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Sábado, Março 20, 2004




Ponto de vista: Claudio de Moura Castro

O tempo do desenvolvimento

"Quanto mais tempo se perde por desorganização ou esperando pelos outros, menos tempo se utiliza produzindo e menos
riqueza é gerada"


Levei minha moto para ser consertada em uma pequena oficina no centro de Genebra. O mecânico abriu uma agenda (como as de médico) e me instruiu para que em oito dias voltasse com a moto às 2 horas e que fosse buscá-la às 3h15. E assim foi. Ainda naquela região, procurei um carpinteiro. Sem olhar a agenda, ele foi logo dizendo que estava ocupado pelos próximos três meses. Contudo, havia uma chance no fim de semana seguinte. Se chovesse, nada feito, não se abre telhado com chuva. Se fizesse sol, ele ia escalar um pico próximo. Mas, se o tempo estivesse nublado, aí talvez fosse possível. As cartas estavam na mesa, com toda a sinceridade.

Um professor chinês em Yale, segurando a xícara de café, ficava olhando o ponteiro de segundos do relógio da sala de aula. Quando marcava 8 horas em ponto, começava a aula. T. Watson, o legendário presidente da IBM, marcava reuniões para começar em horas quebradas, como 1h58. Quem chegasse depois pagava uma multa proporcional aos minutos de atraso. Na mesma IBM, um alto funcionário brasileiro quis apresentar um projeto na reunião de diretoria da sede. Recebeu uma alocação de, exatamente, 48 segundos para sua "conferência". Freqüentemente sou convidado para participar de seminários na Europa. Os convites chegam quase sempre com mais de um semestre de antecedência

Nos Estados Unidos é prática corrente lojas e oficinas darem um prazo máximo para a entrega dos serviços. Em geral, terminam antes. Mas o cliente planeja sua vida para o prazo máximo.

Ilustração Ale Setti

Aqui em Pindorama vivemos numa sociedade que mescla o melhor e o pior do respeito pelo tempo. Eu tinha um amigo radicado nos Estados Unidos. Na época em que morou no Rio, ele costumava marcar com seus colegas de tênis partidas para o dia seguinte. Não apareciam ou chegavam atrasados. Voltando a Washington, passou a marcar partidas com mais de três meses de antecedência. Na hora aprazada, estavam todos lá.

Na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, a conferência marcada para as 10 horas começará em horas diferentes, dependendo do ministério. No Itamaraty, começa na hora. Na área econômica, cabem alguns minutos de tolerância. Na área social, estão todos muito ocupados, e meia hora de atraso não é incomum. Curioso, os ministérios mais eficazes são aqueles em que as reuniões começam na hora.

Quem marca com o consertador do computador, da televisão, da pia ou da máquina de lavar terá uma surpresa se a criatura vier ¿ e mais ainda se chegar na hora marcada. Já nas empresas modernas, a chance de andar no horário é bem maior.

Mas o esplendor da irresponsabilidade com o tempo dos outros está nas burocracias públicas. Quanto comerá do PIB o tempo perdido por esperas e complicações desnecessárias? Muitas empresas brasileiras deixaram de financiar tecnologia com dinheiro mais barato da Finep pelo risco fatal de atrasos nos desembolsos. E os prazos erráticos do Judiciário? Na Educação, os alunos esperam pelos professores e vice-versa, malversando o tempo da educação.

Tais exemplos dizem o que todos já sabem, pelo menos na teoria: tempo é dinheiro. A riqueza é resultante do trabalho. O trabalho é a aplicação do tempo em atividades produtivas. Quanto mais tempo se perde por desorganização ou esperando pelos outros, menos tempo se utiliza produzindo e menos riqueza é gerada. E isso sem ganhar em lazer.

Alguém disse a Akio Morita ¿ o fundador da Sony ¿ que o Brasil era pobre porque os brasileiros eram malandros. A sua resposta é que via os brasileiros trabalhar até mais do que os japoneses. Mas eram pobres pelo mau uso do tempo.

É interessante notar que a famosa técnica japonesa do "just in time" não passa de uma forma de sincronizar o trabalho de um com o de outro, de tal forma que nem trabalhador nem matéria-prima fiquem parados esperando.

O respeito pelo tempo dos outros aumenta a produtividade social, pois o tempo de todos não é desperdiçado pelas esperas. Aliás, fazer com antecedência é mais rápido e mais barato. Planejamento é isso. O tempo do desenvolvimento é o aprendizado social de estruturar o tempo de cada um e cada um não atrapalhar o tempo dos outros.

Claudio de Moura Castro é economista
(claudiodmc@attglobal.net)

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A Seib/Traje: Dominique Lemieux/Cirque du Soleil

A peça O: acrobacias na piscina ao custo de 92 milhões de dólares

A carreira do canadense Guy Laliberté, fundador e presidente do Cirque du Soleil, é tão surpreendente quanto os shows que ele criou. Em 1984, aos 24 anos, ele andava de pernas de pau e engolia fogo nas esquinas de Montreal. Hoje, é dono de um patrimônio de 1,1 bilhão de dólares e entrou para a lista da revista americana Forbes que reúne as pessoas mais ricas do planeta. Ele é festejado como um dos maiores anfitriões do Canadá.

Todos os anos, abre sua casa para famosos depois da corrida de Fórmula 1 em Montreal. Laliberté é solteiro e muito amigo de modelos. A indefectível Naomi Campbell é presença constante no cirquinho pessoal do empresário e dizem que já foi algo mais dele.

Guy Laliberté: das apresentações na rua ao clube dos ricos da revista Forbes

O empreendimento que enriqueceu Laliberté tem escritórios em três continentes e 2 700 funcionários de quarenta nacionalidades entre os quais 28 brasileiros. Com nove espetáculos em cartaz pelo mundo, o Cirque du Soleil atrai atualmente 60 000 espectadores a cada fim de semana. O próximo investimento será no ramo hoteleiro.

Até 2017, serão construídos seis resorts do Cirque du Soleil, com boates, bares e cassinos que terão decoração temática e artistas que trabalharão para entreter os visitantes (espere por garçons malabaristas nas boates e trapézios na sala de ginástica dos hotéis).

Laliberté goza da fama de ter o toque de Midas. Desde sua fundação, o Cirque du Soleil estreou quinze grandes produções e nenhuma deu prejuízo. Em comparação, nove entre dez peças que estréiam na Broadway não têm o retorno esperado por seus investidores ¿ e elas são destinadas ao mesmo público do Soleil: gente disposta a pagar entre 100 e 400 reais por um ingresso. Especialistas atribuem o sucesso do Cirque du Soleil à decisão de não multiplicar os shows nem licenciá-los, o que limita o risco da perda de qualidade e de dispersar a atenção do público.

Das nove peças em cartaz no mundo, cinco são itinerantes e rodam pela Ásia, pela Europa e pela América. As demais são fixas, apresentadas em teatros em Las Vegas e em Orlando. O faturamento do Soleil, só com as apresentações de circo e a venda de DVDs e programas para emissoras de televisão, atinge 500 milhões de dólares. Para efeito de comparação, é a metade do lucro dos parques de diversão da Disney, a marca mais conhecida no ramo do entretenimento.

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E ficou pronto o prédio do Lalau

Heudes Regis

Na próxima sexta (26), será inaugurada a nova sede do Tribunal Regional do Trabalho, na Barra Funda. Iniciada há doze anos, a construção ficou paralisada entre 1998 e 2002, por causa dos 169 milhões de reais desviados pelo ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau. Confira alguns números do edifício:

86.500 metros quadrados
1.200 vagas no estacionamento
1.500 funcionários em 79 varas
63 milhões de reais gastos só para finalizar a obra

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Diogo Mainardi
Meu conselho ao presidente

"O álcool é o pior problema do Brasil. Lula deveria dar o exemplo e parar de beber em eventos a que comparece. No primeiro ano
de governo fomos informados sobre tudo o que ele bebeu em cada encontro político ou social"

Dou um conselho a Lula. Pare de beber em público. O álcool é o pior problema do Brasil. Pior do que a fome. Pior do que o desemprego. Pior do que a criminalidade. Pior do que a saúde pública. Porque ele agrava todos os outros problemas. Sessenta e cinco por cento dos acidentes fatais nas estradas estão relacionados ao consumo de álcool. Setenta por cento dos assassinatos também. Calcula-se que o alcoolismo seja responsável pela perda de 5% do PIB. Coisa demais para um país pobre como o Brasil. Coisa demais para um país em recessão. O combate ao alcoolismo deveria ser uma prioridade do governo.

Só que, para funcionar, Lula deveria dar o exemplo. Deveria parar de beber em eventos a que comparece. No primeiro ano de governo fomos informados sobre tudo o que o presidente bebeu em cada encontro político ou social. As notícias da imprensa a seu respeito sempre vieram acompanhadas por detalhes de suas preferências alcoólicas, independentemente do tema tratado. Sobre a reforma ministerial: "Antes de iniciar o jantar, tomando uma dose de uísque, Lula falou sobre quanto é difícil demitir um amigo". Sobre a lei orçamentária: "Enquanto comia um churrasco e bebia uísque, Lula afirmou que a receita não estava prevendo aquela arrecadação". Sobre suas viagens pelo interior do país: "Lula comeu einsbein com uísque Johnny Walker Black Label".

Lula costuma argumentar que ninguém pode resolver os problemas do Brasil com canetadas. Pode sim. Uma boa canetada pode eliminar o artigo da Constituição que permite aos infratores recusar-se a se submeter ao teste do bafômetro. Outra boa canetada pode proibir a venda de bebidas alcoólicas nas estradas. Outra boa canetada pode aumentar o imposto sobre o álcool. No supermercado perto de casa, uma garrafa de pinga custa 2,68 reais. Menos do que um litro de leite longa vida. Difícil imaginar que um país em que uma garrafa de pinga custa menos do que uma de leite possa prosperar.

Não se trata de uma questão moral ou de etiqueta. Nem de perda de autoridade. Lula deve parar de beber em público simplesmente porque o Estado não tem dinheiro para arcar com os custos do alcoolismo. No Congresso Nacional existem muitos projetos de lei que visam a limitar a propaganda das bebidas. O primeiro a ser atingido deveria ser o próprio presidente. Ele é o maior garoto-propaganda da indústria do álcool. Se parasse de aparecer com copos de uísque na mão, já seria um bom passo. Se, além disso, ele se abstivesse de tomar álcool e se engajasse numa campanha contra a bebida, o Brasil só teria benefícios. Lula até agora fracassou em todas as áreas. O saldo de seu governo é muito negativo. Parando de beber em público, ele finalmente seria recordado por algo de bom.

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Eles prometem, mas não agüentam...

Campanha pró-virgindade cresce nos EUA, mas só um em dez cumpre o voto de abstinência

Ariel Kostman - Reuters

Manifestação a favor da abstinência sexual: movimento tem apoio do governo Bush


Nos últimos anos, o movimento que defende a abstinência sexual para adolescentes vem ganhando força nos Estados Unidos. Baseia-se na tese de que se privar de sexo é a única maneira totalmente segura de evitar doenças sexualmente transmissíveis, como a aids, ou a gravidez indesejada. Sob o comando de grupos ligados a igrejas e com patrocínio oficial, a campanha tem produzido resultados notáveis. Quase 2,5 milhões de jovens já assinaram a carteirinha com voto de virgindade do movimento True Love Waits (o verdadeiro amor espera, em inglês). Assinar é, digamos, a parte fácil.

Pesquisadores da Universidade de Columbia que acompanharam 12.000 adolescentes durante oito anos constatam que 88% daqueles que prometem manter a virgindade até o casamento acabam tendo relações sexuais antes disso. Ou seja, quase nove em cada dez caem em tentação.

O levantamento revela ainda um lado inesperado da campanha pró-abstinência, este, sim, preocupante: quando decidem transar, os que fizeram votos de virgindade se protegem menos. Apenas 40% dos rapazes que pretendiam casar-se virgens usaram preservativo no último ano em comparação aos 59% dos que não prometeram evitar o sexo. No que diz respeito às doenças sexualmente transmissíveis, a taxa de contaminação foi praticamente igual entre os dois grupos.

"O movimento a favor de uma educação sexual baseada na abstinência está criando uma situação na qual ninguém tem informação adequada sobre como ter sexo saudável", disse Peter Bearman, chefe do departamento de sociologia da Universidade de Columbia e autor da pesquisa. "Com essa atitude, esses grupos acabam agravando os problemas que dizem querer resolver."

Apesar da pesquisa, a cruzada a favor de uma educação sexual baseada exclusivamente na preservação da virgindade deve ganhar ainda mais força. O movimento conta com o entusiasmado apoio do presidente George W. Bush. No ano passado, o governo americano destinou 135 milhões de dólares para centros de saúde, escolas e igrejas que realizem reuniões com o objetivo de convencer adolescentes a evitar relações sexuais antes do casamento.

Ao mesmo tempo, reduziu a verba para programas de educação que incentivam o sexo seguro. Em alguns Estados americanos todos os programas que fornecem informações sobre o uso de métodos anticoncepcionais e preservativos para adolescentes foram abolidos.

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Melindrosa

Estilo glamouroso dos anos 20 é referência nas coleções de outono-inverno que chegam às lojas
Marcia Disitzer

Anos loucos: tempo de mulheres melindrosas, pérolas e muita esperança. A década de 20 marcou o século passado pela sua ousadia e pelo desejo de liberdade. Elas subiram as bainhas e buscaram roupas mais simples mas igualmente glamourosas, capazes de dar espaço a novos anseios e passos.

Esse tempo, que parece estar lá atrás, é agora. O estilo dos anos 20 é referência nas coleções de inverno, que, aos poucos, vão chegando às lojas. Para usar sem ficar parecendo figurino de época, vale mixar símbolos dos anos loucos como perólas, vestidos enviesados, chapéus e franjas com jeans e peças contemporâneas. É a moda retrô em buca de sonhos urbanos.

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Sábado, 20 de março de 2004.

Marcelinho está fora do Estadual
Nova lesão do Pé-de-Anjo o afasta da equipe até o fim da competição
Carlos Monteiro

Definitivamente, este começo de ano é o pior da carreira de Marcelinho. Além de estar fora da semifinal da Taça Rio, por conta de nova lesão na panturrilha esquerda, o Pé-de-Anjo não terá condições nem mesmo de disputar a final do Estadual, caso o Vasco se classifique.

Marcelinho passou por uma ressonância magnética, que detectou um estiramento em sua panturrilha esquerda. Além disso, ele levou 10 pontos na gengiva, por conta de uma lesão na raiz de um de seus dentes.

Pela previsão dos médicos do Vasco, o apoiador deverá ficar de 20 a 25 dias para voltar a treinar com bola, o que, de antemão, já lhe tira qualquer possibilidade de disputar as semifinais da Taça Rio, marcadas para sábado e domingo. Como ainda teria de passar por um período de recondicionamento físico, ele também está fora das partidas finais do Estadual, previstas para os dias 11 e 18.

O Marcelo vem de uma seqüência de lesões. Logo que voltou de férias, teve um estiramento. Depois de quatro semanas, voltou e teve outra contusão e, agora, sofreu uma contratura no músculo solear da panturrilha esquerda. Ele treinou e jogou muito pouco e, desta vez, precisará de umas quatro semanas para se recuperar da lesão, diagnosticou o médico Alexandre Campello.

