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E N T R E L A Ç O S

Sábado, Janeiro 24, 2004




Diogo Mainardi
O pior é melhor

"É uma sorte que São Paulo seja tão pouco musical. A música popular constitui o maior fator de atraso no Brasil. Quanto mais musical é uma região, mais subdesenvolvida ela é"

Desde cedo a única meta que eu tinha na vida era ir embora de São Paulo. Fracassei em minha primeira tentativa migratória. Fracassei na segunda. Na terceira, deu certo. Fui embora e nunca mais voltei.

Depois de tantos anos de afastamento, finalmente me reconciliei com a cidade. Aprendi a reconhecer seus méritos. O maior deles é despertar o sentimento de repulsa em seus habitantes. São Paulo é tão detestável que somos estimulados a rejeitar nossa origem, a buscar lá fora o que não podemos encontrar aqui dentro. Parece pouco. Não é. São Paulo não acomoda.

Ela nos deixa num permanente estado de insatisfação e precariedade. O paulistano não é apegado a nada. Está sempre de malas prontas, disposto a abandonar oportunisticamente tudo o que lhe pertence: sua cidade, seu país, sua família, suas idéias. Não temos o sentido de coletividade: não sabemos votar, não sabemos respeitar as regras, não sabemos pensar no próximo, não sabemos cumprir os acordos. Em compensação, conseguiríamos nos adaptar com facilidade a um holocausto nuclear. Pena que a perspectiva de um holocausto nuclear seja cada dia mais remota.

A música é o mais importante elemento de identidade nacional. Em São Paulo, a falta de sentido de coletividade nos impediu de desenvolver um estilo musical. Ao contrário do resto do Brasil, não temos ritmos próprios, não temos artistas de peso. Nosso ouvido é duro.

Na festa de aniversário da cidade, o melhor que conseguimos apresentar foi o grupo Demônios da Garoa. Caetano Veloso também homenageou a cidade, mas ele não conta, porque é baiano e, sobretudo, porque homenageia qualquer lugar. Ele já homenageou Londres, Barcelona, Nova York, São Francisco e Brasília. Já homenageou até TelAviv. Caetano Veloso é como Lamartine Babo, que escreveu os hinos de todos os times de futebol do Rio de Janeiro.

É uma sorte que São Paulo seja tão pouco musical. A música popular constitui o maior fator de atraso no Brasil. Quanto mais musical é uma região, mais subdesenvolvida ela é. A musicalidade dos brasileiros está diretamente relacionada com as epidemias de leishmaniose, os esgotos a céu aberto, os desmoronamentos de favelas.

São Paulo é a cidade mais rica do Brasil simplesmente porque não entende nada de música, porque não fica sentada em banquinho de violão. Os compositores de música popular, agora, publicam livros com todas as suas letras. Quem consegue compreender o significado dessas letras nunca irá aprender a construir uma ponte, ou a planejar o escoamento de um milharal, ou a obturar um dente cariado. Um conhecimento anula o outro.

O Brasil se reconhece no sentimentalismo mais ordinário, no verso mais incongruente, na batida mais simplória. Fomos ensinados que a música nos ajudou a resistir a todos os tipos de autoritarismo. Mentira. A música é um instrumento de dominação. Tanto que todos os partidos políticos criam seus sambinhas para o horário eleitoral. Se até o PTB tem seu sambinha, é sinal de que há algo errado na MPB.

São Paulo é a pior cidade do Brasil. Mas nós, paulistanos, até que temos a nossa graça: não levamos jeito para a música, o que nos torna, tudo somado, um pouco menos brasileiros.

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Ponto de vista: Stephen Kanitz
Fazendo a diferença

"Se nossos genes são mero acaso da variação genética, falar em QI, mérito, proeza atlética e se achar merecedor de 100% dos ganhos que esses atributos nos proporcionam não faz mais muito sentido"

Ser rico, famoso ou poderoso tem sido o objetivo da maioria das pessoas, mas sempre falta algo. Recentemente, ouvi sobre uma nova postura ética de sucesso, que vale a pena resumir aqui, porque na época ninguém noticiou.

Numa reunião no World Economic Forum, em Davos, o local onde o mundo empresarial se reúne uma vez por ano em janeiro, um empresário que acabava de fazer um tremendo negócio foi convidado numa das várias sessões a expor suas idéias.

Primeiro perguntaram como ele se sentia, subitamente um bilionário. Sem pestanejar um único minuto, ele afirmou que o dinheiro não lhe pertencia, e que doaria toda sua fortuna a instituições beneficentes.

"Sou simplesmente fruto do acaso, tenho os genes certos e estou no momento certo, no setor certo. É difícil falar em 'mérito' numa situação dessas."

"Se eu, o Bill Gates aqui presente, ou então o Warren Buffett, tivéssemos nascido 2.000 anos atrás, nenhum de nós teria tido o porte atlético necessário para se tornar um general do Império Romano, posição de destaque equivalente à nossa, na época. Teríamos sido trucidados na primeira batalha."

Alguns seres humanos sempre estarão momentaneamente mais adequados ao ambiente que os outros e receberão, portanto, melhores salários, apesar do esforço dos demais.

A idéia da meritocracia, tão decantada pela direita conservadora como justificativa para a sua riqueza, cai por terra se levarmos em consideração a nova teoria de que somos todos frutos do acaso genético das interpolações do DNA de nossos pais.

Se nossos genes são mero acaso da variação genética, falar em QI, mérito, proeza atlética e se achar merecedor de 100% dos ganhos que esses atributos nos proporcionam não faz mais muito sentido. O que há de meritocrático em ter os genes certos?

Ninguém está sugerindo o outro extremo de salários iguais para todos, porque toda sociedade precisa incentivar os que se esforçam mais, os que trabalham melhor e especialmente os que assumem riscos e têm a coragem de inovar.

Ilustração Ale Setti



O que essa nova postura sugere delicadamente é uma maior humildade e generosidade daqueles que ganham fortunas por ter uma inteligência superior, um porte atlético avantajado ou um talento excepcional. Por trás de toda "fortuna" existe um elemento de sorte, muito maior do que os "afortunados" gostariam de admitir.

Mas a frase que mais tocou a platéia estarrecida foi esta: "Mesmo doando toda a minha fortuna", disse o empresário, "continuará a existir uma enorme injustiça social no mundo. Eu terei tido um privilégio que muitos não terão. O privilégio de ter feito uma diferença com o meu trabalho e minha vida."

Segundo essa visão, o mundo é dividido entre aqueles que fizeram ou não uma diferença com sua vida, o dinheiro não é o objetivo final. E existem inúmeras maneiras de fazer uma diferença, desde inventar coisas, gerar novos empregos, criar novos produtos, até ajudar os outros com o dinheiro obtido.

Aproximadamente 55% dos empresários americanos não pretendem legar sua fortuna aos filhos. Acham que estariam estragando sua vida gerando playboys e um bando de infelizes. Percebem que o divertido na vida é chegar lá, não estar lá. Ser filho de empresário e receber de mão beijada uma BMW, um Rolex e uma supermesada não é o caminho mais curto para a felicidade. Muito pelo contrário, é uma roubada.

Por isso, os ricos de lá criaram instituições como a Fundação Rockfeller, a Fundação Ford, a Fundação Kellogg, a Fundação Hewlett. No Brasil, estamos muito longe de convencer os empresários a fazer o mesmo, razão pela qual sua fortuna provavelmente virará mais um imposto. O imposto sobre herança.

O segredo da felicidade, portanto, não é ganhar dinheiro, que a maioria acabará perdendo de uma forma ou de outra. O segredo é ter feito uma diferença.

Stephen Kanitz é administrador por Harvard
(www.kanitz.com.br)

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De bem com a vida
Carnaval, dinheiro e conforto podem despertar intensa alegria. Mas a verdadeira felicidade depende, acima de tudo, da capacidade de ficar satisfeito consigo mesmo

Camilo Vannuchi e Celina Côrtes

Ganhar na loteria, arrumar um namorado, tomar uma cerveja gelada. A felicidade pode estar em muitas coisas. Cada pessoa a vê de um modo diferente. Mas a sua incessante busca é o combustível de todos. Quem não quer ser feliz? No século IV a.C., o filósofo Aristóteles já anunciava, no livro Ética a Nicomaco, que a felicidade é a maior meta do homem. Esqueceu-se, porém, de ensinar os meios para alcançá-la.

E, até hoje, cientistas, psicólogos e poetas se arriscam a apresentar suas receitas. Até um economista, o mineiro Eduardo Giannetti, deu sua contribuição no livro Felicidade (Cia. das Letras), no qual critica as sociedades que insistem em atrelar o tema à aquisição de bens de consumo. Somam-se a ele o recém-lançado A felicidade é aqui (Rocco), do psicanalista carioca Luiz Alberto Py, e o científico A fórmula da felicidade (Sextante), escrito pelo jornalista alemão Stefan Klein, com lançamento previsto ainda para este ano.

Consultor da Rede Globo nas primeiras edições de Big Brother, Py considera a felicidade um estado interior. Somos felizes quando valorizamos o que temos em vez de sofrermos com o que não temos, resume. O psicanalista acredita que os bons sentimentos devem ser privilegiados, treinados e fortalecidos, como acontece com os músculos durante a malhação. Ressalta o poder da solidariedade que provoca bem-estar em quem age pensando no outro e deixa claro que a felicidade não depende de fatores externos.

Cita como ferramentas o despojamento, o desenvolvimento da espiritualidade, a auto-estima e a superação de infortúnios. Mais importante é saber usufruir o tempo que temos para viver, esclarece. Ele faz questão de diferenciar a efêmera alegria do Carnaval. É uma festa em que as pessoas adiam os problemas para a Quarta-Feira de Cinzas. Sentem prazer, alegria, mas não exatamente felicidade, analisa.

Alegoria: para Luma, desfilar não é apenas um prazer, e sim o ápice de um ano inteiro de espera

As diferenças entre felicidade e sentimentos passageiros como alegria, euforia e prazer rendem intenso debate. Ganhar dinheiro, receber um presente ou uma nota alta na escola e mesmo se esbaldar no Carnaval traz, normalmente, alegria. No entanto, participar da maior festa popular brasileira também pode ser motivo de felicidade. A bela Luma de Oliveira, 39 anos, dá tanta importância à ocasião que chega a encarar o ano como um intervalo entre um Carnaval e outro.

À frente da bateria da Mocidade Independente, Luma acredita que este bem tão cobiçado pode estar em pequenos atos do dia-a-dia, como assistir a desenhos com os filhos, mas também na Marquês de Sapucaí. A felicidade que sinto com meus filhos é quieta, plena. No Carnaval, é uma explosão, distingue. E não é preciso ter a invejável silhueta de Luma para sentir o mesmo. Aos 84 anos, a sambista Maria das Dores, conhecida como Dodô da Portela, desbancou a apresentadora Adriane Galisteu e, com um vestido bem comportado, puxará a bateria da escola em fevereiro. Passista desde os 15 anos, duvidou da notícia. Consultei meus santos, me belisquei e só acreditei quando recebi a faixa, conta.

A felicidade de Dodô é a linha de chegada em uma corrida que começou há 70 anos. Mais do que gingar ou receber aplausos, o que deixa a passista feliz é ver realizado um sonho cevado por sete décadas. Se a alegria é fruto de um momento específico de intenso prazer, a felicidade deve ser compreendida como um sentimento intermitente, de realização.

Aos eternos insatisfeitos, que valorizam mais o ter do que o ser, resta um rosário de lamentações. As pessoas se colocam num patamar muito elevado e reclamam. Adotam muito o se: Se eu tivesse chegado no horário, teria sido o primeiro no vestibular ou: Se ganhasse mais, teria mais conforto, diz o psicanalista Jorge Forbes, autor de Você quer o que deseja? (Ed.. Best Seller). A reclamação é sempre narcísica. É normal querermos comprar e fazer tudo, mas, como isso é impossível, alguns ficam mal-humorados, completa.

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Seus sonhos mais loucos
Coleções de inverno do Fashion Rio, que termina hoje, mostram como a moda pode alternar o estilo sem perder a pose.
Marcia Disitzer



Supersexy, a mulher do inverno 2004 usa e abusa do seu poder de sedução e coloca seu espartilho rendado para fora: à esquerda, a modelo Yves Kolling exibe o vestido-combinação com detalhe de pele e chapéu retrô da Sta. Ephigênia; acima, corselete, cinta-liga, meias rendadas no desfile da Tessuti; à direita, Walter Rodrigues investe na sensualidade da mulher brasileira, criando vestidos com decotes vertiginosos

Que caminho segue a moda? Na passarela da modernidade, o bacana é poder soltar todas as fantasias: virar mulherzinha, vestir o espartilho, despir a renda e abusar do decote na hora H; colocar o pé na estrada e se jogar nos clássicos, apostando as fichas no couro poderoso, no tricô lúdico e na força dos tecidos masculinos, e ir e vir no túnel do tempo da moda. No Fashion Rio, as coleções de inverno 2004 provaram, mais uma vez, que a moda hoje oferece um leque de opções variadas para a mulher decidir o seu estilo e se reinventar de acordo com seus caprichos e sonhos.



As aventureiras da moda pisam firme na estrada: no topo, a motoqueira da grife Frankie Amaury usa minissaia gráfica, jaqueta Perfecto, camiseta sexy e botas; no meio, a aviadora de Mara Mac vai de macacão, chapéu e óculos; acima, a andarilha da marca mineira Coven mostra com quantos pontos se faz um inverno rústico e moderno



Retrô Chique: os estilistas bebem do estilo de várias décadas, colocam tudo no liquidificador e reinventam o passado com toques contemporâneos. Acima, leveza e anos 20 no vestido da Maria Bonita Extra; no centro, a blusa de cor vibrante e a leg preta de Victor Dzenk fazem referência aos anos 80; acima, o romantismo de Isabela Capeto


Sem ditaduras nem grandes novidades,o inverno, segundo nossos estilistas, será clássico, repleto de peças de alfaiataria, como desenhou Mara Mac e Andrea Saletto, e muito sexy e despido, de acordo com as idéias de Walter Rodrigues e Sta. Ephigênia, que brilhou com suas polacas tropicais. O luxo ingênuo da Maria Bonita Extra, o tricô antenado e precioso da Coven e o estilo autoral da Ibô de Isabela Capeto se destacaram nesta frente fria. Mais do que nunca é preciso ter personalidade e fugir das repetições: Victor Dzenk ficou devendo um olhar renovado sobre os anos 80, Márcia Ganem precisa transformar seus figurinos em moda e a apresentação de Marcela Virzi pecou pelo excesso. O evento acaba hoje, mas o saldo final já é positivo: fortalece a moda, engrandece o Rio.

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CHILE X BRASIL
A um pontinho de Atenas

Brasil joga mal no primeiro tempo, mas se recupera e bate o Chile por 3 a 1. Amanhã, contra o Paraguai, Seleção joga pelo empate



Diego fez o terceiro da vitória brasileira, e agradece aos céus não só pelo gol mas também porque, agora, o time só precisa de um empate

O sonho do ouro olímpico continua bem vivo. A Seleção sub-23 se recuperou da derrota para a Argentina (1 a 0) e venceu, ontem, o Chile, por 3 a 1, em Viña del Mar. Agora, o time, com três pontos, precisa apenas de um empate amanhã, contra o Paraguai, no encerramento do Pré-Olímpico, para ficar com uma das duas vagas aos Jogos de Atenas. A Argentina venceu o Paraguai por 2 a 1 e garantiu a vaga por antecipação, enquanto o Chile, dono da casa, está eliminado.

Nos primeiros minutos, o time de Ricardo Gomes deu a impressão de que faria sua melhor exibição na competição. Tanto que, aos 4, Marcel deixou a Seleção em vantagem. Daniel Carvalho cobrou falta de esquerda, Dudu Cearense desviou e o atacante do Coritiba completou, de cabeça: 1 a 0.

E foi só. O Brasil, em seguida, deu espaço para os chilenos, que, empurrados pela torcida, ditaram o ritmo do jogo. Aos 11, brilhou a estrela do goleiro Gomes. Não fosse a sua linda defesa (espalmando, literalmente, o pênalti cobrado no alto e com violência por Aceval), o adversário teria empatado.

No entanto, quem pensou que o Chile se entregaria com a cobrança desperdiçada enganou-se redondamente. Os anfitriões tomaram gosto pelo jogo e foram para cima. Herói ao defender o pênalti de Aceval, Gomes se tornaria vilão aos 29, na cobrança de falta de González. Depois de pedir que a barreira abrisse, ele aceitou o chute quase do meio-campo: 1 a 1.

Marcel, aos 36, teve a chance de colocar o Brasil novamente em vantagem, após concluir, de cabeça, cruzamento de Maicon. Mas a bola passou rente ao poste direito de Bravo. A Seleção demonstrava visível nervosismo. E isso pôde ser constatado aos 45, com a expulsão de Maicon, ao dar uma cotovelada infantil em Beausejour.

Ainda assim, com um jogador a menos, o Brasil voltou mais disposto para a segunda etapa. E logo aos 6, Dudu Cearense escorou falta batida por Rochemback e fez o segundo gol. Aos 14, num contra-ataque, Diego tabelou com Robinho, que chutou e, no rebote, o próprio Diego apareceu para ampliar.

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Teatro
Um teatro para subir nas paredes
RENATO MENDONÇA

A sanidade por um fio, o prazer de fazer voar a imaginação, a sensação de queda rumo a um mundo de sedução, sexualidade e destruição. Oferecendo tudo isso, entra em cartaz hoje O Vôo das Fêmeas, nova produção do grupo Falos & Stercus.

O F&S cumpre o que promete. A encenação será nos pavilhões 5 e 6 do Hospital Psiquiátrico São Pedro, com atores pendurados em cordas, usando a nudez para descobrir emoções primitivas, garimpadas em mitos gregos. O diretor Marcelo Restori explica que O Vôo das Fêmeas é resultado direto da turnê que o grupo (www.falosestercus.com.br) fez no ano passado por Rio e Santa Catarina, mostrando os espetáculos In Surto, www.prometeu, A Escrita de Borges, La Loba e Mithologias do Clã dentro do projeto Palco Giratório.

O Sesc nacional, patrocinador da turnê, pediu que o F&S criasse um espetáculo que repetisse o espírito performático do grupo e que incluiria até águas dançantes. A estréia, marcada para dezembro, foi adiada. Ficou a inspiração para uma nova aventura.

- Lembrei elementos que estávamos trabalhando, como o mito de Afrodite, com a leitura de Lacan, que imagina as sereias como mulheres que despertam a sexualidade inconsciente, a perversão. Do filme O Império dos Sentidos, buscamos a sexualidade do ponto de vista feminino - diz Restori.

