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E N T R E L A Ç O S

Sábado, Abril 17, 2004




Beleza de cenário

Mangueira forma primeira turma de modelos com forças ilustres: Carlos Tufvesson é o padrinho e Gisele Bündchen doa sapatos
Tatiana Contreiras

Mangueirense desde criancinha, Gisele Bündchen não está só. O estilista Carlos Tufvesson e os 40 formandos da primeira turma da oficina de modelo do Centro Cultural Mangueira-BR que o digam. Na segunda-feira, 34 meninas, entre 6 e 18 anos, e mais seis garotos da mesma idade fazem do Palácio do Samba, na quadra da Mangueira, a sua passarela no desfile Mangueira é Especial, Nunca Sai de Moda. Gisele, musa absoluta, doou todos os sapatos que as futuras tops quem sabe? irão usar.

O Caderno D+Mulher selecionou Priscila Oliveira, Priscila Araújo, Ariane Silva, Ana Paula Alves e Bruna Lima, cinco exemplos da beleza verde e rosa, e convidou Carlos Tufvesson para vesti-las para as fotos. Pensei em um estilo urbano e elegante, diz Tufvesson, que selecionou peças das suas coleções de jeans e prêt-à-porter, que serão lançadas no dia 27. A professora da oficina, Ana Paula Vannier, está orgulhosa. Acredito que consegui formar profissionais, diz ela, depois de comandar oito meses de aulas. O desfile, aberto ao público, começa às 19h30. O número 1072 da Rua Visconde de Niterói já está lançando moda.(fotos Márcio Mercante)



Ariane Muniz, 15 anos e 1,72m. Sonho? Ser modelo. Adorei a experiência, diz, usando camisa transparente e jeans risca de giz.



Priscila Oliveira, 14 anos, tem 1,77m e usa trench-coat e sandálias Constança Basto (R$ 399).



Priscila Araújo, 1,70m, exibe o top e a barriguinha negativa. Aos 16 anos, quer ser modelo de passarela.



Bruna Lima usa vestido com bordados de cristais. Nem dá para perceber que o mulherão de 1,72m tem apenas 12 anos.



Ana Paula Alves tem 14 anos e 1,77m. Adorei as aulas de produção, conta. Ela aposta no estilo andrógino sem perder a feminilidade, com camisa branca, calça preta e sandálias Mr.Cat.

Todas as peças são assinadas por Carlos Tufvesson.

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Só falta o grand finale

Principal artista da Gávea, Felipe está a 90 minutos de sua consagração como o mocinho do filme rubro-negro. O Oscar já é dele
Janir Júnior e Mauro Leão

Noventa minutos poderia ser o nome de um filme de ação. Nesta trama, Felipe seria o protagonista de uma saga que começou com a conquista da Taça Guanabara. O fim está próximo. Amanhã, às 16h, no Maracanã, Flamengo e Vasco rodarão as últimas cenas do Campeonato Estadual. Os 90 minutos, então, passam a ser uma contagem regressiva feita pelo próprio camisa 10 da Gávea. Esse é o tempo que ele precisa para entrar na história do clube, não como bandido, mas sim como mocinho. O mocinho dos dribles desconcertantes, outro belo nome de filme.

Felipe viveu uma semana movimentada. Torção no tornozelo, ameaças de violência por parte dos vascaínos, convocação para a seleção brasileira. Nada disso estava no script. As surpresas, porém, não perturbaram a rotina do craque antes da decisão. Para relaxar, o jogador deixa de lado a vida real e entra na era virtual, onde também tem seu papel de herói.

Tive surpresas boas e ruins, mas nada tirou minha concentração. Estou tranqüilo, apesar da ansiedade. Nesses momentos, aproveito para jogar vídeo game, de preferência um futebolzinho, e relaxar. Fico em casa, quase não saio, prefiro ver filmes ou assistir TV, revela Felipe, que tem a regalia de aproveitar mais alguns instantes ao lado da noiva, Karla, e se concentrar a partir de hoje. O restante do grupo se apresentou na concentração no início da noite de ontem.

O trabalho dos três meses de preparação e as poucas horas restantes para o grand finale mexem de forma positiva com o emocional do jogador. Faltam apenas 90 minutos, só isso, para coroarmos o trabalho de meses. Estamos perto de conquistar nosso objetivo maior, que é ser campeão, destaca Felipe, sem conter a euforia.

As ameaças do zagueiro Henrique e do técnico Geninho não incomodam mais o craque. Sua preocupação, agora, é outra: Quero gravar meu nome na história do Flamengo. Fui campeão pelo Vasco, mas nada se compara a conquistar um título pelo clube de maior projeção no País.

Felipe não esquece o Vasco, mas diz ser Flamengo

Em vésperas de clássico entre as duas equipes, o passado vascaíno de Felipe sempre vem à tona. Nada que incomode o jogador. Depois de ter sido orientado pelo psicólogo Paulo Ribeiro, ele trata o assunto com naturalidade e ainda fala com carinho do seu ex-clube.

Não posso esconder o meu passado. Ganhei muitos títulos pelo Vasco, tenho amigos lá, mas agora estou, e também sou Flamengo, dispara o jogador.

Com a certeza de Maracanã lotado, Felipe busca nas arquibancadas a inspiração para ser herói. Entre os torcedores, tem muita gente sem dinheiro, sofrida, com problemas em casa. Nós somos os responsáveis em dar alegrias a essa torcida. O futebol é a distração do povo, filosofa o craque.

Amanhã, então, é dia de diversão. Felipe promete repetir suas jogadas de efeito e dribles mágicos. A história está perto do fim. Noventa minutos separam o jogador da consagração e do título que renderia um filme: O mocinho dos dribles desconcertantes.

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André Petry
Mil pecados. Alguma virtude?

"Tendo se transformado em um abrigo de deserdados de todo tipo, o MST não luta apenas por terra. Seus seguidores querem terra ou casa ou emprego ou qualquer coisa que lhes dê um rumo na vida"

É fácil jogar pedra no MST. Fácil e respeitável. Só não resolve a doença da qual ele é apenas o sintoma. Calcula-se que o MST tenha cerca de 150.000 militantes acampados em todo o país. Entre eles, existem agricultores que perderam suas terras, outros que perderam seus empregos rurais, gente que se arruinou nas lides do campo.

Mas também existem deserdados em geral, sem nenhuma ligação com a vida rural: desempregados urbanos, ex-presidiários, bóias-frias, favelados, analfabetos, desdentados. Também há, como escreveu Euclides da Cunha em Os Sertões a propósito dos seguidores de Antônio Conselheiro, "gente ínfima e suspeita, avessa ao trabalho, vezada à mândria e à rapina". O MST é um retrato do amplo espectro da miséria brasileira.

Onde essa gente estaria se não existisse o MST? Com certeza, não estaria levando seus filhos à escola e depois dirigindo-se aos portões das fábricas onde trabalha. Não estaria atrás de um balcão do comércio com seus filhos sob os cuidados da moça da creche do bairro. Quem sabe estivesse agora engrossando as fileiras da guerra pelo controle do tráfico na favela da Rocinha.

Em vez disso, essas famílias desenraizadas estão procurando uma saída quando ficam meses a fio acampadas à beira de uma estrada sob uma tenda de lona preta. O MST, claramente, oferece-lhes algum tipo de recompensa aqui e agora. Oferece também uma esperança forte o suficiente para fazer gente simples e honesta relevar as práticas violentas e ilegais incentivadas pelos líderes das invasões.

O desejo de paz social é legítimo e ela não se fortalece com ações ilegais. Mas não se pode esquecer a gênese das coisas: a sociedade brasileira promoveu a iniqüidade que resultou na produção da massa de deserdados que, por sua vez, acorreu para o MST. Talvez fosse útil aos brasileiros mais aquinhoados materialmente tentar entender o sinal vermelho que ele emite. Esse sinal pode ser buscado no que escreveu o francês Roger Martin du Gard, autor de Os Thibault e ganhador do Nobel de Literatura: "Não existe ordem verdadeira sem justiça".

A abordagem que privilegia o anacronismo econômico das reivindicações do MST baseia-se no fato de que o latifúndio improdutivo nem existe mais e, portanto, é inútil buscar a reforma agrária nos moldes do passado. Tendo se transformado em um abrigo de deserdados de todo tipo, o MST não luta apenas por terra. Seus seguidores querem terra ou casa ou emprego ou qualquer coisa que lhes dê um rumo na vida.

A abordagem que foca o anacronismo político do MST se sustenta na idéia de que a coisa toda se transformou em um movimento político, revolucionário, que, em vez de reivindicar justiça fundiária, quer mesmo é empalmar o poder. Que queira. O PT não conseguiu promover uma guinada mínima para a esquerda na política econômica.

Com suas marchas e delitos, o MST consegue no máximo chamar atenção para o drama de seus seguidores. Mas é um alerta mais eloqüente talvez do que a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas divulgada na semana passada, segundo a qual um em cada três brasileiros pode ser classificado como miserável.

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Diogo Mainardi
Bom é ser improdutivo

"Por que implicamos tanto com terras improdutivas? A improdutividade é um elemento fundamental da economia moderna. Em muitos casos, não plantar pode ser mais rentável do que plantar. A União Européia só se construiu graças a uma agressiva política de desestímulo à produtividade"

Chega de falar em reforma agrária. Vamos abolir o Incra. Vamos fechar o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Lula é criticado por ter assentado menos lavradores que Fernando Henrique Cardoso. Pois foi seu único mérito até agora. Quanto menos assentamentos, melhor. Eles custam caro e não servem para nada. Ponto para Lula.

Como se viu recentemente, o MST já não aceita a distinção entre terras produtivas e improdutivas. Está certo, claro. Essa distinção, sancionada pela Constituição, é um dos maiores enganos da nossa política agrária. Por que implicamos tanto com as terras improdutivas? Se a improdutividade fosse um critério válido para a desapropriação, a esta altura Lula já teria sido despejado do Palácio do Planalto. Deveria ser um direito do agricultor não plantar nada em suas terras. Afinal, quem perde é ele. O procurador-geral da República, Cláudio Fontelles, defendeu a invasão de terras improdutivas com o argumento de que o direito à propriedade não é absoluto. Na China, possivelmente.

No Brasil, deveria ser, sim. A improdutividade é um elemento fundamental da economia moderna. Em muitos casos, não plantar pode até ser mais rentável do que plantar. A União Européia só se construiu graças a uma agressiva política de desestímulo à produtividade agrícola. Cada país europeu tem uma cota de produção. Os agricultores, na prática, são pagos para não ultrapassar essas cotas.

Um mercado integrado como o da Alca pode gerar acordos semelhantes para o Brasil. Os contribuintes americanos podem ser obrigados a bancar a diminuição da produtividade dos nossos cultivadores de laranja e soja, num sistema de compensações. Quer coisa melhor do que ser pago para não trabalhar?

Fernando Henrique Cardoso gastou cerca de 20 bilhões de reais em desapropriações. O dinheiro teria sido mais bem empregado no pagamento de juros abusivos aos credores internacionais. Aliás, entregar o dinheiro aos credores internacionais é melhor do que qualquer outro investimento público. Anos e anos de campanhas eleitorais demagógicas nos persuadiram de que não há investimento mais útil do que aquele em educação.

Quando se sabe, porém, que de cada 4 reais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fundef) 3 são desviados por administradores corruptos, só nos resta abolir o Fundef e reverter sua verba aos credores estrangeiros. Assim como devemos parar de investir em desapropriações e assentamentos, devemos eliminar todos os subsídios agrícolas. Chega de financiar a reforma agrária e chega de financiar os latifundiários incompetentes. O Estado não deve dar dinheiro nem aos pobres, nem aos ricos. Deve dar apenas aos credores internacionais.

Se usássemos todo o dinheiro de investimentos para pagar os juros, sobrariam recursos para diminuir os tributos e impostos das empresas, o que derrubaria os custos de produção, a única maneira de gerar desenvolvimento e emprego no país. Com mais dinheiro no bolso, os latifundiários poderiam inclusive substituir o Estado na construção de estradas, portos e ferrovias. É por isso que a pequena propriedade não serve: ela depende do investimento do poder público. E o poder público é corrupto demais para investir.

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Mullher
Sex shop chique
O público feminino, maior comprador de produtos eróticos no Brasil, quer artigos sutis e de qualidade

Lena Castellón



Dupla dinâmica: Izabel (à esq.) e Patrizia querem acabar com o tabu que envolve os objetos que esquentam a relação

No meio de um animado chá de cozinha, a ex-bailarina Fátima Moura, 43 anos, comenta que vai mostrar as qualidades de um vibrador que trouxe na maleta. Uma elegante senhora, que até aquele momento assistia impassível à algazarra, arregala os olhos. Calma, pede Fátima, ao mesmo tempo que exibe uma réplica de 20 cm de um pincel de blush. Ela gira a base do artefato fazendo-o vibrar. Em seguida, acaricia com ele o próprio pescoço. O efeito é uma cócega. É para isso que se presta o brinquedo. A senhora suspira aliviada.

Artigos discretos como o pincel estão entre os itens que mais despertam a atenção das mulheres que contratam os serviços de Fátima, uma revendedora domiciliar de produtos eróticos. Há três anos, a ex-bailarina se dedica a essas vendas feitas no que batizou de chá de lingerie ou em reuniões dedicadas a um público com idade entre 40 e 50 anos. É tudo muito chique, com manobrista na porta e garçons. Sempre em bairros classe A, conta. Os grupos são grandes. Em torno de 40 pessoas dispostas a aprender a incrementar a transa e a lidar com esses
objetos do prazer.

Chique também será a loja que as publicitárias Patrizia Curi e Izabel Collor de Mello vão inaugurar em maio nos Jardins, área nobre de São Paulo. A Maison Z é, para suas criadoras, uma butique erótica, e não uma sex shop. Em suas prateleiras, haverá objetos de porcelana com desenhos sensuais, lingeries sexies, literatura apimentada e toda a sorte de brinquedos, dos mais discretos aos mais tradicionais.

A Maison Z traz o lado sutil do erotismo, um conceito de loja novo para o brasileiro, diz Izabel, sobrinha do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Patrizia ressalta que as clientes ficarão à vontade. Poderão dar um tempo no nosso bar enquanto outra pessoa olha um setor, por exemplo. Mas queremos acabar com o tabu e o medo de se entrar numa sex shop, afirma.



Pronta entrega: nos chás de lingerie que organiza, Fátima dá dicas de sexo e vende vários acessórios

Que o negócio está se transformando, os próprios empresários do setor há 500 sex shops no País estão se dando conta. O Brasil está acordando para a tendência de trabalhar com produtos voltados ao amor, algo que já acontece há anos nos Estados Unidos e na Europa, reforça Valéria de Albuquerque, dona da distribuidora Erotic Point, que abastece diversas casas do ramo. Isso quer dizer mudança na oferta de itens, mas também na maneira de receber o público, essencialmente feminino. O serviço tem de ser diferenciado e as lojas devem oferecer cursos como os de sedução.

São coisas assim que elas querem, acrescenta. Valéria abordará o novo conceito de sex shop nesta semana durante a 8ª Erótika Fair, em São Paulo, a principal feira do segmento na América Latina. Ela tem o apoio de Evaldo Shiroma, presidente da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual, um setor que movimenta R$ 700 milhões por ano. Antes, os principais compradores eram homens. Agora, as mulheres respondem por 60% do faturamento, revela.

No caso da loja de roupas Clube Chocolate, de São Paulo, elas são responsáveis por 100% do movimento da área destinada ao erotismo. A empresa carioca abriu suas portas em dezembro na capital paulista com um toque diferente. Inventou uma sala especial com lingeries importadas, chicotinhos estilizados e mais um variado aparato erótico, reabastecida de novidades a cada semana. Juntamos produtos sofisticados e engraçados. Quem quiser pode entrar lá e sair vestida para matar, diverte-se o diretor José Xavier Neto.

Esse espaço, conhecido como Clube das Meninas, fica aberto de domingo a domingo e é exclusivíssimo. Homens não entram nem conseguem enxergar o que se passa no lugar. O negócio fez tanto sucesso que a Clube Chocolate do Rio, que existe há dois anos, também terá daqui a dois meses o seu Clube das Meninas. Mulheres, preparem-se.

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Jorge Furtado
17/04/2004


A saúde do planeta

Michael Moore tenta sempre ser engraçado, e isto é chato, mas seu novo livro Cara, Cadê o Meu País? merece ser lido, se não pelas piadas, pelas muitas informações. Por exemplo, sobre as relações de Bush, sua turma de piratas do petróleo e a ditadura que governa a Arábia Saudita. O império corporativo não gosta muito de ditaduras não lucrativas, como a de Cuba, mas detesta especialmente as ditaduras que eles mesmo implantaram (e armaram) e que afinal se revelaram más gerentes regionais dos seus negócios.

É o caso de Saddam Hussein no Iraque e dos Talibãs no Afeganistão. Já a ditadura árabe, bem, esta é uma maravilha! Você nunca achou estranho que depois de um ataque feito por árabes (eu sei, todos são morenos com bigodes, mas preste atenção, os árabes são da Arábia Saudita), cujo líder supostamente estava escondido no Afeganistão, o governo americano tenha decidido invadir... o Iraque? Por que não invadir, por exemplo, o Uruguai, uma país muito mais bonito e igualmente sem qualquer relação com o atentado?

Para justificar o saque ao petróleo iraquiano, Bush e turma tiveram que inventar muitas histórias, juras de amor entre Saddam e Bin Laden (que se odeiam), armas de destruição em massa (que não encontraram) e, minha piada preferida: "Eles odeiam a liberdade! Vamos invadi-los e conquistá-los para ensiná-los a ser livres!". Não é ótima? "Seja livre senão eu te arrebento!" "Claro, senhor, como não? Já estou livre! Livríssimo!"

Para saber mais sobre o golpe que deu a George W. Bush a presidência da Nova América Corporativa, a sugestão é A Melhor Democracia que o Dinheiro Pode Comprar, de Greg Palast (também da editora Francis). Palast é um jornalista-economista americano que mora e trabalha há muitos anos na Inglaterra.

Foi ele quem descobriu que a fraude que deu a Bush a vitória na eleição americana (comandada por seu irmão Jeb, governador da Flórida) incluía a eliminação ilegal de quase 30 mil negros das listas de eleitores, não é bacana? Al Gore (o adversário de Bush) recebeu mais de 80% dos votos dos negros que puderam votar. Bush, você lembra, acabou ganhando a eleição por 573 votos, na Flórida.

