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Sábado, Fevereiro 14, 2004
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9:50 AM
by Cassiano Leonel Drum
Pais e filhos
Do jeito que ela é exibe família-problema
Luiz Chagas
Katie e Hayes: habitantes de um pardieiro na parte pobre de Manhattan
Em sua estréia na direção, o escritor e roteirista Peter Hedges mergulhou com convicção num filão muito explorado: a comédia típica americana, neste caso envolvendo uma família atrapalhada que aproveita o feriado de ação de graças para visitar a filha pródiga, tema apropriado para o ator Chevy Chase. Mas, em vez de cair na chanchada, Hedges conseguiu evidenciar todo o sofrimento infligido pela falta de comunicação entre os familiares, ainda mais com a matriarca sofrendo de câncer terminal.
Assim, também se valendo de recursos digitais e de uma montagem truncada, típica de filmes europeus, Hedges fez uma bem-dosada mistura de drama e humor em Do jeito que ela é (Pieces of April, Estados Unidos, 2003), que estréia
em São Paulo na sexta-feira 20.
Ele também caprichou no elenco. Para compor April, a garota pós-punk habitante de um pardieiro na parte miserável de Manhattan, o cineasta contou com Katie Holmes, do seriado televisivo Dawsons creek, que soube dar credibilidade à personagem. Sua mãe, Joy, é vivida por Patricia Clarkson, em uma performance que lhe assegurou a indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante Patricia ainda pode ser vista em Dogville.
No mais, Derek Luke, de Voltando a viver Antwone Fisher; o sempre excelente Oliver Platt; e o irresistível Sean Hayes, o Jack do seriado Will & Grace, ajudam a compor o divertido mosaico proposto por Hedges. A combinação entre atores de sucesso e atores de prestígio conquistou tanto o público do Festival do Filme de Sundance de 2003 quanto o júri que deu à fita o prêmio especial.
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9:45 AM
by Cassiano Leonel Drum
A tirania adolescente
Fotos Pedro Rubens
Até poucas décadas atrás, os pais educavam seus filhos com base numa regra simples: cabia a eles exercer sua ascendência sobre a prole de maneira inquestionável, pois ¿ como diziam os avós dos adultos de hoje ¿ criança não tinha direito nem querer. Muita coisa mudou desde então. Com a revolução comportamental dos anos 60, a difusão dos métodos pedagógicos modernos e a popularização da psicologia, a liberdade passou a dar o tom nas relações entre pais e filhos. A tal ponto que hoje se vive o oposto da rigidez que pontificava antes disso: em muitos lares, os pais é que se sentem desorientados e os filhos, na ausência de quem estabeleça limites à sua conduta, assumiram o papel de tiranos. Trata-se de uma bomba-relógio que começa a ser gestada cedo, mas cujos efeitos se agudizam na adolescência.
É nesse período que os pais se sentem mais confusos sobre seu papel. A questão se tornou tão séria que uma tendência que representa um certo refluxo na maneira de pensar a educação dos jovens vem ganhando cada vez mais força. "Chegamos a uma situação-limite. Está na hora de os pais recuperarem sua auto-estima e sua autoridade", diz a educadora carioca Tania Zagury, uma das mais conhecidas autoras da área. Em seu novo livro, Os Direitos dos Pais (Record; 206 páginas; 25 reais), ela defende que práticas que andavam esquecidas na educação dos filhos sejam resgatadas, em nome do futuro do próprio jovem ¿ e da sociedade.
Até meados dos anos 60, as regras dentro de casa eram impostas implacavelmente aos jovens. Hoje, é prática corrente estabelecê-las de comum acordo entre pais e filhos. Antes, os pais davam broncas, punham os filhos de castigo e cortavam regalias porque era assim que as coisas funcionavam, e ponto final. Hoje, cada sanção precisa ser acompanhada de boas justificativas ¿ e haja suor e lábia para dar 200 explicações. Um dos motivos disso é que os jovens atuais são muito bem informados. Outro dado é que eles nasceram num ambiente já bastante marcado pela educação liberal ¿ seus próprios pais gozaram de boa dose de liberdade quando adolescentes. Nessas condições, é natural que estabelecer limites de conduta se transforme numa tarefa difícil. O que Tania defende não é uma volta à educação rígida de antigamente, e sim a busca de um ponto de equilíbrio que se perdeu em algum momento entre o fim dos anos 70 e a atualidade.
Tania Zagury
PAIS E AUTORIDADE
A educadora Tania Zagury: "Muitos pais acham que dar tudo de mão beijada aos filhos é uma maneira de fazê-los felizes, o que não é verdade"
É certo que as metodologias pedagógicas modernas ¿ novidades surgidas nas primeiras décadas do século XX e que ganharam popularidade no Brasil sobretudo a partir dos anos 70 ¿ representaram um avanço em relação ao passado. As idéias de teóricos como a médica italiana Maria Montessori e o psicólogo suíço Jean Piaget fizeram com que, nas escolas e, por tabela, no ambiente doméstico, se passasse a respeitar a individualidade do jovem e se enfatizasse sua liberdade. Nos últimos anos, com a confirmação dessas teorias educacionais à luz das descobertas da neurologia, os ensinamentos de Piaget, em particular, vêm sendo ainda mais valorizados. Sua metodologia, o construtivismo, preconiza que o aprendizado não é algo que se impõe de fora: é a própria criança quem constrói seu conhecimento.
O problema é que a vulgarização do construtivismo e de outras teorias do gênero deu margem a interpretações equivocadas. Formou-se um caldo de cultura, por assim dizer, em que flutuam fragmentos teóricos da psicologia moderna. Os pais utilizam esses fragmentos fora de seu contexto adequado e muitas vezes com exagero. "Houve uma leitura muito equivocada de certos avanços modernos", afirma o educador Celso Antunes, autor de quatro dezenas de livros sobre o assunto. À idéia de que a liberdade é a melhor resposta em todas as situações, somam-se culpas cultivadas pelos pais. Por trabalhar e passar pouco tempo com os filhos, é comum que um casal se torne permissivo com os desejos dos jovens para compensar essa ausência.
Às vezes não é o uso indevido da psicologia moderna nem a culpa que causam o estrago: é o desejo de fugir da tarefa difícil que é educar um adolescente. Alguns pais usam a falta de tempo como subterfúgio. Outra rota de fuga é aquilo que os educadores convencionaram chamar de "medicalização" da adolescência: ao menor sinal de que alguma coisa está fora dos eixos, os pais correm para um consultório, em vez de tomar eles próprios as rédeas da situação. É claro que existem situações que pedem o apoio de um médico. Do ponto de vista biológico, nenhuma época da vida é marcada por tantas mudanças. A Organização Mundial da Saúde estabelece que a adolescência compreende a faixa etária entre 10 e 19 anos.
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9:42 AM
by Cassiano Leonel Drum
É nessa fase que se adquirem 25% da estatura final e 50% do peso total. Nesse processo, meninos e meninas experimentam uma verdadeira explosão hormonal. Entre 11 e 12 anos, acontece a primeira menstruação ¿ as garotas ficam mais irritadiças e o humor oscila muito. A cintura afina, os quadris alargam e, por volta dos 15 anos, os seios ganham formas definitivas. O primeiro sinal de que a puberdade chegou para os meninos é o aumento de tamanho dos testículos. Mãos e pés crescem desproporcionalmente ao tronco e surgem os primeiros pêlos pubianos. A voz começa a engrossar e, por volta dos 14 anos, o rosto ganha uma barba rala.
Do ponto de vista emocional, o adolescente é um vulcão. Ele ainda não sabe o que quer ser, mas tem certeza dos modelos em que não gostaria de se espelhar: os adultos que o circundam, em especial os pais. Nas diversas subfases que se sucedem na adolescência, ele alterna momentos de agressividade, egocentrismo, insegurança e completa falta de senso de perigo. Até duas décadas atrás, acreditava-se que a causa do comportamento impulsivo do adolescente era simplesmente a ebulição hormonal própria do processo de crescimento. Com os novos conhecimentos sobre o funcionamento do cérebro, refinou-se essa explicação: a raiz de toda essa instabilidade estaria no fato de a adolescência ser um período de muitas mudanças cerebrais. Pesquisas recentes mostram que nessa fase se formam novas conexões neuronais, principalmente em áreas do cérebro ligadas às emoções.
Por causa desses fatos todos, existem hoje médicos especializados no atendimento aos adolescentes, os hebiatras (o nome é uma referência a Hebe, a deusa da juventude na mitologia grega). A especialidade, que começou a ganhar corpo na década de 50, nos Estados Unidos e na Inglaterra, foi reconhecida pela Associação Médica Brasileira há seis anos. Crescimento, nutrição e sexualidade são alguns dos aspectos enfocados pelos hebiatras. Mal orientados, muitos garotos recorrem à musculação para ganhar um corpo perfeito, mas o exagero pode atrapalhar o crescimento. As meninas, influenciadas pelos modelos de beleza do momento, muitas vezes partem para dietas radicais e ficam sujeitas a distúrbios alimentares graves, como a anorexia e a bulimia.
Um hebiatra pode ajudar os adolescentes em questões específicas. Há pais, no entanto, que encaminham os filhos para o consultório médico por motivos banais como uma crise de insolência na escola. "No fundo, o que eles procuram é se livrar do problema.
Querem uma justificativa externa para o mau comportamento dos filhos e têm a falsa idéia de que dois comprimidos por dia resolvem qualquer problema", afirma o psiquiatra Francisco Assumpção, da Universidade de São Paulo. Mesmo doenças como a bulimia ou a anorexia podem ter seu surgimento relacionado à omissão dos pais. Com medo de parecerem repressores, muitos fazem vista grossa à recusa de seus filhos em comer.
Acreditar que a escola possa assumir sozinha o papel de educar os adolescentes é uma saída pela tangente bastante comum. A permissividade chegou a um ponto em que os próprios colégios estão tendo de chamar a atenção dos pais para seus deveres. Nos últimos tempos, um dos colégios mais liberais de São Paulo viu-se obrigado a retomar práticas tidas como ultrapassadas para colocar os alunos ¿ e seus pais ¿ na linha.
Ao perceber que muitos estudantes saudáveis conseguiam dispensa das aulas de educação física graças a atestados obtidos com a conivência dos pais, a direção da instituição estabeleceu que quem decide sobre a concessão ou não da licença é só o médico da escola. Resultado: desde que a regra foi adotada, nenhum aluno conseguiu escapar da educação física. Outra medida foi reeditar a exigência do uniforme, já que o pessoal andava se vestindo como se estivesse num clube: as meninas apareciam de top e blusas decotadas e os garotos, de camiseta regata, chinelo e bermudão.
As conseqüências da omissão dos pais na educação podem ser graves. Dados do Ministério da Saúde mostram que mais de 20% das garotas entre 13 e 19 anos já enfrentaram uma gravidez precoce. Por outro lado, uma pesquisa recente revelou que um em cada quatro estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública brasileira já experimentou algum tipo de droga, além do cigarro e das bebidas alcoólicas.
Em apenas uma década, a idade do primeiro contato com esse tipo de substância caiu dos 14 para os 11 anos. Mesmo que não ocorram desastres, as conseqüências para o futuro podem ser sérias. Jovens educados de maneira negligente correm o risco de se tornar adultos infelizes e desajustados. A falta de limites faz com que muitas vezes essas pessoas se revelem inaptas para lidar com os reveses e frustrações naturais da vida.
Elas têm dificuldades para se relacionar em ambientes marcados por hierarquias (como o trabalho) e, em muitos casos, não conseguem nem mesmo se emancipar ¿ tanto do ponto de vista emocional quanto do financeiro. "Muitos pais acham que dar tudo de mão beijada para os filhos é uma maneira de fazê-los felizes, o que não é verdade. Quando saem do ninho, esses jovens se sentem atraiçoados pela vida, pois não desenvolveram defesas para enfrentar o mundo", diz Tania. É certo que, com força de vontade, um adulto pode superar esses problemas. Mas uma boa educação na infância e adolescência o pouparia dessas dificuldades.
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9:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
É claro que boa parte dos pais percebe que muita coisa vai mal na educação de seus filhos. Eles não querem fugir de suas responsabilidades nem delegá-las a outros. Prova disso é que a demanda por aconselhamento deu origem a um filão lucrativo no mercado editorial de auto-ajuda. Os principais representantes do ramo no país são a própria Tania Zagury e o psiquiatra paulista Içami Tiba. A eles somam-se autores estrangeiros como o inglês Steve Biddulph, cujo manual Criando Meninos se tornou um campeão de vendas nas livrarias.
Desde 1985, Tania lançou dez livros, que totalizam mais de 300.000 exemplares vendidos. Faz cerca de oito palestras por mês, com cachê médio de 2.000 reais. Tiba, por sua vez, também tem dez obras publicadas na área e já dobrou a marca de 1 milhão de exemplares comercializados seu mais recente lançamento, Quem Ama, Educa!, figura na lista de mais vendidos de VEJA há 58 semanas. Desde o fim dos anos 80, tanto Tania quanto Tiba vêm batendo na tecla de que é preciso resgatar a autoridade dos pais na educação dos adolescentes.
Em Os Direitos dos Pais, Tania Zagury trabalha com dois conceitos. O primeiro se refere ao fato de que, por mais que se fale nos direitos sagrados das crianças e dos adolescentes, não se pode perder de vista que a cada direito corresponde um dever. "Perdeu-se a noção de reciprocidade", diz ela. Os pais são obrigados a bancar a melhor educação escolar para os filhos?
Então estes últimos também terão sua contrapartida: devem esforçar-se para passar de ano. O filho ganhou um carro ao entrar na faculdade, mas logo em seguida desistiu do curso sem mais nem menos? Então não será uma injustiça ele perder sua regalia de andar motorizado. Os pais precisam aceitar a idéia de que ao tomar esse tipo de atitude não vão fragilizar seus filhos muito pelo contrário.
O outro conceito de que trata a autora é aquele explicitado no subtítulo de seu livro, Construindo Cidadãos em Períodos de Crise. Os pais precisam, com urgência, ter seu papel regulador revalorizado, para que possam desempenhar sem culpa nem constrangimento a função de moldar seus filhos para ser verdadeiros cidadãos. "O mundo que estamos construindo será constituído de indivíduos semelhantes àqueles que estamos criando em nossos lares.
Portanto, é bom não pensarmos somente no prazer imediato de nossos filhos e adotarmos uma postura sociológica, pensando no global da sociedade", escreve Tania. No livro, ela ensina que uma ótima oportunidade para transmitir valores é o momento em que os pais vêem TV com os filhos. "Os pais não devem desperdiçar nenhuma deixa para estimular o espírito crítico dos adolescentes", diz Tania.
Um adolescente típico carrega sempre na ponta da língua munição para atacar os pais quando estes tentam colocá-lo na linha: chama-os de "caretas", repressores e por aí afora. Ele vive encastelado em seu quarto ¿ uma fortaleza indevassável, em que os pais comumente têm sua entrada vetada. Uma pesquisa da MTV revelou que o quarto de um adolescente brasileiro de classe média ou alta é equipadíssimo: a maioria possui aparelho de som, metade tem TV e um quarto deles, computador.
O conselho da autora é que se enfrente essa resistência: se os pais chegarem à conclusão de que há algo estranho acontecendo como, por exemplo, o envolvimento do jovem com drogas , eles têm o direito, sim, de entrar em seu quarto sem autorização e até remexer em seus pertences (veja quadro). Tania também tranqüiliza aqueles pais que não sabem onde se enfiar quando o filho comunica que a namorada vai dormir com ele em casa ou vice-versa um tipo de comportamento tolerado por 25% das famílias.
"Se os pais se sentirem constrangidos com a situação, não precisam aceitar só porque os pais dos amigos do filho o permitem. Eles têm todo o direito de dizer um não bem redondo", diz Tania. Antes, os pais não falavam sobre sexo com os filhos. Às vezes lhes passavam manuais sobre o tema escritos por religiosos, alertando-os para os perigos da masturbação (uma evidente bobagem) e a necessidade de manter a virgindade das moças. Outros entregavam o garoto adolescente aos cuidados de uma profissional do sexo.
