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Sábado, Abril 10, 2004
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9:03 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ensaio: Roberto Pompeu de Toledo
No supermercado, entre as gôndolas
Esta foto de Waldomiro Diniz ilustra o estado de espírito do ex-assessor e também o do governo como um todo
Um homem a empurrar seu carrinho, no cenário tão familiar do supermercado pode existir melhor imagem de serena rotina, de vida que segue? Certas imagens são o retrato perfeito e acabado de sua época. Quarenta ou cinqüenta anos atrás a cena correspondente seria a de uma mulher com uma cesta, num daqueles lugares a que se dava o nome de empório.
Hoje o homem, despido de boa parte da soberba machista, acomoda-se nela com tanta naturalidade quanto a mulher. A cesta, por sua vez, entrou em declínio, atropelada por esse engenho esquecido, quando se faz o rol dos meios de transporte, mas tão útil quanto o avião, que é o carrinho do supermercado.
E o empório (ou melhor seria dizer armazém?) foi substituído pelo aparato impressionante do supermercado, essa instituição que como poucas resume o nosso tempo, internamente montada em forma de labirintos cujo objetivo não é levar os incautos a se perder, como os labirintos primitivos, mas fazê-los se achar na felicidade do consumo, e cujas prateleiras são generosamente chamadas de gôndolas, como os barcos de Veneza.
A imagem de um homem entre as gôndolas, o carrinho nas mãos, remete a clássicos da rotina e do intimismo, na história da arte. É uma imagem que serviria à perfeição a um Norman Rockwell, o pintor e ilustrador americano que, com realismo e terna cumplicidade, retratou as cenas típicas da vida cotidiana em seu país os casais em casa, as travessuras das crianças, o jogo de beisebol na escola.
Se se quer trocar o pitoresco pelo sublime, então vamos a Vermeer, o pintor holandês do século XVII, autor de cenas em que os personagens, geralmente mulheres, são flagrados a ler uma carta, a verter leite numa tigela ou a praticar o alaúde, na solidão da casa. O que há de belo e tocante em tais cenas é a ausência de pompa dos personagens. Eles são apanhados no momento, tão verdadeiro, da distração e do despreparo.
Distraído vinha ele, o homem a propósito de quem se teceu a chorumela acima, a caminhar placidamente entre as gôndolas, o carrinho das compras já cheio para mais da metade, quando foi flagrado pelas últimas pessoas que gostaria de encontrar na vida, nas presentes circunstâncias. O homem em questão é Waldomiro Diniz, o pivô do escândalo que atazana o governo. As pessoas que não gostaria de encontrar são dois profissionais de imprensa, o fotógrafo Sérgio Lima e o repórter Iuri Dantas, da Folha de S.Paulo.
A foto de Waldomiro num supermercado de Brasília, por volta das 14h30 de quarta-feira, foi parar na primeira página da Folha do dia seguinte. A conversa com os jornalistas foi rápida. Waldomiro disse que confia na Justiça e que está levando "vida normal". Só. "Você acabou com minhas compras", queixou-se a Iuri Dantas. Ato contínuo, abandonou o carrinho e deu as costas. Pobre Waldomiro. Sua casa ficou tão desabastecida quanto antes.
A foto que sobrou do ocorrido pode ser explorada de diversos ângulos. Dá para tentar investigar, lupa em punho, as compras que ele fazia. Perfeitamente identificáveis são iogurtes e guardanapos de papel. Certos pacotes vermelhos parecem conter salsichas, ou salames, o que denotaria alguém sem disposição ou assistência para cozinhar de verdade. Não. Observando bem, há também produtos que parecem carnes. Então, é porque ou ele mesmo, ou alguém por ele, vem se aventurando, sim, nas panelas.
Caso alguém se disponha a exame mais minucioso e competente do conteúdo do carrinho, chegará a conclusões quanto aos hábitos alimentares e ao estilo de vida do ex-assessor do ministro Dirceu. Também dá para concluir, do aspecto algo jogado dos artigos no carrinho, os iogurtes meio tombados, que Waldomiro não é um espírito metódico. Será por isso que se deixou flagrar em conversa pecaminosa com um bicheiro?
O que a foto denota de mais significativo, no entanto, é a desesperada busca da normalidade. Claro que para Waldomiro não é "normal" entregar-se às compras às 14h30 de um dia de semana. "Vida normal", para ele, eram o agito dos gabinetes e o buchincho do Congresso. Mas que fazer? Perdida uma, resta ao ser humano procurar outra "normalidade". As mais disponíveis são as que se inserem no quadro aconchegante da rotina doméstica. Por exemplo, ir ao supermercado.
O que a foto flagra arrisquemos uma interpretação é uma tentativa de Waldomiro de provar a si mesmo que a vida segue. Mas a foto, rica de significados, diz mais. Assim como a de Waldomiro, também a vida do governo ficou de pernas para o ar. Não é só o ex-assessor que, desde então, busca uma normalidade em que se refugiar. O governo também.
Donde se conclui que a imagem do supermercado serve igualmente para o que vem fazendo o governo ele também envolvido em trabalhosa simulação de normalidade, ele também metaforicamente empurrando seu carrinho de supermercado, avançando entre as gôndolas, detendo-se aqui e ali para recolher alguma mercadoria, como se nada o abalasse, como se nada de mais estivesse acontecendo.
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8:56 AM
by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
Meus queridos leitores
"O capitão Ronaldo Santoro respondeu à minha tentativa de desqualificar o programa nuclear
brasileiro. Assim como o Washington Post, ele acredita que o Brasil sabe enriquecer urânio. Bobagem. A gente só sabe enriquecer político ladrão"
Vik Muniz é um dos mais bem-sucedidos artistas plásticos brasileiros. Tempos atrás, em cartinha a VEJA, ele comparou minha coluna à imagem da Virgem Maria e o menino Jesus. Agradeço muito. Eu só gostaria de notar, Vik, que cartesiano é com "s".
Outro correspondente que merece uma resposta, mesmo que atrasada, é o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abpam). Ele defendeu a coragem e o patriotismo do ministro Aldo Rebelo, que apresentou um projeto de lei determinando o acréscimo de amido de mandioca ao pão francês.
O presidente da Abpam garantiu que a mandioca é um "tubérculo de grande valor". E que o amido de mandioca é "um produto nobre, matéria-prima para a fabricação de papelão, tecidos e cosméticos". Peço desculpas aos associados da Abpam se eles se sentiram diminuídos. O propósito do meu artigo era apenas denunciar a jequice e a inaptidão dos mais altos representantes do governo Lula. Em nenhum momento pretendi sugerir que houvesse algo de errado em comer papelão, tecidos e cosméticos.
Adriano Diogo é secretário do Meio Ambiente de Marta Suplicy. Ele negou que a fonte do Ibirapuera, a principal obra da prefeitura petista, tenha sido instalada num lago cheio de coliformes fecais. Chamou-me de leviano. Assegurou que a balneabilidade do lago é "igual ou superior à de muitas praias do litoral brasileiro". E afirmou que a água do lago "não é potável apenas porque para isso seria necessário acrescentar cloro". Proponho o seguinte, Adriano Diogo: eu recolho um copo de água do lago, pingo duas gotinhas de cloro e você toma tudo num gole só.
Volnei Garrafa é o presidente da Sociedade Brasileira de Bioética, indicado pelo ministro da Saúde, Humberto Costa. Ele não aprovou meu artigo sobre o aborto. Disse que "há tempo não se lia algo tão ruim sobre o assunto". Para ele, demonstrei "ignorância com relação ao tema".
E despejei "fogo amigo sobre aqueles que lutam pela descriminalização do aborto no país". Em primeiro lugar, professor Garrafa, não sou seu amigo. Em segundo lugar, não defendi a descriminalização do aborto, e sim a legalização. Em terceiro lugar, é "descriminalização", não "discriminalização". Qual a classificação da Universidade de Brasília no último Provão?
Olívio Dutra escreveu-me que, quando era governador do Rio Grande do Sul, deu todo o apoio à abertura de uma CPI do jogo do bicho. Agora que é ministro, mudou de idéia, sendo contrário à CPI do bingo. O que mais surpreende nos petistas é que eles ainda não perceberam que, independentemente da CPI, o governo Lula acabou. Em junho de 2003, previ que Lula seria desmascarado em dois anos.
Durou ainda menos. Na época, tracei um paralelo entre Lula e Silvio Berlusconi, o primeiro-ministro italiano. Para impedir investigações contra suas empresas, Berlusconi sempre acusa o Ministério Público de ter motivações políticas. E uma de suas principais bandeiras é intensificar o controle externo sobre a Justiça.
O capitão-de-mar-e-guerra Ronaldo Santoro respondeu à minha tentativa de desqualificar o programa nuclear brasileiro. Assim como o Washington Post, ele acredita que o Brasil sabe enriquecer urânio. Bobagem. A gente só sabe enriquecer político ladrão.
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8:47 AM
by Cassiano Leonel Drum
Consumidor busca gasolina fora da Capital
Moradores de Porto Alegre se dirigem a Canoas para abastecer carros por causa da diferença de preços
ISABEL MARCHEZAN E THIAGO COPETTI/ Colaborou Dionara Melo
Às vésperas e durante o feriado de Páscoa, o preço do litro da gasolina comum nos postos de combustíveis de Canoas levou motoristas de Porto Alegre a abastecerem seus carros na cidade vizinha antes de viajar. O preço médio na Capital, segundo levantamento de Zero Hora feito na quarta-feira, está na faixa de R$ 2,14. Em Canoas, fica em R$ 1,94.
