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Sábado, Dezembro 20, 2003
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3:59 PM
by Cassiano Leonel Drum
Quando começamos a crer
Ariel Kostman
A constatação é científica. A fé trouxe a humanidade até os dias atuais. Na caminhada evolutiva do homem, foram sendo extintas as populações que não desenvolveram o que o lendário biólogo de Harvard Ernst Mayr chamou de "a máquina de acreditar". Mayr lembra que a faculdade humana de acreditar em um ser superior nasceu durante a era glacial, entre 80 000 e 45 000 anos atrás. Antes desse período não existem registros fósseis que indiquem algum apego humano ao sobrenatural.
Quando as geleiras cederam, mostram as escavações arqueológicas, a humanidade passou a enterrar seus mortos e enfeitar as tumbas com flores. As paredes das cavernas começaram a ser pintadas de uma maneira tal que marcam não apenas uma expressão de prazer estético mas de elevação espiritual. Elas são os primeiros altares da história humana.
Uma delas em particular, a de Lascaux, na França, tem pinturas de cores e formas tão intensas que é descrita como a Capela Sistina da Idade da Pedra, em uma comparação com a nave da igreja do Vaticano pintada pelo gênio renascentista Michelangelo (1475-1564) por encomenda do papa Julio II. "Acreditar em Deus não é apenas a única mas é também a maior diferença a separar os homens dos animais", escreveu Charles Darwin em seu livro A Descendência do Homem, de 1871.
CAPELA SISTINA DO PALEOLÍTICO
Pinturas no teto da caverna de Lascaux, na França), datadas de 20 000 anos
Darwin escreveu também que o "dom de acreditar" não é instintivo no homem. Em sua formulação sobre esse tema, ele disse: "A fé surgiu como conseqüência dos consideráveis avanços da capacidade racional do homem. Ela nasceu da imensa capacidade humana de exercer sua curiosidade, sua imaginação e sua facilidade em se encantar".
Estudos recentes feitos pela Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, tentaram encontrar nas interligações do cérebro humano o "centro nervoso da fé". Como previra Darwin, essa região não pode ser geograficamente localizada no cérebro. Do ponto de vista puramente biológico, a fé é o resultado da interconexão de diversas regiões cerebrais, exatamente como ocorre com as demais funções cognitivas superiores, ou seja, o pensamento complexo ou a capacidade de apreciar uma obra de arte. Os especialistas em evolução humana apontam o súbito surgimento da fé na era glacial.
Para espanto dos estudiosos, ao contrário de algumas conquistas humanas, como o uso de roupas e a agricultura, as manifestações de respeito a um ser superior não apresentam evolução lenta. A fé simplesmente surge na história humana de um momento para outro, de forma abrupta. "Não foi um processo, mas um evento único. Não se nota a evolução gradual dessas capacidades. Elas simplesmente eclodem", diz Walter Neves, antropólogo evolucionista da Universidade de São Paulo (USP).
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3:52 PM
by Cassiano Leonel Drum
A terapia da prece
Tiago Décimo
Uma boa notícia: a fé cura. Estudos científicos mostram que há uma intrigante coincidência entre reações positivas a tratamentos médicos e o fato de o paciente ter uma crença religiosa.
Os estudiosos do fenômeno ainda se dividem entre os que explicam os bons resultados pelo estilo de vida, claramente mais saudável das pessoas religiosas, e os que vêem nas curas a intervenção divina. Essa dúvida não se dissipará nunca. Os benefícios para os pacientes dos processos de meditação, oração e reflexão espiritual aparecem de modo tão inequívoco nos exames que a ciência ortodoxa está se mexendo para tentar explicar o que for possível do fenômeno.
O interesse da medicina tradicional pelo tema é cada vez maior. Mais de setenta das 125 escolas de medicina dos Estados Unidos oferecem, em sua grade curricular, cursos que estudam as interações entre a espiritualidade e a saúde. Há dez anos eram apenas quatro. Diz Harold Koenig, do Centro para Estudos da Religião e Espiritualidade da Universidade Duke, uma das instituições mais reputadas dos Estados Unidos na área médica: "Os avanços nessa área são incontestáveis.
A fé é um fator determinante não apenas na cura mas também na qualidade de vida das pessoas". Os resultados das pesquisas mais extensas nessa área apontam para duas evidências. A primeira é que pessoas religiosas vivem mais do que as que não acreditam em nada. A longevidade é, em média, 10% maior entre aqueles que professam alguma fé.
A segunda é que mulheres e homens que rezam com freqüência se curam com maior facilidade em casos de doenças em que o stress é um fator determinante. Afirma Dale Matthews, do Instituto Nacional de Pesquisas de Saúde dos Estados Unidos: "Pessoas que têm fé em geral são menos propensas a fumar, beber, lidar com drogas e ter comportamento sexual de risco. São também menos ansiosas e mais atentas a fatores de segurança cotidiana, como usar cinto no carro, além de seguir mais fielmente as orientações médicas".
Outro estudo, promovido em 1995 pela Faculdade de Medicina de Dartmouth, mostrou que pacientes com convicções religiosas tinham três vezes mais chances de sobreviver a cirurgias cardíacas do que os não religiosos. "Acredito que exista um mecanismo psicológico que faz com que os religiosos lidem melhor com o stress que uma intervenção dessa natureza acarreta", diz o coordenador do estudo, o professor Thomas Oxman.
FÉ DESDE AS ORIGENS
Jesus ressuscita Lázaro, em obra do holandês Rembrandt pintada em 1630: a crença nos milagres, estimulada pelo Novo Testamento, está na base da religião católica
Por sua própria natureza, tendem a ser inconclusivos os estudos que tentam desvendar a relação direta entre fé e cura. Essa limitação não inibe a ousadia dos pesquisadores. Recentemente, a Universidade Colúmbia, em Nova York, fez uma pesquisa para testar a efetividade de orações a distância. As cobaias eram mulheres coreanas com dificuldade para engravidar. Elas foram divididas em dois grupos. Para um deles formaram-se grupos de orações nos Estados Unidos e na Austrália.
O outro não contou com preces. As mulheres não ficaram sabendo de nada, para que o fator psicológico não interferisse. O resultado: a taxa de concepção foi de 50% entre as pacientes que contaram com orações, contra 23% do outro grupo. A diferença é expressiva, mas o estudo, como era de esperar, não convenceu a todos por ter problemas metodológicos. "Os resultados podem ser entendidos apenas como flutuações estatísticas", diz Massimo Pigliucci, professor da Universidade do Tennessee.
A maioria dos estudos leva à conclusão de que acreditar dá aos pacientes uma força extra na hora de enfrentar doenças. A maior parte das religiões admite a intercessão divina em favor de pessoas que rezem por ela. Claramente, essa relação não está compreendida no universo de fenômenos estudáveis pelos cientistas. As curas e os tratamentos bem-sucedidos de pessoas religiosas, porém, são um dado que a ciência médica, mesmo sem explicar cabalmente, está cada vez mais disposta a colocar a seu serviço.
Quando a fé mata
Amy Hermanson
Ian Lundman morreu aos 11 anos. Amy Hermanson, aos 7. Matthew Swan foi vitimado pela meningite com apenas 1 ano e 4 meses. Essas crianças americanas tinham algo em comum: seus pais são seguidores de um culto conhecido como Ciência Cristã. Seus pastores recomendam aos fiéis que não procurem médicos para tratar doenças. Em vez disso, eles devem apenas rezar. A morte das três crianças provocou comoção e protestos nos Estados Unidos.
O caso mais revoltante foi o de Amy Hermanson, de Sarasota, na Flórida, que foi vítima de diabetes. Manifestantes pediram a prisão dos pais por assassinato. Os Hermanson foram julgados, mas a Suprema Corte da Flórida inocentou-os em 1992, com base na lei que defende a liberdade religiosa. No próprio veredicto, o juiz assinalou que a lei deveria ser modificada, para que casos assim não voltassem a ocorrer. Até hoje, porém, a lei está de pé sem alterações.
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8:56 AM
by Cassiano Leonel Drum
BALZAQUIANAS DÃO SEU RECADO
Dez leitores do DIA ganham o livro
Relacionamentos amorosos bizarros, as novas famílias, os surtos inconformistas das mulheres depois dos 30 anos, os pretendentes estranhos e as festas esquisitas. Esses são alguns dos temas do divertido Almanaque 02 Neurônio Manual para Moças em Fúria, do trio de jornalistas Jô Hallack, Nina Lemos e Raq Affonso (Editora Record 144 páginas, R$ 29), que 10 leitores levarão para casa (veja a promoção abaixo).
Autoras do Almanaque das Garotas Calientes e do Almanaque 02 Neurônio Guia da Mulher Superior, Jô, Nina e Raq se orgulham de terem abordado antes de Bridget Jones temas muito importantes para as mulheres de 30 anos: relógio biológico, dicas de moda e surto. Muito surto para agüentar as cobranças do trabalho, da família, da eterna boa forma e elegância e ainda por cima ser feliz no amor. Em vez de reclamar, elas respondem com humor afiado. E sucesso de vendas.
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8:48 AM
by Cassiano Leonel Drum
Darlene faz escola
Pesquisa diz que 40% dos entrevistados queriam ser famosos, como a personagem de Celebridade, e muitos confessam que fariam loucuras para isso
Marcelle Justo
A atriz Fernanda Montenegro é uma das celebridades favoritas
Não é à toa que as celebridades são tema da novela das oito. O assunto está em alta no mercado: em pesquisa feita pelo Instituto Qualibest, pela Internet, com 530 pessoas, 40% dos entrevistados querem ser famosos e 14% deles apontam a atriz Malu Mader como o modelo a ser seguido. Independentemente de assistir à novela, de alguma forma, o assunto chega aos ouvidos das pessoas, acredita Daniela Chammas Daud, diretora do Instituto Qualibest.
