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Sábado, Novembro 15, 2003




Ponto de vista: João Mellão Neto
Você também é liberal
"Ser liberal é compreender que a solidariedade será sempre inócua enquanto se fizer pelos outros o que eles podem fazer por si próprios"

Eu sou e sempre fui um liberal. De origens que remontam a Locke e Thomas Jefferson, o liberalismo vem nascendo, morrendo, mas sempre ressurgindo na sociedade há mais de 200 anos. Por vezes ele sucumbe às tentações totalitárias, como o comunismo ou o fascismo. Mas sempre renasce, cada vez mais forte, quando as ilusões e utopias se desvanecem. Por que ele está sempre de volta? Talvez porque seja o único conjunto de idéias que condiz com o espírito e a dignidade do ser humano.

Ilustração Ale Setti

Ser liberal é repudiar a esquerda e a direita. Se imaginarmos o espaço ideológico como um triângulo, teremos em um vértice a esquerda, em outro a direita e no terceiro o liberalismo. A direita é conservadora, imobilista e aferrada aos privilégios. A esquerda, por sua vez, defende um Estado onipresente, que comanda a sociedade e dita as regras da convivência humana. O liberalismo não é de direita, porque não teme a inovação e o progresso e abomina os privilégios, e refuta a esquerda, porque entende que os direitos dos indivíduos estão acima das imposições do Estado.

Você talvez seja um liberal sem nunca se ter dado conta disso. Transcrevo, a seguir, uma compilação de idéias liberais, em que procurei resumir todos os princípios que regem a visão de mundo do liberalismo. Se você, leitor, concordar com tudo o que é dito a seguir, é porque, mesmo sem o saber, é um liberal também. E não há por que envergonhar-se disso.

O CREDO LIBERAL

Ser liberal é, sobretudo, jamais temer a liberdade; é acreditar no homem; é saber que, no âmago de cada um, reside uma usina de força, uma energia divina à espera de ser despertada.

É apostar no indivíduo; crer na sua capacidade de, por si só, reformar o mundo, melhorando-o, não só para si mas também para seus semelhantes e seus descendentes.

Ser liberal é compreender que os direitos de cada indivíduo não são concedidos pela sociedade nem outorgados pelo Estado; são, isso sim, sagrados, emanados das mãos de Deus.

Ser liberal é entender que a real liberdade não é apenas a liberdade política; que esta só se torna plena quando acompanhada da liberdade econômica.

É defender que o mesmo direito de escolha que o homem, como cidadão, consuma pelo voto não lhe pode ser vedado como produtor e consumidor exercê-lo pelo mercado.

Ser liberal é saber que somente pela livre opção dos consumidores, como pela livre concorrência entre os produtores, é que se dá o verdadeiro progresso, obtido com produtos e serviços cada vez melhores, oferecidos a preços cada vez mais baixos.

É vedar ao Estado o direito de estabelecer monopólios, criar reservas de mercado ou outorgar privilégios a quem quer que seja, sob qual pretexto for.

Ser liberal é respeitar os cidadãos no seu direito à propriedade de todos os bens que, honestamente, amealharam.

É proteger a propriedade de cada um da sanha de todos; é proteger a propriedade de todos da sanha de cada um.

Ser liberal é compreender que a solidariedade será sempre inócua enquanto se fizer pelos outros o que eles podem fazer por si próprios.

É auxiliar os fracos, socorrer os aflitos, mas jamais perder de vista que só se dá uma ajuda efetiva quando os ajudamos a se ajudarem.

Ser liberal é defender intransigentemente a igualdade. Não como a padronização dos costumes ou o nivelamento das rendas.

É saber que a verdadeira igualdade é, isso sim, a igualdade de oportunidades. E esta só se dá pelo acesso garantido a todos, sem discriminações, a serviços eficientes de educação, saúde, segurança e justiça.

Ser liberal não é pregar o fim do Estado nem sequer enfraquecê-lo. É defender que ele seja forte e eficaz, porque concentrado nessas suas básicas funções.

Pois é somente através dessas garantias que o homem se torna um cidadão, preparado e capacitado a desenvolver-se em seus potenciais.

Ser liberal, por fim, é acreditar que não se louva a Deus apenas pela prece, mas também pelo esforço de cada um para construir um mundo melhor.

Pois a verdadeira fé não se manifesta apenas pelos joelhos que se dobram, mas principalmente pelo espírito, o qual nunca se deixa dobrar...

João Mellão Neto é jornalista (mellao1@uol.com.br)

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Diogo Mainardi
A África que Lula adorou

"Lula encantou-se com a capital da Namíbia, produto arquitetônico do apartheid. É bonita e limpa porque foi feita por brancos e para brancos. Os negros foram segregados em Katatura, feia e suja. Lula não foi a Katatura"

A África é feia e suja, segundo Lula. Exceto Windhoek, capital da Namíbia. Windhoek é bonita e limpa. Tanto que nem parece a África. Gilberto Gil e Benedita da Silva concordaram com o presidente. Quem também concordou foi outra ministra negra do governo, Matilde Ribeiro, que recebe um salário para promover a igualdade racial no Brasil.

Windhoek é bonita e limpa porque foi feita por brancos e para brancos. Fundada por descendentes de holandeses, foi sucessivamente ocupada pela Alemanha, Inglaterra e África do Sul. Lula apreciou muito a arquitetura de Windhoek. Ele acha que a eleição a presidente lhe conferiu legitimidade para proferir julgamentos estéticos. No caso de Windhoek, todas as atrações arquitetônicas foram construídas por brancos, durante o regime colonial. Como a catedral luterana, que fica numa rua chamada Fidel Castro, em homenagem ao ditador de Cuba. Ou o Congresso Nacional, que fica numa avenida chamada Robert Mugabe, em homenagem ao ditador do Zimbábue.

A África do Sul, depois da II Guerra Mundial, implantou o regime de apartheid na Namíbia. Windhoek se tornou uma cidade exclusivamente branca, e permaneceu assim até 1990. Os pardos foram transferidos à força para o subúrbio de Khomasdal. Os negros foram segregados em Katatura, ainda mais distante. Katatura significa "o lugar onde não queremos estar". Como o resto da África, é feia e suja. Um amontoado de favelas, onde só moram negros. Tem até uma favela chamada Babilônia, como a do Rio de Janeiro. O crítico de arte Lula não emitiu uma opinião estética sobre Katatura. Ele não foi a Katatura.

Tecnicamente, Lula seria considerado um pardo no regime de apartheid. Não poderia morar na bonita e limpa Windhoek. Nem poderia ter casado com uma branca. Mas isso não importa. O revisionismo histórico é uma especialidade dos petistas. Eles já engoliram tudo o que disseram no passado a respeito da ditadura militar, dos coronéis nordestinos, dos alimentos transgênicos, da reforma agrária, do salário mínimo, do FMI e do neoliberalismo malaniano. Faltava apenas enaltecer a política social do apartheid.

O importante, agora, é descobrir se o encantamento do presidente com o produto arquitetônico do apartheid terá alguma conseqüência prática. O planejamento urbano de Windhoek levou à demolição arbitrária de todos os barracos pertencentes a negros e pardos. O Rio de Janeiro, como Windhoek, ficaria mais bonito e limpo sem suas 700 favelas. O governo federal poderia incendiar todos os barracos e reflorestar as encostas dos morros. Benedita da Silva e os outros favelados seriam removidos para além de Duque de Caxias. A microcriminalidade diminuiria, sobretudo se os favelados, para entrar no Rio de Janeiro, fossem submetidos a uma meticulosa inspeção, como acontecia em Windhoek.

Depois de elogiar o cenário do apartheid, Lula assumiu novamente o papel de crítico de arte e prometeu que o Brasil participaria da Renascença africana. Lula não gosta de pobre. Ele gosta mesmo é de Palladio e Sansovino.

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Juventude trucidada
Bárbaro assassinato de casal de estudantes mostra os riscos
de ser adolescente e reanima debate sobre maioridade penal


Chico Silva, Mário Simas Filho e Rita Moraes
Colaboraram: Carla Gullo e Laura Ancona Lopez


Paixão: As cartas de Liana para Felipe mostram o envolvimento dos dois adolescentes. É impossível definir exatamente com quantos anos uma criança se torna adolescente e com qual idade o adolescente passa a ser adulto. Muito mais do que uma etapa cronológica, a adolescência se caracteriza como o período em que o jovem busca sua auto-afirmação, procura romper limites, questiona regras e se sente imune a qualquer coisa. Segundo especialistas, trata-se de uma saudável fase de mudanças de comportamento.

Na última semana, porém, o bárbaro assassinato dos estudantes Felipe Silva Caffé, 19 anos, e Liana Friedenbach, 16, revelou, em cores cruéis, que, numa sociedade marcada por desigualdades profundas na qual a vida se tornou banal, a adolescência está sendo roubada. ¿Viver perigosamente deixou de ser uma expressão charmosa que apontava alguns comportamentos típicos de adolescentes para tornar-se uma frase com sentido bem concreto e ameaçador¿, diz a psicóloga Rosely Sayão, autora de Como educar meu filho? Entre os frios assassinos de Liana e Felipe está também um adolescente que confessou ter matado apenas porque sentiu vontade de matar. O caso chocou o País e reanimou o debate sobre a redução da maioridade penal no Brasil.

