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Sábado, Maio 22, 2004
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8:08 PM by Cassiano Leonel Drum
Além da palavra
Eu, que sabia dizer te amo todo dia,
Notei que a palavra podia ser traída,
Podia ser dita, assimilada e entendida
E a pessoa não fazer o que ela dizia
Eu, que aprendi falar do amor em poesia,
Vi que nem sempre uma poesia é lida
E notei que sua intenção era destruída
Por quem escreve enganando quem a lia
Por isso meus poemas e as declarações
Podiam ser apenas uma linda fachada
Se, só escritas, não valessem de ações
E quando digo que te amo, vou ainda além
Da boca e da caneta que escreve calada
Sendo só teu homem e de mais ninguém
Francisco Libânio
28/01/04 - nº 16-04
9:50 AM
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6:29 PM by Cassiano Leonel Drum
Casa em ordem
O MEC vai fiscalizar os MBAs. Aqui, dicas para acertar na escolha da escola
Greice Rodrigues
Em tempos de economia globalizada, de mercados cada vez mais competitivos e exigentes e de constantes inovações tecnológicas, manter-se atualizado e antenado a essas mudanças é uma necessidade vital para quem transita no mundo dos negócios. Nesse cenário, a busca incessante pelo conhecimento é o maior desafio. Seja para turbinar o currículo e garantir a empregabilidade, seja para administrar o próprio negócio, os cursos de especialização os famosos Masters Business Administration (MBA) se tornaram imprescindíveis na carreira de qualquer executivo.
O cirurgião paulista Marciano Carlos Rossato de Almeida, por exemplo, resolveu criar sua própria empresa de auditoria e administração, mas não se sentia seguro para isso. Recorreu ao MBA em gestão, do Ibmec Educacional, concluído no final do ano passado. A formação de médico não me dava competência para gerenciar. Precisava de algo específico.
Procurei um curso com enfoque prático, menos catedrático. Isso foi vital porque me ajudou a enxergar os problemas e as soluções. O curso me proporcionou o contato com outras pessoas experientes. Todos vão dando dicas, idéias que podem ser aplicadas na prática. Essas relações são muito importantes, conta Almeida.
Criar mecanismos que garantam esse processo de atualização é a tarefa das boas escolas de negócios em todo o mundo. No Brasil, a febre do MBA começou no início dos anos 90. De lá para cá, houve grande proliferação desses cursos, que não dependem de autorização do Ministério da Educação para funcionar.
Estima-se que haja no Brasil mais de seis mil cursos de MBA, a maioria sem nenhum controle de qualidade. Para pôr ordem na casa, o Ministério da Educação anunciou no dia 10 que a partir de agora vai fiscalizar a oferta dos cursos de pós-graduação, entre eles os MBAs. A intenção do MEC é criar um cadastro para identificar e regularizar os cursos deficientes.
A iniciativa do MEC vai ganhar um reforço importante. Um grupo de 12 instituições brasileiras, entre elas o Ibmec Educacional, a Fundação Instituto de Administração (FIA) da USP, a Fundação Getúlio Vargas e a Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), criou a Associação Nacional dos MBA (Anamba), que a partir de junho também vai medir a qualidade dos programas de especialização disponíveis no mercado.
A associação criará critérios básicos de avaliação, como grade curricular mínima e qualificação dos professores. Não iremos substituir os órgãos oficiais, mas queremos atuar como uma fonte de informação para os alunos, afirma Irineu Gianesi, diretor de programa do Ibmec e um dos fundadores da Anamba. As boas escolas ganharão um selo de qualidade.
Almeida: o médico se tornou administrador depois de um MBA
Mas, enquanto essas ações não entram vigor, a saída é pesquisar. Foi o que fez o executivo Cássio de Quadro Tietê, 37 anos. Estudei as possibilidades minuciosamente. Queria uma escola que tivesse um programa com currículo global, tão eficiente quanto os oferecidos lá fora, conta ele.
O trabalho, segundo ele, valeu a pena. Tietê é um dos alunos do OneMBA, da FGV, um dos mais conceituados do mercado. Esse programa corresponde às minhas expectativas porque permite contato com realidades de vários países, afirma. A FGV mantém uma parceria com universidades da China, do México, da Holanda e dos Estados Unidos e leva, a cada três meses, seus alunos para conhecer essas instituições. A experiência e o conhecimento adquiridos nessas visitas são importantes porque nos tornam aptos a trabalhar em qualquer país, aposta Tietê.
Para facilitar a escolha, especialistas sugerem alguns critérios, como conhecer o histórico da instituição, o corpo docente e o currículo do curso. Essencial também é saber se a escola é credenciada ao Executive MBA Council, órgão internacional que reconhece as melhores escolas de negócios do mundo. Deve-se observar que tipo de serviço essa instituição tem prestado à sociedade e que diferença ela tem feito, opina o professor Jacob Jacques Gelman, vice-diretor administrativo da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.
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6:22 PM by Cassiano Leonel Drum
Perfil
Palavra de gênio
Garoto de 13 anos, que faz doutorado em Matemática, veio ao País aconselhar professores
Rita Moraes
Ele já estampou a capa do The Times Magazine, revista do jornal inglês The London Times, foi recebido por Mickail Gorbachev e Bill Clinton, está se preparando para o doutorado de matemática e há três anos tem sido indicado para o Prêmio Nobel da Paz. E isso com apenas 14 anos. Apesar do sorriso de menino, o americano Gregory Smith surpreende não apenas por sua genialidade, mas também pela serenidade com que convive com ela.
Fundou a International Youth Advocates, uma organização que atua em vários países em defesa de crianças em situação de risco, inclusive no Brasil. Em sua segunda visita ao País, veio para abrir o Congresso Pitágoras de empreendedorismo um novo passo na educação, realizado em São Paulo, nos dias 20 e 21. A Rede Pitágoras mantém 400 escolas no Brasil e seis no Japão. Quero dizer aos professores que ouçam as crianças para saber como elas querem crescer e aprender, disse Gregory, que cobra US$ 10 mil por apresentação.
O ativismo do garoto começou bem cedo. Aos sete anos, terminando o ensino básico, criou sua primeira instituição, a IEM Inspiration, Education and Motivation, e não perdia uma reunião na vizinhança. Às crianças dizia que dessem duro para garantir seu futuro e aos adultos, que as motivassem para isso. O destino de crianças que não tinham, como ele, conforto material e familiar começou a incomodá-lo quando ele deveria estar largando a chupeta.
Aos quatro anos, ele via o noticiário da tevê e não se conformava com o sofrimento infantil em países pobres ou em guerra. Dizia que tinha de fazer algo, relembra o pai, o biólogo Robert Smith, 50 anos. Ele e a esposa, Janet, contam que não foi fácil lidar com a genialidade do filho, apesar da imensa alegria que isso proporciona. Greg sempre foi tranquilo, mas tivemos que mudar várias vezes de casa, de cidade em busca de escolas adequadas, conta Smith.
O garoto imberbe, que fala como gente grande, não parece ter sofrido para se adaptar à sua genialidade. Diz que se dá bem tanto com a turma na faculdade quanto com os adolescentes com quem joga bola. Da mesma forma que discuto problemas de matemática converso com os meninos da minha idade. Gosto de futebol e basquete, assegura. Quanto à namoradas, confessa: Estou começando a pensar no assunto. Greg pensa muito e alto.
Quer ser presidente de seu país. O presidente dos EUA pode mudar a face do mundo, diz. Só que ele terá de esperar 21 anos para isso. Por mais que falte genialidade na Casa Branca, 35 é a idade mínima exigida pela Constituição americana para a candidatura.
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6:17 PM by Cassiano Leonel Drum
Diogo Mainardi
Minha entrevista com Lula
"Quando um candidato não comparece a um debate, é comum substituí-lo por uma cadeira vazia. Entrevistei uma cadeira vazia"
Pedi uma entrevista a Lula. Ele não deu. E acrescentou: "Esse tal de Mainardi, nem sei aonde fica". Decidi então entrevistar seu mais célebre imitador, o Bussunda, do Casseta & Planeta. Ele responderia em nome do presidente, no falso gabinete do falso Palácio do Planalto. Bussunda não concordou. Achou melhor não se associar a mim. Pensei em entrevistar outro imitador.
Há muitos por aí. Fernando Henrique Cardoso imita Lula. Lulu Santos imita Lula. Até num torneio de dominó em Joinville apareceu um imitador de Lula. Chama-se Romualdo Caldeira de Andrada. Acabei desistindo da idéia. Quando um candidato não comparece a um debate na televisão, é comum substituí-lo por uma cadeira vazia. Entrevistei uma cadeira vazia:
O irmão de Celso Daniel declarou à Justiça que o dinheiro das propinas de Santo André era entregue diretamente a José Dirceu. Por que ele mentiria?
O senhor se cercou de assessores provenientes da prefeitura de Santo André, como Gilberto Carvalho e Miriam Belchior. O senhor não acharia conveniente suspender esses funcionários até o assassinato de Celso Daniel ser definitivamente esclarecido?
Quando o senhor anunciou que dobraria o valor do salário mínimo e criaria dez milhões de empregos, sabia que seria impossível cumprir essas metas ou acreditava em suas promessas? A hipótese mais benévola é a de que o senhor mentiu despudoradamente na campanha eleitoral, disparando um monte de asneiras em busca de votos. A hipótese menos benévola é a de que o senhor nunca parou para pensar o que de fato faria se ganhasse as eleições. Qual a hipótese correta?
O senhor costuma ser comparado a Fernando Henrique Cardoso na gestão da economia, mas é uma injustiça, porque seu governo interrompeu as privatizações, contratou 50 000 novos funcionários públicos e inflou a folha de pagamento do Estado. O resultado foi o aumento de impostos, o aumento do desemprego e a menor taxa de crescimento da história do Brasil, num primeiro ano de mandato. Como o senhor se sente quando o comparam a seu predecessor?
O senhor alardeia a reforma previdenciária como uma de suas maiores conquistas, mas ela nem terminou de ser votada pelos parlamentares. Se a proposta original já era insuficiente, o que pensar depois da PEC paralela? Daqui a quanto tempo ela precisará ser modificada?
O senhor cancelou a licitação de duas plataformas da Petrobras, com o argumento de que deveriam ser construídas no Brasil. Esse seu populismo nacionalista custará uns 5 bilhões de dólares aos contribuintes. Por que o senhor não vende a Petrobras?
O senhor acredita que a reportagem do New York Times sobre seu hábito de beber faça parte de uma trama internacional? Quem teria tramado e qual o motivo da trama?
