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Sábado, Julho 26, 2003




Martha Medeiros
27/07/2003


Segunda mãe

Antigamente uma mulher sentia calafrios só de pensar em ser avó. Com total razão: era o passaporte pro túmulo. Cabelos brancos, cadeira de balanço, tricô, um gato enredado nos pés: xô, pesadelo. As avós de hoje trabalham, viajam, fazem exercícios, saem com as amigas - gatas são elas! Conheço dezenas de mulheres atuantes que são avós e não carregam nas costas o estigma da velhice. Adoram seus netos mas seguem tendo uma vida produtiva e livre de estereótipos.

Uma vez escrevi uma crônica sobre a sogra do meu marido: pois hoje dedico esta crônica à avó das minhas filhas, a avó dos sonhos de qualquer menina. Uma avó disponível, afetuosa, sorridente, bonita e louca, no melhor sentido da loucura. Inventa brincadeiras, conta histórias originais, encara teatro, cinema, shopping, parque, praia, jogos. Uma amigona para todas as horas e uma segunda mãe quando a primeira está inoperante: busca no colégio, orienta, leva pra dormir na casa dela. Casa de vó é o Sheraton de qualquer criança.

Algumas são amargas, reclamam de dores, estão cansadas pra tudo. Compreende-se, a vida não é fácil. Mas ranzinzice, hoje, não. Salvem as avós felizes, as avós que curtem a vida e passam esta energia boa para os filhos de seus filhos. Geralmente foram chatas quando eram mães: que mãe não é chata? Vá escovar os dentes, junte as roupas do chão, largue este telefone, coma tudo o que tem no prato. Coronéis, generais, sargentonas. Alguém tem que fazer o serviço sujo, já que papai costuma ser condescendente com a bagunça doméstica. Mas, uma vez avós, não querem mais saber deste manda-e-desmanda. Passaram o bastão. Agora são cúmplices da desordem. Viva o refri, viva os filmes de terror, viva a falta de horário!

Se hoje as mulheres estão mais independentes e conciliam a maternidade com uma vida turbinadíssima, devem muito às suas próprias mães. Para cada advogada, médica ou empresária que é vista embarcando com o maridão para umas férias de 10 dias, há uma avó segurando as pontas com a criançada. Merece um belo presente, e capriche, não vá trazer toalhinhas pra bandeja ou bonequinhas de porcelana. Avós gostam de hidratantes, camisetas, livros de arte, maquiagem, botas.

26 de julho é dia delas. As imprescindíveis.
martha.medeiros@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
27/07/2003



A guerra dos idiomas

Quem olha a maré de francofobia atualmente em curso nos Estados Unidos desespera de encontrar qualquer lógica nestes dias tumultuados. A hostilidade começa com piadas (Pergunta: O que são cem mil homens com as mãos para o alto? Resposta: O exército francês), passa por evocações do passado ("Nós defendemos vocês durante a Segunda Guerra") e chega ao tradicional boicote: de produtos, como o vinho Beaujolais, a água mineral Pérrier, os croissants.

Não se pode mais usar expressões em francês ou que lembrem os franceses, se bem que, numa especial concessão, o "french kiss", beijo na boca, tenha sido mantido. E, coincidência ou não, o filme de Spielberg, Prenda-me se for Capaz, com Leonardo Di Caprio, dá uma imagem patética da polícia e de uma prisão na França.

Escrevi o texto acima aqui em ZH no dia 25 de fevereiro (não que eu tenha boa memória: o computador, bendito seja, é que guarda tudo). Essa maré de francofobia era então explicável: os Estados Unidos estavam prestes a invadir o Iraque, e a França recusava o apoio para a aventura. Cinco meses se passaram, o Iraque foi invadido, mas o boicote americano continua: as importações de produtos franceses diminuíram em 20%.

E eis que a França dá o troco. O Ministério da Cultura daquele país anunciou a proibição da expressão "e-mail" em todas as repartições, documentos, publicações e sites (será que o nome ainda é "site"?) do país. Os franceses deverão usar a palavra "courriel", que é uma fusão de "courrier electronique". A medida, como era de se esperar, já está provocando polêmica, inclusive na própria França. E-mail é uma palavra praticamente universal; mas quantos brasileiros saberão o que é "courriel"?

Atrás dessa controvérsia há uma outra briga. Idioma é poder. Se usamos tantos anglicismos, é porque o inglês é a língua do império do nosso tempo, o império americano. É uma hegemonia econômica, militar e cultural, o que gera não poucos protestos. Mas esta, convenhamos, não é uma história nova. O Império Romano dominou, e oprimiu, o mundo durante muito tempo, mas isto não impediu que o latim tivesse sido, até a Renascença, a língua franca que permitia comunicação entre pessoas de diferentes origens. E também não impede que falemos o português, que não passa, afinal, de um latim popularizado.

Policarpo Quaresma, o personagem de Lima Barreto, queria passar uma lei tornando o guarani o idioma brasileiro. Mas os ancestrais dos guaranis também vieram de outras regiões. Para sermos rigorosamente autóctones, deveríamos falar a língua da paca, do tatu, do tamanduá (do papagaio não, porque eles também usam o português para suas sacanagens). Além disso, nem todos estão de acordo com Policarpo Quaresma. Segundo a Folha de são Paulo, no ano passado a Anatel levantou dúvidas sobre a legalidade de um programa radiofônico de Campo Grande (MS) transmitido em nheengatu, a chamada língua geral dos indígenas. Será que até nheengatu pode ser ilegal?

Se rejeitarmos os anglicismos, também teremos de rejeitar os galicismos - freqüentes, porque, numa época, a cultura francesa era muito influente aqui. "Chance", por exemplo, é galicismo. "Dossiê" é galicismo. "Pose" é galicismo. E assim muitos outros termos banais ("banal", aliás, é galicismo).

Sim, idioma é poder. George Orwell demonstrou-o muito bem; no pesadelo totalitário que é 1984, o big brother fala aos cidadãos usando o "Newspeak", a "Novilíngua", pelo qual a verdade simplesmente passava a ser mentira.

Os poderes brigam, e brigam furiosamente; a invasão do Iraque, que está custando caro aos Estados Unidos, em termos de vidas, de grana, e de credibilidade, mostra isso. A pergunta é se nós, brasileiros, precisamos nos envolver nesta briga, se não temos coisas mais importantes - a fome, o desemprego, a violência - de que cuidar. Respondam, leitores. Por e-mail, de preferência.

A bem da verdade, deve-se dizer que a França também passou por sua fase de americanofobia. Quando o inglês começou a deslocar o francês como idioma internacional surgiu uma onda contra o "Franglais", a mistura de francês com inglês (no Brasil tivemos algo parecido). Houve manifestações contra o MacDonald's - sim, Bové teve precursores.
scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
270/07/2003


A delicadeza

É impressionante o avanço profissional da mulher. Ela não só mantém a sua supremacia nas profissões que antes dominava como vai tomando os espaços dos homens nas atividades que eram a estes destinadas com exclusividade.

O homem, por exemplo, não conseguiu lugar nas profissões ligadas à telefonia e à enfermagem, salvo raras exceções.

As telefonistas continuam a ser mulheres. E os atendimentos telefônicos de toda espécie, como a conquista de clientes por empresas comerciais, bancárias e de serviços, em sua grande maioria, são empunhados por mulheres.

Falar no telefone exige um atributo mais natural nas mulheres: a delicadeza. A mulher parece ser mais cordial, mais concessiva, menos severa, mais apta à maleabilidade propícia à arte negocial.

Aqui na Zero Hora existe um serviço de atendimento aos assinantes e aos prováveis assinantes que é atendido pelo telefone. Cada atendente conversa por dia com cerca de 70 a 80 assinantes.

São praticamente 250 atendentes femininas, tão ínfimo é o número de masculinos recrutados para a tarefa.

Isso é uma aplastante superioridade feminina. Um mercado de trabalho praticamente cativo pelas mulheres.

Por outra parte, implacavelmente, as mulheres vão tomando o lugar dos homens em tarefas que antes não se imaginava fossem desempenhar.

Fiquei sabendo ontem, por exemplo, que já são 17 as mulheres que trabalham como motoristas de ônibus no transporte coletivo da nossa capital.

Esta é uma atividade, pelo esforço físico exigido, que era exclusiva dos homens.

Nada disso, as mulheres estão provando que podem dirigir eficazmente estes enormes ônibus que singram nossas avenidas.

Nas caixas de supermercados e lojas, 90% são mulheres. No jornalismo, curral histórico masculino, as mulheres já batem os homens em número nas Redações, empatam no colunismo e já quase atingem o mesmo número na fotografia.

Rigorosamente, em quase todas as profissões de nível superior, inclusive Medicina e Direito, todos se espantam que nas formaturas as mulheres batem fragorosamente os homens em número.

Eu já não tenho dúvida de que, se se fizesse uma estatística, o maior número de trabalhadores em atividade no Brasil é feminino.

E em contrapartida o maior número de desempregados é masculino.

Como se vê, a mulher, além de avançar, joga o homem, sem intenção, para a marginalidade.

Exatamente em face de sua virtude primordial, a delicadeza.

Tanto que, neste império de violência que varre o país, a supremacia delinqüencial do homem chega a ser quase monopolista: a população carcerária brasileira se constitui em mais de 95% de homens.

A alegada e ancestral superioridade masculina foi reduzida a pó na virada do último século.

O homem, diante do avanço espetacular da mulher, vai se tornando aos poucos uma subespécie.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Por que crescem os evangélicos



Estruturadas como empresas modernas, as igrejas evangélicas, especialmente as neopentecostais, já conquistaram mais de 1,3 milhão de gaúchos com promessas de prosperidade e técnicas de auto-ajuda para enfrentar problemas como o desemprego (foto Adriana Franciosi/ZH)

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A VIDA DE CASADO PODE SER BOA

A vida de um casal tem que ser muito bem cuidada e reavaliada a cada momento.

De que vale o sucesso se não tivermos alguém para partilhar conosco a emoção, a alegria das vitórias?

É preciso ficarmos atentos para amanhã, não sermos vítimas de um relacionamento falido, sem chances de recuperação.

Uma das regras básicas da boa convivência é saber respeitar as características da pessoa com quem partilhamos a nossa vida.

Todas as pessoas necessitam de se sentirem livres, serem elas mesmas, sem medo de serem julgadas, censuradas.