Na região do Vale do Sinos, onde segundo pesquisas de Agência Nacional do Petróleo era encontrado o litro de gasolina mais barato do Estado, atualmente é cobrado valor um pouco mais alto do que em Canoas (veja quadro).
O movimento surpreendeu os revendedores canoenses. No Posto Canoas, por exemplo, foi cerca de 30% acima do normal. De 11 veículos em atendimento ou aguardando na fila para abastecer, próximo das 16h de ontem, sete eram de Porto Alegre.
- Com certeza o aumento no número de carros aqui hoje é em razão do preço mais barato do que em Porto Alegre - afirmou o frentista Vagner Tietze, 24 anos.
O motorista Manoel dos Santos, 62 anos, foi um dos moradores de Porto Alegre que recorreu aos postos de Canoas para encher o tanque. E não foi a primeira vez:
- É a terceira vez que faço isso. Como sabia que passaria por Canoas, esperei para encher o tanque aqui antes de viajar. Colocando 30 litros, ganho uns R$ 10.
Foi se deslocando para Sapucaia que a professora Janete Peres, 51 anos, descobriu que poderia economizar abastecendo no município vizinho a Porto Alegre. Janete desconhecia a diferença de preços da gasolina entre Canoas e a Capital, mas descobriu isso logo que passou de uma cidade à outra.
- Cruzei a divisa dos dois municípios e vi, em seguida, que os preços eram inferiores em Canoas - contou a professora.
Estabelecimento precisou de carga extra
Antes de pegar a estrada rumo a Santa Maria, o advogado Dieter Potter, 42 anos, também entrou em um dos primeiros postos de Canoas para abastecer e economizar. Potter credita a variação de valores às diferenças de impostos cobrados em um município e outro.
César Daniel Graeff, caixa do posto Salim, contou que chegou a ficar desabastecido pela manhã, problema solucionado por uma carga extra perto do meio-dia. O posto vende o litro da gasolina comum a R$ 1,939 e, segundo Graeff, a rede proprietária do Salim adquire o combustível a R$ 1,73.
No posto Pampa, a venda diária de gasolina comum dobrou desde quinta-feira. Conforme Antonio Biasus, administrador do negócio, passou de 4 mil para 8 mil litros por dia, em razão do movimento de viajantes. No Pampa, a gasolina custa R$ 1,939 o litro.
- A referência são os postos da região. Se baixam o preço, baixamos também. Se passarem para R$ 1,95, eu subo - explicou.
Para o administrador, a margem de lucro atual, de R$ 0,20 por litro de gasolina, é apertada. O ideal, diz, seria cobrar entre R$ 2,03 e R$ 2,05. O gerente do Portolub, Diego Roque Invernisi, discorda:
- Dá para ganhar um bom dinheiro com esse preço.
No Portolub, o litro de gasolina comum sai por R$ 1,949. Conforme Invernisi, a margem de lucro é de 10%. Na quinta-feira santa, o gerente afirmou ter vendido 14 mil litros do combustível, ante média de 8 mil a 9 mil litros por dia.
Siceramente eu me pergunto: Se efetivamente, os postos de gasolina da capital preferem ganhar nada do que ganhar pouco?
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8:28 AM
by Cassiano Leonel Drum
A vez da filha
Rafaela Fischer se prepara para estrear A Primeira Noite de um Homem, em que vai disputar com Vera o amor de um jovem
Rubia Mazzini
Dez anos depois de arriscar os primeiros passos na carreira artística, na peça juvenil Bailei na Curva, Rafaela Fischer está pronta para voltar ao palco. No fim de maio, ela estréia a peça A Primeira Noite de um Homem ao lado de ninguém menos do que a mãe, a diva Vera Fischer, com quem terá uma relação regada a disputas amorosas e altas doses de álcool. Aos 25 anos, satisfeita com a própria imagem depois de passar por várias dietas, ela diz que se livrou da loucura de querer ser muito magra , Rafaela está preparada também para enfrentar os críticos.
A cobrança já me fez sofrer muito. Chegou a hora de usar isso a meu favor, avisa a moça. Ela conta que encontrou o próprio equilíbrio quando foi morar em Nova Iorque, nos Estados Unidos, há três anos. Minha mãe sempre foi meu espelho, achava que tinha que ser igual a ela. Sozinha em Nova Iorque comecei a me conhecer, a saber quem era, lembra ela, que buscou forças no zen budismo e na meditação. Quando parei de me estressar, comecei a emagrecer. A boa forma Rafaela mede 1,76m e pesa em torno de 70 Kg, é mantida com natação e hidroginástica.
No palco do Teatro dos Quatro, sob direção de Miguel Falabella, Vera, Rafaela e o pai, Perry Salles, vão repetir os papéis da vida real na trama escrita por Terry Johnson. Falabella admite que a princípio rejeitou a idéia de transformar a montagem num projeto familiar. Não queria que virasse uma coisa Os Osbournes, mas me encantei pela Rafaela. Ela é um doce, dedicada, sensível. Estou cada dia mais impressionado, afirma o diretor, prometendo que a encenação vai explorar bastante a difícil relação da Sra. Robinson (Vera) com a filha Elaine (Rafaela). Um embate entre as duas, completamente bêbadas, deve ser um dos pontos altos.
Mas se na peça Vera e Rafaela disputam o amor do mesmo homem o rapazote Benjamim Braddock, que depois de ser seduzido pela quarentona Sra. Robinson se apaixona por Elaine no apartamento onde moram no Leblon a paz reina entre mãe e filha. E Vera faz a linha coruja ao falar da parceria com a cria. Sempre acreditei no talento da Rafaela. Estou na maior expectativa, mas tenho certeza de que ela vai se sair bem.
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8:25 AM
by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
10/04/2004
Pequena ressurreição
Porque somos incompletos, podemos nos renovar. Porque não somos perfeitos, podemos ter alegria. A perfeição seria o tédio, e desse, sim, eu poderia morrer. Bocejar até o fim contemplando a ordem celestial, os anjos rechonchudos, as harpas, a disciplina: ninguém deu um escorregão, ninguém botou a língua pra São Pedro, nem o próprio soltou um palavrãozinho que fosse quando bateu com o pé em uma nuvem mais escura e o raio lhe chamuscou o calcanhar?
Eu, criança, morria de medo dessa ordem impenetrável na qual não haveria lugar para mim.
Em compensação, outro dia, dando uma palestra para um grupo muito especial, conheci uma fraternidade de irmãos na aflição e na luta pela dignidade. Estive com os que se despiram de toda a arrogância para se tornarem apenas humanos. Fui aceita por algumas horas num grupo de gente que não me tratou como alguém que por acasos da profissão acabou se destacando, mas como igual: me senti tão gratificada que quis ser um deles de verdade.
Compreendi o quanto nós, os comuns, sucumbimos na nossa debilidade mental, nos preconceitos, na leviandade, ignorantes de tudo fora da nossa individualidade assustada.
Quando atingirmos o despojamento real, não precisaremos mais ter medo. Temos muito medo disfarçado de hostilidade e arrogância. Buscamos desesperadamente parecer fortes e corajosos, importantes e superiores. Botamos aparelhos de som nos ouvidos quando caminhamos de manhã cedo; ligamos ao máximo a televisão da sala, o rádio do quarto e do banheiro, no carro, nem falar, porque esse está ligado sempre.
Todo mundo se acha o máximo, batendo grandes papos, falando de sacanagem, dinheiro, futebol, política, todo mundo sabendo de tudo, vivendo fácil, sem surpresa nem susto, ninguém levando porrada - como diria Fernando Pessoa. Estar algumas horas com gente de verdade, que arrancou as máscaras e se mostrou verdadeira, me ensinou mais do que anos de reflexão e leitura, observação e formação, vida de família e amizades.
Páscoa ou não, pode haver em todos nós a cada dia uma pequena ressurreição pessoal, fugindo da mediocridade e da mesmice - que são outra forma de violência. Não menos perigosa, porque mais sutil.
lya.luft@zerohora.com.br
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8:23 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
10/04/2004
A destruição do parque
Fora do bom humor, não há salvação. E a respeito do momento político nacional está circulando uma parábola engraçadíssima, que creio será encarada com muito bom humor até por quem se achar envolvido na questão. É uma parábola que tem tons visivelmente tucanos.
É o seguinte: um homem anda por uma estrada próxima a uma cidade, quando percebe, a pouca distância, um balão voando baixo.
O balonista lhe acena desesperadamente, consegue fazer o balão baixar o máximo possível e grita:
- Ei, você poderia ajudar-me? Prometi a um amigo que me encontraria com ele às duas da tarde, porém já são duas e meia e nem sei onde estou. Poderia me dizer onde me encontro?
O homem respondeu com muita cortesia:
- Mas claro que posso ajudá-lo. Você se encontra em um balão de ar quente, flutuando a uns 20 metros acima da estrada. Está a 40 graus de latitude norte e a 58 graus de longitude oeste.
O balonista escutou com muita atenção e depois perguntou ao informante:
- Amigo, você trabalha como assessor?
- Sim, senhor, ao seu dispor. Como conseguiu adivinhar?
E o balonista:
- Porque tudo que você me disse está perfeito e tecnicamente correto, porém esta informação me é totalmente inútil, pois continuo perdido. Será que você não tem uma resposta mais satisfatória?
