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Sábado, Janeiro 24, 2004
Posted
10:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
O pior é melhor
"É uma sorte que São Paulo seja tão pouco musical. A música popular constitui o maior fator de atraso no Brasil. Quanto mais musical é uma região, mais subdesenvolvida ela é"
Desde cedo a única meta que eu tinha na vida era ir embora de São Paulo. Fracassei em minha primeira tentativa migratória. Fracassei na segunda. Na terceira, deu certo. Fui embora e nunca mais voltei.
Depois de tantos anos de afastamento, finalmente me reconciliei com a cidade. Aprendi a reconhecer seus méritos. O maior deles é despertar o sentimento de repulsa em seus habitantes. São Paulo é tão detestável que somos estimulados a rejeitar nossa origem, a buscar lá fora o que não podemos encontrar aqui dentro. Parece pouco. Não é. São Paulo não acomoda.
Ela nos deixa num permanente estado de insatisfação e precariedade. O paulistano não é apegado a nada. Está sempre de malas prontas, disposto a abandonar oportunisticamente tudo o que lhe pertence: sua cidade, seu país, sua família, suas idéias. Não temos o sentido de coletividade: não sabemos votar, não sabemos respeitar as regras, não sabemos pensar no próximo, não sabemos cumprir os acordos. Em compensação, conseguiríamos nos adaptar com facilidade a um holocausto nuclear. Pena que a perspectiva de um holocausto nuclear seja cada dia mais remota.
A música é o mais importante elemento de identidade nacional. Em São Paulo, a falta de sentido de coletividade nos impediu de desenvolver um estilo musical. Ao contrário do resto do Brasil, não temos ritmos próprios, não temos artistas de peso. Nosso ouvido é duro.
Na festa de aniversário da cidade, o melhor que conseguimos apresentar foi o grupo Demônios da Garoa. Caetano Veloso também homenageou a cidade, mas ele não conta, porque é baiano e, sobretudo, porque homenageia qualquer lugar. Ele já homenageou Londres, Barcelona, Nova York, São Francisco e Brasília. Já homenageou até TelAviv. Caetano Veloso é como Lamartine Babo, que escreveu os hinos de todos os times de futebol do Rio de Janeiro.
É uma sorte que São Paulo seja tão pouco musical. A música popular constitui o maior fator de atraso no Brasil. Quanto mais musical é uma região, mais subdesenvolvida ela é. A musicalidade dos brasileiros está diretamente relacionada com as epidemias de leishmaniose, os esgotos a céu aberto, os desmoronamentos de favelas.
São Paulo é a cidade mais rica do Brasil simplesmente porque não entende nada de música, porque não fica sentada em banquinho de violão. Os compositores de música popular, agora, publicam livros com todas as suas letras. Quem consegue compreender o significado dessas letras nunca irá aprender a construir uma ponte, ou a planejar o escoamento de um milharal, ou a obturar um dente cariado. Um conhecimento anula o outro.
O Brasil se reconhece no sentimentalismo mais ordinário, no verso mais incongruente, na batida mais simplória. Fomos ensinados que a música nos ajudou a resistir a todos os tipos de autoritarismo. Mentira. A música é um instrumento de dominação. Tanto que todos os partidos políticos criam seus sambinhas para o horário eleitoral. Se até o PTB tem seu sambinha, é sinal de que há algo errado na MPB.
São Paulo é a pior cidade do Brasil. Mas nós, paulistanos, até que temos a nossa graça: não levamos jeito para a música, o que nos torna, tudo somado, um pouco menos brasileiros.
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10:32 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ponto de vista: Stephen Kanitz
Fazendo a diferença
"Se nossos genes são mero acaso da variação genética, falar em QI, mérito, proeza atlética e se achar merecedor de 100% dos ganhos que esses atributos nos proporcionam não faz mais muito sentido"
Ser rico, famoso ou poderoso tem sido o objetivo da maioria das pessoas, mas sempre falta algo. Recentemente, ouvi sobre uma nova postura ética de sucesso, que vale a pena resumir aqui, porque na época ninguém noticiou.
Numa reunião no World Economic Forum, em Davos, o local onde o mundo empresarial se reúne uma vez por ano em janeiro, um empresário que acabava de fazer um tremendo negócio foi convidado numa das várias sessões a expor suas idéias.
Primeiro perguntaram como ele se sentia, subitamente um bilionário. Sem pestanejar um único minuto, ele afirmou que o dinheiro não lhe pertencia, e que doaria toda sua fortuna a instituições beneficentes.
"Sou simplesmente fruto do acaso, tenho os genes certos e estou no momento certo, no setor certo. É difícil falar em 'mérito' numa situação dessas."
"Se eu, o Bill Gates aqui presente, ou então o Warren Buffett, tivéssemos nascido 2.000 anos atrás, nenhum de nós teria tido o porte atlético necessário para se tornar um general do Império Romano, posição de destaque equivalente à nossa, na época. Teríamos sido trucidados na primeira batalha."
Alguns seres humanos sempre estarão momentaneamente mais adequados ao ambiente que os outros e receberão, portanto, melhores salários, apesar do esforço dos demais.
A idéia da meritocracia, tão decantada pela direita conservadora como justificativa para a sua riqueza, cai por terra se levarmos em consideração a nova teoria de que somos todos frutos do acaso genético das interpolações do DNA de nossos pais.
Se nossos genes são mero acaso da variação genética, falar em QI, mérito, proeza atlética e se achar merecedor de 100% dos ganhos que esses atributos nos proporcionam não faz mais muito sentido. O que há de meritocrático em ter os genes certos?
Ninguém está sugerindo o outro extremo de salários iguais para todos, porque toda sociedade precisa incentivar os que se esforçam mais, os que trabalham melhor e especialmente os que assumem riscos e têm a coragem de inovar.
Ilustração Ale Setti
O que essa nova postura sugere delicadamente é uma maior humildade e generosidade daqueles que ganham fortunas por ter uma inteligência superior, um porte atlético avantajado ou um talento excepcional. Por trás de toda "fortuna" existe um elemento de sorte, muito maior do que os "afortunados" gostariam de admitir.
Mas a frase que mais tocou a platéia estarrecida foi esta: "Mesmo doando toda a minha fortuna", disse o empresário, "continuará a existir uma enorme injustiça social no mundo. Eu terei tido um privilégio que muitos não terão. O privilégio de ter feito uma diferença com o meu trabalho e minha vida."
Segundo essa visão, o mundo é dividido entre aqueles que fizeram ou não uma diferença com sua vida, o dinheiro não é o objetivo final. E existem inúmeras maneiras de fazer uma diferença, desde inventar coisas, gerar novos empregos, criar novos produtos, até ajudar os outros com o dinheiro obtido.
Aproximadamente 55% dos empresários americanos não pretendem legar sua fortuna aos filhos. Acham que estariam estragando sua vida gerando playboys e um bando de infelizes. Percebem que o divertido na vida é chegar lá, não estar lá. Ser filho de empresário e receber de mão beijada uma BMW, um Rolex e uma supermesada não é o caminho mais curto para a felicidade. Muito pelo contrário, é uma roubada.
Por isso, os ricos de lá criaram instituições como a Fundação Rockfeller, a Fundação Ford, a Fundação Kellogg, a Fundação Hewlett. No Brasil, estamos muito longe de convencer os empresários a fazer o mesmo, razão pela qual sua fortuna provavelmente virará mais um imposto. O imposto sobre herança.
O segredo da felicidade, portanto, não é ganhar dinheiro, que a maioria acabará perdendo de uma forma ou de outra. O segredo é ter feito uma diferença.
Stephen Kanitz é administrador por Harvard
(www.kanitz.com.br)
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10:19 AM
by Cassiano Leonel Drum
De bem com a vida
Carnaval, dinheiro e conforto podem despertar intensa alegria. Mas a verdadeira felicidade depende, acima de tudo, da capacidade de ficar satisfeito consigo mesmo
Camilo Vannuchi e Celina Côrtes
Ganhar na loteria, arrumar um namorado, tomar uma cerveja gelada. A felicidade pode estar em muitas coisas. Cada pessoa a vê de um modo diferente. Mas a sua incessante busca é o combustível de todos. Quem não quer ser feliz? No século IV a.C., o filósofo Aristóteles já anunciava, no livro Ética a Nicomaco, que a felicidade é a maior meta do homem. Esqueceu-se, porém, de ensinar os meios para alcançá-la.
E, até hoje, cientistas, psicólogos e poetas se arriscam a apresentar suas receitas. Até um economista, o mineiro Eduardo Giannetti, deu sua contribuição no livro Felicidade (Cia. das Letras), no qual critica as sociedades que insistem em atrelar o tema à aquisição de bens de consumo. Somam-se a ele o recém-lançado A felicidade é aqui (Rocco), do psicanalista carioca Luiz Alberto Py, e o científico A fórmula da felicidade (Sextante), escrito pelo jornalista alemão Stefan Klein, com lançamento previsto ainda para este ano.
Consultor da Rede Globo nas primeiras edições de Big Brother, Py considera a felicidade um estado interior. Somos felizes quando valorizamos o que temos em vez de sofrermos com o que não temos, resume. O psicanalista acredita que os bons sentimentos devem ser privilegiados, treinados e fortalecidos, como acontece com os músculos durante a malhação. Ressalta o poder da solidariedade que provoca bem-estar em quem age pensando no outro e deixa claro que a felicidade não depende de fatores externos.