Prevendo ainda para 2004 a montagem de A Tempestade, de Shakespeare, Restori explica que a intenção é a transformação, mesmo que temporária:

- A revolução só chega ao público se ele quiser. Mas fazemos a revolução do aqui e agora. Durante os 35 minutos de espetáculo, criamos um novo mundo.

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Lya Luft
24/01/2004


Ponto-e-vírgula
Estaciono meu carro na frente do rio num fim de tarde para que o pôr-do-sol me recomponha do cansaço de vários dias de trabalho intenso. Sem saber por que, vendo o jogo de luzes recordo um quadro que tenho em minha casa e sobre o qual já escrevi: uma pintura ingênua, um jardim com duas árvores floridas, no meio um banco onde se senta uma jovem mulher com uma boneca ou criança. Do lado direito da moça, vê-se na grama um gato preto, o branco está no capim do lado esquerdo.

Quem me deu o quadro comentou que Freud iria adorar essa pintura, na qual a moça poderia representar a psique adulta, a boneca sendo a infância que sobrevive em nosso inconsciente. De cada lado, o que somos de positivo ou negativo: o gato branco, a força da vida que chama para a felicidade; o gato preto, a pulsão da morte que nos maltrata com o medo e a culpabilização.

Como os símbolos desse quadro, temos nossos lados negativos que nos prendem no medo e na acomodação, mas também desejamos a claridade e o crescimento pessoal. Somos as escolhas que fazemos e as que omitimos, a audácia que tivemos e os fantasmas aos quais sacrificamos a possível alegria e até pessoas a quem amamos; a vida que assumimos e a que desperdiçamos. Em suma, fazemos a escritura da nossa complicada história.

Vai chegar o dia em que, olhando para trás, vamos ler isso que escrevemos com sangue e realidade. Não seremos perdoados pelo desperdício.

Eu, por profissão, cavo palavras nas minas do silêncio: não para apaziguar, mas provocar; não para responder, mas porque não cesso de indagar. Embrulho em frases todas as minhas dúvidas (enganosamente, há quem me julgue tranqüila e resolvida).

Amarro com fitas de vírgulas e pontos os meus pacotes de perplexidade, e vou soltando em livros para quem quiser ler. Exclamações, não aprecio; reticências me parecem débeis e hesitantes, e talvez eu abuse da interrogação; ponto-e-vírgula é ótimo para insinuar.

Não importam os significados: qualquer interpretação será insuficiente. Como na vida, vale o desafio: que no breve espaço do nosso tempo a gente conseguisse quebrar as algemas do preconceito, recusar as indevidas cobranças, entender que a culpa é o selo da morte. E abrir-se para a vida: que nem sempre é mesquinha; e que nem sempre nos trai.

Mas isso foram reflexões ineficientes de uma hora cansada, diante de um rio enigmático, que não me deu nenhuma resposta.
lya.luft@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
24/01/2004


O limite é a lei

Não entendi uma coisa: a lei diz que nenhum preso pode permanecer em cadeia de contenção máxima, como a de Presidente Bernardes, onde está recolhido o Fernandinho Beira-Mar, por mais de seis meses.

É uma cadeia de raro rigor, onde o preso não tem direito a televisão e sequer à leitura de jornais e revistas, como também a rádio, o que acho de uma desumanidade ímpar.

Pois bem, o Fernandinho Beira-Mar já está lá há nove meses e inventa o Ministério Público argumentos para continuar retendo-o, apesar de seu bom comportamento.

Mas isso não é uma afronta à lei? Se o Fernandinho Beira-Mar está lá por ter atentado contra a lei, como transgredi-la para mantê-lo lá?

Por aqui também fico sabendo pelos jornais que o Melara, preso tido como perigosíssimo, tem direito à progressão de regime, isto é, passar para o regime semi-aberto, em razão do seu bom comportamento.

Mas não querem conceder o benefício ao Melara por ser ele líder de facção presidiária.

Há uma violenta incongruência. Quem é líder de facção presidiária, se isso implica ação deletéria dentro da prisão, com reflexos ou não fora do estabelecimento penal, não tem bom comportamento.

Mas ele tem bom comportamento, o que quer dizer que deixou de ser líder de facção presidiária.

Como então não conceder a progressão do regime ao Melara? A nova lei a respeito dá muito grande ênfase ao bom comportamento do detento.

Com isso, não só se premia quem é disciplinado na prisão como também o poder público aufere a vantagem de presídios mais tranqüilos, sem motins, sem desordens etc.

Como então, depois que um preso se resigna ao bom comportamento, contribuindo para a serenidade no ambiente penitenciário, quer se recusar a ele a recompensa por essa conduta?

Ainda mais que a pena tem caráter regenerativo, isto é, há que se apurar se no transcurso dessa pena o detento revela ou não comportamento em que se caracterizem o arrependimento e a vontade de converter-se.

Assim como esta notícia está vindo para os jornais, revela-se uma grande injustiça e um desestímulo ao bom comportamento dos detentos.

Se o Melara tem direito claro, por que não concedê-lo?

Se ele vai violar no futuro as condições impostas para o regime semi-aberto, então que se o puna e se o faça retornar ao regime fechado.

Mas supor que ele vai violar a nova condição, conquistada por mérito, em face de sua antiga periculosidade, desmentida ou pelo menos atenuada pelo bom comportamento, como insinuam alguns pareceres que foram divulgados, é uma violência inominável.

Isso terá de ser melhor explicado.

A presunção de conduta futura de um apenado ou a sua periculosidade não podem ser avaliadas pela sua fama ou tradicionalidade - e sim pelo seu comportamento na prisão, este é o único campo axiológico que vai determinar se ele merece o benefício.

O que interessa é a lei. E se todos os seus requisitos são preenchidos, é desumanidade e primitivismo passar por cima dos mandamentos legais.

Não há nada que mais possa castigar um criminoso que a lei. Por justaposição do seu contraste, só a lei pode exacerbar, tornar mais rigorosa ou menos concessiva, a pena de um detento.

Assim como vem sendo divulgado, trata-se meramente de uma infração descomunal à lei.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Pré-Olímpico
Brasil decide vaga contra o Paraguai



Com a vitória contra o Chile por 3 a 1, basta um empate amanhã para a seleção ir à Olimpíada de Atenas (foto Marcelo Hernandez, AP/ZH)


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Sexta-feira, Janeiro 23, 2004




Sorriso de Mona Lisa, O

Título original Mona Lisa Smile
Gênero Comédia,Drama,Romance
Ano 2004
País de origem Estados Unidos
Distribuidora Columbia
Duração 117 min.
Classificação 12 anos
Língua Inglês
Cor Colorido
Diretor Mike Newell
Elenco Julia Roberts, Kirsten Dunst, Julia Stiles

Resenha
Julia Roberts subverte alunas em O Sorriso de Mona Lisa
Divulgação

Não se sabe exatamente por que os cineastas andam fascinados com os anos 1950, mas, de qualquer maneira, O Sorriso de Mona Lisa é apenas o filme mais recente a voltar para essa época.
Concorra a prêmios para o filme!

Diferentemente de Longe do Paraíso, um filme com pretensões mais profundas, Mona Lisa, do diretor normalmente ousado Mike Newell, contenta-se em reciclar idéias já conhecidas sobre o conformismo acirrado daquela época e as opções limitadas que estavam abertas então às mulheres das classes sociais mais altas.

Beleza e talento não faltam ao filme, que tem no elenco Julia Roberts, Kirsten Dunst, Julia Stiles, Maggie Gyllenhaal e Marcia Gay Harden.

Mas a caracterização convencional e uma atitude condescendente em relação às normas sociais da época retratada roubam o filme da força satírica que Todd Haynes imprimiu a Longe do Paraíso.

Newell está em plena forma, fazendo a história avançar em ritmo acelerado e delineando os personagens e as subtramas com precisão.

No entanto, falta ao roteiro de Lawrence Konner e Mark Rosenthal qualquer insight sobre o que pode ter motivado o conformismo, por um lado, e, pelo outro, a rebelião contra ele.

A heroína de Mona Lisa é a professora feminista Katherine Watson (Julia Roberts), que em 1953 viaja da Califórnia à Nova Inglaterra para lecionar na Faculdade Wellesley.

Ela nutre a ilusão de que suas alunas, vistas como as jovens mais inteligentes e brilhantes do país, buscam o ensino superior como maneira de iniciar carreiras profissionais. Mas se desanima ao saber que o objetivo principal delas é o casamento.

Suas alunas abrangem todos os estereótipos femininos da época: a debutante esnobe Betty (Kirsten Dunst), a inteligente Joan (Julia Stiles), a "bad girl" Giselle (Maggie Gyllenhaal) e a tímida Connie (a novata Ginnifer Goodwin).

O filme também tem uma personagem que é lésbica não assumida: a enfermeira da faculdade, Amanda (Juliet Stevenson), que tem a audácia de ajudar as estudantes, dando-lhes métodos contraceptivos.

Subversivas e certinhas

Apesar do currículo avançado da Faculdade, a disciplina mais importante é a da professora de oratória e elegância Nancy Abbey (Marcia Gay Harden), que divide um quarto com Katherine. Trata-se de uma solteirona que continua apaixonada pelo homem que a rejeitou anos atrás.

As divisões se formam rapidamente. Pelo simples fato de ter mais de 30 anos e não ser casada, Katherine é rotulada como "subversiva". Por incluir Picasso e Jackson Pollock em suas aulas, estas viram uma afronta à ortodoxia social.

Katherine e Betty, casada há pouco, viram inimigas imediatas, isso porque Betty se sente ameaçada pela independência feminista da professora.

Enquanto isso, Giselle vive a vida que Katherine prega: ela fuma, namora um professor (Dominic West) e, mais tarde, sai com um homem casado.

Joan se vê presa no meio quando Katherine a incentiva a candidatar-se à Escola de Direito de Yale, apesar de ela estar prestes a receber um pedido de casamento de seu namorado.

Connie chega a arrumar um namorado, mas a mesquinha Betty interfere, principalmente como reação contra o fracasso de seu próprio casamento.

Essas minitramas novelescas servem principalmente para criticar a rigidez social dos anos 1950. Mas a insistência do filme em voltar a travar as guerras culturais dos anos 1950 sem lançar nenhuma luz nova sobre nenhum dos lados reduz quase todos os personagens a superficiais porta-vozes de pontos de vista já previsíveis.

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Sexta, 23 de janeiro de 2004, 17h47
Lula muda nove ministérios e PMDB entra no governo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mexeu em nove ministérios para fazer a reforma no primeiro escalão do governo. As últimas mudanças foram anunciadas pelo próprio presidente no final da tarde desta sexta-feira. A grande surpresa foi a escolha do senador Amir Lando (PMDB-RO) para o Ministério da Previdência. Com ele e o deputado Eunício Oliveira (CE), novo ministro das Comunicações, o PMDB entra no governo com dois ministérios.

Na primeira reforma ministerial do governo Lula, Tarso Genro deixou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social, dando lugar ao ex-ministro do Trabalho Jacques Wagner, que cedeu o posto a Ricardo Berzoini, que, por sua vez, deixa a Previdência para Amir Lando. Eunício Oliveira substitui no Ministério das Comunicações o deputado Miro Teixeira (sem partido - RJ), que será o líder do governo na Câmara.

Já o deputado Patrus Ananias (PT-MG) assume o Ministério da Coordenação Social e Combate à Fome, nova pasta que abrange as Secretarias de Ação Social e de Combate à Fome, cujos ex-titulares, Benedita da Silva e Francisco Graziano, respectivamente, deixam o governo. Outro deputado, Aldo Rebelo, será ministro da Coordenação Política e Assuntos Institucionais, que será criado para fazer a coordenação com o Congresso Nacional e terá parte das funções que antes eram do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.

Também deputado, Eduardo Campos (PSB-PE) é o novo ministro da Ciência e Tecnologia, cujo antigo titular, Roberto Amaral, entregou a carta de demissão ao presidente no último dia 9. A última mudança foi na Secretaria Especial da Mulher, na qual Nilcéia Freire substitui a ex-senadora Emília Fernandes.

"O momento de uma reforma no governo é sempre um momento doloroso, sobretudo para mim que aprendi a desenvolver uma relação de amizade muito forte com as pessoas com quem eu convivo", disse Lula. "Mas quando se é o presidente de um país do tamanho do Brasil a gente não pode fazer da amizade a política do governo".

Lula também justificou ter demitido por telefone o ex-ministro da Educação Cristovam Buarque, que está em Portugal. O presidente disse que conversaria com Buarque na volta da viagem oficial à Índia, onde o ex-ministro iria encontrá-lo. Porém como a história vazou pela imprensa, teve de comunicá-lo mesmo à distância.

O presidente também negou que ox ministros que entram sejam melhores do que os que saem, embora a reforma tenha sido motivada por críticas à ineficiência do governo em algumas áreas, principalmente a social. "O Pelé era o melhor jogador do século e algumas vezes foi substituído e o que entrava não era melhor do que ele".

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Julia Roberts retorna ao cinema

Mulheres buscam sua própria identidade no filme "O Sorriso de Mona Lisa", que estréia hoje

Julia Roberts interpreta uma professora de História da Arte, personagem que pode lhe render uma indicação ao Oscar

Em "O Sorriso de Mona Lisa", dirigido por Mike Newell, Julia Roberts encabeça um elenco de jovens atrizes que inclui Kirsten Dunst, Julia Stiles, Maggie Gyllenhaal e a estreante Ginnifer Goodwin, numa história sobre mulheres lutando para encontrar sua própria identidade num mundo de papéis pré-estabelecidos. O filme estréia hoje me Mogi.

Katherine Watson (Julia Roberts) muda-se da Califórnia para o campus da Wellesley College, em New England, no outono de 1953 para lecionar história da arte. Ela espera que suas alunas, as melhores e mais brilhantes do país, aproveitem todas as oportunidades de que dispõem. Entretanto, Katherine descobre que a instituição renomada preconiza entre suas alunas a conformidade e um anel de noivado no dedo de uma jovem é um prêmio muito mais valioso do que uma boa formação acadêmica.

Quando Katherine encoraja suas alunas a pensarem por si mesmas, ela entra em choque com professores e alunos mais conservadores, incluindo uma de suas alunas, a aristocrática Betty Warren. Recém-casada, Betty se torna uma adversária ferrenha quando Katherine convence a melhor amiga da jovem, Joan Brandwyn, a matricular-se na Faculdade de Direito da Universidade de Yale - embora Joan esteja prestes a receber uma proposta de casamento de seu namorado. Para a inteligente e provocadora Giselle Levy, Katherine se torna uma mentora e um exemplo de comportamento muito necessário. A doce e tímida Connie Baker (Goodwin) também se sente encorajada pelo exemplo dado por Katherine e adquire confiança para superar suas inseguranças.

O título "O Sorriso de Mona Lisa" originou-se no fato de Katherine ser professora de História da Arte e, obviamente, da obra-prima de Leonardo Da Vinci, uma das obras de arte mais fascinantes e enigmáticas da história. Como uma das personagens do filme comenta acerca do sorriso enigmático da Gioconda, "será que ela é mesmo feliz?"

"Tematicamente, esse é o cerne do filme: o que vemos externamente - na sociedade, nas vidas dessas mulheres - e o que realmente está acontecendo sob a superfície", explica o diretor. "Cada uma das personagens femininas tem uma fachada de aparências, mas, no momento em que julgamos já tê-las classificado, elas nos surpreendem, até a própria Katherine."

Além disso, continua o diretor, "achamos que a Mona Lisa funciona como um ícone para as mulheres. A maioria das pessoas ri ao admirá-la. Elas sabem o quanto o quadro é caro e valioso, muito mais algo para se ter do que se compreender. E é exatamente isso que Katherine tenta impedir que suas alunas se tornem - um objeto valioso de braços dados com algum alto executivo, um bem caríssimo."

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PRÉ-OLÍMPICO

Acerta o pé, Brasil

VALPARAÍSO, CHILE - Robinho, Daniel Carvalho, Dudu Cearense, Diego e, principalmente, Marcel, em três ocasiões, e Maicon, na mais cristalina do jogo. Praticamente, quase todo o time do Brasil teve boas chances de gol contra a Argentina. Mas a bola não entrou. Falta de sorte? De pontaria? Nervosismo? Ou deficiência técnica? Após a partida, comissão técnica e jogadores da Seleção não souberam explicar os motivos de tantos gols perdidos. Mas, pelo menos, todos concordam com uma coisa: se quiser continuar a sonhar com uma das duas vagas para a Olimpíada de Atenas, a Seleção precisa acertar o pé hoje.

Senti que poderia ter decidido, mas não fui feliz. Procurei finalizar da melhor maneira possível e a bola, lamentavelmente, não entrou, disse o atacante Marcel, do Coritiba, que prometeu caprichar ainda mais contra os chilenos se for mantido no time ou se entrar durante o jogo.

Estou tranqüilo e pronto para as cobranças. Acontece que quem perdeu não foi apenas o Marcel. Foi o grupo.

O técnico Ricardo Gomes inocentou o camisa 19. Em momento algum pensei em tirá-lo do time. O Marcel falhou em dois lances, porém lutou o tempo todo e ajudou os companheiros. A ineficiência do ataque também deixou bastante irritados os demais jogadores do Brasil. Fomos infelizes. As oportunidades foram criadas e não soubemos aproveitá-las. Se quisermos garantir vaga na Olimpíada de Atenas, precisaremos corrigir isso imediatamente, alertou Daniel Carvalho.

O treinador brasileiro detectou o mesmo problema. Não estamos conseguindo converter nossa superioridade em gols. Na opinião de Diego, a sorte não está ajudando.

Não é o esquema tático que está atrapalhando. A questão é que a bola não entra. Temos criado, chegado na cara do gol, e errado. Se acertamos o pé contra Chile e Paraguai, venceremos os dois jogos. E se não der na técnica, temos que usar a garra para superarmos todos os obstáculos, afirmou o meia.

Neste Pré-Olímpico, o Brasil balançou as redes 12 vezes em seis jogos: Venezuela (4 x 0), Paraguai (3 x 0), Uruguai (1 x 1), Chile (1 x 1) e Colômbia (3 x 0). Não marcou justamente contra a Argentina, na partida considerada a mais difícil do torneio.

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Masculino / Feminino

Sem perder a ternura: a top Mariana Weickert exibe o visual inspirado em Santos Dumont, no desfile da grife Mariazinha, de Mara Mac. À direita, a mulherzinha-romântica: Yasmin Brunet abusa da sensualidade no desfile da Tessuti, com muita lingerie, baby-doll, rendas e espartilhos

Mulher vestida de homem ou mulher-mulherzinha? O segundo dia de desfiles do Fashion Rio provocou a questão que, volta e meia, vem à tona no mundo fashion. No centro da discussão, duas coleções cariocas: Mariazinha, de Mara Mac, e Tessuti, assinada por Clara Vasconcelos. Mara viajou com Santos Dumont, apostou na androginia e colocou na passarela mulheres de ternos de risca-de-giz, camisas listradas, gravatas e chapéu panamá.

