E N T R E L A Ç O S Testando cor de fundo
E N T R E L A Ç O S

Sábado, Julho 05, 2003




Luis Fernando Verissimo
06/07/2003


Momentos R

Epifanias" talvez não seja o termo adequado. "Epifanias" são momentos de graves transformações pessoais ou coletivas, que reencaminham a alma ou mudam a História. E estes são casos de pequenas surpresas que alteraram algumas vidas, mas não têm nada de bíblico ou de muito dramático. Pequenas epifanias, é isso. Ou talvez se possa chamá-los de Momentos R, de revelação. Aqueles momentos em que você, de repente, fica sabendo, se dá conta, saca, entende, e depois nunca mais é o mesmo. Todos nós já tivemos momentos assim.

A Vera, por exemplo, contou que o seu Momento R foi a morte do Walt Disney. Ela tinha seis ou sete anos e ficou muito chocada com a morte do criador do Camundongo Mickey e do Pato Donald, o homem que fazia (sozinho, na imaginação dela) aqueles filmes que ela adorava. Era como se tivesse morrido um parente, um tio ou um avô do tipo que conta histórias. O seu avô.

Mas a Vera ficou mais chocada ainda quando viu a mãe dar a notícia da morte do Walt Disney para o pai, quando este chegou em casa do trabalho ("Sabe quem morreu hoje?"), e o pai fazer um gesto de triunfo, com os punhos cerrados e os braços para cima, como fazia quando o seu time marcava um gol. Seu pai comemorando a morte do Walt Disney! Depois, notando a confusão da filha, o pai explicara que Walt Disney era um super-reacionário, um símbolo do colonialismo cultural americano, e outras coisas que a Vera também não entendeu.

E como era o pai que lhe comprava as revistinhas do Mickey e do Donald e a levava ao cinema para ver os filmes do Disney, ficou mais confusa ainda. Aquele fora o seu Momento R. Descobrira num golpe só que os pais tinham outra vida que disfarçavam dela e viviam numa certa confusão entre o ideológico e o prático (se a Vera só escovava os dentes com a escova do Mickey, importava tanto assim que ele fosse um agente do imperialismo?) e que ela, sem saber, era uma cúmplice do inimigo. Mas isso Vera só entendeu anos depois.

O que nunca esqueceu, o que marcou sua infância, o que até hoje lhe dá uma sensação esquisita quando leva os filhos para ver um desses filmes digitalizados americanos porque eles pedem tanto, é aquela cena: o pai comemorando a morte do Walt Disney como se fosse um gol do seu time, e depois tentando explicar. Durante muito tempo ela brincara com a idéia de que na verdade era americana, e não entendia por que seus pais adotivos odiavam tanto o seu povo.

O André conta que teve o seu Momento R no verão passado, quando encontrou a Marilene na praia - o primeiro encontro dos dois desde a separação - e, depois do papo meio constrangido mas amistoso, afinal tinham se amado loucamente durante muito tempo, ela disse "Então tchau" e virou-se e começou a se afastar e ele notou que a tatuagem nas costas dela, lá embaixo, perto do cócix, a tatuagem com a inicial do nome dele, com uma cobra enroscada no "A", que ela mandara fazer como prova de seu amor, como garantia de que o amor dela por ele seria eterno, de que nunca, nunca haveria outro - era outra! Em vez do "A" com a cobra enroscada, uma borboleta, ou coisa parecida.

Depois da separação, André se sentira culpado. Coitadinha da Marilene, o que faria com o "A" que mandara fazer para ele, só para ele, com tanto sofrimento? Como explicaria o "A" se namorasse um "B" ou um "C"? Nunca mais poderia usar um biquíni. E no entanto lá estava ela, de biquíni e com outra tatuagem. A primeira reação do André foi: "Coitadinha", outra vez. Como ela deve ter sofrido para tirar a tatuagem, pensou. Sofrera por sua causa de novo. Talvez tenha tido que fazer um transplante de pele, qualquer coisa assim.

Fora uma mártir da inconstância do amor. Sentira, literalmente na pele, a perfídia dos homens. E então André teve o seu Momento R. Claro! A tatuagem não era tatuagem, era mentira. O "A" com a cobra enroscada, prova de amor eterno, era um daqueles decalcos que apagam com o tempo ou com uma boa esfregada. O André conta que o que mudou dentro dele é que ficou mais descrente de tudo.

Mas confessa que também encarou a borboleta, ou coisa parecida, perto do cócix da Marilene como uma lição. Ele no fundo tinha um certo orgulho de macho de ter deixado sua marca cravada numa mulher, para sempre. Diz que a humilhação lhe fez bem. Assim no sentido de ser humano, entende?

Já a Dóris conta que teve seu Momento R quando leu em algum lugar sobre uma paisagem no Himalaia tão deserta, tão remota e tão escondida que só existia para os olhos de Deus. Nenhum humano jamais a vira ou veria, era uma maravilha presumida. E a Dóris, que andava meio cética, com cada vez menos razões para acreditar em Deus, teve a grande revelação. Era para isso que Deus existia! Para se deslumbrar com as paisagens escondidas do mundo. Para que nenhuma maravilha fosse desperdiçada. Deus como Turista Providencial! E recuperou a fé.

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David Coimbra
06/07/2003


Afinal, o que nos resta?

Éramos oito em torno à mesa. Descrevê-los-ei.

Ivan Pinheiro Machado, 51 anos, editor, separado. Homem que conhece a beatitude de um longo e feliz casamento e a dor do aparte. Tornou-se um niilista. Está sempre com uma frase curta e uma exclamação seca pendurada nos dentes:

- Tudo acabou!

Eduardo Delgado, 40, advogado. Está namorando. É de poucas palavras, mas profundas reflexões.

Sérgio Lüdtke, 42, jornalista, separado. Também namora e, como sua namorada é braba, nada declarou durante a noite.

Luís Fernando Gracioli, 36, jornalista, estado civil ignorado. Também conhecido como Professor Juninho. Trata-se de um coração empedernido, de uma alma gelada.

Atílio Romor, 38, casado, gerente do Lilliput, proprietário do Jazz Café. De tipos como ele, Millôr Fernandes já comentou: "Ah, o estranho fascínio do dono de bar...".

Régis Coimbra, 34, analista de sistemas. Namorando. Não por acaso, meu irmão.

Eu, 41, solteiro, jornalista, três antigos relacionamentos impressos a fogo nas coronárias.

Um homem casado que trai a mulher, 35. Sua identidade não será revelada nem sob o garrote vil.

Nossa missão: discorrer sobre o papel do homem nos modernos relacionamentos, descobrir, afinal, o que nos resta. Posta a pauta, o Ivan logo tascou:

- Nada nos resta. Tudo acabou!

- Nós já fomos ídolos, nós homens... - suspirou o Régis.

- É - concordou o Eduardo.

- Éramos os provedores do lar e, no sexo, o controle era nosso - lembrou, nostálgico, o casado que trai, para arrematar, amargo:

- Mas agora muitas delas ganham mais do que nós e fazem sexo a todo momento.

- A todo momento! - exaltou-se o Juninho. Em seguida, virou-se para o garçom: - Por favor, um rolmops.

Todos os demais:

- Rolmops?!? Que nojo!

- Blé - comentou o Eduardo.

- Rolmops é ótimo - argumentou o Juninho. - O problema do rolmops no Brasil é que aqui não é de arenque, é de sardinha.

- Olha só esse cara falando do problema do rolmops no Brasil - observou o Sérgio.

Pedimos filés.

- Hoje as mulheres saem mais do que nós - continuou o Régis.

- Saem aos bandos - testemunhou Atílio. - Aos bandos!

- Ih... - Eduardo balançou a cabeça, partindo uma batata sauté.

- Para onde vão essas hordas de mulheres? - quis saber o Ivan. - Para onde???

- Hoje elas exigem muito mais de nós - suspirou o Régis. - Os caras no velho estilo estão perdidos.

- Cornos em potencial - observou o Juninho.

- É preciso ser duro - ensinou o casado que trai. - A fórmula certa é: mulher e amante.

- Sou um monógamo convicto - propaguei, brandindo a caneta. - Um fiel!

- Mas os bonzinhos só se dão mal - ajuntou o Juninho. - Antes canalha que bonzinho.

- Isso é - ponderou o Eduardo.

- Que época horrível a que vivemos - balbuciou o Ivan, e levantou-se para ir ao banheiro.

- O que nos resta, então? - tornei. - O que nos resta???

Silêncio. Ouvíamos os chopes sendo engolidos. Aí o Atílio:

- Sei o que nos resta.

Olhamos para ele. Tinha a convicção pendendo de cada fio da barba de três dias. Todos queríamos saber o que nos resta. O quê??? Atílio baixou a voz. Falou, enfim:

- O romantismo.

Novo silêncio. O estranho fascínio do dono de bar...

- O romantismo... - repetiu o Sérgio, afinal.

- É mesmo - disse eu.

- É - meditou o Eduardo.

Trocávamos olhares de entendimento. O romantismo. De fato. O Ivan voltou do banheiro. Sentou-se. Sentiu que tínhamos compreendido algo, finalmente. Perguntou o que falávamos. Expliquei:

- O romantismo. O que nos resta é o romantismo.

