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Voces encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Encontrarão também muitas crônicas de jornais diários e de revistas semanais, fundamentalmente, dos colunistas elencados a esquerda ai no Blog.
Endereço para email: cassiano.leonel@terra.com.br e para observações e comentários utlize os links disponíveis nos próprios textos. Espero que ele seja útil a você de alguma maneira, pois esta é uma das razões dele existir.
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Sábado, Julho 12, 2003
Posted
7:28 PM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
13/07/2003
It´s only rock´n´roll
São muitos os momentos legais do filme O Homem Que Copiava, detalhes para serem percebidos, nuanças, experimentações: pode-se dizer que o filme é, do começo ao fim, excitante. Mas tem um pico. Tem um momento em que a câmera corre, o Lázaro Ramos corre, a adrenalina corre e a gente tem vontade de disparar junto: é quando entra o som do Creedence. O rock é a ovelha negra da música e sobrevive de sua má fama. Frank Zappa certa vez disse que um repórter de rock é um jornalista que não sabe escrever, entrevistando gente que não sabe falar, para pessoas que não sabem ler. Decretou o analfabetismo de toda uma geração, enquanto Elvis Presley não estava nem aí: "Não sei uma nota de música. E nem preciso".
O rock não é mesmo a música mais criativa do mundo, mas tem a seu favor o fato de não ser apenas música. Existe toda uma provocação que a eleva (ou a rebaixa, como queira) a outro tipo de categoria. Não é trilha sonora pra meditar, relaxar, introverter-se, ouvir no elevador ou numa sala de espera. É visceral. Quem gosta, adora; quem não gosta, odeia. É da categoria "barulho na certa".
A maioria das músicas, em seus mais diversos gêneros, provocam reações internas, na alma e no coração. São absorvidas não só pelos ouvidos como também pela pele, produzem um leve arrepio e se instalam dentro. O rock não se assenta tão facilmente. O rock entra e sai, entra e sai, e analogias são permitidas, fique à vontade. Provoca reações físicas mais nervosas. Desperta em nós o tarado, o revolucionário, o selvagem, o irreverente, o imoral, o infantil, o louco. O jazz, por exemplo, desperta em nós o sofisticado: é um gênero mais nobre, tranqüiliza os ânimos. Sofisticação é ótimo, mas para esquentar os tais ânimos, nada como duas guitarras, baixo e bateria.
O rock cativa pelo que tem de incômodo, vibrante e sexy. Já virou um clichê dizer que ele é mais atitude do que música, e se formos ampliar isso para a vida fora dos palcos, podemos dizer que Elis Regina foi mais roqueira que Paula Toller, mal comparando. Assim como são "roqueiros" Quentin Tarantino, Andy Warhol, Angelina Jolie, Michael Moore. O jornalista Paulo Francis achava que rock era música de jeca, mas era outro que tinha uma postura muito rock'n'roll, mesmo sendo o rei dos eruditos.
Esta crônica é a troco de? Hoje é dia internacional do rock. E por amor aos Beatles, aos Rolling Stones, à Jovem Guarda, a Rita Lee, a Lou Reed, a Janis Joplin, a Tina Turner e, lógico, a Creedence, resolvi fazer uma homenagem a este estilo musical que sobrevive apesar de seus altos e baixos e com uma acirrada concorrência - não é mole o que tem de gêneros alternativos e inventivos disputando espaço com o rock. But I like it.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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7:21 PM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
13/07/2003
Foto(s): Jason Reed, Reuters/ZH
Sexo ao vivo
Em Botsuana, sul da África, num parque ecológico, o presidente George W. Bush e sua esposa assistiram a uma cena insólita.
A administração do parque separou quatro elefantes para que fossem vistos pelo casal presidencial e comitiva.
Mas, chegado o presidente ao recanto, um elefante subiu para cima da elefoa e descaradamente começou a praticar um congresso carnal.
Os repórteres e cinegrafistas de todo o mundo focalizavam o intercurso, enquanto o presidente e a primeira-dama cochichavam sobre a curiosa coincidência, constrangidos.
Tiveram de esperar vários minutos até que os elefantes cessassem o ato amoroso, que foi presenciado de cima por um elefante ou elefanta com ciúme, conforme mostra a foto aí de cima.
Se o casal de animais fosse de javalis, a visita do presidente ao parque ficaria inteiramente prejudicada: os javalis costumam fazer sexo durante horas, sem interrupção. O javali é considerado o mais viril de todos os animais, mais até que a capivara macho, que é capaz de cobrir as fêmeas do seu domínio territorial até durante 30 vezes por dia.
Claro que mudando de montaria. Não é o caso do javali, que se exercita sexualmente com uma única fêmea durante oito horas, sem tirar de dentro.
Um rali!
Já o elefante é mais modesto, foi possível a Bush continuar a sua visita: em cinco minutos ele termina o serviço. Seu pênis mede 60 centímetros e pesa pouco mais de um quilo, o que é até reduzido para o tamanho do seu corpo.
E o esforço que o elefante macho faz para ficar montado na fêmea é muito exaustivo, sua compleição não é propícia para os longos enlaces. Tem de ser bater e valer, por isso o casal Bush não esperou muito pelo ato sexual e ir lá saudar de perto o casal de nubentes.
Bush até posou para os fotógrafos segurando a presa de um dos elefantes.
Eu fiquei imaginando o seguinte: já pensaram se a cena lúbrica dos elefantes tivesse sido realizada diante do ex-presidente Bill Clinton?
Com a fama de maratonista sexual de Clinton, ele chegando no parque e os elefantes logo em seguida apresentando armas, essa coincidência metafórica iria causar um rebuliço na imprensa mundial.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:18 PM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
13/07/2003
O primeiro celular
O primeiro celular a gente não esquece, sobretudo quando esse aparelho entra em nossa vida por caminhos, digamos assim, transversos.
Faço parte, com Luis Fernando Verissimo, de dois movimentos, o MSN, Movimento dos Sem-Netos, e o MAC. Esta sigla ainda provoca calafrios em nossa geração. Na época da ditadura, designava o Movimento Anticomunista, um bando paramilitar que tinha como propósito liquidar a esquerda. O Verissimo, corajosamente, fazia charges mostrando o MAC como um rinoceronte sentado em cima de um pobre brasileiro. Esses tempos passaram, e MAC é hoje o Movimento Anticelular, formado por aqueles que, como o Verissimo e eu, resistem à avassaladora onda dos telefones móveis. Foi o Verissimo quem criou a sigla, e ele é altamente contagioso: contou numa crônica que, cada vez que senta no avião, tem de se certificar que aquela tramela da mesa está riogorosamente na vertical. Pois o mesmo passou a acontecer comigo: aderi compulsivamente aos Vigilantes da Tramela (VT) e também ao MAC.
A resistência ao celular, porém, tem limite, por mais que nos esforcemos por defender nossa privacidade. Mortificado, confesso aqui que acabei cedendo às injunções do chamado progresso. Na semana passada fui a Vitória, no Espírito Santo, levando na bagagem - pela primeira vez - um reluzente celular.
Pelo que paguei um vexame. Um dos organizadores da Bienal do Livro foi me apanhar no aeroporto. Enquanto rumávamos para o hotel, ele comentou:
- Engraçado, tenho a impressão de que estou ouvindo um celular chamando.
Eu já ia atribuir aquilo a um delírio dele quando me dei conta: era, sim, um celular - o celular que eu levava na bagagem. Isto é o que acontece quando novas teconologias invadem nossa vida. Até nos acostumarmos, pagamos o maior vexame.
O que me lembra um incidente acontecido em Porto Alegre. Um médico foi até o centro da cidade de táxi e esqueceu no carro o seu bip, à época um dispositivo ainda raro. Pouco depois, o bip começou a soar. Quando o motorista viu aquela coisa, ficou em pânico. Uma multidão se juntou ali, e todos juravam que era uma bomba (por que razão alguém colocaria uma bomba no automóvel de um pobre taxista foi algo que ninguém se perguntou). Felizmente apareceu alguém que acalmou o pessoal, explicando que bip não é bomba (quanto a celular, não tenho tanta certeza).
Inovação tem disso. No tempo em que as pessoas se comunicavam por pombo-correio não havia dessas coisas. Obviamente surgiam outros problemas. Semana passada um pombo-correio que deveria ir de Londres a Paris, num torneio dessas aves, acabou pousando em Nova York. Bem, mas se celular pode tocar no cinema, pombo-correio pode pousar em lugar errado, não é mesmo?
Diário de Bordo
Cartas, recados, e-mails
- Escrevi aqui uma crônica (sobre viajantes que deixam animais de estimação em casa) contando a história de um psiquiatra que, do Exterior, consolou seu cachorro pelo telefone. Pois diz a Lourdes Vendruscolo: "Em 2001 viajei para a Rússia, e de lá liguei para casa. Minha empregada disse que meu cão Rock estava tão mal que ela temia que morresse antes de minha volta. Pedi que pusesse o fone na orelha do Rock. Após lamber o telefone ele começou a correr de alegria. Depois, numa outra viagem, a empregada me disse que o Rock havia adormecido sobre a mesa, ao lado do telefone." História comovedora, Lourdes. Só espero que tua conta telefônica não tenha sido muito alta.
Na crônica do último domingo, comentei várias possíveis origens da expressão OK. O Celso Camargo, o Fernando Terroso (Rio Grande) e o Diego G.F. mandaram e-mails acrescentando mais uma: na Guerra Civil americana eram emitidos informes sobre o número de vítimas. Quando o número de mortos era zero, a expressão era Zero Killed, mas este Zero era lido como a letra O e o Killed abreviado para K: daí OK.
Um nome que condiciona destino, enviado pela Camila Saccomori: o do urologista Silvio Pinto. E sabem como se chama a fábrica que faz aqueles bonés do MST, que tanto deram o que falar? O nome é Bonelli.