Hoje, a conversa sobre o tema costuma ser aberta e sem ranço religioso os adolescentes é que passaram a fugir dessas ocasiões, por considerá-las uma chatice. Tania sugere que eles sejam obrigados a ouvir o que os pais têm a dizer, ainda que façam birra. Todos esses enfrentamentos são difíceis, mas não há outro jeito. A título de se colocarem como "amigos" dos filhos, muitos pais acabam sendo cúmplices de erros que em nada contribuem para a formação deles. Nunca custa lembrar: a função do pai não é ser amigo e confidente para isso, os adolescentes têm suas turmas. Papel de pai é ser pai.
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9:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
O Antigo Egito já reclamava deles
Os conflitos que marcam a adolescência sempre existiram ¿ e sempre vão existir. A história da cultura e das artes mostra que traços como a impulsividade, a inquietação, a rebeldia e o sentimento de que se pode mudar o mundo são constantes nessa fase da vida ¿ embora a resposta a eles tenha variado muito. De todas as características dos adolescentes, a rebeldia é, de longe, a que mais recebeu atenção. Cinco mil anos atrás, um egípcio exasperado mandou inscrever em sua tumba as seguintes palavras: "Os jovens já não respeitam os mais velhos. Eles se tornaram impertinentes e perderam toda a noção de comedimento".
Na Grécia, onde o tema da educação ocupou os melhores cérebros, o filósofo Sócrates refletiu longamente sobre o desdém que os adolescentes mostravam pela autoridade. Essas reprimendas aos rebeldes ecoaram pelos séculos sem interrupção. As coisas começaram a mudar com os românticos, no século XIX, mas só no século XX se operou uma transformação de alcance universal. A rebeldia adolescente tornou-se algo a ser compreendido ¿ e até exaltado. Formas de cultura popular como o cinema e o rock se alimentaram dessa idéia. Juventude Transviada, de 1955, é um marco nessa virada.
A fita glamorizou o inconformismo e produziu um ícone: o ator James Dean. Na música pop, o terreno foi desbravado pelo roqueiro Elvis Presley, mas foi nos Rolling Stones que a rebeldia adolescente encontrou sua melhor personificação. Os integrantes da banda eram tudo o que os pais dos anos 60 odiavam. O último passo nesse caminho foi a mercantilização da rebeldia: hoje, ídolos como Eminem ou Britney Spears nem precisam ser rebeldes, basta que pareçam ser.
As imagens mais complexas da adolescência foram captadas na literatura. Romeu e Julieta, de Shakespeare, é um dos mais belos textos já escritos sobre o tema. No centro da história está um amor que arrebata o corpo e o espírito dos protagonistas, e ao qual eles se entregam de modo incondicional. Quando um padre tenta despertar a razão de Romeu, sua resposta é que ninguém tão velho poderia entender o estado em que ele se encontrava. Shakespeare reconhece a beleza desse enlevo, mas não deixa de zombar da intensidade de um personagem que hoje chamaríamos de "aborrescente".
O mais célebre romance adolescente do século XX é O Apanhador no Campo de Centeio. Escrito em 1951 pelo americano J.D. Salinger, o livro conta a história de Holden Caulfield, um garoto de 16 anos que foge do colégio num feriado para encontrar seu lugar no mundo e tentar perder a virgindade. Caulfield lança um olhar crítico sobre o cosmo, e se angustia com a "falsidade" de tudo. A explosão da adolescência já resultou em obras-primas. Basta lembrar de Arthur Rimbaud (1854-1891). Até os 21 anos ele escreveu versos que estão entre os mais perfeitos da língua francesa. Depois, calou-se para sempre.
Com reportagem de Anna Paula Buchalla
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8:56 AM
by Cassiano Leonel Drum
Uniforme do samba
Juliana Alves, musa do Salgueiro, mostra o balanço da minissaia, traje oficial dos dias de folia
Márcia Disitzer
Juliana Alves quando samba, é luxo só. A atriz, de 21 anos, que pulou do Big Brother para a novela Chocolate com Pimenta, será uma das musas do desfile do Salgueiro e rainha da bateria da Império da Tijuca. E para cair no samba, nada melhor que vestir uma minissaia de balanço. Essa dupla Carnaval e minissaia é nota 10 no quesito figurino.
O Clube dos Democráticos point do Carnaval carioca e que terá hoje como principal atração o bloco Spanta Neném foi palco para a moça mostrar os modelos mais quentes da temporada do samba. Gosto de usar minissaia de tecidos leves, diz ela.
Com babados, de jeans, bem curtinha, de seda transparente ou transpassada, supersexy, a minissaia ganha destaque e companhias estilosas. A sandália de plataforma branca e as metalizadas de salto fino são indispensáveis, assim como as regatas moderninhas e os tops de paetês. No mais, é se jogar nos blocos da cidade com o uniforme do samba.
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8:50 AM
by Cassiano Leonel Drum
FLUMINENSE X AMERICANO
Olha nós aí!
Sem Romário e Ramon, Edmundo e Roger (foto) têm, contra o Americano, hoje, a missão de levar o Flu à final da Taça GB
Marluci Martins
Eles nunca jogaram juntos, não treinaram o suficiente para conseguir o entrosamento, mas têm uma coisa em comum: a preferência pela camisa 10. Ela ficará com quem chegou primeiro, Edmundo. Mas isso é o que menos terá importância, hoje, no Maracanã, onde a dupla terá a missão de conduzir o Fluminense, desfalcado de Ramon e Romário, à decisão da Taça Guanabara. O jogo, contra o Americano, começa às 17h.
Não sei que camisa o Roger vestirá. A 10 já havia sido pedida pelo Edmundo, avisa o gerente de futebol, Paulo Angioni.
Bem antes de Edmundo pensar em vestir um dia a camisa tricolor, a de número 10 já era de Roger. Por isso, em seu retorno ao clube, ele ficou surpreso ao receber, ainda no aeroporto, a camisa 9 das mãos de Angioni.
Roger falou: Pô, deixaram para mim a 9? Ele não esperava que a 10 já tivesse sido escolhida por alguém, confirma Paulo Angioni.
Na ausência de Edmundo, Roger usou a 10 nas duas vezes em que jogou contra Friburguense e América. Hoje, não poderá vesti-la. Mas garante que isso não é problema.
Uso a 1, a 2, a 3... Não me importo com isso, afirma Roger. Edmundo é um espelho para os outros jogadores. Um craque. O que mais me admira nele é sua determinação. Briga por todas as bolas. Para ele, não existe jogada perdida.
Assim como aceita abrir mão da camisa 10, Roger também não fazia questão alguma de enfrentar hoje o Americano. O apoiador jura que preferia enfrentar um time de mais tradição, nesta fase semifinal da Taça Guanabara.
Sinceramente, eu preferia disputar um clássico. Esses jogos são muito complicados. O Americano é um time de qualidade, mas sem nada a perder. Vem como um franco-atirador. Se for derrotado, já terá feito seu papel: desclassificou um time grande e chegou às semifinais. Eles vão se fechar, saindo nos contra-ataques, aposta Roger.
Depois da baixa do apoiador Ramon, ontem a foi a vez de Romário. Ainda sentindo dor na panturrilha direita, o atacante não foi às Laranjeiras. Roger nem assim perdeu o entusiasmo:
Se não teremos nosso quarteto, vamos de dueto, mesmo. Os jogadores que vêm entrando estão dando conta do recado. Será meu primeiro jogo ao lado do Edmundo, pouco treinamos juntos, mas tenho certeza de que vamos nos entender bem dentro de campo.
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8:45 AM
by Cassiano Leonel Drum
Deixem Iruan chorar!
LUIZ CARLOS PRADO/ Psiquiatra e terapeuta familiar
Resolvi escrever algumas reflexões sobre a complexa questão do menino Iruan, que na quinta à noite chegou a Canoas, vindo de uma longa viagem desde Taiwan. Durante três anos, esteve convivendo com a família de seu pai, que tendo-o levado para conhecer seus familiares, acabou falecendo subitamente uma semana depois da chegada em sua terra natal. Foi então Iruan retido por um tio paterno numa comunidade de pescadores, de onde seu pai zarpara para o mundo havia muitos anos.
Foram três anos em Taiwan, tempo em que esse menino, marcado por perdas tão significativas, pôde aprender o mandarim, língua da região, e um tanto da diferente cultura desse novo país em sua vida. Agora, apegado a seus tios, primos e amigos, por ordem judicial, voltou ao Brasil, sua terra de origem. Chegou acompanhado de uma tia, irmã de seu pai, no intuito de que a transição, já marcada por fortes cenas de verdadeiros combates, pudesse ser um tanto amenizada.
Enquanto a televisão acompanhava os movimentos de sua chegada, cercados de grande expectativa, participava do programa Conversas Cruzadas, discutindo a complexa situação de sua vida. Pude afirmar, nesse encontro, minha profunda convicção de que esse menino tem uma situação muito especial e que ele parece ser dotado de muitos recursos pessoais. A maneira como parece estar lidando com tantas perdas e separações, apegando-se e separando-se a cada tanto de pessoas tão significativas, parece indicar que minha percepção seja verdadeira. Penso que Iruan teve uma boa base de afeto em seus cuidados desde o início de sua vida, com sua mãe e sua avó. Isso determinou sua boa capacidade de se relacionar afetivamente com as pessoas, em qualquer lugar onde esteja. O coração não tem pátria nem língua diferente - fala sempre a linguagem do afeto.
Durante o programa soubemos que, ao chegar, abraçara a avó e o irmão, mas começara a chorar ao ver a tia se afastando. Passaram então, conforme o relato que nos chegava pela imprensa, a tratar de ajudá-lo a não chorar. Foi então que comentamos sobre isso e todos na mesa concordaram: talvez Iruan precisasse mesmo chorar! Alguém como ele que, tão pequeno ainda, já vivenciara tantas perdas e tantas separações, deveria ter muita dor dentro de si, muitas lágrimas a derramar. A função maior daqueles que aqui o recebem deveria ser possibilitar a esse menino o máximo de integração desses dois mundos aos quais ele pertence, entre as duas culturas de suas famílias materna e paterna.
Iruan talvez seja, na verdade, um cidadão de dois mundos ou, quem sabe, venha a ser um cidadão do mundo, um grande mundo globalizado. Mas, agora que está aqui chegando, cansado e estressado pela longa jornada, às voltas com mais uma despedida em sua vida, quando deixará de conviver com seus parentes taiwaneses, ajudem Iruan a fazer o que ele talvez mais necessite: chorar suas dores e perdas, elaborar essas separações difíceis que a vida vem lhe impondo. Confiem em seus recursos de saúde, a dor também pode contribuir para o crescimento, quando bem elaborada.
Portanto, repito meu apelo: deixem Iruan chorar!
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8:40 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
14/02/2004
Férias como auto-ajuda
Descobri que cronista tem direito a férias, portanto por três sábados todos estaremos isentos; de escrever, de ler.
Vou curtir a auto-ajuda das férias: parte delas passada aqui mesmo no computador, pois muitos trabalhos me esperam, apesar da minha tendência à vagabundagem lírica. Meu lado de odalisca mental preferiria olhar as flores da minha quaresmeira, na atenção flutuante que Freud apreciava enquanto seus pacientes se esfolavam vivos no divã.
Eu, em lugar de pacientes, escuto as palavras dando cambalhotas na minha cabeça, botando a língua ou seduzindo personagens que a maioria das vezes acabam no lixo cósmico do esquecimento.
A última novidade que me tem feito rir sozinha nessas horas é lembrar o comentário feito com ar cúmplice: "Sabe que andei te defendendo de uma calúnia?" No começo apontei uma orelha: mas a esta altura da vida, as netas gêmeas empilhando no tapete do escritório os livros que derrubam das prateleiras, ainda estão fazendo folclore com minha vida? "Não! É que fulano diz que teu livro vende bem porque é auto-ajuda." Oh, bocejos de tédio celestial.
Bom, já dizia meu velho pai, a burrice é a mãe de todos os males. E a burrice, quando se junta com aquilo que Lygia Fagundes em situação semelhante chamou de "o olhar oblíquo da inveja vertendo suas lágrimas de verde bílis", só faz besteira. Nenhum de meus livros, do mais obscuro romance ao mais falsamente simples trecho do Perdas & Ganhos, foi escrito com intenção de ajudar ninguém em coisa nenhuma. E a intenção é o primeiro passo para definir uma obra qualquer. Ao contrário, meu desejo sempre será provocar, se possível atrapalhar para fazer pensar: isto é, levar à saudável transgressão do questionamento.
Mas se acham que é auto-ajuda, achem. E daí? Aliás, estou pensando no título "Auto-ajuda" para um novo livro. Todos ficarão felizes, e vou finalmente ouvir tilintar no bolso aquelas moedas que todo mundo imagina. Pois, segundo as almas simples, quem aparece nas listas de mais vendidos automaticamente está rico. Só moramos numa casa que não está em ruínas, e temos um carro que anda, para disfarçar as contas na Suíça, o castelo na Morávia (por que Morávia, não sei), e o bangalô na Côte d'Azur - que aliás deve estar fora de moda.
Preciso de férias, urgente, pra trabalhar dobrado e reforçar o orçamento. Até breve.
lya.luft@zerohora.com.br
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8:38 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ricardo Silvestrin
14/02/2004
A mídia livro
Há um certo fetichismo em torno da mídia livro. Sim, mídia, meio por onde se veicula uma mensagem. Há outras mídias, o CD, a TV, o cinema, o rádio, o jornal, a tela de pintura... Uso mídia então nesse sentido. Não naquele uso senso comum, tipo "a culpa é da mídia, isso é produto da mídia!". Há um certo endeusamento que se acentua com campanhas para todo mundo ler e tal. Louváveis todas elas, sem dúvida. Por exemplo, essa da Globo no intervalo dos jogos de futebol: "Ler também é um exercício". São atletas que falam da importância da leitura em suas vidas. Num país que precisa distribuir renda, distribuir cultura, ler é importante.
Mas ler o quê? Falta isso ao debate. A mídia livro por ela mesma não garante nada. Ouvi esses dias que a ex-namorada de um craque do futebol vai lançar um livro contando tudo! Ora, é livro, mas convenhamos... Tem a ex-primeira dama americana contando em livro não sei mais o quê. Ficamos numas de que ler é o ponto. Mas o buraco é mais embaixo. Há um grande vazio na formação estética da esmagadora maioria dos brasileiros. E a cultura de mercado também se aproveita da mídia livro. O gosto médio, mediano e medíocre, dá muita grana! E o livro vira meio de muita bobagem, assim como a TV, o cinema, o CD... Incentivar a leitura sim é preciso, mas mais do que isso.
É preciso reorientar a percepção estética. É preciso ensinar a ler de verdade, a perceber as possibilidades criativas da linguagem nos diferentes gêneros literários. E isso não fica só na arte da palavra. É preciso ensinar a ouvir música, a ver filme, a ver pintura e até a ver TV. Por exemplo, vi há pouco uma entrevista do escritor Michel Melamed com o Zé Celso Martinez Correa. Era sobre o Teatro Oficina. Zé Celso é um dos mais criativos diretores de teatro brasileiros. Mas quem sabe disso? Provavelmente muita gente passou batido pela entrevista zapeando atrás das mesmas coisas de sempre. É preciso levar biscoito fino para as massas, como dizia o poeta Paulo Leminski.
Vi na Globo News a notícia da captura de Saddam. A âncora informadíssima estava ao lado de um excelente professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Enquanto entravam os correspondentes do mundo todo, ela fazia perguntas ao professor. Saí formado em Oriente Médio e em história contemporânea naqueles 30 minutos de jornal. Agora posso "ler" muito melhor a questão EUA/Iraque. Mas a mesma notícia pode se prestar apenas ao sensacionalismo, tipo "olha lá a barba do Saddam!", o buraco em que ele estava, a captura, enfim, nada mais do que isso. Fazer um ou outro tipo de jornalismo não pode ser apenas uma opção de mercado.
