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Sábado, Março 06, 2004
Posted
11:56 PM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
07/03/2004
Um dia como os outros
Somos quase todas guerreiras, quase todas românticas, quase todas insuportáveis e maravilhosas
Amanhã é o Dia Internacional da Mulher, e me sinto obrigada a escrever sobre nós mesmas, nós que não somos vítimas de nada, e sim donas do nosso destino, nós que nos embrutecemos diante da vida, às vezes até falando com voz grossa e fazendo gestos rudes, temendo que nossa feminilidade passe por fraqueza.
Nós que abrimos a boca mais do que devíamos, o que por um lado é bom, pois não trancafiamos nossas angústias, e que por outro lado é ruim, porque falamos demais não apenas sobre nós, mas sobre os outros também, expandindo a corrente da fofoca, tão sem utilidade.
Nós que nos preocupamos muito com nossos cabelos e com nossa pele, nós que gostamos de estar bonitas e de cultivar um estilo, mas que não somos apenas isso, manequins de vitrine. Colocaríamos todo nosso guarda-roupa no lixo em troca de saúde eterna para nossos filhos, nunca mais usaríamos maquiagem se isso assegurasse que eles fossem felizes para sempre, nós que conhecemos o amor gerado dentro e expelido pelo parto, a coisa mais intensa, instintiva e selvagem que há.
O que mais dizer sobre nós? Sofremos alterações hormonais que nos dão múltipla personalidade e enlouquecem os que convivem conosco, somos rápidas demais nas tomadas de decisões e meio lentas no trânsito. Somos quase todas guerreiras, quase todas românticas, quase todas insuportáveis e maravilhosas. E as que não são nada disso têm seus próprios defeitos e qualidades em seu catálogo particular. Somos quase todas excêntricas.
Eu, como boa parte das mulheres que conheço, não me comovo com o "nosso dia", não acho que basta nascer do sexo feminino para ser merecedora de rosas e descontos em restaurantes, uma mulher faz por merecer suas vitórias a cada 24 horas, e faz por merecer suas derrotas também. Por isso, me abstenho de reprisar a ladainha anual de que precisamos nos virar do avesso para dar conta de tudo, de que somos obrigadas a ser enérgicas e meigas ao mesmo tempo, e que tudo isso dá um trabalho danado. Dá, é verdade. Mas nada de colaborar para que amanhã seja o Dia Internacional das Lamúrias.
Amanhã é apenas mais uma segunda-feira onde encontrarei várias da minha espécie no supermercado, umas com pressa, outras com dor-de-cotovelo, umas com a agenda cheia, outras com a cabeça cheia, umas felizes, outras infelizes, umas pensando em pedir demissão, outras pensando no que fazer com o marido, algumas apaixonadas, outras solitárias, quase todas com a grana curta, quase todas com medo de que uma única vida não seja suficiente para fazer tudo o que elas ainda sonham, quase todas com as emoções em desordem, absolutamente todas malucas e divertidas e muito, muito ocupadas para dar atenção a datas que infelizmente não mudam nada.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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8:38 PM
by Cassiano Leonel Drum
Volume baixo
Músicas velhas, romances truncados, muitos diálogos tudo contribui para que a trilha sonora de Celebridade
não venda como deveria
Sérgio Martins
Fotos divulgação
Casal: Maria Clara e Fernando Tema: Ruby, de Ray Charles
Por que a música não emplacou: ela é antiga, e faltou química entre o par romântico
Um problema atormenta a direção de Celebridade, da Rede Globo: como ampliar as vendagens de sua trilha sonora. O CD da novela foi lançado em outubro. Até agora, 420.000 cópias dele saíram das lojas. É um número pálido se comparado ao de sua antecessora, Mulheres Apaixonadas (veja quadro). Até mesmo Malhação tem se mostrado mais eficiente na tarefa de criar sucessos musicais. Com ibope médio de 33 pontos, contra 45 de Celebridade, o seriado adolescente já promoveu a vendagem de 700.000 discos em sua atual temporada. Temas musicais mal escolhidos, romances truncados e a falta de cenas que explorem a emoção das canções são os motivos que explicam por que a trilha de Celebridade não decola.
A trilha de Celebridade vendeu até agora 420 000 CDs.
A trilha de sua antecessora no horário das 8, Mulheres Apaixonadas, vendeu 1,5 milhão de CDs
Frutos de uma parceria entre a Rede Globo e a gravadora Som Livre, as trilhas de novela têm no produtor musical Mariozinho Rocha o seu principal arquiteto. Mas os autores dão sugestões. Gilberto Braga, o roteirista de Celebridade, sempre teve bom tino para essa tarefa. A trilha de Dancin' Days (1978), por exemplo, lançou vários hinos da era das discotecas no Brasil. No caso de Celebridade, contudo, Braga insistiu em usar músicas antigas que não empolgaram. A trilha está cheia de canções do tempo do Onça e artistas do tempo do Onça, como Ray Charles e Rita Lee. Permitiu-se ainda que integrantes do elenco escolhessem seus próprios temas. Cláudia Abreu votou em Sympathy for the Devil, dos Rolling Stones, e Malu Mader sugeriu Enquanto Houver Sol, dos Titãs (banda de seu maridão, Tony Bellotto, mas deve ser apenas uma coincidência).
Casal: Darlene e Wladimir
Tema: Amor e Sexo, de Rita Lee
Por que a música não emplacou: o namoro entre os dois foi interrompido, e Darlene está descambando para o mal
Do ponto de vista dos músicos, uma novela é um gigantesco videoclipe. Tudo o que eles querem são longos beijos, flash-backs intermináveis e personagens que passeiam na praia para meditar, enquanto as suas canções tocam ao fundo. Falta esse tipo de cena em Celebridade. Os principais romances da história ou padecem de pouca química entre os seus protagonistas, ou foram abortados por Gilberto Braga, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Além disso, para quem trabalha com trilhas sonoras, um roteirista prolífico demais pode atrapalhar. As novelas de Manoel Carlos ou Benedito Ruy Barbosa costumam ter grandes seqüências só de imagens e música. Em 1996, uma canção de Zé Ramalho chegou a tocar inteira num capítulo de O Rei do Gado. Gilberto Braga, pelo contrário, não poupa diálogos e deixa pouco espaço para o fundo musical.
Celebridade deve sofrer mudanças que talvez ajudem a vender discos. A metamorfose mais importante será a de Maria Clara (Malu Mader). Ela vai mergulhar na pobreza e, para dar a volta por cima, se transformará numa espécie de Dona Jura (a pagodeira da novela O Clone) e abrirá uma gafieira no Andaraí. Isso não vai impulsionar a trilha sonora atual, mas o CD Celebridade Samba já está no forno. Chega ao mercado no mês que vem.
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9:04 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo
Lições do Haiti
Uma delas alerta contra a moda dos "golpes legais"; outra desnuda o mito da revolução
No século XIX, os senhores do Brasil nem podiam ouvir falar no Haiti. Eles tremiam de medo de uma doença a que deram o nome de "haitianismo", sinônimo de desordem, caos e violência. Liderada por Toussaint-L'Ouverture, o "Espártaco Negro", houve, na colônia francesa que viria a se transformar no Haiti, uma rebelião de escravos que, iniciada no fim no século XVIII e inspirada na revolução que ocorria na metrópole, resultou na expulsão da pequena elite branca de donos de terra e, em 1804, na independência do país, conquistada no enfrentamento com os exércitos de ninguém menos do que Napoleão Bonaparte. "O 'haitianismo' era um espantalho poderoso num país que dependia da mão-de-obra escrava e em que dois terços da população eram mestiços", escreve o historiador José Murilo de Carvalho no livro Cidadania no Brasil.
O Haiti fora, durante o século XVIII, a mais rentável e próspera colônia da América Latina. Em 1789, dois terços dos investimentos franceses no exterior estavam ali concentrados. Açúcar, principalmente, mas também café, cacau e algodão eram produzidos em larga escala, em fazendas trabalhadas por escravos trazidos da África. Setecentos navios, a cada ano, mobilizando 800.000 marinheiros, cumpriam o leva-e-traz entre a França e a então jóia de seu império colonial. Contra esse pano de fundo de prosperidade econômica e cruel opressão de uma minoria de 30.000 colonos brancos contra uma maioria de 500.000 escravos, fez-se o que o manual da boa evolução histórica recomenda: uma revolução. E no entanto...
No entanto, de lá para cá, como se sabe, tudo deu errado. A história do Haiti é marcada por golpes, rebeliões, massacres e intervenções estrangeiras. O país é mundialmente reputado pelos ditadores grotescos, como François Duvalier, o "Papa Doc", e seu filho Jean-Claude, o "Baby Doc", e pelas milícias assassinas, como a dos "tontons macoutes". Os acontecimentos da semana passada, em que o presidente Jean-Bertrand Aristide foi deposto em meio a uma rebelião, é apenas um detalhe a mais, uma migalha, um grão de areia, numa longa e infindável tragédia.
No Haiti, dadas sua condição de o país mais pobre do continente e sua inclinação para a selvageria fratricida, reminiscente das lutas tribais africanas, as coisas sempre se apresentam de forma peculiar, mas os acontecimentos que ali se desenrolam apenas copiam uma tendência que tem assolado a América Latina. Da rica, apesar de tudo, e "européia" Argentina à pobre Bolívia de maioria indígena, vários países tiveram presidentes arrancados da cadeira, num modelo que foge ao clássico golpe de Estado, mas nem por isso espalha menor preocupação com relação ao respeito ao processo democrático.
