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Sábado, Maio 15, 2004
Posted
3:05 PM by Cassiano Leonel Drum
Afasta de mim esse cálice
Impulsividade de Lula e assessores tresloucados transformam uma questão prosaica criada por reportagem do
New York Times em uma grande crise
Leandra Peres
Na semana passada, o governo conseguiu provar que é capaz de transformar até seus melhores momentos em crises de grandes proporções. Isso requer um certo esforço. Depois que o jornal The New York Times, o diário mais influente dos Estados Unidos, publicou reportagem de meia página, em sua edição de domingo 9, dizendo que o consumo de bebida alcoólica pelo presidente Lula virara "preocupação nacional", o governo viveu um raro momento de unanimidade.
Até os adversários se levantaram em defesa do presidente. "Conheço o Lula há trinta anos e não vejo nenhuma razão para o jornal fazer tal suposição", afirmou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que classificou a reportagem de "leviana". "O presidente tem nossa total solidariedade. A reportagem é injusta e maldosa", disse o governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin. Na terça-feira, quando o interesse pelo assunto já estava minguando e quase ninguém mais parecia interessado no mexerico, o Palácio do Planalto anunciou a decisão de expulsar do país o autor da reportagem, o jornalista Larry Rohter, 54 anos, que trabalha no Brasil desde os anos 70.
Com a reação autoritária e exagerada, o governo virou o jogo contra si de forma espetacular. Até os aliados reagiram mal. "Não foi a melhor resposta", disse o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante, que, junto com outros senadores, formou uma comitiva para apelar ao presidente para que retrocedesse. Em vão. Numa cena que só a esquizofrenia petista parece capaz de exibir, até o assessor de imprensa de Lula, o jornalista Ricardo Kotscho, deu entrevista dizendo que, por disciplina, acatava a decisão do governo, mas confessou abertamente que não concordava com ela.
Os principais jornais do mundo ignoraram a peça de Rohter e não comentaram os hábitos etílicos do presidente. Por obra e graça da reação descabida do governo, o assunto acabou ganhando dimensão planetária. Na terça-feira, segundo um levantamento preparado pelo próprio Planalto, o assunto saíra sem muito destaque em apenas sete jornais, a maioria da América do Sul. Na quarta, após a decisão de expulsar o jornalista, a notícia estava em 26 jornais. Até no Khaleej Times, dos Emirados Árabes Unidos. No dia seguinte, aparecia em 38 títulos, inclusive na Xinhua, a agência de notícias da China, para onde Lula embarcará nos próximos dias.
Em todas as reportagens estrangeiras ouvia-se o eco de uma indagação constrangedora e ela não tinha nada a ver com a questão de quanto e com que freqüência Lula bebe. A indagação era bem pior: será que o Brasil retrocedera ao estágio de uma republiqueta latino-americana dirigida por um ditadorzinho caprichoso e impulsivo?
"Minhas fontes foram Folha, Estado e Globo"
O governo me chamou de "fonte sem confiabilidade". Foi o maior elogio que já recebi. Vou emoldurar e pendurar na parede. Imagine se eu fosse considerado um "homem de confiança" do governo. Eu mudaria de profissão. O único problema é que não sou uma fonte do New York Times. O correspondente do jornal não falou comigo. Apenas citou um artigo que publiquei em VEJA cerca de dois meses atrás.
Nesse artigo, eu mencionava algumas ocasiões públicas em que Lula apareceu com um copo de bebida na mão. Colhi as informações nas páginas de Folha, Estado e Globo. Esses jornais foram minhas fontes. Conseqüentemente, foram também as fontes do New York Times.
Além de pouco confiável, fui retratado como agitador a soldo dos americanos. O Jornal Nacional mostrou vinhetas de Chico Caruso em que apareço na redação carioca do New York Times fabricando notícias contra Lula para acobertar as torturas de Bush dos prisioneiros no Iraque. Quando meus protetores americanos conquistarem o país, minha primeira providência será expulsar Chico Caruso.
Diogo Mainardi
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2:45 PM by Cassiano Leonel Drum
Anjos montados em porcos
"Embora sejamos tantas vezes bons, magníficos, altruístas, generosos, capazes do belo, até do extraordinário, algo espreita em nós, pronto para o salto, a mordida, o gosto de sangue na boca e o brilho demente no olhar"
Nem é original dizer que somos feras mal domesticadas: homens e mulheres das cavernas, com um mísero verniz que a qualquer contato mais direto pode estalar, revelando dentes prontos para dilacerar carnes indefesas. O Velho, isto é, Freud, desvendou-nos, ao estudar essa estranha essência chamada alma humana, com suas paixões, sua morbidez e seus encantos, tudo brotando da sombra com flores de magia ou monstruosidade.
Nos sonhos, revelam-se algumas coisas. "Sonhos são espumas" esse era um dos ditados ouvidos na minha infância. Naquele tempo, avós sentenciosas previam chuva, vento, morte, nascimento, com uma sabedoria feminina atávica tantas vezes confirmada que eu acabava acreditando mais nela do que em tudo que estava nos livros da biblioteca de meu erudito pai.
Espumas subindo à superfície da nossa trevosa personalidade oculta ou à flor das águas do sono. Pensei nisso lendo sobre as atrocidades cometidas pelos soldados americanos contra prisioneiros no remoto Iraque. Não hão de ser piores do que as que se cometem em prisões pelo mundo afora. Foram apenas mais noticiadas. Não hão de ser mais cruéis, ainda, do que a secreta violência exercida contra crianças, adolescentes ou mulheres em muitos lares.
A violência familiar ocupa páginas de jornais, teses de psicologia, sites de internet. Minha alma se arrepia: quem somos no fundo, quem nos habita, que monstro é esse, muito mais antigo do que a mais antiga memória de nosso inconsciente?
Ilustração Ale Setti
Não sei. Mas sei que ele mora em todos nós. Morava em mim quando, criança de 5 ou 6 anos, eu puxava uma pobre minhoca pelas duas pontas (qual a cabeça, qual o rabo?), até ela rebentar soltando uma gosma amarelada. Prendia um pedaço ainda vivo e trêmulo no anzol de alfinete e pescava tranqüilamente ao lado de meu pai no minúsculo lago no fundo de nossa propriedade. Por cima de nossa cabeça, o céu calmo de cidade do interior.
Ao nosso lado, o pomar com aroma de flor de laranjeira. Mais acima, o roseiral de minha mãe e, mais adiante ainda, a casa com o terraço de onde eu sonhava na rede, vendo os morros azuis que rodeavam a cidade. Ali moravam os seres de contos de fadas: o unicórnio, as princesas, os anões, a Branca de Neve. Mas também Joãozinho e Maria abandonados pelo pai e pela mãe porque havia pouca comida. E assim começava o terror.
Tudo muito esquisito.
Não é preciso ser um serial killer. Pode ser o profissional que trai o amigo por ambicionar seu cargo; a mulher que calunia outra por mero ressentimento; ou simplesmente alguém querendo ver o circo pegar fogo. Embora sejamos tantas vezes bons, magníficos, altruístas, generosos, capazes do belo, até do extraordinário, algo espreita em nós, pronto para o salto, a mordida, o gosto de sangue na boca e o brilho demente no olhar. Algo que quer o sofrimento da vítima, aprecia seus gritos, tem prazer com sua humilhação: é o monstruoso que também somos. E que precisamos, a cada hora de cada dia, domesticar, controlar, sublimar.
O homem é um anjo montado num porco, disse Tomás de Aquino. O problema é que, de vez em quando, esse precário equilíbrio desanda, e aí salve-se quem puder.
Salvemo-nos.
Ponto de vista: Lya Luft
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2:41 PM by Cassiano Leonel Drum
André Petry
Crimes invisíveis
"Ninguém critica, mas há, neste momento, 33 pessoas presas na China cujo crime foi usar a internet para fins subversivos, como denunciar violações de direitos humanos"
Em setembro do ano passado, depois de discursar na tribuna das Nações Unidas em Nova York e dar uma passada no México, o presidente Lula, no trajeto de volta ao Brasil, resolveu fazer uma escala em Cuba, onde se encontrou com seu velho amigo de idéias e charutos, o ditador Fidel Castro. Na época, a visita presidencial a Cuba ganhou críticas rasgadas de meio mundo. Comentou-se que o discurso de Lula na ONU fora certeiro e sua visita ao México fora estratégica, mas a escala em Cuba fora um desastre completo. Afinal, o governo cubano acabara de executar três oposicionistas e encarcerar outros 75 cubanos cujo crime fora discordar de Fidel, uma brutalidade que mereceu repúdio público até do escritor português José Saramago, um amante do regime cubano.
As críticas à escala cubana de Lula estavam corretas, na medida em que não convém ao Brasil emitir sinais de alegre convívio com um governo que, como o de Cuba, cerceia direitos políticos, restringe a liberdade de expressão, viola direitos humanos. Enfim, um governo que desrespeita valores que a democracia brasileira faz questão de prezar.
Na semana que vem, o presidente Lula, acompanhado de uma gigantesca comitiva de empresários, desembarcará na China para uma visita de uma semana que vem sendo festejada como um dos mais adequados empreendimentos da diplomacia brasileira. E onde estão as críticas? Afinal, o governo de Pequim cerceia os direitos políticos: há oito partidos políticos legais no país, mas ninguém é tolo de achar que cumprem um papel de oposicionistas ou mesmo que poderão destronar o Partido Comunista, no poder desde a revolução de 1949. Afinal, o governo de Pequim restringe a liberdade de expressão: recentemente, os veículos de comunicação foram convidados a evitar a infiltração da ideologia ocidental na forma de trajes extravagantes e cabelos coloridos.