Algumas horas depois, a estilista Clara Vasconcelos mostrou roupas superfemininas, inspiradas no mundo mágico da lingerie, com direito a baby doll, rendas e espartilhos. Clara fez uma cachorragem chique, definiu Scarlet Moon.

Tentei criar uma coleção masculina e feminina e resolvi homenagear Santos Dumont, que foi um homem muito chique, disse Mara, após o desfile. Esta é uma tendência internacional que prima pela elegância, resumiu. Para Aílton Pimentel, colaborador da revista Vogue, tudo depende de quem veste. Tem que ser muito magra para usar. Não combina com as popozudas, opinou.

Já a consultora de estilo Anna Maria Andreazza acredita que dá para ser sensual, sim, com roupa de homem. Toda mulher gosta de roubar a camisa do namorado. A mulher que tem estilo segura muito bem a androginia, concluiu. Mulheres podem usar peças femininas e vice-versa, opinou a consultora de moda Costanza Pascolato.

As mais românticas, porém, vão se encontrar na coleção de inverno da Tessuti. Visitei o pólo de lingerie de Nova Friburgo e resolvi desenhar roupas inspiradas neste universo, contou Clara. Toda mulher adora lingerie, é irresistível e o supra-sumo do feminino, emendou a estilista. Tito Bessa, dono da TNG, último desfile da noite, concorda com Clara.

Optei pelo feminino. Nosso inverno não é forte, o que possibilita trabalhar a silhueta e a sensualidade, afirmou. Misturar flores com risca-de-giz e espartilho com calça de alfaiataria pode ser uma solução pacífica para esse embate. O moderno é usar paletó com lingerie. Os estilos masculino e feminino têm que vir misturados, definiu a consultora de estilo Regina Martelli. Agora, é escolher a linha e eleger o paletó ou a lingerie. Ou os dois.

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David Coimbra
23/01/2004


O fim da virgindade

Minha avó sempre dizia para minha irmã: - Silvinha, uma mulher é como um cristal: depois que se quebra, não tem mais conserto.

Referia-se à virgindade da minha irmã, se você não entendeu.

A virgindade feminina hoje é um conceito obsoleto, todos sabemos. Suponho até que, no futuro, as mulheres vão nascer sem hímen, assim como agora as crianças nascem desprovidas de dente de siso. Mas no tempo da virgindade ao menos havia uma regra. As mulheres precisavam ser virgens, ao casar. Pronto. Se não fossem, os maridos as devolviam aos pais, como quem devolve uma mortadela com data vencida no supermercado.

Hoje, bem, hoje as mulheres estão aí nas ruas, nos bares, bebendo e fumando e falando, falando, falando. Falando sabe de quê? De sexo. Cara, elas só pensam em sexo! Você já ouviu as conversas numa roda de mulheres? Elas contam tudo umas para as outras. Pormenores, detalhes sórdidos, centimetragens. Tudo. Você casa com uma mulher e ela, em vez de vir com um hímen, vem com uma carga de experiência de 200 gigabytes. Mais os ex. Todas têm diversos ex, alguns deles amigos seus.

Então, você olha para sua mulher e lá está ela, rindo debochada numa mesa com as amigas, comentando sabe-se lá sobre o quê. Você olha para seus amigos e lembra que pelo menos dois deles já namoraram sua mulher, e eles o estão fitando de canto de olho, com um certo arzinho esperto no rosto. Como proceder diante disso?

Não há mais regras, esse o busílis. Não há mais esquerda ou direita, não há mais samba versus rock, um operário é o presidente e alguns o acusam de ser um capitalista insensível.

Esta semana mesmo, a RBS lançou seu guia de ética. Um livrinho de 40 páginas, está na minha mesa. Alguém pede dinheiro para dar uma entrevista? Lá está escrito, página 22: "Os veículos da RBS não fazem nenhum tipo de pagamento, direto ou indireto, a entrevistados". Não é uma maravilha? Não seria um mundo perfeito, se existisse um guia de comportamento do dia-a-dia?

Mas não existe. O que existe são opiniões. Todos têm opinião sobre tudo. As pessoas formam blogs para publicar suas opiniões, participam de consultas interativas, ligam para as rádios, escrevem para os jornais. Os motoristas de táxi, os porteiros, os juízes de Direito, todos estão sempre emitindo opinião. Isso está me confundindo. Estou perdendo as minhas opiniões. Estou cada vez mais em dúvida. Não sei mais se prefiro Chico ou Caetano. Não sei quem deve ser eliminado do Big Brother. Cristo, para onde foram as certezas todas? Se a dona Dina estivesse viva, juro que eu perguntaria:

- Vó, a senhora acha realmente que uma mulher ainda é como um cristal?

david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
23/01/2004


Tarso e Paim
Nós somos gaúchos, os que não temos partidos somos isentos, mas desconfio de que por ser gaúcho não gostei nada de o Tarso Genro ter perdido o superministério do Desenvolvimento Social para o mineiro Patrus Ananias.

Um ministério desse porte tem a importância da altura de um governo do Estado.

Do ponto de vista do PT, foi ainda mais amarga a preterição de Tarso Genro para a superpasta por dois motivos: Patrus Ananias foi tímido, retraído, omisso na luta desgastante da bancada petista durante a reforma da Previdência, quando havia um nervo exposto ideológico entre os petistas, que constrangidamente se mantinham ao lado do governo, enquanto os dissidentes tinham seus pescoços cortados por serem fiéis a idéias antigas do partido, em favor do funcionalismo público.

Enquanto Patrus Ananias foi tíbio na defesa da firmeza partidária em favor do governo, Tarso Genro se mostrou férreo na fidelidade à decisão emanada do Palácio do Planalto em aprovar sem vacilação as fortes decisões contra o funcionalismo público.

Tarso ainda se mostrou mais convicto em perfilar-se ao governo ao tomar a decisão delicada e corajosa de jogar-se contra a posição da própria filha, que seria imolada por não concordar com a reforma, valorizando-se ainda mais dessa forma.

Por esse conflito familiar, exigir-se-ia de Tarso a discrição e inação partidária que marcou a atitude de Patrus Ananias.

Aconteceu o contrário e Tarso acabou castigado pela afoiteza da fidelidade e Patrus premiado pela modéstia na lealdade.

Eu estou me referindo à ótica petista, nada tem a ver este meu comentário com meu ponto de vista contrário à reforma, que no meu entender foi feita para diminuir as diferenças e acabou acentuando-as.

Mas Tarso foi muito mais petista e governista no episódio do que Patrus Ananias.

E acabou a escolha de Ananias para o superministério e a preterição de Tarso, injustiçando assim o gaúcho.

Desconfio de que é porque sou gaúcho que me senti derrotado. Afinal esse superministério liderará a partir deste ano as grandes decisões sociais e políticas do governo, as maiores verbas para o setor social serão canalizadas para ele.

E se for atuante e eficiente o seu titular, poderá caracterizar-se como o sucessor de Lula na corrida presidencial de depois da tentativa da reeleição.

Há muitos gaúchos e deverá continuar a havê-los no ministério. Mas são todas pastas de menor importância.

O Rio Grande do Sul mereceria realce maior.

Por falar em reforma previdenciária, o senador Paulo Paim (PT-RS) está em maus lençóis.

Tinha a promessa de que seria votada imediatamente a PEC paralela que confere direitos profundos aos funcionários públicos, principalmente aos aposentados, indispensável ao cumprimento do acordo entre o senador gaúcho e o governo, que assegurou a ele que a PEC era apêndice inarredável na reforma previdenciária.

Pois o governo decidiu que a PEC paralela não será votada nesta atual convocação extraordinária e Paim se fragiliza, pois prometeu que não continuaria no PT se o acordo fosse quebrado.

O acordo foi quebrado. E só uma prestidigitação de acrobata fará Paim pela segunda vez trair os seus princípios.

Lembro-me perfeitamente de que na ocasião do voto de Paim favorável ao governo, ele condicionou-o diretamente à aprovação posterior e imediata da PEC paralela e bradava insistentemente que "acordo é para ser cumprido".
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Gente
A vida multiplicada por quatro



Pela primeira vez, quadrigêmeos nascidos há uma semana ganharam ao mesmo tempo o colo do pai e da mãe, os agricultores Orlando e Cirlane Branderburg, durante um chá de fraldas no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (foto Emílio Pedroso/ZH)
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Quinta-feira, Janeiro 22, 2004




Do livro A Conspiração Aquariana

de Marylin Ferguson

"Uma descoberta tardia, que produz considerável angústia, é que ninguém pode persuadir outra pessoa a mudar. Cada um de nós vigia uma porta de mudança que só pode ser aberta pelo lado de dentro. Não podemos abrir a porta para ninguém, seja com argumentos ou apelos emocionais. Para o indivíduo cuja porta de mudança se encontra bem guardada , o processo de transformação, mesmo em outras pessoas, é ameaçador.

As novas convicções e percepções alheias desafiam a realidade "correta' da pessoa que não está mudando; alguma coisa dentro dela pode ter que morrer. Esta é uma perspectiva assustadora, pois nossa identidade é constituída mais por nossas convicções do que por nossos corpos. O ego, esse conjunto de escrúpulos e convicções, teme sua própria extinção. Na verdade, cada transformação é uma espécie de suicídio, a morte de aspectos do ego a fim de salvar um eu mais fundamental.

Em algum ponto, no início de nossas vidas, decidimos quão conscientes desejamos ser. Estabelecemos um limiar de percepção. Escolhemos o rigor de uma verdade que desejamos admitir na consciência; a disposição com que examinaremos contradições em nossas vidas e crenças; a profundidade que desejamos penetrar. Nossos cérebros podem censurar o que vemos e ouvimos, podemos filtrar a realidade para se adequar a nosso nível de coragem. A cada encruzilhada, podemos optar novamente por uma percepção maior ou menor.

Aqueles que não conseguem comunicar suas próprias descobertas libertadoras podem sentir-se por vezes, polarizados com relação às pessoas que lhes estão mais próximas. Por fim, com relutância, aceitam a natureza inviolável da opção individual. Se, por quaisquer razões, alguém escolher a negação como estratégia de vida - e que acarreta pesado ônus - não podemos inverter essa decisão; nem podemos minorar para outrem a inquietude crônica que emana de uma vida de realidade censurada."

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Leticia Wierzchowski
22/01/2004


Faça chuva ou faça sol

Eu sou adepta do veraneio. Mesmo com essa louca vida moderna em que o tempo nunca dá para tudo, e as crianças navegam na Internet antes de amarrarem sozinhas os cadarços dos seus sapatos, acho que, enquanto as famílias pegarem as malas e rumarem para a praia por algumas semanas, o mundo continua nos eixos e relativamente confiável.

O veraneio tem várias funções, a maior delas é a gente deixar a traquitana moderna de lado e viver por algum tempo à mercê das velhas geladeiras Frigidaire, do moço que vende pão caseiro de porta em porta e dos milhos de beira de praia, todo mundo junto e feliz. É um retorno ao mata-moscas, à caixa de isopor e às sestas. O maior transtorno é lidar com aqueles dias de tempo encoberto, quando o sol, numa indefinição que parece implicância pessoal, não se decide por aparecer ou sumir de vez. Porque é preciso, mais do que tudo, um estado de espírito para a praia. É essencial que o veranista, ao abrir a janela do quarto pela manhã, seja tomado de irrefreável desejo de meter os pés na areia, mesmo que isso signifique ler o jornal brigando com o vento.

Então que esses dias de tempo dúbio (que às vezes se repetem por uma semana inteira) são, depois da fila do supermercado, o auge do estresse de veraneio. Todo mundo devidamente besuntado de filtro chega na praia, arma todos aqueles cacarecos - cadeiras, guarda-sóis e brinquedos de areia - e aí o tempo muda e começa a chover uma chuvinha fina e gelada. E quem consegue explicar às crianças que a praia acabou cinco minutos depois de começar? Dia desses, o meu filho foi embora esperneando porque nem tinha bem feito um buraco na areia quando a chuva resolveu dar as caras. Lá se foi ele, coberto por uma grossa camada de filtro solar com areia, direto pro banco traseiro do carro, o qual eu não sei se resistirá até o final da temporada.

Nem tudo é perfeito num veraneio que se preze. Minha mãe disse que, quando ela era criança, a casa de praia voou pelos ares por ocasião de um temporal. O mais valioso dos meus pertences a sair voando por aí foi um guarda-sol azul que acabou no mar. Então tá. O verão tem seus dias de sol, seus dias de vento, seus dias de chuva. E tem aqueles dias em que tudo isso acontece de hora em hora, numa maratona meteorológica que enche o tanque de roupa suja, como sucedeu ontem nesta praia onde eu vim descansar e escrever essas pequenas bobagens. Mas pelo menos a gente não pode reclamar de monotonia. E lavar pás e baldes de areia cinco vezes por dia é definitivamente uma coisa que redime um ser humano.

leticia.wierz@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
22/01/2004


No cartório
(Do baú)

- É aqui que registra filho?

- É, sim senhora.

- Então registra o nosso aí. Nome de Doropôndio.

- Como é?!

- Doropôndio. Dê ó "do", erre ó "ro", pê ó chapeuzinho ene "pôn", dê i ó "dio".

- Do... ro... pôn... dio... Muito bem. Data de nascimento?

- Dezembro.

- Que dia?

- Não sei ainda.

- A senhora não sabe que dia o seu filho nasceu?

- Nasceu ainda não. Ainda vamo encomendá, não é, Francelino?

Francelino, entusiasmado:

- E é hoje!

- Só estamos registrando o nome que é pra ninguém pegá. Doropôndio é nosso.

Mesmo cartório, mesmo Brasil:

- Viemos registrar o nascimento desta criança.

- Sim senhor. Que nome vão dar?

- Severino Júnior. Ele é a cara do pai.

- É mesmo, seu Severino. Parabéns.

- Eu não sou o pai.

- O senhor é o padrinho?

- Menos que isso.

- É tio?

- Menos que isso.

- É parente?

- Menos que isso. Sou só o marido da mãe.

- Mas então...

- Conhece o Severino?

- Não, acho que...

- Homem bonito, tipo sedutor, sapato duas cores, casaco apertado... Ninguém resiste. Esta aqui não resistiu. Olha só o bichinho. É a cara do Severino. Se tivesse bigode, era o retrato... Olha aí, o safado pegou o meu dedo. Não pode ver nada meu que agarra, não é, Severino?

Outro cartório. Mesmo Brasil.

- É pra registrá nome de criança...

- Sim senhora, é aqui mesmo.

- Nosso primeiro...

- Como é o nome?

- Novesfora.

- "Novesfora"?

- Foram 10 tentativas e a 10ª é que pegou.

- Desculpe, minha senhora, mas, pela lei, não é mais permitido botar nomes diferentes nos filhos.

- Não é não? Mas essa lei é nova...

- Nem tanto. É de quando botaram o nome de uma criança de Apolo Treze, no Ceará.

- Apolo Treze, um nome tão bonito... Se essa lei já existisse, eu não me chamaria Medicina, em homenagem ao presidente.

- Ao presidente?

- Médici. Nem as minhas irmãs se chamariam Juscelina, Jânia, Janga, Humberta, Costa e Sílvia.

- "Costa" e "Sílvia"?

- As gêmeas.

- Bom, mas "Novesfora" não pode não. Tem que ser outro.

- O que cê acha, Vadico?

- Por que não faz como a sua mãe? Põe o nome de quem manda no Brasil.

- Sei não. Se a moça não deixa botar "Novesfora", vai deixar "Efemi"

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Paulo Sant'ana
22/01/2004

Bolinho de batata (II)

Causou irrupções salivares violentas nos participantes do Sala de Redação, ontem, a lembrança por esta coluna do bolinho de batata recheado de guisado.

Todos se encheram de água na boca quando comentaram a possibilidade de saborear esse quitute célebre, no entanto pouco corrente nos nossos hábitos.

Correu uma lenda ontem nos bares da cidade de que há um bar da Rua Mariland em que todas as terças-feiras é servido um bolinho de batata recheado de enlouquecer os seus clientes.

Só às terças-feiras, mas centenas de bolinhos de batata são consumidos por ávidos bebedores de chope.

Lembro-me de que certa vez me convidaram para comer esse famoso bolinho de batata no bar da Rua Mariland.

Para meu azar, fui no bar num dia que não era terça-feira. Mas dizem que multidões se deslocam de todas as partes da cidade, atraídas pelo bolinho de batata do bar da Rua Mariland às terças-feiras.

Eu acho no entanto muito a propósito que esse bar marque um dia para o bolinho de batata recheado.

Ou seja, é um evento. Uma solenidade. Só o bolinho de batata pode superar o pastel na preferência das gentes por quitutes.

O leitor Roberto Mano me manda dizer que no Restaurante Alfredo, esquina da Ramiro Barcelos com Cristóvão Colombo, aberto durante as 24 horas, há um delicioso bolinho de batata, entreverado com as almôndegas, especialidade da casa.

E, de Caxias do Sul, a leitora Flora Júlia Magnabosco lembra que às quartas-feiras há bolinho de batata maravilhoso no almoço do restaurante do Theatro São Pedro, aqui na Capital.

Interessante esse hábito de escolher um dia da semana para celebrar o bolinho de batata.

E Paulo Rogério diz que não precisa ir longe, aqui juntinho, na Rua Botafogo, um bolinho de batata dos deuses é servido no Restaurante Calçadão.

E dizer que passo todos os dias por esse solar do manjar dos deuses, muitas vezes aflito e desnorteado para escolher onde possa lanchar lautamente - e não sabia!

Só uma coisa. O bolinho de batata de que falo e sonho, ficando tomado até mesmo de transe erótico só em pensar nele, nunca pode ser servido frio.

O ideal é que ele saia da borbulhante frigideira e seja imediatamente envolvido pelas glândulas salivares.

Ele é tostado, quase queimadinho, sua superfície é um pouco amassada, deixa antever o sabor divino do guisado miúdo sob aquela capa tenra de batata.

Não pode ser grande, deve pesar cerca de 50 gramas, por isso é que nunca na história da culinária qualquer pessoa comeu só um bolinho de batata.

No mínimo dois. E quando desce redondo o consumo pode chegar até oito ou 10 por pessoa.

Não pode acontecer, como sei que é o caso de uma das sugestões de leitores citadas acima, estar o bolinho de batata exposto sob o vidro do balcão para ser requentado.