O senhor pretende nos agraciar com um segundo mandato?
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9:59 AM by Cassiano Leonel Drum
Silêncio na rede
Por que baixar músicas pela internet é uma aventura para o brasileiro
Sérgio Martins
Reginaldo Teixeira
A apresentadora Diana Bouth: ela ouve no site e vai atrás do CD
Imagine um brasileiro que, cansado de sua coleção de CDs, resolva testar uma novidade: gravar uma música em seu computador através da internet. A idéia lhe ocorreu ao saber do sucesso do iTunes, o revolucionário site de venda de canções criado pela Apple, fabricante dos computadores Macintosh. Lançado em abril de 2003, em seus primeiros doze meses de funcionamento o serviço vendeu 70 milhões de músicas nos Estados Unidos. O internauta acessa o site e opta por uma faixa do último disco do grupo OutKast, um dos mais procurados pelos usuários do iTunes.
Descobre então que é impossível concluir a compra. Por causa do acordo entre a Apple e as gravadoras que abastecem o site, só pode usar o serviço quem mora nos Estados Unidos. Sem desanimar, o internauta migra para o maior site brasileiro do gênero, o iMusica, abastecido de canções das gravadoras BMG e EMI. A BMG lança os discos do OutKast, e ele volta à carga. Sem sorte, mais uma vez: o site brasileiro enfrenta várias restrições para comercializar as criações de artistas internacionais lançados por suas parceiras.
O internauta opta então por um artista nacional, o ministro da Cultura Gilberto Gil. Mas aí descobre que só quatro músicas do veterano estão disponíveis. Eis aí um dos maiores problemas da venda de músicas on-line no Brasil: a oferta limitada. São 60 000 faixas no iMusica contra 700 000 no iTunes.
Se o internauta comprar uma das canções de Gil, estará se reunindo a uma minoria. De acordo com o QualiBest, um instituto de pesquisa on-line, apenas 32% dos usuários brasileiros de internet aceitam a idéia de pagar para "baixar" uma música. E, desse grupo já restrito, somente 18% de fato realizam a operação. Sua segunda alternativa é fugir dos serviços pagos e explorar sites como o KaZaA, que oferecem uma infinidade de músicas de graça e promovem a troca de arquivos entre seus usuários. Mas atenção: quem se aventura no KaZaA corre o risco de ver seu micro invadido por anúncios indesejados e até coisas piores, como vírus e programas espiões.
Desde que o iTunes passou a operar, os Estados Unidos inauguraram um segundo período na história da música na internet. O primeiro período, que ainda não se esgotou totalmente, foi de guerra entre serviços como o KaZaA e as grandes gravadoras, que consideram que nesses sites seus produtos são pirateados. Agora, as gravadoras se mostram dispostas a disponibilizar parcelas cada vez maiores de seus catálogos na rede, enquanto um número cada vez maior de usuários se dispõe a pagar pelas músicas. O Brasil, no entanto, se mantém à margem desse processo. Assim como não mergulhou fundo no primeiro período (aqui, a pirataria que preocupa ainda é a dos CDs), o país se mantém em compasso de espera diante do segundo. "Todo mundo está aguardando para ver o que acontece", diz Paulo Rosa, diretor-geral da Associação Brasileira dos Produtores de Discos.
Em outras palavras, as gravadoras brasileiras não estão muito ansiosas para jogar os trabalhos de seus principais artistas na rede. Quando o assunto é música, portanto, o único internauta brasileiro que tem boas chances de sair satisfeito de suas incursões pela rede é aquele que se interessa pela cena alternativa. A gravadora paulistana Trama, por exemplo, lançou um site que divulga de graça artistas independentes. "Temos mais de 1.300 nomes cadastrados", diz Carlos Eduardo Miranda, diretor do projeto.
Outra opção é fazer como a apresentadora do Sportv Diana Bouth, que acessa rádios on-line dos Estados Unidos para se inteirar das novidades na área do hip hop. "Eu promovo festas de hip hop, e a internet me permite ficar antenada", diz ela. Nessas rádios, só se podem ouvir as músicas. Quando descobre alguma coisa de que realmente gosta, Diana compra o CD.
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9:52 AM by Cassiano Leonel Drum
Em foco: Gustavo Franco
Notas sobre o clima
"Apesar dos ciclones e do minueto parlamentar, a retomada do crescimento depende de influências sobre o clima que estão fora do Banco Central"
Nos últimos tempos, não há outro assunto em círculos empresariais que a meteorologia econômica: "o clima de negócios" piorou, e não apenas em razão dos ventos gelados que vêm do norte, mais precisamente do Federal Reserve, mas também por conta de nosso "microclima", que andou instável. Estranhos ciclones, aparecendo onde nunca existiram, podem ter a ver com o aquecimento global, ou mais provavelmente com fatores locais. Não há sequer acordo de que tivemos um furacão, ou dois, a despeito da concordância sobre o vento forte e sobre os estragos que causaram.
Não se deve minimizar a importância disso que os empresários chamam de "clima", ou da "confiança", pois está muito bem assentada na teoria econômica a relação entre o estado geral das expectativas sobre o futuro, capturado nessas expressões, e o investimento, sem o qual não há crescimento. Sem dúvida, são muito abrangentes, além de subjetivos, os fatores que concorrem para decisões empresariais que implicam compromissos onerosos e duradouros, e de retorno incerto. Por isso mesmo não há uma relação mecânica entre os juros fixados pelo Copom para operações por um dia e o crescimento, como alguns parecem supor.
Na verdade, o governo pode não ter percebido, mas talvez o maior desafio de sua administração seja justamente o de mostrar capacidade de melhorar o "clima de investimento". Não basta afastar os riscos de ruptura, como conseguido ao longo do primeiro ano de governo, mas de seduzir e engajar o setor privado, pois é daí que virão o investimento e o crescimento, não do Banco Central. A tarefa requer uma postura muito mais abrangente, sincera e amistosa com relação ao capital e ao mercado, talvez fora do alcance do atual governo.
Parte do problema, como já observado, vem do norte. Firmou-se a convicção de que os juros nos EUA vão subir nos próximos meses e, na lógica da economia global em que vivemos, diferentemente do mundo acaciano de nossos ancestrais, as conseqüências vêm antes. Os mercados financeiros já anteciparam os efeitos nefastos da mexida que, ressalte-se, está ainda a meses de distância. E assim, por estranho que pareça, ainda não aconteceu, mas muitos dizem que o pior já passou.
De outro lado, cá no Brasil, Fazenda e Banco Central não piscaram e dizem que a turbulência é passageira e derivada de fatores externos, e que dentro de casa nada mudou. De fato, nada mudou recentemente e relativamente aos últimos anos, fenômeno esse que comporta pelo menos dois diagnósticos antagônicos, um benigno, outro de esquizofrenia.
Quem observa a distância a continuidade notada nas políticas macroeconômicas pode ter a impressão de que estamos num país maduro, de clima temperado e instituições consolidadas, onde a troca de governo não traz mudanças nas premissas básicas da macroeconomia. É o lado bom do "nada mudou".
Todavia, tanto o governo quanto a oposição, com as exceções de praxe, parecem se esforçar em demonstrar que não é bem assim, especialmente em vista da propaganda eleitoral televisiva e também do que está ocorrendo na discussão sobre o salário mínimo: o governo ataca a política econômica da administração FHC parecendo não reparar que a sua não é diferente, inclusive no tocante ao salário mínimo, questão em que se rendeu à realidade das contas públicas, ainda que de forma envergonhada, exatamente como no passado.
A oposição, por sua vez, critica as políticas de hoje, como se não fossem idênticas às que praticou no passado, ou como se tivesse algo diferente a sugerir, inclusive quanto ao salário mínimo. Nesse assunto, ao que tudo indica, vamos a plenário, com papéis trocados, para votar um valor irreal para o mínimo, com chances de a oposição ganhar, como em 1993, quando aprovou a chamada Lei Paim, tudo para forçar o tristonho veto, e o desgaste do então presidente Itamar Franco. Como poderá acontecer com Lula.
Não obstante os ciclones e o minueto parlamentar, o fato é que a retomada depende de influências sobre o clima que estão fora do BC, numa área onde a agenda do crescimento jaz meio inerte, descaracterizada e presa à falta de imaginação.
Gustavo Franco é economista da PUC-RJe ex-presidente do Banco Central
(gfranco@palavra.com www.gfranco.com.br)
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9:26 AM by Cassiano Leonel Drum
Comandantes quarentões
Experiência não falta: Valdo e o treinador Mauro Galvão, que estréia, querem levar o Botafogo à primeira vitória no Brasileiro
Rodrigo Lima
Um tem 40 anos. O outro é apenas duas primaveras mais velho. Além da idade avançada, Valdo e Mauro Galvão têm a difícil missão de comandar o Botafogo hoje, às 16h, em Caio Martins, contra o Figueirense e acabar com incômodo jejum de não vencer no Brasileiro.
De volta ao Glorioso, agora como técnico, Galvão confia na experiência do amigo Valdo para comandar o clube alvinegro dentro de campo. O time está muito ansioso por um bom resultado. A pressão é grande e a cobrança da torcida também. Por isso, confio na experiência dele para acalmar o grupo. Ele é a minha voz dentro de campo, admite o ex-capitão do Botafogo, que tinha a mesma atitude quando atuava dentro das quatro linhas.
O Galvão é um líder nato. Sempre procurava passar tranqüilidade aos mais jovens e agora não é diferente. O grupo já tem um outro astral com ele no comando, garante Valdo, que foi companheiro e adversário do seu treinador. Ele sempre foi um vencedor e enfrentá-lo era uma pedreira. Ainda bem que ele já parou e está trabalhando aqui conosco, comemora o jogador.
A longevidade na carreira não é só uma das coincidências. Ambos são ídolos de Grêmio e Botafogo, além de compartilharem a mesma de experiência de disputar duas Copas do Mundo pela Seleção.
Esse é um fato curioso. Em 86, nem eu e nem o Valdo fazíamos parte da delegação. Mas o Dirceu e o Mozer foram cortados, e eu e o Valdo fomos chamados para substituí-los na última hora, conta Galvão, que em 90, na Itália, já pertenciam ao seleto grupo dos 11 titulares.
Estávamos indo bem naquela Copa, mas infelizmente veio o Maradona deu aquele passe para o Caniggia e..., o resto vocês já sabem, lembra Valdo, sem querer se aprofundar na fatídica eliminação precoce do Brasil para a Argentina, por 1 a 0, nas oitavas-de-final daquele Mundial.
