|
|
Sábado, Março 13, 2004
Posted
10:32 PM
by Cassiano Leonel Drum
Que mulheres são essas?
Decifrar a alma masculina pode não ser uma das tarefas mais fáceis. Todo homem gosta de sexo, se pudessem, passariam o dia transando. Mulheres gostam de fazer amor. Homens se apaixonam, mulheres se entregam e é aí que mora o perigo. Muitas mulheres amam errado e envergonham esse nosso ideal de mulher moderna, liberal, desencanada. Na ânsia de viver um grande amor, acabam perdendo os limites: amam demais, descontroladamente, experimentam fortes desilusões e provocam até mesmo o fim da relação. Vivem a vida do parceiro, esquecem de si mesmas; se apaixonam perdida e cegamente por um homem.
Fazem de tudo pelo amado, mesmo quando são rejeitadas, abandonadas ou traídas, rastejam, imploram, se humilham pedindo para voltar, e aceitam todas as condições impostas por ele. Sabe aquelas casos em que a esposa descobre que o marido tem uma amante e, em vez de brigar com ele, vai tirar satisfações com a amante?
É preciso amar com mais equilíbrio, lucidez, esperteza, controle da situação, realismo e, principalmente, amor próprio e auto-estima.
Mulheres, a vida da gente não se reduz somente à parte afetiva. Também temos nossos projetos, nossos filmes favoritos, a academia, a família, os amigos...
A partir de hoje, a jornalista Lana Camargo deixa de escrever para o caderno MULHER e alça outros vôos, porque é assim que a vida deve ser. Mas ela continua no grupo de empresas de Sidney de Moraes; agora está na redação do jornal Correio do Alto Tietê, em Suzano, como assessora do colunista Willy Damasceno. O jornal será lançado no próximo dia 20. Por aqui, a jornalista Maria Salas dará uma força para o MULHER.
Marta Vicentin
Comments:
Posted
10:28 PM
by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
14/03/2004
Diana vive
Ao morrer, as pessoas descansam em paz. Mas nem sempre é assim. A princesa Diana continua sob o foco dos holofotes
Quase sete anos se passaram desde a morte da princesa Diana, num acidente inesperado, daqueles que a gente costuma chamar de "uma morte rápida". Mas não foi o caso dela, que até hoje segue sob os holofotes.
De lá pra cá, seu mordomo cometeu inconfidências, seus objetos pessoais passaram de mão em mão, especulou-se que ela estaria grávida, disseram que ela teria tido casos com cantores de rock e que teria acusado o príncipe Charles de querer assassiná-la, e agora vêm à tona declarações suas narrando as opressões de seu casamento, as tentativas de suicídio e outras coisas que não deveriam se tornar públicas, não sem o consentimento de quem não pode consentir mais nada. Descansar em paz, que é a única parte boa de morrer, nem isso Diana teve a sorte.
Outro dia estava lendo um artigo interessante que dizia que na morte ficamos muito mais indefesos do que na vida, pois a posteridade é infinitamente mais longa do que os dias vividos. É verdade. Depois que a gente se vai, os outros deitam e rolam in memoriam.
Em tese, todas as pessoas gostariam de viver para sempre. Não podendo, buscam uma imortalidade possível através do que realizaram, tentam deixar algo que lhes sobreviva: filhos, netos, missões bem-sucedidas. Pessoas querem virar nome de rua, de museu, de biblioteca. Nome de praça. De biscoito. Qualquer coisa, menos morrer bem morridas. Um desejo absolutamente legítimo: vencer a morte com a única arma capaz disso, a lembrança.
Esta prorrogação pode ser uma vantagem, mas também pode ser uma arapuca. Ok, os célebres virarão nome de rua, terão monumentos erguidos em sua homenagem, serão estudados nas escolas... mas, se além de célebres, forem ídolos pop, terão suas gavetas vasculhadas em busca de fotos inéditas, terão seus diários publicados, seus fios de cabelo leiloados. Gente que o morto mal conhecia dará entrevistas intitulando-se amigo de infância. Biografias seguirão sendo escritas e, milagrosamente, terão versões atualizadas. O morto seguirá "vivendo" por muito mais tempo na morte do que viveu em vida.
E mesmo que tudo seja verdadeiro e fundamental como documento da história, convenhamos: não é mole ficar à mercê de uma glorificação - ou tripudiação - futura.
A princesa Diana era infeliz mas não era totalmente descerebrada. Sabia que, sendo um ícone, até seus espirros viravam notícia. Nem assim foi discreta - as tais declarações que ganharam o mundo semana passada não foram gravadas clandestinamente, ela sabia o que estava fazendo. Só não sabia que iria morrer ainda jovem, antes de aprender a controlar sua língua solta. Se ela tivesse morrido bem velhinha, durante o sono, como aconteceu com a rainha mãe pouco tempo atrás, Diana não só teria tido uma vida mais longa: teria também uma morte mais curta.
martha.medeiros@zerohora.com.br
Comments:
Posted
10:26 PM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
14/03/2004
Até a esquina
Parece piada, mas não é. Um dia ele disse, sério, que iria sair e comprar o cigarro de sempre. Foi e não voltou. Melhor, voltou, mas ficou 10 anos desaparecido
Aconteceu mesmo. Um dia ele disse que ia na esquina comprar cigarro e desapareceu. Não é força de expressão, sentido figurado ou piada. Ele disse exatamente isto. "Vou ali na esquina comprar um cigarro"...E ficou 10 anos desaparecido.
Há algum tempo, reapareceu. Bateu na porta, a mulher foi abrir, e lá estava ele. Dez anos mais velho, mas ele. Quieto. Sem dizer uma palavra.
A mulher despejou sua revolta em cima dele. Seu isso! Seu aquilo! Então você diz que vai na esquina comprar cigarro e desaparece? Me abandona, abandona as crianças, fica 10 anos sem dar notícias e ainda tem o desplante, a cara-de-pau, o acinte, a coragem de reaparecer deste jeito? Pois você vai me pagar. Fique sabendo que você vai ouvir poucas e boas. Essa eu não vou lhe perdoar nunca. Está ouvindo? Nunca. Entre, mas prepare-se para...
Nisso o homem deu um tapa na testa, disse:
- Ih, esqueci os fósforos.
E desapareceu de novo.
LEOPARDO SUICIDA
O pico do monte Kilimanjaro perdeu mais de 80% da sua cobertura de neve nos últimos 90 anos, e o cálculo é que a neve desaparecerá por completo nos próximos 20, como resultado do efeito estufa que aquece o planeta. O Kilimanjaro é aquela montanha na Tanzânia onde, segundo Hemingway contou num conto, um dia encontraram a carcaça congelada de um leopardo perto do cume, e nunca ficaram sabendo o que o leopardo fazia por lá.
O leopardo de Hemingway já foi considerado símbolo de muitas coisas: espírito de aventura, a busca solitária do inalcançável, a imprevisibilidade do comportamento humano, a pretensão ou a simples inquietação que move bichos e artistas. Num mundo ameaçado de afogamento pelo degelo causado pela emissão industrial, do qual o pico do Kilimanjaro é apenas um dos termômetros assustadores, o leopardo de Hemingway pode simbolizar o instinto suicida que nos trouxe a este ponto.
Os Estados Unidos de Bush não aceitaram o tratado de Kyoto, onde foi combinada uma redução mundial nas emissões de dióxido de carbono e outros poluentes, porque isto prejudicaria a indústria dos Estados Unidos, que com 4% da população do planeta emite um quarto dos seus gases venenosos. E pronto. O mesmo Bush autorizou a abertura de áreas de preservação ecológica do país para mineração e prospecção de petróleo, como retribuição a interesses que ajudaram a elegê-lo, com o mesmo argumento imediatista. Apesar da sua firme opção pelo suicídio da espécie, Bush não é um vilão isolado.
Escrevendo no London Review of Books sobre o fim próximo da civilização do hidrocarbono, Murray Sayle fez um paralelo entre Japão e Europa, onde já havia comunidades nacionais antes da Revolução Industrial, e o Novo Mundo, onde as identidades nacionais se formaram graças ao combustível fóssil, e não seriam países se não fosse pelo trem, o barco a vapor e depois o automóvel.
Canadá e Austrália também estão na frente contra Kyoto e também querem caracterizar sua resistência como uma forma de oposição democrática e realista ao ambientalismo elitista. Um dia um extraterreno descobrirá a carcaça calcinada - ou congelada, já que depois do dilúvio virá outra era glacial - de um homem da idade do hidrocarbono, e a considerará tão inexplicável quanto a do leopardo de Hemingway.
QUENTE E FRIO
Me dizem que, de acordo com uma convenção internacional, a torneira de um lado é sempre a da água quente e a do outro, logicamente, a da água fria. Mas nunca me lembro quais são os lados. Não usam mais os velhos "Q" e "F", imagino, para não discriminar os analfabetos, nem as cores vermelho para quente e azul para fria, para não discriminar os daltônicos.
Mas e nós, os patetas? Também precisamos tomar banho. E estamos condenados a sustos constantes ou à demorada experimentação até acertar a temperatura da água. Isso quando os controles não estão concentrados numa única supertorneira de múltiplas funções, na qual você pode escolher volume e temperatura numa combinação de movimentos sincronizados depois de completar um curso de aprendizagem do qual também sairá capacitado a pilotar um Boeing.
A verdade é que existe uma conspiração para afastar do mundo do consumo moderno as pessoas, digamos, neuronicamente prejudicadas. Na maioria dos casos as instruções para uso são dirigidas a pessoas normais, com um mínimo de acuidade e bom senso - quer dizer, são contra nós! Mas eu já me resignara a não saber programar o timer, ou sequer saber o que era um timer, do videocassete, ou jamais usar a tecla "Num Lock" com medo de trancar todos os computadores num raio de um quilômetro, desde que me sentisse confortável no mundo que eu dominava. Como, por exemplo, no chuveiro. E então a modernidade chegou às torneiras, e "quente" e "frio" também se transformaram em desafios intelectuais. "Quente" é a da esquerda e "fria" é a da direita, é isso? Ou é o contrário? É uma conspiração.
