> E N T R E L A Ç O S ENTRELAÇOS

INTERESSES DO BLOG
Voces encontrarão aqui muitas figuras construidas em Flash, Fireworks, Swift3D e outros aplicativos. Encontrarão também muitas crônicas do Luiz Fernando Veríssimo, Martha Medeiros, Macaco Simão e de outros jornais diários e de revistas semanais, fundamentalmente, dos colunistas elencados a esquerda ai no Blog. Endereço para email: cassiano.leonel@terra.com.br e para observações e comentários utlize os links disponíveis nos próprios textos. Espero que ele seja útil a você de alguma maneira, pois esta é uma das razões dele existir.



Clique em baixo para ver um mapa de r caldas junior - PORTO ALEGRE







Escreva seu nome?

Escreva de onde você é?

Escreva seu E-mail?




SubmitFree: Submit to 25+ Search Engines for free !!!! Clique aqui!
MUSAS DO CARNAVAL


on-line





Visit W3Schools

XHTML School


Support Peace Action!



BLOGS QUE EU RECOMENDO






Get Garfield emailed to you every day from uComics.com...for FREE

Looking for laughs? Come on over to Garfield's official Web site. You'll really dig it!


LINKS LEGAIS


LINKS PARA JORNAIS


COLUNISTAS QUE EU POSTO


Ordem e Bloguesso
OUTRAS PÁGINAS DO AUTOR




MULHERES NO CINEMA


O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil






Arquivos



Powered by
Cassiano
[Powered by Blogger]

E N T R E L A Ç O S

Sábado, Janeiro 31, 2004




A liturgia dos bancos centrais
"Os bancos centrais devem ser extremamente cuidadosos com sua comunicação e com a liturgia da deliberação"

As decisões de bancos centrais sobre taxas de juros afetam um universo imenso de relações econômicas, e esse efeito é tanto maior quanto mais ofendem as expectativas do mercado. Na verdade, a política monetária deve ser vista como um jogo de formação de expectativas, em que os BCs devem ser extremamente cuidadosos com sua comunicação e com a liturgia da deliberação. As informações que acompanham suas decisões com muita freqüência são muito mais importantes que a decisão em si.

Na semana passada reuniu-se o FOMC (o comitê de política monetária Copom do banco central americano) e foi publicado um "comunicado à imprensa", de meia página, anunciando o que todos já sabiam, ou seja, que a taxa de juros deles permaneceria inalterada em 1%. Quase simultaneamente nosso Banco Central fez publicar a ata da reunião do Copom da semana anterior, que decidiu manter inalterada a taxa de juros básica em 16,5%.

Por surpreendente que pareça, os efeitos sobre os mercados do mundo inteiro do comunicado do FOMC foram devastadores. No comunicado anterior, de 9 de dezembro, eles diziam que "o comitê acredita que a política de acomodação (leia-se juros de 1% anuais) pode ser mantida por um período considerável". No comunicado de agora (28 de janeiro), esta frase foi substituída por "o comitê acredita que pode ser paciente em remover sua política de acomodação", e foi por isso que os mercados desabaram em toda parte, acredite se quiser.

Cá no Brasil, a Ata da 92ª reunião do Copom é um longo documento escrito em um economês carregado no qual é difícil encontrar as mensagens ali colocadas com imenso cuidado, até porque, às vezes, não há mensagem nenhuma. Tenha-se claro que as atas não são gravações das reuniões e tampouco trazem coisa alguma sobre dúvidas, medos, ansiedades, especulações e cogitações dos participantes. Na esmagadora maioria dos casos, são apenas leituras comentadas de estatísticas, sempre vagas e subjetivas como as próprias decisões.

Com efeito, não importa quantas virgens são imoladas no altar da transparência, as decisões do Copom são matéria de julgamento, subjetivas portanto, nunca é possível explicá-las por "a" mais "b", embora sempre exista ex post facto (depois de fato) muito do que nossos amigos portenhos chamam de "carreras del domingo con el diario del lunes", ou seja, boas teorias para fazer previsões sobre as razões do BC para ter feito o que fez.

Modelos matemáticos e simulações são relevantes nas decisões do Copom e do FOMC. Mas, como ensina um antigo membro do FOMC, Alan Blinder, em seu livro de memórias, eles, nos EUA, olham com grande respeito para os modelos econométricos, porém os senhores membros do comitê, implícita ou explicitamente, associam enorme importância ao que ele chamou de uncle asking, algo como "perguntar a seu tio", ou a seu cunhado, que sempre terá uma teoria sobre o estado da economia.

O mesmo vale para os "indicadores" apresentados pelas entidades de classe, pelos circunstantes, parentes e agregados dos diretores, os quais, por sua vez, também desenvolvem sua própria métrica para o comportamento da economia. Conta-se que um certo diretor do BC reparava muito nas filas dos restaurantes ou nos engarrafamentos no Baixo Leblon para avaliar o que fazer com os juros; muita fila, muita gente na rua para comer fora, é porque o juro está baixo, dizia. Podia ser brincadeira, mas tinha efeito muito concreto no clima da reunião.

Nunca essas razões e impressões vão aparecer nas atas do Copom, cujo propósito é dirigir-se ao mercado para lhe fornecer segurança. Alan Greenspan, um mestre nessa arte, sempre a exercita exibindo um talento inigualável para pequenos enigmas, para filigranas estatísticas de importância menor mas que poderiam, se devidamente trabalhadas, estar indicando alguma coisa meio relevante que ninguém reparou, pois é o detalhe do detalhe. Invariavelmente cansado, o interlocutor termina convencido não tanto da minúcia e da relevância na análise, mas do extremo cuidado de Greenspan com julgamentos de ordem subjetiva. No fundo, é disso que se trata.

Gustavo Franco é economista da PUC-RJ e ex-presidente do Banco Central (gfranco@palavra.com -­ www.gfranco.com.br)

Comments:




Diogo Mainardi
Aldo, o magnífico

"Aldo Rebelo é tão nacionalista que luta, com muita coragem, pela abolição do pão francês. Ele apresentou um projeto de lei que obriga a adição de farinha de raspa de mandioca à de trigo. Com a modernidade de Rebelo, o futuro do governo Lula está garantido"

Aldo Rebelo é um dos políticos mais admiráveis que o Brasil já teve. Sua nomeação para o ministério do governo Lula consagra uma carreira marcada pela defesa intransigente das cores nacionais. Ele ficou conhecido em todo o país pelo projeto de lei que proíbe o uso de estrangeirismos na língua portuguesa. Mas não é sua única iniciativa meritória em prol da pátria. Aldo Rebelo é tão visceralmente nacionalista que também luta, com muita coragem, pela abolição do pão francês.

Estamos no Brasil, não na França. Então não há motivo para comer pão francês. O pão francês é o instrumento através do qual as forças espúrias do imperialismo se insinuam na consciência nacional. O pão genuinamente brasileiro não é o de trigo, mas o de mandioca. De fato, Aldo Rebelo apresentou um projeto de lei que obriga a adição de farinha de raspa de mandioca à farinha de trigo. No Brasil, as autoridades têm o costume de adicionar certa porcentagem de um produto a outro: álcool é adicionado à gasolina, coliformes fecais são adicionados à água do mar, doações de campanhas eleitorais são adicionadas aos salários dos servidores públicos. A tal propósito, a reforma ministerial criou quase 3.000 novos cargos. Uma porcentagem dos proventos dos novos contratados será desviada para abastecer o caixa do PT, sob a forma de contribuição voluntária ao partido.

O primeiro ano do governo Lula foi muito ruim. O segundo certamente será melhor. Basta aproveitar direito o talento renovador de Aldo Rebelo. Pouco tempo atrás, ele lançou a idéia de proibir a adoção, pelos órgãos públicos, de qualquer tipo de inovação tecnológica poupadora de mão-de-obra. O princípio responde aos mais rígidos critérios de gerenciamento administrativo. De acordo com o projeto de Aldo Rebelo, quanto mais funcionários forem usados para executar um trabalho, melhor. Se uma repartição inteira puder ser substituída por um simples computador, deve-se abolir o computador.

Aldo Rebelo considera justamente que a administração pública é rápida demais, barata demais, eficiente demais. Precisamos inchá-la ao infinito. Foi o mesmo raciocínio que o levou a condenar a adoção de catracas eletrônicas em veículos de transporte coletivo. Por que adotar uma máquina alienígena se por meio do salário mínimo podemos empregar um legítimo cobrador nordestino?

Outros importantes projetos legislativos de Aldo Rebelo foram o exame obrigatório de DNA antes da cremação de cadáveres, a construção de um campo de futebol para cada 1 000 unidades habitacionais e a proibição de pagamento de royalties (o estrangeirismo foi usado pelo próprio Aldo Rebelo, não por mim) entre multinacional e subsidiária. A indústria farmacêutica nacional gostou tanto do último ponto que se tornou a maior financiadora das campanhas eleitorais do novo ministro.

Na última legislatura, Aldo Rebelo também tentou garantir um salário-desemprego de oito meses a todos os trabalhadores desocupados com mais de 50 anos. Vamos ver se, na condição de principal articulador político do governo, ele levará adiante a proposta.

Com o cosmopolitismo e o espírito de modernidade de Aldo Rebelo, o futuro do governo Lula está garantido. Azar das catracas eletrônicas. Azar do pão francês.

