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E N T R E L A Ç O S

Sábado, Janeiro 17, 2004




Dogville é fábula moral de Lars von Trier
Divulgação

A grande ousadia de Dogville, do dinamarquês Lars von Trier, que inventou o movimento Dogma 95, foi compor um filme que aposta nos mais puros recursos do teatro pobre.
Não há cenário algum, apenas um chão de madeira, com pouquíssimos objetos de cena e linhas pintadas no chão que definem as ruas e casas. O corpo dos atores, sua força expressiva e os diálogos completam o filme.

A cidadezinha de Dogville, onde acontece a história, não passa de um arcabouço para os olhos de platéias cinematográficas viciadas na profusão de efeitos especiais e montagem de videoclipe. Nada disso acontece aqui.

Não há portas nem janelas em Dogville, mas os personagens se comportam como se elas estivessem lá - há mesmo o som, quando um deles entra na casa do outro. E a platéia logo compartilha dessa cumplicidade que é, afinal, o que constrói o fascínio da ficção.

O filme de von Trier é como uma fábula moral, que traz uma heroína feminina que sofre o diabo. Ela é a protagonista Grace (Nicole Kidman), uma fugitiva de gângsters não-identificados que procura refúgio na vilazinha, um lugar isolado, onde as pessoas construíram um mundo à parte e de padrões morais estreitos.

Grace cai como uma fresta de luz nestas vidas mofadas. E pede refúgio, um pedido a princípio recusado, mas finalmente aceito, depois da intermediação de Tomas Edison Jr. (Paul Bettany), o intelectual da aldeia que de certo modo desafia os comportamentos tacanhos ao seu redor.

Mas há duas partes na epopéia de Grace. Na primeira, ela é aceita ao se tornar útil a cada um dos moradores, oferecendo sua companhia a um homem cego que não admite a cegueira (Ben Gazzara), colhendo maçãs para um sitiante (Stellan Skaarsgard) ou cuidando do pomar da mal-humorada Ma Ginger (Lauren Bacall).

Quando se intensifica a procura da polícia e dos gângsters à fugitiva, a cidade se torna mais avarenta e cobra um preço mais alto de Grace. O filme se torna mais sombrio até o terceiro ato, que cobra escolhas radicais na transformação da heroína.

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Diogo Mainardi
Para evitar o 2020 da CIA

"Da mesma forma que os restaurantes entregam a terceiros o serviço de manobristas, o governo deveria terceirizar a assistência aos miseráveis. O 'valet parking' da fome"

Futuro? Que futuro? O Brasil não tem futuro. Daqui a quinze anos, estaremos no mesmo buraco de agora. O Bananão continuará sendo um Bananão: corrupto, dominado pelo narcotráfico, tecnologicamente atrasado e com o meio ambiente devastado. O resto do mundo irá adiante, o Brasil ficará para trás. Pior do que nós, na América Latina, só o Haiti.

Foi o que previu a CIA, o serviço secreto americano, num relatório sobre as perspectivas globais para 2020. A CIA acha que as mudanças no Brasil serão menores e mais lentas do que deveriam. Não conseguiremos diminuir as injustiças sociais e a distância entre ricos e pobres. Por causa de uma dívida pública impagável e de uma mão-de-obra desqualificada, cresceremos menos que os outros países. Em compensação, a agricultura será beneficiada pelo fim das barreiras comerciais. Pelo relatório da CIA, o Brasil deve apostar tudo no campo. Já tivemos o ciclo do pau-brasil, o ciclo da cana, o ciclo da borracha, o ciclo do café. Chegou a hora do ciclo do farelo de soja. Nosso destino é a monocultura. O único modelo que vingou por aqui foi o da economia colonial. Temos de olhar para o passado, não para o futuro.

A CIA atribui o subdesenvolvimento brasileiro aos políticos. Claro que os políticos não concordam. Eles sempre lançam projeções otimistas para 2020. No primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, o ministro João Paulo dos Reis Velloso publicou o documento "Brasil 2020", estabelecendo metas ambiciosas para o país. Depois veio o ministro Ronaldo Sardemberg, que apresentou o "Projeto Brasil 2020". No governo Lula, o pensamento estratégico ficou a cargo do ministro Tarso Genro, no seminário "Visão Brasil 2020". Nos três casos, os políticos argumentaram que o Brasil está no caminho certo e que iremos crescer de maneira sustentada e com justiça social. Eles continuam a vender a ilusão de que o desenvolvimento nacional é uma inevitabilidade histórica. E nós, estupidamente, continuamos a acreditar.

Não há por que confiar na CIA. Como lembrou o senador Aloizio Mercadante, se a CIA soubesse prever o futuro, teria evitado os atentados de 11 de setembro. Ao contrário dos terroristas islâmicos, porém, o Brasil é tristemente previsível. Qualquer funcionário de segundo escalão do governo americano pode adivinhar que nosso país não tem a menor chance do jeito que está. O Estado custa caro demais e é ineficiente demais. Sem diminuir o Estado, nunca iremos crescer. Não foi apenas o comunismo que morreu na queda do Muro de Berlim: a social-democracia também morreu. Nenhum país subdesenvolvido tem dinheiro suficiente para montar e sustentar um aparato de proteção social. O poder público brasileiro oferece educação e saúde de má qualidade. Então é melhor não oferecer nada, delegando essas funções à sociedade. O poder público também não sabe cuidar dos miseráveis. Da mesma forma que os restaurantes entregam a terceiros o serviço de manobristas, o governo deveria entregar a terceiros a assistência aos miseráveis. O "valet parking" da fome.

O ano de 2020 fica longe demais. O pensamento estratégico do governo brasileiro chega apenas até as eleições municipais, com Maluf e Quércia no palanque de Marta Suplicy.

A seguir, se voces quiserem, poderão ler a reportagem principal da Veja da semana que vem "sobre o que torna você sexy".

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O que torna você sexy?

Acredita-se que a maior influência esteja relacionada a padrões culturais, mas uma série de estudos científicos pode ajudar a decifrar os mistérios da atração sexual

Daniela Pinheiro

Bob Wolfenson

A modelo Gisele Bündchen: exemplo indiscutível de beleza com alto poder de atratividade

Diz-se do amor que, para existir, deve pressupor certos laços estáveis entre duas pessoas: cumplicidade, lealdade, respeito e admiração são alguns deles. Já para a atração sexual, basta estar vivo. Aquilo que chamamos de "química", "estalo", "sex appeal", "libido" ou "tesão" independe da vontade própria e das circunstâncias. É algo que parece irresistível e incontrolável. Não importa se o casamento de alguém vai às mil maravilhas ou se a auto-estima está lá em baixo.

Acontece na fila do cinema, numa reunião de trabalho ou na academia. Ninguém está imune a sentir desejo por outra pessoa a qualquer momento, mesmo que a coisa pare por aí. A magia da atração sexual, antes discutida apenas no âmbito da poesia e da cultura, passou a ser estudada pela biologia. Além da aparência física, da conta bancária, do temperamento ou do simples impulso de reprodução proposto por Charles Darwin, ainda há uma confusão de hormônios, circuitos cerebrais e substâncias químicas influenciando a questão de com quem se gostaria de ir para a cama.

Há um debate acalorado e antagônico entre sociólogos, historiadores, antropólogos contra a turma das ciências naturais ¿ biólogos, neurocientistas, geneticistas. Para os primeiros, o grupo da área médica seria reducionista, orientado a limitar qualquer comportamento a sua dimensão orgânica.

Ou seja: a atração sexual seria inerente e o ser humano responderia aos impulsos guiado por seu código genético. Já os cientistas sociais, na visão dos oponentes, seriam pouco rigorosos, acostumados a disfarçar o proselitismo ideológico sob pesquisas acadêmicas, já que consideram o tesão resultado único de padrões culturais. "Como as duas correntes não conseguem se desmentir empiricamente, o mais correto é imaginar que a verdade esteja entre uma coisa e outra", afirma a psiquiatra Carmita Abdo, do Projeto Sexualidade, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

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Fotos divulgação/J.R. Duran

Carolina Dieckmann, Jennifer Lopez e Fernanda Lima (da esq. para a dir.): características físicas as tornam unanimidade entre o público masculino

VEJA reuniu um compêndio dos mais recentes estudos sobre o assunto apresentados em respeitadas publicações como New Scientist, The Lancet e Nature. A partir deles, é possível ter uma idéia do que já foi mapeado pela ciência. E isso é a novidade quando se trata de entender a atração sexual. Sabe-se que homens e mulheres são estimulados por critérios marcadamente diferentes. No Brasil, os indicadores são explícitos. Uma pesquisa inédita, realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro sob coordenação da antropóloga Mirian Goldenberg, comprova a tese.

Diante da questão "O que mais te atrai no sexo oposto?", a resposta campeã entre os homens foi "beleza" e, entre as mulheres, "inteligência". Para os homens, o instinto fala mais alto. De acordo com os trabalhos internacionais, está provado que o que mais os excita, à primeira vista, é a anatomia. Pura e simplesmente. É passar pela frente uma jovem cheia de curvas para que a maioria se sinta imediatamente provocada. Jovialidade e beleza são também fatores importantes.

Preferência nacional

Uma pesquisa inédita da Universidade Federal do Rio de Janeiro ouviu 1 300 homens e mulheres, entre 20 e 50 anos, para saber o que as pessoas acham que mais as atrai sexualmente.
A MAIORIA DAS MULHERES RESPONDEU "INTELIGÊNCIA", ENQUANTO MAIS DA METADE DOS HOMENS DISSE "BELEZA"

Já para elas, mesmo no momento inicial do desejo, o jeito, o olhar, a voz e até o sorriso do sujeito características extremamente subjetivas contam mais. A estampa, é lógico, é levada em consideração, mas está longe de ser determinante. "Homem atraente, acima de tudo, tem de ter uma postura interessante, um jeito especial.