Visivelmente abatido, Marcelinho deixou São Januário carregando um vidro do antibiótico Amoxil 500mg, que terá de tomar por, pelo menos, uma semana, por conta do problema dentário. Embora otimista, o Pé-de-Anjo admitiu que é pouco provável que se recupere a tempo de disputar o Estadual.

Tenho boa recuperação e vou seguir à risca o tratamento, que deve durar de 20 a 25 dias. Mesmo que não participe da final, o Vasco tem um grupo forte, capaz de chegar ao título. Foi um golpe duro. Nunca passei por tantas contusões e nem fiquei mais de um mês entregue ao departamento médico, lamentou Marcelinho.

Apesar de perder a sua principal estrela, o técnico Geninho minimizou o problema. Claro que é ruim ficar sem o Marcelinho. Mas, como já declarei outras vezes, o Vasco é um grupo e não depende apenas de um jogador, entende o treinador.

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Lya Luft
20/03/2004


Esperança?

Alguém pergunta se tenho esperança no futuro. Tenho. Aí querem saber por quê. Bom, sempre achei que o ser humano é trapalhão mas não totalmente burro. Faz suas bobagens mas consegue contornar algumas, corrigir outras, remendar, melhorar, até se superar aqui e ali. Eventualmente chega a ser glorioso. Muitas vezes é bem miserável.

Faço um rápido retrospecto de minha própria vida, e vejo quantas bobagens cometi, quantos pecadilhos, pecadões, injustiças, quanto preconceito ainda carrego, quanta futilidade (um pouco é preciso, ou a gente fica solene - o que é muito pior, Deus nos livre da circunspecção). Muito desperdício de energia boa eu ainda gasto com coisas negativas. Se eu sou uma só, imagina um ser com bilhões de cabeças pensando torto: quanta chance de desatinos.

Mas quanta chance de melhorar. Depois da brutalidade das cavernas, da loucura das Cruzadas, da nada-santa-Inquisição, dos campos de concentração, e agora mesmo, - com a fome das áfricas e índias, a violência no Oriente e nas nossas ruas, a hipocrisia nas nossas casas, clubes e escolas, o desgoverno nos governos de todos os países, o desamor nos relacionamentos - mesmo assim alguém sempre se conscientiza e se corrige, e cresce enquanto ser humano.

No meio da matança, alguém descobre a cura de uma enfermidade grave. Milhares de casais estéreis podem ter filhos. Psiquiatras e psicólogos ajudam pessoas a terem a alma menos doente e a vida mais produtiva. Pessoas se aproximam por telefone ou por e-mail, e o mundo encolheu - há quem resmungue achando que internet é invasão de privacidade, mas eu acho que é um jeito maravilhoso de se dar as mãos. Mesmo que o outro more muito longe, a gente vê a cara dele em fotos anexas nos e-mails que contam as aventuras cotidianas, e o Sedex manda os presentes que antigamente levariam meses em lombo de burro ou fundo de navio.

As mulheres não precisam mais parir 15 filhos pra ficarem com meia dúzia porque o resto as doenças levavam quando não havia antibióticos nem vacina nem noções de higiene. E o preconceito de cor, religião ou posição social não impede mais casamentos nem mutila amores - ao menos imagino que seja assim entre pessoas civilizadas.

De modo que tenho esperança no futuro, e otimismo quanto ao presente - com reservas, claro, porque posso ser romântica, mas um pé na realidade ainda consigo manter. Razoavelmente.


lya.luft@zerohora.com.br

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Jorge Furtado
20/03/2004


Personagens

Os cinco personagens mais filmados da história do cinema são Sherlock Holmes, com 200 filmes, Drácula, com 160, Cristo, com 135 filmes, Frankenstein, 110, e Tarzan, com 94. A vida de Cristo já rendeu ótimos filmes: O Rei dos Reis (Nicholas Ray), O Evangelho Segundo São Mateus (Pasolini), Jesus Cristo Superstar (Norman Jewison), A Vida de Brian (Terry Jones), A Última Tentação de Cristo (Scorsese), Jesus de Montreal (Dennys Arcand).

Não tenho a mínima vontade de ver A Paixão de Cristo filmada pelo Mel Gibson, não consigo levar a sério filmes com nacos de carne humana e sangue jorrando. Não sou ateu a ponto de rir nem crente a ponto de chorar ao ver a mão de Cristo ser pregada em close e dolby stereo. Um crítico americano descreveu o filme como um espetáculo sadomasoquista, "para quem gosta de ver homens semi-nus serem chicoteados". Também não é o meu caso.

Acho que Sherlock tem mais filmes porque o policial é um gênero muito popular no cinema e Conan Doyle deixou dezenas de roteiros prontos, cada filme de Sherlock tem uma história diferente. O erotismo associado ao mito do amor imortal de Drácula vende muitos ingressos, mas algumas das refilmagens são apenas "filmes de vampiro", produções baratas com decotes generosos, cortinas esvoaçantes e castelos de papelão.

Drácula tem poucos figurantes e muitas cenas noturnas, sai baratinho. O mesmo vale para Frankenstein e Tarzan, grandes personagens, muito cinematográficos (visualmente interessantes), representantes de situações arquetípicas que sempre rendem boas cenas. Frankenstein tem muitas noturnas e só precisa de uma boa maquiagem. Tarzan tem cenários baratos e pouco figurino. Mas o bom personagem se constrói principalmente pelo seu conflito e, neste sentido, não há em toda a história um que se compare a Cristo.

Jack Miles descreve o personagem Cristo como "um sacerdote que é seu próprio cordeiro sacrificial, um cordeiro que é seu próprio sacerdote sacrificador, um pai que é seu próprio filho, um Isaac que é seu próprio Abraão". Nem Hamlet é tão interessante. (Hamlet ocupa o segundo posto no quesito "conflito interno", mas a peça tem muita conversa e pouca ação, fica bem melhor por escrito). A parte mais visual (e cinematográfica) da história de Cristo é pura violência, não é à toa que foi a preferida por Mel Gibson para arrecadar seus milhões.

Borges disse que as maiores histórias do mundo, a Ilíada, a Odisséia e os Evangelhos, "convidam a que sejam recontadas infinitamente", mas "no caso dos Evangelhos há uma diferença: a história de Cristo, a meu ver, não pode ser contada de modo melhor". Resumindo: não vi nem vou ver o filme de Mel Gibson. E gostei mais do livro.

jorge.furtado@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
20/03/2004


As alamedas da vida

Decido de repente caminhar da Santa Casa até a Zero Hora, largando da Sarmento Leite e transfixando o Parque Farroupilha.

Enquanto caminho pelas alamedas da Redenção, convenço-me de que o afeto obsessivo que nutro por este parque se deve aos laços estreitos que o ligam à memória da minha infância e adolescência.

Ali naquele lago em que andava de pedalinho, uma diversão que agora foi reinventada pela administração em forma de cisnes, quantas vezes encantei minha vida atirando pipocas às carpas que se encarapitavam umas sobre as outras, nunca vi tantos peixes em tão estreito espaço líquido, tão ansiosas por alimentos que eram capazes até de engolir por pressa e tumulto as redondas frutinhas de cinamomo que eram atiradas pelos garotos mais travessos.

Este parque está encravado nas mais doces recordações da minha vida. Nas tardes em que não havia outro programa, muitas vezes fui levar meus dois irmãos menores para remar nos barcos do lago, quando sobrava um troco para alugá-los.

E foi também ali na beira do lago hoje escuro pela falta de chuvas que aprendi a andar de bicicleta, daí porque me entristeci estes dias quando soube que havia a direção do parque extinto o aluguel de bicicletas, uma das maiores atrações dos visitantes, uma hora por cinco cruzeiros, meia hora por três cruzeiros.

Às vezes ainda sobrava um dinheirinho para fazer uma viagem alegre no trenzinho e comer um colorido algodão-doce.

Como custava pouco a felicidade!

Sinto que já vai terminando o verão, porque se estende por todo o parque um espesso tapete de folhas amarelas e outonais caídas pelo chão.

Os canteiros também mostram-se ralos de grama amarelada, é certo que estão economizando a água para regar os gramados, nestes tempos duros de estiagem.

Ali adiante não deixava de ser visitado o minizôo dos macaquinhos peraltas, alguns passos mais e chego a reviver intensamente por algum instante o realejo com o periquito vivo que apanhava um envelope que continha o presságio sobre a nossa vida e tocava a valsa enternecedora.

Logo em seguida, a grande piscina onde às vezes a canícula nos encorajava a tomar um rápido banho antes da vinda do guarda.

E estremeço quando me aproximo do Estádio Ramiro Souto, que era o estádio da Escola de Cadetes e onde nós, do Colégio Júlio de Castilhos, íamos praticar educação física.

Sobrevém-me a angústia daqueles tempos, quando após os exercícios e a retomada das roupas, os outros meninos todos corriam para o bar ou para as tendas e eu me quedava triste por não ter dinheiro para comprar a coca-cola, o mil-folhas, o churro ou a rapadurinha de amendoim.

Cedo as crianças topam com a inexplicável e intransponível parede das diferenças sociais.

Vou me aproximando da Venâncio Aires e me emociono com o alinhavo daqueles destaques pontuais da vida pregressa na minha lembrança.

Falta apenas o bonde na Avenida João Pessoa para que eu me transporte por inteiro à febricidade da incerta infância e inquieta juventude.

Uma caminhada de uma hora, no entanto, me proporcionou a emoção da tristeza deliciosa das reminiscências.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Destruição de vila comove gaúchos



Fogo na madrugada de ontem acabou com a Vila dos Papeleiros, ao longo da Voluntários da Pátria, na Capital (foto Fabrício Barreto, especial/ZH)


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Sexta-feira, Março 19, 2004




Doutores do glamour
Faculdade inaugura curso sobre gestão do luxo

Mariana Abreu Sodré

Classe A: o empresário Ferreirinha ajudou a selecionar os alunos

Num país onde as marcas de luxo não param de crescer, nada mais natural do que preparar profissionais para atuar neste mercado. Esta é a idéia do pioneiro Master Business Administration (MBA) de gestão do luxo, curso que a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), de São Paulo, acaba de inaugurar. Foram 265 inscritos, ávidos por aprender os conceitos e técnicas de gestão, produção, distribuição e comercialização de artigos de luxo.

Destes, foram aprovados 25 alunos. Todos os sábados, durante dois anos, eles ocuparão as cadeiras do sofisticado hotel Sofitel e terão aulas com entendidos do assunto, a começar por um dos criadores do curso, o empresário Carlos Ferreirinha, responsável por trazer para o Brasil marcas como Luis Vouitton e, futuramente, a inglesa Burberry.

Os candidatos a experts em luxo foram submetidos a um criterioso processo seletivo dividido em duas etapas. Para ingressar no curso era preciso ter formação universitária, fluência em inglês e francês, o mínimo de seis anos de experiência profissional em cargos de comando. A primeira fase analisou os 265 currículos que se encaixavam nesse perfil e 87 foram selecionados para uma entrevista com Ferreirinha e Silvio Passarelli, diretor da faculdade Faap de Artes Plásticas. Para a dupla, o importante é o potencial e a breve oportunidade do aspirante em aplicar os conhecimentos oferecidos pelo MBA.

A primeira leva de estudantes é composta por profissionais de renome, como o empresário Roberto Stern, presidente da joalheria H. Stern e Cristiana Tammer, gerente de importados da boutique Daslu.

Tanta experiência, que em um primeiro momento parece dispensar mais aprendizado, é, no entanto, segundo Ferreirinha, o que desperta o interesse destes alunos São bons profissionais que querem aprimorar seus conhecimentos, explica. Mas, com certeza, parte do interesse dos alunos pelo MBA também se deve ao estrelado corpo docente, recheados de nomes como o da consultora de moda Costanza Pascolatto. Professores espetaculares, para alunos excepcionais, resume Passarelli.

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Paixão de Cristo
Versão de Mel Gibson para sofrimento de Jesus Cristo estréia no Rio depois de deixar rastro de polêmicas por onde passou
Tatiana Contreiras



Diz-se da Bíblia: a maior história já contada. Talvez isso explique o fascínio e a controvérsia que a vida e a morte de Jesus provocam. Em meio a tantas polêmicas, recordes de bilheteria e cenas de extremo realismo e violência, A Paixão de Cristo, produção independente do diretor e ator Mel Gibson, estréia hoje prometendo manter também por aqui a discussão ao seu redor.

Falado em aramaico e latim, o filme recebeu críticas severas de religiosos e do público em geral pelas cenas chocantes, pelo marketing e pelo catolicismo ultraconservador de Gibson, acusado de anti-semitismo por mostrar os judeus como responsáveis pela condenação de Cristo na verdade, a impressão que se tem é que Jesus foi abandonado por seus seguidores, de uma forma geral, independentemente de serem judeus.

Ao contrário de outros filmes já feitos, esse não se propõe a contar a vida de Cristo ou seus ensinamentos (que aparecem em curtos flashbacks), e retrata Suas 12 últimas horas, com todo o sangue e sofrimento ¿ para Jesus e o espectador.

Na abertura, uma citação do profeta Isaías:Ele foi ferido por nossas transgressões... Por suas feridas nós seremos curados. Em seguida, surge Jesus (Jim Caviezel) no Getsemâni, rezando depois da Última Ceia. Já ciente de que será traído, Ele resiste a Satanás, uma figura andrógina, que pontua boa parte das cenas do sofrimento de Cristo. O demônio, aliás, cria uma das primeiras falhas do longa (que ainda tem algumas passagens mal explicadas e trechos bem arrastados): a idéia de que a morte de Jesus é influenciada pela ação diabólica, enquanto o próprio Cristo diz que está cumprindo o que foi determinado por Seu Pai.

Traído por Judas Iscariotes (o italiano Luca Lionello), levado a julgamento pelo Sinédrio o conselho de sacerdotes pelo líder Caifás (Mattia Sbragia) , Jesus vai até Pôncio Pilatos (Hristo Naumov Shopov), mostrado como um homem cheio de conflitos de consciência, que atende ao clamor do povo e lava suas mãos. Trocado pelo assassino Barrabás (no Evangelho, também citado como subversivo), Cristo é espancado e açoitado pelos soldados romanos, antes da crucificação e durante seu trajeto até o Gólgota.

Há que se elogiar o capricho na reconstituição da época uma das inspirações foi a pinturas de Caravaggio, pintor renascentista. Rodado na Itália, nos famosos estúdios da Cinecittà e em Matera, A Paixão de Cristo é um filme que merece e deve ser visto, a despeito da polêmica e de seus defeitos. Se vai funcionar como um registro histórico-religioso, como Gibson deseja, só o tempo e o público dirão.



