente o contrário: a Nilo Peçanha sempre foi um dos pontos clássicos e característicos de alagamentos.

Todos os anos, repetida e proverbialmente, ocorrem os alagamentos na Avenida Nilo Peçanha e na Rua Teixeira Mendes, transtornando completamente o trânsito na área, com milhares de veículos sendo obrigados a mudar seu curso e gastando de meia hora a uma hora para fugir das águas.

Todos os anos, irrepreensivelmente todos os anos, o trânsito se engarrafa na Nilo Peçanha pelas chuvas mais fortes, dezenas de carros têm molhados e enguiçados os seus motores, um pandemônio se estabelece no tráfego, imensos corsos de automóveis são obrigados a grandes desvios na direção da Protásio Alves.

Prosseguem as declarações do coordenador do DEP, completamente divorciadas da realidade: "A rede de drenagem do local sempre foi muito boa. Por isso esse alagamento no local nos pegou de surpresa".

Mas como? Há mais de 20 anos que a Nilo Peçanha e seus entornos ficam flagelados pelas chuvas. Até gente já morreu num valão que existia ali.

Eu moro ali perto. São incontáveis as vezes em que o tráfego é suspenso na avenida quando das chuvas mais intensas.

Ali na Teixeira Mendes, com qualquer chuva menos pretensiosa, forma-se um caudal de águas assustador, parecido com um rio de quebradeiras.

Mas agora se percebe onde está o problema. As declarações do coordenador do DEP demonstram cabalmente que a prefeitura está completamente alienada quanto ao problema.

Ele elogia o sistema de escoamento das águas. O que quer dizer que nunca a administração pública levou a sério aquelas graves ocorrências, preferindo a cômoda explicação de jogar a culpa sobre a fúria dos elementos naturais.

Quando é imprescindível e urgente que o Departamento de Esgotos Pluviais muna de recursos preventivos a zona conflagrada, tornando-a imune a esses injustificáveis flagelos.

Já aconteceu mais de cem vezes, dou meu testemunho, aliado ao das pessoas que moram ou trabalham nas imediações: qualquer chuva mais considerável decreta um rio caudaloso e revolto que desce pela Rua Teixeira Mendes até a Nilo Peçanha, provocando o colapso.

É certo que este ano ainda vai acontecer alagamento ou enchente idênticos ao de anteontem.

E, pela rotina dos sinistros, é muito grande a probabilidade de que haja mortes no local.

Porque os fatos de anteontem foram dramáticos: as pessoas ficam presas dentro dos seus carros, se abrem as portas serão afogadas, se permanecem dentro dos veículos correm também o risco de serem engolfadas pela água que vai invadindo as cabinas.

Vai haver morte ali. E como a autoridade competente diz que tudo por ali é normal, então tudo indica que nenhuma providência será tomada. E vai haver mortes por ali.

Isso é um trágico disparate.

Eu estava em outro ponto da cidade durante a enxurrada de ontem. O engarrafamento na Sarmento Leite e junto da João Pessoa foi também irritante, ruas inteiras alagadas e com trânsito interrompido.

Várias partes da cidade sucumbem a qualquer chuva de mais de 15 minutos.

Não resta mais dúvida de que estes fatos sucessivos através dos anos revelam por trás deles uma gloriosa incompetência do setor responsável.

Mas vai haver mortes.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




José Fogaça
18/06/2003


Um Quixote nas trevas

A profissão de diplomata costuma ser vista, no Brasil, como uma atividade envolta em uma aura permanente de esnobismo e frivolidade. A política externa, na imensa prodigalidade de detalhes, de pequenas ações e estratégias de que é feito o seu cotidiano, raramente é percebida com clareza e perfeita consciência fora dos círculos políticos da Capital Federal.

De minha parte, no entanto, aprendi a admirar e respeitar a diplomacia e os diplomatas brasileiros. Recentemente, esse sentimento veio a ser intensamente revigorado com a publicação do extraordinário livro do professor Fábio Koifman, da Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro: Quixote nas Trevas - O Embaixador Souza Dantas e os Refugiados do Nazismo.

Trata-se de um gigantesco trabalho de pesquisa que, em 504 páginas conta a história da figura cinematográfica, heróica e única do diplomata brasileiro Luiz Martins de Souza Dantas, que chefiou a embaixada brasileira na França durante 20 anos, alguns dos quais durante a II Guerra e o Holocausto. Graças a sua coragem e desprendimento, mais de mil pessoas foram salvas mediante concessão de vistos para entrada no Brasil, em um período em que a França estava sob dominação alemã e ele exercia a representação diplomática junto ao governo de Vichy. Entre os que Souza Dantas salvou estão o grande ator Ziembinski, já falecido, e o produtor Oscar Oreinstein, que organizou o primeiro Rock in Rio.

Souza Dantas não só arriscou sua própria vida ao conceder vistos de saída da Europa a judeus perseguidos pelas tropas de Hitler. Arriscou também sua posição de embaixador: foi perseguido por um inquérito aberto contra ele pelo governo Vargas, que ainda não havia mudado de lado.

Esse inquérito e a tentativa do governo brasileiro de tentar obstruir a ação humanitária de Souza Dantas talvez expliquem por que sua história seja até hoje absolutamente anônima no Brasil e seu nome não apareça na galeria das personagens proeminentes do país. Seu nome jamais foi mencionado ou lembrado nos compêndios de História, nos livros escolares, nos museus e nas enciclopédias.

No entanto, o Museu do Holocausto, em Jerusalém, acaba de reconhecê-lo. Seu nome será erigido com a mais elevada consideração, somente conferida a heróis que ousaram enfrentar perigo extremo e arriscar a própria vida para salvar seus semelhantes. Como um simples gesto de humanidade, sem nada receber em troca. Lá estará escrito com letras inapagáveis: Souza Dantas, diplomata brasileiro, um Justo entre as Nações.

