E N T R E L A Ç O S Testando cor de fundo
E N T R E L A Ç O S

Sábado, Junho 28, 2003




DIGA NÃO A WEBSTRESS


Receber e enviar e-mails, navegar pelos sites espetaculares da rede, fazer downloads, acessar chats, fazer pesquisas, são motivos suficientemente fortes para manter-nos grudados na telinha.
Os atrativos são tantos, que começamos a navegar e as horas escoam rapidamente, sem que percebamos.
Se não nos educarmos e não colocarmos limites, poderemos sucumbir ao webstress e aos demais efeitos colaterais indesejáveis que costumam acometer os internautas:

Distúrbios posturais e má circulação

Olhos no fundo, vermelhos ou lacrimejantes

Distúrbios nos hábitos alimentares

Ansiedade e sono agitado

Sentimento de desorientação quando temos que lidar com as circunstâncias do mundo real

Acomodação ao mundo virtual como única fonte de prazer e realização

Cada um deve estabelecer seu próprio método para conviver de modo saudável tanto com o mundo real como o virtual.
As sugestões abaixo são as que eu encontrei e tenho tentado colocar em prática:

Reduza a quantidade de amigos virtuais e resista à tentação de querer agradar a todos, do contrário, sua caixa de entrada vai ficar congestionada e você não fará outra coisa a não ser responder e-mails.
Selecione seus amigos pela qualidade do afeto e do ideal que compartilham e mesmo com estes, seja conciso, breve e objetivo.

Estabeleça um período para a navegação.
Dias ímpares ou dias pares, tantas horas por dia e desligue o micro ao primeiro sinal de cansaço.

Mande um aviso aos mais próximos e ausente-se do micro periodicamente.

Caia fora de todo e qualquer tipo de competição que tenha por base a vaidade pessoal. A parte de nós que compete é quase sempre o "pequeno eu". O nosso "Eu Superior" não entra nesta!

Se você tem um site por hobbye ou para divulgar a sua arte, não se permita massacrar pelo contador, este tremendo gerador de tensão, porque se o conteúdo do seu site for bom, ele será bem visitado naturalmente.Contadores podem ser manipulados. Prefira uma boa estatística que possa avaliar o desempenho do seu trabalho.

Iniba no seu provedor aqueles elementos que sobrecarregam a sua caixa de entrada com pesadíssimos e-mails, quase todos em frw, sem nunca terem mandado um único e-mail pessoal a você, apresentando-se e dizendo porque estão chegando na sua tela.

Quem está na Net, vez por outra leva uma bala perdida e encontra gratuitos desafetos. Releve e toque em frente. Seu tempo é precioso demais para ser desperdiçado em confrontos inúteis. Sua energia e seu tempo são para aqueles que chegam para acrescentar, ainda que através de observações construtivas.

Priorize! Não queira aprender tudo de uma vez, ler tudo de uma vez e abarcar informações além do que o seu cérebro suporta.

A Net pode ser uma grande aliada para dar-lhe alegria, auto-realização, conhecimento ... mas também pode virar um buraco negro capaz de sugar todas as suas energias e deixá-lo doente.
Administre com sabedoria este presente incrível da tecnologia.
Diga não ao webstress !!!

Fátima Irene Pinto
19.06.03/Descalvado - SP

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Martha Medeiros
29/06/2003


Tira a chupeta

Conheço muitos casais que, quando tiveram seus filhos, não permitiram que eles usassem bico. Preferiam agüentar o choro das crianças a usar um consolador de borracha anti-higiênico e que, ainda por cima, poderia vir a prejudicar a formação da arcada dentária. Concordo com eles, mas quando chegou minha vez não consegui ser sensata assim. Não só tasquei bico nas minhas filhas como ainda passava nele um pozinho chamado Funchicória, que fazia elas ficarem quietinhas, quietinhas. Funchicória é um produto 100% natural, e a embalagem denuncia: é coisa antiga, dica de bisavó. Não sei se ainda fabricam, mas eu acho o Funchicória, assim como o Hipoglos, as duas maiores invenções para bebês.

Posto isso, e estando hoje minhas filhas crescidas, admito: bico é mesmo um nojo. Quando vejo um nenê de bico, fico louca pra tirar, quero ver o rostinho da criança sem aquela coisa enfiada na boca. Tem bico que é um verdadeiro cruz-credo: enorme, anatômico, cheio de cores e formas, uma coisa assustadora. Bico tem que ser rosinha ou azul-clarinho, pequeninho, simplesinho. E assim que a criança começar a falar, abracadabra: sumiu o bico.

Se bico em criança com idade pré-escolar já me causa estranheza, bico em gente grande me deixa descontrolada. A atriz Claudia Raia revelou numa entrevista que usou chupeta até os 15 anos, e naquela idade ela já tinha o tamanho que tem hoje. Disse que só parou quando foi passar uma temporada em Nova York. Ela chupou o bico durante toda a viagem de avião e, chegando lá, largou. Há quem ache sexy.

Pois, para meu total desconsolo, a queridíssima Rita Lee também andou chupando bico durante o programa Saia Justa. Rita está acima do bem e do mal, prestou os melhores serviços à música brasileira através dos Mutantes, do Tutti Frutti e segue vital em sua carreira solo. Sou fã dela e de seus cabelos coloridos, de sua irreverência genuína, de seu talento para a provocação, de sua postura rock´n´roll, de sua inteligência, de seu humor... mas bico, não!!!! Fuma um charuto, Ritinha. Masca um lápis. Troca o bico por uma Bic, quem nunca mastigou uma tampa de caneta? Uma delícia.

Fica aqui o meu protesto. Bico é para criancinhas choronas, como quase todas são. E só. Ao completar dois anos, entrega pro Papai Noel e troca de fase. Mas para adultos que usam bico, mesmo que só em baile de Carnaval ou pra fazer pirraça, nenhum perdão: paredón!

martha.medeiros@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo

29/06/2003

O seguido e o seguidor

Idéia para uma história. Um homem senta ao lado de outro homem num banco de parque. O outro começa a se levantar mas o primeiro o segura pelo braço e diz:

- Senta, senta. Vamos acabar com esta farsa. Eu sei que você está me seguindo.

O outro protesta:

- Eu? O senhor deve estar me confundindo com...

- Pare. Você pensou que eu não tinha notado? Todos estes anos?

- Não sei do que o senhor está falando.

- Quantos anos? Cinco? Seis?

O outro fica em silêncio. Depois diz:

- Mais.

- Dez?

- Mais.

- Quantos?

Novo silêncio. Finalmente:

- Não sei ao certo.

- Você não sabe há quantos anos vem me seguindo?

- Perdi a conta.

- E por que está me seguindo?

O silêncio desta vez é mais longo. Depois:

- Também não sei.

Os dois têm mais ou menos a mesma idade. Sessenta e poucos.

- Deixa eu ver se entendi - diz o seguido. - Você vem me seguindo há mais de 10 anos, mas não sabe por que?

- Esqueci.

- Você foi contratado para me seguir?

- Fui.

- Pois então. Alguém está lhe pagando para me seguir. Quem é que lhe paga?

- Ninguém mais me paga. Nos últimos cinco, seis anos, tenho seguido o senhor por conta própria. Foi por isso que o senhor descobriu que estava sendo seguido. Eu não tenho mais dinheiro para comprar os disfarces que usava antes.

- Você é um detetive?

- Era. Abandonei a agência de detetive. Só o que eu faço agora é seguir o senhor o tempo todo.

- Por quê?

- Já disse que esqueci.

- Não. Por que você continuou a me seguir, por conta própria, mesmo depois de esquecer por que estava me seguindo?

- Não sei. Hábito. Era o que eu sabia fazer melhor. Ou...

- O quê?

- Talvez continue a segui-lo porque é a única maneira de descobrir por que eu estou lhe seguindo.

- Quem foi que o contratou?

- Nunca fiquei sabendo. O contrato foi feito com a agência.

- Minha mulher? Meu sócio?

- Não sei.

- Que tipo de coisas queriam saber a meu respeito?

- Tudo. Onde o senhor ia. Com quem se encontrava. Quando foi a Cancun...

- Você estava lá?

- Lembra do Manito? O do bigode e das...

- Era você?

- Bem mais moço. O senhor me deu muito trabalho quando começou a fazer jogging aqui no parque. Eu estava fora de forma, não conseguia acompanhá-lo. Ainda bem que teve aquela queda, e a fratura no joelho. Agora o senhor só caminha, e eu posso ficar aqui, sentado, vendo o senhor dar as suas voltas. Aliás, eu tive alguma coisa a ver com aquela queda. Lembra da velha com o cachorro numa correia?

- Era você?

- Era. Desculpe.

- E você fazia relatórios sobre a minha atividade?

- Diários. Ainda faço.

- Ainda faz?!

- Tenho cadernos cheios de relatórios. Toda a sua vida, em detalhes.

- Mas por quê?

- Porque a única coisa que eu faço na vida é seguir o senhor.

Porque preciso estudar minhas anotações e descobrir alguma coisa suspeita no seu comportamento. Para saber por que eu estou seguindo o senhor!

Não havia nada de suspeito ou reprovável no comportamento do seguido. Nenhuma razão para ele ser seguido. Ou havia? Ele era a pessoa indicada para acabar com as dúvidas do seguidor. Enganava a mulher? Enganava o sócio? O Fisco? Quem teria pedido para ele ser seguido o tempo todo? E por quê?

- Você pode me contar. Meus relatórios não servem para nada. Só eu leio.

O seguido se esforça para se lembrar de alguma coisa. O seguidor insiste.

- Ninguém vai ficar sabendo!

