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Sábado, Dezembro 13, 2003
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11:45 PM
by Cassiano Leonel Drum
MUSICA
Música...
Dêem-me a música...
Da erva que em silêncio medra
Da flor colhendo primeira luz
Do subtil espasmo
Da pétala abrindo-se
Do rio que passa e roça na pedra
Do grito na coloração
Num fruto que seduz
Das amendoeiras
De brancos e rosa se cobrindo.
Música...
Dêem-me a música...
Dos campos atapetados de verdor
Das árvores grávidas
De pomos robustos
Do riso nos olhos de uma criança
Das andorinhas
Enchendo ninhos de amor
Da dança das abelhas nos arbustos
E do primeiro beijo
Que se guardou como lembrança.
Música...
Dêem-me a música...
Da maçã mordida
Com respeito e vontade
Da jovem mãe embalando o filho
Da novidade
Em asas deixando o lar
Dos homens construindo
Futuros e amizade
Das mãos que plantaram
Colhendo milho
E do velhinho passante
Na Primavera a se recordar.
Música...
Dêem-me a música...
De todas as coisas
Em toda a sua verdade
Da música que tem a palavra
Quando não pede favor
Nem força no discorrer
Da Natureza que não requer vaidade
Do cheiro a terra
Após a lavra
E de tudo quanto difere
E é igual no morrer.
Ah, música...
Dêem-me a música...
Jorge Humberto
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11:34 PM
by Cassiano Leonel Drum
EU QUERO
Não quero a boca fechada
Não quero o beijo passivo
Não quero a carícia tímida
Não quero a inércia do amor
Não quero o gesto contido
Não quero a voz reprimida
Não quero os olhos fechados
Não quero limites no amor
Eu quero a entrega total
Eu quero o amor imoral
Eu quero o segredo de alcova
eu quero o corpo suado
Eu quero o beijo roubado
Eu quero a certeza do amor
Eu quero o amor impossível
Eu quero o prazer e a dor
Eu quero enfim a beleza
Eu quero a alegria da vida
Eu quero ser dono da alma
Eu quero o suspiro sem fim
- Almir Capthor -
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9:18 AM
by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
Diplomacia da rapadura
"O Brasil não precisa de política externa, precisa só de preços baixos. Deveríamos transformar nossas embaixadas em frigoríficos para frango congelado e suco de laranja"
Vamos vender rapadura aos árabes. Foi o saldo da viagem de Lula ao Oriente Médio. O contrato para o fornecimento de rapadura depende da construção de uma refinaria de açúcar na Síria, por parte de usineiros de Ribeirão Preto. Não entendi se o empreendimento irá contar com dinheiro do BNDES. Entendi apenas que o Brasil não receberá investimentos dos árabes, serão os árabes a receber investimentos dos brasileiros. Para um mascate internacional, como Lula definiu a si mesmo, o resultado não é muito animador: 150 milhões de dólares aplicados num país que está na bica de sofrer um boicote econômico.
Os usineiros de Ribeirão Preto que irão construir a refinaria na Síria são antigos aliados do PT. Eles financiaram as campanhas eleitorais de Antonio Palocci. O prefeito petista de Piracicaba, José Machado, também foi financiado por usineiros da região. José Machado era sócio do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel numa empresa de consultoria que intermediava licitações em prefeituras do PT. Outros sócios da empresa eram Miriam Belchior, atual secretária de Lula, e Sérgio Gomes, suspeito de ser o mandante do assassinato de Celso Daniel.
Luiz Gu-shiken também tinha uma empresa de consultoria, contratada pelo PT para traçar o projeto da reforma da Previdência. Quando virou ministro, Gushiken tratou de nomear os diretores dos fundos de pensão das estatais. O setor, um dos mais ricos da economia, está inteiramente nas mãos dele. Os petistas podem não saber cuidar dos interesses da nação, mas sem dúvida sabem cuidar de seus próprios interesses.
Tudo indica que Lula pretende inserir o Brasil no falido movimento dos países não-alinhados. Ele repete sem parar os bordões do movimento sobre o multilateralismo e a cooperação Sul-Sul. Os cinco países árabes que ele visitou são não-alinhados, assim como Bolívia, Peru e Venezuela, que receberam dinheiro público brasileiro ao longo do ano. O maior engano do PT é acreditar que mais peso político significa mais poder de barganha no comércio internacional.
O Brasil não precisa de política externa, precisa só de preços baixos. Deveríamos transformar nossas embaixadas em frigoríficos para frango congelado e suco de laranja. Deveríamos também abrir mão da cadeira no Conselho de Segurança na ONU, e ficar em silêncio por algum tempo. Iraque? Israel? Palestina? Cuba? Colômbia? Problema deles. Não temos nada a ver com isso. Os brasileiros, sempre que deparam com um mendigo, viram a cara e fingem que não estão vendo. É o jeito certo de agir diante dos grandes conflitos mundiais.
Na semana passada falei sobre a dificuldade de encontrar escola para meu filho deficiente. Recebi montes de cartas. Fui parado na rua. Me telefonaram. Muitos pais sofreram a mesma discriminação. O Brasil está cheio de gente boçal. Mas também está cheio de gente dedicada e corajosa, que se mexe, que protesta, que acolhe. Relataram-me uma infinidade de experiências bem-sucedidas em escolas espalhadas pelo país, de Maringá a Maceió. Foi bom saber. Não somos um caso perdido.
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8:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
Especial
O segundo vestibular
Os desafios de entrar num mercado de trabalho em que a concorrência para o primeiro emprego é bem maior do que aquela enfrentada para ingressar na faculdade
Monica Weinberg e Sandra Brasil
Pedro Rubens
OS ESCOLHIDOS
Da esq. para a dir., Ricardo Gambirasio, Vitor Balão, Márcia Kuchiki, Maria Camila Dias e Vitor Bovo, alguns dos escolhidos para o programa de trainees do Citibank em uma disputa que teve mais de 30 000 candidatos
NESTA EDIÇÃO
O vestibular e o estágio
A evolução do número de formandos
Onde estão os empregados
EXCLUSIVO ON-LINE
Entrevista: Daniela Pucci, a professora brasileira do MIT
Neste ano, meio milhão de jovens irão se diplomar nas universidades brasileiras. É a maior safra de recém-formados já produzida no país. Corresponde a vinte vezes o número de graduados egressos da faculdade anualmente nos anos 1960, tempo em que um diploma de nível superior poderia alçar alguém à diretoria da firma. Para desilusão de uma parte desse contingente, não haverá emprego para todos. Segundo estimativa do professor José Pastore, especialista em questões relativas a trabalho, pouco menos da metade desses jovens vai obter uma vaga de qualidade.
Os demais terão de se virar, a exemplo do que acontece com aqueles que vêm sendo demitidos nos últimos tempos. Não são poucos os que viram um parente ser convidado a aderir a um programa de demissão voluntária ou ser terceirizado. As estatísticas mostram que o mercado formal, aquele de carteira assinada, vem se contraindo em rápida velocidade, num processo que ninguém sabe exatamente quando e como termina (veja reportagem).
Em termos proporcionais, ainda que por razões diversas, o mundo só conheceu fase em que tantas pessoas estiveram sem emprego na década de 1930, na Grande Depressão. Como resultado, a briga pelas boas vagas disponíveis se transformou num segundo vestibular, ainda mais competitivo que o primeiro. Só não entram na guerra os que planejam trabalhar por conta própria.
O governo, um tradicional empregador, não tem contratado como fazia antes. E a disputa por vagas nos concursos públicos tem sido das mais acirradas. Numa recente rodada de testes para seleção de pessoal, o Banco do Brasil contabilizou concorrência quatro vezes maior que a do vestibular para as faculdades de medicina. Para o último concurso aberto pelo Ministério da Justiça para a contratação de policiais rodoviários federais, a previsão é de meio milhão de inscritos. Há alguns meses, os jornais publicaram fotografias daquela que se tornou um símbolo da caça ao emprego público: uma fila interminável formada no Sambódromo, no Rio de Janeiro, onde milhares de pessoas queriam se inscrever num concurso da prefeitura para varredor de rua.
Claudio Rossi
A VIDA POR CONTA PRÓPRIA
A tradutora Mariela Palácios, que procura móveis para montar seu escritório em casa. Um de cada dez brasileiros trabalha assim
Para os que preferem começar a vida numa empresa privada de primeira linha, a realidade é igualmente desafiadora. As grandes companhias, considerando apenas as que mantêm em folha de pagamento mais de 1.000 funcionários, dão emprego a 7 milhões de pessoas. O contingente corresponde a menos de 10% da força de trabalho. Segundo uma estimativa do mercado, as maiores empresas do Brasil abrem apenas 1.000 vagas para trainees por ano. Em média, uma para cada 500 formados. Trata-se de uma batalha de arrepiar. No teste de seleção do ano passado para computação na Universidade de São Paulo, das mais concorridas do vestibular, havia 232 candidatos por vaga. Na empresa de cosméticos Natura, a disputa no concurso de trainees deste ano foi dez vezes maior.
Antes de entrar na batalha do primeiro emprego é bom conhecer o perfil dos vencedores, ou seja, daqueles que acabam passando nos testes para a contratação de novatos nas empresas ou nos concursos públicos envolvendo pessoas com curso superior. Eles se assemelham ao engenheiro Vitor Bovo, 25 anos, de São Paulo, aprovado no concurso de trainees do Citibank no ano passado. Eis algumas de suas características que chamaram a atenção dos recrutadores. No capítulo "educação formal", Bovo formou-se num centro de excelência, a Universidade de São Paulo. Isso conta pontos no departamento de recursos humanos das grandes empresas.
Filho de um empresário e de uma professora universitária, Bovo foi criado num lar mais intelectualizado do que a média nacional. E isso também é bom. Admite que lia menos livros do que sua mãe gostaria, mas compensava mantendo-se atualizado com jornais e revistas. Nunca foi reprovado e sempre teve como objetivo conseguir notas suficientemente altas para passar de ano já no terceiro bimestre, sem depender do resultado das provas finais. No capítulo "idiomas", Bovo fala inglês fluentemente, quase um imperativo hoje em dia. Aos 17 anos, os pais o mandaram para um intercâmbio nos Estados Unidos.
Durante um ano, viveu com uma família na pequena cidade de Ellsworth, que tem pouco mais de 6.000 habitantes, localizada a 300 quilômetros ao norte de Boston. Além do inglês, tem boas noções de duas outras línguas: alemão e espanhol. No capítulo "interesses variados", conta que nunca deixou de se divertir. "Até alguns anos atrás eu era DJ", diz. Contratado pelo Citibank, Bovo recebe um salário de 3 340 reais. Calcula-se que a chance de vencer o programa de trainee como ele venceu e depois ser contratado como ele foi seja de uma em 5 000.
Divulgação
PARA AJUDAR NO CURRÍCULO
Jovens contratados para trabalho temporário como monitores no Club Méditerranée, na Bahia: experiências pessoais valorizam o currículo
Quando se diz que Bovo é um exemplo de adversário, não significa que represente a média dos que disputam as boas vagas em oferta. Nada disso. Bovo está muito acima da média dos candidatos. Ele representa, sim, o perfil dos vitoriosos. Quem planeja conquistar um trabalho por meio de concurso convém ser como ele ¿ pelo menos. Os especialistas em recrutamento de pessoal recomendam aos estudantes que se mirem nos bons exemplos. "Se você quer ser um leão, aja como um deles.
Solte rugidos e cace", aconselha o consultor de recursos humanos Simon Franco, de São Paulo, especialista na contratação de executivos. No ano passado, o Ministério da Educação preparou um trabalho sobre os bons universitários, com base em dados do Provão. Não por coincidência, possuem o perfil dos que levam vantagem nos concursos. O estudo revelou que os bons alunos lêem pelo menos seis livros por ano, além dos exigidos em sala de aula. A maioria dos que tiraram nota baixa no Provão havia lido menos de um livro por ano, sem contar os indicados em sala de aula.
Os melhores estudantes dominam o inglês e usam a internet para se manter atualizados. Enquanto os maus alunos se informam preferencialmente através da televisão, os melhores recorrem a jornais e revistas. Os bons estudantes também dedicam maior atenção à lição de casa do que seus colegas. É complicado definir qual o tempo mínimo diário necessário para que os alunos revejam o que aprenderam em sala de aula. Os especialistas acreditam que os jovens deveriam se esforçar para estudar até uma hora e meia todos os dias, de segunda a sexta.
Além da desproporção numérica entre a concorrência para entrar na faculdade e aquela exigida dos que planejam disputar um emprego, há outros aspectos ligados à seleção que merecem ser observados. Uma marca dos processos seletivos das universidades é a impessoalidade. Os candidatos a uma vaga na faculdade são chamados a exibir unicamente seus conhecimentos formais, e sempre por escrito. Pelo menos no Brasil. A personalidade não entra no julgamento final.
Até porque o futuro universitário terá como missão precípua absorver conhecimento. Não faz diferença se ele é tímido, agressivo, temperamental. Nada disso importa muito. Deve apenas possuir a formação necessária para compreender o que lhe será ensinado em sala de aula. Já para as pessoas que ingressam no mercado de trabalho, a personalidade conta muitos pontos.
Germano Luders / Raul Junior

NA DISPUTA POR TALENTOS
Antonio Maciel Neto, da Ford, Geraldo Carbone, do BankBoston, Jorge Gerdau, da Gerdau, e Roberto Setúbal, do Itaú: os melhores candidatos saem de apenas 1% das faculdades
Bia Parreiras / Germano Luders

Para aqueles que trabalham por conta própria a conduta muitas vezes é a diferença entre conquistar e perder um cliente. Quem descuidar das regras de bom atendimento poderá ser engolido pelos concorrentes. Os especialistas em recrutamento apontam para a presunção como um defeito que acaba matando o novo empresário. Outros defeitos citados são a insegurança e a teimosia. Os números mostram que boa parte das empresas fecha as portas por falta de capital, por não ter clientes, pelo excesso de carga tributária, por culpa dos maus pagadores ou mesmo da forte concorrência.
Descuidos comportamentais estão entre as principais razões para o fechamento das microempresas. Abre-se no Brasil quase meio milhão de empresas todos os anos. De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, perto de 250.000 quebram antes de chegar ao segundo ano de vida. E apenas 30% ultrapassam a marca dos cinco anos.
No caso da luta pelo emprego obtido mediante concurso, a maneira de se comportar é muitas vezes aferida em sessões de dinâmica de grupo e em entrevistas longas, individuais, do tipo olho no olho. Em muitos casos, o temperamento pode funcionar como desempate. Os empregadores procuram pessoas versáteis, que saibam se comunicar, que consigam trabalhar em equipe e que tenham habilidade para liderar.
Nos departamentos de recursos humanos, usa-se um jargão para definir esse profissional. Ele deve ter "atitude proativa". No ambiente profissional, o jovem não ficará escutando um professor. Ele precisa arregaçar as mangas e fazer as coisas funcionar diante de um comando seu. Na faculdade não há pressão. Os prazos são flexíveis e os projetos não têm valor financeiro. No mundo do trabalho, tempo é dinheiro, e desperdiçá-lo pode representar um prejuízo enorme.
O processo de preparação dos mais jovens para o mercado de trabalho começa no dia em que o nome do candidato aparece na lista de aprovados do vestibular. Caso tenha entrado numa faculdade de primeira linha, suas chances de se encaixar depois de formado aumentam muito. Muitas empresas iniciam o processo de seleção de pessoal pela leitura da linha do currículo onde o candidato grafou o nome da faculdade pela qual se diplomou. As estatísticas de recrutamento das grandes companhias mostram que a maioria dos trainees é recrutada em apenas 1% das faculdades.
Outro levantamento feito pela Companhia de Talentos, especializada em recrutamento de jovens, com base nas contratações para cargos na área de administração, revela que as maiores empresas buscam seus empregados em apenas vinte dos 1.400 cursos de administração de empresas. "A escolha da faculdade pode determinar o futuro que o jovem vai ter. É fundamental estudar numa universidade conceituada", diz Carlos Henrique de Brito Cruz, reitor da Universidade Estadual de Campinas, uma das mais respeitadas do Brasil. Isso não quer dizer que só vão se colocar os egressos dos cursos renomados. Mas ninguém pode desconhecer as dificuldades adicionais enfrentadas por quem se formou numa faculdade de terceira linha.
O superintendente de recursos humanos do Banco Santos, Fernando Cunha, relata o desafio que enfrentou na semana passada. Ele precisava escolher trainees de um grupo de 32 recém-formados selecionados entre 6.400 inscritos. "Ficaríamos bem servidos com qualquer um deles. Mas, como só tínhamos vinte vagas, tivemos de desempatar." Nos exames de seleção, todos passaram por provas de conhecimento geral e idiomas, dinâmicas de grupo e apresentações. Nessa fase, segundo Cunha, entram em cena critérios subjetivos.