O presidente Flavio Fachel, do Esporte Clube Cruzeiro, convida-me para os 90 anos de aniversário do clube. Meu pai, que morreu nonagenário e era conselheiro do time, ficaria feliz, como feliz fico eu com esta celebração. O aniversário ocorre no dia 14 de julho, data da queda da Bastilha. A Bastilha caiu, mas o Cruzeiro, ao menos em nossos corações, não cairá jamais
scliar@zerohora.com.br
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7:14 PM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
13/07/2003
Corpo e mente
Mente e corpo têm uma relação parecida com a de pais e filhos. A mente cuida do corpo e tenta regular os seus hábitos e apetites e protegê-lo dos seus excessos. É sempre mais sensata, previdente - enfim, mais adulta - do que o corpo, que se não fosse por ela nem se criaria. Mas com o tempo a relação vai mudando, e assim como os filhos aos poucos adquirem autonomia e passam a não depender tanto da atenção dos pais, o corpo também começa a dar folga à mente. Como, por exemplo, deixá-la dormir até mais tarde enquanto ele levanta da cama, escova os dentes etc., faz seu próprio café e sai. Você já deve ter tido esta experiência. Está na rua há horas, ou no seu trabalho, ou no meio de uma aula, quando a sua mente subitamente acorda, olha em volta e reclama:
- Por que você não me acordou?
- Não precisava - responde o seu corpo.
- Onde estamos? O que está acontecendo? Meu Deus. Você levantou da cama, escovou os dentes, tomou café, saiu para a rua e chegou até aqui sozinho?!
- Foi.
- Você é um desmiolado!
- Certo. Mas agora preciso de você.
- Calma, calma. Antes, tenho que tomar um café pra acabar de acordar. Há casos em que a mente só acorda no meio da tarde. Outros em que o corpo volta para casa à noite e a mente ainda está dormindo. Aí o corpo vai ver televisão, para não despertá-la.
Com o tempo, a relação mente e corpo muda de outras maneiras também. Antes, era o corpo que queria (sexo, comida, festa, emoções) enquanto a mente pedia moderação. Depois a mente é que quer, e o corpo é que diz "tá doida".
- Vamos! A noite nos espera - diz a mente.
- Vai você - diz o corpo, se espreguiçando.
- Sem você não tem graça. Sem você não tem sentido. Ou eu não tenho sentidos. Nem transporte. Vamos!
- Não era você que me dizia para pensar bem antes de obedecer meus impulsos? Pois eu pensei bem, e desta poltrona ninguém me tira.
- Você não tem que pensar. Eu é que penso por você.
- Ultimamente, só pensa besteira.
- Sim! Besteira. Loucuras. Vida. Vamos!
- Sossega, mente.
Antes, o corpo é levado pela paixão, ouvindo alertas da mente o tempo todo. "Cuidado", "Olha lá o que você vai fazer", "Pense nas conseqüências", "Não esquenta", "Te controla". O corpo ouve ou não ouve, obedece ou não obedece, mas, entre vexames e arroubos bem-sucedidos, mantém-se a harmonia familiar. Depois, o diálogo se inverte.
A mente:
- Eu vou lá dar uma mordida nessa bunda.
O corpo:
- Não vai não.
A mente:
- Ah, vou.
- Não conte comigo.
- Covarde.
- Tente pensar em outra coisa.
- Não posso. Tenho que morder essa bunda.
- Pense no que você vai ter que fazer para morder a bunda. Primeiro, subir na passarela. Com as suas condições físicas, não conseguiria. Os seguranças certamente interviriam e você acabaria apanhando. Teria que correr atrás da modelo, que fugiria de você. Se conseguisse alcançá-la, teria que escolher a nádega e morder a bunda na primeira tentativa, porque não haveria uma segunda. Pense no escândalo, nas fotos nos jornais, na cena na TV.
- Não interessa. Vou morder essa bunda. E é agora. Você está pronto?
- Claro que não.
- Um, dois e...
- Mente: odeio usar a mesma frase que você vivia me dizendo contra você, mas é a única que cabe neste momento.
- Que frase?
- Comporte-se.
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7:10 PM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
13/07/2003
Alceu Collares numa de suas campanhas pelas ruas de Porto Alegre, rondando os botecos da cidade e seus misteriosos e insinuantes croquetes de carne
Foto(s): Banco de Dados/ZH
Os croquetes do Collares
Lá estava eu, cobrindo a campanha de 90 para o governo do Estado. Era repórter de política, jogo duro trabalhar com a política e suas reentrâncias e volutas. Alceu Collares, candidato do PDT, caminhava pela Assis Brasil, cumprimentava os passantes, beijava criancinhas. Fazia calor, ele suava, todos suávamos. De repente, anunciou:
- Tô com fome.
E estacou em frente a um boteco com luminoso da Pepsi e balcão de fórmica. Entrou. Cumprimentou o proprietário de bigode e avental. Analisou as opções gastronômicas. Em meio a bolos ingleses pouco agressivos, seis belicosos croquetes jaziam lado a lado numa pequena estante de vidro, feito sardinhas. Eram croquetes de bom tamanho, roliços e pardos. Collares apontou:
- Dá um.
O homem fez aterrissar um croquete num pires. Serviu-o ao candidato. Que, nham!, nham!, o devorou em dois bocados. Ainda mastigando, Collares ordenou:
- Mais croquete.
Desta feita, o dono do bar alinhou três no pires. Ficaram no máximo dois segundos apontando para o candidato, feito torpedos da marinha. Collares traçou-os todos, um depois do outro, sem vacilar.
- Mais! - pediu. - Mais!
O comerciante, encantado, sacou os dois últimos cilindros da estante e apresentou-os a Collares. E esses também sumiram rapidamente na boca voraz do futuro governador.
- Bom... - comentou Collares ao cabo da refeição, alisando a barriga. Depois do que se foi, apertando mãos, enquanto um assessor pagava a despesa.
Collares venceu a eleição, como se sabe, e creio que a combinação de apetite com desassombro talvez tenha muito contribuído para seu sucesso eleitoral. Falo em desassombro por que todo croquete é um mistério. Aí está uma verdade sobejamente aceita. Claro, não me refiro ao cândido croquete caseiro, feito por amorosa mão de vó, mãe ou madrinha. Refiro-me ao croquete cuja origem é ignota, ou apenas vagamente conhecida, como os seis croquetes ferozmente engolidos por Collares. Croquetes de boteco, isso é o que eram. Sempre hesito ante um croquete de boteco. Confesso até que algumas vezes me acovardei e preferi um nem tão apetitoso mas muito mais confiável sanduíche de queijo. Mas, se premido pela fome, comeria. Talvez não seis, quantidade de resto irresponsável. Um ou dois, tudo bem.
Agora, nunca, nem nos tempos mais pedregosos da vida, comi um croquete de rodoviária. Pois aí está toda a questão: o croquete de rodoviária é o verdadeiro mistério, o verdadeiro desafio. Quem fica impávido quando confrontado com um croquete de rodoviária? Quem acredita na inocência de um croquete de rodoviária? O deputado Collares acreditaria? Não é possível. Collares é um homem do mundo, sua inocência há muito se perdeu em alguma das esquinas penumbrosas da existência.
Já aquele que acredita na inocência do croquete de rodoviária, essa pessoa seria como que a redenção de uma civilização cínica. Se existe alguém que crê nas boas intenções de um croquete de rodoviária, ainda existe fé, ainda existe pureza.
Pois bem. Agora acho que encontrei. Li que os presidentes de clubes e de federações votaram na reeleição do Ricardo Teixeira porque, com ele, o Brasil venceu duas copas, porque o Campeonato Brasileiro é bom, porque a gestão dele é competente. Ou seja: eles acreditam na boa fé da direção da CBF. Apostam nela. Endossam-na. E a aplaudem. Espantoso! Não tenho dúvida: esses crentes também confiariam num croquete do rodoviária. Comeriam-no com gosto e comentariam:
- Foi feito com amor.
Gente singela ainda habita esse planeta. O mundo é bom. A felicidade até existe. Os passarinhos cantam. Ela me ama. E o sol brilha.
Diego: saber cair também é uma arte do futebol
Foto(s): Ricardo Duarte, Banco de Dados/ZH
Diego no chão, o Inter no céu
Diego tem drible, velocidade e passe escorreito, esconde bem a bola, gira com rapidez sobre o adversário, tudo isso ele tem e faz. Mas nenhum desses é seu principal predicado. Porque a grande qualidade de Diego é saber cair. Ninguém até hoje, no futebol brasileiro, caiu com tamanha eficácia. Diego cai para vencer.
O processo de queda bem-sucedida de Diego começa antes da partida. Sua figura é em tudo comovente. Entra em campo trotando, com os cotovelos dobrados à altura do peito. Ele bóia dentro da camiseta enorme, fica ainda menorzinho nos calções que quase lhe chegam aos joelhos. Seu ar é pueril, seu rosto é desprovido de brincos maliciosos, de arranjos exóticos no cabelo. Ao contrário, sua boca sempre entreaberta é decorada por um aparelho ortodôntico juvenil, uma boca de filho mais moço.
Começa o jogo. De repente, Diego recebe a bola e arremete para a linha de fundo. O adversário o acompanha e, como não consegue desarmá-lo, como Diego é invariavelmente mais rápido, lá vem o tranco, ou um passa-pé, ou simplesmente um encostão. É o que basta para Diego finalmente cair. Mas ele não cai, apenas; ele se desmancha, parte por parte, desaba na grama. Então, esparramado no solo, ele não rola, berrando, como muitos fazem. Nem se senta furioso, a reclamar. Nem faz para o juiz aquele gesto com o indicador e o polegar unidos, pedindo cartão para o adversário. Não. Diego tão-somente se ajoelha e fita o vazio com olhos arregalados, inocentes, redondos de espanto. Seu rosto é todo perplexidade e dor, ele está como que a balbuciar:
- Mas como fizeram uma malvadeza dessas comigo?