Comments:




Relações exteriores
A Índia que o Brasil deveria ver

Com reformas corajosas, abertura econômica e simplificação burocrática, a Índia que Lula visitou se tornou um país emergente considerado por muitos analistas mais promissor que a China

Eurípedes Alcântara

Ed Ferreira/AE

Lula na festa nacional da Índia: o lado pitoresco é o menos interessante

O programa educativo de milhagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prosseguiu na semana passada com uma viagem de quatro dias à Índia. País de cultura milenar, até 1947 uma colônia inglesa, a Índia nos últimos anos está ganhando espaço no cenário mundial com crescimento econômico acelerado e o perfil de uma potência comercial no campo da alta tecnologia. Lula acredita no poder das viagens. No começo da vitoriosa campanha eleitoral que o levou à Presidência da República, ele dizia ser o maior conhecedor do Brasil por ter viajado o país "de norte a sul, de leste a oeste".

Na Índia, para uma platéia de empresários brasileiros e indianos, ele conclamou os exportadores do Brasil a "vender mais e reclamar menos". No dia seguinte, disse que sua bronca valia apenas para os "empresários que não viajam e ficam no país esperando milagres". Com a compra de um Airbus zero-quilômetro, que está sendo adaptado para o uso presidencial, o modelo itinerante de governo é, até agora, a marca registrada de Lula no poder.

Na Índia, o presidente exibiu uma permanente expressão de espanto diante dos cenários pitorescos, elefantes e camelos da parada de comemoração ao Dia da República a que assistiu como convidado de honra. Lula e comitiva despediram-se do país sem um comentário sobre a revolução comercial, de costumes e de modernização econômica da Índia, um processo que, em alguns aspectos, poderia ser de muita utilidade para o Brasil. Sua guinada para a economia de mercado aberta e competitiva veio com atraso em relação à vizinha China e aos demais países emergentes, mas foi a que mais resultados conseguiu no curto prazo. No fim dos anos 80, a Índia era uma ostra.

O capital estrangeiro só podia entrar no país em associações minoritárias com os empresários locais, em geral testas-de-ferro de políticos corruptos. Isso acabou. Andy Grove, o fundador da Intel, fabricante de chips de computador que domina o mercado, fez recentemente um resumo da formidável guinada indiana: "Em pouco mais de dez anos de agressiva abertura econômica, a Índia plantou as raízes de uma promissora democracia de mercado e, nesse ritmo, pode ameaçar até a China como país emergente mais promissor". A Índia é o único lugar fora dos Estados Unidos em que a Intel, além de fábricas, montou um avançado centro de pesquisa e desenvolvimento de novos chips.

Comments:




Ed Ferreira/AE

O presidente indiano, Abdul Kalam, em conversa com Lula no palácio de Rashtrapati, onde o brasileiro se hospedou

O país acordou para as reformas quando estava à beira do caos, no começo da década passada. Melhorou muito nesse período, mas seu déficit social é ainda atemorizador. Todo viajante brasileiro se espanta com o grau de miséria e sua exibição pública na Índia. O país ocupa o 127° lugar no IDH, o Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. O Brasil é o 65º colocado. Mais de um terço dos indianos, cerca de 350 milhões, sobrevive com menos de 1 dólar por dia. Multidões nascem, vivem e morrem nas ruas das grandes metrópoles como Bombaim (hoje, Mumbai) e Calcutá sem nunca ter tido um teto. O número absoluto de analfabetos é o maior do planeta, mais de 300 milhões. Vastas regiões do país vivem em constante estado de tensão em virtude do conflito religioso entre muçulmanos e hindus. O Brasil tem um dos maiores graus de mobilidade social do mundo. No extremo oposto, a sociedade indiana sofre o mal terrível da estratificação social imutável. Os seguidores do hinduísmo, a maioria religiosa do país, dividem-se ainda em castas. O último censo indiano mostrou que existem 150 milhões de párias, ou "dalits" ("intocáveis"), a escala mais baixa do sistema de castas. A maioria dos "dalits" são serventes e faxineiros. A simples existência deles é uma vergonhosa herança cultural que uma Índia moderna terá de confrontar.

AP

Escola na região de Bangalore: obsessão pela alta tecnologia

Mas muita coisa está sendo feita para melhorar a situação. Aos poucos começa a ser contada no Ocidente a luta de uma vanguarda de empresários, políticos visionários, economistas e intelectuais indianos para modernizar um país culturalmente acomodado e miserável. Há cinco anos a economia indiana vem crescendo em média 6% ao ano. É o dobro do ritmo de crescimento da economia mundial no período, quase o triplo do brasileiro. Desde 1995, o tamanho da classe média indiana dobrou, chegando a quase 100 milhões de pessoas. "Nossa onda de reformas foi bem-sucedida porque mexeu com todos os aspectos de nossa vida, especialmente nossa resistência cultural a tudo que vem de fora", diz Atal Behari Vajpayee, o primeiro-ministro indiano, de 79 anos.

A Índia tomou medidas drásticas para exorcizar a lembrança de um país que hostilizava os estrangeiros. Investidores de fora podem agora ser donos de 100% de quase todo tipo de negócio no país. Exceção quase simbólica ainda são os bancos, cujos sócios estrangeiros podem ter no máximo 98% das ações. Marcas famosas que foram clonadas e pirateadas na Índia, prática corriqueira no passado, podem hoje ser retomadas sem burocracia por seus legítimos donos. Ainda assim, em virtude da pesada herança de abusos, a Índia recebeu, em média, apenas um décimo do investimento estrangeiro que foi para a China anualmente na segunda metade da década passada. Cerca de 4 bilhões de dólares contra 50 bilhões de dólares. "É pouco dinheiro de fora, mas seu valor vem dobrando a cada ano", lembra o primeiro-ministro Vajpayee. A grande aposta atual do governo indiano é a aprovação pelo Parlamento da lei que dá origem às SEZ, zonas especiais de economia, que, a exemplo da experiência chinesa, pretendem criar regiões desburocratizadas, com tarifa zero de importação e com foco nas vendas externas.

Comments:




Em 1999 havia um único shopping center na Índia. Hoje são mais de 150, e a classe média cresce a cada ano

O governo indiano vem dando sua contribuição com o aumento da oferta de crédito às empresas, com a punição dos corruptos e a diminuição dos impostos e da imensa árvore burocrática. A Índia também vem acumulando reservas internacionais. Com mais de 100 bilhões de dólares em caixa, o país tem dinheiro suficiente para pagar todas as suas obrigações externas pelos próximos dois anos mesmo que não atraia nem um dólar e não exporte nada. Na semana passada, a agência internacional de avaliação de risco Moody's Investors Service elevou a Índia à categoria de "grau de investimento". Com isso, a Moody's informa a seus clientes que os riscos de colocar dinheiro na Índia, segundo sua avaliação, não são muito diferentes dos de investir na Europa ou nos Estados Unidos. O México já havia conquistado essa avaliação há dois anos. Também estão nesse caso países como El Salvador, Cazaquistão e Rússia, entre os mais inesperados. O Brasil está cinco degraus abaixo deles todos. "Os indianos estão fazendo um esforço gigantesco para criar um ambiente oficial favorável aos negócios. Até a corrupção e as fraudes, quase um monopólio estatal na Índia pré-reforma, agora ocorrem mais dentro das próprias corporações sem envolvimento de funcionários públicos", diz Norman Inkster, da empresa de consultoria KPMG.

A mais extraordinária face da revolução indiana é seu foco naquilo que a elite do país tem de melhor, a competência acadêmica nas áreas de matemática, física e, mais recentemente, de software. Uma das heranças mais marcantes dos três séculos de dominação britânica na Índia é o sistema de ensino. Os ingleses deixaram na antiga colônia o gosto pelas ciências exatas e uma tradição de ensino rigoroso e criteriosa avaliação de desempenho. "Esse foi um dos poucos casamentos férteis entre as duas culturas, a européia e a nativa indiana", diz o escritor V.S. Naipaul, de origem indiana mas que só conheceu o país de seus avós já adulto, em 1962. Seis indianos já foram agraciados com o Prêmio Nobel. O poeta Rabindranath Tagore, autor também do hino nacional da Índia, inaugurou a fabulosa tradição em 1913, agraciado por seus escritos em língua inglesa.





Comments:




Doce Morena

Juliana Knust, a Sandra de Celebridade, brilha com seu jeito de boa moça e figurino carioca dentro e fora da televisão
Clarissa Monteagudo



Com estilo romântico e contemporâneo, Juliana usa blusa com estampa floral (R$ 119), bermuda e sandálias da marca Salinas (R$ 99 e R$ 39, respectivamente)

Quero ser a Sandra. É esse o desejo das adolescentes que abordam a atriz Juliana Knust, 22 anos, nas ruas. Destaque em Celebridade, a personagem virou sonho de consumo das meninas: divide-se entre os galãs Paulo Vilhena e Bruno Gagliasso, é a sobrinha gente-boa e queridinha de Maria Clara Diniz, além de exibir um figurino e um bronzeado capazes de encher os olhos femininos e masculinos. Apesar dos boatos que ora lhe fazem de par de Bruno, ora a apontam como namorada de Paulinho na vida real Juliana, aos 22 anos, garante que está solteira. E até admite uma certa carência, agora que está morando sozinha e terminou um namoro de quatro anos e meio. Eu me sinto sozinha, principalmente porque saí da casa dos meus pais, estava acostumada ao movimento. Agora, bate uma tristeza, uma certa deprê, mas não deixo tomar conta de mim. Ligo para amigas, vou ao cinema, tudo para melhorar o astral. Até namorando a gente tem que ter consciência de que é capaz de se fazer feliz sozinho, prega.

