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E N T R E L A Ç O S

Sábado, Janeiro 17, 2004




Dogville é fábula moral de Lars von Trier
Divulgação

A grande ousadia de Dogville, do dinamarquês Lars von Trier, que inventou o movimento Dogma 95, foi compor um filme que aposta nos mais puros recursos do teatro pobre.
Não há cenário algum, apenas um chão de madeira, com pouquíssimos objetos de cena e linhas pintadas no chão que definem as ruas e casas. O corpo dos atores, sua força expressiva e os diálogos completam o filme.

A cidadezinha de Dogville, onde acontece a história, não passa de um arcabouço para os olhos de platéias cinematográficas viciadas na profusão de efeitos especiais e montagem de videoclipe. Nada disso acontece aqui.

Não há portas nem janelas em Dogville, mas os personagens se comportam como se elas estivessem lá - há mesmo o som, quando um deles entra na casa do outro. E a platéia logo compartilha dessa cumplicidade que é, afinal, o que constrói o fascínio da ficção.

O filme de von Trier é como uma fábula moral, que traz uma heroína feminina que sofre o diabo. Ela é a protagonista Grace (Nicole Kidman), uma fugitiva de gângsters não-identificados que procura refúgio na vilazinha, um lugar isolado, onde as pessoas construíram um mundo à parte e de padrões morais estreitos.

Grace cai como uma fresta de luz nestas vidas mofadas. E pede refúgio, um pedido a princípio recusado, mas finalmente aceito, depois da intermediação de Tomas Edison Jr. (Paul Bettany), o intelectual da aldeia que de certo modo desafia os comportamentos tacanhos ao seu redor.

Mas há duas partes na epopéia de Grace. Na primeira, ela é aceita ao se tornar útil a cada um dos moradores, oferecendo sua companhia a um homem cego que não admite a cegueira (Ben Gazzara), colhendo maçãs para um sitiante (Stellan Skaarsgard) ou cuidando do pomar da mal-humorada Ma Ginger (Lauren Bacall).

Quando se intensifica a procura da polícia e dos gângsters à fugitiva, a cidade se torna mais avarenta e cobra um preço mais alto de Grace. O filme se torna mais sombrio até o terceiro ato, que cobra escolhas radicais na transformação da heroína.

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Diogo Mainardi
Para evitar o 2020 da CIA

"Da mesma forma que os restaurantes entregam a terceiros o serviço de manobristas, o governo deveria terceirizar a assistência aos miseráveis. O 'valet parking' da fome"

Futuro? Que futuro? O Brasil não tem futuro. Daqui a quinze anos, estaremos no mesmo buraco de agora. O Bananão continuará sendo um Bananão: corrupto, dominado pelo narcotráfico, tecnologicamente atrasado e com o meio ambiente devastado. O resto do mundo irá adiante, o Brasil ficará para trás. Pior do que nós, na América Latina, só o Haiti.

Foi o que previu a CIA, o serviço secreto americano, num relatório sobre as perspectivas globais para 2020. A CIA acha que as mudanças no Brasil serão menores e mais lentas do que deveriam. Não conseguiremos diminuir as injustiças sociais e a distância entre ricos e pobres. Por causa de uma dívida pública impagável e de uma mão-de-obra desqualificada, cresceremos menos que os outros países. Em compensação, a agricultura será beneficiada pelo fim das barreiras comerciais. Pelo relatório da CIA, o Brasil deve apostar tudo no campo. Já tivemos o ciclo do pau-brasil, o ciclo da cana, o ciclo da borracha, o ciclo do café. Chegou a hora do ciclo do farelo de soja. Nosso destino é a monocultura. O único modelo que vingou por aqui foi o da economia colonial. Temos de olhar para o passado, não para o futuro.

A CIA atribui o subdesenvolvimento brasileiro aos políticos. Claro que os políticos não concordam. Eles sempre lançam projeções otimistas para 2020. No primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, o ministro João Paulo dos Reis Velloso publicou o documento "Brasil 2020", estabelecendo metas ambiciosas para o país. Depois veio o ministro Ronaldo Sardemberg, que apresentou o "Projeto Brasil 2020". No governo Lula, o pensamento estratégico ficou a cargo do ministro Tarso Genro, no seminário "Visão Brasil 2020". Nos três casos, os políticos argumentaram que o Brasil está no caminho certo e que iremos crescer de maneira sustentada e com justiça social. Eles continuam a vender a ilusão de que o desenvolvimento nacional é uma inevitabilidade histórica. E nós, estupidamente, continuamos a acreditar.

Não há por que confiar na CIA. Como lembrou o senador Aloizio Mercadante, se a CIA soubesse prever o futuro, teria evitado os atentados de 11 de setembro. Ao contrário dos terroristas islâmicos, porém, o Brasil é tristemente previsível. Qualquer funcionário de segundo escalão do governo americano pode adivinhar que nosso país não tem a menor chance do jeito que está. O Estado custa caro demais e é ineficiente demais. Sem diminuir o Estado, nunca iremos crescer. Não foi apenas o comunismo que morreu na queda do Muro de Berlim: a social-democracia também morreu. Nenhum país subdesenvolvido tem dinheiro suficiente para montar e sustentar um aparato de proteção social. O poder público brasileiro oferece educação e saúde de má qualidade. Então é melhor não oferecer nada, delegando essas funções à sociedade. O poder público também não sabe cuidar dos miseráveis. Da mesma forma que os restaurantes entregam a terceiros o serviço de manobristas, o governo deveria entregar a terceiros a assistência aos miseráveis. O "valet parking" da fome.

O ano de 2020 fica longe demais. O pensamento estratégico do governo brasileiro chega apenas até as eleições municipais, com Maluf e Quércia no palanque de Marta Suplicy.

A seguir, se voces quiserem, poderão ler a reportagem principal da Veja da semana que vem "sobre o que torna você sexy".

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O que torna você sexy?

Acredita-se que a maior influência esteja relacionada a padrões culturais, mas uma série de estudos científicos pode ajudar a decifrar os mistérios da atração sexual

Daniela Pinheiro

Bob Wolfenson

A modelo Gisele Bündchen: exemplo indiscutível de beleza com alto poder de atratividade

Diz-se do amor que, para existir, deve pressupor certos laços estáveis entre duas pessoas: cumplicidade, lealdade, respeito e admiração são alguns deles. Já para a atração sexual, basta estar vivo. Aquilo que chamamos de "química", "estalo", "sex appeal", "libido" ou "tesão" independe da vontade própria e das circunstâncias. É algo que parece irresistível e incontrolável. Não importa se o casamento de alguém vai às mil maravilhas ou se a auto-estima está lá em baixo.

Acontece na fila do cinema, numa reunião de trabalho ou na academia. Ninguém está imune a sentir desejo por outra pessoa a qualquer momento, mesmo que a coisa pare por aí. A magia da atração sexual, antes discutida apenas no âmbito da poesia e da cultura, passou a ser estudada pela biologia. Além da aparência física, da conta bancária, do temperamento ou do simples impulso de reprodução proposto por Charles Darwin, ainda há uma confusão de hormônios, circuitos cerebrais e substâncias químicas influenciando a questão de com quem se gostaria de ir para a cama.

Há um debate acalorado e antagônico entre sociólogos, historiadores, antropólogos contra a turma das ciências naturais ¿ biólogos, neurocientistas, geneticistas. Para os primeiros, o grupo da área médica seria reducionista, orientado a limitar qualquer comportamento a sua dimensão orgânica.

Ou seja: a atração sexual seria inerente e o ser humano responderia aos impulsos guiado por seu código genético. Já os cientistas sociais, na visão dos oponentes, seriam pouco rigorosos, acostumados a disfarçar o proselitismo ideológico sob pesquisas acadêmicas, já que consideram o tesão resultado único de padrões culturais. "Como as duas correntes não conseguem se desmentir empiricamente, o mais correto é imaginar que a verdade esteja entre uma coisa e outra", afirma a psiquiatra Carmita Abdo, do Projeto Sexualidade, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

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Fotos divulgação/J.R. Duran

Carolina Dieckmann, Jennifer Lopez e Fernanda Lima (da esq. para a dir.): características físicas as tornam unanimidade entre o público masculino

VEJA reuniu um compêndio dos mais recentes estudos sobre o assunto apresentados em respeitadas publicações como New Scientist, The Lancet e Nature. A partir deles, é possível ter uma idéia do que já foi mapeado pela ciência. E isso é a novidade quando se trata de entender a atração sexual. Sabe-se que homens e mulheres são estimulados por critérios marcadamente diferentes. No Brasil, os indicadores são explícitos. Uma pesquisa inédita, realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro sob coordenação da antropóloga Mirian Goldenberg, comprova a tese.

Diante da questão "O que mais te atrai no sexo oposto?", a resposta campeã entre os homens foi "beleza" e, entre as mulheres, "inteligência". Para os homens, o instinto fala mais alto. De acordo com os trabalhos internacionais, está provado que o que mais os excita, à primeira vista, é a anatomia. Pura e simplesmente. É passar pela frente uma jovem cheia de curvas para que a maioria se sinta imediatamente provocada. Jovialidade e beleza são também fatores importantes.

Preferência nacional

Uma pesquisa inédita da Universidade Federal do Rio de Janeiro ouviu 1 300 homens e mulheres, entre 20 e 50 anos, para saber o que as pessoas acham que mais as atrai sexualmente.
A MAIORIA DAS MULHERES RESPONDEU "INTELIGÊNCIA", ENQUANTO MAIS DA METADE DOS HOMENS DISSE "BELEZA"

Já para elas, mesmo no momento inicial do desejo, o jeito, o olhar, a voz e até o sorriso do sujeito características extremamente subjetivas contam mais. A estampa, é lógico, é levada em consideração, mas está longe de ser determinante. "Homem atraente, acima de tudo, tem de ter uma postura interessante, um jeito especial.

Não dá para precisar o que é isso, mas eu sei identificar se ele aparecer na minha frente", diz a atriz Juliana Paes, que causa frenesi em dez entre dez homens no país. Pesquisadores ingleses garantem que a atração sexual se dá em 150 milésimos de segundo. É o tempo que leva para o cérebro responder se uma pessoa vale a pena. Acredita-se que a atração comece no hipotálamo, área do sistema nervoso responsável pela produção de hormônios que controlam características do organismo como a fome, o sono e o humor. Dali, envia-se uma mensagem à hipófise, que produz hormônios para as glândulas sexuais. Essas reagem produzindo estrogênio, progesterona e testosterona. Em segundos, o coração dispara, os músculos tensionam e o impulso está dado.

A partir dos trabalhos publicados, é possível traçar um perfil aproximado do tipo que faz sucesso. E por que faz sucesso. O que não significa que aqueles fora das especificações estejam fadados à solidão perene. Segundo as mais recentes pesquisas, pode-se chegar à conclusão de que o tipo irresistível para as mulheres tem voz grossa, é cobiçado, diz que faz ginástica e tem um cheiro que lembra o do pai dela.

Se a mulher for bonita, a exigência da beleza do parceiro aumenta. Se ela estiver ovulando, diminui. Pode parecer esdrúxulo, mas são constatações feitas por renomados centros de estudos internacionais. Segundo pesquisadores da Universidade de Ontário, no Canadá, a simples menção ao fato de exercitar-se (nem precisa ser verdade) já os faz mais interessantes aos olhos femininos. Em outra pesquisa, acadêmicos da Universidade de Nottingham, na Inglaterra, verificaram que homens que falam em freqüências mais altas são tidos como fracos e covardes. As mulheres chegam a acreditar que os machões de voz grossa sejam mais fortes e mais cabeludos que os de voz fininha. Daí a preferência.

Os especialistas da Universidade de Louisville, no Kentucky, demonstraram que, quando uma mulher mostra interesse por um homem, ele se torna mais facilmente objeto de desejo das demais. É a prova de que um selo de ISO 9000 pode ser um afrodisíaco feminino. Da Universidade de Chicago veio a constatação de que as mulheres, inconscientemente, optam por homens que tenham um cheiro parecido com o de seus pais. E na Escócia os pesquisadores concluíram que durante a ovulação as mulheres acham os homens feios mais bonitos, depois de submeterem mais de 100 voluntárias a testes.

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Selmy Yassuda

"Fazia muito tempo que eu não sentia nada por alguém. Quando o vi, me deu uma coisa, senti uma felicidade que não provava havia anos."

ATRAÇÃO FATAL
Isabela e o marido, Marcelo Macedo, casados há dez anos

Já o modelo que mais atrai os homens tem traços mais infantis, corpo curvilíneo, lábios grossos e cheira a lavanda. Um extenso levantamento conduzido pelas universidades de Regensburg e Rostock, na Alemanha, mapeou as características faciais que mais seduzem o sexo masculino. Mulheres de olhos grandes e arredondados, testa larga, nariz e queixo pequenos e maçãs do rosto acentuadas ¿ o que caracteriza o rosto de crianças ¿ levam vantagem. Não que haja algum traço de pedofilia na escolha. É que o conjunto é visivelmente mais harmônico. Durante o experimento, foram apresentadas duas fotos de várias mulheres adultas. Uma, como elas são. A outra, alterada no computador visando a obter proporções infantis. A maioria dos entrevistados preferiu a versão "criança" dos rostos. Traduzindo para a vida real, são rostos como o de Kate Moss, da Brigitte Bardot dos bons tempos ou mesmo de Carolina Dieckmann.

Se a preferência é por rosto angelical, quando se trata de corpo o campeão é o de uma Vênus. Uma pesquisa suíça concluiu que o tipo cobiçado pela maioria esmagadora dos homens é o de quadris mais largos que a linha da cintura. Estabeleceu-se, inclusive, quais seriam as medidas. A proporção tida como ideal é de 0,7 (medida da cintura) para 1 (quadris). Algo que serve para magras como Fernanda Lima ou voluptuosas como Danielle Winits. O que interessa é a proporcionalidade. Quando as costas são mais largas em relação aos quadris, diz o estudo, o interesse dos homens diminui.

A mais fresca notícia, divulgada na semana passada, vem da Universidade Politécnica de Hong Kong. Garantem os pesquisadores chineses que a relação entre o volume corporal e a altura de uma mulher pode explicar com segurança seu poder de atratividade. Entretanto, a equação proposta pelos chineses traz certa dificuldade de cálculo. Primeiro, é preciso saber o volume, em metros cúbicos, do corpo para que se possa dividi-lo pelo quadrado da distância entre o queixo e o pé. Melhor deixar pra lá. "Eu só uso meu olho clínico. Gosto do padrão universal: bunda grande, seios firmes e cheiro bom é o que está valendo", afirma o ator Paulo Vilhena, que já namorou beldades como Luana Piovani, a cantora Sandy e a modelo Maryeva Oliveira.

Valério Trabanco/Vip

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"Homem para mim tem de ter postura. Eu não sei muito bem definir isso, mas sei reconhecer se vejo um exemplar assim. "

PAIXÃO INEXPLICÁVEL
A atriz Juliana Paes, a bonitona da vez

O rosto, se também for simétrico, pode ser garantia de êxito entre os homens. O nariz não precisa ser arrebitado nem a boca em forma de coração. Mais uma vez, o que conta é a harmonia. Pesquisadores australianos também mediram a atratividade dos rostos femininos. A fórmula usada foi calculada pelo matemático grego Pitágoras no século VI a.C. Ao que tudo indica, vale até hoje. Para um rosto perfeito, a proporção entre a largura da boca e a do nariz deve ser de 1,618 para 1. O rosto de Gisele Bündchen, por exemplo, enquadra-se no padrão. Um estudo da Universidade Dalhousie, no Canadá, diz que pessoas com rosto assimétrico são mais ciumentas. A explicação da teoria é que, como são menos atraentes, temem mais pela perda do parceiro.

É evidente que ninguém sai por aí com uma régua na bolsa. Mas, segundo os especialistas, apesar de essas serem particularidades insignificantes, o cérebro consegue percebê-las. Se estiver com os neurônios em ordem, é claro. Outra pesquisa provou o que todo mundo que freqüenta bares já sabia: depois de uns goles a mais, ninguém é mais tão feio. Estudo do Departamento de Psicologia da Universidade de Glasgow, na Escócia, constatou que, após consumirem cerca de cinco cervejas ou três copos de vinho, 25% de homens e mulheres passaram a achar estranhos mais atraentes do que os entrevistados sóbrios submetidos à presença das mesmas pessoas.

A lógica da perfeição

Depois de vários estudos, cientistas chegaram a uma regra que traduziria as medidas de um corpo feminino considerado muito atraente pelos homens. Veja como ele é:
A PROPORÇÃO TIDA COMO IDEAL ENTRE A LINHA DA CINTURA E O QUADRIL É DE 0,7 PARA 1

É certo que os resultados de todos os estudos sobre as prováveis influências na escolha da alma gêmea podem ser discutíveis. É impossível estabelecer um padrão universal de beleza ou de atratividade. A diversidade étnica e cultural em todo o planeta proporciona um leque enorme de ideais para cada sociedade. Nos Estados Unidos, por exemplo, os seios causam furor nos homens. Já no Japão a nuca feminina é considerada a parte de maior sensualidade. É bom que seja assim. Mas o interessante é perceber quanto as observações científicas podem ajudar a decifrar o jogo sexual, a explicar aquela comichão que se sente diante de um desconhecido. "Os trabalhos são relevantes porque apontam o que uma maioria expressiva da população tem como padrão. Isso ajuda os especialistas a compreender melhor o comportamento humano. No entanto, nenhum deles deve ser visto isoladamente", reitera Carmita Abdo.