O assessor fica calado por alguns segundos e finalmente pergunta ao balonista:
- E você por acaso não seria um petista?
- Sim, sou realmente filiado ao PT. Como descobriu?
- Ah! Foi muito fácil. Veja só: você não sabe onde está nem para onde vai. Fez uma promessa (a de se encontrar com um amigo) a qual não tem a mínima idéia de como irá cumprir. Ainda por cima espera que outra pessoa resolva o seu problema. Continua exatamente tão perdido quanto antes de me perguntar. Porém, agora, por um estranho motivo, deu um jeito para a culpa passar a ser minha.
Há 30 anos, quando como vereador intentei o cercamento do Parque Farroupilha, minha sugestão foi recebida com quase total discordância pela sociedade.
"Parque não é campo de concentração", afirmavam alguns. A idéia foi rechaçada com a mesma energia que hoje ainda se oculta nos espíritos reacionários, pronta para voltar a atacar quando chegar a hora da decisão.
No entanto, a semente de luz continua germinando, embora lentamente. As pessoas começam gradualmente a se convencer de que o Parque Farroupilha está condenado ao extermínio se não for colocado um paradeiro no vandalismo que diariamente (à noite) vai depredando-o, levando os cofres públicos à exaustão para tentar conservá-lo.
Nesses 30 anos, a prefeitura gastou fortunas para reparar os danos do vandalismo. A estatuária do parque e os monumentos foram inteira ou parcialmente demolidos ou furtados.
A aridez da paisagem e dos recantos, com as fontes, as placas, os bustos e outros símbolos históricos completamente desaparecidos pela fúria dos vândalos e dos ladrões, mostra um cenário geral desolador, que vai afastando gradualmente os amantes do parque.
Uma burrice secular impede o cercamento da Redenção e o fechamento dos portões à noite, o período em que ela é entregue indefesa à sanha dos seus destruidores.
Vai durar creio que mais um século esta estupidez histórica.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:21 AM
by Cassiano Leonel Drum
Ricardo Silvestrin
10/04/2004
Fala aí, bicho
Fomos ver Um Cão do Outro Mundo. É um filme para crianças. Um garoto recebe na sua casa um cão que veio do espaço. Descobre então que os cães eram todos alienígenas com a missão de dominar a Terra. Mas o que me chamou a atenção foi um tema recorrente tanto em filmes quanto em outras formas de narrativa. O garoto, excelente ator, acaba falando com os cães. Ele passa a entender e ser entendido por eles. O mesmo acontece, por exemplo, em outro filme para crianças, Os Thornberrys. Elisa, a filha do casal Thornberry, também falava com os animais.
Em ambos os filmes, em determinado momento, os personagens principais acabam perdendo esse poder em troca de que as coisas voltem ao normal, como num rito de passagem do mundo infantil, mágico, para o adolescente. As histórias para crianças, entre elas os desenhos animados, estão repletas de bichos que falam.
Acabei lembrando de algumas narrativas de sucesso que usaram bichos mudos. Flipper, um filme da idade da tevê lascada, trazia um golfinho que não falava nada, mas nós, as crianças do início dos anos 70, adorávamos Skip, um canguru, que passava o filme todo correndo e pulando. Também entrava quieto e saía calado. O que não o impediu de ser outro astro amado das nossas infâncias.
Benji, um cachorrinho. Aí eu já era adolescente, não via, mas soube também da sua existência. E todos esses eram bichos reais, não desenhos animados. Um caso raro era o Mr. Ed, um cavalo que falava. Seu texto era sempre muito educado. Reclamava de seu dono: "Oh, não, Wilbour, você vai subir nas minhas costas novamente!".
O Jorge Mautner tem uma canção muito curiosa que trata da comunicação entre homens e animais: "O homem antigamente falava / com a cobra, o jabuti e o leão / olha o macaco na selva (...)/ não é macaco, baby / é o meu irmão / porém, durou pouquíssimo tempo / essa incrível curtição / pois o homem, o rei do planeta / logo fez uma careta e começou a sua civilização / agora já é tarde / ninguém nunca volta jamais / o jeito é tomar esse foguete / é comer desse banquete para obter a paz / a velha paz / que a gente tinha quando falava com os animais".
O ser humano, fundado na linguagem, humaniza os animais dando a eles o poder da palavra. Como se fosse essa a única forma de saber qual é a deles. Em Um Cão do Outro Mundo, o garotinho acaba descobrindo que pode se comunicar com o cachorro apenas brincando com ele, sendo carinhoso, entrando na do cãozinho. Não precisa de palavra. Estávamos uma tarde no zoológico. Havia uma cerca, um pequeno lago e uma ilhazinha onde ficavam os macacos.
Um animal dos nossos atirou um cachorro-quente para os macacos, mesmo tendo a sua frente a placa orientando para não alimentar os bichos. O pacote caiu na água, perto de onde estavam os micos. Um macacão pegou uma varinha, um pedaço de galho, e puxou o cachorro-quente até ele. Desembrulhou o hot-dog e comeu. Só faltou dizer "obrigado". Ficamos sem palavras.
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br
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8:17 AM
by Cassiano Leonel Drum
Religião
Surpresas no Morro da Cruz
A chuva em época de seca caiu como uma bênção durante procissão na Capital, que terminou com o insólito pouso de uma pomba na coroa de Cristo (foto Adriana Franciosi/ZH)
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Sexta-feira, Abril 09, 2004
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9:43 PM
by Cassiano Leonel Drum
PF no paralelo
Polícia Federal usa doleiro de Brasília para trocar dinheiro ilegal, doado pela Embaixada dos Estados Unidos
Weiller Diniz
Polícia Federal abriu investigação sobre fundos secretos clandestinos dos EUA para a própria PF. Concluiu que dólares em espécie são entregues em guichês da repartição, o que é ilegal. O resultado da sindicância 003/2003 concluída em 5 de maio de 2003 é explosivo. São 46 páginas com 14 depoimentos reveladores feitos por tiras da elite e pelo doleiro George Fouad Kammoun. Ele diz que um setor da PF, a Coordenação de Operações de Inteligência Especializada (Coie), recebe milhares de dólares em malas da embaixada americana e que, por muito tempo, o dinheiro foi trocado em casas de câmbio da capital.
A investigação foi aberta após a denúncia de ISTOÉ, na reportagem A CIA continua no Brasil, sobre a atuação clandestina da inteligência americana em solo brasileiro, publicada em novembro de 2002. O delegado Rômulo Barredo, escalado para apurar o escândalo, pediu um inquérito para responsabilizar os culpados. Ele viu crimes contra o sistema financeiro e a Lei de Licitações: Um setor da PF se acha na mais completa insustentabilidade jurídica, o que ocasionaria a ilegalidade dos atos ali praticados, diz o relatório final. A sugestão do inquérito levada à consideração superior está embolorando há um ano nas gavetas da PF. Confrontado com os papéis da sindicância, à qual ISTOÉ teve acesso, Barredo esbravejou: Como você conseguiu isso?
Quem esclareceu a investigação foi a servidora Maria Celina Martins (da contabilidade da Coie). Ela explicou que o sistema de pagamento é feito de acordo com a despesa. A média de ressarcimento mensal é de R$ 160 a R$ 200 mil com recibos e notas fiscais. Feito o balancete, uma pessoa da embaixada vai à Coie e retira a prestação de contas. Já foram realizadas três ou quatro auditorias pelo governo americano, revelou. O zelo se explica. Pelos números apresentados, a bolada gira entre R$ 2 milhões e R$ 2,4 milhões por ano, um total de R$ 19 milhões nos últimos oito anos. Celina contou que a operação é feita com grana viva, ora dólares, ora reais.
O dinheiro do ressarcimento das despesas é sempre trazido ao setor em espécie, sendo guardado no cofre e distribuído conforme a necessidade. Antes de o delegado Rosseti (Disney Rosseti, atual chefe da Coie) assumir a chefia, a verba do setor era recebida da embaixada em dólares americanos (em espécie), os quais eram depositados em conta corrente do delegado Getúlio Bezerra (atual chefe da Diretoria de Combate ao Crime Organizado). Celina contou que a maior parte do dinheiro ficava mesmo invisível, sem passar por nenhum canal oficial: Esse trâmite do dinheiro em conta do Getúlio durou pouco mais de um ano. Antes disso, e desde que passei a integrar o setor (em 1996), os dólares recebidos da embaixada americana eram trocados com um doleiro, que era da confiança da embaixada e do Centro de Dados Operacionais (CDO), a antiga Coie.
Escolta O doleiro é Georges Kammoun, que confirmou: Desde 1998 era responsável pela troca de dólares. Quem estabeleceu contato comigo foi o delegado Edson Rezende. Kammoun diz que havia escolta oficial para fazer o câmbio no paralelo, acrescentando que o esquema das malas funcionou até 2000. Revelou também que já entregou dinheiro para as funcionárias Celina ou Marta na tesouraria do CDO. Não havia valores fixos, variavam de US$ 6 mil a US$ 170 mil por vez, relembrou no depoimento. Celina conta que nem a direção da PF ficava sabendo: Nunca houve um encaminhamento de qualquer prestação de contas ao DPF. Tal modalidade de entrega (em dólares) fere a qualquer padrão legal/formal capaz de dar um mínimo de credibilidade ao processo, reprova o delegado Barredo no relatório.