Se pudesse escolher entre o tímido Inácio, de Bruno, e o sedutor Paulo César, Juliana não pensaria duas vezes: O surfista é mais atraente, é o garotão do Rio de Janeiro. Mas para namorar, a história seria outra: O Paulo César seria para curtir e o Inácio para ficar mais sério. Homem galinha não dá, decreta a moça, criada em Niterói. Aos 15 anos, Juliana estreou na TV como a gorducha Laura, de Malhação. Teve que ganhar oito quilos para viver a personagem. Aceitei na hora. Fiquei feliz porque estava trabalhando. Mas paguei um certo preço, meu metabolismo mudou muito, era muito nova. Hoje, tenho certa tendência a engordar, estou sempre fazendo regime, conta a moça, que chegou a passar mal por exagerar na dieta. Agora, mais equilibrada, nem os boatos sobre namoros a perturbam. Não quero ficar tachada como a garota que quer beijar na boca, zoar e curtir. Minha mãe, quando ouve um boato sobre mim, me liga para saber se é verdade. Mas sou tranqüila. Não gasto energia com o que não merece, resume.

Virgem

FIGURINO. Segundo a figurinista Marília Carneiro, o visual criado para Sandra, personagem de Juliana na novela Celebridade, tem a cara do Rio: Misturo peças meio patricinhas e meio românticas, diz Marília.

SEXO. A grande expectativa do público sobre Sandra é a perda da virgindade. Nunca fiz cena de sexo, mas confio no Dennis (Carvalho, diretor da novela). Não será preciso mostrar muita coisa, espera Juliana.

LIVRE. Morando num apartamento no Recreio dos Bandeirantes, Juliana está aproveitando a recém-conquistada liberdade. A casa tem meu jeito, as coisas que eu gosto, eu vejo filmes na hora que eu quero. Estou me conhecendo melhor.

NOVELA. Aposta de Gilberto Braga, Juliana, que começou a estudar teatro aos 12 anos, confessa ter sentido frio na espinha ao estrear na trama. Nas primeiras gravações, estava insegura, mas todos me ajudaram à beça.

Comments:




BOTAFOGO
É hora de vencer ou chorar
Após a derrota para o Americano, Botafogo pega a Portuguesa e novo insucesso praticamente o afasta da luta pelo título
José Luiz de Pinho

Ou vence a Portuguesa ou praticamente dá adeus ao título da Taça Guanabara. Esta será a realidade do Botafogo quando a bola rolar hoje, às 16h, no Estádio Luso Brasileiro, pelo Grupo A do Estadual. O Alvinegro está em terceiro lugar com três pontos, atrás de Vasco e Americano, que têm seis, mas o técnico Levir Culpi se recusa a assumir que a situação é crítica.

Todos sabem da importância da vitória e queremos vencer o jogo. Mas outros dois resultados são possíveis e se isso acontecer ainda poderemos ter uma combinação matemática que nos permitirá chegar ao título. Não acho absolutamente que o sinal de alerta esteja ligado para nós, afirmou o treinador.

Além da Portuguesa, que também soma três pontos no Grupo A, Levir está preocupado com as condições do Estádio Luso-Brasileiro, historicamente famoso pelo forte vento, que favorece a quem joga a favor dele.

Além do vento, não sabemos como estão as condições do gramado e o sol forte também é motivo de preocupação, admitiu.

Levir admite que o momento não é dos melhores para a equipe alvinegra, que carece de entrosamento. Ele ainda não pode contar com todos os titulares desde o início da competição. De fato, a condição de estrutura é muito ruim para nosso time se impor como Botafogo. Ainda não pudemos escalar sequer a equipe base devido às lesões. Mas esse ano tem tudo para ser melhor para o Botafogo do que em 2003, garante ele.

Como de hábito, ontem Levir não revelou a escalação, que só será anunciada hoje, momentos antes da partida. Mesmo com a recuperação de Camacho e Túlio, que estão livres das lesões no púbis e treinaram normalmente com bola, o técnico evitou confirmar suas estréias no Estadual.

Não queremos correr riscos, até porque dois ou três jogadores de outros clubes (entre eles Romário e Edmundo) já se machucaram e isso é perigoso. Vamos aproveitá-los na medida do possível. A maior preocupação é quanto tempo eles terão condições de jogar e não se vão entrar de início, disse Levir, que deve barrar Gedeil para a entrada de Túlio. Outras alterações certas: a entrada de Jorginho Paulista no lugar de Renatinho e a do atacante Hugo na vaga de Alex Alves, expulso contra o Americano.

Comments:




Ricardo Silvestrin
31/01/2004


O eterno retorno

Estava na praia, lendo feliz da vida História da Eternidade, do Jorge Luis Borges. No capítulo A Doutrina dos Ciclos, Borges fala sobre a idéia da repetição. Citando Nietzsche: "Esta lenta aranha arrastando-se à luz da lua, e esta mesma luz da lua, e tu e eu cochichando no portão, cochichando sobre coisas eternas, já não coincidimos no passado? E não voltaremos a percorrer o longo caminho, esse longo e terrível caminho, não voltaremos a percorrê-lo eternamente?"

Mais do que tomar partido, em três ensaios Borges passeia entre os diversos pensadores, desde Platão, que abordaram temas como eternidade, retorno, regresso. O mais bonito do livro, e talvez o mais bonito da obra de Borges, é o seu distanciamento reflexivo. As afirmações, os conceitos, as aventuras do pensamento são matéria para Borges extrair percepções, sensações e conclusões que mais do que fechar, abrem.

Olha só essa: "Em épocas de apogeu, a conjetura de que a existência do homem é uma quantidade constante, invariável, pode entristecer ou irritar: em tempos de decadência (como estes), é a promessa de que nenhuma afronta, nenhuma calamidade, nenhum ditador nos poderá empobrecer". A quantidade constante se refere ao que estaria na base da idéia do Eterno Retorno: o número finito de átomos que compõem o mundo. Sendo, portanto, finitas as combinações possíveis entre esses átomos. A partir disso, num determinado tempo, o mundo tenderia a se repetir. Quem nunca ouviu falar disso, como eu nunca tinha ouvido, deve achar que viajaram na maionese. Mas Borges não refuta nem confirma. Apenas mostra como esse pensamento pode servir para se pensar sobre ele. E o pensamento de Borges serve para eu pensar sobre.

E o meu serve para você pensar também. Infelizmente, o descanso na praia não foi regido pela idéia de eternidade. Acabou. Voltei para Porto Alegre e para tudo que a cidade me cobra diariamente. Já o eterno retorno se confirmou ante os meus olhos: fui ver Tangos & Tragédias acho que pela quarta vez. Pela teoria dos átomos acima, agora me dou conta, talvez não fosse o mesmo espetáculo. Talvez o Nico e o Hique fossem outros em outro tempo. E mesmo eu talvez fosse outro sem saber. E a Dona Eva Sopher na porta? Quantas Evas já teriam sido? Será que ela não é a Eva mesmo, lá da Bíblia? Levei minha filha, que tinha visto o espetáculo aos cinco anos. Hoje ela tem 15 e queria ver de novo.

Meu filho de seis anos também foi. Pela primeira vez? Na tarde do sábado, antes de ir ao show, estava cortando o cabelo. No salão, uma mulher falou para outra sobre a ida ao Tangos. Era a sua primeira vez e tinha adorado. A amiga nunca tinha ido. Fiquei pensado que era incrível, mas ainda existia gente que nunca tinha visto. À noite, o Theatro São Pedro estava lotado. E é assim em quase todos os dias das temporadas.

O roteiro do show mudou um pouco. Está com falas mais longas, às vezes beira mais o teatro. Mas o que sobrevive sempre é o talento musical dos dois. Nico é o máximo. Forte, irônico, lírico. É o mesmo desde o Saracura. Aliás, o fato do Saracura nunca ter voltado é o maior furo da lei do eterno retorno. Hique é magnético. Seus olhos sozinhos, sem o corpo, já bastariam para fazer o espetáculo. Repetir que a Sbórnia era ligada ao continente por um istmo é um convite irrecusável. Se eu vivesse 300 anos, repetiria.

E dizer que Nietzsche formulou tudo sem ver o Tangos & Tragédias. Ou, tudo o que formulou, era, sem ainda ser, Tangos & Tragédias.

ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

Comments:




Lya Luft
31/01/2004


O enroladinho verde

Com as perdas, só há um jeito: perdê-las. Com os ganhos, o melhor é saborear cada um como uma fruta boa. Porque louco a gente pode ser, mas bobo demais, aí não merece mesmo. "Às vezes é preciso mergulhar e depois ver no que dá", me disse alguém, e eu sempre gostei dessas frasezinhas que de "-inhas" só têm a aparência, pois são sábias feito aquelas de minhas avós: "Mosca de tamanquinho, vai chover na certa".

Minha neta arregala os olhos: "Mosca não usa tamanco". Falei do tempo em que as coisas eram menos assépticas e pareciam menos complexas. Protegiam-se as comidas com umas redomas de vidro, e as camas com mosquiteiros. E falei do enroladinho que queimavam no verão pra espantar mosquito - e o nome que me foge agora? (Se queimasse hoje, as crianças todas teriam convulsões, os neurônios entrando em circuito, todo mundo tão fragilizado.)

E quando alguém chegava da escola com piolho, a mãe enchia a cabeça da criança com Neocid em pó, botava touca de banho, e a meninada ficava uma hora com aquilo na cabeça, porque os irmãos iam pegar na certa. Ninguém morria, ninguém ficava louco, nem com meningite, nem ao menos dor de cabeça. Mas meus filhos, lembrando que fiz isso com eles certa vez quando pequenos, hoje em dia morrem de rir, mal acreditando que sobreviveram, junto com todos os de sua geração, à medicina doméstica de suas mães. E à psicologia da chinelada, da grana curta, de zero shopping, de zero grife, de rédeas muito curtas.

