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Sábado, Março 20, 2004
Posted
11:49 PM
by Cassiano Leonel Drum
Ponto de vista: Claudio de Moura Castro
O tempo do desenvolvimento
"Quanto mais tempo se perde por desorganização ou esperando pelos outros, menos tempo se utiliza produzindo e menos
riqueza é gerada"
Levei minha moto para ser consertada em uma pequena oficina no centro de Genebra. O mecânico abriu uma agenda (como as de médico) e me instruiu para que em oito dias voltasse com a moto às 2 horas e que fosse buscá-la às 3h15. E assim foi. Ainda naquela região, procurei um carpinteiro. Sem olhar a agenda, ele foi logo dizendo que estava ocupado pelos próximos três meses. Contudo, havia uma chance no fim de semana seguinte. Se chovesse, nada feito, não se abre telhado com chuva. Se fizesse sol, ele ia escalar um pico próximo. Mas, se o tempo estivesse nublado, aí talvez fosse possível. As cartas estavam na mesa, com toda a sinceridade.
Um professor chinês em Yale, segurando a xícara de café, ficava olhando o ponteiro de segundos do relógio da sala de aula. Quando marcava 8 horas em ponto, começava a aula. T. Watson, o legendário presidente da IBM, marcava reuniões para começar em horas quebradas, como 1h58. Quem chegasse depois pagava uma multa proporcional aos minutos de atraso. Na mesma IBM, um alto funcionário brasileiro quis apresentar um projeto na reunião de diretoria da sede. Recebeu uma alocação de, exatamente, 48 segundos para sua "conferência". Freqüentemente sou convidado para participar de seminários na Europa. Os convites chegam quase sempre com mais de um semestre de antecedência
Nos Estados Unidos é prática corrente lojas e oficinas darem um prazo máximo para a entrega dos serviços. Em geral, terminam antes. Mas o cliente planeja sua vida para o prazo máximo.
Ilustração Ale Setti
Aqui em Pindorama vivemos numa sociedade que mescla o melhor e o pior do respeito pelo tempo. Eu tinha um amigo radicado nos Estados Unidos. Na época em que morou no Rio, ele costumava marcar com seus colegas de tênis partidas para o dia seguinte. Não apareciam ou chegavam atrasados. Voltando a Washington, passou a marcar partidas com mais de três meses de antecedência. Na hora aprazada, estavam todos lá.
Na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, a conferência marcada para as 10 horas começará em horas diferentes, dependendo do ministério. No Itamaraty, começa na hora. Na área econômica, cabem alguns minutos de tolerância. Na área social, estão todos muito ocupados, e meia hora de atraso não é incomum. Curioso, os ministérios mais eficazes são aqueles em que as reuniões começam na hora.
Quem marca com o consertador do computador, da televisão, da pia ou da máquina de lavar terá uma surpresa se a criatura vier ¿ e mais ainda se chegar na hora marcada. Já nas empresas modernas, a chance de andar no horário é bem maior.
Mas o esplendor da irresponsabilidade com o tempo dos outros está nas burocracias públicas. Quanto comerá do PIB o tempo perdido por esperas e complicações desnecessárias? Muitas empresas brasileiras deixaram de financiar tecnologia com dinheiro mais barato da Finep pelo risco fatal de atrasos nos desembolsos. E os prazos erráticos do Judiciário? Na Educação, os alunos esperam pelos professores e vice-versa, malversando o tempo da educação.
Tais exemplos dizem o que todos já sabem, pelo menos na teoria: tempo é dinheiro. A riqueza é resultante do trabalho. O trabalho é a aplicação do tempo em atividades produtivas. Quanto mais tempo se perde por desorganização ou esperando pelos outros, menos tempo se utiliza produzindo e menos riqueza é gerada. E isso sem ganhar em lazer.
Alguém disse a Akio Morita ¿ o fundador da Sony ¿ que o Brasil era pobre porque os brasileiros eram malandros. A sua resposta é que via os brasileiros trabalhar até mais do que os japoneses. Mas eram pobres pelo mau uso do tempo.
É interessante notar que a famosa técnica japonesa do "just in time" não passa de uma forma de sincronizar o trabalho de um com o de outro, de tal forma que nem trabalhador nem matéria-prima fiquem parados esperando.
O respeito pelo tempo dos outros aumenta a produtividade social, pois o tempo de todos não é desperdiçado pelas esperas. Aliás, fazer com antecedência é mais rápido e mais barato. Planejamento é isso. O tempo do desenvolvimento é o aprendizado social de estruturar o tempo de cada um e cada um não atrapalhar o tempo dos outros.
Claudio de Moura Castro é economista
(claudiodmc@attglobal.net)
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11:38 PM
by Cassiano Leonel Drum
A Seib/Traje: Dominique Lemieux/Cirque du Soleil
A peça O: acrobacias na piscina ao custo de 92 milhões de dólares
A carreira do canadense Guy Laliberté, fundador e presidente do Cirque du Soleil, é tão surpreendente quanto os shows que ele criou. Em 1984, aos 24 anos, ele andava de pernas de pau e engolia fogo nas esquinas de Montreal. Hoje, é dono de um patrimônio de 1,1 bilhão de dólares e entrou para a lista da revista americana Forbes que reúne as pessoas mais ricas do planeta. Ele é festejado como um dos maiores anfitriões do Canadá.
Todos os anos, abre sua casa para famosos depois da corrida de Fórmula 1 em Montreal. Laliberté é solteiro e muito amigo de modelos. A indefectível Naomi Campbell é presença constante no cirquinho pessoal do empresário e dizem que já foi algo mais dele.
Guy Laliberté: das apresentações na rua ao clube dos ricos da revista Forbes
O empreendimento que enriqueceu Laliberté tem escritórios em três continentes e 2 700 funcionários de quarenta nacionalidades entre os quais 28 brasileiros. Com nove espetáculos em cartaz pelo mundo, o Cirque du Soleil atrai atualmente 60 000 espectadores a cada fim de semana. O próximo investimento será no ramo hoteleiro.
Até 2017, serão construídos seis resorts do Cirque du Soleil, com boates, bares e cassinos que terão decoração temática e artistas que trabalharão para entreter os visitantes (espere por garçons malabaristas nas boates e trapézios na sala de ginástica dos hotéis).
Laliberté goza da fama de ter o toque de Midas. Desde sua fundação, o Cirque du Soleil estreou quinze grandes produções e nenhuma deu prejuízo. Em comparação, nove entre dez peças que estréiam na Broadway não têm o retorno esperado por seus investidores ¿ e elas são destinadas ao mesmo público do Soleil: gente disposta a pagar entre 100 e 400 reais por um ingresso. Especialistas atribuem o sucesso do Cirque du Soleil à decisão de não multiplicar os shows nem licenciá-los, o que limita o risco da perda de qualidade e de dispersar a atenção do público.
Das nove peças em cartaz no mundo, cinco são itinerantes e rodam pela Ásia, pela Europa e pela América. As demais são fixas, apresentadas em teatros em Las Vegas e em Orlando. O faturamento do Soleil, só com as apresentações de circo e a venda de DVDs e programas para emissoras de televisão, atinge 500 milhões de dólares. Para efeito de comparação, é a metade do lucro dos parques de diversão da Disney, a marca mais conhecida no ramo do entretenimento.
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11:34 PM
by Cassiano Leonel Drum
E ficou pronto o prédio do Lalau
Heudes Regis
Na próxima sexta (26), será inaugurada a nova sede do Tribunal Regional do Trabalho, na Barra Funda. Iniciada há doze anos, a construção ficou paralisada entre 1998 e 2002, por causa dos 169 milhões de reais desviados pelo ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau. Confira alguns números do edifício:
86.500 metros quadrados
1.200 vagas no estacionamento
1.500 funcionários em 79 varas
63 milhões de reais gastos só para finalizar a obra
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10:26 AM
by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
Meu conselho ao presidente
"O álcool é o pior problema do Brasil. Lula deveria dar o exemplo e parar de beber em eventos a que comparece. No primeiro ano
de governo fomos informados sobre tudo o que ele bebeu em cada encontro político ou social"
Dou um conselho a Lula. Pare de beber em público. O álcool é o pior problema do Brasil. Pior do que a fome. Pior do que o desemprego. Pior do que a criminalidade. Pior do que a saúde pública. Porque ele agrava todos os outros problemas. Sessenta e cinco por cento dos acidentes fatais nas estradas estão relacionados ao consumo de álcool. Setenta por cento dos assassinatos também. Calcula-se que o alcoolismo seja responsável pela perda de 5% do PIB. Coisa demais para um país pobre como o Brasil. Coisa demais para um país em recessão. O combate ao alcoolismo deveria ser uma prioridade do governo.
Só que, para funcionar, Lula deveria dar o exemplo. Deveria parar de beber em eventos a que comparece. No primeiro ano de governo fomos informados sobre tudo o que o presidente bebeu em cada encontro político ou social. As notícias da imprensa a seu respeito sempre vieram acompanhadas por detalhes de suas preferências alcoólicas, independentemente do tema tratado. Sobre a reforma ministerial: "Antes de iniciar o jantar, tomando uma dose de uísque, Lula falou sobre quanto é difícil demitir um amigo". Sobre a lei orçamentária: "Enquanto comia um churrasco e bebia uísque, Lula afirmou que a receita não estava prevendo aquela arrecadação". Sobre suas viagens pelo interior do país: "Lula comeu einsbein com uísque Johnny Walker Black Label".