É aí que o juiz se transforma em justiceiro. Vem da intermediária disposto a acabar com aquela violência contra um pobre menor, uma quase criança, e marca o pênalti, e apresenta o cartão, e tira o brutamontes covarde de campo.
Diego cai brilhantemente. E o Inter sobe.
david.coimbra@zerohora.com.br
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7:04 PM
by Cassiano Leonel Drum
Pirataria e Contrabando
Piratas do lazer
Como a ilegalidade está ameaçando a indústria do entretenimento
(arte de Gilmar Fraga/ZH)
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6:59 PM
by Cassiano Leonel Drum
TROGLODITA
Ando desconfiado que essa vontade de isolamento que se apodera da gente toda vez que pinta um desenlace, um desengano, uma incerteza no amor ou outras sacanagens da vida é a mais clara manifestação da nossa herança troglodítica, que driblou as armadilhas dos elos perdidos, escapuliu, e chegou cá ilesa.
Ou então como se explica essa minha compulsão mometânea por uma furna qualquer só porque ela não disse qual, dentre os uns, o um que ela deseja e ama.
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6:56 PM
by Cassiano Leonel Drum
SUPERCURTAS
O que o elefante disse pro homem nu?
- Legal, mas você consegue comer amendoim com isso?
Como e que se chama um traficante armado ate os dentes ?
*É melhor chamar de senhor...
Por que o Manoel ficou duas horas olhando fixamente pra lata de suco de laranja?
* Porque estava escrito "concentrado".
Como e que se faz um monte de velhinhas gritar "Merda"?
* E so gritar "Bingo".
Por que mandaram embora o enfermeiro homossexual do banco de semen?
* Por beber em servico.
Por que Hittler odiava os judeus?
* Porque nao conhecia os argentinos.
O que e preciso para reunir os Beatles?
* Mais tres balas.
Um advogado e sua sogra estao em um edificio em chamas. Voce so tem tempo pra salvar um dos dois. O que voce faz? Voce vai almocar ou vai ao cinema?
Um baiano deitado na rede pergunta pro amigo:
* Meu rei... tem ai remedio pra picada de cobra?
* Tem. Por que, voce foi picado?
* Nao, mas tem uma cobra vindo na minha direcao
Na sala de aula:
- Juquinha, em quantas partes se divide o cranio?
- Depende da porrada, professor...
Conversa de casados:
- Querido, o que voce prefere? Uma mulher bonita ou uma mulher inteligente?
- Nem uma, nem outra. Voce sabe que eu so gosto de voce
A mulher comenta com o marido:
- Querido, hoje o relogio caiu da parede da sala e por pouco nao bateu na cabeca da mamae... - Maldito relogio. Sempre atrasado...
Qual a semelhanca entre um político e um cachorro atropelados???
Antes do cachorro, ha marcas de freada.
Um portugues sequestra o filho de um ricaco e lhe envia uma caixa e uma carta. Na caixa havia uma orelha. A carta dizia:
"Esta orelha eh minha. A proxima serah de vosso filho"
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6:51 PM
by Cassiano Leonel Drum
Depende de nós
Foram nos dados o pincel e tintas. podemos pintar o paraíso e depois entrarmos nele. Não importa as cores que estivermos usando agora. Sempre podemos escolher outras. Gostaria que juntos pudéssemos construir novas pontes para a loucura. Estou ficando farto da sanidade mental e especialmente a nossa definição dela. Loucura no dicionário, não precisa ser no ¿Aurélio¿ inclui "êxtase", entusiasmo, riso. Vamos sair da sociedade que depende do riso enlatado.
Vamos Soltar-se mais!!!!! Vamos quebrar a rotina; quebrar velhos hábitos. Podemos sentir o quanto será maravilhoso o dia em que pudermos se dar conta de que somos singulares no mundo inteiro, e não permitamos que nos digam que não, mesmo que afirmem que o propósito é uma ilusão. Vamos viver a ilusão, se for preciso. Vamos exaltar a nossa humanidade. Exaltar a nossa loucura. Vamos exaltar as nossas imperfeições. Exaltar a nossa solidão. Mas vamos exaltar fundamentalmente nós mesmos.
Se fizermos tudo errado, vamos fazer tudo de novo. Vamos rir dos nosso problemas. É com o coração que se pode ver direito; pois o essencial, apesar da tecnologia avançada, continua invisível aos olhos.
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Posted
9:09 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
12/07/2003
A boa raiz
Adaptando a frase de uma amiga, digo que saí de Santa Cruz do Sul mas Santa Cruz não saiu de mim. Apesar de minha longa ausência, a cidade resolveu me fazer sua cidadã honorária, e todos os eventos ligados a isso nesta segunda-feira confirmaram que o tempo é uma ficção: tudo continua vivo.
Andando pela praça da catedral (onde me casei), junto do chafariz (onde a gente andava de bicicleta quando estava seco), vendo os bancos onde namorei (meu Deus, como éramos inocentes), sendo incrivelmente entrevistada, fotografada e acarinhada, eu me senti ainda a menina trapalhona e sonhadora que há décadas ali nasceu e cresceu. A que se embalava na rede no terraço dos fundos da casa que hoje perdeu o imenso jardim - nele agora crescem edifícios em lugar dos altos álamos e eucaliptos. Sou a mesma que contemplava os morros azuis em torno, certa de que lá moravam o unicórnio, os duendes e as bruxas, e a que inventava para si mesma incessantemente histórias de fadas, princesas e cavalos alados.
Santa Cruz mudou, pois cresceu e se modernizou. Tem universidade, tem belas casas, deliciosos restaurantes e cafés. Mas mudou sem se deformar, como as pessoas cuja beleza extrapola o físico. Onde ficava o casarão de meus avós maternos, que aparece em tantos livros meus com seu jardim e sua parreira, o relógio de parede e a escada rangente, abre-se o vazio prenúncio de mais um edifício. Mas diante de minha casa floresce aquela magnólia mágica de antes, junto da janela de um quarto de menina.
Foi emocionante e um pouco estranho ser homenageada com tanto afeto por tanta gente. Um velho jornalista me contou que seu jornal publicou um artigo meu quando eu tinha 12 anos: a audácia daquela meninota me divertiu. Um ex-aluno de meu pai quando este era diretor da Faculdade de Direito relatou como um representante da ditadura nos anos negros insistia em mudar alguma decisão de meu pai em favor de um funcionário ou aluno considerado "suspeito". Interpelado pelo militar, que talvez estivesse constrangido, meu pai respondeu calmamente - e imagino bem a luzinha irônica no fundo de seu olhar: "Minha decisão está tomada. Se quiser mudar, traga seus tanques".
Outros comentavam a beleza de minha mãe, minhas artes de criança mimada, ou de fictícia excelente aluna do meu colégio Mauá, que nunca fui: demais agitada, demais distraída, demais perguntadeira, demais indisciplinada. Desses reencontros destaco a que cuidou de mim, brincou comigo, viajava conosco, e me ensinou tantas coisas: Luci Kessler (Bender), cuja mãe, já falecida, a minha "Tante Kessler", personificava a bondade e a infinita paciência necessárias com a criança inquieta que fui. Na pessoa delas homenageio aqui a humanidade de todos os meus conterrâneos.
Portanto minha raiz melhor, a raiz boa que ama a vida e acredita nas pessoas, está ali fincada para sempre. Terem-me feito duplamente santa-cruzense oficializou esse laço que, mesmo se pouco exercido, é real e me sustenta.
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Posted
9:06 AM
by Cassiano Leonel Drum
Jorge Furtado
12/07/2003
Samba e amor
Poesia é coisa muito boa. Na forma de música então, melhor, você aproveita até no trânsito. Nei Lisboa está na praça num disco que já começa bem pela capa, ótimo trabalho de Marcelo Pires e equipe sobre a obra da artista plástica gaúcha Lucia Koch. Ouvir um disco do Nei (ou qualquer disco muito bom) leva tempo, ainda não cheguei na faixa... deixa eu contar... 11.
(Única crítica à capa: cadê o número das músicas? Custa? Pensem nos fãs da terceira idade!) Claro que você pode ouvir algumas vezes sem prestar muita atenção nas letras, só com a música e a voz do Nei qualquer criança já brinca e se diverte. Prestando mais atenção, só melhora. O disco abre com Primeiro Amor, uma declaração de amor que só um pai recente poderia produzir: "Fosse por mim era lei / cada paixão que eu guardei / se precisar, tava ali / tava como eu deixei". Vai Chover é a faixa 2 (CD tem faixa?) e segue falando de amor: "Amor que relampejou / e quando começou / fomos buscar abrigo".
Também tem amor na três, Relógios de Sol, amor de parceria e intimidade, em que o poeta expõe seu balaio de guloseimas: "Relógios de sol e copos de chuva / punhados de azul / receitas de ajuda / uns quadros de Deus / fatias de fruta-pão". Tem amor nostálgico em Pra te lembrar, amor inútil em Bar de Mulheres ("Se amas por nós dois, de mim já não precisas mais"), Amor Executivo, amor de pai em Bom Futuro, amor até de não amar em Isso são horas. Nei faz a gente lembrar que o amor, apesar de ser surrado diariamente por legiões de bobagem, continua em forma.
Outro grande disco é Ventura, dos cariocas Los Hermanos. Dizem que o samba está de volta e eu nem reparei que ele tinha saído. Deve ter ido na esquina com o Zeca Pagodinho pra buscar cerveja, mas já voltou. Marcelo D2 também caiu no samba, mas a melhor novidade do terreiro é Los Hermanos. O disco não é só samba, tem boas letras de rock e baladas, mas abre com Samba a Dois, que é tão bom que parece que sempre existiu. A letra é uma homenagem ao samba e, especialmente, ao Chico Buarque: "Quem me ensinou a te dizer / vem que passa o teu sofrer / foi mais um que deu as mãos entre nós dois".
