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Sábado, Novembro 22, 2003
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11:29 AM
by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
A tunga do Estado
"Palocci declarou que o Estado gasta mais com os ricos do que com os pobres. Pelos cálculos paloccianos, eu sou rico. Estranho. Nunca recebi nada do Estado. Nunca recebi segurança. Nunca recebi transporte. Nunca recebi saúde.
Nunca recebi educação"
Querem tomar meu dinheiro. Não tenho nada contra. Querendo tomar, tomem. O que me incomoda é que mintam para mim. Que tentem me enrolar. Outro dia o ministro Palocci declarou que o Estado gasta mais com os ricos do que com os pobres. Os jornais acreditaram nele. Publicaram a notícia na primeira página, acompanhada por entrevistas com especialistas que corroboraram a teoria do governo. Ninguém contestou as estatísticas fornecidas pelo ministro. Ninguém me alertou de que elas eram uma armadilha para tomar meu dinheiro.
Pelos cálculos paloccianos, eu sou rico. Qualquer um que ganhe mais de 8.000 reais por ano é considerado rico. Trata-se de um truque estatístico. Para o governo, é conveniente ignorar a diferença entre classe alta e classe média. Porque, se a classe média é incluída na categoria dos ricos, fica mais fácil aumentar-lhe os impostos. De acordo com o governo, eu, sendo rico, recebo mais do Estado do que os pobres. Estranho. Eu nunca recebi nada do Estado. Nunca recebi segurança. Nunca recebi transporte. Nunca recebi saúde. Nunca recebi educação. Paguei tudo do meu próprio bolso.
O sofismático ministro Palocci afirmou, por exemplo, que os ricos recebem do Estado o ensino superior. E que um universitário brasileiro custa muito mais do que um universitário europeu. Ele só esqueceu alguns detalhes. Primeiro: os europeus recebem do Estado não apenas o ensino superior, mas também o ensino fundamental e o médio. Segundo: as universidades públicas européias oferecem vagas a todos os alunos, não só a uma minoria. Terceiro: os brasileiros ricos conquistam a maior parte das vagas nas universidades públicas porque estudam em escolas particulares, muito melhores do que as escolas que o Estado oferece aos mais pobres.
Outra ilusão estatística do documento ministerial foi misturar, no cálculo do gasto social, as aposentadorias públicas com as privadas. Já há progressividade na aposentadoria do setor privado. Já há mecanismos de distribuição de renda. Já há um confisco brutal por parte do Estado. Os aposentados ricos do setor privado ganham muito menos do que sua contribuição. Se os aposentados ricos fossem considerados isoladamente, sem os aposentados do setor público e sem os aposentados rurais, seria fácil perceber que eles dão mais do que recebem. E que as distorções na previdência não são causadas por eles.
O ministro Palocci quer aumentar a arrecadação e diminuir as despesas. Os números divulgados por ele justificam a cobrança de mensalidades nas universidades federais. Tudo bem. Concordo. Só que os professores não podem continuar a ganhar aposentadorias públicas. Se eu pago mensalidade, é porque a universidade é privada. Deve ser tratada como tal. O ministro Palocci também quer diminuir as deduções com gastos em saúde, nas declarações de imposto de renda. Nenhum problema. O Estado não precisa me conceder favores. Eu nunca vou recorrer a um hospital público. Estou disposto a pagar dobrado para ser atendido num hospital particular. Só acho um pouco injusto ter de pagar, além disso, a CPMF, um imposto supostamente destinado à saúde. Se o Estado abdica do dever de tratar de minha saúde, deve abdicar também de parte do meu dinheiro.
O Estado não dá nada aos pobres. E não dá nada aos ricos. Quem afirma o contrário está mentindo. A luta de classes no Brasil não é entre ricos e pobres. É entre o Estado e a sociedade.
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11:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
VIVER DE ALUGUEIS
Ponto de vista: Stephen Kanitz Viver de aluguéis "Quem fizer os cálculos vai descobrir que no fim das contas sobra bem menos dinheiro do que se imaginava dos rendimentos de um imóvel alugado"
O sonho de muitos brasileiros é construir duas ou três casinhas e viver de aluguel na velhice. Nos últimos cinqüenta anos a população brasileira cresceu de 50 para 176 milhões de habitantes, gerando enorme valorização dos preços de imóveis e terrenos para a construção. Por isso, os imóveis eram sempre nossa primeira opção de investimentos.
Ilustração Ale Setti
Só que nos próximos cinqüenta anos nossa população não vai mais crescer 300%, mas somente 30%. E ainda bem. Isso significa que a necessidade primária de novos imóveis ficará em menos que 0,5% ao ano. Será que os imóveis se valorizarão como no passado?
Dez anos atrás vendi um apartamento de um dormitório que me rendia um aluguel e coloquei os 60.000 reais em ações de seis empresas, cotadas em bolsa. Minha primeira alegria foi descobrir que a corretagem em ações não chegava a 0,5% por transação, enquanto em imóveis o valor da corretagem chega a 6%, mais Imposto sobre Aquisição de Imóveis (Sisa), mais CPMF, mais o custo do cartório e do advogado independente, que hoje é imprescindível, o que pode elevar a brincadeira toda para 8%.
A segunda alegria foi perceber que, enquanto meu inquilino me considerava seu algoz, as empresas me chamavam de sócio e de parceiro. Meu inquilino considerava meu aluguel uma despesa a ser reduzida de tempos a tempos, já que o prédio envelhecia ano após ano. Por outro lado, as ações valorizavam-se com o tempo.
Enquanto meu apartamento ficava de três a quatro meses vazio entre um inquilino e outro, nas empresas meu dinheiro não ficava parado um minuto. Enquanto meu apartamento se desvalorizava 1% ao ano por obsolescência e depreciação, as ações se valorizavam no mínimo 4% ao ano, porque boa parte dos lucros é reinvestida na empresa, o que muita gente não percebe. Normalmente, só 25% a 50% dos lucros são distribuídos em dividendos.
Hoje, tenho pessoas como Maurício Botelho, da Embraer, eleito um dos 25 melhores executivos do mundo, trabalhando para mim. Ao contrário de meu ex-inquilino, que vivia desempregado e atrasando o pagamento.
Por isso, metade das famílias americanas possui ações em vez de imóveis de aluguel, enquanto no Brasil menos que 3% investem em ações de forma significativa. Lá, os trabalhadores podem comprar seu imóvel, porque todos investem em ações que geram duplamente empregos, nas empresas e no setor de construção. Aqui, porque preferimos investir em imóveis sem risco, em vez de ações que rendem mais por terem maiores riscos, só geramos empregos no setor de construção, mantendo os salários baixos e condenando o trabalhador brasileiro a alugar um imóvel para sempre.
A precaução que recomendo é nunca comprar ações justamente no meio de uma alta, como agora, e sempre escolher com cuidado a ação a comprar, os mesmos cuidados que deve seguir quem compra um imóvel.
Culturalmente o brasileiro acredita em imóveis por causa do medo da inflação, além do fato de que "imóvel ninguém rouba". Mas empresas em bolsa são também imóveis, e elas se protegem muito bem da inflação, e também ninguém as rouba. As ações ficam custodiadas na própria bolsa.
Do rendimento anual do aluguel você precisa descontar o custo do corretor do imóvel, do cartório, do administrador imobiliário, do corretor do inquilino, do pintor, do advogado independente, dos atrasos, da inadimplência, dos aborrecimentos, da depreciação do imóvel, da manutenção obrigatória, do aumento do IPTU. Quem fizer os cálculos vai descobrir que no fim sobra bem menos do que se imaginava.
Há inúmeras ações que dão 5% a 9% só de dividendos, além da valorização. Óbvio que existem algumas que perdem 50% do valor, mas tem imóvel que também vale a metade depois de descontar a inflação ou a valorização do dólar quinze anos depois. Mas o risco de seis ações caírem pela metade é muito menor, por isso nunca coloque todos os seu ovos em um único imóvel, com exceção do seu. Ter o próprio imóvel é uma paz de espírito que recomendo a todos.
Tente vencer essa nossa barreira cultural começando ao poucos, aplicando 5.000 reais numa ação que dê bons dividendos, apenas para se acostumar com a bolsa e com a idéia de que não só de aluguel vive um aposentado.
Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)
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9:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Como até agora 9:20h a Abril não publicou ainda a capa da Revista Veja deste fim de semana, esta ai acima é do dia 20 de novembro do ano passado, para a gente lembrar. Os destaques da revista deste fim de semana estão abaixo para vocês conferirem:
21 de novembro de 2003
Caro leitor,
aqui estão os destaques de VEJA desta semana.
Boa leitura e bom fim de semana.
Kátia Perin - VEJA on-line (veja@abril.com.br)
Especial
Malignos, comuns e traiçoeiros
Os médicos calculam que um total de 405.000 brasileiros receberão o diagnóstico de câncer até o final deste ano. Dessas, 130.000 morrerão vítimas da doença. Os outros poderão se curar ou manter a doença sob controle graças ao refinamento dos métodos de diagnóstico e à criação de drogas mais potentes e menos tóxicas.
No site: conheça VEJA Saúde.
Brasil
A última do doutor Lessa
Sem consultar ninguém, e na contramão do governo, o BNDES, sob o comando de Carlos Lessa, abre espaço para a reestatização da Vale do Rio Doce. Num movimento que pegou de surpresa o mercado, e até o governo, o banco recomprou 8,5% das ações da Valepar que detém o controle acionário da Vale.
Brasil
Presidente tucano
Depois de um exílio voluntário nos Estados Unidos, o ex-senador José Serra voltou à política para assumir a presidência do PSDB.
Entrevista
Para um país enriquecer
O professor americano Douglass North, prêmio Nobel de Economia, diz que só vão progredir os países que desenvolverem instituições sólidas. "O Brasil largou em desvantagem porque herdou de Portugal um modelo ineficiente."