No máximo se admite que ele esteja numa estufa sobre o balcão, mas é absolutamente imprescindível que tenha sido feito um pouco antes de ser exposto.

A danação se dá no entanto quando ele sai quentinho do azeite em mala direta para a degustação.

Aí é de comer ajoelhado.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Competição
O Brasil se complica no Pré-Olímpico



Derrota para os argentinos por 1 a 0 deixou a seleção brasileira na obrigação de vencer o Chile no jogo de amanhã (foto Max Montecinos, Reuters/ZH)

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Só o Brasil tem um Ministro assim, eclético que discursa, e canta ao mesmo tempo, mesmo em eventos dessa monta. E a RBS não atualizou sua página, isso é, continua com a de ontem, razão porque as crônicas não estão aqui publicadas.

Gilberto Gil cantou para o público do FSM

Foi ao som de Gilberto Gil que mais de 100 mil pessoas encerraram a participação na quarta edição do Fórum Social Mundial, em Mumbai, na Índia. O ministro da Cultura do Brasil não estava representando o governo, mas o cantor e ativista subiu ao palco no espaço Agad Maidan e cantou em português, francês, inglês e espanhol. 'Aqui eu vejo, escuto, sinto uma celebração planetária da espécie humana. Uma concentração poderosa de diversidade étnica, social e política que abraça a humanidade e representa sua principal conquista', disse Gil em inglês.

O show começou em português com a música 'Filhos de Gandhi' e prosseguiu em inglês com 'No woman no cry', 'Three little birds' e 'Imagine'. O ministro também cantou em francês e encerrou com 'Soy Loco por ti América', em espanhol.

A marcha de milhares de participantes pelas ruas de Mumbai, agitando bandeiras e pedindo por um mundo melhor, antes do show, foi o ápice das manifestações. 'Este fórum social é uma grande ágora contemporânea, um território livre. Um ponto de encontro para propostas, experiências e valores', destacou Gil. 'É um grande carnaval social mundial, pois estas pessoas nunca tiveram voz para se expressar, disse a ambientalista brasileira Raquel Trajberg, da Aliança por um Mundo Social e Responsável.

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Angélica para maiores de 12 anos
No novo filme de Angélica, Um Show de Verão, criança não entra; tem até cenas de nudez. A estréia é dia 30

Angélica: "Queríamos fazer um filme despretensioso e divertido"

São Paulo - A reviravolta começou no ano passado. Angélica completou 30 anos e avisou: "Cresci. Vou procurar um público mais adulto agora". Meteu-se na apresentação de um game adolescente e abandonou o jeito inocente e a voz de menina. Mesmo assim, há quem ainda olhe para ela como a loirinha de coxas roliças que cantava Vou de Táxi nos anos 80. "Parece que vai demorar um pouco para todo mundo perceber a mudança. Afinal, foram 15 anos com jeitinho de menina", diz. Quem ainda não se convenceu da transformação vai se surpreender com Um Show de Verão, filme que chega aos cinemas dia 30, pela Warner Bros, com direção de Moacyr Góes.

Os menores de 12 anos estão proibidos de assistir. O mais novo filme de Angélica, quem diria, traz quatro cenas de nudez. Mas a apresentadora não participa delas, é claro. "Eu teria vergonha. Adoro fazer cinema, mas não quero aparecer nua. Não sou atriz profissional e nem pretendo seguir a carreira." Apesar das ousadias, o roteiro do filme é bem inocente. Algo parecido com Cinderela, o clássico infantil que já ganhou centenas de versões pelo mundo. "O tema já foi bem explorado, mas essa história sempre encanta."

Angélica vive Andréa, uma mocinha pobre que se apaixona pelo rapaz rico (Thiago Fragoso). Mas o tal príncipe nada tem de encantado: é arrogante e mulherengo. Fred até gosta da garota, mas sente-se envergonhado por ela ser uma telefonista, ou melhor, "operadora de telemarketing", como ele gosta de dizer. Seu plano é transformá-la em uma cantora famosa. Antes de apresentar a namorada ao mercado musical, Fred decide repaginá-la, com direito a malhação pesada, tardes no cabeleireiro e comprinhas no shopping. Um roteiro de dar inveja a Richard Gere, aquele que transformou Julia Roberts em Uma Linda Mulher. A cena em que uma vendedora de loja (Iris Bustamante) despreza Andréa denuncia a clara inspiração no longa norte-americano. "Eu adoro Uma Linda Mulher, mas não quis copiar nenhuma história. Queríamos fazer um filme despretensioso e divertido", diz Angélica.

O humor fica por conta de Márcia Cabrita, impagável como Lupe, amiga de Andréa. Ingrid Guimarães, na pele da perua Jaqueline também é certeza de diversão. Mas ninguém arranca mais risadas que Marcos Mion, o cabeleireiro gay Welmer. Ele fala pouco, mas seus trejeitos garantem a graça. O elenco contou com uma seleção, digamos, eclética: tem Tonico Pereira e Tony Tornado, passando por Zé do Caixão e Otávio Mesquita. Também participam os globais Carol Castro, Renata Pitanga e Sérgio Hondjakoff. A categoria dos não-atores está bem representada: doze bandas entraram no roteiro do filme, em forma de clipe, entre elas Jota Quest e Cidade Negra. Luciano Huck também não é ator.

Mas está bem como Marcelo, o amigo de Fred encarregado de transformar Andrea em uma espécie de "Britney Spears nacional". O plano dá certo, mas o conto da Cinderela vai ganhar um final diferente: a moça abandona o príncipe rico para se casar com o plebeu bonzinho. Angélica e Huck ficam juntinhos - ao menos na telona.

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Thiago Lacerda acompanha namorada a desfiles no Rio

Julia Dias Carneiro

RIO - O ator Thiago Lacerda chegou há meia-hora ao espaço ELA/Nova Schin, onde está agora com a namorada, Vanessa Lóes. Estilo despojado, Thiago não citou marcas ao dizer o que está vestindo.

- Calça jeans, camiseta e cueca preta. Ah, e esse tênis laranja, que é meio ousado - brincou, apontando para o calçado da Adidas, antes de ser interrompido pela primeira de várias vezes por repórteres (sempre mulheres, curiosamente) que disputavam uma entrevista com o ator galã.

Thiago vai assistir ao desfile da Maria Bonita Extra depois de prestigiar o espaço.

- Isso se não for muito tarde. Se for, vou assistir ao jogo do Brasil contra a Argentina - garante o ator, para logo depois ser interrompido pela mulher:

- Nós vamos ao desfile sim, o jogo é mais tarde - disse ela, que veio ao evento só para assistir ao desfile.

Thiago diz que gosta de moda - "não sou muito ligado na hora de me vestir, mas de acompanhar, acho bonito e culturalmente importante", mas não deve estar presente no evento nos outros dias.

- Amanhã vou para São Paulo, porque estou em cartaz lá - afirma, referindo-se à peça "O Evangelho segundo Jesus Cristo", em que interpreta Jesus Cristo - e à qual se deve o visual barbado e com longas madeixas.

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Milhões gastos por quase nada

João Paulo diz ser impossível votar emenda que motivou a convocação

João Paulo diz que somente dia 11 texto da PEC será liberado na CCJ



BRASÍLIA - Uma das principais justificativas do Governo federal para a convocação extraordinária do Congresso, a votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) paralela da Reforma da Previdência não acontecerá no período especial, que acaba dia 13. Quem avisa é o próprio presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Ele já havia criticado a convocação, que custará R$ 50 milhões ao Governo, classificando-a de escandalosa.

Cunha vai mais longe e repassa o problema para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que determinou a convocação. Se alguém vendeu a ilusão para a sociedade de que em 20 dias seria possível votar uma emenda constitucional com mudanças na Previdência, tem agora que explicar isso, disse.

Segundo o presidente da Câmara, somente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a PEC ficará até 11 de fevereiro para receber parecer e pedidos de vista. O texto ainda deve passar pela Comissão Especial de Mérito para depois ir a plenário. O presidente da Câmara reafirmou que não vai acrescentar nenhum tema à pauta da convocação porque a Câmara não é responsável pelo trabalho extra.

Em contrapartida, o pedido de urgência para a tramitação da lei que regulamenta a Parceria Público-Privada (PPP) foi aprovado ontem por 302 votos. A urgência foi negociada pelos líderes governistas para garantir que, mesmo com a instalação da Comissão Especial, o projeto seja votado até o dia 13, quando será encerrada a convocação extraordinária.

Presidente da Câmara se irrita com senador petista

João Paulo Cunha também se irritou com as declarações do senador Paulo Paim (PT-RS), sugerindo que o presidente da Câmara mudasse a pauta e incluísse o projeto que reduz o tempo de recesso parlamentar, arquivado ontem pelo PT. Pede para ele (Paim) aditar (acrescentar). Não foi ele quem pediu para o Executivo convocar o Congresso? Então peça o aditamento.

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, defendeu ontem a reforma do Judiciário, outra prioridade do Governo na convocação, e o controle externo da Justiça e do Ministério Público. Segundo ele, a medida é fundamental para o Brasil. É preciso ajudar o poder judiciário, que reconhece as suas deficiências e não corresponde àquele sonho que todos nós temos.

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Pílula masculina está a caminho
Laboratórios vão testar combinação de medicamentos em 350 homens

FRANKFURT, ALEMANHA - Laboratórios farmacêuticos deram mais um passo em direção a um anticoncepcional masculino. A Schering AG, da Alemanha, anunciou o início, em parceria com o laboratório holandês Organon, de testes com um contraceptivo masculino, combinação de droga injetável e implante de hormônio.

Os testes serão realizados com 350 homens em 14 centros de pesquisa da Europa e devem estar concluídos em dezembro de 2005. Os resultados serão divulgados no ano seguinte. O novo produto pode estar no mercado em cinco a sete anos.

A maioria dos esforços para desenvolvimento da pílula do homem tem como alvo o testosterona, hormônio que estimula a produção de espermatozóides. Mas a supressão da testosterona pode levar a perda de libido, alterações de humor e diminuição da força muscular.

Por isso, qualquer anticoncepcional que venha a inibir a produção de testosterona tem que ser acompanhado de um método de manutenção de níveis apropriados do hormônio na corrente sangüínea.

Redução de espermatozóides sem baixar testosterona

A Schering disse que, em seus testes preliminares, o hormônio etonogestrel reduziu a concentração de espermatozóides e o undecanoate manteve os níveis de testosterona normais. Nos testes, o etonogestrel, fabricado pela Organon, será dado em forma de implante, e o undecanoate, da Schering, injetado.

Schering e Organon firmaram parceria para desenvolver um anticoncepcional masculino no fim de 2002 e acreditam que estão à frente dos concorrentes. Em outubro, cientistas australianos anunciaram que conseguiram suprimir a produção de espermatozóides em um estudo com 55 casais, usando uma combinação de dois hormônios.

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Vai ter sofrimento até o fim
Esquema ofensivo do Brasil não funciona, time é derrotado pela Argentina (1 a 0) e inicia o quadrangular final em último lugar



Argentinos comemoram o gol
A seleção brasileira está numa situação delicada no Pré-Olímpico do Chile, após ser derrotada por 1 a 0 pela Argentina, ontem, na primeira rodada do quadrangular final, em Valparaíso. Amanhã, a equipe do técnico Ricardo Gomes pega os chilenos e só pode pensar na vitória.

O Brasil dominou as ações durante a primeira metade do primeiro tempo, mas não soube transformar o maior tempo de posse de bola nessa fase em gol.

Logo aos 4 minutos, Marcel recebeu bom passe dentro da área, mas chutou por cima do travessão. Aos 9, Daniel Carvalho foi à linha de fundo, pela esquerda e cruzou. A bola atravessou a área e foi cabeceada por Robinho, livre, que concluiu mal.

A Argentina só tentou seu primeiro chute aos 14, com Mariano Gonzalez, sem perigo. Daniel Carvalho, que vinha tendo bastante liberdade, chutou sobre o travessão, aos 18.

Para diminuir o espaço de Daniel Carvalho, o técnico argentino Marcelo Bielsa colocou o ala Clemente Rodriguez no lugar de Mascherano, com 29 minutos do primeiro tempo. E Clemente quase abriu o placar aos 31. Ele driblou Gomes, mas concluiu mal. O Brasil respondeu com Daniel Cavalho, em dois ataques seguidos, aos 37. No primeiro, o goleiro Caballero defendeu sem muita dificuldade. No segundo, porém, só pode torcer para a bola raspar sua trave esquerda.

O segundo tempo começou com ritmo intenso. Com 1 minuto, Diego chutou de fora da área e o goleiro argentino se atrapalhou, soltando a bola. Aos 3, Marcel recebeu ótimo passe de Daniel Carvalho, se livrou de um zagueiro, mas chutou de forma atrapalhada.

Um minuto depois, Delgado soltou uma bomba de dentro da área e Gomes evitou o gol. Aos 20, a bola cruzou à frente da trave brasileira três vezes, mas os argentinos não completaram.

Dudu Cearense armou ótimo contra-ataque, aos 21, e serviu Marcel, que concluiu de primeira, com a bola passando muito próxima à trave esquerda.

Aos 32, nove minutos depois de Ricardo Gomes colocar Elano no lugar de Robinho, a Argentina abriu o placar. Em cobrança de falta pela direita, Ferreyra chutou em direção ao gol. Rodriguez se antecipou a Alex e desviou, fazendo 1 a 0.

Em seguida, Ricardo Gomes colocou Nilmar e Maxwell nos lugares de Fábio Rochemback e Wendell. Aos 46, Maicon recebeu na pequena área, mas conseguiu perder o gol.

Paraguai surpreende os donos da casa e vence, de virada, por 2 a 1
Equipe de pior campanha entre os quatro finalistas, o Paraguai surpreendeu os donos da casa e derrotou o Chile por 2 a 1, de virada, ontem, em Valparaíso. Com o resultado, os paraguaios vingaram a derrota sofrida na primeira fase, quando os anfitriões venceram por 3 a 2 em jogo marcado por uma arbitragem polêmica.

Apesar do apoio de sua torcida, o Chile não conseguiu mostrar o mesmo bom futebol de rodadas anteriores e só conseguiu dominar a partida nos 25 minutos iniciais do segundo tempo, quando marcou seu gol com Millar (aos 17).

Mesmo em desvantagem, o Paraguai soube administrar o nervosismo e conseguiu se recuperar, virando o placar com gols de Bareiro (35) e Villalba (37), e deixando perplexa a torcida chilena.

CHILE ¿ Bravo; Contreras, Aceval, Oyarzún e González; Bascuñán ( Leal), Millar, Figueroa e Fierro (Villanueva); Beausejour e Joel Soto. Técnico: Juvenal Olmos.

PARAGUAI Barreto; Martínez, De Vaca, Manzur e Gimenez; Villalba, Figueredo, Torres e Achucarro (Díaz); Pablo Gimenez (Avalos) e Julio González ( Bareiro). Técnico: Carlos Jara.
Árbitro: Gustavo Mendez, do Uruguai.


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Quarta-feira, Janeiro 21, 2004




Martha Medeiros
21/01/2004


O espelhinho do carro

Eu tinha uns 20 anos e estava saindo de uma aula da faculdade. Naquele dia, estava com o carro da minha mãe, um Corcel II. Aí o cara mais bonito da minha turma me pediu carona. Ele nunca havia me dado papo. Estava sempre na dele. Dei a carona e, durante o trajeto, ele falou: "Vou ter que te fazer um elogio". Veja só a concessão do moço - ele seria obrigado a me fazer um elogio. O que seria? Falaria do meu cabelo, das minhas mãos, dos meus olhos? "Tu é a primeira mulher que eu vejo usar o espelho retrovisor lateral direito". Uau! Não deixava de ser um elogio aos meus olhos.

Desde então, passei a cultuar o espelho retrovisor lateral direito, aquele que fica na porta do co-piloto. Ele passou a ser até mais importante do que o espelho retrovisor interno, aquele que qualquer mulher sabe para que serve: dar uma ajeitada na franja, ver se ainda está de batom ou se a polícia está nos seguindo. Mas o espelhinho lateral direito era diferente - eu era a única mulher do mundo que usava! Ele foi obrigado a me dizer, o cara mais bonito da PUC.

Eu ainda uso muito o espelho externo direito. Mas não só para estacionar, trocar de faixa ou conferir se alguém está me ultrapassando pelo lado errado. Eu o tenho usado para fazer inimigos. Acontece da seguinte maneira: estou dirigindo numa rua estreita, e de repente ouço um barulho curto, seco, impactante. Nas primeiras vezes em que aconteceu, eu achei que tinha perdido uma calota, que o pneu havia estourado, algo assim. Saía do carro, procurava o dano, e nada. Voltava pro carro intrigada. Dias depois, o barulho de novo. Até que me dei conta: eu bato no espelho retrovisor lateral dos outros carros. Dois espelhinhos em colisão. BUM!

Como a maioria dos espelhos são flexíveis, quase nunca há motivo pra briga. Mas e o susto? BUM! Geralmente bato em carros estacionados - e com gente dentro! Mando um abaninho a título de "me desculpe, esqueci os óculos em casa" e sigo em frente, já que a vítima se emburra mas não faz menção de chamar ninguém da EPCT. A falha é minha, eu sei. Tenho que calcular melhor a distância entre dois carros, mas, em minha defesa, digo que estes espelhos externos estão cada vez maiores, parecem dois aerofólios, e as ruas seguem do mesmo tamanho, e o que é pior: permitem que se estacione dos dois lados da calçada, mesmo sendo vias de mão dupla. Há um momento em que são quatro carros alinhados, dois estacionados e mais dois cruzando-se. BUM!

Fora isso, mereço todos os elogios no trânsito, sou obrigada a dizer.

martha.medeiros@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
21/01/2004


Bolinho de batata

Estão de parabéns a Polícia Civil e seu chefe, delegado João Antônio Leote: o governador Germano Rigotto, mostrando que o Piratini não anda em ritmo de férias, determinou a nomeação dos 600 policiais que foram aprovados nos concursos e cursos de inspetor e escrivão.

Muitos dos aprovados tinham deixado seus empregos anteriores para se dedicar ao ingresso na Polícia Civil e já atravessavam dificuldades financeiras.

Quem quer que compareça a qualquer delegacia de polícia nota a falta de pessoal, os existentes se desdobram para cumprir suas tarefas.

Há décadas o efetivo da Polícia Civil míngua, em nada correspondendo ao aumento da população e ao vertiginoso crescimento da demanda por atendimento.

Por isso merece o mais intenso elogio a decisão do governador em dotar a Civil desses 600 novos servidores, que vão atenuar a aflição de funcionamento das delegacias.