No Brasil, um desconhecido.
jose.fogaça@zerohora.com.br

Comente o texto acima:


Reportagem Especial
Lula faz em Pelotas mais duro ataque a privilégios de servidores



Em sua passagem de duas horas e meia por Pelotas, onde fez um discurso de 21 minutos, o presidente criticou o governo de FH, reiterou que não vai se dobrar às pressões contra as reformas. Chamado de traidor por servidores públicos, respondeu que não espera unanimidade, mas bom senso
Auxiliado pela primeira-dama, Lula come um dos quatro doces que degustou durante visita à 11ª Fenadoce, quando deixou de lado a dieta (foto Nauro Júnior/ZH)


Comente o texto acima:

Terça-feira, Junho 17, 2003




E a terça-feira finda para dar lugar a quarta que já vem vindo a largos passos. Poderia ter sido, tranquila e bem mais linda, mas deixa a esperança de que a quarta-feira que irá chegar, seja assim, até porque é véspera de feriado, prolongado para alguns, espero que também para mim. É o dia internacional do sofá, de muitos amassos e de encontros do meio de semana. Então por si só quarta-feira já é um bom dia, mesmo antes de começar. Fiquem com os anjinhos e até.

Passagem

Tudo está consumado e já vai passando...
é agora uma passagem branda, pacífica e sem tumultos...é uma travessia amena, serena e sem insultos, para que nossas retinas registrem e guardem apenas a doce lembrança de nossos iluminados e risonhos vultos, na hora do nosso único e supremo "culto " ...você nos meus braços - meu menino -
e eu nos teus braços - tua menina.

Ao longo dos meses fomos assolados por tempestades revoltas, circunstâncias adversas...fomos pegos de surpresa pelo vendaval das nossas imperfeições e nosso amor, qual pequena muda que lograra crescer e ganhar altura, rendeu-se com espanto à noite escura de nossas diferenças, omissões,hostilidades confessas ou camufladas.

Eu sigo agora, carregando uma alma vazia.
Tu segues pleno de ti mesmo, alimentado da adoração incomparável de poetisas solitárias, teresas e marias tantas... Eu sigo carregando um legado estranho, que me chegou com todos os aparatos da tecnologia...um cartão e um poema que eu não inspirei e nem suscitei em ti...um cartão de rara beleza, maquiado com destreza por uma outra maria, onde se lê a apologia do imenso amor que tão bem sabes cultivar...por ti !

Fátima Irene Pinto
do livro Momentos Catárticos

Comente o texto acima:




Lucro certo com vida saudável
Relaxamento e combate ao estresse atraem clientes que procuram melhor qualidade de vida
Silvana Caminiti

A busca de uma vida mais significativa e com mais qualidade é algo presente no dia-a-dia de um número cada vez maior de pessoas. Isso tem gerado boas oportunidades de negócios para um grande número de profissionais e empresas, que incluem entre os serviços oferecidos diversos tipos de técnicas de relaxamento e combate ao estresse.

Um bom exemplo de investimento com retorno na área de ¿prestadores de serviços para o público que quer viver zen¿ é o de Alexandre Von Ajs, psicólogo e especializado em Medicina chinesa. Com uma clínica em Ipanema, ele se tornou um personal zen, que atende tanto na clínica, quanto na casa do próprio cliente.

Von Ajs conta que em seu trabalho utiliza técnicas diferenciadas que ajudam as pessoas a manterem corpo e mente saudáveis e fortalecidos. Em média, ele chega a atender a oito pessoas por dia.

¿Os exercícios e massagens também ajudam os clientes a trabalharem melhor com suas emoções e a equilibrarem sua energia. Para garantir o bom resultado, o atendimento é adaptado às necessidades de cada pessoa acompanhada¿, explica o psicólogo.

Ele ressalta que duas das técnicas usadas são a pranayamas e o chi-kunge, exercícios respiratórios que ajudam a promover o relaxamento e a capacidade de concentração, além de massagens como o shiatsu e a tui-ná, e a indução de da meditação ativa e passiva, com a utilização de sons, movimentos de dança, cores e outros recursos.

¿Outra técnica usada é a dos exercícios de alongamento passivo e ativo, posturas de ioga, chamada asanas, e seqüências de tai-chi-chuan¿, comenta Von Ajs, que é o criador e coordenador do projeto de tai-chi-chuan desenvolvido desde 1985 nas praias do Leme, Aterro do Flamengo e Arpoador, na qual Von Ajs ainda dá aulas.

Alexandre Von Ajs: (21) 2522-1988

Comente o texto acima:




Me Encante...

Me encante da maneira que
você quiser, como você souber.

Me encante para que eu possa me dar.

Me encante nos mínimos detalhes.

Saiba me sorrir, aquele
sorriso malicioso e gostoso,
inocente e carente.

Me encante com suas mãos,
gesticule quando for preciso,
me toque, quero correr esse risco.

Me acarinhe se quiser,
vou fingir que não entendo,
que nem queria esse momento.

Me encante com seus olhos,
me olhe profundo,
mas só por um segundo,
depois desvie o seu olhar,
como se o meu olhar,
não tivesse conseguido te encantar...

E então, volte a me fitar,
tão profundamente,
que eu fique perdido
sem saber o que falar.

Me encante com suas palavras,
me fale dos seus sonhos,
dos seus prazeres,
me conte segredos,
sem medos...

E depois me diga o
quanto eu te encantei.

Me encante com serenidade,
mas não se esqueça,
também tem que ser com simplicidade,
não pode haver maldade.

Me encante com uma certa calma,
não tenha pressa,
tente entender a minha alma.

Me encante como você fez
com a primeira namorada,
sem subterfúgios, sem cálculos,
sem dúvidas, com certezas.

Me encante na calada da madrugada,
na luz do sol ou embaixo da chuva.

