Voces encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Encontrarão também muitas crônicas de jornais diários e de revistas semanais, fundamentalmente, dos colunistas elencados a esquerda ai no Blog. Endereço para email: cassiano.leonel@terra.com.br e para observações e comentários utlize os links disponíveis nos próprios textos. Espero que ele seja útil a você de alguma maneira, pois esta é uma das razões dele existir.
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r caldas junior - PORTO ALEGRE
Acessório colunável As socialites Narcisa Tamborindeguy e Vera Loyola dão asas ao bom humor e à criatividade, bancam as estilistas e criam coleções exclusivas de sapatos sensuais e bolsas artesanais
Marcia Disitzer
Narcisa (à esq.) venderá sua linha de sapatos na loja da amiga Cláudia Simões. Narcisa agregou seu estilo extravagante à minha marca, diz Cláudia
As duas figuras mais comentadas da sociedade carioca voltam a atacar. Direto das colunas sociais para a máquina de costura, as socialites Vera Loyola e Narcisa Tamborindeguy resolveram dar um sentido ainda mais fashion às suas vidas. Vera acaba de criar uma linha de bolsas artesanais que leva o simpático nome de Feita-Em-Casa e Narcisa se prepara para lançar uma coleção de sapatos com seu nome desenvolvida em parceria com o amigo Bruno Chateaubriand nesta segunda-feira, na loja Cláudia Simões do Rio Sul. As novas estilistas entram com a experiência de quem vive nas altas rodas e com um círculo de amigas poderosas, que podem, por exemplo, desembolsar R$ 690 numa bolsinha exclusiva. Claro nem precisa perguntar elas adoram moda desde bebezinhas.
Vera conta que tudo começou na posse do presidente Lula. Sempre gostei muito de trabalhos manuais. No dia da posse, resolvi aplicar uma bandeirinha do Brasil na minha bolsa. Todos adoraram, conta a socialite, que garante que máquina de costura é com ela mesma. Tenho bordadeiras e costureiras que trabalham para mim. Mas se tiver que fazer, eu mesma faço. Não estou mais com a mão na massa, mas coloquei a mão na bolsa, brinca ela. Os modelos da sua grife são artesanais e misturam técnicas como crochê e tricô. E as alças são de bambu que, segundo a filosofia oriental, é o símbolo da vida, explica ela, que já confeccionou mais de 80 modelos de bolsas, que vende em casa, com direito a chazinho e torradas.
Enquanto Vera prefere o estilo feminino de ser, Narcisa assume um lado mais sexy. Os sapatos que levam seu nome têm plataforma, salto alto e não passam despercebidos. Criei uma coleção de 11 modelos. Eles são superconfortáveis e duráveis, porque já cansei de calçar sapatos de grife, como Yves Saint Laurent, que quebraram o salto e me deixaram na mão, conta Narcisa, que confessa sua tara pelo acessório. Sou igual a Imelda Marcos, diz, referindo-se à ex-primeira dama das Filipinas, que tinha mais de 3 mil sapatos.
Empolgada em abrir novas frentes, Narcisa procurou uma empresa de marketing, que fez uma pesquisa para descobrir o que seu nome desperta no mercado. A pesquisa revelou que as pessoas gostam do meu lado erótico, espontâneo. E que elas querem me vestir e me usar, explica. Por conta dessa avaliação, Narcisa planeja virar outros produtos. Quero lançar um perfume com o meu nome. Estou botando meu pezinho com as unhas pintadas com esmalte Chanel no mercado da moda. Depois, botarei o corpo inteiro e bronzeado, finaliza.
Pai vai ganhar lembrancinha Filhos deixam para comprar presente na última hora. Comércio tem poucas esperanças
Valéria Maniero
Filhos pretendem gastar menos do que com o presente dado às mães
O presente para o Dia dos Pais ¿ ou melhor, a lembrancinha ¿ mais uma vez ficou para a última hora. Para atrair os consumidores, o varejo, que amargou queda de 9,24% nas vendas do Dia das Mães e 10,16% no Dia dos Namorados, aposta nas promoções de inverno. Mesmo assim, as previsões são negativas.
O faturamento do comércio deverá cair entre 8% e 10%, em relação ao ano passado. A taxa de juros (Selic) sofreu queda, mas não vai se refletir agora nas vendas. Esperamos resultados positivos para o Dia das Crianças¿, comenta Luís Otávio de Souza Leal, coordenador do Núcleo Econômico do Instituto Fecomércio-RJ. Só no primeiro semestre, segundo a instituição, as vendas no Rio caíram 7,19%.
Para Ruy Quintans, professor do Ibmec Business School, a situação só deve começar a melhorar no fim do ano, se a Selic continuar trajetória de queda. Para este Dia dos Pais, o professor aposta no presente-lembrança, mas defende que os celulares ainda estão em alta pelas facilidades de pagamento. Segundo pesquisa da Fecomércio-RJ, aumentou de 3,24% para 4,50% a intenção de dar o produto nessa data, em comparação com 2002.
Com pouco dinheiro no bolso, os consumidores devem preferir artigos de vestuário, na opinião de Marcelo Araripe, diretor de Marketing da Egec, empresa que administra quatro shoppings no Rio. ¿A data não é uma das principais do varejo, mas cai, tradicionalmente, na liquidação de inverno. O preço baixo torna-se grande aliado nas vendas¿, afirma.
A Associação Brasileira de Shopping Center (Abrasce), que representa 164 estabelecimentos de todo o País, torce para que o faturamento, neste mês, pelo menos empate com o registrado no ano passado (4,11%).
A estudante Fabiana dos Reis Melo, de 24 anos, ainda está escolhendo o presente de seu pai. Mas uma coisa é certa: será mais barato do que o do Dia das Mães. ¿No presente da mãe, a gente sempre capricha mais¿, admite. Segundo a Fecomércio-RJ, 71,23% das pessoas gastarão menos do que no ano passado.
Para ser pai, não precisa ser homem
o verdadeiro pai é aquele que cumpre o papel
nos seus mais profundos sentimentos...
Para ser pai, precisa ter o respeito,
e olhar atentamente quando seu filho lhe solicita.
Precisa ser amável e cobrir seu filho com um olhar carinhoso.
Precisa saber parar com tudo
e ouvir tudo o que seu filho tem a falar.
Precisa saber elogiar a todo momento
para que ele se sinta seguro e mais tarde
possa enfrentar as grandes dificuldades da vida.
Precisa se sentir grande, infinitamente grande
para que seu filho possa levar uma vida inteira
para lhe admirar...
Pai é aquele que está junto ao seu filho,
não importa se ele é homem ou mulher,
desde que esteja fazendo o certo
para que o filho aja de maneira certa também.
Não importa se o pai não é o pai biológico,
mas que ele seja o espelho perfeito para se refletir.
Não importa se quem está junto do filho tenha acabado de chegar,
mas o importante é que ele permaneça,
para passar a segurança que ele também não vai partir...
Não importa a idade deste pai,
basta que ele se sinta um menino,
e coloque-se a brincar com seu filho.
Não importa a raça deste pai,
importa que ele ensine seu filho a aceitar a todos igualmente.
Não importa a profissão deste pai,
mas ele deve mostrar ao filho
que o mais importante é gostar do que se faz.
Não será um bom pai aquele que escondido em seus problemas,
não participar da vida do filho que necessita de cuidados.
Não servirá como espelho, aquele pai que corre a vida
se amargurando e sequer tenta ser melhor.
Pai, é e sempre será aquele que ao lado do filho,
consegue descobrir a vida,
e apreciam juntos cada descoberta,
e assim,
são como crianças, na mesma idade
pelo afeto,
pela sintonia,
pelo amor
Por Deus,
por ser filho,
por ser PAI.
Recebido do meu amigo Miron lá da terra do Erico Veríssimo. Thanks amigo por todas as mensagens que sistematicamente tens me enviado.
Do latim pater, a palavra pai designava originalmente toda pessoa que dava origem a outro ser. O Direito Romano, base de nosso ordenamento civil, conferia ao pai o título de paterfamiliae, o cidadão romano chefe de família. Já definiam os romanos que "is est pater quem justae nuptiae demonstrant" (o pai legítimo é aquele que o matrimônio como tal indica). E nesta condição todos os seus descendentes a ele se vinculavam sem poder de oposição, onde se incluía a própria esposa.
Durante todo o século 20 convivemos no Brasil com o pátrio poder, pelo qual todas as decisões da família eram tomadas apenas pelo homem da casa, tendo a esposa apenas participação colaborativa, mas não decisiva. Apenas com o novo Código Civil, em vigor desde 11 de janeiro de 2003, substituiu-se esta expressão (diga-se ultrapassada) para poder familiar, em que marido e mulher, juntos, deliberam consensualmente sobre os destinos de uma família.
Em sentido jurídico, pai é o ascendente masculino de primeiro grau. Eis, portanto, a definição legal. Mas a palavra pai não se limita à letra da lei e surge de formas variadas em nosso dia-a-dia. O dicionário Houaiss aponta com precisão um sem-número de variáveis. É o "pai da pátria" (defensor de um país), "pai da criança" (autor de uma idéia), "pai das queixas" (delegado de polícia), "pai Gonçalo" (marido sem iniciativa, dominado pela mulher), "pai mané" (indivíduo ingênuo), "pai dos burros" (dicionário) e assim por diante. Eis aqui a definição popular.