Comments:
Posted
10:24 PM
by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
14/03/2004
Erro fatal & outras histórias de computador
Vamos dizer logo, não dá para esconder, o computador é o verdadeiro fosso entre as gerações. Os bebês de hoje nascem computadorizados
A pessoa mais importante em nossa casa atualmente é a Leca - Santa Leca, nós a chamamos. E o que faz a Leca? Dá-nos conselhos preciosos sobre como orientar nossas vidas? Esclarece-nos acerca dos mistérios da Bolsa de Valores? É a nossa personal trainer? Não. A Leca nos ajuda com o computador.
Que é, vamos dizer desde logo, o verdadeiro fosso entre as gerações. Hoje os bebês já nascem programados; é só sentá-los ao teclado, e pronto eles entendem tudo que aparece na tela, sabem quebrar todos os galhos. Mas aqueles que não foram introduzidos à informática na infância têm de se adaptar. E o processo de adaptação não é fácil, pela simples razão de que o computador, diferente da torradeira ou do refrigerador, não é um instrumento inocente, um eletrodoméstico comum.
O computador é um mundo com linguagem própria. Um mundo em que coisas surpreendentes acontecem a todo instante, como o mostra a Internet. Não são só os blogs, ou os sites pornográficos; são coisas inimagináveis até há algum tempo. A Igreja Anglicana recentemente lançou um ramo virtual. Um vigário especialmente contratado atenderá os fiéis on line. Não se sabe o que dirá Deus desta nova situação (meu palpite é que o Senhor já está treinando com a Leca).
A linguagem do computador faz toda a diferença. É preciso aprendê-la, o que exige simplesmente mudar nossas cabeças.
Lembro quando a Zero Hora foi informatizada. Se um homem-bomba tivesse entrado na redação, o terror não teria sido menor. Os jornalistas veteranos simplesmente não sabiam como trabalhar, a não ser em máquina de escrever. O pessoal encarregado da implantação do novo sistema foi tão esperto quanto implacável. As máquinas de escrever foram gradualmente sumindo, como naquela poesia do Raimundo Correa: "Vai-se a primeira pomba despertada...". E aí não havia mais jeito: era terminal ou nada. O que representou apenas o início de um processo, porque ao longo do tempo houve troca de sistemas. Novas aflições, novo aprendizado. Bem-sucedido: que eu saiba, hoje não há sequer máquina de escrever no prédio.
Um dos grandes problemas na linguagem da informática é que o computador fala com a gente. E fala de várias maneiras, todas angustiantes. Existem as perguntas: "Você está seguro de que quer deletar esta mensagem?". No momento em que a frase aparece na tela começamos a tremer nas bases. Estamos seguros?
Quem, Deus do céu, está seguro de qualquer coisa, neste mundo? Quem pode garantir que a decisão tomada não será uma bobagem? No caso específico: no momento em que deletamos a mensagem, nos arrependemos. E se quisermos relê-la? E se ela tinha alguma coisa que deveríamos anotar? O computador não quer saber desta ansiedade. Ela não é analista (ainda que um dia alguém possa anunciar psicanálise via Internet); ele não quer saber de nossas ansiedades. Ele nos oferece um ponto de interrogação, não um divã. Te vira, meu.
E as sombrias informações que soam como ameaças? "Este programa executou uma manobra ilegal e será desligado." Ilegal? Então somos ilegais? Ilegais, como os traficantes são ilegais, como os imigrantes são ilegais? Nós, que respeitamos a lei, somos ilegais? E qual foi a nossa transgressão? Podemos chamar nosso advogado? Tudo o que dissermos poderá ser usado contra nós?
Nenhuma resposta. O computador é assim. "Ocorreu erro fatal." Erro fatal? Mais um, além do fato de termos nascido, de termos escolhido o emprego errado, de termos comprado dólares quando deveríamos ter comprado euros? Erro fatal, como aquele de Adão e Eva - é disso que estamos sendo acusados?
O computador é uma grande invenção. Se sobrevivermos a ele, seremos felizes para sempre.
Domingo sem o Décio Freitas na ZH não é o mesmo domingo. Fará falta, ele.
scliar@zerohora.com.br
Comments:
Posted
10:21 PM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
14/03/2004
Tem de ser proibido nascer
Não dá mais pra segurar; explode, coração. Chega de tratar cheio de dedos a questão do controle da natalidade.
Este caso da mulher de Viamão que teve cinco dos seus oito filhos assassinados pelo companheiro suscitou em muitas pessoas uma verdadeira revolta pela maternidade ou paternidade irresponsáveis.
De todos os cantos surgiram, por depoimentos pessoais, telefonemas ou e-mails, informações de que aqui e ali, em todas as partes, chovem mulheres de 25, 26, 27 anos já com cinco, seis ou sete filhos.
Nenhuma delas pertencente à classe média baixa, à classe média alta ou aos ricos.
Todas elas, exemplarmente todas, integrantes das mais baixas camadas socioeconômicas da população.
E todas essas crianças nascidas em série pela mais completa pobreza e ignorância de suas mães vão sofrendo, desde os albores da existência, os flagelos da fome, da subabitação e da doença - e, depois que transpõem a adolescência, são jogadas, inevitavelmente, as do sexo feminino à prostituição e os meninos ao crime.
Não dá mais pra segurar; explode, coração, e explode, mente.
Estou convencido de que o maior cúmplice desse crime que o Estado e a sociedade deixam que seja cometido sobre as mulheres prolíficas e seus filhos é o pudor com que a intelectualidade e os políticos tratam da questão fundamental do controle da natalidade e planejamento familiar.
Toda pessoa que se encontra e que é conduzida a dar uma opinião sobre o assunto enche-se de pruridos, iguais aos do pensamento oficial, dos governantes e dos políticos: sublinham desde logo que as pessoas têm total liberdade para ter filhos, só podem ser alvo do planejamento familiar contraceptivo se procurarem auxílio para isso, isto é, por sua própria vontade.
Chega de tentar dissimular, de disfarçar e de esconder; explode, coração. Eu tenho a declarar que deve ser impositivo o controle da natalidade no Brasil, com a obrigatória esterilização das mulheres e dos homens cujas proles deverão ser atiradas à miséria, à prostituição e ao crime se forem licenciados a procriar pela omissão governamental e da sociedade.
Planejamento familiar só para quem manifestar vontade para isso é uma balela.
Tem que impor a contracepção. Não dá mais para jogar no desemprego, na fome, na doença e no crime essa multidão incalculável de brasileiros que é gerada pela ignorância de seus pais.
E aos poetas platônicos que se ancoram no argumento de que as pessoas são livres para ter quantos filhos quiserem, aconselho que vão às maternidades, onde pululam para mim depoimentos de médicos, psicólogos, assistentes sociais etc., que afirmam que a maioria das mães lá atendidas são pobres e miseráveis, comparecem lá uma vez por ano para darem a luz, e 90% dos pais são desempregados, quando conhecidos.
Este país vai continuar sendo dependente, pobre e endividado enquanto não proibir as mulheres pobres e miseráveis de serem prolíficas.
Nessas condições, tem de ser proibido nascer. Porque isto não é nascer, é pior que morrer: é sofrer.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Comments:
Posted
10:17 PM
by Cassiano Leonel Drum
Trabalho
Árvores que dão emprego
Expectativa de safra recorde de maçãs em Vacaria exige que empresas da região recrutem 13 mil trabalhadores temporários gaúchos e catarinenses num raio de 600 quilômetros (foto Emílio Pedroso/ZH)
Comments:
Posted
9:53 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ponto de vista: Stephen Kanitz
O fim das pequenas empresas
"Quem tem mais condições de gerar os empregos de que este país necessita?
Nossos intelectuais, nossos economistas, nosso governo ou nossa classe média?"
Hoje em dia as grandes empresas desempregam mais do que contratam. São as pequenas e médias que geram emprego, aqui e mundo afora. Mas, em vez de fortalecer a pequena empresa, quase todos os governos do Brasil a ignoram ou a enfraquecem.
As pequenas e médias empresas são tipicamente dirigidas pela classe média alta, em torno de 10% da população brasileira. Se cada membro da classe média empregasse dez funcionários, não teríamos desemprego neste país. Teríamos 100% da população empregada, por definição. Hoje, com os inúmeros cursos disponíveis de administração, gerenciar uma empresa com dez pessoas não é coisa do outro mundo. O difícil é abrir e manter uma pequena ou média empresa no Brasil. A maioria das leis, voltadas para conter a grande empresa, acaba contendo a pequena e a média.
Entre no Google e pesquise os assuntos mais tratados pelos nossos economistas e governantes os temas mais freqüentes são juros, inflação e câmbio. "Pequenas e médias empresas" raramente fazem parte do temário de discussão. Ajudar a pequena e a média empresa a crescer, nem pensar.
Ilustração Ale Setti
Estamos assistindo a uma sistemática destruição desse setor no Brasil e, de roldão, de nossa classe média. Os ricos com suas grandes empresas já não criam mais empregos e os pobres não têm como gerá-los. Denegrir e dizimar a classe média por seus "valores pequeno-burgueses" pode ser uma grande vitória política, mas será um enorme suicídio econômico.
De vinte anos para cá, além de aumentarem os impostos, reduziram os prazos de pagamento desses impostos de 120 para quinze dias. Hoje, as empresas precisam pagar 40% de sua receita ao governo antes de receber de seus clientes. O capital de giro dessas empresas sumiu; em vez de financiar a produção, financia o governo.
