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Sexta-feira, Outubro 17, 2003
Posted
7:55 PM
by Cassiano Leonel Drum
Eu ando lendo muitos autores ao mesmo tempo em função da Feira do Livro: Roger Mello, Rogério Andrade Barbosa e Fátima Miguez, entre outros. Literatura para crianças e adolescentes, que considero uma delícia. Reli toda a obra de Martha Medeiros e dei uma olhada curiosa nas primeiras páginas de A margem imóvel do rio, de Luiz Antônio Assis Brasil. Ufa! Mas é muito bom!
Nóia Kern, professora e assessora da Câmara Rio-Grandense do Livro
Lançamentos
Plínio Marcos faz parte da Coleção Melhor Teatro da Editora Global e apresenta cinco peças importantes do autor: Barrela, Dois perdidos numa noite suja, Navalha na carne, O abajur lilás e Querô, uma reportagem maldita. No final do volume há dados biográficos, relação de obras e bibliografia. Seleção e prefácio da crítica Ilka Marinho de Andrade Zanotto. 288 páginas, R$ 30,00. Global Editora, fone 32237363.
A Cozinha de Olga Bongiovanni apresenta receitas fáceis e saudáveis da apresentadora do programa Dia a Dia, da Bandeirantes. O volume é dividido em três partes: Entradas, pratos principais e doces e sobremesas. São pratos regionais e de culinária italiana, com muitos legumes, frutas e sempre de olho na saúde. O livro, em papel cuchê, tem fotos coloridas, 95 páginas, custa R$ 29,90 e foi publicado pela Melhoramentos, fone 32236622.
Leda e o pavão de Fellini - Contos de amor e desamor da arranjadora, compositora, artista plástica e escritora Geny Marcondes apresenta contos que tratam, acima de tudo, do choque entre o amor e o desamor. Emoção, erotismo e muita plasticidade estão nas narrativas de Geny, que mescla pintura, música e literatura numa linguagem delicada e trabalhada. 136 páginas, Escrituras Editora, fone 11- 5082-4190.
Desconstruir Duchamp - Arte na hora da revisão do jornalista, poeta e escritor Affonso Romano de Sant¿Anna, apresenta cinqüenta crônicas sobre cultura e artes plásticas publicadas no jornal carioca O Globo em 2002. Affonso não é contra ou a favor da arte moderna, mas propõe indagações, reflexões e uma reanálise de nossas manifestações simbólicas, através de uma leitura crítica e multidisciplinar. 204 páginas, R$ 32,00. Vieira&Lent, fone 3223 6622.
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7:53 PM
by Cassiano Leonel Drum
O amor desde as cavernas até a internet
Dominique Simonnet, redator-chefe da revista francesa LExpress, encarregado de grandes entrevistas, tem como obsessões a busca de nossas origens, o amor, a história, as estrelas do céu e da terra e muito mais. Ele convidou vários e influentes historiadores, romancistas, professores e especialistas para, em forma de entrevistas, pensar e falar sobre o amor, o casamento, o sexo e a fidelidade através dos tempos. Jean Courtin, Paul Veyne, Jacques Le Goff, Jaques Solé, Mona Ozouf, Alain Corbin, Anne-Marie Sohn, Pascal Bruckner e Alice Ferney participaram.
A obra está dividida em três grandes partes. A inicial é Primeiro o casamento, que cobre desde a pré-história até a Idade Média. A segunda parte Depois o sentimento trata do amor nos tempos do Antigo Regime, passando pela Revolução e avançando até a época das mocinhas inocentes e dos bordéis. A parte final do volume, O Prazer, finalmente, enfoca as relações amorosas destes os anos anos (década 1920-1930), passa pela Revolução Sexual dos anos sessenta e depois analisa o amor nos tempos atuais.
A grande idéia do livro é mostrar que, além das histórias de amor, existe uma história do amor, da qual somos os herdeiros. Dominique ensina que a história do amor se resume em três palavras: sentimento, casamento e sexualidade, ou, então: amor, procriação e prazer. Em cada época homens e mulheres juntaram tais ingredientes ou os separaram, tentando acomodar suas necessidades e as da sociedade, da lei e da religião.
Casamento sem amor nem prazer, casamento por amor sem prazer, prazer no amor sem casamento são algumas variantes da história do amor, uma grande e longa marcha na qual homens e mulheres tentaram e tentam se livrar do jugo religioso e social, para reivindicar o direito elementar de amar. Sem dúvida um livro interessante para tentar entender os amores e desamores dos tempos da internet e do descompromisso. 194 páginas, Difel, fone 3224 3655.
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7:50 PM
by Cassiano Leonel Drum
O que eu também não entendo
J. Quest
Esta não é mais uma carta de amor,
São os pensamentos soltos,
Traduzidos em palavras,
Para que você possa entender,
O que eu também não entendo.
Já pensei em te largar,
Já olhei tantas vezes pro lado,
Mas quando penso em alguém,
É por você que fecho os olhos,
Sei que nunca fui perfeito,
Mas por você eu posso ser,
Até eu mesmo,
Que você vai entender.
Posso brincar de descobrir desenhos em nuvens,
Posso contar meus pesadelos,
E até minhas coisas fúteis,
Posso tirar tua roupa,
Posso fazer o que quiser,
Posso perder o juízo,
Mas com você eu tô tranqüilo, tranqüilo.
E agora o que vamos fazer?
Eu também não sei!
Afinal.
Será que amar é mesmo tudo?
Se isto não é amor, o que mais pode ser?
Estou aprendendo também.
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9:42 AM
by Cassiano Leonel Drum
Os ventos de outubro
Acho que a maioria dos porto-alegrenses e dos que vivem por aqui preferem o mês de abril, com aquelas temperaturas amenas, a luminosidade que parece vinda de Paris e os céus em tons pastel. É o mês ideal para aproveitar a luz e ser pintor no paralelo trinta, aguardar as noivas de maio e ir se preparando para o rigoroso inverno. É o mês de colocar a cabeça no lugar, procurar agenda, emprego e cobertor de orelha. Hora de preparar o vinho tinto e o romanção russo de quatrocentas páginas, que vai ser lido ao pé do fogo lá por julho ou agosto, numa noite chuvosa.
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas sou daqueles que acham que Porto Alegre é melhor em outubro. Primavera chegando, pássaros, flores, frutas, pêssegos da Vila Nova, calorzinho se apresentando ...E o sol depositando os primeiros chocolates nas peles das gaúchas que já começam a despir roupas pesadas e preconceitos arraigados. Há quem implique com os ventos de outubro, com o pólen e com as mudanças.
Com o devido respeito aos que erradamente não pensam como eu, gosto dos ventos e das brisas de outubro. Fico sentindo a primavera na pele e pensando que esses ventos levam para longe as rinites, as gripes, as doenças todas e as tristes lembranças de hospitais, u.t.i.s, de velhinhos e de moços que nos deixaram em meio às chuvas, aos ventos e aos frios do inverno. Outubro chega anunciando a Feira do Livro, calçadas com flores amarelas e lilás e caminhos iluminados para o final do ano.
Nós que moramos aqui temos o privilégio de viver quatro estações, às vezes no mesmo dia. Cada uma tem seus encantos e desencantos, assim como as fases da vida da gente e a composição do Vivaldi. Para mim, outubro é quando a vida promete continuar apresentando surpresas boas, anunciadas pelos cantos das cigarras e pelos passos serenos das formigas. É quando simplesmente sou. Uma ótima sexta-feira para nós.
E-mail: jcimenti@zaz.com.br
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9:16 AM
by Cassiano Leonel Drum
simao@uol.com.br
17/10/2003
Buemba! Lula tá falando em churrasquês!
Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Pensamento do dia: O homem é um ser tão dependente que até pra ser corno precisa da ajuda da mulher. E esta notícia: Luciana Gimenez se desentende com Luíza Mel. Sendo que o problema da Lucianta não é se desentender, é ENTENDER! E esta: Ministério Público pede suspensão por 30 dias do Domingo Legal. Socorro! O passarinho do Gugu vai ficar na gaiola! Rarará!
E o Lula tá falando em churrasquês: Quero salvar o miolo da picanha da reforma. E eu quero salvar o miolo do Lula. Ele tá sempre usando churrasco como metáfora. Aliás, com essa quebradeira, churrasco virou metáfora mesmo! E a gente tá levando uma vida de lingüiça de churrasco: quando se livra do espeto, cai na brasa. Rarará!
E agora direto do PPP, País da Piada Pronta: a professora do Lula se chama Justa Tarifa. É verdade! Justa Tarifa Valentim. Devia ser professora do Palófi! E diz que o Corinthians não tinha que trocar de técnico, tinha que trocar de torcedor. E no lugar do Júnior botavam um Sênior. Sênior Abravanel! E o Gabeira disse que sonhou o sonho errado. E um amigo meu tá louco pra sonhar o sonho certo: sonhar que joga no Real Madri e que ficou com a Fernanda Lima!
