Front page
Archive

Voces encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Encontrarão também muitas crônicas de jornais diários e de revistas semanais, fundamentalmente, dos colunistas elencados a esquerda ai no Blog.
Endereço para email: cassiano.leonel@terra.com.br e para observações e comentários utlize os links disponíveis nos próprios textos. Espero que ele seja útil a você de alguma maneira, pois esta é uma das razões dele existir.
Blogs que eu visito
This is my blogchalk: Brazil, RS, Porto Alegre, Santana, Portuguese, Spanish, Cassiano Leonel Drum,
Male,Internete, Bancos.
 Looking for laughs? Come on over to Garfield's official Web site. You'll really dig it! |
 Get Garfield emailed to you every day from uComics.com...for FREE |
Aprenda Java Script
Tempo de Acesso
Você está aqui a:


|
Últimas Notícias
|
|

|
Sábado, Julho 19, 2003
Posted
3:30 PM
by Cassiano Leonel Drum
Ricardo Silvestrin
19/07/2003
Eu não sou apenas um rostinho bonito
Esses dias fiquei sabendo sobre a curiosa trajetória de Peter Frampton. Deu na NET uma biografia do rapaz. Ele era um guitarrista que explodiu uma venda de 5 milhões de discos ali por 1977. Na capa, colocaram uma foto sua de cabelos loiros encaracolados e olhos azuis. Não tinha colega minha na oitava série que não tivesse o disco. Todas elas ficaram horas namorando a capa. E ainda vinha o pôster na revista Pop!
Frampton emplacou alguns sucessos, como o rock Show me the Way. Sua guitarra com uauá era inconfundível. Até hoje soa legal. Mas a exploração da sua beleza, se no começo ajudou a vender, com o tempo acabou causando desconfiança sobre o seu talento.
No próximo disco, veio o que a gravadora considerou um fracasso. Antes de ser gravado, já haviam sido vendidos 3 milhões de cópias. Depois de lançado, ficou nos minguados 3 milhões. Emplacou nas paradas só I´m in you. Realmente, era apenas um rostinho bonito.
Frampton começou a se endividar, pois o contratos não eram grande coisa e favoreciam muito mais os advogados. Tomou pé da situação, pegou a administração da grana nas mãos e constatou que devia 800 mil dólares. Todos sabiam que sua mulher o traía, menos ele. Quando descobriu, ficou desnorteado, bateu o carro e ficou hospitalizado e sem grana por um longo período.
Casou com uma mulher que realmente gostava dele e teve filhos. Tentou fazer shows novamente, sem sucesso. Um dia, um produtor o encontrou tocando na rua para levantar um troco. Convidou-o para ser músico de estúdio, tocando no disco de vários artistas. Até que no final dos anos 80, David Bowie faz uma música e acha que quem devia tocar guitarra nela era o Peter Frampton. Gosta do resultado e o convida para participar da turnê. Todo mundo lembra como ele era legal, faz vários shows com sucesso, relança seus discos e ganha grana de novo. Só que agora já meio gordo e quase careca, o que contribuiu para eliminar as desconfianças sobre o seu verdadeiro talento.
A beleza e a sedução fazem parte do jogo de palco e platéia. Pegar o microfone e cantar diante de trocentas pessoas é uma maneira de ser o centro das atenções. Tem um componente erótico nisso. Mas, quando a sedução física vem pra frente, parece que acaba provocando um desprezo pelo talento. Aconteceu algo parecido com o RPM. Poderia ser uma banda tão bem sucedida como um Paralamas, por exemplo. Mas investir nas caras e bocas do Paulo Ricardo trouxe um sucesso imediato que acabou fazendo a banda definhar. Também tem a inveja masculina louca pra puxar o tapete do cara. Ah, vai ser o bonitão agora... Parece que a nossa sociedade pega mais leve, ou mais pesado, com a sedução das mulheres. Ninguém duvida do talento da Madonna, que joga o tempo todo com o desejo de quem olha pra ela.
E é pra não ser tachado de apenas um rostinho bonito que não coloquei a minha foto aí em cima na coluna!
ricardo.silvestrin@zerohora.com.Br
Comente o texto acima:
Posted
3:19 PM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
19/07/20003
Eles não usam black-tie
Os jornais noticiaram com destaque que o presidente Lula da Silva recusou-se a usar casaca na recepção oferecida em Madri pelo rei da Espanha.
Muitas opiniões classificaram como grosseria de Lula ter usado terno numa ocasião solene.
Na verdade, essa oposição ao black-tie é característica dos governantes de esquerda. Não admira pois que Lula tenha enfrentado a exigência protocolar.
Depois da II Guerra Mundial, os presidentes dos países socialistas inauguraram o terno comum nas cerimônias solenes.
Grande parte desses governantes socialistas já usava farda em todas as ocasiões, eram ex-comandantes revolucionários, casos de Mao Tsé-tung e Fidel Castro.
O único presidente comunista eleito da América Latina, Salvador Allende, recusou-se inicialmente, como Lula na Espanha, a usar casaca na sua cerimônia de posse, em 1970, embora o protocolo assim o exigisse.
Allende não queria cumprir dois pontos do protocolo: a casaca e a missa.
Bateu pé até o fim em não assistir à missa nem usar o fraque. Mas a resistência tradicional chilena também não queria ceder.
Até que chegaram a um meio-termo, e Allende iria assistir à missa, mas conseguiu se livrar da casaca.
Lembro-me de que, no dia seguinte ao acordo, o Jornal da Tarde, de São Paulo, saiu-se com esta manchete principal: "Amanhã, depois da missa, o comunismo no Chile".
É impressionante o número de pessoas que me escreve reclamando das multas que lhes aplicam os azuizinhos, os brigadianos e os pardais na Capital e no Interior.
Segundo alguns, no aeroporto Salgado Filho há uma indústria de guinchamentos, basta um determinado número de carros estar estacionado e uma agência do EPTC que funciona lá dentro telefona e o guincho comparece em seguida, agindo em massa.
Outro leitor (paulo@gnu.com.br) manda dizer que, dia 29 passado, estacionou num posto de gasolina na Assis Brasil, em direção à freeway, quando um pelotão de brigadianos e azuizinhos invadiu o posto e multou todos que ali estavam estacionados.
Como não estava mal estacionado, perguntou a um policial o porquê de estar sendo multado. Foi respondido que ali era lugar de "pegas" e que então recorresse, mas a multa ia ser imposta para "impor respeito".
Multaram-lhe por avançar o sinal vermelho, estando ele estacionado! Clama contra esta grande injustiça.
E vai por aí afora a fúria arrecadatória e punitiva.
E a gozação continua com o frango espetacular que o Clemer sofreu contra o Atlético Mineiro.
O leitor Raul Menegaz, de Passo Fundo, manda a seguinte sugestão: "Dá uma idéia para a comissão técnica do Inter: colocar uma rede nos fundilhos do calção do Clemer, aquelas redes do tipo basquete, costurando o fundo, é claro".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Comente o texto acima:
Posted
3:09 PM
by Cassiano Leonel Drum
=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.=.==.=
Lya Luft
19/07/2003
O espaço da dor
Eu que invento e desinvento minhas histórias, eu que manejo os cordéis da minha vida, eu decidi parar de crescer.
Foi quando minha Mãe não procurou logo por mim naquele nosso jogo. Dessa vez ela não entrou na brincadeira: não se interessava mais. Minha Mãe foi-se cansando de mim, da nossa cumplicidade. Ou da vida que levava. Sabia que havia rumos a decidir, e restava-lhe menos tempo para minhas constantes necessidades, pois eu a exigia muito - e ela se exigia o tempo todo. Não se perdoava ser infeliz por ter uma vida infeliz. Não se permitia a felicidade. Ela se desconstruía diariamente.
Notando o desinteresse dela por mim, disfarçado mas real e do qual talvez nem ela se desse conta, pensei que se ficasse para sempre pequeno eu teria mais chances: o que resta a uma Mãe senão cuidar do seu Menino?
Além do mais, crescendo eu perderia a minha perspectiva, as possibilidades de inventar se afunilariam e se fechariam as portas daqueles corredores de sedução. Eu não queria ser como os adultos, que pensam que tudo controlam mas deixam escapar o essencial. Então tomei a minha decisão.
Meu corpo obedeceu quando eu o reprogramei; mas não como fora planejado. Parou, mas não de todo; e não se sustou direito. Em algum momento errei a fala, fugi do roteiro, botei fora o papel pensando que era indispensável. Estranhas mudanças começaram a acontecer em mim - essas que nem eu entendo mas sofro.
Cada dia sinto que fiquei alguns milímetros diferente. Um pouco maior? Menor ainda? A pele muda de textura, tudo me dói. Se, ao contrário do que projetei, eu continuar crescendo mas minha pele não esticar? Se ela rachar e se fender... se eu explodir? O que vai ser de mim? Eu me pergunto isso todos os dias, uma porção de vezes. O que vai espirrar nas paredes, o que vai-se derramar no chão: as tripas ou o sonho?
Talvez ninguém seja culpado do que me aconteceu: meus cálculos podem ter dado errado, minhas manobras falharam, o devorado era o que devia ficar inteiro, e o sobrevivente foi aquele que deveria ter sido engolido.
Quem conta histórias pode sobrepor muitas camadas de imaginário e real, pois sabe que os limites são tênues, e poderosa a liberdade - com todos os seus perigos. É isso que eu faço. Eu manejo as minhas criaturas, invento e desinvento, e faço acontecer.
Ser para sempre criança tem seus confortos: a gente se esconde melhor, e com mais facilidade. Crescer é ficar maior: ser espaçoso significa oferecer muita superfície para que os outros nos machuquem. Então prefiro ser assim, encolhidinho a vida toda. Consciente de que a vida não perdoa as nossas escolhas mais confortáveis.