Não é a economia informal que está crescendo, é a economia formal e a classe média que vêm sendo destruídas, e rapidamente. Estudo realizado pelo Sebrae, e apresentado por Alencar Burti, estima que 31% das pequenas empresas quebrarão até 2005. Ou seja, não somente não irão empregar ninguém como vão desempregar aqueles que já têm emprego.
Não é exatamente uma previsão fora de propósito, porque a grande maioria dessas empresas não obtém lucro há mais de três anos, e 90% delas não possuem mais capital, muito menos capital de giro. Se levarmos em conta os encargos fiscais em atraso, os Refis, os processos trabalhistas a pagar, a maioria está com patrimônio negativo, ou seja, encontra-se literalmente quebrada. Muitas não fecham imediatamente porque não podem pagar os elevados custos da demissão dos funcionários. Vão levando, na esperança de que as coisas melhorem. A maioria dos pequenos e médios empresários nem pensa mais em crescer, mas em vender suas empresas assim que a economia melhorar.
Até recentemente, as empresas médias sobreviviam sonegando um ou outro dos 46 impostos a pagar. Sonegavam o suficiente para se manter vivas. Hoje não dá mais para sonegar. Ou se sonega tudo, devido ao excelente controle e amarrações entre os órgãos arrecadadores, ou não se sonega nada. Como sonegar todos os impostos dá cadeia, e não sonegar nenhum significa falência em alguns anos, a saída é fechar a empresa assim que for possível.
Ainda segundo estimativas de Burti, 59% das pequenas e médias empresas fecharão as portas em 2009. Essas estatísticas não são exageradas. O número de insolvências nesse segmento sempre foi elevado, só que antigamente cinco novas empresas eram criadas para cada quatro que quebravam.
Hoje não. Não vejo mais aquela vontade de ser empresário e empreendedor no Brasil, muito pelo contrário. Entre abrir uma pequena empresa e arrumar um emprego público, os filhos da classe média estão preferindo a opção mais segura. E eles têm razão.
Quando baixarem os juros dos empréstimos, nossos intelectuais vão descobrir que não haverá mais classe média para tomá-los, não haverá administrador de empresas querendo administrá-los, não haverá engenheiro querendo empregá-los.
Em sua opinião, quem tem mais condições de gerar os empregos de que este país necessita? Nossos intelectuais, nossos economistas, nosso governo ou nossa classe média? É uma interessante questão para ser discutida ao longo desta semana.
Stephen Kanitz é administrador por Harvard
(www.kanitz.com.br)
Comments:
Posted
9:49 AM
by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
O planejamento petista
"Se depender do PT, a maior contribuição científica brasileira continuará sendo o polvilho anti-séptico Granado, para as frieiras nos pés. Chega de reclamar de Bush. Lula é muito mais retrógrado do que ele"
O ministro da Saúde, Humberto Costa, anunciou que quer diminuir em 15% a mortalidade materna. Há uma maneira simples e rápida para atingir a meta. Basta legalizar o aborto. Calcula-se que os abortos clandestinos sejam responsáveis por cerca de 15% das mortes de gestantes. Acabando com os abortos clandestinos, a mortalidade materna diminui na mesma proporção, em particular entre as mulheres mais pobres e mais jovens.
O plano de Humberto Costa, como todos os outros planos do governo, é só conversa mole. Ele promete salvar a vida dessas mulheres garantindo o acesso ao planejamento familiar. O planejamento familiar é uma das inúmeras falácias da nossa Constituição. Foi o subterfúgio empregado pelos constituintes para impedir qualquer política de controle da natalidade. Sobretudo o aborto.
O planejamento familiar se baseia quase exclusivamente em programas educacionais. Quando o poder público não sabe resolver um problema, como a criminalidade ou a miséria, recorre sempre à educação. A educação é o principal mito paralisante do Brasil, o argumento que sufoca todos os demais. Se os políticos parassem de usar a educação para encobrir sua incompetência e inoperância, o Brasil teria alguma chance de ir para a frente.
No mundo todo, o direito ao aborto foi uma conquista dos partidos de esquerda. Até alguns anos atrás, o PT o defendia. Em 1995, o atual presidente do partido, José Genoino, chegou a apresentar um projeto de lei permitindo o aborto nos primeiros noventa dias de gestação. Agora mudou. Os petistas perderam o interesse pelo assunto, preferindo se concentrar em metas de superávit fiscal e expedientes para abafar denúncias de corrupção.
O único parlamentar petista que se ocupa ativamente da questão é Durval Orlato, que tenta limitar ainda mais sua aplicação. Ele pleiteia que as vítimas de estupro sejam obrigadas a ver filmes sobre o desenvolvimento dos fetos caso decidam abortar. Além da tortura do estuprador, portanto, as mulheres deverão ser submetidas à tortura do Estado. Um fiel aliado do PT, Severino Cavalcanti, do PP, também se engajou na campanha. Ele planeja enfiar na cadeia todas as mulheres que praticarem abortos clandestinos.
Recentemente, membros do PT pensaram em adotar algumas medidas de controle demográfico, mas a ala mais carola do partido os impediu. A idéia era associar os benefícios do Bolsa-Família a formas de desincentivo à natalidade. Por mais paradoxal que possa parecer, o governo brasileiro, como o da Dinamarca, subsidia o aumento da natalidade.
Quanto mais filhos tem uma mulher, mais esmolas governamentais ela recebe. Os fundamentalistas católicos do PT determinaram também a proibição de experimentos com células-tronco desenvolvidas a partir de embriões humanos. Curiosamente, o Brasil conseguiu avanços importantes nesse campo de pesquisa. Avanços que agora irão se perder. Se depender do PT, a maior contribuição científica brasileira continuará sendo o polvilho anti-séptico Granado, para as frieiras nos pés. Chega de reclamar de Bush. Lula é muito mais retrógrado do que ele.
Comments:
Posted
9:34 AM
by Cassiano Leonel Drum
R$ 41 bi de crédito na Caixa
Para habitação, estão reservados R$ 8 bilhões. Empréstimos pessoais e para empresas terão R$ 30 bilhões e saneamento, mais R$ 3 bilhões
Cristiane Campos
A Caixa Econômica Federal vai aumentar em 54% a oferta de crédito este ano. O montante será de R$ 41 bilhões para casa própria, saneamento e empréstimos pessoais. Do total, R$ 30 bilhões serão para empréstimos a pessoas físicas e jurídicas. O montante é 50% maior do que o disponível ano passado, que foi de R$ 20 bilhões. Já o setor de habitação e infra-estrutura teve aumento de 69%, passando de R$ 6,5 bilhões para R$ 11 bilhões. O anúncio foi feito ontem no Rio pelo presidente da Caixa, Jorge Mattoso.
O saneamento terá R$ 3 bilhões e a habitação, R$ 8 bilhões. O presidente da Caixa espera que o dinheiro contribua para aquecer a demanda de consumo por bens duráveis e não-duráveis. Não existe crescimento sem crédito, disse Mattoso.
Para o vice-presidente do banco, João Carlos Garcia, as taxas de juros cobradas pelo banco estão entre as mais baixas do mercado. As metas ambiciosas estão atreladas ao desempenho recorde que a Caixa teve no ano passado, quando faturou R$ 1,6 bilhão de lucro líquido. Estamos democratizando o acesso ao crédito desde o ano passado. Já temos 1 milhão e 280 mil pessoas inseridas no sistema financeiro através do Caixa Aqui, disse Mattoso.
O presidente revelou ainda que juros cobrados pelo banco podem cair em ritmo mais acelerado que o da Selic (taxa básica de juros), hoje em 16,5% ao ano. A Caixa está ganhando em produtividade e em melhorias nos serviços. O crédito é bastante pulverizado. A média dos empréstimos para empresas é de R$ 5 mil, e para pessoa física, de R$ 1 mil, afirmou. As metas da Caixa para este ano foram anunciadas para empresários no Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros.
Sem comentários, mas se existem cento e dez bilhões aplicados em poupança e apenas vinte e sete bilhões emprestados para a Habitação, porque os bancos não chegam aos 65% devidos..? Dinheiro, todos sabem, existe a rodo, o problema é que a população não consegue comprovar renda para tomá-lo emprestado.
Comments:
Posted
9:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
Cena de cinema
A modelo Ticiane Pinheiro vira cineasta e se prepara para filmar documentário sobre a eterna Garota de Ipanema, sua mãe, Helô Pinheiro
Clarissa Monteagudo
À esq., Helô passeia sobre as areias de Ipanema nos anos 60; à dir, Ticiane repete a mesma cena com biquíni da marca Lenny (R$ 78)
Quando vejo Helô Pinheiro, tomo logo a extrema-unção. Vou correndo pro banheiro, vou botar o meu calção e lá ajoelho e rezo, tomo leite com farelo pra baixar a hipertensão. Décadas depois da paquera ele no bar Veloso, ela vestida de normalista ou de duas-peças a caminho da praia , Tom Jobim registrou o encantamento pela sua musa nas páginas da Playboy, no primeiro ensaio nua, em 1987. O fascínio já durava 25 anos. Virgem e namorada do empresário Fernando Pinheiro, Heloísa Eneida não pôde aceitar em 1962 a declaração de amor do poeta, então casado e pai de dois filhos. Depois de compor Garota de Ipanema em parceria com Vinicius de Moraes, o músico se confessou apaixonado pela musa.
Ticiane passa cheia de graça com vestido Maria Bonita Extra (R$ 192) e sapatilhas da Osklen (R$ 175)
A história da garota mais famosa da MPB vai virar cena de cinema pelas mãos da filha da musa, Ticiane Pinheiro, 26 anos. Formada em Cinema ano passado, a moça vai dirigir o documentário Doce Balanço sobre a transformação de sua mãe em mito.