Um chinês está preso por ter escrito artigos pedindo independência política para os sindicatos de trabalhadores urbanos e rurais. Há, neste momento, 33 pessoas presas na China cujo crime foi usar a internet para fins subversivos, como denunciar violações de direitos humanos. A Anistia Internacional informa que, em 2002, a China fuzilou mais de 1.000 cidadãos ¿ entre eles, opositores do regime.
A diferença do tratamento que se dá a Cuba e à China explica-se em números. A China tem 1,3 bilhão de habitantes, cresce à razão de 9,5% e sua economia tem um peso descomunal no mercado mundial. Cuba, coitada, tem apenas 11 milhões de habitantes, menos do que a região metropolitana de São Paulo. Cuba, coitada, é uma ilhota falida cujo sucesso ou insucesso econômico não mexe com um nervo do mercado mundial. A diferença de tratamento, portanto, é apenas uma expressão da preponderância do consumidor sobre o cidadão. Se é para fazer negócio, não importa se estamos diante de uma ditadura ou de uma democracia. Não há nenhuma novidade nisso.
É um comportamento anterior mesmo ao processo de mundialização da economia. Só seria recomendável que quem gosta de criticar a relação brasileira com Cuba, mas gosta de elogiar a aproximação com a China, tivesse a honestidade de esclarecer sem pejo que o real problema não está na ditadura cubana, nas prisões, nas execuções, na censura, nas violações de direitos humanos. Está na sua pobreza e insignificância comercial.
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2:37 PM by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
Abstinência da razão
"A vida pública nacional é uma mistura de hipocrisia, conchavo e acobertamento. Pior ainda é essa gente que nos governa"
Diogo Mainardi (24/3/2004)
Não sei se o desempenho de Lula é afetado pelo consumo de álcool. Pode ser que sim, pode ser que não. Não descarto inclusive que tenha um efeito benéfico sobre ele. Se Lula parar de beber, nada garante que não decrete moratória na mesma hora. O correspondente do New York Times não disse que o presidente bebe demais. Não disse que o álcool afeta seu desempenho. Não disse que essa é uma preocupação nacional. A única referência nesse sentido está contida no título da reportagem. Lula só leu a primeira linha, aquela com letras bem grandes.
O que o correspondente do New York Times disse foi apenas que alguns políticos e jornalistas começam a se perguntar se o hábito de beber do presidente não estaria afetando sua capacidade de governar. Não há nada de errado em se perguntar uma coisa dessas. Errado seria não se perguntar. Nas rodas de políticos, nas redações de jornais, em reuniões de empresários e no cineminha do Alvorada, é comum ouvir essa preocupação. Pode ser injusta, pode ser ofensiva, mas está lá, correndo à boca pequena.
Lula disse que um presidente não tem de responder a sandices como a do correspondente do New York Times. Claro que tem. Não é sandice nenhuma. Pelo contrário. Considerando que a imprensa não se cansa de retratá-lo com um copo na mão, é perfeitamente legítimo o interesse em saber quantas doses de uísque ele toma, e se isso pode prejudicar seu desempenho. Na realidade, não há nenhuma pergunta que não possa ser feita a um político. E não há nenhuma pergunta que um político possa se recusar a responder. Lula não admite isso.
Acostumou-se com uma imprensa que está sempre a seu serviço, domesticada, oferecendo cumplicidade. O espanto do presidente foi tão grande que a melhor reação que lhe ocorreu foi anular o visto do correspondente do New York Times e chutá-lo para longe do país. É a atitude mais ignóbil da história do Brasil democrático. Lula agiu como a rainha de copas de Alice no País das Maravilhas, que manda cortar a cabeça de quem a contraria.
O presidente pode deportar quem ele quiser, mas isso não altera o fato de seu consumo de bebidas alcoólicas ser um tema político relevante. Em primeiro lugar, o gosto por uma cachacinha foi usado como peça de propaganda eleitoral, reforçando sua imagem popular, contraposta à do pedante Fernando Henrique Cardoso. Ou seja, rendeu-lhe votos.
Em segundo lugar, coloca-o na mão dos políticos. Quem espalha aos jornalistas que o presidente bebeu nesta ou naquela reunião reservada são os deputados e senadores dos partidos aliados. Qual o motivo? Não seria para enfraquecer o governo e, dessa forma, forçar a liberação de emendas e a nomeação de seus apadrinhados para órgãos públicos? O copo de uísque do presidente, nesse caso, teria um preço elevado para o contribuinte.
O New York Times feriu o orgulho pátrio. Políticos e jornalistas saíram em defesa do presidente, condenando a reportagem. Os mesmos políticos e jornalistas que, em privado, trocam comentários maliciosos sobre o assunto. A vida pública nacional é uma mistura de hipocrisia, conchavo e acobertamento. Pior ainda é essa gente obtusa e truculenta que nos governa.
Guido Mantega disse que o New York Times obedece a interesses econômicos estrangeiros. Luiz Gushiken alertou contra ameaças à soberania nacional. José Genoíno sugeriu expulsar o correspondente do jornal, idéia prontamente acatada pelo presidente. Como sempre, descambamos para o nacionalismo autoritário. Como sempre, caímos na bananice. Como sempre, erramos do começo ao fim.
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8:41 AM by Cassiano Leonel Drum
Loura de luxo
Embaixadora da Dior, Angélica veste roupas caríssimas da grife e conta por que dispensou cachê milionário
Flávia Motta
Aos 30 anos, Angélica está cada vez mais em contato com um público maiorzinho. Preparando-se para estrear mais um Fama em junho e, em setembro, seu novo programa, a loura também investe no visual. Foi escolhida embaixadora no Brasil da poderosa grife francesa Christian Dior, lançou linha de jóias de borracha e se deu ao luxo de recusar R$ 1,5 milhão reza a lenda, mas a moça não confirma pela tarefa de pintar os cabelos de vermelho para um comercial.
Em 26 anos de carreira, nunca fiz nada que me agredisse. Não ia ser agora. Existem outras formas de ganhar esse dinheiro. Mas nem sei se era isso tudo mesmo, despista. Já a parceria com a Dior é puro prazer. Usava os acessórios da marca e tinha sido sondada há uns dois anos pela Rosângela Lira (diretora da grife no Brasil). Agora, que John Galliano (estilista) estava procurando dar uma cara mais jovem à Dior, ela me sugeriu, conta. Não sou obrigada a usar as roupas, isso não interfere no meu figurino na televisão. Mas tenho o privilégio de ter sempre novidades e usar Dior, que adoro, continua ela.
Nunca fiz nada que me agredisse. Fiquei me imaginando ruiva e não gostei. Existem outras formas de ganhar esse dinheiro (1,5 milhão).
Angélica, 30 anos Outra coisa que a apresentadora adora são jóias. Penso até em um dia lançar uma coleção com peças desenhadas por mim, surpreende. Enquanto o projeto não se realiza, ela comemora o lançamento de uma linha para os pés das jóias de Marzio Fiorini. Sempre gostei do trabalho dele, quando ele me propôs desenhar para mim, queria algo diferente, lembra. O novo licenciamento faz parte de uma estratégia para a mudança de público. Foram 15 anos com programa infantil. Sei que vou pagar um preço mas quero ser uma apresentadora sem rótulos. O Video Game me ajudou a migrar para os jovens de forma mais suave.
E, sobre público jovem, Angélica pode conversar em casa mesmo, com o namorado Luciano Huck, com quem trabalhou no filme Um Show de Verão e foi flagrada numa viagem romântica pela Europa, em fevereiro. Na época, a gente quis preservar outras pessoas que estavam em volta. Sei que, como artista, não vou ter uma vida tão privada assim e lido com isso muito bem. Eu me garanto. O flagra foi engraçado. Faz parte do nosso show.
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8:38 AM by Cassiano Leonel Drum
Felipe e Flamengo em crise
Maestro não se conforma com os dirigentes rubro-negros, que o impedem de jogar pela Seleção: Abro mão de muitas coisas e eles me prejudicam
Janir Júnior
Felipe. Flamengo. Seleção. Como em um triângulo amoroso, em que todas as partes envolvidas sabem dos desejos de cada um, um conflito de interesses pode abalar seriamente o relacionamento. Foi o que aconteceu. O camisa 10 e o Rubro-Negro estão em plena crise conjugal. Na manhã de ontem, depois de saber através dos jornais que, além do jogo contra a França (dia 20), também estava fora da partida com a seleção da Catalunha (dia 25), ambos amistosos, Felipe atacou o comando do futebol, responsável, através de Júnior, pelo pedido de dispensa. Em pouco minutos e muitas palavras, o clima esquentou.
Estou muito chateado com o Flamengo, pois faltou bom senso. Abro mão de muitas coisas e eles me prejudicam. Compreendo a situação dos salários atrasados e eles não me incentivam nessa hora. Eu não merecia isso, desabafou Felipe.
Apesar de a CBF ter anunciado a desconvocação no fim da tarde de quinta-feira, Felipe não recebeu nenhum tipo de comunicado da diretoria rubro-negra, e só soube da notícia na manhã de ontem, através dos jornais: Não me deram nenhuma satisfação e não vou procurar a diretoria. Sempre quem se prejudica é o jogador, nunca o clube.
