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Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004


¿Alegria¿ de Chico

Compositor brinca de ser ator na gravação do clipe da música-tema de ¿Benjamim¿, filme baseado em seu livro
Rubia Mazzini



Chico é dublado no clipe: ¿Alegria¿ é cantada apenas por Arnaldo Antunes

Fim de tarde chuvosa na Praia Vermelha. Um arco-íris aparece no céu, deixando mais bonita a paisagem da Urca. Para completar o visual de cartão-postal, Chico Buarque. Vestindo smoking e, supremo pecado, com óculos escuros escondendo os famosos olhos de ardósia, o compositor cantarola versos ao lado do ator Paulo José e do cantor Arnaldo Antunes. A cena, registrada segunda-feira, é parte dos bastidores da gravação do videoclipe de Alegria, música de Arnaldo usada como tema do personagem de Paulo José no filme Benjamim, dirigido por Monique Gardenberg a partir do livro de Chico.


¿Ele (Chico) é f..., sem comentários¿


Cléo Pires


Enquanto o elenco masculino ensaia, Cléo Pires ajeita o figurino para gravar mais uma seqüência sob as ordens de Monique. No clipe, como no longa, a atriz incorpora a modelo Castana Beatriz, que nos anos 60 vira a cabeça do colega Benjamim. Vivido por Danton Mello na juventude e por Paulo José nos dias de hoje, o personagem foi triplicado na gravação do vídeo: Paulo, Arnaldo e Chico interpretam os ¿Benjamins¿ seduzidos por Castana.


À vontade no set armado à beira-mar, Chico diz que a gravação foi uma ¿gostosura¿ e confessa que ainda não assistiu ao filme. ¿Só vi pedacinhos, mas tenho certeza de que vou gostar. Acompanhei tudo à distância e sei que a Monique trabalhou com muito carinho¿, conta. No clipe, ele é dublado ¿ Alegria é cantada pelo autor, Arnaldo Antunes ¿ e olha embevecido para Castana. Numa das cenas, observa a jovem tomar sol nua, apenas com o livro Benjamim cobrindo o bumbum, numa referência à seqüência estrelada por Brigitte Bardot em O Desprezo, de Godard. Em outro momento, ao lado de Paulo José e Arnaldo, lança um olhar safado para a personagem.


"Sou um ator obediente. A Monique disse ¿agora olha pra moça¿. Eu respondi ¿vai ser um prazer¿¿

Chico Buarque

Chico diz que achou fácil interpretar. ¿Sou um ator obediente, recebi poucas instruções e não tive que me preparar muito. A Monique disse ¿agora olha pra moça¿. Eu respondi ¿vai ser um prazer¿¿, diverte-se o compositor, fazendo questão ainda de se dizer fã de Paulo José e Arnaldo Antunes. ¿Adoro a música, as pessoas que estão aqui.¿ Cléo Pires, que ele conheceu no dia da filmagem, também ganha elogios. ¿É a nossa estrela¿, diz, elegante.


¿Chico não é difícil. É só dar um motivo que ele aparece¿

Monique Gardenberg

Encerrado o trabalho e a rápida conversa com a imprensa ¿ interrompida por assessores quando uma repórter perguntou sobre as denúncias de corrupção no governo Lula ¿, Chico se despede de Monique Gardenberg, que é só felicidade por ter contado com a participação do compositor, notório por sua discrição. ¿Ele disse que sou fogo. Pensa não e me responde sim¿, diz ela. ¿O Chico não é difícil. É só dar um motivo que ele aparece¿, continua a cineasta, que pretende lançar o clipe de Alegria logo depois do Carnaval. Já Benjamim estréia em abril, no Rio e em mais cinco cidades.

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Itaú tem lucro recorde

Resultado de R$ 3,1 bilhões é o maior já registrado no País. Banco do Brasil faturou R$ 2,3 bilhões
Lúcio Santos

O Banco Itaú divulgou ontem o maior lucro já alcançado por uma instituição financeira no Brasil. Foram R$ 3,152 bilhões obtidos no ano passado, 32,6% acima do resultado de 2002.

Também ontem, o Banco do Brasil divulgou seu balanço do ano passado, com lucro recorde de R$ 2,381 bilhões, acima do Bradesco, maior banco privado do País, que lucrou R$ 2,306 bilhões. Ao todo, os cinco maiores bancos registraram ganhos de R$ 10,5 bilhões.

O resultado extraordinário do Itaú, segundo o analista da consultoria Austin Asis Rodrigo Indiani, foi favorecido pela queda do dólar durante o ano passado. Isso porque o Itaú é, dos bancos brasileiros, o que tem mais operações em moeda estrangeira.

Apesar disso, Indiani disse que o Itaú, embora tenha menos clientes do que o Bradesco, conseguiu uma receita maior com tarifas e gastou bem menos com pessoal. Dessa maior eficiência do Itaú, contudo, deve ser descontado o fato de, no ano passado, o Bradesco ter comprado mais instituições, o que o levou automaticamente a ter um aumento de despesas.

O lucro do Banco do Brasil também foi recorde histórico e ficou 17,4% acima do resultado de 2002. Os ativos cresceram 12,5%, passando de R$ 204,6 bilhões para R$ 230,1 bilhões. Com isso, o BB manteve sua posição de maior banco do País, seguido de Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú e Unibanco. (Veja os resultados dos cinco maiores no gráfico ao lado).

Todos os bancos ganharam muito dinheiro, e o BB também, com os altos juros pagos pelo Governo pelos títulos públicos. No ano passado, os juros médios foram de 23% ao ano. Como o BB fechou o ano com R$ 69 bilhões aplicados em títulos públicos, obteve uma receita de R$ 15,8 bilhões só com a dívida pública.

Enquanto isso o salários dos bancários como dizia o Chico Anizio é desse tamaiiiiiinho oh.

Bom e amanhã, quinta-feira, sexta, sábado, domingo e segunda-feira estarei em new York, mas espero na terça-feira de carnaval estar aqui com vocês. Um ótimo carnaval por aqui e até lá.

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Sob medida para você

Como escolher o melhor computador de bolso para seu perfil entre inúmeras configurações e preços diferentes
Alessandra Carneiro



Gondim tem um Palm Vx mas quer trocar por um modelo com Bluetooth

Entra ano, sai ano e a promessa de adotar uma agenda com todos os compromissos e datas importante sempre é deixado de lado em poucos meses. Hoje em dia, o sonho dos mais esquecidos e atarefados é adotar um PDA, também conhecido como organizador pessoal ou até mesmo como computador de bolso (pelos modelos que temos no mercado, não é exagero chamar assim).

Mas as dúvidas de quem vai adquirir seu primeiro PDA são muitas. Com preços que variam de R$ 400 a R$ 4 mil, qual modelo seria o ideal para você? Talvez seja exagero comprar um gadget super equipado se você só vai precisar de uma agenda e alguns arquivos de texto e notícias do dia-a-dia. Ou talvez não seja uma boa idéia economizar num PDA mais barato, enquanto você precisa de acesso wireless em qualquer canto, conexão sem fio entre vários dispositivos e carregar apresentações e gráficos pesados de um lado para o outro.

Palestras e dicas ajudam usuários a escolher seu primeiro palmilot

Um exemplo de usuário satisfeito é Ricardo Gondim, 30 anos. Gondim é sócio da empresa Trails, que desenvolve aplicações para Palm e, apesar de ter o mesmo PDA há dois anos, está muito feliz com seu portátil. ¿Ele é perfeito para carregar tudo o que preciso no bolso. Carrego minha agenda de compromissos e contatos, anoto reuniões, faço o controle de tarefas, apresento as aplicações que minha empresa desenvolve e alguns joguinhos para aquelas horas como fila de banco e viagem de metrô, diz Gondim, que tem um Palm Vx. ¿Ele ainda segura a barra, mesmo assim penso em trocar por um mais moderno, com Bluetooth e tela colorida. Hoje o modelo que eu compraria seria o Palm Tungsten T3 conta.

Bruno Benayon, executivo pedagógico do Senac, dá algumas dicas para quem vai comprar seu primeiro Palm. Não se ligue muito no sistema operacional, por exemplo. O principal é o que o Palm faz. Se ele tira foto ou não, se roda aplicações Java coloridas. Porém, pense antes de comprar um Palm com câmera digital, por exemplo, se você realmente precisa de fotos digitais de baixa qualidade, afirma. É bom lembrar que câmeras digitais de PDAs funcionam para Internet e geralmente não têm flash. Mas são fotos em baixa resolução, que não podem ser impressas e não substituem uma boa digital. Não é regra geral dizer que o modelo mais caro sempre é o melhor, alerta Benayon.