(PS: assim, mais ou menos, começa um meu romance, O Ponto Cego, de 1999. O trecho inicial não está aqui porque eu tenha preguiça de escrever uma crônica, mas porque me deu vontade de partilhar isto com o leitor.)
Comente o texto acima:
Posted
3:07 PM
by Cassiano Leonel Drum
Entretenimento
Cultura para as férias
Período de recesso escolar é uma oportunidade para a criançada conhecer museus e espaços de arte (foto Paulo Franken/ZH)
Comente o texto acima:
Sexta-feira, Julho 18, 2003
Posted
8:43 AM
by Cassiano Leonel Drum
Torcedor de peso para o Rio
Presidente Lula recebe atletas que vão disputar o Pan e garante apoio à candidatura da cidade para sediar as Olimpíadas de 2012
BRASILIA E RIO. O Brasil já começou a maratona para garantir o sucesso do Pan-Americano na Cidade do Rio e conquistar o direito a sediar os Jogos Olímpicos de 2012. No Palácio do Planalto, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, ontem, parte da delegação que disputará o Pan de Santo Domingo, a partir do dia 1º, na República Dominicana. Ele aproveitou a ocasião para declarar apoio integral à candidatura do Rio aos Jogos Olímpicos de 2012.
Quero parabenizar os dirigentes, o presidente do COB (Carlos Arthur Nuzman), sobretudo porque o Pan de 2007 será realizado no Rio, no Brasil. Temos todas as condições de realizar as Olimpíadas, de mostrar ao mundo que a gente pode dar segurança a todos que participarão da competição, declarou Lula.
Ontem, o prefeito Cesar Maia defendeu que, durante os jogos, atiradores de elite fiquem posicionados nas principais vias expressas, como a Linha Amarela e Avenida Brasil, para inibir a movimentação dos bandidos em comboios (os bondes).
Os últimos detalhes para a participação da cidade no Pan de Santo Domingo estão ficando prontos. O secretário municipal de Esporte e Lazer, Ruy Cezar, disse que na meia hora que será oferecida ao Rio na festa de encerramento, dia 17, a prefeitura vai ousar: um telão com 17 mil metros quadrados segundo ele, o maior do mundo vai ser aberto no estádio, com projeção de imagens de pontos turísticos e locais onde vão ocorrer os jogos.
Lula participará de reunião para saber como ajudar
Lula afirmou que marcará reunião para saber de que forma pode ajudar. Ótimo para a governadora Rosinha Garotinho e Cesar, que querem levar pauta de reivindicações. As chances do Rio aumentaram bastante. Ter o apoio de um presidente com reconhecimento internacional é muito importante. O Rio ganhou o mais forte aliado, disse Nuzman.
Alvo de tietagem por parte dos mais de 100 atletas, Lula, no momento da foto com a delegação, escolheu bem: ficou ao lado dos mais baixos para que sua altura não destoasse. Com 721 pessoas, esta é a maior delegação brasileira já enviada a um Pan. Em 1999, foram 436 atletas.
Fabrício Marta, Patrícia Melo e Souza e Viviane Barreto
Comente o texto acima:
Posted
8:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Simão
simao@uol.com.br
Mãos a obra! Masturbação evita câncer de próstata!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Bombástica! A notícia-furacão que vai revolucionar o comportamento familiar: 'Masturbação evita câncer de próstata'. Então MÃOS À OBRA! A salvação está em suas mãos. Agora tá liberado. Um amigo meu disse que vai pregar a notícia no espelho do banheiro! E já imaginou agora a mãe na porta do banheiro gritando pro filho: 'Quer parar com essa prevenção contra o câncer que sua irmã precisa tomar banho!'.
E já imaginou o acesso aos sites pornôs? Agora você está de madrugada, descabelando o mouse num site pornô, e sua mulher chega por trás: 'Benzinho, o que você tá fazendo?'. MANUTENÇÃO! Rarará. E diz que essa pesquisa trouxe duas grandes vantagens: bate uma e ainda evita a dedada. Tá abolido o tíquete vale-toque!
Essa pesquisa vai estourar a venda da 'Playboy'. Ninguém mais precisa dizer que compra a 'Playboy' só pra ler a entrevista. E um amigo meu pegou a 'Playboy' da Maryeva, se trancou no banheiro e quando a mulher abriu a porta, ele gritou: 'Meu amor, tava lembrando de você!'.
Tormento Econômico! Olha essa outra notícia: 'Receita vai fiscalizar gastos com cartão de crédito'. E aí o marido falou pra mulher: 'Então são dois!'. Obrigado Lula! Lula, corre que a minha mulher tá indo pro shopping com o meu Credicard. Mas diz que a situação tá tão braba que as lojas não tão vendendo nada. Então eu só compro com a loja satisfazendo minhas exigências: duas dúzias de toalha azul linho egípcio, três dúzias de toalhas brancas, engradado de água mineral da Finlândia, frutas exóticas da Tailândia e muita champanhe. Senão, não compro!
E continua a polêmica do Lula ter esquecido a dona Marisa dentro do Rolls Royce. Um leitor me disse que não foi gafe. Gafe foi quando ele esqueceu a mulher dele dentro da Brasília 77! Aí fechou o tempo! E um outro disse que a dona Marisa ficou trancada porque tava em lugar errado. Lugar de mala é no porta-malas. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que um amigo meu de Criciúma, Santa Catarina, comprou um 'pneu remold'. Tucanaram o recauchutado. Socorro. Chama o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês.
E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Plâncton': barulho da porta do Rolls Royce fechando com a dona Marisa dentro, planc-TOM! Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! O já famoso Estoura Brasil!
Email simao@uol.com.br
Comente o texto acima:
Posted
8:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
18/07/2003
Guerra ao açúcar
Os dentistas gaúchos estão abrindo guerra contra o açúcar. Consideram o açúcar uma droga, cujo consumo tem de ser intensamente diminuído ou talvez até banido da nossa dieta.
Perguntam eles: "Como entender que, mesmo não necessitando de açúcar branco, que provoca tantos malefícios, o brasileiro consuma cada vez mais açúcar?"
É verdade, o consumo anual de açúcar pelos brasileiros chega a 55 quilos por pessoa.
Esse posicionamento dos dentistas pode parecer radical, mas tem lá suas razões. Eu concordo com que classifiquem o açúcar como uma droga, tenho base em minha experiência pessoal.
Igual ao cigarro, sinto vários apelos diários, saídos do meu recôndito orgânico e da minha psique, impondo-me que eu coma açúcar, igualzinho à exigência que me faço de fumar.
E saio a comer doces e fazer ridículos estoques de rapadurinhas de leite, às vezes percorrendo vários quilômetros para me abastecer dessas guloseimas nos estabelecimentos em que as mais deliciosas são vendidas.
Acostumei-me de tal forma a comer doces logo após ingerir as refeições salgadas que isso se processa em mim como uma mecanização.
Chego às vezes a comer menos alimentos com sal, em meio a uma refeição, para dar lugar à grande quantidade de sobremesa que irei ingerir, a julgar pela amostra apetitosa dos doces que tenho à frente no bufê instigante e ameaçador.
Isso é uma doença e um vício.
Uma prova de que essa afirmação de que o açúcar é uma droga se constitui numa surpreendente verdade é a resistência férrea que grande parte das pessoas oferece aos refrigerantes diet e demais alimentos dietéticos: recusam-se a comer e beber os dietéticos, embora o sabor seja o mesmo, basta que se acostumem a eles em 30 dias.
Ou seja, estão amarrados ao açúcar que ingerem, os alimentos dietéticos não funcionam em seus organismos com a genuinidade do poder corrosivo que o açúcar inspira em seu metabolismo.
Os alimentos e bebidas diet, para esses resistentes, são uma tapeação, não lhes satisfazem o vício e agridem a sua dependência.
O Conselho Regional de Odontologia, em parceria com o Comitê das Entidades de Classe da Odontologia, vai realizar no dia 1º de agosto, no auditório Dante Barone, da Assembléia Legislativa, das 9h às 18h, o fórum Açúcar x Saúde, com entrada franca.
Afirmam os profissionais odontólogos que o açúcar é uma droga viciante e sem qualquer nutriente, estando ainda diretamente ligado à causa ou colaboração de diversas doenças, entre as quais câncer, obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, leucemias, varizes, enxaquecas, distonias neurovegetativas, insônia, infecções, pressão alta, prisão de ventre, doenças da pele, doenças visuais, anomalias digestivas, osteoporose, cárie dentária e outras.
Esse fórum é revolucionário: sabia-se que o sal era aliado mortal das doenças cardiovasculares e da pressão alta; o açúcar provocava outras doenças.
Agora os dentistas dão o açúcar também como inimigo do coração.
É uma guerra ao açúcar. E eu instintivamente estou aderindo por inteiro a ela. Pela simples razão de que doce é tão bom que só pode mesmo ser uma droga, assim como a delícia do cigarro.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Comente o texto acima:
Posted
8:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
18/07/2003
A caixa do súper
Tem uma caixa no supermercado aonde vou, ali na Getúlio, que, puxa, ela é extraordinária, aquela caixa. Tempos atrás, lá estava eu, empurrando carrinho, e entrei na fila dela. Não havia me preparado para o que aconteceria em seguida. Tinha um casal na minha frente. Eles começaram a colocar as compras na esteira, e a caixa, concentradíssima, apanhava uma, registrava, passava para o empacotador, tudo muito rápido, sem falhas, um processo mecânico perfeito, o apitinho da máquina registradora soando feito um alarme: pi, pi, pi, pi! Quando o casal chegou à derradeira caixa de sucrilhos, ela já havia registrado tudo, impávida.
Fiquei espantado com a eficiência dela, mas creditei sua velocidade à lerdeza do casal. Eu tirava as minhas compras do carrinho com muito mais rapidez, eu era muito mais ágil. Com os anos de experiência em supermercados de toda a cidade, nunca uma caixa havia me superado. Ela ia ver só.
