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Sábado, Agosto 23, 2003
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7:47 PM
by Cassiano Leonel Drum
Sabe, eu espero que a montanha-russa do parque-de-diversões-da-vida não invente de travar comigo assim, de cabeça para baixo...
E depois tem uma coisa aqui dentro fazendo um barulho estranho... tum-tum, tum-tum Bah! Devia era dizer "fora da área de cobertura e temporariamente desligado"! Tudo ficaria mais fácil...
Ah... quero mais brincar de gente grande, não!! Estou ficando cansado disso... alguém tem uma carrinho de controle remoto para me emprestar? Uma mamadeira? Alguém para me levar para o playcenter, vaaaaiiii?
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7:42 PM
by Cassiano Leonel Drum
Outro dia fui
fui numa cartomante
ela me disse que o amor
já estava na minha porta.
Encontrei uma cigana
Outro dia e ela me confidenciou
que o destino
ia bater na minha porta.
Depois, uma vidente
pressentiu o sucesso
chegando logo ali,
na minha porta.
Mandei fazer logo
uma placa em neon:
"A porta é aqui!"
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7:26 PM
by Cassiano Leonel Drum
"Não sei se a vida é pouco ou demais para mim. Não sei se sinto demais ou de menos, não sei se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência, consangüinidade com o mistério das coisas, choque aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos, ou se há outra significação para isso mais cômoda e feliz.
Seja o que for, era melhor não ter nascido, porque, de tão interessante que é a todos os momentos, a Vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger, a dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas, e ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos, entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs, e tudo isso devia ser qualquer coisa de mais parecida com o que penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida." - (Obra Poética, p. 342)
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7:20 PM
by Cassiano Leonel Drum
Quem serão os felizardos que hoje às 21: h receberão os prêmios de melhores do Festival que finda com a premiação? Tomara, efetivamente sejam os melhores.
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9:16 AM
by Cassiano Leonel Drum
Preta sexy
Preta Gil lança CD, assume sua beleza fora dos padrões e protesta contra ditadura das magras
Zean Bravo
Vestido Animale (R$ 189) e sandálias Constança Basto (R$ 240)
Ainda menina, Preta Gil imitava suas cantoras preferidas Gretchen e Madonna faziam parte da lista e ouvia dos irmãos que era muito, mas muito metida. Aos 29 anos, 10 de análise, um herdeiro de 8, Francisco, a filha do ministro da Cultura, Gilberto Gil, busca seu caminho como cantora e atriz. Tomou a corajosa decisão de largar a bem-sucedida carreira de produtora, entrou para movimentar a novela das seis, Agora É que São Elas, e acaba de lançar seu CD de estréia, Prêt-à Porter, mostrando levar jeito para a coisa. Confundia meu dom com exibicionismo e demorei a aceitar. Quer saber? Sou metida, sim! Exibicionista, sim!, reconhece, às gargalhadas.
É metida e exibicionista. Mas é também engraçada, desbocada e sexy. Esse último adjetivo, ela comprova nas fotos que fez a convite do Caderno D. Abro revistas e só vejo louras, brancas, magras, de olhos claros. Que padrão de beleza é esse que as pessoas não podem pesar mais de 70 kg?, fuzila Preta.
Do alto dos seus 1,60 m e 70 kg, ela posou nua para a capa e encarte do CD. Estava com quatro quilos a mais nas fotos, perdidos com a correria atual. Quero mostrar que estou livre dos fantasmas e aceito meus defeitos. Descobri sozinha minha sensualidade e sexualidade. Tanta gente recebe para sair na Playboy. Fiz de graça, provoca a cantora, que surgirá sensual na capa da Trip de setembro. Não sou hipócrita de achar que as fotos não iam repercutir. Mas fui ingênua ao pensar que teria compreensão imediata. Claro que ia aparecer uns dois imbecis para dizer que fiz marketing, reclama.
Mais que se libertar, Preta quer inspirar. Quero que meu porteiro veja minhas fotos nua e olhe para a mulher dele, que é uma baranga como eu, e a ache bonita, diz ela, que se define uma leonina vaidosa. Minha vaidade é provocar mudança de comportamento. Não é questão de aparecer. Que vaidade teria eu em mostrar banha e celulite?, questiona.
Para conquistar sua invejável auto-estima Não sou superpoderosa, corro atrás do que quero. Sempre conquistei as pessoas que quis usando meus truques de sedução, Preta cortou um dobrado. Sou preta e gorda. Na escola, ninguém andava comigo, diziam que meu pai era maconheiro e gay, lembra.
Antes de reconhecer a própria beleza, ela passou fome com regimes, fez lipo e botou silicone. Rodei, rodei, e minha alma continuava vazia. Lipo não adianta nada para uma pessoa que come 10 Big Macs por mês. Se bem que gostei de me ver no espelho quando pus silicone. Ansiosa na vida pessoal e determinada na profissional, Preta está segura com o rumo que a vida tomou. Minha voz é doce e meiga, sem muito virtuosismo. Usei o disco para me conhecer e iniciar minha caminhada na música, conta.
Preta diz que sua identidade musical nasceu da necessidade de se libertar das comparações. Não quero ser meu pai. Fui até pedir música para ele e ele mandou procurar minha turma. Alguém duvida que ela achou?
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9:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
A forja do futuro
"Há um projeto para instituir o Dia dos Catadores de Lixo. Políticos de outras nacionalidades se envergonhariam de viver num país em que os miseráveis sobrevivem catando lixo. No Brasil, ao contrário, pretendem valorizar a atividade"
Lula, Palocci, Dirceu? Esses aí não contam. Quem conta são aqueles abnegados deputados e senadores que, sem reconhecimento algum, trabalham para forjar nosso glorioso futuro. É o caso de Maurício Rabelo. Ele quer transformar a leitura da Bíblia em disciplina obrigatória para todas as séries do ensino fundamental. Argumenta que a Bíblia é "o alicerce de todas as ciências". De fato, a Bíblia afirma que a Terra é chata e ocupa o centro do universo. Os cientistas do passado que ousaram demonstrar o contrário foram justamente assados na fogueira.
Os parlamentares se preocupam com a educação de nossos filhos. Vivem acrescentando novas disciplinas ao currículo escolar. Além do ensino obrigatório da Bíblia, querem o ensino obrigatório de espanhol, latim, cultura indígena, cultura afro-brasileira, música popular e água potável. Ronaldo Vasconcellos propõe que todo material didático da rede pública veicule informações turísticas. Paulo José Gouveia acha que o material didático também deve conter mensagens sobre doenças venéreas. Aloízio Mercadante considera que a melhor maneira de despertar o sentimento cívico nos alunos é forçá-los, antes das aulas, a hastear a bandeira e a cantar o Hino Nacional.
Maurício Rabelo apresentou um projeto para instituir o Dia dos Catadores de Lixo. Políticos de outras nacionalidades se envergonhariam de viver num país em que os miseráveis sobrevivem catando lixo. Nosso deputado, ao contrário, pretende valorizar a atividade. De março para cá, deputados e senadores propuseram instituir, entre outros, o Dia do Peão de Rodeio, o Dia do Escrivão de Polícia, o Dia do Samba, o Dia do Frevo, o Dia do Motociclista, o Dia da Araucária, o Dia do Conselheiro Tutelar, o Dia do Soldado da Borracha, o Dia dos Ostomizados. O autor do último projeto, Flavio Arns, informa que ostomizados são aqueles que necessitam de bolsas para a eliminação de dejetos do organismo.
João Matos solicita que o município de Capinzal seja designado, de agora em diante, como "a capital brasileira do Chester". Serys Slhessarenko requer um espaço público para pendurar retratos de senadoras, a fim de que se saiba "da contribuição que as mulheres vêm dando ao aperfeiçoamento da democracia". Hélio Costa recomenda a formação do canal de TV Brasil Internacional, nos moldes da BBC, para "difundir a imagem do país no exterior". A BBC não difunde a imagem do Reino Unido. Ela derruba o governo do Reino Unido.
Só nesta legislatura, deputados e senadores já sugeriram a criação de mais de vinte universidades federais em seus currais eleitorais. Tem universidade federal para todos os lados: em Ibipiaba e em Cariri, no agreste e no sertão pernambucano, no norte, no oeste e no sudoeste do Paraná, em Feira de Santana e no Grande ABCDMRR. A política de distribuição de universidades federais por todo o Brasil é mais rentável que a de concessão de rádios e televisões. E tem a vantagem de que ninguém reclama.
Os jornais importunaram o presidente da Câmara, João Paulo Cunha, porque ele usou dinheiro público para contratar assessores que permanecem o ano todo em Osasco. Alguns desses assessores chegam a ganhar 7.000 reais. Há certa injustiça na acusação. Eu, para passar o ano todo em Osasco, cobraria muito mais.
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9:07 AM
by Cassiano Leonel Drum
22 de agosto de 2003
Caro leitor,
aqui estão os destaques de VEJA desta semana.
Boa leitura e bom fim de semana.
Kátia Perin - VEJA on-line (veja@abril.com.br)
Especial
Terrorismo
Não existe um objetivo lógico em se procurar justificativas para os atos do terror. Cada atentado deve ser julgado pelo seu significado concreto, que são os corpos dilacerados e seus efeitos perversos sobre a sociedade atingida. E não pelas motivações ideológicas, históricas ou religiosas que estão equivocadas pelo simples fato de se acreditarem mais valiosas que as vidas humanas.