A unidade Senac da Barra da Tijuca oferece módulos para usuários que desejam conhecer mais sobre o funcionamentos dos Palms. Além disso, toda segunda quinta-feira do mês são oferecidas palestras sobre PDAs. Para mais informações, ligue para 3138-1000.

Empresa esbanja novidades para Palm, como novos modelos e sistemas operacionais

Além das novidades da PalmOne no Brasil ao lançar o Zire 21, substituto do popular Zire, e fazer uma promoção com o Zire 71, que oferece de brinde um cartão de 64 MB e uma mochila sem alteração no preço, a PalmSource ainda apresentou novidades para o mercado de softwares. Na PalmSource Developers Conference, em San Jose, nos Estados Unidos, foram anunciados os novos nomes e recursos do sistema operacional Palm OS. O Palm OS 5 foi rebatizado de Palm Os Garnet e será voltado para handhelds de baixo custo e telefones celulares inteligentes; enquanto o Palm OS 6 passa a se chamar Palm OS Cobalt e será sob medida para palms multimídia da próxima geração.

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Quarta, 18 de fevereiro de 2004.

FLAMENGO X CRB
Todo o cuidado é pouco

Preocupado com a decisão com o Flu, Abel alerta contra possível violência do CRB
Janir Júnior

Pancada de amor não dói. Mas como o CRB adversário do Flamengo, hoje, às 20h30, no Estádio Édson Passos, na partida de volta da Copa do Brasil não morre de amores pelos jogadores rubro-negros, Abel Braga teme pelo pior. Preocupado com a decisão da Taça Guanabara, o técnico quer construir logo um resultado para poupar seus comandados para a grande final.

Abel insiste em dizer que o pensamento está voltado apenas para o jogo de hoje à noite (o Flamengo pode empatar até em 3 a 3) mas é traído pelas próprias palavras. Se nos classificarmos, não melhora em nada. Mas se formos eliminados, vamos com o moral lá embaixo para enfrentar o Fluminense, destaca o treinador, apreensivo com uma possível violência do time alagoano:

Já vi de tudo no futebol. Vai que chega um desses malucos, encomendado, e dá uma porrada no meu jogador... O cara ganha R$ 500 por mês e alguém oferece R$ 2 mil para ele tirar um cara meu, e aí, como fica?!. O técnico adiantou que caso o time construa um placar, ele irá poupar seus jogadores. Felipe é o primeiro da lista.

Está evidente que a preocupação de todos é com a decisão da Taça GB. Além do receio de Abel, e da preservação de Felipe que depois de hoje estará proibido de conceder entrevistas, a comissão técnica antecipou a concentração para amanhã à noite. Na sexta pela manhã, haverá treino na Gávea e depois todos voltam para o hotel.

Além disso, outro assunto só será tratado depois do Fla-Flu. O preparador físico Fábio Mahseredjian, responsável direto por estar o time voando baixo, deve anunciar sua saída do clube após o clássico. Querido pelo grupo, Mahseredjian faz parte da equipe de Oswaldo de Oliveira, que acertou com o Corinthians e já conversou com o amigo sobre sua possível transferência.

Para Abel, o Flamengo ganha força e união a cada dia, mas ele não credita o sucesso à saída dos Baianos (Fábio e Júnior). E lembra outra cria da Boa Terra que teria vaga garantida no seu time. Uma equipe certinha com o Edílson seria excelente, analisa.

O treinador credita a boa fase da equipe ao ambiente e à credibilidade da nova diretoria, que ganhou força depois dos episódios da saída do Capeta e do pagamento dos salários em dia. E torce para que o trabalho não vá por água a baixo na base da pancada.

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David Coimbra
18/02/2004


Boneca, sim. Mas traidora

A nova brincadeira das menininhas agora é cornear. Elas se juntam, três ou quatro anjinhos gorduchos, e gritam com suas vozes de nenê:

- Vamos brincar de botar guampa nos namorados?

- Vaaaamos!

Bonitinho.

Elas têm até instrumento para isso. Foi lançado um modelo da boneca Barbie no qual ela vem separada do antigo namorado, o Ken. O conjunto Bárbie Infiel chega às lojas com a boneca vestida com roupas mais ousadas e usando novo corte de cabelo. Compreensível - afinal, ela voltou ao mercado, depois de tanto tempo de monogamia. Quarenta e três anos de casamento, foi o que li. De fato, insuportável. O Ken já não devia mais motivar a Barbie para nada, eles provavelmente viviam uma rotina sufocante. Foi então que apareceu Blaine. Esse o detalhe relevante: Blaine.

O boneco Blaine vem junto com a novíssima Barbie. Lá está ele, um louro surfista australiano com pose de vencedor. O pivô da separação. Imagino que o abandonado Ken não falte no conjunto. Um Ken abatido, evidentemente. Talvez até as criancinhas ganhem pequenos chifres de plástico para adornar com eles a testa do infeliz Ken.

Acostume-se com isso: agora, as menininhas são ensinadas a cornear. Corneie brincando, é o que lhes dizem os publicitários. E elas corneiam, corneiam, corneiam.

Trata-se de um fato: criancinhas são influenciáveis.

As meninas gaúchas, como as meninas de todo o mundo, aprenderão a cornear com a cândida boneca Barbie. E os meninos? Bem, os meninos gaúchos crescem ouvindo que existe um autêntico futebol gaúcho. Aí, quando vão jogar uma pelada no campinho, perguntam-se intimamente: como será o autêntico futebol gaúcho? A resposta é dada todos os dias, nas rádios. Foi dada depois do Gre-Nal de domingo.

É o futebol de destruição.

Ouvi, nos comentários acerca do Gre-Nal, elogios a uma suposta "habilidade de marcação". Formidável, inventamos a marcação-arte. É o que as criancinhas estão ouvindo e vendo, todos os dias. Isso as influencia, acredite, sabe como são essas criancinhas. Estamos formando gerações de volantes toscos e meninas que se repoltreiam no adultério. A geração da marcação-arte. A geração da Barbie Infiel. É o que nos espera, no futuro.

Vi a marcação-arte do Gre-Nal e vi Felipe no Flamengo e Vasco. Felipe gruda a bola no lado de fora da chuteira canhota e parte da linha lateral direita na direção do marcador. Parte assim de viés, na diagonal. Sempre na direção do marcador. Felipe não o evita; procura-o. Vai para cima dele. O marcador começa a recuar, em pânico. Porque ele sabe: Felipe quer humilhá-lo, quer rojá-lo ao chão de tanto drible, quer demonstrar toda a sua superioridade. E demonstra. Felipe passou todo o Flamengo e Vasco fazendo isso, desmontando a drible o time do Vasco, torcendo e esfarelando aos poucos o espírito do time do Vasco. Nós aqui, em compensação, tínhamos o espetáculo da marcação-arte. Não foi tão belo? Como é bela a marcação-arte.

Lá nos anos 50 já havia essa discussão sobre o craque e o grosso. O técnico Selviro Rodrigues inclusive cunhou uma sentença célebre a respeito. Selviro conhecia o jogo, foi campeão gaúcho pelo Renner em 1954, o único que suplantou a dupla Gre-Nal de 1939 a 1998. Entenda: em 60 anos, só o Renner. O resto, Grêmio ou Inter. Selviro dizia:

- Entre o craque indisciplinado e o ruim disciplinado, fico com o craque indisciplinado. Porque disciplina se ensina e craqueza não se ensina.

Clássico é clássico
Tivemos uma rodada de clássicos no futebol brasileiro. Gre-Nal, Flamengo e Vasco, Corinthians e São Paulo, Ba-Vi. Agora, no próximo final de semana, teremos mais um clássico. Quem será a Rainha do Carnaval? Deborah Secco ou Juliana Paes? É o emocionante Ju-Rah. Analise e defina a vencedora. Votos para esse imeil.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Diana Corso
18/02/2004


Mentiras sinceras

A melhor mentira é aquela que retrata a verdade que gostaríamos que houvesse ocorrido. Esse é o mote de Adeus, Lênin!, um filme alemão de cômica e inteligente delicadeza. Nele, a mãe do protagonista, uma mulher frágil, escolhe a devoção à burocracia alemã oriental como arrimo psíquico.