E um amigo me disse que a quebradeira tá tão braba que a última nota de cem reais que ele viu foi na novela Celebridade! E a quebradeira é tanta que um bar na praia de Guanambi, na Bahia, botou a placa: Hoje não servimos cerveja por falta de capital de giro pra adquirir o produto. Cerveja Zero!
E adorei a charge do Zédassilva. O Lula pede para uma professora: Dê uma nota para o meu governo. E a professora: Com a merreca que eu ganho, fiquei sem uma nota pra ter dar. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
Antitucanês, a Missão. Mais dois exemplos devastadores de antitucanês. É que em Goiandira, Goiás, tem um motel chamado Pau pra Toda Obra. E em Guaratuba, no Paraná, abriram um bar ao lado do cemitério: O Último Gole. Rarará! Mais direto impossível! Viva o Antitucanês! Morte ao Tucanês! Viva o Brasil!
E atenção. Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. Copom: copo pra conhaque. Ambíguo: buraquinho na barriguinha da companheira. Rarará! O lulês é mais fácil do que o inglês. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! Aliás, eu vou fazer uma canja com o colírio alucinógeno! O já famoso Estoura Brasil! UFA!
E-mail: simao@uol.com.br
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9:06 AM
by Cassiano Leonel Drum
10 x teatro
Temporada teatral é turbinada por estréias com Andréa Beltrão e Luiz Fernando Guimarães, o novo 'Subversões'e outros sete espetáculos
Rubia Mazzini
Otávio Müller e Luiz Fernando Guimarães formam dupla hilária em O Caso da Rua ao Lado, no Teatro dos Quatro. Depois de uma bebedeira, o burguês Lenglumé (Luiz) e o vulgar Mistingue (Otávio) apagam da memória o que aprontaram. Mal entendidos os levam a pensar que cometeram um terrível crime. Alberto Renault dirige.
Uma elegante comédia francesa, um besteirol musicado bem carioca, um drama sobre pedofilia, um romance furioso que põe em cena mais de 100 tipos. Os palcos cariocas fervilham de novidades neste fim de semana: 10 peças estréiam trazendo para o público uma bem-vinda variedade de temas e gêneros dramatúrgicos.
Que momento bom! Tomara que que continue assim. Tanta gente fazendo teatro é uma coisa maravilhosa, exclama a atriz Andréa Beltrão, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil com Como Eu Aprendi a Dirigir um Carro, texto da norte-americana Paula Vogel. Andréa encarna Lil Bit, mulher que aos 40 anos repassa as dolorosas memórias da época em que era molestada sexualmente pelo tio (Paulo Betti). É claro que a pedofilia é um crime imperdoável, uma doença horrorosa. Mas no caso da personagem, ela consegue olhar pra trás e ver que o tio a ensinou muita coisa¿, avalia a atriz.
Bem mais leve é Subversões Social Clubbers, nova empreitada da dupla formada há 13 anos por Aloísio de Abreu e Luis Salem, que ocupa a Sala Baden Powell a partir de hoje. O quarto espetáculo da série traz versões inéditas para músicas de artistas como Chico Buarque e, claro, o sucesso Meu Nome é Creuza, paródia de Como uma Deusa. Pela primeira vez temos uma banda de quatro músicos nos acompanhando, o que dá outro charme à peça, adianta Aloísio Abreu, que coincidentemente estréia também hoje, como autor e diretor (em parceria com Cininha de Paula) a comédia romântica Esse Alguém Maravilhoso que Eu Amei.
Escrita sob medida para Marcelo Serrado e Cláudia Rodrigues, que em 1999 atuaram em Sobe o Pano, peça infantil de Aloísio, a história do casal de escritores em crise no relacionamento promete arrancar boas gargalhadas da platéia. A peça é leve e despretensiosa. As pessoas riem porque se reconhecem nos personagens, conta Serrado, que ainda é produtor da montagem.
O riso também é a tônica de O Caso da Rua ao Lado, comédia do francês Eugène Labiche que traz Luiz Fernando Guimarães de volta ao palco depois de três anos. E ainda tem O Bem do Mar, musical inspirado na obra de Dorival Caymmi; Comoção, de Ana Kfouri, que comemora os cinco anos do grupo Alice 118; O Mundo é Um Moinho, do paulista Fauzi Arap; o romance português O que Diz Molero; Walk, Men! um Musical Cínico, e a volta, sete anos depois, de Decote, comédia da Cia. Atores de Laura inspirada no universo de Nelson Rodrigues.
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9:00 AM
by Cassiano Leonel Drum
Maitê em foco
A beleza de Maitê Proença é um dos destaques da exposição Frágil (foto), de Dede Fedrizzi, em cartaz no recém-inaugurado Lemon, espaço que reúne bar, restaurante, galeria de fotos e programação musical em São Paulo. O fotógrafo, radicado em Nova Iorque há 10 anos, clicou beldades da cena artística, como Maria Fernanda Cândido, Gabriela Duarte e Daniela Escobar, explorando sua feminilidade. Maitê, aliás, tem estado mais do que nunca em foco.
Além de posar para Fedrizzi e ilustrar um quadro da campanha beneficente Fame and Fashion, a professora Daniela de Malhação passou a semana na mira dos flashes. Ela foi clicada para as capas de duas revistas nacionais e uma de Portugal.
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8:57 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
17/10/2003
Cuidado com o Big Bill
Os soldados americanos andam se suicidando mais do que o normal, lá no Iraque. É que, bom, o Iraque não deve ser mesmo um lugar aprazível para americano viver. Muita poeira, sempre imagino o Iraque cheio de poeira. E tem o problema das mulheres. Existe um ditado que ensina: "Jamais assedie uma mulher, se você só a viu sentada - quando ela levantar, você poderá deparar com uma abóbora-de-pescoço".
Sei que é uma máxima de machista crueldade, sei, mas tem sua lógica, para quem só se importa com a superficial beleza física, como o Professor Juninho. Então, faça um esforço e calcule o drama de um americano ao abordar uma iraquiana. O que ele encontrará debaixo do chador?
Além disso, existe sempre a possibilidade de um iraquiano não gostar de ser detido, amarrado, revistado e ter um saco enfiado em sua cabeça, e de esse iraquiano se irritar e resolver dar um tiro no americano. Têm acontecido essas coisas, os iraquianos parece que não entendem nada de ajuda humanitária. E mais: vai que um soldado faça sua ligação mensal para a mulher, trêmulo de saudade, e:
- Rélou, bêibi, o que you tem feito? Espero que não se sinta muito sozinha aí nos Esteites amados.
- Que nada, mai love. O Big Bill tem me dado um grande help nessa hora difícil. Me convida para jantar na casa dele, e esse fim de semana vamos à praia...
O soldado estremece como se o bigode do Saddam tivesse roçado em sua nuca. Depois de um momento de silêncio, gagueja:
- You e Big Bill? Jantando? Indo à praia?
- Yes - ela parece alegre. - Ele não é um love?
Tudo isso poderia motivar suicídios, evidente, mas o que espanta é o seguinte: será que eles não compreendem que não vão morar no Iraque para sempre? Em dois ou três meses estarão de volta a seus hambúrgueres e katchups. Por que, então, se suicidam? Por quê?
Perspectiva, essa a resposta. Os americanos do Iraque não conseguem enxergar sua própria vida em perspectiva. Os problemas que ora enfrentam no Oriente lhes parecem tão grandes, tão, tão, que viram insuperáveis. Como quando eu tinha chuveiro elétrico. Ele vivia queimando no inverno. Para que a água ficasse quentinha, era preciso diminuir o fluxo. Então eu abria bem e depois ia fechando, fechando, até que, puf, a resistência virava carvão.
Eu com a cabeça ensaboada, pateticamente pelado, azul de frio, olhando para o chuveiro maldito. Cara, dava vontade de chorar. E não de me matar, isso não, mas de matar o eletricista. Faltava-me perspectiva. Não sabia que, um dia, eu teria chuveiro a gás. Lamentável. Seja, pois, feliz pensando em perspectiva. Claro, desde que a sua mulher não pense em ir à praia com o Big Bill.
david.coimbra@zerohora.com.br
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8:55 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
17/10/2003
Rumo à reeleição
Interessantíssimo o modo novo de governar que o presidente Lula está inaugurando no Brasil.
Ele entra em contato com todas as camadas da população através de inúmeros atos públicos a que comparece, não se fecha no palácio, pelo contrário, expõe-se, enfrenta as pessoas com extraordinária cordialidade, ouve suas queixas, consola-as em suas agruras, a impressão que ele passa é a de um governado e não de um governante, de tal sorte ele se identifica com os dramas das categorias com que se encontra.
