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Sábado, Setembro 13, 2003




Martha Medeiros
14/09/2003



Menos é mais

Se não me engano, a máxima "menos é mais" foi criada por um arquiteto alemão, depois popularizou-se através da moda e hoje vale pra tudo, a não ser pra dinheiro (onde menos é muito pouco) e pro sexo (onde mais é muito melhor).

Menos é mais no comportamento: falar rapidamente no telefone, falar pouco da vida dos outros, não ter chiliques porque o apartamento do andar de cima está com uma infiltração, não buzinar pro carro da frente assim que o sinal abre, não brigar com o namorado em voz alta em pleno restaurante, não ser arroz-de-festa, não se ocupar com 10 coisas ao mesmo tempo.

Menos é mais no cinema: menos efeitos especiais, menos bichos falantes, menos duendes, menos inverossimilhanças, menos cachês espetaculares para atores fracos, menos economia com roteiristas.

Menos é mais nas viagens: menos ziguezague por diversas cidades, menos compras, menos bagagem, menos quantidade de gente indo junto.

Menos é mais no amor: menos grude, menos ciúmes, menos cobrança, menos discussão por bobagem, menos pessoas de fora dando palpite, menos idas-e-vindas intermináveis.

Menos é mais na tevê: minisséries com poucos capítulos, seriados uma vez por semana, Criança Esperança uma vez por ano. E olhe lá.

Menos é mais nos tamanhos: edifícios menos gigantescos, hotéis menos impessoais, salas de teatro com menos lugares, restaurantes com menos mesas. Vale até para cidades: exaltamos as grandes metrópoles mas estamos sempre nos mesmos bairros, ou não? Enseadas em vez de praias enormes, escunas em vez de transatlânticos, alamedas em vez de grandes calçadões.

Menos é mais nos cumprimentos: dois beijinhos é melhor que três, um beijinho é melhor que dois, um aperto de mão é quase sempre mais educado do que sair beijando quem não se conhece. Mas se você conhece, inclusive biblicamente, um beijo longo vale por mil.

Menos é mais nas críticas (o criticado amanhã pode ganhar um Nobel e casar com sua irmã) e nos elogios (admiração é bem-vinda, puxa-saquismo é o fim). Menos é mais no batismo: menos nome de artista americano, mais João e Maria.

Menos é mais na crônica: fico por aqui.

martha.medeiros@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
14/09/2003


As damas, os cavalheiros - e seus cachorrinhos

Não precisamos ler o conto A Dama do Cachorrinho, do grande Anton Tchecov, para saber que se trata de uma história fascinante; o próprio título já o sugere. Uma senhora de alta sociedade que passeia com seu cãozinho; pronto, podemos imaginar toda uma trama. E podemos imaginar também que o cachorrinho desempenha, na vida dessa mulher, um papel importante. Ele é companhia, ele é o mudo interlocutor, ele é, quem sabe, o confidente.

As cidades hoje estão cheias de damas com cachorrinhos - e de cavalheiros com cachorrinhos, e de moças com cachorrinhos, e de rapazes com cachorrinhos. As estatísticas estão aí para comprová-lo: na Europa, existem cachorros em 41 milhões de lares, gatos em 47 milhões, aves em 35 milhões. Estes animais consomem cinco milhões de toneladas de alimentos, no valor de US$ 10 bilhões - o que explica também o grande número de pet shops em Porto Alegre (um conhecido trocou a farmácia que administrava por uma loja dessas. Está muito satisfeito: pelo visto, é mais interessante cuidar do bem-estar dos animais do que da saúde humana).

E o grau de sofisticação não é pequeno. A cronista Danuza Leão, que recentemente ganhou um gato (Haroldo), conta que ficou perplexa quando foi comprar ração para o bicho e o vendedor lhe indagou acerca do sabor da ração: peru, galinha ou peixe? Uma resposta que ela, obviamente, não se sentiu autorizada a dar.

Por que temos bichos em casa? A motivação às vezes é obscura: o que levou o ucraniano Ehven Matveiev a reunir em sua casa 260 caranguejeiras? O que leva pessoas a criarem - nenhuma alusão à tradicional expressão - cobras e lagartos?

Tirando estas situações intrigantes há razões óbvias: a segurança, em primeiro lugar (estão aí os polêmicos pitbulls e filas para comprová-lo). Mas na maioria dos casos o motivo é outro. Bichos fazem companhia. E companhia, num tempo de famílias pequenas, de separações, de pessoas morando sós, é uma coisa cada vez mais necessária. "Quando Haroldo chegou minha vida mudou", conta Danuza Leão. "Ele não me larga um só minuto." De quantos seres humanos podemos esperar tal fidelidade? E manifestações de afeto?

Manifestações de afeto, sim. Durante muito tempo os biólogos sustentaram que, diferente das pessoas, os animais não externam emoções. Mas qualquer dono de gato ou cachorro contará várias histórias provando o contrário. Em um de seus últimos números, a revista Newsweek transcreve várias delas. Godefroy Clair, de Paris, conta que seu gato Sharkan era francamente hostil à sua namorada, Alison, e chegou a urinar na bolsa dela depois que Godefroy e Alison, despudoradamente, se beijaram. John Van Zante conta que uma senhora inválida estacionou sua cadeira de rodas em cima da cauda de Max, o cachorro de John, e que o bicho agüentou bravamente a dor para não magoar a pobre mulher.

Não só os bichos têm emoções, como têm problemas emocionais também. Por causa disto, existem hoje (ao menos nos Estados Unidos) psicólogos que fazem terapia em animais, usando inclusive medicação: o antidepressivo Prozac tem uma versão canina que se chama Clomicalm.

Algumas pessoas observarão, de forma ácida, que todos estes cuidados poderiam ser dirigidos aos pobres que, neste país e em outros, não faltam. É uma discussão muito complexa, mesmo porque os pobres também têm seus gatos e cachorros; basta observar essas pequenas tribos que vagueiam pela cidade, dormindo sob os viadutos. Elas são acompanhadas por vários cães (nenhum de fina estirpe, obviamente).

O importante é que as emoções não sejam reprimidas, que elas possam fluir livremente - em direção a pessoas ou a bichos. É, no mínimo, um exercício de afeto, é uma mobilização de sentimentos. E a humanidade paga um preço mais caro pela falta de sentimentos do que pelo excesso deles.

scliar@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
14/09/2003


A glória de Deus e a glória dos reis

A glória de Deus é ocultar, a glória dos reis é descobrir, disse, mais ou menos, Salomão ("Provérbios" 25:2). Muitos séculos depois, o inglês Sir Francis Bacon, um dos primeiros reis da ciência, deu um conselho curioso aos que estudavam a Natureza: deveriam suspeitar de tudo que suas mentes adotassem com muita satisfação. Talvez uma maneira de prevenir contra a ilusão de que qualquer descoberta humana fosse completa, ou tivesse completamente desvendado o que Deus encobrira.

No momento (século 17) em que crescia a idéia quase herética de que existia um Livro da Natureza tão cheio de mensagens cifradas de Deus para os homens quanto o Livro dos Livros, Bacon aconselhava a Ciência a não desprezar o que diziam os mitos e as Escrituras. A glória de Deus se manifestava de várias formas, alguma eram apenas mais poéticas do que as outras.

Num livro chamado Labyrinth, subintitulado Uma busca pelo significado escondido da Ciência, o autor americano Peter Pesic (professor de música, diplomado em Física, não sei muito mais sobre ele) escreve que a primeira "mensagem" assim identificada do Livro secular da Natureza foi o magnetismo, que os gregos e romanos já conheciam e os chineses já usavam na navegação mas que só começou a ser estudado a fundo pelo inglês William Gilbert, contemporâneo de Francis Bacon na corte da rainha Elizabeth I, de quem era médico.

O magnetismo era a prototípica evidência de uma força invisível na Natureza, a primeira alternativa à pura vontade de Deus como algo por trás de tudo. Gilbert, que chamava a força magnética de "alma" da Terra, deduziu que todo o planeta era uma pedra magnética e que os ímãs eram filhos da Terra, com quem ela compartilhava seu poder. E recorreu à linguagem poética, no caso erótica, para descrever a origem conjunta do ferro e da sua misteriosa propriedade, no ventre profundo do globo, igual a "o sangue e o sêmem na geração dos animais".

Na linguagem poética dos mitos o poder da Mãe Terra sobre o destino dos homens é anterior às descobertas de Gilbert. São muitas as forças femininas que norteiam a vida dos homens e os atraem para a ruína ou o conhecimento ou o sucesso, ou tentam.

Desde Eva, culpada por termos trocado o paraíso eterno pelo saber, o sexo e a morte, passando pela Esfinge com suas charadas didáticas e por todas as musas inspiradoras e sereias tentadoras e ninfas sedutoras, e todas as gerações e gerações de companheiras de fé ou desencaminhadoras fatais que nos mantiveram no rumo ou nos desviaram dele (até a Margaret Thatcher, que era literalmente de ferro) são todas filhas da grande mãe magnética, nos guiando pelo mundo.

Albert Einstein contava que o presente de uma bússola, quando era menino, lhe dera a primeira sensação de uma força misteriosa por trás de tudo, e o primeiro ímpeto de desvendá-la. Mais do que ninguém, Einstein podia reivindicar uma glória de descobrir igual à glória de Deus em ocultar, mas ele nunca abandonou sua devoção quase religiosa a um determinismo harmônico do Universo, cedendo a Deus, ou a que outro nome se quisesse dar ao indesvendável, esse último mistério, só alcançável pela metáfora. Mas Einstein não seguiu o conselho de Francis Bacon, de desconfiar do que o satisfazia.

Satisfez-se tanto com suas certezas que passou os últimos anos da vida buscando uma teoria unificada da gravidade e do eletromagnetismo que refutasse a teoria quântica que as ameaçava, e tornava a matéria e seu comportamento inexplicáveis em qualquer linguagem, científica ou a poética. Pois aceitá-la seria aceitar um Universo regido pelo acaso, ou pela estupidez. Ou tornado absolutamente obscuro por um Deus cioso da sua glória.

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Paulo Sant'ana
14/09/2003


A redução dos prazeres

Tornou-se por demais repetitivo para mim o camarão, fatigou-me o churrasco, já não me seduzem mais as massas. Dos prazeres da mesa, só me resta o jogo de cartas.

Estou cansado da programação da televisão, entediou-me o sexo pelo uso obrigatório da camisinha. Dos prazeres da cama, só me resta o sono.

Por causa dos ouvidos, proibiram-me os médicos a piscina e a praia de mar. Dos inefáveis prazeres aquáticos, só me resta o banho de chuveiro, assim mesmo só abaixo dos ouvidos.

O vinho, a cerveja, o uísque, todos se tornaram perigosos para a minha glicemia. Dos prazeres do copo, só me resta o guaraná diet.

Desapareceram de repente e há muito tempo, como por um milagre, os grandes tribunos e os apaixonados oradores - e os governantes, quando assumem o poder, não fazem nada do que prometeram na campanha eleitoral, a não ser aumentar os impostos, desiludiu-me completamente a política.

O último genial jogador que jogou no meu time, fez isso só por um ano e meio, depois abandonou o clube sem dar satisfações e sem indenizar a sua formação, restando-me torcer por cabeças-de-bagre indisciplinados.

Decepcionou-me trágica e definitivamente o futebol.

Foram aos poucos na minha vida, como na reforma previdenciária, reduzindo-se os meus direitos e aumentando as minhas obrigações.

Foram aos poucos na minha vida, como na reforma tributária, apequenando-se os meus ganhos e crescendo os meus tributos.

Fugiu-me entre os dedos a minha juventude, massacrando o meu presente e fazendo desaparecer o meu futuro.

Já não seduzo, não flerto, não namoro e acho que não só para mim mas para todos sumiu o grande e entusiástico deleite das reuniões dançantes e dos bailes.

O Carnaval, o maior de todos os encantamentos da minha vida, desfigurou-se completamente para a minha figura passiva, desanimada e neutra de espectador anual dos desfiles dos outros na Sapucaí.

Caminhar é impossível, seja nas ruas ou nos parques, os assaltos, os pitbulls e os rottweilers são apenas alguns dos detalhes amedrontadores.

Dirigir o carro, antes um grande e inverso prazer, virou um pesadelo, o preço da gasolina e da garagem, os flanelinhas, o IPVA, as multas e todos os outros encargos que se derrubam sucessivamente sobre os veículos acabaram por destruir completamente, entre nós, o ideal de felicidade sonhado por Henry Ford.

Teria mudado a vida ou mudei eu? É muito provável, quase certo, que mudei eu.

A vida deve continuar a mesma, a minha leitura dela é que deve estar atrapalhada.

Ou então estou apenas colhendo os frutos da minha falta de planejamento.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Religião
O dízimo volta à Igreja



Por convocação dos padres, a mais tradicional fonte de receita da Igreja Católica retorna de maneira pública, levada por fiéis em envelope ao altar (foto Paulo Franken/ZH)

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Livros
Escritor e fantasma

Um ghost-writer que se apaixona pela língua húngara. Bem-vindo a Budapeste, de Chico Buarque

Jerônimo Teixeira
Bel Pedrosa


Chico: ele jamais esteve na cidade que descreve


Trechos do livro

Todo escritor mente. Não se trata de desvio moral, mas de exigência profissional: quem escreve falsifica sua identidade, criando uma persona de papel. José Costa, o narrador de Budapeste (Companhia das Letras; 176 páginas; 29,50 reais), vive de explorar ao extremo essa mentira. É um escritor anônimo, pago para produzir artigos de jornal, discursos, cartas de amor e monografias que serão assinados por outros. Com esse personagem, Chico Buarque construiu uma intrigante e por vezes engraçada especulação sobre identidade e autoria.

Budapeste chega às livrarias com tiragem inicial de 50.000 exemplares, número respeitável para os padrões brasileiros. É o terceiro romance do compositor e cantor. Estorvo vendeu 165.000 cópias. Benjamin ficou em 60.000. Budapeste ironiza os sucessos de venda, no episódio em que José Costa se torna autor de um involuntário best-seller: O Ginógrafo, livro de memórias assinado pelo alemão Kaspar Krabbe (em tempo: o "ginógrafo" do título é um homem que tem a tara de escrever no corpo das mulheres). Apesar das iniciais kafkianas do personagem, não se repete aqui a atmosfera de pesadelo dos romances anteriores.

Em seus melhores momentos, Budapeste é uma peça de humor quase carnavalesco, ainda que travestida com o figurino cinzento do Leste Europeu. A caminho de um congresso de escritores anônimos em Istambul, José Costa faz uma escala forçada na Hungria e fica fascinado pela língua magiar. Ele retorna à capital húngara para aprender o idioma e se torna amante de Kriska, sua professora. A partir daí, a narrativa desenvolve-se num contrastante vaivém entre Rio de Janeiro e Budapeste.

A cidade que dá título ao livro é retratada em detalhes que vão da cor do Rio Danúbio (não azul, mas verde-musgo) à afetação dos círculos literários. Chico, no entanto, jamais pisou em Budapeste (para finalizar a obra, preferiu trancar-se em seu apartamento em Paris). De qualquer forma, a Hungria, para José Costa, é antes de tudo seu quase impenetrável idioma, que a muito custo ele tenta dominar.

Algumas das melhores páginas do livro são dedicadas a essa imersão em uma nova língua, que para o personagem representa também uma outra identidade de José Costa a Zsoze Kósta. A narrativa fica menos interessante quando se desvia do tema literário. Os flagrantes de opressão urbana como a cena em que José Costa é assediado por um casal de golpistas romenos ¿ parecem um tanto deslocados.