Me encante sem dizer
nada ou até dizendo tudo,
sorrindo ou chorando,
triste ou alegre...

Mas me encante de verdade,
com vontade...
que depois, eu te confesso
que me apaixonei
e prometo te encantar todos os dias,
do resto das nossas vidas!!!
Joao Carlos Horbatiuk

Comente o texto acima:




Imaculada
Carolina Dieckmann defende a virgem Edwiges, condena a vulgaridade entre as mulheres e vira conselheira de adolescentes
Clarissa Monteagudo e flávia Motta

Os homens dizem que procuram uma Gracinha, mas no fundo querem uma Edwiges. É assim que Carolina Dieckmann explica a preferência do público por sua personagem em Mulheres Apaixonadas. Para a atriz, apesar dos tempos moderninhos, todo mundo admira a mocinha virgem que se separou do namorado Cláudio (Erik Marmo) porque o moço transou com a liberada Gracinha (Carol Castro).

E como vida de heroína de novela não é fácil, Edwiges ainda terá muito sofrimento pela frente: está previsto que Gracinha vai engravidar do moço. E a torcida pela filha da cantineira só tende a aumentar. Virgens são um fetiche cada vez mais difícil de encontrar. Existe muita vulgaridade, falta de personalidade e de amor-próprio. Quando uma menina perde a virgindade, todas acham que têm que perder, argumenta Carolina, que entrou para a lista de campeãs de carta da globo: está em quinto lugar.

O carisma da personagem é tão grande que a atriz tem recebido cartas de telespectadoras lamentando terem transado antes da hora. Agora já foi, né?! Mas nunca é tarde para as pessoas repensarem sua vida. As meninas dizem que gostariam de ser como a Edwiges, que quer perder a virgindade com quem ama, conta a atriz, que transou pela primeira vez aos 14 anos, com o ator Victor Hugo. Fui uma das primeiras do meu grupo que transou. Mas já trabalhava, tinha oito meses de namoro e o Victor foi meu primeiro amor. Conversei com minha mãe antes e ela me levou ao ginecologista, diz.

Casada com o ator Marcos Frota e mãe de David, 4 anos, Carolina voltou a ser tratada como virgem na rua. As pessoas demoram a se dar conta de que não sou Edwiges. Perguntam quando eu vou perder a virgindade, se estou nervosa, surpreende-se a atriz, que recebeu de Manoel Carlos a incumbência de repetir com Erik Marmo a performance quente do casal Milena (Carolina Ferraz) e Nando (Eduardo Moscovis) em Por Amor.

Maneco queria beijos ardentes. Como não sabia até o capítulo 15 que o tema da Edwiges era virgindade, botei bastante pimenta nos beijos. Se soubesse antes que ela era virgem, talvez tivesse tido dificuldade de fazer esse lado sensual. Ficou bacana. Todos gostam de ver os beijos deles, comemora Carolina.

A atriz vem recebendo elogios por sua beleza. Não tenho feito nada diferente. Acho que a gente vampiriza um pouco o personagem. Edwiges tem uma aura boa e bonita, ressalta Carolina, que faz coro com os fãs de Edwiges. Também queria ter uma filha como ela. Edwiges é uma menina de ouro, define, à moda antiga, como manda o personagem.

Comente o texto acima:




José Simão
simao@uol.com.br


Aleluia! Tá saindo o chiclete de Viagra!

Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Agora só não goza quem não quer, parte 4! Tá saindo o chiclete de Viagra. Pra ficar de queixo duro? Ninguém mais vai ficar de queixo caído, só de queixo duro.

E a Pfizer comemorou os cinco anos de Viagra no Brasil com um show da Gal Costa. A Gal é maravilhosa, mas combinava mais com o Viagra umas bundudas de fora, tipo Sheila Mello. A não ser que a Gal fizesse uma versão especial de aniversário do Viagra: 'Meu nome é Pal!'. Rarará! 'Meu nome é Pal! Preciso me corresponder com um Viagra que seja o tal.' E pra soprar as velinhas de aniversário do Viagra precisa tomar Viagra?

E o Viagra já faz parte da vida nacional. Como disse um amigo meu: 'Sem Viagra não consigo mais levantar nem falso testemunho'. E diz que o único efeito colateral do Viagra é a mulher não aparecer! Aliás, diz que o único efeito colateral do Viagra é você não agüentar a emoção e cair duro! Tomou Viagra e caiu duro!

E o preço do Viagra? O Viagra sobe, e o pingolim desce! E aquele outro remédio, que promete 36 horas de ereção? Com 36 horas de ereção, você acaba comendo até o papagaio e a sogra!

E mais um capítulo do livro da Hillary, 'Chifring Living'. Hillary conta que quando soube da traição do marido ela mal conseguia respirar. A estagiária também mal conseguia respirar! Rarará! E esta notícia: 'Rio e São Paulo estão entre as metrópoles mais baratas'. Mais baratas, mais ratos, mais mosquitos da dengue, mais balas e mais buracos!

E sabe por que o comércio vendeu mais no Dia dos Namorados do que no Dia das Mães? Porque mãe é UMA SÓ! Rarará! E a situação tá tão braba que um amigo meu comemorou o Dia dos Namorados numa festa de casamento. Só gastou no flanelinha. E a situação tá tão braba que o joão-de-barro foi morar na casa da sogra. É mole? É mole, mas sobe!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que apareceu uma mulher no programa da Ana Maria Braga ensinando a fazer rabanada: 'Você não pode colocar mais de três pães no óleo para não ocorrer desvalorização do caldo'. Tucanaram a rabanada! Rarará! Socorro. Chama o Oswaldo Cruz e a Swat pra erradicar o tucanês! É mais fácil a Heloísa Helena ser a favor do que acabar com o tucanês!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Talento': o companheiro Rubinho dirigindo a sua Ferrari! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar Viagra no meu colírio alucinógeno. O já famoso Estoura Brasil!