A crise começou a se desenhar depois da partida contra o Santa Cruz, quando foi lançada a idéia de pedir a liberação do jogador, pois o time avançara na Copa do Brasil. Felipe imediatamente confessou que não gostaria de ser prejudicado na Seleção, segundo ele, seu maior projeto no futebol este ano. Ele já havia aceitado ficar de fora do amistoso contra a França mas, quando soube da desconvocação da partida diante da seleção da Catalunha, ficou revoltado:
Topei numa boa não jogar com a França, mas dois jogos é demais, pois nos amistosos certamente eu entraria. Contra Chile e Argentina, pelas Eliminatórias, será quase impossível.
Antes da saraivada de reclamações, Felipe chegou a entrar em campo, mas desistiu de treinar alegando dores musculares. Na saída da Gávea, visivelmente contrariado, ele voltou a admitir a possibilidade de deixar o clube no meio do ano seu contrato é até dezembro caso receba uma proposta da Europa. Seria bom, resumiu.
Abel Braga: Parceiro, o Felipe chutou o balde, é?
A pergunta feita ao assessor de imprensa resumiu a preocupação do técnico. Quando vi tanta gente, pensei: aí tem m..., disparou Abelão.
Felipe ficou ainda mais irritado quando foi questionado se a queda de rendimento nas últimas partidas está relacionada à desconvocação: Sou profissional e vou continuar assim. Sempre me esforço, mas no meu contrato não tem nada dizendo que eu tenho que jogar bem.
O jogador preferiu não interferir no episódio. Se a diretoria deixasse eu decidir o que fazer, eles me colocariam contra a torcida, completou Felipe, ciente de que uma crise conjugal com os torcedores seria ainda mais grave.
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8:33 AM by Cassiano Leonel Drum
Jorge Furtado
15/05/2004
Felizmente alguns continuam sóbrios
Estou escrevendo na quinta, 13 de maio, são 10h20min. Você está lendo no sábado e espero que a essa altura o Lula não só já tenha voltado atrás na expulsão do jornalista americano como já tenha inventado uma boa piada sobre o assunto.
O presidente acorda no jardim-estrela do Alvorada, tira uma pétala vermelha da boca e fala ao celular: "Sou eu. (...) Como é que é?(...) Expulsei da mesa? (...) Do país?! (...) Eu expulsei um jornalista do país?! Onde? Que horas? (...) Eu o Zé não viu isso? (...) Pelo amor de Deus! Com que roupa eu estava?"
A matéria do New York Times é ridícula e equivocada, seria ótimo se os hábitos de Lula fossem uma "preocupação nacional", não são. As preocupações nacionais são muito mais sérias, o desemprego, a violência, os juros, o meio de campo do Grêmio e quem matou Lineu. Felizmente alguém continua sóbrio por aqui. O Alberto Dines (www.observatoriodaimprensa.com.br) disse o que há para ser dito sobre a tal matéria, com suas "fontes seguras": Brizola, Cláudio Humberto e a coluna de humor do Diogo Mainardi, na Veja.
O New York Times errou mais uma vez, os americanos nunca foram tão mal informados como são no governo Bush. Ele não bebe faz tempo e também expulsou um jornalista iraquiano dos EUA. Mas que expulsar jornalistas parece coisa de bebum, isso parece. E não tem graça nenhuma.
O leitor Antonio Xavier Balbé, jornalista e revisor de textos, reparou meu erro por aqui, ainda bem que alguém está prestando atenção. Eu disse (pior, escrevi) que achei estranho o governo Bush atacar o Iraque para vingar um atentado feito por terroristas árabes sediados no Afeganistão. Ele lembra que os iraquianos (que, não esqueça, não tinham nada a ver com o atentado) também são árabes. Ou pelo menos eu acho que são. O Houaiss diz que árabes são os povos semíticos que habitam a península Arábica, no Sudoeste da Ásia, entre o mar Vermelho e o golfo Pérsico. Confesso que se eu tivesse que bombardear crianças árabes enquanto elas estão dormindo não saberia distinguir as iraquianas das sauditas, até porque criança não usa bigode.
Se você, como eu, não sabia quase nada sobre a história dos povos árabes, vai gostar muito de A História do Mundo em Quadrinhos: A Ascensão do Mundo Árabe e a História da África, de Larry Gonick. Ele é um mestre em matemática formado em Harvard com glórias acadêmicas que acabou virando cartunista de não-ficção. Sua série História do Mundo, lançada agora no Brasil pela Editora Jaboticaba (www.editorajaboticaba.com.br) foi eleita pelo Comics Jornal uma das cem melhores do século (ao lado de Maus, Watchmen, Gen, Palestina, o Batman do Frank Miller e outras obras-primas).
Tenho certeza de que você vai adorar e querer me agradecer por ter recomendado o livro e desde já eu agradeço o agradecimento, para ganhar tempo. Estou com pressa. Vou deixar de cometer erros por aqui nos próximos meses, por motivos profissionais. Até a volta. Saúde!
jorge.furtado@zerohora.com.br
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8:31 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
15/05/2004
Ponto de vista dos postos
Recebo do Sulpetro, sindicato que reúne os postos de gasolina de Porto Alegre, algumas razões para os preços dos combustíveis que são cobrados em nossa cidade. Como em tantas colunas só focalizei o interesse dos consumidores, ofereço o contraditório por igualdade e justiça: "No Brasil, em mais de 70 anos, só houve dois sistemas de preços de combustíveis: 1) preços fixados pelo governo, que controlava as variáveis de custo e remunerava cada atividade.
Durou até 1996, sendo o último preço R$ 0,55. A remuneração da revenda representava 17,5% do preço, equivalente na época a 10 centavos de dólar; 2) preços livres, sistema imposto a partir de 1996, sem limitações aos agentes e cuja teoria supõe que a livre concorrência regulará o mercado, independentemente das atitudes dos participantes. Para tanto é vedado qualquer tipo de indicação ou critério sugerido por quem quer que seja".
Prossegue: "Composição do preço: gasolina C 0,6725 (33%), tributos federais 0,4127 (20%), ICMS 0,6013 (30%) fretes, distribuidora e revenda 0,3675 (18%). Percentagens do preço médio cobrado do público de R$ 2,054, apontado pela ANP na última publicação. Ao falar-se de preço justo, intui-se que cada um dos agentes, refinaria, federação, Estado, companhias e postos, está sendo adequado em cobrar sua parte. Ninguém poderia dizer que é justo o Estado, cuja alíquota legal é de 25%, cobrar 30%. Entretanto o Estado estabelece como base de cálculo do ICMS o preço final de R$ 2,40, presumindo uma margem de R$ 0,71 a ser compartida entre distribuidoras e postos.
Muito longe da realidade. Quem analisou se as margens gozadas pelas distribuidoras são justas? A margem da revenda, muito mais complexa, mais específica a cada situação individual e muito mais passível de abalar a sobrevivência de uma empresa, tem sido objeto de análises que utilizam parâmetros distantes da realidade da média da venda dos postos da Capital, cerca de 125 mil litros mensais por cada posto, aí incluídos álcool e diesel, com fatais resultados distorcidos. O revendedor honesto, paciente diário de assaltos, inadimplência e concorrência desleal e ilícita, atento até a paranóia a um mercado nervoso e reativo, eis que qualquer atraso em acompanhá-lo poderá causar-lhe prejuízos, vê-se envolvido por acusações generalizadas e talvez precipitadas. Cartel e abusividade são conceitos jurídicos complexos, merecedores de análise criteriosa por poderes competentes.
Nos EUA, após 80 anos de mercado livre e milhares de precedentes, ainda são objeto de discussões nas cortes de Justiça. O revendedor honesto precisa ser preservado, porque sua desaparição dará lugar aos adulteradores e sonegadores e à concentração do mercado na mão de grandes grupos, gerando desemprego e os resultados que levaram o mercado europeu a pagar 1,20 euro (mais de R$ 4) por litro. Agradecemos o espaço oferecido, importante porém exíguo para a complexidade dos temas. Anexamos, em primeira mão, texto mais amplo que pretendemos distribuir, colocando-nos ao dispor para esclarecimentos e detalhes. (ass.) Pela diretoria do Sulpetro, Antônio Gregorio Goidanich, presidente".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:29 AM by Cassiano Leonel Drum
Clima
O outono se apresenta aos gaúchos
Massa de ar polar trouxe chuva, vento e frio, como demonstra o bebê bem agasalhado em Rio Grande (foto Eduardo Beleske, especial/ZH)
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Sexta-feira, Maio 14, 2004
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11:04 PM by Cassiano Leonel Drum
O enigma de Homero
Diane, como Helena: o poeta era um cavalheiro
Frustração é o destino de qualquer historiador que se especialize na obra do grego Homero. Primeiro, porque nem é possível afirmar categoricamente que ele tenha existido. Depois, porque os eventos que relata na Ilíada e na Odisséia os textos sobre os quais se assentam as fundações da civilização ocidental são de comprovação tortuosa. As hipóteses mais prováveis indicam que Homero viveu no século 8 a.C., e que fez a Odisséia muito depois de ter completado a Ilíada, rememorando fatos que teriam acontecido cerca de 500 anos antes, no fim da Idade do Bronze.
Ou seja, não há como garantir que a Guerra de Tróia seja real, ou que tenha se passado da forma descrita. Não que isso importe. Homero é essencial não como historiador, e sim, digamos, como inventor da história. Da profundidade com que ele enxerga a condição humana a arquétipos como o rapto da donzela e a volta para casa o tema da Odisséia , tudo o que somos ainda hoje está contido e iluminado em sua obra, e não seria exagero dizer que, em boa medida, ela nos moldou.