Uma particularidade das pesquisas é que a maioria delas trata mais dos mistérios da tensão sexual das mulheres. É sobre o que ocorre com elas que menos se sabe, já que sua libido é notavelmente influenciada por fatores socioculturais. Ao contrário, estudos com homens parecem apresentar os mesmos resultados desde o tempo das cavernas: anatomia pura. A teoria científica usada para explicar tal fenômeno é a do imperativo biológico, ou seja, as escolhas e preferências de parceiros sexuais ainda são influenciadas pela procura por melhores genes para uma futura prole.

Homens buscariam mulheres jovens e atraentes, pois detectariam na juventude a possibilidade de gerar muitos filhos, e na atratividade, a saúde do corpo para enfrentar a gravidez e suas repercussões. Já a mulher estaria de olho em um parceiro com dispositivos internos de força, poder e capacidade de proteção para ela e sua prole. "Quando o vi, fiquei completamente inebriada. Mas não fui para a cama direto", diz a carioca Isabela Piereck, 35 anos, que se casou com o empresário paulista Marcelo Macedo, 38 anos, dois meses depois de se conhecerem. "Foi uma atração louca. Mas eu queria saber primeiro se ele não era um aventureiro", lembra.

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Ivone Perez

"O que faz o tesão durar é a admiração. Isso é imprescindível, porque nos faz querer estar sempre com a pessoa, aprender com ela."

QUÍMICA DO AMOR
A atriz Danielle Winits, atualmente sem namorado

Sob a ótica evolucionista, é como se, antes de dar uma piscadinha para um sujeito do outro lado do balcão do bar, toda mulher já pensasse no rosto que teria o filho de ambos. "E é verdade. Só que isso não passa pela consciência. É algo tão intrínseco que a consciência não chega a ter a percepção desse processo", explica o geneticista Renato Zamora Flores, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O fato é que a mulher é capaz de sentir desejo tão intenso quanto o homem.

A diferença é que ela não é escrava do impulso. Ela pode ficar muito excitada por um sujeito, mas só irá para a cama com ele depois que critérios subjetivos forem satisfeitos. "Elas não isolam o componente sexual quando falam sobre atração. É uma questão cultural. Mas isso está mudando na nova geração. As mulheres vão assumir o desejo pelo desejo, tal como os homens. Aí, sim, vamos poder esperar novidades nessa área", afirma o psiquiatra Ronaldo Pamplona da Costa, da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana. A parte boa é que também se constatou que, se a relação perdura, homens e mulheres passam a valorizar traços mais profundos, como inteligência, senso de humor e orientação religiosa.

A teoria evolucionista é aplicada com freqüência no entendimento da libido humana. A questão do cheiro é um dos temas mais debatidos. Há dezenas de pesquisas que apontam indícios de que homens e mulheres se comunicam através de odores corporais associados a substâncias produzidas pelas glândulas apócrinas, os feromônios.

O mesmo ocorre com a maioria dos animais, das abelhas aos macacos. O poder dos feromônios sempre foi muito incensado, principalmente por laboratórios e fabricantes de perfumes que prometem milagres sexuais ou mesmo a descoberta do Viagra feminino. Nos Estados Unidos, chegou-se a comercializar um produto, chamado Feromônio Atenas 10x, que diziam basear-se na substância e ser um infalível erotizante. Foi um fracasso. Duas pesquisas polêmicas feitas na Europa apontam para uma possível veracidade, mas são inconclusivas. Na Inglaterra, uma equipe de cientistas da Universidade Northumbria projetou fotografias de mulheres e pediu a vários homens que avaliassem seu sex appeal. A classificação "atraente" era mais freqüente quando os cientistas borrifavam o ambiente com feromônios. Na Alemanha, também mostraram fotos e pediram que os voluntários cheirassem roupas íntimas das mais feias.

A avaliação sobre a beleza das mulheres melhorava. Está provado que mulheres que dormem ao lado de um homem tendem a menstruar e ovular mais regularmente, ao mesmo tempo que, nesse homem, a barba cresce mais rápido. Mulheres que convivem muito costumam sincronizar a menstruação. "Pode ser tudo influência do feromônio, mas, como ninguém sai cheirando o outro na rua, sua verdadeira importância na hora da conquista deve ser minimizada", diz Eliano Pellini, coordenador do Setor de Ginecologia Endócrina da Faculdade de Medicina do ABC.

Pelo menos um arraigado mito popular parece estar com os dias contados, se depender da ciência. Aquele que reza que os opostos se atraem. Estudos provam que a maior atração sexual se dá entre pessoas que se assemelham fisicamente ou têm o mesmo estilo de vida. Acadêmicos da Universidade de St. Andrews, na Escócia, afirmam que as pessoas tendem a achar mais bonitos indivíduos com características parecidas às suas e às de seus pais. Na pesquisa, os tipos escolhidos pela maioria dos 200 entrevistados lembravam os próprios pais ou seus familiares. Recente estudo da Universidade da Califórnia, publicado na revista Nature, corrobora a tese. Segundo esse trabalho, pessoas bonitas se sentem mais atraídas por parceiros bonitos do que ricos. E os endinheirados preferem gente do mesmo status às pessoas dotadas de grande beleza.

Outra pesquisa americana aponta que 80% dos casais são semelhantes em quatro fatores: faixa etária, grau de escolaridade, religião e raça. "A regra dos casais é a homogeneidade, e isso se dá também na atração física. As pessoas temem quem se parece melhor ou diferente demais delas mesmas", diz Ailton Amélio da Silva, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Aqui termina esta reportagem. Agora, feche os olhos e pense nas pessoas que você conhece. Do outro sexo, obviamente. Huuummm...

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O homem considerado sexy tem:

pele morena
cabeça estreita
lábios cheios (não grossos) e simétricos (o inferior igual ao superior)
sobrancelhas escuras e espessas
cílios fartos e escuros
a metade superior do rosto maior que a inferior
maçãs do rosto altas (mais perto dos olhos)
mandíbula e queixo proeminentes
pálpebras estreitas
ausência de rugas entre o nariz e a boca, conhecidas como bigode chinês

Fonte: Universidade de Regensburg, Alemanha

A mulher considerada sexy tem:

pele bronzeada
cabeça estreita
pouca gordura nas bochechas
lábios grossos
sobrancelhas escuras e finas
cílios longos e fartos
maçãs do rosto salientes
nariz fino
ausência de olheiras
pálpebras estreitas

Fonte: Universidade de Regensburg, Alemanha

A balela sobre o gene gay

Em 1993, o geneticista americano Dean Hamer surpreendeu o mundo científico ao anunciar a descoberta de uma região do cromossomo X, chamada Xq28, herdado das mães, que abrigaria um gene relacionado à orientação sexual. Esse seria o elemento que faltava para sustentar a teoria de que a homossexualidade seria genética. Colou por algum tempo, mas a doutrina não sobreviveu a um exame de sangue. Seis anos depois, um grupo de especialistas canadenses examinou o sangue de 53 pares de irmãos, treze pares a mais do que os pesquisados por Hamer, e concluiu ser impossível sustentar tal afirmação.

Na mesma época, outro estudo ficou famoso. O do neurocientista inglês Simon LeVay, que procurava pistas da homossexualidade no cérebro. Ele examinou o hipotálamo de vários homens e mulheres e constatou que o dos gays tinha tamanho diferente. Os resultados foram logo contestados. LeVay dissecou o cérebro de algumas pessoas mortas pela Aids, o que não quer dizer que fossem homossexuais ¿ já que há outros grupos de risco expostos à doença.

Desde então, o que se sabe sobre a predisposição de alguns indivíduos a ser atraídos por alguém do mesmo sexo continua bem mais obscuro do que aquilo que se conhece no campo da heterossexualidade. É improvável, contudo, que exista um gene que, por si só, determine a orientação sexual ou outros comportamentos humanos. É mais plausível que os fatores genéticos tenham uma participação apenas indireta, relacionando-se a traços comportamentais e influências externas, de caráter psicossocial, no desenvolvimento tanto da sexualidade quanto de outras formas de expressão das pessoas.

Falar sobre o gene gay hoje é o mesmo que defender a predisposição humana ao crime, à capacidade de persuasão ou ao gosto artístico. Movimentos gays defendem que a procura de uma causa orgânica ou genética serviria só para justificar a insistência de alguns setores em achar uma possível "cura" para a homossexualidade.

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Nos corredores
Semana terá mostra de jóias, salão de negócio, exposição de paisagismo e sorvete de cerveja
Flávia Motta

O Fashion Rio, evento oficial da moda brasileira, entra em cena com a bênção de São Sebastião, padroeiro da Cidade Maravilhosa. De terça-feira a sábado, as previsões do que será moda no inverno 2004 ganharão foco nas passarelas do MAM, que se transforma em reduto dos fashionistas. Na quarta edição do evento, participam grifes - do Rio, São Paulo, Espírito Santo, Bahia, Minas, Bahia e Santa Catarina - em 22 desfiles. Entre viagens retrô, inspirações urbanas, bordados artesanais e tecidos de última geração, vem à tona o estilo de uma gente bronzeada que quer mostrar seu valor. Amém.

Semana que vem o Museu de Arte Moderna terá energia para a iluminação de 150 casas. Só em refletores, o número é maior que os das praias do Leblon, de Ipanema e Copacabana juntos. Tudo isso para uma edição para lá de iluminada do Fashion Rio que, pela quarta vez, também sedia o Jóia Brasil e o terceiro salão de negócios Fashion Business.

Reunindo 15 expositores da Escola de Design da PUC-Rio à tradicional H. Stern, o Jóia Brasil terá ambientação glacial, numa alusão às fotos de jóias sobre blocos de gelo do catálogo do fotógrafo Sergio Pagano. Na quarta-feira, a mostra vai ter desfile de pés, que vão exibir as cobiçadíssimas Havaianas de ouro e diamantes da H. Stern.

Feito para os comerciantes, o Fashion Business pretende movimentar R$ 200 milhões entre quarta e sexta-feira. Quase 80 marcas, entre lojas e pólos de confecções, vão expor peças para serem negociadas. A feira é um grande facilitador de negócios e dá visibilidade às marcas, garante Luiz Chor, vice-presidente da Firjan, patrocinadora e organizadora do Fashion Rio. Entre negócios já fechados, o estilista Walter Rodrigues vai comprar do pólo de Nova Friburgo todas as peças de lingerie para sua coleção.

Na área de convivência estará o disputado Espaço LOréal que, desta vez, possibilita às convidadas brincar de fazer batom. As atrizes Carolina Dieckmann, Alinne Moraes e Débora Bloch vão passar por lá. Para refrescar quem for conferir a semana de moda, a sorveteria Mil Frutas lançará novos sabores: Loura, Ruiva e Morena, feitos com cerveja Devassa. Já as comidinhas ficam por conta do Cafeína. Também aberta ao público será a mostra Jardins do Rio, com oito painéis de obras do paisagista Roberto Burle Marx, cujo Jardim Copacabana, no MAM, foi restaurado para o Fashion Rio.

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Desinibidas

O fôlego de Deborah Secco, que dançou sem parar durante o Claro Rio de Verdade, acabou revelando outras qualidades da atriz. A blusa ensopada de suor deixou à mostra os seios turbinados (1, ao lado do namorado, Marcelo Faria) e fez a alegria dos marmanjos que apreciavam a performance da loura durante os shows de Gabriel, O Pensador e Moraes Moreira, quinta-feira, na Marina da Glória. Alheia à transparência, ela não se incomodou com o pipocar sem fim dos flashes... Em Nilópolis, Wanessa Camargo roubou a cena, sambando de minissaia na quadra da Beija-Flor. A cantora deu show de rebolado, simpatia e desinibição (2) até 3 da manhã! Luma de Oliveira não ficou atrás. No lançamento de seu calendário Anjos do Brasil, na Ilha Fiscal, a empresária exibiu generoso decote, que por pouco não a deixou com o seio de fora (3). E o verão só está começando...


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Quarenta mil cabeças vão rolar
ROSANE SCHOTGUES LEVENFUS/
Psicóloga e coordenadora educacional do Ensino Médio do Colégio Israelita



Chegou a hora do listão, ou melhor, da listinha: 4,3 mil aprovados na UFRGS. O listão dos 40 mil excedentes não sairá nos jornais. Seria uma denúncia e tanto: bons alunos de escolas excelentes não entram nas universidades. Nenhum dos filhos dos diretores da Fuvest conseguiu entrar na USP - óbvio: mais candidatos do que vagas.

Quem não entrar nas melhores universidades poderá vencer o vestibular buscando faculdades pagas de diversos níveis ou cursos de menor prestígio. Como o universo público não absorve a demanda, universidades particulares criam um rosário de vestibulares fáceis, preços competitivos e cursos rápidos, diplomando profissionais em áreas sem tradição acadêmica. Apesar das incertezas do mercado de trabalho, existe uma clientela sedenta por um diploma universitário qualquer, pois o subemprego de nível superior é melhor do que os empregos de nível médio que remuneram cerca de 124% menos.

Sem pressa em concluir o curso, estagiários universitários tendem a adiar sua formatura alegando desejo de obter mais experiência para enfrentar o mercado de trabalho. Diante da pouca oferta de trabalho, os jovens têm que concorrer com adultos também desempregados. Segundo o IBGE, do total de desempregados, metade é formada por jovens de até 24 anos. Eles não perderam seus empregos, sequer os conquistaram.

Empresários alegam não contratar jovens porque não têm experiência. Ou a escola entende que deve preparar o aluno para um mundo sem emprego, investindo na formação de empreendedores da melhor qualidade, ou estará somente vendendo promessas de aprovação em vestibular. Foi-se o tempo em que um diploma significava um bom emprego.

Seria menos complexo não fosse a catástrofe emocional que recai sobre a juventude. O professor e psicólogo Perosa (PUCSP) aponta conseqüências desse fenômeno: o jovem sente-se rejeitado, podendo apresentar depressão e revolta com reações às raias da violência. Privado de autonomia, de renda própria e da realização plena dos valores de nossa cultura, o mundo adulto ainda ordena ao jovem que seja feliz. A consigna da hora é: "Consumam e divirtam-se".

Está formada a confusão entre "divertir" e "divergir": os jovens perderam a noção do que é felicidade. Passaram a buscá-la em drogas, velocidade, emoções fortes e, ainda insatisfeitos, redobram suas aventuras. Vejam a frase da moda: "Prefiro viver 10 anos a mil por hora do que mil anos a 10". Parece refletir que ninguém está a fim de esperar o longo tempo que levará para atingir a verdadeira liberdade de gerir a própria vida.

Estando difícil tomar a direção, nunca vimos tantos noticiários sobre universitários envolvidos em dramas familiares que chegam ao assassinato, brigas com mortes e acidentes de carro.

E foi na madrugada que um grito lancinante de um jovem morrendo contra um poste me tirou o sono. Fiquei com uma única impressão: alguma coisa está errada.

Não pode ficar assim. Outras 40 mil cabeças vão rolar.

Game over.

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Lya Luft
17/01/2004


E nós, e nós?

(Partilho com vocês esse e-mail, punindo-me pelas vezes em que também eu desperdiço tempo e vida com bobagens.)

"Cara autora: seu livro chegou num momento em que me encontro em processo de análise, refletindo sobre minhas perdas e ganhos nesta vida.

Estava concluindo um mestrado em Lingüística na UFF (já em fase de dissertação) quando descobri um câncer de mama. Foi através de uma mastectomia que tive uma perda inevitável: a mama direita. Junto com a perda do peito, veio a dos cabelos, do prazo de entrega da dissertação... Você nem imagina! Mas não perdi a vontade de viver e... de escrever.

Atravessei um período muito difícil, mas hoje celebro meu mais recente ganho: um peito novo, muito bem reconstituído. Interessante que quando vivia o processo de luta contra a doença, minha amiga, a atriz XX, sua grande fã como tanta gente da Globo, atores e atrizes, vivia na telinha uma personagem com o mesmo problema.

Até hoje não sei se a ficção me ajudou a viver a realidade ou minha realidade ajudou a ficção. Quando li seu livro, pensei logo: vou dar um de presente à X. E não é que ela estava lendo o mesmo livro? Como moramos em cidades diferentes, usamos o correio eletrônico, e a tônica de nossas últimas correspondências tem sido o seu Perdas & Ganhos.

Quando mestranda na UFF, fiz uma disciplina com a doutora Solange Vereza intitulada: 'A metáfora e a indeterminação do sujeito'. Infelizmente, por problemas burocráticos (você conhece bem o funcionamento de uma universidade), não pude escrever minha dissertação sobre a metáfora, meu assunto favorito. Li Lakoff&Jonhson 'Metaphors we live by' e concordo com os autores quando dizem que as metáforas não só refletem uma realidade mas também criam essa realidade.