Quando perdemos a naturalidade, refreando nossos impulsos, passamos a sentir tensão e desconforto no relacionamento.

O sentimento de que o outro nos sufoca, é conseqüência de um confronto de regras, onde um quer sobrepujar o outro.

A maioria dos casais procura no seu par alguém que lhe traga felicidade, segurança, que lhe dê carinho e que seja um complemento da sua pessoa.

Tudo isso declarado e depois cobrado. Seria isso possível?

O que você tem pra oferecer?

O melhor projeto para um relacionamento se tornar duradouro é você estar nele para se entregar, para doar o que de melhor você tem.

Não queira buscar uma tábua de salvação para suas inseguranças, não exija a satisfação dos seus ideais. Não fique na expectativa de alguém pra lhe completar, você é uma pessoa inteira. Não se julgue uma metade!

Quando você entra numa relação dizendo que é carente e que precisa de alguém, você está transferindo para o seu parceiro(a) uma carga de responsabilidade que, muitas vezes, assusta e espanta.

Fique atento. Proteja o relacionamento percebendo os sinais de uma crise.

Se há crise, não adianta procurar o culpado. A responsabilidade é sempre dos dois. Podemos interferir e até eliminarmos os fatores destrutivos antes que haja um mal maior e irreparável.

Pode doer, mexer nas feridas, mas também pode ser que haja uma chance de maior conhecimento entre os dois, clareando as sombras e aprimorando a união.

O primeiro grande desafio é conseguir se comunicar, mostrar logo de saída que alguma coisa, uma palavra, um gesto, o desagradou.

Se você não sabe lidar com os atritos naturais de uma convivência, sente medo, prefere disfarçar, então estará deixando crescer um ressentimento.

E o ressentimento destrói a afetividade, aumentando a crise.

Muitas vezes os motivos podem ser financeiros, um acha que precisa poupar para o futuro e que o outro gasta demais.

Já o outro acha que não gasta tanto assim, que o problema é falta de dinheiro e que o futuro é hoje, e a vida é pra ser bem vivida, agora!

Outras vezes, são queixas sexuais: a mulher se lamenta da falta de carinho, de atenção, e que o marido só pensa na satisfação sexual, deixando de lado o namoro e o romantismo .

O marido protesta afirmando que ela vive reclamando, para evitá-lo na cama, pois perdeu o interesse.

Muitos casais sofrem a interferência de um filho, mãe, ou uma terceira pessoa da família, na vida conjugal.

Tenha consciência de que um dos dois, ou os dois estão se deixando manipular, por comodismo, por falta de auto-estima e até por covardia.

Com tantos ressentimentos e frustrações ergue-se a barreira emocional, e você se vê arranjando todo tipo de ataques velados, verbais, ou de atitudes rebeldes, manifestando a rejeição reprimida, acumulada.

Surge a intolerância de ambos os lados, um começa a achar o outro irritante, tolo, inoportuno, ausente ou invasivo demais.

O ressentimento acumulado acentua a crise e destrói as emoções afetivas. Desenvolva a capacidade de perdoar, se você quiser continuar vivendo junto. Não fique remoendo, nem lembrando o outro dos erros cometidos. Ninguém pode voltar atrás para consertar os estragos.

Deixe o passado lá onde é o lugar dele, valorize o presente. O futuro é daqui a um minuto, deixe-o chegar sem preocupações, nem cobranças de promessas do tipo: -"Você promete que não faz mais isso?"

Se o erro foi tão grave e o sofrimento está insuportável, separe-se. Ninguém veio ao mundo pra sofrer e pra ficar doente de tristeza.

Muitos casamentos prosseguem cheios de farpas e agressividades, outros passam a conviver pacificamente, cada um pro seu lado. Marido e mulher passam a viver em mundos distantes. Cada qual no seu canto, carregando sua dor.

Como sair desse sofrimento?

Tente se comunicar de forma clara e objetiva, em vez de se queixar de forma rude : "Você não faz a minha felicidade! Não tolero este seu comportamento!"

Use palavras construtivas: preferia que você agisse desse modo. Hoje quero ficar mais tempo com você...

Avalie o ambiente de sua casa. Ela deve ser atraente aos dois, mesmo que cada um tenha um cantinho preferido pra se isolar de vez em quando.

Mas é indispensável que haja aquele clima agradável que nos convida a voltar, de pressa, pra casa.

Aos nossos filhos e netos, tudo que temos de dar-lhes é amor, alegria, rir com eles e ajudá-los a sentirem que em nossa casa há espaço para todos, respeitando-se os devidos limites.

Muitos filhos depois de crescidos, querem inverter os papéis e começam a tratar os pais como crianças, e passam a policiá-los severamente, impedindo-os de se manifestarem espontaneamente.

Aprenda a falar: "agora, não posso", "hoje não quero", "prefiro fazer assim". Posicione-se, não se deixe dominar.

Eles não são os donos da nossa casa, não são os nossos censores. Mas, não se esqueça: nós não somos os donos deles.

O ambiente ideal para se viver é aquele onde nos sentimos confortáveis emocionalmente, onde nos sentimos amados.

A hora das refeições é o momento sagrado da alimentação com prazer. Nada de assuntos problemáticos, não é hora de discutir soluções, nem puxar conversas que causem polêmica.

Valorizando o casamento

Será que um se lembra de agradar ao outro? Você se lembra de declarar seu amor?

Ou é daquelas pessoas que pensa e fala assim: "Ela está cansada de saber que a amo, não preciso ficar repetindo..."

Ela nunca fica cansada de ouvir isso e você precisa, não só dizer, como ouvir de você mesmo o quanto ama a pessoa que está compartilhando da sua vida.

Sinta-se uma pessoa privilegiada por ter a seu lado alguém tão querido. E brinde esse amor, convidando para dançar, para ouvir música. Mostrando todo o seu amor.

Saia da rotina! O caminho trilhado maquinalmente, se torna enfadonho e o tédio toma conta do ambiente.

Cada um será, no mínimo, um simples e corriqueiro habitante do mesmo teto.

Portanto, vamos procurar manter a chama do amor acesa, falando de coisas agradáveis, elogios, palavras de afeto, encorajadoras.

União quer dizer unir forças, dar apoio, ajudar a crescer, incentivar e aplaudir.

Faça sempre isso e quem sai engrandecido e recompensado será você.

Conheço inúmeros casais que mantêm o casamento num completo jogo de competição, especialmente quando um ou outro, ou os dois, se sentem inferiorizados, na relação.

Não traz vantagem alguma uma convivência marcada pela competição, onde um está sempre de prontidão, armado pra dar uma estocada certeira pra derrubar o outro.

Neste jogo mesquinho, infeliz, perdem os dois.

Outra coisa, se você quer que seu casamento dure, não faça ameaças, nem chantagens, do tipo: "se você fizer isso, eu me separo."

Se você realmente, não quer isso, não crie esta possibilidade.

Tenha sempre em mente pra onde você quer ir, pra onde você quer levar o seu casamento, nunca se deixe levar por palavras negativas que você tanto teme.

O sexo pode ter sido o motivo que os uniu, mas com certeza, só ele não vai segurar o seu casamento.

A preservação de um relacionamento depende de fatores mais profundos, valores, admirações recíprocas, confiança mútua.

A cultura adquirida de que a vida sexual deve se manter no mesmo nível apaixonado, com a mesma intensidade e quantidade leva ao empobrecimento do convívio.

A vida sexual não é uma constância, não segue o mesmo ritmo ao longo da vida. Há épocas de maior apetite, e outras de desinteresse que são comuns em todas as atividades humanas e fazem parte de uma dinâmica natural.

Casais mais velhos que conviveram anos e anos podem precisar de uma nova inspiração, criar juntos novas atrações, procurar uma vida mais divertida, com mais lazer, e podem descobrir uma relação sexual com mais arte, mais carinho.

O relacionamento deve ser uma das maiores prioridades. Não o deixe pra segundo plano por causa de outros motivos "imprescindíveis", no seu dia a dia.

Não permita que a negligência habitue os dois a perderem o foco de construir a cada dia uma vida plena, de atenção mútua.

O fundamental é decidirmos que todos os dias vamos tornar os nossos momentos melhores.

Os casais que elegeram como fator principal o bem estar do seu companheiro, vão estar a cada momento surpreendendo o outro.

Portanto, procurem interromper todos os vícios de comportamento, todos os tipos de intolerância e irritação.

Prefira estar bem com o seu amor a estar com a razão. Desista de provar que você está certo.

Esta não é uma atitude piegas, nem de covardia mas uma maneira equilibrada de esfriar os ânimos para voltar ao assunto, em outra hora, quando os dois tiveram seu tempo para refletir.

"O mais elevado estágio possível em cultura moral é quando reconhecemos que devemos controlar nossos pensamentos."
Assim nos ensina Charles Darwin.


Maria de Lourdes Micaldas

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AMAR É UMA QUESTÃO DE ESCOLHA

Todo o mundo é carente de se sentir
amado, todas as pessoas querem elogios e declarações de que são importantes e queridas.

É uma ilusão pensar que se ama alguém por causa de suas qualidades. Existe até quem afirme que os defeitos são o tempero, o charme da pessoa amada.

O amor não se justifica. Ele nasce de dentro pra fora. Na verdade não é a outra pessoa que amamos. Nós amamos o amor. A outra pessoa foi uma escolha nossa, para projetarmos nela os nossos sonhos, e permitirmos a nós mesmos a oportunidade de sentir amor.

Aí, abrimos a nossa guarda, fechamos os olhos, porque é pra dentro de nós mesmos que olhamos, e simplesmente, sentimos amor.

É bom pensar nisso: escolhemos determinada pessoa e, sem nos darmos conta, transferimos pra ela o nosso amor interior. Passados os momentos de euforia, quando abrimos os olhos, nos vemos diante de uma pessoa real e não a que idealizamos.

Começamos, então, a enxergar as diferenças e a descobrir os defeitos. É comum entrarmos em conflito. É difícil suportamos conviver com a realidade, pois não queremos abrir mão do nosso amor idealizado, do nosso sonho. Colocamos naquela pessoa, escolhida por nós, toda a responsabilidade, a culpa por ela não ser quem nós queríamos que ela fosse.

A DECISÃO É NOSSA

Depende de nós, da nossa vontade, do nosso cuidado, alimentar cada vez mais o amor, numa atitude construtiva e consciente, cultivando o afeto, relevando as diferenças, decidindo amar a pessoa "amada" do jeito que ela é. Com o amadurecimento, podemos transpor os obstáculos, buscando os meios de superar esse período de descoberta.