Um herói brasileiro
O brasileiro Sérgio Vieira de Mello, chefe da representação da ONU no Iraque, vinha desempenhando, com peculiar competência, o papel que se espera das Nações Unidas de promover o entendimento entre partes incompatíveis. Ele foi morto no atentado terrorista de Bagdá, na semana passada.
Brasil
Pela primeira vez em quatro anos a taxa Selic cai 2,5%, mas o chamado "juro real", em torno de 15%, continua estrangulando o crescimento.
Entrevista
A escritora americana Susan Sontag fala sobre a maneira como vemos a guerra e o sofrimento alheio em fotos e na televisão.
Internacional
A tragédia da atriz francesa Marie Trintignant, morta a socos pelo namorado, líder de uma banda de rock. De acordo com dados oficiais da França, uma em cada dez mulheres já foi vítima de violência doméstica. Seis morrem por mês nas mãos de parceiros.
Educação
O Brasil enfrenta o desafio de repetir a incrível experiência da Coréia, que reconstruiu um país com base na educação.
Lazer
Hotéis de luxo abrem seus suntuosos spas para não-hóspedes endinheirados. São ambientes envidraçados com música suave, ofurôs, massagistas e muitos, muitos cremes importados.
TurismoEncravada entre as montanhas dos alpes do sul da Nova Zelândia, a cidade de Queenstown atrai turistas de todo o mundo interessados em esportes pra lá de radical. As aventuras vão desde saltar de uma altura equivalente a 38 andares até voar em uma espécie de avião individual numa aceleração três vezes a da gravidade.
Astronomia
A distância entre Terra e Marte será, nesta quarta-feira, a menor entre os dois planetas nos últimos 60.000 anos. Mas não espere ver detalhes do planeta vermelho a olho nu, porque isso será quase impossível.
¿ No site: outras informações sobre Marte.
Esporte
Só uma das medalhas ganhas pelo Brasil nos Jogos Pan-Americanos tem nível olímpico. A maioria dos medalhistas brasileiros de Santo Domingo não chegaria nem perto das finais de Atenas, com os tempos e marcas obtidos.
Automóveis
A Mercedes-Benz se junta à McLaren para fazer um dos carros mais rápidos e caros do mundo. O SLR McLaren atinge 334 quilômetros por hora e custa 350.000 dólares.
¿ No site: outras fotos do carro.
Livros
O escritor colombiano Gabriel García Márquez expõe as raízes de sua obra na autobiografia Viver para Contar, que chega nesta sexta-feira às livrarias. O maior atrativo das memórias é proporcionar uma espécie de arqueologia da obra de Márquez.
¿ No site: leia com exclusividade o primeiro capítulo do livro.
Cinema
O filme Secretária fala de sadomasoquismo, mas não deixa de ser uma bela história de amor. O diretor Steven Shainberg faz com que os personagens percorram todos os passos de uma descoberta clássica - a de que são almas gêmeas.
Televisão
A novela Mulheres Apaixonadas inclui um conto de fadas com a garotinha Salete como protagonista. Ela é pobre, desconhece o pai e sofre com a morte da mãe. Tudo indica, porém, que terá um final feliz, para sempre.
Veja São Paulo
Paraíso da pirataria
O comércio de produtos falsificados já movimenta 30 bilhões de reais por ano na cidade.
Veja Rio
Heróis da cidade
O médico, o comerciante, o empresário, a estudante e outros medalhistas que brilharam no Pan.
* O conteúdo integral das revistas estará disponível na internet a partir de sábado pela manhã
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8:59 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
23/08/2003
O lado negro
O lado negro - que nada tem a ver com um poético Lago Negro - jaz quieto em algum canto de todos nós. Aqui e ali rebrilha, se agita um pouco. Uma poeirinha, uma folha leve, um vento-quase-nada mexem com ele.
Mas nas águas mais profundas aquilo ferve e espreita: o mal. A destruição, do outro ou de si mesmo. A força negativa, o animal predador. O ódio.
Sempre me impressionou isso, essa capacidade do mal. Esticar as minhocas e rebentá-las em duas para enfiar no meu anzol de alfinete, quando tinha seis anos e pescava com meu pai no minúsculo lago nos fundos da casa, me dava essa estranha sensação: Então agora é permitida essa maldade?
Depois cortar a cabeça do peixe, o olho dele me fitando tão humano. A gente às vezes tinha licença de ser cruel?
Hoje não pesco nem com anzol de alfinete, mas a violência é muito mais dramática ao meu redor. No mundo, na cidade, no interior. Em cada rua minha. O impulso destrutivo realmente está crescendo por aí, favorecido por leis confusas, modelos escusos e permissividade que vem do berço e acaba no trono, ou a imprensa (sempre esse bode expiatório) despeja tudo aumentado em meu colo? Na minha alma?
Penso que aumenta mesmo, porque estamos cada dia mais aflitos, mais despreparados, mais despojados, mais cruéis. Mais frios também. E lidando com a lei de talião, dente por dente. Ainda que sejam uns dentes bem desproporcionais:
Não consegui emprego que me pague o que preciso e fico furioso embora sabendo que sou despreparado para um cargo desses? Bom, já que estou furioso, vou matar uma velhinha.
Não consegui a droga e preciso urgente dessa grana? Vou assaltar uma adolescente. E se me der na telha, dou um tiro na barriga dela também.
Meu pai se droga, minha mãe se prostitui, meu chefe tem carrão e eu mal tenho pro ônibus? Vou currar aquele casalzinho.
O cara aí tem terra que não acaba mais. Eu, nem um telhado sobre a cabeça, nem uma hortinha, nem ajuda nem nada. Então vou lá, junto um bando, entro na propriedade dele, dou uns bofetes nele e na sua velha, umas pauladas nos seus peões, carneio seu gado, toco fogo na sua casa. Dente por dente.
E os terroristas que andam se explodindo e arrasando vidas a granel devem pensar mais ou menos na mesma linha:
Meu país está ferrado mesmo, aí vêm os caras de uma organização qualquer e se instalam por aqui dizendo que vão nos ajudar? Nada disso, eles querem é o petróleo, a riqueza, nos esmagar, tudo. Então, vamos explodir um ônibus cheio de criancinhas. Ou aquele edifício, bem ali onde fica o escritório do imperialista que veio nos explorar. Dente por dente.
Quem sabe, logo uma dentadura inteira.
lya.luft@zerohora.com.br
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8:57 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
23/08/2003
A flauta do imortal
A notícia de que morreram mais de 10 mil franceses por conta da onda de calor que varreu a Europa nos últimos 30 dias é quase inacreditável.
Dá a impressão de que a Europa está preparada para o frio, mas mostra-se frágil a qualquer intensa surpresa climática.
Eu falo em surpresa climática porque elas têm sido freqüentes no mundo nos últimos anos: vejam que em pleno agosto a Grande Porto Alegre teve anteontem temperatura de verão: 34,7ºC.
Mas como pode a França ter 10 mil mortos pela simples incidência do calor? A França é um dos países mais desenvolvidos do mundo. Mas será que não controla a simples tecnologia do ar condicionado?
É singelamente incrível que França e Portugal - neste último país ocorreram 1.316 mortes pela canícula - não tenham organização sanitária que impeça que tantas vidas sejam assim sacrificadas por um simples fenômeno meteorológico, em tudo previsível no entanto no verão.
Dois grandes países europeus dando chance a uma calamidade de Terceiro Mundo.
Em palestra que pronunciou aos companheiros de Redação de Zero Hora esta semana, o escritor Moacyr Scliar, que tanto honra esta sua platéia por ser jornalista aqui da nossa casa elevado à condição de imortal da ABL, respondendo a uma pergunta da colega Rosane de Oliveira de como conseguia ser tão produtivo, acabou por dizer algo que vai me servir de conselho daqui por diante:
- O que se tem de fazer se faz. Sento no computador e escrevo. Se tu ficares remoendo sobre o que vais escrever, acabas não fazendo nada.
A mim me parece muito útil essa observação do Scliar. É que eu fico horas à espera de uma inspiração para a coluna que vou fazer e acaba decorrendo um longo período e nada da inspiração.
Termina eu perdendo as horas de espera e sentando no computador sem inspiração nenhuma. Melhor então escrever sem inspiração horas antes, caramba!
Mas eu também tenho um conselho para o Scliar: daqui por diante, tome o cuidado de não comparecer a velórios ou enterros.
Na qualidade de imortal, qualquer presença sua em exéquias pode soar como flauta.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:55 AM
by Cassiano Leonel Drum
Gente
Honras brasileiras para Sérgio Vieira de Mello
A tripulação do 707 da FAB pousado em Bagdá presta continência enquanto o caixão com o corpo do diplomata, coberto pela bandeira da ONU, é embarcado (foto Zohra Bensemra, Reuters/ZH)
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Sexta-feira, Agosto 22, 2003
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7:29 PM
by Cassiano Leonel Drum
Leia trechos de O Desaparecido ou Amerika, de Franz Kafka
Durante o dia fizeram apenas uma parada numa hospedaria e na frente dela, ao ar livre, comeram numa mesa que a Karl pareceu de ferro uma carne quase crua que não era possível cortar com garfo e faca, só ir arrancando aos pedaços.