Não há mais tanques na rua nem generais no poder. Sempre se dá um jeito de uma aparência de constitucionalidade. Mesmo no Haiti, onde a tradição democrática é nula, entregou-se a Presidência ao presidente da Suprema Corte. Com isso, rende-se homenagem ao repúdio internacional aos golpes clássicos e ao mau gosto que eles representam. Mas, ao mesmo tempo, conserva-se a tradição continental de depor presidentes. Descobriu-se que dá para continuar a fazê-lo. Basta acrescentar ao ato um vernizinho legal.
Das fotos e filmes sobre os acontecimentos no Haiti, as imagens mais chocantes não são as que mostram os tumultos, saques ou corpos na rua. São as que retratam o regozijo do povo com a deposição do presidente. Está rindo de quê, aquela gente? Aristide era um presidente impopular, que da promessa inicial de justiça e liberdade escorregou para o autoritarismo e a corrupção. Mas os rebeldes que contra ele se levantaram formam uma sociedade de esquadrões da morte com traficantes de drogas. Será que as pessoas que saíram às ruas para comemorar, numa efusão própria dos povos carnavalescos, não aprenderam que, no Haiti, o pior está sempre por vir?
O Brasil por muito tempo foi acometido de saudade pela revolução que não houve. As transformações mais marcantes, como a Independência e a República, foram obtidas de modo negociado. Isso, segundo raciocínio que permeou, e ainda permeia, embora com menor força, o pensamento de esquerda, teria impedido as verdadeiras mudanças, aquelas que mexem com as estruturas de um país.
Pois o Haiti teve, em seu nascimento, uma revolução para ninguém botar defeito, e sua história resultou no que se sabe. Com relação a outro mito brasileiro, o de que se o Brasil tivesse perdido uma guerra, ou sentido os efeitos de uma bomba atômica, como a Alemanha ou o Japão, poderia se ter aprumado em nova e mais promissora direção, o falecido Mario Henrique Simonsen dizia que a única certeza seriam os efeitos da bomba atômica.
Se, depois, conheceria prosperidade semelhante à de alemães e japoneses, sabe-se lá. No caso do mito da revolução como rito necessário a uma sociedade mais justa e decente, a única certeza é que, se ela tivesse ocorrido no Brasil, teria custado muito sangue. Quanto ao que se seguiria, o Haiti prova que podia ser o abismo.
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9:00 AM
by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
O meu panelaço
"A convicção simplória de que todos os políticos são enganadores precisa ser restaurada. Sem isso, a democracia brasileira continuará incompleta, viciada, sujeita a surtos de histeria sebastianista"
Continuo minha campanha pelo impeachment de Lula. Poucas adesões de peso até agora. Faço um panelaço solitário pelos aposentos da casa, apesar dos veementes protestos de meus familiares. Bato panela no quarto. Depois bato panela na sala. Depois bato panela no banheiro. O panelaço de uma panela só. Por mais surpreendente que possa parecer, ainda não consegui derrubar o governo. Cedo ou tarde, juro que consigo.
A burrice que nos acometeu desde a eleição de Lula terá de ser lembrada para sempre. Demos ao governo um crédito que nenhum governo pode ter. Por mais de um ano, ignoramos seu populismo ordinário, seus desvarios retóricos, seu empreguismo desavergonhado, seu fisiologismo ostentoso, seu descaramento ético, sua equipe indigente. Abdicamos estupidamente de nossa prerrogativa básica, que é vaiar e atirar ovos nos políticos. A convicção simplória de que todos os políticos são enganadores precisa ser restaurada urgentemente. Só ela pode estimular a criação de anticorpos na sociedade. Sem esses anticorpos, a democracia brasileira continuará incompleta, viciada, sujeita a surtos de histeria sebastianista igual à que acompanhou a vitória de Lula.
Nenhum político pode ter 96% de popularidade, como o presidente teve ao assumir o poder. Isso é devoção religiosa. Estatisticamente, havia mais gente acreditando em Lula do que em Deus. Nenhuma literatura dedicou tanta atenção ao estudo do caráter nacional quanto a nossa. E nenhuma literatura se equivocou tanto sobre o assunto. O único aspecto relevante de nossa personalidade é um exasperado servilismo. Nesse sentido, nada pode ser mais revelador do que a eleição de Lula, que desencadeou a maior onda de adesismo da história do Brasil. Por seu passado oposicionista, Lula conferiu uma aura de dignidade a todos aqueles que escolheram se sujeitar a ele, adulando-o com a esperança de obter favores. Alguns ganharam cargos. Outros ganharam aplausos. Anotei seus nomes num caderninho. Estão na minha lista de proscrição. Quem também está na minha lista de proscrição são as instituições encarregadas de vigiar o poder e que, melifluamente, se aliaram a ele: os sindicatos, os movimentos sociais, parte da imprensa, a universidade, os artistas, os intelectuais, a Igreja. Somos nós que financiamos essa turma. Se ela não serve para nos defender, devemos parar de sustentá-la. Lula mostrou que nossa democracia é pura fachada.
Muita gente teme os efeitos de uma crise política. Não há o que temer. Os políticos caem, mas o país fica. Ao contrário do que se pensa, o destino do Brasil não está atrelado a nenhum político. A desilusão provocada por Lula pode ser altamente benéfica, se compreendermos o perigo de abaixar a guarda contra os políticos. Os principais instrumentos de que dispomos para controlá-los são a descrença e a desconfiança. Quando dizem que o financiamento público aos partidos pode diminuir a roubalheira, por exemplo, estão mentindo. Para diminuir a roubalheira dos políticos, basta diminuir a quantidade de dinheiro que passa pelas mãos deles. E, agora, panelaço.
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8:43 AM
by Cassiano Leonel Drum
Muito cuidado no Alçapão
Ainda sem o maestro Felipe, time rubro-negro, em quarto na tabela, vai se complicar na Taça Rio se tropeçar contra o Olaria
Mauro Leão
Mais uma vez desfalcado de Felipe, que somente voltará ao time no dia 14, contra o Botafogo, o Flamengo enfrentará o Olaria, hoje, às 16h, numa partida que definirá o seu futuro na Taça Rio. Se tropeçar no Alçapão da Rua Bariri, complicará muito a sua situação na competição, na qual, depois de dois compromissos, registra apenas dois pontos ganhos.
Apesar da evidente queda de produção da equipe que empatou em 1 a 1 com o Americano e com o Bangu, o técnico Abel Braga acredita na volta por cima. Temos um excelente elenco e jogamos de forma errada as duas partidas anteriores, reconheceu o treinador.
Para ele, os principais erros dos jogadores ocorreram no momento do último passe e no posicionamento. Errar a última bola é fatal. Quebra o nosso poder de fogo e acabamos sendo contra-atacados, alega o comandante rubro-negro.
Abel, porém, alerta para o perigo chamado Olaria, principalmente pelo fato de o jogo ser disputado na Rua Bariri, num campo considerado em péssimas condições e de dimensão reduzidas, um alçapão. Outra preocupação é com a colocação do adversário (é o vice-lanterna do Grupo A, com apenas 1 ponto ganho), lutando contra o rebaixamento. Eles precisam da vitória, e nós também. Será uma guerra, mas buscaremos os três pontos.
Os quatro pontos perdidos nos dois empates são lamentados por todos na Gávea. Mas é evidente a fé na recuperação da equipe e na conseqüente conquista da Taça Rio. Não podemos nos esquecer de que na Taça Guanabara tivemos uma derrota para o América e empatamos com o Friburguense. Mesmo assim, conquistamos o título, comentou o atacante Jean, prometendo deixar sua marca de artilheiro na partida de hoje.
O torcedor que for apoiar o Flamengo pensando que a equipe encontrará facilidades deve preparar o espírito. O Olaria venceu o último confronto, por 2 a 0, no Campeonato Estadual do ano passado, disputado dia 26 de fevereiro.
O curioso é que do time que disputou a partida, somente permaneceram na Gávea o goleiro Júlio César e o apoiador Felipe, que desfalca a equipe. Naquela ocasião o Flamengo jogou com Julio César, Alessandro, André Bahia, Fernando e Athirson; Fabiano Cabral, André Gomes, Fábio Baiano e Felipe; Fernando Baiano e Zé Carlos.
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8:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
Artigo
A vitória feminina
LUIZ KIGNEL/ Advogado
No dia 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Desta feita, as comemorações no Brasil terão um gosto diferente, ao certo uma sensação de dever cumprido ou de vitória, como queiram as feministas, que não se encontrará em outra parte do planeta. Não fossem já suficientes as profundas alterações trazidas pelo novo Código Civil Brasileiro, igualando em definitivo os direitos do homem e da mulher, é dever registrar a promulgação da Lei nº 10.745, assinada pela Presidência da República em 9 de outubro de 2003 instituindo o ano de 2004 como o "Ano da Mulher".
A luta das feministas vem de longa data e ao certo é tão antiga como a história da civilização. No decorrer dos séculos, as mulheres foram sempre subjugadas por seu parceiro masculino, que lhes impôs pela força física uma situação de domínio e submissão. O que era regra geral em séculos passados, hoje apenas é encontrado em longínquos pontos do planeta, que ainda persistem em uma vida que não encontra respaldo cultural ou moral na sociedade moderna e que teimam em se manter pela força e opressão.
No Brasil do início do século passado, as mulheres já buscavam sua igualdade social, embora deva se admitir que limitadas a manifestações específicas e, no mais das vezes, apenas em círculos intelectuais. Foi na segunda metade do século 20 que, efetivamente, as mulheres passaram a reclamar com sucesso sua posição de destaque na vida brasileira. Ainda assim, viramos o século 21 com um Código Civil editado no ano de 1916 e que estipulava claramente que o marido era o chefe da sociedade conjugal, função que exercia com mera colaboração da esposa. Assim, a mulher saía da tutela do pai diretamente para a do marido, o que não se podia reconhecer como um grande avanço nos seus direitos civis.