Email simao@uol.com.br

Comente o texto acima:




Liberato Vieira da Cunha
17/06/2003


A Décima Sinfonia

Sem que percebas, cada dia teu é um passo rumo a incerto fim. Foi assim na noite em que adormeceste exausto, na infância, depois de te investires cem vezes da coragem do soldado, da ousadia do ladrão, sob a mirada de inveja da Lua que transitava no céu da cidade que perdeste. Foi assim na manhã em que, na adolescência, recém calados os acordes da festa, desafiaste as vagas daquele trecho irado de mar e uma secreta corrente testou tuas forças e quase te aprisionou em ocultos vórtices, onde moram corais e celacantos. E foi assim na culpada tarde de tua primeira juventude em que desfaleceste, saciado, no corpo nu de tua proibida amada e ela murmurou teu nome como numa canção de adeus.

Todas e cada uma dessas horas abreviaram teu encontro, ou com o nada, ou com o paraíso.

Falam que no paraíso nenhum cansaço deste mundo se consente. Que ouvirás um concerto de anjos estreando a Décima Sinfonia; que assistirás ao desfile das 7 mil virgens descalças e nada de humano se comparará à sua beleza; e que te sentirás leve, suavemente absolvido de tudo que não cometeste, à simples visão de Deus.

Sei que gostarias de crer, distraidamente contrito, nesse paraíso.

Contam que o nada é a ausência mais completa da dor e do prazer, da memória e do esquecimento, o sereno remate da vida e da morte. Que nessa inconcretude absoluta tua gasta armadura inerte se converterá na semente de uma árvore, na célula de um pássaro, no átomo inaugural de uma galáxia.

Sei que te agradaria acreditar, jazendo fingidor em calmaria, nesse nada.

Pois tua única certeza é a de que, a cada dia teu, navegas oceanos interiores desprovidos de norte.

És um herege, um descrido, um ímpio: a tanto te sentenciou o teor do fruto do bem e do mal; a isso te condenou o sabor da infundada ciência, da vã filosofia.

Incerta é tua destinação; incógnita a lei pela qual te exilaram na Terra.

Eis aí razão bastante para que só cultives a fé no hoje, no agora, neste momento que flui sem retorno.

Para que só depares esperança neste instante e em cada mínimo prodígio de que se tece: o vento de primavera que invade impressentido teu outono; a dança terminal das andorinhas na luz de junho; o olhar da desconhecida que, provinda de teu futuro, habitou há muito e tão intensamente teu passado.

liberato.vieira@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Moacyr Scliar
17/06/2003


Cartas de amor

Dizem que todas as grandes histórias de amor terminam mal. Afirmação verdadeira ao menos num caso: o triste e famoso romance ocorrido no século 12 entre Abelardo e Heloísa. Abelardo, mestre em teologia, teve um caso com sua aluna, Heloísa, na casa de cujo tio vivia, e engravidou-a. A vingança desse tio foi terrível: mandou castrar o pobre Abelardo. Tanto ele quanto Heloísa adotaram votos religiosos e, a partir daí, mantiveram uma comovente e patética correspondência que servia de veículo para a platônica paixão.

Cartas de amor pareciam, contudo, ter caído em desuso, sobretudo depois que a correspondência passou a ser feita via Internet. Não dá para botar um beijo com batom num e-mail, nem dá para molhá-lo com lágrimas. Ou seja: a derrota da emoção pela tecnologia.

Mas aí aparece o coronel Kassem Saleh, que, apesar do nome, é norte-americano e integrou as forças que combateram o Talibã no Afeganistão. Nesta vocação belicosa há um lado terno. Descobriu-se que o coronel cortejou pelo menos 50 mulheres através de seu site na Internet. Disse uma delas, Robin Solod, a respeito das cartas de amor: "Ele escrevia melhor do que Shakespeare e me embriagava com seus sentimentos".

A história acabou vindo a público e Kassem ganhou o apelido de "Kassanova". Mas as moças a quem enviou cartas (e, em alguns casos, anéis de noivado, o que mostra pelo menos uma disposição de investir na emoção) não estão achando nenhuma graça; querem que o Casanova da Internet seja julgado e que vá para a prisão.

Não há dúvida de que Kassem é um enganador. Pergunta: será que não estava se enganando também a si próprio? Será que, quando escrevia, não acreditava nas próprias palavras? Não seria o primeiro mentiroso a fazê-lo, sobretudo quando estamos falando em termos de texto. O que é a ficção, afinal, senão uma mentira? Mas as lágrimas que as pessoas narram lendo livros ou vendo filmes são absolutamente autênticas. Porque, ao fim e ao cabo, nós queremos acreditar. Estamos em busca de palavras que reafirmem nossa confiança na vida e no amor.

Kassem viveu 50 ardentes paixões. Construiu para si próprio um harém imaginário, do qual era o sultão absoluto. Em suma: realizou seus sonhos românticos. Uma figura rara em nossos tempos cínicos.

Partilho a indignação das correspondentes ludibriadas. Mas não deixo de admirá-lo como escritor.
scliar@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Paulo Sant'ana
17/06/2003


Maldade contra as caturritas

O Instituto de Previdência do Estado deve R$ 10 milhões à Santa Casa de Misericórdia por serviços prestados a milhares de segurados daquela entidade de classe do serviço público estadual.

Como esta quantia é vital para a continuidade dos seus serviços, a Santa Casa resolveu contrair empréstimo junto ao Banrisul, exatamente no valor da dívida.

Pelos R$ 10 milhões que tomou emprestados, a Santa Casa está pagando só de juros ao Banrisul, mensalmente, R$ 270 mil.

Isso é uma profunda injustiça. A Santa Casa não merece. Ainda mais que, cônscia de seu papel social, não suspende seus serviços aos segurados do IPE, que continuam se valendo dela para serem atendidos.

