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Sábado, Outubro 11, 2003
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11:17 PM
by Cassiano Leonel Drum
A M I G O
É encontrar um ombro na hora do aperto;
É ter com quem partilhar os bons e os maus momentos;
É ter com quem desabafar para aliviar o stress do dia a dia;
É ter uma companhia amiga;
É não nos sentirmos sós;
É algo que nunca se deve perder;
É dar e receber;
É ter alguém que nos ouve;
É ter ajuda no momento certo;
É ter alguém que nos critica com benevolência;
É ter aliado em tempo de guerra;
É maravilhoso.
Tenhamos todos um FELIZ DIA DAS CRIANÇAS.
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11:07 PM
by Cassiano Leonel Drum
Dia da Criança
Antecipei o Dia da Criança e fui espeitar, no Chapito, o Com Quase Nada, um filme que passou num ciclo de cinema alternativo .
O filme conta a estória dos meninos de Cabo Verde que não têm acesso às PS, Barbies, Action-mens, and so on.
E o que é que isto tem de especial? É que os brinquedos são fabricados por eles.
Carros, aviões, barcos, cavalos e muitas outras coisas.
Fazem-nos com aquilo que lhes vem à mão e brincam com um "empenho" diferente dos miúdos que eu conheço - começando pelos meus próprios sobrinhos.
O filme é muito bonito. E fiquei com saudades do Mindelo da minha infância.
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10:50 PM
by Cassiano Leonel Drum
O Dia da Criança, da Mãe e do Pai
Primeiro criaram a mulher, depois o homem. Daí surgiram
as crianças. Então se homenageia ao contrário.
Não, eu vou explicar melhor.
Os egípcios achavam que tinham de homenagear as mães,
depois pensaram: tem mulher que não é mãe e também
devemos homenageá-la. Os pais ficaram tristes, daí
resolveram homenageá-los também.
E os filhos? Inventaram também o dia do filho.
Mas os órfãos não tem pai nem mãe. E os que tem pai e
mãe mortos? Que tristeza seria! Vamos pensar mais um
pouco.
Ah! Que tal dia das pessoas pequenas? Não ficava bom,
tinha que ser um nome como mulher e homem, mas como?
Misturando as letras? É isso. Não. A melhor palavra que
formou foi "molhenré", que é um nome esquisito. Até
pegarem o nome, demoraria muito tempo.
Passou-se dez anos e quando inventaram mais letras, eles
resolveram misturar. Formaram-se muitas palavras.
Escolheram umas delas e colocaram o nome "criansa".
Criança com S é estranho, melhor inventarmos outra
letra.
Passaram-se mais dez anos e inventaram várias outras
letras com riscos em cima ou embaixo como: ão; é; ç; ê.
Dai resolveram por o C com a cobrinha, criança.
Melhorou, mas cobrinha é estranho. que outro nome
podemos dar? Que tal cedilha? Nada mal, é só um pouco
esquisito mas vai esse nome mesmo. Já tivemos trabalho
demais.
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10:40 PM
by Cassiano Leonel Drum
Como surgiu o Dia das Crianças
No Brasil
O Dia das Crianças no Brasil foi "inventado" por um político. O deputado federal Galdino do Valle Filho teve a idéia de criar um dia em homenagem às crianças na década de 1920. Em 1924, o dia 12 de outubro foi oficialmente decretado pelo presidente brasileiro da época, Arthur Bernardes. Apesar de ser uma data oficial, o Dia das Crianças nunca teve muita importância até o ano de 1960, quando um diretor de uma famosa fábrica de brinquedos resolveu "ressuscitar" a data para aumentar suas vendas. A estratégia deu certo, pois desde então o dia das Crianças é comemorado com muitos presentes!
Em outros países
Alguns países comemoram o dia das Crianças em datas diferentes do Brasil. Na índia, por exemplo, a data é comemorada em 15 de novembro. Em Portugal e Moçambique, a comemoração acontece no dia 1º de junho. Em 5 de maio, é a vez das crianças da China e do Japão comemorarem!
Dia Universal da Criança
A ONU (Organização das Nações Unidas) reconhece o dia 20 de novembro como o dia Universal das Crianças, pois nessa data também é comemorada a aprovação da Declaração dos Direitos das Crianças.entre outras coisas, esta Declaração estabelece que toda criança deve ter proteção e cuidados especiais antes e depois do nascimento.
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10:23 PM
by Cassiano Leonel Drum
O vulto da quimera
Rosiska Darcy de Oliveira
SER FELIZ PARECE SER UMA VOCAÇÃO UNIVERSAL. E, no entanto, quão poucos podem lembrar-se com alguma remota emoção de um tempo, quiçá um dia, o breve momento de um clandestino sussurro em que se foi, talvez, feliz. Feliz de verdade, alegre por estar vivo e ter instintos que chamam e acolhem a intensidade da luz. Aquela que nos faz pisar de pés descalços, com a certeza de que a terra inteira é nossa casa e agradecer à música sua banal existência, já que existe para provar que o prazer é possível e real.
As cores nos olhos, o gosto na boca, a pele - carícia, perfumes no ar, um sonho na alma, quimeras. "Quimera!" Talvez seja esta, junto com "madrugada", a mais bela palavra dessa língua que nos escapa, como nos escapam as quimeras e as madrugadas.
Todo dia, quando a noite acorda, na hora indecisa da manhã, é preciso saber que ser feliz é projeto daquele dia. É preciso lembrar-se de que nascemos para isso e nada mais. Quem, ao amanhecer, se pergunta: afinal, o que me faz, de fato, feliz? Quem conta este segredo no ouvido amado? Quem, na madrugada, reconhece o vulto da quimera? Quem lhe dá ouvidos, segue seus passos?
As buzinas que sacodem a cidade dissolvem as quimeras que fogem assustadas para o mundo dos sonhos. Os despertadores não aceitam a contestação, a recusa do corpo. Os engarrafamentos não podem esperar. Precisam de todos para melhor prosperar e, talvez por isso, os dicionários registrem como idéias falsas e vãs, como monstros que nunca existiram, essa linda palavra que evoca bem mais a atração do impossível, o apelo da beleza e uma certa fugacidade.
Onde se terá perdido, quem sabe irremediavelmente, a vocação e a possibilidade de felicidade que foi ou terá sido, em algum esconderijo da infância, o nosso destino?
Terá sido na ganância, no querer demais ou tudo querer? Terá sido no poder? Não o poder de fazer, mas o poder de mandar, de dominar os mais fracos para que a fraqueza que conhecemos em nós encontre logo companhia na humilhação do outro.
Ou terá sido, simplesmente, por não ter sabido que essa pergunta - o que me faz feliz? - não está proibida a ninguém? Que cada um terá sua resposta secreta e que, na verdade, nada devemos à vida e aos outros senão a possibilidade de um gesto gratuito. Ou terá sido, ainda, no acreditar-se capaz de mover montanhas, na divina vocação de recriar os seres à imagem e semelhança de deuses imaginários?
Onde quer que se tenha perdido deve restar algum traço, alguma pista que nos permita, desprezando solenemente as patrulhas de todo tipo, ignorando piedosamente os descrentes, fazer as pazes com a banal e modesta idéia de ser feliz. E que essa paz se celebre rapidamente, pois, apesar da leitura dos jornais, onde moram as misérias do mundo, apesar da compaixão imensa, do luto de alguns momentos, apesar de tudo, estar vivo é um dom que não se despreza. Sobretudo aqueles que conhecemos a amargura, que reconhecemos a dor mesmo quando disfarçada em esquecimento. Nós que tivemos e fizemos tantos projetos, nós que apostamos sempre no amanhã para melhor desperdiçar esta hora de agora, nós, mais do que ninguém, hoje não desprezamos a vida.
A curiosidade me faz imaginar o que aconteceria nessa sala, nessa rua, nesses escritórios de luz mortiça, no fim da tarde, se a cada um fosse dado confessar a si mesmo, por um segundo, uma razão de felicidade e, por um mistério qualquer, essa felicidade se fizesse possível e inadiável. Creio que o mundo, como ele é, desmoronaria.
Há quem veja no desejo uma ameaça à civilização. Teria sido necessária uma repressão imensa para pô-la de pé e fazê-la humana, adormecendo o bicho que, em todos nós, ameaça fugir da jaula. Mas quando virá o momento de colher os frutos de tantos desejos reprimidos? Dessa civilização tão pródiga em possibilidades?
Susto é ver que um mecanismo perverso, complexo e de difícil entendimento vai criando necessidades tão ferozes quanto artificiais, uma concorrência primitiva e bestial. Fazendo com que cada um pague o preço de seus dias, de suas vidas, hipotecadas à servidão, por um dinheiro que compra um consumo sem fim ou um posto que faz sentir-se, hoje, alguém, aquele de quem, amanhã, ninguém se lembrará.
Por isso, a maior e mais alegre subversão ainda é responder, na intimidade da madrugada, quando todos dormem menos você e as quimeras, sem testemunhas nem censura, o que, de verdade, o faz feliz. E prometer a si mesmo que os rabiscos na agenda, as expectativas do senso comum, ou melhor, a insensatez de tantos, nada lhe fará desistir da vida, nada lhe fará renunciar a bem viver e este terá sido, talvez, o mais revolucionário dos seus gestos.
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10:10 PM
by Cassiano Leonel Drum
Treine seu filho para o futuro
Denise Campos de Toledo
O dia das crianças também pode ser uma boa ocasião para ensinarmos nossos filhos a lidarem melhor com o dinheiro e a conhecerem as limitações do poder aquisitivo da família. Escolher e receber um presente é muito bom. Afinal, a maior parte dos coleguinhas recebe um. Mas, se a situação estiver realmente difícil, é melhor explicar sinceramente o que acontece e mostrar à criança que nem sempre é possível ter tudo o que se quer.
É mais honesto. É melhor do que se endividar, pedir dinheiro emprestado e deixar de comprar coisas mais essenciais. O dia também não precisa "passar em branco". Basta encontrar um brinquedo mais barato ou fazer algum em casa. Muitas vezes brinquedos simples, como pipa ou bola, podem deixar uma criança muito feliz. Principalmente se o presente for acompanhado de uma tarde de brincadeiras e de muito carinho com os pais, com a família.