O novo Código Civil trouxe, com atraso injustificável, o reconhecimento de igualdade que, na prática, já era aceito na maior parte dos lares brasileiros, não mais pela força física, mas sim pelo reconhecimento inequívoco e sem ressalva das igualdades sociais dentro de um casamento. Neste sentido, o atual Artigo 1.567 determina que "a direção da sociedade conjugal será exercida, em colaboração, pelo marido e pela mulher, sempre no interesse do casal e dos filhos".
Se a igualdade torna os cônjuges igualmente aptos para a condução do lar conjugal, é verdade que também lhes retira alguns benefícios. E com certeza o mais debatido se refere à preferência na guarda dos filhos, que no ordenamento jurídico anterior era presumida pela lei em favor materno e, na legislação atual, beneficiará aquele que revelar melhores condições para exercê-la.
Reconhecida a igualdade dos sexos e não se admitindo a criação de um Dia Internacional dos Homens ou um ano específico em sua homenagem, tal qual este será para as mulheres, seria de se cogitar da extinção dessas festividades que tornam, reconheçamos, desiguais homens e mulheres, ferindo o princípio da igualdade alcançada por estas últimas. Mas mesmo que absolutamente iguais na acepção jurídica, as desigualdades sempre existirão para deixar espaço ao cavalheirismo, que, diferente de machismo, nada mais é do que a confirmação da vitória feminina sobre o homem.
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8:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
Descer do trono
MARIA BERENICE DIAS/ Desembargadora do Tribunal de Justiça do RS, vice-pres. do Instituto Bras. de Direito de Família
Desde o nascimento, as mulheres são submetidas a um rigoroso treinamento para o desempenho da missão à qual foram predestinadas. As meninas são vestidas de "cor-de-rosa", furam suas orelhas e lhe colocam brincos, sendo adornadas com laços, rendas e fitas. Afinal, têm de ser belas e sedutoras e, além disso, meigas, castas e recatadas. Seus brinquedos são bonecas, panelinhas, casinhas, nada mais do que instrumentos que se destinam ao bom desempenho dos seus deveres.
O único e grande sonho de realização é encontrar o príncipe encantado, casar e ser feliz para sempre. Eis que chega o grande dia. Vestida de noiva com véu e grinalda, é entregue pelo pai ao marido, até que a morte os separe...
Aí começa o seu reinado. Seu cetro é a vassoura, sua coroa, quem sabe, uma lata d'água, e seu manto, montanhas de roupas para passar. Como lhe ensinaram, a ela cabe o papel de esposa e mãe, sendo responsável pelas tarefas domésticas. Isso inclui limpar, cozinhar, lavar, costurar, fazer compras, além, é claro, de cuidar da educação e do bom desenvolvimento dos filhos, sem descuidar do marido. Porém, essas lides caseiras não são reconhecidas, não gozam de nenhum prestígio social. Por não ser trabalho remunerado, não é contabilizado, não possui valor econômico. Assim, as donas de casa são trabalhadoras que não recebem salário, não fazem jus a descanso semanal, limite de jornada, feriados, licenças e nem à aposentadoria ou à previdência social.
A obrigação pelo exercício dessas atividades está ligada à equivocada noção de que elas decorrem da natural divisão do trabalho. Por terem as mulheres o monopólio da função reprodutiva e a capacidade de amamentação, a elas se atribui, com exclusividade, toda a responsabilidade pela criação dos filhos e organização do lar.
Todos olvidam que a mulher desempenha papel fundamental para a subsistência não só da família, mas do próprio Estado, pois é responsável pela procriação e criação dos cidadãos de amanhã. Seus filhos são a força de trabalho que irá garantir a continuidade da sociedade. Ainda assim, o trabalho que desempenham não é valorizado.
Quando, apesar de todos esses obstáculos e limitações que as atividades domésticas lhes impõem, elas conseguem se inserir no mercado de trabalho, passam a desempenhar dupla jornada de trabalho. Como não conseguem se livrar de seus encargos familiares, têm menos disponibilidade de viajar, freqüentar cursos, estudar, isto é, têm menos condições de se qualificar, o que limita salários e dificulta a ascensão profissional.
Não bastasse tudo isso - ou talvez em face de tudo isso -, a rainha do lar ocupa uma posição subordinada e de submissão, pois deve obediência ao marido, dono e senhor da casa.
É preciso que as mulheres tomem consciência de suas potencialidades, busquem a realização pessoal fora do circuito doméstico, desçam do trono e empunhem a bandeira da luta pela igualdade e respeito à sua dignidade humana.
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8:32 AM
by Cassiano Leonel Drum
Jorge Furtado
06/03/2004
Minhas Férias
Talvez ninguém tenha reparado, mas faz tempo que eu não apareço por aqui. Juntou trabalho demais com férias de menos, mas agora eu voltei. Vou poupá-los de descrições detalhadas das praias mornas da Bahia, com suas areias brancas e palmeiras ondulantes, quindins e camarões gigantes, isso não se faz. Mas a volta das férias sugere uma certa recapitulação. Onde foi que eu parei? Ah, sim: feliz ano novo.
O primeiro quarto do governo Lula terminou FMI 1 x 0 nós. O bom humor do Palocci na boca do vestiário parece indicar que a gente vira o jogo ainda no primeiro tempo, vamos ver. Por enquanto, estamos perdendo e, pior, agora sem o Gabeira em campo. As novidades políticas reforçam minha indefensável tendência lombrosiana: só de olhar para a cara do Waldomiro Diniz suponho que ele mereça alguns anos de detenção e, de óculos escuros, sem direito a habeas corpus. Vai dizer que você também não tem vontade de mandar direto para a cadeia aquele Rocha Mattos, o juiz da operação Anaconda, com seus longos e esvoaçantes cabelos grisalhos? É evidente que "olha só o jeitão dele" não é uma boa norma jurídica. Carlinhos Cachoeira, por exemplo, parece ser boa gente. De qualquer maneira, é estranho ver um delegado de polícia dizendo, na televisão, que está investigando os crimes que Cachoeira "provavelmente cometeu". Pode isso? Bom, se pensarmos que vivemos sob uma Constituição que teve alguns artigos acrescentados na última hora sem que o Congresso soubesse, imagino que possa.
O Verissimo já disse em sua coluna tudo o que precisava ser dito sobre a hipocrisia com que tratamos a contravenção do jogo do bicho no país. Minha única experiência com bingos se deu em Tramandaí, há alguns anos. Entramos porque era o único lugar aberto na cidade onde se podia tomar uma cerveja. Me entregaram um cartão, tiraram meu dinheiro e eu sentei, esperando que surgisse uma senhora parecida com minha avó Etelvina, com um saquinho, e começasse a cantar os números: "A idade de Cristo, 33!". Em vez dela, vi monitores mostrando números numa velocidade frenética. O jogo acabou antes que eu sequer me acostumasse com a luz fluorescente e entendesse para qual vídeo deveria olhar. Já me disseram que há bingos que servem jantares e chás e que podem ser divertidos. A mim pareceu uma experiência bizarra e deprimente. E a cerveja estava quente.
O importante é que 2004 começou, finalmente vem aí o espetáculo do crescimento e, como eu não estava por aqui e perdi as listas de fim de ano, mando a minha retrospectiva de férias:
Livro: O Rosto de Cristo, de Armindo Trevisan
Livro velho: O Estrangeiro, de Albert Camus
Conto do Borges: Diálogo sobre um Diálogo
Livro para o avião: A Arte de Viajar, de Alain de Botton
Livro para a praia: Seabiscuit, de Laura Hillebrand
Livro estranho: Franny e Zooey, de J.D. Salinger
Filme brasileiro: Nelson Freire, de João Moreira Salles
Filme estrangeiro: Dogville, de Lars Von Trier
Disco brasileiro: Meu caminho É o Mar, de Jussara
Disco estrangeiro: Lost in Space, de Aimee Mann
Melhor música boa: Sexo e Amor, da Rita Lee
Melhor música ruim: Sorte Grande, da Ivete Sangalo ("Poeeeira!...")
Melhor banho de mar: Amaralina, Salvador
Melhor aeroporto: Galeão
Pior aeroporto: Congonhas
Pior trilha sonora: Costa do Sauípe
Melhor quindim: em Itaparica
Melhor tartaruga: A de pente, no projeto Tamar
Melhor sorvete: de Cupuaçu, na Cubana do Pelourinho, mas não tinha. O de coco também é ótimo
Melhor cama, banheiro, sala, trilha sonora, biblioteca, travesseiro e demais dependências: em casa
jorge.furtado@zerohora.com.br
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8:29 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
06/03/2004
Tiro ao alvo humano
Não sei por que me fixo no assassinato ocorrido no Rio de Janeiro quarta-feira última, quando a contadora da Petrobras Elisabete Duarte da Gama Silva, com 40 anos de idade, seqüestrada às 19h30min, foi morta uma hora depois em São Gonçalo, no outro lado da Ponte Rio-Niterói.
Enquanto eu me preocupava com os últimos acontecimentos policiais no Rio de Janeiro, ontem de manhã uma tentativa de assalto na Avenida Aparício Borges, aqui entre Partenon e Glória, deixou dois mortos e dois feridos.
É notável essa revolução no quadro social brasileiro em que paira sobre toda a sociedade a ameaça de crime. Desapareceu a poesia das ruas, ninguém mais passeia pelas cidades, aquele prazer de caminhar pelas calçadas e andar pelos logradouros acabou, as pessoas ou saem de casa para cumprir somente com suas obrigações ou encerram-se em seus lares, amedrontadas com o que possa estar ocorrendo lá fora.
A cultura de sair para dar uma volta e distrair-se desapareceu completamente da vida brasileira.