Nos últimos anos, Chico quase não fez shows. E, por enquanto, não planeja lançar disco. Suas últimas composições datam de 2001 algumas canções para o musical Cambaio, em parceria com Edu Lobo. "Quando está escrevendo, ele não quer nem saber de música", diz sua irmã, a cantora Miúcha. Budapeste parece mesmo ter consumido toda a energia criativa de Chico, que até o final da redação fez mudanças radicais na estrutura do romance. Quando começou a escrevê-lo, em 2001, José Costa não era um ghost-writer, mas um arquiteto. O argumento de Budapeste seria inviável dessa forma. Afinal de contas, a arquitetura ainda é uma ocupação sincera.

Orgulho de autor
"Além de expostos de longo a longo na vitrine, havia uma pilha deles no balcão. As pessoas entravam, passavam a mão num exemplar e se acertavam no caixa, quando não iam diretamente ao caixa como quem compra cigarros: me vê um Ginógrafo. Outros chegavam, davam uma olhada nas estantes, apuravam o preço dos importados, bordejavam a bancada com os lançamentos recentes, acabavam topando a pilha sobre o balcão; está saindo à beça, dizia o livreiro, ou, até o Natal bate os cem mil, e essa espécie de recomendação era tiro e queda, mais um Ginógrafo embrulhado para presente.

Postado no centro da pequena livraria, num pedaço de tarde perdi a conta dos fregueses que saíram com o meu livro. Passavam por mim sem me olhar, esbarravam em mim sem imaginar quem eu fosse, e aquilo me enchia de uma vaidade que havia muito tempo eu não sentia."

Trecho de Budapeste

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Em foco: Gustavo Franco
O ocaso do esquerdismo

"Os mercados vão fazendo o movimento virtuoso na exata proporção do afastamento que o governo faz do 'esquerdismo', centavo
por centímetro, bem devagarzinho"

O presidente da República declarou recentemente que nunca se sentiu confortável quando o tomavam como um esquerdista. Com efeito, seu governo nada tem de esquerdista, e não é outro o motivo pelo qual teve sucesso em debelar a ameaça de crise que se impôs, durante o período eleitoral, em boa medida porque se acreditava que teríamos um governo esquerdista, heterodoxo ou de rupturas.

As declarações do presidente são perfeitamente consistentes com a orientação da política econômica e também com as escolhas para a agenda com o Legislativo. Por paradoxal que pareça, diante dessa evidência, fica claro que este é um governo social-democrata light, como o anterior, mas ainda em fase de definições, remoção de tecidos radicais e esclarecimentos.

A interação com o Parlamento na votação das reformas apenas reforça essa impressão, pois é a coalizão governista aí formada que vai, em última instância, dar personalidade ao governo. Na votação da reforma previdenciária, o governo teve 358 votos, oitenta dos quais (22%) do PT e 61 (17%) vindos dos partidos genuinamente de esquerda (PSB, PDT, PC do B, PPS e PV). O chamado "centrão" (PMDB, PTB, PL, PP) forneceu vistosos 152 votos, ou 42% do total, e a oposição (PSDB e PFL) adicionou 62 votos, os mesmos 17% dados pelos esquerdistas "autênticos".

Na votação da reforma tributária, os números sobem para o PT, que agora fornece 87 votos, mas quase nada para os "autênticos", que vão a 62. Como o governo conseguiu um total maior, 378, esse bloco obteve os mesmos 39% do total nas votações das duas reformas. A mudança definidora ocorre com o aumento dos votos dados pelo "centrão", que chegam a 186, ou 49,2% do total, na reforma tributária. Esse aumento mais que compensa a redução dos votos dados pela oposição, que diminui sua contribuição para 39 votos dos 62 anteriores.

Ilustração Ale Setti

O condomínio governista, portanto, tem o "centrão" como sócio majoritário, tal como no governo passado, de modo que o esquerdismo parece condenado a um canto escuro do governo, ou ao desembarque, o que for mais consistente com a maior e imprescindível presença do "centrão" no ministério.

Essas considerações são da maior importância quando o mercado está testando limites, seja para a queda dos juros, seja para a elevação nas bolsas, títulos da dívida externa e risco Brasil. O movimento "virtuoso" que ocorreu das eleições até aqui tem sido espetacular: câmbio e juros para baixo, bolsa furando os 16.000 pontos, o risco Brasil vindo de 2.000 para 700 pontos, tudo na direção correta. E todo esse movimento gerado pela percepção cada vez mais generalizada de que este não é um governo esquerdista.

No mercado, as pessoas se perguntam se esse movimento virtuoso já se esgotou ou se vamos mais adiante. O risco Brasil ainda está num nível muito alto, o mesmo em que andou no ápice da crise da Ásia. Pode perfeitamente chegar a 300 ou 200 pontos, e com isso a bolsa subir bem mais do que já subiu. Os investimentos diretos podem voltar e o dólar derreter, o que permitirá ao Banco Central recompor suas reservas e livrar-se do FMI.

Tudo isso pode ocorrer se o governo continuar no mesmo caminho e se afastar mais e mais desse "esquerdismo", que, como agora sabemos com certeza, sempre incomodou o presidente.

Para as agências de classificação de risco, atores fundamentais na definição do tamanho do risco Brasil, houve uma descoberta fundamental, ainda longe de ser inteiramente confirmada e digerida: a de que a "esquerda" brasileira é como a européia. Se isso é verdade, as avaliações do risco Brasil precisam ser drasticamente melhoradas para refletir o fato de que o Brasil é um país "de centro", onde oposição e situação têm mais ou menos as mesmas agendas, e, portanto, a possibilidade de "rupturas" é remota.

Os mercados podem ser irracionais em muitas ocasiões, mas em outras exibem uma sabedoria estonteante, como no momento atual, em que vão fazendo o movimento virtuoso na exata proporção do afastamento que o governo faz do "esquerdismo", centavo por centímetro, bem devagarzinho.

Gustavo Franco é economista da PUC-RJ e ex-presidente do Banco Central
(gfranco@palavra.com www.gfranco.com.br)

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E esta é a capa da Revista Isto É deste fim de semana. Uma ótima leitura e um ótimo fim de semana.

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Ponto de vista: Stephen Kanitz
O perigo dos "6 Sigma"

"Um único indivíduo instruído com um bom laboratório nos fins de semana tem acesso a tecnologia de destruição capaz de dizimar o mundo"

Sempre haverá pessoas malucas no mundo. E para cada 1.000 pessoas malucas haverá uma pessoa supermaluca, um "5 Sigma"*. E entre cada 1.000 dessas haverá uma mais maluca ainda, gente a quem vou chamar de "6 Sigma". Pessoas inteligentíssimas e competentes, mas que estão longe do padrão normal.

Na Idade Média, um desses malucos, de mal com a vida e o mundo, poderia sair matando uns vinte inocentes no mercado principal, até que os cavaleiros do rei lhe cortassem a cabeça. Nos anos 80, um terrorista matava 200 com uma bomba numa estação de trem.

Hoje, graças ao avanço da tecnologia, um maluco pode seqüestrar um avião e matar 2.000 pessoas. Daqui a alguns anos, correremos o enorme risco de um "6 Sigma" modificar um vírus da gripe e misturá-lo com o vírus da Aids, e então veremos 80% da população mundial e brasileira ser dizimada, se não percebermos esse novo problema que nos assola. A luta contra esse terror não é exclusivamente americana, como muitos estão comodamente achando. Um vírus aéreo da Aids lançado em Nova York em dois meses estaria sendo respirado em Brasília.

Como identificar um "6 Sigma" antes que ele faça um estrago grave é um problema sério que o mundo poderá enfrentar nos próximos cinqüenta anos. É um problema policial-sociológico-jurídico-político absolutamente novo e exigirá soluções muito impopulares.

Por exemplo, como identificar essa gente maluca com nossos valores de privacidade, sigilo e liberdade? Como identificar os "6 Sigma" sem impor um Estado policial, numa cultura que abomina o "dedo-duro"? Como prendê-los sem muitas provas de suas malucas futuras intenções? Como condená-los à prisão se ainda não cometeram o monstruoso crime?

Ilustração Alê Setti


Depois do 11 de setembro, esse perigo ficou mais claro para o mundo, mas o governo americano mudou de enfoque e demarcou países como o Iraque e a Coréia como perigosos, e não os futuros "6 Sigma" espalhados por aí. Em minha modesta opinião, isso é um erro. Saddam e seus filhos queriam poder e dinheiro. Quem quer dinheiro e poder avalia seus limites. Bin Laden e seus suicidas queriam vingança, e isso sim é um perigo assustador. Vingança a qualquer preço, para si e para os outros, e quem está disposto ao suicídio já ultrapassou qualquer limite de razoabilidade.

Como também queria vingança o criador do vírus Sobig.F, que chegou a contaminar um em cada dezesseis e-mails, e preparava um enorme ataque ao site da Microsoft, destruindo e-mails de médicos a seus pacientes, pedidos de remédios e chats de apoio psicológico, entre outras coisas.

Um segundo erro da doutrina Bush é que ela quer implantar democracias liberais no resto do mundo como solução. Mas democracias liberais são justamente aquelas que não acreditam em um Estado que controle a população, e sim numa população que controle um Estado. Justamente o contrário do que precisamos para proteger a nação de um "6 Sigma".

Os Estados Unidos já implantaram redes neurais que supervisionam movimentos de pessoas, de cheques e sinais estranhos na população. Mas quem vai supervisionar o mundo? Os americanos, a ONU, cada país por si ou a polícia montada canadense? É uma bela encrenca a ser resolvida.

No fundo, o que ocorre é que o mundo está avançando em termos de tecnologia muito mais rapidamente do que em termos de psicologia, sociologia e política. Um único indivíduo instruído com um bom laboratório nos fins de semana tem acesso a tecnologia de destruição capaz de dizimar o mundo. Talvez o risco dos "6 Sigma" não seja tão grande quanto estou supondo, e vão me criticar por alarmismo. Eu também prefiro achar que não vai acontecer nada, mas e se der zebra e não estivermos preparados?

Vão dizer que o ser humano no fundo é bonzinho e não faria mal a ninguém. Esquecem que todo dia hospitais, indústrias de remédios, médicos e dentistas perdem arquivos valiosos por causa de 7.000 vírus que andam rodando por aí, plantados no sistema por alguém, sem alvo definido, sem medir conseqüências. Eu sinceramente preferiria discutir um pouco mais essa questão em vez de ignorá-la como estamos fazendo.

Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)

*.Sigma é uma medida estatística de desvio da normalidade. Quanto mais Sigma, mais anormal. Estima-se que existam mais de 650.000 pessoas 5 Sigma no mundo e 1.650 pessoas 6 Sigma. O drama é que não se sabe quem são.

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Diogo Mainardi
Petista à força

"O PT é como a Igreja Universal, que toma 10% do salário dos fiéis em troca de promessas de salvação, milagres e prosperidade. E quem paga os fiéis?
Eu e todos os brasileiros. Estamos financiando o PT"

Eu sou petista. Eu e todos os brasileiros. Assim que assumiram o poder, os petistas empregaram milhares de outros petistas na administração pública. Cada um deles passou a descontar até 10% de seu salário para o partido. Como o salário dessa gente é pago com o dinheiro dos impostos, somos nós que estamos financiando o PT. Eu não escolhi ser petista, fui recrutado na marra, contribuindo involuntariamente para encher seus cofres. Agora quero minha carteirinha. E quero que me mandem, de brinde, um chaveiro com a estrela vermelha, igual ao que vendem na lojinha virtual do PT. E quero um desconto no seguro de vida patrocinado pelo partido, o "Optei-Vida".

O PT é dividido em muitas correntes. Ainda não decidi a qual me filiar. Uma se chama "O Trabalho". Eu não pretendo aderir a ela, porque não gosto muito de trabalhar. O nome da corrente de Lula é "Articulação". É majoritária dentro do partido. É ela que administra boa parte do dinheiro que nós, contribuintes, generosamente doamos, por intermédio dos funcionários loteados nos cargos de confiança. O PT é como a Igreja Universal, que toma 10% do salário dos fiéis em troca de promessas de salvação, milagres e prosperidade. Lula é uma espécie de bispo Edir Macedo da política.

Como minha contribuição ao PT é recolhida através de impostos, creio que minha corrente pode ser definida como a dos "petistas da CPMF". De todas as correntes, é seguramente a pior. A melhor é a dos "petistas da CC-5". A ela pertencem todos os membros do governo que enviaram legalmente suas economias para contas bancárias na Suíça ou no paraíso fiscal de Nassau. Entre eles, encontra-se gente do gabarito do ministro da Justiça, do presidente do Banco do Brasil, do diretor de política monetária do Banco Central. Eu gostaria muito de me juntar a essa corrente, mas temo que para ser aceito seja necessária uma poupança mínima de 1 milhão de reais.

O Brasil, no passado, já teve ministros apelidados jocosamente de "Mr. 10%". Hoje em dia, quase todos os ministros podem ser chamados de "Mr. 10%". Pelas contas de VEJA, publicadas na última semana, o PT vai arrecadar 30 milhões de reais até as eleições do ano que vem, graças à ocupação selvagem dos cargos federais. O senador Arthur Virgílio calculou que, nos quatro anos de legislatura, os ganhos do partido devem chegar a 120 milhões. Como o dinheiro será revertido em propaganda, tudo indica que Lula já tem a reeleição garantida. Em oito anos de poder, serão 240 milhões. O número não leva em conta, claro, a contribuição de milhares de petistas entranhados nos governos estaduais e municipais.

Eu gostaria que o presidente do PT, José Genoíno, esclarecesse se, na condição de petista compulsório, posso influir nas questões internas do partido. Se puder, apóio o afastamento imediato de todos os radicais que discordam da política do governo. Eu me incluo nesse grupo. Afastem-me do partido. Impeçam-me de continuar contribuindo para as finanças do PT.

É desagradável dizer uma coisa dessas, mas o jeito mais eficiente de ser oposicionista no Brasil, neste governo ou nos anteriores, é sonegar impostos.

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Lya Luft
13/09/2003


Na escada rolante

Alguém que sabia das coisas certo dia comentou comigo: viver é como subir uma escada rolante pelo lado que desce!

Fiquei imaginando qualquer pessoa nessa acrobacia que às vezes crianças fazem ou tentam fazer, isto é, subir aqueles degraus que nos puxam inexoravelmente para baixo. Perigo, loucura, ou simplesmente realidade?

Poucas vezes me deram um símbolo tão adequado para a vida, sobretudo naqueles períodos difíceis em que até pensar em sair da cama dá vontade de desistir. Tudo o que a gente queria era cobrir a cabeça e dormir, sem pensar em nada, fingindo que não estamos nem aí...

Porque Tânatos, isto é, a voz do poço e da morte, nos convoca a cada minuto para que a gente enfim se entregue e se acomode. Só que acomodar-se é abrir a porta para tudo isso que nos faz cúmplices do negativo. Descansaremos, sim, mas tornando-nos filhos do tédio e amantes da pusilanimidade, personagens do teatro dos que constantemente desperdiçam seus próprios talentos e dificultam a vida dos outros.

E o desperdício de nossa vida, talentos e oportunidades é o único débito que no final não se poderá saldar: estaremos no arquivo morto.

Não que a gente não tenha vontade ou motivos para desistir: corrupção, violência, drogas, doença, problemas no emprego, dramas na família, buracos na alma, solidão no casamento a que também nos acomodamos... tudo isso nos sufoca. Sobretudo se pertencermos ao grupo cujo lema é: Pensar, nem pensar... e a vida que se lixe.