Sangue nos pés de Jesus: debaixo da cruz, Maria (Morgenstern) se despede do filho. Foram duas semanas de filmagens da crucificação



Judas (Lionello) se arrepende de ter traído Jesus por 30 dinheiros



Francesco De Vito é Pedro, um dos apóstolos mais importantes

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Um lugar pra ele

Quando a dupla Romário-Edmundo estiver de volta, Ricardo Gomes terá dor-de-cabeça para arrumar uma vaga para Marcelo
Marluci Martins

Aos poucos, Marcelo vem calando a torcida. Ele já é vice-artilheiro do Estadual, com 7 gols

Há 14 dias, o tímido rapaz petropolitano era vaiado no Maracanã. E nem adiantou ter feito um dos gols da vitória (3 a 1) sobre a Portuguesa. A torcida, mesmo assim, pegou no seu pé. Injustiça. De lá para cá, o Fluminense jogou mais quatro vezes, e nenhum outro jogador do time conseguiu fazer gols. A não ser ele, Marcelo, o tímido rapaz petropolitano, que marcou cinco vezes, nos últimos três jogos.

Não fosse tão retraído, já teria virado celebridade. Mas, aos 21 anos, Marcelo, com seus sussurros quase inaudíveis, pouco dá entrevistas e nunca reclama de nada. Foi mesmo na bola e no suor que convenceu o técnico Ricardo Gomes e calou a torcida tricolor. Os dois gols do empate com o Juventude (2 a 2), pela Copa do Brasil, lhe garantiram a vaga de titular no time, ao lado de Romário. Ao menos, enquanto Edmundo não volta.

Vou repetir sua escalação. Ele está mostrando ótima regularidade. E é lógico que há espaço para dois atacantes de área. É só mexer um pouco na estrutura do meio-campo, disse Ricardo Gomes.

Com sete gols no Campeonato Estadual, Marcelo já é vice-artilheiro da competição, atrás apenas de Valdir, com 12. Se conseguir ultrapassar o atacante vascaíno, o tricolor terá uma recompensa: seu contrato prevê um salário de prêmio, caso seja artilheiro. Ou Marcelo não gosta de dinheiro, ou faz média:

Não me preocupo com gols, nem com o Valdir. O importante é estar vencendo.

E quando Edmundo voltar? Marcelo pode até sofrer. Mas com resignação.

Não vou sair rindo por aí, mas vou entender. Não posso pleitear uma vaga num time que tem o Romário e o Edmundo. O ideal seria se nós três pudéssemos jogar juntos. Se não for possível, vou para o banco, sem problema, afirmou, ao mesmo tempo rindo da idéia, por achá-la quase impossível de ser realizada.

Dos 17 gols marcados em um ano de categoria profissional, Marcelo destaca um, com o orgulho que raramente demonstra. Poderia ter sido o do ano passado, que garantiu o Fluminense na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro o da vitória sobre o Juventude (1 a 0). Mas ele escolhe outro:

O gol mais importante foi o da semifinal do Estadual, contra o Flamengo (empate em 1 a 1), no ano passado. Nesse dia, ainda acertei a trave. Foi minha estréia como titular.

Já merecia ter virado celebridade naquele dia. Mas o destino quis que o tímido rapaz de Petrópolis descesse e subisse a Serra muitas vezes, antes de provar o seu valor. Agora, tudo o que ele quer é subir. Na vida.

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Lição gratuita de erotismo

Loja de produtos para sexo, que fica em frente a colégio com quatro mil alunos em Nova Iguaçu, pintou propaganda no muro da escola
Cássio Bruno

Nota 10 em ousadia e mau gosto. Para atrair mais clientes, a loja de produtos eróticos Mult Sex Shop, no Centro de Nova Iguaçu, abusou: em letras garrafais, fez propaganda de seus ¿brinquedinhos¿ no muro do Instituto de Educação Rangel Pestana, onde estudam quatro mil alunos. A publicidade contribuiu para chamar ainda mais a atenção de adolescentes naturalmente curiosos em relação ao assunto, como noticiou ontem o colunista Cláudio Humberto. E gerou polêmica.

A inscrição fornecia o endereço da loja exatamente em frente à escola e listava algumas de suas ofertas: fantasias, consolos e algemas. A tentação foi demais para alguns. Só fui para olhar, mas não comprei nada. Foi bom para mim, brincou Carlos de Almeida da Conceição, 18 anos, aluno do 2º ano do Ensino Médio.

Segundo a normalista Jazmin Caroline Vera Viana, 15, a estratégia de marketing da loja é ainda mais agressiva. Tem pessoas que ficam na entrada do colégio distribuindo folhetos do sexshop e oferecendo desconto, denunciou.

Assustado com a polêmica, o gerente do sex shop, Alexandre Correia, resolveu apagar com tinta a propaganda, após a passagem da reportagem do DIA. Ele garantiu que seus funcionários nunca distribuíram panfletos na porta da escola. Na loja, só é permitida a entrada para maiores de 18 anos, afirmou ele, que abriu o negócio há cinco meses.

Caso foi registrado como dano ao patrimônio

A direção do Instituto Rangel Pestana registrou o caso na 52ª DP (Nova Iguaçu) como dano ao patrimônio. Segundo um funcionário que preferiu não se identificar, todos os comerciantes que colocaram cartazes no muro do colégio receberam pedido para retirar a publicidade. O delegado José Januário de Freitas esteve no local para ver o anúncio e afirmou que o caso será apurado: O dono da loja disse que não tinha o objetivo de constranger ninguém.

A propaganda indevida despertou a revolta de Eliane Peixoto, da Coordenadoria Estadual de Educação de Nova Iguaçu, que funciona ao lado do instituto. É um absurdo. Escola não é lugar para fazer publicidade de sex shop, disse ela. Católica praticante, Eliane afirmou que que pedirá providências à Promotoria da Infância e da Juventude.

A possibilidade de o constrangimento voltar a ocorrer, no entanto, é praticamente nula. Em breve, o colégio sofrerá uma reforma, e o muro virá abaixo: dará lugar a grades.

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David Coimbra
19/03/2004


O café que não tomei

O nordestino Dario Callado era um homem temido. Violento, arbitrário, fora nomeado chefe de polícia da Província de São Pedro em meados do século 19. Não tolerava insubmissões. Sobretudo de escravos, aos quais não permitia sequer que caminhassem ao lado dos brancos nas raras calçadas de Porto Alegre. Certa feita, atirou um homem na cadeia porque ele assobiou durante um espetáculo no Theatro São Pedro. Um outro teve igual destino por razão ainda mais singela - negou-lhe cumprimento quando se cruzaram na Praça da Matriz.

Callado vivia a assediar as atrizes e cantoras que se apresentavam na Capital. Apaixonou-se por uma delas, passou a cortejá-la com insistência. Uma noite, terminada a peça, o chefe de polícia deslizou até o camarim da moça, palpitante de esperanças amorosas. Encontrou-a aos beijos com um tenentinho do quartel da Rua da Praia. Fulo, Callado apartou o casal como se separasse dois cães e aplicou uma sova de bengaladas no tenente, acusando-o de comportamento inadequado em público.

Dario Callado foi um personagem da Porto Alegre oitocentista e é personagem do livro que vou lançar no meio do ano pela L&PM. A história deste truculento chefe de polícia, bem como várias outras, foi-me desvendada pelo professor Décio Freitas. Graças a Décio, me imiscuí no Rio Grande do Sul de há 140 anos. Décio me orientou em muitas das pesquisas que fiz para escrever a história. Fui ao apartamento dele, no Centro, li parte de sua obra. Ele sugeriu o título do livro: Canibais. E, na última vez em que nos falamos, há uns 20 dias, no bar da Zero, convidou-me a assistir a um filme que sua mulher, Bernadete, fez sobre o tema.

- Vá à minha casa. Vamos tomar um café, ver o filme, que é muito bom, e conversar bastante.

Respondi que ia, sim. Não fui.

Décio Freitas morreu, semana passada. Não vou falar de seu caráter vertical ou da dor ocasionada por sua perda aos que, como eu, gostavam dele. Limito-me a ressaltar a bagagem de conhecimentos que havia acumulado na vida, e que agora não existe mais. Décio pertencia à seleta estirpe de homens que se transformam em referência. Em fonte de consulta. Havia uma dúvida; Décio a sanava.

Algumas pessoas, poucas, alcançam tal dimensão. Todas elas devido à experiência e à sabedoria acumuladas com a idade. Mas não aproveitamos integralmente o que elas podem dar, não aprendemos tudo o que têm para ensinar. Perdemos essas oportunidades preciosas. Ou, pelo menos, eu perdi. Como queria ter ido tomar aquele café com o Décio.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Mauren Motta
19/03/2004


Amor em Paris, amor em um xis

Foto(s): Júlio Cordeiro/ZH
Sempre fui extremamente romântica. Filmes como Nosso Amor de Ontem fazem parte do meu acervo pessoal de DVD'S. E pode dizer que é brega, nem tô. Eu sei que vocês devem estar pensando: com o mundo cheio de atentados essa guria vem falar de amor? Pois é, acho que é isso que tá faltando no coração de muita gente. Uma amiga jornalista me contou que quando a Milene Domingues, ex-Ronaldinho, foi questionada sobre o ataque terrorista em Madri, ela disse: "Graças a Deus meu filho não corre perigo e está protegido. Quanto a mim, não tem problema, eu não ando mesmo de trem!". Como uma pessoa consegue ver uma tragédia dessa dimensão pela ótica de seu próprio umbigo? É uó do borogodó!

Mas eu falo de outro tipo de amor. Jantarzinho à luz de velas, dançar Ben Harper de rosto colado na sala de casa, ver pôr-do-sol juntinho. Não tem coisa melhor. Me emociono ouvindo uma história com final feliz. Se o cara for do tipo romântico, daqueles que pensam em tudo... fica PERFEITO! Cordialidade sempre cai bem. Abrir a porta do carro, mandar flores e ligar. Sim, ligar no dia seguinte! Um amigo meu dizia que se a garota procura o cara ou liga mais de uma vez, tá se "esvaindo" de amor! Fala totalmente sério, odeio joguinhos de relacionamento.

Uma outra amiga que está totalmente apaixonada, feliz e casada, teve um dos mais incríveis começos de relacionamento. Claro que os personagens dessa história são bem glamourosos... Foi assim: ela é apresentadora de um telejornal nacional, ele é um economista bem-sucedido. Os dois vinham de outros casamentos. Ele com filhos crescidos do primeiro, ela workholic total sem crianças no currículo. Eles se conheceram profissionalmente. No primeiro encontro, a química não bateu. Passado algum tempo, se encontraram por acaso. Trocaram cartões e mais nada. Na terceira vez, ele foi personagem de uma matéria dela, e aí tudo aconteceu. Minha amiga disse que bateu o olho e aquele frio subiu na espinha!

Dias depois de a reportagem ir ao ar, ele ligou para agradecer e convidá-la para jantar. De viagem marcada pra Paris, ela teve que recusar. Inconformado, ele pegou um avião e foi jantar com ela na capital francesa. Era uma noite de primavera com lua cheia, o lugar escolhido por ele não era nada turístico. O bairro afastado do centro escondia um antigo e tradicional ponto de encontro parisiense. Na pista de dança, casais engomadinhos dançavam hits da música romântica francesa. No cardápio, clássicos da culinária local. Os dois se olharam, conversaram, dançaram e nem viram o tempo passar. Um beijo de despedida selou o encontro que mudou a vida dos dois. Depois dessa noite, eles nunca mais se separaram. Não é lindo? Pra mim nem precisa tanto, sou do tipo que fica feliz com um xis do Cavanhas se o cara for "O CARA" pra mim!

Beijolas no coração.

As inscrições para o segundo Concurso Cultural da EF terminam amanhã. O vencedor ganhará uma bolsa de cerca de US$ 7,7 mil, que inclui um ano de estudo gratuito em um colégio público americano, hospedagem, refeições, seguro médico e passagens aéreas. O concurso é voltado para estudantes do Ensino Médio que tenham nascido entre 15/03/86 e 01/08/89. Inscrições pelo site www.ef.com/highschool ou nas escolas parceiras. Informações: fones (51) 3330-9319 e (0800) 703-8833.

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Gabriel Moojen
19/03/2004


Vida alheia

Semana passada fui ao show da Rita Lee. Além de ser histórico, ela em si é uma pessoa muito engraçada. Ao atender um telefonema fictício da Luma de Oliveira no meio do show, ela brincou que, no próximo ano, a musa deveria sair na Mangueira, alusão ao caso do bombeiro. Achei graça e fiquei pensando como é leve falar da vida alheia.

Por que o interesse do Brasil em saber se ela deu para o bombeiro? Quem se importa se ela é feliz no casamento? Gente geralmente pouco ocupada em pensar nos seus problee que acabam gastando um precioso tempo para saber da vida alheia. Se penso nos outros, não sobra tempo para pensar em mim. Sei que não serei eu que poderei pregar moral de cueca, porque também nos meus dias acabo por comentar o comportamento de algum amigo ou colega de trabalho. Também não digo que não quero saber da próxima fofoca do momento. Mas me esforço em não passar adiante.

Aprendi isso em Londres, em um pub. Um cara chegou, fez um strip em uma despedida de uma noiva. Ninguém do pub deu a mínima. Nem olharam. Aqui eles dariam um pau no cara. Eu vi que, embora o show acontecesse ao lado deles, eles não haviam sido convidados para a festinha. E ninguém olhou, a não ser o brazuca aqui, que ficou rindo de tudo o que acontecia. Sei que esse comportamento é mais comum no Brasil. E que quanto menor a cidade ou a alma da pessoa, mais a fofoca corre. Conheço mil fofoqueiros, homens e mulheres, me irrito muito das maldades ouvidas, mesmo quando verdadeiras. Se cada um cuidasse do próprio nariz, a vida poderia ser mais livre. Já basta o próprio superego, cuidando, boicotando cada passo. Se tiver que se preocupar com o vizinho então...

Mas daí iria faltar assunto. As revistas que mais vendem são de fofoca, e elas encalhariam nas bancas. E o mundo talvez se transformasse em uma coisa chata, onde cada um poderia fazer o que bem entendesse, sempre respeitando os outros sem que ninguiém dissesse um ai. Assim seria, mas não é. Por isso fico com a Rita Lee. Rindo leve da vida alheia, rezando para que ninguém por maldade ou gosto gaste preciosas palavras falando de mim. abs.

gabriel@rbstv.com.br

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Paulo Sant'ana
19/03/2004


As vítimas civis

Após os atentados ocorridos em Madri, com a morte de 201 pessoas, com cerca de mil feridos, cogitei de que os autores da carnificina poderiam ser descobertos com relativa facilidade.

Certamente, em seguida às explosões, foram fechadas (ou severamente vigiadas) todas as fronteiras e controlados todos os aeroportos.

Em suma, os terroristas ficaram na Espanha, permanecem na Espanha, podem a qualquer momento ser apanhados, foi o que pensei.

Mas isso não é bem assim. Descobrir 20 terroristas entre 40 milhões de pessoas é o mesmo que achar uma agulha num palheiro.

Embora seja absolutamente provável que nenhum dos terroristas seja espanhol, o que encurta em muitos milhões a lista dos que vão ser averiguados.

Até agora, a polícia já deteve centenas de suspeitos, certamente todos estrangeiros. Mas não há anúncio de que algum deles tenha tido participação no massacre.

O que impressiona nestes atentados é o mesmo que impressiona nas guerras: os civis são as maiores vítimas.