No lugar daquela que idealizamos, vamos amar a pessoa real, aquela que se revela no nosso convívio. Surgirá então, um outro tipo de amor, numa união mais sólida e duradoura, porque está alicerçada naquela que existe efetivamente e não na fantasia.

EXISTEM EXCEÇÕES

Excetua-se, aí, é claro, quando somos surpreendidos por distúrbios de caráter, falsidade ideológica ou outras anomalias que tornam a convivência insuportável. Ninguém pode sugerir que se faça o sacrifício de viver ao lado de alguém que nos faça infeliz. Não fomos feitos pra sofrer.

Alimentar um relacionamento deteriorado é masoquismo. O melhor é nos afastarmos em defesa da nossa saúde mental e física.

EFEITO BUMERANGE

Amar é um exercício constante. Você pode se abrir para o amor, expressando os seus sentimentos em forma de palavras, de gestos, de um sorriso, de um olhar. Faça isso! Experimente sorrir e receberá um sorriso de volta. Estenda a mão, abrace. Ame e deixe-se amar.

O amor tem a magia e a força de um bumerangue. Você o lança e ele volta pra você. O mundo está cheio de gente que precisa
de dar e de receber afeto. Ninguém precisa mais de afeto do que aquele que pensa que não tem nenhum para dar.

Uma das formas de encontrar a felicidade é buscando o amor. Somente você pode abrir seu coração, cultivar e sustentar este sentimento. Todo mundo é carente de se sentir amado, todas as pessoas querem ouvir elogios e declarações de que são importantes e queridas.

DO TELEFONE PRO COMPUTADOR

Todo mundo sabe que pessoas de todas as idades se utilizam até hoje, do telefone para namorar. Especialmente as mais idosas que, por terem dificuldades de sair de casa, resolvem fugir da solidão, sem correr risco, protegendo a privacidade.

Agora, a Internet também está aí, pra diminuir as distâncias e aumentar as possibilidades de amar, de fazer amigos e de encontrar um companheiro. Mande cartas, e-mails expressando amor. Você receberá amor de volta. Existe, na Internet, uma verdadeira corrente de mensagens que corre o mundo com declarações de amor.

Existem ainda as famosas salas de chat agrupadas por idade.

Onde se tem a oportunidade de conversar muito, de mentir, de desmentir, de sonhar, imaginar e preencher o tempo com momentos felizes, num bate papo descontraído. A conversa pode ser aberta, onde todo o grupo, geralmente de 20 a 30 pessoas participa das conversas ou, se preferir, pode ser sigilosa,
é só escolher a opção "reservadamente" e aí, pode-se dizer e ouvir o que se quer, sem medo da censura, desmontando os preconceitos.

Essa forma de namoro, que pode levar à satisfação sexual, é considerada pelos sexólogos como uma alternativa saudável em qualquer idade, além de não oferecer risco de contaminação de doenças sexualmente transmissíveis.

UNIÃO SEM SEXO

É muito comum, no mundo moderno, pessoas maduras e equilibradas procurarem um parceiro, uma companhia pra trocarem afeto, para saírem de mãos dadas e passear. Querem apenas isso, unirem-se, desinteressadas de sexo.

É muito provável que uma relação combinada assim, em que as partes dispensam o ato sexual, seja duradoura e satisfatória para ambos. O amor e o sexo coexistem, mas isto não quer dizer que um não sobreviva sem o outro. Podemos praticar o ato sexual sem amor, buscando uma satisfação física e, por outro lado, podemos amar, só na base do companheirismo, do afeto, da ternura, onde as tristezas e as alegrias são compartilhadas, e nos sentirmos realizados. O prazer não está localizado exclusivamente nos órgãos genitais. É normal isso? Está direito isso? Por que tanto espanto?

QUEM PODE JULGAR?

Precisamos acabar, de uma vez por todas, com regras e tabus.
Cada pessoa é única e tem as suas necessidades, seus desejos diferenciados. As particularidades devem ser respeitadas.

E quem é que pode decretar o que é normal? Quem pode se investir no direito de julgar o que é certo ou errado, numa relação, que em nada vai incomodar o vizinho, ou trazer danos à sociedade? Quanto ao idoso, ele não é obrigado a ser assexuado, como pregam os falsos moralistas, , mas também não é obrigado a sentir tesão.

Todos somos livres para sentir ou deixar de sentir. Devemos nos livrar das cobranças e seguirmos adiante, em busca do nosso direito de viver como acharmos melhor. Precisamos nos libertar da preocupação com aquilo que os outros pensam. Antes de ser importantes para alguém, devemos ser importantes para nós mesmos.

Ame e permita-se ser amado. Amar o próximo, antes de beneficiar ao próximo, beneficia aquele que ama. Relacione-se com muita gente, aumente o seu círculo, não se feche, você vai se sentir enriquecido com a troca.

O coração não sabe bater sozinho, assim falou Magdalena Léa, autora do livro "Quem tem Medo de Envelhecer?" Deve ser por isso, que os seus olhos aos 87 anos mantinham o brilho da felicidade e podiam enxergar tanta beleza a sua volta.

Maria de Lourdes Micaldas

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Diogo Mainardi
Armas made in Brazil

O submarino nuclear brasileiro começou a ser projetado em 1979. Temos, até agora, um modelo em miniatura que custou 1 bilhão de dólares. É o modelo em miniatura mais caro da história

Saddam Hussein foi o maior importador de armas fabricadas no Brasil. Por isso perdeu todas as guerras em que se meteu. O governo brasileiro anunciou planos para reativar nossa indústria bélica. Uma das prioridades é a construção de um submarino nuclear inteiramente nacional. O ministro da Defesa, José Viegas Filho, viu um modelo em miniatura desse submarino nuclear no Centro Tecnológico da Marinha. Conhecido como Chalana, começou a ser projetado em 1979. Custou, até agora, cerca de 1 bilhão de dólares. É o modelo em miniatura mais caro da história. O Centro Tecnológico da Marinha assegura que, com mais meio bilhão de dólares, termina de construir o primeiro protótipo em 2025. Se os americanos levassem 46 anos para desenvolver um armamento, ainda estariam combatendo a II Guerra Mundial. Em 2025, o submarino nuclear brasileiro será sucata. Poderemos jogá-lo diretamente na piscina do ministro da Defesa.

Por falar em sucata, o Brasil tem um acordo para comprar armamentos de segunda mão dos Estados Unidos por uma fração do preço original. Em 2001, os americanos nos venderam 91 tanques M60 por 11,7 milhões de dólares, um décimo de seu valor. Para efeito de comparação, a estatal Engesa, nos anos 80, investiu 100 milhões de dólares para projetar o tanque Osório, que nunca saiu da fase de protótipo. Outra grande aposta da indústria bélica nacional foi o caça AMX. Fruto de uma colaboração entre Brasil e Itália, custou 2,5 bilhões de dólares a cada país. O plano era vender 800 unidades no mundo todo. Foram vendidas apenas oito, para a Venezuela. O preço total de cada AMX, incluindo as despesas de desenvolvimento, ficou em 50 milhões de dólares. Os italianos o apelidaram de F-32, porque custava o dobro de um F-16. A Justiça italiana abriu inquérito contra o fabricante do AMX por causa de seus defeitos estruturais. De fato, ele caía sem parar. Em 2002, depois de mais uma queda, com a morte do piloto, toda a frota italiana do AMX foi interditada.

O Ministério da Defesa dos Estados Unidos coloca o Brasil em 12º lugar na lista de países com os maiores gastos militares. Ficamos entre Coréia do Sul e Israel. Duas nações em estado de guerra. Deveríamos cortar esses gastos pela metade. Um jeito simples e rápido de poupar dinheiro é abolir o serviço militar obrigatório. Outro jeito é chamar de volta todos os adidos militares lotados no estrangeiro. Esse negócio de adido militar não dá sorte para o Brasil. Costa e Silva, Médici e Geisel foram adidos militares. Melhor suprimir o cargo. A venda da estatal Imbel à iniciativa privada também poderia render uns trocados. Aliás, a guerra civil em nossas cidades é um filão que deveria ser mais bem aproveitado. De olho nesse mercado, a Avibrás lançou o modelo antidistúrbio do blindado Guará, feito para subir morros e invadir favelas, dotado de metralhadora e jato d'água para dispersar manifestantes. É o Brasil pensando no futuro.

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E como sempre em todos os sábados ai está a capa da Revista Veja com os destaques abaixo.

Capa montagem com fotos de Pedro Rubens

Especial
Os cuidados com o coração devem começar bem cedo.

Brasil
Servidores contrários à reforma da Previdência invadem o Congresso.

Internacional
Qusai e Udai: cerco e morte dos filhos de Saddam.

Brasil

Reformas A república dos juízes
Polícia Maluf detido em Paris
Justiça Stedile declara guerra aos agricultores e pecuaristas
Partidos FHC volta a fazer política partidária

Internacional

Iraque A morte dos filhos de Saddam
Inglaterra Tony Blair atolado até o pescoço
África A Libéria pede socorro

Geral

Especial O risco de ataque cardíaco nos seus próximos dez anos
Consumo As liquidações de inverno começaram no outono
Exposição Roupas da Renascença italiana reconstituídas
Sociedade A integração dos maoris na Nova Zelândia

Economia e Negócios

Ministério As batalhas de Palocci no governo
Juros Como diminuir o custo do dinheiro

Guia

Café As opções de máquina para fazer em casa
Bolso Aprenda a cortar gastos
Viagem Guias que ajudam o viajante
Pergunte Como escrever para o presidente
Casa As fechaduras inteligentes
O que estou lendo
Pergunte ao Guia

Artes e Espetáculos

Livros Um perfil da escritora Lya Luft
Nada Como o Sol, de Anthony Burgess
A Festa Literária de Liz Calder em Parati
Cinema O Exterminador do Futuro 3
Televisão A novela das 6 entrou no eixo
Show de improviso na TV a cabo
Música Palavra Cantada
Ensaio Roberto Pompeu de Toledo

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E o Dr Miron enviou-me esta preciosidade ai da nossa querida Danusa Leão. Pelo que o nosso Presidente falou só passaram-se cinco minutos de jogo, então vamos ver o que nos aguarda nos próximo 85. Estive ai na terrinha Dr Miron. Cruz Alta está cheia de camionetes e carrões, os nossos agricultores vão bem, pena que não se possa dizer a mesma coisa do comércio e de outros setores. Visitei-o ai na sua empresa mas o Sr havia dado uma saida. Paciência como diz a nossa querida Danuza. Não faltarão oportunidades para nos reencontrarmos.