Liana, a filha mais velha de uma família de classe média alta, cursava, no período noturno, o segundo ano do ensino médio no Colégio São Luiz, um dos mais tradicionais de São Paulo. Na quinta-feira 29 de outubro, ela disse aos pais ¿ o advogado Ari e a pedagoga Márcia ¿ que passaria o final de semana com amigas do Shazit, um grupo de jovens ligados à Congregação Israelita Paulista (CIP), em Ilhabela, no litoral norte de São Paulo. Felipe, o caçula dos quatro filhos do economista Reinaldo e da enfermeira Lenice, de classe média baixa, estava desempregado e cursava o terceiro ano do ensino médio, também no São Luiz, como bolsista. Ele namorava Liana havia um mês e meio e disse aos pais que no final de semana iria acampar com amigos em um sítio de Embu-Guaçu, na região metropolitana de São Paulo. Felipe e Liana mentiram para seus pais.

Na sexta-feira 30 de outubro, os dois saíram do colégio por volta das 23h e passaram o resto da noite perambulando pela avenida Paulista. No sábado pela manhã, tomaram um ônibus para Embu-Guaçu e depois caminharam cerca de oito quilômetros até chegarem, perto do meio-dia, ao sítio do Lê, uma área abandonada pelo proprietário, quase na divisa com o município de Juquitiba. No caminho, compraram água, miojo, biscoitos e leite em pó. Montaram a barraca e foram passear em um lago próximo dali. Quando estavam perto do lago, o sonho romântico dos adolescentes que buscavam um final de semana a dois no bucólico cenário da Mata Atlântica começou a virar pesadelo.


Ari Friedenbach, pai da estudante Liana: ¿É importante que os adolescentes falem com os pais e ouçam o que eles têm a dizer¿ Medo ¿ Quando caminhavam para o lago, Felipe e Liana foram vistos pelo também adolescente R.A.A.C., 16 anos, conhecido como Champinha. Pobre, filho de pai alcoólatra, ele estudou apenas até a terceira série do ensino básico. Entre os dez e os 14 anos, Champinha ajudou a mãe no trabalho da roça, mas, no lugar de uma adolescência sadia, ele sofre com a falta de medicamentos para as convulsões que começou a ter a partir dos 14 anos, quando passou a viver largado pelas ruas prestando serviços a quadrilhas que atuam nos desmanches de carros roubados. Apesar de não registrar nenhuma passagem pela Febem, ele é acusado de já ter matado pelo menos uma pessoa. Sempre com um facão na cintura, Champinha se impunha na região pelo medo que transmitia aos vizinhos, conhecedores de seus crimes. Quando avistou o casal, planejou assaltá-los. Chamou o comparsa Aguinaldo Pires, 41 anos, seu companheiro em pequenos furtos e caseiro da Chácara Fazenda Boa Esperança, a quatro quilômetros do sítio do Lê. Aguinaldo, com uma espingarda usada para caçar, e Champinha, com o facão, renderam o casal sem dificuldade.

Foram até a barraca e pegaram cerca de R$ 45 na carteira de Liana. Frustrados com a falta de maiores valores, decidiram que o assalto iria se transformar em sequestro. Levaram o casal até a Chácara Boa Esperança. Lá, um outro comparsa, Paulo César Marques, conhecido como Pernambuco, se juntou ao grupo. Em um casebre bagunçado, sujo e sem luz elétrica, os cinco passaram a noite no
mesmo quarto.

No domingo pela manhã, Felipe argumentou que sua família não era rica e que tinha um irmão policial. Foi o suficiente para selar seu destino. Os cinco deixaram a casa e caminharam cerca de três quilômetros pela mata. Próximo a um desfiladeiro, Pernambuco pegou a espingarda de Aguinaldo, mirou a nuca de Felipe e disparou. Segundo legistas do IML paulista, o estudante morreu em poucos segundos. Liana, de acordo com o depoimento de Champinha, não viu o namorado ser morto, mas ouviu o tiro e entrou em estado de choque. ¿Ela ficou tremendo o tempo todo e não falava nada. Só chorava¿, disse Aguinaldo na delegacia de Embu-Guaçu.

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Vida real

Quem são as verdadeiras Marias Claras, as mulheres que, como a personagem de Celebridade, estão por trás dos grandes eventos da cidade
Clarissa Monteagudo

Som maravilhoso, visual envolvente, organização perfeita e sucesso de público. Enquanto todo mundo se diverte nos eventos, há uma legião de profissionais preocupados em cuidar de todos os detalhes para que nada desafine. O cotidiano das Marias Claras Diniz (Malu Mader) da vida real não é bem como Gilberto Braga mostra na novela Celebridade. Elas não têm Renato Mendes (Fábio Assunção) como inimigo, seus amores não estão nas capas de revista e nem fogem dos paparazzi. Mas também têm lá o seu charme.

Não conheço ninguém nessa área que tenha um milhão de reais no banco. E as roupas curtas? Maria Clara devia se preservar mais, não dá para trabalhar assim, brinca Maria Fortuna, responsável pela divulgação dos eventos da Fundição Progresso.

Aos 25 anos, Roberta Medina tem que dar conta de uma rotina de tirar o fôlego. No currículo, a produção do Rock in Rio 3, da Árvore de Natal da Lagoa e do evento Oi Novos Urbanos, que acontece hoje e amanhã na Marina da Glória. Mínimo de dez horas por dia de expediente, liderar de 20 a 400 pessoas dependendo do trabalho, controlar a adrenalina causada por prazos, relação com patrocinadores, custos das produções e ainda manter a qualidade de vida.

Eu me sinto privilegiada em trabalhar com o que gosto. Sou zen na liderança, acredito que as pessoas têm que trabalhar felizes. O chicote existe, sou exigente comigo e com os outros. Mas é preciso amar, ver a natureza e pensar na vida, defende Roberta, que controla a adrenalina correndo no calçadão.

Em primeiro lugar, o trabalho. Nesse ponto, as produtoras Joana Braga e Verônica Nascimento rezam pela cartilha da musa da novela. Daqui a dez anos, espero ter mais tempo para cuidar de mim e viajar, admite Joana, responsável pelo Open Air, que promoverá shows e sessões de cinema no Jockey Club em janeiro. A gente passa muito sufoco. Perto dos eventos, ligam pessoas para mim, dizendo estudei com você na quarta série e me pedindo convite, conta a produtora.

Ex-braço direito de Marcelo D2 e produtora de grandes eventos de hip hop, como a Liga dos MCs, Verônica Nascimento tem jogo de cintura:Às vezes, tenho que agir como mano, falar gíria, gesticular. Outros, ser uma seda. Ah, e tem que engolir muito sapo. Que não tem os olhos azuis de Renato Mendes.

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Buemba! Milene parte pra repescagem!

Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa. Pensamento do dia pichado no muro: rico é playboy, e pobre é motoboy! E duas declarações que abalaram o planeta: "Não gosto de guerra", Bush a um jornal britânico. Ele gosta é de provocar guerra! E esta que saiu no Pelénet: ""Não vou poupar o Peru", Ronaldo"! Agora que tá separado oficialmente é que ele não vai poupar mesmo!

Época de botar o peru pra fora. E a Milene deixou o Ronaldo e namora um jogador da segunda divisão. Ou seja, partiu pra repescagem. Rarará!

E como me disse aquele outro: se a Milene não liga pra chifre, por que não namora logo um toureiro? Errou de esporte! E é amanhã: Selecinha do Parreira x Peru do Vizinho! E não aguento mais trocadilho com Peru. Por que não mudam o nome do país pra Perereca? Rarará!

E diz que o Parreira não toma Viagra pra não ficar mais cabeça dura! E o Ruinvaldo? Há seis meses não faz um gol. Por isso que o Parreira ama o Ruinvaldo. Diz que ele tá numa fase tão ruim que, se tentar fazer gol contra, chuta pra fora! E sabe o que o Peru falou pro Zagallo? "Você vai ter que me engolir." Rarará!

Tô adorando essa dupla: Rivaldo e Kaká. Porque se a gente comer o Peru, a manchete tá pronta: "Viva o Kaká! Ganhamos bonito". E se a gente levar um peruzaço: "Viva o Rivaldo! Perdemos feio". Só que o Rivaldo não é feio, é fraco de feição! Desabonitado!

E a última sobre a Putarquia Britânica, ou Gay Charles, a Biba de Windsor: diz que ele trocou uma dama de ouros por um valete de paus! E o Rock in Rio em Lisboa? Perguntaram pros portugueses: mas não é uma incongruência o Rock in Rio ser em Lisboa? Aí eles mudaram pra Fado em Rio. É mole? É mole, mas sobe.

Antitucanês Reloaded, a Missão! Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que em Jundiaí tem um bar atrás do cemitério que se chama Kudo Coveiro! E em Porto Alegre temos o restaurante Mocotó Gruda Beiço. Rarará! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula! Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Alcatéia": grupo de lobos que apóia a Alca. "Al Qaeda": casa de armas que apóia a Alca! E o melhor dos melhores: "Açaí": grito de guerra do churrasco da Granja do Torto. Açaí, companheiro. Rarará!

Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. O já famoso Estoura Brasil!

simao@uol.com.br

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Lya Luft
15/11/2003


Canção dos homens

Que quando chego do trabalho ela largue por um instante o que estiver fazendo - filho, panela ou computador - e venha me dar um beijo como os de antigamente.

Que se estou cansado demais para fazer amor ela não ironize nem diga que "até que durou muito" o meu desejo ou potência.

Que quando quero fazer amor ela não se recuse demasiadas vezes, nem fique impaciente ou rígida, mas cálida como foi anos atrás.

Que não tire nosso bebê dos meus braços dizendo que homem não tem jeito pra isso, ou que não sei segurar a cabecinha dele, mas me ensine o que eu não souber.

Que ela nunca se interponha entre mim e as crianças, mas sirva de ponte entre nós quando me distancio ou distraio demais.

Que ela não me humilhe porque estou ficando calvo ou barrigudo, nem comente nossa intimidade com as amigas, como tantas mulheres fazem.

