E N T R E L A Ç O S Testando cor de fundo
E N T R E L A Ç O S

Sábado, Junho 21, 2003




Moacyr Scliar
22/06/2003


As festas da inocência

O caipira chega na guichê da estação rodoviária da cidadezinha e pede:

- Moço, eu quero uma passage pro Esbui.

- Como disse?

- Eu quero uma passage pro Esbui.

- Esbui? Sinto muito, mas não temos passagem para Esbui.

O caipira então volta-se para o amigo que o aguarda na porta:

- Ói, Esbui, o óme falô que pr'ôce num tem passage, não!

A piadinha acima é uma das milhares que circulam na Internet sobre esse típico personagem brasileiro, o caipira. Como as outras, não têm muita graça; como as outras, debocha da ingenuidade do interiorano, o homem da roça, pouco familiarizado com a vida (e com a safadeza) da cidade. Mas é exatamente este homem da roça, o caipira, que as festas juninas celebram.

Festas alegres, claro, sem o apelo ao sexo que caracteriza o Carnaval: festas de brincadeiras inocentes, como eram as festas pagãs européias que, nesta época do ano, marcavam a chegada do verão e o começo da colheita. Noites quentes, que convidavam a ficar ao ar livre para jogos e brincadeiras. No Brasil, essas festas remetem à época em que a população era eminentemente rural; hoje, ao contrário, três quartas partes dos brasileiros vive nas grandes cidades, o que pode ter sido inevitável, mas dificilmente será considerado uma melhora.

De qualquer modo, o citadino brasileiro encontrou no caipira um alvo predileto de deboche. A própria palavra já é meio pejorativa; "caipira" poderia ser uma corruptela de caipora, aquela grotesca criatura do foclore que trazia infelicidade a quem o via. O caipira era visto como uma figura apática, passiva, da qual é exemplo o Jeca Tatu de Monteiro Lobato, personagem que teve duas versões. Na primeira, o escritor paulista descreveu o caboclo como um preguiçoso, um verdadeiro parasita. Depois, descobriu com os sanitaristas que o homem do campo era na realidade um doente, infestado de vermes, e escreveu um famoso texto pedindo perdão ao Jeca e oferecendo-lhe um tratamento, o Biotônico Fontoura.

Doente, pobre, o homem do campo mantinha, contudo, sua crença na espécie humana. Em vilas do Interior as portas não são chaveadas; as pessoas acolhem com a maior hospitalidade os desconhecidos.

Essa confiança foi aos poucos desaparecendo. A manchete de Zero Hora no último domingo falava no "país bandido", o Brasil do crime, da transgressão, ao qual devemos acrescentar o Brasil da corrupção, o Brasil da mentira e do engodo. Isso não é resultado da urbanização, que é, aliás, um processo inevitável; isso é resultado, antes de mais nada, de uma espantosa desigualdade social. Na cidade, e por causa da maior proximidade entre as pessoas, a desonestidade e o cinismo encontram terreno fértil; mas também é verdade que, na cidade, as pessoas podem conviver, podem se organizar, podem lutar juntas para melhorar suas vidas, coisa que o homem do campo, também explorado, dificilmente podia fazer.

Do Brasil rural ficou, portanto, uma dupla imagem, lírica de um lado e debochada de outro, e essa dupla imagem reaparece nos festejos juninos, por exemplo na tradicional cena do casamento da roça.

As crianças que se fantasiam de caipira sempre aparecem com o chapéu de palha, o lenço ao pescoço, o bigodinho - e, graças a um simples truque de maquiagem, desdentadas. Muito simbólico: era um Brasil desdentado, o do caipira. Desdentado, mas sorridente.
scliar@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Paulo Sant'ana
22/06/2003


O prazer sexual

A revista IstoÉ publicou na capa que 40% dos homens brasileiros têm ejaculação precoce e 27% das mulheres não têm orgasmo.

Mas que estranho páreo sexual é este em que uns cruzam indevidamente a fita de chegada e outros sequer se desgrudam do partidor?

Outra coisa que eu não entendo é como é que novilho precoce é tão delicioso e ejaculação precoce é uma porcaria.

Tenho um amigo que vê duas pragas caírem sobre si. Ele nunca teve o orgasmo ideal, que é o orgasmo longevo.

Ele sempre tem dois orgasmos no mesmo episódio: o primeiro é o precoce, o segundo é o tardio. Os dois o surpreendem sempre na direção do seu carro, à entrada e à saída do motel.

E ainda sai criticando a parceira, dizendo que ela não tem orgasmo.

E mais uma coisa me intriga profundamente: é que nunca ouvi falar, sequer uma vez, de orgasmo precoce feminino.

O que me faz compreender que, ao contrário do homem, que em alguns casos tem o orgasmo na hora errada, ou a mulher tem orgasmo na hora certa ou não tem acesso nenhum ao orgasmo.

Tenha-se como orgasmo na hora certa aquele em que o homem ou a mulher chegam ao êxtase sexual exatamente no momento em que se verifica o auge da excitação do parceiro ou parceira.

O ideal, quase nunca conseguido, é quando os dois parceiros são alvos do orgasmo no mesmo instante. O orgasmo simultâneo é uma loucura e por ele a paixão se incendeia.

Mas o ser humano é muito complicado neste aspecto. Dá para arrolar várias manifestações normais, porém excêntricas, outras doentias, da espécie humana: a libido sem potência, a potência sem libido (priapismo), o prazer sem orgasmo (incluída a ninfomania), o orgasmo sem prazer, a ejaculação sem orgasmo, o orgasmo sem ejaculação (freqüente nos imberbes), o meio orgasmo (comichão) e o orgasmo múltiplo (notável em algumas raras mulheres).

Pelo orgasmo múltiplo, se desata na pessoa, durante o ato sexual, um pináculo de sensações prazerosas, intensas e consecutivas, sem interrupção, mediante as quais vai se sucedendo uma incontrolável e benfazeja bateria de êxtases.

Acredita-se que a suprema realização da pessoa humana seja o orgasmo múltiplo, algo assim equiparável ao que Homero sentiu quando escreveu A Ilíada e Einstein ao acabar de desenvolver a teoria da relatividade.

Finalmente, um orgasmo muito verificado na natureza humana: o orgasmo onírico, manifestado num sonho.

O orgasmo onírico compreende três tipos. O primeiro é quando a pessoa tem um sonho proibido, no sonho ela pratica sexo com um parceiro ou parceira impossíveis, inacessíveis a ela na vida real.

O segundo tipo é aquele em que a pessoa sonha estar fazendo sexo com alguém que aparentemente não a interessa na vida real, mas que pelo sonho se revela então ser uma fantasia sua inconfessável.

E o terceiro tipo é aquele em que a pessoa sonha estar fazendo sexo com alguém que muito deseja ou muito desejou, talvez uma reminiscência.

Os orgasmos oníricos se verificam quase sempre que a pessoa que é paciente deles está vivendo um longo jejum sexual, sendo muito comum nos mosteiros, nos conventos e nos cárceres.

Isso comprova que a criatura humana é inseparável do sexo, é capaz de exercitá-lo até mesmo quando está dormindo.

No orgasmo onírico, tanto em homens quanto nas mulheres, verifica-se também a ejaculação.

E na grande maioria desses sonhos eróticos não sobrevém o orgasmo, interrompido pelo despertar da pessoa.

É o lamentado despertar precoce.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Bom é verdade tudo isso ai abaixo. Quantas vezes ficamos horas ou dias de cara amarrada por tão pouca coisa. E as 16:10 hs de hoje entrou o inverno que é a estação que mais turistas tras ao sul. Esperamos que eles sejam bem recebidos e desde já aceitem as boas vindas quando vierem para cá.

Martha Medeiros
22/06/2003


A porta do lado

Li uma ótima entrevista dada pelo médico Drauzio Varella à revista Marie Claire, não lembro exatamente em que edição. Disse ele na entrevista que a gente tem um nível de exigência absurdo em relação à vida, que queremos que absolutamente tudo dê certo, e que às vezes, por aborrecimentos mínimos, somos capazes de passar um dia inteiro de cara amarrada. E aí ele deu um exemplo trivial, que acontece todo dia na vida da gente. É quando um vizinho estaciona o carro muito encostado ao seu na garagem (ou pode ser na vaga do estacionamento do shopping). Em vez de simplesmente entrar pela outra porta, sair com o carro e tratar da sua vida, você bufa, pragueja, esperneia e estraga o que resta do seu dia.

Eu acho que esta história de dois carros alinhados, impedindo a abertura da porta do motorista, é um bom exemplo do que torna a vida de algumas pessoas melhor, e de outras, pior. Tem gente que tem a vida muito parecida com a de seus amigos, mas não entende por que eles parecem ser tão mais felizes. Será que nada dá errado pra eles? Dá aos montes. Só que, para eles, entrar pela porta do lado, uma vez ou outra, não faz a menor diferença.

O que não falta neste mundo é gente que se acha o último biscoito do pacote. Que audácia contrariá-los! São aqueles que nunca ouviram falar em saídas de emergência: fincam o pé, compram briga e não deixam barato. Alguém aí falou em complexo de perseguição? Justamente. O mundo versus eles.

Eu entro muito pela outra porta, e às vezes saio por ela também. É incômodo, tem um freio de mão no meio do caminho, mas é um problema solúvel. E como esse, a maioria dos nossos problemões podem ser resolvidos assim, rapidinho. Basta um telefonema, um e-mail, um pedido de desculpas, um deixar barato. Eu ando deixando de graça, pra ser sincera. 24 horas têm sido pouco pra tudo o que eu tenho que fazer, então não vou perder ainda mais tempo ficando mal-humorada.