Da mesma raiz latina encontramos a palavra paternitas, mostrando a qualidade ou o fato de ser pai, designando o liame jurídico que une pai e filho. E assim fiz minha enquete caseira e pedi aos meus filhos que definissem a palavra paternidade. Surpreendidos com uma pergunta tão inusitada, meu filho de 13 anos disse "o direito do pai de ter a guarda do filho". Minha filha de 11 anos disse "é o que o pai passa para o filho". E meu caçula de três anos, bem, confesso que não insisti com ele ante o olhar entediado daquele questionamento.
A paternidade não institui direitos sobre os filhos, mas sim deveres para com os mesmos
Com as definições jurídica, popular e familiar, concluo que pai tem, sobretudo, forte conotação de hierarquia, de poder, de gestão. Neste Dia dos Pais, em que o ego masculino fica ainda mais comprometido, uma autocrítica é sempre bem vinda, a começar pela readequação da expressão poder familiar. O Código Civil, que em seu artigo 1.630 substituiu a expressão pátrio poder por poder familiar, deveria ter disposto, em substituição, a expressão pátrio dever ou, sendo fiel ao novo texto legal, dever familiar. A paternidade não institui direitos sobre os filhos, mas sim deveres para com os mesmos.
O artigo 1.634 do Código Civil é preciso ao determinar aos pais a garantia da criação e educação de seus filhos. E isto não se dá apenas no sustento material ou alimentar, mas também e especialmente no exemplo moral, de forma que a geração vindoura tenha corretamente moldado seu caráter. E, ao contrário das obrigações conceituais, em que a contraprestação deste dever familiar se dá de forma pecuniária (custeio da educação, alimentação, vestuário etc), o exemplo moral requer comprometimento, renúncia e vocação. Não se pode exigir de outras pessoas atitudes que nós mesmos não adotamos, regra esta que seguramente se aplica de pai para filho.
Neste dia 10 de agosto festejamos o Dia dos Pais. Não se pode defini-lo como uma data do calendário civil. Estas têm dia certo e um caráter público institucional, como 21 de abril ou 7 de setembro. O Dia dos Pais também não é uma data religiosa, o que dispensa maiores justificativas. Portanto, deveríamos concluir ser um dia meramente comercial cujo ápice ocorre na entrega dos tradicionais presentes. E assim será apenas se o paterfamiliae deixar ser.
Mas esta data poderá ser vista de outra forma. Porque da palavra paternidade vem a raiz do adjetivo "paterno" que, outra vez recorrendo ao mestre Houaiss, significa "que lembra o amor de pai; carinhoso, afetuoso, paternal". Ou seja, a maior gratificação do Dia dos Pais não é receber um presente do filho, mas oferecer um carinho para ele.
Falta pai DILAN CAMARGO/ Subsecretário de Cultura do Estado
É alentador que os veículos da RBS estejam se empenhando em fazer ouvir a infância sem voz. Campanhas como "O amor é a melhor herança", programas como Conversas Cruzadas com debates entre autoridades políticas e judiciárias, as reportagens sobre a trajetória dos meninos ninjas, e vários artigos na página de opinião, tocam nessa imensa ferida que a sociedade e governos não curam.
Mas a verdade é que falta pai!
Falta pai porque os homens, sobrecarregados de trabalho, viciados no seu individualismo, ou incapazes de manifestar o seu afeto masculino, são eloqüentes ausências dentro de suas casas. Falta pai porque, nas sextas-feiras à noite ou nos sábados de manhã, filhos de pais e mães separados, com suas mochilinhas e o travesseiro debaixo do braço, esperam em vão e em lágrimas, que seus pais os busquem para passarem um fim de semana juntos.
Falta pai porque em Porto Alegre 595 crianças e adolescentes perambulam abandonados pelas ruas e porque a nossa cidade é a capital nacional de jovens drogados.
Falta pai porque os adultos regrediram à orfandade civil mantidos infantilizados pelo consumismo que se utiliza de uma propaganda que lhes promete tudo e por uma sociedade que a outros nega a mínima cidadania econômica e social.
Falta pai porque em Porto Alegre 595 crianças e adolescentes perambulam pelas ruas
Falta pai porque os homens não amam, mas simplesmente "azaram" e "faturam" as mulheres e se comprazem na alienação do seu falocentrismo. Falta pai porque os homens não registram seus filhos no cartório e muito menos nos seus corações. Falta pai porque os homens perderam a paternidade-autoridade, perderam-se na paternidade autoritária ou se esconderam na covardia dos que negam o seu sangue e o seu nome aos que dele e de uma mulher nasceram.
Falta pai porque a sociedade matou os heróis caseiros e elegeu os simulacros de heróis maquiados por uma mídia de baixa informação, entretenimento vulgar e desreferenciada de valores éticos. Falta pai porque vivemos numa época de difícil sobrevivência psíquica onde o "eu" sofre todos os tipos de assédio, desde o sexual, o moral e o consumista. Falta pai porque os pais preferem gastar mais com tênis de marca do que com livros e discos com seus filhos.
Falta pai porque os pais sentem-se amedrontados de serem os únicos a dizerem os necessários "nãos" num cotidiano de permissividades glorificadas. Falta pai porque homens permitem que os corpos de suas filhas sejam vulgarizados e violados à luz do sol. Falta pai porque a liberdade se reduziu à falsa escolha de uma grife ou à permissão para jovens ricos exorcizarem o seu tédio existencial queimando vivos índios e mendigos.
Falta pai porque essa maravilhosa condição da espécie humana foi esvaziada do seu significado profundo e da sua essência civilizatória. Falta pai porque o chamado de "pai" não é respondido dentro e fora de muitas casas.
"Qualquer um pode escrever um livro. Duro mesmo é ficar no sofá, sem escrever nada. Não escreva. Se realmente tiver de escrever, trate o resto da humanidade aos tapas e pontapés"
Ivan Lessa é o maior escritor brasileiro. Só que o Brasil é tão desgraçado que nosso maior escritor nunca se interessou em escrever um livro. Preferiu dedicar-se a não escrever. É muito mais difícil não escrever do que escrever. Qualquer um pode escrever um livro. Qualquer um pode publicá-lo. Duro mesmo é ficar deitado no sofá, sem escrever nada. Requer uma aceitação filosófica da própria transitoriedade. Requer o desprendimento de um sufi. Ivan Lessa resumiu sua determinação de não escrever da seguinte maneira: "Que nossa presença seja leve aos outros, ocupados com seus mistérios e empombações. Falemos baixo".
Eu escrevi livros. Um monte de livros. Cheios de mistérios e empombações. Quem melhor definiu minha carreira literária foram os humoristas do Casseta e Planeta. Alguns anos atrás, contaram que um assassino, fugindo da polícia, escondeu-se dentro de um dos meus romances, o único lugar que ninguém jamais abriria. No domingo passado, o mesmo Casseta e Planeta voltou ao assunto e retratou-me nos fundos de uma van, a caminho de um festival de literatura em Parati, amolando o tempo todo meus companheiros de viagem, Luis Fernando Verissimo, Arnaldo Jabor e Marilena Chaui. Acontece que agora eu não escrevo mais. Desci da van literária. Como um alcoólatra numa reunião do AA, um dia me levantei da cadeira e jurei que nunca mais escreveria um romance. Há seis anos, quatro meses e duas semanas não faço uma linha de literatura. De tempos em tempos, sou tentado a retomar o hábito, sobretudo depois da noite de autógrafos de algum amigo. Ivan Lessa já disse que o único bom motivo para escrever um livro é irritar os amigos. Ele disse também que amigos custam um dinheirão e, ao contrário de liquidificador, não vêm com garantia. Bem melhor que ter um amigo é ter um conhecido no pub.
Conheci Ivan Lessa em Londres, em 1981. Todas as quartas-feiras almoçava com ele num restaurante chinês no centro da cidade. Ele sempre me levava três livros, dentro de um saco de supermercado. Eu lia tudo e devolvia na semana seguinte. Para ler os livros que ele me emprestava, fui negligenciando os estudos universitários na London School of Economics, até largá-los definitivamente, no fim do 1º ano. Em sua recente passagem por Londres, Lula recebeu uma homenagem da London School of Economics. O reitor chegou a chorar. Eu já era grato a Ivan Lessa por ter sabotado minha carreira estudantil. Depois da homenagem a Lula, fiquei duplamente grato. Embora eu não devesse falar desse jeito. Era divertido debochar do Lula nas primeiras semanas de governo, quando ninguém debochava dele. Agora todo mundo debocha, até o Casseta e Planeta.
Aprendi muitas coisas com Ivan Lessa. Algumas delas, só entendi recentemente. Isso de não sair escrevendo um romance atrás do outro, para mim, foi uma conquista difícil, que precisou de muito esforço e muita autoflagelação. Como nem todo mundo teve a sorte de ter um tutor como Ivan Lessa, estou passando adiante suas lições aqui, agora, de graça. Lição número 1: não escreva. Lição número 2: se realmente tiver de escrever, "trate o resto da humanidade aos tapas e pontapés".