Internacional
Um repórter na alcova real
Às vésperas da visita de Bush a Londres, jornalista de tablóide inglês sensacionalista se faz passar por criado da rainha durante dois meses. Ele teve acesso a cômodos da área íntima do palácio de Buckingham e disse que se fosse um terrorista poderia ter matado o presidente americano.
Comportamento
O mito do paraíso perdido
O que Nicole Kidman, Marlon Brando e o pintor Gauguin têm em comum? A busca da felicidade em uma ilhota do pacífico.
Justiça
A história de um anjo decaído
Aos 45 anos, Michael Jackson apresentou-se à polícia da Califórnia, acusado de pedofilia. O astro que já faturou 1 bilhão de dólares em três décadas de carreira é hoje uma figura melancólica, sombra do que foi.
No site: leia mais sobre o rei do pop.
Economia
A copa do juro real é nossa
O Banco Central baixou a taxa básica para 17,5%, mas o brasil ainda lidera o ranking mundial do custo do dinheiro.
Saúde
Os superprotetores
Uma nova linha de filtros solares promete blindar as camadas mais profundas da pele. São produtos chamados de imunoprotetores.
No site: leia mais sobre os males do verão.
Tecnologia
Parece real. Mas é virtual
Um novo concurso de miss foi criado para premiar as mais belas moças criadas por computador. A escolha da Miss Digital World ocorrerá no próximo ano.
Dieta
Emagreça comendo mais
O médico americano Howard Shapiro vendeu 1 milhão de exemplares de seu livro que promete a quem seguir suas instruções a possibilidade de perder peso comendo mais.
No site: Em Profundidade: Dietas
Turismo
Temos fama de gastões
Turista brasileiro aparece no topo da lista dos que mais consomem nas viagens ao exterior. Em média um brasileiro deixa 9.000 reais em cada visita aos Estados Unidos.
Consumo
Nacional, mas importado
Antes de elogiar ou criticar o vinho nacional que você escolheu, dê uma boa olhada no rótulo. Ele pode ser argentino ou uruguaio.
Moda
Barrigas com estilo
Grávidas declaram independência das batas, babados e vestidos largos. Agora, elas investem em roupas da moda, divertidas e modernas.
Divórcio
A vida começa aos 60
Cada vez mais brasileiros se divorciam e refazem a vida na terceira idade.
Religião
Elas querem viver cobertas
Jovens muçulmanas criadas na Europa lutam para usar o véu nas salas de aula.
Música
A musa do 'telecotecno'
Elza Soares, uma das cantoras mais ousadas da MPB, adere à eletrônica. Em seu novo álbum Vivo Feliz, ela flerta com o gênero e faz versões arrevesadas de clássicos nacionais.
No site: ouça Elza Soares.
Livro
Megera com causa
Carlota Joaquina na Corte do Brasil, da historiadora carioca Francisca Nogueira de Azevedo, é o estudo mais amplo sobre a personagem desde os anos 50.
No site: trecho do livro.
DVD
A fé segundo Pasolini
O Evangelho Segundo São Mateus, do italiano Pier Paolo Pasolini, sai em DVD em cópia restaurada. Famoso como poeta, romancista e ensaísta antes de se tornar cineasta, Pasolini passou à história como a contradição personificada: um comunista ateu que era católico e homossexual.
Televisão
Bob Esponja está ótimo
Ingênuo e dono de um humor nonsense, Bob Esponja é atualmente o desenho mais popular da televisão. Nos EUA, seu público é de pelo menos 60 milhões de crianças.
Veja São Paulo
A guerra da malhação
Com a abertura de uma nova superacademia na cidade e a chegada do verão, os concorrentes passam a oferecer mais atrativos para manter e conquistar clientes.
Veja Rio
O chique de Ipanema
Novas lojas sofisticadas, como a Louis Vuitton, um investimento de US$ 3 milhões em um prédio de quatro andares, confirmam a pujança do comércio no bairro.
O conteúdo integral das revistas estará disponível na internet a partir de sábado pela manhã
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9:04 AM
by Cassiano Leonel Drum
DA ETERNA PROCURA
Só o desejo inquieto, que não passa,
Faz o encanto da coisa desejada...
E terminamos desdenhando a caça
Pela doida aventura da caçada.
DO PRANTO
Não tentes consolar o desgaçado
Que chora amargamente a sorte má.
Se o tirares por fim do seu estado,
Que outra consolação lhes restará.
Quintana
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8:47 AM
by Cassiano Leonel Drum
Menina mania
Cor mais feminina da aquarela, o rosa exerce fascínio sobre mulheres de todas as idades e aparece em roupas, objetos e até nos cabelos
Tatiana Contreiras
Com vestido de sua marca, Vista a Roupa Meu Bem, Layana Thomaz diz que dá para ser sensual de rosa: Só infantiliza um pouco
Tanto faz ser uma garota de 13 anos ou uma mulher de 20 e poucos: rosa é uma paixão. A cor, típica de menininhas, mas adotada até pelas moças mais crescidas, é mania ou amor antigo, para a maioria. Tanto que elas mostram a identificação onde podem: de camisetas, bolsas e vestidos a bloquinhos, produtos de beleza e até no cabelo e no quarto. O mundo, para elas, definitivamente é pink. E ser cor-de-rosa é mais que um estilo: é uma atitude.
Tenho total fascinação por rosa. Para mim, é básico, diz a estilista e modelo Layana Thomaz, 26 anos, que assume: sua vida é em cor-de-rosa. Na minha casa, desde a cortina do box até o Perfex são assim, conta. Na nova coleção de sua marca, a Vista a Roupa Meu Bem, Layana usa preto, branco, vermelho e laranja ao lado de sua cor preferida. Tem gente que mistura preto com vermelho. É supercomum e eu acho horrível. Mas uso tranqüilamente uma produção toda pink, explica a moça.
Dona de toda sorte de cacarecos rosa calcinhas, sutiãs e até escarpim, frasqueira e um quarto de paredes na mesma cor , a publicitária Lígia Parreira, 22, tenta explicar a paixão que a cor provoca no universo feminino. O rosa resume a feminilidade, a alegria de viver. O mundo já é tão difícil... Acho que essa coisa lúdica da cor encanta, diz a moça, que faz bijuterias de todos os tipos. Mas sempre com a mesma cor. Fazia para mim mesma. Comecei a traduzir nas bijus o que eu sou e elas estão fazendo o maior sucesso, diz Lígia.
A boneca Barbie é musa inspiradora. Acho que gostei de rosa porque era uma cor chamativa e era a da Barbie, admite a estudante Aicha Benyair, 13 anos, com sua mala de viagem pink (com o nome da boneca por todos os lados) e xampus, batons e material escolar da mesma cor. Quase ninguém compraria por achar infantil. Mas o rosa tem um carisma, e desde pequena não quero me separar dele, conta. Muita gente não usa rosa porque acha cafona. Mas eu gosto de ser diferente, explica a fofa.
Com o cabelo pink há dois anos, a universitária Joana Jaeger, 24 anos, avisa logo: Não sou a menina cuti-cuti, fofa. Tudo meu é rosa, mas não faço o estilo garotinha bobinha em tons pastéis, explica, com tatuagens e piercings à mostra. Quebra um pouco, diz ela, que começou pintando o cabelo em tons de vermelho e hoje é a menina cor-de-rosa da faculdade. Virou marca registrada. Até minha mãe ficou deslumbrada e fez mechinhas com a mesma tinta, completa, mostrando que a paixão pink contagia mesmo.
Lígia Parreira, 22, faz bijuterias rosa: Digo que nasci com o gosto pela cor, porque minha mãe se chama Rose
Ao lado de seu sheepdog João, Joana Jaeger, 24, diz que as pessoas reclamam se o seu cabelo rosa desbota
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8:36 AM
by Cassiano Leonel Drum
Buemba! Maica Jéssica assedia Harry Potter!
Buemba! Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Direto do país da piada pronta: o Lula com aquela barriga toda foi comemorar o Dia de Zumbi na Serra da Barriga. Deve ter subido com a barriga. Barriga sobe a Serra da Barriga! E o Carlos Menem garante que seu filho é igual a ele. Dá pra ser mais azarado? Nascer com a cara do Menem deve ser praga de feiticeira argentina. E esta: "Liminar proíbe cobrança da taxa de iluminação em SP". A Marta vai dar a luz!
E o bafafá Michael Jackson? A Maica Jéssica! Eu vou lançar uma enquete: "O que a Maica Jéssica falou pro delegado?". 1) Nessa Páscoa só vou comer Garoto. 2) Doze anos? Mas ele me disse que tinha 13. 3) Eu juro que era o Harry Potter. 4) Só me entrego se for na Febem!
Últimas notícias: EUA testam a mãe de todas as bombas. Mãe de todas as bombas? Vão enviar as sogras pro espaço? Até que enfim o imbecil do Bush pensou na gente! E aquele repórter que conseguiu passar dois meses clandestino no palácio de Fuckingham? Passar dois meses clandestino é fácil. O difícil foi ter passado dois meses no palácio sem ser comido pelo Gay Charles. Rarará!
E todo mundo só quer falar da Maica Jéssica. O site www.mylo cotv.com lançou uma promoção: "Invista no futuro do seu filho, matricule sua criança no divertido rancho Neverland. Lazer, esporte, orientação sexual e US$ 13 milhões em caso de assédio". E o Michael não se acha o próprio Peter Pan? Pois o Salathiel de Souza lançou pela internet o boneco Peter Pan. "Tenha seu próprio Peter Pan e economize milhões em processos".
E aí o Michael fantasiado de Peter Pan falou pro menino: "Hey boy, quer ir lá em casa badalar o meu sininho?". E a Sininho: "Não me meta nessa!". Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
Antitucanês reloaded, a missão. Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que, em Maceió, tem um motel chamado Agora É que São Elas! E, em Saquarema, tem um forró chamado Poeira na Pomba. Rarará! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Fiança": companheiro que tem um monte de filho. "Estanque": tanquinho que a dona Marisa esqueceu no apê de São Bernardo. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. E quem não tiver colírio alucinógeno pode pingar Ajax que dá no mesmo!