Não dá para precisar o que é isso, mas eu sei identificar se ele aparecer na minha frente", diz a atriz Juliana Paes, que causa frenesi em dez entre dez homens no país. Pesquisadores ingleses garantem que a atração sexual se dá em 150 milésimos de segundo. É o tempo que leva para o cérebro responder se uma pessoa vale a pena. Acredita-se que a atração comece no hipotálamo, área do sistema nervoso responsável pela produção de hormônios que controlam características do organismo como a fome, o sono e o humor. Dali, envia-se uma mensagem à hipófise, que produz hormônios para as glândulas sexuais. Essas reagem produzindo estrogênio, progesterona e testosterona. Em segundos, o coração dispara, os músculos tensionam e o impulso está dado.

A partir dos trabalhos publicados, é possível traçar um perfil aproximado do tipo que faz sucesso. E por que faz sucesso. O que não significa que aqueles fora das especificações estejam fadados à solidão perene. Segundo as mais recentes pesquisas, pode-se chegar à conclusão de que o tipo irresistível para as mulheres tem voz grossa, é cobiçado, diz que faz ginástica e tem um cheiro que lembra o do pai dela.

Se a mulher for bonita, a exigência da beleza do parceiro aumenta. Se ela estiver ovulando, diminui. Pode parecer esdrúxulo, mas são constatações feitas por renomados centros de estudos internacionais. Segundo pesquisadores da Universidade de Ontário, no Canadá, a simples menção ao fato de exercitar-se (nem precisa ser verdade) já os faz mais interessantes aos olhos femininos. Em outra pesquisa, acadêmicos da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, verificaram que homens que falam em freqüências mais altas são tidos como fracos e covardes. As mulheres chegam a acreditar que os machões de voz grossa sejam mais fortes e mais cabeludos que os de voz fininha. Daí a preferência.

Os especialistas da Universidade de Louisville, no Kentucky, demonstraram que, quando uma mulher mostra interesse por um homem, ele se torna mais facilmente objeto de desejo das demais. É a prova de que um selo de ISO 9000 pode ser um afrodisíaco feminino. Da Universidade de Chicago veio a constatação de que as mulheres, inconscientemente, optam por homens que tenham um cheiro parecido com o de seus pais. E na Escócia os pesquisadores concluíram que durante a ovulação as mulheres acham os homens feios mais bonitos, depois de submeterem mais de 100 voluntárias a testes.

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Selmy Yassuda

"Fazia muito tempo que eu não sentia nada por alguém. Quando o vi, me deu uma coisa, senti uma felicidade que não provava havia anos."

ATRAÇÃO FATAL
Isabela e o marido, Marcelo Macedo, casados há dez anos

Já o modelo que mais atrai os homens tem traços mais infantis, corpo curvilíneo, lábios grossos e cheira a lavanda. Um extenso levantamento conduzido pelas universidades de Regensburg e Rostock, na Alemanha, mapeou as características faciais que mais seduzem o sexo masculino. Mulheres de olhos grandes e arredondados, testa larga, nariz e queixo pequenos e maçãs do rosto acentuadas ¿ o que caracteriza o rosto de crianças ¿ levam vantagem. Não que haja algum traço de pedofilia na escolha. É que o conjunto é visivelmente mais harmônico. Durante o experimento, foram apresentadas duas fotos de várias mulheres adultas. Uma, como elas são. A outra, alterada no computador visando a obter proporções infantis. A maioria dos entrevistados preferiu a versão "criança" dos rostos. Traduzindo para a vida real, são rostos como o de Kate Moss, da Brigitte Bardot dos bons tempos ou mesmo de Carolina Dieckmann.

Se a preferência é por rosto angelical, quando se trata de corpo o campeão é o de uma Vênus. Uma pesquisa suíça concluiu que o tipo cobiçado pela maioria esmagadora dos homens é o de quadris mais largos que a linha da cintura. Estabeleceu-se, inclusive, quais seriam as medidas. A proporção tida como ideal é de 0,7 (medida da cintura) para 1 (quadris). Algo que serve para magras como Fernanda Lima ou voluptuosas como Danielle Winits. O que interessa é a proporcionalidade. Quando as costas são mais largas em relação aos quadris, diz o estudo, o interesse dos homens diminui.

A mais fresca notícia, divulgada na semana passada, vem da Universidade Politécnica de Hong Kong. Garantem os pesquisadores chineses que a relação entre o volume corporal e a altura de uma mulher pode explicar com segurança seu poder de atratividade. Entretanto, a equação proposta pelos chineses traz certa dificuldade de cálculo. Primeiro, é preciso saber o volume, em metros cúbicos, do corpo para que se possa dividi-lo pelo quadrado da distância entre o queixo e o pé. Melhor deixar pra lá. "Eu só uso meu olho clínico. Gosto do padrão universal: bunda grande, seios firmes e cheiro bom é o que está valendo", afirma o ator Paulo Vilhena, que já namorou beldades como Luana Piovani, a cantora Sandy e a modelo Maryeva Oliveira.

Valério Trabanco/Vip

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"Homem para mim tem de ter postura. Eu não sei muito bem definir isso, mas sei reconhecer se vejo um exemplar assim. "

PAIXÃO INEXPLICÁVEL
A atriz Juliana Paes, a bonitona da vez

O rosto, se também for simétrico, pode ser garantia de êxito entre os homens. O nariz não precisa ser arrebitado nem a boca em forma de coração. Mais uma vez, o que conta é a harmonia. Pesquisadores australianos também mediram a atratividade dos rostos femininos. A fórmula usada foi calculada pelo matemático grego Pitágoras no século VI a.C. Ao que tudo indica, vale até hoje. Para um rosto perfeito, a proporção entre a largura da boca e a do nariz deve ser de 1,618 para 1. O rosto de Gisele Bündchen, por exemplo, enquadra-se no padrão. Um estudo da Universidade Dalhousie, no Canadá, diz que pessoas com rosto assimétrico são mais ciumentas. A explicação da teoria é que, como são menos atraentes, temem mais pela perda do parceiro.

É evidente que ninguém sai por aí com uma régua na bolsa. Mas, segundo os especialistas, apesar de essas serem particularidades insignificantes, o cérebro consegue percebê-las. Se estiver com os neurônios em ordem, é claro. Outra pesquisa provou o que todo mundo que freqüenta bares já sabia: depois de uns goles a mais, ninguém é mais tão feio. Estudo do Departamento de Psicologia da Universidade de Glasgow, na Escócia, constatou que, após consumirem cerca de cinco cervejas ou três copos de vinho, 25% de homens e mulheres passaram a achar estranhos mais atraentes do que os entrevistados sóbrios submetidos à presença das mesmas pessoas.

A lógica da perfeição

Depois de vários estudos, cientistas chegaram a uma regra que traduziria as medidas de um corpo feminino considerado muito atraente pelos homens. Veja como ele é:
A PROPORÇÃO TIDA COMO IDEAL ENTRE A LINHA DA CINTURA E O QUADRIL É DE 0,7 PARA 1

É certo que os resultados de todos os estudos sobre as prováveis influências na escolha da alma gêmea podem ser discutíveis. É impossível estabelecer um padrão universal de beleza ou de atratividade. A diversidade étnica e cultural em todo o planeta proporciona um leque enorme de ideais para cada sociedade. Nos Estados Unidos, por exemplo, os seios causam furor nos homens. Já no Japão a nuca feminina é considerada a parte de maior sensualidade. É bom que seja assim. Mas o interessante é perceber quanto as observações científicas podem ajudar a decifrar o jogo sexual, a explicar aquela comichão que se sente diante de um desconhecido. "Os trabalhos são relevantes porque apontam o que uma maioria expressiva da população tem como padrão. Isso ajuda os especialistas a compreender melhor o comportamento humano. No entanto, nenhum deles deve ser visto isoladamente", reitera Carmita Abdo.

Uma particularidade das pesquisas é que a maioria delas trata mais dos mistérios da tensão sexual das mulheres. É sobre o que ocorre com elas que menos se sabe, já que sua libido é notavelmente influenciada por fatores socioculturais. Ao contrário, estudos com homens parecem apresentar os mesmos resultados desde o tempo das cavernas: anatomia pura. A teoria científica usada para explicar tal fenômeno é a do imperativo biológico, ou seja, as escolhas e preferências de parceiros sexuais ainda são influenciadas pela procura por melhores genes para uma futura prole.

Homens buscariam mulheres jovens e atraentes, pois detectariam na juventude a possibilidade de gerar muitos filhos, e na atratividade, a saúde do corpo para enfrentar a gravidez e suas repercussões. Já a mulher estaria de olho em um parceiro com dispositivos internos de força, poder e capacidade de proteção para ela e sua prole. "Quando o vi, fiquei completamente inebriada. Mas não fui para a cama direto", diz a carioca Isabela Piereck, 35 anos, que se casou com o empresário paulista Marcelo Macedo, 38 anos, dois meses depois de se conhecerem. "Foi uma atração louca. Mas eu queria saber primeiro se ele não era um aventureiro", lembra.

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Ivone Perez

"O que faz o tesão durar é a admiração. Isso é imprescindível, porque nos faz querer estar sempre com a pessoa, aprender com ela."