Que quando preciso ficar um pouco quieto, ela não insista o tempo todo para que eu fale ou a escute, como se silêncio fosse sinal de falta de amor.

Que quando estou com pouco dinheiro ela não me acuse de ter desperdiçado com bobagens em lugar de prover para minha família.

Que quando estou trabalhando ela não telefone a toda hora para cobrar alguma coisa que esqueci de fazer ou não tive tempo.

Que não se insinue com minha secretária ou colega para descobrir se tenho uma amante.

Que jamais se permita comentar diante de outros, nem de brincadeira, seja positiva ou negativa, o meu desempenho sexual.

Que com ela eu também possa ter momentos de fraqueza, de ternura, me desarmar, me desnudar de alma, sem medo de ser criticado ou censurado: que ela seja minha parceira, não minha dependente nem meu juiz.

Que cuide um pouco de mim como minha parceira, mas não como se eu fosse um filho desastrado e ela a mãe onipotente; que não me transforme em filho.

Que mesmo com o tempo, os trabalhos, os sofrimentos e o peso do cotidiano, ela não perca o jeito que tanto me encantou quando a vi pela primeira vez.

E que se erro, falho, esqueço, me distancio, me fecho demais, ou a machuco consciente ou inconscientemente, ela saiba me chamar de volta com aquela ternura que só nela eu descobri, e desejei que não se perdesse nunca, mas me contagiasse e me tornasse mais feliz, menos solitário, e muito mais humano.

lya.luft@zerohora.com.br

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Nei Lisboa
15/11/2003


Fetiches e falsários

Muito barulho por nada, é isso o que se tem feito em torno da obra de Amadeu Junqueira, alçado ao posto de guru do construtivismo pedagógico tupiniquim com seu Pós-estruturalismo em Heidegger (Remanso, 328 páginas, R$ 49). Sem acrescentar um filamento de luz ao debate filosófico da educação, o autor se compraz em enumerar pirotecnias epistemológicas, tirante as quais, a rigor, a produção teórica de Junqueira sequer existe.

E não existe mesmo. Inventei o autor e tudo mais no arrazoado aí de cima por não conseguir me conter. A Feira se despede amanhã e eu hoje, era chance única de viver por umas linhas o fetiche da crítica literária implacável. Num arresisti. Desculpe. Nem precisam me lembrar que esse espaço se pretende para fins mais nobres do que tirar a graça do leitor. Mas, quem sabe, dessa patacoada eu possa extrair uma reflexão.

Por trás do fetiche da crítica, o da erudição. Por trás da pilhéria, o receio de ser abatido na ignorância - daquilo que se desconhece, não se sabe o perigo que representa. Fale em epistemologia naquela churrascada típica de domingo e prepare-se para olhos arregalados antes que o primeiro deboche da palavra desanuvie o ambiente.

Foi para dissolver essa combinação de respeito e medo em relação aos livros e à leitura, muito associada ao difícil e ao empertigado, que surgiu a Feira. Acho que ainda é o seu maior mérito. Que se promova a leitura pelo prazer, não pelo status intelectual. Pela fantasia, não por um dever cívico. Pela sabedoria, que não se mede no tamanho das estantes.

Em se tratando de ler, disse bem aqui o Frank Jorge - esse erudito supimpa -, bula de remédio pode ser um bom começo. Tudo estará bem, se assim le gusta. Se um livro lhe parece chato nas primeiras páginas e continua parecendo por mais tantas, não tenha dúvida: é chato mesmo. O problema não é seu, é do autor. Troque por outro, não vá estragar o gosto pela leitura obrigando-se a ir até o final. Ainda mais se for o livro do Junqueira, esse grande falsário.

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Nico Fagundes
15/11/2003


O maior arroz-de-carreteiro

José Rodrigues é um homem moço, alegre e forte. E tradicionalista, como quase todos os catarinenses. Ele nasceu em Imaruí, a querência histórica que um dia foi arrasada pelas tropas de Giuseppe Garibaldi por ordem de David Canabarro. Em Imaruí, nasceu também Pedro Raimundo, o primeiro nome gauchesco a alcançar projeção nacional. José Rodrigues nasceu no pago de Sítio Novo, comarca de Imaruí. Inteligente e trabalhador, venceu na vida ainda muito jovem e hoje comanda quatro empresas de sucesso. Então resolveu colocar Joinville no mapa das grandiosidades.

Primeiro, construiu o maior galpão do gauchismo: 2 mil metros quadrados na construção central, 800 metros quadrados na pista de dança, tudo isso num galpão que tem altura de um prédio de quatro andares. E agora, impressionado com o Fome Zero e querendo dar a contribuição de Joinville para a campanha, resolveu fazer o maior arroz-de-carreteiro do mundo: 600 kg de arroz, 800kg de carne, 200kg de cebola, 100 litros de óleo e assim por diante. Para isso, fez construir um panelão de ferro em que cabem 7.500 litros de água.

E numa retroescavadeira adaptou um colherão imenso para mexer tudo aquilo. O cozinheiro fica dentro da cabine da máquina e só comandando alavancas, mexe o arroz-de-carreteiro e serve no final os grandes panelões dos quais os pratos se abastecerão.

Em cada almoço desses, comem umas 10 mil pessoas, folgadamente. Parece mentira de galpão, exagero dos meus causos, mas não é. Eu vi. É ali ao lado do aeroporto de Joinville. O José Rodrigues deu ao galpão o nome de Sítio Novo, em homenagem aos seus pagos natais.

Pois foi lá no Sítio Novo que o programa Galpão Crioulo da RBS TV, produzido pelo Fernando Alencastro e dirigido pela querida Rosana Orlandi (e apresentado pelo Neto Fagundes e por mim) foi consolidar algo muito importante: os 21 anos de sucesso ininterrupto do programa, agora com audiência total em Santa Catarina. Foi aquela multidão no Sítio Novo! Lá estavam Os Monarcas, que são ídolos na cidade. Lá estava o campeiro João Luiz Corrêa, lá estava o Tchê Barbaridade se sacudindo como cobra mal matada.

Mas a nota carinhosa foi dada pelo Edson Copetti, excelente cantor radicado em Joinville mas nascido em Santo Ângelo. Com ele, Cássia Abreu, gaiteira e cantora que está cada vez melhor, que teve uma trajetória brilhante aqui no Rio Grande quando integrava o Bando de Lôco do Elton Saldanha. Mas a surpresa que nos encantou a todos foi o compositor Luís Bastos, gaúcho de Santa Maria agora radicado em Santa Catarina, compondo, tocando e cantando como sempre. Foi, uma baita festa!

nico.fagundes@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
15/11/2003


Horripilante relato

A apresentação dos assassinos do casal de adolescentes em São Paulo, pela polícia e à imprensa, revelou em minúcias as atrocidades que o bando praticou com suas duas vítimas.

A menina Liana, de 16 anos, foi estuprada por pelo menos três integrantes do bando nos diversos dias em que esteve à sua mercê.

Depois e durante isso, os covardes assassinatos. Não há mais o que dizer senão que os brasileiros restaram ontem dilacerados com a perversidade dos assassinos.

É demais. E é difícil de suportar essa notícia.

Recebo do secretário da Segurança um esclarecimento solicitado por esta coluna: "Prezado Paulo Sant´Ana. Uma de minhas principais lutas estando à frente da Secretaria da Justiça e da Segurança é a recomposição dos efetivos policiais, que enfrentam defasagens históricas. E entre nossas preocupações está a falta de delegados de polícia, tema que está entre os tópicos de tua coluna na edição desta sexta-feira.

Conhecendo a deficiência no número de delegados no interior do Rio Grande do Sul, consultei a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), no sentido de alterar o edital número 03/2002, de abertura de concurso público para ingresso na carreira de delegado de polícia, classe inicial, para o provimento de 50 vagas, solicitando a ampliação destas para cem.

A Procuradoria-Geral do Estado indeferiu o pleito da SJS, entendendo não ser possível alterar o número de vagas, estabelecidas no próprio edital, pois este, ao fixar o número de vagas, segue diretriz previamente estabelecida em lei. `Aproveitar candidatos não classificados dentro do número de vagas previsto previamente viola não só o parágrafo 2º do artigo 6º da Lei nº 10.728, de 23 de janeiro de 1996, mas também o princípio da impessoalidade´, diz o parecer da PGE. Todavia, a Secretaria da Justiça e da Segurança vai solicitar à PGE a revisão do parecer.

Cabe lembrar, Sant´Ana, que estamos desenvolvendo um programa de recomposição de efetivo. Já em dezembro próximo, estaremos formando 1,5 mil policiais militares e 600 policiais civis, 196 servidores do Instituto-Geral de Perícias e 245 da Superintendência dos Serviços Penitenciários. Além disto, para fazer frente ao déficit de 10,5 mil policiais militares, contrataremos cerca de 1,5 mil PMs temporários, que auxiliarão os policiais de carreira no policiamento ostensivo, em situações de menor potencial de risco.

Como vês, estamos atentos e nos dedicando integralmente para aumentar a segurança da comunidade gaúcha. Abraços, (ass.) José Otávio Germano".

Da assessoria de imprensa da Casa Civil estadual, recebo um quase idêntico arrazoado, afirmando que o governo não nomeia mais que 50 candidatos aprovados no concurso de delegado de polícia em cumprimento ao caráter legal: o edital só referia 50 vagas, considera por isso os demais concorrentes ao concurso imediatamente classificados (aprovados) como tendo sido eliminados, segundo parecer da PGE.

Mas a Casa Civil declara que, consciente da demanda de pessoal na área da Segurança Pública, o governo vai abrir um novo concurso para delegado no início do ano que vem.