Se eu procurar, vou encontrar dezenas de situações irritantes e gente idem, pilhas de pessoas que vão atrasar meu dia. Então eu uso a porta do lado e vou tratar do que é importante de fato. Eis a chave do mistério, a fórmula da felicidade, o elixir do bom humor, a razão por que parece que tão pouca coisa na vida dos outros dá errado.
martha.medeiros@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Luis Fernando Verissimo
22/06/2003


O que eu pediria ao diabo

A lenda de Fausto e do seu pacto com o diabo foi usada por vários escritores, como Goethe e Thomas Mann, e interpretada de várias maneiras. Fausto simbolizaria a ambição humana pelo poder em trágico confronto com Deus e o destino, ou o espírito humano disposto a desafiar a natureza e a danação eterna pelo conhecimento, o que também acaba mal, mas traz a civilização. De qualquer jeito, é o mito inaugural do homem moderno, que sacrificou sua alma para ter a ciência. E é revivido cada vez que alguém precisa decidir, mesmo metaforicamente, se aceita ou não negociar a alma com o diabo. Ou que alguém apenas imagine como agiria na mesma situação.



* * *

Eu, por exemplo, já pensei muito no que pediria ao diabo em troca da minha alma. Depois de vencidas as primeiras etapas, de estabelecer contato (um anúncio nos classificados?), marcar o encontro ("Eu vou ser o único com chifres e cascos, não tem como errar"), submeter minha alma à avaliação (ela não deve valer muito mas dizem que o diabo não pechincha) e acertar os termos do contrato (meu advogado e um advogado do diabo), o que eu, finalmente, pediria? Já que não quero nem poder, nem glória, nem, na minha idade, loiras ilimitadas?


* * *

O diabo, acostumado a grandes transações através da história com a humanidade e o seu ego, talvez se surpreendesse com as minhas pretensões. Embora elas talvez fossem típicas de uma humanidade de classe média já descrente de qualquer transformação na sua espécie, um pouco enfarada dos grandes temas míticos e resignada à falta de grandeza em geral. Não, eu não pediria sabedoria e domínio sobre o tempo e o espaço. Pediria, para começar, que a minha mala fosse sempre a primeira a aparecer na esteira no aeroporto.

Posso ver a cara do diabo, diante do meu pedido.

- O quê?

- Quero que a minha mala seja sempre...

- Eu ouvi. Só não acreditei. Você tem certeza que é isso mesmo que quer? Em troca da sua alma?

- Para começar.

- Pense no que está fazendo! É a sua alma, a sua eternidade, que você está me entregando. E em troca quer essa... Essa mesquinharia?!

- Mesquinharia? Pra você. Minha mala nunca - nunca! - é a primeira a aparecer na esteira. É uma aberração estatística. Pelo menos uma vez ela poderia ter aparecido, mas nunca aconteceu. Quero ter a felicidade de ver a minha mala aparecer na frente das outras. E não uma vez. Todas as vezes!

- Você não quer conhecer os segredos da matéria e do universo? Você não quer todos os poderes do mundo?

- Quero um poder só.

- Qual?

- O de abrir celofane de CD com a unha, e rápido.

O diabo faz a pergunta com cara de quem prefere não ouvir a resposta:

- Como é?

- Quero o poder de arrancar o celofane que envolve os CDs usando só a unha, sem precisar recorrer a tesourinhas, facas ou dentes, rapidamente e na primeira tentativa.

- Está bem - suspira o diabo, desolado com a qualidade dos novos Faustos. - O que mais?

- Preciso pensar um pouco. O que mais? Ah, sim. Cartilagem de galinha.

O diabo não consegue mais nem falar. Me manda prosseguir com um gesto desanimado.

- Não quero mais ter a surpresa de morder uma cartilagem de galinha, frango ou galeto. Nunca mais. Pelo resto da vida.

O diabo parece estar a ponto de desistir, de mim e da minha alma. Ele deveria ter previsto isso quando o convenci a aceitar minha assinatura no contrato com Bic vermelha em vez de sangue. Mas o contrato está assinado e tem que ser honrado.

- Que mais? - pergunta o diabo, de olhos fechados.

- Vaga em estacionamento de shopping. Sem precisar rodar muito. Para sempre.

- Tá bom. Que mais?

- É isso.

O diabo abre os olhos. Tenta, pela última vez, dar um significado maior ao nosso encontro, ou um valor maior à sua compra.

- Você não quer que eu lhe revele a razão e o objetivo da vida?

- Tá doido.

- Não quer nada mais em troca da sua alma? Nenhum outro poder que a maioria dos mortais não tem?

- Nenhum.

Mas aí me ocorre outro.

- Ah sim. O poder de acertar o timer do video-cassete!

E então o diabo desiste.

Comente o texto acima:


Futebol
A paixão que vem do berço



Consulados mirins no interior e núcleos infantis são as mais recentes armas da dupla Gre-Nal para perpetuar um amor que, às vezes, começa no berçário (foto Ricardo Chaves/ZH)
O negro no futebol brasileiro

Comente o texto acima:




Palavras com P

"O crescimento tem a natureza de um palíndromo: falta de dinheiro, que tem o mesmo sentido quer se leia da esquerda para a direita, quer da direita para a esquerda"

Se o governo for bem-sucedido em usar seu primeiro ano para os "males necessários", aí incluídos o fim da inflação e a reforma da Previdência, terá feito uma aposta inteligente. Poderá, assim, reservar todo o restante da administração para seguir a sabedoria florentina de fazer o bem aos poucos e por período prolongado. Será necessário controlar ansiedades e, principalmente, ter sucesso em promover o crescimento, processo que nada tem de pacífico.

Ilustração Ale Setti

Com efeito, o país está prenhe de crescimento há muitos anos, mas parece tropeçar nas palavras, quando se trata de definir o "novo modelo". Com o propósito de esclarecer as preliminares para o crescimento, eis aqui um pequeno dicionário com verbetes, muitos com P, relevantes para o problema.

1. Primário. O leitor que ouve a expressão "superávit primário" pode ter a falsa percepção de que o governo possui uma sobra de dinheiro e não gasta porque não quer. Errado. O superávit primário, de 4,5% do PIB em doze meses, é o produto das contas do governo excluindo juros. É um artificialismo contábil, sem o qual temos déficit, e grande, de 4,8% do PIB. Perde-se muita precisão com o amplo uso do conceito "primário". Note-se que seria fácil propor, por exemplo, um superávit "principal", que exclui o resultado da Previdência, ou o "primordial", que não inclui os investimentos, ou o "proporcional", que aparta as despesas com pessoal. Todos teriam algum propósito, mas, de verdade, seriam apenas palavras com P com o fito de engabelar. O número que realmente conta, despesa menos receita, sem truques, tudo incluído, é o déficit nominal: aproximadamente 63 bilhões de reais nos últimos doze meses.

2. PIB. A despeito de o governo dar um prejuízo desse porte, todo ele coberto com novo endividamento público, a dívida pública como proporção do PIB permanece estável, ou mesmo caindo, graças em boa medida ao bendito denominador. O leitor com pendores matemáticos notará que algo está errado, pois o denominador não está crescendo. Procede, mas a conta é feita com o PIB nominal, o qual, ainda que parado em termos reais, cresce com a inflação.

3. Penúria. Afastados os truques acima explicados, a conclusão é que o setor público não tem dinheiro para investir, e a penúria é invariante a mudanças no conceito de déficit: qualquer aumento de despesa gera mais dívida, não importa se a nova despesa for financeira ou de investimentos em saneamento.

4. Investimento Privado. O total do investimento, público e privado, feito no Brasil deve andar por volta de 16% do PIB, menos da metade do que se observa nos países emergentes da Ásia. Não há outra explicação para o baixo crescimento no Brasil. O que ainda não foi inteiramente percebido é que, como o governo se encontra em estado de Penúria, caberá ao setor privado responder pela diferença. A técnica para acordar o investimento privado é um tanto diferente do que muitos imaginam: a vontade política não é relevante e a vontade privada é caprichosa.

5. Privatização. A mais maldita das palavras com P continua a fazer muito sentido na medida em que se trata de transferir responsabilidades de investimento para o setor privado, processo esse amplamente bem-sucedido em setores como siderurgia e telefonia. Pode ser mais difícil em setores nos quais interesses públicos e privados estejam em conflito. Mas novas possibilidades precisam ser pesquisadas.

6. Parceria Público-Privada (PPP). O tema tem sido bastante discutido, mas ainda não há muita clareza sobre seu significado, que pode perfeitamente ser apenas privatização prudente, por partes, pactuada ou apenas petista. O setor privado desconfia porque a hostilidade para com as agências reguladoras, ou para com os indexadores dos contratos de concessionários, para não falar em problemas em nível estadual, fez crescer a importância de duas palavras com R: risco regulatório.

Moral da história: o crescimento tem a natureza de um palíndromo ¿ um verso, palavra ou problema (falta de dinheiro) que tem o mesmo sentido quer se leia da esquerda para a direita, quer da direita para a esquerda.

Gustavo Franco é economista da PUC-RJ e ex-presidente do Banco Central
(gfranco@palavra.com, www.gfranco.com.br

Comente o texto acima:




PONTO DE VISTA: Stephen Kanitz

Não é fácil ser pai

"Todo brasileiro tem duas famílias para sustentar, a sua e o governo"

Se seu pai anda cansado, abatido, desmotivado e sem pique para conversar com você, quero apontar uma das razões desse desânimo. O Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) acaba de realizar um estudo mostrando que a carga de impostos sobre a população brasileira chegou a 41% do PIB, neste primeiro trimestre de 2003. Nada a ver com o governo Lula, mas fruto de leis anteriores. Quando você nasceu, dezoito anos atrás, pagavam-se 20% do PIB em impostos. Mas esses valores não contam toda a verdade. O IBGE inclui no seu cálculo do PIB uma economia informal de 10%, na qual ninguém paga imposto. Portanto, o correto seria dizer que a CARGA TRIBUTÁRIA é de 45,5%, paga por 90% da população honesta. O governo só recebe 41% porque 10% da população não paga nada. Mas o drama não pára aí. Com a privatização de empresas públicas, quem custeia hoje os investimentos em telefonia, siderurgia, mineração, bancos, eletricidade e pedágios é a população. Os impostos deveriam ter diminuído com as economias da privatização, mas isso não aconteceu.