Ela cria seus filhos afastados do pai (que partira para a Alemanha Ocidental), mas filiados a esse grande ideal, de um regime que ela idealizava, mas que já ruía em seu redor. Um pouco antes da queda do muro, ela tem um ataque cardíaco, ficando em coma por oito meses. Quando acorda, sua Alemanha Oriental, que como ela estava sendo mantida respirando por aparelhos, já não existia mais. Porém seu filho decide organizar um grande teatro para lhe ocultar essa realidade e evitar que ela tivesse um choque.

Ele começa a simular não mais uma mera continuação do passado da mãe, mas sim uma versão de como ele gostaria que a história tivesse ocorrido: que o socialismo pudesse ter se arejado e não deixado o país em bancarrota, sentindo vergonha de si mesmo. O filme já encerrou sua temporada nos cinemas, o que me dá liberdade de comentar que ela colheu o que plantou, já que mentira aos filhos sobre o destino de seu marido.

A verdade é indigesta. Quando os filhos são pequenos, os pais mentem para protegê-los daquilo que é muito duro para ser sabido. Como quando um pai diz ao filho que a vovó foi para o céu, por não saber como dizer que acredita que a vida simplesmente acaba. Mente-se sobre o Papai Noel e o Coelho da Páscoa para manter a magia de uma festa. Como esse filho do filme fez com sua mãe, os pais dizem para os filhos a verdade de seus desejos.

Que bom se lá do céu todos nossos seres perdidos pudessem testemunhar tudo aquilo que não viveram para ver. Que bom se pudéssemos esperar algum presente que não fosse necessário suar para comprar e se algum personagem mágico existisse para nos recompensar com chocolate por sermos bonzinhos. Devemos agradecer às crianças por suportarem as lorotas que lhes contamos.

O mesmo vale para os pais, que na maior parte dos casos, estão dispostos a escutar a versão dos fatos que seu filho lhes apresentar. Se ele se separou, o ex é que não prestava, se perdeu o emprego é porque havia muita inveja e se não passou na prova é porque foi mal formulada. Esse jogo de eterna maquiagem da vida é intrínseco, mas às vezes o muro cai e é preciso acordar.

A persistente escolha pela repressão à liberdade de expressão e pela mentira foi um elemento que minou e ajudou a destruir a utopia socialista. Seja com um país ou com uma família, estruturar-se sobre a mentira acaba fazendo a verdade aparecer de onde menos se espera. Esse jovem alemão achou o seu, com sua encenação inverteu as coisas e provocou a erupção da verdade.

diana.corso@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
18/02/2004


Barrado no shopping


Só deficiente visual não vê que os shoppings exercitam um silencioso sistema de filtragem social, impedindo que pessoas inconvenientes penetrem em seu interior.


É essa peneira social que diferencia o shopping das ruas. Não houvesse esse cuidado dos shoppings com a seletividade de seus freqüentadores, não teriam se desvalorizado brutalmente em Porto Alegre as locações comerciais na Rua da Praia, na 24 de Outubro, na Assis Brasil, na Azenha e em outros pólos comerciais da nossa capital, depois do advento dos shoppings.

Em qualquer dessas artérias, por exemplo, se alguém se dirige às casas comerciais, não está livre de topar no caminho ou em frente a elas com trombadinhas, pedintes, embriagados etc., toda sorte de pessoas portadoras de desvio de conduta.

Já nos shoppings, a principal atração é, creiam, embora esse detalhe se insira numa atmosfera subjetiva, a ausência em potencial e em atualidade dessas inconveniências.

Por esse detalhe é que se compreende portanto que os shoppings, por seu sistema de segurança, use método seletivo em suas portas de entrada.

O shopping Fashion Mall, em São Conrado, Rio de Janeiro, gaba-se de ser um shopping de elite, suas lojas são ocupadas pelas mais finas grifes internacionais, não é exatamente um shopping popular como os nossos Praia de Belas e Iguatemi.

Ele se dirige para uma clientela selecionada, embora numerosa numa capital com em torno de 10 milhões de habitantes.

Amigos leitores, aí é que se resume o grande drama do sincretismo social em nosso país. No Rio, territorialmente, as classes mais altas convivem com a pobreza das favelas.

Já pensaram como deve ser difícil para o Fashion Mall evitar o contubérnio dos pobres com os ricos, dentro de um shopping? Se fosse num restaurante ou numa boate, tudo bem, mas num shopping, onde as pessoas não vão só para gastar, também vão passear ou desfilar beleza, é penoso implantar esse tipo de apartheid.

Daí que causou celeuma que um rapaz negro, filho de criação do cantor Caetano Veloso, tenha sido barrado no Fashion Mall há dias. Um membro da segurança do shopping - ou seu adido - retirou o rapaz negro das dependências do shopping, sob o pretexto de que estava passando drogas.

Não estava passando drogas. Ele tinha apenas o aspecto de uma pessoa inconveniente ao nível social do Fashion Mall.

As entidades de defesa dos negros clamam por inquérito por racismo contra o shopping.

Há racismo sério e profundo no Brasil. Mas esse não foi um caso de racismo. Foi um caso de discriminação socioeconômica, simplesmente.

A discriminação é contra os pobres, atinge os negros porque todos os negros são pobres. E um negro de cabelos compridos, jovem, como o filho de criação de Caetano Veloso, é o tipo clássico que é atingido por essa discriminação.

Os jornais publicaram ontem que o Fashion Mall registra outros casos desse tipo de discriminação. Nunca é demais salientar que o Fashion Mall dista apenas 500 metros da favela da Rocinha.

São milhares os casos de pobres barrados nos shoppings. Mas notem como a discriminação, no espírito dos brasileiros, é muito mais forte e intensa do que se possa imaginar: esse caso só foi parar no Ministério Público e na polícia pela pressão da mídia.

E só houve pressão da imprensa porque o rapaz barrado no shopping é filho de criação do Caetano Veloso.

Estão devendo aos outros milhares de barrados nos shoppings e demais estabelecimentos acessíveis ao público em todo o Brasil coberturas de imprensa e inquéritos iguais ao do filho de criação do Caetano.

Só o filho do Caetano ser vítima de discriminação é outra baita discriminação.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Rigotto volta à tribuna da Assembléia



Pela primeira vez na história do parlamento, o governador compareceu ao plenário para ler a mensagem com os desafios do Estado e apresentar o novo IPE. Rigotto retornou à Casa onde cumpriu dois mandatos nos anos 80 (foto Mário Brasil/ZH)


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Terça-feira, Fevereiro 17, 2004




Seja determinado em tudo que planejar
Eugênio Sales Queiroz

Em toda e qualquer profissão, seja das mais simples aos cargos mais elevados, é necessário que se tenha uma determinação muito forte de vencer os obstáculos e saber exatamente o que se deve fazer para as soluções dos problemas.

A determinação é a força toda poderosa que impulsiona todo aquele que deseja realizar um trabalho. É a determinação que facilita o trabalho que precisa ser concluído.

Como disse James A.G. "Um quilo de determinação vale mais que uma tonelada de sorte".

Isso quer dizer que uma pessoa que não se determina a realizar uma tarefa com empenho e força de vontade, verá suas ambições profissionais irem de água abaixo e jamais obterá resultados positivos.

Vários fatores englobam a determinação que o profissional precisa ter para conseguir resultados satisfatórios:
Entender o processo pelo qual o problema a ser resolvido está passando, a fim de não cometer erros primários;
Obter o maior número possível de opões para solucionar o problema em questão e depois eliminar por etapa, facilitando assim, o andamento do assunto pendente;
Procurar conversar com pessoas que já passaram por situações parecidas, com o intuito de juntar maiores informações e definir qual o melhor caminho a seguir;
Depois de tomar essas providências é chegado o momento de agir e não temer o resultado final e com muita disposição seguir adiante.

Estas são algumas das atitudes que uma pessoa determinada precisa ter para não desistir no meio do caminho, lembrando, apenas, que ninguém resolve nada sozinho, é preciso contar com a ajuda de outras pessoas e ter a humildade de escutá-las e tomar as providências cabíveis para a solução do problema em questão.

Deve-se usar também toda a experiência adquirida ao longo dos anos e jamais desistir de chegar ao fim da questão, pois só os fortes e determinados vencem.

Da próxima vez que você precisar tomar atitudes em sua vida profissional, siga as dicas deste capítulo com empenho e força interior.