Espera-se então que o vindouro edital cite pelo menos cem vagas.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Gente
Ronaldinho, o guia turístico



Craque gaúcho do Barcelona (na foto com a mãe, dona Miguelina) foi o cicerone de um grupo de jornalistas espanhóis que veio ao Brasil acompanhar a recuperação física do jogador e conhecer Porto Alegre, sua cidade natal (foto Fernando Gomes/ZH)


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Sexta-feira, Novembro 14, 2003




Potência máxima
FM O DIA comemora seis anos com três noites de shows, de hoje a domingo
Clarissa Monteagudo

Enquanto o MC Serginho convida Buchecha para uma partida de futebol em Maria da Graça, Bruno, do Sorriso Maroto, canta um pagode com Gustavo Lins. O clima é de encontro entre velhos amigos, mas Lacraia ainda consegue surpreender. ¿Eu amo o Bruno. Estou grávida de um mês dele¿, faz graça, chamando o pagodeiro de ¿marido¿.

Convidados para a superfesta do sexto aniversário da FM O DIA, os artistas esbanjaram irreverência e diversão ao se encontrarem para contar detalhes dos shows. Bem no astral do evento, que levará 17 artistas ao Parque Itapemirim, no Km 10,5 da Via Dutra, entre eles Lulu Santos, Br¿oZ, Jorge Aragão, Kelly Key, O Rappa, Exaltasamba e Netinho de Paula, de hoje a domingo.

A estrutura é de megaevento: estacionamento para cinco mil carros, 50 lanchonetes, parque de diversões, dois postos médicos com 30 profissionais de plantão, 15 camarotes para convidados, 150 seguranças e dois palcos de 20 metros. ¿Vamos homenagear os ouvintes da Baixada Fluminense, um dos principais redutos da FM O DIA. Será só alegria, uma festa com espírito carioca¿, define o gerente artístico do Sistema O DIA de rádio, Renan Miranda. Marcus Menna, vocalista do LS Jack, garante que não faltarão sucessos hoje: ¿Tocaremos músicas da turnê Tudo Outra Vez e canções dos Paralamas do Sucesso, Legião Urbana e Beatles¿. A banda dividirá o palco com Br¿oZ, Kelly Key, LS Jack, Buchecha, Lulu Santos e O Rappa.

A noites seguintes terão do samba ao funk. Leci Brandão, Jorge Aragão, Revelação, Os Travessos e Belo fazem a festa amanhã. Domingo, o palco será de MC Serginho, Netinho de Paula, Gustavo Lins, Sorriso Maroto, Pique Novo e Exaltasamba. Animado, Buchecha improvisou até um jingle. ¿A rádio é fundamental para artistas e público. Falou música, falou FM O DIA¿. Já pode virar locutor.

PROMOÇÃO

Os 10 primeiros leitores que ligarem para 0800 909021, entre 10h15 e 10h40, ganham dois ingressos para curtir o show de hoje na área vip, com comida e bebida de graça. Os 50 seguintes ganham dois ingressos normais para curtir o show sábado e os 50 demais, dois para domingo.

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SELEÇÃO
Peru pagará o pato!
Ronaldo avisa os peruanos (que estão apostando no desgaste do Fenômeno): a crise conjugal não vai impedí-lo de entrar com tudo no domingo e jogar a bola que sabe
Janir Júnior e Marluci Martins

TERESÓPOLIS - "Não vou poupar o Peru. Darei o meu máximo". Essa foi a resposta dada por Ronaldo às provocações da imprensa peruana, que ontem estampou nos principais jornais locais a separação do atacante e colocou em xeque o rendimento do jogador para a partida de domingo.

Segundo os peruanos, Ronaldo está abatido e, por isso, pouparia o time dirigido por Paulo Autuori. O Fenômeno, porém, esbanja confiança, alto-astral e está disposto a marcar o gol de número 50 com a camisa da Seleção, como o ATAQUE noticiou ontem, com exclusividade. "Ainda não sei como será a comemoração, é surpresa. Mas primeiro tenho que fazer o gol", ressaltou o atacante.

Ronaldo não gosta de fazer planos para o futuro e destaca que suas metas são alcançadas no dia-a-dia. A primeira, é fazer o 50º gol. A segunda, é vencer os jogos contra Peru e Uruguai. A terceira, ser artilheiro das Eliminatórias. A quarta, mais ambiciosa: "Quero ajudar o Brasil a se classificar para a Copa".

Segundo o craque, um dos facilitadores para que a Seleção carimbe o passaporte para o Mundial da Alemanha, em 2006, é o trabalho que vem sendo feito por Carlos Alberto Parreira. "Ele tem sido feliz porque está conseguindo manter a base", analisou Ronaldo, que aproveitou para fazer uma análise sobre a semelhança que é atuar no Real Madrid e na Seleção: "O prazer é o mesmo, mas aqui estão reunidos os melhores jogadores do mundo".

Desde que assumiu sua separação de Milene Domingues, Ronaldo repete constantemente uma frase simples para expressar seu sentimento: "Estou feliz". O atacante voltou a garantir que os problemas extra-campo não afetarão seu rendimento: "Cheguei onde estou jogando futebol. Assim, eu sou feliz".

Ronaldo aproveitou para lembrar o seu título mais importante (Copa de 2002) e lembrou de sua fonte de inspiração no futebol. "Me inspiro no Zico, que é meu ídolo. Além disso, todo mundo sabe que sou flamenguista doente", comentou.

Sobre a possibilidade de ser considerado, pela segunda vez, o melhor jogador do mundo pela revista France Futebol, ele se mostrou cauteloso.

"Ainda está muito indefinido, mas se eu ganhar será maravilhoso", destacou o craque. O nome do vencedor será divulgado no dia 15. Além de Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Élber e Dida também concorrem.

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Ronaldo deixa perereca e ataca o Peru!


Buemba! Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Direto do País da Piada Pronta: adivinha o nome do jogador espanhol que a Milene tá namorando? Aganzo. David Aganzo. Afogando o Aganzo. Piada pronta. Aí, se eu puser a manchete: "Milene tá afogando o Aganzo", vão dizer que é sacanagem. Pior pro Ronaldo, que ficou sem perereca e vai ter que encarar o Peru! E uma amiga me disse que a única vantagem de ser mulher é poder ficar grávida do Ronaldo!

E a Suzana Werner se separou do Ronaldo e ficou com o goleiro do Flamengo, a Milene se separou do Ronaldo e namora um jogador da segunda divisão. E a próxima vai se separar pra ficar com o gandula do Arapiraca? Rarará!

E isto é que é botar fé no casamento: contrato de quatro anos. Sem direito a reeleição! Mas diz que não é o prazo de casamento que venceu, é o da água oxigenada da Milene. Agora no Brasil é assim: ou você troca de loira ou troca de água!

Putarquia Britânica, Parte 4! E o Gay Charles? E a Biba de Windsor? A família real está envolvida em tantos escândalos sexuais que trocaram o nome do palácio pra Palácio de Fuckingham! E a culpa do príncipe virar drag queen é da Camila Parker Bowles. Diz que dormir com ela faz qualquer hetero virar gay!

E esta é a prova definitiva de que o Charles não gosta de mulher: trocar a Diana por aquela coroa baranga com cara de cavalo. E diz que se chama MONArquia porque o príncipe virou mona. Rarará! Que esculhambação!

E o Requião empregou a família inteira no governo do Paraná. E aí mandou botar uma placa na porta do palácio: "Ambiente estritamente familiar". E diz que o ministro Berzoanta só vai recadastrar os aposentados com mais de 90 anos se eles vierem acompanhados pelos pais. Rarará! É mole? É mole, mas sobe!

Antitucanês Reloaded, a Missão! Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que, na praia de Cacha Pregos, Bahia, tem um bar chamado Bar e Restaurante Lasca Bolso! E, em Vinhedo, tem uma casa de massagem chamada Casa das Máquinas! Rarará! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Alcançou": companheiro que não aguenta mais debater a Alca. "Alcaguete": disque denúncia das Américas. Rarará! O lulês é mais fácil que o inglês. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. UFA!

simao@uol.com.br

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David Coimbra
14/11/2003


Tributo ao prazer

A Bronze era pecadora insaciável. A Baronesa, fidalga requintada. A história dessas duas mulheres conta muito acerca do espírito aqui da capital de todos os gaúchos.

A Bronze veio de São Borja. Chamava-se Felizarda. O apelido inteiro uns juram ser "Hímen de Bronze", devido ao fato de a moça possuir hímen complacente, mal que fez a rainha Elizabeth I passar para a posteridade como A Rainha Virgem. Outros garantem que a região do corpo que lhe rendeu o codinome era outra, era... bem... o esfíncter.

Seja. O importante é que se tratava de bela mulher, segundo os parcos relatos existentes. Jamais se deixou reprimir pelos pudores do seu século, o 19. Ao contrário, concedia com generosidade seus favores aos homens de Porto Alegre. Mas não a todos. Escolhia-os com critério. Há rumores de que até o imperador, um dos dois Pedros, se cevou naquelas carnes morenas. Suponho ter sido o primeiro Pedro, célebre femeeiro.

A Bronze dominava ainda outras artes. Era bruxa. As profecias e rezas fortes que fazia atraíam para sua casa gente de toda procedência, inclusive da aristocracia. Talvez até a Baronesa tenha ido consultá-la, algum dia. Afinal, havia semelhanças entre elas.