Mas não sai da minha calota craniana o assassinato da contadora da Petrobras. Foi um desses assaltos relâmpagos. Três assaltantes a renderam na Tijuca, aprisionando-a no porta-malas do carro dela.
Só que o carro de Elisabete era dotado de um sistema de rastreamento, mediante o qual se podia ouvir de uma central da empresa que ela contratou todas as conversas ocorridas no interior do veículo.
A partir do seqüestro até uma hora depois, quando os seus captores a mataram, tudo que eles disseram no carro podia ser ouvido na central telefônica, sendo repassado ao marido da vítima, que assim viveu 60 minutos de terror.
Terminou com ela sendo retirada do porta-malas, quando o marido foi cientificado da conversa, que se desenrolava em preparativos dos assaltantes para executá-la.
Fizeram-na descer do veículo e o marido ficou sabendo o que dizia um assaltante:
- Desce e agora corre.
Foram ouvidos dois disparos e ouviu-se a voz de um dos bandidos:
- Aê, Mané, pegou na cabeça!
Os assaltantes abandonaram o carro da assassinada e roubaram dela apenas um telefone celular.
Inexplicável seqüestro e assassinato. Uma violência sem nexo, um exercício de diversão e entretenimento de três assaltantes contra uma mulher indefesa, praticando tiro ao alvo humano na noite fluminense.
E tudo trágica e pateticamente sendo ouvido pelo marido da vítima, cujo filho de 10 anos está inconsolável e sob trauma com a morte da mãe.
Esta bárbara e irracional execução me martela a cabeça e me deixa apreensivo.
Porque os cariocas estão vivendo um jogo lotérico de probabilidades. Eu, por exemplo, já fui várias vezes ao Rio e nunca foi assaltado.
Mas o colega Clóvis Heberle, aqui de ZH, que vai uma vez por ano ao Rio, já foi assaltado três vezes, a última vez em julho, pela nova modalidade: dois rapazes de bicicleta o atacaram no Arpoador e arrancaram sua pochete.
Agora descobri por que fico angustiado com o horror carioca: tenho uma filha no Rio de Janeiro que todos os dias dirige seu carro por lá e leva meus dois netos ao colégio e a outros lugares.
É simplesmente desolador que de repente a vida das pessoas, de todos nós, dependa apenas da sorte, de uma trama de probabilidades que ordena ao destino que sejamos ou não assaltados.
Ninguém pode dormir tranqüilo quando está consciente de que todos os dias se disputa nas ruas uma autêntica roleta-russa.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Clima
A agonia da seca
Milhares de tainhas e linguados morrem com a estiagem no Parque Nacional da Lagoa do Peixe, em Tavares (foto Renato Grimm, especial/ZH)
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Sexta-feira, Março 05, 2004
Posted
11:25 PM
by Cassiano Leonel Drum
O poder de salto alto
As mulheres se transformam em importantes formadoras de opinião e cada vez mais assumem posições de comando
Pesquisa: o que elas pensam sobre trabalho e dinheiro Perfil: o que gostam de ler Onde gastam mais tempo Fonte de felicidade: o que faz a vida delas (e deles) melhor
Dolores Orosco e Rita Moraes
Colaboraram: Carla Gullo, Chico Silva, Greice Rodrigues; Liana Melo (RJ) e Tales Faria (DF)
Pés nas nuvens, cabeça no chão
Assim vive a piloto Claudine Melnik Caldas Camargo, 34 anos, pioneira na profissão no País. Casada com piloto, mãe de Lucas, quatro anos, e Clara, um, a curitibana vive o dilema da maioria das mulheres: conciliar trabalho e família. Às vezes, fico uma semana sem ver meus filhos, mas sei de tudo o que acontece com eles e tenho voz ativa na educação, conta. No comando do Foker 100 da empresa, vez ou outra ela nota o olhar inseguro de alguns passageiros. O engraçado é que as mulheres têm mais medo de voar comigo.
A doce e submissa imagem da Amélia, eternizada na voz de Ataulfo Alves, sempre provocou arrepios nas feministas. Mas até ela, que não tinha a menor vaidade, mantinha seu poder de influência. As mulheres, mesmo no século XIX, quando passavam da tutela dos pais para a dos maridos, tinham sob suas asas a formação dos filhos e a administração da casa.
Se o poder constituído era dos homens, era ela quem fazia a transmissão de valores fossem eles patriarcais ou não, por conta da imposição da sociedade e decidia sobre a vida cotidiana. Aos homens cabia a supervisão geral e a administração dos bens. Por trás de um sim ao marido estavam escondidos muitos poréns. Hoje, essa voz de comando não precisa usar de subterfúgios e soa clara em gabinetes políticos, em bem-equipadas salas de executivos, em sisudos tribunais, à frente de batalhões de policiais e, é claro, no lar doce lar. Em grande parte das famílias, elas decidem desde o que vai à mesa até em que bens investir o dinheiro.
A entrada no mercado de trabalho, ocorrida no século XX, ampliou o poder feminino. A mulher começou a atuar na esfera pública, sem abrir mão do domínio no lar, que sempre foi seu, explica a historiadora Eni de Mesquita Samara, professora de história da Universidade de São Paulo e diretora do Museu Paulista. Hoje, ao comemorar na segunda-feira 8 o 94º Dia Internacional da Mulher, elas festejam a liberdade de mandar sem medo.
Dividimos as tarefas. Para que Lula pudesse se dedicar à vida política, cuidei do bem-estar dele e dos filhos e ainda participei de tudo o que foi possível. Nossa relação é nosso porto seguro
Ao comandar e invadir os domínios masculinos, as mulheres levaram para fora de casa suas impressões, crenças e valores e se tornaram formadoras de opinião. Tanto é assim que a Organização das Nações Unidas as incumbiu de ajudar a concretizar o maior sonho da humanidade: a paz mundial. Desde 2002, a organização colocou em curso em mais de 100 países o projeto Mulher Agente da Paz, baseado na iniciativa da brasileira
Elisa Malta Campos. Membro da BPW Associação de Mulheres de Negócios e Profissionais de São Paulo , Elisa esteve em Nova York na semana passada participando do Encontro Mundial de Mulheres realizado pela ONU. A Business and Professional Women (BPW) é uma entidade internacional com 30 representações no Brasil. As mulheres têm um poder de influência que nem mesmo elas percebem. Queremos conscientizá-las disso. Trabalhamos para elevar sua auto-estima, para capacitá-las, criar renda e incentivar a sua atuação na comunidade.
O projeto 1000 Mulheres Prêmio Nobel da Paz 2005, lançado na quarta-feira 3, em São Paulo, é outra mostra de reconhecimento da ONU à importância da contribuição feminina. A proposta é selecionar em 225 países mil mulheres que lutam por uma sociedade mais igualitária. Ao Brasil caberá indicar 31 delas. Em 103 anos, o Nobel só chegou 11 vezes às mãos de uma mulher. Desta vez, será uma premiação coletiva que tirará do anonimato gente que dedica a vida a uma causa. Pode ser uma operária, camponesa ou cientista, explica Clara Charf, coordenadora-geral do projeto no Brasil.
Iniciativa: Elisa levou à ONU o projeto Mulher Agente da Paz
O quadro social das mulheres no País ainda mostra grandes carências. A dura realidade de pobreza e violência que persiste levou o presidente Lula a instituir 2004 como o Ano da Mulher, estabelecendo como meta a criação de políticas de proteção, prevenção e inclusão mais efetivas a serem adotadas até o final de seu governo. Mas, apesar disso, as estatísticas revelam que as mulheres vêm tomando o seu espaço com determinação.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, nas áreas urbanas, elas já têm em média um ano a mais de escolaridade que os homens e que de 1992 a 2002 o índice de mulheres chefiando a casa passou de 21,9% para 28,4%. O esforço de escolarização e capacitação e a necessidade de suprir a família promovem grande reflexo no mercado de trabalho. Elas ocupam cada vez mais cargos antes tidos como estritamente masculinos, sem receio de ter sob seu comando um exército de homens nem sempre à vontade de ver, de repente, um batom misturado com documentos na mesa. A mulher está cada vez mais preparada. E, apesar de ainda ganhar 10,12% a menos, multiplicou seu campo de atuação.
A área jurídica, por exemplo, que era muito masculina, conta hoje com 33,13% de mulheres, afirma Silvana Case, vice-presidente do Grupo Catho, de recolocação profissional. Uma pesquisa feita pelo grupo entre 60.211 empresas aponta que o número de mulheres no nível executivo dobrou em nove anos. Em 1994, elas ocupavam 8,10% dos cargos de presidência. Hoje isso corresponde a 15,87%. No nível de encarregados, representam 45,63%. Presidente de banco, motorista de táxi, advogada, comandante de avião, tenente-coronel, elas estão lá.
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9:01 AM
by Cassiano Leonel Drum
A gincana do amor
Marcia Peltier
''De todos os sentimentos, um dos que mais me desgosta é a ingratidão. Fico perplexa. Me assusta ver pessoas que omitem fatos da vida para não precisar agradecer a quem lhes deu a mão'', desabafou Júlia, depois do último cafezinho, naquela tarde modorrenta de janeiro, com gaivotas pairando bem alto no céu.
''Nunca esperei ouvir isso de você'', explodiu Sandra, quase sem fala, diante da estocada da amiga. ''E por que não?'', desafiou Júlia, com olhos de puro tormento.
A história entre elas sempre fora complicada, mas, agora, tinha chegado a um ponto crucial. Júlia amava Roberto que gostava de Sandra, que fazia doce: ora dizia que sim; ora, que não. Para Júlia, tudo não passava de uma atitude imperdoável, cruel e vingativa.