Os pães tinham um formato cilíndrico e em cada um deles estava espetada uma faca comprida. Para acompanhar a refeição foi servido um líquido negro que queimava a garganta, mas Delamarche e Robinson gostavam dele: elevavam muitas vezes seus copos à saúde de diferentes projetos, fazendo tintim e mantendo-os erguidos no alto encostados um no outro por alguns instantes. Na mesa ao lado estavam sentados operários vestidos com camisas respingadas de cal, e todos bebiam do mesmo líquido.
Os automóveis, que passavam em grande número, deixavam nuvens de pó sobre as mesas. Grandes páginas de jornal circulavam, falava-se da greve dos operários da construção e o nome Mack foi mencionado várias vezes. Karl informou-se a respeito dele e descobriu que esse era o pai do Mack seu conhecido, e era o maior empresário da construção civil de Nova-York. A greve custava-lhe milhões e ameaçava talvez a situação de seus negócios. Karl não acreditou em nenhuma palavra daquela conversa de gente malévola e mal informada.
Além de tudo Karl teve a refeição arruinada pelo fato de ser sumamente duvidoso como iriam pagar por ela. O natural teria sido que cada um pagasse a sua parte, mas Delamarche e também Robinson tinham feito casualmente a observação de que seu último dinheiro fora consumido para pagar a última noite. Nenhum deles exibia relógio, anel ou qualquer bem vendável. E Karl nem podia repreendê-los por terem obtido algum ganho com a venda de suas roupas - isso teria sido uma ofensa e os teria separado para sempre.
Mas o que era surpreendente é que nem Delamarche, nem Robinson manifestassem quaisquer preocupações com o pagamento; pelo contrário, estavam suficientemente bem-humorados para tentar muitas vezes puxar conversa com a garçonete que andava orgulhosamente com passo pesado de um lado para outro por entre as mesas. Sobre sua testa e faces caíam-lhe meio soltos os cabelos, que ela empurrava continuamente para trás, enfiando as mãos por debaixo. Por fim, quando se esperava por aquilo que seriam talvez as suas primeiras palavras amáveis, ela se aproximou da mesa, apoiou-se sobre ela e perguntou:
- Quem é que vai pagar?
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7:09 PM
by Cassiano Leonel Drum
Esta como não poderia deixar de ser é a Capa da Revista Isto É deste fim de semana e os destaques da mesma estão elencados abaixo
EDIÇÃO Nº 1769
Capa
Entrevista
Procure outras matérias
Sérgio Vieira de Mello tinha confidenciado a ISTOÉ que não queria ir ao Iraque. "Vou porque o secretário me pediu." Morto em um brutal atentado, o diplomata era o candidato mais forte a assumir o posto máximo da organização
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MUNDO
VERDADES INCÔMODAS
Autoridades paraguaias resistem em esclarecer o assassinato do vice-presidente Argaña
GUERRA SEM FIM
Ataques colocam em xeque o plano de paz entre Israel e Palestina
ECONOMIA
O SONHO MUDOU
Pesquisa mostra o perfil do consumidor brasileiro, que tem vontade de construir um novo País
Quer um CD exclusivo? ISTOÉ
grava para você. Clique aqui e saiba como participar da promoção
COMPORTAMENTO
MANUAL DAS MADRASTAS
Surge associação para ajudá-las a resolver os problemas na formação da nova família
AULA DE HISTÓRIA
Exposição em São Paulo retrata os acontecimentos mais marcantes do século XX, como o surgimento da minissaia (foto)
TESTES
FORÇA BAIXINHOS
Descubra se o seu bebê cresce direitinho e o que fazer em casos de problemas
COMPULSÃO: Você passa da conta ao reagir a estímulos?
CIGARROS FALSOS: Tente identificá-los entre os originais
SEU MASCOTE: Saiba qual é o animal mais indicado para você
HUMANO OU ROBÔ?: Calcule
seu índice de humanidade
Confira outros teste
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8:36 AM
by Cassiano Leonel Drum
Sem Título
Florbela Espanca
Li um dia, não sei onde,
Que em todos os namorados
Uns amam muito e, os outros,
Contentam-se em ser amados.
Fico a cismar pensativa
Neste mistério encantado...
Digo pra mim: de nós dois
Quem ama e quem é amado?...
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8:34 AM
by Cassiano Leonel Drum
Anseios
Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha que cais!
Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quirneras irreais,
Não valem o prazer duma saudade!
Tu chamas ao meu seio, negra prisão!
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbres o brilho do luar!...
Não 'stendas tuas asas para o longe..
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela,a soluçar...
*Florbela Espanca*
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8:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
Sexta, 22 de agosto de 2003.
O pior de todos os vírus
Computadores estão sendo atacados pelo predador cibernético SoBig F
Mais um vírus de computador está atormentando a vida de micreiros e internautas. O SoBig F, assim chamado, foi detectado pela primeira vez na segunda-feira e está infectando computadores com velocidade recorde.
A empresa especializada em filtrar e-mails MessageLabs disse que já interceptou mais de 1 milhão de cópias do vírus em apenas 24 horas. Analistas de segurança chegaram a encontrar o SoBig F em um de 17 e-mails verificados. O Vírus do Amor, que contaminou computadores em 2000, até agora havia sido o recordista, infectando um em cada 28 e-mails.
A America on Line (AOL), maior provedor de internet do mundo, disse ter interceptado mais de 11,5 milhões de cópias do SoBig F desde que ele surgiu.
O vírus tenta enganar os usuários ao se apresentar com nomes apelativos no campo Assunto do e-mail, como Re: details (resposta a informações dadas pela internet) ou Re: your application (resposta a uma inscrição via web). Além disso, ele muda constantemente os nomes no campo Assunto.
Ninguém está livre de ter computador contaminado
Os usuários que pensam que estão livres do vírus porque não abrem e-mails desconhecidos estão enganados. O SoBig F pode causar problemas até para quem evita a infecção, já que ele pode sobrecarregar as caixas de entrada de e-mails.
Além de buscar novas vítimas por meio de listas de endereços do programa Outlook, o vírus tenta instalar um programa que torna os computadores infectados retransmissores de mensagens enviadas pelo criador do vírus.
Essa epidemia, no entanto, tem data marcada para acabar. O programa automaticamente vai interromper o seu ciclo reprodutivo no dia 10.
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8:21 AM
by Cassiano Leonel Drum
Morte
Helena (Christiane Torloni, à esq.) vai ter reação digna de heroína no dia da morte de Fernanda (Vanessa Gerbelli, à dir.) na novela Mulheres Apaixonadas, segunda-feira. Minutos antes de morrer, a ex-garota de programa confessa a ela que Lucas (Victor Curgula) é seu filho com Téo (Tony Ramos) e pede perdão. Apesar de chocada, Helena promete continuar amando Lucas. E ainda leva Salete (Bruna Marquezine) para casa, quando a menina perde a mãe. Depois da revelação, Fernanda começa a passar mal. A equipe médica constata que ela não tem mais reflexos e, logo depois, confirma sua morte.
Helena protege Salete, para que ela não veja nada. Mesmo contra a vontade da avó, Inês (Manoelita Lustosa), a menina exige que os órgãos de Fernanda sejam doados, cumprindo o desejo da mãe. No mesmo capítulo, depois da cirurgia de Téo, César (José Mayer) avisa a Lorena (Susana Viveira) que seu irmão pode ficar com seqüela visual.
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8:14 AM
by Cassiano Leonel Drum
O amor é filme
Lisbela e o Prisioneiro diverte com cenas de romance e comédia, mas também tem ação e aventura
Rubia Mazzini
A esta altura, todo mundo sabe que hoje estréia Lisbela e o Prisioneiro, versão em película da peça de Osman Lins que o diretor Guel Arraes já levou ao teatro e à TV. Muita gente também sabe, ou pelo menos imagina, só de assistir a trailers e insistentes chamadas na televisão, como se desenrola a história da mocinha cinéfila que pouco antes de se casar cai de amores por um trambiqueiro boa-praça. Mas, como diz a própria Lisbela no começo do filme, o importante não é saber o que acontece, e sim como e quando acontece.
Só por isso vale a pena correr para uma das 32 salas em que o longa-metragem entra em cartaz e se divertir com o misto de comédia, romance, drama, ação e aventura criado por Guel Arraes. O diretor pernambucano, que ainda assina o roteiro com Jorge Furtado e Pedro Cardoso, inseriu a trama num Nordeste colorido e urbano, dando um ar pop-brega à produção que lembra Almodóvar. Apesar da embalagem ser nova, a linguagem de Lisbela e o Prisioneiro é a mesma que Guel consolidou na televisão. O bom é que ele tem talento e criatividade de sobra para apresentar mais do mesmo.
Débora Falabella está uma graça como Lisbela e Selton Mello, bom, Selton Mello simplesmente arrasa na pele de Leléu, o malandro sedutor que experimenta o amor verdadeiro pela primeira vez quando encontra a mocinha. O ator, que esteve também em O Auto da Compadecida e Caramuru A Invenção do Brasil, produções anteriores de Guel que foram transportadas da TV para o cinema, reafirma seu talento para a comédia e de quebra ainda esbanja charme em cada aparição na tela. Difícil pensar num ator que tornasse Leléu tão fofo.