A escada rolante nos chama para o fundo: não dou mais um passo, não luto, não me sacrifico mais. Pra que mudar, se a maior parte das pessoas nem pensa nisso e vive do mesmo jeito, e do mesmo jeito vai morrer?

Não vive (nem morrerá) do mesmo jeito. Porque só nessa batalha consigo mesmo, percebendo engodos e superando barreiras, a gente também pode saborear as delícias da vida. Que até nos surpreende quando não se esperava, oferecendo-nos momentos claros, conquistas preciosas, novos caminhos, novos desafios.

Mesmo que pareça quase uma condenação, a idéia de que viver é subir uma escada rolante pelo lado que desce é que nos permite sentir que afinal não somos assim tão insignificantes e tão incapazes. E que o esforço vale a pena porque nos abre possibilidades que nos iluminam o lado escuro, adoçam a hora amarga, agrandam o coração encolhido por velhos sofrimentos.

Colheremos quem sabe ainda uma vez - ou finalmente - a fruta mais dura de mastigar e mais doce de sentir: um amor bom.

Então, vamos à escada rolante: aqui e ali até conseguirmos saltar degraus de dois em dois, como quando éramos crianças e muito mais livres, mais ousados e mais interessantes.

E por que não?

lya.luft@zerohora.com.br

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Ricardo Silvestrin
13/09/2003


Atualidade de Chico Buarque

Ouvindo o maravilhoso CD novo do Nei Lisboa, numas duas ou três faixas eu pensei: tira a voz do Nei e bota a do Chico Buarque e ninguém diz que a música não é do Chico. Por exemplo, naquela "que é que eu vou fazer pra te esquecer..." tem uma estrutura de letra, de ritmo, de arranjo que lembra bastante discos como Francisco, do Chico. O Nei andou cantando em shows uma das mais bonitas do Chico, Vitrines: "Eu te vejo sumir por aí / te avisei que a cidade era um vão...". Não tem nada de errado nisso. Essas músicas do Nei são, pelo menos para mim, a la Chico, mas são do Nei, com o tom dele, com a sua ironia, com a inteligência e a sensibilidade que já viraram marca registrada. O Mario Quintana falava, sobre essa questão da influência, o seguinte. Para ele, o que existe é confluência. A gente só é influenciado por artistas que já contenham alguma coisa nossa.

Integrantes da banda Los Hermanos também já revelaram em várias entrevistas a admiração e a influência do Chico sobre o trabalho que eles fazem. Das letras à sonoridade. A chamada de atenção da banda carioca para que se reveja o trabalho do Chico ecoou inclusive na concepção de arranjos de sopro do próximo CD do Frank Jorge. O disco já vem vindo aí pela gravadora YB. Ouvi algumas faixas na casa do Frank e gostei muito mesmo. Têm um ar de Beatles ali de 1966, antes dos arranjos mais complexos de orquestra e tal, mas depois das músicas de guitar band pura. E o curioso é que o Frank me mostrou um disco do Chico para sacar o uso interessante dos instrumentos de sopro.

Uma tradição artística se faz também de leituras e releituras estéticas do passado. Se você reparar bem, diferentes épocas elegem um recorte do passado que a embasa. Chico tem como referência o samba carioca, Noel Rosa... Caetano, João Gilberto. Ali na década de 70, os bacanas eram o Chico, o Milton, o Caetano e o Gil. Esses dois últimos olhados meio com desconfiança pela ferrenha patrulha ideológica. Chega a abertura e Chico e Milton se desgastam justamente por estarem muito ligados ao embate contra a ditadura.

As novas bandas, como Paralamas e Barão Vermelho, cultuam Caetano e Gil. Já a geração de 90 vai buscar Jorge Ben e Tim Maia, dois que eram vistos com mais desconfiança ainda pelos setentões militantes. Jorge Ben era quase incompreensível, que papo era aquele de que os alquimistas estão chegando? Cadê a metáfora contra o regime militar? E o Tim Maia fazendo soul, música americana? A festa do Tim e do Ben parecia não combinar com os tristonhos anos de chumbo, mas arrombou a festa da gurizada de 90 e poucos. O Mundo Livre S/A, uma das bandas mais legais de 90 pra cá, é puro Jorge Ben recriado.

Um artista com a grandeza de Chico cria uma certa inveja criativa de difícil solução. Todo mundo gostaria de compor e escrever como ele. Mas quem consegue? O melhor é esquecer que ele existe e criar outra coisa totalmente diferente. Ter a coragem de buscar de novo o Chico é um sinal de que estamos num novo momento estético. Talvez mais denso e reflexivo.

ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
13/09/2003


Mulheres de toga

As mulheres são mais amigas do que os homens. A mulher é mais talhada para ajudar. É mais compatível com a natureza da mulher amparar os outros. Daí que, mesmo antes da ascensão estupenda da mulher nos meios de trabalho, sempre houve mais enfermeiras do que enfermeiros.

A mulher, aliás, foi criada para ajudar o homem, que não sabia como iria enfrentar sozinho as agruras do mundo.

O primeiro homem se dirigiu ao Criador e protestou: "Assim não vai dar para continuar. É preciso que se tome uma providência".

E Deus criou a mulher.

A mulher é assim mais prestativa pela sua capacidade de ouvir. E quando ouve a mulher se sensibiliza. E aí se desata o seu processo de ajuda.

O homem tem suas encrencas na rua e foge à noite desesperado para casa, narrando-as para sua mulher.

É impressionante a coragem da mulher para enfrentar os problemas. O homem sente-se aliviado quando deposita no colo de sua mulher os seus problemas: só fio desencapado.

E a mulher ajuda o homem a enfrentar as dificuldades por um só atributo: a coragem.

No dia seguinte, o homem volta para a rua como um leão, encorajado pela mulher.

Não sei como a mulher foi se sair assim tão destemida. Sua capacidade para suportar e enfrentar a dor é descomunalmente maior do que a do homem.

Deve ter sido por isso que a criação designou para a mulher a dor do parto.

O homem não a suportaria.

Foi por se desincumbir assim tão dinamicamente diante dos embaraços da existência que a mulher acabou por deixar o lar e ir trabalhar na rua.

E está dando de relho no homem em todos os setores do trabalho, permitindo-se ainda o regalito de cuidar e administrar o lar ao mesmo tempo em que trabalha fora.

E quando é que se ia pensar que os xerifes antigos, hoje sucedidos pelos delegados, seriam figuras substituídas por mulheres?

Hoje, na imprensa, uma das cenas mais comuns é ver a delegada dando entrevista sobre o resultado das investigações de um crime, relatando as diligências que presidiu para prender o assaltantes.

E é a promotora, é a juíza, é a desembargadora, a deputada, a senadora, a prefeita, onde é afinal que a mulher não foi tirando o lugar do homem na teia das profissões?

De tal sorte se mostra este incrível avanço feminino que gradualmente o homem vai perdendo terreno para a mulher em todas as atividades.

Em algumas, no século passado, jamais se podia imaginar que uma mulher fosse empunhá-las: só para dar um entre mil exemplos, o de locutor de notícias. Desde o Repórter Esso que o lugar era cativo dos homens.

Hoje, os grandes jornais de televisão já dividem entre uma mulher e um homem a apresentação. E há alguns que só têm uma mulher. No Jornal do Almoço já são só duas mulheres.

Na Europa, as tarefas mais rudes, como a da limpeza das ruas, dos lares e dos escritórios é reservada para os estrangeiros.

Não vai terminar este século sem que se vejam as mulheres empurrarem os homens para os trabalhos menos nobres.

O próximo século será marcado por mulheres de toga e homens de macacão.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
De volta à terra firme



Itajaí recebeu com emoção os náufragos do pesqueiro Chile II, depois de 99 horas no mar (foto Júlio Cavalheiro, Agência RBS/ZH)


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Sexta-feira, Setembro 12, 2003




BARQUINHO
Maísa



Dia de luz , festa de sol
E um barquinho a deslizar
No macio azul do mar
Tudo é verão e o amor se faz
Num barquinho pelo mar

Que desliza sem parar
Sem intenção nossa canção
Vai saindo desse mar e o sol
Beija o barco o barco e luz

Dias tão azuis
Volta do mar
Desmaia o sol
E o barquinho a deslizar
E a vontade de cantar
Céu tão azul , ilhas do sul

E o barquinho é o coração
Deslizando na canção
Tudo isso é paz , tudo isso traz
Uma calma de verão , e então
O barquinho vai
A tardinha cai

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Comportamento
11 de setembro: cinco histórias bonitas num dia triste

Universidade da paz

Os santa-marienses não hesitaram em aderir à campanha Libere um Livro: desde a terça-feira, o movimento ganhou adeptos que distribuíram exemplares por toda a cidade. Anteontem, a Associação Santa-mariense de Letras e o Conselho Municipal de Cultura liberaram, às 11h, 11 kits com 11 livros de autores santa-marienses para 11 instituições da cidade.

O ato contou com a presença do reitor da Universidade da Paz - Unipaz -, o escritor e educador Pierre Weil, indicado ao Prêmio Nobel da Paz de 2003.

O capitão rodrigo na praça

Um Certo Capitão Rodrigo, de Erico Verissimo, foi liberado por jornalistas do Diário de Santa Maria na praça de alimentação da rodoviária de Santa Maria. Ninguém se animou sequer a tocar o livro - somente um passarinho ousou pousar ao lado do volume e bicá-lo muito de leve.

Lidiane Ribeiro Schaf, que trabalha numa lancheria, ao limpar as mesas da praça de alimentação, deparou-se com o livro. Pegou o volume e apressou-se em perguntar se pertencia a algum dos clientes. Com a resposta negativa, guardou Um Certo Capitão Rodrigo no bolso do avental.

Os mandamentos caxienses

O jornal O Pioneiro, de Caxias do Sul, deixou um exemplar de Os Mandamentos do Não, coletânea de contos de autores caxienses, junto a um telefone público, no largo da Igreja São Pelegrino. O entregador de panfletos Orivaldo Carvalho, que pegou o exemplar sem saber do movimento, surpreendeu-se.

- Não sabia de nada, mas achei legal.

Os olhos nas mãos

Um atentado poético muito particular foi perpetrado pelo patrono da Feira do Livro de Caxias do Sul, o escritor e jornalista Carlos Urbim. Os alunos da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Visuais receberam das mãos do autor um exemplar em braile de Um Guri Daltônico. Felizes, os alunis passavam os dedinhos nervosos pelo exemplar.

- Deixa eu ver, deixa eu ver. Olha, o sol é redondinho - exclamavam.

Bukowski no ponto de ônibus

Em São Paulo, o escritor Marcelino Freire deixou um exemplar de Notas de Um Velho Safado, de Charles Bukowski, num ponto de ônibus na Vila Madalena, oeste da capital. O livro foi encontrado dois minutos depois por um senhor - que conferiu o entorno primeiro. Flagrado por um fotógrafo, Horácio Delogu, 76 anos disse:

- Tinha um tio que me dizia: "se você achar um programa, uma propaganda na rua, pegue e leia".

Multimídia

O aluno Sonilton Sicca, de São Gabriel, encontrou um volume num dos bancos do campus da Unisinos, em São Leopoldo. Ficou desconfiado. Depois, aceitou e leu

Dever: 23 alunos do colégio Bom Conselho deixaram 30 livros nas proximidades da escola

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Comportamento
O dia em que os livros falaram

Seguindo a corrente virtual que pedia "no dia 11 de setembro, libere um livro", diferentes cidades do Brasil, como Porto Alegre, viram a sua gente transformar o luto da tragédia histórica numa sensível mensagem de paz
MOISÉS MENDES

Dois moradores de rua de Porto Alegre avisam a Céu Azul: sua doação de 11 de setembro foi parar em boas mãos. Eles amam literatura, leram a Bíblia, o inglês Lord Byron, o americano Edgar Allan Poe, o argentino Jorge Luis Borges, os brasileiros Álvares de Azevedo e Erico Verissimo, a chilena Gabriela Mistral.

Se Céu Azul quiser saber mais, se quiser ouvir citações, trocar impressões sobre os autores latinos, ou se quiser apenas conhecer quem são agora os donos das Fábulas de Esopo, o livro deixado na Praça do Rosário ontem pela manhã, que apareça na esquina da Rua Vasco da Gama com a Garibaldi, no bairro Bom Fim. Ali estarão João Ninguém e Tolentino.

Foi João Ninguém - apenas João Ninguém, porque assim ele quer que seja - quem encontrou o livro de 184 páginas, editado pela coleção L&PM Pocket. João catava papel e latinhas no Centro de Porto Alegre. Às 10h, viu o livro, novinho, sobre um banco. Enfiou-o no bolso e voltou para seu posto, a casa a céu aberto na calçada da Vasco da Gama, onde convive há quatro anos com Tolentino, que prefere ser apenas Tolentino. Só às 16h, sentando sobre um amontoado de roupas, deu-se conta da dedicatória:

- Que este livro encontre alguém que goste tanto da vida como eu.

No pé, a data, 11/set/03, e a assinatura: Céu Azul. Quem é Céu Azul? João supõe que céu tanto pode ser homem quanto mulher. O livro passava das mãos dele para as de Tolentino ontem à tarde. Os dois já conheciam as fábulas de Esopo, um escravo grego que teria vivido antes de Cristo, mas cuja existência nunca foi comprovada. João cita de cor a fábula O Vento e O Sol (veja no quadro).

- Me emocionei quando vi o livro. Esopo foi um sábio - diz João.

Tolentino observa, com alguma indiferença, porque gostou do gesto de Céu Azul, mas despreza o achado como leitura. Já foi muito adiante em literatura:

- As histórias dele são de colégio, um tanto infantis.

Para João, Tolentino é o Véio. Para Tolentino, o amigo é o Alemão. João é catador, arrecada de R$ 10 a R$ 15 por dia com papel e latinhas. Tolentino ganha até R$ 20 como "guardador" de carros, ou flanelinha. Dividem a mesma casa na calçada da rua e duelam como amantes das letras. Tolentino cita Martín Fierro:

- Nunca invejes na tua vida. Cada leitão na sua teta é um modo de mamar.

João declama Gabriela Mistral, a poeta chilena Prêmio Nobel de Literatura:

- Toda a natureza é um serviço. Serve a nuvem, serve o vento, serve a chuva. A vida é um prazer de servir.

Se João sabe os versos, Tolentino sabe que Gabriela morreu no Uruguai. Tolentino gosta do salmo 23 da Bíblia:

- Deus é meu pastor, nada me faltará.

João Ninguém cita o "versículo central'' de João:

- Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Para Tolentino, literatura mesmo é Allan Poe, Vitor Hugo, "que escreveu Os Miseráveis'', Erico Verissimo e Alexandre Dumas. João leu e gostou de O Alquimista, de Paulo Coelho. Tolentino, claro, também leu:

- Minha vida é pior que a do alquimista. Passei muito mais trabalho.

A conversa é acelerada, literatura é debate. E Esopo seria ou não boa literatura? Tolentino considera Erico superior a Jorge Amado. João diz que Álvares de Azevedo era "um grande poeta, um louco", e cita o poema A Uma Taça Feita de Crânio. Se tivesse como comprar, João daria a Bíblia como retribuição a Céu Azul.

Mas quem eram, antes de serem moradores de rua, esses dois sabidos? Não interessa. Antes não existia, porque Tolentino sabe que o que vale mesmo é o momento:

- A vida é uma doação de Deus para quem acredita nele.

E para João Ninguém, o que é a vida, que ainda surpreende com as fábulas de Esopo sobre um banco de praça? A poesia dos Beatles, na música Yellow Submarine, oferece a resposta, na leitura que ele fez a seu modo:

- A vida é um submarino amarelo que sai de Liverpool e vai para parte alguma.