PACIÊNCIA, PACIÊNCIA...
Danuza Leão

Já está ficando monótono. A vida ia melhorar, mas, da posse para cá, só duas pessoas não conseguem esconder sua felicidade: Lula e Marisa.

Tem muita gente mal; mal e com medo de ficar pior ainda. Mas não reclamávamos, todos, do dólar, que só fazia aumentar? Então não era para estarmos todos felizes porque ele baixou? Ah, essa tal dessa economia.

Dentro do mesmo tema, também não dá para entender por que os juros do cheque especial estão a 150% ou 170% ao ano, sei lá; mas quando se investe (no mesmo banco), o rendimento é de 0,70% ao mês. Ora, se é o NOSSO dinheiro que eles emprestam a juros altíssimos, por que o NOSSO rendimento é quase nada?

As únicas pessoas felizes neste país, além de Lula e Marisa, devem ser os banqueiros, mas como a esperança ainda não morreu, esperamos o dia de ver Lula na televisão, num daqueles discursos inflamados, falar que chegou, enfim, a vez dos bancos (porque sobre as reformas tributária e previdenciária ninguém aguenta mais). Enquanto isso não acontece, vamos nos adaptando aos novos tempos; se possível, sem medo de ser infeliz.

Para começar, saia de casa o menos possível; quando não puder mesmo evitar, passe reta, sem olhar para nenhuma vitrine. Olhou, vem a tentação, o cartão de crédito está no bolso -se parcelar, são 10% ao mês- e algum consumo sempre faz bem à alma (e dependendo, ao corpo também). Corte a aula de ginástica e exercite-se em outras atividades: passe a ir à feira, mas bem tarde, quando tudo já baixou de preço, e volte carregando as sacolas, já que a diarista passou para duas vezes por semana. Só com isso você já desempregou dois, o professor de ginástica e a empregada. Ah, e dispense a faxineira que vinha de 15 em 15 (atenção, Dieese), já são três).

Mas vai piorar: a manicure -afinal, quem não consegue cuidar das unhas sozinha?- e o cabeleireiro -uma escovinha rápida é moleza. Agora, Dieese, já são cinco.

Cinema, nem pensar: muita televisão, muitos filmes no vídeo. Forme um grupo de amigos para alugar vários a cada fim de semana, sorteando os horários.

Pode ser que o que você mais quer ver só esteja disponível às 3h da manhã, e aí não tem jeito. Faça um derradeiro esforço e fique acordada, pois o serviço despertador da companhia telefônica é cobrado.

A alimentação vai mudar, claro, e para economizar só existem duas opções de comida barata: legumes em água e sal, o que vai fazer de você um palito subnutrido, ou massas, e aí você vai ficar gorda e subnutrida. Detalhe: você já reparou que um pacote de macarrão italiano (que dá para quatro pessoas) custa R$ 4,20 e o mesmo macarrão, dependendo do restaurante, custa de R$ 30 a R$ 50 a porção? Voltando às compras: peixe e camarão só em fotografia, e galinha, só aos domingos.
É mais um sacrifício pelo país; a vida vai ficar menos engraçada, as famílias talvez briguem um pouco mais, já que não podem sair de casa para não se arriscarem a levar um tiro, mas tudo bem; brasileiro é gente boa e paciente, quem não sabe?

O grande problema vai ser a falta de comunicação. Não se vai mais poder falar no telefone com a filha que mora no Sul, com a amiga que vive em Buenos Aires, nem com o namorado do momento, que pode estar em qualquer lugar do mundo.

A crise não aproxima ninguém, só afasta, e não estimula arroubos mais românticos.

A crise entristece, e não é justo que aconteça exatamente nas vidas de quem, nas últimas eleições, não teve medo de ser feliz.

Folha de São Paulo, 1º de junho de 2003

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Rosane de Oliveira
26/07/2003


A fita e a interpretação

Ao melhor estilo dos falastrões que só percebem o estrago de suas declarações pela repercussão, o líder do MST João Pedro Stédile acusou a imprensa de distorcer suas palavras. Ignorou que sua incitação à guerra no campo, noticiada com exclusividade pelo repórter Fábio Schaffner, correspondente de Zero Hora em Pelotas, tinha sido gravada. Quem ouviu a fita, reproduzida ontem à noite pela RBS TV, não tem dúvida de que houve incitação à violência. Ou seria possível outra interpretação para a frase em que ele convoca seu exército para acabar com os latifúndios? Você decide:

- Na luta camponesa, há hoje 23 milhões de pessoas, que precisariam ver a terra melhor dividida. E do outro lado tem 27 mil fazendeiros. Essa é a disputa que tem na nossa sociedade: 23 milhões contra 27 mil. Dá mil trabalhadores rurais contra um (...) E aqui começa a primeira reflexão. Será que mil conseguem perder para um? É muito difícil. Então o que está faltando para nós? Está faltando para nós juntar os mil, para cada mil pegar um, sacanear assim feito colorado. Por isso que esse acampamento é muito importante (...) Isso significa essa união dos mil, que precisam se juntar. Para cada mil de nós pegar um, e sacanear, e tirar de cima da terra quem está estorvando o progresso do Brasil.

Nos 27 mil do outro lado Stédile inclui não apenas os donos de terras improdutivas - que existem em diferentes Estados - , mas também os grandes produtores rurais, responsáveis pelo superávit da balança comercial e pelo pouco que se teve de crescimento econômico nos últimos anos. Por isso mesmo foi tão dura a reação do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, o homem que cuida do agronegócio no governo.

Tão graves foram as declarações do líder do MST que, antes mesmo de o Ministério Público se manifestar, cinco ministros do governo Lula mais o presidente do PT entraram em campo para assegurar que o governo não será conivente com a violência. E que, como disse o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, "atos, fatos, ações, atitudes, circunstâncias, que possam quebrar a legalidade serão reprimidas com severidade". Por considerar absurdas as declarações, o presidente Lula quer, antes de se pronunciar, que o próprio líder do MST confirme as declarações. Basta ouvir a fita, se não acreditar na transcrição.
rosane.oliveira@zerohora.com.br

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Lya Luft
26/07/2003

Dicionário para criança

O menino de oito anos chegou até o pai e pediu um dicionário. O pai lhe botou na mão um dicionário escolar, bastante simples. A criança olhou, leu, sacudiu a cabeça: tá difícil, pai, não tem dicionário pra criança? Hoje deve ter, mas naquele tempo não tinha. O menino então decidiu:

- Eu vou escrever um, posso? Claro que podia. Pegou-se um arquivo, o alfabeto ele conhecia, escrevia direitinho, e depois de uma semana chuvosa de férias saíram vários verbetes. Alguns deles aqui vão:

Alface. Alface é uma verdura. A alface é de comer, mas eu não como alface. Ela é verde na folha e branca no cabo. Minha mãe diz que salada faz bem pra saúde, mas eu não como salada. Azar o meu.

Argola. A argola é um tipo de círculo. Ela é bem redonda. Eu vi na televisão que no circo tem argolas grandes e pequenas. Os homens do circo pegavam as argolas grandes, botavam fogo, e o tigre tinha de pular no meio. Coitado do tigre.

Amigo. Amigo é uma pessoa que gosta da outra. Daí é amigo. Eu sou amigo da minha família e da família da nossa empregada. A gente devia ser amigo de todo mundo. Mas às vezes não dá.

Afogado. Afogado é uma pessoa que se afoga. Na praia, eu vi pessoas afogadas e os salva-vidas iam lá e salvavam elas. Os salva-vidas são pessoas que salvam as pessoas. Um homem que se afoga mas fica vivo é porque não tinha se afogado muito. Eu nunca me afoguei.

Bonito. Bonito é uma coisa que se chama de bonito. Por exemplo: uma pessoa que seja o contrário de feia é bonita. Eu, minha mãe, meu pai e meus irmãos somos todos bonitos. Ainda bem. Mas o mundo que Deus fez é o mais bonito de tudo.

Seco. Seco é o contrário de molhado. Por exemplo: quando não chove, fica tudo seco. Quando o sol fica raiando muitos dias, tudo fica seco. Sem sol, nada fica seco. Aí a mãe reclama que está tudo úmido. Úmido é um tipo de molhado. Mas o sol não pode raiar o tempo todo. Porque daí todas as plantas se queimam e então também tem que existir a chuva. Que é molhada.

Xixi. Estou botando essa palavra porque só conheço essa com x. O xixi é um líquido que sai da barriga da gente. O xixi é amarelo. O xixi é importante, porque senão onde íamos botar toda a água que a gente toma? Por isso é que todos fazem xixi.

Zebu. O zebu é um animal. É um tipo de boi. Ele tem uma cabeça, um corpo, quatro pernas, um rabo, dois olhos, uma boca, um nariz, um pé, outro pé. E mais dois pés. O mais importante nele é o coração. Depois uns homens chegam lá e matam ele e tiram a carne dele e comem. Isso eu acho muito esquisito. Mas se não fosse assim, como é que a gente ia comer carne?

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Paulo Sant'ana
26/07/2003


A síndrome do boné

O próprio governo federal se alarmou com as declarações do líder nacional do MST, João Pedro Stédile.

Ao ter dito em Canguçu que "estamos diante de uma nova chance histórica" e ao tratar seu movimento como "nosso exército" e os ruralistas de "inimigos" e que "não vamos dormir até acabar com eles", um alarma geral soou em todo o país contra essas declarações e foi ganhar ontem destaque no Jornal Nacional.

Por "nova chance histórica", certamente Stédile quer aludir ao fato de Lula e do PT estarem exercendo o poder.

Ele torna assim a posição de Lula muito sensível e nevrálgica. Qualquer ato que redunde em mortes nos conflitos entre sem-terra e ruralistas enfraquecerá a posição do presidente, no caso de que, por exemplo, ele repetisse aquele gesto de colocar na cabeça o boné do MST.

Com as declarações agressivas de Stédile, parece que Lula só agora percebeu que não pode tomar partido nesse embate.