- Eu sei. Mas não consigo me lembrar de nada.

- Qualquer coisa. Não precisa ser um grande pecado. Traição da pátria, bestialismo, nada disso. Um deslize serve. Um casinho. Um vício. Qualquer coisa. Só para eu saber por que estou seguindo o senhor.

O outro sacode a cabeça. Bate com a palma das mãos nas coxas e começa a se levantar do banco.

- Desculpe, não posso ajudá-lo. Vou dar mais algumas voltas.

- Está bem, está bem - suspira o outro, desolado. - Eu estarei aqui...

- Talvez a gente possa tomar um café, depois.

- Tá bom. Mas não naquele bar que o senhor vai sempre. Já enjoei daquele.

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Moacyr Scliar
29/06/2003


Viagens e bichos

Julho continua sendo, ao menos para a classe média brasileira, um mês de viagens: basta ver como crescem as ofertas das agências de turismo nesta época. Mas viajar é uma coisa que não se faz sem problemas. É caro, e com a ascensão do euro as viagens internacionais ficaram mais caras ainda. Depois existem os problemas domésticos: a segurança da casa, por exemplo. E os bichos. O que fazer com o cachorro e com o gato? Animais de estimação são cada vez mais numerosos - olhem o número de pet shops na cidade - e cada vez demandam mais cuidados.

Animais a bordo

Uma solução é levar os bichos junto. Há facilidades para isso, mas há dificuldades também, como constatei, esses dias, no Galeão. Tratava-se de uma senhora que estava fazendo o check-in e queria embarcar o seu cachorro, aliás, não muito grande. O funcionário da companhia aérea providenciou uma gaiola; só que não havia meio de enfiar o cachorro lá dentro: ele resistia e até rosnava para o assustado rapaz. A passageira então resolveu examinar a gaiola e decidiu:

- Não serve. Não tem o mínimo conforto. É por isso que ele não quer entrar, o pobrezinho. Está acostumado com um tratamento melhor.

O que deu início a uma discussão. A senhora alegava que estava viajando de primeira classe e que queria tratamento vip para o cachorro. Os funcionários ponderavam que não existe tal coisa como primeira classe para bichos, e que o serviço disponível era aquele, o fornecimento de gaiola.

Não sei como terminou a história porque eu próprio tive de embarcar (nem em primeira classe, nem em gaiola). Mas suspeito que essa senhora é capaz de ter perdido a viagem.

Emergência a domicílio

Há os que viajam sem os bichos, naturalmente. E contam com a ajuda dos hotéis para animais, alguns dos quais são cinco estrelas. Uma família que conheço foi para o Exterior e deixou um coelho (coelho, sim - ou vocês pensam que é só a Alice, aquela do País das Maravilhas que é fixada nesses roedores?) numa clínica. Acontece que o coelho estava meio doente e assim - meu Deus, perdão por esse trocadilho, que apesar de infame é adequado e até profético - matariam dois coelhos com uma cajadada.

No meio da viagem, a família recebeu um e-mail comunicando o passamento do coelho. O que deixou a todos indignados; afinal, a situação, ao menos em termos de patologia cuniculídea, não parecia tão grave, e isto foi dito no e-mail de resposta. O dono da clínica, ofendido, perguntou se eles queriam uma autópsia. Sim, a família queria uma autópsia. O dono da clínica disse que isso teria um custo extra.

A discussão se prolongou pela viagem toda. Na volta, eles não lembravam bem os museus que tinham visitado. Mas lembravam todos os e-mails.

Terapia à distância

Mesmo quando não adoecem, os bichos se ressentem da ausência dos donos. Conhecido meu, psiquiatra, foi viajar, deixando a casa, e o cachorro, aos cuidados da empregada. Chegando ao destino, telefonou, perguntando se estava tudo bem. A empregada disse que a casa estava em ordem, mas o cachorro, não: triste, recusava-se até a comer. O psiquiatra não teve dúvidas:

- Encosta o telefone na orelha dele.

E ali mesmo fez uma espécie de terapia, explicando ao bicho que logo voltaria e que ele, cachorro, deveria comer a sua ração. O que lembra uma antiga propaganda da RCA Victor, que fabricava toca-discos, e que mostrava um cãozinho escutando um desses arcaicos aparelhos, com a legenda "His master's voice", a voz do dono. Pois seja pelo poder da voz do dono, seja pela habilidade terapêutica do doutor, o certo é que o cachorro melhorou, voltou a comer e até engordou. Pelo menos é o que o psiquiatra conta. Se existem histórias de pescadores, por que não podem existir histórias de donos de cachorros?

scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
29/06/2003


Os lugares sagrados

Logo no início da minha carreira jornalística, depois de passar pelo telex a minha coluna, em 1973, fiquei conversando num bar de Túnis, capital da Tunísia, distante 40 minutos de avião de Roma, com alguns turistas.

Foi quando eles pronunciaram uma palavra que me soou mágica: Cartago. Perguntei onde ficava Cartago. E eles me disseram que distava uns 150 quilômetros dali.

Não tive dúvida e embarquei num ônibus em direção a Cartago, a sede dos domínios de Aníbal, o general que talvez durante mais de 10 anos fez tremer o império romano, tendo atravessado com suas tropas os Alpes e os Pirineus, jogando sobre os atônitos centuriões da Roma antiga os seus elefantes, as suas mulas e as suas centenas de milhares de soldados, de tal modo que suas tropas acabaram por acampar a apenas uma hora de Roma, só não a invadindo por um estranho e inexplicável desígnio do grande general cartaginês, o que veio a mudar o curso da História.

E ali estava eu, jovem ainda, boquiaberto, diante das ruínas de Cartago, que mais tarde fora inteiramente arrasada por Roma, de tal sorte que, comentam os historiadores, se formou em toda a superfície da cidade uma argamassa da altura de 20 metros, constituída dos escalpos da população cartaginesa.

Fiquei tomado da mesma emoção quando penetrei em Roma, fui avistando o Arco de Constantino, o Fórum Romano, o Coliseu, as Basílicas de São Pedro e São Paulo, a Pietá e o Moisés de Michelângelo, a Capela Sistina, embasbacando-me que pudesse avistar e percorrer aqueles lugares que eu só conhecia pelos sôfregos e emocionados estudos de História nos primeiros anos de ginásio.

O que pertencia somente à minha mitologia pessoal, escancarava-se como uma realidade concreta.

Roma e Cartago foram os maiores socos de imaginação emocionada que sofri em toda a minha vida.

Outra violenta emoção foi Moscou. Recém saído da experiência de caixeiro da feira livre em Porto Alegre, quase não podia acreditar naquela luminosa manhã de junho na Praça Vermelha, as abóbodas das mesquitas, as muralhas do Kremlin, os degraus das escadas rolantes engolindo milhares de passageiros do portentoso metrô, a Moscou dos czares, de Lenin, de Stalin, então de Brejnev, oferecida assim à minha curiosidade, como num sonho.

E lá estava eu na fila do mausoléu de Lenin, descendo as escadas escuras no rumo do túmulo do grande agitador. O cadáver de Lenin estava ali intacto, conservado durante mais de 70 anos, o rosto brilhante, o cavanhaque íntegro, as unhas aparadas, à mercê da visitação reverencial de seu povo e dos turistas deslumbrados.

Aquele espetáculo foi o da maior comoção de minha vida.

As duas mais belas cidades que conheci foram Edimburgo, a capital da Escócia, e Carmel, na Califórnia, a primeira pela imponência dos seus castelos, a segunda pela simplicidade de paz da sua arquitetura.

Conheci os cinco continentes. Não tive oportunidade no entanto de conhecer um local que me aguça a curiosidade e sei que se lá fosse haveria de ficar tomado de grande emoção: os lugares santos de Israel palestinense, Nazaré, Belém, Cafarnaum, Jerusalém.

E no Brasil me falta talvez aquela que deverá ser a mais alta dose de emotividade, embora não tenha certeza de que permaneçam intocadas as paragens que compuseram a vida do poeta da minha preferência e idolatria, Augusto dos Anjos, que ainda esses dias foi eleito pelo povo de lá como o mais célebre dos sergipanos em todos os tempos.

Me sentirei realizado no dia em que viajar até o interior sergipano e puder percorrer os caminhos do meu amado poeta, por entre jurubebas e tamarindos, esperando que a noite venha a cair estrelada sobre o seu Engenho do Pau D'Arco, onde velou tantas noites infindas de dolorosa melancolia.

Melhor que Roma, mais emocionante que Cartago ou Paris, mandem-me dizer por favor os irmãos sergipanos se ainda posso jogar um ramo de flores sobre o túmulo de Augusto dos Anjos e se ainda restam vestígios do seu sítio no Engenho do Pau D'Arco, onde brotaram as mais intensas luzes do meu grande vate, que me embriagam alucinadamente até hoje.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Órfãos pelo tráfico



Com pais presos como traficantes, uma crescente legião de crianças gaúchas vive o trauma do abandono (arte de Leandro Maciel sobre foto de Júlio Cordeiro/ZH)

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Economia e Negócios
Chegou antes ao camelô

Os piratas começaram a vender o DVD do filme do Hulk antes da estréia no cinema

Divulgação

DVD de Harry Potter, Senhor dos Anéis, Hulk, Matrix Reloaded e X-Men 2: todos a 10 reais nas barraquinhas espalhadas nas grandes cidades

Os sucessos de cinema cumprem um cronograma. Em geral o filme é exibido primeiro nos Estados Unidos e depois chega às salas do resto do mundo, o Brasil incluído. Num passo seguinte, algo como seis meses depois, os estúdios soltam a versão em vídeo e DVD. Pois se tome o caso do filme Hulk. Ele estreou nos cinemas americanos em 20 de junho e chegou ao Brasil quatro dias depois, na terça-feira 24. As locadoras só devem receber o filme lá pelo Natal. E não é que no sábado 21 ¿ apenas 24 horas após o lançamento de Hulk nos Estados Unidos ¿ os camelôs do centro de São Paulo já estavam vendendo cópias do filme?