Ilustração Ale Setti



Em 1994, foi implantado um imposto sobre pequenas fortunas que ninguém percebeu, nem aprovou, muito menos calcula. Todo contribuinte de classe média tem de pagar todo ano de 15% a 20% sobre a inflação incidente em cima do seu pequeno patrimônio, incluindo casa, ações e aplicações financeiras. É que desde 1994 não se corrigem mais os valores da declaração de bens, e de lá para cá todos já estão devendo 25% de seus bens para o Erário, pagos no dia em que forem vendidos. Seu patrimônio tem os dias contados. Mas isso deixarei para os tributaristas e os contadores comentarem.

Como a taxação da renda chegou ao limite do politicamente aceitável, estudiosos estão recomendando taxar o patrimônio da classe média via outro imposto. Inicialmente, um imposto sobre as grandes fortunas e um aumento no imposto sobre herança para 45%, além de aumentos do IPTU e da manutenção da CPMF.

E tem mais: embora dívidas do governo não sejam consideradas imposto, elas são recursos que o governo gasta hoje e que você terá de saldar amanhã, com impostos futuros. Essas dívidas aumentaram nos últimos anos entre 2% e 4% ao ano. Se alguém fizer todas as contas, talvez chegue à conclusão de que já ultrapassamos em muito os 50% de taxação. E como sempre acontece com as médias, metade da população paga acima dela. Nesse caso, quem paga é a classe média. Rico tem paraíso fiscal, pobre tem pouca renda para taxar. Seu pai talvez já esteja na faixa dos 55%.

Todo brasileiro, portanto, tem duas famílias para sustentar, a sua e o governo. Além dos impostos, seus pais têm de pagar gastos com a saúde da família, a educação, a segurança e a previdência privada, antes função do Estado, e que segundo o mesmo estudo do IBPT aumentaram para 30% do PIB. Na Suécia, onde os impostos são elevados, o Estado devolve esse valor em serviços.

Deduzindo tudo isso, mais os custos fixos da família, mais os antidepressivos e o seu presente de Natal, não sobra nem 10% para o seu abnegado pai gastar egoisticamente com ele mesmo, tomando um chope com os amigos de vez em quando.

Mas nem isso é possível, a classe média recebe pedidos constantes das igrejas, das ONGs, inclusive meus, no sentido de que doem 10% de sua renda para uma campanha ou para a filantropia. Trabalhar para ficar com zero no fim do mês é muito desanimador. Com o aumento da carga tributária, essas doações foram, obviamente, as primeiras que a classe média reduziu. Por isso, a fome aumentou e os nossos problemas sociais cresceram. Razão pela qual mais impostos serão necessários.

Em resumo, seus pais trabalham que nem uns loucos para os outros. Essa abnegação altruística, esse trabalho voluntário, esse sacrifício para o bem público e da família são dignos de um santo.

Você não precisa agradecer o sacrifício, nenhum filho pediu para nascer, nem criou essa enxurrada de impostos. Mas, em lugar de recriminá-lo pelas horas que ele trabalha, motive-o de vez em quando. Beije-o cada vez que ele chegar em casa, abra mão da sua mesada e agradeça todo dia pela sua luta incansável em prol dos outros. Ele ficará extremamente feliz. E estude bastante, porque um dia quem pagará esses impostos será você.

Stephen Kanitz é administrador por Harvard
www.kanitz.com.br

Comente o texto acima:




DIOGO MAINARDI
E o Dirceu, hein?

"José Dirceu é considerado o mais refinado estrategista do PT. A refinada estratégia política que adotou, desde que assumiu o poder, consiste em distribuir empregos, premiando aliados e punindo opositores"

José Dirceu tem o poder de nomear quem ele quiser para o governo federal. Controla 17.851 vagas de primeiro, segundo e terceiro escalões. Ele acha pouco. Tão pouco que resolveu sair à caça de mais um cargo público, participando da festa de lançamento da candidatura do seu filho à prefeitura de uma pequena cidade no interior do Paraná. A festa foi promovida pelo apresentador Ratinho, cujo filho, Ratinho Júnior, também se lançou na política, tendo sido eleito para a Assembléia Legislativa do Estado. O governador do Paraná, Roberto Requião, prestigiou o evento.

Da mesma forma que José Dirceu e Ratinho, Requião sempre apoiou a carreira de seus familiares no aparelho estatal. Um de seus irmãos é secretário da Educação. Outro é superintendente do Porto de Paranaguá. Para dirigir o Museu Oscar Niemeyer, Requião apontou ninguém menos que sua mulher, Maristela. O Museu Oscar Niemeyer, inaugurado no ano passado, é o maior do Brasil, mas até hoje permanece deserto, porque não tem acervo próprio.

José Dirceu é considerado o mais refinado estrategista político do PT. A refinada estratégia política que adotou, desde que assumiu o poder, consiste em distribuir empregos, premiando aliados e punindo opositores. As empresas estatais sempre constituíram um precioso reservatório de cargos para a barganha política. É significativo que José Dirceu, no discurso de lançamento da candidatura do filho, tenha decretado o fim das privatizações no Brasil. É igualmente significativo que o encontro tenha contado com a presença de Jorge Samek, antigo secretário de Abastecimento de Requião e atual diretor de Itaipu, uma das principais estatais criadas pelo regime militar.

O mesmo regime militar que, perseguindo José Dirceu, o obrigou a refugiar-se no interior do Paraná, onde viveu sob falsa identidade e gerou o filho que acaba de se candidatar à prefeitura. O filho de José Dirceu apresenta-se aos eleitores com o apelido de Zeca do PT, como o governador de Mato Grosso do Sul, outro aliado do governo que tem o costume de rechear de parentes a administração pública. A mulher de Zeca do PT, Gilda dos Santos, coordena a política social de Mato Grosso do Sul, enquanto o sobrinho do governador, Vander Loubet, defende os interesses do Estado no Congresso Nacional.

Em quase seis meses de atuação parlamentar, Loubet apresentou cinco projetos. Um confere incentivos fiscais a municípios de Mato Grosso do Sul e os outros quatro outorgam concessões a emissoras de rádio. Loubet pronunciou também quatro discursos, em que ressaltou o compromisso do PT com o bem-estar da população, a importância da visita de Lula a Mato Grosso do Sul e a derrocada do modelo oligárquico e das práticas obsoletas que a eleição de seu tio, Zeca do PT, representa. O modelo oligárquico e as práticas obsoletas realmente terminaram no Brasil. José Dirceu que o diga.

Comente o texto acima:




A Veja andou reformulando o seu site, ao invés de melhorarem, estragaram tudo. É simples basta eles fazerem outra vez, quem não tem competência da primeira vez, tenta a segunda, a terceira e assim sucesssivamente. Ou então muda de ramo. Por esta razão e até que eles ajeitem tudo por lá, não dá para postar nada da revista.

Enquanto isso meus caros amigos a gente lê a Isto É que também está ótima.

Cores, cheiros, sons e sabores exercem um poder grandioso sobre os humanos. A ciência já sabia que entre os animais isso é freqüente, mas só recentemente é que se provou pela primeira vez que também somos influenciáveis pela magia dos afrodisíacos. A palavra vem de Afrodite, a deusa grega do amor, e está associada a tudo o que desperta o desejo, sexual ou não.

Longe dos laboratórios, é na vida real que essas bebidas, condimentos, fragrâncias, formas e substâncias podem deixar uma noite muito mais especial. ISTOÉ preparou uma galeria de fotos com dicas de afrodisíacos para fazer do seu Dia dos namorados uma data inesquecível. Acesse já e confira!






Comente o texto acima:




20 de junho de 2003

Caro assinante,
aqui estão os destaques de VEJA desta semana.
Boa leitura e bom fim de semana.
Kátia Perin - VEJA on-line (vejaonline@abril.com.br)

Especial
A discriminação sexual resiste, mas há sinais de que a luta contra o preconceito atravessa fase de transformação significativa. Em vez de manter o confinamento como técnica de defesa, os gays começam a se expor, a se exibir e a emergir. Muitos apostam que as piores barreiras já foram vencidas.

Brasil
Estava tudo na Carta ao Povo Brasileiro: No documento lançado há doze meses, o PT descrevia o que seria a sua gestão, e as promessas estão sendo respeitadas.
No site: leia notícias diárias sobre política

Começou a descida dos juros
Planalto não cede a pressões na Previdência
Poder de José Dirceu passa por lipoaspiração
As peripécias de Maluf pelos cassinos

Entrevista
O intelectual palestino Edward Said diz que o plano de paz proposto pelo governo americano para o Oriente Médio está fadado ao fracasso. E que é um erro enxergar os árabes como selvagens atrasados.
¿ No site: leia o especial A Questão Palestina

Internacional
Exilados iranianos recorrem à auto-imolação em série como forma de protesto na Europa. Em apenas dois dias da semana passada, oito pessoas transformaram-se em tochas humanas durante manifestações.

Tecnologia
Máquinas capazes de executar tarefas úteis dentro de casa chegam ao mercado. É o caso do robô aspirador de pó que possui sistema de ultra-som para desviar de degraus e móveis.

Realeza
O príncipe William, segundo na linha de sucessão à rainha Elizabeth, completou 21 anos e é hoje o membro mais popular da monarquia inglesa. A família real aposta em seu carisma e sua beleza - herdados da mãe, a princesa Diana - para garantir a simpatia dos súditos.

Aviação
Estados Unidos preparam festa de arromba para comemorar o centenário do vôo dos irmãos Wright, que, para os americanos, inventaram o avião. Nas homenagens, Santos Dumont é esquecido.
No site: galeria de fotos

Guia
Algumas companhias que voam do Brasil para o exterior fazem de seus cardápios uma introdução à cozinha de seus países. O serviço dá um upgrade no vôo.

Saúde
Há no Brasil um novo remédio para a calvície. Como os outros, ele não acaba com o problema, mas pode retardar a perda de cabelos.

Esporte
O meia inglês David Beckham é a maior estrela do futebol atual em termos de marketing. Ele tem a capacidade de gerar publicidade e vender produtos em escala global, tanto em proveito próprio quanto para o time.
No site: galeria de fotos do ídolo

Ginástica
Malabarismo, trapézio e outras técnicas circenses transformaram-se em modalidades esportivas dentro de algumas academias de São Paulo e Rio. Os exercícios não são tão eficientes quanto a aeróbica, mas divertem bem mais.