As suas declarações de ontem, transmitidas pelo porta-voz da presidência da República, são de consciência de sua posição de magistrado, a quem é exigida uma posição de neutralidade entre os dois conflituados interesses.

Só agora o boné do MST que Lula consentiu em portar na cabeça assume a sua verdadeira gravidade.

Antes, pode ter sido interpretado como uma amenidade, afinal são freqüentes as ocasiões em que os presidentes vestem roupas ou chapéus de pessoas que lhes visitam ou são por eles visitadas.

Mas é que o MST se constitui num dos pólos explosivos da questão agrária. E, quando o presidente da República veste o seu boné, estimula lideranças radicais ou integrantes irresponsáveis do movimento a atitudes de violência, imaginando que o poder federal poderá abrigá-los e protegê-los em suas tropelias.

As declarações de Stédile serviram para que o Planalto reveja sua estratégia de solidariedade ao MST.

Pode e deve continuar a assentar colonos, mas até por isso mesmo não pode tomar partido acintoso deles na contenda que mantêm com os ruralistas, que também são brasileiros e necessitam confiar no governo como mediador isento dos conflitos entre os dois lados.

Se é verdade que Stédile vive desses rompantes radicais, que lhe reforçam a imagem de líder máximo dos sem-terra, lucrando com esses exageros, também ficou evidente que sentiu o golpe da generalizada reação que suas declarações provocaram, colocando na defensiva o presidente e o ministro Rossetto, que imediatamente se voltaram contra a violência do destempero verbal do líder campesino.

É provável que esse sério incidente tenha tido o condão de ser benéfico para essa tensão que vive o meio rural.

Por ele, o governo federal deverá rever a relação que tem com o MST, distanciando-se do seu conteúdo estratégico de severa e agressiva contestação, assim como deve ter inspirado Stédile e o MST a compreenderem que não podem se valer do governo como aliado nas badernas, contendo assim a sua voltagem agressiva.

Esse é o típico caso em que o desequilíbrio verbal dirigido a estimular a violência deve provocar o efeito contrário do não-derramamento de sangue.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Jorge Furtado
26/07/2003


Desmundo

Construir imagens do futuro ou recriar visões do passado no cinema são sempre tarefas arriscadas. O futuro depende da verba e imaginação do autor e da boa vontade do espectador, o filme pode optar pelo deserto pós-atômico de Mad Max ou pela selva urbana de Blade Runner. Há quem ainda sonhe com um futuro Jetsons, com carros voadores e uma simpática empregada-robô, mas fora do terreno do humor todo cuidado é pouco.

Nada é mais antigo do que o futuro imaginado num passado recente. A cidade futurista de Godard em Alphaville, mesmo que o filme continue interessante, é hoje tão ridícula como os foguetes movidos à lenha que levavam os Três Patetas à lua. Stanley Kubrick enveredou duas vezes no caminho do futuro. Laranja Mecânica e 2001: Uma Odisséia no Espaço ainda são grandes filmes talvez porque ali o futuro seja só o cenário e não o assunto. Kubrick era um gênio perfeccionista, aos cineastas de baixo orçamento recomenda-se que deixem o futuro em paz.

O passado já aconteceu e parece mais simples. Só parece. Quanto mais antiga a história, mais difícil imaginar como os personagens falavam, comiam ou iam ao banheiro. O cinema brasileiro já pagou muitos micos com filmes em que as perucas e os bigodes malpostos e o sotaque de Ipanema derrubam qualquer possibilidade de se levar nosso passado a sério, se é que ele deve ser levado a sério. Há boas exceções, como a rigorosa recriação de Hans Staden, de Luis Alberto Pereira, ou as visões não-realistas de Carlota Joaquina, de Carla Camurati, e Como era Gostoso o meu Francês, de Nelson Pereira dos Santos.

Mas a melhor recriação de nosso passado remoto no cinema é Desmundo, de Alain Fresnot. O filme, baseado no romance de Ana Miranda, conta a história das órfãs embarcadas para o Brasil no século 16 para servirem de esposas aos primeiros colonizadores. Produção, direção e roteiro excelentes e a interpretação irreparável de Simone Spoladore, Osmar Prado, Caco Ciocler e Berta Zemel conseguem o mais difícil: criar verdade e nuanças em personagens radicalmente toscos, movidos por desejos primários de sobrevivência.

O filme é falado em português arcaico, com legendas, e depois dos minutos iniciais de estranhamento com aquele mundo perdido no tempo, você mergulha numa história apaixonante. Desmundo está em cartaz em Porto Alegre, não se sabe por quanto tempo. Sem muita verba para divulgação, o filme está tendo muito menos público do que merece. Se você quer ver uma grande história e ainda entender melhor como este país começou e por que deu nisso, corra para o cinema. Para entender ou para registrar o passado, e também para ver o melhor cinema brasileiro, siga o conselho de Cézanne: "As coisas desaparecem. Se queremos ver, temos de nos apressar".

Rogério Cardoso era um grande ator, um dos maiores de sua geração. Quando Ettore Scola esteve em Porto Alegre e viu um de seus trabalhos, ficou muito impressionado, comparou seu gênio cômico ao de Totó. Extremamente culto e muito inteligente, capaz de contar piadas em latim e de improvisar com incrível rapidez, Rogério era também uma grande figura humana, conversa da melhor qualidade. Nada mais triste que a morte de um comediante.
jorge.furtado@zerohora.com.br

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Olha esta imagem abaixo retrata efetivamente como esteve e como está ainda hoje Porto Alegre. Há que se fazer um esforço gigante para não permitir que os sentimentos aqui dentro fiquem nublados assim como este clima ai fora.

Clima
O Rio Grande sem sol



Uma frente fria provocou uma longa seqüência de dias úmidos e mudou a paisagem no Estado, como em Gramado (foto Emílio Pedroso/ZH)


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Sexta-feira, Julho 25, 2003




Música
Margs promove recitais

Um concerto gratuito abre amanhã a série Concertos Margs & Capa Engenharia, às 17h30min, nas pinacotecas do museu (Praça da Alfândega, s/nº, fone 3227-2311). A apresentação terá regência do coordenador do projeto, o maestro Cláudio Ribeiro, e participação da Orquestra de Câmara do Rio Grande do Sul e do solista Diego Grendene (clarinete).

O programa inclui peças de autores como Haendel, Joaquin Rodrigo, Hubertus Hofmann e Albert Roussel, além da coletânea Canções Populares Brasileiras, de Radamés Gnattali. A série Concertos Margs & Capa Engenharia prevê mais cinco apresentações, entre recitais solo e concertos com solistas, até o final do ano, no último sábado de cada mês.

Bom proveito e um ótimo sábado a todos nós, espero.

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Esta é a capa da Revista Isto É deste fim de semana.

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MUNDO

HERANÇA DO ÓDIO
Morte de filhos de Saddam interrompe má fase de Bush

ECONOMIA

A MÁFIA DOS CIGARROS Comércio ilegal já domina 50%
dos pontos-de-venda. Os prejuízos somam bilhões de reais

UM FREIO NA CRISE
Governo cria fórum para discutir futuro da indústria automobilística

OS MAIS ACESSADOS COMO SERÁ SEU BEBÊ
Calcule as chances de seu pimpolho, prestes
a nascer, puxar pelo pai ou pela mãe

GUIA DE POSIÇÕES SEXUAIS:
Bonecos mostram o que fazer

GRAFOLOGIA: Confira se a sua letra revela mesmo seu perfil

HIERÓGLIFOS: Escreva seu nome à moda dos faraós

REFLEXOLOGIA
Dor em pontos nas solas dos pés revela problemas de saúde

CIÊNCIA

GUARDIÃO DO SABER
Ennio Candotti ressalta avanços da ciência nacional e cobra incentivos
BRASIL

PACIÊNCIA
Governo enfrenta invasões, greves e desemprego e sinaliza com crescimento num futuro próximo

TER OU NÃO TER?
Maluf é detido para explicar dinheiro em banco da França

MORDOMIA FEDERAL Helicóptero da PF serve de táxi aéreo a autoridades

Em menos de um mês, Lula usa bonés, camisetas, uniformes, sapatos e revela que
sua imagem é capaz de fazer as vendas de alguns setores disparar

MEDICINA E BEM-ESTAR

HOSPITAIS ZEN
Instituições públicas e privadas oferecem terapias como acupuntura, meditação e ioga

EDUCAÇÃO E CIDADANIA

ESTRELAS DO BEM
Artistas colocam seu talento e fama a serviço do desenvolvimento social

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EMOÇÕES EM JOGO
A nova safra de games tem aventuras e simulação de vôo e de corrida para quem quer mais uma desculpa para não sair de casa

TESTES

QUAL SUA MELHOR QUALIDADE?
Descubra os atributos que podem valer ouro em situações decisivas

HUMANOS OU ROBÔS: Confira se está mais para robô ou humano

O MASCOTE IDEAL: Saiba qual é o mascote ideal para você

MIAUUUUUUU!: Ouça os miados e teste se entende o que significam

Confira outros teste
GALERIAS

DO ESPAÇO À TERRA
Utensílios criados a partir de pesquisas espaciais da Nasa

ARSENAIS: um raio-X das armas das maiores potências nucleares

MITOLOGIA: seres fantásticos que ainda povoam o imaginário popular

MUNDOS PROIBIDOS: Saiba mais sobre os tabus da cultura

Confira outras galerias

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CLÁUDIO HUMBERTO

TEM GENTE QUE ACHA POUCO SE APOSENTAR COM R$ 17 MIL
(Presidente Lula em nova alfinetada no Judiciário e na aposentadoria de ministro do STF)

Brasil: vergonha na ONU
Depois de o ex-deputado Tilden Santiago, travestido de embaixador do Brasil em Havana, defender o fuzilamento de presos políticos cubanos, mais um episódio envergonha nossa diplomacia: por ordem do Planalto, o Brasil se juntou ontem a países como Irã, Uganda, China e Líbia para suspender por um ano a ONG Repórteres sem Fronteiras na Comissão de Direitos Humanos da ONU. A ONG luta para libertar 30 jornalistas cubanos presos.

Conta corrente
Paulo Maluf preso em Paris por tirar mais que o permitido num banco? Pior é quando ele deposita.

Trinta dinheiros

Os filhos de Saddam Hussein foram mesmo delatados pelo dono da casa que os abrigava. Deve ser o que chamam de ¿entrega em domicílio¿.