As cópias não passam de produção de segunda linha, feitas de forma precária. Durante a projeção do filme no cinema, um vigarista liga sua câmera amadora e grava da poltrona em que está sentado. O conteúdo, transferido para o computador, é distribuído pela internet. As cópias chegam rapidamente ao camelô, como se vê no caso de Hulk, e são vendidas quase de graça. Qualquer lançamento sai por apenas 10 reais.

A pirataria, de qualquer tipo, destrói empregos, fortalece o crime organizado, alimenta a corrupção e ainda ludibria o consumidor, ao oferecer gato por lebre. No caso dos filmes, os camelôs não vendem DVDs, como sugerem, mas CDs. A gravação em DVD exige equipamentos mais sofisticados. As cópias piratas em CD podem ser feitas com equipamentos domésticos comuns. Como o CD tem capacidade de armazenagem muito menor que a do DVD, os falsários eliminam pedaços do filme.

VEJA assistiu a dez lançamentos piratas e todos tinham defeitos pavorosos. A imagem é granulada e escura. Além disso, as cenas mais movimentadas ficam confusas. O pirata de Matrix era dublado em italiano. E o filme brasileiro Cidade de Deus vinha com legendas em inglês. O negócio das falsificações cresce a uma velocidade assustadora. Segundo estimativa dos fabricantes, os piratas já controlam 35% do mercado audiovisual.

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As férias de julho estão chegando. Para os aficionados em esportes radicais, é hora de arrumar a mochila e colocar o pé na estrada.

BRASIL

REDE DA FORTUNA
Investigação de caça-níqueis chega a políticos ligados ao jogo clandestino

TIROTEIO FEDERAL
Ex-diretor dos Transportes acusa ministro de corrupção

O SONETO E A EMENDA
Discurso de Lula cria atrito com o Congresso e o STF

OS MAIS ACESSADOS
COMO SERÁ SEU BEBÊ
Calcule as chances de seu pimpolho, prestes a nascer, puxar pelo pai ou pela mãe

GUIA DE POSIÇÕES SEXUAIS:
Bonecos mostram o que fazer

GRAFOLOGIA: Confira se a sua letra revela mesmo seu perfil

HIERÓGLIFOS: Escreva seu nome à moda dos faraós

REFLEXOLOGIA
Dor em pontos nas solas dos pés revela problemas de saúde

ENTREVISTA

Rubens Barbosa, embaixador do Brasil nos EUA, diz que Lula não recuou nas conversas da Alca

TESTES

HUMANOS OU ROBÔS?
Teste se você está mais para super-homem ou C3PO

PET: qual bicho é ideal para você?

CÃES: que cachorro você é?

INTUIÇÃO: Você tem 6º sentido?

SEXO: seu apetite vai durar?

Documentos da Polícia Federal revelam que fundos de investimentos do FonteCindam, Opportunity e Pactual usaram agência do
Banestado de NY para lavar dólares.

ECONOMIA

CRÉDITO AO POVO
População de baixa renda terá acesso a financiamento especial com taxa de juros de 2%

CUIDADO COM O TELEFONE
Com aumento escorchante, a conta pode esvaziar seu bolso

COMPORTAMENTO

UM ANO SEM CHICO XAVIER
Filho e amigos levam adiante projetos do médium

BAILE DE MODA
Confira os looks que antecipam a SP Fashion Week deste ano

MEDICINA

O POTE DE DNA CHEGOU
Creme feito a partir de análise genética já está em uso no Brasil

CALCULE
PESO: suas chances de obesidade

KM: quanto você andou até hoje?

CORAÇÃO: posso ter problemas?

FELICIDADE: Você é feliz?

A COMPETIÇÃO JÁ COMEÇOU
SP e RJ rivalizam para provar quem pode sediar as Olimpíadas de 2012

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Todos os sábados rigorosamente, você tem aqui a capa da Veja e da Revista Isto É. Muitas vezes a revista Isto É antecipa-se com a sua capa e já na sexta-feira a noite ela já é posta nesta página. Neste fim de semana as duas capas sairam hoje pela manhã e porisso só agora estão chegando reconfiguradas no tamanho especial para você. A Veja trás conforme sua newsletter estes destaques abaixo:

Caro assinante,
aqui estão os destaques de VEJA desta semana.
Boa leitura e bom fim de semana.
Kátia Perin - VEJA on-line (vejaonline@abril.com.br)


Especial
A dor de cabeça é a mais comum de todas as dores. Ela atinge 90% das pessoas, em maior ou menor grau. Cientistas já catalogaram 150 formas diferentes de cefaléia. Mas a medicina já começa a vencer mais essa guerra.
No site: leia mais sobre dor de cabeça e faça teste

Brasil
A má notícia é fresquinha: caiu a renda média do brasileiro e aumentou a taxa de desemprego nas principais cidades nos últimos doze meses.

Reforma agrária
O MST voltou a incomodar, depois da trégua observada durante a campanha presidencial. O governo, por sua vez, em passo lento, não deverá atingir a meta pouco ambiciosa de assentar 60.000 famílias até o fim do ano.
No site: leia notícias diárias sobre reforma agrária.


Entrevista
Alain Belda, o executivo brasileiro mais bem-sucedido no mundo, defende que o país seja mais firme em suas negociações comerciais. "O Brasil tem de dizer a que vem e competir", diz.

Comportamento
O novo sistema de castas que impera nas escolas de classe média cria os jovens populares e os excluídos. De um lado estão os bonitos e bons de bola, do outro, os tímidos, desajeitados e solitários.

Economia
Os piratas começaram a vender o DVD do filme Hulk antes da estréia no cinema. São cópias de segunda linha, feitas de forma precária, que custam cerca de 10 reais nos camelôs dos centros urbanos.
No site: notícias diárias sobre economia.

Moda
Irreverente e antenada, a roupa da Cavalera fala a linguagem jovem, e todo mundo entende. A grife terá lugar de honra na São Paulo Fashion Week, que começa nesta semana.
No site: galeria de fotos com criações da grife

Internacional
Sessenta anos depois do holocausto, os judeus estão migrando em massa para o país que, na II Guerra, quase os levou ao extermínio. A Alemanha recebeu mais imigrantes judeus no ano passado do que qualquer outra nação, inclusive Israel.
No site: leia notícias diárias sobre internacional
Cosmética
A fórmula foi lançada nos Estados Unidos por uma médica brasileira. São pílulas de perfume que, ao serem ingeridas, exalam odor de lavanda.

Obesidade
No primeiro resort para superpesados aberto em Cancún, no México, a diária inclui toda a comida que o hóspede desejar. O hotel é todo adaptado para as necessidades dos obesos.

Cinema
Com sua nova animação Procurando Nemo, o estúdio Pixar atinge a maturidade e confirma que é imbatível no ramo. A nova aventura é uma espécie de ponte para o estúdio renegociar sua parceria com a Disney.
No site: trailer e fotos do filme

Televisão
Lulu Santos divulgou uma carta na internet para se queixar do tratamento "grosseiro" recebido no Domingão do Faustão. A assessoria do programa disse que o apresentador da Globo ficou magoado, mas não baixou nenhum veto a futuras participações do cantor.

Música
O projeto Jobim Sinfônico, idealizado pelo filho de Tom, mostra a tentativa do maestro de transpor para peças sinfônicas harmonias e ritmos da música brasileira. O resultado revela um compositor sem brilho.
No site: ouça sucessos do compositor

Veja São Paulo
O quente do inverno
Um roteiro com cinqüenta restaurantes para desfrutar a boa mesa na montanha e na capital.

Veja Rio
Férias
Circo, surf, kart e outras atividades em mais de trinta sugestões de cursos e colônias para a garotada.

O conteúdo integral das revistas estará disponível
na internet a partir de sábado pela manhã

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Paulo Sant'ana
28/06/2003


A dor dos explorados

Este reajuste de 28,7% nas tarifas telefônicas apanha os brasileiros com caras de bobos. A sensação geral é de que somos uns otários.

Não há no mundo telefones com reajustes tão caros. Aos bobos foi pregado insistentemente que a privatização era a salvação.

Era necessária a privatização para que não continuasse a dificuldade terrível que era conseguir um telefone.

Veio a fartura de telefones, mas com ela reajustes selvagens, que agora estão aterrorizando as populações mais pobres que se aventuram à façanha de manter funcionando seus aparelhos telefônicos.

Está ficando cada vez mais impossível sobreviver aos custos dos serviços essenciais. Cada tacada da água, da luz, do telefone, gira em torno dos 30% ao ano.

Torce-se pela queda da inflação, verifica-se a queda da inflação. Torce-se pela queda do dólar, verifica-se a queda do dólar.

Mas suba ou baixe o dólar, na hora do acerto de contas com as tarifas, os reajustes vêm lá por cima impiedosamente.

Não sei como é que se pode exigir de um cronista que ele fale em coisas boas. Porque cresce o desemprego e cai de forma assustadora a renda das pessoas empregadas.

Qualquer dia não haverá diferença entre a desgraça dos que estão ocupados e a dos desempregados.

O resultado é a desesperança. E a impotência. Porque este aumento férreo na tarifa telefônica foi dado diante dos olhos impassíveis do governo, que afirma ter de permitir que se cumpram os contratos.

