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Sábado, Abril 03, 2004
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9:45 AM
by Cassiano Leonel Drum
O TRIUNFO DA FORÇA
Capaz de saltar uma distância de 2,40 metros sem tomar impulso e de atingir a altura de 2,80 metros durante um salto-mortal, Daiane dos Santos tem como principal trunfo a força muscular. Aliada à técnica, ela lhe possibilita movimentos acrobáticos no solo e no cavalo. Seus vôos podem dar ao Brasil uma inédita medalha olímpica na modalidade
Daiane dos Santos decola de costas. Já no ar, gira o corpo de modo a ficar de frente para sua trajetória de vôo. Continua subindo. Perto de atingir o ponto mais alto, quando sua cabeça chega a 2,80 metros do solo quase a altura de uma cesta de basquete, ela rodopia num salto-mortal com o corpo reto, como se fosse uma hélice cujo eixo passasse pelo abdômen. Já está na descendente quando repete o giro. O efeito lembra o filme Matrix, com os truques virtuais se materializando no mundo real. Daiane aterrissa de pé, com os braços abertos para aumentar o equilíbrio, gesto elegantemente disfarçado em saudação à platéia.
O movimento aqui descrito em câmera lenta dura menos de um segundo. Enquanto você lia as linhas acima, Daiane poderia teoricamente ter realizado quinze dessas dificílimas acrobacias. Em 76 anos de competições a ginástica feminina faz parte dos Jogos Olímpicos desde 1928 , ninguém nunca arriscou algo parecido. Ao que se sabe, nenhuma outra atleta está treinando para fazer algo tão assombroso nas Olimpíadas de Atenas, em agosto.
Daiane dos Santos é a única ginasta do mundo capaz de realizar esse salto cujo nome técnico é "duplo twist estendido". Twist porque ela salta de costas e faz um giro de 180 graus no ar. Duplo porque por duas vezes a atleta dá voltas no ar sem colocar pés ou mãos no chão, o que configura o salto-mortal. Estendido porque o corpo fica reto e é exatamente aí que reside a maior dificuldade. No Mundial de 2003, nos Estados Unidos, Daiane já se firmara como um fenômeno único no mundo da ginástica ao executar uma manobra altamente difícil, porém mais simples. Foi o duplo twist carpado.
Em vez de ficar reto, o corpo se dobra durante o duplo mortal, com o tórax num ângulo de 45 graus em relação às pernas, o que facilita o giro. O movimento recebeu o nome de "Dos Santos", em homenagem a ela. O salto estendido que Daiane prepara para Atenas é ainda mais complicado. "A chance de Daiane conseguir uma medalha olímpica inédita para o Brasil é considerável", avalia o ucraniano Oleg Ostapenko, técnico da Seleção Brasileira de Ginástica Olímpica Feminina.
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9:06 AM
by Cassiano Leonel Drum
Arrisque-se
Risca de giz e tecidos de alfaiataria se misturam a peças informais para compor visual ousado
Mariana Salim
O estilo clássico dos tecidos de alfaiataria, como a risca de giz, e as modelagens masculinas em camisas ou calças retas encontram-se com o moderno. O resultado é um visual radicalmente contemporâneo.
Descombinar é a palavra-chave. A idéia de que a risca de giz é careta é totalmente errada. O que é clássico nunca sai de moda. O segredo da produção perfeita é saber misturar, observa a estilista da Folic Valéria Trotta. Vale abusar do conforto das camisetas básicas com estampas originais e ousar nos acessórios: aposte no clima lúdico das pérolas, na rebeldia das correntes, na nostalgia dos anos 80, nas cores vibrantes das meias e dos sapatos de verniz. Arrisque-se e invista nessa idéia. (fotos Isabela Kassow)
Guitarra. Segunda pele Yes, Brazil (R$ ), top Cláudia Simões (R$ 144), cinto Renner (R$ 35,90) e saia Shop 126 (R$ 158). Polaina C&A (R$ 12,90) e sapatos Andarella (R$ 79).
Patins. Regata OZ (R$ 28), calça Folic (R$ 199) e sandálias Andarela (R$ 79). No pescoço, faixa de crochê Macaca de Ipanema (R$ 63,80). Pérolas 18Kilates (R$ 28) e pulseiras RSobral (R$ 25 cada uma).
skate. Vestido Cláudia Simões (R$ 243) e sapatos Mr.Cat (R$ 99). Correntes Fiszpan (a partir de R$ 25).
Capacete. Camisa Folic (R$ 159,60), calça Cláudia Simões (R$ 108), cinto Renner (R$ 35,90) e coleira Macaca de Ipanema (R$ 66).
Prancha. Minissaia Colcci (R$ 128), camiseta OZ (R$ 39) e sapatos Leader (R$ 59,90)
FICHA TÉCNICA: MODELO Priscila Machado (Ag. Mega) CABELO E MAQUIAGEM Eduardo Castro para Crystal Care PRODUÇÃO Mariana Salim ENDEREÇOS Macaca de Ipanema - Rua Visconde de Pirajá 207/ loja 111, Ipanema; C&A - Av. N. S. de Copacabana 749; Andarella - São Conrado Fashion Mall, 2º piso; Oz - Rua Visconde de Pirajá 580/302, Ipanema; Folic - Rua Gonçalves Dias 49, Centro; Colcci - Rio Sul, 2º piso; Leader Magazine - São Gonçalo Shopping Rio, 2º piso; Cláudia Simões - Botafogo Praia Shopping, 2º piso; 18Kilates - Rio Sul, 1º piso; Mr.Cat - São Conrado Fashion Mall, 1º piso; RSobral - Rua Visconde de Pirajá 565, Ipanema; Fiszpan - Av. N. S. de Copacabana 831; Shop 126 - Shopping da Gávea, 1º piso; Renner - Rio Sul, 2ºpiso; Yes, Brazil - Rio Sul, 2º piso
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8:52 AM
by Cassiano Leonel Drum
Um gol de presente
Ricardo Gomes faz mistério, mas o aniversariante Edmundo garante que vai jogar. Ele quer balançar, pela primeira vez, a rede do Vasco
Marluci Martins
Ovos na cabeça, farinha de trigo e um afinado parabéns pra você cantado pela torcida. No dia em que completou 33 anos, Edmundo só não teve o presente que mais queria: a confirmação de que será titular, amanhã, contra o Vasco, na decisão da Taça Rio. O técnico do Fluminense, Ricardo Gomes, vai desvendar o mistério somente pouco antes do clássico.
Mas, quebrando o silêncio que o acompanha desde seu último jogo 21 de fevereiro, final da Taça Guanabara , Edmundo garantiu: Vou jogar. Não sei se durante 5 ou 90 minutos. Mas vou jogar. Sua maior motivação? Fazer, pela primeira vez na vida, um gol no Vasco, seu time de coração.
TAÇA GB Naquela final, contra o Flamengo, eu estava muito pior do que hoje. Estou 10 vezes melhor. O problema é que eu, Romário, Ramon e Roger não estávamos nas condições de hoje. Se tenho 0,1 por cento de condição de jogar, vou para o jogo. Foi um erro, pois o Alessandro estava melhor do que eu. Mas, se bobear, cometo um erro desses de novo.
BANCO Somos um grupo de 20, 30 jogadores, mais comissão técnica e torcida. Esse grupo é mais importante do que a vaidade de um jogador. Se o Ricardo (Gomes) decidir que tenho de ficar no banco, vou ficar. Mas não tenho intimidade com o banco, não. Fico meio tenso. Passei por isso duas vezes: num jogo do Palmeiras contra o Guarani, numa das milhares de vezes que briguei com o Wanderley Luxemburgo, e, pelo Cruzeiro, enfrentando o Vasco, quando voltava de contusão.
PRESENTE A Taça Rio não chega a ser um título. Nem significa tanto para quem já ganhou uma Copa América e três títulos brasileiros. Mas faz tanto tempo que não conquisto nada, que vou comemorar como se fosse a maior, a primeira e a única conquista da carreira. Não lembro qual foi meu último título. Acho que foi o Brasileiro de 97.
HOMENAGEM Esse parabéns pra você foi a coisa mais linda que ganhei de uma torcida. E nem mereço, porque não conquistei nada aqui. Em outros lugares em que tive êxito, não recebi esse carinho. Aqui, mal joguei foram duas partidas e mais duas com uma perna só (risos). Espero poder retribuir tudo, com uma vitória sobre o Vasco.
GOL NO VASCO Qualquer hora dessas, sai. Jogando pelo Palmeiras, acertei a trave uma vez. No Cruzeiro, fui displicente numa cobrança de pênalti. Aliás, seria bom ter feito esse gol, pois eu não teria perdido meu emprego. Espero não ter tanta ansiedade, nem tanta displicência, se tiver outra oportunidade, domingo.
VASCO Não tenho mágoa. Há coisas que não posso falar, pois já estou cheio de processos. Nunca escondi de ninguém que sou vascaíno. Não fosse o Vasco abrir as portas, não sei o que seria de mim. Nunca gostei de estudar. Nunca gostei de trabalhar. Se não pudesse jogar bola... Pena que saí enxotado de lá, pela porta dos fundos.
FLUMINENSE Sou vascaíno mas, nesse momento, o lado profissional fala mais alto. O Fluminense é o clube que mais investiu. Movimentou muito o futebol, nos três primeiros meses do ano. E está honrando seus compromissos.
ENTREVISTAS Fiquei um tempo sem falar com a imprensa porque gosto de dar oportunidade a outras pessoas. Não era justo aparecer mais do que quem estava jogando.