E para presentear o amigo e o ídolo alvinegro com a vitória, Valdo pede o apoio da torcida. Aqui também é a casa do Galvão. Sei que os torcedores tem um carinho especial por ele e chegou a hora de ela retribuir a alegria e os títulos que deixou aqui, pede o apoiador.
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9:20 AM by Cassiano Leonel Drum
Cine-patroa
Cannes foi um festival de coisas de casal. O resultado sai hoje e Walter Salles tem chancesAna Lúcia do Vale
Gael Garcia Bernal não levou a namorada para Cannes. Natalie Portman, a princesa Amidala de "Guerra nas estrelas terminou com ele por isso mas... vocês acham que ele está triste e solitário?
O engradicinho Eddie Murphy com a mulher Nicole
CANNES - FRANÇA - Se os milhares de fotógrafos correm atrás de um, imaginem de dois. Paraíso de solteiros, pela quantidade de festas que se espalham pela cidade durante o Festival de Cannes, fazer estilo família também faz bem para a imagem na cidade francesa. Ainda mais quando eles levam elas, e elas, seus decotes. Pela primeira vez no festival, Tom Hanks, 47 anos, trouxe sua Rita Wilson, 45, e 16 anos de casados. Americanos deslumbrados na passarela francesa, Rita não se reprimiu: de câmera digital na mão, não fez ar blasé e registrou seu longo dourado na entrada da sessão de gala.
Antonio Banderas, 43, também não desgruda de sua Melanie Grifith, 46. Ela retribui: tem o nome dele tatuado no braço, com um coração em volta. Eddie Murphy, 43, não é casado com atriz, mas não perde ponto. Sua Nicole Mitchell foi e poderia continuar sendo modelo, além de ser mãe de cinco, dos seis filhos do ator. Casal padrão também vale.
Polêmico como diretor do documentário anti-Bush, Michael Moore é carinhoso com a mulher, a produtora Kathleen Glynn. Outro polêmico, o escritor Salman Rushdie, 56, apresenta um belo cartão de visitas: sua mulher, a modelo e apresentadora indiana de um programa de culinária Padma Lakshmi, 34 anos. Decote melhor, impossível.
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9:13 AM by Cassiano Leonel Drum
Cláudia Laitano
22/05/2004
Nós, os modernos
Não sei se vocês já tiveram a experiência de conversar com um psicanalista. Eu tenho alguns amigos na área, um ou dois bem próximos, e adoro quando eles falam, genericamente, sobre o que andam ouvindo nos consultórios. Pelo que eu entendi, as queixas dos pacientes sofrem mudanças importantes conforme a época, mas, em geral, são todas muito parecidas entre si - se você levar em conta sexo, idade, estado civil ou mesmo classe social. Psicanalistas antenados conseguem captar uma tendência de comportamento muito antes de ela render conversa de bar ou de se transformar em reportagem no jornal. Quer cavar uma boa pauta? Descubra do que andam falando no divã.
A princípio, dá um certo desconforto perceber que as nossas mazelinhas aparentemente tão únicas e individuais fazem parte, na verdade, de uma cantilena previsível e pouco original. Mas o fato é que aquela dificuldade para desatar um velho nó ou para escapar da repetição de um determinado padrão de comportamento talvez esteja mais ligada à maneira de sentir e pensar da nossa época do que a gente imagina. Saber disso não deixa ninguém menos neurótico, mas ajuda a colocar algumas coisas em perspectiva.
É o que faz o psicanalista italiano Contardo Calligaris no livro Terra de Ninguém (Publifolha, 423 páginas), que reúne 101 crônicas publicadas no jornal Folha de S. Paulo entre 2000 e 2003. Os textos abordam temas cotidianos - das repercussões do 11 de Setembro à prisão de Fernandinho Beira-Mar, do novo livro de Harry Potter ao último filme de Polanski - de forma tão lúcida e pouco óbvia que esses assuntos nunca chegam a parecer datados. De certa maneira, é o "espírito da época", e o modo como nos adaptamos ou não a ele, que está na berlinda em todos os ensaios.
E o diagnóstico não é exatamente animador. Nós, os modernos, aponta Contardo, somos obcecados por um "teimoso ideal de autonomia" e pelo "demônio da comparação" ("é nos comparando aos outros que encontramos nosso lugar"). Vivemos perseguindo "sinais exteriores de invejabilidade" e queremos ser parecidos e diferentes ao mesmo tempo: "Devemos ser 'nós mesmos' e tornar nossa singularidade reconhecível e apreciável pelos outros". Somos consumistas, narcisistas e acima de tudo sem pistas: não conseguimos viver de acordo com os sonhos e os princípios que nós mesmos estabelecemos. E sofremos com isso.
É mole? Não, não é. Mas, se serve de consolo, aparentemente estamos quase todos no mesmo barco.
Bom é outono ainda, mas que fazer, o frio é como se já fosse de alto inverno, por isso a imagem ai acima.
claudia.laitano@zerohora.com.br
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9:00 AM by Cassiano Leonel Drum
Ricardo Silvestrin
22/05/2004
Gente de névoa!
Nem tudo é leve na poesia japonesa. Na literatura brasileira dos anos 80 para cá, muito se escreveu e se falou sobre o haicai. Esse poema breve, de apenas 17 sílabas, que teve seu apogeu no Japão do século 17 com o poeta Bashô, foi incorporado à produção de vários autores brasileiros: Guilherme de Almeida, Mario Quintana, Millôr Fernandes, Paulo Leminski e muitos outros. Na antologia 100 Haicaístas Brasileiros, tem haicai até do Erico Verissimo. De todas as diferentes práticas do gênero entre nós, uma característica parece unir todas elas: a ausência do eu.
O haicai busca captar um momento, sem interferência do eu poético, tão predominante na nossa tradição. É um exercício de objetividade. Sem o eu, vem também a ausência de sentimentalismo, de discursividade, de nóia. Mas existe uma outra forma poética, o tanka, surgida no Japão há mais de mil anos. O tanka também é um poema curto, só que um pouco maior do que o haicai. Tem 31 sílabas. Um dos poetas japoneses da era moderna que praticou o tanka, lido até hoje no Japão, é Takuboku Ishikawa. Viveu apenas 27 anos, de 1885 a 1912.
Lançou um único livro em vida: Um Punhado de Areia. Seus poemas foram traduzidos no Brasil por Masuo Yamaki e Paulo Colina no livro Tankas, editado por Massao Ohno Editor. Quem já leu um pouco de haicai vai experimentar com Takuboku um outro tipo de poesia japonesa. Seus textos também são curtos, imagéticos, sem muita discursividade. Mas são recheados de conteúdo pessoal. Mais do que isso: na maioria das vezes, são profundamente melancólicos.
Pequenos recortes da sua vida, cenas, comentários. É também como o haicai o registro de um momento. Mas não apenas um momento externo. É uma fotografia interna. "Triste o coração infantil que não chora: / nem repreendendo, nem batendo / (também fui assim)." É cinema. Tem a cena à nossa frente. Vemos o menino, sofremos com ele e, de repente, o menino se confunde com o autor. Há um eu que se funde com o que está sendo narrado. "O trem. Nem sei por que o tomei. / Desci. Mas não há / para onde ir."
De novo o cinema. Há uma tomada inicial do trem. Corta para o rosto do personagem/narrador. Corta para ele descendo. E o último verso é uma cacetada reflexiva. Lembrando: na língua dos japas, isso tudo foi feito com apenas 31 sílabas! "Emprestei dinheiro de quem me toma / por um poeta incapaz / de tarefas práticas."
Uma anotação, ao mesmo tempo um relato de um fato e um triste e irônico comentário. Takuboku também era simpatizante do pensamento revolucionário russo. Nadava contra a corrente do governo imperial japonês, que queria ver os socialistas longe do Japão. "Palavras que a criança / aos 5 anos gravou nos ouvidos: / trabalhador, revolução..." Agora uma seqüência fechada de cenas de mãos e um cometário arrasador no final: "Mãos que se aproximam, / apertam e se perdem. / Gente de névoa!" Outro dia encontrei um amigo que disse ser esse o poema que estava guiando a sua vida. Não queria mais saber de gente de névoa. Já um que marcou a minha vida é este outro do Takuboku: "Mostrar um milagre qualquer / e desaparecer / enquanto ainda estiverem surpresos."
ricardo.silvestrin@zerohora.com.br
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8:58 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
22/05/2004
Comprimido machista
Divulga-se estranhamente que as mulheres não gostam de saber que seus parceiros ingerem Viagra, Cialis ou outros comprimidos que aumentam a potência sexual dos homens.
Por que será que desagrada às mulheres que seus parceiros se estimulem quimicamente para enfrentar com elas os jogos carnais?
Uma causa aparente é que a mulher se sente intimamente ofendida: julgando-se competente para excitar o parceiro, sente seu orgulho ferido ao constatar que seu homem está se amparando num método artificial para melhorar seu desempenho.
A mulher se julga portanto suficiente para atrair o parceiro, atira-se ao sexo com a ilusão de que bastam seus encantos e habilidades para satisfazê-lo. O homem, ao procurar ajuda no comprimido, acaba por conscientizá-la de que diminui a importância feminina no êxito do intercurso amoroso.
Outra versão para essa ojeriza das mulheres aos comprimidos que levam à alta potência masculina é a de que, tendo elas uma determinada capacidade para a prática sexual, o parceiro que usa os comprimidos acabará por superar a parceira na resistência do exercício sexual, restando portanto insatisfeito com a desistência e desânimo dela.
Ou seja, o comprimido inspira na mulher uma desigualdade: ela vai para a refrega de cara limpa, enquanto seu parceiro se apresenta turbinado pela droga. Fatalmente ela perderá o torneio e se sentirá desprestigiada.
Mas, entre todas as hipóteses que possam embasar essa excêntrica aversão das mulheres pelos comprimidos energéticos ingeridos pelos homens, a que mais me seduz é outra.
Trata-se da desconfiança feminina sobre a possibilidade perigosa de traição do seu parceiro que o comprimido estimulante encerra.
Explico: todo homem recebe da natureza uma cota de desempenho sexual. O normal é que ele consuma essa cota exclusivamente com sua parceira, deve ser este até o ideal feminino: o de que uma mulher satisfaça de tal forma o homem que ele não tenha de procurar com outra a satisfação dos seus desejos.
Só que um casal que tenha o índice de 7, numa escala até 10, de resistência ou capacidade sexual, exercitará entre si essa aptidão.