Os consumidores e usuários não têm assim para quem recorrer, voltam seus olhos súplices para o governo, este responde que não tem poder para deter a alta.

O povo virou um rebanho à mercê de vários setores que vão dando mensalmente bocadas em seus ganhos.

Reajuste de salários? Isto é o que menos se enxerga na paisagem há vários anos.

E ninguém pode entender como é que numa economia que não reajusta salários, pelo contrário, os arrocha cruelmente, a farra dos reajustes nas tarifas prossegue implacável.

Esta política da telefonia passa a se constituir num autêntico pega-ratão. Espalha facilidades para instalação de telefones entre as famílias mais pobres, depois que as torna cativas impõe os seus preços bárbaros.

Este tarifaço espetacular de quase 30% nos telefones vai assolar as pessoas de menores ganhos.

Mesmo os que podem pagar, como os detentores de assinaturas comerciais, como deixar de repassar para os preços dos seus negócios a tarifa ontem imposta de 41% de reajuste?

Cada crise que vive o Brasil parece ser a mais grave. A que corre nos dias de hoje, no entanto é assustadora.

Porque ela amassa existencialmente os desempregados e embreta os que têm emprego para uma vida cada vez mais triste e sem perspectivas, com seus orçamentos dilacerados pelas altas das tarifas, paralelamente aos preços dos supermercados.

Aquela fila dramática de milhares de pessoas, que vão chegar a 80 mil candidatos a emprego de gari, no Rio de Janeiro, dá uma idéia de que este caldeirão social está pronto para explodir. Até advogado havia inscrito para ser catador de lixo.

Pode já ter havido uma crise pior que a dos dias atuais?
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Jorge Furtado
28/06/2003


A monstra

Sempre achei o Hulk um super-herói idiota. Verde, feio e burro, ele só ganha poderes eventualmente, sem controle, quando alguém lhe pisa nos calos. Seus superpoderes são medíocres: é forte pra cacete, ponto. Aquela história de rasgar as roupas quando cresce também nunca me convenceu. Se Hulk tivesse um QI de pelo menos dois dígitos, usaria roupas de lycra. Há várias teorias possíveis para explicar a gênese e o possível fascínio que o personagem pode exercer sobre mentes primitivas. Uma delas, psicanalítica, é que Hulk é um homossexual enrustido.

Seu sonho secreto é um cruzeiro gay pelo Caribe com o Thor ou com o Capitão América. Como não tem coragem para dar, Hulk represa hormônios e frustrações e, quando provocado, a monstra fica verde de fúria e sai quebrando a loja. Menos, Hulk, menos... (O que me faz lembrar do velho e infame trocadilho: homens muito fortes e muito bichas são a prova de que a ordem dos fatores não halterofilista. Desculpe.) Outra teoria, política, é que Hulk representa o poder contido que não deve ser provocado, a frase chave do personagem é "você não gostaria de me ver com raiva".

Assim como o atual governo americano, violento e irracional, Hulk seria uma grande força represada, é mais seguro você não se parecer muito com um árabe nem fazer piadas a respeito do presidente analfabeto. Muita força e pouco cérebro são uma combinação perigosa mas que pode ser útil para quem traz o animal pela coleira. Por trás dos idiotas violentos estão os espertos silenciosos. No caso do governo Bush, os ladrões de petróleo e vendedores de armas. Por trás do Hulk, a máquina promocional hollywoodiana, capaz de impor seu lixo pelo mundo afora com grandes verbas publicitárias e a conivência, às vezes remunerada, às vezes ingênua, de jornais, rádios e revistas.

Hulk, o filme, é muito chato, arrastado, previsível, barulhento, cheio de clichês bobos e será um grande sucesso também no Brasil, graças ao poder que o empurra goela abaixo do mercado exibidor brasileiro, com mais de 400 cópias (25% de todas as salas do país) e contratos rígidos de permanência do filme em cartaz (mínimo de seis semanas, não importa o quão vazias estejam as salas).

É mais um filme idiota e infantil destinado às crianças (elas e seus pais acompanhantes estão desculpadas) e aos idiotas infantilizados, um mercado crescente graças, pelo menos em parte, ao grande número de filmes idiotas e infantis. A única maneira de quebrar este círculo vicioso é não pagar o ingresso.

jorge.furtado@zerohora.com.br

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Lya Luft
28/06/2003


Tema eterno

Neste começo de milênio, somos tão diferentes das mulheres antigas? O que mudou em nós? Tudo será agora tão positivo como nos dizem, e foi outrora tão ruim como parece?

Afinal, na Idade Média havia tecelãs inscritas em sindicatos; em todas as épocas, mulheres cultas escreviam, debatiam, influenciavam seu meio. Embora sempre em quantidade bem menor do que os homens, não eram exceções tão raras quanto nos parece. Onde foi parar a história dessas que administravam propriedades e bens quando os maridos iam à guerra, transmitiam a tradição oral da sua gente, eram depositárias de lendas, praticavam medicina e criavam os futuros guerreiros do seu povo?

Rainhas ou mulheres de senhores feudais participaram de campanhas bélicas ao lado do marido, ou lutavam em seu lugar quando ele precisava combater em outra parte; séculos atrás, na Europa, mulheres não se dedicavam apenas às intrigas da Corte, mas algumas davam cursos públicos de retórica, falavam latim, conheciam teologia e filosofia. As poucas hoje comentadas só aparecem como esposas de seus maridos famosos. (Joana d'Arc teve o nome perpetuado por si mesma: foi preciso que morresse queimada numa fogueira inquisitorial.)

Houve toda uma camada de existência organizada, administrada, transmitida pelas mulheres: hoje inicia-se essa escavação, essa arqueologia, reconstituindo o fio que nos foi cortado. Quais as complexas razões dessas vidas permanecerem na sombra? Foi apenas porque "os livros de história são escritos por homens", portanto não abrem lugar para nada de importante realizado por mulheres? Acho simplória essa explicação. Eles seriam tão poltrões que não cederiam à mulher o seu devido lugar nos fatos do mundo?

Premida por desejos e necessidades, pondo-se em busca de trabalho e realização além daquela doméstica que aparentemente lhe cabia por destinação, a mulher afinal percebeu que era mão-de-obra desqualificada. Saiu a campo para preparar-se, quando sua situação anterior se cristalizara havia um bom tempo. Nem passaria pela cabeça do até então amo e senhor que a mãe de seus filhos pensasse em pegar um emprego, e também a ela isso provavelmente não ocorreria com freqüência.

Mulher não "trabalhava fora" a não ser que fosse muito pobre, ou tivesse um marido incompetente para a sustentar. "Mulher minha não trabalha", era dito com satisfação e certa arrogância. Hoje, em grupos de jovens mulheres, olha-se com certa piedade a que "só" fica em casa.

Isso pode levar a uma inversão exagerada. Ficar "só" em casa será mesmo tão pouco assim? Ser "apenas" mãe desses filhos, administradora dessas contas e projetos, pode não satisfazer plenamente quem sente em si potencial para muito mais que isso. Mas será uma função inferior?

Tema para uma outra crônica, quem sabe. Ou reclamação de parte de muita gente.

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Reportagem Especial
Guerreiros virtuais



Febre das LAN Houses leva adolescentes a casas de jogos eletrônicos ligados em redes mundiais (foto Paulo Franken/ZH)


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Sexta-feira, Junho 27, 2003




My God, estou ficando velho!

Ulisses Tavares

Sempre pensei que a velhice era algo tão distante, que provavelmente nunca me ocorreria. Mas isso porque eu era muito muito jovem.

Depois, dos trinta pra frente, a velhice passou a ser algo possível, mas um porto ainda incerto e longínquo onde atracaria o navio de meu corpo desgastado pelas tempestades da vida.

De repente, os quarenta passaram, entrei nos 50 anos. Os americanos, malucos por expressões politicamente corretas, chamam as pessoas de 50 a 65 anos de idosos júnior; dos 65 anos aos 80, de idosos sênior e de 80 pra frente, de idosos master.

Não aparento a idade, ainda. Até porque, por ser de geração hippie, que bebeu todas, tomou todas, encarou tudo, devo ter envelhecido, sem querer, em tonéis de carvalho, como um bom uísque.

Bem, se você, leitor, está nessa faixa de idade, que a propaganda popularizou como ¿Tio Sukita¿, sabe muito bem dos sustos e prazeres que apenas a maturidade pode trazer.

O sábio e irônico Millor Fernandes disse que a idade só traz mesmo é mais idade. Desmentindo a si mesmo, porém, a cada ano escreve melhor.

Aqui, gostaria de falar de fatos marcantes que vêm junto com o pacote da velhice.

Primeiro é o entendimento de que a velhice é mesmo um estado de espírito. E, sendo um estado de espírito, está nas nossas mãos batalhas para que seja bom, leve, prazeroso. Isso é possível, acessível a qualquer um. Agora, no que todos concordam, jovens e velhos, é que não dá para ser Peter Pan depois dos cinqüenta.

Não me refiro a tingir o cabelo de loiro pagodeira, usar roupinhas de garotão e outros recursos para parecer que os anos não passaram.

É meio ridículo, não engana ninguém, mas é mal menor. Duro é se recusar a crescer.

Porque o lado maravilhoso da maturidade é a habilidade, que apenas o tempo aprimora, de pegar os limões e fazer saborosas limonadas.

Desobrigados de ter objetivos fantásticos, grandiosos, altamente custosos e frustantes (como comprar uma supercasa financiada em 30 anos) ou trabalhar como um mouro em busca da maleta de um milhão de dólares), podemos nos concentrar no varejo da vida, e não mais no atacado.