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9:55 AM
by Cassiano Leonel Drum
Páscoa para pais e filhos
Encenações da Paixão de Cristo, recreações e concertos celebram a data religiosa
Flávia Motta
Em Vista Alegre a encenação da Paixão de Cristo reuniu 20 mil pessoas ano passado. Espetáculo começa numa praça e segue andando até a lona cultural
Coelhinho da Páscoa, o que trazes para mim? Um ovo, dois ovos, e dezenas de encenações da Paixão de Cristo, concertos e balé, poesia, malhação circense de Judas e até maracatu. A Semana Santa para o carioca tem programação para nenhum cristão colocar defeito, numa mistura de sagrado e profano, sempre respeitando as tradições, e com opções só para pais, filhos ou para a família inteira. No domingo, não queremos que ninguém deixe de ir à igreja, mas que venham ao Municipal depois, faz o politicamente correto convite Richard Craigon, diretor do corpo de balé do teatro, onde tem especial de dança a R$ 1.
A tradicional Paixão de Cristo se faz presente não só nas salas de cinema, mas em autos ao vivo, como o da Lapa e o concorrido da lona cultural de Vista Alegre, que ano passado reuniu 20 mil pessoas. Faltando um mês para a Semana Santa, a lona pára suas atividades e vira um barracão, todo mundo preparando a Paixão. Surpreendentemente, nosso público é de todas as idades, conta Ulisses Conti, coordenador da lona.
Mas também tem programação só para as crianças, como a série de atividades da Fazendinha Estação Natureza, em Vargem Grande, onde o foco são as crianças com idade entre seis meses e 9 anos. Tem fabriquinha de chocolate, onde eles fazem os próprios bombons, pintura de casca de ovo e a caça ao coelho, que os pequenos adoram, porque é a maior bagunça, diverte-se Leila Heidtmann, sócia do espaço.
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9:48 AM
by Cassiano Leonel Drum
Os apressadinhos
Segundo o supervisor Isaías Tinoco, o time do Vasco estava com a cabeça no Flamengo, esquecendo o 15 de Novembro
Carlos Monteiro
Ninguém definiu melhor a vexatória derrota de 3 a 0 para o 15 de Novembro, de Campo Bom (RS), do que o supervisor do Vasco, Isaías Tinoco: ¿Os jogadores tinham antes que sair com a Zezé Macedo, mas não paravam de pensar no passeio que dariam com a Xuxa, no domingo¿, disse Tinoco, referindo-se ao jogo da Copa do Brasil e a decisão do Estadual, com o Flamengo, respectivamente.
A eliminação da Copa do Brasil, para o modesto time gaúcho, levou apreensão ontem ao Vasco-Barra. Primeiro, pela proximidade da final com o Rubro-Negro e, segundo, pela imaturidade demonstrada pelo time, que bastava não levar um gol, para seguir adiante na competição.
Um tanto irritado com a auto-suficiência do grupo, o técnico Geninho deu uma dura nos jogadores, ontem, no Vasco-Barra, que durou aproximadamente 45 minutos.
¿Faltou um pouco de maturidade. Tínhamos de rodar a bola. Não precisávamos partir para dentro deles. Se a partida permanecesse 0 a 0, eles é que teriam de sair para o jogo, uma vez que o resultado não os interessaria. Aí, poderíamos explorar os contra-ataques¿, reclamou Geninho.
Preocupado com a falta de maturidade da maioria de seus jogadores, o treinador vascaíno teve uma conversa em particular com Beto e Valdir, os mais experientes do grupo em condições de jogo, por uns 15 minutos. Eles serão muito importantes para dar um suporte à garotada, explicou o técnico.
Levado à condição de titular após a boa exibição contra o Fluminense, Coutinho revelou o teor da bronca de Geninho. Ele falou que só a conquista do título sobre o Flamengo é que nos colocará no topo novamente. Os dois jogos decisivos serão a nossa prova de fogo este ano, atestou o cabeça-de-área.
Assim como o goleiro Fábio, Victor Boleta acredita que faltou humildade ao Vasco. A gente só perde quando acha que não pode ser derrotado. Acreditávamos que faríamos o gol a qualquer hora, reconheceu.
Mais radical do que o treinador, Marcelinho detonou. Ainda sem condições de jogo, o Pé-de-Anjo foi categórico. Para ele, o Vasco jogou mal e, por isso, perdeu.
Não adianta arranjar desculpa, tapar o sol com a peneira, dizendo que o time é jovem. O time esteve mal e, por isso, acabou saindo da Copa do Brasil, reclamou Marcelinho, que, recuperado da lesão na panturrilha esquerda, está entregue à preparação física.
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9:44 AM
by Cassiano Leonel Drum
Celebridade vira pitboy
Estrela da novela das oito, Marcelo Faria dá gravata e socos em fotógrafo que o flagrou com loura no Leblon
Celso Brito e Roberta Fortuna
O ator Marcelo Achcar Faria, 32 anos, encarnou, no fim da noite de ontem, o bombeiro Vladimir, personagem vivido por ele na novela Celebridade, da Rede Globo. A exemplo de cenas exibidas na TV, em que Vladimir se revolta com a presença de fotógrafos, o ator ontem agrediu e quebrou o equipamento de Wagner Santos, 31, da revista Contigo, da Editora Abril. A cena aconteceu na porta do bar Seu Martin, na Avenida General San Martin, Leblon. Marcelo estava com uma jovem loura não-identificada, que chegou a pedir para o ator não bater no fotógrafo.
Wagner passava no local com a repórter Cida Farias e, ao descobrir a presença da celebridade, ficou do outro lado da calçada, de onde flagrou Faria e a mulher deixando o bar. Depois, virou as costas, mas o ator começou a gritar. Revoltado, Faria partiu para cima do fotógrafo e iniciou as agressões, com uma gravata e socos. Em seguida, o ator tomou a câmera e quebrou o aparelho, avaliado em R$ 8 mil. A máquina foi jogada no chão e lançada várias vezes contra uma árvore. Embora tenha destruído o equipamento, o filme com as fotos feitas por Wagner não foi danificado. O fotógrafo foi socorrido pelo motorista da equipe de reportagem, identificado como Serginho, e por seguranças de bares próximos.
Ferido e com o equipamento quebrado, Wagner foi à 14ª DP (Leblon). Mais tarde, de roupa trocada, o ator também compareceu à delegacia. Ele, que já foi acusado de agredir fotógrafos em outra ocasião e detido por porte de maconha, teria afirmado que o profissional iniciou as agressões. O delegado Carlos Sodré autuou os dois por lesão corporal. O ator foi ainda autuado por danos, e Wagner responderá também por perturbação do trabalho ou sossego alheio.
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9:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
09/04/2004
Ninho roubado
Feriadão de Páscoa aqui no Sul tem cara de último banho de mar, de ida pra praia. O meu destino preferido sempre foi Santa Catarina. Na adolescência, era "cool" arrumar a mochila e embarcar em um ônibus para Garopaba. Como não tínhamos carro, o jeito era esperar o táxi do seu Avelino, que nos pegava às seis da manhã no trevo da estrada. Numa delas, eu e minha amiga Ângela fomos lépidas e faceiras curtir quatro dias de agito, festinhas e muuuito sol. A praia da Ferrugem era "o lugar". Surfistada, gente bonita e nada de ovinhos.
Tudo estava certinho até que fomos roubadas. Sempre fui organizada. Sabia tudo o que tinha levado. No segundo dia de feriado, percebi ao acordar que a porta da sacada estava arrombada. Como não vimos nada e parecia estar tudo ali, até meu walkman pink made in Paraguai, não demos bola. Apenas avisamos na portaria. Depois da praia, fomos nos produzir para ir até a sorveteria Gelomar, o pico da cidade. Aí é que foi o problema. Faltavam coisas: um brinco meu e um short da Ângela. Os furtos foram se repetindo dia após dia. Os gatunos andavam pelo parapeito do predinho e pulavam para nossa sacadinha. O engraçado é que não levavam tudo, só coisinhas de marca boa e peças escolhidas a dedo.
Irada, comecei a investigar. Nos apartamentos colados ao nosso, tinha uma família com três filhos. No primeiro quarto ficavam os pais, no segundo os filhos menores e no terceiro a filha adolescente com duas amigas. Fui até lá para perguntar se elas tinham visto alguém estranho. No meio do papo, na porta do quarto, reconheci meu brinco em cima da cama. Resultado: recuperamos tudinho com a ajuda do gerente do hotel. Vergonha! As meninas eram de uma família ótima e estudavam em uma escola particular de Porto Alegre. Abafa o caso. O gerente pediu pra gente deixar pra lá. De posse de nossas coisas, concordamos.
Na saída, quando fomos pagar a conta do hotel, faltava justamente o dinheiro que tínhamos guardado no mocó da carteira de nylon! Fiquei passada. A Ângela queria bater no gerente. Desconsoladas e duras, pegamos o "buzum" de volta. No segundo semestre, qual não foi a minha surpresa? A menina, digo, a cleptomaníaca, entrou para a minha escola. Fui falar com ela e pedi que trouxesse a grana roubada. Ela devolveu o equivalente a R$ 50 da época em notas de um. Soube mais tarde que ela costumava mudar de escola com freqüência por causa desse péssimo habito. Nunca mais vi a menina-gato. Espero que ela tenha se recuperado. Quanto a mim, nunca esqueci aquela Páscoa.
mauren@rbstv.com.br
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9:33 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
09/04/2004
O bife de 1999
Comi um bife na Sexta-feira Santa de 1999. Eu mesmo o fiz. Esfreguei dois dentes de alho amassados na carne, pinguei um nada de azeite na frigideira. Sal, só depois de pronto, senão o bife fica duro. No meio da fritura, o detalhe especial: uma colherinha de açúcar. Para completar, refoguei uma cebola fatiada no molho que restou. Perfeito.