Diogo Mainardi
Escritor americano relata como é difícil ter filhas adolescentes
Ronaldo França
Existe um momento na vida em que o casal sente uma falta danada do tempo em que seus filhos eram bebês e a coisa mais estranha que eles faziam desaparecia com a troca das fraldas. Isso acontece quando as crianças chegam à adolescência. O escritor americano W. Bruce Cameron tem uma ótima definição sobre essa fase: "Os bebês são caracterizados pelo que não podem fazer: não podem andar, falar nem sair da sala quando você quiser explicar por que a vida era muito mais dura quando você estava crescendo. Já os adolescentes são caracterizados pelo que não farão: não vão limpar o quarto, não vão sair do telefone nem vão ouvir quando você quiser explicar por que a vida era muito mais dura quando você estava crescendo".
A convivência entre pais e filhos adolescentes nunca foi fácil. Pior ainda quando se trata do relacionamento entre pai e filha. Com duas adolescentes em casa, Cameron fez das preocupações e agruras dele e das chatices e rebeldias delas a matéria-prima de seu livro 8 Regras Simples para Marcar um Encontro com Sua Filha Adolescente Confissões de um Pai Transtornado (M. Books, 225 páginas). O livro, lançado recentemente no Brasil, deu origem à série americana de televisão 8 Simple Rules, exibida aqui pelo canal pago Sony.
Com muito humor, a obra trata dos assuntos mais comezinhos que envolvem o dia-a-dia de um pai com sua filha adolescente. Segundo Cameron, quando uma garota completa 13 anos, ela olha para o pai como uma espécie de misto de caixa eletrônico sem limite e motorista ele deve liberar dinheiro e levá-la ao shopping para que possa gastá-lo. Apenas isso. "Como todo bom pai sabe, as famílias se organizam melhor em patriarcados. É como um rebanho de cervos pastando calmamente sob o olhar do glorioso líder", escreve Cameron. "Infelizmente, as filhas adolescentes, em geral, têm problemas para compreender esse arranjo elegante e ecológico. Elas querem até 'discutir', o que no mundo real poderia levá-las a ser banidas do rebanho e mandadas para viver com bodes ou coisa parecida."
A convivência ficou ainda mais tumultuada, nos últimos anos, quando os pais passaram a participar (ou pelo menos tentam) mais ativamente da vida das meninas. Por um lado é bom. Por outro, no entanto, só faz agravar o ciúme que ele tem dela. Afinal, não é nada fácil ver que, de uma hora para outra, a princesinha do papai se transformou em uma adolescente beligerante e com idéias próprias. De repente, o corpo da menina ganha curvas e seu cérebro só registra assuntos relacionados a amigas, garotos, música, passeios e roupas. É como se ele perdesse as rédeas da situação.
E o ciúme do papai vai aumentando... Pior ainda quando ela começa a namorar. "Seus lábios já fazem muito esforço falando ao telefone e não preciso me sujeitar ao stress de ver a boca de algum garoto pressionando-os", é o que Cameron gostaria de poder dizer às filhas. "Apesar das mudanças de comportamento dos últimos anos, o pai sempre vai ter ciúme de sua filha", diz a psicóloga Ceres Alves de Araujo, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. "Como até a adolescência o pai é o modelo de homem para a filha, nunca ninguém é suficientemente bom para ela."
Cameron é bastante preciso ao narrar a cumplicidade da mãe com a filha adolescente como se as duas mais a natureza conspirassem contra o pai. "Às vezes minha mulher diz que eu sou muito duro com os garotos e pergunta se eu não me lembro da época em que tinha a idade deles", conta Cameron. "É claro que eu me lembro. Afinal, já fui um deles e sei que os beijos têm efeitos imprevisíveis no cérebro masculino, que geralmente manda sinais aleatórios para as mãos."
Da experiência pessoal de Cameron com suas filhas é possível aprender alguns truques para facilitar o relacionamento. Ou, pelo menos, para torná-lo um pouco menos estressante. Em entrevista a VEJA, ele elencou alguns deles:
"O pai não deveria se incomodar em ser chofer da filha. Pelo menos assim ganha tempo para conhecê-la melhor, coisa que ela gostaria de evitar a todo custo."
"Não caia na chantagem emocional de sua filha. Você não imagina quão espertas as adolescentes são! Cada vez que você reclamar, por exemplo, que ela não avisou que chegaria mais tarde, ela vai contra-atacar: 'Se eu tivesse um celular...' Daqui a pouco, ela terá outras tantas razões para pedir o modelo de celular que acessa a internet, tira fotos e o que mais inventarem."
"E aqui vai a pior notícia de todas: você não pode desistir! Você pode até dizer para sua filha 'o.k., você venceu', e ela continuará a discutir com você. Há sempre um motivo para reclamar. Ambos estão cumprindo seus papéis. Elas são as filhas adolescentes e você é o pai".
Quando se deixou fotografar com o boné do Movimento dos Sem-Terra na cabeça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de outras, provocou uma polêmica em muitas redações de jornais. Afinal, o presidente vestiu, usou, colocou, pôs ou botou o boné do MST?
Vestir seria o verbo menos adequado, com certeza, por mais que os dicionários dêem o exemplo vestir luvas. Usar indicaria pelo menos um emprego mais demorado desse tipo de acessório. Nada impediria, porém, que o termo fosse adotado na ocasião, como fizeram alguns jornais. A precisão de linguagem terminou por dar preferência a colocar ou pôr.
E botar? Ele apareceu em algumas críticas ao presidente, mas sempre no sentido irônico, um estigma que o verbo carrega no Brasil. Botar equivale, na norma culta da língua, praticamente a todos os significados de pôr, mas, talvez por influência de botar ovos, ficou mais restrito à linguagem coloquial, na qual forma até expressões de caráter popular, como botar para quebrar. A mídia poderia ter dito, a sério, que o presidente botou o boné do MST. Mas sempre haveria quem visse intenção depreciativa na frase.
Costuma-se dizer que não existem sinônimos perfeitos, ou seja, há sempre uma palavra que exprime melhor determinada situação. Por isso mesmo, nem sempre é possível justificar por que, em muitos casos, certo vocábulo substitui outro que definiria com maior exatidão a idéia a expor.
O universo vocabular citado nestas digressões é um excelente exemplo desse processo lingüístico. Deixando de lado o verbo botar, pela sua meia-rejeição injustificada, constitui tarefa inglória explicar como colocar aos poucos relegou a injusto segundo plano o verbo pôr, um dos mais ricos do idioma.
Colocar, mais propriamente, significa pôr em algum lugar e deveria ser usado, em princípio, para coisas materiais: Colocou o boné. / Colocou o livro na estante. / Colocou os azulejos na parede. Já pôr é um verbo que se emprega tanto para coisas materiais quanto para formar locuções e frases feitas ou para definir coisas abstratas e do espírito. Assim: pôr o boné, pôr em prática, pôr o dedo na ferida, pôr em xeque, pôr em pratos limpos, pôr a mesa, pôr frente a frente.
Apesar disso, hoje em dia tudo se coloca: colocou a questão em pratos limpos, colocou o dedo na ferida, colocou o adversário em xeque. Erro? Impropriedade? O rigor de estilo recomendaria a escolha de pôr nesses casos. Mas, como colocar no lugar de pôr já se tornou um modismo permanente (registrado nos dicionários atuais), termina sendo inútil lutar contra a sua mudança de sentido.
O que convém recomendar é a fuga do exagero. Como dizer que jovens à procura de emoções fortes colocaram fogo no índio. Ou que um participante de debate colocou mal a questão ou fez uma colocação equivocada. Por que não levantar um problema, fazer uma sugestão ou observação? No mínimo se evitaria que alguém colocasse uma colocação equivocada, como se ouviu há pouco numa mesa-redonda da TV.
Eduardo Martins é jornalista e autor dos livros Manual de redação e estilo, de
O Estado de S. Paulo, e Com todas as letras O português simplificado.
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Conheça a seção Pergunte ao Médico em VEJA Saúde. Uma forma de tirar dúvidas sobre os males e as doenças mais comuns.
Leia trechos do livro Contos Legais, que reúne vários autores especialistas em direito.
Ouça trechos do novo CD A Bossa Muito Moderna de João Donato.
Leia na seção Em Dia o que ocorreu com processos contra Roseana Sarney e Antonio Carlos Magalhães.
Se está funcionando no Rio, onde os índices de criminalidade são superiores aos do Rio Grande do Sul, o projeto de abrir as escolas para a comunidade aos fins de semana tem tudo para dar certo por aqui. É uma idéia simples, de baixo custo, na qual vale a pena apostar. A experiência, realizada pela Unesco em parceria com os governos do Rio, de São Paulo, de Pernambuco e da Bahia, mostrou queda de até 70% nos índices de violência nas comunidades carentes que ofereceram atividades lúdicas, culturais, artísticas e esportivas nos fins de semana.
Entusiasta da abertura das escolas aos sábados e domingos, a gaúcha Marlova Noleto, coordenadora do programa da Unesco, vendeu a idéia ao governador Germano Rigotto logo depois da posse. Marlova convenceu o governador e o secretário da Educação, José Fortunati, de que ao oferecer uma alternativa de lazer para os jovens em escolas que normalmente ficam fechadas no fim de semana, reforça-se o vínculo com a comunidade.
