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Sábado, Agosto 02, 2003




Que os anjinhos - de asas e os sem - protejam e proporcionem um ótimo domingo a voces. Gosto da Silvia Scmidt por sua sensibilidade e bom gosto em tudo o que ela escreve e ai abaixo está um exemplo disso.

MOSTRE-SE
Silvia Schmidt

A maior parte das suas dores acontece porque
você esconde alguns sentimentos.

Quando você sente medo, seja lá do que for,
os outros podem saber, sim.
Não é vergonhoso sentir medo:
ele é só um sinal de auto proteção.

Quando você sente raiva, expresse-a!
Ela é um sentimento tão natural quanto a afeição.
Se você pode dizer a alguém que o quer bem, por que não
pode dizer-lhe que sente raiva também?

Se no seu coração existem mágoas, lave-o!
Fale sobre elas com quem magoou você.
Não deixe que elas corroam sua alma e seu espírito.
Muitas vezes a pessoa nem sabe o quanto magoou e,
se você lhe disser, talvez vocês tenham a chance de,
em conjunto, esclarecer algo pequeno que pareceu tão grande.

Se é ressentimento o que sente, por que esconde-lo?
O ressentimento, depois de expressado, fica mais leve
para quem o sente e, um dia, desaparece.
Quando menos esperar você notará que veio
o perdão em seu lugar.

Se há depressão, há outros caminhos diferentes
da opção pelo isolamento.
Escolha ouvidos amigos, fale e abra-se
para ouvir as respostas, sejam elas quais forem.

Mesmo que venham palavras pouco agradáveis de ouvir,
elas podem ser o gancho para trazer-lhe de volta
a alegria de viver, a capacidade para enxergar
que nem tudo são trevas.

Amigo não é só aquele que lhe empresta o ombro para chorar:
muito mais amigo é aquele que traz o tapa que desperta,
que o faz acordar para a Vida.

Não há ninguém neste mundo que nunca foi
ferido, magoado, machucado.
E também não há quem não conheça a alegria
de retornar ao porto da felicidade.
Você será entendido e compreendido.

Esteja você como estiver, não se esconda!
Mostre-se!
Todo sentimento tem seu próprio e real valor.

Ponha a boca no mundo!
Não há barreiras que possam impedí-lo de encontrar
AMOR!

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S E R - P O E T A

Ser poeta é sina,
porque há sempre um exalar de perfume
e dor em cada texto que o poeta assina.

É caminhar no fio da navalha,
é às vezes, ser cruelmente
retalhado ao resvalar em cada rima.

É gestar versos indóceis, querendo nascer...
Nascendo são filhos pródigos
que seguem seu rumo,
deixando o poeta vazio,
para que de novo, ele possa "conceber".

Ser poeta é ver as coisas mais simples
pelos olhos de uma abelha, multifacetadas,
e assim, enxergar detalhes mil,
onde os outros não conseguem enxergar nada.

Ser poeta é enfeixar todas
as reverberações de um diamante,
ciente de que ele, será sempre
e tão somente um mero matiz.

Ser poeta é conviver
com uma sensibilidade imensurável,
que exalta e aniquila, que desnivela,
que o eleva ao Reino de Deus e,
simultaneamente o rebaixa
ao Reino de Hades...e,
em meio a estas tempestades,
que fulminariam o mais comum dos mortais,
ser poeta é caminhar sozinho,
implorando ao mundo,
a compreensão de seus ideais!

Fátima Irene Pinto

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Ponto de vista: Stephen Kanitz
Estamos emburrecendo

"Embora coletivamente o mundo esteja ficando mais inteligente, individualmente estamos ficando cada vez mais burros"

Você já teve a impressão de que seu chefe, seu supervisor ou seus colegas de trabalho estão ficando menos inteligentes a cada ano que passa? E que essa onda está afetando inclusive você? Que o mundo está cada vez mais difícil de entender? Se você está se sentindo cada vez menos inteligente, fique tranqüilo, estamos todos emburrecendo a passos largos, inclusive eu. O conhecimento humano está aumentando explosivamente. Antigamente, dizia-se que o conhecimento humano dobrava a cada dezoito meses. Hoje, parece que ele dobra a cada nove. Embora coletivamente o mundo esteja ficando mais inteligente, individualmente estamos ficando cada vez mais burros.

Ilustração Ale Setti

Antigamente, você precisava entender de mecânica para dirigir um carro. Hoje, os computadores são feitos à prova de idiota, graças a Deus! É justamente por isso que sobrevivemos. Equipamentos incorporam conhecimento, e muitas vezes tomam decisões por nós. Por essa Darwin não esperava, pela sobrevivência dos menos inteligentes.

Se você ler três livros por mês, dos 20 aos 50 anos, serão 1.000 livros lidos numa vida, que nem chegam perto dos 40.000 publicados todo ano só no Brasil. Comparado com os 40 milhões de livros catalogados pelo mundo afora, mais 4 bilhões de home pages na internet, teses de doutorado, artigos e documentos espalhados por aí, provavelmente seu conhecimento não passa de 0,0000000000025% do total existente.

Há intelectual que acha que tem o direito de mudar o mundo só porque já leu 5.000 livros. É muita arrogância. A idéia de intelectuais superesclarecidos governando nações hoje não faz o menor sentido, é até perigosa.

Como sobreviver num mundo onde cada um de nós só poderá almejar saber 0,0000000000025% do conhecimento humano ou até menos? O segredo é cada um se esforçar para saber 100% de um pequeno nicho, uma parcela mui, mui pequena do conhecimento humano.

Não basta mais tirar a nota mínima 5 em 58 matérias e achar que um diploma vai resolver sua vida. Não basta mais saber 90% de uma única matéria acadêmica. Você precisará saber 100% de algo que seja útil para os outros. Você vai ter de ser o maior especialista do mundo num assunto e vender o que sabe fazer bem aos demais miniespecialistas do planeta, e vice-versa.

Quantos alunos se formam especialistas em coisa alguma? Infelizmente, as universidades hoje em dia produzem commodities. Preferem formar generalistas, porque é bem mais barato do que formar especialistas.

Só que generalista que não tenha uma especialidade não arruma o primeiro emprego. Faculdades oferecem basicamente o mesmo curso todo ano, obedecendo a um mesmo currículo, chamado de mínimo. Não é à toa que há tanto desemprego.

Antigamente, superespecialistas poderiam morrer de fome por falta de mercado. Hoje, a globalização permite mercados cada vez maiores. Por isso a enorme preocupação dos especialistas em ampliar mercados como a Alca, Brindia e Mercosul. Um técnico de manutenção de rodas de avião morreria de fome no Uruguai.

O segredo daqui para a frente é ignorar uma série de leituras, publicações e jornais que você lia anteriormente, com exceção de VEJA, para não parecer um ET. Curiosamente, você vai ter de se tornar um ignorante, alguém que deliberadamente ignora milhares de informações para se concentrar na sua especialidade. O segredo não é mais ser um intelectual que sabe um pouquinho de tudo, mas ser um ignorante que sabe tudo sobre um pouquinho.

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Bem pessoal a capa da Revista Veja como sempre está ai, e os destaques estão abaixo, para você conferir.

Brasil

Presidência Lula pressionado a dar rumo a seu governo
Agricultura O MST atrapalha o lado bom do Brasil
São Paulo A história de sucesso de Luis Favre

Internacional

Argentina O risco Kirchner
Iraque Filhas de Saddam se exilam na Jordânia

Geral

Transportes A esteira rolante de alta velocidade
Arquitetura O Auditório Walt Disney, em Los Angeles
Ambiente Brasil avançou no controle da poluição
Saúde O drama dos que sofrem de doença de Alzheimer
Turismo Nudismo em alta no mundo
Aventura O fantástico vôo do Ícaro austríaco
Especial Quarenta nomes poderosos do showbiz brasileiro
Polícia O impacto da violência contra turistas no Rio
Cidades Artistas e estrangeiros compram casa na Bahia
Filantropia A moda nos EUA agora é doar tudo

Economia e Negócios

Conjuntura Por que os investimentos estrangeiros secaram
Varejo A expansão da Casa do Pão de Queijo

Guia

Casa Eletrodomésticos cada vez mais úteis
Passeio Feirinhas de artesanato pelo Brasil
Discos Quanto custa fazer um CD independente
Previdência Conheça dois tipos de plano de aposentadoria
Remédios Como comprar certo no exterior
O que estou lendo
Pergunte ao Guia

Artes e Espetáculos

Televisão A Grande Família sem Rogério Cardoso
Tudo É Possível, na TV por assinatura
Arte Exposição de Tate Gallery no Brasil
Livros O Beco do Pilão e Miramar, de Naguib Mahfuz
Música O sucesso de Fernanda Porto
Cinema Um filme ruim de Woody Allen

Ensaio Roberto Pompeu de Toledo

Conheça a seção Pergunte ao Professor em VEJA Educação. Uma forma fácil e rápida de tirar dúvidas sobre assuntos da atualidade.

Ouça a música Amor Errado, da cantora Fernanda Porto.

Assista ao trailer do novo filme de Woody Allen, Dirigindo no Escuro.

Veja galeria de fotos da exposição A Bigger Splash, com peças do acervo da Tate Gallery, que estará em São Paulo.