A fábula de Esopo preferida de João Ninguém
O Vento e o Sol*

O vento e o sol estavam disputando qual dos dois era o mais forte. De repente, viram um viajante que vinha caminhando. - Sei como decidir nosso caso. Aquele que conseguir fazer o viajante tirar o casaco, será o mais forte. Você começa - propôs o sol, retirando-se para trás de uma nuvem. O vento começou a soprar com toda a força. Quanto mais soprava, mais o homem ajustava o casaco ao corpo. Desesperado, então o vento retirou-se. O sol saiu de seu esconderijo e brilhou com todo o esplendor sobre o homem, que logo sentiu calor e tirou o paletó.
* Texto retirado do livro Fábulas de Esopo (L&PM Pocket, 184 pag. R$ 12).

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Terceira viagem
A Liga Extraordinária estréia hoje trazendo heróis criados em livros, transportados para os quadrinhos e que agora chegam ao cinema
Tatiana Contreiras

Junte um caçador, um cientista, um espião, uma vampira, um imortal, um monstro e um homem invisível e você terá A Liga Extraordinária, que estréia hoje. Mais uma adaptação dos quadrinhos para as telas, a exemplo de outros heróis das revistas, como X-Men e Homem-Aranha, o que há de diferente é justamente a inusitada combinação de tipos. Personagens de clássicos da literatura, eles fazem do longa-metragem uma boa compilação de tudo que há no gênero aventura: capa-e-espada, tiros, luta e leve clima de romance.

O aventureiro Allan Quatermain vem de As Minas do Rei Salomão, de H. Rider Haggard. A vampira Mina Harker está em Drácula, de Bram Stoker. Henry Jekyll e Edward Hyde são O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson; Rodney Skinner é O Homem Invisível, de H.G. Wells, originalmente chamado de Hawley Griffin e rebatizado no longa. O cientista Capitão Nemo e seu incrível submarino Nautillus estão em 20.000 Léguas Submarinas, de Julio Verne. O imortal Dorian Gray é o aristocrata gay (não no filme) de O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde e Tom Sawyer protagoniza As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain.

Apesar de algumas diferenças em relação à história de Alan Moore, o que há de melhor no filme, encabeçado por sir Sean Connery, é seguir o mote dos quadrinhos e mostrar como a Liga surgiu. No fim do século 19, na África, o lendário Quartermain (Connery, sempre em forma), convocado por um agente, retorna à Inglaterra para uma nova missão: combater um tal Phantom, que quer dominar o mundo com seus armamentos pesados.

Ao lado de Mina (Peta Wilson, da série de TV Nikita), Nemo (Naseerudin Shah) e de Rodney Skinner, o Homem Invisível (Tony Curran), Quartermain recruta o restante da Liga: Dr. Jekill/Mr. Hyde (Jason Flemyng), Dorian Gray (Stuart Townsend, um charme) e Tom Sawyer (Shane West), que se une à liga por vontade própria.

A partir dessa reunião, a Liga Extraordinária tenta impedir a ação de Phantom (com sua máscara a la O Fantasma da Ópera), junta seus talentos individuais, depois da traição de um membro do grupo e parte para a fábrica de armas do verdadeiro vilão da história, que também tem um pé na literatura. Orçado em 78 milhões de dólares, com cenas na República Tcheca e efeitos especiais, A Liga Extraordinária deixa no ar uma continuação e não tem a estética meio MTV dos gibis, é verdade. Mas tem a ação que fez muita gente grudar nas revistas e que deve fazer o mesmo na tela.

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David Coimbra
12/09/2003


Mulheres perigosas

Ela tem os olhos de um verde que não existe. Uma dessas mulheres que podem destruir um homem. Uma dessas de quem é melhor manter distância.

Assim devia ser Laura de Sade, suponho. À primeira hora de uma sexta-feira santa, 6 de abril de 1327, na igreja de Santa Clara, em Avinhão, o poeta Petrarca a conheceu. E foi fulminado pela paixão. Passou a compor versos para ela, e esses versos o tornaram imortal. O problema é que Laura não o amava. Era casada com um certo conde Hugues de Sade, parente longínquo do marquês que, quatro séculos depois, se tornaria famoso por suas rascantes aventuras sexuais. Laura deu uma dúzia de filhos ao conde e desprezo ao poeta. Durante 21 anos, Petrarca escreveu poemas para conquistá-la. Não conseguiu, mas dessa forma desencadeou o Renascimento italiano e mudou a história do mundo ocidental.

Em 1348, na mesma cidade de Avinhão, na mesma primeira hora de um mesmo 6 de abril, na mesma igreja de Santa Clara, Petrarca velou o cadáver de sua amada. A centelha de seu amor enfim se extinguiu. Naquele momento, o pai do Renascimento compreendeu o quanto sofrera por Laura. E o quanto devia a ela.

Mais ou menos naquela época, em circunstâncias bastante semelhantes, Boccaccio viu pela primeira vez Maria d´Aquino, uma mulher que, imagino, também devia possuir algo dessa que tem os olhos de um verde que não existe. Não por ser ela, como diziam, a mulher mais leviana de Nápoles, mas pelo perigo que representava para a serenidade da alma de um homem.

Enfeitiçado, Boccaccio a chamava de Fiammetta - Pequena Chama. Queria, mais do que tudo, se ver consumido por suas labaredas. De alguma forma, foi mais feliz que Petrarca. De alguma forma, foi mais infeliz. Pois que, durante cinco anos, Boccaccio cercou a Pequena Chama, ofertou-lhe o seu amor. Mas ela o rechaçava, distraída que estava com cavalheiros de bolsa mais bem fornida. Finalmente, Boccaccio conseguiu. Por um ano inteiro, ela satisfez os desejos dele. Mas tudo um dia acaba, o dinheiro de Boccaccio acabou e, coincidência, o amor da Pequena Chama apagou-se também.

Boccaccio sofreu com o abandono da Fiammetta. Por causa dela emitiu o célebre e preciso conceito de que "la donna è mobile", por causa dela sua própria chama quase se extinguiu. Mas Boccaccio sobreviveu e sua obra continua viva pelos séculos. Que vida infeliz tiveram esses dois, Petrarca e Boccaccio, devido aos encantos de mulheres como essa que tem os olhos de um verde que não existe. Muito melhor se manter a uma distância segura dela. Muito melhor.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
12/09/2003


De novo, o Bin Laden

Preparavam-se as famílias das vítimas do atentado de 11 de setembro, assim como os EUA, para as cerimônias que assinalariam os dois anos daquele infausto acontecimento, quando foram surpreendidas, na véspera, por imagens de Bin Laden na televisão árabe.

Ele apareceu caminhando ao lado de seu lugar-tenente, o egípcio Ayman al Zawahri, descendo uma montanha, apoiado num cajado e portando uma metralhadora, vestindo traje afegão.

Ao mesmo tempo, foi divulgada uma fita de áudio com a suposta voz de Bin Laden, pedindo aos jovens muçulmanos que sigam à frente com a jihad (guerra santa), elogiando os autores dos atentados às torres gêmeas.

Simultaneamente, o presidente George Bush discursou, reconhecendo que a Al-Qaeda ainda conspira contra o povo norte-americano, mas que as forças do terrorismo global serão atacadas e desmanteladas. Prometeu que fará todo o possível para vencer "esta guerra". Mas ainda tem guerra?

Logo em seguida, Bush pediu medidas excepcionais ao Congresso para "desatar as mãos da Justiça" na repressão ao terrorismo.

Ou seja, Bush quer aumentar o seu poder, passando por cima dos direitos individuais e tornando-se um plenipotenciário senhor da guerra.

Do ponto de vista eleitoral, é inteligente e quase que invencível a estratégia de Bush: se for mantido o medo entre a população norte-americana e a enérgica obsessão de Bush em combater o terrorismo, seja por medidas policiais, seja até pela guerra, a possibilidade de sua reeleição próxima é auspiciosa.

Mas não será uma fanfarronice de Bin Laden e da Al-Qaeda a ameaça de que "a batalha ainda nem começou"?

Será possível que a impressionante escalada de loucura que derrubou os dois edifícios de Nova York e explodiu o Pentágono, arrasou o Afeganistão e o Iraque, ainda não teve o seu fim?

Este 11 de setembro foi exposto ontem ao mundo como uma impressionante capacidade do ódio humano, tanto por parte dos terroristas muçulmanos e do governo norte-americano quanto tão eloqüente na revisitação das cenas do bombardeio do Palácio La Moneda, com o suicídio do presidente Allende, há 30 anos, no Chile. Puro ódio.

Em tudo, ódio e mais ódio. Ódio com bombas e um imenso rastro de sangue.

Bem igual ao ódio interminável que domina israelenses e palestinos.

Bin Laden caminhava, nas imagens transmitidas agora, contornando as escarpas de uma montanha com um cajado semelhante ao de Moisés numa das mãos, simbolizando a paz, mas na outra mão tinha uma metralhadora.

Bush acena com a paz e a tranqüilidade para os norte-americanos, mas ao mesmo tempo afirma que vai continuar a guerra.

Desde tempos imemoriais, o homem dança entre pífias promessas de paz e propósitos inalteráveis de guerra.

E de modo impressionante, depois de caçado como um rato pela maior potência da terra, ressurge de sua toca animal o Bin Laden, pregando novas violências.

Daqui a dias, Saddam Hussein também aparecerá num vídeo e renovará suas ameaças.

E em vez de destinar seus recursos financeiros para a paz e para o combate à miséria no mundo, o homem gasta cada vez mais com armamentos, levado a isso pelo medo e pelo desejo de supremacia sobre os outros.

É um mar de sangue e promessas de mais sangue.

Assim não há povo do mundo entre todos os povos, nem qualquer ser humano entre todas as gentes, que possa atingir o supremo fim do homem sobre a terra: a felicidade.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Estados Unidos
Luzes em nome da paz



No local das torres gêmeas, em Nova York, colunas de luz lembram os dois anos do atentado de 11 de Setembro (foto Gary Hershorn, Reuters/ZH)


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Quinta-feira, Setembro 11, 2003




Busco um amigo

que me diga sempre a verdade,
que não camufle os meus defeitos,
que não despreze as minhas lágrimas!

Um amigo...
cuja presença traga alegria,
cujo silêncio transmita paz,
cuja escuta inspire confiança,
cuja lembrança infunda coragem.

Um amigo...
ao qual eu possa dizer: desculpa!
Uma, duas, três vezes...

Um amigo...
que não seja nem mestre, nem discípulo,
mas um companheiro com o qual eu
possa caminhar rumo ao infinito...
em qualquer momento.

Um amigo...
que conserve a sua intimidade
sem esconder o seu pranto.

Um amigo...
que ao amanhecer não me diga "bom dia",
mas me abra o seu coração com um
amável sorriso!

Um amigo...
que creia na amizade e a viva como
uma audaz conquista de liberdade.

Um amigo...
cuja amizade seja óleo doce, suave e perfumado,
extraído do fruto amargo de
uma árvore espinhosa.

Um amigo...
que não se preocupe em dar ou receber,
mas que seja capaz de compartilhar.

Um amigo...
simples, sincero, natural... capaz de chorar,
mas sobretudo de sorrir.

Um amigo...
que seja um reflexo da bondade de Deus.

Reinilson Câmara

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Princípio, meio e Fim

Onde foi que eu errei
Qual o mal que lhe fiz
Que posso eu fazer para lhe provar
O tanto bem que lhe quero?

Porque me deixa assim
Agoniada, triste, sem esperança
Não vê que sem o ar que respira
Posso morrer sufocada?

Que julgamento errado fez de mim
E se não fez, porque me trata assim...
Sem uma palavra de carinho
Sem o seu jeito menino

Que tantas vezes me seduziu?
Não basta que me diga olá
Ou mesmo que diga que sente saudades
Pois de repente sai, sem uma palavra
Como se tudo que vivemos

Não tivesse sido realidade, e sim um sonho
Até entendo que seus momentos, são seus
Mas me acostumou mal, ou bem, quem sabe?
Fazendo dos seus momentos, os meus
Outrora, não muito longe
Vinha correndo, de braços abertos

Dizendo que não podia viver sem mim
Me querendo assim, com tanta sensibilidade
Ah! maldita saudade, essa que você deixou
Presa no meu peito, cravada na minha pele
Sem seus lábios para beijar

E minha sede saciar
Mas se não puder voltar
Não irei lhe buscar
Porque quero sua chegada
Saudosa de mim, dos meus beijos
Dos meus abraços, dos nossos desejos
Você em mim deixou marcas
Tal qual tatuagens que não se desfazem mais

Uma vez desenhadas na pele
Para sempre, estarão registradas
Mas se voltar para me amar novamente
Pense bem, volte logo, pois poderá ser bem tarde
Toda espera tem um princípio, um meio e um fim!


REGINA O.

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Editorial
Dois anos depois

Há dois anos, em 11 de setembro, um atentado terrorista mudou o mundo. Depois que aqueles dois aviões lotados de passageiros se chocaram contra as torres gêmeas do World Trade Center de Nova York e um terceiro se abatia sobre o edifício do Pentágono que concentra o comando militar da maior potência do mundo, as relações mundiais mudaram radicalmente. O mundo passou a ter medo e a comportar-se em razão disso.

Dois anos e duas guerras depois, as primeiras lições dessa nova fase das relações mundiais são as de que a violência e sua resposta igualmente violenta não são caminho para um mundo seguro. O caso do Iraque, ainda quente, é emblemático. A pretensão de construir um país democrático das cinzas de um regime ditatorial está se revelando de difícil realização. O próprio presidente Bush reconheceu isso, mesmo que indiretamente, ao fazer um apelo por ajuda internacional para gerenciar o pós-guerra. O mundo inegavelmente ficou pior nestes dois anos.

O mundo passou a ter
medo e a comportar-se
em razão disso

Neste sentido, é preciso prestar atenção para o alerta contido no resultado da pesquisa do Instituto Gallup: 67% dos norte-americanos consideram que, para se prevenir de novos atos terroristas, as autoridades dos Estados Unidos não devem tomar iniciativas que violem ainda mais os direitos civis. De resto, o atentado de 11 de setembro de 2001 ainda não produziu o mais importante e mais necessário de todos os efeitos: o de gerar uma reflexão e um projeto que leve à organização de um mundo solidário.

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Nilson Souza
11/09/2003


A página seguinte

Angustiada com a resistência de seus alunos em relação à leitura de livros, minha amiga professora resolveu tratar estudantes universitários como se fossem crianças de pré-escola. Leva um bom livro de literatura para a aula, reúne a turma numa rodinha e lê em voz alta o primeiro capítulo. Aí, fecha o livro e passa a dar aula normalmente sobre outros temas. O truque de Sherazade está dando certo: curiosos em conhecer a continuação da história, alguns jovens pedem o livro emprestado, outros recorrem à biblioteca para ler os capítulos restantes.

Gosto do seu método, pois nunca me pareceu muito apropriado obrigar a garotada a ler determinado número de livros ou a conviver de forma forçada com autores chatos, como ainda ocorre em certas escolas. Ler não deve ser um sacrifício. Pode, no máximo, ser um desafio, para que se transforme em descoberta e acabe virando prazer. Sei que a concorrência pela atenção dos jovens, que já era grande, tornou-se ainda mais predatória com a chegada da Internet. Para que perder tempo com a leitura de 200 ou 300 páginas se o resumo da obra está ao alcance de um ou dois cliques?