Pesquisas mostram que a criminalidade aumenta entre a noite de sexta-feira e a madrugada de segunda-feira. Fechadas, as escolas viram alvos de vândalos e de ladrões. Abertas, a própria comunidade se encarrega de protegê-las. A oferta de atividades saudáveis, como a prática de esportes, pode reduzir até o interesse pela droga e pelo álcool, que estão na raiz do aumento da criminalidade.
Ao apostar na abertura das escolas aos fins de semana, Fortunati pode estar iniciando hoje uma revolução silenciosa, embora o número de escolas atingidas na primeira fase seja insignificante. Para que esse projeto tenha êxito, o governo não pode frustrar a população. Será preciso garantir as oficinas, cursos e atividades de lazer prometidos, mesmo que no início o nível de interesse seja baixo.
Buscar a parceria com organizações não-governamentais é o caminho para driblar a falta de recursos do Estado, que não tem como contratar monitores para as oficinas nem orientadores para as atividades esportivas. Se a experiência der certo, crescem as chances de se atrair voluntários dispostos a contribuir para a melhoria da vida nas comunidades carentes.
Esses dias, em conversa com o diretor de Redação de Zero Hora, Marcelo Rech, confessei a ele qual o assunto que menos gosto e mais evito abordar: aquele em que os dois lados em disputa têm razão.
Exatamente o caso desta reforma da Previdência que está fazendo trepidar a nacionalidade.
Os dois lados têm razão. E digo que os dois lados têm razão porque se verificou um fenômeno espetacular em todo este episódio: todas, absolutamente todas as pessoas, sem exceção, inclusive eu, que deram opinião sobre a reforma previdenciária, foram a favor dela se não eram funcionários públicos, contra ela se o eram.
Mas hoje eu quero botar lenha nessa fogueira. Vou publicar um e-mail que me mandou um leitor, que não se identificou nem como funcionário público, nem como trabalhador privado, mas os meus leitores, pela minha introdução, facilmente saberão distingui-lo.
Eis o polêmico e-mail: "Sant'Ana. Privilégios? Onde? O trabalhador da iniciativa privada tem: 1) Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; 2) indenização sobre o saldo do FGTS de 40% quando da demissão; 3) política salarial com revisão e atualização permanente; 4) tem direito a aviso prévio; 5) tem reajustes dos salários periodicamente, negociando índices, datas e periodicidade; 6) tem participação nos lucros das empresas; 7) são seus direitos convenções, acordos e dissídios coletivos de trabalho; 8) tem contribuição devida de 7,65%, 8,65%, 9% e 11% (apenas sobre o teto); 8) salário família; 9) idade mínima para aposentadoria não existe para homem ou mulher; 10) não tem tempo mínimo no cargo para aposentadoria; 11) tem reposição das perdas salariais; 12) tem atividades de risco e pode se aposentar com 15, 20 ou 25 anos de atividade/contribuição; 13) o trabalhador do regime geral, quando aposentado, nunca terá cessado seu benefício, em função de alguma atitude disfuncional da empresa em qualquer época; 14) o reajuste do RTPS no período de 1996 a 2002 foi de 69% para todos os benefícios, a saber: 1996 =15%, 1997 = 7,76%, 1998 = 4,81%, 1999 = 4,61%, 2000 = 5,81%, 2001 = 7,66%, 2002 = 9,20%".
Prossegue: "Já o servidor público: 1) não tem direito ao FGTS; 2) não tem direito à indenização de 40%; 3) não tem política salarial (o valor do salário é fixado em lei e o reajuste é de acordo com a vontade do governo, a grande massa deles vai para nove anos sem reajuste); 4) não tem seguro-desemprego; 5) não tem aviso prévio; 6) tem direito a reajuste anual reconhecido pelo STF, mas de 1995 a 2001 não foi concedido nenhum reajuste (em 2001 foram concedidos 3,5%); 7) não tem direito a participação nos lucros ou superávits governamentais; 8) não tem dissídios e nem acordos coletivos; 9) contribui com o percentual fixo de 11% sobre o total das salários; 10) não tem direito ao salário família; 11) são-lhe exigidos 60 anos para homens e 55 para mulheres como idade mínima para se aposentar e 35 e 30 anos de contribuição, respectivamente... Diante de tudo isso, pergunto para o cidadão contribuinte: ONDE ESTÃO OS PRIVILÉGIOS?". (ass) Gilmar Ribeiro da Silva, telefone (55) 30257943, Santa Maria".
De plano flagrei na comparação do leitor a omissão (imperdoável) das duas maiores vantagens dos funcionários públicos sobre os trabalhadores privados: a estabilidade e a integralidade dos vencimentos ao aposentar-se, embora a reforma recém aprovada subtraiu-lhes a última para os futuros servidores.
Podem os leitores pinçar outras incoerências, mas o levantamento impressiona a uma primeira vista.
Mas não lhes disse que é um assunto em que os dois lados têm razão?
psantana.colunistas@zerohora.com.Br
Hoje eu acordei e abri minha janela. Hoje eu acordei e fiquei pensando na nossa relação. Hoje eu acordei e fui comprar um jornal. Hoje eu acordei e tive que ir no banco. E fui pra aula. E fui malhar. E olhei para o céu. E tomei nescau. E fiquei com muita cólica. E coloquei meu biquíni, decidida a ir na piscina. Hoje eu acordei e não fiz nada. Hoje eu acordei e encontrei na Internet 699 textos com "hoje eu acordei e...".
Em inglês ("I woke up this morning and...") são 12.200 textos. "Eu, por exemplo..." aparece em 8.330 textos. O "eumesmismo", diários, cartas, confissões, conselhos, queixas e outras querelas, são uma praga literária que se alastra nas livrarias, domina as colunas de jornais e revistas e explode na Internet, onde muita gente acha que dúvidas e abluções matinais são assuntos de interesse público.
É possível que entre as milhares de bobagens autocomplacentes haja alguma boa literatura, cólicas e nescaus matinais podem evoluir para reflexões interessantes sobre a vida, a morte ou a reforma da Previdência, mas a procura quase nunca vale o tempo perdido. Se você quer boas histórias ou alguma informação, vai ter que enfrentar centenas de eus por exemplo, cronistas impregnados de si mesmos distribuindo conselhos úteis para uma vida feliz, um amor verdadeiro ou uma carreira de sucesso. E, é claro, vendendo seus peixes, livros, sites, palestras e cursos. O mercado é grande e lucrativo, vidas vazias buscando recheio é o que não falta.
Acho que foi o Voltaire quem disse que o primeiro homem que comparou uma mulher a uma rosa foi um gênio e o segundo foi um imbecil. O certo é que o inventor do eumesmismo foi um gênio, Michel de Montaigne (28/2/1533 - 13/9/1592). Filho de um nobre recente, Montaigne aprendeu a falar em latim, como se fosse uma língua viva, e lia os clássicos desde garoto. Aos 40 anos, recolheu-se a uma torre de seu castelo e, à espera da morte, passou a escrever seus Ensaios, repletos de erudição e bom humor, tendo como tema principal ele mesmo.
"Os outros formam o homem, eu relato a seu respeito e represento um em particular, bastante malformado: eu mesmo. (...) Não posso fixar o meu objeto; ele vai, confuso e titubeante, com uma ebriedade natural. Pego-o em qualquer lugar, como está, no instante em que com ele me divirto; não descrevo o ser, descrevo a passagem. Ninguém tratou de um assunto do qual entendesse ou o qual conhecesse melhor do que faço. (...) Descrevo uma vida baixa e sem brilho: dá na mesma; é possível achar toda a filosofia moral numa vida popular e privada tanto quanto numa vida feita de matéria mais rica: cada homem leva em si a forma inteira da condição humana."
Felizmente a morte não veio tão cedo e Montaigne deixou uma das maiores obras já escritas. Calvino diz que "os clássicos são aqueles livros dos quais, em geral, se ouve dizer: "Estou relendo..." e nunca "Estou lendo...". Eu, que nunca conheci quem tivesse levado porrada e não tivesse lido Montaigne na primeira infância, confesso que só fui conhecê-lo muito recentemente, ao ler um dos ensaios sobre os canibais brasileiros.
Procurei em sebos e nunca encontrei a tradução de Sérgio Milliet (Abril Cultural, 1980) e só com a reedição brasileira traduzida por Rosemary Costhek Abílio (Os Ensaios, três volumes, Martins Fontes, São Paulo, 2000-2001) pude botar a mão nos livros. Terminei de ler na semana passada e recomeço qualquer hora dessas. Eumesmismo, quando é bom, vicia.
P.S.: Se você quer um tira gosto antes de correr para a livraria, muitos dos Ensaios estão disponíveis na Internet. Sugestão de site:
De tantos que escrevi, o livro que talvez mais me agrade seja O Ponto Cego. A história, longamente pensada - e difícil de construir -, de um menino falando, de sua perspectiva, sobre sua família complexa e esquisita - não mais do que são algumas famílias reais. Brinquei muito, nesse tempo, com a idéia de dizer "sim" ou "não" a si mesmo, aos outros, à vida, aos deuses. Dizer "sim" ao negativo, ao sombrio, ao danoso, em lugar de dizer "sim" ao bom, ao positivo, ainda que difícil. A questão é saber a hora de pronunciar uma ou outra palavra, assumir uma ou outra postura.