Não sou saudosista: prefiro computador a máquina de escrever, avião a carroça, vidro elétrico ao de maçaneta na janela do carro. Lembrei! O enroladinho verde chamava-se "boa-noite". Na minha infância aquele era o cheiro de Torres no verão, junto com o de creme Nívea - pois filtro solar obviamente não existia. Mas tanta coisa não existia, boa ou ruim. Neurose, por exemplo: havia menos, ou não se comentava. Ou a gente simplesmente convivia com ela, e acabou-se. Burrice sempre houve; preconceito havia muito mais, o que era uma pobreza.

O começo poético-filosófico desta crônica afinal deu em piolhos e Neocid em pó: paciência. As coisas eram assim. Hoje estamos muito mais informados, mais higiênicos, mais sérios. Talvez um pouco mais cínicos também. Mas isso é assunto pra outra crônica.

lya.luft@zerohora.com.br

Comments:




Paulo Sant'ana
31/01/2004


Uma réstia de luz

A constatação da Corregedoria-Geral da Justiça gaúcha de que 70% dos crimes são praticados por ex-detentos e de que 70% dos ex-detentos voltam a delinqüir é ao mesmo tempo desanimadora e instigante.

Esse diagnóstico, que foi exposto em um seminário realizado anteontem na Ajuris, contém a chave da solução para estancar o crescimento em espiral da criminalidade.

Em muito boa hora o corregedor-geral da Justiça, Marcelo Bandeira Pereira, e o juiz-corregedor Jorge Adelar Finatto estão levando à frente um projeto em que o presidiário cumpre sua pena trabalhando, produzindo, educando-se, sem ócio.

Os corregedores afirmam que dificilmente um condenado volta ao mundo do crime quando recebe atendimento adequado, formação profissional e ocupação que o habilitem a sobreviver através do trabalho honesto quando deixar a prisão.

E a Corregedoria-Geral da Justiça, em parceria com mais de 20 entidades da sociedade civil, além de vários órgão públicos, entre eles, é lógico, a Secretaria da Justiça e Segurança, está já transformando alguns pólos penitenciários gaúchos em centros de trabalho, ensino profissionalizante e educação.

A iniciativa de ofertar trabalho aos apenados, que conta já com apoio de várias empresas, é um marco que poderá vir a se tornar revolucionário em nosso meio prisional.

E já é uma realidade. Que os presos trabalhem enquanto cumprem suas penas, isso é um consenso entre nós. Mas as mangas dos idealistas foram arregaçadas e é preciso que os gaúchos dêem força a esse projeto (Trabalho para a Vida), sem dúvida alguma a semente que poderá vir a ser redentora do nosso sistema penal e penitenciário, paralelamente a única maneira de atacar o aumento fenomenal da criminalidade.

Na verdade, a ressocialização dos apenados é um dever do Estado. A opinião pública tende a satanizar os criminosos, mas os presos não têm culpa de serem reduzidos a indivíduos ociosos dentro dos presídios.

E é evidente que alguém que cumpra uma pena longa por um crime, sem ter qualquer oportunidade de trabalho quando alcança a liberdade, terá de novamente delinqüir.

Afirmam os corregedores que não é justo que o contribuinte continue pagando - e muito caro - para manter presídios onde se encarceram pessoas de qualquer jeito, sem estrutura física necessária e sem condições de torná-las mais úteis para si e para suas famílias.

A única forma de mudar este estado de coisas, diminuindo o flagelo da reincidência criminal, é dotar o preso de atividade profissional, oferecer-lhe trabalho e oportunidade de aprendizado que possa encaminhá-lo à recuperação quando do fim da pena.

Este é o caminho. Mesmo que seja dotada dos recursos mais modernos, uma penitenciária se torna danosa ao interesse público e à regeneração dos detentos se eles não tiverem atividade útil e produtiva.

Por isso é que se lança sobre este dramático problema a luz da atividade laboral dos detentos.

Essa idéia e essa prática já iniciada não podem parar. Esse é o segredo para tirar dos presídios o estigma de depósito infernal de seres humanos.

Só melhorando a vida nos presídios melhorará a vida dos que estão do lado de fora.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:


Litoral
Troca de mês, tempo bom e feriadão



Freeway registrou no final da tarde de ontem seu maior movimento de janeiro em direção ao litoral gaúcho (foto Mauro Vieira/ZH)


Comments:

Sexta-feira, Janeiro 30, 2004




Alma do social
Patrus Ananias, mineiro de fé, é escalado para fazer e acontecer

Luiz Cláudio Cunha

O sertanejo Luiz Inácio Lula da Silva teve que ser, antes de tudo, um forte para não cair no choro diante do amigo José Graziano, que ele demitira, na semana retrasada, do Ministério da Segurança Alimentar e Combate à Fome. No dia seguinte, foi o contrário.

Quando Lula mirou nos meus olhos e me disse que eu seria ministro, tive que fazer força para não chorar, confessou, com seu jeito mineiro, Patrus Ananias, resistindo bravamente à emoção, numa das posses mais festejadas da frenética terça-feira 27 que atravessou a Esplanada. Ao lado do deputado federal do PT mais votado na história de Minas Gerais (520 mil votos) estava o presidente da República em exercício, o conterrâneo José Alencar, e assessores muito especiais de Lula, como Frei Betto e o secretário particular Gilberto Carvalho. Na platéia, mais sete ministros e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), que Patrus certamente enfrentaria nas prévias se Lula não o tivesse escolhido para suceder Benedita da Silva na extinta pasta da Ação Social agora renascida com o novo Ministério do Desenvolvimento Social, que agrega os programas Fome Zero, de Graziano, e Bolsa-Família, de Ana Fonseca.

Patrus, que chegou a ser cotado para vice na chapa de Lula, é a bala de prata do Palácio do Planalto para atingir o coração da questão social, o nervo exposto de um governo petista que surpreendeu pela firmeza na economia e impressionou pela flexibilidade na política.

Aliados históricos do PT, como o bispo de Nova Iguaçu, dom Mauro Morelli, e a médica Zilda Arns, têm criticado a surpreendente apatia do governo na implementação do Fome Zero, cartão-postal do governo Lula perante o mundo. O governo não chega aos bolsões da miséria, condena a irmã do cardeal emérito de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns. Na quarta-feira 28, no Planalto, um dia após a posse, Patrus já anunciava: Vou procurar o meu amigo dom Mauro e dona Zilda, com quem trabalhei na Prefeitura de Belo Horizonte, na Pastoral da Criança. Devoto praticante que vai à missa e cita a Bíblia, Patrus, 52 anos, casado, dois filhos, é um militante da esquerda católica que reconstrói pontes históricas para o PT e vai além delas. Sou ecumênico. Vou procurar também igrejas protestantes, evangélicas, espíritas, das tradições afro-brasileiras, todo mundo que possa contribuir no combate à fome e à exclusão social, garantiu Patrus a ISTOÉ.

Solidariedade Com a cabeça inspirada em Cristo, Gandhi, papa João XXIII, Marechal Rondon e Betinho, seu conterrâneo da pequena Bocaiúva, cidade de 45 mil habitantes e 375 quilômetros ao norte de Belo Horizonte, Patrus tem os pés solidamente plantados no chão da realidade. Horas antes de assumir, foi rezar o salmo com o santo da economia, o ministro Antônio Palocci. Dono de um orçamento de quase R$ 15 bilhões, Patrus sabe que não tem a maior fatia da Esplanada, mas não será um ministro chorão: Estou no governo para somar. Sei que cofre não produz dinheiro. Às vezes, agimos como a criança que pede dinheiro ao pai e, diante da negativa, insiste: Então, dá um cheque, pai. Dinheiro não é mágica, disse ele, lembrando sua velha amizade com o ministro, no tempo em que um era prefeito em Ribeirão Preto e o outro, em Belo Horizonte. Sob o comando de Palocci, Patrus integrou a equipe de transição para escrever o capítulo de políticas sociais do governo Lula.

Ele discorda de quem amaldiçoa as marcas do governo na área social. Acho notável que, já no primeiro ano, o governo Lula esteja atendendo 3,6 milhões de pessoas com o Bolsa-Família, aponta, citando o programa que engloba a bolsa-escola, o vale-alimentação e o vale-gás. Só 100 dos 5.561 municípios ainda não conhecem o programa, que atinge hoje 13 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza, com uma renda per capita menor que meio salário mínimo, R$ 120. Mas ainda é pouco diante da meta de atingir até 2006 todos os 41,4 milhões de pobres do Brasil, quase um quarto da população de 178 milhões de habitantes, na estimativa do IBGE. O desafio é grande, mas ninguém parece mais preparado que Patrus Ananias para reverter estes números. Sua experiência na Prefeitura de Belo Horizonte, entre 1993 e 1996, é exemplo histórico na administração brasileira, reconhecido dentro e fora do País.

Ministro vai procurar dom Mauro e Zilda Arns (à dir.), críticos do Fome Zero

Em quatro anos, deu abrigo a 620 dos 750 meninos que viviam nas ruas da capital, criando equipes de futebol e peteca nos campos de várzea dos subúrbios. Destinou 37% do orçamento da terceira maior capital do País para a educação, ampliando a rede em 20 mil vagas. Criando hortas escolares e comunitárias, tirou atravessadores do mercado e assumiu 15% do total de 12 mil toneladas mensais de frutas e legumes consumidos na capital. Assim, os sacolões de Patrus reduziram em até 56% os preços dos alimentos em BH, num programa que acabou reconhecido e premiado pela ONU.