Para quem pode comprar qualquer presente, impor alguns limites também é importante, para a criança não ficar com a idéia de que pode ter tudo o que quiser, de uma forma muito fácil. É preciso ensinar desde cedo que "dinheiro não cai do céu".
Embora a vontade seja dar tudo o que pedem, segurar um pouco a empolgação e mostrar uma situação mais real pode preparar as crianças para enfrentarem, de fato, eventuais dificuldades. É uma forma de evitar frustrações maiores no futuro. Esses limites ajudam a criança a dar mais importância e valor ao que ganha.
Deixando de lado a necessidade de controlar os impulsos, o fato é que comprar um presente que agrade a nossos filhos, ou netos, afilhados, sobrinhos, crianças queridas, é bom demais. E todos devem estar pensando nisso agora, já que o dia das crianças é na semana que vem. Mas, lembre-se: comprar presente não precisa ser sinônimo de desperdício.
Ainda há tempo para uma boa pesquisa. Tome um cuidado adicional com os brinquedos importados, por causa da desvalorização cambial. A cotação do dólar está subindo desde janeiro, o que encareceu bastante os preços de alguns importados, inclusive brinquedos.
Portanto, pesquisar é o melhor caminho para economizar. E não é preciso andar muito para isso. Os jornais trazem anúncios de lojas com os preços dos brinquedos mais procurados. A maior parte delas informa os preços por telefone e nas ruas comerciais ou shoppings elas ficam muito próximas.
Depois de verificar os preços, quem não tiver condições de pagar à vista, deve checar as condições de pagamento. Em boa parte das lojas, pode-se pagar em três vezes sem juros. Nesse caso, é só conferir se o preço à vista é realmente bom em relação à concorrência. Se não traz, embutidos, os juros que não serão cobrados no pagamento a prazo.
O cartão de crédito também é uma alternativa para quem puder pagar tudo na primeira fatura. Os juros do financiamento do cartão continuam entre os mais altos do mercado.
A pior alternativa, que deve ser evitada, é o financiamento com juros. Na média, o comércio ainda está cobrando juros de 8%, em média, por mês, o que é um absurdo. Só para se ter uma boa comparação, a inflação mensal está em menos de 1% ao mês.
E não esqueça: na hora da compra, é importante testar o produto, para não correr o risco de decepcionar a criança com um brinquedo que não funciona, e pedir a nota fiscal para o caso de ocorrer algum problema.
E um recado da Mariana, minha filha de 8 anos, para vocês (ela ajudou na "revisão" do texto): "criança acha que pode sempre comprar tudo o que quer, mas é preciso economizar." Feliz dia das crianças com ou sem presente!
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10:08 PM
by Cassiano Leonel Drum
A escola "daquele tempo"
É muito comum ouvir alguém com mais de 40 anos dizer, com tom nostálgico, que a escola pública "do meu tempo" tinha qualidade, que os professores ensinavam para valer, que os alunos tinham disciplina ou que as escolas particulares eram uma opção apenas para os alunos mais fracos.
Muitas dessas afirmações são verdadeiras, outras exageradas. O fato é que não se pode comparar a escola pública de hoje e a "daquele tempo" sem levar em conta que, no passado, essa escola era para poucos.
Uma pesquisa divulgada nesta semana pelo IBGE (www.ibge.gov.br) dá bem uma noção de como a escola pública era um privilégio de poucos no passado.
Segundo o IBGE, em 1940, o Brasil tinha 3,3 milhões de estudantes no primário, secundário e técnico (equivalentes hoje ao ensino fundamental e médio). O número de brasileiros em idade para estudar em um desses níveis de ensino, no entanto, era muito maior: 15,5 milhões de pessoas de 5 a 19 anos de idade.
Isso significa que os estudantes efetivamente na escola representavam apenas 21% da população em idade escolar. Em 1960, essa porcentagem subiu para 31%, mas continuou muito baixa. Somente em 1998 o país chegou próximo de ter todos os jovens e crianças na escola: 86%.
Para não ficar só nos números, qualquer pessoa pode comparar o elitismo da escola pública no passado comparando fotos. Reparem só como as fotos de escolas públicas do passado apresentam apenas crianças de cor branca, bem vestidas, com uniformes impecáveis.
Hoje, felizmente, a escola pública, pelo menos no ensino fundamental, se massificou. Nela, há pobres, pretos, filhos de analfabetos, enfim, crianças que não encontravam lugar na escola "daquele tempo".
Apesar de não haver estatísticas que possam comprovar essa tese, é bem provável que a escola pública tenha mesmo perdido qualidade. Isso aconteceu quando ela teve que abrir as portas para a população mais pobre. Quando ficou democrática, do ponto de vista do acesso, ela perdeu também em qualidade.
Hoje, o grande desafio é garantir qualidade para todos. Impedir, por exemplo, que as crianças cheguem à quarta série sem saber ler e escrever. E antes que alguém coloque a culpa no sistema de ciclos (onde não há reprovação todo ano), vale dizer que ele existe apenas a partir da década de 90 e representa existe em pouco mais de 10% do total de escolas. Nossas crianças não estão aprendendo, seja em ciclos, seja em sistemas seriados, seja em qualquer outro sistema que tenha sido massificado.
A comparação com o passado é desejável quando se acredita que é possível voltar a ter qualidade na escola pública. É preciso tomar cuidado, no entanto, para não deixar de considerar que estamos comparando duas escolas bem diferentes. Uma que, no passado, atendia aos ricos e outra que, atualmente, atende a todos.
Para resumir, eu simplificaria a questão dizendo que nosso sistema público melhorou muito porque passou a atender a todos, mas falhou ao não conseguir manter para esses novos estudantes a mesma qualidade do ensino que dava aos filhos da elite no passado.
Antonio Gois
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10:05 PM
by Cassiano Leonel Drum
Onde está o meu emprego?"
Os empregos estão mudando de característica. A mão-de-obra foi substituída pelo computador, a força, pela criatividade, e o medo começa a ser trocado pela motivação. O trabalho em equipe minou o individualismo, ou pelo menos está quase chegando lá. O setor de serviços tem crescido exponencialmente, e novas competências são exigidas pelas empresas. Resumindo: os empregos não estão onde sempre estiveram, e o mais dramático é que a maioria das pessoas disponíveis no mercado está desatualizada, vive correndo atrás de empregos que não existem mais.
A tecnologia que chegou para facilitar nossa vida criou uma nova "encrenca" em nossa carreira. As planilhas de custos substituíram muitas pessoas nas empresas de contabilidade, o sintetizador eletrônico substituiu muitos músicos nas gravações. Lembra aquela orquestra com dezenas de músicos? Hoje, só há um tecladista com um computador. Os caixas eletrônicos, por exemplo, estão demitindo muitos bancários. Essa é uma realidade à qual não há retorno. Precisamos nos acostumar a essas mudanças e não ficar lamentando o "leite derramado".
Quando falo em evolução tecnológica, não falo de algo necessariamente sofisticado, uma simples rede de pesca pode mudar a vida de uma vila de pescadores. Imagine a seguinte cena: uma vila onde os pescadores usam vara de pescar e conseguem, em média, 2 kg de peixe por dia. Cada um come 1 kg e vende o outro quilo por R$ 5. No fim do mês, cada um fatura algo como R$ 100, o que é mais do que suficiente para a sobrevivência da família. Tudo em perfeita harmonia.
Até que um dia, Renato, um dos pescadores, aparece com uma rede e consegue pescar 100 kg de peixe por dia. Ele come 1 kg e vende o restante por R$ 1 o quilo. Fatura R$ 99 por dia, uma pequena fortuna naquela vila.
Resultado: o equilíbrio em que a comunidade vivia foi para o espaço. Agora, os compradores não estão mais dispostos a adquirir o peixe dos outros pescadores por R$ 5. Adianta reclamar? Não, a rede do Renato matou os empregos dos pescadores que usavam vara de pescar, e outros trabalhos surgiram, então: vendedores de peixe em outras cidades, peixarias especializadas, franquias, restaurantes. Uma simples rede bagunçou a vida de muita gente. A mesma coisa acontece nas empresas.
Há muitas redes de pescar aparecendo todos os dias nos escritórios, nas fábricas, nas multinacionais. Uma revolução tecnológica, por mais simples que seja, traz sempre novas perspectivas e diferentes empregos.
Mais importante do que reclamar é fazer a si mesmo a pergunta: "O meu emprego ainda existe?". Ele só vai ter boa expectativa de vida se você souber se reciclar e estiver aberto às novidades. Não há outra saída: é assumir o controle da sua carreira e investir pesado na sua evolução profissional. Quem estaciona morre em águas turbulentas. Cresça dia-a-dia, espelhe-se em profissionais bem-sucedidos e desafie-se.
Fique de olho em alguns detalhes fundamentais:
1. Procure conhecer o mundo fora da sua empresa! Seus concorrentes vão lhe motivar a avançar.
2. Estude! Estude sempre.
3. Aprenda com as derrotas e comemore as suas vitórias.
4. Abra sua cabeça! Valorize teatro, cinema, música, literatura, a inspiração vem de sua riqueza interior e de experiências de vida.
5. Seja feliz, realize os seus sonhos, dê atenção à sua família, aos seus amigos, tenha atividades lúdicas e, principalmente, dê um tempo para você.
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8:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ricardo Silvestrin
11/10/2003
Paulinho da Vanguarda
Imagine se na sua infância estivessem tocando na sua casa o Pixinguinha, o Jacob do Bandolim e outros monstros da fina flor da música brasileira. Junte a eles todo os sambistas da Portela. É isso o que aconteceu com o Paulinho da Viola. Digo é, e não foi, porque é o que ainda está acontecendo, até hoje, na cabeça e no coração do Paulinho.