Aqui vão, apanhadas ao acaso no livro, algumas frases daquele estranho menino que não queria mais crescer porque ser adulto lhe parecia lamentável:
"O meu nome não importa. Para as pessoas eu sou apenas 'esse Menino aí' ou 'aquele Menino'. Quando eu for adulto, se continuar crescendo desse jeito, será que vão me chamar de 'Esse Homem'?"
"Aos sete anos decidi parar de crescer. Achei bom ter para sempre sete anos - esse número é o mais bonito: são sete os patamares, sete os pecados e sete os mares, sete a conta do mentiroso, gatos dourados têm sete vidas, bela é a lua sobre o campo quando no sétimo dia a morte começa a desdobrar as asas. Sete pode ser um número par: basta que a gente acredite nisso."
"Aos sete anos atingi o ponto cego na minha visão das coisas. O ponto cego é um fenômeno da visão humana segundo o qual, conforme convergência e refração, pode-se ver o que habitualmente permanece oculto: a possibilidade além da superfície, o concreto afirmado na miragem. Assim eu inventei, assim eu decretei, assim é."
"O ponto cego é onde a gente pode sempre dizer: 'sim' ou 'não'. O ponto mais cego é onde a gente não sabe quem disse 'não' primeiro. E a gente devia, quem sabe, naquele momento ter dito sim."
"Quando com audácia e dor alguém se busca e se encontra, e se recusa a continuar pagando o eventual injusto preço da acomodação, às vezes decide e vai viver a sua história. Então em geral se salva, no chamado da vida. Ela finalmente para si mesma diz: 'Sim'."
"Viver é todo dia se inventar: feliz, infeliz, vitorioso, derrotado, audacioso ou cheio de pena de si mesmo. Inventar o real é conquistá-lo: é o dom dos que não acreditam só no comprovado, nem se conformam com o rasteiro."
"Nossa impotência é que às vezes a gente joga fora o certo e recolhe o errado. Da acomodação brotam fantasmas que tomam a si as decisões: quando ficamos cegos não percebemos isso, e deixamos que a oportunidade escape porque tivemos medo de dizer o difícil 'sim'. O 'não' é também um ponto cego por onde a gente escorre para o escuro da resignação. O ponto mais cego é onde a gente nunca mais poderá dizer 'sim' para si mesmo. E aí tudo se apaga. Mas com o 'sim' as luzes se acendem e tudo faz sentido."
Colégios estaduais, como o Almirante Bacelar, da Capital, realizam atividades culturais, esportivas e de lazer no fim de semana para atrair a população e pedir socorro no combate à violência nas escolas (foto Fernando Gomes/ZH)
Pai, pode ser que daqui a algum tempo, haja tempo pra gente ser mais, muito mais que dois grandes amigos...pai e filho, talvez...
Pai, pode ser que daí você sinta qualquer coisa entre esses vinte ou trinta longos anos em busca de paz...
Pai, pode crer eu estou bem, eu vou indo, estou tentando, vivendo e pedindo, com loucura pra você, renascer...
Pai, eu não faço questão de ser tudo. Só não quero e não vou ficar mudo, pra falar de amor pra você...
Pai, senta aqui que o jantar tá na mesa, fala um pouco, tua voz tá tão presa, me ensina esse jogo da vida, onde a vida só paga pra ver
Pai, me perdoa essa insegurança, é que eu não sou mais aquela criança que um dia morrendo de medo nos teus braços você fez segredo Nos teus passos você foi mais eu
Pai, eu cresci e não houve outro jeito, quero só recostar no seu peito pra pedir pra você ir lá em casa e brincar de vovô com meu filho no tapete da sala de estar
Pai, você foi meu herói, meu bandido, hoje é mais, muito mais que um amigo, nem você, nem ninguém está sozinho...Você faz parte deste caminho, que hoje eu sigo em paz... Pai, pai, pai...
Amanhã é o dia de anos do meu pai. Tenho andado a pensar no que hei-de oferecer-lhe, mas ainda não cheguei a nenhuma conclusão.
Ele pediu à minha mãe para não convidar ninguém, pois logo a seguir ao jantar tem de voltar para o hospital.
Ela ficou chateadíssima e disse que já tinha tudo programado. «Então, desprograma, Bé. Não devias ter feito convites sem me consultares...», foi tudo o que ele disse. Pela primeira vez há muito tempo, senti certa pena da minha mãe.
Voltando ao assunto da prenda, a melhor ideia que me ocorreu foi oferecer-lhe uma moldura com uma fotografia que a avó Ju me tirou o ano passado na praia. É a única fotografia decente que tenho, isto é, não estou com cara de débil mental, como nas outras. Pode ser que ele goste e que se lembre um pouco de mim quando olhar para a mesa que tem no consultório...
De qualquer maneira, resolvi escrever-lhe um cartão de parabéns e, sem eu saber como nem por quê, saiu-me uma coisa que nem sei se se pode chamar poema. É assim:
Às vezes cruzamo-nos no corredor
E eu acendo a luz para te ver melhor.
Jantamos juntos na noite de Natal
Porque senão até parecia mal.
Deito-me sempre sem te ver chegar
E quando acordo já foste trabalhar.
Mudei de penteado e tu nem reparaste.
Chamei-te muitas vezes e nem para trás olhaste.
Apesar de tudo, não quero mais nenhum:
És um pai-fantasma, mas pai há só um...
Será que é duro demais? Fui sincera e pronto. Amanhã, quando a mesa estiver posta para o jantar, ponho-lhe o cartão debaixo do guardanapo. Não quero que ele tenha uma indigestão, mas se ficar um bocado mal-disposto, só lhe faz bem.
Para aprender !
Vou ao centro comercial comprar a moldura. Tem de ser verde, para condizer com o consultório.
O rosto da mulher madura entrou na moldura de meus olhos.
De repente, a surpreendo num banco olhando de soslaio, aguardando sua vez no balcão. Outras vezes ela passa por mim na rua entre os camelôs. Vezes outras a entrevejo no espelho de uma joalheria. A mulher madura, com seu rosto denso esculpido como o de uma atriz grega, tem qualquer coisa de Melina Mercouri ou de Anouke Aimé.
Há uma serenidade nos seus gestos, longe dos desperdícios da adolescência, quando se esbanjam pernas, braços e bocas ruidosamente. A adolescente não sabe ainda os limites de seu corpo e vai florescendo estabanada. É como um nadador principiante, faz muito barulho, joga muita água para os lados. Enfim, desborda.
A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe. O silêncio em torno de seus gestos tem algo do repouso da garça sobre o lago. Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência. Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente. Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.
A mulher madura é assim: tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira. Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs.
A adolescente, com o brilho de seus cabelos, com essa irradiação que vem dos dentes e dos olhos, nos extasia. Mas a mulher madura tem um som de adágio em suas formas. E até no gozo ela soa com a profundidade de um violoncelo e a sutileza de um oboé sobre a campina do leito.
A boca da mulher madura tem uma indizível sabedoria. Ela chorou na madrugada e abriu-se em opaco espanto. Ela conheceu a traição e ela mesma saiu sozinha para se deixar invadir pela dimensão de outros corpos. Por isto as suas mãos são líricas no drama e repõem no seu corpo um aprendizado da macia paina de setembro e abril.
O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história. Inscrições se fizeram em sua superfície. Seu corpo não é como na adolescência uma pura e agreste possibilidade. Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens, decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa.
Sei que falo de uma certa mulher madura localizada numa classe social, e os mais politizados têm que ter condescendência e me entender. A maturidade também vem à mulher pobre, mas vem com tal violência que o verde se perverte e sobre os casebres e corpos tudo se reveste de uma marrom tristeza.
Na verdade, talvez a mulher madura não se saiba assim inteira ante seu olho interior. Talvez a sua aura se inscreva melhor no olho exterior, que a maturidade é também algo que o outro nos confere, complementarmente. Maturidade é essa coisa dupla: um jogo de espelhos revelador.
Cada idade tem seu esplendor. É um equívoco pensá-lo apenas como um relâmpago de juventude, um brilho de raquetes e pernas sobre as praias do tempo. Cada idade tem seu brilho e é preciso que cada um descubra o fulgor do próprio corpo.
A mulher madura está pronta para algo definitivo.
Merece, por exemplo, sentar-se naquela praça de Siena à tarde acompanhando com o complacente olhar o vôo das andorinhas e as crianças a brincar. A mulher madura tem esse ar de que, enfim, está pronta para ir à Grécia. Descolou-se da superfície das coisas. Merece profundidades. Por isto, pode-se dizer que a mulher madura não ostenta jóias. As jóias brotaram de seu tronco, incorporaram-se naturalmente ao seu rosto, como se fossem prendas do tempo.
A mulher madura é um ser luminoso é repousante às quatro horas da tarde, quando as sereias se banham e saem discretamente perfumadas com seus filhos pelos parques do dia. Pena que seu marido não note, perdido que está nos escritórios e mesquinhas ações nos múltiplos mercados dos gestos. Ele não sabe, mas deveria voltar para casa tão maduro quanto Yves Montand e Paul Newman, quando nos seus filmes.