Minha vez chegou. Olhei para ela, desafiador. Ela me devolveu um olhar plácido:
- O senhor encontrou tudo que desejava?
Sorri. Respondi que sim. Mas ela não ia me abrandar com gentilezas. Antes de começarmos, estabeleci uma estratégia: tiraria primeiro as mercadorias pequenas, as manteigas, os embutidos, isso aos pares, a fim de cansá-la. Só depois atacaria com os pacotes grandes de papel higiênico, as garrafas de vinho, essas coisas.
Lá fui eu: tirava as compras do carrinho, tirava, tirava, tirava, rápido, um The Flash do comércio mercadista, e ela pi, pi, pi, pi!, ela era veloz, ela era boa, ela me acompanhava com bravura, mas eu não ia desistir, ah, não ia, eu acelerei, já estava suando, já estava nas latas de ervilha, de leite em pó, passei para os volumes médios, senti que ia vencê-la, que ela estava ficando para trás, conseguira colocar pelo menos duas compras na frente dela, alcancei a fase dos grandes pacotes e mantive minha vantagem, lá me fui e me fui e me fui cheio de energia, ela não ia me pegar, não ia!, vitória, enfim, vitória!, mas foi aí que, oh, percebi que o bacon defumado rolara para o fundo do carrinho.
O bacon defumado! Ele não tinha de estar ali, ele já devia ter sido registrado! E estava longe demais... Tive de me deslocar para pegá-lo e a caixa, pi, pi, registrou as últimas mercadorias. Quando passei-lhe o bacon ela me enviou um sorriso malicioso, superior. Maldição. Fui embora frustrado, mas não desisti. Eu voltarei. Semana que vem tem rancho. Ela que me aguarde.
david.coimbra@zerohora.com.br
Comente o texto acima:
Posted
8:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
Município
Reforma mais dura leva juízes a ameaçar greve
A resistência dos governadores e o empenho do presidente em manter a proposta original deixaram o projeto de reforma da Previdência mais rigoroso do que o texto negociado nos últimos 10 dias. Embora tenha cedido na questão da paridade, o Planalto manteve pontos como o subteto para o Judiciário nos Estados e o teto das pensões integrais em R$ 1.058, e não os R$ 2,4 mil, o que desagradou aos magistrados
Enquanto Lula recebia a equipe que vai ao Pan, servidores protestavam contra o projeto de reforma do governo (foto Jamil Bittar, Reuters/ZH)
Comente o texto acima:
Quinta-feira, Julho 17, 2003
Posted
1:06 PM
by Cassiano Leonel Drum
SEEB/Ijuí garante manutenção do PAMS aos funcionários da CEF
Através do processo 00643.601/01-5, o Sindicato dos Bancários de Ijuí conseguiu a manutenção do plano de Saúde, PAMS, aos funcionários da Caixa Econômica Federal, associados ao Sindicato.
A decisão, que transitou em julgado no dia 18 de junho de 2003, obriga a CEF a reclassificar os associados na base do SEEB IJUÍ, contratados até agosto de 2001,aos parâmetros do programa anterior, considerado mais favorável ao conjunto dos trabalhadores.
O Sindicato dos Bancários considera esta uma vitória contra a tentativa da antiga direção da CEF, em alterar unilateralmente o contrato de trabalho dos seus funcionários, de maneira prejudicial a estes trabalhadores.
Desta forma a CEF deverá promover a reclassificação, devolvendo aos trabalhadores os valores pagos indevidamente, inclusive a mensalidade de R$ 38,26 cobrada a partir de fevereiro de 2002, bem como diferenças entre os percentuais sobre participação em consultas, que indevidamente haviam passado para 20 %. Retornando os antigos parâmetros, mensalidade zero e percentual conforme programa anterior, para seus associados.
Fonte: SEEB/Ijuí
Comente o texto acima:
Posted
12:52 PM
by Cassiano Leonel Drum
Como recebi esta indicação de minha amada amiga Cely lá do DF estou colocando aqui para voces assitirem e se deliciarem com a maratona olímpica que se realiza neste site:
http://knuttz.kit.net/olympics.html.
Aproveitem e tenhamos todos uma ótima tarde de quinta-feira
Comente o texto acima:
Posted
8:19 AM
by Cassiano Leonel Drum
Projeto de espaços culturais na zona norte e oeste completa uma década com programação intensa, variada e barata
Tatiana Contreiras
Se comida é arte, como cantam os Titãs, há 10 anos a Zona Norte e a Zona Oeste se servem de um superbanquete. Projeto criado em 1993, as Lonas Culturais fazem aniversário e ganham, além dos parabéns, o apoio dos artistas e do público satisfeitos com a programação de qualidade, gratuita ou bem em conta. As lonas estão na pré-adolescência. É uma época em que temos que ter bastante cuidado com os jovens, para que continuem traçando o caminho certo, brinca o Secretário Municipal de Culturas, Ricardo Macieira, pai (coruja) do projeto, que só faz crescer: além de Anchieta, Vista Alegre, Realengo, Campo Grande, Bangu e Guadalupe, a Maré e Santa Cruz ganham em breve suas lonas.
É a erudição de massa. Quando você oferece, as pessoas vão, teoriza Macieira. A platéia se identifica com as lonas e vê a ação efetiva do poder público. É um feliz casamento, completa. As estruturas verde-e-brancas (antes usadas na Rio 92) hoje ganharam o reforço de iniciativas com a tal contrapartida social. A Orquestra Sinfônica Brasileira e o Festival do Rio (ex-BR), ¿adotados pela Secretaria de Culturas, são bons exemplos: Seremos patrocinadores do Festival do Rio. Mas ele será levado para as lonas. O que passa na Zona Sul vai ser exibido lá. E a mesma coisa com filmes internacionais.
Veterano das lonas, o programa de auditório Conversa Fiada já está no sétimo ano de casa cheia, independentemente do bairro agora está em Realengo. A entrada é franca, mas a gente cobra respeito¿, faz graça Marcos Guimarães, o Marcão, diretor e apresentador das noites de risadas e distribuição de brindes. Além da Cesta Básica Cultural, com ingressos para shows e CDs, temos o apoio da comunidade. Tem até o Sacolé da Vovó Josefa. E um milhão de barras.
De bananada, brinca. O programa também tem performances de novos artistas e bate-papos com gente famosa, além de muita música e da divulgação da produção cultural de cada lugar. O subúrbio é ávido para consumir cultura. As lonas só vieram confirmar isso, avalia Flávio Cristiano, administrador do programa.
É esse retorno imediato do público, aliás, que atrai os artistas. Foi uma experiência única na minha vida. É muito legal ver na primeira fila a empregada doméstica, o cara que não pode sair cedo do trabalho para ir à Zona Sul e a menina da escola pública que não tem dinheiro para pagar ingresso, conta o ator Marcelo Serrado, que com a peça No Retrovisor já encarou um público de 800 pessoas em uma lona.
Tocar lá é sempre bom, sempre enche, o público é ótimo. Eles é que fazem um favor em nos convidar, conta Rodrigo Amarante, guitarrista dos Los Hermanos, habituês das lonas. O clima é próximo e a disposição da arena é muito legal, diz o moço. Moacyr Luz, que já esteve na lona de Vista Alegre, leva fé no projeto bom e barato. A gente não quer só o Fome Zero, decreta. Essas lonas são mesmo dez.
Comente o texto acima:
Posted
8:13 AM
by Cassiano Leonel Drum
JOSÉ SIMÃO
simao@uol.com.br
Buemba! Tô adorando aquela Surubanakan!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República do Boné! E diz que aquela novela 'Kubanakan' tá tão animada que vai mudar o nome pra Surubanakan! Tô adorando a Surubanakan. Porque se alguma daquelas mulheres apaixonadas se apaixonasse por mim, eu me suicidava. Uma só gosta de apanhar, a outra só gosta de beber e a outra só gosta de franguinho. Prefiro a inter-trepação global! A gandaia tropical!
ESQUECERAM DE MIM 4! Espanha Urgente! O Lula esqueceu a dona Marisa dentro do Rolls Royce. Esqueceu não, LARGOU! Eu acho que ele fechou a porta e ainda gritou pro motorista: 'Toca pra garagem, companheiro!'. Rarará! Ele queria ficar livre por cinco minutos. É que ela fica sempre tão grudada nele que até ASSOMBRA! Mas existe uma outra versão: não é que ela ficou presa no Rolls, ela não quis é sair. Prefiro ficar presa num Rolls do que solta num fusca. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E diz que o Lula pode usar qualquer boné, menos o capacete do Rubinho. Esse ele tá proibido pela nação! E sabe por que o Viagra é azul e não verde como o Palmeiras? Porque senão ia demorar um ano pra subir. E acaba de sair o nome da fusão Tam-Varig: TAVA. Tava melhor, tava mais barato e tava no horário!
E essa outra notícia bombástica: 'Dez mil fazendas vão contratar segurança privada'. Ótimo, além de dar mais empregos, ainda promovem a guerra civil. Porque atualmente há três tipos de brasileiros: os armados, os desarmados e os alarmados!
E saiu a nova camiseta dos servidores e juízes! Antes era 'oPTei'. Agora é 'Estou PuTo!'. E os tucanos fizeram um balanço de seis meses do governo Lula. E eu vou fazer um balanço dos oito anos do FHC: onde foi parar aquele dinheiro todo das privatizações? Cayman lava mais branco. Rarará!
E corre na internet que dois portugueses foram assaltar um banco. Aí o Antonio arrombou o cofre e gritou: 'Joaquim, nesse cofre só tem iogurte, que banco é esse?'. E o Joaquim: 'É um tal de Banco de Sêmen'. Rarará!