Lula costuma argumentar que ninguém pode resolver os problemas do Brasil com canetadas. Pode sim. Uma boa canetada pode eliminar o artigo da Constituição que permite aos infratores recusar-se a se submeter ao teste do bafômetro. Outra boa canetada pode proibir a venda de bebidas alcoólicas nas estradas. Outra boa canetada pode aumentar o imposto sobre o álcool. No supermercado perto de casa, uma garrafa de pinga custa 2,68 reais. Menos do que um litro de leite longa vida. Difícil imaginar que um país em que uma garrafa de pinga custa menos do que uma de leite possa prosperar.
Não se trata de uma questão moral ou de etiqueta. Nem de perda de autoridade. Lula deve parar de beber em público simplesmente porque o Estado não tem dinheiro para arcar com os custos do alcoolismo. No Congresso Nacional existem muitos projetos de lei que visam a limitar a propaganda das bebidas. O primeiro a ser atingido deveria ser o próprio presidente. Ele é o maior garoto-propaganda da indústria do álcool. Se parasse de aparecer com copos de uísque na mão, já seria um bom passo. Se, além disso, ele se abstivesse de tomar álcool e se engajasse numa campanha contra a bebida, o Brasil só teria benefícios. Lula até agora fracassou em todas as áreas. O saldo de seu governo é muito negativo. Parando de beber em público, ele finalmente seria recordado por algo de bom.
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9:36 AM
by Cassiano Leonel Drum
Eles prometem, mas não agüentam...
Campanha pró-virgindade cresce nos EUA, mas só um em dez cumpre o voto de abstinência
Ariel Kostman - Reuters
Manifestação a favor da abstinência sexual: movimento tem apoio do governo Bush
Nos últimos anos, o movimento que defende a abstinência sexual para adolescentes vem ganhando força nos Estados Unidos. Baseia-se na tese de que se privar de sexo é a única maneira totalmente segura de evitar doenças sexualmente transmissíveis, como a aids, ou a gravidez indesejada. Sob o comando de grupos ligados a igrejas e com patrocínio oficial, a campanha tem produzido resultados notáveis. Quase 2,5 milhões de jovens já assinaram a carteirinha com voto de virgindade do movimento True Love Waits (o verdadeiro amor espera, em inglês). Assinar é, digamos, a parte fácil.
Pesquisadores da Universidade de Columbia que acompanharam 12.000 adolescentes durante oito anos constatam que 88% daqueles que prometem manter a virgindade até o casamento acabam tendo relações sexuais antes disso. Ou seja, quase nove em cada dez caem em tentação.
O levantamento revela ainda um lado inesperado da campanha pró-abstinência, este, sim, preocupante: quando decidem transar, os que fizeram votos de virgindade se protegem menos. Apenas 40% dos rapazes que pretendiam casar-se virgens usaram preservativo no último ano em comparação aos 59% dos que não prometeram evitar o sexo. No que diz respeito às doenças sexualmente transmissíveis, a taxa de contaminação foi praticamente igual entre os dois grupos.
"O movimento a favor de uma educação sexual baseada na abstinência está criando uma situação na qual ninguém tem informação adequada sobre como ter sexo saudável", disse Peter Bearman, chefe do departamento de sociologia da Universidade de Columbia e autor da pesquisa. "Com essa atitude, esses grupos acabam agravando os problemas que dizem querer resolver."
Apesar da pesquisa, a cruzada a favor de uma educação sexual baseada exclusivamente na preservação da virgindade deve ganhar ainda mais força. O movimento conta com o entusiasmado apoio do presidente George W. Bush. No ano passado, o governo americano destinou 135 milhões de dólares para centros de saúde, escolas e igrejas que realizem reuniões com o objetivo de convencer adolescentes a evitar relações sexuais antes do casamento.
Ao mesmo tempo, reduziu a verba para programas de educação que incentivam o sexo seguro. Em alguns Estados americanos todos os programas que fornecem informações sobre o uso de métodos anticoncepcionais e preservativos para adolescentes foram abolidos.
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9:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
Melindrosa
Estilo glamouroso dos anos 20 é referência nas coleções de outono-inverno que chegam às lojas
Marcia Disitzer
Anos loucos: tempo de mulheres melindrosas, pérolas e muita esperança. A década de 20 marcou o século passado pela sua ousadia e pelo desejo de liberdade. Elas subiram as bainhas e buscaram roupas mais simples mas igualmente glamourosas, capazes de dar espaço a novos anseios e passos.
Esse tempo, que parece estar lá atrás, é agora. O estilo dos anos 20 é referência nas coleções de inverno, que, aos poucos, vão chegando às lojas. Para usar sem ficar parecendo figurino de época, vale mixar símbolos dos anos loucos como perólas, vestidos enviesados, chapéus e franjas com jeans e peças contemporâneas. É a moda retrô em buca de sonhos urbanos.
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9:20 AM
by Cassiano Leonel Drum
Sábado, 20 de março de 2004.
Marcelinho está fora do Estadual
Nova lesão do Pé-de-Anjo o afasta da equipe até o fim da competição
Carlos Monteiro
Definitivamente, este começo de ano é o pior da carreira de Marcelinho. Além de estar fora da semifinal da Taça Rio, por conta de nova lesão na panturrilha esquerda, o Pé-de-Anjo não terá condições nem mesmo de disputar a final do Estadual, caso o Vasco se classifique.
Marcelinho passou por uma ressonância magnética, que detectou um estiramento em sua panturrilha esquerda. Além disso, ele levou 10 pontos na gengiva, por conta de uma lesão na raiz de um de seus dentes.
Pela previsão dos médicos do Vasco, o apoiador deverá ficar de 20 a 25 dias para voltar a treinar com bola, o que, de antemão, já lhe tira qualquer possibilidade de disputar as semifinais da Taça Rio, marcadas para sábado e domingo. Como ainda teria de passar por um período de recondicionamento físico, ele também está fora das partidas finais do Estadual, previstas para os dias 11 e 18.
O Marcelo vem de uma seqüência de lesões. Logo que voltou de férias, teve um estiramento. Depois de quatro semanas, voltou e teve outra contusão e, agora, sofreu uma contratura no músculo solear da panturrilha esquerda. Ele treinou e jogou muito pouco e, desta vez, precisará de umas quatro semanas para se recuperar da lesão, diagnosticou o médico Alexandre Campello.
Visivelmente abatido, Marcelinho deixou São Januário carregando um vidro do antibiótico Amoxil 500mg, que terá de tomar por, pelo menos, uma semana, por conta do problema dentário. Embora otimista, o Pé-de-Anjo admitiu que é pouco provável que se recupere a tempo de disputar o Estadual.
Tenho boa recuperação e vou seguir à risca o tratamento, que deve durar de 20 a 25 dias. Mesmo que não participe da final, o Vasco tem um grupo forte, capaz de chegar ao título. Foi um golpe duro. Nunca passei por tantas contusões e nem fiquei mais de um mês entregue ao departamento médico, lamentou Marcelinho.
Apesar de perder a sua principal estrela, o técnico Geninho minimizou o problema. Claro que é ruim ficar sem o Marcelinho. Mas, como já declarei outras vezes, o Vasco é um grupo e não depende apenas de um jogador, entende o treinador.
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9:12 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
20/03/2004
Esperança?
Alguém pergunta se tenho esperança no futuro. Tenho. Aí querem saber por quê. Bom, sempre achei que o ser humano é trapalhão mas não totalmente burro. Faz suas bobagens mas consegue contornar algumas, corrigir outras, remendar, melhorar, até se superar aqui e ali. Eventualmente chega a ser glorioso. Muitas vezes é bem miserável.
Faço um rápido retrospecto de minha própria vida, e vejo quantas bobagens cometi, quantos pecadilhos, pecadões, injustiças, quanto preconceito ainda carrego, quanta futilidade (um pouco é preciso, ou a gente fica solene - o que é muito pior, Deus nos livre da circunspecção). Muito desperdício de energia boa eu ainda gasto com coisas negativas. Se eu sou uma só, imagina um ser com bilhões de cabeças pensando torto: quanta chance de desatinos.
Mas quanta chance de melhorar. Depois da brutalidade das cavernas, da loucura das Cruzadas, da nada-santa-Inquisição, dos campos de concentração, e agora mesmo, - com a fome das áfricas e índias, a violência no Oriente e nas nossas ruas, a hipocrisia nas nossas casas, clubes e escolas, o desgoverno nos governos de todos os países, o desamor nos relacionamentos - mesmo assim alguém sempre se conscientiza e se corrige, e cresce enquanto ser humano.
No meio da matança, alguém descobre a cura de uma enfermidade grave. Milhares de casais estéreis podem ter filhos. Psiquiatras e psicólogos ajudam pessoas a terem a alma menos doente e a vida mais produtiva. Pessoas se aproximam por telefone ou por e-mail, e o mundo encolheu - há quem resmungue achando que internet é invasão de privacidade, mas eu acho que é um jeito maravilhoso de se dar as mãos. Mesmo que o outro more muito longe, a gente vê a cara dele em fotos anexas nos e-mails que contam as aventuras cotidianas, e o Sedex manda os presentes que antigamente levariam meses em lombo de burro ou fundo de navio.
As mulheres não precisam mais parir 15 filhos pra ficarem com meia dúzia porque o resto as doenças levavam quando não havia antibióticos nem vacina nem noções de higiene. E o preconceito de cor, religião ou posição social não impede mais casamentos nem mutila amores - ao menos imagino que seja assim entre pessoas civilizadas.