QUÍMICA DO AMOR
A atriz Danielle Winits, atualmente sem namorado

Sob a ótica evolucionista, é como se, antes de dar uma piscadinha para um sujeito do outro lado do balcão do bar, toda mulher já pensasse no rosto que teria o filho de ambos. "E é verdade. Só que isso não passa pela consciência. É algo tão intrínseco que a consciência não chega a ter a percepção desse processo", explica o geneticista Renato Zamora Flores, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O fato é que a mulher é capaz de sentir desejo tão intenso quanto o homem.

A diferença é que ela não é escrava do impulso. Ela pode ficar muito excitada por um sujeito, mas só irá para a cama com ele depois que critérios subjetivos forem satisfeitos. "Elas não isolam o componente sexual quando falam sobre atração. É uma questão cultural. Mas isso está mudando na nova geração. As mulheres vão assumir o desejo pelo desejo, tal como os homens. Aí, sim, vamos poder esperar novidades nessa área", afirma o psiquiatra Ronaldo Pamplona da Costa, da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana. A parte boa é que também se constatou que, se a relação perdura, homens e mulheres passam a valorizar traços mais profundos, como inteligência, senso de humor e orientação religiosa.

A teoria evolucionista é aplicada com freqüência no entendimento da libido humana. A questão do cheiro é um dos temas mais debatidos. Há dezenas de pesquisas que apontam indícios de que homens e mulheres se comunicam através de odores corporais associados a substâncias produzidas pelas glândulas apócrinas, os feromônios.

O mesmo ocorre com a maioria dos animais, das abelhas aos macacos. O poder dos feromônios sempre foi muito incensado, principalmente por laboratórios e fabricantes de perfumes que prometem milagres sexuais ou mesmo a descoberta do Viagra feminino. Nos Estados Unidos, chegou-se a comercializar um produto, chamado Feromônio Atenas 10x, que diziam basear-se na substância e ser um infalível erotizante. Foi um fracasso. Duas pesquisas polêmicas feitas na Europa apontam para uma possível veracidade, mas são inconclusivas. Na Inglaterra, uma equipe de cientistas da Universidade Northumbria projetou fotografias de mulheres e pediu a vários homens que avaliassem seu sex appeal. A classificação "atraente" era mais freqüente quando os cientistas borrifavam o ambiente com feromônios. Na Alemanha, também mostraram fotos e pediram que os voluntários cheirassem roupas íntimas das mais feias.

A avaliação sobre a beleza das mulheres melhorava. Está provado que mulheres que dormem ao lado de um homem tendem a menstruar e ovular mais regularmente, ao mesmo tempo que, nesse homem, a barba cresce mais rápido. Mulheres que convivem muito costumam sincronizar a menstruação. "Pode ser tudo influência do feromônio, mas, como ninguém sai cheirando o outro na rua, sua verdadeira importância na hora da conquista deve ser minimizada", diz Eliano Pellini, coordenador do Setor de Ginecologia Endócrina da Faculdade de Medicina do ABC.

Pelo menos um arraigado mito popular parece estar com os dias contados, se depender da ciência. Aquele que reza que os opostos se atraem. Estudos provam que a maior atração sexual se dá entre pessoas que se assemelham fisicamente ou têm o mesmo estilo de vida. Acadêmicos da Universidade de St. Andrews, na Escócia, afirmam que as pessoas tendem a achar mais bonitos indivíduos com características parecidas às suas e às de seus pais. Na pesquisa, os tipos escolhidos pela maioria dos 200 entrevistados lembravam os próprios pais ou seus familiares. Recente estudo da Universidade da Califórnia, publicado na revista Nature, corrobora a tese. Segundo esse trabalho, pessoas bonitas se sentem mais atraídas por parceiros bonitos do que ricos. E os endinheirados preferem gente do mesmo status às pessoas dotadas de grande beleza.

Outra pesquisa americana aponta que 80% dos casais são semelhantes em quatro fatores: faixa etária, grau de escolaridade, religião e raça. "A regra dos casais é a homogeneidade, e isso se dá também na atração física. As pessoas temem quem se parece melhor ou diferente demais delas mesmas", diz Ailton Amélio da Silva, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Aqui termina esta reportagem. Agora, feche os olhos e pense nas pessoas que você conhece. Do outro sexo, obviamente. Huuummm...

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O homem considerado sexy tem:

pele morena
cabeça estreita
lábios cheios (não grossos) e simétricos (o inferior igual ao superior)
sobrancelhas escuras e espessas
cílios fartos e escuros
a metade superior do rosto maior que a inferior
maçãs do rosto altas (mais perto dos olhos)
mandíbula e queixo proeminentes
pálpebras estreitas
ausência de rugas entre o nariz e a boca, conhecidas como bigode chinês

Fonte: Universidade de Regensburg, Alemanha

A mulher considerada sexy tem:

pele bronzeada
cabeça estreita
pouca gordura nas bochechas
lábios grossos
sobrancelhas escuras e finas
cílios longos e fartos
maçãs do rosto salientes
nariz fino
ausência de olheiras
pálpebras estreitas

Fonte: Universidade de Regensburg, Alemanha

A balela sobre o gene gay

Em 1993, o geneticista americano Dean Hamer surpreendeu o mundo científico ao anunciar a descoberta de uma região do cromossomo X, chamada Xq28, herdado das mães, que abrigaria um gene relacionado à orientação sexual. Esse seria o elemento que faltava para sustentar a teoria de que a homossexualidade seria genética. Colou por algum tempo, mas a doutrina não sobreviveu a um exame de sangue. Seis anos depois, um grupo de especialistas canadenses examinou o sangue de 53 pares de irmãos, treze pares a mais do que os pesquisados por Hamer, e concluiu ser impossível sustentar tal afirmação.

Na mesma época, outro estudo ficou famoso. O do neurocientista inglês Simon LeVay, que procurava pistas da homossexualidade no cérebro. Ele examinou o hipotálamo de vários homens e mulheres e constatou que o dos gays tinha tamanho diferente. Os resultados foram logo contestados. LeVay dissecou o cérebro de algumas pessoas mortas pela Aids, o que não quer dizer que fossem homossexuais ¿ já que há outros grupos de risco expostos à doença.

Desde então, o que se sabe sobre a predisposição de alguns indivíduos a ser atraídos por alguém do mesmo sexo continua bem mais obscuro do que aquilo que se conhece no campo da heterossexualidade. É improvável, contudo, que exista um gene que, por si só, determine a orientação sexual ou outros comportamentos humanos. É mais plausível que os fatores genéticos tenham uma participação apenas indireta, relacionando-se a traços comportamentais e influências externas, de caráter psicossocial, no desenvolvimento tanto da sexualidade quanto de outras formas de expressão das pessoas.

Falar sobre o gene gay hoje é o mesmo que defender a predisposição humana ao crime, à capacidade de persuasão ou ao gosto artístico. Movimentos gays defendem que a procura de uma causa orgânica ou genética serviria só para justificar a insistência de alguns setores em achar uma possível "cura" para a homossexualidade.

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Nos corredores
Semana terá mostra de jóias, salão de negócio, exposição de paisagismo e sorvete de cerveja
Flávia Motta

O Fashion Rio, evento oficial da moda brasileira, entra em cena com a bênção de São Sebastião, padroeiro da Cidade Maravilhosa. De terça-feira a sábado, as previsões do que será moda no inverno 2004 ganharão foco nas passarelas do MAM, que se transforma em reduto dos fashionistas. Na quarta edição do evento, participam grifes - do Rio, São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Minas, Bahia e Santa Catarina - em 22 desfiles. Entre viagens retrô, inspirações urbanas, bordados artesanais e tecidos de última geração, vem à tona o estilo de uma gente bronzeada que quer mostrar seu valor. Amém.

Semana que vem o Museu de Arte Moderna terá energia para a iluminação de 150 casas. Só em refletores, o número é maior que os das praias do Leblon, de Ipanema e Copacabana juntos. Tudo isso para uma edição para lá de iluminada do Fashion Rio que, pela quarta vez, também sedia o Jóia Brasil e o terceiro salão de negócios Fashion Business.

Reunindo 15 expositores da Escola de Design da PUC-Rio à tradicional H. Stern, o Jóia Brasil terá ambientação glacial, numa alusão às fotos de jóias sobre blocos de gelo do catálogo do fotógrafo Sergio Pagano. Na quarta-feira, a mostra vai ter desfile de pés, que vão exibir as cobiçadíssimas Havaianas de ouro e diamantes da H. Stern.

Feito para os comerciantes, o Fashion Business pretende movimentar R$ 200 milhões entre quarta e sexta-feira. Quase 80 marcas, entre lojas e pólos de confecções, vão expor peças para serem negociadas. A feira é um grande facilitador de negócios e dá visibilidade às marcas, garante Luiz Chor, vice-presidente da Firjan, patrocinadora e organizadora do Fashion Rio. Entre negócios já fechados, o estilista Walter Rodrigues vai comprar do pólo de Nova Friburgo todas as peças de lingerie para sua coleção.

Na área de convivência estará o disputado Espaço LOréal que, desta vez, possibilita às convidadas brincar de fazer batom. As atrizes Carolina Dieckmann, Alinne Moraes e Débora Bloch vão passar por lá. Para refrescar quem for conferir a semana de moda, a sorveteria Mil Frutas lançará novos sabores: Loura, Ruiva e Morena, feitos com cerveja Devassa. Já as comidinhas ficam por conta do Cafeína. Também aberta ao público será a mostra Jardins do Rio, com oito painéis de obras do paisagista Roberto Burle Marx, cujo Jardim Copacabana, no MAM, foi restaurado para o Fashion Rio.

