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E N T R E L A Ç O S

Sábado, Abril 24, 2004




Preços da GM e da Volks sobem 2% em média a partir de 2ª feira

Cleide Carvalho - Globo On Line

SÃO PAULO - As vendas de carros caíram 23% na primeira quinzena de abril, na comparação com a primeira quinzena de março, mas as montadoras já iniciam uma nova rodada de aumento de preços. A partir de segunda-feira, os modelos da General Motors e da Volkswagen terão aumento de 2%, em média. A Ford deve anunciar o reajuste na semana que vem, para vigorar a partir de maio. A Fiat não informou sobre possíveis mudanças de tabela. Segundo as montadoras, o novo aumento é um repasse parcial de reajustes nos preços das matérias-primas, como aço, borracha e plástico.

A última alteração de preço para o consumidor ocorreu no dia 1º de março, quando as montadoras retiraram os descontos que eram concedidos com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Os valores ficaram, em média, 3% mais altos. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou esta semana que um novo acordo de redução de IPI está sendo fechado com o governo, mas o consumidor não verá a tabela de preços diminuir novamente, pois a queda vai apenas compensar a alta de PIS e Cofins.

O aumento de preços deve servir ainda como instrumento de marketing para aumentar o movimento de clientes nos feirões de automóveis programados para este fim de semana. A Volks vai realizar sua promoção no pátio da fábrica Volkswagen Anchieta, em São Bernardo do Campo, das 9h às 18h. Será montado um planetário e instalações com brincadeiras que lembram aventuras espaciais.

O feirão da Ford é apenas para o modelo Ford Ka e será nas concessionárias da marca na Grande São Paulo. Além de condições especiais de financiamento, a montadora promete oferecer planos com seguro total de dois anos incluído no financiamento.

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Quanto custa o diploma

Tradição, renome dos professores e boa estrutura têm preço. Veja quanto se paga, do vestibular à conclusão do curso, em instituições particulares de prestígio no Rio de Janeiro e em São Paulo, da taxa do vestibular à última mensalidade. Além do que aparece na tabela, é preciso prever de 2% a 10% a mais de gastos com material didático.

Em alguns casos, como o da Santa Casa, encontram-se na biblioteca da escola os livros obrigatórios, mas isso não elimina a necessidade de comprar aqueles que são indispensáveis para o futuro profissional. A tabela não considera eventuais reajustes, geralmente anuais, nem possíveis bolsas parciais.


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Ponto de vista: Lya Luft
Uma afirmação dura

"Cada vez que um de nós consome uma droga qualquer, está botando no cano de uma arma a bala perdida ou não que vai matar uma criança, uma mãe de família, um trabalhador"

Porque somos imperfeitos podemos melhorar.

A perfeição seria o tédio, e desse, sim, eu poderia morrer. Bocejar até o final, contemplando a ordem celeste, os anjos rechonchudos naquela disciplina: ninguém dando um escorregão, ninguém botando a língua para São Pedro. Quando era criança, eu morria de medo dessa ordem impenetrável na qual não haveria lugar para mim.

Ilustração Ale Setti

Outro dia conheci um grupo de homens e mulheres dos mais variados níveis culturais e sociais, que fizeram da imperfeição a sua razão de vitória. Das pedras que tiveram de quebrar, construíram seu caminho, alguns até seu castelo. Gente que se livrou ou ainda luta para se libertar da dependência química.

Senti-me privilegiada por estar com eles, mais para aprender do que para falar. Percebi novamente quanto nós, que não vivemos esse drama, tendemos a nos portar como eternos adolescentes, facilmente preconceituosos, rápidos em nosso julgamento e superficiais na nossa compreensão. E quanto disfarçamos nossos próprios medos em lugar de enfrentá-los como o fazem esses anônimos guerreiros.

Fingimos ser superiores, batendo grandes papos sobre dinheiro, futebol, política. Não estamos nem aí. Botamos tapa-olhos para não enxergar o que se passa, vestimos máscaras para que a verdade não nos cuspa na cara e nos defendemos do rumor que nos ameaça botando fones de ouvido enquanto caminhamos na esteira para ficar em forma.

Mas, individualmente, temos medo e solidão. Como país, estamos acuados. A violência é generalizada, o narcotráfico nos deixa desprotegidos, mais pessoas foram assassinadas por aqui do que nas guerras ao redor do mundo nos últimos anos. Estão cada vez mais altos os muros do medo e do silêncio.

A gente se lamenta, dá palpites e entrevistas, organiza seminários. Resultado? Parece que nenhum. Talvez seja mesmo melhor não saber a quem a situação interessa, nem por que sugestões e explicações aparecem e desaparecem das páginas de jornal e telas de televisão.

Quando nada se pode fazer, só nos resta a resignação. Mas sou da tribo (não tão pequena) dos que não se conformam. Não acredito em revolução, a não ser pessoal. Em algumas coisas sou antipaticamente individualista. Não sou boazinha, e quem julga meus livros bonzinhos está lendo com os óculos da sua própria burrice. Mas acho que, quando o complicado não resolve, pode-se tentar o mais simples. Às vezes ser simples é ser original.

Cada vez que, seja por trágica dependência, seja por aquilo que minha mãe chamava "fazer-se de interessante", um de nós consome uma droga qualquer (mesmo o cigarrinho de maconha dividido com a turma), está botando no cano de uma arma a bala perdida ou não que vai matar uma criança, uma mãe de família, um trabalhador. É uma afirmação dura? É. A vida pode ser muito dura e, o que é pior, muitas vezes por responsabilidade nossa.

Num jantar, há muitos anos, um conhecido disse que costumava fazer-se de pai amigão, fumando maconha com os filhos adolescentes. Um dos meninos viria a sofrer gravíssimos problemas de dependência pelo resto da vida. O pai era culpado? Não creio. A vida não é tão simples, nem eu sou tão moralista. Mas talvez a gente brinque demais na beira do abismo.

Voltando ao começo deste artigo: aquelas pessoas que lutavam contra a dependência química renovaram minha convicção de que, no que se refere à questão da violência ligada ao narcotráfico, sermos os eternos queixosos que não fazem nada é outra forma de violência perigosa porque sutil. É colaborar com os que vão nos atingir no coração: diretamente com uma bala, ou com a morte praticamente anunciada de alguém que amamos.

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Diogo Mainardi
Sou culpado, confesso

"Eu supunha que minha única contribuição para o mundo do crime fosse entregar meu relógio e minha carteira à bandidagem. Mas não. Minha culpa é me eximir de meus deveres sociais. Os narcotraficantes atiram em mim porque não dou aulas de balé ou teatro na favela"

Acabo de matar de fome uma criancinha no interior do Acre. Não, não foi a primeira. Matei muitas outras no passado. E, confesso, continuarei a matar. Enquanto elas morrem, passeio de bicicleta com meu filho pela orla de Ipanema, indiferente a tudo. Como é que ainda não fui preso? Como é que ainda não fui linchado? Bem que eu mereceria.

Quem me acusou de matar criancinhas no interior do Acre foi a Fundação Getúlio Vargas. De acordo com seu mais recente Mapa da Fome, um terço da população brasileira vive num estado de miséria absoluta. Pelos cálculos da FGV, erradicar toda essa miséria é muito mais simples e barato do que parece. Basta que cada endinheirado como eu entregue a um miserável a quantia de 14 reais. Isso significa que aquela criancinha no interior do Acre só morreu de fome porque cometi a mesquinharia suprema de negar-lhe uns trocados. Juro que não foi de propósito.

Estou disposto a dar bem mais que 14 reais para expiar meus crimes sociais. A FGV só precisa explicar a quem devo dá-los. Ao mendigo no farol? Ao ministro Patrus Ananias? À Pastoral da Terra? Outra pergunta: posso descontar os 14 reais do imposto de renda? Porque eu sempre pensei, erroneamente, que os impostos servissem para isso: impedir que as criancinhas morressem de fome no interior do Acre. Aguardo esclarecimentos urgentes da FGV.

Além de matar criancinhas de fome, eu também sou culpado por boa parte dos assassinatos no Rio de Janeiro. É o que afirmam todas as pessoas de bem da cidade. Elas apontam o dedo para mim e me acusam de ser cúmplice do narcotráfico, com o argumento de que a responsabilidade pela violência não é só dos bandidos, mas da sociedade como um todo.

Até hoje eu supunha que minha única contribuição para o mundo do crime fosse entregar meu relógio e minha carteira à bandidagem. Mas não. Para influentes figuras da sociedade carioca, como Arnaldo Jabor e Gisela Amaral, todos nós temos uma parcela de culpa. Inclusive eu. Minha culpa é me eximir de meus deveres sociais. Os narcotraficantes atiram em mim porque não dou aulas de balé ou teatro na favela.

O movimento Viva Rio dá aulas de balé e teatro na favela. Na última quarta-feira, promoveu também o Dia do Carinho, em que centenas de voluntários subiram o morro da Rocinha para distribuir rosas a seus moradores. Não teria sido melhor a polícia subir o morro com algemas? Os moradores da Rocinha teriam agradecido. O logotipo do Dia do Carinho mostrava um negrinho sorridente com um gorro de assaltante na cabeça. A mensagem dos organizadores do evento era clara: se subirmos o morro com rosas, vocês param de descê-lo com suas metralhadoras?