UFA!
simao@uol.com.br
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8:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
22/11/2003
Testemunho
Para dar testemunho de meu tempo não preciso desfraldar uma bandeira partidária ou me enfiar nas trincheiras da guerra ou da violência urbana: em minha postura há de se refletir o que penso.
Para perseguir meus ideais não preciso me deixar matar: basta procurar a coerência, o que pode ser uma forma de heroísmo silencioso. Porém coerência rígida pode ser mediocridade.
Para ser boa filha não preciso me encolher, mentir, me afastar: os pais servem para fazer a gente crescer, eventualmente voar, ainda que seja para longe deles, sem que os laços de afeto precisem se romper.
Para ser boa mãe não preciso me vitimizar: a mãe-mártir desperta culpa e causa aflição. Só uma pessoa que se valoriza pode enxergar os filhos, prepará-los para não serem almas subalternas, e lhes servir de eventual apoio.
Para ser boa amiga não preciso fingir nem mentir, vigiar nem agradar o tempo todo. Uma amiga verdadeira pode dar colo, abraço, escuta, dividir alegrias e ouvir confidências, mas não precisa bajular nem criticar.
Para ser boa amante não preciso me anular: basta, quando for possível, ser estimulante e confiável, terna e cúmplice. Carinho não é servilismo nem sujeição.
Para ser inteira não preciso me defender erguendo barreiras à minha volta: às vezes só me fragmentando e dilacerando de amor, dor ou perplexidade, terei chance de juntar meus pedaços e me reconstruir como um ser humano mais inteiro.
Para realizar alguma justiça social não preciso me despojar do que possuo, se o que tenho serve para a minha dignidade e não para o desperdício. O melhor é começar em casa, pois se pago miseravelmente a minha empregada, não posso pronunciar sem constrangimento palavras como "justiça" e "dignidade".
Pois alienação é também cultivar a amargura e ignorar que a vida pode ser boa, o amor positivo, o ser humano comovente, e o significado de tudo acessível ao coração e ao sonho.
Se não posso corrigir os males do mundo, da minha reduzida condição pessoal, posso ao menos não colaborar para que ele se torne mais violento, mais mesquinho e mais cruel.
lya.luft@zerohora.com.br
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8:28 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
22/11/2003
Mais outra decisão
Lá veio, toda faceira, embora na moita, abrindo a série trágica de aumentos de tarifas acima da inflação, como acontece todos os fins de ano, agora com a antecipação de um mês, a alta do preço do pedágio na freeway.
O aumento é de 18,92%, acintoso e agressivo, se for levado em conta o índice de inflação de outubro (IPCA-15), divulgado anteontem, o que deveria causar euforia, junto com a diminuição das taxas de juros.
Mas é causa de repugnância ou riso. Torce-se por inflação baixa e sofre-se na carne a pancada da tarifa de pedágio e outras tarifas reajustadas por índices que nem um sábio do Sião explicaria.
Mas é assim e está pronto. Todas as tarifas sobem inexplicavelmente acima da inflação. E o poder de compra das pessoas, que não têm seus ganhos reajustados de acordo com o aumento dessas tarifas, vai minguando.
É a miserabilização gradual das multidões pelo reajuste das tarifas.
Até terça-feira passada, o Ministério da Previdência informava que o prazo para os aposentados do INSS pedirem a correção (aumento) dos seus proventos se encerraria na última quinta-feira, sem prorrogação.
As filas nos postos do INSS e dos Juizados Especiais eram enormes.
Até que o ministro Ricardo Berzoini, pressionado pelo presidente Lula - noticia-se que visivelmente contrariado -, concordou em que o governo editará medida provisória que estenderá por mais cinco anos o prazo para que os aposentados possam pedir à Justiça a revisão dos seus ganhos.
Em menos de 30 dias é o segundo recuo do ministro da Previdência. Igualmente no caso da suspensão do pagamento dos aposentados que têm mais de 90 anos, o ministro só cedeu e veio a pedir desculpas pelos transtornos que causou nas filas dos anciãos depois de muita resistência.
É inédito que um ministro, que é também parlamentar, faça assim tanta força para parecer mau perante os aposentados.
E agora já é inexplicável que ele continue no cargo a descarregar com cada vez mais intensidade o seu saco de maldades.
Prossegue hoje e amanhã a prova Governador do Estado, que reúne cavalos crioulos e credenciará os animais para o Bocal de Ouro e o Freio de Ouro.
A prova está se realizando no Parque de Exposições de Esteio e vai premiar o melhor macho e a melhor fêmea com um automóvel zero quilômetro cada um.
Amanhã, às 12h, a entrega dos prêmios no local da prova terá a participação do governador Germano Rigotto, encerrando-se com um almoço festivo.
Não pode haver empate hoje, contra o Vasco, no Olímpico. Só a vitória leva o Grêmio a ainda manter as esperanças de não ser rebaixado.
O campeonato brasileiro tem esse tipo de defeito: alguns jogam a vida numa partida, como o Grêmio, já o Vasco não tem nenhum interesse no resultado.
A forma mais inteligente de evitar-se esse desequilíbrio é mesmo apurar-se quem será rebaixado nos três últimos campeonatos disputados.
Desse jeito, haverá sempre a ameaça de rebaixamento a pairar sobre todos os times, o que os levará a não facilitar nunca, mesmo quando não tenham esperanças de chegar ao título.
Assim como é erradamente formulada a disputa, sempre haverá margem para a suspeita de que um clube desinteressado facilitou para outro.
Mas quem garante que o Vasco não vai endurecer hoje à tarde?
Em 1991, quando o Grêmio foi rebaixado, no último jogo, o Botafogo não tinha qualquer interesse no resultado. Acabou em Botafogo 3 x Grêmio 1.
O Grêmio e sua torcida terão de dar hoje toda a máquina. Hoje e nos restantes três jogos.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Rosane de Oliveira
22/11/2003
Declaração de amor
Foi um gesto político emblemático a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ato dos sem-terra em Brasília. Primeiro, pela decisão de alterar a agenda e ir ao encontro dos manifestantes. Segundo, pelo tom do discurso. Terceiro, pelo carinho da platéia e do principal líder do MST, João Pedro Stedile. Escaldado pelas críticas que sofreu quando pôs na cabeça o boné do MST, Lula foi ao encontro no Parque da Cidade mas dispensou o acessório. E disse que não seria justo quem sempre participou de todos os encontros de luta pela reforma agrária deixar de ir agora porque é presidente da República.
Por trás da decisão de ir ao encontro transparece a intenção de estabelecer uma espécie de pacto de boa convivência com os aliados que mais criam caso para o governo. Tanto que no discurso Lula pediu um voto de confiança e apelou para que só seja julgado ao final do seu mandato.
A ênfase com que defendeu o ministro Antonio Palocci das críticas de Stedile revelou firmeza em relação à política econômica. Que os sem-terra não se iludam satanizando Palocci: as decisões são do governo e têm o aval do presidente.
Ao pedir paciência e dizer que fará a reforma agrária possível, Lula deixou claro que não convém sonhar com assentamentos em massa. Aliás, ele mesmo fez questão de avisar que está sepultada a fase de "colocar miseráveis num canto de terra". A filosofia do seu governo é organizar cooperativas, levar tecnologia aos assentados e fazer os assentamentos produzirem. Trocando em miúdos, o balanço que Lula quer não é pela quantidade de assentados, mas pela mudança nas condições de vida dos assentamentos.
Ainda que seja público o descontentamento do MST com o ritmo da reforma agrária no governo Lula, e que Stedile tenha feito críticas à política econômica e aos acordos com o Fundo Monetário Internacional, a recepção da platéia não poderia ser melhor. Aplaudiu, tentou tocar no presidente e criou até clima para brincadeiras. Stedile reafirmou a condição de aliado de Lula e anunciou que os soldados do MST estarão com o governo na batalha pela reforma agrária.
Se em Brasília o clima era de entrosamento, em Porto Alegre as principais ausências na Marcha dos Sem foram as bandeiras do PT e seus principais líderes. O PT, que sempre apoiou a Marcha dos Sem, ficou em situação delicada, porque entre os alvos dos manifestantes estavam pontos cruciais da política econômica e da política externa do governo, como a manutenção dos contratos com o FMI e as negociações para a implantação da Alca.
rosane.oliveira@zerohora.com.br
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8:24 AM
by Cassiano Leonel Drum
Oriente Médio
Carroças do terror
Soldados americanos encontram carroça usada como base de lançamento de foguetes por guerrilheiros iraquianos (foto Khalid Mohammed, AP/ZH)
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Sexta-feira, Novembro 21, 2003
Posted
7:56 PM
by Cassiano Leonel Drum
Muito bizarro... ou não?
Outra vez às voltas com acusações de pedofilia, o pop star Michael Jackson é preso e libertado, após pagar fiança de US$ 3 milhões
Luiz Chagas e Fernando F. Kadaoka
Colaboraram: Osmar Freitas Jr. e Ivan Claudio
Justiça: Jackson ficou apenas uma hora detido em prisão na Califórnia. A primeira vez que o astro foi acusado de pedofilia foi em 1994, quando Jordan Chandler, 12 anos, descreveu em depoimento às autoridades como teria sido abusado pelo cantor
Oh, não. Ele de novo? Sim, ele mesmo. Aos 45 anos, Michael Jackson, o auto-intitulado rei do pop, se meteu com criancinhas outra vez. Na quarta-feira 20, sua imagem, algemado com as mãos para trás sendo conduzido a uma porta lateral da prisão do condado de Santa Bárbara, Califórnia, repetiu-se como um looping bizarro pelas televisões de todo o mundo, ofuscando o encontro Bush-Blair e a carnificina em Istambul. Bizarro é um termo-chave para se entender o astro que conseguiu vender 60 milhões de cópias de um mesmo disco, o fenomenal Thriller, lançado em 1982.