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Desinibidas

O fôlego de Deborah Secco, que dançou sem parar durante o Claro Rio de Verdade, acabou revelando outras qualidades da atriz. A blusa ensopada de suor deixou à mostra os seios turbinados (1, ao lado do namorado, Marcelo Faria) e fez a alegria dos marmanjos que apreciavam a performance da loura durante os shows de Gabriel, O Pensador e Moraes Moreira, quinta-feira, na Marina da Glória. Alheia à transparência, ela não se incomodou com o pipocar sem fim dos flashes... Em Nilópolis, Wanessa Camargo roubou a cena, sambando de minissaia na quadra da Beija-Flor. A cantora deu show de rebolado, simpatia e desinibição (2) até 3 da manhã! Luma de Oliveira não ficou atrás. No lançamento de seu calendário Anjos do Brasil, na Ilha Fiscal, a empresária exibiu generoso decote, que por pouco não a deixou com o seio de fora (3). E o verão só está começando...


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Quarenta mil cabeças vão rolar
ROSANE SCHOTGUES LEVENFUS/
Psicóloga e coordenadora educacional do Ensino Médio do Colégio Israelita



Chegou a hora do listão, ou melhor, da listinha: 4,3 mil aprovados na UFRGS. O listão dos 40 mil excedentes não sairá nos jornais. Seria uma denúncia e tanto: bons alunos de escolas excelentes não entram nas universidades. Nenhum dos filhos dos diretores da Fuvest conseguiu entrar na USP - óbvio: mais candidatos do que vagas.

Quem não entrar nas melhores universidades poderá vencer o vestibular buscando faculdades pagas de diversos níveis ou cursos de menor prestígio. Como o universo público não absorve a demanda, universidades particulares criam um rosário de vestibulares fáceis, preços competitivos e cursos rápidos, diplomando profissionais em áreas sem tradição acadêmica. Apesar das incertezas do mercado de trabalho, existe uma clientela sedenta por um diploma universitário qualquer, pois o subemprego de nível superior é melhor do que os empregos de nível médio que remuneram cerca de 124% menos.

Sem pressa em concluir o curso, estagiários universitários tendem a adiar sua formatura alegando desejo de obter mais experiência para enfrentar o mercado de trabalho. Diante da pouca oferta de trabalho, os jovens têm que concorrer com adultos também desempregados. Segundo o IBGE, do total de desempregados, metade é formada por jovens de até 24 anos. Eles não perderam seus empregos, sequer os conquistaram.

Empresários alegam não contratar jovens porque não têm experiência. Ou a escola entende que deve preparar o aluno para um mundo sem emprego, investindo na formação de empreendedores da melhor qualidade, ou estará somente vendendo promessas de aprovação em vestibular. Foi-se o tempo em que um diploma significava um bom emprego.

Seria menos complexo não fosse a catástrofe emocional que recai sobre a juventude. O professor e psicólogo Perosa (PUCSP) aponta conseqüências desse fenômeno: o jovem sente-se rejeitado, podendo apresentar depressão e revolta com reações às raias da violência. Privado de autonomia, de renda própria e da realização plena dos valores de nossa cultura, o mundo adulto ainda ordena ao jovem que seja feliz. A consigna da hora é: "Consumam e divirtam-se".

Está formada a confusão entre "divertir" e "divergir": os jovens perderam a noção do que é felicidade. Passaram a buscá-la em drogas, velocidade, emoções fortes e, ainda insatisfeitos, redobram suas aventuras. Vejam a frase da moda: "Prefiro viver 10 anos a mil por hora do que mil anos a 10". Parece refletir que ninguém está a fim de esperar o longo tempo que levará para atingir a verdadeira liberdade de gerir a própria vida.

Estando difícil tomar a direção, nunca vimos tantos noticiários sobre universitários envolvidos em dramas familiares que chegam ao assassinato, brigas com mortes e acidentes de carro.

E foi na madrugada que um grito lancinante de um jovem morrendo contra um poste me tirou o sono. Fiquei com uma única impressão: alguma coisa está errada.

Não pode ficar assim. Outras 40 mil cabeças vão rolar.

Game over.

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Lya Luft
17/01/2004


E nós, e nós?

(Partilho com vocês esse e-mail, punindo-me pelas vezes em que também eu desperdiço tempo e vida com bobagens.)

"Cara autora: seu livro chegou num momento em que me encontro em processo de análise, refletindo sobre minhas perdas e ganhos nesta vida.

Estava concluindo um mestrado em Lingüística na UFF (já em fase de dissertação) quando descobri um câncer de mama. Foi através de uma mastectomia que tive uma perda inevitável: a mama direita. Junto com a perda do peito, veio a dos cabelos, do prazo de entrega da dissertação... Você nem imagina! Mas não perdi a vontade de viver e... de escrever.

Atravessei um período muito difícil, mas hoje celebro meu mais recente ganho: um peito novo, muito bem reconstituído. Interessante que quando vivia o processo de luta contra a doença, minha amiga, a atriz XX, sua grande fã como tanta gente da Globo, atores e atrizes, vivia na telinha uma personagem com o mesmo problema.

Até hoje não sei se a ficção me ajudou a viver a realidade ou minha realidade ajudou a ficção. Quando li seu livro, pensei logo: vou dar um de presente à X. E não é que ela estava lendo o mesmo livro? Como moramos em cidades diferentes, usamos o correio eletrônico, e a tônica de nossas últimas correspondências tem sido o seu Perdas & Ganhos.

Quando mestranda na UFF, fiz uma disciplina com a doutora Solange Vereza intitulada: 'A metáfora e a indeterminação do sujeito'. Infelizmente, por problemas burocráticos (você conhece bem o funcionamento de uma universidade), não pude escrever minha dissertação sobre a metáfora, meu assunto favorito. Li Lakoff&Jonhson 'Metaphors we live by' e concordo com os autores quando dizem que as metáforas não só refletem uma realidade mas também criam essa realidade.

Você que chama a si mesma de 'incorrigível otimista', apresenta uma outra possibilidade para as mulheres de mais de 50 anos, com metáforas que criam uma outra realidade. Estou contagiada por aquelas que se relacionam à alma, como por exemplo, 'as varandas da alma', a possibilidade de se envelhecer sem 'osteoporose na alma'. É lindo, Lya! Fiquei muito frustrada quando perdi o prazo na Universidade, mas acho que não perdi o prazo na Vida. Quero escrever sobre as metáforas da sua obra. E desta vez não terei um 'supervisor' me dizendo o que tenho que ler e o que fazer com o corpus. Também não tenho problema de prazo. Quero viver muito! Quer me orientar??? Um abraço, YY."

lya.luft@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
17/01/2004


A sós com o assassino

Logo que começaram as reconstituições das mortes dos meninos na Região Norte, não sei por que fiquei intrigado sobre quem faria o papel dos garotos assassinados nas reencenações promovidas pela polícia.

Achei logo que poderia ser um menino, afinal nessas reconstituições é sempre perseguida a máxima fidelidade possível.

Mas se nas várias reconstituições um menino fosse colocado como dublê dos garotos assassinados, mesmo encenando, à mercê do assassino em diversas ocasiões, não restaria ao garoto-ator um trauma?

Na edição de hoje de Zero Hora há uma reportagem instigante sobre as sensações da pessoa que serviu de dublê das vítimas nas reconstituições.

Trata-se da perita criminalista Marion Gonçalves Werhli, que foi escolhida por medir 1m55cm e pesar apenas 45 quilos, compleição aproximada dos garotos que foram assassinados.

Pelo seu relato, pode-se avaliar que foi sensata a decisão das autoridades em não escolher como dublê das vítimas, para as simulações, um garoto.

Até a experiente perita escolhida, que já vivenciou tantos locais macabros de crime, se emocionou e chegou a chorar várias vezes durante as reconstituições.

A perita conta que por diversas vezes sentiu bem junto de si a respiração ofegante do assassino, ouvia as batidas do seu coração, conviveu de perto e intimamente com um monstro.

Em uma ocasião, ela tinha os olhos fechados mas correu certo risco, o assassino ergueu-a nos ombros junto a um beiral de 15 metros de altura, os policiais todos ficaram a postos para a emergência de que o assassino fosse se jogar daquela altura - ou jogá-la de lá num gesto de loucura.

Por várias vezes o acusado Adriano da Silva envolveu o pescoço da perita com suas mãos nas diversas reconstituições.

A perita confessa que tinha estremecimentos, pensava no seu filho de 10 anos e imaginava a sorte dos meninos mortos sob aquelas esganaduras.

No caso do menino Douglas Haas, cujo cadáver foi carregado pelo assassino em um carrinho de mão, foi quando a perita passou pelo maior desconforto.

O corpo do menino morto era menor que o da perita e ela teve de se desdobrar para caber no carrinho, fez até um ferimento no ombro no esforço da contorção.

Em todas as encenações, o assassino se mostrou cordial e manso, mas a perita Marion confessa que os atos simulados foram sempre cercados de alguma tensão.

Há um momento descrito pela perita que excita o imaginário de todos: ela reclamou do assassino que ele estava apertando demais o laço da corda que envolvia seu pescoço. Sensacional.

Sim, porque o assassino não era dublê.

Essa rica entrevista feita pela repórter Vivian Eichler, de ZH, com a perita que foi dublê das vítimas dos assassinatos seriados leva-nos no entanto a calcularmos os instantes de terror por que passaram os menores assassinados.

Se em reconstituições que foram assistidas e providenciadas por inúmeros policiais armados, ainda assim havia tensão por parte dos circunstantes e da dublê, como não teriam sido aterrorizantes os instantes em que as vítimas estava sob a inteira mercê do assassino?