Não vejo nada de errado em tentar melhorar a vida dos favelados. Pelo contrário. Mas sempre achei que era um erro atribuir a essas associações beneméritas um papel na luta contra a criminalidade. Imagino que os traficantes do Comando Vermelho tenham todos os discos do AfroReggae. Imagino também que suas filhas aprendam balé nos cursos oferecidos pelo Viva Rio. Como não quero que Arnaldo Jabor e Gisela Amaral me acusem de pactuar com a bandidagem, porém, telefonei ao Viva Rio e me cadastrei para o Dia do Carinho, oferecendo-me para levar uma rosa a um morador da Rocinha. Ainda bem que não me ligaram de volta.

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Arena do Mengão

Flamengo quer fazer do moderno estádio Raulino de Oliveira seu alçapão no Brasileiro. A começar pela partida de hoje (16h), contra a Ponte Preta
Marco Senna


Da Silva, sorridente, parte para combater Zinho, no coletivo de ontem

O tradicional foi trocado pelo moderno. Se durante muitos anos o Maracanã foi considerado a casa do Flamengo, o clube mudou de endereço e quer fazer do futurista Estádio Raulino de Oliveira sua nova arena (um alçapão de R$ 14,5 milhões, com capacidade para 21 mil torcedores). A começar de hoje, quando o time estréia no remodelado campo, contra a Ponte Preta, às 16h, em Volta Redonda, em jogo da segunda rodada do Campeonato Brasileiro.

Deixar o Maracanã, considerado pelos flamenguistas símbolo da sorte da equipe (palco de inúmeras conquistas rubro-negras) gera um ar de apreensão entre os jogadores, segundo admitiu o zagueiro Fabiano Eller. Dos 23 jogos que o Flamengo fez no Maracanã, no Brasileiro de 2003, ganhou 14, empatou cinco e perdeu apenas quatro.

Eu ia para o Maracanã certo de que o Flamengo venceria. Ganhamos a maioria das partidas em casa. Só não fizemos melhor campanha porque fomos mal fora do Rio. Espero que o Raulino de Oliveira nos traga sorte também. Temos de transformá-lo na nossa arena. Para tanto, é fundamental ganharmos o primeiro jogo no novo campo, comentou Eller. O Flamengo fará 16 partidas em Volta Redonda.

No treino de reconhecimento do campo, ontem, já se respirou um clima rubro-negro. A torcida compareceu em bom número e não se cansou de assediar os jogadores em busca de autógrafos. Já Abel elogiou as acomodações, mas reclamou do gramado e pediu que fossem tampados os buracos por onde saem os esguichos de irrigação.

Sem Felipe, que casou, Diogo fará dupla com Jean

Sem Felipe, liberado do jogo por ter se casado, ontem, Abel optou pela entrada de Diogo ao lado de Jean. O restante da equipe será a mesma que empatou com o Grêmio (0 a 0), em Porto Alegre, na estréia.

Apesar de esperar uma partida difícil, pelo fato de a Ponte Preta vir de vitória sobre o Corinthians, Abel demonstra quase que uma certeza na conquista de um resultado positivo, mesmo sem Felipe.

Fiquei mais preocupado nos dias que antecederam o jogo com o Grêmio, contou. Quanto à ausência do craque Felipe, o treinador disse que o Flamengo terá de superar na força do conjunto. Como poderia contar com o Felipe? Além da cerimônia de casamento, da recepção para 450 convidados, ele ainda teve de dar aquele velho atendimento na noite de núpcias. Deve estar exausto, brincou Abel.

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Só falta o marido

O DIA vai dar de presente a uma sortuda leitora um casamento completo, com direito a vestido, festa e até lua-de-mel
Alícia Uchoa


A modelo Lana Rodhes posa com o vestido de noiva que será dado à vencedora da promoção Casamento dos Meus Sonhos. O modelo é da Noi Due

Casamento pede tradição. Mas há quem consiga dar um toque de modernidade na cerimônia. Com efeitos especiais, filmagem gravada em DVD e brincadeiras que mais lembram festas infantis, casais encontram formas divertidas de casar, sem perder a pompa que a família adora. Mas uma coisa não muda: independentemente do estilo, é um dia inesquecível. Para a felicidade virar realidade, O DIA vai dar um casamento completo para a noiva que melhor contar por que merece ganhar a promoção Casamento dos Meus Sonhos (Para participar é necessário comprar o jornal impresso e verificar detalhes na página 2). A promoção inclui do vestido de noiva à lua-de-mel, sem esquecer da festa, com direito a bufê, decoração, som e até as lembrancinhas. Agora, só falta escolher o noivo.

Todo mundo gosta de festa, seja do tamanho que for, adora uma comemoração. Casamento é sonho e as pessoas nasceram para viver em par, mesmo sem dinheiro, aposta Mônica Freitas, diretora da Exponoivas, que acontece de 12 a 16 de maio no Riocentro. Moderno ou tradicional, o ideal é começar os preparativos com um ano de antecedência. Às vezes, o casal mais moderninho até distribui boás, óculos coloridos e bolinhas de sabão, mas não abre mão de lembranças tradicionais, conta a empresária Cláudia Barros. Nas festas, quem não é muito chegado a sachês e amêndoas pode optar por dar de lembrança ímãs de geladeira e até sandálias Havaianas. Quer coisa melhor? Todas as mulheres vão com aqueles saltos que a gente conhece.

As novas opções de apetrechos não são as únicas inovações para os festeiros. O casamento dos sonhos pode ter efeitos especiais que não ficam restritos às comédias românticas do cinema. Entre eles, chuva de papel, fogos indoor (que, sem pólvora, têm o mesmo efeito visual dos fogos de artifícios) e até show de laser. Antigamente produzíamos isso para shows e teatro, até que começamos a trazer para as festas. Os efeitos podem ser usados na igreja ou na casa de festas, garante o produtor Júnior, da JCJ Efeitos Especiais, que produz de casamentos a bodas de ouro.

Para guardar tanta coisa, um dos pedidos é filmagem em DVD. Além da qualidade da imagem ser melhor, dá para o casal selecionar direto o trecho que desejar ver, como cerimônia, cumprimentos e festa. Apesar de ainda trabalharmos com fita VHS, 50% dos clientes pedem o DVD, conta Cláudio Maia, do Studio Maias.

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Lya Luft
24/04/2004


O real escondido

Na primeira vez em que entrei na sala de um psicanalista, sentei-me no divã e fiz um comentário tão tolo que até hoje me envergonha:

- Imagino tudo o que foi dito aqui entre estas quatro paredes.

Ele me olhou como se eu fosse uma criança e disse:

- Mais importante do que se disse nesta sala foi tudo o que não se conseguiu revelar.

Nenhum olhar é tão fascinante quanto o que nos chama pela fenda dos olhos semicerrados. Nenhum rosto atrai tanto como por trás da máscara, nem quanto a pele debaixo dos vestidos. O superestímulo dos corpos agressivamente expostos nos deixa embotados, o tédio da superabundância nos invade, e logo precisaremos de ajuda para sair desse cansaço.

O efêmero estímulo das drogas desperta uma breve sensualidade, as anfetaminas estimulam o cérebro por algum tempo, finalmente outros artifícios convocam uma artificial pasmaceira, para que sobrevenha o sono.

Sou a favor de recorrer a medicação para ter qualidade de vida em todos os sentidos. Para combater enfermidades ou controlar o relógio biológico momentaneamente desregulado, para abrandar situações traumáticas, enfim, para viver melhor. Mas tenho medo, eu, pessoalmente, de tudo o que passasse a me ligar por hábito ao que devia ser natural: o mundo, a vida com seus ruídos, sensações, sentimentos, intuições. Não quero nem mesmo uma droga que me faça escrever melhor e ter imaginações além das que me povoam dentro, e me bastam.

Já estamos superestimulados, superinundados, superinvadidos. Tudo isso é bom, é positivo, mas será ainda melhor se a gente conseguir administrar, escapando aqui e ali para uma frestinha de silêncio. Apagar todos os motores, tirar a vida das mil tomadas, e deixar que voltem a existir as pedras, as árvores, a água, o vento, as vozes, os passos e os pássaros, a areia, o cascalho, a grama, as abelhas.

Eu mesma, nós mesmos.

Morar na beira da praia e dormir com a janela aberta escutando o mar, algumas vezes sentar de frente para a rua com pessoas e árvores e pedaços de céu, ou, para os mais privilegiados, horizonte, me pareceria o real. Mas até na praia a gente tende a lhe voltar as costas praticamente o tempo todo, virados para a televisão ou a mesa de carteado. É bom fazer isso também, embora eu seja da tribo dos debilóides que não distinguem naipes, coisa que minha mãe considerava a mais grave falha na minha cultura. Mas não sempre.

De modo que, depois de mais uma dessas ausências que se multiplicam entre o concreto de São Paulo e o mar do Rio, voltei para as árvores e o céu da Chácara das Pedras, contente por estar aqui a realidade mais real do meu refúgio.

lya.luft@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
24/04/2004


O efeito manada

Comigo se dá exatamente o que se denomina de efeito manada: pessoalmente, sou contra a pena de morte. Mas coletivamente somos todos a favor da pena de morte.