Acima, blusa Mixed (R$ 98)
Nesse ensaio para o Caderno D, a herdeira de Helô Pinheiro revive o estilo feminino da década de 60. E passeia pela praia e pelo bar Garota de Ipanema, antigo Veloso, de onde Tom e Vinicius avistaram sua mãe. Sempre quis contar a história verdadeira. As pessoas vêm me perguntar se minha mãe ganhou o título de Garota em um concurso, surpreende-se a moça. Tom Jobim chamava Vinicius para ver uma moça que era a coisa mais linda e passava sempre na rua do bar. Ele foi lá várias vezes e nada. Quando a viram, saíram os primeiros versos, conta Ticiane.
Vinicius de Moraes e Helô Pinheiro
O filme, que começará a ser rodado em julho em formato digital, terá depoimentos de Carlinhos Lyra, do garçom Arlindo, do Garota de Ipanema, parentes de Helô e cenas de Ticiane na pele da mãe. Quero mandar para festivais e vender para TV. O documentário terá uns 50 minutos, conta a moça, que já se acostumou à imagem de herdeira.
Ticiane brinca com a placa da Rua Vinicius de Moraes com vestido Frankie Amaury (R$ 590), pulseiras RSobral (R$ 35 cada uma) e sapatilhas Maria Bonita Extra (R$ 132)
Eu sempre quis ter meu próprio nome. Depois que amadureci, vi que a música foi um presente de Deus para minha mãe e para mim, explica Ticiane, namorada do diretor de TV Marcos Paulo. Não falo sobre ele. Já sou filha de, não quero ser namorada do, dispara a moça, que ano passado enfrentou duras críticas pelo ensaio nua ao lado da mãe.
Achei que não seria agressivo. Não tenho pudor em ficar nua na frente da minha mãe, destaca Ticiane, fã de Helô. Ela foi inspiração da música e nunca pegou um centavo de nada. É uma batalhadora e tem uma história para contar, resume.
Comments:
Posted
9:15 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
13/03/2004
Qual sou eu?
Nestes dias, lembrei muito de Clarice, a Lispector: estava ela sossegada na primeira fila do auditório no Rio: ilustres teóricos da literatura discorriam sobre sua obra, em termos complicados. De repente, a escritora se levanta, vira-se para o público e diz: "Essa de que estão falando não sou eu". E sai, abrindo caminho entre o espanto boquiaberto dos presentes.
Circunstâncias imponderáveis têm-me arrancado do meu escolhido sossego nesta cidade, neste bairro e nesta casa. Os pedidos, propostas e convites se acumulam sobre minha dificuldade de dizer não sem culpa excessiva, e procuro ficar zen até onde puder. Nasci com algum chip disfuncional: desde sempre, quando minha vida se agita demais, minha alma se desarruma. Preciso desse ócio, limitado mas ócio, para o qual organizei minha vida, austera mas minha vida. Ou entro em pânico: essa zoeira me assusta, embora me gratifique, claro, pois hipócrita não sou.
Mas mesmo experiente a esta altura, ainda me chateia por alguns minutos um grande jornal do Rio escrever que passei a última semana "analisando contratos para dvds (sic!), filmes, palestras", e coisas assim, como se agora vivesse com uma das mãos no computador, outra na calculadora. O jornalista amigo e brilhante, depois da entrevista, ficou batendo um papo carinhoso comigo, e na hora de abrir o jornal vejo que ele entremeou a matéria com itens da maior familiaridade, divertidos, mas não para o público. Passo dois dias querendo sair à rua de máscara, ainda que fosse a do Zorro. Depois me consolo: quem me conhece sabe de mim, quem não me conhece me acha meio louca mesmo, então tudo bem.
E, para os amigos que começam a telefonar menos, ou mudar o tom de voz quando falam comigo, já mandei e-mails dizendo: "Essa dos jornais, revistas e TV não sou eu, tá? Eu estou aqui em casa, quando posso; neste momento com as três netas passando mal, vomitando de meia em meia hora, duas acomodadas no meu colo, a maiorzinha no sofá ao meu lado, e estamos vendo Teletubbies".
Ainda não tive tempo de telefonar para um amado amigo doente, mas vou fazer isso em cinco minutos. Também troquei o e-mail pessoal, que estava demais vazado, encarreguei a editora e a agente de cuidarem de meus compromissos, parecendo que as antipáticas são elas, não eu. E neste exato momento sonho em voltar correndo para a praia encantada, distante e preservada, onde da sacada do nosso quarto a gente podia (eu quase consegui) cuspir no mar que quebrava manso nas pedras logo abaixo da pequena pousada. Um dia ainda vou levar para lá a filharada toda, a criançada também, ao menos por um fim de semana.
Essa, sim, sou eu.
lya.luft@zerohora.com.br
Comments:
Posted
9:13 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ricardo Silvestrin
13/03/2004
Oscar por Oscar, prefiro o Oscar Simch
Até bem pouco tempo, um filme de Oscar era um filmeco de bilheteria, um engodo pra boi dormir e engordar o bolso da indústria cinematográfica americana. Nunca foi parâmetro de qualidade artística. É claro que existem grandes atores americanos, grandes cineastas, técnicos e tal. Mas trabalhar num filme oscarizável era, antes de mais nada, um bom emprego.
Hoje está parecendo um parâmetro, um aval de qualidade. Aval que o cinema dos italianos Fellini, Antonioni ou Ettore Scola nunca precisou. Ou os filmes do espanhol Carlos Saura. Ou o próprio cinema brasileiro do Glauber Rocha. Há nesses todos uma recusa ao padrão americano. Certamente não como uma afronta, mas como um alargamento de possibilidades criativas. E isso acontece também dentro do próprio cinema americano.
Mas tanto hoje não há aquele bloco de grandes diretores europeus que formavam juntos um outro padrão, como o Oscar começa a enxergar um pouco mais além do umbigo. Uma prova disso é que Cidade de Deus foi indicado para categorias importantes, como a de diretor. Fato semelhante tinha ocorrido com a indicação da Fernanda Montenegro para melhor atriz. Já os destaques também para categorias técnicas fizeram bem para quem tinha algum complexo de inferioridade. Coisa que nunca tive. Ora, a Fernanda Montenegro é uma das melhores atrizes do mundo, uma das pessoas que melhor encenaram no palco, no cinema e na TV. Se os americanos não sabiam e foram só saber recentemente, azar eles.
Conheço o trabalho do Fernando Meirelles pela publicidade já há bastante tempo. Sua produtora, a O2, é responsável por grande parte dos melhores comerciais que se viu na TV brasileira. Inteligência, bom gosto e profissionalismo sempre fizeram parte da vida do Fernando. Maravilha que ele agora também está estendendo isso para o cinema. Há na publicidade brasileira uma série de ótimos diretores, fotógrafos, editores de filmes. É um pessoal acostumado a trabalhar com dinheiro, com qualidade, com responsabilidade pelo produto final. Some-se isso à herança criativa de grandes diretores do cinema brasileiro e vamos fazendo um cinema novo de novo.
Só vou acreditar que alguma coisa mudou quando o Oscar premiar filmes brasileiros menos evidentes, menos previsíveis. Nenhuma crítica ao Cidade de Deus. Mas um filme brasileiro falando da miséria coincide com a imagem que os americanos têm de nós. Já um filme de enredo surpreendente como o Homem que Copiava ou uma história delicada como a de Eu, Tu, Eles talvez precisem de mais um século para a academia perceber. E viva o Oscar Simch que faz a gente rolar de rir nos Homens de Perto!
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br
Comments:
Posted
9:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
13/03/2004
Era só o que faltava
De uns tempos para cá, iniciando-se no governo FH e incendiando-se no governo Lula, instalou-se no país a obsessão legiferante.
Tem que criar novas leis, reformas. Tem de mudar o quadro social, assim como está não vai dar para ficar.
Então fizeram uma Lei Pelé, a pretexto de livrar os jogadores de futebol da escravidão, o que acabou por miserabilizar os clubes e os jogadores. A Lei Pelé é hoje execrada pela opinião pública futebolística nacional, mas continua imperando e levando o futebol à falência.
Tinham que fazer uma reforma da Previdência e a fizeram. Com o pretexto de diminuir as diferenças, aumentaram-nas.
Tinham que fazer uma reforma tributária e a fizeram. Não modificaram nada no sistema de tributos, senão que consagraram cabalmente uma maior carga tributária.
Agora os legiferantes encasquetaram que têm de fazer uma reforma política e dentro dela uma reforma eleitoral.
Como todos os outros que inventaram a Lei Pelé e as reformas, quando não são os mesmos, julgam-se a si próprios estadistas e libertadores, pensam que vão entrar para a História, mas suas inovações mostram sempre uma característica central, um traço comum inalterável: a montanha parindo um rato.
O objetivo principal que assanha os reformadores é substituir o voto nominal pelo voto na legenda.
Para ser didático, o eleitor não votará mais, daqui por diante, nos candidatos a vereador, deputados estadual e federal.
Votará nos partidos. O eleitor escolherá um partido e serão eleitos pelo seu voto os candidatos da lista partidária.
Ou seja, os partidos escolhem uma lista, há o candidato número 1, o 2, o 3, enfim até o 70 ou 100.
O partido elegerá, pela ordem de inscrição que ele, partido, elaborará, tantos dos seus candidatos quantos lhe proporcionar o voto na sua legenda.
Em suma, vão sordidamente tirar do povo brasileiro o direito de escolher os seus vereadores e os seus deputados, ou seja, seus representantes.
Quem os escolherá verdadeiramente serão as cúpulas partidárias. Ou seja, vão retirar da força das urnas, da voz rouca das ruas o direito de eleger seus representantes.