A mulher então vai até a escala 7, o máximo que pode atingir. O homem, munido do Viagra ou do Cialis, passa de viagem por esse índice e supera a sua parceira com essa capacidade sobressalente.
É lógico então que a parceira se acometa do medo, da suspeita, de que o parceiro vá exceder a sua cota normal, com o amparo do comprimido, numa relação extracasal.
É que começa a povoar o imaginário da mulher que o homem, munido do extrapoder do medicamento energizador, possa querer exercê-lo com a constituição de um verdadeiro harém.
O comprimido masculino portanto passa a se tornar numa séria ameaça de infidelidade do homem a sua parceira.
Tanto essa minha tese tem consistência que, entrevistados em pesquisas, os masculinos jovens que usam o comprimido declararam que o fazem para aumentar a sua capacidade de atuação polígama.
Vemos então que esse fantástico comprimido que revolucionou o sexo em todo o planeta é uma benesse extraordinária para os homens e uma ameaça terrível para as mulheres.
O Viagra, portanto, surgiu para reforçar o machismo.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:55 AM by Cassiano Leonel Drum
Ambiente
Aguapés mudam paisagem do Litoral
Tapete de plantas aquáticas, com cerca de oito quilômetros de extensão, cobriu as areias da praia de Imbé (foto Genaro Joner/ZH)
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Sexta-feira, Maio 21, 2004
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10:22 PM by Cassiano Leonel Drum
Brad Pitt: O calcanhar-de-aquiles das mulheres
Ele é o genro que toda sogra pediu a Deus e o marido ideal. Lindo, rico e talentoso, o ator chega ao ápice da carreira no blockbuster Tróia
Por Maria Cândida
Foto: João Santos
Apesar dessa aura de superastro, Brad Pitt é simples e faz questão de tratar todo mundo com gentileza. De calça jeans e camisa azul-claro, o ator conversou com Contigo!, numa das suítes do Essex House Hotel, em Nova York, sobre a carreira, vida pessoal e o Brasil. Foto: João Santos
Contigo! O mundo está acostumado a ver Brad Pitt como o astro do cinema inatingível. O que você faz nas horas de folga que o aproxima mais dos reles mortais?
Brad Risos... Gosto de ir ao cinema, ir à praia. Adoro praia! Ficar perdido em algum lugar com os meus amigos e com a minha mulher.
Contigo! Por falar em praia, já visitou o Brasil? Lá tem várias...
Brad Nunca. Mas ouvi muitas coisas sobre o Brasil...
Contigo! O que exatamente?
Brad Histórias sobre o Rio de Janeiro.
Contigo! Mulheres, beleza natural?
Brad É... (dá uma risadinha)... Tem uma música brasileira de que gosto. Deixa eu lembrar... (entoa a melodia).
Contigo! Acho que essa música é a versão de Caetano Veloso para La Paloma, que está na trilha do filme Fale com Ela, de Pedro Almodóvar. Ele se apresentou na cerimônia do Oscar no ano passado. Foto: Divulgação / Warner
A cena de sexo entre Brad Pitt e a atriz australiana Rosie Byrne é uma das mais aguardadas do filme
Brad Desculpe, eu não assisti... Eu não assisto ao Oscar. Só sei que adorei essa música.
Contigo! Aos 12 anos, você queria ser músico. Aos 17, saiu de casa e foi estudar jornalismo na Universidade do Missouri, que abandonou para tentar a carreira de ator. Arrepende-se de não ter seguido nenhuma das duas profissões?
Brad Não. Fez parte da minha vida, foi ótimo, mas hoje tenho os pés no chão. Sei o que sou e o que quero. Quando jovens, não sabemos direito o que nos agrada, o que queremos da vida, e essa demora é um pouco angustiante.
Contigo! Você já admitiu, em entrevistas, que Tróia é o maior projeto de sua carreira. O que te atraiu no personagem, por que decidiu interpretar Aquiles?
Brad Eu gosto dele, é um guerreiro, um idealista, honesto, não faz nada em que não acredita. A única coisa difícil do papel foi a preparação física. Seis meses treinando intensamente para ganhar massa muscular. Muito chato! Não gosto de tanto preparo físico só para viver um personagem.
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10:12 PM by Cassiano Leonel Drum
Podia ser pior
Banco Central mantém juros em 16%, mas governo chegou a discutir a elevação das taxas. Decisão tímida foi recebida com frustração pelo mercado
Sônia Filgueiras e João Paulo Nucci
Colaborou: Liana Melo
Em uma reunião rachada seis votos contra três , o Comitê de Política Monetária (Copom), formado pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e seus oito diretores, decidiu manter a taxa de juros básica da economia nos atuais 16% ao ano, interrompendo o processo de redução iniciado há dois meses. Frustração dentro e fora do governo. Prevaleceu a mesma rotina conservadora que levou o BC a suspender a queda dos juros no início do ano, adiando o processo de recuperação econômica. Acredite, poderia ser pior. A cisão no Banco Central a respeito dos juros foi mais profunda do que se imagina. Parte dos diretores que apoiaram a manutenção das taxas chegou a defender a elevação dos juros.
O presidente da República e seus colaboradores mais próximos sabiam das divergências que tumultuavam o BC e da nefasta possibilidade de aumento dos juros. O assunto foi tratado em uma reunião, na quinta-feira 13, de Lula com os ministros Antônio Palocci (Fazenda), José Dirceu (Casa Civil), Guido Mantega (Planejamento), além de Meirelles. Coube a Meirelles expor ao presidente os cenários em torno dos quais girariam a decisão do comitê.
Foi no encontro que o presidente do BC levantou a possibilidade de elevação da taxa em pelo menos 0,25% para enfrentar as turbulências externas, a alta do dólar e a fuga de investimentos estrangeiros. A hipótese, encarada com resignação por Palocci, alarmou José Dirceu e Mantega.
O ministro do Planejamento fez uma enfática defesa baseada em análise estrutural da situação, afirmando que seria possível baixar os juros sem comprometer o processo. Dirceu também enxergou o risco de um estrago incalculável na sustentação política do governo e, consequentemente, nas condições de governabilidade de Lula. Dirceu não esconde de ninguém a avaliação de que parte das dificuldades do governo para segurar sua base de apoio no Congresso decorre da escassez de boas notícias na seara econômica.
Se a economia estivesse crescendo, costuma dizer, a maioria dos problemas do governo estaria resolvida. O ministro decidiu se antecipar e preparar terreno para o pior. Em um movimento ousado, lançou, durante um jantar em sua homenagem na casa do casal Cosette Alves e João Sayad, no sábado 15, em São Paulo, a idéia de um pacto de união nacional para enfrentar o eventual agravamento da crise econômica internacional.
Em um cenário grave, não teríamos outro caminho a percorrer para evitar uma nova recessão, disse ele, após afirmar que apenas a ortodoxia econômica, sozinha, não seria capaz de dar conta do recado se sobreviesse a pior das perspectivas. Seria necessário o apoio da política.
Barbeiragens O discurso, feito na presença de meia centena de empresários, banqueiros e da prefeita Marta Suplicy, causou perplexidade. Ignorando os bastidores, nenhum dos presentes entendeu bem por que o ministro falava em recessão. Muitos ficaram com a sensação de que o governo enxergava uma crise pior do que se esperava.
Era exatamente este o quadro que Dirceu antevia, caso o BC optasse por subir os juros. Uma versão light da proposta do ministro chegou a ganhar aliados, como o presidente do PT, José Genoíno. Além dos juros e do superávit, é preciso buscar o desenvolvimento. Isso se faz com um projeto nacional e articulação das forças produtivas, defendeu. Mas, dentro do governo, o movimento de Dirceu, apesar de ter seus motivos, acabou encarado como uma barbeiragem.
Confundiu os empresários e ainda causou mais instabilidade em uma semana suficientemente delicada. Para dirimir mal-entendidos, o ministro teve que reafirmar sua confiança na política econômica do colega Palocci, que, por sua vez, passou dias repetindo que a economia brasileira tinha condições de enfrentar a crise.
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6:49 AM by Cassiano Leonel Drum
Campeãs de audiência
Tá certo que Jaqueline Joy só tem mesmo na novela, mas nas casas de samba da vida real não faltam animação, boa música e muita gente com samba no pé
Clarissa Monteagudo
O grupo Nosso Canto agrada com sambas de raiz no Butiquim do Martinho
É chato ser rico. Pelo menos quando o assunto é novela das oito. Se sobram histeria, trapaças e festas murchinhas no núcleo de Beatriz (Deborah Evelyn) e sua trupe, o Andaraí cenográfico de Gilberto Braga é um banquete para os sentidos da cervejinha gelada ao sacolejante derriére de Jaqueline Joy (Juliana Paes).
Principalmente depois da inauguração do Sobradinho, que reabre no capítulo da próxima sexta-feira. O sucesso do casarão de Maria Clara Diniz (Malu Mader) foi tanto que moradores do bairro têm que explicar a turistas que a casa de shows não existe. Mas, verdade seja dita, a Zona Norte real não perde para a ficção.
Os redutos do samba na região podem não ter Malu Mader entre os funcionários, mas não decepcionam nos quesitos boa música e chope gelado. Até resgatam um certo romantismo flagrante desde os detalhes da decoração, como mesinhas de madeira com tampo mármore, até a abordagem à moda antiga dos cavalheiros no salão. O samba está arraigado aqui. Toda segunda reunimos 170 pessoas para ouvir música sem precisar de celebridades nem nada para promover, tira onda o dono do bar Manoel & Juaquim de Vila Isabel, Fernando Matta.
O repertório também agrada a quem entende e gosta de MPB. Não adianta ouvir meia dúzia de sambas no rádio para fazer bonito nas rodas. Clássicos de Donga, Pixinguinha e João da Bahiana dividem espaço com Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e outros garotos. Nossas releituras vão de Ismael Silva, Dona Ivone Lara a Luís Carlos da Vila. Também cantamos sambas próprios, conta Beto Cavaco, violonista do grupo Nosso Canto, todas as sextas-feiras no Butiquim do Martinho.
Apesar dos puristas torcerem o nariz afinal o boteco de Martinho da Vila fica num shopping os freqüentadores defendem o estilo do lugar. O bar é aconchegante. Adoramos as mesas pequenas, ficamos juntinhos. É clima família, elogia o fisioterapeuta Márcio Miranda, 26 anos. Na região também sobram opções para quem prefere curtir o samba no seu ambiente original fundo do quintal, com sombra de árvore, como o Cacique de Ramos e o Pagode da Tia Doca, em Madureira. O mais novo endereço no estilo é a Toca do Rato, endereço do compositor Alcino Corrêa, parceiro de Monarco em clássicos como Coração em Desalinho.