Esses dias Lula declarou que tem plena consciência de que não realizou ainda nem 1% do que se propôs na campanha eleitoral.
Todos que o ouviram dizer isso devem ter calculado que, se em nove meses de governo não realizou 1%, o máximo que conseguirá nos seus quatro anos de mandato será chegar a 10%.
O que seria um fracasso estrondoso. Só que Lula sai desses encontros consagrado, sem que ninguém lhe cobre nada, como se ele fosse também uma vítima dos males sociais e não o agente máximo destacado para saná-los.
Anteontem, Lula recebeu no Palácio do Planalto uma comissão de professores, entre eles uma sua professora primária, Justa Tarifa Valentim, hoje com 69 anos, que ministrou aulas ao menino Lula na quarta série do ensino fundamental, na Vila Carioca, em São Paulo.
Antes de qualquer queixa dos professores na cerimônia que comemorava o seu dia, Lula já foi atacando: "Neste dia em que os educadores brasileiros estão em festa, confesso a vocês que ainda temos uma dívida muito grande com a educação. Sabemos que no Brasil o salário dos professores é baixo, muitas de vocês dão aulas em condições precárias".
Com grande habilidade, Lula se transforma, diante dos que reivindicam, num deles, livrando-se da imagem de governante.
E pela nonagésima vez, nesse encontro com os professores, lastimou a exigüidade do seu mandato: "Sabem por que temos de realizar os compromissos? Porque o mandato é muito passageiro, é só de quatro anos. Mas vocês continuam trabalhando mais 30, 40 anos numa sala de aula".
No fim do encontro, como ao fim de todos esses encontros, Lula saiu consagrado pelos participantes. A professora Justa, chamada a dar uma nota para seu governo, lascou 8,5. E para o presidente deu a nota a nota 10.
É a primeira vez que um presidente da República, com poucos meses de governo, diz que seu mandato é curto. Até parece que já desistiu.
Em suma, Lula está se revelando um exímio dublê de presidente e candidato à reeleição.
Apesar de empalmar o poder, ele tenta explicar ao povo que existe um poder acima dele, o sistema.
E assim se conserva com a faixa presidencial e com a aura de líder da oposição.
Para vencer o sistema, ele precisa de outro mandato, um só é muito curto e torna o presidente impotente.
Lula parece querer dizer que para criar os 10 milhões de empregos que prometeu na campanha eleitoral, é preciso oito ou 20 anos de governo.
Só que ao fim de 20 anos de governo não serão mais necessários 10 milhões de empregos para saciar a demanda social: terão de ser 40 milhões, a julgar pela irresponsabilidade de todos os governos, inclusive o do Lula, por não mexerem uma palha no controle da natalidade. E vá nascer gente sem emprego, no grande desvario governamental.
Mais curta que o mandato, só a esperança.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:53 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Angústia em La Paz
Casal gaúcho Edson de Souza (de azul) e Elida Tessler (de pé) está entre os 53 brasileiros que aguardam resgate na capital boliviana (foto David Mercado, Reuters/ZH)
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11:05 PM
by Cassiano Leonel Drum
What a wonderful world
(Louis Armstrong)
Clique aqui para ouvir a música
(Click here to listen to the music)
I see trees of green
Red roses too
I see them bloom
For me and you
And I think to myself
What a wonderful world
I see skies of blue
And clouds of white
The bright blessed day
The dark sacred night
And I think to myself
What a wonderful world
The colors of the rainbow
So pretty in the sky
Are also on the faces
Of people going by
I see friends shaking hands
Saying "How do you do"
They're really saying
I love you
I hear babies crying
I watch them grow
They'll learn much more
Than I'll never know
And I think to myself
What a wonderful world
Yes, I think to myself
What a wonderful world
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Quinta-feira, Outubro 16, 2003
Posted
10:25 PM
by Cassiano Leonel Drum
"Fanatismo"
Florbela Espanca
Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah ! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim.
Que os anjinhos cuidem de você e de mim nesta e nas próximas noites.
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10:19 PM
by Cassiano Leonel Drum
"Só"
Florbela Espanca
Eu tenho pena da Lua!
Tanta pena, coitadinha,
Quando tão branca, na rua
A vejo chorar sozinha!...
As rosas nas alamedas,
E os lilases cor da neve
Confidenciam de leve
E lembram arfar de sedas
Só a triste, coitadinha...
Tão triste na minha rua
Lá anda a chorar sozinha ...
Eu chego então à janela:
E fico a olhar para a lua...
E fico a chorar com ela! ...
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10:16 PM
by Cassiano Leonel Drum
"Frieza..."
Florbela Espanca
Os teus olhos são frios como espadas,
E claros como os trágicos punhais;
Têm brilhos cortantes de metais
E fulgores de lâminas geladas.
Vejo neles imagens retratadas
De abandonos cruéis e desleais,
Fantásticos desejos irreais,
E todo o oiro e o sol das madrugadas!
Mas não te invejo, Amor, essa indiferença,
Que viver neste mundo sem amar
É pior que ser cego de nascença!
Tu invejas a dor que vive em mim!
E quanta vez dirás a soluçar:
"Ah! Quem me dera, Irmã, amar assim!..."
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2:29 PM
by Cassiano Leonel Drum
José Simão
simao@uol.com.br
16/10/2003
Celebridade! A Deborah Secco tá molhadinha!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E a única celebridade da novela Celebridade é a Deborah Secco, que usa saia no umbigo e namora com bombeiro. Aquele fogo nem bombeiro consegue apagar! E bombeiro agora é fetiche. Bombeiro pra apagar fogo de periquita.
E a Deborah Secco tá molhadinha. E adorei ela entrando no quartel. Diz que mulher brasileira não serve Exército. Serve sim, a minha prima mora ao lado do quartel e toda noite pula o muro pra servir o Exército.
E eu nunca vi tanta celebridade bagaceira. A coisa mais celebrity ali é a taça de champanhe. E uma leitora mandou dizer que o Thiago Lacerda tá parecendo o Andrea Bocelli! E o Fábio Assunção assumiu tanto o papel que tá ficando a cara do Nelson Rubens!
Bolívia Urgente! A Bolívia continua com problema de gases! Esse sururu todo na Bolívia e a capital se chama La Paz.
Guerra em La Paz. E hoje os jornais noticiaram que a Bolívia tá sem luz, água, transporte público e o povo tá sem comida. Isso quer dizer que a situação tá feia ou voltou ao normal? E um leitor me disse que argentino é um povo encrenqueiro: quando não tem o que protestar em casa eles vão fazer protesto em frente à embaixada da Bolívia pra derrubar presidente de outro país.
Salve o Corinthians! E o Timão? Já que o Júnior não deu certo, por que não chamaram a Sandy? Em vez disso, trocaram o Júnior pelo Juninho, técnico do time de juniores. E o Juninho é o júnior do Júnior? Daqui a pouco o técnico vai apitar de chupeta. Timão troca apito por chupeta! E diz que o Corinthians devia contratar o garoto-propaganda das Casas Bahia: quer pagar quando? Quer perder de quanto? Rarará!
E aqui em Sampa vai ter racionamento de água, o Sujão. E uma amiga minha previdente já botou o cartaz no chuveiro: Favor lavar só o que for usar hoje. E um outro já reclamou: Com esse racionamento não dá mais nem pra bater uma no chuveiro. É mole? É mole, mas sobe!
Antitucanês, a Missão! Mais dois exemplos arrasadores de antitucanês. É que aqui em São Paulo na Barra Funda tem a lotérica Adeus Patrão. E lá em Recife eles chamam aqueles ônibus particulares que levam os empregados pro trabalho de ¿Cata Corno¿. Rarará! Mais direto impossível! Viva o antitucanês! Morte ao tucanês! Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. Suaviza: suar pra pagar o Visa. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! Na orelha!
E-mail: simao@uol.com.br
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2:22 PM
by Cassiano Leonel Drum
Raposa com fome
VW apresenta o Fox com planos agressivos de reconquistar o primeiro lugar no mercado: e tem como fazê-lo
Eduardo Sodré
O Estilo, herdado dos monovolumes, abriga soluções novas para um hatch compacto. Mais alto que os concorrentes, o Fox custa a partir de R$ 21 mil
São José dos Pinhais, PR - A Volkswagen se notabilizou no mundo, construindo carros simples, vendidos a preço razoáveis. No Brasil, um de seus principais mercados, a empresa fez sua fama seguindo este princípio em carros como Gol e Fusca. Agora chegou a hora de confirmar se, em tempos de modelos luxuosos, como o sedã Phaeton e o utilitário Touareg, a VW ainda sabe conciliar eficiência e simplicidade: está chegando às lojas o Fox, o principal lançamento da montadora alemã em duas décadas.