Aliás, ouvi uma vez uma entrevista com o Márcio Petraco, músico gaúcho, em que perguntaram sobre como ele via essa questão do mercado na música. Respondeu, ironicamente, que do mercado ele só queria era pagar a conta. O mercadinho da esquina, bem entendido. Música, para ele, deve ser vista por um ângulo bem mais interessante. Por mais cultura e mais circulação de coisas inteligentes em todas as mídias! Vamos praticar esse exercício?
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br
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8:36 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
14/02/2004
Overdose de bolinhos
É uma loucura, por todos os cantos da Capital e do Interior as pessoas reavivam o hábito de fazer bolinhos de batata com guisado.
Mandam-me e-mails de todas as localidades dando conta de que os bolinhos de batata estão sendo incorporados aos cardápios dos restaurantes e nos lares são organizados eventos culinários que têm como centro o bolinho de batata.
Até o restaurante dos executivos da RBS resolveu servir na semana passada o bolinho de batata. O David Coimbra foi recebido pelo Dinho há 10 dias, em companhia do ex-deputado Paulo Odone, qual não foi a surpresa quando foi servida aos convivas uma bacia enorme cheia de bolinhos de batata.
Os bolinhos de batata viraram uma febre tão intensa que, até nos locais em que jamais se pensou eles fossem oferecidos, surgem como uma agradável surpresa.
Foi o caso do Barranco, em cujo cardápio nunca constou o bolinho de batata. Pois o chargista Marco Aurélio me convidou para tomar um chope no Barranco e conseguiu o milagre de convencer uma das cozinheiras a preparar bolinhos de batata. Estavam deliciosos, os ocupantes da outras mesas olhavam curiosos para aquela grande novidade, uma churrascaria servindo bolinhos de batata.
Renovam-se os pedidos dos leitores para que seja publicada aqui outra receita dos bolinhos de batata.
Apesar de o caderno Gastronomia ter ontem publicado uma receita, como há várias formas de fazer o bolinho, insisto nas receitas, pois o número de pessoas que quer ter acesso a esta delícia é muito grande.
O excelente cozinheiro Carlinhos Castillo, integrante do Clube do Truco Pitoco, envia-me uma diligente receita do bolinho, publicada no seu livro O Rio Grande em Receitas.
Percebam como ele é meticuloso ao ensinar como se faz o bolinho: "Ingredientes: 1 quilo de batata-inglesa, 1 ovo, 1 cebola média, 1 tomate médio sem casca, 3 dentes de alho, meio molho de tempero verde (salsa e cebolinha), 1 quilo de guisado de primeira, meio quilo de farinha de trigo, 3 ovos cozidos. Modo de preparar: frite o guisado, temperado com sal e uma pitada de pimenta do reino. Quando estiver frito, junte a cebola e o alho picadinhos. Deixe refogar mais cinco minutos e coloque o tomate bem picado; com um garfo, triture os ovos cozidos e junte ao guisado; cozinhe as batatas descascadas, amasse-as com um garfo ou espremedor; junte um ovo inteiro, o tempero verde e um pouco de farinha de trigo para ligar a massa; pegue uma porção, abra-a com as mãos, recheie-a com guisado e molde os bolinhos, passando-os na farinha de trigo; frite na gordura quente (um fósforo na frigideira, ao acender, dará o ponto de aquecimento ideal) e deixe escorrer em papel toalha".
Bom proveito.
Para discrepar da receita do Carlinhos Castillo, Lorena Webster, de São Leopoldo, lembra que no livro de receitas da Dona Mimi, que apresentava antigamente um programa de culinária na TV Piratini, encontrou a receita do bolinho: "Descasque e cozinhe meio quilo de batatas em água e sal. Esmague-as e deixe-as amornar. Junte-lhes três gemas, uma colher (café) de manteiga, uma colher (café) de queijo ralado, uma colher (café) de açúcar (para corar), uma colher (café) de fermento Royal. Misture bem. Se precisar, acrescente uma pitada de farinha de trigo.
Ponha um pouco de farinha nas mãos, apanhe uma porção da massa. Abra e recheie com carne moída (bem temperada, meio seca, com ovos picados e tempero verde). Feche, dando o formato de croquete. Passe os bolinhos no ovo batido e na farinha de rosca. Frite-os em gordura quente até ficarem dourados. Escorra-os em papel absorvente, Sirva-os quentes".
Bom apetite!
Está aí incrementada no Rio Grande inteiro a febre dos bolinhos de batata, um dos maiores prazeres da vida, que andava meio esquecido.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
Foto do ano mostra dor e afeto na guerra
Mais importante concurso de fotojornalismo do mundo, o World Press Photo divulgou ontem a lista dos vencedores de 2003. A foto de um prisioneiro de guerra iraquiano confortando o filho de quatro anos ganhou o prêmio principal (foto Jean-Marc Bouju, AP/ZH)
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Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004
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9:17 PM
by Cassiano Leonel Drum
Versos de Orgulho
O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho ! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.
Porque o meu Reino fica para além ...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus !
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !
O mundo ? O que é o mundo, ó meu Amor ?
O jardim dos meus versos todo em flor ...
A seara dos teus beijos, pão bendito ...
Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços ...
São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.
Florbela Espanca
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9:14 PM
by Cassiano Leonel Drum
SEM TÍTULO
Florbela Espanca
Li um dia, não sei onde,
Que em todos os namorados
Uns amam muito e, os outros,
Contentam-se em ser amados.
Fico a cismar pensativa
Neste mistério encantado...
Digo pra mim: de nós dois
Quem ama e quem é amado?...
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7:01 AM
by Cassiano Leonel Drum
Beleza de modelo na Passarela
Fabiana Araújo, Garota do Tempo do DIA, estréia no Sambódromo como destaque em um dos carros da Portela, cujo enredo fala da Amazônia
Fabiana Araújo foi recebida pelo carnavalesco Jorge de Freitas. Será o primeiro desfile da Garota do Tempo do DIA
Musa da Penha e Garota do tempo do DIA, Fabiana Araújo conquistou um espaço em Madureira. Ela será um dos destaques do abre-alas da Portela e esteve ontem no barracão da escola para ver de perto o que está sendo preparado pela Azul-e-Branca para tentar o segundo campeonato do enredo Lendas e Mistério da Amazônia, vencedor em 1970. A titular da página dois ficou encantada com as alegorias da escola, especialmente com a águia, símbolo da Portela. Ela está linda, principalmente quando se mexe. Estou ainda mais animada para o Carnaval depois de ver tudo de perto, conta Fabiana, que vai desfilar pela primeira vez.
Acompanhada pelo carnavalesco Jorge de Freitas, que fez questão de apresentar suas criações, a Garota do Tempo conheceu o barracão da escola-destaque. A Portela também está valorizando muito a comunidade. A Velha-Guarda virá na abertura e no último carro do desfile, resgatando a essência do Carnaval, conta Jorge de Freitas. Sem esquecer Dona Dodô, 84 anos, rainha de bateria da Azul-e-Branca.
O que o público verá no Sambódromo é uma Portela que mistura o rústico das palhas e do bambu ao brilho dos espelhos e dos paetês holográficos. As esculturas terão movimentos feitos por técnicos de Parintins, na Amazônia.
No carro da lenda da cobra grande, a figura central do réptil vai serpentear na Avenida, cercada por outras 26 esculturas menores do animal. Na alegoria do canto do uirapuru, o pássaro vai se transformar em homem. Todos os carros têm esculturas na frente e na parte traseira, o que denota o cuidado do carnavalesco com as suas criações.
A Portela já chega à Passarela com um trunfo, que é o samba. A escola vai passar cantando, afirma Tia Surica, da Velha-Guarda da escola. Na alegoria sobre o boto-cor-de-rosa, seis mulheres grávidas farão alusão à lenda do bicho que se transforma em homem e seduz as moças. Até hoje há quem afirme ter engravidado do boto na Amazônia, diverte-se Jorge de Freitas.
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6:56 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
13/02/2004
O tempo perdido
Na madrugada mesma da sua morte, Proust enchia páginas do último volume de Em Busca do Tempo Perdido. Escrevia deitado na cama do seu apartamento em Paris, tossindo, sentindo a alma se esvair pela ação da pneumonia e da bronquite que lhe atormentavam desde a primeira infância. A pena só cessava quando ele chamava a criada Celeste para pedir um cobertor ou uma bolsa de água quente ou mais papel, mais papel.
Essa obra imortal, porém inacabada, se estende por sete alentados volumes. Você precisa ler pelo menos um deles, para sorver as delícias sutis do texto de Proust. Mas não faça isso sacudindo os ossos no T2, nem entre os comerciais de Xuxa No Mundo da Imaginação. Para ler Proust, você precisa estar sentado comodamente, em silêncio, de preferência com uma taça de tinto ao alcance da mão. Porque você não vai ler; vai sorver o texto. Um texto do qual, ou você avança pelo menos 50 páginas de um fôlego, ou deixa o livro para depois da aposentadoria.
Terrível, não há mais tempo para ler Proust. Mais terrível: hoje, Proust não conseguiria compor Em Busca do Tempo Perdido. Porque Proust teria de ir ao supermercado. Teria de comprar roupas no shopping, agora se compra muito mais roupas do que no começo do século passado, quando os homens tinham dois ternos e fim. Teria de se exercitar uma hora por dia. E depois alongar. Teria de ir ao terapeuta, Proust tinha todo o jeito de quem vai ao terapeuta. Ao curso de inglês ele também iria, assim como gastaria horas respondendo os imeils. Sem contar os minutos que Proust levaria se deslocando para cá e para lá e escovando os dentes quatro vezes por dia e mandando seu carro para a revisão. Finalmente, Proust teria de... trabalhar! E, claro, ler. Se bem que, fazendo tudo isso, lhe seria difícil arrumar um bom naco de cada dia para desfrutar do Em Busca do Tempo Perdido.
Imagino a aflição de Proust. Pois sei da minha. As pessoas estão todo tempo cobrando, pedindo opinião. Assistiu ao filme da Charlize? Leu a Veja? Aquele guri é Iruan, Irruá ou Iruá? O que tu achas da abstinência sexual do Baloubet? Viu a Tonton na Playboy?
Chega! Preciso de tempo para ler Proust! Onde estará meu tempo perdido?
david.coimbra@zerohora.com.br
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6:54 AM
by Cassiano Leonel Drum
Gabriel Moojen
13/02/2004
Meu mundo?
Domingo, dia 8: Amanhece um sol de verão. Não choveu como se previa. Acabamos a transmissão ao vivo do Planeta Atlântida para o Brasil e Portugal. Entrei com os artistas dos palcos Orbeat e Hip Hop, tudo certo. A Nação Zumbi e a Ultramen arrasaram. Caminhando pelo Planeta, vi um monte de gente se beijando na boca. Mas não eram beijos de paixão. Eram beijos de dúzias, menino que engravatava a menina, beijos forçados para no fim da noite fazer a contabilidade. "Foram tantas meninas que nem me lembro o nome de nenhuma", disse um. Eu fiz que nem ouvi. Deve ser assim o amor hoje em dia. 50 mil numa festa, as melhores bandas de rock em muitos palcos e muita saliva misturada. Depois de tudo, o sol nascendo, alheio a tudo.
Segunda: A vida retoma seu curso. Reunião de pauta, preparação para o Patrola do Cassino, no sábado. Comunidade, TNT e Acústicos vão estar lá. Na maior praia do mundo. Será o quarto fim de semana de trabalho corrido. Mas o resultado é compensador. E ainda tem Carnaval. Ninguém é de ninguém também....
Terça: Isso não é uma coluna. Se fosse, o jornal seria invertebrado. ahahahahahahah. Isso é um blog. Me escreva. Me insulte, me elogie, mas não fique parado.
Quinta: O mundo é seu? Às vezes penso em botar o pé na estrada e não mais voltar. Mas é preciso encarar a realidade e tentar fazer algo para mudar este país. Vejo tanta tragédia. Tanta falta de compreensão, que um ato de um só não resolve. Vamos fazer uma ONG então? Começamos trocando idéias. O Bush disse na TV que é o presidente da guerra. De certo modo ele manda no mundo. No meu e no seu. Você quer um presidente da guerra? Eu não.
gabriel@rbstv.com.br
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6:51 AM
by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
13/02/2004
Que viagem!
Hoje quando fui checar meu e-mail tinha uma mensagem de meu primo Eduardo e outra da minha amiga Aninha. Ele está viajando de mochila pela Europa, ela anda por Nova York. Tudo de bom! Viajar é uma das melhores coisas da vida. Desde pequena queria morar fora, conhecer lugares e pessoas diferentes. Com 19 anos fiz minha primeira viagem longa, um ano longe de casa. Minha vida virou: mochila, albergues, trens, bicicleta, sabores, cheiros, galerias, museus, festas, shows, amores, amigos multiculturais, mais viagens e mil cidades diferentes.
Quando volto de viagens assim, fica uma sensação esquisita: quando estou aqui sinto saudade de lá, quando estou lá lembro dos amigos daqui. O jeito é manter os amigos que fazemos não só perto do coração como na nossa lista de e-mails favoritos. Fica então estabelecida uma conexão mundial.
Meu primo contava suas aventuras pelo velho mundo. Já a Aninha teclava para dizer que leu uma declaração minha na lista de notícias internacionais via web para advogados (hã?). Era uma fala para o Jornal Hoje sobre o desfile da Zapping de que participei. Achei engraçado estar em tal lista e dei um reply contando o feito. Eu, gordinha, desfilando com outras parceiras em plena São Paulo Fashion Week! Respondi pra ela que subi na passarela graças ao convite um amigo descolado e da estilista da marca. Meu amigo descolado é o Felipe Veloso, a quem conheci justamente numa das tantas viagens. Virar modelete por um dia foi uma experiência única e divertida que mostro amanhã no Patrola da TV. Para os amigos distantes, ficam as fotos da Internet e boas risadas.
Beijolas na testa, fui!
mauren@rbstv.com.br
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6:49 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
13/02/2004
Felicidades, Iruan!
Não há motivo para festas na chegada do menino Iruan Ergui Wu a Porto Alegre, depois da sua longa viagem de retorno a Canoas, despachado em Taiwan.
O que permanece latente na opinião pública é uma profunda compaixão por essa criança, órfã definitiva de pai e mãe e órfã de pátria nos últimos três anos.
Só a indecisão sobre a língua que tem de usar, ora português, ora mandarim (chinês), bastaria para se calcular a aflição desse menino.
Não bastasse isso, o senta-levanta dos seus vínculos emocionais ligados ao parentesco, ora afeiçoando-se à sua avó brasileira, ora ligando-se ao seu tio taiwanês, há de estar provocando nesse garoto uma tal confusão mental digna de piedade.
É tão grande a lástima pelo que Iruan tem passado que, entre nós, mesmo tendo havido disputa dos parentes brasileiros e taiwaneses pela posse do menino, muita gente por aqui entendia que o menino não deveria ter voltado ao Brasil, prevendo o choque que ele sofreria ao despegar-se das suas últimas bases sentimentais: as pessoas e o ambiente de Taiwan com que ele estava acostumado a conviver nos últimos três anos. Ou seja, entre o partido dos parentescos brasileiro e taiwanês, as pessoas aqui no Rio Grande Sul optaram por um terceiro e mais importante valor: o garoto.
E há até um certo constrangimento na opinião pública gaúcha pelo retorno de Iruan: é que a vontade do menino não foi respeitada no desfecho judicial que ordenou que ele retornasse ao Brasil. Iruan queria permanecer em Taiwan, o que quer dizer que retornou contrariado.
Como também teria resistido a ir para Taiwan se estivesse sob a guarda de sua avó, caso hipoteticamente houvesse o inverso da situação.