Quando numa guerra ou num atentado morrem militares, o impacto é muito menor, afinal o militar foi destinado nos combates a matar ou morrer, é do seu destino profissional produzir a morte dos outros ou sofrer a sua própria.

Os civis morrem com uma aura de inocência, com uma ausência de culpa que comove a todos. São vítimas indefesas, não estavam mobilizados para a guerra e no entanto são eles que pagam com suas vidas o maior tributo imposto à conflagração.

No caso desses atentados, ainda maior compaixão suscitam as vítimas civis: nesta catástrofe de Madri, os 201 mortos eram em sua totalidade pessoas que estavam começando o seu dia e dirigiam-se para o trabalho.

Uma violência inominável.

Nesta guerra do Iraque, que ainda não terminou, morreram apenas 564 militares norte-americanos, sendo que 426 deles depois que cessaram os combates propriamente ditos.

Chegou a 58 o número de ingleses mortos (25 depois do fim da guerra) e a 38 o total das baixas das outras nações aliadas.

Entre os militares iraquianos foram mortos na guerra 4.895 soldados.

Até aí tudo bem, quando a guerra começou e até agora em que ela se transformou em atentados, os militares estavam lá para isso, para matar ou para morrer.

Mas a cifra dos civis mortos no Iraque bate em 10.430. E o número de iraquianos que sofreram danos humanos ou materiais sobe a mais de 2 milhões de pessoas.

Ou seja, as grandes vítimas das guerras são sempre os civis. E do terrorismo também: no atentado das torres gêmeas de Nova York morreram quase 3 mil pessoas.

Mas o maior holocausto de civis da História foi o da II Guerra Mundial: dos 48 milhões de mortos, mais de 90% eram civis.

Isto não é uma irracionalidade? Isto demonstra claramente a bestialidade humana. A rigor, o ser humano não tem salvação.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Vila dos Papeleiros
Incêndio destrói vila no centro da Capital



Dezenas de casas foram queimadas ao longo da Rua Voluntários da Pátria nesta madrugada (foto Robinson Estrásulas/ZH)


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Quinta-feira, Março 18, 2004




Grêmio retorna classificado

Vitória com gols de Claudiomiro e Christian evita a partida de volta no Olímpico


O Grêmio fez a sua parte. Tirou proveito da fragilidade do Londrina, fez 2 a 0 ontem à noite, no Estádio do Café, e garantiu antecipadamente a classificação para a terceira fase da Copa do Brasil. Agora, fica aguardando o vencedor do confronto entre Juventude e Fluminense (que empataram em 2 a 2 ontem). Domingo, volta ao Gauchão, enfrentando o Glória, em Vacaria.

A vitória parcial no primeiro tempo não refletiu as dificuldades enfrentadas pelo Grêmio. Faltou lucidez ao time nas saídas de bola. Cocito tentava de forma equivocada os lançamentos longos, Luciano Ratinho parava na marcação e Élton não conseguia juntar-se aos atacantes.

Michel errou todos os cruzamentos. Alvim, orientado por Adilson para cuidar dos avanços do veloz atacante Cahê, não arriscou sequer uma vez a chegada à frente. De positivo, só a ousadia de Marcelinho, contido, mais uma vez, apenas com faltas. Aos 16 minutos, Marcelinho teve a chance de marcar o primeiro gol. Depois de um corte no zagueiro Thiago Matias, ele chutou torto, confirmando que precisa aprimorar as conclusões.

Chance melhor surgiu aos 26 minutos. Luciano Ratinho roubou a bola de Rocha à frente da área e passou a Élton, mas este errou o chute. Christian, de atuação discreta, abriu os braços protestando por não ter recebido a bola sem marcação. O gol finalmente saiu aos 41 minutos. Luciano Ratinho cobrou escanteio da esquerda, Claudiomiro chegou antes dos zagueiros do Paraná e cabeceou no canto oposto de Marcelo, fazendo 1 a 0. Só que o esforço para antecipar-se à marcação rendeu a Claudiomiro uma lesão muscular, que o obrigou a sair de campo.

Com a vitória parcial, o Grêmio mudou de estratégia no segundo tempo. Retraiu-se e passou a explorar as jogadas em velocidade. Foi assim que quase marcou o segundo gol a um minuto. Depois de boa arrancada, Élton perdeu a dividida para o goleiro Marcelo. Colocado no lugar de Marcelinho aos 25 minutos, Fábio Pinto deu nova movimentação ao ataque. Quando o Londrina pressionava, obrigando Tavarelli a defesas difíceis, Fábio Pinto avançou pela esquerda e fez passe preciso que resultou no gol de Christian, aos 43 minutos. Um chute certeiro, após a falha da zaga.

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Enfim sós

Titãs assumem comando da festa e têm momento sem banda de apoio no show que fazem no Canecão
Eusébio Galvão

Eles estão bem. E cheios de idéias. Os Titãs tocam no Rio amanhã, sábado e domingo para lançar o CD Como Estão Vocês? e resolveram mudar um pouco o esquema de suas apresentações. A banda agora decidiu que vai variar as músicas de uma noite para outra. Temos tantas músicas que é possível e agradável fazer isso. Levantamos 40 e serão 28 por noite, diz o vocalista Branco Mello.

Tudo isso porque eles queriam tocar quase o disco novo todo, mas concordaram que poderia soar maçante para alguns fãs. Então, ensaiamos 12 e serão nove em cada show diz o tecladista Sérgio Britto. O tempo passa e você inventa formas de tudo aqui continuar instigante e prazeroso. Se não tocarmos certas coisas, o público fica frustrado. Mas queríamos tocar as novidades. Por isso resolvemos fazer assim, continua Tony Bellotto, guitarrista.

O Nando (Reis) sempre teve espírito roqueiro. Na turnê passada ele quis que a gente tocasse Aa Uu e eu que não topei Sérgio Britto

Ao mesmo tempo em que se esbaldam nas recentes, eles também entraram numa de resgatar canções antigas. É natural que, com o tempo, umas músicas sigam para o acostamento, acredita Branco. E como temos toda uma carreira nas costas, levantamos músicas de todos os nossos discos, diz o baterista Charles Gavin. Desta forma, voltaram ao repertórios canções como Estado Violência, do disco Cabeça Dinossauro (1986), que os cinco destacam como uma das melhores do show.

Acho que esta a gente não tocava desde os anos 80. E o que impressiona é que a a letra continua atual, continua Charles, autor da música, que fala de violência policial e hipocrisia. Outras que retornam aos palcos são músicas do esquecido disco Titanomaquia, o mais pesado do grupo, gravado em 1993, no embalo do grunge. São coisas como Nem Sempre se Pode Ser Deus e Será que É Isso que eu Necessito?. À primeira vista, pode parecer que bastou a saída do baixista Nando Reis atualmente em carreira solo com canções em formato mais tranqüilo, calcadas em violão para que a parte mais pesada da carreira dos Titãs voltasse à tona. Sérgio Britto diz que não tem nada a ver. O Nando, quando era dos Titãs, sempre teve espírito roqueiro. Na turnê passada mesmo ele quis muito que a gente tocasse Aa Uu e fui eu que não topei. E a música é aquela gritaria, né?, reconhece. Mas desta vez a canção está presente.

A gente não é uma banda de alugar muito as pessoas. As músicas são compactas, o show dura 1h50 Charles Gavin

Do disco novo, apenas três estão de fora. Esperando Para Atravessar a Rua, Pelo Avesso e Pra Você Ficar, que não tivemos tempo de ensaiar direito, enumera Bellotto. As outras se juntam a sucessos como Polícia, Flores e Bichos Escrotos. São 28 músicas, mas Branco Mello acredita que está de bom tamanho. A gente não é uma banda de alugar muito as pessoas. As músicas são compactas, o show dura 1h50, explica. Mas a coisa pode se alongar, como admite o baterista Charles. Com tudo que está ensaiado, estamos prontos caso role um terceiro ou quarto (!!) bis, diz, sereno. Ele garante que a banda tem pique. Ah, se quiserem ouvir mais, tá na mão. Que disposição.



Branco Mello, na banda, é vocalista e faz vocal de apoio. Vai tocar baixo nessa turnê. Nas horas vagas, tem se dedicado ao teatro. Escreveu a ópera-rock infantil Eu e Meu Guarda-Chuva, que foi encenada pela atriz Andréa Beltrão



Paulo Miklos, vocalista e saxofonista dos Titãs, toca guitarra neste show. Foi o ator pincipal de O Invasor, filme de Beto Brant, que lhe valeu o prêmio de melhor ator no Festival de Brasília. Vai estrelar Hotel Atlântico, longa de Suzana Amaral



Charles Gavin Baterista. Desde que relançou os dois primeiros discos dos Secos & Molhados em CD virou um dos mais conceituados pesquisadores da música brasileira. Charles se divide entre os Titãs e o garimpo de obras da MPB para relançamento



Tony Belotto Guitarrista. Fora da banda, dedica-se à literatura. Tem quatro livros lançados, sendo que Bellini e a Esfinge ganhou adaptação para o cinema. Casado com a atriz Malu Mader, desde 99 é apresentador do canal Futura

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JUVENTUDE X FLUMINENSE
Empate na pressão

Em jogo com cinco expulsões, Flu fica perto da vaga: 0 a 0 ou 1 a 1, no Rio, classifica o time
CAXIAS DO SUL, RS - Na ausência de Romário, Marcelo tem sido mais do que artilheiro. Ontem, ele salvou a pátria tricolor, ao fazer os dois gols do empate em 2 a 2 com o Juventude, no Estádio Alfredo Jaconi. Um empate em 0 a 0 ou em 1 a 1, quarta-feira, entre as duas equipes, no Maracanã, classificará o Fluminense para a próxima fase da Copa do Brasil.

O Juventude não precisou de muito tempo para fazer seu gol: aos 8 minutos, Michel recebeu um cruzamento na área e, depois de falhar na primeira tentativa, de cabeça, acertou finalmente o pé.

Em desvantagem no placar, o Fluminense esbarrava na boa marcação do adversário, mas logo sua sorte melhoraria. Ao fazer falta em Júnior César, Mineiro foi expulso, aos 24 minutos.

O caminho do gol ficou mais curto. Aos 26 minutos, Marcelo, de cabeça, fez o gol de empate, aproveitando uma cobrança de falta perfeita de Ramon.

Mesmo com um homem a mais, o Fluminense ainda era ameaçado, mas conseguiu, aos 41 minutos, fazer o gol da virada. O goleiro Márcio rebateu a bola, ao defender um chute de Roger. Na sobra, Marcelo acertou o chute, fazendo seu nono gol da temporada.

Uma áspera discussão de Rodolfo com Michel antecipou para os dois o fim do jogo. Eles foram expulsos aos 42 minutos.

O Fluminense perdeu ainda Júnior César, mas por contusão sofreu falta de Gêufer , aos 2 minutos do segundo tempo. Pior: aos 8, Marcão foi expulso.

Para completar o pior momento do Fluminense na partida, Gêufer fez o gol de empate, aos 10 minutos ele pegou o rebote, depois de uma defesa de Fernando Henrique com as pernas.

O empate parcial não tirou a tranqüilidade do Fluminense. O jogo continuou equilibrado, com as duas equipes alternando bons e maus momentos.

O Tricolor teve suas melhores chances aos 29 e 38 minutos. Primeiro, com Leonardo Moura, que acertou a trave na verdade, foi o goleiro Márcio que se enrolou no lance, ao deixar a bola passar depois de resvalar em seu corpo. Em seguida, foi a vez de Roger perder um gol feito. Aos 38 minutos, ele dominou a bola, chutou forte, mas o goleiro fez a difícil defesa.

Aos 42 minutos, Evandro foi expulso, mas já não havia tempo para nada.

Americano vence o Sport no Godofredo Cruz

Em Campos, o Americano venceu o Sport por 2 a 1, com gols de Wéderson e Rondinelli.

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Nilson Souza
18/03/2004


À sombra do ingazeiro

As crianças da vizinhança descobriram o prazer de subir numa árvore. Não são crianças de apartamento, mas quase. As casas do meu bairro têm pátios pequenos, onde cabem apenas minúsculos canteiros de flores, no máximo alguns arbustos. Árvore, não. As árvores gostam de espaço e de água, suas raízes costumam rasgar a terra, levantar calçadas, rachar muros e arrombar encanamentos. Não se pode confiar nelas.

Tive duas experiências desagradáveis com árvores em espaço reduzido. A primeira foi com o Esquálidus. Ganhei de um amigo uma mudinha de pinheiro. Era tão mirrado que recebeu esse apelido, tirado não me lembro de que personagem de uma tira de quadrinhos. Pois durante meses, acho que anos, o pinheirinho se manteve fino e frágil na sua latinha. Um dia resolvi plantá-lo ao lado da casa. Passou-se o tempo e ele começou a subir lentamente. Até que seus galhos mais altos viram a luz do sol, acima do telhado.

Então o monstro disparou como o pé de feijão da história infantil.

Transformou-se numa árvore gigante e ameaçadora. Cada vez que dava um vento forte, ele balançava como um pêndulo entre a minha casa e a da vizinha, que já não dormia mais, com medo de acordar sob uma tora de madeira. Tive que obter licença de órgãos públicos e contratar um serviço especializado botar abaixo o monstrengo. Foi uma mão-de-obra.

Também cultivei com carinho um pé de chorão. Suportei estoicamente os estragos das suas raízes nos encanamentos. Ele fazia uma sombra maravilhosa. Mas também cresceu descomunalmente. Deste, porém, a vizinha não tinha medo, pois situava-se a uma distância aparentemente segura da sua casa. Pois não é que numa noite de tempestade o miserável veio abaixo e um dos seus galhos mais altos entrou exatamente no telhado da apavorada senhora. Paguei o estrago, a licença das autoridades, o homem da motosserra e tudo o mais, prometendo para mim mesmo que a partir daquele momento só plantaria, no máximo, roseiras. Das menores.

Mas as plantas também escolhem as pessoas. Mudei de casa, sem prestar muita atenção na pequena árvore que havia na calçada da frente. Em pouco tempo, cresceu. É um ingazeiro, faz boa sombra e produz uma espécie de vagem comestível. As crianças do bairro fazem fila para se pendurar nos seus galhos. Sei lá o que ele ainda vai me aprontar, mas desta vez não haverá motosserra. Não vou tirar o prazer atávico da garotada.

Até mesmo porque, de vez em quando, o menino-macaco da infância me escapa do controle e corre serelepe para a sombra do ingazeiro.

nilson.souza@zerohora.com.br

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Leticia Wierzchowski
18/03/2004


Um Porto para viver

O Mundo Anda tão Complicado é o título de uma canção do Renato Russo que fala de um casal em mudança para a casa nova. Chega a cama, a geladeira e a televisão, mas eles gostam é de dormir no chão. Renato Russo iria se apavorar com o mundo de hoje; isso sim é uma complicação danada, esse mundo aí de fora, que nós, em Porto Alegre (graças a Deus!), assistimos embasbacados pela televisão. Um mundinho horroroso que dói.