Esse direito será transferido, num assalto eleitoral sem precedentes no Brasil, para a preferência dos caciques, para o arranjo dos maiorais do partido, que escolherão como primeiros colocados na sua lista os seus afilhados favoritos.
Não importa que determinado candidato tenha preferência maciça dos eleitores, se ele não estiver bem colocado na lista partidária, não será eleito. E, se for, não terá o realce e a importância que têm hoje os candidatos mais votados.
É uma excrescência. Não só por roubarem do eleitor o direito de nomear o seu representante como por dar ao partido o controle da representação, significando isso que não vão ser eleitos os melhores no juízo popular - e sim os melhores classificados no julgamento da cúpula partidária, os mais cotados nos arranjos da corriola, os mais simpáticos ao núcleo dirigente do partido.
É um atentado brutal à democracia. Mas, pelo que se tem visto ultimamente nas leis que nos têm imposto, inclusive a do desarmamento, é certo que vai passar.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Comments:
Posted
9:08 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Milhões marcham contra o terror nas ruas da Espanha
Mesmo sob frio e chuva, o final da tarde de ontem na Espanha reuniu a maior multidão da história do país. Ainda aterrorizados com os atentados da véspera, que já mataram 199 pessoas, foram às ruas pedir o fim do terrorismo e dos assassinatos.
As marchas foram realizadas nas principais cidades do país de 40 milhões de habitantes. Alguns cálculos indicavam que cerca de 8 milhões teriam participado dos protestos. Até nas penitenciárias, funcionários e prisioneiros homenagearam as vítimas (foto Sergio Perez, Reuters/ZH)
Comments:
Posted
12:29 AM
by Cassiano Leonel Drum
Balada sexy
Quer fazer uma festa diferente? Tente motel, drive-in ou bares de shows eróticos. Em São Paulo, é moda
Dolores Orosco
Cenário: no motel Harmony, a cama funciona como lounge
Cama elástica, piscina com toboágua, teto solar, pista de dança e quatro fliperamas. Estes são alguns dos serviços oferecidos nos sete ambientes do apartamento Nagoya, o mais luxuoso do motel Harmony, em São Paulo. Além de casais em clima de romance, a suíte costuma receber até 200 pessoas em noites especiais. Mas não se trata de nenhuma festa do cabide ou orgia coletiva. Motéis, drive-ins, bares de strip- tease e inferninhos do centro paulistano tornaram-se opções de balada original (e sensual) para quem quer surpreender os convidados até na hora de dar o endereço da festa. E vale tudo: desde a comemoração do aniversário até a confraternização do pessoal da firma.
O empresário Alexandre Porcelli, 23 anos, sempre gostou de ouvir os amigos lhe cantarem o parabéns em lugares inusitados. Este ano a festa aconteceu no Harmony. Quando mandei os convites, as pessoas me ligavam para perguntar se seria um bacanal. Então eu explicava que a festa era em um motel, mas era de família, brinca Porcelli. Segundo Alberto Miranda, proprietário do lugar, as festas no Nagoya costumam mesmo ser bem comportadas. Por ser em um motel, fica todo mundo meio tímido. Mas no final, sempre tem gente que conhece alguém interessante e aluga uma outra suíte para uma festinha a dois, revela.
Nos quatro andares com decoração oriental, os convidados se divertem a seu modo, tal qual numa casa noturna. As duas camas (uma delas com colchão dágua) costumam funcionar como lounge para quem quer relaxar e conversar enquanto toma uma bebida. O diferencial é a cama que fica suspensa no teto presa a correntes e pode ser colocada no meio da pista de dança por um mecanismo comandado da cabine do DJ. Quando a festa comeca a ferver, a cama desce, conta Miranda. Outro ponto alto da noite são as cenas protagonizadas pelos mais afoitos que mergulham na piscina. Mas o preço da diversão é salgado: R$ 35 por convidado, sem incluir os serviços do DJ e o staff da festa. Apenas as bebidas.
Se o bolso não banca o motel, o negócio é procurar um drive-in. E a solução também vale para as baladas. O Super Drive-in, no bairro da Barra Funda, também anda servindo de cenário para festas. As mais recentes foram as dos 17 anos da revista Trip e a organizada pelos estudantes da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU). O pessoal monta a pista no meio do drive-in e os boxes em que os clientes passam o pernoite viram lounge, bar e lanchonete, conta Wagner Gary Escalante, proprietário do lugar. O aluguel do espaço para mil convidados sai por R$ 4 mil. O vantajoso é que esses eventos revitalizaram o drive-in. Tem quem venha para as festas e depois acaba virando freguês, afirma Escalante.
Se a idéia é estar em uma festa onde a luxúria está no ar, a boate Love Story é a opção dos famosos. O lugar, que fica no centro paulistano, abre as portas no meio da madrugada e é frequentado por garotas de programa que geralmente aparecem por lá para se divertir depois do expediente. Elas vêm para se distrair. São bem recebidas como qualquer cliente, conta João Tiago de Freitas, o tio João, gerente da casa há 12 anos.
A boate Love Story (acima) recebe famosos e baladeiros, como a secretária Darya Darrigo: O clima aqui é amigo
Aqui a balada não tem hora para acabar e o clima é amigo, diz a secretária Darya Gloria Darrigo, 18 anos. Segundo Freitas, além de jovens arrumadinhos e endinheirados (os mauricinhos e as patricinhas), já se esbaldaram na pista de dança celebridades como a atriz Luana Piovani, a cantora Bebel Gilberto, o jogador Ronaldo e colunáveis como Álvaro Garnero e João Paulo Diniz. Aqui eles se sentem em casa e ninguém fica pedindo autógrafo, explica.
E os mais moderninhos (ou insiders, termo que eles usam para se diferenciar dos demais mortais) aderiram à idéia da sexy party (festa sexy). O bar Executivo, conhecido por realizar shows de strip-tease no centro de São Paulo, é um dos locais que abrigam a balada mensal de música eletrônica Horny Bunny (coelho com tesão, em tradução livre).
Da cabine do DJ o som é o electro, daquele bem parecido com o pancadão carioca. Os frequentadores da noite seguem a rigor o traje proposto pelos organizadores da festa. O visual mistura referências dos anos 70 e 80, cheias de brilho, cabelos escovados estilo As panteras e maquiagem forte. Não faltam meias-arrastão, scarpins coloridos ou tênis de cano alto.
A empolgação com a balada é tanta que alguns desfilam pelo Executivo com as palavras horny bunny pintadas com canetinhas hidrográficas no corpo. Para divulgar a festa, os promoters possuem uma lista com os e-mails da turminha deles os insiders , que inclui o povo da moda, jornalistas e artistas plásticos. Tudo bem sexy, diz o flyer-e-mail.
Comments:
Sexta-feira, Março 12, 2004
Posted
8:16 AM
by Cassiano Leonel Drum
Morde e assopra
Um roteiro crocante e muito bem recheado com os melhores pastéis do Rio de Janeiro
Flávia Motta
O segredo da massa do Álvaros é levar cachaça e cerveja na mistura
Os admiradores da baixa gastronomia vão dizer que não tem jeito: pastel bom mesmo é de feira. Mas, iguaria que poucos têm coragem de recusar, ele não fica à mercê do temporário comércio em barraquinhas e é estrela não só em pastelarias. Faz sucesso também em bares e restaurantes, novos ou tradicionais. Mesmo sem caldo de cana pra acompanhar.
Pastel de feijão: Bar do Mineiro
No Álvaros, por exemplo, Seu Manolo Casal fez da receita da avó espanhola o sucesso da casa. Quase todos os clientes pedem pastel como entrada, conta. Doses de cerveja e cachaça são o truque na santa massa produzida pelo pasteleiro Francisco de Assis, há 12 anos na casa. Mas o recheio também tem que ser bem feito, porque massa é só 50%, garante Manolo.
O Belmonte , no Flamengo, tem uma clientela fiel ao seu quitute
Foi também caprichando no recheio que Antônio Rodrigues fez dos pastéis o grande sucesso do Belmonte. ¿Desenvolvi as receitas na base do erro e do acerto¿, conta ele, cujos truques são não fazer cremes para os recheios. Acho que não dá para sentir o gosto direito. Meu camarão é temperado só com azeite e alho e o palmito, apenas passado na manteiga, revela Antônio, que aprendeu sozinho a fazer a massa.
A receita dá mesmo certo. As médicas Fabiana Leite, 28 anos, e Flávia Lemos, 27, que o digam. A gente sempre pede pastel aqui. É crocante, sequinho e muito recheado, elogia Fabiana, fã da mistura de carne seca com catupiry. Admiradora do sabor de camarão com catupiry do Belmonte, Flávia também cita um concorrente: O do Siri da Vila é muito bom.
E, apesar de tradicional, o pastel sempre pode surpreender, como no recheio de feijão do Bar do Mineiro. Estava conversando com o fornecedor, pensando em algo que tivesse a ver com os mineiros. Aí surgiu a idéia de colocar couve, carne seca e feijão no pastel. Até hoje tem gente que estranha um pouco, mas quem prova, adora e sempre pede pela pimenta. Hoje é meu petisco mais vendido, garante Ângela Paixão, sócia-gerente do bar, que também oferece a opção de carne seca com abóbora, mais antiga.
Mas o paraíso do pastel fica no Grajaú. Pelo menos é assim que se intitula o Bar do Adão. Também, pudera, são 30 tipos no cardápio, além daqueles que ainda são servidos como prova para os clientes. Entre as opções, há boas surpresas, como o de tomate seco, gorgonzola e rúcula, o de lagostim com champignon e o de frango com nirá.
Essas combinações são idéias dos meus irmãos, que lêem muito sobre culinária. Mas os novos sabores só entram no cardápio depois de serem aprovados pelos clientes, conta Rômulo Ferreira Costa, um dos donos do bar.