É impressionante como o destino teceu tramas sórdidas contra essa criança. Perdeu o pai, perdeu a mãe, perdeu temporariamente a avó, perde agora definitivamente o tio taiwanês.
Depois de tantas perdas, o que se deseja para Iruan é que nunca mais a vida lhe proporcione a incerteza que se apodera dele há três anos.
E que sua avó tenha vida longa e possa transmitir-lhe toda a carga de amor desperdiçada na morte dos seus pais e no abandono forçado de seu tio taiwanês.
Dói ver como a vida destroça as pessoas, mais ainda quando uma criança resta assim como escombro.
É duro suportar, mesmo de longe, a idéia de que a personalidade de um garoto assim atingido pela fatalidade seja perversamente atacada por uma série de traumas associados à sua orfandade e à litigância do torneio por sua guarda.
Quanto a não ter sido respeitada a vontade de Iruan, que não queria voltar ao Brasil, é comum esse tipo de decisão nas disputas judiciais por guardas de filhos de casais que se separam: muitas vezes é mais aconselhável contrapor-se à vontade da criança, que não tem dominância cerebral para distinguir tanto sobre o que é melhor para ela quanto sobre o que é mais justo.
Em silêncio, os gaúchos e os brasileiros torcem e oram para que esse menino tenha agora definitivamente uma vida serena, produtiva, tranqüila e feliz.
É difícil, mas não é impossível.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:46 AM
by Cassiano Leonel Drum
Litoral
Emoção nas ondas de Torres
Surfista gaúcho Stéfano Dornelles garantiu vaga entre os melhores no primeiro dia da terceira etapa do WQS, na Praia dos Molhes (foto Ricardo Duarte/ZH)
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Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004
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2:24 PM
by Cassiano Leonel Drum
Trote movimenta polícia no centro de Porto Alegre
Um trote telefônico levou a Brigada Militar a enviar diversas viaturas para um restaurante do centro de Porto Alegre na manhã desta quinta, dia 12. Segundo a polícia, o falso informante, que ligou para o 190, teria avisado que duas pessoas foram baleadas em um assalto no número 1.444 da Rua dos Andradas.
O 9º Batalhão da Brigada Militar informou que este foi o segundo trote passado pelo mesmo número de telefone, que seria de um orelhão da Avenida Borges de Medeiros. A polícia chegou a procurar suspeitos próximos ao telefone público, mas desconfia que a chamada possa estar sendo feita de outro endereço.
Por volta das 16h30min desta quarta, a polícia recebeu a informação falsa de que um banco havia sido assaltado na Rua dos Andradas. O trote dizia que o vigilante estava ferido, mas a polícia constatou que nada havia ocorrido no local.
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8:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
Tóquio e LA são esquinas do mundo
SILVIO CIOFFI
enviando especial da Folha de S.Paulo a Tóquio e LA
O título do filme "Lost in Translation", de Sofia Coppola, que recém-chegou aos cinemas brasileiros como "Encontros e Desencontros", tem tradução discutível, mas nele dá para compreender um pouco da sensação de estranhamento, solidão e cumplicidade que os ocidentais têm ao vivenciar a brutalidade da distância voada, o emaranhado de signos estranhos e a monumentalidade ultracontemporânea de Tóquio.
Silvio Cioffi/Folha Imagem
Fachada do hotel The Regent Beverly Wilshire, onde foi filmado "Uma Linda Mulher" (1990)
Em esquinas diferentes do mundo, o Japão e os EUA têm em comum tanto um mar de afinidades quanto um mundo de diferenças --e isso transparece na comparação de Los Angeles (codinome LA), na Califórnia, onde moram os protagonistas do filme, e Tóquio, aliás, unidas semanalmente por quatro vôos diretos a partir do Brasil, da Varig, e por vôos que as companhias americanas, como American, Delta e United, fazem entre os dois destinos, com uma escala a mais nos EUA.
Curiosamente, o site da CIA (www.cia.gov), a agência de inteligência dos EUA, afirma que a área do Japão é "ligeiramente menor do que a do Estado da Califórnia". E, se Tóquio tem em Ginza seu bairro chique e ocidentalizado, Los Angeles compra em Beverly Hills, em lojas que se equivalem, falam as mesmas língua e comerciam nas mesmas moedas.
Verso e anverso
Hoje, a soma do comércio bilateral EUA/Japão está na casa dos US$ 172 bilhões (de acordo com estatísticas de 2002) e a presença norte-americana é tão intensa no Japão quanto é significativo o número de nipo-descendentes nos EUA, onde produtos japoneses imperam, dos automóveis aos eletroeletrônicos, passando por artigos da moda e cosméticos.
Mas os mares intensamente navegados entre o arquipélago do Japão e os EUA --notadamente na costa da Califórnia-- nem sempre foram símbolo de relacionamento pacífico entre essas potências mundiais.
Embora tenham recebido um substantivo número de imigrantes japoneses no início do século 20, os EUA guerrearam com o Japão. Na Califórnia, a população de origem nipônica foi segregada depois de 1941, quando a aviação militar japonesa bombardeou Pearl Harbor. Por sua vez, os EUA jogaram bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki em 1945, enquanto pilotos suicidas japoneses, os camicases, eram treinados para lançar seus aviões sobre navios de guerra norte-americanos.
O resto é história entre esses dois grandes países que chegaram à guerra e forjaram grandes alianças empresariais com igual voracidade. A imigração japonesa para os EUA é contemporânea à vinda de nipônicos ao Brasil.
Mas, como no Brasil a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foi feita mais de tinta e de papel jornal do que de batalhas e de sangue, aqui não houve campos de confinamento tão severos para japoneses como nos EUA, onde os nipo-descendentes foram isolados no Jerome Camp, em Manzanar e em Tule Lake.
No Estado da Califórnia, onde os japoneses eram ainda mais numerosos que no Havaí, os "isseis" (primeira geração) e os "sanseis" (terceira), emblematicamente retratados pelas lentes de Dorothea Lange (1895-1965), foram mandados ao interior.
Já cerca de 2.600 "nisseis" (segunda geração, chamados de "American's of Japanese Ancestry/AJA's") foram selecionados e engajados no regimento 442, com sede no Havaí, para combater nas frentes de batalha, seja na Europa, seja no Pacífico.
O tempo apagou as feridas, japoneses viraram americanos, os EUA se orientalizaram quase na mesma proporção que, no pós-Guerra, o Japão se ocidentalizou.
O legado, este, sim, muito parecido com o que os nipo-descendentes deixaram no Brasil, se traduz numa das mais belas páginas da história mundial, em indústrias pujantes, em artes plásticas e até nas artes da culinária, como se vê na receita que ensina a fazer o Califórnia roll.
Silvio Cioffi, editor de Turismo, viajou a convite da Star Alliance e da Varig.
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8:27 AM
by Cassiano Leonel Drum
Esquema dos "gafanhotos" provoca 12 demissões no BB
LEONARDO SOUZA - ANDRÉA MICHAEL
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O Banco do Brasil demitiu na semana passada, por justa causa, o superintendente no Amazonas, George do Nascimento, e outros 11 funcionários lotados no Estado e em Roraima, por indícios de irregularidades cometidas no escândalo que ficou conhecido como esquema dos "gafanhotos".
Oficialmente, a assessoria do BB em Brasília informou que os funcionários foram demitidos porque uma auditoria constatou que houve "descumprimento de normativos internos". A assessoria disse que não estava autorizada a fornecer o telefone dos ex-funcionários. A Folha não conseguiu localizar George do Nascimento.
Segundo a Folha apurou, as supostas irregularidades estariam ligadas a operações envolvendo a NSAP (Norte Serviços de Arrecadação e Pagamentos Ltda), uma empresa que não existe mais.
Por meio de procurações, pelo menos 60 pessoas ligadas a 30 autoridades de Roraima se apropriavam de parte ou da totalidade dos salários de supostos funcionários do governo estadual.
Um grupo de políticos e empresários cadastrava donas-de-casa e funcionários públicos na folha de pagamento. Essas pessoas foram apelidadas de "gafanhotos" por "comerem" parte do Orçamento do Estado. Cerca de 5.500 pessoas foram utilizadas no esquema.
O funcionalismo era pago pela NSAP, contratada pelo governo de RR. O desvio chegava a 70% da folha de pagamento mensal, segundo a Polícia Federal. A fraude somou cerca de R$ 230 milhões.
A base do ex-superintendente do BB era em Manaus, mas ele cuidava ainda das operações da instituição em Roraima e no Acre.
A forma como a NSAP estava envolvida nas operações bancárias feitas pela "folha-gafanhoto" levou a força-tarefa formada pela PF e o Ministério Público para investigar o caso a abrir um inquérito específico sobre a atuação da empresa, que tinha uma autorização genérica do governo de RR para operar suas contas no BB.
As suspeitas são que os ex-funcionários facilitavam a abertura ou a movimentação de contas no banco para operações irregulares com dinheiro público destinado a convênios. Parte do dinheiro que alimentava os "gafanhotos" era desviada irregularmente de convênios firmados com os ministérios dos Transportes e da Saúde. O Ministério Público e a PF descobriram a fraude em 2003.
Até ontem, não havia informações oficiais sobre a ligação de funcionários do BB ao caso.
Dois ex-membros da administração de Flamarion Portela e um deputado estadual de Roraima são investigados por suspeita de terem feito declarações de Imposto de Renda e recebido a restituição em nome de funcionários "fantasmas". Por conta do escândalo, o governador pediu afastamento do PT no final de 2003.
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8:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Caixa fecha 2003 com lucro recorde de R$ 1,616 bilhão
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FABIANA FUTEMA - da Folha Online
Pelo segundo ano consecutivo, a Caixa Econômica Federal conseguiu fechar suas contas no azul. A Caixa contabilizou em 2003 um lucro de R$ 1,616 bilhão --o maior da história da instituição.
O bom desempenho da Caixa é reflexo do aumento de 40,63% nas receitas com operações de intermediação financeira, que passaram de R$ 17,812 bilhões em 2002 para R$ 25,05 bilhões em 2003.
Também contribuiu para o lucro do banco a receita com a prestação de serviços, que evoluiu para R$ 4,59 bilhões, um aumento de 8,5% na comparação com 2002.
Ao mesmo tempo em que atuou na expansão das receitas, a Caixa também colocou em prática um programa de racionalização de gastos e despesas em 2003.
Este programa foi responsável por uma economia de R$ 284 milhões --valor que impactou diretamente seu lucro líquido. Para 2004, a redução de custos deve alcançar R$ 350 milhões.
Segundo o banco, o resultado recorde veio acompanhado da melhoria nos indicadores de saúde financeira, do risco da carteira de empréstimos e do aumento do volume das atividades sociais, operacionais e comerciais.
Exemplo da saúde financeira foi o índice de Basiléia, que cresceu de 14,67% para 19,24% durante 2003. O índice mínimo exigido pelo Banco Central é de 11%.
Carteira de crédito
A Caixa encerrou 2003 com uma carteira de empréstimos no valor de R$ 25,27 bilhões, um crescimento de 11% em relação a 2002.
Houve melhoria no risco da carteira de crédito da Caixa. Os créditos com menor risco de inadimplência --com classificação entre AA e B-- representavam 55,8% da carteira da instituição no fechamento de 2003, contra 46,6% no ano anterior.
Já os créditos com maior risco --classificação entre E e H--, que eram 11,9% da carteira em 2002, caíram para 10,8% em 2003.
Para 2004, o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, diz que a instituição pretende emprestar R$ 42 bilhões, o que representará um crescimento de 58,73% nas aplicações.
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7:00 AM
by Cassiano Leonel Drum
PORTO ALEGRE, QUINTA-FEIRA, 12 DE FEVEREIRO DE 2004
CEF lucrou R$ 1,6 bi em 2003
Resultado atinge recorde. Tesouro receberá R$ 810 milhões em dividendos
Resultado foi maravilhoso', comemorou Jorge Mattoso
Brasília - A Caixa Econômica Federal registrou em 2003 o maior lucro líquido da sua história: R$ 1,616 bilhão contra R$ 1,081 bilhão obtido em 2002. Desse total, a Caixa destinará para o Tesouro Nacional, único acionista da instituição, R$ 810 milhões em dividendos.
No entanto, a maior parte desse montante já foi repassado aos cofres públicos. Com escassez de recursos, o Tesouro pediu e a Caixa antecipou R$ 759 milhões. Para o presidente da CEF, Jorge Mattoso, 'foi um resultado extraordinário'. Ele argumentou que o lucro líquido da Caixa veio acompanhado de melhoria significativa dos indicadores de saúde financeira, volume de crédito e diminuição do risco, além da redução de custo e desperdício. Segundo ele, pela primeira vez em 10 anos, a instituição aplicou todo o orçamento de R$ 1,4 bilhão em saneamento, avançando até sobre a parte não utilizada em 2002 (mais de R$ 300 milhões).
Também o patrimônio líquido da CEF aumentou 24,71% em 2003, passando de R$ 4,628 bilhões para R$ 5,772 bilhões. Já o índice de Basiléia, que mede a saúde financeira do banco, subiu de 14,67% para 19,24%. Isso significa que a Caixa tem condições de emprestar mais, já que o índice mínimo exigido pelo Banco Central é de 11%. Porém, sua carteira de empréstimos representa apenas 10,08% do mercado. Para 2004, a CEF espera emprestar cerca de R$ 30 bilhões no crédito comercial e aplicar R$ 12 bilhões em habitação e saneamento. Mattoso destacou que o desafio será continuar demonstrando que é possível ser um banco público e ter rentabilidade.
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6:51 AM
by Cassiano Leonel Drum
Berzoini leva torta radical
Ministro do Trabalho foi surpreendido por uma militante quando participava de solenidade de posse na Federação das Indústrias do Ceará
Berzoini: pintado para a paz
FORTALEZA - O ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, experimentou ontem o gosto de ser impopular. Ele levou uma torta no rosto quando participava de um compromissso na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), em Fortaleza. O ataque partiu de uma integrante dos movimentos Crítica Radical e União das Mulheres Cearenses. Os seguranças do ministro tentaram detê-la, mas, ajudada por algumas colegas, a manifestante conseguiu escapar.
Quando Berzoini entrou no auditório onde participaria da posse do conselho consultivo do Consórcio da Juventude, um grupo vestindo coletes do Sindicato dos Auditores Fiscais abriu faixas e começou a gritar palavras de ordem contra o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Indiferente, o ministro acenou e seguiu andando. Quando se sentou, foi atingido na cara.
Berzoini foi retirado às pressas, e o evento foi suspenso por alguns minutos. Mais tarde, com o rosto limpo, ele voltou à solenidade e demonstrou bom humor.
A União das Mulheres Cearenses e a Crítica Radical são as mesmas entidades que xingaram o então ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano, quando ele esteve na cidade, no ano passado. Delas faz parte uma ex-petista, a ex-prefeita de Fortaleza Maria Luíza Fontenele.
Dóris inspira Troféu Berzoini de Crueldade
Antes de ir para a Fiec, Ricardo Berzoini participou da inauguração do Centro Social da Juventude. Lá, ele teve a cara pintada com uma flecha vermelha por índios que faziam uma apresentação. Perguntado se estava pintado para a guerra, ele respondeu: Não. Estou pintado para a paz.
Ricardo Berzoini é o ministro tocador de reformas do presidente Lula. Ano passado, à frente da Previdência, pilotou as mudanças no sistema nacional de aposentadorias e pensões. Agora, deslocado para o Trabalho, recebeu a missão de coordenar as reformas Trabalhista e Sindical.
Ex-sindicalista e deputado federal, Berzoini ficou marcado pelo episódio em que suspendeu sem aviso prévio o pagamento dos benefícios dos segurados do INSS com mais de 90 anos. A intenção era forçar um recadastramento, mas a medida produziu imagens que chocaram o País, com milhares de pessoas incapazes de se locomover enfrentando filas atrás do dinheiro bloqueado.