O prefeito de Rio Grande determinou a proibição do acesso de 200 catadores de lixo da cidade aos lixões lá existentes, em face de um acidente de trânsito em que um dos catadores foi morto por um caminhão de coleta.

Houve ontem passeata dos catadores de lixo, em busca do retorno às suas atividades.

O jovem prefeito da cidade foi sensível e prometeu que empregará na prefeitura todos os catadores de lixo por um ano.

Sensacional: o representante dos catadores de lixo declarou ontem na RBS TV que eles só aceitam os empregos públicos se o prefeito não vier com salário de R$ 240.

Isso quer dizer que os catadores de lixo ganham muito mais que R$ 240 em sua rude e insalubre atividade.

O lixo virou para os catadores e para os que o industrializam uma rica atividade econômica.

A novidade agora nos EUA é o hambúrguer sem pão. Vem a carne moída, a salada e nada mais.

Duvido que dê certo. Porque a célebre atração dos lanches reside justamente na carne envolta em alguma massa, caso do sanduíche, do cachorro-quente (já imaginaram o que seria um cachorro-quente sem pão), assim como a carne envolta em outros ingredientes, tipo abobrinha recheada de guisado e um quitute conhecidíssimo, que, penso, fosse instituído a valer em Porto Alegre, teria um sucesso consagrador: o bolinho de batata recheado de guisado. Tem que ser servido úmido e quente, como o pastel.

Não conheço lugar nenhum da cidade que faça este bolinho de batata, a mais deliciosa iguaria para se comer com chope. Quem o instituir ficará rico.

Há tempos que os setores nutricionistas tentam tornar os carboidratos vilões e inimigos do emagrecimento.

Na verdade, tudo que é bom engorda. É impossível tirar o pão, as bolachas, as massas da dieta humana.

A massa corre célere para bater o arroz em consumo no mundo todo. Japonês, por exemplo, é talvez o povo mais ligado ao consumo de arroz no mundo.

No entanto, quando fui duas vezes a Tóquio, nos restaurantes, vi a massa competindo pau a pau com o arroz na preferência dos japoneses.

Por mais que se esforcem os ativistas antiobesidade, não vão ter êxito em querer extirpar do cardápio mundial os pães.

Hambúrguer e cachorro-quente sem pão é como picanha sem faixa litorânea de gordura ou cerveja sem álcool.

Estão tentando pôr camisinhas na comida da gente.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Adeus a Mumbai, boas-vindas a Davos



Fórum Social Mundial se despede com marchas na Índia, enquanto a neve recepciona o Fórum Econômico Mundial, em Davos, nos alpes suíços (fotos Reuters/ZH e Anja Niedringhaus, AP/ZH)

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Até esta hora a Zero Hora continua com a página do dia 20... Não pode, mas e daí...? Que feio para uma empresa jornalística do porte da RBS.

Escola de Feng Shui
COLUNA DO FRANCO GUIZZETTI

O que você pode fazer por 2004


Você se preparou para a chega do ano-novo. Vestiu sua rouba branca. Estourou fogos de artifício para espantar o velho e para receber o novo. Fez todas as simpatias possíveis e impossíveis para conquistar também um novo amor e para ter mais dinheiro no bolso. Fez mil e uma promessas, planos e metas...

Passado a euforia da data, de repente você começa a cair na real e nota que as coisas não mudaram tanto assim de um ano para outro. Muito pelo contrário. Tudo parece igual a 2003, 2002, 2001. Você acordou para a realidade e, nesta altura do campeonato, já esqueceu todas as promessas e planos para 2004.

Aí vem você se faz uma série de perguntas: Por que nada mudou? Por que tudo continua igual ao ano passado? Será que nada se movimenta? Nada se transforma? Será que mudará em 2004? Será que 2004 será parado? Não acontecerá nada? Sim, haverá mudanças. Sim, em 2004 haverá movimento e transformações. Sim, haverá muitas novidades e oportunidades em 2004, como houve em 2003, em 2002 e nos anos anteriores.

É errado dizer que não ocorram mudanças ou movimentos nos anos que vivemos. Todos os anos, sempre se movem para frente, para o futuro. Dizer que nada ocorreu em um ano é mentira. Provavelmente nada mudou ou mudará em sua vida neste ano e nos próximos, se você não começar a se mudar. Olhe para você. O que você pode fazer por 2004, para que sua vida comece a mudar? Você com a mesma cara, com os mesmos pensamentos, trabalhos, frustrações, alegrias, amores e medos. Tudo igual ao passado. Note que as pessoas de nosso dia-a-dia são as mesmas e permanecem as mesmas.

Passado os primeiros dias começamos a perceber que nada grandioso aconteceu, e sentimos um vazio e, por que não dizer: frustração. Ainda o universo não nos enviou o pó mágico para jogarmos sobre nossas vidas na virada do ano e para que as grandes mudanças aconteçam. Mas, o universo nos envia um sinal que uma nova energia esta no ar e, se acreditarmos e formos ao encontro dela, muita coisa irá mudar e acontecer. Mas como conectar com esta energia? Buscando harmonizar e equilibrar nossas vidas. Este é o caminho para se conectar com a energia do ano-novo e para que as transformações ocorram no tempo certo. Esta harmonia tem acontecer dentro de nós.

Aplique um Feng Shui pessoal em seu interior, ou seja, bem dentro de você, lá no fundo. Analise como você está. Como você é. Repare mais em seus pensamentos. Tipos de padrões que te acompanha. O que tem dado certo e errado. Faça uma lista das suas realizações e vitórias. E das frustrações e derrotas. Verifique o que precisa mudar em você para alcançar sua harmonia interior.

Caso precise, busque ajuda e orientação com amigos e pessoas de confiança. No começo não será fácil, mas com persistência e determinação, tenha certeza, irá alcançar em breve muitas transformações. Insista. Não desista. Para terminar: Você não precisa esperar o ano-novo para começar a harmonizar a sua vida. A cada dia, um novo ano e milênio começa. É só acreditar. "Viva cada dia como se fosse o último dia de sua vida".

Franco Guizzetti

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Elio Gaspari

O AeroLula e a Mbeki Airline

Isto é viver como se aprova, disse Juca Chaves, referindo-se a Juscelino Kubitschek, o presidente Bossa Nova. JK atravessava o país num reles quadrimotor turboélice levando consigo o sorriso do progresso, a energia de um prefeitão e o prazer de desfrutar da maravilha de ser o presidente do Brasil.

Lula conseguiu ser o primeiro governante de Pindorama, desde Tomé de Souza, que não abriu um só metro de trilha asfaltada no seu primeiro ano de mandato. Progresso é coisa que falta na sua prateleira. Energia de prefeitão, nem pensar. O presidente adora aquilo que JK mais detestava: reuniões.

Depois de perseverar no estilo Duty-Free, rodando num Ômega australiano, fumando (escondido) cigarrilhas holandesas, tendo licitado roupões de algodão egípcio, Lula decidiu comprar um avião.

Aqui vão as opiniões de dois leitores.

Primeiro a de Henoélio Hermenegildo Sapopemba, do Rio de Janeiro:

Lamento que a Presidência da República vá comprar um Airbus 309 para transportar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em suas intermináveis viagens nacionais e internacionais. E se isso não bastasse a nova aeronave que vai substituir a atual custará US$ 56,7 milhões pagos com o dinheiro do povo brasileiro. Enquanto isso, os reis da Suécia, da Dinamarca e da Noruega e governantes de vários países pobres viajam em aviões de carreira.

Fala Paulo Roberto Leme, de São Paulo:

O novo avião do presidente vai custar cerca de R$ 160 milhões, a Petrobras torra R$ 50 milhões em publicidade na comemoração dos seus 50 anos, o Congresso Nacional vai gastar R$ 50 milhões com a convocação extraordinária e a prefeitura de São Paulo gastou R$ 136 milhões em publicidade em três anos. Somente nesses quatro exemplos e deve haver muito mais a administração do PT torra R$ 397 milhões. E o presidente fala em CPMF mundial contra a fome.

Falta ao governo de Lula a frugalidade que se esperava da nação petista. Família com desempregado à mesa não troca de carro. Um presidente que expandiu o desemprego e contraiu o PIB não deveria comprar avião.

Se o Papa e mais os reis da Suécia, da Dinamarca e da Noruega não precisam de um Airbus para suas movimentações, por que Lula precisa? Se tivesse paciência, poderia comprar um dos últimos modelos da Embraer. Caberiam ele, suas comitivas e, apertando um pouco, até os egos do comissário José Dirceu e do senador Aloizio Mercadante. Não teria autonomia para voar direto a Paris, mas não sendo um potentado saudita, Lula suportaria essa exclusão.

A diferença entre um avião da Embraer e um roupão de pano egípcio, um Ômega australiano, cigarrilhas holandesas e um Airbus europeu, é que a Embraer (financiada pelo BNDES) gera empregos no Brasil.

Alguém foi capaz de provar a Lula que, sem um Airbus presidencial, o Brasil se torna ingovernável ou, pelo menos, ele não poderá governá-lo como prometeu. Havendo o dinheiro (e a vontade de gastá-lo) as necessidades aparecem. Veja-se o caso do rei Khaled, da Arábia Saudita. Primeiro ele precisou de um avião. Comprou um Boeing 747. Precisava orar, voltado para Meca. Instalou no nariz do jato um espaço que rodava como um giroscópio. Era cardíaco. O avião tinha uma UTI.

Conta a lenda que Khaled temia que lhe faltasse um doador caso precisasse de um transplante. Por isso, levava um nas viagens, vivo. (Alô, alô, ministro Humberto Costa, uma idéia para transplantes de medula?) Khaled morreu em 1982, em casa. O doador, caso tenha existido, tornou-se um feliz desempregado.

Numa patifaria da sociedade de consumo globalizado, o mundo tem hoje dois presidentes comprando Airbus. Um é Lula, o retirante dos anos 50, operário dos 60 e sindicalista dos 70. O outro é o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, filho de ativistas negros, militante comunista, líder estudantil exilado por mais de dez anos entre Londres e Moscou (onde fez treinamento militar), protegido de Nelson Mandela.

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Como a Zero Hora ainda não atualizou sua página on line, continua com o dia 20/01, ao invés das crônicas diárias, estou deixando a capa do Globo para vocês darem uma olhada. Tenha um ótimo dia é o desejo de Entrelaços.

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É de Madureira
Portela e Império Serrano conquistam público jovem e voltam aos holofotes do samba

Clarissa Monteagudo e Flávia Motta.

O pessoal da Velha Guarda do Império Serrano está orgulhoso com o sucesso que o clássico samba-enredo Aquarela Brasileira vem fazendo.

Se o Rio é todo de sambas e batucadas, dos malandros e mulatas, como cantou o compositor imperiano Silas de Oliveira no samba-enredo Aquarela Brasileira, em Madureira essa máxima é levada às últimas conseqüências. Berço do Império Serrano e reduto da Portela a história da escola começou em Oswaldo Cruz , o bairro voltou a disputar os holofotes do samba, que andaram monopolizados pela Mangueira. Com bambas lançando CDs, lotando casas de samba no Centro e até o Canecão, e as quadras cheias de jovens ávidos por conhecer a raiz do samba, a águia e o reizinho de Madureira dão demonstração de força.

No Armazém 161, a terça-feira é azul e branca e a quarta, verde e branca. São os dias que a casa dedica aos bambas de Madureira. Tenho recebido um público muito eclético, tem rapaziada, gente mais velha, turista. Todo mundo respeita muito o trabalho, que é bonito de ver e de ouvir, elogia Gilberto Afonso, dono da casa aberta há cinco meses na Lapa. O carinho pela escola sempre existiu, o Império é o América do samba, a segunda escola de todo mundo. Mas a escolha do samba de 1964 (Aquarela Brasileira) para este Carnaval foi uma boa sacada, porque conta com a simpatia da moçada, defende Zé Luiz, responsável pela Velha Guarda.

Quem assina embaixo é Dona Ivone Lara, imperiana ilustre que hoje dá canja no encontro Sambas da Cidade, no Canecão, ao lado de um portelense de primeiro time, Wilson Moreira. Esse samba deu muita sorte ao Império e aos imperianos, comemora Dona Ivone, entretida no lançamento de seu próximo CD, pela gravadora francesa Luz Africa, previsto para março.

Portelenses de peso comemoram a volta do samba de terreiro à quadra. Uma vez por mês, a comunidade recebe cariocas e turistas de todos os cantos para cantar e comer feijão ou outro prato tradicional. Antes, era só samba-enredo nos ensaios. Só se cantavam músicas como Coração em Desalinho, que é minha, quando tinha show do Zeca Pagodinho. Sempre me perguntei o porquê. O samba de terreiro vem do coração, não é feito de encomenda, ressalta Monarco.

Sexta-feira, Monarco lançou o CD Uma História do Samba, na roda de Noca da Portela no Centro Cultural Memórias do Rio. Produzido para o mercado japonês, tem músicas de Sinhô, Noel Rosa, Cartola e bambas de todas as décadas. O próprio Noca também tem sua carta embaixo da manga: um CD gravado ao vivo em novembro no Teatro Rival, com sucessos como Ilumina e Celular, que será lançado depois do Carnaval, em que a Portela desfila com Lendas e Mistérios da Amazônia, de 1970. O Brasil está mudando. O povo está mais consciente de sua identidade, resume Noca.

Apesar das disputas internas entre a diretoria no Império Serrano, para Wilson das Neves, um dos imperianos mais requisitados para rodas de samba na Zona Sul, tudo anda muito bem, obrigado, na escola. As brigas são no segundo andar (onde fica a sala da diretoria). No primeiro andar está tudo em paz, todo mundo continua cantando. A escola é maior do que a confusão.

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Hoje é guerra
Ricardo Gomes vai usar artilharia pesada contra a rival Argentina

VALPARAÍSO, CHILE - Chega de conversa. Nada mais de provocações. A definição das duas seleções que merecem as duas vagas para a Olimpíada de Atenas começa hoje, na abertura do quadrangular final do Pré-Olímpico do Chile. Em Valparaíso, às 22 horas, o Chile terá total apoio de sua fanática, barulhenta e colorida torcida diante do aguerrido Paraguai.

E, à 0h, também de Brasília, com transmissão da Globo, a guerra vai esquentar com dois inimigos mortais em campo: Brasil e Argentina. E o time de Ricardo Gomes entra em campo com uma formação totalmente ofensiva um autêntico 4-3-3, sendo que dois dos três do meio-campo (Dudu Cearense e Diego) têm características de atacar.

Depois de dirigir um coletivo ontem à tarde, em Viña del Mar, e de confirmar as mudanças no time (saem Maxwell, Paulo Almeida, Elano e Dagoberto e entram Wendell, Fábio Rochemback, Dudu Cearense e Daniel Carvalho), Ricardo Gomes admitiu que, por sua formação, o Brasil vai sair matando.

Como se trata de uma decisão antecipada e de já ter calculado que o Brasil irá aos Jogos com duas vitórias, Ricardo Gomes deve mesmo exigir que o time adote uma postura ofensiva, mas sem se descuidar na defesa e com muita atenção sobre Tévez que deve se marcado de perto por Rochemback.

É um time mais ofensivo, mas equilibrado. Taticamente, não muda nada. Rochemback será o primeiro volante, e Dudu terá mais liberdade para atacar. Diego vai criar as jogadas, com ajuda de Robinho e Daniel, que se revezarão entre o meio-campo e o ataque.Escalei o time como o adversário, que também atua com três no ataque, explicou Ricardo Gomes.

Já o técnico da Argentina, Marcelo Bielsa, advertiu que antecipar resultados e favoritos significa ignorar o grau de imprevisibilidade da competição. Pensar que existam duas equipes, Brasil e Argentina, obrigadas a se classificar por questões históricas é uma idéia que ignora quão distinta é uma competição como esta, onde há rivais com o mesmo objetivo.

Sobre o esquema tático, disse que continua havendo um desequilíbrio entre ataque e defesa. Nos preparamos para os dois. Se gastamos energia para atacar, pioramos nossa capacidade de defesa. Atacamos muito e defendemos pior, o que não quer dizer que o fazemos mal. Ele identificou Brasil e Chile como rivais importantes: Não são os rivais que hierarquizam um torneio, e sim seu objetivo. Mais do que tudo, a motivação é vestir a camisa argentina.


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Terça-feira, Janeiro 20, 2004




Férias, sol e mar. Essa é uma excelente combinação e ainda pode ficar melhor se a viagem for a bordo do R-5 Blue Dream. Confortáveis cabines, decoração requintada, recantos acolhedores e uma atmosfera relaxante. Mas quem está de férias, além de descansar, também quer se divertir.

O R-5 Blue Dream nasceu com o século XXI e trouxe a bordo a última palavra em tecnologia de ponta. Além disso, um completo programa de atividades foi preparado para proporcionar ao passageiro um cruzeiro cheio de emoções. O lazer e a diversão nunca podem faltar em um cruzeiro de alto nível, por isso o R-5 Blue Dream apresenta opções completas. Quem gosta de participar de atividades ao ar livre pode caminhar pela pista exterior, tendo como vista o mar, participar de jogos e atividades na piscina, tomar banhos de sol no solarium ao lado das jucuzzis e manter a forma no moderno Fitness Center.

Para quem prefere relaxar, sem descuidar do corpo e da saúde, existe ainda um completo spa, sala de massagem, sauna, centro de beleza e cabeleireiro. Depois de um dia relaxante, repleto de atividades, cai a noite em alto-mar. Mas a agitação está apenas começando. É a hora de descobrir o verdadeiro significado da vida noturna de um cruzeiro no R-5 Blue Dream. Uma dica é passar pelo Sports Bar para tomar um drink preparado com exclusividade pelo barman.Um grandioso show, produzido com muita animação e muita música, acontece no salão Cabaré.

Como não deve faltar em um cruzeiro, o R-5 Blue Dream ainda conta com um luxuoso cassino, onde é possível tentar a sorte.

Antes da diversão terminar, o ponto alto da noite acontece na danceteria Horizon.

A gastronomia é um capítulo a parte, no navio há quatro restaurantes: o Principal, o Italiano, o Grill e o Panorâmico. Todos eles com um atendimento de primeira qualidade, deliciosos cardápios, ambiente agradável e convidativo para refeições em grande estilo.

Camarote
A elegância e o conforto dos camarotes são surpreendentes até nos mínimos detalhes. Nas cabines com varanda é possível refrescar-se com a suave brisa do mar. Mesmo longe da terra, a sensação é de se estar hospedado em um grande hotel. Como opções há a Suíte Master e Júnior com varanda, Externa Luxo com varanda, Externa e Interna.