Cita como ferramentas o despojamento, o desenvolvimento da espiritualidade, a auto-estima e a superação de infortúnios. Mais importante é saber usufruir o tempo que temos para viver, esclarece. Ele faz questão de diferenciar a efêmera alegria do Carnaval. É uma festa em que as pessoas adiam os problemas para a Quarta-Feira de Cinzas. Sentem prazer, alegria, mas não exatamente felicidade, analisa.
Alegoria: para Luma, desfilar não é apenas um prazer, e sim o ápice de um ano inteiro de espera
As diferenças entre felicidade e sentimentos passageiros como alegria, euforia e prazer rendem intenso debate. Ganhar dinheiro, receber um presente ou uma nota alta na escola e mesmo se esbaldar no Carnaval traz, normalmente, alegria. No entanto, participar da maior festa popular brasileira também pode ser motivo de felicidade. A bela Luma de Oliveira, 39 anos, dá tanta importância à ocasião que chega a encarar o ano como um intervalo entre um Carnaval e outro.
À frente da bateria da Mocidade Independente, Luma acredita que este bem tão cobiçado pode estar em pequenos atos do dia-a-dia, como assistir a desenhos com os filhos, mas também na Marquês de Sapucaí. A felicidade que sinto com meus filhos é quieta, plena. No Carnaval, é uma explosão, distingue. E não é preciso ter a invejável silhueta de Luma para sentir o mesmo. Aos 84 anos, a sambista Maria das Dores, conhecida como Dodô da Portela, desbancou a apresentadora Adriane Galisteu e, com um vestido bem comportado, puxará a bateria da escola em fevereiro. Passista desde os 15 anos, duvidou da notícia. Consultei meus santos, me belisquei e só acreditei quando recebi a faixa, conta.
A felicidade de Dodô é a linha de chegada em uma corrida que começou há 70 anos. Mais do que gingar ou receber aplausos, o que deixa a passista feliz é ver realizado um sonho cevado por sete décadas. Se a alegria é fruto de um momento específico de intenso prazer, a felicidade deve ser compreendida como um sentimento intermitente, de realização.
Aos eternos insatisfeitos, que valorizam mais o ter do que o ser, resta um rosário de lamentações. As pessoas se colocam num patamar muito elevado e reclamam. Adotam muito o se: Se eu tivesse chegado no horário, teria sido o primeiro no vestibular ou: Se ganhasse mais, teria mais conforto, diz o psicanalista Jorge Forbes, autor de Você quer o que deseja? (Ed.. Best Seller). A reclamação é sempre narcísica. É normal querermos comprar e fazer tudo, mas, como isso é impossível, alguns ficam mal-humorados, completa.
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10:07 AM
by Cassiano Leonel Drum
Seus sonhos mais loucos
Coleções de inverno do Fashion Rio, que termina hoje, mostram como a moda pode alternar o estilo sem perder a pose.
Marcia Disitzer
Supersexy, a mulher do inverno 2004 usa e abusa do seu poder de sedução e coloca seu espartilho rendado para fora: à esquerda, a modelo Yves Kolling exibe o vestido-combinação com detalhe de pele e chapéu retrô da Sta. Ephigênia; acima, corselete, cinta-liga, meias rendadas no desfile da Tessuti; à direita, Walter Rodrigues investe na sensualidade da mulher brasileira, criando vestidos com decotes vertiginosos
Que caminho segue a moda? Na passarela da modernidade, o bacana é poder soltar todas as fantasias: virar mulherzinha, vestir o espartilho, despir a renda e abusar do decote na hora H; colocar o pé na estrada e se jogar nos clássicos, apostando as fichas no couro poderoso, no tricô lúdico e na força dos tecidos masculinos, e ir e vir no túnel do tempo da moda. No Fashion Rio, as coleções de inverno 2004 provaram, mais uma vez, que a moda hoje oferece um leque de opções variadas para a mulher decidir o seu estilo e se reinventar de acordo com seus caprichos e sonhos.
As aventureiras da moda pisam firme na estrada: no topo, a motoqueira da grife Frankie Amaury usa minissaia gráfica, jaqueta Perfecto, camiseta sexy e botas; no meio, a aviadora de Mara Mac vai de macacão, chapéu e óculos; acima, a andarilha da marca mineira Coven mostra com quantos pontos se faz um inverno rústico e moderno
Retrô Chique: os estilistas bebem do estilo de várias décadas, colocam tudo no liquidificador e reinventam o passado com toques contemporâneos. Acima, leveza e anos 20 no vestido da Maria Bonita Extra; no centro, a blusa de cor vibrante e a leg preta de Victor Dzenk fazem referência aos anos 80; acima, o romantismo de Isabela Capeto
Sem ditaduras nem grandes novidades,o inverno, segundo nossos estilistas, será clássico, repleto de peças de alfaiataria, como desenhou Mara Mac e Andrea Saletto, e muito sexy e despido, de acordo com as idéias de Walter Rodrigues e Sta. Ephigênia, que brilhou com suas polacas tropicais. O luxo ingênuo da Maria Bonita Extra, o tricô antenado e precioso da Coven e o estilo autoral da Ibô de Isabela Capeto se destacaram nesta frente fria. Mais do que nunca é preciso ter personalidade e fugir das repetições: Victor Dzenk ficou devendo um olhar renovado sobre os anos 80, Márcia Ganem precisa transformar seus figurinos em moda e a apresentação de Marcela Virzi pecou pelo excesso. O evento acaba hoje, mas o saldo final já é positivo: fortalece a moda, engrandece o Rio.
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9:52 AM
by Cassiano Leonel Drum
CHILE X BRASIL
A um pontinho de Atenas
Brasil joga mal no primeiro tempo, mas se recupera e bate o Chile por 3 a 1. Amanhã, contra o Paraguai, Seleção joga pelo empate
Diego fez o terceiro da vitória brasileira, e agradece aos céus não só pelo gol mas também porque, agora, o time só precisa de um empate
O sonho do ouro olímpico continua bem vivo. A Seleção sub-23 se recuperou da derrota para a Argentina (1 a 0) e venceu, ontem, o Chile, por 3 a 1, em Viña del Mar. Agora, o time, com três pontos, precisa apenas de um empate amanhã, contra o Paraguai, no encerramento do Pré-Olímpico, para ficar com uma das duas vagas aos Jogos de Atenas. A Argentina venceu o Paraguai por 2 a 1 e garantiu a vaga por antecipação, enquanto o Chile, dono da casa, está eliminado.
Nos primeiros minutos, o time de Ricardo Gomes deu a impressão de que faria sua melhor exibição na competição. Tanto que, aos 4, Marcel deixou a Seleção em vantagem. Daniel Carvalho cobrou falta de esquerda, Dudu Cearense desviou e o atacante do Coritiba completou, de cabeça: 1 a 0.
E foi só. O Brasil, em seguida, deu espaço para os chilenos, que, empurrados pela torcida, ditaram o ritmo do jogo. Aos 11, brilhou a estrela do goleiro Gomes. Não fosse a sua linda defesa (espalmando, literalmente, o pênalti cobrado no alto e com violência por Aceval), o adversário teria empatado.
No entanto, quem pensou que o Chile se entregaria com a cobrança desperdiçada enganou-se redondamente. Os anfitriões tomaram gosto pelo jogo e foram para cima. Herói ao defender o pênalti de Aceval, Gomes se tornaria vilão aos 29, na cobrança de falta de González. Depois de pedir que a barreira abrisse, ele aceitou o chute quase do meio-campo: 1 a 1.
Marcel, aos 36, teve a chance de colocar o Brasil novamente em vantagem, após concluir, de cabeça, cruzamento de Maicon. Mas a bola passou rente ao poste direito de Bravo. A Seleção demonstrava visível nervosismo. E isso pôde ser constatado aos 45, com a expulsão de Maicon, ao dar uma cotovelada infantil em Beausejour.
Ainda assim, com um jogador a menos, o Brasil voltou mais disposto para a segunda etapa. E logo aos 6, Dudu Cearense escorou falta batida por Rochemback e fez o segundo gol. Aos 14, num contra-ataque, Diego tabelou com Robinho, que chutou e, no rebote, o próprio Diego apareceu para ampliar.
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9:40 AM
by Cassiano Leonel Drum
Teatro
Um teatro para subir nas paredes
RENATO MENDONÇA
A sanidade por um fio, o prazer de fazer voar a imaginação, a sensação de queda rumo a um mundo de sedução, sexualidade e destruição. Oferecendo tudo isso, entra em cartaz hoje O Vôo das Fêmeas, nova produção do grupo Falos & Stercus.
O F&S cumpre o que promete. A encenação será nos pavilhões 5 e 6 do Hospital Psiquiátrico São Pedro, com atores pendurados em cordas, usando a nudez para descobrir emoções primitivas, garimpadas em mitos gregos. O diretor Marcelo Restori explica que O Vôo das Fêmeas é resultado direto da turnê que o grupo (www.falosestercus.com.br) fez no ano passado por Rio e Santa Catarina, mostrando os espetáculos In Surto, www.prometeu, A Escrita de Borges, La Loba e Mithologias do Clã dentro do projeto Palco Giratório.
O Sesc nacional, patrocinador da turnê, pediu que o F&S criasse um espetáculo que repetisse o espírito performático do grupo e que incluiria até águas dançantes. A estréia, marcada para dezembro, foi adiada. Ficou a inspiração para uma nova aventura.
- Lembrei elementos que estávamos trabalhando, como o mito de Afrodite, com a leitura de Lacan, que imagina as sereias como mulheres que despertam a sexualidade inconsciente, a perversão. Do filme O Império dos Sentidos, buscamos a sexualidade do ponto de vista feminino - diz Restori.