Momentos mais tarde, após desembolsar a bagatela de US$ 3 milhões como fiança, Jackson foi solto fornecendo mais imagens para as televisões. Desta vez vitorioso, como gosta de ser visto. O astro aguardará julgamento em liberdade. Se condenado, pode pegar até oito anos de prisão.
O xerife de Santa Bárbara, Jim Anderson, e o procurador do condado, Thomas Sneddon, negociaram a rendição do cantor com seus advogados depois de investigações criminais sigilosas que já duravam mais de dois meses. Os detalhes sobre a acusação de abuso sexual apresentada contra Jackson por um menino de 12 anos teriam sido revelados pela criança em suas sessões de terapia, em Los Angeles. Segundo assessores, Michael e seus três filhos, Prince Michael I, Paris Michael e Prince Michael II, estavam em Las Vegas, filmando um clipe.
O astro pop insinuou em um comunicado que as acusações têm a ver com o lançamento de seu mais novo disco, Number Ones, reunindo mais uma vez, a terceira, seus principais hits. O álbum chegou às lojas terça-feira 18, no mesmo dia em que cerca de 70 policiais vasculhavam cada centímetro de sua Neverland, Terra do Nunca, que teria sido visitada pelo tal menino há três meses. O rancho mansão, dotado de zoológico, parque de diversões, linha de trem e doces à vontade, funciona como residência do auto-intitulado Peter Pan muitos preferem chamá-lo Wacko Jacko, algo assim como Jack, o piradinho. Bizarro.
Três personalidades negras ouvidas por ISTOÉ nos Estados Unidos deram seu veredicto. O reverendo Jesse Jackson, que não tem parentesco com o cantor, mas é o herdeiro de Martin Luther King no movimento pelos direitos civis, em conversa com Michael pouco antes deste se colocar sob a custódia da polícia, sentiu-o muito magoado.
Para o reverendo, o Michael que conheço e considero irmão no fundo também é uma criança, incapaz de causar danos a qualquer pessoa. Tal simpatia é compartilhada pelo cineasta Spike Lee, que o vê como uma vítima da cultura americana, que fabrica e devora celebridades com o apetite de um monstro, diz ele. Para Lee, Michael foi abusado pela família, gravadoras, políticos, fãs e, principalmente, aqueles que desejam pegar carona em sua fama e fortuna, avisando que o apetite desta gente não vai acabar enquanto sua vítima não tiver desaparecido.
No que depender da atriz e comediante Whoopi Goldberg é isso mesmo que deve ocorrer. Não sinto pena, diz ela, justificando que com os advogados que pode pagar, se for condenado vai conseguir que o juiz o mande cumprir pena num reformatório juvenil, onde não terá nenhum problema em ser a mulher da cela. Muito bizarro.
Esquisitices: o cantor pendurou seu filho mais novo pela janela e geralmente cobre suas filhas com véus negros. Na Terra do Nunca, (às esq.) costuma receber crianças com quem divide a cama.
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7:33 PM
by Cassiano Leonel Drum
Caminho do Meio
Reparaste que eu avanço
na exata proporção do teu recuo?
Se te mantivesses no caminho do meio
eu não precisaria avançar
e tampouco tu precisarias recuar ...
Reparaste que eu encho a tua taça na mesma proporção
de que ela se me apresenta sempre vazia?
Se ela se mantivesse à meia borda,
por certo eu não a transbordaria ...
Reparaste que eu falo demais
na exata medida em que tu falas de menos?
Se ao invés de silêncio retornasses as minhas falas,
na tua fala, o meu próprio silêncio se equilibraria ...
Reparaste que todos os meus sins
se contrapõem a todos os teus nãos ?
Se houvesse alguns sins dentre os teus nãos,
os meus próprios sins
aprenderiam a dizer talvez e no talvez,
os nossos sins e nãos se reconciliariam ...
Avança um pouco para que eu consiga recuar.
Transborda um tanto a minha taça para que eu possa esvaziar.
Rasga de leve o teu silêncio para que eu aprenda a me calar.
Articula algumas afirmações para que eu aprenda a me negar.
Fica da minha altura para que eu não tenha que esticar.
Equilibra assim os nossos pratos
para além da nossa guerra de egos.
E só então, em plenitude e verdade,
eu poderei te amar ...
Fátima Irene Pinto
Autora do livro
Momentos Catárticos
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7:28 PM
by Cassiano Leonel Drum
POETA POR UM DIA
Quisera eu ser poeta por um dia,
Para falar-te em versos, de mansinho,
Para achegar-me bem devagarinho
Ao pé do ouvido que ontem não me ouvia.
Toda palavra foi tão fugidía!
Mal expressando-me, perdi o caminho
Do teu olhar, que se evadiu - sozinho -
Diante de mim, tão tola e tão vazia.
Olhavas-me, porém não me escutavas.
Em outras plagas certamente estavas,
Com pensamentos presos a outra meta.
Um outro alguém, talvez, mais envolvente,
Que de poesia te ocupasse a mente
Ah! ... quem me dera hoje ser poeta!
SILVIA SCHMIDT
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7:18 PM
by Cassiano Leonel Drum
Fazendo Tipo
Silvia Schmidt
Sou do tipo que se ostenta cheio de vaidade,
Quando me afirmo forte, firme e corajosa,
Quando debocho de mulher chorosa,
E digo ser o pranto uma Banalidade.
Espalho que acredito na felicidade
Da mulher só que sai toda garbosa,
Como se fosse perfumada rosa
Lançando aos ventos cheiro e liberdade.
A sós comigo a coisa é diferente:
Olho no espelho e vejo o quanto
Mente A minha boca cheia de saudade
Com meu vazio eu parto para a cama,
Nela eu 'desmancho' a mentirosa dama,
Que lá deitada chora ... e de verdade!
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8:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Jaime Cimenti
jcimenti@zaz.com.br
21/11/2003
Dependência química, estórias de amor e maturidade
A escritora irlandesa Marian Keyes, 40 anos, formou-se em direito mas nunca exerceu a profissão. Foi dependente de álcool durante anos e só alcançou o sucesso quando decidiu parar de beber. Hoje é uma das autoras de maior sucesso na Inglaterra e seus livros foram publicados, dentre outros países, na Alemanha e nos Estados Unidos.
Marian vive em Dublin com o marido, com quem está casada desde 1995. Ela é autora do romance Melancia, editado no Brasil pela Bertrand e grande sucesso de vendas.
Agora Marian lançou entre nós Férias! Se trata acima de tudo de um romance engraçado, apesar da temática enfocada. A narrativa conta as peripécias de Rachel Walsh, 27 anos, que tem a grande mágoa de calçar 40.
Seu namorado, Luke Costello, usa calças de couro justas. Rachel é muito amiga de drogas, mas não é magra o bastante para ser uma toxicômana. Sua vida vai para a cucuia e ela vai, na marra, para o Claustro, que é a versão irlandesa da clínica Betty Ford para dependentes. O claustro tem banheiras de hidromassagem, academias e artistas semifissurados e ela pensa que estava mesmo precisando de umas feriazinhas.
Rachel encontra mais homens de meia-idade usando suéteres e sessões de terapia de grupo do que imaginava. Eles querem que ela entre no esquema. Ela não quer. Todavia, cheia de dor-de-cotovelo (leia-se Luke), busca salvação em Chris, um homem com um passado e que pode dar mais trabalho do que vale... E por aí vai nossa Rachel, da dependência química aos campos desconhecidos da maturidade, passando por uma ou duas histórias de amor, neste romance forte, comovente, mas, acima de tudo, muito, muito engraçado. 560 páginas, R$ 49,00. Tradução de Heloisa Maria Leal, Editora Bertrand, fone 32237363.
DICA
Leio O Rosto de Cristo, de Armindo Trevisan, editado pela AGE. Num trabalho sério de 15 anos de pesquisas, conjuga esplendidamente uma análise da arte com uma reflexão da história e poesia da procura de algo que identificasse o rosto da humanidade, através de vicissitudes e acertos.
Maria Carpi, poeta, autora de
A Força de não ter Força, Escrituras, 2003
Lançamentos
Grande sonho do céu apresenta dezoito contos do grande dramaturgo e escritor norte-americano Sam Shepard. São estórias que envolvem o universo do homem do meio-oeste dos EUA, o homem terra-a-terra, sensível à beleza, à força e ao poder do campo aberto. Os diálogos têm o mesmo vigor dos de suas peças. A dramaticidade é intensa e parece que os personagens estão vivos em um palco. 176 páginas, ARX, Distribuidora L&MC, fone 3224 1505.
Pequeno dicionário de palavras ao vento, da escritora e roteirista carioca Adriana Falcão, apresenta um bem-humorado e inteligente dicionário escrito a partir da crônica Mania de Explicação. Exemplos: Deus - Só Deus sabe; distraído, dono de uma cabeça pela qual a Lua tem grande estima e adolescente, toda criatura que tem fogos de artifício dentro dela. 168 páginas, Planeta, fone 55-11-5095 7893.
Abalou Bangu, peça em duas cenas do carioca Flávio Marinho, é uma verdadeira comédia carioca. Trata de um casal suburbano que, a muito custo, evolui (?), sai de Bangu e vai morar em Copacabana. Mudança de hábitos, choque cultural e humor, muito humor estão na história, que é um passeio pela cidade maravilhosa. 102 páginas, Imago, fone 21-2242-0627.
Disney Fábulas Volume 2 apresenta as mais belas histórias e os personagens mais marcantes da Disney, como O Rei Leão, A Bela e a Fera, Lilo & Stich, Cinderela, Toy Story e dezenas de outras, num total de 28. Cada fábula é contada de forma especial, com pequenos trechos sobre amizade, honestidade, responsabilidade e felicidade. Volume com capa dura, papel couche brilhante e ilustrações em cores. 128 páginas, R$ 69,00, Editora Melhoramentos, fone 32237363.
e palavras...