A verdade é que Porto Alegre disfarça a complicação do mundo para lá do Salgado Filho, e isso é uma virtude nesse tempo confuso que é o século 21. Ou eu bem estou envelhecendo, ou o sossego daqui é a nova moeda. As ruas de Porto Alegre ainda têm flores nos canteiros, e crianças jogam bola na calçada. Um cão está latindo aqui perto, e tenho certeza de que não é porque uma ambulância está passando enlouquecidamente em frente ao seu portão.

Nas vésperas do aniversário da nossa cidade, este texto está me saindo uma declaração escrachada de amor a Porto Alegre, mas vendo as coisas que acontecem por aí, atentados e favelas ocupadas, e gente estraçalhada num trem quando ia para o trabalho, Porto Alegre bem o merece...

Eu não sabia que amava Porto Alegre tanto assim, precisei partir antes. E voltar. Enquanto o mundo se digladia lá fora, estou eu aqui, planejando passear no parque com o meu filho se não chover na próxima meia hora. Viajar é muito bom, o planeta tem lugares incríveis que - se Deus, Bush e Bin Laden permitirem- vão estar me esperando nos muitos janeiros desta vida. Para os outros 11 meses do ano, sinceramente eu prefiro Porto Alegre.

Renato Russo não escreveu nenhuma canção para Porto Alegre. Brasília é que habitava o seu coração, e ele a cantou dezenas de vezes. A minha trilha sonora porto-alegrense é Vítor Ramil. Suas ramilongas adocicavam minhas noites de inverno em São Paulo. Hoje em dia, gosto de pegar João no colo e sair dançando pela sala ao som de Estrela, Estrela - Vítor Ramil agora encanta as minhas noites meridionais. Noites que serão para sempre nesta nossa casa enluarada e fresca, onde a tristeza do mundo não passa do Jornal Nacional.

leticia.wierz@zerohora.com.br

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Luis Fernando Verissimo
18/03/2004


Medo do medo

Na semana passada estivemos todos na estranha situação de ter que escolher nossos terroristas preferidos.

Na torcida para que os culpados pelas explosões em Madri fossem os separatistas bascos estavam o governo do Aznar e quase todo o mundo. O Aznar porque a culpa do ETA o favorecia eleitoralmente e a culpa da Al-Qaeda só daria mais razão aos que eram contra o envolvimento espanhol na aventura no Iraque, quase todo o mundo porque um atentado parecido com o de 11 de Setembro, em Nova York, no centro de uma das grandes nações européias abria uma fase nova e assustadora na guerra do terror contra o nosso sistema nervoso.

Eu, como o Zé Maria, torci para que fosse o ETA. Nem o consolo de ver a insensatez americana e sua encampação pela direita espanhola punida pela eleição dos socialistas compensa o fato de que - se foi mesmo a Al-Qaeda ou coisa parecida a responsável pelo horror de Madri - acabamos de passar do mau ao pior.

Na guerra de Estados europeus contra seus descontentes explosivos - o ETA na Espanha pós-Franco, o IRA na Inglaterra, grupos radicais na Itália e Alemanha em décadas recentes - muitas regras de correto procedimento policial e jurídico foram tapeadas, mas a democracia, de um jeito ou de outro, sobreviveu. A Espanha e os outros eram, mesmo, exemplos de como se pode enfrentar o terror sem necessariamente perder a cabeça.

Com o fundamentalismo islâmico inaugurando sua temporada européia, todos os países da comunidade passam a enfrentar o mesmo desafio a suas instituições e valores que enfrentam os americanos desde 11 de Setembro. Os americanos não estão tendo muito sucesso em manter a cabeça no lugar, vamos ver o que acontece na Europa sob a mesma ameaça. Paradoxo: o que deu a vitória aos socialistas na Espanha pode muito bem dar força à direita mais dura no resto do continente.

Há 70 anos, para animar seus compatriotas abatidos pela depressão e pela deseperança, o presidente Franklin Roosevelt disse uma frase que ficou famosa: eles não tinham nada a temer a não ser o próprio medo. Nesta questão, é difícil saber do que ter mais medo, do terror ou do medo do terror.

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Paulo Sant'ana
18/03/2004


Esterilização gratuita
Evidentemente que quando dei opinião favorável à esterilização de mulheres de parcas condições econômicas, comprei uma briga: tem muita gente contra.

Mas recebi cerca de cem e-mails me apoiando. E uns três e-mails furiosos contra a minha idéia, todos os três desbordando para a ofensa.

Vou publicar um dos desaforados e dois de solidariedade. Não é a proporção, a solidariedade deu de goleada. Mas vá lá.

Primeiro o desaforado: "Exmº Sr. 'dono' da vida... dos outros! Por que não esterilizaram seus pais? Assim estaríamos livres de um dos herdeiros de Hitler. Dado que tenho fé, rezo pela sua conversão quaresmal. Deus tenha piedade da sua fraqueza mental. (Ass.) Enrico Galimberti (comboni@terra.com.br)

Agora o de um ginecologista, entendido portanto no assunto: "Prezado jornalista Paulo Sant´Ana. Li e gostei de tua (permites essa informalidade?) coluna 'Tem de ser proibido nascer'. Penso que entendi bem tua mensagem e a retórica implícita para dar ênfase, e apenas isso, a um chamado de atenção para um problema relegado a uma desvalorização histórica. Agora, recebo e-mail (cópia) de um colega de profissão que de forma irônica te insulta e demonstra que nada entendeu da tua mensagem.

É daqueles indivíduos que pensam que o problema do planejamento familiar será resolvido quando todas as pessoas forem alfabetizadas e tiverem empregos decentes e conclui que nada adianta tomar qualquer outra medida para minimizar essa deficiência. É claro que todos os indivíduos socialmente bem postos praticam atos de planejamento familiar espontaneamente. Daí concluir que a solução para os que não praticam seria colocá-los em condições sociais superiores é mais do que uma utopia, é um delírio psicótico. Trabalho em planejamento familiar há anos e já fui malhado por esse cara muitas vezes, inclusive em público.

Mas não me dei por vencido, especialmente quando após uma sessão científica sobre o tema, em que o mesmo me massacrou verbalmente pela minha prática de fazer ligaduras tubárias para anticoncepção, no dia seguinte surpreendi-o realizando em um hospital rico e de clientela rica, bem pagante, uma ligadura tubária. Ou seja, 'se me pagam bem, que mal tem?'. A patroa pode. A doméstica, não! Essa é uma moral sem cuecas. Não dá para levar a sério tal indivíduo. Só para terminar e reforçar tua idéia, trabalho, uma vez por semana, em um posto de saúde de uma vila pobre da nossa Capital.

A primeira paciente que atendi era uma menina de 16 anos, grávida. Porém, o detalhe: era sua terceira gestação... aos 16 anos. Até onde irá? E o pior, sem querer! Por que não lhe ofertar os métodos anticoncepcionais disponíveis? (Ass.) Marcelino Poli, médico ginecologista, professor adjunto de ginecologia da PUC/RS".

Quer dizer então que o cidadão que me insultou é ginecologista? E prega contra os métodos anticoncepcionais pela manhã e à tarde sai para esterilizar pacientes? Agora entendi: ele é contra a ligação tubária gratuita. Paga, para ele, não.

E a terceira é também de uma ginecologista: "Gostaria de parabenizá-lo pelo artigo publicado em Zero Hora deste domingo. Sou ginecologista e obstetra, trabalho para a prefeitura de Porto Alegre em posto de saúde e vejo que nossa realidade é bem esta. Precisamos de mais gente corajosa que fale suas opiniões sem rodeios e sem medo de críticas. Além do que foi dito, com o que concordo plenamente, ainda temos o problema das pessoas que procuram o serviço público espontaneamente para anticoncepção e se deparam com a falta dos anticoncepcionais e a dificuldade em conseguir um agendamento para ligadura tubária. Obrigado pela atenção. (Ass.) Cláudia Pinho (claudialucio@vanet.com.br)".

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Bomba destrói hotel em Bagdá



Às vésperas do primeiro aniversário da Guerra do Iraque, atentado matou pelo menos 29 pessoas (foto Chris Helgren, Reuters/ZH)


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Quarta-feira, Março 17, 2004



Agora acabou a brincadeira!

Novo curso de desenvolvimento de games no Rio mostra que mercado está em constante crescimento no País
Mylène Neno


Jan (à esq.), Eduardo e Antônio apostam no curso de desenvolvimento de games, iniciado segunda na Barra

Game é coisa séria mesmo. Uma recente pesquisa nos Estados Unidos constatou que o horário nobre da TV vem perdendo feio a batalha para os games e outros representantes das novas tecnologias, como o DVD e a disseminada Internet. Não por acaso, a americana Scientific-Atlanta anunciou que está desenvolvendo um decodificador de TV por assinatura com recursos de video game. Com a iniciativa, as operadoras de TV a cabo vão poder oferecer serviços de jogos por assinatura aos clientes, tentando competir com gigantes do porte de Sony, Microsoft e Nintendo as principais fabricantes de consoles do mercado americano, avaliado em 10 bilhões de dólares.

Não entendo porque as pessoas acham que game não é coisa séria. Os jogos, enquanto produto comercial, nunca foram tratados como brincadeira. Já em 1985 foram feitos os primeiros experimentos em ensino de desenvolvimento de jogos, no Rio. Talvez essa visão, de que por aqui não existe nada, seja apenas fruto da desinformação do mercado, esclarece o game designer Renato Degiovani, criador do adventure Amazônia, considerado o primeiro jogo comercial brasileiro.

Por aqui, um novo curso de desenvolvimento de jogos começou segunda-feira na Technology & Training (http://www.ttnet.com.br), na Barra. Dividido em quatro módulos, o curso prepara o aluno para enfrentar os desafios dessa nova carreira. As turmas, divididas por faixa etária, contam com alunos a partir de 13 anos. As matrículas estão abertas até o fim do mês e os interessados podem ligar para (21) 3151-9423.

Um dos alunos, Jan Habib, 19, quer se especializar na parte gráfica e sonha alto. No futuro, quero trabalhar com efeitos especiais em Hollywood, diz.

Já o estudante Eduardo Mauro, 17, dispensa 10 horas diárias aos games e também está no curso da T&T. Sonho trabalhar em softhouses no exterior e, com mais experiência, abrir meu negócio no Brasil, diz.

Aos 36 anos, o empresário Antônio Andrada resolveu entrar no curso para ¿unir o útil ao agradável, já que comercializa games desde 1997 e é fanático pelo tema. Enquanto estou acordado, estou sempre pensando em jogos. Mas já dormi, sonhei com um game e, ao acordar, consegui solucionar o problema que tanto me perturbava no dia anterior, revela.

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16/03/2004 - 19h34
Sites redefinem regras para fazer blogs
MARIJÔ ZILVETI
da Folha de S.Paulo

A hospedagem dos blogs (ou diários virtuais) no Brasil passa por algumas redefinições. Há sites agora destinados apenas a assinantes e os que pedem mais informações, como o número do CPF.

O www.blogger.com.br, um dos primeiros a hospedar os ciberdiários com instruções em português, deixou de ser gratuito e hoje é exclusivo para os assinantes do portal Globo.com.

Por outro lado, o UOL passou a aceitar a entrada gratuita de internautas com a oferta de 1 Mbyte para textos e imagens em blog.uol.com.br. Assinantes desse portal têm espaço maior de acordo com a assinatura (de 30 a 100 Mbytes). A criação é rápida --em três passos-- , com a oferta de 40 modelos coloridos.

O portal Comunique-se (www.comunique-se.com.br) criou também a oferta de blogs para jornalistas cadastrados. Em www.blog-se.com.br/blog, o interessado pode deixar suas impressões em nove modelos.

Para ter seu diário virtual no endereço blig.ig.com.br, o internauta precisa se cadastrar no portal do iG (www.ig.com.br), fornecer seu CPF e criar endereço de e-mail. A página pode ser feita em 16 temas --signo, música e filmes-- com modelos variados.

Outro que oferece espaço para pendurar pensatas diárias é o www.pop.com.br/popblog. Nesse portal, o usuário também precisa registrar seu CPF para ganhar e-mail e acessar seu diário.

O weblogger.terra.com.br oferece ao missivista virtual seis modelos. O cadastro não exige CPF e criação de e-mail no portal. Basta fornecer qualquer endereço de e-mail, criar o título e começar a escrever os textos.

O endereço www.theblog.com.br fornece 4 Mbytes de espaço gratuito para qualquer internauta interessado em deixar seus escritos em 20 modelos. Após escrever o texto e inserir as imagens, basta clicar no menu do lado esquerdo no botão Ver meu blog.

O Turma do Bar (www.turmadobar.com) pede apelido, senha, nome do blog e e-mail na ficha cadastral. A criação da página é confusa. Os modelos não são mostrados na tela. Uma tabela mostra as cores possíveis da página.

O wbloggar.com/brasil oferece gratuitamente um programa de 1.740 Kbytes que ajuda na criação de diários virtuais. Ele promete compatibilidade com as ferramentas de publicação BigBlogTool, Nucleus, MovableType e Blogger.com (versão norte-americana do serviço Blogger).

Para os missivistas que preferem criar seus sites e hospedá-los gratuitamente em um portal em inglês, o Blogger (www.blogspot.com) é um dos mais conhecidos. A criação do diário pede alguns passos. O internauta precisa ter algum conhecimento da linguagem HTML para sofisticar sua página e colocar, por exemplo, um link para receber mensagens por e-mail.

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Coelho da Páscoa

O que um coelhinho tem a ver com a Páscoa?

A relação do coelho com a fecundidade vem de muito tempo. Para os antigos egípcios era símbolo de fertilidade porque é um animal que se reproduz com muita rapidez e, quando decidem ter filhotes, não tem um nem dois, têm vários!

Já para a Igreja, não representa somente a reprodução da vida, mas também, o aumento da quantidade de discípulos.

No Hemisfério Norte, a Páscoa marca o fim do inverno e o começo da primavera. É nessa época que esses animais saem dos seus esconderijos depois de terem ficado muito tempo em recolhimento.

Mas também existem algumas lendas. Uma delas seria que uma mulher queria presentear os filhos e não tinha dinheiro para fazê-lo. Sendo assim, ela decidiu pintar ovos de cores diferentes e os escondeu num ninho. No momento em que as crianças acharam o presente, passou um coelho. Foi assim que se espalhou a história de que o coelho tinha trazido os ovos

O ovo

Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?... Na idade Media acreditava-se que o mundo havia surgido de dentro de um ovo, e dele, a vida no planeta. Alguns povos da antiguidade os pintavam e depois eram reverenciados nas festas, já que para eles representavam a forma do universo. Historiadores acreditam que o costume de presentear ovos coloridos surgiu entre os egípcios e persas.

A tradição dos ovos de Páscoa começou no século (XIX) com o desenvolvimento da indústria chocolateira. Na Grã Bretanha era comum mandar pequenas mensagens para os amigos dentro dos ovos.

Segundo a lenda bíblica, Simão, o homem que ajudou Cristo a carregar a cruz, era vendedor de ovos. Depois da crucificação ele ficou surpreso ao ver que todos estavam coloridos. Na religião cristã, o ovo simboliza nascimento e ressurreição.

Inicialmente os ovos de galinha eram dados de presente. Depois passaram a ser feitos de porcelana, ouro e outros materiais valiosos.