Inenarráveis sofrimentos.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Mumbai homenageia Porto Alegre
LETÍCIA SANDER
Enviada Especial/Mumbai




Porto Alegre foi citada 28 vezes durante os discursos de abertura do 4º Fórum Social Mundial, ontem, em Mumbai, na Índia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi referido 12 vezes. O destaque desta edição, diferentemente das realizadas na capital gaúcha, é a variedade de tipos humanos. Tentando entender os diferentes movimentos sociais presentes, o prefeito João Verle criticou algumas falhas da edição da Índia e prometeu um fórum em 2005 ¿ainda melhor¿ do que os eventos anteriores realizados em Porto Alegre (foto Manish Swarup, AP/ZH)


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Sexta-feira, Janeiro 16, 2004




Nova sedução virtual
Criar um fotolog, o diário fotográfico da Net, vira mania entre os brasileiros

Mariana Abreu Sodré

Sucesso: a publicitária Roberta recebe mais de sete mil visitas semanais à sua página Bisbilhotar a vida alheia, conhecer gente nova, autopromover-se, contar a própria história ou fazer uma coluna social particular.
Estas são algumas das possibilidades de uso do fotolog, o diário fotográfico virtual que vem se tornando mania. Atualmente cerca de 240 mil pessoas no mundo possuem um fotolog ou simplesmente flog. Destas, mais de 135 mil são brasileiras, ou ao menos declaram ser, já que não há como comprovar a veracidade das informações deixadas pelos usuários. Os dados são do site americano www.fotolog.net, no qual o interessado em ser um fotologger expõe fotos, selos, reproduções ou desenhos, acompanhados de um pequeno texto. O serviço é gratuito e o registro, rápido. Qualquer candidato a compartilhar seu dia-a-dia com os internautas constrói um fotolog em poucos minutos. A graça, no entanto, não é montar um álbum on-line, e sim receber comentários, críticas ou elogios de visitantes de todo o planeta. O serviço também funciona como caixa de recados.

A associação de imagens pessoais com o bate-papo praticamente elimina a possibilidade de o autor manter o anonimato. Também diminui a fantasia do internauta já que quem está do outro lado é facilmente identificável. Diferentemente do que acontece nos blogs diário eletrônico que antecedeu o fotolog , o forte neste recurso são as imagens. Os frequentadores acompanham a vida dos autores, que acabam virando um personagem.

Essa fama virtual pode surpreender. A publicitária Roberta Cezvre, 22 anos, possui há seis meses um fotolog com imagens de sua turma em festas. Outro dia, levou um susto ao ser abordada numa boate por um desconhecido. Ele chegou e me chamou de Betinha1981, meu nome de fotologger, conta ela. Ao contrário do que ocorre com muitos adeptos, Roberta não costuma estabelecer novas amizades por meio do recurso eletrônico. Ele serve para a minha turma conferir a última balada, conta. Assim como Roberta, o DJ Johnny Luxo também encontrou no flog uma maneira de manter contato com os amigos. Ele tem dois fotologs: um particular e outro em parceria com o estilista Alexandre Herchcovitch. Quando estamos de bobeira, chamamos
amigos maquiadores ou fotógrafos e produzimos fotos travestidos de divas do cinema, conta o DJ.

Diversão Enquanto Johnny usa o fotolog para divulgar os eventos em que vai tocar, o amigo Herchcovitch prefere não misturar trabalho e lazer. Nosso objetivo é a diversão, diz o estilista. No www.fotolog.net/ellas (endereço da dupla hype), o internauta comum poderá deliciar-se apenas com as imagens. Deixar mensagens é prerrogativa dos mais íntimos. Por US$ 5 mensais, eles mantêm um serviço especial o Gold Cam que permite a troca de idéias com visitantes pré-selecionados. A restrição não impede, no entanto, que o navegante entre no estilo de vida modernete dos dois descolados.

Não menos moderno, o multimídia e autor do livro A foto (Ed. Objetiva), Alberto Renault, não chega a dividir a sua vida num fotolog, mas adora fiscalizar a vida de amigos pelo meio eletrônico. Curto ler as mensagens deixadas por outros visitantes, conta. É bem possível que Alberto tenha sido o primeiro a usar na literatura o diário eletrônico de imagens. Um dos personagens de seu livro romanceado é adepto do recurso. Não há como evitar. Estamos na era da imagem, define.

Fama em rede: O estilista Herchcovitch e o DJ Johnny Luxo partilham seu dia-a-dia no divertido flog ella s.

Falar pelas imagens era exatamento o objetivo principal dos idealizadores do fotolog, os americanos Adam Seifer, Scott Heifermann e Spike. Eles queriam manter contato com amigos e familiares, que somados chegavam a 200 pessoas, trocando fotos de viagens e programas e impressões pessoais. No início de 2002, criaram o site. A idéia agradou tanto que eles abriram o serviço para a rede mundial de computadores. Hoje, há páginas para todos os gostos e tribos.

O site faz uma fiscalização contra cenas obscenas ou chocantes, mas não impede que algumas delas apareçam em um ou outro fotolog. O sucesso de cada um é medido pelo servidor. Um e-mail com os números dos visitantes da semana massageia o ego dos mais populares. E para dar uma espiadinha nos fragmentos cotidianos de cada um deles basta um clique.

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Cheios de raça
Com maior visibilidade na mídia, os negros comemoram resultados importantes na luta contra o preconceito

Camilo Vannuchi, Liana Melo e Sara Duarte
Colaboraram: Chico Silva (SP), Eduardo Hollanda (DF), e Celina Côrtes
e Ricardo Miranda (RJ)


Taís Araújo comemora: Já estava mais do que na hora de sermos reconhecidos como parte significativa da cultura brasileira Na primeira vez que uma emissora brasileira ousou transmitir uma novela com um protagonista negro, o ator branco Sérgio Cardoso foi escalado para o papel. Hoje, 35 anos após a estréia de A cabana do Pai Tomás, a escolha despertaria tamanho rebuliço que, provavelmente, a produção seria abortada antes mesmo do primeiro capítulo. Se o Brasil ainda amarga uma situação de extrema desigualdade racial e a televisão é infinitas vezes mais branca do que a população , não faltam indícios de que mudanças importantes começam a acontecer.

Pela primeira vez, o Brasil conta com quatro ministros e um juiz do Supremo Tribunal Federal negros, possui uma secretaria especial dedicada à promoção da igualdade racial e, vencendo um preconceito que perpassa toda a história da mídia no País, uma atriz negra assumirá pela primeira vez o papel de protagonista em uma novela da Rede Globo. Para Taís Araújo, Da cor do pecado que estréia na segunda-feira 26 tem sabor de realização. Em 1996, a atriz conquistou o público com Xica da Silva na produção homônima da extinta TV Manchete. A diferença, comemoram os ativistas, é que, desta vez, não se trata de um personagem histórico, inserido no contexto da escravidão.

Aos 25 anos, Taís viverá a feirante maranhense Preta, que desperta a paixão do botânico carioca Paco (Reynaldo Gianecchini), herdeiro de uma grande fortuna. Para viver sua história de amor, o casal terá de superar as investidas dos personagens de Giovanna Antonelli, que faz a noiva do galã, e de Jonathan Haagensen, na pele do ex-namorado de Preta.

Com um currículo de sete novelas, três filmes e cinco peças de teatro, essa carioca de sorriso largo aproveita para dar seu grito de liberdade. Chega de interpretar papéis secundários. Já estava mais do que na hora de sermos reconhecidos como parte significativa da cultura brasileira. Espero que não demore 20 anos para outro ator negro ter novamente um papel principal, alerta a atriz.

A atual lua-de-mel de Taís Araújo com a tevê é apenas a ponta do iceberg. O movimento de afirmação da população negra na teledramaturgia brasileira existe há quase 40 anos. No livro A negação do Brasil: o negro na telenovela brasileira, o cineasta Joel Zito Araújo, doutor em ciências da comunicação, mostra que foi preciso muita luta para que, aos poucos, o negro ganhasse espaço na telinha. Da cor do pecado ainda é exceção.

Quando um negro aparece em uma novela, o público encara como uma medida politicamente correta, e não como natural, diz ele. Sueli Carneiro, diretora do movimento de mulheres negras Geledés, lembra que Taís Araújo foi para a Globo depois do sucesso de Xica da Silva e teve de esperar anos para ter um papel de destaque. A emissora tem uma dívida para com 50% da população, que raramente se vê retratada de forma justa. A escolha da atriz é uma conquista, diz ela. A própria Globo comemorou nas páginas dos jornais a escalação do primeiro apresentador negro do Jornal Nacional, o jornalista Heraldo Pereira. E ele só cobria férias.

Da mesma forma, é saboreado o sucesso de atores como Jonathan Haagensen, 20 anos, e Sérgio Menezes, 31. O primeiro despontou no papel de Cabeleira no filme Cidade de Deus e conseguiu trocar os papéis marginais por um personagem central. Na nova trama global, ele vai disputar com Paco o amor de Preta. O fato de eu ser negro não deveria ser motivo de tanta especulação. Quero ser visto como um bom ator, e não como um bom ator negro, o que é diferente, diz Haagensen. Sérgio Menezes, que vive o fotógrafo Bruno Carvalho em Celebridade, tem consciência de que seu papel contribui para a luta contra o racismo. Quando saímos do quarto de empregada e ganhamos destaque, melhoramos a auto-estima da população.