Sobretudo, o primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem o que perderam em não esperá-la madurar. Ali está uma mulher madura, mais que nunca pronta para quem a souber amar.
(15.9.85)
O texto acima foi extraído do livro "A Mulher Madura", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1986, pág. 09.
CAROLINA DIECKMANN não faz esforço para ficar bonita. Pelo contrário. A atriz atribui sua beleza às 12 horas de sono por dia. Costumo ir me deitar à meia-noite e desperto ao meio-dia.
Só acordo mais cedo quando tenho gravação de manhã, revela à revista Boa Forma deste mês, da qual é capa. Atualmente, não sobra muito tempo para a malhação, mas a ginástica olímpica, o judô, o balé e a natação que praticou dos 4 aos 14 anos ajudam a atriz, de 24 anos, a manter o corpo bem torneado.
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! O Pan comeu em Brasília! Vocês viram os caras metendo o pé nas vidraças do Congresso? Servidores ganham ouro em chute na vidraça! Então quem mais saiu ganhando com essa reforma da Previdência foi o vidraceiro! Já pode até se aposentar! E vocês viram o nome do major escalado pra conter os manifestantes? Major Bulet. Mas 'bullet', em inglês, quer dizer bala. Bulet de borracha ou bulet de chumbo? Rarará!
E o Babá com aquele apito na boca tá cada vez mais parecido com o Pedro de Lara! E a Heloísa Helena ficava ajudando as vítimas do confronto. É a nossa Ana Neri. Ela devia ir pro Pan. Modalidade porrada em tropa de choque! OURO! Rarará! É mole? É mole mas sobe!
Pan urgente! OBA! Ganhamos ouro no basquete. Salvou a pátria. Porque nós só tínhamos conquistado dois ouros: tiro e corrida. Bem Brasil: um atira e o outro sai correndo! Rarará! E sabe como tão chamando aquele uniforme dos atletas? Maiô de macho! E tem medalha até pra boliche. Então agora só falta o pega-vareta, reco-reco amarelinha e bronha!
E um leitor mandou avisar pro Lula que pro espetáculo do crescimento não tem que baixar o preço dos carros, tem que baixar as calcinhas. E aquele porta-voz do Lula, o André Singer? Diz que é tão desmaiado que já estão chamando de morta-voz. Rarará! O morta-voz do Lula!
Portugal urgente! Os básicos estão de volta. Essa é inacreditável. Olha a notícia que saiu no jornal 'Lance' sobre o estádio Alvalade em Lisboa: 'Por um erro no projeto de construção, cerca de 600 lugares que tiveram a visão obstruída por um placar eletrônico foram destinadas aos cegos que terão entrada gratuita'. Sensacional. Só na terrinha mesmo! Básico!
E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que um amigo meu foi pra Paranaguá e leu a placa: 'Vendo ovos sertanejos'. Tucanaram o ovo caipira. Tucanaram o Zezé di Camargo e Luciano!
Pior, olha o comentário de um jornal americano sobre a Monica Chupinsky: 'A estagiária que manteve relações sexuais incompletas com o presidente'. Tucanaram a chupeta de novo? Socorro. Chama o Oswaldo Cruz pra erradicar o tucanês
E atenção! Cartilha do Lula! Mais um verbete pro óbvio lulante: 'Biscoito': repeteco de trepada. Rarará. Nóis sofre mas nóis goza. O lulês é mais fácil que o inglês. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. O já famoso Estoura Brasil!
UFA!
Estão casados há uns 25 anos. Namoram desde os albores da pré-adolescência. Conheceram-se a vida inteira, ele sabe tudo, tudo sobre ela. Tudo. Tem só uma dúvida. Que manifestou meses atrás, enquanto tomávamos capuccino no bar da Redação:
- Nunca vi minha mulher bêbada.
Olhei para ele. Nunca? Nunca. Ela não bebia. Jamais havia bebido. Com exceção de um único ano de sua vida: o ano em que tinham terminado o namoro. Aquele ano, a esposa bebeu. Ela própria admitiu, depois. Mas estavam separados, ele pouco a encontrava. Mais tarde reataram, noivaram, casaram-se. Quando ele perguntava a respeito daquele ano, ela fazia um vê com as sobrancelhas:
- Não quero falar disso.
Ele não insistia. Mas, de uns tempos para cá, tem pensado no assunto. Por que ela não bebe com ele? Por que nunca mais bebeu? Como ficará bêbada? O que estará escondendo? Meu amigo está perdendo o sono e a serenidade.
- Preciso ver minha mulher bêbada - murmura, cada dia parecendo sentir mais dor. - Como posso fazer para vê-la bêbada? Isso ainda vai acabar comigo. Vai acabar com meu casamento.
O problema do meu amigo tem me atormentado também. Alguém aí me diga: como embriagar uma esposa abstêmia? Essa resposta pode salvar um casamento.
Vestido de noiva
Ela fitava o vazio com seus olhos claros, alheia ao entrechoque de assuntos dos amigos da mesa. Então, falou com voz suave porém límpida, e o que disse nos silenciou de um golpe. Nem tanto devido ao suspiro que tinha pendurado na vírgula daquela frase, mas por seu significado:
- Meu vestido de noiva era branco, agora está bege.
Todos os olhares se engancharam nela. Havia uma história ali, e ela queria contá-la. Talvez precisasse contá-la. Disse, ainda com o olhar no nada:
- Um dia, um homem com grisalho nas têmporas largou tudo por mim.
Tudo. A casa, a mulher, os filhos, o emprego, a vida inteira ele decidiu mudar por ela. Resolveram se casar. Marcaram a data. Ela mandou fazer o vestido de noiva. Branco. Alvíssimo como a virtude. Aí, ela vacilou. Ficou em dúvida, não sabia mais se queria. Ele não suportou. Sumiu. Ela se arrependeu, ansiava por dizer a ele que o amava, sim, que o queria. Mas ele havia desaparecido.
O vestido está guardado desde aquela época. Vez em quando ela o tira da gaveta, experimenta-o, olha-se no espelho, pensa que seria uma noiva tão linda. Na tarde daquele dia em que estávamos juntos ela tinha feito isso. Abriu a caixa em que dormia o vestido, desdobrou-o e o vestiu. Mirando-se no espelho, disse para si mesma a frase que repetiria no bar:
- Meu vestido de noiva era branco, agora está bege.
E soluçou baixinho, prometendo ao céu não desistir de esperar a volta do homem com grisalho nas têmporas.
david.coimbra@zerohora.com.br
O assassinato do diretor do presídio Bangu 3, no Rio de Janeiro, pode ser classificado de apavorante.
Abel Silvério de Aguiar foi crivado de balas por ocupantes de dois carros que cercaram seu automóvel na Avenida Brasil.
O curioso é que as investigações em torno do assassinato se dirigem para o raciocínio de que o diretor do presídio foi executado a mando de traficantes presos em Bangu 3 ou por policiais ou por agentes penitenciários.
É a segunda vítima da cúpula penitenciária carioca que tomba em apenas 13 dias: o chefe de segurança do complexo de Bangu, Paulo Roberto Rocha, foi também assassinado em 24 de julho último.
Esses dois crimes atestam claramente que, embora presos, os detentos cariocas mantêm uma hegemonia política sobre seus carcereiros, de tal sorte que conduzem com este poder o clima dominante nos presídios.
Se um diretor de presídio é assassinado fora do presídio, há sinal evidente de que os tentáculos do crime organizado transcendem os muros prisionais.
Ou seja, a grande desgraça que se constata é que o Brasil começa a ingressar numa área de verdadeira tragédia em matéria penal: não há eficácia em recolherem-se os delinqüentes aos presídios, eles continuam com poder de atuação criminal ilimitado fora dos limites das prisões.
Como administram as prisões cariocas os seus diretores, se têm consciência de que suas vidas e as de suas famílias dependem da instabilidade do humor dos presos que têm sob sua custódia?
Como há que se manter a ordem e a disciplina nos presídios se qualquer contrariedade dos detentos com a orientação administrativa pode determinar a morte dos chefes dos carcereiros?
Evidentemente que os agentes penitenciários intimidam-se e cedem a todas as pressões da massa carcerária.
Pode existir fato mais assustador?
A rodada do Brasileirão que terminou ontem foi trágica para o Grêmio e sublime para o Internacional.
Depois de perder quatro gols feitos na primeira etapa, o Grêmio desabou em preparo físico no segundo tempo e agarrou-se desesperadamente à lanterna do certame. Somem-se ao desastre gremista as vitórias de Goiás e Fortaleza e tirem de perto de quem for gremista qualquer frasco de veneno.
Uma desgraça.
Enquanto isso, depois que todos os vanguardeiros da tabela patinaram em empates (Cruzeiro, São Paulo e Santos), o Internacional conseguiu três pontos no Beira-Rio e agora desponta como aspirante legítimo ao título.
Nunca houve nas últimas décadas ano melhor para o Inter e mais funesto para o Grêmio.
Pior que ser funcionário público depois da reforma previdenciária, só mesmo ser gremista.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Com um arremesso de 18m48cm, a paulista Elisângela Adriano conquistou para o Brasil a medalha de prata no arremesso de peso (foto Washington Alves, divulgação COB/ZH)
Quando lhe dizem que você é uma errada estão dizendo que Deus errou quando fez você.