Por que, pessoalmente, sou contra a pena de morte? Porque, se fosse decidir eu sozinho sobre a pena de morte, vacilaria.

E vacilaria por causa da minha responsabilidade. Ou seja, eu decidindo sozinho claro que é diferente de uma decisão consensual - quando se apagam completamente as responsabilidades individuais.

Se por acaso eu decidisse sozinho, numa hipótese totalmente improvável, embora valiosa para o discernimento do assunto, eu tremeria em decretar a pena de morte, temeroso das conseqüências de meu ato.

Matar inocentes seria apenas um item dos vários riscos implícitos a minha decisão temerária.

Não sei se me entendem: as pessoas respondem em massa que são a favor da pena de morte porque sabem que essa sua opinião não decidirá nada. É o chamado efeito manada, o mesmo que ocorre com os tumultos de rua: quem saqueia ou depreda em grupo fica mais audacioso, porque sabe que a responsabilidade sobre o ato se dilui na multidão de saqueadores ou vândalos.

Sozinho, ninguém saqueia ou depreda à luz do dia, porque sabe que será responsabilizado por essa ação.

É exatamente o caso do presidente Lula, dá-se com ele o que se dá comigo quando concordo coletivamente com a pena de morte, medida a que pessoalmente sou contrário.

Quando não era presidente, Lula pregava salário mínimo de US$ 250 (do Dieese) e a criação de 10 milhões de empregos.

O Lula tem hoje o poder de conceder o salário mínimo de US$ 250 e de instituir numa penada a criação de 5 milhões de empregos.

Ele pode fazer isso sem consultar o Congresso ou até mesmo seu ministério.

Mas então por que Lula não faz o que prometeu? Não cria nem 1 milhão de empregos e decretará um salário mínimo três vezes menor do aquele que pregava quando de suas primeiras candidaturas à Presidência?

Lula não faz o que pregava porque quando pregava se incorporava à opinião pública (efeito manada), que exigia um salário mínimo de US$ 250 e a criação de 10 milhões de empregos.

Ou seja, o que diferencia fundamentalmente a opinião pública (efeito manada) do governante é que a primeira é irresponsável e o segundo é responsável.

Se Lula decretasse, agora como presidente, o salário mínimo e o número de empregos que pregava como líder partidário e candidato, quebraria o país.

Bastava que Lula mandasse amanhã a Casa da Moeda imprimir R$ 150 bilhões e instituiria um salário mínimo três vezes maior que aquele que decretará nestes dias e criaria 5 milhões de empregos, isto é, aparentemente se tornaria no maior e melhor presidente da República de todos os tempos.

Não o faz porque levaria, pela inflação brutal e aniquiladora, o Brasil à ruína.

Então, tanto em pena de morte quanto em salário mínimo ou criação de empregos, há sempre que distinguir a demagogia da responsabilidade.

Quando Lula decide agora por um salário mínimo ridículo e pela não-criação de frentes de trabalho e outros investimentos que criariam 5 milhões de empregos, optou por pular fora da manada e resolveu dar em si próprio um choque de realidade.

Isso se chama responsabilidade. Que só tem quem decide.

Quem não decide opina e promete só da boca pra fora.

Psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Ricardo Silvestrin
24/04/2004


Inteligência artística

Um grande artista é movido no fundo por uma grande inteligência. Tem a criatividade, a sensibilidade, mas quem governa é a inteligência. Digo inteligência não como algo frio, enciclopédico, nerd. Mas como capacidade de avaliar, de escolher, de fazer o balanço do que serve e do que não serve, de tentar entender o que faz. Vi o Paulo Autran sendo entrevistado pela Ivete Brandalise na TVE. Quando perguntado sobre como ele criava a interpretação dos seus personagens, ele respondeu que não havia nada de muito especial. Apenas lia várias vezes o texto, entendia, via que função o personagem desempenhava na história e formulava para ele o significado racional do que deveria interpretar.

A interpretação teatral começa, para ele, na interpretação do texto. De posse disso, e só depois de estar de posse disso, começava a exercitar até acontecer o momento em que ele tinha o estalo criativo. Mais uma vez a inteligência: primeiro para entender, depois para esperar.

Método semelhante empregava o Sinatra. Antes de gravar ou cantar uma música em um show, passava alguns dias lendo a letra. Estudava, entendia a construção do texto, a função de cada palavra. Era, antes de um cantor, um leitor.

O ator francês Gérard Depardieu também disse que a sua interpretação teatral parte da leitura das nuanças do texto. Para ele, interpretar é encontrar uma maneira bonita de dizer o texto. É uma questão de achar as pausas. A busca de cada artista é desenvolver esse saber sobre o que faz. Um saber que muitas vezes se transforma com o tempo. Daí os artistas com fases diferentes, com reviravoltas. Mas tem os que buscam a vida inteira o mesmo caminho.

O poeta João Cabral de Melo Neto disse que sua poesia toda tem como princípio a descrição. Seus poemas vão descrevendo por vários ângulos diferentes um objeto, uma paisagem, uma pessoa, uma cidade, o mar, o canavial... E como as coisas são infinitas e as formas de ver também, sua poesia é sempre a mesma e sempre outra. Uma necessidade de pensamento mágico, infantil, faz das pessoas esperarem do artista que ele feche os olhos e do nada incorpore uma idéia, um personagem, uma canção, trezentas páginas. Tem até os que incorporam, mas esses quase sempre não são os grandes artistas.

ricardo.silvestrin@zerohora.com.br

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Oriente Médio
Fotos chocam os americanos



Imagens de caixões de militares mortos no Iraque expõem as baixas dos EUA e causam mal-estar ao governo Bush (foto AP/ZH)


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Sexta-feira, Abril 23, 2004




Nome: Juliana descobriu logo que teria uma menina e decidiu chamá-la de Gabriella

Gestação
João ou Maria

Teste sanguíneo permite descobrir mais cedo se a grávida está esperando menino ou menina

Juliane Zaché

Logo depois de se descobrir grávida, a maioria das mulheres fica ansiosa para saber o sexo do bebê. Geralmente, essa informação só é revelada a partir da 17ª semana de gravidez por meio de um exame de ultra-som. Mas no Hospital Sírio Libânes, de São Paulo, a curiosidade das mamães vem sendo saciada mais rápido. A instituição realiza um teste sanguíneo que permite detectar a partir da 11ª semana de gestação se a mulher terá um menino ou uma menina.

O exame tornou-se possível graças às pesquisas do biólogo José Eduardo Levi e do médico Silvano Wendel, do Banco de Sangue do hospital. Os dois colocaram em prática o que cientistas ingleses descobriram em 1997: o DNA (estrutura que carrega os dados biológicos do ser humano) do feto se mistura ao sangue da mãe. Ou seja, como nesse material está contida inclusive a informação do sexo do indivíduo, é possível investigar se a criança é menino ou menina com a avaliação do sangue materno.

É simples. A amostra contém as informações genéticas da mãe e do filho. Mas as mulheres apresentam cromossomos XX e os homens XY. Por isso, se no material colhido for detectada a presença do cromossomo Y, a criança é um menino. Afinal, o Y só pode ter vindo dela. Se ele não for encontrado, é uma menina.

Caso a gravidez seja de gêmeos idênticos, o resultado que aparecer no exame vale para os dois fetos. Quando a gestação for de gêmeos dizigóticos (podem ser mais de dois bebês, abrigados em placentas diferentes) e o teste apontar sexo feminino, significa que no útero estão pelo menos duas meninas. Se for detectada a presença do cromossomo Y, só será possível afirmar que ao menos uma das crianças é menino.

Em 1999, os pesquisadores começaram a trabalhar em cima da teoria. E passaram a testar o método criado por eles com voluntárias. Até setembro passado, 600 gestantes tinham feito o exame. A partir da 11ª semana, o teste tem 100% de acerto, afirma Levi. A executiva de vendas Juliana Censoni, 33 anos, de São Paulo, é uma das mulheres que participaram da fase experimental. Segundo ela, descobrir que teria uma menina logo no início da gravidez foi uma providencial ajuda. Assim que saiu o resultado, decidi qual seria o nome dela, lembra a mãe de Gabriella, hoje com um ano e dois meses.

Para fazer o teste, é preciso desembolsar R$ 300. Mas o método não é infalível. O resultado, que sai depois de três dias, em média, pode sofrer interferências causadas por situações que levem à presença de cromossomo masculino no plasma materno, como uma transfusão recente de sangue ou transplante de órgão retirado de um homem para a futura mãe.

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Drama
Duas vezes tragédia

Ex-ministro viu o filho mais velho atropelar operário e o mais novo se atirar do nono andar

Ana Carvalho

Em menos de uma década, o ex-ministro dos Transportes do governo Fernando Henrique Cardoso e atual secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, Odacir Klein, vive uma segunda tragédia familiar. Desta vez com o filho mais novo, Felipe, 20 anos. Na noite de sábado 17, o tatuador profissional pulou do nono andar do prédio no qual o pai morava no centro de Porto Alegre, após os dois travarem uma dura discussão.