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Dublê de corpo
Profissionais bem-sucedidas arrumam tempo para se dedicar ao esporte, aliviando o estresse nas pistas, quadras e ondas
Clarissa Monteagudo



Georgette ganhou campeonato de tênis

O cenário é a produtora Videofilmes, na Glória, pouco depois de os sinos do Outeiro badalarem as seis horas da tarde. A cineasta Izabel Jaguaribe abre a porta do escritório e vê o amigo João Moreira Salles no fim do corredor. Numa só carreira, ela corre na direção dele, pula, dá gritinhos, num cumprimento efusivo que contrasta com a discrição do cineasta. Sarada, Izabel contraria o estereótipo de intelectuais aquele visual de óculos, roupa careta e silhueta fora de forma. Muito ativa e animadíssima, a diretora do filme Meu Tempo É Hoje, sobre Paulinho da Viola, é parte de um time de mulheres que consegue conciliar a vida profissional e o esporte.

Praticante de triatlo, Izabel vê grandes vantagens em suar a camisa nos treinos de ciclismo, natação e corrida. É ótimo poder comer de tudo e não engordar. Mas não é a preocupação estética que me motiva. Se fosse, academia resolveria. Gosto do desafio, ginástica é muito chato. O esporte traz uma alegria e sensação de realização pessoal muito grande, explica a cineasta, de 35 anos, que ano passado cumpriu 4 quilômetros de natação 42 de corrida e 180 de ciclismo na competição Ironman Brasil, a mais importante do esporte no País.

A designer gráfica Ana Paula Niemeyer, 36 anos, também é do time que não curte ficar parado. Nem na areia, de frente para o mar, a moça sossega. ¿Não agüento ficar deitada na areia. Estou aprendendo a pegar onda de pranchão, conta Ana Paula, que já ganhou a competição de windsurfe Lemon¿s Cup, em Búzios.

Não sou esportista profissional, mas fiquei animada em ser campeã, conta a moça, que aprendeu a velejar no Havaí. Como era free-lancer, fazia um trabalho de design e ia para lá ficar uns meses, lembra, com saudades. O esporte fez parte da minha educação. Hoje estou acostumada. Fico quicando em casa se não saio para dar praticar esporte, diz, cheia de pique.

Disposição também não falta à administradora de empresas Georgette Teixeira Nogueira, 25 anos. Campeã do torneio de tênis Legs Brother, do Fluminense, a moça não se incomoda em acordar cedo nos fins de semana para treinar. Não gosto de atividade aeróbica e o tênis não me deixa engordar. Além disso, conheço pessoas e desconto todo o meu estresse nas jogadas. A tristeza some na quadra, jura. Pelo sorrisão aí, na foto à esquerda da página, não é difícil acreditar.



Ana Paula Niemeyer é campeã de windsurfe

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Ricardo Silvestrin
02/08/2003


Escândalo!

Elvis Presley foi proibido por um juiz de rebolar em público. Um programa de TV da época o filmou só da cintura para cima. Elvis disse que não conseguia ouvir rock sem dançar. Os cabelos compridos dos Beatles também foram motivo de reação por parte da sociedade do início dos anos 60. O programa Ed Sullivan, uma espécie de Domingão do Faustão dos americanos, hesitou em apresentar tanto Elvis como os Beatles com medo de chocar as famílias e perder audiência.

Fico pensando que hoje vivemos num mundo em que parece que nada mais escandaliza. Vê aí a garota de Ipanema posando nua junto com a sua filha para a Playboy. Tá, podem achar meio bizarro, mas está longe de virar um rebuliço com veinhas enfurecidas fazendo passeata. Fosse na década de 70, pelo menos tinha virado pauta de um programa de variedades com uma psicóloga avaliando se é nocivo ou não para a saúde da relação entre mãe e filha. Mas hoje, nem isso. Passou batido.

Michael Jackson e suas criancinhas? Ameaçou-se uma torcida mundial de nariz, mas aí vem o relato sobre sua infância, a relação difícil com o pai... Pronto, todo mundo já releva. De perto ninguém é normal, como já havia bem cantado o Caetano Veloso. É, pobre Michael, tão confuso...

As músicas de rap xingando do presidente a quem quer que se possa imaginar. Alguém se indigna? Pelo contrário, são citadas e cantadas por um grande senador da República. E alguém se escandaliza com um senador da República dançando e cantando rap? Também não.

Músicas sobre drogas. Hoje ninguém mais se avexa com a existência delas. O Planet Hemp foi o último a se incomodar por esse motivo. Depois deles, já se perdeu a conta de quantas são cantadas por platéias lotadas, inclusive por gente que talvez nem use droga nenhuma.

A idéia hippie do cada um na sua parece ter vingado mesmo. A sociedade alternativa cantada pelo Raul Seixas virou a sociedade oficial: "se você quer tomar banho de chapéu / ou esperar Papai Noel / ou discutir Carlos Gardel / então vá / faz o que quiseres pois é tudo da lei".

A força de desestabilizar as estrututras do rebolado do Elvis se esvai nos passos do Sérgio Malandro. Sim, se você reparar, toda a coreografia do Sérgio Mallandro é baseada nos passos do Elvis. Quem se escandaliza com o Sérgio Mallandro?

No meio dessa desescandalização geral, lanço um poema escandalizado: Bush mentiu / a bomba do Iraque era de araque / não era bomba / era um traque / um truque / Bush mentiu e assumiu /e o Saddam, sumiu?

ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

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Lya Luft
02/08/2003


Amor imortal

Sem data nem razão - como os gestos gratuitos mais ternos -, hoje falo de minha relação com esta cidade. Meu namoro com Porto Alegre começa antes de meu nascimento, quando meu pai, Arthur Germano Fett, passou aqui a infância, freqüentando o Colégio Farroupilha, que então ficava na Avenida Alberto Bins, e tinha nome alemão. Mais tarde ele se diplomou na Faculdade Livre de Direito (acho que era isso), colega e amigo de gente como Pasqualini, Mem de Sá, Ruy Cirne Lima e outros. Por artes da vida, foi parar em Santa Cruz, onde se casou e ficou até o fim. Lá ajudou a fundar a Faculdade de Direito, semente da atual Unisc. Foi seu professor e diretor até morrer. Mas sua formação era toda porto-alegrense, sua família permaneceu aqui, e de alguma forma aqui eu lancei antes mesmo de existir uma primeira raiz pessoal.

Vínhamos para cá seguidamente. Recordo meu assombro na janela do hotel mais refinado da cidade, o Novo Hotel Jung, de onde contemplei os primeiros anúncios luminosos piscando como coisa (para mim) de conto de fadas. Aqui a única irmã de meu pai, minha madrinha Edith, se casou com meu tio Hugo Petersen, e na Chácara dos Petersen, nos altos da Cristóvão Colombo, muito brinquei embaixo das árvores com meus primos porto-alegrenses.

Em 1956 passei um ano voluntariamente interna no Colégio Americano: primeiro ano da Escola Normal. Aulas de piano e canto com Leo Schneider e sua mulher: lembro de cantar em um espetáculo da escola, algo falando em uma sereia. Estranha experiência de palco, para a qual meu narciso era torto demais.

Aulas de pintura: a professora me repreendia carinhosamente porque nem copiando eu conseguia pintar um céu azul, era sempre tempestade. Noites sentada com colegas de internato no peitoril da janela vendo as luzes da cidade, alguém tocava violão e a gente cantava baixinho. Alguns casamentos nasceram ali, entre as meninas e seus namorados do IPA.

Para fazer faculdade, tive de permanecer em Porto Alegre, que finalmente me adotou. Esta cidade do Guaíba, do Parcão, dos Verissimo, dos Rosenblatt, dos Nestrovski, dos Herzberg, de todos os fraternos amigos do British, da Estácio de Sá com meus filhos e netos, de tantas amizades novas e antigas, tantas memórias e projetos felizes, tornou-se para mim colo de mãe: o meu lugar no mundo. Aqui fui duas vezes acolhida, aqui sou acarinhada, aqui me tornei gente, trabalhei, caminhei, me desdobrei, me experimentei, me curei, me expandi e me instalei de corpo e alma.

De modo que fui definitivamente flechada. Este é um amor para sempre: desses que surgem onde e quando menos se espera, não conhecem tempo, nem lugar, nem medo. Para eles, nenhuma delicadeza, nenhuma transformação, nenhuma coragem e nenhum fervor são impossíveis.

Amor de verdade, é assim que o imagino.
lya.luft@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
02/08/2003


O caos sanitário

Assistindo a esses bebês que não encontram vagas nos Centros de Tratamento Intensivo dos hospitais, com seus pais desesperados diante da perspectiva de sua morte recorrendo à Justiça para interná-los, eu imagino a penúria do estado de espírito da opinião pública a respeito.

Os responsáveis pelo SUS vão carregar nos seus ombros e sobre suas cabeças o estigma terrível de terem invertido uma equação ancestral: sempre as pessoas que estavam doentes procuravam um médico, hoje são obrigadas a procurar um advogado.

Não há certamente no restante da geografia mundial um fato igual: antes de se dirigir ao setor de emergência de um hospital, os familiares dos doentes são obrigados a bater na porta dos tribunais para arrancar uma vaga médica recusada irracionalmente pelo poder público.