Seu pai, que toca com ele, era o anfitrião. Esse é o rio que corre por baixo de Meu Tempo É Hoje, uma biografia-entrevista-show-documentário e outras mumunhas mais sobre a vida do Paulinho da Viola, em cartaz no Arteplex e na P.F. Gastal. Seu filho, que toca violão, ouviu o seguinte conselho: "Olhe bem como seu avô toca. É de um jeito que ninguém mais sabe tocar". O velho vai fazendo a marcação, um baixo no violão, costurando com linha grave todo o samba.
Quando Paulinho canta, vem uma voz segura, uma voz de homem tranqüilo. Talvez de um tempo em que era mais simples ser homem. Por isso, a voz vinha calma, exata. Paulinho, comparado a todos os outros que cantam com ele suas músicas no filme, é sempre mais leve, mais calmo, mais sábio. Mas, por incrível que pareça, seu pai é mais ainda.
Paulinho ainda está cantando. Seu pai abre a boca e a voz sai. É esse tempo, dessa estética do samba que é como é, sem esforço, que Paulinho reconstrói a vida inteira. Seja nos seus sambas, seja na revalorização da Velha Guarda da Portela. Por isso, ele diz que seu tempo é hoje. Não está lá no passado. Está aqui e agora com ele. Mas tem outro Paulinho. Esse, do samba cristalino, é o Paulinho de seu pai. Mas tem o Paulinho visto por seu filho. Num dos momentos do filme, seu filho escolhe duas músicas que, para ele, sintetizam a obra do compositor:
Coisas do Mundo, minha Nega e Sinal Fechado. A primeira é um samba daqueles. A segunda é uma música urbana, um diálogo cantado sobre uma base que se repete estilizando um movimento de trânsito. Vanguarda pura: "Olá, como vai / eu vou indo e você, tudo bem? / Tudo bem eu vou indo pegar um lugar no futuro e você? / Tudo bem eu vou indo em busca de um sono tranqüilo, quem sabe?" E vai. É um drama escrito ali por 1970, que soa novo até hoje. No filme é um grande momento. Então, seu filho separou para nós o que é de Paulinho-Paulinho e o que é do pai do Paulinho.
É essa bagagem culta, de modernidade, que permitiu ao Paulinho da Viola reler a emoção do samba e do choro que impactaram a sua infância. Mas releu como quem lê a estrutura, não apenas a superfície. Como um gourmet que consegue ver no prato pronto todos os passos que se passaram na cozinha. Sabendo a alquimia, foi capaz de recriar o sabor e servir para todos nós.
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br
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8:42 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
11/10/2003
Aquelas ilusões
Pensar que os adultos sabiam de tudo: eu tinha uma inveja mortal deles. Mas AÍ diziam coisas como: "Criança não pensa", ou "quem ama Deus faz sofrer", e percebi que eles podiam ser meio burros.
Sonhar que as princesas antigas eram lindas como nos livros de história, seus namorados eram uns guerreiros fantásticos, e todos moravam em castelos maravilhosos. Depois li que elas cedo ficavam desdentadas, os guerreiros morriam ainda adolescentes de doença ou na guerra, quase não se tomava banho, e as donzelas faziam xixi de pé, apenas arrepanhando um pouco as saias.
Achar que os pais eram todos perfeitos: eles poderosos, as mães umas santas. Mas meu pai me castigou por algo que eu nem tinha feito, e minha mãe se queixou: "Essa menina é impossível... por que não é parecida com o irmão, tão bonzinho?" (Ela devia ter dito algo parecido com "ela é um saco", só que naquele tempo a expressão não se usava.)
Achar que era verdadeira a inscrição da caixinha de lápis: "Querer é poder". Eu queria acordar morena, magra e linda como uma coleguinha que nem ao menos era inteligente... mas continuei sendo apenas a que podia ser. Também queria receber o boletim melhor da turma, mas cheguei a um 28º lugar, que falsifiquei transformando num patético 23º - como se assim minha honra estivesse salva.
Imaginar que os gnomos arrumavam durante a noite meus sapatos - que eu deixava tortos ao lado da cama - e o anjo da guarda de carinha suspeitamente feminina sempre ia cuidar de mim. Mas os gnomos não apareciam quando havia mais alguém presente, de modo que nunca pude provar que existiam. E o anjo da guarda devia andar muito ocupado, porque eu era irremediavelmente desastrada.
Achar que bastava rezar, e Deus, o das barbas brancas e carranca furiosa dos bicos de pena da Bíblia Para Crianças, do alto das nuvens me faria ser o modelo de menina que minha mãe e avós tanto queriam. Depois de algum tempo eu só pedia: Ô, Deus, me ajuda um pouco, tá? Afinal eu bem que me esforço...
Acreditar que bebê era trazido pela cegonha, e um dia alguém na escola falar qualquer coisa de pai e mãe... havia um complicador de caninho de borracha, que aliás nunca entendi. Seja como for, depois do choque fiquei um pouco aliviada: os meus pais, pelo menos, só tinham feito aquele horror duas vezes. Ah, três vezes: um irmãozinho tinha morrido antes de eu nascer.
(Mas se tudo fosse perfeito como nas minhas ilusões, eu cedo teria morrido de tédio.)
lya.luft@zerohora.com.br
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8:40 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
11/10/2003
Esquadrões da morte
Era evidente que esta onda de criminalidade que assola o país iria acabar na pior de todas as tragédias: a implantação cancerígena no tecido social dos grupos de extermínio.
Esteve recentemente no Brasil, onde se avistou até com o presidente Lula da Silva, a relatora da ONU Asma Jahangir, que constatou cabalmente haver esquadrões da morte em vários Estados brasileiros.
E é tão atrevido este processo de execuções sumárias de criminosos e pretensos criminosos por integrantes de polícias estaduais que, logo após ter permanecido no Brasil durante 20 dias, investigando esses grupos de extermínio, foram assassinadas agora duas testemunhas de execuções, uma delas tendo prestado depoimento pessoal à funcionária da ONU.
No relatório de Asma Jahangir à ONU, ela fará constar a seguinte observação: "Em todos os Estados há execuções sumárias e impunidade. A polícia mata e debocha das mães e as instituições assistem impotentes. Isso é muito importante, porque atrasa a democratização do Brasil".
Tão pronto ela se retirou do Brasil no início da semana, o mecânico Gérson Jesus Bispo, 26 anos, foi morto com quatro tiros no início da manhã de anteontem, em Santo Antônio de Jesus, 184 quilômetros distante de Salvador (BA).
Dois homens encapuzados que estavam numa moto dispararam suas armas e assassinaram Gérson, que há três semanas se encontrou com a relatora da ONU e pediu-lhe justiça pelos assassinatos do irmão Antônio Carlos de Jesus Bispo, 22 anos, e de um amigo, Adailton Santos, 25 anos, ocorridos no dia 1º de agosto do ano passado.
À funcionária paquistanesa da ONU, Gérson relatou que seu irmão e Santos estavam fazendo compras numa loja no centro de Santo Antônio de Jesus, quando foram abordados pela polícia.
Em seguida, os dois teriam sido colocados em um carro da PM e levados para a periferia da cidade, onde foram mortos.
No dia 27 de setembro passado, o agricultor Flávio Manoel da Silva, 33 anos, testemunha de uma CPI da Assembléia Legislativa da Paraíba que apura as atividades de um bando de extermínio, foi assassinado a tiros perto de sua casa. Os assassinos paraibanos guardaram semelhança no método com seus colegas baianos, estavam em uma moto e encapuzados.
Ou seja, há a mais veemente impunidade dos grupos de extermínio. O chefe da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu, admitiu anteontem que a tortura e o extermínio estão soltos no Brasil.
Pra atingir tal desenvoltura, estes grupos certamente contam com a ajuda e às vezes supervisão de autoridades.
Mal saída do Brasil, onde investigava esses esquadrões da morte, a relatora da ONU tem ainda mais subsídios para basear sua acusação depois que duas testemunhas foram eliminadas a sangue frio, uma delas tendo prestado à paquistanesa a sua denúncia.
Se a segurança pública brasileira já estava ameaçada por todos os lados com este avanço colossal da criminalidade, agora ainda mais se fragiliza com a revelação de que em grande parte dos Estados brasileiros os esquadrões da morte agem livremente.
Sob o ponto de vista do prestígio internacional do Brasil, vão nos classificar como um país de barbárie primitiva.
E internamente não pode haver pior notícia de que à margem do poder, mas nele encravados como seus servidores, grupos numerosos de executores sumários vão se especializando nessa macabra missão.
Estarei hoje à tarde convivendo com os leitores, telespectadores e ouvintes na Feira do Livro, em Morro Reuter, autografando o meu "Melhor de Mim".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:38 AM
by Cassiano Leonel Drum
Surfe
Acrobacias na água
Líderes do ranking do Super Trials, a divisão de acesso à elite do surfe no Brasil, continuam a disputa hoje nas praias do Cassino e de São José do Norte. Além dos ventos e da correnteza, a água gelada tem sido o pior adversário (foto Flávio Neves, Agência RBS/ZH)
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8:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
10 de outubro de 2003
Caro leitor,
aqui estão os destaques de VEJA desta semana.
Boa leitura e bom fim de semana.
Kátia Perin - VEJA on-line (veja@abril.com.br)
Especial
Os sete perigos a que o Brasil se arrisca se não embarcar no trem da Alca:
1. Bravatas (tiram o foco do trabalho de negociação)
2. Erro de cálculo (o Brasil não impedira a formação da Alca)
3. Isolamento (os vizinhos estão loucos para acertar com a Alca)
4. Irrelevância (com 0,89% do comércio mundial o país se arrisca a ficar ainda menor)
5. Fechar a economia (o mercado interno não resolve tudo)
6. Estagnação (sem comércio externo não há crescimento)
7. Protecionismo (pretexto para que os ricos fechem seus mercados)
Entrevista
O big brother
Alvin Toffler, autor de O Choque do Futuro, é especialista em apontar tendências para o futuro. Para ele, em breve seremos vigiados o tempo todo por câmeras digitais.