Se você não quer piadas, gosta do gênero terror e está pronto para conhecer o grupo que manda no Bush, há um livro ainda melhor: Os Novos Senhores do Mundo, de John Pilger (Record). Ele analisa o jogo de interesses que determina os programas de "saneamento econômico" e "ajustes estruturais", a chamada "lição de casa" a que são submetidos países como o Brasil. As regras são ditadas pela Organização Mundial do Comércio (governada pelo quarteto EUA, Europa, Canadá e Japão) e pelo triunvirato de Washington: Banco Mundial, FMI e tesouro americano.

São políticas que, para garantir o pagamento das dívidas aos bancos e em nome da saúde financeira do planeta, impõem aos países pobres cortes de investimento, por exemplo, em saneamento básico. E enquanto os ricos ficam cada vez mais ricos, seis mil crianças morrem diariamente no mundo com diarréia, pela simples falta de acesso a água potável. São quatro crianças por minuto, quatro crianças inúteis para a saúde financeira do planeta.

jorge.furtado@zerohora.com.br

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Lya Luft
17/04/2004


Todos nós

Sou boa gente, mas não sou boazinha.

Sou pouco simpática em relação a alguns temas.

Várias coisas me irritam. Muitas me causam indignação.

Uma delas é que nos queixamos eternamente e nada fazemos. Como em relação à violência, assunto soberano dos noticiosos e conversas. A violência das ruas poderia ser controlada se houvesse real vontade. Não falo só do presidente, dos ministros, dos governantes, dos que têm algum poder. Falo do geral. Falo dos brasileiros. De mim, de nós.

Vejo o jogo de empurra-empurra, de acusações, ironias, brincadeirinhas no Rio e em Brasília, vejo cada um de nós desviando os olhos e mudando de assunto, e me entristeço e confundo.

É impossível que seja impossível pelo menos inibir o poder do narcotráfico, que ri de nós, debocha de todo mundo, sobretudo na bela cidade do Rio, onde morei, onde tenho amizades especiais, para onde vou tão seguidamente, e com a qual me ligam mais uma vez laços sentimentais provavelmente definitivos.

Interesses maiores do que a segurança e a vida dos seres humanos prevalecem sobre todo o resto, e talvez seja melhor nem querer saber quais e de quem são.

Não tenho informação nem cacife para falar disso detalhadamente. Quem é que tem? Quem sabe do que vai atrás dos bastidores, quem conhece bem o jogo de poder, de poderes, os mais óbvios e os mais escusos? Os mais sombrios? Quem sabe possivelmente não quer nem pode falar: o medo o persegue também.

Mas sobre uma coisa posso falar (repetindo porque já escrevi), porque é tão simples que qualquer adolescente enxerga. Sei que vou ser profundamente antipática para muita gente e parecer preconceituosa para muito mais gente.

Cada vez que um de nós, por brincadeirinha, ou vício doloroso, ou, como dizia minha velha mãe, "para se fazer de interessante", fuma um cigarro de maconha ou cheira uma fileira de cocaína, está colocando no cano de uma arma a bala, perdida ou não, que vai matar uma criança, uma mãe de família, um jovem ou um operário em uma esquina de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, ou de qualquer cidade do país.

Ou mesmo em alguma estradinha do nosso interior: outro dia assaltaram o templo budista em Três Coroas. Não conheço lugar mais pacífico. Não é absurdo pensar que aqueles encapuzados estivessem drogados, ou que suas armas fossem fornecidas por traficantes.

Não sou ingênua a ponto de pensar que todo o mal do mundo se liga ao narcotráfico, nem toda a violência nasce dali. Somos animais predadores. Mas que usando drogas colaboramos para que esse lado brutal, boçal e cruel se desate e transborde, ah, isso, sim. Há muitos anos, um amigo, que acabei perdendo de vista, num jantar íntimo subitamente chorou na frente de todos, lamentando a permissividade com que tinha fumado maconha junto com seus filhos adolescentes querendo ser um pai moderno. Para ele, uma brincadeirinha. Para um deles também fora apenas engraçado, não passou disso, uma ou duas ocasiões de camaradagem. Mas para os outros dois, um rapaz e uma menina, tinha sido o começo de uma escalada trágica. Em alguns anos eram drogados graves: a moça foi internada várias vezes, cocainômana irrecuperável. O rapaz aos 40 anos morreu de cirrose do fígado - maconha, cocaína, bebida. Nessas almas mais frágeis ou nesses organismos predispostos a isso, a mera experiência abriu a porta do inferno.

O pai foi diretamente culpado? Não. Não é tão simples assim a vida. Mas a dor que jorrava de sua alma diante dos amigos atônitos me veio à lembrança quando comecei a escrever esta crônica: somos todos de certa forma responsáveis cada vez que tratamos com leviandade o uso de drogas, como se fosse brincadeira. Pois atrás de cada tragada ou picada ou cheirada está o traficante, está a arma, está a escravidão em que vivemos todos nós, coelhos assustados, cercados de arame eletrificado, nossas crianças dentro de casa, os verdadeiros culpados sorrindo ironicamente entre um e outro delírio. Ou muito mais lúcidos do que nós, que deliramos na ilusão de que não temos nada com isso: de que somos apenas espectadores casuais, ou vítimas inocentes.

lya.luft@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
17/04/2004




Foto(s): Genaro Joner/ZH

Com avental e soro

Há muito tempo que a imprensa se arrogou um novo papel ou a ele foi levada pela pressão da sociedade: a de muro de lamentações das pessoas que se sentem lesadas em seus direitos por entidades privadas ou órgãos públicos.

Zero Hora já se acostumou a ser desaguadouro dessas reclamações e até se aparelhou para recebê-las e veiculá-las, apesar da delicadeza que consiste a avaliação sobre a legitimidade das denúncias.

Só que ontem, às 10h, a Redação do nosso jornal foi apanhada de surpresa por uma cena que tinha um misto de patética e pitoresca...



Foto(s): Genaro Joner/ZH

... O funcionário público Gustavo Dahm, 31 anos, (foto) abandonou as dependências do centro clínico de um hospital da Capital, apanhou um táxi, ostentando o avental de paciente, chinelos e todo o aparato de bomba e seringa de soro ligado nas suas veias e sustentado por esparadrapos - e rumou aqui para o prédio do jornal, parecendo inicialmente ser integrante de um bloco de sujos carnavalesco.

Não era. Era paciente mesmo. E veio para reclamar que estava havia três dias aguardando por uma cirurgia no hospital, enquanto o seu plano de saúde não concordava com o preço da prótese que seria implantada em seu corpo e foi exigida pelo médico (R$ 30 mil), tentando negociar uma prótese mais barata, enquanto os preparativos para a cirurgia esbarravam na enfermaria pelo impasse negocial, como informam as fotos tiradas aqui em Zero Hora e exibidas aqui.

Felizmente, enquanto se encontrava na Redação de Zero Hora, o hospital comunicava ao paciente que a cirurgia estava pronta para ser realizada: o plano de saúde finalmente concordara com a cirurgia da hérnia no disco e com o pagamento da prótese exigida pelo segurado.

Mais uma vez o jornalismo socorreu a aflição de um dos seus leitores.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Clima
Piscina no outono



Calor de até 34,5ºC prolonga a temporada e mantém alta a freqüência nos clubes, como a Sogipa, em Porto Alegre (foto Mário Brasil/ZH)

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UMA LÁGRIMA

Fátima Irene Pinto

Pelo beijo que eu não te dei,
Pelo afago que eu sufoquei,
Pelos sonhos que malbaratei,
Pelo encontro que em vão sonhei.
Pelo beijo que não me roubaste,
Pelo afago que me recusaste,
Pelo encontro que tu evitaste,
Pelo sonho que tu não sonhaste.

Uma Lágrima ...

Pela mão que não entrelacei,
Pelo olhar que jamais cruzei,
Pela valsa que eu não dancei,
Pela música que não entoei.
Pela mão que não apertaste,
Pelo olhar que tu desviaste,
Pela dança que tu não dançaste,
Pela canção que não escutaste.

Uma lágrima ...

Pela espera da festa...sem festa,
Pela espera do gozo...sem gozo,
Pela espera da vida...sem vida,
Pelo ápice do fim...sem fim.

Uma lágrima enfim,

Sem festa...pela fresta que tu me fechaste,
Sem gozo...pois no meio do caminho declinaste,
Sem vida...foste minha luz e te apagaste,
Sem fim...começaste a amar e não terminaste !


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Sexta-feira, Abril 16, 2004




Foto: Luiza Dantas/CZN
Repórter: Mariana Meireles


Curinga apaixonado

Ângelo Paes Leme interpreta o Soldado Peixoto na novela "Chocolate com Pimenta", da Globo

Ângelo Paes Leme, o Soldado Peixoto de "Chocolate com Pimenta", da Globo

A novela é cômica e calcada na fantasia, mas Ângelo Paes Leme leva à sério os conflitos de seu personagem em "Chocolate com Pimenta". Ele fica um tempão analisando o lado psicológico do Soldado Peixoto e contando os novos rumos dele na trama de Walcyr Carrasco. Como a participação na investigação do advogado Guilherme, vivido por Rodrigo Faro, sobre o plano de Jezebel, personagem de Elizabeth Savalla, que fez Ana Francisca, de Mariana Ximenes, perder tudo o que tinha.

A participação de Ângelo na novela começou tímida, mas aos poucos ele foi ganhando mais espaço. O ator confessa que aceitou fazer o personagem sem saber direito qual a importância dele e por isso está feliz com o resultado. "Acredito no meu trabalho, mas não sabia se ia render porque não me prometeram nada. O próprio Walcyr me disse que no início ele não estava bem desenhado. Por sorte virou uma espécie de curinga", conclui Ângelo, acrescentando à idéia o fato de o personagem circular por todos os núcleos da trama.

Estar numa novela de sucesso e com um personagem que cresceu não traz mais tranqüilidade a Ângelo em relação à carreira. O ator, que conseguiu este papel através de testes, reclama da falta de convites - estava sem atuar desde "Uga-Uga", novela de Carlos Lombardi exibida em 2000, quando interpretou o gago Salomão. Situação um pouco complicada para quem foi protagonista jovem logo no segundo trabalho na tevê - como Caio na novela "História de Amor", de Manoel Carlos, em 1995.

"Quando acaba a novela, parece que zera tudo. Em Uga-Uga o meu personagem fez sucesso e não fiz nada depois. Provavelmente terei de passar por testes para o próximo trabalho", conforma-se, mas em seguida diz que o clima de "Chocolate com Pimenta" compensa qualquer dificuldade. "Chego e saio feliz das gravações", garante.

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Ponto a ponto

Da Siqueira Campos à Pavuna, um roteiro com o que há de melhor para se fazer pertinho das estações do metrô. De teatro e cinema a shoppings e espaços culturais

Alícia Uchôa e Tatiana Contreiras



A rua do Rio fica pertinho da estação de Del Castilho: ferveção

Não é preciso ter carro para aproveitar o fim de semana no Rio. Com o metrô funcionando até a meia-noite de sábado e cumprindo expediente aos domingos, o carioca tem uma boa opção para se divertir longe de casa sem ficar à mercê da sorte de uma carona. Pensando nisso, o Show & Lazer identificou os melhores programas deste fim de semana. De teatro e show a cinema, barzinhos e centros culturais, dá para aproveitar as atrações bem pertinho das principais estações do metrô, que, com a integração, vai da Pavuna até a Gávea.

Para quem só se arriscava a ficar embaixo da terra quando ia a shows no Aterro do Flamengo ou a jogos no Maracanã, está na hora de mudar os conceitos. Hoje, quem não mora próximo à praia, pode ir sem estresse. Sem contar que o metrô passa por importantes centros culturais e parques públicos, diz o diretor de relações institucionais do Metrô Rio, Agostinho Simões, que já pensa em adaptar vagões para bicicletas e pranchas de surfe.



O Cine Odeon BR, na Cinelândia, reúne a garotada no evento RiotecnoMídia, amanhã

Passageiro assíduo, o artista plástico Lauro César Jardim, 65 anos, vê no metrô um aliado. Vou ao cinema, museus e centros culturais de metrô. Quanto mais longe ele for, melhor.

No entanto, enquanto durante a semana passam mais de 450 mil pessoas pelo metrô carioca, só 50 mil passageiros o usam aos domingos, quando funciona de 7h às 23h. Os intervalos são maiores e variam de 8 a 10 minutos aos domingos, contra 4 e 5 nos dias úteis e nos sábados. O bilhete custa R$ 2. O ônibus integração, que sai da estação Siqueira Campos em direção à Gávea, é gratuito, mas não funciona aos domingos.

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Um coração que é abençoado

Exame constata que obstrução em artéria de Roberto Carlos é pequena. Cantor não precisará ser operado, apenas fazer dieta



RIO E SÃO PAULO - O cateterismo ao qual se submeteu o cantor e compositor Roberto Carlos, em São Paulo, não o assustou. Ainda mais depois da constatação de que o coração do Rei continua abençoado. Agradeço o carinho e a preocupação de todos, manifestou-se ontem o artista, em nota. O cantor passou por exames quarta-feira à noite no Hospital da Beneficência Portuguesa, na capital paulista.

Prestes a completar 63 anos, ele fez questão de acalmar os fãs pela Internet (www.robertocarlos.com): Na realidade, estes exames comprovaram que estou muito bem fisicamente. Não há motivos para preocupações, fiquem tranqüilos.

Roberto foi examinado pelo cardiologista especializado em hemodinâmica José Armando Mangione. Após investigação em todas as artérias, foi descartada a necessidade de cirurgia, já que a obstrução era pequena. Mas o cantor terá de fazer dieta. Meu pai cuida da saúde e faz check-up anualmente. Foi um exame de rotina. Ele não estava sentindo nada e tem uma vida regrada. Dorme oito horas por dia, se alimenta bem e faz ginástica, revelou Dudu Braga, o filho do Rei, o Segundinho.

Dudu disse que Roberto viajou para São Paulo de ônibus e que deve voltar até hoje ao Rio, onde pretende passar seu aniversário, segunda-feira. A comemoração deve ser em casa, com a família. Quando a Maria Rita estava viva, meu pai fazia shows beneficentes no dia. Agora prefere ficar recluso, contou.

Cantor trabalha em turnê e na gravação de CD

Roberto está envolvido em duas frentes. A primeira é o planejamento da turnê do disco Pra Sempre, que lançou no fim do ano passado e ainda não foi apresentado pelo País. O início da caravana não deve demorar, segundo afirma o Rei. Vou estrear muito em breve, garantiu.

Os planos não param por aí. Continuo produzindo um CD em espanhol, contou. O disco já está bem encaminhado, e a previsão é que seja lançado no segundo semestre. Enquanto isso, ele pretende seguir as orientações médicas, que são simples: manter o colesterol sob controle. Na nota, o Rei se despede como quem volta logo: Muito obrigado e um beijo para todos. (Reportagens de Daniella Daher, Érika Röesler, Eusébio Galvão e Pedro Motta Lima)

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Mauren Motta
16/04/2004


Domingo no parque

No último final de semana fui para Gramado. A Serra gaúcha é um dos lugares mais românticos do mundo. Segundo o Gustavo, nem que a gente tivesse programado estaria tão perfeito. Era como praia com sol ou Natal com neve. O fog abraçava as árvores, a cerração cobria as casas. O vinho tinto parecia mais saboroso acompanhado de chocolate. Amor aos pedaços.

Junto com a gente, um turista acidental iluminava e enfeitava a casa. Pop Arte é um pequenino filhote de lhasa apso - e o nosso mais novo amigo. A caminhada na manhã gelada foi uma agradável surpresa. Fazia uns 20 anos que não pisava no Parque Knorr. As lembranças da infância foram aos poucos se misturando às do Natal. Sim, o parque agora é temático, e lá é Natal o ano inteiro. Solto pela grama, meu primeiro filho nunca experimentou tanta liberdade. O pequeno cão transitava pelo lugar com ares de floresta encantada como se já conhecesse.

O feriado passou voando. Na volta pra cidade, fui visitar uma amiga e fiquei chocada: no prédio ao lado da casa dela, um pai encontrava na calçada os filhos do primeiro casamento para entregar as encomendas do coelho. O tamanho dos embrulhos parecia quantificar culpa. Quantos homens e mulheres não teriam passado o domingo de Páscoa longe de seus filhos? Quantas crianças não teriam esperado em vão a chegada dos pais? A tolerância zero afasta os casais e traumatiza as crianças. Parece que ninguém tem saco pra agüentar uma relação difícil. E os filhos nessa história?

Muitas vezes, eles acabam pagando pelos desencontros dos adultos. Ao mesmo tempo, os pais têm direito à felicidade. Novos parceiros podem enterrar os erros do passado e apontar caminhos diferentes para o futuro. Uniões complicadas jamais serão apagadas. Uma criança sofre muito mais ao ver os pais brigando do que aceitando uma nova relação. Sejamos práticos e não ciumentos.

O ano passado foi bem complicado. Soube de muitos rompimentos. A sorte é que este ano é do amor. Passadas as energias negativas, segundo os astros, daqui pra frente é só love! Melhor assim. Muitas crianças ainda devem conhecer lugares como o Parque Knorr acompanhadas de seus pais. Foi assim que aconteceu comigo e eu nunca mais esqueci.

Foi assim com os filhos do Gustavo e ele nunca mais esqueceu. Gramado me lembra família, estar junto, dormir abraçado, respirar ar puro. E são com essas lembranças que eu quero ficar. Dedico a coluna de hoje aos meus pais. Parece caretice, mas não é. Meu pai sempre encheu a minha vida de sonhos e minha mãe sempre me trouxe para a terra. Mesmo diferentes, eles ainda estão juntos e eu, superfeliz.

Beijolas amorosas.

mauren@rbstv.com.br

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David Coimbra
16/04/2004


O amor contra a batatinha

Tem umas pessoas que andam por aí com garrafinhas d´água na mão. Aquelas garrafinhas para andar de bicicleta, manja? As pessoas as enchem d´água e vão com elas a toda parte, trabalham com aquelas garrafinhas em cima da mesa. Sabem o que estão fazendo? Se hidratando. Elas não bebem água porque têm sede; bebem para se hidratar.

Essas pessoas, quando elas comem, elas não comem bife, massa ou Chico Balanceado. Elas repõem proteínas, carboidratos e glicose. Elas também não praticam esporte; fazem ioga. Não ióga, como você sempre disse. Iôga. Com ô fechado. Substantivo masculino, não feminino. O iôga. Como suportam uma concordância esquizofrênica dessas, o ioga? Que côsa.

Imagino um desses camaradas se preparando para o sexo:

- Querida, vamos dar uma fecundada?