ANSIEDADE Sou péssimo para controlar a ansiedade. Nunca consigo entender por que estou machucado.
ANO NOVO Dizem que o ano da gente começa no aniversário. Espero que isso seja verdade. Depois das contusões, estou feliz e sem problemas pessoais. Agora, só falta jogar.
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8:45 AM
by Cassiano Leonel Drum
Cláudio Moreno
03/04/2004
Lapsus Calami
Um tradicional professor universitário, ao trocar sua fiel máquina de escrever por um computador, terminou apertando as teclas que não devia e inseriu, quase no final do trabalho, um parágrafo inteirinho do seu artigo anterior. Meu amigo é um pouco filósofo e não se queixou da má sorte; até ouviu com simpatia as explicações de sua neta, indignada com a falta de jeito do avô.
Como o texto já tinha sido impresso e ele, macaco velho da floresta acadêmica, sabia que as feras viriam atrás do seu sangue, ligou para mim, em busca de um nome para esse tipo de equívoco. "Sempre usei lapsus calami, mas não sei se vale também para as teclas do computador", concluiu. Eu disse que sim, que ainda era moeda boa em qualquer câmbio do mundo. Agora, para que os meus leitores avaliem a extensão do problema e a solução que propus, exponho as minhas razões.
Além do sentido mais atual, de "intervalo de tempo", lapsus é "deslize, escorregadela". Muito antiga é a expressão lapsus linguae (/lápsus língüe/), que já aparece no Eclesiástico, onde reza que é melhor escorregar no chão do que escorregar com a língua (no texto da Nova Vulgata, "Melius lapsus in pavimento quam lapsus linguae"). Por sua vez, cálamo vem do Latim calamus (do Grego kálamus), uma caneta primitiva, feita de hastes de junco de mais ou menos 20cm, com a ponta cuidadosamente aparada e fendida, à semelhança das penas de nossas canetas modernas (aliás, caneta vem de cana).
O recipiente em que se guardava a tinta e onde se mergulhava o cálamo era chamado de calamarius, nome que foi mais tarde aplicado aos deliciosos calamares, que são verdadeiros tinteiros marinhos; nos restaurantes espanhóis é sempre boa pedida um prato de "calamares en su tinta", uma esquisita iguaria que o turista estrangeiro raramente enfrenta, por estranhar comida preta, coisa que não nos assombra, a nós, os brasileiros criados a feijão.
Lapsus calami, portanto, significa literalmente "escorregadela da pena". A expressão, pronunciada /lápsus cálami/, é usada no mundo inteiro para designar um engano involuntário de escrita, popularizada pelos copistas medievais para indicar pequenos erros na transcrição dos originais. Com o uso da máquina de escrever e do computador, os sabidinhos de sempre começaram a procurar uma expressão que substituísse calami, pois não se tratava mais de uma caneta... Ora, isso é subestimar a extraordinária capacidade generalizadora do idioma. Se cometo um erro involuntário usando caneta, lápis, giz, máquina de escrever, processador de texto ou aviãozinho que escreve com fumaça no céu, é claro que tudo cabe no lapsus calami.
O importante é que seja involuntário (Freud diria: nem tanto...). Não se trata de disfarçar simples erros de grafia: se escrevo *pressiozidade em vez de preciosidade, não adianta desculpa em Latim, porque estou deixando mais do que evidente o fato de que não freqüento o dicionário. Se escrevo, porém, "quanto chegarmos ao capítulo 20", em vez de quando, ninguém discute que a troca de uma letra por outra foi involuntária.
Há alguns anos, ao entrar numa sapataria para comprar um par de tênis para futebol de salão, deixei o atendente confuso quando insisti que eu sempre tinha usado a marca Regina. O nome era Rainha, mas eu tinha trocado pela forma latina! Esse é um verdadeiro lapsus linguae, erro típico de doutor que teve estudo! Há quinze dias, no entanto, nesta mesma coluna, no artigo sobre Os Maias, troquei o nome do Luis Fernando Verissimo para José Fernando - e aí não foi lapsus algum. Simplesmente emburreci; felizmente já voltei ao normal.
claudio.moreno@zerohora.com.br
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8:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
03/04/2004
Matar o pai
Termino o interessante, enigmático O Dia em que Matei meu Pai, de Mario Sabino, inquieta, porque o livro nos deixa assim.
Hoje em dia leio pouca ficção, o que também parece inquietar as pessoas que me perguntam sobre o que ando lendo. Lembro meu querido Erico Verissimo me confidenciando que quanto mais romance escrevia, menos romance lia. Também eu cada vez leio mais ensaio, e biografia: a vida muito mais interessante do que a literatura. E poesia: releio boa poesia, Rilke sempre, é claro.
Mas esse livro do Sabino me pegou em cheio, e me fez refletir: não sobre assassinato de pai, mas sobre a transgressão da autoridade que nos quer podar, castrar, paralisar indevidamente. Ou apenas: paralisar, o que é sempre indevido.
Vivemos a contradição de excesso de permissividade e do excesso de autoritarismo que não pergunta o que desejamos ou podemos, quais nossas possibilidades, o que é bom e positivo. O que é possível ou saudável. Autoritarismo nos modelos impostos, nos deveres sugeridos, nos ideais infiltrados nas entrelinhas, nos limites impostos pelo corporativismo, nas algemas da corrupção, nos tapa-olhos dos preconceitos.
Enfim, somos diminuídos pelas limitações que, se fôssemos mais lúcidos e livres, nos provocariam nojo ou riso. E, assim, estamos sujeitados por uma autoridade insensata que não conseguimos avaliar porque fomos educados para não ter discernimento. Então precisaríamos "matar o pai", isto é, assassinar aquilo, dentro de nós, que nos tolhe, que nos castra, que nos torna menos humanos, e nos afasta da legítima adultez.
Se me perguntassem o que seriam pais ideais, eu diria que são aqueles que ensinam os filhos a pensar. Que oferecem aos filhos o abraço do descanso na luta, para se tornarem seres questionadores; a ternura para se nutrirem quando a luta os tornar demasiado endurecidos; alegria para que não desaprendam o riso quando tudo ficar sério demais, porque, como escrevi outro dia, que os deuses nos livrem de nos tornarmos solenes. Que os deuses nos livrem do politicamente correto, com seu sabor de ridículo e autoglorificador, que desmorona ao mais leve sopro de vento provocado pela mão de uma criança.
Gente, vamos ser menos solenes, e mais sérios. Menos circunspectos, e mais verdadeiros. Menos arrogantes, e mais éticos. Menos iludidos de nossa importância, e mais amorosos.
Sobretudo, assassinando a cada dia - se tivermos capacidade, coragem e sorte - as falsas autoridades e os ídolos ridículos dentro de nós, vamos tentar ser mais inteiros, mais belos, mais felizes, mais humanos.
E aí começaremos a ficar interessantes. Sem tantas falsas prioridades; sem tanta imposta seriedade, sem tantas máscaras graves, sem tantas regrinhas melancólicas.
Outro dia falei para um grupo de empresários respeitáveis, e a mais bela das perguntas que me fizeram, inesperada, foi:
- Quantas vezes a senhora acha que se pode amar na vida?
Respondi algo como:
- Toda vez que a gente está sozinho, e a vida nos oferecer a possibilidade desse milagre, e a gente tiver a coragem e a capacidade de o concretizar.
Todos bateram palmas, e compreendi que o mais importante é que todos, os ricos e os pobres, os complicados e os simples, os famosos e os anônimos, os empolados e os naturais, os que acreditam no politicamente correto e os que se libertaram dessas tristes algemas, os que nasceram para ser príncipes e os que mesmo em altas posições têm almas subalternas, todos nós queremos mesmo é ser tratados como gente.
E respeitei e admirei o senhor que me fez aquela pergunta, e naquele momento estivemos todos irmanados, sendo apenas humanos, querendo apenas estar vivos, com a dignidade de acreditar na vida como um dom precioso, um dom... posso dizer? divino, que a gente não precisa assassinar para sobreviver.
lya.luft@zerohora.com.br
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8:35 AM
by Cassiano Leonel Drum
Jorge Furtado
03/04/2004
Aparências
No prefácio ao seu extraordinário romance O Espião Americano, Kurt Vonnegut afirma que, entre os seus livros, aquele é o único no qual ele percebe uma moral: "Somos o que parecemos ser e, portanto, temos que tomar muito cuidado com o que parecemos ser". Vonnegut acrescenta que não sabe afirmar se essa moral é boa ou má, apenas a reconhece no livro. Tendo a achar que é boa. O subprocurador da República, gravado em conversa indefensável com um bicheiro, defende-se dizendo que não cometeu crime algum. Waldomiro Diniz, funcionário público que foi filmado pedindo suborno ao mesmo bicheiro, não dá declarações, mas seu advogado já disse que a fita não prova nada e que vai se declarar somente na justiça: "O meu campo é o da lei".
O campo da lei exige provas. Aparecer numa fita pedindo suborno não é crime algum, crime é aceitar o suborno. Mas a falta de compostura dos flagrados é tanta que o fato de terem cometido crimes ou não é quase secundário. Eles parecem culpados bem demais, talvez seja o suficiente. E se não for? Um novo boato em Brasília sugere que, além da fita em que Waldomiro pede suborno e da fita em que o subprocurador pede a fita em que Waldomiro pede suborno, haveria uma terceira fita, onde o próprio José Dirceu pede ao subprocurador a fita em que o subprocurador pede a fita em que Waldomiro pede suborno.