Eugênio Sales Queiroz é Consultor e Palestrante Motivacional, especialista em Comportamento Humano. Autor do Livro "Você Tem o Poder de Realizar" E-mail: eugeniosq@aol.com Contato: 81.3723.8256

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Planejar para ter sucesso

Palestras orientam empreendedores e empresários a montar o próprio negócio

Cada vez mais novos empreendimentos acabam de forma prematura. No Estado do Rio, segundo pesquisa do IBGE, a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas chega a 30%. Fatores como concorrência, fragilidade da economia, burocracia e imaturidade no mundo dos negócios contribuem para a falência. Para ajudar a diminuir esses riscos, o Sebrae/RJ presta atendimento coletivo aos empreendedores que querem abrir sua primeira empresa.

Toda semana Agências de Desenvolvimento Regional (ADRs) do Sebrae/RJ na cidade do Rio (Centro, Botafogo e Bangu) e na Baixada Fluminense (Nova Iguaçu e Duque de Caxias) realizam palestras sobre abertura e legalização de empresas. À excessão de Caxias, que cobra uma taxa simbólica de R$ 5,00, as palestras são gratuitas. Nos encontros, os participantes são alertados sobre os cuidados que devem tomar e sobre a importância de elaborar um Plano de Negócios antes de qualquer investimento.

Pesquisas mostram que esse planejamento reduz em 63% as chances de fechamento. Informações básicas sobre microempresa e empresa de pequeno porte, como parâmetros de enquadramento e incentivos tributários, também são abordados nas palestras, além dos procedimentos para a legalização da empresa, situação do mercado, concorrência, ponto comercial, lucro presumido e lucro real da empresa.

Primeiro, os empresários são orientados a escolher o local e nome da empresa, além do registro da mesma na Junta Comercial ou no Cartório de Registro Civil.Em seguida, eles devem providenciar os registros no CNPJ , no ICMS, na Vigilância Sanitária e no INSS, a inscrição municipal e, finalmente, o alvará de localização e funcionamento.

Em outra palestra, empresários e empreendedores também podem aprender o caminho das pedras para conseguir crédito para financiar o seu negócio. No Centro, a palestra Financiamento é exclusiva para pessoas jurídicas. Os participantes recebem noções sobre linhas de crédito para capital de giro e para investimento na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil. Em Bangu, a palestra Como obter financiamento é voltada para empreendedores informais (autônomos, profissionais liberais e universitários recém-formados). Em Caxias, a palestra é aberta a empresários e empreendedores.

Sebrae/RJ: 0800-782020, http://www.sebraerj.com.br mas acho que aqui em Porto Alegre também. http://www.sebraers.com.br

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Ah meu amigo Heitor, essas lingeries são de virar a cabeça de qualquer um. Imagine vestindo aquelas peças que você tem ai, de fundo no seu micro, hein?

Calcinhas mandam recados

Lingeries com mensagens viram febre entre consumidoras, ampliando vendas em lojas
Silvana Caminiti

Diante do atual quadro econômico do País, muitos empresários pensam duas ou mais vezes antes de apostar no lançamento de um novo produto, principalmente porque não há garantia de que o artigo irá agradar aos consumidores, permitindo o retorno do investimento feito.

Mas o único jeito de saber se o produto se tornará um sucesso ou é colocando-o no mercado. Um artigo que se tornou, em pouco tempo, uma febre nas lojas de lingeries e de confecções femininas é a calcinha com mensagens estampadas.

As calcinhas chegaram às lojas com a coleção primavera-verão 2003/2004 e a moda foi adotada por grandes fabricantes, como a Duloren, e por grifes menores, com atuação regional, como é o caso da Corpo e Arte, franquia de lojas de lingerie com unidades em São Paulo e no Rio.

A vendedora Mônica Lima, que trabalha na Corpo e Arte do Fashion Mall, na Barra, conta que a grife fabrica suas próprias peças e criou uma coleção de calcinhas com cinco mensagens diferentes. Uma das mais procuradas é a que diz Prenda-Me Se For Capaz, diz a vendedora, ao lembrar que a maioria dos clientes que entram na loja procurando pelas calcinhas com mensagens é formada por mulheres com mais de 25 anos, embora o número de homens que procurem pelo produto também seja grande.

Segundo ela, as calcinhas são produzidas nas mesmas cores da tendência de verão e as frases e desenhos são criados especialmente pelo Departamento de Criação da empresa. As mensagens colocadas nos artigos são sobre temas ligados ao dia-a-dia de uma relação, e, portanto, a procura pelo produto tem a ver com o comportamento das pessoas, diz Mônica.

Corpo e Arte: (21) 2422-0955

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Carnaval longe da folia

Festival na Região das Hortênsias, no Rio Grande do Sul, vai reunir cultura, passeios rurais, gastronomia e descontos em hotéis e restaurantes
Isabella Motta

O Carnaval já está nas ruas pelos quatro cantos do País, mas quem não gosta da agitação da festa de Momo não precisa se desesperar: ainda restam boas opções longe da folia. Os que procuram um passeio alternativo, bem longe de blocos e multidões, podem rumar para a região das Hortênsias, no Rio Grande do Sul, onde até o dia 31 de março acontece o evento Veraneio na Serra Gaúcha.

Na programação, muita cultura, passeios rurais em meio à natureza e shows (mas nada de samba...). No período do evento, os turistas ainda ganham descontos em hotéis e restaurantes.

A região, composta pelos municípios de São Francisco de Paula, Canela, Gramado e Nova Petrópolis, é famosa por suas quedas dágua e gastronomia, por isso, há muito o que visitar. Várias fazendas estão de portas abertas e oferecem intensa programação para os visitantes.

E para que ninguém perca nenhuma atração, cada cidade tem um dia da semana para destacar sua programação. A semana começa em Canela, a terça-feira é reservada para para Nova Petrópolis, a quinta para São Francisco de Paula e a sexta para Gramado.

Aventura ou paz: há programas para todos

Para quem gosta de contemplar belezas naturais, a região é um prato cheio. No Parque do Caracol, em Canela, os turistas se encantarão com a Cascata do Caracol, com 131 metros de queda livre. No local, além de uma escada com 927 degraus, que conduz até à base da cascata, existe o Observatório Ecológico, com elevador panorâmico. Também em Canela fica o Parque Fazenda da Serra, com extensa área verde e lagos.

Entre Canela e São Francisco de Paula, a Fazenda Passo Alegre programa cavalgadas pelos Campos de Cima da Serra, com guias tipicamente gaúchos. O passeio inclui pescaria e banho no rio Santa Cruz.

A aventura também tem vez na serra gaúcha. Os mais radicais podem aproveitar as cachoeiras e fazer rapel em três locais: Forquilhas, da Casca e Caçador (todas em Canela). Outra opção é o canyoning (travessia de canoa por um rio, com ou sem atividades de montanhismo), que pode ser feito no Vale da Ferradura. Já a região do rio Paranhana é boa para a prática de rafting. Vale lembrar que todas as atividades são acompanhadas de profissionais especializados.

Informações sobre promoções e o evento pelos telefones (54) 282-2200 (Canela), (54) 286-1475 (Gramado), (54) 281-1398 (Nova Petrópolis) e (54) 244-1602 (São Francisco de Paula). Ou pelo site http://www.veraneionaserra.com.br .

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Como parar o Felipe?

Alguns sugerem algemá-lo ou amarrar seus pés, há quem pense no uso de um trator, e quem diga que só se pára Felipe com tiro
Ana Carla Gomes

Nem mesmo o técnico do Fluminense, Valdir Espinosa, faz questão de esconder: domar o craque Felipe no Fla-Flu de sábado de Carnaval já virou uma dor-de-cabeça para ele.

E, pelo que o maestro rubro-negro vem apresentando nos jogos do Estadual, Espinosa tem muitos motivos para se preocupar. Tanto que os torcedores já nem falam mais em esquema tático ou marcação especial para segurar o camisa 10 da Gávea. Com bom humor, muita gente já sugere algemá-lo, amarrar seus pés, laçá-lo a qualquer custo, dar um tiro ou até passar com um trator em cima dele.

Só mesmo botando um par de algemas nele, ou uma daquelas bolas de ferro que usam nos pés de presos. E, mesmo assim, está arriscado ele arrumar um jeito de escapar e dar problema para a zaga do Fluminense, afirmou o cabeça-de-área tricolor Marcão, compartilhando a preocupação de Espinosa.