Felipe perdeu a vida e Klein, segundo amigos e assessores próximos, a vontade de viver. Sob sedativos ao longo da semana, o ex-ministro estava decidido a afastar-se definitivamente do cargo que exerce no governo de Germano Rigotto (PMDB).

Esta mesma cena também é uma espécie de revival na vida do político gaúcho ligado ao PMDB. Em 1996, Klein, então ministro dos Transportes, estava num carro dirigido pelo filho mais velho, Fabrício, 18 anos. O jovem atropelou e matou o pedreiro Elias Barbosa de Oliveira Júnior em Brasília. Fabrício e Klein, que vinham de um churrasco, fugiram sem prestar socorro à vítima. Constrangido com a repercussão do incidente a placa de seu carro foi anotada por uma testemunha , ele entregou o cargo a FHC.

Foram também testemunhas que contaram à polícia que Felipe estava no parapeito do apartamento xingando uma pessoa quando se jogou. Fabrício, hoje com 25 anos, foi quem falou em nome da família durante o velório do irmão. As circunstâncias ainda estão meio confusas, mas Felipe se jogou mesmo. Meu pai está em estado de choque. Não se lembra de nada. A polícia, que encontrou o apartamento revirado e com dinheiro espalhado pelo chão, levou Klein, desorientado, para o hospital Dom Vicente Scherer. Ele não sabia dizer onde estava o filho, cujo corpo já se encontrava a 11 metros da fachada do prédio. Chegou a afirmar que Felipe estaria na casa da mãe, recém-separada, que mora na mesma rua do secretário. Klein foi submetido a exames, inclusive de teor alcoólico, que devem ser divulgados esta semana.

Felipe era uma espécie de antítese de Fabrício. Enquanto o jovem tatuador fazia parte de uma tribo, entre o gótico e o punk, que se veste de preto e transforma o corpo e a face com o uso de silicone e adorno de metais, o mais velho dos Klein está disposto a seguir os passos do pai: a carreira política. Ele vai disputar, pelo PMDB, uma cadeira na Câmara Municipal de Porto Alegre.

Pelo acidente, Fabrício foi condenado por homicídio culposo a pagar indenização de R$ 30 mil à família do pedreiro e doar uma cesta básica por mês durante dois anos a uma instituição de caridade. Felipe, apaixonado por piercings e tatuagens, morava com a mãe e se enquadrava no estereótipo da rebeldia. No entanto, segundo confidenciou um médico amigo da família, sofria de depressão.

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O filme quente de Tarantino
Tatiana Contreiras

Violento, acelerado e superpop, 'Kill Bill' tem matança e sangue para todos os lados



Estiloso filme sobre vingança, mistura de linguagens cinematográficas, puro entretenimento. O aguardado Kill Bill: Volume 1, quarto filme do pop e cultuado Quentin Tarantino, estréia hoje com tudo isso e mais um pouco. Há quem acuse o diretor de ser um plagiador barato. Bobagem. Dividido em duas partes, Kill Bill é, sim, um apanhado direto de todas as referências de Tarantino, fã de longas de kung-fu, faroestes, seriados antigos e filmes vagabundos dos anos 70, de forma geral.

Mas na tela, o que se vê do início ao fim é um filme de ação daqueles de se levantar da cadeira e vibrar a cada cena. Esqueça o ar blasé das lutas limpinhas, em que ninguém se machuca. Aqui, o negócio é sangue. E diversão.


No teto, Uma se esconde

Musa de Tarantino, Uma Thurman estava grávida quando as filmagens de Kill Bill iam começar. O diretor esperou pela atriz, indicada ao Oscar por Pulp Fiction Tempo de Violência. Ela vive a fria vingadora The Bride (A Noiva), ex-integrante de um grupo de matadoras, o Esquadrão Assassino Víboras Mortais, liderado por Bill (David Carradine, ídolo de Tarantino e estrela do seriado Kung Fu). Grávida, no dia de seu casamento, A Noiva ou Mamba Negra, seu codinome é vítima de uma chacina comandada pelo ex-chefe Bill (e ex-namorado) e pelas ex-parceiras. Todos os convidados da cerimônia morrem. Menos ela.



Uma vale por mil: a heroína enfrenta um exército

Quatro anos depois, A Noiva acorda do coma e decide se vingar de Bill e companhia. Começa sua lista com Vernita Green (Vivica A. Fox), agora uma pacífica mãe de família. Vai até Okinawa, no Japão, onde consegue sua espada de samurai e treina com o ex-mestre de Bill, Hattori Hanzo (no filme e na série Shadow Warriors vivido pelo veterano Sonny Chiba, que treinou o elenco do filme).



Uma e Lucy Liu lutam na neve: qual levará a melhor?

E é no Japão que o melhor embate deste volume um acontece. A Noiva enfrenta O-Ren Ishii (Lucy Liu) depois de uma luta de tirar o fôlego. Na seqüência da Casa das Folhas Azuis, em 20 minutos de filme a personagem de Uma detona a gangue da ex-colega e líder da máfia japonesa, os Crazy 88. Sim, 88 pessoas, numa luta com sangue jorrando e cabeças voando. Cada golpe parece um passo de dança a cena em que as luzes se apagam e A Noiva luta com um fundo azul é um videoclipe de tão pop.

O fim da primeira parte da vingança sanguinária da Noiva e do épico dos sonhos de Tarantino deixa no ar a expectativa pelo volume dois e a certeza de que Kill Bill, ainda que controverso, vale cada um dos 110 minutos no cinema.



De moto, ela percorre as ruas de Tóquio

Volume 2
Kill Bill: Volume 2 estreou nos Estados Unidos no dia 16 e chega ao Brasil em outubro. Se no Volume 1 Tarantino prioriza as imagens e joga sangue na tela, na segunda parte do filme ele dá mais espaço para seus tão comentados diálogos. A Noiva parte, então, em busca da ex-parceira Elle Driver assassina que usa tapa-olho e é conhecida como California Mountain Snake (todos os matadores do grupo têm como codinomes tipos de serpentes) , de Budd Sidewinder (Michael Madsen, de Cães de Aluguel) veterano do esquadrão comandado por Bill (Carradine) que volta à ativa , e, claro, de Bill.

O chefão, aliás, ganha mais espaço no Volume 2: ele mal aparece, mas sua voz pontua vários trechos da história. Se o Japão dá o tom da primeira parte de Kill Bill, a China domina na outra parte. Feito para ser uma coisa só, o filme foi dividido por sugestão da Miramax.

Com animação japonesa



A mãe de O-Ren Ishii (Lucy Liu) em versão desenho: morte violenta

Uma das melhores seqüências de Kill BIll: Volume 1 é a animação, dentro do filme, que mostra a morte da mãe e do pai gângster de O-Ren Ishii (Lucy Liu), a vingança da menina e sua transformação em assassina. Dirigidas por Tarantino, que também participou da produção dos storyboards, as cenas foram criadas pelo Production I.G, um dos grandes estúdios de animação japonesa.

Cada detalhe levou até seis horas para ser feito, e as cenas são praticamente outro filme dentro do filme. Com tema de Ennio Morricone, elas têm bangue-bangue à moda antiga. Além de o estilo ser referência para Tarantino, consta que o anime foi um jeito de mostrar de forma menos violenta os assassinatos e ainda poupar dinheiro. Que seja. Mas funciona, e bem.

A trilha
Músicas antigas, temas bizarros em geral e canções de velhos seriados dão o tom da trilha sonora de Kill Bil: Volume 1. Tarantino diz que só consegue ir adiante no roteiro se imaginar qual música casa com cada cena, e que o segredo de suas trilhas sonoras é o fato de elas serem extremamente pessoais.

Algumas músicas são conhecidas. Na cena em que A Noiva (Uma Thurman) luta com O-Ren (Lucy Liu) , por exemplo, veja lá se você não reconhece Dont Let Me Be Misunderstood, do Santa Esmeralda, música dos anos 70 que já foi trilha sonora de novela por aqui. Além de ser referência na tela, o seriado Besouro Verde, com Bruce Lee, contribuiu com a música-tema. E abrindo o filme, Bang Bang (My Baby Shot Me Down), de Nancy Sinatra, é de arrepiar.



Tarantino nas videolocadoras


Cães de Aluguel, Pulp Fiction (com Uma, no centro) e Jackie Brown: os filmes anteriores de Tarantino


Violência, diálogos bem sacados e histórias que se abrem dentro de outras. Nada disso falta nos filmes de Quentin Tarantino, 41 anos, tratado como gênio inovador por uns e picareta plagiador por outros. Antes de Kill Bill, seu quarto filme (crédito que aparece em letras garrafais na abertura, num momento de ego elevado à toda prova), ele escreveu e dirigiu o que é hoje um dos mais cultuados filmes policiais: Pulp Fiction Tempo de Violência, de 1994. Antes, ele já havia feito Cães de Aluguel, sucesso em 1992. E em 1997, lançou o não tão bem recebido Jackie Brown, sobre uma aeromoça que turbina seu salário com serviços extras.