Cecília em ação
Aquela cabeça brilhante da equipe econômica, que dava festas em sua penthouse vestido de mulher e atendendo pelo gracioso nome de Cecília, tem freqüentado o modesto hotel Garvey, em Brasília. Sem medo de ser feliz, sua excelência chega sempre no carrão oficial, e com seguranças.

Vou de ônibus
O líder do PMDB na Câmara de Porto Alegre, Sebastião Melo acha inaceitável a volta de filiados que, há menos de dois anos, saíram para apoiar Antonio Britto para o governo gaúcho. Brito, aliás, não está mais a pé: é o novo superintendente da Azaléia, maior fábrica de calçados do país.

Química errada
Não vai nada bem o controle de produtos químicos na Polícia Federal. Peritos formados em Química são preteridos por bacharéis em Direito, sistematicamente, na coordenação de diligências para identificar insumos no refino de drogas. Com a palavra, o Conselho Federal de Química.

Fim do martírio
O presidente da Infraero, Carlos Wilson, não vê mais razão para importunar com interrogatórios e formulários sobre pneumonia asiática as pessoas que chegam do exterior. Ontem, ele eliminou a exigência em Brasília. Afinal, a doença jamais chegou ao Brasil e onde ocorreu já foi debelada.

Numerologia
O deputado tucano Alberto Goldman (SP) destaca as coincidências do 13, o número do PT: o desemprego (13%), a perda salarial dos últimos doze meses (13%) e a média salarial do País - que caiu, naturalmente, 13%.

Visita ao passado
Ex-líder de FhC, o senador Romero Jucá (RR) faz lobby para virar ministro dos Transportes ou da Integração Nacional, indicado pelo seu novo partido, o PMDB. Mas se o PT exigir nada consta do TCU, o sonho vira pesadelo.

Reforma capenga
Paulo Rubem (PT-PE) ataca o relatório preliminar do deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) sobre a reforma tributária: os ajustes propostos atendem mais aos empresários do que à maioria da sociedade.

Day after
Tumulto, PM invadindo o Congresso, agressões... e o relatório da reforma da Previdência foi aprovado. Conseguiram juntar o inútil ao desagradável.

Choque
Todo governo tem a sua tropa de choque no Congresso. Mas o governo Lula levou essa necessidade muito ao pé da letra...

Astronauta paulista
O presidente da Câmara de Nova Odessa (SP), Auro Moura (PMDB), usa uma cadeira de R$ 6,2 mil. O vereador justificou o caro assento afirmando que foi desenhado pela Nasa, a agência espacial americana. Os eleitores poderiam aproveitar e mandar o ilustre ao espaço, nas próximas eleições.

Ladeira abaixo
Os amigos de ACM estão preocupados com as evidências de debilitação de seu estado de saúde.

Olimpíada de números
Acha Miami perigosa? Tente a América Latina¿, desafiou o Miami Herald, citando 12 assaltos por cada cem mil pessoas, no Rio. O jornal americano elogia Bogotá (Colômbia), por reduzir a criminalidade, mas não cita Nova York, que disputa com o Rio o direito de sediar a Olimpíada de 2012.

Espetáculo do crescimento
Crescem os assaltos a farmácias, em Salvador. Só esta semana foram dez ocorrências. Os ladrões não queriam dinheiro; queriam comprimidos de Viagra. Pudera: uma caixa com quatro já custa R$ 140.

Pensando bem...
...esses pingüins que invadem a costa brasileira querem entrar numa fria?

Pinóquio dublado
O superintendente da Herbert Richers garantiu à coluna que pagaria semana passada os cachês das crianças que dublam filmes, seriados e novelas. As mães reclamam há cinco meses.

Poder sem pudor: Ops, me enganei
José Sarney era presidente da República e mandou agendar uma audiência solicitada pela Ford mexicana. Sua assessoria o municiou de informações sobre trabalhadores da empresa, produção anual de carros etc. Ao receber a comitiva mexicana, Sarney começou a discorrer, com desenvoltura, sobre a posição da empresa no mercado nacional. Um visitante o interrompeu:

- Deve haver algum engano, presidente. Nós somos da Ford, a Federación Obrera Revolucionaria Democratica...

É UM TERROR!. Não era Uday, mas Udói, o filho morto de Saddam na foto dos americanos.

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24/07/2003
Revista Epoca


EUA apresentam fotos de Uday e Qusay

Milícia leal promete vingança


A administração civil dos EUA no Iraque divulgou nesta quinta-feira fotografias que diz ser dos corpos dos filhos de Saddam Hussein, Uday e Qusay, mortos terça-feira em Mosul, no Iraque. Segundo a rede de TV CNN, as fotos não foram retocadas e são ''extremamente chocantes''. Pela manhã, o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, havia declarado que as imagens seriam mostradas em breve.

As fotografias mostram imagens chocantes das cabeças e da parte superior do tronco dos irmãos - ambos com barbas espessas, que para os americanos seriam uma forma de disfarce. A foto que seria de Qusay mostra um corpo num saco plástico. O rosto está ensangüentado e cheio de escoriações, principalmente nos olhos. A que mostraria Uday, a mais grotesca, retrata um homem de cabeça raspada aparentemente sem parte do nariz e com uma cicatriz diagonal ao longo da face - o que muitos nas forças da coalizão apontam como prova de que o primogênito de Saddam tentou ou cometeu suicídio para evitar ser capturado.

Os EUA vinham resistindo à divulgação das fotos para não violar a Convenção de Genebra, que proíbe a exibição de imagens de inimigos presos ou mortos em combate ''para satisfazer a curiosidade pública''. Washington mudou de opinião devido à pressão de muitos iraquianos - ainda céticos em relação à informação de que Uday e Qusay tinham morrido em combate e temerosos da volta de Saddam ao poder. Entre as imagens, estaria também as de raios-X com as fraturas sofridas por Uday, em 1996, numa tentativa de assassinato. Essas radiografias teriam ajudado os EUA a confirmar a identidade do homem.

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Amado mestre

Atores e fãs se despedem do humorista Rogério Cardoso, o Seu Flor da Grande Família, morto aos 66 anos.

A Grande Família perdeu um de seus mais queridos integrantes. Rogério Cardoso, o Seu Flor, morreu ontem de manhã, em casa, em Copacabana, vítima de infarto fulminante. O ator, de 66 anos e 50 de carreira, que popularizou personagens como Rolando Lero, da Escolinha do Professor Raimundo; Salgadinho, da novela Explode Coração, e Epitáfio, de Zorra Total, era asmático e cardiopata já tinha colocado, há sete anos, uma ponte de safena. No início do ano, se submeteu a uma angioplastia, que detectou a necessidade da colocação de um aparelho para impedir a formação de coágulo.

Com exames em dia e bem disposto, Rogério trabalhava normalmente. Na noite de quarta-feira, gravou cena externa com Pedro Cardoso, o Agostinho da série. Na madrugada de ontem, conversou até as 3h com a irmã Eliana, a sobrinha Luciana e o neto Leonardo, seus hóspedes. Às 6h, Rogério levantou-se e, com a mão no peito, gritou de dor e caiu sobre a mulher, Isabel.Minha mãe fez massagem cardíaca e respiração boca-a-boca, mas não adiantou. Ele estava feliz com a nossa visita, contou Luciana. Rogério será enterrado hoje, em Mococa, sua cidade natal, no interior paulista.

Comoção e saudades no velório do comediante

O velório do ator, na Câmara dos Vereadores do Rio, reuniu muitos amigos. ¿Se existia alguém no mundo que não merecia morrer, era ele. Perdi um grande amigo¿, disse o ator Pedro Cardoso. Marieta Severo, a Nenê, estava desolada: ¿Muito da paixão da Nenê pelo pai deve-se ao que Rogério despertava em mim. Netos de Rogério na ficção, Lúcio Mauro Filho e Guta Stresser, Tuco e Bebel, também se emocionaram muito.Era o avô que não tive. Fazia muita palhaçada, me beliscava debaixo da mesa. Será difícil voltar a gravar, lamentava Lúcio Mauro Filho. As crises de riso dele faziam o estúdio inteiro rir. A gente vai continuar, mas faltando um pedaço, discursou Guta. Cláudia Jimenez, a Cacilda da Escolinha, tentou amenizar a tristeza. Tenho certeza que ele está em bom lugar. Walter DÁvila, Brandão Filho e Nádia Maria estão esperando por ele, disse, lembrando antigos colegas do humorístico.

Para a equipe do seriado, Rogério é insubstituível. Por mim e Maurício Farias (diretor), não haverá substituição. Vamos nos reunir com o elenco para decidir o destino do Seu Flor no programa. Uma coisa é certa, A Grande Família não vai acabar, afirmou o autor, Cláudio Paiva. Rogério deixou três episódios gravados. Ontem, o programa homenageou o ator com a reprise de O Velhinho Pocotó. Não há nada pior que perder alguém da família, disse Marco Nanini antes do episódio. Rogério será lembrado no Zorra Total, amanhã, com quadro inédito gravado pelo ator.

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David Coimbra
25/07/2003


Faça o seu obituário

O Boró é um leitor arraigado do obituário. Trabalhamos a metro e meio de distância, um de costas para o outro, aqui na Redação. Aí pelo meio da tarde, ele gira a cadeira e comenta, jornal aberto nas mãos:

- Olha só esse morto, o Linhares. Escreveram aqui: "Pai amoroso de duas filhas, Linhares se destacou em campeonatos de escova no Estado, no país e no mundo." No mundo! - admira-se o Boró. - Era bom, o Linhares! - e prossegue, encantado: - "Linhares foi multicampeão de escova. Sua especialidade era a modalidade escovão. Tornou-se célebre pelo epíteto de Rei do Sete-Belo. De fato, por um sete-belo fazia tudo: entregava jogos, abandonava parceiros. Poucos souberam apreciar tanto o valor de um sete-belo quanto o Linhares."

Então, o Boró fecha o jornal e suspira:

- Rei do Sete-Belo... Maravilha...

É mesmo formidável. Ali está um espaço para que amigos e parentes desfiem as glórias de seus defuntos próximos. E, por mais insignificante que alguém tenha sido, sempre há uma façanha em seu passado, um singelo motivo de orgulho, algo que o falecido gostaria que fosse lembrado pela eternidade.