E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que um amigo meu estava em Natal quando viu a faixa 'Auto Spa'. Tucanaram o lava-rápido! Socorro. Chama o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Barganhar': companheiro que recebeu um botequim de herança. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. No pingolim! Pra ver se bate no teto!
Email simao@uol.com.br
Comente o texto acima:
Posted
8:10 AM
by Cassiano Leonel Drum
Letícia Wierzchowski
17/07/2003
A menina e seu cão
Esta história eu li num avião. Se não tivesse sucedido, quisera eu tê-la escrito. Trata-se de um casamento, e os casamentos sempre soam no imaginário das gentes. Príncipe casa com plebéia. Fantasma da ópera casa com faxineira do teatro. E por aí afora. Mas a história da menina que casou com um cachorro foi das mais deliciosas que eu li. A boda sucedeu em junho, no povoado de Khanyan, na Índia. Eu me senti dentro de um livro do García Márquez, mas a história estava estampada entre outras duas matérias de um grande jornal de São Paulo, e fazia parte era da vida mesma.
Tinha até fotografia: Kamamoni Handsa, de nove anos, acabara de casar com um digníssimo cachorro, e sorria para a câmera, assim um tanto confusa, com seu risinho subtraído de um fatídico dente, usando roupa de festa (pois houvera festa para mais de cem convidados), enquanto dava de comer ao seu marido. Era de se ver.
É certo que Kamamoni Handsa não parou no altar por qualquer coisica. Sucedera-lhe o gravíssimo fato de haver perdido, antes do tempo previsto, um dente da sua arcada superior, coisa que para a gente da sua tribo é sinal de mau agouro. E mau agouro que cai em cima de mulher, para eles, só se pode resolver com casamento.
Mas aconteceu que o pai da menina, o senhor Baburam Hands, um camponês pobre de marré-de-si, não tinha dinheiro para o dote que atrairia um rapaz às núpcias com Kamamoni. Assim foi que Baburam resolveu casar a filha com o tal cachorro. O jornal não esclarecia em que circunstâncias fora escolhido o "noivo". Se era um cachorro da casa, amigo da pequena Kamamoni. Se o cão estava passando por ali naquela hora fatal da inspiração de Baburam. Não importa... Devia ser um cão bastante equilibrado, pela expressão que exibia na foto do jornal: um ar de leve espanto com aqueles repentinos cuidados e atenções.
A nota terminava com algumas explicações práticas a respeito do matrimônio. Parece que o ritual não há de interferir na vida futura de Kamamoni, e que ela é livre para casar mais tarde, quando cansar de jogar a bolinha para o atual esposo ir buscar no terreiro dos fundos de casa. A menina não vai precisar nem ao menos se divorciar do cachorro por incompatibilidade de gênios (honorários advocatícios custam caro e o senhor Baburam Hands, que não me pareceu nada bobo, deve saber muito bem disso). Então tá. Tudo muito simples. E muito além de qualquer literatura.
Comente o texto acima:
Posted
8:08 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
17/07/2003
Pesos e medidas
O diplomata inglês Robert Cooper, que já foi conselheiro de Tony Blair e é considerado o guru da política externa do primeiro-ministro britânico, escreveu num famoso artigo publicado no Guardian que o desafio para o mundo pós-moderno é se acostumar com a idéia de "double standards", ou parâmetros duplos, ou dois sistemas de pesos e medidas, nas relações internacionais. Deu o aval do "establishment" para o cinismo oficial e foi o primeiro a dizer o que ninguém - pelo menos não em linguagem professoral, e com a autoridade de quem participou de decisões de Estado, e por escrito - ainda tinha dito, que a fraude é um instrumento legítimo para o novo imperialismo liberal, cuja missão civilizatória ele também defende.
Entre si, os países da Europa (ou, para usar a expressão do Immanuel Wallerstein, da pan-Europa, que inclui os Estados Unidos) devem se tratar de acordo com a lei e a verdade, fora, claro, as desculpáveis mentiras diplomáticas, mas no trato com o resto do mundo, escreve Cooper, "precisamos reverter aos métodos mais grosseiros de outra época - força, ataques preventivos, logro (a palavra em inglês é "deception"), o que for necessário". "Entre nós", continua Cooper, "respeitamos a lei, mas quando operamos na selva também temos que usar as leis da selva".
Blair e Bush recorreram à fraude para justificar o ataque ao Iraque, onde também recorreram à selvageria do bombardeio indiscriminado. Estão tendo que se explicar agora porque nem todo o mundo se acostumou, ainda, como quer o Cooper, com a idéia de que há uma lei e uma ética para os membros do clube e outras para os outros. Mas talvez Mr. Cooper tenha apenas saudade do tempo em que a Inglaterra ainda não adotara o sistema métrico e confundia isto com superioridade moral.
Aqui nesta nossa selva tivemos um exemplo menor de parâmetros duplos em dias recentes. Fizeram todo aquele hipócrita carnaval com o boné do MST na cabeça do Lula por alguns segundos, mas ninguém se escandalizou com o espetáculo do presidente do Supremo Tribunal de Justiça da nação vestindo a camiseta metafórica de líder corporativo - e fazendo isto nas dependências do Supremo. Uma ameaça à normalidade institucional do país muito mais grave do que qualquer invasão de terra. Aparentemente, o ideal do Mr. Cooper, de resignação a pesos e medidas variáveis, já existe no Brasil.
Comente o texto acima:
Posted
8:05 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
17/07/2003
A sexagenária e o choque
Completou 60 anos recentemente uma simpática senhorita que tem prestado relevantes serviços à humanidade. Na verdade ela é um pouco mais antiga, nasceu em 1938, mas só foi registrada no dia 10 de junho de 1943.
Filha de pai húngaro, naturalizada argentina, ela possui poderes extraordinários: comunica-se sem falar, escreve em qualquer língua, desenha, faz cálculos complicados e transita com naturalidade por qualquer área do conhecimento humano. Trabalha incansavelmente e produz muito. Pode elaborar, com igual eficiência, tanto uma terrível sentença de morte quanto uma bela mensagem de amor.
Falo da caneta esferográfica - essa singela maravilha que hoje se tornou um instrumento banal.
Nem sempre foi assim. Eu mesmo, jovem leitora, comecei minha vida de escriba nos tempos da caneta à tinta. Não cheguei a pegar a pena de ganso, nem a antiga caneta-tinteiro, que tinha uma ponta de aço a ser mergulhada num vidro de tinta. As minhas primeiras canetas já tinham o depósito para a tinta, mas vazavam, manchavam o papel, eram uma nojeira só. Quando apareceram as primeiras esferográficas, foi uma festa - embora as professoras continuassem insistindo, e insistem até hoje por motivos pedagógicos, para que as crianças escrevam com o lápis.
Pois a esferográfica foi invenção de um jornalista, o húngaro Lászlo Biró, que durante a II Guerra fugiu da sua terra natal e veio parar na Argentina, onde aperfeiçoou e patenteou o invento. A urgência desse nosso ofício de relatar histórias enquanto elas ainda são novidade deve ter sido a sua motivação para inventar a caneta de escrita rápida. Daí à Bic e à parafernália de canetinhas coloridas e perfumadas dos nossos dias foi um traço.
Conto-lhe esta história, jovem leitor, não apenas para enaltecer o bem-sucedido colega de profissão. Faço-o porque inventaram agora um brinquedinho assustador, que está virando moda no Primeiro Mundo e logo estará entre nós: uma caneta que dá choques. Por favor, rejeite-a. Não permita que a gentil sexagenária seja eletrocutada.
Use-a para escrever mensagens de amor.
nilson.souza@zerohora.com.br
Comente o texto acima:
Posted
8:03 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
17/07/2003
Animais felizes
Por vezes rejubilo-me em ser humano. E se a sorte, a Providência ou outro qualquer fator decisivo me tivesse trazido à Terra como um animal?
Folgo em não ser animal, sempre me ocorre, não sei por que, o destino dos caranguejos, embarafustados nos lamaçais.
Ou ser um camarão, sem nenhum neurônio, incapaz de qualquer reflexão. Ou então ser uma capivara idiota.
Não existe na face da Terra um animal mais estúpido que a capivara. Ela desconhece o perigo. Tanto é capaz de ir fazer cafuné numa onça quanto deitar-se em cima de uma sucuri, mesmo que a gigantesca cobra, capaz de amassar seus ossos em três segundos, esteja em movimento.
Mas por vezes eu desejava ser um quelônio. Melhor ser uma dessas tartarugas ou jabutis lentos, desajeitados e sem dentes, do que ser humano e ficar sabendo que a classe média brasileira deve aos bancos R$ 79 bilhões em cartões de crédito e cheques especiais.
E quando me ocorre a comparação sobre essa quantia fabulosa que é a dívida crucial dos brasileiros comuns com os bancos, qual seja de que estes R$ 79 bilhões que são retirados a ferro e sangue dos orçamentos particulares, com juros escorchantes que sugam o corpo e alma dos tomadores, perfazem quase a quantia que todos os anos o Brasil paga aos credores internacionais pela sua dívida, sinto que seria melhor que eu fosse um gafanhoto, um espécime beócio qualquer do reino animal.
Melhor ser um inseto do que ser assim invadido por ondas de lucidez e sensibilidade, que são capazes de nos levar até a loucura, depois que ficamos sabendo que os brasileiros devem R$ 79 bilhões aos bancos e que pagamos R$ 100 bilhões só de juros da dívida nacional aos estrangeiros.
Assim não há viabilidade alguma na existência tanto para o Brasil quanto para os brasileiros.
É demais. Isto é uma escravatura, isto é um povo inteiro preso por grilhões ao sistema financeiro.
E quando fiquei sabendo esta semana que somente pelos serviços que os bancos prestam aos seus depositantes, o talão de cheque, os extratos etc., os bancos vão faturar neste ano de 2003 a quantia de R$ 26 bilhões, então invejei a sorte e o destino dos sapos e dos protozoários que vivem à beira dos açudes.