A repercussão inspirou o PFL a criar o Troféu Berzoini de Crueldade Popular. Pior para o ministro será levar para sempre o apelido de Dóris, dado por parlamentares no Congresso referência à personagem da novela Mulheres Apaixonadas, que maltratava os avõs e não gostava de velhinhos.
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6:41 AM
by Cassiano Leonel Drum
Troca-troca de coroa na Avenida
Juliana Paes desponta como a nova majestade do Sambódromo, tirando do trono musas de outros Carnavais, como Viviane Araújo
Isabela Kopke e Flávia Duarte
Quem é rainha um dia perde a majestade no Carnaval. Assim como as escolas estão sujeitas ao sobe-e-desce entre os grupos Especial e de Acesso, beldades perdem os holofotes e dão lugar a outras estrelas. A atriz Viviane Araújo, 28 anos, que até ano passado esteve à frente da bateria da Mocidade de Padre Miguel, dividirá este ano o posto de madrinha na União de Jacarepaguá, escola do Grupo A, com a rainha Ana Paula dos Santos, 26. Estrela em ascensão, a atriz Juliana Paes, 24, promete ser a sensação da Passarela, sambando na Unidos do Viradouro, depois de quatro anos como destaque em alegorias.
Se dependesse apenas de currículo na Avenida e formas perfeitas para conquistar lugar de destaque, Viviane teria pontos de sobra. Ela desfila desde 1995, passou pela Vila Isabel e foi eleita, em 2000, musa do Tamborim de Ouro troféu concedido pelo DIA, a partir do voto popular , quando desfilou na Unidos da Tijuca. Sua participação no Grupo Especial este ano será como destaque no 5º carro da Viradouro.
O importante é participar da festa. Hoje em dia, Carnaval é tão grandioso, que não há diferença entre grupos. Muitas escolas que estão no Acesso já passaram pelo Especial, ressaltou Viviane. Para mim, será um privilégio sair na União de Jacarepaguá. A escola me recebeu de braços abertos, acrescentou a atriz, que viveu na Praça Seca. Terça-feira, a morena mostrou que está afinada com o samba no ensaio na quadra da escola.
Estrela da vez na Avenida, Juliana Paes provou estar preparada para o desafio de brilhar à frente da bateria da Viradouro, ontem de madrugada, na quadra da agremiação. Com os pés no chão, a atriz ainda ensaia a ousadia que pretende mostrar na Sapucaí. A microssaia e o tomara-que-caia de paetês tinham alguns centímetros a menos do que o usual. A musa sambou por uma hora e meia concentrada na coreografia, sem poses sensuais para fotógrafos, como fazia a experiente Luma de Oliveira, quando ocupava o posto. Estou me acostumando com o assédio dos fotógrafos. Acho que nunca estarei 100% à vontade, disse.
Rainha da União de Jacarepaguá se garante e não teme a concorrência
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6:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
12/02/2004
Confissões de um escriba
Esta é do velhinho que fazia versos e comia quindim com café preto no bar da Maria: "Nunca escrevi uma vírgula sequer que não fosse uma confissão". Assim somos nós, os escrevinhadores, gente pra lá de dissimulada, que se recusa a falar sobre os próprios sentimentos, mas não se constrange em confessá-los por escrito. Somos, na verdade, autores de cartas enigmáticas: lançamos nossos bilhetes engarrafados ao mar e ficamos torcendo para que alguém os encontre, abra-os e tenha sensibilidade suficiente para entender a mensagem sem sentir ganas de crucificar o autor.
Por que escrevemos? Por analogia, respondo com outra pergunta. Por que nos confessamos? Para aliviar a consciência, me sussurra a própria. E tem razão esta senhora intrometida. No cenário religioso, o penitente confessa os seus pecados, faz o seu ato de contrição e sai leve como uma pluma. No ambiente psicanalítico, o paciente conta a sua vida, revela os seus sonhos e as suas frustrações, ouve o especialista (em alguns casos, ouve o seu silêncio) e sai com a cabeça mais aprumada. No terreno movediço dos sentimentos, fazemos confissões comprometedoras e nos sentimos no céu. Na literatura somos ainda mais imprudentes: assinamos nossas confissões.
Ultimamente, virou moda fazer confissões em público. Esses programas de televisão que confinam várias pessoas dentro de uma casa são verdadeiros confessionários coletivos, com o telespectador fazendo o papel duplo de sacerdote e juiz. Observa, ouve, condena e absolve, com o poder que lhe é concedido pelo santo ibope. A Internet é uma rede de confissões habitada por anônimos e exibicionistas, que relatam diariamente suas aventuras e desventuras. O computador, como se dizia no passado da folha de papel em branco, aceita tudo.
Escritores, poetas, cronistas e pretendentes a qualquer coisa no mundo das letras são confitentes contumazes. Eu mesmo escrevi esta crônica apenas para confessar que convivi, anonimamente, com o velhinho que comia quindim no bar da Maria. Recordo e me assusto: já vai fazer 10 anos que Mario Quintana virou passarinho: "Amigos não consultem os relógios quando um dia me for de vossas vidas...".
Da Maria, só lembro de uma crítica. Comi o meu sanduíche em silêncio e, na hora de pagar, ela não tinha troco. Sugeriu-me que deixasse o pagamento para o dia seguinte. Como sou avesso a dívidas (talvez para não precisar confessá-las), fui até o meu local de trabalho, troquei dinheiro, catei moedas e voltei na mesma hora para pagá-la. Em vez de agradecer, ela comentou em voz alta, irônica:
- Pobre e orgulhoso!
nilson.souza@zerohora.com.br
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6:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
12/02/2004
Dobrando o trubigo
Das coisas mais admiráveis do filme Mestre dos Mares são as legendas em português. A tradução foi obviamente feita por alguém que entende não só de termos náuticos em geral como das particularidades dos barcos de guerra da época, e não há uma ordem do capitão, uma manobra descrita ou recomendada, uma referência a vela, mastro, vento, verga, viga, corda ou cavilha - mesmo quando mal ouvidas entre os clangores da batalha e o rugir da tempestade - que não seja traduzida, geralmente com nomes só inteligíveis para iniciados na esotérica linguagem dos mares.
Supõe-se que o tradutor tenha trabalhado em cima do script do filme, livre dos riscos de quem faz as legendas de ouvido e acaba traduzindo - como juro que vi certa vez - "I understand your needs" por "eu compreendo os seus joelhos". Não prestei atenção no seu nome, mas ou é, mesmo, um entendido em navegação ou um leigo ou uma leiga com tempo, um bom dicionário específico e admirável cuidado no seu trabalho. Parabéns a ele ou a ela.
Porém, ai porém. No filme há uma cena em que falam nas ilustrações de um livro, e o autor das legendas traduz "pictures" por "fotos". Esqueceu que a ação se passa durante as guerras napoleônicas, no início do século 19, ou não se deu conta de que a fotografia não é uma invenção tão antiga assim. Tudo bem, erro perdoável numa tradução difícil. Mas um que nos permite suspeitar de todo o resto, principalmente das versões aparentemente tão exatas da nomenclatura naval.
E se o tradutor estava simplesmente inventando em vez de traduzindo? A tentação de criar jargão é quase irresistível, principalmente quando há pouca probabilidade de alguém denunciar o engodo. "Içar a traquineta!" "Reverter a vela bimbão para pegar o Vitúrbio de solapa!" "Vasquilhem a rosca do cabo alçus ou aboldaremos o grande vizeu!" "Atenção para a sirigaita cruzada!" "Dobrar o trubigo! Dobrar o trubigo!" Como ninguém a bordo parece estar ouvindo o que gritam, mesmo, tanto faz as traduções estarem certas ou não.
Mas isto não deve ter acontecido, claro. É uma boa e criteriosa tradução, que um anacronismo só não invalida. E o filme é ótimo.
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6:27 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
12/02/2004
Um presidente interno
Pode ser até que quem governe não seja o Lula, mas o José Dirceu. Mas que pegam mal essas viagens do presidente, enquanto o país afunda no desemprego e na diminuição cada vez mais assustadora da renda dos trabalhadores, disso não há dúvida.
A cada viagem do Lula, ele transmite a impressão de que pretende solucionar os problemas do mundo.
Só que os problemas brasileiros se avolumam. Desde o início do ano houve uma série de aumentos nos preços em geral que aterrorizam os consumidores.
Incrivelmente, noticia-se que cai a taxa da inflação. Mas como?
A inflação cai no papel e no entanto devora os bolsos dos consumidores. Itens como frango, produtos de limpeza e higiene e bebidas foram remarcados.
Perguntem às donas de casa qual o impacto do aumento de preços verificado em janeiro no seu orçamento e só se ouvirão lamúrias.
Então como é que a taxa de inflação está baixando?
Enquanto isso, as enchentes atingiram 644 municípios brasileiros, causando um total de 180 mil desabrigados.
Cerca de 50 mil moradias foram danificadas, 8 mil destruídas. Isso que não terminou a estação das chuvas e elas podem se derrubar sobre vários Estados com muita intensidade nos próximos dias, a julgar pelas previsões meteorológicas.
O atendimento aos flagelados, depois de embaraços burocráticos inexplicáveis, já está sendo prestado pelo governo federal, após a visita de Lula e vários ministros aos locais atingidos, isso é o que se exige de um governo.
Mas somam-se tanto os problemas nacionais que não deixam boa impressão as viagens presidenciais. Nem a preocupação de dotar a Presidência da República de um avião importado a preço salgado para levar o presidente e suas comitivas a essas viagens ao Exterior.
O mínimo que se pode exigir é que o presidente esteja sempre aqui em território nacional para enfrentar todos esses problemas.
Já vai para o segundo ano de governo e não há sinais da tão anunciada retomada de crescimento.
Então é hora de o Lula permanecer junto do seu povo, compartilhando com ele suas agruras e esta nervosa expectativa de que 2004 seja um marco de reviravolta na pasmaceira econômica e social que nos envolve.
Certamente essa diminuição nos índices de popularidade de Lula e do seu governo, nas pesquisas, estão relacionadas diretamente com as viagens do presidente.
Nota-se que o governo se obstina em programas sociais, como o Fome Zero e correlatos, assistindo a pobreza, o que sem dúvida é profundamente meritório, mas demonstra não ter qualquer preocupação com um viés aterrador: o empobrecimento dos brasileiros que detêm empregos, acrescido da aflição dos 10 milhões de desempregados herdados do governo anterior, mais uns 2 milhões surgidos no mandato de Lula.
Quem está empregado vê diminuir cada vez mais a sua renda, isso é indicativo de pobreza crescente, que vai estourar ali adiante.
E não se vê qualquer ação do governo no sentido de criar postos de trabalho, essa perspectiva só é enquadrada no otimismo oficial de que teremos crescimento da economia em 2004, previsão profundamente temerária, a julgar pelo indicativos atuais.
É preciso muita ação do governo e do presidente. E essas viagens de Lula pelo Exterior transmitem uma impressão diametralmente oposta a essa disposição.
Porque por mais que possam ser úteis as viagens de um presidente ao redor do mundo, os seus resultados não são palpáveis.
E o que o Brasil está precisando nesta hora delicada é de resultados concretos.
Que só podem ser obtidos aqui dentro mesmo.
E com o presidente em cima do lance.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:24 AM
by Cassiano Leonel Drum
Litoral
Cavaleiros das ondas
Uma nova aventura radical virou atração para os veranistas em Torres: o rafting no mar. Em um bote inflável, munidos de salva-vidas, capacetes e remos, os participantes do esporte enfrentam a força da rebentação (foto Paulo Franken/ZH)
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Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004
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9:36 PM
by Cassiano Leonel Drum
Desatinada
Fátima Irene Pinto
Sinto falta das proezas da juventude,
Época de esplendor, viço e mocidade,
Quando a gente não sopesava atitudes,
E se dava prazer- sem conflitos- à vontade.
Dos lábios bem vermelhos de batom,
Vestidos curtos e decotes insinuantes,
Corpo esbelto bronzeado no verão,
Cabelos longos e olhares provocantes.
Ausência de responsabilidades,
Namorados que se tinha pra escolher,
Sem nem cogitar se havia maldade,
Gostar de dois ou tres de uma vez.
Dos bailes, das festanças, cantorias,
Serestas que só findavam ao amanhecer,
Sem que soubéssemos que tais alegrias,
A seu tempo, iriam todas fenecer.
Sim, grande é a saudade que sinto,
O tempo infelizmente não volta atrás.
Mas hoje, o que mais lastimo, não minto,
É ser desatinada de menos
E ter juízo demais.
Descalvado -18.01.04
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9:26 PM
by Cassiano Leonel Drum
ALMA QUERIDA
Fátima Irene Pinto
Alma Querida que aqui chegaste,
Como se nunca partido houvesses,
Soprando chamas nas minhas preces,
Jogando vida nos meus desgastes.
Alma Querida, não te aprisiono,
É teu destino perambular
Pelos caminhos,tristes,risonhos,
Não fostes feito para ficar.
Guardo comigo olhar sincero
E ao deixar-te peregrinar,
De certa forma me recomponho.
Eu te liberto, não te encarcero,
Deixo que sigas para além mar
Onde repousam os nossos sonhos.
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6:48 AM
by Cassiano Leonel Drum
Façam suas apostas!
Vasco, Fluminense, Flamengo, Botafogo, Americano, América, Friburguense e Madureira decidem hoje seu destino na Taça Guanabara
A sorte está lançada. Em São Januário, há quem aposte em jogo de compadres, pois o empate classifica Vasco e Americano. Ainda sem saber se contará com o artilheiro Valdir (6 gols) e o zagueiro Wescley, ambos contundidos, a direção do clube reduziu o preço do ingresso para R$ 5, para contar com apoio maior da torcida. Já o técnico do time campista, Toninho Andrade, admite jogar pelo regulamento e não vê nenhum problema nisso. Ainda pelo Grupo A, o Botafogo recebe o Bangu no Caio Martins, sabendo que precisa vencer e torcer por um tropeço do Americano. As duas partidas começam às 20h30.
Pelo Grupo B, o Fluminense não terá Romário e Ramon (além de Edmundo, ainda em tratamento) contra o América, no Maracanã. Sem seus astros, o técnico Espinosa apostas as suas fichas em Roger. Em situação tranqüila, o Flu pode até perder por diferença de três gols. O Diabo quer mostrar que está mais vivo do que nunca e promete infernizar a vida do Tricolor.
Já o Flamengo precisa da vitória para ficar em paz. Volta a Édson Passos para enfrentar o Madureira, que ainda tem remotas chances de classificação. Abel Braga vai mesmo bancar a barração dos Baianos (Júnior e Fábio), que não ficam nem na reserva. A zaga será formada por Henrique e Ânderson Luís, 21 anos. No meio-campo, Zinho dará as cartas e o garoto-sensação Diogo terá, enfim, a chance de entrar n uma partida como titular. Os dois jogos começam às 21h45.
Correndo por fora, o Friburguense, ainda sonhando disputar a semifinal, recebe a Cabofriense, às 16h.
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6:43 AM
by Cassiano Leonel Drum
Antonela deixa a casa
Deu Brasil no duelo com a Argentina no BBB4. Com 58% dos votos, a modelo argentina Antonela deu adeus à casa, na disputa com Juliana. Mal chegou ao lado de fora, Tonton enfrentou outro paredão: explicar as fotos em que fazia strip-tease (fotos). Em janeiro e fevereiro de 2001, a loura teria sido atração do Teatro Erótico Soltando a Franga, em Balneário Camboriú, Santa Catarina.
Ela era chamada de Gringa e gostava de aparecer, ficando nua, mas não fez sexo explícito, contou o dono do teatro, Sady Baby, diretor de filmes pornôs. Não conheço esse lugar. Fiz as fotos na casa de uma amiga. Foi uma brincadeira, jurou Antonela.