Você que chama a si mesma de 'incorrigível otimista', apresenta uma outra possibilidade para as mulheres de mais de 50 anos, com metáforas que criam uma outra realidade. Estou contagiada por aquelas que se relacionam à alma, como por exemplo, 'as varandas da alma', a possibilidade de se envelhecer sem 'osteoporose na alma'. É lindo, Lya! Fiquei muito frustrada quando perdi o prazo na Universidade, mas acho que não perdi o prazo na Vida. Quero escrever sobre as metáforas da sua obra. E desta vez não terei um 'supervisor' me dizendo o que tenho que ler e o que fazer com o corpus. Também não tenho problema de prazo. Quero viver muito! Quer me orientar??? Um abraço, YY."

lya.luft@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
17/01/2004


A sós com o assassino

Logo que começaram as reconstituições das mortes dos meninos na Região Norte, não sei por que fiquei intrigado sobre quem faria o papel dos garotos assassinados nas reencenações promovidas pela polícia.

Achei logo que poderia ser um menino, afinal nessas reconstituições é sempre perseguida a máxima fidelidade possível.

Mas se nas várias reconstituições um menino fosse colocado como dublê dos garotos assassinados, mesmo encenando, à mercê do assassino em diversas ocasiões, não restaria ao garoto-ator um trauma?

Na edição de hoje de Zero Hora há uma reportagem instigante sobre as sensações da pessoa que serviu de dublê das vítimas nas reconstituições.

Trata-se da perita criminalista Marion Gonçalves Werhli, que foi escolhida por medir 1m55cm e pesar apenas 45 quilos, compleição aproximada dos garotos que foram assassinados.

Pelo seu relato, pode-se avaliar que foi sensata a decisão das autoridades em não escolher como dublê das vítimas, para as simulações, um garoto.

Até a experiente perita escolhida, que já vivenciou tantos locais macabros de crime, se emocionou e chegou a chorar várias vezes durante as reconstituições.

A perita conta que por diversas vezes sentiu bem junto de si a respiração ofegante do assassino, ouvia as batidas do seu coração, conviveu de perto e intimamente com um monstro.

Em uma ocasião, ela tinha os olhos fechados mas correu certo risco, o assassino ergueu-a nos ombros junto a um beiral de 15 metros de altura, os policiais todos ficaram a postos para a emergência de que o assassino fosse se jogar daquela altura - ou jogá-la de lá num gesto de loucura.

Por várias vezes o acusado Adriano da Silva envolveu o pescoço da perita com suas mãos nas diversas reconstituições.

A perita confessa que tinha estremecimentos, pensava no seu filho de 10 anos e imaginava a sorte dos meninos mortos sob aquelas esganaduras.

No caso do menino Douglas Haas, cujo cadáver foi carregado pelo assassino em um carrinho de mão, foi quando a perita passou pelo maior desconforto.

O corpo do menino morto era menor que o da perita e ela teve de se desdobrar para caber no carrinho, fez até um ferimento no ombro no esforço da contorção.

Em todas as encenações, o assassino se mostrou cordial e manso, mas a perita Marion confessa que os atos simulados foram sempre cercados de alguma tensão.

Há um momento descrito pela perita que excita o imaginário de todos: ela reclamou do assassino que ele estava apertando demais o laço da corda que envolvia seu pescoço. Sensacional.

Sim, porque o assassino não era dublê.

Essa rica entrevista feita pela repórter Vivian Eichler, de ZH, com a perita que foi dublê das vítimas dos assassinatos seriados leva-nos no entanto a calcularmos os instantes de terror por que passaram os menores assassinados.

Se em reconstituições que foram assistidas e providenciadas por inúmeros policiais armados, ainda assim havia tensão por parte dos circunstantes e da dublê, como não teriam sido aterrorizantes os instantes em que as vítimas estava sob a inteira mercê do assassino?

Inenarráveis sofrimentos.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Mumbai homenageia Porto Alegre
LETÍCIA SANDER
Enviada Especial/Mumbai




Porto Alegre foi citada 28 vezes durante os discursos de abertura do 4º Fórum Social Mundial, ontem, em Mumbai, na Índia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi referido 12 vezes. O destaque desta edição, diferentemente das realizadas na capital gaúcha, é a variedade de tipos humanos. Tentando entender os diferentes movimentos sociais presentes, o prefeito João Verle criticou algumas falhas da edição da Índia e prometeu um fórum em 2005 ¿ainda melhor¿ do que os eventos anteriores realizados em Porto Alegre (foto Manish Swarup, AP/ZH)


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Sexta-feira, Janeiro 16, 2004




Nova sedução virtual
Criar um fotolog, o diário fotográfico da Net, vira mania entre os brasileiros

Mariana Abreu Sodré

Sucesso: a publicitária Roberta recebe mais de sete mil visitas semanais à sua página Bisbilhotar a vida alheia, conhecer gente nova, autopromover-se, contar a própria história ou fazer uma coluna social particular.
Estas são algumas das possibilidades de uso do fotolog, o diário fotográfico virtual que vem se tornando mania. Atualmente cerca de 240 mil pessoas no mundo possuem um fotolog ou simplesmente flog. Destas, mais de 135 mil são brasileiras, ou ao menos declaram ser, já que não há como comprovar a veracidade das informações deixadas pelos usuários. Os dados são do site americano www.fotolog.net, no qual o interessado em ser um fotologger expõe fotos, selos, reproduções ou desenhos, acompanhados de um pequeno texto. O serviço é gratuito e o registro, rápido. Qualquer candidato a compartilhar seu dia-a-dia com os internautas constrói um fotolog em poucos minutos. A graça, no entanto, não é montar um álbum on-line, e sim receber comentários, críticas ou elogios de visitantes de todo o planeta. O serviço também funciona como caixa de recados.

A associação de imagens pessoais com o bate-papo praticamente elimina a possibilidade de o autor manter o anonimato. Também diminui a fantasia do internauta já que quem está do outro lado é facilmente identificável. Diferentemente do que acontece nos blogs diário eletrônico que antecedeu o fotolog , o forte neste recurso são as imagens. Os frequentadores acompanham a vida dos autores, que acabam virando um personagem.

Essa fama virtual pode surpreender. A publicitária Roberta Cezvre, 22 anos, possui há seis meses um fotolog com imagens de sua turma em festas. Outro dia, levou um susto ao ser abordada numa boate por um desconhecido. Ele chegou e me chamou de Betinha1981, meu nome de fotologger, conta ela. Ao contrário do que ocorre com muitos adeptos, Roberta não costuma estabelecer novas amizades por meio do recurso eletrônico. Ele serve para a minha turma conferir a última balada, conta. Assim como Roberta, o DJ Johnny Luxo também encontrou no flog uma maneira de manter contato com os amigos. Ele tem dois fotologs: um particular e outro em parceria com o estilista Alexandre Herchcovitch. Quando estamos de bobeira, chamamos
amigos maquiadores ou fotógrafos e produzimos fotos travestidos de divas do cinema, conta o DJ.

Diversão Enquanto Johnny usa o fotolog para divulgar os eventos em que vai tocar, o amigo Herchcovitch prefere não misturar trabalho e lazer. Nosso objetivo é a diversão, diz o estilista. No www.fotolog.net/ellas (endereço da dupla hype), o internauta comum poderá deliciar-se apenas com as imagens. Deixar mensagens é prerrogativa dos mais íntimos. Por US$ 5 mensais, eles mantêm um serviço especial o Gold Cam que permite a troca de idéias com visitantes pré-selecionados. A restrição não impede, no entanto, que o navegante entre no estilo de vida modernete dos dois descolados.

Não menos moderno, o multimídia e autor do livro A foto (Ed. Objetiva), Alberto Renault, não chega a dividir a sua vida num fotolog, mas adora fiscalizar a vida de amigos pelo meio eletrônico. Curto ler as mensagens deixadas por outros visitantes, conta. É bem possível que Alberto tenha sido o primeiro a usar na literatura o diário eletrônico de imagens. Um dos personagens de seu livro romanceado é adepto do recurso. Não há como evitar. Estamos na era da imagem, define.

Fama em rede: O estilista Herchcovitch e o DJ Johnny Luxo partilham seu dia-a-dia no divertido flog ella s.

Falar pelas imagens era exatamento o objetivo principal dos idealizadores do fotolog, os americanos Adam Seifer, Scott Heifermann e Spike. Eles queriam manter contato com amigos e familiares, que somados chegavam a 200 pessoas, trocando fotos de viagens e programas e impressões pessoais. No início de 2002, criaram o site. A idéia agradou tanto que eles abriram o serviço para a rede mundial de computadores. Hoje, há páginas para todos os gostos e tribos.

O site faz uma fiscalização contra cenas obscenas ou chocantes, mas não impede que algumas delas apareçam em um ou outro fotolog. O sucesso de cada um é medido pelo servidor. Um e-mail com os números dos visitantes da semana massageia o ego dos mais populares. E para dar uma espiadinha nos fragmentos cotidianos de cada um deles basta um clique.

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Cheios de raça
Com maior visibilidade na mídia, os negros comemoram resultados importantes na luta contra o preconceito

Camilo Vannuchi, Liana Melo e Sara Duarte
Colaboraram: Chico Silva (SP), Eduardo Hollanda (DF), e Celina Côrtes
e Ricardo Miranda (RJ)


Taís Araújo comemora: Já estava mais do que na hora de sermos reconhecidos como parte significativa da cultura brasileira Na primeira vez que uma emissora brasileira ousou transmitir uma novela com um protagonista negro, o ator branco Sérgio Cardoso foi escalado para o papel. Hoje, 35 anos após a estréia de A cabana do Pai Tomás, a escolha despertaria tamanho rebuliço que, provavelmente, a produção seria abortada antes mesmo do primeiro capítulo. Se o Brasil ainda amarga uma situação de extrema desigualdade racial e a televisão é infinitas vezes mais branca do que a população , não faltam indícios de que mudanças importantes começam a acontecer.

Pela primeira vez, o Brasil conta com quatro ministros e um juiz do Supremo Tribunal Federal negros, possui uma secretaria especial dedicada à promoção da igualdade racial e, vencendo um preconceito que perpassa toda a história da mídia no País, uma atriz negra assumirá pela primeira vez o papel de protagonista em uma novela da Rede Globo. Para Taís Araújo, Da cor do pecado que estréia na segunda-feira 26 tem sabor de realização. Em 1996, a atriz conquistou o público com Xica da Silva na produção homônima da extinta TV Manchete. A diferença, comemoram os ativistas, é que, desta vez, não se trata de um personagem histórico, inserido no contexto da escravidão.

Aos 25 anos, Taís viverá a feirante maranhense Preta, que desperta a paixão do botânico carioca Paco (Reynaldo Gianecchini), herdeiro de uma grande fortuna. Para viver sua história de amor, o casal terá de superar as investidas dos personagens de Giovanna Antonelli, que faz a noiva do galã, e de Jonathan Haagensen, na pele do ex-namorado de Preta.

Com um currículo de sete novelas, três filmes e cinco peças de teatro, essa carioca de sorriso largo aproveita para dar seu grito de liberdade. Chega de interpretar papéis secundários. Já estava mais do que na hora de sermos reconhecidos como parte significativa da cultura brasileira. Espero que não demore 20 anos para outro ator negro ter novamente um papel principal, alerta a atriz.

A atual lua-de-mel de Taís Araújo com a tevê é apenas a ponta do iceberg. O movimento de afirmação da população negra na teledramaturgia brasileira existe há quase 40 anos. No livro A negação do Brasil: o negro na telenovela brasileira, o cineasta Joel Zito Araújo, doutor em ciências da comunicação, mostra que foi preciso muita luta para que, aos poucos, o negro ganhasse espaço na telinha. Da cor do pecado ainda é exceção.

Quando um negro aparece em uma novela, o público encara como uma medida politicamente correta, e não como natural, diz ele. Sueli Carneiro, diretora do movimento de mulheres negras Geledés, lembra que Taís Araújo foi para a Globo depois do sucesso de Xica da Silva e teve de esperar anos para ter um papel de destaque. A emissora tem uma dívida para com 50% da população, que raramente se vê retratada de forma justa. A escolha da atriz é uma conquista, diz ela. A própria Globo comemorou nas páginas dos jornais a escalação do primeiro apresentador negro do Jornal Nacional, o jornalista Heraldo Pereira. E ele só cobria férias.

Da mesma forma, é saboreado o sucesso de atores como Jonathan Haagensen, 20 anos, e Sérgio Menezes, 31. O primeiro despontou no papel de Cabeleira no filme Cidade de Deus e conseguiu trocar os papéis marginais por um personagem central. Na nova trama global, ele vai disputar com Paco o amor de Preta. O fato de eu ser negro não deveria ser motivo de tanta especulação. Quero ser visto como um bom ator, e não como um bom ator negro, o que é diferente, diz Haagensen. Sérgio Menezes, que vive o fotógrafo Bruno Carvalho em Celebridade, tem consciência de que seu papel contribui para a luta contra o racismo. Quando saímos do quarto de empregada e ganhamos destaque, melhoramos a auto-estima da população.

Para uma criança negra e pobre, é positivo ver um negro bem-sucedido, diz o ator. O personagem de Menezes teve um caso com a vilã Laura, interpretada pela loira Cláudia Abreu. As transas do casal não causaram polêmica, mas quebraram um tabu de duas décadas. O ator talvez não se lembre, mas, em 1985, Zezé Motta foi vítima de uma chuva de protestos por interpretar a namorada de um personagem branco (Marcos Paulo) em Corpo a corpo. Diziam que Marcos Paulo deveria estar precisando muito de dinheiro para aceitar me beijar na boca, comenta Zezé.

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DANÇANDO CONTIGO

Anna Paes

Quando seus olhos cruzaram os meus,
naquele imenso salão...
Meu coração disparou qual coração adolescente.
Você se aproximou...
Tocou minha mão e me puxou para dançar.
Quanta emoção naquele instante...
Sentia sua respiração a meu ouvido..
Beijinhos escondidos ...
Nossos corpos tão próximos..
nosso olhar pedindo beijos..
Uma inquieta aventura..
Uma só dança...
A noite era só prá nós dois.
Dançamos no largo salão e nos amamos.

DANÇAR COM VOCÊ

Lukass

A música toca,
fecho os olhos, vejo você.
Calmamente trago-a junto a mim,
nossos corpos colados,
amor e prazer,
viajo pelo teu corpo,
os pés saem do chão,
não existe mais ninguém,
só nós dois no salão.
Dançar com você,
é pura emoção,
te amar, tem sabor de
paixão

Do mesmo link recebido de meu amigo Orbatiuck

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DANÇANDO CONTIGO
Edna Liany Carreon

Enquanto danço contigo...
E sinto teus braços a me enlaçar,
sinto-me leve, como se estivesse a voar...
O som maravilhoso de um bolero,
nos embala... então, nos abraçamos,
sentimos a presença do amor...
A música suave é um alento
e nós dois aproveitamos o momento,
momento mágico para dois enamorados...
Nossos corações assim colados,
pulsam descompassados,
enquanto nós pelo salão,
dançamos no compasso
de dois apaixonados...
E quando a música termina...
voltamos a pisar o chão...
Meu olhar encontra o teu,
então meu olhar te diz:
- Estarás sempre em meu coração...

Link enviado pelo meu amigo Orbatiuk/Curitiba/PR

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Tom Cruise com toque oriental
O ator está no filme "O Último Samurai", uma das quatro estréia de hoje no cinema

Tom Cruise protagoniza o longa-metragem "O Último Samurai"

Tem filmes para todos os gostos no Centerplex Mogi. Quatro estréias podem ser conferidas a partir de hoje: "O Último Samurai" é a grande novidade da semana, com Tom Cruise direto da terra do Sol Nascente. Para a garotada há mais opções, "Mansão Mal Assombrada", um misto de terror e comédia, com Eddie Murphy; "O Gato", longa-metragem com Mike Myers e Alec Baldwin e a pré-estréia de "Os Rugrats e os Thornberrys Vão Aprontar", que traz os personagens do canal pago Nickelodeon.

Em "O Último Samurai", Tom Cruise interpreta um personagem que lhe rendeu indicação ao Globo de Ouro. Ele encarna um ex-soldado americano que, traumatizado com o massacre de índios inocentes, aceita ir para o Japão treinar o primeiro exército ocidentalizado do país. Só que lá, ele é capturado por samurais rebeldes e se apaixona pela cultura dos lendários guerreiros. A direção é de Edward Zwick, de Lendas da Paixão.

Eddie Murphy vive um corretor imobiliário no filme "Mansão Mal Assombrada", que fica preso com a família em uma velha mansão habitada por fantasmas por causa de uma tempestade de origem misteriosa. Lá, encontra o excêntrico Gracey, seu mordomo e moradores invisíveis. Para escapar, conta com a ajuda de uma cigana presa numa bola de cristal. A direção é de Rob Minkoff.

Mike Myers, Alec Baldwin, Kelly Preston, Dakota Fanning, Spencer Breslin, Amy Hill, Sean Hayes, Danielle Chuchran estão no infantil "O Gato", de Bo Welch. O filme é baseado na obra de Dr. Seuss, escritor de O Grinch, conta a história de um gato malandro que, com a ajuda de dois amigos mais travessos ainda, destrói a casa de seus donos. O felino falante tem 1,80 metro, chapéu listrado vermelho e branco e "gravatinha" esquisita, com uma queda enorme por diversão.