Simples sim, pé-de-boi, não. O Fox não será o carro de entrada da VW, posto que continuará nas mãos (ou melhor, nas rodas) do Gol. Uma rápida olhada é suficiente para perceber isso: o acabamento é bem cuidado, sem deixar partes da lataria à mostra. A exceção está no porta-malas, pois as laterais não são cobertas. Entre os itens de série comuns a todas as versões está a útil regulagem de altura no banco do motorista.
O painel (1) é completo, ergonômico e visível (2), com várias funções de instrumentos (3) em único comando
O Fox terá três opções de acabamento. A mais simples, City, traz apenas o essencial, sem mimos como lavador/desembaçador do vidro traseiro. O banco traseiro sobre trilhos, que estréia na linha VW, é opcional. A versão intermediária Plus traz conta-giros e direção hidráulica.
O top de linha Sportline vem com rodas de liga leve aro 15, pára-choques, espelhos e maçanetas na cor do carro, além dos componentes do Plus. Apenas nesta versão, o banco traseiro deslizante é item de série. Travas e vidros elétricos, ar-condicionado, freios ABS, coluna de direção regulável e som são opcionais para todos os modelos.
Os controles do ar condicionado (4) ficam sobre o porta CDs (5). Na foto (6), detalhe do difusor de ar na extremidade do painel
A posição de dirigir elevada e os 17 porta-trecos (há até um porta-garrafas suficiente para uma embalagem e água mineral com 1,5 litro) espalhados pelo carro trazem ao hatch a sensação de estar em um monovolume. As possibilidades de uso do porta-malas também se assemelham a das minivans. As variações vão de 260 litros (bancos na posição normal) até 1.216 litros com a retirada do assento traseiro. Os testes de dirigibilidade estão sendo realizados hoje. Na edição de domingo será a hora de mostrarmos como é que o Fox anda, nas versões 1.0 e 1.6, ambas Total Flex.
O kit de porta trecos, uma idéia inspirada nas minivans, inclui espaço para garrafa de água mineral (7), gaveta porta luvas sob o banco do carona (8), semelhante a que vem no Polo, e porta revistas (9) atrás dos bancos.
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2:11 PM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
16/10/2003
O mais e o ainda
Eu sabia que esse negócio de fazer aniversário todos os anos não ia acabar bem. O resultado está aí: envelheci. Hoje, quando me pego pensando no que vou ser quando crescer, me dou conta de como minhas opções diminuíram. Não tenho mais idade para nada. Por isso gosto de ver essas listas de prováveis candidatos a sucessor do Papa. A idade média deles é 70. Ser papa é uma das poucas coisas a que eu ainda posso, realisticamente, aspirar.
Mas minha única credencial para o cargo é a idade. Não sou cardeal, não sou nem praticante. Devo ter deixado minha fé no bolso da fatiota azul, de calças curtas, com que fiz minha primeira comunhão. E a única coisa que me lembro do evento, além da fatiota (e da gravata prateada!), não é da emoção de receber a hóstia e do rito eucarístico, é dos doces que tinha em casa, depois.
Acho que foi ali que fiz a minha opção preferencial pela perdição. Invejo quem tem fé, mas não posso deixar de pensar que a minha religião particular, uma espécie de panteísmo urbano (devoção por pastéis e boas livrarias e a crença de que há um deus específico para o oboé, que é o instrumento que afina todos os outros), é a única sensata, em meio ao que não deixa de ser - se bem examinada - uma crise mundial do monoteísmo.
Bons tempos em que, em vez de não ter mais idade, nós ainda não tínhamos idade. E sonhávamos com tudo o que viria quando tivéssemos. Entrar em filme proibido até 14 anos. Beber e fumar. (O importante não era a bebida e o cigarro, era a pose que se fazia bebendo e fumando. Ficar adulto era adquirir o direito à pose de adulto). Beijar como beijavam nos filmes - principalmente os proibidos até 14, já que nos proibidos até 18 ninguém sabia o que acontecia.
Ficar acordado até mais tarde. Ganhar a chave da casa. Dirigir. Usar bigode.
Ainda não ter idade era ficar pinoteando no partidor, indócil, como um cavalo esperando a largada. Não ter mais idade é ficar com esta impressão de que até um ato de revolta por tudo que não fizemos quando tínhamos idade e que agora não dá mais não seria, assim, apropriado para a nossa idade.
Não consola nem a idéia de que, se concorresse com o Brizola ou o Fernando Henrique, pela sucessão do Lula, eu seria a alternativa jovem. Chama-se vida essa lenta transformação da frase, de ainda não ter idade para não ter mais idade. Ou de poder ser, teoricamente, tudo o que se sonhasse, a poder ser, teoricamente, só papa. E por pouco tempo.
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2:09 PM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
16/10/2003
Segundo tempo
Tenho um amigo que faz 50 anos hoje. Já passei por isso e costumo ser sincero quando me perguntam como é. Digo: "Dói um pouco, mas passa". Somos pretensiosos, os humanos. Gostamos de pensar que meio século é só a metade da vida, mesmo sabendo que a maioria tropeça no caminho da outra metade. Mas esse meu amigo, tenho certeza, vai passar correndo pelos obstáculos: ele sempre foi bom driblador.
Foi com dribles que construiu a sua carreira. Menino magro e pobre, teve que aprender a driblar para escapar de uma infância comum e conquistar o seu lugar ao sol. Saiu dos campos de várzea de Canoas e apresentou-se, cabelos encaracolados e pernas finas, no grande clube da Capital. Eram mil garotos correndo atrás do sonho, mas o treinador logo percebeu aquele loirinho cheio de intimidade com a bola.
Sei como começou este romance adolescente porque ele me contou. Conheceram-se num Natal da infância: ela embrulhada para presente, ele ansioso pelo amanhecer, para poder levá-la ao campo da esquina e começar logo sua aventura inesquecível. Sabia que tinha nas mãos um brinquedo mágico, capaz de transformar sua vida e de abrir-lhe as portas do mundo. Tratou-a com tanto carinho que ela jamais esqueceu. Naquele teste, elegeu-o como preferido entre centenas de outros garotos. Vendo aquilo, o treinador logo sentenciou: "O alemão tá plenamente aprovado".
Vestiu a camisa vermelha e tornou-se um campeão, sempre com a cumplicidade da inseparável companheira de brincadeiras infantis. E como todos os caminhos levam à Roma, foi, viu e venceu. Na Cidade Eterna, sagrou-se imperador extraordinário do futebol. No auge de sua glória, cheguei a sugerir-lhe certa vez que contratasse um lacaio para assoprar-lhe no ouvido a histórica advertência: "Lembra-te que és mortal". Era glória demais.
Pois esse amigo, que viveu tantas vidas e tantas conquistas, passa hoje pela dorzinha agradável dos 50, cercado de afetos. Vou dar-lhe o meu abraço e mais um recado cifrado, na nossa linguagem futebolística que ele entende bem: "Te prepara que o segundo tempo já vai começar".
nilson.souza@zerohora.com.br
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2:07 PM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
16/10/2003
O segundo milagre
Chega a ser inacreditável que o Grêmio tenha ganho o Gre-Nal.
Ontem, brinquei no Sala de Redação, dizendo que só um clube consegue fazer lotar o Beira-Rio, o Grêmio.
Por mais que se esforce, o Inter não lota nunca o Beira-Rio sem a presença do Grêmio.
Flautas inconseqüentes à parte, o Grêmio removeu a montanha ao vencer o Gre-Nal domingo passado.
Aquela legião urbana colorada que acorreu ao estádio, uma mole humana considerável perto dos cerca de apenas 6 mil gremistas que corajosamente acreditaram numa vitória tricolor e submeteram-se à temerária condição minoritária - aquele povão colorado que lotou o Beira-Rio até lá foi levado por uma razão muito especial.
Era o dia da grande consagração da massa escarlate, há tantos anos sem nenhuma grande conquista.
Era o dia de o Internacional casar a oportunidade de ingressar na Libertadores e ao mesmo tempo lançar a última pá de terra sobre a sepultura gremista da segunda divisão.
Não havia uma tarde melhor programada para a grande festa colorada. Tudo indicava que esta grande euforia vermelha pela atuação de seu time de garotos neste campeonato nacional iria finalmente se justificar, afinal até aqui, apesar do alarde, o Inter não ganhou nada neste campeonato nacional.
Era a tarde de começar a ganhar, além de lucrar prazerosamente com a definição do rebaixamento do Grêmio.
Não havia portanto uma mais bela ocasião para a torcida colorada que o Gre-Nal do último domingo.
De todos os cantões da Grande Porto Alegre e até de variados rincões do Interior acorreram os colorados, sequiosos da destruição dos cristãos azuis no centro da arena do Coliseu rubro.
Os leões colorados seriam soltos impreterivelmente às seis em ponto da tarde de domingo passado e aquela multidão já se mostrava sedenta do sangue gremista na cor das suas vestes.
Pois aconteceu o milagre. Os cristão azuis bateram os seus escalados carrascos.