Por isso, apesar de seus quase três milênios de idade, os poemas mantêm intacto o poder de influenciar o pensamento ocidental. Fosse seu autor quem fosse. Só uma coisa parece certa na biografia de Homero ele era um legítimo cavalheiro. Afinal, é improvável que só o lindo rosto de Helena tenha causado tamanha bagunça. Algum outro segredinho ela devia ter.
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10:58 PM by Cassiano Leonel Drum
Economist e FT lamentam gesto brasileiro
14 de Maio de 2004
As duas publicações mais respeitadas e prestigiosas da Inglaterra criticaram o governo do Brasil nesta sexta-feira. Em suas novas edições, a revista The Economist e o jornal Financial Times classificaram de equivocada a reação de Luiz Inácio Lula da Silva à publicação da polêmica reportagem do jornal The New York Times sobre o consumo de bebidas alcoólicas pelo presidente.
Para a Economist, as dúvidas sobre a habilidade de Lula no governo não têm relação com os comentários sobre o hábito de beber - sua resposta ao Times, no entanto, "imitou a forma de as ditaduras lidarem com seus críticos e o transformou de vítima em agressor". Segundo a revista inglesa, lida por personalidades influentes no mundo todo, a atitude do presidente é "triste".
A Economist destaca ainda a "ironia" da situação, já que Lula foi perseguido pelo regime militar no Brasil, e diz que o texto do jornalista Larry Rohter não teria tanta repercussão se a reação não fosse tão desastrosa. "É uma história embaraçosa que, em outra situação, teria sido esquecida", afirma a revista. "A expulsão levanta mais dúvidas sobre Lula do que a reportagem."
Na avaliação do Financial Times, a reação de Lula transformou um caso iniciado "com uma reportagem ridicularizada por quase todo mundo" em um "incidente diplomático". Classificando a expulsão de Larry Rohter do país de "um tiro no pé" do governo, o influente jornal inglês destaca que o governo foi acusado de ser paranóico, incompetente e autoritário demais em todo o caso.
Justiça - O New York Times, por sua vez, não publicou novas reportagens sobre o episódio. Na última vez que se pronunciou a respeito do caso, o jornal americano informou, através de uma nota emitida à imprensa, estar "satisfeito" com a decisão da Justiça do Brasil de permitir a permanência do jornalista no país. O Times diz apostar na reversão da expulsão do repórter.
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10:46 PM by Cassiano Leonel Drum
Tiro no pé
Governo exagera na reação, não atende a apelos por recuo, é chamado de autoritário e perde a razão na briga com jornal americano
Sônia Filgueiras e Weiller Diniz
Colaboraram: Eduardo Hollanda e Fernando F. Kadaoka
Desde que pisou no Palácio do Planalto, o presidente Lula nunca havia experimentado uma unanimidade nacional. Conseguiu na terça-feira 11. Todo o País, inclusive a oposição mais sedenta, se solidarizou com o presidente numa saraivada de adjetivos contra a reportagem do jornal The New York Times, que afirmava ser uma preocupação nacional o suposto gosto de Lula por bebidas alcoólicas. Mas, em questão de horas, Lula passou de vítima a algoz, ao recorrer a um capítulo da Lei dos Estrangeiros criado na ditadura militar para expulsar o autor do texto, Larry Rohter. Irritadíssimo e sentindo-se ofendido, Lula teve o apoio dos ministros Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação) e Celso Amorim (Relações Exteriores) e do porta-voz da Presidência, André Singer.
Foi a primeira vez que um governo democrático utilizou a enrugada lei para banir do País uma pessoa tida como inconveniente. O mundo condenou duramente o governo brasileiro e as possíveis ameaças à liberdade de imprensa. Lula teve ainda de amargar a decisão do Superior Tribunal de Justiça de manter Rohter no Brasil, na quinta-feira 13, ao dar um salvo-conduto para o repórter.
Gushiken e Dirceu ajudaram a espalhar a brasa, ao apoiarem expulsão de jornalista
O exagero da medida alvoroçou o País, paralisou o Congresso e levou ao stress os aliados do governo. Tudo começou no sábado 8, quando chegou às bancas a edição dominical do jornal americano com a reportagem assinada por Larry Rohter insinuando que Lula exagerava na ingestão de bebidas. O presidente nem tinha lido a reportagem.
Somente na segunda-feira 10 tomou conhecimento de uma nota-resposta feita à sua revelia pelo porta-voz, André Singer, e aprovada pelo ministro Luiz Gushiken no dia anterior. Chamou a seu gabinete o assessor de imprensa, Ricardo Kotscho, Singer e Gushiken para reclamar da divulgação da nota sem que ele fosse consultado. Singer lhe mostrou o texto numa leitura dramatizada. O presidente ficou irritadíssimo e acabou achando a nota suave demais. Exigiu respostas mais enérgicas. Na terça-feira 11, Lula teve nova reunião com Gushiken, Singer e Kotscho para discutir o assunto.
Mas, dessa vez, o encontro foi reforçado pelos ministros José Dirceu (Casa Civil) e Celso Amorim (Relações Exteriores), pelo advogado-geral da União, Álvaro Ribeiro e pelo secretário particular, Gilberto Carvalho, além do ministro da Justiça interino, Luis Paulo Teles Barreto. Antes, o presidente já havia disparado telefonemas a todos os presentes pedindo sugestões de providências contra a reportagem, baseada em fontes duvidosas para afirmar o suposto pendor alcoólico presidencial. Foi o chanceler Amorim quem serviu o maior cardápio de opções, entre elas a expulsão.
A área jurídica do governo discordou, preferindo orientar o presidente a mover um processo judicial. Eu não posso esperar. Quero mandar esse cara para fora do País. Quero cassar o visto, sentenciou Lula, enfurecido. É um tiro no pé. Ele é casado com uma brasileira e pode ter um visto permanente, ponderou o ministro Teles Barreto. A decisão está tomada, reagiu Lula, batendo na mesa. Também foram contrários à expulsão o jornalista Ricardo Kotscho e Gilberto Carvalho, mas José Dirceu (banido do País na ditadura), Celso Amorim, Singer e Gushiken insuflaram a expulsão.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, em viagem à Suíça, foi apenas comunicado da decisão e não gostou. Depois avaliamos, respondeu Bastos ao ser informado dos fatos por seu interino. Já apanhei muito, tenho o couro grosso como o de tatu. Mas não admito mexer com minha honra e a da minha família, esbravejou o presidente, revelando um dos pontos mais incômodos da reportagem a referência a supostos problemas de seu pai. O sr. da Silva nasceu em uma família pobre em um dos Estados mais pobres do País e passou anos como líder de sindicato, um ambiente conhecido pelo uso de álcool.
Seu pai Aristides, que ele pouco conheceu e que morreu em 1978, era um alcoólatra que abusava de seus filhos, escreveu o jornalista. Se eu recuar, perco o respeito por mim mesmo. Não me importo que falem de minhas gafes, mas com minha família não posso recuar, desabafou Lula aos líderes do Senado que tentaram, em vão, convencê-lo a retroceder na expulsão do jornalista na manhã de quinta-feira.
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6:53 AM by Cassiano Leonel Drum
Para gregos e troianos
Megaprodução de 250 milhões de dólares, o empolgante Tróia recria a sangrenta batalha com Brad Pitt na pele de Aquiles
Zean Bravo
Para boa parte da população feminina do planeta, Brad Pitt já é um deus. Ainda mais agora que surge com espada em punho, armadura e saia de couro na pele do guerreiro Aquiles em Tróia, superprodução de 250 milhões de dólares, que chega hoje às salas de projeção de todo o mundo. Mais forte consta que as coxas do ator foram dubladas por serem finas demais , ele empresta seu carisma ao personagem, e mostra que foi a melhor escolha do diretor alemão Wolfgang Petersen (de Mar em Fúria) para o papel do semideus.
Não precisei de muito para convencê-lo. Ao saber que Brad estava interessado, fiz um teste de resistência alemã. Levei-o para um restaurante alemão e o fiz comer e beber muitas cervejas, brincou o diretor, ontem, no Festival de Cannes, na França.
Adaptado do clássico poema de Homero, Ilíada relato sobre o que teria sido a guerra de 10 anos entre gregos e troianos Tróia transforma o episódio num bom filme de entretenimento para grandes massas, com cenas sensacionais de batalhas. Tudo enche os olhos, da recriação de época à beleza do elenco Helena, uma das mais belas fêmeas da história, é feita pela louríssima e também lindíssima ex-modelo Diane Krueger.
Mas nem tudo é de verdade. Há computação gráfica em seqüências como a dos mil barcos com os 50 mil soldados gregos. Figurantes virtuais reagem do jeito que a gente quer. Uma pessoa de verdade com muita massa e pouco cérebro acaba estraçalhando o outro guerreiro antes do tempo, explica o diretor.
No filme, Peterson mostra a ambição do grego Agamenon (Brian Cox), rei de Micenas, que usa a traição de Helena, mulher de seu irmão Menelau (Brendan Gleeson) como pretexto para invadir a cidade de Tróia, cercada por suas muralhas. É para lá que o príncipe Páris (Orlando Bloom, de O Senhor dos Anéis) leva a bela depois de roubá-la do marido. Aquiles detesta Afgamenon, mas segue com a tropa grega. O guerreiro não está interessado em defender nenhuma bandeira: ele quer a glória de ver seu nome ficar para a posteridade. E consegue. O dono do frágil calcanhar trava lendária disputa com o príncipe de Tróia Heitor (Eric Bana, de Hulk), irmão de Páris. Realmente imagens para ficar na memória.