Em pré-estréia, de "Os Rugrats e os Thornberrys Vão Aprontar", o "casseta" Cláudio Manoel dubla o cachorro dos Rugrats. Tommy Pickles terá a chance de conhecer o seu herói na vida real quando toda a família, de férias, se vê perdida numa ilha deserta. Presos, os Rugrats se deparam com lagartos, leopardos e plantas carnívoras, sem mencionar a pior presença de todas: os Thornberrys! Spike não está com o seu faro muito apurado e se perdeu dos Rugrats em plena floresta. Será que Eliza Thornberry, que fala a língua canina, conseguirá ajudá-lo a encontrar seus amigos antes que Siri, o leopardo branco, transforme essa aventura num pesadelo?

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Oriente a seus pés
Tom Cruise estrela O Último Samurai, superprodução de 100 milhões de dólares com cenas de batalha de arrepiar
Tatiana Contreiras



Prisioneiros, Nathan (Cruise) se envolve com a generosa Taka (Koyuki), viúva de um homem que ele matou

É difícil explicar a relação entre galãs e filmes épicos. Se Mel Gibson vá lá, quase abandonando o posto teve Coração Valente e Brad Pitt exibiu os belos olhos e um pouco mais em Lendas da Paixão, não seria Tom Cruise que ficaria de fora. O Último Samurai, superprodução de US$ 100 milhões dirigida por Edward Zwick, chega hoje às telas cariocas com muitas batalhas grandiosas, discussões éticas, o embate entre modernidade e tradição, bela fotografia e, claro, Tom de todos os jeitos. Ferido, lutando, gritando, chorando, ele gasta sua beleza nas duas horas e meia de filme.



Na batalha, os samurais, liderados por Katsumoto (Watanabe, centro) e Algren (Cruise) lutam contra um exército

Estados Unidos, 1870. O capitão Nathan Algreen (Cruise), veterano da Guerra Civil americana, é um alcoólatra atormentado com o passado que vive de contar historinhas dramatizadas sobre sua experiência em combate para curiosos. Até o dia em que é contratado pelo empresário e ministro japonês Omura (Masato Harada) para treinar o novo exército do imperador do Japão. Algren acaba convencido pelo seu antigo comandante na guerra americana, o Coronel Bagley (Tony Goldwin), e principalmente pelo dinheiro.

Japão, 1870. O imperador Meiji (Shichinosuke Nakamura) quer modernizar seu país com o (colonizador) apoio dos Estados Unidos, interessado em novos mercados e armar um exército mais ocidental, com canhões em vez de espadas. A situação é um golpe para Katsumoto (Ken Watanabe), líder dos samurais, antiga linhagem de guerreiros, treinados para servir o imperador o mesmo imperador que passa a virar as costas para eles, e que de forma contraditória, começa a combatê-los. Os samurais viram rebeldes, vistos como obstáculos para um Japão moderno.

Depois da primeira e mal-sucedida batalha contra Katsumoto e seus seguidores, Algren, acuado, é capturado como prisioneiro. Levado para a cidadela dos samurais, o americano, até então com vida desregrada, se encanta com a disciplina oriental. Fica impressionado com a dedicação à arte da guerra dos samurais, com seus códigos de honra e troca experiências com Katsumoto, interessado em aprender com o inimigo. Algren aprende japonês e revê conceitos.

O que mais impressiona em O Último Samurai (além de Tom Cruise, obviamente) é a magnitude das cenas de guerra. Há quem diga que o filme se arrasta em certos momentos. Mas o embate final no campo de batalha compensa quaisquer falhas que acompanhem uma visão hollywoodiana do Japão. Já do lado dos mocinhos, de quimonos e armaduras, Cruise convence como samurai das Américas e sem olhos puxados, que se joga na guerra sem medo lição dos orientais.

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Consórcio para empresa

Caixa lança produto que financia a compra de imóveis para pessoa jurídica em até 10 anos
Cristiane Campos

A Caixa Econômica Federal abriu novo consórcio imobiliário para pessoa jurídica. A modalidade beneficia quem quer ampliar seus negócios ou atuar em estabelecimento próprio. As cotas variam entre R$ 15 mil e R$ 150 mil, com prazo de pagamento de até 10 anos. A taxa de administração é de 1,7% ao mês. Anualmente, as cartas de crédito e as prestações serão corrigidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Segundo revelou ao DIA o diretor da Caixa Consórcios, Ricardo Talamine Cardoso, o modelo para pessoa jurídica é parecido com o da física e vai atender a uma reivindicação dos empresários da construção civil. A expectativa da Caixa é fechar o ano com 15 mil cotas. O empresário Leandro Tavares, da Leleco Sapatos e Acessórios, acredita que a linha vá ajudar a ampliar o negócio, com a abertura de novas lojas.

Os interessados em participar precisam estar com a empresa legalmente constituída no País, com atos constitutivos registrados na Junta Comercial ou no Cartório de Registros Especiais de Pessoa Jurídica. Outra exigência é estar devidamente registrado na Secretaria da Receita Federal e ter a situação regularizada no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ).

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Rio corre risco de perder lugar

Só depois de negociação encerrada, deputados tentam convencer Lula a manter no primeiro escalão ministros representantes do estado
Lúcia Leão e Raphael Gomide

BRASÍLIA E RIO - A reforma ministerial que está sendo finalizada no Palácio do Planalto pode deixar o Rio fora do primeiro escalão do Governo federal. Só ontem, quando José Dirceu (Casa Civil) deu por encerrada a fase de negociações com os partidos, as lideranças políticas do estado iniciaram as articulações para manter ao menos um representante na Esplanada. Em conversa com o presidente do PT, José Genoino, o deputado Jorge Bittar (PT-RJ) argumentou que o equilíbrio federativo no Governo ficaria comprometido a se concretizarem as saídas dos ministros Miro Teixeira (Comunicações) e Benedita da Silva (Assistência Social) ele considera o caso de Roberto Amaral (Ciência e Tecnologia) definido, já que pôs o cargo à disposição.

Genoino considerou o argumento procedente e justo, e prometeu se empenhar para que isso não ocorra, disse Bittar. Parlamentar fluminense de melhor acesso ao Planalto, ele disse que conversará hoje com Dirceu. Vai defender que se dê mais tempo para Benedita e que Miro Teixeira seja deslocado para outra pasta. Com a exclusão do Rio, o petista, pré-candidato a prefeito do Rio, pode sofrer ataques dos adversários nas eleições.

O deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) também está indignado com a possibilidade de o Rio perder assento no Ministério. Ele tentará convocar uma reunião da bancada federal na segunda-feira. O Rio é sempre punido. Não sei se ainda haverá tempo, mas temos de tomar posição, defendeu.

Para Carlos Santana (PT-RJ), se houver vontade política, há tempo. Para ele, tudo é o resultado da falta de articulação dos representantes do Rio. Em política, sempre tem tempo. O fato é que não houve um único político que fizesse uma articulação a favor do estado nessa reforma.

Deputados prometem guerra se houver mais mudanças

Se não se uniu para articular politicamente, a bancada fluminense mesmo a de oposição se une nos protestos contra a saída de Miro Teixeira. Ele é respeitado por todos, e está sendo tirado para contemplar essa aliança esdrúxula, essa salada ideológica patrocinada pelo Governo, reagiu o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ). Tem qualificação e representatividade para defender os interesses do estado, lamentou Moreira Franco (PMDB-RJ). Alheio aos desagravos, Miro disse que aguarda serenamente a hora de voltar para o Congresso.

O deputado Chico Alencar também defendeu Miro, mas tem poucas esperanças de salvar os ministros fluminenses. Ele já pensa em resguardar o que restaria ao estado no Governo federal, o presidente do BNDES, Carlos Lessa. Ele é intocável. Se ainda sair o Lessa, vamos para a guerra, afirmou. Para ele, o desprestígio do Rio é também fruto da crise de partidos e da falta de quadros no estado. Para Lindberg Farias (PT-RJ), a perda dos ministérios não representa desprestígio. O Rio é prioridade para Lula.

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Paulo Sant'ana
16/01/2004


A mulher-bomba

O assalto de anteontem ao carro-forte da Prosegur, na BR-116, em Barra do Ribeiro, teve cenas cinematográficas, dignas dos mais movimentados filmes de aventura.

Houve a utilização de cinco veículos roubados, vários deles incendiados, tiros de fuzil, lançamento de granada, interceptação do blindado na estrada por caminhões, explosão de um cofre, uma ação combinada que transformou um trecho da estrada em um verdadeiro inferno.

Tornam-se já freqüentes esses ataques a carros transportadores de dinheiro nas rodovias gaúchas.

Esse serviço de transporte de dinheiro terá de se sofisticar, com a adoção de roupas e máscaras antifogo e com oxigênio, tal o perigo que estão correndo os guardas que protegem o dinheiro transportado.

Não é descartável também que passem a transportar o dinheiro em um comboio de carros-fortes, um deles somente portando o dinheiro, os outros servindo de laranjas ao principal.

Os métodos dos assaltos estão cada vez mais ousados e utilizam maior apuro. Os transportadores de dinheiro vão ter também que se modernizar.

Recebo do secretário da Segurança, deputado José Otávio Germano, um levantamento estatístico, que segundo ele comprova que não há resignação das autoridades policiais com o avanço da criminalidade.

A estatística mostra que houve 2.165 prisões em flagrante no Estado em 2002, enquanto que em 2003 o número subiu para 2.531. Um aumento de 16,91%.

As operações de policiamento somaram 2.342 em 2002, contra 5.184 em 2003, aumento de 113,16%, mais que o dobro.

Em 2002 foram apreendidas 602 armas de fogo, já em 2003 foram 682, um crescimento de 13,29%.

Finalmente, foram capturados 510 foragidos em 2002, contra 730 em 2003, um aumento de 43,13%.

Como se vê, a Polícia Civil e a Brigada Militar esforçam-se em seus misteres, contudo há um crescimento da criminalidade que espanta no noticiário, com pessoas de todas as espécies atirando-se aos ataques patrimoniais.

O secretário da Segurança orgulha-se de a polícia ter prendido em menos de 24 horas um dos líderes da quadrilha que assaltou o carro-forte anteontem em Barra do Ribeiro, com apreensão de forte armamento.

Ineditamente, uma palestina de 22 anos, mãe de dois filhos menores, a quem declarou amar como a seu marido, fez-se explodir anteontem em um atentado suicida, quando foi parada numa barreira fronteiriça com Israel, em Erez.

Três soldados e um civil israelense morreram e entre os sete feridos estão quatro palestinos.

A suicida deixou um vídeo, no qual declara: "Sempre foi meu desejo transformar meu corpo em uma mortal contra os sionistas e sonhava me tornar uma mártir e morrer por meu povo".

Impressiona no caso o amor declarado da terrorista suicida por seu marido e dois filhos, de um ano e meio e três anos e meio, colocando acima dessa devoção pela família o ódio racista.

Esses homens e mulheres-bomba do Oriente Médio se constituem no mais intrigante enigma sobre a mente humana na transição recente dos dois milênios.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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David Coimbra
16/01/2004


O velho Chaleira Preta

Chaleira Preta, chefe dos cheyennes, era amigo do homem branco. Tinha ganho dos ianques uma bandeira dos Estados Unidos e a promessa de que seu povo se acharia em segurança, enquanto vivesse à sombra dela. Por isso, chamou todos os índios a se postarem em volta da bandeira, quando os soldados da cavalaria americana invadiram o acampamento de Sand Creek, na manhã de 30 de novembro de 1864.

Chaleira Preta não compreendia a invasão. Os próprios americanos haviam sugerido que os cheyennes se instalassem ali. Mais: convenceram os guerreiros a deixar a aldeia e partir para os campos de caça ao búfalo. Ou seja: em Sand Creek só estavam velhos, crianças e mulheres, as squaws. Foram esses que se homiziaram sob a bandeira, quando do ataque.

- Não fiquem com medo! - gritava Chaleira Preta. - Os soldados não vão feri-los.

Mas os soldados começaram a disparar. Um dos americanos contou mais tarde que, nesse momento, viu Antílope Branco, um índio de 71 anos, se aproximar dos soldados com as mãos para cima, pedindo que parassem. "Parou e cruzou os braços. Até ser atingido", testemunhou o americano. Ao expirar, Antílope Branco cantou a canção de morte dos cheyennes:

Nada vive muito tempo

Só a terra e as montanhas.

De imediato, um soldado pulou sobre o velho, arrancou-lhe os genitais e disse que ia fazer uma bolsa de fumo com eles. Outro americano relatou: "Vi uma squaw com a perna quebrada por um obus. Um soldado foi até ela com o sabre desembainhado. Ela levantou um braço para se proteger. Ele a golpeou, quebrou-lhe os dois braços, depois deixou-a, sem matá-la. Havia cerca de 40 squaws reunidas numa caverna como abrigo. Enviaram uma menina de seis anos com uma bandeira branca num pau. Foi atingida e morta. Todas as squaws na caverna foram mortas. Todo mundo que vi morto estava escalpado. Vi uma squaw cortada com um filho ainda não nascido ao seu lado".

Morreram 105 mulheres e crianças e 28 homens no Massacre de Sand Creek. A data assinala também a introdução na América do escalpo, uma invenção inglesa.

Essa e outras histórias de igual jaez estão no comovente Enterrem meu Coração na Curva do Rio, que desde a década de 70 vendeu 4 milhões de exemplares, foi relançado em novembro pela L&PM e já teve a edição esgotada. Li o livro justamente neste verão. Resultado: exultei com a prisão do piloto americano que fez um gesto obsceno no aeroporto de Cumbica. São muitos séculos de arrogância americana. Alguém tinha que fazer alguma coisa. Olhei a cena da prisão e bradei para meus perplexos colegas aqui da Redação:

- Essa é pelo Chaleira Preta, pessoal! Pelo velho Chaleira Preta!

david.coimbra@zerohora.com.br

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Pré-Olímpico
Chile segura o Brasil de Robinho



Quadrilha usou cinco veículos para interceptar e incendiar carro de valores no município de Barra do Ribeiro (foto Marcelo Hernandez, AP/ZH)


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Quinta-feira, Janeiro 15, 2004




REPAREI QUE A POEIRA SE MISTURAVA ÀS NUVENS

Reparei que a poeira se misturava às nuvens,
e, sem pôr o ouvido na terra,
senti a pressa dos que chegavam.

Disse-me de repente: "Eis que o tropel avança".

Mas todos me olhavam como surdos,
e deixavam-me sem responder nada.

Vi as nuvens tornarem-se vermelhas
e repeti: "Eis que os incêndios se aproximam".
(Mas não havia mais interlocutores.)

"Eles vêm, eles não podem deixar de vir",
balbuciei para a solidão, para o ermo.

E já por detrás dos montes subiam chamas altas;
ou eram estandartes ou eram labaredas.

Perguntei: "Que me vale ter casa, parentes, vida?

Sou a terra que estremece? Ou a multidão que avança?
Ó solidão minha, ó limites da criatura!

Meu nome está em mim? No passado ou no futuro?

Ninguém responde.
E o fogo avança para meu pequeno enigma".

Apenas um anjo negro entreabriu seus lábios,
verdadeiramente, como um botão de rosa.
"Death".

DEATH?
Por que me falas nesse idioma?, perguntei-lhe, sonhando.
Em qualquer língua se entende essa palavra.
Sem qualquer língua.

O sangue sabe-o.
Uma inteligência esparsa aprende
esse convite inadiável.

Búzios somos, moendo a vida
inteira essa música incessante.
Morte, morte.

Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.

A vida é a vigilância da morte,
até que seu fogo veemente nos consuma
sem a consumir.

Cecília Meireles

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Meteu o dedo onde não devia
Piloto americano resolve fazer gracinha ao ser fichado em São Paulo, mas acaba dedurado por foto digital e cai nas mãos da Polícia Federal
Érika Röesler

O piloto americano saiu preso do Aeroporto de Guarulhos (alto) enquanto, no Rio (centro), os turistas André Souvestre (E) e Jeff Bllustin se esbaldavam com as mulatas. Jeff não se queixou de ser fichado: Esperei 20 minutos, mas valeu a pena. Kristine Farrel (acima) chegou até a ensaiar passos de samba

SÃO PAULO - O piloto Dale Robin Hersch, 52 anos, da American Airlines, colocou o dedo na ferida das relações entre Brasil e Estados Unidos. Ontem, ao passar pela identificação obrigatória no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, resolveu fazer graça na hora da foto digital. Dedo médio para cima, achou que policiais federais não perceberiam o gesto obsceno disfarçado ao segurar papel com o número da ficha.

Mas eles notaram e usaram o princípio da reciprocidade: se o piloto não gostou de passar pelo fichamento, eles também não gostaram do gesto. Hirsch foi preso, acusado por desacato a autoridade e encaminhado à Justiça Federal. Para livrá-lo do processo se condenado, pode receber pena de 6 meses a 2 anos de prisão, executivos da companhia botaram a mão no bolso para pagar multa de R$ 36 mil.