Ivan engoliu o chope. E mandou:

- Elas estão se lixando para o romantismo. Tudo acabou!

E o Eduardo:

- Tudo acabou!

Certo o Eduardo, realmente, um homem de profundas reflexões.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Flagelo no Brasil
Assombrados pela fome



No miserável Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, a fome não é uma palavra da moda, mas uma realidade que se repete tragicamente há séculos. Acompanhe a incursão ao vale da fome (foto Ubirajara Dettmar, ABR/ZH)

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MEU AMOR

Meu amor é como a sombra
Que se esconde num canto
Meu amor é só pranto
É sentimento e dor
Assim é meu amor
Que me machuca tanto.

Meu amor é saudades
Que entristece minh'alma
É poesia calma
É desejo inconsciente
Que me invade de repente
E me destrinça em traumas.

Meu amor é apenas dor
Que se perde em meu peito
Meu amor já não tem jeito
De senti-lo totalmente
Pra um dia finalmente
Chamá-lo de amor-perfeito...



Vander - 02/01/99

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DESENCONTRO

É UMA DATA ESPECIAL...

MARIA quer algo de José.
Algo que demonstre que José a ama.
Ela espera ansiosamente tal gesto de amor.

JOSÉ é um homem bom e trabalhador.
Pensou no que agradaria à Maria.
Deu-lhe um ventilador.

Maria queria flores.
Ganhou ventilador
Expressou sua dor.

José não compreendeu.
Esperava alegria e sorriso
Recebeu um desagradável mau humor.

É SEMPRE ASSIM, pensam ambos...
Novamente NÃO SE CONVERSAM.

MARIA, na sua carência de amor, espera que da próxima vez
José satisfaça seus silenciosos desejos.
Gosta de ganhar presentes surpresa.
Perde a chance de explicar o que deseja.
É obrigação de José perceber o que ela quer.

JOSÉ não entendeu a frustração de Maria.
Honesto, responsável e dedicado marido,
No que foi que ele errou?
Não consegue falar a linguagem dos sentimentos.
Talvez nunca tivesse olhado no fundo dos olhos de Maria.

AMBOS SOFRERAM FUNDO, cada um, AS SUAS PRÓPRIAS CARÊNCIAS...

MARIA , por amor a José, continua esperando flores...
JOSÉ, por amor a Maria, continua trazendo ventiladores...

Dr. Içami Tiba
http://www.tiba.com.br

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A M O R E L

Alheio ao que se passava ao redor estava lendo uma história que começava assim: era uma vez um anjinho chamado AMOREL, muito distraído, que recebeu uma incumbência de Deus:- AMOREL, acabo de inventar os humanos. Eles estão classificados como homem e mulher, cada um tem seu par e já estão todos alinhados de par em par. Pegue esta bandeja de humanos e leve para que eles habitem a Terra.

Mais que depressa Amorel que ficou muito contente pois, há muito tempo, o Senhor não o chamava para tão nobre trabalho pegou a bandeja e ao virar uma esquina lá no céu, trombou com uma anjinha chamada Amanda. A bandeja voou longe, e todos os casais de humanos se misturaram.

O pânico tomou conta de Amorel e Amanda. Ficaram desesperados e foram contar para Deus o ocorrido e o Senhor falou:- Vocês derrubaram, vocês juntarão! Porém, parece que Deus se esqueceu que os anjinhos eram distraídos. E é por isso que a cada dia os casais se juntam e se separam. Os dois anjinhos, trabalham incessantemente para que os casais originais se encontrem.

Realmente o trabalho dos dois é muito difícil, tanto é, que por muitas vezes eles juntam casais errados, pois os humanos espalhados ficam inquietos e cobram o serviço dos anjinhos, o tempo todo. Quando os humanos se mostram muito desesperados, os anjinhos unem dois desesperados, mas logo depois percebem o engano e os separaram, e por muitas vezes, esta separação é brusca, pois não se tem tempo a perder.

E assim dia desses, eu recordo, recebi um bilhete dos dois anjinhos e estou mandando para você agora: " Se você é um humano, queremos pedir desculpas pela nossa distração, pois errar não é só humano! Estamos trabalhando com empenho, porém, sempre contando com a ajuda de vocês. Não se desesperem mas também, não se isolem. Tentem se mostrar realmente, quem é cada um de vocês, pois a medida que cada um mostrar o que é de verdade, vai tornar o nosso trabalho mais fácil.

Lembramos e aproveitamos a oportunidade, para nos desculpar pelas separações abruptas, sabemos que elas geram muito transtorno, mas se nós o separamos de alguém, é por que em algum canto neste vasto universo vimos alguém bem mais parecido e por isso precisamos isolá-los para facilitar o encontro".

Fiquem com Deus.

Tenham um ótimo fim de semana.

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A m u a d o

Estou ficando cansado dos embates, a maioria áridos e poucos férteis, dos que pululam ululando com um zunido infernal, e daqueles mais calados, escrotos, dissimulados.

Não quero nem saber das pessoas que polemizam sobre pulgas ou sobre nadas, sobre conceitos ou livros, filosofias, poesias, coisas modernas e antigas, bichanos, religiões, ratos, cavalos e patos, e também politicagem, cocô-disso ou daquilo, gente encastelada, fingida, enclausurada.

E ainda dos libertos que mais parecem cativos, dos que varam a madrugada importunando o juízo de quem tem e quem não tem. Essas coisas me entristecem não tanto porque não goste, nem também por ojeriza vez que umas me apetecem e até me estimulam.

O diabo é que tomam o tempo daquela criatura meio-moça meio-pétala que se envolve aguerrida em cada combate desse como se fosse uma guerrilha, e se exaure, se aborrece, chora, xinga e até ri.

Porque no fim eu sei que roubam dela momentos que eram para mim.

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Vou expirementar contar uma historinha do fim para o começo. Quem sabe dá certo, acompanhando as figuras daqui para a frente. Esqueci de desejar uma boa noite de sábado, o melhor: uma ótima noite.

Sou eu


Vez em quando fracasso nos meus intentos,
erro o alvo, derrapo nas sutilezas do humor, e me estrepo.

Miro e disparo ironias para frente, que mal direcionadas
passam longe do alvo ou acertam onde não deviam...

Mal dosadas, entopem o cano e quem explode é a culatra.
E aí, meu amigo, quase sempre quem sai chamuscado sou eu.

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Diogo Mainardi
A bomba do boi-bumbá

"Eu gostaria que Lula esclarecesse que ensinamentos os intelectuais podem tirar do boi-bumbá. Aliás, nem sei o que é um intelectual para Lula, se é um catedrático petista da USP ou simplesmente alguém com o ginasial completo"

Em Parintins, Lula ironizou os intelectuais dizendo que eles tinham muito a aprender com a festa do boi-bumbá. Uma semana antes, já havia reclamado que os intelectuais se aposentam aos 53 anos, enquanto os cortadores de cana precisam trabalhar até os 60. Antes de assumir o poder, Lula gostava de se cercar de intelectuais. Agora mudou. Debocha deles.

Dois intelectuais compareceram à festa do boi-bumbá deste ano ¿ Luis Fernando Verissimo e Zuenir Ventura. Ambos lulistas, por sinal. Foram convidados pelo guaraná Kuat, o principal patrocinador do evento. Assistiram aos desfiles no camarote do Kuat Clube, trajando camisetas Kuat, e, da mesma forma que as menos intelectualizadas Joana Prado e Samara Filipo, puderam usufruir as comodidades da ilha do Kuat e do iate Kuat. É uma prova de que os intelectuais são bem menos abestalhados do que Lula imagina. Se fossem tão abestalhados assim, pagariam suas viagens do próprio bolso.

Pelo que consegui entender, o boi-bumbá funciona como os desfiles das escolas de samba, só que há apenas dois blocos, Caprichoso e Garantido, e o enredo é sempre o mesmo, ano após ano. Baseia-se numa lenda local. A mulher grávida do negro Francisco deseja comer uma língua de boi. O negro Francisco sacrifica o boi predileto de seu patrão para satisfazer a mulher. O patrão fica contrariado e manda matar o negro Francisco, que foge para o meio do mato e pede ajuda a um pajé. O pajé ressuscita o boi, e tudo termina em festa. Eu gostaria que Lula esclarecesse que ensinamento os intelectuais podem tirar dessa história. O único que eu consigo tirar é que o povo é infinitamente estúpido, mas não creio que o presidente se referisse a isso. Aliás, eu nem sei o que é um intelectual para Lula, se é um catedrático petista da USP ou simplesmente alguém com o ginasial completo.

O fato de os intelectuais se aposentarem aos 53 anos também não me parece escandaloso. Lula, que não é um intelectual nem nada, conseguiu uma barganha ainda melhor, aposentando-se aos 50 anos, com rendimentos especiais. Muito mais justo do que comparar os intelectuais aos cortadores de cana teria sido compará-los aos usineiros. O governo prometeu investimentos de 550 milhões de reais para a estocagem de álcool. Além disso, os usineiros do Nordeste pleiteiam 500 milhões de subsídios, um pouco mais do que embolsaram no ano passado. Os brasileiros plantam cana há 500 anos. Nada mudou de lá para cá. Ainda fazemos queimadas, ainda usamos mão-de-obra escrava, ainda embriagamos os pobres com aguardente de má qualidade, ainda surrupiamos o dinheiro público.