Em 1995, de 11 capitais pesquisadas pelo Dieese, Belo Horizonte foi a que registrou menor variação da cesta básica (0,86%). Famílias de baixa renda cadastradas no programa compravam comida com 50% de desconto. Ali nasceu o primeiro restaurante popular do País, ao preço de R$ 1, que também fornecia mil marmitex mensais aos desabrigados pelas chuvas. Num programa de causar inveja a Ricardo Berzoini (ex-Previdência), Patrus criou albergues e repúblicas que atendiam 52 grupos de convivência e 3.700 idosos. Ele descobriu os catadores de lixo: alugou três galpões e criou um sistema de coleta seletiva que chegou a recolher 50 toneladas diárias de papel e papelão, evitando o corte diário de 1.750 árvores. Hoje, os catadores têm um bar cultural e abrem o Carnaval da cidade com sua escola de samba. Este é o homem que Lula catou para reciclar a fome de justiça do País.

Comments:




Arte e botões
Livro conta um pouco da história da moda para o público infantil



Alegre: o título tem um design diferente, com colagens coloridas e figuras de costura e bordados

Carla Gullo

Moda: uso, hábito ou estilo geralmente aceito. Variável no tempo e resultante de determinado gosto. Assim o dicionário Aurélio resume uma das palavras mais ouvidas nos últimos tempos especialmente nesta época de desfiles. Para os adultos é fácil entender este movimento constante de aparências e comportamentos. Mas e as crianças? Como ficam diante de tantas mudanças, cada dia mais rápidas? Pensando nisso, a professora de história da arte e escritora Kátia Canton e a artista plástica e estilista Luciana Schiller, de São Paulo, resolveram contar um pouco da trajetória da moda em um livro direcionado para os pequenos. Com linguagem fácil e visual divertido, a obra, intitulada Moda, uma história para crianças (Ed. Cosac & Naify, R$ 39), mostra, por exemplo, como homens e mulheres se vestiam na pré-história, no Egito de Cleópatra e na Grécia Antiga. Também conta que os nobres, à época de Luís XIV, ficavam horas no espelho moldando suas perucas cacheadas.

Mas o livro não se resume a dados cronológicos. Um capítulo é dedicado às curiosidades, no qual é contada a origem do spencer aquele casaquinho que tem a parte de trás menor do que a frente. É que um lorde inglês chamado Spencer sem querer queimou as pontas do paletó na lareira e deu origem à peça. Outro trecho do livro mostra a relação entre moda e arte, com a influência da bailarina Isadora Duncan e suas túnicas leves e soltas e também do russo Nijinski, que inovou pondo cores fortes no palco. A idéia do livro é ampliar a noção de moda. Por isso falamos também de arte e literatura, diz Kátia Canton. A intenção é despertar a curiosidade das crianças por este espelhamento do tempo, completa ela. Com mais de 20 livros dedicados às crianças, Kátia sabe o que está dizendo. Tanto que o livro é bem diferente de um convencional. O design, concebido por Luciana Schiller, é na forma de álbum, com colagens coloridas, e tem ainda recursos de costura e bordados, assinados por Anete Miyazaki. Inteiramente feito à mão sobre papel craft, o livro vem com uma charmosa bolsa artesanal.

Diferente: em forma de álbum, o livro vem acoplado em uma bolsinha artesanal

E, nesta história, os meninos também têm vez. Eles vão saber, por exemplo, que os uniformes de futebol foram criados na Inglaterra, em 1875. Para reconhecer os jogadores, colocavam-se os respectivos nomes nos calções. Só mais tarde passaram a pôr os números nas roupas. A gravata também está retratada: ela surgiu na época do rei Luís XIV para enfeitar e tampar os botões das camisas dos cavalheiros da corte. O livro é alegre e curioso. Só não dá para esperar muita profundidade e explicações. Afinal, como disse Kátia Canton, o objetivo é despertar a já aguçada curiosidade infantil.

Comments:




O Dia da Saudade

Hoje é o dia da saudade
Hoje é feriado
É o dia da saudade

Hoje eu vou beber para celebrar
O aniversário do seu Gaspar
Deve ter festa em algum lugar

Hoje não tem aula pra garotada
Velhas de varizes na calçada
(Solta a saudade)

Para o campeão do melhor glutão
Um pé de macarrão
Um palhaço que come lixo
Limpa a avenida para o bloco do chorão passar

Raul Seixas

Comments:




FLUMINENSE X CABOFRIENSE
Ô Urubu, pode esperar...

Torcida tricolor provoca o rival de domingo durante a tranqüila vitória do Fluminense sobre a Cabofriense, ontem, por 3 a 0
Mesmo sem Romário, o Fluminense confirmou o favoritismo e venceu, ontem, a Cabofriense, no Maracanã, por 3 a 0. Edmundo foi novamente um dos destaques. Além de belas jogadas, o atacante voltou a deixar sua marca. Mas, no segundo tempo, saiu com suspeita de contratura muscular e passa a ser dúvida também para o Fla-Flu de domingo.

O resultado deixa o Tricolor na liderança do Grupo B, com seis pontos, dois a mais que Rubro-Negro. A torcida, eufórica, deixou o estádio provocando o rival: O urubu, pode esperar, a tua hora vai chegar.

Com uma postura ofensiva, o Tricolor não fez muito esforço para assegurar a vitória. Logo aos 3 minutos, Ramon tentou uma bicicleta, escorando cruzamento de Leonardo Moura ¿ a bola explodiu em Bechara.

A Cabofriense assustou, aos 13, numa cabeçada de Celso. O torcedor lamentava a ausência do Baixinho. Até porque, a camisa 11 não foi bem representada. O jovem Marcelo tabelou, chamou o jogo, mas pecou na hora da conclusão. Foi assim aos 20, ao chutar fraco, em cima de Flávio, o rebote de um escanteio.

Foi preciso os ¿velhinhos¿ da sub-40 ensinarem como se faz. Aos 24, Ramon cobrou falta da esquerda, Edmundo, mesmo entre dois marcadores, cabeceou no ângulo direito do goleiro: 1 a 0. Quatro minutos depois, Marcelo mostrou que não aprendeu a lição. Após receber em profundidade, o atacante, livre, chutou nas pernas de Flavio.

Entre os novatos, um em especial estava com fome de bola: Rodolfo, reserva na fracassada campanha da Seleção sub-23 no Pré-Olímpico. A vontade de festejar com a torcida era tanta que, aos 38, ele caprichou na cobrança de falta sofrida por Edmundo e acertou o ângulo esquerdo de Flávio: 2 a 0. Aos 41, Marcelo mais uma vez decepcionou, carimbando a trave, sozinho na pequena área.

No segundo tempo, o ritmo foi ditado de novo pelos mais experientes. Aos 20, Marcão, aproveitando cruzamento de Júnior César, emendou de primeira, guardando no ângulo direto. A baixa ficou por conta de Edmundo. O Animal queixou-se de dores no músculo posterior da coxa esquerda e foi substituído. Hoje ele será reavaliado para se conhecer a gravidade da lesão.

Comments:




David Coimbra
30/01/2004


Vacas, galinhas e dragões

Esse Dragão de Comodo. Nem sabia que existia Dragão de Comodo. Aí vi um na tevê a cabo. Nossa! Um bicho do tamanho de um Fuca. E brabo, comedor de gente.

A mesma coisa sessão de descarrego. Jamais havia testemunhado uma sessão de descarrego, até que liguei a tevê, fiquei ali, clic, clic, no controle remoto, e olha só: uma sessão de descarrego. O pastor me mandando colocar um copo d´água em cima da tevê. Será que não é perigoso isso? O copo cai, molha a tevê, a tevê estoura. Será que a bênção pega, se a tevê estourar?

Enfim. Também me espanto com o número de pessoas que escalam coisas ou se jogam de coisas gritando urru e contando que aquilo é adrenalina pura. Vou zapeando e, entre um documentário e outro a respeito da ferocidade do tubarão, dou com alguém proclamando:

- Urru! Adrenalina puuuuraaaa!

Outra: não fazia idéia de que havia tamanha quantidade de temas a se debater. As pessoas debatem a todo momento, na tevê a cabo. De onde tiram tanto assunto?

A tevê a cabo tornou o mundo maior. Com a tevê a cabo, compreendi que há pessoas que possuem meias que não rasgam nem se um gato afiar as unhas nelas, que há quem entre em leilões para compra de tapetes, que alguns sujeitos ganham dinheiro levantando pneu de trator.

Só que a tevê a cabo também alterou as preferências estéticas do brasileiro. Os seios. Acabou-se a era dos seios que cabiam na palma da mão. De tanto ver loiras com seios do tamanho de bolas número 5, o brasileiro mudou de gosto. Donde o silicone. Tanto silicone... Não sei se posso perdoar a tevê a cabo por isso.

Imagino a cara do chinês que viu a primeira galinha espirrar. Uma galinha gripada, que coisa. Isso na China, bem entendido. Mas nós aqui, nós o dia inteiro manejando a Internet, nós folheando todas as revistas publicadas sobre tudo, nós que assistimos à tevê a cabo, nós não nos surpreendemos mais com galinhas resfriadas, vacas enlouquecidas, não nos surpreendemos mais com nada. Ontem mesmo, testei minha faxineira. Cheguei à cozinha. Ela passava roupa cantando você é assiiim, é tudo pra miiim. Comentei:

- As galinhas estão ficando gripadas, lá na China.

Ela me olhou. Respondeu:

- Sei - e baixou a cabeça para a roupa e continuou:

- Quando eu não te vejo...

Insensíveis. A tevê a cabo nos transformou todos em insensíveis.

david.coimbra@zerohora.com.br

Comments:




Gabriel Moojen
30/01/2004


Tudo começa com a palavra

Segunda: Hoje tivemos nossa primeira reunião de pauta do Patrola da TV com o pessoal da Zero Hora. Sabe que tudo começa com a palavra. Lembra da Biblia? No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus. E Deus disse: Faça-se a luz, e a luz se fez. O negócio começou assim. com uma palavra. Vamos fazer?