O braço forte da Polícia Federal não caiu apenas sobre Hersch. Os outros 10 tripulantes do avião que protestaram contra a prisão do colega foram impedidos de entrar no País. O piloto fez um gesto conhecido internacionalmente como obsceno e provocativo, afirmou o superintendente da PF em São Paulo, Francisco Baltazar da Silva. A tripulação se portou de maneira jocosa, fazendo piadas e desprestigiando os policiais federais, disse o porta-voz do órgão, Wagner Castilho, referindo-se ao registro das digitais.

Americano ficará detido até cheque ser compensado

A multa, equivalente a 150 salários mínimos, será doada ao asilo São Vicente de Paulo, em Guarulhos. O procurador da República Matheus Baraldi Magnani disse que o valor foi calculado com base no salário do piloto, 10 mil dólares. Além do gesto, o sorriso sarcástico representou absoluta falta de respeito à nação brasileira¿, avaliou Magnani. O cheque foi entregue à noite, mas o passaporte do americano ficará retido até a compensação. Hersch passou o dia preso por não morar no Brasil. À tarde, foi ouvido pela juíza Giselle de Amaro e França, da 1ª Vara Criminal de Guarulhos.

Em nota oficial, a American Airlines pediu desculpas ao Governo brasileiro, às autoridades portuárias, à Polícia Federal e a quaisquer outras pessoas que acreditem terem sido desrespeitadas. O superintendente da PF disse que o piloto se mostrou arrependido e surpreso com a repercussão. O vôo, procedente de Miami, chegou a São Paulo às 9h30.

Assessor Internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia considerou intolerável e arrogante a atitude, mas ressaltou que o incidente foi tratado como um episódio policial.

No Rio, americanos só faltam ser postos no colo. Para diminuir o constrangimento do fichamento, prefeitura, estado e entidades ligadas ao turismo vêm caprichando na recepção. Ontem, foram recebidos no Aeroporto Tom Jobim por duas mulatas e pela batucada do Samba Drums. (Colaborou Isabela Kopke)

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PRÉ-OLÍMPICO
A primeira decisão

Seleção pré-olímpica terá hoje uma prova de fogo diante do Chile, dono da casa, precisando da vitória para escapar da repescagem
CONCEPCIÓN, CHILE - A vitória de 3 a 2 do Chile sobre o Paraguai, na rodada de terça-feira, custou ao Brasil a liderança no Grupo A do Pré-Olímpico. Com sete pontos contra nove dos chilenos , a Seleção sub-23 será obrigada a derrotar os donos da casa, hoje, às 23h10 (de Brasília), no Estádio Municipal de Concepción (Chile), se quiser ser a primeira colocada e, automaticamente, assegurar uma vaga no quadrangular final da competição.

Pelo regulamento, o vencedor dos Grupos A e B estará garantido no quadrangular que definirá as duas seleções classificadas para a Olimpíada de Atenas, em agosto. As outras duas vagas para a fase final do torneio sairão do confronto entre o segundo colocado de uma chave contra o terceiro da outra.

Embora a vitória logo mais seja uma obrigação, qualquer resultado diferente não significará o fim do projeto Atenas. Mesmo perdendo, a Seleção ainda será a segunda colocada, já que Paraguai (3), Uruguai (2) e Venezuela (1) não podem mais alcançá-la.

Há, também, outro fator que motiva Ricardo Gomes e seus comandados: os quatro dias de descanso desde a última partida domingo, debaixo de forte sol, no empate em 1 a 1 com o Uruguai. Com certeza, o cansaço nos prejudicou. Fizemos dois jogos em 48 horas, enquanto o Chile ganhou uma folga na tabela e pegou o Paraguai descansado, ressaltou o treinador.

No fim do treino, Ricardo Gomes recebeu ótima notícia. Elano, que sofrera entorse no tornozelo esquerdo na partida contra o Paraguai e esteve ameaçado de corte, treinou normalmente, nada sentiu e está confirmado Wendell voltará à reserva. Estou recuperado e confiante. Do contrário, eu mesmo pediria para não jogar, disse o apoiador.

Apesar do decepcionante resultado de domingo, Ricardo Gomes fez questão de levantar a auto-estima dos seus jogadores. Segundo ele, a quebra da seqüência de vitórias derrotou Venezuela (4 a 0) e Paraguai (3 a 0) não significa que o time perdeu a motivação.

Criamos inúmeras chances, só não finalizamos. É normal. O importante foi ver a consciência tática dos atletas, o amadurecimento deles e saber que o ambiente continua o melhor possível. O pensamento aqui é um só: vitória, declarou Ricardo.

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O sonho da mudança
ABRÃO SLAVUTZKY/ Psicanalista

Um povo com desejos de transformação elegeu Lula para presidente. Embora o primeiro ano de governo tenha sido pobre em conquistas, as reformas não terem emocionado, o crescimento ter sido quase zero, o pessimismo econômico foi superado, renascendo a confiança.

Através da História, os homens imaginaram tempos mais felizes, em que paz e justiça social seriam necessárias na busca do paraíso perdido. Entre tantos, cito Isaías, Thomas Morus e Karl Marx. Este chegou a imaginar uma sociedade onde cada um trabalharia conforme suas possibilidades e ganharia segundo suas necessidades. Porém, até aqui seguem distantes as possibilidades de uma vida mais igualitária e pacífica. Neste sentido, o Fórum Social Mundial é um espaço de sonho na busca de um novo mundo.

Mudar é difícil em todos os níveis: seja no social, seja no individual, a tendência sempre é a de conservar o que foi estabelecido. Na ciência ou na arte, o novo é considerado subversivo e precisa tempo para ser aceito. Nada muda tão rapidamente, ainda mais em um país onde as elites acostumaram-se a mandar sozinhas. É um espanto lembrar que há pouco mais de um século havia a escravidão negra, que marca ainda esta sociedade.

Na prática, a teoria é outra, pois sempre implica acertos políticos, limites jurídicos, conciliações difíceis, pressões econômicas. Mas dos conflitos surgem as mudanças, como já dizia Heráclito de Efeso na Grécia: "O conflito (polémos) é o pai e o rei de todas as coisas". Polémos é traduzido também por guerra, combate, enfrentamento, que é constitutivo da realidade, e faz parte da transformação. As mudanças mágicas são sedutoras, mas já mostraram seus desvios e perigos, por isso é preciso superar essas velhas ilusões.

A busca por um país mais humano, com menos pobreza e violência, deveria ser uma meta de todos. Embora o espetáculo anunciado esteja distante, é possível que os alicerces de uma sociedade melhor estejam sendo construídos. O governo prometeu mais do que poderia realizar, mas o importante é não perder a paciência, como já ocorreu com intelectuais imediatistas.

Em 1926, Sigmund Freud escreveu: o eu, ao buscar a satisfação, deve se adaptar à realidade, mas também é possível intervir e alterar o mundo exterior, em busca de maior satisfação. É preciso decidir quando é necessário dominar as paixões e aceitar a realidade ou tomar partido por elas e pôr-se em pé de guerra frente ao mundo exterior: aí está o alfa e o ômega da sabedoria. O criador da psicanálise não foi o conservador que pintam! O desafio portanto é aprender o que pode ser mudado e aceitar o que não e para isso é preciso saber e ousar.

A palavra sonho tem muitos sentidos: é a via régia para o inconsciente; há o bom sonho de Santo Antônio bem como o sonho dourado de um país melhor. O que escrevi pode ser uma fantasia alegre pré-Carnaval, regida mais pelo princípio do prazer. Afinal, sou descendente dos profetas, e como tal, não consigo abrir mão do sonho de mudança.

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Luis Fernando Verissimo
15/01/2004


Eta nóis

É um pouco a história daquele autor de vanguarda, agressivo e contestador, que quando vê sua obra ser não apenas entendida como elogiada pela crítica e transformada em sucesso comercial pelo público, se mata. O sucesso é um sinal do seu fracasso. Muitos do PT devem estar vendo toda essa euforia com o Brasil no mundo do dinheiro endógamo - o que só se acasala e procria com sua própria espécie e não produz para mais ninguém - e se perguntando: onde foi que erramos? É o sucesso errado, com o público errado. Com o público que a esta altura deveria estar nos vaiando e nos chamando de moleques, não comprando nossos títulos internacionais pelo preço de capa e nos amando.

Outros do PT, ou do governo, que fica cada vez mais heterogêneo (eufemismo educado), estão se sentindo desagravados. Não diziam que íamos agir como irresponsáveis? Pois aí está, semo gente séria e confiável e o mercado gosta de nós mais do que gostava dos outros. Mas no fim, a euforia do mercado não é confiança na economia brasileira e na seriedade do governo ou simpatia gratuita, é alívio porque o cassino não fechou. O cassino não virou creche nem igreja evangélica. Continua funcionando e pagando os prêmios mais altos do mundo com o mesmo risco mínimo. Só com nova direção.

Algum do dinheiro apostado sobrará para o investimento que interessa - qualquer cassino acaba beneficiando o comércio em sua volta - e está certo, não dava para desmontar as mesas e mudar de ramo de um dia para o outro. Mas dizem que, levado pelo clima de eta nóis passado pela grande imprensa com o dinheiro especulativo que entra e o entusiasmo nas bolsas, como se qualquer uma dessas coisas fosse ter efeito direto na sua vida e na sua miséria, já tem brasileiro pensando em chamar filho recém-nascido de C-Bond. O que não demonstra uma avaliação muito realista da situação.

Li que há pressão para darem autonomia ao Banco Central logo. Depois que o atual governo confirmou que o pensamento econômico neoliberal era único porque não existia alternativa mesmo, desvincular política monetária de qualquer outra realidade parece ser um passo lógico. Enfim, um pouco de coerência.

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Paulo Sant'ana
15/01/2004


Assalto virou rotina

Impressionante o número de assaltos registrados ontem em Porto Alegre.

As autoridades policiais já se resignam, os assaltos se incorporaram à rotina dos porto-alegrenses, sendo efetuados contra lojas comerciais e de serviços durante o dia - e restaurantes durante a noite.

A movimentação dos ladrões foge já completamente ao controle da polícia, tanta gente está entregue à atividade de assaltar, são legiões de pessoas que se entregaram ao lucro pelo roubo.

Ficou tão corriqueiro o assalto que estatisticamente todo porto-alegrense já foi vítima de um ataque ou o será nos próximos tempos.

E esta azáfama de assaltos começa a perturbar o metabolismo comercial da cidade: um exemplo é a preferência dos assaltantes para investidas contra restaurantes do Menino Deus, embora os de outras regiões da Capital também não estejam livres.

Ontem, conversei com uma família de cinco membros que foi assaltada domingo passado no restaurante Prenda Minha, na Rua Silveiro, Menino Deus.

O chefe da família me narrou que durante os quatro minutos do assalto sobreveio-lhe uma espécie de dor na nuca, certamente lhe subiu a pressão arterial, um terror dominou a esposa dele, seus dois filhos e um genro.

Os assaltantes levaram todas as jóias e celulares dos clientes do restaurante, mas tiveram a gentileza de devolver os documentos dos assaltados.

A senhora que falou comigo encobrira estrategicamente seu relógio de pulso com a bolsa, mas o assaltante sentenciou: "Passe para cá o relógio". A senhora ficou desolada: "Meu Natan!"

Deixemos que desabafe o proprietário do restaurante, que por acaso me mandou um e-mail: "Caro Paulo Sant'Ana. Sou proprietário do restaurante Prenda Minha, na Rua Silveiro, Menino Deus. Identifico-me com sua coluna, por isso relato que no dia 9 de outubro do ano passado tive o restaurante assaltado, às 21h. Naquele dia havia uns 15 clientes jantando quando entraram quatro homens e uma mulher e anunciaram um assalto.

Mandaram todos os clientes e funcionários se deitarem à beira da churrasqueira e levaram tudo: carteiras, jóias, dinheiro, celulares, bebidas, tudo. Chamei a polícia, que chegou 30 minutos depois. Daquela vez tive de pedir dinheiro emprestado para pagar os fornecedores. Pois, acredita você que domingo passado, dia 11 de janeiro, novamente meu restaurante foi assaltado? Desta vez por três rapazes, eram mais ou menos 22h. Desta vez foi pior, além de levarem todos os pertences dos clientes, carregaram com todo o dinheiro que eu guardava para pagar salários e férias dos funcionários. Paulo, será que daria para você se referir em sua coluna sobre esses assaltos freqüentes aos restaurantes do Menino Deus? Pagamos impostos e não temos segurança em nossos estabelecimentos. Gostaríamos de por teu intermédio pedir providências preventivas às nossas autoridades sobre essa febre de assaltos sobre nós. Um grande abraço do (ass.) João Sérgio Muniz".

Portanto, quem ainda não foi assaltado que se prepare. Com esta avassaladora onda criminal que varre a cidade, acabará sendo atingido. É a lei das probabilidades.

E carregar jóias ou relógios caros passou a ser uma estultice.

Entregue tudo, não reaja e não faça nenhum gesto suspeito.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Segurança
Novo ataque a carro-forte



Quadrilha usou cinco veículos para interceptar e incendiar carro de valores no município de Barra do Ribeiro (foto André Feltes, Agência RBS/ZH)


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Quarta-feira, Janeiro 14, 2004




CADÊ VOCÊ


Cadê você, homem, o que foi feito de ti?
Era meu amigo, leal companheiro e confidente
Com quem eu conversava de forma transparente
Sem reservas e tão cheia de confiança...

Cadê você, homem, o que foi feito de ti?
Você que me fez de novo ser criança
Levando-me de volta à longínqua infância
Suscitando o extravazar do meu "porão"...

Cadê você, homem, o que foi feito de ti?
Que soube sondar como ninguém meu coração
Que ocupou espaços vazios e me fez plena
Que me refletiu e fez a vida valer a pena...

Cadê você, homem,o que foi feito de ti?
Que era todo o meu entusiasmo e inspiração
Que fez nascer rascunhos em verso e prosa
Que soube despertar a mulher amorosa...

Cadê você, homem, o que foi feito de ti?
Que sempre, sempre se importou comigo
Que nunca me negou o ombro amigo
Na hora dos meus impasses, dúvidas, aflição...

Cadê você, homem,o que foi feito de ti?
A quem, do Sousa, eu enviava um hino
E na troca, da Amália, eu recebia um fado
Em doces permutas, tão do nosso agrado...

Cadê você, homem, o que foi feito de ti?
De cuja amizade eu tanto me orgulhava
Pelo seu modo de ser que eu tanto adorava
E como jóia rara, no peito eu te guardava...

Cadê você, homem, o que foi feito de ti?
Que silenciou de repente qual se tivesse morrido
Ou será que fui eu que morri (em ti) sem ter percebido
Procurando-te em vão, entre lágrimas e gemidos...

Mas, homem, noto agora que já estou meio morta
Apesar do derradeiro rascunho, você já não me importa
Porque na verdade, você nunca existiu
Foi tudo engodo, miragem, alucinação
Porque amigos verdadeiros não nos deixam na mão
E mesmo que tenham que ir embora
Pelos ditames do destino e pelo apelo da hora,
Avisam-nos da partida, deixando uma doce saudação.

- Fátima Irene Pinto -
Do Livro
MOMENTOS CATÁRTICOS


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há dias em que tenho uma percepção

há dias em que tenho uma percepção
muito nítida de tudo:
os lugares que trago comigo
as pessoas que amo
as coisas que me sorriem
e as outras que eu não conheço
porque nunca me dei
ao prazer
de as olhar de oscultar o seu rumor
há dias
há dias em que ao entrar em casa
me sinto
estranhamente de visita

Frogie

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Feras mais dóceis

Após muitos desencontros na vida, Romário e Edmundo voltam a trabalhar juntos e trocam afagos ao lado do good boy Ramon

JUIZ DE FORA (MG) - O atacante Edmundo, contratado ontem pelo Fluminense quem diria? tem pele tricolor. Em alto-astral e acentuando que está renascendo para o futebol, o Animal se apresentou em Juiz de Fora, no início da noite, confirmando que deus os primeiros passos no futebol de campo na Fábrica de Craques que o clube mantém em Xerém. Infelizmente, fui reprovado no teste. Também, fui treinar com tênis All Star amarelos. Não poderia mesmo ter dado certo, contou, às gargalhadas, o novo dono da camisa 10.

Ao lado de Romário, Ramon, Marcão e Celso Barros, presidente da Unimed e vice-presidente de futebol tricolor, Edmundo passou uma borracha no passado e afirmou que a parceira com Romário somente dará certo se o time conquistar títulos. Caso contrário, os defeitos aparecerão. No Brasil, só vale ser campeão. Se não ganharmos, todo trabalho vai para o espaço, contou.

Vestido com a camisa do clube, o Animal recordou que foi atleta do Fluminense. Joguei futebol de salão pelo clube. Mas deixou claro que é torcedor do Vasco. Seria hipócrita se dissesse que sou tricolor. Mas, antes de tudo, sou profissional. Quando estou em campo, não quero que a torcida pense que torço para A ou B. Estou Fluminense e farei de tudo para dar muitas alegrias à torcida.

Ontem, involuntariamente, Edmundo fez a festa de quase 50 torcedores que desde cedo esperavam a sua chegada a Juiz de Fora, onde o time faz a pré-temporada. O motorista o deixou num hotel próximo à concentração tricolor. Edmundo, ansioso por conhecer os novos companheiros e rever os antigos amigos, caminhou entre a torcida por 500 metros, pela Avenida Getúlio Vargas, uma das principais artérias da cidade. Enlouquecidos, os torcedores gritavam: Ah! É Edmundo!