Dizem que nesta fita o Zé Dirceu está acompanhado do bombeiro da Luma e da Solange, eliminada esta semana do Big Brother, mas talvez seja mentira. A fita estaria sendo analisada por técnicos da Unicamp, que teriam pedido também para examinar a Luma. Luma, por sua vez, diz que não cometeu crime algum, o que é verdade.
Julgar pelas aparências é um perigo, eu sei. Recebi muitas críticas (na verdade, duas) por ter falado mal sem ter visto o filme do Mel Gibson. Parece que o pessoal não me ouviu e lotou os cinemas, transformando algumas salas em igrejas, com choro, enfartes e gritos de aleluia, já não bastasse o barulho de pipoca. O filme está indo muito bem em países onde as salas de cinema estão virando igrejas ou bingos (América Latina e Polônia), mas não tão bem na Alemanha, no Canadá e na Irlanda.
E nem foi lançado em Toulouse, na França, onde há uma ótima cinemateca (duas salas, bom acervo) ocupando um belo prédio que já foi uma igreja. Pois não peço desculpas. Não vi, não vou ver e tenho raiva de quem viu e ajudou a financiar essa e as próximas picaretagens ultraviolentas de hollywood. E mais: mesmo sem ter visto afirmo que o filme é anticristão. O Cristo que interessa é o que inaugura a resistência não-violenta, o que fala em paz e tolerância. O filme de Gibson tem o mesmo valor de luta livre na televisão. A única (mesmo!) maneira de acabar com esse oportunismo sadomasoquista é não pagar o ingresso.
jorge.furtado@zerohora.com.br
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8:32 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
03/04/2004
Um caso inédito
O caso do assassinato do casal de norte-americanos Zera Todd e Michelle Staheli, há quatro meses, num condomínio da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, chegou ontem a um desdobramento incrível.
Flagrado em um furto, o caseiro de um vizinho do casal assassinado, Jociel Conceição dos Santos, de 20 anos, confessou em detalhes o assassinato do casal norte-americano. E foi buscar em seu quarto o pé-de-cabra com que massacrou o casal.
Eu estava pronto, ontem à noite, para escrever esta coluna estranhando que, pela repercussão do caso, que inclusive contou com a investigação de agentes do FBI, não tivesse a polícia interrogado um caseiro de um vizinho de muro das vítimas.
Isso chega a ser quase inacreditável, em razão de que tudo indicava que uma das formas prováveis de acesso do(s) assassino(s) à casa era pelos muros circundantes.
Mas anteontem a polícia tinha deitado mão em um homem que confessava solicitamente o crime, oferecia à apreensão a arma do crime, embora não indicasse um motivo plausível, alegando que o norte-americano morto tinha certa vez o chamado de "crioulo", o que teria feito com que nutrisse ódio pela vítima.
No entanto, como agora o acusado foi flagrado em furto, era possível que o móvel do assassinato fosse o roubo e ele por alguma idiossincrasia não quisesse admiti-lo.
No entanto, ontem à noite surgia a informação bombástica: o juiz a quem foi encarregado o pedido de prisão do assassino confesso mandou soltar o suspeito.
É invulgar, senão inédito, que a Justiça deixe de dar importância, pelo menos na fase inicial das investigações, à confissão do acusado.
É bem verdade que não basta a confissão para que se configure a culpa de um agente. Há milhares de pessoas que confessam crimes que não cometeram por desvios mentais, outras depois de serem torturadas nas investigações.
O surpreendente neste caso é que o mandado judicial de soltura pode levar à fuga do suspeito mais tarde, quando eventualmente possam ser colhidas provas materiais irrefutáveis contra ele.
Depois que o juiz mandou soltar o preso, os promotores juntaram aos autos a reconstituição do caminho percorrido pelo suspeito confesso até o leito das vítimas, quando com naturalidade absoluta, em companhia da polícia, escalou o muro, caminhou sobre ele e desceu por uma goiabeira até o solo, demonstrando conhecimento do terreno.
E com isso os promotores solicitaram novamente a prisão do suspeito, então já livre.
O juiz negou pela segunda vez a prisão, certamente alegando que a facilidade com que reconstituiu seus passos no dia do crime não evita a possibilidade de que o suspeito tivesse sido coagido pela polícia a tal atitude.
É a primeira vez que num caso de repercussão pela imprensa se nota que a Justiça despreze com tal ousadia a confissão de um suspeito e valorize tanto que ela seja acompanhada pela prova material para que se torne consistente.
E o pior de tudo é que é certo: uma confissão sem conteúdo, solta nos autos sem ter a ampará-la indícios veementes ou provas materiais legítimas, não tem nenhum valor.
O que me espanta é que nunca é assim que acontece. O relevo maior que sempre se dá nesses pedidos de prisão preventiva é a confissão do suspeito.
E espetacularmente a impressão que o suspeito dava ontem, quando foi solto, era de que não concordava com a medida do juiz.
Sensacionalmente o ônus da prova cabe ao suspeito.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:29 AM
by Cassiano Leonel Drum
Clima
Enfim, a chuva
Aguardada havia três meses, a água (acima, a Região Noroeste) começa a amenizar a paisagem assolada pela seca (foto Paulo Vilani, especial/ZH)
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Sexta-feira, Abril 02, 2004
Posted
10:41 PM
by Cassiano Leonel Drum
Em Vão
Passo triste na vida e triste sou,
Um pobre a quem jamais quiseram bem!
Um caminhante exausto que passou,
Que não diz onde vai nem donde vem.
Ah! Sem piedade, a rir, tanto desdém
A flor da minha boca desdenhou!
Solitário convento onde ninguém
A silenciosa cela procurou!
E eu quero bem a tudo, a toda a gente...
Ando a amar assim, perdidamente,
A acalentar o mundo nos meus braços!
E tem passado, em vão, a mocidade
Sem que no meu caminho uma saudade
Abra em flores a sombra dos meus passos!
Florbela Espanca
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10:00 PM
by Cassiano Leonel Drum
Fitness
Pique no lugar
Nova aula de corrida em esteiras lota academias cariocas
Maria de Freitas
Uma nova febre vem contagiando as academias cariocas. Seguindo a mesma linha do spinning atividade física sobre bicicletas ergométricas , as aulas de corridas coletivas, ou running class, estão atraindo adeptos a cada dia.
Misturando música ensurdecedora e esteiras supermodernas, a atividade encanta pela eficiência dos resultados. Pode-se perder até mil calorias em apenas 40 minutos, calcula o professor de educação física André Leta, da academia Pró-Forma, no Rio. A running class é como uma pequena maratona sem paisagem ou linha de chegada, na qual um grupo de até 12 alunos sua a camisa sem sair do lugar em cima das esteiras.
Posicionado em um palco no fundo da sala, um professor se esforça para manter a empolgação da turma com treinamentos que variam de acordo com o objetivo dos alunos. São oferecidos quatro estilos de corrida, que vão das elevações, nas quais o que se propõe são cursos íngremes e constantes, aos percursos intercalados, quando o aluno deve alternar o ritmo entre altas e baixas velocidades. O sucesso da modalidade é tanto que as academias já organizam listas de espera para quem quiser se aventurar.
Apaixonado por maratonas, o engenheiro José Roberto Ribas, 47 anos, tornou-se presença constante nas turmas de running class da academia carioca Estação do Corpo. Costumava treinar no asfalto, mas as aulas sobre esteiras me dão mais precisão. Me sinto confiante sabendo que posso controlar a velocidade e acompanhar a evolução de cada quilômetro percorrido, comemora. Ribas acredita que correr na companhia de um grupo de pessoas traz mais motivação.
A energia do esporte coletivo é incrível, exalta. Praticar atividades de extremo esforço, no entanto, requer alguns cuidados. O clínico-geral Roberto Zani alerta para os perigos da popularização do exercício. Apenas verdadeiros atletas podem se arriscar nesta modalidade. É preciso estar atento para os perigos de uma atividade tão intensa, adverte. Ele explica que o desgaste exagerado pode até causar ataques cardíacos em alunos inexperientes. Se a aula dura 40 minutos, o indivíduo corre pelo menos dez quilômetros, e nem todos estão preparados para isso, conclui.
Deve-se estar atento a possíveis sinais de desgaste, como dores nas articulações.
E se preparar antes. A artista plástica Gisele Andrade, 37 anos, por exemplo, abandonou as aulas de ginástica localizada e se inscreveu há um mês nas turmas de corrida. Como não tenho preparo físico de maratonista, faço muito alongamento antes dos treinos e não abro mão de uma alimentação saudável, conta. Zani explica que, se praticada corretamente, a atividade pode gerar diversos benefícios.
Quando exigimos mais esforço do coração, surgem novos pequenos vasos para ajudar a irrigação do órgão, aumentando a circulação coronariana. A atividade também eleva as taxas do HDL, o chamado bom colesterol, explica. Mas quem se interessar pela nova atividade deve consultar um médico e se submeter a uma avaliação cardiológica.
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6:11 PM
by Cassiano Leonel Drum
Nossos relógios teimam em não se acertar
às vezes sou eu que chego atrasada,
às vezes você...
Os quadrantes de nossas luas estão
em mundos paralelos,
seguimos em frente sem nunca nos encontrar.
As pessoas têm chances na vida ,
e alguns , como nós , recebem uma segunda
que pode ser a última.
Não dá mais para segurar o tempo .
Você estranho, que entrou na minha vida
Vá embora !
Quero arrumar a bagunça que ficou...
Dama Da Noite
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6:08 PM
by Cassiano Leonel Drum
Talvez amanhã
Quantas e quantas noites
perdida na ilusão
fiquei na noite fitando minha estrela
que brilho supreendente!
Tantos pedidos,tantos sonhos
minha estrela,
companheira e confidente.