Nos anos 60, quando a economia chinesa começou a afundar, Mao lançou a chamada campanha de reeducação, em que os intelectuais eram ridicularizados em público e mandados para trabalhos forçados no campo. Lula não é Mao. Ele pode achar que existe mais sabedoria no boi-bumbá do que em Aristóteles, mas nunca vai mandar os intelectuais cortar

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Um terço das espécies marinhas sob risco.

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MODA
Frente quente

O MAM volta a ser palco do grande espetáculo que é a moda. Luxo, praia e bom humor: mistura de estilos brilhará na passarela carioca. O DIA terá estande para convidados. O Fashion Rio mostrará, de segunda até sexta-feira, o que nossos estilistas criaram para a primavera-verão 2004. São 29 grifes do Rio, Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Colômbia ,em 25 desfiles que prometem transformar a cidade numa imensa passarela.
Flávia Motta



Está chegando a época que o carioca mais gosta e o primeiro anúncio disto é o início, segunda-feira, no MAM, da edição primavera-verão do Fashion Rio, semana de moda da cidade. Serão 29 grifes desfilando, 150 marcas participando na Fashion Business e 39 designers e ateliês expondo no Jóia Brasil. Estou bastante animada. A moda está dando um belo exemplo de esperança e uma prova da força do Rio de Janeiro, diz Eloysa Simão, da Dupla Assessoria, organizadora do evento.

Pelas passarelas vão desfilar o luxo de Sta. Ephigenia e Carlos Tufvesson, o frescor de Marcelo Di Santis e Casa de Noca, o estilo balneário da Sandpiper e Totem e a moda-praia de Salinas, Lenny e Blue Man, entre outras marcas. Marcelo Di Santis tem a missão de agradar como em seu desfile de estréia. Vai ter um bloco mais austero e outro mais lúdico, com muito tomara-que-caia e costas nuas, diz ele, que continua apostando na geometria. Sílvia De Bossens promete um clima de programa de auditório no desfile da Casa de Noca. Me inspirei num programa inglês dos anos 60, adianta. A Complexo B também vai dar um toque divertido à passarela. Vou mostrar o Mister Brasil, uma brincadeira com o concurso de miss, adianta Beto Neves.

A arquitetura de Milão influiu na coleção de Carlos Tufvesson. Ela vem bem geométrica, mas suave, vaporosa, explica o estilista que faz o contraste do glamour com a praticidade de uma linha jeans que, dessa vez, vai além das calças. A Sta Ephigênia aposta na mistura de alta-costura e favela, com direito a jóias exclusivas criadas pela designer Francesca Romano. Vai ter muita cor, formas rebuscadas e peças elaboradas, anuncia Marco Maia, um dos estilistas da grife.

Queridinha das adolescentes praianas, a Salinas se inspirou nelas para a nova coleção e fez concurso em busca de uma que representasse bem a marca. Morena de olhos azuis, a estudante Luiza Ferreira Lessa, 15 anos, foi escolhida estrela do desfile que vai ter mais uma vez o Rio como pano de fundo. É minha marca registrada, justifica a estilista Jacqueline Di Biase. Na moda praia chique, Lenny Niemeyer elaborou uma coleção inspirada em alto-mar. É superclean, para uma mulher que pode estar em qualquer balneário. Que anda de barco sem ser perua, conta ela, que apostou na estampa de listras navy em tons suaves, como rosa claro e gelo. E, embora os holofotes dos desfiles em São Paulo chamem sua atenção, Lenny não pensa em fazer sua marca cruzar a ponte-aérea.O Rio é verão e os lançamentos têm que ser aqui.

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Bom quase que vira necrofilia tudo o que eu tinha no meu winchester. Por uma série de vezes achei que seria melhor recomeçar do zero. Mas enfim, o bom senso ainda prevaleceu, embora passsasse a noite instalando e desinstalando drives, windows e navegadores. Sim porque só o internet explorer não é suficiente, ciclicamente dá pau.

Talvez quando sair o 7 as falhas existentes sejam corrigidas, mas até lá, com certeza ainda reinstalarei "v" vezes o dito cujo.

Bom, mas aproveito a crônica já que fala de arte para desejar um bom fim de semana, que o meu, com certeza, já está comprometido. Fazendo back up e outras tarefas, para não estar de calças curtas, outra vez que der estas panes, aliás comum, o admirável seria se não dessem.

Ricardo Silvestrin
05/07/2003


A necrofilia da arte

Esse é o título de uma música cantada pelo Pato Fu. Fala da adoração por artistas que morrem. Camisetas do Bob Marley, pôsteres do John Lennon... Uma vez vi um show do Caetano em que ele falou justamente sobre isso. Fazia pouco tempo que tinha morrido o poeta Paulo Leminski. Caetano introduziu a sua homenagem ao poeta curitibano falando que tinha horror a essa coisa de culto e supervalorização um tanto mórbida de um artista quando morre. Em seguida, ele cantou Verdura, música do Leminski gravada no disco Outras Palavras: "De repente me lembro do verde/ da cor verde a mais verde que existe..." e por aí vai. Mesmo criticando, Caetano não conseguiu deixar de fazer a sua adoração necrófila. Não dá pra lutar contra o luto.

Esse mesmo Leminski teve inúmeras parcerias com o Itamar Assunção, o compositor e cantor que morreu há poucas semanas. Uma delas: "Um homem com uma dor/ é muito mais elegante/ caminha assim de lado/ como se chegando atrasado/ andasse mais adiante/ carrega o peso da dor/ como se portasse medalhas/ uma coroa um milhão de dólares/ ou coisas que os valha/ ópios edens analgésicos/ não me toquem nessa dor/ ela é tudo que me sobra/ sofrer, vai ser minha última obra". Esse poema/letra do Leminski foi musicado pelo Itamar, e muitas pessoas mais chegadas a ele associaram o câncer que teve e que o levou recentemente a essa dor do poema do amigo. Quase uma dor solidária.

Itamar esteve ligado a uma série de artistas que buscaram fazer uma arte de invenção. Um de seus companheiros de geração, Arrigo Barnabé recolocava na roda um ensaio em que Caetano dizia que era preciso retomar a linha evolutiva da música brasileira. Da bossa nova, essa linha desemboca no Tropicalismo. Arrigo pretendeu evoluir o Tropicalismo introduzindo elementos da música de vanguarda, como a dodecafonia. É contemporâneo deles o Grupo Rumo, de São Paulo. Um dos integrantes do Rumo, o compositor Luiz Tatit escreveu um livro chamado A Canção. Nele, tem uma parte bem legal em que Tatit discorre sobre o canto. Mostra que tudo é fala.

Contudo, tem cantores que disfarçam mais esse fato, a ponto de esquecermos que ele está falando. Tem outros que disfarçam menos. Moreira da Silva, por exemplo, inventor do samba de breque, de repente pára a cantoria no meio da música e fala um trecho, como quem parou pra lembrar que tudo é fala. O trabalho do Rumo e do Tatit sempre transitou por essa lâmina entre o falar e o cantar. A Ná Ozzetti, que esteve aqui esses dias, é especialista nessa arte.

Fazer arte de invenção requer na maioria das vezes informação sobre o que se fez antes da gente e sobre a estrutura criativa que corre por baixo do que se cria. Não é criar no escuro, mas com um projeto estético que se vai delineando, com um pé na intuição e outro na ciência. A ciência da arte. A morte de Itamar, espero, não seja parte da morte desse tipo de sensibilidade. A morte, meus amigos, é o lado dã de Deus.

ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

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Lya Luft
05/07/2003


Algo além da manada

Não tenho nenhuma receita, nenhum facilitador para se entender a vida: ela é mistério mesmo. O que eu tenho - e sobre isso escrevo sempre - é a esperança de que no desenho por vezes absurdo da existência haja tramas de afeto, pontos de criatividade, explosões de pensamento ou ação que nos justifiquem enquanto seres humanos.

Tenho o otimismo, tenho talvez a ingenuidade de acreditar que tudo faz algum sentido, e que nós precisamos descobrir ou inventá-lo. Qualquer pessoa pode construir a sua "filosofia de vida". Qualquer pessoa pode acumular vida interior. Sem nenhuma conotação religiosa, mas ética: o que valho, e os outros, o que valem para mim? O que estou fazendo com a minha vida, o que pretendo com ela?

Ninguém foge do perigo de passar seu tempo numa superficialidade melancólica. Estamos tão integrados na correria generalizada, que vendo uma criança quieta - talvez sentindo o milagre do mundo ao seu redor - nos preocupamos: "Anda muito quieta, deve estar doente". Ou quando um amigo está mais calado, deduzimos: "Está deprimido. Um prozaczinho viria bem".

No entanto, é essa capacidade de refletir, ou de simplesmente aquietar-se para sentir, que faz de nós algo além de cabides de roupas ou de idéias alheias. Sempre foi duro vencer o espírito de rebanho, mas esse conflito se tornou quase esquizofrênico: de um lado precisamos ser como todo mundo, é importante adequar-se, ter seu grupo, pertencer; de outro lado é necessário preservar uma identidade e até impor-se, às vezes transgredir para sobreviver.