O restante do elenco, se é que se pode incluir o grande Marco Nanini num pacote desses, também se sai muito bem. Nanini interpreta o terrível matador Frederico Evandro, mesmo papel que lhe coube no especial da Globo, há 10 anos. Ele passa o filme no encalço de Leléu, porque a mulher o traiu com o rapaz. A voluptuosa Inaura é vivida com correção por Virgínia Cavendish, ex-senhora Guel Arraes e uma das produtoras do filme ao lado da toda-poderosa Paula Lavigne (que faz uma ponta, de biquíni, peruca loura e lentes azuis, como Monga, a Mulher Gorila).
Tadeu Mello eterniza o Cabo Citonho, personagem que encarnou na montagem teatral, em cenas divertidas com a parceira Francisquinha (Lívia Falcão). André Mattos também repete o papel que fez no palco, o do pai de Lisbela. Como Douglas, o noivo metido a carioca da jovem, Bruno Garcia (o Leléu da primeira versão teatral) arranca gargalhadas. O ator criou um falso sotaque carioca para o personagem, que se gaba de ter morado no Rio. É um dos achados do filme.
Até Carlos Casagrande, que participa como o herói dos filmes seriados a que Lisbela assiste e que servem para apresentar e pontuar a história principal se sai bem. E olha que o bonitão não diz sequer uma palavra. Ponto para Guel Arraes.
Escute trechos das músicas da trilha do filme Lisbela e o Prisioneiro:
"Você não me ensinou a te esquecer" (Caetano Veloso)
"O Amor é Filme" (Lirinha)
"Lisbela" (Los Hermanos)
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8:08 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
22/08/2003
O Fantasma Que Anda
Tem uma loja de gibis usados aqui perto da Zero. Nem sabia, descobri ao zanzar pelas ruas vicinais que nascem na Azenha, riscam a Erico e vão desaguar na Getúlio. A visão da lojinha titilou meus instintos de paleontólogo. Entrei. Lá estavam o Fantasma Que Anda e o Mandrake, há quanto tempo não folheava um gibi do Mandrake... Alguém aí sabe qual o nome da namorada do Lothar? Vale um expresso. Duplo.
Mas esse bairro, a Azenha. É o mais antigo da Capital. Nas décadas imediatamente posteriores à fundação, Porto Alegre se restringia à língua de terra em que hoje se espreme o Centro. Ali fremia o comércio e a algaravia do porto, ouvia-se o ruge-ruge das saias das madames, os homens se cumprimentavam debaixo dos chapéus. Ali se elevava, imponente, a igreja das Dores, onde os condenados à morte assistiam à última missa. Depois da derradeira comunhão, partiam, bem manietados, para a Praça da Forca, ao lado do atual quartel do Exército. Havia vasta concorrência pública nas execuções. Pelo menos uma dúzia de infelizes expirou na ponta de uma corda, em meados do século 19.
Porto Alegre se erguia até o morro da catedral, e tudo que de lá despencava era a Cidade Baixa, nome que se eternizou, como você sabe. Agora, bairro mesmo, independente, distante do poder metropolitano, o primeiríssimo foi a Azenha. E se você flana pela Azenha, como flanei, vai tropeçar em nacos da história da cidade, uma velha casa de construção açoriana, pedaços de muro montado com os tijolões da olaria da Lima e Silva, casebres periclitantes nos quais as cortesãs alugavam o corpo a vinténs para em seguida entregá-los sob a ameaça da navalha dos rufiões.
Vai encontrar, também, uma lojinha que vende gibis do Fantasma com seu cachorro Capeto. E fruteiras sortidas com laranjas expostas na calçada; e pequenas padarias que vendem sonho bocha e cueca-virada; e lancherias onde o bodegueiro bate no liquidificador cerveja preta, um ovo cru com casca e tudo, açúcar e pimenta, tirando dali um caldo denso e capitoso, que, dizem, tem poderes afrodisíacos. Nessas ruas de árvores copadas você vai encontrar pessoas que se pecham ao acaso no meio-fio, param para fofocar e riem e riem; você tem de desviar de crianças que correm e jogam bola com goleirinha de chinelo de dedo; você sentirá vontade de provar o chimarrão sorvido nas rodas de cadeiras na calçada.
Aí está: o subúrbio. Toda a vida que escorreu das avenidas, toda a naturalidade do dia-a-dia que fugiu da violência, da fumaça dos escapamentos e da sujeira centenária, ela está lá, intacta. Longe dos shoppings, longe do asfalto e dos elevadores, sem o brilho do néon, é no subúrbio que as pessoas vivem a vida da planície, uma vida bem mais simples. Como um dia foi a vida nos tempos pioneiros do velho bairro da Azenha, dessa velha Porto Alegre.
Ah, o nome da namorada do Lothar era Princesa Darla.
david.coimbra@zerohora.com.br
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8:03 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
22/08/2003
Uma forte denúncia
Um sentimento de indignação e revolta tomou conta da parcela da opinião pública que teve conhecimento do relato da esposa do microempresário que teria sido extorquido nas dependências da 22ª DP, transcrito ontem em Zero Hora.
Há uma tal riqueza de minúcias na entrevista que a mulher do microempresário prestou à Agência RBS, que seu relato tem força de verossimilhança.
Ela diz ter sido estuprada em plena delegacia por um agente policial que a atemorizou com o revólver em cima da escrivaninha, depois obrigou-a a praticar sexo oral, além de ela e o marido serem extorquidos durante horas pelo mesmo policial e um outro seu colega.
Assim como foi descrito o fato, tratou-se de uma monstruosidade, algo inadmissível em qualquer lugar, mais ainda numa repartição policial, onde as pessoas têm de ser amparadas, assistidas e socorridas. E não violentadas, como denuncia esta senhora.
É de crer-se até que foi a contundência do depoimento da esposa do microempresário que levou à imediata decretação da prisão preventiva dos dois policiais acusados, mesmo sem serem ouvidos. Prisão solicitada pela Corregedoria da Polícia Civil e decretada por ordem judicial.
Os dois policiais já se encontram presos, além de um amigo deles, que segundo consta presenciou os fatos e é ex-policial.
O policial acusado do estupro concedeu ontem entrevista ao Diário Gaúcho, transcrita também em Zero Hora hoje.
Alega em sua defesa que o marido da mulher que se declara estuprada é sócio de um homem que teve diversos carros apreendidos pela 22ª DP e que o casal está praticando uma "armação" contra ele. Disse também que a mulher "se alterou e dei uns empurrões nela".
Um tanto estranho: um agente dar uns empurrões em uma mulher dentro de uma delegacia?
O caso não é de muito difícil solução, embora o contraditório. Se o microempresário não tem sócio nenhum envolvido em carros ilícitos, cai rotundamente por terra a versão do policial. Porque o microempresário e sua mulher alegam que foram detidos na rua, à noite, por estarem com os impostos do carro em atraso.
Insisto em que este é o nó górdio da questão porque, se for comprovado que o casal foi detido por motivo outro que não os alegados pelo policial, isto é, pela causa apontada pelo próprio casal, crescerá de importância e veracidade a denúncia da senhora.
Tanto o secretário da Justiça e Segurança quanto o corregedor policial distribuíram notas à imprensa ontem.
O corregedor chega a intitular a sua manifestação de "nota de repúdio", afirmando que o fato causou "comoção social e irresignação geral, inclusive dos servidores policiais, pais de famílias, com esposas e filhas".
Prometem as duas autoridades a mais rigorosa apuração dos fatos.
É o que se espera. Porque custa crer que um plantão de uma delegacia distrital estivesse entregue totalmente a dois criminosos em potencial. Não pode ser. Os dois policiais acusados vão ter a oportunidade de se defenderem, até mesmo trazendo para o processo o seu passado funcional. O que é acusado de estupro declara que possui diversas portarias de elogios por crimes desvendados.
É muito forte a denúncia da senhora. E porque é forte é que revoltou a todos.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:01 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ah esta pré-primavera, anunciando um clima hiper gostoso, quando setembro vier. Só que hoje pela manhã já tem um vento forte anunciando que logo logo teremos chuva e a temperatura voltará a cair para o seu normal desta época aqui no Sul. E essas mulheres bonitas anunciando uma Porto Alegre que vale apena ser curtida.
Clima
Agosto a 34,7ºC
Em pleno inverno, os gaúchos saíram às ruas e parques para aproveitar o sol, como as garotas na Capital (foto Ronaldo Bernardi/ZH)
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Quinta-feira, Agosto 21, 2003
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8:31 AM
by Cassiano Leonel Drum
Olha só que desperdício, comprar um bebê num banco de esperma. Nós homens estamos ficando meio relegados assim para segundo plano, porque estes bancos poderão selecionar só reprodutores especiais e não mortais comuns, como eu ou você.
E o ato de amor de cujo fruto nasceriam normalmente os bebês, passa a ser desnecessário também. Ainda não pensei como vão registrar o nome do pai, mas também os cartórios já devem ter dado um jeito nisso.
Bebês com ajuda da Internet
Nasce na Grã-Bretanha a primeira criança gerada com sêmem comprado em um site
LONDRES - O anúncio do nascimento do primeiro bebê concebido com esperma comprado pela Internet causou muita polêmica. A criança ¿ nascida na Grã-Bretanha ¿ foi alvo de críticas de autoridades locais e de várias organizações médicas.
O site é voltado para casais homossexuais, lésbicas e solteiras e tem o endereço www.ManNotIncluded.com. Através da página virtual, um casal cuja identidade não foi revelada comprou o esperma e tornou-se responsável pela geração de um menino.