A Baronesa, de nome Maria Emília, também era egressa do Interior - de Pelotas. Sua casa, tal qual o mocambo da Bronze, era famosa na cidade. O povo a chamava de O Solar da Baronesa. Ficava ali onde hoje está o Pão dos Pobres. Como a Bronze, a Baronesa teve contato com Dom Pedro, esse, sim, o segundo, garantido. Ao visitar Porto Alegre, o imperador se hospedou no Solar. Foi tão bem tratado que outorgou ao anfitrião, um português dono de estaleiro no Guaíba, o título de Barão de Gravataí. No ano seguinte, o Barão morreu de morte inesperada. Como consolo, o imperador nomeou a viúva Baronesa de Gravataí.

A Baronesa acabou dissipando a maior parte da fortuna amealhada pelo marido, o Solar pegou fogo, mas ela foi sempre prezada pelas autoridades, que se empenharam por lhe preservar a memória, batizando com seu nome uma bem arborizada rua do Menino Deus.

A Bronze, ao contrário, só mereceu o desprezo do poder público. Os governantes não se conformavam com o fato de a população chamar o local onde ela morava de Alto da Bronze. Tentaram batizar o lugar de "Alto do Manoel Caetano", mas esse Manoel não poderia mesmo ser páreo para a morenaça de São Borja. Apelaram para o sentimento católico do povo com "Alto do Senhor dos Passos" e "Alto da Conceição". Em vão.

Finalmente, os dirigentes valeram-se do peso coercitivo do prestígio militar e tornaram oficial o nome de Praça General Osório. Adiantou? Não! Toda a gente continua a chamar aquele antigo naco da cidade de Alto da Bronze. Uma homenagem singela que Porto Alegre presta à vida mundana, ao seu passado romântico e, por que não?, ao prazer.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Frank Jorge
14/11/2003

Cores nubladas

Confirmou-se: ninguém conseguiu ficar imune. De uma forma ou outra, toda população sempre é atingida neste período. Não estou falando de calor bochornento ou da chuva salvadora-alagadora. Quem passou pela Praça da Alfândega, nas últimas duas semanas, pode assistir saraus, palestras, debates, filmes e prestigiar sessões de autógrafos; comprar pipoca doce e reclamar que o preço estava salgado; escrever uma parte de um conto já iniciado e mandar para bem longe os nexos propostos pelo criador; tentar conversar com autores, editores, livreiros, pessoal que trabalhou na organização do evento, gente da tevê e do mundo das letras;

dar entrevistas para comunicadores desinformados; esbarrar em muita gente que você não conhece e ter a oportunidade de mostrar sua educação; escutar frases peculiares como "(p)fessôra! (p)fessôra! Posso comprar um picolé?!" ou ainda "O Paulo Coelho não vem este ano?! Tem certeza?"; tirar os sapatos, dobrar a barra das calças e olhar pro céu para admirar as cores nubladas. Tudo isto e muito mais.

Você poderia passar por lá e ficar de braços cruzados, olhando para uma câmera, atrás de alguém que dava uma entrevista. De vez em quando você poderia abanar ou fazer uma careta. Você poderia também dançar a Macarena ou break. E porque não, lascar um beijo exagerado na pessoa mais próxima.

Ou melhor ainda, você poderia intrometer-se numa entrevista e opinar de modo vago, muito vago, sobre o assunto que o entrevistado pesquisara arduamente por três anos: "Sim. Claro. A biodiversidade está cada vez mais descabelada e com sintomas de calvície bem avançados. É preciso capilarizar com urgência." Você também poderia tentar bater um papo prolongado com um escritor na fila de autógrafos e questionar a real necessidade dele estar editando aquele livro: "Pois é. Você tinha que lançar o livro este ano?! Por que não no ano que vem?! Eu te entendo, eu te entendo. Realmente é uma tentação publicar um livro!"

Enfim, uma lagrimazita brejeira escorre. Últimos dias da 49ª Feira do Livro.

(Imperdível! O show de encerramento da Feira do Livro, domingo, às 20h, é da Hard Working)

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Paulo Sant'ana
14/11/2003


O muro das lamentações

Telefona-me uma médica irada com uma azulzinha que lhe aplicou três multas, estava mal estacionada mas deixou o pisca-alerta ligado, havia um problema com o lacre da placa e a agente alegou que a autuada se recusou a mostrar documentos.

A médica recorreu das multas, mas não tem esperança de que seu recurso seja deferido.

Então ela me pergunta se seu caso não pode ser publicado no jornal ou na coluna.

Telefona-me um cidadão dizendo que o caso de seu filho, que necessita urgentemente de cirurgia nas adenóides está se agravando e um hospital não quer proceder a operação.

Ele diz que entrou na Justiça, mas a decisão não lhe foi favorável por não ter feito prova de que houve a recusa do hospital em operar seu filho.

Ele me pergunta se seu caso não pode ser publicado no jornal ou na coluna.

Já recebi cerca de 15 e-mails de pessoas que fizeram o concurso de delegado de polícia e se classificaram.

Mas o edital do concurso estabelecia que somente os 50 primeiros colocados seriam aproveitados. Exatamente como manda a lei.

Essas pessoas, no entanto, leram ou souberam pelo rádio ou pela televisão que há 249 vagas de delegados de polícia no Estado e querem ser aproveitadas.

Mandam todos os dias para vários setores do jornal a sua reivindicação, um lobby organizado.

Suponho que o Estado não tenha verba para nomear 249 delegados de polícia.

Suponho também que é política da Secretaria da Segurança que essas 249 vagas de delegados de polícia venham a ser ocupadas pelos 50 candidatos mais bem colocados em diversos concursos e não pelos 249 mais bem colocados em apenas um concurso.

Suponho também que não há estrutura na Escola de Polícia para receber de uma vez só 249 alunos aprovados no concurso, como se sabe há o curso depois do concurso.

Isso é o que suponho. Talvez o secretário José Otávio Germano possa melhor atender a essa angústia incrível destes cerca de 200 bacharéis que se aplicam metodicamente em pressionar a imprensa para que ela pressione o governo a aproveitá-los.

Estou dando só alguns exemplos da imensa demanda existente na população por ver os seus problemas divulgados pela imprensa.

A imprensa é procurada pelas pessoas como uma instância especial de resolução de suas aflições.

Recorrem à Justiça, recorrem às juntas administrativas que examinam seus recursos, mas querem paralelamente que a imprensa divulgue o que se passa com elas.

Dão-me a impressão, certamente falsa, de que menos desejam ver seus problemas resolvidos do que divulgados pela imprensa.

Se a imprensa der atenção em seus espaços ao que as aflige, elas estarão realizadas.

É uma ânsia incontível por estender ao conhecimento de todos, pela imprensa, o que está atormentando os queixosos, desde a perturbação do canil em Belém Novo, da discoteca que não deixa ninguém dormir na rua, da companhia telefônica que não se organiza para receber as reclamações de seus usuários, da falta de vagas nos hospitais ou de preenchimento de todas as vagas de delegados de polícia.

A imprensa está virando num muro de lamentações, talvez porque ela se tenha aberto mais a seu público. E particularmente, acho que a imprensa deve se organizar e se aparelhar para esse seu novo papel.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Fim de Ano
Clima de Natal na Serra



Bonecos feitos de garrafas plásticas são parte da decoração que aguarda os turistas no Natal Luz de Gramado (foto José Doval/ZH)


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Quinta-feira, Novembro 13, 2003




NÃO PASSOU
Carlos Drummond

Passou?

Minúsculas eternidades deglutidas por mínimos relógios

ressoam na mente cavernosa.

Não, ninguém morreu, ninguém foi infeliz

. A mão- a tua mão, nossas mãos- rugosas,

têm o antigo calor de quando éramos vivos.

Éramos?

Hoje somos mais vivos do que nunca.

Mentira, estarmos sós.

Nada, que eu sinta, passa realmente.

É tudo ilusão de ter passado.

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TODAS AS VIDAS

Cora coralina

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando pra o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...

Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho,
Seu cheiro gostoso
d¿água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano.

Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.

Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.

Vive dentro de mim
a mulher roceira.
¿ Enxerto da terra,
meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos.
Seus vinte netos.

Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo alegre seu triste fado.

Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida ¿
a vida mera das obscuras.

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Ronaldo rindo até de... separação
Apesar de confirmar o fim do casamento com Milene, Ronaldo esbanja bom humor, brinca com a imprensa e diz que não tem problemas
Marluci Martins e Janir Júnior

TERESÓPOLIS - Somente no domingo será possível descobrir se a separação de Milene afetou o futebol de Ronaldo. Mas já é certo que seu humor não mudou. O atacante chegou ontem à Granja Comary, em Teresópolis, pouco depois das 14h. Participou do coletivo, fez um gol e, na entrevista coletiva, tentou ao máximo driblar os repórteres. Sem jamais pronunciar a palavra separação, Ronaldo garantiu que o problema não afetará sua vida. E até prometeu um gol:

Isso não me abala em nada, não. Já passei por coisas piores. Foi um problema pequeno, que eu precisava de um pouco de tempo para resolver. Não vai me abalar. Vocês vão ver que, domingo, tem gol, e vai ficar todo mundo contente. Ninguém vai lembrar do meu problema, que, aliás, não é um problema, não.

A insistência dos repórteres não deixou Ronaldo aborrecido. Ele não se cansou de fazer piadas. A cada pergunta que respondia, pedia que sua privacidade fosse respeitada.

É sério, mesmo? Minha vida particular interessa tanto assim? Vamos falar de futebol, de assuntos legais... Vieram os repórteres de futebol ou os de fofoca?, questionou o jogador, rindo.