Hoje sei,que não era a ela que eu pedia
mas à você que eu implorava.
O brilho que nela via nada
mais era do que o reflexo
dos teus olhos ,
que hoje não passam de uma lembrança
do clarão de uma estrela cadente
no improviso deste instante
só eu não vi ela ir embora...
talvez amanhã ela volte
e quem sabe,traga você.
Dama Da Noite
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11:54 AM
by Cassiano Leonel Drum
Aula de sexo
Fernanda é a baiana devassa de 'A casa dos budas ditosos
Pedro Burgos* e Rachel Almeida
É difícil definir melhor A casa dos budas ditosos, livro de João Ubaldo Ribeiro transformado em monólogo com Fernanda Torres, do que uma elegante ode à pornografia. Depois de enorme sucesso nas temporadas em São Paulo e Brasília, a peça estréia nesta sexta no Centro Cultural Correios, onde ficará sete semanas em cartaz.
Um dos grandes best-sellers nacionais, o livro, lançado há cinco anos, vendeu cerca de 180 mil cópias. A obra faz parte da série sobre os pecados capitais da editora Objetiva. Coube ao escritor baiano escrever sobre a luxúria. No prefácio, João Ubaldo conta que recebeu algumas fitas de uma senhora sexagenária - seu nome não é revelado - com um depoimento extenso e detalhado sobre sua vida sexual.
O livro seria, então, a transcrição desse testemunho, já que, como o autor explica, ''é impossível falar sobre sexo na primeira pessoa''. O diretor Domingos Oliveira e a atriz Fernanda Torres acham que o livro foi subestimado pela crítica na época do lançamento, já que o assunto ainda é tabu. Até porque todos os temas espinhosos estão lá, da pedofilia ao incesto, passando pela troca de casais e consumo exagerado de drogas. Mas nada é dito com um ar de arrependimento. Tendo passado por todo tipo de experiência, a mulher tem, então, algo a ensinar. E o monólogo de 100 minutos vira aula.
A verve acadêmica é reforçada pela postura da atriz no palco. Sentada, encarando o público, ela explica, logo no início, que tem a personalidade de uma deusa sexual e pede para que todos prestem atenção, já que as informações e métodos podem ser usados para melhorar a vida de cada um na platéia. Alguns relatos, palavrões ou descrições de detalhes anatômicos podem chocar. Mas na temporada de Brasília eram poucos os que chegavam ao fim da peça ruborizados. Fernanda conta que o intuito era de que o espectador risse - na maior parte do tempo -, chorasse, e, obviamente, ficasse excitado. ''Seria um fracasso fazer um livro de sacanagem e a pessoa não ficar com tesão'', diz.
O espetáculo foi gestado durante dois anos. Domingos Oliveira contou a Fernanda sua idéia em 2001. Na época, a atriz estava envolvida com Os normais e sua adaptação para o cinema. O diretor deu um livro a ela, que estava relutante em aceitar o projeto. À medida que lia, Fernanda percebeu que foi ficando difícil dizer não. Aceitou, mas pediu dois anos para acabar Os normais e trabalhar com tempo o espetáculo. O pedido foi aceito.
Nesse período, a atriz redatilografou todo o livro, serviço braçal que, para ela, ajudou a marcar quais as passagens mais interessantes que poderiam ser transpostas para o palco. O texto é conservado com pouca - ou nenhuma - adaptação.
A filha de Fernanda Montenegro tinha medo de a peça parecer um caça-níqueis. ''As pessoas poderiam achar que era a Vani (sua personagem de Os normais) indo para o teatro falar de sexo de novo''. Mas os personagens são bem distintos, a começar pelo bem feito sotaque baiano.
A mulher sem nome é altamente instruída e fala de sexo oral com a mesma naturalidade que cita grandes pensadores ou obras clássicas. No livro, a parte filosófica, que esmiuça os tabus da sociedade, por exemplo, é bastante forte. A peça trata en passant das ideologias e se concentra nos casos amorosos da mulher. Do criado negro da casa, na adolescência, ao irmão, seu maior amor, e uma freira. O ritmo da ''mudança de capítulos'' é dado pela troca de fitas do gravador.
Como contrapeso à força da personagem de Fernanda, todos os elementos cênicos são suaves. A iluminação de Wagner Pinto dá um certo tom de sensualidade e nostalgia, com seus tons quentes - ainda que à meia-luz - centrados na figura principal. A direção de arte, a cargo de Daniela Thomas, chega a ser minimalista. Em cena, há basicamente a cadeira, uma mesa de vidro, os tais ''budas ditosos'', um gravador e um copo de uísque.
Uma senhora de 68 anos contando todas aquelas aventuras sexuais poderia parecer surreal demais, deslocando a graça do texto. Isso explica a opção por Fernanda Torres. No livro, João Ubaldo diz que a melhor fase de uma mulher é na faixa dos 35 a 40 anos. Assim, tornam-se críveis os relatos da atriz balzaquiana, que usa alguns adereços para sugerir a verdadeira idade da personagem. O figurino de Cristina Camargo faz essa mistura, ao usar, por exemplo, saia pouco abaixo do joelho para permitir que as cruzadas de pernas, parte dramática fundamental, possam ser bem vistas. Uma longa peruca, as várias pulseiras e colares e a maquiagem forte completam o visual.
Fernanda é 30 anos mais nova que a personagem do livro e admite ter infinitamente menos experiência. Discreta quanto a sua vida íntima, ela não gosta de falar sobre sua primeira vez, nem de grandes aventuras sexuais e se proclama defensora ferrenha da monogamia. Mesmo assim, defende com unhas e dentes a obra de João Ubaldo e o lema que seu livro traz: ''viver é fazer sexo''.
* Da sucursal de Brasília
CASA DOS BUDAS DITOSOS - Centro Cultural Correios, Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro (2503-8770). Cap: 200 pessoas. 5ª a dom., às 19h. R$ 20. Estudantes e idosos pagam meia. Duração: 1h40. Até 16 de maio.
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6:34 AM
by Cassiano Leonel Drum
Descobridor dos cinco mares
Italianos, orientais, brasileiros, econômicos e nos arredores. Um roteiro com os principais restaurantes de frutos do mar
Flávia Motta
QUASE 750g de frutos do mar no arroz de açafrão do Sobrenatural
Frutos do mar são ricos em minerais, proteínas e selênio, antioxidante que tem, entre suas propriedades, a diminuição do estresse e melhora do humor. Mas os animais marinhos também esbanjam versatilidade à mesa. Assados, cozidos ou ensopados, encontram porto seguro em cozinhas de diferentes nacionalidades. Da culinária brasileira levam temperos como pimentas e o típico azeite de dendê. Com cogumelos ou um toque de gengibre, ganham o ar exótico da culinária oriental. Regados no azeite extravirgem, são símbolo da badalada dieta mediterrânea dos países europeus. E ainda podem servir de pretexto para uma esticada nas bucólicas Vargem Grande, Barra de Guaratiba e arredores.
O fascínio que lulas, camarões, mariscos e afins exercem é tanto que há quem troque de profissão por eles, como o economista Aylton Oliveira que, depois de 30 anos no mercado de seguros, há 12 abriu o Skunna em Vargem Grande. Cozinhava para amigos, aí uns exploradores me convidavam para jantar, mas quem tinha que preparar era eu, brinca.
Sócio no Da Brambini, o milanês Umberto Vegetti diz que a simplicidade dá o tom na cozinha italiana. Em toda a Itália se consomem frutos do mar. O país tem um litoral grande e a dieta mediterrânea (baseada em azeite, peixes, massas e vinhos, todos antioxidantes) está cada vez mais forte, conta. Assim, saem de cena molhos encorpados e receitas leves são cada vez mais procuradas, como o peixe ao sal grosso, prato típico dos pescadores italianos, segundo Umberto.
Também baseado na culinária dos marinheiros é o cardápio do Sobrenatural, em Santa Teresa. Uma das estrelas da casa é o congro rosa servido com camarão pitu. Eles vêm juntos no arrasto na hora da pesca, justifica Carlos Moura, dono da casa.
Italianos
De sabor adocicado, o lagostim estrela o prato mais pedido do Da Brambini
No Da Brambini o mais pedido é o espaguete com lagostins em molho de tomate fresco, azeite extravirgem e vinho branco (R$ 33). O scampi tem sabor adocicado e divide com o peixe ao sal grosso (R$ 64, para dois) o posto de preferido. Outro peixe ao sal grosso campeão é o do Satyricon (R$ 52). Ficou famoso depois que a Madonna provou, conta Marly Leopardi, dona da casa, anunciando a novidade do lugar: gambero rosso, camarão que vive a até mil metros de profundidade. Servido com arroz de limão, o prato custa R$ 96.
Mais em conta, o Turino oferece massa ao alho e óleo com scampi grelhado (R$ 29,90) e risoto de frutos do mar pelo mesmo preço. Outro risoto altamente recomendável, mas da Osteria DellAngolo, é o de lula em sua tinta (R$ 38,50), típico de Veneza, na região norte italiana.
DA BRAMBINI: Av. Atlântica 514, Leme, tel.: 2275-4346. Todos os cartões; SATYRICON: Rua Barão da Torre 192, Ipanema, tel.: 2521-0955. Todos os cartões; TURINO: Barra Point. Av. Armando Lombardi 350, Barra, tel.: 2491-6462. Todos os cartões; OSTERIA DELLANGOLO: Rua Paul Redfern 40, Ipanema, tel.: 2259-3148. Aceita Diners, Amex e Mastercard.