Em Cães de Aluguel, um grupo de gângsteres de terninho e gravata (estilo mais que copiado hoje em dia) assalta uma joalheria e é surpreendido pela polícia, dando a impressão de que há um delator entre o grupo, entre outras questões. Pulp Fiction, para quem não lembra, resgatou o galã John Travolta, como um assassino viciado, mostrou Uma Thurman como uma mulher fatal a dancinha dos dois em um concurso de twist virou moda na época e deu o Oscar de Melhor Roteiro Original ao diretor, em 95. Aclamado e adorado por público e crítica, ele só perdeu o bonde com Jackie Brown. Mas na bolsa de apostas, há quem diga que Kill Bill é sua volta aos velhos tempos.

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CNBB: padre fazer sexo não é o fim do mundo

Adauri Antunes Barbosa

INDAIATUBA (SP). Depois da divulgação da pesquisa mostrando que 41% dos padres brasileiros já tiveram experiência sexual com mulheres, Dom Anuar Battisti, bispo de Toledo (PR) e presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, disse que a revelação não é o fim do mundo nem escandaliza a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB):

É um dado preocupante, mas não podemos nos escandalizar. Não é o fim do mundo. Este não é o único lado a ser olhado do ser humano.

Ele disse que o envolvimento de padres com mulheres pode ser considerado um desvio e que cabe o arrependimento:

Esse desvio, que pode ser uma pisada na bola, é uma coisa da qual depois ele se arrepende. Não é falha de caráter, mas uma demonstração especial de amor por alguém.

A pesquisa foi feita pelo Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris), órgão ligado à CNBB, e divulgada anteontem na 42 Assembléia Geral da entidade. Os dados foram considerados preocupantes pela CNBB, que os discutiu na reunião anual em Itaici, no município de Indaiatuba, a 90 quilômetros de São Paulo.

Dom Anuar disse que o padre precisa ter relações de afetividade com pessoas próximas e que as mulheres não podem ser afastadas disso:

Como diz um poeta gaúcho, não pense que mulheres são crias de satanás.

Para Dom Anuar, mais importante é a revelação de que 94% dos padres estão satisfeitos com a sua opção vocacional.

Dom João Braz de Aviz, arcebispo de Brasília, disse que pode ter havido má interpretação da pesquisa:

A pesquisa fala em envolvimento afetivo com mulheres e não em envolvimento sexual afirmou, contrariando o diretor-executivo do Ceris, Luiz Antonio Gomez de Souza, coordenador do levantamento. Anteontem, ele disse que a pesquisa aponta que os padres falam em relações sexuais, não só afetivas.

Os dados foram manipulados inadequadamente disse Dom Alberto Taveira Corrêa, arcebispo de Palmas (TO).

Para Dom Anuar, o celibato dos padres não foi ameaçado pelos resultados da pesquisa:

O celibato vai além da relação afetiva, é uma doação ao reino de Deus, que abriga todo serviço do presbítero.

A pedofilia, outra questão polêmica, está entre os temas discutidos pela CNBB, que deu orientações sobre como enfrentar o problema. A primeira atitude, segundo Dom Anuar, é o afastamento para tratamento especializado. Se se reabilitar, o padre retorna à sua atividade; se houver reincidência, é afastado definitivamente.

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São Paulo consegue vitória heróica no Morumbi

Esporte na Globo

SÃO PAULO - O São Paulo conseguiu uma vitória heróica na noite desta quinta-feira, no Morumbi, em sua estréia no Campeonato Brasileiro. Jogando com nove jogadores desde os 13 minutos do segundo tempo, após as expulsões de Marquinhos e Velber, o time de Cuca derrotou o Atlético-PR por 1 a 0, com um golaço de Gustavo Nery aos 43 minutos da etapa final. O público pagante foi de 5.038 pessoas. Os dois times voltam a jogar na rodada de domingo. O São Paulo enfrenta o Criciúma, às 18h, no Estádio heriberto Hulse. Já o Atlético-PR busca a recuperação diante do Figueirense, às 16h, na Arena da Baixada.

Logo aos dois minutos, Marquinhos lançou Luís Fabiano, em posição duvidosa, mas o atacante desperdiçou a ótima chance chutando em cima do goleiro Diego. A resposta paranaense veio na mesma moeda aos 19 minutos. Ilan recebeu na entrada da área, driblou o zagueiro Rodrigo e chutou à direita de Rogério Ceni, perdendo gol feito.

O gol motivou o rubro-negro, que teve outra chance clara quatro minutos depois com o mesmo Ilan. O atacante acertou a trave de Rogério Ceni após escorar cruzamento da direita de Alan Bahia. O Atlético-PR dominava inteiramente a partida e voltou a assustar aos 28. Ilan recebeu da intermediáriae chutou rasteiro à direita do gol são-paulino.

Gustavo Nery garante a vitória com bonito gol

O São Paulo finalmente respondeu aos 33 num chute de londe de Gustavo Nery, que desviou na defesa do Atlético-PR e quase enganou o goleiro Diego. Aos 41, Alan Bahia acertou uma bomba, mas Rogério Ceni salvou o São Paulo mais uma vez.

Preocupado com a fraca atuação do São Paulo, o técnico Cuca fez duas substituições na volta para o segundo tempo: tirou Cicinho e Fábio Santos e colocou Gabriel e Vélber. Aos dez, Marquinhos se irritou com a marcação do árbitro carioca Djalma José Beltrami Teixeira e levou o cartão vermelho. Três minutos depois, Vélber agrediu Ramalho e também foi expulso.

Em desvantagem numérica, o São Paulo apenas se defendia e tentava sair no contra-ataques. Aos 27, Cuca tirou Grafite e colocou Danilo para fortalecer a marcação. A torcida são-paulina até chegou a se empolgar, gritando e motivando o time. E, quando ninguém mais esperava, aos 43, Gustavo Nery arrancou da intermediária, driblou o zagueiro Marinho, passou por Igor e chutou no ângulo direito do goleiro Diego.

São Paulo 1 x 0 Atlético-PR

Local: Morumbi, em São Paulo

Público: 5.038 pessoas

Renda: R$ 63.854,00

Árbitro: Djalma José Beltrami Teixeira-RJ

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Gabriel Moojen
23/04/2004


As coisas mudam

Fui, vou fazer o Mochilão da MTV. Mas ainda não é a hora das despedidas porque tenho mais um mês aqui no Patrola. Por isso hoje escrevo sobre viajar. É certo como dois e dois são quatro que uma viagem muda a vida da gente. Talvez, não a vida toda, mas uma parte íntima do ser. Sei que o cara que fecha a porta não é o mesmo que vai abri-la na volta.

A coisa se dá como um vício, um vírus. Primeiro é a angústia da partida. Se as malas estão prontas, se vai faltar dinheiro, se as pessoas serão legais. Depois é a surpresa da chegada. Por mais que a gente leia e se informe sobre qualquer destino, os lugares têm cheiro, temperatura, som.

Por exemplo, se você vai para Londres. Um universo novo se apresenta. Tudo é sensacional, todos são os amigos mais legais do mundo, Você está no bairro mais legal do mundo, pega o metrô mais legal do mundo, vai ao show da banda mais legal do mundo. O mundo é essa surpresa do aprendizado diário.

Então chega a hora da despedida e vem uma dor. Uma dor que o cara acha não vai passar. Porque dar adeus a um amigo do peito que você conheceu nas últimas duas semanas e que mora na Polônia e, é quase certo, não verá jamais, dói. Mas é só entrar num trem que vem a segunda lição. Porque nesse momento acabou de sentar bem na sua frente uma sueca loira maravilhosa que vai passar as próximas 24 horas bem na sua frente contando histórias absurdas sobre raves e pássaros. A dor da despedida toma outra dimensão e vai se esvaziando. A paisagem da janela ganha mais cor, a vida volta a ser legal.

Quando o trem chega, a dor volta. Porque você também sabe que não mais verá aquela moça, a não ser que ela responda algum e-mail dizendo que está a 15 mil quilômetros de você.

No albergue você fica num quarto onde tem uns israelenses que acabaram de sair do exército e estão curtindo a vida em Paris. E você fica fazendo parte da turma. Se diverte, toma um trago com eles, ouve mais histórias absurdas, acha que a sua vida é tão calma... Até que chega a hora de ir para a próxima parte da viagem sozinho e que sua mochila está pesada demais. Que não precisou da metade das coisas que trouxe. Então você se dá conta de que aprendeu uma lição maior.

Que a vida é essa mudança. E que a mochila deve ser mais leve. Então deixa no hotel dois pares de sapatos, duas calças novas, quatro camisas, lençol, toalha... E sai caminhando melhor, sabendo um pouco mais sobre deixar as coisas para trás e escrever novas histórias. Aprende sobre o desapego. Sobre encarar desafios com a alma solta e o coração tranqüilo. Que, fora o motorista, tudo é passageiro. E descobre que, como o rio, estamos também de passagem. ME ESCREVAM logo.


gabriel@rbstv.com.br

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Mauren Motta
23/04/2004


Foto(s): Júlio Cordeiro/ZH
Trocando de canal

Começo a escrever a coluna de hoje minutos depois de me despedir do Gabriel. Ele acabou de sair da minha casa. Nosso encontro, mais uma vez, foi profissional. Na pauta de hoje, as fotos para a capa do caderno Patrola. Muitas vezes isso já aconteceu. Posamos sorridentes para editoriais, matérias e divulgação. Essa sessão foi diferente. O clima de encerramento e despedida tava no ar.