Prevendo ainda para 2004 a montagem de A Tempestade, de Shakespeare, Restori explica que a intenção é a transformação, mesmo que temporária:
- A revolução só chega ao público se ele quiser. Mas fazemos a revolução do aqui e agora. Durante os 35 minutos de espetáculo, criamos um novo mundo.
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9:36 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
24/01/2004
Ponto-e-vírgula
Estaciono meu carro na frente do rio num fim de tarde para que o pôr-do-sol me recomponha do cansaço de vários dias de trabalho intenso. Sem saber por que, vendo o jogo de luzes recordo um quadro que tenho em minha casa e sobre o qual já escrevi: uma pintura ingênua, um jardim com duas árvores floridas, no meio um banco onde se senta uma jovem mulher com uma boneca ou criança. Do lado direito da moça, vê-se na grama um gato preto, o branco está no capim do lado esquerdo.
Quem me deu o quadro comentou que Freud iria adorar essa pintura, na qual a moça poderia representar a psique adulta, a boneca sendo a infância que sobrevive em nosso inconsciente. De cada lado, o que somos de positivo ou negativo: o gato branco, a força da vida que chama para a felicidade; o gato preto, a pulsão da morte que nos maltrata com o medo e a culpabilização.
Como os símbolos desse quadro, temos nossos lados negativos que nos prendem no medo e na acomodação, mas também desejamos a claridade e o crescimento pessoal. Somos as escolhas que fazemos e as que omitimos, a audácia que tivemos e os fantasmas aos quais sacrificamos a possível alegria e até pessoas a quem amamos; a vida que assumimos e a que desperdiçamos. Em suma, fazemos a escritura da nossa complicada história.
Vai chegar o dia em que, olhando para trás, vamos ler isso que escrevemos com sangue e realidade. Não seremos perdoados pelo desperdício.
Eu, por profissão, cavo palavras nas minas do silêncio: não para apaziguar, mas provocar; não para responder, mas porque não cesso de indagar. Embrulho em frases todas as minhas dúvidas (enganosamente, há quem me julgue tranqüila e resolvida).
Amarro com fitas de vírgulas e pontos os meus pacotes de perplexidade, e vou soltando em livros para quem quiser ler. Exclamações, não aprecio; reticências me parecem débeis e hesitantes, e talvez eu abuse da interrogação; ponto-e-vírgula é ótimo para insinuar.
Não importam os significados: qualquer interpretação será insuficiente. Como na vida, vale o desafio: que no breve espaço do nosso tempo a gente conseguisse quebrar as algemas do preconceito, recusar as indevidas cobranças, entender que a culpa é o selo da morte. E abrir-se para a vida: que nem sempre é mesquinha; e que nem sempre nos trai.
Mas isso foram reflexões ineficientes de uma hora cansada, diante de um rio enigmático, que não me deu nenhuma resposta.
lya.luft@zerohora.com.br
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9:34 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
24/01/2004
O limite é a lei
Não entendi uma coisa: a lei diz que nenhum preso pode permanecer em cadeia de contenção máxima, como a de Presidente Bernardes, onde está recolhido o Fernandinho Beira-Mar, por mais de seis meses.
É uma cadeia de raro rigor, onde o preso não tem direito a televisão e sequer à leitura de jornais e revistas, como também a rádio, o que acho de uma desumanidade ímpar.
Pois bem, o Fernandinho Beira-Mar já está lá há nove meses e inventa o Ministério Público argumentos para continuar retendo-o, apesar de seu bom comportamento.
Mas isso não é uma afronta à lei? Se o Fernandinho Beira-Mar está lá por ter atentado contra a lei, como transgredi-la para mantê-lo lá?
Por aqui também fico sabendo pelos jornais que o Melara, preso tido como perigosíssimo, tem direito à progressão de regime, isto é, passar para o regime semi-aberto, em razão do seu bom comportamento.
Mas não querem conceder o benefício ao Melara por ser ele líder de facção presidiária.
Há uma violenta incongruência. Quem é líder de facção presidiária, se isso implica ação deletéria dentro da prisão, com reflexos ou não fora do estabelecimento penal, não tem bom comportamento.
Mas ele tem bom comportamento, o que quer dizer que deixou de ser líder de facção presidiária.
Como então não conceder a progressão do regime ao Melara? A nova lei a respeito dá muito grande ênfase ao bom comportamento do detento.
Com isso, não só se premia quem é disciplinado na prisão como também o poder público aufere a vantagem de presídios mais tranqüilos, sem motins, sem desordens etc.
Como então, depois que um preso se resigna ao bom comportamento, contribuindo para a serenidade no ambiente penitenciário, quer se recusar a ele a recompensa por essa conduta?
Ainda mais que a pena tem caráter regenerativo, isto é, há que se apurar se no transcurso dessa pena o detento revela ou não comportamento em que se caracterizem o arrependimento e a vontade de converter-se.
Assim como esta notícia está vindo para os jornais, revela-se uma grande injustiça e um desestímulo ao bom comportamento dos detentos.
Se o Melara tem direito claro, por que não concedê-lo?
Se ele vai violar no futuro as condições impostas para o regime semi-aberto, então que se o puna e se o faça retornar ao regime fechado.
Mas supor que ele vai violar a nova condição, conquistada por mérito, em face de sua antiga periculosidade, desmentida ou pelo menos atenuada pelo bom comportamento, como insinuam alguns pareceres que foram divulgados, é uma violência inominável.
Isso terá de ser melhor explicado.
A presunção de conduta futura de um apenado ou a sua periculosidade não podem ser avaliadas pela sua fama ou tradicionalidade - e sim pelo seu comportamento na prisão, este é o único campo axiológico que vai determinar se ele merece o benefício.
O que interessa é a lei. E se todos os seus requisitos são preenchidos, é desumanidade e primitivismo passar por cima dos mandamentos legais.
Não há nada que mais possa castigar um criminoso que a lei. Por justaposição do seu contraste, só a lei pode exacerbar, tornar mais rigorosa ou menos concessiva, a pena de um detento.
Assim como vem sendo divulgado, trata-se meramente de uma infração descomunal à lei.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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9:22 AM
by Cassiano Leonel Drum
Pré-Olímpico
Brasil decide vaga contra o Paraguai
Com a vitória contra o Chile por 3 a 1, basta um empate amanhã para a seleção ir à Olimpíada de Atenas (foto Marcelo Hernandez, AP/ZH)
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Sexta-feira, Janeiro 23, 2004
Posted
6:49 PM
by Cassiano Leonel Drum
Sorriso de Mona Lisa, O
Título original Mona Lisa Smile
Gênero Comédia,Drama,Romance
Ano 2004
País de origem Estados Unidos
Distribuidora Columbia
Duração 117 min.
Classificação 12 anos
Língua Inglês
Cor Colorido
Diretor Mike Newell
Elenco Julia Roberts, Kirsten Dunst, Julia Stiles
Resenha
Julia Roberts subverte alunas em O Sorriso de Mona Lisa
Divulgação
Não se sabe exatamente por que os cineastas andam fascinados com os anos 1950, mas, de qualquer maneira, O Sorriso de Mona Lisa é apenas o filme mais recente a voltar para essa época.
Concorra a prêmios para o filme!
Diferentemente de Longe do Paraíso, um filme com pretensões mais profundas, Mona Lisa, do diretor normalmente ousado Mike Newell, contenta-se em reciclar idéias já conhecidas sobre o conformismo acirrado daquela época e as opções limitadas que estavam abertas então às mulheres das classes sociais mais altas.
Beleza e talento não faltam ao filme, que tem no elenco Julia Roberts, Kirsten Dunst, Julia Stiles, Maggie Gyllenhaal e Marcia Gay Harden.
Mas a caracterização convencional e uma atitude condescendente em relação às normas sociais da época retratada roubam o filme da força satírica que Todd Haynes imprimiu a Longe do Paraíso.
Newell está em plena forma, fazendo a história avançar em ritmo acelerado e delineando os personagens e as subtramas com precisão.
No entanto, falta ao roteiro de Lawrence Konner e Mark Rosenthal qualquer insight sobre o que pode ter motivado o conformismo, por um lado, e, pelo outro, a rebelião contra ele.
A heroína de Mona Lisa é a professora feminista Katherine Watson (Julia Roberts), que em 1953 viaja da Califórnia à Nova Inglaterra para lecionar na Faculdade Wellesley.
Ela nutre a ilusão de que suas alunas, vistas como as jovens mais inteligentes e brilhantes do país, buscam o ensino superior como maneira de iniciar carreiras profissionais. Mas se desanima ao saber que o objetivo principal delas é o casamento.
Suas alunas abrangem todos os estereótipos femininos da época: a debutante esnobe Betty (Kirsten Dunst), a inteligente Joan (Julia Stiles), a "bad girl" Giselle (Maggie Gyllenhaal) e a tímida Connie (a novata Ginnifer Goodwin).
O filme também tem uma personagem que é lésbica não assumida: a enfermeira da faculdade, Amanda (Juliet Stevenson), que tem a audácia de ajudar as estudantes, dando-lhes métodos contraceptivos.
Subversivas e certinhas
Apesar do currículo avançado da Faculdade, a disciplina mais importante é a da professora de oratória e elegância Nancy Abbey (Marcia Gay Harden), que divide um quarto com Katherine. Trata-se de uma solteirona que continua apaixonada pelo homem que a rejeitou anos atrás.
As divisões se formam rapidamente. Pelo simples fato de ter mais de 30 anos e não ser casada, Katherine é rotulada como "subversiva". Por incluir Picasso e Jackson Pollock em suas aulas, estas viram uma afronta à ortodoxia social.