Cinema
Hulk, o novo filme de Ang Lee, tem uma ambição: casar o drama psicológico do personagem principal com a ação mirabolante que garante o caixa dos estúdios de Hollywood. A união, no entanto, parece que não deu certo.
No site: trailer e fotos do filme

Televisão
A atriz Giulia Gam faz sucesso como a obsessiva Heloísa, em Mulheres Apaixonadas. Longe da TV ela continua a interpretar papéis densos no teatro.
No site: outras fotos da atriz

Música
O herói da guitarra tornou-se uma relíquia da cultura pop. Uma prova cabal da decadência do estilo "soleiro" acaba de chegar às lojas no disco St. Anger da banda Metallica. Não há solos, firulas ou exibição de virtuosismo.
No site: ouça sucessos da banda

Veja São Paulo
Um luxo só
Mesas impecáveis, menus sofisticados e convidados milionários. Quem são e como recebem as maiores anfitriãs paulistanas.

Veja Rio
Inverno
Férias em clima de fazenda, quartos especiais para curtir o frio com luxo e conforto e os prazeres gastronômicos da temporada.

O conteúdo integral das revistas estará disponível
na internet a partir de sábado pela manhã

Comente o texto acima:




Lya Luft
21/06/2003


Por que escrever?

Escritores devem escrever, não falar. Mas talvez por ser uma espécie de moda, somos a toda hora interrogados, chamados a depor sobre nosso trabalho.

Há temas que se repetem, perguntas que se perpetuam; inquietações coincidem entre o escritor e seus leitores, entre quem dá algum depoimento e quem assiste. "Por que você escreve?" é a primeira e universal indagação.

Se entrevistarem 10 escritores, haverá 10 depoimentos diferentes. Cada um vive e trabalha do jeito que é: mais cerebral ou mais emotivo, mais racional ou mais intuitivo, mais ligado a temas históricos e sociais, ou escavando obsessivamente a paisagem interior. Nessas entrevistas, sempre me interessou mais o que o jornalista tinha a questionar. Muita reflexão levei desses encontros, muitas novas indagações.

Um escritor respondeu que se parasse de escrever morreria, portanto escrevia para não morrer; uma mulher dizia que escrevia para não enlouquecer, outra revela que o faz para ser amada.

Sou dos que escrevem como quem assobia no escuro: falando do que me deslumbra ou assusta desde criança, dialogando com o fascinante - às vezes trevoso - que espreita sobre meu ombro nas atividades mais cotidianas. Para mim, escrever é espreitar as águas interiores observando os vultos no fundo, misturados com minha imagem refletida na superfície.

Tudo isso é jogo - contraponto da vida concreta, onde, ao contrário do que alguns pensam, gosto mais do sol do que da sombra. Mas a sombra me interessa mais. Não vigio em quartos fechados, mas amo o vasto mar; não me esgueiro, mas - apesar de todas as fragilidades - avanço.

Minha literatura não emerge de águas tranqüilas: fala de minhas perplexidades enquanto ser humano, escorre de fendas onde se move algo que, inalcançável, me desafia. Embora alguns de meus livros recentes sejam mais doces, e neles eu exerça essa conversa ao pé do ouvido do leitor - meu amigo imaginário - que hoje tanto me agrada, quase sempre escrevo sobre o que não sei, e por isso me interessa, e por isso me preocupa ou assusta... e por isso me comove.

Criar personagens trágicos não significa que o autor seja pessimista: muitos humoristas são calados e deprimidos. Nem sempre a filosofia de meus personagens tem muito a ver com a minha, nem vivo as suas trajetórias. Mas sou mãe desses que dormem dentro de mim como filhos possíveis, sementes plenas do sono do fruto.

Tenho um olho otimista que vive (e convive) e um olho pensativo: este contempla, perscruta, inventa suas ficções. Talvez a resposta à pergunta eterna seja simplesmente: escrevo porque é isso que - bem ou mal - eu sei fazer. E que me salva, como me salvam o amor, a amizade, e a própria vida.

Comente o texto acima:




Ricardo Silvestrin
21/06/2003


Pila, pila, me dá, pila, pila!

Paul McCartney contou uma conversa sua com Michael Jackson. Foi na década de 80. O ex-Jackson Five pediu um conselho ao ex-Beatle: o que ele sugeria como uma boa aplicação para o dinheiro? Pois o Paul disse ao Michael que investisse em música, quem sabe criando um selo para novos artistas. Paul conta que um ano depois encontrou Michael, que lhe disse: "Segui o seu conselho, investi em música. Comprei todos os direitos de imagem dos Beatles".

Uma das tantas coisas em que fiquei pensando depois de ver o excelente filme do Jorge Furtado O Homem que Copiava foi na grana para a arte. No início, aparecem os apoiadores, e chamou a atenção que o filme recebeu o prêmio de um projeto do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Superlouvável a iniciativa do governo. Também palmas para todas as outras instituições privadas que botaram grana. Mas isso também aponta para um outro ponto. Provavelmente, se não tivessem havido nem o projeto nem os apoios, deixaria de ser realizado um filme cheio de qualidade. Nele, tem uma série de opções estéticas interessantíssimas de Jorge Furtado. Por exemplo, seu compromisso com uma visão crítica dos problemas sociais brasileiros.

Mas isso tratado num universo criativo novo, instigante. Não é o velho cinema brasileiro quase panfletário. Também não é um cineminha modernoso seqüelado. Furtado faz justiça com as próprias lentes quando resolve de maneira fantasiosa os problemas dos seus personagens, não os deixando realisticamente na pior, mas cinematograficamente numa boa. Mostra que gosta do seu povo e que, se dependesse dele, eles teriam o melhor dos tratamentos.

Outra opção da arte de Furtado: Porto Alegre. Pelo filme, de repente fica claro que é possível contar infinitas histórias dentro da mesma cidade. Os atores de fora do Estado, como Luana Piovani ou Pedro Cardoso, falam o nosso tu. É uma certa militância lingüística que coloca o nosso falar como possível. Contudo, uma obra rica como essa ainda precisa ficar juntando uma grana daqui, outra dali. Tudo bem que temos as leis de incentivo. Mas se você encontrar algum Michael Jackson gaúcho que não sabe o que fazer com o dinheiro, diga pra ele investir no nosso cinema. Mas investir como negócio, não como apoio pra receber desconto de imposto. Business, meu chapa. Ele tem aqui talento pra ganhar muito dinheiro.
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Paulo Sant'ana
21/06/2003


Ainda as caturritas

Lá do Ibama me telefonaram dizendo que estão me mandando as razões por que proibiram a caça dos marrecões e liberaram a caça às graciosas caturritas, o que lamentei aqui nesta coluna.

Logo que chegarem as razões do Ibama, irei publicá-las. Mas antes quero dar lugar aqui a um engenheiro agrônomo, que visivelmente entende do assunto e faz algumas revelações curiosas.

Eis seu e-mail: "Prezado Paulo Sant'Ana. Sensibilidade à parte, gostaria de falar-te um pouco sobre marrecões e caturritas. A natureza não tem fronteiras, marrecões são aves migratórias, como bem o dizes, vêm da Argentina e cruzam o pampa gaúcho, mas, acredite, são tão importantes naquele país quanto no nosso. Ao pousarem, em bando, nos banhados e pisotearem a lama de suas margens carregam, grudadas em suas patas, sementes minúsculas que vão sendo deixadas aqui, ali e acolá, ao longo de sua trajetória".

Continua: "São semeadores responsáveis pela dispersão de inúmeras espécies vegetais que de outros recursos não dispõem para fazê-lo. De tais plantas dependem peixes e outros seres vivos, já que a vida consiste em uma teia de total e harmônica interdependência.

E a caturrita, que é tão nossa, o que se passa com ela? Por que o seu abate é liberado? Isso advém da interferência do homem. Sempre que o homem rompe com o equilíbrio ambiental, a natureza retrata esse desequilíbrio de forma implacável. As caturritas, no Rio Grande do Sul, nunca foram problema para as lavouras (nota do colunista: será que o Ibama irá confirmar isso quando me enviar as suas razões?). Sua população estava em perfeita sintonia com o meio em que se desenvolvia. Então, introduziu-se o eucalipto, originário da Austrália, e ele desenvolveu-se muito bem em nosso Estado. Pelo seu rápido crescimento e múltiplas utilidades, o eucalipto incluiu-se em definitivo em nossa paisagem.

Enquanto isso acontecia, nossos bosques e capões de árvores nativas, muitas delas madeira de lei de excelente qualidade, foram cedendo espaço, abatidos para lenha e carvão, mourões, cabos de ferramentas etc.

Nossas matas, de porte relativamente baixo, abrigavam as caturritas, que construíam seus ninhos de forma que lhes é peculiar, mas sempre sujeitas ao ataque de predadores, também integrantes da natureza, num equilíbrio tal que uns e outros mantinham-se em quantidade compatível.

O eucalipto alto, solitário, em bosques, renques ou capões alienígenas, ensejou um novo patamar às caturritas, que logo encarapitaram seus ninhos no topo das árvores e assim fizeram-se inacessíveis a muitos dos seus predadores naturais. Daí o número excessivo de caturritas. Daí o problema que antes não existia e que hoje leva o Ibama a autorizar a matança de animais realmente tão nossos e tão graciosos.

Nenhuma ação contra a natureza resulta impune. Essa é a verdade. Abraços. (ass.) José da Costa Sacco".

O que recebo de e-mails pedindo que se afastem do Grêmio os dirigentes Luiz Eurico Vallandro e Luiz Onofre Meira, ambos de grandes serviços já prestados em outros anos ao clube, é um manancial.

Pedem que eles se demitam. Mas eles não se demitem.