A chance pode ser dada em razão da empatia, pela postura física ou identidade do candidato com a cultura do banco. A seriedade com que são realizados os processos de seleção se ampara no fato de que, quando oferece uma vaga, a empresa está procurando seus futuros dirigentes. "Criamos na entrevista final um ambiente agressivo, difícil. Colocamos sete vice-presidentes espremendo um jovem recém-formado. Recriamos o ambiente que ele vai encontrar na vida real. Nós também não podemos errar", diz Salvador Evangelista, vice-presidente de recursos humanos da empresa de cartões de crédito American Express.
A procura por um emprego numa empresa grande é resultado de uma cultura que passa de pai para filho há algum tempo e que, na opinião do consultor americano Tom Peters, um dos mais festejados gurus da administração, vai ter de mudar (veja entrevista). "A idéia de trabalhar numa grande empresa era, certamente, lugar-comum nos Estados Unidos durante sessenta, setenta ou oitenta anos.
Hoje, essa idéia se perdeu", diz o consultor. De acordo com seus dados, 50% dos americanos eram trabalhadores independentes em 1900. Em 1977, apenas 7% dos americanos ainda trabalhavam por conta própria. Atualmente, a força que não atua como empregado subiu para 16%. "Acho que o período de 1900 a 1975 deverá ser visto como uma anomalia", afirma Peters, para quem o futuro passa pela volta da prestação de serviço sem vínculo empregatício e pela retomada de bons empregos em empresas de pequeno porte. No Brasil, os dados confirmam a mudança.
O total de pessoas trabalhando na informalidade ultrapassou o contingente de empregados com carteira assinada. E mais: a renda dos que atuam por conta própria já é maior que a dos empregados. No começo, muita gente trabalha de forma independente por necessidade. Depois, identifica algumas vantagens embutidas na decisão, entre as quais a flexibilidade de horário. "O emprego formal não é a única maneira de ganhar a vida nem será a mais abundante daqui para a frente", afirma Tom Peters.
É preciso evitar generalizações quando se fala dos universitários que procuram emprego. Nem todos os profissionais vão tentar uma chance na grande empresa, nem todos estão em busca de uma carreira linear, aparentemente mais protegida dos altos e baixos. Muitos se interessam por viver no mundo do empreendedorismo, onde os estudos mostram que a renda mensal pode variar entre 25% e 50% de um mês para o outro ¿ para mais ou para menos.
Em levantamento feito há algum tempo a respeito do perfil empreendedor de alguns países, o Brasil apareceu em primeiro lugar, à frente dos Estados Unidos. Um em cada oito brasileiros adultos acaba montando um negócio próprio. Entre os americanos, a proporção é de um para dez. Os médicos e os dentistas às vezes dão plantão em empresas ou repartições públicas, mas o grosso do mercado deles continuará sendo por muitos anos uma mistura de emprego com a clínica particular. Os advogados também vivem uma realidade especial. Muitos participam dos processos de seleção e até desejariam trabalhar numa empresa. Mas os levantamentos feitos pela Ordem dos Advogados do Brasil mostram que a grande maioria sonha mesmo é em ter o próprio escritório.
Há cursos universitários que oferecem a vida autônoma como saída natural, como no caso dos que estudam computação. Num país como o Brasil, existe um mercado inesgotável a ser desbravado, onde se vende um computador a cada três segundos. A oferta de produtos é superior à capacidade das pessoas de absorver tecnologia. Outras carreiras também dão aos recém-formados o direito de lutar pelo futuro sem entrar numa fila de recrutamento. É o caso da arquitetura ou da psicologia. Os novos arquitetos e psicólogos devem ter em vista que o trabalho por conta própria pode ser uma boa solução, embora as duas profissões vivam um momento delicado. Na crise, quando o orçamento aperta, muita gente adia o projeto de consertar a casa e a cabeça.
Algumas carreiras universitárias estão tendo sua clientela alterada, como a matemática, que até outro dia era valorizada basicamente no meio acadêmico. Agora, chama a atenção do mercado. O matemático se especializa em criar hipóteses e estudá-las por meio de equações. Isso interessa a bancos, empresas de informática, institutos de análises de mercado e empresas de meteorologia. Outra carreira em mudança é a biologia. Graças à indústria farmacêutica e de biotecnologia, os biólogos se envolvem na coordenação de investimentos anuais da ordem de quase 10 bilhões de dólares em novos remédios, sementes e defensivos agrícolas.
As demais carreiras de perfil acadêmico continuam circunscritas preferencialmente ao ambiente universitário. No caso de letras, a maioria dos formados permanece dando aulas em escolas e universidades. História e pedagogia vivem realidade semelhante. A restrição não deve desanimar o novo profissional, pois o número de instituições de ensino superior no Brasil dobrou nos últimos cinco anos. Passou de 1.100 para 2.000. Os bons professores sempre terão lugar para trabalhar.
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8:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
Continuação
Ingressam nas empresas por meio de concurso profissionais de várias áreas, como químicos, biólogos, economistas, médicos, enfermeiros, geógrafos, publicitários. Duas profissões, no entanto, acabam ocupando uma boa parte das vagas disponíveis nas grandes e médias empresas: administração de empresas e engenharia. O administrador sai da faculdade com uma visão genérica do funcionamento de uma companhia. Há algum tempo, tal característica era criticada, pois o mercado procurava especialistas.
Atualmente, os recrutadores mudaram de opinião. "É fundamental uma formação abrangente", diz José Amaro, diretor na área de recursos humanos da Brasil Telecom, empresa com 6.000 empregados que opera mais de 10 milhões de linhas telefônicas e cobre um terço do território nacional. O curso de engenharia viveu um momento único quando a indústria automobilística se instalou no Brasil e o crescimento acelerado da economia permitiu investimentos pesados em obras públicas.
Nunca mais os engenheiros encontraram um mercado tão receptivo. Pouco a pouco, no entanto, a mente racional e matemática do engenheiro, bem como sua habilidade para entender e se adaptar às novidades tecnológicas, tem aberto a esse profissional as mais diversas oportunidades de trabalho, muitas vezes fora de seu campo específico.
O consultor Simon Franco costuma recorrer a uma comparação litorânea ao explicar o atual momento. "Arrumar um bom emprego hoje em dia é como procurar um lugar na praia durante a temporada", afirma Franco. "Todos os espaços parecem ocupados." Para quem não está disposto a enfrentar uma disputa feroz por um lugar ao sol, Franco tem uma sugestão: procure espaço numa praia mais distante. No começo dos anos 90, mais da metade dos empregos industriais se concentrava nas capitais.
Atualmente, pouco mais de 40% permanecem nas metrópoles. O número de empregos abertos no interior de São Paulo supera com folga o total de vagas fechadas na capital paulista. Vinte anos atrás, as melhores oportunidades de trabalho se resumiam aos Estados de São Paulo e Rio. Hoje, pode-se procurar trabalho em pelo menos dez Estados. Um levantamento comparativo mostrou que nos primeiros cinco anos da década de 90 a Bahia gerou mais postos de trabalho que São Paulo, graças em parte à indústria do turismo. Em Campina Grande, no interior da Paraíba, há um pólo de informática onde já operam mais de sessenta empresas. Em Blumenau, no Estado de Santa Catarina, há outro pólo parecido com mais de 500 firmas. Como se vê, o Brasil ainda é um país em construção. Quem tiver disposição para se deslocar poderá se surpreender positivamente.
Fotos divulgação; Fernando Lemos/Strana; Renato dos Anjos e Photodisc
Foto Photodisc
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7:46 AM
by Cassiano Leonel Drum
Rosinha Matheus
Aziz Filho
Este ano foi um horror, com recessão e desemprego, mas Lula é bem-intencionado e torço para ele fazer o Brasil crescer
Em sua mais recente visita ao Palácio do Planalto, a governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus (PMDB), quase tirou do sério o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Se insistirem em construir o oleoduto, eu mobilizo até a PM para impedir, bradou a governadora.
Os dois conversavam sobre os interesses da economia fluminense, cuja defesa Rosinha transformou em questão de honra e ponto central de seu marketing político. Ela rejeita a construção de um oleoduto para levar o petróleo do Rio para as refinarias paulistas. O presidente chegou a se alterar, mas entendeu que, no meu lugar, ele também defenderia o Estado. Comigo aqui, o oleoduto não passa, sentencia, com uma dureza que destoa do olhar juvenil.
Aos 40 anos, a radialista que até o ano passado o Brasil não conhecia chega ao fim de seu primeiro ano de governo com uma imagem bem diferente da mulher acuada, no início do mandato, pelos atos terroristas do narcotráfico e pela precariedade das contas estaduais. Ganhou estatura política e identidade própria.
Com a mão de ferro manuseando uma tesoura afiada, Rosinha cortou tantas despesas que, em 12 meses, conseguiu garantir o pagamento de 15 salários ao funcionalismo: os 12 meses de 2003, os décimos-terceiros de 2002 e 2003 e o salário de dezembro de 2002, para o qual não havia dinheiro em caixa quando assumiu, segundo ela. Os gestos singelos de dona-de-casa, evangélica praticante e esposa apaixonada parecem, à primeira vista, incompatíveis com a voz firme que ela aciona tanto nas negociações da reforma tributária quanto na organização do doce lar em que transformou um dos palácios mais suntuosos do País, o Laranjeiras.
O dono de um bufê contratado pôde ouvir a tal voz firme numa recepção à rainha da Dinamarca, ainda no governo do marido, Anthony Garotinho. No meio da cerimônia, Rosinha soube que sua filha Clara, então com cinco anos, chorava no quarto. Esquivou-se dos convidados, subiu as escadas de fininho e encontrou a filha aos prantos. Clarinha queria um salgadinho e o homem do bufê não deu. Como é que pode uma pessoa negar um salgadinho a uma criança?!, indigna-se a mãe.
Ela consolou a filha com beijos e, com passos bem mais decididos, desceu as escadas rumo à cozinha. Até hoje, brincam os amigos, ninguém sabe o paradeiro do homem do bufê, mas Clarinha ganhou mais doces e salgados do que a rainha.
Dupla jornada: Rosinha com os pais, na foto da escola e no casamento com Garotinho. Não tenho mais avós, nem tios, nem pais. Dou um valor enorme à família, afirma.
Em eventos como esse, Rosinha se senta estrategicamente em frente a um espelho de cristal do salão nobre, de onde vê tudo. Num jantar recente para a rainha da Suécia, uma bolinha de papel caiu na mesa e, pelo espelho, ela viu o filho Anthony, de 13 anos, no mezzanino. Eu olhei para cima e ele foi direto para a cama. É assim, alternando a espinhosa tarefa de gerir o Rio com as funções de mãe de nove filhos quatro naturais, um adotivo e quatro agregados, que Rosinha procura manter a popularidade que a elegeu em primeiro turno, com 4,1 milhões de votos.
Seus discursos são simples e diretos, como suas idéias. Uma delas é a de não gastar o que não tem. Quando ela manda cortar despesas, ai de quem não obedece, comenta o secretário de Comunicação, Mauro Silva. Outra idéia simples é a dos programas assistenciais, como os tíquetes de leite e os restaurantes com refeições a R$ 1. Eu não gostaria de fazer isso, mas quem tem fome tem pressa, resume, recorrendo à concepção que consagrou Betinho como símbolo de fraternidade.
A oposição fez um barulho danado quando ela incluiu esses programas no orçamento da Saúde. Alimentar o povo, segundo ela, é saúde preventiva. Noventa por cento das 100 mil crianças que recebem dois quilos de leite em pó por mês saíram da desnutrição. Pela Constituição, isso é saúde, conclui.
À frente da campanha pela instalação de uma refinaria no Rio, Rosinha vem unindo o empresariado. Desde agosto, quando trocou o PSB pelo PMDB, a governadora passou a agir com desenvoltura em Brasília, deslocando-se da sombra do marido ex-governador. Liderou uma articulação inédita dos deputados fluminenses e se projetou como boa de briga. O mérito é do PMDB, que nos apóia e sempre abre canais com o governo, agradece.
A popularidade do casal é um trunfo do partido junto ao governo Lula. O primeiro-marido está em qualquer especulação sobre eleições presidenciais. Rosinha evita antecipar o assunto, dizendo que torce pelo sucesso de Lula e que ainda é cedo para imaginar 2006. Este ano foi um horror, com recessão e desemprego, mas Lula é bem-intencionado e torço para ele fazer o Brasil crescer, discursa.
Tentar semear a discórdia entre o casal, recurso recorrente dos adversários, é perda de tempo. A governadora diz que o marido é seu líder político e que sonha ficar casada para sempre. O objetivo tem raízes na infância em Itaperuna, no norte fluminense, onde ela nasceu. Seus pais, um ferroviário e uma dona-de-casa, se separaram na festa de seu aniversário de sete anos. Não tenho mais avós, nem tios, nem pais.
Dou um valor enorme à família, explica. A história de Rosinha é a de Garotinho. Aos 16 anos ela se apaixonou pelo rapaz contestador, que militava no PCB. Quem diz que eu sou novata desconhece que faço política desde os 16 anos. Fundamos o PT em Campos, fomos para o PDT, PSB e agora PMDB. Ele é minha referência na política, entrega-se a governadora. Apesar da paixão, seguir o marido inquieto nunca foi uma tarefa fácil. Rosinha faz rir ao contar as idas e vindas da família para acompanhar as andanças do líder.
Quando a gente estava bem no Rio, ele se candidatava em Campos. Íamos para Campos com essa filharada e ele voltava para o Rio.Em 1996, quando ele decidiu voltar à Prefeitura de Campos, Rosinha apresentava um programa de rádio na capital e sua empresa Segredo da Rosa, de produtos de beleza e higiene, ia de vento em popa. A empresa dava muito mais do que nossos dois salários de hoje, mas eu me zanguei, fechei tudo e voltei com as crianças para Campos.
E não é que um ano depois ele voltou ao Rio para se candidatar ao governo? E olhe nós aqui de novo. O objetivo agora é fazer um governo melhor do que o de Garotinho, aperfeiçoando o que ele criou. A diferença entre ambos é de estilo pessoal: ele é bem mais paciente nas negociações. O meu elástico estica menos do que o dele, avisa a governadora.
Militância: com oito dos nove filhos e num ato público com o marido, Anthony Garotinho. Quem diz que eu sou novata desconhece que faço política desde os 16 anos
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7:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
Primeira Dama
Minnie Mouse completa 75 anos e seu estilo superfofo continua em alta
Tatiana Contreiras
Para uma senhora de 75 anos, ela está em plena forma. Minnie Mouse, a ratinha mais adorável dos desenhos animados, faz aniversário com tudo em cima. Adorada por adultos e crianças, ela é inspiração para produtos de tudo quanto é tipo e até para a moda. A combinação é clássica: vermelho, branco, preto e amarelo. Com tanto estilo, não foi à toa que Mickey se apaixonou por ela...
Minnie apareceu pela primeira vez no filme Steamboat Willie, de novembro de 1928. Superfeminina, abusa dos vestidos e das saias: quem nunca se sentiu a ratinha ao vestir uma sainha vermelhinha de poás? Minnie é meiga e carinhosa, mas nem pense em tratá-la com descaso: nos desenhos, ela faz questão de ser bem tratada e adora ganhar muitos presentinhos de seu amor qualquer semelhança com as mocinhas da vida real não é coincidência.
A Minnie sempre habitou o meu inconsciente e o meu consciente também. Imagina acordar já com um laço entre as orelhas! Aquele lacinho é um luxo. Ela está sempre na moda, diz a estilista Sílvia de Bossens, da Casa de Noca. Em suas coleções, não faltam saias rodadas, uma das marcas registradas da ratinha. Ao contrário do que as mulheres imaginam, saia rodada disfarça quem tem quadril largo e ressalta a cintura, explica Sílvia, mais uma fã da personagem mais fofa de Walt Disney.
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7:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
Feira livre
Marcia Disitzer
A Feira de São Cristóvão é um luxo. Reduto dos nordestinos, o local abriga todos os estilos democraticamente e tem a cara do Brasil legal. A vaidade está em todas as partes: no traje especial de sábado à noite, na livre mistura de bijuterias e acessórios e na opção pela sensualidade desencanada. E, o melhor de tudo, lá não existe a obrigação de ser moderno. O bacana é ser verdadeiro, ter sorriso largo, sentir-se bem dentro da roupa e arriscar uns passinhos arretados de forró.