Confia-se na sensibilidade do governador Germano Rigotto para solucionar essa questão.

A Santa Casa é sagrada e imprescindível. Não pode ser punida pela sua exemplaridade.

São tantas as dívidas do IPE com os hospitais e os médicos, que isso vai acabar colocando todo o sistema de saúde gaúcho em colapso.

Não entendo nada de controle da fauna, mas me fere a sensibilidade que o Ibama tenha proibido ontem a caça do marrecão no Rio Grande do Sul, enquanto liberou a matança das caturritas.

Repito que sou leigo na matéria, portanto não tem valor crítico a minha opinião.

Mas me espanta a proibição da caça ao marrecão, também chamado de majestade-do-banhado, a ave que mais atrai os caçadores pelo seu alçar vôo rápido, o que desafia a capacidade dos atiradores.

É que, quando se proíbe a caça de uma espécie, visa-se logicamente a sua não-extinção.

Mas o marrecão é uma ave migratória, vem da Argentina para o Rio Grande do Sul numa leva turístico-alimentar, em busca das restevas de arroz. Estamos preservando uma ave originalmente argentina? Ou ela estabelece por aqui uma existência estável?

Nada contra o marrecão, mas, na comparação, liberar a caça à caturrita me parece uma crueldade.

Suponho que a caturrita seja uma ave predadora das lavouras, mas a acho tão mimosa, não concebo nem que a matem com armas de caça quanto a capturem para cativeiro.

Só queria deixar aqui meu lamento em favor da caturrita. Apesar de ignorante sobre o assunto, não terei nem um bocadinho de razão?

Christian foi suspenso por 60 dias, Gavião por 90. Por tentativa e agressão aos árbitros.

Essas duas condenações se devem ao clima de total indisciplina que caracterizou o Grêmio este ano, sem qualquer coibição por parte do treinador e dos dirigentes.

No jogo contra o Figueirense, Christian agrediu um adversário, foi expulso pelo árbitro adequadamente, mas só não agrediu o juiz porque o Tite invadiu o campo e foi lá apartar.

Christian estava dominado por uma fúria incontrolável, ele ia acabar dando um soco no juiz. Brindou o árbitro com contundentes ofensas morais.

Em 2003, só o que se viu nas cercanias do vestiário gremista foi rebeldia dos jogadores contra os d
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comente o texto acima:


Vejam só Porto Alegre ontem e isso que aconteceu é numa das zonas mais nobre da Capital, imaginem naquelas de menos poder aquisitivo... O Porto Alegrense ainda sofre com as chuvas sem a quem tenha que queixar-se.

Clima
Porto Alegre, 17h55min



Aposentado Sérgio Vitória é resgatado, com a mulher e uma neta, após seu carro ser arrastado pela correnteza na Avenida Nilo Peçanha, próximo ao Iguatemi. Sérgio conta a ZH seus 15 minutos de medo (foto Marcelo Albert, especial/ZH)


Comente o texto acima:

Segunda-feira, Junho 16, 2003




Semana próxima já será inverno, embora hoje chova torrrencialmente conforme se vê nas nuvenzinhas e nos pingos ai a esquerda da previsão do tempo. Como essa semana sera curtinha pelo feriado de quinta-feira, o tempo passará ainda mais rápido e assim o doce e terno outono vai nos deixando como quem fica assim a beira da estrada.

Hoje a noite como não havia nada, aliás muita coisa a fazer, consegui olhar alguns outros blogs, ver o que andam escrevendo e fazendo, e acabo gostando menos do jeito deste aqui. Mas também seria muita pretensão de minha parte querê-lo perfeito. Até acho que teria que ser coerente, assim como é. Mas sonho em melhorá-lo, fazê-lo do jeito que eu goste mais. Que seja mais aquilo que sonho...

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem diga nem todas, só as de verão.
Mas no fundo isso não tem muita importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si,
são os sonhos.

Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares, em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado".

William Shakespeare

Comente o texto acima:




Vem, criança

Vem, criança. Eu tenho tempo. As tarefas esperam. Tu cresces. Ficaria tarde... Dou-te a mão. Sei brincar de roda. Tocar pião. Empinar pandorga. Fazer surgir, de alguns trapos, a boneca humilde porém divertida. Ou, quem sabe se te agrada vendar os olhos bancando a cabra cega ou esconder o lenço para ver se encontras?

Vem, criança. Sou carente de ti. Todos os adultos são iguais. Simplesmente escurecem . Escamoteiam a verdade. Fingem não ver, demasiadamente entregues aos seus trabalhos. Muitos dão-se conta tardiamente. Ou os filhos passaram a meninice esperando por eles ou, é bem possível, julgaram coisa do antigamente, substituível pela televisão ou outra magia da era eletrônica. Quando for o depois poderá ser tarde.

Vem, criança. É proibido proibir. Porém eu te peço; não brinquemos de guerra. Deixemos de lado as falsas cenas de mocinho e bandido. Os super heróis podem ser perigosos mostrando violência desmedida. Gente voltada de mil e uma maneiras para o mal. Eles não existem sem os grandes vilões. É cedo para ficares longas horas em tais companhias. Ainda é tempo de ninhos. Vamos, eu mostro. Os pássaros também voam.

Vem, criança. Tendo paciência, a gente encontra flores. E descobre quanta beleza há em cada uma. Nas gaiolas de ferro onde te aprisionam é impossível plantar. Eis a chance. Comecemos semeando vida. Quem semeia faz amor com a terra. Fica em paz com a natureza. E, por acaso, és diferente? Não, amiguinho. És amor e paz!