Internacional
Argentina volta a ter esperança
Lotado de turistas, o país cresce pela primeira vez em cinco ano. Ainda está longe de vencer a crise, mas a população alçou o presidente Néstor Kirchner ao posto de mandatário mais popular da América Latina.
Religião
Cruzada da insensatez
Além de afirmar que camisinha não protege, há muitos padres dizendo por aí que os preservativos até ajudam a disseminar a Aids. Ignorância ou má-fé?
Genética
Diferente da mãe
Pesquisas feitas com ratos mostram que substâncias ingeridas pela mãe durante a gravidez são capazes de alterar as funções do gene de seus filhotes.
Meio ambiente
Um salto para a vida
A aventura da preservação das baleias jubartes que chegam todos os anos para procriar na costa brasileira. Um dos maiores desafios de sua preservação no país é a interação com os barcos de turismo.
Economia e Negócios
O retrato do Brasil que avança
Estudo do IBGE mostra que investimentos na área social realizados na última década mudou indicadores do país. As mazelas saltam aos olhos, mas como um todo o Brasil melhorou.
Consumo
Garçom, mais uma pílula
Empresa vende na internet um comprimido que promete acabar com a ressaca. A droga foi desenvolvida por cientistas soviéticos que pretendiam na época da KGB permitir que seus agentes se embebedassem quando necessário e ainda assim lembrassem das informações no dia seguinte.
Sociedade
Chama o personal
Está na moda o personal-alguma-coisa. Há todos os tipos de especialistas disponíveis para cuidar do cliente de forma personalizada: o personal-car, o personal-organizer, o personal-diet, personal-make-up....
Trabalho
Os samurais sem patrão
Sem chance de bons empregos, uma geração de japoneses vive no limbo social. O número de jovens no país em trabalhos temporários aumentou dez vezes desde os anos 80 e hoje chega a 4,5 milhões.
Imigração
A beleza e a força dos latinos
Os hispânicos tornam-se mais numerosos que os negros nos Estados Unidos e firmam-se como grande potência de mercado e de influência cultural no país.
Dieta
Magro e rápido
Redes americanas de fast food experimentam lanches com menor quantidade de calorias. O McDonald's testa um novo tipo de McLanche Feliz (para adultos) com salada e água mineral. A Burguer King já oferece sanduíches com frango grelhado em vez de frito.
No site: confira lista de calorias dos alimentos.
Arquitetura
Com um olho grudado nos detalhes e a cabeça voltada para as idéias de grande efeito, Isay Weinfeld se firma como arquiteto do momento. "Arquitetura tem de causar infartos", costuma dizer.
Livros
Um ingresso para o inferno
Em Pela Bandeira do Paraíso, o escritor americano Jon Krakauer expõe a natureza do fundamentalismo a partir de um crime cometido por mórmons.
Cinema
O melhor emprego
O novo filme dos irmãos Joel e Ethan Coen, O Amor Custa Caro, traz Catherine Zeta-Jones e George Clooney em uma comédia romântica que faz lembrar os grandes títulos do gênero, nos anos 30 e 40.
No site: trailer e fotos do filme.
Música
A vitória do contra
A banda carioca Los Hermanos faz sucesso sem seguir a cartilha das gravadoras. O grupo conseguiu emplacar nas rádios e nas paradas de sucesso a música Cara Estranho, uma canção sem refrão e com dois solos de guitarra.
No site: ouça Los Hermanos.
Televisão
Dupla dinâmica
Os atores Douglas Silva (que interpretava Dadinho no filme Cidade de Deus) e Darlan Cunha (que vivia o personagem Filé) são os protagonistas do novo seriado Cidade dos Homens, que a Globo começa a exibir a partir desta terça.
Veja São Paulo
O mundo de Cumbica
Histórias, personagens e surpresas do maior aeroporto da América do Sul.
Veja Rio
Tela quente
Gigantescas ou pequeninas, as videolocadoras ganham força com o DVD.
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Sexta-feira, Outubro 10, 2003
Posted
10:34 PM
by Cassiano Leonel Drum
Cinema
Roda da fortuna
O amor custa caro trata com muito humor a batalha de casais quando o assunto é dinheiro
Apoenan Rodrigues
Clooney e Catherine: coquetel molotov de sensualidade em cena
Não existe um espelho que não sucumba aos encantos dos dentes, sempre brancos e brilhantes, de Miles Massey, papel de George Clooney em O amor custa caro (Intorerable cruelty, Estados Unidos, 2003), que tem estréia nacional na sexta-feira 17. A fixação pelo sorriso de propaganda de dentifrício não é única na vida deste advogado narcisista, egoísta e muito competente nas suas falcatruas.
Considerado o terror dos cônjuges que ousam querer tirar dinheiro da outra parte, em caso de separação, Massey não admite perder uma causa. Por conta das suas vitórias, quase invariavelmente sobre uma pilha de mentiras, ele acumulou fortuna e respeito mítico entre seus pares. Massey só não contava com a aparição de uma escroque do mesmo nível. Ela é Marylin Rexroth, interpretada pela exuberante Catherine Zeta-Jones, agora mais linda e insinuante do que nunca.
Marylin armou uma cilada pesada para o marido milionário com a intenção de lhe tirar toda a fortuna. Mesmo assim, ela perdeu a causa. Motivo: Miles Massey era o advogado do ex. Daí para a frente, o filme do diretor Joel Coen ¿ que, com o irmão Ethan, forma uma dupla imbatível no gênero comédia-inteligente-bizarra ¿ é uma sucessão de acontecimentos divertidos para casados e solteiros, ricos ou não.
Coen arma com perspicácia e muito humor casos que todo mundo conhece ou ouviu falar, principalmente num país como os Estados Unidos, onde casamentos milionários são sacramentados e demolidos com a mesma rapidez de
uma lua-de-mel. Para cruzar histórias, sobrepor trapaças e engordar situações nonsense, Coen recorre à linguagem do desenho animado, às comédias inocentes. Mas nada no seu filme é inocente.
Nenhum personagem é santo. Todos querem se dar bem, e esta busca pelo dinheiro joga as pessoas em situações hilariantes, como o detalhismo da cena em que o Baron Krauss von Espy (Jonathan Hadary), afetadíssimo, adentra o tribunal segurando um cachorrinho branco para testemunhar contra Marylin.
Há oito anos, Joel Coen, roteirista e diretor, e Ethan Coen, roteirista e produtor, queriam levar às telas a batalha dos sexos de O amor custa caro. Como o tema nunca envelhece, depende apenas do toque inteligente que se dá a ele, a dupla resolveu retomar o projeto, desta vez com George Clooney como protagonista. Galã quarentão, Clooney está perfeito no papel. Acrescenta a dose exata de canastrice e com Catherine em cena faz um coquetel molotov de sensualidade.
A rivalidade entre eles é cool. Massey e Marylin se amam e se odeiam. Ela, com golpes de mestre da mesma estatura de seu oponente, derruba toda a prepotência do machão. Ele, esfolado pela estratégia da inimiga, se fragiliza para depois se fortalecer. O jogo é muito divertido.
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4:23 PM
by Cassiano Leonel Drum
Olá Amigos!
Sejam Bem Vindos à este blogger! Parafraseando a Lisiê
Este blogger É uma Casa:
Iluminada pelo Romantismo, construído pelos Sonhos.
Planejada pela Esperança, decorado pela Fantasia.
Alicerçada no Amor, na Amizade, e no Carinho.
Protegida pelos Anjos. Abençoado por Deus.
Desenvolvida para:
Todos os amigos que Amam a Poesia,
Sonham com o Amor, e desejam encontrar:
Mensagens virtuais de Amor, de Amizade,
Angelicais, Receitas para a vida, Reflexões e Humor.
Eu te convido para uma visita
Entre... Fique à vontade.
A Casa é sua!
http://www.argo.com.br/~lisie/apresent.htm
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11:40 AM
by Cassiano Leonel Drum
Diversão na medida
Faça o teste, responda às perguntas e descubra qual o perfil de seu filho. O Show & Lazer dá cinco dicas de roteiros para a garotada curtir o Dia das Crianças
Tatiana Contreiras
Gente pequena não é tudo igual, não senhor. Cada um tem seu perfil. Mas como saber se a molecada de casa vai preferir orquestra ou superlanche? O Show & Lazer preparou um teste e cinco roteiros, para ninguém errar no Dia das Crianças.
A atriz Camille Heiss, 12 anos, assume: Sou espoleta, vivo correndo em casa. Zoológico para ela. O fofo Daniel Rezende, 7, foi ao Espaço Cultural da Marinha e queria saber tudo sobre o Submarino Riachuelo. Roteiro curioso para ele. Gulosos, antenados e plugados também têm sua programação. As respostas do teste estão na página 2. Na página 5, você vê como concorrer a brindes dos filmes Mamãe Virei um Peixe e Ilha Rá-Tim-Bum em O Martelo de Vulcano.
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11:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
10/10/2003
Investigação da dor
Desconfio que o ombro seja, entre todas as articulações do corpo humano, a de mais intensa atividade.
Existe uma grande cadeia de tendões, músculos e ossos a servir à finalidade do ombro, que é basicamente a da ação dos braços e das mãos.
Com tanto funcionamento, é justo que por vezes o alarma da dor no ombro avise as pessoas de que algo não está se passando bem com sua articulação.
A dor no ombro é uma das mais incômodas do corpo humano, quase sempre ela acarreta a redução dos movimentos dos braços.
É comum, portanto, que uma pessoa com qualquer inflamação nos tendões do ombro ou na bursa, uma bolsa que evita atritos na articulação, fique impedida de certas manifestações absolutamente necessárias à sua funcionalidade social, como por exemplo passar sabonete sob a axila no banho ou colocar a camisa para dentro das calças. Qualquer tentativa nesse sentido será barrada por uma dor insuportável no ombro.
Eis-me portanto aqui no salão dos que se ombreiam nas dores nos ombros.
Há uma tese, um tanto desgastada atualmente, de que as inflamações nos tendões (tendinites) são ocasionadas por esforços repetitivos. A tese contrária é de que os músculos é que se deterioram nesse tipo de lesão.