Talvez tenham sido nossas últimas fotos juntos. Como muita gente já sabe, o Gabriel tá saindo do Patrola. Sorte dele, azar o meu ou vice-versa. Não que eu ache que as pessoas são insubstituíveis. Com a experiência, aprendemos que não são. Mas uma parceria de cinco anos é difícil de romper, ainda mais com tanta história em comum.

Certa vez, numa loja, uma senhora se aproximou de mim e falou: "Adoro você e o seu marido, acho vocês maravilhosos!". Bastou para que eu caísse na gargalhada. Expliquei pra ela que eu e o Gabriel não éramos casados, que a gente simplesmente dividia um programa de televisão. Depois disso, comecei a pensar. Na verdade, nossa relação sempre foi como um casamento. Dias bons e ruins. TPM e deprê. Euforia e adrenalina. É claro que tudo isso com muito trabalho, e sem sexo. Olhando pra trás, vejo quanta coisa interessante aconteceu com a nossa união. Muitas conquistas, alegrias, emoções e milhares de brigas.

Não entendo nada de signos, só sei que somos os opostos: o Gabriel é de áries e eu sou de libra. Ele sempre fez a linha bicho-grilo, garoto de praia. Eu sempre fui moderninha e urbanóide. O Gabriel é da música, eu sou da moda. O Gabriel é magrão e altão. Eu sou gordinha e baixinha. E foi justamente nesses desencontros que a gente se encontrou. As diferenças eram tantas que parecia impossível que a gente desse certo. E deu! Nossa química rolou dentro e fora da pequena tela.

Com o passar dos anos, eu e o Gabriel fomos crescendo juntos e descobrindo muitas coisas em comum, aprendemos um com o outro. Até um parentesco distante pintou no pedaço. Dizem que somos primos. Mas isso não importa. O que vale é que somos parecidos na vontade de vencer, gostamos muito do que fazemos, adoramos viajar, gostamos de namorar, temos muitos amigos, somos conectados, amamos o jornalismo e o Caetano. O Gabriel carinhosamente me chama de "Carma" e eu o chamo de "Mala"! Vai deixar saudade. Tenho pensado em como vai ser e o que vai mudar.

O grande medo quando uma relação acaba é do que vem pela frente. Novos desafios sempre dão calafrios. E eu acho que é isso que sempre nos moveu. Um novo companheiro vai pintar na minha história. Um novo programa vai viver na história do Gabriel. Desejo sorte para nós, muito amor no coração e que ele vá com Deus.

Beijolas na parceria, Mau.

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David Coimbra
23/04/2004


As montanhas sagradas

Por volta de 1870, o general Custer informou que as Black Hills, as montanhas sagradas dos índios, estavam cheias de ouro "desde as raízes da grama". Nada mais eficaz para titilar a cobiça do homem branco. O governo dos Estados Unidos passou a insistir na compra do solo sacrossanto das nações vermelhas. Pressionados, os chefes se reuniram para estudar a proposta. De repente, em meio à reunião, um guerreiro montado num cavalo cinza, pintado para a guerra, com duas pistolas na cintura, irrompeu no local, aos gritos:

- Matarei o primeiro chefe que falar em vender as Black Hills!

Era o guerreiro sioux chamado Pequeno Grande Homem, que falava em nome de Cavalo Doido, líder maior da resistência indígena. Pequeno Grande Homem tornou-se célebre por essa ação de bravura. Sete anos depois, ele teve a sua segunda participação notável na história dos índios americanos: era de Pequeno Grande Homem a mão que segurava Cavalo Doido quando ele foi assassinado com um golpe de baioneta no ventre. As Black Hills, então, estavam à mercê dos garimpeiros brancos.

A traição de Pequeno Grande Homem demonstra bem como os Estados Unidos lidaram com seus índios. Tentavam cooptá-los e dividi-los. Quando não conseguiam, partiam para a simples e eficiente carnificina. Isso em meados do século 19. Agora, ao amanhecer do 21, índios brasileiros da Amazônia massacraram 26 garimpeiros exatamente pelos mesmos motivos que levaram os americanos a se apossar das montanhas sagradas.

Ou seja: até no extermínio dos silvícolas o Brasil está atrasado em mais de um século. Quando é que finalmente vamos chegar à fase da selvageria?

Já os índios gaúchos estão em outro nível. Vi a foto deles no jornal, reivindicando a posse de um antigo cemitério indígena no Morro do Osso. Índios de calção Adidas, cocar de espanador na cabeça, pintados para a guerra como Pequeno Grande Homem, com a diferença de que a tinta deles imagino seja têmpera.

Como os índios descobriram esse cemitério de seus ancestrais? Pela Internet. Juro por Deus. Consultaram algum site especializado em solos sagrados e descobriram o campo-santo perdido de seus antepassados. Nada de tacape, nada de borduna, nada de magia de pajés: Internet! Que inveja os índios gaúchos não despertariam no velho Cavalo Doido!

david.coimbra@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
23/04/2004


As bestas caninas
Olhem o que diz a lei estadual lá em São Paulo sobre como devem ser conduzidos em espaços públicos os cães das raças pitbull, rottweiler, mastim napolitano e american terrier.

Segundo a lei, sancionada no mês passado pelo governador Geraldo Alckmin, essas feras só podem ser conduzidas nas ruas e parques por seus donos se forem tomados os seguintes cuidados: os cães ferozes têm de ser contidos por correntes (nem se fala em guias) de curta condução (no máximo dois metros de comprimento), coleira, focinheira e enforcador.

Mas eu pergunto: mesmo com focinheira, mesmo com corrente curta, mesmo com coleira, até mesmo com enforcador, quem enxergar um monstro desses na rua não ficará inteiramente tomado pelo terror?

Como acontece com quase todas as leis no Brasil, essa também não vem sendo respeitada em São Paulo, pouquíssimos proprietários tomam tais cautelas ao conduzir seus cães pelas ruas.

Aqui em Porto Alegre e no Rio Grande do Sul, a farra do passeio livre e desimpedido desses cães horrorizantes pelos parques e ruas é livre e sem qualquer vigilância.

Lá em São Paulo, só neste mês de abril, cinco pessoas foram atacadas violentamente por esses cães ferozes, quase todas elas crianças.

Como foi o caso, anteontem, em Ribeirão Preto, da menina Gabriele Souza, de apenas dois anos, que foi visitar seu pai, separado de sua mãe, e foi atacada por um pitbull, que cravou os potentes dentes em sua nuca, quase lhe arrancando o pescoço.

O menino Natanael Lima, 11 anos, dia 4 deste mês, foi atacado e quase mutilado por um rottweiler quando brincava na rua onde mora, em Taboão da Serra.

Em Limeira e em Paulínia, uma garota de sete anos e uma atleta de 14 anos foram mordidas na perna e na cabeça por um desses cães. E a notícia do jornal diz apenas que "sobreviveram".

Não foi o caso da estudante Luana Oliveira, com oito anos, que na frente da sua casa foi atacada por um pitbull, em Jundiaí.

O pitbull atracou-se no pescoço da pobre menina e não largava mais. Ela deu entrada no hospital em estado grave e morreu dias depois.

E, no início de março, o dentista Roberto Carvalho, 39 anos, em Casa Branca, brincava com uma bola no quintal de sua casa. A bola caiu no quintal do vizinho e o dentista foi lá buscá-la.

Imaginem seu azar: foi atacado por um pitbull, um rottweiler e um dog alemão, que literalmente o estraçalharam, matando-o em três minutos.

É tal a capacidade de destruição e de maldade de um cão desses que a lei exige que, além da focinheira e da corrente curta, o dono contenha-o com um enforcador.

Como é que permitem que passeie nos parques e nas ruas uma fera que tem de estar permanentemente contida por um enforcador?

Mas o que é isto? Sabendo-se que a maioria dos ataques desses monstros se verifica nos quintais ou nas calçadas das ruas em que moram seus donos, como é que se permite que existam e procriem esses seres horrendos?

E nenhuma autoridade se levanta contra este holocausto, vítimas morrendo a dentadas, sangue rolando no país há décadas, as bestas soltas nas casas, nos quintais e até nos parques.

É desanimadora a crise de autoridade brasileira.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Reportagem Especial
Gasolina da Capital tem preço padronizado



Levantamento feito pelo repórter de ZH Rodrigo Müzell em todos os 200 postos de Porto Alegre mostra que em 130 deles há um alinhamento no preço do litro da gasolina comum.


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Quinta-feira, Abril 22, 2004




Espírito de Cooperação no Trabalho ISBN 85-316-0114-2

Jack Canfield e Mark Victor Hansen
Editora Cultrix


Título original: Chicken Soup for the Soul at Work


O trabalho é parte importante de nossa vida, que lidemos diretamente com os clientes, que tenhamos o nosso próprio negócio ou cozinhemos para a nossa família. Sendo assim, todos temos histórias importantes para contar sobre o nosso trabalho. Dessa gama de experiências, um grupo de escritores, tendo à frente Jack Canfield e Mark Victor Hansen, reuniu uma coletânea especial de contos que dão testemunho da coragem, da compaixão e da criatividade que acontecem todos os dias nos locais de trabalho em todas as partes do mundo.