Nesses momentos mantenha-se calma e reflita:
Seus pensamentos:
Você está disposta a entregar sua cabeça e deixar que os outros pensem por você?
Seu coração:
Você aceita anular os seus sentimentos em favor de sentimentos alheios?
Sua alegria:
Você se dispõe a sufocá-la para assumir tristezas de quem não se importa com você?
Seus gostos:
Você quer privar-se do que gosta para atender ao que esperam de
você?
Seu trabalho:
Você entende como certo trabalhar para outros e também
para si mesmo?
Seus sonhos:
É de sua vontade abandoná-los para realizar os sonhos de outras pessoas?
Seu tempo:
Você quer colocá-lo à disposição dos outros a ponto de não sobrar tempo para você?
Sua Vida:
Você seria honesta consigo mesmo se deixasse que alguém lhe ditasse como
se deve viver?
Reflita sobre as respostas que chegarem
e ame-se.
Sempre que lhe disserem que você é uma errada, estarão dizendo que a Natureza errou quando fez você.
Ligue-se ao Universo, que apoia e orienta todos os atos e todos os passos seus.
Avance com segurança e, se alguém lhe disser que você tem erros, mande-o reclamar
com Deus.
Alegria nas bancasRevista da FM O DIA chega amanhã às bancas, mostrando os bastidores da rádio, entrevistas com os artistas que fazem a programação e muita promoção para os leitores
Tatiana Contreiras
Kelly Key está na capa da primeira edição. Ela fala de trabalho e vida pessoal em três páginas de entrevista. A cantora fez fotos exclusivas para a Revista da FM O DIA
A partir de amanhã, a FM O DIA vai ultrapassar os limites do dial. O número um da Revista da FM O DIA chega às bancas, mostrando para os ouvintes tudo o que rola no mundo da música e nos bastidores da rádio que é líder de audiência, com mais de 2 milhões de ouvintes por mês e média de 262 mil por minuto. Para o leitor, coisa boa é o que não falta: de promoções exclusivas às reportagens, passando pelas colunas, a revista mensal e com preço de R$ 1,50 promete trazer muita novidade.
Nesta primeira edição, a musa Kelly Key vem na capa. No recheio, tem espaço para o mundo dos micareteiros, uma noite dos ouvintes no ensaio do show de Lulu Santos e até o que rolou na visita de Alexandre Pires e da revelação Luka aos estúdios da FM O DIA. Para o público, é uma interação maior com o universo da rádio, avalia o superintendente de Marketing do Grupo O DIA de Comunicação, Mário Reis. O ouvinte vai poder conhecer os locutores e saber mais de perto o que está acontecendo com os artistas. É uma extensão do que se ouve na rádio, completa Mário.
A vagaba tem uma página em que dá dicas sobre sexo, sua especialidade. O locutor Ricardo Gama ganhou desenho que ilustra sua coluna
A primeira edição da revista sai com 60 mil exemplares e circula no Rio e no Grande Rio. No time da Revista da FM O DIA, jogam os colunistas David Brazil, DJ Marlboro, Mauro Leão e a Vagaba, que responde a dúvidas sobre sexo. Locutores e DJs também participam, como na seção Na Garupa do Ricardo Gama, em que o apresentador dos programas Big Mix e As Melhores da FM O DIA entrevista um astro da música.
Cupons de desconto em lojas, bares e casas noturnas, além de promoções como o sorteio de uma scooter, darão ao leitor a certeza de que o custo com a revista será recompensado.
A revista é um sonho antigo, conta Renan Miranda, gerente artístico da FM O DIA. Para o ouvinte, é muito importante, porque ele vai entender melhor a rádio que hoje ele só imagina como é, completa. Segundo Renan, os artistas que estouram nas paradas e agora nas páginas da revista curtiram a novidade. Eles foram super-receptivos. A FM O DIA tem uma empatia muito grande no meio artístico e no mercado fonográfico, porque é uma rádio que acredita nos novos artistas, aposta nos talentos.
Kiko, do KLB, assina embaixo. Rádio é uma coisa que você só escuta, não tem cara. Agora os ouvintes poderão conhecer melhor a história da rádio, os locutores e todas as outras coisas que rolam nos bastidores, diz o moço. Acho superbacana a idéia de a FM O DIA lançar uma revista, porque a rádio dá muita moral para os artistas, principalmente para nós, do samba, diz Luciano Becker, do grupo Swing & Simpatia.
Agora, poderemos contar nossa história e ouvintes conhecerão melhor os artistas, pelas fotos e entrevistas, diz Bruno, do Sorriso Maroto, que também está neste primeiro número.
A festa de lançamento acontece dia 19, na Via Show, em São João de Meriti, com shows do Rouge, Gustavo Lins, Molejo, Luka, Buchecha e Salgadinho.
Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Mulheres Desgraçadas Urgente! E a Globo, que não consegue gravar a cena da bala perdida? Eu acho que a bala se perdeu. A bala perdida se perdeu. Não conseguiu achar o Leblon! Não é bala perdida, é bala tonta: não consegue achar a vítima! E já imaginou se eles estão gravando a cena da bala perdida e começa a chover bala perdida de verdade? A vida imita a arte!
E essa novela devia chamar Mulheres Desgraçadas: uma só bebe, outra só apanha, outra tem câncer e a outra é baleada. E a outra tem que transar com o Tony Ramos! Com aquele seu vison natural! E a outra ainda tem que agüentar as caras de canastrão do Zé Mayer. É muita desgraça! E eu já disse que o importante não é ser mulher, o importante é ter bunda!
E com essa redução do IPI pra indústria automobilística já dá pra gente comprar dois carros: um carrinho de pipoca e um carrinho de cachorro-quente. E aí diz que a loira entrou numa loja de informática e pediu uma cortina pink pra tela do computador. E o vendedor: 'Mas computador não usa cortina'. 'Mas é que eu tenho Windows.' E mais uma piada pronta: o senador americano pelo Havaí se chama Robert Bunda. Bob Bunda. Espero que ele nunca venha passar férias no Brasil!
Pan Urgente! Ganhamos ouro em atletismo! Normal, brasileiro é especialista em atletismo. Tem que ser o maior atleta pra sobreviver! E temos seis pratas e oito bronzes. Já dá pra fazer um faqueiro e abrir uma fábrica de sino! E é melhor levar bronze do que levar ferro!
E o Peru derrubou as brasileiras. Coitadas das meninas do vôlei. Coitadas nada, que sorte, foram derrubadas pelo Peru! Peru derruba pererecas! E ouro em iatismo eu não quero. É muito de elite. Muito Marina da Glória. Depois dessa, só falta ganhar ouro em cricket, gamão e bridge! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E a penúltima derradeira final do Bestiário Tucanês. É que um bispo anglicano está sendo acusado por um homem 'por ter tocado de forma inadequada'. Tucanaram a mão boba! E no condomínio de um amigo meu estão cobrando 'taxa pra pagar removedor de resíduos sólidos caninos'. Tucanaram o cocô de cachorro!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. 'Coveiro': companheiro que planta couve. 'Sopapo': levar um papinho com a Heloísa Helena. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! No pingolim! Pra ver se bate no teto!
Sobram motivos para se definir como histórica a sessão da Câmara encerrada na madrugada de ontem com a aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno. Em primeiríssimo lugar porque um governo do PT conseguiu, em sete meses, aprovar uma reforma antipática para os funcionários públicos, seus aliados em todas as últimas eleições. Em vez de virar refém das corporações, como profetizava a oposição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu enfrentá-las para fazer uma reforma que considera importante para o futuro da previdência social e do país.
Não é a reforma dos sonhos de ninguém, até porque para ser aprovada foi preciso construir uma proposta minimamente palatável. Mas é um começo, e há pontos meritórios, que só não vê quem não quer ou quem tem alguma coisa a perder. O teto salarial, por exemplo. Pode ser alto em comparação com o que ganha a maioria dos brasileiros, mas pelo menos é um limite.
O governo só aprovou a reforma porque metade das bancadas do PSDB e do PFL, coerente com o seu passado, votou com o governo. Não foi favor, como sugerem declarações ouvidas ontem. Para um partido como o PSDB, que tem perspectiva de retomar o poder em 2006 e sabe que cedo ou tarde a reforma da Previdência terá de ser aprovada, é um excelente negócio ver o PT comprar essa briga. Os nomes dos que votaram a favor da reforma se perderão na poeira, apesar dos tradicionais cartazes com as fotos dos chamados "traidores", mas a História registrará que a reforma da Previdência foi aprovada no governo Lula. Essa contradição será explorada à exaustão na próxima campanha eleitoral.
Foi uma sessão histórica porque pôs a nu a coerência de deputados do governo e da oposição. Petistas e comunistas que no governo Fernando Henrique encabeçavam passeatas contra a reforma da Previdência agora defenderam a proposta com unhas e dentes, votaram a favor e pregam a punição dos infiéis. Parlamentares da base aliada do governo tucano, que aceitavam até a contribuição dos inativos de salário mínimo, agora votaram contra para fazer média com os servidores públicos.