Econômicos
Quem disse que uma refeição com frutos do mar tem que pesar no bolso? Esqueça a decoração e aposte numa boa cozinha que a satisfação estará garantida. Como no Sobrenatural, onde o dono Carlos Moura não se cansa de repetir o elogio que ouviu de um cliente: aqui se tem dois prazeres, na hora de comer e de pagar a conta.
Dono de dois barcos pesqueiros, ele separa o melhor que o arrasto traz para sua casa. Daí o sucesso de seu arroz de açafrão com frutos do mar (R$ 56 para dois). São em média 750g só de mexilhão, lagostins, lulas, gaba-se. Outra opção farta é a moqueca de peruá com molho de camarão, por R$ 25, e o congro rosa com pitus e arroz de brócolis a R$ 35. Tudo para duas pessoas.
Fartura também é a marca do Sentaí, o rei da lagosta, sempre servida em pratos para mais de uma pessoa, em moqueca com arroz e pirão (R$ 30) ou grelhada com batatas coradas (R$ 42), entre outros pratos. Já em Vila Iabel sinônimo de boa comilança é o Siri, onde meio risoto de camarão custa R$ 37 e serve duas pessoas. Para dividir entre quatro, boa sugestão é o filé de viola com molho de camarão (R$ 63,50) e o camarão ao alho e óleo (R$ 25), para petiscar.
Atravessando a ponte, vale investir no Caneco Gelado do Mário, onde brilham a cavaquinha grelhada (R$ 55, para dois) e o chiclete de camarão (R$ 65, para dois). Vi uma reportagem na televisão e resolvi tentar. O camarão é feito no leite de coco com dendê e gratinado com queijo prato, mozarela, catupiry e parmesão, ensina Mário Martins, o dono.
SOBRENATURAL: Rua Almirante Alexandrino 432, Santa Teresa, tel.: 2224-1003. Aceita Visa, Credicard e Diners; SENTAÍ: Rua Barão de São Félix 75, Centro, tel.: 2233-8358. Todos os cartões; SIRI: Rua dos Artistas 2, Vila Isabel, tel.: 2208-6165. Não aceita cartão; CANECO GELADO DO MÁRIO: Rua Visconde de Uruguai 288, Niterói, tel.: 2620-6787. Não aceita cartão.
Brasileiros
No siri Mole, o dendê e o leite de coco das moquecas vêm da Bahia
Na cozinha do Siri Mole não só a chef Isis Rangel é baiana. As receitas e seus ingredientes também vêm da terra de Caymmi. Camarão seco, dendê e leite de coco fazem festejadíssimas moquecas como a de camarão (R$ 61,50) ou o caldo de sururu (R$ 7,80), que figuram no cardápio desde a abertura da casa, há 15 anos. A comida tem raiz cultural, é pautada na cultura dos terreiros de candomblé, é meio mística, justifica Isis. Com reprodução do Pelourinho no último salão, o Yemanjá tem diferentes bolinhos de siri (R$ 12,40 a porção) que precedem bem as excelentes moquecas de siri mole ou catado (R$ 39,40 para dois). E no Mercado do Peixe, vale escolher o próprio pescado: cherne (R$ 12,20 por 100g), cavaquinha (R$ 8,50 por 100g) e lagosta (R$ 17,90 por 100g). No forno à lenha, ao sal grosso, com ervas ao molho de vinho branco, frito ou cozido ou com salada.
SIRI MOLE & CIA: Rua Francisco Otaviano 50, Copacabana, tel.: 2267-0894. Todos os cartões; YEMANJÁ: Rua Visconde de Pirajá 128, Ipanema, tel.: 2523-4456. Todos os cartões; MERCADO DO PEIXE: Itanhangá Center. Estrada da Barra 1.636, tel.: 2493-3922. Todos os cartões.
Nos arredores
Lagostas no Skunna: em chop suey (E) ou grelhadas com arroz de coco
Um bom prato é capaz de fazer valer a pena os (longos) caminhos que levam a Vargem Grande ou Barra de Guaratiba. É o caso de visitar o Skunna, onde durante todo o mês as lagostas estrelam festival com dez pratos a R$ 32 cada. Entre eles, chop suey com arroz em manteiga de tomilho e manjericão e lagosta grelhada no alho servida com arroz de coco e cenoura caramelada. Outra boa opção é o camarão ao gruyère, coberto por batata palha e servido com arroz de nozes e passas (R$ 49,50 para dois).
Ainda em Vargem Grande, vale visitar o Jardineto, onde camarões ao creme com curry, abacaxi caramelizados e arroz de amêndoas (R$ 52) ou filé de peixe grelhado ao molho de champanhe e lima da pérsia com batata rostie sem bacon (R$ 34,80), podem ser saboreados em frente a belo jardim.
No Cesar, o chef Cleofas Cesar da Silva prepara pratos como os dos banquetes que fazia para o paisagista Burle Marx: lula recheada com camarão em molho de vinho tinto (R$ 30, para dois) ou caldeirada de peixe, camarão e batata (R$ 30, para dois). Já sob as árvores do Rancho Petisco, o cherne grelhado com arroz de brócolis e purê de batatas sai a R$ 44,90 (para dois), enquanto a moqueca de dourado com camarão custa R$ 54,90 e serve até três.
SKUNNA: Estr. dos Bandeirantes 23.363, Vargem Grande, tel.: 2428-1213. Aceita Amex, Diners e Mastercard; JARDINETO: Rua Luciano Gallet 75, Vargem Grande, tel.: 2428-1053. Aceita, Diners, Mastercard e Visa; CESAR: Est. da Barra de Guaratiba 2.276, tel.: 2410-1202. Não aceita cartão; RANCHO PETISCO: Estr. Roberto Burle Marx 1.533, Barra de Guaratiba, tel.: 2410-1044. Não aceita cartão.
Orientais
O chef Olavo Martins em ação no Zazá Bistrô: lula com legumes orientais
Malandro é o chef que, sem ter uma casa essencialmente oriental, sabe tirar proveito das cores e sabores que ela oferece. É uma cozinha tão perfumada, lúdica, cheia de possibilidades, derrete-se Isabela Macedo, dona do Zazá Bistrô, que foi buscar na Ásia temperos como o cardamomo do arroz que acompanha o steak de atum com calda de maracujá, legumes orientais e couve frita (R$ 32,40), ou o nirá que, grelhado em óleo de gergelim preto com champignon, tomate e pimentões vermelhos e amarelo, escolta a lula na chapa (R$ 28,40).
No tailandês Nam Thai, boas pedidas são o Pad Thai, talharim de arroz frito com camarões, amendoim, tamarindo e especiarias (R$ 32) e a salada picante de vieiras e mexilhões com tempero de capim limão e tamarindo (R$ 25). Também thai são as opções do Zuka: peixe na folha de bananeira com molho de tamarindo e frutas (R$ 17), de entrada, e camarões perfumados com gengibre, servidos com arroz indiano frito com ervas (R$ 44). E até o francês Claude Troigros se rendeu aos sabores do Oriente. Seu Boteco 66 tem peixe oriental em molho de gengibre, capim limão e coentro com arroz thai (R$ 32), entre outros pratos.
ZAZÁ BISTRÔ: Rua Joana Angélica 40, Ipanema, tel.: 2247-9101. Todos os cartões; NAM THAI: Rua Rainha Guilhermina 95, Leblon, tel.: 2259-2962. Todos os cartões; ZUKA: Rua Dias Ferreira 233, Leblon, tel.: 3205-7154. Aceita Amex e Mastercard; BOTECO 66: Av. Alexandre Ferreira 66, Lagoa, tel.: 2266-0838. Aceita Mastercard.
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6:21 AM
by Cassiano Leonel Drum
Não teve nem graça
Flamengo treina em Édson Passos: goleia o Tupi por 4 a 0 e avança na Copa do Brasil. Próximo adversário será o Santa Cruz
Janir Júnior
Felipe, que estava na seleção brasileira, pediu ao técnico Abel Braga para sair do time, aos 36min do primeiro tempo, alegando cansaço
Enquanto aguarda, de camarote, o adversário da final no Estadual, o Flamengo, campeão da Taça Guanabara, enfrentou o sparring certo. Jogando pela Copa do Brasil, ontem, em Édson Passos, o time goleou o modesto Tupi-MG, no jogo de volta, por 4 a 0 vencera o primeiro por 3 a 2. Se no campo os jogadores fizeram o seu papel, fora a bagunça continua. A promessa de pagar parte dos atrasados de fevereiro (para quem chegou esse ano), e janeiro (para os atletas que estão desde o ano passado), não passou de 1º de abril.
Jean, seriamente ameaçado de barração, ganhou sobrevida de Abel Braga momentos antes da partida. Numa conversa reservada, ficou claro que o jejum de gols do atacante o tiraria da equipe. Com a promessa de que balançaria a rede, o jogador finalmente desencantou, marcando dois gols, feito que não acontecia há mais de um mês.
O primeiro foi logo com 1 minuto de bola rolando. Após cruzamento de Roger, que antes driblara um marcador, o atacante, livre, abriu o placar. O gol esfriou o Tupi-MG. Seria preciso marcar três vezes para os mineiros ficarem com a vaga. Não demorou muito e Zinho ampliou.
O lance nasceu de um lançamento do apoiador para Rafael, que foi derrubado por Moisés. A cobrança foi perfeita, no ângulo esquerdo do goleiro, aos 12. Quatro minutos mais tarde, Felipe caiu na área, pediu pênalti e o árbitro mandou seguir a jogada. O torcedor, na expectativa de ver em ação seu maestro, que na véspera defendera a Seleção, em Assunção, acabou gritando mesmo o nome de Jean.