A pesquisa mostra também que não há distinção de sexo quando o assunto é a busca da fama. Homens e mulheres não são tão diferentes, é tudo ser humano, acredita Gilberto Braga, o autor da novela Celebridade.
Prova disso é que Darlene, personagem de Deborah Secco que tenta de tudo tudo para ficar famosa, faz escola também entre os homens. Bom exemplo é o estudante de Direito Heitor Simões de Souza, de 20 anos, que se inscreveu no concurso para participar do programa Big Brother Brasil. Gosto de coisas polêmicas e de aparecer, diz Heitor. Já a dona de casa Carolina Sampaio Vieira, de 21 anos, não tem a menor vontade de ser celebridade. Iria a um programa de televisão por curiosidade ou até para fazer uma ponta. Vendo a Maria Clara na novela, acho que essa vida sem privacidade é ruim. Os famosos não podem respirar¿, acredita Carolina.
Da turma que gostaria de virar celebridade, nada menos que 54% diz que cometeria loucuras para atingir seu objetivo, como entrar em festas badaladas (40%) e estar sempre em busca de um acontecimento que tenha TV por perto (35%). Vale até tirar a roupa para o diretor de uma novela, como disseram 12% dos entrevistados. Já comprei o convite de uma festa porque sabia que teria muitas pessoas importantes, afirma a comerciária Ana Paula Santiago, de 27 anos, que não vê nada demais na atitude. O dinheiro é meu¿, ressalta.
Entre as celebridades favoritas apontadas pela pesquisa, Malu Mader desponta como favorita. Mesmo quem não assiste à novela sabe que ela é a protagonista. E as pessoas confundem o conceito de celebridade, explica Daniela Chammas. A segunda da lista, curiosamente, é a atriz Fernanda Montenegro, figura que sempre preservou sua vida particular. Acho que fizeram pesquisa com gente de muito bom gosto, diz Gilberto Braga, que acrescenta: Há também pessoas exibicionistas admiradas, como a Madonna.
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8:42 AM
by Cassiano Leonel Drum
De presente
A atriz Roberta Rodrigues elege o verde como a sua cor de Natal e comemora a data ao lado do bom velhinho
Mariana Salim
Para comemorar o Natal com muito estilo, o Caderno D convidou a atriz Roberta Rodrigues, 21 anos, e o Papai Noel Samuel Souza para um ensaio alto-astral, antecipando o clima de confraternização da quarta-feira. Roberta dividiu espaço com o nosso bom velhinho e esbanjou simpatia, colocando seu lado infantil para fora. Por trás desse mulherão, ainda existe uma criança. Todo mundo gosta de fotografar com o Papai Noel. Agora é a minha vez, comemorou.
A menina-mulher mostra charme e sensualidade com roupas no tom da esperança, o verde, em alta nas coleções de verão. Os acessórios dourados arrematam as produções e completam o visual natalino. Acho que fico bem de verde. Realça meu colorido, afirma Roberta. O sorriso largo no rosto é sua marca registrada e reflexo de um ano especial. Depois do sucesso no filme Cidade de Deus, ela marcou presença na televisão como a sensual Zilda, da novela Mulheres Apaixonadas, no seriado Cidade dos Homens e no teatro, com a peça Burro Sem Rabo..., em cartaz no Planetário da Gávea. Para Roberta, este Natal não será igual àquele que passou. Será muito melhor.
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8:38 AM
by Cassiano Leonel Drum
Artigo
A economia dos afetos
MARIA LÚCIA DE MORAES MACHADO/ Psicóloga
A psicanálise nos legou a perspectiva de que a personalidade saudável é aquela que sabe amar e trabalhar, sendo um aprendizado que haveríamos de empreender ao longo da vida, traduzindo-se numa melhor eficiência na distribuição e utilização da energia psíquica investida nesses processos.
Na relação com o outro, torna-se importante poder saber a cada momento o quanto se precisa resguardar do próprio sangue para garantir a sobrevivência, ou seja, poder reconhecer as próprias necessidades emocionais, que consomem certa energia. Por outro lado, o sangue que se doa ao outro, ou o afeto que se dedica, retorna em satisfação nos renovando.
Quanto menor é a carência afetiva, maior a disponibilidade de afeto e mais sangue se tem para doar ao outro. Assim, maior é a entrega e em conseqüência maior o retorno. Quando não há disponibilidade afetiva, porque ficou presa a mágoas e ressentimentos não expressos, que se escondem atrás de atitudes defensivas e ambivalentes, os atos humanos vêm a ser dissociados e desprovidos de afeto, e não há sangue para doar ao outro, tornando-se atos solitários e, por vezes, de um prazer sadomasoquista.
A dor emocional gerada nesses conflitos, quando não encontra uma forma de expressão, vai se acumulando, formando como um dragão interno, cujo poder destrutivo amedronta e aprisiona. Rouba a energia que é necessária para manutenção dos processos vitais, físicos e emocionais, sendo utilizada para reprimir a agressividade reativa, na impossibilidade de ser transformada, junto ao amor, em sublime paixão.
Então, o organismo é violentado (estresse) na medida em que tenta manter uma homeostase e responder às solicitações internas e externas que continuam acontecendo, podendo chegar ao esgotamento e ao esvaziamento emocional (depressão), acompanhados de um sentimento de impotência e solidão. Daí a fome emocional, que pode se apresentar sob diversas formas de adição (alimentos, álcool, sexo, drogas) na busca de satisfação, conferindo ao desejo um maior grau de necessidade do que de vontade. Nestas condições, não há doação possível, pois não se consegue doar o que não se tem, embora o vazio ofereça a oportunidade de preenchimento diverso.
Por isso, respeitados os limites das próprias necessidades, quanto maior a capacidade de ser generoso, ao amar, maior a satisfação que se tem. E, assim, sendo generoso consigo mesmo, pode-se continuar sendo com o outro, criando o equilíbrio dinâmico que mantêm viva a relação. Entendo que este é um princípio básico, que rege a economia psíquica no amor, assim como no trabalho, concedendo maior qualidade ao afeto.
Em decorrência, no encontro amoroso, entre o querer e o não querer, não haverá meios-termos. Para a entrega ser total, é preciso haver um querer doar-se totalmente, e então o retorno também será total, nos renovando plenamente. Portanto, no ato de amor há uma morte, que nos faz renascer revigorados. Há a morte da onipotência, ao nos depararmos com as próprias limitações; a fera ressentida, ao reconhecer que um precisa do outro para ter prazer, completando-se com as diferenças e podendo integrar prazer e dor, através do significado deste encontro, que é peculiar a cada um. Pois "por medo de morrer não se pode deixar de usufruir a vida", saindo da onipotência defensiva para a experiência da plenitude.
Que sejamos capazes de perdoar aos nossos amores e a nós mesmos pelos meios-termos de afeto que conseguimos dar um ao outro, nos diversos momentos da vida, pois é o único remédio que pode transformar as feridas em cicatrizes. Assim, estaremos mais aptos a encontrar no amor a possibilidade de compartilhar os meios-termos da vida.
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8:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
20/12/2003
As festas
Pra muitas pessoas, as festas de fim de ano são motivo de estresse ou melancolia.
A implicância pode ser com isso de haver data marcada para ser gentil ou carinhoso: a gente devia ser assim todos os dias. Como não somos, precisamos de data para nos lembrar. E já que ela existe, aproveitemos para exercitar afetos.
Porém concordo com a implicância ligada à comercialização e o rombo no bolso de quem a isso se escraviza. E por que se escravizam? Pode-se comemorar tudo e qualquer coisa conforme a disponibilidade financeira de cada um. Muito, pouco, quase nada. Ou nada mesmo, além do beijo a mais, da palavra carinhosa extra.
Quanto à depressão: deve haver teses de doutorado sobre o estresse ou a melancolia que dias como Natal e Ano-Novo provocam. Não lembro se fiquei particularmente triste quando algum Natal coincidiu com períodos duros de minha vida. Parece que deletei da memória os Natais sombrios que vivi, e tive alguns.
De modo geral sou da raça dos festeiros: não de badalação, mas de confraternização. Por quase nada, já saio brindando. Por uma manhã de chuva e outra de sol, eu sou capaz de celebrar a vida. Natal seria um estresse caso eu organizasse um grande jantar formal ou convidasse gente que não é do meu coração. Pior ainda, se gastasse com presentes o que não posso. A frugalidade de toda uma vida (no tempo de vacas ainda mais magras do que as atuais, um amigo disse que minha casa era "austera") nunca me permitiu extravagâncias que depois me custariam meses de prestações insensatas.
Eu ficaria deprimida nesse período se costumasse chorar sobre tantos leites que também em minha vida se derramaram, pois não fui mais poupada do que a maioria, acreditem. Ou se, em circunstâncias normais, estando eu ainda capaz de afeto, minha casa e meu coração estivessem desertos: nem família, nem amigos.
Porque se minha casa não fosse agitada pelos filhos e o bando de crianças nascidas deles, eu certamente a abriria só para os amigos, que de qualquer forma são bem-vindos. E se eu não tivesse amigos? Bom, aí era mesmo pra deitar no chão e chorar, e eu não mereceria comemorar data de coisa nenhuma.