Por essas e outras, desfilam livremente roqueiros de coração com camisetas temáticas, tchutchucas com jeans arrochado e top de lycra e descolados de roupas de algodão, soltinhas no corpo, pra poder dançar bem à vontade. Muito além das tendências, a Feira exala moda genuína e revela, através de roupas, penteados e acessórios, um pouco mais do nosso tempero brasileiro.
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7:17 AM
by Cassiano Leonel Drum
Tumulto para ver Xuxa de perto
Pré-estréia de Abracadabra, novo filme da Rainha, tem empurra-empurra de fãs, em São Paulo
Batalhão de fotógrafos e jornalistas cerca Xuxa no parque de diversões da loira, em shopping de São Paulo
Confusão na pré-estréia do novo filme de Xuxa, Abracadabra, ontem, em São Paulo, deixou pelo menos uma menina ferida. A Rainha dos Baixinhos atraiu legião de fãs para o Shopping SP Market, e os súditos deram bastante trabalho aos seguranças da loira. No tumulto para ver a apresentadora de perto, o empurra-empurra dos baixinhos acabou derrubando uma cerca, e uma garota caiu, machucando a perna. Fotógrafos também cercaram a protagonista de Abracadabra, o que gerou mais confusão.
Xuxa chegou ao Cinemark do SP Market mancando, ainda se recuperando do acidente de segunda-feira. A Rainha posava para sessão de fotos em Angra dos Reis quando o deque onde estava cedeu, devido ao peso excessivo sobre estrutura. A apresentadora levou 11 pontos na perna direita. Continuo com alguns pontinhos, mas vou tirar segunda-feira. Todo mundo ficou preocupado comigo porque eu não dei risada depois da queda, mas nem tinha como mesmo, brincou.
Não foi por acaso que a pré-estréia de Abracadabra foi no SP Market. É lá que a Rainha mantém um parque de diversões, o Mundo da Xuxa. Devido ao corte, a loira não acompanhou a exibição do filme, chegando apenas para a entrevista coletiva. Depois, causou o tumulto ao passear pelo parque. Fazem parte do elenco Cláudia Raia, Márcio Garcia, Kayky Brito, Bruna Marquesine e Tom Cavalcante. Márcio é o par romântico de Xuxa na história e, segundo a própria, beijou-a de verdade.
Existe beijo técnico, sim, e eu já provei dos dois. O não-técnico, para quem não é atriz como eu, é muito melhor. A cena fica mais real se você dá um beijo de verdade. Era a minha boca que estava ali; então, dando uma bitoquinha ou um beijão, seria a mesma coisa, contou Xuxa.
Na tentativa de se aproximar da apresentadora, houve muito empurra-empurra, e fãs caíram no chão
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7:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
Buemba! Canibal alemão adere ao Fome Zero!
Buemba! Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia coletiva. Direto da República da Língua Plesa! Natal dos Perus Esquálidos! Diz que os shoppings já estão inaugurando o chequeporto, aeroporto pra cheque voador. E acabo de receber um cartão de natal do Palófi: "Feliz Natal OU próspero Ano Novo, os dois não dá". E acabo de receber outro: "O amor é um ato coletivo, não individual". Já sei, é contra a masturbação e a favor da suruba. E diz que virgem é aquela que tem muitos Natais, mas nenhuma noite feliz. Rarará!
E Buemba 2! Mick Jagger se tornou Cavaleiro do Império Britânico. E se o Mick Jagger virou cavaleiro, a Lucianta Gimenez virou amazona. E o Schumacher ganhou uma corrida contra um caça. Então já sei quem tava pilotando o caça. O Rubinho! Rarará! E este é o novo slogan das Casas Bahia: "Quer DVD quanto?". Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
Buemba 3! Socorro! Cuidado! Todos para o abrigo! O canibal alemão quer fazer um filme sobre o seu canibalismo. Tava demorando. Pornochanchada alemã: "Tem Chucrute no Salsichão!". Mas o Zé Scafi de Piracicaba acha que o canibal alemão devia fazer propaganda do Fome Zero: "Nós também colaborra". E o pior é que o canibal comeu e não gostou, achou a vítima indigesta. Indigesta? Tomou Viagra achando que era antiácido. Rarará!
Ecos do Quibetur. Do Circuito Habib's do Lula. É a charge do Zedassilva com o Lula andando no deserto quando viu a Heloísa Helena pulando com uma placa na mão: "Viva as Reformas". E o Lula: "Tá vendo, até a Heloísa Helena tá me apoiando". E a dona Marisa: "É miragem, seu bobo. Miragem!". Rarará!
Antitucanês Reloaded, a Missão! Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que em Pesqueiro, Pernambuco, tem um bloco carnavalesco dos carpinteiros chamado Alisa Pau! Bloco do Alisa Pau! Rarará! E, em Santo André, tem uma lanchonete em frente ao hospital que se chama Lanchonete Safena. Rarará! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Natalidade": companheiro que nasceu no Natal. Rarará! "Suplicar": carro do senador Suplicy! Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza!
Hoje, só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.
E, quem não tiver colírio alucinógeno, pode pingar Cepacol pra ver tudo branquinho, fresquinho e com hálito de menta!
UFA!
simao@uol.com.br
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7:09 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
13/12/2003
O ingresso da esperança
Passei perto do meio-dia de ontem pelo Olímpico e pude assistir a um comovente espetáculo: uma fila gigantesca que serpenteava o estádio mostrava a inédita obstinação dos torcedores para obter ingresso e participar pessoalmente de uma epopéia de salvação coletiva que terminará amanhã.
O estádio amanhã será pura paixão, misturada ao medo subjetivo da torcida de o clube vir a ser rebaixado, que no entanto foi substituído por um sentimento de otimismo extraordinário: a torcida acredita firmemente que o pesadelo será inteiramente afastado na tarde de amanhã.
Um rapaz com cerca de 23 anos me grita da fila: "Larguei por três dias a família e o trabalho e vim de Cachoeira do Sul para adquirir um ingresso. Eu não posso perder este jogo".
Tem de ser jovem para enfrentar a fila, anteontem debaixo de chuva. Tem de ser jovem para ficar horas esperando pelo ingresso da esperança de não ser jogado à aviltante segunda divisão.
Estranha contradição de que esses ingressos para o jogo contra o Corinthians estejam sendo disputados pelos torcedores com mais empenho e ansiedade do que nas ocasiões em que o Grêmio decidia no seu estádio campeonatos nacionais ou Libertadores.
A salvação do rebaixamento é desejada mais ardentemente pela torcida gremista do que os títulos de glória que conquistou no passado.
Ou melhor, o torcedor sentiu que aqueles títulos que o Grêmio conquistou no passado estão novamente em jogo na decisão de amanhã.
O torcedor gremista, de repente, se muniu de um sentimento de responsabilidade com o destino do seu clube, ele não pode deixar de estar presente neste momento de apuro, a vida não é só feita de alegrias, é também um campo para lutar contra as angústias.
E lá se vai novamente a multidão gremista para atestar a sua paixão.
Esta semana o Grêmio comemorou 20 anos da grande conquista de Tóquio, significativa de todas as outras conquistas menores do clube, nem por isso desimportantes.
Até por ser glorioso o Grêmio, o cruciante sofrimento a que a torcida tricolor foi jogada em 2003 é que a arremessa amanhã para o estádio, no sacrifício para adquirir ingresso, no entusiasmo com que levará o time aos gritos para a redenção.
É incrível, mas um dos dias mais significativos dos cem anos de história do Grêmio será amanhã. A vitória não trará nenhuma taça, nenhum título, nenhuma glória. Mas só quem é gremista é que pode saber que o jogo vale todo o passado e o futuro do Grêmio.
Espera-se que esta estupenda solidariedade que a torcida emprestará ao time seja sentida pelos jogadores.
Os jogadores terão de ser intérpretes deste incêndio de emoção e sensibilidade.
Os 50 mil gremistas presentes ao jogo, a maior multidão que comparecerá ao Olímpico nos tempos modernos, só querem uma coisa: que amanhã à tardinha o campeonato nacional mais longo de todos os tempos não tenha passado de um grande susto.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:47 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
13/12/2003
Ser civilizado
"Valores" é uma das palavras da moda. Não falo nos da Bolsa, que estão fora da minha realidade, mas disso que em nós fica além do instinto.
Minha formação não se deu à sombra da idéia de pecado ou castigo eterno, mas no cultivo de valores: a vida como um dom precioso, o respeito a mim mesma e aos outros, à natureza, à nossa transcendência e à sacralidade de tudo.
Aprendi cedo que era preciso respeitar a dignidade: a minha e a dos demais. Escutar meu interior era um exercício natural: não para atender infantilmente a todo impulso, mas para discernir o que eu queria e o quanto seria positivo. Claro que não se falava nesses termos, e raramente se falava nisso. Não se pede comportamento ético a uma criança. A gente a influencia pelo ambiente que lhe oferece e o crescimento que lhe proporciona.
Ensinaram-me, antes de ler e escrever, que a vida não devia ser desperdiçada nem desrespeitada. Cuidar de si, da natureza, dos outros, fazia parte disso. Aceitar as diferenças e respeitá-las foi e continua sendo um aprendizado difícil. Sem maior solenidade, sem um sermão com hora marcada, aprendi que a intimidade pessoal era um bem a ser dado com ternura e delicadeza. Percebi, porque isso me era mostrado, que apesar dos males reais também existia o belo e o bom. Eu diria que me deram, como ferramenta para construir uma vida, a necessária esperança.
Com esta introdução tão maior do que a conclusão, volto ao tema de dois sábados atrás: o magnífico trabalho - que no Brasil se faz melhor do que em muitos outros países - de combater a Aids em campanhas de esclarecimento e pelo uso da camisinha. Ao mesmo tempo combatendo o preconceito, que, escrevi um dia, é uma doença da alma.
Gostar de si e dos outros, cuidar dos outros e de si devia ser apenas natural. Mas não somos naturais, isso também já escrevi. Por isso é preciso fazer campanhas como essa.
Espero que cada dia mais gente, de adolescentes a adultos, defenda a si mesma e as pessoas amadas de um mal que pode ser evitado. Não apenas, mas em boa parte pelo uso do preservativo, que só será eficaz se acompanhado de amor à vida, informação e conscientização - coisas que deviam constar do cotidiano de qualquer pessoa que se pretenda civilizada.
lya.luft@zerohora.com.br
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6:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Campeonato Brasileiro
Torcida vai empurrar o Grêmio
Torcedores fizeram filas no Olímpico em busca do ingresso para o jogo com o Corinthians, domingo, às 16h, no último capítulo da luta contra a Segundona (foto Ricardo Chaves/ZH)
O sonho da América passa por São Caetano
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Sexta-feira, Dezembro 12, 2003
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9:41 PM
by Cassiano Leonel Drum
ORAÇÃO DA NOITE
Termina o dia e a Ti entrego meu cansaço
Obrigado por tudo e ... perdão.
Obrigado pela esperança que hoje animou meus passos,
Obrigado pela alegria que vi no rosto das crianças,
Obrigado pelo exemplo que recebi daquele meu irmão
Obrigado também por isso que me fez sofrer ...
Obrigado porque naquele momento de desânimo lembrei que Tu És meu Pai,
Obrigado pela luz, pela noite,pela brisa, pela comida,pelo meu desejo de superação ...
Perdão, também, Senhor !
Perdão por meu rosto carrancudo,
Perdão porque não me lembrei que não sou filho único, mas irmão de muitos,
Perdão, Pai,por não ter evitado aquele desgosto, aquela lágrima causada,
Perdão por ter guardado para mim tua mensagem de amor,
Perdão por aqueles que deviam pedir-te perdão e não se decidem,
Perdoa-me, Pai, e abençoa os meus propósitos para o dia de amanhã,
Que ao despertar, me invada novo entusiasmo
Que o dia de amanhã seja um ininterrupto "sim" vivido conscientemente.
Boa noite Pai
Até amanhã
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9:38 PM
by Cassiano Leonel Drum
SOLIDÃO
"Passados dois meses de tantas histórias,
Comecei a pensar no sentido da solidão.
Um estado interior que não depende da distância
Nem do isolamento; um vazio que invade as pessoas
E que a simples companhia ou presença humana
Não podem preencher ;
Solidão foi a única coisa que eu não senti,
Depois que parti.
NUNCA .
Em momento algum .
Estava , sim, atacado de uma voraz saudade.
De tudo e de todos, de coisas e pessoas que há muito tempo não via .
Mas a saudade às vezes faz bem ao coração.
Valoriza os sentimentos, acende as esperanças e apaga as distâncias.
Quem tem um amigo, mesmo que um só,
Não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudade,
MAS NÃO ESTARÁ SÓ ! "
By Amyr Klink
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6:50 AM
by Cassiano Leonel Drum
Irmãos em Dobro
Filme de Sandy e Junior estréia hoje disputando espaço com o desenho Irmão Urso, da Disney
Tatiana Contreiras
Kenai e Koda percorrem as planícies americanas em Irmão Urso: lições e diversão para os pequenos, apesar da história meio triste
Um carrega o parentesco no título. O outro, no cartaz. Mas as semelhanças entre Acquaria, longa-metragem de estréia dos irmãos Sandy e Junior, e o animado Irmão Urso, produção dos estúdios Disney, param por aí. O primeiro, mistura de ficção científica com aventura e passado em um futuro sem água, não é bem um filme infantil como o segundo ¿ animação à moda antiga, com personagens fofos e leves lições para os pequenos. Mas quem duvida que a criançada vai lotar as sessões do filme de (sim, é assim que o nome deles está nos créditos) Sandy Léah e D.L. Junior?
Foi uma coisa corajosa nossa, de dar a cara à tapa. A gente quer guardar o DVD para mostrar para nossos filhos, diz Junior. Acquaria custou R$ 10 milhões. Orçamento alto para cinema brasileiro? A idéia era justamente não fazer As Aventuras de Sandy e Junior. A gente trabalhou para fazer lentilha e não feijão com arroz, compara a diretora Flávia Moraes, também estreante no cinema. Na tela, Junior é Kim, rapaz com inclinações musicais, criado pelo frio Gaspar (Emílio Orciollo Neto) depois da morte dos pais, o músico e inventor Bártók (Alexandre Borges, em aparição relâmpago) e Nara (Júlia Lemmertz, idem).
A rotina dos quatro com eles, vivem o menino Guili (o bonitinho Igor Rudolf) e o cãozinho Mingus é alterada quando chega a misteriosa Sarah (Sandy). Ela é meio vilã, meio boazinha, meio misteriosa, meio bacana, define Sandy. Juntos, eles tentam reconstruir uma certa máquina de fazer água e descobrem a história do reino perdido de Acquaria. Em meio a vários momentos em que nada acontece (que devem chatear os menores e os maiores também), há bons efeitos especiais, romance há um beijo! e músicas de Sandy e Junior, como já era de se esperar. Mas dentro do contexto, vale dizer.
Se Acquaria é futurista, Irmão Urso volta 10 mil anos e se passa na Costa do Pacífico. O inquieto Kenai é o caçula de três irmãos e espera ansiosamente por seu totem, amuleto que também mostra que o menino cresceu. Mas depois de se desentender com o irmão do meio, Denahi, vem a tragédia: para salvar os caçulas da ameaça de um urso, o irmão mais velho, Sitka, morre. E Kenai decide vingá-lo, matando o tal bicho. E aí que, pelos poderes mágicos dos ancestrais, ele se transforma em um urso e é caçado por Denahi, que acredita que o caçula morreu nas mãos (e na boca) do feroz animal. Parece triste para crianças? É um pouco. Mas a nova vida de Kenai na floresta tem momentos divertidos.
Obra do ursinho tagarela Koda, que encontra no menino-urso um irmão mais velho. Os dois percorrem o continente americano e aprendem um com o outro. E Kenai vai perdendo o ódio que tinha pelos tais bichos. Irmão Urso é para os pequenos e seus pais, com canção de Phil Collins no fim e alguns momentos de emoção e lagriminhas. Como todo bom filme Disney.
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6:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Está quase tudo pronto para a queima de fogos do réveillon em Copacabana. Na cidade, 6.800 PMs vão garantir a segurança
Melissa Ribeiro
O ponto alto do show pirotécnico em Copacabana promete ser o efeito cascata. Além disso, palmeiras e círculos enfeitarão a noite do dia 31
A festa do réveillon nas areias da orla carioca promete ser mais bonita, organizada e segura. No céu, a novidade será o efeito dos fogos, com formatos de vulcão, cascata gigante, corações sobrepostos e estrelas. Para garantir diversão sem tumultos, haverá 1.360 policiais a mais que ano passado, totalizando 6.800 homens. Em Copacabana, serão 2.400 policiais. O reforço no policiamento começa às 7h do dia 31.