Enquanto vou puxando os fios elásticos ou tentando erguer bastões em diversas posições acrobáticas constantes dos exercícios fisioterápicos, vou indagando dos outros pacientes sobre se eles realizam no seu cotidiano algum movimento de esforço que lhes possa ter acarretado a lesão.
Interrogo uma aeromoça da Varig sobre o que pode ter ocasionado a sua lesão no ombro. Ela reflete e me sai com esta: "Diariamente, sou obrigada, na decolagem e na aterragem, a abrir a possante e resistente porta do avião. Talvez seja isso".
Fico a refletir sobre qual movimento diário de esforço braçal tenho feito ao longo destes últimos tempos e descubro que meu colchão é alto e pesado e que o ergo todos os dias, quando me deito e quando me acordo.
Vou lá no fundo da Redação falar com a Maria Luiza Borges, que há muito tempo se queixa de dores nos ombros e pergunto a ela se comete algum esforço repetitivo. Ela diz que não ergue qualquer tipo de peso durante o dia.
Então eu pergunto qual é a sua relação com seu colchão. Ela me responde que seu colchão é pesadíssimo, ela o ergue todos os dias para arranjar os lençóis e as cobertas, às vezes chega a chamar seu marido para ajudá-la na manobra.
"Está aí", grito eu, "é o colchão!"
E fico crendo que se não levantar mais o colchão daqui por diante me livrarei em breve, com a ajuda do doutor Gilberto Noro e da fisioterapeuta Alessandra Lima, dessas terríveis dores no ombro.
O ombro, esse cofre articular de preciosa utilidade, guarda consigo um mistério indecifrável pela ciência: o que leva ao desgaste ou ruptura da sua teia de músculos e tendões?
Por via das dúvidas, eu joguei toda a culpa no meu colchão.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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11:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
10/10/2003
Sabedoria argentina
Mal entrei no restaurante, dei com aqueles caras estranhos. Estava ainda meio estremunhado, era a minha primeira manhã portenha, só pensava no desayuno. Não tinha, pois, me preparado para a cena: quatro homens sentados em volta da mesa, tomando café muito sisudos, sem se falar. Dir-se-ia que eram empresários, matemáticos, taxidermistas, sei lá, algo bem sério, não fosse a aparência deles - usavam bastas cabeleiras negras retintas, cortadas estilo meia taça, rentes na nuca, mas com as franjas densas desabando até as sobrancelhas. Passariam por índios brasileiros, se não tivessem a pele tão branca, o nariz aquilino e, alguns deles, olhos claros. Além disso, se vestiam à maneira ocidental. Não, não, eram desse lado do mundo mesmo... Olhei para eles, pisquei e murmurei:
- Caras estranhos.
Tomei café observando-os. De onde teriam vindo? Em que país estava na moda aquele tipo de cabelo? Uma hora depois, cruzava a Corrientes quando vi um cartaz que esclareceu tudo: eram os Beats, uma banda cover dos Beatles! Os quatro são argentinos e, antes das apresentações em Buenos Aires, se concentram no hotel em que me hospedara. Comecei a rir, mas logo compreendi o drama dos rapazes e talvez a razão de estarem tão macambúzios logo de manhã: por causa da profissão, precisam usar o cabelo daquele jeito. Fiquei imaginando todas as contingências que têm de enfrentar no dia-a-dia: as pessoas rindo às suas costas, apontando para eles nas ruas, os fiscais de alfândega olhando-os com desconfiança. Depois tem gente que reclama do seu trabalho. Você é assessor da ONU no Iraque, é professor da Balduíno Rambo, é zagueiro do Grêmio, e acha dureza a sua profissão? Acha? É porque não tem de usar aquela franja.
Mundo melhor
Uma outra história portenha me permitiu entender a resignação com a qual os quatro rapazes dos Beats se comportam sob suas franjas e mesmo a bravura dos argentinos diante das vicissitudes econômicas ora enfrentadas por seu belo país. Aconteceu com um amigo do meu amigo Ivan Pinheiro Machado. O amigo do amigo estava hospedado em um hotel de categoria inferior, em Buenos Aires. Reclamava lá do serviço, indignado, até que o atendente, um senhor argentino de olhar baço, obtemperou:
- Señor, hay um mundo mejor, pero es muy caro...
Sábios, esses argentinos.
david.coimbra@zerohora.com.br
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11:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
Futebol
Guris dão a vitória ao Inter
Com gols de Nilmar (na foto, agradecendo aos céus) e Diego, Inter bate o Criciúma já em ritmo de Gre-Nal (foto Fernando Gomes/ZH)
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1:12 AM
by Cassiano Leonel Drum
Bom e Mau
Sou tudo
Sou até mesmo o que não existe
Sou o frio que esfria o defunto
Sou a desgraça que se entranha no mundo
Sou tudo
Sou do maior amor o abraço
Sou do circo o palhaço
Sou dos olhos a cor
Sou do jardim a flor
Sou o que há de bom e mau
Sou da morte o final
Sou das narinas o ar
Sou do projétil o tiro fatal
Sou do amor o ato de amar
Sou das alcovas o amante
Sou das trevas o cego
Sou dos carros o volante
Sou da madeira o prego
Sou insaciável
Sou amável, detestável
Sou o que há de bom e mau
Sou tesouro sem ouro
Sou diamante sem brilho
Sou da criança o choro
Sou do útero o filho
Não há palavra que me possa descrever
Não há nada que se possa fazer
Sou do infinito o além
Sou do Pai Nosso o Amém
Sou ninguém
Sou do vento
Sou Jesus recém-nascido ao relento
Sou das mãos do lixeiro o lixo
Sou das matas o bicho
Sou o que tem e não tem sentido
Sou tudo
Sou o que há de bom e mau
Régis Veronezzi
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Quinta-feira, Outubro 09, 2003
Posted
8:04 AM
by Cassiano Leonel Drum
Financiamento Zero
Caixa suspende linha de crédito para compra de imóveis usados de quem recebe até R$ 2 mil. Medida trava ainda mais o mercado
Cristiane Campos
Avelino (E) Vargas (C) e Itagiba no treinamento oferecido pela Caixa a 150 policias para compra da moradia
A Caixa Econômica Federal não está mais financiando a compra de imóveis usados para quem recebe até R$ 2 mil. A medida foi tomada porque 83% do dinheiro do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) já foram emprestados. A decisão contribui para travar o mercado de imóveis usados no País porque a classe média também já está sem crédito.
Para se ter idéia, no mês passado a Caixa já havia restringido o valor a ser financiado com recursos do FGTS para compra de unidades usadas. A medida fez com que a instituição só financiasse 50% de R$ 62 mil, ou seja, R$ 31 mil. O valor de avaliação do imóvel é determinado pelas regras da Carta de Crédito Individual com dinheiro do FGTS. Antes, o financiamento máximo do imóvel avaliado em R$ 62 mil era de R$ 44 mil. Com a redução, o candidato à compra da moradia teria que completar com recursos próprios os R$ 13 mil de diferença.
Agora só terão acesso ao empréstimo as pessoas que estavam com cadastros pré-aprovados pelo banco. Nessa modalidade, os juros são de 8,16% ao ano mais Taxa Referencial (TR).
A medida tem deixado milhares de corretores de imóveis desesperados. ¿A linha representa 90% dos negócios de uma imobiliária. Vender um imóvel financiando já é difícil porque a documentação precisa estar em dia. Mas agora sem crédito não vamos ter clientes¿, desabafa o corretor de imóveis Rogério Moraes. Ele conta que a imobiliária onde trabalha recebeu a notícia da suspensão do financiamento pelo gerente da Caixa. ¿Se o Governo não fizer nada para reverter o quadro vai ter muita imobiliária fechando¿, diz Moraes.
Marcos da Costa diz que será difícil vender imóvel sem financiamento
A suspensão pegou de surpresa o sócio da Costa Ramos Imóveis, Marcos Leal da Costa, que teve que cancelar várias propostas de venda de imóveis financiada. ¿É um absurdo. A medida de redução do financiamento em 50% causou prejuízo porque nenhum trabalhador tem condições de fazer uma poupança para complementar a diferença. Agora, suspender de vez a linha é cruel para o mercado que está em queda¿, afirma Costa.
Os candidatos só poderão optar pelo financiamento de imóveis na planta ou recorrer a contratos com os bancos privados.
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7:59 AM
by Cassiano Leonel Drum
Leticia Wierzchowski
09/10/2003
Das reformas
Meu marido e eu compramos uma casa fora da cidade e resolvemos reformá-la. Não sou um ser dado a essas coisas. Um dos raros momentos de lucidez da minha vida foi quando eu abandonei a faculdade de Arquitetura, pois tenho tanto talento para projetar como para dançar hula-hula. Mas não há vivente que se escape de uma reforma vez ou outra, de modo que me ausentei uma semana, com filho, mala e cuia, e fui para a casa nova, que deveria estar pronta para nos acolher com relativo conforto.
Tudo correu bem durante o final de semana, enquanto meu marido estava conosco e seria fácil abortar a estada com a única providência de desligar a geladeira. Depois que meu cônjuge voltou para a cidade, ainda mesmo no domingo à noite, desabou um temporal que alagou o pátio e também aquela cratera que, segundo meu mestre-de-obras, um dia vai virar uma piscina. Simultaneamente, meu filho ficou com febre alta no meio da madrugada. Venci essa inenarrável noite com compressas e algumas rezas que, na falta de uma telentrega de farmácia, sussurrei para o santo que me quisesse ouvir.
No dia seguinte, a casa alagou. Vertendo água por todos os poros, a casa parecia saída de um romance do García Márquez. Cuidando para não escorregar nas poças, pedi que o mestre-de-obras viesse em nosso socorro. Pouco depois, ouvi da boca do homem que, apesar de a reforma interna estar pronta, era melhor a gente repensar e trocar o piso, aquele ali estava condensando toda a umidade do ar. No meio da água, relampejando lá fora, me senti a Scarlett O'Hara naquela cena em que ela pega um punhado de terra de Tara e, maltrapilha e desesperada, diz: "Amanhã é outro dia".