Quando um repórter lhe perguntou se, nas peladas de fim de ano, ele jogaria no time de solteiros ou de casados, Ronaldo precisou de alguns segundos para se recuperar do acesso de riso. E confirmou a veracidade da notícia do processo de separação, anunciado na véspera por seu assessor de imprensa, Rodrigo Paiva:

O Rodrigo passou para vocês a notícia. É o que ele falou, e... ponto. Não tem nada de grave acontecendo, apenas problemas particulares. Vocês não precisam se preocupar com isso. Eu já me preocupo. Não foi nada grave. Apenas um pedido de liberação de um treino. Estou feliz, motivado para ir com tudo para cima dos adversários. Além do futebol, tenho minha vida particular, que tento preservar ao máximo. O problema está praticamente resolvido.

A a agenda do craque

Segunda-feira chegou ao Rio, foi à Universidade Estácio de Sá, na Taquara (Jacarepaguá), onde tem um núcleo de fisioterapia, e jantou numa churrascaria da Barra da Tijuca com seus empresários, Reinaldo Pitta e Alexandre Martins.

Terça-feira gravou um comercial para o Carrefour, num estúdio da Barra da Tijuca. Em casa, teve duas reuniões de negócios, uma delas com seus empresários.

Ontem resolveu assuntos particulares, alinhavando o processo de separação de Milene. À tarde, foi para a Granja Comary treinar com o restante do grupo.

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Com curvas de enlouquecer qualquer marmanjo, Carolina Dieckmann posa pela primeira vez para um catálogo de lingerie. O estilo descontraído e bem-sucedido aliado à boa forma da atriz garantiu a ela o posto de garota-propaganda da marca Stile V, da Valisère. Mas Carol só aceitou o trabalho porque as calcinhas e sutiãs são comportadas.

Nas fotos, assinadas pelo badalado J.R.Duran, Carolina encara com bom humor um strip-tease (acima), esbanjando sensualidade no estúdio do fotógrafo, em São Paulo. A produção de moda é de Fabiana Kherlakian, com cabelo e maquiagem do expert Saulo Fonseca.

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Buemba! A Milene não foi reeleita!


Buemba! Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E continuam dois grandes assuntos que abalaram o planeta: o Bailão do PCC e o Gay Charles! E sabe como se chamava o bufê da festa do PCC lá no Jardim Sapopemba? Casarão dos Sonhos! E aí diz que a polícia pegou o megafone e gritou: "O casarão caiu! O sonho acabou!". Rarará!

Só que prenderam 167, ficaram com dois e soltaram 165! Então não eram do PCC? Festa pirata? Membro pirateado do PCC? Bandido transgênico?

E 167 marginais numa única festa? Entendi, tinha bandido saindo pelo ladrão! Ou então era reunião de partido político. PCC, Partido com Celular! E sabe por que o Lula gosta de visitar países pobres? É porque na volta ele tem impressão que estamos bem!
Guerra antalógica! E aí no programa da Lucianta Gimenez uma ex-miss Brasil disse que "naquela época o concurso de miss era DEGRADÊ". Eu não tenho nada a ver com a vida dela, mas eu acho que ela quis dizer demodê. E sabe como se chamam os trisavós da Lucianta? Antaspassadas. É mole? É mole, mas sobe!

E a selecinha do Parreira? O Rei Tranca! Roberto Carlos fora por contusão, Ronaldinho Gaúcho fora por contusão, Dida não treina por problemas musculares. Só tá faltando o Kaká alegar espinha no joelho. É a Seleção dos Macho...cados! E diz que o contrato de casamento do Ronaldo com a Milene é de "apenas quatro anos". Não tem nem direito a reeleição? A Milene não foi reeleita?

Putarquia Britânica, Parte 3! Gay Charles, vulgo Duque da Cornualha. Aquele que se antecipou à sucessão e virou drag queen. E diz que esta é a prova definitiva que o Charles não gosta de mulher: trocou a Diana por aquela coroa baranga com cara de cavalo. É que inglês gosta mais de cavalo que de mulher.

Antitucanês Reloaded, a Missão! Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que nos Jardins, aqui em Sampa, tem a Depilação Bárbara. É depilação com alicate? Rarará! Vou mandar o Tony Ramos pra lá. E Portugal aderiu ao antitucanês. É que em Lisboa, no Bairro Alto, tem o restaurante chamado Pica no Chão. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!

E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Mutante": carinha fardado que fica pelas ruas multando os carros. Rarará! Quanto mais infame melhor. O lulês é mais fácil que o inglês! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã!
UFA!

simao@uol.com.br

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Artigo
Óperas que divertem a gurizada
CARLOS URBIM/ Jornalista e escritor, autor de O Guri Daltônico e Morro Reuter de A a Z

Atenção, leitores que forem hoje à tarde na Feira do Livro atrás de autógrafos do Gustavo Finkler: ele é muitos. Primeiro, ele é aquele cara branquinho, com cabelo ainda mais branco de tão loiro, olhar gentil através dos óculos, a vida toda sorrindo, pronto para contar e cantar e musicar uma história. Ele tem muitas. Todas divertidas, explodindo de alegria, o que torna Gustavo Finkler um dos melhores entre os escritores da nova geração da literatura infantil produzida no Estado.

Há também o músico competente, o ator histriônico a valer, o homem de mais de sete instrumentos a encenar óperas que fascinam as crianças. Um outro Gustavo é aquele duende de barbicha que busca nos cantinhos das coisas os enfeites para cada narrativa. Enquanto escarafuncha nas caraminholas, troca figurinhas com Raquel Grabauska, Jackson Zambelli e o elenco do grupo Cuidado Que Mancha, além de participar de espetáculos que, junto com a atriz e diretora Mirna Spritzer, trazem para o palco as deliciosas peças inspiradas nos programas da fase de ouro do rádio brasileiro. Dessas andanças todas, Gustavo retira o material para compor trilhas sonoras que já nascem livros porque, como ele mesmo diz, "a parte musical é tão fluente quanto escrever o texto".

O trabalho mais recente é A Família Sujo (Projeto, 28 páginas, R$ 24 incluindo o CD), sucesso do grupo Cuidado Que Mancha. A gurizada quase se mija de rir das trapalhadas de Sérgio, Sula e Sílvia, que odeiam tomar banho. As ilustrações são da artista plástica Laura Castilhos, que também está nos outros dois volumes da - até agora - trilogia editada pela Projeto: A Mulher Gigante, de Gustavo e Jackson, e O Natal de Natanael, com Raquel como co-autora.

Se o livro infantil precisa chegar aos leitores de forma prazerosa, para que a leitura seja fascinante, Gustavo Finkler deve vir na frente, de porta-estandarte, pois tem três obras para a gente ler, ouvir, cantar junto, enquanto roda o CD encartado em cada exemplar.

Esse músico-escritor vive matutando histórias. Atenção, leitores: acho que agora mesmo um dos muitos Gustavos está bolando mais uma ópera.

Autógrafos
Hoje, às 16h

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Nilson Souza
13/11/2003


A língua da pressa

A menina me deixou um desenho feito com canetas coloridas e uma mensagem apocopada ao melhor estilo internetês:

- Você é D+

Essa foi fácil de entender, mas a linguagem criptográfica da garotada, especialmente no computador, inclui uma profusão de símbolos, abreviações, anglicismos, pontos e traços quase impossíveis de decifrar. O meu consolo é que eles também precisarão de um dicionário para traduzir a maioria das palavras desta crônica de reflexões. Crianças e adolescentes da era digital comunicam-se num idioma novo, o chamado icequês, que deriva de ICQ (por incrível que pareça, iniciais da expressão inglesa I seek you - eu busco por você), um programa de bate-papo pela internet.

Parece código de espionagem, mas os tecladores se entendem. No anonimato dos pseudônimos, conversam durante horas, trocam segredos, provocam-se, riem e até gritam pelo teclado, lançando um punhado de letras maiúsculas na tela alheia. Jovens adoram ter uma linguagem própria que pareça indecifrável para os adultos. E os adultos, numa reação equivocada, acham que eles ficarão viciados neste esperanto da pressa, que atropela a Língua Portuguesa.

Lembro que, no início da vida acadêmica, estudávamos a pré-histórica taquigrafia, que chamávamos a linguagem do frê-vrê, por causa dos sinais que expressavam estas duas sílabas. Pois bem, usávamos em nossos bilhetes e anotações alguns sinais taquigráficos misturados com letras e palavras normais. E não desaprendemos o Português por causa disso. Quando era criança também costumava usar a linguagem do Q, que consistia em começar cada sílaba de uma palavra com essa letra, para embaralhar o entendimento dos não-iniciados. Não creio que a brincadeira tenha me prejudicado. Pelo contrário, era um exercício cerebral a mais.

Pois acho que essa linguagem paralela também não causará dano algum à juventude digital - desde que, evidentemente, os garotos façam pausa de vez em quando para folhear um livro e espichar um pouquinho o vocabulário.

A menina do bilhete, por exemplo, tem sido D+ nos estudos, embora nas últimas provas tenha tirado 10 em Inglês e apenas 9,8 em Português. Será que devo me preocupar?

nilson.souza@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
13/11/2003


Os constrangidos

Uma vez, aG (antes do Gaspari), quando ainda sabíamos pouco da intimidade do regime de 64, escrevi que no dia em que se pudesse falar com mais filosofia do que ressentimento sobre os anos dos generais, e sobre como a personalidade de cada um influenciou a História ou foi influenciada por ela, trataríamos de sutis e não tão sutis constrangimentos. O último livro do Gaspari é sobre o mais constrangido dos cinco generais-presidentes. Mas todos foram constrangidos de uma maneira ou de outra.

Castelo Branco era supostamente o líder intelectual da facção "americana", mais liberal, do Exército, em contraste com a facção "prussiana". Dizia-se que queria uma intervenção militar transitória e curta, com o mínimo de danos à ordem constitucional. Foi docemente constrangido a editar o Ato Institucional nº 1, o pai de todos.