Olhe que o sujeito ter de pagar para o banco uma taxa para saber qual é o total dos seus depósitos ou da sua dívida é de uma brutalidade hedionda.
Quando não é o banco é o governo, qualquer movimentação que se faça numa conta bancária é acompanhada da extorsão estupenda da CPMF.
Melhor ser uma garça, um escorpião, um marandová do que passar a vida inteira pagando juros para um banco em troca da respiração e da sobrevivência.
O brasileiro gasta só com juros de empréstimos, cartões de crédito e cheques especiais cerca de 25% dos seus ganhos.
Como 41% dos gastos dos brasileiros se constituem em impostos, dá para avaliar a pérfida e escura bacia das almas em que nos debatemos.
E se ainda, apesar de todos esses violentos confiscos, tivéssemos um atendimento de saúde digno e seguro, ainda seríamos consolados.
Mas o que se nota lugubremente é que o governo cortou a verba do SUS para os hospitais e inúmeros serviços essenciais de saúde estão sendo desativados nos plantões hospitalares de Porto Alegre.
Melhor destino o dos imbecis corrupiões e dos néscios cascudos do que ser humano no Brasil. E tanto sofrer quanto refletir sobre este inferno em que estamos mergulhados.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Comente o texto acima:
Posted
7:59 AM
by Cassiano Leonel Drum
Município
Bebê emociona uma cidade
Menina recém-nascida foi encontrada numa caixa em calçada no centro de Capão do Leão, na zona sul do Estado (foto Nauro Júnior/ZH)
Comente o texto acima:
Quarta-feira, Julho 16, 2003
Posted
8:41 PM
by Cassiano Leonel Drum
Greatest love of all
O maior amor de todos
No matter what they take from me
Não importa o que eles levam de mim
They can't take away my dignity
Eles não podem tomar minha dignidade
Because the greatest love of all
Porque o maior amor de todos
Is happening to me
Está acontecendo comigo
I found the greatest love of all
Eu achei o maior amor de todos
Inside of me
Dentro de mim
The greatest love of all
O maior amor de todos
Is easy to achieve
É fácil alcançar
Learning to love yourself
Aprendendo a se amar
It is the greatest love of all
É o maior amor de todos
And if by chance, that special place
E se por casualidade, aquele lugar especial
That you've been dreaming of
Que você tem sonhado
Leads you to a lonely place
Leva você para um lugar só
Find your strength in love
Encontre sua força ... NO AMOR ...
Whitney Houston
Comente o texto acima:
Posted
8:57 AM
by Cassiano Leonel Drum
José Simão
simao@uol.com.br
Buemba! Martírio é ir ao casamento da Marta!
Buemba! Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República do Boné! E o vôlei é tricampeão! Exigimos o Bernardinho no lugar do Parreira. E diz que a única coisa que o Parreira e o Bernardinho têm em comum é que os dois não suportam bola na rede. E o Supla foi fazer um show, e jogaram um monte de garrafa e lata em cima dele. É que o público não queria pagar a taxa de lixo e despejou no filho da prefeita! E sabe qual foi a fala cortada do Rodrigo Santoro nas ´Panteras´? ´Oi! Eu estou de havaianas.´ Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
Consolo para os bagulhos: ´Produtores do filme ´Tróia´ estão procurando um dublê de pernas para o Brad Pitt´. É que eles acham que o Brad Pitt tem perna fina. Pior, o ator se recusa a usar sandálias porque acha que tem o pé feio. Se o Brad Pitt tem a perna fina e o pé feio e destrói corações e periquitas, imagine eu com perna torta e pé chato. Vou pra Hollywood! E diz que a Carla Perez, pra fazer o filme da Xuxa, tá querendo um dublê de cérebro! Rarará! E uma leitora me disse que homem é como geladeira de isopor: é só encher de cerveja que você leva pra onde quiser!
LULALÁ NAS OROPAS! Uns dizem que o Lula arrasou. Outros dizem que o Lula tá causando mais constrangimento que suruba de elefante. E um amigo meu foi ler o discurso do Lula pra ver se achava algum erro de concordância. E descobriu: o Lula tem um erro de concordância com o Bush! Rarará!
E um leitor me disse que, se o PT fizer mais um recuo na reforma, vai ter que mudar de nome pra RÉ-FORMAS! E o Zé Dirceu pediu ´patriotismo ao mercado´. Então tomara que o gerente do Fininvest seja bem patriota pra reduzir o meu saldo devedor. Ó Pátria Amada! Pague! Pague!
E as Viúvas do Serra continuam incorrigíveis. Foi só o Anthony Giddens falar que ´o Lula pode mudar o mundo´ que a viúva do Serra gritou: ´Esse homem deve estar bêbado´. E quando ele falou que o FHC Boca de Sovaco era um estadista? Aí ele não estava nem bêbado nem lúcido. Estava trêbado. Rarará!
E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês! É que a Prefeitura de Floripa aumentou o preço das passagens de ônibus, mas disse que ´os valores não são um aumento, mas uma nova estrutura tarifária´. Tucanaram a facada. Rarará! Socorro. Chama o Oswaldo Cruz para erradicar o tucanês!
E atenção. Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. ´Martírio´: ir ao casamento da Marta. ´Suplício´: ir ao show do Supla. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã!
Email simao@uol.com.br
Comente o texto acima:
Posted
8:50 AM
by Cassiano Leonel Drum
Cláudia Laitano
16/07/2003
Pause
A minha adolescência é dividida entre antes e depois do 3 em 1. Antes era assim: para ouvir música, eu ia para o quarto dos meus pais, ligava o rádio-relógio da cabeceira e ficava torcendo para achar alguma coisa legal na meia dúzia de FMs da época. Meu programa favorito era um tal de Love Songs, que obviamente só tocava "música junta". Os Beatles e os Rolling Stones tinham começado a virar o mundo de cabeça pra baixo uns 15 anos antes, mas isso então ainda não fazia muita diferença. Música boa era música com "xanananá" no refrão.
A coleção de longplays da família era reduzida naqueles tempos. Tinha uma série fantástica (isso eu acho hoje) com grandes nomes da MPB lançada pela Abril nos anos 70, um inexplicável Getúlio, o Assoviador, uma coletânea com quatro discos do Caetano que fez toda a diferença na transição das Love Songs para as músicas de gente grande. Mas o grande barato do 3 em 1 era a possibilidade de gravar únicas e exclusivas fitas cassetes - aperte o eject quem nunca amaldiçoou o locutor que falou bem no meio daquela música que você ficou horas esperando para gravar. Quantas Basfs empoeiradas eu custei a jogar fora porque guardavam a trilha sonora da primeira reunião-dançante, do primeiro beijo, da primeira viagem com os colegas de escola.
Preparar uma fita para alguém especial era um dos presentes mais bacanas e baratos já inventados. Misturar climas, abrir o lado A com impacto e fechar o lado B com um recado cifrado faziam parte da manha - da minha pelo menos. Pois hoje essa técnica ancestral de passar a lábia em alguém usando música como pretexto está sendo retomada, no formato de CDs gravados com faixas baixadas da Internet ou simplesmente copiados de outros CDs. A indústria fonográfica, que parece ter sobrevivido bem à pirataria chiada e truncada das fitas cassetes, ainda não achou uma maneira eficiente para garantir seus lucros e os dos artistas na era do compartilhamento em escala planetária de arquivos musicais. E há algo de assustador e de profundamente anárquico nessa briga, com implicações éticas que nós sequer cogitávamos no tempo do 3 em 1.
Todo mundo concorda que quem ganha dinheiro com o trabalho alheio é ladrão, mas e quem compra o CD pirata o que é? E quem deixa de comprar o CD do Radiohead porque baixou o disco inteiro antes mesmo de a banda sair do estúdio? O danado da vida adulta é ter que dar o pause o tempo todo para repensar o filtro que estamos usando para definir o que é certo e o que é errado. Na época do rádio-relógio, as coisas eram bem mais fáceis.
claudia.laitano@zerohora.com.br
Comente o texto acima:
Posted
8:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
16/07/2003
Terry Wallis
Isso é que é Top of Mind: assim que começou a falar, depois de passar 19 anos em coma, o americano Terry Wallis disse "mãe" e, em seguida, "Pepsi". Puxa, o cara não disse pai, não disse bom-dia, disse Pepsi! Foi a propaganda mais eficiente e barata que a empresa já teve.
Este foi um bom exemplo de como o mundo virou um grande supermercado e de como os produtos de consumo fazem parte da nossa vida. Não estou criticando, acho que se eu acordasse depois de um sono tão extenso, também daria um olá pra todo mundo e pediria uma Coca com limão e gelo. Cada um de nós sabe o que lhe faria falta. Provavelmente Vera Loyola acordaria do coma dizendo: "Louis Vuitton".
Tirando a parte engraçada do episódio, há o que pensar. Muitas vezes, quando estamos deprimidos ou atravessando um momento muito difícil, dizemos: "Eu gostaria de dormir e acordar daqui a 20 anos". Terry Wallis experimentou involuntariamente este truque. Se ele tinha dívidas antes do acidente ou se não passava por um bom momento, o sono de quase duas décadas saldou tudo. Por outro lado, ele passou a melhor fase da vida sem viver paixões e frustrações, não criou filhos, deixou de conhecer diversas cidades, não se emocionou com a queda do Muro de Berlim e deixou de ler centenas de livros, de ouvir milhares de músicas e de ter dado boas risadas com seus amigos.
Às vezes a gente reclama pra sair da cama de manhã, achando que será apenas mais um dia igual aos outros. Terry passou mais de 6 mil dias fora do ar, num vácuo de tempo improdutivo, insensível a tudo o que acontecia ao seu redor, só que envelhecendo do mesmo modo, sem poder recuperar os anos não vividos. Por pior que seja, um dia nunca é igual ao outro, a não ser que estejamos num coma induzido por nós mesmos.