Não só galã
Depois de seduzir uma carente Geena Davis em [/TEXTO]Thelma & Louise, de 1991, Brad Pitt começou a fazer diferença em Hollywood. Nascido em Shawnee, Okhlahoma, William Bradley Pitt largou a faculdade de Comunicação para tentar a sorte na Califórnia. Trabalhou como motorista, carregador e até se vestiu de galinha para promover uma rede de fast food, antes de fazer pontas no cinema. Apesar de ter a beleza explorada em todos os ângulos, como no arrastado Lendas da Paixão, Brad não se acomodou como galã. Em 95, foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante por Os Doze Macacos, e costuma alternar personagens galãs (Seven, Encontro Marcado e Entrevista com o Vampiro) com outros fora dos padrões (Clube da Luta e Snatch). Depois de Tróia, ele estará em dois novos filmes: Doze Homens e um Segredo, continuação de Onze Homens e um Segredo e Mr. and Mrs. Smith, com Angelina Jolie.
Jennifer queria que eu voltasse de saia pra casa
Sabe aquela historia de dormir com uma mulher produzida e no dia seguinte acordar com uma bruxa manchada de maquiagem? O cinema tem um pouco disso: você vê o ator na tela e ao vivo é outra coisa. Então, sem firulas ou pudores: Brad Pitt é bonito sim a ala masculina pode espernear o quanto quiser , faz o gênero simpático e tem voz muito mais grave ao vivo. Só não dá para dizer que o americano, aos 40 anos, é tudo o que aparenta no cinema porque está com corte de cabelo curto demais e, com o dinheiro que tem, poderia fazer um tratamento para ficar com pele de porcelana. Detalhes para quem levou 27 milhões de dólares, parou de fumar e malhou como louco para fazer Tróia.
Mas tirando os seis seguranças que inspecionaram a sala de imprensa da coletiva de lançamento do filme, ontem, na 57ª edição do Festival de Cannes, na França, Brad Pitt fez questão de mostrar que não é o arrogante semideus Aquiles do longa de Wolfgang Petersen. Bem-humorado, fez média, e garantiu que Aquiles não era gay. Depois da coletiva, fez a multidão que se aglomerava na porta do Palais des Festivals, onde seria exibido o épico, gritar ate a garganta ficar seca, valendo até subir em árvore para ter uma visão mais privilegiada do astro de Hollywood que chegava pela primeira vez a Cannes.
Brad furou o bloqueio da polícia francesa e chegou perto dos fãs. Estava acompanhado da mulher, a magra, escovada e linda Jeniffer Aniston, de Friends. Bonito e fazendo o gênero familia.
O DIA Aquiles justifica seus atos pois quer ser lembrado no futuro. Acha que seu nome vai ultrapassar os tempos?
BRAD PITT:Tudo acaba e vou ser esquecido. Aproveito enquanto posso.
- Tróia é a história de um massacre. Pode-se comparar com as guerras de hoje?
- Não. O que me interessou nessa tragédia foi como conseguimos sobreviver a tanto ódio e chegar até hoje.
- Gosta de história?
- Sim. Os acontecimentos estão lá para a gente aprender através deles.
- O que acha das mulheres gregas?
- O que tenho a dizer é que a minha mulher adorou o figurino. Disse para eu levar minha saia para casa.
- A relação entre Aquiles e o primo Patrick não poderia ser homossexual?
- Naquele tempo o homossexualismo era encarado de forma normal. Nós mostramos que eles tiveram uma relação fraterna. O filme pretendia tratar de outros temas.
- Qual foi a cena mais difícil?
- A luta entre Aquiles e Heitor foi exaustiva.
- Tróia pode gerar onda de filmes sobre a Grécia?
- Pode ser, mas eu já tô legal de usar saia.
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6:42 AM by Cassiano Leonel Drum
Justiça contraria o presidente
Ministro do STJ concede a correspondente do New York Times habeas corpus provisório, que garante a ele direito de ficar no País
O senador Sérgio Cabral Filho (PMDB-RJ) aprovou a decisão do ministro do Supremo Tribunal de Justiça Francisco Peçanha Martins
RIO E BRASÍLIA - Apenas 48 horas depois de o Governo Lula ter decidido cancelar o visto de trabalho do jornalista norte-americano Larry Rohter, correspondente do jornal The New York Times no Brasil, o ministro Francisco Peçanha Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), concedeu ontem um salvo-conduto a ele, dando-lhe o direito de ficar no Brasil e de exercer a profissão. O ministro foi o relator de habeas corpus movido pelo senador Sérgio Cabral (PMDB-RJ) em favor de Larry, autor da reportagem sobre o suposto hábito de consumir bebidas alcoólicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No Você é o Juiz que o DIA promoveu, leitores e internautas do DIA Online acharam em grande maioria que o presidente Lula agiu certo ao expulsar o jornalista americano. Essa foi a opinião de 2.835 pessoas (61,8%). Outras 1.752 (38,2%) discordaram da atitude do presidente.
Com a liminar da Justiça, fica suspenso, ao menos temporariamente, o ato do Ministério da Justiça na terça-feira. No despacho, de duas páginas, Martins referiu-se várias vezes à Constituição para conceder a salvaguarda, e sinalizou que é contra a determinação do Poder Executivo de declarar sem efeito o visto. A decisão valerá até que integrantes da 2ª Turma do STJ julguem o mérito de um pedido de habeas corpus movido pelo senador Sérgio Cabral (PMDB-RJ).
Mas, no entendimento do ministro interino da Justiça, Luiz Paulo Barreto, a liminar não suspende o cancelamento do visto. O que aconteceu foi uma simples medida cautelar, muito comum em direito, segundo a qual, quando um juiz, no caso um ministro, toma conhecimento de um fato, deseja tomar esclarecimentos mais detalhados a respeito do assunto, explicou Barreto. Diante da situação, acrescentou o ministro, o que o STJ fez foi solicitar informações. A decisão do Governo, porém, continua prevalecendo.
Se o jornalista, que está fora do País, desembarcar amanhã no Brasil, nada acontecerá a ele, garantiu Barreto. Ele apenas será notificado pela Polícia Federal. Aí começará a contar o prazo de oito dias, explicou.
Nota divulgada pela assessoria de imprensa da Advocacia-Geral da União revela que a AGU não vê razão para recorrer da concessão de salvo-conduto. Isso porque não há decisão, diz a nota.
O ministro Luiz Gushiken, da Secretaria de Imprensa, disse que o Governo não se sentiu derrotado com a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de conceder salvo-conduto ao repórter Larry Rohter. Em almoço com 10 correspondentes estrangeiros, Gushiken admitiu falhas do Governo no atendimento à imprensa e refutou a comparação entre o Brasil e os regimes comandados por Fidel Castro (Cuba) e Robert Mugabe (Zimbábue). Gushiken garantiu que não haverá cerceamento à liberdade de imprensa. O jornal The New York Times se disse satisfeito ontem com a decisão do Superior Tribunal de Justiça de conceder liminar.
Pela manhã, o presidente Lula havia afirmado aos líderes aliados do Senado e ao presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), que revogaria a decisão de cancelar o visto de Larry Rohter se houvesse clara retratação do jornal ou do repórter. Lula frustrou a expectativa dos senadores, que acreditavam na revisão da medida ainda ontem. Na reunião, o ministro José Dirceu (Casa Civil) fez a mais enfática defesa do ato dizendo que o Estados Unidos precisam entender que o Brasil não é uma republiqueta.
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6:36 AM by Cassiano Leonel Drum
Bancos
Bradesco, Itaú e Unibanco lucram 22,3% mais no trimestre
Cobrança de tarifas sobre serviços sustenta boa parte dos ganhos das três maiores instituições privadas brasileiras
São Paulo
O lucro líquido dos três maiores bancos privados do país - Bradesco, Itaú e Unibanco - aumentou 22,3% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual período de 2003.
Juntas, as três instituições lucraram R$ 1,76 bilhão de janeiro a março deste ano. Divulgado ontem, o balanço do Unibanco no período revelou lucro líquido de R$ 276 milhões, resultado 26,6% superior ao de igual período de 2003.
- Seja qual for o desempenho da economia, os bancos continuam ganhando muito dinheiro - afirma Erivelto Rodrigues, da consultoria Austin Asis.
Boa parte deste ganho está na cobrança de serviços. A receita com tarifas, taxas de administração de recursos, cartões de crédito e outros serviços bancários, por exemplo, aumentou 21,6% de janeiro a março, em relação a iguais meses de 2003. A receita das operações de empréstimos a empresas e consumidores cresceu 12,6% e chegou a R$ 7,22 bilhões.
Na avaliação de Rodrigues, o spread (diferença entre a taxa paga aos aplicadores e a cobrada dos tomadores de empréstimos) dos bancos brasileiros está entre os mais altos do mundo, e as instituições têm conseguido elevar os ganhos com a cobrança de tarifas.
Segundo a Austin Asis, em 1994, quando o real foi criado, as receitas com tarifas representavam 40% da folha de pagamentos do setor. Agora, são acima de 100%. Ou seja, são suficientes para pagar todos os funcionários e ainda trazem ganho extra. Rodrigues diz que a receita de serviços corresponde a 150% da folha de pagamentos do Itaú e do Unibanco e a 110% da do Bradesco:
- A cobrança de tarifas é uma receita importante para os bancos, que deixaram de ganhar com a inflação. E essa importância pode aumentar ainda mais, já que os bancos ainda não começaram a cobrar pelas operações feitas pela Internet.