De modo que tenho esperança no futuro, e otimismo quanto ao presente - com reservas, claro, porque posso ser romântica, mas um pé na realidade ainda consigo manter. Razoavelmente.
lya.luft@zerohora.com.br
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9:11 AM
by Cassiano Leonel Drum
Jorge Furtado
20/03/2004
Personagens
Os cinco personagens mais filmados da história do cinema são Sherlock Holmes, com 200 filmes, Drácula, com 160, Cristo, com 135 filmes, Frankenstein, 110, e Tarzan, com 94. A vida de Cristo já rendeu ótimos filmes: O Rei dos Reis (Nicholas Ray), O Evangelho Segundo São Mateus (Pasolini), Jesus Cristo Superstar (Norman Jewison), A Vida de Brian (Terry Jones), A Última Tentação de Cristo (Scorsese), Jesus de Montreal (Dennys Arcand).
Não tenho a mínima vontade de ver A Paixão de Cristo filmada pelo Mel Gibson, não consigo levar a sério filmes com nacos de carne humana e sangue jorrando. Não sou ateu a ponto de rir nem crente a ponto de chorar ao ver a mão de Cristo ser pregada em close e dolby stereo. Um crítico americano descreveu o filme como um espetáculo sadomasoquista, "para quem gosta de ver homens semi-nus serem chicoteados". Também não é o meu caso.
Acho que Sherlock tem mais filmes porque o policial é um gênero muito popular no cinema e Conan Doyle deixou dezenas de roteiros prontos, cada filme de Sherlock tem uma história diferente. O erotismo associado ao mito do amor imortal de Drácula vende muitos ingressos, mas algumas das refilmagens são apenas "filmes de vampiro", produções baratas com decotes generosos, cortinas esvoaçantes e castelos de papelão.
Drácula tem poucos figurantes e muitas cenas noturnas, sai baratinho. O mesmo vale para Frankenstein e Tarzan, grandes personagens, muito cinematográficos (visualmente interessantes), representantes de situações arquetípicas que sempre rendem boas cenas. Frankenstein tem muitas noturnas e só precisa de uma boa maquiagem. Tarzan tem cenários baratos e pouco figurino. Mas o bom personagem se constrói principalmente pelo seu conflito e, neste sentido, não há em toda a história um que se compare a Cristo.
Jack Miles descreve o personagem Cristo como "um sacerdote que é seu próprio cordeiro sacrificial, um cordeiro que é seu próprio sacerdote sacrificador, um pai que é seu próprio filho, um Isaac que é seu próprio Abraão". Nem Hamlet é tão interessante. (Hamlet ocupa o segundo posto no quesito "conflito interno", mas a peça tem muita conversa e pouca ação, fica bem melhor por escrito). A parte mais visual (e cinematográfica) da história de Cristo é pura violência, não é à toa que foi a preferida por Mel Gibson para arrecadar seus milhões.
Borges disse que as maiores histórias do mundo, a Ilíada, a Odisséia e os Evangelhos, "convidam a que sejam recontadas infinitamente", mas "no caso dos Evangelhos há uma diferença: a história de Cristo, a meu ver, não pode ser contada de modo melhor". Resumindo: não vi nem vou ver o filme de Mel Gibson. E gostei mais do livro.
jorge.furtado@zerohora.com.br
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9:08 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
20/03/2004
As alamedas da vida
Decido de repente caminhar da Santa Casa até a Zero Hora, largando da Sarmento Leite e transfixando o Parque Farroupilha.
Enquanto caminho pelas alamedas da Redenção, convenço-me de que o afeto obsessivo que nutro por este parque se deve aos laços estreitos que o ligam à memória da minha infância e adolescência.
Ali naquele lago em que andava de pedalinho, uma diversão que agora foi reinventada pela administração em forma de cisnes, quantas vezes encantei minha vida atirando pipocas às carpas que se encarapitavam umas sobre as outras, nunca vi tantos peixes em tão estreito espaço líquido, tão ansiosas por alimentos que eram capazes até de engolir por pressa e tumulto as redondas frutinhas de cinamomo que eram atiradas pelos garotos mais travessos.
Este parque está encravado nas mais doces recordações da minha vida. Nas tardes em que não havia outro programa, muitas vezes fui levar meus dois irmãos menores para remar nos barcos do lago, quando sobrava um troco para alugá-los.
E foi também ali na beira do lago hoje escuro pela falta de chuvas que aprendi a andar de bicicleta, daí porque me entristeci estes dias quando soube que havia a direção do parque extinto o aluguel de bicicletas, uma das maiores atrações dos visitantes, uma hora por cinco cruzeiros, meia hora por três cruzeiros.
Às vezes ainda sobrava um dinheirinho para fazer uma viagem alegre no trenzinho e comer um colorido algodão-doce.
Como custava pouco a felicidade!
Sinto que já vai terminando o verão, porque se estende por todo o parque um espesso tapete de folhas amarelas e outonais caídas pelo chão.
Os canteiros também mostram-se ralos de grama amarelada, é certo que estão economizando a água para regar os gramados, nestes tempos duros de estiagem.
Ali adiante não deixava de ser visitado o minizôo dos macaquinhos peraltas, alguns passos mais e chego a reviver intensamente por algum instante o realejo com o periquito vivo que apanhava um envelope que continha o presságio sobre a nossa vida e tocava a valsa enternecedora.
Logo em seguida, a grande piscina onde às vezes a canícula nos encorajava a tomar um rápido banho antes da vinda do guarda.
E estremeço quando me aproximo do Estádio Ramiro Souto, que era o estádio da Escola de Cadetes e onde nós, do Colégio Júlio de Castilhos, íamos praticar educação física.
Sobrevém-me a angústia daqueles tempos, quando após os exercícios e a retomada das roupas, os outros meninos todos corriam para o bar ou para as tendas e eu me quedava triste por não ter dinheiro para comprar a coca-cola, o mil-folhas, o churro ou a rapadurinha de amendoim.
Cedo as crianças topam com a inexplicável e intransponível parede das diferenças sociais.
Vou me aproximando da Venâncio Aires e me emociono com o alinhavo daqueles destaques pontuais da vida pregressa na minha lembrança.
Falta apenas o bonde na Avenida João Pessoa para que eu me transporte por inteiro à febricidade da incerta infância e inquieta juventude.
Uma caminhada de uma hora, no entanto, me proporcionou a emoção da tristeza deliciosa das reminiscências.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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9:06 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Destruição de vila comove gaúchos
Fogo na madrugada de ontem acabou com a Vila dos Papeleiros, ao longo da Voluntários da Pátria, na Capital (foto Fabrício Barreto, especial/ZH)
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Sexta-feira, Março 19, 2004
Posted
10:52 PM
by Cassiano Leonel Drum
Doutores do glamour
Faculdade inaugura curso sobre gestão do luxo
Mariana Abreu Sodré
Classe A: o empresário Ferreirinha ajudou a selecionar os alunos
Num país onde as marcas de luxo não param de crescer, nada mais natural do que preparar profissionais para atuar neste mercado. Esta é a idéia do pioneiro Master Business Administration (MBA) de gestão do luxo, curso que a Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), de São Paulo, acaba de inaugurar. Foram 265 inscritos, ávidos por aprender os conceitos e técnicas de gestão, produção, distribuição e comercialização de artigos de luxo.
Destes, foram aprovados 25 alunos. Todos os sábados, durante dois anos, eles ocuparão as cadeiras do sofisticado hotel Sofitel e terão aulas com entendidos do assunto, a começar por um dos criadores do curso, o empresário Carlos Ferreirinha, responsável por trazer para o Brasil marcas como Luis Vouitton e, futuramente, a inglesa Burberry.
Os candidatos a experts em luxo foram submetidos a um criterioso processo seletivo dividido em duas etapas. Para ingressar no curso era preciso ter formação universitária, fluência em inglês e francês, o mínimo de seis anos de experiência profissional em cargos de comando. A primeira fase analisou os 265 currículos que se encaixavam nesse perfil e 87 foram selecionados para uma entrevista com Ferreirinha e Silvio Passarelli, diretor da faculdade Faap de Artes Plásticas. Para a dupla, o importante é o potencial e a breve oportunidade do aspirante em aplicar os conhecimentos oferecidos pelo MBA.
A primeira leva de estudantes é composta por profissionais de renome, como o empresário Roberto Stern, presidente da joalheria H. Stern e Cristiana Tammer, gerente de importados da boutique Daslu.
Tanta experiência, que em um primeiro momento parece dispensar mais aprendizado, é, no entanto, segundo Ferreirinha, o que desperta o interesse destes alunos São bons profissionais que querem aprimorar seus conhecimentos, explica. Mas, com certeza, parte do interesse dos alunos pelo MBA também se deve ao estrelado corpo docente, recheados de nomes como o da consultora de moda Costanza Pascolatto. Professores espetaculares, para alunos excepcionais, resume Passarelli.
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9:40 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paixão de Cristo
Versão de Mel Gibson para sofrimento de Jesus Cristo estréia no Rio depois de deixar rastro de polêmicas por onde passou
Tatiana Contreiras
Diz-se da Bíblia: a maior história já contada. Talvez isso explique o fascínio e a controvérsia que a vida e a morte de Jesus provocam. Em meio a tantas polêmicas, recordes de bilheteria e cenas de extremo realismo e violência, A Paixão de Cristo, produção independente do diretor e ator Mel Gibson, estréia hoje prometendo manter também por aqui a discussão ao seu redor.