Será que o presidente Lula sabe disso? Será que o presidente Lula sabe que em Porto Alegre há pessoas que vêem seus órgãos e suas funções apodrecerem à espera longa de dois anos por uma consulta médica?

Se não sabe, é a falência da competência. Se sabe, é a falência da esperança.

O SUS é um mostrengo montado em cima de uma demagogia: os políticos, o Congresso, os governantes prometeram pela Constituição de 1988 que todos teriam direito a tratamento de saúde, os que contribuem para a Previdência e os que não contribuem, como os trabalhadores na agricultura, os índios, os sem carteiras assinadas, os desempregados perpétuos e os indigentes.

Evidentemente que uma tal promessa, pelo absurdo de que não pode receber benefícios quem não paga para recebê-los, sob o ponto de vista atuarial, teria de ser honrada pelos governos, sob pena de condenarem à morte quem não pode pagar pelo tratamento da sua saúde.

Mas o que se vê é que não foi montada nenhuma estratégia para solucionar esse impasse. E vão para a vala comum do não-atendimento os que pagam e os que não pagam.

O SUS tem um medo pânico de se defrontar com seus doentes, obriga-os por isso a um sem-número de dificuldades de acesso ao sistema, seja pela sordidez da entrada na fila de agendamento de consultas pelo telefone, seja por atrozes périplos que são obrigados a percorrer para a tentativa dramática de atendimento.

Nesta semana, num ilustre hospital local, uma senhora foi retirada da sala de cirurgia, minutos antes de ser anestesiada, porque não tinha passado pelo posto de saúde, tendo conseguido seu indiscutível direito à operação sem o cumprimento pontual da hierarquia burocrática.

O cirurgião, seus assistentes e os enfermeiros, já mascarados, viram atônitos a mulher ter sido mandada embora para casa, com o fim de refazer seus papéis.

É o cúmulo da mastodôntica burocracia.

Quando o enfrentamento da burocracia tinha de ser reservado pelo menos às pessoas que possuem saúde para com ela medir forças.

Obrigar doentes a enfrentar madrugadas gélidas para conseguir uma ficha ou tentar frenéticos telefonemas para atendentes anônimas, frias e distantes do drama das moléstias ou a encarar verdadeiros calvários pedestrianistas para cumprir a hierarquia pontual de procedimentos burocráticos é de uma atrocidade primitiva.

Além da doença, os pacientes são obrigados, já sem força e dominados pela dor e pela desesperança, ao colossal embate contra os tentáculos do implacável sistema.

Agora com a redução da verbas e dos serviços hospitalares, a última monstruosidade do sistema, perguntem aos médicos se duvidarem desta verdade, estamos à beira do caos total no atendimento de saúde gratuito.

Os governos não podem continuar escondendo este lixo debaixo do tapete.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Grêmio
A tarde do coração tricolor



Edson Berwanger comprou uma bandeira ontem para ajudar a vencer o Santos e a crise, às 16h de hoje no Olímpico (foto Fernando Gomes/ZH)


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Sexta-feira, Agosto 01, 2003




BORDADO
Jane Lagares

Peguei um pano, linha e agulha ...

Queria bordar algo para você,

resgatar a menina prendada.

Descobri que não sei mais bordar,

os anos passaram, a falta de treino,

saiu tudo torto, pontos inseguros ...

O que me foi ensinado,

na cultura de ser mulher,

bordados, pontos e botões a serem pregados,

nada mais sei!

Pensei, decepecionei-me um pouco ...

Queria algo meu, feito por mim, para você ...

Mas, refletindo, descobri

que aprendi outros bordados,

pontos diferentes de vida, de querer,

pontos certos, certeiros, com certeza e incertezas,

pensamentos construídos firmes,

outros ainda inseguros ...

Bordo sim!

Bordo a vida,

escolho cores, linhas e agulhas ...

Combino,

harmonizo,

pontos faço,

desfaço ...

Bordo a existência.

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A hora da guinada

A superstição, reforçada por acontecimentos históricos nefastos, faz de agosto um mês a ser respeitado e, para atravessá-lo com razoável segurança, não é recomendável incluir na bagagem fatalismo, baixo-astral ou depressão. Se nos guiarmos por grande parte do noticiário da última semana de julho, o apocalipse neste agosto de 2003 é inevitável. A reportagem de capa desta semana pretende pelo menos no que diz respeito ao lado político e econômico do País servir como uma espécie de antídoto, ou um contraponto, para um crescente pessimismo, uma barulhenta histeria e boa dose de oportunismo recentemente demonstrados.

A barulheira é obrigação anotar vem amparada por sólidos alicerces da dura realidade. O desemprego é grave: em junho chegou a 13% em seis regiões metropolitanas. A recessão é uma ameaça concreta: 40% da capacidade industrial está ociosa. A tensão social aumenta: as ocupações de terra neste ano 117 já superaram as 103 de todo o ano de 2002. Uma situação suficientemente preocupante, mas que não justifica profecias apocalípticas. Até porque há iniciativas concretas e planejadas do novo governo para lidar com os problemas e também, em alguns tópicos, já existem resultados como a inflação, que está sob controle, e os juros, que apontam para baixo.

Estava prevista, para a rota traçada no começo do ano, a necessidade de atravessar tempestades e mares bravios para recuperar a credibilidade externa e mostrar como já foi dito aqui que a nova tripulação do barco não era composta de malucos, esquerdistas ao velho estilo e comedores de criancinhas. Neste momento, nota-se uma bem-vinda correção de rumo. Conforme se depreende da entrevista do ministro do Planejamento, Guido Mantega, aos jornalistas de ISTOÉ em Brasília, Leonel Rocha e Luiz Cláudio Cunha, este novo rumo coloca a proa do barco Brasil apontada para o desenvolvimento. Que é a solução mais racional para o desemprego, a recessão e a pressão social.

Hélio Campos Mello, Diretor de Redação

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Esta é a capa da Revista Isto É deste fim de semana, e os destaques estão ai abaixo para você conferir e se quiser acessar o site da revista pelo link disponível.

Governo anuncia uma série de medidas para reaquecer a economia: crédito, obras públicas e menos juros

ENTREVISTA: Guido Mantega marca data para o espetáculo do crescimento

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P E N S O

Neste momento, penso em você
e então quisera me transformar em vento
E se assim fosse, chegaria agora
Como brisa fresca e tocaria de leve sua janela

E se você me escuta
E me permite entrar
Em você vou me enroscar, quase sem o tocar

Vou roçar nos seus cabelos
Soprar mansinho no ouvido
Beijar sua boca macia
O embalar no meu carinho

Mas eu não, sou o vento
Agora sou só pensamento
E estou pensando em você.

E se abrir sua janela
Eu estou chegando aí
Agora neste momento
Em pensamento ... no vento.

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Primavera do amor

Não nos dissemos tudo,
Nem nos demos nada.
Nosso encontro,
Agendado pelo destino,
Se fez acontecido,
Esquecido,
Distraído,
Sofrido.
Não se fez o que queria.
Não se deu o que podia.
Não se amou como devia,
Não se sonhou como seria.
Pois não se planejou,
Não se preparou,
Nem se fez bonito.
E quando encontrado estava o amor.
Não se pode segurá-lo.
Cuida-lo.
Pois não era nosso.
A outros pertencia.
Fora dado e prometido.
Em tempos não sabidos,
Em vidas já vividas
Que por outras vidas agora
Sobrevive e caminha
Cansado, alquebrado,
Infeliz e consciente,
Que por ser verdadeiro
Tem que cumprir sua sina...
Doer calado...
Chorar silencioso...
Viver....sobreviver
Para que os outros,
Filhos, frutos colhidos,
Frutifiquem-se e continuem,
E nós,
Amadurecidos pela dor
Pela ausência um do outro,
Possamos saber que nos demos por inteiro,
Para que ele, o amor
Mesmo maior que toda colheita,
Se esconda nas lágrimas,
Se encontre na dor...
Que se findará com a própria vida,
E quem sabe numa outra,
Renasça, e se reencontre
Para ser pleno,
E finalmente,
Poder florir....

Norma Andrade

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Na mira do crime
Murilo Benício vive matador de aluguel cultuado pelo povo no filme O Homem do Ano, que estréia hoje
Zean Bravo



Cledir (Cláudia Abreu) pinta o cabelo de Máiquel, que vira marido dela

De cara para o espelho, Máiquel (Murilo Benício) parece contrariado ao se deparar com o cabelo louro platinado recém-pintado para pagar uma aposta. Isso porque ele ainda não sabe o que a tintura amarela vai desencadear em sua trajetória, mostrada em O Homem do Ano, filme de José Henrique Fonseca que estréia hoje nos cinemas. Depois de sair do salão com a cabeleireira Cledir (Cláudia Abreu), uma decotada mocinha responsável pela mudança de cor, Máiquel serve de piada para um bandidinho numa birosca por causa do cabelo. Ele chama o sujeito para a briga, mas deixa para resolver a pendenga no dia seguinte, quando mata o desafeto pelas costas.