Segundo os responsáveis pelo site, a empresa em breve estenderá seus serviços de fertilidade para a Espanha, Alemanha, Holanda e outros países europeus.
Estamos muito contentes com a fantástica notícia do nascimento do primeiro bebê como resultado direto do nosso revolucionário serviço, disse o fundador do site, John Gonzalez. Segundo ele, tanto a mãe como o bebê passam bem.
Autoridade não garante serviço sem licença
Gonzalez afirmou que a empresa dá oportunidade a todas as mulheres de ter um filho, sem medo dos preconceitos ou da discriminação.
O responsável pela iniciativa acrescentou que outras 19 mães que tinham usado o serviço terão seus bebês nas próximas semanas ou meses.
A Autoridade para a Fertilização Humana e a Embriologia (HFEA), o organismo britânico mais importante no regulamento destes temas, manifestou ontem sua preocupação. A HFEA não pode garantir práticas de laboratório corretas nem uma segura avaliação do esperma doado por serviços sem licença, informou a diretora Suzi Leather. Outras organizações se uniram e definiram a situação como um grave abuso e comercialização da fertilidade.
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8:18 AM
by Cassiano Leonel Drum
Avesso da fama
Fábio Assunção vive jornalista mau-caráter em Celebridade e diz que se irrita com invasão de privacidade
Ana Lúcia do Vale
Na televisão, Fábio Assunção vai fazer tudo o que detesta passar na vida real. Em Celebridade, próxima novela das oito de Gilberto Braga, que estréia dia 13 de outubro, ele será Renato, o inescrupuloso editor da revista Fama, especializada em celebridades. Renato é a negativa do jornalista, define o ator, que se diz avesso a esse tipo de publicação. Não me interesso e não compro. Mas agora vou ter que ler. Às vezes, fico pasmo com o oportunismo em relação às figuras públicas, diz o ator, que no primeiro dia de gravação em um hotel de Angra, terça-feira, não gostou ao saber que fotógrafos registraram uma soneca sua de sunga na beira da piscina.
Ser diferente me incomoda. Quando vou abastecer o carro, por exemplo, não gosto que fiquem me olhando. Eu não fomento isso. Tenho que ter o direito de não fazer uma foto de sunga na piscina, disse, mantendo o bom humor, relaxadão de camiseta de malha e havaianas. Não nego entrevistas. Mas já me pediram para posar chupando uma chupeta quando meu filho nasceu! Sei que o fotógrafo se dedicou, mas era uma situação constrangedora. Eu não sou Jim Carrey para ficar fazendo caras, conta o ator.
A distância do filho, João, de 7 meses, é uma das maiores dificuldades que Fábio está encontrando nas gravações. João está lindo. É legal ter um sorriso gratuito, derrete-se o ator, que diz ser pai participativo: troca fralda, dá mamadeira e até já foi batizado com o xixi do filho. Fábio, de 32 anos, também não deixa de falar da mulher, a modelo Priscila Borgonovi, de 24, que passou em teste para a novela Canavial de Paixões no SBT. Estou dando total apoio se ela decidir ser atriz. Só não vou poder fechar o contrato para ela, brinca.
Estar na pele de uma figura que não lhe agrada foi escolha dele. Gilberto Braga chegou a oferecer três papéis ao ator, e ele optou por Renato. Escolhi o jornalista por ser um trabalho que nunca fiz. Sempre sou o herói. Já fiz o vilão, em Sonho Meu, mas era diferente. No caso do Renato, ele é mau porque tem má conduta profissional, compara o ator.
Parceiro de longa data de Malu Mader fizeram Labirinto e Força de um Desejo, também de Gilberto , em Celebridade eles estarão de lados opostos. Malu é superbacana. Esta é a primeira vez em que não somos par romântico, diz Fábio, que terá obsessão pela personagem dela, a produtora de shows Maria Clara. Ele a deseja tanto para a revista que acaba querendo-a também para ele. A fixação dele por Maria Clara deve ser um tesão enrustido.
Ele tem obsessão por não estar acostumado a ouvir não, analisa Fábio, que define seu personagem como um solitário. Renato está cada dia com uma mulher diferente, que ele paga. Em eventos, liga para as agências e contrata. Ele precisa sempre estar com figuras lindas, adianta. Desleal com meio mundo, Renato só será verdadeiro com o irmão, Caio (o novato Téo Becker), com quem divide noites de pura farra. Ele usa um pouco o irmão, que é honesto e sabe que está sendo usado, completa Fábio.
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8:07 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
21/08/2003
Vizinhos
Dizem os cientistas que no próximo dia 27 o planeta Marte passará tão perto da Terra que talvez possamos ver os homenzinhos verdes abanando de suas janelas. Na verdade, ainda estaremos a 55 milhões de quilômetros dos nossos improváveis vizinhos, mas, segundo os especialistas em geografia interplanetária, essa será a maior proximidade dos últimos 60 mil anos. Outra oportunidade igual só em 2287, quando dificilmente estaremos aqui para presenciar a aproximação. A não ser que os marcianos aproveitem a visita para nos passar o elixir da vida eterna - eterna ilusão de quem acredita em vida fora do nosso mundinho.
Marte sempre mexeu com a imaginação dos terráqueos. Na ficção científica dos livros e dos filmes, os marcianos têm sido apresentados ora como invasores dispostos a destruir a nossa civilização, ora como seres de inteligência superior que poderiam nos ensinar maravilhas. Na vida real, porém, somos nós os invasores. Já mandamos dezenas de naves para espionar e até mesmo para explorar o solo marciano, sem que os vizinhos sequer reclamassem. Ou são mesmo mais civilizados ou não estão em casa. Logo saberemos.
A Lua foi uma decepção. Já faz mais de 30 anos que os astronautas deixaram por lá aquela plaquinha com o desenho de um casal e o mapa do nosso planeta, e até agora nenhum alienígena se interessou pela nossa espécie. Ainda bem, pois sequer conseguimos nos entender com os nossos semelhantes. Qualquer ET ficaria horrorizado ao ver como convivemos com os nossos vizinhos neste planetinha maltratado. Chega a ser difícil de entender por que o homem se empenha tanto para superar distâncias planetárias e muitas vezes é incapaz de dar o passo necessário para um simples aperto de mão.
A propósito, no último domingo celebrava-se em nosso planeta - ou ao menos neste nosso cantinho verde-amarelo - o Dia do Vizinho. Não sei quem inventou isso, mas me parece um bom pretexto para a superação de ressentimentos e para uma troca de abraços. Quem não o fez ainda tem tempo.
Os marcianos só chegam na semana que vem.
nilson.souza@zerohora.com.br
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8:05 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
21/08/2003
Ironias do destino
Ironia do destino. Os americanos apoiaram o Saddam Hussein durante anos porque o governo secular do Iraque era uma alternativa à teocracia antiamericana no poder no Irã. Saddam já era um tirano, mas um tirano "do nosso lado". Não é delírio imaginar que uma das conseqüências finais da invasão e ocupação americana do Iraque e da liquidação do partido Ba'ath seja uma teocracia xiita, como a iraniana, no poder em Bagdá.
Dupla ironia do destino. Muitos dos responsáveis pela atual política externa dos Estados Unidos fazem parte da estranha aliança de fundamentalistas cristãos e apoiadores da extrema direita israelense que pregavam a guerra ao Iraque com mais fervor. Um dos resultados da guerra foi que os americanos ficaram moralmente obrigados a serem, ou pelo menos parecerem, mais imparciais na questão Israel/Palestina, para tentar diminuir a ira dos fundamentalistas islâmicos, e cobrarem concessões do Sharon em troca do favor de terem liquidado o Saddam.
Ironia de pai para filho do destino. Dizem que as partes ainda não publicadas do relatório sobre as falhas no sistema de segurança americano que permitiram a tragédia de 11/9 foram censuradas porque tratam das relações da família Bin Laden, da qual Osama é, digamos, o filho difícil, com o grupo "Carlyle", no qual a família Bush tem, digamos, interesses. Tratam das repetidas vezes em que agentes do FBI foram aconselhados a não investigarem estas relações e as finanças dos Bin Laden e a não serem muito curiosos sobre as atividades de agentes da família real da Arábia Saudita, os atuais tiranos "do nosso lado", nos Estados Unidos, antes e depois do atentado.
As revelações que ainda podem surgir sobre esta meleca toda até Bush buscar a reeleição, mais a evidência de que o presidente mentiu para ir à guerra (bombardear civis estrangeiros ainda vá, mas mentir para o povo americano!), mais o atoladouro em que está se transformando o Iraque - e mais, claro, o mau estado da economia dos Estados Unidos -, podem fazer o Bush filho repetir o Bush pai, que passou de herói invencível a candidato perdedor em meses. Se houver algum outro Bush na fila pensando em ser presidente, que aprenda a lição e faça a sua guerra mais perto da data da eleição.
Suprema ironia do destino. A mais alta autoridade entre os envolvidos de um jeito ou de outro na guerra do Iraque a morrer até agora não foi, que se saiba, o Saddam Hussein, nem qualquer líder militar ou político americano ou inglês, mas um homem que estava lá para ajudar a organizar a paz. E do Brasil, que não teve nada a ver com a história.
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8:03 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
21/08/2003
Ótimo dia e péssima noite
Finalmente uma ótima notícia para o Brasil e para o governo Lula: os juros baixaram de 24,5% para 22%.
Nunca se torceu tanto para um governo como se torce atualmente. Lula parece encarnar a última esperança brasileira de salvação.