Feliz com a recepção, ele afirmou que Romário foi fundamental na sua ida para as Laranjeiras. Ele me telefonou e disse que era o seu último ano como jogador. O Baixinho me emocionou ao comentar que desejava encerrar a carreira jogando ao meu lado. Por isso aceitei a proposta do clube. O Animal tem certeza de que desta vez não terá problemas de vaidades com Romário. Éramos muito amigos, dois irmãos. Mas, de repente começamos a disputar artilharia, vaga na Seleção, e acabou dando no que deu. Hoje, estamos maduros o suficiente para crises de estrelismos.

Perguntado se tomaria a frente para bater um pênalti num jogo em que Romário estivesse atuando, ele foi direto: Se o Baixinho quiser bater, é com ele mesmo. Ainda sobre a formação da famosa dupla bad boy, o craque lembrou que ela passou por bons e maus momentos. E que, desta vez, os dois falarão menos e procurarão jogar muito mais. Com a bola nos pés e a boca fechada, vamos nos acertar, comentou, sorrindo.

Edmundo assegurou não ter pedido regalias especiais. Até mesmo para poder cobrar deles. O atacante comentou também da grande parceria da sua carreira, com o atacante Evair. Até porque ganhamos três títulos brasileiros. Repito: são as conquistas que marcam a dupla ideal, reafirmou.

Apesar dos reforços, Edmundo foge do favoritismo

Mesmo com a sua contratação, a de Ramon e a possibilidade do time poder contar com o lateral André Luís e com o zagueiro Bruno Quadros, o Animal não fala em favoritismo. Seria até leviano falar nisso. Disputaremos competições contra profissionais competentes e buscando o mesmo objetivo. O que posso dizer é que o nosso grupo está fortalecido.

A chegada ao Fluminense renovou no artilheiro o prazer de jogar. Tive um fim de ano difícil. No Brasil, o jogador sempre é o mentiroso. Só os cartolas falam a verdade. Não somos ouvidos. Confesso que estava desanimado por tudo que aconteceu no meu ex-clube (o Vasco). Mas Romário prometeu que se empenhará para chegar ao milésimo gol, e quando ele quer, é garantia de conquistas, concluiu.

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Festival de novidades
Maior do que nunca, Consumer Electronics Show apresenta em Las Vegas os mais avançados lançamentos de tecnologia



Bill Gates discursa na abertura da feira e apresenta novidades da MS

Mais uma vez, a Consumers Electronics Show carimbou o atestado de maior feira de tecnologia do mundo. Com centenas de novos produtos apresentados, a feira de Las Vegas abriu suas portas maior do nunca. Pelo menos em números, a feira deu um show: foram 129.328 executivos de tecnologia, contra os 117.704 do ano passado, conferindo os produtos das 2.491 empresas. No ano passado a feira abrigou 261 expositores a menos.

Com a presença de executivos de mais de 110 países, a visitação internacional na CES também cresceu. Foram 18.050 profissionais estrangeiros, contra os 16.606 do ano passado.

Sem muitas novidades, MS explora PC-entretenimento

Como nos outros anos, Bill Gates abriu a CES com uma palestra de exibição das novidades da Microsoft. Desta vez, o discurso de Gates teve ar de déjà-vu para muitos. Afinal, a idéia de computadores com múltiplas funções cada vez mais ligados ao entretenimento e desplugados do trabalho não é nenhuma novidade. Principalmente para a Microsoft, que já abusou do conceito na época do lançamento do Windows XP e de seu Media Center.

Porém, muito dessa idéia de PC na sala-de-estar não saiu do papel. Por isso, Gates aproveitou para anunciar alguns futuros lançamentos da sua empresa que prometem fazer do PC-entretenimento uma realidade. Destaque para a linha de produtos que permite acesso fácil a vídeos, música e fotos através da TV. Conhecida como Media Center Extender, o software permite que até cinco televisores tenham acesso remoto a computadores acionados pelo sistema operacional Windows XP Media Center Edition.

Outro lançamento da empresa foi o Portable Media Center, uma plataforma de software para portáteis que é capaz de reproduzir áudio e vídeo. Os gadgets vão ter tela LCD colorida e um disco rígido de 20 ou 40 GB. A previsão é que cheguem ao mercado apenas no final do ano pelo preço de US$ 399. E, por enquanto, das diversas empresas que fecharam acordo com a MS para lançar o produto, apenas a Creative tem seu portable Media Center pronto.

Fotografia digital também teve destaque

Mais populares do que nunca, tecnologias de imagem digital tiveram sua maior presença na história da feira. Uma área chamada Flash Forward TechZone se dedicou totalmente ao tema, trazendo novas câmeras, impressoras, programas e acessórios. A HP apresentou o Scanjet 4670, impressora fotográfica ultrafina. Já a Panasonic apresentou a Lumix, a primeira câmera de 4 megapixels com zoom ótico de 12x .

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Uma onda de turistas no Rio
Transatlânticos com brasileiros e estrangeiros chegam ao estado. Até abril, 95 mil passageiros vão gastar 19 milhões de dólares só na capital
Madalena Romeo



Transatlântico Costa Tropicale foi atração na paisagem de Búzios antes de chegar ao Píer Mauá, no Rio

De manhã, banho de sol e um drink na piscina. À tarde, massagem e pôr-do-sol na proa. À noite, jantar de gala e show dançante. O sonho vai atracar 83 vezes esta temporada no Píer da Praça Mauá. São 37 transatlânticos, um número recorde. Ontem, duas dessas grandes e luxuosas embarcações, o Costa Tropicale e o Costa Allegra, passaram o dia no píer carioca. Muitos passageiros aproveitaram para conhecer a cidade. Segundo estimativas da empresa Píer Mauá, 95 mil turistas vão desembarcar aqui até abril, trazendo 19 milhões de dólares (R$ 53 milhões) à cidade.

Um grupo de 24 debutantes argentinas foi a Copacabana e visitou o Pão de Açúcar. Em vez de comemorar o aniversário de 15 anos com a tradicional festa, elas preferiram fazer um cruzeiro em outro país. ¿Tem festa todos os dias. Dura mais tempo. Conhecemos pessoas de diversos países. Fazemos amigas e nos sentimos independentes¿, enumera a estudante Comigniani Vanina, 15 anos.

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Martha Medeiros
14/01/2004


Reciprocidade infantil

Um casal convida você pra jantar na casa deles. É de bom-tom que dali a um tempo você os convide para a sua.

Você recebe de aniversário um presente de alguém. É natural que no aniversário dessa pessoa você retribua a gentileza.

Admirável mundo civilizado.

Agora vejamos: alguém é grosseiro com você. Você devolve a grosseria? E se alguém chega sempre atrasado aos encontros com você, você começa a se atrasar da mesma forma, só pra mostrar que também sabe ser impontual? O toma-lá-dá-cá é um direito de todos e têm até uma certa lógica, já que a reciprocidade também vale para os transtornos que nos causam. Mas, que é uma infantilidade, é.

Não gosto do Bush e os Estados Unidos estão longe de ser meu país dos sonhos. Aliás, é bem provável que eu nunca mais coloque os pés por lá, porque meu visto expirou e conseguir outro, agora, só depois de passar por uma via-crúcis. Mas me recuso a aplaudir a papagaiada de fichar turistas americanos na entrada do nosso país só para responder "à altura" o fato de eles estarem sendo mais rigorosos à nossa entrada no país deles. O motivo dos gringos é a paranóia. O nosso é o orgulho. Prato feito para um impasse.

Nossa pátria amada não é vítima de terrorismo, nunca teve o hábito de ser arrogante e nem tem infra-estrutura para ser descortês. Nossa natureza é pacífica. Os turistas vêm para este nosso paraíso da afetividade e não encontram segurança nas ruas, não encontram cardápios bilíngües, não encontram sinalização decente, e ainda assim adoram o Brasil, porque a gente é adorável mesmo, e não cidadãos de segunda classe. Mas será que temos que provar isso fazendo de conta que somos enérgicos e intolerantes, a fim de capitalizar um respeito instantâneo? E justo agora, no auge do verão, véspera de Carnaval, quando o mundo está totalmente atraído por nossas praias e nosso samba?

Não me peçam pra aderir a um nacionalismo revanchista. Somos adultos e temos milhões de outras coisas para nos preocupar. Não precisamos macaquear procedimentos que não condizem com nossos problemas. Eles têm medo de que um estrangeiro detone uma bomba dentro do Empire State, estão completamente obcecados e excedem-se nos cuidados com a segurança. Nós não temos medo de terrorismo. Nosso medo é de hotéis vazios, restaurantes às moscas, comércio estagnado, desemprego.

Ah, mas foram eles que começaram... não dá pra deixar assim... quem eles pensam que são?... eles vão ver uma coisa...

Aguardo ansiosa o espetáculo do crescimento.
martha.medeiros@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
14/01/2004


Um jogo perverso

Definitivamente, estou convencido de que pessoas comuns do povo, entre elas eu, não temos nada que entender de economia.

O nosso papel no intrincado jogo econômico do mercado não é compreendê-lo, resume-se somente a pagarmos as nossas contas, a sermos massacrados pelos aumentos excessivos nos preços das tarifas, muito além do índice de inflação, a pagarmos a mais pela maioria dos itens de consumo, sem cogitarmos nem de leve sobre as razões dessa espoliação.

Eu digo isso porque, em fins de 2002 e início de 2003, todo o povo brasileiro foi didaticamente instruído (pelos dois governos e pelos economistas) a compreender que a causa do aumento dos preços na gasolina, nas outras tarifas todas, nos remédios, nas embalagens (que produzem aumento no preço de todos os produtos embalados) era a alta do dólar.

Durante a eleição de Lula, o dólar chegou a bater em R$ 3,98. Depois que Lula foi eleito, o dólar andou dançando até na pista de R$ 3,30.

E os economistas e os governantes transmitiam diariamente pela televisão e pelos jornais que a alta dos preços todos era devida à alta cotação do dólar.

Lembro-me perfeitamente de que o povo brasileiro ficou bem consciente de que quanto mais subisse o dólar mais cara iria ficar a vida para os brasileiros.

Eu, que sou um ignorante em economia, e o povo brasileiro, que não conhece os segredos da economia, temos pelo menos um pouquinho de inteligência.

E por isso ficamos torcendo para que baixasse a cotação do dólar, o que afinal veio a acontecer e passou a ser um dos maiores trunfos, um dos grande méritos reconhecidos do governo Lula.

O dólar baixou e bateu anteontem em cerca de R$ 2,79, o menor preço desde junho de 2002.

Justo que nós, brasileiros, que tínhamos aprendido humildemente que com o dólar alto pagaríamos mais caro por todos os produtos, incautamente raciocinássemos que o fato inverso iria redundar em nosso benefício: se baixasse a cotação do dólar, seríamos beneficiados pela queda correspondente no custo de vida.

Qual o quê! O dólar está cotado a um preço de queda assustador para os exportadores - e todos os preços que subiram em razão da alta do dólar, agora com a queda do dólar não retrocederam um centavo!

Então, para nós do vulgo, do povão, que não entendemos nada de economia, resta a impressão de que somos uns grandes otários: porque a regra é de que pagamos mais caro por todos os preços de tarifas e gêneros em geral quando o dólar sobe, no entanto quando o dólar desce por um colapso, como está acontecendo agora, não vemos sequer um item das tarifas e dos artigos de consumo em geral baixar o seu preço na relação inversa e correspondente.

Que jogo é esse em que o dólar quando sobe é vilão dos consumidores e quando baixa não se torna protetor e beneficiador deles?

Explicam-me os entendidos que esse jogo não é de tão singela interpretação assim como se possa pensar. Que há outros fatores que influem para que os preços não baixem um centavo quando o dólar baixou mais de mil centavos, embora os preços tivessem subido os mil centavos quando o dólar passou a andar pelas alturas.

Explicam-me os entendidos que há preços de produtos e insumos que importamos que subiram em dólar no Exterior, caso das embalagens (plásticos), que por isso resistem em seu patamar, embora a queda do valor do dólar aqui dentro do Brasil.

Penso nessa explicação, mas tenho certeza de que a minha sensação é igual à de todos os brasileiros: se o pão, o macarrão, os biscoitos subiram exageradamente quando o dólar subiu e não baixam um tostão agora que o dólar despencou, nós estamos sendo literalmente roubados.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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David Coimbra
14/01/2004


O que as mulheres estão mostrando no verão

Agora mesmo nós ficamos dois dias discutindo sobre um único mamilo, aqui no Esporte da Zero. Por causa de uma foto que saiu esta semana no Diário Catarinense. A moça, uma morena, vestia biquíni e blusa mínima. Olhava sorridente para a câmera e, com a mãozinha esquerda, puxava a blusa. O sopé de um seio tamanho M aparecia, isso é certo. Mas, no cume do tal seio, avistava-se o detalhe acerca do qual explodiu a dúvida entre nós: aquela protuberância rosada, de cerca de centímetro e meio de altura, empinada feito uma crista de galo, ela seria um mamilo? Assim acalorou-se o debate: é mamilo, não é mamilo, é, não é. Até as mulheres se envolveram. Desdenharam:

- Se é mamilo, ela é aleijada.

Algum gaiato rebateu:

- Mulher não entende nada de mamilo.

Se entende, não sei. O fato é que nós homens temos o hábito de seccionar mentalmente as mulheres, e isso nos torna mais percucientes para observar determinados detalhes.

Há mulheres celebérrimas tão-somente por trechos específicos de seus corpos. Houve uma reverenciada no jornal simplesmente como "A Bunda". Os cafajestes todos a viam como glúteos que, por causalidade, vinham sendo carregados por uma mulher. Com o que, apresso-me a ressaltar, jamais concordei - para mim, o que importava na moça era a sua qualificação profissional.

Muito famosa foi igualmente aquela a quem a turma apelidou de "Melões", numa óbvia referência aos seus seios ubérrimos. Outro pormenor ao qual não atribuo muita relevância. Seios, pouco se me dá seu volume, desde que tenham consistência. Além disso, todos sabem, o que importa de fato é o coração que bate por debaixo do seio esquerdo.

Agora, creia, há segmentos desprezados pela mídia, mas que granjeiam vasta simpatia popular. Pés, por exemplo. São vários os idólatras de pés, o Paulo Sant´Ana entre eles. Para esses, uma mulher perfeita apenas dos tornozelos para cima é um jaburu. A Naomi Campbel, aquela modelo belíssima, ela tem joanetes. Quer dizer: o Sant´Ana jamais daria atenção à Naomi Campbel.

Não sou tão radical em relação a pés, mas um dia testemunhei algo que me deixou chocado. Uma moça, lindalinda, ela só era vista de botas e sapatos fechados. Num verão mais quente, porém, não resistiu e apareceu de sandália. Oh, Deus, o dedo médio do pé dela! O dedo médio se prolongava para além do dedão, desabava para baixo do território da sandália, praticamente arrastava a unha pelo carpete. Era uma minhoca bem nutrida, o dedo médio do pé dela. Olhei aquilo e senti engulhos. Por bela que fosse, confesso: só conseguiria manter alguma espécie de intercurso com a dita cuja se ela vestisse soquetes.

Usualmente, como já enfatizei, não dou tanta importância a detalhes. Nunca nem havia considerado com seriedade os umbigos, até viver o chamado "Verão dos Umbigos". Pois cada verão funciona desta forma: num ano, as mulheres prestigiam a minissaia, expõem as coxas. Noutros, usam o clássico tomara-que-caia, nos oferecem os ombros. Aquele foi o da miniblusa, e os umbigos foram desvelados. Umbigos rasgadinhos, umbigos de bolota, umbigos com piercing, umbigos tantos, todos sem funfla, que, já ensinou o Verissimo, é a sujeirinha do umbigo. Desde aquele verão, passei a valorizar os umbigos.

No verão 2004, tudo tem sido diferente. As mulheres radicalizaram: a microssaia voltou sobranceira, as miniblusas prosseguiram sem oposição e os ombros mal e mal são tapados por uma alcinha da espessura de um dedo mínimo. Ou seja: há muitos setores a clamar por nossa atenção. Mais ou menos como ocorre com a dupla Gre-Nal. Antes, eles precisavam de um centroavante, de um meia, só. Agora, são carentes em demasia, do goleiro ao antigo ponta-esquerda. Não há o que não lhes faça falta. Setores demais para dar cobertura. Microssaias, volantes, miniblusas, zagueiros. Que verão torturante. Não sei como vamos sobreviver a esse verão.

Ah, aquilo no cocuruto do seio da morena não era mamilo; era o botão da blusa, que frustração.

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Competição
Armadilhas do Paris-Dacar



O gaúcho Klever Kolberg e os paulistas André e Jean Azevedo falam após 13 dias de competição. Na Mauritânia, o francês Brucy cai nas dunas (foto Pascal Rondeau, AP/ZH)


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Terça-feira, Janeiro 13, 2004




Lula pede fim de vistos a Bush
No encontro ontem no México, presidente pediu acordo para acabar com a exigência de autorização de entrada no Brasil e nos EUA



Lula e o presidente mexicano, Vicente Fox, antes da reunião de cúpula

MONTERREY, MÉXICO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs ontem ao presidente dos EUA, George W. Bush um acordo de livre trânsito entre brasileiros e americanos, com o fim da exigência de vistos de ambos os lados. Os presidentes tiveram encontro reservado de 30 minutos ontem, durante a Cúpula Extraordinária das Américas, no México.