Discernir e escolher fica mais difícil, porque o excesso de informações nos atordoa, a vertiginosa troca de mitos nos esvazia, a variedade de solicitações nos exaure. Para ter um relativo controle de nossa vida é necessário descobrir quem somos ou queremos ser - à revelia dos elos generalizantes. Dura empreitada, num momento em que tudo parece colaborar para que não se pense demais, mas se aceite um mundo de idéias e modelos prontos para servir. Pensamento independente passou a ser quase excentricidade, quando não agressão. Família, escola e sociedade deviam desenvolver em todos o distanciamento crítico e a capacidade de avaliar - e questionar - para poder escolher.

Mas, embora a gente se pense tão moderno, não é o que em geral acontece. Alunos (e filhos) questionadores podem ser um embaraço. Preferimos nos distrair: as compras, as férias, o shopping, o bar. É como nos tornamos membros da vasta seita da mediocridade, que cultua o mais fácil, o mais divertido, e abafa qualquer inquietação maior.

Por sorte nossa, aqui e ali no fundo de cada um aquele olho da angústia mais saudável entreabre sua pesada pálpebra e nos encara irônico: como estamos vivendo a nossa vida, esse breve sopro... quanto valemos, quanto decidimos ou somos tangidos, e o que pensamos realmente de tudo isso - quando por acaso pensamos?


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Paulo Sant'ana
05/07/2003


Vivo ou morto

A soma que os Estados Unidos oferecem de recompensa para quem denunciar o paradeiro de Saddam Hussein é irresistivelmente sedutora: US$ 25 milhões.

São três Mega Senas destas que correm hoje. Por uma tal fortuna, ninguém deixará de denunciar Saddam.

Um teste com o leitor desta coluna: se você soubesse onde se encontra Saddam, não ia correndo atrás da recompensa?

Ou uma encrenca ainda maior. Não se você fosse irmão ou filho de Saddam, mas, se fosse primo dele, iria denunciá-lo para ganhar esta fortuna?

Evidentemente que uma oferta feita assim é séria e será paga mediante o compromisso do pagador de não revelar a identidade do recompensado. E para ganhar o dinheiro não precisa apontar o lugar em que Saddam se refugia, se mostrar indícios veementes de que o ex-ditador está morto, põe a mão na bolada.

Esse tipo de recompensa é quase fatal para a pessoa procurada: até os mais fiéis amigos balançam e acabam fazendo a denúncia.

O que impressiona neste caso é a forma eficaz com que Saddam evaporou-se. Não tem explicação que um homem da sua celebridade consiga assim safar-se da grande enrascada em que se meteu, desaparecendo completamente.

Ainda mais espanta o vazio completo sobre qualquer notícia sua o fato de que seus dois filhos, suas noras e seus netos com certeza se encontram junto dele, ilesos e indenunciáveis.

Como é que se some assim um clã tão famoso? Evidentemente que há algum governo encarregado de assim escondê-lo, só um aparato oficial, com poder imenso, pode assim dar sumiço a todo o estamento de Saddam e de Bin Laden.

Deve ser este o maior receio dos EUA: o de que, passado algum tempo, Saddam e Bin Laden resolvam partir para um surto terrorista, apoiados por seus atuais acobertadores.

O leitor Válter Vieira, de Passo Fundo, imita outros que me enviam correspondência protestando pelo fato de que o aumento nos telefones está sendo contestado na Justiça e acabou alvo de grande clamor popular, enquanto há pouco tempo a energia elétrica teve aqui no RS um aumento de 28,40%, a Corsan aplicou 29,06% de reajuste na conta da água e não mereceram o mesmo tratamento das entidades que agora ajuizaram contra as telefônicas.

Eu explico da seguinte forma: é que a sociedade resolveu só agora reagir a esses aumentos desproporcionais, o dos telefones foi a gota d'água.

Percebam os leitores que esta coluna foi a primeira voz a juntar os tarifaços na energia elétrica e na água a esse dos telefones. Têm a mesma gravidade.

E como a Corsan e o Dmae foram pioneiros nesse tipo de tarifaço, está provado que ele não provém só da iniciativa privada, os órgãos públicos têm o mesmo vezo de aplicarem aumentos descomunais em seus preços.

Todo mundo quer tirar um grande naco do indefeso orçamento popular.

Se a Justiça não atender a esses justos reclamos do povo, tudo estará perdido.

Aumentou agora o número de inscritos para o concurso de gari no Rio de Janeiro. Já são 130 mil os que vão concorrer às vagas para lixeiro da prefeitura.

Esta crise brasileira está convertendo todos os valores. Há determinadas manifestações populares que contrariam totalmente o bom senso e as normas tradicionais.

O povo está enlouquecendo: 130 mil pessoas, entre elas muitas com curso superior, vão correndo se inscrever num concurso para lixeiro e 50 mil pessoas lotam o Beira-Rio para ver o Inter ganhar do 15 de Campo Bom.

As multidões estão correndo atrás de coisas pequenas.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Violência
Medo impede recreio em escola



Devido ao assédio de traficantes, alunos de colégio de Rio Grande estão proibidos de sair ao pátio (foto Flávio Neves, especial/ZH)

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Bom continuo com problemas ainda no computador, não poderia ser uma ilha inatingível, não é, mas ainda resolvo em breve.


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Sexta-feira, Julho 04, 2003




Modelo do BB Popular já está definido

Brasília, 4 de Julho de 2003 - Uma rede de quatro mil correspondentes bancários será montada para o funcionamento do Banco Popular do Banco do Brasil que, no próximo ano, deverá atender a 1 milhão de pessoas. Os recursos permitem muito mais do que isso. São R$ 2 bilhões disponibilizados pelo governo ¿ valor equivalente a 2% do montante de depósitos à vista do BB recolhidos ao Banco Central de forma compulsória.

O coordenador de implantação do BB Popular, Ivan Guimarães, acredita que em 90 dias poderá iniciar as experiências-piloto do banco (uma S.A. de capital aberto, subsidiária do BB). Nesse período, em que está estruturando as operações, espera a análise da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a autorização do BC para o funcionamento. Guimarães, ex-secretário de Trabalho do Distrito Federal na gestão de Cristovam Buarque, foi diretor do Banco de Brasília (BRB).

Para o BB, aplicar os recursos a 2% ao mês é um bom negócio, pois passará a obter remuneração por um dinheiro que atualmente não tem rentabilidade nenhuma. Guimarães pondera que a taxa pode não ser a ideal para o público de baixa renda. "Mas o custo, em torno de 30% ao ano, ainda é muito inferior aos 175% e até 300% ao ano que eles pagam atualmente".

A atuação do BB Popular será voltada principalmente para os trabalhadores informais de centros urbanos, em cidades grandes e médias. "O meio rural já é atendido pelo Pronaf", observa Guimarães. As operações de crédito não serão necessariamente voltadas para a produção. Podem atender a necessidades eventuais de complementação de renda, como para a compra de remédios ou outros bens. Também serão oferecidos outros serviços: planos de previdência, títulos de capitalização e cartões de crédito.

A operacionalização se dará exclusivamente por meio eletrônico e com um quadro de pessoal, em torno de 50 pessoas, formado por funcionários do BB. O número de correspondentes bancários, de 1.800 atualmente, será parcialmente utilizado - e será ampliado em mais quatro mil, entre farmácias, pequenos supermercados, lojas de materiais de construção.

Guimarães disse ter visitado vários países para conhecer outras experiências de banco popular. Mas nenhuma será copiada, afirmou. "Temos características muito próprias, de um País altamente industrializado e concentrador de renda", frisou. O estudo do banco popular levou mais de dois anos e agora "chegou o momento de botar o bloco na rua".(Finanças & Mercados/Página B1)(Regina Pires)

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Nossa Caixa finaliza pacote para o microcrédito e conta simplificada

Maria Christina Carvalho, De São Paulo

O Banco Nossa Caixa, do governo paulista, está dando os últimos retoques em um pacote de iniciativas de barateamento do crédito popular. A partir de segunda-feira, o banco estenderá a linha de crédito com desconto em folha (em consignação) aos 560 mil funcionários públicos municipais do Estado de São Paulo. A linha já existe para os 1,131 milhão de funcionários públicos estaduais, ativos e inativos, e totaliza uma carteira de R$ 1,307 bilhão. Ao mesmo tempo, o banco está reformulando a conta corrente simplificada de baixo custo que já possui e estudando a adaptação das suas operações do microcrédito às novas regras anunciadas pelo governo federal.

O presidente da Nossa Caixa, Valdery Albuquerque, participou ontem da reunião do governo com sindicalistas para estudar estímulos ao crédito em consignação. Para Albuquerque, a iniciativa é muito boa para ampliar o crédito em geral, além de baratear o custo do dinheiro para o trabalhador formal. Ele calcula em cerca de 20 milhões o número de trabalhadores com carteira assinada, que poderão ter crédito com desconto das prestações em folha.

A linha da Nossa Caixa, chamada de Banco do Funcionário Público, o total de R$ 1,307 bilhões está distribuído em 320.258 contratos, com um valor médio pouco acima de R$ 4 mil. Desse total, a maior parte é crédito pessoal: R$ 1,261 bilhão em 292.837 contratos. Nas operações com prazo de pagamento de dois a 12 meses, a taxa mensal é de 3,20%. Na mesma Nossa Caixa, o cheque especial custa mais do que o dobro, 6,85% ao mês.