Espírito de Cooperação no Trabalho irá estimular sua criatividade com exemplos de conquistas inspiradoras, alimentar o seu espírito com relatos de líderes corajosos e ensiná-lo a enriquecer a si mesmo e a seus colaboradores com histórias que tocam profundamente o coração.

De insdescutível interesse, ele lhe oferece novas opções, novas maneiras de ser bem-sucedido; sobretudo, uma nova maneira de amar a si mesmo, ao seu trabalho e a todos que o cercam.

Compartilhe-o com seus colegas ou funcionários e desfrute uma alegria e um prazer renovados no seu dia-a-dia.

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Motivação: o que fazer?

Ivan F. Cesar

Muito se comenta sobre o tema MOTIVAÇÃO.

Todos sabemos que a MOTIVAÇÃO é uma das principais molas para impulsionar um negócio de sucesso, mas como implementá-la na prática?

A quem devemos motivar, como devemos motivar, em que situação, qual o ambiente ideal, quando devemos motivar ?????

MOTIVAÇÃO é motivar alguém para uma ação. É quebrar a inércia e desenvolver um movimento de crescimento e de auto-estima dentro de cada indivíduo.

Quem se sente motivado, se sente "capaz", se sente "feliz", se sente "fortalecido", se sente "seguro" e, principalmente, sabe onde quer chegar, ou seja, tem um ou mais ojetivos definidos.

A motivação deve começar de cima para baixo. Os empresários necessitam traçar suas metas e acreditar nelas!

Empresários se motivam em função da busca de seus sonhos e da persistência necessária para alcançá-los.

Estabelecida a meta, teremos mais motivação quanto mais tivermos:

conhecimento (capacidade); afinidade ao negócio (felicidade); parceiros e network (fortalecimento); e
capital de giro (segurança).

O empresário motivado já estará dando um grande passo para a motivação de seus colaboradores(*), ou seja, o EXEMPLO !!!

Partindo do exemplo que vem de cima, devemos estimular nos colaboradores as mesmas sensações de capacidade, felicidade, fortalecimento e segurança isso, de forma contínua, procurando fazer com que as metas da empresa também sejam as metas dos colaboradores.

Para tanto, algumas ações devem fazer parte da estratégia do negócio, quais sejam:

a "capacitação" dos colaboradores, na forma de cursos, treinamentos, palestras, seminários, feiras, etc - o colaborador precisa ser um "expert" naquilo que faz e entender perfeitamente o funcionamento da empresa.

um colaborador será "feliz" quando estiver fazendo aquilo que gosta em um ambiente de colaboração e amizade - coloque a pessoa certa no lugar certo, estimule a colaboração e não a competição, promova eventos sociais e recreativos, estimule a troca de idéias (brainstorm), elogie em público e repreenda particularmente.

um colaborador se sentirá "fortalecido" quando sentir a sua importância para a obtenção das metas da empresa tente mostrar a cada colaborador o quanto o seu trabalho é importante para a empresa e não apenas para a conclusão de suas tarefas (lembra da história do empresário americano que visitando uma grande empresa de software no Japão perguntou a um funcionário que varria o chão qual era a sua função. Ele respondeu: eu ajudo a desenvolver "software"!).

um colaborador se sentirá "seguro" quando o seu retorno financeiro permitir viver dentro de suas expectativas - remunere os seus colaboradores com salários justos, de acordo com as responsabilidades, produtividade e capacitação de cada cargo. Estabeleça premiações e bonus quando metas forem superadas ou para inovações que aumentem a produtividade.

Em resumo, MOTIVAÇÃO não se consegue apenas através de palestras de Consultores famosos.

Se consegue com muito suor, dedicação, senso de justiça, errando e acertando!

Lembremos, "para chegar a qualquer lugar é necessário dar o primeiro passo".

Prefiro utilizar o termo "colaboradores" e não "empregados".
Cada elemento que trabalha em nossa empresa deve se sentir "sócio" e naõ "assalariado", ou seja, ter a certeza que o sucesso do negócio também será o seu próprio sucesso.

Ivan F. Cesar é Empreendedor/Webmaster e Webdesigner, criador do grupo "Empreender para Todos". br.groups.yahoo.com/group/empreenderparatodos
E-Mail: ivanfcesar@yahoo.com.br

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Mergulho no trágico

Renata Sorrah e José Mayer reabrem o Teatro Dulcina com Medéia e ingressos a R$ 15
Rúbia Mazzini



Renata também é produtora e idealizadora do espetáculo, que estréia hoje somente pra convidados

Deitada no chão de terra batida, Renata Sorrah aguarda o momento em que José Mayer se jogará entre suas pernas para que os fotógrafos registrem a cena. Ainda de pé, o ator pára por alguns segundos, pergunta para a diretora Bia Lessa se deve mesmo fazer aquilo e vaticina: Vai ser a foto da capa. Para não desmentir o ator, aí em cima está a imagem, apenas uma entre as muitas, fortes, violentas e belas seqüências criadas por Bia para a montagem de Medéia, tragédia do grego Eurípedes que estréia no Teatro Dulcina hoje, para convidados, e amanhã para o público, com ingressos a R$ 15.

Idealizadora do espetáculo, do qual também é produtora, Renata encarna a personagem-título, a mitológica feiticeira que mata os próprios filhos depois de ser abandonada pelo marido. Com cabelo e barba crescidos, Mayer interpreta Jasão, o ambicioso líder dos argonautas que troca Medéia pela filha do rei Creonte sem imaginar onde a fúria vingativa da mulher poderia chegar.



Mayer: chuva e um novo visual

Jasão, para mim, é o homem moderno, pragmático. Ele é o prenúncio desse homem esvaziado de valores éticos, que rompe compromissos, juramentos, na busca do sucesso e da ascensão, observa Mayer, que atendeu ao chamado de Renata para voltar ao teatro quatro anos depois da parceria em Mais Perto, drama contemporâneo de Patrick Marber. O convite era irrecusável por todas as razões, mas sobretudo pela raridade do acontecimento e pelo nível de dificuldade, diz o ator.

Achei bacana contracenar com alguém da mesma geração. E o Zé é perfeito para o papel, elogia Renata, fazendo questão ainda de destacar a excelência dos outros atores recrutados para a peça Cláudio Marzo, Emiliano Queiroz, Ivone Hoffmann, Christiana Guinle e Dalton Vigh , da diretora Bia Lessa Ela é terrível e maravilhosa e de toda a ficha técnica. Fazer um clássico desses é muito forte, só vale a pena assim, acredita a atriz, que admite: apesar de estar mergulhada no universo de Medéia há três meses, quando começaram os ensaios, só há poucos dias se deu conta de porquê quis encenar um texto escrito em 431 a.C.

Acho Medéia atualmente a cara do mundo. Estamos vivendo um momento muito dramático, de luta por ideais, e a peça fala sobre isso. Fala sobre o estrangeiro, o que não é igual a todo mundo e as pessoas rechaçam, sobre o civilizado e o não-civilizado, discorre Renata, traçando um paralelo entre a realidade da tragédia e do momento vivido pela Grécia quando Eurípedes imortalizou a lenda da feiticeira às vésperas da Guerra do Peloponeso com o atual panorama político do mundo, pós 11 de setembro e Guerra do Iraque. Medéia é uma exilada. E é considerada bárbara porque vai contra as leis estabelecidas. É quase uma terrorista, compara a atriz.

Divididos entre o amor e o ódio no palco, Renata e Zé Mayer devem continuar a viver emoções fortes também no retorno da dupla à tevê, na nova novela das oito da Globo, de Aguinaldo Silva. Mayer já acertou sua participação, no papel do jornalista Dirceu de Castro, casado com a protagonista, Maria do Carmo (Susana Vieira). Já Renata deve interpretar Nazaré, a vilã que rouba a filha de Carmo. Nazaré é má, muito má, adianta Renata. E eu vou estar no encalço dela, conta Mayer. Vem mais tragédia por aí.

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Está de bom tamanho

Flamengo começa bem no Brasileirão ao empatar em 0 a 0, com o Grêmio, no Olímpico.
Felipe foi o destaque rubro-negro

PORTO ALEGRE - Diz o manual do Campeonato Brasileiro que numa disputa de pontos corridos o importante é estar sempre pontuando. Foi o que o Flamengo fez, ontem, no Estádio Olímpico. Recém-campeão estadual, o Rubro-Negro arrancou um empate (0 a 0) na casa do Grêmio na rodada de abertura do Brasileirão.

Mesmo no campo do adversário, o Flamengo deu as cartas no primeiro tempo. O novo campeão do Rio esteve sempre mais perto de abrir o placar do que o Grêmio, que se limitou a marcar, saindo timidamente para o ataque.

Logo aos 11 minutos, o rubro-negro Douglas Silva cobrou bela falta, obrigando o goleiro Tavarelli fazer difícil defesa. O time gaúcho deu o troco aos 18, quando o atacante Christian acertou um chute no travessão de Júlio César. Sinal de reação do Grêmio? Não. Foi a única chance de gol que a equipe criou ao longo da fase inicial.

Sob o comando de Felipe, o Flamengo manteve o domínio da partida, a ponto de criar outras duas oportunidades claras de gol: aos 30, o próprio Felipe acertou a trave gremista, e pouco depois, aos 33, foi a vez de o jovem Íbson perder gol feito frente a frente com Tavarelli ¿ concluiu em cima do goleiro.