Os freqüentadores do Toca entram pela garagem e se encontram no quintal. A roda acontece a cada 15 dias e tem sempre um convidado. Nesse sábado, é Mauro Diniz. Fazemos o samba de antigamente, descompromissado com o sucesso. Cantamos o que o coração está pedindo. É música que não fere os ouvidos, define o compositor.
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6:42 AM by Cassiano Leonel Drum
Rio fica fora de investimentos
Estado e capital não recebem verbas federais para o saneamento. Governo Lula alega falta de projetos e incapacidade financeira
Renata Giraldi
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem a liberação de R$ 2,12 bilhões para obras de ampliação dos sistemas de água e esgoto em 300 prefeituras, 15 governos estaduais, além do Distrito Federal, e seis companhias públicas. Mas nada chegará ao Rio nem aos cofres de empresas fluminenses. Segundo técnicos do Ministério das Cidades, o Estado do Rio não reivindicou o financiamento para obras. Já o município do Rio não foi habilitado para receber dinheiro porque não dispõe de condições para arcar com dívidas. De acordo com eles, os demais prefeitos fluminenses não solicitaram liberação de recursos.
Em janeiro, o Ministério das Cidades recebeu as solicitações de financiamentos. Foram examinadas as condições dos estados, municípios e empresas de contraírem dívidas e se tinham condições para pagá-las. A análise técnica é feita por funcionários do Governo, enquanto a avaliação de risco é apreciada pelos agentes financiadores (bancos públicos e privados).
A Prefeitura do Rio não se manifestou sobre o caso, mas a Cedae rejeitou o argumento de que o governo não tenha reivindicado verba. A assessoria do órgão informou ter enviado dentro do prazo projetos que totalizam R$ 43,3 milhões em saneamento e abastecimento em áreas carentes do estado.
Dinheiro será usado em sistema de água e esgoto
Segundo o presidente, os investimentos irão promover uma revolução na saúde, Fica muito mais barato fazer a medicina preventiva e evitar que as pessoas fiquem doentes, disse em cerimônia no Palácio do Planalto. Posso garantir que vamos investir em saneamento básico, no meu Governo, o que não foi investido em algumas décadas neste Brasil. Acho que as crianças têm direito, já que são pobres, de brincar pelo menos em um local em que não disputem com dejetos o lugar de brincar, disse Lula.
Os R$ 2,12 bilhões serão utilizados na implantação e ampliação de sistemas de água e esgotamento o que, para o presidente da República, garantirá melhoria da qualidade de vida para população de baixa renda.
Acho terrível esta distribuição por critérios políticos ao invés de técnicos, fazendo com que alguns Estados não recebem nada e outros, verbas além da conta.
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6:37 AM by Cassiano Leonel Drum
O fantasma de Paris
Ronaldo bem que tentou exorcizar seus demônios: correu, lutou e chutou a gol. Mas não conseguiu se vingar da França de Zidane
Bem marcado e sentindo falta de ritmo por não ter atuado pelo Real Madrid, Ronaldo até que se movimentou bastante, mas não conseguiu marcar
PARIS - O clima era de início do Século XX, com as seleções exibindo uniformes da infância do futebol. Mas o desejo de vingança do Brasil, e principalmente de Ronaldo, era bem recente. Não foi dessa vez, porém, que o Fenômeno exorcizou o fantasma da derrota para a França, na final da Copa de 98. Vítima de uma convulsão a poucas horas daquela partida, era questão de honra para o craque dar uma resposta ao mundo. Afinal, o local (Stade de France), o adversário e o carrasco de seis anos atrás eram os mesmos. Uma chance de ouro. No amistoso comemorativo dos 100 anos da Fifa, prevaleceu o empate (0 a 0), e Ronaldo teve de adiar sua revanche pessoal.
O charme do jogo estava nos uniformes: os franceses adotaram um modelo com camisa social, bermuda e cinto. Já os brasileiros optaram por uma réplica do uniforme usado na primeira partida oficial da Seleção, em 1914. Até o trio de arbitragem usou um modelito anos 20.
Roupa antiga, futebol moderno. Com Zidane, Pires, Desailly de um lado; Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo e Kaká do outro, o que se viu no primeiro tempo foi um jogo de alto nível técnico. Amistoso? A julgar pelo apetite de ambas as equipes, uma partida oficial.
Disposto a vencer a qualquer preço, o Brasil criou a primeira chance de abrir o placar, aos 9 minutos, quando Ronaldo recebeu passe de Roberto Carlos, dentro da área, driblou Boumsong, mas errou a conclusão. O mesmo Fenômeno voltou a ameaçar os franceses, aos 21, num chute cruzado defendido pelo goleiro Coupet.
O melhor começo do time brasileiro despertou a França, que, aos 22, fez as honras da casa com Henry. Lançado por Zidane nas costas de Cris, ele finalizou por cima do travessão. No ataque seguinte, os franceses quase marcam outra vez: nova enfiada de Zidane para Henry, que cruzou e Trezeguet só não fez gol porque Dida salvou com o pé direito.
Na fase complementar, o tempo passou como que por encanto. As duas seleções reapareceram com seus uniformes atuais. Roupa nova, futebol envolvente. Depois de um chute de Juninho Pernambucano, aos 9, Wiltord, que entrara no lugar de Pires, perdeu gol feito: Mendy passou por Roberto Carlos, cruzou e Wiltord, aos 18, botou a bola para fora diante de Dida.
O Brasil respondeu aos 20, num bico de Roberto Carlos na trave. O jogo só voltou a ter emoção nos minutos finais, com uma blitz da França. Para completar a festa, só faltaram os gols. Mas as defesas ultrafechadas e a marcação implacável deixaram o romantismo restrito aos uniformes das seleções.
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6:33 AM by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
21/05/2004
O cadáver do Che Guevara
Existe uma foto do Che Guevara morto, seu corpo deitado numa pequena lavanderia de hospital, os olhos baços semi-abertos. Militares bolivianos cercam o cadáver e apontam para os buracos abertos pelas balas da metralhadora que o assassinou. A foto é eternamente comparada com um quadro de Rembrandt, A Lição de Anatomia. Estive no local onde o boliviano Freddy Alborta registrou a cena com sua velha Canon em 8 de outubro de 1967. Fica em La Higuera, localidade paupérrima da paupérrima Bolívia.
La Higuera se situa no alto de uma das montanhas dos Andes, no departamento de Vallegrande. Dificilmente haverá lugar mais pobre na América Latina. Chega-se até lá subindo a serra por estradas precárias, no meio da selva. Esse hospital em que o corpo do Che foi lavado nem pode ser considerado um hospital. É mais um posto de saúde mal-amanhado.
Depois de custosa viagem, cheguei a essa lavanderia. Poucas vezes senti um impacto tão poderoso ao entrar num local. Trata-se de um prédio minúsculo, do tamanho de um banheiro de apartamento classe média. Não há cadeira, mesa, armário, não há móvel algum, exceto o tanque de pedra. Também não há luz. Mas a gente do lugarejo acende velas naquela saleta. Tocos de velas sustentando chamas mínimas iluminam as paredes cobertas de inscrições, flores murchas rojadas pelos cantos, oferendas singelas dos corajosos visitantes que se arriscam a subir até aquele local de dificílimo acesso.
As frases em homenagem ao Che, gritando que ele não morreu, que seu espírito arde em meio ao povo, saudando-o como um herói, como um mártir, como um santo, mais as flores enegrecidas, os tocos de velas, aquilo tudo confere ao ambiente da lavanderia uma aura mística. Sente-se uma emoção especial ao se entrar naquele lugar.
Estive lá em 1997, quando os ossos do Che foram descobertos em Vallegrande. Desde então, me perguntava que espécie de emoção era aquela que eu sentira e por que a sentira. Agora, assistindo ao filme Diários de Motocicleta, compreendi, afinal. O que senti foi o poder da inocência.
Porque o Che poderia ser um equivocado, poderia ser um romântico ausente da realidade, poderia ser até um truculento, poderia, mas o que seduzia as pessoas na figura e na história do Che, o que as fazia admirá-lo, o que as encantava nele era a sua inocência. Pois o Che acreditava no ser humano. O Che acreditava que o mundo tinha conserto e, mais, que ele poderia consertá-lo. Essa inocência transparece no filme de Walter Salles e emociona quem assiste a ele. Quase tanto quanto emociona o simples prédio da lavanderia onde um dia o corpo crivado de balas do Che Guevara foi exposto por seus matadores para a posteridade.
david.coimbra@zerohora.com.br
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6:32 AM by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
21/05/2004
Passando a limpo
A caretice em pleno século 21 me assusta. Esses dias uma amiga me ligou convidando para ir dançar em um tal baile gaudério. A função, segundo ela, rola aos domingos e é "superfamília". Adorei a idéia. Sou entusiasta de baladas diferentes, porém fiquei intrigada com a expressão: superfamília. Segundo minha amiga, lá não pode entrar de minissaia, blusa transparente ou roupa provocante. Beijar em público então, nem pensar!
Fiquei chocada. Que lugar seria esse em que o "dress code" é tão rígido e os costumes tão tradicionais? Não que eu ache que as meninas devam andar peladonas e os casais possam ficar se amassando fortemente em público, mas tanta regra é um absurdo. Nem minha vó é tão certinha assim.
Acho que os falsos moralismos devem ser banidos da nossa sociedade. Uma festa para moçada se divertir deve ter espírito jovem e regras condizentes. Aliás, quantos adultos pregam leis que eles mesmos não adotam? Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço! Tal ditado costumava sair da boca de um senhor conhecido meu para seus filhos. Ora, que tipo de pessoa espera um comportamento exemplar dos outros quando ela mesma se porta mal? Também sou contra aquele tipo de gente que julga os outros pela aparência.
Numa entrevista, uma pessoa me contava que era difícil encarar uma reunião de trabalho vestindo blusa cavada. As poucas tatuagens nos seus braços constrangiam seus colegas e acabavam sendo alvos para comentários desastrosos. Outra sacanagem. Foi-se o tempo em que tatuar o corpo era coisas de bandido ou marginal. Tatuagem hoje é moda, além disso é arte. Sendo assim, deve ser respeitada. Ninguém tem o direito de julgar. Cada um sabe que tipo de marcas quer deixar no próprio corpo. E mais: odeio gente puxa-saco que muda de estilo e joga confetes para tentar ficar bem com todo mundo.