As duas tinham estudado juntas e foram vizinhas desde pequenas. Os pais eram aqueles amigos para toda hora que viraram sócios e, aí, o caldo entornou. Foi um capítulo igual a tantos outros: a empresa faliu e os dois se diziam vítimas da situação, um colocando a culpa no outro. Não adiantou nem mesmo amigos em comum ponderarem que eles deveriam tentar se acertar sem brigas. O estrago já estava feito e a confiança, quebrada. Fato consumado, as famílias deixaram de se falar, mas as meninas continuaram a amizade, ou melhor, continuaram a se ver. As coisas caminharam assim até a entrada de Roberto.
''Interessante como um homem pode ser tão desagregador'', disse, logo metendo a colher, Rutinha. Recebeu uma enxurrada de contestações: ''Não é nada disso, foi ela que agiu de má fé e se insinuou entre nós''. Um discurso pobre e sem imaginação usado pelas duas sem trégua. A briga, que nelas havia parado, finalmente ganhara espaço naquela estranha geografia emocional. ''A estratégia masculina de dividir para governar vencera'', voltava a sentenciar Rutinha, que creditava ao homem todos os percalços na vida de uma mulher, incluindo a queda da Bolsa e até um buço mal tirado.
O que realmente movia Júlia e Sandra nessa gincana? Vaidade, forra? Disputas que corroem nossas entranhas fazem parte de um jogo perigoso em que todos perdem. Importa se desta vez será Roberto ou Rodrigo, Felipe ou Luciano? No fundo, eles são personagens sem rostos, que só trocam o nome na mesma trama. O que vale nesse teatro é o enredo. João ama Maria, que ama José, que gosta de Teresa, que não quer ninguém. E daí?
Parece que o mundo civilizado precisa nos aquartelar em campos opostos com a desculpa de que precisamos de competições acirradas para ganharmos a guerra. E isso vale tanto para a vida amorosa quanto para a profissional.
E Sandra e Júlia, onde entram nisso? Acho que na hora em que esquecemos quem somos e assumimos papéis que herdamos, começamos a trama. Seja de vítima, heroína, malvada ou fadinha. O jogo da negação é uma arma mortal. Começamos com um lance bobo até chegarmos ao topo da montanha de ressentimentos. Um vício que estabelece padrões de comportamento onde se alojam com intimidade o esquecimento e a ingratidão.
É incrível observar a capacidade humana de escamotear sentimentos e criar outros que são verdadeiros alienígenas em nossos corações. No fundo, tudo não passa de aritmética: um amor, dois amores, três amores; quem sabe qual será a conta de quem não está aqui para se dar e, sim, tomar?
''As pessoas só se movem por interesse'', diria Rutinha. Será?
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6:48 AM
by Cassiano Leonel Drum
Justiça
Casal gay pode registrar união no Estado
Parecer inédito do Tribunal de Justiça permite que os tabelionatos gaúchos reconheçam relações homossexuais
LEANDRO RODRIGUES/ Especial/ZH
Em uma medida inédita, o Tribunal de Justiça (TJ) do Estado permitiu que pessoas do mesmo sexo registrem a relação em cartório, o que não era aceito pelos tabelionatos até então. Na prática, a decisão pode proporcionar quase os mesmos direitos de uma união heterossexual, prevista no novo Código Civil.
O parecer aprovado pelo corregedor-geral da Justiça, desembargador Aristides Pedroso de Albuquerque Neto, foi publicado no Diário da Justiça na quarta-feira. Trata-se de uma orientação que regulariza a emissão de documento que confirme a união entre casais gays nos cartórios gaúchos. Até então, o tabelião recusava-se a registrar o documento.
O principal motivo era o temor de violar a Constituição, artigo 226, que define a união estável como aquela entre homem e mulher. Segundo os cartórios, não havia previsão legal nem orientação que regulamentasse a prática. Outro argumento usado pelos tabeliões era a falta de jurisprudência.
Conforme o juiz-corregedor Clademir José Ceolin Missaggia, autor do parecer aprovado pelo corregedor-geral, o fato é que as relações homossexuais existem. Por razão de segurança jurídica, afirma, merecem ser disciplinadas, independentemente da posição que se tenha.
A norma teve origem em pedido de informações da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos, do Ministério Público Estadual. A promotora Christianne Pilla Caminha recebera um e-mail em agosto do ano passado, de Santa Maria.
- O e-mail era de um homossexual que não havia conseguido fazer esse documento. Fiz audiência com representantes dos tabelionatos, e descobrimos que não havia regulamentação para esta escritura - diz Christianne.
A advogada Marilene Guimarães aprova a medida da Justiça gaúcha. Com artigos e livro publicados sobre o tema, ela considera o fato como um exemplo para país, mais um passo para tirar da clandestinidade a união de pessoas do mesmo sexo.
- Isso vai permitir que se faça um contrato com praticamente todas as cláusulas de uma união estável. Agora, a vida patrimonial pode ser regulamentada da mesma forma que faz um casal heterossexual - afirma Marilene.
Apenas ação judicial pode invalidar medida
Com o que ela chama de contrato de convivência, em caso de morte de uma das partes do casal homossexual, a metade do patrimônio está garantida para a outra pessoa. A outra metade vai para os familiares, ou - em caso de eles não existirem - para o tesouro municipal. É nesse ponto que a advogada ainda julga necessário avançar. Em uma relação estável heterossexual, a parte também iria para o companheiro ou companheira.
Segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça, como se trata de uma determinação administrativa, apenas uma ação judicial de alguém que se sinta atingido poderia invalidá-la.
A medida foi festejada por grupos ligados aos homossexuais. Para o coordenador da ONG Nuances, Célio Golin, "o registro é importante na luta para situações como a legalização de parceiros estrangeiros, adoção, questões trabalhistas e previdenciárias".
leandro.rodrigues@zerohora.com.br
Decisões pioneiras
O Rio Grande do Sul tem se notabilizado por medidas inéditas beneficiando homossexuais, como o reconhecimento e a proibição de discriminação de pessoas de diferentes orientações sexuais e o pagamento de pensões a parceiros de uniões do mesmo sexo.
Confira a seguir algumas dessas medidas:
- Decisão proferida em fevereiro de 1999 pela juíza estadual Judith dos Santos Monttecy, invocando a Lei 8.971/94 (da união estável) concedeu a um parceiro homossexual a totalidade da herança pertencente a seu companheiro, que não deixara ascendentes ou descendentes.
- Em 1999, no Rio Grande do Sul, a juíza federal Luciane Amaral Corrêa concedeu pensão por morte de companheiro homossexual.
- O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul fixou a competência para julgar direitos das uniões homossexuais às varas especializadas em Direito de Família.
- Em junho de 2000, o santa-mariense Cláudio Manoel de Medeiros Ribeiro recebeu primeira pensão do INSS pela comprovação de união homossexual estável.
- Em março de 2001, o desembargador José Carlos Teixeira Giorgis, integrante de uma das Câmaras especializadas em Direito de Família do Tribunal Estado, reconheceu direito à partilha de patrimônio em união homossexual declarando que o patrimônio obtido durante o relacionamento deve ser partilhado como na união estável.
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6:40 AM
by Cassiano Leonel Drum
Bigode em alto estilo
Vasco goleia a Cabofriense por 5 a 1 e mantém a liderança da Taça Rio. O artilheiro Valdir voltou a ser o matador, com 3 gols
Carlos Monteiro
Tudo bem que a Cabofriense não era um adversário que oferecesse tanto perigo, mas o Vasco deu provas de que os salários atrasados não são um obstáculo para as pretensões de o time conquistar a Taça Rio. Jogando em São Januário, os cruzmaltinos golearam a equipe da Região dos Lagos por 5 a 1. Valdir, com três gols, voltou a ser um matador. O resultado, além de deixar os vascaínos na liderança isolada do Grupo A, com seis pontos, deu combustível extra para o clássico de domingo, contra o Fluminense.
Apesar da sua superioridade, o Vasco iniciou o jogo levando susto. Logo aos 7 minutos, a Cabofriense abriu o placar. Após cruzamento da direita, Bechara ajeitou de cabeça, a zaga se atrapalhou e Marmelo tocou no canto esquerdo de Fábio: 1 a 0. O gol, no entanto, serviu apenas para acordar os donos da casa.
O empate não demoraria a acontecer. Aos 19 minutos, Valdir, em velocidade pela direita, jogou na área, na cabeça de Cadu. O jovem atacante testou certeiro, no ângulo, sem chances para Flávio. A partir daí, o Vasco passou a administrar a partida, sabendo que chegaria ao segundo quando bem entendesse.
E ele veio aos 26 minutos. De maneira meio esquisita, é verdade, mas veio para dar mais tranqüilidade à equipe. Victor Boteta foi lançado na esquerda e, de primeira, tentou achar Valdir na área. O chute, no entanto, acabou pegando mal e enganando o goleiro Fávio: 2 a 1.
Faltava, ainda, o gol melhor, os gols do Bigode, que ultimamente vinha sendo perseguido pela torcida. Num lance de puro oportunismo, o atacante fuzilou uma bola rebatida erradamente de cabeça por Alexandre, após cruzamento de Róbson Luiz: 3 a 1.
No segundo tempo, o Vasco voltou com uma postura diferente. O técnico Geninho sacou Cadu para a entrada de apoiador Coutinho. Ainda assim, o time da Colina continuou absoluto no jogo. E Valdir, com fome de gol, transformou-se na melhor figura em campo contando com a coloboração de Flávio. Aos 18, o goleiro adversário falhou ao sair do gol, permitindo que o Bigode, livre, empurrasse para a rede. Aos 29, em nova falha de Flávio, Valdir voltou a marcar, isolando-se na artilharia do Estadual, com nove gols.
E que venha o Fluminense.