Mas, tudo bem, eles que façam lá seu iôga e reponham carboidratos à vontade. O problema é que, como há cada vez mais gente com garrafinhas d´água na mão, certas coisas vão acabar. Como a batatinha frita. Existe toda uma campanha contra a batatinha frita. Sei de um sujeito que proibiu a namorada de comer batatinha frita.

- Me promete: - rogou ele, sacudindo-a pelos ombros - batatinha frita nunca mais. Nunca mais!

Ela, voz embargada, prometeu. Em nome do amor.

Isso a batatinha. O que acontecerá no dia em que a moça provar lingüiça frita. Cristo, a lingüiça frita é capaz de matar um carregador de garrafinhas. Excesso de gordura saturada no sangue, algo assim.

Outra: o estrogonofe de nozes e chocolate que o meu amigo Zé Antônio Pinheiro Machado apresentou no programa do Anonymus. Como é que um carregador de garrafinhas conseguirá provar um estrogonofe de nozes e chocolate sem ter um troço? Não consegue, claro. E fará campanhas para que ninguém prove.

Para que todos se mantenham longe dos estrogonofes de nozes e chocolate, da cerveja, do chope, da batatinha frita. Já estou vendo aquelas campanhas intermináveis e inclementes. Até a vitória. Até transformar os apreciadores de batatinha em párias. Os apreciadores de batatinha serão tão discriminados como os fumantes. Aí o mundo será menos colorido. E muito mais triste. Porque, é o que sempre digo, a vida sem um pouco de gordura não vale a pena ser vivida.

david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
16/04/2004


Traficante adorado

A cerimônia de sepultamento do chefe do tráfico na Favela da Rocinha, Luciano Barbosa da Silva, 27 anos, levou ontem ao Cemitério São João Batista do Rio cerca de 500 moradores da favela, que se mostravam consternados com a morte de seu líder. < Oito ônibus alugados levaram os moradores da Rocinha até o cemitério, tendo havido cenas de pesar e lágrimas por parte dos que foram dizer adeus ao traficante, morto pela polícia anteontem. >

Oito ônibus alugados levaram os moradores da Rocinha até o cemitério, tendo havido cenas de pesar e lágrimas por parte dos que foram dizer adeus ao traficante, morto pela polícia anteontem.

É elucidativa a palavra do coronel PM Jorge Braga, chefe da operação policial na Rocinha: "O comércio não fechou hoje por falta de segurança, foi em sinal de luto pela morte de Lulu. Vejo como respeito da comunidade a uma pessoa que eles gostam. Embora fosse traficante, ele era querido. Há um sentimento da comunidade que a polícia e o povo têm de respeitar".

Esse pronunciamento do coronel define um dos liames da complicada teia de relacionamento entre moradores das favelas, traficantes e policiais no trágico cenário carioca.

Por que Luciano Barbosa da Silva, o Lulu, enterrado ontem, era um ídolo para a maior parte dos moradores da Rocinha?

A polícia aparece lá na favela de vez em quando, quando explodem as crises. O resto do tempo, a rotina do dia-a-dia, tem de ser administrado por alguém.

E na Rocinha despontava o vulto de Lulu como um misto de bandido, justiceiro e assistencialista. Um morador assim definiu Lulu: "Era um bandido bom".

Lulu não costumava envolver a comunidade da Rocinha em assuntos do tráfico. Além disso, ele utilizava de seu poder de chefe do tráfico na favela para prestar auxílio a moradores que passavam por dificuldades.

O impressionante é que era Lulu quem garantia segurança pública aos moradores da Rocinha: ele proibiu terminantemente que os bandidos da Rocinha assaltassem os moradores da favela e da região de São Conrado (classe média ou rica).

Um morador da favela assegurava ontem: "Ele dizia que pobre não pode roubar de pobre nem de vizinho. Se um morador precisasse de remédios, Lulu pedia para mostrar a receita e ele mesmo comprava".

Uma comerciante conta como instalou seu negócio na Rocinha: "Lulu me mandou um mensageiro, dizendo que sabia que eu estava lá pra trabalhar e que ficasse tranqüila. Podia contar com ele para o que precisasse, me assegurou que eu não precisava ter medo".

Essa comerciante decidiu fechar seu negócio em janeiro passado, quando Eduíno Eustáquio de Araújo, o Dudu, fugiu da prisão e passou a ameaçar o império de Lulu na Rocinha, disputa que afinal fez detonar toda a guerra e as mortes recentes na Rocinha.

Por isso é que os 500 moradores da Rocinha gritavam em coro ontem no cemitério: "Olha, Dudu/ pode esperar/ a tua hora vai chegar".

Vemos por aí um fato impressionante: os 60 a 100 mil moradores da Rocinha ficam imunizados de assaltos por ordem dos traficantes. Os outros cariocas, por exemplo, nas ruas, não têm essa imunidade. Por isso é que a vida na favela se desenvolve normalmente.

Os traficantes aproveitam o vazio do poder público e decretam a ordem na favela, garantindo segurança. Além disso, tornam-se benfeitores da comunidade, o que lhes garante segurança em suas cidadelas, não são denunciados e até fazem dos moradores seus espiões contra a polícia.

O diabo é que só na Rocinha o comércio de drogas fatura R$ 40 milhões por mês. Aí vem a cobiça de traficantes de outras favelas, querendo tomar para si os pontos da Rocinha.

E se instalam as guerras entre as quadrilhas. Na Rocinha e nas outras 600 favelas do Rio de Janeiro.

É impressionante: o crime evita o crime e espalha o crime.
psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Gente
Gramadense é a nova Miss Brasil
Gaúcha Fabiane Niclotti venceu a 50ª edição do concurso de beleza

A partir de hoje, a gaúcha Fabiane Niclotti também pode ser chamada de Miss Brasil 2004. A gaúcha ficou entre as 10 finalistas, escolhida pela votação popular, no concurso realizado ontem à noite em São Paulo.

Com a vitória, a gramadense de 19 anos deve entrar para a história da disputa marcando dois momentos importantes: venceu a edição de número 50 do concurso e é a 10ª gaúcha a conquistar o título.

Mesmo com 1m82cm e olhos cor de esmeralda, Fabiane nunca pensara em seguir a carreira de modelo ou se tornar miss. Chegou a admitir que mal sabia andar de salto alto. A partir de agora, equilibrar-se em sapatos com 10 centímetros de altura será uma de suas atribuições mais simples.

Desde já, além da agenda lotada de entrevistas e participações especiais, Fabiane começa a se preparar para o Miss Universo, no dia 1º de junho, em Quito, no Equador. A partir do dia 12 de maio, data limite para as candidatas estarem em Quito, ela começa a ser avaliada para o concurso internacional.

Na disputa nacional, Fabiane fez bonito desde o início das avaliações. Foi apontada como favorita do público nas votações populares e não demonstrou nervosismo durante as entrevistas. Duas horas antes do concurso, ontem à noite, Fabiane, através do missólogo Evandro Hazi, mandou um recado para o Rio Grande do Sul:

- Vou encarar o concurso como uma brincadeira, como eu fiz até agora, para não ficar muito nervosa. Se vencer, melhor. Mas jamais vou deixar de ser eu mesma - disse a Miss Brasil que, durante o concurso, usou roupas confeccionadas pelo estilista Roberto Raiffone.

Durante a entrevista ao vivo no programa ontem, a cantora Wanessa Camargo perguntou a Fabiane o que a emociona na Enfermagem, que a gaúcha cursa atualmente:

- A parte que mais me toca é a maternidade, o nascimento de uma criança, pois tenho verdadeira paixão pela vida - respondeu.

Foi essa naturalidade que encantou os jurados do concurso. No julgamento estavam personalidades do mundo da moda como o maquiador Carlos Carrasco, a jornalista de moda Lilian Pacce, a cantora Wanessa Camargo, o fotógrafo Gui Paganini e a modelo Gabriela Bündchen, entre outros.

A escalação do corpo de jurados mostrou o caráter moderno e atual dado ao concurso em sua 50ª edição. O figurino do estilista Marcelo Sommer, a participação da modelo Luciana Curtis e do nadador Fernando Scherer na apresentação e os shows de Paula Lima, Alexandre Pires e Zezé de Camargo e Luciano, reforçados pela discotecagem do DJ Felipe Venâncio, provam que o concurso chegou ao século XXI. E com uma representante com pinta de top model.

A miss
- 19 anos
- olhos verdes
- cabelos pretos
- altura 1m82cm
- peso 66kg
- busto 92cm
- quadris 92cm
- cintura 65cm

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Reportagem Especial
Para onde vai a greve do magistério



Levantamento mostra 44,3% de adesão à paralisação
Professores organizaram uma manifestação pelas ruas da Capital até o Piratini, mas negociações chegaram a um impasse (foto Ronaldo Bernardi/ZH)


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Quinta-feira, Abril 15, 2004




Juliana Knust: de gordinha a barriga lisinha

Lívia Perozim

Nada de refrigerantes, doces só no fim de semana e carboidratos, durante a noite, passam longe do prato de Juliana Knust, que ostenta uma barriga lisinha no papel de Sandra em Celebridade. Depois de ter engordado oito quilos para interpretar a rechonchuda Laura em Malhação, em 1995, a atriz, que tinha 15 anos, lutou contra a insistente tendência para engordar.
"Meu metabolismo mudou completamente depois que eu engordei aqueles quilos. Meu corpo já estava acostumado (com a dieta de engorda)", conta Juliana, que pesava 54 quilos e pulou para 62 durante a gravação da novela da Rede Globo.

Depois de sair de Malhação, seu primeiro trabalho na TV, os quilinhos a mais começaram a atrapalhar a carreira da atriz: "A todo novo trabalho que pintava, os diretores me recomendavam perder peso. Essa 'rotina' durou até o final de 2002, quando entrei numa dieta em que cortei completamente os carboidratos por três meses, sendo que o recomendado é ficar sem eles apenas um mês". O sacrifício fez com que a atriz chegasse a pesar 51 quilos.

Embora negligente durante esse período com os carboidratos, já que eles são fontes importantes de energia, com 53 quilos, Juliana diz ter muita disciplina com sua alimentação: "Não aboli os doces e carboidratos, mas evito comer doces durante a semana e carboidratos à noite. Não tomo refrigerantes, como muita salada e grelhados ao longo da semana."

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Sarah Oliveira trocou o balé pelo Pilates

Camila Tavares

Alexandre Tahira/Terra

A VJ durante a aula

O hábito e gosto pelas atividades físicas não são novidade e nem sacrifício para a VJ Sarah Oliveira. "Sempre fiz balé e nunca pude engordar por causa disso", revela.

A fase do balé passou e, agora, a aquariana aposta em meia hora de esteira todos os dias seguida pela prática de Pilates, técnica que, segundo ela, traz alívio do estresse, de dores na coluna, o fortalecimentos dos ossos, a tonificação dos músculos e a diminuição da gordura, além de bem-estar e qualidade de vida.

"O Pilates é um método inventado no século 18. Na verdade eu conheci o Pilates com 15 anos, quando ainda fazia balé. Mas foi há pouco tempo que eu comecei a praticar de verdade. É muito bom, faz super bem", explicou Sarah, em entrevista ao Terra Exclusivo, há dois anos.

Segundo a VJ, o Pilates é o segredo do seu abdmoe bem definido.

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Rei dá susto em súditos

Coração leva Roberto Carlos a hospital em São Paulo. Mas cantor passa bem

Assessoria do Rei Roberto informou à noite que o cantor passa bem

São tantas emoções que os fãs do rei Roberto Carlos levaram um baita susto ontem à noite. A notícia de que o cantor sentiu dores no peito e foi levado para o Hospital da Beneficência Portuguesa em São Paulo pegou muita gente de surpresa. Mas os súditos podem ficar tranqüilos: Roberto passa bem, segundo amigos da família e os médicos que o atenderam.

Não foi tão complicado quanto pareceria a princípio. Ele fez cateterismo (exame para detectar entupimento nas artérias e risco de infarto). Mas nada foi constatado, disse um amigo que preferiu não se identificar.

Equipe médica do hospital informou que o Rei resistiu bem ao cateterismo. Havia suspeita de entupimento da coronária esquerda do coração do cantor, mas nenhuma irregularidade foi constatada.

O exame começou às 19h e durou vinte minutos. Roberto recebeu anestesia local e conversou o tempo todo com o cardiologista que o atendeu, José Pedro da Silva.

Segundo os médicos, o cateterismo do cantor estava marcado para o dia 22. Mas, muito ansioso, o Rei decidiu antecipá-lo para ontem. Roberto foi liberado do hospital duas horas após o exame. Devido à pressão alta, os médicos prescreveram uma dieta para controlar o colesterol.

O caso acontece às vésperas do aniversário do cantor, que completa 63 anos segunda-feira. O Rei passa temporadas na capital paulista, onde tem um escritório e um apartamento, que costuma usar quando visita as filhas que moram lá.

Roberto está numa boa fase da carreira. Em dezembro, ele lançou o disco Pra Sempre, primeiro só de inéditas desde a morte da mulher, Maria Rita, em dezembro de 1999. No fim do ano ele fez dois shows no Maracanãzinho, mas só para gravar especial para a Globo. A turnê do álbum ainda está sendo organizada por Roberto Carlos.

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Flu bobeia e cede empate

Romário fez 2 a 0 no primeiro tempo, mas Grêmio reagiu e agora leva a vantagem para o Sul

Romário, com Edmundo, voltou a marcar e fez dois no primeiro tempo

A festa era para o estreante Danrlei, mas quem comemorou foi o Grêmio, que ontem à noite, no Maracanã, arrancou um empate heróico, em 2 a 2, contra o Fluminense, no jogo de ida das oitavas-de-final da Copa do Brasil. Era a primeira vez que o goleiro enfrentava seu time de coração, pelo qual atuou durante 15 anos sem jamais vestir outro uniforme.

O acanhado público presente ao estádio quis testemunhar o estranho momento. Mas ele acabou se deparando, no início, com o reencontro do Baixinho com o gol. Foi de seus pés que nasceu a esperança de o time se reabilitar do fracasso no Estadual. O atacante marcou duas vezes, pondo o Tricolor carioca em vantagem.

Além da falsa expectativa de vitória, Romário iludiu a si próprio. Com os dois gols de ontem, o atacante aproximou-se da meta dos 900, conforme declarou em entrevista exclusiva ao ATAQUE. Com o resultado, o Fluminense levou a pior no duelo dos tricolores. Dia 5, em Porto Alegre, o Grêmio poderá empatar em até 1 a 1 para passar de fase.

No Fluminense, havia a estréia de Danrlei e outras novidades. O técnico Ricardo Gomes promoveu mais alterações na equipe. Sem Roger, Edmundo tinha a missão de armar. E, na frente, o veloz Alex foi o companheiro do Baixinho.

O Grêmio chegou a assustar nos primeiros minutos. Aos 7, Élton recebeu de Marcelinho e arriscou de longe. Danrlei, mal colocado, assistiu à bola saindo pela linha de fundo. Aos 11, foi a vez de Juca sair jogando errado. Élton, novamente, dominou e chutou de longe, levando perigo.

Mas o Fluminense tinha Ramon e Romário entrosados. Aos 22, o apoiador rolou para o Baixinho, que, com categoria, tocou na saída de Tavarelli, que nada pôde fazer. Cinco minutos depois, em outra tabela com Ramon, Romário partiu do meio de campo com a bola dominada e chutou em cima do goleiro. No rebote, com o gol vazio, ele só teve o trabalho de tocar para a rede.

Veio o segundo tempo e o Grêmio, mais determinado, estragou a festa de Danrlei e de Romário. O gol 900, pelo visto, ficará para o jogo de Porto Alegre. Quanto ao goleiro, acabou não conseguindo impedir que Claudiomiro e Christian empatassem a partida.

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Única. Essa é a palavra perfeita para designar Rita Lee. Sucesso é sua marca registrada. A cantora roqueira, de 56 anos, está em todas as paradas de sucesso no Brasil.

Ela mesma garantiu: Ressurgi, sou a rainha do rock. Sem dúvida que sempre foi. A rainha do rock vai dar o ar de sua graça num grande espetáculo, dia 18 de abril, no Atlantic City. Uma promoção do Jornal O DIA, lançando o camarote Prisma no Piauí Pop - um mgaevento que acontecerá dias 2 e 3 de julho, no Jockey Club.

Os ingressos para o show Balacobaco já estão sendo vendidos no Jornal O DIA, na loja Jelta da Frei Serafim e Bancas do Joel. As reservas de mesas podem ser feitas pelo telefone 216-2100, ou diretamente na portaria de O DIA.

O evento deve entrar para o cenário musical como um dos melhores shows realizados em Teresina, já que o público já está há vinte anos sem prestigiar um show de Rita Lee.

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CONSELHO DAS CIDADES

Eleito durante a Conferência Nacional das Cidades, o Conselho das Cidades começa a atuar a partir desta quinta-feira, dia 15, quando os 71 conselheiros receberão o cargo do ministro Olívio Dutra, que presidirá o órgão. Pela Caixa, participam do Conselho os vice-presidentes de Desenvolvimento Urbano e Governo, Aser Cortines - na condição de titular - e de Benefícios, Carlos Borges, como suplente.

A cerimônia de posse está marcada para às 10h, no auditório do subsolo do Bloco 'A' da Esplanada dos Ministérios, e representará a culminância de um amplo e democrático processo realizado em 2003, para discutir a situação atual e, principalmente, o futuro das cidades brasileiras.

"O Conselho simboliza uma conquista de lutas históricas que contam com o envolvimento de diversos segmentos sociais pela questão urbana do país", salienta a coordenadora de Relações Comunitárias do Ministério das Cidades, Íria Charão, que coordenou todo o processo de realização das conferências.

Deflagrado pelo Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em abril do ano passado, o processo de conferências das cidades mobilizou representantes da sociedade e do poder público de 3.457 cidades, de junho à agosto, durante a etapa municipal e todas as unidades da federação, de agosto à setembro, na etapa estadual.

Nesses dois meses, estima-se que 320 mil pessoas tenham se reunido, para formular e debater soluções para os problemas urbanos de Saneamento Ambiental, Habitação, Organização Territorial, Transporte e Mobilidade Urbana e Trânsito que, posteriormente, foram apresentadas e discutidas no âmbito da Conferência Nacional.

O ConCidades, que é formado por representantes do poder público municipal, estadual e federal, movimentos populares, entidades empresariais e profissionais, sindicatos de trabalhadores, organizações não-governamentais, e instituições de ensino e pesquisa, terá caráter consultivo e deliberativo e participará ativamente na construção de uma pólítica nacional de desenvolvimento urbano em parceria com o Ministério das Cidades.