Para sua surpresa, o feito faz com que ele, desempregado, morador de Nilópolis, se torne herói do subúrbio. São vários os detalhes que levam Máiquel a errar os caminhos. O cabelo nem teria toda aquela importância se não tivesse saído com a menina que não conhecia direito e encontrado o rapaz que implica com ele. Máiquel se vê na obrigação de tomar uma atitude, explica Murilo, que se torna um matador de aluguel no filme é o terceiro bandido da carreira do ator no cinema.

Requisitado por comerciantes locais (destaque para Jorge Dória no papel de Carvalho), Máiquel parece ter perdido o controle da vida. Até os amigos, interpretados por André Gonçalves, Moska (o cantor que um dia usou Paulinho no nome), Lázaro Ramos (que para sorte do público virou queridinho do cinema nacional), são envolvidos em seus negócios. Nessa altura do campeonato, Cledir já é a namorada que engravida e força uma barra para casar e mais tarde se torna uma mulher ciumenta e sufocante.

Em meio a esse turbilhão, Máiquel ainda se relaciona com o porco que ganhou da vizinhança, Bill (homenagem ao ex-presidente americano Bill Clinton). E dá guarita para a adolescente Érica (Natália Lage), namorada do bandido que matou. A garota aparece na porta dele numa noite e só falta se oferecer de bandeja. Os dois também se envolvem.

Adaptação do livro O Matador, de Patrícia Melo, O Homem do Ano tem roteiro assinado por Rubem Fonseca, pai do diretor. Um dos sócios da Conspiração Filmes, José Henrique rodou a história, que originalmente se passava na periferia de São Paulo, em 2001. Casado com Cláudia Abreu, o diretor dedicou o longa-metragem à filha deles, Maria, hoje com 2 anos e meio. Tirando o final, que passa desnecessária lição, o filme tem tudo para deixar a menina orgulhosa dos pais quando crescer.



Clima quente com Érica (Natália Lage): ex da primeira vítima de Máiquel

Promoção: Os cinco primeiros leitores que ligarem hoje para 0800-909021, entre 9h30 e 9h40, ganham dois ingressos para assistir ao filme. Os cinco seguintes que ligarem para o mesmo número ganham uma camiseta de O Homem do Ano.

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David Coimbra
01/08/2003


O velhinho que não gosta do Scliar

Há um despeitado na Academia Brasileira de Letras. Esse que não votou no Scliar. Foram 35 votos a favor e uma abstenção. Quem se absteve? Deve ser um velhinho resmungão que senta lá no fundo da sala com uma chávena (tem de ser uma chávena) de chá nas mãos trêmulas, olhando de través para o colega mais novo. Não tenho dúvida de que em breve irá se instaurar uma disputa acre entre os dois. Teremos trepidantes quizílias literárias pela frente - o despeito sempre causa trepidações.

E às vezes quem sai ganhando somos nós, meros mortais. Quando o compositor Wilson Batista viu-se alvejado pela flecha negra da inveja e passou a assacar o gênio Noel Rosa, quem se deu bem? Quem? Nós, aqui na planície. Noel nos presenteou com Palpite Infeliz:

Fazer poemas lá na Vila é um brinquedo

Ao som do samba dança até o arvoredo

Quem é você, que não sabe onde tem o seu nariz?

Quem é você, que não sabe o que diz?

Mas talvez o desafeto do Scliar seja um escritor menor, sem a retumbância dos 60 livros publicados e bem lidos do nosso imortal. Talvez os livros do velhinho tenham sido rejeitados pelos leitores, como uma mulher rejeita um amante afoito. E nesse caso nós também podemos sair lucrando.

Bocage, por exemplo. Bocage era um homem que sofria por amor. Carregava a fama de fescenino, de poeta sem pudores, mas se tratava, na verdade, de um apaixonado. A mulher de sua vida era uma certa Ana Jacques Manteigui, casada com o governador geral da Índia, mas dadivosa para com tantos outros, vários outros. Dos fidalgos amigos do marido até um negro escravo com quem abrandava os apetites no calor de Goa. Muitos se cevaram nas carnes tenras de Ana, valendo-se de sua generosidade e da complacência do esposo. Muitos.

Menos Bocage.

Assim rejeitado, o poeta não silenciou. Vingou-se de Ana tecendo poemas que lhe desancaram a reputação de tal forma e com palavras tão contundentes que a maioria não poderia ser publicada aqui. Vou dar uma provinha mais comportada:

Seus cristalinos, deleitosos braços,

Sempre abertos estão, não para amantes,

Mas para aqueles só, que, nada escassos,

Cofres lhe atulham de metais brilhantes.

E assim por diante. Bocage passou a vida transformando o despeito em poesia, para nosso proveito. Que sorte a nossa que lá na Academia tem um velhinho que não gosta do Scliar!

david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
01/08/2003


No centro do furacão

Vivi anteontem a experiência de ser assaltado. Eram 16h33min, quando eu estava na loja de loterias da Praça Dom Feliciano, 116, em frente à Santa Casa.

Enquanto eu dava para o caixa o volante da minha aposta na Mega Sena, ouvi dois gritos dentro da pequena loja: "Dinheiro vivo, só dinheiro vivo!"

Houve um alvoroço entre os cerca de 12 clientes. Virei-me para trás e dois robustos jovens, um moreno e outro mulato, já começavam a arrecadar dinheiro entre os clientes, rapidamente o caixa que me atendia teve roubado o dinheiro que tinha numa gaveta.

Tudo se sucedia com uma rapidez espantosa. Os dois assaltantes mostravam revólveres nas mãos.

Mantive-me com as mãos quase erguidas, bem à mostra dos dois atacantes, com a minha bolsa bem visível no balcão.

Tudo se sucedendo com muita rapidez, todos entregando os valores para os assaltantes.

Eu tinha uma nota de R$ 50 na mão, era para pagar a aposta. O assaltante que fazia a coleta do dinheiro, enquanto seu companheiro vigiava a porta para não deixar ninguém sair, olhou-me nos olhos e notei que me reconheceu.

Logo em seguida, virou o rosto, talvez com a intenção de que eu não gravasse sua fisionomia - e continuou sua ação.

Isso durou cerca de um minuto e meio apenas. Acho que não levaram minha bolsa, apesar de bem visível, porque planejaram não carregar qualquer objeto, isso poderia lhes dificultar a fuga que a seguir empreenderiam pelo Centro, a pé: o lugar não permite estacionamento de veículos.

E suponho que não me exigiram dinheiro porque me reconheceram e deixaram para lá.

Acredito que os dois assaltantes devem ter faturado uns R$ 300 no ataque. Eles tinham de ser rápidos, o grande movimento de gente na calçada haveria de alertar alguém e eles poderiam ficar encurralados na loja, o que cheguei a temer, como se sabe, nessas circunstâncias são feitos reféns, eu podia ser um deles.

Mas com uma desenvoltura admirável os dois homens se puseram em fuga, sob gritos estridentes de "pega ladrão!" dos funcionários da lotérica, a que logo aderiu a multidão de transeuntes na calçada.

Eram preparados fisicamente os dois jovens para a correria. Logo tiraram distância dos seus perseguidores e dobraram para descer a Rua Pinto Bandeira.

Fui atrás do cortejo e ainda pude ver os dois assaltantes, a 70 metros da loja assaltada, embarcando num táxi, que não sei se estava ali à espera deles ou o taxista foi rendido.

Os dois assaltantes, apesar da dificuldade que o taxista teve em arrancar seu carro e dos gritos de socorro dos seus perseguidores, não usaram suas armas contra os que ameaçavam a sua liberdade.

Afinal o táxi arrancou na direção da Rua Alberto Bins e deve ter desaparecido no fluxo intenso do Centro.

Você, leitor ou leitora, vê na televisão e lê no jornal diariamente notícias sobre assaltos e esses fatos parecem bem distantes da sua realidade, o que acontece também comigo.

Quando aqueles jovens começaram a gritar nas minhas costas que era um assalto, senti como se uma verdade estivesse atrapalhando a narração de uma história de ficção por um escritor ou cronista qualquer.

"Que diabo, esses assaltos noticiados na mídia e inclusive comentados por mim até que são suportáveis, parecem até uma quimera, mas e agora que estou no centro do furacão?", pensei. "Será que vou me sair bem desta?"

Pois me saí. Mas senti medo. Não sei se por sorte não fui roubado ou se me pouparam por me conhecerem da televisão.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Literatura
Um brinde ao doutor imortal



O gaúcho Carlos Nejar (E), a carioca Nélida Piñon e o pernambucano Marcos Villaça (D) comemoram com Moacyr Scliar a votação que fez do escritor porto-alegrense o 11º gaúcho a entrar na Academia Brasileira de Letras (foto Adriana Franciosi/ZH)


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Quinta-feira, Julho 31, 2003




Sogra versus Nora


Será que é mesmo verdade que a sogra e a nora quase sempre não se entendem e que o motivo seria uma espécie de competição pelo mesmo homem? Mitos e verdades à parte, a sogra recebe melhor um genro do que uma nora? Isso significa que existem grandes chances da nora ter problemas com a sogra. E será que elas são mesmo as responsáveis pela maioria dos problemas conjugais? Segundo a psicóloga Luciana Garcia de Lima, em primeiro lugar, antes do casamento, é preciso que o casal esteja ciente que não está apenas casando-se com o companheiro, mas com toda a família. "Questões familiares são inevitáveis, mas o casal deve aprender a separar seus problemas e tentar resolvê-los sozinhos, sem a interferência dos familiares".