Terça: Acordo pensando em o que escrever. O que já fiz? Patrola, Chapa Quente na Atlântida, meu livro de contos Histórias Tatuadas. Peço licença para transformar o espaço em uma espécie de blog. Tá blogado na minha então! Uma espécie de reality show da escrita. Agora estou na redação da TV. Cheguei hoje do Planeta de Santa. Gostei do show do Charlie Brown. Choveu muito e todo mundo dançou.

Quarta: Tenho medo de escrever. As coisas escritas têm poder. Do meu livro, eu tiro uns contos e arrancaria muitas páginas. Quando falo na TV a coisa se vai no momento em que é exibida. Mas aqui, no papel, esse texto fica me olhando por anos, e as mudanças acontecem...

Quinta: Laura editou o quadro do Quase Famosos e eu quase não apareci. Ela sempre faz assim. A Joice teve um ataque porque eu atrasei com a equipe de externa, e nesta semana não discuti com a Mauren porque ela está viajando. A gente briga, mas se diverte um bocado. A vida de uma equipe de TV é como a de uma família.

Sexta: Hoje estréia o caderno. Que tenha sucesso. Fico feliz se vc chegou a ler até hoje. Sinal de que a coluna funcionou. Toda sexta estarei aqui. Vc pode me escrever tbm.

Vc pode participar de algum modo desse caderno, desse programa, dessa história. Afinal, o que eu quero não é muito. Tipo, mudar o mundo, ver alguém sorrir, nada de terrorismo nem guerra. Quem não se comunica se trumbica, dizia o Chacrinha. Quem fica parado é poste, dizia o Simão. Agora deixa eu ir. Amanhã tem Patrola ao vivo na praia de Capão. A gente se ve lá.

gabriel@rbstv.com.br

Comments:




Mauren Motta
30/01/2004


Presente de Natal

Foi no dia 24 de dezembro que fiquei sabendo do caderno do Patrola. Quer presente melhor?! Sonho antigo. Escrever é diferente de falar. As palavras escritas parecem mais calmas... dependendo, até mais profundas! Que bom que estamos nessa também! E o caderno chega num mês agitado... como o Patrola!

Duas vezes por ano a minha vida, que já não é nada calminha, vira um verdadeiro caos! Temporada de desfiles é sempre assim: viagens para São Paulo e Rio, badalação, gente bonita, e perrengues - muitos! Você não acha que é só glamour, né? Tudo isso pra quê? Pra saber o que vai ser moda na próxima estação. Além disso, essa é uma ótima chance de levar para vocês, queridos leitores e telespectadores, novidades quentinhas do centro do país! A moçada "badaletz" no mundinho fashion!

Aliás, é daqui de Sampa que escrevo agora. Quer uma dica? A velocidade vai ser tendência na moda inverno 2004. Sabe aqueles uniformes de pilotos cheios de etiquetas? Pois é, eles vão estar com tudo, além do verniz show e das cores fortes! Não combina com você? Beleza, o mundinho fashion aprendeu que democracia é a palavra de ordem. Além do Esportivo Chic, tem o Glampunk, a Moda Retrô, e a Pop Art. Viu só? Agora é só pensar no que mais combina com você!

Pra terminar, queria contar do nosso time: a Mari, nossa repórter, eu conheço desde pequeninha. A gente ficava lá na beira da praia, junto da Plataforma de Atlântida, vendo o verão passar. Já o Ticiano, editor deste caderno, conheço pouco, mas encontro muito! Além das pautas da vida, sou freqüentadora da Balonê, onde ele faz as vezes de DJ. É aquela festa bombada que rola no "Oci", sabe? Entre um Cure e um B'52, a gente sempre se cruza por lá! Portanto... o grupo tá animado e redondinho! Tô feliz da vida... que venham muitos Patrolas pela frente!

Beijo no coração de todos vocês... fui!

mauren@rbstv.com.br

Comments:




Paulo Sant'ana
30/01/2004


Os morcegos frugívoros

Cá estou eu a divertir-me com as andorinhas que habitam o meu aparelho de ar condicionado no 11º andar.

Todos os dias alcanço-lhes alpiste, pipoca frita etc. Há vários verões elas habitam meu aparelho de ar condicionado, impedindo-me de usá-lo.

Tenho medo de, se ligar o ar-condicionado, congelá-las lá dentro, ou como haverão de safar os filhotes naquelas alturas, poderá haver um morticínio?

Então me sujeito a temperaturas que vão, como a de ontem, até a 36ºC no verão. Tudo por respeito às andorinhas que escolheram o meu aparelho de ar condicionado como sua habitação de luxo, livres das intempéries e dos predadores.

Livres até um certo ponto. Porque tudo que é alimento que me vem às mãos eu coloco à sua disposição em cima do aparelho - e fico a distância para ver o espetáculo do banquete das andorinhas.

Bolachas esmigalhadas, farelo de pão, canjica moída, farelo de pão torrado, restos de pudim, tudo é devorado pelas duas andorinhas adultas e parte levada para dentro do aparelho, em socorro alimentício dos filhotes.

É uma festança pantagruélica.

Mas eis que esses dias tive uma grande surpresa e um enorme susto: deixei sobre a caixa do aparelho uma goiaba e um pêssego maduros.

As andorinhas inicialmente estranharam o butim. Mas em seguida começaram a bicar as frutas.

Até que ficaram alvoroçadas por algum motivo, agitaram-se como se fossem alvo de perigo iminente.

De fato um estranho pássaro negro passou a fazer circunvoluções sobre o aparelho de ar condicionado.

A andorinha que devia ser a fêmea fugiu depressa para dentro do ninho.

A andorinha-macho ainda tentou enfrentar o intruso, arriscou algumas bicadas contra o invasor, mas logo em seguida foi posta em fuga pelo predador.

O pássaro negro tomou conta da plataforma onde estavam a goiaba e o pêssego. E passou a devorá-los, parecendo estar tomado de um febre famélica.

Os meus olhos não acreditavam no que viam. O pássaro negro que afugentou as andorinhas era nada mais nada menos que um morcego.

Em seguida, pousaram mais dois morcegos no aparelho de ar condicionado e os três passaram a desfrutar do ágape tentador.

Em uns 15 minutos, a goiaba tinha sido toda devorada e só restava o caroço do pêssego.

Pensei que tinha testemunhado, na minha ignorância zoológica, um fato fenomenal: sempre imaginei que os morcegos se alimentavam somente de sangue, sugados principalmente das reses, mas também de outros mamíferos.

Telefonei para a Secretaria da Agricultura para dar um depoimento que eu acreditava ser insólito: morcegos saboreavam uma salada de frutas junto à parede do meu apartamento.

Atendeu-me uma bióloga que imediatamente me trouxe para a realidade: há morcegos que se alimentam de sangue (os hematófagos), mas há outros tipos de morcegos que se alimentam de frutas (os frugívoros), alguns outros se alimentam do pólen das flores.

Fiquei assim esclarecido e decidi desde aquele dia o seguinte: assim como acontece com os bolinhos de batata, todas as terças-feiras ofereço frutas aos morcegos da Chácara das Pedras.

E nos outros dias da semana atendo os meus antigos pensionistas, as andorinhas, que têm direito adquirido aos carboidratos que lhes ofereço já há várias de suas gerações.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:


Clima
Temporal provoca morte em Sapiranga



Chuva forte e granizo provocaram destruição em todo o Estado. Na Região Metropolitana, um jovem de 22 anos morreu atingido por fios de alta-tensão quando um poste foi derrubado pelo vento (foto Miro de Souza/ZH)


Comments:

Quinta-feira, Janeiro 29, 2004




Bem depois desse temporal todo, as coisas vão voltando ao normal por aqui, sem evidente deixar estragos grandes e pelo que ouvi até duas ambulâncias de pneus para cima. Elas também capotam e como capotam. Mas acho que uma coisa começa a ficar irreversível: o aumento vagaroso do dólar. O que não precisaria acontecer é uma queda de mais de seis por cento no índice IBOVESPA. Isso acho terrível, talvez pior que o temporal.

Comments:




Taj Mahal seduz presidente na Índia

Lula realiza desejo e visita com Marisa uma das maravilhas do mundo moderno

Presidente diz a empresários que no mundo dos negócios não há milagre

NOVA DÉLHI. Nem mesmo a forte neblina que atrasou em mais de uma hora a decolagem do Sucatão, em Nova Délhi, impediu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de visitar o Taj Mahal, na sua despedida ontem da Índia. O monumento foi construído pelo imperador Shan Jehan, na cidade de Agra, no século 17, para enterrar sua mulher, Muntaj Mahal. Considerado uma das sete maravilhas do mundo moderno, o Taj Mahal é conhecido como o Templo do Amor. O presidente ficou inspirado. Esse local é bom para visitar às 6h ou numa noite de lua cheia, disse. Chegar até aqui e não conhecer o Taj Mahal era como não vir à Índia. Era um antigo desejo.

De mãos dadas com a primeira-dama Marisa Letícia, o presidente andou calmamente pelo imenso jardim. Ao visitar a tumba da princesa, de mármore branco com pedras semipreciosas, Lula brincou com Marisa: Espera só o que eu vou fazer para você. Mas, perguntado sobre o que iria construir, recuou: Eu estou muito velho para isso.

Lula posou para fotos em frente ao monumento. Vocês já viram alguma coisa mais bonita através dessas lentes?, perguntou, bem-humorado, aos fotógrafos. Diante da resposta negativa, não se conteve: Não é lá atrás, não. Sou eu, gente.