Uma última observação sobre este caso. Que eu saiba, o rapaz não estava sobrevivendo por meio de aparelhos e também não estava sofrendo, o que descartaria qualquer hipótese de eutanásia. Mas tudo indicava que ele ficaria naquele estado pra sempre. O que aconteceu foi praticamente uma ressurreição, um milagre. E milagres põem por terra qualquer convicção. Eu sempre me posicionei favorável à eutanásia para os casos em que os pacientes estão em estado vegetativo e com diagnóstico de irreversibilidade da doença, mas vejo agora como é difícil posicionar-se sobre assuntos polêmicos quando a vida revela-se tão imponderável.
martha.medeiros@zerohora.com.br
Comente o texto acima:
Posted
8:41 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
16/07/2003
A dúvida suprema
A respeito de minha coluna de ontem, sobre o trucidamento da menina de Erechim, dois leitores censuraram severamente que eu tenha descido a detalhes sobre as sevícias que a menina sofreu.
Fui cru e detalhista demais, dizem os leitores. E quero lhes responder que é muito provável que tenham razão.
Uma das dúvidas que tenho, que deve ser compartilhada por muitos jornalistas, é se toda a verdade sobre esses crimes hediondos deve ser repassada ao público.
Há detalhes nesses massacres que chocam o leitor. E principalmente talvez não devam ser revividos pelas famílias das vítimas.
É discutível, mas se errei peço desculpas. Fiz isso apenas no sentido de atender a um princípio de informar plenamente o leitor das circunstâncias reais que cercaram o fato.
Mas dentro desse quadro de interação do público com o jornalista, quero dizer que estou impressionado com o volume de correspondência que tenho recebido, partido de leitores irados que, ao tomarem conhecimento desses crimes bárbaros que vêm ocorrendo na rotina policial, pregam veementemente a eliminação dos autores dos homicídios.
A opinião pública quer a pena de morte para os autores de crimes hediondos. Essa tendência é confirmada por diversas pesquisas feitas em todo o país, em que a maioria maciça da população é favorável à pena de morte.
Paralelamente, outra enxurrada de correspondência dos leitores, também irados, revolta-se contra a iniciativa surgida no Congresso Nacional de desarmar a população.
É de se ver como a opinião pública pende quase que inteira pela licitude no porte de armas pela população.
Muitos se apavoram diante da possibilidade de que não possam vir no futuro a ter acesso às armas ou sejam enquadrados em crimes por portá-las, enquanto, alegam eles, os bandidos nunca deixarão de estar armados. Seja pelo roubo, seja pelo contrabando, estarão sempre na posse das armas, verificando-se assim uma desigualdade que vai favorecer ainda mais a delinqüência.
A pena de morte e a facilitação para o porte de arma por parte de cidadãos idôneos e adestrados dão de goleada na opinião pública.
Uma enchente de opiniões nesse sentido afoga os meus escaninhos.
Sempre fui contra a pena de morte. Dois motivos: por acreditar na regeneração dos criminosos e temer os erros de Justiça.
Um dia, faz poucos anos, vacilei e depois cedi à tentação de ser a favor da eliminação de criminosos irrecuperáveis.
O fato que me fez voltar atrás foi a tremenda e indescritível dor de que se apossam os familiares das vítimas de crimes perversos. Passei a observá-los durante os julgamentos e notei que eles só se sentiriam indenizados se os autores dos crimes hediondos tivessem o mesmo fim de suas vítimas, a morte. Nenhuma outra solução os consolaria.
Então concluí que só aos familiares das vítimas devia pertencer o destino dos criminosos. E se a única forma que eles pregavam para alívio de sua dor era a eliminação dos autores dos crimes bárbaros, essa vontade tinha de ser atendida.
Mas depois refleti outra vez profundamente. E constatei que, se nos EUA são mortos inocentes pela pena capital, aqui no Brasil, onde o processo penal é incipiente, onde ainda mais vicejam as probabilidades das confissões forjadas, dos falsos testemunhos, dos diversos erros e falsidades que podem marcar alguns processos, é muito temerário que adotemos a pena de morte.
Mas não fosse o risco de se executar inocentes - um só deles tombado já seria um libelo contra a pena de morte - eu não teria mais razões para ser contra a pena de morte.
Porque não tenho dúvida, só para dar um entre milhares de exemplos, que o fim que merece o assassino dessa menina de Erechim, reforçado pela satisfação que necessita ser dada ao meio social pela contundente agressão, teria de ser o de pagar com a vida pela miséria moral do seu gesto.
Quem fez isso com essa menina nunca mais se regenerará.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Comente o texto acima:
Posted
8:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
16/07/2003
Foto(s): J. Scott Applewhite, AP, Banco de Dados/ZH
As trombas, as tranças, a reunião dançante
Há dias uma questão me atormenta: o que faz uma aliá preferir um elefante e desprezar outro? Aliás, aliá é como se chama a elefanta, informo, caso você não goste de programas de bichos, como gosto. Pois então: que critérios ela emprega na escolha do parceiro? Pensei nisso ao ver a foto do casal Bush admirando uma cópula entre dois gordos elefantes na África. Um elefante muito macho praticava sexo animalesco com a aliá, enquanto outro elefante observava, suponho que inchado de inveja.
Por que a aliá quis aquele elefante? Tromba maior? Presas mais afiadas? Um olhar assim de viés?
Bigodinho de despachante
Aí é que está. O ser humano também vive aflito por tais dúvidas. Sobretudo o macho na idade de acasalamento. Analise o caso dos jogadores. Eles estão exatamente nessa faixa etária. E como se esforçam para atrair o sexo oposto! O brinco do Daniel Carvalho, a franja de Cascão do Ronaldinho, o cavanhaque do Tinga, as melenas cambiantes do Danrlei. Tudo para chamar a atenção das mulheres. Até o bigodinho e as tranças do Claiton estão lá para isso, acredite.
Funciona? Bem, esse é o drama, essa a grande pergunta. Porém, no momento importa mais é observar o empenho deles. Natural, se se considerar a idade. Nós, lá no IAPI, puxa, nós também tentávamos. O Jorge Barnabé e o Serginho Anão fizeram permanente no cabelo, uma vez. Ficou estranho. A turma chamava o Jorge de "Cabelo de Ursinho", coitado. O Plisnou usava uma gargantilha de conchinhas, óculos espelhados e um chapéu de palha. A maior bagaceirice, mas ele se achava lindão.
Pantalonas
Eu? Bem, eu tinha um traje que realmente me inflava de confiança. Pantalona rosa. Manja pantalona? Também conhecida como calça boca-de-sino, as mulheres têm usado muito, de novo. A camisa era amarela, estampada, com uma gola que se derramava pelo ombro e chegava ao braço, quase. Nos flancos, a camisa tinha uma curvona, eu a usava para fora das calças, a maior bossa. E tênis Bamba branco. Que galã!
Foi vestido assim que entrei numa das nossas reuniões dançantes. E entrei pisando firme, queixo erguido, sobrancelha esquerda levantada. Tinha um objetivo em mente: uma morena que era a menina mais linda da região compreendida entre o Triângulo da Assis Brasil e a rótula da Carlos Gomes.
A sorte está lançada
Ela estava lá no canto dos docinhos, com as outras gurias, charlando e rindo. Quando a vi, hesitei. Que coisa mais linda... Será que ia me dar bem? Ela nem me olhava. Mau sinal. Começou a música. Elas lá, nós aqui. Decidi esperar por uma lenta, sempre dancei melhor as lentas. Mas fiquei ansioso: e se outro malandro a abordasse antes de mim? Era bem possível, ela era especial, de fato. Tinha de agir. Resolvi partir para o ataque. Levantei da cadeira.
Os amigos olharam para mim. Olhei para ela. Dei o primeiro passo na direção das gurias. Alea jacta est! Senti os joelhos frouxos. Alguma peça havia se soltado ali. E se desviasse e fosse para o banheiro? Não... Ela já me vira e agora observava minha evolução. Tarde demais para desistir. Ia em frente, custasse o que custasse. Engoli em seco. Fui. Fui. Ela se virou, continuou conversando com as amigas, como se eu não existisse. Parei ao lado dela. Ela ria, jogando a cabeça melenuda para trás.
Não me olhou. Falava com as outras e ria. Abri a boca. O que devia dizer? Ela não se virara para mim, a danada! As outras me olhavam, todos me olhavam, menos ela. Devia tocá-la, para chamar sua atenção? Talvez ela não gostasse dessa intimidade... Oh, Deus, o que fazer??? Levantei o braço, estendi o indicador. Levei-o devagar até a altura do seu pescoço. Toquei em seu ombro com a ponta vacilante do dedo:
- Oi... desculpe... dá licença?...
Ela me olhou, e aquele olhar chaveou minha garganta.
- Sim? - perguntou, séria.
Falei, cada palavra saindo aos pedaços da minha língua:
- Quer... dançar... comigo?
Ela tomou meu braço. Sorriu:
- Vamos.
Deus existe! Deus é bom! Deus me ama!
Caminhamos até o centro do salão. Aí alguma alma sensível botou na vitrola amarela do Zé Fernandes:
"Como vai você
Eu preciso saber da sua vida
Peço a alguém pra me contar sobre o seu dia
Anoiteceu e eu preciso só saber..."
O Rei. Perfeito! Eu tinha o clima, eu tinha a dama, só dependia de mim. Sentia o cheiro quente e doce da sua nuca, espalmei as mãos em suas costas e tentei ser suave, suave...
"... Como vai você
Que já modificou a minha vida
Razão da minha paz já esquecida
Nem sei se gosto mais de mim ou de você..."
Nem sei se gosto mais de mim ou de você. Ah, o Rei! Tentei roçar de leve meu rosto no rosto macio dela. De leve... Fechei os olhos. Sorvi a música.