Para uma criança negra e pobre, é positivo ver um negro bem-sucedido, diz o ator. O personagem de Menezes teve um caso com a vilã Laura, interpretada pela loira Cláudia Abreu. As transas do casal não causaram polêmica, mas quebraram um tabu de duas décadas. O ator talvez não se lembre, mas, em 1985, Zezé Motta foi vítima de uma chuva de protestos por interpretar a namorada de um personagem branco (Marcos Paulo) em Corpo a corpo. Diziam que Marcos Paulo deveria estar precisando muito de dinheiro para aceitar me beijar na boca, comenta Zezé.

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DANÇANDO CONTIGO

Anna Paes

Quando seus olhos cruzaram os meus,
naquele imenso salão...
Meu coração disparou qual coração adolescente.
Você se aproximou...
Tocou minha mão e me puxou para dançar.
Quanta emoção naquele instante...
Sentia sua respiração a meu ouvido..
Beijinhos escondidos ...
Nossos corpos tão próximos..
nosso olhar pedindo beijos..
Uma inquieta aventura..
Uma só dança...
A noite era só prá nós dois.
Dançamos no largo salão e nos amamos.

DANÇAR COM VOCÊ

Lukass

A música toca,
fecho os olhos, vejo você.
Calmamente trago-a junto a mim,
nossos corpos colados,
amor e prazer,
viajo pelo teu corpo,
os pés saem do chão,
não existe mais ninguém,
só nós dois no salão.
Dançar com você,
é pura emoção,
te amar, tem sabor de
paixão

Do mesmo link recebido de meu amigo Orbatiuck

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DANÇANDO CONTIGO
Edna Liany Carreon

Enquanto danço contigo...
E sinto teus braços a me enlaçar,
sinto-me leve, como se estivesse a voar...
O som maravilhoso de um bolero,
nos embala... então, nos abraçamos,
sentimos a presença do amor...
A música suave é um alento
e nós dois aproveitamos o momento,
momento mágico para dois enamorados...
Nossos corações assim colados,
pulsam descompassados,
enquanto nós pelo salão,
dançamos no compasso
de dois apaixonados...
E quando a música termina...
voltamos a pisar o chão...
Meu olhar encontra o teu,
então meu olhar te diz:
- Estarás sempre em meu coração...

Link enviado pelo meu amigo Orbatiuk/Curitiba/PR

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Tom Cruise com toque oriental
O ator está no filme "O Último Samurai", uma das quatro estréia de hoje no cinema

Tom Cruise protagoniza o longa-metragem "O Último Samurai"

Tem filmes para todos os gostos no Centerplex Mogi. Quatro estréias podem ser conferidas a partir de hoje: "O Último Samurai" é a grande novidade da semana, com Tom Cruise direto da terra do Sol Nascente. Para a garotada há mais opções, "Mansão Mal Assombrada", um misto de terror e comédia, com Eddie Murphy; "O Gato", longa-metragem com Mike Myers e Alec Baldwin e a pré-estréia de "Os Rugrats e os Thornberrys Vão Aprontar", que traz os personagens do canal pago Nickelodeon.

Em "O Último Samurai", Tom Cruise interpreta um personagem que lhe rendeu indicação ao Globo de Ouro. Ele encarna um ex-soldado americano que, traumatizado com o massacre de índios inocentes, aceita ir para o Japão treinar o primeiro exército ocidentalizado do país. Só que lá, ele é capturado por samurais rebeldes e se apaixona pela cultura dos lendários guerreiros. A direção é de Edward Zwick, de Lendas da Paixão.

Eddie Murphy vive um corretor imobiliário no filme "Mansão Mal Assombrada", que fica preso com a família em uma velha mansão habitada por fantasmas por causa de uma tempestade de origem misteriosa. Lá, encontra o excêntrico Gracey, seu mordomo e moradores invisíveis. Para escapar, conta com a ajuda de uma cigana presa numa bola de cristal. A direção é de Rob Minkoff.

Mike Myers, Alec Baldwin, Kelly Preston, Dakota Fanning, Spencer Breslin, Amy Hill, Sean Hayes, Danielle Chuchran estão no infantil "O Gato", de Bo Welch. O filme é baseado na obra de Dr. Seuss, escritor de O Grinch, conta a história de um gato malandro que, com a ajuda de dois amigos mais travessos ainda, destrói a casa de seus donos. O felino falante tem 1,80 metro, chapéu listrado vermelho e branco e "gravatinha" esquisita, com uma queda enorme por diversão.

Em pré-estréia, de "Os Rugrats e os Thornberrys Vão Aprontar", o "casseta" Cláudio Manoel dubla o cachorro dos Rugrats. Tommy Pickles terá a chance de conhecer o seu herói na vida real quando toda a família, de férias, se vê perdida numa ilha deserta. Presos, os Rugrats se deparam com lagartos, leopardos e plantas carnívoras, sem mencionar a pior presença de todas: os Thornberrys! Spike não está com o seu faro muito apurado e se perdeu dos Rugrats em plena floresta. Será que Eliza Thornberry, que fala a língua canina, conseguirá ajudá-lo a encontrar seus amigos antes que Siri, o leopardo branco, transforme essa aventura num pesadelo?

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Oriente a seus pés
Tom Cruise estrela O Último Samurai, superprodução de 100 milhões de dólares com cenas de batalha de arrepiar
Tatiana Contreiras



Prisioneiros, Nathan (Cruise) se envolve com a generosa Taka (Koyuki), viúva de um homem que ele matou

É difícil explicar a relação entre galãs e filmes épicos. Se Mel Gibson vá lá, quase abandonando o posto teve Coração Valente e Brad Pitt exibiu os belos olhos e um pouco mais em Lendas da Paixão, não seria Tom Cruise que ficaria de fora. O Último Samurai, superprodução de US$ 100 milhões dirigida por Edward Zwick, chega hoje às telas cariocas com muitas batalhas grandiosas, discussões éticas, o embate entre modernidade e tradição, bela fotografia e, claro, Tom de todos os jeitos. Ferido, lutando, gritando, chorando, ele gasta sua beleza nas duas horas e meia de filme.



Na batalha, os samurais, liderados por Katsumoto (Watanabe, centro) e Algren (Cruise) lutam contra um exército

Estados Unidos, 1870. O capitão Nathan Algreen (Cruise), veterano da Guerra Civil americana, é um alcoólatra atormentado com o passado que vive de contar historinhas dramatizadas sobre sua experiência em combate para curiosos. Até o dia em que é contratado pelo empresário e ministro japonês Omura (Masato Harada) para treinar o novo exército do imperador do Japão. Algren acaba convencido pelo seu antigo comandante na guerra americana, o Coronel Bagley (Tony Goldwin), e principalmente pelo dinheiro.

Japão, 1870. O imperador Meiji (Shichinosuke Nakamura) quer modernizar seu país com o (colonizador) apoio dos Estados Unidos, interessado em novos mercados e armar um exército mais ocidental, com canhões em vez de espadas. A situação é um golpe para Katsumoto (Ken Watanabe), líder dos samurais, antiga linhagem de guerreiros, treinados para servir o imperador o mesmo imperador que passa a virar as costas para eles, e que de forma contraditória, começa a combatê-los. Os samurais viram rebeldes, vistos como obstáculos para um Japão moderno.

Depois da primeira e mal-sucedida batalha contra Katsumoto e seus seguidores, Algren, acuado, é capturado como prisioneiro. Levado para a cidadela dos samurais, o americano, até então com vida desregrada, se encanta com a disciplina oriental. Fica impressionado com a dedicação à arte da guerra dos samurais, com seus códigos de honra e troca experiências com Katsumoto, interessado em aprender com o inimigo. Algren aprende japonês e revê conceitos.

O que mais impressiona em O Último Samurai (além de Tom Cruise, obviamente) é a magnitude das cenas de guerra. Há quem diga que o filme se arrasta em certos momentos. Mas o embate final no campo de batalha compensa quaisquer falhas que acompanhem uma visão hollywoodiana do Japão. Já do lado dos mocinhos, de quimonos e armaduras, Cruise convence como samurai das Américas e sem olhos puxados, que se joga na guerra sem medo lição dos orientais.

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Consórcio para empresa

Caixa lança produto que financia a compra de imóveis para pessoa jurídica em até 10 anos
Cristiane Campos

A Caixa Econômica Federal abriu novo consórcio imobiliário para pessoa jurídica. A modalidade beneficia quem quer ampliar seus negócios ou atuar em estabelecimento próprio. As cotas variam entre R$ 15 mil e R$ 150 mil, com prazo de pagamento de até 10 anos. A taxa de administração é de 1,7% ao mês. Anualmente, as cartas de crédito e as prestações serão corrigidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Segundo revelou ao DIA o diretor da Caixa Consórcios, Ricardo Talamine Cardoso, o modelo para pessoa jurídica é parecido com o da física e vai atender a uma reivindicação dos empresários da construção civil. A expectativa da Caixa é fechar o ano com 15 mil cotas. O empresário Leandro Tavares, da Leleco Sapatos e Acessórios, acredita que a linha vá ajudar a ampliar o negócio, com a abertura de novas lojas.

Os interessados em participar precisam estar com a empresa legalmente constituída no País, com atos constitutivos registrados na Junta Comercial ou no Cartório de Registros Especiais de Pessoa Jurídica. Outra exigência é estar devidamente registrado na Secretaria da Receita Federal e ter a situação regularizada no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ).