De modo que, Boas Festas! Que o Natal seja pelo menos de confraternização, e em 2004 a gente faça menos bobagem do que em 2003. Sendo mais paciente, mais generoso, mais gentil e mais alegrinho do que conseguimos ser em 2003. Amém.
lya.luft@zerohora.com.br
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8:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
20/12/2003
Os direitos dos presos
Um dos aspectos mais desoladores desta Guerra do Iraque é que a imagem de democracia mais perfeita do mundo, a dos EUA, acabou deteriorada pelo tratamento que o governo de Washington está dando aos seus prisioneiros de guerra.
Saddam Hussein é agora o prisioneiro número 1 de um sistema de detenção global que se espalhou por vários países e é controlado pelo Pentágono e pela CIA.
A característica principal desses núcleos prisionais que detêm centenas de prisioneiros é o mais absoluto sigilo sobre onde funcionam.
Se por um lado isso serve à segurança dos cárceres, agride no entanto ao direito do preso de que suas famílias e advogados saibam onde ele se encontra.
Ao mesmo tempo, os EUA mantêm cerca de 600 prisioneiros em Guantánamo, Cuba, há meses, sem que tenham permitido que sequer eles tenham contato com seus advogados.
Como não são prisioneiros no território dos EUA, visivelmente a intenção do governo americano é a de que, detidos em outros países, não sejam alcançados pelo benefício da lei nacional, principalmente no que se refere ao princípio da ampla defesa.
Então o que está acontecendo com esses prisioneiros se constitui num mistério impenetrável.
Agora mesmo, divulga a imprensa que a CIA está obrigando Saddam Hussein, que está preso em lugar desconhecido, a assistir a vídeos de suas próprias atrocidades, com a finalidade de pressioná-lo a dar informações importantes para seus captores.
Os agentes da CIA, segundo o noticiário, mostram a Saddam cenas de torturas e execuções ordenadas por ele próprio quando estava no poder, além de filmagens sobre abertura de covas coletivas de pessoas assassinadas pelo vencido regime iraquiano.
Com isso, os captores de Saddam visam a que ele forneça informações que possam levar os EUA a acabar com a resistência que ainda resta no Iraque.
Segundo o Times, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, chegou a sugerir que "o medo de morrer pode levar Saddam a falar". E acrescentou: "Ele tem algum interesse na sua família? Não sei. Obviamente ele não se preocupa com nada relacionado a seu país ou ao povo iraquiano".
Visivelmente, o carcereiro quer saber qual é o interesse existencial que resta ao preso para oferecê-lo como moeda de troca para a quebra do seu silêncio.
E agora a notícia mais impressionante, divulgada ontem pelas agências internacionais: "Um dos métodos que a CIA admitiria usar para obter informações de Saddam seria acordá-lo em horários desconexos para desorientá-lo ou enfraquecê-lo".
A idéia que eu fazia do respeito à supremacia da lei na decantada democracia norte-americana era a de que nela se tornava inadmissível tentar arrancar confissões de prisioneiros sob coação psicológica irresistível ou pela força.
E de que todo preso tinha direito à assistência de seu advogado, sendo inviolável a sua integridade física e psicológica.
Mas vejo que este princípio admirável dos direitos humanos não é respeitado nem pela nação mais avançada do mundo em democracia.
Não há nada mais deprimente para os que acreditavam no avanço da civilização.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:31 AM
by Cassiano Leonel Drum
World Trade Center
EUA exibem a "Torre da Liberdade"
Projeto do prédio a ser erguido nos escombros do World Trade Center foi apresentado ontem (foto Simulação Computadorizada, AP/ZH)
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Sexta-feira, Dezembro 19, 2003
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10:05 PM
by Cassiano Leonel Drum
Depois de viajar 400 milhões de quilômetros em seis meses, à velocidade média de dez quilômetros por segundo, a nave Mars Express (agência espacial européia ESA) deverá pousar em Marte nesse Natal. A primeira jornada interplanetária da Europa reforçará as missões em busca de sinais de vida e de água no famoso planeta vermelho. Principal missão: mapear o terreno e os minerais, analisar a atmosfera, coletar amostras e estudar o subsolo marciano. Para isso, a nave conta com o Beagle-2, um robô equipado com câmeras coloridas, microscópio óptico e broca para cavar rochas.
A missão custou aos países europeus cerca de US$ 300 milhões e não ficará sozinha por muito tempo. O reforço virá da Nasa, que gastou US$ 800 milhões para construir duas naves que farão companhia ao Beagle-2 no início de janeiro. Aos terráqueos só resta torcer para que dessa vez as missões milionárias possam desvendar o tão esperado mistério: há ou não há vida em Marte?
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9:57 PM
by Cassiano Leonel Drum
A M A R
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder ... pra me encontrar...
Florbela Espanca
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9:55 PM
by Cassiano Leonel Drum
SEM TÍTULO
Florbela Espanca
Li um dia, não sei onde,
Que em todos os namorados
Uns amam muito e, os outros,
Contentam-se em ser amados.
Fico a cismar pensativa
Neste mistério encantado...
Digo pra mim: de nós dois
Quem ama e quem é amado?...
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6:57 AM
by Cassiano Leonel Drum
Traído e dopado por parente
Homem próximo a Saddam Hussein, talvez seu guarda-costas pessoal, teria entregue o ex-ditador aos militares americanos
BAGDÁ E AMÃ - Foi a traição de um parente próximo que levou as forças americanas ao esconderijo de Saddam Hussein, em Tikrit, sua cidade natal. Segundo o jornal jordaniano Al-Arab Alyoum, o coronel Mohamad Ibrahim al-Mislet sedou o ex-ditador no sábado num golpe conhecido no Brasil como Boa Noite, Cinderela, em que a vítima é dopada e tem seus bens roubados e conduziu as tropas até a fazenda onde o ex-líder estava refugiado. A versão oficial, porém, garante que o delator está preso e revelou o paradeiro durante interrogatórios.
Citando uma fonte na coalizão, o jornal informou que Mislet era guarda-costas pessoal de Saddam e vinha acompanhando o ex-ditador em sua fuga das forças de ocupação desde a queda do regime de Bagdá, em 9 de abril. Além de seguir Saddam em todos os seus esconderijos, o coronel fazia também a comunicação entre o ex-presidente e seus parentes.
Após receber o apoio de alguns familiares de Saddam para entregá-lo, Mislet dopou o ex-ditador e chamou soldados americanos. O coronel drogou Saddam para evitar que ele fugisse ou resistisse à prisão, e assegurar que fosse capturado vivo.
No entanto, dois militares dos EUA revelaram ao jornal The Wall Street que o delator foi capturado um dia antes da prisão do ex-líder iraquiano e revelou o esconderijo de Saddam em interrogatórios. Trata-se de um homem de meia-idade que pertencia ao círculo próximo de Saddam e era da região de Tikrit.
Delator estava entre os nove mil investigados pelos EUA
Segundo os militares, novatos no serviço de inteligência americana, uma lista de nove mil pessoas foi investigada até chegar ao delator, que fugiu várias vezes antes de ser capturado em uma casa em Bagdá.
Durante meses, o serviço de inteligência teria trabalhado para montar uma árvore dos laços familiares e tribais de Saddam. Em setembro, os militares chegaram a 300 nomes e posteriormente descobriram o delator, acusado ainda de financiar a resistência iraquiana à ocupação.
Ontem, o Conselho de Governo do Iraque voltou a declarar que Saddam será julgado pelo tribunal especial iraquiano criado para cuidar dos crimes contra a humanidade cometidos pelo antigo governo. Nasir Chaderji, membro do grupo, ressaltou, porém, que todos os Estados, países e indivíduos têm o direito de apresentar um pedido ante o tribunal.
O Kuwait já se candidatou a participar do processo. Além de pedir ao Iraque indenizações de guerra de 170 bilhões de dólares, o país quer também assumir um papel ativo no julgamento.
Advogados formarão comitê de defesa para Saddam
Mas o que não vai faltar é advogado para defender o ex-líder iraquiano. Um profissional de Barein anunciou que vai se unir a outros advogados árabes para fazer a defesa de Saddam.
¿Estou conversando com advogados do Egito, Jordânia e outros países para formar um comitê de defesa para Saddam. Sabemos que Saddam cometeu alguns erros. Nosso objetivo não é apenas defendê-lo, mas também expor os EUA por sua errônea política externa na nossa região, explicou Mohammed Redha Abu Hussein, especialista em direito internacional.
Abu Hussein criticou os EUA por apoiar o ex-ditador na guerra Irã-Iraque, de 1980 a 1988. Os EUA acobertaram os crimes de Saddam por muitos anos. Não temos problemas com um julgamento contra ele, mas achamos que aqueles que o apoiaram também deveriam ser julgados, acrescentou.
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6:47 AM
by Cassiano Leonel Drum
Pechinchas Culturais
Peças e espetáculos de dança com ingressos de R$ 1 a R$ 15 abrem os teatros para quem não pode pagar caro
Rubia Mazzini
Quem vive reclamando com razão dos preços salgados cobrados pelas produções culturais ganhou um bom motivo para comemorar e se divertir sem gastar os tubos. Com ingressos entre R$ 1 e R$ 15, espetáculos de dança, como o Formas Breves da Lia Rodrigues Cia. de Danças, e de teatro, como Intimidade Indecente, estão promovendo uma verdadeira liqüidação neste fim de ano.