Tem brincadeiras intertextuais, rimas fáceis, ricas e ocultas. E ainda dá para batucar! Se você, como eu, perdeu o disco anterior e só conhecia a banda pelo rock-chiclete Anna Julia, tão simples e banal que tocava em caminhão de gás na praia e deve ter virado buzina de automóvel, esqueça e comece a ouvir como se fosse um disco de estréia. Só com o Ventura Los Hermanos já pode ser considerada uma das melhores bandas do país.
jorge.furtado@zerohora.com.br
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Posted
8:59 AM
by Cassiano Leonel Drum
Cidadania
Novo aliado em defesa das crianças
Em linguagem acessível, site Minha Cidadania facilita o acesso ao Estatuto da Criança e do Adolescente (foto Paulo Franken/ZH)
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Posted
8:57 AM
by Cassiano Leonel Drum
Caro assinante,
aqui estão os destaques de VEJA desta semana.
Boa leitura e bom fim de semana.
Kátia Perin - VEJA on-line (vejaonline@abril.com.br)
Especial
Há pelo menos 200.000 brasileiros levando uma vida dupla de cidadão pacato durante a semana e destemido aventureiro nos sábados e domingos. O que os leva a isso? Especialistas dizem que apesar de todo o processo de civilização, o homem é um animal e precisa dar vazão a sentimentos instintivos.
No site: outras informações sobre esportes radicais.
Brasil
Analistas divergem sobre uso do termo recessão, mas ninguém tem dúvida de que o Brasil chegou ao fundo do poço. Os sinais da crise são visíveis em todas as esferas de atividades do país. E o pessimismo em relação ao segundo semestre cresceu entre os empresários.
Entrevista
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, diz que as Farc não querem diálogo e pede ajuda internacional para derrotar a guerrilha e o narcotráfico.
Internacional
Silvio Berlusconi comprou uma briga com a Alemanha ao comparar um deputado, companheiro de partido do chanceler Gerhard Schroeder, a um guarda de campo de concentração. O resultado foi um bate-boca que pode colocar em risco o turismo de alemães na Itália.
Economia
Mais barata e econômica que os carros, a moto tem se transformado em uma opção muito apreciada pelos brasileiros. Nos últimos cinco anos, a venda do veículo cresceu 75% no país.
Moda
O inglês John Galliano, da Dior, tem uma rara qualidade: solta a imaginação como nenhum outro e também ganha dinheiro, até com alta-costura.
Design
Os irmãos Campana, Fernando e Humberto, são dois dos brasileiros mais conhecidos no mercado de design internacional. O criativo trabalho da dupla pode ser conferido no livro Campanas.
No site: veja fotos das criações.
Estilo
De Louis Vuitton a Alexandre Herchcovitch, o chique no verão será desfilar com uma sandália de plástico assinada.
Turismo
Novas regras para o visto dificultam a vida de quem mora em cidade sem consulado americano. A partir do dia 15 deste mês, todos os solicitantes entre 16 e 60 anos precisam comparecer pessoalmente aos escritórios para conseguir a autorização de viagem.
Gastronomia
A comida japonesa está em alta em todo o Brasil. Em São Paulo já há mais restaurantes de sushis do que churrascarias.
Cinema
No filme A Viagem de Chihiro, o diretor japonês Hayao Miyazaki mistura o real ao surreal do universo infantil de uma forma inpensável na tradição ocidental.
No site: assista ao trailer e veja fotos da produção.
Livro
O carioca Marcello Mansur - o DJ Memê - é o profissional mais requisitado quando um músico deseja injetar uma batida dançante e moderna às suas músicas. Sua parceria mais famosa foi com Lulu Santos nos anos 90. Agora os dois estão juntos mais uma vez no lançamento do CD Bugalu.
¿ No site: ouça sucessos de Memê.
Veja São Paulo
Campeões da feiúra e belezura paulistanas
Trinta personalidades elegem os símbolos urbanos mais feios e mais bonitos da cidade.
Veja Rio
Vinhos
O que há de melhor em várias faixas de preço. Como montar uma adega em casa. Onde aprender a conhecê-los. Dicas para organizar uma noite de queijos e vinhos.
O conteúdo integral das revistas estará disponível
na internet a partir de sábado pela manhã
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Sexta-feira, Julho 11, 2003
Posted
11:35 PM
by Cassiano Leonel Drum
Como sempre em todos os fins de semana ai está a capa da Revista Isto É. As manchetes da mesma estão elencadas abaixo. A Revista Veja como sempre, ultimamente, está postando sua capa somente no sábado pela manhã, embora já envie sua newsletter na sexta-feira a noite.
Governo Lula discute porte de arma enquanto continua aberta a porta para a entrada clandestina de pistolas, fuzis, submetralhadoras e até mísseis de pequeno alcance
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BRASIL
CONTA PETRÓLEO
Documentos mostram que a Petrobras recebeu recursos de doleiros paraguaios via Banestado
RETRATO DO BRASIL
ONU elogia avanços do País mas ressalta sua maior chaga
NAMORO COM BRIZOLA
Filha de Garotinho tenta reaproximar os pais do PDT
RECUO DO RECUO
Lula admite negociar pontos centrais da reforma da Previdência
OS MAIS ACESSADOS COMO SERÁ SEU BEBÊ
Calcule as chances de seu pimpolho, prestes a nascer, puxar pelo pai ou pela mãe
GUIA DE POSIÇÕES SEXUAIS:
Bonecos mostram o que fazer
GRAFOLOGIA: Confira se a sua letra revela mesmo seu perfil
HIERÓGLIFOS: Escreva seu nome à moda dos faraós
REFLEXOLOGIA
Dor em pontos nas solas dos pés revela problemas de saúde
RAIO-X
HERANÇA INDIGESTA
Justiça dará veredito sobre importação de pneus do Uruguai
ACERTE NA ESCOLHA E RELAXE
Spas e clínicas devem ter supervisão médica
JOGOS DO BARULHO
Proliferação de lan houses pede regulamentação desse tipo de jogo
O RIO ENTRA EM CAMPO
Capital fluminense entra na disputa para sediar Olimpíadas de 2012
SÓ A PÍLULA NÃO BASTA
Tratamento da disfunção sexual masculina deve envolver a mulher
MARGINAL DAS LETRAS
Obra inédita retrata o conturbado escritor francês Jean Genet
PADRÃO NACIONAL
Fome Zero é indicado pela ONU como modelo de política social
Fotos mostram que o protocolo não tem vez quando presidentes
Encontram beldades
ECONOMIA
ESPÓLIO DO MAL
Reajuste de tarifas públicas pune consumidor e engessa o governo
ROMBO CONFIRMADO
TC confirma suspeita de operações irregulares na Rio Previdência
ESPECIAL
AFASTE O COPO
Governo declara guerra contra o alcoolismo com uma lei para conter a doença
TESTE: Devo procurar ajuda? Descubra se "o seu exagero" passa da conta
MUNDO
AFAGOS AOS POBRES
Bush faz périplo à África e promete US$ 15 bi contra a Aids
TRABALHO À VISTA
Portugal quer regularizar empregos temporários para brasileiros
Memórias da Aeronáutica nacional e de seu maior ícone, Santos Dumont, estão dilaceradas
TESTES
HUMANO OU ROBÔ?
Descubra se você está mais para "super-humano" ou C3PO
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11:03 PM
by Cassiano Leonel Drum
Quando o Brasil passa a colher mais de 120 mil toneladas de grãos e quando a agricultura, embora colhendo sementes transgenicas consegue dar uma vida digna aos que nela trabalham, o Brasil agricola tem orgulho de ser. O que já não ocorre com alguns outros setores. Mas enfim, o frio continua e vamos para mais um fim de semana de inverno. Para uns com muitos sabores, de encontros, carinhos, ternos olhares e para outros, de afazeres, de estudos e de vivenciar o seu aqui e agora para melhor se conhecer.
Vagão dos Ventos
Ah, como dói saber que os mesmos braços
Que enlaçaram o meu corpo já não mais
Guardam de mim lembranças e sinais!
Ah, como dói este romper de laços!
Ah, como fitam os meus olhos baços
Em meu espelho os refletidos ais
Do coração, lugar de onde não sais,
E onde tu ocupas todos os espaços!
Ah, quem me dera um dia eu habitar
Terras estéreis e não mais plantar
Estas sementes vis de sofrimentos!
Talvez por companhia só lembranças,
A alma vazia e mortas esperanças
De ir aos teus braços no vagão dos ventos.
Silvia Schmidt
*Humancat*
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10:52 PM
by Cassiano Leonel Drum
VOCÊ NÃO PERCEBEU
Silvia Schmidt
Você, que sempre esteve tão por perto,
Buscando decifrar meus sentimentos,
Tentando adivinhar meus pensamentos,
Sondando sutilmente o meu deserto ...
Você, parto de dores, de tormentos,
Que tanto assediou do jeito incerto
Um mundo que julgava estar aberto
Aos seus ruidosos e invasores ventos ...
Não percebeu que eu vinha de outra terra,
Sem espaço algum para quem berra
Palavras adoçadas com veneno?
Siga o seu rumo ... o meu é diferente ...
Vá sob o sol, caminhe com sua gente ...
Pertenço à noite ... deixe-me ao sereno
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8:45 AM
by Cassiano Leonel Drum
O verão na Filadélfia
Filadélfia no verão ainda é a cidade plácida e quente, onde a vida de rua se traduz nas tavernas com portas abertas, nas fileiras de casas ocupadas e nos avós atentos ao movimento. Mas com o Centro barulhento, um outro tipo de vida pública, envolvendo bilhetes de teatro e telefones celulares, leva as pessoas para as ruas.
O alto verão é também o tempo de explorar as salas refrescantes dos museus que fazem as suas melhores exibições nesta época. Ou para visitar os rios: o Delaware, com a vida noturna nos píeres; e o mais tranqüilo Schuykill, onde as margens gramadas convidam para piqueniques e caminhadas.