Além de utilizar rádios e binóculos, a PM testará câmeras móveis para controle da segurança, ligadas e conectadas a computadores do Centro Integrado de Gerenciamento ponto central de todas as equipes nas ruas. O posto ficará na altura da Rua República do Peru.
Para quem vai de carro, é bom ficar atento. Na Avenida Atlântica, só será permitido estacionar nas baias entre a Avenida Princesa Isabel e a Praça Almirante Júlio de Noronha. A Avenida Nossa Senhora de Copacabana só será liberada para estacionamento no lado esquerdo, após as 18h. Ainda há bilhetes especiais do metrô à disposição: apenas 10 mil dos 114 mil foram vendidos. A partir das 18h do dia 31, só embarcam nas estações portadores de tíquetes com horário marcado.
Interdição em Copacabana começa às 7h do dia 31
A Avenida Atlântica será interditadas às 7h do dia 31 (junto à pista da praia) entre o Posto 6 e a Rua Prado Júnior. Das 16h às 10h do dia 1º, a pista junto aos prédios será fechada. Às 18h, os acessos a Copacabana serão bloqueados exceto para vans regulamentadas, táxi, ônibus e motos.
Terminais rodoviários, ferroviários e marítimos também receberão reforço de policiamento, assim como a Delegacia Especial de Atendimento ao Turista (Deat). Trezentos homens da Guarda Municipal estarão em Copacabana: 380 ficarão no controle do trânsito e 300 patrulharão demais pontos de festas. Equipes do controle urbano da prefeitura fiscalizarão ruas de acesso à Praia de Copacabana para impedir a ação de camelôs. Já foi distribuída notificação aos prédios da orla, proibindo-os de guardar material de ambulantes. Quem desobedecer será multado.
Três postos de saúde, equipados com três ambulâncias e duas motocicletas, estarão localizados ao lado dos palcos dos shows de Copacabana. Haverá também 120 profissionais com macas pela areia para qualquer emergência. Além dos dois mil bombeiros que atuam no estado, haverá 687 extras. Dias 24 e 31 à noite, não haverá coleta de lixo domiciliar. O trabalho de retirada será antecipado em um dia.
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6:38 AM
by Cassiano Leonel Drum
Natal 2003! Você quer DVD quanto?
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! Diz que esse ano vai ser o Natal do DVD. Você vai DVD mais pro cartão, DVD mais pro banco, DVD mais pro agiota e DVD mais pra sogra.
E aí entra na loja e pede pra DVD em cinco, dez vêis e passa a DVD pra mais um trouxa! Casas Bahia: Você quer DVD quanto? Rarará! E a situação tá tão braba que carteiro gritou: "Caixinha". E o morador: "Passa por baixo da porta que eu tô no banho". Rarará!
E saiu a lista das mais namoradeiras do Brasil! Sendo que os namorados são sempre os mesmos. A Wanessa Camargo larga o Dado e a Deborah Secco pega o Dado; aí a Deborah Secco larga o Dado e a Galisteu pega o Dado. Rodízio de Dado! Mas vamos ao ranking das mais namoradeiras. Quinto lugar, Lucianta Gimenez. Mas ela namorou um só! Um só que vale por 30 mil. Dólares, o Mick Jagger! Quarto lugar, Deborah Secco. Quarto lugar é desaforo! Para uma loira, ficar em quarto lugar é ofensa. E ainda mais com aquela sainha tipo "abajur de xereca". Terceiro lugar, Luana Piovani. Terceiro lugar é quase abstinência sexual!
Segundo lugar, Preta Gil. Mal estreou e já tá em segundo lugar? Ano que vem ela fica hors-concours! Primeiro lugar: Adriane Galisteu. O primeiro lugar não é pelo número de namorados, é pelo número de namorados que saem na capa das revistas. Primeiro lugar em capa de "Caras"! Namora na "Caras", desmancha na "Quem" e reata na "Contigo"!
E o Brasil foi barrado na reconstrução do Iraque. Porque não ajudou a jogar bomba! É que precisa destruir para reconstruir. Moral do Bush: só quem destrói reconstrói. E sabe por que a dona Marisa não largava a mão do Lula? Pra ele não largar ela dentro da pirâmide!
Antitucanês Reloaded, a Missão. Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. É que em Rio Claro tem um forró pra terceira idade chamado Bilisca Teta. Rarará! E o antitucanês chegou à França. Tem um bar em frente à penitenciaria de Paris chamado "Ici, mieux quen face". Melhor aqui que em frente. Rarará! Mais direto impossível! Viva o antitucanês! Viva o Brasil
E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes pro óbvio lulante. "Refinado": companheiro que morreu pela segunda vez. "Decoração": de coração. O Fome Zero é puro, é decoração. Rarará! O lulês é mais fácil que o inglês! Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno. E quem não tiver colírio alucinógeno pode pingar Ajax com Diabo Verde que dá no mesmo!
simao@uol.com.br
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6:31 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
12/12/2003
Olivetti Lettera 35
Eu completava 13 anos. Ou 14, não lembro bem. Cheguei em casa no fim da tarde, e minha mãe:
- Tem um presente escondido pra ti. Procura!
Ela estava esfuziante por me dar o presente, percebi pela expressão ansiosa que lhe coriscava no rosto. Minha irmã, saltitante ao lado dela, também parecia felicíssima. Natural, a mãe ganhava pouco, era desquitada, sustentava os três filhos com enorme esforço. Quer dizer: não havia dinheiro para futilidades e regalos. Mas eu era adolescente, queria ser rebelde, pouco ligava para esses sentimentos paroquiais de amor familiar e quejandos. Suspirei, enfarado - achava que pegava bem um ar enfarado e gola levantada de James Dean. Comecei a procurar o tal presente sem muito entusiasmo. Minhas preocupações eram outras, mais importantes - o absurdo da existência, as teorias anarquistas, os planos da turma para derrubar a ditadura militar.
Então, atrás do sofá, descobri o presente. Uma máquina de escrever portátil, Olivetti Lettera 35, de ferro, cinzinha, lindalinda. O que sempre quis. Desde gurizote, amava escrever. A máquina era um sonho caro que acalentava. Caro mesmo. Na época, comprar aquela máquina foi um sacrifício para a mãe.
Mas não ia me deixar comover por emoções banais, pequeno-burguesas, de amor filial. Olhei para a máquina e ergui as sobrancelhas, duas meias-luas de desdém.
- Ah - murmurei, sem grande entusiasmo. Meio que casualmente, tirei a máquina do esconderijo. Deixei-a de lado, como se não tivesse lhe dado importância alguma. Bocejei.
Aí, levantei a cabeça.
Olhei para a mãe.
E vi a decepção em seus olhos. A tristeza. Fiquei perturbado por alguns instantes, mas não entendi bem o que sentia.
Mais tarde, compreendi. E, com a compreensão, veio o remorso. Durante anos, volta e meia sonhava com aquele olhar magoado da minha mãe. Depois, até lhe ressaltei que havia adorado a máquina. Foi nela que escrevi meu primeiro livro, inclusive. Não adiantou. O mal estava feito. Ainda hoje, quando lembro daquele momento, sinto o coração encolher.
Nesses dezembros, época de amigos-secretos e trocas de mimos, busco sempre uma compensação. Ao receber um presente, por singelo que seja, tento demonstrar sem reservas o quanto estou grato, tento devolver o afeto que me foi oferecido. Tento, em vão, desmanchar aquela tristeza antiga da mãe e aí penso, sempre penso: que bom seria ganhar de novo a velha Olivetti Lettera 35, de ferro, cinzinha, lindalinda.
david.coimbra@zerohora.com.br
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6:28 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
12/12/2003
Sarna a distância!
Entenda-se como atendimento privado de saúde não só aquele em que o paciente paga de seu bolso o tratamento, a grande minoria, mas a maioria imensa, que são as pessoas que possuem convênios.
E pela primeira vez em toda a história desta coluna um leitor reclama do atendimento privado: "Caro Paulo Sant'Ana. A respeito de várias colunas suas, há casos no atendimento privado de saúde em que a espera por consulta com dentista, dermatologista, ginecologista e cardiologista, entre outras especialidades, demora cerca de um mês (o colunista acha esta informação espetacular). No SUS às vezes demora um ano ou mais, mas no sistema privado a consulta e o atendimento não tinham que ser rápidos?
Eu, por exemplo, pago R$ 86 mensais pelo plano de saúde da minha empresa. Quando minha esposa vai ao médico, ainda tenho de pagar mais R$ 6 por consulta. Existem médicos do sistema privado de saúde (convênios) que nem se levantam da cadeira para examinar a paciente. Minha mulher está com um problema de pele nas pernas. Fomos ao dermatologista e ele ficou sentado e de longe olhou para as pernas da minha mulher. 'É sarna', diagnosticou. Indaguei-o se daquela distância em que estava falando, sem analisar de perto e tocar nas pernas da minha mulher, ele podia opinar.
Pois me respondeu que o médico era ele, que era sarna e tinha certeza do que estava falando. Portanto, o atendimento privado de saúde tem tantos problemas quanto o SUS. Lógico que em ambos há bons profissionais, mas estão se tornando raros. A luta pela melhoria da saúde não é só pública, é privada também. (A carta estava assinada, com endereço, mas mantenho reserva da identidade do missivista para não prejudicá-lo no emprego e para não retirar da privacidade a sarna de sua mulher)".
Nota do colunista: será que este dermatologista não toca nos pacientes e fica de longe olhando para eles com medo de ser contagiado pela sarna? Assim de longe, olhando de esguelha para os pacientes, não está com jeito de dermatologista, vai ver que é médium.
Recebo e transcrevo: "Prezado Sant'Ana. Em atenção à coluna publicada em 10 de dezembro, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre faz questão de esclarecer que o gestor municipal não se omite em relação aos estrangulamentos de algumas áreas e tem buscado soluções para o problema, jamais negligenciando a situação dos pacientes e enfrentando constantemente o desafio de qualificar a saúde pública, dentro dos conceitos de integralidade e universalidade.
A oferta insuficiente de consultas e procedimentos para determinadas especialidades médicas decorre de diversos fatores, tais como a pequena remuneração do sistema para determinados procedimentos e o pouco interesse de alguns prestadores em ofertar serviços ao SUS. A SMS vem apresentando alternativas para solucionar essas questões, através da recontratação dos prestadores de serviços ao SUS, de acordo com as necessidades da população, como em mutirões de consultas e cirurgias para áreas com maior demanda, como a oftalmologia, a otorrinolaringologia e a traumato-ortopedia. Também foi criada uma Central de Regulação específica para oncologia, com o fim de agilizar os atendimentos aos pacientes neoplásicos.
Na área específica de cirurgia vascular, tem-se atendido separadamente o agendamento de varizes que necessitam intervenções estéticas e de arteriopatias, patologia para qual nenhum paciente de Porto Alegre aguarda intervenção cirúrgica, pois o caso é tratado como urgência, não havendo demanda reprimida. No ano de 2002, a SMS realizou 2.071 procedimentos cirúrgicos de varizes e no primeiro semestre de 2003, 839. A secretaria coloca-se à disposição para mais esclarecimentos e ratifica que a qualificação do SUS em Porto Alegre é o eixo central de trabalho desta administração. (ass.) Ana Boll, secretária substituta da Saúde municipal".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Tornado fere e mata na Serra
Patrimônio histórico nacional devido ao seu casario de madeira, Antônio Prado viveu ontem momentos de horror. Um tornado que se abateu sobre a cidade destruiu parte de uma escola, soterrando e matando quatro crianças, de cinco e seis anos.
Destroços do colégio voaram sobre um carro no outro lado da rua e mataram um homem de 39 anos.
¿ Parecia uma guerra. As pessoas corriam de um lado para outro ¿ descreveu um policial que ajudou a socorrer as vítimas da cidade de colonização italiana (foto Antônio Zatti, especial/ZH)
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Quinta-feira, Dezembro 11, 2003
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9:58 PM
by Cassiano Leonel Drum
Ne me quite pas...
jacques_brel
Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheure
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants-là
Qui ont vue deux fois
Leurs coeurs s'embraser
Je te raconterai
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Je ne vais plus pleurer
Je ne vais plus parler
Je me cacherai là
A te regarder
Danser et sourire
Et à t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Não me deixes mais...
Não me deixes mais
Vamos esquecer, tudo o que passou,
Que ficou pra trás
Esquecer o tempo dos mal-entendidos
O tempo perdido
Em pensar demais
Esquecer as horas que quase mataram
De dúvida e de medo
A felicidade
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Vou te oferecer
Pérolas que eu vi
Chover num país
Onde não chove mais
Revolver a terra, muito além da morte
Dourar o teu corpo
Onde ele estiver
Onde eu viverei
O amor será rei, o amor será lei
E tu reinarás
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Que eu inventarei palavras sem nexo
E tu compreenderás
Pra falar de amantes que por muitas vezes
Sentiram seu próprio coração queimar.
Eu vou te contar
A estória de um rei
Que morreu tão triste
Por nunca te encontrar.
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Dizem que é comum
Renascer o fogo
De um velho vulcão
Que não arde mais
Também já se viu
Em terras destruídas renascer mais trigo
Que no melhor abril
E pra se inflamar
Uma tarde no ar, o vermelho e o negro
Nao se casam jamais
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Eu não vou chorar, não vou mais falar,
Vou ficar em paz
Quero só te ver
Dançar e sorrir
Quero te ouvir
Cantar e falar
Deixa-me existir à sombra da tua sombras
À sombra da tua mão
À sombra do teu cão
Não me deixes mais
Não me deixes mais
Não me deixes.........
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9:46 PM
by Cassiano Leonel Drum
há dias em que tenho uma percepção
há dias em que tenho uma percepção
muito nítida de tudo:
os lugares que trago comigo
as pessoas que amo
as coisas que me sorriem
e as outras que eu não conheço
porque nunca me dei
ao prazer
de as olhar de oscultar o seu rumor
há dias
há dias em que ao entrar em casa
me sinto
estranhamente de visita
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6:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
Vai sacudir
Ivete Sangalo comemora 10 anos de carreira com show para 80 mil pessoas, na Bahia, em que grava CD e DVD
Alicia Uchoa
Salvador - O povo do gueto mandou avisar e não teve outro jeito: vai rolar a festa. Ivete Sangalo, 31 anos, comemora 10 anos de carreira em grande estilo no estádio da Fonte Nova, em Salvador, que pela primeira vez cedeu o gramado para 80 mil pessoas participarem do show de gravação do CD e DVD MTV ao Vivo, dia 21. No palco, os convidados Gilberto Gil, Daniela Mercury, Davi Moraes, Margareth Menezes, Sandy & Junior e Tatau, do Araketu.
Procurei pontuar a minha carreira com a presença dessas pessoas. Tatau foi quem mais me chamou para dar canjas. Daniela, quando decidi seguir carreira solo, me falou: Pegue todo o know-how do meu escritório e leve para o seu. Margareth é quem eu queria ser quando pensei em ser cantora e Gil é meu pai musical. Queria ser ele de saias, baba a conterrânea.
Quando o assunto é o marido, então, ela derrete. Ter conhecido Davi foi bom musicalmente, profissionalmente e pessoalmente. Mas não vou entrar em detalhes para as meninas não se apaixonarem, brinca, avisando que não planeja filhos tão cedo.
No repertório da apresentação estão músicas dos 10 discos dessa trajetória e lembranças de cada momento, como Festa, Canibal e Poeira. São músicas que fizeram sucesso, que já toquei bastante e sempre fico na dúvida se o público ainda quer ouvi-las. Mas como é um show maior, vou deitar e rolar. Há momentos da Banda Eva e uma cronologia da carreira, explica Ivete, lembrando de seu último dia à frente da banda que a lançou: Estava tranqüila, me arrumei e só me dei conta do que aquilo representava quando subi a escada para o trio. Aí, devo ter chorado umas duas horas. Era uma mistura de saudade e alegria e o trio todo chorava junto.
Dentre todas as comemorações desse show, a cantora garante outra responsabilidade para o evento. Além dos 10 anos, é o lançamento oficial do último disco, diz ela sobre Clube Carnavalesco Inocentes em Progresso, que, há cinco meses no mercado, vendeu apenas 50 mil cópias. Mas Ivete não perde o fôlego. Tenho milhões de motivos para fazer este DVD, que é bom inclusive mercadologicamente¿, diz ela, que estava lançando Festa e havia acabado de perder a mãe quando surgiu o primeiro convite da MTV. Agora as duas partes estão prontas.