ROBERTA CLOSE teve mais um motivo para exibir orgulhosa sua aliança (foto), na Porcão de Ipanema. Oficialmente casada há dois anos, a transexual realizou em agosto de 2003 o sonho de vestir véu e grinalda na Igreja. A cerimônia religiosa aconteceu em Pisa, na Itália, reforçando sua união com o empresário suíço Roland Granacher. Sou católica; fui batizada e fiz primeira comunhão. Perante Deus sou igual a todos, ressalta Roberta, ou melhor, Luísa, nome adotado em todos os documentos da atriz no exterior.
No Brasil, ela ainda não conseguiu ser reconhecida como mulher, apesar de batalhar na Justiça desde 1989. Ainda sou muito discriminada aqui, lamenta Roberta, que vive há 15 anos fora do País. Atualmente, ela mora em Zurique, na Suíça, e vem apenas uma vez por ano visitar parentes e amigos. Dessa vez, ela fica no Rio até domingo.
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6:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
Bradesco vence leilão
Líder do setor privado leva Banco do Maranhão por R$ 78 milhões em disputa com o Itaú na Bolsa
SÃO PAULO - Na primeira privatização do Governo Lula, o Bradesco derrotou o Itaú e ficou com o Banco do Estado do Maranhão (BEM), em leilão realizado ontem na Bolsa de Valores de São Paulo. O BEM foi vendido por R$ 78 milhões, ágio de 1,073% sobre o preço mínimo de R$ 77,172 milhões, a mesma oferta do Itaú.
O BEM é o terceiro banco estadual comprado pelo Bradesco, que incorporou o Baneb (Bahia), em 1999, por R$ 260 milhões, e o BEA (Amazonas), em 2002, por R$ 1,372 bilhão. Além disso, o Bradesco vem adquirindo várias instituições privadas. No ano passado, comprou o BBV Brasil, a área de gestão de fundos do JP Morgan, o Zogbi e a Finasa.
O BEM tem 186 mil clientes, dos quais 120 mil são servidores, e 76 agências ¿ nove em São Luís e 67 no interior do Maranhão. O Bradesco já tem lá 25 agências e 180 mil contas.
Para pagar parte dos R$ 78 milhões pelo BEM, o banco vai usar moedas podres, ou seja, títulos públicos negociados com deságio e aceitos pelo Governo para a venda de estatais, segundo informou o presidente do Bradesco, Márcio Cypriano. O edital de privatização do banco maranhense exige que apenas 10% do valor sejam pagos em dinheiro.
Cypriano disse que ¿o Bradesco se interessou pela privatização basicamente porque o estado vai agregar para o banco as contas dos funcionários e do Governo maranhense¿.
O aumento do plantio de soja e as atividades da Vale do Rio Doce no Maranhão foram outros motivos para justificar a aposta que o banco está fazendo no crescimento daquele estado.
O presidente do Bradesco acrescentou que está de olho nas próximas privatizações. A primeira será a do Banco do Estado do Ceará (BEC), mas também estão na lista o Besc (Santa Catarina) e o BEP (Piauí). Nos últimos 60 anos, o Bradesco já comprou 40 bancos.
A aquisição do BEM não altera o ranking dos maiores bancos brasileiros. O Bradesco continua a ser o maior do setor privado, seguido pelo Itaú. O BEM é muito pequeno perto desses dois gigantes. Os ativos somam R$ 776 milhões, contra R$ 176 bilhões do Bradesco.
Em São Luís e em São Paulo, houve tímidos protestos dos bancários. No Maranhão, a greve de 24 horas programada pelo sindicato virou uma manifestação em frente à direção-geral, no Centro de São Luís. Em São Paulo, 10 bancários e militantes do PSTU fizeram protesto contra a privatização em frente à Bolsa de Valores, ao som de música cubana e portando uma faixa contra o FMI.
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6:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
A Rede em chuteiras
Hattrick traz para fãs do esporte bretão a possibilidade de gerenciar on-line o seu próprio time de futebol
Fernando Oliveira
Jogadores cariocas do Hattrick posam no Maracanã e sonham com a arquibancada cheia e seus times campeões no maior do mundo
O futebol brasileiro é pentacampeão mundial, campeão nas categorias sub-20 e sub-17 e possui os melhores jogadores do mundo, certo? O futebol carioca atravessa uma fase difícil e, com exceção dos grandes clássicos, o que vemos são estádios vazios e um desfile de ex-craques veteranos, certo? Duas vezes errado!
Pelo menos no futebol virtual o Brasil ainda está longe de ser uma potência, mas o Rio de Janeiro é disparado o estado com o maior número de apaixonados por esse tipo de jogo. Pelo menos é isso o que acontece no mais popular dos games que simulam o gerenciamento de um time de futebol: o Hattrick (www.hattrick.org). São mais de 200 mil jogadores espalhados em 68 países (serão 76 no início da próxima temporada) de todas as partes do globo. O Brasil conta com pouco mais de 2 mil usuários e ainda vai precisar caminhar muito para ser uma potência.
O que faz com que o simulador seja tão popular?
O Hattrick foi criado por suecos e tem como uma das suas grandes virtudes a organização e o fato de ser totalmente gratuito (há uma opção para se tornar sócio, pagando uma pequena taxa, mas que apenas permite algumas perfumarias na estética do jogo, sem vantagem real na jogabilidade ou nos resultados finais das partidas). O jogador faz a sua inscrição, espera em torno de quatro dias e recebe seu time, cheio de pernas de pau, jogadores fora de forma, um pouco de dinheiro e um pequeno estádio. Aí então começa a brincadeira.
Com o time na mão, o jogador pode optar por se tornar um um dirigente sério e com os pés no chão ou fazer uma administração que faça do seu time um espelho das últimas administrações de alguns clubes cariocas (contratando jogadores e treinadores ruins e levando o time à falência completa).
O Hattrick (HT para os íntimos) já sai na frente do futebol real por uma simples razão: não há federações nem dirigentes corruptos. No futebol brasileiro temos times e jogadores irregulares, tapetão, adiamento de partidas e desorganização geral. No Hattrick você pode planejar a longo prazo, sem medos, diz Bruno Maximo, um dos dois Game Masters (GM) existentes no país.
O Brasil tenta com garra ser uma potência do HT
O Brasil conta com dois Game Masters usuários responsáveis por aprovar os times, punir os trapaceiros, responder aos e-mails enviados pelos usuários e discutir as alterações que possam tornar o jogo mais interessante. Além disso, há os treinadores das seleções ¿ escolhidos por votação direta de todos os usuários de cada país e uma série de usuários sempre dispostos a tirar dúvidas ou discutir qualquer assunto relacionado ao HT nas conferências do jogo na Internet.
Claro que há também os apaixonados que criam sites para seus times, um canal de IRC para torcer nos dias de jogos e uma série de tutoriais e rankings para ajudar na observação da evolução das equipes. Afinal, o Hattrick é jogado por pessoas, e não por uma inteligência artificial sem rosto, mexe com uma das maiores paixões do brasileiro e é de muito fácil entendimento com regras que são claras e sem o perigo de haver uma virada de mesa. E o melhor de tudo: é grátis!
Não é um jogo para aqueles que querem que tudo aconteça rapidamente e nem para quem acha que ser rebaixado ou ficar uma ou duas temporadas na quarta divisão é uma vergonha. Para chegar à divisão de elite vai ter de ralar muito! Anime-se, concretize o seu sonho de ser técnico da seleção, de ver seu time na primeira divisão e de dar uma surra naquele vizinho chato que comemora cada vitória contra o seu time. Pode demorar um pouco, mas futebol pra gente é uma doença incurável. Ou tem cura?
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6:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
Quem vai ganhar o Gre-Nal
Nunca se jogou tanto Gre-Nal quanto nos anos 40 e 70. Nove, 10, 11 por ano, muitos deles amistosos. Nessas décadas, o Inter se deleitou com os maiores times de sua história. Nos 40, o Rolo Compressor. Nos 70, o bicampeão brasileiro. Donde a vantagem colorada, 16 vitórias a mais. A estatística é esclarecedora: em jogos oficiais, o Inter tem 95 vitórias; o Grêmio, 93.
O que significa isso? Simples: que Gre-Nal tem lógica, sim. Geralmente, vence o melhor. Mas o melhor só se tem certeza de quem é depois de alguns anos, com o chamado distanciamento histórico. Na semana Gre-Nal, muitas vezes o analista se vê iludido pelo resultado. Agora, há quem se engane com a situação, o Grêmio vencendo no domingo, o Inter empatando na segunda.
Preste atenção: o Inter não é melhor do que o Grêmio; é BEM melhor. O único trunfo do Grêmio é o seu ataque. Único. O Inter é favorito para o Gre-Nal de domingo. Não quer dizer que vá ganhar, mas, se você tiver que apostar seus reais, aposte no vermelho.
David.coimbra@zerohora.com.br
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6:22 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
11/02/2004
Cabelo fúcsia
Quando conheci a Patrícia Pontalti, ela tinha cabelo fúcsia. Era repórter de moda, egressa de Caxias. Fiquei meio assim - pessoas com cabelo fúcsia podem ser agressivas. Na semana seguinte, a Patrícia Pontalti apareceu na Redação com cabelo verde-limão. Havia lógica naquilo. É de se esperar que alguém de cabelo fúcsia surja algum dia com o cabelo verde-limão. Ou cor-de-laranja, tanto faz. Com o passar dos meses, fui me acostumando com as mudanças do cabelo da Patrícia Pontalti. E aprendendo que ela há de ser tudo, menos agressiva. Ao contrário, tem alma de algodão doce e temperamento de cachorro labrador.
Mas, nesse verão, as coisas mudaram. Porque tudo permaneceu igual. De repente, a Patrícia Pontalti não trocou mais a cor do cabelo. Segue há meses com seu alourado natural, testemunha de uma fidalga ascendência vêneta. Fiquei preocupado. O que estaria acontecendo com minha amiga Patrícia Pontalti?
O cabelo da mulher diz muito acerca de sua alma, já falei. Quando a mulher muda radicalmente o cabelo, corta-o bem curto, pinta-o de uma cor diametralmente oposta à original, pica-o bem picadinho, quando isso acontece, cuidado. Tome esse cabelo novo como um alarma, uma sirene de perigo uivando sobre sua cabeça. Uma mulher de cabelos novos geralmente significa um homem atraiçoado. É matemático, acredite.
Tão certo quanto o resultado de um time contratar barato. O clube quer economizar, vai lá, traz aquele jogador que ninguém sabe quem é. Ou, antes: todo mundo sabe quem é. É um reserva de time pequeno, um reles perna-de-pau que não deu certo em lugar algum. O que se sucede? A nhanha que você está vendo na defesa do Grêmio.
Quer dizer: há fórmulas que precisam ser respeitadas. Elas funcionam mesmo. Se sua mulher pintar o cabelo, portanto, entenda o sinal. E faça algo!
Agora, uma mulher que sempre pinta o cabelo, como a Patrícia Pontalti, e que de inopino pára de pintar, qual é o significado disso? Estou realmente preocupado. Alguém aí me ajude a solucionar esse enigma capilar.
A nossa argentina
O relógio da Redação marca 19h. Todos estamos aflitos, aqui no Esporte. Não conseguimos falar em outro assunto: será que a Tonton será eliminada do Big Brother, hoje à noite?
Talvez agora você esteja cuspindo no jornal, a imprecar:
- Que vergonha, esses caras gostam de Big Brother!
Não se trata disso. Trata-se da Tonton. Compreenda: durante décadas, fomos rivais dos argentinos. Eles tentam nos superar no futebol, o que, todos sabem, é um rematado absurdo. Mas tentam. Quando ganham uma, a reação deles é de desforra, mais do que de júbilo. Estão se desforrando da nossa óbvia primazia.
O Wianey sempre conta acerca do dia em que a Argentina afinal foi campeão do mundo, em 1978. Ele foi à Florida, assistir à festa dos hermanos. A calle repleta de argentinos alucinados, bebendo, cantando. Aí, um gritava:
- Quem não salta é brasileiro!
Todos saltavam. O Wianey também, claro, saltava muito, saltava com devoção, saltava feito um cabrito montês, que o Wianey não é bobo, nem nada.
Já contei também sobre a tarde em que nossa turma lá da Praia Brava enfrentou um time de argentinos. Cinco dos nossos contra cinco deles. Primeira bola, um cabeludo veio de cima de um cômoro, dividi com ele e, PÁ!, mandei-o para a segunda rebentação. Mas teve a volta, sempre tem, com os porteños. No lance seguinte, ele me acertou uma que, cruzcredo, tirou-me um bife da canela. Fiquei dois meses com aquela ferida infeccionada, isso que ele estava com os pés descalços. Peçonhento, aquele argentino. Mas o que importa foi o resultado do prélio: 5 a 1 para nós. Brasil! Brasil!
É isso, somos rivais, quase inimigos. Mas agora a Tonton está nos aproximando. Uma argentina junto de nós. Uma argentina que é praticamente nossa. A nossa argentina. Tomara que ela não seja eliminada. São 19h11min. Essa angústia está me matando.
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6:20 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
11/02/2004
Trânsito agressivo
Está impossível dirigir neste trânsito maluco. Grande número dos motoristas mostram no tráfego a síndrome dos motoboys, querem passar na frente de todo mundo por qualquer espaço que encontrem.
Tanto nas estradas quanto aqui na cidade há uma pressa, uma ânsia de chegar antes, uma obsessão em superar o motorista que está na frente ou ao lado que chega às raias da irresponsabilidade.
Eu tenho a impressão de que esse modo de dirigir atropelando os espaços dos outros não pertence à formação desses motoristas infratores, é do caráter deles mesmo.
São pessoas que se acham donas do mundo quando lhes é proporcionado um volante. Sentem-se plenipotenciárias, proprietárias de todas as vias, não lhes perturba a coação que exercem sobre os outros motoristas no trânsito, querem é superá-los, deixá-los para trás.
Agem como se estivessem dirigindo sozinhos nas ruas, os outros motoristas são estorvos, ou saem da frente, ou serão "cortados" abruptamente, forçados a desviar do curso desses intrusos, sob pena de serem alvos de acidentes.
Há uma perigosa cultura de supremacia entre esses motoristas aos quais não importa chegar, têm que chegar na frente dos outros.
Os outros, os que vão na frente, são considerados obstáculos detestáveis, só perdem essa condição se abrirem o caminho para os apressadinhos ou de forma violenta forem obrigados a se afastar do caminho deles.
É muito difícil remover essa mentalidade de tropelia no trânsito, só uma intensa e longeva campanha em massa de conscientização pode mudar essa tendência de alto perigo que cerca o nosso trânsito.
Além do perigo, o desconforto: os motoristas de bom senso, os que esperam a sua vez, os que só ultrapassam com absoluta segurança e sem agredir o espaço alheio, os que têm paciência com os que vão à frente, esses estão vivendo um exercício de medo e de tensão, a todo instante sob ameaça dos trêfegos agressores.
A agressividade no trânsito parte sempre dos mesmos motoristas, aquele que o "fecha" subitamente, pode olhá-lo, mais adiante faz o mesmo contra outros, irrita-o aquele corso numeroso de carros na avenida e ele se obstina em ultrapassar a todos, indistintamente a todos. Parece que seu ego cresce se ele superar toda aquela procissão de carros.
E essa "costura" que os motoboys fazem no trânsito, ultrapassando tanto pela direita quanto pela esquerda, por onde bem entendem, sem serem avistados sequer pelos retrovisores dos carros ultrapassados, o que causa apreensão e susto, está começando a ser imitada pelos carros de menor tamanho. Quanto menores, mais atrevidos, prevalecendo-se de que podem passar por espaços em que os outros não cabem. Então vão furando a fila e se embarafustando por qualquer brecha, independentes da invasão do espaço alheio.
Nunca foi tão difícil dirigir em nosso trânsito como atualmente. Noto que os motoristas sensatos estão adotando um método defensivo, mais preocupados com o dano que possam lhes causar os motoristas arbitrários do que com a visão espacial do trajeto.