Como nenhuma claquete surgiu com um corta e meu Rhett Butler estava em Porto Alegre, peguei meu filho e fui dormir num hotel. Depois disso, tudo ficou mais ou menos calmo. A prefeitura parou a obra da piscina porque faltava um comprovante de sei-lá-o-quê, eu comi alguma coisa estragada, tive náuseas e, por fim, caí de gripe. Com a chuva, o telefone pifou, e a mudança com os móveis acabou atrasando tanto que eu voltei para casa sem ver o caminhão. Cousa pouca.
Fiquei pensando que Deus fez o mundo em sete dias. Se bem que é mais fácil fazer do que reformar - queria era ver Deus reformando esta bagunça. E a gente tendo que ir passar a noite num hotel em Marte, porque alguma coisa no sistema de encanamento do Oceano Atlântico tinha ficado malfeita e andava vazando por aí.
leticia.wierz@zerohora.com.br
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7:54 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
09/10/2003
O mito da não-autonomia
O leitor deve ter percebido que eu abri aqui, já há três colunas, um debate sobre a questão do menor, inserido na problemática disciplinar das escolas públicas.
O preconceito contra os conselhos tutelares e Juizados da Infância e Juventude, por parte de alguns professores e diretores, chegou ao ponto de ontem aquele esposo de professora ter escrito "o maldito Estatuto da Criança e do Adolescente".
Os diretores de escolas e professores se queixam de que ficam manietados pelos conselhos tutelares e pelos juizados e que perdem toda a autonomia para imprimir a disciplina nas escolas, não podendo sequer advertir, suspender ou expulsar os alunos mal comportados ou infratores.
Entra no debate hoje um juiz de Direito, doutor Breno Beutler Junior, do 1º Juizado da Infância e Juventude, de Porto Alegre, portanto com atividade estreitamente ligada ao polêmico tema.
Ele se declarou perplexo ao ver o esposo da professora anatematizar o ECA chamando-o de maldito.
Eis algumas das suas colocações: "...Se, nos primeiros anos, havia confusão a respeito das regras elencadas no Estatuto da Criança e do Adolescente, é estranhável que após 13 anos de sua implantação, em função do tempo decorrido e das massivas campanhas de esclarecimento patrocinadas inclusive pela grande mídia, haja ainda uma equivocada visão do ECA como instrumento de impunidade. Valho-me da sua coluna para tentar mudar este tipo de idéia".
Prossegue: "Lembro então que o estatuto, embora tenha reconhecido direitos aos infantes e adolescentes, tirando-os da condição de objeto, não deixou de contemplá-los com os respectivos deveres, incluindo a sua responsabilidade pela prática de delitos, com medidas que, para os adolescentes, vão até a perda da liberdade".
O juiz é taxativo quanto à autonomia das direções das escolas para punir seus alunos: "Assim, numa escola, há um regimento a cumprir e a quebra dessas regras importa no enfrentamento das penalidades ali previstas. Cusparadas e palavrões são questões de disciplina que merecem a pronta reação dos educadores, em consonância com os dispositivos regimentais próprios. Agressões físicas, lesões, ameaças e danos são atos tipificados como crime.
Cabe então a intervenção das autoridades policial e judiciária, sem prejuízo, no entanto, das medidas disciplinares por parte dos estabelecimentos de ensino. A intervenção do conselho tutelar se deve apenas quando o autor da infração for criança, caso em que a previsão é de medida protetiva, não socioeducativa (em outras palavras, punição). Então o marido da professora que lhe escreveu ontem está assistido de razão: há uma má interpretação, eu acrescentaria equivocada interpretação, do Estatuto da Criança e do Adolescente".
E agora a parte mais importante da mensagem do juiz: "Em nenhum ponto do ECA há determinação de impedimento de aplicação por parte das escolas de advertências, suspensões ou até mesmo expulsão dos alunos. O que deve haver, especialmente quanto à expulsão, é comedimento, por tratar-se esta última de medida extrema. Essas providências, contudo, são da competência das direções das escolas, nos casos disciplinares.
Os conselhos tutelares e os Juizados de Infância e Adolescência não devem ter qualquer ingerência sobre elas... O resto, todo o resto que se diz, não vem da lei, não foi criado pela doutrina e não tem amparo ou jurisprudência. Parece ser decorrente de algo maior, bem maior, que as pessoas criam: os mitos. E como é difícil desconstituir isso".
Por esse esplêndido esclarecimento, este colunista estava absolutamente certo quando divergiu da coordenadora da SEC no JA e afirmou aqui nesta coluna que as diretoras das escolas podem e devem advertir, suspender ou expulsar alunos que cometam indisciplina, graduando as penas de acordo com a gravidade delas.
O que o juiz que me escreveu quis dizer é que diretora de escola que advirta, suspenda ou expulse aluno como medida de justiça e de adequação correta ao caso não precisa temer nem o conselho tutelar, nem o Juizado, nem o governo.
Foi isso que também eu pensava.
Mas as diretoras e professoras vão voltar à carga para dizer que não é bem assim. Esperem.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:53 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
09/10/2003
O vestido azul
Vem aí o Dia das Crianças e logo em seguida o Dia do Professor, que pela lógica deveria ser o Dia da Professora, já que elas são maioria e mais vocacionadas para a nobre profissão. Na verdade, a celebração destas duas datas deveria ser conjunta: criança e professora são personagens indissociáveis de uma mesma história, a história maravilhosa da aprendizagem orientada. Aprendemos com nossos pais, aprendemos com a natureza, aprendemos com a leitura, mas poucas lições da infância são tão significativas e marcantes quanto aquelas que saem da ponta do giz.
Sei bem que a maioria das professoras e professores gostaria de ser homenageada com salários mais dignos, mas o que tenho para oferecer-lhes neste espaço de reflexões é apenas uma historinha que me chegou pela Internet e que me parece oportuna para a ocasião.
Fala de uma garotinha tão bonita quanto malvestida e suja, que freqüentava uma escola de periferia na cidade grande. Penalizado, o professor (não seria uma professora?) separou um pouco de dinheiro do seu minguado salário e resolveu presentear a garota com uma roupa nova. Comprou-lhe um belo vestido azul.
A menina ficou tão feliz, e a roupa era tão bonita, que sua mãe ficou com vergonha de mandá-la suja para a escola. Passou a dar-lhe banho todos os dias, a cortar suas unhas e pentear seus cabelos. O pai, ao ver a filha bonita e bem arrumada, envergonhou-se de vê-la morar numa casa caindo aos pedaços e tratou de providenciar consertos, pintou as paredes, ajeitou o telhado e plantou um jardim. Como a casa começou a se destacar na vila, os vizinhos resolveram fazer o mesmo com as suas residências.
Em pouco tempo, o bairro estava transformado, inclusive com água e esgoto, pois os moradores se uniram para exigir serviços do poder público.
Sei, é apenas uma historinha fantasiosa, mas jamais vamos mudar o mundo se não acreditarmos um pouco na fantasia. Crianças e professoras sabem muito bem como isso funciona, pois é no mundo mágico da sala de aula que a imaginação estimulada transforma o pensamento em desenhos, garatujas, letras, histórias e futuros.
Ou num simples vestido azul.
nilson.souza@zerohora.com.br
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7:51 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
09/10/2003
Volta, Patrícia Pillar
A Diolinda Alves de Souza, mulher do José Rainha Junior e também líder do Movimento dos Sem-Terra, completará um mês de prisão amanhã, se não me falham a informação e a matemática. Eu poderia ser melodramático e dizer que há um mês seus filhos pequenos estão sem mãe ou simplista e lembrar que neste período nenhum plantador de transgênico proibido e nenhum instigador de violência contra os sem-terra, portanto também transgressores da lei, foram presos, o Arruda, o ACM e o Jader Barbalho foram perdoados, vários embolsadores de dinheiro público ganharam habeas corpi instantâneos e o Luiz Otávio quase acabou no Tribunal de Contas. Mas só quero comentar o silêncio.
Há pessoas se movimentando em favor da Diolinda e protestando que a prisão dela e do Rainha é política, mas são as pessoas esperadas. Não se ouve nenhum barulho a mais, não se vê qualquer manifestação solidária, cara pintada ou qualquer outro sinal de indignação coletiva com o fato de uma mulher presa por uma causa justa, com um pretexto legal discutível, continuar presa com tanto patife solto. Talvez o Movimento dos Sem-Terra tenha perdido seu apelo emocional, com a radicalização da questão da reforma agrária, e nem os filhos separados da mãe comovam um país que gosta de sentimentalizar seus problemas, como nas novelas, antes de reconhecê-los, se bem que nem sempre enfrentá-los.
A simpatia pelo movimento nunca foi tão alto como quando a Patrícia Pillar interpretou aquela sem-terra em que novela mesmo? Aquela que cativou o Antônio Fagundes e a nação pelo seu senso de justiça e dignidade tanto quanto pelos seus olhos azuis. Já o drama real da Diolinda só provoca silêncio. Ou então o que há é drama insuficiente.
Falta a esta novela um lance espetacular, já que não pode ter a Patrícia Pillar. O Lula, por exemplo, poderia muito bem ir para a porta da cadeia em que está a Diolinda e protestar também. Afinal, o Maurício Corrêa já provou que estar num dos principais altos cargos da nação não deve impedir ninguém de expressar seus sentimentos, mesmo com o risco do embaraço institucional.
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7:49 AM
by Cassiano Leonel Drum
Clima
A tormenta depois do calor
Dia de verão, com temperatura chegando a 36,6ºC, deu lugar a vendavais (na foto, Porto Alegre) e até granizo em parte do Estado (Paulo Franken/ZH)
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Quarta-feira, Outubro 08, 2003
Posted
2:48 PM
by Cassiano Leonel Drum
Repórter: Drica Pinotti
Várias Formas de Amar
Hoje vamos colocar algumas coisas em pratos limpos. Afinal de contas, o que é amar?
Amar: "é o nome que se dá a alguns sentimentos distintos, ações e pensamentos". Existem várias formas de amar. Confira e, em seguida, responda as perguntas a seguir.