Personalidade já! Ficar fazendo onda pra ganhar simpatia ou vantagens, não é comigo. Não precisamos ficar mostrando a bunda pra agradar os outros. Fica na cara, todo mundo nota o que é ridículo demais. Por fim, queria dizer que não acordei com o pé torto ou irritada, só achei propício o espaço para expor alguns pontos de vista polêmicos.
Beijolas conscientes.
mauren@rbstv.com.br
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6:30 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
21/05/2004
Há saída para o IPE
A respeito da dificuldade por internamento pelo IPE, divulgada por esta coluna, eis a palavra da direção do IPE: "Prezado Sant'Ana. Ao tomar conhecimento através de tua coluna do caso envolvendo a senhora Mary Monteiro Quites, imediatamente procurei esclarecimentos sobre o ocorrido. Nos contatos telefônicos efetuados e em documentos que me foram enviados, os hospitais citados informaram que a inexistência de leito foi o motivo do retardamento da internação de dona Mary no dia 13.
Pela gravidade dos fatos relatados na carta da professora Aleiza Quites, objetivando um melhor esclarecimento do fato e para evitar que outros segurados do IPE passem por transtorno semelhante, a diretoria médica do Instituto irá se reunir amanhã (quinta-feira) com representantes dos hospitais citados. A abordagem deste lamentável episódio permite que nos reportemos aos nossos quase 1 milhão de beneficiários para fazer os seguintes esclarecimentos:
Em nenhum momento, nesses primeiros 15 meses do governo Germano Rigotto, a direção do Instituto de Previdência do Estado orientou os seus prestadores de serviço da área médica - um universo de 9.143 credenciados, sendo 323 hospitais - para que reduzissem o atendimento aos quase 1 milhão de beneficiários do plano de saúde administrado pela autarquia. Esta atitude foi mantida mesmo nos momentos mais difíceis, quando a escassez de recursos impediu que os repasses mensais fossem feitos integralmente e reforçada a partir de outubro do ano passado, quando assinamos termo de compromisso com a Fehosul e com a Federação dos Hospitais Filantrópicos, o que permitiu a regularização dos pagamentos mensais e o início da redução do passivo pendente.
Os casos pontuais denunciados nesse período foram averiguados e tratados com a importância necessária, uma vez que para o IPE o maior patrimônio é e sempre será o segurado e seus dependentes. Assim, nos 500 dias do atual governo, o plano de saúde do IPE propiciou mais de 164 mil internações hospitalares (média superior a 10 mil mês); 407 mil atendimentos de urgência; 6,8 milhões de exames e 3,5 milhões de consultas médicas. Para conseguir esse desempenho, o Instituto repassou um total de R$ 444 milhões, o que dá uma média diária de quase R$ 1 milhão.
Por fim, gostaria de fazer um reparo à expressão 'extorsão compulsória', usada pela professora Aleiza ao referir-se à contribuição efetuada pelos servidores ao plano de saúde do IPE. O critério da compulsoriedade, que as entidades de classe do funcionalismo gaúcho, de forma unânime, mantiveram no projeto do IPE Saúde que tramita na Assembléia Legislativa, se justifica por dois motivos: para permitir que o valor da contribuição seja baixo (e ele hoje, por sua abrangência e cobertura, já é o mais barato do país), em razão do grande número de segurados;
e pelo espírito de solidariedade nele existente, uma vez que ao descontar o mesmo percentual de todos os servidores se garante idêntico atendimento, independentemente de faixa etária (se jovem ou idoso) ou faixa salarial (cargo ou valor do salário). Cordialmente, (ass.) Paulo Ricardo Moreira, diretor médico do IPERGS".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:28 AM by Cassiano Leonel Drum
Olimpíadas
Águas do Guaíba são escala para Atenas
Anderson Nocetti, remador do Grêmio Náutico União, treina na Ilha do Pavão, na Capital, a fim de se preparar para os Jogos de Atenas 2004. Após a Olimpíada, ele voltará a exercer sua profissão: auxiliar de manutenção hospitalar (foto Júlio Cordeiro/ZH)
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Quinta-feira, Maio 20, 2004
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7:09 PM by Cassiano Leonel Drum
Lya Luft
20/05/2004
Esperança?
Alguém pergunta se tenho esperança no futuro. Tenho. Aí querem saber por quê. Bom, sempre achei que o ser humano é trapalhão mas não totalmente burro. Faz suas bobagens mas consegue contornar algumas, corrigir outras, remendar, melhorar, até se superar aqui e ali. Eventualmente chega a ser glorioso. Muitas vezes é bem miserável.
Faço um rápido retrospecto de minha própria vida, e vejo quantas bobagens cometi, quantos pecadilhos, pecadões, injustiças, quanto preconceito ainda carrego, quanta futilidade (um pouco é preciso, ou a gente fica solene - o que é muito pior, Deus nos livre da circunspecção). Muito desperdício de energia boa eu ainda gasto com coisas negativas. Se eu sou uma só, imagina um ser com bilhões de cabeças pensando torto: quanta chance de desatinos.
Mas quanta chance de melhorar. Depois da brutalidade das cavernas, da loucura das Cruzadas, da nada-santa-Inquisição, dos campos de concentração, e agora mesmo, - com a fome das áfricas e índias, a violência no Oriente e nas nossas ruas, a hipocrisia nas nossas casas, clubes e escolas, o desgoverno nos governos de todos os países, o desamor nos relacionamentos - mesmo assim alguém sempre se conscientiza e se corrige, e cresce enquanto ser humano.
No meio da matança, alguém descobre a cura de uma enfermidade grave. Milhares de casais estéreis podem ter filhos. Psiquiatras e psicólogos ajudam pessoas a terem a alma menos doente e a vida mais produtiva. Pessoas se aproximam por telefone ou por e-mail, e o mundo encolheu - há quem resmungue achando que internet é invasão de privacidade, mas eu acho que é um jeito maravilhoso de se dar as mãos. Mesmo que o outro more muito longe, a gente vê a cara dele em fotos anexas nos e-mails que contam as aventuras cotidianas, e o Sedex manda os presentes que antigamente levariam meses em lombo de burro ou fundo de navio.
As mulheres não precisam mais parir 15 filhos pra ficarem com meia dúzia porque o resto as doenças levavam quando não havia antibióticos nem vacina nem noções de higiene. E o preconceito de cor, religião ou posição social não impede mais casamentos nem mutila amores - ao menos imagino que seja assim entre pessoas civilizadas.
De modo que tenho esperança no futuro, e otimismo quanto ao presente - com reservas, claro, porque posso ser romântica, mas um pé na realidade ainda consigo manter. Razoavelmente.
lya.luft@zerohora.com.br
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6:57 PM by Cassiano Leonel Drum
SEXO CASUAL
Enquanto o parceiro ideal não aparece, cada vez mais mulheres estão aderindo a uma prática que antes era típica dos homens: uma relação sem compromisso.
Os grandes encontros só acontecem quando não estamos esperando. Partindo desse princípio, mulheres solteiras de todas as idades e tribos resolveram parar de esquentar a cabeça e relaxar. Já que príncipes encantados não andam caindo de árvore, melhor curtir a vida com o que ela nos traz de melhor. E uma boa noite de sexo não é exatamente um programinha para se jogar fora.
Isso não significa que as mulheres não estão mais a fim de um relacionamento estável. Continuam querendo, com certeza, encontrar um par, mas não a qualquer preço. Não qualquer um. Por isso, enquanto não aparece o homem com a combinação certa de qualidades, elas saem para dançar, jantar fora, conversar... E transar também, se acontecer. Não existe uma ordem de prioridade, contanto que se divirtam e tenham bons motivos para muitas outras investidas.
Depois do seriado Sex in The City, estar sozinha deixou de ser uma maldição. Ficou até mais moderno do que encarar aquele namorinho morno só para dizer que tem alguém. Como mostram as quatro heroínas americanas, tudo pode acontecer quando se está disposta a usufruir a vida. Basta estar na roda. Porque se elas vão para a cama sem compromisso, levam escondidas as mais sérias intenções de se divertir. E é o que acontece.
Se nos anos 70 o sexo livre era bandeira política, hoje fazer sexo sem compromisso é natural. As mulheres entenderam que sexo é uma coisa e relacionamento, outra, explica Maria Helena Brandão, orientadora sexual e diretora do Instituto Kaplan. Até porque as exigências são diferentes. Para uma transa, basta atração física. Para um companheiro de vida, somam-se quesitos como nível cultural, autonomia financeira, afinidades, inteligência, companheirismo.
Sem expectativas
Enquanto isso, a vantagem desse tipo de parceria é que ambas as partes se sentem atraentes e desejáveis. O jogo da conquista é estimulante. Faz bem ao ego. Aumenta a auto-estima. É maravilhoso sentir aquela atração física por um homem e perceber que ele também está a fim, conta Janete Mendes, empresária, 31 anos, separada há três.
E nem sempre ele é o cara que você quer ao seu lado em todas as circunstâncias. Então, por que não viver uma aventura naquela noite e pronto? Já fiz isso e foi ótimo. Conheci um rapaz de 20 anos em uma festa. Dançamos a noite toda. Era o encaixe perfeito. Fomos a um motel, transamos e depois nos despedimos com dois beijinhos. Sem troca de telefones nem falsas promessas. E fez eu me sentir uma deusa!
Mas será que dá para ser tão bom fazer sexo com alguém que você nunca viu na vida? Por incrível que pareça, para muitas de nós pode ser ótimo. Algumas mulheres sentem-se até mais à vontade com homens estranhos. Assim podem realizar suas fantasias sem se importar com o julgamento masculino. Então, se soltam, são elas mesmas, diz a orientadora sexual. Sandra Loureiro, 24 anos, concorda e acrescenta: o melhor do sexo sem compromisso é que você não se preocupa tanto com o parceiro.
Não tem amanhã, não tem de saber do que ele gosta.Mas e se ela se apaixona pelo cavaleiro misterioso depois daquela noite? É um risco, os psicólogos são unânimes. Você tem de saber que isso pode acontecer e que vai sofrer se o seu encanto não for retribuído.
Para uma transa, basta atração física. A vantagem desse tipo de parceria é que ambas as partes se sentem atraentes e desejáveis. O jogo da conquista é estimulante. Faz bem ao ego. Aumenta a auto-estima.
Todo prazer, mas sem correr riscos
As precauções para evitar surpresas desagradáveis
Em primeiro lugar, camisinha. Sempre. Ande com um kit.
Prefira sair com pessoas de quem você tenha referência, amigo do amigo do amigo. Mas que seja amigo de alguém.