Albuquerque afirmou o banco também entrará na oferta do crédito em consignação para empresas privadas e espera agora a regulamentação desse tipo operação, que terá também limites máximos de prestação, provavelmente de 30% do pagamento.

No microcrédito, a Nossa Caixa já atua em 285 municípios com recursos oficiais no Banco do Povo Paulista, regulamentado em 1998. O Banco do Povo Paulista já emprestou em sua história cerca de R$ 100 milhões. Tem patrimônio de R$ 53 milhões, 42 mil operações ativas, com um valor médio de R$ 2,6 mil, e um saldo de R$ 11,3 milhões disponíveis para emprestar. A inadimplência acima de 60 dias é de 4% e o juro mensal, de apenas 1%.

Albuquerque afirmou que é possível cobrar juro tão baixo porque o dinheiro é oficial, vem do Tesouro paulista, e a estrutura de distribuição e de aprovação do crédito, as mais baratas possíveis. Mas, acrescentou, em uma estrutura normal como a que vai vigorar na nova linha de microcrédito, para a qual os bancos terão de canalizar 2% dos depósitos à vista, não será "adequada" a taxa de 2% ao mês que foi estipulada pelo governo.

No Banco do Povo Paulista, órgãos executivos dos 285 municípios envolvidos participam da operação, atuando nos comitês de crédito junto com representantes das secretarias da Fazenda, Trabalho, Planejamento e do banco. O poder público local acompanha a aplicação do dinheiro e assessora o tomador, condição que Albuquerque considera importante para que os recursos sejam realmente destinados a microempreendimentos para gerar renda e não para o consumo. O valor máximo é de R$ 5 mil e o prazo, de 18 meses.

Já na nova linha, disse o executivo, haverá custos de distribuição, despesas administrativas, exigências de capital e provisões que acabam pesando, especialmente em operações de pouca monta (o valor máximo será de R$ 600,00). Ele lembrou que as operações de penhor, uma das formas mais baratas de crédito e com garantia real, cobram a taxa média de 3%. "Temos que encontrar uma estrutura de distribuição que minimize eventuais perdas", disse Albuquerque.

Além disso, a Nossa Caixa vai estudar como o Banco do Povo Paulista pode ser enquadrado no Programa de Incentivo a Projetos Sociais (PIPS). "O banco paulista não deixa de ser um fundo de direitos creditórios", afirmou o presidente da Nossa Caixa.

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Cazuza em nova identidade




Posto 9, Ipanema. Cazuza curte a praia com o cachorro Wanderley e os amigos Bebel Gilberto e Maneco, quando conhece Malu, que lhe pede para acender um cigarro de maconha. A cena aconteceu quarta-feira perto do point freqüentado pela turma do cantor na década de 80, e foi a primeira externa do longa-metragem Eu Preciso Dizer Que Te Amo, sobre a vida de Cazuza. No filme dirigido por Sandra Werneck, Daniel de Oliveira encarna Cazuza (com impressionante semelhança), Andréa Beltrão de madeixas alongadas vive Malu (1), André Gonçalves é Maneco e Leandra Leal, Bebel Gilberto (2). Nos bastidores, o clima era pra lá de amistoso. André chegou a atacar de massoterapeuta em Leandra, e eles aproveitaram o dia de sol em pleno inverno para entrar no mar. Ontem, foram rodadas num condomínio da Lagoa as cenas em que Cazuza completamente bêbado faz um dos primeiros shows do Barão Vermelho e acaba discutindo com a platéia. O longa estréia em 2004.



MARCELO ANTONY e Malu Mader foram os DJs da festa no Espaço Nivea Arte (foto), quarta-feira, na São Paulo Fashion Week. Os atores ferveram a pista de dança, onde se esbaldaram Mariana Weickert e Luciana Mello.



RODRIGO SANTORO não vê a hora de seu filme de estréia em Hollywood, 'As Panteras Detonando', chegar ao Brasil, dia 11. Segunda-feira, o ator contará detalhes sobre o vilão Emmers num encontro com a imprensa no Hotel Sheraton Barra, e às 22h, assistirá à première do filme no Cinemark Downtown. E a panteramania continua. Pegando carona no sucesso do filme nos EUA liderou o ranking no fim de semana, arrecadando US$ 38 milhões e em outros 43 países, a Globo exibe segunda-feira o primeiro filme da série sem Rodrigo, claro , rodado em 2000.

NELSON FREIRE será homenageado como o Destaque da Música dia 31 no Copacabana Palace. O título será dado ao pianista pela Academia Nacional de Música. E o documentário que leva seu nome atingiu a marca de 50 mil espectadores.

BRUNO GARCIA e Marcelo Saback serão barmen terça-feira, no Galeria Café, em Ipanema. Os atores participam da festa Estrelas Mudam de Lugar, que contará ainda com Daniel Boaventura nas carrapetas.

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Bom hoje é dia da Independência Americana July, 4. E a França é a que está mais ressentida pelo protesto americano ainda decorrente de sua não participação na guerra do Iraque. Primeiro porque os americanos não estão mais indo para a França. Segundo porque o intercâmbio de jovens franceses para os Estados Unidos está decadente: nenhuma família americana quer hospedar mais, jovens franceses. Acho que eles estão tendo o retorno da escolha que fizeram.

José Simão
simao@uol.com.br


Fashion Bicha! A tendência é bunda de fora!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E a situação tá tão braba que olha a placa de um vendedor: 'Churrasquinho do Ceará, de gato siamês criado na ração; nunca comeu um rato'. E diz que no jogo todos os argentinos gritavam: 'Boca! Boca!'. E o Maradona: NARIZ! NARIZ! E um amigo meu tomou Viagra e lá pela terceira bimbada, a namorada reclamou: 'Tá ótimo, mas eu tô achando ele meio inexpressivo'. Inexpressivo? É viagra ou botox? Tome Viagra e fique com pingolim de botox!

E essa notícia: 'Sheila Mello ajuda deficientes visuais'. Já sei, vai lançar a bunda em braile. E a Heloísa Helena ficou CONTRAriada? Aliás, e aqueles que tão com pena da Heloísa Helena? Tá com pena? Leva! Leva pra casa! E diz que a situação tá tão braba que o programa da moçada lá na cidade de Salto é passear no supermercado: 'Dá um rolê no Champion!' E eu só saio sábado à noite se for pra trabalhar de flanelinha. E já tem gente pagando o cartão no cartão. Você liga pro Mastercard: 'Aceita Visa?'. E aí liga pro Credicard: 'Aceita American Express?'.

E o aumento do telefone? Eu já disse que as telefônicas vão reajustar até mensagem do Chico Xavier. E uns ladrões invadiram a casa dum cara e ele gritou: 'Pode levar as jóias, os dólares'. E os ladrões: 'Nada disso! Passa o telefone que a gente só tá querendo fazer umas ligações'. E o Zé Scafi de Piracicaba tem uma sugestão: telefone de latinha. Lembra daquele telefone com duas latinhas e um fio? Celular Latinha. Modelos Jurema e Leite Moça!

E eu vou apelar pro motoboy, motoboy é mais barato que telefone. Sinal de fumaça e tambor: Bum bum bum vamos sair hoje? Bumbubum tô duro acabei de pagar o celular. E posso fazer uma pergunta bem imbecil? Por que as telefônicas foram privatizadas? Pro telefone ficar mais barato!

Fashion Bicha Urgente! O Amir Slama desbundou. A Rosa Chá desfilou biquínis com a bunda de fora. Ar condicionado natural. Ar ecológico! Agora é só resolver se você fica de frente pro mar e de costas pra galera ou vice-versa. A tendência é bunda de fora. Moral da moda praia: o importante não é ser mulher, o importante é ter bunda! Rarará! E a Carla Perez vai usar que tamanho? GG? Extra large. E comprar biquíni de bunda de fora é pagar pelo pano que não tem. Rarará. É mole? É mole, mas sobe!

E atenção. Cartilha do Lula. Mais um verbete do óbvio lulante. 'Pulula': mimo pro presidente! Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! UFA!

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Paulo Sant'ana
04/07/2003


Gari é cargo de elite

Se alguém quiser saber como está a situação econômico-social no Brasil, pode ter uma visão ampla da nossa realidade ao deparar com o número de inscritos para o concurso de gari no Rio de Janeiro: 102 mil pessoas.

É evidente que, para cada uma dessas pessoas que vão atrás de um emprego de lixeiro na prefeitura do Rio de Janeiro, existe uma outra que já procurou um outro meio de sobrevivência: o crime.

É catar lixo ou trabalhar para o tráfico de drogas ou investir no assalto.

O prefeito César Maia declarou que dois fatores levaram à inscrição de mais de 100 mil pessoas para o concurso de gari: o desemprego e o fato de que a colocação de lixeiro na capital carioca é um bom emprego.

Cá para nós, é um emprego digno, mas não é um bom emprego.

Ou melhor, para quem não tem emprego no Brasil de hoje, o emprego de lixeiro é um excelente emprego.

Lixeiros viraram elite.

Antigamente se dizia no Brasil que alguém tinha de ser lixeiro. Ou seja, em qualquer sociedade cabe a algumas pessoas exercitar as tarefas mais rudes ou insalubres.

Isso se dizia porque raras pessoas na sociedade se dispunham a ser lixeiros. Só os desesperados, os completamente sem horizonte profissional se apresentavam para a tarefa.