Acontece que para os postos hoje ocupados por esses dois gremistas foram convidados vários conselheiros ilustres, inclusive ex-presidentes, como Cacalo, Adalberto Preiss, vários outros, mas ninguém aceitou a incumbência. Vallandro e Meira aceitaram. Mas não querem sair de jeito nenhum.

Então o Grêmio hoje se debate centralmente neste dilema sem solução: há uns que não querem pegar e há outros que não querem largar.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comente o texto acima:


Evento
Fãs gaúchos recebem Harry Potter



O lançamento do quinto livro da série do menino bruxo, Harry Potter e a Ordem do Fênix, teve festa e concurso de fantasias em Porto Alegre (foto Júlio Cordeiro/ZH)


Comente o texto acima:

Sexta-feira, Junho 20, 2003




HORA DO AMOR

PABLO NERUDA

Completamente bêbado de amor estou agora,
levantaram-se em minha alma as doçuras perdidas
as trêmulas campanas de uma vida sonora
carregam os celestes cansaços desta vida.

Vem crepúsculo morno, vem aurora rosada,
vem fragância de beijos, vem calor de mulher.
Tanto tempo já faz que não espero a amada,
que me mordem os cães do desejo e da sede.

Mas se bêbado vou de amor já não me importa,
a esperança longínqüa que não pode volver,
as minhas rosas levo se a vida me for curta,
é claro!, os meus rosais sei que vão florescer.

Se porém levo todo os meus rosais fechados
dá-me fraterna mão, dá-me um fruto Senhor,
da-me dois seios mornos e dois olhos amados,
porque sem eles, ai, que me vai ser do amor?

Comente o texto acima:




Ola meus amigos. Esta é a capa da Revista Isto É que já está online no www.terra.com.br/istoe para quem quiser adiantar a leitura. E no domingo com certeza estará em todas as bancas e numa bem pertinho ai de sua casa. Trás entre outras reportagens as boas e urgentes maneiras e escolhi estas na internete para voces.

1 Decrete o fim do spam, o famoso lixo virtual. Principalmente aquelas correntes engraçadinhas que terminam com mande esta mensagem para toda sua lista...
2 Use o sinal de baixa prioridade quando sua mensagem for uma brincadeira. O sinal de alta prioridade só deve ser usado em casos de real urgência.

3 Comece sua mensagem com uma saudação ao interlocutor. Oi, Joana, como vai? ou Prezado Renato são suficientes. É essencial que o destinatário sinta que o e-mail foi escrito exclusivamente para ele.

4 Quando enviar uma mensagem para várias pessoas, não exponha os endereços de todos no cabeçalho. Envie a mensagem para seu próprio endereço e mande cópia oculta para os outros.

5 Não escreva palavras apenas com letras maiúsculas. Na internet, escrever em maiúsculas é o mesmo que GRITAR.

6 Nunca deixe de preencher o campo assunto (ou subject). Assim, uma pessoa que recebe muitas mensagens pode escolher qual ler primeiro.

7 Em fóruns e listas de discussão, não manifeste comentários desnecessários. Também não use a lista para escrever para apenas um dos membros. Quando o fizer, peça desculpas.

8 Arquivos muito grandes sobrecarregam a caixa do destinatário. Fotos em alta resolução e programas, apenas quando solicitados.

Comente o texto acima:




Joelmir Beting
Sexta-feira, 20 de junho de 2003


Onde há fumaça


A fumaça do tabaco vai matar, este ano, perto de 5 milhões de fumantes em todo o mundo. Ou 0,5% dos 1,1 bilhão de dependentes. Palavra de Harlem Brundtland, diretora da Organização Mundial de Saúde (OMS). Isso já não é mais estatística. É um holocausto.

Eis que a própria OMS, ao fim e ao cabo de quatro anos de carpintaria diplomática, faz desfilar na mesa de governos e de Parlamentos de seus 192 países membros o texto final de um tratado global contra o tabaco. Minuta coordenada pelo diplomata brasileiro Luiz Felipe Seixas Correa.

Primeiro do gênero na área da Saúde, o tratado global vai precisar de apenas 40 signatários, ainda este ano, para entrar em vigor no ano que vem.

A exposição de motivos tem somente cinco palavras em todas as línguas:

tabaco faz mal pra saúde.

Nada de novo na frente ocidental. É o que se sabe desde que os colonizadores europeus transplantaram do Novo Mundo para o Velho Mundo o primeiro rolo de fumo de corda dos índios americanos. A novidade está no enfrentamento orquestrado do desafio, até aqui encarado em bases estritamente nacionais.

O tratado proíbe a publicidade do cigarro e afins em toda a multimídia moderna, restringe aqui e ali a livre comercialização do produto, recomenda a sobrecarga tributária do produto já devidamente confiscado e garante legitimidade jurídica a fumantes que apelam aos tribunais contra os fabricantes por danos causados pelo próprio hábito de fumar.

Para variar, nenhuma iniciativa sobre restrições à fabricação do cigarro ou ao cultivo do tabaco. Tem-se a impressão, mais uma vez, que o cigarro não faz mal à saúde. O que faz mal à saúde é a propaganda do cigarro. Proíbe-se a publicidade comercial e estamos todos com a consciência limpa pelo dever cumprido. Permanecem a salvo os impostos draculianos e os empregos diretos e indiretos nas lavouras, nas fábricas e no varejo mais capilar do Brasil e do mundo.

Outro reparo pertinente de estudiosos do melindroso assunto: restrições ao tabaco estão dourando o apelo do fruto proibido e atiçando o crime organizado para entrar de sola nesse megamercado. Mercado que declina nas classes A e B e avança nas classes C e D. O cigarro é o único lazer do pobre. Faz parte da cesta básica de quem não tem dinheiro para comida, para condução, para remédio.

A indústria do ramo, cada vez mais acuada, celebra a expansão dos negócios nos mercados emergentes da Ásia e da África e espanta-se com a explosão do mercado em todo o Leste Europeu, nova Meca do contrabando universal. O cigarro socialista era um quebra-peito insuportável. Agora, eles tragam Hollywood made in Brazil.

SECOS & MOLHADOS

Um minuto - Em janeiro de 1991, escombros do Muro ainda no asfalto, noite de inverno abaixo de zero, entrei numa histórica cervejaria de Berlim Oriental e não suportei sequer um minuto lá dentro. Todo mundo fumando ao mesmo tempo e já por longo tempo. Não dava para enxergar ninguém nas mesas ao lado. Havia camelôs de cigarros ocidentais do lado de fora.

Um sufoco - Fumei dos 19 aos 40 anos. Fumava mais de três maços por dia. Reduzir a carga para um ou dois maços era um sacrifício. Então, sacrifício por sacrifício, parei de fumar da noite para o dia. No dia de Natal de 1976. Sofri três meses de cão, com dores de estômago, tontura, insônia e nervos à flor da pele.

Nunca mais - A ruptura foi tão penosa que, até por causa disso, nunca mais coloquei um cigarro na boca. Nem charuto. Pois já lá se vão 26 anos e meio e a vontade de fumar não me largou até hoje.

Comente o texto acima:




José Simão
simao@uol.com.br


Lulalá Urgente! O sapo virou príncipe!

Buemba! Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional! Direto da República da Língua Plesa! Direto do País da Piada Pronta! Manchete de um jornal do Amazonas: ´Detentas femininas formam quadrilha para comemorar festa junina´. E o sapo virou príncipe! O Lula recebeu o prêmio Príncipe das Astúrias. É o conto da Bela Adormecida: o sapo barbudo virou príncipe! E o FHC deve ter subido no salto Luís 15 de tanta inveja. E os juros? Caíram 0,5%. Cortaram um dedinho! Rarará!

E um leitor de Crato, no Ceará, foi pro supermercado comprar pão, e a data da fabricação era o dia seguinte. Inventaram o PÃO PRÉ-DATADO! E eu adoro aquela seção dos jornais: ´O que abre e o que fecha no feriadão´. As pernas! Perna e porta de geladeira! Rarará! E aí diz que o professor perguntou pra loira: ´Qual o órgão do corpo humano que pode crescer 80 vezes?´. ´O pênis!´ ´Pode perder as esperanças, é o útero.´ Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

Tormento Econômico. E aí o lojista perguntou pro cliente: ´Seu cheque tem garantia?´. ´Tem sim, devolução garantida.´ E o que mais corre nos shoppings agora é cheque-boi: o comerciante olha pro cheque e diz HUUUUMMM! E novo slogan do SPC: ´Agora só falta você´. Aliás, chifre e nome no SPC, um dia você vai ter! E a situação tá tão braba que já estão vendendo raspadinha de viagra. Garantia de meia hora!

E feriadão é bom pra pagar pedágio. O famoso Roubágio! A única coisa boa do pedágio é que estão aceitando Visa. Socorro.
Antes a gente usava cartão pra ir pra Miami. Agora a gente usa cartão pra ir pra Maresias! Aliás, sabe o que um amigo meu fez no pedágio? Desceu do carro e cantou o Hino Nacional: ´Ó pátria amada idolatrada, pague pague´.

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que um amigo meu de Rio Claro foi estacionar no shopping e ficou seguindo as placas ´estacionamento alternativo´ e caiu numa barroca. Tucanaram o terreno baldio. E, em Porto Alegre, legalizaram a profissão de ´condutor de veículo vertical´. Tucanaram o ascensorista. Socorro. Chama a Swat e a Heloísa Helena pra eliminar o tucanês!

E atenção. Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. ´Quem foi Passos Dias Aguiar?´: motorista do Lula! Rarará! Quanto mais infame, melhor! ´Estouro´: touro que vai pra Parada Gay. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã!
Por hoje é só. Pra feriadão tá muito bom. Eu não vou ficar queimando piada e depois o povo volta de viagem, e eu vou ter que contar tudo de novo! UFA!

Comente o texto acima:




David Coimbra
20/06/2003


Minha morte

O velho senador Pinheiro Machado, chamado com reverência de O Chefe por seus colegas congressistas, prócer da Primeira República e, o mais importante, antepassado dos meus amigos Zé Antônio e Ivan, pois o senador Pinheiro Machado ensinava amiúde aos seus discípulos:

- Vista sempre roupas de baixo de seda. Se a morte chegar de surpresa, você será um defunto digno e bem-composto.