É preciso que as autoridades de trânsito e a imprensa se dediquem imediatamente a uma grande campanha de informação aos motoristas, inculcando-lhes que não há forma mais acessível de exercer os princípios cristãos, civilizatórios e democráticos do que respeitar o próximo no trânsito.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:17 AM
by Cassiano Leonel Drum
Cidadania
Na fila contra a fome
Os índios de reserva em Erebango, na Região Norte, são os primeiros beneficiados com cestas básicas doadas pelo programa Fome Zero no Estado (foto Adair Sobczak, especial/ZH)
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Terça-feira, Fevereiro 10, 2004
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8:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
FINANÇAS Quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004
LOTERIA DOBRA APOSTA
CEF muda a Loteca, cria dois jogos e estuda outros três lançamentos para aproveitar venda recorde, de R$ 3,5 bi, das lotéricas
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Extração centenária Em 1824, São Paulo já tinha seu jogo, mas os bilhetes da Federal foram os mais populares no século XX
Ricardo Grinbaum
MATTOSO, DA CEF:
As loterias sempre crescem, seja quando a economia vai bem ou quando vai mal
Tudo começou no dia 4 de outubro de 1784, em Vila Rica, Minas Gerais. Garotos tiraram, um a um, 9 mil papéis dobrados de três urnas. A primeira papeleta trazia o número do bilhete, a segunda o valor do prêmio e, a última, se o concorrente havia ganhado o dinheiro. O sorteio da primeira loteria do Brasil levou quatro dias, mas foi um sucesso. Rapidamente os jogos se espalharam por outras províncias.
Mais de dois séculos depois, a velha mania voltou a pegar fogo. Só no ano passado, as nove loterias oficiais, da Caixa Econômica Federal, movimentaram R$ 3,5 bilhões valor recorde, 18% superior ao do ano anterior. No primeiro semestre de 2004, serão lançadas mais duas loterias. Outras três estão em estudo. As loterias crescem sem parar, diz Jorge Mattoso, presidente da CEF. Quando a economia vai bem, sobra mais dinheiro para as pessoas jogarem. Quando vai mal, as pessoas arriscam mais para melhorar de vida.
Hoje, o brasileiro pode comprar os velhos bilhetes da Federal, raspar a cartela da Instantânea, arriscar resultados de partidas de futebol na Loteca ou chutar combinações de números na Mega-Sena, Lotomania, Lotofácil, Quina, Dupla Sena e Lotogol. Isso sem contar as loterias estaduais, os sorteios pela tevê, o jogo do bicho, o bingo, as rifas e inúmeras alternativas legais e ilegais de tentar a sorte. Dentro de dois meses, a lista vai ficar maior.
A nova loteria da CEF ainda não tem nome, mas especula-se que se chamará Timemania. Funcionará de maneira parecida com os jogos de números, como a Quina ou a Mega Sena. Com uma diferença: o apostador não marcará números, escolherá escudos numa lista de 80 clubes de futebol. Ganha quem marcar a combinação sorteada. A nova loteria mexe, ao mesmo tempo, com a paixão do brasileiro pelos times de futebol e pelos jogos de azar, diz Mauro Hozmann, diretor do Clube dos 13, a organização dos maiores times do País.
A outra novidade a aparecer nas Casas Lotéricas até julho é a loteria cultural. Esse jogo está em fase inicial de planejamento. O que se sabe até agora é que destinará parte de seus recursos à área cultural, assim como a Timemania reservará 10% de sua receita para os clubes de futebol seja em dinheiro ou no abatimento de dívidas com o governo.
Essa é mais uma tradição brasileira: desde suas primeiras extrações, as loterias servem para arrecadar recursos para serviços e obras que o Estado não tem como tocar. A primeira loteria custeou a construção do edifício onde hoje está o Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, conta Sylvio Luongo, maior especialista e colecionador de bilhetes de loteria do País. Hoje em dia, não é diferente. De cada R$ 1,00 arrecadado pela CEF com os jogos, R$ 0,48 pagam desde serviços penitenciários a salário de atletas. As loterias exercem um papel social importantíssimo, diz Mattoso, da CEF.
Todos querem aproveitar o sucesso das loterias para descolar uns trocados. Além da Timemania e da Loteria Cultural, fala-se na criação do Bolão e da BigQuina, ainda em estágio inicial de planejamento. A CEF ainda vai tentar ressuscitar a velha Loteca. Conhecida pelo seu símbolo, a Zebrinha, a Loteca foi abatida por denúncia de que apostadores subornavam jogadores de futebol, principalmente os goleiros, para influenciar os resultados dos jogos.
Para reanimar a Zebrinha, a CEF quer aumentar os prêmios e fazer uma grande campanha publicitária. A grande aposta é que o apetite dos brasileiros pelos jogos não tem limites. Nos últimos dois anos, mesmo com toda a crise econômica, a arrecadação das loterias cresceu 26%. O brasileiro compra dois bilhões de bilhetes de loterias por ano. A melhor amostra do potencial dos jogos veio em setembro do ano passado.
Foi quando a CEF lançou a Lotofácil, mais uma modalidade de combinação de números com sorteios periódicos. Com uma característica original: a distribuição de uma enorme quantidade de prêmios de pequeno valor, de R$ 2,00, R$ 4,00 e R$ 10,00. Quem é sorteado, usa o dinheiro para apostar de novo. Foi um sucesso instantâneo, diz Luongo, dono de uma lotérica fundada em 1925 por seu pai. Em três meses, a Lotofácil arrecadou R$ 150 milhões o equivalente ao faturamento anual de uma empresa média. Não tem erro. O brasileiro é louco por jogos, resume Luongo.
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6:49 AM
by Cassiano Leonel Drum
Brincadeira rende lucros
Lojas faturam com a venda de tecidos e outros artigos para o Carnaval
Silvana Caminiti
Este ano marca a nova etapa na história da atuação da Caçula no Carnaval, mercado que a empresa entrou há cinco anos. A marca investiu na ampliação da loja especializada na venda de produtos carnavalescos, que antes ocupava apenas um corredor. Com a expansão, a loja passou a ser uma das maiores do segmento no País, com um mix de produtos que soma mais de 40 mil itens, incluindo aviamentos, pedrarias, tecidos e produtos de armarinho.
Um dos diferenciais da loja são os preços baixos. Esse é um dos motivos que nos tormou a loja preferida das escolas de samba de São Paulo, estado que tem fama de ter os tecidos mais baratos do Brasil. Este ano, também aumentamos nossas vendas para escolas do Rio, comenta a gerente da Divisão de Carnaval da Caçula, Ana Paula da Silva.
Para vencer a concorrência, a loja, em parceria com a indústria têxtil, desenvolveu pesquisas de novos materiais, tendo sempre como meta apresentar novidades que possam baratear o preço final para o consumidor. Um exemplo dessa política da empresa é o preço do tecido laminado lançado há dois carnavais e que hoje é um dos mais vendidos para escolas de samba , que na Caçula é o mais barato do mercado. A diferença de preço chega a 30%, em relação à concorrência, diz Ana Paula.
Segundo a gerente, entre as novidades para este Carnaval estão os cetins, organzas, veludos e TNTs gliterizados, a linha de lurex com pastilhas de diversos formatos como o de coração, além dos tecidos laminados.
Caçula Tecidos: 3861-9028, http://www.caculatecidos.com.br
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6:43 AM
by Cassiano Leonel Drum
Sete escolas de samba vão mostrar na Sapucaí a história de estados brasileiros, numa verdadeira viagem nas tradições e cultura do País
Isabela Motta
A Histórica cidade de Tiradentes
E o asfalto como passarela será a tela do Brasil em forma de aquarela....
O trecho do samba que o Império Serrano vai reviver este ano é quase um anúncio do que será visto no Sambódromo. No domingo e na segunda-feira, o público embarca numa verdadeira viagem pelas maravilhas naturais e históricas do Brasil no desfile de sete escolas de samba. O luxo e os efeitos especiais já comuns no Carnaval carioca ficarão lado a lado com elementos da tradição e do folclore nacionais.
Dos mistérios da Amazônia à construção do primeiro entreposto comercial de pau-brasil, que deu origem à cidade de Cabo Frio, dando uma passadinha pelas cidades históricas de Minas Gerais, sete escolas prometem levar emoção e informação à Passarela do Samba.
A viagem começa às 2h30 de segunda-feira, com a Mangueira contando a história da Estrada Real, em Minas Gerais. De lá, o público seguirá com a Portela até o Amazonas para conhecer suas lendas. Na noite de segunda, o passeio continua pela Bahia com a Tradição, chegando a Cabo Frio com a Imperatriz Leopoldinense. A Beija-Flor volta à Amazônia, e a Viradouro mostra a maior festa religiosa do estado vizinho, o Pará. Além do Império Serrano, é claro, que traz a Aquarela Brasileira.
Se os foliões conhecerão um pouco mais os encantos do País e descobrirão tantos outros , quem procura uma boa idéia para as próximas férias poderá aproveitar e escolher o melhor roteiro. Na página seguinte, o DIA mostra os encantos de cada estado e dicas do que fazer. Boa viagem!
"Na arte,
eu vi obras
que o gênio esculpiu,
Igrejas, o barroco
emoldura o Brasil,
Ó Minas, és um berço de cultura, és raiz
MANGUEIRA: MANGUEIRA REDESCOBRE A ESTRADA REAL... E DESTE ELDORADO FAZ SEU CARNAVAL
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6:36 AM
by Cassiano Leonel Drum
Liberato Vieira da Cunha
10/02/2004
SOS para uma cidade
Não é difícil desamar Porto Alegre. Um muro de concreto a divorciou de uma das mais belas paisagens do universo, composta de uma colagem de rios, de ilhas, de colinas, de poentes e de um horizonte profundo e largo, portal de vastos panoramas austrais. Uma terrível cicatriz a deforma, escavada no que é possivelmente o mais degradado curso d'água do planeta, o Arroio Dilúvio. E já nem falo no cenário humano: se os meninos e meninas que sobrevivem debaixo de pontes, ao relento das praças, nas cavernas embutidas em viadutos não passam de poucas centenas, como se proclama, por que as assim ditas autoridades não os recolhem, não lhes dão pão e abrigo, escola, afeto e esperança?
Dia desses comentei aqui que, bem na calçada do Palácio do Governo, agonizam as ruínas de um poste - daqueles caprichosamente desenhados e esculpidos em idas épocas -, hoje esquecido, decepado, precariamente demarcado pelos restos mambembes de um cavalete de trânsito. Mencionei também a nua devastação de uma tapera, naufragada pouco além, defronte ao Solar dos Câmara. E lembrei ainda que as pedras azuis e rosa que sobraram da destruição da Rua da Praia mereciam a ação urgente de uma força-tarefa de restauradores. Citei a propósito Nilo Ruschel, autor de um livro admirável que fala de seu significado ancestral.
Recebi e-mails, telefonemas, recados de amigos e leitores não só endossando minhas queixas, mas denunciando múltiplas outras feridas da mui leal e valorosa. A mensagem que me impressionou mais foi a de uma professora momentaneamente exilada em um Jardim do Atlântico à beira-mar plantado, no doce litoral de Santa Catarina.
Reproduz ela trechos da obra de Nilo Ruschel, a que infelizmente não tenho acesso no momento, pois extraviada em lugar incerto e não-sabido de minha tumultuada biblioteca.
E acrescenta, numa caligrafia elegante, um pouco ao estilo das linhas do poste decapitado da calçada do Palácio, que "seríamos uma cidade única e inimitável, se não nos esforçássemos tanto para desfigurá-la". Tem toda a razão, professora Y. Permito-me aliás sugerir-lhe que abra uma escola destinada exclusivamente às Excelências locais. O primeiro tema? Escrever cem vezes no quadro-negro:
"É urgente salvar Porto Alegre."
liberato.vieira@zerohora.com.br
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6:34 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luís Augusto Fischer
10/02/2004
Regional tropical
Quem vive e pensa no Rio Grande do Sul retorna, volta e meia, ao tema da identidade: quem somos, de quem somos diferentes, para onde vamos. Nenhuma dessas respostas é pacífica. Se estamos no inverno, nos sentimos em casa com o frio, mas já alguém nos lembra que o Brasil é majoritariamente tropical e, portanto, quente, o que nos deixa um pouco desajustados. No verão, nos irmanamos à imagem que o Brasil tropical tem de si - praia, pouca roupa, calor; mas já o nosso litoral retilíneo e a água fria nos lembram que não é, não somos bem assim.
Ensaios brilhantes já se escreveram a respeito, a começar pelo de Vitor Ramil chamado A Estética do Frio. O principal da literatura feita aqui se ocupou e se ocupa disso, dessa singularidade de paisagem e temperamento, dos fundadores ao Tabajara Ruas. Somos uma terra singular, para o bem e para o mal; vivemos num tempo específico (somos jovens em relação mesmo a regiões brasileiras) e num espaço peculiar (fomos, somos uma terra fronteiriça entre dois impérios, duas línguas, três países, compartilhando porém o cenário e, no princípio, a economia).
Nesse quadro, talvez soe estranho dizer que o livro Tropicalista Lenta Luta (Publifolha), de Tom Zé, genial artista baiano, ajuda a pensar nas coisas daqui. Mas ajuda. Por semelhanças e por contrastes. Lado A: ao narrar as lembranças de sua infância, em Irará, interiorzão total, Tom Zé relata a sensação de minoridade, de exílio no próprio lugar, quando ouvia as canções trazidas pelo rádio. Elas falavam sempre de coisas acontecidas longe e antes, o que gerava uma autopercepção deprimida, diminuída, indigna. Daí ele formulou para si um projeto: dar a si e aos ouvintes um "choque de presentidade", mediante a abordagem de um "assunto-espelho", que permitisse aos conterrâneos se enxergar.
Parece familiar ao teu ouvido, comprovinciano leitor? Agora o lado B, a dessemelhança: no livro, tanto na parte em que revive sua formação interiorana, quanto na longa e interessantíssima entrevista que concede a Arthur Nestrovski e Luiz Tatit, na parte final, vai-se ressaltando que para Tom Zé - nascido em 1936 e aluno da Universidade Federal da Bahia, curso de Música, nos anos 60 - não havia uma clara delimitação de territórios entre o que fosse passado e o que fosse presente ou futuro. Não havia território proibido para ele e seus pares, fosse pelo lado do folclore, fosse pelo lado da erudição (ele teve a enorme sorte de contar com professores abertos à ousadia, à mistura, à invenção). Já entre nós...
fischer@zerohora.com.br
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6:31 AM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
10/02/2004
O Planeta em sua órbita
O sucesso comprovou-o: existe, sim, um outro planeta em nosso sistema solar, o Planeta Atlântida, visível só à noite e habitado, não por ETs, mas por milhares de entusiasmados jovens. Este planeta fica distante daquele em que vivem os adultos; e esta distância é medida, não em quilômetros ou anos-luz, mas em decibéis. O som que sai do Planeta é ouvido em todo o universo, e abala os tímpanos paternos.
O abismo entre as gerações é, antes de tudo, um abismo musical. Estávamos na casa de um amigo, quando o filho dele, adolescente, perguntou que música gostaríamos de ouvir. Coloque qualquer coisa de que você não goste, foi a resposta do pai. Que estava apenas expressando uma idéia comum entre os mais velhos: aquilo que os jovens escutam não é música. Música é Bach, Mozart, Beethoven.
Será? Então leiam estas opiniões, de antigos e respeitados críticos musicais: "Suas composições carecem de beleza e de harmonia." "Muito barulhenta. Notas demais." "Sua música é uma crua monstruosidade, uma orgia de barulho vulgar." De quem estavam falando, essas pessoas? Respectivamente de Bach, de Mozart e de Beethoven, desprezados pelo estabelecimento cultural da época. Mais: providências eram adotadas em relação a certos gêneros de música. A valsa, considerada imoral e prejudicial à saúde, foi proibida num código sanitário alemão do século 19. No Rio de Janeiro, a polícia prendia os dançarinos de maxixe (alguém aí ainda sabe o que é maxixe?).