Comments:
Posted
8:07 AM
by Cassiano Leonel Drum
PORTUGUESA X FLAMENGO
Vitória pra embalar
Após três empates seguidos, Flamengo de Felipe derrota a Portuguesa (1 a 0, gol de Jônatas) e volta à briga na Taça Rio
Mauro Leão
Bastou Felipe voltar ao time para o Flamengo reencontrar o caminho da vitória. Mesmo sem estar 100% no melhor de sua forma, o craque fez a diferença, apesar de ter perdido um pênalti e de ter sido marcado em cima pela defesa da Portuguesa
O Flamengo teve de superar as suas deficiências técnicas para conseguir derrotar a Portuguesa, por 1 a 0, ontem, na Ilha do Governador. Mesmo com o reaparecimento de Felipe, o time voltou a apresentar antigos erros, mas, enfim, continua na briga por uma das vagas na semifinal da Taça Rio. Marcelão e Felipe perderam pênaltis, defendidos pelos goleiros.
Resfriado e longe das condições ideais, Felipe comandou o Flamengo e foi vítima da violência dos adversários. Apesar de ter perdido um pênalti, aos 10 minutos do segundo tempo, que ele mesmo sofrera, o ¿maestro¿ não teve a sua atuação comprometida. Foi dele o passe genial para Jônatas marcar o gol único da partida.
Irritado com a demora de Rafael, Felipe tomou a bola dos pés do companheiro e fez um lançamento milimétrico para Jônatas, na cara do goleiro, completar a gol, aos 35 minutos do segundo tempo.
Na verdade, o Flamengo, mesmo em tarde pouco inspirada, mandou na partida. Teve maior volume de jogo, as melhores oportunidades, mas esbarrava na inoperância dos seus atacantes. Jean e Diogo irritaram tanto a galera que chegaram a ser chamados de Debi & Loide, a estabanada dupla de personagens do cinema americano.
O início da Portuguesa foi marcado pelas faltas violentas sobre Felipe. Logo aos 4 minutos, Marcelo Cardoso quase quebrou o ídolo rubro-negro, fazendo uma falta digna de expulsão.
Aos 28 minutos, num contra-ataque fulminante, a Lusa pegou a defesa do Flamengo desprevenida. Allan tinha condições de marcar, mas foi derrubado por Fabiano Eller na área. Marcelão cobrou com displicência, e Diego, substituto de Júlio César, fez a defesa.
Abel Braga realizou mudanças no segundo tempo e o time cresceu de produção, mesmo errando muito. Da Silva deu a vez a Jônatas, Diogo a Flávio Nunes, e Jean foi trocado por Rafael Gaúcho.
Foi Rafael Gaúcho quem proporcionou o lance mais bonito da tarde. Ele recebeu cruzamento de Roger, da esquerda, e de bicicleta quase fez um golaço. O goleiro Éverton fez difícil defesa, salvando a Portuguesa. No fim, o time da casa ainda perdeu duas grandes oportunidades. Numa delas, Henrique salvou quase na linha de gol.
Comments:
Posted
8:04 AM
by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
12/03/2004
A hippie moderna
Acabo de voltar da Bahia. Lugar mágico. Passada a loucura do Carnaval, a Bahia fica de ressaca, mais tranqüila. E foi lá que eu recuperei as minhas energias e sai do ar. A primeira parada foi o Txai, em Itacaré. Paraíso chiquérrimo. Depois foi Trancoso, Espelho das Maravilhas e Caraíva. Esta última é reserva dos Indíos Pataxós e não tem luz. E lá fomos nós, eu e minha amiga Laura alugamos um carro e cruzamos o agreste. A curiosidade era grande. Já tinha ouvido falar muito do lugar e da moçada local. Depois de andar um tempão, encontramos uma praia linda com um rio que desaguava no mar. O lugar já estava bem vazio. A nativada, como eles chamam, dominava a cena. Nada de turistas ou hippies. Só muita paz e belezas naturais.
Na saída, uma menina pede carona. Veronic. Era italiana e tinha ficado uma semana hospedada numa oca. A longa viagem de volta ficou curtinha, embalada pelas histórias da garota. New hippie assumida, ela saiu de casa com 16 anos. Disse que na Sicília todo mundo era muito careta para o seu jeito livre de viver. Foi para Londres morar em um scott. Falava um português perfeito, graças a um ex-namorado brasileiro. Parou de estudar cedo e disse que não gostava de trabalhar.
Sua grande paixão, a música eletrônica. Seu mantra, o trance. O atual namorado, um DJ inglês, a quem não via há um tempão. O cara andava em turnê pela África do Sul. Mesmo comprometida, se entregou aos encantos de um dançarino nativo de forró. Casar, nem pensar! Só faria isso se fosse pra ajudar um amigo estrangeiro a ficar legal na Europa.
E assim ela ia, mudava de assunto tão rápido que eu nem conseguia acompanhar. Perguntou o que eu fazia. Ela disse que não via TV há dois anos e que as notícias pesadas lhe davam indigestão. Perguntou para onde íamos depois da Bahia. Quando contei que estávamos indo para o show do Fat Boy Slim no Rio, achou banal. Disse que o cara tocava em qualquer esquina de Londres, e que aqui no Brasil ela buscava novos ritmos.
Veronic conheceu as estrelas e as praias brasileiras sem programar nada. A impressão que dava é de que ela viajava com o som do mar. O papo inesperado no carro me fez repensar a vida. Sempre fui livre, mas a liberdade da italianinha me pareceu bem mais gostosa. Seu único projeto é voltar no próximo ano com um telescópio para ficar mais pertinho do céu. O seu sonho, poder um dia voar. Eu e minha amiga continuamos a nossa viagem. O show no Rio até que foi legal. Já conhecer Veronic foi uma experiência única.
Beijolas livres no coração.
Comments:
Posted
8:01 AM
by Cassiano Leonel Drum
Gabriel Moojen
12/03/2004
As mulheres
Passei a semana ouvindo falar das virtudes das mulheres. Cheguei a me sentir menos. Todo mundo fez alguma coisa. Teve show em São Paulo com a Rita Lee, Zélia Duncan, Paula Lima. A Martha Medeiros escreveu sobre a mulherona, a Cláudia Tajes me falou que o Verissimo escreveu algo parecido, que aos homens só restava ser drag queen. Minha namorada fez um programa de rádio especial, as amigas delas ligaram, um cara deu bombom para as mulheres da redação lá da TV, enfim, a semana foi delas. Eu de me minha parte só escutei, quase pedindo desculpas por ser homem. Esse ser tão insignificante, opressor, machista. E fui aos livros.
Elisa Lucinda: "Há de se ter cautela com essa gente que menstrua...". Eduardo Galeano: "Eu adormeço às margens de uma mulher, eu adormeço as margens de um abismo". E fui aos CDs. Gilberto Gil: "Minha porção mulher que até então se resguardara é a porção melhor que trago em mim agora". Rita Lee: "Toda mulher é meio Leila Diniz". E fui a Deus, combinar que na próxima vida eu nasceria mulher.
Não dessas mulheres que cuidam demais das compras, que pensam em se casar para cuidar dos maridos, até porque isso nem existe mais. Quer dizer, tem as nossas avós, algumas mães e raras filhas. Dizem as más línguas que o homem queria mesmo ficar grávido. Eu já coloquei um travesseiro na camisa para ver eu com oito meses. Mas o quê!
Não foi assim que vim. Vim para ser esse cara que acaba consumindo uma vida apenas para apreciar a mulher. E ouvir o que elas tem para contar, e tentar respeitar e tratar bem. Hoje a mulher quer dividir a conta. Não a minha, pois eu ainda acho que se o homem pode, deve fazer essas gentilezas. Mas o negócio não está nessa questão. Respeito é pra quem tem e é essa a base de qualquer história. De homem com mulher e de mulher com mulher e de mulher consigo mesma. Então olhei e vi que meus chefes são quase todas mulheres. Que a maioria das pessoas de destaque da minha área são mulheres e que elas já dominaram o mundo. Na minha vida eu sempre preferi ter amigas do que amigos.
São mais sensíveis, têm mais intuição e agora têm várias que pegam onda e jogam futebol. O que fazer? O mundo é delas. Para nós, homens, resta a resignação. A admiração. O medo. O amor. Com tudo isso reflito e chego à conclusão que por essa vida resta mesmo é torcer para que sempre o homem encontre uma mulher. E a mulher encontre um homem. Para que se cuidem e se mereçam. Para que enfim possam se transformar naquele ser que Platão desenhou. Unidos os dois, completos cada um fazendo a sua parte. Sem mais, nem menos. E para as mulheres, Leilas, Ritas, Paulas, Zélias, Jus, Mães, Marianas, Elisas, Claúdias, Marthas, Alices, Virginias, Ros, Marlas, Cássias, Lumas, Darlenes, Amélias, Capitus, Beneditas, Marias, Lyas, Clarices, meu muito obrigado. Me escrevam. Beijos.
gabriel@rbstv.com.br
Comments:
Posted
7:58 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
12/03/2004
A capa da Zero de hoje
Meu avô estava morrendo. Enfisema pulmonar. Havia um mês ele jazia na cama - a primeira vez em 60 anos que passara mais de uma semana sem trabalhar. Durante esse período, ele foi ficando paulatinamente irritado, de uma forma como nunca ficou na vida. No final, meu avô pouco falava, torturado por todas as dores e desconfortos da doença. Mas eu conseguia conversar com ele, às vezes.
Numa dessas vezes, um dia antes dele morrer, sentei-me à beira de sua cama e, na tentativa de distraí-lo, puxei assunto:
- Viu o golaço que o Zico marcou, vô?