"Veeeem que a sede de te amar me faz melhor
Eu quero amanhecer ao seu redor
Preciso tanto me fazer feliz..."
Ela suspirou. Por Deus que suspirou! Eu estava desempenhando bem. Estava tonto de emoção. Eu sentia cada progresso. E o auxílio luxuoso do Rei:
"Veeeem, que o tempo pode afastar nós dois
Não deixe tanta vida pra depois..."
Aí a mãozinha dela despegou das minhas espáduas e subiu. Subiu. Prendi a respiração ao sentir aqueles dedinhos meigos e frios pousando na minha nuca. Ela me acariciava, ela me acarinhava. Apertei-a com mais força. Sorri. Vitória. Vini, vidi, vinci! Quando elas botavam a mão na nuca, era gol do Brasil. Meu traje havia funcionado. Minha pantalona rosa. Meu Bamba branco. Minha camisa amarela. Eu devia estar bonitão mesmo. Ela era minha. Minha! Até cantei baixinho, feliz, feliz:
"Eu só preciso sabeeeeer
Como vai... você..."
Ah, o Rei.
david.coimbra@zerohora.com.br
Comente o texto acima:
Posted
8:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
Violência
Morte de estudantes assusta colegas
Escola de Passo Fundo onde estudava Volnei dos Santos, 12 anos, quarta vítima da série de crimes que assombra a Região Norte, não teve aulas ontem (foto Tadeu Vilani/ZH)
Comente o texto acima:
Terça-feira, Julho 15, 2003
Posted
11:26 PM
by Cassiano Leonel Drum
Lista
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar...
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora
Hoje e do jeito que achou que seria ?
Quantos amigos você jogou fora...
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender ?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber...
Quantas mentiras você condenava
Quantas você teve que cometer...
Quantos defeitos sanados com o tempo
Era o melhor que havia em você..
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver...
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você.
Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás...
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber...
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você.
Autor: Oswaldo Montenegro
Comente o texto acima:
Posted
11:21 PM
by Cassiano Leonel Drum
Estrela morta
No tempo em que eu te amava
Embora esse amor doesse
Havia sempre uma estrela brilhando
Em meu céu interior.
Sua luz ardente desconcertava-me,
Feria-me os olhos, a consciência,
Ofuscava-me a razão.
Era bela, irresistível!
E eu deixava, submissa,
Que essa luz maravilhosa
Me banhasse toda inteira,
Em ondas de puro prazer
E alegria de viver,
Como se fora a luz do sol.
Hoje, meu céu noturno está escuro,
Povoado de sombras,
De pesadas nuvens,
Instáveis, ameaçadoras.
Procuro além, no horizonte oculto,
Um indício que seja daquela luminosidade.
Minha estrela íntima desapareceu.
"Escondeu-se por momentos, com certeza..."
Arrisca meu coração,
Num restinho de esperança.
Mas não.
Minha estrela apagou-se...
Apagou-se para sempre.
Era bela demais para sobreviver.
Está morta...
E morta também sua luz ardente.
Virgínia Vendramini
Comente o texto acima:
Posted
11:19 PM
by Cassiano Leonel Drum
Auto Análise
Sempre estou só no auge da festa
Não me entrego à alegria,
Não consigo.
Não me integro ao ambiente,
Não posso
Tudo em mim destoa...
Meu desejo é ir embora.
Tento achar, oculta em algum lugar remoto
A causa dessa amarga impossibilidade,
De ser naturalmente alegre,
De... simplesmente fazer parte.
Não consigo achá-la, mas constato
que trago de muito longe,
Da minha infância, talvez,
Sentimentos que nâo comprendo,
Reações que não desejo e não controlo,
Que me tolhem o sorriso, me afligem
E me roubam o prazer da convivência.
Emoções inexplicáveis deixam-me triste
Na hora da festa,
Paralisam-me o gesto de carinho,
Calando na garganta a palavra terna,
Sufocando o afeto que ninguém percebe.
São emoções que me oprimem,
Que me afastam,
Obrigando-me a dizer não,
Quando meu corpo inteiro...
grita SIM!!!
Virginia Vendramini
Comente o texto acima:
Posted
8:16 AM
by Cassiano Leonel Drum
A peça do Giane
Reynaldo Gianecchini passa boa parte do espetáculo que estrela só de cuecas, mas diz que não quer atrair platéia com isso. Tarde demais: elas adoraram
Clarissa Monteagudo
Se o tesão de Reynaldo Gianecchini é propor uma linha de raciocínio para as pessoas, como declarou antes da estréia do espetáculo A Peça sobre o Bebê, sexta-feira, o galã pode se orgulhar. Porque o moço encheu a platéia de pensamentos ao desfilar o figurino na linha Kubanacan. De cueca soltinha num modelo pra lá de revelador Giane fez a platéia chegar a conclusões que o autor do texto, Edward Albee, jamais sonharia.
Não tem nada de apelativo. Ele mostra a paixão sem vulgaridade. Eu não sinto nenhum constrangimento na peça, afirma Gianecchini, que assistiu à encenação do texto nos Estados Unidos. Em Nova Iorque, o ator ficava nu e excitado. Eu até faria, mas em outra situação. Aqui no Brasil iria virar a peça em que Gianecchini fica nu, reconhece o ator.
Na pele do personagem Menino, Gianecchini mostra ao público do Teatro das Artes, no Shopping da Gávea, tudo o que um homem apaixonado e bem-disposto é capaz. Excitado boa parte do tempo como pede o texto , Menino corre atrás da mulher, vivida por Simone Spoladore, vestida só de lingerie, beija seus seios e enfrenta um papo-cabeça com Marília Gabriela ostentando somente uma toalhinha enrolada. Marília e Ewerton de Castro interpretam um casal maduro, que põe à prova a ilusão dos jovens.
Apaixonado pelo texto de Albee, Gianecchini não acredita que o figurino diminuto roube a atenção do público. Não consigo pensar nisso. Estou muito envolvido com a peça. Tenho prazer enorme em fazer. A relação do Menino e a mulher tem que ser bela. É tesão pela vida. Legal se as pessoas estiverem vendo dessa forma. Quando assisti à montagem americana, era bonito ver atores correndo nus. Há graciosidade na relação, explica.
As fãs do ator discordam. Para a professora Nena Coelho, 39 anos, a platéia da peça vai virar point das mulheres mais velhas: É público e notório que ele prefere as mais maduras. A mulherada vai acabar indo à peça ver Gianecchini de cueca, reparar os detalhes e comentar com as amigas no chopinho depois.
A relações-públicas Rose Gomes, 32 anos, quer levar uma caravana de amigas ao teatro: Dessa vez, vou incluir o ingresso do teatro no orçamento. É claro que Gianecchini fica de cueca porque pode. Se ele fosse barrigudo, não ia fazer isso.
Para Gianecchini, quem vai ao teatro ver o galã televisivo pode se decepcionar. Não é uma linguagem linear, com piadas fáceis. É preciso estar disposto a pensar. Ouvi em São Paulo um comentário de uma pessoa que não gostou porque teatro era só divertimento, conta o ator, que não quer, entretanto fazer teatro para poucos. Não sou intelectual. E não tenho preocupação em mostrar esse lado, encerra.
Comente o texto acima:
Posted
8:09 AM
by Cassiano Leonel Drum
Cláudio Moreno
15/07/2003
Vivendo no Inferno
Por uma curiosa afinidade, cristãos e muçulmanos, inimigos em tantas cruzadas, concordavam ao descrever o Inferno como um cenário de incêndio, onde as almas danadas se retorcem como gravetos na brasa. Um dos nossos maiores prosadores do séc. 17, o padre Manuel Bernardes, fala com horror daquele "cárcere profundíssimo, aquela fornalha toda acesa, ondeando em labaredas terríveis".
O Islã também assusta o descrente com suas sete camadas do inferno, com suas mil montanhas de fogo. Num e noutro, o castigo é agravado por um fator torturante: o condenado tem a infinita eternidade para gritar de dor, pensando sempre que poderia estar longe dali, se tivesse escolhido o bom caminho, nos poucos anos que passou na Terra.
Comparado a essa câmara de torturas, o Inferno dos gregos poderia assemelhar-se, à primeira vista, uma tolerável colônia penal, em que todos parecem ocupados com seus afazeres. Não há gritos, não há fogo nem fumaça e, de vez em quando, um visitante do mundo dos vivos - Ulisses, Hércules, Teseu - dá uma passada por lá e conversa com os internos mais ilustres. Além disso, aqui não existe aquela terrível democracia da fornalha, pois cada qual tem seu castigo próprio, individualizado. Sem a monotonia dos outros, esse Inferno até parece bem mais suportável.
Para os que estão lá dentro, contudo, ele é muito pior: as Danaides, que assassinaram os maridos, vão carregar para sempre seus cântaros com água, tentando encher um grande tonel que não tem fundo; morro acima, o rei Sísifo vai rolar resignadamente a sua famosa pedra, sabendo que suas forças vão faltar antes de levá-la até o topo; sentado num canto, o triste Ocno vai trançando sua interminável corda com feno, enquanto um jumento insaciável não pára de devorar a outra ponta.
Esse verdadeiro pesadelo da desesperança, da repetição inútil e sem sentido, da rotina enfadonha e infrutífera me horroriza muito mais que a espetacular pirotecnia do inferno do fogo e do enxofre, que fica tão longe daqui que nem me parece possível.
Este outro, no entanto, está tão próximo de mim que chego a jurar que conheço muitos Sísifos e Danaides que já sofrem seus castigos sem perceber seu inferno. Ficariam aterrorizados se alguém anunciasse que iriam repetir eternamente o que estão fazendo agora, mas mesmo assim continuam, como sonâmbulos, esquecendo que é só neste mundo de cá que ainda se pode escolher.