É verdade, para este setor entra Govêrno e sai Govêrno e nunca há crises.
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6:32 AM by Cassiano Leonel Drum
Gabriel Moojen
14/05/2004
Aquele abraço
Alô moçada da favela, todo mundo da Portela, aquele abraço... O Patrola já me deu, graças a Deus, régua e compasso... Quem sabe de mim sou eu... Aquele abraço.... A você que me escreveu... Aquele abraço... Todo mundo de Porto Alegre naquele passo... Meu caminho pelo mundo, eu mesmo faço...
Galera da Zero Hora, Ticiano, Mari, Roger, Fernanda, um grande abraço... Alice Urbim, Raul Costa, Joice Bruhn, Mauren Motta, Laura Medina, Eduardo Rezende, não sei o que faço... A quem me encontra na rua... Aquele abraço.
Para minha namorada Juliana, aquele amasso... Meus irmãos, meu pai, minha mãe, um grande passo... Meus amigos João Felipe, Felipe, Emerson, Diogão, Ram... Aquele abraço.
Tô pronto, tô indo, saindo de mansinho que é para não me machucar.
Tem que chegar chegando, no sapatinho, um tapinha não dói...
Quando a gente sai, de toda maneira, tem que avisar. E dizer que sem nós eu não sou ninguém.
Esta é minha coluna de despedida do Patrola. Agora para valer. Na semana que vem, apresento o Ico, e tchau, good-bye, auf Wiedersehn.
Estou agora feliz como se estivesse para nascer, lúcido como se estivesse para morrer, porque nesse exato momento deixo para trás um sonho construído, uma idéia que surgiu na cabeça e que não tem explicação. Peço permissão para expor aqui todos os meus sentimentos.
Gratidão: a todos que me fizeram grande. Que colaboraram com meu trabalho - câmeras, motoristas, técnicos. Professores que me ensinaram, gente que me criticou.
Coragem: eu estou vestido com as roupas de Jorge. Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam.
Esperança: o caminho do risco é o sucesso.
Confiança: o público que me fala nas calçadas, que me fez ver o que fiz e o que posso.
A todos: arranca um pedaço de mim que tem você!!!!
É assim que me sinto. Foi essa a maneira que encontrei para repartir o começo de um novo ciclo.
Rei morto, rei posto. Viva o rei! Viva eu, viva tu, viva o rabo do tatu.
A gente se encontra, com certeza, pelas esquinas da vida.
gabriel@rbstv.com.br
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6:30 AM by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
14/05/2004
Os mestres
Minha paixão pelas artes começou cedo. Quando tinha sete anos, fui estudar em uma escolinha chamada A Capela. Naquele tempo, minhas tardes eram preenchidas com pincéis, telas e tintas. Poderia ficar horas ali, aprendendo os ensinamentos da doce professora Gessy. Paralelamente, ouvia falar muito das histórias de um tio-avô emprestado. Tive a sorte de ter o grande mestre Iberê Camargo na família. Nas férias de julho, as visitas ao Rio de Janeiro eram sempre mágicas graças à Tia Maria.
A prima de minha avó era musa e mulher dele. O apartamento cheio de quadros e com cheiro de tinta me encantava. A pouca idade me impedia de compreender a grandiosidade de suas obras. Só mais tarde fui saber que ele era um dos maiores pintores brasileiros de todos os tempos. A figura alta e de sobrancelhas grossas me causava uma mistura de medo e respeito.
Já adulta, outros mestres cruzaram pelo meu caminho. Carlos Wladimirsky me fez criar sem limites. Nessa época, o que mais gostava de usar era giz pastel seco sobre papel. A querida Carmem Morales me mostrou as artes de uma forma diferente. Eu e minhas colegas do Atelier Livre criávamos obras coletivas. Trabalhos em grandes dimensões e com muita tinta acrílica.
Uma viagem pra estudar em Florença, na Itália, mudaria a minha percepção do mundo das artes. Entre uma aula e outra, ia conhecendo e me aprofundando cada vez mais. O curso de história da arte me fez entender um pouco mais a vida. Da minha sala de aula, no subsolo de um prédio datado de 1890, conhecia um mundo mágico colorido que ia muita além dos limites da tela. A professora sul-africana contava através de milhares de slides todos os capítulos da história da arte contemporânea.
A partir desse curso, elegi os meus artistas preferidos. Popistas como Andy Warhol e Roy Lichtenstein deixaram o mundo mais divertido. Jackson Pollock, com seu processo frenético/criativo, trouxe mais ação a uma arte que parecia estática aos meus olhos. Entretanto, o mais louco ou genial de todos eles, na minha modesta opinião, sempre foi Salvador Dalí. O catalão de bigodes longos e enrolados me fascinou com suas obras surrealistas, a distorção das formas e a criatividade infinita. Dalí costumava chamar seus trabalhos de "fotografias dos sonhos pintadas á mão".
Dalí era um apaixonado. Amava a vida e sua esposa, Gala. A paixão dele por sua musa sempre me amoleceu o coração. E é justamente essa emoção toda que Dalí sempre carregou consigo, desde os seis anos de idade, quando vendeu seu primeiro trabalho. Nesta semana, o gênio estaria completando 100 anos. Obrigada a todos os mestres que clarearam o meu caminho.
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6:27 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
14/05/2004
A tática da desforra
Há tempo não se assistia a uma repercussão tão grande na imprensa sobre um só assunto como a que está ocorrendo agora com a reportagem do The New York Times sobre o presidente Lula.
Todos os jornais do país gastaram ontem metade de sua edição com o caso.
Eu só faço uma pergunta: se Lula não tivesse expulsado do Brasil o jornalista norte-americano, autor da reportagem, como estaria o clima para o governo brasileiro?
Não tenho dúvida de que estaria péssimo. Porque o ataque da reportagem causou danos profundos à imagem de Lula e do governo brasileiro.
Notem então que a reação de Lula foi estratégica. Basta que se recorde o que aconteceu com o escândalo Waldomiro Diniz.
No auge da repercussão de um assessor importante do governo envolvido com propinas do jogo eletrônico, o que fez Lula?
Decretou o fechamento dos bingos e dos caça-níqueis. Ou seja, mudou totalmente o foco da discussão, tentando demonstrar que não havia comprometimento do seu governo com os jogos de azar, tanto que acabava com eles.
Agora, o governo Lula usou a mesma tática: se demonstrasse leniência com a difamação contida na reportagem do New York Times, não resta qualquer dúvida de que a imagem de Lula restaria completamente enfraquecida.
A decisão de governo foi mudar o foco da discussão: toda a polêmica desviou-se do prumo do hábito de bebericar de Lula e do salário mínimo e passou para o plano da liberdade de imprensa.
Há um cérebro no governo que convence Lula de que, quando se sentir acuado, deve imediatamente partir para a desforra bombástica: foi assim com Waldomiro Diniz e exatamente igual se tornou agora com o jornalista Larry Rohter.
Se antes se discutia se Lula bebia ou não, agora passa-se a discutir se é atentado à liberdade de imprensa expulsar jornalista estrangeiro ou não.
E quem é que hoje ainda fala no país sobre o escândalo Waldomiro Diniz? Ninguém mais. A imprensa não dedica uma só linha ao caso.
No entanto, a repercussão sobre o fechamento dos bingos dominou a imprensa durante mais de 40 dias e ainda tem muito que prosperar.
Assim começou a ser durante os últimos três dias: entra para a penumbra do esquecimento a injúria sobre a beberagem de Lula e assume as luzes da ribalta a questão sobre se foi ou não um ataque à liberdade de imprensa a expulsão do jornalista.
Além disso, apesar do desgaste que lhe está causando a expulsão, o ato revelou uma indignação de Lula à altura do ataque que sofreu na reportagem.
Se Lula não tivesse tido a energia da expulsão, mesmo que nela estivesse contida a prepotência da vítima poderosa que se atira à vingança, a atmosfera psicológica que reinaria é de que Lula não reagira à ofensa porque admitia o seu conteúdo.
Assim, criando um fato novo, Lula e seu governo podem respirar mais livremente.
É muito mais fácil se defender da acusação de autoritário do que da de alcoolista.
E, no final de tudo, se Lula realmente bebia como a reportagem registrou, o jornalista norte-americano pode acabar fazendo um bem para o governo e para o Brasil: com este susto, vai ter que parar de beber.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:25 AM by Cassiano Leonel Drum
Governo Federal
500 dias em busca de um rumo
Lula divulga medidas positivas para tentar reverter desgaste
ALEXANDRE ELMI
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva completa hoje 500 dias no comando do Palácio do Planalto com uma coleção de desgastes. Sem forças para romper as amarras da política econômica e desnorteado pelas críticas, Lula se aproxima da metade do segundo ano de mandato ainda em busca de rumo.
A ordem para expulsar o correspondente do The New York Times no Brasil Larry Rother, autor de uma reportagem sobre supostos excessos de Lula no consumo de álcool, foi mais uma decisão atrapalhada do governo do PT em Brasília. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou liminarmente a medida ontem, tornando inócua a deliberação. Com a decisão de expulsar Rohter, o presidente confirmou que está impaciente com os obstáculos do caminho. Em reunião ministerial no dia 23 de abril, Lula soqueou a mesa para cobrar dos ministros mais gastos e ação.
A pressa tem levado o presidente a anunciar medidas que ainda não foram completamente definidas por sua equipe. Em 26 de abril, Lula prometeu como "boa notícia" a correção da tabela do Imposto de Renda. A Receita Federal tinha apenas estudos embrionários sobre o reajuste. Aliado de primeira hora do presidente Lula, o governador Germano Rigotto está decepcionado com anúncios do Planalto que não se confirmam.