Monumento impressiona integrantes da comitiva

Um guia informou a Lula que o Taj Mahal recebe sete milhões de visitantes por ano. Impressionado com a suntuosidade da obra, o governador Roberto Requião (Paraná) brincou com o presidente: Ou esse imperador era um apaixonado pela mulher ou a odiava, porque festejou a morte dela com um mausoléu. Muntaj, a segunda mulher do imperador, morreu aos 39 anos no parto do 14º filho.

Para visitar o Taj Mahal, Lula enfrentou 40 minutos de avião de Nova Délhi até Agra e, depois, duas horas de lá até Mumbai, onde era o convidado de honra de encontro empresarial: Se Deus quiser, um dia volto. Ao chegar à reunião, disse: Um país que consegue preservar um monumento daquela magnitude tem tudo para ser um país muito mais desenvolvido do que a Índia é.

Comments:




SELEÇÃO DE MUSAS NA SALGUEIRO

Mesmo sem Luana Piovani, escola da Tijuca não fará feio na Avenida: sete beldades desfilarão à frente da bateria e de carros alegóricos

Isabela Kopke

Substituta de de Luana Piovani, Juliana Alves (de vestido vermelho) vai brilhar no Salgueiro junto com Luciana, Michele e Adriana

Mesmo com desfalque da atriz Luana Piovani, a escola de samba Acadêmicos do Salgueiro promete esbanjar muita mulher bonita na Avenida. Além da ex-Big Brother Brasil Juliana Alves, 21 anos, que recebeu terça-feira convite para substituir Luana, mais seis beldades vão desfilar como destaque no chão, à frente de carros alegóricos. As musas já têm experiência de sobra na Marquês de Sapucaí. Uma delas, a modelo Adriana Perett, 25, saiu ano passado nas 14 agremiações do Grupo Especial. Salgueirense, Michele Rocha, 22, vai repetir a dose este ano e defender a escola na Passarela. Duas vezes capa da revista Sexy, Luciana Picorelly, 22, também fará parte do time. Ela já desfilou como destaque pela Viradouro e Imperatriz Leopoldinense.

Estou há apenas um ano na mídia, diferentemente da Luana, que tem muito mais bagagem. Mas isso não diminui em nada meu desempenho na Avenida, garante Juliana, que, mesmo antes do convite para substituir Piovani, já iria desfilar no Salgueiro, sua escola de coração, como destaque num carro. Não importa o que ela faria na Passarela. Cada um tem sua estrela, seu momento, completa.

A diretoria da escola lamentou a saída da loura, depois de três anos brilhando no Salgueiro, mas garante que, caso haja arrependimentos, não há mais lugar para ela este ano. Ninguém a expulsou. Ela saiu sem dar a menor explicação. Fomos comunicados pelo empresário dela, contou o presidente da escola, Luiz Augusto Duran, que não se convenceu da versão de que ela desistiu do posto de musa em função das filmagens de O Casamento de Romeu e Julieta, que começa a ser rodado mês que vem, em São Paulo..

Musas também brilharão em outras escolas de samba

As outras beldades com participação confirmada pela escola são: as atrizes Viviane Araújo e Rita Guedes, além de Karen Motta, dançarina do Caldeirão do Huck. A fantasia delas ainda é mistério. Mas a escola antecipou que serão confeccionados modelos diferentes e que todas estarão vestidas com capas. Ainda será definida a posição de cada beldade na Avenida. Ao todo, o Salgueiro exibirá oito carros alegóricos.

Algumas musas já garantiram presença em outras escolas. É o caso de Juliana Alves, que vai brilhar também na passarela como rainha de bateria da Império da Tijuca, do Grupo de Acesso, e Luciana, que recebeu convite para ser rainha de bateria da Vila Isabel e Estácio de Sá.

Cargo novo na escola tijucana

Além das sete musas, o Salgueiro terá, pela primeira vez, rainha de bateria. O posto será inaugurado este ano por Ana Cláudia Soares, mulher de Maninho, patrono da escola, e destaque há três anos. A diretoria já pensava em ter uma rainha e, este ano, há muita badalação em cima do posto. Achamos por bem ter a nossa, disse o presidente da escola, Luiz Augusto Duran.

Não será preciso esperar o Carnaval para ver as beldades do Salgueiro. Musas e rainha serão expostas em 60 outdoors e em 50 cartazes em ônibus. A quadra e o barracão da escola estão entre os cenários escolhidos para a produção das fotos. Como fora prometido a Luana Piovani, Juliana Alves terá ensaio fotográfico separado do das outras musas.

Comments:




Casa própria por R$ 1

Governo do estado vai construir sete mil unidades para famílias que moram em áreas de risco. Pagamento poderá ser mensal ou anual

Cristiane Campos
As sete mil casas que serão construídas para moradores de áreas de risco ou que ficaram desabrigados nas últimas enchentes vão custar R$ 1 mensais para os contemplados, ou R$ 12 anuais, conforme anunciou o presidente da Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro (Cehab), Luiz Alberto Monteiro. Segundo ele, ainda estão sendo estudados os prazos dos financiamentos. Fica inviável emitir boleto bancário para cobrar R$ 1. Por isso, a opção do pagamento anual, diz Monteiro.

As famílias contempladas serão as que recebem até três salários mínimos (R$ 720). Cada unidade terá 31,4 metros quadrados, com sala, cozinha, quarto, banheiro e varanda. O valor médio unitário das habitações será de R$ 17 mil, com investimento de R$ 120 milhões do Fundo de Combate à Pobreza do Governo do estado. Cada um dos conjuntos habitacionais terá no máximo 100 unidades, informa Monteiro.

Serão 50 municípios beneficiados na primeira etapa. Entre eles, estão Teresópolis (com 155 unidades), Cabo Frio (100), Nova Iguaçu (400), Petrópolis (200), São João de Meriti (200), Belford Roxo (200), Duque de Caxias (400), Niterói (200), São Gonçalo (400) e Itaperuna (400).

Novos conjuntos terão orientadores habitacionais

De acordo com o secretário estadual de Habitação, Fernando Avelino, as prefeituras vão participar com a doação dos terrenos, que, preferencialmente, deverão estar em áreas próximas a creches e escolas públicas. Queremos moradias em locais que tenham praças e parques, onde as famílias beneficiadas possam ter boas opções de lazer, adianta Avelino.

Outra novidade é que a população de baixa renda terá escritura definitiva do imóvel. Não queremos repetir erros do passado. Cada família terá sua casa legalizada. É um bem que poderá ser deixado para os filhos, explica Monteiro. Segundo ele, as escrituras serão registradas em nome das mulheres: É uma determinação da governadora Rosinha Garotinho, pois as mulheres se dedicam mais à família.

Os novos conjuntos vão contar com orientadores habitacionais, para evitar a favelização. Os moradores serão conscientizados sobre a vida em condomínio e a preservação das áreas comuns.

Comments:




Artigo
Reforma universitária

WRANA MARIA PANIZZI/ Reitora da UFRGS e presidente da Associação Nacional de Dirigentes das Instituições Federais de En


Há mais de uma década a universidade pública vem sendo objeto de todo tipo de questionamento. Há mais de uma década somos submetidos a políticas de austeridade. Há mais de uma década resistimos a uma não explicitada "reforma universitária", pautada pela crítica à presença do Estado em todas as esferas da vida nacional. Os salários foram arrochados e nossos recursos para manutenção e investimento foram progressivamente diminuídos. Como resultado, as universidades públicas perderam a liderança na oferta de vagas e hoje são definidas por alguns setores da opinião pública como instituições "elitistas" - um refúgio de servidores "privilegiados" dedicados à formação de "ricos".

Nesse período, entretanto, a universidade pública fez muito mais do que resistir. Ela não virou "sucata", como desejariam alguns; ao contrário, fortaleceu sua liderança no âmbito da pesquisa e afirmou-se como referência de qualidade do sistema nacional de educação superior, como demonstram todas as avaliações. Enfrentando dificuldades, avançamos em todas as direções, qualificando nosso corpo docente e ampliando a oferta de vagas em cursos de graduação e de pós-graduação.

Esse quadro foi apresentado ao presidente Lula no dia 5 de agosto de 2003, quando a Andifes tornou pública sua Proposta de Expansão e Modernização do Sistema Público Federal de Ensino Superior. Naquela ocasião, dissemos também ao presidente que estávamos "no limite de nossas forças". Qualquer pessoa de bom senso sabe que os técnicos e docentes de nossas universidades estão longe de constituir uma "casta" de privilegiados - e sabe também que a universidade pública, que não serve aos "ricos", pode e deve tornar-se mais acessível aos brasileiros. Estamos, como sempre estivemos, abertos ao diálogo.

Queremos debater a reforma com o governo e a sociedade para tornar ainda mais pertinentes a missão acadêmica e os compromissos sociais da instituição universitária. Nesse debate, sustentaremos as mesmas idéias e princípios levados ao presidente Lula. Queremos nos qualificar ainda mais.

Queremos ampliar a oferta de vagas. Queremos autonomia. Queremos encontrar alternativas de financiamento que não impliquem o questionamento da educação como bem público. Queremos uma universidade ainda mais articulada aos desafios nacionais do desenvolvimento científico e tecnológico e da inclusão social duradoura. Não podemos ceder à tentação das soluções simplistas, reduzindo nossas questões a recursos financeiros. O Brasil não precisa de uma "nova" universidade, mas de uma universidade renovada, qualificada, com capacidade de iniciativa, integrada a um projeto de nação.