O senador soube ser um defunto decoroso. Quando uma punhalada traiçoeira ceifou-lhe a vida, estava impecavelmente trajado com a seda mais macia.

Eu cá fico pensando numa morte gloriosa. Tipo:

Estou escrevendo e o celerado irrompe na Redação. Tem uma arma na mão direita. Olha-me com fúria.

- David Coimbra! - grita, silenciando o ambiente. Cento e oitenta pares de olhos giram na direção dele e dele para mim. Pressinto a gravidade da situação. Ponho-me de pé. - Você me destruiu, David Coimbra! - continua, brandindo a arma, perdigotos de espuma branca saltando-lhe da boca. - Todos os meus planos de enriquecer com a exploração de milhares de velhos e criancinhas foram pelos ares por sua causa! Por sua causa!

Então compreendo: eu havia gorado os planos malignos daquele bandido com minhas denúncias no jornal.

- Vou te matar! - ele está fora de si.

Meus colegas começam a gritar:

- David, corra! Corra!

Mas estufo o peito:

- Prefiro morrer com dignidade.

E o outro: PÁ!, desfere o tiro. Cambaleio, a mão no coração. Ele sai correndo, mas logo é imobilizado pelos guardas do prédio.

E ela: ela está ali adiante, no outro canto da sala. Ela assistiu a toda a cena e agora vê que vou cair. Se precipita para mim, desesperada:

- David! Oh, não! David! Davizinho!

No momento em que desabo, ela me abraça. Estamos os dois no chão, ela sentada, minha cabeça pendente sobre o colo dela.

- Oh, não - balbucia. - Oh, não!

Olho nos olhos dela. Ela entende que vou morrer. Que é o fim.

- Meu amor - ela se emociona. - Meu amor! Te amo! Sempre te amei! Fui uma tola por não ter dito isso antes! Uma tola! Uma tola!

Ao que, abro a boca. Vou falar algo. Mas a voz me falta. Cerro as pálpebras. É o fim. Ela jamais saberá quais seriam minhas últimas palavras.

The end.

Ela urra, enlouquecida de dor:

- Oh, não! Meu amor! Meu amor!

A Redação inteira assiste, de olhos marejados.

Ah, que morte! Que doce morte!

david.coimbra@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Paulo Sant'ana
20/06/2003


A fraude do mercado

Até agora, o Lula tinha sido atingido somente pelo fogo amigo: as críticas ao seu governo partiam dos radicais do PT e do vice-presidente José Alencar.

Mas agora um fogo inimigo assesta suas baterias sobre Lula e seu governo: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso bateu forte, exigindo medidas para tirar o governo da letargia.

Não se ia morrer sem ter visto isto, o mesmo Fernando Henrique que quebrou o país, fazendo-o mergulhar na mais profunda recessão e no mais cruel desemprego, criticando o Lula por ter adotado exatamente a mesma orientação econômico-social que os tucanos empregaram no poder.

Ou seja, Fernando Henrique criticando Lula por imitá-lo. Dá para acreditar nisso?

A rigor, só existe uma diferença entre o governo de Fernando Henrique e o de Lula até agora: ela é favorável ao Lula, trata-se do dólar, que baixou violentamente no governo de Lula.

Embora para o povo brasileiro não tivesse sido repassada qualquer vantagem na queda do dólar: recorda-se que os preços em quase sua totalidade tiveram alta astronômica quando o dólar foi quase a R$ 4, tendo sido lícito esperar que, agora, com a queda do dólar em exatamente 18,53% no governo Lula, tivesse sido corrigido o custo de vida para baixo.

Mas nada disso aconteceu. Pagamos alta de preços em todos os gêneros pela alta do dólar e, quando a moeda norte-americana se desvalorizou, sob o governo Lula, nenhum preço foi corrigido para baixo, com exceção dos míseros 6,5% de redução no preço da gasolina.

Ou seja, fomos vítimas do conto do pacote. O pão teve seu preço aumentado de modo violento na alegação de que o trigo é importado e o dólar estava lá em cima. O mesmo com as passagens de ônibus, o táxi, tudo.

Agora o dólar veio cá para baixo e o pão continua com o mesmo preço, o que quer dizer: fortunas colossais são feitas em cima das oscilações cambiais, sempre com os consumidores pagando o pato e seus exploradores a gozar a locupletação.

Eu não posso entender é como o governo se mostra totalmente impotente para coibir essa fraude do mercado. Pois é facilmente acessível a qualquer pessoa razoavelmente inteligente que, se os remédios, o pão, os artigos de higiene, até mesmo a cesta básica têm seus preços aumentados em razão da alta do dólar, quando da queda do dólar os preços em geral têm que ser reduzidos proporcionalmente.

Mas isso não aconteceu, não está acontecendo e só nesta paulada os orçamentos dos brasileiros foram reduzidos em 20%.

E, de paulada em paulada, o povo vai empobrecendo. Os pobres dobram a reta da miséria, a classe média agoniza no rumo da pobreza, multidões incalculáveis mergulham no desespero de um custo de vida insustentável.

E dê-lhe cheque especial para tornar tudo ainda mais sinistro.

Se alguém já ouviu sequer uma palavra do Lula, do Meirelles, do José Dirceu, do José Genoino sobre essa arapuca em que o mercado encerrou os brasileiros, aumentando os preços no dólar em alta e não os baixando no dólar em queda, ganha um prêmio.

Ninguém do governo moveu até agora uma só palha para impedir esse assalto do mercado sobre o povo. E, além de nada fazer para proteger seu povo, ninguém do governo sequer protesta contra esta salafrariedade do mercado.

Assim é que precisamos sair dessa enrascada: Lula implorando paciência, o mercado sacaneando, o povo estremunhando e o ex-presidente secando.

Quem tem as rédeas é Lula. Espera-se que ele dê depressa largada no páreo, chicoteie o alazão e vá depois de rebenque erguido até a fita da chegada.

Porque já está demorando demais esta sirena anunciadora da largada.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comente o texto acima:


Basquete
Cestinhas do futuro



Na tentativa de revitalizar o basquete no município, Santa Cruz do Sul montou um projeto que ensina o esporte a mais de 300 crianças (foto Daniela Xu, especial/ZH)


Comente o texto acima:

Quinta-feira, Junho 19, 2003




Bom e o dia santo acabou, amanhã é sexta-feira e embora esteja de folga muitos estarão trabalhando. Até porque este País anda precisando de muito trabalho e dedicação de nós seus filhos. Olha só quem falando, mas enfim...Desejo desde já uma ótima sexta-feira a nós todos.

MOMENTOS

"Como são difíceis os momentos.
Momentos de decisões,
momentos de escolhas,
momentos de solidão,

momentos a dois,
momentos de partida,
momentos que em frações de segundos,
decidimos nossos destinos,
nossos caminhos.

Momentos em que nem sempre estamos equilibrados,
lúcidos em tomá-los.
Momentos que se tornarão talvez eternos
ou passageiros,
que se tornarão a dúvida ou a certeza,
uma realidade ou um sonho,
uma alegria ou uma lágrima.

Momentos que farão de frações eternos dividendos.
Momentos que nos tornarão heróis ou covardes,
que nos farão amar ou odiar.
Momentos que serão lembranças ou esquecimentos,
serão eternidade ou passagens,
sublimes ou ilusórios.

Momentos de paixão,
momentos de capricho,
momentos de amantes,
momentos de loucuras,
momentos de anseios,
momentos de desejos.

Momentos, momentos...momentos,
Momentos que terei para decidir.
Se na minha vida,
aquele momento que realmente me tocaram,
aqueles que realmente me fizeram,
valeram que ter a certeza de que todos
os nossos momentos valeram a pena,
pelo simples fato de termos vivido!..."

Autor Desconhecido.

Comente o texto acima:




Nilson Souza
19/06/2003


A capa mágica

Li outro dia numa revista especializada em curiosidades que a capa da invisibilidade das histórias de Harry Potter não é mais apenas uma fantasia criada pela imaginação da escritora escocesa J.K. Rowling. Para quem não leu os livros (a garotada que se prepare, pois o quinto volume da série, com 896 páginas, estará sendo lançado neste sábado nos países de língua inglesa), esclareço que se trata de uma capa mágica, com o poder de tornar invisível seu usuário. Graças a ela, o menino bruxo escapa de situações difíceis, descobre segredos, ouve conversas sigilosas e se esconde de seus inimigos.

Pois agora os cientistas estão aperfeiçoando em laboratório um equipamento eletrônico que possibilitará a uma pessoa transitar no meio da multidão sem ser percebida. A reportagem não explica exatamente como se dará isso. Imagino que seja alguma espécie de raio verde, capaz de nos deixar transparentes ao olhar alheio - ou então alguma roupa extravagante que adquire a cor e a forma da paisagem por onde o indivíduo transita.

Sei lá que utilidade prática terá um negócio desses, mas me parece um certo desperdício de tecnologia. Quem vai querer ser invisível numa sociedade voltada para as celebridades? As pessoas fazem qualquer coisa para serem notadas, vistas e apontadas como diferentes. Pintam-se, tatuam-se, colorem os cabelos, vestem roupas extravagantes ou até mesmo roupa nenhuma, desde que consigam atrair as atenções.

Além disso, na correria do mundo atual não é preciso muito para ficar invisível. Outro dia tivemos uma prova disso em Porto Alegre, quando algumas pessoas famosas vestiram o uniforme colorido dos varredores de rua e passaram despercebidas em lugares de grande movimento. Nesse episódio, o fenômeno também poderia ser definido como cegueira do descaso - outra doença comum nas grandes cidades. O indivíduo afetado pela enfermidade só vê o que lhe interessa ver.

O que me preocupa nesta experiência que mistura tecnologia com bruxaria é a possibilidade de que o novo equipamento caia em mãos desonestas, dando poderes indevidos a bisbilhoteiros e ladrões. A realidade - como diz o premonitório aviso - pode ser mais fantástica do que a ficção.

nilson.souza@zerohora.com.br

Comente o texto acima:




Paulo Sant'ana
19/06/2003


Bancos adoram juros altos

Leio uma manchete inacreditável num jornal da Capital, há três dias: "Bancos esperam que Banco Central não ceda a pressões sobre juros".