A banda
Domingo com sol, primavera. Aproveito para vestir ânimo, tênis, bermuda, óculos escuros, camiseta e dar uma caminhada. Quero colher o dia pela manhã. Meu destino é o Parcão e depois, sem destino, algum bar, café, pessoa ou conversa imprevisível, bem ao sabor do acaso dos que flanam por aí. Dois quarteirões depois da minha porta, na rua Padre Chagas, dez da manhã, uma bandinha marcial composta de vinte ou trinta estudantes está dando seu dobrado.
Paro para ver a banda que não está passando. Estacionada numa esquina, em frente aos edifícios altos, envia seus sons para quem quer ou não ouvir. Os que querem param, como eu, ao menos por uns instantes. É banda modesta, com balizas simples executando estrelinhas e movimentos modestos. Gosto dos sons roucos dos surdos, das matracas dos taróis e das caixas e do brilho dos metais. Lembro que quando morava no interior, aos quatro anos, eu e o Aldinho, também com quatro, saímos atrás de uma banda e acabamos perdidos no centro da cidade. Um amigo nos recolheu e devolveu para casa.
Na Padre Chagas alguém de ressaca, mal-humorado ou de gosto musical muito requintado, atira um ovo na banda. Alguns espectadores protestam, xingam o cara. Outros nas janelas apóiam o inimigo da música. De passagem, sem querer tomar partido ou levar uma ovada, sigo meu caminho, já na companhia de um simpático e palavreante psicanalista lacaniano que encontrei. Enquanto caminhamos por mais de hora no Parcão, conversamos sobre Freud, Lacan, mídia, Luana Piovani, palavras, política, imagem e mil assuntos mais.
Não atiramos ovo um no outro, ao menos no sentido concreto, e ninguém atirou ovo na gente. Já é alguma coisa. Depois tomamos café, água e tônica diet no Acquarello, enquanto a conversa seguia livre, infinita, democrática feito praça pública ou caneta bic. Compromissos familiares interromperam o papo. Mas ele vai continuar, claro. Sem ovos no sentido concreto do termo, espero. O doutor tem o direito de ter suas idéias erradas, assim como eu tenho o direito de ter as minhas certas. Mas sem omelete. (Jaime Cimenti)
E-mail: jcimenti@zaz.com.br
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8:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
Na cadência do samba
Alcione comemora aniversário e disco de platina em show no Canecão. Revelação é atração do Olimpo
Eusébio Galvão
Fim de semana para dizer no pé. No Canecão, uma temporada de Alcione para adoçar a boca dos sedentos por uma boa voz. E amanhã, no Olimpo, o Revelação faz show.
Alcione está feliz da vida e com razão. Emplacou uma vendagem de 250 mil discos do último CD, Ao Vivo 2, enquanto o chororô da indústria fonográfica não pára. Para celebrar o sucesso dos dois volumes do CD ao vivo, a gravadora Indie resolveu lançar um álbum duplo com os dois discos ao preço de CD simples. A única novidade é uma regravação de Não Tem Saída, que foi sucesso na voz de Sandra de Sá. A faixa tem participação do cantor Belo.
A Marrom não sossega no Rio de Janeiro, tantos são os compromissos que tem. Tenho que fazer show, TV, rádio. E não posso mandar outra pessoa no meu lugar, né? Mas está ótimo. Eu assumo minha condição de cantora popular e faço o que for preciso para tudo correr bem, diz.
Alcione se cerca de amigos e tem sempre uma tirada bem sacada. Todo mundo tem problemas e eu também. Mas não sou baixo astral. Só Deus pode me tirar o que mais gosto, que é minha voz, profetiza. Quando alguém me vir aborrecida, é porque encheram o meu saco, afirma.
De hoje a domingo, ela estará no Canecão com um espetáculo que inclui sucessos de carreira. Ainda que as músicas sejam velhas conhecidas suas, ela não nega o lado caxias. Ensaiou até anteontem e só se deu uma folga na véspera da estréia, para poupar a voz. Adoro cantar e também ensaiar. Isso é fundamental. É por isso que estou aí há 30 anos, bate no peito. E a cada um dos envolvidos no espetáculo que se despedia, ela fazia a mesma pergunta. Já sabe o horário que tem que chegar na sexta-feira? Só depois da resposta ela se despedia e sempre com carinho. Para completar a alegria, hoje é aniversário da Marrom. Deus me deu a felicidade de poder comemorar fazendo a coisa que eu mais gosto¿, agradece.
Ela sequer esconde a idade. Vou fazer 56 anos, acredite se quiser. Vai ser uma maravilha. Para o show deste fim de semana, ela fez pequenas mudanças no repertório. Incluí Coisa Feita. E também vou receber 15 ritmistas da Mangueira, mas o que vamos tocar é surpresa, esquiva-se. Os mangueirenses são seus xodós. Vi esses garotos pequenos. Hoje são músicos de primeira linha. Fico orgulhosa assume.
Outro motivo de orgulho foi o convite para gravar o samba da Tradição este ano, reedição da homenagem que a Portela fez a Clara Nunes. No começo, não quis aceitar, admite. Mas insistiram que eu era a única que poderia fazer a homenagem, conta. Ela foi. Mas avisou que Sapucaí, nem pensar.Não quero tirar o lugar do compositor da escola. E não consigo cantar 80 minutos a mesma coisa. Eu vou atravessar o samba, acredita, humilde.
Mas até domingo, no Canecão, ela promete arrebentar. O repertório é infalível. Vai ter Estranha Loucura, A Loba, Mulher Ideal, Nem Morta. Quem for com o coração aberto, vai sair de lá com ele gargalhando, garante.
CANECÃO. Avenida Venceslau Brás 215, tel.: 2543-1241. Hoje e amanhã, às 22h. Domingo, às 20h30. Ingressos entre R$ 20 e R$ 50.
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8:34 AM
by Cassiano Leonel Drum
Buemba! Ronaldo faz gol de pança!
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Selecinha sem vícios: não bebe, não fuma e não joga! Outro empate? É sempre assim: marcação homem a homem termina pau a pau! E a Selecinha não tem ataque cardíaco, tem defesa cardíaca. E o Parreira devia ser editor da "Playboy": só arma pelada. E diz que o Parreira não precisa tomar Viagra porque já é cabeça dura. E sabe o que o Viagra falou pro Gagallo? "Você vai ter que me engolir!"
E o Ronaldo fez dois gols: um de pança e outro de barriga. Ele tá parecendo o irmão do Ed Motta! Aliás, a pança do Ronaldo dá pra ver até em foto em que ele aparece de costas. E o Roque Júnior tá parecendo o Acerola do seriado "Cidade dos Homens"! E aquele repórter inglês que conseguiu passar dois meses clandestino no palácio de Fuckingham? Já sei, devem ter colocado o Lúcio e o Roque Júnior pra proteger o palácio! Rarará!
E o Gilberto Silva que fez gol contra? É o único que acredita no Mercosul: deu um gol de presente pro Uruguai! E sabe como se chama o técnico do Uruguai? Carrasco. Caímos nas mãos do Carrasco! E por que todo técnico do Cone Sul tem mania de usar terno de padrinho de casamento?
E a Maica Jéssica? O Michael Jackson não acha que é pedófilo porque ele acha que tem a mesma idade dos meninos. E um outro diz que o Michael Jackson é como remédio: deve sempre mantê-lo fora do alcance das crianças! E um outro acha que ele é anoréxico sexual: não come nada! E por que ele não pegou o Mickey, que tá fazendo 75 anos? E deve estar na fila dos aposentados.
E adorei a charge do Zédassilva: sabe o que as velhinhas ficavam fazendo na fila dos aposentados? Tricotando um cachecol pro Berzoanta! Rarará. É mole? É mole mas sobe!
Antitucanês Reloaded - A Missão! Continuo com a minha cruzada Morte ao Tucanês! Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que em Teresina tem um bar chamado Bar da Pintona! E no Piauí mesmo tem um motel chamado Vou Pensar. Sendo que a última coisa que se faz num motel é pensar. Rarará. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Latrocínio": tudo que vem da vaca! Rarará. O lulês é mais fácil que o inglês. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
E quem não tiver colírio alucinógeno, pode pingar Ajax que dá no mesmo!
UFA!
simao@uol.com.br
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8:32 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
21/11/2003
Luz no fim do túnel
É preciso ter bem claro na mente que não existem cidades sem trânsito de veículos.
E mais claro ainda deve ficar que não existe trânsito sem estacionamento.
"No parking, no business" é um ditado pétreo americano, criado nos anos 60. Sem estacionamento, não há negócios.
A mentalidade que se criou em Porto Alegre nos últimos 30 anos foi a de acabar com todos os estacionamentos.
Acabando com os estacionamentos junto aos meios-fios das avenidas e ruas, Porto Alegre sufocou o metabolismo da cidade, influiu decisivamente no condicionamento cotidiano, mexeu tragicamente com a vitalidade urbana.
A cidade foi transformada numa usina de transtornos para os seus habitantes, sufocando perfidamente o funcionamento do comércio, dos serviços, do turismo e do acesso às repartições públicas.
Foi um crime que se cometeu contra a vida da cidade.
O ponto mais nobre do comércio porto-alegrense era a Rua dos Andradas. Suas lojas tinham o mais alto valor imobiliário da cidade.
Hoje, vêem-se anúncios de venda de prédios de lojas na Rua dos Andradas com preços considerados insignificantes, perto dos proibitivos de antigamente.
Tudo porque na Rua dos Andradas, antes de se banir o estacionamento, cometeu-se um crime ainda maior: proibiu-se o trânsito de veículos no coração daquela artéria. E a nossa querida Rua da Praia assim foi definhando, foi se degenerando, até chegar ao estado deplorável em que se encontra hoje, um monumento ao desprezo que as administrações municipais lhe infligiram, transformando-a em uma via deletéria contra as humanidades e o alvoroço.