A comodidade dos passageiros continua com o serviço da tripulação, que fala em português ou espanhol. Tripulantes brasileiros poderão ser encontrados nas principais áreas do navio, como no cassino, nos restaurantes, salão de cabeleireiro, spa e enfermaria.

As facilidades de comunicação não param. O passageiro poderá estar sempre conectado com o mundo por meio da Sala de Internet.

Cruzeiro
Ao navegar no Blue Dream, o passageiro tem o melhor da costa brasileiro ao seu dispor. De Santos a Fernando de Noronha, é possível conhecer o que o Brasil tem de melhor em diversão, praias e paisagens. Tudo com o conforto, a tranquilidade e a comodidade de um cruzeiro de qualidade internacional.

A Javatur está com várias opções de cruzeiros com o R-5 Blue Dream, com roteiros para a Bahia e mini cruzeiros especiais.

Javatur - Rua José Bonifácio, 418, Centro. Telefone 4798-2220. Atendimento de 2ª a 6ª, das 9 às 18h30 e aos sábados das 9 às 13 horas.

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Novo modelo mostrado pela Chrysler no Salão de Detroit conta ainda com 215 cv

Encurraladas pelas marcas estrangeiras, as três grandes montadoras americanas --General Motors, Ford e Chrysler-- não mediram esforços para mostrarem quem manda em Detroit.

O primeiro salão do ano, que abriu oficialmente para o público no sábado passado, será marcado pela aposta em ícones antigos e novos filões, pelas marcas da casa e, também, pelo sistemático ataque das montadoras estrangeiras no importante mercado norte-americano.

A GM, maior e mais poderoso conglomerado automobilístico do planeta, escolheu Detroit para mostrar a sexta geração do Chevrolet Corvette e o sedã Pontiac G6, ambos devem ser comercializados ainda este ano nos Estados Unidos.

Ford e Chrysler apostaram no lançamento de novos veículos. O Novo Mustang, completamente renovado --em sua quinta geração-- é a grande atração no estande da Ford. Ele divide as atenções com esportivo GT40 e o Shelby Cobra, protótipo de um futuro esportivo da marca. Outra novidade da montadora é o sedã Five Hundred.

Uma tremendo protótipo de 850 cv promete congestionar o estande da Chysler. O superesportivo Me Four Twelve está equipado com um motor V12 6.0 litros e faz, segundo o fabricante, de 0 a 100 km/h em míseros 2,8 segundos.

As alemãs Volkswagen, Audi, BMW e Mercedes mostraram suas armas para concorrerem no disputado --e lucrativo-- mercado dos Estados Unidos, que em 2003 comercializou cerca 16 milhões de veículos.

A Audi apresentou o luxuoso sedã A8, como motor 12 cilindros. BMW e Mercedes não deixaram por menos. A primeira apresentou a versão conversível do Série 6. Já a Mercedes-Benz reservou para Detroit, o badalado esportivo SLR McLaren e o conceito Vison GTS. O utilitário esportivo Touareg e o conceito T, misto de cupê e fora-de-estrada, foram os veículos escolhidos pela VW para estrearem no evento.

As italianas Ferrari e Maserati, praticamente irmãs, levaram para Detroit o que têm de melhor.

O sedã Quattroporte, da Maserati, é a aposta da marca para encarar os rivais do segmento. O modelo tem luxo, requinte e um toque de esportividade com seu propulsor de 400 cv. A 612 Scaglietti tem tudo para se tornar em mais um mito da marca do cavalinho rampante.

AUDI A8
A montadora alemã Audi, pertencente ao Grupo Volkswagen, nunca teve grande penetração no mercado norte-americano. Com a apresentação no Salão de Detroit do novo A8, como motor 12 cilindros de 450 cv, a empresa espera mudar uma pouco essa história.
O novo A8 tem propulsor W12 6.0 litros de 450 cv, impulsiona o sedã de 0 a 60 km em 5 segundos, segundo o fabricate.

CHRYSLER CROSSFIRE
Novo modelo mostrado pela Chrysler no Salão de Detroit conta ainda com 215 cv A norte-americana Chrysler apresenta no Salão de Detroit a versão conversível do seu cupê Crossfire. O automóvel possui dois tipos de capota, uma rígida e outra de lona, ambas com acionamento elétrico. O motor do novo modelo é um V6 de 3.2 litros, com 215 cv de potência e 31,6 kgfm de torque. O câmbio tem duas opções, uma caixa manual de 6 relações e outra automática de 5 velocidades.

AUDI LE MANS QUATTRO
A Audi levou para Detroit o Le Mans Quattro. O veículo é uma homenagem da montadora à clássifa corrida francesa 24 Horas de Le Mans, vencida pela marca alemã três vezes consecutivas com o modelo de competição R8. O bólido tem motor V10 biturbo de 5.0 litros e 610 cv de potência. Acoplado a este propulsor está um câmbio manual de seis velocidades, com curto espaçamento entre els, privilegiando a condução esportiva. O motor, de localização central pode ser observado por meio da tampa traseira transparente e tem potência suficiente, segundo a marca, para levar o carro a 345 km/h. A aceleração de 0 a 100 km/h pode ser feita em 3,7 segundos.

FORD MUSTANG
O maior trunfo da Ford na exposição é um clássico. O Mustang, lançado nos anos sessenta, virou febre mundial e se tornou mais que um sonho de consumo, um mito. Tanto que quarenta anos depois os holofotes estão voltados novamente para o esportivo. Modernizado, o cupê está de volta e com o puro-sangue na grade dianteira.

ECLIPSE CONCEPT-E
A medida que o Salão de Detroit se aproxima (janeiro), algumas montadoras deixam escapar detalhes daquilo que levarão à mostra norte-americana. A Mitsubishi é uma delas. A marca japonesa prepara-se para exibir o Eclipse Concept-E, um protótipo de altas performances que tem como objetivo rejuvenescer a imagem do seu esportivo e apresentar assim uma proposta mais competitiva neste segmento

PORSCHE BOXSTER
O Porsche Boxster é um sucessor digno do legendário modelo 550 Spyder de 1953. O que une ambos é o conceito roadster, o peso baixo, a excelente agilidade e o elevado prazer ao dirigir. A Porsche está comemorando agora o 50º aniversário do 550 Spyder lançando uma edição especial do Boxster S limitada a 1.953 unidades batizada de 50 anos do 550 Spyder.

HONDA SUT
A Honda está perto de lançar a primeira picape de sua história. A base do novo modelo será o utilitário esportivo Pilot e sua produção ficará a cargo da planta norte-americana do Estado do Alabama, nos Estados Unidos. O protótipo do novo utilitário já brilha na exposição norte-americana.

MAZDA MX CONCEPT
Protótipo da marca japonesa deve servir de base para uma nova minivan

BMW CABRIOLET S6
Finalmente o protótipo conversível BMW Z9, mostrado no Salão de Paris (França), em setembro de 2000, chega à versão definitiva. O carro vem com as mesmas linhas do cupê que voltou a ser fabricado depois de 14 anos de interrupção.
Por enquanto, a BMW oferece apenas o motor V8 4.4 de 325 cavalos e 45,7 kgfm de torque, que vem acoplado ao câmbio seqüencial de seis marchas SMG.

MERCEDES VISION 2
A divisão Americana da Mercedes-Benz (marca controlada pelo grupo germano-americano DaimlerChrysler) confirmou que vai apresentar no Salão de Detroit a segunda geração do protótipo Vision GTS (Grand Sport Tourer). É um carro híbrido (movido a diesel e eletricidade) e possui uma transmissão automática de 7 velocidades.

PT CRUISER CONVERSÍVEL
O novo Chrysler PT Cruiser conversível está sendo exposto no Salão de Detroit. Esta é a versão final do modelo que será produzido, já no início deste ano, na fábrica de Toluca, no México, e chegará às lojas ainda no 1º semestre. Essa nova versão do veículo contará, inicialmente, apenas com um motor de 2.4 litros. No PT Cruiser Standard conversível esse motor contará com 150 cv.

JAGUAR S-TYPE
Jaguar mostra no Salão de Detroit o facelift que a marca efetuou no modelo. O carro inglês conta com novas lanternas, uma grade dianteira com maiores dimensões e pára-choques retocados. O capô é de alumínio, para diminuir o peso.

CHEVROLET CORVETE C6
Depois de ter completado meio século, no ano passado, o Corvette chega à sexta geração. Mostrado no estande da GM como uma das principais atrações da exposição norte-americana, o lendário esportivo ganha uma série de aperfeiçoamentos e passa a ter faróis com lentes e lâmpadas expostas, detalhe que não se via desde 1962. Ligeiramente menor, o modelo C6 substitui o C5 com vantagens ligadas ao desempenho, estilo e segurança. As vendas nos Estados Unidos começam ainda no primeiro semestre.

FORD SHELBY COBRA
Ao lado do GT 40 e do Mustang, o novo Shelby Cobra completa a trilogia de ícones recriados pela Ford. Inspirado no lendário Cobra 427 - conversível criado pelo piloto texano Carroll Shelby no início da década de 60 -, o novo modelo mantém as linhas clássicas que o tornaram um dos carros mais carismáticos da montadora americana.

VW CONCEPT T
A Volkswagen apresenta um de seus protótipos mais inovadores: o Concept T. A montadora reuniu os conceitos de um crossover com características de fora-de-estrada e esportivo. O modelo chama a atenção. Com 4,07 cm de comprimento, 1,96 de largura e 1,45 de altura, o Concept T é ideal para 4 pessoas.

TOYOTA HIGHLANDER
A Toyota apresenta a versão híbrida do utilitário esportivo Highlander. A versão 2005 do carro apresenta alterações estéticas, com destaque para a nova grade do radiador, que deu ao carro um visual ainda mais agressivo. O motor V6, movido a eletricidade e gasolina, tem 3,3 litros de cilindrada e aproximadamente 270 cavalos de potência. O carro acelera de 0 a 100 km/h em menos de oito segundos.

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O filme narra a viagem de iniciação do jovem Ernesto Guevara que, antes de se tornar o famoso Che e ao lado do amigo Alberto Granado

São Paulo - Um público de 1.200 pessoas aplaudiu, emocionado, a primeira exibição mundial de Diários de Motocicleta, filme de Walter Salles, que foi apresentado no Festival de Cinema de Sundance, em Park City, Utah, nos Estados Unidos. E a maioria ficou para o debate com o diretor, conversa que privilegiou a identidade latino-americana. "Era a resposta que esperávamos quando rodávamos o filme", comentou Salles à reportagem, momentos antes do encerramento da segunda exibição, também com sala cheia. "As pessoas receberam a história de coração aberto, que se identifica com nossas intenções."

Diários de Motocicleta narra a viagem de iniciação do jovem Ernesto Guevara que, antes de se tornar o famoso Che e ao lado do amigo Alberto Granado, rodou diversos países sul-americanos, por motocicleta, a pé e de carona, momentos em que descobriu o grau de injustiça social que dominava a região. "Trata-se de apresentar uma geografia física e humana que nos é própria: a América Latina", comentou Salles, que tem um sentimento especial pelo filme - afinal, ele conseguiu mergulhar e desvendar os segredos do continente, em um projeto que consumiu mais de dois anos de preparação.

Outro motivo é relacionado com a produção - desde Terra Estrangeira, ele não dispunha de tamanha liberdade de criação e execução. "Graças à presença de Robert Redford como produtor, tive total liberdade de ação, desde a escolha de elenco até a opção de o filme ser falado em espanhol." Com isso, ele pôde definir o mexicano Gael García Bernal como protagonista. "Ele é um dos maiores atores de sua geração", acredita o diretor brasileiro, que teve também o direito de dar a palavra final na edição, privilégio que poucos realizadores no mundo detêm.

Antes de seguir para o Canadá, onde vai rodar seu próximo filme, Walter Salles terá uma reunião de sua equipe para traçar os próximos caminhos de Diários de Motocicleta. Apesar de extra-oficialmente confirmado para o Festival de Berlim, que começa no dia 5, o cineasta ainda não ratifica. "Temos vários festivais em mente e talvez Berlim fique um pouco em cima da hora", disse. "Podemos optar por outras direções." O sucesso em Sundance poderá também alterar o calendário de estréia do filme em diversos países - no Brasil, por exemplo, onde o planejado seria em junho, deverá ser antecipado.

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Expansão apesar do marasmo
Franquias crescem 12% num ano marcado por juros altos e estagnação da economia
Silvana Caminiti

O mercado de franchising manteve-se em expansão no ano passado. O crescimento médio foi de 12%, assim como nos dois anos anteriores. Esse crescimento é ainda mais relevante quando se sabe que a economia cresceu em torno de 0,5%, num ano marcado por juros altos e estagnação.

Entre as franquias, os setores que mais se sobressaíram foram os de alimentação, produtos para limpeza e higiene pessoal, educação e cursos de línguas e de informática, e, finalmente, de confecção infantil.

Além do aumento no número de pontos de vendas, o mercado apresentou o surgimento de franquias em diferentes áreas. Uma das empresas que decidiram expandir por meio de aberturas de lojas franqueadas foi a rede carioca de fast-food Burgão.

Em meados do ano, após participar do projeto-piloto Franqueador Rio, do Sebrae, a marca inaugurou as duas primeiras unidades franqueadas, na Taquara e em Copacabana. Para este ano, a empresa está otimista e acaba de lançar um novo modelo de loja, menor e com custo mais baixo para o investidor, como explica a diretora de Franquias da rede, Dayse Botelho.

Criamos o Burgão Tropical Café, que tem investimento inicial de R$ 100 mil, para atender as pessoas que apresentam um bom perfil para serem franqueados da marca, mas que não têm investimento inicial requerido para gerenciar um restaurante completo, que exige um gasto quatro vezes maior que o do café, diz.

Segundo ela, o novo formato é indicado para os investidores que estão montando seu negócio próprio pela primeira vez. A expectativa da marca, de acordo com a diretora, é inaugurar pelo menos oito unidades do novo modelo, durante este ano. Também esperamos abrir mais duas unidades do restaurante convencional, revela Dayse.

Burgão: (21) 3976-3468

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Raiz forte

Paulinho da Viola faz show de graça hoje em Copacabana e comemora força do samba
Clarissa Monteagudo

Depois de conversar alguns minutos com Paulinho da Viola, a conclusão é clara: o compositor prefere falar de suas dificuldades e dúvidas a cantar vitórias. Elegância e talento consagrados, o autor de sambas e choros que versam sobre o passado e encantam novas gerações, admite ser cria de um jeito machista de lidar com sentimentos. Daqueles que não choram suas dores no ombro dos amigos. Choram no samba.

Outra fragilidade confessa é a timidez, posta à prova ano passado. Primeiro, o discretíssimo Paulinho teve de se acostumar a tomar café com uma câmera, para as filmagens do documentário Meu Tempo é Hoje, de Izabel Jaguaribe, sobre sua vida. Depois, na estréia do filme, partilhou em público sua intimidade na telona. E as pessoas riam durante a sessão, destaca, com bom-humor. O compositor que faz show hoje às 20h na Praia de Copacabana, em frente ao Copacabana Palace, pelo Projeto Claro Solo, em noite que será encerrada por Zélia Duncan , lava a alma quando fala da vitalidade do samba, adotado por novos talentos. Afinal, como ele diz, a semente é forte e o terreno, fértil. Muito.

O DIA - Como você vê o fortalecimento do samba entre cantores e músicos jovens, da nova raiz da Lapa, como Teresa Cristina?

PAULINHO - O que mais a gente ouviu o tempo todo é que a cultura do samba ia desaparecer para dar lugar a algo novo. E tudo se fez para que isso acontecesse. O samba se mostra de forma espontânea, sem apoio, que mexe e sensibiliza as pessoas. O fato de novas gerações e outras culturas, como o Japão, se interessarem por essa cultura é mostra de vitalidade. O samba se reproduz fácil. A semente é forte e o solo é fértil.

Sambistas reclamam da propagação do samba comercial...

Seria pretensão tachar o trabalho de algum artista como comercial. Implicitamente estaria impondo a mim mesmo um valor que não é verdadeiro. Toda música não deixa de ser um produto, criativo ou não. Se você é músico tem que saber que o jogo é assim. Não faço críticas superficiais em relação ao mercado. Nas condições que a gente vive, não poderia ser diferente. O que me fascina é a força dessa cultura popular. A reação do povo, suas alegrias e conquistas, isso ninguém controla.

E o Carnaval, para você, preservou essa força?

Eu me ressinto um pouco dessas coisas. Parece que é inevitável, tudo tem que ser comercializado ao extremo, sempre. Não é possível preservar a espontaneidade, sem ingerência do Estado. O Carnaval continua fascinando, mas mudou. Quanto mais popular, mais solto. Todos sabem disso.

Sua música transmite suavidade. Você perde a calma? E, depois, sabe perdoar?

(Risos) Sim, eu fico chateado. É até pretensão dizer, mas tenho tendência a perdoar sempre. Só é difícil perdoar porque somos fragilizados espiritualmente. O mais difícil é lidar com a gente mesmo. É difícil ter a humildade de dizer isso está errado. É preciso estar sempre em auto-vigília.

Como você analisa as relações hoje, com as pessoas se ressentindo da falta de tempo?

Apesar da enorme confusão causada pelo excesso de informações, eu não posso dizer que antes a questão do amor era diferente. A gente não sabe como se dá o amor, quando surge. Eu não entendo nada disso. Ninguém entende.

É difícil falar de amor?

Mulheres comungam mais seus dramas entre elas. O homem, pelo machismo, tem tendência a se fechar. Eu sou um prato cheio para a psicanálise. Como todas as pessoas, tenho meus dramas íntimos. Não tenho confessor, interlocutor, nunca tive. Raras vezes procurei um amigo para dizer que tinha um problema, precisava de ajuda. Nem me lembro quando aconteceu isso.

Como foi driblar a timidez e se expor em documentário?

Nunca tinha acontecido de tomar café com uma câmera ao lado. Tive um temor. Com a convivência com todo o pessoal da equipe ficou claro que eram pessoas transparentes e em quem eu podia confiar. Depois, fiquei assustado na estréia, sentado ao lado de centenas de pessoas, que me viam ao lado e na tela. E elas riam em certas situações, de coisas que eu escondia ou dava jeito de esconder.

E como foi a repercussão?

Ainda estou respondendo às cartas devagarzinho, pedindo desculpas. Uma mulher me parou e disse que estava com problemas na vida e queria que eu a ensinasse a não sentir saudades. Talvez tenha me expressado mal no filme. Quis dizer que, na verdade, tudo que vivi, senti, coisas anteriores ao meu nascimento, mas que estavam no século que nasci, tinha a sensação de que estavam vivas e presentes. Sei que não estou na década de 50, mas de alguma forma, ela permanece viva. Somos o somatório de coisas que afloram, de maneira boa ou não.