Preconceito, portanto. Preconceito puro e simples, que o tempo se encarrega de desfazer. Os Beatles, desprezados pelo público sofisticado quando surgiram, hoje representam um verdadeiro culto e têm suas composições, devidamente orquestradas, apresentadas em salas de concerto.
A música contemporânea é arte. Inclui muita coisa descartável, muita coisa que não sobreviverá ao teste do tempo, mas isto é válido também para a literatura e para as artes plásticas.
Tímpanos à parte, o Planeta Atlântida está em sua órbita definitiva. E, convenhamos: é melhor ver jovens num grande concerto de música popular do que num campo de batalha. A música é, sim, uma linguagem universal, uma linguagem de paz. Qualquer que seja o número de decibéis.
scliar@zerohora.com.br
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6:29 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
10/02/2004
O PM ferido
A respeito da coluna de 6 de fevereiro último, em que atendendo a um pedido do comandante do 9º BPM fiz um apelo à empresa de ônibus em cujo veículo o PM Paulo Rogério Contreira Madeira foi gravemente acidentado, recebo do comandante-geral da Brigada Militar, coronel Nélson Pafiadache da Rocha, congratulações pela solidariedade contida na coluna e uma cópia de um ofício interno daquela corporação: "Do diretor-geral do Hospital da Brigada Militar - Ao diretor do Departamento de Saúde.
Ao cumprimentá-lo, referente ao conteúdo da coluna do jornalista Paulo Sant'Ana, informo que no momento oportuno, ou seja, após a alta do Hospital de Pronto Socorro, pode o PM Paulo Rogério Contreira Madeira ser atendido neste hospital (Hospital da BM), uma vez que possuímos todas as condições técnicas frente ao seu caso clínico, semelhantes às de outros renomados hospitais da Capital.
Este nosocômio possui UTI equipada, médicos intensivistas, traumatologistas, clínicos, cirurgiões plásticos, além de serviços de ecografia e Raio X, todos necessários ao devido acompanhamento do PM, além de setores de Serviço Social e Psiquiatria, que podem prestar assistência ao mesmo e a seus familiares. Cumpre-me ressaltar a surpresa que tal informação, repassada ao colunista, nos causou, em face do profundo desconhecimento do nível técnico deste hospital por quem a forneceu ao jornalista, esclarecendo entretanto que o quadro de saúde do PM pode piorar, independentemente se estiver baixado no HPS ou no Hospital da Brigada, ou até em outro hospital qualificado. (Ass.) Antero Batista Campos Homem, major respondendo pela direção do Hospital da Brigada Militar - Poa".
Nota do colunista: a família do PM é que desconfiou que o Hospital da Brigada não estivesse aparelhado para recebê-lo, em razão da gravidade de seu estado. O apelo da família veio parar aqui na coluna.
E a associação dos policiais que se tornam deficientes físicos por ação em serviço manda caloroso agradecimento: "Prezado Paulo Sant'Ana. Honrado ao cumprimentá-lo, venho agradecer, em nome de todos os integrantes de nossa associação, como também de todos os outros servidores da área da segurança seqüelados em função do exercício da profissão, a magnífica coluna publicada em Zero Hora de 6 de fevereiro último. É ótimo saber que a causa dos portadores de deficiências - assim como de todos os demais trabalhadores em segurança pública - pode contar com tão significativo apoio e, mais, com tão lúcida compreensão do problema que enfrentam não só os funcionários mas também suas famílias e respectivas corporações. Muito obrigado Sant'Ana, conte conosco. (ass.) Guacir de Llano Bueno, presidente da Associação dos Servidores da Área de Segurança, Portadores de Deficiências do RS".
A criação de uma junta médica da BM que se prepara para tratar do PM ferido logo que ele deixe o HPS, com providências já tomadas junto ao paciente e sua família, foi efeito direto da coluna publicada aqui a respeito. O jornalismo tem de se orgulhar disso.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:27 AM
by Cassiano Leonel Drum
Aviação
O gigante da Embraer
Empresa lançou ontem em São José dos Campos (SP), o EMB-190, o maior avião comercial fabricado no Brasil. Antes mesmo de o jato entrar em operação, a Embraer já recebeu 110 pedidos, que renderão US$ 3 bi à companhia (foto Paulo Whitaker, Reuters/ZH)
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Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004
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10:40 PM
by Cassiano Leonel Drum
Constrastes e Nuances
Que poesia é maior do que a presença dos astros, no céu,
que resistem ao tempo, tocando o seu hino à eternidade?
Que melodia há mais serena do que a das flores, da brisa, do orvalho?
Que harmonia existe, mais perfeita do que a vida
nas profundezas do mar?
A poesia nos é revelada a cada instante:
- Pela mulher introspecta, pela criança pura, pelo idoso carente,
pelo homem severo, pelos animais...
- Por todos os poros da terra, por toda a água que corre...
- Pelos olhares, perfumes, afetos...
- Por toda a ternura que voa, por todo ser que chora, por todo o êxtase,
por toda a melancolia, por toda a alegria...
A poesia viverá, enquanto houver vida que seja sentida!
Ana Soares Miranda
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10:30 PM
by Cassiano Leonel Drum
Viagem
Você me convidou prá viajar
por dentro de mim
e eu viajei.
E nesta minha viagem
eu encontrei você e me perdí
Me perdi nos seus abraços,
nos seus beijos, no seu corpo.
E depois de muito amar eu descobri
que era hora de voltar
pro meu lugar...
e eu voltei.
E me encontrei amando.
E me encontrei me encontrando.
E me encontrei gostando
muito mais ainda,
de você.
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10:25 PM
by Cassiano Leonel Drum
Paixão e sonhos
Como a música sempre fez parte da minha existência,
não me perguntem o porquê, sempre almejei um cantinho meu,
onde pudesse ouvi-la e senti-la em toda a sua essência.
Assim realizei o meu grande projeto.
Este site é o espaço onde você poderá sonhar,
amar e divagar por entre suas fantasias.
Acredite na magia, pois a vida é cheia dela, mas
acima de tudo, acredite em si mesmo, porque dentro
de você reside toda a magia da esperança, do amor
e dos sonhos do amanhã.
Quando aqui vieres, encontrarás pedacinhos do meu ser,
das minhas, das nossas paixões e sonhos!
GISA
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8:19 AM
by Cassiano Leonel Drum
1 a 1, bom só pra um
Vasco sai do Maracanã com gostinho de vitória no empate contra o Botafogo, que agora fica refém dos vascaínos e do Americano
Gustavo Loio
Wescley cabeceou livre de marcação e abriu o placar para o Vasco, dando a impressão de que a vitória estaria assegurada. Mas o alvinegro Sandro (D, festejando com os companheiros) empatou, também de cabeça
O Vasco está a um ponto das semifinais da Taça Guanabara. Ontem, em partida emocionante no segundo tempo, diante de um público de quase 48 mil torcedores, o time da Colina empatou em 1 a 1 com o Botafogo, no Maracanã, e manteve a liderança do Grupo A, com 10 pontos. Com isso, um empate na quarta-feira, contra o Americano (que também tem 10), em São Januário, garantirá os cruzmaltinos na próxima fase.
Já o Botafogo terá de vencer o Bangu, também na quarta-feira, e torcer para que Vasco ou Americano vença o duelo de São Januário. Se os vascaínos ganharem por um gol de diferença, o time de General Severiano terá de derrotar a equipe de Moça Bonita por, no mínimo, dois gols.
Apesar de precisar da vitória, o Botafogo foi inferior ao rival na maior parte do jogo de ontem. E o time dirigido por Levir Culpi só não saiu de campo derrotado o que significaria sua eliminação graças à atuação do goleiro Jefferson, que se tornou uma verdadeira muralha.
Liderado pelo maestro Morais, o Vasco incomodou muito o camisa 1 botafoguense. Logo aos 4 minutos de jogo, Victor Boleta chutou cruzado de dentro da área, mas a bola passou por cima da trave. Aos 17, em nova jogada do camisa 6 vascaíno, que chutou de fora da área, o goleiro botafoguense fez sua primeira defesa.
Aos 24, Léo Macaé recebeu de Morais, mas chutou mal, nas mãos de Jefferson. Aos 34, Valdir, já na área, demorou a finalizar e a bola sobrou para Léo Macaé, que bateu cruzado, mas sem dificuldades para o goleiro rival. No minuto seguinte, Claudemir cruzou e o Bigode cabeceou por cima.
O Vasco voltou a pressionar aos 38. Valdir entrou na grande área, foi à linha de fundo e cruzou, mas a bola passou à frente de Léo Macaé, que não conseguiu alcançá-la.
A etapa final não foi muito diferente do primeiro tempo e o time de São Januário esteve mais perto do gol adversário. Tanto que as melhores chances foram do Vasco, que voltou do intervalo a todo o vapor. Aos 5 minutos, Valdir escorou de cabeça, mas Morais chutou por cima. Aos 7, Rodrigo Souto chutou e Jefferson defendeu. O maestro vascaíno voltou a levar perigo no minuto seguinte, em chute de fora da área que passou rente à trave.
De tanto pressionar o time perdeu outras oportunidades aos 11, 17 e 19 minutos o Vasco abriu o placar aos 27. Claudemir cruzou e Wescley, sozinho, escolheu o canto e cabeceou à direita de Jefferson.
O Botafogo, que pouco ameaçou o gol defendido por Fábio, chegou ao empate aos 35. Valdo cobrou escanteio da direita e Sandro cabeceou no ângulo, para alegria da torcida alvinegra, que continua vendo uma luz no fim do túnel.
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8:14 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
09/02/2004
O candidato do ketchup
John Forbes Kerry, que está pintando como o democrata que enfrentará Bush nas eleições americanas em novembro, tem uma mulher chamada Teresa. Maria Teresa Simões Ferreira Kerry, nascida em Moçambique, viúva e herdeira do Heinz do ketchup e que, dizem, tem tudo para ser uma das primeiras-damas mais divertidas da história dos Estados Unidos, além de a primeira com sotaque português. Kerry também tem um filho, de outro casamento, com pinta de galã e que namorou a Gwyneth Paltrow, o que para mim já é credencial suficiente para elegê-lo.
Nada está definido no campo democrata, no entanto, e dizem que o maior defeito de Kerry - senador, herói da guerra do Vietnã e depois líder de um movimento de veteranos contra a guerra - é não ter o cérebro no queixo, onde haveria mais lugar. Seu pensamento é lento e seus discursos são notoriamente chatos. Seus maiores trunfos são ter as mesmas iniciais e a mesma base política (Boston) do John Fitzgerald Kennedy e, com o dinheiro do ketchup, poder pagar a dívida nacional do próprio bolso.
Kerry é mais centrista (na medida em que essas graduações têm sentido na política americana) do que Howard Dean, outro que estava pintando, à esquerda. Como o único dos candidatos democratas que tinha uma ligação mais forte com o trabalhismo organizado, Gephardt, já caiu fora, Kerry agora é o favorito dos sindicatos. Que têm relativamente pouca força política nos Estados Unidos (segundo o folclore, o sonho de todo trabalhador americano é um dia ser um republicano), mas cujo endosso todos cortejam.
Os sindicatos americanos querem tudo que nós não queremos, como tarifas protecionistas para garantir seus empregos, e tudo que nós também queremos, mas pelas razões erradas, como direitos e salários iguais aos deles para trabalhadores do resto do mundo, que assim não seriam mais baratos do que os americanos. Manter uma mão-de-obra miserável e desassistida é a única credencial dos pobres para sentar na mesa dos ricos e pegar alguma sobra da globalização. Quer dizer, querem nos ferrar! Portanto, fora o fato de que a derrota do Bush por qualquer um faria bem à saúde de todo o mundo e a dona Teresa e dona Marisa poderiam conversar na mesma língua, Kerry presidente não nos convém muito.
A grande novidade, até agora, das eleições primárias, onde de acordo com a votação de cada pretendente define-se o voto da delegação do Estado que irá à convenção do partido escolher o candidato, é o número de eleitores que têm aparecido. Os democratas estão mobilizados como nunca. E isso com todo aquele frio.
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8:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
09/02/2004
Pena desproporcional
Avisei aqui há meses sobre o absurdo dessa lei que trata do desarmamento: a pessoa que é apanhada com um revólver no porta-luvas do seu carro ou no armário do seu apartamento, não possuindo porte ou registro, segundo a lei vai direto para o presídio, sem direito a fiança.
Como argumentei naquela coluna, a pena para o porte ilegal de arma e a circunstância de que o crime é inafiançável se constituem em castigos desproporcionais à gravidade do delito.
Portar arma sem licença é delito, mas não é crime. Sempre foi contravenção, que é um delito mais leve, com pena de detenção, o que quer dizer que a pessoa que incorre nesse tipo penal pode livrar-se solto se for condenado. E tem direito a fiança.
Pois os neófitos legisladores nacionais resolveram transformar uma contravenção em crime.
E instituíram o Estatuto do Desarmamento, mediante o qual o brasileiro que for apanhado com uma arma sem o porte legal terá de mofar anos na cadeia e se for preso em flagrante não tem direito a fiança.
Esse rigor é de uma mórbida estupidez. Pela simples razão de que há uma hierarquia para os delitos.
Ou seja, há delitos mais graves do que outros. Então nós temos pela nossa lei penal que uma pessoa que mata ou até em alguns casos furta ou rouba, se for primário, pagando fiança (ou mesmo sem pagá-la) responde ao inquérito e ao processo em liberdade.
Enquanto quem porta arma ilegal não tem direito a fiança no flagrante, o que quer dizer que responde ao processo presa.
Pelo amor de Deus, quando é que portar uma arma sem licença é crime mais grave do que furtar, matar ou roubar e por isso os seus autores têm que ser penalizados com maior rigor?
Quando e como? Ainda na semana passada aconteceu um caso aqui em Porto Alegre ilustrativo da injustiça desse Estatuto: um homem matou um assaltante em legítima defesa. Na delegacia, ouvidas as testemunhas, feito o flagrante, o delegado fez o de praxe: soltou o matador e mandou o inquérito para a Justiça.
Eu tenho quase certeza de que o homem que matou em legítima defesa não tinha porte para o revólver que usava. Se foi assim, levando ao rigor o Estatuto do Desarmamento, aquele homem não tinha que ter sido preso porque matou, mas tinha que sair direto da delegacia para o presídio porque não tinha porte legal para o revólver que usou.
Um absurdo!
Não há razoabilidade em condenar uma pessoa a anos de prisão por portar uma arma de fogo sem licença. A pena é desproporcional ao ato ilícito.
E os deputados e senadores que aprovaram a lei draconiana queriam botar na cadeia quem portasse arma ilegalmente!
Sabem por quê? Porque não são eles que botam na cadeia as pessoas que portam armas. Se fossem eles o delegado, o promotor e o juiz, não teriam feito tal trêfega e indevida lei.
Daí que o jornal O Globo, do Rio de Janeiro, trouxe ontem uma informação: "Juízes resistem ao Estatuto do Desarmamento". Ou seja, em pelo menos três Estados, Rio Grande do Sul, Goiás e Alagoas, os juízes de primeira instância estão deixando de reconhecer legitimidade no Estatuto do Desarmamento e mandam soltar ou absolvem acusados de porte de arma ilegal.
E fazem muito bem. E fazem justiça. O Estatuto é ilegítimo exatamente porque a pena para o crime "inventado" pelo legislador é rigorosa demais para a importância da lesão ao bem jurídico cometida pelo autor.
E, como tal, esse Estatuto tende irremediavelmente ao desuso.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:08 AM
by Cassiano Leonel Drum
Cândido Godói
A Terra dos Gêmeos
Mais de cem pares de irmãos iguais, vindos de 26 municípios gaúchos se reuniram na cidade para a tradicional Festa dos Gêmeos, realizada desde 1999. No evento, foi inaugurada a Capelinha da Vida e da Fertilidade (foto Tadeu Vilani, especial/ZH)
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