Estou falando isso porque surgiu uma luz no fim do túnel desta mentalidade assassina da cidade: a prefeitura decretou ontem que será permitido o estacionamento junto ao meio-fio da Avenida Farrapos das 9h às 17h.
A medida visa a favorecer o comércio na Farrapos.
Que bela idéia, que excelente medida, que lucidez extraordinária de quem cometeu tal decisão!
Está ficando de um jeito a cidade, com a proibição dos estacionamentos, que se a condenou a ver os seus habitantes todos se dirigindo aos shoppings, únicos lugares onde se pode encontrar estacionamentos. O resto da cidade que se dane, que se fine, que morra, pelo simples fato de que não se pode estacionar.
Deus queira que se iluminem os espíritos dos administradores da cidade e a idéia se expanda por todas as avenidas. É um atentado à lógica, ao bom senso, à visão moderna de uma cidade que a Avenida Assis Brasil, por exemplo, um pólo natural de comércio e de serviços, seja impedida em toda a sua extensão de oferecer estacionamento à população.
Trânsito sem estacionamento é insânia pura. Sempre escrevi que trânsito implica dois movimentos indispensáveis: circulação e estacionamento.
Tomara que essa iniciativa na Farrapos contagie toda a cidade. E a vida volte às ruas e avenidas, onde viceja agora apenas o limo lodoso da proibição de estacionar.
É de ver-se a alegria e o orgulho do jornalista Cláudio Brito por receber hoje pela manhã o título de Cidadão Emérito de Porto Alegre, em sessão solene da Câmara de Vereadores. Um merecido galardão.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
21/11/2003
Lendas urbanas
Os fantasmas do Palácio Piratini são um capítulo importante das lendas porto-alegrenses. Familiares de ex-governadores atestam sua veracidade. Houve quem tenha visto o vulto magro e alto de Borges de Medeiros suspirando pela ala residencial. Outros depararam com a alma penada gordota de Júlio de Castilhos ainda rondando o gabinete do governador, ainda aferrada ao poder.
Existe também a lenda da gangue do Halls preto. Mulheres vestidas com minissaias minúsculas e decotes vertiginosos adejando pela noite à caça de homens que serão primeiro seduzidos, depois submetidos à prática ardida da sessão de Halls preto. Terrível.
E há o Schimitão. Esse não é seu verdadeiro nome, mas preciso lhe preservar a identidade. Sempre sorridente, bem vestido e simpático, o Schimitão é tido como irresistível.
Décadas atrás, no Rio, quis a Providência que o Schimitão estivesse na mesma festa em que estavam Jacqueline Bisset e uma amiga dela, também atriz, também lindíssima.
Ah, preciso confessar que, na adolescência, eu andava com a foto da Jacqueline Bisset na carteira. Jacqueline Bisset, tão perfeita, tão inatingível, um anjo distante e justamente graças a essa distância é que ela redimia a vida e suas contingências: havendo Jacqueline Bisset, havia perfeição. Quando tudo parecia estar ruindo, eu sacava a foto da Jacqueline Bisset e pensava: o mundo é bom, nele está a Jacqueline Bisset.
Pois o Schimitão viu a Jacqueline e a amiga e disse:
- Vou lá.
Os amigos riram: o Schimitão só falava português, impossível se comunicar com aquelas duas beldades, daquela vez o Schimitão ia se dar mal.
O Schimitão foi mesmo assim. Duas horas depois, estava na piscina com a amiga da Jacqueline Bisset. De roupa e tudo.
Ontem, soube que o Schimitão está de volta. Tem circulado pelos bares da cidade armado com seu olhar infalível e com uma tenebrosa ameaça entre os dentes perfeitos: ele, agora que está na fronteira dos 50 anos, desenvolveu uma preferência pelas mulheres casadas.
- Quero desafio - repete por aí o Schimitão. - Quero as casadas.
Alguns maridos já estão montando esquemas de segurança para se proteger do Schimitão. Eu não me preocupo. Mas não por não ser casado. É que, naquela piscina carioca, não estava a Jacqueline Bisset. Sim, senhor: o Schimitão não conspurcou a Jacqueline Bisset.
david.coimbra@zerohora.com.br
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8:16 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Um ídolo algemado
Acusado de molestar sexualmente um menino, Michael Jackson se entregou, pagou fiança e foi solto (foto AP/ZH)
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Quinta-feira, Novembro 20, 2003
Posted
9:36 PM
by Cassiano Leonel Drum
FOI VOCÊ
Foi você!
Quem fez transbordar minha alma de ternura.
Foi você!
Quem ensinou a meu coração os atalhos do amor.
Foi você!
Quem me abrigou com carinho entre seus braços.
Foi você!
Quem saturou meus lábios com o mel dos seus beijos.
Foi você!
Quem me levou a loucura com seu amor.
Foi você!
Quem despertou no meu corpo o desejo,
Quem descortinou um mundo escondido muito além do real,
Muito além das palavras, muito além da vida...
Com seu ardor.
Foi você!
Quem um dia, talvez para sempre, partiu...
Sem um aceno, sem uma lágrima,
Sem um beijo, sem um sorriso,
Sem um adeus.
Hoje eu sofro por você.
Ainda me restam tuas lembranças para sonhar,
E você!,
Além do remorso,
O que será que ainda resta a você?
lu_sozinha
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9:28 PM
by Cassiano Leonel Drum
EU SOMENTE EU
Tento voltar como pessoa,
Como mulher,
Mesmo questionando minha própria existência,
Junto com minha boa,
Fiel e inseparável amiga
A solidão.
Do que fui feita?
Sempre me sentindo sozinha,
Mesmo acompanhada.
Sempre me sentindo infeliz,
Mesmo agradada.
Incompreensível mulher
Que mesmo plena de atributos,
Físicos, morais e espirituais,
Enfrenta a vida como uma pergunta mal respondida.
Fatos do passado?
Porque ignoro o que desejo?
Porque desprezo o que preciso?
Porque fujo do que amo?
Mãos se estendem,
Pessoas se aproximam.
Máscaras caem,
Corações se abrem.
Eu vejo, eu sinto, eu gosto, eu preciso,
Eu desejo.
Porém minha amiga inseparável, a solidão,
Me carrega de volta pra seu seio.
Nunca reclamo, nunca me lamento,
Raramente falo.
Não importa do que fui feita,
Sei que um dia voltarei a dividir sonhos,
Compartilhar momentos,
Pois conservo algo que a minha "amiga" não me roubou
Mantenho intacta...
Minha essência de Mulher.
lu_sozinha
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8:02 AM
by Cassiano Leonel Drum
GINÁSTICA ARTÍSTICA
Dos Santos entra para a história
A brasileira Daiane dos Santos já faz parte da história da ginástica artística mundial. A Federação Internacional de Ginástica (FIG), finalmente, oficializou ontem a inclusão do elemento ¿Dos Santos¿ (duplo twist carpado), criado e apresentado por Daiane no Mundial disputado nos EUA, em agosto, quando ela levou a inédita medalha de ouro no solo.
Criado pelo técnico ucraniano Oleg Ostapenko, que treina a equipe brasileira de ginástica, o duplo twist carpado realizado por Daiane recebeu a nota Super E (grau máximo de dificuldade) no código de pontuação da modalidade e ajudou a atleta a conquistar o ouro com um total de 9.737 pontos, superando suas principais adversárias.
"Minha expectativa sobre o resultado era muito grande. Nem acreditei quando soube. Meu sonho se tornou realidade. Agora, faço parte do livro da Federação Internacional de Ginástica e serei conhecida mundialmente", comentou Daiane.
"É uma grande vitória, mas não só minha, é do Oleg e de todos os que me apoiaram e acreditaram no meu talento. Foram dois anos de muito esforço e superação", declarou a gauchinha, emocionada.
Para Daiane, a única no mundo a desenvolver o elemento, essa conquista mostra todo o seu potencial. A ginasta garante que já está treinando novos movimentos e que eles serão apresentados no ano que vem, nos Jogos Olímpicos de Atenas, na Grécia.
"Será mais uma surpresa do Brasil para o Mundo", afirmou. A próxima exibição internacional de Daiane dos Santos será na etapa da Copa do Mundo na Alemanha, em Stuttgart, nos dias 28, 29 e 30. Segundo o técnico Oleg Ostapenko, responsável pela criação do movimento, Daiane foi escolhida para treinar o duplo twist carpado pela sua força, impulsão e talento.
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7:56 AM
by Cassiano Leonel Drum
SELEÇÃO
Bem que o Presidente avisou...
Se empatar com o Peru, fora, já havia sido um 'vexame', o que dizer de um 3 a 3, em casa, com o Uruguai - e uma atuação bisonha da defesa? É Lula para técnico da Seleção!
Kaká (E) abre o placar e Forlan (D) inicia a reação do Uruguai no início do 2º tempo
CURITIBA - O presidente Lula estava certo. Vexame é até uma das palavras mais amenas para se definir a zaga brasileira. Por causa dos erros da defesa, a Seleção não passou de um empate em 3 a 3, ontem, com o Uruguai, no Pinheirão. E poderia ter sido pior: o time de Parreira, que vencia por 2 a 0 no primeiro tempo, chegou a estar perdendo por 3 a 2.
Para que fique bem guardado na memória presidencial, o jogo teve até gol histórico: o de número 50 de Ronaldo, com a camisa da Seleção. Mas o mais marcante foi o 51° do Fenômeno, o que salvou o Brasil, aos 41 minutos.
O Uruguai entrou em campo com uma formação ofensiva e suicida: Hornos, Zalayeta e Forlán, adiantados, até que começaram incomodando. E foram deles as três chances do time, no primeiro tempo Zalayeta concluiu para fora aos 7 minutos, Dida defendeu um chute de Forlán aos 12, e saiu bem quando Hornos, aos 43, ficou sem marcação, na cara do gol.