No Rubro-Negro, o técnico Abel Braga não se faz de rogado e sabe muito bem a arma que tem nas mãos. O Felipe não dribla só para um lado, não. Ele dribla para onde o marcador não imagina. O Felipe vai contra a lei da Física. Do jeito que ele está jogando, só com um tiro para segurá-lo, afirmou Abel.

Para o humorista Chico Anysio, que considera Felipe o maior jogador de futebol do Brasil no momento, não há mesmo como pará-lo quando ele parte com a bola dominada. Ele pára a bola, o marcador sabe que vai sair por ali e ele sai. É mais do que uma questão de tempo, porque é uma combinação de tempo e arranque. O jeito de parar o Felipe (ou tentar, pelo menos) é colocar um jogador ágil para segui-lo para onde ele for e fazer o possível para evitar que ele domine a bola. Se ele dominar, eu já não me responsabilizo. Ainda mais na fase esplendorosa em que ele está, opinou o humorista, vascaíno.

Quem também se rende ao talento do apoiador é o ex-tenista Fernando Meligeni, que, mesmo sem torcer por nenhum time no Rio, assistiu à vitória de 2 a 0 do Flamengo sobre o Vasco, domingo, no Maracanã, e sugere que Espinosa coloque dois homens na cola do maestro: É difícil dizer o que fazer, porque nunca joguei futebol. Mas fiquei impressionado com a sua habilidade, com o que ele faz em pouquíssimo espaço. Só mesmo com dois caras na marcação em cima dele.

Fazendo parte da turma dos que já estão esquentando a cabeça com o assunto, o ator e cantor Evandro Mesquita vê uma luz no fim do túnel, mas reconhece que não vai ser nada fácil ver o seu Fluminense faturar o título da Taça Guanabara. ¿Temos de amarrar uma corda nos pés do Felipe¿, brinca Evandro, tentando mostrar confiança na vitória tricolor: Nosso time está crescendo e, se houver atenção especial no Felipe, pode crescer e surpreender na final.

Enquanto a torcida pó-de-arroz se preocupa, os rubro-negros se divertem. Ninguém segura o Felipe e o Zinho juntos. E, se tentarem de forma agressiva, vão ter dois ou três jogadores expulsos. Só dando um tiro ou passando com um trator em cima dele. E, como não existe isso no futebol, é melhor desistirem, tira onda o puxador Neguinho da Beija-Flor.

O cantor Bebeto, também rubro-negro, sugere que os tricolores levem uma corda para laçar o apoiador: O Felipe é muito inteligente e está num momento muito bom. Só laçando, mesmo.

Despreocupado, o humorista Bussunda, do Casseta & Planeta, nem opina sobre o assunto e aproveita para tirar onda com os vascaínos, derrotados no domingo e que se preparam para encarar outro Flamengo, pela Copa do Brasil: Não tenho a menor idéia de como parar o Felipe. Mas acho que o Vasco, agora, deve se preocupar com o Felipe lá do Flamengo do Piauí.

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Liberato Vieira da Cunha
17/02/2004


Herança atemporal

Não sei como é agora, mas no meu tempo a gente herdava livros. Mais do que o calendário, o que decretava o começo do ano era outra espécie de folhinha, por vezes nem tão diminutiva: a lista do material escolar que você apanhava no colégio e que merecia pronta e minuciosa fiscalização dos adultos.

- Dois lápis número 1? Pra que você vai precisar de dois? Que história é esta de fita durex? Que fim levou sua goma arábica? Vamos cortar também a tesoura, o compasso, o esquadro, o apontador. Os seus tomaram chá de sumiço?

Nada disso era ralhado, rezingado, esbravejado. Era uma simples, sensata, quase amável operação de contingenciamento orçamentário, para usar uma expressão tão ao gosto do ministro da Fazenda.

Aí soava o momento de um cuidadoso exame da relação de livros. Por algum fenômeno hoje relegado ao esquecimento, as ciências e as humanidades não eram tão mutantes. Na prática isso significava que seu primo podia transmitir-lhe o usufruto de seu compêndio de Matemática e sua irmã não se sentiria ultrajada se você lhe doasse seu manual de verbos irregulares ingleses. Esses legados eram de tal modo naturais e constantes que neste exato instante ainda sou capaz de evocar a capa vermelha de uma antologia de Francês ou as ilustrações vagamente abstratas de uma verde Introdução à Sociologia.

Sim, estudávamos abstrações. O cara não recebia o canudo do curso médio sem ter sido apresentado à Filosofia, nem sem inteirar-se de que Lesbia puella pulchra est, pois ninguém sonhava em assinar o atestado de óbito do Latim. Mesmo que tivesse escolhido o Clássico, você não estaria em absoluto isento de uma incursão aos meandros da Química ou da Física. E ainda sobrava espaço para o Espanhol, a Geografia e a História, gerais e do Brasil, sem esquecer a inculta e bela, o que incluía a ginástica mental de complicadíssimas análises sintáticas dos versos mais longos e indiretos de Os Lusíadas.

A todas essas, como nem a realidade nem o conhecimento eram drasticamente volúveis ou inelutavelmente transitórios, mantinha-se sólido e inabalável o velho e bom costume dos livros hereditários. Foi num deles que aprendi a maioria das palavras sonoras com que recheei a frase anterior. Mas não era um livro difícil. Tanto que descubro, em uma página baldia, as 14 linhas do mais lírico soneto de Camões. O mesmíssimo Camões das terríveis análises sintáticas, aqui brando e terno como deve ter sido na hora que o copiou a jovem, esquecida benfeitora que me legou estes breves segundos de reencontro e plenitude.

liberato.vieira@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
17/02/2004


Mergulhando no som

Semana passada escrevi aqui uma crônica a propósito do Planeta Atlântida, comentando preferências musicais de adultos e jovens, que configuram um verdadeiro fosso entre gerações, e dizendo que é preciso, afinal, respeitar diferenças. Recebi muitos e-mails, a maioria deles concordando com esta idéia. Mas houve quem reclamasse, não tanto da música, mas dos decibéis que jorram dos alto-falantes. E não são reclamações isoladas. Em Cidreira veranistas colocaram casas à venda por causa da proximidade com a concha acústica que, pelo jeito, é pouco concha e muito acústica. Em Capão da Canoa, moradores de prédio reclamam de um conjunto de música andina. A coisa está até na Justiça.

Não é um problema novo, nem é só coisa do Brasil. Na primeira vez que fui a Nova York chamou-me a atenção um outdoor com um aviso da polícia. Dizia simplesmente: "Festas barulhentas? Ligue". E aí vinha o número do telefone especial.

Não é só o incômodo. Há muito tempo os otologistas vêm alertando para as lesões acústicas causadas pelo excesso de ruído, um aviso que agora, com a proximidade do Carnaval, é bom lembrar. A tecnologia criou meios de ampliar o som a níveis até catastróficos; mas nosso aparelho auditivo continua o mesmo e, afora os tampões de ouvido, é muito pouco o que podemos fazer para protegê-lo. Cabe, no entanto, a pergunta: por que os jovens, diferente dos adultos, gostam de som tão alto?

A palavra-chave é imersão. Nas ondas do mar, os jovens surfam; nas ondas sonoras preferem mergulhar, e mergulhar completamente. Há duas formas de fazê-lo: usando fones de ouvido ou aumentando o volume. Em ambos os casos, todos os outros sons e ruídos do mundo exterior deixam de existir. E este é, precisamente, o objetivo. Aí já não é possível ouvir os pais. Arruma teu quarto. Vai estudar. Vai arranjar um emprego. Larga de mão esse rapaz. As frases (leia-se: as ordens, leia-se: as advertências, leia-se: as reprimendas) que balizam o diálogo pais-filhos e o transformam em monólogo são anuladas pelo som plangente e irado da guitarra elétrica.

A falta de comunicação gera um problema em si, porque aprofunda o fosso entre gerações. Um fosso que podemos, contudo, transpor. Podemos falar (falar, não gritar) uns com os outros. Podemos perguntar, podemos trocar idéias, podemos dialogar. Podemos acreditar que o som da voz das pessoas que nos são próximas é tão importante quanto o som de um conjunto musical da moda, ainda que não figure nas paradas de sucesso. Vamos conversar, e em paz. Se a vida é barulhenta, e ela é cada vez mais barulhenta, não precisamos necessariamente chamar a polícia por causa disso.

scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
17/02/2004


Ninguém é imune à corrupção

Todos sabiam que bastaria o PT assumir o governo para que fosse toldada a imagem de férrea ética política e incorruptibilidade que cercava o partido.