O fato é que a sogra só estará entre marido e mulher se a relação já estiver abalada. Luciana Lima dá a dica: "É mais aconselhável procurar ajuda de pessoas neutras, seja na igreja, com profissionais especializados, amigos..., pois os familiares tendem a se envolver emocionalmente com um dos membros e ir contra o outro."

A fonoaudióloga Luciana, 35 anos, moradora da Capital, acha que o problema é que o homem não sabe impor limites para a mãe e a esposa. Ela diz que a relação entre mulheres é sempre complicada: mãe e filha, nora e sogra, chefe e funcionária, etc.

Luciana "convive" bem com a sua sogra: "Eu ignoro e até acho graça das situações que ela cria." Atritos, sim, elas tiveram, mas pequenos. "Indiretas e caras e bocas", revela.

Ela lembra de um caso que se passou entre ela e a sogra, há um bom tempo. "Minha sogra tem mania de presentear meus filhos com móveis que ela compra seguindo o seu gosto. Um dia ela quis me dar um quadro que não tinha nada a ver com a gente ou com a nossa casa. Eu agradeci, mas disse que precisava falar com o filho dela para ver se ele queria (forma que arrumei para ele falar o não e não eu). Então, ela me respondeu: Na minha casa quem mandava era eu".

A auxiliar de escritório Veridiana dos Santos Builcatti, 32 anos, de Poá, é um desses casos raros de entendimento com a sogra. Ela conta que tem um bom relacionamento com a sua sogra, porque procuram conversar e existe respeito entre ambas. "Por incrível que pareça nunca tivemos nenhum conflito", diz, entre risos.

Veridiana e a sogra moram quase no mesmo quintal: "Vou dizer, é difícil, mas é possível conviver bem. É só não deixar uma invadir a vida da outra", ensina.

Se essas mulheres entenderem que amam o mesmo homem de maneiras absolutamente diferentes e que uma não vai ocupar o lugar da outra, com certeza poderão ser muito amigas, até porque há espaço para as duas. A psicóloga Luciana Lima endossa a tese: "Não tentar competir já melhora muito o relacionamento sogra-nora."

A história muda bastante quando a pergunta é o relacionamento nora-sogro. Neste caso, as duas tiveram a mesma opinião. "Meu sogro já faleceu, mas nos dávamos muito bem", lembra Luciana. Veridiana também diz que se dá muito bem com ele.

Então, existe uma fórmula para conviver bem? Não. Para Veridiana, a relação nora-sogra é de amor ou ódio, não existe meio-termo. Já Luciana diz que, na casa dela, ficou combinado que quando for preciso, ela fala com a sua mãe e ele com a dele, porque brigas entre mãe e filho se resolvem em cinco minutos, mas entre mãe e nora... não é tão fácil. A psicóloga Luciana Lima sintetiza: "As duas merecem atenção e carinho, as duas têm esse direito e têm de saber ceder, dividir".

Preparar-se para manter um relacionamento positivo pode render uma convivência pacífica e harmoniosa nos almoços de domingo, Dia das Mães, Natal, aniversários e outras comemorações em família. Afinal, estes encontros devem servir para unir e não para terminar num duelo com tampas de panelas e conchas de feijão.

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"MOTIVO DE MINHA VIDA"

Naquelas vezes que acordo e me lembro...
de que tenho mais um dia...
para enfrentar...
para viver...
para trabalhar...
enfim... para ser...
certas vezes, me vem...
uma agonia que toma meu ser...
e me faz perguntar:
Para que viver?
Lágrimas correm em meu rosto...
me sinto em uma escuridão...
as vezes, me surge desgosto...
mas recorro ao coração...
Na agonia
recorro a emoção...
à poesia...
sinto o bater de meu coração...
sinto o correr do sangue...
em minhas veias...
me recordo da paz...
que a amizade semeia...
então em um ato audaz...
de minha cama, levanto...
Elevo a Deus, um canto...
uma poesia...
Assim, saio do pranto...
da escuridão...
caminho, então...
para os caminhos
que meu ser me conduz...
com grande vida
sinto a Luz...
Percorro os caminhos da mais sincera amizade
mesmo..que não me entendam...
do mais sincero amor...,
o que mais me tira da dor...
Da mais sincera fraternidade...
da mais pura majestade....
Caminhos de felicidade...
me recordo então...
que em meio...
a tanta degeneração...
e caos...
que as vezes...
nos tiram a vontade de viver...
ainda há um motivo para ser...
que está além do que sei...
e do que posso entender....
o que posso dizer...
é que a cada manhã...
em um novo levantar
... quero mais e mais...
a todos amar....
Odim2

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"QUEM AMA"

- Quem tem o verdadeiro amor em teu interior,
ama...porém a todos... perdoa...
, porém não com palavras...
com o coração...
com gestos...
e bonita ação...
dos erros...
só aprende...
das lágrimas...
Tira lições...
nada que lhe acontece
o abala...
tem as mais humanas emoções...
tal ser não padece...
não sofre...
sorri...
mesmo que a situação,
Pareça momento de aflição...
mantém a serenidade
nos momentos
das mais difíceis adversidades...
Mantém a prudência,
mesmo que a sua vida...
pareça, em decadência...
retém a mais pura castidade
no amor...
sem qualquer pudor...
em qualquer idade...
agrada ao ser amado...
mas com carícias...
que não têm malícia...
só sentimentos do coração...
quem ama...cumprimenta feliz...
mesmo aquele que o maldiz...
Quem ama...
possui as mais cristalinas e puras virtudes...
porém,
as da alma...
diante de qualquer atitude...
sempre mantém a calma...
é paciente...
a alegria...de teu Ser...
jamais está ausente...
teus olhos brilham...como por magia...
tua vida...
é um grande prazer...
no qual...
há muita sabedoria...
grande saber...
faz do mal,
apenas uma alegoria...
vive plenamente...
e assim..
com a vida..
em grande fraternidade...
caminha ..
ditoso..
e venturoso...
para as portas da eternidade...

Odim12

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Letícia Wierzchowski
31/07/2003


As histórias

Sempre me perguntam de onde eu tiro as idéias pros meus livros. As idéias vêm da vida. A vida está cheia de tudo. Ah, se você soubesse daquela carta que sua mãe sempre guardou na última gaveta do roupeiro. Se você seguisse a trajetória de vida daquele bebê abandonado dentro de uma caixa de sapatos no último inverno... Os enredos dessa nossa vida são imbatíveis. E os personagens? Os personagens, uai, somos nós.

É dessa faina que são feitas as histórias. Dessa coisa que da vida se evola e que brilha, brilha. Que vira história contada de pai pra filho. E entra no imaginário da família. Então que ser escritor é sair espiando a vida, mexendo com ela, deixando-se levar. Calha que sempre gostei dessas histórias que volejam por aí. Desde menina. Eu ia lá e pedia pro meu avô polonês, vô, conta uma história de antes? Antes era a Polônia, aquele outro mundo do qual ele falava. E o avô contava enrolando as palavras, pois que nunca soube se dar com o português. Eu ainda peço, de quando em quando, por histórias.

Se bem que as melhores não venham por solicitadas, mas flanando. Como outro dia, em que encontrei uma prima na praia e ela me disse, Estou meio perdida por aí. Vim com a minha avó, mas é que ela sumiu com o namorado. Na verdade, são amantes. (A avó da minha prima tem 69 anos, só pra constar.) Amantes?, indaguei. Era uma longa história, que lhes conto brevemente no próximo parágrafo.

Uma moça chilena tem seu noivo chileno. Antes do casório, ela sente umas dúvidas quanto àquele amor. Um amor para o altar, até com enxoval feito. Mas a moça pede um tempo e segue para a Europa a fim de visitar uma sua irmã que lá vive. É então que conhece outro galã. Eles se apaixonam e, zupt, decidem casar. A prova derradeira daquele amor é que o enxoval feito para o noivo chileno segue válido - ambos os dois rapazes têm nome começado pela mesma letra.

Pois a moça se casa e vem para o Brasil com seu amor que era brasileiro. Vivem felizes e têm seus filhos. Tudo perfeito. Muitíssimos anos depois, o esposo brasileiro vem a falecer. É a vida, e eles viveram juntos durante muito tempo. Ela fica sozinha. Os filhos já estão crescidos, casados. Até que um dia, toca o telefone e, das fímbrias do passado, surge aquela voz falando espanhol. Lembram do chileno preterido há quarenta anos atrás? Não é que ele conseguiu o telefone da sua eterna paixão?

O homem agora está casado, tem filhos e netos, mas pega um avião para rever sua ex aqui no Brasil, e essas viagens viram rotina. Imagino que sua esposa nem sonhe, mas sequer sei desses detalhes... Sei somente que ambos andam bem felizes e muito passeiam por esse Brasil. Às vezes, calha de a senhora dar uma carona pra sua neta. E a neta tem uma prima que escreve.