Katherine e Betty, casada há pouco, viram inimigas imediatas, isso porque Betty se sente ameaçada pela independência feminista da professora.
Enquanto isso, Giselle vive a vida que Katherine prega: ela fuma, namora um professor (Dominic West) e, mais tarde, sai com um homem casado.
Joan se vê presa no meio quando Katherine a incentiva a candidatar-se à Escola de Direito de Yale, apesar de ela estar prestes a receber um pedido de casamento de seu namorado.
Connie chega a arrumar um namorado, mas a mesquinha Betty interfere, principalmente como reação contra o fracasso de seu próprio casamento.
Essas minitramas novelescas servem principalmente para criticar a rigidez social dos anos 1950. Mas a insistência do filme em voltar a travar as guerras culturais dos anos 1950 sem lançar nenhuma luz nova sobre nenhum dos lados reduz quase todos os personagens a superficiais porta-vozes de pontos de vista já previsíveis.
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6:33 PM
by Cassiano Leonel Drum
Sexta, 23 de janeiro de 2004, 17h47
Lula muda nove ministérios e PMDB entra no governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mexeu em nove ministérios para fazer a reforma no primeiro escalão do governo. As últimas mudanças foram anunciadas pelo próprio presidente no final da tarde desta sexta-feira. A grande surpresa foi a escolha do senador Amir Lando (PMDB-RO) para o Ministério da Previdência. Com ele e o deputado Eunício Oliveira (CE), novo ministro das Comunicações, o PMDB entra no governo com dois ministérios.
Na primeira reforma ministerial do governo Lula, Tarso Genro deixou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social, dando lugar ao ex-ministro do Trabalho Jacques Wagner, que cedeu o posto a Ricardo Berzoini, que, por sua vez, deixa a Previdência para Amir Lando. Eunício Oliveira substitui no Ministério das Comunicações o deputado Miro Teixeira (sem partido - RJ), que será o líder do governo na Câmara.
Já o deputado Patrus Ananias (PT-MG) assume o Ministério da Coordenação Social e Combate à Fome, nova pasta que abrange as Secretarias de Ação Social e de Combate à Fome, cujos ex-titulares, Benedita da Silva e Francisco Graziano, respectivamente, deixam o governo. Outro deputado, Aldo Rebelo, será ministro da Coordenação Política e Assuntos Institucionais, que será criado para fazer a coordenação com o Congresso Nacional e terá parte das funções que antes eram do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.
Também deputado, Eduardo Campos (PSB-PE) é o novo ministro da Ciência e Tecnologia, cujo antigo titular, Roberto Amaral, entregou a carta de demissão ao presidente no último dia 9. A última mudança foi na Secretaria Especial da Mulher, na qual Nilcéia Freire substitui a ex-senadora Emília Fernandes.
"O momento de uma reforma no governo é sempre um momento doloroso, sobretudo para mim que aprendi a desenvolver uma relação de amizade muito forte com as pessoas com quem eu convivo", disse Lula. "Mas quando se é o presidente de um país do tamanho do Brasil a gente não pode fazer da amizade a política do governo".
Lula também justificou ter demitido por telefone o ex-ministro da Educação Cristovam Buarque, que está em Portugal. O presidente disse que conversaria com Buarque na volta da viagem oficial à Índia, onde o ex-ministro iria encontrá-lo. Porém como a história vazou pela imprensa, teve de comunicá-lo mesmo à distância.
O presidente também negou que ox ministros que entram sejam melhores do que os que saem, embora a reforma tenha sido motivada por críticas à ineficiência do governo em algumas áreas, principalmente a social. "O Pelé era o melhor jogador do século e algumas vezes foi substituído e o que entrava não era melhor do que ele".
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6:47 AM
by Cassiano Leonel Drum
Julia Roberts retorna ao cinema
Mulheres buscam sua própria identidade no filme "O Sorriso de Mona Lisa", que estréia hoje
Julia Roberts interpreta uma professora de História da Arte, personagem que pode lhe render uma indicação ao Oscar
Em "O Sorriso de Mona Lisa", dirigido por Mike Newell, Julia Roberts encabeça um elenco de jovens atrizes que inclui Kirsten Dunst, Julia Stiles, Maggie Gyllenhaal e a estreante Ginnifer Goodwin, numa história sobre mulheres lutando para encontrar sua própria identidade num mundo de papéis pré-estabelecidos. O filme estréia hoje me Mogi.
Katherine Watson (Julia Roberts) muda-se da Califórnia para o campus da Wellesley College, em New England, no outono de 1953 para lecionar história da arte. Ela espera que suas alunas, as melhores e mais brilhantes do país, aproveitem todas as oportunidades de que dispõem. Entretanto, Katherine descobre que a instituição renomada preconiza entre suas alunas a conformidade e um anel de noivado no dedo de uma jovem é um prêmio muito mais valioso do que uma boa formação acadêmica.
Quando Katherine encoraja suas alunas a pensarem por si mesmas, ela entra em choque com professores e alunos mais conservadores, incluindo uma de suas alunas, a aristocrática Betty Warren. Recém-casada, Betty se torna uma adversária ferrenha quando Katherine convence a melhor amiga da jovem, Joan Brandwyn, a matricular-se na Faculdade de Direito da Universidade de Yale - embora Joan esteja prestes a receber uma proposta de casamento de seu namorado. Para a inteligente e provocadora Giselle Levy, Katherine se torna uma mentora e um exemplo de comportamento muito necessário. A doce e tímida Connie Baker (Goodwin) também se sente encorajada pelo exemplo dado por Katherine e adquire confiança para superar suas inseguranças.
O título "O Sorriso de Mona Lisa" originou-se no fato de Katherine ser professora de História da Arte e, obviamente, da obra-prima de Leonardo Da Vinci, uma das obras de arte mais fascinantes e enigmáticas da história. Como uma das personagens do filme comenta acerca do sorriso enigmático da Gioconda, "será que ela é mesmo feliz?"
"Tematicamente, esse é o cerne do filme: o que vemos externamente - na sociedade, nas vidas dessas mulheres - e o que realmente está acontecendo sob a superfície", explica o diretor. "Cada uma das personagens femininas tem uma fachada de aparências, mas, no momento em que julgamos já tê-las classificado, elas nos surpreendem, até a própria Katherine."
Além disso, continua o diretor, "achamos que a Mona Lisa funciona como um ícone para as mulheres. A maioria das pessoas ri ao admirá-la. Elas sabem o quanto o quadro é caro e valioso, muito mais algo para se ter do que se compreender. E é exatamente isso que Katherine tenta impedir que suas alunas se tornem - um objeto valioso de braços dados com algum alto executivo, um bem caríssimo."
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6:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
PRÉ-OLÍMPICO
Acerta o pé, Brasil
VALPARAÍSO, CHILE - Robinho, Daniel Carvalho, Dudu Cearense, Diego e, principalmente, Marcel, em três ocasiões, e Maicon, na mais cristalina do jogo. Praticamente, quase todo o time do Brasil teve boas chances de gol contra a Argentina. Mas a bola não entrou. Falta de sorte? De pontaria? Nervosismo? Ou deficiência técnica? Após a partida, comissão técnica e jogadores da Seleção não souberam explicar os motivos de tantos gols perdidos. Mas, pelo menos, todos concordam com uma coisa: se quiser continuar a sonhar com uma das duas vagas para a Olimpíada de Atenas, a Seleção precisa acertar o pé hoje.
Senti que poderia ter decidido, mas não fui feliz. Procurei finalizar da melhor maneira possível e a bola, lamentavelmente, não entrou, disse o atacante Marcel, do Coritiba, que prometeu caprichar ainda mais contra os chilenos se for mantido no time ou se entrar durante o jogo.
Estou tranqüilo e pronto para as cobranças. Acontece que quem perdeu não foi apenas o Marcel. Foi o grupo.
O técnico Ricardo Gomes inocentou o camisa 19. Em momento algum pensei em tirá-lo do time. O Marcel falhou em dois lances, porém lutou o tempo todo e ajudou os companheiros. A ineficiência do ataque também deixou bastante irritados os demais jogadores do Brasil. Fomos infelizes. As oportunidades foram criadas e não soubemos aproveitá-las. Se quisermos garantir vaga na Olimpíada de Atenas, precisaremos corrigir isso imediatamente, alertou Daniel Carvalho.
O treinador brasileiro detectou o mesmo problema. Não estamos conseguindo converter nossa superioridade em gols. Na opinião de Diego, a sorte não está ajudando.
Não é o esquema tático que está atrapalhando. A questão é que a bola não entra. Temos criado, chegado na cara do gol, e errado. Se acertamos o pé contra Chile e Paraguai, venceremos os dois jogos. E se não der na técnica, temos que usar a garra para superarmos todos os obstáculos, afirmou o meia.
Neste Pré-Olímpico, o Brasil balançou as redes 12 vezes em seis jogos: Venezuela (4 x 0), Paraguai (3 x 0), Uruguai (1 x 1), Chile (1 x 1) e Colômbia (3 x 0). Não marcou justamente contra a Argentina, na partida considerada a mais difícil do torneio.
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6:32 AM
by Cassiano Leonel Drum
Masculino / Feminino
Sem perder a ternura: a top Mariana Weickert exibe o visual inspirado em Santos Dumont, no desfile da grife Mariazinha, de Mara Mac. À direita, a mulherzinha-romântica: Yasmin Brunet abusa da sensualidade no desfile da Tessuti, com muita lingerie, baby-doll, rendas e espartilhos
Mulher vestida de homem ou mulher-mulherzinha? O segundo dia de desfiles do Fashion Rio provocou a questão que, volta e meia, vem à tona no mundo fashion. No centro da discussão, duas coleções cariocas: Mariazinha, de Mara Mac, e Tessuti, assinada por Clara Vasconcelos. Mara viajou com Santos Dumont, apostou na androginia e colocou na passarela mulheres de ternos de risca-de-giz, camisas listradas, gravatas e chapéu panamá.