A corrupção na administração pública é um mal insanável, as tentações são imensas e os homens que empunham o poder passam a ser vulneráveis a elas.

Bem, então já sabemos que é possível haver corrupção de integrantes do governo do PT, tanto que o presidente do partido, José Genoino, saiu-se com esta pérola, quando estourou na semana passada o escândalo da propina da loteria eletrônica: "Waldomiro Diniz não tem ficha no PT"'.

Ninguém entendeu o que Genoino quis dizer, talvez insinuando que o acusado no escândalo seja um desses intrusos que se intrometem nos organogramas governamentais mas não passaram pelo banho lustral de moralidade a que se comprometem os filiados.

Não há no caso qualquer diferença entre filiado e não-filiado.

Só que Waldomiro Diniz é mais que filiado, ele compõe as administrações do PT há vários anos, era agora mesmo o mais importante assessor político do Planalto e, quando do fato inquinado como escandaloso, tinha sido indicado pelo PT para compor a administração Garotinho no Rio de Janeiro. E era pessoa aproximada do superministro José Dirceu, da confiança do chefe da Casa Civil.

Não soa bem renegar o acusado agora. O que o PT e o governo Lula têm de fazer é admitir o erro de terem confiado erroneamente em uma pessoa indevida, entender que administrar a coisa pública torna suscetível a quem a maneja corromper-se. Além da demissão pronta do acusado já realizada por Lula, cabe a apuração profunda do fato - e tocar à frente.

Porque, no episódio, a imagem do PT e do governo Lula será realmente avaliada não pela concupiscência do agente público e político acusado, mas pelas providências oficiais sobre o caso que serão tomadas daqui por diante.

Tanto mais o PT e o governo demonstrarão que nada têm a ver com o erro do seu assessor quanto mais rigorosos e transparentes forem na apuração e repressão ao ocorrido.

É esse o julgamento que a opinião pública está fazendo nestes dias que correm.

Enquanto a reforma política não determinar que as campanhas eleitorais têm de ter financiamento público, vão continuar estourando os escândalos.

São gastas fortunas nas campanhas, todo mundo sabe que o dinheiro tem de sair de algum lugar.

Evidentemente que a tentação de obter financiamentos para as campanhas nos favorecimentos de licitantes e fornecedores dos diversos governos das três esferas dificilmente é contornada.

A corrupção é intrinsecamente humana. A lei é que tem o dever de inviabilizá-la. Ou pelo menos, como é o caso, minimizá-la.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Ciência e Tecnologia
A galáxia mais distante



Grupamento estelar Abell 2218 (no destaque, à esquerda), um dos mais antigos do Universo, foi localizado a 13 bilhões de anos-luz da Terra (foto AP/ZH)


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Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004




Empate e pouco futebol no Gre-Nal

No primeiro clássico de 2004, tricolor saiu na frente, mas colorado conseguiu o 1 a 1 faltando dez minutos para o fim

Porto Alegre - O Gre-Nal de número 357 levou de tudo um pouco ao campo do Beira-Rio. Depois de uma primeira etapa sonolenta, a necessidade de definir a partida fez com que o segundo tempo fosse melhor em termos de emoção. No final, o resultado de 1 a 1 foi considerado justo por ambos os lados. No outro clássico da terceira rodada do Campeonato Gaúcho, o Caxias venceu o Juventude por 1 a 0 no Estádio Centenário, em Caxias do Sul. Com estes resultados, o Grêmio lidera a chave A, com sete pontos. O Caxias assumiu a liderança do grupo B, com sete pontos, dois a mais que o Inter.

O primeiro tempo do Gre-Nal foi de equilíbrio e baixo nível técnico, com uma ligeira vantagem do Inter, a partir dos 20 minutos. O Grêmio começou melhor, partindo para cima do adversário sem conseguir boas chances de gol. Com destaque para Cocito, que não atuava há seis meses e conseguiu boas jogadas no meio-campo, o tricolor tinha o domínio das ações, porém sem criar grandes situações de perigo. O time do técnico Lori Sandri conseguiu aos poucos equilibrar a partida. Aos 15min, Nilmar avançou para a área e chutou cruzado, o goleiro Tavarelli não alcançou e Élton salvou os gremistas.

A melhor chance da etapa inicial foi do Inter. Aos 30min Wellington pegou a bola no meio-campo e cruzou nos pés de Nilmar, na entrada da área. O atacante, livre, chutou para fora. Os times seguiram esforçados, mas não conseguiram produzir jogadas que levassem perigo às metas adversárias.

GOLS - O panorama seguiu o mesmo no começo do segundo tempo, com a equipe colorada tendo mais ações de ataque. Logo no início, a 1min40, uma triangulação na intermediária entre Oséas, que acabara de entrar, Élder Granja e Nilmar, fez a bola entrar na área tricolor, com a zaga afastando o perigo.

A entrada de Marcelinho no lugar de Fábio Pinto melhorou o lado esquerdo do ataque gremista. Tanto que, aos 26min, a bola sobrou para Bruno, que cruzou na medida para Christian que, de cabeça, colocou no canto direito de Clemer, 1 a 0. Apesar do gol, o colorado continuou em cima. Em um ataque de Edinho aos 35min, Élton fez falta por trás e, como já tinha cartão amarelo, foi expulso. Cleiton Xavier cobrou a falta e Élder Granja cabeceou, sem chances para o paraguaio Tavarelli.

Ambas as equipes passaram então a buscar a vitória, mas sem conseguir efetivas chances de gol e o resultado foi considerado justo pelos dois times. A dupla volta a jogar na quarta-feira, desta vez pela Copa do Brasil. O tricolor faz o jogo de volta, no Olímpico, contra o Chapadão, do Mato Grosso do Sul e o Inter estréia na competição enfrentando o Confiança, em Sergipe.

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Mudanças femininas em foco

A mulher na cama passou a ser mais ativa e liberada, sem se sentir culpada. Antes não havia preocupação com o desejo
Dra. Marina Simas*

O mundo em que vivemos está em constantes mudanças que causam grandes alterações em nosso cotidiano e também em nossos relacionamentos. De acordo com essa realidade, a sociedade patriarcal está deixando de existir. O papel do homem estava associado ao ¿poder¿. Ele era o dono do dinheiro, era o provedor, quem trabalhava, sustentava toda a família, e estabelecia o modo de viver dos filhos e de sua esposa. O papel da mulher, quase sempre, era de submissão ao marido. Esse processo é chamado de simbiose. Mas esse modelo de relacionamento patriarcal já não prevalece nos dias de hoje.

A mulher passou a ter o seu espaço na sociedade e está se tornando independente financeiramente, e divide com o homem as tarefas do lar e da educação dos filhos. Neste novo modelo, os homens também estão assumindo novas tarefas. Mais importante ainda é que nesse processo o homem está entrando em contato e expressando seus sentimentos. Como tudo isso refletiu no relacionamento sexual do casal?

A mulher na cama passa a ser mais ativa e liberada, sem se sentir culpada. Antes não havia preocupação com o desejo e nem com o orgasmo feminino. Atualmente a tendência são os dois conseguirem ter orgasmos e realizarem as suas fantasias. Esse novo modelo é válido tanto na cama como fora dela, a relação do homem e da mulher está cada vez mais baseada num equilíbrio de responsabilidades e prazeres.

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Loura gelada

Giovanna Antonelli se prepara para fazer ainda mais maldades na segunda fase de Da Cor do Pecado, a partir de quarta-feira
Sete quilos mais magra e com o cabelo mais curto, Giovanna Antonelli chega à segunda fase de Da Cor do Pecado ainda mais maquiavélica. Tão má que as mocinhas vividas pela atriz, como a Jade, de O Clone, e a Capitu, de Laços de Família, parecem nunca ter existido. Como a vilã Bárbara, que foi ponto de partida da história de João Emanuel Carneiro, ela exibe as mudanças a partir de quarta-feira e torce para sentir, na própria pele, a fúria do público contra o personagem.