O African American Museum está celebrando o blues neste verão. Além de uma mostra fotográfica, até 3 de setembro, o museu promoverá concertos ao ar livre na hora do almoço às quartas-feiras.
Andy Warhol: um observador social está em cartaz na Pennsylvania Academy of Fine Arts até 21 de setembro. A mostra, incluindo pinturas dos ex-presidentes Reagan e Nixon, Mao e Lênin, é a maior do artista desde 1988. Para um rápido tour, a Fundação para Arquitetura faz passeios a pé de duas horas em cinco dias da semana: sábado e domingo, às 14 horas; e terça, quarta e quinta-feira, às 18 horas.
MONSTRO - Uma diferente tendência da história pode ser vista no pesado prédio da Eastern State Penitentiary, uma das mais antigas penitenciárias do país, aberta em 1829 e que foi a casa de Al Capone. O gótico monstro de pedra foi recentemente recuperado depois de décadas de decadência e está aberto para visitas.
Pedestres sempre procuram a Society Hill. É um local simpático, de tijolos vermelhos na frente da calçada, abrangendo o Independence National Historic Park e dotado de casas e igrejas com pequenos jardins, e com muitos prédios no estilo georgiano. Perto dali, a South Street agita a noite com bares e tendas.
Atravessando a Society Hill, perto da Market Street, está a parte antiga, onde há 20 anos haviam fábricas abandonadas. A área agora está cheia de galerias, cafés, clubes e restaurantes. Adeptos das caminhadas e das pedaladas podem se dirigir para o Benjamin Franklin Parkway, que vai do Centro ao Philadelphia Museum of Art.
A Filadélfia fez de tudo o que se possa imaginar para receber os visitantes na Convenção Nacional dos Republicanos: seus monumentos foram polidos, as calçadas consertadas e os hotéis ganharam um novo brilho. Mas a convenção foi curta, de 31 de julho até 3 de agosto, e o verão, longo, dando lugar a muito mais semanas de puro turismo.
No dia 30, às 21 horas, a cidade saudou a convenção com um desfile de 59 barcos iluminados e houve uma queima de fogos de artifícios ao longo do Delaware. Não precisava ser um delegado para entrar na festa política, descrita como uma feira mundial de políticos. Houve exibições históricas e interativas no Pennsylvania Convention Center, que podiam ser lidas num teleprompter. E no Atwater Kent Museum há uma exibição sobre os 200 anos de campanhas presidenciais americanas. Até 26 de novembro.
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8:31 AM
by Cassiano Leonel Drum
Frenéticas
As detetives mais sensuais do cinema ressurgem em As Panteras Detonando com muito mais ação e humor. Rodrigo Santoro aparece em três seqüências
Zean Bravo
Antes de comprar ingresso para a sessão de As Panteras Detonando, que chega hoje ao País ancorado por megacampanha de marketing, deve-se levar em conta a máxima de que cinema é a maior diversão. Seqüência do sucesso de 2000, mais uma vez dirigido por McG, a nova aventura do trio de detetives é satisfação garantida para quem deixar o mau humor de fora da sala escura. Protagonizada por Cameron Diaz, Drew Barrymore e Lucy Liu, a fita é misto de ação e paródia ainda mais acelerado que o original. Para rir e não levar a sério.
Dito isso, é só entrar na onda das frenéticas Natalie (a carismática Cameron), Dylan (Drew) e Alex (Lucy). Sem medo de parecerem ridículas, elas batem, apanham, voam pelo ar, gritam, dançam e usam disfarces de freiras a dançarinas de boate recheando calcinhas pretas e meias arrastão. E sim: pontuam a trama com diálogos chulos. Na seqüência em que o passado de Dylan é descoberto, as outras duas panteras fazem todos os trocadilhos possíveis com a palavra bunda, referência ao verdadeiro sobrenome da personagem de Drew.
A revelação sobre quem era Dylan antes de virar pantera é um dos fios condutores do roteiro. Dessa vez, a trama gira em torno da missão secreta das detetives, que devem recuperar dois anéis com informações codificadas sobre a identidade de pessoas inscritas num programa de proteção a testemunhas. Tudo desculpa para uma colagem de esquetes repletos de citações, que parodiam cenas de Os Caçadores da Arca Perdida, Cowboy do Asfalto, Matrix e até Flashdance, e que acabam lembrando filmes de sátira como Top Gang.
A ação contínua ¿ rapidinha, rapidinha, cheia de música mostra ainda as meninas despencando de uma ponte, surfando, concorrendo num enduro de motocross. Ufa!
E no meio do caminho das detetives superpoderosas está o enfurecido Seamus O Grady (Justin Theroux), ex-namorado de Dylan, sedento por vingança. Não é só. Elas enfrentam ainda o surfista assassino Emmers (Rodrigo Santoro em sua tão propagada e curta participação), assistente da vilã-mor Madison Lee (uma quarentona Demi Moore metida quase sempre em pouca roupa), pantera aposentada que se volta contra o misterioso chefe das detetives, Charlie (que nunca aparece e tem a voz do veterano John Forsythe).
Adaptação para o cinema do seriado dos anos 70, o filme é repleto de participações curiosas. Jaclyn Smith, a pantera Kelly da TV, aparece numa cena na pele da detetive veterana. Repare também na Madre Superiora, quando as meninas se disfarçam de freiras. Ela é vivida por Carrie Fisher (a princesa Lea de Guerra nas Estrelas). Menos conhecida por aqui, a cantora Pink, responsável pela música-tema do filme, também faz uma ponta.
Namorados de Natalie e Alex no filme anterior, Pete (Luke Wilson) e Jason (Matt LeBlanc) também dão as caras. Astro de filmes de ação, Jason é quase cópia de Joey, engraçado bobalhão interpretado por LeBlanc na série Friends é hilária a cena em que ele conhece o sogro, pai de Alex. Jason também é responsável por outro momento engraçado: na trama, o filme que ele acaba de protagonizar é Maximum Extreme 2, cujo cartaz é cópia do de Missão Impossível, com Tom Cruise. Em As Panteras Detonando pode-se perder até a coerência, mas nunca uma piada.
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8:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Simão
simao@uol.com.br
Portugal Urgente! Lula escorrega no bacalhau!
Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa. E o Lula tá em Portugal. O quê? Mais um idioma que ele não domina? Devia ter levado a Maria da Conceição Tavares de intérprete. E avisa pro Lula que bicha é fila, puto é menino e e-mail se chama carta voadora. E a parada gay em Lisboa se chamou Parada de PORTUGAYS! Rarará! E diz que um português casou virgem, nunca tinha visto uma xereca e, quando a Maria levantou os braços, ele gritou: 'O quê? Mais duas?'. Rarará!
E o 'Jornal Hoje' exibiu uma matéria sobre os pastéis de Belém cujo recheio é um segredo de mais de dois séculos. E na porta do recinto onde se prepara o recheio estava a placa: 'Sala Secreta'. E o Lula disse que a melhor forma de combater o terrorismo é por ações pacíficas. E o presidente Sampaio rebateu dizendo que a melhor forma é cobrir Portugal com uma lona: 'Portugal mudou-se! Saída secreta'.
E eu já disse que português não é burro, é básico. E tudo eles respondem 'depende'. Eu estava em Lisboa quando perguntei: 'O Museu Naval fica longe?'. 'Depende.' Depende de quê? 'Se vais rapidinho é cinco minutos, se vais devagarinho é 15.' E, se eles continuarem a maltratar os brasileiros residentes em Portugal, nós vamos adotar uma represália: não compra mais pãozinho na padaria. Só no supermercado, Pão Pullman!
E aquele americano que saiu do coma depois de 19 anos e falou três coisas: mamãe, Pepsi e papai. Nessa ordem de importância. A Santíssima Trindade americana. E se fosse o Bush seria: Papai, Saddam e Bin Laden. E se fosse o Palófi: papai, pafóca e juros!
E agora tá confirmado: Israel fará convênio com o Brasil para ajudar o Fome Zero. Ou seja, Israel lança o MARMITZVA! E um amigo meu estava viajando quando viu a placa 'Motel Fazenda'. E aí me perguntou o que a gente faz em motel fazenda. Cobrir vaca em pasto. Rarará!
E A VOLTA DA MÚMIA! O FHC, vulgo Maria Antonieta Tropical, declarou para o 'Clarín' que o FMI errou na Argentina e acertou no Brasil. Acertou sim. Acertou em cheio no bolso do brasileiro! É mole? É mole, mas sobe!
E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que uma amiga recebeu um panfleto propaganda da padaria da esquina dizendo que há dez anos o estabelecimento está honrado em fazer artefatos de trigo. Tucanaram o pãozinho! Socorro! Chama o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês! E hoje não tem Cartilha do Lula porque ele tá com a língua plesa em português. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza.
Email simao@uol.com.br
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8:21 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
11/07/2003
Show do Tostão
Agora mais esta do Silvio Santos concedendo uma entrevista em que declara que está para morrer por doença cardíaca terminal e que vendeu o SBT para o Boni e para a mexicana Televisa.
A primeira constatação de que Silvio Santos não estava falando a verdade é que a revista que publicou a entrevista, a Contigo, é considerada uma "revista de fofocas".
Visivelmente foi gozação do Silvio Santos. Ou então ele se cansou das fofocas que a revista publicou a seu respeito e resolveu se vingar, prestando declarações lunáticas.
A repórter que conseguiu a entrevista com Silvio Santos, pelo telefone, desde Orlando, nos EUA, onde ele se encontra, se defende: "Se é uma brincadeira, ele está brincando com as coisas mais importantes dele, o SBT e ele mesmo".
Para obter repercussão para seu trote, Silvio Santos teria de ser dramático e mórbido como foi, tratando de um tema que se constitui em tabu sagrado para os artistas famosos: as doenças sem cura de que eles sofrem.