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Luis Fernando Verissimo
31/07/2003


Na República da Desconversa

É assim na República da Desconversa. A pseudoquestão distrai a atenção da questão verdadeira, os escândalos com não-fatos abafam os escândalos de fato. A fala do Stédile substituiu o boné do Lula como tópico dominante na discussão da reforma agrária e a questão que interessa e o fato que indigna, a ocupação de terra mais aberrantemente injusta do planeta e o nosso fracasso histórico em encarar essa indecência, ganharam em irrelevância como a reação gosta.

A crise da Previdência e a atual guerra pela sua reforma também são resultados de anos de desconversa em que o que precisava ser feito não foi feito, foi só falado, e em vez de história tivemos pseudo-história e retórica. O gosto brasileiro pela desconversa talvez explique também o gosto pela linguagem figurada, que é quando se usa o vocabulário da ação para significar outra coisa.

É curioso que na transcrição fora do Rio Grande do Sul do discurso gravado por Zero Hora do Stédile, que é um torcedor apaixonado do Grêmio, tenham desaparecido suas repetidas referências ao "colorado", ou torcedor do Internacional, como na sua exortação de sacanear os grandes proprietários como se sacaneia um colorado. Stédile estava gozando com os colorados na platéia, pois custo a crer que só haja gremistas no MST.

O termo pode ter sido cortado porque não faria sentido fora do contexto gaúcho, mas quem acha que o Stédile pregava a guerra civil talvez se conforte com a informação de que a eterna rivalidade entre gremistas e colorados não inclui a eliminação física do adversário, por mais que às vezes dê vontade. O ministro do Desenvolvimento Agrário do governo desconversador passado, Raul Jungmann, disse que o governo deveria "baixar o pau" nos sem-terra. Se apressou a acrescentar que isto deveria ser feito com os meios legais disponíveis e que o pau deveria baixar democraticamente. Ou seja, que estava falando em linguagem figurada. Recentes sugestões de com-terra de que o MST seja tratado como um bando de ratos também deve significar, figurativamente, que eles sejam apenas democraticamente sacaneados.

Lula, parece, aceitou o conselho de evitar os improvisos e tem se cuidado. Talvez se devesse propor, ao Stédile, aos proprietários, aos juízes e a todo o mundo, uma moratória nacional da linguagem figurada. Até que as coisas esfriem. Quando vier a vontade de usar uma imagem mais forte ou fazer uma piada que pode ser mal interpretada, desconversem.

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Nilson Souza
31/07/2003


O fantasma pica-fumo

Outro dia um colega de trabalho, comentando o estilo intimista dos obituários do jornal, que passaram a revelar detalhes curiosos da vida dos sempre-lembrados, ameaçou:

- Se ousarem escrever sobre mim, vou assombrar esta Redação por uns 10 anos!

Não duvido. É tal o atrativo deste ofício de contar histórias que muitos de nós tentaremos permanecer por aqui, mesmo depois de levar o cartão vermelho do supremo Editor-Chefe. Aliás, na condição de freqüentador antigo de Redações de jornais e revistas, sempre desconfiei de que alguns saudosos companheiros continuam rondando nossas mesas de trabalho, espiando por sobre os nossos ombros e palpitando sobre nossos textos na linguagem silenciosa dos espectros inconformados.

No tempo da máquina de escrever, gostávamos de fazer uma brincadeira com colegas distraídos que deixavam seus textos pela metade e saíam para o café. Alguém assumia imediatamente o seu lugar e dava continuidade ao escrito, acrescentando frases e parágrafos que pouco tinham a ver com o sentido da matéria. Era divertido ver o sujeito voltar, reler e exclamar intrigado:

- O que será que eu queria dizer com isso?

Na era do computador, a brincadeira perdeu o sentido. É difícil que alguém deixe um trabalho pela metade à disposição dos arteiros. Mas os fantasmas, reais ou imaginários, continuam por aqui. Não faz muito, tive que fazer uma verdadeira investigação para descobrir de onde vinha um cheiro inconfundível de fumo de rolo que invadia minha sala de trabalho em determinadas tardes. Ninguém mais fuma no nosso ambiente, muito menos cigarro de palha. Era verdadeiramente intrigante. Tanto que passei a avisar meus vizinhos de mesa:

- O caboclo chegou!

Dessa assombração, porém, o ceticismo jornalístico nos salvou. Descobrimos que o cheiro vinha do refrigerante que um colega bebia com o lanche da tarde. Não era, como chegamos a pensar, o fantasma de algum velho jornalista picador de fumo.

Mas que eles existem, existem.
nilson.souza@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
31/07/2003


O exterminador de cães

Um exterminador de cães está solto nos bairros Moinhos de Vento e Auxiliadora, na Capital, conforme reportagem de Zero Hora, hoje, segunda edição, página 35.

Seis cães já morreram envenenados nas imediações das ruas Lucas de Oliveira e Felipe Néri.

O veneno deixado nas calçadas pelo envenenador misterioso tem um cruel poder: o de enlouquecer os cães antes de matá-los, de tal sorte que a cadela Kika, uma vira-lata adotada por uma senhora que perdeu também uma labradora no atentado, passou a vomitar, a babar e a perder sangue pelos olhos.

Ou seja, a cadela estava implodindo. Levada ao veterinário, Kika chegou ao extremo de decepar por inteiro a própria língua com suas mordidas. Tiveram de sacrificá-la como também a sua colega.

A proprietária de dois dos seis cães envenenados, Sandra Fazzi, me enviou uma comovente mensagem: "Paulo. Meu marido achou que uma labradora negra pudesse ajudar o tratamento de epilepsia do meu filho, acompanhando-o pelas ruas quando passeava, transmitindo-lhe segurança. Vitória entrou em nossas vidas como um furacão de travessuras pela casa, mas sempre uma usina de amor e de alegrias. A Kika, uma vira-lata, veio juntar-se a nós cinco meses depois. Ela nos seguiu até a entrada do nosso edifício, tendo ficado chorando no portão quando entramos. Não resisti e a acolhemos. Meu filho a apelidou de 'monstro', era feia, magra e sem alguns dentes. Mas recuperou-se maravilhosamente e tornou-se a maior companheira de Vitória, as duas dividiam os ossos, a cama e muitas brincadeiras. Pois bem, as duas morreram juntas, ingerindo o tal veneno na rua. Duas inocentes que deixaram um imenso vazio em nossas vidas. Sempre limpamos os dejetos delas nas ruas. Na segunda-feira, passeamos pela última vez com elas pela Rua Lucas de Oliveira. Não desejamos que outros passem pelo que estamos passando diante deste ataque covarde".

Sei que há uma grande proliferação de cães baldios pelas ruas de Porto Alegre. Mas a vitimação, por envenenamento, de cães com moradia e acompanhados na rua pelos donos é inominável.

Ocorre-me uma solução que eu e tanta gente já pregamos para cães ferozes, que seria de muito bom-tom para essa emergência de um louco e impune exterminador e para outras cautelas sanitárias que deveriam ter os donos de cães quando os levam a passeio: façam-nos portar focinheiras. Isso os livrará de qualquer risco ou perigo.

Por sinal, ao que me parece, existe uma postura municipal que obriga o uso de focinheiras em cães que são levados a passeio. Foi com o objetivo de proteger as pessoas dos ataques de cães, mas noto agora que bem poderia ser fundamental para evitar também esses envenenamentos e proteção à saúde dos animais.

Recebo e transcrevo com humildade uma crítica de um leitor: "Paulo. Admiro muito teu trabalho, começo todos os dias a ler o jornal pela tua coluna. Por isso sinto-me no direito de tecer a minha opinião a respeito de teu comentário no Jornal do Almoço sobre o cantor Vavá, que por sinal não me agrada nem um pouco. Mas achei desrespeitoso de tua parte a crítica que a ele fizeste: sendo ele um convidado do programa, devia ter sido tratado com mais educação. Grata pela atenção. (ass.) Querli".

Devo ter mesmo incorrido nessa grosseria.

Vavá não estava mais presente no programa quando o critiquei, mas é muito possível que eu tenha sido antiético, pelo que me desculpo, afinal um hospedeiro tem de observar cortesia.

Aqui na coluna eu poderia ter dito com mais propriedade, apesar das 50 fãs que disputavam seu autógrafo na entrada da RBS TV, que ele não compõe, não toca e não canta absolutamente nada.

Olha eu aí talvez incorrendo noutro erro: gosto não se discute. Aqueles adolescentes que foram até a RBS TV disputar o autógrafo de Vavá jamais fariam isso pelo Chico Buarque ou pelo Zeca Pagodinho.

E eu faria. Cada qual com a sua preferência.

Mas o Vavá é brabo!
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Drogas
PF descobre laboratório de cocaína em Passo Fundo



Ação policial expõe nova tática de traficantes no Estado
Com capacidade para 200 quilos por mês, o laboratório revela que o RS já produzia cocaína a partir de pasta de coca (foto Tadeu Vilani/ZH)


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Quarta-feira, Julho 30, 2003


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Garota carioca

Cláudia Abreu estréia sexta-feira o filme O Homem do Ano, no papel de uma cabeleireira suburbana. Em setembro, aparecerá no cinema como nordestina e em outubro, será vilã na TV
Zean Bravo



Com Murilo Benício, o bandido Máiquel, por quem Cledir se apaixona

Menina do Leblon, Cláudia Abreu adorou trabalhar o que chama de voz peculiar do subúrbio, para viver a cabeleireira Cledir, em O Homem do Ano, filme que chega sexta-feira aos cinemas. Além do cabelão quase na cintura, do decote e do esmalte que mudava de acordo com a cor da roupa, a atriz caprichou no jeito de falar, observando cabeleireiros e maquiadores. Ela é toda sensual, exuberante, coisa de quem trabalha com estética. É a cafona que se acha o máximo. E tem um vocabulário próprio de um tipo carioca, explica a atriz, de 32 anos.