Há pouco tempo, havia dificuldade para selecionar lixeiros em Porto Alegre. Tanto que grande parte dos garis era buscada em empregadas domésticas a quem atraía o serviço público.

Mas agora não dá para dizer mais que alguém tem de ser lixeiro. Virou uma honra e um privilégio ser gari.

Uns 500 vão conseguir o emprego neste concurso. E os outros 101.500 vão olhar com inveja para os escolhidos.

Esses dias abriram um concurso para coveiro num município brasileiro e se apresentaram 29 mil candidatos.

Está de tal sorte o desemprego que, houvesse no Brasil a pena de morte, milhares de pessoas se apresentariam para ocupar o cargo de carrasco.

Entre morrer de fome, enterrar os que morrem de fome ou matar os condenados, há pessoas que optam ou optariam por ser coveiros ou carrascos.

Não admira, pois, que milhares de pessoas se inscrevem no Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e se dispõem a acampar à beira de estradas e fazendas com seus filhos, expostos ao frio e à chuva, às vezes instados a percorrer centenas de quilômetros em marchas exaustivas, em troca apenas de duas refeições diárias e na esperança de conseguirem um pedaço de terra ao qual muitas vezes não saberão que destino dar.

Cada dia cresce o número de pessoas que se alistam no MST. E, paralelamente a essa marginalização das pessoas mais humildes, cresce a aflição das pessoas que estão empregadas ou aposentadas, impossibilitadas de se arregimentarem para aumento de suas parcas remunerações pela ameaça de que se tornem desempregados e terem de se inscrever num concurso para gari ou integrar o MST.

É bárbara a crise brasileira. Não tem igual em toda a história da República. Este momento que vive o país é delicadíssimo.

Porque legiões de brasileiros já resolveram fazer uma revolução em suas vidas, aderindo à criminalidade, que ainda não é uma opção, mas existencial. Não será política?

O que se teme é que as multidões de deserdados resolvam partir para uma rebelião com tintas políticas.

Estes 102 mil inscritos no concurso de gari no Rio se constituem numa tragédia, num libelo e numa ameaça.

Falta um centímetro para o fundo do poço.

E o Internacional se sagrou ontem, com justiça, e adequadamente para a miserabilização gremista, bicampeão gaúcho.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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David Coimbra
04/07/2003


Aquele beijo

Amor à primeira vista existe. Sou testemunha. Vi um amigo ser abatido instantaneamente pela flechada escarlate da paixão. Atingiu-o entre as sobrancelhas e o deixou pasmado ali mesmo, na minha frente. Aconteceu num dos efervescentes bares do Moinhos de Vento.

Deparamos com ela logo à entrada. Um choque. Ela era morena clara. Tinha um jeito assim de francesa. Não francesa, francesa, que as francesas são meio aguadas. Só o jeito. Classe, entende? Uma mulher de classe. Um brilho doce lhe dançava nos olhos claros, sorria sorrisos pela metade e seus gestos eram parcos e leves. Meu amigo ficou mesmerizado. Não conseguia desviar o olhar dela. Sentia nos ossos todos, do úmero às falanges, do ilíaco à omoplata, que ela era a mulher pela qual sempre esperou. Disse-me, voz trêmula, olhos baços:

- A mulher pela qual sempre esperei...

Aproximou-se dela, tinha de se aproximar dela. Ela o recebeu sem sobressalto, como se soubesse que ele viria. Falava baixo e devagar. Meu amigo fez-lhe as mais arrebatadas declarações de amor. Nunca o tinha visto tão fremente, tão sôfrego. Não havia dúvida: fora capturado. Ela ouviu tudo o que ele disse. Conversaram por horas. Volta e meia, ela repetia:

- Não posso ter nada contigo.

Ele gania:

- Mas por quê? Por quê?

Ela, um enigma:

- Não posso.

Ele insistia, ele queria, ele tentava.

Quando a noite já se esvaía, ela sussurrou, afinal:

- Um beijo. Só posso te prometer um beijo. Só.

Meu amigo viu o sol luzir naquele instante, na última curva da madrugada. Ele precisava daquele beijo. Precisava. Abraçou-a. Suas faces se tocaram. Ele sentiu o cheiro doce e quente dela. E a beijou. Um beijo longo e ansioso que fez o tempo parar. Quando se afastaram, meu amigo balbuciou:

- Nunca tinha sentido algo assim.

Ela concordou, cabeça baixa:

- Nem eu.

Então pediu licença para ir ao banheiro. Levantou-se. Foi.

Não voltou mais. Ninguém a viu sair, ninguém sabia dela. Meu amigo ficou até de manhã zanzando pelas ruas do Moinhos de Vento, desesperado. Faz dias, já, que não se alimenta, que mal dorme, que não ri. Um beijo, um único beijo. E nada mais resta de um nobre coração.

O ex

Dia desses, escrevi sobre o ex, o que as mulheres pensam do ex. Pois bem. De tudo o que ouvi das mulheres acerca do ex, nada foi mais cruel do que a opinião de uma leitora recentemente separada. Ela definiu, sem dó:

- O ex é uma tia.

Você entendeu, você que é ex? Uma tia. Tão-somente uma tia.

david.coimbra@zerohora.com.br


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Quinta-feira, Julho 03, 2003




Demolido

A paixão avassaladora não cabe nos limites internos do corpo, e por não caber entontece e demole, embora vaze por cada poro da pele como se fosse suor.

Já li praticamente todos os códigos e inclusive a Constituição ¿ Carta Magna - e aprendi que não se interdita a paixão pelas vias burocráticas dos mandatos de prisão, nem se contém a danada por simples pedido ou ordem.

E como ela permeia tudo, em todo mundo e em mim, não há nem viés de fuga.

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Seja Você Mesmo

Se você é um vencedor,
terá alguns falsos amigos
e alguns amigos verdadeiros.
Vença assim mesmo...

Se você é honesto e franco,
as pessoas podem enganá-lo.
Seja honesto e franco assim mesmo...

O que você levou anos para construir
Alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo...

Se você tem paz e é feliz,
As pessoas podem sentir inveja.
Seja feliz assim mesmo...

Dê ao mundo o melhor de você,
mas isso pode nunca ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo...

Veja você que, no final de tudo,
Será você... e Deus,
E não você... e as pessoas...
Autor desconhecido

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O Último Dia
Paulinho Moska

Meu amor, o que você faria se só te restasse um (esse) dia ?
Se o mundo fosse acabar, me diz o que você faria ?

Ia manter sua agenda, de almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos na sua sala vazia ?
Corria pra um shopping center ou pra uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo, pro tempo que já se perdia ?

Andava pelada na chuva, corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar, trepava sem camisinha ?
Abria a porta do hospício, trancava a da delegacia
Dinamitava o meu carro, parava o tráfico e ria ?

Meu amor, diga o que você faria...

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Nilson Souza
03/07/2003


Dívidas

Que presente você gostaria de dar para o seu pai?

Naquele tempo, se bem me lembro, as professoras chamavam redação de composição. Era antevéspera do Dia dos Pais e a mestra lançou o desafio para os seus alunos do terceiro ano primário, todos entre nove e 10 anos. A tarefa era responder à pergunta e justificar a resposta em, no mínimo, 15 linhas - uma verdadeira tortura para crianças de periferia, pouco familiarizadas com a leitura e com a escrita. Ainda me lembro que uma menina reclamou timidamente:

- Mas eu não tenho pai...

Antes que a turma se desse conta da dimensão do problema, a professora emendou, pragmática:

- Então escreva o que você gostaria de dar de presente a sua mãe!

Resolvida a preliminar, lançamo-nos à tarefa de registrar no papel os nossos desejos. Depois, na leitura em voz alta que se seguiu ao trabalho, percebi que meus colegas de escola pública sonharam alto. Um pensou em dar uma casa de praia para o pai, outro dissertou sobre um relógio de ouro, vários mencionaram carros e teve até um garoto que registrou sua vontade de comprar um trator, denunciando o envolvimento da família em alguma atividade agrícola. No mínimo, devo ter ruborizado ao anunciar a escolha que fiz:

- Um par de chinelos!

Não sei exatamente como justifiquei tão acanhada pretensão, mas lembro-me bem de que minha opção foi pelo presente possível. De que adiantaria pensar em coisas mirabolantes e caras, que eu jamais teria condições de comprar? Pode ser que tenha sido apenas falta de imaginação, mas não me parecia correto documentar em texto um projeto irrealizável. Além disso, não haveria problema algum em presentear com chinelos um pai que jamais bateu nos seus filhos. Hoje, recordando aquele momento de dúvida da infância, compreendo que dialogar e dar o passo de acordo com as pernas foram algumas das tantas lições que meu pai me ensinou - ele que vai completar 80 anos neste sábado.

Acho que lhe devo um par de chinelos. E uma vida.
nilson.souza@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
03/07/2003


Arsenal legal

Agora que a Justiça gaúcha, através de liminar concedida ao Movimento das Donas de Casa pelo juiz Giovani Conti, da 15ª Vara Cível do Estado, suspendeu o selvagem aumento da telefonia, quero justificar o meu ponto de vista de ontem, pelo qual conceituei que a Justiça é a única arma que possui o povo para derrubar esses reajustes escandalosamente iníquos.

O artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor, em seu inciso 5º, diz claramente: "É direito básico do consumidor a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou revisão em razão a fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas".

É precisamente o caso desse reajuste dos telefones.

O índice de reajuste em que se baseou a Anatel foi buscado numa inflação que foi excessivamente estimulada pela alta do dólar.

Agora o dólar baixou, há até uma deflação, mas continuou impávida no reajuste a alta do dólar.

Ou seja, o "fato superveniente" de que fala o Código de Defesa do Consumidor, no qual os consumidores podem basear sua ação na Justiça para correção do aumento, é a queda do dólar em cerca de 20% nos últimos seis meses.

Ou seja, os índices mensais de inflação em que se amparam as telefônicas para fixar estes aumentos que vão até 41% em suas tarifas foram elevados em face de uma supervalorização da moeda norte-americana, que afinal não veio a se concretizar, em razão de posterior superdesvalorização do dólar, que estamos atualmente vivendo.

Com o dólar lá em cima, a inflação também foi para as nuvens. E disso se aproveitam as telefônicas para jogar lá para cima suas tarifas, mas a verdade é que não contemplam a desvalorização que depois aconteceu no dólar e ainda está acontecendo.

Ou seja, os consumidores têm claramente a lei em seu favor, basta que a Justiça assim entenda em sua interpretação.

Além disso, há vários outros dispositivos do Código de Defesa do consumidor que afirmam ser nulas as vantagens dos fornecedores de serviços que se mostrem excessivamente onerosas para o consumidor, caso em tela.

E a própria Lei das Concessões institui em seu artigo 6º, parágrafo 1º, que "serviço adequado é o que mantém modicidade em suas tarifas".

Modicidade quer dizer tarifas módicas, reajustes módicos, ou seja, dentro do bom senso.

E esse reajuste telefônico agride estupidamente o bom senso.

Há portanto um imenso caudal de dispositivos legais que pode derrubar esse reajuste nos telefones.

Ainda mais que se instalou no país um verdadeiro clamor popular contra a desproporção do reajuste.

Não se quer que a Justiça atropele a lei e os contratos. Mas o que se prega é que a Justiça tem munição legal suficiente para fulminar um reajuste que se tornou um verdadeiro escândalo, uma agressão social, um disparate aritmético com qualquer ausência de nexo com a inflação e os reajustes salariais.

Se o governo federal se declarou impotente para conter o aumento, a causa disso é a política, o governo não quer agredir os investidores estrangeiros.

No entanto, resta aí a Justiça para reparar o dano violento aos consumidores.

E não se pretende da Justiça uma decisão política, mas uma interpretação rigorosa e percuciente dos textos legais, que como se viu nesta coluna, numa amostragem nada ampla do seu alcance, mas no entanto bastante elucidativa e favorável aos usuários da telefonia, são largamente favoráveis a estes últimos.

Este reajuste é brutal e escandaloso. As telefônicas vão ter de voltar atrás.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Caixa dará crédito para recuperação de imóvel
Geralda Doca

BRASÍLIA. A Caixa Econômica Federal vai criar uma linha de financiamento para recuperação de imóveis fechados nas áreas urbanas, residenciais ou comerciais, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). A nova modalidade de crédito terá inicialmente R$ 200 milhões e será destinada a várias faixas de renda. O prazo de financiamento deverá ficar em torno de 15 anos, e a taxa será a TJLP (hoje em 12%), mais juros entre 4% e 5,5% ao ano. Os detalhes serão acertados na reunião do Conselho Deliberativo do FAT (Codefat), na próxima semana.

Os participantes do Codefat também deverão liberar R$ 200 milhões para que a Caixa possa reabrir a linha de crédito habitacional para a classe média, suspensa desde o início deste ano. Desse montante, R$ 100 milhões serão destinados ao financiamento de imóveis novos e outros R$ 100 milhões, ao de usados.

A liberação dos recursos para financiamentos de imóveis novos e usados faz parte de uma linha já existente (FAT-Habitação), no valor total de R$ 1 bilhão, do qual a Caixa já emprestou R$ 600 milhões, incluindo imóveis na planta. Os outros R$ 400 milhões estavam bloqueados e metade destes recursos deverá ser liberada pelo Codefat.

No FAT-Habitação, as taxas de juros são diferenciadas por modalidade: TJLP, mais 4% ao ano, para imóveis na planta; e TJLP, mais 5,5%, para novos e usados. O limite de financiamento é de R$ 180 mil, para imóveis avaliados em até R$ 450 mil nas capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife e Salvador), e de até R$ 350 mil no restante do país.

Segundo a secretária Nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades, Raquel Rolnik, que está coordenado o programa de recuperação de imóveis com a Caixa, a linha de financiamento para imóveis fechados, inédita no país, vai ajudar a reduzir o déficit de moradia e valorizar áreas que estão abandonadas, principalmente nos grandes centros urbanos.

Além disso, haveria a injeção de recursos na construção civil e a criação de postos de trabalho. Pela proposta, áreas tombadas poderão ser revitalizadas, desde que não se prejudique a estrutura arquitetônica e as fachadas sejam preservadas, o que vai exigir mão-de-obra especializada.

¿ Temos que ter um processo de revitalização dos parques já construídos. Sempre que se pensou em reduzir o déficit habitacional no país, se pensava apenas na construção de novas moradias ¿ disse a secretária, acrescentando que o governo também estuda programas específicos para recuperação de infra-estrutura urbana.

Segundo a Caixa, existem 5,5 milhões de imóveis fechados no Brasil, entre privados e públicos, e o déficit habitacional urbano é de seis milhões de unidades. De acordo com Raquel, só em São Paulo existem 400 mil imóveis fechados, sendo 200 edifícios só no Centro.

A linha de financiamento prevê também que a Caixa faça parcerias com prefeituras e governos estaduais no processo de recuperação de imóveis. A instituição já tem duas experiências semelhantes, no Rio de Janeiro e em São Paulo, utilizando recursos do Programa de Arrendamento Residencial (PAR), destinado à baixa renda.


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Exame abre mercado para cursinhos


A corrida dos bancos em busca de um treinamento adequado para seus profissionais, que serão sabatinados no exame da Anbid, fez proliferar cursinhos e simulados preparatórios. De grandes instituições e entidades de classe a empresas especializadas em e-learning ou na área financeira, todos estão se especializando no tema para pegar uma fatia deste mercado.

É o caso da Treina e-Learning, empresa que surgiu no rastro da certificação e que já aumentou cinco vezes o quadro de funcionários em seus poucos meses de atuação. A empresa foi formada no fim de 2002, depois do primeiro exame de certificação da Anbid. As sócias Rosana Gomes e Nadine Wassmer têm um longo histórico de trabalho na área financeira. Rosana trabalhou dez anos no Citibank até montar uma companhia de treinamento para o mercado financeiro, a Opções, de onde partiu a idéia de montar a Treina.

A nova empresa desenvolveu um software, que está sendo adotado por quase todos os maiores bancos do país. "É um programa integrado, parte on-line e, se o banco quiser, com módulos em salas de aula", diz Rosana. A divisão pode ser 80 horas de e-learning e 20 horas com ensino tradicional.

Dos profissionais que já passaram pelo treinamento, no caso, os mais qualificados, Rosana revela que a maior dificuldade observada é o fato de serem muito especializados: "Os outros assuntos abordados no exame são praticamente desconhecidos para eles." Ela afirma que, agora, os clientes começam a solicitar um treinamento mais básico para os gerentes, que a companhia está desenvolvendo. "Toda essa preocupação com estudo está ajudando o mercado a ter profissionais melhores", diz.

Outras empresas e escolas também estão aproveitando essa oportunidade de negócio, criando programas de treinamento diversos. Entre elas estão a Business School São Paulo (BSP), Mercer, Mentor Tecnologia e Profins. A Ordem dos Economistas de São Paulo também aderiu à preparação de profissionais para a certificação. A entidade, que associou-se ao Bank Risk , empresa de treinamento para o setor financeiro, já treinou mais de 300 pessoas.

Segundo Francisco da Silva Coelho, diretor cultural da Ordem dos Economistas, 95% do público está ligado a alguma instituição e participa de cursos "in company". "Mas a ordem também aceita pessoas físicas e, inclusive, concede bolsas de estudos", diz. Além de ferramentas virtuais, o curso inclui preparação em sala de aula.

O professor José Roberto Securato, da Faculdade de Economia e Administração da USP, enxergou outra possibilidade de investir no assunto. Reuniu o conhecimento de vários "experts" e coordenou o primeiro "Livro Preparatório para Certificação Básica e Qualificada", que será lançado segunda-feira pela editora Saint Paul Institute of Finance (R$ 59). A publicação teve a colaboração de 12 profissionais ligados ao ensino de finanças de várias universidades e fundações.

O projeto do livro também começou a ser elaborado no fim de 2002. "Optamos por colocar apenas testes, da mesma forma que ocorre na prova", diz José Cláudio Securato, que trabalha no Laboratório de Finanças da USP e é um dos co-autores. Ao todo, são 1.182 questões de múltipla escolha, com respostas no fim de cada capítulo. Segundo Securato, o livro é indicado tanto aos profissionais que prestarão o exame de certificação básica como o qualificado. (S.C. e D.D.)