Aos 27, o atacante recebeu na meia-lua, invadiu a área, driblou Paulo César e tocou para o gol vazio. Festa da pequena torcida presente em Édson Passos. Pouco depois, Felipe, alegando cansaço, pediu para sair: Estou prejudicando o time.
No segundo tempo, com a classificação assegurada, o Flamengo administrou o resultado. Mesmo assim, Diogo, aos 25, recebeu de Roger e tocou na saída do goleiro, selando a goleada.
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6:17 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
02/04/2004
Como era bom sofrer
Aos 15 anos, Marina não passava de uma pastora de ovelhas nos campos da Antióquia do século 3. Mas era bela. Tanto que o governador romano ensandeceu de paixão ao vê-la. Propôs-lhe casamento. Marina recusou. Disse que seu espírito e principalmente seu corpo estavam reservados para Cristo.
Fulo, o governador denunciou-a ao imperador Diocleciano, que andava empenhadíssimo em exterminar cristãos. Marina foi presa e açoitada com varas. Depois, os verdugos rasparam seu corpo com um tridente e enfiaram pregos nele. Finalmente, queimaram-na com fogo e a afogaram num barril. Marina morreu toda ruim, mas foi canonizada.
Na mesma época, também no Império Romano, vivia Cristina, que, paradoxalmente ao nome, era filha de adoradores de Zeus, Apolo et caterva. Como fosse tão linda quanto Marina, seu pai decidiu mantê-la virgem para sempre, o que também é paradoxal, embora um bom psicanalista explique. Aprisionou-a numa casa afastada, onde Cristina travou conhecimento com pregadores cristãos. Converteu-se. O pai se sentiu traído e foi ele mesmo quem comandou o martírio da filha - foi espancada, cortada com ferro, queimada no fogo, atirada numa cova de víboras e, como se não bastasse, espetada por lanças até morrer. Virou Santa Cristina.
Há dezenas de histórias de igual jaez na Idade Média. Como a de Adriano da Nicomídia, que teve mãos e pés esmagados pelos torturadores. Ou a de Vitor, mantido por seis dias sem comer ou beber numa cela de Milão, para depois ser espancado, ter suas feridas cobertas com chumbo quente e só depois acabar decapitado. Ou a de André Bobola, que no século 16 foi açoitado, esfolado, mutilado e queimado pelos cossacos. Ou a de Lourenço, que, sendo assado vivo numa grelha, não perdeu o bom humor e pediu para os algozes:
- Podem virar, que esse lado já está bem passado.
Todos esses martirizados foram elevados a santos. Porque a renúncia e a dor eram os grandes valores da Idade Média. Era bonito sofrer. A tese de que Jesus redimira os pecados do mundo na cruz encantava os medievos. Eles também queriam padecer. Ansiavam pela morte lenta e gloriosa.
Foi essa idéia que embalou Mel Gibson na construção de A Paixão de Cristo - a sublimação pelo sofrimento. Ele pretendia mostrar o que custou a Jesus a absolvição da Humanidade. Conseguiu. Por esse ponto de vista, o filme é um sucesso. O fato de ser um ponto de vista medieval nem importa muito. Até porque não raro a própria igreja não se importa de adotar uma postura medieval, como a proibição de métodos contraceptivos, um exemplo entre tantos. Então, o filme de Gibson é um sucesso inegável. Assista-o. Você vai gostar. Sobretudo se pensar como se pensava há 1.500 anos.
david.coimbra@zerohora.com.br
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6:15 AM
by Cassiano Leonel Drum
Gabriel Moojen
02/04/2004
Diferenças
Passei a semana gravando uma matéria para o Brasil Total. Esse projeto coloca na Globo o sotaque do Brasil, assim como ele é. Para nós que falamos diferente, ou para aquela menina lá de Natal, é um passo importante. É duro ter que mudar o sotaque para poder mostrar o trabalho. O Brasil é um país de diferenças. De negros, índios, portugueses, italianos, poloneses, alemães, árabes, japoneses, franceses... Não é à toa que o passaporte verdinho vale uma grana no mercado negro.
Porque qualquer um pode ser brasileiro. Talvez por isso também a gente tenha tanta fé em tantas coisas. Conheço muita gente que, em casa, tem uma imagem de um Buda, um Cristo, uma Mãe Iemanjá, coloca galho de arruda, sal atrás da porta, faz sinal da cruz e diz salamalencon. Uma salada de crença que só se explica pela mistura do nosso povo.
Foi povo que vi na rua. Um povo que se amontoa cada vez que uma câmera de TV é ligada. E muitos se comparam a Darlene de Celebridade. Dizem: "Me filma que eu faço qualquer coisa para aparecer na TV". Então estou eu no Centro, com o Nico Nicolaiewsky, para fazer uma ópera cômica, e os personagens que se apresentam são maravilhosos e curiosos. Cada um é um mundo singular. De todas as cores, estilos, sorisos...
Assim como é aqui na terra brasilis. E cantam. Cantam bem. Só dar a nota e um coro se forma. Um retrato de um tempo, de uma esquina, de um sul de mundo. A gente vai mostrar isso no Fantástico. A ópera e as diferenças. Embora o enfoque da reportagem não seja a diferença, o molho é.
Lembro do tempo do colégio em que não se respeitava a diferença. Toda sala tem um nerd. Ridicularizado, excluído do grupo por não vestir falar andar igual à turma toda. Penso que é assim até hoje. Quando fui acompanhar um grupo de estudantes para a Disney, todas as meninas queriam uma cueca do Hard Rock Café, como se fosse um troféu.
Todas tinham o mesmo comportamento de se fazer em série. Isso me preocupou, me preocupa. Saber valorizar nossas diferenças é saber valorizar nossa gente, nosso país, nossa história. Por isso, quando você se achar diferente, não tente mudar.
Se você for diferente, explore isso, faça de sua diferença o seu trunfo. Assim é o Brasil, assim somos todos nós. Na voz do Caetano, de perto ninguém é normal. Aposte no seu sotaque, no seu estilo e descubra que, como você, só existe um, aquele que aparece no espelho quando você se olha.
gabriel@rbstv.com.br
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6:12 AM
by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
02/04/2004
O ciclone da vida
No ano passado tirei férias e fui para Nova York. Setembro sempre foi uma das melhores épocas para visitar a cidade. Mesmo coincidindo com a data do atentado terrorista. Por azar meu, no oitavo dia de viagem soube da passagem do Isabel. Fiquei 20 dias lá, o furacão Isabel chegou no meu penúltimo dia de viagem.
Ventos de até 150 quilômetros por hora arrancaram árvores e telhados na costa leste americana. Em Manhattan, nada aconteceu. Ainda bem, eu tava apavorada. A população foi avisada com muita antecedência. Todos sabiam como se proteger e o que iria acontecer. Kits de sobrevivência eram distribuídos nos pontos de provável devastação. Cidades vizinhas a Nova York foram esvaziadas.
Fiquei com medo, pensei até em partir antes de o ciclone aparecer. Ao mesmo tempo, ninguém parecia dar a mínima bola. A vida seguia normal: furacões são comuns naquela parte do mundo. Passado o susto, os estragos foram muito menores que os previstos e a minha viagem terminou tri tranqüila.
Foi nesse clima de férias que comecei a repensar a vida. De um momento para o outro, tudo pode mudar. Não faço o tipo inconstante, que muda de idéia a toda hora. Sou insistente. Mas a vida é como um furacão. E ela às vezes nos pega de surpresa. Essas "mudanças climáticas" podem ser regidas por nós. A tempestade do amor pode ser evitada. As trovoadas de trabalho podem ser amenizadas. Os ventos fortes, quando o papo é saúde, podem ser diminuídos.
Dentro desse turbilhão de emoções e sensações, a única coisa que não tem saída é a morte. Aiii, pesou né? Que dramalhão! Não é nada disso. É que pessoas como eu, que vivem tão intensamente cada minuto, ficam sempre com receio que tudo possa acabar de uma hora pra outra. Que a chuva passe e leve com ela os nossos sonhos e planos.
Acho que você, neste exato momento, pode estar pensando nisso... O jeito é não ficar parado, proteção é lei pra não se chegar em casa encharcado. Tem vezes que não dá, é maior do que gente. A chuva escorre no rosto e a roupa gruda no corpo. Passadas as nuvens carregadas, a única certeza é que um dia o sol volta a brilhar.
E um furacão de verdade passou por aqui. O Catarina é aparentemente o primeiro furacão do Atlântico Sul em toda a história. As praias de Santa foram as que mais sofreram. Terminado o susto, a vida vai voltando ao normal no litoral sul do Brasil. O violento ciclone deixou suas marcas por aqui, mas a nossa dignidade continua intacta. Por vias das dúvidas, tenha sempre um guarda-chuva perto de você!
Beijolas ensolaradas.
mauren@rbstv.com.br
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6:08 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
02/04/2004
Poder inacreditável das fitas
O personagem mais intrigante desta crise política que se desatou sobre o governo e o país é o empresário de jogos Carlos Augusto de Almeida Ramos, o ex-banqueiro de jogo do bicho Carlinhos Cachoeira.
Onde ele vai ou está se mune de eficiente gravador de áudio ou de imagens, depois sai a negociar com senadores, jornalistas, procuradores da República se vai entregar ou não as fitas que gravou.
Umas fitas ele entrega, outras não. Tanto as que entrega quanto as que não entrega provocam crises profundas no governo, no Ministério Público, no mundo político, na Bolsa de Valores, no mercado cambial, uma confusão danada causada por um só homem.
Waldomiro Diniz, o assessor do governo gravado pelo Carlinhos Cachoeira, é tido hoje como corrupto por ter recebido propinas de Carlinhos Cachoeira.