Algumas horas depois, a estilista Clara Vasconcelos mostrou roupas superfemininas, inspiradas no mundo mágico da lingerie, com direito a baby doll, rendas e espartilhos. Clara fez uma cachorragem chique, definiu Scarlet Moon.
Tentei criar uma coleção masculina e feminina e resolvi homenagear Santos Dumont, que foi um homem muito chique, disse Mara, após o desfile. Esta é uma tendência internacional que prima pela elegância, resumiu. Para Aílton Pimentel, colaborador da revista Vogue, tudo depende de quem veste. Tem que ser muito magra para usar. Não combina com as popozudas, opinou.
Já a consultora de estilo Anna Maria Andreazza acredita que dá para ser sensual, sim, com roupa de homem. Toda mulher gosta de roubar a camisa do namorado. A mulher que tem estilo segura muito bem a androginia, concluiu. Mulheres podem usar peças femininas e vice-versa, opinou a consultora de moda Costanza Pascolato.
As mais românticas, porém, vão se encontrar na coleção de inverno da Tessuti. Visitei o pólo de lingerie de Nova Friburgo e resolvi desenhar roupas inspiradas neste universo, contou Clara. Toda mulher adora lingerie, é irresistível e o supra-sumo do feminino, emendou a estilista. Tito Bessa, dono da TNG, último desfile da noite, concorda com Clara.
Optei pelo feminino. Nosso inverno não é forte, o que possibilita trabalhar a silhueta e a sensualidade, afirmou. Misturar flores com risca-de-giz e espartilho com calça de alfaiataria pode ser uma solução pacífica para esse embate. O moderno é usar paletó com lingerie. Os estilos masculino e feminino têm que vir misturados, definiu a consultora de estilo Regina Martelli. Agora, é escolher a linha e eleger o paletó ou a lingerie. Ou os dois.
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6:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
23/01/2004
O fim da virgindade
Minha avó sempre dizia para minha irmã: - Silvinha, uma mulher é como um cristal: depois que se quebra, não tem mais conserto.
Referia-se à virgindade da minha irmã, se você não entendeu.
A virgindade feminina hoje é um conceito obsoleto, todos sabemos. Suponho até que, no futuro, as mulheres vão nascer sem hímen, assim como agora as crianças nascem desprovidas de dente de siso. Mas no tempo da virgindade ao menos havia uma regra. As mulheres precisavam ser virgens, ao casar. Pronto. Se não fossem, os maridos as devolviam aos pais, como quem devolve uma mortadela com data vencida no supermercado.
Hoje, bem, hoje as mulheres estão aí nas ruas, nos bares, bebendo e fumando e falando, falando, falando. Falando sabe de quê? De sexo. Cara, elas só pensam em sexo! Você já ouviu as conversas numa roda de mulheres? Elas contam tudo umas para as outras. Pormenores, detalhes sórdidos, centimetragens. Tudo. Você casa com uma mulher e ela, em vez de vir com um hímen, vem com uma carga de experiência de 200 gigabytes. Mais os ex. Todas têm diversos ex, alguns deles amigos seus.
Então, você olha para sua mulher e lá está ela, rindo debochada numa mesa com as amigas, comentando sabe-se lá sobre o quê. Você olha para seus amigos e lembra que pelo menos dois deles já namoraram sua mulher, e eles o estão fitando de canto de olho, com um certo arzinho esperto no rosto. Como proceder diante disso?
Não há mais regras, esse o busílis. Não há mais esquerda ou direita, não há mais samba versus rock, um operário é o presidente e alguns o acusam de ser um capitalista insensível.
Esta semana mesmo, a RBS lançou seu guia de ética. Um livrinho de 40 páginas, está na minha mesa. Alguém pede dinheiro para dar uma entrevista? Lá está escrito, página 22: "Os veículos da RBS não fazem nenhum tipo de pagamento, direto ou indireto, a entrevistados". Não é uma maravilha? Não seria um mundo perfeito, se existisse um guia de comportamento do dia-a-dia?
Mas não existe. O que existe são opiniões. Todos têm opinião sobre tudo. As pessoas formam blogs para publicar suas opiniões, participam de consultas interativas, ligam para as rádios, escrevem para os jornais. Os motoristas de táxi, os porteiros, os juízes de Direito, todos estão sempre emitindo opinião. Isso está me confundindo. Estou perdendo as minhas opiniões. Estou cada vez mais em dúvida. Não sei mais se prefiro Chico ou Caetano. Não sei quem deve ser eliminado do Big Brother. Cristo, para onde foram as certezas todas? Se a dona Dina estivesse viva, juro que eu perguntaria:
- Vó, a senhora acha realmente que uma mulher ainda é como um cristal?
david.coimbra@zerohora.com.br
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6:24 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
23/01/2004
Tarso e Paim
Nós somos gaúchos, os que não temos partidos somos isentos, mas desconfio de que por ser gaúcho não gostei nada de o Tarso Genro ter perdido o superministério do Desenvolvimento Social para o mineiro Patrus Ananias.
Um ministério desse porte tem a importância da altura de um governo do Estado.
Do ponto de vista do PT, foi ainda mais amarga a preterição de Tarso Genro para a superpasta por dois motivos: Patrus Ananias foi tímido, retraído, omisso na luta desgastante da bancada petista durante a reforma da Previdência, quando havia um nervo exposto ideológico entre os petistas, que constrangidamente se mantinham ao lado do governo, enquanto os dissidentes tinham seus pescoços cortados por serem fiéis a idéias antigas do partido, em favor do funcionalismo público.
Enquanto Patrus Ananias foi tíbio na defesa da firmeza partidária em favor do governo, Tarso Genro se mostrou férreo na fidelidade à decisão emanada do Palácio do Planalto em aprovar sem vacilação as fortes decisões contra o funcionalismo público.
Tarso ainda se mostrou mais convicto em perfilar-se ao governo ao tomar a decisão delicada e corajosa de jogar-se contra a posição da própria filha, que seria imolada por não concordar com a reforma, valorizando-se ainda mais dessa forma.
Por esse conflito familiar, exigir-se-ia de Tarso a discrição e inação partidária que marcou a atitude de Patrus Ananias.
Aconteceu o contrário e Tarso acabou castigado pela afoiteza da fidelidade e Patrus premiado pela modéstia na lealdade.
Eu estou me referindo à ótica petista, nada tem a ver este meu comentário com meu ponto de vista contrário à reforma, que no meu entender foi feita para diminuir as diferenças e acabou acentuando-as.
Mas Tarso foi muito mais petista e governista no episódio do que Patrus Ananias.
E acabou a escolha de Ananias para o superministério e a preterição de Tarso, injustiçando assim o gaúcho.
Desconfio de que é porque sou gaúcho que me senti derrotado. Afinal esse superministério liderará a partir deste ano as grandes decisões sociais e políticas do governo, as maiores verbas para o setor social serão canalizadas para ele.
E se for atuante e eficiente o seu titular, poderá caracterizar-se como o sucessor de Lula na corrida presidencial de depois da tentativa da reeleição.
Há muitos gaúchos e deverá continuar a havê-los no ministério. Mas são todas pastas de menor importância.
O Rio Grande do Sul mereceria realce maior.
Por falar em reforma previdenciária, o senador Paulo Paim (PT-RS) está em maus lençóis.
Tinha a promessa de que seria votada imediatamente a PEC paralela que confere direitos profundos aos funcionários públicos, principalmente aos aposentados, indispensável ao cumprimento do acordo entre o senador gaúcho e o governo, que assegurou a ele que a PEC era apêndice inarredável na reforma previdenciária.
Pois o governo decidiu que a PEC paralela não será votada nesta atual convocação extraordinária e Paim se fragiliza, pois prometeu que não continuaria no PT se o acordo fosse quebrado.
O acordo foi quebrado. E só uma prestidigitação de acrobata fará Paim pela segunda vez trair os seus princípios.
Lembro-me perfeitamente de que na ocasião do voto de Paim favorável ao governo, ele condicionou-o diretamente à aprovação posterior e imediata da PEC paralela e bradava insistentemente que "acordo é para ser cumprido".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:21 AM
by Cassiano Leonel Drum
Gente
A vida multiplicada por quatro
Pela primeira vez, quadrigêmeos nascidos há uma semana ganharam ao mesmo tempo o colo do pai e da mãe, os agricultores Orlando e Cirlane Branderburg, durante um chá de fraldas no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (foto Emílio Pedroso/ZH)
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Quinta-feira, Janeiro 22, 2004
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9:53 PM
by Cassiano Leonel Drum
Do livro A Conspiração Aquariana
de Marylin Ferguson
"Uma descoberta tardia, que produz considerável angústia, é que ninguém pode persuadir outra pessoa a mudar. Cada um de nós vigia uma porta de mudança que só pode ser aberta pelo lado de dentro. Não podemos abrir a porta para ninguém, seja com argumentos ou apelos emocionais. Para o indivíduo cuja porta de mudança se encontra bem guardada , o processo de transformação, mesmo em outras pessoas, é ameaçador.
As novas convicções e percepções alheias desafiam a realidade "correta' da pessoa que não está mudando; alguma coisa dentro dela pode ter que morrer. Esta é uma perspectiva assustadora, pois nossa identidade é constituída mais por nossas convicções do que por nossos corpos. O ego, esse conjunto de escrúpulos e convicções, teme sua própria extinção. Na verdade, cada transformação é uma espécie de suicídio, a morte de aspectos do ego a fim de salvar um eu mais fundamental.