Mas, quando dei a primeira dentada, o que senti foi gosto de sangue. Sangue fresco, sangue humano e vivo escorrendo das comissuras da minha boca, como se eu fosse o próprio Nosferatu.
Violava o interdito da carne vermelha na Sexta-feira Santa, esse o problema. O respeito à Sexta-feira Santa está incrustado em minha mente tanto quanto a Fórmula de Baskara. Jamais esquecerei um e outro.
Naquele momento em que o prazer do bife me foi subtraído, pensei: quanta idiotice, por que essa bobagem ainda me impressiona? Mas bastou chegar a noite para mudar de idéia. Porque liguei a TV e não estava passando O Cálice Sagrado. Nem Quo Vadis?. Nem O Manto Sagrado. Fiquei revoltado. Como é que pode uma Páscoa sem O Manto Sagrado? Compreendi então que essa é uma época de destruição das liturgias. Mas elas têm um sentido! Servem para algo, afinal! Servem como representação material das idéias. E, quando não há respeito às liturgias, também não há respeito às idéias que representam. Ou seja: vou comer bacalhau, nessa Sexta-feira Santa. Mas será que passará O Cálice Sagrado?
Vi um sujeito no supermercado. Ele usava bermudas. Freou o carrinho diante de um funcionário que empilhava vidros de cebolinha em conserva.
- Tu trabalha aqui? - era uma acusação, não uma pergunta. O funcionário gaguejou que sim.
- Como é que vocês fazem um absurdo desses com a laranja-de-umbigo? - berrou, unindo o polegar ao indicador e tremulando-os no ar, feito um estandarte.
Prestei atenção. Sou apreciador de laranjas. Entendi que o homem de bermudas reclamava do lugar onde o preço da laranja-de-umbigo fora afixado. Algo assim. Ele continuou lá, espicaçando o funcionário e eu continuei empurrando carrinho. Em um minuto, estava diante delas - as laranjas de umbigo. Olhei-as. Redondas. Amarelas. Atraentes, de fato. Mas valeriam a fúria hortifrutigranjeira do cliente ou o constrangimento do funcionário? Quantas laranjas custam um insulto?
Às vezes, parece que há empenho em demasia na defesa dos direitos do consumidor.
david.coimbra@zerohora.com.br
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9:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
09/04/2004
A reação dos otários
O que não entra nas cabeças dos cerca de 40 leitores que me telefonaram ou passaram e-mails anteontem é como pode a gasolina estar sendo cobrada a R$ 1,92 em Canoas, enquanto aqui, coladinha, Porto Alegre está a cobrar desde o dia 6 de abril R$ 2,179.
Por quê? Por quê? Por quê?
Por que a gasolina é mais barata em Brasília do que em Porto Alegre? Por que é mais barata no Rio de Janeiro que em Porto Alegre. Por que é mais barata em Santa Catarina do que em Porto Alegre?
Por que, em Campo Mourão, interior do Paraná, grotão, a gasolina é mais barata em R$ 0,25 por litro do que em Porto Alegre. Por quê?
Em todo o Paraná, a gasolina custa entre R$ 1,85 e R$ 1,94. Como é então que desde terça-feira os postos de Porto Alegre elevaram o preço para R$ 2,179?
Podem me dizer por quê?
Como é que, em promoção, a gasolina baixou até R$ 1,74 durante o mês de março em Novo Hamburgo, subindo apenas dia 6 de abril para R$ 1,99 nuns postos, noutros a R$ 2,03? Ainda assim distantes dos R$ 2,179 de Porto Alegre.
Por que a gasolina aditivada custa em Novo Hamburgo R$ 0,16 por litro mais barato do que a gasolina comum em Porto Alegre?
Não vamos longe, por que um posto de gasolina de um bairro de Porto Alegre passou a cobrar, a título de promoção, para escapar do cartel, dia 6 de abril, mesmo dia do tarifaço daqui, R$ 1,98 pela gasolina comum, promoção com validade até dia 11 de abril? Por que, dentro de Porto Alegre, uma diferença de R$ 0,20 por litro com relação ao tarifaço da última terça-feira em nossa cidade?
Aqui na Capital ficou de um jeito que posto de gasolina que quiser cobrar mais barato pelo produto tem de alegar que está fazendo promoção, exatamente para fugir da pressão do cartel, que passa por cima de todos que querem baratear. Por quê?
E é evidente que quem vende assim mais barato a gasolina acaba por lucrar mais, em razão do grande volume de venda.
Só que é isto exatamente o que o cartel quer impedir e por isso pressiona os barateiros até que eles cedam e subam o preço até a tabela da "reunião". Isto! O preço da gasolina em Porto Alegre é aprovado e tabelado e fixado numa "reunião".
Em São Paulo, o litro da gasolina comum custa em média R$ 1,89. Em Belo Horizonte, o litro da gasolina comum custa R$ 1,84.
Então um tanque de 40 litros custa R$ 11 e R$ 13 a mais em Porto Alegre do que em São Paulo e Belo Horizonte, respectivamente?
Por que tudo é mais caro aqui no Rio Grande do Sul, desde a cesta básica a quase todos os outros itens de consumo.
Não será por causa da gasolina? Talvez...
Inúmeros leitores me solicitam que eu passe a fazer uma campanha para que os consumidores não abasteçam mais em Porto Alegre.
Ainda não é meu intento. Acho que devemos dar a última oportunidade aos postos da nossa cidade, da cidade que amamos e em que vivemos.
Mas se os abusos continuarem, a população vai se organizar, eu estou notando indícios disso.
Já tem muita gente indo abastecer em Canoas, e com a gasolina a R$ 1,92 lá a moda pode pegar, porque compensa gastar gasolina no trajeto, tal a diferença entre o preço da gasolina daqui e o de lá. Vejam a que ponto chegou o exagero do preço daqui.
O que essa gente tem na cabeça? Acho que nos julgam uns otários.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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9:28 AM
by Cassiano Leonel Drum
Reportagem Especial
O cinema transforma a Paixão de Cristo
Encenações da Sexta-feira Santa (acima) mudaram depois do polêmico filme de Mel Gibson sobre o sofrimento de Cristo (foto Tadeu Vilani/ZH)
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Quinta-feira, Abril 08, 2004
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7:57 PM
by Cassiano Leonel Drum
Em celebração da Páscoa, Lula pede ajuda de Deus para desempregados
15:23 08/04
Reuters
BRASÍLIA (Reuters) - Na véspera do feriado de Sexta-feira Santa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a ajuda de Deus para os desempregados, depois de participar de um ato ecumênico no Palácio do Planalto.
"Que Deus possa ajudar o povo brasileiro, sobretudo aqueles que estão sofrendo, sobretudo aqueles que estão desempregados'', disse o presidente a jornalistas.
Lula chegou ao Salão Oeste do Planalto acompanhado da primeira-dama, dona Marisa, e participou de todas as orações durante a cerimônia, que foi celebrada pelo assessor especial da Presidência Frei Beto, pelo frei Vicente Bonhe e pelo pastor Cláudio Vilela.
"A Páscoa será melhor comemorada por uns do que por outros, mas o que vale na Páscoa não é a questão econômica, o que vale na Páscoa é a paixão que a gente tem dentro da gente e a disposição de nós servirmos ao nosso semelhante'', acrescentou Lula.
A taxa de desemprego subiu para 12 por cento em fevereiro, de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Durante a cerimônia, Frei Beto afirmou que o maior escândalo do século 21 é a existência da fome, lembrando que ela mata mais que a Aids, as guerras e o terrorismo.
O assessor do presidente Lula aproveitou para defender o programa Fome Zero, pelo qual é um dos responsáveis.
"O Fome Zero nada mais é que a multiplicação dos pães e dos peixes realizada por Jesus'', disse, referindo-se a um episódio da vida de Jesus Cristo, conhecido como um de seus alegados milagres.
Após a cerimônia, Lula cumprimentou os membros do coral da Igreja Adventista de Brasília e se deixou fotografar com os participantes. Uma das coristas pediu "um solo'' do presidente, ao que ele respondeu, brincando: "Não sei cantar.''
Se o próprio Presidente está pedindo é porque está reconhecendo que a coisa está preta mesmo. Mas será que os assessores não podem dar uma ajudazinha, até porque na semana santa, como se sabe, Deus não está muito disponível, não é mesmo?
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7:53 PM
by Cassiano Leonel Drum
Espanhóis são presos após ameaçarem explodir avião da Varig que partiu de SP
SÃO PAULO - Dois espanhóis foram presos na manhã desta quinta-feira após terem tentado explodir um avião da Varig que ia de São Paulo para Madri com 184 passageiros a bordo. Eles teriam agredido verbalmente a tripulação e passageiros da aeronave e se identificado como integrantes do ETA, grupo separatista basco. As informações são do Globo Online.
A empresa informou que os dois espanhóis incomodaram os passageiros durante o vôo. A tripulação se negou então a servir mais bebidas alcoólicas a eles. Com isso, a dupla ameaçou explodir o avião, um MD-11, e agrediu verbalmente uma das comissárias.
Após identificarem-se como membros do ETA, os espanhóis chegaram a pedir dinheiro para não explodir a aeronave. O comandante do vôo avisou a polícia espanhola, que os deteve no Aeroporto Internacional de Madri-Barajas.