Louca pela Bahia e por Salvador Não saio daqui por dinheiro nenhum, Ivete avisa que ela vai ser o presente de Natal da cidade. E vai mesmo: o show terá ingressos a partir de R$ 7,50. Na beira do palco, quero o povo. Em vez de receber o Papai Noel de helicóptero, ele vai entrar cantando.
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6:28 AM
by Cassiano Leonel Drum
Leticia Wierzchowski
11/12/2003
Natal e Ano-Novo, de novo
A gente nota que a vida passa correndo todos os dias, é um tal de cumprir agendas e comprar tênis de números maiores para os filhos - mas quando entra dezembro é que a vida realmente voa. Ou melhor, quando entra novembro, desde que o comércio em geral resolveu colocar suas renas e papais-noéis para tomar sol antes dos Finados. O caso é que novembro e dezembro, um, dois, três, já passaram por nós e, ou a gente não os viu, ou estava sorteando o amigo-secreto do escritório.
Caso você esteja em dúvida, eu adoro Natal e Réveillon. Eu adoro luzinhas e pacotes com fitas e histórias de papai-noel e aquelas sete ondas à meia-noite. Desse kit todo, a única coisa que não me desce é o peru, aquele bichinho amarrado em cima da mesa, enfeitado de cerejas e recheado de sarrabulho - qualquer coisa que leve um nome destes já é horrível em si, mas quando minha mãe me contou que o tal sarrabulho é feito com os miúdos do peru, aí sim que me desencantei com essa palavra esquisitona.
Fiquei cismando sobre o que escrever nesta frágil crônica natalina. Falar de fraternidade e de união, cá entre nós, já está muito batido. Então concluí que a maior graça dos natais e das viradas de ano é a sua constante repetição. Todo o ano tem, e está chegando cada vez mais rápido. Vale a gente usar a cabeça e transformar isso, não num sofrimento, mas numa solução. Se você esqueceu de dar um presente para a sua sogra no ano passado, pode corrigir neste Natal.
Se você jurou parar de fumar, emagrecer oito quilos, trocar seu marido por um que venha com câmbio automático e fazer uma poupança para a velhice, dá para começar tudo de novo daqui a uns 15 dias. Beijar as mesmas pessoas, dizer as mesmíssimas coisas e cantar as velhas músicas, esta é a graça. Ver que as fotografias dos antigos natais caducaram, não só porque o vovô ficou careca ou porque você trocou a paixão da sua vida pela quinta vez em dois anos, mas que agora sua irmãzinha teve trigêmeos - esta é a graça.
Querer as mesmas coisas, ou outras bem diversas. Viajar para a mesma prainha deserta ou correr para Nova York, esta é a graça. A gente só tem uma vida, mas tem um monte de natais para corrigir os anteriores. Ou para repeti-los. E o bom é que nos natais você ganha presentes sem ficar invariavelmente mais velho - dá para comemorar sem sofrimento. Eu adoro Natal, tanto que a festa, neste ano, vai ser lá em casa. Agora, só tem um detalhe: se tiver peru, vai ser sem sarrabulho.
leticia.wierz@zerohora.com.br
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6:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
11/12/2003
Construa a sua borboleta
É só um ano que está terminando. Não é a vida.
Portanto, pare de correr, desacelere, desestresse-se. Deixe para amanhã o que você não precisa fazer hoje. Vá com calma no trânsito, coma devagar, seja amável com as pessoas, ligue para alguém que gostaria de ouvir a sua voz, cante uma canção de amizade no telefone. Cante no chuveiro. Demore-se um pouco mais no banho, no vestir-se, no papo com o porteiro do edifício, no cafezinho com os amigos.
É só dezembro. Não é o fim dos tempos.
São estrelas de Natal essas luzes que brilham nas vitrinas e nas casas. São canções de paz esses sons que inundam as noites do nosso verão. São mensagens de amor esses cartões que decoram as paredes dos escritórios. Observe-as. Ouça-as. Leia-as. E medite sobre o valor da sua visão, da sua audição, da sua sorte em ter sido contemplado com um cérebro e com a capacidade de decifrar os signos da comunicação.
É só uma quinta-feira. Não é o último dia da história da humanidade.
Até o final da semana ainda dá para cometer uma generosidade. Dar um presente para alguém que não está de aniversário. Levar chocolate para casa. Fazer um afago no cachorro do vizinho. Distribuir abraços inesperados. Surpreender. Copiar um poema para um amigo (quem sabe até para um inimigo).
É apenas o dia 11. Não é o dia D, nem a hora H.
Ignore o relógio, encontre um tempinho para brincar com seu filho. Pare para vê-lo jogar. O presente de Natal vai ficar velho, pode até quebrar. A lembrança da sua companhia e de cada gesto de carinho ficará para sempre.
É tempo de parar, não de correr. As férias já esperam na primeira esquina do novo ano. Observe a natureza e perceberá que ela continua operando no ritmo de sempre. As árvores não florescem mais depressa porque é dezembro, nem os pássaros se atropelam porque o ano vai terminar.
Na verdade, dezembro não é fim de nada.
É apenas mais um casulo que o bicho-da-seda do tempo construiu lentamente. Dele vai sair a borboleta que cada um de nós imaginar.
nilson.souza@zerohora.com.br
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6:24 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
11/12/2003
O papel do Conceição
Impressionante coincidência: exatamente no correr do dia em que foi publicada minha coluna (ontem), foi baixada ordem de serviço no Hospital Conceição, mandando que os excessos de cirurgias vasculares sejam transferidos para o Cristo Redentor, onde havia, até ontem, certa ociosidade de cirurgiões.
Para isso serve o jornalismo, também.
Mas mandou-me resposta à coluna de ontem, em eloqüente arrazoado, o superintendente do Grupo Hospitalar Conceição, que confessa as deficiências mas também trata do estupendo trabalho que lá se realiza:
"Ao jornalista Sant'Ana: o Grupo Hospitalar Conceição trabalha com 13 (treze) cirurgiões vasculares (um deles em processo de contratação), 7 (sete) em regime de plantão nas 24 horas, para atender as emergências traumáticas vasculares no pronto-socorro do Hospital Cristo Redentor e as urgências vasculares não-traumáticas do Hospital Nossa Senhora da Conceição, que fica a cem metros de distância do HCR. Ao contrário do afirmado, portanto, existe plantão vascular no GHC, que não é novo, pelo contrário (o colunista não escreveu que não o havia no Grupo Conceição e sim no Hospital Conceição, melhor dito na emergência do HC, o que é fato).
Em 2003, até a presente data, foram internadas 900 (novecentas) pessoas nessa especialidade no HNSC, foram realizadas 2.420 consultas médicas, procedidas 1.013 cirurgias vasculares (nota do colunista: no Cristo Redentor, somente 70), sendo 742 de médio e grande portes, e incluindo safenectomias (cirurgia para varizes de membros inferiores), estas em número ainda abaixo do desejável, uma vez que a demanda coletiva é imensa.
Trabalhamos com uma meta de incrementar essas cirurgias, o que faremos através das cirurgias ambulatoriais, já que, como se viu, as agendas de bloco cirúrgico são inteiramente tomadas por cirurgias vasculares de médio e grande portes, em pacientes com situações de risco mediato ou imediato (amputações, obstruções arteriais etc.).
Esse incremento cirúrgico exigirá aumento de pessoal de enfermagem, hoje absolutamente insuficiente, já que o cadastro dos concursados estava inteiramente consumido quando assumiu a atual administração, já estando em andamento novo processo seletivo. Saliente-se que a enfermaria destinada de modo exclusivo à cirurgia vascular conta com 37 (trinta e sete) leitos.
No âmbito do HNSC, a equipe de seis cirurgiões em regime de rotina, e mais dois em tempo parcial, dá conta também de uma unidade de emergência que chega a ter 20 pacientes aguardando por leitos dessa especialidade médica (de um total que chega a cem). No momento realmente o principal problema é na esfera diagnóstica, na qual o exame ecográfico vascular (que não é sempre necessário para a cirurgia de varizes) está com agenda reduzida, em função de pedido de demissão de profissionais, o que será sanado, esperamos que bem proximamente, com novas contratações.
Nesse particular, o colunista deveria esclarecer a seus leitores que há enorme diferença entre o problema das varizes, nas veias, das doenças que levam a amputações, nas artérias e de natureza diversa. Se não são poucos os prejuízos e incômodos das varizes, não é menos evidente o fato que as doenças arteriais, por sua gravidade e risco, ocupam o espaço que falta para esses procedimentos nos hospitais.
Estamos conscientes do serviço que prestamos à comunidade, nessa e em outras áreas, hoje com 100% de atendimento para o SUS, e das deficiências que temos, as quais procuramos sanar, dentro dos óbvios limitantes de pessoal e recursos. Contudo, se a pequena radiografia acima dá uma idéia do que fazemos, o que achamos ser bastante, a pergunta que cabe é: qual é o papel das outras instituições de saúde do Rio Grande do Sul nessa área crítica? Esperamos que a sua manifestação dê amplas oportunidades a que se analise amplamente a contribuição de todos os protagonistas, inclusive os filantrópicos. Nossas informações estão à sua inteira disposição.
O ilustre jornalista começou pelo GHC, no que fez bem. Não esmoreça, são os nossos votos. João Constantino Pavani Motta, superintendente do GHC".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:21 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ambiente
Espécie protegida
Zoológico da Universidade de Caxias recebeu um filhote de puma recolhido pela Patrulha Ambiental em Vacaria (foto Ricardo Wolffenbüttel, Agência RBS/ZH)
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Quarta-feira, Dezembro 10, 2003
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9:15 PM
by Cassiano Leonel Drum
SEM TI
Sou sol sem calor
Sou lua que chora
Sou céu sem estrelas
Sou noite sem luz
Sou fogo sem chama
Sou frasco sem perfume
Sou corpo sem sombra
Sou um barco sem mar
Sou um jardim sem flores
Sou horizonte sem azul
Sou náufrago sem ilha
Sou deserto sem oásis
Sou planta sem seiva
Sou veias sem sangue
Sou matéria sem alma
Sou coração sem amor
Sou tempestade sem nuvens
Sou montanha sem mata
Sou um ser sem vida....
(Newton Fernandes)
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9:13 PM
by Cassiano Leonel Drum
POEMA DO AMOR
Represarei meus pensamentos,
Para que em mim se reflitam
As estrelas da noite
E as luzes da manhã...
Deixarei de correr entre campos e gargantas
Para sentir a carícia do vento
E refletir em minhas águas
Os píncaros nevados da montanha.
Represarei meus pensamentos
Para fixar o vôo dos pássaros,
A marcha das nuvens,
E o degelo das neves.
Deixarei de correr por vales e gargantas,
Se, na tranqüilidade de minhas águas,
Houver o espelho nítido e profundo
Onde se reflita o gesto de tuas mãos
E a graça do teu rosto.
Então adormecerei no fundo de mim mesmo
E sobre meus olhos abertos para a eternidade,
Os peixes vindos da noite
Tecerão filigranas indecifráveis,
Com o reflexo das escamas feitas de lua e sonho...
Paulo Bomfim
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6:57 AM
by Cassiano Leonel Drum
Despesa escolar com FGTS
Comissão do Senado aprova novo uso para o Fundo de Garantia
BRASÍLIA - A Comissão de Educação do Senado aprovou parecer do senador Sérgio Guerra (PSDB-PE) favorável ao projeto de lei que permite o uso do FGTS no pagamento de parcelas de anuidade escolar do trabalhador ou dos seus filhos. De autoria do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), o projeto foi antecipado pelo DIA em 7 de setembro e provocou polêmica entre os parlamentares.
O parecer favorável recebeu o apoio dos senadores Antero Paes de Barros (PSDB-MT), Valdir Raupp (PMDB-RO), Papaléo Paes (PMDB-AP), Hélio Costa (PMDB-MG), Flávio Arns (PT-PR), José Jorge (PFL-PE), Lúcia Vânia (PSDB-GO), Efraim Morais (PFL-PB) e Aelton Freitas (PL-MG). Todos lembraram a importância de facilitar o acesso à educação e muitos argumentaram que, se os recursos do FGTS podem ser usados para a compra de ações de empresas privatizadas, deveriam também ser liberados para incentivar a educação.
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) apresentou voto em separado pela rejeição e foi apoiada pelos colegas Fátima Cleide (PT-RO) e Eurípedes Camargo (PT-DF). Os três disseram que o ideal é melhorar a educação pública, destinando mais recursos nessa direção. O projeto deve ir agora para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
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6:51 AM
by Cassiano Leonel Drum
Tesoura neles
Secos, longos ou revoltos demais, cabelos dos atores de Celebridade causam polêmica
Clarissa Monteagudo
Laura(Cláudia Abreu) precisa de novo corte e hidratação no cabelo seco
Celebridade levantou polêmica capaz de arrepiar as perucas Lady de Neide Aparecida. Parte do público quer gritar um Corta!. Não para as cenas, mas para os cabelos dos protagonistas do horário nobre das oito.
Com seus cachos revoltos, o cineasta Fernando Amorim, de Marcos Palmeira, é quem mais divide a cabeça dos espectadores. Mas também sobram farpas para os fios ressecados de Laura (Cláudia Abreu) e compridos de Eliete (Isabela Garcia). Na trama, as melenas de Malu Mader estão com dias contados: ela vai cortar o cabelo, uma instituição da TV, quando sua personagem, Maria Clara, se mudar para o Andaraí, arruinada por Laura.
Muito antes de aprontar com meio elenco, a vilã já provocava pesadelos nos cabeleireiros, loucos para meter a tesoura na TV e livrar Cláudia Abreu do visual bolo de noiva. O cabelo dela está medonho. As pontas estão feias, fora de corte e aquela escova anos 70 não dá para entender. Em São Paulo, num encontro de cabeleireiros, o visual da personagem virou o assunto, conta Marcelo Hicho, maquiador e cabeleireiro. A não ser que depois, quando ela ficar rica, prepararem a mudança para um supercabelo. Se a intenção é ficar feio antes, deu certo, analisa Hicho.
O visual despojado de Fernando também assusta quem esperava um galã clássico para a sofisticada Maria Clara Diniz. Enquanto especialistas argumentam que os cabelos do personagem estão de acordo com seu estilo, espectadores reagem indignadíssimos. É ridículo um produtor de cinema parecer um amante latino. Thiago Lacerda, no início, era ainda pior: um executivo barbudo com cabelo grande e sotaque italiano. Não existe!, reage o estudante de Medicina Leonardo Caiate, 22 anos.
Para o administrador Bruno Scott, 27 anos, o arco usado por Marcos Palmeira só cai bem nas piadas no Casseta & Planeta. Os humoristas não cansam de implicar com o adereço na paródia Famosidade. Bruno também: Arco é muito feminino. Eu uso boné. Ele também não engole o visual de Marcos Palmeira. Ele está mais para bicho-grilo do que para galã.
Na opinião do cabeleireiro Mauro Bretas, o estilo de Fernando está mais para rapaz suburbano do que para cineasta com longa estada em Paris. Ele deveria ter dado uma modernizada na França. O visual é caretinha, opina Mauro, fã dos cachos de Cauã Reymond, ex-Malhação. Tem cores misturadas e não são arrumadinhos como os de Marcos Palmeira. Eu deixaria o formato menos redondo, daria uma clareada na ponta dos fios, explica.
Parte do eleitorado feminino do galã também reage, como a relações-públicas Rose Gomes, 32 anos. Esse cabelo ficou um horror. Não está nem arrumadinho bonito, nem selvagem atraente. E olha que eu o acho um espetáculo. Dos mais polêmicos.
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6:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
10/12/2003
Os populares e os excluídos
Muito interessante a matéria de capa do caderno Donna ZH de domingo passado. O assunto foi a atual segmentação de alunos na escola: quem é o popular, o ídolo, o líder, e quem é o excluído, o que vai ser zoado e deixado de fora. Isso sempre foi assim, não é exatamente uma novidade, mas agora esta segmentação está mais agressiva e danosa pra formação das crianças. Os populares já não são apenas os bonitinhos, mas os que têm vida sexual precoce.
Os excluídos já não são mais os cdfs, mas os que se negam a fazer o que a turma faz. Claro que há muita gente de cabeça boa entre os populares (os praticantes de esporte, os bem-humorados) e uns excluídos até que fazem por merecer (estão sempre de mal com o mundo, não gostam de nada). O problema é a estigmatização dos diferentes, é a humilhação sofrida por quem não se enquadra no modelo de uma determinada tribo. Quem é que se responsabiliza por essa galerinha tão bem informada sobre moda, sexo e drogas mas totalmente ignorante sobre amizade, respeito, valores? Nem tevê, nem internet. É dos pais esta conta.