Em algum ponto, no início de nossas vidas, decidimos quão conscientes desejamos ser. Estabelecemos um limiar de percepção. Escolhemos o rigor de uma verdade que desejamos admitir na consciência; a disposição com que examinaremos contradições em nossas vidas e crenças; a profundidade que desejamos penetrar. Nossos cérebros podem censurar o que vemos e ouvimos, podemos filtrar a realidade para se adequar a nosso nível de coragem. A cada encruzilhada, podemos optar novamente por uma percepção maior ou menor.
Aqueles que não conseguem comunicar suas próprias descobertas libertadoras podem sentir-se por vezes, polarizados com relação às pessoas que lhes estão mais próximas. Por fim, com relutância, aceitam a natureza inviolável da opção individual. Se, por quaisquer razões, alguém escolher a negação como estratégia de vida - e que acarreta pesado ônus - não podemos inverter essa decisão; nem podemos minorar para outrem a inquietude crônica que emana de uma vida de realidade censurada."
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11:59 AM
by Cassiano Leonel Drum
Leticia Wierzchowski
22/01/2004
Faça chuva ou faça sol
Eu sou adepta do veraneio. Mesmo com essa louca vida moderna em que o tempo nunca dá para tudo, e as crianças navegam na Internet antes de amarrarem sozinhas os cadarços dos seus sapatos, acho que, enquanto as famílias pegarem as malas e rumarem para a praia por algumas semanas, o mundo continua nos eixos e relativamente confiável.
O veraneio tem várias funções, a maior delas é a gente deixar a traquitana moderna de lado e viver por algum tempo à mercê das velhas geladeiras Frigidaire, do moço que vende pão caseiro de porta em porta e dos milhos de beira de praia, todo mundo junto e feliz. É um retorno ao mata-moscas, à caixa de isopor e às sestas. O maior transtorno é lidar com aqueles dias de tempo encoberto, quando o sol, numa indefinição que parece implicância pessoal, não se decide por aparecer ou sumir de vez. Porque é preciso, mais do que tudo, um estado de espírito para a praia. É essencial que o veranista, ao abrir a janela do quarto pela manhã, seja tomado de irrefreável desejo de meter os pés na areia, mesmo que isso signifique ler o jornal brigando com o vento.
Então que esses dias de tempo dúbio (que às vezes se repetem por uma semana inteira) são, depois da fila do supermercado, o auge do estresse de veraneio. Todo mundo devidamente besuntado de filtro chega na praia, arma todos aqueles cacarecos - cadeiras, guarda-sóis e brinquedos de areia - e aí o tempo muda e começa a chover uma chuvinha fina e gelada. E quem consegue explicar às crianças que a praia acabou cinco minutos depois de começar? Dia desses, o meu filho foi embora esperneando porque nem tinha bem feito um buraco na areia quando a chuva resolveu dar as caras. Lá se foi ele, coberto por uma grossa camada de filtro solar com areia, direto pro banco traseiro do carro, o qual eu não sei se resistirá até o final da temporada.
Nem tudo é perfeito num veraneio que se preze. Minha mãe disse que, quando ela era criança, a casa de praia voou pelos ares por ocasião de um temporal. O mais valioso dos meus pertences a sair voando por aí foi um guarda-sol azul que acabou no mar. Então tá. O verão tem seus dias de sol, seus dias de vento, seus dias de chuva. E tem aqueles dias em que tudo isso acontece de hora em hora, numa maratona meteorológica que enche o tanque de roupa suja, como sucedeu ontem nesta praia onde eu vim descansar e escrever essas pequenas bobagens. Mas pelo menos a gente não pode reclamar de monotonia. E lavar pás e baldes de areia cinco vezes por dia é definitivamente uma coisa que redime um ser humano.
leticia.wierz@zerohora.com.br
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11:57 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
22/01/2004
No cartório
(Do baú)
- É aqui que registra filho?
- É, sim senhora.
- Então registra o nosso aí. Nome de Doropôndio.
- Como é?!
- Doropôndio. Dê ó "do", erre ó "ro", pê ó chapeuzinho ene "pôn", dê i ó "dio".
- Do... ro... pôn... dio... Muito bem. Data de nascimento?
- Dezembro.
- Que dia?
- Não sei ainda.
- A senhora não sabe que dia o seu filho nasceu?
- Nasceu ainda não. Ainda vamo encomendá, não é, Francelino?
Francelino, entusiasmado:
- E é hoje!
- Só estamos registrando o nome que é pra ninguém pegá. Doropôndio é nosso.
Mesmo cartório, mesmo Brasil:
- Viemos registrar o nascimento desta criança.
- Sim senhor. Que nome vão dar?
- Severino Júnior. Ele é a cara do pai.
- É mesmo, seu Severino. Parabéns.
- Eu não sou o pai.
- O senhor é o padrinho?
- Menos que isso.
- É tio?
- Menos que isso.
- É parente?
- Menos que isso. Sou só o marido da mãe.
- Mas então...
- Conhece o Severino?
- Não, acho que...
- Homem bonito, tipo sedutor, sapato duas cores, casaco apertado... Ninguém resiste. Esta aqui não resistiu. Olha só o bichinho. É a cara do Severino. Se tivesse bigode, era o retrato... Olha aí, o safado pegou o meu dedo. Não pode ver nada meu que agarra, não é, Severino?
Outro cartório. Mesmo Brasil.
- É pra registrá nome de criança...
- Sim senhora, é aqui mesmo.
- Nosso primeiro...
- Como é o nome?
- Novesfora.
- "Novesfora"?
- Foram 10 tentativas e a 10ª é que pegou.
- Desculpe, minha senhora, mas, pela lei, não é mais permitido botar nomes diferentes nos filhos.
- Não é não? Mas essa lei é nova...
- Nem tanto. É de quando botaram o nome de uma criança de Apolo Treze, no Ceará.
- Apolo Treze, um nome tão bonito... Se essa lei já existisse, eu não me chamaria Medicina, em homenagem ao presidente.
- Ao presidente?
- Médici. Nem as minhas irmãs se chamariam Juscelina, Jânia, Janga, Humberta, Costa e Sílvia.
- "Costa" e "Sílvia"?
- As gêmeas.
- Bom, mas "Novesfora" não pode não. Tem que ser outro.
- O que cê acha, Vadico?
- Por que não faz como a sua mãe? Põe o nome de quem manda no Brasil.
- Sei não. Se a moça não deixa botar "Novesfora", vai deixar "Efemi"
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11:55 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
22/01/2004
Bolinho de batata (II)
Causou irrupções salivares violentas nos participantes do Sala de Redação, ontem, a lembrança por esta coluna do bolinho de batata recheado de guisado.
Todos se encheram de água na boca quando comentaram a possibilidade de saborear esse quitute célebre, no entanto pouco corrente nos nossos hábitos.
Correu uma lenda ontem nos bares da cidade de que há um bar da Rua Mariland em que todas as terças-feiras é servido um bolinho de batata recheado de enlouquecer os seus clientes.
Só às terças-feiras, mas centenas de bolinhos de batata são consumidos por ávidos bebedores de chope.
Lembro-me de que certa vez me convidaram para comer esse famoso bolinho de batata no bar da Rua Mariland.
Para meu azar, fui no bar num dia que não era terça-feira. Mas dizem que multidões se deslocam de todas as partes da cidade, atraídas pelo bolinho de batata do bar da Rua Mariland às terças-feiras.
Eu acho no entanto muito a propósito que esse bar marque um dia para o bolinho de batata recheado.
Ou seja, é um evento. Uma solenidade. Só o bolinho de batata pode superar o pastel na preferência das gentes por quitutes.
O leitor Roberto Mano me manda dizer que no Restaurante Alfredo, esquina da Ramiro Barcelos com Cristóvão Colombo, aberto durante as 24 horas, há um delicioso bolinho de batata, entreverado com as almôndegas, especialidade da casa.
E, de Caxias do Sul, a leitora Flora Júlia Magnabosco lembra que às quartas-feiras há bolinho de batata maravilhoso no almoço do restaurante do Theatro São Pedro, aqui na Capital.
Interessante esse hábito de escolher um dia da semana para celebrar o bolinho de batata.
E Paulo Rogério diz que não precisa ir longe, aqui juntinho, na Rua Botafogo, um bolinho de batata dos deuses é servido no Restaurante Calçadão.
E dizer que passo todos os dias por esse solar do manjar dos deuses, muitas vezes aflito e desnorteado para escolher onde possa lanchar lautamente - e não sabia!
Só uma coisa. O bolinho de batata de que falo e sonho, ficando tomado até mesmo de transe erótico só em pensar nele, nunca pode ser servido frio.
O ideal é que ele saia da borbulhante frigideira e seja imediatamente envolvido pelas glândulas salivares.
Ele é tostado, quase queimadinho, sua superfície é um pouco amassada, deixa antever o sabor divino do guisado miúdo sob aquela capa tenra de batata.
Não pode ser grande, deve pesar cerca de 50 gramas, por isso é que nunca na história da culinária qualquer pessoa comeu só um bolinho de batata.
No mínimo dois. E quando desce redondo o consumo pode chegar até oito ou 10 por pessoa.
Não pode acontecer, como sei que é o caso de uma das sugestões de leitores citadas acima, estar o bolinho de batata exposto sob o vidro do balcão para ser requentado.
No máximo se admite que ele esteja numa estufa sobre o balcão, mas é absolutamente imprescindível que tenha sido feito um pouco antes de ser exposto.