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6:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
Kelly e Mico se casam
Kelly Key chegou apenas 20 minutos atrasada à cerimônia de seu casamento com o angolano Mico Freitas, marcada para às 19h30 de ontem na tradicional Igreja da Candelária, Centro do Rio. Prontamente, o Jaguar preto com a cantora de 21 anos foi cercado por grande parte dos 150 fãs ávidos em ver a loura, que retribuiu o carinho com acenos. Uma equipe de 50 seguranças vigiava cada acesso à Candelária, toda decorada com orquídeas, lírios e rosas brancas.
Ainda dentro do carro, Kelly chorou e precisou retocar a maquiagem. Somente às 20h18, emocionada ao som de cornetas e da Marcha Nupcial, de Mendelsohn, ela entrou na Igreja, ao lado do pai, Porfírio Almeida. Com sono, a filha, Suzanna, de 3 anos, não acompanhou a mãe como dama de honra e foi direto para o altar. A troca de alianças teve direito a chuva de pétalas de rosas brancas. A atriz-mirim Debby, a dançarina Adriana Bombom (que homenageou o casal usando modelito afro), o estilista Ronaldo Ésper ¿ responsável pelo vestido de noiva da cantora ¿ e Vêronica Costa prestigiaram a cerimônia religiosa.
Depois, os convidados rumaram à Villa Riso, em São Conrado, para a festança de temática africana, já que Mico é de Angola. A banda Celebrare animou o agito, orçado em R$ 300 mil. A noite de núpcias foi no badalado Hotel Copacabana Palace. E amanhã, ela grava participação na novela Celebridade.
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6:29 AM
by Cassiano Leonel Drum
Gabriel Moojen
05/03/2004
Amontoados
Pois bem, cá estou. Em um Internet-café na praia do Rosa. Restaram poucas pessoas depois do Carnaval. Eu fui um desses. Praia deserta, sol e algum vento. Nada parecido com as milhares de pessoas que se amontoavam no meio da praia.
Então eu estava sentado em uma roda de amigos bem mais perto das pedras que das pessoas. Não por ser metido a besta e mais por querer um pouco de privacidade e uma falta de curiosidade para ouvir a conversa alheia. Foi quando perguntei para os amigos por que as pessoas gostavam de se amontoar. Porque por mais cheia que a praia estivesse, havia lugar de sobra para todos.
Esse fenômeno acontece em cada praia do Brasil, em cada fila de bar lotado ao lado de um vazio. Por quê? Meu irmão arquiteto divagou sobre a necessidade do homem de se aglomerar, citando inclusive o nascimento das cidades. Outro amigo publicitário disse que era o efeito Big Brother: as pessoas têm necessidade de se mostrar para as outras.
De que vale pagar o aluguel de uma casa em Santa, gastar gasolina do carro comprado com o suor de anos de trabalho se isso não for de certo modo um status a ser exibido? De que adianta comprar um short de uma marca descolada e pagar 200 pratas por ele e ninguém notar?
A minha amiga jornalista foi mais radical e achou que eram todos trouxas. Não concordei. Não acho que seja tão simples assim. Até porque de passada avistei alguns outros amigos felizes na farofada, cercados de gatinhas com salto na areia, com brincos e biquínis que custaram a semana de trabalho. Mas afinal, era Carnaval e esse papo acabou ficando meio perdido no vento de areia de um grupo que veio não sei de onde e que resolveu acampar em cima da gente.
Coisas de verão disse eu, levantando e indo para o mar tomar meu banho. Passando protetor para não ficar queimado, mas bem que eu podia torrar um pouco mais, porque se eu chegar branco em Porto Alegre ninguém vai perguntar onde foi que eu estive na minha única semana de férias do verão. Abraços e me escreva. Fui!!
gabriel@rbstv.com.br
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6:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
05/03/2004
Infidelidade ou curtição?
Até que ponto devemos acreditar em fidelidade? Sempre fui daquelas gurias românticas. Se alguém me falava em infidelidade, eu saltava da cadeira e saía em defesa dos traídos. Condenava e achava um absurdo. Hoje não sei mais o que pensar. Acho que a vida está mudando com uma velocidade tão grande que fica difícil acompanhar se a gente não tem muita informação e uma cabeça pra lá de aberta.
O telefone toca: do outro da linha era uma amiga que mora na Califórnia. A Rafaela sempre foi, como diria minha mãe, triprafrentex. Moderna, conectada, viajada. Tipo ser-luz. Bonitona, depois de muito curtir a vida, acabou se casando com um cara talentoso e caretão. Coube a ela a transformação.
Apresentou um mundo que ele não conhecia, da noite pro dia ele estava descoladíssimo. Começou a tocar guitarra, aprendeu a dançar e adquiriu gosto pela noite. E foi por isso mesmo que ela me ligou. Queria saber como andava a night por aqui? Se tava rolando de todo mundo ficar se beijando na pista de dança? Respondi que não sabia, que só tinha visto o normal: ficantes e casais. Ela explicou: disse que todo mundo se beija na boca e troca de par assim como muda a batida do som. Fiquei intrigada, como assim? Até quem tem namorado ou é casado? Ela disse que virou moda, que o amor sempre foi livre na Califórnia, e que mesmo ela ficava um pouco chocada.
O lance do beijo nas pistas californianas é normal. E pra gente, será que é traição ou curtição? É certo beijar na balada na frente do namorado? Outra amiga me contou uma pior. Disse que passou 10 dias em Morro de São Paulo com uma parceira, a Manuela, que namora há três anos uma cara gatérrimo no maior respeito. Os dois planejavam casamento e tudo mais até que...
Na volta do Morro, os pombinhos matavam a saudade na cama, eis que pinta uma camisinha na jogada: PÂNICO! O namorado curioso, perguntou de onde saíra aquilo, afinal de contas os dois não transavam com camisinha, pois tinham um pacto de fidelidade e coisa e tal. A moça, que é daquelas tricertinhas, tentou explicar: as férias tinham servido pra relaxar e fazer uma espécie de despedida da vida de solteira. Que não tinha significado nada pra ela, que foi só uma vez! Barraco armado, noivado desfeito.
O que posso pensar? Acho que as pessoas estão cada dia mais carentes. Que fidelidade fica em segundo plano e que todo mundo quer viver cada dia como se fosse o último. Que uma pulada de muro não tem problema. Que beijo na boca não quer dizer nada. Na verdade, nem sei o que pensar! Acho que a Rafaela está certa em questionar a modernidade, que a Manuela ama o namorado e estava só curtindo as férias. E você, caro leitor, pensa o quê?
Beijocas no coração!
mauren@rbstv.com.br
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6:24 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
05/03/2004
Você está sendo traído
Recebi um imeil que avisava: "Você está sendo traído". Putz.
Fiquei olhando para aquela frase piscando na minha tela. Você está sendo traído, você está sendo traído, você está sendo traído. Devia abrir? Não, não. Era vírus, só podia ser vírus. Eu sendo traído. Imagina. Absurdo. Vírus, claro. Nada de abrir. Esse tipo de imeil é que nem aqueles do Aumente Seu Pênis. Todo mundo recebe imeils propondo: Aumente Seu Pênis. Muita gente não resiste. Abre. E se dá mal - é vírus.
A Bela Hammes mesmo. A Bela é editora de Economia. Sabe como são essas editoras de Economia. Usam taliê. Sapato de bico pontudo. São mulheres bem casadas. Mães dedicadas. A Bela é tudo isso. E também recebe imeils do Aumente Seu Pênis. Pois ontem mesmo ela confessou que sempre os abre. Tem consciência de que ali não há nenhuma técnica que faça um pênis em estado de repouso crescer cinco centímetros, como promete a mensagem. Tem consciência de que ali existe um vírus embutido. Mas não consegue se conter. Sua mão trêmula voeja lentamente até o mouse. Ela não quer, ela luta, mas seu indicador, como se tivesse vontade própria, dá dois cliques. Terrível erro - é vírus.
Uma sisuda editora de Economia acessando imeils que apregoam pênis gigantes, que coisa. Só que não há nada de sórdido nisso. Não mesmo. Acontece que esses inoculadores de vírus, eles espertamente se valem dos anseios recônditos das pessoas. As vontades e os temores inconfessáveis. E invencíveis.
Mandaram-me outro, semanas atrás: "Olha o que te espera". Cara, que vontade de olhar. De constatar o que me esperava. O meu futuro. Mas eu não podia. Não podia! Então compreendi o que esses imeils nos ensinam: eles falam da civilização. Que nada mais é do que a repressão de nossos desejos recônditos e até de alguns nem tão recônditos. A civilização que nos afasta dos quindins. A civilização que nos proíbe de lamber ombros dourados durante o trabalho. A civilização que nos diz não! Não ponha mais açúcar, não beba mais um chope, não jogue sem fazer alongamento, não lamba esse maldito ombro dourado! Certa feita, um perplexo Roberto Carlos perguntou: "Será que tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda?" Será? É o que parece.
Ser civilizado é resistir às tentações. Mas, oh, como queria me submeter a elas... Será que não devia mesmo abrir aquele imeil que adverte que estou sendo traído?
david.coimbra@zerohora.com.br
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6:22 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
05/03/2004
A grande suspeita
Os colegas Nílson Souza e Suzete Braun me alertam de que volta e meia chegam mensagens de leitores querendo saber quem escreve as minhas colunas.
Há muitos anos que esta dúvida perpassa o espírito de muitas pessoas, elas não acreditam que meus escritos se compatibilizem com meu tipo físico, com meu jeito de falar na televisão, com a minha origem despida de pecúnia e linhagem, não se conformam que possa ser eu o autor das colunas que há tantos anos são celebradas pela penúltima página deste jornal.
Atualmente, por exemplo, mandam-me dizer os e-mails que existem uma turma de uma universidade porto-alegrense e duas turmas de colégios secundários da Capital debruçando-se exatamente sobre este estudo e investigação: quem será o verdadeiro autor das colunas do Paulo Sant'Ana?