Sedutora no início, quando se envolve com Máiquel, o personagem de Murilo Benício, Cledir se transforma. Ela sofre mudanças sutis, mas se olharmos só o começo e o fim, o salto é enorme. Começa gatinha, matadora. Daí engravida, casa, se torna ciumenta e sufocante. Tive que acertar o tom para não ficar caricata, avalia Cláudia, que ainda amamentava a filha Maria, hoje com 2 anos, quando filmou o longa, rodado em Nilópolis e dirigido pelo marido, José Henrique Fonseca. Me perguntam como foi trabalhar com ele, mas não deu nem para avaliar. Estava num turbilhão, fora do ar, sem dormir. Filmava, parava, amamentava. Primeiro filho é muito cansativo. Você quer esquecer o mundo, diz.

Ela diz que não teria trabalhado nessas condições se não fosse esse o filme. Maria nasceu por causa desse encontro. O filme é dedicado a ela. Me envolvi no projeto antes de ser namorada do Zé, recorda a atriz, casada há seis anos e meio com o diretor. Meu momento era parecido com o da Cledir, de maternidade latente. Mas o filme é melhor do que tudo isso que representa nos bastidores, destaca.

Sucesso com Pluft no teatro, Cláudia se divide agora entre o lançamento de outro filme O Caminho das Nuvens, que estréia 19 de setembro , as gravações da nova novela das oito, Celebridade, que já começam semana que vem, e o 5º período de Filosofia na PUC. Meu desejo como atriz é transitar por todas as áreas. Mas, além de se manter interessante durante toda uma carreira, você ainda tem que encarar muitas armadilhas, vaidade, a idade em que grandes convites não aparecem. Tinha uma fase em que fazia 30 coisas ao mesmo tempo. Hoje quero pensar também na minha vida.



Nas filmagens, em Nilópolis, com o diretor e marido, José Henrique Fonseca



No próximo filme: uma nordestina

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José Simão
simao@uol.com.br


Ueba! Maluf causa turco-circuito na torre Eiffel!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E ontem eu vi no 'Jornal Nacional' o lançamento da Sudene. Mas o Lula, com a língua plesa, falou FUDENE! O lançamento da Fudene. E eu sei como resolver o problema dos sem-teto no terreno da Volks. A Volks não tá com o pátio lotado de carro vazio? É só botar os sem-teto pra morar nos carros. Pronto, tá resolvido o impasse.

E o Stédile tá parecendo o corneteiro do Exército de Brancaleone!
Maluf causa turco-circuito na torre Eiffel! E o partido do Maluf é o PP! E sabe o que quer dizer PP? Preso em Paris. Rarará! E adorei a juíza francesa dizendo achar curioso o trajeto da grana do Maluf. É que teve um monte de escala. É o famoso pinga-pinga.

Então ele mandou o dinheiro pela Gol?! E sabe por que os franceses prenderam o Maluf? Porque eles não gostam de lavagem. É verdade, francês fica repetindo que é 'bon soir', bom suar, mas ninguém toma banho! E veja como banco é engraçado: quando o Brimo Malufrango foi sacar US$ 1,5 milhão, o banco chamou a polícia. Quando ele foi depositar US$ 1,5 milhão, não aconteceu nada. Não pode é sacar. Rarará!

E a Kelly Key diz que é pós-feminista. Mas ela é feminista no pós. No popó. Popós-feminista. A Kelly Key na realidade é gostosa e uma mulher normal: adora sexo e filé com fritas. Enquanto as feministas morrem de ATÉDIO sexual. E a situação tá tão braba que vão lançar nota de cinquenta pré-datada. E a situação tá tão braba que o motel Akitabom de Fortaleza botou a placa: 'Aceitamos casais a pé!'. E o governo Lula é incoerente: promete o espetáculo do crescimento, mas quer proibir a propaganda do Viagra!

E o avô de uma amiga minha morreu, e a família quis cancelar a assinatura do celular Vivo. E aí a empresa exigiu RG, CPF e uma carta explicando os motivos do cancelamento. E eles escreveram a carta explicando o cancelamento assim: Morto não usa Vivo. Rarará. É mole? É mole, mas sobe!

E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que no programa 'Pânico', da Jovem Pan, apareceu um médico dizendo que o homem pode ter o chamado temor de desempenho. Tucanaram a brochada. Socorro. Chama o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês.

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. 'Comemorar': pensão completa. Comer e morar, dois direitos básicos de todo companheiro. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! No pingolim! UFA!

Email simao@uol.com.br

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David Coimbra
30/07/2003


Ela quer casar

Tenho uma amiga que quer casar. Bem, uma só, não; várias. Mas essa resolveu agir. Resolveu apelar para os santos. Um santo, o Antônio, sabidamente eficaz em acochambrar matrimônios, namoros e demais relações duradouras.

Aliás, conheço o lugar onde está sepultado Santo Antônio. Padova, no norte da Itália. Antônio morreu por lá e construíram uma basílica sobre seu túmulo. A igreja ainda guarda como relíquias a língua e as cordas vocais dele. Diz-se que estão intactas, apesar da inexorável passagem dos anos - Antônio morreu no século 13. Os devotos visitam o templo e formam filas para passar a mão nas urnas onde estão os restos do santo, o que, juram, opera milagres.

O curioso é que as benesses que os devotos europeus esperam de Santo Antônio estão restritas mais à área da saúde. Não vi ninguém clamando por casamento, em Padova, talvez porque os europeus não tenham ainda descoberto essa faculdade do santo.

Bem, mas aqui no Brasil Santo Antônio goza da fama de casamenteiro e foi por isso que minha amiga entrou no supermercado decidida a comprar uma vela para lhe render um voto. Eu aqui nem sabia que havia velas específicas para determinados santos, muito menos que são vendidas em supermercados, mas minha amiga sabia. O que ela não imaginava é que a vela de Santo Antônio é uma vela pouco discreta. Na verdade, uma vela escandalosa, do tamanho de um braço humano.

Minha amiga ficou apreensiva. Mulher bela, jovem e inteligente, ela, por inevitável conseqüência, é orgulhosa. Não queria que a vissem sobraçando aquela vela, achassem que está desesperada para casar. Mas também não havia como camuflar a gigantesca vela do santo. Que remédio? Entrou na fila do caixa torcendo para não encontrar ninguém conhecido. Começou a revistar a bolsa para tirar o dinheiro do pagamento, achou o dinheiro, olhou para a caixa, virou-se outra vez e com quem deparou na fila, logo atrás dela, sorrindo? O que acontece nessas situações? O pior, evidentemente. Lá estava...

...o ex-namorado.

Minha amiga sentiu o sangue lhe formigando nas bochechas. Pensou em dizer algo, dar alguma desculpa, mas o que mais poderia fazer com uma vela daquelas senão homenagear o santo? Cruzcredo, sua situação poderia até se complicar. Antes que ela tomasse alguma atitude, o ex se manifestou. Disse, estilhaços de ironia na voz:

- Vai acender uma vela pra Santo Antônio, é?

Ela abriu a boca, irritada. Tinha ganas de atravessar a vela na cabeça dele, de orelha a orelha. Mas se conteve. Classe, pensava. Tenho de ter classe!

Teve. Saiu-se apenas com um "é isso mesmo", girou nos calcanhares e se foi, nariz espetado no teto. Enquanto marchava rumo à porta de saída, minha amiga resmungava:

- Mas qualé, Santo Antônio? Qualé? Que sacanagem é essa???

Então, estacou. A luzinha do Professor Pardal acendeu-se em sua cabeça: mas será que não é isso mesmo que Santo Antônio quer? Será que ele já não começou a agir antes até de a vela ser acesa? Será que... que... o encontro com o ex não é um sinal? Parou à porta do supermercado, sorridente.

- É bom mesmo esse Santo Antônio - murmurou.

Ajeitou o cabelo. Alisou a saia. E decidiu esperar que o ex-namorado passasse por ela.

Que astrólogo, o quê!
Ao saber da história da minha amiga, encantei-me com a fé demonstrada por ela. O ex era o ex, já esquecido, relegado, sepultado. Porém, acreditando na intervenção do santo, ela resolveu tentar mais uma vez.

É uma capacidade formidável essa que as pessoas têm de crer nos desígnios do invisível. Amuletos, astrólogos, energias que são liberadas por mantras. Mencken já dizia que a fé é a crença ilógica de que o improvável vai acontecer. E é mesmo. Mas, ainda assim, as pessoas acreditam e se movem pela crença, muitas vezes relegando até seus poderes de dedução.