Um milagre de superação, de coragem e de técnica dos jogadores gremistas deixou aturdido todo o estádio colorado e eufóricos os poucos gremistas que lá foram para desafiar os astros e o destino.
Um milagre.
Pois se deve acreditar que um milagre suceda a outro milagre: se o Grêmio vencer o Atlético Mineiro depois de amanhã no Olímpico, tem tudo para não ser rebaixado.
Então é importante que você, gremista que reside num raio de menos de 200 quilômetros de Porto Alegre, que você gremista que mora na Grande Porto Alegre, prepare-se desde hoje para vir ajudar o Grêmio neste segundo milagre em apenas uma semana, comparecendo ao Olímpico e levando o time a esta missão impossível da fuga da segunda divisão.
No Beira-Rio não puderam estar todos os gremistas, os lugares que nos reservam são reduzidos.
Então é a hora de retribuir ao clube e ao time a solidariedade.
Esteja onde estiver você, gremista, prepare-se desde hoje para vir sábado ao Olímpico.
Sair do rebaixamento para nós tem significação equivalente, nesta hora de apuro e tensão, a ser novamente campeão mundial ou da Libertadores.
É preciso lotar o Olímpico. É um dever da torcida.
Tão importante que hoje dediquei toda esta coluna à possibilidade deste novo milagre, enfrentando com escusas os leitores majoritários que não gostam que eu escreva sobre futebol.
Será o segundo fim de semana consecutivo de milagres tricolores. Não percam!
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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2:04 PM
by Cassiano Leonel Drum
Tradição
Vandalismo contra a história gaúcha
Em Guaíba, desordeiros tentaram incendiar o cipreste à sombra do qual os farroupilhas decidiram a tomada da Capital (foto Emílio Pedroso/ZH)
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Quarta-feira, Outubro 15, 2003
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7:34 PM
by Cassiano Leonel Drum
"COMO SE MEDE UMA PESSOA"
(William Shakespeare)
"Os tamanhos variam conforme o grau de desenvolvimento.
Ela é grande pra você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e seu sorriso é destravado.
É pequena pra você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa honestamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.
Uma pessoa é gigante pra você quando se interessa pela sua vida,quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto.
É pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas:
"será ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições?"
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos.
Nosso julgamento é feito
não através de centímetros
e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente se torna mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande.
É a sua sensibilidade sem tamanho."
Recebido da minha amiga Jane Marion
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10:03 AM
by Cassiano Leonel Drum
Professor, aquele que ensina uma arte, uma técnica, uma disciplina. Mais do que isso, aquele que nos inicia na infinita possibilidade de aprendizado. Aprendizado para estudos avançados, para o trabalho, para a vida...
No Dia do Professor, ENTRELACOS presta uma homenagem àqueles que por amor à profissão dedicam suas vidas ao ensino, mesmo em situações adversas.
Àqueles que consideram o ato de ensinar uma lição de responsabilidade, conscientes de que formam cidadãos a cada palavra riscada no quadro-negro.
À chamada deles, nós respondemos: presente. Com o maior prazer! For my teacher of Ingles have a nice day teacher!
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9:56 AM
by Cassiano Leonel Drum
O que de bom e ruim a vida lhe ensinou?
"A vida ensina as pessoas a terem compreensão, amor e tolerância, pois sem isso não podemos viver bem. Os fatos e episódios tristes que acontecem na vida da gente servem para que possamos tirar o máximo proveito, para podermos amadurecer com o tempo e entender que a vida passa, mas os os ensinamentos ficam. Existem pessoas que nos ensinam muito e outras pessoas que entram na nossa vida e não nos dizem nada".
Irene Straube
"O prazer e o sofrimento são fontes inesgotáveis de aprendizagem, e é a nossa própria força interior adquirida através do amor da família, da fé, da educação, do convívio profissional ou social, que alavanca a coragem, dos sentimentos e a alegria de viver no dia a dia. Eu aprendi que a vida, tal como um riacho de águas cristalinas, percorre solos diferentes, ora calmo, ora agitado, recebendo e doando bons ou maus elementos, mas tendo como finalidade maior sempre servir, mesmo buscando seu objetivo".
Terezinha Machietto
"A vida é um eterno aprender. Ao nascer depois de bem protegido no ventre materno, o bebê já começa enfrentando situações, as mais diversas. A vida tem me ensinado a pensar e repousar valores primordiais, por isso, com o passar dos anos venho tentando aprender todo o tipo de ensinamento que a vida me apresenta, segurando com garra todos os momentos felizes a mim proporcionados por parentes e amigos maravilhosos".
Terezinha Scavone
"A vida e a sua lentidão de segundos... Na eternidade dos instantes mais felizes, as imagens vêm como que por encanto: o nosso primeiro amor, a primeira professora, o primeiro parto, a primeira comunhão, a última paixão... Nada de bom sai da nossa mente... Mas é necessário que alguém pergunte sobre algo bom ou ruim para que você volte ao passado e vislumbre o que de melhor aconteceu em sua vida. Sem a menor sombra de dúvida, o que de melhor me aconteceu foi a graça e o privilégio de ser mãe da minha "especial" Cláudia, do primogênito Alexandre e do caçula Felipe. Sempre tive mais alegrias do que tristezas e peço à Deus que tudo assim permaneça.
Não tenho lembrança de algo ruim em minha vida... Só mesmo as dificuldades necessárias para crescer profissionalmente. A luta pelo trabalho que realmente adoro fazer como radialista, escritora e redatora não me assustam. As pedras e os tropeços do caminho só me fazem mais forte diante dos meus sonhos".
Isabel Sunada
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9:48 AM
by Cassiano Leonel Drum
Vale tudo pela fama
Empolgado, o elenco de Celebridade assistiu junto ao primeiro capítulo da novela no Galeria Gourmet, na Barra, segunda-feira. A estrela Malu Mader foi a última a chegar ao restaurante, e sua atuação ganhou elogios do marido, Tony Bellotto (1).
Aspirantes a famosas na trama, as atrizes Juliana Paes e Deborah Secco mostravam sintonia (2). Fábio Assunção, que antes da exibição brincava pedindo Lexotan para se acalmar, era só sorrisos depois com a colega Cláudia Abreu (3). Já Márcio Garcia festejava com o galã Marcos Palmeira (4). Na saída, o novelista Gilberto Braga teve uma surpresa (5).
A estudante de Nova Iguaçu Vanessa Mello, 19 anos, numa tentativa desesperada de se tornar famosa mote da trama fez como a personagem Jaqueline Joy (Juliana Paes) e também mostrou os seios! Marketing perfeito. Mas se a moda pega...
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9:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
15/10/2003
Foto(s): Patrick Gardin, Banco de Dados/ZH
Como emagrecer muito
A Nicole Kidman está muito magra. Porque anda sem namorado, dizem, li em algum lugar. Vi uma foto dela, até. Não essa ao lado, dos bons tempos de matrimônio. Uma nova: de fato, sequinha, o rosto anguloso, os ossos espetando a pele leitosa. Fiquei chateado. Será que Nicolinha se abateu tanto por causa do rompimento com Tom? Vai ver.
A Deborah Secco também está sem namorado. Uma dessas revistas contou que as pessoas perguntam:
- E aí, sem namorado?
Débi franze o cenho liso e fresco como uma manhã de primavera:
- Não falo disso.
O assunto a irrita. Pudera, as pessoas exigem muito de Débi e Nicolinha. Querem que elas sejam lindas, bem-humoradas, magras e que irradiem felicidade, ainda por cima. Caso contrário, julgam-nas fracassadas. Na verdade, as pessoas exigem muito de todos nós. Isso da magreza, por exemplo. Antes, nós homens não precisávamos ser magros. Barriguinha até que é sexy, consolavam-nos. Éramos meio gordos? Fortaleza física. Prosperidade. Saúde.
Agora, não. Agora nós homens também temos que comer granola. E temos de satisfazê-las, às mulheres. Dar-lhes atenção, compreensão, diverti-las, encontrar o ponto g, que é bem escondidinho. Tudo isso nos exigem! Mas, admito, das mulheres exigem mais. Tempos atrás, elas precisavam ser apenas belíssimas e maravilhosas e doces e deslumbrantes, como Nicolinha e Débi. A mulher era uma flor. Delicada, frágil, um ser assustadiço, eternamente carente de cuidados e proteção. Você batia o pé no chão com um pouco mais de força e ela, uóóó, desfalecia. Hoje? Rá: hoje ela tem de ser forte, também. Tem de ser competente. E mais competente que os homens, senão desperta suspeitas de que continua a ser aquela porcelana fina de outrora, incapaz de suportar as pressões do selvagem mundo masculino.