Em vez de sexo, sexo com amor e carinho e sem vergonha de qualquer fantasia.

Em vez de planos e projetos para anos a fio, o ¿carpe diem¿, um dia de 24 horas plenas.

Em vez de correria, um passo de cada vez.

Em vez de mil conhecidos, alguns amigos do peito bem cultivados.

Em vez de sonhar com um hobby, um passatempo, um curso, uma viagem, para quando tiver tempo, realizar já.

Em vez de olhar o próprio umbigo, descobrir que existem umbigos tão ou mais interessantes que o nosso.

Olhar, com olhos surpresos de netinho, como os velhos contribuem para remoçar o mundo com sua sabedoria acumulada.

Igual a um Peter Druker que, do alto de seus 90 anos, sacode a nova economia. Igual, no nível local, a um Sobral Pinto, que tirou que tirou o Collor também aos 90 anos. Igual a tantos e tão ilustres e revolucionários cinquentões, sessentões, oitentões, no mundo inteiro, que servem de farol da humanidade.

Não há uma regra de como ir envelhecendo sem perder a juventude da alma. Mas talvez seja o dar-se ao luxo de não ter regras, verdades definitivas, permitir-se paixões e atitudes adolescentes, o grande segredo de envelhecer com bom humor.

Vocês já viram na televisão, no teatro, na literatura que as tesudas Lolitas procuram essa mistura de papai-sabe-tudo com maluco beleza nos homens maduros. Pena que os homens que elas em geral escolhem são apenas velhinhos mal-resolvidos.

Ulisses Tavares tem 51 anos e é uma boa idéia. Escreveu em parceria com Tettê Schmidt, o livro ¿Guia do Homem, que a Mulher Também Deve Ler¿ (Geração Editorial, 166 páginas).

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Diálogo, amor e prazer

Por que é tão difícil ter vida sexual e afetiva satisfatórias? O que está por trás da falta de desejo e dos conflitos da relação a dois? Por que as mulheres fazem menos sexo do que a 50 anos atrás? Essas questões têm abalado em cheio a vida sexual dos casais. Fatores externos como o ritmo acelerado do dia-a-dia, a exigência de fazer sempre o melhor e a competição agora invadem o quarto e transformam a cama em um verdadeiro campo de batalhas.

O renomado médico Moacir Costa, especialista em sexualidade, atua há 22 anos com terapia de casais e fez uma pesquisa com seus pacientes - a maioria mulheres e detectou que a informação e o diálogo são ingredientes essenciais para reaquecer uma relação. Seu livro "Amar Bem" (editora Gente), traz um trabalho completo de investigação das dúvidas mais escondidas sobre sexualidade e amor. Vale a pena ser lido.

Segundo ele, as maiores causas dos conflitos são as diferenças físicas e biológicas entre homens e mulheres, a falta de intimidade e, principalmente, a desinformação e a falta de diálogo. "As pessoas estão fazendo tudo tão rápido que estão comprometendo a qualidade e o desempenho. A ansiedade pela busca do prazer resulta na relação tipo fast-food, de entrega rápida", explica o médico.

Num relacionamento, geralmente as mulheres se mostram mais corajosas, envolvidas e apaixonadas. Os homens demoram mais para essa entrega, que às vezes nunca acontece. Embora hoje eles dêem sinais de que estão mais seguros e menos receosos de expressar seus sentimentos, ainda amam com um pé atrás, cheio de reservas, temendo ser controlados ou rejeitados mais tarde. Mesmo assim, é grande o número de mulheres que procuram os consultórios psicológicos em busca de informações sobre a difícil arte de amar bem. E o seu relacionamento, como está? Será que não é hora de reacender sentimentos, reconquistar a pessoa amada? Se você acredita na felicidade, pense nisso!
Marta Vicentin

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Momento de fúria total de Hulk acima. Ele destrói tudo o que vê pela frente em São Francisco, em cena que mistura atores e efeitos especiais como o próprio monstro verdão criados pela Light & Magic, empresa de George Lucas

Você vai levar quase uma hora, depois de começada a sessão, para tirar suas próprias impressões sobre a transformação do cientista Bruce Banner (o desconhecido ator australiano Eric Bana) no Hulk inteiramente digital do polêmico e aguardadíssimo filme do diretor Ang Lee. Mas dificilmente sairá decepcionado com o herói de Hulk, empolgante adaptação dos quadrinhos da Marvel para os cinemas, que estréia hoje no País.

Orçado em 150 milhões de dólares, o filme estreou semana passada em primeiro lugar nas bilheterias americanas, arrecadando U$ 62 milhões. Ótima bilheteria, mas abaixo das conquistadas por outros dois heróis da Marvel em seus fins de semana de estréia: Homem-Aranha fez 115 milhões, contra 85 milhões de X-Men 2.

Hulk encara cerco policial em São Francisco. Veja, os protagonistas do seriado: Lou Ferrigno, de corpo pintado, como Hulk, e Bill Bixby como Bruce. O filme motivou o lançamento de quadrinhos e brinquedos. No site oficial http://www.thehulk.com, jogos do herói.

Fruto de experimentos genéticos do seu pai biológico (interpretado por um ensandecido Nick Nolte, perfeito no papel), Bruce passa a se transformar no mostro depois que se expõe acidentalmente a uma enorme dose de raios gama em seu local de trabalho. Daí é só Bruce ficar com raiva para Hulk surgir.

Mais interessado nas questões psicológicas que envolvem a transformação do cientista em monstro, Ang Lee diretor de O Tigre e o Dragão também não faz feio na hora da ação. O momento em que Hulk que tem direito a única fala em toda a trama destrói São Francisco é um dos melhores da fita. Mas vale avisar que é o drama psicológico que dá o tom do filme.

Com ritmo ágil e trama tensa, o diretor acerta ainda ao dividir a tela em quadros, como se fosse um gibi. Também consegue passar a sensação de que várias cenas são varridas como se fossem uma página virada.

Sim. Vale destacar também que, para os fãs acostumados ao Hulk do seriado da TV com o ator Lou Ferrigno e sua pele pintada de verde (ele faz uma ponta no filme), exibido no fim dos anos 70 e início dos 80, pode ser um choque ver aquela gigante massa verde criada por computação gráfica. Mas passada a primeira impressão, a nova versão do enfurecido herói convence e deve virar referência para os mais jovens.

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Broxa na hora H

Como esta coluna noticiou, Edwiges (Carolina Dieckmann) decide se entregar a Cláudio (Erik Marmo com Carolina na foto) em Mulheres Apaixonadas, sexta-feira que vem. Pena que o rapaz vai broxar na hora H. Tudo por conta das preocupações com uma possível gravidez de Gracinha (Carol Castro). Edwiges morre de vergonha e pede que ele nunca mais volte a procurá-la.

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Fusão entre a Varig e a TAM encontra-se numa encruzilhada

Companhias não se entendem sobre o destino de empresa de manutenção

ANDRÉ SIQUEIRA

O processo de fusão entre Varig e TAM chegou a uma encruzilhada. Se optar por um caminho solitário, entretanto, a Varig corre o risco concreto de encontrar um precipício. Ontem, representantes das duas companhias passaram o dia na sede do Banco Fator, em São Paulo, para tentar assinar um contrato que garanta o compromisso bilateral com a fusão, mas a principal divergência entre as companhias - o destino da empresa de manutenção da Varig, a VEM - ainda não foi resolvida. O encontro prossegue hoje, mas não está garantido que o documento será assinado.

O contrato de irreversibilidade da fusão é precondição para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) possa financiar a operação, que poderá custar mais de US$ 600 milhões aos cofres públicos e se tornou ponto de honra para o governo. Anteontem, o economista Luciano Coutinho, contratado pelo Fator para costurar a fusão, e o presidente da TAM, Daniel Mandelli, foram recebidos pelos ministros da Casa Civil, José Dirceu, e da Defesa, José Viegas, em Brasília, para explicar o atraso nas negociações.

Há cerca de um mês o Fator tenta vender a idéia de que a fusão está prestes a se concretizar, mas as companhias se mostram irredutíveis em suas posições. A TAM quer que a VEM seja incorporada num prazo de 18 meses após a fusão, enquanto a controladora da Varig, a Fundação Ruben Berta, quer ser remunerada pela venda da empresa.

Quebra - Esta semana, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, garantiu ao presidente da Varig, Roberto Macedo, que o governo não se moverá para evitar a quebra da companhia, caso a fusão não saia do papel. Em audiência na Assembléia Legislativa gaúcha, quarta-feira, Macedo lembrou que a Varig espera, desde março, garantias financeiras do BNDES da ordem de US$ 100 milhões para sustentar suas operações até a fusão. "A fusão em si depende de muita gente, e não só de nós", disse o executivo.

Além dos problemas financeiros, a Varig não consegue resolver sua crise interna de poder. O executivo Manuel Guedes, indicado para assumir a presidência da FRB-Par, a holding de investimentos do grupo, recusou a vaga.

Um motivo seria sua incompatibilidade com o presidente da Varig, Roberto Macedo.

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Fundo social terá ajuda da Caixa

Financiamento Banco poderá garantir liquidez ao comprar cotas no mercado secundário

Mônica Izaguirre e Claudia Safatle, De Brasília
A Caixa Econômica Federal pretende garantir, ainda que de forma indireta, a liquidez das cotas dos fundos que vai estruturar no âmbito do PIPS, programa lançado anteontem pelo governo para financiar projetos de habitação, saneamento e infra-estrutura. O vice-presidente de Administração de Recursos de Terceiros da instituição, Wilson Risolia, disse ontem ao Valor que, sendo necessário, o banco poderá intervir como comprador no mercado secundário dessas cotas, na Bovespa. " Interessa a nós que as cotas tenham mercado secundário " , afirmou. Ele não descarta também intervenções de venda, caso exista excesso de demanda não atendida. Para tanto, a Caixa vai ficar com uma reserva estratégica de cotas.