Pior do que pisotear antigas convicções - por reconhecimento tardio de um erro ou por interesse eleitoral - foram as omissões. A abstenção é um tipo de covardia, principalmente quando está em jogo um tema da importância da reforma da Previdência. Quem não votou por medo da reação dos eleitores ou da punição do partido traiu a confiança de quem lhes deu o mandato.
Covarde também foi o ato dos manifestantes que quebraram vidros do Congresso na tentativa de invadir o prédio, num gesto que o presidente Lula classificou como "vandalismo gratuito e irresponsável". Trata-se de um atentado contra a democracia, que precisa ser repudiado com vigor. Quem acha que agredindo o Parlamento vai garantir a simpatia da opinião pública ou convencer os parlamentares a mudarem o voto no segundo turno erra em dose dupla. E prejudica os colegas que, de forma pacífica, tentam fazer valer seus pontos de vista.
O pouco que se sabe sobre a baronesa Pannonica de Koenigswarter só aumenta a estranheza por não se saber mais. Quem gosta de jazz a conhece apenas como uma nota de pé de página nas biografias do saxofonista Charlie Parker, que morreu no seu apartamento de Nova York, e do pianista e compositor Thelonious Monk, possível amante, que morreu na sua mansão em New Jersey. Sempre achei curioso que essa personalidade, certamente fascinante, com credenciais literárias até de anjo da morte, não tivesse merecido mais do que referências oblíquas na história dos outros.
Ou estou mal informado, o que é provável, ou ao contrário de mulheres como Alma Mahler e Lou Salomé, que também ficaram célebres mais pela sua participação na vida de homens importantes do que pelo que eram, ninguém ainda se interessou em contar a história da baronesa. Andei googleando o seu nome e descobri o bastante para ficar ainda mais intrigado com este mistério. La Pannonica daria um livro e tanto.
Kathleen Annie Pannonica de Koenigswarter, ou Nica, nasceu em 1916 e era descendente de Nathan Mayer Rothschild, o fundador do ramo inglês da dinastia financeira que subvencionou boa parte da História da Europa desde o século 18. Criou-se em Paris, foi uma das primeiras mulheres a pilotar um avião e casou-se com um aviador francês, Jules de Koenigswarter, supostamente um espião de Churchill na França ocupada pelos nazistas, quando fez parte da resistência - como a baronesa, que seria a encarregada de levar mensagens para De Gaulle no seu exílio inglês.
Depois da guerra, Jules tornou-se diplomata e o casal foi para o México, mas a baronesa escapuliu para Nova York, onde o novo estilo de jazz chamado "be-bop" chegava ao auge. Ela tornou-se amiga e patrona de vários jazzistas, uma espécie de Peggy Guggenheim do jazz com a diferença de que nunca lucrou com seus protegidos como Peggy lucrou com seus pintores. Existem várias músicas, como a Nica's Dream, do Horace Silver, dedicadas a ela.
Charlie Parker morreu assistindo televisão no seu apartamento na Quinta Avenida, em 1955. Monk e sua mulher Nellie moraram com ela até a morte dele, em 82. Se formavam um ménage a três ninguém sabia, muito menos, aposto, o distraído Monk, que lhe dedicou a bela Pannonica e outras composições, mas morreu nos braços da Nellie.
Além dos que se referem à sua ligação com o jazz, o nome da baronesa só aparece em um saite da Internet: sobre colecionadores de carros de luxo. Ela era dona, entre outros, de um raro Bentley Continental 57, que ficou conhecido como o "Be-Bop Bentley", pois era nele que Nica transportava seus amigos músicos na noite de Nova York. Ela morreu em 1990, com 74 anos. Um livro, nada. Sua vida daria uma história cultural do século 20. Ou de um certo século 20.
Tenho relatado seguidamente neste espaço os encantos deste ofício de contar histórias da vida real. Graças à magia das palavras, quem trabalha com informações tem o poder de tocar na alma de outras pessoas. Mas, de vez em quando, também tem a sua exposta. Antes de processarmos as boas e as más notícias, somos atingidos por elas. Por isso, acabamos desenvolvendo couraças que nos permitem suportar os impactos das tragédias e das dores humanas. Às vezes, porém, somos pegos desprevenidos e caímos na armadilha do envolvimento.
Foi o que me aconteceu esta semana com a menina de Eldorado do Sul. Não a conheço, não sei o seu nome, nem imagino qual é a cor dos seus olhos ou o comprimento dos seus cabelos. Só sei que tem 12 anos e quatro irmãos menores. Mas não pude mais tirá-la do pensamento desde que tomei conhecimento de sua incrível história. Sem pai presente e abandonada pela mãe na última sexta-feira, ela passou dois dias cuidando sozinha dos irmãos menores, num casebre miserável e quase sem ter o que comer. Somente na noite de domingo, já desesperada com a situação e sem saber como consolar os pequenos, um deles doente, é que procurou socorro.
As crianças foram socorridas, mas o drama não terminou aí. No dia seguinte, um incêndio destruiu o abrigo para o qual haviam sido levadas. Tiveram que ser transferidas para uma creche. E aí a mãe apareceu, querendo os filhos de volta - apesar de ter em seu histórico outros episódios de negligência para com os filhos. Não vou julgá-la. Sei lá que descaminhos do destino levaram aquela mulher a tal degradação. Mas também não dá para aceitar que seus filhos sejam sentenciados a igual castigo.
Como fazer? Confortado por não ser juiz de tão complexa causa, recorro à lição do profeta: "Vossos filhos não são vossos filhos, são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem".
Sei, são apenas palavras. Mas, como as palavras têm poderes mágicos, quem sabe essas não se transformem em luzes que ajudem a iluminar os caminhos da menina de Eldorado do Sul e dos seus sofridos irmãos.
nilson.souza@zerohora.com.br
Ainda tem de baixar a poeira sobre a reforma da Previdência, aprovada em primeiro turno pela Câmara, para que se possa saber da sua exata extensão e profundidade.
Os adeptos da previdência única estão eufóricos desde ontem, enquanto os servidores públicos se mostravam inteiramente desolados com as modificações.
É claro que os servidores futuros, os que ainda não ingressaram no serviço público, serão os mais atingidos.
Mas terão conhecimento das regras antes do ingresso, o que é pelo menos justo.
A grande dúvida é sobre até que ponto tiveram reduzidos seus direitos os atuais servidores: o governo e seus aliados dizem que em nada, mas há indícios de que em muito.
Tem de baixar a poeira para melhor avaliar.
Mas vem mais por aí: em seguida será votada a reforma tributária. O alerta vem de deputados federais do PSDB e do PFL, muitos deles tendo votado a favor do governo na reforma previdenciária. Eles afirmam que a reforma tributária vai onerar os contribuintes em cerca de R$ 41 bilhões por ano em todo o país. São R$ 41 bilhões a mais do que atualmente já é cobrado.
Uma insânia.
Mas será possível que, com todas as declarações partidas do governo federal e dos governadores de que não haverá aumento da carga tributária, isso não é verdade?
Mas é claro que é possível. Só um ingênuo não percebe que o título "reforma tributária" é apenas uma máscara para aumentar impostos.
Se o governo federal não cede em seu bocado, não querendo dividi-lo com os Estados e municípios, era evidente que vinha aí uma derrama.
Mais impostos ainda, em cima da carga tributária já hoje insuportável.
E logo em seguida a reforma trabalhista, pela qual serão reduzidos os direitos dos trabalhadores das empresas privadas.
Quem viver acreditará que os tempos são da mais patética desconstrução.
Olha eu aí, que não consigo viajar a lugar nenhum por ter de preencher diariamente meus espaços jornalísticos, estarei hoje em Osório, participando de uma sessão de autógrafos do meu livro O melhor de mim, a partir das 16h30min desta quinta-feira, no Espaço Cultural Conceição, como parte das atividades da 19ª Feira do Livro e do Fórum de Educação, que ocorrem simultaneamente em Osório, no Litoral Norte.
O escritor e jornalista Carlos Urbim também fará sessão de autógrafos no mesmo local, com o livro Os Farrapos, outro título igualmente editado pela RBS Publicações.
O sucesso que meu livro está fazendo me entusiasma. E não pude resistir à tentação de bater um papo com os osorienses e pessoas de todo o Litoral.
Posted
7:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
São gestos como estes que não levam a nada, ou alias, levam a mostrar uma outra face deste Brasil que, apesar dos políticos, nós amamos. E depois o gasto com as reformas e consertos sai do seu bolso, do bolso deles e do meu também.
http://basilico.uol.com.br/pais Ao velho com carinho Sites trazem promoções e dicas de presentes para você acertar em cheio no Dia dos Pais
Preparando-se para o Dia dos Pais, diversos sites incrementam seus serviços buscando um filão para a data. Desde dicas para presentes, passando pelos sites de cartões virtuais e até um grande número de sites de culinária dedicaram-se à ocasião, atrás de mais acessos.
Para quem ainda não tem idéia do que dar de presente para o pai, o site Central de Desejos (http://www.centraldedesejos.com.br) traz dicas para diferentes personalidades com as seções pai esportista, executivo, hi-tech, gourmet, intelectual, vaidoso e super pai. Para que ninguém erre na hora de escolher, nossas vitrines virtuais terão produtos para todos os estilos de pais, desde os modernos até os mais tradicionais, explica Daniela Aquino, diretora comercial do site. Os prese