Uma das precursoras da pechincha cultural, a coreógrafa Lia Rodrigues, que em 2000 estreou Aquilo de que Somos Feitos a R$ 1,99, está nas nuvens com o sucesso da temporada popular no Teatro Villa-Lobos, onde até domingo apresenta o elogiado Formas Breves por R$ 1. No meu caso, por ter patrocínio da Brasil Telecom, tenho uma estrutura que me possibilita tomar esse tipo de iniciativa. É uma forma de dar retorno ao público e de democratizar o acesso à arte, diz Lia, que promete repetir a promoção sempre que possível. E olha que R$ 1 nem é tão barato assim, se você soma passagem de ônibus, mais uma coca-cola ou lanche, ressalta ela.
Quem também está feliz com o retorno do público são os idealizadores da campanha Teatro Para Todos. A idéia de vender parte dos ingressos de 41 peças, como O Caso da Rua ao Lado a comédia com Luiz Fernando Guimarães é uma das mais procuradas e Intimidade Indecente ¿ que teve os ingressos esgotados em dois dias , a R$ 5, R$ 10 e R$ 15, num quiosque na Cinelândia e pela Internet, superou as expectativas. Até ontem, 11.776 pessoas tinham aproveitado a liqüidação e a previsão é de que, até o encerramento, dia 28, esse número chegue a 14 mil.
O que mais nos surpreendeu é que vivem dizendo que as peças não vão ao teatro porque não gostam. Elas não vão por causa do preço, diz o presidente da Associação dos Produtores Teatrais do Rio, Eduardo Barata, que espera repetir a dose anualmente.
Em cartaz no Teatro João Caetano, a comédia Tem Um Psicanalista na Nossa Cama também tem lotado graças ao precinho do ingresso: R$ 1. A procura é tão grande que ontem o espetáculo teve sessão extra (veja mais no quadro abaixo). E neste fim de semana ainda acontece a última edição do ano do projeto Domingo é Dia de Teatro a R$ 1. Quatorze espetáculos em cartaz nos teatros e lonas culturais da Prefeitura participam da promoção, que desta vez não acontece no último domingo do mês, como já virou tradição.
O Pé da Árvore de Natal, o alucinado auto natalino estrelado por Miguel Falabella, em cartaz na Sala Baden Powell, é um dos destaques da programação. De todas as atrações da rede municipal, a Ópera do Malandro, em cartaz no Teatro Carlos Gomes, é a única que não participa do projeto neste fim de semana. Mas no dia 28 será possível ver o musical de Chico Buarque pagando R$ 1,00.
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6:40 AM
by Cassiano Leonel Drum
Racha no RPM
A pose ao lado não se repetirá mais com esta formação. Sucesso na década de 80, com direito a repeteco nos mesmos moldes em 2002 e 2003, o RPM não é mais o mesmo. Insatisfeitos com as ¿decisões despóticas do vocalista Paulo Ricardo, o guitarrista Fernando Deluqui e o tecladista Luiz Schiavon deixaram o grupo. Ontem, os músicos divulgaram um manifesto: O Paulo registrou a marca em seu próprio nome, sem avisar nenhum dos membros do grupo.
Também em segredo, montou uma empresa com atribuição de gravadora e agência de empresariamento. Depois, veio o ultimato: ou assinaríamos um contrato com a empresa dele ou seríamos excluídos da banda. Paulo se defendeu em entrevista à coluna: Registrei a marca para licenciarmos uma camiseta. Eles estavam cientes de todo o processo.
Em outubro, tínhamos oito músicas para o novo CD, mas a Universal não queria lançá-lo este ano. Foi então que achei que tínhamos estrada suficiente para não depender de gravadora. Fui liberado do contrato e propus um novo modelo, mais moderno. Segundo o vocalista, Deluchi preferiu tocar seu projeto solo e Schiavon não concordou com a nova fase pop/eletrônica. O Nando é retrô e o Luiz parou no tempo produzindo sertanejos, decretou Paulo.
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6:34 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
19/12/2003
O último homem sério
- É verdade que tu deixaria tua família por mim?
Silvio ficou paralisado. Sentiu as rótulas virando patê. Os ouvidos zunindo. Como ela descobrira que ele vivia dizendo aquilo? Começou a gaguejar. eu, ahn...
Ela o perturbava. Pudera: tratava-se de uma morena exuberante. Opulenta. Do tipo italiano, tudo grande e tudo no lugar. Ela piscou os grandes olhos, fez um pequeno biquinho com a grande boca. Miou:
- Deixaria?...
Silvio estremeceu. Gostava de sua mulher. Gostava dos filhos. Era um homem sério. Dizia sempre:
- Sou o último homem sério do planeta.
E, puxa, fizera uma brincadeira! Apenas comentava com os amigos, quando a via flutuar pelo escritório:
- Por essa italiana, abandono a família!
Ela fez voar os dedinhos até o ombro dele. Tocou-o.
- Responde - pediu, a voz de licor de cassis.
Cristo! Silvio sacou toda a coragem que juntara na vesícula (era lá que juntava coragem):
- P-por que tu quer saber? - precisava descobrir se ela não estava caçoando dele.
O sorriso dela se alargou. A voz fervente nos esses:
- Ressssponde...
Não estava! E agora? Silvio possuía um lar e a fama de homem sério, o último. Era um conservador, jamais traíra a mulher, tinham-no como marido exemplar. Não havia quem não o visse como chefe de família ideal. Falavam nele, alguém logo observava:
- Um homem sério...
Seu único deslize fora a brincadeira sobre deixar a família. Resultado: a italiana lhe oferecendo prazeres inenarráveis. Silvio a avaliou: um fruto pronto para ser colhido. Estava no melhor momento. Estava suntuosa. Precisava ser usufruída logo. Porque em alguns anos se tornaria uma matrona de carnes fartas. Ainda desejável, sim, mas já apartada dos tempos de glória.
Só que havia a família. Silvio pensou nos filhos a correr pelo apartamento, na esposa lhe preparando massa com sardinha, e decidiu: vou dizer que deixo a família! Vou! Ela vai me arrastar para um fim de semana de pecado, talvez me use por um mês, que seja, vou cometer uma loucura na vida, uma única loucura, e, se depois de ser abandonado pela italiana, minha esposa não me quiser mais, não importa, terei um momento louco e lindo! Sim!
- Verdade! - confessou, rouco. - Largo tudo por ti!
Então, foi rápido. O sorriso dela se desfez e um ricto enojado lhe vincou o rosto e ela o encarou como se quisesse lhe cuspir e foi quase cuspindo que rosnou:
- Eu sabia! Nenhum homem presta mesmo!
Deu-lhe as costas, por fim, e se afastou, revoltada, deixando os pedaços do último homem sério ali, espalhados pelo chão.
david.coimbra@zerohora.com.br
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6:32 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
19/12/2003
Crianças assaltantes!
Mês de dezembro é mês de balanços. Dos 42 mil e-mails que Zero Hora recebeu de leitores neste ano de 2003, dando conta de reivindicações, anseios, preocupações, aflições, alegrias e esperanças dos nossos clientes em todo o Rio Grande, 18 mil foram dirigidos a esta coluna.
Curto uma grande lástima por não ter podido responder a todos, mas me conforta que os tenha lido por inteiro, a todos eles. De certa forma o conhecimento do que passa pelas cabeças dos leitores estava impregnado nas 352 colunas publicadas neste ano.
Esse intercâmbio entre o colunista e o leitor é uma revolução radiosa que se instalou com a internet, capacitando ainda mais o jornalismo para ser intérprete da sua comunidade.
Obrigado a todos os gaúchos que honraram esta coluna enviando-lhe mensagens de toda a ordem.
Em razão disso, vou transcrever resumidamente algumas que me chegaram ontem.
Valdir Dasso Fernandes, de Porto Alegre, precisou viajar de ônibus da cidade de Oberá, Província de Misiones, Argentina, até Buenos Aires.
Pagou 57 pesos pela passagem. Um peso tem hoje um valor equivalente a um real.
A distância entre Oberá e Buenos Aires é de 1.250 quilômetros.
O leitor não entende como, antes do aumento acontecido no preço das passagens intermunicipais no RS desde 11 de dezembro, que ele lamenta e denuncia que foi de em torno 20%, a passagem entre Santo Ângelo e Porto Alegre, distância de 450 quilômetros, custava R$ 45.
Desespera-se o missivista: em uma distância quase três vezes superior na Argentina, com moeda correspondente e salário mínimo maior lá do que aqui, o preço da passagem daqui é quase igual ao de lá. E no ônibus daqui servem água mineral e biscoitos, se se concordar em pagar R$ 60, passagem executiva, enquanto que no da Argentina são servidos dois lautos cafés da manhã e uma janta com pratos frio e quente, uísque ou champanha.
É demasiada a diferença.
Este leitor me chama a atenção para um outro tarifaço que me passou despercebido em dezembro: as passagens de ônibus intermunicipais tiveram alta entre 17% e 20%. Todas as tarifas subindo entre duas ou três vezes a inflação. Vão estourar com a economia popular.
E divulgada, com grita popular, a instituição da taxa de iluminação pública em Porto Alegre, do Interior vêm os depoimentos do mesmo novo tributo: em Seberi, a taxa de iluminação vai de 2% até 11%, conforme o consumo, conforme o leitor (aciseb@mksnet.com.br); em Espumoso, a taxa de iluminação já é cobrada a 3% e o prefeito mandou projeto à Câmara para elevá-la para 10%, segundo o leitor João Reinaldo Mayer.