O constrangimento de Costa e Silva não teve nenhuma sutileza: deram-lhe um golpe. Não se sabe bem o que ele pretendia ser se não fosse tão radicalmente constrangido. Certamente mais do que o bufão trágico que ficou na História.

Médici seria uma exceção, e um paradoxo. No período mais constrangedor do regime, não parece ter sofrido qualquer constrangimento. Especula-se que não soubesse dos horrores que aconteciam sob o seu comando. Nunca um culpado foi tão inocente, ou um inocente foi tão culpado.

Figueiredo, o último constrangido, tinha a personalidade mais complexa de todas. Nenhum dos outros quis, como ele, personalizar o poder. Até o encargo da abertura gradual que o Geisel lhe passou foi personalizado, representando, para Figueiredo, um compromisso com a memória do pai liberal. Biografia e história nacional se misturaram no caminho do João, que queria ser amado pela sua simplicidade e queria um julgamento à parte, pessoal, da História, intocado pelas culpas do sistema.

Depois de muitos constrangimentos, como o de ter que endossar a farsa em torno das bombas do Riocentro, acabou trocando o desejo de uma posteridade de estadista pelo de ser, misericordiosamente, esquecido.

No texto sobre os constrangidos que escrevi há exatos 20 anos, citei a emoção do Geisel, velho defensor do monopólio estatal do petróleo, ao fazer o discurso que concedia a empresas estrangeiras o direito de prospecção no país como exemplo do seu constrangimento. Gaspari revela que ele foi constrangido a uma concessão muito mais grave dos seus princípios, admitindo o assassinato oficial.

Talvez o melhor que se possa fazer em defesa do Geisel é imaginar quantos, entre os outros quatro, teriam dito que era uma barbaridade matar contestadores do regime, antes de aceitar a prática. O preâmbulo não o salva. Mas mostra que, de todos os que na época mandaram os escrúpulos às favas, alguns pelo menos tinham uma noção da dimensão moral do seu gesto.

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Nei Lisboa
13/11/2003


Nexo, drogas e literatura

22h01min. Dou partida à experiência, ingerindo o novo psicotrópico por mim sintetizado a partir de anfetaminas, baganas de haxixe e bourbon irlandês. Pretendo provar que a alma da literatura beat pode ser reproduzida em laboratório, permitindo dotar qualquer ser humano comum, sob o efeito dessa droga, da capacidade de escrever de forma espontânea e em velocidade estonteante. Neste momento, sinto formigarem os dedos das mãos e idéias cruzam minha mente como se fossem carros numa auto-estrada em início de feriadão.

22h41min. Pausa para trocar o winchester lotado do computador. Finalizei em tempo recorde dezoito capítulos de romance sobre uma viagem de motocicleta a Manaus durante a qual os personagens principais formam uma banda de cool jazz e enfrentam a polícia depois de assaltarem uma pequena livraria especializada em histórias em quadrinhos eróticos franceses.

Também já tenho pronta uma resenha em trinta páginas do livro da Amanda Costa, intitulada Pra Viajar no Cosmos e Você. Sinto a estranha compulsão de escrever uma biografia em um rolo de papel toalha, abolindo as pontuações para ganhar tempo.

23h30min. Hora de encerrar a experiência e registrar os resultados, depois de reler o material que produzi e compará-lo com obras de Kerouac e Burroughs. Posso dizer, sim, olhando por alto, numa avaliação preliminar, que a experiência foi um sucesso.

Certamente, sob a influência do psicotrópico, pode-se criar e desenvolver com rapidez extrema uma literatura de singularidade, muito embora não queira me apressar na conclusão final, que talvez tenha de ser adiada para mais tarde, ou reconsiderada, tendo em vista um detalhe que merece certo apreço, sim, um efeito colateral imprevisto e muito interessante. Sob o efeito da droga, torna-se extremamente fácil escrever. Ler, inclusive o que se escreveu, é quase impossível.

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Paulo Sant'ana
13/11/2003


O motel caseiro

O noticiário de jornal e televisão estava ontem inteiramente dominado pelo crime bárbaro cometido contra os adolescentes que saíram para acampar, em São Paulo, sendo eliminados selvagemente a tiros e facadas por cinco homens que os mantiveram cativos durante dias, depois de tê-los surpreendido em meio ou próximos a uma mata.

Um crime hediondo.

Mas chama a atenção que o casal de adolescentes, ele com 19 anos, ela com 16, tenha mentido para seus pais, dizendo que iriam para um acampamento em Ilhabela, em companhia de vários colegas de uma congregação israelita, retornando dois ou três dias depois.

Os pais de ambos estavam tranqüilos, afinal o destino era Ilhabela, um lugar muito concorrido, onde iriam em companhia de um grupo numeroso de colegas, livres assim, pela fluidez da camaradagem, de ataques de bandidos.

Nada disso, os dois jovens foram para o mato sozinhos, sem conhecimento de seus pais, o que os transformou em presas fáceis dos assaltantes.

São milhares os jovens que simplesmente comunicam que vão viajar com os namorados, deixando seus pais imóveis, sem poder contê-los, em face de que há um novo pacto social, não escrito mas poderoso, de que aos pais não cabe mais conhecer do destino de seus filhos em passeios, excursões e todo tipo de viagens.

Os pais que reagirem a esse tipo de decisão impositiva dos filhos são tachados de ultrapassados, obsoletos, autoritários e não afinados com os novos tempos de liberdade sexual e de ir e vir dos seus filhos, podendo vir a ser odiados ou abandonados por eles.

Somam portanto em milhões essas viagens autônomas e sem nenhum controle dos jovens pelos pais.

Imaginem o desespero de que ficam tomados os pais, absolutamente desconhecedores do roteiro de seus filhos e dos riscos que estes podem correr nessa desabalada corrida pela liberdade, sem falar na tentação das drogas que essas excursões podem encerrar.

Por sinal, assim pressionados por seus filhos, foi assim que os pais modernos concederam que suas filhas menores podem dormir nas suas próprias casas com os namorados, ou vice-versa, sob o argumento de que ao namorarem e praticarem sexo nas casas dos pais, os casais de jovens estão livres de serem assaltados na rua ou em em quaisquer outros locais onde decidam acampar ou se hospedar.

Instituiu-se assim, pela via da chantagem perante os pais, um costume simplesmente não imaginável há 30, 20 anos atrás: o motel caseiro.

Mediante o qual os pais aturdidos vêem seus filhos praticarem sexo nas suas barbas, dentro das suas próprias residências, o que pelos costumes revolucionários dos novos tempos se torna formalmente tolerável, mas que na realidade se traduz em um fardo torturante para os pais, atônitos e aflitos com o que lhes sucede domesticamente.

Por sinal, não falta quem vá raciocinar, mediante este pequeno ensaio sociológico que estou engendrando, que, se este casal de adolescentes estivesse fazendo sexo dentro da casa de seus pais, não teria sido assassinado cruelmente pelos bandidos.

O que quer dizer que não há solução para os pais modernos: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Clima
O temporal que veio do Prata



Chuva vinda da Argentina causou alagamentos e falta de luz em pontos da Capital, como na Farrapos (foto Mário Brasil/ZH)


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Quarta-feira, Novembro 12, 2003




Em razão de meu intensivo de inglês, tenho procurado ser breve nos meus posts e a idéia de procurar ser breve, verdadeira inspiração, ocorreu-me num posto de gasolina. Estava abastecendo meu nem tão novo automóvel com a mais pura gasolina, de alta octanagem.

Combustível de luxo. O carro protestou : começou a ratear nos cruzamentos, vazava combustível pelas esquinas. Deixava marcas nas garagens e ruas por onde ficava estacionado. Eu logo entendi o que estava acontecendo. De vez em quando me sinto assim, como o tanque do meu carro.

Excesso de informação, excesso de complexidade, e eu é que começo a ratear pelas esquinas - um ratear existencial pelas cruzamentos da vida, justamente nos locais e horas em que tenho de tomar as mais difíceis decisões, e inevitavelmente descubro que ou sei demais, ou sei de menos. Quanto mais penso sobre a vida, mais me convenço de que ela não é piquenique.

Tudo que nós precisamos mesmo saber sobre como viver, o que fazer, e como ser, aprendemos no jardim de infância. A sabedoria não está no topo da montanha mais alta, no ultimo ano de um curso superior, mas no tanque de areia do pátio da escolinha maternal, por onde passamos

Vejam e relembrem se não foi lá que aprendemos

Dividir tudo com os companheiros.
Jogar conforme as regras do jogo.
Não bater em ninguém.
Guardar os brinquedos onde os encontrava.
Arrumar a "bagunça" que nós mesmos faziamos.
Não tocar no que não era nosso.
Pedir desculpas, se machucavamos alguém.
Lavar as mãos antes de comer.
Apertar a descarga da privada.
Biscoito quente e leite frio fazem bem à saúde.
Fazer de tudo um pouco - estudar, pensar e desenhar,
pintar, cantar, dançar, brincar e trabalhar,
de tudo um pouco todos os dias.
Tirar uma soneca todas as tardes.

Ao sair pelo mundo, cuidado com o transito, ficar sempre de mãos dadas com o companheiro e sempre "de olho" na professora.

Pense na sementinha de feijão, plantada no copo de plástico : as raízes vão para baixo e para dentro, e a planta cresce para cima - ninguém sabe como ou por quê, mas a verdade é que nós também somos assim.

Peixes dourados, porquinhos da índia, esquilos, hamsters e até a semente no copinho de plástico - tudo isto morre. Nós também.

E lembre-se ainda dos livros de histórias infantis e da primeira palavra que você aprendeu, a mais importante de todas : OLHE !