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6:50 AM
by Cassiano Leonel Drum
Todos os homens de Cida
Marido e namorado juram amor à vencedora do BBB, e Thiago diz que o tempo vai decidir. Já a ex-babá afirma que quer ficar sozinha
Alícia Uchôa
Thiago (E), que trocou carinhos com Cida e recebeu visita da vencedora no quarto ontem de madrugada, prefere fazer mistério sobre futuro da relação. Já Sebastião diz que aceita ficar com a amada mesmo sem dinheiro
Para quem entrou no Big Brother Brasil mais parecendo a Gata Borralheira, a ex-babá Cida, 21 anos, se transformou em Cinderela. Só falta escolher o príncipe encantado. No primeiro dia de liberdade depois de três meses confinada, a vencedora do programa viveu um dia de celebridade. Com R$ 500 mil no bolso, Cida virou musa de Mangaratiba e já tem uma cartela variada de pretendentes.
Enquanto Thiago e Cida trocavam abraços e carinhos, mesmo depois de decidir não colorir demais a amizade, na cidade da ex-babá duas pessoas ainda esperam por ela: Sebastião Meneses de Amorim, o Fifa, 46 anos, ex-marido, e Frederico da Silva Ceia, o Fred, 21, namorado. O primeiro, dono de lava-a-jato, e o segundo, desempregado. Apesar dos beijos de Cida e Thiago, Fifa e Fred garantem que sempre amaram a moça, na riqueza e na pobreza. Nenhum deles, no entanto, conseguiu chegar perto dela.
Quando foi sorteada, compramos champanhe para comemorar. Por mim, aceito ela de volta com ou sem dinheiro. O que aconteceu com o Thiago foi coisa de momento, diz Fifa, orgulhoso de dizer que objetos de Cida ainda estão na casa dele, sem medo dos comentários maliciosos dos vizinhos.
Apesar de recordar os bons momentos, não era de Fifa que a babá falava no programa, mas de Fred. Na verdade a gente nunca terminou. Até hoje gosto dela e se ela quiser ficar comigo, vou estar aqui, promete Fred, que recebeu um telefonema de Cida na madrugada de ontem. Ela queria saber se eu tinha ficado com alguém no Carnaval e por que eu não desci ao palco para comemorar, porque ela queria me beijar, conta, lembrando que o segurança da Globo fechou a grade da arquibancada.
Nas ruas de Mangaratiba, o comentário é que ele e Cida brigavam como cão e gato. Não me arrependo de nada. Sei que já fiz ela sofrer, mas também já sofri. Já corri atrás dela, ela me largou para ficar com outro, ressente-se. Todo mundo fala que eu quero os R$ 500 mil, mas o dinheiro é dela. Até pensei em não procurá-la mais para não pensarem que é por causa do dinheiro, diz Fred.
Thiago fica em cima do muro em relação à campeã
Mesmo com a relação muito bem discutida dentro da casa, Thiago faz suspense quando o assunto é Cida. Não sei se vai rolar aqui fora, só o tempo vai dizer, despista o auxiliar administrativo, que ganhou R$ 50 mil pelo vice e recebeu a visita da vencedora em seu quarto de hotel ontem de madrugada. Ele é muito tímido e não paquera. As meninas é que correm atrás. Quando foi sorteado, disse que queria a Antonela, entrega o amigo de Thiago Fábio Alfredo Soares, 27 anos. Eu brincava que ele dava uns beijos na Cida, mas não mostravam na TV, conta o padrasto do rapaz, Adalton Machado de Mello, 44.
Sem saber em que lado joga, Cida encerra a questão: O que eu sei é que não quero ninguém agora. Vou aproveitar o prêmio, ficar sozinha e curtir a vida. Curtir a vida significa viajar, comprar sua casa e só depois pensar no que vai fazer dali por diante, sem excluir a possibilidade de fazer lipoaspiração. Sem claro, renegar o passado. Thiago e Fred são meus amigos, e eu já tinha me separado do Fifa antes de entrar na casa. Mas se ele quis dizer que é meu marido.... (Colaborou Marcelle Carvalho)
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6:42 AM
by Cassiano Leonel Drum
Daiane e Daniele, a chama do Brasil
Ginastas são convidadas para conduzir a tocha olímpica pelas ruas do Rio, dia 13 de junho. Gauchinha diz que seu ego está subindoResponsáveis por três medalhas do Brasil na etapa do Rio da Copa do Mundo de ginástica artística, no Riocentro, as ginastas Daiane dos Santos e Daniele Hypólito foram convidadas para conduzir a tocha olímpica dos Jogos de Atenas, pelas ruas do Rio, no dia 13 de junho. O convite foi feito pela empresa patrocinadora da equipe olímpica permanente feminina de ginástica artística, a Coca-Cola.
Daiane, que conquistou seu quinto ouro no solo na competição disputada no Rio, não escondeu a felicidade ao receber o convite. Nossa, meu ego ..., disse a gauchinha, assobiando, e completando em seguida: Só sobe.
Daniele Hypólito, ouro na trave e prata nas barras assimétricas no Riocentro, já participou em 2002 do revezamento da tocha dos Jogos Olímpicos de Inverno de Salt Lake City, nos Estados Unidos.
Dos 42 condutores da tocha que tem direito de indicar, a empresa de refrigerantes decidiu apontar seis integrantes das equipes olímpicas permanentes de judô, ginástica artística e triatlo. O nome do judoca Carlos Honorato já havia sido anunciado em novembro.
Os convidados do triatlo foram Virgílio de Castilho e Sandra Soldan. Para completar a lista, a empresa convidou a judoca Edinanci Silva, da categoria meio-pesado.
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6:37 AM
by Cassiano Leonel Drum
VASCO X 15 DE NOVEMBRO
Que campeão é esse?
Ducha gelada antes da final. O desconhecido 15 de Novembro de Campo Bom (RS) humilha e elimina Vasco da Copa do Brasil
Carlos Monteiro
O Vasco teve um aperitivo indigesto para o primeiro jogo da decisão do Campeonato Estadual, contra o Flamengo, e foi eliminado ontem da Copa Brasil, com uma derrota de 3 a 0 para o 15 de Novembro, em São Januário. Para complicar a situação dos vascaínos, o técnico Geninho pode perder dois titulares para a partida de domingo, contra o Rubro-Negro: o zagueiro Henrique e o atacante Róbson Luiz, que deixaram o campo sentindo dores. Curiosamente, 15 de novembro é a data de aniversário de fundação do clube da Gávea.
Mas a torcida cruzmaltina teve outros motivos para ter saído apreensiva do jogo de ontem: o time mostrou fragilidade no sistema defensivo e desperdiçou várias chances de gol no primeiro tempo, quando pecou demais nas finalizações. Aos 22 minutos, por exemplo, Victor Boleta recebeu livre na área, mas chutou em cima de Marcelo Pitol.
Um minuto depois, Ygor, tirando onda de lateral-direito, cruzou para Beto, que cabeceou por cima do gol. Aos 31, foi a vez de Beto cruzar para Valdir, mas o Bigode, livre na pequena área, desperdiçou outra boa chance. Temos de ter mais capricho nas finalizações e cuidado nos contra-ataques, alertou Geninho, no intervalo.
Mas a situação se complicou de vez no segundo tempo. Santiago entrou no lugar de Henrique, que sentiu dores no adutor da coxa esquerda. E Cadu substituiu Róbson Luiz, com dores no joelho esquerdo.
Aos 21 minutos, Fábio fez uma defesa milagrosa, salvando o Vasco. Mas o primeiro gol do 15 de Novembro acabou saindo aos 22 minutos, quando a zaga falhou e Dauri recebeu livre dentro da área, acertando o canto esquerdo de Fábio. Dois minutos depois, Victor Boleta fez pênalti em Bebeto. Canhoto cobrou e Fábio espalmou, mas Canhoto pegou o rebote e ampliou o placar: 2 a 0.
Aos 35 minutos, Dauri marcou novamente e decretou a vitória do 15 de Novembro, por 3 a 0. Revoltados, os vascaínos não economizaram nas vaias e passaram a gritar olé toda a vez em que os adversários tocavam a bola.
Ontem, Ygor, expulso no jogo contra o Flamengo, na última rodada da Taça Rio, foi absolvido pela Comissão Disciplinar da Federação de Futebol do Rio. Como já cumpriu a suspensão automática contra o Friburguense, está liberado para enfrentar o Flamengo, no domingo.
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6:32 AM
by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
08/04/2004
Vacina anticonsumo
Ganhei um livrinho infantil e já o estava repassando a um amigo quando ele me chamou a atenção para a dedicatória em letra manuscrita, caligrafia de professora. Tinha o meu nome e um agradecimento, por certa reportagem que fiz quando trabalhava para uma revista especializada em educação. A autora do livro, minha entrevistada na época, é uma conhecida ativista de movimentos de defesa do consumidor - a bióloga Maria de Lourdes Coelho. Com sua experiência de mais de uma década de militância, ela bolou uma historinha destinada a conscientizar crianças sobre os riscos do consumismo.
O livreto, com belas ilustrações de Sílvia Aroeira, merece ser lido também por adultos, pois ensina de forma didática a não comprar coisas inúteis apenas por modismo, mostra como evitar as armadilhas da propaganda enganosa, como batalhar pelo melhor preço de um produto ou serviço e como se prevenir para uma eventual reclamação.