"Feliciano calçava 49. Ninguém, em Nova Bassano e região, tinha pés maiores que Feliciano". "Cantor amador, Carlos Moreira orgulhava-se de saber de cor todas as letras das músicas gravadas por Ray Connif". "Bozano foi caixa do Banco do Brasil por 35 anos. Nesse tempo, contou mais de sete trilhões de reais".

Estou pensando inclusive em lançar um serviço novo: redação de obituários. Para que deixar outra pessoa escrever sobre sua vida e seus feitos? Contrate um profissional para narrar por você! Conte a sua própria versão! Coisas que só você poderia contar. O que você REALMENTE gostaria de contar.

"Letícia cometeu uma única grande e romântica loucura em sua vida. De repente, sem aviso prévio, abandonou um casamento estável e viajou com outro homem para Paris. Ficaram um mês na Europa, voltaram e nunca mais se separaram. Tiveram dois filhos e cinco labradores juntos". "Professor Juninho desenvolveu uma técnica radical para provocar orgasmos nas mulheres. Elas experimentavam êxtases variados, quando mantinham relações com ele. Era chamado por elas de 'O Barão dos Orgasmos Múltiplos'". "David Coimbra era imbatível no botão com a regra do passe e no jogo-da-velha. Ponteiro direito recuado, certa tarde marcou um gol dando três balõezinhos na zaga adversária, ali no Estádio Alim Pedro. Fazia uma massa excelente em 10 minutos e uma feijoada que batia a de qualquer hotel cinco estrelas de Porto Alegre".

Perfeito. Já estou vendo o Boró suspirar:

- O Barão dos Orgasmos Múltiplos...

Creio que vou ficar rico com meu novo serviço. Você aí, como vai querer seu obituário?
david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
25/07/2003


Mais esta: ICMS na água!

Explodem em todo o país invasões de terras e de casas, no centro de uma delas houve o assassinato de um fotógrafo da revista Época.

Há uma onda de violência em marcha, em meio ao dramático crescimento da pobreza e do desemprego.

Algumas lideranças que comandam as invasões dão claras demonstrações de que desejam o conflito com a ordem estabelecida.

Não há portanto quem não esteja assistindo a esses fatos com profunda preocupação pela sorte institucional do país, num instante em que se anuncia até uma greve dos juízes em todo o país.

Já vivemos muitas crises em várias épocas, dentro das últimas décadas. Mas este instante que vive o país é o mais grave de todos. Pelo somatório de crises que assolam todas as categorias sociais, pelo crescimento da pobreza, pelo empobrecimento da classe média e por um desemprego severo que enche de desesperança todas as massas brasileiras, desde as operárias até as que antes eram bem situadas.

Para gravame maior ainda sobre a crise, no aspecto fiscal, de um lado a sociedade inteira brada contra a alta dos impostos e, incrivelmente, na outra ponta os governos federal e estaduais reclamam que os tributos exagerados que já cobram não são suficientes.

Ontem, foi anunciado inacreditavelmente que é iminente a possibilidade de que seja cobrado ICMS no consumo da água canalizada!

Será que vamos chegar a mais este abuso? Já se cobra ICMS na gasolina, na luz, no telefone, agora se lembraram de aplicar o imposto também na água.

É demais! Quando é que vão parar com este esquartejamento do contribuinte?

Ao mesmo tempo, anunciou-se ontem em Brasília que foi criado o grupo de trabalho que vai criar a Taxa de Inspeção Veicular.

Imposto, mais imposto, novo imposto, como se os contribuintes já não estivessem com a corda no pescoço!

Os políticos de todos os partidos que se alçam ao poder têm uma única forma de governar e agir: aumentar impostos, criar novos impostos, arrecadar cada vez mais.

E, paralelamente à maior arrecadação, não dá para acreditar, aparece com vulto brutal e aterrorizante a redução dos serviços públicos que beneficiam os contribuintes, como este corte desumano e violento do repasse das verbas do SUS, que, num tempo de intensa alta na demanda por hospitais, diminui espantosamente o número de leitos e de atendimentos ambulatoriais.

Mais imposto, menos saúde.

Mais imposto, menos emprego.

Mais imposto, menos vergonha.

Quem conhece fatalidade ou discerne sobre futebol, no que se refere a um vazio total de soluções de que é tomado de repente um time em meio a uma temporada, não tem dúvidas de que o Grêmio será rebaixado.

Falta a faísca, falta a centelha, falta a alma de vencedor, que foi perdida quando se pregou aos jogadores que podiam perder jogos de determinados campeonatos.

Não ganhando em casa e perdendo fora, conseguindo somente um empate em cada três jogos, o destino do Grêmio é cabalmente o rebaixamento.

Ontem, mais uma derrota para um time catarinense, no Olímpico. Nos últimos tempos, todos os catarinenses e todos os paranaenses ganham do Grêmio quando bem entendem, a maioria dos jogos no Olímpico e várias vezes por goleada.

Eis como um grande clube vira, em apenas dois anos, um clube pequeno: basta arrancaram-lhe a dignidade.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Grêmio
Novo técnico, nova derrota



Grêmio de Nestor Simionatto segue em penúltimo no Brasileirão, depois de levar 2 a 0 do Criciúma no Olímpico (foto Paulo Franken/ZH)


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Quinta-feira, Julho 24, 2003




ESTRELA SOL E CHUVA
Marcia


Quero ser uma estrela cadente
entre as milhares que existem no céu
Azul marinho e brilhante,
para, quem sabe, ter sorte
e parar na vida de alguém.

Quero ser um raio de sol
que brilha descaradamente,
Amarelo e radiante,
para, quem sabe, ficar
em algum canto parado
e para longe ser carregado.

Quero ser pingos de chuva
que cai como água corrente
Límpida e alvejante
para, quem sabe, refrescar
a vida de alguém que sonha
ter paz para viver plenamente.

Quero fazer, da vida pequena
a grandeza de ser
para, quem sabe, encontrar
na vida de alguém a minha
verdadeira essência de viver.

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- AUTO-ESTIMA -

Se um dia alguém fizer com que
se quebre a visão bonita que você tem de
si, com muita paciência e amor reconstrua-a.

Assim como o artesão recupera a
sua peça mais valiosa que caiu no chão,
sem duvidar de que aquela
é a tarefa mais importante,
você é a sua
criação mais valiosa.

Não olhe para trás.
Não olhe para os lados.

Olhe somente para dentro, para
bem dentro de você e faça
dali o seu lugar de descanso,
conforto e recomposição.

Crie este universo agradável para si e seja feliz.
O mundo agradecerá o seu trabalho.
- Brahma Kumaris -

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Algum dia você se deparou com um céu carregado de nuvens escuras e densas, e esta paisagem contribuiu para que a tristeza e a monotonia tomassem conta do seu ser?

Pois é... quando vemos um céu assim, tudo nos parece vazio e sem graça...Esta semana quase toda ela foi assim

Mas algum dia você parou para pensar que esta paisagem monótona reflete apenas um momento e que atrás destas espessas nuvens passageiras brilha o mesmo sol que está sempre nos alimentando de beleza e energia? Pois é... cabe a nós escolhermos o modo de ver cada situação...

Um dia você perceberá a realidade através das aparências...Sentirá com toda a força do seu coração..E poderá constatar que é bela, justa e certa!

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O Brasil todo em debate
Sem Censura faz edição no Rio Grande do Sul para estrear projeto que visitará capitais do País



Leda Nagle apresenta o Sem Censura ao vivo de Porto Alegre amanhã

Ao completar 18 anos, o programa Sem Censura, da TVE, vai ganhar a estrada pela primeira vez. A atração comandada por Leda Nagle sai dos estúdios da emissora, no Rio, para ser exibida, amanhã, ao vivo, às 16h, direto do Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. O Sem Censura itinerante faz parte do projeto que, periodicamente, levará o programa a diferentes capitais do país.

¿Isso é muito legal, porque quebra a rotina. Confesso que estou na expectativa, porque estamos arriscando ao fazer uma coisa nova, diz Leda, que está há oito anos na apresentação do Sem Censura, um dos programa de maior longevidade da televisão brasileira.

Segundo a apresentadora, o projeto tem a intenção de dar uma dimensão ainda mais nacional ao programa, que é assistido em mais de 20 estados.

Para viabilizar as produções, a emissora vai sempre contar com o apoio do canal educativo local. No caso de Porto Alegre, a atração será transmitida pela TVE do Rio Grande do Sul.

Apesar de sair do lugar comum, o programa continua com a mesma linguagem, com Leda ao centro da roda de convidados de diferentes áreas. É bom também porque a gente se aproxima de um público diferente, conhece outras culturas. Como as TVs educativas escolhem a programação que querem exibir, o Sem Censura estava há dois anos fora da grade da TVE-RS e voltou a ser exibido há dois meses. Escolhemos começar por lá também para prestigiar a região que nos acolheu de volta, conta a apresentadora.

Além da atração de Leda, já estão sendo exibidos na TVE-RS o Gema Brasil, de Rodolfo Bottino, e National Geographic Apresenta.

No programa de Porto Alegre, os convidados serão pessoas que têm importância na região, como um médico expert em transplante de pulmão, uma especialista em estresse e o ator gaúcho Zé Victor Castiel, o Chico Mascate da minissérie A Casa das Sete Mulheres.

Leda comenta que já está nos planos levar o Sem Censura para Salvador. Acho que vai acontecer um processo engraçado, que é o público das capitais pedir para o programa ser transmitido de uma determinada cidade, acredita a apresentadora.

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Diário de um tímido
No filme Meu Tempo é Hoje, que estréia amanhã, Paulinho da Viola consegue revelar um pouquinho de sua intimidade
Marcelle Justo

Aos 60 anos, Paulinho da Viola imaginava estar lendo livros, ouvindo discos e fazendo tudo o que não conseguiu durante a vida. Enganou-se. O cantor e compositor continua muito bem requisitado para shows, obrigado, e amanhã entra em cartaz no cinema com o filme Meu Tempo é Hoje, sobre sua obra. Imaginava o contrário, admite Paulinho, com uma pontinha de vaidade. Estou me sentindo feliz. Todos nós somos muito vaidosos, apesar de a gente lutar sempre contra isso, disfarça.

Ao ser convidado por Zuenir Ventura e o cineasta João Moreira Salles para fazer o documentário, Paulinho da Viola aceitou na hora. Mas alguns detalhes ele relutou em mostrar para a diretora Izabel Jaguaribe.Tenho vida muito simples. Mas esse filme não é biográfico: trata apenas de uma questão, que foi decidida na primeira reunião, que é o tempo na minha obra, diz. Também não tenho nada o que esconder. Apenas queria preservar coisas que estão fora do meu trabalho, completa, com jeito reservado.