Chocolate

Bolo, brigadeiro, bombom, sorvete: tudo uma delícia. É só pensar em chocolate, que dá água na boca. Para os mais gordinhos é a parte mais cruel de um regime disciplinado. Difícil achar alguém que não goste, e quando isso acontece, causa estranhamento.

O prazer do chocolate é tanto, que já foi considerado pecado. Os astecas lhe davam a mesma importância ao cacau do que ao ouro. Inclusive, eles compravam, ou trocavam produtos, usando o chocolate como moeda.

Na Europa, por volta do século (XVI), acreditava-se que o chocolate dava poder e força a quem o bebia. Por isso, a bebida era restrita para governantes e soldados.

Na verdade, o chocolate não tem uma relação direta com a Páscoa. Segundo alguns estudiosos, os ovos de chocolate surgiram apenas como uma forma de melhorar as vendas.

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E-mails falsos para clientes de bancos
BB, Caixa, Itaú e Real na mira

O Banco Central (BC) descobriu mais um e-mail falso dirigido a correntistas do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú e Real. Assinado por um suposto funcionário do BC, a mensagem solicita o envio de dados cadastrais e bancários dos clientes para a realização de um recadastramento. O BC alerta que estes e-mails não devem ser respondidos pelos destinatários sob hipótese alguma, diz a nota oficial da instituição. O Banco Central não envia mensagens de correio eletrônico para recadastrar contas.

MEIRELLES A primeira ocorrência de e-mails falsos identificados pelo Banco Central foi em novembro. Essa mensagem chegou a voltar à rede, desta vez falsamente assinada pelo presidente do BC, Henrique Meirelles. Banco do Brasil, Bradesco e Itaú também detectaram tentativas de golpe.

DICAS Para lidar com as fraudes eletrônicas, a primeira regra é não abrir mensagens que você não solicitou. Bancos não pedem informações confidenciais pelo correio eletrônico. Nunca clique em links ou acesse páginas direcionadas por e-mails. Se solicitou um anexo, vacine com antivírus. Não faça transações em equipamentos públicos ou máquinas compartilhadas no trabalho.

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JUVENTUDE X FLUMINENSE
Bagunçou geral

Romário faz teste de esforço no dia da viagem do Flu para o Sul, e desfalca o time hoje contra o Juventude, pela Copa do Brasil
Marco Senna

Primeiro, foi a viagem à Suíça, para resolver problemas particulares, que o fez desfalcar o Fluminense dos jogos com Bangu e Olaria. Agora, um repentino teste físico isocinético, realizado às pressas ontem de manhã, na ABBR, tirou o veterano artilheiro da partida contra o Juventude, hoje, às 21h45, em Caxias do Sul, pela Copa do Brasil. Coincidência ou uma resposta de Romário ao técnico Ricardo Gomes, que deseja enquadrar o Baixinho, acabando com parte de suas regalias?

O mais estranho é que no domingo, Romário participou de um campeonato de futebol de areia, na Barra da Tijuca, marcou os cinco gols da vitória do seu time, e tinha, a princípio, escalação garantida diante do Juventude. De uma hora para a outra, no entanto, apareceu o teste de avaliação física, que inviabilizou o aproveitamento do artilheiro no jogo de hoje. Decisão tomada na noite de segunda-feira, pouco depois das declarações de Ricardo criticando o comportamento profissional da estrela maior do elenco tricolor.

Com cara de poucos amigos, Romário chegou à ABBR às 10h20, deixando o local uma hora depois, da mesma maneira que chegou: sem dar declaração alguma. Partiu em seu Land Rover sem pagar o estacionamento, módicos R$ 3.

O fisiologista Maurício Negri admitiu que o teste foi marcado de última hora, após reunião da comissão técnica, da qual Ricardo Gomes não participou. Foi posto na balança se era melhor o atleta enfrentar o Juventude ou ser submetido à avaliação isocinética, para a gente saber o estágio atlético dele. Optou-se por correr o risco de não tê-lo contra o Juventude. Liguei para marcar o exame na segunda-feira, à noite, disse Maurício. O apoiador André Luiz também foi avaliado.

Segundo o fisiologista tricolor, o resultado do teste de Romário foi animador. Acusou uma melhora de 20% na força muscular do atleta em relação à avaliação anterior, em janeiro. O jogador não tem desequilíbrio algum, garantiu Maurício. Diagnóstico que deixa uma pergunta no ar: Por que, então, o teste físico teve de ser marcado, justamente, na véspera do jogo em Caxias do Sul? Não poderia ter sido feito depois?

Sem ir às Laranjeiras desde o dia 6, Romário deve reaparecer no time, domingo, contra o Americano, em Moça Bonita ¿ nova data e local da partida ¿, pela Taça Rio. ¿O atacante está liberado e caberá ao treinador o seu aproveitamento. Não há nada que contra-indique a escalação do Romário¿, enfatizou o fisiologista.

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Martha Medeiros
17/03/2004


O valor da vida

Eu ainda estava chocada com a morte das cinco crianças que foram esfaqueadas pelo padrasto em Viamão, quando soube que na Califórnia uma carnificina semelhante acabara de ocorrer: um homem havia matado nove pessoas dentro de uma casa, a maioria crianças.

O primeiro crime, made in Brasil, foi executado por um rapaz que, num primeiro momento, odiei a ponto de torcer para que o fatiassem vivo. Sou capaz de pensar como uma torturadora profissional quando me deparo com crueldades que envolvem crianças. Mas em seguida me dei conta de que ele é tão vítima quanto os outros nesta história. Um cara que comete uma monstruosidade dessas só pode ter um histórico de vida tão precário, mas tão precário, que fica absolutamente impossível para ele desenvolver qualquer coisa parecida com uma consciência. Consciência de quê?

Do valor da vida? Mas que vida? Que vida é essa que mais parece de bicho do que de gente? Nós, do alto dos nossos apartamentos com tevê a cabo e com uma média de dois filhos muito bem criados, também não temos a mínima consciência do que seja viver sem nada. Nada de afeto, nada de dignidade, nada de cultura, nada vezes nada. Um nada deste tamanhão. Matar crianças ou matar baratas, em tais circunstâncias, dá no mesmo.

Então surge o cinqüentão cabeludo e comete seu crime made in USA, onde a miséria é outra. É o país dos lunáticos, dos que fazem tiro ao alvo em pátios de escola e supermercado. O país das seitas, dos suicídios coletivos, das pessoas que se reúnem para compartilhar ideais esquizofrênicos - enfim, de uma gente que pira. E quando se pira, a vida passa a não valer uma escova de dente usada.

Já quem executa atentados terroristas contra civis conhece muito bem o valor que ela tem. Sabe exatamente o que significa perder uma mãe, um pai, um filho, o que significa para uma nação sentir-se violada, insegura e humilhada por não conseguir proteger seus cidadãos. Quem implode prédios comerciais e trens lotados de trabalhadores tem consciência de que está fazendo sofrer. Sabe que desferiu o golpe mais baixo, que atingiu o ponto limite do horror humano. A vida é supervalorizada? É o que mais se tenta preservar? Então é o alvo perfeito.

Quem é que mata? Aqueles que não se importariam de morrer, que já perderam o que tinham pra perder. E não são poucos no mundo. Do que se conclui... nada. Eu, que adoro uma conclusão bem redondinha, não concluo mais nada. Um nada deste tamanhão.

martha.medeiros@zerohora.com.br

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David Coimbra
17/03/2004


Foto(s): Júlio Cordeiro, Banco de Dados/ZH

Esses novos umbigos

A velocidade das inovações do mundo moderno aumenta a cada hora, e aumenta também minha perplexidade. Dia desses, fui ao Centro e deparei com uns 30 caras apregoando que compram ouro e cortam cabelo. Uns 30, por Deus. Eles berravam com invejável energia e raras pausas para respiro:

- Compro ouro, corto cabelo! Compro ouro, corto cabelo!

Fiquei pensando naquilo. Seriam barbeiros que enriqueceram e resolveram diversificar suas atividades adquirindo metais preciosos? Lembrei de uma placa que encontrei certa feita na Praia do Rincão, em Santa Catarina, afixada na fachada de um desses mercadinhos de secos & molhados. Lá estava o quadro negro, rabiscado a giz:

"Temos carvão e bolacha".

Só isso: carvão e bolacha. Só.

Outra questão que muito tem me afligido são os umbigos das mulheres. É que os umbigos estão mais altos do que antigamente. Verdade, os umbigos assumiram importância inaudita depois do verão de 95. São adornados por piercings. Ficam expostos com maior freqüência. Até no úmido inverno gaúcho os umbigos voejam em liberdade. Tenho uma amiga, uma bela morena de mais de metro e setenta, porte de manequim, pernas de bailarina, que ela, em visita à França, não se intimidou com a severidade do inverno europeu e saiu às ruas de miniblusa.

Meias grossas, botas de cano alto, calça de veludo, casaco de basto pelame, mas inflexível miniblusa. Aquele umbigo abalou Paris. Meia hora depois de começado o passeio, ela teve de voltar correndo para o hotel, esbaforida, queixando-se, depois de irromper no quarto, as costas apoiadas na porta fechada:

- Uns tarados, esses franceses.

Pudera. Vocês precisavam ver o umbigo da minha amiga. Pois o dela, como os da maioria das moças do meu tempo, é mais alto do que os de antanho. Por que isso? Serão os abdominais? As bebidas gaseificadas?

Que coisa.

Finalmente, tem a Daiane. Antes, nossos assuntos eram pontas dribladores, centroavantes goleadores, zagueiros viris. Agora, a Daiane acabou com tudo isso. Ontem mesmo, o porteiro do meu prédio, um magrinho manhoso que desfilou na Imperadores e mora no Partenon, veio falar comigo. Perguntou, todo seriedade:

- Será que na Olimpíada vai ser melhor a Daiane dar o duplo twist carpado ou o duplo twist esticado?

Mundo estranho.

Torcida educada
Uma parcela da torcida do Corinthians lança ovos em seus jogadores. Terrível. Mas outra parcela é quase intelectualizada. Tanto que estendeu uma faixa no estádio pedindo procedimento ao clube. Faixa gigantesca, esticada na vertical, com as chamadas letras garrafais gritando: "Procedimento".

Fiquei satisfeito. Foi uma manifestação de civilidade.

Os colorados poderiam imitá-los. No domingo, o técnico Lori mandou substituir o Nilmar e a torcida:

- Burro! Burro!

Soube-se depois que o próprio Nilmar pedira a substituição. O dever da torcida, pois, seria desagravar Lori:

- Inteligente! Inteligente!

O fato é que há agressividade demais na linguagem das arquibancadas. E a violência começa pela palavra. Sou a favor da reeducação do torcedor. Sou pela moderação do vocabulário. A entrada de Danrlei em campo:

- Danrlee-eei pederaaas-ta!

Mas o pior é um versinho que as torcidas cantam para se ofender mutuamente. Chulo. Se a intenção é agredir o adversário, que pelo menos não se empregue o baixo calão. Mudemos o texto. O sentido permanece, ultrajante. Quer dizer: o objetivo é alcançado sem vilipendiar os ouvidos das damas cada vez mais assíduas nos estádios. Ficaria assim:

Atirei um pau no Íbis, u, u-u-u-u!

Torcedor do Íbis, sua mãe é meretriz, u, u, u-u-u-u!

Você pratica felação, u, u, u-u-u-u!

Ê, Íbis, tenha uma relação sexual homossexual!

Olê, Gremiô! Olê, Intê!

Vamos todos juntos nessa cruzada. Abaixo o palavrão na arquibancada!

Consultório sentimental do professor Juninho
Recebo mais um imeil aflito de um leitor que anseia por beber dos conhecimentos matrimoniais do Professor Juninho. Seu codinome: Namorado Desconfiado. Aí vai:

Caro Professor Juninho, minha namorada era meio gordinha. Tudo bem, gostava dela assim mesmo. Até sentia alguma excitação ao pegar nas dobrinhas que ela tinha em torno da cintura. Parecia, sei lá, algo depravado. Mas um dia ela decidiu emagrecer. Começou a fazer regime. Entrou numa academia. E, de fato, emagreceu.

Desenvolveu certos músculos interessantes, como os glúteos, as coxas. Enfim, Professor, ela se tornou uma gostosa. Participou de um desses concursos de beleza. Não ganhou, mas terminou como princesa. Aí é que está, meu Professor, meu mestre: estou inseguro. Nunca pensei que ia namorar uma menina que participa de concurso de beleza. Acho até que o comportamento dela está mudando. Tenho medo, Professor. Muito medo. O que faço?

Ass.: Namorado Desconfiado

O Professor Juninho responde:

Prezado Desconfiado, você procurou a pessoa certa. Sou um especialista nesse tipo de fêmea. Falo das que participam de concursos de beleza. Estudo esses casos. Tenho fitas de concursos em casa e as revejo com constância. O último Garota Verão, por exemplo, teve 22 etapas. Passo dias assistindo-as de novo, fazendo anotações, preparando gráficos no meu computador. Tudo pela ciência.

Tais pesquisas me levaram a concluir que as Gostosas (trato-as assim, com G maiúsculo) têm comportamento diferente das demais mulheres. Se sua namorada se transformou numa Gostosa, a personalidade dela vai mudar. Ela ficará confiante, decidida, às vezes agressiva, será muito mais ambiciosa, exigente e jamais entrará em fria. Gostosas não entram em fria. Ou seja: suas preocupações têm total procedência. Você está prestes a se tornar um corno.

Mas há saída. Basta arrumar outra gordinha. Existem muitas por aí, as padarias estão cheias delas. Então, não hesite. Desista dessa sua Gostosa, faça uma gordinha feliz. E, por favor, me passe o telefone da sua namorada para que eu possa aprimorar minhas pesquisas. Tudo pela ciência, lembre-se.

Fraternalmente,

Professor Juninho.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
17/03/2004


Uma bem montada briga

Todos lucram com esta dissimulada briga entre as cervejas Nova Schin e Brahma: lucra com certeza o Zeca Pagodinho, que deve ter recebido uns R$ 1,5 milhão da Schincariol para experimentar a sua cerveja e agora mais uns R$ 3 milhões da Brahma para virar a casaca.

Esta é apenas uma luta publicitária, a Brahma reagiu prontamente à campanha publicitária da Nova Schin com Zeca Pagodinho, que ajudou a marca rebatizada a pular do terceiro lugar em consumo em todo o Brasil para o segundo posto, em apenas quatro meses de lançamento.

Como a Nova Schin ameaçava o segundo lugar em consumo nacional da Brahma, esta resolveu reagir. E o fez da forma mais talentosa possível: roubou da Nova Schin o seu garoto-propaganda, o Zeca Pagodinho, que onde vai empunha sempre o seu copo de cerveja, só aceitava dar entrevista na televisão se lhe deixassem beber cerveja no ar, entre duas músicas e outras duas vai nos seus shows ao fundo ou ao centro do palco e bebe dois goles de cerveja e sorve duas tragadas de cigarro.

Em matéria de vícios com drogas lícitas não há realmente maior garoto-propaganda que o Zeca Pagodinho.

Então também ganhou a Brahma com seu grande lance publicitário. E observem que o lucro da Nova Schin com a polêmica não é de se desprezar.