Competirá ao ConCidades não só propor normas e diretrizes para a aplicação das políticas urbanas, como também para a distribuição regional e setorial do orçamento do Ministério das Cidades. Também será função dos conselheiros o acompanhamento da execução dos programas do Ministério.

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Nilson Souza
15/04/2004


Diálogo interno

A moça que escreve o meu horóscopo sabe das coisas. Como bom virginiano ¿ racional e cético ¿, não acredito em nada do que ela diz, mas me divirto com as suas observações sempre pertinentes. Ela costuma me chamar de Amigo Virgo para amaciar a pancada, mas logo me acusa de estar trabalhando demais, de ser excessivamente organizado, previdente, metódico e detalhista. Enfim, um chato. E o pior é que sou mesmo tudo isso. Mas como não creio em previsões astrológicas, leio e finjo que não é comigo.

Outro dia, porém, ela me deixou verdadeiramente encucado. Disse que os virginianos são tão reservados que às vezes escondem coisas até de si mesmos. E recomendou: "Invista no diálogo interno. Ouça-se com atenção".

Comecei a pensar no assunto e me assustei. Será que ando escondendo algo de mim mesmo? Que tipo de segredo tenho guardado a sete chaves com medo de sair revelando por aí? Será que não sou discreto o suficiente para preservar algo que só eu mesmo poderia me segredar?

Comecei a me sentir um sujeito inconfiável.

E o mais grave é que sou incapaz de seguir a sua recomendação. Para ouvir-me com atenção, como ela sugere, teria que falar comigo mesmo. Em primeiro lugar, não poderia ser em voz alta. Morro de vergonha de ser flagrado conversando sozinho. Na frente do espelho, nem pensar. Sentir-me-ia ridículo. Nunca falei com meus botões nem com o meu travesseiro, a não ser uma vez, num delírio de febre alta. Disse um monte de bobagens, me contaram depois. Mas, quando recobrei a consciência plena, já não me lembrava de nada do que tinha dito ou ouvido.

Em silêncio me saio melhor. Dia desses cheguei a iniciar um bom diálogo interno quando saí para a caminhada matinal e comecei a planejar o que faria até a noite, sempre considerando mais de uma alternativa. Estava até me divertindo com a brincadeira. De repente, fui surpreendido por uma cena inusitada. Uma enorme lua branca me fitava sobre o rio. Aí um bando de maçaricos decolou da água, formou um vê na contraluz do astro tardio e levou meu pensamento para algum lugar distante.

Quem disse que os virginianos são imunes a abstrações?

nilson.souza@zerohora.com.br

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Leticia Wierzchowski
15/04/2004


Das brancas madrugadas

Viajamos pela Páscoa e, num destes dias, fui buscar uma amiga que chegava num ônibus ao alvorecer. Saí da cama às cinco da manhã, mergulhando naquele mundo mágico das coisas desacordadas, um mundo silencioso, estático e gelatinoso, um mundo como que preso de um feitiço, tal qual o reino onde a princesa, vítima de uma malévola bruxaria que uma feiticeira lhe lançou ainda no seu nascimento, é posta a dormir depois de tocar com o dedo numa roca proibida. As horas brancas da madrugada, onde as casas cerradas guardam o sono dos seus donos; onde o tempo anda de chinelas e pisando leve, na ponta dos pés, como uma daquelas tias velhas dos poemas do Mario Quintana.

Acordar no meio da noite - para mim que sempre desperto com o sol alto -, acordar no meio da noite, não para sossegar o filho preso de um sonho ruim, não para amamentar o bebê no berço ou trocar sua fralda e sentir a delícia do seu corpinho cálido; acordar no meio da noite para sair à rua é uma experiência estranha e mágica. A rua onde eu vivo não é a mesma no meio da noite. A cidade não é a mesma no meio da noite, nem ampara nas suas calçadas os mesmos habitantes da cidade diurnal. Tudo é da lua e das estrelas, e até o mar, o mar onde eu molho os pés e onde meu filho brinca de correr das ondas, é outro no meio da noite. Misterioso e amarelado, o mar é uma colcha espessa que geme no meio da noite como um grande animal que subitamente perde o sono.

Assim me fui, naquela madrugada, dirigindo o carro pelas ruas desertas, o trajeto foi feito em cinco minutos; no meio da noite a cidade entrega-se sem receios. Na rodoviária, os únicos laivos da vida: as caras insones dos dois guardas, o rosto triste, acabrunhado, da moça no balcão da companhia me dizendo que o ônibus chegaria em dez minutos, e uns poucos e ruidosos adolescentes desfeitos de alguma festa que passaram pela calçada cantando alto por uns poucos instantes; logo suas vozes morreram, apagaram-se como uma fogueira onde se joga um balde de água. Até mesmo para eles o silêncio imponderável da cidade adormecida causou estranheza, o grupo seguiu outra vez quieto pela rua deserta, enquanto eu buscava um banco onde me acomodar. Os dez minutos transformaram-se em quarenta, uma eternidade de silêncios e de bruma. A madrugada arrasta-se preguiçosamente na sua esteira de segredos; e então, como um aviso, como uma mágica, uma criança chora no prédio em frente e esse choro, agudo e sincrônico, abre o caminho para a vida: lá para os lados do horizonte uma nesga de vermelho se incendeia trazendo consigo a primeira luz da manhã, numa esquina dobra o ônibus que eu espero. Enfim, o dia finalmente começa. Em seu quarto na rua em frente, a criança pára misteriosamente de chorar.

leticia.wierz@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
15/04/2004


Tem de intervir

O ministro da Justiça disse ontem que só haverá intervenção de tropas federais no Rio de Janeiro quando estiver comprometida a paz pública.

Como? Mas então imediatamente tem de ser decretada a intervenção federal no Rio. É exatamente a paz pública que está comprometida.

Senão, vejamos. Há uns 10 anos, quando os albores da guerra do tráfico começaram a ser vistos no horizonte carioca, a pergunta que nós fazíamos ao Éldio Macedo, que trabalha na RBS e se transferiu para o Rio de Janeiro há 30 anos, era como estava a segurança pública por lá, se havia assaltos, se a população carioca estava tranqüila.

O Éldio respondia que o Rio continuava a ser a cidade maravilhosa inspiradora de tantas canções. O Éldio não via nas ruas por onde passava e em lugar algum o clima de violência que os jornais teimavam em noticiar.

Passaram-se os anos e o Éldio negando a violência carioca, a gente via que era falso aquilo nele, tratava-se apenas de um orgulho por ter feito a opção pelo Rio e lá, durante décadas, ter criado seus filhos e consolidado a sua família.

Eis que em fevereiro estive no Rio e como sempre dei com o Éldio. Cumprimentamo-nos, ele me disse que um dia gostaria de sair comigo, ir a um restaurante, passear por lá.

Mas se traiu: "Quando quiseres, marcamos encontro. Mas que não seja à noite, não saio há muito tempo de casa pela noite".

Pronto, o Éldio, o último baluarte propagandístico do paraíso carioca tinha sido desmascarado. Ele era apenas um dos habitantes do Rio de Janeiro que se confessavam sitiados em suas casas durante a noite.

O Éldio esteve em Porto Alegre na semana passada e confessou finalmente: "O Rio está um terror".

Isto é exatamente o que o ministro da Justiça exige para intervir no Rio: a paz pública ameaçada. Não está só ameaçada, está atingida.

Tenho uma filha, dois netos menores e um genro no Rio de Janeiro. Visito-os seguidamente, telefono seguidamente. E nesse meio tempo converso com várias famílias que moram no Rio.

O sentimento geral dos cariocas é de intimidação. Eles se sentem acuados pelo crime.

E como nasceram na cidade ou a escolheram como a ideal para viver, escondem um impulso de que se envergonham: gostariam de sair de lá, mudarem-se para outro lugar, sentem que suas vidas se tornam gradualmente insuportáveis à medida que crescem a miséria e a criminalidade nos morros e descem para a cidade.

Sentem que passaram a ser agora apenas alvos da estatística, em breve serão atacados pelas mãos armadas.

Evidentemente que não é só o Rio de Janeiro que está ameaçado. Ninguém mais se sente seguro em quase todas as capitais brasileiras.

Mas no Rio de Janeiro é que ficaram mais definidos os traços da guerra civil em que o Brasil está mergulhado já há alguns anos.

No meu entender, o governo federal deveria intervir no Rio de Janeiro imediatamente. E deveria tentar limpar a cidade, como exemplo.

Depois interviria em São Paulo. E assim por diante. Porque se o governo federal continuar de passivo assistente dessa ruptura da ordem nos Estados, vai chegar um momento em que terá de intervir em todos eles, o que será impossível e tardio.

Esse negócio de os Garotinhos ficarem ironizando a intervenção é perigosíssimo. Intervenção se faz contra a vontade de quem é intervindo e não a seu pedido.

O porquê da intervenção? Por que alguma coisa tem de ser feita.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
O país dos doble chapa



Acordo assinado por Brasil e Uruguai em Rio Branco, fronteira com Jaguarão, dá benefícios a moradores da região fronteiriça (foto Patrick Rodrigues, especial/ZH)


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Quarta-feira, Abril 14, 2004




Vinícius de Moraes

PARA UMA MENINA COM UMA FLOR

Porque você é uma menina com uma flor e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno, salvo se você bater pino, que aliás você não vai nunca porque que você acorda tarde e gosta de brigadeiro: quero dizer o doce feito com leite condensado.

E porque você é uma menina com uma flor e chorou na estação de Roma porque nossas malas seguiram sozinhas para Paris no meio de todas aquelas malas estrangeiras. E porque quando você sonha que eu estou passando você p/ trás, transfere a sua ddc para o meu cotidiano e implica comigo o dia inteiro como se eu tivesse culpa de ser assim tão subliminar.

E porque quando você começou a gostar de mim procurava saber por todos os modos com que camisa esporte eu ia sair para fazer mimetismo de amor, se vestindo parecido. E porque você tem um rosto que está sempre num nicho, mesmo quando põe o cabelo p/ cima, como uma santa moderna e anda lento e fala em 33 rotações mas sem ficar chata. E porque você é uma menina com uma flor eu lhe predigo muitos anos de felicidade, pelo menos até eu ficar velho: mas só quando eu der aquela paradinha marota para olhar para trás, aí você pode se mandar, eu compreendo.

E porque você é uma menina com uma flor e tem um andar de pagem medieval; e porque você quando canta nem um mosquito ouve a sua voz; e você desafina lindo e logo conserta, e às vezes acorda no meio da noite e fica cantando feito uma maluca. E porque você tem um ursinho chamado Nounouse e fala mal de mim pra ele, e ele escuta mas não concorda porque é muito meu chapa, e quando você se sente sozinha e perdida no mundo você se deita agarrada com ele e chora feito uma boba fazendo um bico deste tamanho.

E porque você é uma menina que não pisca nunca e seu lhos foram feitos na primeira noite da Criação, e você é capaz de ficar me olhando horas. E pôr que você é uma menina que tem medo de ver a Cara-na-vidraça, e quando eu olho você muito tempo você vai ficando nervosa até eu dizer que eu estou brincando. E porque você é uma menina com uma flor e adora purê de batata, eu lhe peço que me sagre seu Constante e Fiel Cavalheiro.

E sendo você uma menina com uma flor, eu lhe peço também que nunca me deixe sozinho, como nesse último mês em Paris; fica tudo uma rua silenciosa e escura que não vai dar em lugar nenhum; os móveis ficam parados me olhando com pena; é um vazio tão grande que as outras mulheres nem ousam me amar porque dariam tudo para ter um poeta penando assim pôr ela, a mão no queixo, a perna cruzada triste, e aquele olhar que não vê.

E porque você é a única menina com uma flor que eu conheço, eu escrevi uma canção tão bonita p/ você, " Minha namorada", a fim de que, quando eu morrer, se por acaso você não morrer também, fique deitadinha abraçada com Nounouse, cantando aquele pedaço em que digo que você "tem de ser a estrela derradeira, minha amiga e companheira, no infinito de nós dois."

E já que você é uma menina com uma flor e eu estou vendo você subir agora - tão purinha entre as marias-sem-vergonhas - a ladeira que traz ao nosso chalé, aqui nessas montanhas recortadas pela mão presciente de Guinard; e o meu coração põe-se a bater cada vez mais depressa. E porque eu me levanto para recolher você no meu abraço, e o mato à nossa volta se faz murmuroso e se enche de vaga-lumes enquanto a noite desce com seus segredos, suas mortes, seus espantos - eu sei, ah eu sei que o meu amor por você é feito de todos os amores que já tive, e você é filha dileta de todas as mulheres que eu amei;

e que todas as mulheres que eu amei, como tristes estátuas ao longo da aléia de um jardim noturno, foram passando você de mão em mão, de mão em mão até mim, cuspindo no seu rosto e enfeitando a sua fronte de grinalda; foram passando você até mim entre cantos, súplicas e vociferações - porque você é linda, porque você é meiga e sobre tudo porque você é uma menina com uma flor.

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CEF reduz juros após decisão do Copom

20:26 14/04
Agencia Brasil


Após a definição do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) para a taxa básica de juros da economia em 16% ao ano, a Caixa Econômica Federal também decidiu reduzir as taxas cobradas em alguns serviços bancários.

A partir de amanhã (15), os juros do crédito pessoal da Caixa usado para a restituição do Imposto de Renda passarão de 3,55% ao mês para 2,70% ao mês, aos clientes que recorreram ao crédito no ano passado, e para 2,90% ao mês, aos demais clientes.

As taxas dos cartões da Caixa também baixaram. A taxa mínima do serviço passa para 4,61% e a máxima, para 9,54%.

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Justiça decreta falência do jornal Gazeta Mercantil

18:31 14/04
Redação (editorultimosegundo@ig.com)

SÃO PAULO - A juiza Ana Luiza Liarte, da 8ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo, decretou a falência do jornal Gazeta Mercantil. A Samab Cia. Indústria e Comércio de Papel foi nomeada síndica da massa falida. A decisão foi proferida nesta terça-feira.

A justiça fixou o prazo de 24 horas para a Samab assinar o termo de síndica e 20 dias para declarações de crédito. Só com a Samab, que fornecia papel, a dívida do jornal é de R$ 272.328,55 (valor não atualizado).

Segundo o advogado da Samab, Caesar Augustus F. S. Rocha da Silva, a Gazeta Mercantil não pagava os valores da venda desde setembro de 2001. Um primeiro pedido de falência já havia sido feiro pela Samab em outubro de 2003, mas tinha sido suspenso após um compromisso de retorno dos pagamentos - o que não chegou a ser efeutado.

"Fizemos um acordo para parcelar a dívida, retiramos o pedido de falência, mas eles não efetuaram nem a primeira parcela", disse Rocha da Silva.

O novo pedido de falência foi apresentado em dezembro. O jornal foi citado em 10 de março, mas não apresentou a defesa e a quebra foi decretada à revelia.

Segundo o advogado, assim que a síndica assumir o encargo, os oficiais de justiça devem iniciar a lacração e inventário dos bens.

A Gazeta Mercantil pode recorrer, mas ainda não se pronunciou sobre a decisão. Segundo o departamento jurídico do jornal, a edição desta quinta-feira está garantida.

No final de 2002, circulou no mercado a informação que o empresário Nelson Tanure, controlador do Jornal do Brasil, comprou os 'direitos creditórios' que o Bank of America tinha contra o jornal Gazeta Mercantil. Segundo o processo de falência, entretanto, os sócios oficiais do jornal ainda são Antonio Costa Filho, Luiz Fernando Ferreira Levy e Carlos Takeshi Yamashita.

Quem diria hein, a mim surpreendeu bastante, pois leio com assiduaidade este Jornal. Mas, o que não ocorre nas melhores famílias?

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Informática só para maiores

Turma com mais de 50 se rende à tecnologia
Alessandra Carneiro e Mylène Neno


O professor Fernando Oliveira da Silva, 60, passa horas jogando gamão on-line no computador do filho

Foi-se o tempo em que quem tinha mais de 60, mesmo se ainda não tivesse netos, era vista como aquela vovó que passava o dia a tricotar. Hoje, em tempos de novas tecnologias, o que essa turma quer é navegar. Nos Estados Unidos, a terceira idade está cada vez mais conectada. Segundo a pesquisa do instituto Pew Internet Project, 22% das pessoas acima dos 65 anos acessam a Internet.

O crescimento é espantoso: em 1996, apenas 2% nessa faixa etária acessavam a Web e, mesmo em relação a 2000, quando o acesso era de 15%, o crescimento foi de 45%. Já entre 50 e 64 anos, a fatia sobe para 58%. O hábito do consumo on-line também tem crescido: 47% dos internautas acima dos 65 anos já fizeram compras em e-lojas.

No Brasil, essa galera também tem muita sede de aprendizado e história para contar. Em fóruns, salas de bate-papo e até na comunidade Fotolog não param de aparecer representantes da chamada melhor idade. Um ótimo exemplo é a famosa Dona Arlinda, que assina o popular Ser Idosa é Ser Feliz (http://www.fotolog.net/coisadopassado).

Aos 77 anos, Arlinda Marques Machado ganhou fama na Rede depois que sua neta Ana Cristina passou a clicá-la no dia-a-dia em João Pessoa (PB) e postar as fotos no /donaarlinda. Os acessos foram tantos que ela teve que criar um novo flog, o /coisadopassado. Tenho curiosidade em aprender, fico ao lado da minha neta e ajudo a escolher as fotos, conta ela, que tem programa certo toda terça, às 20h: bater papo no canal do iRC #donaarlinda.

O professor de geografia Fernando Oliveira da Silva, 60, já usava, em 1985, o MSX de seu filho para relaxantes partidas de bilhar, mas a amizade com os computadores ficou mais forte de uns três anos para cá, em seu trabalho. Faço tabelas no Excel para controlar a merenda escolar e fazer os pedidos, memorandos e ofícios, além do roteiro de meu programa de rádio Momento Beirão, sobre Portugal, explica.

Fernando admite que ainda falta muito para se tornar um fera da computação. Vivo desfazendo o que faço por não saber onde clicar, especialmente quando mexo no Corel ou Pagemaker, lamenta.

Superado os pequenos percalços, na maioria das vezes o micro é fonte de diversão, e não de dor de cabeça. Tem dias que passo horas jogando gamão on-line, completa.

O trabalho também foi o principal incentivador do gerente administrativo José Ferlúcio Soares, 61, que dá seus primeiros passos rumo à informatização. Tinha vontade de mexer no micro da minha filha, mas preferia não incomodá-la. Até o dia em precisei no trabalho e um colega me ajudou. Já fiz até a minha declaração de renda deste ano pela Internet, conta.