E o leitor Raul J. Velasco, de Porto Alegre, não contém sua revolta contra o que assistiu: "Voltava para casa em um ônibus da linha Antônio de Carvalho, às 14h30min dessa última quarta-feira, quando se levantaram de seus assentos três crianças que se vestiam humilde e decentemente: um menino com cerca de oito anos, cabeça raspada, uma menina de cerca de 14 anos e um jovem não muito mais velho. Ao se aproximar do cobrador, o jovem sacou de um revólver e estendeu a ameaça ao motorista, as duas outras crianças limparam a gaveta do cobrador e roubaram também sua carteira. Desceram quase em frente ao supermercado Gauchão e desapareceram no acesso à vila que lá existe. Um assalto perpetrado por três crianças! Isso é hediondo!"
Esse e-mail se soma ao de outra leitora de Porto Alegre, Fernanda Silva, que reclama da violência imperante nos bairros Jardim Leopoldina e Santa Fé. Seu pai foi também assaltado por duas crianças, que o atingiram com dois tiros, tendo restado com uma perna esfarelada.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:29 AM
by Cassiano Leonel Drum
Competição
Remo brasileiro de olho no ouro
Atletas gaúchos do União, integrantes da equipe brasileira de remo, treinam no Guaíba. Com os olhos no pódio do Pan de 2007, no Rio, o Brasil esqueceu a rivalidade com a Argentina e trouxe um experiente técnico daquele país (foto Ricardo Duarte/ZH)
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Quinta-feira, Dezembro 18, 2003
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6:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Evasão de privacidade
Ao contrário da destrambelhada manicure Darlene, personagem que interpreta em "Celebridade", a atriz Deborah Secco não precisa se esforçar para atrair os fotógrafos. Permanentemente assediada pela imprensa, essa carioca de 24 anos garante que nunca se preocupou em ser famosa. "Sempre persegui a idéia de ser atriz. Nem que precisasse passar o chapéu e recolher moedinhas. Nunca quis ser famosa", jura Deborah. Ainda assim, a "fama" insiste em "atravessar" o caminho da atriz, que fora de cena também vive seus momentos de Maria Clara, personagem de Malu Mader, em "Celebridade". "Não acho legal ser alvo de paparazzi. Nem por isso mudo meus hábitos e tento levar a vida como se não fosse o foco das atenções", ensina.
Quem vê Deborah em cena, não imagina que ela ainda cultiva o jeito "moleque", mesmo depois de conquistar destaque na carreira com tipos que provocavam o imaginário masculino. A virada surgiu justamente com a desinibida Marina de "Suave Veneno", de 99. Em seguida, a atriz encarnou a "lolita" Íris em "Laços de Família", exibida em 2000. Mas a fama de "femme fatale" se confirmou com a provocante Lara de "O Beijo do Vampiro". "O engraçado é que o público acredita que sou como minhas personagens. Em função da Darlene, agora sou considerada maluquinha. Esse é o maior reconhecimento para um ator", comemora.
Pela primeira vez atuando em uma trama de Gilberto Braga, a atriz não poderia estar mais satisfeita. Além de divertir o público com as sandices da personagem - que quer alcançar a fama a todo custo -, Deborah também ressalta a importância do trabalho na carreira que já acumula 13 anos. "A Darlene é a prova de que se pode fazer 11 novelas na mesma emissora vivendo tipos bem diferentes", valoriza. Mas a atriz é categórica ao afirmar que não possui a menor semelhança com a manicure do Andaraí. "Ela tem uma euforia e uma alegria de vida que não são minhas. Sou zen, faço iôga e vivo minha vida de maneira simples", garante.
Por ser mesmo tão diferente, Deborah conta que fez um minucioso trabalho de composição. "A personagem é toda interpretada. Desde o modo de andar até o jeito de balançar as mãos", explica, antes de emendar. "Não existe naturalismo, mesmo sendo em uma trama atual. Identificava-me muito mais com a Cecília, por exemplo", diz ela, referindo-se a protagonista de "A Padroeira", trama de época exibida em 2001. Ainda assim, Deborah garante que se diverte bastante durante as gravações. Principalmente quando está em cena com Juliana Paes, a intérprete de Jaqueline Joy, e o atual namorado Marcelo Faria, que vive o bombeiro Vladimir. "Estamos nos dando muito bem. Por isso, o público também se identifica", acredita.
Loucuras
A atriz, porém, garante que não se surpreende com as loucuras da personagem em "Celebridade". "Com certeza, a Darlene não faz um décimo do que já vi pessoas fazendo para aparecer", pondera. E olha que a manicure já fez várias loucuras. Entre elas, um "strip-tease" na praia e ameaças de se jogar de cima de um prédio. "A inspiração surgiu de uma amiga, mas não revelo o nome nem sob tortura", apressa-se em explicar. Deborah, inclusive, não esquece um episódio ocorrido durante um evento em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Uma "aspirante a famosa" literalmente grudou na atriz durante boa parte da festa. Tudo para aparecer ao lado de Deborah e conseguir alguns segundos de fama. "A criatura sabia tudo sobre a minha vida e me enrolou por horas. Lógico que não lembrava da pessoa porque nunca a havia visto antes", recorda, aos risos.
Personagem
Mas os "papagaios de pirata", anônimos que insistem em aparecer nas fotos de revistas, são figuras indefectíveis em qualquer festa de famosos. "Torço para que a Darlene consiga emplacar pelo menos uma foto. Depois disso é capaz dela perceber que não precisa da fama para ser feliz", acredita. Para a atriz, a busca incansável pelos holofotes é um fenômeno mundial. "Essa loucura para ser famoso faz com que as pessoas percam o rumo de sua verdadeira missão", filosofa a atriz, que talvez tenha a "missão" de atrair as atenções.
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6:16 AM
by Cassiano Leonel Drum
Artigo
Não experimenta!
GILDA PULCHERIO/ Psiquiatra do Instituto de Prevenção e Pesquisa em Álcool e outras Dependências
Foi sobejamente comentada a propaganda veiculada na mídia de uma determinada bebida alcoólica. Quando nos aproximamos do final do ano, é comum ocorrer um "inventário moral" de nossas atitudes, e felizardo daquele que, possuidor de um razoável senso crítico, consegue contabilizar um bom saldo positivo. Pois, na questão das drogas, os bons resultados têm sido escassos, o saldo só tem sido negativo, com muitas perdas. E a droga que tem sido a grande vilã deste desastre nacional, sem sombra de dúvidas, é o álcool. A grande porta de entrada para as demais drogas.
O Estudo Multicêntrico de Morbidade Psiquiátrica em Áreas Urbanas Brasileiras (Brasília, São Paulo, Porto Alegre) publicado em 1992 mostrou o alcoolismo como o distúrbio mental de maior expressão para os porto-alegrenses, com 9% da população, chegando a 16% para o sexo masculino. A experimentação de drogas pelos estudantes de 1º e 2º graus da rede pública de Porto Alegre cresceu 1.400% para a cocaína, 220% para a maconha e 112% para o tabaco, entre 1987 e 1997. E até hoje, certamente, cresceu mais.
No ano passado, a Unesco divulgou sua pesquisa com alunos da rede pública e privada de 14 capitais do Brasil, ratificando Porto Alegre como a capital em que mais se consomem drogas. Trinta por cento das crianças de 10 a 12 anos relataram fazer uso regular de cerveja. E, como se isso não bastasse, temos que assistir a nossa casa ser invadida pelo convite "experimenta!". O projeto americano Monitorando o Futuro nos informa que a experimentação de drogas entre seus adolescentes vem diminuindo na última década, sendo que no ano de 2001 para 2002 houve uma diminuição significativa no uso e na experimentação para álcool, tabaco, maconha e ecstasy, em vários Estados. Obviamente, após um forte trabalho preventivo de alguns anos.
É nosso dever relembrar os acidentes e mortes no trânsito, as brigas, as agressões, o abuso infantil, a violência doméstica. Todos têm o uso do álcool envolvido. Os gastos com tratamentos que, para muitos, não terão resultado algum. E sentir vergonha, sim, da falta de comprometimento dos governantes com essa questão milenar que corrói os alicerces de qualquer sociedade.
E o comprometimento dos pais? O que eles têm feito? Hoje, não só os profissionais da saúde e educação mas até os operadores do Direito, sentindo-se impotentes com os jovens infratores, invocam a parentalidade e, principalmente, a paternidade na busca do controle de uma situação que parece não ter freio. Todos precisam ser aliados. Os filhos dão trabalho, sim. E, para alguns pais, dão um grande trabalho. E é desde pequenininhos, ao verem os pais bebendo e desejarem provar a "espuminha", que devem ouvir: "Não, não experimenta!". Porque, se de um lado os pais devem ensinar que para tudo na vida há um momento e uma idade certa, por outro lado estarão ensinando que as leis existem não para serem infringidas, mas respeitadas, como exige a vida em sociedade. Criança não pode beber bebida alcoólica, não pode dirigir automóvel, não pode votar.
Assim como criança e adolescente não podem ter liberdade total e sem controle porque estão de férias. Um grande número de nossos estudantes tem sua iniciação nas drogas na praia, começando pelo álcool, como a mídia já tem divulgado. Os pais devem saber o que os professores já sabem há muito: lá também mora o perigo. Então, a melhor prevenção de drogas é estar perto, conversar, acompanhar, conhecer e saber que jamais saberão de tudo. E dizer, e repetir, e repetir: "Não, não experimenta!".