Não vá para a casa dele nem o leve para a sua. Um motel é campo neutro e há pessoas para ajudá-la, caso necessite.
Na frente dele, avise uma amiga onde você está.
Confie nos seus sentidos. Se ele está agindo esquisito, mude de idéia, mesmo que já tenha topado, e desista da transa.
Se ele for muito cheio de si, muito pavão, reconsidere seus planos. Não vai querer satisfazer ninguém além dele mesmo.
Preste atenção se ele está bebendo demais.
Preste atenção se você está bebendo demais.
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3:09 PM by Cassiano Leonel Drum
OSSOS DO OFÍCIO
Um veterinário, amigo do meu irmão, cansado de tanto atender de graça, fixou o seguinte aviso na porta de sua clínica:
"Consulta: R$ 40."
"Olhadinha: R$ 40."
-Valdecir de Souza Filho, Pinhais (PR)
Eu estava organizando uma excursão a Malta para fazer caminhadas e 23 pessoas já haviam se inscrito. Então recebi o telefonema de uma senhora de 83 anos que também queria ir, mas cujo joelho a impedia de andar. Aceitei a reserva dela apenas como turista e lhe enviei informações sobre o vôo. Depois, ela telefonou para a companhia aérea a fim de solicitar uma cadeira de rodas no aeroporto e mencionou que sairia em excursão com 23 outras pessoas.
Quando cheguei ao balcão de check-in no Aeroporto Internacional Pearson, fui saudado pela visão de 24 cadeiras de rodas, todas alinhadas e prontas para carregar meus andarilhos.
-Ron Baylis, Canadá
Sendo funcionário público, é normal escutarmos do contribuinte que é ele quem paga nosso salário. Um dia, ao ouvir esta tirada de um contribuinte, um colega meu lhe disse:
- Se você paga meu salário, por favor, pode me fazer um vale, pois estou duro?!
-Marco A. da Silva Luz, Barra Mansa (RJ)
Um novo cinegrafista foi contratado na emissora de TV em que eu trabalhava. Vindo do interior, ele era jovem, simpático, extrovertido, mas nunca havia colocado os pés na capital. Logo no dia seguinte, o chefe de reportagem mandou-o, acompanhado apenas do motorista, fazer umas imagens de um concerto de piano no Conservatório de Música.
Mais rápido do que o esperado, o jovem cinegrafista retornou.
- Não deu para filmar o que você pediu - apressou-se a explicar ao chefe de reportagem.
- E por que não? O concerto de piano não aconteceu? - espantou-se o chefe.
- Não, é que o pianista já estava tocando. Acho que o piano já tinha sido consertado.
-Marcos Cardoso, Aracaju (SE)
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2:55 PM by Cassiano Leonel Drum
Passageiros passam mal com despressurização e avião retorna a Cumbica
SÃO PAULO - Os passageiros de um vôo da Vasp com destino a Recife passaram mal na noite de ontem, por causa da despressurização da aeronave, e o avião teve de retornar ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em Cumbica, de onde tinha decolado. Os passageiros foram atendidos pelo serviço médico do aeroporto e muitos tiveram de passar a noite no local, em observação.
Segundo os passageiros, as máscaras de oxigênio não caíram e muitos ficaram com nariz e ouvido sangrando. Reclamaram ainda que o avião demorou para retornar e pousar de novo, enquanto os passageiros, entre eles crianças, permaneciam com dores no ouvido e aflitos. A Vasp ainda não deu declaração sobre o que ocorreu com a aeronave. A companhia se limitou a informar que houve despressurização, mas não deu detalhe sobre o que teria provocado o problema. A tripulação do vôo disse que não tinha autorização para falar.
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6:06 AM by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
20/05/2004
Os dois senhores
Era uma experiência comportamental na televisão. Colocaram o Sr. Gentil e o Sr. Desagradável em duas salas separadas, com câmeras escondidas. Eles entrevistavam voluntários e, durante a conversa, faziam gestos semelhantes previamente combinados, ora coçando o queixo, ora esfregando os olhos ou entrelaçando os dedos. Só que o primeiro procurava ser amável com o entrevistado, concordando com suas afirmações e estimulando-o a falar. O outro ironizava tudo que ouvia, fazia comentários grosseiros e se esmerava na antipatia.
Em pouco tempo, os entrevistados do Sr. Gentil passavam a imitá-lo nos gestos, evidenciando uma espécie de identificação inconsciente. Já os interlocutores do Sr. Desagradável mostravam-se cada vez mais arredios e reticentes. Até que em determinado momento apenas olhavam, atônitos, para a figura do entrevistador, como se estivessem ansiosos para deixar aquele lugar e aquela companhia.
Somos assim no nosso dia-a-dia. Quando conseguimos ser gentis, conquistamos tanto a cumplicidade dos nossos semelhantes que eles passam a se esforçar para serem exatamente isso - nossos semelhantes. Quando por algum motivo parecemos rudes, nossos interlocutores tendem a nos evitar ou mesmo a devolver a rudeza.
Ou seja: o inferno pode ser o outro, como disse Sartre, mas o outro nada mais é do que o nosso reflexo. De onde se conclui, como naquelas equações matemáticas cheias de incógnitas, que podemos prever - e até controlar - os sentimentos das pessoas em relação a nós. Se formos hostis, seremos hostilizados. Se formos tolerantes, também seremos tolerados. Se amarmos, certamente seremos amados.
Mas nem tudo é tão simples no mundo das emoções. Muitas vezes somos surpreendidos por reações humanas desconcertantes, como a inveja, a traição e o ódio. Como agir quando oferecemos rosas e recebemos espinhos?
Não tenho resposta definitiva para essa pergunta, mas acredito que uma alternativa sensata é imaginar que o Sr. Desagradável resolveu nos testar - e fazer o possível para não imitá-lo.
nilson.souza@zerohora.com.br
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6:03 AM by Cassiano Leonel Drum
José Pedro Goulart
20/05/2004
"Kill Bill": a resposta de Tarantino a "Dogville"
Eu não acredito em pessimista vivo. De modo que pouca coisa me irritou mais ultimamente do que o "filme denúncia" Dogville, de Lars Von Trier. E o que, afinal, Von Trier denuncia? A raça humana, enfim, que "o homem é mau e reina na maldade". Mas, se o homem é essencialmente mau, não é a partir de Dogville que ele irá melhorar. Ao contrário, o filme mitifica a maldade, cria uma paródia religiosa, moralista, tudo isso como pano de fundo de um ceticismo histérico, cujo propósito é fazer com que sejamos feridos pela culpa.
Dogville é uma cidade claustrofóbica, onde portas e janelas não existem. Não há saídas possíveis, é o inferno, os personagens que vivem lá, sem luz, sem ar, sem vida, são incapazes de perceber a sorte quando ela aparece. Saímos do cinema magoados, com um espelho retrovisor numa mão e uma lente de aumento na outra. Nos vemos feios, desatinados, aliás, destinados ao abismo, à má sorte, ao apocalipse. Eu, que não acredito em pessimista vivo, e como não pretendo me matar, procuro outra turma.
Eis que Quentin Tarantino e sua ópera pop, Kill Bill, surgem diante dos meus olhos opacos com o valor que eu daria a um Moura Brasil numa hora dessas. O filme me resgata das trevas as quais fui condenado por Lars Von Trier. Nele, Tarantino dá seqüência ao olhar peculiar que o fez protagonista do cinema independente americano na última década. De frente para o novo século, que já deixou de engatinhar faz tempo, ele joga as velhas teses no lixo, deixa de lado essa postura olímpica, pseudoprofética de artista masoquista, e dá as cartas de uma nova estética, cuja legião de imitadores apenas referenda o sucesso desse diretor original.
Kill Bill é um "filme cinematográfico", isto é, foi feito para o cinema, utiliza as referências do próprio cinema e é resultado do que se aprendeu com ele até aqui. No sangue, na cor, na paródia, no gibi, no pop, no humor, na abundância disso tudo, o diretor deixa claro que aquilo é só um filme, que antes de ser um anestésico funciona como um trampolim que leva nossa imaginação a dar saltos e piruetas rumo ao desconhecido.
Os dois filmes, Dogville e Kill Bill, têm alguns pontos de contato. O maior deles é que, em última análise, ambos são histórias de vingança protagonizadas por mulheres. No primeiro filme, no entanto, a vingança tem dimensão divina, a glória vira praga assim que os valores do cristianismo de um tempo em nos amaríamos uns aos outros foram perdidos.
Já em Kill Bill a vingança é uma questão pessoal. Tarantino aposta na caricatura, faz do sangue jorrando em abundância um jogo orgástico com o deleite do espectador que conhece a regra desse jogo desde que o cinema existe. É claro que Tarantino mantém um certo desdém e um olhar cínico sobre tudo isso, mas é justamente aí que a aventura ganha sentido.
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6:00 AM by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
20/05/2004
Jornalistas americanos
Estou há mais de um mês fora do Brasil. Informações sobre o que acontece aí não faltam, na Internet e nas notícias de familiares e amigos. Mas, se fosse depender da imprensa local para saber do Brasil, poderia desconfiar que ele deixou de existir quando eu viajei, ou existe como a Mongólia ou Luxemburgo, vagas curiosidades geográficas à margem de qualquer interesse sério.
Desde que estou na Europa, só li três notícias sobre o Brasil. Uma, pequena, tratava da vitória brasileira na Organização Mundial do Comércio na questão dos subsídios. A outra nem me lembro qual foi, provavelmente sobre música ou futebol. A que teve destaque foi a reação desproporcional do governo à matéria do The New York Times.
O que é desprezível deve ser desprezado, não transformado em caso internacional de previsível péssima repercussão. Na minha opinião, era tão inaceitável pensar em expulsar alguém do país daquele jeito que quem teve a idéia deve ser expulso do país imediatamente. Para não ter outra idéia parecida.
O enfoque e o tom da matéria do correspondente do Times (não li, me contaram) não são novidade - como não são novidade as sugestões de que ele seguia sombrios desígnios americanos de represália e desmoralização. Pior do que mal-intencionada ou secretamente dirigida, a matéria é tradicional, apenas outro jornalista americano sucumbindo aos estereótipos de sempre sobre estes pitorescos latinos - com a vantagem de, no caso, mirar num presidente especialmente pitoresco.