- Do anúncio à efetivação daquilo que foi anunciado tem uma distância muito longa. É um dos problemas mais sérios do atual governo federal, levando-o ao desgaste - afirma Rigotto.
Ontem, o presidente utilizou a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social para anunciar medidas que amenizassem a errância do governo. Três dos oito pontos da agenda positiva (veja quadro na página 4) - ampliação do recrutamento das Forças Armadas, verbas para conserto de estradas e mudança nas regras do Primeiro Emprego - vinham sendo badalados pelo presidente desde abril.
O anúncio não foi suficiente para acalmar o descontentamento de aliados como o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, para quem o valor de R$ 260 para o mínimo é inadmissível. O diretor do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade de Campinas, Geraldo Cavagnari, viu a contratação de mais 30 mil recrutas em 2004 como uma esmola social.
- As Forças Armadas não são escolas profissionalizantes. Elas precisam de recursos para serem reequipadas e não para fazer benemerência com recursos públicos - comentou Cavagnari.
Em 500 dias, Lula admitiu que o tempo de bravatas virou recordação do período em que agitou a oposição no Brasil. Também percebeu que o discurso mágico deveria ceder lugar ao realismo político. Ontem, na solenidade do Conselhão, proferiu a defesa mais adequada contra os percalços dos tempos iniciais de governo:
- Todos vocês sabem que não existe milagre. Muitas vezes, no governo, temos os mesmos desejos que vocês têm. Há uma pequena diferença: é que nós, às vezes, temos que assinar o cheque.
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6:21 AM by Cassiano Leonel Drum
Ásia
Os Gandhi de volta ao poder
Sonia Ghandi levou seu partido à vitória nas eleições legislativas na Índia, trazendo novamente ao poder a dinastia Gandhi. A futura primeira-ministra é italiana de nascimento e viúva do primeiro-ministro Rajiv Gandhi (foto Gurinder Osan, AP/ZH
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Quinta-feira, Maio 13, 2004
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7:44 PM by Cassiano Leonel Drum
Um Conto de Kahlil Gibran
Eu estava andando nos jardins de um asilo de loucos, quando encontrei um jóvem rapaz, lendo um livro de filosofia.
Pelo seu jeito, e pela saúde que mostrava, não combinava muito com os outros internos.
Sentei-me ao seu lado e perguntei:
- O que você está fazendo aqui?
O rapaz olhou surpreso. Mas, vendo que eu não era um dos médicos, respondeu:
- É muito simples. Meu pai, um brilhante advogado, queria que eu fosse como ele. Meu tio, que tinha um grande entreposto comercial, gostaria que eu seguisse seu exemplo. Minha mãe desejava que eu fosse a imagem do seu adorado pai. Minha irmã sempre me citava seu marido como exemplo de um homem bem-sucedido. Meu irmão procurava treinar-me para ser um excelente atleta como ele.
Parou um instante e continuou:
- E o mesmo acontecia com meus professores na escola, o mestre de piano, o tutor de inglês - todos estavam determinados em suas ações e convencidos de que eram o melhor exemplo a seguir. Ninguém me olhava como se deve olhar um homem, mas como se olha no espelho.
"Dessa maneira, resolvi me internar neste asilo. Pelo menos aqui eu posso ser eu mesmo."
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7:34 PM by Cassiano Leonel Drum
Quinta, 13 de maio de 2004, 11h51 Atualizada às 15h35
Ensino público terá 50% das vagas nas federais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou hoje, durante discurso na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, a criação de um sistema de reserva de vagas que destinará 50% das vagas oferecidas pelas universidades federais a alunos que cursaram o ensino na rede pública.
"O programa reserva metade de todas as vagas de faculdades e universidades a alunos que concluíram o ensino médio na rede pública. Isso significa nada menos que 60 mil vagas. O sistema de reservas ainda vai promover a igualdade racial no acesso à universidade pública. Algumas vagas serão preenchidas preferencialmente por pessoas negras e indígenas, considerando a população de cada região", afirmou Lula
"Metade das vagas das universidades reservadas para estudantes de escolas públicas - esta é a norma geral do Governo", disse o ministro da Educação, Tarso Genro, ao confirmar o envio dos projetos Universidade para Todos e de Cotas para o Congresso Nacional.
O ministro anunciou as medidas de reorganização do registro e da permissão de funcionamento das universidades privadas. "Essa é uma medida constitucional. E se a pessoa é afro-descendente vai disputar, por exemplo, no Rio Grande do Sul, 13,5% das vagas do estado com outros descendentes. Então, não há vantagem em passar de uma faixa para outra. Esta engenharia que conseguimos, o que vale tanto para as públicas quanto para as privadas, com normas diferentes, faz a reserva de vaga para a comunidade afro de acordo com o percentual do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)", explicou o ministro.
Segundo Tarso Genro, o mérito do estudante é mantido, tendo em vista que este fará o Enem, a avaliação do Ensino Médio, em igualdade de condições. "Isso, com a vantagem de fazer a reserva proporcional ao tamanho da comunidade da região", disse.
O ministro explicou que cada universidade terá autonomia para elaborar a sua avaliação e contará ainda com indicativos presentes na futura regulamentação da lei. E disse esperar que, com a aprovação do projeto de Lei, sejam destinadas entre 70 mil e 80 mil vagas nas universidades já para o segundo semestre. Em cinco anos, o número sobe para cerca de 350 mil vagas. "Mas isso se a lei for mantida na sua integralidade. Pode ser que ela tenha alguma mudança no Congresso e, neste caso, teremos que reavaliar esta expectativa", alertou.
Ainda dentro da área de educação, foi anunciado um programa que tem o objetivo de proporcionar o acesso gratuito à universidade dos alunos e professores de escolas públicas e de baixa renda.
Brasileiros são a favor de cotas
Na pesquisa CNT/Sensus de maio, divulgada hoje, 61,1% das pessoas entrevistadas são favoráveis à instituição de cotas para negros nas universidades. 29,4% se declararam contrárias.
Outros anúncios de Lula
Foi anunciado o programa "Soldado Cidadão", que abrirá 30 mil vagas para recrutas nas Forças Armadas a partir de agosto. Trata-se de uma parceria entre os minsitérios da Defesa e do Trabalho.
Lula divulgou as mudanças do Programa Primeiro Emprego. O público alvo do projeto será aumentado com a possibilidade de contratação temporária de jovens. Os jovens que já concluíram o ensino médio, mas não tiveram chance no mercado de trabalho, também poderão participar.
O incentivo dado às empresas participantes também aumentará. "Tenho confiança,esperança, que essas mudanças vão levar o Primeiro Emprego a atingir os objetivos que foram a razão pela qual criamos esse program há um ano", comentou Lula.
As pessoas com mais de 60 anos terão a antecipação do pagamento da parcela da correção dos juros sobre o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
No pronunciamento presidencial, também foi lembrado que o governo implementará um plano de saneamento básico com o maior orçamento já registrado, de R$ 2 bilhões e 700 milhões. Lula criticou o seu antecessor, o presidente Fernando Henrique Cardoso, que anunciou um plano maior que R$ 1 bilhão, mas só implementou R$ 700 milhões em 2002.
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7:23 PM by Cassiano Leonel Drum
Caminho interditado
MEC proíbe criação de cursos superiores por seis meses
Nenhum novo curso de graduação poderá ser criado nos próximos seis meses. O ministro da Educação, Tarso Genro, baixou nesta quinta-feira (13/5), quatro portarias que suspendem a autorização da entrada de novos processos para reconhecimento e revalidação de cursos de ensino superior em todo o sistema educacional brasileiro.
A primeira portaria foi publicada nesta quinta-feira e as outras três serão publicadas nesta sexta-feira (14/5), no Diário Oficial da União. "Constitui o início de um novo sistema regulatório. Há uma ausência completa de normas eficazes no que se refere à proliferação dos cursos privados no país", disse o ministro.
Em fevereiro, o MEC suspendeu a homologação de novos cursos de Direito a pedido do Conselho Federal da OAB e agora decidiu "frear" a abertura de novas instituições e cursos até a formulação da legislação definitiva, prevista para o final do ano.
Segundo Genro, a intenção é editar um decreto para regulamentar o sistema e depois introduzi-lo na Lei Orgânica do Ensino Superior, elaborada a partir da Reforma Universitária. "Não há nenhuma carga de preconceito com as instituições privadas de ensino, mas uma carga forte para coibir abusos e separar o joio do trigo", afirmou.
Atualmente existem cerca de oito mil processos em andamento no Ministério da Educação que serão avaliados conforme as regras antigas. O único diferencial ficará por conta de um critério que estabelece como prioridade a abertura de cursos e instituições que auxiliem na redução das desigualdades regionais sociais.
A partir das informações obtidas pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e da criação de um Comitê Técnico de Coordenação, composto por onze integrantes, representantes das grandes áreas de conhecimento será formado o sistema regulatório, sob o comando da Secretaria de Educação Superior (Sesu/MEC) em parceria com o Conselho Nacional de Educação (CNE).
Uma das portarias prevê, ainda, a criação de um Cadastro Nacional dos Docentes do Sistema de Ensino Superior para verificar se cada professor está realmente trabalhando na instituição a qual está ligado, evitando duplicidade na apresentação dos processos. O cadastro começaria com a coleta de dados dos professores do curso de Direito e, depois de 60 dias, seria estendido aos demais cursos.