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6:12 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
18/12/2003
Os personagens do ano
Está chegando a hora das retrospectivas, esses levantamentos que os veículos de comunicação fazem para eleger pessoas e fatos que escreveram a história do ano. A vantagem dessas reportagens é que podemos repassar em poucos minutos, ou em poucas páginas, uma quantidade de emoções sentidas ao longo dos últimos 12 meses. Porém, nunca há unanimidade sobre as escolhas - e talvez esse seja o maior atrativo das listas, a possibilidade que a gente tem de discordar e de acrescentar os novos favoritos.
Pois vou me antecipar às retrospectivas locais e indicar hoje mesmo os meus personagens do ano. São cinco: o Bicho-Papão, o Boi-da-Cara-Preta, a Mula-Sem-Cabeça, a Bruxa Má e - como dizem os amigos de Harry Potter - aquele cujo nome não deve ser pronunciado. Por que os escolhi? Ora, simplesmente porque eles desembarcaram nas nossas vidas no meio do ano e conquistaram os corações e as mentes das nossas crianças. Os chamados monstrinhos da campanha da RBS em defesa da infância fizeram deste 2003 o ano em que gaúchos e catarinenses se engajaram na luta contra os maus-tratos, os abusos e a negligência.
Inspirada criação do publicitário Marcelo Pires, da Agência Paim, a turminha dos pesadelos infantis recebeu uma nova roupagem e uma nova missão: provar que mesmo tipos mal-encarados e malfalados são capazes de amar e de cuidar das criancinhas. Os simpáticos monstrinhos deram conta do recado com muita competência. Seguindo a orientação de especialistas em questões da infância e da adolescência, chamaram a atenção da sociedade para a violência praticada contra as crianças. Sem chocar nem estressar, mexeram com consciências, enfrentaram tabus, levantaram problemas e indicaram soluções. E ainda nos deixaram uma mensagem tão simples quanto sublime: o amor é a melhor herança.
Tive a oportunidade e a honra de participar da equipe que acompanhou o nascimento e o desenvolvimento desta fauna mitológica. Vi cada um desses bichinhos sair do seu casulo e se transformar num aliado da gurizada, que passou a cantá-los em prosa e verso. A musiquinha pegou, contagiou e não saiu mais das paradas de sucesso. Os adultos também aderiram. Passaram a ostentar em seus automóveis os adesivos da estranha família. Cada vez que vejo passar um carro com o decalco do bicho-papão ou dos outros personagens, sinto-me gratificado e digo para mim mesmo:
- Ali vai um dos nossos!
Sei que aquele veículo leva alguma pessoa que se preocupa com o bem-estar das crianças e que dá a devida atenção ao imaginário infantil. Só por isso os filhotes do Marcelo Pires já merecem, na minha opinião, o título de personagens do ano. Mas, nos últimos dias, eles resolveram aprontar mais uma ação maravilhosa: passaram a cuidar dos filhos dos outros.
Já estou pensando em indicá-los para o bi em 2004.
nilson.souza@zerohora.com.br
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6:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
18/12/2003
Longe das torneiras de ouro
Em algumas coisas eles são parecidos. As torneiras de ouro, por exemplo. Vale um tratado psicológico a relação entre água corrente, ostentação e poder na preferência dos déspotas por torneiras de ouro. Talvez vejam nas torneiras de ouro uma forma de ritualizar o ato diário de lavar suas culpas. Talvez o supremo objetivo de toda aspiração a poder absoluto e riqueza seja esse, o de enobrecer com ouro o corriqueiro - torneiras, urinóis, calçadeiras, palitos - para se perpetuar. Pois no fim, do fausto e da glória, o que resiste ao tempo e perdura para espantar os turistas são os exageros do cotidiano. Os banheiros dourados de uns, as coleções de sapatos de outros. Os detalhes e os apetrechos.
Em outras coisas eles são diferentes. Na maneira como acabam, por exemplo. Napoleão levou uma corte com ele para o exílio final na ilha de Santa Helena. Algo equivalente a um faraó sendo sepultado com um séquito de empregados vivos - um dos riscos de ser funcionário público no antigo Egito. Não há imagens do fim de Hitler no seu bunker, mas os corpos de Mussolini e de sua amante sendo pendurados pelos pés fazem parte da iconografia trágica do século passado.
O cubano Fulgêncio Batista morreu bem instalado na Espanha. Idi Amin, da Uganda, morreu há pouco tempo, também em paz, no exílio. O haitiano Baby Doc, dizem, está mal e vive de favores no sul da França, mas nunca foi julgado pelos seus crimes. Pinochet continua no Chile, onde volta e meia é homenageado. O que varia no fim de cada um não é o grau da sua culpa mas a disposição dos seus julgadores para o castigo ou o esquecimento.
Mas nunca se tinha visto um fim assim, em close, como o de Saddam Hussein. Nunca se tinha visto um déspota tão longe das suas torneiras de ouro ou similares. E a imagem contrastava não só com a sua arrogância no poder e a extensão deste poder, mas com todas as especulações que se faziam sobre seu destino: Saddam comandando a resistência aos invasores de alguma fortaleza clandestina, Saddam disfarçado de quitandeiro em Bagdá e rindo dos americanos, Saddam asilado em algum outro país árabe com uma corte napoleônica. Não Saddam acuado num buraco piolhento, onde os únicos detalhes notáveis eram barras de chocolate americanas.
Se Saddam for julgado na corte internacional de Haia, que os Estados Unidos não apóiam, coisas como as baixas civis das duas invasões do Iraque e do boicote econômico ao país e o direito dos americano de invadir, bem como a responsabilidade americana na ascensão e fortalecimento de Saddam, podem ter um destaque que não teriam num julgamento no próprio Iraque. E a pena máxima não seria a morte. Os graus de culpa são conhecidos. Começa-se agora a discutir o que será castigado e o que será esquecido.
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6:09 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
18/12/2003
O enterro do funcionalismo
Eu sou a pessoa menos indicada para essas reclamações que alguns funcionários públicos estaduais estão tentando fazer por meu intermédio junto ao governo: eles não se conformam que tenham de formalizar um empréstimo junto ao Banrisul para receber seu 13º salário.
Cá para nós, é pegar ou largar. Como a situação é de penúria geral, o conveniente, o aconselhável, o sensato é ir até o Banrisul e autorizar o "empréstimo", sob a garantia de que o governo honrará a sua palavra de que ressarcirá os servidores das prestações.
Sobre isso, acho que não há dúvida. Nenhum servidor terá qualquer prejuízo.
Mas pelo que posso discernir das reclamações que me fazem inúmeros funcionários públicos estaduais, eles se sentem feridos em seu orgulho: acham inadmissível que tenham de contrair um "empréstimo" para verem satisfeito um direito seu inalienável.
E também está implícita na reclamação que me fazem a desilusão de que estão possuídos: se para honrar o 13º salário dos seus servidores o governo tem de recorrer a um truque financeiro, não estará imerso em sombras o futuro do funcionalismo?
É aí que eu digo que não posso servir de intérprete dos servidores. É que a compreensão que tenho para a condição atual e o destino dos funcionários públicos é a mais trágica possível, por sinal já externada nesta coluna: os funcionários públicos estaduais e federais foram literalmente exterminados pela política dos governos das duas esferas, que não reajusta seus vencimentos há oito ou nove anos.
Repito, acabou o funcionalismo público, não existe mais funcionalismo público.
A reforma da Previdência foi apenas a pá de cal sobre a extinção do funcionalismo, ela atingiu mortalmente os futuros servidores, que antes de assumirem estão condenados a condições ultrajantes de sobrevivência, uma vez que, se resistirem até a aposentaria, verão os seus proventos diminuídos brutalmente quando deixarem a ativa, sem o benefício do Fundo de Garantia.
Aí é que surge o supra-sumo da estupidez: pregam os que não acreditam no extermínio (repito, extermínio) do funcionalismo público que cada concurso público que abre recebe milhares de inscritos, então a coisa não é tão trágica como os Paulo Sant´Ana da vida querem pintar.
Incrivelmente não lhes entra na calota craniana que no processo de miserabilização a que o povo brasileiro foi jogado nos últimos anos, um concurso público se constitui numa esmola de atração irresistível.
Pelo amor de Deus, 120 mil se inscreveram para ser lixeiros no Rio de Janeiro! Mas será que não compreendem estes iluminados que ser lixeiro, no auge do desespero existencial, é melhor do que ser lixo humano?
O funcionalismo foi varrido do mapa e jogado à miséria quando não reajustaram seus vencimentos durante nove anos completados agora. Aí acabou tudo e pede-se que não enviem flores para o gigantesco enterro.
Vou tentar explicar à burrice dominante. Se aqui na empresa onde trabalho como jornalista não tivessem reajustado meus salários nestes últimos nove anos, eu estaria recebendo hoje, em termos reais, menos 56% do que recebia antes. Porque aqui na empresa em que trabalho meus salários foram reajustados em 130% em nove anos. Estaria na prisão ou na sarjeta.
Ao funcionalismo, nada. Nada. Qual é o ser humano que pode resistir, sem se prostituir ou debandar para o crime, ser reduzido em 56% dos seus ganhos em nove anos, com todos os tarifaços. Qual?
Ninguém resiste à extinção. Para que defender então uma classe que já foi extinta e surfa nas ondas da desonra e da inanição?
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:05 AM
by Cassiano Leonel Drum
Tênis
Guga se apronta para 2004
Tenista catarinense relaxa na piscina da academia onde faz sua pré-temporada, em Camboriú (foto Caio Cezar, Agência RBS/ZH)
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Quarta-feira, Dezembro 17, 2003
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9:38 PM
by Cassiano Leonel Drum
Visite o link abaixo e curta centenas de músicas, letras e outras tantas coisas lindas.