Curioso em desvendar o mundo por trás da tela, Soares quer aprender a mexer no micro e navegar pela Web por conta própria, dispensando os cursos específicos. Tenho muito interesse por baixar música on-line. Gostaria de ter mais experiência nessa área, mas com o tempo vou conseguir, conclui.

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O destino tricolor de Danrlei

Depois de muitos anos de dedicação e de paixão pelo Grêmio, goleiro estréia pelo Flu, hoje, justamente contra seu ex-clube
Hilton Mattos


Ansioso, o goleiro Danrlei reconhece que se ficar pensando em provar alguma coisa para quem está do outro lado pode acabar se complicando

Aos 15 anos, Danrlei chegava ao Grêmio com um sonho: defender as cores do time de coração. Cinco anos depois, o desejo de menino se materializava. Titular absoluto do Tricolor gaúcho, não parou de colecionar títulos. Até se transformar, não só num dos melhores goleiros da história do clube de Porto Alegre, mas também em ícone de uma geração vencedora.

Foram inúmeras conquistas, o carinho incontestável da torcida, mas, dez anos mais tarde, o destino pôs um ponto final nesse romance. E quis ele, também, que Danrlei fizesse sua estréia pelo Fluminense justamente contra o ex-clube, hoje, às 21h40, no Maracanã, no jogo de ida das oitavas-de-final da Copa do Brasil.

Muito engraçado, né? (risos). Mas, se Deus quis assim, fazer o quê?, perguntou o goleiro, sem esconder que ficara surpreso com a obra do acaso. Logo o Grêmio, clube que defendeu por 15 anos sem jamais ter vestido outra camisa (exceto a da Seleção)?

Se fosse para combinar, talvez não desse tão certo, diverte-se Danrlei, ansioso pelo duelo tricolor de logo mais.

Ansiedade, a bem da verdade, é pelo fato de vestir pela primeira vez a camisa 1 das Laranjeiras. Na opinião do goleiro, se for para ficar pensando única e exclusivamente no Grêmio, é possível que ele se desconcentre no jogo e ponha tudo a perder.

Hoje estou maduro. Tenho 30 anos e já vivi outras expectativas na minha carreira. Se ficar pensando em provar alguma coisa para quem está do outro lado ou buscar motivação só porque o adversário é o Grêmio, posso acabar errando. Estou tranqüilo, garante.

Danrlei fez muitos amigos no time gaúcho. Alguns deles vão estar hoje à noite no Maracanã. Como prova de que o coração tricolor bate agora pelas cores verde, branco e grená, ele avisa que não quer papo com ninguém antes de a bola rolar.

Aquela conversa por telefone com diretores, jogadores, roupeiros, massagistas...Isso fica para depois do jogo. Antes, só quero saber de me concentrar, ressalta o goleiro, que soma no currículo dez títulos pela equipe de Porto Alegre.

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Martha Medeiros
14/04/2004


Corpos na rua

Impressionante a foto publicada ontem em Zero Hora de um traficante baleado na Rocinha sendo transportado num carrinho de mão. Eu poderia estender esta primeira frase dizendo "...transportado num carrinho de mão como se fosse um saco de cimento", mas não parecia um saco de cimento, parecia o que era mesmo: um homem morto.

Basta abrir os jornais e revistas para vermos a cara da morte - e o corpo da morte. No Iraque, cadáveres ficam abandonados no meio da rua, na beira da estrada. Ou carbonizados, pendurados em fios de energia elétrica. Nos trens de Madri, a tragédia foi mostrada em close, estilhaços marcando a face de mulheres, pedaços de pernas e braços nos trilhos, tudo na capa, na página central, nas nossas fuças. E aqui nas cidades, da zona sul à favela, vemos, pela abertura das portas, flagrantes de uma perna estendida, ou de um pé para fora do lençol, denunciando que ali jaz alguém, há um corpo que um dia caminhou, dançou, fez sexo, correu no parque, e agora não faz mais nada disso.

Mostrar ou não mostrar estas imagens? Mostrar. Sem apelações, mas mostrar. É função do jornalismo. Não se está inventando nada. Trata-se de informação. Um amigo meu discorda, disse que nos atentados de 11 de setembro não se viu uma única gota de sangue das vítimas, o que é verdade. Mas eu pergunto: precisava, depois das cenas dos aviões se chocando contra os prédios? Nada pode ser mais impactante do que aquelas imagens. Mais seria sadismo.

Eu tento pensar que o meu assombro é decorrência natural do passar dos anos, que meus pais e avós também se assombraram décadas atrás e que meus filhos se assombrarão ainda mais lá adiante, que é da vida esta brutalidade e que não estamos vivendo nenhum caos excepcional, que não estamos assistindo ao fim do mundo, apenas assim é: a violência cresce e aparece.

Mas já não consigo encarar a violência como normalidade. Eu, que nunca fui de alarmismos, me desconheço no medo. Concordo com o Paulo Sant'Ana quando ele diz que a democracia está ameaçada. Mas alguém pode imaginar a volta da censura, da repressão? Tem que haver outra saída. E para encontrá-la, o primeiro passo é escancarar a situação, assombrar sem banalizar.

Enquanto isso, seguimos indo a shows, ao estádio de futebol, levamos as crianças ao colégio, freqüentamos restaurantes e assim homenageamos o cotidiano com nossa presença e nossa esperança. É uma tentativa legítima de buscar alegria num mundo ferido de morte, onde já não dá pra fingir que nada disso é com a gente, que é realidade dos outros. Sem fronteiras, já não existe o mundo dos outros. Está tudo muito perto.

martha.medeiros@zerohora.com.br

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David Coimbra
14/04/2004


A peruca do seu Gervásio

Meu chefe usava peruca. Trabalhávamos numa repartição pública, eu era estagiário e seu Gervásio, esse o nome dele, sentava-se a uma mesa no fundo da sala, de frente para nós, funcionários. Seu Gervásio ficava lá sentado, nos olhando. Era só isso que fazia: ficar sentado, nos olhando. Por Deus. O dia inteiro. Seu Gervásio chegava antes das oito debaixo daquela peruca muito preta e, em silêncio, sempre em silêncio, percorria o corredor formado pelas nossas mesas e se aboletava na dele, encostada à parede. A postura do seu Gervásio era admirável, ele nunca deve ter sofrido problemas de coluna. Acomodava-se bem retinho, bem durinho, as mãos pousadas no tampo da mesa, e nos observava, sem nunca fazer nada ou falar nada.

Já pensou ficar durante oito horas parado, sem balbuciar palavra, sem ler, ou ouvir rádio, ou ver TV, ou trabalhar, nada? Pois o seu Gervásio ficava assim. Primeiro achei que seu Gervásio era um homem muito inteligente. Afinal, durante todo aquele tempo, o que ele fazia: pensava! Refletia sobre a vida, o homem e suas circunstâncias. Deve ser um filósofo, acreditava eu. Então, quando ele falava, o que acontecia cerca de uma vez por semana, eu ouvia. Prestava atenção. Esperava que dentre seus lábios emanasse os ensinamentos mais densos, a sabedoria em estado puro.

Pois bem. Seu Gervásio me decepcionou. Depois de ter ouvido seu Gervásio falar uma dezena de vezes, concluí que se tratava de um obtuso. Seu Gervásio era tão profundo quanto aqueles caras que gastam uma hora discorrendo acerca de quantos quilômetros seus carros fazem com um litro de gasolina. Até acho que seu Gervásio falava de quantos quilômetros o carro dele fazia com um litro de gasolina. Em resumo, o homem era uma besta.

Restava um mistério: por que seu Gervásio se comportava daquele jeito, paradinho, quietinho, quase imóvel, só olhando, olhando, sem fazer nada, por quê? Após espremer minhas células cinzentas todas, deduzi: por causa da peruca! Lógico: a peruca do seu Gervásio era uma daquelas perucas antigas, de franjinha redonda, que se equilibram precariamente no alto do crânio. Seu Gervásio, portanto, não queria de maneira alguma correr o risco de ver sua peruca escorregar e cair, seria mesmo um fiasco, ele tinha toda a razão. Assim, seu Gervásio evitava movimentos bruscos. Na verdade, evitava movimentos em geral. Até respirar muito forte ele evitava.

E eu achando que seu Gervásio fosse um Sócrates do serviço público. Ao menos aprendi: inação não é o mesmo que ponderação ou reflexão. A direção do Grêmio não agir para reforçar o time, por exemplo, não significa que esteja fazendo as coisas com calma e parcimônia. Nada disso. Significa apenas que não está fazendo as coisas. Agora, o seu Gervásio tinha a peruca como desculpa. Qual será a peruca do Grêmio?

O fãTiago Prado diz estar orgulhoso porque hoje marcará seu ídolo Romário. Ouvi outro zagueiro dizer isso, certa feita. Foi em 86. O Criciúma jogaria contra o Vasco pelo Brasileirão e o zagueiro do Criciúma, um tipo esguio porém forte chamado Silvio Laguna, falou que estava contente porque era vascaíno, seu sonho era jogar no Vasco e ele se defrontaria com seu ídolo Roberto Dinamite. Que, a propósito, completou 50 anos ontem.

O Criciúma vinha bem no campeonato. Não perdia para ninguém. Na hora do jogo, lá pelo meio do primeiro tempo, Paulo Roberto, o Coelhinho, foi ao fundo pela direita e levantou a bola na área, no segundo pau, onde estava o Dinamite, marcado por Silvio Laguna. Dinamite saltou. Silvio Laguna, que até era um bom cabeceador, ficou olhando. Imagino que admirando a destreza do grande Roberto Dinamite. Desfecho do lance: 1 a 0 para o Vasco. Dez minutos depois, a jogada se repetiu: Paulo Roberto na direita, cruzamento, testaço do Dinamite, gol do Vasco. Assim ficou: 2 a 0. Silvio Laguna teve a pior atuação de sua vida. No setor de imprensa do São Januário, meus colegas jornalistas cariocas, ao saber do sonho de Laguna, comentavam:

- Esse cara nunca vai jogar no Vasco.

Zagueiro não pode ser fã de centroavante.

Consultório sentimental do professor Juninho
Professor Juninho:

Dei peitos novos de presente para a minha mulher. Confesso: fui interesseiro ao dar esse presente. Minha mulher sempre teve seios pequenos. Dois ovos fritos. E eu gosto dos grandes. Olhava para as mulheres de seios fartos e suspirava. Foi aí que pensei: por que não providenciar o aumento dos peitos da minha? No dia do aniversário dela, paguei os peitos. Quase meio quilo de cada lado, uma beleza. O problema, Professor, é que, assim que ela estreou os seios, seios lindos, cheios, novinhos em folha, seu comportamento mudou. A começar pelas roupas. Não foram apenas decotes cavados. Não. Foram minissaias sumárias, saltos altíssimos, calças estrangulantes. E festas. De repente, minha mulher se tornou freqüentadora de festas às quais nunca sou convidado. Ela sai com amigas que não conheço, ela tem jantares, compromissos, até viagens arranjou. Tudo por causa daqueles malditos peitos novos, Professor. O que faço?

Ass.: Dadivoso Arrependido.

O Professor Juninho responde:

Prezado Dadivoso:

Eu, como um cientista do prazer, entendo perfeitamente o que aconteceu com sua mulher. Já estudei mulheres de peitos variados. Pequenos, médios ou grandes, murchos ou sólidos, vesgos ou caolhos. Enfim, todos os gêneros de mamas. E constatei, meu caro Dadivoso, que mulheres com seios transgênicos, como a sua, tendem a alterar o comportamento. Trata-se de uma reação muito normal. Você tem duas saídas, meu amigo. As seguintes:

Saída número 1: a mão que dá, também é a mão que tira. Você mandou colocar o silicone. Remova-o!

Saída número 2: se você achar inconveniente extrair os seios novos, procure um especialista. No caso: eu. Ninguém entende mais de mamas flamantes do que eu, um estudioso. Envie sua mulher para mim, vou conversar com ela, teremos algumas sessões de análise e, lhe garanto, ela voltará outra para casa. Tudo em nome da sagrada instituição do matrimônio.

Do seu Professor Juninho, o Cientista do Prazer

david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
14/04/2004


Quinhentos dias

Na semana passada, Lula fez dois discursos. Num deles, afirmou: "Só Deus para resolver os problemas do Brasil".

No outro discurso, Lula foi taxativo: "Eu não sou Deus".

Um leitor da Folha de S. Paulo mandou para o jornal uma conclusão inteligentíssima: "Lula terceirizou a esperança".

O presidente também andou dizendo na semana passada que não é possível realizar nesses seus 500 dias de governo o que não foi realizado em 500 anos.

Não parece correto que Lula esteja assim a transmitir desânimo em seus pronunciamentos.

O sucesso de qualquer governo precisa estar sempre ligado ao otimismo do presidente.

Tomara que Lula recupere depressa aquele entusiasmo dos dias após a posse.

Uma coisa que ninguém entende: como podem os governos municipais, estaduais e federal mostrarem-se esgotados em suas finanças quando nunca a carga tributária foi tão feroz no país?

Qualquer observador mais atento desanimará menos com o desemprego do que com o desespero dos pequenos e médios empresários, que nestas semanas de declaração do imposto de renda mostram-se inconsoláveis com a sucessão de tributos que lhes é imposta.

Quando os empresários demonstram exaustão com a carga tributária, dificilmente isso deixará de se refletir no aumento das taxas de desemprego.

Não resta mais dúvida alguma a todos: o desemprego está ligado umbilicalmente à carga tributária.

Como não há qualquer indício de que a carga tributária será aliviada, é certo que esse impasse ali adiante vai estourar em violenta redução dos direitos trabalhistas.

Um fato concreto e paralelo a esta questão da guerra do tráfico nas favelas do Rio de Janeiro: os cariocas, unanimemente, querem que o Exército passe a policiar as ruas da capital fluminense.

Esse sentimento de pedido de socorro às Forças Armadas é silencioso mas densamente acalentado pelos cariocas.

Conversei anteontem por telefone com várias donas de casa do Rio de Janeiro e todas elas me disseram que sua única esperança é que o Exército venha a substituir a polícia.

O ex-secretário nacional da Segurança Pública Luiz Eduardo Soares disse a respeito: "Para começar a atacar o mal pela raiz, seria necessário demitir 20 mil policiais".

E o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Fernando Segismundo, vai no mesmo tom: "Acho que está na hora de uma força mais poderosa que a polícia, mais bem treinada e mais armada intervir. A besta está solta. Temos que reprimir já".

Um médico porto-alegrense, nascido em Canoas, completa hoje 90 anos de idade.

Sua vida foi toda marcada pelo trabalho destacado na área da medicina e por dedicação ímpar a seus familiares e amigos, que o adoram.

Não publico seu nome porque ele me exige que não o faça. Depois de amanhã, ele recebe de seus amigos, admiradores e familiares uma merecida homenagem, num jantar comemorativo num clube da cidade.

E resolveu exercitar uma idéia que ele ajuda a prosperar entre nós: em vez de presentes, que não aceita, os convidados para o seu aniversário são instados a fazer doações em favor do Lar da Velhice São José.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Clima
Seca deve durar mais 90 dias



Baixo nível das águas do Guaíba põe à mostra uma paisagem vergonhosa para os moradores de Porto Alegre (foto Ricardo Duarte/ZH)


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Terça-feira, Abril 13, 2004




"O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções."

Na hora da saudade, da tristeza, do desamparo, é com ele que contamos: o tempo. Queremos dormir e acordar dez anos depois curados daquela idéia fixa que se instalou no peito, aquela obsessão por alguém que já partiu de nossas vidas. No entanto, tudo o que nos invadiu com intensidade, tudo o que foi realmente verdadeiro e vivenciado profundamente não passa.

Fica. Acomoda-se dentro da gente e de vez em quando cutuca, se mexe, nos faz lembrar da sua existência. O grande segredo é não se estressar com esse inquilino incômodo, deixá-lo em paz no quartinho dos fundos e abrir espaço na casa para outros acontecimentos.

Nossas atenções precisam ser redirecionadas. Ficar olhando antigas fotos, relendo antigas cartas ou lembrando antigas cenas é tirar a dor do quarto dos fundos e trazê-la para o meio da sala. Evite. O tempo só será generoso na medida em que vc usá-lo para fazer coisas mais produtivas: procurar amigos sumidos, praticar um esporte, retomar um projeto adiado, viajar.

As atenções têm que estar voltadas para os lados e para a frente. O quartinho dos fundos tem que ficar fechado uns tempos, a dor mantida em cativeiro, sem ser alimentada. Amores passados contentam-se com migalhas e sobrevivem muito: ajude-se, negando-lhe qualquer banquete. A fartura agora tem que ser de vida nova!

Martha Medeiros

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UMA FLOR SELVAGEM...

O amor é uma escultura que se faz sozinha...

É uma flor inesperada sem estação do ano para surgir nem para morrer. Vai sendo esboçada assim ao léu: aqui a sobrancelha se arqueia, ali desce a curva do pescoço, a mão toca a ponta de um pé, no meio estende-se a floresta das mil seduções.

Imponderável como a obra de arte, o amor nem se define, nem se enquadra: é cada vez outro, e novo, embora tão velho. Planta selvagem, precisa de ar para desabrochar, mas tbm se move nos vãos mais escuros, em ambientes sufocantes onde rebrilham os olhos malignos da traição ou da indiferença e a culpa o pode matar.

O convívio é o exercício do amor na corda bamba. Os corpos se acomodam, as almas se espreitam, até se complementam. Mas pode-se cair no tédio, sem rede, e bocejar olhando pela janela.

Se fôssemos sensatos haveríamos de procurar nem amar, amar pouco, amar menos, amar com hora marcada e limites. Mas o amor, que nunca tem juízo, nos prega peças qndo e onde menos esperamos.

Nunca nos sentimos tão inteiros como nesses primeiros tempos em que estamos fragmentados: tirados de nós mesmos e esvaziados de tudo o mais, plenos só do outro em nós.

Nos sentimos melhores, mais bonitos, andamos com elegância, amamos mais os amigos, todo mundo foi perdoado, nosso coração é um barco para o qual até naufragar seria glorioso (ah...que naufrágios...)

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Milionário indiano compra casa mais cara do mundo

AP
Castelo de U$ 128,3 milhões é a casa mais cara do mundo

Um milionário indiano estabelecido no Reino Unido comprou em Londres a casa mais cara do mundo, no valor de cerca de 106 milhões de euros (cerca de R$ 370 milhões), informou hoje, domingo, o jornal The Sunday Times.
Segundo a publicação, a compra será incluída no livro Guinness dos recordes, já que supera os 94 milhões de euros pagos a uma casa em Hong Kong em 1997.