O cadastro único seria composto pelo nome, registro geral e cadastro de pessoa física e cada professor, além do regime de trabalho exercido por cada um. "É preciso estabelecer uma coerência entre o que foi apresentado nos processos com os dados do cadastro", justificou o Secretário-Executivo do CNE, Ronaldo Motta. (Com informações da OAB e da Agência Brasil)
Revista Consultor Jurídico, 13 de maio de 2004
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8:25 AM by Cassiano Leonel Drum
O pai da criança
Fábio Jr. faz show no Rio e confessa que morre de ciúmes da filha Cléo Pires, que costuma dizer que seu pai é Orlando Moraes: O pai sou eu!
Marcelle Carvalho
Ninguém pode acusar Fábio Jr. de não ser sincero. Principalmente, quando o assunto é a sua filha Cléo Pires, 21 anos, que está arrebatando corações por aí desde que foi descoberta no filme Benjamim. Tenho ciúmes dela. Mas preciso me policiar porque não quero toli-la. É minha filhota, mas é uma mulher de 21 anos, constata o cantor, que tem reação típica de pai ciumento ao perceber olhares e comentários desejosos para sua menininha, que, para ele, virou um mulherão da noite para o dia. Às vezes, dá vontade de rosnar, brinca.
Vontade essa que também não falta ao cantor quando Cléo afirma publicamente que seu pai de verdade é o cantor Orlando Moraes, marido de sua mãe, Glória Pires, que a criou desde os 4 anos. Fico enciumado, não nego, diz Fábio, fazendo uma pausa. Depois, conforma-se. Mas tudo passa nessa vida, até uva passa, tenta manter o humor. Em tom conformado, ainda insiste: Melhor para ela que tem dois pais. Logo, porém, desabafa, enfático. Mas o pai sou eu e não abro mão.
Tenho ciúmes dela (Cléo). Mas preciso me policiar. É minha filhota, mas é uma mulher de 21 anos
Apesar da rusga que a filha tem com ele, Fábio orgulha-se da atitude de Cléo, ao ter recusado o papel principal de Cabocla, feito na primeira versão por sua mãe. Acho que ela mandou bem não aceitando. Naturalmente, as pessoas iriam compará-la com a Glória. Iria ser uma cobrança acirrada em cima dela, analisa Fábio, que não se surpreende pela filha ser tão requisitada para trabalhos. Há dois anos, Cléo me falou que não queria a vida que eu e Glória escolhemos. Nunca mais perguntei nada. Mas sabia que era inevitável isso acontecer, porque tem muito talento.
Mulheres são um assunto constante na vida de Fábio. Há poucas semanas, surgiram boatos de que o cantor teria saído com a ex mulher, a atriz Patrícia de Sabrit, com quem ficou casado por cinco meses, em 2001. Aconteceu de verdade e foi legal. Mas não acredito em um retorno, afirma o cantor, que aos 50 anos, assume tomar estimulante para as horas calientes.
Tomei Levitra (patrocinador do seu show), que é mais legal que o Viagra, porque dizem que ele dá dor de cabeça no dia seguinte e não pode beber nada. Já o que tomei pode tomar um vinhozinho que não tem problema nenhum. Porque é muito sem graça você conhecer alguém e ter que ficar na água sem gás, diz ele. E funcionou? Adorei o efeito, garante.
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8:20 AM by Cassiano Leonel Drum
GRÊMIO X FLAMENGO
Vitória da raça rubro-negra
Fla vence o Grêmio, no Olímpico, e precisa só de um empate, no jogo de volta, para ganhar vaga nas semifinais da Copa do Brasil
Jogadores do Flamengo comemoram o gol que deu a vitória no primeiro jogo em Porto Alegre
PORTO ALEGRE - Flamengo bom é o da Copa do Brasil. Depois de ser humilhado pelo Vitória, no Campeonato Brasileiro (5 a 1), o Rubro-Negro venceu o Grêmio, por 1 a 0, ontem à noite, no Estádio Olímpico, em Porto Alegre, e precisa apenas de um empate no jogo de volta quarta-feira, no Maracanã, para garantir vaga na semifinal da competição. Em caso de derrota pelo mesmo placar, a disputa será nos pênaltis. Zinho foi o autor do gol e um dos responsáveis por espantar a crise que rondava a Gávea.
O Flamengo logo mostrou seu cartão de visitas. Aos três minutos, Negreiros conseguiu roubar uma bola e rolou para Zinho. O experiente jogador, que esteve ameaçado de ser barrado, driblou o zagueiro e finalizou com categoria, sem chances para o goleiro, e fez 1 a 0.
Mas a empolgação do Rubro-Negro esbarrou nos contra-ataques do Grêmio. Em dois minutos, o time de Porto Alegre finalizou bem em três oportunidades, porém não conseguiu empatar. Aos 15, Negreiros, contundido, deu lugar a Jean. Pouco depois, o zagueiro Henrique levou cartão amarelo, o seu terceiro na Copa do Brasil, e está fora do jogo de volta.
O Grêmio voltou a assustar aos 21 minutos. Depois de um cruzamento, Leanderson, de carrinho, quase marca. Júlio César fez boa defesa. Mas foi o time carioca que desperdiçou a chance mais clara de gol, quase no fim do primeiro tempo. Felipe rolou para Jean, o atacante entrou livre de marcação na área e cruzou rasteiro. Marcelo desviou e atrapalhou Fabiano Eller que, dentro da pequena área, não conseguiu finalizar.
No início do segundo tempo, a equipe gremista partiu para cima. Aos 13, Christian recebeu dentro da área e finalizou com perigo, por cima do travessão. O Flamengo, por sua vez, optou pela precaução e somente se lançava a frente nos contra-ataques.
Diante da pressão gremista, entrou em cena o São Júlio César. Aos 27, Claudiomiro cabeceou uma bola a queima-roupa e o goleiro rubro-negro fez uma defesa espetacular.
Aos 39, Felipe, cara a cara com o goleiro, poderia ter selado a vitória, mas finalizou mal. O Flamengo volta a campo no domingo, quando enfrenta o Internacional, em Volta Redonda, pelo Brasileiro.
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8:14 AM by Cassiano Leonel Drum
Wianey Carlet
13/05/2004
Complicou
O Flamengo mostrou ontem à noite no Olímpico que a qualidade de seu time não está afinada com os maus resultados dos últimas partidas. Jogou melhor do que o Grêmio e mesmo quando foi pressionado, no segundo tempo, teve organização ofensiva e inteligência para neutralizar os esforços do adversário. Com a bola, reafirmou o histórico toque de bola carioca. Sem ela, apenas o goleiro Júlio César e o atacante Felipe não participaram do esforço coletivo de recuperação. Os destaques individuais também ficaram com o Fla. Júlio César, com duas grandes defesas, Fabiano Eller, o melhor em campo. Henrique, Reginaldo Araújo, Roger, Douglas Silva, todos tiveram atuações destacadas. O Flamengo ganhou e não foi por acaso.
Incurável
Se o desconforto de Gavilán será problema resolvido em pouco tempo, as tonturas de Lori Sandri não têm cura, por enquanto. Com tantos problemas médicos entre os jogadores, mais a suspensão de Vinícius, o treinador colorado deve estar provando os efeitos de uma labirintite cruel: anda tonto, sem rumo certo.
Edinho, Líbero
Pode ser impressão enganosa, não creio, mas Edinho tem todas as credenciais técnicas e físicas para se tornar um dos maiores líberos do mundo. Eu escrevi líbero, não zagueiro da sobra, o que é muito diferente. Como sabe jogar nos dois lados da zaga, poderia garantir cobertura ampla. Como tem velocidade, força e boa técnica na condução da bola, seria um líbero verdadeiro, ultrapassando seus zagueiros e a linha média para aparecer em posição adiantada. Falta-lhe, porém, aprimorar o passe e o lançamento. Superada esta dificuldade, correrá o mundo e enriquecerá.
Insensibilidade
Ontem, o 15 de Novembro enfrentava o Palmas, pela Copa do Brasil. Amanhã, estará em Passo Fundo, jogando pelo Gauchão. Domingo, o campeonato marca-lhe jogo em Bento Gonçalves e na segunda-feira estará embarcando para Tocantins, onde joga a segunda partida, quarta-feira, com o Palmas, pela Copa do Brasil. A FGF tem sido carrasca do Quinzão.
Desmanche
O Santos seria forte candidato ao título do Campeonato Brasileiro se não estivesse programado um desmanche do time para o início do segundo semestre. Devem sair Diego, Robinho, Alex e Leo, no mínimo. Do dinheiro que for obtido com estas vendas, pouco deverá sobrar para o Santos já que o seu presidente, Marcelo Teixeira, é credor do clube em cerca de R$ 20 milhões e não é Papai-Noel.
Esquema
Se Alexandre Lopes for liberado, Lori Sandri deverá optar pelo 3-5-2 para enfrentar o Flamengo, no Rio de Janeiro, escalando o Inter com Clemer; Edinho, Wilson e Alexandre Lopes; Bolívar, Fernando Miguel, Marabá, Danilo (Diogo) e Alex; Rafael Sobis e Oséas. Para o 4-4-2, teria que escalar Danilo e Diogo, simultaneamente, dois novatos no time. O desentrosamento seria ainda maior.
Gula
As federações querem unir-se em uma associação com um único objetivo: ¿abocanhar¿ parcela do dinheiro que a televisão paga para os clubes. Por que não ¿mordem¿ a CBF e os seus milionários contratos de patrocínio?
wianey.carlet@zerohora.com.br
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