Comente o texto acima:
Posted
8:05 AM
by Cassiano Leonel Drum
Liberato Vieira da Cunha
15/07/2003
O aviador de receitas
Longe de Cachoeira há tanto, pode que a distância me tente agora a olhá-la com descabida gravidade, logo eu, que desde sempre a canto como sede e foro de minhas melhores lembranças. Mas me desgostam certas notícias suas. Dói notar que a desgraciosa epidemia de violência, mal renitente nestes tristes trópicos, contagiou também minha terra. Não é bom saber que a acometeram o vírus da rendição, o vetor do desalento, perceptíveis ambos nesta foto do Beco dos Trilhos, na das árvores mutiladas da Praça Honorato. Foi ruim ler que, para a compra de uma tapera, a casa mais antiga da cidade, foi preciso que a brava ONG Defender juntasse, ao fim e ao cabo, 3 mil prosaicos, anêmicos reais.
Essa machucou.
Que estranho chá de sumiço tomaram as chamadas elites? Cachoeira já foi um dos principais centros financeiros do Rio Grande. Na década de 30 ali se ergueu um dos mais modernos e completos hospitais da América. Na de 50, talvez para que ninguém duvidasse de sua vocação à ousadia, domou o Jacuí, elevando sobre as águas revoltas uma ponte-barragem que só encontrava similar no Primeiro Mundo.
Paro aqui. Seria despertar inúteis invejas recordar o esplendor da Igreja Matriz, a maior, a mais bem construída da província, a Charqueada do Paredão, sem paralelo no país, figuras como João Neves da Fontoura, ou palavras como as de JK na Festa do Trigo de 1956, ano em que, aliás, decidíamos sobre os rumos da educação e da agricultura no Estado inteiro.
Três mil reais por uma tapera. Três mil reais, reunidos tostão a tostão por uma ONG valente, num testemunho de coragem, três mil reais que nunca tornarão ao bolso de seus solidários doadores. Essa machucou.
A Casa da Aldeia não tem preço. É o símbolo inestimável de nosso passado. Mas também de nossa comum desmemória. É um marco, não de nossa decadência, mas de nosso naufrágio.
A doença que corrói Cachoeira se nutre de desânimo.
Não tenho receitas prontas e acabadas para aviar-lhe. Me limitaria a sugerir-lhe que sintonizasse seus íntimos pulsares no futuro. Por que não nessa revolução informática que move o planeta? Eu recomendaria a Cachoeira que fabrique bits e bytes, que arme com urgência e zelo linhas virtuais de montagem de softwares, que copie, sem culpa nem medo, o milagre das Aldeias da Irlanda, o único Tigre da Europa.
E que, nos intervalos, faça as professoras levarem as crianças ao museu municipal e falarem a elas:
- Assim fomos. O que nos impede de voltarmos a ser?
liberato.vieira@zerohora.com.br
Comente o texto acima:
Posted
8:03 AM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
15/07/2003
O debate sobre armas: uma seqüela
Na terça-feira passada, escrevi aqui um texto sobre a campanha de desarmamento em curso no Brasil e que culmina com o projeto de lei, já enviado ao Congresso, tornando crime inafiançável o porte de armas. Como meu enfoque era o da saúde pública, fiz uma pesquisa consultando numerosos sites, periódicos e livros médicos. Todos, rigorosamente todos, eram unânimes em apontar o risco representado pelas armas no domicílio. E todos, rigorosamente todos, o faziam baseados em números. Meu texto restringiu-se a um resumo dessas pesquisas. Cujos resultados, achava eu, se impõem pela lógica.
Pois tive duas surpresas. A primeira no dia seguinte, quando participei desse excelente programa que é o Polêmica, do Lauro Quadros. A pergunta era: você é contra o controle de armas ou a favor deste? Mais de 2 mil pessoas responderam, a imensa maioria (85%) contra o controle de armas. Esta posição também ficou evidente nos e-mails que recebi, às vezes com pronunciamentos indignados: "Não se atrevam a me tirar as armas", escreveu um leitor. Alguém poderia perguntar até que ponto estas manifestações são representativas da opinião pública como um todo, mas o fato é que elas ocorreram, e servem, no mínimo, como material para reflexão. Inclusive porque não se restringem ao RS: em todo o Brasil existe um posicionamento a favor de armas, coisa que provavelmente apareceria num plebiscito.
Isto obriga a repensar a questão. Se armas podem ser um problema de saúde pública, então é preciso lembrar que saúde pública é uma atividade que exige, senão unanimidade, pelo menos um grande consenso. Não adianta querer vacinar a população se esta desconfia do imunizante usado, coisa que aconteceu na época de Oswaldo Cruz e levou à chamada Revolta da Vacina (cujo centenário, aliás, ocorrerá em 2004). Grande parte da população desconfia do projeto de lei. Por quê? Porque é uma medida isolada. Os cidadãos de bem serão desarmados, dizem as pessoas, e os marginais continuarão com acesso ilimitado a fuzis, pistolas e granadas. O que está faltando, portanto? Falta uma política nacional de segurança, que abranja a questão como um todo. Dentro desta política, a proibição do porte de armas teria seu lugar, mas no elenco de muitas outras providências.
Não é fácil estabelecer uma política de segurança. É mais fácil estabelecer uma política de juros, que gira em torno a uma única instituição, o Banco Central. Segurança envolve numerosas instituições, envolve a situação socioeconômica, envolve a cultura - que é, no momento, uma cultura em que predomina a violência. Mas é preciso, sim, começar. Medidas pontuais podem ser necessárias (e ninguém duvida de que a lei proposta é necessária), mas não são suficientes. É o que dizem os inquéritos de opinião e os e-mails. E é o que dizem os tiros que a todo instante ressoam nas grandes cidades.
scliar@zerohora.com.br
Comente o texto acima:
Posted
8:00 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
15/07/2003
Perversidade biológica
O Rio Grande do Sul assiste há vários meses a uma terrível escalada de violência em crimes sexuais contra crianças.
Desaparecem as meninas em várias e importantes cidades gaúchas, as que são encontradas mortas mostram em seus corpos sinais de suplícios estarrecedores.
É impossível ao jornalismo deixar de se fixar nesses hediondos acontecimentos, quanto menos para colocar as pessoas de sobreaviso, mantendo cuidados especiais com seus filhos, tentando evitar que eles também sejam vítimas dos torpes atentados.
Ainda mais que os crimes se verificam no percurso das vítimas entre a casa e a escola, o que acende um sinal vermelho em todo o Estado: quem envia crianças sozinhas para a escola, sem acompanhamento de adultos, está ingressando num temerário grupo de risco.
Agora soa este petardo assustador de Erechim. A menina Tainara Alberti, de nove anos, foi capturada por seu(s) assassino(s) quando se dirigia para o colégio, dois quilômetros distante de sua casa, terça-feira passada.
Ficou em poder de seu(s) captor(es) durante três dias. E o laudo cadavérico diz que sofreu durante estas 72 horas torturas, espancamentos e demorados estupros.
O delegado que apura o caso em Erechim declarou que a genitália da garota foi simplesmente destroçada, vagina e ânus.
Um crime de crueldade ímpar, tanto pelo estraçalhamento físico da vítima quanto pelo longo e aterrorizante espaço de três dias em que esteve à mercê do seu torturador e assassino.
Todas as tintas do mais animalesco crime já cometido em toda a história da crônica policial gaúcha cercam esse caso.
Ontem outro menino, agora com 12 anos, foi encontrado morto em Passo Fundo, também marcado pelo violento atentado ao pudor, um objeto sexual indefeso nas mãos do seu assassino.
Restam desaparecidos os três garotinhos de Soledade.
Parece que um gene cruel, perverso e assassino transmite seus fluidos biológicos negativos, através de ressonância mórfica, num redespertar de memória coletiva, para uma mórbida legião de estupradores gaúchos, que decidiram atacar suas vítimas ao mesmo tempo e no mesmo espaço.
Só assim, numa divagação científica e biológica, pode-se explicar essa horrenda coincidência de atentados sexuais contra nossas crianças.
A maldade humana não tem limites.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Comente o texto acima:
Posted
7:57 AM
by Cassiano Leonel Drum
Futebol
Chegou o dono da área
O zagueiro panamenho Felipe Baloy, 22 anos, visitou o Olímpico, onde vai substituir o pentacampeão Polga (foto Carlinhos Rodrigues/ZH)
Comente o texto acima:
Segunda-feira, Julho 14, 2003
Posted
11:40 PM
by Cassiano Leonel Drum
A moda antiga
Antigamente,
Quando os poetas falavam com as estrelas
E as meninas sonhavam com as flores de laranjeira,
Havia um certo encanto em ser mulher.
Encanto nas coisas secretas e misteriosas
Que só se desvendavam ao caírem os véus nupciais,
Encanto na espera do "príncipe encantado"
Que quase sempre virava sapo,
No ideal do amor eterno,
Na esperança tola do...
"Felizes para sempre".
Antigamente,
Havia a segurança dos laços indissolúveis:
"Até que a morte os separe"
Ou a vida os faça inimigos...
E alianças que se enterravam na carne,
Dilacerando-a numa prisão dourada,
Legítima, legal, indispensável.
Antigamente
Era o sonho realizado
E logo após o despertar...
Pesadelo irrevogável.
Não mais a musa do poema,
Ou a rima num soneto,
Não mais a deusa da seresta...
Agora, e para sempre, A escrava do poeta.
A dama, a senhora, a patroa...
Que, no entanto, não manda...
Não pensa... não sonha...
Que somente aceita,
Que apenas obedece.
Pensando bem,
Antigamente...
Havia muito desencanto em ser mulher.
Virgínia Vendramini
Comente o texto acima:
Posted
8:45 AM
by Cassiano Leonel Drum
Só deu ela
A modelo Milena Haesbaert brilha na semana de moda e é intitulada O Corpo
Milena em todas as praias: de biquíni Blue Man, no maiô Totem |