Não me considero um consumista, mas sou um consumidor pra lá de relapso. Pego coisas nas prateleiras do supermercado sem olhar o preço, raramente confiro no caixa se o valor registrado é o mesmo, não faço pesquisas e nem costumo exigir nota fiscal. A única vacina que fez efeito comigo foi a antipropaganda. Mesmo antes de ver o Zeca Pagodinho mudar de rótulo como quem muda de partido político, desenvolvi uma eficiente resistência aos apelos publicitários.
Gostei do livrinho, especialmente porque ele é dirigido ao público infantil. As crianças são hoje determinantes no consumo familiar. Influem em tudo, da marca do iogurte ao local das férias. E são, por razões óbvias, muito influenciáveis pela publicidade, que cada vez mais aprimora as mensagens a elas dirigidas.
Pedro e Aninha são os personagens da história. O menino usa roupa de grife, tênis com luzinha, gasta os tubos em bobagens e, quando o dinheiro da mesada termina, choraminga no ouvido do pai, que lhe alcança mais. A menina é uma espécie de grilo-falante, passa o tempo todo dando conselhos sensatos e tentando fazer com que o companheiro consumista desembarque na realidade. Quando entrevistei a autora, há mais de 10 anos, fiquei com a impressão de que ela travava uma batalha quixotesca contra os moinhos de vento do capitalismo selvagem. Desde então, porém, muita coisa mudou em nosso país. Temos hoje um Código de Defesa do Consumidor e muita gente já se deu conta de que o consumo compulsivo é uma doença.
Agora, pelo jeito, chegou a hora de vacinar as crianças.
nilson.souza@zerohora.com.br
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6:30 AM
by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
08/04/2004
Doeu demais
O que dói é conhecer-se que o consumidor porto-alegrense de gasolina há muito tempo já sabia que os preços nos postos da Capital eram combinados.
Há muitos meses venho recebendo essa queixa dos consumidores, faltava apenas apanhar com a boca na botija os cartelistas.
O golpe de subir a gasolina antes dos feriadões é manjadíssimo entre os consumidores, foi assim no Carnaval e agora é assim na Semana Santa.
A montanha de e-mails que recebi ontem mostrava consumidores desconsolados com a falta de ação das autoridades para coibir a desavergonhada combinação dos preços nos postos, que chegou ao cúmulo de a grande maioria deles fixar anteontem para a gasolina comum o preço de R$ 2,179.
Ou seja, igualzinho até a terceira casa dos centavos! Pelo amor de Deus, isto é uma prova insofismável da combinação.
E da impunidade.
Os donos de postos de gasolina de Porto Alegre, depois desse episódio, até mesmo por terem entre seus integrantes pessoas idôneas, necessitam urgentemente organizar-se para criar uma relação ética com os consumidores: vou dar só um exemplo de que se pode chegar a um consenso.
Podem até todos os postos de gasolina da Capital colocarem o mesmo preço na gasolina comum.
Mas que não encurralem o consumidor para um preço excessivo como o cobrado a partir de anteontem: R$ 2,179.
É demais, o lucro assim fica em 22%. Só os bancos ganham isso aqui no Brasil. Ninguém mais tem esse lucro. 22% é ganho maior do que os impostos que a União e os Estados cobram, porque a União tem de repartir com os Estados e os Estados têm que repartir com os municípios.
Podem muito bem todos os postos cobrar R$ 2 pelo litro da gasolina comum. Como eles estão comprando o produto a R$ 1,77, lucrariam 13%. Um lucro razoável, convenhamos. Podiam até cobrar R$ 2,05, vá lá. Eles teriam um lucro capaz de pagar as suas despesas e fazer sobrar algo muito denso pelo seu investimento. Nós, consumidores, reconheceríamos que é merecida e compreensível essa margem. Se quiserem, eu patrocino esse acordo com a população de Porto Alegre.
Mas cobrar R$ 2,179 por litro de gasolina, lucrando 22% sobre o preço total pela operação singela e modesta de abastecimento é usurpação, é exploração, é inaceitável.
O lucro descomunal a que estão chegando desde anteontem os postos, em sua maioria, em Porto Alegre, que atinge o abuso de R$ 20, ou R$ 24, ou R$ 28 por cada tanque cheio de consumidor, dependendo da capacidade de cada veículo, é maior do que obtém a Petrobras para pesquisar, prospectar e vender o petróleo.
Chegou-se em Porto Alegre com esse lucro em torno de 22% a uma irresponsabilidade. Não é possível pagar R$ 24 de lucro dos postos por cada tanque cheio, em troca do simples serviço de encher um tanque no posto. Ninguém ganha isso no Brasil em qualquer atividade, os supermercados têm margem de lucro de menos da metade dos postos de gasolina!
Cresceu o olho dessa turma e subiu até o delírio a sua ganância.
A revolta dos consumidores em geral está espelhada na correspondência que esta coluna e Zero Hora estão recebendo desde ontem. O pior e o mais grave é que tudo foi combinado. E se pressiona e ameaça quem não obedecer à combinação.
Como passou anteontem do limite o cartel, a manchete de Zero Hora de ontem levou a Secretaria de Acompanhamento Econômico e a Coordenação Geral de Defesa da Concorrência, ambos órgãos do Ministério da Fazenda, a deflagrar providências contra o escândalo.
Passaram do limite. Reduzam depressa esse preço acintoso!
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:27 AM
by Cassiano Leonel Drum
Incêndio
Chamas iluminam o horizonte de Porto Alegre
Parte da área em Guaíba que era destinada à fábrica da Ford, às margens da BR-116, foi atingida ontem por um incêndio, que a BM suspeita seja criminoso (foto Henri Siegert Chazan, Fly Hermes, especial/ZH)
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Quarta-feira, Abril 07, 2004
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2:34 PM
by Cassiano Leonel Drum
Caindo no real
Rafael Sens - Diário de S.Paulo
Paulo Ricardo Moreira - O Globo
Na noite desta terça-feira, o Brasil conheceu o sortuda ,0que faturou o "Big Brother Brasil 4" e saiu da casa com meio milhão de reais a mais na conta bancária. Como não é todo dia que se embolsa tanta grana, não deve ser fácil administrar esta quantia sem sair por aí esbanjando. Mas será que é possível resistir à tentação de torrar tudo em poucos dias? Na tentativa de descobrir a resposta, o DIÁRIO saiu na cola de seis vencedores de reality shows para saber o que fizeram com a pequena fortuna e o que estão aprontando.
Ao que parece, de bobo Kléber Bambam não tem nada. O marombado faturou R$ 500 mil na primeira edição do "Big Brother", da Globo. Depois de protagonizar cenas constrangedoras com a boneca Maria Eugênia no programa, ele acabou levando a melhor. Com o dinheiro, comprou dois apartamentos no Rio e um em Santos (SP). Além de ter atuado no humorístico "Turma do Didi", viaja pelo país com seu grupo Bambam e as Pedritas. Engordando ainda mais seus rendimentos, o dançarino estrela comerciais de uma marca de refrigerante. Na propaganda, ele divide a cena com outro ganhador de reality show, o cantor Rafael Vanucci, que faturou a segunda edição da "Casa dos Artistas", no SBT. A primeira coisa que o filho de Vanusa fez foi comprar um presentinho para a mamãe.
- Ganhei R$ 520 mil. Depois de quatro meses, encontrei um apartamento do jeito que ela queria lembra.
Em seguida, Rafael preferiu aplicar a grana na carreira de can-tor.
- Investi em cursos, banda, escritório e figurino.
O moço, aliás, está se preparando para gravar seu segundo CD solo. Mesmo com tantos gastos, ele diz ainda ter "R$ 500 mil guardadinhos". Precavido, engordou seu pé-de-meia posandonu para uma revista.
Em cartaz na Capital com a peça "A Babá" - dirigida por Bibi Ferreira -, Bárbara Paz não foi com tanta sede ao pote depois de faturar R$ 300 mil na primeira "Casa dos Artistas". Única mu- lher até hoje a ganhar o primeiro lugar numa atração deste tipo, comprou um apartamento e ajudou a família. Nada de extravagâncias. A gaúcha diz que hoje é reconhecida e respeitada, mas não por conta de sua vitória no reality show.
- Eu tenho um trabalho a ser visto - afirma, assumindo:
- Claro que meu público aumentou. Faço uma peça atrás da outra.
De brinde
Além do reconhecimento e das cifras, Bárbara - que hoje está nomaior chamego com o ator Dalton Vigh - na época ganhou um namorado: o roqueiro Supla, também participante e finalista da "Casa".
Outro que só saiu ganhando foi o goiano Dhomini, vencedor da terceira edição do "BBB". No confinamento, ficou com a agora apresentadora do "Pânico na TV" Sabrina Sato. Após abocanhar meio milhão, comprou gado, três caminhões e quatro apartamentos. Seu pai toma conta dos animais, que ficam num pasto alugado em Goiânia. Seu irmão administra a minifrota de caminhões, fazendo frete para empresas. E os imóveis estão alugados.
Preferido do público do "Big Brother Brasil 2", o vaqueiro Rodrigo não poderia investir em outra coisa: pecuária. Ele cria gado e comercializa cavalos numa fazenda arrendada no interior de Goiás. Além disso, comprou um apartamento em Ribeirão Preto (SP), onde mora com a mãe.
Benemerência
Na terceira edição da "Casa dos Artistas" - que reunia astros eseus admiradores -, quem se deu bem foi o fã da apresentadora Solange Frazão. O triatleta paraibano Serginho Montenegro ganhou R$ 400 mil. Além de fazer doações para instituições de caridade de seu estado (ele afirma ter desembolsado R$ 40 mil), realizou um sonho antigo.