Essa é a primeira segurança de que se trata de um trote, uma caçoada, uma brincadeira. A segunda pista que leva à certeza de que Silvio Santos estava gozando a repórter e a revista é que, quando foi indagado pela jornalista sobre qual doença terminal de que estava sendo alvo respondeu: "Ataque do Coração em Seis Anos".
Isso é uma piada, não há uma doença que na sua denominação indique o prazo fatal para o paciente.
Silvio Santos, a se confirmar toda a aparência de troça da sua entrevista, presta um grande desserviço ao jornalismo. Porque o jornalismo tem a obrigação da credibilidade.
No entanto, ele não é jornalista. É um grande comunicador e um empresário de sucesso. Não seria lícito esperar-se dele esse compromisso com a sobriedade jornalística, ainda mais que a revista que publicou ontem a entrevista se dedica à fofoca e à especulação álacre sobre a vida íntima dos artistas.
No entanto, Silvio Santos pisou no tomate no que se refere ao respeito que ele deve ao seu público, que o ama e é constituído em sua maioria de pessoas simples e ingênuas, que vão levar a sério sua zombaria e muitas irão chorar e fazer preces pela sua alma, diante do auto-anúncio de sua morte.
O fato tem todas as tintas de uma brincadeira macabra. Se se confirmar essa impressão, Silvio Santos não terá nenhum lucro com esta burla, só desvantagens.
A repórter Ana Carolina Soares, que colheu a entrevista-bomba com Silvio Santos, declarou o seguinte: "Esta é a reportagem da minha vida".
Como ontem afirmei aqui nesta coluna, a profissão de jornalista é muito perigosa, agora mesmo estou correndo um risco nesta coluna, ao classificar de comédia a entrevista de Silvio Santos. E se for séria?
A repórter da Contigo correu esse risco quando publicou sua entrevista. A que ela diz ser a reportagem "da sua vida" pode ter sido a da sua morte como jornalista.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:19 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
11/07/2003
A escova da Branca de Neve
Minha escova de dentes é da Branca de Neve. Sem querer. Precisava de uma escova nova, aqui na Zero, e fui comprar no postinho do outro lado da rua. Cheguei ali, peguei uma escova aleatoriamente, nem vi direito qual era. Escovei os dentes uma vez, duas, qualquer cafezinho me faz escovar os dentes. Aí está algo que aprendi, na looonga estrada da vida - escovar os dentes é muito, MUITO importante. Ah, se soubesse disso antes... Mas, como ia contando, só pela terceira escovada percebi: com mil incisivos, comprei uma escova da Branca de Neve!
Olhei para os lados. Estava sozinho no banheiro. Será que alguém, nas escovadas anteriores, viu a minha escova da Branca de Neve? Maldição. Examinei a escova. Decidi jogá-la fora. Só que, puxa, estava gostando dela. Não por ser bonitinha, que é, mas por escovar bem. Tão macia. E, como é pequena, intromete-se em quaisquer desvãos entre os molares, feito um râmster.
Fui ficando com ela. Passei a ter cuidado. Quando alguém entra no banheiro, cubro o desenho colorido da Branca de Neve com o polegar e tento continuar escovando com naturalidade. Em seguida, meto-a numa pequena bolsa. O problema foi que dia desses me distraí, deixei-a repousando na pia enquanto passava fio dental. O Jones Lopes da Silva entrou no banheiro. Logo o Jones, gozador e fofoqueiro! Eu estava longe da escova, não a alcançava. O Jones veio vindo. Dei um passo na direção da escova. Ele veio. Veio. Avancei outro passo. Torcia para que ele não olhasse para a escova. Mas ia olhar, claro: pretendia usar a pia, não havia como não olhar. Eu tinha que desviar a atenção dele. Como???
- Viu aquilo dos maiores seios do Brasil, Jones?
Ele parou. Virou-se para mim.
- S-seios?
Deus é pai. Fui me aproximando da escova.
- A Camila Mortágua. Botou silicone. Disse que agora é dona dos maiores peitos do Brasil.
O Jones sorriu com a idéia.
- Que tamanho? - salivou.
- Grandes. Bem grandes. E redondos.
Mais um passo.
- Redondos?
- Praticamente duas bolas de futsal - levei as mãos em concha até o peito. O Jones arregalou os olhos. Aproveitei e peguei a escova! Peguei! O Jones sorria para o azulejo branco da parede.
- Duas bolas... - repetiu, sonhador.
Escorreguei para fora do banheiro. Suspirei, ao sentar a salvo no meu lugar. Tudo para não virar motivo de chacota da redação inteira. Agora entendo os que reclamam das piadas do Casseta & Planeta contra os gaúchos. Entendo. O Casseta e o Jones, esses realmente não dá pra agüentar.
david.coimbra@zerohora.com.br
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Posted
8:16 AM
by Cassiano Leonel Drum
Clima
A cor do frio
No dia mais frio do ano, a geada branqueou parte do Estado e embelezou ainda mais a Rota do Sol (foto Roni Rigon, Agência RBS/ZH)
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Quinta-feira, Julho 10, 2003
Posted
10:23 PM
by Cassiano Leonel Drum
Bordando Palavras
Silvana Duboc
Aqui, agora, sem dor, posso falar daquele amor,
das noites mal dormidas, das tantas feridas
que ele abriu em meu coração ...
Posso falar daquela paixão que rondou a minha alma
enquanto a calma de mim se distanciou ...
Hoje, refeita da agonia, eu posso descrever
tudo que eu sentia, aquele turbilhão
de todo tipo de emoção ...
Não ...
não que eu tenha me curado, apenas coloquei de lado
aquelas ilusões e entendi que as grandes paixões
sempre terminam em nada e somos obrigados
a trilhar outras estradas ...
Então eu fui ... tenho seguido por aí,
mas na verdade nunca te esqueci,
e trago aqui dentro as cicatrizes
daqueles momentos que vivi ...
Estranhamente gosto de acariciá-las
através destas palavras que insisto em bordar ...
Estranhamente tento retornar
àquele tempo que não vai voltar, onde todas sangravam
e meus olhos encharcados pelos teus procuravam ...
Te amei ... só eu sei o quanto amei e a ti nunca contei ...
mas só eu sei como te amei ... e te amei tanto
que perdi a lucidez e da vida não pude mais ver o encanto,
cega que fiquei pelo meu pranto quando de mim tu partiste ...
Te amei ... até que meu coração ruiu,
te amei até a última gota que esvaiu, como roupa que se torce
e nada mais tem pra pingar ... te amei até não agüentar!
e hoje tenho a certeza de que te amei
muito mais do que a mim mesma ...
Te amei ... com toda beleza, amei mais do que eu podia,
muito mais do que eu devia, bem além do que eu queria ...
e agora só me restou, depois de todo esse amor
um mero retalho bordado com as marcas do passado.
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10:20 PM
by Cassiano Leonel Drum
Estarei mentindo
Silvia Schmidt
Se eu te disser, amor, que eu não te amo,
Ouvirás das mentiras a mais pura,
Escutarás a dor que não se cura
Dentro do peito que revela o engano
Se eu te disser, amor, que eu vou embora,
Não abras portas : não me moverei
Mentindo ainda assim eu estarei,
Prevendo o adeus, essa temível hora
Hora de ver o quanto nada posso
Longe de ti fazer, de mim perdida,
Quanto enfraqueço fora do que é nosso,
Quanto me assusto diante da partida
Tão semelhante a traiçoeiro fosso
Que não reserva espaço para a Vida
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8:46 AM
by Cassiano Leonel Drum
O PRESENTE
Bruno kempel
Fui à livraria comprar um buquê de versos. O florista que me atendeu disse-me que estavam em falta. Mas não desisti. Fui até à loja que vende flores e pedi um livro de poesias cheirando a jasmins. O livreiro desculpou-se dizendo que estava esgotado.
Teimoso como sou entrei no circo querendo comprar a tristeza do palhaço, mas só tinham para vender a caricatura do seu sorriso. Diante disso, fui até a maternidade tentando achar; um pouco de ternura, mas a enfermeira garantiu-me que isso só se encontra nos livros de poesia.
Então, ante o dilema de parar ou seguir, decidi continuar à procura do presente, pois queria mandar algo que significasse mais do que apenas um mimo. Sim, revirei meia cidade buscando alguns gritos de felicidade, mas só achei gemidos de segunda mão. Tentei encontrar suspiros de prazer, porém o lojista só dispunha de silêncios que não paravam de gritar.
Revirei as estantes à cata de um vinho feito de suor gerado no desejo e de lágrimas paridas na emoção do encontro, mas apenas achei garrafas vazias e;cansadas de esperar por quem as encha. E foi assim que de prateleira em prateleira, de loja em loja, de bairro em bairro, esgotei o estoque de possibilidades, pois na cidade apenas sobraram sem mácula as esquinas da vida, as praças da esperança, as árvores impávidas, e os ninhos sem cadeado onde habitam os pássaros sem tristeza.
Por tudo isso é que só me restou uma alternativa, e uso antes que seja tarde demais. Espero então que aproveite a esquina que lhe mando para nela aguardar até que o sinal da felicidade fique verde de alegria; a praça, para que desde um dos seus bancos, e olhando o céu, possa desfolhar a alegoria do amanhecer recitando borboletas de todas as cores; as árvores, para que; à sombra dos seus galhos floresça a inspiração sempre que ela visite os seus domínios.
Os ninhos, para dar guarida ao gorjeio sentimental que sua sensibilidade borde em prosa e verso sobre a toalha de renda da vida; e os pássaros felizes, para que sobrevoem as paisagens que a sua imaginação lhes implante nas retinas. Como já disse, isto foi o único que achei para mandar. Sei que é muito pouco, pouco até demais, não mais do que uma amostra de esperança, mas como tratei de explicar, foi o único que achei para mandar e espero que gostes.