Todos querem o sucesso de Lula no comando do governo. A sensação que se tem é de que se Lula fracassar, o país entra em parafuso, tanto já se tentou com outras tendências, só faltava um governo liderado por um partido nascido na contestação como última alternativa, capaz de levar-nos ao crescimento e à regeneração desse atraso social assustador.
Por isso é que essa queda da taxa básica de juros foi ontem saudada como talvez o início da grande virada.
A nova taxa de juros mexe especialmente com o consumo, é possível um Natal melhor.
Juros mais baixos significam mais investimentos, portanto mais empregos.
E não há nada que se espere mais do governo Lula do que mais empregos. A derrota do candidato de Fernando Henrique Cardoso, José Serra, deveu-se principalmente à espiral de desemprego que caracterizou o governo passado.
Se Lula criar empregos, seu governo e o Brasil estarão salvos.
Por isso é que a medida de ontem do Banco Central foi tão elogiada por todos. Menos pelos seus efeitos imediatos, mas muito mais pela esperança de que essa taxa de juros possa descer cada vez mais até o fim do ano, chegando então talvez aos 10%, o que inundaria o país de um euforia contagiante, realizando empresários, trabalhadores e governo.
Depois de tanto astral baixo nestes quase oito meses de governo, a medida de ontem provoca um resfriamento do pessimismo. Uma promessa cabal de recuperação.
Agora é só manter sob controle a inflação e estaremos diante da possibilidade concreta de um espetáculo de crescimento, capaz de fazer com que os brasileiros cerrem fileiras em torno de Lula com tal entusiasmo que jamais se terá visto algo parecido em toda a República.
Que notícia boa. Seu significado é o do renascer da esperança, que estava murchando.
Avante, Brasil!
Sei o que deve estar sentindo a torcida gremista nesta hora, depois da goleada de ontem em Salvador, porque é o que eu sinto: uma verdadeira náusea existencial, um vazio, um peso no centro do corpo, um desabamento.
Faltava só o Grêmio ser goleado, não falta mais nada.
Há um valor destacado no exame das possibilidades de qualquer time num campeonato longo como este: a tendência.
O meu pessimismo quanto ao Grêmio, tanto que há mais de 30 dias declarei que o time será rebaixado, deriva deste dado concreto: a tendência.
Ou seja, o Grêmio nunca destruiu a tendência. Mesmo depois daquela vitória surpreendente sobre o Santos, no dia seguinte restou na lanterna.
O mesmo fenômeno se dá com o Internacional, de modo inverso: o time do Beira-Rio revela uma tendência positiva, que pode levá-lo ao título, tanto que o Cruzeiro empatou ontem e o Internacional ficará a apenas dois pontos do líder, depois de vencer o frágil Fluminense hoje à tarde.
A tendência do Grêmio no campeonato há muito tempo que é trágica. E nestes casos, exatamente como aconteceu em 1991, o que já está ruim se revelará cada vez pior.
O Grêmio perdeu o prumo. Perdeu totalmente o sentido, a intuição para a vitória.
É disparado o pior time do campeonato, por isso é justa a lanterna.
E se nada de traumático, nada de impactante, um choque no clube que se reflita numa mobilização de guerra no vestiário acontecer, é fatal o rebaixamento.
É tão grave a situação do Grêmio que se pode dizer, sem medo de errar, que todas as opiniões, vaticínios e especulações de que o Grêmio não será rebaixado são irresponsáveis.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:00 AM
by Cassiano Leonel Drum
Inter
O Beira-Rio espera sua torcida
Como a iluminação do estádio ainda está em obras, o Inter enfrenta o Fluminense hoje à tarde, às 15h, com expectativa de grande público (foto Fernando Gomes/ZH)
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Quarta-feira, Agosto 20, 2003
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8:19 PM
by Cassiano Leonel Drum
PAPEL CARBONO
Faz tempo nós seguimos um só rumo
E foram tantos os caminhos feitos
Que estás a incorporar os meus defeitos
E até tuas virtudes eu assumo.
Se sou teu paradígma, és meu resumo,
E muito embora em nós haja dois peitos,
Temos a sorte rara dos eleitos
De num só coração manter o prumo.
A marca que o cinzel do tempo cose
Não nos afasta, pois estranha osmose
Nos deixa sempre iguais, de um modo exato.
Juntos seguimos pela mesma rua,
Como se eu fôsse apenas cópia tua
E tu fosses de mim fiel retrato.
S.Rech
( O Poeta Rei)
Página 158 do livro
SERÕES NA REDE
Fiquem com os anjinhos de verdade e aqueles que parecem, e, que eles proporcionem maravilhosos sonhos para voces. E amanhã a gente se encontra...
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8:14 PM
by Cassiano Leonel Drum
Alma dos Diferentes
Artur da Távola
"... Ah, o diferente, esse ser especial!
Diferente não é quem pretenda ser. Esse é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.
Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não agüentar, caso um dia venham, a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.
O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias, adiadas; esperanças, mortas. Um diferente medroso, este sim, acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.
Os diferentes muito inteligentes percebem porque os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porque de quem o agride. Se o diferente se mediocrizar, mergulhará no complexo de inferioridade.
O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem querer - alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual: a inveja do comum; o ódio do mediano. O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que está sempre certo.
O diferente começa a sofrer cedo, já no primário, onde os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns adultos por omissão, se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial em aleijão e caricatura. O que é percepção aguçada em : "Puxa, fulano, como você é complicado". O que é o embrião de um estilo próprio em : "Você não está vendo como todo mundo faz? "
O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações os quais acaba incorporando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores.
Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber. Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham. É o que engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros burram. Quer onde outros cansam. Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito rotiniza. Sofre onde os outros ganham.
Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera. Aceita empregos que ninguém supõe. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes. Engorda onde não deve. Diz sempre na hora de calar. Cala nas horas erradas. Não desiste de lutar pela harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer o gol, porque gosta mais de jogar do que de ganhar. Ele aprendeu a superar riso, deboche, escárnio, e consciência dolorosa de que a média é má porque é igual.
Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados, magros demais, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo, excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande, de roupas erradas, cheios de espinhas, de mumunha, de malícia ou de baba. Aí estão, doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.
A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os pouco capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes.
Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois."
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8:11 PM
by Cassiano Leonel Drum
Soneto de um Internauta
Neste recinto, onde eu e a Luz
Somos parceiros de silêncio atroz
Esta calada noite nos induz
À busca intensa de uma intensa voz.
Por entre sons os mais artificiais
Cruzamos juntos esta escuridão,
Temos os dois só formas irreais
Prá um outro lado em outro coração.
Ah, quem nos dera que viesse agora
Alguém em osso e carne para amar-nos,
Para rompermos juntos nossa aurora,
Deste silêncio escuro nos livrarmos,
Deixando toda a escuridão lá fora
E os aparelhos todos desligarmos.
Silvia Schmidt
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8:42 AM
by Cassiano Leonel Drum
Enfermeira Você tem fantasias?
Uma roupa muitas vezes tem o poder de mexer com nossas emoções, sejam elas quais forem: saudade, tristeza, alegria, raiva, amor, atração, sedução, desejo, paixão e fantasia. A professora de Artes Sensuais, Nelma Penteado, autora do livro "Fantasias Sensuais" da editora Mandarim, ensina como uma roupa confeccionada e utilizada estritamente para seduzir pode impulsionar as fantasias sensuais de cada um.
"Entendendo a palavra fantasia, observamos dois fatores: o Psicológico e lúdico, onde fantasia é o estado de devaneio, sonho; e o visual e descritivo, onde fantasia é a arte de se vestir de forma diferente do convencional, com o intuito de causar algum efeito: diversão surpresa, ocultação, encantamento, sedução", ensina Nelma.
"A fantasia sensual, no que se refere ao vestuário, envolve os dois lados da moeda, ou seja: veste de forma diferente, com intuito de seduzir e encantar, induzindo ao sonho e devaneio eróticos". Segundo Nelma, isso tem a ver com a palavra fetiche. "Se tomarmos por base que a palavra fetiche, segundo a definição do dr. Richard von Kraft Ebing, a palavra fetiche pode ser definida como a associação de desejo ardente com a idéia de certa partes do corpo da pessoa ou de certos artigos do vestuário, como sapatos de saltos altos, lingeries, botas.
Um pouco de história
Na mitologia grega, Zeus, para poder seduzir alguma donzela incauta, se disfarçava de tudo o que estivesse a seu alcance, ou seja: touro, cisne, chuva de ouro, nuvem, etc. Esse Zeus "sabidinho" conseguia, através de seus disfarces, alcançar seus objetivos.
"Hoje as coisas mudaram. Para manter um relacionamento prazeroso, criatividade é tudo e não custa nada", ensina Nelma. "As lembranças de como era divertido brincar de vestir as roupas da mamãe, do papai ou do marinheiro, caubói, princesa, pirata, super- herói, ainda estão nítidas em nossas lembranças". Usar roupas diferentes auxilia a imaginação e a fantasia naquela hora do "vamos brincar de...." desde que éramos crianças. Só porque nos tornamos adultos, isso não quer dizer que essas brincadeiras deixaram de ser divertidas.
"Utilizar um disfarce sensual em seus momentos íntimos com a pessoa amada, como parte integrante de uma brincadeira erótica, pode trazer momentos deliciosos de descontração, desejo e amor que serão lembrados por um longo, longo tempo". Confira as sugestões da grife Obsessão.