É o que sucede com nossa brava árbitra Sílvia Regina e suas auxiliares, a Aline e a bela Ana Paula. Atuando no varonil ambiente do futebol, elas se vêem obrigadas a demonstrar uma competência ainda maior do que a dos árbitros homens. Tanto que essas moças, que coisa, elas não riem! Entram em campo sérias, arbitram o jogo em sisuda concentração, vão para o vestiário quase a rosnar. E, se há problema com algum jogador, têm de ouvir o que disse o Luís Fabiano, do São Paulo, para a juíza:
- Tinha de ser mulher. Sua burra!
Com ênfase especial no burra, importante ressaltar.
Imagino que Sílvia tenha suspirado:
- É difícil...
É, é. Mas pelo menos ela tem namorado.
david.coimbra@zerohora.com.br
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9:31 AM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
15/10/2003
Filme francês
Em um dos meus livros, De Cara Lavada, publiquei um poema que termina assim: "O que me interessa granito, madeira-de-lei, lâmpadas halógenas e último andar?/ Eu queria era morar num filme francês".
Queria mesmo. Queria morar num prédio bem antigo, com peças amplas e pé-direito alto. Nem pensar em sacada com churrasqueira, apenas um pequeno balcão com vista para os telhados de Montmartre. Queria aquele clima noir dos filmes do Truffaut, queria vestir as calças cigarette e as sapatilhas que a Jean Seberg usava em Acossado e, se tivesse coragem, usaria o cabelo também bem curtinho, à la garçon... Queria levar baguetes embaixo do braço, andar de bicicleta por ruas estreitas, ter uma vida bem profunda pra ser vivida e expressada com o rosto da Fanny Ardant. Queria aquele charme presunçoso, uma certa lentidão, muita paixão e filosofia, um sotaque bem carregado... e o final do filme eu deixaria em aberto.
Bom, não posso morar num filme mas posso me transferir momentaneamente para o Guion, que a partir de amanhã inicia um ciclo dedicado ao cinema francês. Durante uma semana estarão em cartaz, em horários diversos (consulte o jornal do dia) Amém, de Costa Gavras, Nathalie X, com Gerard Depardieu, a animação As Bicicletas de Belleville, o campeão de bilheteria Beije Quem Você Quiser, a comédia romântica O Buquê, a superprodução Monsieur N e outra vez Instituto de Beleza Vênus, filme que revelou Audrey Tatoo, atriz que interpretou Amelie Poulin.
Por que a deferência? Porque as salas Guion são uma das boas razões para se gostar de Porto Alegre, porque o cinema europeu finalmente está perdendo aquela alcunha de "filme para intelectual" e está conseguindo se popularizar sem perder o refinamento, porque faz 25 anos que o Carlos Schimidt, do Guion, vem se dedicando à realização e à difusão cinematográfica aqui na Capital e merece ter este momento da sua carreira assinalado.
Mais porquês? Pois bem: ouvir o idioma francês é mais ou menos como levar uma lambida - desculpem a vulgaridade da comparação, mas c´est vrai. A gente tem tanto acesso ao inglês através da tevê, das músicas, dos letreiros da cidade, enquanto que do francês recebemos, no máximo, o sotaque acentuado do cozinheiro Olivier Anquier. Colocar um pouco de França na nossa vida, pourquai-pas? Sofisticação, arte, romantismo, história, intimismo, culto ao prazer.
Ruas com lampiões e paralelepípedos, escadarias, igrejas seculares, pátios internos, flores nas janelas, um rio cortando ao meio a cidade. Outros ares, outros lugares. Aquela fantasia que todos temos, ao menos por um período, de ser estrangeiros. Não podemos morar num filme francês, mas podemos ser hóspedes de alguns deles a partir de amanhã. A propósito: com legendas.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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9:28 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
15/10/2003
A diáspora da saúde
Sensacional a reportagem de ontem de Zero Hora que documentou a criação de linhas de ônibus por inúmeras prefeituras do Interior, que trazem os doentes para os hospitais de Porto Alegre.
As secretarias da Saúde dos municípios se transformaram em estações rodoviárias, de onde todas as madrugadas partem os ônibus lotados de pessoas em busca das consultas e exames na Capital.
São organizadíssimas as prefeituras que instalaram esse sistema, elas perceberam que atender os pacientes de seus municípios implica menos em serviços e recursos de suas secretarias da Saúde do que das suas secretarias de Transporte.
A Rua José Bonifácio, aquela da Escola de Cadetes, é o mais novo terminal de ônibus e de vans aqui de Porto Alegre.
Ali desembarcam diariamente, às primeiras horas da manhã, os pacientes vindos do Interior, preferencialmente para o Hospital das Clínicas, mas também para a Santa Casa.
Em breve, a organização de chegada e saída desses ônibus redundará obrigatoriamente em criação de terminais nos três pólos de saúde da capital: a Santa Casa, o Clínicas e o Conceição.
Ou então se instalará na Capital uma estação rodoviária da saúde, paralela à Rodoviária oficial, onde os pacientes chegados do Interior serão trasladados em outros ônibus até os hospitais.
Porque tende a crescer o número de prefeituras que se utlilizará do método, alentado pelo sucesso administrativo das cidades que se safam de seus doentes pelo milagre da exportação deles para os hospitais de Porto Alegre.
Quando hospitais, postos de saúde e médicos são substituídos por ônibus, motoristas e fiscais agendadores de transporte, algo de muito caótico ronda o sistema de saúde.
Imagine-se que as populações do Interior tivessem que se transportar para Porto Alegre para estudar em suas escolas primárias.
Ou que tivessem que vir até aqui para registrar ocorrências policiais.
É isso que está acontecendo na saúde. As multidões que desembarcam dos ônibus e das vans para serem atendidas nos hospitais porto-alegrenses tinham de ser atendidas em suas cidades.
Não é compreensível que para consultar um ortopedista ou um cardiologista uma pessoa tenha de se deslocar de sua cidade e viajar de ônibus até a Capital.
E imaginem o sacrifício por que passam estas pessoas, grande parte delas viaja apenas para marcar consulta, que só será efetuada meses depois.
Um sistema que obriga uma pessoa a viajar em ida e volta 200 quilômetros para comparecer à consulta já é cruel. Então percorrer esse trajeto de ida e volta para só marcar consulta é de uma estupidez e desumanidade alarmantes.
Fora as idas e vindas para os exames.
Afigura-se tão trágica e pantanosa a dinâmica de atendimento de saúde na Capital que já foi flagrada a espantosa distorção de, em vez de procurarem médicos para se tratar, os pacientes do SUS saírem atrás de advogados que ingressassem na Justiça para obter mandados de internamento.
Agora com essa exportação rodoviária de doentes para Porto Alegre, uma macabra e exasperante diáspora sanitária, está se chegando ao cúmulo de entregar-se a administração dos serviços de saúde para o Daer.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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9:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Cultura
Feira do Livro ganha forma
Primeiras barracas do evento que começa dia 31 estão sendo montadas na Praça da Alfândega, na Capital (foto Ricardo Duarte/ZH)
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Terça-feira, Outubro 14, 2003
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8:42 PM
by Cassiano Leonel Drum
"Escreve-me ..."
Florbela Espanca
Escreve-me! Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!
Escreve-me!Há tanto,há tanto tempo
Que te não vejo, amor!Meu coração
Morreu já,e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração!
"Amo-te!"Cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!
Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então...brandas...serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade...
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8:39 PM
by Cassiano Leonel Drum
"Mais Alto"
Mais alto, sim! mais alto, mais além
Do sonho, onde morar a dor da vida,
Até sair de mim! Ser a Perdida,
A que se não encontra! Aquela a quem
O mundo não conhece por Alguém!
Ser orgulho, ser águia na subida,
Até chegar a ser, entontecida,
Aquela que sonhou o meu desdém!
Mais alto, sim! Mais alto! A intangível!
Turris Ebúrnea erguida nos espaços,
À rutilante luz dum impossível!
Mais alto, sim! Mais alto! Onde couber
mal da vida dentro dos meus braços,
Dos meus divinos braços de Mulher!
Florbela Espanca
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8:34 PM
by Cassiano Leonel Drum
CAVALGADA
Roberto Carlos
Vou cavalgar por toda noite
Por uma estrada colorida
Usar meus beijos como açoite
E a minha mão mais atrevida
Vou me agarrar a seus cabelos
Pra não cair do seu galope
Vou atender aos seus apelos
Antes que o dia nos sufoque .
Vou me perder de madrugada
Pra te encontrar no meu abraço
Depois de toda a cavalgada
Vou me deitar no seu cansaço .
Sem me importar se nesse instante
Sou dominado ou se domino
Vou me sentir como um gigante
Ou nada mais do que um menino .
Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham de manhã
Depois do nosso adormecer
E na grandeza desse instante
O amor cavalga sem saber
Que na beleza dessa hora
O sol espera pra nascer .
Ouça a música clicando aqui
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8:29 PM
by Cassiano Leonel Drum
Sozinho
Caetano Velozo
As vezes no silêncio da noite,
eu fico imaginando nós dois,
eu fico aqui sonhando acordado, juntando,
o antes o agora e o depois,
Porque você me esquece e some,
e se eu me interessar por alguém,
e se ela derrepente me ganha.
Não sou nem quero ser sua dono,
é que um carinho as vezes cai bem,
eu tenho meus desejos e planos,
secretos, só abro pra você mais ninguém.
Por que você me deixa tão solto,
por que você não cola em mim,
tô me sentindo muito sozinho,
Quando a gente gosta é claro que a gente cuida,
fala que me ama só que é da boca pra fora,
ou você me engana ou não está madura
ei, ei, ei, eee, Onde está você agora
VOCÊ É LINDA
Caetano Veloso
Fonte de mel
Nuns olhos de gueixa
Kabuqui, máscara
Choque entre o azul
E o cacho de acácias
Luz das acácias
Você é mãe do sol
A sua coisa é toda tão certa
Beleza esperta
Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa
E não olha pra trás
Linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz
Você é linda
Mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim
Você é forte
Dentes e músculos
Peitos e lábios
Você é forte
Letras e músicas
Todas as músicas
Que ainda hei de ouvir
No abaeté
Areias e estrelas
Não são mais belas
Do que você
Mulher das estrelas
Mina de estrelas
Diga o que você quer...
Você é linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz
Você é linda
Mais que demais
Onda do mar do amor
Que bateu em mim
Gosto de ver
Você no seu ritmo
Dona do carnaval
Gosto de ter
Sentir seu estilo
Ir no seu íntimo
Nunca me faça mal
Você é linda
Mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim
Você é linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz.
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8:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
Tudo para segurar o consumidor
Varejo oferece música, café e bolo, e usa a informática para conhecer melhor os clientes
Silvana Caminiti
Em tempos de concorrência acirrada, o varejo tem se desdobrado em busca de diferenciais que possam atrair e fidelizar a clientela. Os supermercados têm sido pioneiros no lançamento de novidades que possam garantir a presença do consumidor em suas lojas. O grupo Sendas, por exemplo, resolveu incrementar os serviços oferecidos nas unidades, elevando o padrão dos pontos de venda.
O novo conceito já pode ser observado na loja do Leblon, onde os clientes fazem compras ouvindo música, tomam café com blend especial e podem optar ainda por comer uma pizza romana da Pizzaria al Taglio ou comprar uma bandeja de combinado japonês, inclusive de madrugada. Fizemos um estudo profundo nessa filial para preparar o modelo de unidade de vendas que será vivido pelo grupo a partir de agora, conta o vice-presidente comercial da rede, Nelson Sendas.
O empresário lembra que o ponto de vendas conta com diferenciais como cafeteria, adega selecionada, programação cultural, sushiman 24 horas e produtos exclusivos. Além disso, segundo ele, as equipes de padaria, açougue, peixaria, frutas, verduras e legumes e salsicharia foram formadas pelos melhores profissionais de cada área, selecionados entre todas as lojas do grupo.
Na Sendas Leblon, o consumidor encontra uma loja de alto padrão, com conforto, qualidade e com as principais novidades do mercado. O atendimento é outra prioridade. Os caixas receberam treinamento sobre postura, apresentação pessoal, preocupação com a produtividade e atendimento aos clientes¿, comenta Sendas, ressaltando que o conceito será levado às demais lojas do grupo. Até o fim do ano, serão reformulados 13 pontos de venda, no Rio e em outras cidades.
Sendas: 0800-219151, http://www.sendas.com.br
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8:07 AM
by Cassiano Leonel Drum
Liberato Vieira da Cunha
14/10/2003
A procissão dos desamados
Sei que é mau costume publicar segredos no jornal, mas, se me dão licença, aqui entrego um: tem muita gente triste, solta nas ruas da cidade. Descobri essa desgraciosa realidade pelo método difícil. Um doutor me receitou 40 minutos de caminhada diária, segundo ele excelente tônico para meu inquieto coração.
Ocorre que, ao invés de dedicar-me ao saudável exercício no green do Country Club, optei pelo bazar persa que é o centro de Porto Alegre. Dizem que é uma área nobre, e talvez seja. Mas até por aí. Na Praça da Matriz, em meio à imponente indiferença dos palácios, celebra-se uma permanente convenção de mendigos. Há pedintes na Rua Duque, na da Ladeira, na Borges. Não é bonito esse múltiplo espetáculo de degradação humana, ainda que próprio de tempos decididamente bicudos. O que me surpreendeu mais não foram contudo os humilhados e ofendidos. Foi a classe média em retirada.
Raparigas em flor, senhores na faixa gris dos 50, damas de idade eternamente indefinida carregavam ou algum oculto penar ou alguma silente mágoa; aqui cruzavam por mim melancólicos, ali sombrios, adiante pesarosos. Topei com criaturas aflitas, taciturnas, angustiadas, independente de idade, sexo, rumo. Havia também, é claro, faces conformadas, traços indistintos, olhares bovinos. Por vezes surpreendi toques de alegria, de romance, quem sabe de encantamento. Mas eram, lamento confessar, raros, dispersos, imprecisos.
Em verdade, há muita gente triste nas ruas de Porto Alegre.
Ontem vi uma garota que terá, no máximo, 20 primaveras. Subia a lomba da João Manoel. Era linda, vestia-se com elegância, contemplava a ponta dos sapatos, bem fina, segundo ordena a moda. Havia doses maciças de desalento em cada mínimo gesto seu, no modo como percebia, desatenta, sua circunstância, no jeito em que se comprazia com não sei que fundos desgostos.
Tem muito povo embriagado de tristura nas ruas de Porto Alegre.
Tem um soturno exército perdido por avenidas e parques, por largos e becos da mui leal e valorosa.
Volta e meia me bate a suspeita de que formem, não por gosto, nem por querer, a procissão dos desamados.
Dito o que, saio momentaneamente do ar: a época é de férias
liberato.vieira@zerohora.com.br
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8:05 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luís Augusto Fischer
14/10/2003
Intelectuais e políticos ao Sul
Poucos dias atrás, participei de encontro de professores de literatura oriundos de várias partes do Brasil. O cenário era o Rio de Janeiro, mas o debate predominante a respeito das tarefas importantes para o futuro imediato, na área, passou ao largo dos cariocas, fixando-se em dois pólos, de um lado alguns paulistas e do outro nós, os gaúchos. Resumindo o debate de modo precário, e apenas para fins do presente raciocínio, posso dizer que se tratou de uma oposição entre verticalizar a conversa teórica, buscar a posição de vanguarda, puxando o debate para a frente, para cenários nunca antes freqüentados (posição defendida por paulistas) e, do outro lado, horizontalizar a conversa, tentando difundir e democratizar o debate de modo a proporcionar a inclusão de mais gente (e mais regiões) no palco dos acontecimentos.
O caso é que este dilema intelectual, vanguarda versus democratização, está longe de ser uma trivialidade, para quem vive de pensar, ensinar, escrever, formular. O pólo da vanguarda costuma ser uma exigência para quem vive em cidades maiores, em capitais culturais e/ou financeiras, caso típico de São Paulo, que manda no Brasil - se dúvida houvesse, o impressionante paulistocentrismo do governo Lula estaria aí para confirmar. Sujeito que viva lá, na ex-Terra da Garoa, e queira fazer vida intelectual, precisa providenciar ou, na impossibilidade, improvisar umas idéias de vanguarda, trazê-las para o centro da cena e fazer disso sua plataforma.
Já um candidato a intelectual que viva fora do olho do furacão, como certamente é o nosso caso - Estado relevante mas periférico, sem projeto de poder, contente em ser subsidiário -, já é bem outra coisa. Aqui ele pode prosperar sem a exigência de meditar sobre os problemas mais candentes e mais urgentes; pode delegar a seus congêneres centrais o encargo de pensar sobre os conflitos já estourados e sangrando. Eventualmente ele agrega a sua ação uma marca democratizante, na intenção de federalizar o debate, como ocorreu no caso mencionado. Coisa parecida se pode dizer dos políticos profissionais gaúchos, que mal saem do Estado e, quando saem, não estendem sua vocação até os postos mais altos e mais relevantes, preferindo (ou contentando-se com) a sombra de posições menores, irrelevantes até.
Alguma vez foi diferente essa situação? Talvez na vasta Era Vargas, que vai da gestação dos anos 20, passa pelo exercício do poder entre os 30 e os 50, e alcança os 60. Em determinados pontos dessa história, hoje revogada, intelectuais sulinos sentiram a pressão de pensar e formular coisas com largueza de horizontes superior ao costumeiro circuito de nossas mazelas identitárias; assim também os políticos, que terão demonstrado algum apetite em direção ao núcleo duro de poder. Desconsideradas várias diferenças, aquela Era viu brotar gente do porte de João Neves da Fontoura e Augusto Meyer, Osvaldo Aranha e Vianna Moog, alguns generais e Raymundo Faoro. Mas e agora, como é que é?
fischer@zerohora.com.br
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8:03 AM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
14/10/2003
Triunfo pedagógico
Recentemente ouvi uma interessante história que aqui vai, em antecipada homenagem ao Dia do Professor.
Aconteceu em Novo Hamburgo, que, como todas as grandes cidades brasileiras, sofre com o problema da violência. Uma professora ia caminhando perto da rodoviária (lugar notoriamente perigoso, segundo me dizem), quando deu de cara com dois jovens assaltantes armados. Um deles de imediato tentou se apossar da bolsa dela. Mas aí, surpreendentemente, foi impedido pelo outro assaltante. Que explicou:
- Essa não. Essa aí foi minha professora.
Agora: a que o leitor atribui este inusitado gesto? Remorso? Súbita crise de consciência? Talvez. Eu prefiro pensar em um triunfo docente. Talvez esse rapaz não tenha sido grande coisa como aluno. Talvez não tenha aprendido quais são os afluentes do Amazonas (os da margem esquerda, ou mesmo os da margem direita).
Talvez ignore como se deve usar a crase. Talvez não saiba que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos (ainda é? No meu tempo, e no tempo de Pitágoras, era). Talvez desconheça o nome dos planetas, o autor de Os Lusíadas, até mesmo a letra do Hino Nacional. Mas este aluno - porque ele se comportou como aluno, não como assaltante - aprendeu uma lição mais importante que todos estes úteis conhecimentos. Ele aprendeu a ser grato. Ele aprendeu a ter respeito por outro ser humano.
Enfim, ele aprendeu aquilo que é o ideal do magistério, e que os antigos resumiam numa frase em latim: Non scholae, sed vitae, não para a escola, e sim para a vida. Que é, ao fim e ao cabo, a grande escola. Nesta época em que os professores não são poupados da violência (e a carta enviada por uma professora ao Sant'Ana é disso muito ilustrativa), este episódio é, até certo ponto, consolador. Envolve um elemento de esperança. Se há coisa que caracteriza o maltratado ofício de ensinar é justamente isso, esperança. Esperança que - espero! - anime todos os professores em seu dia.
scliar@zerohora.com.br
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8:00 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
14/10/2003
Reviravolta no cotidiano
Enquanto fico assistindo às crianças, aos adolescentes e aos jovens das escolas de Morro Reuter apresentarem números de danças no tablado erguido na praça central da cidade, configuro-os como as crianças do tempo da minha infância, na Porto Alegre provinciana de várias décadas atrás, quando não havia a maldição das drogas e as ocorrências policiais na cidade eram a parte excepcional do cotidiano.
Não avaliam por certo os moradores de Morro Reuter a suprema ventura de residirem numa cidade onde estão livres dos assaltos e ainda há empregos para sustentar as suas vidas.
Ou melhor, avaliam bem, porque me disse o prefeito Sabá, de Morro Reuter, que toda vez que eles vêm a Porto Alegre, distante apenas uma hora de carro de lá, logo que chegam à nossa capital são avisados por todos de que devem se cuidar, não usar relógios ou jóias nos pulsos e nos pescoços e cuidarem-se de todo estranho que se aproxima.
Bem como acontece conosco quando vamos ao Rio de Janeiro: "Não ponham mais que R$ 100 nos bolsos, se tiverem relógio ou anel deixem no cofre do hotel, muito cuidado ao se aproximarem de estranhos, esquivem-se de quaisquer abordagens nas ruas".
Eu sempre fico aturdido quando me recomendam que não me aproxime de estranhos numa cidade grande: todos são estranhos numa cidade grande. Não aproximar-se de outras pessoas em uma cidade é praticamente renunciar a andar pela cidade.
Mas é assim que estão as coisas nas grandes cidades e nas cidades próximas às capitais: sair à rua virou uma atitude de risco; à noite, então, nem pensar.
De repente, o Brasil urbano virou um paiol de pólvora social. Não há garantia para ninguém de que não será atacado.
Um ideal de vida que foi acalentado por inúmeras gerações, o de adquirir um sítio para passar os fins de semana ou até morar para sempre, desapareceu de repente do horizonte das pessoas, amedrontadas pelo noticiário insistente de que as habitações rurais vêm sendo assaltadas, com seqüestros freqüentes nesses ataques.
E só para dar uma idéia de que o campo degenerou-se em matéria de segurança pública: em Caxias do Sul, um município não muito característico da pecuária, o furto de gado (abigeato) cresceu em 350% em 2003, na comparação com o mesmo período de 2002.
A crise econômica, indubitavelmente, fez crescer as incidências criminais em todo o país.
Sem emprego e resistindo à falência pessoal, multidões de pessoas se atiram a todos os tipos de furtos e roubos, estimulados por outras multidões que se especializam em receptar as coisas furtadas e roubadas como forma de garantir também a sua sobrevivência.
Os casos de atentado à propriedade crescem de forma geométrica, a polícia resigna-se apenas a registrá-los, afogada pelo imenso caudal das pessoas que não têm como abraçar profissão lícita e descambam para o crime, naturalmente, como se fosse uma qualquer atividade informal.
Numa metástase impressionante, o tráfico de drogas, que antes tinha sua sede nos morros, desceu para as sucursais da zona urbana das cidades: no Rio de Janeiro, metade das drogas apreendidas é já encontrada nos apartamentos.
Os jovens da classe média carioca, pressionados pelo aumento do policiamento nas entradas das favelas, entregam suas mesadas ao vizinho do apartamento do lado, que acuado pelo desemprego tornou-se distribuidor de cocaína ou maconha.
Como todo fenômeno sociocriminal que tinge a paisagem carioca se transfere, em seguida, para os outros Estados, calculemos o que nos espera: a migração das bocas de fumo e de cocaína para o disque-drogas do asfalto.
É de tal ordem o crescimento da criminalidade no Brasil que em pouco tempo o crime estará reservado em nossa sociedade para as pessoas idôneas.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:58 AM
by Cassiano Leonel Drum
América Latina
Convulsão na Bolívia
Manifestantes promovem quebra-quebra nas ruas de La Paz exigindo a renúncia do presidente Sánchez de Lozada (foto Jose Luis Quintana, Reuters/ZH)
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11:09 PM
by Cassiano Leonel Drum
Aproveite
"Quando terminar este projeto
vou poder ser feliz!
Quando isso passar,
vou estar bem!
Quando atingir minha meta
vou relaxar, ficar em paz!¿
Nadar no Oceano é se posicionar,
saber de onde estão vindo as ondas.
Talvez o que a vida está pedindo seja algo
completamente diferente do que você
foi treinado a fazer.
Sucesso no Oceano depende de esforço
e posicionamento.
Pegue a onda precisa.
O objetivo do surfista é aproveitar o percurso,
aproveitar a onda.
O que vier, aproveite.
Não adie sua felicidade.
Angela Stefanelli
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11:03 PM
by Cassiano Leonel Drum
Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia noite.
É minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje.
Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição.
Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício.
Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo.
Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo o que eu queria ou posso ser grato por ter nascido.
Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho.
Posso sentir tédio com o trabalho doméstico ou agradecer a Deus.
Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades
Se as coisas não saíram como planejei posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.
O dia está à minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.
Tudo depende só de mim."
Sorria
Mas não se esconda atrás deste sorriso.
Mostre aquilo que você é. Sem medo.
Existem pessoas que sonham.
Viva. Tente.
Felicidade é o resultado dessa tentativa.
Ame acima de tudo.
Ame a tudo e a todos.
Deles depende a felicidade completa.
Procure o que há de bom em tudo e em todos.
Não faça dos defeitos uma distância e sim, uma aproximação.
Aceite. A vida, as pessoas...
Faça delas a sua razão de viver.
Entenda os que pensam diferentemente de você.
Não os reprove.
Olhe à sua volta, quantos amigos...
você já tornou alguém feliz?
Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?
Não corra... Para que tanta pressa?
Corra apenas para dentro de você.
Sonhe,
mas não transforme esse sonho em fuga.
Acredite! Espere!
Sempre deve haver uma esperança.
Sempre brilhará uma estrela.
Chore! Lute!
Faça aquilo que você gosta. Sinta o que há dentro de você.
Ouça... Escute o que as pessoas têm a lhe dizer.
É importante.
Faça dos obstáculos degraus para aquilo que você acha supremo...
Mas não esqueça daqueles que não conseguiram subir a escada da vida.
Descubra aquilo de bom dentro de você. Procure acima de tudo ser gente.
Eu também vou tentar.
Sou feliz...
Porque você existe!
AUTOR: CHARLIE CHAPLIN
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Segunda-feira, Outubro 13, 2003
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