Com o ritmo de gravação da novela de segunda-feira a sábado, entre uma maldade e outra Giovanna teve só 20 dias para emagrecer. Fiz um trabalho com medicina ortomolecular e perdi 7 kg nesse tempo. Como fazia a Bárbara mais nova, ainda meio adolescente, precisava ter um rosto mais redondo, com cara de mais nova. Se eu já estivesse normal no início, não teria muito o que mudar, avalia a atriz, que não precisou incluir exercícios físicos no seu dia-a-dia. Sou preguiçosa à beça. Para não dizer que não faço nada, estou fazendo ioga. Foi bom por tirar algumas horas do meu dia para fazer coisas para mim.

O desejo de vida zen, no entanto, não combina com a maior expectativa da atriz. ¿Ninguém me xingou na rua ainda. Estou louca para isso acontecer. No máximo, tem gente que fala mal da Bárbara e depois me diz: Mas você é tão boazinha, conta Giovanna, sobre sua primeira vilã em 16 anos de profissão. Foi a melhor coisa que aconteceu na minha carreira depois de um monte de mocinhas. Ainda mais sabendo que o autor a escreveu para mim, diz, orgulhosa.

Para quem acha que tem Bárbara de sobra andando por aí, a atriz dá uma boa notícia. Nunca cruzei com nenhuma mulher como ela. Acho que ninguém a ensinou a ser assim, ela apenas é, filosofa Giovanna, que garante não ter nada, além das mechas alouradas, a ver com o personagem. Essas relações feitas de mentiras como as dela podem até ter futuro, mas nunca vivi nada parecido.

Apesar de já ter dito que aprovou de cara a idéia de virar loura, Giovanna admite que não foi sempre assim. A gente vira um pouco escravo da profissão. No começo, achei muito esquisito ser loura. Mas estou com o cabelo na fase mais feliz da vida. Estou curtindo muito acordar de cabelo em pé, diverte-se, jurando o apoio incondicional do marido Murilo Benício. Do público também.

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Luis Fernando Verissimo
16/02/2004


Lei de ferro

Uma frase que certamente não ouviremos mais ¿ junto com ¿Madame, sua liteira chegou¿ e ¿Quem é o center-forward do scratch?¿ ¿ é ¿Trabalhadores do mundo, uni-vos¿. Os trabalhadores do mundo sofrem com a grande perversidade da globalização, que abriu as fronteiras nacionais para empregadores atrás de mão-de-obra barata e desregularizada, mas não para eles.

Trabalhadores do mundo rico são prisioneiros das suas vantagens, ganhando tanto que não podem competir com os trabalhadores do mundo pobre, que não podem ser solidários com as suas reinvindicações de tarifas altas para proteger seus empregos, pois perderiam os seus. Nenhuma solidariedade é possível num mundo em que o capital vai atrás do lucro onde quer e o único internacionalismo permitido ao trabalho é esse tráfego tétrico de empregos exportados cruzando com desemprego importado.

Economistas neoclássicos dizem que o exercício continuado do livre comércio dará razão ao clássico David Ricardo, que no século 18 teorizou que Estados nacionais, explorando suas respectivas vantagens em recursos naturais, capacidade industrial e mão-de-obra, acabariam se complementando e todos ganhariam com isto, inclusive os trabalhadores, no melhor de todos os modelos econômicos possíveis.

Mas num recente artigo para o Herald Tribune, William Pfaff lembrou que o Ricardão tinha outra teoria, que chamava de ¿a lei férrea dos salários¿. Para Ricardo, mesmo no melhor dos mundos teóricos, os salários tenderiam a se estabilizar ao nível da subexistência mínima, já que o trabalho é um recurso universalmente disponível e infinitamente substituível.

A organização do trabalho a partir do século 19 e o crescimento dos sindicatos parecia desmentir o fatalismo de Ricardo, pois os trabalhadores aos poucos deixaram de ser o lado indefeso do modelo ideal. A legislação social, em maior ou menor grau, nos países industrializados ¿ ou em países como o Brasil, em que a legislação precedeu a industrialização ¿ inviabilizava a teoria de Ricardo, pelo menos em teoria, e retirava as condições para a confirmação da sua lei férrea. Segundo Pfaff, a globalização está restaurando estas condições.

O trabalho organizado perde a sua força até em países como a França e a Alemanha, onde sindicatos e movimentos sociais sempre tiveram grande participação política, e a receita para ¿responsabilidade¿ econômica aqui no quintal passa pela flexibilização de leis trabalhistas e outros eufemismos para roubar do trabalho o seu poder de barganha. Trabalhadores do mundo inteiro, hoje incapazes de se unir, só têm a perder uns duzentos anos de luta, mais ou menos. Para Pfaff, o pensamento de David Ricardo estava tristemente certo. Só foi um pouco prematuro.

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Paulo Sant'ana
16/02/2004


Assassinaram o tubarão

Estes dias referi aqui sobre a trama que a vida teceu para o menino Iruan, atônito com tantas tragédias que se abateram sobre ele.

É que a vida prepara determinados cenários para certas pessoas que os fatos que as atingem, se narrados por outrem, parecem inverossímeis.

Veja-se por exemplo o que aconteceu com o mergulhador e surfista australiano Luke Tresoglavik, 22 anos, na semana passada, na costa ao norte de Sydney.

Ele mergulhava no mar, distante uns 300 metros do litoral. De repente sentiu a sua perna, abaixo do joelho, abocanhada por um feroz tubarão.

Tentou afastar o tubarão com um safanão, mas o animal não soltava a mordida.

O mergulhador não teve dúvida: com uma mão segurava o tubarão junto a sua perna (para evitar que o animal levasse consigo um pedaço dela) e com o outro braço passou a nadar até a praia.

O tubarão, da espécie Wobbegong, com 60 centímetros de comprimento, podendo atingir até três metros, não soltava as mandíbulas da perna do surfista, que levou mais de 15 minutos para chegar à areia, nadando apavorado, com aquele incômodo e aterrorizante acompanhante grudado em sua perna.

Chegando à praia, o mergulhador, com dificuldade para caminhar e carregar o tubarão incrustado na sua perna, foi até seu carro e conseguiu dirigir durante um quilômetro até o mais próximo posto salva-vidas.

"Percebi que tinha de nadar e dirigir daquele jeito mesmo'', disse Luke.

Quando chegou ao posto, os salva-vidas não acreditaram no que viam. Um deles declarou à imprensa: "Não há nada sobre isso em nosso manual de procedimentos''.

Realmente, o manual não podia prever que tivessem de socorrer um dia alguém de um ataque de tubarão em terra.

Com o auxílio de facas, os salva-vidas conseguiram desencravar os dentes do tubarão da perna do surfista, uma improvisada cirurgia para desarmar as poderosas mandíbulas do peixe predador, que teimaram até o fim em não abandonar a sua presa.

O tubarão, sangrando, foi sacrificado.

Uma mordida de tubarão tem o impacto de toneladas, é incrível também que, apesar de ter deixado 70 marcas na perna de Luke, não tenham sido necessários pontos no atendimento ao ferido, que foi tratado somente com antibióticos.

E impressiona também que o mergulhador não tenha entrado em pânico quando foi atacado, mantendo a serenidade e nadando 300 metros na companhia desagradável daquela fera imprevisível.

Se não houvesse o registro desse fato nos arquivos policiais e no noticiário da imprensa, contado anos mais tarde a você, leitor ou leitora, sua reação óbvia não ia ser de incredulidade, de que se tratava de uma mentira ou invencionice de algum pescador?

Pois aconteceu e não haverá tratado zoológico que possa desvendar a idiota obsessão de um tubarão em morrer com os dentes trincados em uma perna humana, recusando-se terminantemente em largá-la.

Não existe lógica em alguns fatos espantosos da vida.

Chegou a ser entusiasmante a superioridade técnica dos garotos gremistas sobre um Internacional submetido inteiramente à envolvente mecânica de jogo armada por Adílson Batista.

Promete o Grêmio. Pena que uma bobeira da defesa gremista, deixando três jogadores do Internacional livres após a cobrança de falta, tenha proporcionado a gol de empate.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Litoral
Diversão à beira-mar



Depois de um sábado chuvoso, os veranistas do Litoral Norte se despediram do fim de semana com sol e uma temperatura de 31,4ºC (foto Mário Brasil/ZH)


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Domingo, Fevereiro 15, 2004




Você é mesmo sexy?

Uma mulher sexy é aquela que se gosta, que se assume do jeito que é, que passa essa aceitação e uma boa dose de segurança para toda à sua volta. Essa não é uma definição de Nelma Penteado, professora de artes sensuais, que já tem vários livros publicados como por exemplo "Esposa Amante" (editora Mandarim), mas sim, o resultado das respostas colhidas em uma pesquisa feita com mais de 400 homens de várias idades.