Trabalhar demais não é desculpa. Todo mundo trabalha demais. Isso não pode justificar a palavra "não" ter sido extinta do vocabulário doméstico. Hoje parece até que é crime negar alguma coisa para uma criança ou adolescente. Ela quer uma mochila de R$ 400, quer um tênis de R$ 500? Toma. Pra esses pais e mães, sai muito barato. Caro é comprar briga em vez de comprar correndo o que eles pedem. Caro é ensinar quanto vale as coisas, e não quanto elas custam. Caro é agüentar o filho reclamar que não tem nada que os outros têm, que todo mundo vai achar que ele é um babaca. Só quem tem filhos nesta idade sabe o desgaste que é esse tipo de discussão. Mas se essa discussão não existe, não existe educação.
Me perguntam por que eu coloquei o título Esquisita Como Eu no meu primeiro livro infantil, lançado em parceria com a ilustradora Laura Castilhos. Respondo: porque as crianças têm que se habituar a ser elas mesmas desde pequenas. Porque é preciso ajudar as crianças a não se sentirem tão pressionadas a ser idênticas umas às outras. Todo mundo pode ser bacana ao seu modo. Nunca vi ninguém se dar mal por construir e preservar uma identidade própria. A melhor coisa que um pai e uma mãe podem fazer por seus filhos é ajudá-los a conquistar auto-estima e independência.
Sendo que auto-estima não se mantém simplesmente sendo a mais idolatrada da aula, e independência não é ter uma mesada maior que a dos outros. Se eles conquistarem auto-estima e independência pra valer, um dia eles até poderão optar por não ter filhos se acharem que é trabalhoso demais. Ao contrário de muitos aí que tiveram filhos porque todo mundo tem, e agora não sabem o que fazer com eles.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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6:24 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
10/12/2003
Todo o bem que faz uma calcinha
As mulheres passaram milênios sem calcinha. Desde os albores da civilização, há pouco mais de 80 séculos, foram pelo menos 75 que elas viveram desprovidas dessa fundamental peça do vestuário, acarretando algum constrangimento na hora de cruzar as pernas, além de grave risco de resfriados.
Havia também desconforto para as amantes da equitação - no momento de montar à amazona, firmando um pé no estribo e passando a outra perna por cima da sela, as moças ofereciam um revelador e aprazível espetáculo para os rapazes da época. Assim, na pudica Idade Média foi inventada uma cadeirinha de madeira que era afixada no lombo do cavalo. As moças se viam alçadas até a cadeira e cavalgavam dessa forma, de ladinho.
Lógico, a solução mais prática seria o uso de calças, mas essa não era uma boa idéia. Os medievos viviam cheios de preconceitos e regras, algumas delas acerca das roupas femininas. Calças eram proibidas às mulheres e uma das que tentou vesti-las, a jovem Joana D´Arc, terminou seus dias amarrada em um poste e queimada numa fogueira, algo que quase todas as mulheres de então consideravam muito chato.
A vida continuou assim, nada parecia mudar na sombria Idade Média, até que Catarina de Médicis deixou a Itália para se tornar rainha da França. Catarina adorava cavalgar, em seus tempos de donzela de família rica, em Florença, parecia a versão feminina do Centauro. Mas, como rainha, havia de ter novos cuidados. Para continuar montando à vontade sem que os vassalos antevissem as intimidades mais profundas da realeza, Catarina bolou uma espécie de calçola diminuta, peça que nada tinha a ver com as calças masculinas, mas que cobria as partes pudendas a contento.
Estava inventada a calcinha.
Suprema invenção.
As súditas, vendo as particularidades de sua soberana protegidas com tamanho aconchego, apreciaram a novidade e a adotaram com entusiasmo. Depois, numa atitude bem peculiar das francesas, passaram a empreender melhoramentos na invenção. Subtraíram nacos de pano daqui e dali, costuraram um adereço acolá, transformaram a calcinha, mais do que numa peça de roupa, num adereço.
Agora, se a calcinha trouxe benefícios às mulheres, bem mais trouxe para os homens. Porque, a partir daí, os homens passaram a ter o indizível prazer de tirar calcinha. As mulheres talvez não consigam compreender esse que é um dos momentos mais felizes da vida de um homem - quando ele, pela primeira vez, tira a calcinha de uma mulher há muito desejada. Diversos dos meus amigos afirmam que tirar a calcinha da mulher amada é melhor até do que o sexo subseqüente. Porque tirar a calcinha equivale a vencer as últimas resistências, a derrubar com um aríete as portas da cidadela sitiada.
Lá está aquela mulher cobiçada e linda, que seus amigos queriam, que seu chefe queria, que você sempre quis, e você prende as alças da minúscula calcinha dela entre os indicadores e os polegares, vai baixando a calcinha, baixando, baixando, e sorri, e olha para o teto, e pensa: obrigado, Senhor!
Essa a emoção de baixar uma calcinha. Emoção que as mulheres jamais compreenderão. O sutiã. Elas cogitam muito do sutiã. E, claro, o sutiã tem o seu valor. Sobretudo o plec. É uma alegria, quando o sutiã faz plec!, ao se abrir. Mas o sutiã é meio complicado, vez em quando hostil, quando não inviolável. Além do mais, quem precisa de um sutiã aberto?
A calcinha, não. A calcinha, sendo retirada, representa o tesouro sendo desvelado. Representa a visão da Terra Prometida.
Vocês, mulheres, entenderam enfim o que significa, para nós homens, tirar a calcinha da amada?
Certo, agora, homens e mulheres pensem em Henrique. Foi ele, Henrique II, o primeiro homem do planeta a baixar uma calcinha. Porque Henrique II era o rei da França, marido de Catarina. Logo, coube a ele o privilégio de executar o primeiro baixamento de calcinha da História da Humanidade. Que momento! Que homem feliz!
Imagino que Henrique II deve ter sentido mais ou menos o que os jovens Bruno e Cidimar sentiram ao marcar os gols de Grêmio e Inter, no domingo. Na capa da Zero de segunda lá estavam eles, um de cada lado, estuantes de felicidade. Foi o primeiro gol de Bruno no Campeonato. O primeiro de Cidimar diante de sua torcida. Quanta alegria pela façanha estava impressa nos rostos dos dois. Alegria que só mesmo Henrique II deve ter sentido num dia de há quase 500 anos, quando ele baixou a primeira calcinha da Civilização.
Parabéns, Bruno. Parabéns, Cidimar. Esse momento ficará para sempre na vida de vocês, tenho certeza. Como tenho certeza que a emoção de tirar a calcinha original ficou para a eternidade na mente do rei Henrique. Mesmo tendo ele morrido da forma que morreu, com uma daquelas lançonas medievais espetada no olho, numa agonia lenta de 10 dias de duração, mesmo tendo sofrido morte tão terrível, acredito que, no derradeiro suspiro, Henrique possa ter lembrado do doce instante no qual baixou a mãe de todas as calcinhas e, então, Henrique compreendeu que sua vida teve um sentido. E sorriu.
david.coimbra@zerohora.com.br
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6:22 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
10/12/2003
Uma demora homicida
É impossível deixar de constatar colapso no atendimento da saúde pública gaúcha quando se vê que cerca de 5 mil pacientes com varizes estão nas ruas sem atendimento.
Ou seja, 5 mil pessoas aguardam por consultas com cirurgiões vasculares, já há entre dois e três anos, somente nos casos de varizes, sem qualquer esperança de atendimento.
E de que adianta esperar por três anos por um cirurgião vascular, se os nossos maiores hospitais, inclusive o Conceição, não terão condições para marcar a cirurgia?
É uma questão dramática que mancha de sombras e de mortes a saúde pública no Rio Grande do Sul.
Diariamente, os médicos atendem pessoas pacientes de varizes e não recebem autorização do hospital sequer para uma ecografia pré-operatória. Os médicos são obrigados pela direção do hospital a receberem os doentes em consultas.
Mas de que adiantam consultas para tratamento de varizes, se o único tratamento para varizes é a cirurgia?
Ou seja, o SUS vai colocando o lixo de milhares de pacientes acometidos de varizes debaixo do tapete, prolongando a aflição e a desesperança dos doentes.
As varizes causam dor e inchaço nas pernas. E os anos de espera por consulta ou cirurgia vão minando as pernas e os organismos das pessoas, no caminho literalmente das amputações e da morte.
Enquanto isso, a Câmara Municipal deveria levar à frente esta CPI solicitada para averiguar as causas do número alarmante de amputações dos membros inferiores de milhares de pessoas, por ano, no Rio Grande do Sul.
Certamente a primeira causa para o excesso de amputações é o descalabro no atendimento preventivo dos doentes de diabetes, aterosclerose, vasculite etc.
Faltam nos hospitais, inclusive neste gigante de atendimento da saúde pública porto-alegrense que é o Conceição, um atendimento eficiente nas emergências, faltam anestesistas, faltam salas cirúrgicas, faltam salas de recuperação anestésica e falta, incrível, um cirurgião vascular de plantão.
Os médicos, aflitos com esse imenso vazio, solicitam que ele seja preenchido pela direção do hospital, mas não são atendidos.
Por falta absoluta de tratamento intra-hospitalar aos doentes, termina esse moedor terrível da saúde e da vida das pessoas nas amputações parciais ou totais dos membros inferiores das pessoas.
Impossível que os governantes não saibam disso. Sabem, mas fingem que não sabem.
E permanece, como imensa nódoa do SUS, a demora por anos de consultas para os pacientes.
Aí está talvez a questão primordial da saúde pública entre nós.
Enquanto não a atacarem os governos, inclusive o de Lula, que tanta esperança carregou com sua eleição, essa questão da demora destruidora para as consultas e cirurgias, embora o imenso serviço social que o SUS presta aos gaúchos, fica ele marcado por essa omissão homicida do poder público.
O máximo que se poderia tolerar como demora para qualquer consulta seria de 30 dias.
Dois ou três anos para atender a uma consulta ou a uma cirurgia significa em suma o apodrecimento físico e a morte de milhares de pessoas.
Sem falar na estupenda dor desses abandonados no trajeto longo e torturante para o aleijume ou para a morte.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:20 AM
by Cassiano Leonel Drum
Diplomacia
Lula encontra o ditador líbio
Presidente brasileiro deu um caloroso aperto de mão em Muamar Kadafi, que tomou o poder com um golpe em 1969 (foto Antonio Milena, ABR/ZH)
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Terça-feira, Dezembro 09, 2003
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10:35 PM
by Cassiano Leonel Drum
JAMAIS PERMITA
Jamais permita que algum homem te escravize, você nasceu livre para amar, e não para ser escrava.
Jamais permita que o teu coração sofra em nome do amor, amar é um ato de felicidade, por que sofrer?
Jamais permita que teus olhos derramem lágrimas, por alguém que nunca te fará sorrir!
Jamais permita que teu corpo seja usado, saiba que o teu corpo é a moradia do espírito,por que mantê-lo aprisionado?
Jamais permita ficar horas esperando por alguém, que nunca virá, mesmo tendo prometido!
Jamais permita que o teu nome seja pronunciado em vão por um homem que nem sabe se tem nome!
Jamais permita que o teu tempo seja desperdiçado, por alguém que nunca terá tempo para você!
Jamais permita ouvir gritos em teus ouvidos, o amor é o único que pode falar mais alto!
Jamais permita que paixões desenfreadas, tirem você de um mundo real, para outro que nunca existiu!
Jamais permita que os outros sonhos se misturem aos seus, fazendo-os virar um grande pesadelo!
Jamais acredite que alguém possa voltar, quando nunca esteve presente!
Jamais permita emprestar teu útero, para gerar um filho que nunca terá um pai!
Jamais permita viver na dependência de um homem, fazendo crer que você nasceu inválida!
Jamais permita que você fique linda e maravilhosa, para esperar um homem que não tenha olhos para te admirar!
Jamais permita que teus pés caminhem em direção de um homem, que só vive fugindo de você!
Jamais permita que a dor, que a tristeza, que a solidão, que o ódio,que o ressentimento, que o ciúme, que o remorso, e tudo que possa tirar o brilho dos teus olhos,fazendo enfraquecer a força que existe dentro de você!
Jamais permita que você mesma perca a dignidade de ser MULHER!!!
Nelson Araújo
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10:31 PM
by Cassiano Leonel Drum
AMOR VIRTUAL
Que haja sempre magia em nosso amor:
que nosso quarto seja sempre, e onde for,
um templo e nosso encontro um ritual.
Que nossos beijos sejam sempre apaixonados
e o calor do desejo em nossos corpos
tão sagrado quanto o fogo que alimenta nossas vidas fundidas na emoção.
Que o teu olhar reflita eternamente
a luz do meu olhar
e em meu coração ecoe para sempre
o teu pulsar.
Que sempre, depois de consumado o rito
e entrelaçados trocamos carinhos com calma, sejam os nossos braços aconchegante
ninho onde repousam, felizes,
as nossas almas.
"Para quem já está está amando.
Mas se você ainda não estiver, não se apresse nem se aflija na busca...
é o amor que nos encontra!"
Marisa Zanirato
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6:54 AM
by Cassiano Leonel Drum
Corra ou vai perder a festa
A venda antecipada por destinos no Natal e no Ano Novo é a maior dos últimos cinco anos. O DIA dá dicas de lugares onde ainda há vaga para se divertir
Os cruzeiros, como o da Costa, estão com uma programação especial
Para quem ainda está planejando passar as festas de fim de ano longe de casa, é melhor correr. Hotéis, pousadas e navios de todas as partes do Brasil já estão praticamente lotados e quase não pacotes disponíveis para esta época. Segundo a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), o momento para o setor hoteleiro é o melhor dos últimos cinco anos, principalmente nas capitais do litoral, como Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador e Natal.
O turismo viveu dias ruins, principalmente após o atentado ao World Trade Center. O Brasil também passou por crises e muitas agências fecharam. Agora o setor renasceu, revelou Carlos Alberto Amorim Ferreira, presidente da Abav.
As grandes vedetes dessa alta temporada são os resorts, cruzeiros pela costa brasileira e Argentina considerado um país bom e barato. Já a procura por pacotes para os Estados Unidos despencou 35%, principalmente depois que o país impôs restrições de visto de entrada ao turista. Por esse motivo, o brasileiro tem optado por lugares alternativos fora do Brasil, como Aruba e Cancun.
Para Régis Paiva, 44 anos, diretor de um site que organiza cruzeiros, as vendas estão a todo vapor e devem ficar ainda melhor. Com a baixa do dólar, as pessoas estão preferindo comprar logo em vez de esperar. Esse ano houve uma venda antecipada muito grande. Quem quiser aproveitar vai ter que ser rápido, lembrou. No Rio, hotéis da Zona Sul também estão encerrando suas reservas. Em Copacabana, é quase impossível conseguir um quarto.
Mas ainda resta algum tempo para planejar o Natal e Reveillon. E as opções são variadas, tanto para quem deseja descansar, aproveitar com a família na Serra ou se divertir em alguma praia da costa brasileira. Uma grande pedida são os spas que cada vez mais oferecem atividades variadas nesta época. Em vez das calóricas ceias, muitos turistas têm optado por comidas leves, ginásticas e tratamentos rejuvenescedores. O Spa Petit Village, em Itaipava, é um dos que investem em saúde e boa forma como atrativos que vão além do controle alimentar. O visitante pode desfrutar de caminhadas, salas de jogos e leitura, karaokê e outras atividades.
Ainda na serra, em Nova Friburgo, o Hotel Buscky mantém a tradicional noite de Natal. Além de degustarem uma ceia européia, os hóspedes ainda receberão visita do Papai Noel e poderão desfrutar de música ao vivo, recreação infantil e entretenimento para jovens e adultos. O hotel ainda prepara para o Réveillon queima de fogos e jantar com 30 variedades de comidas.
Para aquele que almeja estar em alto mar quando 2004 chegar, ainda há chances de conseguir um cruzeiro. O navio Costa Tropicale, que sairá do porto do Rio dia 22 para o Natal e 28 para o Réveillon, passará por Santos, Búzios, Ilha Bela, Porto Belo e Maceió, sempre oferecendo grande estrutura, muito entretenimento e conforto aos tripulantes.
E quem quer sair do País, ainda há pacotes principalmente para Nova York, Disney e Aruba. Segundo as agências de viagens, com paciência o turista ainda encontra outras opções. Mas é bom correr!