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Isto custa muito caro

Governo gasta R$ 2,5 milhões por dia com a convocação de políticos, e eles não vão trabalhar

BRASÍLIA - Em sessão solene de exatos quatro minutos e sem a presença dos presidentes do Senado, José Sarney (PMDB-MA), e da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), o Congresso iniciou ontem a convocação extraordinária que vai até o dia 13. Aproximadamente 50 dos 594 parlamentares 513 deputados federais e 81 senadores assistiram à sessão. Por 20 dias úteis, receberão dois salários (R$ 25.440), além da remuneração de R$ 12.720 mensal. O gasto para os cofres públicos será de R$ 50 milhões ao todo, ou R$ 2,5 milhões por dia, entre os salários pagos a parlamentares e funcionários. O valor diário equivale a 10.416 salários mínimos.

Ontem, menos de 200 parlamentares estiveram na Câmara dos Deputados e no Senado. No entanto, como a sessão não contou presença, nenhum dos outros quase 400 que nem pisaram no Congresso deixarão de receber R$ 38.160. O salário adicional é de R$ 25.440. Por dia útil, o ganho é de R$ 1.908, que só é cortado por falta não justificada à sessão deliberativa com votação.

A sessão-relâmpago foi presidida pelo vice-presidente da Câmara, Inocêncio de Oliveira (PFL-PE), que leu a mensagem de convocação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um plenário vazio. O presidente do Congresso, José Sarney, não foi à sessão porque está de luto pela mãe, Kiola Sarney, morta semana passada. Ele só pretende ir a Brasília após a missa de sétimo dia, quinta feira.

O presidente da Câmara, João Paulo Cunha, que se declarou contra a convocação chamando-a de escândalo, também faltou, apesar de estar em Brasília desde domingo.

Votação só começa hoje na Câmara e no Senado

Após os R$ 2,5 milhões gastos ontem sem a presença da grande maioria dos parlamentares, haverá hoje sessão deliberativa, em que há votações e a presença dos parlamentares é contada. As sessões na Câmara e no Senado começam às 14h. Na Câmara, a primeira votação é da Medida Provisória 133/03, que cria o Programa Especial de Habitação Popular. A principal matéria, no entanto, será a chamada Proposta de Emenda Constitucional (PEC) paralela 227/04, sobre a Reforma da Previdência, promulgada no mês passado. A PEC havia sido aprovada por unanimidade no Senado e precisa ser votada, em dois turnos, na Câmara. Durante a convocação, os deputados vão apreciar 25 PECs e 26 medidas provisórias.

Já os senadores vão deliberar principalmente sobre a Reforma do Judiciário, que tem seis propostas de emenda à Constituição há mais de 12 anos em tramitação no Congresso. Há também votações sobre os códigos Tributário, Penal e Civil. Mas nenhuma das propostas em tramitação no Senado já pode ser votada no plenário.

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Liberato Vieira da Cunha
20/01/2004


Do tempo e do vento

Uma querida amiga, que seguramente quer me adoecer de inveja, manda longo e-mail descrevendo o novo visual de Berlim, cidade que conhecemos ambos dividida e dilacerada e que depois da queda do Muro passou por uma das mais incríveis plásticas da história universal do urbanismo. Dos prodígios que conta, nada me impressiona tanto, porém, quanto uma breve notícia: a pequena bomba-d'água de Chamissoplatz continua no mesmíssimo lugar, feia, obsoleta e romântica.

Os europeus cultivam essas manias: preservam da pena de morte aqui um jardim, ali um portal, adiante um campanário. Estando uma vez num lugarejo das vizinhanças de Coimbra, me chamou a atenção um telhado que só se conservava em pé com o prestimoso auxílio de toda uma arquitetura de traves e arrimos. Perguntei o motivo daquele cauteloso, intrincado resguardo e alguém me explicou no ato: "É por causa do galo". Tinha um galo no vértice do telhado - e esse metálico símbolo indicava há séculos à aldeia a direção do tempo e do vento.

Recordei tudo isso ontem, ao topar com as ruínas de um poste nesta mui leal e valorosa. Seus escombros não jazem em algum beco perdido de um esquecido arrabalde. Bem ao contrário, podem ser vistos e apalpados na calçada fronteira do Palácio Piratini, área que, salvo engano, é a mais nobre de Porto Alegre.

Desse poste sobrevive só a base: todo o mais sumiu, ignoro se decepado, implodido, seqüestrado. De sua ancestral linhagem resta o testemunho manifesto de seus colegas sobrantes, elegante, delicada, refinadamente esculpidos. Bem que o governador Rigotto, que, segundo ouvi, é homem sensível ao legado da cultura, podia ligar para o almoxarife-geral do Paço e ordenar:

- Doutor Amphilóchio (que outro nome teria um almoxarife-geral?), dê um jeito de repor imediatamente o poste que havia aqui na frente! - E desligasse, antes que o Doutor Amphilóchio fungasse, tossisse, retrucasse, redargüisse ou obtemperasse.

Não seria mau também que, aproveitando o cívico impulso, Sua Excelência telefonasse ao prefeito e ao presidente, com um acertando a contratação de um batalhão de calceteiros para rearmarem os caprichosos desenhos das pedras azul e rosa da Rua da Praia; e, com o outro, combinando a pronta restauração da Tapera da Rua Duque, obra que, ao que parece, aguarda voz de comando de altas patentes da República.

E seríamos todos nós, os cidadãos-contribuintes, mais felizes, por vivermos numa metrópole preocupada com sua história e sua memória. Uma metrópole enfim livre daquele pedaço de cavalete que sinaliza as ruínas do poste decapitado, trazendo gravada a seguinte e criptográfica mensagem: EPTCCOC.

Um primo meu, aliás, que é chegado a facécias (alô, Doutor Amphilóchio!), traduziu tão estranha inscrição por:

- Esta Pobre e Tosca Capital Capricha em Ocultar seu Charme.

liberato.vieira@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
20/01/2004


Estamos aprendendo

O senhor, a senhora, são pessoas conscientes, sensíveis. O senhor, a senhora, resolvem fazer algo para diminuir a problemática social, criando uma entidade beneficente para ajudar menores abandonados, ou idosos, ou deficientes físicos. A entidade é criada, outras pessoas juntam-se a ela e aí vem o problema: onde arranjar o dinheiro para as atividades? Uma fonte possível é, claro, a verba pública. Que é escassa e precisa ser dividida por mil outras entidades, um processo que sofre várias injunções, políticas inclusive. Resultado: o dinheiro é pulverizado e sobra uma quase inútil migalha para cada entidade.

Não mais. Desde ontem está em efetivo desenvolvimento, no RS, a Lei da Solidariedade, uma iniciativa do então deputado e atual senador Sérgio Zambiasi, aprovada por unanimidade pela Assembléia Legislativa e agora implementada pelo governo Rigotto. Nessa segunda-feira, no palácio, 21 projetos, de 19 entidades receberam um total de R$ 37 milhões. Recursos que não dependem da Fazenda, mas que resultam de incentivo fiscal; para cada real que as empresas doarem aos projetos, poderão deduzir R$ 0,75 do ICMS. Os projetos, por sua vez, devem ser examinados e aprovados pelo Conselho Estadual de Assistência Social. Não são muitos, mas os que forem beneficiados poderão fazer alguma coisa com o dinheiro.

O benefício, porém, não é só a grana. O benefício inclui o projeto em si, o método. Fazer um projeto é mais do que colocar a retórica das boas intenções no papel. Significa objetivar aquilo que se está fazendo: quantas pessoas pretendemos atender? O que faremos por elas? Quanto vai custar? Como avaliaremos os benefícios de nossa ação? Isto se chama planejamento, e é daquelas raras coisas sobre as quais existe consenso em nosso mundo. Representa uma das poucas contribuições deixadas pelo comunismo; de fato, foi na finada União Soviética que a noção de plano ganhou impulso.

Quando os Estados Unidos viram que a idéia funcionava, imediatamente incorporaram-na à tradição americana, baseando-se no princípio de que, se planejamento servia para uma economia estatal, serviria também para uma economia de mercado. E serve, muito bem, para a área de bem-estar social. A solidariedade ganhou um importante instrumento de racionalização. Ou seja, aos poucos estamos aprendendo a mudar as coisas.

scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
20/01/2004


Devolvam objetos perdidos!

Causou impressão a coluna de ontem sobre os objetos perdidos no Japão.

Escreve Thaís Vieira Bretanha: "Como seria bom se em Porto Alegre as pessoas agissem como no Japão. Na última quinta-feira, num momento de bobeira, deixei num ônibus da linha São Manoel uma bolsa cinza do Fórum Social Mundial de 2002 com um carregamento de fotos antigas da família e objetos pessoais. Junto com isso tudo, tinha um crachá funcional da DRT, onde trabalho. Eu tinha a esperança de que a pessoa que encontrasse devolvesse pelo menos as fotos. Mas, até agora, nada. Espero que a pessoa que encontrou tenha lido a tua coluna de ontem e se sensibilize, procurando chegar a mim. Como eu gostaria de estar no Japão num momento desses".

Daniel Picolli manda-me dizer que também lamenta que não devolvam as coisas perdidas aqui em nosso meio: "As atitudes dos japoneses, realmente, podem ser chamadas de 'princípios de um povo'. Na madrugada de sexta para sábado, tive meu celular perdido em um bar da Praia de Atlântida. Você acha que o encontrei? Provavelmente meu celular foi achado ou furtado por uma pessoa que já tinha celular, simplesmente se aproveitou do meu descuido ao deixá-lo cair no chão para pegá-lo e mostrá-lo a seus amigos o importante feito".

Osvaldo L. Santos diz ter sido oportuna a coluna sobre o dever moral de devolver objetos perdidos. "Ainda sou do tempo em que minha mãe dizia que dentro de casa nada é perdido, tudo tem dono", acrescenta.

Aí é que está o nó da questão: no Japão as mães ensinam diferente daqui: "Na rua nada é perdido, tudo tem dono".

O leitor Geferson Rui Henker (gefi.rs@terra.com.br) estranha que os carros-fortes assaltados são somente da empresa Prosegur. Ele diz que existem outras empresas transportadoras de dinheiro, a Brink's (caminhões brancos), a Proforte (caminhões azuis), mas só assaltam a Prosegur.

Mas é o próprio leitor que salienta que o fluxo rodoviário e a disposição das nossas estradas é que permitem esses assaltos.

Quem sabe se somente a Prosegur se dedica a transportar o dinheiro pelas estradas do Interior? O leitor também alude que os caminhões da Proforte circulam em maior número que os da Prosegur na Grande Porto Alegre, é possível que por isso exatamente não sejam atacados, os ladrões necessitam de espaço nas estradas, de fluxo menos concorrido, talvez esteja aí a explicação.

A logística desses assaltos se baseia em espaço nas manobras e fuga rápida, o que é inviável em trânsito lento, apertado, concorrido.

Esse leitor que se manifesta sobre o assunto afirma, no entanto, que a prática de carregar dinheiro em carro-forte é obsoleta. Ele diz que na Inglaterra o dinheiro já é carregado em malotes e por pessoas na rua ou em veículos convencionais.

Os malotes são especiais, equipados com sistema de chaves (uma no banco e outra na empresa). Caso haja tentativa de violação do malote ou atentado físico ao transportador, um dispositivo dentro do malote larga uma tinta que marca e inutiliza todo o dinheiro.

E já começam os helicópteros também a ser utilizados para o transporte de dinheiro.

É uma corrida louca entre o crime e a inteligência.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Diplomacia
Críticas e pedido de paz no Fórum
LETÍCIA SANDER
Enviada Especial/Mumbai


O governo Luiz Inácio Lula da Silva sofreu críticas ontem durante uma mesa-redonda sobre globalização e seguridade social. O ex-presidente do Banco Mundial e Prêmio Nobel de Economia de 2001, Joseph Stiglitz, disse que a estabilização econômica no Brasil vem sendo mantida a um custo social alto



Uma ativista ostenta no rosto o símbolo da paz, um dos temas de debate do Fórum Social Mundial em Mumbai (foto Arko Datta, Reuters/ZH)


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Segunda-feira, Janeiro 19, 2004




VOCÊ É ESPECIAL

Você pode ter defeitos,
viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não se esqueça de que sua vida é a maior
empresa do mundo.
Só você pode evitar que ela vá à falência.
Há muitas pessoas que precisam,
admiram e torcem por você.
É importante que você sempre se lembre de que ser feliz não é ter um céu sem tempestades,
caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem decepções.
Ser feliz é encontrar força no perdão,
esperança nas batalhas , segurança no palco do medo , amor nos desencontros .
Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso ,
mas refletir sobre a tristeza.
Não é apenas comemorar o sucesso ,
mas aprender lições nos fracassos .
Não é apenas ter júbilo nos aplausos ,
mas encontrar alegria no anonimato .
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver ,
apesar de todos os desafios ,
incompreensões e períodos de crise .
Ser feliz não é uma fatalidade do destino ,
mas uma conquista de quem sabe viajar para
dentro do seu próprio ser.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e se tornar autor da própria história .
É atravessar desertos fora de si ,
mas ser capaz de encontrar um oásis no
recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida .
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos .
É saber falar de si mesmo .
É ter coragem para ouvir um " não " .
É ter segurança para receber uma crítica ,
mesmo que injusta.
É beijar os filhos,
curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem.
Ser feliz é deixar viver a criança livre,
alegre e simples que mora dentro de você.
É ter maturidade para falar: "eu errei".
É ter ousadia para dizer: "me perdoe".
É ter sensibilidade para confessar: "eu preciso de você".
Ser feliz é ter a capacidade de dizer: "eu te amo".
Desejo que a vida seja um canteiro de
oportunidades para você ...
Que nas suas primaveras você seja amante da alegria.
Que nos seus invernos seja amigo da sabedoria.
E, quando você errar o caminho,
recomece tudo de novo.
Pois assim você será cada vez mais
apaixonado pela vida.
E descobrirá que ser feliz não é ter uma vida perfeita,
mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.
Aproveitar as perdas para refinar a paciência,
as falhas para esculpir a serenidade.
Usar a dor para lapidar o prazer e os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.
Jamais desista de si mesmo .
Jamais desista das pessoas que você ama.
Jamais desista de ser feliz,
pois a vida é um espetáculo imperdível.
Porque você, você é especial!


DESCONHEÇO AUTORIA - Recebi de minha amiga Jane Marion

"E para ser feliz por completo ,
ore sempre para JESUS e busque DEUS
todos os dias .
Você vai encontrá-lo nas coisas simples da vida .
No ar que você respira ,
na água que mata sua sede ,
no alimento que te sacia ,
no seu la r, no seu trabalho ,
mas principalmente no gesto de amor ao próximo.
PENSE NISSO !

Para ser feliz só depende de você.
Só de você".

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Descompasso de uma mulher

Me querem mãe,
e me querem fêmea.

Me querem líder,
e me fazem submissa.

Me fazem omissa,
e me cobram participação.

Me impedem de ir,
e me cobram a busca.

Me enclausuram nas prendas do lar,
e me cobram conscientização.

Me podam os movimentos,
e me querem ágil.

Me castram o desejo,
e me querem no cio.

Me inibem o canto,
e me querem música.

Me apertam o cinto,
e me cobram liberdade.

Me impõe modelos, gestos,
atitudes e comportamentos,
e me querem única.

Me castram, me podam,
falam e decidem por mim,
e me querem plena e absoluta.

Que descompasso !

Não sei o(a) autor(a)

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Espelho meu
Deborah Secco estréia filme da era pré-silicone, mas diz que nunca pareceu tanto com uma personagem
Marcelle Justo



Em cena do filme A Cartomante, rodado em 2002 e que estréia dia 30

Deborah Secco tinha 235 ml de silicone a menos em cada seio quando rodou A Cartomante, entre março e abril de 2002. A novidade foi incorporada ao visual no último dia de filmagem da produção. Deborah foi para a mesa de cirurgia praticamente direto do set. Fora esse detalhe que não passa despercebido para quem a vê atualmente no papel da desinibida Darlene de Celebridade , a atriz garante que Rita, protagonista do filme, com estréia para dia 30, é sua imagem e semelhança. A personagem mais parecida com ela em sua carreira, que contabiliza 12 novelas e o seriado Confissões de Adolescente.

Rita tem muito de mim. Leio o horóscopo todo dia e sou supermística. Além disso, me vejo insegura como mulher, menina e filha. Sou medrosa e, como a Rita, ainda desestruturada emocionalmente, admite a atriz, que em sua estréia nos cinemas forma um triângulo amoroso com Luigi Barricelli e Ilya São Paulo.

No longa-metragem, Rita tem uma crise de asma e é socorrida por um médico, Vilela (papel de Ilya), de quem fica noiva. Mas acaba apaixonada pelo amigo dele, Camilo, vivido por Luigi. A dúvida entre os dois pretendentes é aguçada por uma cartomante, que jura ter visto nas cartas o encontro do homem da vida de Rita. Vira um suspense porque ela vai perdendo as rédeas da vida¿, adianta Deborah, que, apesar do misticismo, garante não se deixar influenciar pelo que as pessoas falam no seu dia-a-dia.

Não vou muito pela opinião dos outros. Mas tenho um monte de livrinhos da sorte e por eles acabo me influenciando. Ando com cinco desses na bolsa. Sempre pergunto ao livro se devo fazer isso ou aquilo. Se a resposta for sim, eu faço. Como os amigos já sabem que é mania, acabam me dando de presente. Estou com uma porção, conta a atriz, que namora o ator Marcelo Faria, intérprete do bombeiro Vladimir na novela das oito.

Tudo o que Deborah garante parecer com Rita, ela jura ter de diferente de Darlene. É o meu oposto, o que acho maravilhoso. Vai ficar na minha lista de preferidos, junto com a Íris de Laços de Família. Darlene tem uma alegria interpretada para convencer as pessoas e, de vez em quando, a máscara cai. É o tipo de pessoa que mostra uma felicidade estonteante e, ao chegar em casa, desaba de chorar, analisa Deborah, citando Paulo Coelho para explicar por que não acredita que a fama pura e simples traga felicidade, como quer sua personagem na novela de Gilberto Braga. Se você não tiver sua lenda pessoal, não vale a pena viver, filosofa.

Bom e você que visita esta página todos os dias, se quiser pode enviar-me os parabéns por mais um aniversário. Caprica, daquelas cabeças bem duras, mas perseverante sempre, em todos os 19 de janeiro, somo mais um na contagem dos anos, que céleres passam. Boa semana a você. E ao meu amigo Dirnei que fêz aniversário ontem, o meu abraço afetuoso, mesmo a distância. Saúde meu irmão e dim dim para usufruí-la.