Esse gostar de si reflete em todos os aspectos de nossa vida, pois às vezes nos sentimos muito bem quando estamos com roupa mas, na hora da nudez, entramos em pânico. Então, passamos a maior parte do tempo tentando esconder o que não nos agrada, apagando a luz, calculando a luz certa, pensando na posição certa, no tamanho das cobertas, etc.

"Para transmitir beleza e sensualidade, você precisa, antes sentir-se bonita e sensual. Pouquíssimas pessoas têm corpos ou rostos perfeitos e, mesmo assim, isso não é sinal de que elas sejam sexies ou boas de cama. Lembre-se de que seu amado também não é perfeito!", ensina Nelma. A seguir, confira mais dicas.

Visualmente falando
"O aspecto visual é o mais importante, nesse seu caminho de transformação. Pratique todos os cuidados possíveis, não como uma obrigação, mas como uma redescoberta de si mesma. Quando passamos a prestar atenção em nós mesmas de forma positiva, percebemos que existem pontos que podemos melhorar e outros que não podem ser modificados, com os quais podemos e devemos conviver, sem neuras".

Dicas Importantes

Cabelo e Pele
Seu cabelo está bem cuidado? E sua pele? Se não estão, é hora de procurar melhorar. Caso não saiba como fazer, peça ajuda a um bom profissional. De quebra, você vai se sentir ótima. Não espere uma ocasião especial. O especial da ocasião é você!

Maquiagem
A melhor maquiagem é uma pele bem cuidada. Você pode valorizar o conjunto com uma maquiagem, porém, não exagere, pois o homem gostará mais de ver e de sentir sua pele.

Cabelos
Procure estar com um bom corte de cabelo, se usar tintura esteja sempre em dia com a cor. Não tenha sempre aquele cabelo armado, com grampos e fixadores, do tipo não-me-toque. Procure manter um cabelo bonito, sedoso e que convide ao toque.

Corpo
Faça sempre algum exercício, que pode ser uma simples caminhada. Isso fará bem ao seu corpo e à sua mente. Não podemos pretender ter um sexo empolgante se estamos esgotadas até mesmo para caminhar. Deixe a preguiça de lado e mexa-se.

Cuide da pele de seu corpo. Existem ótimos hidratantes que deixam a pele macia e limpinha.

Depilação
Experimente de vez em quando, formas diferentes de depilar a região pubiana. Aliás, as áreas onde existem pêlos devem ser muito bem cuidadas, não apenas por uma questão estética. Além do púbis, não se esqueça do buço, axilas e pernas. Hoje existem métodos modernos e eficazes de depilação.

Cheiro
Uma boa dica é usar cremes e loções especiais nas áreas próximas aos órgãos genitais, pois são lugares que devem estar sempre bem cuidados.

Postura
Evite ombros caídos e costas encurvadas. Caminhe com dignidade, não como alguém que mereceu um castigo. É muito bonito manter uma boa postura.

Andar
Assuma um andar leve, com os pés direcionados para a frente, um paralelo ao outro. A forma como você anda mostra muito como é a maneira pela qual você se vê e se impõe no seu meio ambiente.

Olhar
Não dizem que os olhos são as janelas da alma? Mantenha um olhar confiante e direcionado para a frente. Não ande de cabeça baixa, como se estivesse se escondendo do mundo.

Fisionomia
Mantenha um semblante sempre alegre. Um rosto confiante, leve, sereno e simpático torna você muito mais atraente.

Roupas
Muitas vezes, decorrido algum tempo do casamento, começamos a usar roupas folgadas porque são mais confortáveis e condizentes com o papel de mulher casada, cabelos práticos e confortáveis, assumimos por completo a calça de moletom e a camiseta e, quando menos esperamos,nos transformamos em uma confortável... almofada.

Cama
Olhe seu corpo sempre com carinho e pense nas coisas que ele é capaz de fazer para agradar, na hora do amor, não apenas a si mesma, mas também ao seu amado. Assim, a cama será um lugar agradável, para onde terá vontade de ir, e não um local assustador, de onde você vive eternamente fugindo. Incorpore uma atitude positiva nas suas relações, ou seja, entregue-se ao parceiro como a mais gostosa das mulheres, pois será assim que ele irá receber.

Plástica ou tratamentos estéticos
"Se já pensou, já avaliou as conseqüências, já encontrou um médico de sua confiança e se está mesmo determinada a se submeter a uma cirurgia plástica ou tratamento estético feitos por meio de pequenas cirurgias, eu lhe desejo o melhor resultado".

Vale a pena fazer plástica quando ela é o resultado de uma boa auto-estima, ou seja, quando você se gosta mas quer mudar algo para se sentir ainda melhor.

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Elas disseram

"Meu ídolo era a Xuxa, mas nunca poderia ter o cabelo igual ao dela nem o olho azul".
Taís Araújo, a preta de "Da Cor do Pecado", explicando que não tinha como ídolos na infância os atores negros por eles serem bem mais velhos.

"Adoraria ser rico e não precisar trabalhar. É complicado viver sempre no crivo do público e da crítica".
Eduardo Moscovis, ator, revelando que sonha em ser um "boa-vida".

"Via um cara e Carnaval era a hora, né? Dava uns beijos na boca e tchan! Ficava com cinco, seis, oito caras na mesma noite".
Fernanda Lima, ex-apresentadora da MTV, contando que era danada na adolescência.

"Um diretor me disse: Você chegou tarde, os dois papéis de empregada já estão preenchidos".
Zezé Motta, que vai atuar em "Metamorphoses", da Record, relembrando quando voltou dos Estados Unidos, em 1969, e foi tentar emprego na extinta Tupi.

"Não agüento mais fazer programa policial. Acaba comigo. Perdi 40% da audição do ouvido esquerdo e tenho vomitado antes de entrar no ar".
O sempre dramático José Luiz Datena, que não vê a hora de o "Brasil Urgente", que apresenta na Band, sair do ar, o que está previsto para março. Na mesma época ele estréia um programa mais "light" na emissora.

"Dou mais valor ao que tenho, que é o reconhecimento profissional, do que a um bando de gente correndo atrás de mim num shopping".
Isabela Garcia, a Eliete de "Celebridade", sobre sua postura diante da fama.

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O Feminismo deu mesmo certo?

Tanto ainda se fala nessa busca agressiva, grandiosa e assustadora pela igualdade dos sexos. Uma, pena, nosso caminho não é tão cor-de-rosa assim. Essa coisa de feminismo exigiu de nós, mulheres, mudanças radicais em nosso comportamento familiar e sexual. Vivemos ansiosas: será que essa revolução feminista deu mesmo certo? Claro que nem de longe há chances de voltarmos para o fogão. Mesmo assim, apesar de ficarmos cansadas demais por causa de nossas duplas, triplas, quem sabe quádruplas jornadas, nem de longe queremos desistir, muito menos pedir arrego.

Mas, o melhor de tudo isso é que continuamos nossa busca, mesmo muita vezes não sabendo ao certo onde queremos chegar. Estamos andando, em movimento, embora o feminismo não tenha dividido as tarefas, apenas acumulamos funções. Hoje a situação é diferente: conheço mulheres que fogem das tarefas domésticas, sem culpa, que não têm noção do que seja cozinhar, não ligam para o pó no móvel, fazem compras junto com o marido, ou simplesmente o marido vai sozinho ao supermercado.

Jovens casais levam as refeições para comer na cama, assistindo televisão. A casa deixou de ser uma máquina com regras rigorosas que tinham de ser obedecidas e desempenhadas com as funções femininas. Hoje, quase não se arruma a mesa para as refeições, não se faz comida: esquenta alimentos congelados no microondas. A tarefa doméstica foi diminuída em 40% e essas modificações estão sendo feitas pela estrutura social. As mulheres trabalham até tarde e a família tem de se adaptar a isso de uma maneira ou de outra. A indústria supre com comida congelada e tantas outras facilidades, como a entrega de comida em domicílio. Antigamente, os homens se interessavam em boas cozinheiras e boas parideiras, agora se interessam em boas profissionais, que tenham carreira, ganhem. Muitas vezes até mais do que eles. Mesmo assim, ainda lutamos pelas mesmas oportunidades dos homens, principalmente no trabalho!

Marta Vicentin


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