- A primeira coisa que fiz foi entrar em uma loja para comprar roupas de marca.
Passado o deslumbre, resolveu apostar tudo na carreira de ator.
- Comprei muitos livros sobre teatro e fiz cursos.
Na lista de aquisições, não poderiam faltar apartamentos. Comprou um para os pais, em João Pessoa (PB), e outro - de um quarto, na Zona Sul de São Paulo - para morar. Agora, prepara-se para estrear uma peça.
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6:53 AM
by Cassiano Leonel Drum
Por um abraço tecnológico
Dia da Inclusão Digital se espalha por todo o País, mobilizando a população para a importância do tema
Mylène Neno
Na Cinelândia, o abraço homenageou a Dia da Inclusão Digital, simbolizando a conscientização da população sobre o tema. No local, também foi realizado um debate
No último sábado de março, a quinta edição do Dia da Inclusão Digital mobilizou 20 estados brasileiros e outros três países da América do Sul Argentina, Chile e Uruguai em prol da democratização da informática. No Rio, o palco foi a Cinelândia, que recebeu um abraço em homenagem à data, para simbolizar a conscientização popular sobre o tema.
Entre shows de grupos de dança e música de comunidades carentes, como Afrolata e Jongo da Serrinha, foi realizado um debate sobre a importância da Inclusão Digital para o desenvolvimento Social com representantes do terceiro setor, da área acadêmica e do empresariado. E há muito o que ser discutido mesmo. No Brasil, apenas 12,46% das residências brasileiras têm micro, sendo que menos domicílios ainda 8,31%, para sermos mais exatos têm acesso à Internet.
Nos últimos cinco anos sentimos boas mudanças, mas a partir de agora temos que dar um grande salto grande e passar do debate para a a ação sinérgica, em parceria com os três setores. Precisamos articular essas transformações de fato, criando infra-estrutura, dando acesso público à Web, além darmos capacitação tecnológica a população para o mercado de trabalho, afirma o fundador do Comitê para Democratização da Informática (CDI), Rodrigo Baggio.
Em parceria com o Instituto Ethos, o CDI lançou o manual O que as empresas podem fazer pela Inclusão Digital, uma coletânea de casos de sucesso que mostra os desafios e aponta um caminho em prol da democratização da informática.
De acordo com o comitê, são mais de 147 milhões de brasileiros excluídos digital e, por conseqüência, socialmente. Segundo o Mapa da Exclusão, estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), no ranking dos estados brasileiros mais incluídos digitalmente figuram, além do Distrito Federal, São paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná. Por outro lado, Maranhão, Piauí, Tocantins, Acre e Alagoas são os estados mais excluídos.
Aos poucos as empresas vão dando importantes contribuições nesse sentido. O projeto Nossa Língua Digit@l, lançado pelo Instituto Pão de Açúcar, por exemplo, utiliza o ensino da informática e o uso da Internet para fazer com que adolescentes entre 13 e 18 anos aprendam a ler e a escrever com clareza, promovendo a reflexão sobre o exercício da cidadania.
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6:50 AM
by Cassiano Leonel Drum
Muro das lamentações
Vice de futebol Celso Barros chora na despedida, enquanto Ramon e Andre Luís rejeitam a reserva
Mauro Leão
Ramon não gostou de ser opção no banco e quer a vaga no time titular
O Fluminense se transformou num verdadeiro muro das lamentações. Fora da decisão do Campeonato Estadual, o time que mais investiu para a competição se transformou numa choradeira só.
O mar de lágrimas inundou o clube. O emotivo Celso Barros, que entregou o cargo de vice-presidente de futebol, na noite de segunda-feira, foi às Laranjeiras se despedir dos jogadores. Numa breve reunião, Celso Barros, que na época das vitórias conciliava muito bem o cargo de vice de futebol com o de presidente da Unimed, alegou falta de tempo e se despediu dos jogadores.
Apesar da promessa de que a Unimed continuará pagando os milionários salários dos galáticos tricolores, as contas bancárias de Romário, Edmundo, Ramon e Roger choraram de apreensão.
Ramon, além da preocupação com os salários, chorou também por ter sido barrado contra o Vasco e ter entrado após Roger se machucar. Não gostei e não posso negar. Jamais ficarei satisfeito com o banco de reservas, admitiu Ramon. Ao ser perguntado se terá futuro no clube, respondeu irritado: Faltaram as vitórias e o título. O vice de futebol deixou o cargo. Vamos esperar para ver no que vai dar.
André Luís diz que foi mal aproveitado
Vestindo camisa e bermuda azul e calçando uma sandália havaiana branca, até André Luís botou a boca no trombone. Conhecido nas Laranjeiras como o presidente do clube dos chinelinhos do Fluminense, André Luís, reclamou. Só fui aproveitado duas vezes, em 45 minutos, contra o Vasco e Flamengo. Na verdade, fui muito mal aproveitado pelos treinadores, criticou.
O técnico Ricardo Gomes, que deseja um time forte para o Brasileirão, pois considera o atual elenco fraco, não gostou nada das declarações do jogador. Primeiro, ele tem que resolver as suas dúvidas. Caso contrário, não jogará em lugar nenhum.
André Luis, que gastou grande parte do tempo fora dos treinamentos, alegando dores no cóccix, discorda do treinador. Eu treinei mais do que todos os jogadores e fui jogado na fogueira.
Danrlei toma a vaga de Fernando Henrique
Ontem, ele conseguiu a sua liberação do Paris Saint-Germain, da França. Mas deverá ser rifado das Laranjeiras. Estou em forma para chegar em outro clube e provar o meu valor, apostou o lateral.
Quem está prestes a chorar de alegria é o goleiro Danrlei. Está cotado para estrear contra o seu ex-clube, o Grêmio. Fernando Henrique não foi bem contra o Vasco e vai perder a vaga. Roger, que irá operar a boca, amanhã, em São Paulo; Rodolfo, suspenso e Leonardo Moura, com estiramento na coxa esquerda, não enfrentarão o Grêmio, no dia 14.
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6:46 AM
by Cassiano Leonel Drum
Babá fatura bolada do Big Brother
Cida, que entrou por sorteio, é a primeira mulher a vencer o Big Brother
Gecilda da Silva dos Santos, a Cida, se transformou ontem na primeira mulher a ganhar uma edição do Big Brother Brasil. A moradora de Mangaratiba teve 69% dos 11 milhões de votos, contra 31% do são-gonçalense Tiago. Eufórica diante do prêmio de R$ 500 mil, Cida gritava Obrigada, Brasil e Obrigada, Big Brother e, para o apresentador Pedro Bial, ela resumiu: É muita emoção.
Cida disse que vai comprar uma casa e doar uma parte do dinheiro. O programa foi marcado pela emoção de Cida e Tiago, que choraram ao ver as famílias e assistiram a várias edições com as intrigas, romances e diversões no programa. Os ex-participantes também foram ao auditório assistir ao programa.
A Globo instalou um telão no centro de Mangaratiba em que as faixas chamavam o lugar de Mangaracida e outro perto da casa de Tiago, em São Gonçalo onde se reuniram mais de duas mil pessoas.
A final com Cida e Thiago também serviu para fazer propaganda da revista do Big Brother, já que os dois entraram por sorteio. Logo que chegou ao programa, Cida era um peixe fora dágua e ficava isolada. Thiago sempre foi seu fiel escudeiro. Com o passar das semanas, começou se mostrar espirituosa.
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6:42 AM
by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
07/04/2004
Histórias Extraordinárias
Aconteceu uma coisa horrível com o Medanha. Tudo por causa de um seio com silicone.
E é só do que se fala no clube, aconteceu uma coisa horrível com o Medanha, aconteceu uma coisa horrível com o Medanha. Agora, o Medanha está fora da final do campeonato lá da vila. Justo ele, o melhor do time. Esse o perigo dos seios transgênicos.
Que toda a gente conheça a triste história do meia Medanha para poder se prevenir.
Sucedeu que uma noite o Medanha se repoltreava com certa dama de pernas longas e seios ubérrimos. Seios irresistíveis. Tanto que ele não resistiu: deu uma dentada em um dos seios, parece que o esquerdo. Nada grave, uma mordiscada de paixão. A moça apenas fez:
- Umc!
E se deixou mordiscar. O Medanha continuou mordiscando, nham, nham, até sentir aquele gosto estranho na boca.
- Era amarguento - definiria o Medanha mais tarde, enquanto o levavam para o Pronto Socorro.
O Medanha ficou confuso. Estava ali, com o seio devidamente abocanhado, a moça fazendo umc, umc, e ele sentindo um gosto amarguento no fundo da língua. O Medanha achou que talvez pudesse ser leite. Porque não sabia que abocanhava um transgênico. Sabia apenas que era aquele seio que queria ter entre os dentes. Sempre desejara morder aquele seio. Sempre. Não iria, pois, abdicar dele devido a um liquidozinho oleoso, por acre que fosse. Prosseguiu na mordiscação. Prosseguiu a sorver o líquido, que, agora ele firmara a certeza, não era leite. Leite não tinha gosto amarguento. Que outro produto as mulheres eram capazes de fornecer? As mulheres eram mesmo surpreendentes. E o Medanha estava realmente confuso.
Então sentiu a dor. Uma dor lacerante. Como se suas entranhas estivessem empedrando. O Me |