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De volta aos trilhos
Brasil vence a Colômbia (3 a 0) e afasta o drama da eliminação no Pré-Olímpico. Na reta final, primeiro rival é a Argentina, quarta-feira

VALPARAÍSO, CHILE - A chama do ouro olímpico continua acesa. Mesmo sem fazer uma bela partida, o Brasil goleou a Colômbia por 3 a 0, ontem, em Valparaíso (Chile), exorcizando o pesadelo da eliminação no Pré-Olímpico e, conseqüentimente, a humilhação de ficar fora da Olimpíada de Atenas, em agosto. Quarta-feira, o time estréia no quadrangular final da competição, enfrentando a Argentina.

Nem bem se recuperou do trauma da repescagem, a Seleção sub-23 já terá outro complicado desafio. Não bastasse a eterna rivalidade entre brasileiros e argentinos, a equipe de Marcelo Bielsa foi a primeira colocada do Grupo B. Menos mal que nesta fase não tem mata-mata: as quatro seleções jogarão entre si, e somente as duas melhores carimbam o passaporte para Atenas.

Pode-se dizer que foi a partida da superação. O Brasil, depois de estrear como favorito, decepcionou nos empates contra Uruguai e Chile. A bem da verdade, em suas quatro apresentações na primeira fase, o futebol-show ficou na saudade. A situação se complicou com as suepensões de Diego e Fábio Rochemback. E Ricardo Gomes, com o peso da temida eliminação nos ombros, perderia o emprego.

Dudu Cearense, Daniel Carvalho e Marcel (substituto de Dagoberto, lesionado) dividiram a responsabilidade com os titulares e fizeram bem a sua parte. Exceto no primeiro gol, o trio atuou diretamente na construção do placar.

A Seleção abriu a contagem aos 11 minutos. Elano cobrou escanteio da direita e Alex, em jogada idêntica à do gol contra o Chile, testou no ângulo. Domínguez e Enciso andaram perturbando a área brasileira. Só que Gomes e o setor defensivo deram conta do recado. Daniel Carvalho, cobrando falta com perigo, aos 38, assustou a bola tirou tinta do ângulo de Marínez.

No segundo tempo, logo a 1 minuto o Brasil ampliou. Robinho, em jogada individual, invadiu a área e chutou cruzado. O goleiro bateu roupa e, no rebote, Marcel só escorou: 2 a 0.

Para alívio brasileiro, Valencia foi expulso aos 10, após falta em Robinho. Com um jogador a mais, não foi difícil chegar ao terceiro. E ele veio aos 36, numa linda tabela entre Elano e Dudu Cearense, que tocou na saída de Martínez.

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Concessões perigosas
PAULO BROSSARD/ Jurista, ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal

Dos direitos e garantias fundamentais enunciados na Constituição Federal pode-se dizer tudo, menos que não tenham invulgar amplitude. É a mais extensa e minuciosa de quantas figuraram em nossas leis constitucionais desde a imperial de 1824. Compreende-se que assim tenha sido concebida, pois, elaborada após demorado período de violência de toda ordem e desatinos de toda natureza, era natural que a dolorosa experiência recente estimulasse o zelo do legislador de modo a coibir abusos sempre possíveis, especialmente em momentos difíceis e turbulentos.

No entanto, passados os períodos de insegurança, parece crescer a tolerância, senão a complacência com certas permissões perigosas, que começam por abrir, mais ou menos, um pouco hoje, outro amanhã, cláusulas peremptórias em sua formulação, destinadas à proteção da pessoa humana, destinatária real e intransferível da norma legal. Quantas vezes não se tem ouvido manifestações que indicam o menosprezo a um dos tantos pontos altos do sistema de garantias pessoais relativos à intangibilidade do direito adquirido?

Em função da experiência, não apenas nossa, mas ainda das nações mais antigas e desenvolvidas, a Constituição prescreveu e prescreve que a lei não poderá atingir o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; desse modo a pessoa, seja ela qual for, é protegida de eventual arbítrio do poder do Estado em seu segmento legislativo. No entanto, quantas vezes a referência ao direito adquirido não é acompanhada de remoques tendentes a assimilar e confundir o direito ao abuso adquirido? É apenas um exemplo meramente indicativo de uma mentalidade que resiste ao mandamento expresso da lei das leis.

Outro exemplo pode ser apontado em convênio elaborado entre o Banco Central e tribunais superiores da República, para facilitar a tramitação de pedidos de quebra de sigilo bancário de correntistas, bloqueio e desbloqueio de contas; ao que me consta, nunca o Judiciário foi lerdo em deferir medidas dessa ordem, quando razoavelmente fundamentadas. Mas abrir as portas à devassa em nome da celeridade é um perigo, ou pode ser perigo e perigo sério, quando a Constituição afiança que "são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação".

São invioláveis, preceitua a Constituição, no entanto, e a despeito do caráter peremptório da norma, parece que nunca a intimidade das pessoas foi trateada de maneira tão variada e insolente. E o que é mais grave, coisa que não havia quando a sua inviolabilidade não estava proclamada em texto constitucional.

O fato é tão chocante, que não faltará quem, jocosamente, venha a propor a supressão da norma em causa, uma vez que, antes de ela prescrever a inviolabilidade da intimidade em termos amplos e irrestritos, inocorria a afronta generalizada e desmedida como veio a suceder, e já agora com a colaboração do Banco Central e de tribunais da República. Isto é que dá ao caso um toque singular de gravidade. Faz lembrar famosa sentença de Rui Barbosa, "não há tribunais que bastem para abrigar o direito quando o dever se ausenta da consciência dos magistrados". Dos juízes e dos serviços criados para cuidar do pontual funcionamento do sistema bancário nacional, como é o caso do Banco Central.

É inegável a ocorrência dessas transigências. Não faltará quem diga que a providência se destina a sonegadores ou coisa que o valha, o que é outra justificação falsa e perniciosa, pois a medida nivela a todos, sejam pessoas exemplares ou não, e a insegurança estabelecida a todos atinge, malfaz a sociedade e deteriora a dignidade da lei e seu quilate; o mal que concessões dessa ordem geram e multiplicam é sem conta e tanto maior quando as mais das vezes não chega a ser visto, senão depois de consumado.

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Luis Fernando Verissimo
19/01/2004


A escolha

O homem se apresentou, mostrou as credenciais e disse que tinha uma proposta para fazer.

- Proposta? - disse a mulher.

- Antes, quero lhe informar que tudo foi feito de acordo com a lei. Tínhamos autorização.

- Tudo o quê?

- As gravações.

- Que gravações?

- Os telefones desta casa estavam grampeados. Estão grampeados.

- Ah, é?

- Temos gravações de todas as chamadas feitas e recebidas nestes telefones nos últimos oito meses.

- Ah, é?

- E a senhora sabe o que isso significa.

- Ah, é?

- Não sabe?

- Eu... Mas estavam gravando por quê?

- Seu marido está sendo investigado há um ano, minha senhora. É a operação Gato Grande. Sabíamos que ele era culpado, mas precisávamos de provas. Grampeamos os telefones do escritório dele e os daqui, da sua casa. E ficamos sabendo coisas muito interessantes. Não a respeito dele. A seu respeito.

- Ah, é?

- É.

- E qual é a sua proposta?

- Conte-nos tudo que sabe sobre os negócios do seu marido, inclusive as contas no Exterior. Ele nunca ficará sabendo que a senhora nos contou, e nunca ficará sabendo das suas conversas com o Osvaldo e os encontros marcados no motel. A senhora pode escolher. Ou nos diz tudo o que sabe sobre os negócios do seu marido, e neste caso nós destruímos as fitas, ou não coopera conosco e o seu marido ouve as fitas comprometedoras, que podem muito bem, por um descuido nosso, também aparecer na imprensa.

- Obrigada. Quer dizer que as fitas me comprometem, mas não há nada nelas que comprometa meu marido?

- Correto. Ele, aparentemente, desconfiava do grampo e cuidava o que dizia. Coisa que a senhora não fazia, quando falava com o Osvaldo.

- Minha escolha, então, é entre destruir meu casamento e destruir meu marido. O que também destruiria o casamento.

- Não necessariamente. O casamento não resistiria a um escândalo amoroso, mas pode resistir a um escândalo financeiro. Seu marido preferiria ser conhecido como corrupto, que até lhe daria um certo status em alguns círculos, a ser conhecido como corno. E a senhora poderia permanecer ao seu lado, apoiando-o durante a investigação, protestando a sua inocência e dando um belo exemplo de fidelidade conjugal.

- Vejo que o senhor é um conhecedor da alma humana.

- Da alma brasileira, minha senhora. Da alma brasileira. É uma especialização. E então? Qual é a sua escolha?

- Hummm... - disse a mulher.

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Paulo Sant'ana
19/01/2004


Japonês é mais honesto

Existem povos mais honestos do que os outros? Aparentemente todos os homens são iguais em caráter.

Mas não o são em formação, a julgar pelo que acontece no Japão, onde rigorosamente todos os objetos perdidos e valores que são encontrados em qualquer lugar e na rua são devolvidos aos seus donos ou recolhidos a um setor onde ficam à disposição de seus proprietários.

Ninguém toca no que acha na rua, a não ser para fazer a entrega às autoridades.

Na Tóquio de 8 milhões de habitantes ou na sua região metropolitana de 33 milhões de almas, esquecer o telefone celular no banco traseiro de um carro não significa maior problema: é praticamente certo que o dono do aparelho perdido no dia seguinte se reencontrará com seu aparelho, ele será devolvido imediatamente por quem o encontrou.

É quase inacreditável, mas só em 2002 foram devolvidos aos seus donos o equivalente a US$ 23 milhões em dinheiro vivo que foram encontrados nas ruas, em repartições públicas, bares e restaurantes.

Qualquer maço de dinheiro encontrado por ter sido perdido pelo seu dono é encaminhado aos diversos centros de achados e perdidos que existem na capital japonesa.

E praticamente basta que o dono do dinheiro perdido convença a polícia de que era sua a quantia, que ela lhe será devolvida. Setenta e dois por cento desses dólares perdidos por seus donos foram devolvidos em 2002.

É uma tradição milenar japonesa que as pessoas devolvam objetos e valores perdidos.

As crianças são educadas desde cedo para não levarem para casa o que encontram nas ruas.

Até repolhos, rabanetes, laranjas, são devolvidos. Antes a polícia vendia a preço de pechincha para os que os encontravam os legumes e as frutas. Hoje, são jogados no lixo, com medo de contaminação.

Entre os objetos perdidos, os de maior número são os guarda-chuvas, só em 2002 foram recolhidos 330 mil, ou seja, 3,2 mil a cada chuvarada.

Apenas 0,3% dos guarda-chuvas perdidos foram procurados por seus donos.

Esse apuro moral dos japoneses por devolverem tudo que encontram perdido sobreviveu até à derrocada econômica: aumentou o nível da criminalidade, mas ninguém fica com o que não lhe pertence.

Isso é o que se pode chamar de questão de princípios de um povo.

Entre as formandas do curso de Nutrição da Faculdade Metodista do IPA, recebeu ontem o seu diploma Cláudia Quadros Carvalho, filha do nosso chargista Marco Aurélio.

É incrível que o bebê Claudinha que parece conheci ontem nos braços de sua mãe, a minha amiga Sheila, tenha já curso superior e começa já a realizar-se profissionalmente.

Um abraço para a formanda e seus pais.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Competição
Agora é a Argentina



Brasil de Dudu Cearense ganhou de 3 a 0 da Colômbia e enfrenta os argentinos, quarta-feira, no Pré-Olímpico (Carlos Barria, AP/ZH)


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Domingo, Janeiro 18, 2004




Rio, 18 de janeiro de 2004 Versão impressa


Dia de rei do Andaraí

Elizabete Antunes

Vestindo uma camiseta com a frase "A gente faz paz", calça jeans, tênis e mochila, Marcos Palmeira aceita o convite da Revista da TV para visitar o Andaraí. O bairro, do qual o produtor de cinema Fernando Amorim, seu personagem em "Celebridade", não arreda o pé, também é velho conhecido do ator. Lá, assim como faz na novela, o intérprete costumava suar a camisa jogando futebol com os amigos. ("Pegava ônibus e vinha para cá bater uma bolinha", recorda-se ele, morador da Zona Sul).

O tempo passou e os campinhos mostrados na ficção não são mais como no tempo de Dondon, como diz a música de Nei Lopes. Mas a vizinhança-que-conhece-todo-mundo permanece. E Marcos Palmeira entra no clima quando, andando pelas ruas, é reconhecido pelos moradores, no início incrédulos diante do protagonista da trama de Gilberto Braga.

- Estou me sentindo em casa. Há muito tempo não vinha aqui. Estou até parecendo o rei do Andaraí - brinca o ator.

- Mas ele fica mais bonito sem a tiara - diz Wânia Wong.

Descendente de chineses, ela é dona da pastelaria onde o ator parou, sentou e conversou com os fãs.

- O arquinho foi uma proposta da Marília Carneiro ( figurinista ) e virou polêmica. Mas há quanto tempo os homens já usam isso? Às vezes, uso no meu dia-a-dia. Não acho que fragilize a minha imagem - defende ele, que estava sem o acessório.

O fato de ser pai de dois adolescentes no folhetim também causou alvoroço no público e até na família do ator, que tem 40 anos, não tem filhos e jura que está solteiro.

- Minhas tias falam: eles são muito velhos para serem seus filhos! Aí respondo, brincando: então manda uma carta para os jornais ou reclama com o autor - diz. - Nunca julgo novela e não quero julgar se o meu papel poderia ser melhor ou não. Claro que o vilão tem um charme a mais, os bonzinhos são mais difíceis, por serem politicamente corretos. Mas sinto-me honrado de estar numa obra do Gilberto Braga. E há uma química de muito afeto entre o Fernando e o Inácio ( Bruno Gagliasso ).

E química com Maria Clara (Malu Mader), existe?

- Tem saído na imprensa que eles não têm. Talvez ainda estejam discutindo muito a relação, mas têm sim. Na verdade, acho que 2003 não foi um grande ano para mim. Criticaram muito o filme "Dom" também - conta ele, que reestreou a peça "Mais uma vez amor", com Guta Stresser.

Para atravessar o túnel, ou seja, sair do seu apartamento no Jardim Botânico, o ator sacolejou numa van com a equipe de reportagem por mais de meia hora. Dia de chuva, enfrentou engarrafamento, mas não perdeu o bom humor. Ao passar em frente ao Maracanã ...

- Ah, o meu Maraca! Há um tempão que eu não venho aqui - suspira o vascaíno roxo e indignado. - Em São Januário, enquanto o presidente for o Eurico Miranda, não piso.

No trajeto, além de futebol e novela, Marcos Palmeira fala sobre violência, meio ambiente, Bush, governo Lula. Diz que está revoltado com muita coisa. Mas a indignação não resiste muito tempo. Na volta, comenta a paisagem tijucana:

- Bonita essa pracinha, né? Sou apaixonado pelo Brasil. O Fernando nesse ponto se parece comigo. Adoraria bater um papo com ele.

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autor@paulocoelho.com.br

Para uma mulher que é todas as mulheres

Uma semana depois de terminada a feira de livros de Frankfurt de 2003, recebo um telefonema de meu editor da Noruega: os organizadores do concerto a ser realizado para o Prêmio Nobel da Paz, a iraniana Shirin Ebadi, solicitam que eu escreva um texto para o evento.

É uma honra que eu não devo recusar, já que Shirin Ebadi é um mito: uma mulher de 1,50 metro de altura, mas com estatura suficiente para fazer com que sua voz, em defesa dos direitos do homem, seja ouvida nos quatro cantos do mundo. Ao mesmo tempo, é uma responsabilidade que me deixa um pouco apreensivo o evento será transmitido em 110 países, e eu tenho apenas dois minutos para falar sobre alguém que dedicou sua vida inteira ao próximo. Caminho pelas florestas ao lado do moinho onde vivo quando estou na Europa, penso várias vezes em telefonar dizendo que estou sem inspiração.

Entretanto, o mais interessante na vida são os desafios que enfrentamos, e termino aceitando o convite.

Viajo para Oslo em 9 de dezembro, e no dia seguinte um lindo dia de sol estou na platéia, na cerimônia de entrega do prêmio. As amplas janelas da prefeitura permitem ver o porto onde mais ou menos na mesma época, 21 anos atrás, eu estava sentado com minha mulher, olhando o mar gelado, comendo camarões que tinham acabado de chegar nos navios pesqueiros. Penso no longo percurso que me levou daquele porto até aquela sala, mas as lembranças do passado são interrompidas pelo soar de trombetas, a entrada da rainha e da família real. O comitê organizador entrega o prêmio, Shirin Ebadi faz um veemente discurso denunciando o uso do terror como justificativa para a criação de um estado policial no mundo.

À noite, no concerto em homenagem ao premiado, Gatherine Zetha-Jones anuncia meu texto. Neste momento, aperto um botão do meu celular, o telefone soa no velho moinho (tudo já previamente combinado), e minha mulher passa a estar ali comigo, escutando a voz de Michael Douglas enquanto ele lê minhas palavras.

A seguir, o texto que escrevi e que penso se aplicar a todos aqueles que lutam por um mundo melhor:
Disse o poeta Rumi: a vida é como se um rei enviasse alguém a um país para realizar determinada tarefa. A pessoa vai e faz uma centena de coisas mas se não tiver feito aquilo que lhe foi pedido, é como senão tivesse feito absolutamente nada Para a mulher que entendeu sua tarefa. Para a mulher que olhou para a estrada diante dos seus olhos, e entendeu que sua caminhada ia ser muito difícil. Para a mulher que não procurou minimizar estas dificuldades: ao contrário, as denunciou e fez com que fossem visíveis.

Para a mulher que deixou menos solitários os que estão sós, que alimentou os que tinham fome e sede de justiça, que fez o opressor sentir-se tão mal como o oprimido. Para a mulher que sempre mantém suas portas abertas, suas mãos trabalhando, seus pés em movimento. Para a mulher que personifica os versos de outro poeta persa, Hafez, quando diz: nem mesmo sete mil anos de alegria podem justificar sete dias de repressão.

Para a mulher que está aqui está noite: que ela seja cada um de nós, que seu exemplo se multiplique que ela ainda tenha muitos dias difíceis pela frente, de modo que possa completar seu trabalho. Assim, para as próximas gerações, o significado de injustiça será encontrado apenas nas definições dos dicionários, e jamais na vida de seres humanos. Que sua caminhada seja lenta, porque seu ritmo é o ritmo da mudança E a mudança, a verdadeira mudança, sempre leva muito tempo para acontecer.


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