Tudo o que você precisa mesmo saber está por aí, em algum lugar. A regra de ouro, o amor e os princípios de higiene. Ecologia e política, igualdade e vida saudável.

Escolha um desses itens e o elabore em termos sofisticados, em linguagem de adulto; depois aplique-o à vida de sua família, ao seu trabalho, à forma de governo de seu país, ao seu mundo, e verá que a verdade que ele contém mantém-se clara e firme.

Pense o quanto o mundo seria melhor se todos nós - o mundo inteiro - fizéssemos um lanche de biscoitos com leite às três da tarde e depois deitássemos, sem a menor preocupação, cada um no seu colchãozinho, para uma soneca. Ou se todos os governos adotassem, como política básica, a idéia de recolocar as coisas nos lugares onde estavam quando foram retiradas; arrumar a "bagunça" que tivessem feito.

E é verdade, não importa quantos anos você tenha : ao sair pelo mundo, vá de mãos dadas, e fique sempre "de olho" no companheiro.

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A M E

"O mundo seria perfeito...
Se todo dia fosse sábado,
Se toda noite tivesse festa,
Se toda cidade fosse praia,
Se todo mar fosse onda,
Se toda estação fosse verão,
Se todo amigo fosse um irmão,
Se toda musica nos fizesse refletir,
Se todo céu tivesse estrela,
Se todo feriado fosse carnaval

E se todas as pessoas encontrassem amigos como VOCÊ!!
AME
Não ame pela beleza, pois um dia ela acaba!
Não ame por admiração, pois um dia você se decepciona...
AME apenas!
Pois o tempo nunca acabará com um amor sem EXPLICAÇÃO!"

Recebi da minha inseparável ainda que distante amiga Cidinha de campanha,MG - Thanks my friend. Y love you.

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Martha Medeiros
12/11/2003


Outras coisas

No início deste mês foi lançada mais uma revista no Brasil: Outracoisa, editada no Rio pela Net Records e cujo editor é o Lobão ("me chama/me chamaaaaa"). Lobão, em seu hit mais conhecido, queria ser chamado. Agora é ele quem chama para uma reflexão: vamos passar o resto da vida cultuando apenas hits? O que mais se está produzindo no Brasil que a gente não enxerga?

A revista, que é bimestral e virá sempre com um CD encartado, é um espaço para músicos independentes e outras independências. Pretende divulgar o lado outsider da cena cultural do país, que é tão rica quanto desconhecida. Ao abrir a página que traz resenhas de discos, me senti cidadã da Eslováquia.

Nunca tinha ouvido falar em Matanza, Barrosinho & Maracatamba, Eddie, Mylene, BNegão, Valeria Sattamini, Rogério Skylab. Estão aí, lançam discos, fazem shows. Existem, mas não existem comercialmente. E não existir comercialmente, nos tempos de hoje, é quase óbito.

O comum é a gente pensar que, se mal conseguimos consumir a enxurrada de novos artistas que são despejados no mercado, imagine ainda ter tempo para pesquisar nomes alternativos. Erro brutal, que mantém à margem centenas de artistas com novas propostas, novos estilos, uma pluralidade que incrementaria este nosso "país da música" e que nos daria uma identidade menos encaixotada, menos embalada pra presente. Quantas outras Marias Ritas haverão no Brasil?

Ok, dizer que há uma dúzia de Marias Ritas por aí é insanidade, a moça é pérola rara que veio de uma ostra mais rara ainda, mas o que a revista se propõe a dizer é: vamos direcionar nossos ouvidos e olhos também para aqueles que não fazem parte do mainstream.

Bom, Outracoisa não tem este tom lamuriento, apenas celebra o lado B da cultura nacional, a faixa que não tocou no rádio, o assunto que não foi pautado, a idéia que ficou de fora. Não quer dizer que abrigue uma turma de desalojados, e também que tudo o que recomenda seja espetacular. O que a revista quer é divulgar pensamentos vários, que podem vir de pessoas com ou sem contrato, com ou sem nome feito na praça, tanto faz, porque não é este o critério.

Não é briga. Não é a guerra do bem contra o mal, do artista que foi alçado à fama contra o que não foi considerado um bom "produto", nada deste papo rançoso e ressentido. É apenas mais um veículo de informação direcionado a um público que tem curiosidade extrema, que tem carência de diversidade, que quer saber o que mais há por aí. Me orgulho de ser uma das colunistas da revista e de ter esta oportunidade de discutir sobre o acomodamento com que recebemos e festejamos tudo o que colocam prontinho no nosso colo, já que estamos sempre cansados para procurar outra coisa.

martha.medeiros@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
12/11/2003


O ministro dançarino

Onde quer que vá, a toda solenidade que compareça, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, não resiste ao som de instrumentos de percussão, ou até mesmo de sopro, e cai numa dança.

Foi na Namíbia estes dias, na presença do presidente Lula, foi anteontem no Museu da República, no Rio de Janeiro, quando novamente não resistiu à apresentação de uma orquestra de atabaques, até aqui em Porto Alegre o ministro Gilberto Gil já dançou em solenidade.

É um impulso natural que o ministro tem, de repente é acionada a sua ancestralidade musical e rítmica e ele se deixa dominar por esta que é uma das mais puras e belas manifestações da alma humana que é a dança.

Eu acho bonito isso. A dança de Gil nas solenidades desamarra um pouco a cara sisuda da política e, de repente, o ministro desce do degrau da sua alta autoridade e se iguala a todos os assistentes da cerimônia, deixando mostrar que o vírus da música que nele se revela incontrolável é o mesmo que domina e entusiasma os corações e os corpos das pessoas comuns do povo.

Se Gilberto Gil resolvesse em meio às solenidades brandir da sua guitarra e cantar para os circunstantes poderia ser acusado de exibicionismo.

Assim dançando, manifestação que não o consagrou como artista, seu gesto soa como de extraordinária espontaneidade, ele parece não resistir à sua musicalidade e não se peja em quebrar o protocolo e deixar-se levar pela onda persuasiva dos ritmos que excitam seus sentidos.

Que bom que tenhamos um ministro dançarino. Um ministro assim tão sensível, por exemplo, seria incapaz de submeter os aposentados do INSS a um recadastramento aflitivo e depois se recusar quase que terminantemente a pedir desculpas aos agredidos velhinhos.

Uma cena de brutal descortesia foi mostrada ontem pela televisão: em plena sessão de uma comissão da Câmara Federal, o deputado Jair Bolsonaro (PTB-RJ) desentendeu-se com a deputada Maria do Rosário (PT-RS) e de dedo em riste gritava para ela: "Vagabunda, na tua família existe estuprador de menores".

É conhecido o episódio em que um cunhado da deputada foi surpreendido em companhia de duas menores numa rua da cidade, próxima de área habitual de prostituição, sem que no entanto tenha sido consubstanciada até agora qualquer culpabilidade do detido.

A atitude da deputada, que se notabiliza em seu mandato por combater a prostituição infantil, foi a mais digna possível, recusou-se até a atender e falar com seu cunhado, declarando que se ele tiver culpa tem de ser punido.

Agora o deputado Bolsonaro, demonstrando condenável descontrole, além de tentar caraterizar o episódio como de desfavor moral para a deputada Maria do Rosário, ofende-a publicamente com selvagem agressão verbal.

Até também por atingir uma mulher e pela ferocidade da manifestação, o deputado carioca pode ter incorrido em grave ofensa ao decoro parlamentar, correndo o risco de ver cassado o seu mandato.

Tenha a deputada gaúcha a certeza da solidariedade, do conforto e do respeito de seus conterrâneos nesta descabida e injusta agressão que sofreu.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Ronaldo recontratado pelo time dos solteiros
Rodrigo Paiva, assessor de Ronaldo, admite que o Fenômeno e Milene podem se separar em breve, mas diz que as fotos dela com o espanhol Aganzo nada têm a ver com a crise
Marluci Martins e Janir Júnior



O casamento (E, alto), em 99, o nascimento de Ronald, as poses sensuais de Milene e o jantar com Aganzo

Depois de quase quatro anos de um casamento marcado por especulações, a relação de Ronaldo e Milene está chegando ao fim. O sintoma da crise veio de Teresópolis, onde Rodrigo Paiva, assessor de imprensa do jogador do Real Madrid e da seleção brasileira, pela primeira vez admitiu que o casal poderá se separar em breve.

É bem possível e, hoje, até mesmo provável que haja a separação. É uma possibilidade que existe. É uma coisa concreta. A relação deles passa por um desgaste, disse.

Mas, segundo Rodrigo, nada tem a ver com a foto do jantar de Milene com David Aganzo ¿ atacante que pertence ao Real Madrid mas que está emprestado ao Levante, publicada na revista espanhola Que me dices, com o título Ronaldinha já tem novo amor.

O noticiário não vai ditar o momento da separação. Somente a própria vida pode se encarregar disso, destacou o assessor. Milene não será pregada numa cruz porque foi fotografada com alguém. Aliás, outras pessoas estavam no jantar, mas não aparecem na foto. Ronaldo mostrou indiferença à fotografia, mas admitiu que há um desgaste no casamento, acrescentou Rodrigo.

A crise chegou a tal ponto, que o destino do filho do casal, Ronald, de 3 anos, já está até traçado: ele ficará com a mãe, por enquanto, na capital espanhola.

Existe uma conversa muito sincera entre os dois. Se acontecer mesmo a separação, a idéia é que eles (Milene e Ronald) permaneçam em Madri, próximos. O Ronald vai ficar com a mãe, que tem mais tempo para dedicar a ele, explicou o assessor do Fenômeno e da Seleção.

Ronaldo não seguiu para a Gra