Afora esses três lances que somente foram possíveis com a colaboração da péssima zaga brasileira , só deu Brasil, no primeiro tempo. A defesa uruguaia, em linha, era um convite à habilidade de Kaká, Rivaldo e Ronaldo.
Depois de fazer três lançamentos, Kaká teria a sua chance e não desperdiçaria: aos 19 minutos, mandou para a rede, com a coxa, um lançamento de Ronaldo.
Aos 28, num lançamento de Zé Roberto, Ronaldo tirou o goleiro da jogada, ao matar a bola com o ombro. Na seqüência, emendou com o pé, marcando o gol de número 50. O segundo do Brasil.
Assim foi o primeiro tempo, e pode-se apagar tudo o que foi escrito sobre ele. No segundo, o técnico Carrasco mudou todo o jogo: acertou a zaga e lançou Recoba, que organizaria o time uruguaio.
Lúcio já havia cometido quatro falhas bisonhas no primeiro tempo. No segundo, lá estava ele, perdendo uma cabeçada. Roque Júnior, na retaguarda, acertou a bola no rosto de Chevantón. A bola sobrou para Forlán, que fez o primeiro gol adversário.
O Uruguai passou a dominar o jogo e, aos 30 minutos, chegou ao empate: Recoba lançou na área, Nuñez cruzou e Forlán completou. Aos 32, Recoba cobrou uma falta de longe. Gilberto Silva desviou com a cabeça, fazendo gol contra, o da virada uruguaia.
Aos 41, Ronaldo salvou a Pátria de um com licença, presidente vexame maior: ao receber passe de Zé Roberto, chutou cruzado. Gol: 3 a 3. A esperança não venceu o medo. Apenas empatou.
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7:50 AM
by Cassiano Leonel Drum
O Rappari
Banda carioca lança o esperado disco O Silêncio Q Precede o Esporro, o primeiro sem o ex-baterista e principal letrista Marcelo Yuka, com discurso afinado sobre união e amizade
Rubia Mazzini
As letras politizadas e a fusão de ritmos que se tornaram a marca do Rappa continuam norteando o trabalho da banda em seu novo disco, O Silêncio Q Precede o Esporro, lançado esta semana com uma tiragem de 100 mil cópias. Mas é a alegria de quem conseguiu superar problemas pessoais o acidente do baterista e principal letrista, Marcelo Yuka, e seu posterior desligamento do grupo que chama atenção quando se ouve o agora quarteto falar do álbum.
Estamos na fase do sorriso, de ficar feliz. A gente nunca quis dar uma travada na banda por assuntos particulares, todo mundo deu força pro Rappa crescer, declarou o vocalista Marcelo Falcão, sob olhares cúmplices de Xandão (guitarra), Lauro Farias (baixo) e Marcelo Lobato (teclado e bateria), na entrevista coletiva concedida terça-feira à tarde no Antonios Bar, restaurante de comida nordestina no Tanque.
Fazendo questão de se mostrarem satisfeitos É o nosso melhor disco, diz Lauro e unidos como nunca, os músicos tratam a expectativa criada em torno do primeiro CD sem Yuka como um desafio para eles mesmos. A gente precisou se aprovar o tempo todo. Às vezes eu chegava com um pedaço de uma letra, o Lobato dava uma idéia, o Laurinho escrevia outra parte. Tudo era possível naquele momento, nada era vetado, conta Falcão.
Sobre os motivos que fizeram Yuka deixar o grupo, os músicos não falam abertamente. Mas deixam no ar a impressão de que uma certa guerra de vaidades pode ter provocado mal estar entre os ex-parceiros. Gosto do cara pra caramba, mas ninguém pode atrapalhar o Rappa. O Rappa é maior do que qualquer um de nós. Vou levar o nome da banda o mais alto que puder. Ninguém aqui tá de onda ou faz tipo, discursa o vocalista.
Produzido por Tom Capone, O Silêncio Q Precede o Esporro, traz dez músicas inéditas e duas regravações. Zeca Pagodinho canta em Maneiras, samba de Sylvio da Silva que ganhou toques de reggae. Pra convidar o Zeca, rola um mis-en-scène, antes de tudo tem que ter a cerveja certa, ri Falcão, contando que no fim da gravação foi o sambista quem agradeceu a oportunidade. Ele foi pro estúdio com o Zequinha, filho dele, e o sobrinho, Renatinho, como seguranças. A gente resolveu pedir pro Zequinha tocar violão e o Renatinho pegou o banjo. O Zeca ficou emocionado, lembra o cantor.
Outra artista que participa do disco é a rapper argentina Malena DAlessio, que canta em Óbvio. Já O Salto traz a voz do poeta Waly Salomão, morto em maio, guru do Rappa desde a regravação de Vapor Barato, dele e Jards Macalé. Todas as faixas selecionadas por Tom Capone entre 32 gravadas são emendadas por vinhetas instrumentais. Talvez não sejamos rostinhos bonitos pra vender propaganda, mas em termos de música acho que a gente satisfaz, conclui Falcão.
Álbum confirma que O Rappa continua sendo uma grande banda
Contra si, O Rappa tinha o fato de ter lançado o último CD todo de inéditas em 99. Lado B Lado A foi onde a banda achou uma cara, um som para chamar de seu. Até O Silêncio Q Precede o Esporro, o grupo passou por bastante coisa. A consagração, o acidente com Yuka e, por último, a saída dele. Ficou a expectativa de saber como a banda se sairia sem seu fundador e principal letrista.
O Silêncio... traz uma ótima notícia. O Rappa confirma que é uma grande banda. Os arranjos, as levadas, tudo é muito bem feito. O caminho indicado em Lado B... é mantido. A segunda notícia não é das melhores. Embora os remanescentes Xandão, Lauro, Lobato e Falcão assinem juntos a maior parte das letras, elas não mantêm o nível das antigas. Alguns achados como se soubesse rimar/ faria um samba antigo/ onde reina a calma/ e todo mundo é amigo¿ (Papo de Surdo e Mudo) e a letra de Linha Vermelha, seca, direta e oportuna, dão a esperança de que a prática aperfeiçoe os quatro no ofício da escrita.
De resto, nada a se temer. A voz de Falcão continua uma das melhores do país. A inventividade está lá, como provam os violinos que adornam O Salto, uma das melhores do disco. A participação de Zeca Pagodinho no grande samba Maneiras está na medida. Já a regravação de Deus lhe Pague, de Chico Buarque, não funciona tão bem. Bitterusso Champagne, com uma discreta guitarra distorcida que dá charme à introdução, é outra boa pedida. Só não precisava das 10 vinhetas entre as faixas. Meio cansativo. (Eusébio Galvão)
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7:45 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ueba! Maica Jessica é espantalho de baixinho!
Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Frase do dia: "Após os 50 anos, a única coisa que o homem pode comer com gordura é a própria mulher". Rarará! E a Fátima Bernardes com aquele tailleur de gola alta? Tá parecendo aeromoça da Entreprise. E na Argentina teve um jogo com dois times "Pacifico" e "Harmonia". E terminou na maior pancadaria! E um leitor me pediu pra dar um pau no Lula porque ele tá se achando a última Coca-Cola no deserto!
E a praga do Parreira: o Lula torceu o pé. Esquerdo! Claro, faz tempo que ele não caminha pra esquerda. Pleonasmo ortopédico! E um ex-petista me disse que tudo bem o Lula torcer o pé esquerdo porque agora ele só chuta com a direita. Rarará!
E eu não acho que a Maica Jessica come criancinha. Eu acho que ele assusta criancinha. Espantalho de baixinhos. Piloto de trem-fantasma. Ele não é pedófilo, ele pega as crianças pra brincar de pega vareta. E diz que ele coopera com o Boys Foundation pensando que é uma empresa de delivery! E um outro acha que o Michael não é comunista: come criancinha e nem fica vermelho. E um outro ainda acha que o Michael Jackson devia ser presidente da Febem!
E aí contaram pra Lucianta Gimenez: "O Michael Jackson é pedófilo". "Ah, ele virou pedicure?" E tem um gambá cego que se apaixonou por um pum! Aí já é peidofilia. Rarará.
PANÇA ZERO! Adorei a foto do Lula com o ministério: a Turma do Casseta. E o Lula e o Bussunda tão fazendo campeonato de pança? E avisa pro Berzoanta que aposentado não morre de velho, morre de raiva! E um amigo meu de 40 anos já foi pra fila do INSS. Até chegar a vez dele já tá com 90. Previdente. Teve um ataque de previdência!
Antitucanês Reloaded - A Missão. Continuo com a minha cruzada Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que em Manaus tem um forró chamado O Gemido da Cabrita. Rarará. E um amigo meu estava no corredor do hotel Colón em Buenos Aires quando viu extintor de incêndio com a placa MATA FUEGO! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil! Sil!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Energia solar": companheiro que gasta a sola procurando emprego. "Cofins": companheiro afins de aumentar imposto. Rarará. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! No pingolim!
Pra ver se bate no teto!
Bateu! UFA!
simao@uol.com.br
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7:43 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
20/11/2003
Mensagem a dona Eva
Leio da primeira hora da manhã à última da noite, desde que aos seis anos de idade duas palavras mágicas saltaram das páginas amassadas de uma revista O Cruzeiro diretamente para o meu cérebro. Aprendi sozinho, numa época em que as crianças só entravam para a escola aos sete anos - e aquela descoberta me marcou a vida. O mundo passou a fazer mais sentido, especialmente as coisas que meus irmãos mais velhos sabiam da leitura dos gibis. Que angústia! Eu ia às mesmas fontes em busca de significados e só distinguia figuras.
Até que um dia, debruçado sobre a revista no chão da cozinha, tive a revelação:
- Dalton Santos!