Mais ou menos o que acontece com alguns dirigentes e torcedores do Grêmio. Ouço gente dizer que o Grêmio não vai cair para a segunda divisão simplesmente porque... é o Grêmio! Extraordinário! É a crença cega de que a grandeza do clube, algo de resto um tanto subjetivo, vá manter o time nos píncaros do futebol brasileiro.

Mesmo que o time não tenha no repertório uma única jogada concatenada em direção ao gol adversário. Mesmo que o time esteja coalhado de jogadores de segunda categoria. Mesmo que os números provem que o Grêmio tem a pior equipe do campeonato. Lindo, isso. Pode não ser real, pode ser nada mais que ilusão, pode ser até trágico, mas é lindo.
david.coimbra@zerohora.com.br

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Martha Medeiros
30/07/2003


Nada é vexame

Não faz muito tempo, Paulo Maluf estava no horário eleitoral da TV contando tudo o que fez por São Paulo e dizendo que adora trabalhar, é alucinado por trabalhar, que ele passa o final de semana inteirinho rezando pra chegar segunda-feira. Pudera, não deve ser fácil fazer aplicações financeiras fora do país no domingo.

O que me espanta é a cara-de-pau. Eu vejo essa gente batendo ponto em rede nacional e penso: será que não bate uma vergonhazinha? Ir para a frente de uma câmera declarar-se o homem mais íntegro do planeta enquanto explodem acusações de atos ilícitos pra tudo que é lado. Será que à noite, antes de dormir (no hotel Plaza Athénée, em Paris), o cara não pensa: caramba, quando é que eu perdi o senso do ridículo?

Tem uma outra situação que acho o mico do século: é quando uma mulher sai nua numa revista e depois faz sessão de autógrafos. Posar nua, tudo bem.

Umas fazem por vaidade, outras por necessidade e ninguém tem nada com isso. Mas autografar? Numa livraria??? Putz, se até escritor fica constrangido de ver aquela fila enorme de pessoas esperando por uma assinatura no livro, o que dizer de uma mulher que vai autografar a própria bunda. "Oi, Maryeva, admiro muito seu trabalho, você pode autografar pra mim, Edmilson, aqui bem no meio do pôster central?" Bom humor é tudo nesta vida, mas será que essa mulherada não sente vontade de sumir pelo ralo?

Quando uma apresentadora de TV vai pra capa de uma revista dizer que finalmente encontrou o amor da sua vida, será que não fica meio avexada quando, três semanas depois, é capa da mesma revista e declara-se novamente solteira e disposta a encontrar o homem dos seus sonhos? Ok, é comum a gente se enganar, se iludir quanto a intensidade de um amor, mas todos os meses?

Eu morro de vergonha quando um texto meu é publicado com erro, ou quando esqueço o nome de uma pessoa com quem estou conversando, ou se o moço que veio arrumar o chuveiro descobre minha calcinha pendurada no box. Enquanto isso, mulheres ficam de quatro para qualquer fotógrafo e homens declaram-se honestos, mesmo com todas as provas em contrário, e ninguém fica ao menos vermelho, seguem todos com suas dignidades intactas, o faturamento justificando a caradura que Deus lhes deu.

Mico? Pago eu, que ainda me assombro.
martha.medeiros@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
30/07/2003


Mais imposto

Tudo bem que o legislador queira tornar mais rigoroso o porte de arma, quase o abolindo.

Mas me parece totalmente desproporcional que o estatuto que está em curso no Congresso Nacional disciplinando a posse e o porte de armas esteja a pretender a coibição quase que total do direito dos brasileiros de ter uma arma em casa para proteger-se.

O que é preciso ter em conta é que milhões de brasileiros possuem armas em suas residências, registradas ou não, mas nunca as usam.

Na sua grande maioria, essas armas têm a função da tranqüilidade dos seus possuidores, que sabem ter ali no seu lar, por este equipamento, uma oportunidade de defesa para o caso de serem atacados em suas casas.

Essa onda de desarmamento não pode, por nenhuma forma, retirar o direito das pessoas de defender-se no recesso de seu lar dos ataques criminosos a que estão sujeitas.

A esse respeito, recebo a seguinte colaboração: "Desarmamento ou estelionato? O Senado aprovou o estatuto das armas, que prevê dentre outras medidas a cobrança de uma taxa de R$ 300 por arma registrada. Na verdade, se imagina que o valor será cobrado para quem for comprar uma arma após a vigência da lei, porém o projeto prevê renovação do registro na Polícia Federal de todas as armas existentes ao custo de R$ 300 e mais: ele não será um registro permanente como atualmente, devendo ser refeito ao custo de R$ 300 por cada renovação.

Na realidade, você pagará um imposto para manter a arma em casa, mas se você não puder arcar com o valor, poderá entregar a arma ao governo. Acredito que mais de 90% das pessoas não terão condições de arcar com o novo imposto e serão obrigadas a entregar a arma compulsoriamente pelo simples motivo de não poder pagar. É a fúria arrecadatória do governo somando-se à incompetência no combate à criminalidade que imputa à arma do cidadão a culpa pela violência no país.

Armas não são para matar, são para defender e inibir agressores suspeitos, esta é a função da arma legal do cidadão que se habilita a usá-la. Quem mata são os bandidos com suas armas clandestinas que não pagarão impostos e nem serão confiscadas como aquelas legalizadas. O projeto estimula a informalidade e premia a clandestinidade. O direito à legítima defesa está ameaçado, pois só o cidadão estará sendo desarmado. Você que tem sua arma guardada em casa para proteção da família terá que entregá-la para não pagar o imposto sobre sua posse, o que é um verdadeiro estelionato no bolso do contribuinte, porque na maioria dos casos o imposto será maior que o valor do bem. Imaginem, se a moda pega, o que vão fazer com o direito de propriedade daqui para a frente. Já pensou se isso acontecer com o IPTU da sua casa ou IPVA do seu carro?

Proteste e defenda os seus direitos de autoproteção consagrados na Constituição Federal, enviando sua mensagem antes da votação final na Câmara federal. A propósito, quando vão combater as drogas, a fome, o desemprego, o contrabando de armas? Atenciosamente, (ass.) Dempsey Magaldi, consultor de segurança".

Será verdade mesmo que querem impor ao país um processo de desarmamento pela via tributária?

Isso não me surpreenderia, há em Brasília uma volúpia por criar novos impostos. Agora mesmo uma comissão está reunida para estudar a implantação da taxa de inspeção veicular, um imposto redundante que vai se somar praticamente à cobrança do IPVA, na qual já deveria estar implícita a exigência estatal pelo bom estado dos veículos.

"O país está entregue à violência e o povo está armado? Então tribute-se o povo, cobrando-lhe impostos para ter armas em casa", deve ter tido esta brilhante idéia um dos obsessivos fiscalistas.

É de desanimar que não tenham outras soluções que não seja a de gravar cada vez mais a cidadania de impostos.

Mas a de querer ganhar imposto sob o pretexto de desarmamento é o que nos estava faltando...
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Denúncia
Salvos da crueldade



Animais estavam amontoados em um carro, em Porto Alegre, prontos para serem levados para a Argentina (foto Carlinhos Rodrigues/ZH)


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Terça-feira, Julho 29, 2003




Fanatismo

Minh alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver !
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida !

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida !

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim !

E, olhos postos em ti, digo de rastros :
Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim !...

Florbela Espanca

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Perdão Amigo

Quisera tanto te chamar de amor.
Quisera tanto ser tua lua, estrela e ser para você o universo.
Sonhei que era tua princesa. Sonhei que era tua....tão somente..
Vivi de sonhos...
Vivi de ilusão...
O que eu não via era que já me pertencia.
Era meu amigo. Não um amigo qualquer, o melhor que uma mulher pode querer.
Eu, num desespero louco....coloquei tudo a perder.....
Se pudesse apagar meus atos inconseqüentes...
Se eu pudesse voltar no tempo.
Mas não posso.
Vou viver... ou sobreviver...
Carregando a culpa de nunca ter de verdade te compreendido.
Carregando a tristeza de não ter seu perdão.
Meus olhos demonstram que minha alma chora.
Minha boca amarga.....as palavras secam...
Não existe água que possa refrigerar esse sofrimento.
Q que possa acabar com o deserto em que se encontra meu coração...
A única fonte que poderia por fim a esse desespero é o oásis do teu perdão.
Perdoa!!!!

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Razões de Amor...

Gosto desse teu ar tristonho,
desse olhar de melancolia,
mesmo nos momentos de prazer e de sonho,
ou nos instantes de amor e de alegria...

Gosto dessa tua expressão de ternura
tão suave e feminina,
desse olhar de ventura
com um brilho úmido a luzir num profundo langor...
Desse teu olhar de meiguice que me cativa e domina,
tu que dás sempre a impressão de quem precisa
de proteção e amor...

Desse teu ar de menina, desse teu ar
que te faz mais mulher
ao meu olhar...

Gosto de tua voz, tranqüila, do tom manso
com que falas, como se acariciasses
até as palavras que dizes;
de tua presença, que é assim como um quieto remanso,
um pedaço de sombra onde me abrigo
quando somos felizes...

Gosto desse teu jeito calmo, sossegado,
com que te encostas em meu peito
e te deixas ficar
entre ternuras e embaraços,
como se tudo ficasse, de repente, parado,
e teu mundo pudesse ser delimitado
pelos meus