E logo a seguir o presidente da Federação das Associações dos Bancos (Febraban), Gabriel Jorge Ferreira, declarou que "esperava uma decisão técnica do Banco Central sobre a taxa básica de juros". Segundo ele, a definição sobre a redução da taxa de 26,5% não poderia se basear nas pressões registradas nas últimas semanas.

Ou seja, a raposa opinando sobre o sistema de segurança do galinheiro.

Como é que os bancos vão querer que se reduzam os juros, se por ano os juros no cheque especial estão em 206%?

Como é que os bancos vão querer que se reduza a taxa dos juros, se por ano os juros estão tabelados em cerca de 236% no cartão de crédito?

E nas financeiras os juros estão fixados em torno de 300% ao ano para os empréstimos.

Reduzir o juro é acabar com a farra dos bancos, com os lucros fantásticos deles.

Mas o presidente da Febraban deveria no mínimo se sentir suspeito para emitir uma opinião destas.

Pelo que eu, que não tinha opinião, já passo a adotar a do vice-presidente da República, José Alencar: a decisão sobre taxa de juros é política.

Diminuir o desemprego é decisão política. Decisão técnica só serve para aumentar os lucros colossais dos bancos.

Recebo do secretário da Segurança: "Caro Paulo Sant'Ana. Dos inúmeros problemas que tive de enfrentar na secretaria, um deles exigiu-me especial atenção, quais sejam as incidências criminosas envolvendo os profissionais e usuários dos táxis em nossa capital. Tendo recebido em audiência o sindicato da categoria - Sintaxi - determinei, por meio de portaria, ou seja, respaldo e ação oficiais, a formação de grupo de trabalho que visa, precipuamente, a dar uma maior condição de segurança a todos aqueles que prestam ou se utilizam desse serviço público (cópia da portaria anexa).

Para tanto, desde 21 de fevereiro reúnem-se, sob a coordenação da secretaria, planejando e promovendo ações, a Brigada Militar, a Polícia Civil, a EPTC, a SMT, o Sintaxi e outras entidades eventualmente convidadas para auxiliar o grupo de trabalho formado. Para teres uma idéia, em operações conjuntas decididas pelo grupo, em menos de 120 dias, já foram efetuadas 1.433 barreiras, 11.584 táxis e 21.335 usuários e profissionais abordados, presas seis pessoas, recolhidos 555 carros, apreendidas algumas armas, mais de 360 viaturas e 1,3 mil policiais envolvidos.

O trabalho deste grupo, caro Sant'Ana, tem evitado, com certeza, outras tragédias como a ocorrida na última quinta-feira com o senhor Joci, profissional honesto e trabalhador de 60 anos. Infelizmente, todo este trabalho não vai eliminar a possibilidade de ocorrências, mas conforta-nos até as próprias palavras do presidente do Sintaxi, senhor Adão Ferreira de Campos, participante do grupo que, em recentes declarações a Zero Hora, confirmou que, após o início das operações policiais ensejadas pelo planejamento do grupo, as incidências contra os profissionais taxistas diminuíram em 80%. Aproveito, finalmente, para dizer-te que, da mesma forma que estamos fazendo em relação aos táxis, vamos dar início, também por meio de portaria, a um trabalho com referência aos assaltos nos postos de combustíveis. Um abraço, (ass.) deputado federal José Otávio Germano, secretário da Justiça e da Segurança".

Um dos maiores dramas sociais do país está nesta singela carta: "Sant'Ana, em primeiro lugar, devo dizer que a tua coluna é uma das mais lidas de Zero Hora. E isso faz com que eu tome a liberdade e sugira um assunto que, se julgares com fundamento, gostaria que fosse comentado por ti, daquele teu jeito muito especial, muitas vezes batendo com vontade. Estou desempregado. Já perdi a conta de quantos currículos eu enviei, por correio, internet e pessoalmente.

Depois desta maratona que já dura aproximadamente um ano e meio, dei-me conta de que um candidato com as mesmas qualificações técnicas, com o mesmo nível intelectual e com a metade de minha idade, esse é contratado! Conclusão: 'Virei um ancião para o mercado de trabalho com 49 anos!' Achas o assunto interessante? Um abraço. (ass.) João Pedro dos Santos".

Não só o acho interessante como macabro, principalmente quando vejo que a reforma da Previdência pretende alargar ainda mais o limite de idade mínima para aposentadoria.

Os luminares da nação imaginam que as pessoas vão ter emprego depois dos 40 anos, aposentando-se 20 anos depois.

Está na cara que a aposentadoria só deveria levar em conta os anos de contribuição.

Ninguém vai se aposentar.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comente o texto acima:


Religião
Tapetes floridos em louvor a Cristo



Peças coloridas, como as feitas em Flores da Cunha, são uma tradição da festa de Corpus Christi, que celebra o sacramento da Eucaristia (foto Jefferson Botega/Agência RBS/ZH)

Comente o texto acima:




Giulia Gam na praça em frente ao restaurante Spot, em São Paulo

Giulia Gam, uma mulher normal
Carolina Camargo

Ao andar pela avenida Paulista, em São Paulo, lugar onde se sente em casa, Giulia Gam, 36, colhe os elogios por sua atuação em Mulheres Apaixonadas. Os comentários surgem de adolescentes ou mesmo de uma mulher que se aproxima e agradece: "Sou uma Mada (Mulheres que Amam Demais) em recuperação. Obrigada pelo que você fez", diz. A atriz, que nasceu em Perugia, na Itália, se sente satisfeita.

Passados os tempos difíceis, Giulia se encontra em um momento repleto de felicidade em sua vida. Depois de muita luta na Justiça, ela chega todos os dias do trabalho e tem o prazer de colocar Theo, 5, seu filho com o jornalista Pedro Bial, 45, para dormir. Simpática e atenciosa, Giulia aceitou falar das semelhanças entre sua personagem e sua vida, seu amadurecimento depois dos 30 anos, do filho e do relacionamento com os homens.

QUEM - Dizem que toda mulher tem um pouco da Heloísa. O que tem da Giulia nesse personagem?
GIULIA GAM - Eu digo que não tem nada. Não a associo diretamente à minha vida. Essa relação de ciúmes dela, desse jeito, não tenho mesmo. Jamais seria capaz. Sempre fui muito séria, tive pudor até demais, fui das que sofriam calada. Hoje em dia, treinando com a Heloísa, talvez até aprenda alguma coisa.

QUEM - Você é ciumenta?
GG - De fazer cena, invadir, ir atrás, não. Acho isso um desgaste muito grande. Antes de chegar nesse ponto, eu já separei ou então nem procurei saber. Nunca quis ir atrás de histórias. Já fui muito ciumenta com amigos, com meu filho, mas nunca nada que se aproximasse do que a Heloísa faz. Uma coisa que estou aprendendo com a personagem é que os homens têm o tempo deles de elaboração e não gostam de ficar discutindo a relação. Para a mulher, é insuportável, porque se as coisas não estão resolvidas, elas não conseguem dar um passo à frente.

QUEM - Você está namorando?
GG - Até brinquei outro dia no camarim que, em novela, você já tem que estar engrenado, porque senão... Não estou namorando alguém, assim, de ter uma relação. Claro que às vezes você sai, conhece pessoas. Mas nesse momento há coisas muito intensas acontecendo, que é a volta do meu filho, essa novela, as leituras teatrais que mantenho no Rio, a peça Os Sete Afluentes do Rio Ota, em São Paulo.

QUEM - Você é vaidosa?
GG - Quando você faz novela, tem que estar com a vida muito estruturada. Fisicamente, todo mundo sai muito desgastado porque não tem tempo de respiro. Então até as vaidades acabam... Me sinto uma operária. Você quer colocar a roupa mais vagabunda. No começo, vai bonitinha, bacana, animada, depois não agüenta mais maquiagem, roupa. Um lado meu que está ficando mais solto. Acabo sendo muito brincalhona e debochada comigo mesma, falo besteira. Não tenho essa vaidade clássica, de me arrumar. Mas claro que gostaria de fazer mais ginástica, colocar uma roupa legal, cuidar do cabelo.

QUEM - Com a novela e a peça, como faz para cuidar do Theo?
GG - Tento ao máximo levá-lo à escola, ficar de manhã com ele. Às vezes, ele dorme mais tarde só para me esperar. É mais difícil, porque você está mais cansada, então não tem aquele pique que uma criança de 5 anos requer. Ele sente, é claro, mas todos os dias passamos umas duas horas juntos e coloco o Theo para dormir.

QUEM - Você pensa em ser mãe novamente? Ter família grande?
GG - Agora minha família é meu filho. A gente não escolhe se vai ter um filho ou não. Se vai conhecer uma pessoa que te desperte a vontade de ser mãe. Às vezes, você tem grandes paixões, mas não tem vontade de ter um filho com aquela pessoa. Às vezes tem um homem maravilhoso, que seria um ótimo pai, mas não tem paixão. Claro que adoraria, de repente, ter outro filho, engravidar, passar por esse processo de novo. Criança é maravilhoso, mas cada vez mais vai depender das circunstâncias.

QUEM - Por que você perdeu a guarda do Theo? Foi por ter ido para Nova York?
GG - Todo mundo quer saber, mas eu não posso responder, porque isso tudo está dentro de um processo sigiloso. Não tem um motivo específico, foi toda uma situação colocada, levantada e foi provado e visto que tenho condições de ter meu filho.

QUEM - Na época em que você perdeu o Theo chegou a se comentar que era por causa de drogas...
GG - Drogas, não (risos). De jeito nenhum, não passou por aí. Não tenho nenhum relação de dependência química, seja com drogas ou com álcool, seja com nada. A única pequena dependência que herdei foi o cigarro, que estou louca para me libertar. Podem ficar tranqüilos.