Ele me olhou do fundo do travesseiro. Falou baixinho:
- Eu estou morrendo. E tu vens me falar de futebol.
Foi como se tivesse levado um tapa. Ele nunca havia me censurado assim. E estava certo. Eu fora insensível. Fora estúpido. Então, compreendi o que meu avô sentia na prisão daquela cama. Ele estava morrendo, e sabia disso. O que podia ser mais importante para ele do que a própria morte? O que era mais poderoso, trágico e formidável? Nada, nada.
Mas ele sabia também que por um par de minutos daqueles mesmos dias eu me encantara com o gol do Zico. Sabia que suas filhas, seus outros netos e até sua companheira de tantos anos deviam ter sorrido, em algum momento. E que todos nós e o mundo todo continuaria a sorrir e a viver depois que sua vida terminasse. Essa compreensão foi terrível para o meu avô.
Lembrei do meu avô ao deparar com a capa da Zero Hora de hoje, a qual, óbvio, tive acesso ontem à noite. Porque essa capa, o sinistro atentado na Espanha, a barbárie de Viamão, essa capa não deveria existir. Essa capa é tão tremendamente horrenda que se torna impossível explicá-la - não há ponderação filosófica capaz de lhe conceder algum sentido.
Mas, mesmo com todo fragor e sangue dessa capa, as pessoas continuarão sorrindo, amando, trabalhando e se encantando com gols. Ainda que poucos fatos pareçam tão importantes quanto os que estão nas primeiras páginas dos jornais de 12 de março. Ainda que pareça injusto e até cruel. Não é um conforto. É um fato. Outras capas virão.
david.coimbra@zerohora.com.br
Comments:
Posted
6:38 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
12/03/2004
A náusea de Viamão
O horror brasileiro era estampado e resumido ontem em todas as redes nacionais de televisão com a tragédia acontecida no casebre da Vila Santa Cecília, aqui em Viamão.
Uma mulher de 36 anos, com oito filhos (!), teve cinco deles, menores de dois a nove anos, assassinados pelo seu companheiro, que não era pai de nenhuma das crianças.
Sabe-se da capacidade que o ciúme e o desprezo passional têm para transtornar as pessoas a ponto de levá-las a comportamento tresloucado.
Mas esse assassino de Viamão, um jovem com apenas 18 anos, transpôs todos os limites.
Na noite de anteontem ele tinha sido mandado embora por sua companheira. Ontem pela manhã ele voltou ao lar, imobilizou as seis criancinhas, foi esfaqueando uma a uma sob a vista das outras, o sangue jorrou pelo humilde chalé, palco talvez do mais trágico e perverso crime ocorrido em nosso meio em todos os tempos.
Observem bem, há nesse massacre os quatro componentes centrais e correlatos da atual tragédia social brasileira: o desemprego (o assassino é desempregado), o subsalário (a mãe das cinco crianças mortas é catadora de papel), a falta de planejamento familiar (o assassino era o quarto marido da mãe dos assassinados, que tinha oito filhos, com apenas 36 anos de idade) e finalmente o crime, este nefando fantasma que paira atualmente sobre a sociedade brasileira.
Estava completo o coquetel de calamidades que culminaria na catástrofe.
O delegado que atendeu o caso ficou impressionado com a frieza e a naturalidade do assassino em suas declarações, os mais experientes repórteres que estiveram no local do crime sentiram um grave enjôo existencial.
Essas pessoas maltratadas pelo destino e vergastadas pelo desemprego e pela pobreza já não têm mais qualquer escala de valores ou apego pela vida própria nem pela dos outros.
Elas foram tão agredidas pela vida que não vêem diferença entre serem recolhidas a uma prisão ou permanecerem em uma falsa liberdade de miserável desatino.
Talvez a mãe das crianças assassinadas fosse a única e frágil âncora que ligasse ainda o assassino à vida, mas depois que ela o enxotou de casa ruíram por completo as suas últimas esperanças e a agonia do ciúme levou-o à loucura da vingança.
O ciúme não é só o medo de perder, como já expliquei outro dia. É principalmente o horroroso medo de perder o objeto querido para outro.
Nesse caso, o assassino não matou a mulher porque a amava e não teve por isso coragem de matar-se a si próprio ao eliminá-la.
Preferiu agredi-la e torná-la igual a ele, perpetuamente infeliz e tonto pela vida.
Mas o que impressiona é que uma mulher de 36 anos, juntadora de papel, oito vezes grávida e oito vezes mãe, assim desgastada pelas sucessivas maternidades e pela atividade penosa de passar o dia catando papel, ainda assim tenha conseguido inspirar ao assassino uma tal sedução e um tão profundo e mórbido ciúme.
E doeu profundamente em toda consciência gaúcha ontem o macabro ritual de cinco criancinhas sendo esfaqueadas, uma por uma, a menor dela de dois anos, atônitas, perplexas e estupefatas com o castigo máximo que estavam sofrendo sem terem praticado a mínima travessura.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
Comments:
Posted
6:36 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ruy Carlos Ostermann
12/03/2004
Estratégia
Revela-se na contratação por quatro anos do jovem Alex, 21, que era a estrela inicial do Guarani, de Campinas, a estratégia mais consistente do Inter de Fernando Carvalho. Porque é o presidente que está por trás dessas iniciativas, ele trata pessoalmente da contratação, como agora, e é de sua agenda que saem os nomes de futuros jogadores como Alex. A estratégia tem dois lados: um é o de reforçar o grupo, oferecer talvez 20 jogadores equivalentes para o técnico Lori Sandri, o que é mais do que tem a maioria dos clubes brasileiros; outro é o de valorizar o patrimônio do clube, admitindo-se as circunstâncias em que as negociações são feitas, garantindo-se na propriedade do jogador e, por conseqüência, no ressarcimento financeiro.
Outra política seria contratar por tempo limitado - um ano, seis meses - e cada início de temporada ter de refazer o estoque de jogadores com a possibilidade de perdas e diminuições. A ampla troca de jogadores livres, sem passe, apenas com contrato de trabalho, é a alternativa mais usada mas é, também, a que prejudica o trabalho de prazo médio dos times. Não se pode trocar mais de quatro jogadores por temporada, ao menos não nas posições fundamentais: goleiro, zaga, meio-campo e centroavante. A estratégia do Inter leva em conta essa exigência e cogita de um futuro que pode estar no ano que vem ou um pouco mais adiante.
O investimento de R$ 800 mil quase é surpreendente. Mas é uma medida do projeto.
Dentista
Antes do Gre-Nal, na sexta-feira, estando eu deitado na cadeira do dentista Olavo Loretto que tratava de me salvar de um dente lascado nas férias, o Paulo César Vasconcelos, da ESPN Brasil, me perguntou se Inter e Grêmio seriam capazes esse ano de, um de se recuperar literalmente e outro de repetir-se ainda melhor, e respondi que sim. O Gre-Nal, tenho certeza, comprovou para os amigos da mesa dirigida pela Soninha que não estava fazendo uma consideração vaga mas que tinha bons elementos para ter essa certeza.
Teremos de comprová-la.
A obra
Já está na mesa do Sergius Gonzaga, diretor do IEL, o projeto de reunir os melhores textos de Décio Freitas, fazer um livro caprichado e lançá-lo na próxima Feira do Livro. Décio foi Patrono da Feira, não faltou um dia, dava entrevistas enérgicas (lembrei ontem para os amigos no Copacabana a sua bem conhecida afirmativa de que, se a classe média lesse, tudo estaria resolvido), só não bebeu cerveja, como se faz em novembro, porque odiava cerveja, sempre a comparando com urina, o que era um exagero mas bem deciano. Ele tem mais de 10 livros publicados, o Rovílio fazia circular um, de 85, Brasil Inconcluso, com alguns trabalhos brilhantes (serviu para o Manfrói ler opiniões de Galeano, entre outros, na cerimônia do enterro), que deveria servir como documento de sua candidatura à Assembléia Constituinte. Identificar o melhor do melhor numa coletânea é de justiça.
Mas a outra obra insuperável do Décio Freitas que foram as suas teses, antíteses, verbetes, tiradas e histórias pessoais quase inverossímeis - ontem, na mesa comprida do Copa, Sérgius e Voltaire, amigos e fidelíssimos depositários de seus testemunhos, lembraram muitas - provavelmente vão ficar para a eternidade de nossos encontros como ele as deixou, na gostosa e divertida fruição da conversa.
Comments:
Posted
6:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
O terror ataca em Madri
Pelo menos 190 pessoas morreram com explosões de dinamite em trens superlotados. O premier espanhol José María Aznar declarou que "O 11 de março já ocupa um lugar na história universal da infâmia"
Na estação ferroviária de Atocha, uma das três atingidas pelos atentados, bombeiros retiram corpos e montam posto de socorro para os mais de mil feridos (foto Paul White, AP/ZH)
Comments:
Quinta-feira, Março 11, 2004
Posted
6:39 PM
by Cassiano Leonel Drum
Amei de paixão esta canção do Nilson aí abaixo. Embora Porto Alegre seja a minha cidade de adoção, aprendi a admirar e a vivenciar estas ruas e estes bairros que nesta canção ele relata com tanto encanto. É Porto Alegre, será difícil viver muito tempo longe de você...
Nilson Souza
11/03/2004
Canção de Porto Alegre
Minha cidade é demais.
Tem uma orquestra sinfônica e uma menina que dá cambalhotas no ar como um beija-flor púrpura. Tem um planetário futurista com estrelas artificiais e o mais belo pôr-do-sol do planeta. Tem um teatro encantado e uma ponte de pedra freqüentada nas madrugadas de neblina por invisíveis casais açorianos. Tem uma usina de cultura, uma praça de livros, um mercado de cheiros, um chalé de fotografias antigas e um laçador de bronze a vigiar-lhe a entrada.