Falado em aramaico e latim, o filme recebeu críticas severas de religiosos e do público em geral pelas cenas chocantes, pelo marketing e pelo catolicismo ultraconservador de Gibson, acusado de anti-semitismo por mostrar os judeus como responsáveis pela condenação de Cristo na verdade, a impressão que se tem é que Jesus foi abandonado por seus seguidores, de uma forma geral, independentemente de serem judeus.
Ao contrário de outros filmes já feitos, esse não se propõe a contar a vida de Cristo ou seus ensinamentos (que aparecem em curtos flashbacks), e retrata Suas 12 últimas horas, com todo o sangue e sofrimento ¿ para Jesus e o espectador.
Na abertura, uma citação do profeta Isaías:Ele foi ferido por nossas transgressões... Por suas feridas nós seremos curados. Em seguida, surge Jesus (Jim Caviezel) no Getsemâni, rezando depois da Última Ceia. Já ciente de que será traído, Ele resiste a Satanás, uma figura andrógina, que pontua boa parte das cenas do sofrimento de Cristo. O demônio, aliás, cria uma das primeiras falhas do longa (que ainda tem algumas passagens mal explicadas e trechos bem arrastados): a idéia de que a morte de Jesus é influenciada pela ação diabólica, enquanto o próprio Cristo diz que está cumprindo o que foi determinado por Seu Pai.
Traído por Judas Iscariotes (o italiano Luca Lionello), levado a julgamento pelo Sinédrio o conselho de sacerdotes pelo líder Caifás (Mattia Sbragia) , Jesus vai até Pôncio Pilatos (Hristo Naumov Shopov), mostrado como um homem cheio de conflitos de consciência, que atende ao clamor do povo e lava suas mãos. Trocado pelo assassino Barrabás (no Evangelho, também citado como subversivo), Cristo é espancado e açoitado pelos soldados romanos, antes da crucificação e durante seu trajeto até o Gólgota.
Há que se elogiar o capricho na reconstituição da época uma das inspirações foi a pinturas de Caravaggio, pintor renascentista. Rodado na Itália, nos famosos estúdios da Cinecittà e em Matera, A Paixão de Cristo é um filme que merece e deve ser visto, a despeito da polêmica e de seus defeitos. Se vai funcionar como um registro histórico-religioso, como Gibson deseja, só o tempo e o público dirão.
Sangue nos pés de Jesus: debaixo da cruz, Maria (Morgenstern) se despede do filho. Foram duas semanas de filmagens da crucificação
Judas (Lionello) se arrepende de ter traído Jesus por 30 dinheiros
Francesco De Vito é Pedro, um dos apóstolos mais importantes
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7:00 AM
by Cassiano Leonel Drum
Um lugar pra ele
Quando a dupla Romário-Edmundo estiver de volta, Ricardo Gomes terá dor-de-cabeça para arrumar uma vaga para Marcelo
Marluci Martins
Aos poucos, Marcelo vem calando a torcida. Ele já é vice-artilheiro do Estadual, com 7 gols
Há 14 dias, o tímido rapaz petropolitano era vaiado no Maracanã. E nem adiantou ter feito um dos gols da vitória (3 a 1) sobre a Portuguesa. A torcida, mesmo assim, pegou no seu pé. Injustiça. De lá para cá, o Fluminense jogou mais quatro vezes, e nenhum outro jogador do time conseguiu fazer gols. A não ser ele, Marcelo, o tímido rapaz petropolitano, que marcou cinco vezes, nos últimos três jogos.
Não fosse tão retraído, já teria virado celebridade. Mas, aos 21 anos, Marcelo, com seus sussurros quase inaudíveis, pouco dá entrevistas e nunca reclama de nada. Foi mesmo na bola e no suor que convenceu o técnico Ricardo Gomes e calou a torcida tricolor. Os dois gols do empate com o Juventude (2 a 2), pela Copa do Brasil, lhe garantiram a vaga de titular no time, ao lado de Romário. Ao menos, enquanto Edmundo não volta.
Vou repetir sua escalação. Ele está mostrando ótima regularidade. E é lógico que há espaço para dois atacantes de área. É só mexer um pouco na estrutura do meio-campo, disse Ricardo Gomes.
Com sete gols no Campeonato Estadual, Marcelo já é vice-artilheiro da competição, atrás apenas de Valdir, com 12. Se conseguir ultrapassar o atacante vascaíno, o tricolor terá uma recompensa: seu contrato prevê um salário de prêmio, caso seja artilheiro. Ou Marcelo não gosta de dinheiro, ou faz média:
Não me preocupo com gols, nem com o Valdir. O importante é estar vencendo.
E quando Edmundo voltar? Marcelo pode até sofrer. Mas com resignação.
Não vou sair rindo por aí, mas vou entender. Não posso pleitear uma vaga num time que tem o Romário e o Edmundo. O ideal seria se nós três pudéssemos jogar juntos. Se não for possível, vou para o banco, sem problema, afirmou, ao mesmo tempo rindo da idéia, por achá-la quase impossível de ser realizada.
Dos 17 gols marcados em um ano de categoria profissional, Marcelo destaca um, com o orgulho que raramente demonstra. Poderia ter sido o do ano passado, que garantiu o Fluminense na Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro o da vitória sobre o Juventude (1 a 0). Mas ele escolhe outro:
O gol mais importante foi o da semifinal do Estadual, contra o Flamengo (empate em 1 a 1), no ano passado. Nesse dia, ainda acertei a trave. Foi minha estréia como titular.
Já merecia ter virado celebridade naquele dia. Mas o destino quis que o tímido rapaz de Petrópolis descesse e subisse a Serra muitas vezes, antes de provar o seu valor. Agora, tudo o que ele quer é subir. Na vida.
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6:56 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lição gratuita de erotismo
Loja de produtos para sexo, que fica em frente a colégio com quatro mil alunos em Nova Iguaçu, pintou propaganda no muro da escola
Cássio Bruno
Nota 10 em ousadia e mau gosto. Para atrair mais clientes, a loja de produtos eróticos Mult Sex Shop, no Centro de Nova Iguaçu, abusou: em letras garrafais, fez propaganda de seus ¿brinquedinhos¿ no muro do Instituto de Educação Rangel Pestana, onde estudam quatro mil alunos. A publicidade contribuiu para chamar ainda mais a atenção de adolescentes naturalmente curiosos em relação ao assunto, como noticiou ontem o colunista Cláudio Humberto. E gerou polêmica.
A inscrição fornecia o endereço da loja exatamente em frente à escola e listava algumas de suas ofertas: fantasias, consolos e algemas. A tentação foi demais para alguns. Só fui para olhar, mas não comprei nada. Foi bom para mim, brincou Carlos de Almeida da Conceição, 18 anos, aluno do 2º ano do Ensino Médio.
Segundo a normalista Jazmin Caroline Vera Viana, 15, a estratégia de marketing da loja é ainda mais agressiva. Tem pessoas que ficam na entrada do colégio distribuindo folhetos do sexshop e oferecendo desconto, denunciou.
Assustado com a polêmica, o gerente do sex shop, Alexandre Correia, resolveu apagar com tinta a propaganda, após a passagem da reportagem do DIA. Ele garantiu que seus funcionários nunca distribuíram panfletos na porta da escola. Na loja, só é permitida a entrada para maiores de 18 anos, afirmou ele, que abriu o negócio há cinco meses.
Caso foi registrado como dano ao patrimônio
A direção do Instituto Rangel Pestana registrou o caso na 52ª DP (Nova Iguaçu) como dano ao patrimônio. Segundo um funcionário que preferiu não se identificar, todos os comerciantes que colocaram cartazes no muro do colégio receberam pedido para retirar a publicidade. O delegado José Januário de Freitas esteve no local para ver o anúncio e afirmou que o caso será apurado: O dono da loja disse que não tinha o objetivo de constranger ninguém.
A propaganda indevida despertou a revolta de Eliane Peixoto, da Coordenadoria Estadual de Educação de Nova Iguaçu, que funciona ao lado do instituto. É um absurdo. Escola não é lugar para fazer publicidade de sex shop, disse ela. Católica praticante, Eliane afirmou que que pedirá providências à Promotoria da Infância e da Juventude.
A possibilidade de o constrangimento voltar a ocorrer, no entanto, é praticamente nula. Em breve, o colégio sofrerá uma reforma, e o muro virá abaixo: dará lugar a grades.
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6:52 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
19/03/2004
O café que não tomei
O nordestino Dario Callado era um homem temido. Violento, arbitrário, fora nomeado chefe de polícia da Província de São Pedro em meados do século 19. Não tolerava insubmissões. Sobretudo de escravos, aos quais não permitia sequer que caminhassem ao lado dos brancos nas raras calçadas de Porto Alegre. Certa feita, atirou um homem na cadeia porque ele assobiou durante um espetáculo no Theatro São Pedro. Um outro teve igual destino por razão ainda mais singela - negou-lhe cumprimento quando se cruzaram na Praça da Matriz.
Callado vivia a assediar as atrizes e cantoras que se apresentavam na Capital. Apaixonou-se por uma delas, passou a cortejá-la com insistência. Uma noite, terminada a peça, o chefe de polícia deslizou até o camarim da moça, palpitante de esperanças amorosas. Encontrou-a aos beijos com um tenentinho do quartel da Rua da Praia. Fulo, Callado apartou o casal como se separasse dois cães e aplicou uma sova de bengaladas no tenente, acusando-o de comportamento inadequado em público.