Por meio do secretário brasileiro de Imprensa e Divulgação, Ricardo Kotcho, o ministro brasileiro das Relações Exteriores informou que Lula apresentou a Bush uma proposta de acordo bilateral de isenção de visto em passaportes de cidadãos americanos e brasileiros que circulam entre os dois países.

Ao ser entregue o documento, Amorim questionou: se há 27 exceções, por que não 28?, referindo-se ao fato de os EUA isentarem 27 países da necessidade de visto para a entrada em território norte-americano. Bush respondeu que se tratava de um bom argumento, sorriu e prometeu que a proposta seria analisada pelo governo dos EUA.

Além do embaixador brasileiro, participaram do encontro o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais Marco Aurélio Garcia e a embaixadora Vera Pedrosa, subsecretária-geral de Assuntos Políticos do Itamaraty. Do lado norte-americano, estiveram presentes, além de Bush, o secretário de Estado Colin Powell e a Conselheira da Casa Branca para Seguraça Condoleezza Rice.

Ao final da reunião, Lula reiterou o convite formulado em dezembro para que Bush visite o Brasil ainda em 2004. Saindo da sala, Bush comentou com Amorim que considerou o encontro com Lula muito bom. Os presidentes seguiram, então, para um jantar oferecido pelo presidente mexicano, Vicente Fox, aos chefes de Estado que participam da Reunião de Cúpula Extraordinária das Américas.

O avião de Lula aterrissou de madrugada no fortemente vigiado aeroporto em Monterrey para se juntar a 33 chefes de Estado e de Governo e cumprir extensa agenda. Ontem mesmo, iniciou uma série de contatos paralelos, para enfatizar que a reunião deve se concentrar nos temas sociais, em vez de priorizar assuntos comerciais como a Alca (Área de Livre Comércio das Américas). Em encontro com o presidente mexicano, Vicente Fox, reconheceu que a economia está apenas começando a decolar. O brasileiro também se encontrou com o colega peruano, Alejandro Toledo, e convidou para almoço o chefe de Estado da Venezuela, Hugo Chávez.

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Um brinde à nova casa
Apesar das pendências com o Vasco, diretoria do Fluminense programa festa de apresentação de Edmundo para hoje à tarde
Mauro Leão

JUIZ DE FORA, MG - Está na 53ª Vara da Justiça do Trabalho do Rio o destino de Edmundo. O empresário do jogador, Luís Roberto Leven Siano, entrou com pedido de liminar solicitando oficialmente o desligamento do Animal do Vasco, liberando-o para assinar com o Fluminense. A decisão deverá sair hoje, mas entre Edmundo e o Tricolor já está tudo acertado. Tanto que, ontem, o atacante fez exames médicos e passou em todos os testes.

Clinicamente, o jogador não apresentou nenhum problema. Está inteiro, com ótima saúde e pronto para os trabalhos físicos, contou o médico Michael Simoni, que examinou o Animal. Edmundo somente não assinou contrato ontem, como era de esperar, porque o Vasco também entrou na Justiça (coincidentemente, na mesma 53ª Vara), cobrando multa rescisória de R$ 7 milhões, além de tentar enquadrar o artilheiro por abandono de emprego.

Confiante, a diretoria tricolor já prepara uma grande festa para hoje, nas Laranjeiras, não só para Edmundo, mas para apresentar um pacote de contratações. Além do atacante, devem chegar também o apoiador Ramon e o lateral-esquerdo, André Luís, ex- Corinthians, São Paulo e Tenerife, da Espanha, contratado para jogar no meio-campo.

Para evitar os problemas ocorridos com o atacante Euller, que foi cortado pelo departamento médico, depois de tudo acertado com o clube, Ramon também passou por minucioso exame clínico, sendo aprovado. O médico Michael Simoni não quis confirmar a realização dos exames em Ramon. No entanto, pessoas ligadas ao apoiador garantem que ele passou no teste.

Entre Ramon e Fluminense está tudo acertado, O jogador somente não assinou contrato porque ainda discute com os dirigentes a melhor forma de receber uma dívida antiga. ¿Posso dizer que o acordo está praticamente feito. Há o interesse mútuo e tudo se encaminha para um final feliz¿, comenta Paulo Angioni, gerente de futebol.

Tanto Edmundo quanto Ramon exigiram o pagamento de salários em dia e deverão ser patrocinados pela Unimed, a empresa que banca o futebol tricolor e os salários de Romário. Os dirigentes esperam apresentar Edmundo e os demais reforços hoje à tarde, nas Laranjeiras. Amanhã, eles seguem para Juiz de Fora, onde o time tricolor faz a sua pré-temporada.

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Cinema em Tiradentes
Começa dia 23 mostra gratuita com 119 longas-metragens, curtas e vídeos, que serão exibidos no centro histórico da cidade mineira
Tiana Ellwanger

De olho na telona. Entre os dias 23 e 31 deste mês, a praça central de Tiradentes, em Minas Gerais, vai virar palco de exibições gratuitas do cinema nacional. A 7ª Mostra de Cinema de Tiradentes terá 119 produções (24 longas-metragens, 42 curtas e 53 vídeos), seminários e cursos para profissionais e amadores.

Entre os homenageados deste ano na mostra, estará o cineasta Nelson Pereira dos Santos, que terá três obras exibidas: Vidas Secas, Azyllo Muito Louco e O Amuleto de Ogum. Vidas Secas é considerado um dos marcos do Cinema Novo ¿ movimento cinematográfico brasileiro de maior repercussão internacional. O Amuleto de Ogum, de 1974, que retrata o Rio da Baixada Fluminense, é um dos melhores filmes do diretor.

Um dos conselhos da Polícia Militar para o evento é que os visitantes não entrem de carro no centro histórico, já que o congestionamento será intenso e a cidade não comporta um grande número de veículos.

Uma das opções é estacionar nos bairros vizinhos, como o bairro de Cuiabá e ir a pé até o centro. As exibições ocorrerão no Largo das Forras, no Largo das Messias, na Praça da Rodoviária e no Centro Cultural Yves Alves.

Oficinas e shows são outras atrações da mostra

Além dos filmes, serão oferecidas 13 oficinas ao público adulto e infanto-juvenil, debates, seminários, exposições e a tradicional programação paralela que anima a mostra, com shows e espetáculos circenses.

O custo estimado da 7ª edição deste evento é de R$ 870 mil, parte dos quais já captados através das leis federal e estadual de incentivo à cultura, com os patrocínios da Petrobras, Cemig e Telemar.

Sob o tema Modos Narrativos do Cinema Brasileiro, a 7ª Mostra de Cinema de Tiradentes irá colocar na berlinda os vários conceitos que moldam a linguagem cinematográfica. Esse tema irá pautar os seminários, os debates e a distribuição dos longas-metragens em uma grade temática. Entre os filmes a serem exibidos, está o de Carlos Reichenbach, que irá mostrar em Tiradentes o seu trabalho mais recente, Garotas do ABC.

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Liberato Vieira da Cunha
13/01/2004


Não sonhar faz mal à saúde

A Associated Press é uma agência de notícias respeitável e suponho que o jornal New York Post não o seja menos. Pois ambos acabam de anunciar ao mundo uma história digna de figurar na Galeria Universal do Insólito. Um certo Patrice Moore, 43 anos, balconista desempregado dos correios americanos, quase morreu soterrado por uma gigantesca avalanche de letras impressas.

Esse Patrice defendia uns trocados vendendo livros e revistas pelas ruas de Manhattan. Não era um negociante comum: devotava amoroso apreço às mercadorias que comerciava, a ponto de dividir com toneladas delas cada centímetro de seu próprio e acanhadíssimo lar. Devia ser com indizível dor na alma que as entregava aos compradores por um punhado de dólares.

Ora, sucedeu que, depois de um par de dias sem qualquer sinal de Patrice, seu senhorio estranhou o sumiço. Assim que tocou na campainha do apartamento do locatário, ouviu uma voz esquisita, abafada, como se provinda dos confins da Terra. Sujeito decidido, o senhorio muniu-se de um pé-de-cabra e botou a porta abaixo. Seu inquilino jazia em nocaute técnico, imobilizado pela queda de cordilheiras de livros, revistas, álbuns, manuais, catálogos, enciclopédias, bíblias, talmudes, alcorões, kama-sutras, não faltando nem mesmo, ao que imagino, uma coleção das obras completas do imortal Paulo Coelho. Bombeiros, vizinhos, curiosos dedicaram hora e meia à operação de resgate, que incluiu a remoção de 50 sacos de lixo, tamanho família, atrolhados de um bilhão de centelhas da Galáxia de Gutenberg.

Patrice Moore foi hospitalizado e, segundo afirmam, passa bem. Passará? Tenho razões para duvidar. Patrice passou bem foi quando se percebeu prisioneiro de toda a fantasia, a experiência, a imaginação, o conhecimento, o desejo, o mistério que só se contém nos livros. E então, livremente cativo, dialogou com Platão e escutou contos de Sherazade e repartiu uma taça de vinho com Omar Kháyyám e enfermou de paixão pela Capitu, a dos olhos de ressaca.

Mas aí o despertaram e medicaram e declararam que passa bem. Receio que Patrice Moore passe mal. Talvez esteja algo desapontado com senhorios, bombeiros, vizinhos, curiosos; algo desiludido com essa prosaica, conformada humanidade que o despertou da literatura e o exilou de novo na chamada vida real; tão decepcionado que hoje de manhã segredou a uma enfermeira remotamente parecida com a Capitu:

- Não sonhar faz mal à saúde.

liberato.vieira@zerohora.com.br

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Luís Augusto Fischer
13/01/2004


Faltando crítica

Cena 1. Anos 70, Porto Alegre. Quem é jovem e pratica alguma arte vive imensas dificuldades. Há a censura da ditatura, pronta para encher o saco. Há pouca parceria, porque a geração anterior de artistas e intelectuais ou caiu fora, ou foi mandada embora, ou está assustada.

Meios de divulgação são escassíssimos, também por causa da censura, acrescida da patetice provincial, que faz muita gente acreditar que o que é bom mesmo deve vir de fora, do Centro, seja ele qual for; pouquíssimo espaço para os nascentes Bebeto Alves, Luciano Alabarse, Néstor Monasterio, Nei Lisboa, Nelson Coelho de Castro, Nelson Nadotti e Giba Assis Brasil, Vitor Ramil, Nico Nicolaiewsky, Élida Tessler, Gelson Radaelli. Tudo fica represado, às vezes dentro da universidade, ou circulando apenas no âmbito do movimento estudantil, que era vivo e atuante. Dureza.

Cena 2. Meados dos anos 80, mesma cidade, redemocratização. As então oposições - PDT, PMDB e PT - chegam ao poder municipal e estadual. Figuras referenciais da resistência cultural ocupam postos de gestão pública na área: Joaquim Felizardo, Carlos Appel, Luiz Pilla Vares. Criam-se mecanismos de financiamento público para a produção artística, ampliam-se espaços físicos de expressão. Aquela geração que estava travada pela ditadura ganha espaço para mostrar serviço. É uma pequena revolução, em vários sentidos. Quem tem menos de 20 anos agora pode não imaginar, mas foi uma imensa novidade aqueles artistas ganharem o reconhecimento da imprensa e da sociedade. Demorou, mas chegou o tempo em que foi possível fazer arte por aqui.

Cena 3. Últimos anos 90, começos do novo milênio, vida democrática plena, experiência já longa de esquerda no poder. Há leis de incentivo à cultura de vários formatos. Os espaços de expressão artística funcionam a pleno vapor, tendo crescido enormemente nos últimos 20 anos: da escassez dos 70 à atual abundância de centros culturais, feiras, festivais, Bienal. Até a imprensa entrou no circuito, botando as caras de Nei Lisboa, Nico Nicolaiewsky, Nelson Nadotti, Nelson Coelho de Castro e Néstor Monasterio (para ficar apenas no "n") na telinha e nas páginas impressas. Um sujeito aprende três acordes no violão, ou escreve sua primeira quadrinha de São João, ou balbucia seu primeiro monólogo no palco, já será entrevistado pelo Túlio Milman na TVCOM.

E daí? Daí temos que pensar no caso. A sensação atual é dupla, aliás dividida: por um lado, a vida plena de coisas viáveis do ponto de vista mercadológico, como o Porto Verão Alegre, as duas décadas do Tangos & Tragédias, livros e livros de autores locais, o Sarau Elétrico fechando cinco anos; por outro, a constatação de que não se está debatendo criticamente essa mesma produção, em seu alcance estético. Diferentemente de 30 anos atrás, agora tudo acontece, tem espaço, divulgação e até grana; talvez seja o caso, agora, de apertar o torniquete da avaliação, em debates, na imprensa, na universidade.

fischer@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
13/01/2004


Entre a frigideira e o fogo

Comentando a polêmica sobre o uso do véu muçulmano e de outros símbolos religiosos nas escolas da França, diz o sociólogo Alain Touraine que, no plano intelectual, a questão opõe, de um lado, os adeptos do multiculturalismo (a idéia segundo a qual todas as culturas são iguais e têm igual direito à expressão) e, de outro lado, os defensores do ensino laico como forma de democratização. Se fosse só isso, se fosse apenas um debate de teses, tudo bem.

Mas há um terceiro componente, nesta questão, que, inexplicavelmente, não tem sido mencionado: são os próprios jovens que têm de usar (ou não usar) os símbolos. Lendo o artigo de Touraine, lembrei-me de uma cena que presenciei algumas vezes quando era estudante de Medicina e interno no Hospital de Pronto Socorro. De vez em quando atendíamos a um menino com comprida cabeleira, chegando até a cintura. Sabíamos que se tratava de uma promessa, feita pelo pai ou pela mãe da criança: não cortar o cabelo em retribuição a uma graça alcançada ou solicitada. Um ou outro médico ordenava à atendente da sala que pegasse a tesoura e aparasse aquela cabeleira, para assim combater o que chamavam de superstição.

Os pais ficavam furiosos, mas nada diziam, porque afinal o médico era, para eles, a personificação de uma autoridade. Mas eu ficava olhando o menino, em cujo rosto transparecia a perplexidade e o sofrimento: ali estavam adultos que deveriam cuidar dele brigando por causa de seus cabelos. Como se sentia o menino, então? Feliz, por estar livre de uma coisa que era até certo ponto grotesca? Ou estaria sofrendo por causa da contrariedade dos pais?

Ninguém perguntava ao menino, como ninguém pergunta aos estudantes franceses o que eles, afinal, gostariam de fazer. Os jovens estão entre a frigideira e o fogo (e a comparação não deixa de ser apropriada: no passado, o fogo queimou muitos heréticos). Os pais usam de sua milenar ascendência para obrigá-los a vestir-se de uma determinada maneira; a escola não quer que se vistam assim. E aí? O que fazer? A quem contrariar? Por que não ouvir o que os jovens têm a dizer? Por que não respeitar a opinião deles, os seus sentimentos?

Alguém poderá dizer que, por causa da pouca idade, os jovens não têm maturidade, nem autonomia, para decidir. Pode ser. Mas aqui vale a pena lembrar que, na famosa história infantil, foi uma criança quem denunciou a nudez do rei. Essa inata sabedoria pode ser tão importante neste debate quanto as complexas ponderações religiosas, filosóficas e políticas.
scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
13/01/2004


Um alerta necessário

Eu estava pensando que se há um setor que funciona bem no Brasil é a aviação comercial (de passageiros).

A Varig está em situação de pré-falência. Mas o desempenho operacional na Varig continua livre de risco nos seus vôos, a empresa adota um padrão de segurança acima da média.

Não se teve até agora nenhum exemplo de que a crise financeira que assola a companhia tenha influído na segurança de seus vôos, embora sempre se excite o imaginário dos passageiros quando uma empresa de aviação está atravessando dificuldades econômicas.

O pior não é isso. O que mais preocupa é a segurança dos aeroportos. A deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, denunciou esses dias que o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, contou-lhe há seis meses que a carência de recursos governamentais estava "comprometendo até mesmo a manutenção de radares, admitindo que a situação estava perigosa".

A deputada diz que os aviões voam no mesmo plano e num espaço muito reduzido entre um e outro. E que a apreensão com a escassez de recursos para o controle dos vôos cresce nesta época do ano, quando milhares de pessoas estão viajando de avião nas suas férias.

A Associação dos Pilotos da Varig tem alertado que o "vazio regulatório" no Departamento de Aviação Civil (DAC) e a combalida situação financeira das empresas de aviação podem, no longo prazo, afetar a qualidade e a segurança dos vôos.

Está certo que o governo federal tenha se esmerado em 2003 a conter o déficit, a economizar com recursos em todas as áreas, tendo sido constrangedor que a Polícia Federal tenha se tornado devedora das mais singelas despesas de funcionamento.