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Rio corre risco de perder lugar

Só depois de negociação encerrada, deputados tentam convencer Lula a manter no primeiro escalão ministros representantes do estado
Lúcia Leão e Raphael Gomide

BRASÍLIA E RIO - A reforma ministerial que está sendo finalizada no Palácio do Planalto pode deixar o Rio fora do primeiro escalão do Governo federal. Só ontem, quando José Dirceu (Casa Civil) deu por encerrada a fase de negociações com os partidos, as lideranças políticas do estado iniciaram as articulações para manter ao menos um representante na Esplanada. Em conversa com o presidente do PT, José Genoino, o deputado Jorge Bittar (PT-RJ) argumentou que o equilíbrio federativo no Governo ficaria comprometido a se concretizarem as saídas dos ministros Miro Teixeira (Comunicações) e Benedita da Silva (Assistência Social) ele considera o caso de Roberto Amaral (Ciência e Tecnologia) definido, já que pôs o cargo à disposição.

Genoino considerou o argumento procedente e justo, e prometeu se empenhar para que isso não ocorra, disse Bittar. Parlamentar fluminense de melhor acesso ao Planalto, ele disse que conversará hoje com Dirceu. Vai defender que se dê mais tempo para Benedita e que Miro Teixeira seja deslocado para outra pasta. Com a exclusão do Rio, o petista, pré-candidato a prefeito do Rio, pode sofrer ataques dos adversários nas eleições.

O deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) também está indignado com a possibilidade de o Rio perder assento no Ministério. Ele tentará convocar uma reunião da bancada federal na segunda-feira. O Rio é sempre punido. Não sei se ainda haverá tempo, mas temos de tomar posição, defendeu.

Para Carlos Santana (PT-RJ), se houver vontade política, há tempo. Para ele, tudo é o resultado da falta de articulação dos representantes do Rio. Em política, sempre tem tempo. O fato é que não houve um único político que fizesse uma articulação a favor do estado nessa reforma.

Deputados prometem guerra se houver mais mudanças

Se não se uniu para articular politicamente, a bancada fluminense mesmo a de oposição se une nos protestos contra a saída de Miro Teixeira. Ele é respeitado por todos, e está sendo tirado para contemplar essa aliança esdrúxula, essa salada ideológica patrocinada pelo Governo, reagiu o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ). Tem qualificação e representatividade para defender os interesses do estado, lamentou Moreira Franco (PMDB-RJ). Alheio aos desagravos, Miro disse que aguarda serenamente a hora de voltar para o Congresso.

O deputado Chico Alencar também defendeu Miro, mas tem poucas esperanças de salvar os ministros fluminenses. Ele já pensa em resguardar o que restaria ao estado no Governo federal, o presidente do BNDES, Carlos Lessa. Ele é intocável. Se ainda sair o Lessa, vamos para a guerra, afirmou. Para ele, o desprestígio do Rio é também fruto da crise de partidos e da falta de quadros no estado. Para Lindberg Farias (PT-RJ), a perda dos ministérios não representa desprestígio. O Rio é prioridade para Lula.

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Paulo Sant'ana
16/01/2004


A mulher-bomba

O assalto de anteontem ao carro-forte da Prosegur, na BR-116, em Barra do Ribeiro, teve cenas cinematográficas, dignas dos mais movimentados filmes de aventura.

Houve a utilização de cinco veículos roubados, vários deles incendiados, tiros de fuzil, lançamento de granada, interceptação do blindado na estrada por caminhões, explosão de um cofre, uma ação combinada que transformou um trecho da estrada em um verdadeiro inferno.

Tornam-se já freqüentes esses ataques a carros transportadores de dinheiro nas rodovias gaúchas.

Esse serviço de transporte de dinheiro terá de se sofisticar, com a adoção de roupas e máscaras antifogo e com oxigênio, tal o perigo que estão correndo os guardas que protegem o dinheiro transportado.

Não é descartável também que passem a transportar o dinheiro em um comboio de carros-fortes, um deles somente portando o dinheiro, os outros servindo de laranjas ao principal.

Os métodos dos assaltos estão cada vez mais ousados e utilizam maior apuro. Os transportadores de dinheiro vão ter também que se modernizar.

Recebo do secretário da Segurança, deputado José Otávio Germano, um levantamento estatístico, que segundo ele comprova que não há resignação das autoridades policiais com o avanço da criminalidade.

A estatística mostra que houve 2.165 prisões em flagrante no Estado em 2002, enquanto que em 2003 o número subiu para 2.531. Um aumento de 16,91%.

As operações de policiamento somaram 2.342 em 2002, contra 5.184 em 2003, aumento de 113,16%, mais que o dobro.

Em 2002 foram apreendidas 602 armas de fogo, já em 2003 foram 682, um crescimento de 13,29%.

Finalmente, foram capturados 510 foragidos em 2002, contra 730 em 2003, um aumento de 43,13%.

Como se vê, a Polícia Civil e a Brigada Militar esforçam-se em seus misteres, contudo há um crescimento da criminalidade que espanta no noticiário, com pessoas de todas as espécies atirando-se aos ataques patrimoniais.

O secretário da Segurança orgulha-se de a polícia ter prendido em menos de 24 horas um dos líderes da quadrilha que assaltou o carro-forte anteontem em Barra do Ribeiro, com apreensão de forte armamento.

Ineditamente, uma palestina de 22 anos, mãe de dois filhos menores, a quem declarou amar como a seu marido, fez-se explodir anteontem em um atentado suicida, quando foi parada numa barreira fronteiriça com Israel, em Erez.

Três soldados e um civil israelense morreram e entre os sete feridos estão quatro palestinos.

A suicida deixou um vídeo, no qual declara: "Sempre foi meu desejo transformar meu corpo em uma mortal contra os sionistas e sonhava me tornar uma mártir e morrer por meu povo".

Impressiona no caso o amor declarado da terrorista suicida por seu marido e dois filhos, de um ano e meio e três anos e meio, colocando acima dessa devoção pela família o ódio racista.

Esses homens e mulheres-bomba do Oriente Médio se constituem no mais intrigante enigma sobre a mente humana na transição recente dos dois milênios.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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David Coimbra
16/01/2004


O velho Chaleira Preta

Chaleira Preta, chefe dos cheyennes, era amigo do homem branco. Tinha ganho dos ianques uma bandeira dos Estados Unidos e a promessa de que seu povo se acharia em segurança, enquanto vivesse à sombra dela. Por isso, chamou todos os índios a se postarem em volta da bandeira, quando os soldados da cavalaria americana invadiram o acampamento de Sand Creek, na manhã de 30 de novembro de 1864.

Chaleira Preta não compreendia a invasão. Os próprios americanos haviam sugerido que os cheyennes se instalassem ali. Mais: convenceram os guerreiros a deixar a aldeia e partir para os campos de caça ao búfalo. Ou seja: em Sand Creek só estavam velhos, crianças e mulheres, as squaws. Foram esses que se homiziaram sob a bandeira, quando do ataque.

- Não fiquem com medo! - gritava Chaleira Preta. - Os soldados não vão feri-los.

Mas os soldados começaram a disparar. Um dos americanos contou mais tarde que, nesse momento, viu Antílope Branco, um índio de 71 anos, se aproximar dos soldados com as mãos para cima, pedindo que parassem. "Parou e cruzou os braços. Até ser atingido", testemunhou o americano. Ao expirar, Antílope Branco cantou a canção de morte dos cheyennes:

Nada vive muito tempo

Só a terra e as montanhas.

De imediato, um soldado pulou sobre o velho, arrancou-lhe os genitais e disse que ia fazer uma bolsa de fumo com eles. Outro americano relatou: "Vi uma squaw com a perna quebrada por um obus. Um soldado foi até ela com o sabre desembainhado. Ela levantou um braço para se proteger. Ele a golpeou, quebrou-lhe os dois braços, depois deixou-a, sem matá-la. Havia cerca de 40 squaws reunidas numa caverna como abrigo. Enviaram uma menina de seis anos com uma bandeira branca num pau. Foi atingida e morta. Todas as squaws na caverna foram mortas. Todo mundo que vi morto estava escalpado. Vi uma squaw cortada com um filho ainda não nascido ao seu lado".

Morreram 105 mulheres e crianças e 28 homens no Massacre de Sand Creek. A data assinala também a introdução na América do escalpo, uma invenção inglesa.

Essa e outras histórias de igual jaez estão no comovente Enterrem meu Coração na Curva do Rio, que desde a década de 70 vendeu 4 milhões de exemplares, foi relançado em novembro pela L&PM e já teve a edição esgotada. Li o livro justamente neste verão. Resultado: exultei com a prisão do piloto americano que fez um gesto obsceno no aeroporto de Cumbica. São muitos séculos de arrogância americana. Alguém tinha que fazer alguma coisa. Olhei a cena da prisão e bradei para meus perplexos colegas aqui da Redação:

- Essa é pelo Chaleira Preta, pessoal! Pelo velho Chaleira Preta!

david.coimbra@zerohora.com.br

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Pré-Olímpico
Chile segura o Brasil de Robinho



Quadrilha usou cinco veículos para interceptar e incendiar carro de valores no município de Barra do Ribeiro (foto Marcelo Hernandez, AP/ZH)


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Quinta-feira, Janeiro 15, 2004




REPAREI QUE A POEIRA SE MISTURAVA ÀS NUVENS

Reparei que a poeira se misturava às nuvens,
e, sem pôr o ouvido na terra,
senti a pressa dos que chegavam.

Disse-me de repente: "Eis que o tropel avança".

Mas todos me olhavam como surdos,
e deixavam-me sem responder nada.

Vi as nuvens tornarem-se vermelhas
e repeti: "Eis que os incêndios se aproximam".
(Mas não havia mais interlocutores.)

"Eles vêm, eles não podem deixar de vir",
balbuciei para a solidão, para o ermo.

E já por detrás dos montes subiam chamas altas;
ou eram estandartes ou eram labaredas.