Vem criança. Tens dormido tarde. Sabes todos os programas da noite. As fadas e os príncipes encantados, aparentemente, sobraram. Não existem em teu mundo. A verdade é outra. Falta um contador de histórias. Que te ponha no colo, passe a mão em teus cabelos e, simplesmente, comece: Era uma vez..¿

Vem, criança. Um beijo é o melhor presente. É bom acreditar nos anjos, em esperança, em quem nos guarde enquanto dormimos e esteja pronto a ser guia quando acordamos.Em seguida te digo do céu.

Vem, criança. Começa logo a falar com Deus. Pode ser assim:
- Papai do Céu, gosto de ser criança e ter carinho... Ou quem sabe:É bom descobrir os miudinhos para nunca esquecermos existir um deles em cada um de nós. Depois é simples, como tudo na vida.Deus entende até a vontade de sermos ouvidos.

Vem criança. E, abençoada seja, por continuares junto de mim, em mais um ano que foi e outro que vem.

Mendes Ribeiro

Comente o texto acima:




O céu, a vida, a pureza absoluta...
Ah, tudo isso é uma questão desesperadamente pessoal.
Quando dizemos o absoluto, com que poderes sonhamos..?
Com que mistérios de consolo e elevação..?

E se o queremos, que forças temos para arrastar
Os outros conosco, para que nos acompanhem..?

E se não temos os outros, de que
Nos adianta este paraíso solitário..?

Comente o texto acima:




Cada palavra que te escrevo é uma
rosa vermelha que te dou, mesmo rosa não sendo...
Cada poema é um jardim colorido que te mostro
sem que o jardim estejas vendo.
Cada olhar que cruzo como teu é o meu "eu"
amoroso que se entrega, sem que estejas recebendo e,
Cada carinho, cada beijo que me dás,
cresce mais o meu amor por ti, sem que sinta-o crescendo.

A noite antes de dormir é teu o meu último
pensamento e ao acordar, obvio, tu és o primeiro.
Nos sonhos que sonho, ainda assim, continuas em mim...
Verdade é então que está comigo, sem estar
O tempo inteiro.

Comente o texto acima:




INTERVALO

Quem te disse ao ouvido esse segredo
Que raras deusas têm escutado -
Aquele amor cheio de crença e medo
Que é verdadeiro só se é segredado?...
Quem te disse tão cedo?
Não fui eu, que te não ousei dizê-lo.
Não foi um outro, porque não sabia.
Mas quem roçou da testa teu cabelo
E te disse ao ouvido o que sentia?
Seria alguém, seria?


Ou foi só que o sonhaste e eu te o sonhei?
Foi só qualquer ciúme meu de ti
Que o supôs dito, porque o não direi,
Que o supôs feito, porque o só fingi
Em sonhos que nem sei?

Seja o que for, quem foi que levemente,
A teu ouvido vagamente atento,
Te falou desse amor em mim presente
Mas que não passa do meu pensamento
Que anseia e que não sente?

Foi um desejo que, sem corpo ou boca,
A teus ouvidos de eu sonhar-te disse
A frase eterna, imerecida e louca -
A que as deusas esperam da ledice
Com que o Olimpo se apouca.
Fernando Pessoa

No dia 13 de junho é comemorado o nascimento de um dos maiores poetas portugueses de todos os tempos: Fernando Pessoa.
Nascido em Lisboa, em 1888, o poeta renovou a literatura portuguesa através da criação da revista Orpheu. Ele possuía vários heterônimos e assinava suas obras de acordo com a personalidade de cada um deles. Faleceu prematuramente em 1935, isso fez com que muitos de seus escritos fossem publicados postumamente.

Comente o texto acima:




Abre a boca Gimenez
Apresentadora diz que não usa erros na TV nem encontros com Mick Jagger para se promover, vive em guerra com a balança e sente falta de namorar
Zean Bravo


Luciana dirigiu o programa antes das últimas mudanças: penso rápido

Um baita escorregão na entrada do palco marcou a estréia de Luciana Gimenez no SuperPop. Dois anos e meio depois, a ex-modelo mostra ter aprendido a tirar proveito dos incontáveis deslizes esses, no sentido figurado , protagonizados por ela nas noites da Rede TV!. As gafes e erros gramaticais menos freqüentes, é verdade , viraram mote de um quadro da atração. Foi idéia minha e deu certo. Estão dizendo que agora faço dos meus erros um marketing. Que tipo de gênia sou eu para falar errado e achar que é marketing?, rebate a apresentadora de 33 anos, que dispara um cala a boca, Gimenez! sempre que fala besteira, como esse feminino de gênio que não existe.

Ela já chorou muitas vezes e resolveu transformar as críticas em gozação, entrega o irmão da apresentadora Marco Antônio Gimenez, 24 anos. Luciana tem humor, mas não é gratuito. Ela é sarcástica e espontânea. Aos 16 anos foi para fora trabalhar como modelo e teve longa experiência de vida. Alguma coisa ela aprendeu e tenta passar isso para o povo, completa ele.

Dizendo-se crítica sou a primeira a meter o pau em tudo, Luciana não é nada modesta ao avaliar seu desempenho. Melhorei muito. Para mim, o último programa sempre é o melhor, opina ela, que acredita ter uma cabeça rápida.

Mas se na perfomance ela alivia, com o corpinho é severa. Sempre me acho gordinha. Sabe essa banha do ladinho que sobra em cima da calça? Tô ligada nela e se engordo dois quilos, fico mal. Tiro até o brinco para me pesar, confessa ela, que reclama com os câmeras quando os ângulos não a favorecem. Não filma meu bumbum, costuma dizer.

Luciana jura não fazer tipo e falar o que pensa. Faz questão, por exemplo, de avisar: Tá faltando um homem na minha vida. E Mick Jagger, pai de seu filho Lucas, 4 anos? O que rola? Somos ótimos amigos e se rolasse alguma coisa, ainda não contaria. Sobre as sempre fotografadas visitas do filho ao roqueiro, ela esclarece. Imagina se aviso aos fotógrafos sobre nossos encontros lá fora. Ele ficam nos seguindo, indigna-se a apresentadora, que diz lidar bem com a imprensa. Não ligo para o que falam. No fim, o povo esquece e só a gente lembra.