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Caixa é a 3.ª instituição a aderir ao cartão BNDES para empréstimos

Crédito até R$ 50 mil com juros facilitados será oferecido a pequenas e médias empresas

NICOLA PAMPLONA

RIO - A Caixa Econômica Federal vai começar a trabalhar com o cartão BNDES, que garante empréstimos de até R$ 50 mil a juros facilitados para pequenas e média empresas. O banco estatal é o terceiro a participar do projeto do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Bradesco e Banco do Brasil já aderiram ao programa.

Segundo o presidente do BNDES, Carlos Lessa, os interessados no microcrédito poderão recorrer a um dos 4 mil pontos da Caixa espalhados pelo País. O programa começou a ser posto em prática em março, em uma parceria com o Bradesco, e já houve 1,68 mil solicitações de cartão, somando uma disponibilidade de crédito de R$ 3 milhões.

Cada cartão tem direito a um limite máximo de crédito de R$ 50 mil, para a compra de equipamentos por pequenos empresários. Segundo o BNDES, o setor de supermercados foi o que mais procurou o crédito durante a fase piloto do programa.

Os juros do cartão BNDES são de 1,74% ao mês. A Caixa espera oferecer cerca de R$ 100 milhões em créditos para o programa em um ano, disse o presidente do banco, Jorge Eduardo Mattoso. No total, o BNDES guardou R$ 300 milhões de seu orçamento de 2003 para o cartão.

Além de incentivar o microcrédito, o programa faz parte de um projeto do BNDES de fazer um maior uso da internet para conceder financiamentos. Lessa explicou que o cartão é apenas um cadastro para que os empresários façam negócios na rede mundial de computadores. No futuro, diz, a tendência é que operações de maior porte também sejam feitas pela internet, reduzindo os custos das transações.

No caso do cartão BNDES, o banco tem de negociar com fornecedores de equipamentos para que ponham seus produtos à venda em uma página da internet específica para o programa. O cliente vai ao site e escolhe o equipamento que quer comprar, para depois pagar a dívida em 12 vezes ao BNDES.

"A parceria com os bancos federais é importantíssima. Eles têm a a lógica do social e visão da importância dos instrumentos de popularização do crédito", avalia Lessa. Ele citou como exemplo o programa Caixa Aqui, da Caixa Econômica Federal, que permite a abertura de conta corrente pela população de baixa renda.

Segundo o presidente da Caixa, o programa vai atingir, já em setembro, a meta de 500 mil clientes prevista para todo o ano de 2003. Mattoso disse que até agora foram abertas 240 mil contas no Caixa Aqui. "Tem dia em que chegamos a abrir 10 mil contas."

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Luis Fernando Verissimo
03/07/2003


Dos fundos de poços


Se o verdadeiro Lula é o Kirchner, como andam dizendo, é o caso de se estudar o que está havendo na Argentina com um espírito menos condescendente. Não para concluir que é melhor chegar ao ponto depurador de extrema bagunça a que eles chegaram antes de começar tudo de novo, o que seria um pouco como recomendar que se transforme o resfriado em pneumonia porque pneumonia tem cura, mas apenas para meditar sobre as nossas diferenças.

E sobre as vantagens de não ter mais nada a perder. Dizem que a diferença é entre o sangue espanhol e o sangue português, ou entre os que matam o touro e os que apenas o deixam irritado, nas touradas. Os argentinos levariam tudo, inclusive as suas crises, a conseqüências mais graves. A repressão no regime militar foi mais violenta lá do que aqui, o fim da repressão deixou feridas mais fundas.

E a submissão deles ao ideário neoliberal e ao receituário econômico de Washington foi bem menos envergonhada, por isso eles bateram no fundo do poço com tanta força. O Kirchner pode xingar o FMI e tomar atitudes contra o capital espoliativo, primeiro porque se entende que num fundo de poço ninguém é muito educado e segundo porque a Argentina é hoje o principal exemplo mundial do que havia de errado no ideário e no receituário e, mesmo que seja só retórica, a revolta é inevitável. Já o Lula precisa se comportar. Está no ar, não se sabe se subindo, o que desagravaria a submissão continuada, ou a caminho do fundo, mas no ar.

O Lula ainda tem o que perder. Ou então a grande diferença é uma de avaliação. O fundo do poço argentino era facilmente reconhecível: caos financeiro, panelaços, uma ameaça indisfarçável de convulsão social, a clara evidência de que não havia como afundar mais.

O Brasil ainda não teria chegado a nada parecido. Ou teria? Alguém poderia convincentemente sugerir, como parâmetro, que fundo do poço é quando as pessoas começam a brigar para ser garis. Quando o que resta do sonho de melhorar de vida é querer varrer rua. Os argentinos não hesitaram em dizer que tinham chegado ao seu ponto mais baixo e em identificar a sua bagunça limite, ou no caos o limite da sua submissão. O Brasil está no mesmo ponto, só não reconheceu ainda. Mas, enfim, os argentinos sempre foram mais dramáticos.


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Capão da Canoa
Apelo à beira-mar



Moradores de Capão da Canoa fizeram passeata exigindo punição para os responsáveis pela morte do jovem Cristiano Alves, ocorrida sábado (foto Emílio Pedroso/ZH)


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Quarta-feira, Julho 02, 2003




Como hoje é noite de futebol e meu desejo é que o Santos que representa o Brasil reverta o resultado negativo e como amanhã tenho prova de inglês, deixo-os com esta poesia na esperança de que os torcedores do Santos possam SER FELIZ.

SER FELIZ

Se tudo na vida é relativo, relativa também é a idéia que cada um faz da felicidade.
Para uns, felicidade é dinheiro no bolso, cerveja na geladeira, roupa nova no armário.
Para outros a felicidade representa o sucesso, a carreira brilhante, o simples fato de se achar importante, (ainda que na verdade as coisas não sejam bem assim).
Para outros tantos, ser feliz é conhecer o mundo, ter um conhecimento profundo das coisas da Terra e do Ar.
Mas para mim, ser feliz é diferente. Ser feliz é ser gente, é ter vida, que como dizia o poeta: ¿E bonita, é bonita, é bonita...¿
Felicidade é a família reunida, É viver sem chegada, sem partida. É sonhar, é chorar, é sorrir.
Felicidade é viver cercado de amor, É plantar amizade, é o calor do abraço daquele amigo, que mesmo distante, lembrou de dizer: ¿Alô¿.
Ser feliz, é acordar às cinco da matina, Depois de ter ido dormir às três da Madrugada, com sono e pra lá de cansado, só pra dar uma pontinha da cama, para o filho dormir.
Ser feliz é ter violetas na janela, é chá de maçã com canela, é pipoca na panela. É um CD bem mela-mela, para esquentar o coração.
Ser feliz é curtir sol radiante, frio aconchegante, chuvinha ou temporal.
Ser feliz é enxergar o outro (E sabe lá quantos outros, que cruzam nossa estrada).
Ser feliz é fazer da vida uma grande aventura, a maior loucura, um enorme prazer.
Ser feliz é ser amigo, mas...

Antes de tudo é ter amigos, exatamente assim, como você.

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Mentalidade vencedora
Antônio Ribeiro

A vida é bela, mas o mundo é cruel. Cada vez mais. E temos que tomar consciência desta nova ordem. Sim por que no mundo dos humanos existem vencedores e perdedores. E se bem que nem todos querem ser ganhadores, ninguém gosta de perder. E para que alguns triunfem, muitas vezes alguns tem que perder.

Verdade é que ninguém nasce vencedor ou perdedor, se bem que algumas propensões estejam incluídas no próprio berço. Certo também é que nem todos que nascem em berço de ouro, terão este ao morrer. Algo como avô rico, filho nobre e neto pobre, muito comum em nossos dias.

Esta postura de mentalidade vencedora se conquista ao longo da vida. De uma existência bem planejada e construída. Basicamente é uma questão de formação e informação. Onde podem ser incluídos intencionalmente alguns elementos que poderão mudar sua trajetória. A qualquer tempo, mas quanto antes melhor.

Sua conquista não envolve somente estudo, mas sim a tomada de um posturamento, a partir de alguns conhecimentos que certamente farão diferença. Somados se constituirão em uma postura, que certamente o levará ao desenvolvimento de uma mentalidade vencedora. Para isto estudamos alguns de seus componentes. E os apresentamos.

CONHECIMENTO
Para compreender é preciso entender, analisando e apreciando detalhadamente, a fim de chegarmos a um discernimento. Precisamos dominar o processo de aprendizagem além do que e onde pretendemos nos concentrar e dedicar mais. Pela capacidade atingimos um estágio de consciência de nossa prática, o conhecimento experimental. Precisamos tê-lo principalmente naquilo a que formos nos dedicar com maior atenção.

CONCENTRAÇÃO
Devemos evitar a dispersão, aplicando-nos em aumentar o teor ou tornando mais denso e forte aquilo que nos propomos. Por ela se absorve melhor nosso estudo e se realiza melhor nosso trabalho. Com ela se agrupam melhor nossas potencialidades e se conquista um resultado melhor de nossas ações. Nela reunimos mais forças, centralizando nossas potencialidades, agrupando mais dados. Dirigimo-nos mais rapidamente ao que é central.

DEDICAÇÃO
É a qualidade de quem se dedi