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8:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
20/08/2003
O choro da moça
Levei as batatas ao forno, enquanto preparava o creme para lhes derramar por cima logo que ficassem coradas feito loiras na Praia Brava. Aí tocou o telefone. Uma amiga, chorosa:
- Preciso falar contigo. Sabia do que se tratava. O namorado. Se bem que nem sei se aquilo podia se chamar de namoro. Viviam terminando e, eu tinha certeza, ele não a amava. Convidei-a para compartilhar as batatas e uma cervejinha faceira. Em minutos, minha amiga chegou. Conversávamos na cozinha, ela observando-me esgrimir com as caçarolas. De repente, pregou um acento dramático na voz:
- Preciso saber a tua opinião! Por favor, seja sincero. Por favor: tu achas que ele gosta de mim? Parei o que estava fazendo. Depositei a faca no balcão. Olhei para ela. A expectativa dançava em seus olhos.
- Está bem - falei, por fim. - Vou dizer o que penso: ele não gosta de ti.
Jesus! Ali, diante de mim, a fina camada de dignidade que revestia o rosto dela começou a desmanchar. A boca trêmula, as bochechas moles, os olhos marejados, tudo isso em um segundo. Minha amiga entreabriu os lábios e, já principiando um pranto irresistível, protestou, soluçando:
- Não! Nãããão! Ele gosta de mim! Sobressaltei-me, corri para ela:
- Ele gosta de ti, sim. Gosta! Gosta! Ao ouvir aquela mentira, ela parou imediatamente de chorar. Fungou um pouco, ainda ressentida. Fitou-me arquejante, a vozinha sumida:
- Gosta mesmo? Tu acha? - Acho, acho! - Que bom... E ficou mais tranqüila. Lembrei-me da minha amiga no domingo passado. Disse, no Bate Bola, que o Grêmio tem uma boa chance de finalmente conquistar uma vitória, hoje. Que, se mantiver o trabalho atual, o time até pode se salvar do rebaixamento. Paulo Pelaipe, o gremista da mesa, consultou-me, ansioso:
- Há três meses tu dizias que o Grêmio vai ser rebaixado, mas agora tu achas que existe esperança. Tu achas isso mesmo? De verdade?
Balancei a cabeça:
- De verdade. Há salvação.
O Pelaipe suspirou:
- Que bom ouvir isso! Que bom! Olhei para o Pelaipe. Minha opinião lhe fornecera um alívio rápido, um pequeno paliativo. Sorri ante aquela singeleza. Nesse momento, tudo o que os gremistas querem é ouvir uma opinião positiva, algo que lhes dê alento. Pois bem: creio mesmo que há saída. E não é demagogia, não é para evitar o choro gremista, como um dia evitei o da minha amiga. Tudo está mal, tudo está horrendo, mas ainda é possível sobreviver. Basta prosseguir o trabalho. Com firmeza. Com confiança. Com otimismo. E, até mesmo, com um pouco de ilusão.
O amor esquecido
Ataulfo Alves um dia escreveu:
E agora você passa, eu acho graça
Nessa vida tudo passa
E você também passou
Referia-se a uma mulher, claro. Ela o abandonou, ele sofreu. Mas o sofrimento passou. Na vida, tudo passa, toda dor passa, a do Grêmio também há de passar. Por maior que seja a tragédia do time, o clube continuará, pujante. É esse clube que, em menos de um mês, completará cem anos. E o centenário precisa ser festejado, ainda que tenha sido obscurecido pela temporada nigérrima.
Com o centenário como pauta, venho sendo instado a montar a seleção do Grêmio de todos os tempos, eu e os coleguinhas todos. Fi-la, como diria o Jânio Quadros. Mas não publicá-la-ei. Pelo menos não por enquanto. Antes, quero saber qual é a dos leitores. Relacionei jogadores em cada posição. Você vota e revelo o time até 15 de setembro, dia em que o Grêmio foi fundado por comerciantes do centro da cidade ali no antigo restaurante Dona Maria. Certo? Votos para esse imeil, ou por carta, ou por fax. Abaixo, os jogadores.
Goleiro
Houve vários. Nenhum maior que Danrlei ou Lara. Danrlei é titular há 10 anos, foi campeão da América, quer ser presidente do clube. Lara jogou 15 anos no Grêmio. Foi tão emblemático que é citado no hino composto por Lupicínio.
Lateral-direito
Eurico, Nelinho ou Arce.
Lateral-esquerdo
Ortunho, Everaldo ou Roger.
Zagueiros
Escolha dois. Aírton é considerado o melhor zagueiro que jogou no Estado. Ênio Rodrigues era o capitão do time do Foguinho. Calvet, dele uma vez me disse o Tostão:
Foi o maior zagueiro brasileiro. Também há Luiz Luz, "o Fantasma da Área"; e os modernos Adilson, De León, Mauro Galvão e Edinho.
Volante
Certa feita, perguntei para seu Oswaldo Rolla, o Foguinho:
Qual foi o melhor jogador que o senhor viu jogar? E o seu Rolla, triplicando os erres: - Norrronha... Então, Noronha deve ter sido mesmo um troço. Concorrem com ele Dinho, Emerson e Élton.
Meias
Vote em dois, que esse Grêmio joga no 4-3-3 clássico. São vários: Foguinho, Valdo, Tadeu Ricci, Tita, Paulo César Caju, Mário Sérgio, Gessy, Paulo Isidoro, Ronaldinho, Dener e Zinho.
Centroavante
O Grêmio é um time de centroavantes. Luiz Carvalho, o Rei da Virada; Geada, que desmontou o Rolo Compressor em 49; Juarez, o Tanque; Alcindo, o Bugre Xucro; André Catimba; e Jardel.
Pontas
Está bem, não existe mais ponta. Pense neles como atacantes, então. Pela direita, temos Renato e Tarciso. Pela esquerda, Éder, Vieira e Marcelinho.
Vote sem pejo. Porque a dor do Grêmio vai passar, como passou a dor de amor de Ataulfo. Mas tem de passar mesmo, ser esquecida de fato. Não pode ser como aquela do Quintana, que assim se lamentou:
Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?
david.coimbra@zerohora.com.br
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8:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
20/08/2003
Auto-estima a R$ 1
Li que a governadora do Rio, Rosinha Garotinho, está planejando instalar na Central do Brasil uma espécie de salão de beleza para mulheres humildes, a preço simbólico de R$ 1, tal qual acontece nos restaurantes populares. Estou longe de ser admiradora desta senhora, mas nem por isso vou implicar com o que me pareceu uma idéia muito bacana.
Trata-se de incentivar a auto-estima, a alegria, a fantasia. Uma mulher que passa o dia lavando a louça dos outros tem o direito a ter suas unhas pintadas. Uma mulher que convive com fuligem numa metalúrgica merece ter seus cabelos lavados e escovados. Uma mulher que passa o dia varrendo o lixo da cidade merece sentir sua pele macia, depilada. Elas também vêem a Daniela Cicarelli na tevê, a Gisele Bündchen nos cartazes de rua. Elas também têm maridos e namorados, elas também têm vaidade, também querem se sentir bonitas. E sentir-se bonita não é algo fútil, ao contrário, é um dos desejos mais básicos do ser humano. Até Simone de Beauvoir, pra citar um exemplo acima de qualquer suspeita, lamentava não ser exatamente uma ninfa.
Não é por ter carências importantes (educação, saúde, emprego) que uma mulher tem que se privar também de sonhar. Nenhuma delas vai virar uma miss. Elas vão apenas se sentir mais femininas num mundo cada vez mais hostil, vão se sentir acarinhadas pela vida, vão descobrir que não é preciso sentir culpa por cuidarem um pouco de si mesmas, terão acesso a um lado soft da existência, para o qual nunca foram apresentadas.
É terapêutico sentir amor-próprio. A gente trabalha melhor, ama melhor, se sente mais integrado. Se é para chamar isso de frescura, viva a frescura. Estamos falando de gente que só conhece o lado bruto do cotidiano, gente que não gasta em xampu porque precisa comprar leite, que não gasta em sabonete porque precisa comprar papel higiênico, que reduz ao mínimo suas prioridades, sem dar-se o direito a uma pequena ilusão.
Que me conste, a governadora não está propondo a criação de um spa na Central do Brasil, e sim a oferta de serviços estéticos básicos, como lavagem e corte de cabelo, coisa que nós fazemos periodicamente sem achar que estamos sendo fúteis. Que o projeto de dona Rosinha, populista ou não, vingue. E seja acessível aos homens também, pois não há nesta vida quem não precise de um trato.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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8:21 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
20/08/2003
Brasil atingido
Em Bagdá, a sede da ONU na cidade foi soterrada por um homem-bomba, deixando sob os escombros o corpo de um diplomata brasileiro, o embaixador Sérgio Vieira de Mello.
Homem talhado e escalado pela ONU para grandes missões humanitárias em todo o mundo, inclusive no Timor Leste, onde teve atuação de destaque, o embaixador brasileiro foi colhido ontem por atentado inominável.
A ONU, que discordou do ataque norte-americano e inglês ao Iraque, que se encontra agora naquele país justamente para atenuar a severidade da ocupação norte-americana, tentando a reconstrução material e espiritual da ex-Babilônia, vê agora um dos seus mais ilustres servidores ser massacrado pelo terrorismo.