Notem que desde que Zeca Pagodinho começou a aparecer no seu comercial para a Brahma que não se deixa de falar da Nova Schin, agora ela está entrando no Conar com uma ação contra a Brahma, os jornais se ocupam todos os dias da refrega e esta coluna neste exato momento está se referindo à Brahma mas por conseguinte também à nova Schin.

Ou seja, a Brahma é que gastou uma fortuna com o Zeca Pagodinho, mas o noticiário se ocupa não só dela, mas também da Nova Schin, que não gastou nenhum tostão no comercial, mas vê seu nome no centro da briga, portanto divulgado com insistência pela imprensa.

Incrivelmente, a Nova Schin está mais falada agora do que quando o Zeca Pagodinho gravou o comercial para ela.

O consumidor, quase sem se aperceber, vira um alvo indefeso da programada luta entre as duas cervejas.

As duas lucram, o Zeca Pagodinho também.

Não passa de um bem montado jogo publicitário.

O samba criado para o Zeca Pagodinho cantar para a Brahma foi muito bem bolado, ele diz na letra que quando foi beber a Nova Schin isso não passava de um amor de verão.

Dando a entender que voltava para a Brahma porque no inverno é que a gente sente falta do antigo e legítimo amor.

A todas essas, a campeã absoluta de consumo nacional, a Skol, assiste de camarote à briga das segundas colocadas.

Agora mesmo, no Top of Mind da Revista Amanhã, a Skol, com 32,2%, bateu a Brahma, em segundo lugar, com (15,5%), e a Nova Schin, em sexto lugar, com apenas 3,3%, na preferência dos gaúchos.

Mas a maior e mais eficaz propaganda da Brahma nessa disputa não foi o comercial gravado com o Zeca Pagodinho.

Foi o boato que a agência de propaganda da Brahma se encarregou de espalhar pela imprensa: a de que o Zeca Pagodinho declarou que trocou de marca porque já não agüentava mais fazer propaganda para a Nova Schin e ter de beber a Brahma escondido em todos os lugares por onda andava.

Este foi o gol de placa.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Legislativo
Protesto interrompe sessão no Senado



Do alto de um parapeito, desempregado fez ameaças no plenário mas foi contido pelos seguranças da Casa (foto Moreira Mariz, Agência Senado/ZH)


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Terça-feira, Março 16, 2004




Saque a partir dos 60 anos
Governo baixa a idade mínima para retirada, em parcela única, da correção do FGTS. Benefício era concedido de 70 em diante
Cristiane Campos e Neylor Toscan

O Ministério do Trabalho decidiu baixar para 60 anos a idade mínima para saque em parcela única dos atrasados do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O texto da medida provisória será enviado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com pedido de urgência. No domingo, com exclusividade, O DIA publicou que um cochilo do Governo tirou esse benefício dos aposentados a partir dos 70 anos de idade. Para ter direito ao saque de uma só vez, é preciso ter preenchido o formulário de adesão. O prazo se encerrou em 31 de dezembro.

A lei que estabeleceu o acordo para receber as diferenças dos planos Verão e Collor 1 possibilitava a parcela única ao titular da conta, aposentado ou não, com 70 anos ou mais e que tivessem completado essa idade até 30 de dezembro.

Com a nova medida provisória, serão contemplados todos os trabalhadores, a partir dos 60 anos, aposentados ou não, sem limite de prazo. A decisão vai contribuir para não sobrecarregar ainda mais a Justiça, que era a única opção para quem está nessa faixa etária conseguir a liberação integral.

O Ministério do Trabalho informa que a ampliação faz parte das mudanças que vêm sendo provocadas pelo Estatuto do Idoso. Segundo o Governo, a antecipação do pagamento para trabalhadores a partir dos 60 anos não compromete o orçamento do FGTS para este ano.

Para quem não aderiu ao acordo, só a Justiça

A nova medida vai beneficiar pessoas como Mauro Ferreira, 70 anos, que contava no calendário os dias que faltavam para retirar o dinheiro em parcela única. Mauro foi a uma agência da Caixa Econômica no dia 23 e ficou irritado ao ser informado de que não tinha mais direito ao saque.

Para quem perdeu o prazo de adesão ao acordo, o único caminho é a Justiça. Segundo o presidente da Associação Nacional de Assistência ao Consumidor e Trabalhador (Anacont), José Roberto de Oliveira, os trabalhadores podem entrar com uma ação no Juizado Especial Federal, desde que tenham até 60 salários mínimos (R$ 14.400) a receber. A vantagem é que não serão mais descontados 15%, como no acordo entre o Governo e os trabalhadores, explica.

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Brinquedo educativo e lucrativo
Mercado recupera o fôlego e lojas especializadas aumentam suas vendas
Silvana Caminiti

Lojistas e fabricantes de brinquedos pedagógicos e educativos estão cada vez mais animados com a retomada das vendas no setor, que já representam entre 3% e 4% do total de brinquedos vendidos em todo País. O segmento ainda não tem um número fechado sobre o volume de produtos comercializados, mas a estimativa é que as vendas, ano passado, tenham ficado em R$ 30 milhões. Hoje há 300 empresas atuando no ramo, que quase desapareceram anos atrás.

A indústria de brinquedos convencionais vinha investindo pesado no lançamento de produtos, principalmente naqueles associados a personagens da TV e do cinema, o que acabou fazendo cair as vendas dos brinquedos educativos. A verdade é que poucos pais iam em busca desse tipo de produto e as lojas foram desaparecendo, desestimulando aqueles consumidores que ainda preferiam fugir dos artigos convencionais, lembra o consultor de varejo Marco Antônio Passos.

No Rio, uma das empresas mais antigas do setor e que também vem comemorando bons resultados é a OG Brinquedos Construtivos. Criada pela ex-professora de Ensino Fundamental Oneide Guimarães, a marca está há 22 anos no mercado e fabrica peças em madeira. Produzimos mais de 500 modelos diferentes de brinquedos. Vendemos não só para lojas, como também fazemos peças sob encomenda para escolas e clínicas de fisioterapia e fonoaudiologia, que trabalham com crianças, explica a ex-professora e empresária.

Oneide conta que começou fazendo peças iguais às que usava na sala de aula e diz que o crescimento do mercado é resultado da conscientização dos pais, hoje mais preocupados com o tipo de brinquedos que dão para os filhos.

OG Brinquedos Construtivos: (21) 2247-0888

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Todos querem um final feliz
Muitos menores trabalhadores estão desiludidos. Mas o resgate pelo Peti é a prova de que com pouca verba se pode garantir o futuro
Marcelo Remígio

Famílias inteiras buscam fonte de sustento no Lixão de Miguel Pereira



O trabalho infantil não tem deixado apenas marcas nos corpos de crianças e adolescentes. Ao assumir funções de adultos, a maior parte dos menores limita seus horizontes à vida que leva e mergulha na desesperança. É o caso de Rosilângela Cardoso Santos que, com a mãe e os irmãos, garimpa no lixão de Miguel Pereira objetos que lhe rendam pelo menos o que comer diariamente. Aos 13 anos, Rosilângela não tem futuro. Não sabe nem qual é a profissão que quer seguir.

No terceiro dia da série sobre trabalho infantil, o DIA mostra que, como ela, existem milhares de jovens perdendo a ilusão em cada canto do estado. Ainda mais agora que o Governo federal não consegue cumprir a meta estabelecida para a área social, que seria seu carro-chefe.

Só a verba do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) para 2.206 municípios brasileiros está atrasada há dois meses. São 810.792 crianças que deixaram de receber R$ 40, para famílias residente em áreas urbanas, e R$ 25, para os que vivem nas zonas rurais.

A experiência mostra que é preciso muito pouco para devolver o sonho e o brilho no olhar de crianças e adolescentes e encaminhá-los para um futuro melhor. Numa pequena sala de aula de Paty do Alferes, no Sul Fluminense, o exemplo vem do mirradinho Uelido Lemos da Costa. Aos 8 anos, com as mãos calejadas, ele foi resgatado pelo Peti na roça em que trabalhava com o pai desde os 5. Ele trocou a irrigação das plantações de pimentão pelo aprendizado da terceira série: de manhã e de tarde. Hoje, ele é o xodó da turma do Peti, onde, além do reforço escolar, tem aulas de artes manuais, futebol e canto.

E já fez bons amigos, como Gustavo Santos Silva, 14, e Luciano Baltar, 15. Os três voltaram a ter esperança. Na sala de aula, a música que eles pediram para aprender diz tudo. É preciso saber viver, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Todo pedra no caminho, você pode retirar...

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Liberato Vieira da Cunha
16/03/2004


Não estamos sós

Da lista imensa dos livros que não li, há um que jamais vou abrir. É de Goethe, e se chama As Afinidades Eletivas. Me basta o apelo sedutor desse título, que associo, por alguma razão que em razão não se contém, a seres muito especiais que encontrei aqui e ao longo das esquinas do mundo. Não quero descobrir, desapontado, que trate de temas filosóficos, herméticos, distantes dos que imagino.

Apesar de todas as teorias sobre a incomunicação, existir é comunicar-se. Mesmo os tipos quietões, feito eu, que não aprenderam sequer essa fascinante ciência, que é jogar conversa fora, topam a cada dia e hora com legiões de pessoas. Mas só de algumas nos tornamos menos desconhecidos; de raríssimas dizemos com íntima convicção: é minha amiga, é meu amigo.

Não é incomum conviver séculos com gentes que, pela proximidade freqüente, a coincidência de ofícios, os interesses partilhados, você preza e admira. Resta contudo um muro invisível, ainda que cordial. Você as tem em alta conta, mas não fala a si próprio: K., W., Y. são meus amigos. Pois falta o essencial: a confidência, dois, sete ou 15 segredos divididos.

Pobre em haveres, sou rico em amigos. Acho que devo essa fortuna a uma forma inexplicável de escolha. De repente você percebe que não está só: uma frase, um gesto, um modo de agir armam pontes por entre o arquipélago disperso de nossa frágil humanidade.

"Homem algum é uma ilha" - escreveu John Donne. Também não li o poema inteiro. Me chega essa frase, de igual maneira que o título do livro de Goethe.

Somos, no fundo, isso: terras sem raízes num rio sem rumo por toda a eternidade em busca das afinidades que elegermos.


liberato.vieira@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
16/03/2004


O que querem de nós?

Cada vez que ocorrem atentados terroristas como esses de Madrid e de Ashdod, em Israel, recuo no tempo, para aquela fria manhã, em Jerusalém, em que acordamos com o som alarmante de sirenes. Alguma coisa tinha acontecido, e ligando a tevê, logo descobri o que era: uma bomba tinha explodido em um ônibus, matando dezenas de pessoas. Resolvi ir até o local e tomei um táxi, que, no entanto, encontrou ruas bloqueadas; fiz o resto a pé e, quando cheguei, já haviam removido os corpos.

Mas a carcaça queimada do ônibus estava lá e, a seu redor, uma multidão, em silêncio. A revolta era visível em todos os rostos, mas também a perplexidade, a mesma perplexidade que levou um cidadão espanhol a perguntar, no metrô: mas o que querem de nós?

Pergunta muito difícil de responder. Para isso, seria preciso raciocinar de acordo com a lógica do terrorismo. Esta lógica é produto de mentes tão perturbadas que fica difícil para pessoas comuns entendê-la. O atentado de Jerusalém ocorreu à véspera das eleições que opunham dois candidatos: Shimon Peres, que não apenas apoiava um Estado palestino, como propunha uma confederação que reunisse, à maneira da União Européia, os países da região, de forma a estimular a economia, gerar empregos e diminuir a pobreza. Do outro lado, Beniamin Netaniahu, cuja plataforma era, basicamente, o combate ao terror.

E foi ele quem ganhou, claro. Essa vitória era exatamente o que os terroristas pretendiam: é preciso manter o ciclo ataque-retaliação, pois é disso que a instituição terrorista se nutre, é assim que arranja fundos para sua manutenção. O objetivo do terror não é chegar ao poder, muito menos através de eleições: quem votará em gente que assume a morte de civis indefesos? Há poucos dias morreu no Iraque o terrorista Abu Abbas, cujo grupo, depois de seqüestrar o navio italiano Achille Lauro, atirou pela amurada um velho judeu que estava numa cadeira de rodas. Dá para pensar num indivíduo desses numa disputa democrática? Dá para pensar nele governando um país?

Não é de estranhar a angustiada pergunta do anônimo espanhol. Ela é a pergunta de todos nós. E tem uma única resposta: de nós, as pessoas comuns, aquelas pessoas que levantam todos os dias pela manhã e tomam um metrô ou ônibus para ir ao trabalho ou à escola, dessas pessoas os terroristas não querem nada, a não ser que morramos no maior número possível. Aí incluídos aqueles que ainda procuram, com um raciocínio tão distorcido quanto o dos terroristas, justificar suas ações.

scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
16/03/2004


A origem da crise

Ribombam e-mails de leitores apoiando a coluna de domingo que pregou o impositivo controle da natalidade, chamando a atenção o depoimento de médicos que atendem ou atenderam maternidades.

Esses médicos se dizem atordoados que meninas de 11 anos tenham filho. E que é freqüente e contristador que meninas de 13,14 e 15 anos já tenham engravidado pela segunda vez.

Um médico manda dizer à coluna que conheceu num hospital uma mulher que não menstruava há 10 anos. Ela tinha um filho, amamentava por quatro meses e engravidava novamente. Teve tantos filhos que já era conhecida no hospital pelo nome.

O jornalista Gilberto Dimenstein assim se manifesta sobre esta barbárie sexual brasileira: "Uma pesquisa de âmbito nacional da Unesco, divulgada na segunda-feira, informou que 50% dos jovens de Fortaleza e Goiânia, assim como 40% dos de Belém, Vitória e de Porto Alegre, não utilizam a camisinha. De acordo com a Unesco, na faixa de 10 a 14 anos de idade, 33% das estudantes de Fortaleza engravidaram, bem como 22% das de Cuiabá. Em todo o país, mais de 10% das crianças de 10 a 14 anos tiveram relação sexual. É compreensível, portanto, a informação divulgada na semana passada pelo Ministério da Saúde: a incidência do vírus da Aids entre meninas de 10 a 19 anos é seis vezes maior do que entre meninos da mesma idade. Para sintetizar, basta lembrar que, anualmente, mais de 1 milhão de mulheres que mal saíram da adolescência têm filho".

Eu uso o cinto de segurança no meu carro por opção pessoal, mas continuo inconsolavelmente contrário à lei que me obriga a usar o cinto de segurança, sob pena de multa.

É que o não-uso do cinto de segurança acarreta risco de morte e de lesão à integridade física exclusivamente minhas, não ameaça a outrem.

Então a lei atenta contra a minha liberdade individual.

Não posso entender como num país em que se obriga a usar o cinto de segurança, no entanto não se obriga as adolescentes e mulheres pobres a se esterilizarem logo após o primeiro filho, paralelamente aos pais masculinos.