Para um público que está acostumado a ver escancarada a vida de seus ídolos, os segredos de Paulinho chegam a ser ingênuos. E talvez fundamentais para entender suas músicas. Um deles é a marcenaria. É onde eu fico comigo, relaxo, onde posso me concentrar um pouco mais. Faço isso por amor, revela Paulinho, também fã de carros antigos, que compra, desmonta e monta. Não sou colecionador. Num determinado momento, no final da década de 70, me interessei por mecânica. Agora, tenho os carros que eu pretendo montar. São os dois Karman Guias. Coisa que já faz parte do folclore da família, admite o compositor, que nessa hora protagoniza uma das cenas mais engraçadas do filme.

Além dos detalhes curiosos de seu dia-a-dia, que conta com longas caminhadas pelo centro do Rio, o longa mostra a grande família do compositor. Ser pai de sete filhos tem dois lados. O primeiro é que aprendi e aprendo muito com eles. Se pudesse, teria mais. O outro lado é que, como são muitos e o tempo passa rápido, não posso me dedicar efetivamente como imaginava no começo. Alguns entendem, outros não, lamenta Paulinho, que no filme tem belos encontros musicais com Elton Medeiros, Marisa Monte e a Velha Guarda da Portela. Fiz questão que tivesse Coisas do Mundo, Minha Nêga, que é a minha preferida, conta.

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José Simão
simao@uol.com.br


Chama a Wanderléa! Senhor juiz, PARE agora!

Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Iraque Urgente! Pegaram os fofinhos do tio Saddam. Mataram o Uday e o Qusay. Uday ou Desce e o Qusay e Quentro! E acho engraçado os telejornais falando da vida devassa do Qusay (também, com esse nome): 'Em sua casa foram encontradas garrafas de uísque e filmes pornôs'. Mas em qualquer casa de qualquer cidadão normal tem uísque e filme pornô. Só falta a 'Playboy' da Sheila Mello!

Eles encontraram a 'Playboy' da Sheila Mello na casa do Qusay? E eu sei onde o Saddam tá escondido. No porão do Habib's! Não há turco que resista a esfirra por R$ 0,49! E se você delatar o Saddam e ganhar o prêmio, já dá pra comer 60 milhões de esfirras do Habib's. Rarará!

E a greve dos juízes? Diz que o bom da greve dos juízes é que ninguém vai notar quando começar e muito menos quando terminar.

E nas rádios daqui de Sampa já estão tocando a trilha sonora da greve dos juizes: 'SENHOR JUIZ/ PARE AGORA!'. Chama a Wanderléa. Bota a Wanderléa num carro de som! Mas os juízes só querem entrar em greve em agosto. É que estão em recesso. Recesso, depois greve, licença-prêmio, licença-maternidade e, aí, já é hora da aposentadoria integral!

E diz que quem está ganhando com a vitória do Rubinho é posto Shell: que tá cheio de bonezinho da Ferrari, que encalhou do GP Brasil, e agora passou de R$ 12 pra R$ 25! E sabe o que tava escrito no cartaz do maluco que invadiu a pista? 'Schumacher! O Rubinho pegou o teu carro.'

E eu sei como o Lula pode diminuir o desemprego: demitindo o pessoal que calcula o desemprego. Básico. E desempregado tem que se consolar com a hiena que só come carniça, transa uma vez por ano e ainda dá risada! Trágica! E um amigo meu vai comprar um carro em 60 meses. Num mês ele compra uma porta, no outro compra um pneu e no outro compra uma bateria!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que o diretor da Volks declarou que a montadora criará uma empresa 'que ficará responsável pela recolocação do metalúrgico'. Tucanaram a demissão em massa. Socorro! Chama o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês. Tá mais fácil a volta do Fusca que erradicar o tucanês!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Injuriado': companheiro ainda puto com os juros. Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! O já famoso Estoura Brasil!

Email simao@uol.com.br

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Luis Fernando Verissimo
24/07/2003


O resgate

George Smiley, do serviço secreto inglês, nunca perdoou seu criador, John Le Carré, por comparar seus ternos à pele solta de um sapo que encolhera ou por lhe dar uma mulher infiel. Mas pior do que ser o herói desajeitado e enganado de uma série de livros de Le Carré, para Smiley, era a obrigação de, em várias ocasiões, ter que compartilhar a defesa da civilização ocidental da perfídia comunista com seus pares americanos, os "primos" cujos métodos crus e falta de imaginação mais atrapalhavam do que ajudavam.

Nos livros de Le Carré era sempre o melancólico Smiley, com sua inteligência e tranqüila eficiência, que resolvia tudo, e não os bem-aparelhados e insensíveis americanos. Foi Smiley que desmantelou a organização da sua contraparte soviética, o terrível Karla, e o responsável pela defecção final do próprio Karla, no último livro da série. Depois disso, Le Carré lhe concedeu uma merecida aposentadoria como única recompensa.

No seu retiro num dos "shires" mais bucólicos, entregue ao estudo de obscuros poetas alemães do século 17, entre evanescentes lembranças da traidora Ann e dos seus dias de glória irreconhecida, Smiley deve ter, finalmente, perdoado Le Carré. Dispensando-o, o autor o poupou do fim da União Soviética como adversário e da Guerra Fria como causa identificáveis, e do lento declínio do seu ofício até a irrelevância. Poupou-o, principalmente, da rendição inglesa à truculência americana na defesa do "Ocidente", seja isto o que for agora, e do fim de qualquer idéia de espionagem e contra-espionagem como um jogo de cavalheiros, pelo menos na literatura.

Mas o noticiário destes últimos dias deve ter reconfortado George Smiley. O suicídio do cientista David Kelly, acusado de ter denunciado a manipulação dos dados que apressaram o ataque ao Iraque, traidor, herói ou vítima, resgatou a história da triste realidade da submissão inglesa aos interesses dos "primos" e a devolveu ao mundo de Le Carré, onde a verdadeira questão nunca era ideológica ou tinha muito a ver com o resto do mundo, era sempre sobre ingleses sendo ingleses. Sobre suas relações com a sua ilha e as suas almas, sobre honra, classe e discrição. A história ficou exclusiva e inimitavelmente inglesa. Smiley talvez até seja convidado a voltar.

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Nilson Souza
24/07/2003


O suicídio do Super-Homem

Deu na televisão, no último domingo, uma impressionante reportagem sobre o avanço da ciência médica na reconstrução da vida. A reportagem começou com dois senhores de cabelos grisalhos jogando futebol numa praia do Rio. Os velhinhos faziam embaixadas, cobravam pênaltis, atiravam-se na areia e voltavam a correr com invejável disposição. Em seguida, o repórter informou que alguns meses antes da gravação daquelas cenas os dois homens sequer podiam caminhar sem ajuda, devido a problemas cardíacos.

Então, submeteram-se a um tratamento pelo qual transformaram-se em doadores e receptores ao mesmo tempo. Receberam um transplante de células-tronco, aquelas capazes de dar origem a células de diferentes partes do corpo, retiradas da própria medula óssea. A operação provocou a revascularização das áreas do coração afetadas pela doença, e em pouco tempo os dois já estavam candidatando-se a uma vaga na Seleção do Parreira.

Sei, não é tão simples assim. Nem sempre funciona com tamanha eficácia como nos exemplos mostrados pelo Fantástico. Também não me cabe - leigo que sou nesse assunto - avalizar coisa tão séria neste espaço de amenidades. Mas, por casualidade, estou terminando de ler um dos livros escritos pelo ator Christopher Reeve, o Super-Homem do cinema, que ficou tetraplégico depois de uma queda de cavalo. Ao se descobrir impossibilitado de movimento do pescoço para baixo, ele queria morrer. Queria de verdade. Estava extremamente deprimido e achava que a vida não teria mais sentido. Então, sua mulher ajoelhou-se ao lado de sua cama de hospital e fez-lhe a seguinte proposta:

- Você continua sendo você mesmo e eu o amo. Vamos combinar o seguinte: se dentro de dois anos você ainda continuar com o mesmo propósito, vamos encontrar uma maneira suave de realizá-lo.

Em muito menos tempo, ele recuperou a vontade de viver. Passou a valorizar os pequenos progressos, voltou a se movimentar numa cadeira de rodas especial, voltou a conviver com a família, dirige uma fundação, escreve livros, faz palestras e transformou-se no garoto-propaganda da pesquisa sobre a célula-tronco embrionária - que é ao mesmo tempo uma monumental polêmica ética e uma esperança para quem teve a coluna vertebral seccionada.

O livro de Christopher Reeve chama-se Superar o Impossível. Poderia ter como subtítulo: Dessa vez, sem os efeitos especiais e os truques do cinema.
nilson.souza@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
24/07/2003


Não consultam as gazelas

Há dias se desenrola em Brasília um movimentado cenário em torno da reforma tributária.

Um leão (o governo federal) e um leopardo (os governos estaduais) discutem acaloradamente sobre qual vai ser a sua parte nas presas (os contribuintes), representadas por 10 gazelas encerradas em um potreiro.

O leão, segundo o noticiário, não abre mão de oito das 10 gazelas. O leopardo quer pelo menos quatro das 10 gazelas.

Na volta da discussão entre o leão e o leopardo, uiva e rasteja como sempre a hiena (os municípios), já conhecendo que mais uma vez ficará apenas com os restos do festim.

Tão logo o leão e o leopardo entrem num acordo, se atirarão sobre as gazelas com sua insaciável fome carnívora.

Mas não estão entrando em acordo, deixando ainda mais nervosa a hiena.

É evidente o final desta fábula tributária: o leão bate pé em oito gazelas, o leopardo não se contenta com somente as duas que tem devorado ultimamente.

Fatalmente os dois chegarão à conclusão de que há gazelas de menos para a gula das duas feras.

Vão acordar que terão de arrebanhar mais quatro gazelas para o potreiro.

Ou seja, vai aumentar a carga tributária.

Mesmo que as gazelas soltas nas campinas já sejam uma espécie quase em extinção.

É bem assim que acontece. O debate sobre a parte que toca a cada um será travado somente pelos dois.

A pobre da hiena, sem força política e representação definida, ficará à mercê do humor das duas principais feras.

E as gazelas,