QUEM - Dá para traçar um paralelo entre o relacionamento entre a Heloísa e o Sérgio e você e o Pedro Bial?
GG - Minha relação com o Pedro não passou por aí, inclusive porque a gente nunca brigou. Tivemos desencontros. De repente, duas pessoas que tinham uma comunicação perfeita não falavam mais a mesma língua.

QUEM - Como é o relacionamento com o Pedro hoje?
GG - O que eu queria resolver era o litígio, porque a criança sente tudo, a tensão dos pais, a coisa malresolvida. Graças a Deus não ficou nenhum rancor, nada.

QUEM - Qual o conselho que você dá para mulheres que são como a Heloísa?
GG - Passei por todos os conflitos da mulher moderna, seja na vida pessoal ou na ficção. O que posso falar é que é muito assustador perder as coisas, perder um casamento, uma relação, um momento de trabalho ou correr o risco de perder toda uma carreira, enfim. Perdas são pessoas que morrem. Você começa a perder dos 30 anos em diante, provavelmente, quando não antes. É muito duro o momento da perda, porque você acha que realmente não vai ter mais saída, não sabe como se reconstruir. E nesses momentos, falta muita paciência, porque a gente quer resolver logo.

Vá com calma, tenha carinho, procure pessoas que sejam afetivas com você. O grande problema do ser humano é o afeto. Assim como dá o clique da coisa desabar, vem o clique das coisas, aos pouquinhos, irem se reconstruindo. Você não vai conseguir tudo de uma vez. E aí é uma sensação muito boa, porque você sabe o valor de cada coisa, sabe por onde passou para chegar ali. É uma compaixão e gratidão muito grandes.


Comente o texto acima:

Quarta-feira, Junho 18, 2003




Há muita gente viajando hoje a noite, para rever parentes, amigos e amores ausentes do cotidiano. Irão aproveitar a sexta-feira para ficar bem juntinhos. Depois tem sábado e domingo, neste que é o último feriado do ano, pois agora mesmo só o Natal. Que todos tenham ótimos encontros, conversas felizes e que possam resolver bem tudo que ainda está sem resolução, ou resolvido mal.

Eu tambem viajo para visitar minha mãe na terra do Erico Veríssimo. Mas estarei por aqui sempre conversando e lendo se alguma coisa voces me deixarem escrita. A vida segue e como diziam aqueles versos, é bonita, é bonita, é bonita.

De um jeito que é só seu

Fátima Irene Pinto

Há um jeito que é só seu, de semear o bem.

Se tem sabedoria para falar, fale!
Há pessoas precisando de quem lhes rasque novos horizontes.

Se tem o dom de ouvir, ouça!
Há pessoas precisando falar para reogarnizar os pensamentos e sentimentos.

Se tem o dom de enxergar os talentos alheios, enalteça-os!
Há pessoas que desabrocham por conta de alguém que lhes reconheça um dom.

Se tem discernimento o bastante para fazer uma observação construtiva, faça-a!
Há pessoas persistindo no mesmo erro, por falta de alguém que as alerte com carinho e firmeza.

Se você não tem vocação para engajar-se em movimentos filantrópicos de grande alcance, tenha em mente que o maior bem a ser semeado começa dentro do seu lar.

Oferte a sua canção, a sua poesia, a sua hospitalidade, aquele prato que ninguém sabe fazer igual.

Oferte a sua diplomacia, a sua liderança ou a sua capacidade de atuar em segundo plano para o bem comum.

Oferte o seu talento para contar piadas e fazer rir.

A sua ternura natural no trato com crianças, idosos ou animais.

A sua capacidade de manter o sangue frio nas horas de crise, quando todos em sua volta desabam.

A sua santa paciência de permanecer num hospital ao lado de um enfermo terminal, ou de varar a noite num velório, naquela hora crítica em que todos vão embora.

Há um jeito que é só seu e todo seu, mesmo que seja ofertar uma flor sem ser dia de nada.

Mesmo que seja afagar as folhas de uma árvore, cantar junto com o seu canarinho, alisar o pelo de seu bichinho de estimação, aquele que você salvou da enxurrada.

Mesmo que seja uma prece sincera feita no silêncio do seu quarto.

Na contabilidade divina, pouco importa se o seu jeito de semear o bem alcançar uma criatura ou milhões de criaturas.

Você está fazendo a sua parte, de um jeito que é só seu.

É só isto que realmente importa!

"Dedicado a Old Chum e Ir. Zu"

Comente o texto acima:




Táticas para despir uma mulher

No mundo há diversos tipos de mulher. Mas uma coisa é certa: todas estão nuas e em algum lugar. E os homens sabem disso e pensam nisso antes mesmo de trocar duas palavras com uma moça atraente. Despir com os olhos é a tática número um de todo homem de boa imaginação.

Cá entre nós, existem mulheres bem mal despidas. Afinal, o negócio não se resume em simplesmente tirar a roupa. Isso qualquer um pode fazer de qualquer jeito, sem contar as vezes em que elas não tiram tudo por livre e espontânea cara de pau.

Saber despir uma mulher é também a sabedoria de saber deixar uma peça, de repente, vai fazer toda diferença. Ou de saber diferenciar um body de um espartilho na prática. Ou ainda importantíssimas como jamais "en la vie", num lapso de deselengância, aparecer pelado de meias em frente a qualquer mulher que não seja sua mãe.

Com os olhos
Tática bastante aplicada. Boa, pois pode ser utilizada em qualquer ocasião, com qualquer mulher e em todos os lugares, públicos ou não. Com limites, claro. Não vale forçar a barra ou babar.

Com as palavras
Evite grosserias do tipo: "Gostaria de ser o seu tampax" (célebre frase do não menos broxante Príncipe Charles). Prefira algo como "vou fazer você delirar, vou fazer você..." e cumpra a bendita promessa.

Com a sabedoria
Mostre o quanto admira a inteligência dela. Balbucie frases que não desprezem tal virtude, ou seja, papos cabíveis: "Você tem as pernas lindas" é melhor do que "nunca vi pernas mais fantásticas em minha vida". Afinal, mentira tem perna curta.

Com uma ordem
Diga incisivamente, olhos fixos nos dela, com segurança e tranqüilidade arrasadoras. "Tire a roupa! "Muitas vezes funciona. Muitas.

Com uma massagem
Isso mesmo. Reúna toda a sua vontade e algumas noções básicas de shiatsu e proponha uma massagem relaxante. Difícil ela dizer não. Se ela disser "fica pra outro dia", é sinal de interesse pequeno, quase nulo.

Com o teclado
Hoje em dia, o que não falta é peladona na net. Mas claro, você gostaria que sua participação fosse um pouco mais ativa, assim, com alguma interatividade. Entre num desses chats onde mulher procura homem, encontre um par que você julgue ser uma mulher (nunca se sabe) e comece a teclar. Depois é só pedir o ICQ e ativar os comandos - "tira, tira tudo".

Com um acidente
Use essa tática com muito critério, pois pode trazer mais problemas que soluções. Jamais derrame vinho tinto (que mancha) na blusa de seda da moça. Prefira água ou destilados, depois tente oferecer sua secadora para secar a blusa.

Comente o texto acima:




Opinião Econômica - Ações da Caixa

FERNANDO NOGUEIRA DA COSTA

A população urbana brasileira passou, na segunda metade do século passado, de 36% para 82% do total. Isso coloca graves problemas e desafios. Um dos maiores é o da desigualdade da renda. No Brasil, entre os 43 milhões de famílias em domicílios particulares urbanos, 46,4% recebem renda mensal de até três salários mínimos (R$ 720). Nesta faixa de renda mensal familiar, justamente, concentram-se 83,2% do déficit habitacional urbano, ou seja, 4,410 milhões de moradias.

A urbanização acelerada, a desigualdade e a pobreza das famílias, em meio à ausência de planejamento, acentuaram a ocupação desordenada das cidades, com a degradação dos ambientes natural, urbano e social.

As ações da Caixa, no novo governo, buscarão atender necessidades sociais básicas -emprego, habitação/saneamento, acesso bancário/microcrédito-, os chamados "fundamentos estratégicos do desenvolvimento humano". Serão instrumentos-chave no combate ao desemprego, ao déficit habitacional, à emigração rural, às doenças causadas por falta de água potável e esgoto, à informalidade e à desocupação.

No financiamento à habitação de interesse social, haverá crédito individualizado, para aquisição, construção ou reforma de casas próprias, desde a aquisição de material de construção e de lote urbanizado até a produção de empreendimento e construção ou reforma em assentamento rural. No PSH (Programa de Subsídio à Habitação de Interesse Social), dedicado às famílias com renda familiar bruta de até R$ 720, atende-se à produção de moradias, à melhoria das condições de habitação e à aquisição de moradias.

Sob o PAR (Programa de Arrendamento Residencial), para aquisição, produção ou recuperação de empreendimento habitacional, o acesso à moradia ocorre por meio de contrato de arrendamento, com opção futura de compra. Atende às famílias com renda familiar bruta de até seis salários mínimos. O arrendamento é equivalente a 0,7% do valor do imóvel.

Outro programa importante é o da reabilitação urbana de áreas centrais, que estabelece o centro de cidade como lugar de moradia. Trata-se da substituição da prática de expansão territorial das cidades por uma abordagem que privilegia a reabilitação de áreas consolidadas. Economiza nos gastos com infra-estrutura urbana e multiplica o emprego mais do que em construções novas.

Infelizmente, as famílias de baixa renda não detêm capacidade de pagamento no nível de mercado. Logo, em uma política redistributiva, recursos orçamentários (OGU, orçamentos municipais e estaduais) são necessários como fontes de subsídio, assim como do FAR e do FGTS. No nível de renda intermediário, é necessário completar o crédito (SFH) com subsídio. Somente no nível da classe média, podem ser utilizados mecanismos sustentáveis (SFI) com recursos captados no mercado (depósitos de poupança, letras hipotecárias, fundos de recebíveis imobiliários etc.).

Para melhorar as condições de vida e trabalho da população rural e reduzir a emigração, é necessário o apoio ao programa de formação e mobilização social para a convivência com o semi