Comente o texto acima:




Conforme já colocado ontem aqui, a CAIXA antecipa o prazo para utilização do FGTS para clientes que quiserem usá-lo através de outras instituições financeiras. A Zero publica hoje esta noticia.

Finanças Públicas
FGTS será pedido pela Internet
Espera deve cair para três dias

A Caixa Econômica Federal (CEF) informou que colocará em funcionamento hoje em seu portal na Internet www.cef.gov.br) um novo serviço que se propõe a acelerar os processos de liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o financiamento da casa própria.

Pelo sistema, os agentes financeiros poderão fazer as solicitações pela rede, sem precisar entregar as guias e os formulários em papel exigidos até agora.

A CEF realiza 400 mil saques no FGTS por ano, que correspondem a cerca de R$ 3 bilhões. A instituição estima que o tempo de espera, a partir da entrega dos documentos pelo interessado até a liberação, caia dos atuais cinco dias para três dias. O sistema poderá ser usado na compra de imóvel concluído, em construção, para a amortização ou liquidação do saldo devedor.

Comente o texto acima:




Maria Tomaselli
16/06/2003


O fio russo

Estava eu parada num sinal quando cruzou o fio russo na minha frente. Levei um susto, porque a mulher que o carregava estava sendo, por assim dizer, carregada por ele. Parecia estar sendo puxada pelas garrinhas ancoradas em seu rosto, que sustentam e repuxam fios que correm em direção à parte superior das faces, retesando os tecidos, levantando as bochechas. Sulcos profundos cruzavam seu rosto, como as linhas que atravessam a serra gaúcha. Up-lifting, malfeito, neste caso. O botox atua diferente, tudo fica lisinho. Arma preferida dos políticos que têm que ser jovens e ágeis.

O que nos faz temer tanto a velhice, se todos fazemos de tudo para ficarmos bem velhos? Temos medo da morte?

Por outro lado estamos numa grande mudança cultural em relação à natureza. Cultura e natura não estão mais em oposição, nossa cultura é modificar a natureza. Tem todo um segmento da arte que trata da genética: lembremos os coelhos fluorescentes, a inserção de orelhas no dorso de ratos, uma verdadeira bioengenharia. Nem precisamos falar dos clones que nos permitem escolhas direcionadas de prole. O corpo, esta unidade de natura e cultura, está no centro da discussão. Sangue vira material de arte. Na exposição Sensation, o sangue foi sancionado como material nobre a ser usado, tanto quanto o eram os pigmentos raros de antigamente. O corpo humano vira objeto de exposição, por dentro e por fora. Videolaparoscopias convidam a uma viagem para dentro do corpo, como nas instalações de Diana Domingues, "the reverse side of the body" , tipo o interior virado para fora. O corpo é fatiado e plastificado em milhares de lâminas para ser visto como se fosse num programa 3D pelo médico anatomista e artista plástico Gunther von Hagens. O que choca é só o fato de se tratar de um ser humano de verdade e não de um artefato imitativo. O corpo vira fetiche. Ele é o objeto. Perdeu a união com o sujeito, como se o sujeito estivesse do outro lado. A tecnologia usa todo seu arsenal para perenizar o corpo. Ela o manipula, o transforma, o recria. A razão, o espírito se intrometendo na natureza.

A grande questão é: este espírito não é apenas uma abstração? A tecnologia, a matemática, o cartesiano não é apenas uma faceta do que é o homem, uma parte? Não teria de se considerar o outro lado também? A totalidade da qual é composta nossa cultura? O lado das emoções, das aflições, das paixões, das alegrias e das raivas? O coração deixa marcas nos nossos rostos, ele é um modificador do nosso corpo, a cultura que temos nos marca fisicamente. E o que fazemos? Tentamos eliminar estas marcas com as tecnologias, com as ciências exatas. É como se fosse uma luta de São Jorge contra o dragão da maldade. Este vai ser também o problema com o teletransporte. O que será que vai ser transportado? O hardware only? Ou vai o software junto?

Não é uma pena e uma falta de curiosidade, quase uma covardia, desligar o software, interromper esta modulação cultural? Como é que vamos saber como seria nosso semblante se mexemos nos nossos rostos o tempo todo, se tiramos a poeira assentada como se não fizesse parte da nossa história? Tal qual no retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde, ou no semblante de Michael Jackson.

Sei lá, eu tenho vontade de me ver como estou vendo a Louise Bourgeois aos 90 anos de idade: um mapa a ser desvendado. Será que vou agüentar?
maria.tomaselli@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Paulo Sant'ana
16/06/2003


A cantinflagem

Os repórteres esportivos já estão quase desistindo: todas as tentativas que fizeram nestes últimos seis meses para tirar do presidente Flávio Obino explicações satisfatórias sobre o péssimo desempenho do time do Grêmio em 2003 resultaram infrutíferas.

É que Flávio Obino exercita com extraordinária capacitação a arte da cantinflagem.

Cantinflas, um grande e inesquecível cômico do cinema mexicano, caracterizava sua figura por um jorro intenso e forte de palavras que atirava sobre seus interlocutores, fugindo completamente ao tema que estava em jogo ou tinha sido proposto.

Um dia, quando os repórteres tentaram que o presidente Flávio Obino admitisse que havia desentendimentos no vestiário do Grêmio, ele saiu-se com esta: "O vestiário do Grêmio é o buraco do amor".

Os repórteres passaram dois meses comentando a inusitada resposta e largaram o presidente de mão a respeito de crise.

Mas com o passar do tempo foram se sucedendo os fracassos do Grêmio e os repórteres tiveram que voltar a entrevistar e apertar Obino.