Dario Callado foi um personagem da Porto Alegre oitocentista e é personagem do livro que vou lançar no meio do ano pela L&PM. A história deste truculento chefe de polícia, bem como várias outras, foi-me desvendada pelo professor Décio Freitas. Graças a Décio, me imiscuí no Rio Grande do Sul de há 140 anos. Décio me orientou em muitas das pesquisas que fiz para escrever a história. Fui ao apartamento dele, no Centro, li parte de sua obra. Ele sugeriu o título do livro: Canibais. E, na última vez em que nos falamos, há uns 20 dias, no bar da Zero, convidou-me a assistir a um filme que sua mulher, Bernadete, fez sobre o tema.
- Vá à minha casa. Vamos tomar um café, ver o filme, que é muito bom, e conversar bastante.
Respondi que ia, sim. Não fui.
Décio Freitas morreu, semana passada. Não vou falar de seu caráter vertical ou da dor ocasionada por sua perda aos que, como eu, gostavam dele. Limito-me a ressaltar a bagagem de conhecimentos que havia acumulado na vida, e que agora não existe mais. Décio pertencia à seleta estirpe de homens que se transformam em referência. Em fonte de consulta. Havia uma dúvida; Décio a sanava.
Algumas pessoas, poucas, alcançam tal dimensão. Todas elas devido à experiência e à sabedoria acumuladas com a idade. Mas não aproveitamos integralmente o que elas podem dar, não aprendemos tudo o que têm para ensinar. Perdemos essas oportunidades preciosas. Ou, pelo menos, eu perdi. Como queria ter ido tomar aquele café com o Décio.
david.coimbra@zerohora.com.br
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6:50 AM
by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
19/03/2004
Amor em Paris, amor em um xis
Foto(s): Júlio Cordeiro/ZH
Sempre fui extremamente romântica. Filmes como Nosso Amor de Ontem fazem parte do meu acervo pessoal de DVD'S. E pode dizer que é brega, nem tô. Eu sei que vocês devem estar pensando: com o mundo cheio de atentados essa guria vem falar de amor? Pois é, acho que é isso que tá faltando no coração de muita gente. Uma amiga jornalista me contou que quando a Milene Domingues, ex-Ronaldinho, foi questionada sobre o ataque terrorista em Madri, ela disse: "Graças a Deus meu filho não corre perigo e está protegido. Quanto a mim, não tem problema, eu não ando mesmo de trem!". Como uma pessoa consegue ver uma tragédia dessa dimensão pela ótica de seu próprio umbigo? É uó do borogodó!
Mas eu falo de outro tipo de amor. Jantarzinho à luz de velas, dançar Ben Harper de rosto colado na sala de casa, ver pôr-do-sol juntinho. Não tem coisa melhor. Me emociono ouvindo uma história com final feliz. Se o cara for do tipo romântico, daqueles que pensam em tudo... fica PERFEITO! Cordialidade sempre cai bem. Abrir a porta do carro, mandar flores e ligar. Sim, ligar no dia seguinte! Um amigo meu dizia que se a garota procura o cara ou liga mais de uma vez, tá se "esvaindo" de amor! Fala totalmente sério, odeio joguinhos de relacionamento.
Uma outra amiga que está totalmente apaixonada, feliz e casada, teve um dos mais incríveis começos de relacionamento. Claro que os personagens dessa história são bem glamourosos... Foi assim: ela é apresentadora de um telejornal nacional, ele é um economista bem-sucedido. Os dois vinham de outros casamentos. Ele com filhos crescidos do primeiro, ela workholic total sem crianças no currículo. Eles se conheceram profissionalmente. No primeiro encontro, a química não bateu. Passado algum tempo, se encontraram por acaso. Trocaram cartões e mais nada. Na terceira vez, ele foi personagem de uma matéria dela, e aí tudo aconteceu. Minha amiga disse que bateu o olho e aquele frio subiu na espinha!
Dias depois de a reportagem ir ao ar, ele ligou para agradecer e convidá-la para jantar. De viagem marcada pra Paris, ela teve que recusar. Inconformado, ele pegou um avião e foi jantar com ela na capital francesa. Era uma noite de primavera com lua cheia, o lugar escolhido por ele não era nada turístico. O bairro afastado do centro escondia um antigo e tradicional ponto de encontro parisiense. Na pista de dança, casais engomadinhos dançavam hits da música romântica francesa. No cardápio, clássicos da culinária local. Os dois se olharam, conversaram, dançaram e nem viram o tempo passar. Um beijo de despedida selou o encontro que mudou a vida dos dois. Depois dessa noite, eles nunca mais se separaram. Não é lindo? Pra mim nem precisa tanto, sou do tipo que fica feliz com um xis do Cavanhas se o cara for "O CARA" pra mim!
Beijolas no coração.
As inscrições para o segundo Concurso Cultural da EF terminam amanhã. O vencedor ganhará uma bolsa de cerca de US$ 7,7 mil, que inclui um ano de estudo gratuito em um colégio público americano, hospedagem, refeições, seguro médico e passagens aéreas. O concurso é voltado para estudantes do Ensino Médio que tenham nascido entre 15/03/86 e 01/08/89. Inscrições pelo site www.ef.com/highschool ou nas escolas parceiras. Informações: fones (51) 3330-9319 e (0800) 703-8833.
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6:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Gabriel Moojen
19/03/2004
Vida alheia
Semana passada fui ao show da Rita Lee. Além de ser histórico, ela em si é uma pessoa muito engraçada. Ao atender um telefonema fictício da Luma de Oliveira no meio do show, ela brincou que, no próximo ano, a musa deveria sair na Mangueira, alusão ao caso do bombeiro. Achei graça e fiquei pensando como é leve falar da vida alheia.
Por que o interesse do Brasil em saber se ela deu para o bombeiro? Quem se importa se ela é feliz no casamento? Gente geralmente pouco ocupada em pensar nos seus problee que acabam gastando um precioso tempo para saber da vida alheia. Se penso nos outros, não sobra tempo para pensar em mim. Sei que não serei eu que poderei pregar moral de cueca, porque também nos meus dias acabo por comentar o comportamento de algum amigo ou colega de trabalho. Também não digo que não quero saber da próxima fofoca do momento. Mas me esforço em não passar adiante.
Aprendi isso em Londres, em um pub. Um cara chegou, fez um strip em uma despedida de uma noiva. Ninguém do pub deu a mínima. Nem olharam. Aqui eles dariam um pau no cara. Eu vi que, embora o show acontecesse ao lado deles, eles não haviam sido convidados para a festinha. E ninguém olhou, a não ser o brazuca aqui, que ficou rindo de tudo o que acontecia. Sei que esse comportamento é mais comum no Brasil. E que quanto menor a cidade ou a alma da pessoa, mais a fofoca corre. Conheço mil fofoqueiros, homens e mulheres, me irrito muito das maldades ouvidas, mesmo quando verdadeiras. Se cada um cuidasse do próprio nariz, a vida poderia ser mais livre. Já basta o próprio superego, cuidando, boicotando cada passo. Se tiver que se preocupar com o vizinho então...
Mas daí iria faltar assunto. As revistas que mais vendem são de fofoca, e elas encalhariam nas bancas. E o mundo talvez se transformasse em uma coisa chata, onde cada um poderia fazer o que bem entendesse, sempre respeitando os outros sem que ninguiém dissesse um ai. Assim seria, mas não é. Por isso fico com a Rita Lee. Rindo leve da vida alheia, rezando para que ninguém por maldade ou gosto gaste preciosas palavras falando de mim. abs.
gabriel@rbstv.com.br
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6:41 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
19/03/2004
As vítimas civis
Após os atentados ocorridos em Madri, com a morte de 201 pessoas, com cerca de mil feridos, cogitei de que os autores da carnificina poderiam ser descobertos com relativa facilidade.
Certamente, em seguida às explosões, foram fechadas (ou severamente vigiadas) todas as fronteiras e controlados todos os aeroportos.
Em suma, os terroristas ficaram na Espanha, permanecem na Espanha, podem a qualquer momento ser apanhados, foi o que pensei.
Mas isso não é bem assim. Descobrir 20 terroristas entre 40 milhões de pessoas é o mesmo que achar uma agulha num palheiro.
Embora seja absolutamente provável que nenhum dos terroristas seja espanhol, o que encurta em muitos milhões a lista dos que vão ser averiguados.
Até agora, a polícia já deteve centenas de suspeitos, certamente todos estrangeiros. Mas não há anúncio de que algum deles tenha tido participação no massacre.
O que impressiona nestes atentados é o mesmo que impressiona nas guerras: os civis são as maiores vítimas.
Quando numa guerra ou num atentado morrem militares, o impacto é muito menor, afinal o militar foi destinado nos combates a matar ou morrer, é do seu destino profissional produzir a morte dos outros ou sofrer a sua própria.
Os civis morrem com uma aura de inocência, com uma ausência de culpa que comove a todos. São vítimas indefesas, não estavam mobilizados para a guerra e no entanto são eles que pagam com suas vidas o maior tributo imposto à conflagração.
No caso desses atentados, ainda maior compaixão suscitam as vítimas civis: nesta catástrofe de Madri, os 201 mortos eram em sua totalidade pessoas que estavam começando o seu dia e dirigiam-se para o trabalho.
Uma violência inominável.