Alma.
(Zélia Duncan).
Alma, deixa eu ver sua alma,
A epiderme da alma, superfície.
Alma, deixa eu tocar sua alma
Com a superfície da palma da minha mão, superfície.
Easy, fique bem easy, fique sem nem razão,
Da superfície livre,
Fique sim, livre,
Fique bem com razão ou não, aterrize.
Alma, isso do medo se acalma,
Isso de sede se aplaca,
Todo pesar não existe.
Alma, como um reflexo na água,
Sobre a última camada
Que fica na superfície, crise.
Já acabou, livre,
Já passou o meu temor do seu medo
Sem motivo, riso, de manhã, riso de neném
A água já molhou a superfície.
Alma, daqui do lado de fora
Nenhuma forma de trauma sobrevive,
Abra a sua válvula agora,
A sua cápsula alma
Flutua na superfície lisa, que me alisa, seu suor
O sal que sai do sol, da superfície
Simples, devagar, simples, bem de leve
A alma já pousou na superfície.
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9:33 PM
by Cassiano Leonel Drum
MOSTRE-SE
A maior parte das suas dores acontece porque
você esconde alguns sentimentos.
Quando você sente medo, seja lá do que for,
os outros podem saber, sim.
Não é vergonhoso sentir medo:
ele é só um sinal de auto proteção.
Quando você sente raiva, expresse-a!
Ela é um sentimento tão natural quanto a afeição.
Se você pode dizer a alguém que o quer bem, por que não
pode dizer-lhe que sente raiva também?
Se no seu coração existem mágoas, lave-o!
Fale sobre elas com quem magoou você.
Não deixe que elas corroam sua alma e seu espírito.
Muitas vezes a pessoa nem sabe o quanto magoou e,
se você lhe disser, talvez vocês tenham a chance de,
em conjunto, esclarecer algo pequeno que pareceu tão grande.
Se é ressentimento o que sente, por que esconde-lo?
O ressentimento, depois de expressado, fica mais leve
para quem o sente e, um dia, desaparece.
Quando menos esperar você notará que veio
o perdão em seu lugar.
Se há depressão, há outros caminhos diferentes
da opção pelo isolamento.
Escolha ouvidos amigos, fale e abra-se
para ouvir as respostas, sejam elas quais forem.
Mesmo que venham palavras pouco agradáveis de ouvir,
elas podem ser o gancho para trazer-lhe de volta
a alegria de viver, a capacidade para enxergar
que nem tudo são trevas.
Amigo não é só aquele que lhe empresta o ombro para chorar:
muito mais amigo é aquele que traz o tapa que desperta,
que o faz acordar para a Vida.
Não há ninguém neste mundo que nunca foi
ferido, magoado, machucado.
E também não há quem não conheça a alegria
de retornar ao porto da felicidade.
Você será entendido e compreendido.
Esteja você como estiver, não se esconda!
Mostre-se!
Todo sentimento tem seu próprio e real valor.
Ponha a boca no mundo!
Não há barreiras que possam impedí-lo de encontrar
AMOR!
Silvia Schmidt
*Humancat*
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6:54 AM
by Cassiano Leonel Drum
R$ 33 milhões em jogo na MegaSena
Loteria dará hoje o maior prêmio do ano para quem acertar seis dezenas
Ainda há tempo para quem deseja se tornar o mais novo milionário do País. A MegaSena, acumulada há 10 sorteios, vai pagar aproximadamente R$ 33 milhões ao sortudo que conseguir acertar as seis dezenas no concurso 523, a ser realizado hoje, às 20h. As apostas podem ser feitas até as 19h, em qualquer lotérica associada à Caixa Econômica Federal.
Até hoje, o maior prêmio da história da MegaSena foi de R$ 64,9 milhões, dados a um ganhador da cidade de Salvador (BA) há três anos. A bolada de hoje é a maior do ano. Para garantir um presente de Natal antecipado, muitos apostadores fizeram fila nas casas lotéricas durante toda esta semana.
Na lotérica Mapa da Mina, na Tijuca, o movimento foi intenso durante toda a tarde de ontem. Célio de Barros, 36 anos, marceneiro, sempre joga na MegaSena. Apesar de nunca ter sido contemplado, não perde as esperanças e já faz planos, caso venha a ser o ganhador. Além das comprinhas básicas, colocaria o que sobrasse no banco e ia viver de brisa, sem fazer absolutamente nada, afirmou.
Já a vendedora Marilena Inácio, 52 anos, garante que, se conseguir se tornar a mais nova milionária do País, vai distribuir o dinheiro entre os parentes. Já tenho tudo o que preciso para viver, mas gostaria de deixar esse presentão aos meus filhos e netos, sonha. Mas a vendedora também faz um alerta: Tem que saber lidar com as pessoas interesseiras.
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6:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Quarta, 17 de dezembro de 2003.
Natal para todos na Internet
Menos temerosos, consumidores apostam nas compras em shoppings on-line para as festas de fim de ano
Alessandra Carneiro
Portais como o iG prepararam especial de Natal, enquanto o Bondfaro fareja os melhores preços e o Central de Desejos traz opção de amigo secreto on-line e lista de presentes
Nunca se comprou tanto pela Internet. E, quando chega o Natal, para fugir de filas e correrias em shopping centers, essa procura pelas lojas virtuais cresce ainda mais. A fase do medo de usar a Web para comprar está acabando. O internauta cada vez mais se conscientiza sobre suas vantagens, tornando-se um consumidor fiel, analisa Ademir Simão, gerente de Projetos da E-Consulting. Aliás, de acordo com a E-Consulting, 79% dos brasileiros que compram pela Web utilizam o cartão de crédito e apenas 10% recorrem ao boleto bancário.
Facilidade de pagamento, promoções, conforto e rapidez são os principais motivos que levam os consumidores aos shoppings on-line. E até o tradicional bate-perna em busca dos melhores preços é facilitado pela Internet, através dos sites de consultas de preços. O Bondfaro garante que o dia com maior audiência é exatamente hoje. Geralmente o dia 17 de dezembro é quando temos nosso pico de acessos. Foi assim nos últimos anos, diz Guilherme Pacheco, diretor executivo do site. Como fazemos comparação de preços, temos uma idéia dos produtos mais procurados. Ano passado os DVD players foram um sucesso, já este ano é a vez das câmeras digitais, admite Pacheco.
O aumento na audiência do Buscapé (http://www.buscape.com.br) pôde ser conferido já em setembro, quando o site pulou de 1,5 milhão de visitantes em agosto para 2,2 milhões no mês seguinte. As compras do final do ano fazem com que as pessoas queiram pesquisar os melhores preços sem sair de casa, afirma Romero Rodrigues, presidente do BuscaPé. No ano passado tivemos, entre novembro e dezembro, 1,7 milhão de visitantes únicos.
Agora, para o mesmo período, esperamos que esse número ultrapasse os 2,5 milhões, acredita. O portal Central de Desejos é outro otimista com este Natal. Nossa audiência cresce duas vezes e meia nessa época do ano, chegando a 1 milhão de visitantes únicos afirma Fred Trigueiro, diretor do site.
Os shoppings virtuais tradicionais também capricham nas promoções. Frete grátis em diversos produtos são comuns nesta época do ano e hotsites temáticos invadem as seções de presentes. O Submarino aparece com sugestões natalinas e listas para lembrar quem não pode ficar sem presente. A Americanas, em parceria com a e-fotos, oferece R$ 50 em impressões de fotos para quem comprar uma câmera digital.
Os portais também se enfeitaram para o Natal e trazem idéias de presentes, cartões virtuais, receitas natalinas e até preparativos para o amigo secreto. A página especial do iG pode ser vista em http://www.ig.com.br/paginas/especiais/natal2003/ e a do Yahoo em http://www.yahoo.com.br/finaldeano.
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6:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
Jogo aberto
Adriane Galisteu fala de TV, de Carnaval, da superexposição e de emendar um namoro no outro
Zean Bravo
Adriane Galisteu não é mulher de meias-palavras. Nem se utiliza do clichê não-falo-de-vida-pessoal para se esquivar. Pelo contrário. Discorre igualmente sobre trabalho em janeiro ela vai para Salvador fazer o programa Bahia 50º para o verão da Record , namoros e separações. Não tenho problema e sei lidar com exposição. Se me apaixono e acredito, falo. Comigo não tem pergunta saia-justa, avisa a apresentadora de 30 anos.
Depois do fim do namoro com o mexicano Jaime Camil, em setembro, Adriane se encantou com o ator/cantor Dado Dolabella, 23 anos, em novembro. Foi a primeira vez que fiquei solteira um tempo, admite, falando de apenas dois meses. Agora, mudou o roteiro dos fins de semana só para ficar com o novo amor, que cumpre agenda de shows em Minas Gerais. Ele está em turnê e só consigo vê-lo se despencar pra lá. Sou ariana, intensa e estou de verdade em toda relação que entro. E posso me dar ao luxo de pegar um helicóptero para ver o Dado, diz.
Ao falar de Dado, Adriane quase cai no lugar comum. ¿Estamos nos conhecendo. Não digo isso para escapar de nada. A gente está na melhor fase, em que ninguém tem defeito¿, derrama-se a loura, acostumada a ver o início, o meio e o fim de suas relações em capas de revista. Não posei com Dado para nenhuma capa. Mas também não tenho temperamento para ser uma mulher escondida. Melhor aparecer beijando alguém, demonstrando paixão, do que com uma arma na mão, exagera.