Gritei o nome que me transformou a vida, como aquele personagem dos quadrinhos que gritava "Shazam" e se transformava no Capitão Marvel, um dos heróis da minha infância. Ele adquiria, instantaneamente, a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a resistência de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio. As iniciais do personagem bíblico e dos deuses mitológicos formavam o nome do mago que dava poderes extraordinários ao super-herói.
Não tenho a mínima idéia de quem tenha sido Dalton Santos, mas sou muito agradecido a ele. Fui correndo perguntar a minha mãe se era aquilo mesmo que estava escrito e fiquei exultante com a confirmação. Me senti o gênio da lâmpada e não parei mais de juntar letrinhas para entender o que elas queriam me dizer.
Felizmente havia na minha casa um ambiente alfabetizador e desafiador. Dona Eva, de Lagoão, no interiorzão deste Rio Grande, não teve a mesma sorte. Segundo reportagem publicada na contracapa deste jornal na última terça-feira, ela está com 71 anos e ainda aguarda por uma oportunidade para aprender a ler e a escrever. Há muitos brasileiros como ela, que dependem da boa vontade a-lheia para se orientar neste mundo repleto de signos. Como disse uma camponesa pernambucana citada por Paulo Freire, quem não domina a leitura e a escrita vira sombra dos outros.
Mas a velha senhora do Vale do Rio Pardo, abandonada pelos programas oficiais de alfabetização, não se conforma. Garante que ainda lerá e escreverá, nem que precise esperar mais 10 anos. Gostei de ver. Identifiquei na sua manifestação aquela vontade que um dia me levou a forçar os neurônios até arrancar da antiga revista o nome do meu desconhecido padrinho. Por isso, uso desta faculdade que a sorte me concedeu para escrever-lhe esta mensagem:
- Não desista, dona Eva!
nilson.souza@zerohora.com.br
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7:41 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
20/11/2003
A consciência branca
Hoje se comemora o Dia da Consciência Negra, data escolhida pelos negros para celebrar a sua condição racial.
Zero Hora publica uma página inteira dando conta da imensa inferioridade social dos negros gaúchos, em nada desfrutadores da privilegiada situação de nosso Estado, que é o quarto colocado no país em desenvolvimento humano.
É só dar uma olhada no mapa das cidades gaúchas que volta e meia espantam a todos pela qualidade de vida que ostentam e se verá que nelas não vivem os negros: uma regra de apartação os separa dos brancos, algo assim como em Punta del Este, a elegante cidade balneária uruguaia, onde nunca se viu em qualquer das suas ruas, em qualquer das suas repartições públicas, em qualquer dos seus hotéis, sequer a existência de um negro.
Já em Montevidéu, a capital uruguaia, a colônia negra é bastante expressiva.
O negro é portanto evitado, apartado, enxotado, malvindo. Lá em Punta del Este e em inúmeras comunidades gaúchas.
Para se ter um idéia da opressão que sofrem os negros, basta que se atente para este dado: 36% das mulheres negras que residem em Porto Alegre são empregadas domésticas.
Esta tarefa, que não garante ascensão social e profissional para ninguém, é um dos únicos recursos das mulheres negras porto-alegrenses para se tornarem úteis e produtivas.
As demais 64% de negras porto-alegrenses se dividem em outras tarefas consideradas rudes, como serventes e arrumadeiras.
Raras são as que conseguem empregos em escritórios e mais raras ainda as que atingem posição de chefia.
Evidentemente que para isso concorre vitalmente a condição de pobreza, inseparável do negro.
Sem acesso à educação e à cultura, o negro vai se distanciando cada vez mais das melhores posições profissionais.
Mas não é esse desfavor a marca do preconceito racial entre nós. O estigma racial sobre o negro em nossa sociedade se caracteriza pelo fato de que, se pegarmos 10 negros e 10 brancos com o mesmo nível econômico e de instrução, veremos que, passados alguns anos, aos brancos foram concedidas muito maiores oportunidades de destaque profissional que aos negros.
Por isso é que nos nossos bairros de melhores residências é muito raro que um negro conquiste ali um lugar para morar.
Enquanto é bem freqüente que brancos que tiveram origem humilde, em número inquestionavelmente superior, conseguem safar-se de sua pobreza e subir para a escala dos moradores de residências de elite dos arrabaldes nobres.
E chega a ser negativamente comovente que a grande massa de universitários gaúchos não encontre em seu meio o número equivalente e proporcional de negros que existem na população.
O pior de tudo é que não há consciência entre nós de que os negros são discriminados.
Quem discrimina não sabe que discrimina, trata o negro com cordialidade, embora, na hora de decidir sobre a oportunidade que possa conceder a um negro, prefere um branco.
Em toda parte. No comércio, na indústria, nos serviços, principalmente nas atividades em que há a relação direta do contato do empregado com o público.
É um trágico preconceito estético o que atinge dramaticamente o negro.
Por isso é que se torna respeitável este Dia da Consciência Negra.
É um dedo acusador à consciência branca.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
20/11/2003
A república não pegou
Duzentos e quatorze anos depois da Revolução Francesa (ou duzentos e vinte e sete anos depois da Revolução Americana, ou trezentos e cinqüenta e tantos anos depois da decapitação de Charles I na Inglaterra), não se pode dizer que a idéia republicana tenha, realmente, pegado. Ainda chamamos quem queremos elogiar ou destacar de rei e rainha - do futebol, da música, da beleza, da soja - e ainda existem monarquias em funcionamento no mundo todo, da Arábia Saudita a Samoa, algumas tão absolutas como a de Luiz XIV, mesmo sem as perucas. Onde não existem monarquias, existe o risco do seu simulacro, a ditadura, que é a monarquia sem a desculpa da ordenação divina.
Pois, como todo desejo reprimido, a tentação da realeza é permanente, nem que seja só como relíquia pitoresca e atração turística. Países politicamente avançados, como os escandinavos, mantêm famílias reais sem poder, mas com todos os ornamentos do poder, para serem símbolos nacionais de estabilidade e continuidade.
E se alguém da família real dá um passo errado, temos o benefício adicional da fofoca, que também pode ser agregadora. Quanto mais uma monarquia parece ser um anacronismo ridículo e uma fábrica de escândalos, mais cresce o seu valor como entretenimento, e seu apelo. Nenhuma república pura pode ser tão divertida.
Como a principal monarquia constitucional do mundo, exemplo para tantas outras, a Inglaterra também é o exemplo mais notório de resistência anti-republicana desafiando o bom senso. A sua é uma monarquia cara com uma desproporção entre custo e benefício que já teria condenado qualquer outro grande negócio inglês, ainda mais na Era Thatcher.
Persiste porque o seu serviço à nação é justamente este, o de lembrá-la do seu contra-senso, da sua esquisitice, de tudo que é mais inglês nos ingleses, e danem-se os custos. Charles é um símbolo do desprezo ao bom senso e de desperdício. Desperdiça a sua vida esperando que a mãe morra, desperdiça seus talentos, se é que tem algum, numa existência ornamental. E como é, portanto, a monarquia inglesa em pessoa, é justo que seja o personagem do seu maior escândalo em séculos.
Não é inédito a realeza dormir com os criados, ou mesmo, imagino, um príncipe herdeiro dormir com seu valete, a novidade é isso sair nos tablóides. Sensacional. Há trezentos e cinqüenta e tantos anos Charles I foi decapitado pelos puritanos. Nosso Charles não corre risco parecido. Longe de ameaçada pelo escândalo, a monarquia inglesa se reforça. Teme-se, isto sim, pelo futuro das repúblicas sem graça.
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7:38 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Uma rainha no Rio Grande do Sul
Nas seis horas em que permaneceu no Estado, a soberana da Suécia, Silvia, conheceu projetos apoiados por sua ONG, como o Programa de Apoio a Meninos e Meninas de São Leopoldo, onde participou da batucada, usando, em vez de baqueta, um chinelo (foto Fernando Gomes/ZH)
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Quarta-feira, Novembro 19, 2003
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8:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
POEMA TRANSITORIO
Eu que nasci da Era da Fumaça: - trenzinho
Vagaroso com vagarosas
Paradas
Em cada estaçãozinha pobre
Para comprar pastéis,
Pés-de-moleque, sonhos,
- principalmente sonhos!
Porque as moças da cidade vinham olhar o trem passar:
Elas suspirando maravilhosas viagens
E agente com um desejo súbito de ali ficar morando
Sempre... Nisto,
O apito da locomotiva
E o trem se afastando
E o trem arqueando
É preciso partir
É preciso chegar
É preciso partir é preciso chegar... Ah, como esta vida é urgente!
- no entanto
eu gostava era mesmo de partir...
e até hoje quando acaso embarco
para alguma parte
acomodo-me no meu lugar
fecho os olhos e sonho:
viajar, viajar
mas para parte nenhuma...
viajar indefinidamente
como uma nave espacial perdida entre as estrelas.
Mario Quintana
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8:03 AM
by Cassiano Leonel Drum
Amor e ódio
Grande destaque da trama de Gilberto Braga, os vilões de Celebridade conseguem ser, ao mesmo tempo, a razão pela qual as pessoas assistem ou não à novela
Marcelle Justo
Dissimulada toda vida. É essa a imagem que a dona de casa Ceni Fernandes Cardoso, de 76 anos, tem de Laura, a vilã vivida por Cláudia Abreu em Celebridade. Mas o ódio de Ceni está muito longe de atingir as belas madeixas louras de Cláudia Abreu. Ceni adora a falsidade de Laura e acompanha a trama de Gilberto Braga justamente por causa da mau-caráter. E mais: torce por ela. É difícil fazer um papel assim. E ela convence apesar de tanta maldade.
Ceni não está sozinha na paixão pelos vilões de Celebridade. A arquiteta Fernanda Sá, de 28 anos, tem na turma do mal o principal motivo para assistir à novela, que atingiu 43 pontos de audiência nos primeiros 25 capítulos (números |