O magnata do aço Lakshmi Mittal, que nasceu numa pobre aldeia da Índia e se mudou em 1995 para o Reino Unido, pagou a quantia recorde por uma luxuosa mansão de 12 quartos situada junto ao palácio de Kensington e à casa em Londres do sultão de Brunei.

A mansão, com garagem para 20 carros, é 55 vezes maior que uma casa média de Londres, e contém banheiros turcos, um salão de baile, uma galeria de arte e uma piscina construída com jóias.

A casa foi erguida juntando as dependências da antiga embaixada do Egito e um anexo da embaixada russa e foi reformada na década de 90 pelo empresário da área financeira e colecionador de arte iraniana David Khalili, que importou o mármore e os pilares da pedreira usada para construir o Taj Mahal, na Índia.

A mansão foi vendida para o empresário de Fórmula Um Bernie Eccleston, que a comprou há três anos por 75 milhões de euros mas nunca viveu nela.

Mittal, proprietário da LMN, a segunda empresa produtora de aço do mundo, tem uma fortuna estimada em cerca de 5,3 bilhões de euros.

Também para quem tem uma fortuna dessas, 370 milhões de Reais a mais ou a menos, que importância faz, não é mesmo?

EFE

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Cláudio Moreno
13/04/2004


Cada vez fica mais caro!

Aulo Gélio, nas suas Noites Áticas, é quem conta a fantástica história dos livros proféticos: certa feita, quando Roma ainda estava nascendo, uma velha mulher, estrangeira - talvez grega - apresentou-se diante do rei Tarquínio Prisco, trazendo nove livros que, segundo ela, reuniam todas as profecias com relação ao futuro da cidade.

O preço que ela pedia, 300 moedas de ouro, era tão exorbitante que Tarquínio começou a rir da desconhecida, pensando que a idade tivesse feito algum estrago em seu juízo. A velha então puxou para perto de si um grande braseiro que servia para aquecer o ambiente e ali, sem pestanejar, queimou três dos nove livros. Em seguida, voltou a perguntar se o rei queria comprar os seis restantes, pelas mesmas trezentas moedas.

Tarquínio pôs-se a rir ainda mais alto, agora totalmente convencido de que a velha estava caduca. Então, sem se abalar com a zombaria, ela jogou mais três volumes no fogo e, enquanto eles se inflamavam, perguntou, com a mesma calma, se o rei queria comprar os três que sobravam, ainda pelo mesmo preço inicial.

O rei então ficou sério, impressionado com a gravidade que o assunto tinha assumido. Consultando os seus adivinhos, decidiu que não poderia desdenhar uma proposta feita assim com tanta firmeza e insistência, e concordou em dar pelos três a mesma soma fabulosa com que poderia ter comprado todos nove. A mulher então saiu do palácio e nunca mais foi vista. Quando abriram os misteriosos livros, os sacerdotes viram que continham profecias tão valiosas que decidiram que ninguém mais, além deles, deveria vê-los, e colocaram-nos num cofre no templo de Júpiter, onde eram guardados dia e noite.

De tempos em tempos, sempre que algo de grave ocorria e o governo não sabia o que fazer, os sacerdotes, autorizados pelo Senado, iam consultar esses volumes, onde sempre acabavam encontrando boas soluções. Quase mil anos depois, já na decadência do Império, o fogo finalmente os destruiu.

Tarquínio fez o que tinha de fazer, mas não merece elogio. Depois de errar duas vezes, aprendeu que não podia regatear o seu futuro e o futuro de Roma, e conseguiu salvar ao menos uma parte do que a velha ofereceu. Todas as oportunidades estavam ali, à sua frente; foi muito fácil decidir, pois, à medida que umas desapareciam, as que ficavam adquiriam um valor ainda maior. E eu? Quantas ainda me restam, daquelas que a vida guardou para me oferecer? Quantas deixei que queimassem? Prefiro nem pensar nisso; agora, cada uma que aparece eu vou tratando como se fosse a última.

claudio.moreno@zerohora.com.br

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Liberato Vieira da Cunha
13/04/2004


Somos todos reféns

Recomendo aos senhores na faixa dos 50 que não tranquem a respiração ao depararem com uma garota de 25 no zênite de sua beleza: há tantas na mui leal e valorosa, que eles correrão grave risco de zerar o fôlego em definitivo. É de bom alvitre que guardem prudente distância de costelas rubras e exuberantes, doses de uísque generosas e das espirais azuis dos cigarros, ainda que admirem Mario Quintana, o sábio poeta segundo o qual fumar é uma maneira de suspirar, de queimar ilusões perdidas. Não lhes fará mal igualmente caminhar uns cinco quilômetros por dia.

Volta e meia algo relapso no que toca às demais prescrições, sou fiel praticante dessa última. Ora, sucedeu que, tendo ouvido entusiásticos louvores ao grau de civilização atingido pela Rua 7 de Setembro, alterei ontem o rumo de minhas andanças, aventurando-me pelos passeios do Margs, do Memorial e do Santander. Devia ter travado ali, pois ao alcançar a outra quadra senti uma intrusa mão adentrando meu bolso esquerdo. Reagi tola e prontamente: como carregava uma alentada sacola de livros na direita, acertei em cheio esse cultural petardo no meliante, que, embora armado de uma lâmina, optou por bater em retirada.

Não me levou um centavo: presenteou-me com duas reflexões que aqui divido de graça. Item um: fui impulsivo e inconseqüente. Esses hábeis larápios no geral operam em dupla ou em trio. Poderia ter sido roubado e ferido seriamente; já me aconteceu em ida ocasião. Item dois: embora numerosa platéia assistisse à cena, absolutamente ninguém perseguiu o biltre, nem se interessou por minhas eventuais perdas e danos.

ZH dispõe de uma formidável legião de leitores. Sei que hoje, amanhã, depois, ouvirei palavras amigas de gentes igual a mim sujeitas à insegurança urbana. Algumas me contarão episódios dramáticos ou trágicos. Somos todos reféns da violência.

Nada me ocorreu, além de uma desgraciosa contusão no braço. Mas me assalta o pensamento - o verbo não é especialmente adequado? - de que a imensa maioria dos habitantes de Porto Alegre sai de casa toda manhã incerta da própria sobrevivência. Mulheres - algumas tão lindas quanto as que mencionei no início - abraçam-se às suas bolsas. Estacionar um carro à noite transformou-se num exercício de suspeita e vigilância. Transitar em algumas áreas é um jogo de vida e morte. O medo é a mais constante companhia das pessoas.

Nem sonho em desistir das caminhadas; fazem bem ao coração, como a visão de uma deusa ou o buquê de um cálice de vinho. Desconfio, porém, que de espaço a espaço vou me perguntar: será esta mesmo a Cidade Sorriso?

liberato.vieira@zerohora.com.br

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Moacyr Scliar
13/04/2004


Funciona, não dói e é de graça

Na quinta-feira passada fui ao Memorial participar de uma singela cerimônia, presidida pelo secretário da Saúde, Osmar Terra, e que tinha por objetivo assinalar o 35º aniversário do Boletim da Saúde, publicação que registra os avanços em saúde pública em nosso Estado, e da qual fui o primeiro editor. Ali, numa mesa, estavam expostos os exemplares. Nos primeiros anos, mimeografados, precários; os mais recentes, bem impressos e bem editados. Mostrando, contudo, a exemplar continuidade que, felizmente, é a regra na área de saúde pública brasileira: o chamado "partido sanitário", formado pelas pessoas que transformam a saúde da população numa causa, está acima de desavenças políticas.

No último número do Boletim da Saúde há um artigo importante, assinado pelos doutores Cesar Espina, Carlos Tietboehl Filho e Carlos C. Villanova, analisando o impacto da vacinação antigripal na mortalidade e na hospitalização por pneumonia em maiores de 60 anos aqui no RS. Pneumonia é importante causa de óbito nos idosos e vinha crescendo no Estado, tendo aumentado significativamente no período 1991-6. Foi então introduzida a vacina e, de novo, isto é motivo de orgulho pessoal: fui dos que lutaram para a inclusão desse imunizante no esquema de vacinação. Era uma novidade no Brasil - vacinação estava associada sobretudo à infância -, mas tinha atrás de si a experiência de vários países. Pois bem, em apenas três anos a mortalidade por pneumonia caiu 21,5%, e as internações pela doença diminuíram em 18%.

É claro que, como dizem os autores, não se pode provar conclusivamente uma relação de causa-efeito: o tempo de observação ainda é pequeno, e outras medidas de saúde podem ter ajudado. Mas os dados do RS coincidem com a experiência internacional. Já em 1995 uma análise de 20 trabalhos mostrava que, com o uso da vacina, óbitos por gripe e pneumonia, bem como hospitalização, podem diminuir em até 65%. Estes dados devem ser lembrados no momento em que, em todo o Brasil, começa a vacinação antigripal: aqui no RS será a partir do próximo sábado, dia 17. As pessoas devem se vacinar. É de graça, não dói e praticamente não tem efeitos secundários.

Alguns dizem que a vacina não é 100% eficaz. Não é mesmo - mas o que é 100% eficaz na vida? A vacina é feita para os vírus mais comuns, mas as cepas podem mudar, ou o organismo pode não fabricar defesas. Paciência. O fato é que, na maioria dos casos, funciona. E isso, em termos de saúde e de doença, é uma grande notícia. Parabéns ao Boletim da Saúde por transmiti-la. E parabéns a todos que podem ser poupados do risco de uma desagradável, e às vezes perigosa, doença.

scliar@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
13/04/2004


Estado de defesa

O Brasil virou um país triste e acuado. Dificilmente qualquer pessoa que tenha assistido ontem e nos dias anteriores às cenas de ocupação real ou dissimulada pela polícia na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, poderá ter qualquer instante de felicidade em sua vida.

O Brasil está virando um país com metade da sua população mergulhada na miséria e a outra metade ou se miserabilizando gradualmente ou com medo dos miseráveis.

Uma sombra de incerteza quanto ao futuro baixou sobre todo o povo brasileiro.

Em Porto Alegre, os miseráveis começaram a sair pelo ladrão e invadem os parques e as praças, onde pelo menos têm a sombra das árvores como chão e teto, passam o dia causando pena aos freqüentadores e dormem nos bancos e gramados, aproveitando os dias de estio.

Quando o inverno chegar, grande parte desses mendigos irá com certeza morrer de frio e de fome.

Quando são necessários 1.236 policiais para ocupar uma favela no Rio, como aconteceu ontem na Rocinha, a ordem jurídica no país está sob ameaça.

E não foi ocupada a favela, os tiroteios prosseguiram durante todo o dia. Há cantões da Rocinha que ainda estavam ontem sob domínio dos bandidos, a polícia não se atrevia a entrar lá.

É muita gente interrompendo estradas, é muita gente entrando em greve, é muita gente assaltando nas cidades e invadindo fazendas nos campos, são muitas as autoridades da área da segurança e entre os prefeitos que já confessam veladamente a sua impotência para conter em primeiro lugar o crime e em segundo a miséria, o que vem a ser em última análise a mesma coisa.

Quando compreensivelmente as polícias e as autoridades municipais declaram não terem competência (qualidade de quem é capaz de apreciar e resolver determinado assunto) para retirar dos parques públicos mendigos que se instalam nas praças e defecam ou urinam, nus, ante a passagem dos outros freqüentadores - e carregam para esses parques utensílios prosaicos da sua sobrevivência, dormindo debaixo das árvores e dos monumentos, lavando suas roupas nas fontes em trajes de Adão, esse é um indício palpável de que estamos a um passo do colapso da ordem pública, vencida pela miséria.

As autoridades se declaram incompetentes porque não há para onde mandar essas hordas de desempregados, desocupados e miseráveis que vão tomando assim conta dos logradouros, enquanto muitos outros seus parceiros de exclusão ou aderem ao crime ou sofrem em habitações animalescas a fome e a doença.

Quem passar pela esquina da Ipiranga com a Azenha verá que mais de 20 pessoas estão instaladas debaixo da ponte histórica que ali existe, como se estivessem fundando uma vila popular.

Não há como expulsá-los dali porque o poder público não tem recursos para abrigá-los em qualquer lugar decente.

E incrível, mas eu vi com meus olhos anteontem, existem mulheres grávidas vivendo debaixo da Ponte da Azenha, se as mães não têm futuro, que futuro terão os filhos já com vida dentro de seus ventres?

O país permitiu que suas mulheres pobres ou miseráveis procriassem, não lhes deu condições de evitarem a gestação por contraceptivos, o resultado são milhões de crianças sem futuro, milhões de desempregados sem presente, nas favelas, nos campos, nos parques e debaixo das pontes das cidades.

Ontem, César Maia, prefeito do Rio de Janeiro, pediu que seja lá decretado o estado de defesa. Por esse instrumento, entram em ação as Forças Armadas e são cancelados alguns básicos direitos individuais. Os civis impotentes pedindo socorro aos militares.

O rastilho de miséria e crime está prestes a detonar uma explosão. Só não vê quem não quer que a democracia começa a ser ameaçada.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Questão Agrária
Índios procuram solo sagrado na Capital



Caingangues invadiram parque do Morro do Osso alegando que no local há um antigo cemitério indígena (foto Adriana Franciosi/ZH)

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Devolução de IR do Clube Imobiliário será creditada em abril

A FUNCEF está enviando carta a esses associados informando o valor do crédito, que também está disponível clicando aqui. Para acessar esse valor o associado deve ter em mãos os números do seu CPF e da identidade. O montante de imposto retido em 1998, 1999 e 2000 e ora devolvido pela Fundação é de R$ 8.879 milhões, devidamente atualizados pela rentabilidade do Clube.

Desde que iniciaram as devoluções em 1998, 17.345 sócios do Clube, extinto em junho de 2000, resgataram suas cotas. Parte deles (4.442) fizeram resgate integral, sem retenção do IR, por isso, não têm mais valores a receber da Fundação.

Os 12.903 associados que estão recebendo agora a devolução deverão observar o modo de informá-la à Receita Federal no ano que vem, na Declaração Anual do Imposto de Renda. Consta na carta enviada pela FUNCEF a informação: se "IR Retido na Fonte"ou "Tributação Exclusiva na Fonte ".

A Central de Atendimento FUNCEF - 0800 99 1900 e as Representações Regionais nos estados estão aptas a orientar os associados e informar os valores devolvidos.

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Heloísa Perissé e Ingrid Guimarães protagonizam o sucesso teatral "Cócegas"

O que é possível fazer com R$ 400? Resposta: duas peças de teatro, um site, dois livros, um CD, uma grife de roupa infantil, um programa de rádio e dois de TV, um DVD e um longa-metragem.

Fala sério! Com essa verba, Heloísa Périssé mandou confeccionar o primeiro figurino da peça "Cócegas", no início de 2001. Nascia a carioquíssima garota Tati e o fenômeno teatral já visto por mais de meio milhão de pessoas.

A voz enjoada gritando "caraca" "bombou" totalmente, virou grife. E os filhotes da marca "Cócegas" não param de nascer. No último final de semana, Périssé e a parceira Ingrid Guimarães, protagonistas do show, se apresentaram em São Paulo; o espetáculo foi gravado para o lançamento em DVD.

Nesta semana, "Cócegas" segue em turnê para o Sul. Ganhará versão em espanhol, já que o texto foi vendido a um grupo de Buenos Aires. E poderá viajar muito mais: a dupla recebeu convite para encená-lo a brasileiros em Washington, Miami e Japão.

Enquanto isso, Périssé divulga o CD "Tati", lançado neste mês, e grava com Guimarães os primeiros episódios de novo humorístico da Globo. "Sob Nova Direção", protagonizado pela dupla, não é adaptação da peça, mas vem na rabeira de seu sucesso. Estréia no domingo, 18, após o "Fantástico", em horário nobre do humor, ocupado pelo extinto "Sai de Baixo".

Tudo começou no apartamento de Guimarães, no Rio, com 45 metros quadros, num prédio sem elevador nem garagem. As duas atrizes passaram uma tarde juntando textos escritos por elas e ensaiando os esquetes na sala.

"Não tínhamos dinheiro nenhum. Pegamos R$ 400 da Heloísa para o primeiro figurino. Depois, a irmã dela emprestou um pouco, chamamos uns amigos que toparam dirigir as cenas sem grana nem divulgação. E assim foi", conta Guimarães, 31.

A intenção era criar um bom produto para eventos de empresas, feiras, congressos. A primeira apresentação foi para funcionários da Globo, em abril de 2001. "Sentimos um frisson na platéia. Começou a rolar um boca a boca incrível. A gente demorou para acreditar", diz Guimarães.

De teatros alternativos, com cem lugares, vieram espetáculos nas maiores casas do Rio e de São Paulo, sempre lotadas ("bombando", diria Tati), em temporadas intermináveis. Lotou até em Portugal. Guimarães e Périssé contrataram amigos, familiares e mais amigos. Abriram escritório, criaram uma verdadeira "fábrica" e se transformaram em executivas. O apartamento de 48 metros quadrados foi trocado por um de 150.

Atualmente são 12 horas de trabalho todos os dias, de ensaios à gravação do programa de rádio, dos estúdios da Globo à assinatura de contratos. "Com "Cócegas, aconteceu uma coisa inédita na minha vida: pela primeira vez um patrocinador veio me procurar", diz Guimarães, sobre a Embratel.

Tem ainda de sobrar tempo para criar o roteiro do filme, a ser dirigido por Domingos de Oliveira, com quem Guimarães trabalhou em "Confissões de Adolescente".

Já deu para ficar rica, né? "Vivo bem, mas sei que é fase", diz Guimarães. Périssé, 37, após um dia de gravações na Globo, taxa: "Rico é quem compra sem perguntar o preço". E você, tipo assim, pergunta, Heloísa? "Claro, sempre!"

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Atendimento cada vez melhor

Restaurantes e lanchonetes investem em sistemas sofisticados para garantir o serviço de entrega em domicílio
Silvana Caminiti

O conforto de não ter de sair de casa nem precisar ir para a cozinha preparar a refeição e o crescente número de pessoas morando sozinhas são dois dos fatores que explicam a expansão acentuada do sistema de entrega em domicílio em estabelecimentos de todos os portos. Hoje em dia, a maioria dos restaurantes e lanchonetes oferece o serviço, e atender mais clientes em menor tempo, mantendo a qualidade, é o grande desafio do setor de alimentação.

A preocupação se explica: o segmento é bastante concorrido e ganha quem tem melhor serviço, além, é claro, de qualidade e preço acessível. Em busca de um diferencial competitivo, grandes redes, como a de restaurantes Spoleto, têm investido cada vez mais na informatização de seus procedimentos.