O empate parcial em 0 a 0 foi injusto para o Flamengo, que mereceu ter ido para o vestiário, no intervalo do clássico, em vantagem no marcador.

A história do segundo tempo foi oposta à do primeiro. O Grêmio acordou no jogo e passou a criar problemas para o Flamengo. Mas foi o time carioca que desperdiçou ótima chance de fazer gol, aos 22, com Jean, após Felipe driblar Tavarelli e deixá-lo com o gol vazio para marcar.

O clube gaúcho reagiu e, aos 26, Cláudio Pit Bull, que entrara no lugar de Marcelinho, acertou chute cruzado e obrigou Júlio César a mostrar serviço. Em seguida (aos 29), foi a vez de Christian jogar fora mais uma oportunidade para o Grêmio: cabeceou de forma errada cara a cara com o goleiro do Flamengo.

A partir daí, a equipe gaúcha aumentou a pressão, fazendo com que o time rubro-negro recuasse em demasia. Como o adversário chegava com extremo perigo, o técnico Abel Braga resolveu reforçar a marcação no meio-campo (colocou Jônatas no lugar de Íbson) para garantir o empate sem gols. Afinal, um pontinho fora de casa vale mais do que três voando. Mesmo no sufoco, o Flamengo conseguiu resistir bravamente, somando seu primeiro ponto na sua caminhada rumo ao título do Brasileiro.

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Nilson Souza
22/04/2004


Sermões e histórias
Ninguém gosta de discursos longos, a não ser Fidel Castro e Hugo Chávez. Tenho um amigo, assíduo freqüentador de missas, que elaborou uma opinião pouco edificante sobre os padres que se excedem na homilia:

- Os primeiros cinco minutos são para Deus. Os cinco minutos seguintes são para o próprio padre. A partir daí é tudo para o diabo.

Dez minutos, eis aí o tempo ideal para a mensagem e para o brilho pessoal. Um bom orador talvez nem precise de tanto tempo para encantar o público, enquanto os menos inspirados são capazes de falar durante 10 horas sem se fazer entender. Alguns políticos, por exemplo, falam, falam e ao final fica apenas o tédio da platéia.

Outro dia um menino norte-americano protagonizou uma versão moderna daquela fábula sobre a nudez do rei. Posicionado na linha de frente da claque num comício do presidente George Bush, o garoto foi flagrado pela televisão, entre um aplauso e outro, ora bocejando escancaradamente, ora olhando impacientemente para o relógio. Mas os oradores chatos jamais se flagram, pois só têm ouvidos para as palmas e para a própria voz.

Há exceções, evidentemente. Alguns tribunos ainda conseguem cativar platéias inteiras durante horas, especialmente aqueles que mesclam um discurso de bom conteúdo com recursos cênicos ou visuais. Difícil mesmo é segurar a atenção das crianças. Culpa da televisão, segundo uma teoria recente. Diz o estudo que as crianças submetidas cada vez mais precocemente à velocidade dos videoclipes já não conseguem se concentrar em nada. O professor fala cinco minutos, e os alunos, inquietos, já ficam procurando um imaginário controle remoto para mudar de canal.

Mas há uma exceção neste mundo de flashes e discursos vazios: o bom contador de histórias. A reconstrução oral de um episódio interessante cativa ouvintes de qualquer idade, especialmente quando o narrador sabe mexer com a imaginação e com as emoções. A história se contrapõe a esta realidade de recortes representada pela televisão e pela Internet. Estimula a criatividade e a comunicação. Desafia a inteligência, faz pensar, provoca sustos e risos, dá sonoridade e encanto à vida.

Meu amigo nem precisou gastar os seus 10 minutos de paciência para me contar o caso do padre que fala demais - razão pela qual ele passou a freqüentar outra igreja.

E rendeu esta história.

nilson.souza@zerohora.com.br

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Paulo Sant'ana
22/04/2004


Ainda a reforma agrária

Recebo do ministro Miguel Rossetto, a respeito da venda de lotes por assentados, tema desta coluna há três dias: "Prezado Paulo Sant'Ana. Mesmo aqui em Brasília, continuo um atento leitor da tua coluna e me coloco à disposição para esclarecer aspectos de que trataste no último dia 19 com o título de 'Reforma agrária frustrada'. De fato, existe a venda de lotes em assentamentos. Trata-se de uma ação ilegal e que estamos combatendo. Os que cometem essa prática são excluídos do cadastro da reforma agrária, impedindo a reincidência. Entretanto, não há nenhum dado seguro sobre o total de lotes comercializados nos assentamentos. O que sabemos é a quantidade de lotes que se encontram vagos ou ocupados irregularmente - cerca de 13% do total. Desses, já recuperamos 5.982 lotes, o equivalente a 257 mil hectares. No RS, são 342 lotes recuperados.

A verdade é que, apesar da carência de políticas estruturantes, a maioria das famílias assentadas permanece na terra e sobrevive em melhores condições do que tinha anteriormente. Isso, apesar do passivo de infra-estrutura e da precariedade de uma série de serviços em áreas como saúde e educação. Das mais de 500 mil famílias assentadas entre 1995 e 2002, 90% não têm abastecimento de água, 80% não possuem energia elétrica e acesso a estradas e 53% não receberam assistência técnica.

Realidade essa que já estamos mudando. O governo do presidente Lula fará, de uma vez por todas, uma reforma agrária capaz de impulsionar um novo padrão de desenvolvimento rural. Este compromisso está expresso no novo Plano Nacional de Reforma Agrária (PNRA), pelo qual estamos recuperando os mais de 5 mil assentamentos, vamos assentar 400 mil novas famílias e criar 2 milhões de postos de trabalho.

Além do acesso a terra, o PNRA prevê crédito, assistência técnica, apoio à comercialização, investimentos em infra-estrutura e na preservação ambiental. Rompemos assim com o paradigma de que a reforma agrária se limita à distribuição de terras. É desta forma que estamos transformando os assentamentos em espaços de produção e qualidade de vida, aprofundando a democracia e a justiça social no Brasil. (ass.) Miguel Rossetto, ministro do Desenvolvimento Agrário".

Lori Sandri, técnico colorado, após a derrota de ontem para o Figueirense: "Não é só mandar bolas altas para a área adversária. O meio-campo tem de jogar, rolar a bola".

Após a vitória colorada no Gre-Nal, esta coluna lamentou que o Grêmio caísse numa esparrela surrada do Inter: jogar bolas altas sobre sua área.

Agora não sou só eu que classifico o expediente como varzeano, o treinador colorado também já não está gostando.

Não é bom que o Cruzeiro já tenha estreado com vitória sobre o Juventude e o São Caetano também houvesse ganho do Vitória.

São Caetano e Cruzeiro são os favoritos. Se eles dispararem, robustecem o perigo latente desta fórmula: o campeonato perde a graça desde o seu início.

Não foi um bom resultado do Grêmio contra o Flamengo, mas também não foi péssimo. Para que exorcizássemos os demônios do rebaixamento era fundamental uma vitória. Claudiomiro foi magistral. Teve uma falha aguda no primeiro tempo, mas depois mostrou 10 atos virtuosos exponenciais. Por cima e por baixo, Claudiomiro constituiu-se numa muralha. Cocito, outro grande destaque. O que consola é que o Flamengo surpreendeu pela aplicação de seus jogadores.

psantana.colunistas@zerohora.com.br

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Brasileirão
Equilíbrio no Olímpico



Em um jogo de respeito entre as duas equipes, Grêmio de Christian (C) empatou em 0 a 0 com o Flamengo na estréia do Brasileirão (foto Fernando Gomes/ZH)


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Quarta-feira, Abril 21, 2004




Ranzinzamente correto
Por PAULO REBÊLO

O mundo ficou muito mais chato depois que inventaram o tal do politicamente correto. Que nada mais é do que uma expressão perfeitamente tucanada para os pseudo-moralistas de plantão levarem tudo a sério.

Não se pode mais contar piada de gays, virou preconceito. Brincar com o excesso de emotividade das mulheres agora é machismo. E conversar sobre mulheres boazudas e bundudas é sexismo.

Por mais que os termos "piada" ou "humor" apareçam, o zé mané politicamente correto sempre dá um jeito de ignorá-las e aproveita para exercer toda labuta intelectual que lhe convém. Em geral, funciona para esconder o próprio racismo, machismo, sexismo e outros ismos.

Para as mulheres, parece fácil conviver com toda a febre de gente politicamente correta. Para homem, é muito difícil.

A fórmula é simples. Se você quer medir o grau de amizade entre um homem e outro, calcule em vinte minutos quantas vezes eles vão se chamar de "frango safado", "viadinho", "fresco", "boiola", "queima-rosca" e outros elogios menos polidos. Quanto mais elogios desse calão você ouvir, maior o nível de amizade entre as duas figuras. E menor o grau de frescura desnecessária. E de bichisse.

Entretanto, na rua - e em muitos bares, sobretudo os da moda - a gente não pode mais chamar o amigo de infância de boiola. Não é politicamente correto, pois ali perto pode ter um boiola de verdade