Amor de Família: esse a gente sente por mãe, pai, irmãos, parentes, e é uma forte sensação de carinho e querer bem.
Amor de Amigo: muito parecido com amor de família, porém, sem tanta obrigação de ser. E quando se quebra não deixa cicatrizes tão profundas.
Amor por Coisas ou Animais: esse amor é bem legal. Ele é espontâneo e depende da função que esse objeto ou bichinho tem na sua vida.
Amor pelos Garotos: esse é barra pesada. É uma delícia de sentir. Quando somos correspondidas, então, é maravilhoso. Mas quando não, vira um pesadelo. É o mais difícil de compreender. Quando acaba deixa cicatrizes profundas. Não existe ninguém no mundo que saiba evitá-lo ou resistir a ele. Deve ser considerado um constante aprendizado, e cada vez que se ama é diferente da anterior. Por isso costumamos dizer que o amor atual é sempre maior e mais intenso que o anterior. Isso não é necessariamente verdade, acho apenas que as experiências são diferentes. Acredito também que existe um grande amor reservado para cada um de nós e, quando o encontramos, toca um sininho no fundo da nossa alma que avisa que naquele momento seremos eternamente felizes. (Nossa! Filosofei pesado!)
E você, sabe qual é o jeito de amar? Elaborei um teste para você descobrir qual o seu estilo de amar. Rsponda às perguntas honestamente e depois confira os resultados.
Teste
Qual o seu Estilo de Amar?
1. Você sente ciúmes do seu namorado?
a) Um pouco
b) Não, nem um pouco
c) Muito, sou doente de ciúmes
2. Você já sentiu amor à primeira vista?
a) Já, muitas vezes
b) Não, nunca
c) Nunca pensei sobre isso
3. Você acredita que o amor começa:
a) Com uma grande atração
b) Com uma grande amizade
c) O amor é um jogo
4.Para você, qual o peso da atração sexual em um namoro?
a) É importante, mas não é tudo.
b) A amizade e o respeito são mais importantes
c) é o mais importante
5.Você tem medo de gostar de alguém?
a) Não, quando amo me entrego de verdade
b) Um pouco, sou cautelosa e me entrego aos poucos
c) Tenho muito medo, por isso não me envolvo completamente
6. Você acha que o amor e paixão andam juntos?
a) Às vezes, mas nem sempre
b) Não, e o amor é mais importante
c) Não, e a paixão me excita mais.
7. Você é do tipo de namorado que pega no pé?
a) Não, meus relacionamentos são baseados na confiança mútua.
b) Um pouco
c) Não, eu não ligo par traição
8.Você faz todas as vontades do seu namorado?
a) Não, penso mais em mim.
b) Faço tudo para que ele se sinta bem
c) Não, gosto que ele faça tudo para mim
9. Você é do tipo de namorada que gosta de fazer tudo junto? (ir para a escola juntos, fazer compras juntos, resolver problemas juntos etc.)
a) Algumas coisas.
b) Adoro, pois gosto de namorados companheiros
c) De jeito nenhum
10. O que é mais importante para você na escolha de um namorado?
a) Atração
b) Companheirismo
c) Afinidades
Resultado
Se você respondeu mais de sete letras "a", você é do tipo que "bate" os olhos em um gatinho e gama"! Acredita em amor à primeira vista. Sente atração pela aparência, e não é possessiva. Não sente ciúme exagerado e também não gosta de ser vítima dele. Sente-se segura quando está namorando e gosta de confiar no parceiro. Quando ama, se entrega, e quando sofre por amor, sofre mesmo!
Se você respondeu mais de 7 letras "b", você acredita que o amor vem com a convivência. A amizade entre você e seu parceiro é tão importante quanto o amor. Sente ciúmes principalmente desse laço de amizade que existe entre vocês. Acha que as afinidades são fundamentais par um bom relacionamento. Sexo fica em segundo plano.
Se você respondeu mais de 7 letras "c", você é do tipo que acha que amar é um jogo entre duas ou mais pessoas. Não se apega à fidelidade, não sente ciúmes. Gosta de curtir a vida. Faz promessas que nem sempre pode cumprir e não dá muita importância aos sentimento do outro.
Se você respondeu, na média, mais letras "a" e "b", você preocupa-se demais com o parceiro. Faz todas as vontades dele, talvez até por medo de perdê-lo. Mas precisa tomar cuidado para não se anular em função do outro, pois pode perder o amor próprio.
Se você respondeu na média mais letras "b" e "c", você gosta de ter um relacionamento equilibrado. Os dois se doam e recebem o que a relação tem de bom e ruim. Compartilhar experiências é muito importante para você. A escolha de um parceiro é longa e trabalhosa, você gosta de ter a certeza de que está no caminho certo, tentando assim minimizar os riscos de decepções.
Se você respondeu na média mais letras "a" e "c", você é muito ciumenta, possessiva e não dá liberdade ao parceiro. Gosta de ter o domínio da situação e nem sempre é correspondida. O garoto para namorar você tem que aceitar ser submisso ao seu amor e isso muitas vezes fere o machismo. Cuidado, assim você sufoca o gato, ele pode não agüentar.
Lembrete
É bom lembrar que não existe um jeito certo ou um jeito errado de amar. O que existe é a tentativa de adequar as necessidades, sonhos e fantasias do outro às suas. E quando acontece esse "casamento de sentimentos e pensamentos", o casal se sente completo e feliz. Caso contrário, cessa sintonia, a gente tem a sensação de estar sozinha na relação.
Drica Pinotti é estilista em moda jovem, escreve livros direcionados á menina- mulher. É autora da coleção "De Menina a Mulher", da editora Alegro.
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2:45 PM
by Cassiano Leonel Drum
Após a cena em que Rachel (Helena Ranaldi) denuncia Marcos na novela Mulheres Apaixonadas, aumentou o número de denúncias na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher
Desde a última segunda-feira, quando foram ao ar as cenas em que Raquel (Helena Ranaldi) delatou as agressões do marido Marcos (Dan Stulbach), em Mulheres Apaixonadas, a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), unidade do centro do Rio - cuja fachada apareceu na telinha -, constatou aumento de mais de 40% de denúncias. "A média diária é de 20 casos, na maioria deles ameaças e lesões corporais. Na segunda-feira mesmo, o número subiu para 29 e a maioria das mulheres procurou a delegacia após a exibição da novela", revela a delegada titular Catarina Noble, que auxiliou o autor Manoel Carlos no episódio.
No Estado do Rio, há 9 delegacias especializadas; em São Paulo, 128 Delegacias de Defesa da Mulher (sendo 9 na capital) - algumas funcionam no mesmo prédio de delegacias policiais. São 24 os delitos atendidos nessas delegacias. "A tendência é que o número de denúncias aumente ainda mais. A mulher tem de entender que não nasceu para ser vítima da violência. Aqui, nesse espaço, será tratada com dignidade e, se preciso, encaminhada para um grupo de ajuda. O objetivo dessa parceria com o autor da novela, além de sensibilizar as pessoas, é sensibilizar as autoridades para que mudem as punições aos agressores no âmbito judicial", declara a delegada.
Segundo a pesquisadora Leandra Pires, que trabalha diretamente com Manoel Carlos, os diálogos entre Raquel, a assistente social e a delegada foram "escritos" pela delegada Catarina. "Reproduzimos exatamente o que ela diz às mulheres que denunciam seus parceiros", afirma Leandra, que levou a atriz Helena Ranaldi para conhecer a principal delegacia carioca especializada no assunto e a um Centro Integrado de Apoio à Mulher (Ciam). "A novela foi fiel à realidade. Desde o exame no IML, porque não se pode fazer o exame de corpo de delito em outro lugar, à punição ao agressor. Hoje não são tão representativas. Vão de trabalhos voluntários a doações de cestas básicas."
Até a atriz Helena Ranaldi não sabia que a punição para os homens que agridem mulheres, a chamada violência doméstica, é branda. Era cobrada na rua pelos telespectadores da novela para que denunciasse logo o marido.
"Quando me abordavam para falar desse assunto, eu perguntava se essas pessoas sabiam quais eram as punições para os agressores. Grande parte não tinha conhecimento dessa falha na lei. Eu adoraria que os agressores fossem presos. Espero que na novela o Marcos sofra de alguma forma."
Para construir o personagem, Helena visitou uma Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) e foi a um Centro Integrado de Apoio à Mulher.
Helena, que participou de uma dinâmica de grupo como se fosse a personagem Raquel, diz que "se sente esquisita, como se tivesse um vazio dentro de si" toda vez que grava as cenas de espancamento. Na última, no dia do seu aniversário fictício, as imagens foram fortes. Ela apareceu nua (com imagem fora de foco) e tentou fugir das raquetadas de Marcos correndo para o banheiro. "Já chorei algumas vezes. Mesmo na ficção é horrível porque sabemos que para muitas mulheres é a real. Espero que a mensagem de que a denúncia tem de ser feita independentemente da punição tenha sido assimilada pelo público."
Em Mogi
Em função da novela, as estatísticas da violência contra a mulher em Mogi também sofreram algumas alterações, e pra melhor. Nas últimas semanas, aumentou o número de denúncias. "Acredito que, ao assistirem às cenas da novela, as mulheres sentem-se mais encorajadas para fazer a denúncia e vêem que pode existir alguma solução, um caminho para os maus-tratos que as vitimam", informam Joana Braga, uma das coordenadoras do Plantão de Assistência às Vítimas de Violência Domestica, que atua em parceria com a Delegacia de Defesa da Mulher em Mogi das Cruzes. Até o fechamento desta edição, os números que demonstram o crescimento de denúncias ainda não haviam sido contabilizados e divulgados.
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2:42 PM
by Cassiano Leonel Drum
Conheço alguns casais que não compartilham projetos, sonhos de uma vida em comum, como deveria ser. Simplesmente se aturam. A cumplicidade, para eles, ficou para trás há algum tempo. Os sintomas de que algo não vai bem são evidentes: acabaram-se os beijos na boca - que indicam uma forte relação de intimidade - falta conversa sobre pensamentos e sentimentos, não compartilham mais planos para o futuro, aumentam as atividades individuais, ficam cada vez menos juntos, a conversa se torna objetiva, existe desatenção quando um fala e quase não se olham nos olhos. Falta também a diversão em conjunto, a não ser as obrigações sócio-familiares.