Em suma, para ser mais didático, consideram-me indigno do conjunto da obra.
Devo confessar a essas pessoas que suspeitam de que há por trás de mim um ghost-writer, um escritor-fantasma que cede seus textos para que eu os assine, que por vezes sou assaltado por esta mesma dúvida.
Claro que não em todas, mas quando releio algumas colunas que já escrevi neste espaço, exclamo: "Não pode ter sido eu que escrevi este clássico".
De onde tirei aquela frase? Como pude ser tão feliz ao formular aquela ironia? Mas que bela sacada aquela do meu encontro com Sócrates e Platão numa praça de Paris! E que diabo de inspiração ou de encarnação tomou conta de mim quando formulei aquela coluna em que dizia, a respeito daquela mulher que foi a uma CPI do Congresso denunciar com provas documentais seu ex-marido, que "se você não confia em sua mulher, não se separe dela: atual mulher é cargo de carreira, ex-mulher é cargo de confiança".
Não pode ter sido eu que escrevi aquilo, é impossível que um sujeito das minhas parcas circunstâncias e minha comprovada insignificância tenha tido aqueles lampejos de genialidade contidos em algumas colunas em que acertei na veia e são postas em quadros das salas dos leitores ou coladas nas paredes das cozinhas ou são até hoje conduzidas amarfanhadas nas carteiras que as pessoas portam ou trazem no porta-luvas dos seus carros.
Não pode ter sido eu que escrevi, concluo, tanto que se me fossem exigir neste momento que escrevesse algo aproximado, parecido ou análogo àquilo, não conseguiria nem chegar perto daquela rutilância.
Chegou a tal ponto esta fundada suspeita sobre a autenticidade da autoria de minhas colunas, que esta desconfiança dos círculos hipervígeis da minha coluna culminou com um fato que me irritou profundamente, embora tivesse me inundado ao mesmo tempo de resignado orgulho: circulou durante muito tempo e ainda circula na Internet aquela minha coluna em que tracei uma exegese dos meus amigos, constante dos dois livros de crônicas que publiquei.
Só que na Internet o autor daquele texto em que me embebi de uma ofuscante luz, não sei vinda donde, era e é dado como Vinicius de Moraes.
Os céticos das minhas possibilidades acabaram por atribuir ao célebre poetinha romântico uma póstuma apropriação indébita.
Mas quero transmitir aos meus suspeitadores, entre os quais me incluo, uma tranqüilidade que afinal me acalmou: não é possível que haja esta pessoa que escreve por mim estas colunas.
Pelo simples fato de que não poderia existir aqui, em Porto Alegre, no RS ou no Brasil, uma pessoa que fosse assim dominar a sua vaidade a ponto de, durante todos estes anos, escrevendo com uma altura e uma profundidade de Tolstoi, Goethe, Faulkner ou Lispector, conformar-se com seu humilhante anonimato.
Então vão ter que me engolir, inacreditavelmente até para mim eu sou eu mesmo.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:19 AM
by Cassiano Leonel Drum
Clima
O Rio Grande pede chuva
Estiagem afeta o gado, reduz produção de lavouras e seca açudes, como o dos Schneider, no Vale do Taquari (foto Roberto Vinícius, especial/ZH)
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Quinta-feira, Março 04, 2004
Posted
7:25 PM
by Cassiano Leonel Drum
Breve Silêncio
Silvia Schmidt
Quando tudo num repente se calar,
Quando sem som fizer-se a voz do mundo,
Quando o mar tornar-se mais profundo
Para o silêncio nele repousar ...
Quando pássaros pousarem sem trinados,
Quando o vento soprar sem nenhum som,
Quando notas musicais perderem tom
E os poetas fizerem-se calados ...
Escutarás, assim, por um instante
O som do abismo do silêncio humano ...
Breve momento ... sono repousante ...
Corpo aquecido sob leve pano ...
E uma voz rouca (a minha), doce amante,
Em teus ouvidos a dizer " te amo " ...
Humancat
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7:01 PM
by Cassiano Leonel Drum
SINCERA ...
Foi uma palavra inventada pelos romanos.
SINCERO ...
Vem do velho, do velhíssimo latim.
Eis a poética viagem
que fez sincero de Roma até aqui:
Os romanos fabricavam certos vasos
de uma cera especial.
Essa cera era, às vezes, tão pura e perfeita
que os vasos se tornavam transparentes.
Em alguns casos, chegava-se
a se distinguir um objeto
- um colar, uma pulseira ou um dado -
que estivesse colocado no interior do vaso.
Para o vaso, assim fino e límpido,
dizia o romano vaidoso:
- Como é lindo!
parece até que não tem cera!
"Sine-cera" queria dizer: "sem cera"
uma qualidade de vaso perfeito,
finíssimo, delicado,
que deixava ver através de suas paredes;
e da antiga cerâmica romana,
o vocábulo passou a ter um significado
muito mais elevado.
Portanto, SINCERO é:
Aquele que é Franco, Leal,
Verdadeiro, Que Não Oculta,
Que Não Usa Disfarces,
Malícias ou Dissimulações.
O SINCERO, à semelhança do vaso,
deixa ver, através de suas palavras,
" OS NOBRES SENTIMENTOS
DO SEU CORAÇÃO ".
Malba Taham
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6:56 AM
by Cassiano Leonel Drum
Qualidade de vida após os 60 anos
Expectativa de vida dos brasileiro subiu, porém ainda falta cuidados especiais com a saúde e qualidade de vida
Medidas como a manutenção de um alto nível de atividade intelectual e também de atividade física apresentam benefícios para evitar certas doenças
A média de expectativa de vida dos brasileiros subiu de 62,5 anos em 1980 para 71 em 2002, segundo dados de uma pesquisa divulgada em dezembro de 2003 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As brasileiras levam vantagem, chegando aos 74,9 anos, contra 67,3 anos dos brasileiros.
O Roberto Magalhães, médico geriatra do Hospital e Maternidade São Camilo-Ipiranga alerta, porém, que uma coisa é aumentar o número de anos a serem vividos e outra, completamente diferente, é dar qualidade a esses anos. Em outra pesquisa recente, realizada por pesquisadores da Unicamp, relata que, embora haja aumento da expectativa de vida, homens e mulheres vivem 50% desses anos com incapacidades importantes.
De acordo com o médico, entre as doenças incapacitantes estão a depressão (considerada pela Organização Mundial de Saúde como a principal causa de incapacidade em países desenvolvidos); o diabetes; as seqüelas de acidentes vasculares cerebrais (derrames); a insuficiência cardíaca; as doenças de Alzheimer e de Parkinson; as quedas e suas conseqüências, principalmente a fratura de colo do fêmur; as artroses, principalmente as dos joelhos; o enfisema e a bronquite crônica.
"É possível conviver com uma ou mais doenças crônicas, desde que se mantenha um alto nível de acompanhamento e seriedade com o tratamento", afirma o médico, acrescentando que a geriatria desempenha importante papel, na medida em que tenta detectar, primeiro a propensão para essas doenças e segundo, diagnosticá-las precocemente, para que o tratamento possa ser instituído prontamente.
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6:52 AM
by Cassiano Leonel Drum
Charlie Brown toca amanhã em Mogi
Show da banda será num palco ao ar livre, montado no campo de futebol do Clube Náutico Mogiano; ainda há ingressos à venda
Charlie Brown Jr. apresenta o show "Acústico" na festa que ocorre amanhã
Chorão, Champignon, Marcão e Pelado, da banda Charlie Brown Jr. se apresentam amanhã em Mogi, no palco montado no campo de futebol do Clube Náutico Mogiano. Trata-se de uma festa com oito horas de duração e diversas atrações, marcada para às 23h, que contará com 30 mil watts de som, iluminação hi tech, tenda eletrônica com DJs, telões, espaço para tatuagens e piercings, bares, praça de alimentação. Ainda há ingressos antecipados ao preço de R$ 20, mas esse valor deverá aumentar amanhã.
A banda Charlie Brown tocará a partir da uma hora da manhã, músicas do novo trabalho, o Acústico MTV. O músico Abel e a banda Mr. Mostarda faz o show de abertura. Os ingressos antecipados podem ser adquiridos no balcão de informações do Mogi Shopping. Outras informações podem ser obtidas através do telefone 0800 19 4004. Segundo os organizadores da Branco Produções, a segurança foi reforçada com uma equipe de 150 homens, além do apoio da Polícia Militar.
A banda santista estreou em 1997, com o lançamento do CD "Transpiração Contínua Prolongada". No final do ano passado, Charlie Brown Jr. gravou o projeto Acústico MTV e saiu pelo Brasil em turnê. Com o reforço do produtor Tadeu Patola no violão, o grupo conserva a pegada skate-punk que o tornou famoso. A guitarra distorcida cede espaço para dois violões e as harmonias, simples, ressaltam as letras incisivas, imperfeitas ("Eu não sei fazer poesia, mas que se f...! - diz em "Não uso sapato") e que, mais importante, transmitem sinceridade e sintonia com as ruas e os adolescentes. A iluminação sombria e indireta, com feixes de luz vindos do teto do cenário, que estiliza uma catedral gótica, o vocal (uma mistura de rock e hip hop) e a movimentação frenética de Chorão completam a saudável subversão. É, provavelmente, o primeiro artista da história do Acústico MTV a não cantar sentado em momento algum do programa.
Equilibrando sucessos e canções pouco conhecidas no show, o Charlie Brown Jr. apresenta duas inéditas (a "romântica" Vícios e Virtudes" e a irada "Não Uso Sapato"), além de outras releituras, como "Não é Sério", "A Banda" e "Samba Makossa".