Nesta guerra do Iraque, que ainda não terminou, morreram apenas 564 militares norte-americanos, sendo que 426 deles depois que cessaram os combates propriamente ditos.
Chegou a 58 o número de ingleses mortos (25 depois do fim da guerra) e a 38 o total das baixas das outras nações aliadas.
Entre os militares iraquianos foram mortos na guerra 4.895 soldados.
Até aí tudo bem, quando a guerra começou e até agora em que ela se transformou em atentados, os militares estavam lá para isso, para matar ou para morrer.
Mas a cifra dos civis mortos no Iraque bate em 10.430. E o número de iraquianos que sofreram danos humanos ou materiais sobe a mais de 2 milhões de pessoas.
Ou seja, as grandes vítimas das guerras são sempre os civis. E do terrorismo também: no atentado das torres gêmeas de Nova York morreram quase 3 mil pessoas.
Mas o maior holocausto de civis da História foi o da II Guerra Mundial: dos 48 milhões de mortos, mais de 90% eram civis.
Isto não é uma irracionalidade? Isto demonstra claramente a bestialidade humana. A rigor, o ser humano não tem salvação.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
Vila dos Papeleiros
Incêndio destrói vila no centro da Capital
Dezenas de casas foram queimadas ao longo da Rua Voluntários da Pátria nesta madrugada (foto Robinson Estrásulas/ZH)
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Quinta-feira, Março 18, 2004
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6:24 AM
by Cassiano Leonel Drum
Grêmio retorna classificado
Vitória com gols de Claudiomiro e Christian evita a partida de volta no Olímpico
O Grêmio fez a sua parte. Tirou proveito da fragilidade do Londrina, fez 2 a 0 ontem à noite, no Estádio do Café, e garantiu antecipadamente a classificação para a terceira fase da Copa do Brasil. Agora, fica aguardando o vencedor do confronto entre Juventude e Fluminense (que empataram em 2 a 2 ontem). Domingo, volta ao Gauchão, enfrentando o Glória, em Vacaria.
A vitória parcial no primeiro tempo não refletiu as dificuldades enfrentadas pelo Grêmio. Faltou lucidez ao time nas saídas de bola. Cocito tentava de forma equivocada os lançamentos longos, Luciano Ratinho parava na marcação e Élton não conseguia juntar-se aos atacantes.
Michel errou todos os cruzamentos. Alvim, orientado por Adilson para cuidar dos avanços do veloz atacante Cahê, não arriscou sequer uma vez a chegada à frente. De positivo, só a ousadia de Marcelinho, contido, mais uma vez, apenas com faltas. Aos 16 minutos, Marcelinho teve a chance de marcar o primeiro gol. Depois de um corte no zagueiro Thiago Matias, ele chutou torto, confirmando que precisa aprimorar as conclusões.
Chance melhor surgiu aos 26 minutos. Luciano Ratinho roubou a bola de Rocha à frente da área e passou a Élton, mas este errou o chute. Christian, de atuação discreta, abriu os braços protestando por não ter recebido a bola sem marcação. O gol finalmente saiu aos 41 minutos. Luciano Ratinho cobrou escanteio da esquerda, Claudiomiro chegou antes dos zagueiros do Paraná e cabeceou no canto oposto de Marcelo, fazendo 1 a 0. Só que o esforço para antecipar-se à marcação rendeu a Claudiomiro uma lesão muscular, que o obrigou a sair de campo.
Com a vitória parcial, o Grêmio mudou de estratégia no segundo tempo. Retraiu-se e passou a explorar as jogadas em velocidade. Foi assim que quase marcou o segundo gol a um minuto. Depois de boa arrancada, Élton perdeu a dividida para o goleiro Marcelo. Colocado no lugar de Marcelinho aos 25 minutos, Fábio Pinto deu nova movimentação ao ataque. Quando o Londrina pressionava, obrigando Tavarelli a defesas difíceis, Fábio Pinto avançou pela esquerda e fez passe preciso que resultou no gol de Christian, aos 43 minutos. Um chute certeiro, após a falha da zaga.
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6:15 AM
by Cassiano Leonel Drum
Enfim sós
Titãs assumem comando da festa e têm momento sem banda de apoio no show que fazem no Canecão
Eusébio Galvão
Eles estão bem. E cheios de idéias. Os Titãs tocam no Rio amanhã, sábado e domingo para lançar o CD Como Estão Vocês? e resolveram mudar um pouco o esquema de suas apresentações. A banda agora decidiu que vai variar as músicas de uma noite para outra. Temos tantas músicas que é possível e agradável fazer isso. Levantamos 40 e serão 28 por noite, diz o vocalista Branco Mello.
Tudo isso porque eles queriam tocar quase o disco novo todo, mas concordaram que poderia soar maçante para alguns fãs. Então, ensaiamos 12 e serão nove em cada show diz o tecladista Sérgio Britto. O tempo passa e você inventa formas de tudo aqui continuar instigante e prazeroso. Se não tocarmos certas coisas, o público fica frustrado. Mas queríamos tocar as novidades. Por isso resolvemos fazer assim, continua Tony Bellotto, guitarrista.
O Nando (Reis) sempre teve espírito roqueiro. Na turnê passada ele quis que a gente tocasse Aa Uu e eu que não topei Sérgio Britto
Ao mesmo tempo em que se esbaldam nas recentes, eles também entraram numa de resgatar canções antigas. É natural que, com o tempo, umas músicas sigam para o acostamento, acredita Branco. E como temos toda uma carreira nas costas, levantamos músicas de todos os nossos discos, diz o baterista Charles Gavin. Desta forma, voltaram ao repertórios canções como Estado Violência, do disco Cabeça Dinossauro (1986), que os cinco destacam como uma das melhores do show.
Acho que esta a gente não tocava desde os anos 80. E o que impressiona é que a a letra continua atual, continua Charles, autor da música, que fala de violência policial e hipocrisia. Outras que retornam aos palcos são músicas do esquecido disco Titanomaquia, o mais pesado do grupo, gravado em 1993, no embalo do grunge. São coisas como Nem Sempre se Pode Ser Deus e Será que É Isso que eu Necessito?. À primeira vista, pode parecer que bastou a saída do baixista Nando Reis atualmente em carreira solo com canções em formato mais tranqüilo, calcadas em violão para que a parte mais pesada da carreira dos Titãs voltasse à tona. Sérgio Britto diz que não tem nada a ver. O Nando, quando era dos Titãs, sempre teve espírito roqueiro. Na turnê passada mesmo ele quis muito que a gente tocasse Aa Uu e fui eu que não topei. E a música é aquela gritaria, né?, reconhece. Mas desta vez a canção está presente.
A gente não é uma banda de alugar muito as pessoas. As músicas são compactas, o show dura 1h50 Charles Gavin
Do disco novo, apenas três estão de fora. Esperando Para Atravessar a Rua, Pelo Avesso e Pra Você Ficar, que não tivemos tempo de ensaiar direito, enumera Bellotto. As outras se juntam a sucessos como Polícia, Flores e Bichos Escrotos. São 28 músicas, mas Branco Mello acredita que está de bom tamanho. A gente não é uma banda de alugar muito as pessoas. As músicas são compactas, o show dura 1h50, explica. Mas a coisa pode se alongar, como admite o baterista Charles. Com tudo que está ensaiado, estamos prontos caso role um terceiro ou quarto (!!) bis, diz, sereno. Ele garante que a banda tem pique. Ah, se quiserem ouvir mais, tá na mão. Que disposição.
Branco Mello, na banda, é vocalista e faz vocal de apoio. Vai tocar baixo nessa turnê. Nas horas vagas, tem se dedicado ao teatro. Escreveu a ópera-rock infantil Eu e Meu Guarda-Chuva, que foi encenada pela atriz Andréa Beltrão
Paulo Miklos, vocalista e saxofonista dos Titãs, toca guitarra neste show. Foi o ator pincipal de O Invasor, filme de Beto Brant, que lhe valeu o prêmio de melhor ator no Festival de Brasília. Vai estrelar Hotel Atlântico, longa de Suzana Amaral
Charles Gavin Baterista. Desde que relançou os dois primeiros discos dos Secos & Molhados em CD virou um dos mais conceituados pesquisadores da música brasileira. Charles se divide entre os Titãs e o garimpo de obras da MPB para relançamento
Tony Belotto Guitarrista. Fora da banda, dedica-se à literatura. Tem quatro livros lançados, sendo que Bellini e a Esfinge ganhou adaptação para o cinema. Casado com a atriz Malu Mader, desde 99 é apresentador do canal Futura
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6:09 AM
by Cassiano Leonel Drum
JUVENTUDE X FLUMINENSE
Empate na pressão
Em jogo com cinco expulsões, Flu fica perto da vaga: 0 a 0 ou 1 a 1, no Rio, classifica o time
CAXIAS DO SUL, RS - Na ausência de Romário, Marcelo tem sido mais do que artilheiro. Ontem, ele salvou a pátria tricolor, ao fazer os dois gols do empate em 2 a 2 com o Juventude, no Estádio Alfredo Jaconi. Um empate em 0 a 0 ou em 1 a 1, quarta-feira, entre as duas equipes, no Maracanã, classificará o Fluminense para a próxima fase da Copa do Brasil.
O Juventude não precisou de muito tempo para fazer seu gol: aos 8 minutos, Michel recebeu um cruzamento na área e, depois de falhar na primeira tentativa, de cabeça, acertou finalmente o pé.