Mas não é crível que se economizem verbas para a segurança dos vôos, quando se sabe que as demandas de fiscalização e controle do tráfego aéreo aumentaram em 46% entre 1998 e 2002, enquanto que a redução das verbas para essa finalidade ficou em alarmantes 59%.

Felizmente, não tem havido tragédias na aviação brasileira. Isso é fruto da competência e dedicação profissional das empresas, dos pilotos, dos engenheiros e dos mecânicos de vôo, como também dos funcionários da Infraero que controlam os vôos.

Só que até mesmo este fato deveria inspirar as autoridades do governo a melhor aparelhar os nossos aeroportos, amenizando essa arriscada e até perigosa carência de recursos que está caracterizando essa atividade.

Tragédia se previne, evita-se antes que aconteça.

A população tem o direito de exigir que não passe pelos seus espíritos qualquer sombra de dúvida sobre a qualidade e a segurança dos vôos nacionais.

Com vidas não se economiza, até mesmo porque as tarifas continuam sendo pagas pelos usuários. E salgadas.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Europa
Cidade flutuante zarpa da Grã-Bretanha



Com fogos de artifício e adeus de centenas de pessoas, o maior navio de cruzeiros da história, o Queen Mary 2, que tem capacidade para 2.620 passageiros, partiu de Southampton para sua viagem inaugural rumo à Flórida, nos EUA (foto Dave Caulkin, AP/ZH)


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Segunda-feira, Janeiro 12, 2004




A morte de cada dia

Num artigo muito interessante, Paulo Angelim que é arquiteto, pós-graduado em Marketing dizia mais ou menos o seguinte:

Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro. Existem outros tipos de morte e precisamos morrer todo dia.

A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação. Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, isso é óbvio!

A morte nada mais é do que o ponto de partida para o início de algo novo. É a fronteira entre o passado e o futuro.

Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente.

Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só o suficiente para fazer as provas.

Quer ter um bom relacionamento, então mate dentro de você o jovem inseguro ou ciumento ou o solteiro solto que pensa poder fazer planos sozinho, sem ter que dividir espaços, projetos e tempo com mais ninguém.

Enfim, todo processo de evolução exige que matemos o nosso "eu" passado, inferior. E, qual o risco de não agirmos assim? O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo nossa produtividade e, por fim, prejudicando nosso sucesso.

Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser. Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam. Acabam se transformando em projetos inacabados, híbridos, adultos infantilizados".

Podemos até agir, às vezes, como meninos, de tal forma que não matemos virtudes de criança que também são necessárias a nós, adultos, como: brincadeira, sorriso fácil, vitalidade, criatividade etc. Mas, se quisermos ser adultos, devemos necessariamente matar atitudes infantis, para passarmos a agir como adultos. Quer ser alguém (líder, profissional, pai ou mãe, cidadão ou cidadã, amigo ou amiga) melhor e mais evoluído?

Então, o que você precisa matar em si ainda hoje para que nasça o ser que você tanto deseja ser? Pense nisso e morra! Mas, não esqueça de nascer melhor ainda!

Recebi de meu brother Miron

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E SE EU MORRER ANTES DE VOCÊ...

Se eu morrer antes de você , faça-me um favor:
Chore o quanto quiser , mas não brigue com Deus por Ele haver me levado.
Se não quiser chorar , não chore .

Se não conseguir chorar , não se preocupe .
Se tiver vontade de rir , ria .
Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito , ouça e acrescente sua versão .
Se me elogiarem demais , corrija o exagero .
Se me criticarem demais , defenda-me.

Se me quiserem fazer um santo , só porque morri , mostre que eu tinha um pouco de santo , mas estava longe de ser o santo que me pintam.
Se me quiserem fazer um demônio , mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio , mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo.
Espero estar com Deus o suficiente para continuar sendo útil a você , lá onde estiver .

E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim , diga apenas uma frase:
- " Foi meu amigo , acreditou em mim e me quis mais perto de Deus ! "
Aí , então derrame uma lágrima .
Eu não estarei presente para enxugá-la , mas não faz mal .
Outros amigos farão isso no meu lugar .

E , vendo-me bem substituído , irei cuidar de minha nova tarefa no céu .
Mas , de vez em quando , dê uma espiadinha na direção de Deus .
Você não me verá , mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele .

E , quando chegar a sua vez de ir para o Pai , aí , sem nenhum véu a separar a gente ,vamos viver , em Deus , a amizade que aqui nos preparou para Ele .
Você acredita nessas coisas ?

Então ore para que nós vivamos como quem sabe que vai morrer um dia , e que morramos como quem soube viver direito .
Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente , e se inaugura aqui mesmo o seu começo.
Mas , se eu morrer antes de você , acho que não vou estranhar o céu ...
" Ser seu amigo ... já é um pedaço dele ... "

Chico Xavier - Recebi de minha amiga Jane Marion/SP

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Mais uma de amor
Lavínia Vlasak entra em ¿Celebridade¿ como uma fisioterapeuta que vai balançar coração de Fernando
Marcelle Carvalho

Com o rompimento de Maria Clara (Malu Mader) e Fernando (Marcos Palmeira), os dois protagonistas de Celebridade vão começar a se envolver com outras pessoas, na trama do autor Gilberto Braga. Maria Clara já encontrou em Búzios, Hugo (Henri Castelli), um vendedor ambulante, meio ripongo, que aos poucos vai mexer com o coração da morena. E não vai tardar para que Fernando esbarre com sua nova paixão: a fisioterapeuta vivida por Lavínia Vlasak.

Lavínia entra na trama em fevereiro para namorar Fernando, afirma Gilberto Braga, que ainda não escolheu nome para a personagem estou entre Tânia e Cláudia, diz e começa a desenvolver a história do novo casal.

E será por causa de Inácio (Bruno Gagliasso) que o cineasta vai conhecer a moça. Como o rapaz sofreu acidente, fraturou a tíbia e está meio imobilizado, ele vai precisar de fisioterapia para recuperar bem os movimentos. É o momento da entrada da profissional vivida por Lavínia.

Apesar da proximidade dos dois, a personagem não vai se envolver com Inácio. Até porque Gilberto afirma que as mulheres da vida do rapaz já estão todas muito bem definidas. ¿Os romances de Inácio são com Sandra (Juliana Knust) e Darlene (Deborah Secco), bate o martelo, fazendo mistério, no entanto, sobre como o filho caçula de Fernando e Beatriz (Deborah Evelyn) vai se envolver com a eterna aspirante à fama e moradora do Andaraí.

O autor ainda diz que já está colocando no papel as cenas nas quais Inácio sai do fundo do poço. Na que eu estou escrevendo, Inácio já saiu da depressão. Ajudado por Sandra e por sua terapeuta. E sempre pelo bom pai, claro, comenta Gilberto.

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Balanço do movimento
Alícia Uchôa e Flávia Motta

Quelinah e o marido e rapper Thaíde abriram o evento sábado, que terminou com Snoop Dogg (E) simulando fumar maconha. Os paulistas do RZO, Helião e Sandrão, saudaram o hip hop carioca. Os grafiteiros coloriram a festa

O fim de semana teve mais do que os quatro elementos do movimento hip hop no Riocentro. Além de break, grafite, DJs e MCs, muita confusão marcou a etapa carioca do festival de música Hip Hop Manifesta. A segurança redobrada depois da ameaça de cancelamento pelo prefeito Cesar Maia ¿ que alegava falta de infra-estrutura ¿ não compensou a desorganização do evento, que reuniu 50 mil pessoas para os shows de Snoop Dogg, sábado, e Ja Rule, ontem.

No sábado, a confusão para entrar no evento começou por volta das 21h30, quando uma multidão derrubou as grades que determinavam as filas e tentava entrar no Riocentro. O tumulto durou quase uma hora e, para tentar organizar, a polícia usou a força. Teve quem entrasse reclamando de dores por ter apanhado com cacetetes e uma menina chegou a levar um soco. ¿O Cesar Maia tinha razão¿, reclamavam alguns jovens. No desespero, a produção abriu as roletas e muita gente sequer entregou o cartão de ingresso para passar. Já domingo, a entrada foi mais tranqüila, sem transtornos.

Snoop Dogg era o mais esperado do sábado, que teve ainda Thaíde e RZO. O chileno Rodrigo Parraguirre, de 25 anos, levou 56 horas para chegar de Santiago ao Rio de ônibus. ¿Vim só por causa do Snoop. Quando li, no meio do caminho, que o show seria cancelado, quase morri¿, conta ele, que chegou ao Riocentro às 17h de sábado, quando abriram os portões, e esperou oito horas até ver o astro. O show de Snoop compilou hits como Gin and Juice e What¿s My Name, e teve seu auge quando 13 brasileiras foram convidadas para dançar Beautiful ao lado do rapper, que ainda rebolou com elas ao som de Garota de Ipanema e depois vibrou com Diário de Um Detento, do Racionais MCs.

Comprovando a polêmica sobre apologia às drogas levantada pelo Ministério Público, Snoop começou o show exibindo um clip com tiroteio e fumou cigarrilha, simulando um cigarro de maconha, enquanto cantava ¿smoke that shit¿ (fume esta m....).

Ontem, um imprevisto quase antecipou a entrada de Marcelo D2 no palco. Alguns integrantes do SP Funk perderam o vôo que os traria ao Rio. A confusão provocou uma hora e meia de atraso no início dos shows. Mas a seqüencia original foi mantida, com o rapper Ja Rule fechando o festival.

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José Pedro Goulart
12/01/2004


Menos

Desejo, em 2004, tudo de menos para você. Desejo menos arte, por exemplo, e especialmente menos artistas. Chega. O mundo já tem suficiente gente que só quer se expressar, lidar com suas neuras em público e ainda faturar algum. Quem sabe a gente começa a valorizar quem é capaz de fazer?

Desejo menos Internet, menos celular, menos tecnologia. Essas coisas são boas, sabemos, mas substituem o lúdico, o prazer da pesquisa e da conquista. Internet não tem cheiro (livros tem), não tem sabor (selos tem), gera impaciência apesar de ser rápida e reduz espaço e tempo de maneira artificial.

Desejo menos sorrisos. Pesquisa data-zépedro avalia que 95% dos sorrisos são, na verdade, tentativas de suborno. Os outros cinco por cento são dados por ironia, deboche e apenas uma mínima parte de maneira honesta. Fiquemos com a gargalhada: uma palavra que, em si, já provoca risos.

Desejo, é claro, menos propaganda. Do jeito que as coisas estão indo logo logo não haverá espaço nenhum sem publicidade explícita. Bebês nascerão patrocinados e nem os sonhos - tenho certeza, um dia tomaremos alguma pílula que nos fará sonhar com intervalos comercias - ficarão imunes.

Desejo ainda menos sons. Menos imagens. Menos movimento. Há que se prestar atenção no complexo universo perto de nós. Correr o mundo pode ser bom, mas até mesmo esse mundo vasto é pequeno se a gente só passar os olhos desatentos.

Desejo também menos queixa dos americanos ao Brasil e da maneira castiguenta e vagarosa com que seus turistas são tratados na tal reciprocidade diplomática. Eles que se lembrem que se fossemos capaz de ser ágeis e eficientes provavelmente não estaríamos na lista dos países cujos cidadãos necessitam ser fichados para visitar o Pato Donald.

Falando em queixa, desejo esse veneno muito menos para todos nós. A pessoa quando se queixa muito só quer atribuir culpa ao outro pelas próprias mazelas. É uma forma de punir quem não tem nada com isso só pelo fato de não ter nada com isso.

Finalmente desejo menos amor a todos. Exceto aquele que for sincero. Feliz 2004.

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Luis Fernando Verissimo
12/01/2004


As razões do carrasco

Entre 1608 e 1609, Sir Walter Ralegh aproveitou que estava preso na Torre de Londres, esperando sua execução, para escrever "A história do mundo" desde a Criação, que foi publicada depois da sua morte com grande repercussão popular, apesar de ser tão longa que muita gente deve ter secretamente agradecido ao carrasco por ter feito seu trabalho quando Ralegh ainda estava no ano 146 a.C.

Pode-se imaginar que Ralegh tenha argumentado com seu executor, pedindo tempo para chegar no mínimo até a era cristã, e que, entre os argumentos do carrasco para, por assim dizer, editar sua vida e sua obra tão radicalmente, estaria o de que podia estar lhe fazendo um favor. Quem garantia que o livro de Ralegh não estava sendo interrompido no ponto exato, e que a obra só pioraria se o autor tivesse mais tempo? A morte tem a mesma desculpa para qualquer artista que leva no seu auge, ou antes de chegar ao seu auge: pode estar salvando-o da sua fase tardia, do declínio e do fracasso.

A hipotética cena entre Ralegh e seu carrasco se repetiria, hipoteticamente, através da História. Mozart, tentando dissuadir a morte de levá-lo tão cedo quando ainda tinha tanta coisa para fazer, ouviria dela: "Acredite, Wolfgang, você já fez tudo o que tinha para fazer..." Já Shakespeare, depois das peças reflexivas e elegíacas da sua velhice, como Conto de Inverno e A Tempestade, tinha todo o direito de dizer para a morte "Viu como foi melhor esperar?"

Uma boa discussão sobre as vantagens e desvantagens de ter mais tempo seria entre Beethoven e o seu carrasco. Numa das últimas coisas que escreveu para a revista The Nation antes de também ser levado pela morte, comentando vários livros a respeito do compositor, o crítico Edward Said escreveu sobre a fase tardia de Beethoven, em que ele rompeu com o alto romantismo do seu passado e compôs sua música mais "difícil", como os quartetos para cordas, que revoltou muitos admiradores e é discutida até hoje. Beethoven diria que vivera o bastante para fazer sua obra mais pessoal e importante, que Said chama de obras-primas. A morte, com sua conhecida soberba, argumentaria que o teria poupado do vexame.

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Paulo Sant'ana
12/01/2004


O trânsito é inimigo do crime

O imortal Moacyr Scliar me telefona com gentileza para avisar que um estudo publicado pela Folha de S. Paulo de ontem mostra que os índices de violência urbana estão ligados diretamente à falta de trânsito de veículos nos lugares atingidos, uma antiga tese desta coluna.

O laboratório de habitação e assentamentos humanos que realizou o estudo verificou que os mais altos índices de violência na capital paulista se verificam em locais de difícil acesso viário.

Os três distritos pesquisados - Jardim Ângela (zona sul), Brasilândia (norte) e Cidade Tiradentes (leste) - têm alguns dos piores indicadores de qualidade de vida da cidade e altos índices de violência.

E o estudo comprova que existe neles uma relação direta entre um sistema viário precário e o fortalecimento do crime organizado.

Com acesso limitado, o poder público e a polícia simplesmente não chegam a determinadas áreas - o que acontece no Rio de Janeiro -, tornando a população refém de grupos criminosos que controlam essas regiões.

Segundo o estudo, verifica-se nesses locais o fenômeno denominado "espinha de peixe", ou seja, uma grande aglomeração de residências que é cortada apenas por uma grande via principal, geralmente em más condições, e pequenas ruas que saem delas e que não têm conexão entre si.

É exatamente esse o quadro da Vila Cruzeiro do Sul, que fica entre os bairros Medianeira e Cristal, aqui em Porto Alegre.

Cortada por uma grande e estreita avenida, essa vila é caracterizada como um criatório de traficantes e delinqüentes de toda espécie, protegidos totalmente pela falta de circulação de veículos e de pessoas.

Assim também se caracterizam inúmeros núcleos habitacionais de Porto Alegre, justamente aqueles em que ou se verificam os maiores índices de violência na nossa capital ou servem de alojamento para os delinqüentes que vão cometer crimes em outras regiões.

A polícia só chega lá na Vila Cruzeiro do Sul e nas outras quando está dando conta de missão específica, a rotina desse tipo de conglomerados é o isolamento da teia circulatória da cidade, vira um bolsão sem referência de trânsito de veículos e passeios de pedestres, o que estimula que se erija ali o império do tráfico e dos outros crimes.

O estudo elencou pontos que favorecem a perpetuação da lógica da violência: "Locais pouco iluminados, de difícil acesso, com poucas saídas, em que quem está de fora não vê o que ocorre".

A população tende a colocar a culpa nos órgãos de segurança quando sobem os índices de violência.

No entanto, existem muitos fatores sociourbanos e psicológicos que influem sobre a incidência dos delitos.

Por esse elogiável trabalho da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, pode-se verificar que essa péssima estrutura urbana das cidades, "onde existe uma precária ligação entre bairros da própria área, o que impede a criação de vínculos da população com a sua região, que se sente isolada e abandonada pelo resto da cidade".

O medo e a insegurança tomam conta dos habitantes desses lugares estanques.

A tese antiga desta coluna é que o fluxo intenso de trânsito e veículos em qualquer reduto urbano é intimidativo da delinqüência.

Nasceu há muitos anos na cabeça do colunista, quando se verificou que nos calçadões criados em Porto Alegre (e na Rua dos Andradas fechada ao tráfego) passaram a ser incentivados os roubos, os furtos e a proliferação das pessoas com práticas inconvenientes.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Pré-Olimpico
Cansaço e calor no empate do Brasil



Três jogos em cinco dias atrapalharam a Seleção, que ficou no 1 a 1 com o Uruguai, mas lidera o grupo no Pré-Olímpico (foto Andres Stapff, Reuters/ZH)


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