É um absurdo que um ataque terrorista tenha assim atingido a ONU em Bagdá. Mas nem a ONU nem a Cruz Vermelha estão a salvo dessa mancha maior da civilização atual, o terrorismo.
Todas as pessoas que trabalharam com o embaixador Sérgio Vieira de Mello depunham ontem sobre a sua cultura, a sua cordialidade e a obsessão que tinha por escolher as tarefas mais espinhosas e arriscadas do seu metiê, em qualquer parte do planeta em que fosse necessária a sua intervenção.
Eram tão irradiantes e intensos o seu conhecimento e a sua competência, que todos cogitavam de que deveria ser o próximo secretário-geral da ONU.
Ele era simplesmente um dos mais eficientes funcionários públicos do Brasil.
Quando se iniciou a guerra do Iraque, registrei aqui nesta coluna uma frase de autor desconhecido, mas que de tão profética e sábia sintetizava a quadra de horrores para que se encaminhava o mundo: "Os Estados Unidos vão ganhar a guerra e perder para sempre a paz".
Vê-se por esta morte do embaixador brasileiro que não só os EUA perderam a paz, mas o mundo todo.
Qualquer pessoa em qualquer parte do mundo, seja de que nacionalidade for, está ameaçada por estes confrontos bestiais entre nações e povos.
É doloroso que uma pessoa de tal qualidade e de tantas ações profícuas na diplomacia mundial, um servidor público que orgulhava o Brasil, tenha tombado assim tão tragicamente em Bagdá.
Mas o embaixador Vieira de Mello estava exatamente onde tinha que estar.
Fiquei exultante quando soube ontem da notícia. Ela é um dos passos mais lúcidos para sanar a dramática precariedade da política prisional brasileira.
"Prezado Paulo Sant'Ana. Sabedor da tua preocupação com assuntos referentes a ressocialização de presos, gostaria de te comunicar que nossa secretaria vai assinar hoje (ontem) o maior Protocolo de Ação Conjunta da história do sistema prisional do Rio Grande do Sul. Serão mais de 650 presos beneficiados pelo acordo entre a São Paulo Alpargatas e a Superintendência dos Serviços Penitenciários. Os apenados, caro Sant'Ana, trabalharão na costura de bolas de couro, e a estimativa é de que cada preso costure 300 unidades por mês, gerando ao todo uma produção mensal de 20 mil unidades.
Por isso, os detentos receberão mensalmente 75% do salário mínimo regional e a cada três dias trabalhados corresponderá um dia de redução de suas penas. Os presídios beneficiados são os de Ijuí (300 presos), Passo Fundo (cem), Cruz Alta (cem), Nova Prata (cem) e Bento Gonçalves (50). Saudações. (ass.) José Otávio Germano, secretário da Justiça e Segurança".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:18 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
A morte do brasileiro da paz
Ataque do terror em Bagdá mata Sérgio Vieira de Mello, representante da ONU no Iraque
A bomba explodiu próximo à janela do gabinete do diplomata brasileiro, ferindo mais de uma centena de pessoas (foto Suhaib Salem, Reuters/ZH)
Um caminhão-bomba destruiu ontem o lado direito do prédio que abrigava em Bagdá a representação da ONU. Pelo menos 17 pessoas morreram, entre elas o mais respeitado diplomata brasileiro, Sérgio Vieira de Mello, 55 anos, um negociador internacional especializado em reconstruir países destroçados por guerras.
Sob os escombros, Vieira de Mello usou o celular para avisar que estava vivo, mas imobilizado.
Uma viga de ferro despencou sobre minhas pernas foi uma de suas últimas frases.
Quando as equipes de resgate chegaram, ele já estava morto
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Terça-feira, Agosto 19, 2003
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8:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
Outras formas de ensinar
Empresas oferecem opções alternativas de aprendizagem e conquistam os alunos
O baixo nível da qualidade do ensino no País acabou criando um mercado que pode se tornar boa opção de negócio: escolas com métodos personalizados de aprendizagem, especializadas em ajudar o aluno a explorar melhor o seu potencial. Nesse segmento, uma das opções são os estabelecimentos que preparam candidatos para concursos ou vestibulares. O segredo do sucesso é oferecer estratégias e estilos diferenciados de educação. Um espaço assim é a Officina da Mente, na Tijuca.
A empresa foi criada pelo professor PhD em Metodologia de Ensino Maurício Peixoto e a psicoterapeuta Maria Teresa Guimarães, há cinco anos. O principal diferencial do espaço é justamente o sistema de ensino, que tem como objetivo aperfeiçoar a capacidade do estudante de memorização, redação, leitura dinâmica, apresentação e concentração.
¿Buscamos fazer um trabalho diferente. Há alguns anos, a educação era feita na base do condicionamento. Hoje, temos a metacognição, que é a forma individual de cada um aprender e assimilar melhor o conhecimento, explica Peixoto, que também é autor do livro Aprendizagem Estratégias e Estilos. Um dos problemas, em sua avaliação, está no método adotado. Cada jovem ou adulto tem o seu próprio potencial para estudo. Por isso, apresentamos formas criativas de ensinar e estudar, comenta.
Um dos cursos oferecidos pela empresa é o Aprenda a Aprender, em que são ensinados métodos de concentração e melhor assimilação na leitura, que servem para ajudar os alunos em suas apresentações.
Officina da Mente: 2284 5202, http://www.officinadamente.com.br
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8:24 AM
by Cassiano Leonel Drum
Malandras são elas
Soraya Ravenle, Alessandra Maestrini e Lucinha Lins roubam a cena em Ópera do Malandro
André Gomes
Alesandra Maestrini faz Lúcia, papel que seria de Claudia Netto, e arrasa. Pulo de ansiedade na coxia antes de entrar em cena, diz
Está claro no título do musical: Ópera do Malandro, de Chico Buarque, tem como protagonista Max Overseas (Alexandre Schumacher). Mas na montagem que estreou sábado no Teatro Carlos Gomes, sob a batuta de Charles Möeller e Claudio Botelho, a malandragem é toda do elenco feminino, particularmente do trio formado por Lucinha Lins, Soraya Ravenle e Alessandra Maestrini. Aplausos calorosos da platéia pontuam o fim de cada canção interpretada pelas atrizes e para Lucinha e Alessandra sobram ainda sonoras gargalhadas.
Merecidas, mas não de fácil conquista, como avalia Lucinha, que temeu o histrionismo de Vitória. Tive medo antes da estréia, porque estou à beira da caricatura. Mas a reação de quem viu foi ótima. As pessoas estão loucas comigo e isso me encanta, revela Lucinha, 50 anos, 33 de carreira, boa parte dela dedicada aos musicais. Mesmo a experiência não tirou da atriz o temor diante do humor escandaloso da mulher casada com o poderoso dono de vários prostíbulos na Lapa.
Fazê-la é difícil porque posso ser derrubada por mim mesma. Vitória me cansa, demanda enorme energia mas sinto a energia da platéia. É o colo que a gente merece quando está no palco, diz Lucinha, que buscou inspiração em Gloria Swanson no filme Crepúsculo dos Deuses para compor o papel. Vitória se veste como as atrizes de Hollywood nos anos 40. Dei uma chupada descarada na personagem da Gloria¿, entrega. Temores à parte, Lucinha é mesmo responsável por alguns dos mais hilariantes momentos da encenação e ainda canta divinamente músicas como Viver de Amor e Uma Canção Desnaturada.
Quem chega ao segundo ato certo de que não encontrará mais surpresas tem a melhor delas quando entra em cena Alessandra Maestrini. Não bastasse ser responsável pelo número solo mais aplaudido no sábado (a bela Palavra de Mulher), Alessandra ainda tem humor desconcertante. Essa canção é um exorcismo porque todos passam por um momento capacho na vida e eu me identifico bastante com isso, faz graça a atriz de 26 anos, que apareceu pela primeira vez em teatro musical pelas mãos de Möeller e Botelho, em As Malvadas.
Lúcia, sua personagem, sofre pelo amor de Max, daí a sensação de capacho descrita por Alessandra, que fala com humor da convivência com Lucinha e Soraya. Não tem essa de gente maluca quebrando camarim. Lucinha é uma mãezona, tem tudo na bolsa, e eu e Soraya não paramos de rir uma da outra. No domingo, nossas perucas ficaram presas e quase viramos irmãs siamesas em cena, conta.
Já uma celebrada atriz de musical, Soraya Ravenle devolve o elogio de Alessandra, se desmancha em adjetivos a Lucinha um escândalo de pessoa, generosa e adorável e, beirando os 40 anos, encara com vigor o papel de Teresinha, de 23, com quem Max se casa. Tenho um público fiel e tento me superar a cada trabalho, observa a atriz, que canta todas as músicas com técnica impecável e elege O Meu Amor (em dueto com Alessandra) seu momento predileto. Pega fogo. É forte para quem faz e para quem vê. A platéia parece concordar.
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8:19 AM
by Cassiano Leonel Drum
Liberato Vieira da Cunha
19/08/2003
O homem obsoleto
Resolvi submeter o computador a uma plástica, na tola crença de que, remoçado, esse perturbador engenho me ajudasse a decifrá-lo. Vã esperança. Continuo tão analfabeto em informática quanto fui, sou e serei.
Durante os delicados procedimentos cirúrgicos, notei que esse excelente operador, que cobr |