Com uma rede formada por 75 lojas, 34 delas no Rio, o Spoleto tem no delivery um importante diferencial frente à concorrência. O gerente de Informática da empresa, Luiz Calçada, explica que o serviço é responsável por boa parte do volume de vendas da rede e diz que, para garantir um atendimento padrão aos clientes, a empresa adotou um sistema computadorizado que recebe os pedidos feitos por telefone e os direciona para a loja mais próxima de onde está o cliente. De acordo com ele, a agilização no atendimento ajuda a fidelizar o cliente.

Na verdade, esse sistema, denominado SnackControl, monitora todo o conjunto das operações, desde o atendimento até a baixa automática no estoque, interligando todos os processos. Com base em gráficos e relatórios diários, é possível acompanhar o funcionamento da empresa, identificando o que deve ser aprimorado, explica o gerente.

Spoleto: (21) 2494-7006
www.spoleto.com.br

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Festa bem finlandesa

Penedo comemora os 75 anos de colonização com passeios, dança folclórica e comida típica



A casa de Papai Noel fica na Pequena Finlândia, na entrada da cidade.

A Colônia Finlandesa de Penedo está completando 75 anos. As comemorações começam na quinta-feira, com apresentação de músicos e dançarinos, e vão até junho. Passeios ecológicos, encontro de grupos folclóricos e visita a museus também fazem parte do evento. Além de curtir a festa, não deixe de conhecer os encantos da cidade, rica pelas belezas naturais e cheia de opções de lazer.


Um passeio ao Parque Nacional de Itatiaia, às 9h de quinta-feira, abre a festividade. No fim da tarde, às 18h, o Clube Finlândia apresenta a dança folclórica do país. No dia seguinte, o passeio é ecológico, com visitas ao Arboreto Eva e Marcus Hilden, à Villa Eila, banho de cachoeira e subida ao Pico do Penedo.



Experimente o salmão marinado

No sábado, o Museu Finlandês de Dona Eva estará aberto para que o visitante conheça um pouco mais da história do povo fundador de Penedo, na época ainda bairro de Itatiaia. O museu abriga acervo de objetos trazidos da finlândia com tapeçarias, bordados, livros folhetos e mapas. De noite, tem o baile de gala com grupos de dança no Clube Finlândia.

Guarde as energias para conhecer as cachoeiras e a Pequena Finlândia, onde estão instaladas a Casa de Papai Noel, lojas de artesanatos, choperia e minifábrica de chocolate. Aproveite ainda a culinária local.

A história de Penedo começa com Toivo Uuskallio. Ele sonhava em viver em harmonia com a natureza, conforme os preceitos do naturismo, prática da qual era adepto. O clima de sua terra natal, Helsinque, com seis meses de inverno rigoroso, não colaborava para o seu modo de vida. Foi então que reuniu sua coragem, a esposa e três discípulos e partiram rumo aos trópicos. Em 1929, eles aportaram no Brasil e fincaram raízes em Penedo.

Programe-se
ONDE FICAR:

Pousada Valle dos Pássaros: Diárias a partir de R$ 75. Tel.: (24) 3351-1656. Hotel Girassol: Diárias: a partir de R$ 93,30 (casal). Tel: (24) 3351-1237. Pousada Suarez: Diárias: de R$ 380 a R$ 680 (casal). Tel: (24) 3351-1259. Pequena Suécia: Diárias a partir de R$ 100. Tel.: (24) 3351-1275

ONDE COMER:

Casa do Fritz: Tel: (24) 3351-1751. Costa Restaurante e Pizzaria: Tel: (24) 3351-1332. Restaurante Koskenkorva: Tel: (24) 3351-2532.

PASSEIOS E VISITAS: Informações sobre preços e reservas com o Clube Finlândia: (24) 3351-1374. Preço ingresso Museu Finlândes: R$ 3 . Estudantes e maiores de 60 anos pagam R$ 1,50. Passeio ao Parque Nacional de Itatiaia R$ 15, por pessoa, com reservas antecipadas.

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Tensão total em São Januário

Com Wescley, suspenso, e Henrique, machucado, Vasco pode usar os reservas Santiago e Fabiano na finalíssima de domingo
Carlos Monteiro


Santiago não atravessa boa fase e falhou contra o 15 de Novembro

Não há nada tão ruim que não possa piorar. Além de ter de vencer o Flamengo por dois gols de diferença para ficar com o título estadual, e por apenas um para levar a decisão para os pênaltis, o Vasco corre o sério risco de ir a campo com a zaga reserva. Wescley está suspenso, por ter sido expulso no domingo, e Henrique ainda se recupera de uma lesão no adutor da coxa esquerda.


Henrique ainda sente dores na coxa e não sabe se vai enfrentar o Fla

Por isso, a tensão é total em São Januário. E motivos não faltam para isso. Os prováveis substitutos são Fabiano e Santiago. O primeiro levou um baile de Felipe no clássico de anteontem e saiu de campo extenuado, durante o segundo tempo do jogo. Para piorar, a última partida em que atuou os 90 minutos foi no dia 24 de janeiro, na estréia do Vasco no Estadual.


Fabiano levou um baile de Felipe, domingo, e preocupa os vascaínos

Já Santiago, além de ter dançado na decisão da Taça Guanabara para o camisa 10 rubro-negro, foi o principal responsável pela derrota de 3 a 0 para o 15 de Novembro de Campo Bom (RS), que desclassificou o Vasco da Copa do Brasil. Sacado do time, Santiago não se intimida e garante que, caso seja escalado, tem condições de parar Felipe, na finalíssima de domingo.

Na final da Taça Guanabara, o marcamos mal e eu acabei tendo que sair da área para pegá-lo. No domingo, a nossa marcação já melhorou e, no segundo tempo, a produtividade do Felipe caiu. Nós vamos conseguir anulá-lo e o Vasco será campeão, promete Santiago.

Mas ainda há um ponta de esperança de o torcedor vascaíno ter de aturar somente um dos dois reservas. Henrique foi reexaminado ontem pelo médico Fernando Mattar, teve boa melhora e tem chances de ir a campo no domingo.

Henrique sente menos dores e tem chance de jogar. Ele será submetido à nova reavaliação médica. Mas ainda é cedo para garantir a sua participação na decisão, analisou o médico do Vasco.

Assim como Henrique, Róbson Luiz também está bem melhor e pode voltar ao time no domingo. A exemplo do zagueiro, o médico também acha prematura garantir a sua escalação.

Embora ainda entregues ao departamento médico do clube, o preparado físico Ridênio Borges acredita que haja tempo suficiente para colocar tanto Róbson Luiz como Henrique em condições físicas para a grande finalíssima.

O Henrique está entregue ao departamento médico, mas vem se exercitando na bicicleta ergométrica, sem atingir o músculo adutor da coxa esquerda, que está lesionado, explicou Ridênio.

Ontem, Valdir reclamou de dores no joelho direito. O médico Alexandre Campello prefere esperar o desenrolar da semana para saber se o Bigode terá condições de estar em campo contra o Flamengo. O Valdir terminou a partida de domingo sem nenhuma queixa. Fizemos a revisão normal após os jogos e estava tudo tranqüilo. Mas ele nos procurou hoje (ontem) reclamando de dores no joelho direito. Ele iniciou o tratamento e vamos aguardar durante a semana, disse Campello.


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Segunda-feira, Abril 12, 2004




santanna@novanet.com.br

E se Jesus chegasse agora?

Fui ver a A Paixão de Cristo do Mel Gibson. O filme é bom, bem feito e não tem nada, rigorosamente nada, de anti-semitismo e antijudaísmo. É uma bela e contundente leitura visual do que está escrito nos evangelhos que retratam a vida de Jesus. É bom que seja falado em aramaico e latim, porque estamos cansados de ver Deus falando inglês.

Alardeia-se que há muita violência no filme. Há. Mas o ritual da paixão não foi nenhum refresco. E creio que o diretor optou por esse realce por duas razões: primeiro uma razão estético-dramática criar ação e movimento na narrativa reproduzindo em várias cenas a terrível iconografia retratada em pinturas de grandes intérpretes do suplício do Messias. A outra razão seria teológica: carregar o fardo dos pecados de toda a Humanidade é um martírio insuportável, dilacerador, interminável.

Ter visto esse filme coincidiu com o fato de ter visto recentemente em algumas estradas um grande cartaz indagando: E se o Senhor Jesus chegasse agora?. A gente passa, vê, fica intrigado ou acha graça e vai em frente. Mas, parei para pensar. Eis aí uma provocante questão. E pus-me a imaginar situações dessa segunda vinda de Cristo, que tanto inquieta certas seitas e mentes. Acresce que hoje é Sábado de Aleluia, Dia da Ressurreição, e a pergunta ganha certa pertinência. Como, se Jesus aparecesse agora, as pessoas se comportariam diante dele, como ele reagiria diante de certos fatos?

A primeira coisa que ele talvez fizesse fosse assistir a esse filme do Mel Gibson para ver o que fizeram de sua vida. Ia ficar com pena de si mesmo. Ia sofrer tudo de novo, só de ver. Ia ficar pasmo de ter resistido a tantas horas de massacre. Mas o pior seria quando saísse do cinema. Ia ver tantas e tais coisas, que concluiria que seu sacrifício de pouco ou nada adiantou.

O próximo pasmo seria constatar quantas igrejas e seitas surgiram no rastro de suas palavras. Não ia gostar de ver como malbarataram suas palavras. Constataria que pegaram seu nome e fizeram merchandising dele, abriram templos como quem abre franchising da fé.

Seria, por isto, melhor que não indagasse o que fizeram de seus ensinamentos nesses dois mil anos. Não ia acreditar na quantidade de mortes nas guerras religiosas, antes das Cruzadas ou depois da Inquisição.

Se reaparecesse, por exemplo, em Israel ou em qualquer daquelas terras da antiga Palestina por onde mansamente pregou, ia ficar estarrecido. No lugar onde nasceu e onde pregou é onde há mais ódio fratricida. Seria difícil se movimentar entre tantas armas e bombas estilhaçando vidas. Estaria sendo vigiado de helicóptero e em certos territórios não poderia entrar, nem por milagre.

Se resolvesse subir a montanha e fazer um novo sermão, iam logo lhe dizer: Olha, Mestre, não é por aí. Vamos para uma estação de televisão, lá o Senhor fala via satélite para todo o mundo.

Iam, é claro, dizer que precisava de assessor de imprensa, de relações públicas, de promoter, que doze apóstolos usando apenas o gogó não ia funcionar mais.

Certamente o levariam a um talk-show. Caso desembarcasse no Brasil iam sugerir o Jô, outros iam lembrar a Hebe, que é mais popular. Mas haveria quem insistisse no Faustão. De qualquer modo haveria um Globo repórter especial e um flash no Fantástico.

Ao ver que ele se aproximava descendo das nuvens, uma repórter começaria: Estamos aqui presenciando a chegada do Senhor Jesus, nascido em Belém, que veio especialmente para ver como vão as coisas neste mundo de Deus. Ele está se aproximando de nossas câmaras, então vamos aproveitar e lhe perguntar: Cristo, faz favor, diga aqui aos nossos telespectadores quais são as suas primeiras impressões nessa sua segunda vinda?.

É quase certo que uma marca de cerveja tentasse contratá-lo para que demonstrasse como se transforma água em cerveja e cerveja em água. E já que ele é uma celebridade, ia ser um tal de pedir autógrafo e tirar retratos ao seu lado para mandar aos parentes do interior, que não acabaria nunca. Se facilitasse ia acabar na Ilha de Caras.

A CIA e o FBI iam botar espiões atrás dele dia e noite, iam grampear suas conversas, e tanto Bush quanto Kerry insistiriam para aparecer ao seu lado na convenção de seus partidos.

No Brasil iam pedir que participasse do Fome zero, que tornasse a multiplicar pães e peixes para as multidões.

Depois de ir daqui para ali, indagar, opinar, participar às vezes mansamente, outras vezes iradamente, como quem expulsa os vendilhões do templo, começariam as intrigas, as fofocas e, não tenham dúvida, seria traído.

Traído por aqueles que dizem segui-lo e, no entanto, matam e trucidam populações de inocentes, iria, enfim, para julgamento sumário. E depois de apanhar como se apanha desses pitboys nas portas das boates, seria executado nos subúrbios de nossa indiferença e os jornais ainda seriam capazes de dizer:

Foi encontrado morto ontem, numa vala, o corpo de um indivíduo que insistia ser Jesus Cristo. Seus parentes e vizinhos disseram que sempre temeram que fosse esse seu fim, pois tinha umas idéias muito estranhas e vivia falando coisas que ninguém nunca levou a sério.

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autor@paulocoelho.com.br

Quem está fazendo a diferença

Tive a alegria de participar junto com o músico Quincy Jones, o ex-presidente da Suíça Adolf Oggi, a primeira-dama da África do Sul, Zanele Mbeki, a Alta Comissária das Nações Unidas Sadako Ogata da criação e da diretoria da Fundação Schwab. Concebida por Klaus e Hilde Schwab, o objetivo é apoiar pessoas que, com idéias originais e revolucionárias, estão tentando (e conseguindo) fazer deste mundo um lugar melhor.

A seleção é feita por auditores completamente independentes, levando em conta alguns critérios básicos: a idéia pode ser reproduzida em outros países? Pode ser independente do apoio do governo? Consegue se auto-sustentar? E assim por diante.

Quando tivemos nossa primeira reunião em Genebra (para meu orgulho, entre os 40 selecionados do mundo inteiro estavam seis brasileiros), vi que ali estava a semente de uma verdadeira mudança na estrutura da economia e da sociedade. As pessoas selecionadas participam, por três anos seguidos, do Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), tendo a possibilidade de mostrar suas visões do mundo aos chamados donos do poder, e eventualmente conseguir parcerias que lhes permitam ampliar o trabalho.

Eis alguns exemplos de gente que teve um sonho, resolveu que não era mais hora de pedir permissão para fazer o que desejava ¿ e colocou mãos à obra.

Uma câmera na mão, um direito de lutar

Gillian Caldwell era ainda adolescente quando viu como todos nós o videotape do espancamento bárbaro de Rodney King, motorista que havia sido detido pela polícia de Los Angeles. Entretanto, ao invés de contentar-se em reclamar da brutalidade dos policiais, resolveu montar um sistema que permitisse a distribuição de tecnologia relativamente barata (em geral, gravadores ou câmeras de vídeo) para denunciar abusos de direitos humanos.

Seu programa, patrocinado pelo músico Peter Gabriel, está agora presente em 50 países, e tem sido responsável por servir como prova destes abusos, que podem ir desde a prostituição forçada na Rússia, até a violência contra crianças em Honduras. Os vídeos que mostram as verdadeiras barbaridades cometidas contra as camadas menos favorecidas da população são enviados para noticiários de TV de grande impacto, ou órgãos intergovernamentais, como as Nações Unidas (http://www.witness.org).

O trabalho com respeito

Paul Rice trabalhava como empregado de uma companhia produtora de café na Nicarágua, quando notou que grande parte da mão-de-obra empregada na plantação e na colheita era praticamente fruto de trabalho escravo. Em 1990 resolveu estimular o pequeno agricultor a organizar-se contra a exploração das grandes multinacionais.

Conseguiu formar uma cooperativa de 3 mil produtores, pressionar as grandes cadeias de café, e hoje já pode dar um certificado de respeito ao trabalho, e ativar um sistema de distribuição que vai direto do agricultor ao comerciante, eliminando uma série de intermediários, e com isso permitindo que todo receberam o que é merecido (http://www.transfairusa.org).

Conseguindo ouvir melhor

Acredita-se que 165 milhões de pessoas em países do Terceiro Mundo tenham problemas sérios de audição mas não têm dinheiro para comprar os sofisticados aparelhos que hoje em dia encontramos nas lojas.

David Green desenvolveu com amigos uma maneira segura e efetiva de produzir esses aparelho a custo muito baixo, partindo do princípio que a demanda é gigantesca, de modo que a margem de lucro poderia ser drasticamente reduzida. Seu Projeto Impacto trouxe alívio a uma quantidade enorme de pessoas, sem que com isso deixasse de ser rentável e auto-sustentável (http://www.project-impact.net).

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Dor-de-cotovelo das boas

Quando a gente paga o mico de achar o máximo sofrer por amor, mesmo que não seja tanto sofrimento nem tanto amor assim

Alcione lançou um disco quase todo de dor-de-cotovelo e isso foi motivo, na semana passada, para uma sessão confessional em almoço de moças de 20 e tantos a 30 e poucos anos. Nada de lamentações. Estavam todas se divertindo com histórias de fossas vividas da adolescência em diante. A maioria cultivada sem nenhuma ou com muito pouca razão de ser.

Tipo o namoradinho que terminou um mês depois do início do romance adolescente e foi motivo para três dias de choro, que acabaram sendo muito mais intensos e interessantes do que os 30 dias namorados. Aquela coisa de achar lindo sofrer por amor e depois achar muito engraçado contar o mico que se pagou, mesmo que sozinha, entre quatro paredes.

O sem-graça é que depois que a gente vai adquirindo experiência leia-se, levando vários foras , o sofrimento muda. Não é que diminua, nem aumente, mas talvez ganhe um pouco mais de senso de ridículo e nisso a idade, claro, ajuda bastante. Falo pela maioria, sempre há as exceções.

Mas voltando às primeiras experiências quando se quer ter vivência de adulta antes de ter virado uma de fato , essas rendem boas lembranças. Começava-se por uma música. Adorava ouvir Outra Vez, com Roberto Carlos, e acreditar que tinha vivido um caso intenso. Me acabava de chorar, entregava uma das moças citadas acima. Comigo era Minha Namorada (Vinicius e Carlos Lyra). Me deixava arrasada, contou a outra. Mas essa não é triste, argumentaram todas. Ah, mas meu desgosto era que não tinha ninguém pra dizer aquilo pra mim, explicou.

Música escolhida, a gente partia para a cena. Quando, aos 12 anos, meu primeiro namorado terminou o namoro de uns três meses, minha melhor amiga botou Negue pra tocar, na versão com Maria Bethânia, enquanto eu me jogava performaticamente no sofá e caía em prantos, confessou uma terceira do grupo, obviamente para gargalhada geral. A que ouvia Roberto Carlos se inspirava nas novelas e, sempre que podia, procurava um motivo que envolvesse amor, claro para chorar com as costas encostadas na parede e descer arrastando até o chão. Isso lá pelos 14 anos. Era o máximo. Chorar no chuveiro também.

Ok, não vou tirar o corpo fora. Aos 8, 9 anos, ouvia Meu Mundo Caiu, por causa da novela Estúpido Cupido, e tinha verdadeira fascinação pela Maysa. Achava incrível aquela história de ela ser meio deprê, a porta-voz oficial da fossa e isso não devia ser muito normal numa criança. Mas, felizmente, não trouxe conseqüências para os anos seguintes.