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6:47 AM
by Cassiano Leonel Drum
Artesanato de presente
Lojas do Rio decidem apostar na venda de produtos feitos à mão para aumentar as vendas de fim de ano
Silvana Caminiti
Com a economia ainda sem dar o espetáculo da recuperação esperado por todos, esse deve ser mais um Natal em que os consumidores estarão em busca de presentes mais baratos, mas com qualidade. Nada melhor, para o lojista, que investir em produtos artesanais para garantir as vendas. Além de preços mais acessíveis, esse tipo de artigo tem ainda outra importante vantagem: exclusividade. Isso porque, como são feitos um a um, um produto artesanal nunca é idêntico a outro, mesmo que pertença à mesma linha de produção.
Um dos empresários que resolveu apostar na venda de artigos feitos à mão neste fim de ano foi Felipe Ribeiro Vilhena, que montou um quiosque em um dos corredores do Shopping Tijuca, só com esse tipo de produto. Minha família já possui uma loja no mesmo centro comercial, de acessórios femininos e bijuterias, e montamos o quiosque depois de estudar o mercado e perceber que a opção de presentes mais baratos e criativos é o que o consumidor está procurando, comenta Vilhena, que colocou o nome do quiosque de Sauer.
Sua sócia no empreendimento, Claudia Alexandra Silva Campos, lembra que o fato de o negócio estar localizado em um corredor de shopping também ajuda a aumentar as vendas, já que nesta época, mais do que nunca, as compras são feitas por impulso. Procuramos manter um mix bem diversificado, com opções de presentes para crianças e adultos, além de artigos para decoração. A receptividade do público tem sido tão boa que já estamos pensando em manter o quiosque, mesmo depois da época das festas de final de ano, já que, no início, a idéia era manter o negócio apenas neste período, para aproveitar o Natal, comenta Claudia.
Quiosque Sauer: (21) 3983-6133
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6:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Socorro! O peru do Bush é de plástico!
Buemba! Buemba! Buemba! Macaco Simão urgente! O braço armado da gandaia nacional. Direto da República da Língua Plesa! E diz que lá no Rio tá pintando uma goleada homérica: Bangu 3 X Garotinho 0! E socorro! Cuidado! Todos para o abrigo! O peru do Bush é de mentirinha. Olha a notícia: "O fantástico peru assado com que o Bush foi fotografado durante sua visita relâmpago no Iraque era enfeite de bufê". O mundo caiu no conto do peru. O peru do Iraque era de ARAQUE!
Diz que o peru era de plástico. Mas como disse uma amiga minha: peru de plástico é vibrador! Era tipo peru de programa de televisão. Acho que ele pegou emprestado o peru da Ana Maria Braga! Ou seja, o peru do Bush é falso. Deve ter sido preparado pela mesma equipe que afirmava que tinha armas químicas no Iraque! O peru era enganação. Aliás, o Bush é enganação!
Lulinhas Aéreas! Continua o Quibetur! O Circuito Habib's do Lula. Aliás, avisa pro Lula que charutinho de uva é pra comer, não pra fumar! E já imaginou a manchete? Lula fuma charutinho de uva! E o Zé Alencar continua falando de juros: "JURO que da próxima vez quem viaja sou eu". Rarará! E sabe por que o Lula não levou a Heloísa Helena? Pra não começar uma Intifada. Ela só sabe atirar pedra! Rarará!
E como me perguntou aquele amigo de Piracicaba: "Quer dizer que o peru do Bush é falso? Alguém pode me dizer o que tem de verdadeiro nessa Guerra do Iraque? Tô começando a achar que o Saddam não existe". O Saddam é enfeite de bufê! E, com essa maluquice toda, eu vou acabar virando assessor da ONU. E esta outra notícia aqui: "EUA condenam menino de oito anos por delitos sexuais". Ou seja, quando crescer vai virar um Michael Jackson? Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
Antitucanês Reloaded, a Missão! Continuo com a minha cruzada patriótica Morte ao Tucanês. Acabo de receber mais dois exemplos irados de antitucanês. É que em Manaus tem uma loja de escapamentos chamada Gambá Escapamentos. Rarará! E, em Belo Horizonte, tem um motel chamado Motel Traição, aqui você trai, aqui você paga. Rarará! Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção! Cartilha do Lula. Mais dois verbetes do óbvio lulante. "Gafe": companheiro chegado a uma gafieira. "Mijadra": mistura de arroz com lentilha à moda árabe e não o que os companheiros estão pensando. Rarará! O lulês é mais fácil que o turquês. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje, só amanhã.
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno.
UFA!
simao@uol.com.br
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6:42 AM
by Cassiano Leonel Drum
Liberato Vieira da Cunha
09/12/2003
Escrever é perigoso
Inventei de criticar as mulheres americanas em geral e as nova-iorquinas em particular aqui neste espaço, na última terça. Pra quê? Desabou instantaneamente sobre mim a sagrada, eletrônica ira de um grupo feminista, pitoresca e antiga seita que eu julgava extinta desde o falecido século 20.
Escrever é perigoso. Não faz muito cometi um pecado capital: perpetrei uma crônica que eu supunha construída de fina, transparente ironia. Sem querer mexi numa abelheira: as pessoas tomaram ao pé da letra o que era apenas um inocente exercício de bom humor. Nem assim aprendi a lição: não é que incorri em outro reprovável deslize? Desta vez derrapei na generalização.
Perdão, leitoras. É evidente que nem todas as nova-iorquinas andam péssimas, como temerariamente afirmei na semana passada. É claro que o romance não desertou do universo, como cheguei a sugerir. Eu sequer teria aliás me aventurado por tão melindrosos temas se houvesse lembrado de uma simples, doce visão.
Como em idas incursões a Manhattan, boa porção de meu tempo foi dedicada agora às livrarias. Trata-se de uma espécie recorrente de compulsão, de que não tenho a menor esperança de cura. Estava uma tarde de novembro na Barnes&Noble de Union Square à procura da edição em inglês da melhor das biografias de Scott Fitzgerald, a que foi escrita, curiosamente, por um francês, André Le Vot.
- Não tem mais. Aquela moça levou - disse a vendedora. E me apontou a doce visão.
Parecia extraviada ou de um sonho, ou de um capítulo inédito de Suave É a Noite. Era jovem, esguia, dona de uns traços delicados, cabelos loiros, incendiados naquele instante pelo sol de outono.
Não era para o meu bico, de modo que peguei o rumo da Strand, onde voltei a pedir a melhor das biografias de Scott Fitzgerald.
- Acabou. Aquela moça que está saindo comprou o volume que restava - disse a vendedora. E me apontou a mesmíssima, doce visão.
Não era apenas bela, era também elegante. Usava um vestido de soirée - ia talvez a um coquetel. Usava um jeito antigo que as mulheres tinham para se tornarem fascinantes e irresistíveis, do anel com um mínimo brilhante às meias de costura aparente.
Corri até a porta, mas quando cheguei ela tinha desaparecido, feito a Era do Jazz, feito os dois lados do Paraíso.
Nunca mais a vi. Não encontrei a melhor das biografias de Scott Fitzgerald. Caiu uma chuva inesperada e gélida naquele entardecer.
E eu comecei a achar todas as mulheres de Nova York, todas as mulheres da América incrivelmente, irremediavelmente feias.
liberato.vieira@zerohora.com.br
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6:41 AM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
09/12/2003
Otimismo e pessimismo
Em Candide ou l'Optimisme, Voltaire fala de um personagem que acreditava viver "no melhor dos mundos possíveis". Ou seja: o otimista congênito. Mas há pessoas que são incuravelmente pessimistas, o caso de uma faxineira que tivemos. Quando contei a ela que pretendia construir uma churrasqueira, sua resposta foi: "Ih, vai encher a casa de cinza".
Essas duas maneiras de ver a realidade estão presentes agora no Brasil. De um lado temos aqueles que, como o ministro Palocci, sustentam que aqui só é pessimista quem quer: o Risco Brasil diminuiu, a bolsa está em alta, a taxa de juros caiu. Mas, dizem outros, o PIB não cresceu, o desemprego continua aí, falta dinheiro para investimento público. É aquela história de olhar o copo d'água e vê-lo meio cheio, meio vazio.
Mas existem números, sim, que permitem otimismo. E esses números são os indicadores de saúde. Semana passada foram divulgados os dados referentes à expectativa de vida do brasileiro, que é agora de 71 anos para ambos os sexos (75 anos para mulheres, 67 anos para homens: as mulheres, sexo supostamente frágil, vivem mais). Verdade, há 87 países com expectativa de vida maior, incluindo Cuba, Argentina, Venezuela e Colômbia.
Mas o importante é que a expectativa de vida no Brasil vem crescendo de forma consistente, e há muito tempo: em 1910 era de 33 anos para homens e 34 anos para mulheres. Esse crescimento não é automático; na Rússia, no auge da crise econômica, a expectativa de vida chegou a diminuir, e bastante. Uma das razões para o aumento da expectativa de vida é a diminuição da mortalidade infantil, o que também é uma excelente notícia.
Em suma: estamos vivendo mais. Se estamos vivendo melhor é mais difícil de dizer. O importante é identificar o potencial de progresso, não com o ingênuo otimismo do personagem de Voltaire nem com o pessimismo da faxineira que via cinzas por toda parte. O copo está meio cheio ou meio vazio? Depende de como estava antes. Se estava vazio, e agora contém água, então está meio cheio. Se estava cheio e perdeu água, está meio vazio. Elementar, não é? Já não tão elementar é descobrir os mecanismos que enchem e esvaziam copos (e pratos, e panelas). Depois de olhar os números, esse é o segundo, e mais importante, passo.
scliar@zerohora.com.br
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6:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
09/12/2003
Um IPVA esperto
A gritaria é geral contra o IPVA que foi lançado sobre os contribuintes que são proprietários de veículos.
Ora por lançamento exagerado de tributos, ora porque o valor dos carros usados foram superestimados pela Fazenda estadual, sendo quase unânime entre os contribuintes que ninguém lhes paga no mercado o valor do veículo sobre o qual o imposto foi calculado em 3%.
Da parte da Secretaria da Fazenda estadual, nenhuma palavra, quando o civilizado seria que viesse a público o senhor secretário para dirimir as dúvidas dos cidadãos e indicar o modo de como eles obteriam melhores informações, com a finalidade de não continuarem a se considerar lesados.
Uma das características fiscais mais salientes é a prepotência. Quem achar que seu imposto é indevido, que recorra à Justiça. Como recorrer à Justiça, na maioria das vezes, custa mais caro que o imposto excessivo, a grande massa de contribuintes vai lá e paga.
E, com essa dificuldade das pessoas para defenderem-se de seus direitos violados, lucra o erário.
Uma violência.
Por que em nenhum caso o valor estimado pela Fazenda estadual para o carro usado é menor do que o valor de mercado?
Por que sempre, invariavelmente sempre, o valor de mercado estipulado para sobre ele incidir o imposto é sempre superestimado?
Aí reside claramente a prepotência fiscal, igualzinha àquela que taxa o ICMS para a gasolina por um valor presumido acima do que os donos dos postos cobram, em sua grande maioria, pelo seu produto.
Num país em que são declarados os direitos dos cidadãos mas não há meios razoáveis para que eles possam defender-se dos exageros fiscais, valendo-se disso os governos para impor suas derramas, não é bem uma democracia o regime que vigora.
O que deveria existir, houvesse respeito aos contribuintes, era um juízo arbitral administrativo a quem os contribuintes recorressem para sanar esse tipo de excesso que está marcando ecoantemente esta cobrança do IPVA de 2004. Uma espécie de agência esclarecedora sobre o mérito da cobrança. Se ela fosse excessiva, caso claro deste IPVA que foi lançado, a agência autorizaria o contribuinte a recolher o valor que ela indicasse como sendo o verdadeiro.
E depois que vencesse o prazo de recolhimento do imposto, se a repartição fiscal entendesse que tinha sido prejudicada, recorreria à Justiça para ver reparado seu ônus.
Assim como as coisas se mostram no Brasil, o ônus de provar que está sendo vítima de uma prepotência fiscal é do contribuinte.
E como a maioria dos contribuintes não tem condições financeiras para contratar advogados, sendo impensável que a defensoria pública, nos moldes estrangulados de falta de pessoal em que está atualmente funcionando, possa atender a uma tal demanda das multidões, se instala entre o Fisco e o contribuinte uma relação de gato com rato, em que a força do Estado predomina sobre seus cidadãos.
E a grande vantagem discricionária que a Fazenda exerce sobre os contribuintes, da qual se vale clara e deploravelmente, são os prazos.
O contribuinte tem prazo para recolher o imposto com desconto, assim como vai correndo o prazo para que ele não se torne inadimplente, custando-lhe mais caro ainda o imposto extorsivo, caso ele se recuse a pagá-lo.
Eu sei que há lei dispondo sobre o trancamento de prazos, quando o lançamento do imposto for indevido.
Só que para isso é preciso entrar na Justiça. E entrar na Justiça custa tão caro hoje e é tão complicado que o contribuinte desiste e paga o imposto selvagem.
O roedor à inteira mercê do felino.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Turismo nas pirâmides
No Egito, o presidente Lula e dona Marisa foram conhecer as Pirâmides de Gizé, emolduradas pela Lua (foto Antonio Milena, ABR/ZH)
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Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
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9:49 PM
by Cassiano Leonel Drum
PAGANDO O PREÇO
Quantos passos dei em direção oposta
Ao caminho que apontava o coração!
Quantas ausências, quanta solidão
Põem-me ao sofrer agora tão exposta!
Estou perdida hoje da canção
Que me cantavas como quem aposta
Que não existe aquilo que desgosta,
Que não fenecem flores de ilusão.
Hoje não ouço mais os teus chamados
Nem os teus passos mansos, delicados
Vindo inocentes para o meu afago
Como me imponho perdas nesta vida!
Esta saudade imensa e dolorida
Mal simboliza o preço que hoje pago.
Silvia Schmidt
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9:02 PM
by Cassiano Leonel Drum
Rodar a baiana pode até ser chique
Há um momento em que algo incomoda tanto, mas tanto, que, de repente, sem pensar nas conseqüências, a vontade é de botar a boca no mundo e armar o maior barraco. (Até quando fazem perguntas e nao deixam endereços para respostas).
Há momentos em que este tipo de atitude é perfeitamente aceitável no que se refere ao comportamento. Principalmente quando quem errou primeiro, quem foi mal educado e deselegante foi a outra parte.
Não se trata de pagar na mesma moeda mas, quando os outros ultrapassam seus limites, invadem nosso território ou simplesmente abusam da nossa paciência, é o caso de mostrar, sim, de maneira mais radical, o quanto isto é inaceitável.
· Você está com seu namorado(a) ou marido e outra pessoa dá em cima de seu amor descarada e ostensivamente. Na primeira vez você finge que não ouviu. Na segunda, olha muito feio. Mas, na terceira¿
· Você espera há meia hora no bar do restaurante, tentando driblar a fome com amendoins japoneses, quando vê o maitre saudar efusivamente um casal que acabou de entrar e encaminhá-los sem titubear para uma mesa recém desocupada. Dá pra ficar calminho!?
· Bêbados. Ocasionais ou não, exigem sempre medidas drásticas.
· Prepotência - não há nada pior: aquelas pessoas que acham que podem tudo e fazem a linha " Você sabe com quem está falando?"
E, como não tem uma boa compreensão das relações humanas, normalmente, acabam atendendo apenas no grito - fazer o que?
· Você esperou mais de quinze minutos por aquela vaga no estacionamento e, quando vai dar ré, chega um apressadinho "ishpérto" por trás e embica antes de você¿ Dá pra deixar barato?
· O namoro está ótimo: vocês se dão lindamente, a paixão flui legal, os dois são super companheiros etc. Aí, um dia, sem mais nem menos, seu amor pede "um tempo para pensar". Pode ser pior?
Nestes e, em tantos outros momentos, é impossível manter a calma.
Na verdade, reações assim só se justificam como uma resposta a algum abuso. O fato de fazer valer nossos direitos, colocar claramente o que pensamos, mostrarmos emfim, que não temos sangue de barata. Ao contrário: se conseguirmos, além de expressar nossa indignação faze-lo com uma certa classe, sem perder a compostura, conquistaremos o respeito de quem provocou as crise e, certamente, a simpatia dos demais presentes.
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6:51 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lá vem o sol...
Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, é importante que as pessoas protejam a pele dos raios ultravioleta, principalmente nesta temporada em que o sol brilha mais forte e impera em nosso clima tropical. Os efeitos dos raios solares são cumulativos, portanto, as crianças freqüentemente expostas ao sol, vão sentir as conseqüências desta exposição quando atingirem a idade adulta, com alterações na pele. O Brasil está situado numa região (geograficamente) de alta incidência de raio ultra violeta ( RUV), por isso fica fácil entender porque o câncer de pele é tão freqüente. Segundo o Ministério da Saúde, o câncer de pele é o tumor que aparece com mais freqüência nos indivíduos adultos.