Sobre a fama de conquistador de Dado, ela não esquenta. Eu o conheci agora. Antes tinha outra imagem. Julguei só um lado (a versão da ex do cantor, Wanessa Camargo)¿. Nem o papo de que Dado aparece mais pelas namoradas famosas do que pelo trabalho a incomoda. ¿Sou emocional, se fosse racional não namoraria, diz.
Segundo Adriane, o tempo a ajudou ficar mais leve, divertida e calma. Acredito no amor e quero ter minha família, só não tenho essa pressa. E o casamento-relâmpago com o publicitário Roberto Justus, de apenas oito meses, em 98?. Não casei no papel. A gente comemorou a união. Foi precipitado, mas não me envergonho, nem me arrependo, garante ela, que critica os acomodados. Não sou a favor de manter relacionamento que não existe mais. Me arrisco.
Adriane afirma que arrisca, erra, acerta, mas não guarda mágoas. Nem da Portela, que a substituiu pela veterana Dodô, 84 anos, no posto de madrinha da bateria, que ela ocupava há sete anos. Não sou rancorosa. Há tempos a Portela desfila por desfilar. Mas merece ganhar.
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6:27 AM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
17/12/2003
Gafes
Acabei de ler uma matéria sobre as piores gafes de fim de ano. Uma delas é dar de presente roupas extra large - o presenteado sempre se sente mais gordo do que é. Ou beber demais nas festas e ficar inconveniente. Ou dar lingerie pra uma pessoa com quem não se tem muita intimidade. Ah, se todos os problemas do mundo fossem esses.
Gafe não é algo para ser levado a sério. Ao contrário, é a senha para a gente rir das nossas próprias trapalhadas. Claro que convém evitar gafes diplomáticas, como a do Lula dizendo que não esperava encontrar uma cidade tão limpa quanto Windhoeck, capital da Namíbia. "Nem parece um país africano." Escapou. Quem de nós não fala antes de pensar? Em 1982, Reagan chamou os brasileiros de bolivianos; em 1999, FH chamou bolivianos de peruanos, e até no showbiz acontece: este ano, Alanis Morissette encerrou um show em Lima gritando "Obrigada, Brasil!" Pois é, bebeu. Esse pessoal vive pra lá e pra cá, acho até que erra pouco.
Eu não erro pouco. Uma gafezinha por dia é minha média. Troco nomes, não reconheço fisionomias, pessoas me perguntam "lembra de mim?" e eu não lembro. Um fiasco.
Mas, semana passada, caprichei. Um rapaz veio conversar comigo durante um evento. Achei que o conhecia de algum lugar, mas não sabia de onde. De repente, caiu a ficha: "você é o Fulano de Tal, não é?" Não era. O Fulano de Tal tem uns 20 anos a mais do que o rapaz com quem eu estava conversando. Que, pra meu azar, era um sujeito sensível e bastante vaidoso. Ficou possesso. Me disse os maiores desaforos, que eu não tinha traquejo social, como eu poderia ter confundido os dois?
Bem-feito pra mim, quem mandou se aventurar na noite? Não vejo o Fulano de Tal há séculos, fiquei com uma imagem cristalizada dele na cabeça e não atinei pra diferença de idade. O rapaz não quis saber de desculpas. Só não atirou o champanha na minha cara porque ele não iria desperdiçar o seu drinque. Se fosse ácido, atirava.
Quem nunca perguntou "pra quando é o bebê?" para uma mãe que acabou de parir? Quem nunca perguntou "como vai seu pai?" para alguém que acabou de ficar órfão?
"É seu filho?" "Não, é meu namorado".
"Seu sapato está apertado?" "Não, sou manco de nascença."
E jogue a primeira pedra quem nunca disse bobagens constrangedoras em outro idioma.
Clemência para nós, os distraídos.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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6:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
17/12/2003
Mais um imposto
Era grande a grita, ontem, contra a criação da Contribuição da Iluminação Pública aprovada pela Câmara de Vereadores de Porto Alegre.
Os contribuintes sentem-se desamparados, todos os anos abatem-se sobre eles novos petardos tributários.
E no centro da arena os cristãos tributários vão sendo alvejados pelos dardos de novos impostos, vindos de todos os lados, disparados por todos os governos e por todos os Legislativos.
Agora mais esta flechada urdida silenciosamente. Colocou-se mais um penduricalho na conta da energia elétrica, já constituída em um terço de ICMS.
Os porto-alegrenses vão pagar 2,5% de taxa de iluminação pública em 2004, 3% em 2005, 3,5% em 2006.
Ou seja, aumento em cima de aumento, ano a ano, numa progressão carnívora.
Não bastassem a taxa de recolhimento de lixo, o Imposto Predial e o ICMS, mais um gravame: indiferentes ao clamor popular por um paradeiro no aumento da carga tributária, os governos e os parlamentos assestam as suas armas contra os indefesos contribuintes e vão inovando, criando tributos, cada vez mais diminuindo a capacidade aquisitiva da população, miserabilizando os pobres e empobrecendo a já obsoleta classe média.
Essa onda de criação de novos impostos e elevação das alíquotas parece ser uma compenetração dos senadores, deputados e vereadores, aliados aos governos. Todos eles se sentem licenciados a meter a mão no bolso dos cidadãos, tirando aos poucos dos orçamentos populares, sob forma compulsória e imperial, os recursos da sobrevivência das pessoas.
Os vergonhosos reajustes das tarifas de água, luz, telefone, combustíveis e pedágios superam em até três vezes a taxa inflacionária.
Chega dezembro e a tristeza começa a se abater sobre as pessoas, com o anúncio dos reajustes em até 30% nas tarifas, quando os salários e outros ganhos das pessoas durante o ano, se não estão desempregadas, beiram apenas os 10%.
Não se sabe mais onde vai parar esta fúria tributária que sufoca até a aflição os grandes contingentes populacionais.
E não bastassem os obcecados reajustes excessivos das tarifas, todos os anos são criados novos tributos, são engendradas novas formas de tornar permanentes os impostos provisórios e de emergência, uma sangria que não pára mais e vai devorando, de bicada em bicada, aos poucos, para que não se perceba a rapinagem, a resistência dos contribuintes, num somatório de impacto de esfolamento dos cidadãos que já vai chegando às raias do absurdo existencial.
Para um só serviço que o poder público tem de prestar, são instituídos dois ou três impostos ou tarifas paralelas.
A sofisticação para criar novas siglas tributárias chega ao seu auge a cada ano. E quando se pensa que está esgotado o repertório tributal, na calada da noite são decretadas novas sanções.
E já penduraram tantos tributos na conta dos espoliados que estes dançam entre a inadimplência, a falência pessoal e a miséria.
Idiotamente, os incentivadores dessa predação incontível não entendem que uma tal carga tributária impiedosa proíbe terminantemente o país de crescer.
Mas podem crer que ainda mais impostos e reajustes tarifários selvagens nos esperam além do dobrar do ano.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
Resgate
Em busca do escoteiro perdido
Equipes de resgate continuam à procura de Marcos Jardim, desaparecido há 10 dias na região de Aparados (foto Daiana Silva, divulgação/ZH)
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Terça-feira, Dezembro 16, 2003
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8:09 PM
by Cassiano Leonel Drum
Estou participando da Campanha:O Natal não morreu: http://www.lepanto.org.br/Natal.html e remeto esse texto que considero muito atual!
Quem não se lembra do Natal de outrora....
E quem não tem saudades? Lamentando-se: o Natal de hoje não é como o de antigamente...?
Vamos tentar reviver esse Natal? Leia, por exemplo, esses belíssimos versos:
"Uma rosa desabrochou de raiz tenra, tal como os antigos cantavam, e trouxe uma delicada flor em meio ao frio do inverno, no meio da noite. A rosa à qual me refiro, nos foi trazida por Maria, a donzela pura. Segundo desígnio eterno de Deus, Ela deu à luz a uma criança que nos torna bem-aventurados! Essa flor, tão pequena, nos dá um aroma doce, com seu brilho, afasta as trevas! Verdadeiro Deus e Verdadeiro Homem, afasta de todos nós os sofrimentos, salva-nos do pecado e da morte!"
Esta é a letra de uma das inúmeras músicas que existem para glorificar o acontecimento central da História do Ocidente, a encarnação do Verbo de Deus. Músicas que procuramos guardar e distribuir em nosso site: Clique aqui e ouça algumas dessas canções: http://www.lepanto.org.br/natalinas.htm
Todavia, quantos homens já não se lembram mais do Natal? Você Não acha que precisamos fazer alguma coisa?
Foi pensando nisso que a Frente Universitária Lepanto resolveu iniciar uma campanha a que estou ajudando e para a qual peço a sua adesão: O Natal não Morreu!: http://www.lepanto.org.br/Natal.html
Quantas pessoas distribuem inutilidades pela internet, para não dizer imoralidades!!! E quão poucas se dedicam a espalhar uma mensagem de Fé e de Esperança?! O que lhe pedimos? Apenas que envie este nosso e-mail aos seus amigos, convidando-os a entrarem nesta campanha. Um pequeno ato seu pode produzir muito!
Você não só estará enviando a seus amigos uma bela história para essa época tão importante, que é o Natal (história que segue ao final deste e-mail e muitas outras que estão em nosso site), mas estará participando da campanha da Frente Universitária Lepanto e ajudará tantas e tantas pessoas a conhecerem um pouco mais o significado profundo do dia 25 de dezembro!
Em nosso site (http://www |