Mas Carlinhos Cachoeira, incrivelmente, não é tido por corruptor, quando se sabe que para haver a corrupção passiva é indispensável que concorrentemente haja a ativa.
Ao contrário, o que se divulga é que Carlinhos Cachoeira está livre de qualquer condenação no episódio por estar "colaborando com as investigações".
Espanta enquanto isso a facilidade com que Cachoeira grava os seus encontros com as autoridades.
Grava e depois usa as gravações ou negocia vantagens para não divulgá-las.
O poder de fogo das gravações de Cachoeira está causando o maior rebuliço nas relações institucionais.
Ora o país inteiro pára para assistir a uma gravação de Cachoeira que fez cambalear o ministro José Dirceu e o governo Lula.
Ora o país pára, como aconteceu esta semana, para assistir no Jornal Nacional a uma outra gravação de Carlinhos Cachoeira que salva José Dirceu e o governo Lula e incrimina os procuradores da República que foram gravados por ele.
E assim as gravações ilegais, invasivas, ilegítimas de Carlinhos Cachoeira vão deixando destroços em seus caminhos.
Balança um ministro, balança o governo, balança o Ministério Público, se consagra o ministro, se consagra o governo, se consagra o Ministério Público, ferve o Senado, ferve a Procuradoria-Geral da República, cresce o Risco Brasil, sobe o dólar, cai a bolsa, tudo e todos à mercê de um empresário de jogos online que paga ou promete pagar propinas a autoridades e sai por aí gravando todos os seus contatos.
A oposição brada que uma fita de Cachoeira com Waldomiro Diniz é capaz de derrubar o governo.
Dali a pouco, as lideranças do governo bradam que a outra fita de Cachoeira com o subprocurador da República José Roberto Santoro serve para comprovar que há um esquema surdo para derrubar o governo Lula.
Cogita-se agora, unicamente em razão dos efeitos das fitas de Carlinhos Cachoeira, de que seja revitalizada a idéia da implantação da Lei da Mordaça, pela qual é decretada a limitação dos poderes do Ministério Público.
E cogita-se também, em razão das fitas, de que seja implantado o controle externo do Ministério Público.
É surpreendente o poder dessas fitas para alterar o equilíbrio político do país e mergulhá-lho numa crise paralisante.
E Carlinhos Cachoeira posando de moralista e vítima, enquanto suas fitas ilegais e clandestinas vão deixando destroços por todos os setores da vida pública nacional.
E o pior de tudo é que Carlinhos Cachoeira continua assim livre para continuar mergulhando o país numa crise insana porque parece que têm medo de que ele divulgue outras fitas.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:05 AM
by Cassiano Leonel Drum
Clima
Para fugir do rigor da seca
Umidade da noite deixa soja mais resistente e altera horário da colheita em regiões como a de Passo Fundo (foto Tadeu Vilani/ZH)
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Quinta-feira, Abril 01, 2004
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9:42 PM
by Cassiano Leonel Drum
Claro que você não tem tempo de ler os jornais do mundo inteiro, mas agora você pode ter uma boa idéia do que é manchete na maioria deles. Como ? Um site mostra as 245 primeiras páginas dos jornais de mais de 30 países, do Indian Press de Nova Delhi ao Le Figaro de Paris, do Alayam de Bahrain ao Corriere Della Sera de Milão. As primeiras páginas são atualizadas diariamente.
Clique aqui para acessar o Today's Front Pages.
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9:27 PM
by Cassiano Leonel Drum
Cena do show "MTV ao Vivo", que sai em CD e DVD e será exibido amanhã na emissora musical
A MTV aproveitou os 10 anos de carreira da cantora Ivete Sangalo para gravar um especial, que leva a marca "MTV ao Vivo". O show ocorreu em dezembro do ano passado, no estádio Fonte Nova, em Salvador.
O CD sai no sábado e o DVD deve chegar às lojas no próximo mês. Já o programa da MTV será exibido amanhã, às 22h. Na abertura, Ivete se prepara para subir ao palco. De mãos dadas com os integrantes de sua equipe - e lado a lado com o marido, Davi Moraes - ela reza e sobe ao palco emocionada para começar o espetáculo com canções do tempo da banda Eva.
"Antes de entrar no palco, eu estava em transe, não ouvia nada. Na abertura, eu não conseguia me conter, quase não entendia o que estava acontecendo", diz a cantora.
Caçula de cinco irmãos (um deles já morto), Ivete conta com a família acompanhando cada um de seus passos. "Somos cinco irmãos e todos são viscerais. É um barraco diário, uma baixaria. A gente mistura problemas pessoais e profissionais. Mas, por outro lado, tenho o conforto e a segurança que ninguém mais tem. E existe muito respeito entre nós", conta a baiana, em frente às câmeras do programa da MTV - que intercala momentos do show e trechos de uma entrevista.
O projeto do "MTV ao Vivo" começou quando Ivete planejava um grande show em comemoração de seus dez anos de carreira. "A MTV já havia me convidado para gravar um Ao Vivo, mas, na época, eu não tinha nada preparado e achei melhor não fazer", lembra. A intenção, segundo ela, foi montar um espetáculo documental, com os hits de sua carreira.
Para o grande momento, a baiana requisitou a companhia de amigos como Sandy e Junior, Gilberto Gil e Daniela Mercury, além do próprio marido, que toca em uma das faixas. A idéia, agora, é conseguir empacotar toda a tralha montada em Salvador e viajar com o show pelo Brasil.
Marido
Em todas as cenas de bastidores do programa "MTV ao Vivo", em um canto ou outro da TV, vê-se Davi Moraes. "Ele é a minha sorte grande, pessoal e artisticamente", define Ivete Sangalo, brincando com o título de seu recente sucesso, "Sorte Grande". "Ele toca muito bem guitarra, não poderia deixar de tê-lo no meu disco. E, para isso, usei os caminhos mais feios. Disse para ele: Você é meu marido, tem de estar comigo!", diverte-se a cantora, dizendo que o show foi uma parceria.
Além de Moraes, Ivete contou com a presença de mais seis artistas, mas todos eles só poderão ser vistos no DVD. Alguns aparecem no CD, outros só no programa de TV. São eles: Sandy e Junior, Gilberto Gil, Margareth Menezes, Daniela Mercury e Tatau, do Ara Ketu.
DVD
A gravadora Universal e a MTV estão enfrentando problemas burocráticos para conseguir reunir no DVD "Ivete Sangalo - MTV ao Vivo" todas as 26 canções apresentadas no show realizado em Salvador. "Existe um acordo que prevê um percentual para que as gravadoras liberem músicas para DVD. Mas com algumas delas não estamos conseguindo negociar", diz o diretor artístico Max Pierre.
Segundo ele, as faixas que ainda não foram liberadas são "A Lua q Eu t Dei", "Se Eu Não te Amasse Tanto Assim" (ambas compostas por Herbert Vianna) e "Chica Chica Boom Chic", que foi interpretada por Carmen Miranda. "Estou doente com isso!", revolta-se Ivete. "Mas se eles não liberarem as músicas vão ficar 20 dias com coceira", brinca.
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8:45 AM
by Cassiano Leonel Drum
DIA DA MENTIRA
Quem não se lembra de Pinóquio, um boneco de madeira que, quando contava mentiras, sentia seu nariz crescer? Pois bem. Mentiras engraçadas (ou não) já inspiraram autores de livros, produtores de desenhos animados e vários diretores de cinema. Quase sempre cercado de justificativas, o ato é condenado aqui na terra e, acredita-se, que no céu também (afinal, mentir fere os 10 mandamentos da igreja e preceitos de outros segmentos religiosos). Temores à parte, a mentira já é algo rotineiro na vida de milhares de pessoas. Assim, quem nunca contou uma ¿mentirinha¿ que atire a primeira pedra!
Como tudo (ou quase tudo) tem um dia de comemoração no nosso calendário, com a mentira não poderia ser diferente. Há muitas explicações para o 1º de abril ter se transformado no Dia da Mentira. Uma delas diz que a brincadeira surgiu em 1564, na França. Depois da adoção do calendário gregoriano, o rei Carlos IX determinou que o Ano Novo, que tinha início no dia primeiro de abril, seria comemorado no dia 1º de janeiro.
A mudança, porém, não agradou e parte da população continuou comemorando o Ano Novo na antiga data. Por conta dessa resistência, os que obedeciam as ordens do rei resolveram pregar uma peça nas pessoas que não aceitavam o novo calendário. Todos receberam um convite para uma suposta festa de Ano Novo que aconteceria em 1º de abril. Moral da história: não houve festa alguma e a mentira serviu apenas para fazê-los entender que o Ano Novo não era em 1º de abril!
Para o sossego de muita gente, hoje a data não é tão festejada como antes. Na verdade, muitas pessoas não concordam com ela, pois acham errado existir um dia em que é permitido enganar. Afinal, mentira é isso mesmo: engano, fraude, falsidade, ilusão...