Pode-se até racionalizar, lembrando que sempre é melhor ler alguma coisa no computador do que nada. Mas não é bem assim: o encanto do livro também está no objeto, no folhear das páginas, no toque, no cheiro e, principalmente, naquela sensação confortadora de que somos capazes de percorrer caminhos desconhecidos e decifrar os mistérios da vida.

Mas a Internet também pode ser usada como instrumento de promoção da literatura. Foi pela rede que recebi a convocação - assim como milhares de outras pessoas - para transformar este 11 de setembro marcado pela estupidez humana numa celebração da inteligência e da solidariedade. A proposta é liberar um livro. Pessoas de todo o mundo estão sendo convocadas a sair de casa hoje com um livro debaixo do braço, a escrever nele uma dedicatória e a largá-lo num lugar público, num banco de praça, no ônibus, no balcão do bar, em qualquer lugar em que possa ser recolhido por um leitor desconhecido.

E este leitor - fisgado pela mesma isca da curiosidade usada pela amiga professora - haverá de lançar sobre a nossa conhecida história um olhar de primeira vez, despertando personagens adormecidos, colorindo paisagens desbotadas e renovando encantamentos que continuam sempre na página seguinte.

nilson.souza@zerohora.com.br

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Letícia Wierzchowski
11/09/2003


Conflitos

Morreu Sérgio Vieira de Mello, e o Brasil ficou um pouco mais órfão de integridade. Sérgio era um destes heróis de capa e espada que já não existem mais e que engrandeciam a alma da gente, tão precisada de exemplos que a elevem. Eu lamentei a sua morte, passando vários dias com aquela sensação molesta que nos trazem as coisas que se quebram longe demais, cujos cacos chegam derradeiramente aos nossos pés. Sérgio Vieira de Mello era também um homem bonito, dos mais charmosos que eu citaria caso me pedissem uma lista de brasileiros elegantes. Então ele morreu estupidamente naquele ato terrorista que destruiu o quartel-general da ONU no Iraque. Luis Fernando Verissimo disse que esse ataque esvaziou várias coisas, inclusive a própria ONU. Desacatada pelos dois lados desta triste guerra, ela agora vacila, frágil como cristal.

Morto, Sérgio Vieira de Mello ganhou mais manchetes do que em toda sua vida, e aos olhos do público desenrolou-se um drama novelesco. O drama de uma família dividida, fragilizada, cujos afetos e ressentimentos ganharam mídia internacional. Temos a primeira esposa, Annie de Mello. Temos os dois filhos deste casamento, Adrien e Laurent. Temos a namorada de Sérgio, a argentina Carolina Larriera.

E temos aquela para quem a minha simpatia se despenca, a senhora Gilda Viera de Mello, a mãe de Sérgio, que tinha deixado de ler jornais e assistir à televisão fazia algum tempo por causa de um mau pressentimento que a andava atormentando. Exatamente, desde que Sérgio fora para Bagdá, tendo lido uma entrevista em que o filho dizia seguir para a cidade mais perigosa do mundo, uma sutil e certeira angústia se apossara de Gilda - vejam o que é o imponderável de um coração de mãe...

Assim, de um lado, a família brasileira, liderada pela cognitiva Gilda, queria seu filho enterrado no Rio de Janeiro. De outro lado, a família francesa, liderada por Annie, queria-o na França. Annie chegou até mesmo a ir aos jornais pedindo que deixassem de se referir à argentina Carolina Larriera, pois ela ainda era a viúva oficial do diplomata. Daí que o corpo de Vieira de Mello atravessou três continentes e visitou três cidades até receber seu pouso final, sendo sepultado em Genebra, um ponto neutro para todos os familiares.

Aí que me quedei pensando, e não com tristeza, que nós, seres humanos, somos coisa intrincada. Sérgio Vieira de Mello era um pacificador. Serenou o Timor Leste, estava trabalhando para sanar um pouco as coisas no Iraque. Partiu prematuramente, como um herói que era, mas deixou a família em pé de guerra.

leticia.wierz@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
11/09/2003


Dois anos

É uma razão inconfessável, confesso. A razão odiosa do namorado que rejeita a namorada quando sabe que ela foi estuprada. No meu caso, a atitude machista e irracional tem uma atenuante: eu estava lá, eu vi o ato, não posso tirá-lo da cabeça. Entre todos os motivos para não ter voltado a Nova York depois do 11/9, este é o pior e o mais forte. Eu presenciei o estupro.

Vai levar algum tempo até eu poder encará-la com naturalidade. Eu sei, não foi culpa dela. Toda aquela ostentação, aquela arrogância, tão rica, a pobrezinha - não eram razão para atacá-la daquele jeito. Dizem que ela ficou traumatizada, mas fora isso não mudou muito. Tudo que eu gosto nela continua. Mas, sei não. Sou um desalmado, está certo. Mas não posso. Ainda não dá para encará-la.

Tínhamos uma longa história. Eu a conheci com nove anos (ela devia ter uns 300), numa ocasião especial. Acabara a guerra mundial - a Segunda, a boa - e ela estava na rua, comemorando. Lembro de vê-la no Times Square, dançando e beijando marinheiros. Depois, quando morei quatro anos em Washington, a cinco horas de ônibus dela, eu a visitava com freqüência, sem dinheiro mas com todo o vigor da adolescência. Numa dessas visitas, vi o Charlie Parker e o Dizzy Gillespie tocando juntos no Birdland. Ou já contei isso? Tivemos muitas experiências juntos. Eu estava lá quando mataram o John Lennon, por exemplo.

E estava lá quando lhe aconteceu o inimaginável, o que nunca antes tinha lhe acontecido, nem nas guerras. Ela foi atacada. Eu estava longe do local mas senti o seu terror, comovi-me com a sua comoção, fui solidário com a sua dor - e tratei de dar o fora o mais rápido possível. E desde então não voltei mais. Dois anos. Pessoas que vêm de lá contam que, fora as suas medidas de segurança, ela continua a mesma.

Tenho saudade dela, mas talvez eu já estivesse mesmo chegando naquela fase da vida em que o homem começa a ficar, assim, mais europeu, uma condição que não tem a ver com geografia e sim com as suas prioridades e a cor das suas têmporas. No fim, não foi só o que o Bin Laden fez com ela sob os meus olhos, talvez já estivesse na hora do rompimento. Só não precisava ser tão explosivo.

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Paulo Sant'ana
11/09/2003


Educação fingida

O ministro da Educação, Cristovam Buarque, num sério desabafo, fez uma denúncia que merece profunda reflexão: "Nós, governos estaduais, municipais e federal, temos que canalizar mais recursos para isso (educação). Senão, vamos cometer o maior crime, que é não apenas abandonar a educação, mas, pior que isso, fingir que estamos educando".

Ele acrescentou que o Brasil precisa investir mais R$ 25 bilhões por ano em educação básica, que os professores ganham uma miséria e que o Estado "não deveria dar universidade gratuita para uma elite que estuda apenas para ficar mais rica com o diploma".

O ministro fez uma crítica ao governo Fernando Henrique e ao próprio governo Lula: o primeiro anunciou que 92,6% das crianças entre sete e 14 anos estavam matriculadas, o segundo gabou-se de que aumentou o número de matrículas para 95%.

O ministro contesta muito apropriadamente: "Nem perto disso. Mentiram a esse país que matrícula é sinônimo de freqüência. São duas coisas diferentes. Temos um grande número matriculado, mas freqüentando a escola é um número bem menor. Um país só pode dizer que tem todas as crianças na escola quando todas terminam o ensino médio (11 anos de estudo). Hoje temos 5,5 milhões na primeira série e só 1,8 milhão na terceira série do antigo segundo grau. Ou seja, mais de 3 milhões foram jogadas fora. Isso não dá para fingir".

É a primeira vez que uma alta autoridade educacional do governo se manifesta assim com tanta sinceridade, tocando no nó primal da educação brasileira: a teia escolar do país é uma farsa, inscrevem-se os alunos na escola mas eles a abandonam logo em em seguida, enquanto que se finge descaradamente que os que permanecem estão aprendendo.

Na verdade, só aprende no Brasil o aluno que se esforça por si próprio, que se torna um autodidata paralelamente à sua matrícula, com raras exceções.

Enquanto isso, espalham-se por todo o país universidades particulares de todos os matizes, verificando-se um fenômeno inaceitável: o ingresso nos cursos superiores, pelo vestibular ou por mera inscrição, maquilada de teste, é mais festejado pelos alunos do que a própria formatura.

Porque basta ingressar na universidade para garantir o diploma, quase ninguém exige dos alunos capacitação para formar-se - ou por compaixão de quem gasta tanto com o curso e não quer decepcionar-se com a reprovação, ou pela deficiência mesma do ensino, que joga milhares de diplomados inúteis nas ruas anualmente, sem os mínimos requisitos para desempenhar suas profissões.

Dá para notar isso no programa Show do Milhão, do Silvio Santos. Interessantíssimo por espalhar cultura nos testes a que submete seus telespectadores sorteados, o programa é um alarmante festival de analfabetismo.

Tanto por parte dos interrogados, o que se compreende por serem na maioria pessoas de baixa condição econômica e social, mas espanta o grau de despreparo e falta de cultura média dos universitários que são convocados a auxiliar os testados: ninguém sabe nada de nada, os universitários revelam na sua maioria, com raras exceções, uma ignorância pétrea e revoltante.

É analfabetismo por todo o lado: concorrentes, universitários, quando não do apresentador.

Tem razão total o ministro da Educação: finge-se que se ensina no Brasil.

O resultado é que somos um país subdesenvolvido, dividido entre analfabetos que não têm diploma e analfabetos diplomados, com exceção talvez de uns 5% de pessoas preparadas, mais por seu esforço e talento do que pelo que lhes é ministrado nas escolas.

Assim não há mesmo como crescer qualquer país.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Eliminatórias
Vitória sem show



Ronaldinho (C) festeja o único gol da vitória sobre o fraco Equador, pelas Eliminatórias da Copa, em Manaus (Ormuzd Alves, AP/ZH)


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Quarta-feira, Setembro 10, 2003




Para alguém feliz

Márcia Maia

Para alguém feliz
dou margaridas
- ou gérberas coloridas -
que não têm pompa,
só graça,
e trazem nas pétalas ainda
o eco das canções
que cantou o vento
enquanto as amava.

Para quem está infeliz

Pra quem está infeliz
dou um buquê de sempre-vivas
multicoloridas
pois, como bem o nome indica,
estarão frescas e alegres
na manhã em que
de repente
quem estava triste
descobrir-se rindo
novamente.

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S O N H O S

Quando os nossos sonhos se acabam, fica um vazio imenso!
Uma vontade de parar... de desistir de tudo...

É um período difícil, em que os dias, as horas,
e até os segundos são longos.
Não conseguimos progredir.
Falta vontade... falta motivação.
Nos fechamos para tudo e para todos como se nada importasse.
Nada tivesse algum valor...

Vamos nos destruindo pouco a pouco...
Porque será que muitas coisas
em que acreditamos chega ao fim?
Acreditamos na felicidade eterna e, muitas vezes,
ela não passa de um pequeno tempo.
Tempo suficiente para deixar uma saudade infinita...

Até que um dia um novo sonho começa a dar o ar de sua graça.
Vem chegando de mansinho...
tentando abrir os cadeados do nosso coração.
Estamos trancados, com um enorme medo de sofrer de novo,
mas mesmo assim, o novo sonho vem chegando.
Trazendo na mala, tudo de novo...

E como todo novo sonho, é regado de novidades que fascinam,
mexendo com emoções adormecidas.
Trazendo de volta, a emoção de viver, amar, recomeçar!!!
Nesta hora, quando tudo ressurge, podemos avaliar melhor a vida.
Temos que transformar cada pequeno instante,
em grandes momentos...

Eliminar tudo que maltrata o nosso corpo,
o nosso espírito, e dar lugar somente ao que nos engrandece
como verdadeiro ser humano e filho de Deus...

E se os seus sonhos estiverem nas nuvens,
não se preocupe... eles estão no lugar certo!
Construa os alicerces e SUBA ...

Nunca desista de ser feliz!!

Encantos e paixões - Mirella

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EDUCAR É DIFERENTE DE CRIAR

A felicidade não se compra, não se dá, não se empresta. Mesmo assim, nossa batalha diária com os filhos é torná-los pessoas cada vez mais felizes. E quantas vezes nos culpamos ao ter de deixá-los quando precisamos trabalhar e quanta falta sentimos de arrumá-los para ir à escola, enfim. Os tempos são outros. A palavra educação, a partir dos anos 70, com a propagação da cultura do filho único, ganhou novo sentido. As famílias reduziram o número de filhos, que passaram a ser tratados como uma espécie de riqueza.

E nessa mudança toda, erramos muito e tentamos acertar sempre. Vivemos conflitos dramáticos, os tempos são outros e não podemos dar aos nossos pequenos a mesma educação que nossos pais nos deram. De nada adianta compensar nossa ausência com presentes e também não basta amar, afinal, "amar é educar", ensina o psiquiatra Içami Tiba, autor do livro "Quem Ama Educa", da Editora Gente.

Afinal, como dizia meu pai: "criamos nossos filhos para o mundo". E, além disso, temos o dever de educar cidadãos conscientes, mais felizes para que se tornem pessoas éticas, felizes, autônomas e competentes. E é nosso dever possibilitar a eles, desde o nascimento, que sejam pessoas responsáveis por sua felicidade.

Ainda há tempo de corrigir os erros do passado, melhorar o que já foi feito e transformar sonhos em projetos. Pense nisso! Confira a entrevista com Içami Tiba.

Marta Vicentin

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BRASIL X EQUADOR
Para que os fantasmas não voltem

Seleção vai com tudo para vencer o Equador, hoje, em Manaus. Meta é garantir a vaga na Copa com antecedência, para evitar o sofrimento da última Eliminatória

MANAUS - Uma vitória hoje sobre o Equador, no Vivaldão, às 22h (horário de Brasília), pela segunda rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2006, pode ser um forte indício de que a seleção brasileira não viverá o mesmo tormento de 2000 e 2001, período em que teve quatro técnicos, em função dos maus resultados, sobretudo no torneio que a classificou para a disputa da Copa do Japão e Coréia do Sul.

Durante os últimos dias, o assunto foi abordado por vários jogadores. Eles querem evitar o sofrimento das duas últimas Eliminatórias e a incerteza, então vigente, sobre quem comandaria a equipe na partida seguinte. "Fazer logo seis pontos em dois jogos vai dar tranqüilidade", disse Ronaldinho Gaúcho, que volta à equipe após cumprir suspensão de uma partida e atuará em sistema de revezamento com Rivaldo, entre o meio e o ataque.

"Não podemos dar motivo para instabilidades", comentou o lateral Roberto Carlos. Ele completou 100 jogos com a camisa da Seleção contra a Colômbia e agora quer alcançar Cafu, com 122 partidas. "Todo mundo quer bater recorde aqui na Seleção. E eu quero passar o Cafu. Mas só devo me aproximar dele depois do Mundial de 2006. Até lá é todo mundo junto."

O lateral do Real Madrid acredita que a presença de Ronaldinho Gaúcho, um jogador que atua mais pelo lado direito, vai facilitar o desempenho de Cafu.

O técnico Carlos Alberto Parreira fez mistério até o último instante. Não quis revelar quem deixaria o time para dar vez a Ronaldinho Gaúcho.

Mas a mudança era óbvia: Alex será o substituído. Kaká está cotado para entrar no segundo tempo, assim como Luís Fabiano. Vai depender do desenrolar do jogo. Parreira torce para que o Brasil saia logo na frente e obrigue o Equador a se soltar, a abrir mão da forte retranca prevista.