A preocupação em dar liquidez já vale para o primeiro dos fundos a ser formado pela Caixa no âmbito do novo programa e que começará a ser comercializado junto a clientela até outubro. Trata-se de um fundo de investimento em direitos creditórios - modalidade também chamada de fundo de recebíveis - destinado a levantar dinheiro para um projeto habitacional da Prefeitura de São Paulo, para servidores municipais. O projeto demanda aproximadamente R$ 100 milhões. A intenção da Caixa é levantar os recursos junto a investidores grandes e pequenos. Por isso, deverá fixar a cota em R$ 100,00, valor considerado bastante acessível. O custo médio do financiamento para os compradores dos imóveis deverá ficar em torno de 10% ou 11% acima da inflação, calcula Risolia. O indexador não está escolhido, mas a tendência é de que seja um índice de preço ao consumidor em vez de geral. " Os gerais são mais voláteis " , explica.o vice-presidente da Caixa.

Conforme Risolia, descontados os custos de administração dos recebíveis, a taxa a ser paga pelos tomadores do crédito proporcionará uma remuneração " de 9% a 10% ao ano acima da inflação " aos investidores, ou seja, a quem adquirir cotas do fundo. Na sua opinião, é um retorno atrativo para um investimento de longo prazo com lastro em ativo real, no caso, imóveis. O retorno deverá se dar ao longo de até 15 anos, prazo de pagamento das prestações pelos compradores. Segundo Risolia, isso faz do fundo um investimento assemelhado a uma previdência privada. E nesse perfil de produto, acrescenta, uma pesquisa feita pela Caixa já mostrou que há muitos clientes interessados.

Os créditos serão originados pela Caixa, que concederá os financiamentos para os imóveis ainda na planta. Uma vez assinados os contratos pelos promitentes compradores, a Caixa venderá esses recebíveis, ou seja, o direito de receber as prestações, para o fundo. A inclusão do fundo no programa anunciado quarta-feira pelo governo permite que o Tesouro Nacional empreste ao banco recursos para aquisição de até 30% das cotas, por até cinco anos. Risolia destaca que este é um estímulo importante, pois reduz o esforço de venda necessário para início das operações do fundo. Ele esclarece que o Tesouro só entrará com financiamento se, até o momento de ser iniciada a obra, as cotas ainda não tiverem sido totalmente vendidas.

Concebido dentro da Caixa e criado por Medida Provisória do governo, o Programa de Incentivo à Implementação de Projetos de Interesse Social (PIPS) representa um novo modelo de financiamento de projetos de longo prazo de maturação e que, portanto, precisam de recursos também de longo prazo, a taxas compatíveis, explica Risolia.

Baseado na parceria público-privada, o programa permite que o Tesouro não só financie os bancos, mas também subsidie parte dos juros para baixar o custo dos projetos ao tomador final do recurso. No entanto, para que o dinheiro público seja melhor aplicado e alavanque o máximo de recursos privados de investidores, a MP fixa algumas regras quanto à característica dos projetos, de forma que eles sejam financeiramente viáveis, diz o vice-presidente da Caixa. No caso dos projetos habitacionais, os complexos têm que ser mistos, ou seja, com participação de imóveis comerciais. Precisam também oferecer diferentes padrões de moradia, para compradores com diferentes capacidades de pagamento, o que está sendo observado no caso da projeto em parceria com a Prefeitura de São Paulo.

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Registro - CEF lança fundo de recebíveis


27 de Junho de 2003 - O fundo de recebíveis da Caixa Econômica Federal (CEF), alternativa para financiamento da construção de moradias, será lançado na próxima quinta-feira na Bovespa. A previsão é que o produto passe a ser distribuído nas redes de agências da instituição em agosto. "Não muda nada do Almirante Barroso para este fundo. Os dois produtos tratam de receita de aluguel conhecida antes, com um prazo pré-estabelecido", afirma o vice-presidente de recursos de terceiros da CEF, Wilson Risolia, ao lembrar do fundo imobiliário lançado em novembro pela CEF, voltado para o investidor de varejo.

Risolia já adianta que o fundo de recebíveis será negociado em bolsa. Os recebíveis virão de créditos imobiliários gerados por projeto da CEF, que incluirá residências para várias classes econômicas, conjugadas com serviços básicos de educação, saúde e lazer. O fundo terá participação do setor privado, mas o Tesouro Nacional irá adquirir até 30% das cotas. A remuneração dos papéis será atrelada à Taxa Referencial (TR).

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A mais bela do mundo!

Fernanda Tavares está com o ego inflado. Pudera. A supermodelo potiguar é a número um da lista das 100 Mulheres Mais Bonitas do Mundo, promovida pela revista GQ italiana de julho. Domingo, a morena que mora em Nova Iorque (EUA) aterrissa em Madri para o ensaio de capa da próxima edição. Da Espanha, Fernanda ruma a São Paulo, onde quarta-feira à noite vai desfilar com exclusividade para a grife Zoomp na SP Fashion Week. A beldade não dá o ar de sua graça no mais badalado evento de moda do País há três edições.

Requisitadíssima nas passarelas do eixo Paris-Milão-Nova Iorque, Fernanda não pode se descuidar jamais da boa forma. As dicas para o visual tudo-no-lugar (89 cm de busto, 61 de cintura e 90 de quadris em 57kg distribuídos por 1,79 m), a modelo dá à Corpo a Corpo de julho (foto), amanhã nas bancas. Ela almoça e janta apenas peixe grelhado com saldada de alface, rúcula, milho e mussarela de búfala.

O café da manhã não foge à regra: só suco de caju ou laranja com cenoura e maçã. Entre as refeições, só água. Sou boa de garfo, mas consigo segurar meus impulsos, conta a bela, que ainda faz 45 minutos por dia de esteira ou bicicleta ergométrica para definir a musculatura. Preciso entrar nas roupas dos estilistas, tenho que continuar magra. Quando me olho no espelho e avalio que estou um pouco fora do peso, capricho na esteira, revela.

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José Simão
simao@uol.com.br


Taça Libertadores! Boca x Meia-Boca!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E uma amiga tá doente e foi pra farmácia e disse que a farmácia tá parecendo sex shop: só tem propaganda, bandeirola e promoção de Viagra, Levitra e Cialis! É pra levantar o Brasil! E não sei por que brasileiro toma tanto Viagra; já vive duro!

E o Palófi disse que 'o Brasil finalmente saiu da UTI'. E o corpo será velado no salão nobre do Palácio do Planalto! E o prefeito de Aparecida colocou quatro cachorros pra vigiar o cemitério. Onde já se viu botar cachorro pra tomar conta de osso? Rarará!

E a Libertadores? O Santos perdeu pro Boca. Boca vs. Meia-Boca. E qual é o apelido do Santos? Peixe. Pois o peixe morreu pela BOCA! Vai mudar o nome pra Tangos Futebol Clube! Tadinhos. Tadinhos nada. Do Corinthians nunca ninguém tem pena! E adorei a desculpa do Leão: 'Erramos na hora errada'. Manda o Leão pro Circo Vostok!

E eu só senti falta de uma coisa na Libertadores: do Galvão Bueno. Por isso que chama Libertadores: ficamos livres do Galvão. Uma leitora me disse que o Galvão é tão dramático que devia transmitir ataque terrorista. E um outro disse que ele é tão pé-frio que devia lançar o Manual do Ufanismo Urucante. E outros implicam porque em vez de transmitir, ele torce. Mas no Brasil é assim: puta goza, traficante cheira e locutor torce.

E o Guga também perdeu. É que todo mundo fala que o Guga perde porque só pensa em sexo. Então ele devia ser campeão de pênis! E outros dizem que o Guga é como o Palmeiras: não consegue ganhar na grama. E o tenista Saretta vai fazer campanha contra as drogas. Maravilhoso, mas devia mudar o nome pra Caretta! Rarará!

E diz que o sonho de todo palmeirense é o Parreira voltar pro Corinthians. E diz que agora a moda no Acre é traficante engolir bola de plástico com cocaína pra despistar a PF, mas todos acabam tendo que fazer lavagem. Ou seja, não há fiofó de peruano que agüente. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que uma socialite de Brasília estava dando uma entrevista quando disse que era 'educadora do lar'. Tucanaram a dona-de-casa. Socorro. Tá mais fácil promover a paz na faixa de Gaza do que acabar com o tucanês! E atenção. Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Latifúndio': a cachorrinha Michele latindo no quintal. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! O já famoso Estoura Brasil! UFA!

Email simao@uol.com.br

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David Coimbra
27/06/2003


Eu acredito no casamento

Sou um homem que acredita no casamento. Véu e grinalda. Aliança. Até que a morte os separe. Essas coisas. Liturgia, entende? O ser humano precisa da liturgia, embora as liturgias sejam ridículas.

Lembro do casamento do Sérgio Villar com a Fabíola, ambos aqui da Zero. As mulheres fungavam, lábios tremendo, maquilagem gotejando do queixo. Os homens se mexiam inquietos nos bancos compridos da igreja, olhavam para os lados, ajeitavam as gravatas. Por quê? Porque eles, homens e mulheres, sentiam nos ossos das costelas a relevância da liturgia. Sentiam que era decisivo o que acontecia entre os vitrais azuis do templo.