Minha cidade é colorida.
O verde da esperança semeia serenidade por seus parques e morros, o cinza da saudade tinge de mistérios seus prédios históricos, o alumínio da transparência exalta a beleza de seu rio de múltiplos braços, o ouro da fé ilumina os vitrais de seus santuários, o azul e o vermelho das paixões exacerbadas disputam o coração de sua gente.
Minha cidade é única.
Há um trem aéreo que leva do nada a lugar algum, mas basta um pouco de imaginação para se fazer uma viagem de sonhos por seus bairros inspiradores.
Quer melhorar o astral? Vá da Tristeza à Glória. Quer fazer um roteiro religioso? Conheça o Menino Deus, o Bom Jesus, o Cristo Redentor, o Espírito Santo e tantos outros santos e santas que viraram recantos aprazíveis para se morar. Aventura e turismo? Entre na Floresta, enfrente os Moinhos de Vento, visite o Partenon, escolha entre o Belém Novo e o Belém Velho. Se encontrar uma Pedra Redonda, examine bem que pode ser um Cristal. Seja um dos muitos Navegantes, procure uma Praia de Belas e uma Bela Vista que a sua viagem imaginária certamente terá um Bom Fim.
Minha cidade é um porto.
Tem gente que chega e gente que sai. Tem gente que parte e gente que comparte. Tem gente que espera e gente que desespera. Tem gente que chora e gente que vai embora. Tem gente que acha graça e gente que se abraça. Tem gente que diz para sempre e gente que diz jamais.
Mas todos concordam que Porto Alegre é demais.
nilson.souza@zerohora.com.br
Comments:
Posted
4:17 PM
by Cassiano Leonel Drum
Guerra de tarifas faz Varig, TAM e Gol baratearem os preços
Quarta, 10 de Março de 2004, 23h37 O trecho Porto Alegre - São Paulo,
Fonte: INVERTIA
A guerra de tarifas das companhias aéreas brasileiras voltou a esquentar. No mesmo dia em que a Varig e a TAM anunciaram tarifas promocionais para os vôos noturnos, apelidados de corujão, a Gol Transportes Aéreos reajustou sua tabela. Atualmente a Gol é a única companhia com autorização permanente para operar neste horário. Os vôos da Varig e da TAM começam a funcionar em caráter de experiência na próxima segunda-feira, dia 15.
A Gol ganhou autorização no fim do ano passado para operar vôos noturnos na alta temporada, de 18 dezembro a 29 de fevereiro. Este ano, conseguiu junto ao Departamento de Aviação Civil (DAC) que estes vôos passassem a ser definitivos a partir do dia cinco de março. A concorrência imediatamente correu atrás.
por exemplo, caiu de R$ 129 para R$ 112. Já na Varig e na TAM - que adotaram tabelas idênticas - o mesmo destino sai por R$ 119. O passageiro, neste caso, consegue um desconto de quase 6%.
Outro exemplo da briga das companhias é o trecho SP - Salvador. Na Varig e TAM a viagem custa a partir de R$ 169. Na nova tabela da Gol, sai por 162. Na ponte-aérea Rio/São Paulo a passagem do vôo noturno da Gol passou para R$ 50, cada trecho.
Os passageiros devem ficar atentos, no entanto, porque todas as tarifas promocionais têm número limitado de assentos, com quantidades variáveis por vôo. Para reduzir custos, as empresas fazem a venda desses bilhetes por meio de seus sites ou por telefone.
Comments:
Posted
4:07 PM
by Cassiano Leonel Drum
A "monstruosa" série de atentados em Madri, o "pior ato terrorista" na UE
11h23 - 11/03/2004
GENEBRA, 11 mar (AFP) - Qualificado de "monstruoso" pelas Nações Unidas, de "pior ato terrorista cometido na União Européia" pelo Parlamento Europeu, ou de "barbárie" pelo Conselho da Europa, o quádruplo atentado desta quinta-feira em Madri provocou consternação no mundo inteiro.
Na longa série de qualificativos que expressam a reprovação geral, o Papa João Paulo II utilizou o de "execráveis", a Alemanha, pela voz de seu ministro de Relações Exteriores, Joschka Fischer, de "abomináveis", enquanto seu colega britânico Jack Straw considerou os ataques "repulsivos e indignantes". Por sua vez, o presidente francês Jacques Chirac falou de atuações "irresponsáveis".
"Os terroristas do mundo inteiro compartilham, digam o que disserem, o mesmo desprezo pelas vidas humanas e por todos os direitos humanos", estimou o alto comissário interino, Bertrand Ramcharan, em um comunicado.
"Os terroristas têm que saber que com atentados sem escrúpulos e monstruosos como os de Madri, não conseguirão destruir o edifício do direito internacional nem dos direitos humanos que a humanidade internacional constrói há tantos anos", acrescentou Ramcharan.
O chefe do Governo italiano, Silvio Berlusconi, assegurou sua solidariedade a seu colega espanhol, José María Aznar, enquanto o ministro irlandês do Exterior, Brian Cowen, cujo país preside atualmente a União Européia, se disse "transtornado" por este quádruplo atentado.
Para o primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt, "são atos bárbaros que têm por efeito uma lição: é preciso continuar a luta contra o terrorismo, continuá-la sem descanso".
Comments:
Posted
8:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
A dona do pedaço
Querida pelas companheiras, Milene se apresenta à Seleção e vira o centro das atenções na Granja Comary
Ana Carla Gomes
Milene Domingues voltou à Seleção em clima de festa, e de novo como centro das atenções. Ao se apresentar ontem ao técnico Renê Simões, na Granja Comary, em Teresópolis, a ex-mulher de Ronaldo, do Real Madrid, mostrou que deixou boas recordações durante sua primeira passagem pela equipe, ano passado, e foi recebida pelas companheiras com beijos, abraços e muitas brincadeiras.
Milene foi recebida por Renê Simões, que teve boa impressão da jogadora
Na primeira vez, rolou uma especulação se eu tinha sido convocada por causa do nome ou pelo Ronaldo. Mas foi mais por parte da imprensa do que dessa galera. Elas entenderam que aqui sou só mais uma, e a recepção é igual para todas. Vou brigar para ir à Olimpíada de Atenas e por uma vaga no time titular, afirmou Milene, que atua no Rayo Vallecano e terá de se reapresentar ao clube espanhol daqui a 15 dias. Kátia Cilene também começou a treinar ontem com o grupo, assim como a goleira Fernanda, do Cascatinha, de Petrópolis, e a zagueira Bagé, do São Bernardo.
Milene chegou à Granja por volta das 9h, quando Renê conversava com o grupo. Quando ela chegou, tive de parar a reunião, porque já surgiram mil piadas. Ela tem um relacionamento muito fácil com o grupo, contou o treinador, que também causou uma boa impressão em Milene. A primeira impressão do professor foi a melhor possível. É um ótimo profissional, e muito humano, comentou.
No campo, a apoiadora foi vítima de uma brincadeira, recebendo um banho das companheiras. Vim de um frio danado na Espanha e aqui está muito calor. Elas me refrescaram, respondeu, levando na esportiva. Mas a brincadeira, repetida com outras jogadoras, levou o treinador a fazer um alerta ao grupo, antes do treino da tarde. A descontração é genial, mas não na frente da imprensa, criticou Renê, lembrando as brincadeiras feitas na Seleção masculina sub-23, que não se classificou para Atenas.
Milene diz já estar acostumada à vida de solteira
Quando o assunto é a separação de Ronaldo, Milene garantiu já estar acostumada com a vida de solteira. Já tem um tempo, né? Tenho de estar acostumada. A diferença é que agora não tenho que dar satisfação. De resto, não mudou nada.
Só mesmo a saudade do filho, Ronald, de 3 anos, deixa Milene triste. Foi triste ter de deixá-lo, mas já não foi tão difícil dessa vez. Ele ficou com o pai, que está podendo dedicar mais tempo a ele, porque está machucado, e com a minha sogra, contou Milene, corrigindo o deslize logo em seguida: Aliás, minha ex-sogra. Ela é tão boa comigo que eu ainda não me acostumei, brincou a apoiadora, referindo-se a dona Sônia, mãe de Ronaldo.
Em Madri, além dos treinos no Rayo Vallecano, ela se divide com o trabalho de comentarista de uma rádio, aos sábados, e de um dominical o Fútbol es Fútbol na Tele Madrid, nas noites de domingo. Consegui marcar meu nome como Milene lá na Espanha. No começo, eles me chamavam de Ronaldinha, que, além de feio, é um personagem, não uma pessoa.
A Susana (Werner) foi chamada assim, depois fui eu e, se o Ronaldo tiver outra namorada, ela também será chamada dessa forma, justificou a jogadora, tratando de desmentir a notícia de que participaria de um Big Brother na Espanha: Os responsáveis pela publicidade do programa divulgaram isso, mas nunca fui contactada. Mas eu não iria mesmo, disse Milene, que no treino da tarde deu um susto nas companheiras, ao levar uma pancada no rosto, na disputa de um lance.
Comments:
Posted
8:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
A festa no frio
O Salão da cidade do motor, Detroit, celebra a retomada e vendas de mais de 17 milhões de carros no mercado dos EUA em 2002
O modelo 2004 da tradicional picape foi apresentado em Detroit,totalmente redesenhado, e com um poderoso motor Triton V8 de 5,4 litros. A Ford disponibilizou cinco configurações diferentes para o interior, chegando a uma requintada cabine com bancos forrados de couro e assoalho de cromo
Um evento para celebrar os milhões. O North American International Auto Show, ou Salão de Detroit, começa no sábado mostrando que atentados são incapazes de abalar a paixão desse povo pelo automóvel. Enquanto no |