Parreira espera que o Equador jogue em busca de um empate e, por isso, se feche totalmente. Desta forma, admite que a partida terá um excesso de toques de bola do Brasil no meio, com insistência em tabelas e em jogadas individuais que resultem em situações de gol.

"Não dá para atuar em velocidade quando o adversário não dá espaço. Então, temos de buscar alternativas e a principal delas é o talento, a habilidade, a alta criatividade do jogador brasileiro", declarou Parreira.

Zé Roberto desta vez terá liberdade para chegar ao ataque com freqüência, enquanto Ronaldo recebeu apenas uma orientação do treinador: se posicionar entre os zagueiros na reposição de bola do Equador, a fim de tentar interceptá-la.

Ontem à noite a Seleção voltou a treinar no Vivaldão, diante de 35 mil pessoas, que pagaram R$ 3 cada um para ver o rachão antes do jogo de hoje. A renda foi doada para a APAE.

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Martha Medeiros
10/09/2003


Bruta flor do querer

Quando era menino, o pintor mexicano Diego Rivera entrou numa loja, numa dessas antigas lojas cheias de mágicas e surpresas, um lugar encantado para qualquer criança. Parado diante do balcão e tendo na mão apenas alguns centavos, ele examinou todo o universo contido na loja e começou a gritar, desesperado: "O que é que eu quero???"

Quem nos conta isso é Frida Kahlo, sua companheira por mais de 20 anos. Ela escreveu que a indecisão de Diego Rivera o acompanhou a vida toda. Ao ler isso, me perguntei: quem de nós sabe exatamente o que quer?

A gente sabe o que não quer: não queremos monotonia, não queremos nos endividar, não queremos perder tempo com pessoas mesquinhas, não queremos passar em branco pela vida. Mas a pergunta inicial continua sem resposta: o que a gente quer, o que iremos escolher entre tantas coisas interessantes que nos oferece esta loja chamada Futuro? Sério, a loja em que o pequeno Diego entrou chamava-se, ironicamente, Futuro.

O que é que você quer? Múltiplas alternativas. Medicina. Arquitetura. Música. Homeopatia. Casar. Ficar solteiro. Escrever um livro. Fazer nada o dia inteiro. Ter dois filhos. Ter nenhum. Cruzar o Brasil de carro. Entrar pra política. Tempo para ler todos os livros do mundo. Conhecer a Grécia. Morar na Grécia. Morrer dormindo. Não morrer. Aprender chinês. Aprender a tocar bateria. Desaprender tudo o que aprendeu errado. Acupuntura. Emagrecer. Ser famoso. Sumir.

O que você quer? Morar na praia. Filmar um curta. Arrumar os dentes. Abrir uma pousada. Recuperar a amizade com seu pai. Trocar de carro. Meditar. Aprender a cozinhar. Largar o cigarro. Nunca mais sofrer por amor. Nunca mais.

O que você quer? Viver mais calmo. Acelerar. Trancar a faculdade. Cursar uma faculdade. Alta na terapia. Melhorar o humor. Um tênis novo. Engenharia Mecânica. Engenharia Química. Um mundo justo. Cortar o cabelo. Alegrias. Chorar.

Abra a mão, menino, deixe eu ver quantos centavos você tem aí. Olha, por este preço, só uma caixinha vazia, você vai ter que imaginar o que tem dentro.

Serve.

martha.medeiros@zerohora.com.br

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David Coimbra
10/09/2003


O que as mulheres querem. Ou como o Grêmio não cai
Vou fazer agora duas revelações:

1. O que uma mulher realmente espera de você.

2. Por que o Grêmio não vai cair para a segunda divisão.

Uma revelação tem a ver com outra, porque terei de generalizar para chegar a elas. Eis o ponto: minha defesa ao direito de generalizar é encanzinada como a defesa do São Caetano. No último Café TVCOM gozei dos francófilos Tânia, Tatata e Fernandinha Zaffari. Critiquei os franceses, disse que são grosseiros e avessos ao saudável costume dos banhos diários, que suas mulheres são aguadas, que sua língua é falada com biquinho. Tratava-se de uma provocação, é evidente. Um chiste. Adoro a França e todos aqueles queijos deles. Mas Tânia, Tatata e Fernandinha reagiram de pronto:

- Isso é uma generalização!

Claro que era. Como falaria de algo em geral sem generalizar? Os brasileiros, por exemplo, são alvo de generalização em todo o mundo. Vi cartazes em boates no Japão: "Proibida a entrada de brasileiros". Como se fôssemos todos uma nação de consultores paulistas, ora veja!

O que as mulheres querem. Ou como o Grêmio não cai

Mole e duro
Essa semana inclusive li na coluna do Ancelmo Gois que um hotel suíço formalizou protesto junto à embaixada brasileira devido aos supostos maus modos de nossos conterrâneos. O problema foi que na recepção do hotel havia um cartaz informando as condições da neve nas estações de esqui: "Neuchatel, 12cm, mole. Lausanne, 18cm, escorregadia. Schaffhausen, 15cm, consistente". Logo abaixo, um brasileiro escreveu, ladino: "Sebastião da Silva, 24cm, duro".

Tem maldade uma brincadeirinha dessas? Não. Mas logo vão se queixar ao embaixador, nos chamam de mal-educados, proíbem nosso ingresso em boates, fazem tsc tsc à nossa passagem. Generalizam! E, olha, não estão de todo errados. Os brasileiros no Exterior são de fato espaçosos, parlapatões.

Uma vez, visitei uma cidade no norte da Itália chamada Abano Terme. Cidade de águas termais, tranqüila como o sono depois do almoço, freqüentada por velhinhos, quase todos alemães, que a fronteira com a Alemanha é logo ali. Estávamos numa comitiva de brasileiros, mais de 20 brasileiros. Antes de entrarmos num restaurante para jantar, o italiano que nos guiava advertiu da porta do ônibus:

- Pessoal, essa cidade é muito calma, os freqüentadores desse restaurante são alemães, idosos e também são muito calmos. Tudo aqui é calmíssimo. Vocês precisam tentar não fazer muito barulho...

Concordamos, era um pedido muito razoável.

Entramos.

Cinco minutos depois, era como se a bateria da Unidos da Vila do IAPI houvesse invadido o restaurante. Um brasileiro sentado numa ponta da mesa berrava com outro da ponta oposta. O outro contava uma piada para um terceiro. Quatro jogavam palitinho:

- Sete!

- Lona!

Alguns riam, muitos gargalhavam, todos falavam ao mesmo tempo. Um pesadelo. Em 20 minutos, os circunspectos europeus se evadiram do restaurante, de nariz torcido, deixando pouca gorjeta.

Quer dizer: nós brasileiros somos ruidosos mesmo, e muitas vezes grosseiros.

O pântano
Todos? Não. Tânia e Tatata tenho certeza que não.

Estou apenas generalizando. Como vou generalizar a respeito dos jogadores de futebol. Mercenários, eles. Veja Ronaldinho, que se criou no Grêmio e era idolatrado pela torcida. De certa forma, repudiou esse afeto.

Veja os jogadores que insinuam:

- Os clubes que estão na frente no campeonato não atrasam salários...

Ou seja: os jogadores querem é dinheiro. Querem é levar vantagem. Chegar na frente. Todo mundo quer chegar na frente.

Mas... nem todos são assim. Quando Caio recusa uma proposta de US$ 600 mil para jogar no Exterior e explica que não pode abandonar o Grêmio agora, que antes precisa tirar o clube da crise em que se encontra, puxa, aí está um oásis de caráter em meio ao pântano de falsidade. Ao tomar tal atitude, Caio mostra que há um novo espírito entre os jogadores do Grêmio. Eles, os jogadores, devem ter se unido de alguma forma, devem ter decidido tomar o controle da situação. E é disso, só disso, que o Grêmio necessita para se salvar. Era isso que a torcida do Grêmio esperava dos jogadores, assim como as mulheres esperam só uma coisa de você. Preste atenção: elas querem que você seja duro, porém gentil. Compreendeu? A doce autoridade, a meiga rijeza, é isso que elas querem! É disso que estão carentes. É por isso que suspiram.

Como o Grêmio estava carente de um gesto honrado, gesto cada vez mais raro no mundo materialista e rasteiro do futebol. Gesto que vem sendo demonstrado por Caio, Tinga, Christian, Roger, entre outros, cada um da sua maneira e em seu tempo. Houve uma mudança no Olímpico. Essa mudança vai salvar o Grêmio. Acredite. O Grêmio não irá para a segunda divisão.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
10/09/2003


Tolerância zero

Aconteceu no dia 18 de agosto último, uma sexta-feira. Um azulzinho abordou um caminhão de som que estava a serviço de uma campanha do Instituto do Câncer Infantil.

Feita a verificação de praxe, constatou o azulzinho que o caminhão não estava com seus papéis em dia: havia um imposto não pago.

O azulzinho aplicou a multa respectiva e recolheu o caminhão ao depósito público, como mandam a lei e a norma administrativa.

Até aqui, tudo bem.

Mas o caminhão de som era necessário à campanha do Instituto do Câncer Infantil, pois naquele fim de semana se realizava a promoção MacDia Feliz, por parte do McDonald's, em benefício das crianças com câncer atendidas pela entidade.

Foi então acionado pelo Instituto do Câncer Infantil o presidente da EPTC, a quem pediu a liberação do veículo.

E acabou concedido pelo presidente da EPTC que, se o responsável pelo caminhão pagasse a multa e o imposto atrasado pela Internet (era sexta-feira à noite), o caminhão seria liberado.

E isso aconteceu.

Nos dias seguintes apareceu na imprensa o azulzinho que multou e apreendeu o caminhão bradando: "Mas e o Código? Como é que uns veículos ficam recolhidos e este caminhão foi liberado? São dois pesos e duas medidas".

E choveram críticas de vários setores de imprensa sobre o presidente da EPTC.

Críticas totalmente injustas.

Primeiro, porque na blitz que se realizara dias antes na cidade, tinha sido permitida a liberação dos veículos multados por irregularidade nos papéis, desde que os impostos fossem pagos, tanto pela Internet quanto no guichê dos bancos. Cinqüenta e dois carros foram liberados do recolhimento na blitz.

Segundo, pelo principal: a autoridade de trânsito não está erigida para atrapalhar ou infernizar a vida dos contribuintes.

Naquele caso, a autoridade de trânsito e seus agentes existem para fazer cumprir a lei: multam e entregam o veículo quando a multa e os impostos forem pagos.

Foi isso que o presidente da EPTC, Túlio Zamin, exemplar e elogiosamente fez, evitando a dispensável malvadeza de reter um veículo já quite com os impostos durante vários dias.

Quanto ao azulzinho e seus colegas que protestavam contra seu superior hierárquico bradando "e o Código?", deviam ter a noção de que "o Código" existe para balizar a ação das autoridades e dos motoristas, não como instrumento de repressão severa e implacável aos infratores.

O Código manda que quem passa sinal vermelho à noite tem de ser multado. Mas os azuizinhos e a autoridade de trânsito deixam de multar a arrasadora maioria dos motoristas que cruza o vermelho à noite, sensíveis aos assaltos que ocorrem nas sinaleiras.

O Código foi feito para autorizar a multa, não para torná-la compulsória, entendam definitivamente isso.

No auge da discussão, o presidente da EPTC pronunciou a seguinte frase: "Às vezes, aplicar a lei fora do contexto é tão injusto quanto não aplicá-la".

Eu vou mais longe: muitas vezes, aplicar a lei é mais injusto do que não aplicá-la.

Como dizia Cícero: excesso de direito, excesso de injustiça.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Roubo
Destruída a Mercedes de Clemer



Roubado do goleiro do Inter em 31 de agosto, o carro foi localizado ontem de manhã, queimado, em Alvorada (Marcelo Oliveira, Agência RBS/ZH)


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Terça-feira, Setembro 09, 2003




O Anjo Universal do Coração Veio a Você


Esse Anjo decidiu aparecer diante de você.
Ele o ajudará a ver as coisas de maneira mais clara,
com os olhos do Amor Incondicional.

Profundo e poderoso, com força e dignidade incríveis,
esse anjo com grandes asas, carrega consigo a
sabedoria dos séculos.

Ele fala sobre o destino nas questões relativas à alma.
O Anjo Universal do Coração são os mistérios revelados.
Ele reivindicou para si o lugar a que ele tem direito
e tem o seu próprio poder.

Ele é firme em sua ligação com o Divino e ajuda Você
a se equilibrar com as frequências harmoniosas do Universo.

Quando Você se torna mais receptivo à sabedoria sagrada
desse Anjo, sua vibração se eleva.

Prepare-se para ver resultados fabulosos manifestando-se
na forma de milagres na sua vida.

Convide-o a entrar em Sua Vida.
Deixe-o compartilhar com você a sua sabedoria.
Reserve um tempo para conhece-lo.

Ele permanecerá bravamente ao seu lado na sua busca
incessante pela Luz e pela Verdade.

Ele lhe ensinará a valorizar a pessoa especial que você é,
trazendo-lhe um bem estar extraordinário e uma paz
eterna ao seu coração.

Aquiete-se e sinta a presença Dele ...

Que lugar no mundo poderia ser mais seguro
que as asas do Amor Incondicional?

Silvia Schmidt

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Que ninguém nos ouça

As horas que passamos aqui são maravilhosas!

Cá entre nós e que ninguém nos ouça:

É pena que alguns familiares, amigos e conhecidos
não consigam entender a grandeza da amizade
que compartilhamos através da nossa rede virtual.

Eles não podem compreender como pessoas
podem trocar tanto carinho, sem nunca ter se encontrado,
sem nunca ter se visto, sem nunca ter se conhecido pessoalmente.

Cá entre nós e que ninguém nos ouça:

Eu quero que você saiba como você é importante
e o quanto representa para mim neste espaço virtual.

Nós dividimos nossos pensamentos, nossos sonhos,
nossos planos para o futuro ...
Com que outro meio faríamos isso tão bem?!?

Eles não sabem que nós não nos julgamos nem nos condenamos:
apenas buscamos e oferecemos mãos para ajudar.
Não sabem que trocamos abraços ( e até beijinhos! )

Eles não sabem que nós, amigos virtuais,
nos preocupamos um com o outro, ponderamos situações
e trocamos tantas coisas que aprendemos aqui.
Eles não sabem o quanto podemos e temos ainda a aprender!

Cá entre nós e que ninguém nos ouça:

Eu quero que você saiba que meus dias são mais brilhantes
e que meus pensamentos são muito mais felizes só por sua causa.

Eis porque agora eu lhe envio esta "sigilosa" mensagem " :
Quero que você sinta que existe alguém aqui
que se importa com você, que quer dar brilho ao seu dia,
que deseja-lhe toda a felicidade em todos os dias de sua vida!

Cá entre nós e que ninguém nos ouça:

Eu agradeço aos céus este mundo virtual porque sem ele eu nunca conseguiria chegar assim tão perto de você!

cá entre nós e que ninguém nos ouça !

Silvia Schmidt

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Negócio não tem idade
Mulheres abrem empresas e fazem sucesso depois da aposentadoria
Silvana Caminiti

A descoberta de nossa capacidade empreendedora é algo que pode ocorrer a qualquer tempo. Prova é que muitas mulheres, ao se aposentarem em seus empregos, em vez de simplesmente irem descansar, preferem investir em uma nova vida, a vida de empresária. Maria Esposa do Espírito Santo, hoje com 56 anos, é um bom exemplo disso. Ela se aposentou há 13 anos, depois de construir uma carreira como executiva de multinacionais. Quando resolveu abrir um negócio próprio escolheu o ramo da gastronomia.