Porque a impressionante estatística de que só as mulheres pobres ou miseráveis têm cinco filhos ou mais, não acontecendo isso jamais com as mulheres melhor dotadas economicamente, diz eloqüentemente que a produção assim irresponsável dos filhos acarreta danos irreparáveis a estas crianças como também a toda estrutura social, estimulando a níveis incontroláveis a fome, a subabitação, o desemprego, o crime e a prostituição.

Constitucionalmente e juridicamente, é de rir que se obrigue o cinto de segurança e não se obrigue a laqueadura das trompas e a vasectomia, assim como todos os outros eficazes métodos contraceptivos.

Em suma, num país subdesenvolvido como o nosso, a liberdade que as pessoas têm de ter é a de fazer sexo, que é um impulso incontrolável e um direito humano intocável.

Mas para que se conceda esse direito é preciso tolher as pessoas excluídas na sua liberdade de ter filhos.

Até mesmo porque tenho o depoimento de inúmeras assistentes sociais de que esses filhos irresponsáveis que as mulheres pobres têm são totalmente indesejados por elas. Queridos depois de nascidos, mas indesejados antes.

Pobres coitadas, têm filhos porque não sabem como evitá-los nem se vêem proibidas por política populacional rígida de procriar.

Enquanto isso não mudar, o Brasil afundará cada vez mais na doença, na fome, na miséria e na desenfreada criminalidade.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Como foi a captura de Naya em Porto Alegre



Com mandado de prisão desde quinta passada, o construtor Sérgio Naya foi detido na madrugada de ontem (foto Antônio Pacheco/ZH)


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Segunda-feira, Março 15, 2004




UM A MAIS

Eu poderia ser um ser comum
Que se alimenta - com humano jeito -
De mágoas, medos, raivas, preconceito
Alguém, assim, igual a qualquer um.

Mas diz-me doce voz, dentro do peito,
Que mal não faz-me todo este jejum
caminho para bem nenhum
No que - de fora - eu avisto e espreito.

Eu poderia ser m ser comum
Alguém, assim, igual a qualquer um,
Que em si carrega seus restos mortais.

Porém abraço a minha condição:
Paz infinita habita o coração
Dos que não são apenas um a mais.

Silvia Schmidt

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Se tu viesses ver-me

A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra:
esse sabor que tinha a tua boca...
o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte...
os teus abraços...
Os teus beijos...
a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...

Florbela Espanca

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Inter e Juventude empatam e voltam a se enfrentar na semifinal

MBPress
Em São Paulo


Foi uma prévia da semifinal. Neste domingo à tarde, Internacional e Juventude jogaram no estádio Beira-Rio, em Porto Alegre, e empataram por 1 a 1, pelo Campeonato Gaúcho. Os dois times estão classificados para a semifinal da primeira fase.

Os dois gols do jogo foram marcados no segundo tempo. Tiago, contra, marcou para o Internacional aos 30min. Mas Neto, logo depois, aos 33min, deixou tudo igual no placar.

E, nas semifinais, Internacional e Juventude voltarão a se enfrentar. Com os resultados da rodada deste final de semana, o Inter terminou em primeiro na chave 2, enquanto o Juventude ficou em segundo na chave 1.

O time colorado chegou aos 15 pontos ganhos, empatado com o Glória, que empatou também por 1 a 1 com o 15 de Novembro. O Internacional, porém, teve ataque mais positivo e ficou na liderança.

Na chave 1, o Juventude entrou em campo sonhando com a liderança. Precisaria vencer seu jogo e torcer pelo rival Caxias contra o Grêmio. Mas, além de não vencer, o Grêmio ainda venceu seu jogo, chegou aos 16 pontos e ficou em primeiro. O Juventude terminou com 13.

O primeiro jogo entre Internacional e Juventude será no próximo domingo, dia 21. As duas equipes irão se enfrentar no estádio Alfredo Jaconi. No dia 28, haverá o jogo de volta, desta vez no estádio Beira-Rio.

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A musa vai ao quartel

Eloah Uzêda, nova Garota do Tempo do DIA, teve a torcida dos bombeiros, vizinhos em Campo Grande

Soldados seguram Eloah, que ficou lisonjeada e prometeu um bom dia especial quando sair de casa para seus compromissos como modelo

As generosas medidas de Luma de Oliveira não são as únicas que fazem sucesso entre os bombeiros. A estudante de Psicologia Eloah Uzêda, 22 anos, nova Garota do Tempo do DIA, arranca suspiros no 13º Grupamento da corporação, em Campo Grande. A modelo mora em frente ao quartel, e recebeu eleogios pelo ensaio especial publicado ontem no jornal. A pernambucana estará no Mapa do Tempo, na página 2, a partir do dia 20, quando começa o outono.

A admiração levou alguns fãs a torcerem e votarem nela. Para o sargento Ricardo Herdy Ferreira, 35 anos, a vitória de Eloah não foi surpresa. Ela era a melhor. Quando a vi na Internet, concorrendo a Garota do Tempo, não pensei duas vezes e dei meu voto, afirmou. Além disso, é um orgulho ver nosso bairro tão bem representado, brincou o sargento. E os aplausos não são apenas dele: o cabo Harlei Luiz Bastos, 32, há 13 anos no grupamento, acompanha a modelo não é de agora. Conheço de vista. Sempre foi bonita, elogiou.

Moradora da Zona Oeste desde os 3 anos, Eloah diz que admira a profissão de bombeiro e se sentiu lisonjeada ao saber que é admirada no quartel. A partir de agora, darei um bom dia especial quando passar por aqui, prometeu. Ela, que está sem namorado, acendeu as esperanças dos bombeiros. Mas o que falta é tempo. Além da faculdade, faço trabalhos como modelo para a Ultra Agency e curso técnico de Estética. E vou para todo lugar de ônibus, conta.

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Governo libera saque do FGTS

Idosos vão receber diferença do fundo em cota única, ao completarem 70 anos

Cristiane Campos e Neylor Toscan



Berzoini admite erro do Governo

Um dia depois do DIA mostrar que um cochilo do Governo federal impediu que idosos, ao completar 70 anos, recebessem em parcela única os atrasados do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, anunciou a edição de uma medida provisória (MP) para reverter a situação. Após análise técnica que foi determinada à Assessoria Jurídica do Ministério do Trabalho, Berzoini vai encaminhar o texto à Casa Civil para posterior assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com a Lei Federal nº 10.555, de 13 de novembro de 2002, titulares de contas do FGTS, ao completarem 70 anos de idade, passam a ter direito ao saque integral dos atrasados, de uma única vez. Mas o mesmo texto legal limita a data de aniversário de 70 anos ao prazo final de adesão ao acordo do FGTS, que se encerrou em 31 de dezembro.

A expectativa entre os técnicos do Ministério do Trabalho é de que a medida provisória seja editada em menos de um mês, devido ao trâmite pelos ministérios do Trabalho e da Casa Civil e pela Presidência. O que já está decidido é que vai alcançar todos os titulares de contas do fundo que fizeram aniversário desde 1º de janeiro e haviam perdido o direito ao saque integral.

A Caixa, agente financeiro responsável pela administração do FGTS, informara na sexta-feira que nada podia fazer no caso daqueles idosos que completaram 70 anos após 31 de dezembro, porque se tratava de limitação legal. Funcionários do banco chegaram a relatar que dezenas de idosos nessas condições já passaram pelos guichês das agências certos de que poderiam sacar e ficaram de mãos abanando. Desses, muitos contaram nos dedos os dias que faltavam para completar 70 anos, à espera do benefício, e se decepcionaram ao chegar à Caixa.

A partir dos 60 anos, ainda há opção de se recorrer à Justiça

Se, com a edição da MP, a situação de saque integral em parcela única já está garantida, segundo o Governo, para quem tem mais de 70 anos, resta uma esperança de antecipação do prazo de recebimento dos atrasados do FGTS para aqueles que têm pelo menos 60 anos.

Segundo o presidente da Associação Nacional de Assistência ao Consumidor e Trabalhador (Anacont), José Roberto de Oliveira, a Justiça é a saída para aqueles que tenham pelo menos 60 anos de idade e saldo a receber de até 60 salários mínimos (R$ 14.400).

Nesses casos, o interessado deve procurar o Juizado Especial Federal para propor uma ação, baseada nos dispositivos do Estatuto do Idoso. Além de sacar o benefício em parcela única, os idosos com mais de 60 anos se livrarão do desconto de 15%, imposto pelo chamado ¿maior acordo do mundo¿, fechado durante o Governo Fernando Henrique Cardoso.

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Luis Fernando Verissimo
15/03/2004


Os joelhos de Cristo

Fui católico praticante até os 14 ou 15 anos, por influência da minha mãe, depois virei agnóstico como o meu pai. Lembro que o que mais me impressionava no grande crucifixo da igreja do bairro que freqüentávamos eram os joelhos esfolados de Cristo. Mais do que as mãos e os pés pregados na cruz e a coroa de espinhos, talvez porque joelhos lanhados fizessem parte da minha experiência de guri e aquela fosse uma dor que eu também conhecia. O Cristo crucificado tinha a sentida solidariedade de um jogador de futebol de calçada.

A igreja católica tem uma plasticidade que as outras não têm, e boa parte da sua iconografia é de imagens sangrentas que realçam o martírio dos sentidos ao mesmo tempo que espiritualizam a sensualidade, ou erotizam a espiritualidade. Quando Salvador Dali pintou o seu Cristo crucificado sem chagas e quase feminino, que escandalizou tanta gente, estava resgatando a espiritualidade de Cristo do seu dilaceramento sangrento e a carnalidade do seu martírio.

O que está escandalizando parte da crítica nesse filme do Mel Gibson sobre a paixão de Cristo é a sua extrema violência, a sua redução da mensagem cristã ao dilaceramento, com sangue esguichando. O jornalista Cristopher Hitchens chegou a chamá-lo de um filme sadomasoquista, feito para quem gosta de ver homens seminus apanhando.

A idéia de Gibson parece ser que o martírio é a mensagem, que o mundo cristão precisa não de outra fantasia sobre o Jesus histórico e político, como fez o Scorsese, ou outra pieguice inspiradora como os antigos super-espetáculos bíblicos de Hollywood, mas um pseudodocumentário que lembre o terror que foi o sacrifício real do Cristo até o último prego. E - segundo outros protestos contra o filme - faça questão de lembrar quem foram os responsáveis por isto.

Gibson se defende da acusação de anti-semitismo mas, pelo que se lê, o filme recorre a estereótipos raciais para caracterizar os judeus que exigiam a morte de Cristo e inocenta os romanos, que, afinal, só estariam lá como os americanos no Iraque, sem participação em acertos de contas locais. O pai de Gibson é um anti-semita declarado e o próprio Gibson é de uma corrente ultraconservadora da Igreja, e o filme vem recebendo elogios de líderes religiosos da direita e atraindo multidões nos Estados Unidos, presumivelmente não só de sadomasoquistas.

O crítico do New York Times Frank Rich, comentando o filme e o seu sucesso, escreveu que, pela primeira vez na vida, se sente ameaçado como um judeu americano na sua terra. Diz-se que o fundamentalismo cristão americano apóia a extrema direita israelense porque, assim como os judeus são os responsáveis pela crucificação de Cristo e portanto pelo cristianismo, um Armagedão no Oriente Médio trará o fim dos tempos, com a conversão dos judeus e o triunfo definitivo de Cristo. Frank Rich deve se sentir ameaçado também como um homem racional num mundo cada vez mais maluco.

Enfim, já abandonei o monoteísmo e também não posso dar palpite sobre os acertos de contas dos outros, mas acho que o que se precisa, mesmo, não é nenhuma nova catarse pela violência e pelo ódio mas de solidariedade universal ao nível mais baixo e humano possível: ao nível do joelho esfolado de todo o mundo.

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Paulo Sant'ana
15/03/2004


Insípida e inodora

Vejam vocês o risco que corremos com o abastecimento de água no futuro.

Bastou uma estiagem para que grande parte da população porto-alegrense esteja recebendo em suas torneiras uma estranha água com cheiro e gosto estranhos.

A esse respeito, na ZH de sábado, o coordenador da Equipe de Vigilância da Qualidade de Água da Secretaria Municipal da Saúde (nunca vi tantas maiúsculas em toda a minha vida), André Luiz Martinelli, saiu-se com um diagnóstico que me deixou tonto. Eis o que ele disse a respeito do excêntrico gosto e forte cheiro que a água vem mostrando em Porto Alegre: "O cheiro e o gosto podem variar de pessoa para pessoa".

Esta eu não entendi. Pensei que poderiam variar de torneira para torneira, de bairro para bairro, de cidade para cidade.

Mas variar de pessoa para pessoa é um critério que pôs a minha intelecção a nocaute.

Um diretor do DMAE, Henry Weiss (também me espanta que todo diretor do DMAE tenha nome insoletrável, houve um tempo em que era o Dieter Wartchow), tranqüilizou a população porto-alegrense, garantindo que mesmo com cheiro e gosto estranho a água da Capital tem 100% de potabilidade, pode ser bebida sem qualquer problema.

O mesmo afirmou um diretor da Corsan, Jorge Luís Accorsi, com respeito à água do Interior.

Mas o galho que se cria com esta onda de água que contém algas é o seguinte: pessoas acometidas de diarréia, dor de barriga, febre e mal-estar estão culpando a água por isso em Porto Alegre.

É bem possível que estas pessoas estejam associando esses seus males à água, quando a causa deles é outra. Ou seja, quando a água está sem cheiro e sem gosto, há pessoas que têm diarréia, febre e dor de barriga e aí é claro que não atribuem à água as suas doenças. É possível.

No entanto, pergunta-se: como pode a água que está sendo servida à população ter cheiro e gosto se há um princípio de conhecimento e verdade que se aprende nos bancos escolares e que cientificamente é inalterável: "A água é um líquido inodoro, insípido e incolor, essencial à vida".

Como todos sabem, inodoro quer dizer que não tem cheiro. E insípido quer dizer que não tem gosto.

Que água é esta com cheiro e gosto que o DMAE e a Corsan estão fornecendo então, por força desse secamento das fontes pela estiagem?

Evidentemente que todas estas autoridades que se manifestam sobre a qualidade da água que grande parte da população bebe são pessoas de responsabilidade e entendidas no assunto. Por isso não deve haver razão para alarma.

É que a nossa ignorância popular nos leva a inquietações perturbadoras.

A ciência diz que água não tem cor, não tem cheiro nem tem gosto. E o cheiro e gosto que as pessoas estão sentindo é de barro, de iodo etc!

E as autoridades admitem que este cheiro e este novo sabor da água provêm das algas, que elas não têm conseguido eliminar do líquido.

Aí a gente vai olhar de que se alimentam as algas e nota que se nutrem de esgotos domésticos e de fosfato de nitrato, encontrado nos fertilizantes das lavouras.

Mas não é de deixar as pessoas simples do povo intrigadas?

Ainda bem que os entendidos estão tranqüilizando o povo que não tem dinheiro para comprar água mineral. Porque quem tem, está fazendo quase dobrar o consumo de água mineral em Porto Alegre.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Beleza
A vez das morenas



Eliza Porciúncula Justo (C), de Jaguarão, venceu o concurso Garota Verão 2004. Sabrina Stello (E) e Paula De Veras (D) são as princesas (foto Adriana Franciosi/ZH)


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