Perguntei: "Que me vale ter casa, parentes, vida?

Sou a terra que estremece? Ou a multidão que avança?
Ó solidão minha, ó limites da criatura!

Meu nome está em mim? No passado ou no futuro?

Ninguém responde.
E o fogo avança para meu pequeno enigma".

Apenas um anjo negro entreabriu seus lábios,
verdadeiramente, como um botão de rosa.
"Death".

DEATH?
Por que me falas nesse idioma?, perguntei-lhe, sonhando.
Em qualquer língua se entende essa palavra.
Sem qualquer língua.

O sangue sabe-o.
Uma inteligência esparsa aprende
esse convite inadiável.

Búzios somos, moendo a vida
inteira essa música incessante.
Morte, morte.

Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.

A vida é a vigilância da morte,
até que seu fogo veemente nos consuma
sem a consumir.

Cecília Meireles

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Meteu o dedo onde não devia
Piloto americano resolve fazer gracinha ao ser fichado em São Paulo, mas acaba dedurado por foto digital e cai nas mãos da Polícia Federal
Érika Röesler

O piloto americano saiu preso do Aeroporto de Guarulhos (alto) enquanto, no Rio (centro), os turistas André Souvestre (E) e Jeff Bllustin se esbaldavam com as mulatas. Jeff não se queixou de ser fichado: Esperei 20 minutos, mas valeu a pena. Kristine Farrel (acima) chegou até a ensaiar passos de samba

SÃO PAULO - O piloto Dale Robin Hersch, 52 anos, da American Airlines, colocou o dedo na ferida das relações entre Brasil e Estados Unidos. Ontem, ao passar pela identificação obrigatória no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, resolveu fazer graça na hora da foto digital. Dedo médio para cima, achou que policiais federais não perceberiam o gesto obsceno disfarçado ao segurar papel com o número da ficha.

Mas eles notaram e usaram o princípio da reciprocidade: se o piloto não gostou de passar pelo fichamento, eles também não gostaram do gesto. Hirsch foi preso, acusado por desacato a autoridade e encaminhado à Justiça Federal. Para livrá-lo do processo se condenado, pode receber pena de 6 meses a 2 anos de prisão, executivos da companhia botaram a mão no bolso para pagar multa de R$ 36 mil.

O braço forte da Polícia Federal não caiu apenas sobre Hersch. Os outros 10 tripulantes do avião que protestaram contra a prisão do colega foram impedidos de entrar no País. O piloto fez um gesto conhecido internacionalmente como obsceno e provocativo, afirmou o superintendente da PF em São Paulo, Francisco Baltazar da Silva. A tripulação se portou de maneira jocosa, fazendo piadas e desprestigiando os policiais federais, disse o porta-voz do órgão, Wagner Castilho, referindo-se ao registro das digitais.

Americano ficará detido até cheque ser compensado

A multa, equivalente a 150 salários mínimos, será doada ao asilo São Vicente de Paulo, em Guarulhos. O procurador da República Matheus Baraldi Magnani disse que o valor foi calculado com base no salário do piloto, 10 mil dólares. Além do gesto, o sorriso sarcástico representou absoluta falta de respeito à nação brasileira¿, avaliou Magnani. O cheque foi entregue à noite, mas o passaporte do americano ficará retido até a compensação. Hersch passou o dia preso por não morar no Brasil. À tarde, foi ouvido pela juíza Giselle de Amaro e França, da 1ª Vara Criminal de Guarulhos.

Em nota oficial, a American Airlines pediu desculpas ao Governo brasileiro, às autoridades portuárias, à Polícia Federal e a quaisquer outras pessoas que acreditem terem sido desrespeitadas. O superintendente da PF disse que o piloto se mostrou arrependido e surpreso com a repercussão. O vôo, procedente de Miami, chegou a São Paulo às 9h30.

Assessor Internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia considerou intolerável e arrogante a atitude, mas ressaltou que o incidente foi tratado como um episódio policial.

No Rio, americanos só faltam ser postos no colo. Para diminuir o constrangimento do fichamento, prefeitura, estado e entidades ligadas ao turismo vêm caprichando na recepção. Ontem, foram recebidos no Aeroporto Tom Jobim por duas mulatas e pela batucada do Samba Drums. (Colaborou Isabela Kopke)

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PRÉ-OLÍMPICO
A primeira decisão

Seleção pré-olímpica terá hoje uma prova de fogo diante do Chile, dono da casa, precisando da vitória para escapar da repescagem
CONCEPCIÓN, CHILE - A vitória de 3 a 2 do Chile sobre o Paraguai, na rodada de terça-feira, custou ao Brasil a liderança no Grupo A do Pré-Olímpico. Com sete pontos contra nove dos chilenos , a Seleção sub-23 será obrigada a derrotar os donos da casa, hoje, às 23h10 (de Brasília), no Estádio Municipal de Concepción (Chile), se quiser ser a primeira colocada e, automaticamente, assegurar uma vaga no quadrangular final da competição.

Pelo regulamento, o vencedor dos Grupos A e B estará garantido no quadrangular que definirá as duas seleções classificadas para a Olimpíada de Atenas, em agosto. As outras duas vagas para a fase final do torneio sairão do confronto entre o segundo colocado de uma chave contra o terceiro da outra.

Embora a vitória logo mais seja uma obrigação, qualquer resultado diferente não significará o fim do projeto Atenas. Mesmo perdendo, a Seleção ainda será a segunda colocada, já que Paraguai (3), Uruguai (2) e Venezuela (1) não podem mais alcançá-la.

Há, também, outro fator que motiva Ricardo Gomes e seus comandados: os quatro dias de descanso desde a última partida domingo, debaixo de forte sol, no empate em 1 a 1 com o Uruguai. Com certeza, o cansaço nos prejudicou. Fizemos dois jogos em 48 horas, enquanto o Chile ganhou uma folga na tabela e pegou o Paraguai descansado, ressaltou o treinador.

No fim do treino, Ricardo Gomes recebeu ótima notícia. Elano, que sofrera entorse no tornozelo esquerdo na partida contra o Paraguai e esteve ameaçado de corte, treinou normalmente, nada sentiu e está confirmado Wendell voltará à reserva. Estou recuperado e confiante. Do contrário, eu mesmo pediria para não jogar, disse o apoiador.

Apesar do decepcionante resultado de domingo, Ricardo Gomes fez questão de levantar a auto-estima dos seus jogadores. Segundo ele, a quebra da seqüência de vitórias derrotou Venezuela (4 a 0) e Paraguai (3 a 0) não significa que o time perdeu a motivação.

Criamos inúmeras chances, só não finalizamos. É normal. O importante foi ver a consciência tática dos atletas, o amadurecimento deles e saber que o ambiente continua o melhor possível. O pensamento aqui é um só: vitória, declarou Ricardo.

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O sonho da mudança
ABRÃO SLAVUTZKY/ Psicanalista

Um povo com desejos de transformação elegeu Lula para presidente. Embora o primeiro ano de governo tenha sido pobre em conquistas, as reformas não terem emocionado, o crescimento ter sido quase zero, o pessimismo econômico foi superado, renascendo a confiança.

Através da História, os homens imaginaram tempos mais felizes, em que paz e justiça social seriam necessárias na busca do paraíso perdido. Entre tantos, cito Isaías, Thomas Morus e Karl Marx. Este chegou a imaginar uma sociedade onde cada um trabalharia conforme suas possibilidades e ganharia segundo suas necessidades. Porém, até aqui seguem distantes as possibilidades de uma vida mais igualitária e pacífica. Neste sentido, o Fórum Social Mundial é um espaço de sonho na busca de um novo mundo.

Mudar é difícil em todos os níveis: seja no social, seja no individual, a tendência sempre é a de conservar o que foi estabelecido. Na ciência ou na arte, o novo é considerado subversivo e precisa tempo para ser aceito. Nada muda tão rapidamente, ainda mais em um país onde as elites acostumaram-se a mandar sozinhas. É um espanto lembrar que há pouco mais de um século havia a escravidão negra, que marca ainda esta sociedade.

Na prática, a teoria é outra, pois sempre implica acertos políticos, limites jurídicos, conciliações difíceis, pressões econômicas. Mas dos conflitos surgem as mudanças, como já dizia Heráclito de Efeso na Grécia: "O conflito (polémos) é o pai e o rei de todas as coisas". Polémos é traduzido também por guerra, combate, enfrentamento, que é constitutivo da realidade, e faz parte da transformação. As mudanças mágicas são sedutoras, mas já mostraram seus desvios e perigos, por isso é preciso superar essas velhas ilusões.

A busca por um país mais humano, com menos pobreza e violência, deveria ser uma meta de todos. Embora o espetáculo anunciado esteja distante, é possível que os alicerces de uma sociedade melhor estejam sendo construídos. O governo prometeu mais do que poderia realizar, mas o importante é não perder a paciência, como já ocorreu com intelectuais imediatistas.

Em 1926, Sigmund Freud escreveu: o eu, ao buscar a satisfação, deve se adaptar à realidade, mas também é possível intervir e alterar o mundo exterior, em busca de maior satisfação. É preciso decidir quando é necessário dominar as paixões e aceitar a realidade ou tomar partido por elas e pôr-se em pé de guerra frente ao mundo exterior: aí está o alfa e o ômega da sabedoria. O criador da psicanálise não foi o conservador que pintam! O desafio portanto é aprender o que pode ser mudado e aceitar o que não e para isso é preciso saber e ousar.

A palavra sonho tem muitos sentidos: é a via régia para o inconsciente; há o bom sonho de S