A psicóloga Monica Levi escreveu sobre o assunto no livro Um Novo Começo. Segundo ela, um casamento em que há separação física há muito tempo, na realidade não está sendo um casamento. As pessoas não estão convivendo, apenas compartilhando um mesmo teto, e só. E a partir daí, a situação pode se tornar insuportável; é onde podem surgir traições.
Então, a questão é: separar ou não? Claro que cada um deve saber da sua vida, mas algumas considerações dever ser levadas em conta. Como vai ficar sua vida depois da separação? E os filhos? Ao invés de arrumar motivos e culpados, questione-se: Amo ou não? Que satisfação estou tendo ou deixando de ter? Que coisas temos em comum? Se não houver satisfação, se não houver nada em comum, se vocês não se divertem, não se falam, não fazem amor, não trocam afeto, o que estão fazendo juntos? Você vive, de fato, feliz?
Marta Vicentin
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2:34 PM
by Cassiano Leonel Drum
Tragédia final
Dan Stulbach e Pedro Furtado gravam acidente que mata Marcos e Fred em Mulheres Apaixonadas
Marcelle Carvalho
Bonecos dos personagens foram lançados para fora do carro, na cena
O dia nublado e o vento gelado ajudaram a compor o cenário para a gravação da cena em que Marcos (Dan Stulbach) e Fred (Pedro Furtado) sofrem um acidente fatal em Mulheres Apaixonadas, ontem, em Grumari. Os dois discutem dentro de um carro quando Marcos perde a direção e o carro cai direto num precipício. Para gravar as reações dos personagens simulando a queda, a parte traseira do carro, um Honda Civic, foi içada por um caminhão-guindaste, ficando a quase 90º do chão. Sem perder nenhum detalhe, Dan fotografava o lugar em que, momentos depois, estaria pendurado. Gosto de ter tudo registrado¿, brincou o ator. A cena ainda não tem data definida para ir ao ar: anteriormente prevista para hoje, pode ocupar o capítulo de amanhã.
Já ao ver a posição do carro, Pedro fez cara de receio. A sensação lá dentro é como estar numa descida de montanha-russa. Tem uma pressão, porque estamos contra a gravidade, disse o rapaz, depois da gravação. Ele conta que ainda está se acostumando com a idéia de morrer na trama de Manoel Carlos. A ficha ainda está caindo. Soube pela imprensa e não acreditei muito. Mas hoje (ontem) quando fui gravar e me disseram que seria em Grumari, vi que era verdade mesmo, comentou Pedro.
Dirigidos por Rogério Gomes, Dan e Pedro só simularam a queda deles no precipício. Dentro do carro, não houve diálogos, apenas os gritos de pânico e desespero dos personagens. Dá um frio na barriga só de imaginar a gente caindo, afirmou Pedro, que para relaxar conversa bastante com seu rival na ficção. Dan e eu ficamos batendo papo, para não nos desgastarmos. A gente deixa a tensão só para a hora.
Já sem os atores, a equipe se preparou para a segunda etapa da gravação: a queda do carro do desfiladeiro. Para isso, foram para a parte mais alta de Grumari, colocaram uma plataforma de madeira na encosta do morro, para que o carro deslizasse rumo ao mar. Para não perder nenhum ângulo, até um helicóptero foi usado nas tomadas aéreas. Com as amarras soltas, o carro despencou do precipício, bateu nas pedras. No lugar dos atores, dois bonecos, que foram arremessados para fora do carro.
Rogério Gomes estava no helicóptero e ao chegar em terra foi correndo ver o resultado da gravação. Ficou muito bom, de cima foi show, garantiu o diretor, que só tinha uma chance para a cena dar certo. Depois da queda, os dublês da equipe de Jorge Só se mobilizaram para o resgate do veículo. A gente está com 11 dublês, sendo que cinco também são bombeiros. Como o carro não ficou preso nas pedras, caiu no mar, ele vai ser içado pelo mesmo lugar que caiu, contou a dublê Denise Só, mulher de Jorge.
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2:28 PM
by Cassiano Leonel Drum
Em casa
Na nova novela das oito, Marcos Palmeira lida com temas que conhece bem: é um produtor de cinema assediado pela mídia
Marcelle Carvalho
Deborah Secco, Fábio Assunção, Malu Mader, Cláudia Abreu e Marcos Palmeira: elenco central de Celebridade, que estréia na segunda-feira
Marcos Palmeira agora é duplamente famoso e duas vezes mais assediado. A condição de celebridade que o ator vive na vida real, a partir de segunda-feira, se estenderá também para a ficção. Na nova novela das oito, Celebridade, que estréia dia 13, ele será o produtor de cinema Fernando, que volta ao Brasil depois de fazer carreira e fama na Europa. Ele é uma mistura dos cineastas Flávio Tambellini, Luis Carlos Barreto e, do meu pai, Zelito Vianna, define o ator, de 40 anos.
Preparado para a batalha, Marcos Palmeira diz que o assédio, agora em dose dupla, não o incomoda ele sabe lidar com todos os lados da fama. mais chato talvez seja a exposição, o interesse que nem sempre é pelo seu trabalho, mas pela sua vida. Mas eu me dou bem com isso. Conheço paparazzi de longe, consigo farejá-los, avisa.
Quando não dá para escapar de um flagrante, ele jura que não é daqueles que arranca os cabelos. Não é a melhor coisa do mundo, mas também não é a pior. O problema é que nem sempre a gente pode estar na praia, numa festa ou num bar do jeito que gostaria. Entendo que isso faz parte da vida do ator, que há curiosidade. Não sofro, garante o ator, que há poucas semanas viu seu nome envolvido com Deborah Secco, a Darlene da mesma novela. A gente nem tinha se encontrado ainda e, de repente, já estávamos namorando, tínhamos sido vistos no shopping. Achei muito louco isso, comenta.
Quando começa a achar que essa vida célebre pode estar indo longe demais, Marcos corre para a fazenda, em Teresópolis. Ir para lá ajuda a me manter no chão e não acreditar muito nesse mundo aqui. Porque em casa somos todos iguais, com problemas, crises, carências, argumenta ele, que, além da novela, estava divulgando a estréia do filme Dom e ainda viaja com a peça Mais Uma Vez Amor. No papel de agricultor que desempenha cada vez melhor , ele está atualmente envolvido com projetos de ocupação de terra com agricultura de subsistência, na região de Alagoas, Sergipe, Bahia e Paraíba.
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7:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
Cláudia Laitano
08/10/2003
Vá e veja
O povo gosta de arte, garantiu Lula em seu discurso na cerimônia de abertura da 4ª Bienal do Mercosul, sábado passado. Não sei exatamente o que passa pela cabeça do presidente quando ele pensa em arte, mas imagino o que não passa. Imagino o presidente cutucando dona Marisa e rindo baixinho diante de uma instalação daquelas mais esquisitas - um porco dentro de uma caixa de madeira, um gato morto coberto de produtos químicos. O curioso é que essa reação hipotética de Lula, com seus quatro ou cinco anos de ensino formal, poderia ser exatamente a mesma se ele fosse formado em engenharia mecânica ou, digamos, sociologia.
Eis aí o brete em que a arte contemporânea nos coloca: algumas obras exigem tanto do espectador que o torneiro mecânico, o sociólogo e a bailarina igualam-se em perplexidade. Talvez aprecie-se melhor Monet sabendo o que significou a ruptura dos impressionistas com a pintura acadêmica ou observando como o artista usa a luz desse ou daquele jeito. Mas nada na história da arte nos prepara para todos os sustos que a gente pode levar em museus e galerias hoje em dia.
Não sou uma apreciadora incondicional de todas as experiências estéticas. Algumas obras me escapam ao entendimento. Outras, as piores, me deixam mortalmente indiferente. E há ainda aquelas em que a gente tropeça, simplesmente porque não percebeu que era arte. Mas sou obrigada a defender o direito dos artistas de se expressarem do jeito que lhes der na telha. Rejeitar em bloco o que não se encaixa de cara nos nossos padrões estabelecidos é sempre um risco. Até Monet foi considerado incompreensível um dia.
Pois acabei pensando na arte contemporânea e na Bienal do Mercosul, vejam só, assistindo no último sábado à soberba montagem de A Morte de um Caixeiro Viajante, de Arthur Miller, duas ou três semanas depois de ter visto Ânsia, de Sarah Kane - uma das atrações do último Porto Alegre Em Cena.
A primeira peça, escrita em 1949, é um clássico do realismo psicológico, um texto linear e transparente, capaz de causar no espectador de hoje o mesmo impacto que causava há 50 anos - e que deve continuar impressionando o público enquanto pessoas agruparem-se em famílias e envelhecerem e acharem frustrantes todas as comparações entre os sonhos que tiveram e a vida que viveram. Ânsia, escrito em 1998, coloca diante da platéia quatro atores sentados, quase o tempo todo imóveis, recitando um texto absolutamente fragmentado, sobre temas como pedofilia, estupro e sadomasoquismo.
Não tenho dúvida de que é muito mais confortável assistir a um espetáculo com começo, meio, fim e um sentido mais ou menos explícito. Mas faço parte da geração de Sarah Kane - a autora inglesa que teria hoje 32 anos, se não tivesse se enforcado com os cordões dos sapatos aos 28. Provavelmente ouvimos as mesmas músicas, vimos os mesmos filmes e vivemos nesse mesmo mundo caótico retratado em suas peças. De um jeito torto e incômodo, há algo ali que também faz sentido para mim. Lula tinha razão. O povo gosta de arte, da arte em que se reconhece, da que faz pensar ou da que simplesmente distrai. O problema é que nem sempre a arte se oferece tão graciosamente ao nosso gosto ou à nossa distração. A questão é o quanto estamos dispostos a nos deixarmos |