Comments:




Nilson Souza
29/01/2004


As pedras de Marte

Sou nota zero em astronomia. Só distingo as Três Marias porque me lembram um ancinho, aquele instrumento de recolher grama cortada e folhas secas. Também identifico o Cruzeiro do Sul com a sua Intrusa, que me faz lembrar o magnífico e terrível conto de Borges. Vez por outra me dou conta da existência do planeta Vênus, que é a estrela da manhã. Por aí vou parando. Não tenho a mínima idéia para que lado fica Marte, se é para cima ou para baixo, se mostra a sua cara vermelha para os terráqueos todas as noites ou se escolhe alguma época do ano para se aproximar de nós e provocar a nossa imaginação.

Os marcianos já invadiram a Terra não sei quantas vezes na literatura e nos filmes de ficção científica. São os nossos invasores preferidos. Ganharam até um uma forma física aceita quase consensualmente: homenzinhos verdes de cabeça grande. Quase sempre são mostrados como representantes de uma civilização superior, mas inamistosa. Quando aparecem por aqui (nos filmes, obviamente), é guerra certa. E vem de longe isso. Já os nossos antepassados greco-romanos deram ao planeta o nome do deus da guerra.

Só que a realidade é sempre mais fantástica do que a ficção. Os invasores, na verdade, somos nós. Acabamos de desembarcar novamente no solo árido do planeta vermelho (o primeiro desembarque foi em 1999), desta vez com geringonças capazes de tirar fotografias e mandá-las instantaneamente para a Terra. As fotos impressionam pela nitidez, mas só mostram pedras. E pedras decepcionantemente imóveis, iguais às que temos por aqui.

Ainda assim, é uma façanha tecnológica digna de reconhecimento: as sondas norte-americanas viajaram pelo espaço durante oito meses e desceram certinho no solo marciano. Os europeus também mandaram um equipamento para lá e apressaram-se em anunciar, antes dos americanos, que têm a prova da existência de água. Em resposta, mister Bush garantiu, em discurso solene, que antes de 2020 seus patrícios desembarcarão no planeta dos imaginários homenzinhos verdes.

Está dada a largada para uma nova corrida espacial, semelhante àquela que levou soviéticos e americanos a disputar a primazia de botar o pé na Lua na década de 60, sob total descrença da humanidade. Tinha até uma musiquinha carnavalesca cantada por Ângela Maria que dizia o seguinte: "Lua... Oh ! Lua... / Querem te passar pra trás / Lua... Oh ! Lua.../ Querem te roubar a paz / Lua que no céu flutua / Lua que nos dá luar / Lua... Oh ! Lua... / Não deixa ninguém te pisar".

E concluía, romântica e ingenuamente: "Todos eles / Estão errados / A Lua é / Dos namorados".

As pedras de Marte que se preparem. Aí vamos nós.

nilson.souza@zerohora.com.br

Comments:




Luis Fernando Verissimo
29/01/2004


O tal espírito

Convicções sobre futebol são um pouco como o tal "espírito de seleção", coisas etéreas que vêm e que vão, às vezes durante uma vida, às vezes durante um jogo. O time brasileiro que disputou o pré-Olímpico, por exemplo, teve espírito de seleção quando derrotou o Chile jogando com 10 no segundo tempo, deixou de tê-lo 48 horas depois quando se entregou ao Paraguai e foi eliminado da competição. As convicções sobre futebol variam do mesmo jeito. Não há certeza sobre as dimensões e o estilo que devem ter jogadores de seleção que resista a uma jogada sensacional do Diego e/ou do Robinho, assim como basta uma derrota como a do pré-Olímpico para reforçar a idéia de que, com jogadores desse tamanho e com essa disposição, não se terá uma seleção vencedora com o espírito desejado.

Depois do que se viu no jogo contra o Paraguai, um cínico poderia discordar do que disse o Diego, na volta, que o time perdeu porque jogou de salto alto. No seu caso, saltos altos teriam ajudado: ele veria por cima da cabeça dos adversários, como convém a alguém na sua função, e faria lançamentos mais precisos. Já outro, com outra convicção, diria que o que falta à seleção é justamente mais diegos e robinhos e que para ter o espírito que se quer basta convencê-los a voltar para marcar, como fizeram na vitória heróica sobre o Chile. Primeira convicção: é na escolha dos jogadores que se assegura uma seleção com espírito. Convicção oposta: deve-se convocar os mais hábeis e sensacionais, e o espírito descerá sobre eles quando for chamado. Ambas as convicções sujeitas a revisão instantânea segundo os resultados.

Diz a lenda que Rubens Minelli, assim que assumia como treinador num novo clube, mandava reduzir o vão da porta do vestiário para um metro e 75, e jogador que conseguisse passar pela porta sem se abaixar era mandado embora na hora. Se a lenda fosse verdade, nem Maradona nem Romário, para citar só dois, jogariam num time do Minelli. Ela apenas ilustrava a convicção do técnico sobre o tamanho ideal, sujeito a revisões sensatas, para se enfrentar os trancos e as retrancas do futebol moderno. Mas a tendência nacional, com o aproveitamento cada vez mais precoce de jogadores jovens, parece ser a de largar os garotos esmirrados na frente da área para serem derrubados e confiar em bons batedores de falta. O que também é uma convicção.

E o melhor, no Chile, estou mais ou menos convencido, foi o Fábio Rochemback.

Comments:




Paulo Sant'ana
29/01/2004


Um sorteio fantástico

Há uma questão e uma dúvida sobre o teste 529 da Mega Sena, extraído em 14 de janeiro corrente, que precisa ser esclarecido pela Caixa Econômica Federal.

Ocorre que para surpresa geral do país houve 15 acertadores do principal prêmio da Mega Sena, fato inédito e fantástico, sobre o qual inúmeros apostadores estão se ocupando na Internet (o leitor Sílvio Leandro Padilha, de Sapiranga, RS, teve sua carta publicada ontem em Zero Hora, na qual se mostrou indignado com o resultado do sorteio 529).

A Mega Sena se baseia justamente no fato de que a probabilidade sensata de acerto é muito remota, quase sempre não há acertadores, às vezes há um acertador, outras vezes dois acertadores, muito raramente três acertadores.

Assim mesmo, quando há um acertador, às vezes dois, no máximo três, o prêmio está acumulado há várias extrações e as apostas, por isso mesmo, pelo prêmio tentador, sobem em número de cartelas.

Pois bem, no teste 529, espetacularmente, quando o prêmio era de pouco mais de 5 milhões, isto é, não estava acumulado há muitas extrações, sendo o número de apostas reduzido, apareceram 15 acertadores.

Repito: 15 acertadores! Isto é incrível, não se pode dizer que não exista probabilidade matemática que explique este fato.

No entanto, a possibilidade de acerto na Mega Sena para uma aposta mínima é de 1 em 50 milhões.

É inacreditável que 15 apostadores tenham acertado, cada um, na possibilidade de 1 em 50 milhões na mesma extração. Isso é praticamente impossível.

O mais espantoso vem agora: além de nunca ter acontecido de a Mega Sena contar com 15 acertadores, no dia seguinte foram divulgados os locais em que foram feitas as apostas dos 15 acertadores: Pernambuco (cinco acertadores), Paraíba (três acertadores), Piauí (dois acertadores), Rio Grande do Norte (dois acertadores), Ceará (dois acertadores) e Bahia (um acertador).

Coube a cada um dos acertadores a quantia de R$ 348.732,75.

Nada mais inédito que isso!

Era de pasmar para os apostadores mais contumazes da Mega Sena que os 15 acertadores fossem todos do Nordeste!

Do Rio, de São Paulo, de Minas Gerais, do Rio Grande do Sul, de onde provém o maior e mais aplastante número de apostadores, nenhum acertador.

Este fato pode ser catalogado como inacreditável.

E o mais interessante: os seis Estados que deram os ganhadores situam-se no Nordeste, exatamente onde não existe horário de verão e onde há uma hora de atraso com relação a Brasília e a grande número de outros Estados, todos sem nenhum acertador.

As apostas da Mega Sena se encerram às 19h. E o sorteio ocorre às 20h. Só para dar um exemplo, aqui no Rio Grande do Sul o sorteio ocorre às 20h. Mas o público do Nordeste fica sabendo "antes" do resultado, ou seja, lá no Nordeste quando corre a Mega Sena são ainda 19h.

Isso aparentemente não tem importância, porque a Mega Sena deve encerrar suas apostas às 19h de Brasília, o que quer dizer 18h no Nordeste.

Mas a coincidência de que todos os ganhadores morem em cidades em que não está em vigência o horário de verão e portanto vivem com uma hora de atraso no relógio é intrigante.

Vale registrar o seguinte: não se põe em dúvida a lisura da Caixa Econômica Federal em seus concursos de loteria. São exemplares em honestidade.

No entanto, isto não quer dizer que eles estejam imunes a fraudes de terceiros.

Um exemplo de lapso que pode ter ocorrido: alguém esqueceu de travar o sistema e apostas foram feitas depois de conhecido o resultado.

É muito possível, em razão de que a Caixa Federal é assessorada por matemáticos, que eles tenham se alarmado com esse desfecho insólito de 15 ganhadores do Nordeste e avisado à Caixa que algo de anormal estava acontecendo com o teste 529 e estes fatos estejam já sendo investigados.

É muito provável até que a Caixa por isto tenha retido, para maiores averiguações, os prêmios.

Longe está de qualquer brasileiro desconfiar da idoneidade comprovada da Caixa em loterias. Mas fatos que fogem a qualquer probabilidade estatística devem ser explicados. E com certeza, ainda hoje, a Caixa esclarecerá.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

Comments:


Diplomacia
Visita ao Taj Mahal



Presidente Lula e Marisa estiveram no suntuoso túmulo construído em 1653 na Índia como uma homenagem do imperador Shah Jahan ao seu amor (foto Manish Swarup, AP/ZH)