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8:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
Pancadão na moda
Blue Man bota funk na passarela do Fashion Rio e funqueiros levam a platéia ao delírio
Flávia Motta
Modelo funqueira: corpão e suingue
Diz a letra que funk é som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado. Pois nem Elvis Presley que dividiu cena com Sapão, Vanessinha Pikachu e outros ícones do ritmo carioca ontem, no desfile da Blue Man conteria a famosa pelvis. A apresentação da nova coleção de David Azulay teve ainda música clássica, pop rock e maracatu. Mas foi o batidão e a dança dos bailes que conquistaram a platéia e o dono da grife. Estava tão concentrado na coleção que fiquei com preguiça de fazer o desfile. Me convenceram de chamar a Bia (Lessa, diretora de teatro, responsável pelo desfile) e não me meti em nada. Mas, no ensaio, quando entrou o funk, já gostei. É minha praia, garante David, que viu a platéia ir à loucura com os negões funkeiros, recebidos com aplausos e gritaria.
A intenção de Bia era levar para passarela a realidade democrática da praia. Mas tem a valorização do indivíduo e o respeito às tribos, destaca a diretora. E, por respeito às tribos, não houve representações: Bia optou por colocar gente comum pra desfilar. ¿Os meninos da Zona Sul que tocam maracatu são eles mesmos e os funkeiros também. O desfile no Rio possibilita essa atitude lúdica, acredita.
Para que tudo ficasse bem real, a produção foi procurar nas ruas os funkeiros da passarela. Gente saída da Cidade de Deus, de Madureira, Belford Roxo e Cavalcante direto para o mundo fashion. Integrantes do grupo de dança Os Deuses do Funk, Leandro Ribeiro, 17 anos; Luiz André Ribeiro, 16, e Evandro Bernardino, 18, foram descobertos durante apresentação no morro da Serrinha. A gente ficou com um pouco de vergonha, mas se garante. A platéia foi ao delírio¿, esnoba Luiz André. Integrantes de um grupo de modelos da CDD, Joyce Rodrigues, 19, e Wagner Ramos, 17, comemoravam a conquista e o fato de terem sacudido até os bastidores. Adoro funk e estávamos todas dançando e doidas para entrar com eles, confessa a modelo Juliana Martins ao lado de uma rebolativa Gianne Albertoni.
Conquistado pelo pancadão numa visita ao baile do Bandeirantes Tênis Clube, Dany Roland não podia deixar o ritmo de fora na trilha que assinou para o desfile. Fiquei fascinado. E tem tudo a ver com essa tolerância do brasileiro com todas as culturas, teoriza. Da platéia, Ivo Meirelles aplaudia sem parar. Estou feliz da vida de o funk ter chegado aqui. É um novo começo: o funk fazendo moda.
Passinhos e a boa forma dos rapazes arrancaram gritinhos do público. Difícil era reparar nas sungas e biquínis
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8:18 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Simão
simao@uol.com.br
Buemba! MST é: Meu Salário Terminou!
Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República do Boné! Ops, Direto do País da Piada Pronta: 'Bomba explode em show de Belo'. Então não foi explosão, foi implosão. O show se implodiu. E um amigo me disse que a situação tá tão braba que ele tá mais apertado do que São Jorge em lua minguante. E avisa pro Lula que um outro amigo também vai botar um boné do MST: Meu Salário Terminou!
E esta aqui: '40% dos servidores estão parados'. E os outros 60% continuam parados. Rarará! E continua a polêmica da vitória do Rio sobre São Paulo para sediar as Olimpíadas. E os paulistas continuam ofendidos com a frase do Cesar Mala: 'As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental'. E já lançaram a represália pela internet: 'Beleza é fundamental! Paris pra 2012!'. Rarará!
E diz que agora as Olimpíadas dependem do COB, Crime Organizado Brasileiro! E São Paulo seria ouro em duas modalidades: jogar lixo no Tietê e matar pernilongo no tapa. Aí os atletas iam pensar que o povo tava aplaudindo, mas na realidade tava é
matando pernilongo no tapa: clac, clac, clac, pá!
E uma amiga disse que antigamente as mulheres gostavam do cara cavalheiro, romântico e educado. Agora a onda é caratê: o caratê grana, o caratê carro e o caratê fama. Rarará!
E o Malanta elogiou o Palófi. Que sacanagem. O Malan elogiando alguém é sacanagem. É a primeira vez que elogio vira sacanagem. E a mania agora é chamar o Zé Dirceu de Stálin: 'O Zé Dirceu é um Stálin! O Zé Dirceu é um Stálin'. Mas um leitor acha que na realidade o Zé Dirceu é um cruzamento de Stálin com Jeca Tatu. Rarará!
E continuam as reclamações sobre as estradas brasileiras. Um amigo foi viajar nas férias, e tinha tanto buraco, mas tanto buraco, que sabe o que ele fez? Parou pra pescar. Num buraco. Ficou pescando num buraco. É mole? É mole, mas sobe! Rarará!
E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que num hospital eu vi a placa: 'Favor depositar qualquer quantia para pessoas com hiposuficiência econômica'. Tucanaram os pobres! Aliás, ferraram com os pobres. Um colunista da revista 'Newsweek' escreveu que a guerra contra a pobreza acabou. E os pobres perderam.
E atenção. Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. 'Esgotado': companheiro que caiu no esgoto. 'Quilate': Heloísa Helena, Babá e Luciana Genro. Quilate, mas não morde. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.
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8:15 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
10/07/2003
O pão e as rosas
Sou um apreciador de pães. Quando saio do trabalho à noite, costumo passar no posto de gasolina da esquina para comprar pão quente. Isso mesmo: no posto de gasolina. Já vai longe o tempo em que só padarias vendiam pão, só açougues vendiam carne e era preciso passar na quitanda para comprar frutas e verduras. Os supermercados e as lojas de conveniência subverteram tudo - e nos trouxeram mais conforto, é bom reconhecer. Pois gosto tanto do pão-de-leite do posto vizinho que não me conformo em consumi-lo sozinho. Sempre compro alguns a mais e saio distribuindo pelo caminho. Na última terça-feira, fiz a festa dos meninos que armam pirâmide e fazem malabarismo com calotas na sinaleira da Ipiranga.
Tem um ditado que diz "Melhor é o pão quando o coração está contente". Pois eu acho que compartilhar o pão também deixa o coração contente. Foi com a alma alegre que descobri, nas últimas leituras da noite, uma agradável coincidência: celebrava-se na terça-feira o Dia do Padeiro. Na adolescência, muito antes de ingressar nesta aventura maravilhosa do jornalismo, cheguei a trabalhar como padeiro, mais especificamente como distribuidor de pães. Mas conheci bem os homens enfarinhados, que atravessam as noites e as madrugadas preparando a massa ou suando na boca do forno. Nem sabia que existia um dia especial para homenageá-los.
E o mais interessante - li naquela noite - é a simbologia da data escolhida. Os panificadores celebram a profissão no dia de Santa Isabel. Conta a lenda que Isabel, rainha portuguesa, costumava distribuir pão aos pobres longe dos olhos do rei. Numa época de fome no reino, vendeu suas jóias para comprar trigo e garantir a alimentação do povo. Certo dia, quando fazia as doações, seu marido chegou repentinamente e ela escondeu os pães no longo vestido. Questionada pelo rei, respondeu que estava colhendo flores. O marido, então, exigiu que ela mostrasse o que escondia. Quando a rainha soltou as vestes, caíram rosas perfumadas.
É só uma história bonita, dirão os céticos, e eu tendo a me colocar entre eles. Mas aprendi na minha vida passada de adolescente que o pão nosso de cada dia, saído do posto de gasolina ou do forno da padaria, é também o resultado de um milagre chamado trabalho.
nilson.souza@zerohora.com.br
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8:12 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
10/07/2003
Culpa maior
Cartum: as caravelas de Pedro Álvares Cabral aproximam-se da praia, onde um grupo de índios as observa. Um índio olha para outro e diz: - Iiih... Lá vem aquele papo de reforma agrária. O papo de reforma agrária pode não ser tão antigo quanto o descobrimento do Brasil, mas é certamente um dos nossos temas mais velhos e recorrentes.
Tanto que adquiriu uma certa candura de folclore. Falar muito de reforma agrária e nunca fazê-la seria uma das simpáticas inconseqüências brasileiras, algo como a nossa impontualidade ou outro mau hábito qualquer. Mas como era um ideal nobre, e o fato de termos tanta terra agia como uma espécie de remorso geográfico permanente, a reforma agrária estava em todo discurso de candidato e todo programa de governo, à esquerda e à direita.
O grande, o imperdoável crime dos que começaram a organizar o movimento dos sem-terra foi, em primeiro lugar, se organizarem, e em segundo querer transformar retórica em realidade. O de afrontarem um dos pressupostos do patriciado brasileiro e dos seus discursos, que é o de que a boa intenção se basta, e os exime de fazer. Desafiaram uma das mais arraigadas tradições nacionais.
Não se trata de justificar ou incentivar as invasões do MST e a ilegalidade, mesmo porque a violência sempre favorece a reação. Mas a culpa maior pelo ponto de combustão a que chegou a questão fundiária no Brasil não é do ativismo que hoje assusta de multidões de enjeitados do campo e das cidades, que não são causa mas efeito, e sim de toda uma História de promessas não cumpridas ou mal cumpridas, insensibilidade, oportunidades perdidas - e bons discursos.
Não adianta nada, claro, ficar aqui dizendo que a conta da dívida social brasileira acumulada desde as caravelas, a conta de tudo que não foi feito, está chegando, quá-quá-quá e bem feito, porque numa combustão geral nos queimaremos todos. Mas não culpem as vítimas. Lula não vestiu um uniforme inimigo, como quer a reação, quando botou o boné do MST. O inimigo usa cartola. Ou usava, nas charges antigas.