É aí que tantos relacionamentos atuais goram: na falta de liturgia. As pessoas se juntam pensando que, se ocorrer algum problema, podem se separar com facilidade. Só que algum problema sempre ocorre. E as pessoas se separam com facilidade. Se estivessem casadas oficialmente, não seria assim. A idéia que teriam da relação seria mais sólida. Aquela seria uma relação documentada, socialmente apregoada. Um compromisso público.

Num casamento de fato e de direito, os membros do casal tentam superar os problemas, não sucumbem a eles de imediato. Agora, claro, se os problemas se repetem sem fim, como a novela Malhação, se eles se reproduzem durante os anos, não há outra saída que não a dor do aparte e o esforço do recomeço.

Como sempre funcionou, aliás. Porque a verdade é que aquela velha fórmula familiar era uma fórmula de sucesso. A família tradicional, constituída nos moldes bem enquadrados dos nossos venerandos avós, aquele era um formato inteligente. Porque era todo eivado de liturgias, e as liturgias são a representação visual de idéias e sentimentos, que só existem, afinal, se as pessoas acreditam neles. E os respeitam.

O casamento, pois, é a salvação. A sua salvação. Eu, embora seja solteiro, lhe garanto isso. Case-se. Seja feliz.

Pobre ex-marido
Clericô. As mulheres adoram beber clericô. Noite dessas, sentei numa mesa com mulheres descasadas. Bebiam clericô. Mascavam as frutinhas embebidas em álcool. Depois de uma jarra e 45 minutos, estavam vermelhinhas e falantes. Esqueceram que havia homens junto. Começaram a discorrer sobre seus ex-maridos. Jesus!, você aí que é ex, você por acaso suspeita como sua ex fala de você? Não, não é com desprezo; é com escárnio. Elas contavam o que fizeram com seus ex, as humilhações que lhes impuseram, e riam, riam, riam. Não há dignidade em ser ex. Há apenas o opróbrio.

Você entende, então: é mais um argumento. Tente se manter casado. Tente jamais ser ex. Um insignificante, um desprezível, um abjeto ex.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
27/06/2003


O homem-tatu

Para quem não leu ontem em Zero Hora, relembro: o vigia José Roberto Salau, com 49 anos, foi retirado de um poço com 12 metros de profundidade, depois de lá permanecer, com a coluna fraturada, durante 48 horas, na localidade de Santa Tecla, distrito de Gravataí.

Que bom que ele já esteja se recuperando, sem perigo de vida, se tivesse morrido eu não poderia escrever esta coluna.

Todos os dias, pela tarde, seu Salau saía pelo campo para localizar tocas de tatu e instalar em suas bocas armadilhas para apanhar os animais.

Segunda-feira passada, seu Salau saiu a colocar as suas engenhocas nas tocas dos tatus, mediante as quais os caçava, alimentando-se deles ou vendendo sua carne.

Só que, de repente, pisou num alçapão e caiu num poço. A queda de 12 metros custou-lhe uma fratura na coluna, a dor nas costas foi muito grande durante os dois dias em que esteve lá no fundo do poço, quase sem poder gritar, sem água, sem comida e sem luz.

Até que uns amigos foram procurá-lo e os bombeiros o salvaram.

Seu Salau teve a fratura porque o ser humano não é dotado, a exemplo do tatu, daquelas placas que se conectam no seu lombo, formando com pele dura e córnea aquela carapaça de proteção.

O caso do tatu-bola é proverbial: ele consegue, acuado pelos outros animais, esconder todas as outras partes do seu corpo, as patas, o rabo e a cabeça, dentro da carapaça, transformando-se num objeto inútil para seus predadores, vira uma bola de aço impenetrável.

Voltemos ao seu Salau, que saiu para caçar tatus e acabou virando um deles, preso na toca profunda.

Ele desviou um pouco da trilha tradicional que percorria para apanhar os tatus e não viu que havia um alçapão debaixo dos seus pés. Desabou no poço profundo e sentiu durante dois dias o abandono e a solidão que sentem os tatus dentro das tocas.

O típico caso dos ditados populares:

1) "O feitiço virou contra o feiticeiro"; 2) "Um dia é da caça, outro do caçador"; 3) "Tanto a raposa vai ao ninho, que um dia perde o focinho".

Sobre tudo isso deve ter meditado o seu Salau quando estava penando no seu cativeiro de 48 horas.

Tudo que ele ansiava era voltar à superfície da terra, saindo pela abertura daquele poço e ganhando o ar livre e corrente, o sol, a liberdade.

Com certeza ele deve ter configurado o caso dos tatus, que todos os dias saem da profundidade de suas tocas e também se dirigem à abertura delas, em busca do alimento, da água, da liberdade e da vida.

E quando saem dos seus buracos, os tatus são aprisionados pelas armadilhas do seu Salau, degolados, sendo retiradas de suas carapaças as suas carnes para o lauto festim do seu Salau e dos seus clientes.

Ou seja, o que mais ambicionava o seu Salau, sair pela boca do buraco, era justamente o que negava aos tatus que caçava todos os dias.

Essa forma de caçar tatus é uma covardia. É que fatalmente o tatu terá de sair pela boca do buraco. Armar um engenho na boca do buraco por onde sai o tatu, prender-lhe as pernas no laço, deixá-lo ali indefeso e cativo por várias horas, às vezes um ou dois dias, até ir apanhá-lo, é um sofrimento indescritível para o animal, a quem ainda por cima espera a morte.

Ou melhor, é um sofrimento que pode agora ser descrito pelo seu Salau, que passou por experiência senão igual pelo menos parecida com a dos tatus que captura e sacrifica.

A reportagem não perguntou ao seu Salau se ele vai continuar caçando os tatus depois que sair do hospital.

Mas eu tenho a certeza de que nunca mais seu Salau vai matar sequer um tatu. Porque sua história se constitui numa autêntica fábula, ela certamente foi tecida pelo destino para dar uma lição em seu Salau, que pelo menos vai guardar dentro de si uma sabedoria que nenhum outro homem jamais teve: a de ter vivido na própria pele a madrasta sorte de um tatu.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Gente
Dia de pais e filhos no Gauchão



Um dia depois do primeiro jogo das finais, que deixou o Inter em vantagem, o sorridente atacante colorado Nilmar passeou pelo Beira-Rio acompanhado da mãe, Marisa e do pai, Nilton. Em Campo Bom, o zagueiro Júnior (E), levou o filho Gabriel, dois anos, para tentar animar o treino do 15 de Novembro (foto Miro de Souza/ZH)


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Quinta-feira, Junho 26, 2003




Se as coisas fossem mães
Sylvia Orthof

Se a lua fosse mãe, seria mãe das estrelas.
O céu seria sua casa, casa das estrelas belas.
Se a sereia fosse mãe, seria mãe dos peixinhos.
O mar seria um jardim e os barcos seus carrinhos.

Se a casa fosse mãe, seria a mãe das janelas.
Conversaria com a lua sobre as crianças estrelas
Falaria de receitas, pastéis de evento, quindins.
Emprestaria a cozinha pra lua fazer pudins !!!!

Se a terra fosse mãe, seria a mãe das sementes.
Pois mãe é tudo que abraça, acha graça e ama a gente.

Se uma fada fosse mãe, seria a mãe da alegria.
Toda mãe é um pouco fada...
Nossa mãe fada seria.

Se a bruxa fosse mãe, seria uma mãe gozada;
seria a mãe das vassouras, da família vassourada.

Se a chaleira fosse mãe, seria a mãe da água fervida,
Faria chá e remédio para as doenças da vida.

Se a mesa fosse mãe, as filhas, sendo cadeiras,
Sentariam comportadas, teriam boas maneiras.

Cada mãe é diferente. Mãe verdadeira ou postiça,
Mãe vovó ou mãe titia, Maria, Filó, Francisca,
Gertrudes, Malvina, Alice.

Toda Mãe é como eu disse!
Dona Mamãe ralha e beija, erra, acerta,
arruma a mesa, Cozinha, escreve, trabalha fora,
Ri, esquece, lembra e chora,

Traz remédio e sobremesa...
Tem até pai que é "tipo mãe"...
Esse, então, é uma beleza !!!!!
Assim é a minha mãe !!!!!!!!!!!!!!!!!!

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Os versos que te fiz

FLORBELA ESPANCA

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz

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Nossa, já é quinta-feira outra vez, portanto amanhã já é o último dia útil da semana. E até parece que foi ontem que foi feriadão, assim quatro dias para descansar a cabeça e o coração, se é que ele descansa. Finda-se mais um mês e o primeiro semestre de 2003 também finda. Tristes foram algumas tardes, poucas é verdade. Lindas foram algumas manhãs e noites, mas que por serem assim também céleres passaram, deixando somente a saudade de tudo o que ocorreu.

Muitos sonhos continuaram sendo sonhos pois realidade ainda Deus não quiz que se transformassem. Quem sabe, em breve se tornem. Pois é preferível que ainda sejam sonhos, que em mágoas ou desilusões se tornassem. Enfim sonhos...

"Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem diga nem todas, só as de verão.

Mas no fundo isso não tem muita importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si,
são os sonhos.

Sonhos que o homem sonha sempre.
Em todos os lugares, em todas as épocas do ano,
dormindo ou acordado".

William Shakespeare

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Investidor vende ações do Banco do Brasil

MERCADO FINANCEIRO - Papéis do banco já caíram 15% no

mês; somente ontem, baixa foi de 3,4%; Bolsa recuou 0,63%


DA REPORTAGEM LOCAL

As ações do Banco do Brasil têm reagido pessimamente às medidas tomadas pelo governo na busca de reduzir os juros bancários e aumentar o microcrédito. No mês, as ações com direito a voto do banco acumulam perdas de 15,4%. Somente no pregão da Bovespa de ontem, os papéis ON do banco caíram 3,43%. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou com baixa mais modesta, de 0,63%.