O uso diário do filtro solar é uma maneira segura e eficaz de prevenir-se do câncer de pele. Há dois tipos de filtros solares: físicos ou químicos. Os filtros físicos (ou inorgânicos) são capazes de refletir e dispersar a energia da luz, promovendo uma barreira física às radiações UVA, UVB e infravermelho visível. Os filtros físicos refletem e espalham a luz UV, formando um filme protetor à pele que impede a ação dos raios ultravioleta. São os menos irritantes à pele. Indicado para peles sensíveis e para bebês acima de 6 meses. Já os filtros químicos (ou orgânicos) absorvem as radiações que provocam a vermelhidão, a dor, o calor e que atingem as camadas mais profundas da pele.
"Um bom fotoprotetor é aquele que apresenta os dois tipos de filtro, físico e químico, conseguindo desta forma uma proteção à radiação de amplo espectro", explica Regina Stela Schaefer Guedes, bioquímica, farmacêutica e diretora de desenvolvimento da linha de produtos cosmecêuticos do Laboratório Hoffmam.
"A conscientização da população em relação à necessidade do uso diário de fotoprotetor, independentemente da estação do ano ou da exposição solar, será um grande passo para a redução da alta incidência de danos causados à pele. Danos esses as vezes irreversíveis, como no caso de tumores de pele, ou danos não tão graves, mas também de importância, como o envelhecimento precoce da pele (fotoenvelhecimento)", esclarece Regina. A seguir, Regina dá algumas dicas. Confira.
Aplicar fotoprotetor diariamente, independentemente da exposição solar.
Escolher o fotoprotetor adequado, dependendo do fototipo (pele clara ou escura) e do tipo de pele (oleosa - uso de gel e pele ressecada ou normal - uso de loção ou creme ). A American Academy of Dermatology preconiza que o fator de proteção solar deve ser entre 15 e 30.
Aplicar 20 minutos antes de sair ao sol. Reaplicar a cada 2 horas. Se nadar ou transpirar reaplicar logo após, principalmente se o fotoprotetor for a base de gel. Observar sempre se o fotoprotetor é à prova dágua (significa que a pessoa pode ficar até 40 minutos na água e ainda o produto mantém o efeito fotoprotetor) ou resistente a água (significa que a pessoa pode ficar até 20 minutos na água, sem perder a fotoproteção). Lembrar que os raios UV penetram na água até aproximadamente 90 cm.
Aplicar na pele uma quantidade de filtro de 2 gramas por centímetro quadrado (2g/cm2), pois o valor do FPS é determinado a partir de testes de eficácia in vivo, utilizando estas quantidades. Por exemplo: se um filtro rotulado com FPS 25, com aplicação de 1,3g/cm2, o FPS médio fica em 9,6.
Proteger também áreas freqüentemente esquecidas, como ponta das orelhas, lábios, peito dos pés e mãos.
Utilizar camiseta, chapéu e óculos escuros (prevenção inclusive de catarata).
Bebês até seis meses não devem fazer uso de filtros solares, a menos que estejam sob restrita prescrição médica.
Preferir horário para exposição solar antes das 10h e após 16h.
Bebês acima de 6 meses e crianças não devem usar produtos que contenham alta concentração de filtros químicos, pois estes podem causar dermatite de contato irritante. Prefira produtos com filtros físicos.
Pessoas com pele acnéica devem preferir fotoprotetores formulados em base de gel. Lembrar que estes filtros não são à prova dágua.
Para peles maduras (acima de 30 anos) deve-se escolher produtos formulados com ativos anti radicais-livres e hidratantes, além do filtro solar.
Evitar bronzeamento artificial (principalmente UVA).
Regina Stela Schaefer Guedes, bioquímica e farmacêutica
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6:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
Carequinha
Herval Silveira raspou a cabeça para ser o protagonista do musical A Terra dos Meninos Pelados
Herval em Suave Veneno, de 99
O botafoguense Herval Silveira, de 11 anos, anda satisfeito. Mas não é pelo vice-campeonato da série B, que levou seu time de volta à primeira divisão do Campeonato Brasileiro. O garoto foi escolhido entre 200 candidatos para ser Raimundo, o protagonista do musical infantil A Terra dos Meninos Pelados, que será exibido pela Globo a partir do dia 21, em quatro episódios semanais às 13h. Além disso, Herval ultimamente tem se interessado mais pelo vôlei do que por futebol.
Aos seis anos, quando passei no primeiro teste para a TV, para fazer a novela Suave Veneno, eu queria ser jogador de futebol. Mas agora estou achando chato, conta o ator, que também fez participação na minissérie Os Maias.
Toda a história começou quando o garoto foi chamado para fazer a propaganda da própria escola. Ele gostou tanto de ser reconhecido pelos amigos, que pediu à mãe para ingressar na carreira artística. Passei em todos os testes de propaganda que fiz de cara, gaba-se. Agora, com o primeiro protagonista, ele tem que usar uma lente de contato azul seu personagem tem um olho de cada cor e raspou a cabeça. Avisei à minha professora que chegaria careca. Ela pediu que ninguém encarnasse em mim, conta o menino, que volta e meia tem problemas com a lente. Dobra, entra atrás do olho. Mas estou me acostumando, garante.
Ser careca não é o primeiro motivo pelo qual os colegas de turma poderiam encarnar em Herval. Baixinho, ele sempre teve que ouvir os meninos o chamando de salva-vidas de aquário e segurança de formigueiro. Sou o menor da turma, conforma-se. Ficava chateado. Mas brigar para quê?, diz, maduro. É também entre os novos amigos da produção que ele mostra a maturidade. Já virou piada nos bastidores chamar Herval por outros nomes. É Etevaldo, Heraldo, Durval, exemplifica. Para ele, tudo bem. Um de seus maiores objetivos já foi alcançado. Queria ser protagonista, afirma.
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6:31 AM
by Cassiano Leonel Drum
De braços abertos
Roberto Carlos seduz platéia que lotou o Maracanãzinho em show que vai virar especial de TV
Eusébio Galvão
No embalo do lançamento do disco de inéditas Pra Sempre, sábado, no Maracanãzinho, Roberto Carlos recebeu os fãs com sorriso e braços abertos . O espetáculo, gravado para virar o especial de fim de ano do cantor na Rede Globo, foi um prato cheio para quem estava no ginásio. Banda afiada, voz aveludada e 21 canções do Rei, participação do amigo de fé Erasmo Carlos. Tudo nos conformes.
É verdade que o atraso de quase uma hora deixou muita gente ansiosa. Todas vez em que as luzes eram testadas, a platéia respondia com urros ao que imaginava ser o começo do show, marcado para 21h30. Como Roberto Carlos assumidamente tem problemas com horário, a espera durou um pouco. Às 22h27, os músicos entraram no palco e tomaram seus lugares. Sete minutos depois o maestro Eduardo Lages começou a reger o pot-pourri de abertura do espetáculo. E às 22h39 surgiu Roberto Carlos, calça, camisa e paletó brancos.
Se alguém esboçava qualquer traço de mau-humor pela espera, ele tratou de abrir os trabalhos com Emoções, enquanto o telão atrás do palco exibia imagens da Cidade Maravilhosa. Que prazer rever vocês, Rio de Janeiro, depois de um longo tempo, aqui no Maracanãzinho. Muito obrigado por tudo. Gostaria de dizer muita coisa nesse começo de show, mas com palavras, não sei dizer, brincou citando a letra de Como é Grande o Meu Amor Por Você, cantada em seguida.
Enfileirou em seguida Eu te Amo, Eu te Amo, Eu te Amo e Amor Perfeito e o Maracanãzinho já estava entregue. Um banquinho surgiu, um violão também e o silêncio. Desculpem a demora, mas isso é um programa de televisão, pediu o Rei, enquanto aguardava a ordem para seguir. A pequena espera valeu assim que começaram os acordes de Detalhes.
Com a introdução matadora, Roberto Carlos se sentiu à vontade para começar a mostrar as novidades. A primeira foi O Cadillac, música mais rock do último disco, que contou com inspirado solo de gaita de Milton Guedes. Roberto já tinha todo mundo no bolso e provou comandando o lá lá lá da platéia em Algum Lugar Bonito. Depois, foi a vez de um pequeno discurso em favor da humanidade. Dizem que o homem é o culpado de tudo.
Mas que bobagem achar que ele é um pecador. Pecado na verdade é fazer mal aos outros. Mas um pecadinho... O ser humano é maravilhoso, só não somos perfeitos¿, pregou. Enquanto isso, parte da platéia da arquibancada protestava. Não contra Roberto, mas contra o volume. O coro de ¿aumenta o som não foi atendido provavelmente porque a gravação para TV impunha algumas restrições. Então, Seres Humanos rolou na mesma altura que o resto.
¿Vocês sabem que que isso é um programa de TV. De vez em quando tem que resolver algumas coisas. Vamos dar uma paradinha¿, avisou Roberto. A pausa de 15 minutos serviu para o povo esticar as pernas, beber alguma coisa. E todo mundo se alvoroçou outra vez com o anúncio da presença do meu amigo Erasmo Carlos. É Preciso Saber Viver teve o refrão berrado pelo ginásio. Para mim, é um privilégio estar com meu amigo que, na minha opinião, é o maior homem que eu conheço, afagou Erasmo. Quer me fazer chorar, devolveu Roberto. O anfitrião deixou o palco livre para que o amigo agitasse todo mundo com Mesmo que Seja Eu e Pega na Mentira.
Roberto Carlos ainda fez uma pequena viagem pelo romantismo de épocas diferentes. Nos anos 60 usávamos formas simples para falar de amor, contou antes de E Por Isso Estou aqui, que precedeu Proposta. E se o assunto era amor, Maria Rita, lógico, não poderia ser esquecida. Eu Te Amo Tanto com direito a foto do casal no telão e Amor Sem Limite homenagearam a amada, antes que as rosas vermelhas e brancas começassem a ser distribuídas em Jesus Cristo.
Depois de duas horas e meia, Roberto Carlos acenou para o povo, saiu de fininho e deixou um gosto de quero mais. Não teve Amigo, Eu Sou Terrível, Cavalgada... São emoções de mais para caber num show só.
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6:24 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
08/12/2003
Com e sem culpa
O papa Pio XII e a alta hierarquia do Vaticano durante a II Guerra Mundial são os vilões mais evidentes do Amem, do Costa-Gavras, mas o filme faz referências passageiras a outros pecados, por ação ou omissão, da Igreja de Roma e da Europa cristã contra os judeus, e a outras culpas. Alguém comenta, no filme, que a política racial nazista é só uma metodização da perseguição secular aos judeus na Europa - ou algo neste sentido - e que os antecedentes históricos diretos dos fornos crematórios de Hitler são as fogueiras da Inquisição.
A verdade é que um grande conluio de hipocrisias recebeu a ascensão do nazismo, quando os pruridos da maioria, inclusive da Igreja, se renderam à realpolitik. Existe até um nome alemão (existe um nome em alemão para tudo) para a "guerra de mentira", ou a primeira fase da expansão militar nazista, tolerada, apesar da antipatia geral com os rudes métodos hitlerianos, porque o fascismo era uma alternativa conveniente para o comunismo ameaçador.
O anti-semitismo era uma constante histórica na França e no Leste Europeu. Era grande a admiração por Hitler em alguns membros da família real e na aristocracia inglesas. Quando os americanos entraram na guerra, muitos soldados morreram pela democracia (em tropas em que não serviam negros) cujos sobrenomes judeus lhes impediriam de ser aceitos em clubes e até em alguns hotéis nos Estados Unidos.
Uma espécie de apoteose da hipocrisia, claro, foi o pacto do próprio Stálin com Hitler, responsável pela desilusão de comunistas no mundo todo, quando ainda não se tinha notícia do terror stalinista dentro da União Soviética. Não foi o melhor momento de ninguém.
No fim, pode-se até dizer que Costa-Gavras foi injusto, selecionando a perfídia papal entre tantas outras para o seu ótimo panfleto. Mas a intenção era contrastar a duplicidade do Príncipe com a simples humanidade do padre que se auto-imola, sacrificando-se não apenas pelos judeus mas pelo verdadeiro cristianismo. Que estava na solidariedade e na ajuda aos perseguidos e não nos salões dourados, e nas razões de Estado, da Igreja.
Gostei de As Invasões Bárbaras como todo o mundo mas acho que se deve ver o filme como se ele também fosse produzido por Sebastien, o filho rico que proporciona ao pai uma boa morte, cercando-o de ex-namoradas e velhos amigos, relíquias, como ele, dos anos 60, num réquiem auto-indulgente por ilusões perdidas e ideologias mortas.
Sebastien, um dos mestres do novo universo do dinheiro sem culpa que compra atendimento médico privilegiado para o pai do caótico serviço público canadense e de um sindicato corrupto (outras utopias falidas), produziria um filme sobre o evento com exatamente este tom, entre o celebratório do poder do dinheiro e o elegíaco de divertidas vidas anacrônicas. Um filme condescendente, feito pelos bárbaros. O que não significa que fosse menos afetuoso. Sua epígrafe poderia ser a frase do Millôr: dinheiro compra até amor sincero.
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6:22 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
08/12/2003
Grave fim de ano
Silenciosamente, o Natal e o Ano-Novo se aproximam sem entusiasmo por parte dos brasileiros.
Há muita gente desempregada e os que estão empregados sofrem na carne, com exceções honrosas, salários menores em face até mesmo do desemprego, que traz consigo a natural conseqüência de aviltar os ganhos dos que estão empregados.
Quem esperava - e será que alguém esperava? - que no governo Lula os impostos fossem baixar ou deixar de serem aumentados teve uma desilusão profunda.
Ficaram iguais ou maiores os impostos. E diminuíram os descontos que beneficiam os contribuintes, caso da tabela do imposto de renda, que permaneceu congelada. Mais o arrocho da Cofins.
Por sinal, o desânimo dos brasileiros se localiza surdamente na convicção geral de que o governo Lula é igual a todos os outros governos.
Pensava-se que Lula poderia fazer uma revolução, mas ele optou apenas por tornar o seu governo viável, prometendo crescimento e empregos só para o ano que vem.
Como ele tinha prometido crescimento e empregos na campanha eleitoral, não os atingindo em 2003, quem garante que os atingirá em 2004? Ainda mais com essa crise bárbara que se instalou no país, em que o corte de gastos do governo chegou ao ponto de desligarem a luz no Itamaraty e de quase paralisar as atividades da Polícia Federal por total precariedade dos recursos para manter sua dinâmica.
Outra esperança do povo em Lula era na segurança pública. Nada, absolutamente nada foi feito.
Cresce a criminalidade em proporções assustadoras e em contrapartida, ou até mesmo também por isso, agrava-se até o colapso a questão penitenciária.
De uma parte há um clamor pelo agravamento das penas e pela antecipação da maioridade penal, só que nenhuma das vozes que brandem as reivindicações indicam em que lugar serão colocados os novos presos que serão atingidos pelo ansiado rigor, se não há lugar nem para os presos da lei atual, tão criticada por ser considerada benévola.
Acredita-se que seja promissora essa visita do presidente Lula aos países árabes.
Mas é indisfarçável, embora tácito, o sentimento de que Lula viaja para o Exterior porque não está encontrando solução para os problemas de dentro do Brasil.
O que os homens destacados do PT que cercam Lula têm se esforçado para explicar aos brasileiros é que ninguém pode fazer milagre em tão pouco tempo.
Ou seja, aí é que se vê que o governo Lula é igual a todos os outros: pede que apertemos os cintos, acenando com melhoras para o futuro.
Quando na verdade o futuro será trágico, se não resolvermos depressa o nosso presente.
Como não cessam as pessoas de nascer e cada vez mais aumenta o desemprego, nem medidas de futuro nem de presente são tomadas.
Todo governo é feito para resolver problemas do presente.
Numa hora de arrocho como esta, futuro é coisa que pertence a cartomante.
Num ano tão difícil e tão amargo para o Grêmio, ter sido concedido que ele decida a sua fuga ao rebaixamento mediante uma vitória apenas contra o Corinthians, aqui no Olímpico, chega a soar como uma bênção e um privilégio.
Eu cheguei a pensar que não íamos até lá.
Agora é ganhar no domingo e espantar este pesadelo.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:20 AM
by Cassiano Leonel Drum
Litoral
Na onda do verão
Sol e pouco vento no litoral atraíram veranistas que aproveitaram as condições do mar para surfar e iniciar o bronzeado, como em Imbé (foto Robinson Estrásulas/ZH)
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