Hoje, Maria é proprietária de cinco restaurantes e é também uma das sócias do Cafeína, cafeteria com duas unidades na Zona Sul, uma em Copacabana, com três anos, e outra em Ipanema, com um ano. A empresária define o café como uma mistura de padaria, com variados tipos de pães, restaurante, com refeições leves, confeitaria e bar.

Os doces, junto com o cafezinho expresso, são, sem dúvida, o forte da casa. Temos um cardápio com 34 variedades de tortas doces, que inclui desde as mais tradicionais, como a torta de brigadeiro, às mais exóticas, como o gâmbio de maçã ou banana, comenta Maria.

Ela lembra que as casas foram decoradas com materiais de demolição, o que empresta um toque rústico e acolhedor ao ambiente, em tons terrosos, com madeira, ferro e azulejos hidráulicos.

Tudo na casa é feito com o objetivo de atrair e fidelizar a clientela, desde o ambiente aconchegante, até a variedade do cardápio e o atendimento ao cliente, diz a empresária.

Cafeína: (21) 2547-8651

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Eu já acho que o senador Paim é muito ético com os seus princípios e será mais um voto da oposição nas reformas da previdência no senado. Vamos esperar para ver.

Rosane de Oliveira
09/09/2003


Dois pesos e duas medidas

Tomando-se as 20 emendas apresentadas no Senado pelo gaúcho Paulo Paim, não sobra praticamente nada da reforma previdenciária aprovada na Câmara para os atuais servidores públicos. Por isso mesmo, é espantosa a diferença de tratamento dispensado pelo PT ao senador e aos deputados que fizeram oposição à reforma na Câmara. O rigor com que o partido trata a senadora Heloísa Helena, ameaçada de expulsão, torna ainda mais surpreendente a liberdade dada a Paim não só para criticar a reforma como para propor emendas capazes de desfigurar o projeto do governo a ponto de torná-lo irreconhecível.

Politicamente, Paim é maior do que os deputados Luciana Genro, Babá e João Fontes juntos, e submetê-lo a um processo disciplinar provocará reações imprevisíveis. Os três deputados são barulhentos, participaram de incontáveis atos em defesa dos servidores públicos e votaram contra as reformas previdenciária e tributária, mas sua capacidade de influência sobre os colegas é limitada. Tanto que não foram capazes de reverter votos favoráveis, nem lhes cabe o crédito das mudanças com as quais o governo foi obrigado a concordar.

O caso de Paim é diferente. Por sua trajetória no Congresso, uma emenda bancada por ele tem outro efeito. Vindas de Paim, vinte emendas de conteúdo idêntico ao que deputados do PFL e da ala não-governista do PMDB tentaram emplacar sem sucesso na Câmara produzem pelo menos um estrondo. Nos cálculos do governo, a passagem da reforma da Previdência pelo Senado deveria ser quase uma formalidade. A oposição tem boas razões para comemorar a conquista de um aliado deste calibre.

Paim hoje está mais afinado com o ex-governador Leonel Brizola, presidente nacional do PDT e adversário das reformas, do que com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo assim, Lula evita tratar o senador gaúcho como uma ovelha desgarrada do rebanho e dispensa tratamento vip a Paim, como fez sexta-feira na Expointer.

A curiosidade agora é saber como o PT agirá se no Senado Paim votar contra a reforma ou se der o voto decisivo para alguma mudança com a qual o governo não concorda. Perderá um senador para manter a simetria com a punição imposta aos outros rebeldes? Jogará um dos seus líderes mais conhecidos nos braços do PDT? Adotará punição mais branda, já que não precisa assustar ninguém? O presidente do PT, José Genoino, garante que a regra vale para todos: os parlamentares têm direito sagrado à livre manifestação, mas na hora do voto precisam seguir a orientação do partido. E aposta que Paim votará com o governo.

rosane.oliveira@zerohora.com.br

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Liberato Vieira da Cunha
09/09/2003


História do futuro

Tudo passou quase em silêncio, pois coisas mais importantes ocorriam de Alcântara ao Iraque e à Índia. Razão bastante para que agora deixe, com o olhar posto na história do futuro, o breve registro de três dias agradáveis: os do 1º Encontro de Escritores Gaúchos em Bento Gonçalves.

Os escribas formam uma raça pouco amiga de reuniões, painéis, discursos. Os que estiveram na bela cidade serrana, contudo, não apenas submeteram-se dóceis a essas formalidades, como, por acréscimo, sujeitaram-se a um ritual de aprazível hospitalidade, que, feito os bons vinhos, só floresce na região.

Tenho certa culpa em cartório: fui quem mais insistiu nas sessões da AGEs, a temerária associação que nos congrega, em que era tempo de retomarmos os encontros no Interior. Nossa brava presidente Marô Barbieri topou o desafio, escudada pelo prefeito Darci Pozza, um político que ama as artes.

Seu êxito pode ser medido por alguns dos nomes que foram a Bento: de Assis Brasil a Maria Carpi, de Sérgio Napp a Dilan Camargo, de Cíntia Moscovich a Sergius Gonzaga, de Jane Tutikian a Carlos Urbim, de Geraldo Huff a Mário Pirata, incluindo ainda José Eduardo Degrazia, Paulo Bentancur, Walmor Santos, Jaime Cimenti. É claro que estou esquecendo um monte de gente: a memória nunca foi a melhor de minhas virtudes. Mas talvez seja perdoado se contar que os trabalhos culminaram na conferência do escritor Antonio Hohlfeldt, nas horas vagas vice-governador do Estado.

E o que enfim debateu a plumitiva espécie? - há de se indagar alguma gentil senhorita que me acompanhou até aqui. - O sexo dos anjos?

Nada disso. Nos dedicamos, volta e meia aguerridos e exaltados, a temas como: A Situação da Literatura no Rio Grande; Políticas Públicas do Livro; A Relação Autor/Editor; A Mídia e as Letras. E já não sei a quantos mais: de novo me desampara a lembrança.

Recordo bem no entanto que não discordamos quanto a uma verdade simples: a educação é irmã gêmea da cultura.

Tornado a Porto Alegre, num entardecer de chuva, me peguei sonhando, segundo é mau costume dos cronistas. Sonhei com uma garota de 10 anos, lá do 5º Distrito de Alhandra, Santaclara, Bento, abrindo a porta do puxado de sua escola e deparando com as estantes de uma biblioteca, com 50, 180, 330 volumes, num suave convite a seu coração e a sua alma.

liberato.vieira@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
09/09/2003


A lição de Allende

Segundo uma recente enquete de opinião, 68% dos chilenos não estão interessados em saber sobre o golpe que derrubou o presidente Allende há 30 anos, em 11 de setembro de 1973. Se isto, de um lado, inspira reflexões pessimistas sobre a escassa memória das pessoas, também permite concluir que aquele sombrio acontecimento já faz parte da História e pode, portanto, ser analisado desde uma perspectiva mais objetiva.

A coalizão de esquerda liderada pelo médico (psiquiatra) e respeitado político Salvador Allende venceu as eleições de 1970 com uma agenda de mudança social que deveria conduzir, em última instância, ao socialismo. O que provocou sobressalto em certos setores: investidores estrangeiros e proprietários (norte-americanos, em geral) de minas. O Chile vivia uma recessão, agravada pela fuga de capitais. Mesmo assim Allende foi em frente, aumentando salários (inclusive de aposentados), congelando preços, ajudando pequenos proprietários e distribuindo leite para crianças. O sistema bancário passou a ser controlado pelo governo e 2,4 milhões de hectares foram desapropriados para a reforma agrária.

Surgiram problemas: os gêneros alimentícios sumiam, por causa da especulação, faltavam divisas (o único produto de exportação era o cobre, cujo preço era fixado no mercado internacional), a inflação chegou a 150% ao ano. O governo Nixon estabeleceu um bloqueio financeiro ao país; a CIA promovia um processo de desestabilização do governo chileno. "Não temos por que aguardar que um país se torne comunista por causa da irresponsabilidade de seu povo", disse Henry Kissinger, principal assessor de Nixon em política externa. Sucediam-se as greves e manifestações de violência nas ruas. E havia brigas dentro do próprio governo, entre moderados e radicais, vários destes adeptos do modelo cubano. Ou seja: a típica situação pré-golpe. E o golpe afinal veio. O palácio de La Moneda foi bombardeado e Allende suicidou-se.

Por que caiu o governo Allende, se seu propósito era melhorar a vida dos chilenos? Esta é uma questão sobre a qual conversei algumas vezes com Ariel Dorfman, escritor e assessor de Allende. Dorfman, que escapou de morrer por acaso (estava em reunião fora do palácio no momento do ataque), aponta o medo disseminado sobretudo na classe média chilena como fator de desestabilização que veio se somar à escassa maioria da coalizão governamental.

Enfrentando oposição interna e externa, Allende teria de recorrer à força para continuar seu programa. O que ele não quis fazer, ou não pôde fazer, seus inimigos fizeram. Com sua morte, começaram os "anos de chumbo" chilenos, caracterizados por uma terrível repressão. Como disse o poeta uruguaio Mario Benedetti, "Para matar ao homem que era um povo/ tiveram de ficar sem o povo". Só que, a História ensina, o povo acaba voltando. E com ele voltam aqueles que realmente pensam no povo.

scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
09/09/2003


A liberdade sexual

O deputado estadual Edino Fonseca (Prona), do Rio de Janeiro, apresentou um curioso projeto naquela casa legislativa.

Visa a autorizar o Estado a conceder ajuda psicológica a homossexuais que gostariam de voltar a ser heterossexuais.

E estranhamente o citado projeto também objetiva a "prevenir" a homossexualidade nas pessoas.

Em suma, o deputado fluminense pretende dissuadir pessoas de serem homossexuais ou "curá-las" dessa prática.

Como só se pode prevenir ou curar doenças, está claro que o deputado Edino considera o homossexualismo uma doença.

Eu sinceramente não consigo atinar em como se pode evitar que uma pessoa venha a ser homossexual.

Trata-se de uma tendência biológica inevitável, no meu entender. Nasceu com a tendência, quase impossível impedir que ela se desenvolva.

Então como prevenir? Ninguém, no meu humilde sentir, tem condição de influir na opção sexual de uma pessoa.

Ela é que vai decidir, consultando a si própria sobre seus apelos e sobre a especificidade da sua inclinação sexual.

Fora o folclore, que diz que não há bicha arrependida, isto é, que depois de experimentar a prática homossexual ninguém mais deixa dela, o deputado tinha a seu lado, durante as discussões sobre seu projeto, várias pessoas que se diziam desejosas de voltar a ser heterossexuais.

Um homem declarou à reportagem na ocasião que durante muitos anos foi homossexual passivo, mas agora tinha mudado: parara de entregar-se como homossexual a outros homens e estava até mesmo apaixonado pela sua mulher.

Isto é perfeitamente crível, uma pessoa pode muito bem entregar-se a toda a sorte de práticas sexuais, escolhendo finalmente o seu caminho, auxiliada até pela intensa experiência vivenciada.

Talvez aí até caiba uma assistência psíquica para que o paciente solucione as suas dúvidas ou traumas.

Mas sempre irá presidir a conduta desta pessoa a sua vontade, a sua vocação, o enlace entre o seu estamento hedônico e os impulsos dos seus desejos.

Quem sou eu para afirmar convictamente se o homossexualismo é uma doença ou uma opção de conduta, se os cientistas do corpo e da alma se dividem em suas opiniões.

Mas me atrevo como leigo a raciocinar. E penso que o lógico na definição sexual das pessoas é que ela esteja ligada à procriação, isto é, homem faz sexo com mulher e vice-versa.

No entanto, se uma pessoa não nasce com essa característica, isto é, não sente atração pelo sexo oposto, só poderá ser considerada doente e anormal se não solucionar o seu impasse, ou seja, se não tiver atração por pessoas do seu mesmo sexo.

Se for homem e se sentir atraído por outros homens, conseguindo no decorrer da vida uma relação harmoniosa e feliz com pessoas da mesma tendência, isso deixa de ser uma doença para ser uma clara e livre escolha, imune a qualquer restrição social.

O mesmo com as mulheres.

Doente é um assexuado, isto é, uma pessoa que não sente atração por nenhum dos dois sexos.

Mas quem está apto ao amor espontâneo e consensual, seja esta partilha com qualquer outra pessoa de qualquer sexo, este não pode ser considerado um doente, mas sim um afortunado.

Pois se Deus ou a natureza criaram o homem para a mulher, poderão ter criado um homossexual para outro homossexual.

Não terei eu infringido qualquer regra ética, filosófica ou religiosa ao me atrever a tais conceitos? Se infringi, perdoem-me os seus defensores, mas é o que eu penso.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Inter
Sobressalto no Beira-Rio

O treino do Inter ontem foi interrompido por um susto: o meia Élder Granja desmaiou depois de levar uma bolada na nuca e foi levado ao hospital. Não foi constatada lesão grave, mas o jogador ficará sem treinar por uma semana (foto Valdir Friolin/ZH)


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Segunda-feira, Setembro 08, 2003




Deus em deu você
Silvia Schmidt

Deus me deu Você para que eu me enxergasse,
para manter-me forte e ajudar-me a tocar em frente.
Deus me deu Você para partilhar meu coração e minha alma,
para trazer-me coragem e esperança,
para ensinar-me o significado do Amor Incondicional.

Deus me deu Você para aceitar-me como sou,
para entender minhas dificuldades,
para que eu tivesse um Amigo de verdade.

Deus me deu Você para trazer-me lições,
ajudar-me a crescer e fortalecer meu espírito.

Deus me deu Você para dar-me esperanças,
clarear meus pensamentos e encorajar os meus sonhos.

Deus me deu Você para inspirar-me a ser o melhor que eu possa,
para mostrar-me a importância da verdade e da alegria
de oferecer meu coração ao conforto de um outro coração.

Deus me deu Você para ensinar-me a deixar as tristezas de lado,
para eu declarar-me vulnerável quando assim estou
e para mostrar meu verdadeiro eu e minhas ocultas esperanças.

Deus me deu Você para amar, para honrar,
para assumir e entregar minha confiança da forma que eu sempre quis.

Ele me deu Você porque tinha um plano:
Fazer-me feliz!

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Ninguém pode construir em teu lugar

as pontes que precisarás passar,

para atravessar o rio da vida

- ninguém, exceto tu, só tu.


Existem, por certo, atalhos sem números,

e pontes, e semideuses que se oferecerão

para levar-te além do rio;

mas isso te custaria a tua própria pessoa;

tu te hipotecarias e te perderias.


Existe no mundo um único caminho

por onde só tu podes passar.


Onde leva? Não perguntes, segue-o

- Nietzsche -

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Começo do fim
Mãe de Cazuza se emociona com filmagens da doença do filho em ¿O Tempo Não Pára¿. O ator Daniel de Oliveira emagreceu nove quilos para essa fase do filme
Ana Lúcia do Vale

Na cena do show O Tempo Não Pára, Daniel reproduziu figurino e gestual de Cazuza e mostrou que, debilitado pela Aids, em 88, o cantor tinha que inalar oxigênio puro

Lucinha Araújo levou um susto danado e não conteve o choro quando viu Daniel de Oliveira nove quilos mais magro no palco do Scala dublando O Tempo Não Pára. A mãe de Cazuza foi conferir as cenas da segunda fase do filme dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho. De branco, camisa canoa exibindo saboneteiras pontudas, bronzeado artificial, cabelo cortado e alisado à base de relaxamento, Daniel retomou o protagonista de Cazuza O Tempo Não Pára. Esse foi o último show do Cazuza. Achei que ia ser alegre, mas fiquei nervosa e chorei muito. Essa foi a fase barra-pesada. Mas nada vai ser pior do que a realidade. Bom mesmo seria se pudéssemos mudar o fim e descobrir a cura da Aids, desabafa Lucinha, de 67 anos.