"O fantasma do intervencionismo do governo em empresas e instituições estatais que têm capital aberto, como a Petrobras e o Banco do Brasil, nunca abandonou o mercado. Quando o governo toma medidas que envolvem as estatais, como tem feito, há investidores que preferem vender as ações", afirma Hélio Osaki, analista da corretora Finambras.

Como as ações do Banco do Brasil ainda acumulam a expressiva alta de 32% no ano, os papéis podem cair ainda mais no curto prazo, avaliam analistas. O temor dos investidores é que o Banco do Brasil e a CEF (Caixa Econômica Federal) voltem a ser o que eram nos anos 80 e 90, períodos em que registravam grandes rombos.

As ações da Embratel Participações foram outro destaque no pregão de ontem, liderando as valorizações no dia. Especulações quanto a uma hipotética venda da empresa para a mexicana Telmex fizeram as ações ordinárias da Embratel dispararem 10%, e as preferenciais, 6,7%. Os papéis preferenciais da tele foram os mais negociados do pregão, concentrando 15% do giro do dia.

O interesse dos investidores estrangeiros na Bolsa segue forte neste mês. Nos primeiros 20 dias do mês, o saldo das compras e vendas de ações com capital estrangeiro na Bolsa paulista ficou positivo em R$ 430 milhões. No ano, esse resultado está positivo em R$ 1,8 bilhão.

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Consórcio popular desagrada montadoras

Empresas reclamam medidas imediatas para reduzir os estoques de 170 mil veículos

CLEIDE SILVA e MARIANA BARBOSA

A indústria automobilística, que acumula estoques de mais de 170 mil veículos nas fábricas e está dando férias coletivas aos trabalhadores, não acredita que a oferta de um sistema de consórcio popular, que será criado pelo Banco do Brasil (BB), terá reflexos no setor no curto prazo. Para o vice-presidente da General Motors, José Carlos Pinheiro Neto, "a decisão é boa, mas a compra de cotas normalmente se traduz em compra efetiva do carro depois de dois anos, o que não resolve a necessidade imediata de baixar estoques".

O sistema de consórcio no País envolve cerca de 3 milhões de pessoas que adquiriram cotas para a compra de bens duráveis. Desse total, 1,65 milhão querem ter acesso a uma moto, 1 milhão a um automóvel ou caminhão, 300 mil a eletroeletrônicos e o restante a imóveis. A entrada do BB nesse mercado pode popularizar ainda mais o sistema, diz o vice-presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), Vitor César Bonvino.

Cerca de 300 empresas autorizadas atuam no ramo. "Um concorrente do porte do Banco do Brasil respalda esse mecanismo e com certeza será bom para o consumidor."

Bonvino calcula que, mensalmente, são entregues aos contemplados cerca de 30 mil motos, 20 mil automóveis e 10 mil eletroeletrônicos e imóveis. O prazo mais procurado é o de 60 meses. A taxa média de administração dos grupos é de 15% do valor do bem, diluído nas prestações. "O consumidor precisa estar ciente de que o consórcio é uma programação de compra, pois o bem leva tempo para ser entregue", ressalta Romélio Ribeiro, da Associação das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). O sistema responde por 15% das vendas, ante 25% há cinco anos.

Cooperativas - As medidas de incentivo ao cooperativismo de crédito poderão ampliar a participação das cooperativas de crédito no sistema financeiro nacional de 1,5% para 10% em 5 anos. A estimativa é do superintendente da Confederação do Sistema das Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob Brasil), Marco Aurélio Almada.

Segundo o Banco Central, há no País 1.374 cooperativas e 1,43 milhão de associados - 750 fazem parte do Sicoob, num total de 1 milhão de associados.

As cooperativas de crédito começaram a se disseminar durante o regime de Getúlio Vargas, na década de 30. A crise das cooperativas agrícolas nas décadas de 60 e 70, juntamente com uma reforma do sistema financeiro, restringiu a atuação das cooperativas. O governo militar limitou o vínculo associativo, proibiu as cooperativas de se associarem a uma organização central e as impediu de oferecer serviços bancários como compensação de cheque. As duas últimas prerrogativas foram liberadas em 1980 e 1995, e a abertura do "vínculo associativo", anunciada ontem, era a medida que faltava.

"Agora o setor reúne todas as condições para se desenvolver", diz Almada.

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Banco Popular será criado em 60 dias

A meta da nova subsidiária do BB é atingir 1 milhão de clientes em um ano

BRASÍLIA - Entre as medidas anunciadas pelo governo no pacote do microcrédito, foi confirmada a criação de duas subsidárias do Banco do Brasil, uma para atuar no crédito para a população de baixa renda e outra para o segmento de consórcios, como já havia sido antecipado ontem pelo Estado. O Banco Popular do Brasil vai ser criado em 60 dias. No segundo semestre, o novo banco fará cinco projetos-piloto para testar o sistema, e a meta é atingir 1 milhão de pessoas no primeiro ano.

Já o braço de consórcios do BB ainda precisa ser criado. A subsidiária ainda não tem nome e vai atuar com a venda de veículos, motocicletas, bens duráveis, máquinas e equipamentos agrícolas e rodoviários.

Boa parte das medidas não terá aplicação imediata. Muitos programas precisam de tempo e regulamentação para serem executados, o que só deve ocorrer a partir de agosto.

A abertura de contas especiais simplificadas já pode ser feita nas agências e correspondentes bancários da Caixa Econômica Federal. Essa conta destina-se a clientes que movimentarão até R$ 1 mil só com cartão magnético.

Cada conta permite 12 operações gratuitas por mês: 4 saques, 4 depósitos e 4 extratos.

O microcrédito simplificado precisa ser regulamentado pelo CMN. O governo quer que os bancos ofereçam de R$ 200 a R$ 600 para pessoas físicas de baixa renda, com juros de até 2% ao mês. No valor de R$ 1 mil, o microempréstimo deverá ser usado para um empreendimento específico.

O BB já anunciou a redução das taxas de juros para empréstimos de pessoas físicas e empresas. A Caixa prometeu fazer o mesmo em 1.º de julho. O Banco do Nordeste anunciou mudanças no seu programa de microcrédito para pequenos empreendedores. No estímulo ao crédito para micro e pequenas empresas entrarão o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). O BNDES aplicará sua rede de parceiros tradicionais, passando a atuar com os municípios. (V.C. e L.A.O.)

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BB e CEF diminuem juros e facilitam as operações


26 de Junho de 2003 - Medidas tem como objetivo estimular o crescimento da economia. O Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal anunciaram medidas para incentivar o microcrédito e estimular o crescimento econômico. Entre as principais medidas adotadas pelo BB estão a criação de duas subsidiárias integrais para atuar em microfinanças, para a população do setor informal, e na administração de consórcios.

O BB terá novas linhas de crédito para incentivar as pessoas físicas e as pequenas empresas com juros baixos. Para as micro e pequenas empresas também está sendo implementado o Cartão BNDES para financiamentos de até R$ 50 mil e prazo de até 12 meses, com taxa de 1,96% ao mês.

A estimativa do BB é de que em agosto cerca de 30 mil empresas sejam atendidas com o novo cartão. Outro programa é o Proger Turismo que vai ter linhas de crédito para empresas com faturamento anual de até R$ 5 milhões, específicas para investimento e capital de giro em condições mais favoráveis aos empreendedores.

Na área de consórcios, o BB criará uma empresa específica que irá atuar nas modalidades de veículos, motocicletas, bens duráveis, máquinas e equipamentos agrícolas e rodoviários. A expectativa do BB é chegar aos 125 mil planos de consórcio em um ano, alcançando volume de R$ 300 milhões.

Outras medidas prevêem a ampliação do acesso ao mercado bancário, simplificação do processo de abertura de conta corrente e ampliação da rede de correspondentes bancários (lojas de varejo, supermercados e cooperativas), que devem incluir mais três milhões de pessoas no sistema bancário. Em operações de crédito com esse segmento, a expectativa é de realizar, ainda este ano, cerca de 30 mil empréstimos, envolvendo recursos de R$ 110 milhões.

A subsidiária integral de microfinanças para atender a parcela da população do setor informal da economia espera atender, até 2004, cerca de um milhão de pessoas. A nova empresa oferecerá produtos como conta eletrônica, aplicações em poupança, fundos, CDB, cartão de crédito, seguros e previdência. O BB aprovou também estratégia para fortalecer o relacionamento com as cooperativas de crédito, rurais e urbanas. Trata-se da implementação de Modelo de Negócios que privilegia a intensificação da relação de parceria.

Entre as principais medidas que serão adotadas pela CEF estão a liberação de recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e da própria instituição (no mínimo 2% dos depósitos à vista). A CEF vai simplificar a abertura de conta corrente e fornecer empréstimos a partir de R$ 200 com juros de 2% ao mês. A estimativa é de que pelo menos 500 mil pessoas devam ter acesso a essa linha de microempréstimos até o final do ano.

A partir de julho haverá a redução de juros de várias linhas de crédito. Também serão criados fundos para captar recursos privados que vão viabilizar a construção de projetos estruturados de desenvolvimento urbano. A CEF também vai criar vários correspondentes bancários.

Finanças & Mercados/Página B2)(de São Paulo

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Vereadores a um passo das férias

Câmara entra em recesso terça-feira, mas só se votar orçamento municipal
Pedro Motta Lima

Na sessão de ontem, vereadores ap