A danação se dá no entanto quando ele sai quentinho do azeite em mala direta para a degustação.
Aí é de comer ajoelhado.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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11:53 AM
by Cassiano Leonel Drum
Competição
O Brasil se complica no Pré-Olímpico
Derrota para os argentinos por 1 a 0 deixou a seleção brasileira na obrigação de vencer o Chile no jogo de amanhã (foto Max Montecinos, Reuters/ZH)
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7:05 AM
by Cassiano Leonel Drum
Só o Brasil tem um Ministro assim, eclético que discursa, e canta ao mesmo tempo, mesmo em eventos dessa monta. E a RBS não atualizou sua página, isso é, continua com a de ontem, razão porque as crônicas não estão aqui publicadas.
Gilberto Gil cantou para o público do FSM
Foi ao som de Gilberto Gil que mais de 100 mil pessoas encerraram a participação na quarta edição do Fórum Social Mundial, em Mumbai, na Índia. O ministro da Cultura do Brasil não estava representando o governo, mas o cantor e ativista subiu ao palco no espaço Agad Maidan e cantou em português, francês, inglês e espanhol. 'Aqui eu vejo, escuto, sinto uma celebração planetária da espécie humana. Uma concentração poderosa de diversidade étnica, social e política que abraça a humanidade e representa sua principal conquista', disse Gil em inglês.
O show começou em português com a música 'Filhos de Gandhi' e prosseguiu em inglês com 'No woman no cry', 'Three little birds' e 'Imagine'. O ministro também cantou em francês e encerrou com 'Soy Loco por ti América', em espanhol.
A marcha de milhares de participantes pelas ruas de Mumbai, agitando bandeiras e pedindo por um mundo melhor, antes do show, foi o ápice das manifestações. 'Este fórum social é uma grande ágora contemporânea, um território livre. Um ponto de encontro para propostas, experiências e valores', destacou Gil. 'É um grande carnaval social mundial, pois estas pessoas nunca tiveram voz para se expressar, disse a ambientalista brasileira Raquel Trajberg, da Aliança por um Mundo Social e Responsável.
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6:58 AM
by Cassiano Leonel Drum
Angélica para maiores de 12 anos
No novo filme de Angélica, Um Show de Verão, criança não entra; tem até cenas de nudez. A estréia é dia 30
Angélica: "Queríamos fazer um filme despretensioso e divertido"
São Paulo - A reviravolta começou no ano passado. Angélica completou 30 anos e avisou: "Cresci. Vou procurar um público mais adulto agora". Meteu-se na apresentação de um game adolescente e abandonou o jeito inocente e a voz de menina. Mesmo assim, há quem ainda olhe para ela como a loirinha de coxas roliças que cantava Vou de Táxi nos anos 80. "Parece que vai demorar um pouco para todo mundo perceber a mudança. Afinal, foram 15 anos com jeitinho de menina", diz. Quem ainda não se convenceu da transformação vai se surpreender com Um Show de Verão, filme que chega aos cinemas dia 30, pela Warner Bros, com direção de Moacyr Góes.
Os menores de 12 anos estão proibidos de assistir. O mais novo filme de Angélica, quem diria, traz quatro cenas de nudez. Mas a apresentadora não participa delas, é claro. "Eu teria vergonha. Adoro fazer cinema, mas não quero aparecer nua. Não sou atriz profissional e nem pretendo seguir a carreira." Apesar das ousadias, o roteiro do filme é bem inocente. Algo parecido com Cinderela, o clássico infantil que já ganhou centenas de versões pelo mundo. "O tema já foi bem explorado, mas essa história sempre encanta."
Angélica vive Andréa, uma mocinha pobre que se apaixona pelo rapaz rico (Thiago Fragoso). Mas o tal príncipe nada tem de encantado: é arrogante e mulherengo. Fred até gosta da garota, mas sente-se envergonhado por ela ser uma telefonista, ou melhor, "operadora de telemarketing", como ele gosta de dizer. Seu plano é transformá-la em uma cantora famosa. Antes de apresentar a namorada ao mercado musical, Fred decide repaginá-la, com direito a malhação pesada, tardes no cabeleireiro e comprinhas no shopping. Um roteiro de dar inveja a Richard Gere, aquele que transformou Julia Roberts em Uma Linda Mulher. A cena em que uma vendedora de loja (Iris Bustamante) despreza Andréa denuncia a clara inspiração no longa norte-americano. "Eu adoro Uma Linda Mulher, mas não quis copiar nenhuma história. Queríamos fazer um filme despretensioso e divertido", diz Angélica.
O humor fica por conta de Márcia Cabrita, impagável como Lupe, amiga de Andréa. Ingrid Guimarães, na pele da perua Jaqueline também é certeza de diversão. Mas ninguém arranca mais risadas que Marcos Mion, o cabeleireiro gay Welmer. Ele fala pouco, mas seus trejeitos garantem a graça. O elenco contou com uma seleção, digamos, eclética: tem Tonico Pereira e Tony Tornado, passando por Zé do Caixão e Otávio Mesquita. Também participam os globais Carol Castro, Renata Pitanga e Sérgio Hondjakoff. A categoria dos não-atores está bem representada: doze bandas entraram no roteiro do filme, em forma de clipe, entre elas Jota Quest e Cidade Negra. Luciano Huck também não é ator.
Mas está bem como Marcelo, o amigo de Fred encarregado de transformar Andrea em uma espécie de "Britney Spears nacional". O plano dá certo, mas o conto da Cinderela vai ganhar um final diferente: a moça abandona o príncipe rico para se casar com o plebeu bonzinho. Angélica e Huck ficam juntinhos - ao menos na telona.
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6:54 AM
by Cassiano Leonel Drum
Thiago Lacerda acompanha namorada a desfiles no Rio
Julia Dias Carneiro
RIO - O ator Thiago Lacerda chegou há meia-hora ao espaço ELA/Nova Schin, onde está agora com a namorada, Vanessa Lóes. Estilo despojado, Thiago não citou marcas ao dizer o que está vestindo.
- Calça jeans, camiseta e cueca preta. Ah, e esse tênis laranja, que é meio ousado - brincou, apontando para o calçado da Adidas, antes de ser interrompido pela primeira de várias vezes por repórteres (sempre mulheres, curiosamente) que disputavam uma entrevista com o ator galã.
Thiago vai assistir ao desfile da Maria Bonita Extra depois de prestigiar o espaço.
- Isso se não for muito tarde. Se for, vou assistir ao jogo do Brasil contra a Argentina - garante o ator, para logo depois ser interrompido pela mulher:
- Nós vamos ao desfile sim, o jogo é mais tarde - disse ela, que veio ao evento só para assistir ao desfile.
Thiago diz que gosta de moda - "não sou muito ligado na hora de me vestir, mas de acompanhar, acho bonito e culturalmente importante", mas não deve estar presente no evento nos outros dias.
- Amanhã vou para São Paulo, porque estou em cartaz lá - afirma, referindo-se à peça "O Evangelho segundo Jesus Cristo", em que interpreta Jesus Cristo - e à qual se deve o visual barbado e com longas madeixas.
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6:48 AM
by Cassiano Leonel Drum
Milhões gastos por quase nada
João Paulo diz ser impossível votar emenda que motivou a convocação
João Paulo diz que somente dia 11 texto da PEC será liberado na CCJ
BRASÍLIA - Uma das principais justificativas do Governo federal para a convocação extraordinária do Congresso, a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) paralela da Reforma da Previdência não acontecerá no período especial, que acaba dia 13. Quem avisa é o próprio presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Ele já havia criticado a convocação, que custará R$ 50 milhões ao Governo, classificando-a de escandalosa.
Cunha vai mais longe e repassa o problema para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou a convocação. Se alguém vendeu a ilusão para a sociedade de que em 20 dias seria possível votar uma emenda constitucional com mudanças na Previdência, tem agora que explicar isso, disse.
Segundo o presidente da Câmara, somente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a PEC ficará até 11 de fevereiro para receber parecer e pedidos de vista. O texto ainda deve passar pela Comissão Especial de Mérito para depois ir a plenário. O presidente da Câmara reafirmou que não vai acrescentar nenhum tema à pauta da convocação porque a Câmara não é responsável pelo trabalho extra.
Em contrapartida, o pedido de urgência para a tramitação da lei que regulamenta a Parceria Público-Privada (PPP) foi aprovado ontem por 302 votos. A urgência foi negociada pelos líderes governistas para garantir que, mesmo com a instalação da Comissão Especial, o projeto seja votado até o dia 13, quando será encerrada a convocação extraordinária.
Presidente da Câmara se irrita com senador petista
João Paulo Cunha também se irritou com as declarações do senador Paulo Paim (PT-RS), sugerindo que o presidente da Câmara mudasse a pauta e incluísse o projeto que reduz o tempo de recesso parlamentar, arquivado ontem pelo PT. Pede para ele (Paim) aditar (acrescentar). Não foi ele quem pediu para o Executivo convocar o Congresso? Então peça o aditamento.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, defendeu ontem a reforma do Judiciário, outra prioridade do Governo na convocação, e o controle externo da Justiça e do Ministério Público. Segundo ele, a medida é fundamental para o Brasil. É preciso ajudar o poder judiciário, que reconhece as suas deficiências e não corresponde àquele sonho que todos nós temos.
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6:40 AM
by Cassiano Leonel Drum
Pílula masculina está a caminho
Laboratórios vão testar combinação de medicamentos em 350 homens
FRANKFURT, ALEMANHA - Laboratórios farmacêuticos deram mais um passo em direção a um anticoncepcional masculino. A Schering AG, da Alemanha, anunciou o início, em parceria com o laboratório holandês Organon, de testes com um contraceptivo masculino, combinação de droga injetável e implante de hormônio.