Orientado por Lucinha, Daniel ajustou o jeito de agradecer no fim do show, cruzando os braços sobre o peito. Não que estivesse despreparado: assistiu diversas vezes ao vídeo do show histórico no Canecão (1988), em que o cantor foi dirigido por Ney Matogrosso. A emoção da mãe do exagerado também foi sentida por Daniel, de 26 anos. Neste show, Agenor de Miranda Araújo Neto já estava debilitado. Chegava a sair do palco para inalar oxigênio puro. Mas não chorava. Foi emocionante ver a Lucinha ali. Tive que me conter porque essa fase é de emoção pura. Ele já não tinha tanta energia, acredita o ator.

Segundo Daniel, a morte do cantor, em conseqüência da Aids em 1990, com apenas 38 kg, será mais lúdica. Mas a via-crúcis estará lá. Para tanto, Daniel, que chegou a pesar 71 kg durante a preparação e começou o filme com os mesmos 68 kg de Cazuza, baixou na retomada para 59 kg. Foram três semanas numa dieta espartana até voltar ao set. O ator Daniel ficou uma semana em um spa e é acompanhado por um endocrinologista. Tive que cortar tudo.

A costelinha da minha avó, pão francês com manteiga... Como só um queijo com suco de manhã, salada verde e um peito de frango vagabundo no almoço e janto sopa, lamenta. A dieta rigorosa tem uma válvula de escape: O que me salva é o Mr. Cream Cracker: posso comer até 3 por dia. Mas guardo um para a noite, porque fico lendo até meia-noite e aí como um biscoito para enganar. Quando terminar o filme, o mineiro Daniel já sabe o que quer comer: Acho que pão de queijo vai ser o gás do início.

Se o estica-e-puxa dá status de Robert De Niro, outros hábitos de Cazuza têm atingido Daniel. Nas duas horas em que concedeu a polêmica entrevista à Veja, em que falava abertamente de sua luta contra a Aids, Cazuza fumou um maço inteiro de cigarro. Daniel também virou chaminé. Eu fumava pouco antes do filme. Mas o cigarro ajuda. É uma muleta que ajuda a sentir o drama, acredita.

Mas quer ir além. Para as cenas dramáticas de hospital, vai chegar a 55kg. O físico é fundamental. Eu me olho no espelho e acredito.

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Resta saber quanto é o mais barato dos juros anunciado para os servidores, porque 9% ao ano taxa em vigor é quase 1% ao mês, efetivamente muito alto.

Crédito educativo de servidor mais barato
Governo anuncia pacote de medidas para tentar esvaziar ameaça de greve

Luís Fernando: juros mais baixos

BRASÍLIA. Na semana em que servidores federais preparam a retomada de greves há paralisação prevista para quarta-feira ¿ em protesto contra a Reforma da Previdência, a União anuncia pacote de benefícios para a categoria. Dois dos principais itens são a redução dos juros do crédito educativo (Fies) para ensino superior que visa a beneficiar 150 mil servidores federais com nível médio e a contratação de novos funcionários para ocupar vagas abertas por colegas que se aposentaram com medo da reforma.

A decisão sobre a redução das taxas do Fies já havia sido divulgada pelo DIA em junho. Na época, em entrevista ao jornal, o secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Luís Fernando Silva, informava que esses financiamentos passariam a ser descontados direto no contra-cheque dos servidores. Desta forma, o risco de inadimplência para a Caixa Econômica torna-se praticamente zero, resultando em taxas de juros menores.

A Secretaria estuda uma forma de conseguir um financiamento adicional, para incluir no Orçamento do ano que vem¿, explica. De acordo com o secretário, o recurso permitiria à Caixa Econômica Federal e ao Ministério do Planejamento criarem uma linha de crédito exclusiva para financiar a formação dos funcionários públicos das áreas técnica e de apoio.

Outro item importante do pacote é a criação de 6.200 vagas para professores e funcionários em instituições federais de ensino. A verba prevista para as contratações é de R$ 140,5 milhões. A autorização para a contratação foi publicada pelo Ministério do Planejamento no Diário Oficial (DO) da União de sábado.

Outros dois itens anunciados pelo Governo federal são a extensão da Saúde complementar para todos os servidores (hoje, segundo dados do Ministério do Planejamento, 600 mil servidores estão sem plano de saúde) e a reestruturação do plano de carreiras e gratificações dos servidores ao longo do ano que vem.

Duas destas mudanças são a unificação dos valores das gratificações por desempenho para funcionários de mesma carreira (hoje a diferença chega, em alguns casos, a 900%), a correção dos valores das gratificações e a incorporação de algunas adicionais, como a Gratificação de Atividade Executiva (GAE), por exemplo, ao vencimento básico do servidor.

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Maria Tomaselli
08/09/2003


Até o próximo flash mob

Macy's department store em Nova York: lindos tapetes orientais à venda. O vendedor depara com cem pessoas olhando fixo para um específico e pergunta: "Posso ajudar?" Um deles diz: "Moramos juntos e estamos estudando este tapete para nosso berço de amor, nosso love pad (lembram do mouse pad?)". O vendedor, atônito, chama o gerente, mas todos já foram embora.

Flash mob é a última moda. Tem somente umas semanas de vida. Está se espalhando, feito vírus de computador, mundo afora. Acontece num instante, é um flash. É engraçado. Diverte. Exige cumplicidade. É considerado a mais nova forma de arte performática. Exige tecnologia, porque mobiliza multidões em pouquíssimo tempo. Um fenômeno da era da Internet, do telefone celular.

A pessoa é convocada para um lugar predeterminado, numa hora exata, e lá encontra gente de plantão, previamente identificada com algum sinal ou alguma atitude. Para proteger o evento de proibições ou outras intervenções, ela vai receber as instruções finais só por essas pessoas: como agir no minuto exato e depois desaparecer, sem olhar para trás.

Os participantes aparecem para fazer algo inusitado, um non-sense de curtíssima duração. O evento exige um perfeito timing dos participantes. Não é um encontro entre pessoas, é a aparição de uma mob, uma multidão anônima, que age de acordo com um código, um sinal dado. Esse comportamento lembra o de uma matilha de lobos, por exemplo. Fazer reviver esse instinto animal é o charme do flash mobbing. Só que neste caso é divertimento puro, um teatro de rua do absurdo. O credo é proporcionar um momento surreal de encanto. Um momento que não faz mal a ninguém e que não deixa vestígios: harm no one, leave no trace.

A moda, inventada em Nova York, chegou à Europa em julho, via Roma, onde uma multidão entrou ao mesmo tempo numa livraria, pediu livros não existentes e sumiu. Em agosto, 200 mobbers, na Cidade do Cabo, invadiram um centro de convenções, começaram a imitar gansos e sumiram.

Os paulistas fizeram o primeiro mob do Brasil na Avenida Paulista, abaixando-se e batendo com um sapato numa faixa de pedestres enquanto o sinal estava vermelho. Porém, não seguiram a regra de se dissiparem imediatamente e ficaram dando entrevistas para a imprensa, previamente chamada. Aí já lembra mais um programa do Ratinho do que teatro do surreal. Esse exibicionismo estraga a evidência do momentâneo, do fugaz. A perfeita noção de tempo é exigida. Tempo para aparecer, tempo para desaparecer. Não é o forte dos brasileiros.

O flash mob modifica o cotidiano por um instante, é como o piscar de um vaga-lume numa noite escura, uma estrela cadente, uma felicidade momentânea que interrompe a monotonia. O indivíduo isolado se encaixa, por um momento, no coletivo, numa ação lúdica para, em seguida, voltar a ser indivíduo, só que com a certeza de que, brincando, a gente pode se entender.

Vejo-os no próximo mob!

www.mariatomaselli.cjb.net

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Luis Fernando Verissimo
08/09/2003


Procure a sua turma


Você está compreensivelmente confuso. Quem não estaria? Ninguém é brasileiro sem que isso, cedo ou tarde, se reflita no seu comportamento. Dê graças a Deus se for apenas um tique nervoso ou uma certa dificuldade em engolir sólidos, como o Luiz Otávio no Tribunal de Contas. O país já tem um caso registrado de perda de controle e grave desorientação funcional, e se isso aconteceu com o presidente do Supremo imagine o que pode acontecer com você. Mas acalme-se. Você não está sozinho. Em momentos como este, cada um deve procurar a sua turma.

Todos têm a sua turma. São aquelas pessoas com quem você pode tirar os sapatos sem medo de que comentem os furos das suas meias, ideologicamente falando. Pessoas que pensam como você, têm as mesmas convicções, os mesmos sonhos - enfim, confusos parecidos. Descubra a sua turma, junte-se a ela, combinem um plano de ação ou de fuga ou uma noitada de karaokê, o importante é estarem juntos e se apoiarem.

Como localizar a sua turma? É simples. Faça-se a pergunta: quem ou o que sou eu? Depois é só procurar quem corresponde à mesma descrição e sugerir que juntem as suas perplexidades. Mesmo que não tenham soluções, certamente terão assunto. Você votou no Lula, por exemplo? Eis a sua turma. A esquerda. Bem, grosso modo. Grossíssimo modo. Muitos votaram no Lula sem ser de esquerda. Você precisa procurar sua turma específica dentro da sua turma genérica, que é vasta e vai do Babá ao quase PFL, passando, com os vidros fechados, pelo PMDB e o PL.

Mas atenção: dentro da turma específica também existem facções: a dos que pedem paciência com o Lula, a dos que perderam a paciência com o Lula, a dos que acham que a direita está engambelando o Lula e dos que acham que o Lula está engambelando a direita, a dos que dizem "pô, o próprio Lula declarou que nunca foi de esquerda" e os que respondem ser essa sua principal credencial para liderar um país em crise de identidade, pois obviamente a dele é a maior de todas. Ou dizem "e quem garante que o Lula votou no Lula?".

Está bem, não é simples. Mas só o que você tem a fazer é definir a sua turma e juntar-se a ela, depois de se certificar de que não está na subdivisão errada, ou acabou no PSDB por engano.

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Paulo Sant'ana
08/09/2003


Vítimas indefesas

Esses dias indaguei aqui sobre o sentimento que domina as pessoas que conhecem pela imprensa os assassinatos horrendos que ocorrem todos os dias no Brasil.

Agora mesmo foi identificado o oitavo menino assassinado no Rio Grande do sul, somente este ano. Todos eles foram torturados ou violentados antes de serem mortos.

Como entender? Certamente não foram os mesmos assassinos. O que quer dizer que há um sadismo imperante entre muitas pessoas tomadas ora pela compulsão de matar, ora por impulsos incontroláveis de pedofilia.

Agora mesmo no Pará um médico foi condenado por ter assassinado três meninos, depois de castrá-los.

Observem que essa seita satânica do Pará pregava que todo o mal do mundo era representado por meninos, que tinham seus órgãos genitais extirpados e expostos em rituais religiosos do grupo homicida.

É loucura pura. E praticada por pessoas que se movimentam com normalidade dentro da sociedade, uma assombrosa sociopatia escondida sob a sociabilidade

Mas o que sente a opinião pública quando toma conhecimento desses bárbaros crimes? Penso que em primeiro lugar lástima, compaixão pelas vítimas.

E em segundo lugar uma profunda desilusão por ser humano e viver num tempo marcado por esses acontecimentos.

Oito meninos gaúchos, só este ano, massacrados por algozes que os atraíram de forma supostamente amistosa.

E a maioria dos assassinos está solta e deve voltar a atacar.

Não é também de sentir, além da náusea, medo?

Esses casos escabrosos de tortura e assassinatos seriam ainda em maior número se a imprensa não os divulgasse e eles ficassem ocultos, sem alarma e possibilidade de virem a ser esclarecidos.

Agora mesmo, o próprio governo brasileiro está admitindo perante a ONU que em 15 Estados do nosso país existem grupos de extermínio, a totalidade deles integrado por policiais civis e militares.

Felizmente o Rio Grande do Sul sempre esteve livre desse tipo de atividade criminosa.

Mas dói saber pelos jornais e pela televisão que o chinês Chan Kim Chang, 46 anos, naturalizado brasileiro, foi massacrado e morto no interior do presídio Ary Franco, no Rio de Janeiro.

Um crime como esse remete o Brasil para a condição de uma das sociedades mais primitivas do planeta.

A crueldade parece andar solta e acreditar na sua impunidade.

Em todos esses casos, o que espanta é que as vítimas restam absolutamente indefesas diante dos seus assassinos.

Parece que os matadores se deliciam com a impotência das vítimas, uma covardia inominável de quem tem a consciência de que não haverá reação à sua brutalidade.

A ciência alcança neste novo século avanços notáveis. Mas ainda não foi capaz de detectar entre pessoas aparentemente normais a sua vocação para a agressividade homicida, que se desata tão pronto os assassinos estão a sós com suas vítimas e passam a dispor delas a seu talante.

O sadismo é um dos mais abjetos traços do caráter humano. E ainda mais revoltante quando as vítimas são crianças ou presos, alvos preferenciais desse tipo de perversos desajustados.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Futebol
Show brasileiro na Colômbia



Ronaldo fez um gol e deu o passe para outro, de Kaká, na vitória de 2 a 1 sobre a Colômbia, pelas Eliminatórias da Copa (foto Eliana Aponte,


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Domingo, Setembro 07, 2003




Viver como as flores

Mestre, como faço para não me aborrecer?
Algumas pessoas falam demais, outras são ignorantes.

Algumas são indiferentes.

Sinto ódio das que são mentirosas.

Sofro com as que caluniam.

Pois viva como as flores, advertiu o mestre.

Como é viver como as flores?
Perguntou o discípulo.

Repare nestas flores, continuou o mestre, apontando lírios que cresciam no jardim.
Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas.
Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permitem que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas.

É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros o importunem.
Os defeitos deles são deles e não seus.
Se não são seus, não há razão para aborrecimento.
Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo mal que vem de fora.

Isso é viver como as flores.

Autor desconhecido

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Papeis trocados

Mary tinha um marido muito machista. Ambos trabalhavam em horário integral, mas ele não a ajudava em nada que se referisse à casa, muito menos no serviço doméstico. Isso, ele dizia, era trabalho de mulher.

Mas, numa noite, Mary chegou e encontrou as crianças já de banho tomado, a máquina de lavar batendo roupas, um outro tanto na secadora. O jantar estava pronto e a mesa lindamente posta, até com um arranjo de flores.

Mary ficou atônita, e imediatamente quis saber que milagre era aquele. Acontece que Charley, o marido, lera um artigo de revista segundo o qual mulheres que trabalham fora se comportariam de maneira mais romântica se não ficassem tão cansadas, tendo de fazer todo o serviço de casa depois de darem duro o dia inteiro.

No dia seguinte, Mary mal podia esperar para contar a novidade às colegas do escritório.

Como foi? elas perguntaram.

Bem, o jantar foi ótimo Mary disse. Charley inclusive lavou a louça, ajudou as crianças com os deveres da escola, dobrou a roupa limpa e pôs tudo nos lugares.

Mas e depois? as amigas queriam saber.

Não aconteceu nada Mary disse. Charley estava cansado demais.

The Best of Bits & Pieces
Histórias para Aquecer o Coração das Mulheres
Jack Canfield & Mark V. Hansen & Jennifer R. Hawthorne & Marci Shimoff



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