"Por sermos uma banda de rock que usa muita distorção, não conseguia imaginar como seria tocar de maneira diferente, se adaptar ao formato violão. Somos a primeira banda dos anos 90 a gravar o Acústico MTV. É importante mas, ao mesmo tempo, não tínhamos nem em quem mirar como exemplo de como ficou", explica Chorão.
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6:45 AM
by Cassiano Leonel Drum
Faltou o Maestro
De novo sem Felipe, orquestra rubro-negra desafina no Maracanã e empata outra vez na Taça Rio. Desta vez, com o Bangu: 1 a 1
Janir Júnior
Desta vez, não dá para reclamar da arbitragem. O Flamengo tropeçou nas suas limitações e provou que sem Felipe não consegue sair do trivial. Sem poder de fogo, esbarrou na retranca adversária e empatou em 1 a 1 com o Bangu, ontem, no Maracanã, obtendo o segundo empate na Taça Rio, de novo seu seu ¿maestro¿. Na estréia, ficou no 1 a 1 com o Americano e chorou a anulação de dois gols legítimos.
O torcedor do Flamengo pode ser preparar para mais sofrimento. Felipe, com torção no tornozelo esquerdo, também desfalcará o time sábado, contra o Olaria. Ficou provado, de novo, que sem Felipe o Flamengo se nivela por baixo aos demais adversários. Para piorar a situação, o técnico Abel Braga insistiu na escalação de Andrezinho, que sente o peso da camisa 10 e não acerta.
Ontem, os poucos torcedores no Maracanã vaiaram os jogadores, no fim do primeiro tempo. Vaias justificadas, pois o time insistiu em embolar pelo miolo da área banguense e errou seguidamente no último passe.
Retrancado, o Bangu não ameaçou o gol de Júlio César no primeiro tempo. Mas, apesar do maior volume de jogo, o Flamengo não criou jogadas de perigo. Nas vezes em que tentou o gol, seus atacantes tentaram os chutes de fora da área. Jean, Zinho e Diogo tentaram sem sucesso.
No segundo tempo, Abel trocou Diogo por Flávio. Logo aos 2min, Roger recebeu de Andrezinho e na frente do goleiro chutou por cima, perdendo ótima chance. O Bangu deu o troco. Aos 3min, William driblou Henrique e soltou a bomba para uma difícil defesa de Júlio César, que apareceu bem em outros lances.
Aos 9min, o Bangu abriu o placar. China cruzou da direita e Welligton Monteiro tocou para a rede, sem marcação. Três minutos depois, porém, o Flamengo conseguiu o empate. Flávio Nunes trombou com um zagueiro e, de virada, fez o gol rubro-negro.
Perdido em campo, o Flamengo seguiu pressionado. O desespero ficou evidente quando o bandeirinha acertou ao não marcar impedimento de um ataque banguense. Revoltados, Zinho e Fabiano Eller cercaram o auxiliar para reclamar, sem razão. Nos contra-ataques, o Bangu desperdiçou duas chances, a seguir, e só no fim o Flamengo esboçou uma pressão, sem sucesso.
Hoje será definida a transferência dos jogos com Olaria e Portuguesa. O clube quer levar as partidas, da Rua Bariri e da Ilha do Governador, para o Maracanã.
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6:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
Que feio, Darlene
Apesar de todas as armações, Darlene cai no gosto do público infantil. Educadores e psicólogos afirmam que a personagem pode influenciar as crianças
Jacqueline Joy e Darlene não poupam armações para atrair flashes
Gilberto Braga a define como uma grande brincadeira. Para Deborah Secco, sua espevitada Darlene beira o patético. Com visual de apresentadora de programa infantil e artimanhas nem um pouco ortodoxas, a aspirante ao estrelato divide opiniões em Celebridade. A um passo da tão sonhada capa da Fama, como viúva do famoso esportista Caio (Théo Backer) há quem se lembre de enredos muito parecidos na vida real , Darlene coleciona fãs principalmente entre as crianças. Mas também é vista como símbolo do que há de pior entre as meninas de sua geração.
É muito triste que uma personagem desse tipo faça sucesso com as crianças. Ela transa em troca de favores. O sexo está muito precoce, essa geração já dançou na boquinha da garrafa. É bizarro. Quais são os parâmetros para o público infantil?, questiona a universitária Aline Boueri, 20 anos.
Depois de arrastar Inácio (Bruno Gagliasso) para a cama e entregar provas contra o próprio pai nas mãos de Laura (Cláudia Abreu) na tentativa de um espaço na mídia, Darlene finalmente chamará a atenção dos jornalistas. A manicure vai anunciar a gravidez fruto de inseminação artificial caseira em pleno velório de Caio no capítulo que vai ao ar dia 10. Com direito a modelito preto e muita choradeira diante do caixão. Apesar das armações, a personagem mantém o carisma com adolescentes.
Acho a Darlene muito espontânea. Ela é legal, tenho até um pouco do jeitinho dela. Faço tudo antes de pensar. Sou igual a Darlene, afirma a estudante Andreza Silva, 17 anos, que não aprova totalmente as atitudes da personagem. Roubar sêmen do Caio e engravidar foi uma péssima idéia. Ela só pensou em se dar bem. Mas tem bom coração, defende Andreza.
Para psicólogos e educadores, cabe aos pais e não à TV ensinarem os filhos a julgar o que vêem na novela. Tudo que aparece na televisão tem impacto na formação infantil. Mas não adianta proibir porque a novela é assunto na escola. Fica mais misterioso e tentador quando todos falam num assunto e a criança não sabe, explica a psicanalista especializada em crianças e adolescentes, Sônia Oksenberg. Os pais devem mostrar que a personagem tem seu lado negativo. As crianças tem que aprender quais atitudes merecem punição. O papel da TV é refletir a realidade e esse comportamento existe, explica.
Apesar de caricata, a personagem faz muita gente lembrar as Darlenes da vida real. No meio em que trabalho, existem várias. Muita gente topa tudo para ter fama. A novela, nesse caso, só está mostrando um comportamento que existe, conclui o promoter Marquinhos Souza.
Se os adultos se divertem com a caricatura de figuras conhecidas, para as crianças o atrativo é ver o mulherão Deborah Secco com trejeitos de menininha. O misto de corpo de mulher com comportamento infantil atrai a atenção das crianças. É como ver um cavalo com cabeça de cachorro, explica a psicóloga Carla Cecarello, presidente da Associação Brasileira de Sexualidade. A criança vê uma mulher, como sua mãe, agindo como ela própria. Tudo que foge aos padrões atrai, finaliza.
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6:34 AM
by Cassiano Leonel Drum
Leticia Wierzchowski
04/03/2004
Crime e castigo
Não, não é o livro do Dostoievski. É o livro do Zuenir Ventura. Chico Mendes, 15 anos depois. Se você lembra do assassinato do líder sindical, do ambientalista que foi um dos primeiros a gritar pela Amazônia (ou mesmo se você não lembra) vale ler o livro.
Zuenir Ventura mostra nestas páginas o melhor do jornalismo, num texto elegante, leve, simplíssimo, inquietante. Ele foi três vezes ao Acre, um lugar que desconhecia tanto quanto eu. Ele foi em 1989, logo que o fazendeiro Darci Alves da Silva mandou seu filho dar cabo da maior voz que a Amazônia já teve. Ele foi alguns anos depois, quando aconteceu o julgamento. E voltou em 2003 pra ver como é que tinham ficado as coisas por lá. Zuenir não só viu, como se envolveu de uma maneira tocante, trouxe consigo para o Rio de Janeiro a principal testemunha de condenação no caso, um adolescente calado e sofrido de nome Genésio, que se tivesse ficado em Xapuri, cidade onde Chico Mendes vivia, não teria sobrevivido para depôr no tribunal e condenar os assassinos num julgamento histórico.
Mais do que a narração de um assassinato, Crime e Castigo é um impressionante relato do Brasil dentro do Brasil. Tem alma ali. Tem um lugar misterioso, de pessoas que levam a mesma nacionalidade que nós, de gente que vive no meio da maior floresta do mundo, e que quer aprender a viver com ela, e dela. Tem mulher, ex-mulher, bigamia, corrupção e talento. Tem o legado de um homem que deu voz à Amazônia e aos seringueiros.
O livro é uma reportagem e um romance. Fala sobre o Acre, mas não é áspero, acerbo ou seco. É redondinho. A única coisa que não desce é essa tendência brasileira à desatenção, o final em que o mocinho acaba morrendo e todo mundo chora sobre o leite derramado (ou sobre a floresta devastada, no caso). É um livraço. Zuenir Ventura conseguiu a façanha de farejar, de recompor, de dar tintas a um homem genial, que aprendeu a ler já adulto, que encantou os gringos e que tinha passe livre nas mais altas rodas políticas e ambientalistas do mundo.
Um cara que morreu no caminho do banheiro, que ficava nos fundos de casa, exatamente no dia em que ia inaugurar uma toalha nova, presente de aniversário, logo ele, que não era ligado nessas coisas. Um cara que morreu de tocaia, mesmo tendo dois guarda-costas. Um cara de nome Chico Mendes, desses que fazem falta no Brasil.
leticia.wierz@zerohora.com.br
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6:32 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
04/03/2004
Uma doença impiedosa
Peço vênia aos leitores para publicar uma carta. É que sinto uma especial compaixão pelos pacientes dessa doença arrolada no texto. E não se surpreendam que o medicamento exigido seja o Viagra, Zero Hora e esta coluna já se ocuparam disso em cima de reportagem feita no Pavilhão Pereira Filho com pacientes a cargo da equipe de que fazem parte os doutores José Camargo e Bruno Pallombini. Tenho esperança de que alguém possa ajudar essa mulher.
Eis o relato |