Mais do que em qualquer outro dia do ano, o 1º de abril é recebido com bastante receio entre as pessoas. A imprensa, por exemplo, tem cuidado redobrado neste dia. Isso porque as redações recebem falsas sugestões de pauta que, se não apuradas, podem causar sérios transtornos. Só para se ter uma idéia dos absurdos que circulam nesta data, confira algumas das mentiras pregadas por pessoas que pretendiam ¿brincar¿ com os veículos de comunicação:
"A África do Sul comprou Moçambique por US$ 10 bilhões. 0 anúncio do negócio fora feito na Organização das Nações Unidas pelo presidente sul-africano Nelson Mandela¿ - jornal Star, de Johannesburgo
A Rádio Medi, de Tânger, no Marrocos, noticiou que o Brasil não iria participar da Copa do Mundo porque o dinheiro da seleção seria usado na luta contra o incêndio em Roraima
A minúscula república russa Djortostão declarou guerra ao Vaticano. Motivo: arrebatar o título de menor Estado da Europa. Para tanto, ele teria doado seis metros quadrados de seu território a uma república vizinha - jornal Moscou Times
Diego Maradona, ex-capitão da seleção argentina de futebol, é o novo técnico da seleção do Vietnã - principais jornais vietnamitas
Ao deixar o Senegal, o ex-presidente americano Bill Clinton seria acompanhado de uma comitiva formada pelos primeiros 50 senegaleses que fossem à embaixada para pedir visto de entrada nos EUA. Assim informou o jornal Le Soleil, do Senegal. Centenas de senegaleses acreditaram na mentira e correram para a embaixada americana
Graziella Campanaro
Do CorreioWeb
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6:59 AM
by Cassiano Leonel Drum
PARAGUAI X BRASIL
Cadê o nosso futebol?
Em dia de apagão no estádio Defensores del Chaco, a Seleção não esteve iluminada. O trio de ouro Ronaldo, Ronaldinho e Kaká ficou devendo no empate em 0 a 0 com o Paraguai. O Brasil é terceiro colocado, ao lado da Venezuela, com 9 pontos.
Ronaldo, individualista, quando tentou a tabela, errou os passes
ASSUNÇÃO - O esperado show do trio de ouro (Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Kaká) não passou de um sonho. Os três craques, em dia de pouca inspiração, não resolveram o jogo contra o Paraguai, ontem, no Estádio Defensores del Chaco, e o Brasil amargou um frustrante empate de 0 a 0, em Assunção. Resultado que mantém a seleção brasileira na incômoda terceira posição das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2006, com 9 pontos, atrás da Argentina (11) e dos próprios paraguaios (10).
O início de jogo foi, no mínimo, inusitado. Um apagão no estádio logo no começo (aos 2) fez a partida ficar parada por 31 minutos, em função de uma sobrecarga de energia no gerador do Defensores del Chaco. O bastante para esfriar o time do Brasil, que, a exemplo do Paraguai, não conseguiu criar uma única real chance de gol no primeiro tempo. O que se viu foi muita correria, mas pouca objetividade.
O Brasil apresentou um futebol à moda Carlos Alberto Parreira: burocrático, exageradamente cauteloso e que peca pela falta de ousadia. Ronaldo, o Fenômeno, que completou 10 anos de seleção (estreou com a amarelinha em março de 94), não pôde comemorar a marca com um gol. Ficou devendo...
Com Ronaldinho Gaúcho apagado boa parte do tempo apareceu apenas nas cobranças de falta, e errou as três tentativas que teve , coube aos outros dois integrantes do trio de ouro, Ronaldo e Kaká, a responsabilidade de furar a marcação adversária. Mas a barreira paraguaia levou a melhor.
Perigo só com os chutes de Roberto Carlos
A seleção brasileira viveu, apenas, dos chutes de longa distância de Roberto Carlos. E foi dele a melhor oportunidade do Brasil, aos 45, numa bomba de fora da área que assustou Tavarelli. O Paraguai? Limitou-se alçar a lançar a bola para a área adversária, na esperança de levar a melhor no jogo pelo alto, no que não obteve êxito. O empate parcial em 0 a 0 fez jus ao que as duas equipes fizeram na etapa inicial, quase nada.
Se a primeira fase foi morna, a segunda ganhou em emoção. Aos 5 minutos, o Brasil quase marca, num chute cruzado de Ronaldo, que obrigou o goleiro paraguaio a fazer difícil defesa. No lance seguinte, o time da casa deu o troco: Roque Santa Cruz finalizou com perigo, assustando Dida. As duas equipes ainda criaram outras oportunidades, mas não tiveram competência para covertê-las em gol.
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6:54 AM
by Cassiano Leonel Drum
Coração marrom
Cantora se assume como porta-voz da dor de cotovelo feminina, lista as loucuras que fez por amor e revela que está sozinha no momento
Clarissa Monteagudo
Jeitosinha: além de cozinhar bem, a Marrom gosta de costurar
É bom sofrer por amor. Sem uma dose de sofrimento não vale. Ao falar sobre suas paixões, Alcione, 56 anos, assume tom fiel ao seu repertório de Meu Vício é Você a A Loba, a cantora se consagrou como uma versão de Lupicínio Rodrigues de saias. Não quero que batam na minha cara porque ninguém seria doido assim. Nem se comer pato com febre. Mas é preciso sentir que o seu homem está vivo, que você mexe com ele, decreta Marrom, romântica até o último fio dos cabelos coloridos com mechas no novo CD Faz uma Loucura Por Mim. Apesar do estilo passional, a cantora passa longe da linha deprê. Transformo até as tragédias em tragicomédias. Não consigo ficar meia hora triste, afirma, sorrisão no rosto.
O título do CD traz à cantora boas lembranças das loucuras do passado. Já mandei avião passar em cima da casa de um namorado levando uma faixa onde estava escrito eu te amo. Se um homem não é capaz de pichar um muro com o meu nome, não dá, questiona Alcione, que tem boas histórias para contar sobre paixões antigas.
Santos em profusão: cantora maranhense exibe fé com destaque
Sabe o que é você conversar com um homem pelo telefone, louca para vê-lo, pensando que a ligação é de Nova Iorque. Aí ele te diz que está na verdade no Galeão e te pede para buscá-lo. Tem que chamar a zaga do Flamengo toda, brinca a Marrom. Solteira, Alcione espera uma nova paixão. Sei que esse homem que eu quero está por aí. Deus vai trazê-lo no tempo certo. A pressa faz a gente errar, filosofa a cantora.
Sei que esse homem que eu quero está por aí. Deus vai trazê-lo no tempo certo, sobre sua atual solteirice
A longevidade da carreira são 31 anos desde os tempos em que foi descoberta por Jair Rodrigues cantando na noite ela atribui a uma sintonia com o público. Penso 24 horas no que faço. Vivo do exercício da minha profissão. Tenho um público fiel, tem gente que coleciona meus discos. Faço tudo pensando nele, resume a cantora.
Se um homem não é capaz de pichar um muro com meu nome, não dá Valorizando as provas de amor explícitas
Alcione assume ares de analista quando fala sobre a popularidade. Existem várias mulheres dentro de mim. Então, tem o homem que lembra de uma ex, de alguém que deseja ou da própria mulher. Os homens também assumem essa loba, essa mulher submissa. É uma forma de expressar seu amor, teoriza Alcione. Haja coração.
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6:48 AM
by Cassiano Leonel Drum
Pequenos bem dispostos em confrontos
Comparamos os principais modelos do segmento superior dos compactos. Candidatos a substituir os 1.0, oferecem mais conforto, equipamentos e desempenho
Eduardo Sodré
As traseiras, muito diferentes, refletem as idades e opções de design nos projetos do Clio, 206, Palio e Fiesta, com o desenho mais recente
Com tantas opções, comprar um carro na faixa de R$ 23 mil a R$ 27 mil ¿ o passo seguinte aos que não querem mais ver a insígnia 1.0 na lataria ¿ nunca foi tão difícil. Para auxiliar a escolha, comparamos ponto a ponto quatro dos modelos mais cobiçados do segmento: Ford Fiesta 1.6 Class, Palio ELX 1.3, Peugeot 1.4 Feline e Renault Clio Authentique 1.6 16V. Veja o que mais combina com você.
Conjunto óptico deu ao Clio aparência agressiva
Faróis do Peugeot agora têm lentes lisas de série
Palio traz base redonda invadindo o pára-choque
Cantos alongados do Fiesta fazem sucesso
Falta o conta-giros no painel do Renault, o mais simples de todos
Peugeot traz todas as informações necessárias e fundo cinza
Computador de bordo do Fiat fica entre os mostradores
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6:39 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
01/04/2004
Travessia
Aconteceu num início de tarde deste outono seco que tinge o Guaíba de verde. Eu voltava do almoço, preocupado com as tarefas que ainda teria de realizar naquele dia, quando o sinal de trânsito fechou. Parei e fiquei observando, distraído, o grupo de pessoas que atravessava pela faixa de segurança da movimentada avenida.
Passavam jovens estudantes com suas mochilas carregadas, elegantes senhoritas recém saídas do shopping, alinhados executivos, deslocados operários, dois casais de namorados, presumíveis donas de casa, todos apressados porque o tempo dos pedestres no reino dos automóveis é curto como a vida. Então, quando o homenzinho luminoso já começava a piscar para avisar os seres humanos que chegara a vez das máquinas, ela surgiu na minha frente como uma aparição.
Era uma mulher baixa, atarracada, de idade indefinida e provavelmente desprovida de beleza. Não pude fixar os olhos no seu rosto. Apenas percebi que seus cabelos começavam a ficar grisalhos. Carregava nos braços o filho doente - um rapaz extremamente magro, de olhar perdido, que se deixava levar como um desses manequins de loja.
Ao contrário de uma pessoa ferida ou desmaiada, como os companheiros de caserna que aprendi a transportar em simulações de batalha no meu tempo de serviço militar, o inválido mantinha-se ereto, dificultando o transporte. Mas para aquela mãe parecia não haver barreiras: bufando, mas com passos firmes, em poucos segundos ela chegou à calçada oposta e depositou delicadamente a sua preciosa carga em lugar seguro.
Fiquei nocauteado por alguns instantes. Só arr |