Em desvantagem no placar, o Fluminense esbarrava na boa marcação do adversário, mas logo sua sorte melhoraria. Ao fazer falta em Júnior César, Mineiro foi expulso, aos 24 minutos.
O caminho do gol ficou mais curto. Aos 26 minutos, Marcelo, de cabeça, fez o gol de empate, aproveitando uma cobrança de falta perfeita de Ramon.
Mesmo com um homem a mais, o Fluminense ainda era ameaçado, mas conseguiu, aos 41 minutos, fazer o gol da virada. O goleiro Márcio rebateu a bola, ao defender um chute de Roger. Na sobra, Marcelo acertou o chute, fazendo seu nono gol da temporada.
Uma áspera discussão de Rodolfo com Michel antecipou para os dois o fim do jogo. Eles foram expulsos aos 42 minutos.
O Fluminense perdeu ainda Júnior César, mas por contusão sofreu falta de Gêufer , aos 2 minutos do segundo tempo. Pior: aos 8, Marcão foi expulso.
Para completar o pior momento do Fluminense na partida, Gêufer fez o gol de empate, aos 10 minutos ele pegou o rebote, depois de uma defesa de Fernando Henrique com as pernas.
O empate parcial não tirou a tranqüilidade do Fluminense. O jogo continuou equilibrado, com as duas equipes alternando bons e maus momentos.
O Tricolor teve suas melhores chances aos 29 e 38 minutos. Primeiro, com Leonardo Moura, que acertou a trave na verdade, foi o goleiro Márcio que se enrolou no lance, ao deixar a bola passar depois de resvalar em seu corpo. Em seguida, foi a vez de Roger perder um gol feito. Aos 38 minutos, ele dominou a bola, chutou forte, mas o goleiro fez a difícil defesa.
Aos 42 minutos, Evandro foi expulso, mas já não havia tempo para nada.
Americano vence o Sport no Godofredo Cruz
Em Campos, o Americano venceu o Sport por 2 a 1, com gols de Wéderson e Rondinelli.
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6:04 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
18/03/2004
À sombra do ingazeiro
As crianças da vizinhança descobriram o prazer de subir numa árvore. Não são crianças de apartamento, mas quase. As casas do meu bairro têm pátios pequenos, onde cabem apenas minúsculos canteiros de flores, no máximo alguns arbustos. Árvore, não. As árvores gostam de espaço e de água, suas raízes costumam rasgar a terra, levantar calçadas, rachar muros e arrombar encanamentos. Não se pode confiar nelas.
Tive duas experiências desagradáveis com árvores em espaço reduzido. A primeira foi com o Esquálidus. Ganhei de um amigo uma mudinha de pinheiro. Era tão mirrado que recebeu esse apelido, tirado não me lembro de que personagem de uma tira de quadrinhos. Pois durante meses, acho que anos, o pinheirinho se manteve fino e frágil na sua latinha. Um dia resolvi plantá-lo ao lado da casa. Passou-se o tempo e ele começou a subir lentamente. Até que seus galhos mais altos viram a luz do sol, acima do telhado.
Então o monstro disparou como o pé de feijão da história infantil.
Transformou-se numa árvore gigante e ameaçadora. Cada vez que dava um vento forte, ele balançava como um pêndulo entre a minha casa e a da vizinha, que já não dormia mais, com medo de acordar sob uma tora de madeira. Tive que obter licença de órgãos públicos e contratar um serviço especializado botar abaixo o monstrengo. Foi uma mão-de-obra.
Também cultivei com carinho um pé de chorão. Suportei estoicamente os estragos das suas raízes nos encanamentos. Ele fazia uma sombra maravilhosa. Mas também cresceu descomunalmente. Deste, porém, a vizinha não tinha medo, pois situava-se a uma distância aparentemente segura da sua casa. Pois não é que numa noite de tempestade o miserável veio abaixo e um dos seus galhos mais altos entrou exatamente no telhado da apavorada senhora. Paguei o estrago, a licença das autoridades, o homem da motosserra e tudo o mais, prometendo para mim mesmo que a partir daquele momento só plantaria, no máximo, roseiras. Das menores.
Mas as plantas também escolhem as pessoas. Mudei de casa, sem prestar muita atenção na pequena árvore que havia na calçada da frente. Em pouco tempo, cresceu. É um ingazeiro, faz boa sombra e produz uma espécie de vagem comestível. As crianças do bairro fazem fila para se pendurar nos seus galhos. Sei lá o que ele ainda vai me aprontar, mas desta vez não haverá motosserra. Não vou tirar o prazer atávico da garotada.
Até mesmo porque, de vez em quando, o menino-macaco da infância me escapa do controle e corre serelepe para a sombra do ingazeiro.
nilson.souza@zerohora.com.br
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6:00 AM
by Cassiano Leonel Drum
Leticia Wierzchowski
18/03/2004
Um Porto para viver
O Mundo Anda tão Complicado é o título de uma canção do Renato Russo que fala de um casal em mudança para a casa nova. Chega a cama, a geladeira e a televisão, mas eles gostam é de dormir no chão. Renato Russo iria se apavorar com o mundo de hoje; isso sim é uma complicação danada, esse mundo aí de fora, que nós, em Porto Alegre (graças a Deus!), assistimos embasbacados pela televisão. Um mundinho horroroso que dói.
A verdade é que Porto Alegre disfarça a complicação do mundo para lá do Salgado Filho, e isso é uma virtude nesse tempo confuso que é o século 21. Ou eu bem estou envelhecendo, ou o sossego daqui é a nova moeda. As ruas de Porto Alegre ainda têm flores nos canteiros, e crianças jogam bola na calçada. Um cão está latindo aqui perto, e tenho certeza de que não é porque uma ambulância está passando enlouquecidamente em frente ao seu portão.
Nas vésperas do aniversário da nossa cidade, este texto está me saindo uma declaração escrachada de amor a Porto Alegre, mas vendo as coisas que acontecem por aí, atentados e favelas ocupadas, e gente estraçalhada num trem quando ia para o trabalho, Porto Alegre bem o merece...
Eu não sabia que amava Porto Alegre tanto assim, precisei partir antes. E voltar. Enquanto o mundo se digladia lá fora, estou eu aqui, planejando passear no parque com o meu filho se não chover na próxima meia hora. Viajar é muito bom, o planeta tem lugares incríveis que - se Deus, Bush e Bin Laden permitirem- vão estar me esperando nos muitos janeiros desta vida. Para os outros 11 meses do ano, sinceramente eu prefiro Porto Alegre.
Renato Russo não escreveu nenhuma canção para Porto Alegre. Brasília é que habitava o seu coração, e ele a cantou dezenas de vezes. A minha trilha sonora porto-alegrense é Vítor Ramil. Suas ramilongas adocicavam minhas noites de inverno em São Paulo. Hoje em dia, gosto de pegar João no colo e sair dançando pela sala ao som de Estrela, Estrela - Vítor Ramil agora encanta as minhas noites meridionais. Noites que serão para sempre nesta nossa casa enluarada e fresca, onde a tristeza do mundo não passa do Jornal Nacional.
leticia.wierz@zerohora.com.br
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5:59 AM
by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
18/03/2004
Medo do medo
Na semana passada estivemos todos na estranha situação de ter que escolher nossos terroristas preferidos.
Na torcida para que os culpados pelas explosões em Madri fossem os separatistas bascos estavam o governo do Aznar e quase todo o mundo. O Aznar porque a culpa do ETA o favorecia eleitoralmente e a culpa da Al-Qaeda só daria mais razão aos que eram contra o envolvimento espanhol na aventura no Iraque, quase todo o mundo porque um atentado parecido com o de 11 de Setembro, em Nova York, no centro de uma das grandes nações européias abria uma fase nova e assustadora na guerra do terror contra o nosso sistema nervoso.
Eu, como o Zé Maria, torci para que fosse o ETA. Nem o consolo de ver a insensatez americana e sua encampação pela direita espanhola punida pela eleição dos socialistas compensa o fato de que - se foi mesmo a Al-Qaeda ou coisa parecida a responsável pelo horror de Madri - acabamos de passar do mau ao pior.
Na guerra de Estados europeus contra seus descontentes explosivos - o ETA na Espanha pós-Franco, o IRA na Inglaterra, grupos radicais na Itália e Alemanha em décadas recentes - muitas regras de correto procedimento policial e jurídico foram tapeadas, mas a democracia, de um jeito ou de outro, sobreviveu. A Espanha e os outros eram, mesmo, exemplos de como se pode enfrentar o terror sem necessariamente perder a cabeça.
Com o fundamentalismo islâmico inaugurando sua temporada européia, todos os países da comunidade passam a enfrentar o mesmo desafio a suas instituições e valores que enfrentam os americanos desde 11 de Setembro. Os americanos não estão tendo muito sucesso em manter a cabeça no lugar, vamos ver o que acontece na Europa sob a mesma ameaça. Paradoxo: o que deu a vitória aos socialistas na Espanha pode muito bem dar força à direita mais dura no resto do continente.
Há 70 anos, para animar seus compatriotas abatidos pela depressão e pela deseperança, o presidente Franklin Roosevelt disse uma frase que ficou famosa: eles não tinham nada a temer a não ser o próprio medo. Nesta questão, é difícil saber do que ter mais medo, do terror ou do medo do terror.
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5:57 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
18/03/2004
Esterilização gratuita
Evidentemente que quando dei opinião favorável à esterilização de mulheres de parcas condições econômicas, comprei uma briga: tem muita gente contra.