Repórter: - Presidente Obino, o Grêmio jogou seis partidas do Gauchão, com quatro derrotas e um empate. Está fora do campeonato gaúcho. Foi desclassificado também da Libertadores e nunca houve na história do clube uma campanha marcada por tantos insucessos. Como o senhor explica esse desastre?

Flávio Obino: - Este Grêmio centenário de tantas glórias, esta equipe que é a síntese desta paixão por um Grêmio que já conquistou os maiores títulos que um clube poderia ter conquistado, tenho a certeza de que saberá dentro de campo dar a resposta que seus torcedores esperam...

Repórter: - A crise, presidente, por favor refira-se à crise...

Flávio Obino: - Esta gloriosa jaqueta tricolor, responsável pelas maiores alegrias desta extraordinária torcida, tenho a certeza de que saberá nos representar à altura desta grandeza nos próximos jogos...

Todos sabem que o pior instante para um dirigente de futebol é quando, após derrota em jogo ou fracasso num campeonato, ele é obrigado a se defrontar com o repórter da rádio para dar a explicação.

Mário Moreno, este era o nome de Cantinflas, ficou célebre pelo discurso caudaloso com que inundava de frases ligeiras os ouvidos dos seus circunstantes, fazendo desaparecer o problema que tinha sido criado por uma hábil manobra diversionista, que fugia completamente ao assunto que estava sendo tratado.

Flávio Obino exercita a cantinflagem com estupenda destreza. Ele não responde ao que os repórteres perguntam, sabe que fugindo ao assunto em tela, sem recusar-se a falar abundantemente, mas sem se referir ao que interessa ao indagador, o repórter acabará cansando de tanto insistir ou então o tempo se esgota na entrevista da rádio - e ele se salva pela fadiga dos entrevistadores ou pelo gongo da programação.

Ontem os repórteres voltaram à carga.

Repórter: - É o terceiro Gre-Nal que o Grêmio não ganha. O Grêmio levou um banho do Internacional. Só não perdeu por causa do Danrlei.

Flávio Obino: - Não entendo como vocês se fixam no Grêmio que está em campo. Deviam se referir ao Grêmio que estava ausente de campo: ao Gilberto, que está na Seleção, ao Polga, que veio lesionado da Seleção, ao Amaral, que não pôde jogar, ao próprio Rodrigo Fabri, também ausente. Este Grêmio centenário da gloriosa jaqueta tricolor...

Os repórteres saem de fininho, completamente desesperados com mais um cantochão histórico do presidente.

Porque para os repórteres, para os comentaristas, para os jornais, as rádios e as televisões, a crise no clube só se consagra quando o presidente admite.

Se o presidente não admite que há crise, então é porque não existe crise, está tudo às mil maravilhas.

Do Flávio Obino, velho cultor do Cantinflas, nunca nenhum repórter vai arrancar que o Grêmio está mal e em crise.

Como é que pode estar mal este Grêmio centenário da gloriosa jaqueta tricolor?

psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comente o texto acima:


Gre-Nal
Danrlei 0 x 0 Inter



Com 16 defesas, algumas de extrema dificuldade, o goleiro impediu a vitória do Inter no Gre-Nal de ontem no Olímpico (foto Ricardo Duarte/ZH)


Comente o texto acima:

Domingo, Junho 15, 2003




Bom, e o fim de semana chega ao fim. Se o meu time não ganhou, pelo menos, também não perdeu e assim perdura a esperança de que melhore ainda mais no decorrer dos jogos. Fez um domingo espetacular, quase de verão neste ocaso de outono. Lindo, de sol em que donos de carrocinhas venderam de tudo, muita pipoca, refrigerante e até sorvete. E amanhã iniciamos uma semana de feriadão outra vez que, sendo possível,eu também espero fazer.

Abraços, não esqueçam de deixarem seus recados, e para isso já pus dois links. Um do Haloscan que estava sempre saindo do ar e outro da própria Globo. Escolham um e mandem ver. E um ótimo começo de semana.

Comente o texto acima:




ESPERA

Espera...
Nem o sol se libertou da noite,
Nem nossas almas encontraram suas asas...
Por que te vais lançar, sofridamente
Pelos caminhos ignotos do amanhã?

Espera
Quanto mais tarde fores
Menos se terá a recordar...
A saudade é perseguidora
Dos pés que palmilharam outros caminhos.
Nem a lua se libertou do lago.
Nem foi chegada a hora derradeira
De reconciliação do amor com a saudade.

Espera..
E quando finalmente amadurecida
Te lançares de braços abertos
Para a conquista dos dias
Não há de lamentar o preparar demorado
Porque continuarás o teu tempo e o teu vento.

Espera
Nem o embrião do amor
Se libertou ainda do erro
Nem as vozes dos pássaros
Foram entendidas
E já queres ir...

Espera...
E então estarás no ponto
De não mais sentires desilusão
Mas sim de fazer
De cada embaraço
O ponto de partida para um novo avanço

Espera...
Por favor...
Nem o sol se libertou da noite
Nem nossas almas encontraram suas asas...
E já queres ir...

Comente o texto acima:




AMIGOS

Não sei se estrelas
comungaram de emoção
ou se as flores curvaram-se nas hastes.

Não me pergunte, pelos momentos vividos
em doce renascimento quando a sós estive contigo...

Nem pelo riso, hoje desatado em prantos
Pela possibilidade em que acredites
De que vivemos em mundos diferentes

Não questiones também
Como me sinto quando na distância
Nem porque de seu nome
Desenhado em tudo o que escrevo
E mais ainda na imaginação.

Transfigurado...
Faço de cada gesto um cântico...
De cada espera um rito de amor consentido...

E tento não recordar
Abrandar apenas a tristeza do instante
Em que talvez afirmes: somente amigos.


Comente o texto acima: