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Sábado, Novembro 08, 2003




Há muito queria ter trocado o link da Mel, até que hoje tomei jeito e refiz. Claro que a UOL está ganhando em muito com a saida da Mel do Kit Net que perdeu-a pelas suas regras que jamais poderiam ser iguais para clientes desiguais. Imaginem, todos os acessos que a MELGAMA proporcionava, transferiram-se para a UOL.

E para você Mel, sinto só pelo seu trabalho mesmo, porque teus leitores e usuários de seus cartões, sua mensagens e suas figuras fantásticas te seguirão por onde você for.

Bom domingo a todos nós.

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Diogo Mainardi
A revolução do PT

"O governo de Lula lembra A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Só que é uma revolução dos bichos sem revolução. Uma revolução dos bichos posterior à queda do Muro de Berlim. O final é bastante conhecido"

O governo Lula lembra A Revolução dos Bichos, de George Orwell. Só que é uma revolução dos bichos sem revolução. Uma revolução dos bichos posterior à queda do Muro de Berlim. No livro, que é uma parábola anti-stalinista de Orwell, porcos semiletrados libertam os bichos da eterna tirania dos homens e assumem o comando da granja, prometendo igualdade entre os animais. Logo se apropriam de todo o leite, de todas as maçãs e de toda a cevada.

Cachorros adestrados perseguem os opositores do regime. Ovelhas analfabetas repetem mecanicamente os bordões doutrinários criados pelos porcos. Cavalos obedientes trabalham até morrer. Embora sejam incompetentes na administração da granja, os porcos se mostram muito competentes na arte da propaganda e na manutenção do poder.

O governo Lula, neste primeiro ano, também foi incompetente na administração da granja. O que não significa que não tenha tido alguns méritos. O principal deles foi tentar ludibriar a Constituição para diminuir o gasto em saúde. O Brasil tem um tabu: ninguém pode cortar o gasto social. Mesmo quando é ineficiente. Mesmo quando alimenta a roubalheira. Mesmo quando poderia ser mais bem empregado de outras maneiras. Se o dinheiro desperdiçado em maus hospitais fosse aplicado no pagamento da dívida pública, a população miserável sairia ganhando.

As taxas de juro cairiam, favorecendo os investimentos produtivos, geradores de empregos. Se o mesmo dinheiro fosse usado para cortar os impostos da classe média, os miseráveis também se beneficiariam. Porque o crescimento da economia respingaria, ainda que minimamente, sobre eles.

O governo Lula quebrou o tabu e tentou cortar o gasto em saúde. Falta pensar em cortar o gasto em educação, em alimentação, em habitação, em cultura. Falta, igualmente, cortar os gastos administrativos. O governo deveria suprimir ministérios, Estados, municípios e órgãos públicos, mandando um monte de políticos e funcionários para a rua.

Outro mérito de Lula foi denunciar a caixa-preta do Judiciário. Quando ele deu a declaração, muitos comentaristas indignados o acusaram de leviandade. Mas ele não foi leviano. Pelo contrário: sabia perfeitamente do que estava falando. Pelo que VEJA revelou duas semanas atrás, parte do Judiciário foi o cão de guarda do PT, perseguindo seus adversários políticos e acobertando questões espinhosas relacionadas com a prefeitura de Santo André. A mais importante assessora de Lula, na área social, foi casada com o prefeito assassinado de Santo André. Fiel e discreta, ela sempre afirmou desconhecer o esquema de propinas da prefeitura. Agora que o caso foi enterrado pelos cães de guarda do Judiciário, será difícil averiguar sua afirmação.

O final de A Revolução dos Bichos é bastante conhecido. Todos os planos dos porcos fracassam. Eles começam a se vestir como homens. Começam a beber, a fumar e a jogar cartas. Começam a negociar com o inimigo. Até o dia em que fica impossível distinguir quem é homem, quem é porco.

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Universo paralelo
Pacientes de terapia de regressão afirmam ter visto o
espaço entre uma vida e outra. Esses relatos levam espiritualistas, professores, médicos e estudiosos
a se debruçarem sobre o assunto

Relatos mais comuns de quem faz terapia regressiva

Celina Côrtes e Rita Moraes

A possibilidade de vida e morte serem mais do que processos biológicos, a existência da alma e a idéia de viver várias vezes são temas que agitam discussões filosóficas e religiosas desde tempos remotos. Os tibetanos, os egípcios e os hebreus da antiguidade tinham cada um a sua versão para o que acontecia depois da morte.

Em todas as culturas e mitologias, há referências sobre essas questões que sempre permearam a busca de identidade do ser humano. O assunto polêmico também agita o meio científico. Muitos estudiosos se dedicam a desvendar em laboratório o misterioso mundo do além. No final de outubro, cientistas e religiosos se reuniram em Brasília no congresso Discutindo a Morte e a Vida após Ela, organizado pela Legião da Boa Vontade (LBV). Em pauta, estudos e análises de físicos e matemáticos
de possíveis evidências registradas a esse respeito, como as visões descritas por pacientes em estado terminal, de quase morte ou coma.

Há uma tese que diz que são alucinações geradas pela falta de oxigênio no cérebro. O problema é que existem apenas evidências e não provas desses fenômenos. E eles podem ter explicações alternativas apesar de se repetirem da mesma forma em vários lugares do mundo, diz Waldyr Rodrigues, professor da Unicamp, matemático e doutor em física pela Universidade de Torino, na Itália, um dos palestrantes do congresso.

O professor lembra, no entanto, que as verdades científicas são às vezes efêmeras ¿ o que é absolutamente certo hoje pode deixar
de ser amanhã. Muitas teorias são aceitas sem uma rigorosa avaliação só por virem de profissionais de prestígio. Ouvimos recentemente a tese de que o universo seria finito e teria a forma de dodecaedro. A topologia do universo é também uma coisa que não se pode provar, apenas deduzir. Por isso, erra quem diz que só acredita no que a ciência pode mostrar, afirma ele. A contribuição dos espiritualistas passa pela busca de formas contundentes para a aceitação do transcendental, como a gravação de vozes e até de imagens de espíritos.

Mas, enquanto os religiosos e os cientistas tentam ¿apalpar¿ esse mundo imaterial, outros querem é saber o que é que se faz por lá. Há cerca de 40 anos, em alguns consultórios de psicologia o assunto passou a ser considerado aceitável devido aos relatos de pacientes submetidos à terapia de vidas ou vivências passadas. No tratamento, eles são levados, por indução hipnótica ou relaxamento, a reviver memórias traumáticas de supostas reencarnações. Um vasto campo de pesquisas foi aberto pela menção da experiência em vários corpos e, passada a primeira fase de perplexidade, surgiu o interesse pelo que chamam de entrevidas período entre uma encarnação e outra. Se o ser humano vive várias vidas, o que faz entre uma e outra?

Segundo os pacientes, se prepara para a nova empreitada na Terra. Muitos são levados a hospitais, outros a centros de recuperação e estudos. Eles descrevem com riqueza de detalhes os estados emocionais, conflitos e encontros com familiares ou seres mais evoluídos. O estágio no além foi um dos temas abordados no Primeiro Congresso Mundial de Terapia Regressiva, realizado na Holanda em junho, que reuniu 230 representantes de associações e institutos de terapia de regressão de vários países. E sobre essa etapa espiritual também versa o recém-lançado livro Nascer, morrer, renascer (Editora Record, 240 páginas, R$ 36), da terapeuta carioca Célia Resende, 51 anos, que traz relatos de sete pacientes.



Alexandre afirma ter sido atendido num hospital

Evolução No congresso europeu, o tema foi proposto pela psicóloga americana Linda Backman, 56 anos, que trabalha há nove com terapia de vidas passadas e há dois com o entrevidas. A psicóloga pesquisou pormenores desse período, pedindo a seus pacientes que observassem, por exemplo, como se viam. E a novidade apresentada é que a evolução da alma pode ser aferida por sua cor. As mais evoluídas vão do azul ao púrpura, afirma. No consultório da terapeuta carioca Célia Resende, acessar o entrevidas não é uma regra. Alguns pacientes vão de uma vida para outra sem mencionar esse intervalo. Mas ela explica que a vida e a morte tanto quanto esse período fazem parte de uma consciência global. A vida atual, as passadas e o entrevidas são apenas etapas de experiências da consciência, alma ou espírito, sugere.

Em seu livro, aparece uma visão detalhada do além. De acordo com o relato de seus pacientes, há locais de natureza exuberante e prédios com equipamentos médicos e de comunicação altamente sofisticados. Eles falam de avançadas máquinas usadas na cura e regressão de memória aplicada para ajudar no autoconhecimento que antecede cada reencarnação, explica. As cidades espirituais possuem estações de transição e hospitais para acolhimento dos que chegam, situadas sobre diversas regiões do planeta.

Há também o que denomina de Centro de Pesquisas da Consciência, onde o espírito vê projetados em uma tela os fatos traumáticos de encarnações anteriores. Os orientadores também ajudam a visualizar mentalmente, como fazem os terapeutas de vidas passadas, esclarece.

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Gustavo Franco

Precariedade tributária

"Melhor não confundir informalidade com ilegalidade, sendo esse um pequeno tributo que o vício paga à virtude"

Os economistas de esquerda usam muito a expressão "precariedade" para se referir às relações de trabalho que não estão totalmente de acordo com as leis trabalhistas: carteira assinada, encargos, benefícios, garantias e formalidades atendidas. À precariedade levada ao limite se dá o nome de "informalidade", uma distorção antiga e conhecida no mundo do trabalho e decorrente, como é bem sabido, do alto custo do emprego dito formal quando visto do ponto de vista dos empregadores.

Tenho certeza de que isso não é novidade para o leitor. O que é menos observado é que o mesmo fenômeno vem ocorrendo crescentemente no tocante a tributos.

Com a passagem do tempo, nosso sistema tributário adquiriu tal complexidade, e tamanho peso, especialmente quando se trata de impostos sobre o faturamento, que aumenta a cada "pacote" o tamanho da "precariedade" tributária. Mais e mais empresas, especialmente pequenas e médias, desistem ou não conseguem mais manter uma vida tributária livre de alguma "precariedade" e, em grau variável, experimentam o que já foi descrito pelo economista Pedro Bodin como uma "favelização tributária"¹.

Tudo começa com uma empresa sem fôlego, ou iniciante, que faz um "puxadinho tributário" aqui, outro lá, seja porque errou, seja porque estava necessitada, seja porque um pacote tributário a pegou de través, e, como a concorrência faz igual ou pior, percebe que não há condição de competir e simultaneamente manter comportamento exemplar diante do Fisco. O casebre vira barraco, que logo traz outro e mais outro, e subitamente se criou uma favelinha, uma pequena comunidade "precária", na verdade muitas delas, em toda parte.

Parece reproduzir-se no mundo dos tributos o mesmo que se passa no mundo do trabalho: um setor "formal", integrado por poucas e grandes empresas com capacidade para viver em paz com o Fisco, pois têm a escala para suportar os custos fixos elevados de sua "administração tributária", e o resto, a imensa maioria, congregando empresas que, em grau variável, têm "pendências", dificuldades, má vontade, ou que, depois do primeiro erro, não conseguem mais retornar à virtude em matéria de impostos.

O fato é que essa situação estaria a indicar que algo de muito errado se passa com nosso sistema tributário.

No mundo do trabalho, a precariedade é amplamente tolerada, inclusive admitida explicitamente em estatísticas do IBGE que nos dizem que mais de um terço do emprego é "informal" e outro tanto é "por conta própria", ou seja, uns 60% de "trabalho precário", proporção que é muito maior no setor de serviços, em que está a maior parte do emprego.

No mundo do trabalho, o poder público tem pouca capacidade de interferir quando as partes concordam em constituir uma relação de trabalho "precária". Ambas fazem economia, o trabalhador abre mão de direitos e recebe um emprego que de outra forma não existiria, e os encargos não são pagos. Se o governo interferir, vai multar a empresa, gerar um problema na Justiça do Trabalho e destruir postos de trabalho. Melhor não confundir informalidade com ilegalidade, sendo esse um pequeno tributo que o vício paga à virtude.

No mundo dos tributos, o poder público é bem mais diretamente prejudicado quando se constituem relações "precárias" no setor privado, pois a resultante é perda de arrecadação. O Fisco não pode deixar de interferir e, ao fazê-lo, praticamente extingue as empresas transgressoras. A pequena empresa informal e lucrativa precisa ficar "abaixo do radar" e está condenada a não crescer, porque se o fizer se tornará visível e vulnerável. Cresce a favela e desaparece a média empresa.

O sistema precisaria caminhar para uma simplificação não menos que brutal, mudar sua natureza, mas infelizmente não é essa a filosofia da chamada "reforma tributária", e menos ainda do "pacote" mais recente, que modificou a Cofins, que avança de forma notável no sentido de favelizar o setor de serviços, em que estão dois terços do emprego.

¹"Favelização da indústria", O Estado de S. Paulo, 2/5/03.

Gustavo Franco é economista da PUC-RJ e ex-presidente do Banco Central
(gfranco@palavra.com ¿ www.gfranco.com.br

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Buemba! Droga é não transar com a Luana!

Buemba! Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Luana Piovani gera polenta! Por sua declaração: "Eu fumo maconha". E daí? E daí que o Ministério Público quer pegar a Luana por apologia às drogas. E a defesa do Corinthians? Apologia às drogas é a defesa do Timão! E um leitor me disse que droga á não poder comer a Luana!

E, se fosse na Jamaica, não ia dar babado nenhum. E, se fosse na Holanda, a declaração bombástica seria: "Eu não fumo maconha". E um outro me disse que, se a Luana for presa, ele se apresenta como carcereiro. Vai ter fila! Onde pega a senha? E um outro ainda disse que a Luana devia pegar pena domiciliar. Na casa dele! E quem diz que ela faz apologia às drogas tá fazendo apologia à hipocrisia. Moral de jegue!

Com tanto juiz corrupto, delegado roubando, delegacia sendo metralhada, querem pegar justo a Luana? Sobrou pra Luana. Aliás, a Luana deu uma de Zagallo: "Foi tudo um mal-entendido, vocês vão ter que me engolir". Engulo com o maior prazer, mas daria pra ela parar de pintar o cabelo, que eu sou alérgico a Loreal?

E uma leitora me disse que a Luana não deu uma bola. Pisou na bola! E a Turma do Casseta sempre diz que o único efeito colateral da maconha é quando a polícia chega! E aí uma amiga minha perguntou pro filho: "Você tá fumando maconha?". "Não lembro." Aliás, diz que a camiseta mais vendida na Holanda é: "Visitei Amsterdã e me lembro vagamente!".

Sampa pra lá de Bagdá! Bagurança Pública! E, quando os jornais publicaram que os presos estão exigindo até hidratante, tocou a campainha do presídio: "Quem é?". "A moça da Avon." Rarará! Avon chama PCC! E o Zé Scafi de Piracicaba me contou que o Bush ameaçou a tropa: "Se vocês não pegarem o Saddam, vou mandar todos pra São Paulo". E a tropa: "São Paulo não, pelo amor de Deus! Prefiro a Coréia! É Síria ou é sério?". É mole? É mole, mas sobe!

Antitucanês, a Missão. Continuo com a minha cruzada Morte ao Tucanês. E acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que em Belo Horizonte tem o salão Caio Cabelos. Deve ser pra deixar mineiro careca. E, no Guarujá, tem um bloco carnavalesco da terceira idade: Bloco da Rôla Cansada! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Alka-Seltzer": farmacêutico que apóia a Alca. "Diabetes": dançarinas do demônio. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã.

simao@uol.com.br

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Literatura
Amanda ouve estrelas
Astróloga porto-alegrense lança hoje o livro "O Cosmos e Você"

Hoje, dia 8 de novembro, a configuração do céu apresenta-se bastante harmoniosa, a lua é cheia, o período está energeticamente positivo, as pessoas mostram-se receptivas. Por isso Amanda Costa escolheu a data para o lançamento de seu primeiro livro, Astrologia - O Cosmos e Você (RBS Publicações, 174 páginas, R$ 27,90 para assinantes de ZH e R$ 39,90 para o público em geral, sem o desconto), que tem sessão de autógrafos no Pavilhão central a partir das 19h (o horário ideal indicado pelos astros era 19h30min, mas a Feira só trabalha com horas cheias, fazer o quê?).

A astróloga, aos 43 anos, condensou na obra o conhecimento de 25 anos dedicados ao tema. Didático, O Cosmos e Você parte de um breve histórico da astrologia e tem um dicionário que permite definições para "verbos zodiacais", as dúvidas mais freqüentes, uma tabela para descobrir o ascendente, as combinações amorosas entre os signos, o movimento dos astros.

- O objetivo é atender não só o iniciante como a pessoa que já gosta do assunto. Não ofende quem tem algum conhecimento mas dá bastante subsídios para quem vem a zero - explica a autora, geminiana de Porto Alegre.

Amanda é criteriosa - a elaboração de cada um dos horóscopos no formato em que são publicados diariamente no jornal consome quatro horas. Em um dia, nem sempre há tempo para concluir dois. O livro foi elaborado a partir de dezembro do ano passado, e a prova final saiu neste mês. Também hoje deve entrar no ar o site www.amandacosta.com.br. O horário, até ontem à noite, dependia de mais observações do céu para ser estipulado.

Entre as seções da página, estarão O Céu do Mês, mostrando as configurações de cada mês e em que signos estão os astros, e Na Veneta, espaço para textos da Amanda Costa escritora: contos, crônicas e poemas. Será mais um canal de comunicação com os leitores, responsáveis por uma média de 400 e-mails diários abarrotando a caixa postal da astróloga.

- Cerca de 90% das mensagens são do campo afetivo. Contam tudo, desde os problemas que têm, a dúvida se ele vai voltar, se tem uma fórmula para trazer a pessoa, combinações - conta.

Autógrafos
Hoje, às 19h

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Laura (de camisa rosa), com os filhos Francisco e Alice, propôs uma parceria a Martha (de blusa listrada), com as filhas Júlia e Laura
Foto(s): Adriana Franciosi/ZH


Esta crônica não é da Martha, mas é sobre ela, feita pela Patricia Rocha, retrata o que é a Martha Medeiros e seu primeiro trabalho para o público infantil ao qual eu também me incluo: afinal a minha criança continua aqui muito bem obrigado.

Literatura
Elogio da esquisitice
Martha Medeiros e Laura Castilhos lançam hoje "Esquisita como Eu"
PATRÍCIA ROCHA

O primeiro livro infantil de Martha Medeiros nasceu da combinação de um e-mail com um desenho estranho. Foi uma estréia diferente, bem como faria a personagem de Esquisita como Eu (Projeto, R$ 25), que será autografado hoje, às 18h, na Feira do Livro.

Primeiro veio o e-mail: em abril, Martha estava trabalhando em casa, quando chegou a mensagem da artista plástica Laura Castilhos com um convite sem rodeios:

- Quer fazer um livro infantil comigo?

Até aquela tarde, a escritora nunca tinha conversado com Laura ou cogitado escrever para crianças. Achou a proposta interessante, mas respondeu que a procuraria só quando (e se) a inspiração viesse. Quase dois meses depois, a filha caçula de Martha, Laura, sete anos, desenhou uma boneca esquisita e mostrou para mãe:

- Olha, esquisita como eu.

- Esquisita como tu por quê?

- Por que eu gosto de umas coisas de que os outros não gostam.

Estava ali a idéia - e o título - do primeiro livro infantil da cronista, poeta e romancista gaúcha. Martha escreveu um poema rimado para falar exatamente disso: as esquisitices de cada um. Algo como fingir que chora ou comer "sanduíche de banana com presunto e queijo".

- Lembrei de várias crianças, como a filha de uma amiga que só usava calça em aniversários - conta Martha.

O resultado de tantas esquisitices foi um livro para se divertir e até se sentir mais à vontade com as próprias manias - e as dos outros. Esquisito mesmo é não ter mania nenhuma ou implicar demais com as estranhezas alheias.

- Se há uma mensagem no livro é "se habitue a ser você mesmo desde pequeno" - anuncia a autora.

Martha é a mesma de sempre, em versão para crianças. Está lá a conhecida fluência de texto, o tom despojado e os gostos e opiniões assumidos, sem fazer caso se todos vão concordar ou não. Tudo com graça, rimas e muitos motivos para as crianças se identificarem: "Minha irmã falou que vim dentro de um ovo de Páscoa. / Meu irmão, que me deram como lembrancinha do McLanche Feliz. / Eu sei que é implicância, que foi minha mãe que me quis".

- Até hoje, só tinha escrito para adultos, quero saber se o poema vai funcionar, qual faixa etária vai se interessar. Tenho intuição de que é de a turma entre sete e 11 anos - especula Martha.

Hoje, a autora poderá encontrar a resposta na sessão de autógrafos, no Pavilhão Central. Ao lado dela, estará Laura Castilhos, que deu início a toda essa esquisitice.

- O livro é mais da Laura do que meu. Me considero uma convidada especial.

A co-autoria de Laura é indiscutível. Basta olhar o livro de relance para reconhecer seu traço - já visto em títulos como A Família Sujo, de Gustavo Finkler. Para Esquisita como Eu, Laura confeccionou bonecos com técnicas de papelagem e desenhos com relevo e colagens, que foram posteriormente fotografados, para dar idéia de volume. Martha fez parte desse processo, opinando sobre os primeiros esboços da artista plástica.

- Foi um livro em parceria. Acompanho o trabalho de Martha e quis fazer essa proposta inusitada - conta Laura.

Se a parceria vai se repetir, as duas não sabem responder. Martha afirma nunca ter planejado investir no mercado infantil. Para ela, Esquisita como Eu é "uma aventura":

- Seria precipitação pensar num segundo livro infantil.

Mas como a escritora não costuma fechar portas, talvez surja um outro convite inusitado até a próxima Feira do Livro.

Autógrafos
Hoje, às 18h

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Lya Luft
08/11/2003


Mafalda

Sei que tudo passa, também o choque da morte, e com o tempo os mortos amados começam a viver em nós a sua nova vida. Mesmo assim, esta é a crônica que eu não queria escrever.

Para todos nós que a amávamos e curtíamos, Mafalda era imortal. Estava decretado assim porque a gente gostava dela e ela da gente; porque as tardes de domingo sem ela nunca mais serão as mesmas; porque os telefonemas que trocávamos ficarão calados, e seus olhos azuis, sua deliciosa língua ferina, sua graça, sua compreensão, sua amizade, ficarão para sempre machucando - e iluminando - a memória nossa.

Quando a conheci, eu tinha pouco mais de 20 anos, e por razões pessoais tinha saltado uma geração: meus novos amigos eram os Verissimo, os Rosenblatt, os Reverbel. Eu ficava sentada numa banquetinha baixa junto da poltrona de Erico, escutando, numa timidez enorme. Nunca esquecerei a generosidade com que me tratavam. Nunca esquecerei os olhos deles pousando em mim, divertidos, como a dizer: não tenha medo, afinal somos todos iguais, é tudo gente.

Mafalda, por alguma razão, naquele tempo me intimidava. Porém seu papel na cumplicidade do casal me conquistou. Havia ali muito afeto, e aquela chispa de carinhoso bom-humor com que contornavam a ameaça permanente da saúde frágil dele. Quando Erico morreu, Mafalda desapareceu em seu quarto por longos meses. Todos andavam na ponta dos pés respeitando aquela dor. Depois ela ressurgiu e nunca foi tão humana.

A cada ano, Mafalda crescia internamente, abria janelas e mais janelas de afeto e interesse para todos os lados. Foi um pouco minha mãe substituta, quando a noite da enfermidade obscureceu pensamento e emoções de minha mãe real.

A gente não a visitava por ser uma velha dama solitária, mas porque nós é que precisávamos da sua alegria, do seu estímulo. Mafalda foi (foi, não: ela é!!!) a maior prova de que a velhice pode ser agregadora e bem-humorada, interessante porque interessada. A passagem do tempo não precisa deteriorar, mas expandir e refinar. Mafalda era assim.

Seja como for, a gente se consola pensando que ela continua aqui, nas memórias comoventes ou engraçadas de todos nós e na sua família, da qual sentia um indisfarçado orgulho.

Minha comadre certamente não aprovaria o encerramento da coluna de hoje, mas paciência, aqui vai: por que andamos nos portando tão estranhamente em velórios, falando alto e até dando risadas como se fosse um happening ou um churrasco de fundo de quintal?

lya.luft@zerohora.com.br

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Nei Lisboa
08/11/2003


Autógrafos

Autor puxou a caneta do bolso, pronto para iniciar. O nome era esse mesmo, ainda que o abominasse, sujeito desde pequeno a apelidos do tipo "Autorama". Mas, como na lista do Scliar de nomes que forjam destinos, tornara-se escritor. E era um sucesso. A enorme fila da sessão de autógrafos dava conta do trabalho que teria pela frente, ainda mais se o primeiro a anunciar-se para a dedicatória já parecia disposto a um arremedo.

- Prefácio. Não, não estou brincando. Você bem sabe quem eu sou. Estou em todos os seus livros. Tecendo elogios ao estilo. Glorificando sua contribuição para a literatura. E dourando, encobrindo, mentindo, em suma, enquanto você se deleita com os louros e as benesses da fama. Eu praticamente inventei você, sem receber nada por isso. Agora cansei.

Era chocante, mas verdadeiro. Seus livros eram sempre generosamente prefaciados, não raro de uma forma que ele próprio admitiria exagerada. Mas não tinha tempo para autocríticas, com a fila se avolumando. Que o outro dissesse o que queria, e rápido.

- Vinte por cento do próximo livro.

Vinte por cento da vendagem? Ele que tentasse receber tal coisa de uma editora. Uma que publicasse livros só com o prefácio.

- Não é dinheiro. Vinte por cento do espaço. Quarenta páginas está bom. Em itálicos. Papel pólen.

Ora, ora. Tinha criado manias. Restava notificá-lo de que o próximo livro não teria prefácio, e esclarecer um detalhe: o que ele sonhava escrever nas suas quarenta páginas?

- O de sempre. Que você é brilhante, genial, carismático, insuperável, candidato ao Nobel.

- Então pode ir andando - disse-lhe -, que disso já tenho o suficiente. Veja, você se tornou supérfluo justamente ao me afirmar imprescindível. Provou sua inutilidade com os mesmos exatos argumentos com que me declarava essencial. E agora para nada serve além de atrasar o encontro entre eu e meus leitores.

E sinalizou aos seguranças que levassem dali o reclamante, tinha mais o que fazer, inclusive descobrir que o próximo da fila se chamava Sumário e que aquela seria uma longa e inesquecível sessão de autógrafos.

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Paulo Sant'ana
08/11/2003


Sempre o dinheiro

Fico pensando de modo fixo no que leva um homem a assassinar 48 mulheres em 10 anos, desafiando a argúcia da polícia e os seus próprios nervos.

É o caso do pintor de carros norte-americano Gary Ridgway, de 54 anos, que será julgado em breve, já estando acertado que pegará prisão perpétua. Mediante um acordo com a Justiça de Seattle, Washington, ele confessou todos os detalhes dos assassinatos para fugir à pena de morte.

Ele liquidou as 48 mulheres, quase todas elas prostitutas, depois de praticar sexo com elas. Suas razões: "Matei-as porque odeio prostitutas e porque não queria pagar para fazer sexo".

Prefiro acreditar na prevalência do segundo motivo, o econômico. Está comprovado que ele praticava sexo com sua vítimas, tanto que só foi apanhado depois que um mandado para recolher sua saliva foi cumprido, quando o DNA do seu cuspo foi comparado com o esperma encontrado nos corpos de três vítimas, constatando-se a coincidência.

Evidentemente que estou me aventurando a uma especulação psicanalítica, mas o nó górdio que desatou a fúria assassina de 48 mulheres foi a exigência de pagamento das prostitutas, depois da sessão de sexo.

Tomado de megalomania, o assassino considerava que nada devia às vítimas que possuía sexualmente.

Considerava ser titular do direito de fazer amor sem qualquer cobrança em dinheiro.

Ele declarou que odiava as prostitutas e não queria pagá-las. Isto é, só odiava porque elas exigiam pagamento. Antes do pagamento, tanto não as odiava que completava o sexo com elas.

Na hora de pagar, as estrangulava, dentro do seu caminhão ou da sua casa.

Sentia-se visivelmente inferiorizado, diminuído, ofendido, porque tinha de pagá-las. Isso feria a sua estima.

Agredido pela superioridade das prostitutas, que só consentiam no sexo porque exigiam o pagamento, matava-as para ele afirmar-se definitivamente superior a elas, como dono plenipotenciário de suas vítimas.

Assim de longe, analisando o caso deste homem que está sendo considerado "o maior assassino da América", me atrevo a levantar a hipótese de que, caso uma ou mais prostitutas tenham concordado em não receber dinheiro em troca do sexo, ele não as matou.

Porque seu ego só ficava engrandecido quando se sentia capaz de satisfazer sexualmente uma mulher sem ser cobrado.

Talvez que essa minha tese de que essa série inédita de assassinatos cometidos por um só homem tenha como pretexto primal o de livrar-se da prestação financeira pelo sexo (o que é afinal confessado parcialmente por ele) tenha sido influenciada por uma anedota que correu aqui em Porto Alegre nos últimos dias.

Um homem, muito avarento, daqueles que não gostam de pagar nem cafezinho, procurou uma prostituta e perguntou-lhe:

- Quanto custa o programa?

- Cem reais.

- E com sadomasoquismo?

- O senhor gosta de bater ou de apanhar?

- Gosto de bater.

- E vai bater muito?

- Vou bater até tu me devolveres o dinheiro.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Já é Natal em novembro



Decoração natalina aparece cada vez mais cedo no Estado, como no parque Cascata Luz, em Pelotas (foto Nauro Júnior/ZH)


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Sexta-feira, Novembro 07, 2003




O Laço e o Abraço

Meu Deus!!! Como é engraçado!...
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço...
Uma fita dando voltas? Se enrosca...
Mas não se embola , vira, revira, circula e pronto: está dado o abraço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.

É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em
qualquer coisa onde o
faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando
devagarinho, desmancha,
desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E na fita que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então é assim o amor, a amizade. Tudo que é sentimento? Como um
pedaço de fita?
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora,
deixando livre as duas
bandas do laço.

Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz - romperam-se os laços.-
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum
pedaço.

Então o amor é isso...
Não prende, não escraviza, não aperta, não sufoca.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço.

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Não fossem as filas nos corredores de todos os hospitais brasileiros... A marcação de consultas para dqui a um ano, quando o paciente já melhorou ou até faleceu... e as filas nas farmácias comunitárias, de todas as capitais, de pacientes em busca de remédios, nós até poderíamos estar sendo solidários com nosso irmãos africanos. Mas assim, na minha opiniao, é um pouco demagógica esta viagem e estas ofertas...Uma ótima sexta-feira e um final de semana super feliz a todos nós...

Lula oferece mais ajuda a africanos
Presidente propõe em Moçambique uma aliança na guerra contra a Aids



Na Namíbia, Lula conheceu a residência oficial do presidente Sam Nujoma

MAPUTO E WINDHOEK - Antes de deixar ontem Moçambique, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu ao presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, uma aliança na ¿guerra duradoura¿ contra a Aids. Lula visitou o Hospital Central de Maputo, onde entregou medicamentos doados pelo Brasil para o tratamento de cem pacientes com a doença. Moçambique é um dos países que mais concentram casos de Aids no mundo, com 1,8 milhão de adultos contagiados.

É uma guerra, eu diria, prolongada, porque ainda não conseguimos a vacina. É uma guerra em que se precisa de muita educação, muita informação. E as pessoas têm que estar muito convencidas de que, antes de pegar o vírus, elas são as únicas responsáveis para evitar que o vírus penetre no seu sangue¿, disse Lula.

O presidente elogiou a política de combate à Aids feita nos últimos 20 anos pelos governos brasileiros e disse que era uma obrigação do Brasil levar sua experiência a outros países. Ele convidou o colega moçambicano a enfrentarem juntos a briga contra o vírus.

Lula promete empenho para construir fábrica de remédio

Nós vamos fazer esforço para arrumar parceiros e construirmos aqui uma fábrica que possa produzir os remédios necessários para fazer o coquetel, que tem diminuído muito a mortalidade no meu País e, certamente, vai diminuir aqui também. Isso é uma coisa urgente, afirmou.

Ao se referir aos custos da fábrica para produção de medicamentos para enfrentar a Aids, Lula disse que recebeu informações do ministro da Saúde, Humberto Costa, de que deve custar aproximadamente US$ 23 milhões. Não estamos falando em nenhuma quantia absurda, ressaltou.

Ainda em Moçambique, o presidente brasileiro se encontrou com o líder da oposição Afonso Dhlakama, que pediu conselhos sobre como vencer uma eleição depois de seqüência de derrotas. Sinto-me como um doente que foi se encontrar com alguém que já teve a doença, declarou.

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Luana: indiciamento e muita polêmica
MP determina abertura de inquérito para que a atriz seja investigada por tráfico e apologia ao crime. Opiniões sobre suas declarações se dividem

O Ministério Público determinou ontem que a Polícia Civil abra inquérito para investigar Luana Piovani por tráfico e apologia ao uso de drogas. A decisão foi motivada pelas declarações feitas pela atriz, em entrevista ao jornal O Tempo, em que afirmou que fuma maconha de vez em quando para relaxar. Enquanto as autoridades estão de olho em Luana, a confidência da musa gera polêmica entre famosos e pelas ruas. A maioria das personalidades ouvidas pelo DIA absolveu o comportamento da loura. Já nas ruas, a opinião mais comum era a de que a atriz errou.

Entre os famosos que defenderam a atitude de Luana, está a também atriz Maria Padilha. Não se sabe direito quais os efeitos da maconha, mas quem fuma pelo menos não provoca acidentes, como quem consome álcool, disse. O deputado federal Fernando Gabeira (sem partido) também ficou ao lado da loura: Dois pré-candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos (Howard Dean e John Kerry) declararam que já fumaram maconha.

Então, por que ela não pode? Se ela fosse candidata, meu voto seria dela, com certeza. Outra que fez coro com os que apóiam a bela foi a apresentadora de televisão Sônia Francine, a Soninha, demitida da TV Cultura depois de também declarar que fumava maconha, em novembro de 2001.

Mas há quem ache que Luana derrapou e que suas declarações podem influenciar negativamente o comportamento dos jovens, como é o caso do ator Carlos Vereza: Não acho que uma pessoa com exposição tenha que ser santa, que ande levitando por aí. Mas é preciso ter cautela. Sobretudo quem atinge adolescentes.[TEXTO] Assim como Vereza, a cantora Nana Caymmi também condenou a atriz. Essas declarações são sempre infelizes, afirmou.

Opiniões diferentes até entre especialistas

A polêmica chegou também a profissionais que lidam com o tema drogas. Para a psicóloga Roseana Ribeiro, supervisora do Conselho Estadual Antidrogas, as declarações são mau exemplo: A maconha é droga ilícita. Depois, reclamam da violência. Ninguém pára de usar quando pode, mas quando consegue. Esse tipo de opinião pode levar muita gente a ter recaída. Ao contrário da psicóloga, o ex-secretário Nacional Antidrogas Walter Maierovitch, juiz aposentado, defende a atriz.

Mera opinião não é apologia ao crime. O uso de drogas é uma questão de saúde pública, analisou. Entretanto, para outros especialistas no assunto, como a diretora do Núcleo de Estudo e Pesquisa em Atenção ao Usuário de Drogas, Maria Thereza de Aquino, as declarações de Luana podem influenciar adolescentes. Isso pode causar estragos na vida de jovens, atacou.

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Buemba! Sampa já tá pra lá de Bagdá!


Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa. Ops, direto do país da piada pronta; Eurico reeleito presidente do Vasco. Aquela almôndega suada. Ele não parece uma almôndega suada? E esta manchete aqui: "Eurico vence disputa com Dinamite". Só que não foi com dinamite, foi com morto.

Até morto votou, até o Ademar Ferreira da Silva. Isso é que é ser fiel ao Eurico: morre, mas continua votando. Bombando em Sampa! O PCC, Primeiro Comando da Capital, continua detonando. E o Ciro Botelho disse que o Alckmin Picolé de Chuchu pertence ao SCC. Segundo Comando da Capital! E o lema da polícia paulista não é mais "para servir e proteger", agora é "para fugir e se esconder". E diz que em Sampa morre mais gente do que em Bagdá. Então já estamos pra lá de Bagdá!

E já sabemos como é o celular do PCC: "Obrigado pela ligação. Se quiser falar com o Julio Carambola, tecle 1. Se quiser falar com o Gulu, tecle 2. Informações para metralhar bases, tecle 3. Venda de habeas corpus, tecle 4". É o Call Center do PCC. E eu sou do tempo em que preso se comunicava com toc toc na grade. E eu sou do tempo em que PCC queria dizer Partido Comunista Chinês! E eu prefiro ter o meu nome no PCC do que no SPC!

LULINHAS AÉREAS! E diz que o casal tá viajando tanto que o Lula perguntou pra dona Marisa: "Galega, onde você quer passar o Natal?". "Num lugar distante, diferente, alegre e exótico." "Já sei, BRASIL!" E eu sou do tempo em que presidente não podia ter medo de trabalhar; agora presidente não pode ter medo de avião. Pior o FHC Boca de Sovaco, que não tinha medo de avião, mas morria de medo de trabalhar. Rarará!

E pegaram o filho do Gaddafi no antidoping. Encontraram arma química no xixi do cara. E cresce o número de moradores de rua em Sampa. E vai ter rua pra todo mundo? E em Osasco tem um time de futebol feminino com duas superatacantes: Maratona e Baratona.

Antitucanês, a Missão. Continuo com a minha cruzada Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que em Campinas tem uma clínica veterinária chamada NOSTRATAMUS! E no Ceará tem o motel Recanto da Chibata, onde o pau troa! Rarará! Mais direto impossível! Viva o antitucanês! Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Alcachofra": verdureiro que apóia a Alca. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! Na canja!

simao@uol.com.br

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Literatura
Volta ao Mundo sem sair da Praça
CARLOS ANDRÉ MOREIRA E LARISSA ROSO


Uma volta em torno da Praça da Alfândega pode ser um giro pela literatura de dezenas de países. Em qualquer banca, ao alcance da mão (mas, às vezes, esbarrando no orçamento), está um clássico, um livro daquele autor conhecido, o original que inspirou o filme, o Nobel do ano. Difícil é conseguir contemplar com a dedicação devida tamanha diversidade - da Angola de José E. Agualuza à República Checa de Milan Kundera, todos os continentes têm seus representantes. Boa viagem.

Argentina

A viagem começa pela vizinha Argentina, que tem até um estande próprio na Área Internacional, onde podem ser encontrados, no original, Cuentos Memorables (Punto de Lectura) e diversos outros títulos de Jorge Luis Borges. Roberto Arlt comparece com Os Sete Loucos (Iluminuras) e Julio Cortázar, O Jogo da Amarelinha (Civilização Brasileira), nas demais bancas da praça.

Cuba

Subindo em direção ao Caribe, Guillermo Cabrera Infante representa os cubanos com o lançamento Fumaça Pura (Bertrand Brasil), um bem-humorado guia em defesa do tabaco, produto principal da ilha. Pedro Juan Gutiérrez, que esteve na Feira em 2002, tem seus principais títulos: O Rei de Havana, Trilogia Suja de Havana e Animal Tropical (Cia. das Letras).

EUA

Susan Sontag, com o romance histórico Na América (Cia. das Letras), é uma das escritoras incluída na promoção da Benes, com livros novos a R$ 10, e representa a farta produção americana. Há ainda Charles Bukowski (que teve os dois volumes de Ereções, Ejaculações e Exibicionismos reeditados pela L&PM) e J.D. Salinger e seu O Apanhador no Campo de Centeio (Editora do Autor).

Japão

Cruzando o Pacífico, surge o Japão de Junichiro Tanizaki, cuja obra enfoca o choque do Oriente com a ocidentalização de seus costumes. Dele, pode-se ler Há quem Prefira Urtigas (Companhia das Letras) e Diário de um Velho Louco (Estação Liberdade). Yukio Mishima aparece com Mar Inquieto (Companhia das Letras) e edições antigas da Brasiliense para Cavalo Selvagem e Neve de Primavera.

Austrália

O recente O Livro dos Peixes de William Gould, do jovem talento australiano Richard Flanagan, editado pela Companhia das Letras, cumpre o papel de porto para a Oceania em nossa travessia literária. Baseado nos relatos de um personagem real, o livro é um romance histórico denunciando toda a opressão colonial nas selvagens terras da Austrália, no século 19.

Israel

Da Austrália, pulamos para o conturbado Estado de Israel, a bordo de Fima (Companhia das Letras), do maior romancista israelense vivo, o pacifista Amós Oz. O romance é um retrato amargo de um poeta que, na velhice, relembra seus anos de juventude e os generosos sonhos perdidos. Para continuar a leitura: O Mesmo Mar, Meu Michel e A Caixa Preta.

Moçambique

Do Oriente Médio, viajamos para a África de colonização portuguesa e seus muitos escritores pouco conhecidos no Brasil. O moçambicano Mia Couto é um deles - e um dos mais talentosos. Seus livros editados pela Caminho, entre eles Vozes Anoitecidas e Contos do Nascer da Terra, podem ser encontrados na banca do Instituto Brasil-África, entre os representantes internacionais.

Itália

Da África, chegamos ao Velho Mundo usando a Itália como porta de entrada. O país também conta com um estande próprio na Feira do Livro, onde pode-se encontrar, no original, obras de Italo Calvino, como as Lezioni Americane (Mondadori), ou de Umberto Eco, com os romances Baudolino e Il Nombre de la Rosa (Bompiani).

Rússia

Nosso destino agora são as melancólicas estepes geladas da terra de Dostoiéwski (com toda sua obra recentemente reeditada pela 34, incluindo Crime e Castigo), do mestre contista Anton Tchekhov (com O Assassinato e Outras Histórias, da Cosac & Naify), e do também fundamental Turgueniêv, com o comovente Assia (Cosac & Naif).

Inglaterra

Em direção ao Oeste, os ingleses estão representados desde Shakespeare, com uma coleção de bolso da Penguim Popular Classics, na Área Internacional, a Aldous Huxley, que em Admirável Mundo Novo (Globo) retrata uma sociedade futurista em que a ditadura técnica produz uma sociedade totalitária e desumana. Nos balaios, estão dezenas de títulos de Agatha Christie, a popular criadora de Hercule Poirot e Miss Marple.

Espanha

Da Grã-Bretanha, refazemos o percurso da Armada Inglesa e invadimos a Espanha, que também tem banca própria na Área Internacional - onde é possível encontrar não apenas as Novelas Ejemplares de Miguel de Cervantes (Catedra Letras Hispánicas) como também uma ampla gama de autores não apenas espanhóis, mas de língua espanhola.

Portugal

A viagem termina em Portugal, onde títulos importados de José Saramago, prêmio Nobel em 1998, podem chegar a cifras estratosféricas - uma coleção de três volumes custa quase R$ 1,5 mil. Os livros editados pela Companhia das Letras, como O Homem Duplicado, têm preços bem mais acessíveis. Florbela Espanca apresenta-se na coletânea Poemas (Martins Fontes).

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David Coimbra
07/11/2003


O sanduíche americano

Minha mãe era professora do Estado no tempo em que professora do Estado recebia salário digno. Ao fim de cada mês, ela tomava a mim e a minha irmã pela mão e nos levava para passear na Rua da Praia. Era uma emoção descer pela rua mais sofisticada da cidade, parar diante das vitrines coruscantes e, sobretudo, imaginar o presentinho que ela nos daria ao entardecer. Mas o momento que eu aguardava com maior ansiedade mesmo era o do lanche nas Lojas Americanas.

Cara, as Lojas Americanas tinham escada rolante. Escada rolante! Subia na escada, todo pimpão, e ia maquinado para o segundo andar, rumo à lancheria. Lá, sempre pedia o sanduíche americano. Cristo! O sanduíche americano era do tamanho de um caderno de colégio. Cortavam-no ao meio, ficavam dois triângulos isósceles de pão macio, com um detalhe: três fatias! Era muita fatia. Entre cada pavimento, camadas duplas de queijo e presunto, tudo isso quentinho, prensado, uma delícia, nham!

Na semana do Natal, íamos ao Centro à noite. Melhor ainda. As vitrines mais iluminadas, as pessoas mais enfarpeladas. Não havia sanduíche americano, verdade, mas o mil-folhas da Confeitaria Matheus desmanchava-se só de encostar nos pré-molares. Lembro de um prazer comezinho: atravessar a Borges. As volumosas ondas de gente vinham de um sentido e outro, na Rua da Praia, e estancavam na represa do meio-fio da Borges, então aberta ao tráfego de veículos. Uma multidão aqui, outra lá, esperando a abertura do sinal feito cavalos no partidor. Quando abria, uaaaahhh, a pororoca humana!

Enfim, o Centro era de fato o centro da cidade. Era para onde a vida convergia. Hoje, com as colchas dos camelôs estendidas nas calçadas, com os bancos suprimindo os cafés, com o descaso corroendo as esquinas, o Centro só volta a ser o velho Centro durante a Feira do Livro. Nesses 17 dias de primavera, a população retoma a cidade, as pessoas se encontram na praça, manuseiam livros antigos, combinam chopes.

As propostas que surgem a cada ano de tirar a Feira da praça são propostas que apartam a humanidade do Centro e, por conseqüência, desumanizam a própria cidade. Porque uma cidade é isso mesmo, é a convivência dos cidadãos, é o conjunto de lembranças que tornam um prédio, uma calçada ou uma praça especiais. Porque, para quem vive na cidade, eles são especiais, sim, os prédios, as calçadas, as praças. E até, por que não? Um reles sanduíche americano.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
07/11/2003


Cruel recadastramento

Continua o massacre das pessoas idosas ou aposentadas, desta vez pelo governo.

Um ou vários burocratas insensíveis do governo haviam suspendido desde segunda-feira o pagamento dos aposentados do INSS com mais de 90 anos, desde que recebessem seus proventos há mais de 30 anos.

E aqueles que têm mais de cem anos tiveram suspensas suas aposentadorias, independentemente do tempo em que as vinham percebendo.

O governo resolveu suspender porque suspeita que há cerca de 30 mil fraudes entre os 110 mil aposentados enquadrados na faixa etária atingida.

E queria fazer um recadastramento (esta é uma das palavras que melhor têm podido significar crueldade, aliada com chateação, nos últimos tempos brasileiros).

Mas ontem era o dia de pagamento dos velhinhos. E as cenas que foram vistas na televisão eram de doer no coração: anciãos em cadeiras de rodas correram para os postos do INSS.

Alguns dos velhinhos eram carregados nos colos de seus parentes para as filas do recadastramento. Outros eram amparados pelas muletas. E outros se locomoviam com dificuldade, doentes e com respiração anormal.

Ou seja, um ato de estupidez das mais perversas. Tentando apanhar uma minoria de fraudadores, os burocratas do governo atingiram na pleura a maioria de anciãos honestos que recebem regularmente as suas aposentadorias, grande parte por procurações.

Foi retirada de dentro de suas casas gente que há anos não saía de casa por impossibilidade física, indo lá provar com sacrifício que existiam, que estão vivos.

Duvido que os autores dessa malvadeza social não tenham infringido o Estatuto do Idoso, recentemente sancionado.

Felizmente, movido pelas cenas tocantes do crucial e mambembe efeito-manada que se verificou nos postos do INSS, o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, revogou ontem o látego impiedoso do bloqueio bancário do pagamento dos anciãos aposentados.

Estes famigerados recadastramentos invertem monstruosamente a ordem das coisas: o ônus de provar as fraudes é do sistema e não dos seus beneficiários.

E somente quando esse ônus causa uma comoção nacional, caso dos velhinhos alquebrados que correram para os postos do INSS, filmados ontem pela televisão, é que se atenta para a malvadeza que se comete contra todas as pessoas que são chamadas para qualquer tipo de recadastramento, uma maneira que foi implantada há alguns anos pelos governos para infernizar a vida dos governados. Crueldade contra pessoas de todas as idades.

E toca recadastramento nos súditos, eles é que pagam a incompetência burocrática que não se muniu de meios para evitar as fraudes.

Imaginem o terror de que foram tomados os anciãos quando souberam que não iriam receber suas minguadas aposentadorias, a menos que se recadastrassem.

Só que aposentadoria tem de ser paga na hora - a ancião ou a adultos -, não tem de esperar pela demora burocrática natural de qualquer recadastramento.

Será que o governo não vai obrigar a que se recadastrem politicamente as autoridades e os burocratas que cometeram essa desumanidade?

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Santa Catarina
Acidente em pouso em Florianópolis



Airbus com 125 passageiros e seis tripulantes perdeu o controle e saiu da pista, mas ninguém ficou ferido (foto Roberto Scola, Agência RBS/ZH)


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Quinta-feira, Novembro 06, 2003




DIÁLOGO DE AMOR

Dia haverá, que ao acordar de manhã,
pensarei em outras coisas que não
sejam você.
Que não indagarei mais o porquê,
Que terei transcendido esta saudade.
Que não sentirei por você, mais nada,
nem ao menos amizade...

Enganas-te e enganas-me com tua segurança
Quando dizes que não pensarás mais em mim um só momento
Nunca serei pra ti mera lembrança
E isso desde quando invadi teu pensamento.
Instalei-me nele, sorrateiro, astuto,
No frágil instante em que com medo estavas
De entregar-se inteira à um prazer soluto
Que do teu corpo, em explosão, brotava.

Dia haverá, que não precisarei mais
saber como você tem passado:
se feliz ou triste, se contente ou
amuado.
Que não perguntarei mais de você
a ninguém, porque pouco
me importará
se você estiver passando mal ou bem...

Nem que não queiras te dirão os outros
Que infeliz vagueio pelo mundo
Do dia em que fiquei sem os teus beijos
Que, deliciosos, me marcaram fundo.
Que em minha boca ainda aparecem os traços
Louca de amor deixastes nela os dentes
Nas minhas costas as marcas dos abraços
Fúria de fêmea ... sensual, pujante

Dia haverá,que não pedirei mais a Deus
que você me escreva, que me ligue,
me procure ou dê sinal de vida.
Que não abrirei mais as cartas na mesa,
no afã de encontrar uma saída.
Que não precisarei mais lhe contar os detalhes
aqui da minha lida...

Abrirás sim, todas as cartas
Na ânsia cega de saber de mim
Me contarás com as vogais exatas
Tudo que sofres por estar assim.
Sempre gostei de saber-te a lida
Dá-te prazer contar-me as coisas tuas
Sou parte integrante dessa tua vida
Somos um só ... os dois de almas nuas

Dia haverá, que você estará banido da minha mente,
do meu destino, das minhas noites insones.
Que conseguirei olhar as estrelas, sem chorar
e sem gritar seu nome.
Que terei me sobreposto e dizimado este
fadário
Na última lágrima,
Na última conta do meu rosário.

Olhando as estrelas certamente lembrarás
Foram pra nós o palco de alegria e dores
Sob elas juramos nos amar
Sob seu brilho enxergamos nosso mundo em cores.
Cada lágrima tua juntou-se à uma minha
E assim um mar onde hoje brilha a Lua
Tu não consegues caminhar sozinha
Gritou pra sempre : "Serei somente tua !"

Fátima Irene Pinto®

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Procura-se um cão.

É imprescindível que não tenha nenhum pedigree.
Preferência para focinhos pretos e pelagem de cor indefinida.
Pode ser magro, que de tanto, tenha o contorno do esqueleto exposto sob a pele.

Que seja capaz de encarar todas as pessoas com aquela inocente confiança de cão abandonado, que nunca distingue quem vai lhe dar um osso ou uma porrada... e mesmo assim, continua sendo capaz de olhar amorosamente tanto para os que o alimentam quanto para os que o escorraçam.

É preciso não ser muito preocupado com auto-estima. Vira-latas que se prezam costumam não ter nenhuma... porque são poços profundos de desinteressado amor.

Há que ter um olhar terno quase suplicante, ser capaz de olhar de soslaio e inclinar a cabeça choramingando, toda vez que não entender alguma coisa ou ficar desapontado por um pito que ele nem sabe se mereceu.

Deve ser ruidoso e estridente quando eu estacionar o carro na garagem, em manifestação inconteste de satisfação pela minha chegada e pela minha presença.

Há que saber brincar, esconder chinelos, arrastar tapetes e correr desvairado quando livre na campina ou na praia, por saber-me feliz e redobrar as peraltices, pelo simples fato de notar que eu o observo.

Há que ter senso comunitário e assim, estender a sua lealdade aos demais membros da casa e àqueles que ele sabe que me são caros.

Até hoje eu criei gatos - alguns de raça. Gatos são altivos, oportunistas,
auto-suficientes, apesar de sumamente belos e graciosos.
Tentei (em vão) aprender com eles a lição máxima da auto-estima...
gatos são exímios na arte de se vender caro :-)

Agora eu procuro um vira-latas - talvez nem tenha que procurar - não só como amigo, mas como instrutor. Quero assumir as virtudes que nele sobejam como a transparência, a ressonância, a espontaneidade e, acima de tudo, a capacidade de amar incondicionalmente, mesmo quando escorraçado.

Fátima Irene Pinto
Inspirado no texto Simplesmente Gatos
de Arthur da Távola

Dedicado a Sultão
o Vira-Latas da minha infância.

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Luxo revivido
Andamos na nova e caprichada versão do PT Cruiser com câmbio AutoStick. Apesar da performance limitada o modelo é uma escultura
Eduardo Sodré

Traços do passado sobre mecânica e eletrônica de última geração fazem o sucesso do PT Cruiser nos Estados Unidos e Europa. Na frente os faróis alongados denunciam a novidade, que vista por trás ou pelo interior mantém fidelidade aos antigos desenhos da Chrysler

Imagine um cliente entrando em uma concessionária interessado em um Chrysler PT Cruiser. Enquanto o vendedor desfia seu novelo de argumentos, mostrando a novidade que é o câmbio automático com modo seqüencial AutoStick (trocas manuais a partir de toques leves para a esquerda ou direita), o propenso comprador olha o carro. A pergunta é: será que o consumidor se lembrará de algo que foi dito? Se você só começou a ler este texto após passar um bom tempo vendo a foto da capa e, as outras que ilustram a matéria, saberá que a resposta é não.

Pois este é o PT, que vence fácil o pleito para definir qual o carro menos discreto à venda no Brasil. A influência dos hot rods ¿ carros mexidos que rasgavam as ruas e rodovias norte-americanas há algumas décadas ¿ fica só no visual. O desempenho é sofrível, apesar de o câmbio seqüencial dar um pouco mais de gás. A falta de fôlego é explicada pelo casamento entre um motor 2.0 16V de 141 cv com um carro que pesa 1.366 quilos. Mas tudo tem um preço: utilizando esse sistema por todo o tempo, o consumo médio foi de 5,8 km/l, isso rodando uma boa parte do tempo longe do trânsito urbano. Além disso, o carro não é muito afeito a curvas.

Mas quem se importa? Uma pessoa que gasta R$ 106 mil em um PT Cruiser não precisa de analista para vencer a timidez e quer mais é desfilar tranqüilamente, vendo o sorriso e os olhos arregalados de quem cruza o seu caminho. No quesito ¿olha só quem chegou¿, o Chrysler empatou com o Smart Cabrio, testado pelo Automania em janeiro. E as mãos impressas em todos os vidros após duas horas de estacionamento mostram que mesmo parado ele é uma estrela.

Para compensar a letargia, muito conforto. A versão Limited tem até bancos regulados eletronicamente e com aquecimento, o que poderá ser usado pelos cariocas uma vez por ano, na saída de um festival de inverno, na região serrana. O interior é primoroso e o sistema de som é ótimo, e o piloto automático (que estabiliza a velocidade em um valor escolhido pelo motorista, dispensando o acelerador) é útil na estrada. Se é para chamar a atenção, então que seja com luxo.

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Musa na mira de promotor
Declarações de Luana Piovani serão investigadas: atriz afirmou que fuma maconha para relaxar e consegue a erva sempre que quer
Márcia Brasil

Depois de declarar que fuma maconha de vez em quando para relaxar, Luana Piovani arrumou um motivo para ficar tensa. O conteúdo da entrevista concedida pela atriz ao jornal O Tempo, mês passado, chamou a atenção do Ministério Público (MP), que pode solicitar à Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) abertura de inquérito contra Luana, como noticiou ontem o Informe do DIA. Ela pode responder por apologia ao crime, uso de drogas e indução ou difusão do uso de entorpecentes, um dos incisos da Lei de Tóxicos. Só esse último crime prevê pena de três a 15 anos de reclusão.

Na entrevista, a atriz volta a provocar polêmica. Fumo de vez em quando. De relax. Como um uisquinho, assim, afirmou Luana. Em outro trecho, ela diz: A hora que eu quiser qualquer tipo de droga eu consigo. Não vou encontrar nenhuma dificuldade. As declarações levaram o promotor Márcio Mothé, da Coordenadoria de Justiça Terapêutica, a enviar para a 1ª Central de Inquéritos do MP representação pedindo que se apure a veracidade das informações da reportagem.

No documento, Mothé destaca que, por Luana ter grande penetração no público infantil, seus atos podem influenciar direta ou indiretamente na formação do público infanto-juvenil. O promotor anexou à representação o parecer do psquiatra da Unicamp Jairo Werner, que avaliou como negativas as manifestações de Luana sobre o uso de drogas. Segundo a reportagem do jornal O Tempo, a atriz usava um brinco com folha de maconha.

Ao receber o ofício, a coordenadora da 1ª Central de Inquéritos, promotora Mônica Di Piero, enviou o pedido para a 7ª Promotoria de Investigação Penal, cuja titular é a promotora Marcelle Navega. Segundo a assessoria do Ministério Público, ela vai avaliar o documento para decidir se pedirá a abertura de inquérito à DRE.

Ainda sobre o uso de maconha, Luana disse na entrevista: É uma coisa que eu fui conquistando com a minha família. A atriz aproveitou também para dar sua opinião sobre as drogas: Acho que o ser humano tem que ser responsável pela sua própria vida. Essa história de liberar as drogas é uma babaquice, porque as drogas já estão liberadas há muitos anos. Não oficialmente, mas....

O advogado de Luana, Nilo Ningrone, afirmou que gostaria de falar com a atriz antes de se pronunciar sobre o assunto. Até o fim da noite de ontem, no entanto, ele não tinha conseguido entrar em contato com sua cliente.

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Buemba! PCC lança o Baby Perereca!


Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Sampa tá pior que Bagdá! Os bandidos continuam metralhando as delegacias! Ou seja, nem preso tem mais segurança. Aliás, bagurança. Bagurança Pública! Blinda as delegacias. Blinda tudo. Eu vou blindar até a coleira do cachorro. E eu vou votar no Maluf porque ele disse que vai tirar os bandidos da rua. E botar todos na prefeitura. Rarará!

E olha o resultado da revista nos presídios: 122 celulares, 64 carregadores de bateria e 34 fones de ouvido! PCC quer dizer Partido com Celular! E eu só não viro bandido porque o meu celular vive com carga baixa! E adorei o nome dos líderes do PCC: Julio Carambola e Gulu. E o PCC é tão organizado que celular funciona assim: "Obrigado pela ligação. Quer falar com o Carambola, tecle 1. Quer falar com o Gulu, tecle 2". E diz que os celulares entram pela vagina. Então foi assim que nasceu o Baby? O Baby Celular. Baby Perereca!

E adorei as exigências dos presos: rádio AM/FM, rocambole, água-de-coco, goiabada, tempero Sazon, creme Nívea, Minâncora. Nem o Michael Jackson quando esteve no Brasil exigiu tanto. É cela ou o camarim da Wanessa Camargo? E água-de-coco deviam liberar porque diz que diminui a ansiedade. Já viu algum baiano ansioso? E Minâncora também: preso já é uma desgraça, ainda mais com espinha!

E o Alckmin Picolé de Chuchu disse que é uma chantagem dos bandidos. A chantagem é esta: "Libera o rocambole. Libera o rocambole que a gente pára de metralhar os DPs!". E o Alckmin soltou verba para a polícia. Botou tranca depois da porta arrombada. E diz que vai comprar 400 algemas. Só se for algema de sex shop! Rarará! E a piada pronta: com essa bagurança toda, o secretário de segurança do Alckmin ainda quer ser candidato a prefeito. Socorro!

E já imaginou agora as revistas nos presídios? "A senhora tá levando um celular na vagina?" "Não, é que a minha perereca é ventríloqua." A senhora tá levando um celular na vagina? Não, o meu celular é anal-lógico! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
Antitucanês, a Missão! Continuo com a minha cruzada Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que em Mairiporã tem o cabeleireiro Piolhos. E em Maceió, o Bar do Zé Peidão. Rarará! Viva o Brasil.

E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Alcatra": açougueiro que apóia a Alca. "Zanzibar": boteco africano. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã!

simao@uol.com.br

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Luis Fernando Verissimo
06/11/2003


O que se comenta no Inferno

O Diabo odeia comer sozinho. Todas as noites recebe pequenos grupos para jantar no que chama de sua anticobertura, um duplex no último subsolo do Inferno, escolhendo entre as almas condenadas as mais interessantes e de melhor papo. Os pratos são sempre grelhados e o vinho é de produção local, mas o principal é que todos se divertem, falando mal de Deus e todo mundo, apesar de algumas desavenças. A Lucrécia Borgia, por exemplo, já tinha pedido para não ser colocada perto da Eva Braun, pois não agüentava mais as queixas da namorada do Hitler de que não merece estar no Inferno pois seu único pecado foi amar o homem errado.

Mas, ultimamente, a questão de quem merece e quem não merece estar no Inferno vem sendo muito discutida. É, aliás, o assunto dominante nos jantares do Diabo, que confessa estar às voltas com uma verdadeira rebelião de almas que pedem revisão de sentença e perdão retroativo. É o caso dos que foram mandados para o Inferno por usura, no tempo em que era pecado.

E - como gosta de lembrar o Diabo, com um sorriso malicioso -, a Igreja ainda não inventara o Purgatório justamente para acomodar os usurários, pois sem eles não haveria empréstimo a juros, bancos e sistemas financeiros. Hoje, a usura não só é o que faz o capitalismo rodar como é o que manda no mundo. E, principalmente, não é mais pecado, pois os juros não são mais uma abominação aos olhos do Senhor. Até a Igreja tem bancos.

E os condenados por usura no Inferno perguntam se não têm direito à mesma respeitabilidade conquistada pelos banqueiros, que hoje enriquecem em vida sem o risco das suas almas penarem na morte, e à absolvição. Ou pelo menos a um upgrade para o Purgatório.

O Diabo não costuma convidar usurários queixosos para a sua mesa, mas não pode prescindir da presença de Oscar Wilde, um dos seus comensais favoritos, apesar das suas constantes críticas à comida, à companhia e à ausência de ar condicionado. E Wilde, que foi preso, execrado e excomungado por homossexualismo, ao ficar sabendo da ordenação de um bispo gay pela igreja anglicana esta semana, também passou a reivindicar uma imediata revisão do seu caso e transferência para o céu.

"Nada contra você, D", diz Wilde, "mas aposto que o vinho lá é melhor". Não adianta o Diabo argumentar que nem ele nem Deus são senhores dos tempos, que mudam, ou da justiça divina, que não tem corregedoria. Wilde só promete epigramas cada vez mais pesados, mas a gritaria dos indignados do Inferno aumenta.

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Nilson Souza
06/11/2003


Os 500 medos
Só tenho medo da Margarete.

Cheguei a esta conclusão pretensiosa e precipitada depois de ler a reportagem da última Veja sobre fobias. Gosto de dirigir, durmo com todas as luzes apagadas, convivo bem com bichos e insetos, não tenho claustrofobia em elevadores ou em outros lugares fechados, viajo de avião sem precisar beber nada e até falo em público quando pressionado. Timidez normal, acho.

Mas essas fobias básicas - o escuro, as aranhas e outros medinhos que herdamos dos nossos bisavós trogloditas - perderam importância diante dos terrores da vida moderna. O homem urbano certamente não precisa se preocupar com cobras e lagartos, mas vive obcecado com o trânsito, com o relógio, com as balas perdidas e, principalmente, com as balas endereçadas. Quem não tem medo da violência?

Pensando bem, a Margarete não é o meu único terror.

Também me assustam o autoritarismo, a miséria sem saída, a ilusão das drogas, o egoísmo, a ignorância cega, a desonestidade em todos os níveis, a covardia de quem maltrata crianças, o equívoco de quem se arma, a doença sem cura, as guerras, as desigualdades e as injustiças.

Diz a reportagem que os americanos listaram cerca de 500 fobias num ABC do pânico. Imagino que na letra M não esteja a Margarete, mas certamente lá está ela, a Dama do Além, com a sua foice inexorável. Todos a tememos, evidentemente, pois a vida impõe essa rejeição natural. Mas há quem conviva com a idéia do fim sem grandes pavores. A escritora Rachel de Queiroz, que esta semana fez a travessia, disse numa de suas últimas entrevistas uma frase impressionante: "Na minha idade - afirmou, já com mais de 90 anos - a morte é quase uma aspiração". E emendou: "Mas uma boa morte!". Pois não é que morreu dormindo!

O episódio me fez lembrar uma citação do cronista Antônio Maria, referida sempre pelo colega Paulo Sant'Ana:

- Se eu estiver dormindo, me deixe dormir. Se eu estiver morto, me acorde!

Nada como o humor para espantar o medo.

Margarete é a minha dentista. Uma ótima dentista. Faz tempo que não a vejo. Ela também é uma boa contadora de histórias. Nunca presto muita atenção, mas acho que são histórias de espantar medos.

nilson.souza@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
06/11/2003


O apocalipse

Ontem lamentei que as entidades financeiras estejam querendo cobrar juros dobrados dos idosos, tentando se proteger do risco de que eles morram e não paguem seus empréstimos.

Hoje publico carta do presidente do Banrisul, que afirma categoricamente não acontecer isso em seu banco, que oferece inúmeras vantagens aos idosos.

Inclusive a mais reclamada por esta coluna: para idosos aposentados que recebam pelo Banrisul, com ganhos abaixo de dois salários mínimos, os juros que o banco cobra são apenas de 2% mensais.

E também isenta do seguro os empréstimos tomados pelos aposentados que serão descontados em folha pelo novo plano instituído pelo governo federal.

É muito elogiável a postura do Banrisul. Revela grande sensibilidade social.

Eis a carta bastante elucidativa: "Meu caro Paulo Sant´Ana. Em primeiro lugar, aproveito a oportunidade para elogiar a demonstração de consciência social feita através da tua coluna desta quarta-feira. A preocupação manifestada com os idosos é um exemplo a ser seguido por todos aqueles que têm o poder de esclarecer a opinião pública, denunciando os equívocos e salientando os acertos.

No caso em questão, informo-te que o Banrisul, o banco que une os gaúchos, oferece um tratamento especial ao segmento de clientes com mais experiência, aqueles que o mercado chama de 'idoso' ou 'velho' e que nós do Banrisul chamamos de a 'Melhor Idade'.

Para esses clientes, o Banrisul oferece produtos específicos e diferenciados, com taxas, prazos e tarifas também especiais e inferiores aos demais segmentos. As tarifas para os clientes da Melhor Idade são 50% inferiores às normais, por exemplo. Quanto às operações de empréstimo para os aposentados que recebem seu benefício pelo Banrisul, até dois salários mínimos, as taxas são as menores do mercado, ou seja 2% ao mês, com pagamentos mensais, nas datas do recebimento do benefício e em até seis meses.

Com relação ao Programa de Crédito em Consignação, regulamentado pelo governo federal pela Medida Provisória nº 130 e pelo Decreto nº 4.862, que inclui os aposentados do INSS e que permite a realização de seguro vinculado à operação de empréstimo e/ou financiamento, o banco decidiu não exigir o seguro para não gerar outro custo ao aposentado. Para este programa, também irá diferenciar taxas, prazos e tarifas específicas.

Além disso, entre outros diferenciais que oferecemos, os clientes Melhor Idade do Banrisul dispõem de 3.017 estabelecimentos no Estado do Rio Grande do Sul conveniados ao banco e que propiciam descontos na aquisição de produtos e serviços.

Dentro da filosofia de governo instituída pelo governador Germano Rigotto, no Banrisul, valorizamos e temos o maior respeito pelo cidadão que contribuiu, contribui e seguirá contribuindo para o desenvolvimento da sociedade. Cordialmente, (as.) Fernando Guerreiro Lemos, presidente do Banrisul".

Se o Grêmio nunca se ajuda, como exigir que o Internacional fosse ajudá-lo?

Agora foi uma rodada em que o Grêmio desceu verticalmente na tabela e viu o Juventude e o Fortaleza subirem.

Aproxima-se o apocalipse.

psantana.colunistas@zerohora.com.br


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Quarta-feira, Novembro 05, 2003




A primeira dama das letras

Morre Rachel de Queiroz, escritora que abriu caminho para as mulheres na Academia Brasileira de Letras
Alicia Uchoa

No início dos anos 90, a escritora Rachel de Queiroz declarou: ¿Pense como Thomas Mann: Depois de mim será como antes de mim. Então, deixa o mundo viver como quiser. Nossa passagem aqui é tão curta... O nosso risquinho na areia é tão pequeno, tudo é tão efêmero. Mas não há efemeridade que faça o Brasil esquecer a jornalista e romancista cearense, militante política, primeira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1976. Autora de 20 livros, entre eles o revolucionário O Quinze e Memorial de Maria Moura, Rachel de Queiroz morreu ontem, aos 92 anos, vítima de um enfarte, às 6h, em seu apartamento no Leblon, num edifício que leva seu nome.

Estive com Rachel ontem até às 20h e ela estava bem. Conversamos sobre a homenagem que receberia do Corpo de Bombeiros de Fortaleza dia 17, quando faria 93 anos, contou a irmã caçula da escritora, Maria Luíza, 75 anos, durante o velório, ontem, na Sala dos Poetas Românticos da ABL. Criada como filha por Rachel, Maria Luíza disse que na madrugada de ontem a irmã sentiu-se mal e foi atendida pela enfermeira que cuidava dela desde o AVC sofrido em 1999. Ela chamou pelos nossos pais e pelo marido (o médico Oyama de Macedo, morto em 1982) e dizia que queria ir para o Ceará, que estava cansada e que ia dormir.

Maria Luíza passou o dia ao lado do corpo da irmã, com os filhos Daniel, 43 anos, e Flávio, 49. Ela perdeu uma filha aos dois anos, de meningite, e não teve mais filhos. Então, tratava os meus como netos, contou. Uma rede foi colocada no caixão. Só ficou faltando a bandeira do Vasco, seu time¿, disse a irmã.

No velório, fuzileiros navais prestaram homenagem à romancista, madrinha da corporação desde os tempos em que viveu na Ilha do Governador.Acadêmicos como o presidente do Senado, José Sarney,Carlos Heitor Cony, Ivan Junqueira, o presidente da ABL, Alberto da Costa e Silva, Arnaldo Niskier, Lygia Fagundes Telles e Josué Montello foram se despedir da colega.

Todos ressaltaram a importância de Rachel como precursora do chamado romance nordestino, gênero inaugurado com O Quinze, e sua contribuição para o reconhecimento do papel da mulher na sociedade brasileira. Candidato a uma vaga na Academia, Marco Maciel também esteve na ABL com o senador Tasso Jereissati e o governador do Ceará, Lúcio Alcântara.

A pedido de Rachel, ela será enterrada ao lado de Oyama, no Cemitério São João Batista. Ela dizia: Deus me livre de ir para aquele mausoléu dos imortais, lembrou Maria Luíza. O velório foi interrompido às 22h e continua hoje, às 7h. O corpo será encomendado às 8h30 e sepultado às 9h.

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África Urgente! Lula toma um gim das selvas!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Pensamento do dia: toda loira burra tem uma periquita inteligente! E o Lulinhas Aéreas na África? Diz que assim que ele chegou, pediu uma bebida típica; gin das selvas. Lula vai à África, conhece o Tarzan e toma um Gin das Selvas. E ainda lançou o taxa zero para os produtos angolanos. Despenca o preço da galinha de angola! Tá parecendo viagem do Papa. Rarará! E um leitor me disse que toda vez que ele liga na novela as celebridades tão celebriDANDO!

BAFAFÁ DOS JUÍZES! Operação Anaconda. Ops, Operação Bota na Conta! E sabe por que tem tantos juízes acusados de corrupção? Porque o Brasil em vez de fazer Operação Mãos Limpas, tá fazendo a Operação Mãos Molhadas! E um cara queria subornar um juiz, mas muito constrangido, fez uma pergunta sutil: "O senhor já viu US$ 10 mil?" E o juiz: "Dez mil já, ainda não vi foi 50 mil". Rarará!

Ceará de luto! Morreu a Rachel de Queiroz. E eu sempre disse que todo cearense quando passa dos quarenta fica com a cara da Rachel de Queiroz. E já que temos uma vaga aberta na Academia Brasileira de Letras, vou lançar a Lucianta Gimenez pra cadeira da Rachel. E uma enquete: "Você concorda com a Lucianta Gimenez na Academia?" . 1) Sim. É melhor uma gostosa que um marimbondo de bigode. 2) Não. Ela devia entrar para a Academia dos Neurônios Descontrolados. 3) Sim. Depois do Paulo Coelho, só uma anta. 4) Sim. Só por vingança pela academia ter imortalizado o Roberto Campos na cadeira do Dias Gomes.

E por último, 5) Não. Se ela virar imortal a gente vai ter que aguentá-la por mais uma eternidade. Fujo pro Paraguai! E um outro ainda me disse que ela não pode entrar na academia porque ela tem cara de degustadora de caldo de cana! Rarará! É mole? É mole mas sobe!

Antitucanês, a Missão! Continuo com a minha cruzada Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos devastadores de antitucanês. É que em Brasília tem um centro de depilação chamado Pêlo Menos. E em Natal tem um baile da terceira idade chamado Forró da Pêia Mole. Rarará. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!

E atenção. Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Maputo": companheiro detestando a viagem a África. Rarará. O lulês é mais fácil que o inglês. Nóis sofre mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! No pingolim. Pra ver se bate no teto! UFA!

simao@uol.com.br

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"Os meninos não gostaram"

Uma das narrativas mais marcantes da escritora Rachel de Queiroz virou minissérie de TV adaptada por gaúchos. Em 1994, Carlos Gerbase, Jorge Furtado, Glênio Póvoas e Renato Campão receberam a missão de verter Memorial de Maria Moura (1992) para a Globo em apenas um mês. Foram 700 páginas, divididas em 24 capítulos. O quarteto não chegou a conversar diretamente com a escritora, pois quem intermediava era o diretor Carlos Manga. Ontem, Gerbase lembrou-se da repercussão à época:

- Depois da estréia, Manga contou-nos a primeira reação de Raquel: "Os meninos não gostaram do meu livro e estão escrevendo outro". Claro que depois do primeiro capítulo, ela aprovou e disse que tinha achado muito bom, afinal "literatura é uma coisa, TV é outra".

Faltavam 15 minutos para começar a sessão de autógrafos do livro de causos O Cachorro Azul, do poeta e editor Luiz Coronel, quando uma multidão vestida de azul, vermelho e branco invadiu o átrio defronte o Pavilhão Central da Praça de Alfândega ao som de surdos, caixetas e repiniques, marcando o gingado de uma bela porta-estandarte. Eram integrantes da escola de samba União da Vila IAPI, que no Carnaval de Rua de Porto Alegre em 2004 vai apresentar o enredo A Vila Conta em Prosa e Verso Vida e Obra de Luiz Coronel.

- Me sinto honrado de ter sido lembrado por eles. O Carnaval é uma festa tão representativa, e para fazer essa homenagem eles realizaram uma pesquisa profunda da minha obra - reconheceu Coronel.

No dia da morte de Rachel de Queiroz, os livreiros prestaram homenagem à escritora cearense. As barracas que tinham obras da autora colocaram seus livros bem à frente. As bancas dispõem de títulos conhecidos como O Quinze, Memorial de Maria Moura e Dora Doralina. No estande da Globo, há exemplares da Editora ARX como As Três Marias, A Casa do Morro Branco e O Galo de Ouro, com preços que vão de R$ 18 a R$ 48. A Câmara Rio-Grandense do Livro prevê a realização de um evento em homenagem à escritora até o final da Feira do Livro.

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Martha Medeiros
05/11/2003


Mundo paralelo

Gato não tem sete vidas. Imagino que você já desconfiava disso. Ele tem uma só, aquela vidinha besta que o faz ficar horas acomodado no sofá, ou então perambulando pra lá e pra cá atrás de comida e cafuné. Já nós, seres humanos, não temos uma única vida: temos duas. Não estou falando de reencarnação. Estou falando de duas vidas agora, agorinha, duas vidas simultâneas. Uma vida parecida com a dos gatos (trabalhamos atrás de comida, mantemos relações em busca de cafunés e passamos muito tempo acomodados no sofá) e uma outra vida que os felinos não têm: uma vida imaginada, vivida às vezes na sombra, outras vezes à luz do dia, dependendo do que inventarmos.

Pessoas, ao contrário dos bichos, pensam e fantasiam. Não nos basta a vida oferecida. Buscamos uma vida paralela, uma vida recriada, manifestada de formas não-cotidianas, não-convencionais.

Por que todo mundo inveja os artistas? Porque eles conseguem legitimar este mundo paralelo e ainda ganhar algum dinheiro com ele. Mais ainda: são admirados por isso. Cada vez que uma dançarina sobe ao palco, que um ator faz uma interpretação espetacular, que um escritor escreve um verso antológico ou que um pintor desenha sentimentos, eles estão vivendo sua outra vida, uma vida puramente sensitiva, emocional, desvairada, livre. Uma vida que não é contada em dias e horas, que não se divide em manhã, tarde e noite, que não tem obrigações com a família nem idas ao dentista ou ao supermercado. É uma vida... outra.

Nem todos têm o dom de transformar em arte sua necessidade de se abstrair do cotidiano, mas a necessidade, ela própria, existe em todos. As pessoas extravasam seu lado inquieto no esporte, no teatro amador, na fotografia, na ioga, tocando um instrumento. Por outro lado, alguns, sem saber que podem dar vazão a esta inquietude fazendo algo positivo, se drogam, depredam, vivem da pior forma sua segunda vida.

Escapar de si mesmo algumas horas por dia, ou por semana, é vital, terapêutico, saudável. Só há dois tipos de loucos no mundo: aqueles que não se permitem afastar-se de uma identidade rígida, e aqueles que criaram uma segunda vida esquecendo da primeira, levando às últimas conseqüências sua necessidade de extravasar e com isso perdendo o caminho de volta.

Escrevendo, inventei um mundo paralelo, que acaba de se materializar em mais um livro, Montanha-Russa, com lançamento hoje na Feira, às 18h.

martha.medeiros@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
05/11/2003


Velhice condenada

Rigorosamente, em plena novel vigência do Estatuto do Idoso, estabeleceu-se de modo perverso no Brasil que ser velho é uma condenação.

Não bastasse que os velhos são obrigados a pagar muito mais que os outros pelos planos privados de saúde, agora vem a notícia de que os juros que serão cobrados para os aposentados nos empréstimos a serem descontados em folha terão o dobro do valor.

E eu que cheguei a pensar que neste tipo de empréstimo - que classifiquei de idéia genial - todo mundo fosse filho de Papai Noel.

Pois não é. Velho não é. Enquanto os jovens - ou não velhos - vão pagar 2% de juros mensais pelos empréstimos, as instituições bancárias fincam pé que os empréstimos para os aposentados do INSS terão juros entre 4,5% e 5% ao mês.

O motivo alegado pelos bancos para cobrar dos idosos o dobro dos juros que vão cobrar dos jovens é o risco de morte dos beneficiários.

Já que os bancos não poderiam descontar os empréstimos dos aposentados, em caso de morte destes, como fariam com os empregados de carteira assinada quando de sua demissão, avançando sobre verbas rescisórias, querem cobrar dos idosos o dobro dos juros.

E não é monopólio dos bancos esta crueldade. Inúmeras lojas comerciais se recusam a conceder crediário para pessoas idosas, temerosas de que morram.

Ou seja, no instante de suas vidas em que deveriam obter prêmios e vantagens, ao contrário são impostas condições draconianas às pessoas velhas, incutindo claramente em seus espíritos que nada mais são do que estorvos sociais, subcidadãos, a quem ora se nega o direito de serem iguais aos outros, logo em seguida é afirmado que são piores do que os outros.

A velhice, que deveria se constituir numa honra, digna de benesses, como o caso das passagens de ônibus gratuitas, tornou-se num estigma, ao qual se impõe uma mais severa tributação.

Essas sanções acabam por apressar a morte dos idosos.

O que é mais torpe neste quadro de selvagem capitalismo é que tanto nos planos privados de saúde quanto nestes empréstimos descontados no contracheque, a discriminação que se faz aos aposentados traz consigo a marca de uma cruel lembrança da morte: declara-se formalmente que os idosos terão de pagar mais pelos convênios de saúde e pelos empréstimos porque em breve morrerão.

Fica bem nítido ao velho que ele é candidato favoritíssimo ao calote porque também é favorito para morrer.

Não há maior perversidade social. E é incompreensível que não haja uma lei que impeça tal iniqüidade.

Eles são raros mas ainda assim numerosos: os gremistas que vão hoje à noite torcer pelo Fortaleza, contra o Internacional, embora sabendo que isso possa vir a desgraçar o Grêmio. E os colorados que vão torcer pelo Fortaleza, contra o Internacional, porque desejam exatamente a desgraça do Grêmio.

Eles existem, são tipos fanáticos e excêntricos que menos amam os times por que torcem do que odeiam o tradicional adversário.

Não se pode considerá-los detestáveis, porque em última análise eles se constituem na essência da rivalidade, que vem a ser o maior combustível da paixão futebolística.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Ambiente
Um lobo-marinho mal-acostumado



Técnicos tentaram três vezes devolver o animal ao seu ambiente, mas ele sempre retorna para a costa de Imbé (foto Ronaldo Bernardi/ZH)


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Terça-feira, Novembro 04, 2003




Novas delícias geladas
Sorveterias lançam sabores para deleite dos apreciadores durante o verão
Silvana Caminiti

Apesar de o verão ainda nem ter começado, a temperatura elevada atrai muita gente em busca de sorvete. De olho nas vendas, as sorveterias estão incluindo novos sabores nos cardápios. Uma das empresas que está apostando em novidades é a Sorvete Itália. Segundo a diretora de Marketing, Simone Vianna, as novidades vêm complementar a linha Gold, considerada a premium da empresa, e que hoje está presente em mais de 300 restaurantes e hotéis do Rio.

Há ainda o Festival de Sorvete de Doce de Leite, até sábado nas 12 lojas da rede. São nove variações, que chega com outros ingredientes, como amêndoas torradas, ameixa, brownie, chocolate, flocos, passas e raspas de doce de leite, além de doce de leite cremoso e sorvete de queijo, conta Paulo e Cândida Ferreira, da Sorvete Itália de Ipanema.

Itália: (21) 3204-1920, http://www.sorveteitalia.com

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Simplesmente ator
Rodrigo Santoro reconhece que é lindo e cobiçado e que também é muito cobrado, mas diz que não liga pra nada disso. Só quer saber é de trabalhar
Rubia Mazzini



Em cena do filme com Laura Linney: poucos, mas ótimos momentos

Ele sabe que é lindo e, sem se fazer de modesto, diz achar supernormal que a beleza lhe abra portas. Também sabe que é não todo dia que um ator brasileiro consegue espaço no mercado internacional, mas manda um tô nem aí quando lhe perguntam se se sente pressionado a fazer sucesso fora do País. Rodrigo Santoro, 28 anos e um sorriso de enfartar qualquer uma, pede para avisarem que não fala sobre a vida pessoal, mas não poupa gogó para deixar clara sua opinião sobre seu papel nesse mundo.

Não tenho o mínimo controle sobre o que pensam e falam de mim, então não me preocupo mais. Não pense que eu choro ou fico triste (por causa de críticas e fofocas). Não tô nem aí pra nada disso, avisa o ator, durante a entrevista para falar de sua participação na comédia romântica Simplesmente Amor (Love Actually), estréia na direção do britânico Richard Curtis, o roteirista de filmes como Quatro Casamentos e um Funeral e Um Lugar Chamado Notting Hill, que tem lançamento programado para 5 de dezembro no Brasil.

Rodrigo, que fez teste para o filme a partir da indicação de uma produtora de elenco que o viu em Abril Despedaçado, de Walter Salles, faz questão de mostrar tranqüilidade diante do fato de ser considerado a grande promessa do cinema brasileiro. Se for entrar nessa, eu piro. Muita gente pira. Isso é um mundo de ilusão. Sou o que sou, esse ser de carne e osso, que vai surfar, tem pai e mãe. Não compro essa história, discursa, emendando que sua única preocupação é participar de projetos que acrescentem algo para ele. O que me move é a história que vou contar, o desafio que vou viver e o quanto vou aprender, diz.

Foi por isso que se interessou pelo papel de Karl, em Simplesmente Amor, depois da falada participação em As Panteras Detonando. O papel é pequeno e tal, mas pensei: se eu meter bronca no inglês, posso fazerersonagem realmente é discreto os principais são os vividos por nomes como Hugh Grant e Liam Neeson , mas tem ótimos momentos na trama, que se divide entre oito histórias de amor mais ou menos bem sucedidas.

Karl é o colega de trabalho por quem a hipertímida Sarah (Laura Linney) é apaixonada há tempos. A atração é recíproca, mas um contratempo familiar impede a jovem de se entregar à relação. A nossa historinha toca numa coisa interessante, principalmente nesse mundo que a gente vive, em que o amor está passando batido. A gente se preocupa com o que acontece em volta e esquece das coisas simples, do sentimento mais extraordinário, que é o amor, filosofa Rodrigo.

Amanhã, o ator embarca para os Estados Unidos para divulgar o filme por lá. Na volta, deve tratar da participação no longa A Dona da História, adaptação do diretor Daniel Filho para a peça de João Falcão. Vou indo sem planejar muito, trabalho a trabalho, personagem a personagem. É aí que está o meu foco, a minha atenção. Quanto ao resto, não posso fazer nada, encerra.

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Databotox Urgente! A Marta subiu no coqueiro!


Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Datafolha, ops Databotox informa: a Marta subiu 14 pontos. Eu acho que confundiram ela com a nova loira do Tchan. Ou então subiu num coqueiro! Fez lifting! Foi pruma clínica e pediu: "Daria pra fazer um lifting na minha popularidade?". E diz que foi este o grande motivo da subida: os CEUS. Do inferno foi parar nos CEUS! De Guaianases. E até bolei um slogan pra campanha dela: "Não jogue seu voto no lixo! Jogue uma galinha preta". Rarará!

E diz que a companheirada tá viajando tanto que LULA agora é Lulista Unidos Linhas Aéreas! LULINHAS AÉREAS! E sabe o que o Lula foi fazer na África? Conhecer o Tarzan pessoalmente. E o Lula quer pagar a dívida histórica com a África. Mas antes daria pra me pagar a restituição do Imposto de Renda?!

E aí, no "Domingão do Faustão", o Daniel estava cantando com a letra da música na tela quando de repente apareceu "DISFARSANDO". Duas vezes. Duas vezes? Então nem disfarSaram! E depois do Júnior e do Juninho, só falta o Timão contratar o Neto! E aí um padre botou um cartaz na porta da igreja: "Se você está cansado de pecar, entre". E aí escreveram embaixo: "Se você não estiver, ligue-me. Shirley, 7999-99919". E diz que acabaram de lançar o cheque-favela: pra receber, tem que armar barraco!

E o Zé Alencar, vulgo Topo Gigio, não resiste: é só o Lula viajar que ele fala de juros! Aliás, diz que o Lula antes da viagem falou: "Você promete não falar sobre economia durante a minha ausência?". E aí o Zé gritou: "JURO!". "Pra que esse juro tão alto?" "Tá vendo? Até você acha." É mole? É mole, mas sobe!

Terror News! E os ingleses estão dizendo que o Blair maquiou tanto os dossiês sobre o Iraque que ele devia ser presidente da Revlon. E aí perguntaram: "Como o senhor conseguiu maquiar os dossiês?". Com BLUSH! Sabe como chama aquele programa do Bush que prega a abstinência sexual como única forma de reduzir a Aids? Busheta Zero! E agora pra entrar nos EUA tem que deixar as impressões digitais no aeroporto. Ou seja, tem que tocar piano!

Antitucanês, a Missão! Acabo de receber mais dois exemplos devastadores de antitucanês. É que em Corumbá tem o cemitério Nelson CHAMMA! E em Campinas tem a Funilaria Uri Gueller. Mais direto impossível! Viva o antitucanês! Morte ao tucanês!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Bishop": bispo gay, bichop! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

simao@uol.com.br

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Causos coloridos
Luiz Coronel autografa hoje "O Cachorro Azul"

Muitas vezes uma obra que o próprio autor considera despretensiosa é recebida com extremo carinho pelo público. É o caso da série de causos que o poeta e editor Luiz Coronel iniciou no ano passado com O Cavalo Verde e que dá continuidade neste ano com O Cachorro Azul (editora Mecenas, 156 páginas, R$ 20), que o escritor autografa hoje, às 19h, no Pavilhão Central da Feira do Livro.

- Um Boccaccio (escritor italiano do século 14) realiza uma comovente obra sobre a Virgem Maria e depois publica sem pretensão uma compilação de histórias satíricas da idade média. E passa para a história com o segundo livro. Nem sempre o melhor juiz de uma obra é o autor - exemplifica Coronel.

Interiorano de Bagé, Coronel lançou o primeiro livro dando forma literária a causos que recolheu, alguns trazidos da própria memória de sua infância passada no pampa. Durante seis meses, registrou histórias cuja marcada característica são a oralidade e o humor autêntico, popular, gaúcho, como ele define.

- O gaúcho tem um pouco desse humor que se faz de humilde para esconder uma certa pretensão - comenta o autor.

O Cavalo Verde foi escrito em seis meses, e sua boa receptividade - já foram tiradas oito edições desde o lançamento, totalizando 30 mil exemplares - encorajou o autor a ampliar o leque com outros 50 causos reunidos em O Cachorro Azul. O livro vem acompanhado de um CD em que o próprio Coronel e os artistas Débora Finocchiaro, Dilmar Messias e André Damasceno narram algumas das histórias incluídas no livro.

- Se a crônica é o gênero essencialmente brasileiro, o gênero do causo é equivalente na tradição literária gaúcha - comenta.

O livro é o segundo de uma "trilogia do humor pampiano", com projeto gráfico de Péricles Gomide e ilustrações do uruguaio Ruben Castillo. O último volume, ainda em preparação, será O Gato Escarlate.

Saiba mais
Trecho
"O cachorro é azul e estamos conversados. Azul e canhoto, para ser mais preciso. E não me perguntem o porquê dos porquês. Antes e acima de tudo, é preciso dizer que se trata de um cachorro dado a peripécias. De sua serventia, nem dá pra falar. Pra caçar perdizes, nenhum outro reúne iguais habilidades. Se levanta a cola para o lado direito, é perdiz. Pra esquerda, marrequinha. Se oscilar a cola de um lado para o outro, está avisando ao caçador que não gaste munição, pois é cobra, lagarto ou insignificâncias do chão."

Hoje na Feira
Sessão de autógrafos do livro O Cachorro Azul, de Luiz Coronel, às 19h

A Associação Gaúcha de Escritores promove hoje, às 19h, o sarau Palavra Nova Especial, em homenagem ao patrono Walter Galvani. Será realizada uma leitura dramática da peça Hotel Rosa-Flor, de Patsy Cecato, com Araci Esteves, Patrícia Soso e Márcia Ohlson, entre outros, no elenco. O evento será realizado no 3ºandar do Clube do Comércio (Andradas, 1.085).
A Feira promove hoje, às 19h, o segundo encontro para trocas de idéias sobre os temas da 4ª Bienal do Mercosul.

O Ciclo Bienal tem como convidados o presidente da Fundação Bienal, Renato Malcon, o designer e arquiteto Chico Homem de Melo e os jornalistas Jorge Polydoro e Leonel Kaz. O evento será no Santander Cultural (Sete de Setembro, 1.028).

Um Pesquisador Americano na Rua dos Cataventos é o tema de encontro com Johnny Lorenz hoje, às 19h30min, no Salão de Bridge do Clube do Comércio (Andradas, 1.085). O professor, que está em Porto Alegre estudando a obra do poeta Mario Quintana, fala sobre o trabalho de verter para o inglês os poemas do gaúcho.

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Moacyr Scliar
04/11/2003


Convivendo com as bruxas

Na noite da última sexta-feira as ruas de Toronto (onde fui para um encontro de escritores) estavam cheias de jovens fantasiados de feiticeiros e de bruxas. Motivo: o Halloween. Uma festa que, vinda dos Estados Unidos, acabou sendo incorporada pelos canadenses. Como está sendo incorporada pelos brasileiros. O que não deixa de chamar a atenção. Afinal, o Halloween é parte de um folclore sazonal: uma das várias celebrações que contribuem para amenizar as lúgubres noites de inverno no Hemisfério Norte. Só que, para nós, agora está começando o verão.

Esta é a razão pela qual muita gente protesta contra a importação do Halloween, argumentando que se trata de macaquice (acho que os macacos não devem gostar dessa expressão). Pergunta: será que os protestos adiantam? Pouco provável. Afinal, o Brasil também importou o Carnaval, que era uma festa sobretudo italiana, e o futebol, que era um esporte sobretudo inglês. E importa filmes americanos, música americana, palavras em inglês... Inevitável, neste mundo globalizado e nos qual os Estados Unidos são, culturalmente falando, potência hegemônica.

De qualquer jeito a pegunta permanece: quando aceitar o que vem de fora, quando recusar? De novo, o Canadá, vizinho dos Estados Unidos, dá uma resposta. No momento, há uma crise entre os dois países. Os americanos estão comprando remédios no Canadá, quer diretamente, na fronteira, quer através da Internet. Motivo: os produtos farmacêuticos canadenses são bem mais baratos. O que gera um protesto da poderosa indústria norte-americana: ela alega que seus remédios são mais caros por causa do investimento em pesquisa.

Nada disso, contestam os canadenses, os preços elevados resultam dos gastos exagerados em publicidade e marketing. No Canadá, o governo intervém ativamente na defesa do consumidor. Por exemplo: novas drogas não podem custar mais caro do que as drogas já existentes. Assim, a maquiagem do produto (ou seja, uma pequena alteração na fórmula) não serve de pretexto para aumento de preços. A indústria americana já ameaçou cortar o suprimento de matéria-prima, mas o Canadá sabe como se defender: uma regra da Organização Mundial de Comércio estipula que, se o produto estrangeiro é caro ou difícil de obter, o país pode copiar a fórmula sem problemas.

Em resumo: bruxas de fantasia são bem-vindas. Mas bruxas saqueadoras não podem entrar. Sob pena de estragar a festa do país.

scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
04/11/2003


Golfinhos e indisciplina

Recebo de longe uma admoestação severa sobre a coluna que escrevi lamentando a matança de golfinhos no Japão.

Eis a curiosa chinelada que levei: " Não imaginava que um cara com a tua cabeça fosse defensor de trilhões de golfinhos que andam por aí. Sant´Ana, não perde tempo com golfinhos, pingüins etc. Não há nada pior do que assistir na televisão ou ler em um jornal que houve salvamentos de pingüins perdidos nas praias gaúchas. Estes dias salvaram um único pingüim e houve um envolvimento, entre técnicos, polícia, viaturas, curiosos, de pelo menos 10 pessoas. O tal pingüim foi de carro, acompanhado por biólogos, para Rio Grande, com a finalidade de recuperá-lo. Ora, convenhamos, num país em que as crianças morrem de fome nos barracos e corredores de hospitais, é muita frescura.

Aponte-me um caso em que 10 pessoas, entre médicos e enfermeiros etc, foram salvar a vida de uma criança em nossas vilas. Por acaso, tu já viste reportagem que envolva médicos e enfermeiros recolhendo crianças famintas e quase mortas nas nossas favelas. Com todo o respeito, (ass.) Sérgio Muller, 450 Lake Bridge Lane, 1811, Apopka, Flórida, USA (smuller48@hotmail.com)".

Ainda bem que a esmagadora maioria dos e-mails que recebi foram de inteiro apoio à preservação dos golfinhos e de crítica feroz a sua impiedosa matança japonesa.

Recebo do secretário estadual da Educação, José Fortunati, uma extensa carta, publico-a parcialmente: "Gostaria de salientar alguns aspectos relacionados à questão levantada em tua coluna no dia 30 de novembro, pelo juiz Breno Beutler Junior, que afirmou que a SEC havia convocado uma diretora de escola e lhe determinado que voltasse atrás da punição de um aluno... Posso afirmar-te que em momento algum este secretário ou alguém da equipe da SEC tem ou teve permissão para desautorizar qualquer educador ou direção de escola por punições que tenham sido adotadas para penalizar alunos que tenham se portado de forma indisciplinada...

Sobre o caso citado pelo magistrado, solicitei profunda averiguação junto às Coordenadorias, Divisão de Porto Alegre e Departamento de Recursos Humanos, sobre a existência de algum relato. Não encontramos nenhum processo ou depoimento que ratificasse o ocorrido. Por não se tratar de norma desta secretaria o comportamento citado, solicito ao juiz Breno que forneça as informações pertinentes sobre o caso em particular para que possamos instaurar uma sindicância interna, como manda a lei (estava assinado).

Bem, é possível que a ocorrência da desautorização punitiva a aluno tenha se verificado no Interior.

De qualquer forma, se o juiz Breno Beutler ou a professora que lhe comunicou o fato puderem indicar as circunstâncias do ocorrido darão grande contribuição a esse debate.

Porque segundo o secretário Fortunati ninguém da SEC pode desautorizar punição disciplinar imposta pelas direções das escolas.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Crime
Chacina em Canoas



Quatro jovens foram encontrados com tiros na cabeça, as mãos amarradas para trás, jogados em um valão (foto Marcelo Oliveira, Agência RBS/ZH)


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Segunda-feira, Novembro 03, 2003




Anjinho pobre

Em caixa de papel, sem flores, foi deixado,
Lívido, corpo frio, ao total abandono,
Um pobre anjinho, que não fora despertado
Para a vida, de que devera ser o dono.

Nem os olhos abrira à luz, teve-os cerrados,
Sequer, pôde sentir da vida um leve tono,
Tão logo, pela morte iníqua, foi levado
Às regiões do ignoto, em sempiterno sono.

Morreu, sem ter sorvido um bom hausto da vida,
Gozado, um só momento, a beleza do mundo,
Visto o azul do céu, da natureza a festa.

Não creio possa ser justa a pena sofrida,
Que não o fez viver, ao menos, um segundo:
-Exata explicação, somente a ciência atesta.

Almeida Gouveia
Cacha-prego, junho de 1987

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O baile todo
DJ Marlboro, Cidinho e Doca, Serginho e Lacraia e Tati Quebra Barraco fazem todo o MAM se render ao funk na última noite do Tim Festival

Serginho e a rebolativa Lacraia cantaram até proibidões no show

Como diria Lacraia, foi o fervo. A última noite do Tim Festival, sábado, no Museu de Arte Moderna, bombou no palco e na platéia. Lá pelas cinco da manhã, depois de quase 12 horas de agito, DJ Marlboro apareceu para dar e muito bem seu recado. Ao lado de Cidinho e Doca, Serginho e Lacraia, Tati Quebra Barraco e bondes da Cidade de Deus, o DJ transformou o After Hours num bailão e fez black powers, rastafáris, patricinhas, modernos, a turma GLS e até punks se renderem ao funk.

Apesar da chuva forte, que atrapalhou shows no Club e no Stage, a noite prometia. E o Public Enemy, lenda do hip hop e principal atração da noite, era responsável por boa parte da expectativa. Mas foi o funk e os funkeiros que se ouvem no Rio que fizeram o público lotar o After Hours (ao contrário dos outros dias) e ficar até as 7h45 no MAM. Como a estudante Priscila Mendes, 21 anos, moradora do Leblon. Foi muito positivo o funk ter sido escolhido para encerrar o festival. Vim ver o Marlboro e não agüento mais essa mulher, reclamava de Peaches, a atração anterior.

Mesmo quem não sabia exatamente o que encontraria na discotecagem de Marlboro entrou no clima. Minha galera é da balada eletrônica, ninguém curte funk, mas o groove é para a massa. Não dá pra ficar parado, reconhecia a universitária Lucélia Lima, 23 anos, no maior figurino alternativo, de Brasília para o festival.

E Marlboro que comanda o programa Big Mix na FM O DIA , sabendo que o público presente não era exatamente de funkeiros, abriu com I Feel Good e Sex Machine, hits de James Brown, o pai do funk. E emendou um medley com clássicos do pancadão carioca, como Rap do Borel, o polêmico Rap das Armas e Rap da Estrada da Posse todos cantados pelo público.

Em seguida, o DJ chamou Cidinho e Doca, para falar da realidade da favela. Pessoas que desembolsaram R$ 30 pelo ingresso cantavam (com fervor) versos como andar tranqüilamente na favela onde eu nasci. Os Carrascos, o Bonde Faz Gostoso, o Malha Funk e As Tchutchucas, atrações seguintes, também não fizeram feio. Mas a platéia queria mesmo era Lacraia.

E eis que a musa surge, ao lado do inseparável MC Serginho, rebolativa como sempre. Da Egüinha Pocotó a Ó o Corno Aí versão politicamente incorreta de Tô Nem Aí, de Luka , Serginho cantou até proibidões e, como faz nos bailes, arrebanhou um voluntário para dar um beijo (de língua!) na Lacraia. Na seqüência, Tati Quebra-Barraco lavou a alma da platéia. Desbocada e divertida, mandou ver no escracho e foi devidamente acompanhada. No fim, mesmo dizendo não sou cocota, não tenho popozão, foi saudada com gritos de gostosa. Climão dos melhores bailes.

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Abaixo Halloween! Bruxa é coisa do Bush!


Buemba! Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Finados! Dia de los Muertos! E, em pleno Finados, uma boite gay está promovendo a festa A Ressaca dos Mortos. Ou seja, bicha não deixa de comemorar nem morta! E abaixo o Halloween! Bruxa é coisa do Bush! Em São Luis do Paraitinga festejaram o Dia do Saci! E abóbora só com carne-seca. Raloim só com carne-seca! E o bom de namorar com saci é que, quando você leva um pé na bunda, quem cai é ele! E sabe o que o saci falou pra sacia? Fica de três! Rarará!

Baixou um Schwarzenegger no Lula! Num discurso lá na Paraíba, o Lula vociferou: "Todos os ex-presidentes são covardes". Na realidade, foi um mal-entendido. É que o Zé Dirceu, com aquele seu sotaque caipira, sugeriu ao Lula dizer: Quo Vadis. Todos os ex-presidentes são uns quo vaarrrdis! E o Lulinha tá botando os tentáculos de fora. E olha que ele só tem nove. O Lula não pára de falar. Eu acho que ele engoliu um carro de som! Aquele de porta de fábrica. E sabe o que eu vou dar pro Don Doca FHC Boca de Sovaco de Natal? Um DVD com os discursos do Lula. Dezoito fitas! É mole? É mole, mas sobe!

E a novidade da novela "Celebridade" é que o Marcos Palmeira não está fazendo papel de pescador. E a segunda novidade é que o Thiago Lacerda não está fazendo papel de italiano, mas continua com sotaque. E a Deborah Secco tá molhadinha. E todos estão interTREPANDO muito bem!

E o fogo na Califórnia? O Exterminator nem assumiu, e a Califórnia já ficou exterminada. A rebelião da natureza. O fogo é democrata. Fogo Amigo! E diz que a Benedita reuniu a família e chorou as pitangas! E aí eu perguntei para um amigo: "Como vão as coisas?". "Mole e de cabeça pra baixo." Rarará!

Antitucanês, a Missão. Continuo na minha cruzada Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais três exemplos irados de antitucanês. É que na "pacata" cidade de São Felix do Xingu tem a Funerária Você É o Próximo. E, em Uberaba, tem o carvão para churrasco Joana d'Arc! E aquela confecção infantil Aquilo Deu Nisso!

Ah, e tem um quarto exemplo: aqui em Sampa, no Jabaquara, tem a Demolidora 11 de Setembro. Acabo de entrar pro Eixo do Mal! Viva o antitucanês. Viva o Brasil! E em pleno Finados pegaram uma velhinha fazendo xixi no túmulo do marido. É que cada um chora por onde tem saudades!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Leptospirose": vírus de laptop transmitido pela urina do mouse, laptopirose. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã!

simao@uol.com.br

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Evento
Mar de gente
Câmara do Livro festeja público de ontem e esperarepetir o recorde de 2002: 520 mil títulos vendidos
CÍNTIA MOSCOVICH

Os organizadores da 49ª Feira do Livro de Porto Alegre falam em recorde. Garantem que nunca, num só dia, circulou tanta gente como ontem pela Praça da Alfândega.

Se, ontem à tarde, alguém se dispusesse a cronometrar o tempo necessário para atravessar a Rua dos Andradas, nos 150 metros compreendidos entre a Caldas Júnior e a General Câmara, contaria pelo menos 20 minutos - houve momentos em que era impossível dar um singelo passo à frente.

As pessoas se aglomeravam para praticamente tudo: para conseguir um sorvete, para chegar aos livros nas barracas, para entrar nos prédios do circuito cultural da Praça da Alfândega - uma fila que permanecia sempre do mesmo tamanho, com cerca de 500 pessoas, esperava para entrar no Margs, onde se exibe parte da 4ª Bienal do Mercosul.

A Feira, que por décadas vem batendo recordes de visitação - no ano passado foram 1,7 milhões de pessoas contra 1,6 milhões em 2001, segundo levantamento da Câmara Rio-grandense do Livro (CRL) - , é um fenômeno. Conforme o presidente da entidade, Geraldo Huff, o movimento-monstro de domingo foi devido ao passe livre no sistema de transporte público e ao feriado de Finados, dia em que tradicionalmente a Praça fica repleta.

Júlio La Porta, o Xerife da Feira, livreiro há 34 anos, responsável por abrir e encerrar as atividades todos os dias com o toque de sua sineta, confirma o diagnóstico de Huff:

- Desde que eu me conheço por gente, o dia de Finados é o de maior movimento de público. Acho que, por ser feriado e por ser domingo, tivemos esse resultado maravilhoso. Vamos ver o que vem na seqüência.

Geraldo Huff afirma que o trânsito de pessoas no domingo compensou e, em muito, a visitação do sábado, que decaiu em função da chuva e da queda de temperatura.

- A comercialização de livros do segundo dia da Feira foi excelente: os compradores habituais sabem os melhores momentos para comprar - comenta o presidente da CRL.

A expectativa de Huff é de que, até 16 de novembro, dia em que se encerra a Feira, a contablidade chegue aos 1,8 milhão de visitantes. O editor espera que, neste ano, se repitam as vendas de 2002, quando se chegou à cifra de 520 mil exemplares vendidos, número que corresponde a um crescimento de 14,6% em relação ao ano anterior.

- Ainda é cedo para um prognóstico mais otimista. Mas os livreiros já se darão por satisfeitos se conseguirem manter a média de vendas do ano passado - avalia Huff.

Júlio La Porta, Xerife da Feira
"Por ser Finados e por ser domingo, tivemos esse resultado maravilhoso."

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Artigo
Uma celebração da literatura
MOACYR SCLIAR

Cada novo livro de Luiz Antonio de Assis Brasil é uma celebração literária. Estamos diante de um mestre, de um escritor notável pela elegância da forma e pelo domínio da técnica narrativa. Mas Assis Brasil é, antes de tudo, um escritor amável. Entrevistado há meses, disse que estava trabalhando nesta nova novela, "saboreando cada palavra". Ou seja: ele escreve com prazer, e este prazer comunica-se ao leitor através de suas histórias, como O Pintor de Retratos (2001) e o recém-lançado A Margem Imóvel do Rio, ambos da L&PM. Os dois devem ser citados juntos pois, como observa o autor, formam um díptico.

E, eu acrescentaria, correspondem a uma nova fase na sólida e consistente carreira de Assis Brasil. Ambos tem temática histórica, como muitos dos livros anteriores; mas ambos se diferenciam por assumirem a forma de novela. Este é um gênero pouco cultivado entre nós, o que é uma pena, porque na categoria de novela se enquadram grandes obras da literatura, como é o caso de A Morte de Ivan Illich, de Tolstói. E Assis Brasil leva o gênero ao ápice do virtuosismo.

A trama é relativamente simples. O cronista da corte de D.Pedro II (imperador que, segundo Assis Brasil, correspondeu a uma "necessidade romântica") é enviado à então província do Rio Grande do Sul com a missão de encontrar um estancieiro chamado Francisco da Silva. Esta jornada é o ponto de partida para uma notável incursão pelo Rio Grande do século XIX.

Mergulho no tempo imprescindível para entender a sociedade gaúcha contemporânea porque, como diz Assis Brasil, "tudo no pampa pertence a uma outra era". A galeria de personagens é absolutamente notável. Se o silêncio, como diz Horácio na epígrafe, zumbe sobre a margem imóvel do rio, a ficção de Assis Brasil ressoa vibrante sobre a margem sempre móvel da História gaúcha.

Autógrafos
Hoje, às 19h

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Luis Fernando Verissimo
03/11/2003


O nome da serpente

Na sua peça em três partes The Coast of Utopia (A Costa da Utopia), Tom Stoppard põe na boca de Michael Bakunin um pensamento sobre a queda que condenou o Homem à infelicidade. "Uma vez", diz Bakunin, "há muito tempo, no começo da História, éramos todos livres. O Homem integrava-se com sua natureza, e portanto era bom. Vivia em harmonia com o mundo. Não existia conflito. E então uma serpente entrou no jardim, e o nome da serpente era..."

Para o anarquista Bakunin, o nome da serpente que nos roubou do paraíso era "Ordem". ("Organização social! O mundo já não estava integrado. A matéria e o espírito se separavam. O Homem não era mais inteiro. Era impelido por ambição, cobiça, ciúmes, medo... O conflito tornou-se a condição da sua vida, o indivíduo contra seu vizinho, contra a sociedade, contra ele mesmo. A Idade de Ouro acabou. Como podemos criar uma nova Idade de Ouro e tornar o Homem livre outra vez?

Destruindo tudo que destruiu a sua liberdade.") Mas para um socialista, organização social é o que salva o Homem da sua pior natureza e do conflito e traz a harmonia, portanto "Ordem" não é o nome que ele escolheria para a serpente. Para um fascista, só a submissão a uma idéia e uma autoridade integradoras resgata a felicidade, portanto Ordem também seria elogio, não é nome de serpente. Para um liberal, se foi a serpente que inaugurou o homem competitivo, então viva a serpente.

Que nome se deve dar à serpente? Você eu não sei, mas eu acho que um bom nome é "Precisão". Foi quando desenvolveu o dedão opositor e se tornou capaz de, primeiro, catar pulgas com mais eficiência e eventualmente esgoelar o próximo e fabricar e empunhar implementos sem deixar cair - enfim, quando se tornou preciso -, que o Homem começou a sair do paraíso.

Acabou a Idade de Ouro da inabilidade digital, que nos igualava aos outros animais e nos impedia gestos especulativos, como o de segurar um cristal contra o Sol e ficar filosofando sobre a luz decomposta em vez de se integrar com a Natureza como um bom bicho. O dedão opositor está nas origens do arco e flecha, daí para o zíper e as centrais nucleares foi um pulo que era melhor não ter dado. A nossa queda começou pelo polegar.

Na mesma peça, o Bakunin de Stoppard consola um amigo, desesperado com as seguidas derrotas do seu ideal socialista pelo reacionarismo. "A reação é apenas a ilusão ótica do rio que parece correr para trás, quando o rio corre sempre para o mar, que é a liberdade ilimitada e indivisível!" Um consolo para frustrados de todas as épocas.

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Paulo Sant'ana
03/11/2003


Não acabou a guerra

Crescem as suspeitas de que Saddam está por trás da resistência iraquiana que culminou ontem com a morte de 16 soldados norte-americanos, 15 deles atingidos em um helicóptero que voava e acabou destroçado numa fazenda na localidade de Baisa.

Além disso, mais 21 soldados que viajavam no helicóptero restaram feridos.

Há testemunhas de que o helicóptero foi abatido por mísseis. Este não é o primeiro atentado com mísseis. Há poucos dias, um hotel do centro de Bagdá também foi atingido, quando quase foi morta a maior autoridade norte-americana no Iraque.

Já são agora 138 os militares norte-americanos mortos no Iraque depois de 1º de maio, quando o presidente Bush anunciou que a guerra havia terminado.

Como se vê, a guerra não terminou. E esta queda do helicóptero com 15 soldados americanos revela-se como uma verdadeira tragédia nacional para os EUA.

Os soldados estavam entrando em férias e iriam embarcar para seu país, em visita aos seus familiares. Esse detalhe torna a tragédia ainda mais tocada pela emocionalidade do povo norte-americano, que deve nos próximos dias voltar-se contra Bush e contra o prosseguimento da ocupação do Iraque.

Somente durante a guerra houve um episódio que superou o número de mortos americanos em um só dia: foi em 23 de março, quando 38 soldados dos EUA foram mortos, mas em vários combates.

Agora 15 são abatidos em um helicóptero. E por mísseis.

Além disso, o 16º soldado americano morto ontem foi atingido por uma mina que explodiu sob o veículo que viajava. E ainda ontem quatro outros soldados americanos ficaram feridos quando explodiu o jipe em que viajavam pela força de uma bomba colocada sob uma ponte pelas forças da resistência.

Pelo que se nota, o mundo pode ter sido ludibriado quando se disse que a guerra com o Iraque tinha acabado em 1º de maio.

Não acabou, continua cada vez mais feroz, se for levado em conta que morreram muito mais militares dos EUA depois do anúncio do fim da invasão e das hostilidades do que durante a guerra.

O Iraque está cobrando caro a sua submissão. E, ou é reaberta oficialmente a guerra, com aumento de tropas americanas sendo enviadas ao Iraque, ou demandará anos a conquista do dominador.

Triste, desoladora derrota do Grêmio para o Paraná.

Quando anunciei há cem dias que o Grêmio já estava rebaixado, falei por impulsos cerebrais.

Quando timidamente revelo esperança de que o Grêmio possa escapar do rebaixamento, me expresso movido por impulsos emocionais, vindos do meu coração de gremista.

Quando afirmo que o Grêmio já está rebaixado, isto é fruto do meu raciocínio, feito em cima da precária situação financeira do clube, que a direção não soube ou não pôde aplacar, e da análise sobre a tendência de derrotas do time na competição.

Quando me solidarizo com os que acham que o Grêmio pode se safar da enrascada, faço-o para não desanimá-los e porque esta também é minha férrea esperança.

Mas meu cérebro me dita há muito tempo que não havia mais salvação.

Que se dane meu cérebro - é o desejo do meu coração.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Diplomacia
A África saúda Lula



No primeiro dia de sua viagem por cinco países africanos, Lula foi recebido com festa por escolares em São Tomé, capital de São Tomé e Príncipe (foto Ricardo Stuckert, ABR/ZH)


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Domingo, Novembro 02, 2003




SABERÁS

Jamais saberás, Amor,
Das vezes incontáveis que me vens à mente,
De como eu tenho te amado loucamente,
Sem poder gritar ao mundo esta afeição!

Jamais saberás, Amor,
Dos acordes do meu violão plangente,
Que me pego a tocar, pra ti somente,
Como que a alcançar teu coração!

Jamais saberás, Amor,
Dos meus lábios percorrendo a tela fria,
Onde, sereno, tu sorris pra minha alegria,
Qual se fora angélica visão!

Jamais saberás, Amor,
O quanto eu tenho procurado em teu semblante,
Um só tom que a mim não soe dissonante,
Nos acordes deste meu querer, em vão!

E ainda, Amor,
Que eu cante os meus delírios, sem procedimento,
Senão aqui, por certo te direi no firmamento,
Que és a minha luz, em forma de ilusão!


Fátima Irene Pinto

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O que são alimentos transgênicos?


Não se fala em outra coisa nos noticiários de TV e nos jornais. O assunto é polêmico e o MULHER pesquisou sobre o assunto. As informações são da Ong Rede Mulher de Educação, que pesquisou o assunto e se mostra contra o produção de transgênicos.

Alimentos transgênicos são criados em laboratórios com a utilização de genes de espécies diferentes de animais, vegetais ou micróbios. A nova tecnologia permite, por exemplo, introduzir um gene humano em um porco; ou um gene de rato, de peixe, de bactéria ou de vírus em espécies de arroz, soja, milho ou trigo o resultado é um produto transgênico.

Só de olhar não dá para perceber a diferença entre um alimento natural e um transgênico. A engenharia genética, tecnologia aplicada na criação de produtos transgênicos pode trazer benefícios para a população, como na produção de medicamentos, por exemplo. Antes de ser aprovado para uso, o produto é submetido a rigorosos testes, para garantir que é seguro. O grave problema é que isso não vem acontecendo com os alimentos.

Os produtos transgênicos podem fazer mal à nossa saúde e prejudicar o meio-ambiente. Quando se insere um gene de um ser em outro, novos compostos são formados nesse novo organismo, como proteínas e aminoácidos. Se este organismo modificado geneticamente for um alimento, seu consumo pode desencadear processos alérgicos em massa; aumentar a resistência aos antibióticos, quer dizer, pode reduzir ou anular a eficácia dos remédios à base de antibióticos, o que é uma série ameaça à saúde pública.

Substâncias
Além disso, segundo pesquisas da Ong, os transgênicos também podem aumentar as substâncias tóxicas. Existem plantas e micróbios que possuem substâncias tóxicas para se defender de seus inimigos naturais, os insetos, por exemplo. Na maioria das vezes, não fazem mal ao ser humano. No entanto, se o gene de uma dessas plantas ou de um desses micróbios for utilizado em um alimento, é possível que o nível dessas toxinas escape do controle e cause mal a pessoas, a insetos benéficos e a outros animais. Isso já foi constatado com o milho transgênico Bt, que pode matar lagartas de uma espécie de borboleta, a borboleta monarca, que é o agente polinizador (que tem a importante função de fecundar os óvulos).

Meio ambiente
Ao colocar genes de resistência a agrotóxicos em certos produtos transgênicos, as pragas e as ervas-daninhas poderão desenvolver a mesma resistência, tornando-se superpragas. Isto vai exigir a aplicação de maiores quantidades de veneno nas plantações, resultando no aumento de resíduos nos alimentos que comemos, poluindo rios e solos, e prejudicando ainda mais o equilíbrio do meio-ambiente.

ProduçãoÉ mentira que as sementes transgênicas vão aumentar a produção de alimentos e "matar a fome no mundo", pois um pequeno e poderoso grupo vai ser dono das sementes, aumentando a dependência dos pobres e acabando com a diversidade das sementes.

É bom saber
A revista New Scientist, de 26/05/01, alerta: "as reais engrenagens dessa revolução são as companhias. E o seu interesse será criar porcos de crescimento rápido para grandes fazendeiros, não animais que resistam a parasitas no mundo em desenvolvimento. Antes de decidir se superporcos ou galinhas mutantes são bons ou não, convém perguntar quem vai tomar conta da granja."

Ciência
Transgênicos são alimentos geneticamente modificados para obter um produto diferenciado, com maior resistência ou tamanho que os demais. A manipulação genética possibilita a transferência de genes de espécies diferentes, que alteram as características originais do alimento. Por exemplo, combinando genes de plantas com os de animais.

Surgimento
A primeira planta transgênica foi um tabaco resistente a antibióticos, criado em 1983. Mas só em 1994 os transgênicos chegaram ao supermercados.

Segundo os cientistas, ainda não há nenhum estudo conclusivo sobre o assunto. Os defensores dos transgênicos alegam que não existem relatos comprovados de problemas de saúde relacionados ao consumo dos alimentos. Já seus adversários, preferem que o transgênico só seja comercializado depois da comprovação de que não oferece riscos. Mas tais impactos na saúde humana só poderão ser avaliados daqui a alguns anos.

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Auto-estima para viver melhor

Nos dias atuais, a auto-estima é a receita para se viver bem em todos os setores da nossa vida: amoroso, profissional e familiar. Psicólogos alertam que a baixa auto-estima gera ansiedade, medo, depressão, fobias, enfim, uma série de outros problemas que a vida moderna, agitada e estressante nos impõe.

Auto-estima é a capacidade que uma pessoa tem de confiar em si própria, de se sentir capaz de poder enfrentar os desafios da vida, é saber expressar de forma adequada para si e para os outros as próprias necessidades e desejos, é ter amor próprio. Segundo a psicóloga Olga Inês Tessari, auto-estima é saber que você tem o direito e merece mesmo ser feliz! E, para ser feliz, sua auto-estima deve estar num bom nível, quanto maior, melhor. O amor próprio é essencial.

E, se você está assim meio pra baixo, está na hora de mudar. E, para começar, aproveite nossas sugestões. Publicamos hoje as tendências de maquiagem e cores de cabelos para esta temporada. Sinta-se bonita e aproveite estes dias quentes de primavera. Depois, confie em sua enorme capacidade de pensar e enfrentar os desafios da vida. E viva melhor!

Marta Vicentin


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