Aos 15, foi a vez de Elis Regina e sua Atrás da Porta, que, como dizia meu pai, para quem tinha pai na guerra e mãe na zona era uma trilha sonora e tanto. Não podia ser mais ridículo: botava pra tocar, apagava todas as luzes e ficava horas deitada no sofá me imaginando a mais infeliz das criaturas.

Felizmente, nenhuma de nós teve a idéia de partir para o uísque, pra complementar a cena de dor de corno. Teríamos nos tornado umas jovens alcoólatras.

Aí o tempo passa, os romances continuam acabando e a gente continua chorando. E cortando o cabelo pra esquecer; e passando dias envolvida na própria produção para ir à festa em que ele vai estar; e tentando, discretamente, saber dele pelo outros; e promovendo encontros só de mulheres para se divertir e inevitavelmente acabar a noite derramando lágrimas no ombro da amigas.

No fundo, no fundo, não aprendemos nada.

Finalmente descobrimos onde sobra homem, mas infelizmente é notícia boa para poucas: no mundo animal. O que tem de cachorrinho encalhado por falta de fêmea é uma coisa de louco. Verdade. É assunto para a coluna aqui debaixo, mas parece que os donos de cadelas não querem ter trabalho com filhotes e acabam castrando as bichinhas. Elas perdem a vontade, coitadinhas, e eles ficam no desespero. Vê só se não tem um monte de cãozinho carente por aí.

Lá em casa mesmo tem um jovem, lindo, louro, escovado, educado mas não é metrossexual, não, que lá ninguém gosta dessas palhaçadas , tentando dar uma namoradinha, em vão. Não aparece uma loura sequer, burra que seja, porque ele já não está podendo escolher, para engatar um romance. Se alguém souber de alguma golden retriever solteira, a fim de se apaixonar, é só escrever pra coluna. Dou o recado ao Fuça (é esse o nome dele) e armo o encontro. Sabe-se que na casa do Luciano Huck tem uma, na do Márcio Garcia, outra, mas seria muita pretensão. Essas só devem gostar de cachorro famoso.

De uma coisa nosso governador, ou secretário de Segurança, não pode ser acusado: falta de talento. Garotinho é de fato um artista, com habilidade toda especial para armar e desarmar os próprios circos. Como nesse incrível caso Staheli. Monta-se uma cena de novela e, quando a coisa vira pastelão, o Secretário tira o corpo fora como se nunca tivesse tido nada com aquilo.

E ai de quem discordar. A capacidade que ele tem de desviar os assuntos de si e culpar alguém chega a ser infantil. Foi ele ou Já estava assim quando eu cheguei é como reagem as crianças. O apelido não é mesmo à toa. O pior é que, nas eleições, ninguém se lembra de mais nada.

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Somos todos iguais perante o tempo

Quem não consegue gerenciar com eficiência as horas do dia se revela incapaz de controlar a própria vida
Dr. Lair Ribeiro*

Preocupamo-nos mais com a utilização do nosso dinheiro do que com a do nosso tempo. No entanto, o dinheiro perdido hoje pode ser recuperado amanhã. E o tempo, uma vez perdido, perdido está. O que passou, passou. O gerenciamento do tempo é uma das questões cruciais para todo profissional. A discussão do tema extrapola o aspecto profissional, revelando a pessoa e o bom ou mau uso que ela faz do seu tempo e da sua energia.

Certa vez, em um de meus cursos, um participante me disse: ¿Gostaria de ser médico, mas já tenho 28 anos e nem entrei na faculdade. Com os seis anos do curso mais os dois de especialização, quando tudo estiver terminado, já terei 36 anos¿. Em resposta, lhe perguntei: ¿Se não estudar e se tornar médico, que idade terá daqui a oito anos?¿

A questão é sempre esta: as pessoas se impressionam (ou se intimidam) com o tempo que terão de despender para determinadas atividades, mas não se dão conta de que o tempo passa de qualquer forma. Quando pensam em fazer algo que lhes consumirá muito tempo, costumam assustar-se com a possibilidade de envolver-se tão demoradamente com alguma coisa e desistem. Quem não controla o tempo não é capaz de controlar a própria vida, que nada mais é do um segundo após o outro.

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Tempo perdido

Legião Urbana lança disco ao vivo póstumo e os remanescentes ainda procuram rumo quase oito anos depois da morte de Renato Russo
Eusébio Galvão

Renato Russo morreu em outubro de 1996 e semana passada a gravadora EMI lançou disco novo da Legião Urbana: As Quatro Estações ao Vivo. Enquanto fãs fiéis consomem tudo que pinta pela frente (uma exposição no CCBB de Brasília, por exemplo, é sucesso reunindo tudo sobre Renato Russo), os dois legionários restantes tocam seus barcos. O guitarrista Dado Villa-Lobos e o baterista Marcelo Bonfá não pararam. Passei janeiro e fevereiro praticamente em função desse projeto, entre selecionar o melhor do material, relacionar a montagem das seqüências, conta Dado.

Já Bonfá, que esta semana lança seu segundo álbum, Bonfá + Videotracks, não participou da concepção do disco e manda avisar que não quer mais associar sua imagem à Legião Urbana, onde tocou por 20 anos. Mas isso não parece ser problema para Dado. Chega a ser emocionante essa relação com um instantâneo de um tempo que passou, acredita Villa-Lobos.

Mas ele admite que não teria paciência de fazer isso muito tempo. Tirando os projetos da gravadora, me relaciono o mínimo com os assuntos da Legião. Existe uma nova dinâmica a partir da morte do Renato que é bem chata: advogados, parentes, assistentes que tentam tomar essas coisas de assalto e enchem bem a paciência em geral, explica.

Então, depois do disco na praça, o guitarrista volta aos seus projetos pessoais. Depois de compor duas trilhas para cinema e manter por anos a gravadora independente Rock it!, ele retoma uma idéia que começou faz tempo: a do lançamento do disco solo Dado & O Reino Animal. Tenho dedicado este último mês a terminar meu disco, conta, antes de dar dicas do que vem por aí. É um projeto pessoal onde conto com parceiros de ontem e de hoje, diz.

Já Marcelo Bonfá sai agora com o sucessor de O Barco Além do Sol, seu primeiro álbum solo, lançado em 2000. Ele não participou da preparação do disco novo da Legião, nem fala do assunto. Mas no material que promove o CD que vai botar na praça, diz o que tem feito. Gosto de construir harmonias climáticas, de onde, posteriormente, tento retirar as letras para as músicas, descreve. Um dia, começou a pensar que as canções poderiam ser atreladas a imagens. E aí surgiu a idéia de Videotracks. Remixei em menos de uma semana sete faixas que seriam as bases para o vídeos, conta.

Então, entregou Caminho do Meio, Canção de Despedida, A Lua nos Olhos, Sem o teu Amor, Intolerância, Primavera e Ao Menos Você Sabe para sete amigos diretores e os deixou à vontade para criar.

O resultado é que o disco sai com um DVD bônus que contém cada um dos vídeos feitos. Com o trabalho nas lojas, é provável que Marcelo Bonfá caia na estrada, o que deve aumentar ainda mais a distância do companheiro. Não nos encontramos muito ultimamente. Ele esteve muito ocupado com a finalização e lançamento do disco dele, conta Dado.

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Nei Lisboa
12/04/2004


Louca brincadeira

Coisa interessante uma babá ganhar o bebebê. Lembrando que também um Bam-Bam e um caubói venceram outras edições, vê-se que um balbuciar infantil acompanha o programa desde sempre - mesmo quando tachado de babaquice, baboseira e outros babados. O apresentador encarrega-se de frisar com freqüência que tudo ali não passa de uma grande brincadeira, pontuada por provas e tarefas no estilo gincana escolar. E mesmo que a idade dos participantes os presuma adultos, as aparências por vezes não enganam.

Então talvez se possa desdobrar essa paixão nacional produzindo uma versão radicalmente infantil do BBB. Tome-se uma dúzia de crianças ao redor, digamos, dos sete anos de idade. Postas em longo confinamento dentro de uma casa, seu relacionamento com o mundo exterior resume-se a receber instruções e obedecer regras ditadas por um telão, embora saibam que estão sendo escrutinadas em sua plena intimidade por milhões de olhares anônimos.

O cumprimento dessas tarefas arbitrárias e disparatadas define como vão se alimentar, o maior ou menor grau de conforto para cada um e o poder que exercem ou a que se sujeitam entre si. Mais importante, a promessa de um prêmio final se assenta sobre o objetivo de livrar-se dos outros, ganha aquele que atravessar os absurdos do sofrimento (des)estabelecendo laços com maior competitividade e convicção, até ficar completamente sozinho. Que tal?

Se a descrição se assemelha a de uma fábrica de loucos, condimentada pela crueldade com crianças da qual não aceitaríamos compactuar, é também fiel à estrutura do Big Brother Brasil e de outros reality shows. De outro lado, do lado de cá da telinha, pergunte-se a um passante na Rua da Praia sobre cumprir tarefas vazias de sentido, em busca de conforto material e no caminho de sentir-se cada vez mais só - talvez se descubra que esta é a sua vida.

Na ficção de George Orwell que deu origem ao nome do programa, 1984, é o Estado quem impõe ao cidadão um "olho domiciliar", aparelho que vigia seu comportamento. Metáfora dispensável, hoje, se já estamos fazendo por nossa conta e muito bem o papel de vigiar a loucura para que não se perca da falta de razão.

Aos que (se) assistem, do lado de cá do olho televisivo, talvez caiba algum conforto na ilusão de simbolizar seus dramas. Já os que participam do programa vendem o que lhes resta de realidade, correndo o risco de a ela não retornar. A se comemorar, na vitória da babá, já ter informado que o dinheiro do prêmio a fará mudar de profissão. Teremos uma criança provisoriamente a salvo.

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Paulo Sant'ana
12/04/2004


A maldade do homem

Vimos por A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, que o Nazareno em verdade foi condenado a duas penas: a de crucifixão e a de flagelação.

Primeiro, sob o pretexto de salvar a vida de Jesus, Pilatos autoriza que ele seja no entanto "severamente castigado".

Mas por que castigado, se Pilatos mesmo declarara minutos antes que aquele homem não tinha crime?

Não satisfeitos com os severos suplícios do flagelo, os sacerdotes e a opinião pública foram novamente a Pilatos para saciar a sua sede de sangue, exigindo a crucificação.

Covardemente, Pilatos cede dessa vez à dupla pena, lavando as mãos, embora jamais tivesse se recusado a aplicar a pena de morte pelas mãos dos seus soldados, como já havia aplicado a flagelação.

A flagelação de Cristo no filme de Gibson é talvez a mais crucial de todas as torturas que já se viram no cinema.

Primeiro o açoite sob varas, o espectador parece sofrer na própria carne os golpes dos carrascos sorridentes.

Depois os chicotes com aço nas pontas, o que fez o sangue cobrir as costas de Cristo, restando ali sob as vistas sádicas do público e das autoridades um arremedo de corpo, um pedaço de carne sustentado apenas pelos ossos e pela maldade dos supliciadores, cuja técnica sinistra impedia a piedosa morte do supliciado. Quando se pensava que tinha findado, viraram a vítima para que fosse açoitada pela frente.

Viu-se como nunca no filme que a pena de morte é infinitamente mais bondosa do que a pena de tortura.

Nunca a maldade humana foi exposta em tons tão realistas como nesse filme. O que se sabia antes do filme era que Cristo tinha sido crucificado, isso era apenas uma idéia vaga que a humanidade tinha sobre o martírio do filho de Maria.

Com o filme, pôde avaliar-se a crueldade da crucificação e dos dois castigos ainda mais bestiais e acessórios a ela: a flagelação e o transporte da cruz pelo condenado no longo percurso de subida do Calvário.

Depois de flagelado horripilantemente, antes de ser pregado na cruz e permanecer por horas naquele transe de dor e sede insuportáveis, Cristo teve ainda que carregar o pesado lenho morro acima.

E a comprovar que a maldade humana não tem limites e é alavancada pela boçalidade, os executores da pena e a platéia sedenta da dor do torturado compraziam-se em não só chicotear o carregador da cruz como vibrar com suas três quedas sob o pesado madeiro.

Ou seja, o sacrifício de Jesus, antes que um castigo imposto a um inocente por presumível "crime político", constituiu-se para a sociedade da época um delicioso e longo espetáculo.

O que mais revolta na execução de Cristo é que os executores das penas e os espectadores não tinham pressa.

Porque barbaramente compreendiam que a pressa favorecia o condenado.

É ocioso, inútil e injusto polemizar sobre se quem matou Jesus foram os romanos ou os judeus, assim como o é culpar os alemães pelo Holocausto da II Guerra Mundial ou discutir se foram os franceses ou ingleses que levaram Joana D'Arc à fogueira.

O que é certo é que a humanidade é a culpada destes e de outros trilhões de crimes.

Nós, homens, enquanto integrantes de nossa espécie, é que somos culpados.

E o que dói e desanima é que nunca cessamos de ser culpados, nem depois de ler os livros, saber das notícias ou ver o filme: prosseguimos maus, capazes das piores crueldades, no Gólgota, em Treblinka, no Iraque, no Vidigal e na Rocinha.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Religião
Papa condena a inútil lógica da morte



Um esquema de segurança sem precedentes foi montado na missa de Páscoa, em que João Paulo II execrou o terrorismo (foto Pier Paolo Cito, AP/ZH)


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Domingo, Abril 11, 2004





Orgasmo pode provocar dor de cabeça


A desculpa da dor de cabeça para evitar uma relação sexual nem sempre é levada a sério. Mas o que dizer de dores que aparecem durante o ato e persistem após o mesmo? O problema tem nome: cefaléia orgásmica e é mais comum do que se imagina. Esse tipo enxaqueca afeta igualmente homens e mulheres. Segundo dados da Associação Brasileira para Prevenção da Enxaqueca, 70% dos pacientes com cefaléias relacionadas à atividade sexual queixam-se dos sintomas.

A chamada "cefaléia orgásmica benigna" caracteriza-se por uma dor de cabeça intensa, de início súbito, poucos minutos antes do orgasmo. Atinge o pico de intensidade no momento do orgasmo e desaparece várias horas depois.

De acordo com o clínico geral e presidente da Associação, Alexandre Feldman, a causa do problema está associada a um mau gerenciamento das informações dolorosas no cérebro. "É como se os neurotransmissores de um cérebro que está em desequilíbrio químico interpretassem essa situação como sendo uma situação de dor", diz. Nesse caso, o orgasmo passa a ser um fator desencadeante da cefaléia, assim como a alimentação, a falta de sono e o estresse.

O mecanismo dessa cefaléia encontra-se vinculado às alterações físicas que acontecem durante a atividade sexual (ex: aumento na pulsação, na pressão arterial, na tensão muscular, na produção de serotonina). As causas, segundo o médico, não são bem claras, mas geralmente o problema coincide com um(a) novo(a) parceiro(a) sexual, um novo local, uma nova posição. "São situações que podem ser interpretadas como estresse, ocasionando o problema".

A cefaléia orgásmica afeta mais pessoas que já sofrem de enxaqueca, mas, segundo o médico "mesmo quem nunca teve uma dor de cabeça pode vir a apresentar algumas crises". Assim como a enxaqueca, o tratamento da cefaléia orgásmica está associado ao reequilíbrio da química cerebral, o que pode ser conseguido por meio de mudanças no estilo de vida. "Controlar o estresse, dormir bem, fazer uma alimentação saudável e praticar atividades físicas são as principais orientações para quem quer se livrar do problema".

A cefaléia relacionada à atividade sexual tem muita importância, já que não apenas interfere na vida de quem a tem, mas também na do parceiro sexual. "O problema é ainda maior porque muitos desses pacientes envergonham-se do sintoma e não procuram ajuda médica, imaginando que não há nada a ser feito por eles", alerta o clínico.

Mais informações sobre a doença podem ser obtidas no site www.enxaqueca.com.br.

Sobre o médico - Dr. Alexandre Feldman pode ser considerado um dos poucos médicos brasileiros especializados em cefaléias (dores de cabeça). Clínico geral, é membro ativo da Sociedade Americana de Cefaléia (American Headache Society), diretor da Clínica Alexandre Feldman, em São Paulo, e fundador da Associação Brasileira para a Prevenção da Enxaqueca, entidade que presta atendimento gratuito à população carente portadora da doença. É também criador do site Enxaqueca.com.br (www.enxaqueca.com.br) e autor dos livros: Enxaqueca, Finalmente Uma Saída (recém-lançado pela Ed.Arx); Enxaqueca - Alívio para o Sofrimento (Ed. Siciliano); Dor de Cabeça - Esse labirinto tem Saída, (Ed. Paulinas) e Cefaléias Primárias - Diagnóstico e Tratamento (Ed. Artes Médicas), destinado a médicos.

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Feliz Páscoa a todos!

É Páscoa. Dia de reunir a família, de comer chocolate e, principalmente, é hora de lembrar que os milagres são possíveis e que estão mais ao alcance das nossas mãos do que dos nossos sonhos. Se a Páscoa celebra a ressureição de Cristo para a vida eterna, vamos também começar uma vida nova.

Mas, de onde vem a tradição de presentear as pessoas queridas com ovos? O ovo passou a fazer parte da comemoração de Páscoa no século XII. Quando Luís VII voltou para a França depois da segunda Cruzada, apesar do fracasso da expedição contra os muçulmanos, foi recebido com festa. O superior da Abadia de St. Germain-des-Près ofereceu aos pobres metade dos produtos das terras exploradas, entre eles muitos ovos. No entanto, a data costumava coincidir com o jejum da Quaresma. No século XV, pressionado pela Igreja que reclamava do grande consumo de ovos durante esse período de penitência, Luís XI proibiu a comemoração. Assim, o costume foi transferido para a Páscoa.

No começo, presenteava-se com ovos de verdade, especialmente de galinha. Depois os ovos passaram a ser de porcelana, vidro, pedra, madeira, papel, escamas e casco de tartaruga. A atual tradição de ovos e coelho de Páscoa chegou aos Estados Unidos no século XVIII, nas mãos de alemães. No século seguinte, o costume difundiu-se e os ovos passaram a ser feitos de chocolate. Acredita-se que tenha sido uma idéia dos fabricantes dessa alimento para impulsionar as vendas

Que este dia fique marcado na sua memória e no seu coração pela doçura dos chocolates brancos, ao leite e trufados e que sua alma se enfeite com os confeitos da paz e da esperança em um futuro de prosperidade e alegria. Feliz Páscoa!

Marta Vicentin


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