Mas recebi cerca de cem e-mails me apoiando. E uns três e-mails furiosos contra a minha idéia, todos os três desbordando para a ofensa.
Vou publicar um dos desaforados e dois de solidariedade. Não é a proporção, a solidariedade deu de goleada. Mas vá lá.
Primeiro o desaforado: "Exmº Sr. 'dono' da vida... dos outros! Por que não esterilizaram seus pais? Assim estaríamos livres de um dos herdeiros de Hitler. Dado que tenho fé, rezo pela sua conversão quaresmal. Deus tenha piedade da sua fraqueza mental. (Ass.) Enrico Galimberti (comboni@terra.com.br)
Agora o de um ginecologista, entendido portanto no assunto: "Prezado jornalista Paulo Sant´Ana. Li e gostei de tua (permites essa informalidade?) coluna 'Tem de ser proibido nascer'. Penso que entendi bem tua mensagem e a retórica implícita para dar ênfase, e apenas isso, a um chamado de atenção para um problema relegado a uma desvalorização histórica. Agora, recebo e-mail (cópia) de um colega de profissão que de forma irônica te insulta e demonstra que nada entendeu da tua mensagem.
É daqueles indivíduos que pensam que o problema do planejamento familiar será resolvido quando todas as pessoas forem alfabetizadas e tiverem empregos decentes e conclui que nada adianta tomar qualquer outra medida para minimizar essa deficiência. É claro que todos os indivíduos socialmente bem postos praticam atos de planejamento familiar espontaneamente. Daí concluir que a solução para os que não praticam seria colocá-los em condições sociais superiores é mais do que uma utopia, é um delírio psicótico. Trabalho em planejamento familiar há anos e já fui malhado por esse cara muitas vezes, inclusive em público.
Mas não me dei por vencido, especialmente quando após uma sessão científica sobre o tema, em que o mesmo me massacrou verbalmente pela minha prática de fazer ligaduras tubárias para anticoncepção, no dia seguinte surpreendi-o realizando em um hospital rico e de clientela rica, bem pagante, uma ligadura tubária. Ou seja, 'se me pagam bem, que mal tem?'. A patroa pode. A doméstica, não! Essa é uma moral sem cuecas. Não dá para levar a sério tal indivíduo. Só para terminar e reforçar tua idéia, trabalho, uma vez por semana, em um posto de saúde de uma vila pobre da nossa Capital.
A primeira paciente que atendi era uma menina de 16 anos, grávida. Porém, o detalhe: era sua terceira gestação... aos 16 anos. Até onde irá? E o pior, sem querer! Por que não lhe ofertar os métodos anticoncepcionais disponíveis? (Ass.) Marcelino Poli, médico ginecologista, professor adjunto de ginecologia da PUC/RS".
Quer dizer então que o cidadão que me insultou é ginecologista? E prega contra os métodos anticoncepcionais pela manhã e à tarde sai para esterilizar pacientes? Agora entendi: ele é contra a ligação tubária gratuita. Paga, para ele, não.
E a terceira é também de uma ginecologista: "Gostaria de parabenizá-lo pelo artigo publicado em Zero Hora deste domingo. Sou ginecologista e obstetra, trabalho para a prefeitura de Porto Alegre em posto de saúde e vejo que nossa realidade é bem esta. Precisamos de mais gente corajosa que fale suas opiniões sem rodeios e sem medo de críticas. Além do que foi dito, com o que concordo plenamente, ainda temos o problema das pessoas que procuram o serviço público espontaneamente para anticoncepção e se deparam com a falta dos anticoncepcionais e a dificuldade em conseguir um agendamento para ligadura tubária. Obrigado pela atenção. (Ass.) Cláudia Pinho (claudialucio@vanet.com.br)".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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5:54 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
Bomba destrói hotel em Bagdá
Às vésperas do primeiro aniversário da Guerra do Iraque, atentado matou pelo menos 29 pessoas (foto Chris Helgren, Reuters/ZH)
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Quarta-feira, Março 17, 2004
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8:43 PM
by Cassiano Leonel Drum
Agora acabou a brincadeira!
Novo curso de desenvolvimento de games no Rio mostra que mercado está em constante crescimento no País
Mylène Neno
Jan (à esq.), Eduardo e Antônio apostam no curso de desenvolvimento de games, iniciado segunda na Barra
Game é coisa séria mesmo. Uma recente pesquisa nos Estados Unidos constatou que o horário nobre da TV vem perdendo feio a batalha para os games e outros representantes das novas tecnologias, como o DVD e a disseminada Internet. Não por acaso, a americana Scientific-Atlanta anunciou que está desenvolvendo um decodificador de TV por assinatura com recursos de video game. Com a iniciativa, as operadoras de TV a cabo vão poder oferecer serviços de jogos por assinatura aos clientes, tentando competir com gigantes do porte de Sony, Microsoft e Nintendo as principais fabricantes de consoles do mercado americano, avaliado em 10 bilhões de dólares.
Não entendo porque as pessoas acham que game não é coisa séria. Os jogos, enquanto produto comercial, nunca foram tratados como brincadeira. Já em 1985 foram feitos os primeiros experimentos em ensino de desenvolvimento de jogos, no Rio. Talvez essa visão, de que por aqui não existe nada, seja apenas fruto da desinformação do mercado, esclarece o game designer Renato Degiovani, criador do adventure Amazônia, considerado o primeiro jogo comercial brasileiro.
Por aqui, um novo curso de desenvolvimento de jogos começou segunda-feira na Technology & Training (http://www.ttnet.com.br), na Barra. Dividido em quatro módulos, o curso prepara o aluno para enfrentar os desafios dessa nova carreira. As turmas, divididas por faixa etária, contam com alunos a partir de 13 anos. As matrículas estão abertas até o fim do mês e os interessados podem ligar para (21) 3151-9423.
Um dos alunos, Jan Habib, 19, quer se especializar na parte gráfica e sonha alto. No futuro, quero trabalhar com efeitos especiais em Hollywood, diz.
Já o estudante Eduardo Mauro, 17, dispensa 10 horas diárias aos games e também está no curso da T&T. Sonho trabalhar em softhouses no exterior e, com mais experiência, abrir meu negócio no Brasil, diz.
Aos 36 anos, o empresário Antônio Andrada resolveu entrar no curso para ¿unir o útil ao agradável, já que comercializa games desde 1997 e é fanático pelo tema. Enquanto estou acordado, estou sempre pensando em jogos. Mas já dormi, sonhei com um game e, ao acordar, consegui solucionar o problema que tanto me perturbava no dia anterior, revela.
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9:03 AM
by Cassiano Leonel Drum
16/03/2004 - 19h34
Sites redefinem regras para fazer blogs
MARIJÔ ZILVETI
da Folha de S.Paulo
A hospedagem dos blogs (ou diários virtuais) no Brasil passa por algumas redefinições. Há sites agora destinados apenas a assinantes e os que pedem mais informações, como o número do CPF.
O www.blogger.com.br, um dos primeiros a hospedar os ciberdiários com instruções em português, deixou de ser gratuito e hoje é exclusivo para os assinantes do portal Globo.com.
Por outro lado, o UOL passou a aceitar a entrada gratuita de internautas com a oferta de 1 Mbyte para textos e imagens em blog.uol.com.br. Assinantes desse portal têm espaço maior de acordo com a assinatura (de 30 a 100 Mbytes). A criação é rápida --em três passos-- , com a oferta de 40 modelos coloridos.
O portal Comunique-se (www.comunique-se.com.br) criou também a oferta de blogs para jornalistas cadastrados. Em www.blog-se.com.br/blog, o interessado pode deixar suas impressões em nove modelos.
Para ter seu diário virtual no endereço blig.ig.com.br, o internauta precisa se cadastrar no portal do iG (www.ig.com.br), fornecer seu CPF e criar endereço de e-mail. A página pode ser feita em 16 temas --signo, música e filmes-- com modelos variados.
Outro que oferece espaço para pendurar pensatas diárias é o www.pop.com.br/popblog. Nesse portal, o usuário também precisa registrar seu CPF para ganhar e-mail e acessar seu diário.
O weblogger.terra.com.br oferece ao missivista virtual seis modelos. O cadastro não exige CPF e criação de e-mail no portal. Basta fornecer qualquer endereço de e-mail, criar o título e começar a escrever os textos.
O endereço www.theblog.com.br fornece 4 Mbytes de espaço gratuito para qualquer internauta interessado em deixar seus escritos em 20 modelos. Após escrever o texto e inserir as imagens, basta clicar no menu do lado esquerdo no botão Ver meu blog.
O Turma do Bar (www.turmadobar.com) pede apelido, senha, nome do blog e e-mail na ficha cadastral. A criação da página é confusa. Os modelos não são mostrados na tela. Uma tabela mostra as cores possíveis da página.
O wbloggar.com/brasil oferece gratuitamente um programa de 1.740 Kbytes que ajuda na criação de diários virtuais. Ele promete compatibilidade com as ferramentas de publicação BigBlogTool, Nucleus, MovableType e Blogger.com (versão norte-americana do serviço Blogger).
Para os missivistas que preferem criar seus sites e hospedá-los gratuitamente em um portal em inglês, o Blogger (www.blogspot.com) é um dos mais conhecidos. A criação do diário pede alguns passos. O internauta precisa ter algum conhecimento da linguagem HTML para sofisticar sua página e colocar, por exemplo, um link para receber mensagens por e-mail.
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