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8:09 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
10/07/2003
O sol da liberdade
Era da mais intensa alegria o clima entre os familiares e os colegas do jovem auxiliar de mecânico Fernando Araújo da Silva, 24 anos, depois que ele transpôs, ontem, o pórtico do Presídio Central e ganhou a liberdade.
Desde que fiquei sabendo do caso de Fernando, dia 4 deste mês, apostei tudo em sua inocência.
Uma arriscada aposta. Porque todas as informações que eu recebia do Tribunal de Justiça de Santa Catarina eram de que ele era o homem procurado pela Justiça, autor de um assalto em Balneário Camboriú.
Eu tinha somente a palavra da esforçada e talentosa advogada de Fernando, bacharel Cristiane Bonetti Ferreira, que peregrinara por dias em Santa Catarina, esforçando-se por entre varas e comarcas da Justiça de lá para libertar o inocente.
Parecia tudo em vão.
Foi quando decidi apostar na inocência de Fernando, baseado em todos os detalhes da sua saga dramática, um desses lances de azar por que passa uma pessoa no transcurso da vida, capazes de arrasá-la.
Pelo assessor de imprensa do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Ângelo Medeiros, tive sempre contato telefônico com aquela Corte, onde de início ninguém se convencia da inocência de Fernando - e todos de lá me diziam que era concreta a participação dele no assalto que acabara em sua condenação, enquanto que quase inutilmente eu bradava que tudo se resumia a um grande erro a que a sentença tinha sido induzida pela forte coincidência da trama enganosa (o verdadeiro assaltante se identificara como Fernando, usando a identidade dos documentos que lhe furtara).
A coluna de domingo passado que escrevi foi temerária. Se Fernando ou sua advogada estivessem mentindo, eu pagaria caro por ter encampado publicamente e nesta coluna de grande repercussão a versão deles.
Agora, só agora, sinto que foi meritório o risco que corri, baseado apenas na minha cognição sobre os acontecimentos. A advogada do inocente foi a grande artífice de sua libertação.
Mas eu, Zero Hora e o Diário Gaúcho tivemos participação essencial, assim como várias autoridades da Secretaria da Justiça e Segurança e da Justiça gaúcha (Susepe), na derrubada dos óbices que se levantavam à soltura do inocente.
Ninguém irá devolver a Fernando os 18 dias de pânico e terror que passou no cárcere. Mas o consolará a corrente pública de solidariedade de que ele foi alvo.
Há uns 12 anos, este colunista foi agraciado com o prêmio máximo do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, presidido então por este bravo Jair Krischke. Foi o maior laurel desta coluna.
E, enquanto este espaço continuar a liderar estes avanços e conquistas em favor da frágil experiência humana, o jornalismo e a vida valem a pena ser exercitados.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:06 AM
by Cassiano Leonel Drum
Clima
Uma cidade em estado de choque
Tornado que arrasou parte de São Francisco de Paula legou um morto, mais de 50 feridos e o terror de uma noite interminável
Pelo menos 20 casas foram trituradas e outras 300 parcialmente destruídas pela tempestade que chegou à cidade no início da noite de terça-feira (Ricardo Chaves/ZH)
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Quarta-feira, Julho 09, 2003
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11:09 PM
by Cassiano Leonel Drum
Meu Príncipe Encantado
Autora: Tahyane
Quisera ter doces lembranças...
de amores de tempos de outrora
Resgatar a tua imagem na memória
Sentir em mim a tua emoção
Quisera poder relembrar os momentos
que estão na esteira do tempo marcados
quando juntos estávamos enamorados
Quando o mundo era só o nosso amor
As estrelas que hoje vejo no céu a brilhar
atravessaram o tempo e continuam a cintilar
num pisca-pisca provocante como a me relembrar
que somente a elas posso mirar
Sinto somente marcante ausência
de um não sei o quê precisar
Uma saudade doída de alguém
que não consigo do rosto lembrar
Quisera encontrar o encantado castelo,
em que estás como Príncipe a me esperar...
Para valsar no calor dos teu braços
Para com teu beijo adormecer e sonhar
Eu sinto somente a saudade
somente a sentida ausência
somente a inexplicável tristeza
de não poder sentir o teu amor
Imagino-te nos meus acordados sonhos
Trago no coração um amor que é so teu
Somente a minha alma te ama e não eu!...
E eu vivo na terra sonhando com o céu
o mesmo céu estrelado fundo de cena
de dois eternos apaixonados:
Eu a triste cinderela,
e tu o meu Príncipe Encantado!...
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11:00 PM
by Cassiano Leonel Drum
Lira do amor romântico
Carlos Drummond de Andrade
Atirei um limão nágua
e fiquei vendo na margem.
Os peixinhos responderam:
Quem tem amor tem coragem.
Atirei um limão nágua
e caiu enviesado.
Ouvi um peixe dizer:
Melhor é o beijo roubado.
Atirei um limão nágua,
como faço todo ano.
Senti que os peixes diziam:
Todo amor vive de engano.
Atirei um limão nágua,
como um vidro de perfume.
Em coro os peixes disseram:
Joga fora teu ciúme.
Atirei um limão nágua
mas perdi a direção.
Os peixes, rindo, notaram:
Quanto dói uma paixão!
Atirei um limão nágua,
ele afundou um barquinho.
Não se espantaram os peixes:
faltava-me o teu carinho.
Atirei um limão nágua,
o rio logo amargou.
Os peixinhos repetiram:
É dor de quem muito amou.
Atirei um limão nágua,
o rio ficou vermelho
e cada peixinho viu
meu coração num espelho.
Atirei um limão nágua
mas depois me arrependi.
Cada peixinho assustado
me lembra o que já sofri.
Atirei um limão nágua,
antes não tivesse feito.
Os peixinhos me acusaram
de amar com falta de jeito.
Atirei um limão nágua,
fez-se logo um burburinho.
Nenhum peixe me avisou
da pedra no meu caminho.
Atirei um limão nágua,
de tão baixo ele boiou.
Comenta o peixe mais velho:
Infeliz quem não amou.
Atirei um limão nágua,
antes atirasse a vida.
Iria viver com os peixes
a minh¿alma dolorida.
Atirei um limão nágua,
pedindo à água que o arraste.
Até os peixes choraram
porque tu me abandonaste.
Atirei um limão nágua.
Foi tamanho o rebuliço
que os peixinhos protestaram:
Se é amor, deixa disso.
Atirei um limão nágua,
não fez o menor ruído.
Se os peixes nada disseram,
tu me terás esquecido?
Atirei um limão nágua,
caiu certeiro: zás-trás.
Bem me avisou um peixinho:
Fui passado pra trás.
Atirei um limão nágua,
de clara ficou escura.
Até os peixes já sabem:
você não ama: tortura.
Atirei um limão nágua
e caí n¿água também,
pois os peixes me avisaram,
que lá estava meu bem.
Atirei um limão nágua,
foi levado na corrente.
Senti que os peixes diziam:
Hás de amar eternamente.
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10:55 PM
by Cassiano Leonel Drum
Folhas de Rosas
Florbela Espanca
Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo ...
E falo-lhes d'amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente...
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente...
Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga,
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m'embriaga
O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que refletia outrora tantos risos,
E agora reflete apenas pranto,
E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho
De vago e de feliz no meu passado...
Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mais fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia...
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8:27 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Simão
simao@uol.com.br
Buemba! Rubinho atropela o Galvão!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! CPI do Boné! Continua a polêmica do boné do Lula, aquele red cap do MST! O Lula deveria ter feito como a turma do rap: botava o boné pra trás. Aí não dava problema. Ou então ter botado o boné de orelhas do Mickey. E um outro disse que o Lula lançou o Fashion Rural Week. E essa bombástica notícia: 'Lula testa avião da Airbus para substituir o Sucatão'. Já sei, ele tá testando a Sheila Mello pra substituir a Marisa.
E só tem dois jeitos de ficar rico no Brasil: ganhar na Megasena ou achar o Saddam Hussein. E acaba de sair o salário menstruação: vem uma vez por mês e dura três dias. E um desempregado e ex-comprador de carro zero tem uma sugestão para as montadoras esvaziarem o estoque: vendam os carros pros robôs.
E ainda continuam falando do Santos: um leitor me disse que o Santos perdeu porque o Leão esqueceu de convocar o Pelé, o Pepe e o Serginho Chulapa. E que o Robinho agora vai dar pedalada em bicicleta ergométrica. Taí um bom presente pro Robinho: bicicleta ergométrica. E o Boca ganhou a Libertadores e vai pro Japão. Ou seja, QUEM TEM BOCA VAI A TÓQUIO!
E as férias? Um amigo meu foi pro interior e chegou rouco de tanto dar bom-dia pros cobradores de pedágio. E disse que as estradas estão cheias de buracos no acostamento, esperando a vez pra entrar na pista. BR é abreviatura de buraco. Rarará. A gente não desvia mais dos buracos, desvia das estradas!
E alguém ainda assiste F-1? Aliás, muda logo o nome da Fórmula 1 pra Fórmula Schumacher. E o Ufanismo Urucante do Galvão? Foi só ele gritar 'lá vem o Rubinho' que o teletubbie roda na primeira curva. Aliás, sabe o que eu faria se fosse o Rubinho? ATROPELAVA O GALVÃO! Rarará. E eu já disse que o Rubinho devia ser piloto de enceradeira, encerar curva.
Momento Carla Perez na Fórmula Schumacher. Ross Brawn, diretor-técnico da Ferrari, disse que a equipe tinha que se recuperar e dar uma guinada de 360 graus. Então fica tudo na mesma? Um Schumacher em primeiro e o Rubinho em sétimo? Rarará.
E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que um amigo meu viu a placa no estacionamento do aeroporto de Londrina: 'Vaga sujeita a detritos de aves'. Tucanaram a cagada de passarinho. Rarará.
E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Abundantes': as sheilas. Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
Email simao@uol.com.br
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