Os testes serão realizados com 350 homens em 14 centros de pesquisa da Europa e devem estar concluídos em dezembro de 2005. Os resultados serão divulgados no ano seguinte. O novo produto pode estar no mercado em cinco a sete anos.
A maioria dos esforços para desenvolvimento da pílula do homem tem como alvo o testosterona, hormônio que estimula a produção de espermatozóides. Mas a supressão da testosterona pode levar a perda de libido, alterações de humor e diminuição da força muscular.
Por isso, qualquer anticoncepcional que venha a inibir a produção de testosterona tem que ser acompanhado de um método de manutenção de níveis apropriados do hormônio na corrente sangüínea.
Redução de espermatozóides sem baixar testosterona
A Schering disse que, em seus testes preliminares, o hormônio etonogestrel reduziu a concentração de espermatozóides e o undecanoate manteve os níveis de testosterona normais. Nos testes, o etonogestrel, fabricado pela Organon, será dado em forma de implante, e o undecanoate, da Schering, injetado.
Schering e Organon firmaram parceria para desenvolver um anticoncepcional masculino no fim de 2002 e acreditam que estão à frente dos concorrentes. Em outubro, cientistas australianos anunciaram que conseguiram suprimir a produção de espermatozóides em um estudo com 55 casais, usando uma combinação de dois hormônios.
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6:36 AM
by Cassiano Leonel Drum
Vai ter sofrimento até o fim
Esquema ofensivo do Brasil não funciona, time é derrotado pela Argentina (1 a 0) e inicia o quadrangular final em último lugar
Argentinos comemoram o gol
A seleção brasileira está numa situação delicada no Pré-Olímpico do Chile, após ser derrotada por 1 a 0 pela Argentina, ontem, na primeira rodada do quadrangular final, em Valparaíso. Amanhã, a equipe do técnico Ricardo Gomes pega os chilenos e só pode pensar na vitória.
O Brasil dominou as ações durante a primeira metade do primeiro tempo, mas não soube transformar o maior tempo de posse de bola nessa fase em gol.
Logo aos 4 minutos, Marcel recebeu bom passe dentro da área, mas chutou por cima do travessão. Aos 9, Daniel Carvalho foi à linha de fundo, pela esquerda e cruzou. A bola atravessou a área e foi cabeceada por Robinho, livre, que concluiu mal.
A Argentina só tentou seu primeiro chute aos 14, com Mariano Gonzalez, sem perigo. Daniel Carvalho, que vinha tendo bastante liberdade, chutou sobre o travessão, aos 18.
Para diminuir o espaço de Daniel Carvalho, o técnico argentino Marcelo Bielsa colocou o ala Clemente Rodriguez no lugar de Mascherano, com 29 minutos do primeiro tempo. E Clemente quase abriu o placar aos 31. Ele driblou Gomes, mas concluiu mal. O Brasil respondeu com Daniel Cavalho, em dois ataques seguidos, aos 37. No primeiro, o goleiro Caballero defendeu sem muita dificuldade. No segundo, porém, só pode torcer para a bola raspar sua trave esquerda.
O segundo tempo começou com ritmo intenso. Com 1 minuto, Diego chutou de fora da área e o goleiro argentino se atrapalhou, soltando a bola. Aos 3, Marcel recebeu ótimo passe de Daniel Carvalho, se livrou de um zagueiro, mas chutou de forma atrapalhada.
Um minuto depois, Delgado soltou uma bomba de dentro da área e Gomes evitou o gol. Aos 20, a bola cruzou à frente da trave brasileira três vezes, mas os argentinos não completaram.
Dudu Cearense armou ótimo contra-ataque, aos 21, e serviu Marcel, que concluiu de primeira, com a bola passando muito próxima à trave esquerda.
Aos 32, nove minutos depois de Ricardo Gomes colocar Elano no lugar de Robinho, a Argentina abriu o placar. Em cobrança de falta pela direita, Ferreyra chutou em direção ao gol. Rodriguez se antecipou a Alex e desviou, fazendo 1 a 0.
Em seguida, Ricardo Gomes colocou Nilmar e Maxwell nos lugares de Fábio Rochemback e Wendell. Aos 46, Maicon recebeu na pequena área, mas conseguiu perder o gol.
Paraguai surpreende os donos da casa e vence, de virada, por 2 a 1
Equipe de pior campanha entre os quatro finalistas, o Paraguai surpreendeu os donos da casa e derrotou o Chile por 2 a 1, de virada, ontem, em Valparaíso. Com o resultado, os paraguaios vingaram a derrota sofrida na primeira fase, quando os anfitriões venceram por 3 a 2 em jogo marcado por uma arbitragem polêmica.
Apesar do apoio de sua torcida, o Chile não conseguiu mostrar o mesmo bom futebol de rodadas anteriores e só conseguiu dominar a partida nos 25 minutos iniciais do segundo tempo, quando marcou seu gol com Millar (aos 17).
Mesmo em desvantagem, o Paraguai soube administrar o nervosismo e conseguiu se recuperar, virando o placar com gols de Bareiro (35) e Villalba (37), e deixando perplexa a torcida chilena.
CHILE ¿ Bravo; Contreras, Aceval, Oyarzún e González; Bascuñán ( Leal), Millar, Figueroa e Fierro (Villanueva); Beausejour e Joel Soto. Técnico: Juvenal Olmos.
PARAGUAI Barreto; Martínez, De Vaca, Manzur e Gimenez; Villalba, Figueredo, Torres e Achucarro (Díaz); Pablo Gimenez (Avalos) e Julio González ( Bareiro). Técnico: Carlos Jara.
Árbitro: Gustavo Mendez, do Uruguai.
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Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
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10:12 AM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
21/01/2004
O espelhinho do carro
Eu tinha uns 20 anos e estava saindo de uma aula da faculdade. Naquele dia, estava com o carro da minha mãe, um Corcel II. Aí o cara mais bonito da minha turma me pediu carona. Ele nunca havia me dado papo. Estava sempre na dele. Dei a carona e, durante o trajeto, ele falou: "Vou ter que te fazer um elogio". Veja só a concessão do moço - ele seria obrigado a me fazer um elogio. O que seria? Falaria do meu cabelo, das minhas mãos, dos meus olhos? "Tu é a primeira mulher que eu vejo usar o espelho retrovisor lateral direito". Uau! Não deixava de ser um elogio aos meus olhos.
Desde então, passei a cultuar o espelho retrovisor lateral direito, aquele que fica na porta do co-piloto. Ele passou a ser até mais importante do que o espelho retrovisor interno, aquele que qualquer mulher sabe para que serve: dar uma ajeitada na franja, ver se ainda está de batom ou se a polícia está nos seguindo. Mas o espelhinho lateral direito era diferente - eu era a única mulher do mundo que usava! Ele foi obrigado a me dizer, o cara mais bonito da PUC.
Eu ainda uso muito o espelho externo direito. Mas não só para estacionar, trocar de faixa ou conferir se alguém está me ultrapassando pelo lado errado. Eu o tenho usado para fazer inimigos. Acontece da seguinte maneira: estou dirigindo numa rua estreita, e de repente ouço um barulho curto, seco, impactante. Nas primeiras vezes em que aconteceu, eu achei que tinha perdido uma calota, que o pneu havia estourado, algo assim. Saía do carro, procurava o dano, e nada. Voltava pro carro intrigada. Dias depois, o barulho de novo. Até que me dei conta: eu bato no espelho retrovisor lateral dos outros carros. Dois espelhinhos em colisão. BUM!
Como a maioria dos espelhos são flexíveis, quase nunca há motivo pra briga. Mas e o susto? BUM! Geralmente bato em carros estacionados - e com gente dentro! Mando um abaninho a título de "me desculpe, esqueci os óculos em casa" e sigo em frente, já que a vítima se emburra mas não faz menção de chamar ninguém da EPCT. A falha é minha, eu sei. Tenho que calcular melhor a distância entre dois carros, mas, em minha defesa, digo que estes espelhos externos estão cada vez maiores, parecem dois aerofólios, e as ruas seguem do mesmo tamanho, e o que é pior: permitem que se estacione dos dois lados da calçada, mesmo sendo vias de mão dupla. Há um momento em que são quatro carros alinhados, dois estacionados e mais dois cruzando-se. BUM!
Fora isso, mereço todos os elogios no trânsito, sou obrigada a dizer.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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10:09 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
21/01/2004
Bolinho de batata
Estão de parabéns a Polícia Civil e seu chefe, delegado João Antônio Leote: o governador Germano Rigotto, mostrando que o Piratini não anda em ritmo de férias, determinou a nomeação dos 600 policiais que foram aprovados nos concursos e cursos de inspetor e escrivão.
Muitos dos aprovados tinham deixado seus empregos anteriores para se dedicar ao ingresso na Polícia Civil e já atravessavam dificuldades financeiras.
Quem quer que compareça a qualquer delegacia de polícia nota a falta de pessoal, os existentes se desdobram para cumprir suas tarefas.
Há décadas o efetivo da Polícia Civil míngua, em nada correspondendo ao aumento da população e ao vertiginoso crescimento da demanda por atendimento.
Por isso merece o mais intenso elogio a decisão do governador em dotar a Civil desses 600 novos servidores, que vão atenuar a aflição de funcionamento das delegacias.
O prefeito de Rio Grande determinou a proibição do acesso de 200 catadores de lixo da cidade aos lixões lá existentes, em face de um acidente |