A própria arrogância da peça não é maliciosa, é um hábito de pensamento senhorial, como o da elite brasileira, que não consegue ver um ex-torneiro mecânico ou qualquer outro de origem popular no poder a não ser como um acidente social, um vexame sempre prestes a nos envergonhar diante dos estrangeiros. Pois nossos pobres não são por natureza cachaceiros sem linha? O americano não escreveu que o Lula é vergonhoso.
Mas tomou o preconceito de classe que a figura e a história do Lula atiçam como subsídio para os seus próprios simplismos pré-fabricados, que são os mesmos de quase todos os seus antecessores.
Um jornalista americano que realmente merece atenção, Seymour Hersh, já tinha contribuído para mudar a história do seu país com reportagens sobre o desastre americano no Vietnã e está fazendo história outra vez com seu jornalismo investigativo para a revista New Yorker sobre outro desastre, o que Bush e seus neoconservadores armaram no Iraque.
Suas revelações atuais sobre os responsáveis graúdos pela tortura de prisioneiros iraquianos e pela tragédia iraquiana em geral aumentam a preocupação nacional com a conduta no cargo de um presidente, filho da aristocracia do seu país, que, como se sabe, abandonou a bebida há anos. Também merece ser dito que Seymour Hersh não corre perigo de ser expulso de lugar algum.
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5:58 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
20/05/2004
Kit antiassédio
O pressuposto básico do assédio sexual é o encurralamento da vítima. Só se caracteriza o assédio sexual quando não restar outra alternativa para a vítima, diante da coação partida do acusado, que não seja ceder.
O assédio sexual é uma espécie de tentativa de estupro social. É um drástico e grave excesso do cavalheirismo e da galanteria.
Mas parece que precisa ficar caracterizada no assédio a moeda de troca: o assediador tem de prometer à assediada, expressa ou tacitamente, que irá favorecê-la por uma sua ação ou omissão.
Quando houver quatro homens e uma mulher para viajar num carro e se quiser evitar o assédio sobre a mulher, deve-se evitar que a mulher sente no banco de trás: ela fica muito vulnerável naquele aperto.
O melhor é conceder que a mulher viaje ao lado do motorista, que ocupado com o volante terá muito menores chances de molestá-la.
Uma mulher espremida entre dois homens no banco de trás é um convite ao assédio sexual. Começa que as seis pernas haverão de fatalmente se tocar.
Convém à mulher que viaje espremida entre dois homens no banco de trás o uso de equipamento anticontato, recomendando-se tornozeleira, joelheira ou até mesmo aquelas extensas e sólidas caneleiras usadas pelos jogadores de futebol debaixo das meias.
Com esse aparato, a mulher que viajar prensada entre dois homens no banco de trás de um carro ficará imune à pressão física e terá a vantagem de também poder resistir à tentação.
Se, no entanto, os dois homens que estiverem sentados no banco de trás, ou um deles, possuírem antecedentes de assédio sexual, não bastam apenas essas barreiras de proteção das pernas da mulher.
Para descartar totalmente a possibilidade do assédio sexual, uma vez que é presumível que o assediador do banco de trás não se contentará com o entrechoque das pernas e avançará sobre o planalto da vítima, podendo tentar beijar-lhe as orelhas e o pescoço, convém o uso de equipamentos de proteção especializada.
Para evitar o beijo na orelha, a mulher deve equipar-se desses capacetes que usam os motoqueiros, isso inibirá completamente o assediador de arremessar ósculos sobre os pavilhões auditivos da vítima.
Se ainda assim o pescoço da mulher ficar a descoberto, por ser zona altamente erógena, por isso apetecível ao assediador, é recomendável o uso pela mulher de um colar cervical, esse tipo de colete que as pessoas usam no pescoço para acertar desajuste na coluna. Não existe nada mais antierótico que um colete cervical. É capaz de espantar ou desanimar até mesmo um vampiro.
Com as transformações modernas, com a mulher tendo de sair de casa para trabalhar, estando quase sempre sob a chefia de homens, algumas cautelas têm de ser tomadas por elas.
Depois que incrivelmente na passagem do século as cantadas masculinas sobre as mulheres evoluíram para a condição de assédio sexual, ilícito penal ou moral, é aconselhável que as mulheres tragam sempre dentro de uma bolsa um kit antiassédio, com todos os instrumentos acima descritos e mais alguns para eventos radicais.
Por exemplo: spray de pimenta ou de gás paralisante e cinto de castidade só em penúltimo e último caso, quando nada mais contém o assediador.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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5:55 AM by Cassiano Leonel Drum
Grêmio erra passes, chuta pouco e está fora
Time fica no 0 a 0 no Maracanã e acaba eliminado. Flamengo enfrentará o Vitória
Faltou competência ao Grêmio. Desarticulado no meio-campo e sem força no ataque, o time de Adilson Batista não fez justiça à tradição do clube na competição e despediu-se ontem à noite da Copa do Brasil ao empatar em 0 a 0 com o Flamengo, no Maracanã, concluindo apenas três vezes ao gol em 90 minutos.
Agora, para chegar novamente a uma Libertadores da América, terá que chegar entre os quatro primeiros colocados do Campeonato Brasileiro, onde ocupa atualmente a 15ª colocação. Foi o quarto jogo consecutivo do Grêmio sem vitória.
Desta vez, Adilson não arriscou. Preocupado com a velocidade de Jean, optou pelo esquema 3-5-2, ao qual faz restrições, deixando Claudiomiro na sobra. A estratégia, contudo, não funcionou. Felipe deixou de lado a mágoa pelos salários atrasados e por não ter sido liberado para atuar pela Seleção Brasileira e organizou os principais ataques do Flamengo. Venceu quase todas as disputas com o pesado Tiago Prado, numa delas aplicando uma janelinha no zagueiro gremista dentro da área, e desestabilizou o sistema defensivo gremista.
Aos 26 minutos, Felipe recuou para Reginaldo Araújo, que obrigou Tavarelli a uma defesa difícil com um chute rasteiro, de fora da área. O lance mais curioso do primeiro tempo ocorreu aos 31 minutos. Ao receber um passe recuado de Claudiomiro, Tavarelli atrapalhou-se, errou em bola e agarrou a bola com a mão. Na cobrança da irregularidade, Felipe acertou o ângulo, mas o gol foi anulado, já que a falta deveria ser cobrada em dois toques.
Para um time que precisava vencer, o Grêmio surpreendeu pela apatia no primeiro tempo. Sem alas eficientes - Michel e Élton - e com Christian isolado, dependeu apenas da iniciativa de Marcelinho. Foi dele a única chance do Grêmio, em um chute rasteiro, defendido por Júlio César.
A falta de qualidade persistiu durante todo o segundo tempo. O Grêmio só ameaçou a um minuto, em novo chute de Marcelinho, e aos sete, em cobrança de falta de Bruno. No desespero, Adilson Batista fez duas mudanças quase simultâneas. Trocou inexplicavelmente Marcelinho, que ao menos se movimentava e dava algum trabalho à zaga, por Cláudio Pitbull, e Élton por Leonardo Inácio. O resultado foi praticamente nulo. O Grêmio seguiu abusando dos erros nas saídas de bola e nas trocas de passes.
A ineficiência do Grêmio foi tão grande que o técnico do Flamengo, Abel Braga, chegou a colocar em campo Athirson, que não disputava uma partida havia quase um ano. Aos 33 minutos, George Lucas finalmente recebeu oportunidade, mas, pela falta de tempo, quase nada fez.
A rigor, em apenas uma oportunidade a torcida do Grêmio imaginou que a sorte do time pudesse mudar. Aos 40 minutos, Bruno foi ao fundo e cruzou para Christian, que errou em bola. Um lance que pode ser definido como o resumo de toda a falta de qualidade do Grêmio.
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5:52 AM by Cassiano Leonel Drum
O 15 de Novembro entre os quatro melhores
O 15 de Novembro até podia perder para o Palmas para conseguir a vaga às semifinais da Copa do Brasil. Mas a classificação histórica, obtida em meio a uma maratona de jogos imposta pelo calendário apertado, veio com vitória por 1 a 0 e bom futebol no Estádio Nilton Santos, em Tocantins. O adversário será conhecido hoje: Palmeiras e Santo André fazem o jogo de volta às 20h30min, em São Paulo.
A cidade de Palmas terá um aniversário mais triste hoje. A classificação do time da capital do Tocantins seria um motivo a mais para comemorar os 15 anos de fundação do município - a programação local inclui inauguração de restaurante popular, de avenida, oração coletiva e até bailão para os primeiros moradores de Palmas.
A equipe local, apoiada pela torcida, saiu em busca dos três gols necessários para ao menos levar a disputa para os pênaltis. O Palmas começou melhor, o que gerou um certo nervosismo no técnico Mano Menezes. Aos 13 minutos, o treinador já era advertido pelo árbitro Edílson Soares da Silva por reclamação. Mas o sufoco durou pouco. O time de Campo Bom equilibrou a partida e explorou os contra-ataques a partir dos erros de passe do adversário.
Aos 26 minutos, Gérson invadiu a área, driblou um zagueiro do Palmas e foi derrubado. Na cobrança do pênalti, Dauri chutou no canto esquerdo e fez seu sétimo gol pela Copa do Brasil. O resultado obrigava o time de Tocantins a fazer cinco gols para ficar com a vaga. Desanimada, a torcida silenciou. No fim do primeiro tempo, Carlos Magno colocou mais um atacante em campo: Arismar entrou na vaga do volante Quezado.
O segundo tempo iniciou com muita pressão do Palmas. A cada minuto, o desespero do adversário aumentava. Ainda assim, o 15 ameaçava com rápidos contra-ataques. Ao final da partida, o time que precisava de cinco gols saiu de campo sem nenhum.
A classificação inédita poderá ser comemorada pela torcida em casa. Amanhã, o 15 de Novembro recebe o São Gabriel no Sady Schmidt, pelo Gauchão.
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5:50 AM by Cassiano Leonel Drum
Mundial de Vela
Sete vezes o melhor do mundo
Velejador Robert Scheidt conquistou ontem, em Bodrum, na Turquia, o heptacampeonato mundial da classe Laser, uma façanha nunca vista no esporte olímpico brasileiro. A vitória afirma-o como favorito ao ouro na Olimpíada (foto Adam French, divulgação/ZH)
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5:46 AM by Cassiano Leonel Drum
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Quinta, 20 de maio de 2004.
Entre conforto e potência
Tire suas dúvidas entre o motor mais forte e os equipamentos. Os preços são muito próximos
Eduardo Sodré
FOX PLUS 1.0 COMPLETO R$ 37.889 - O motor 1.0 Total Flex do Fox foi feito para quem gosta de andar com calma. Apesar da potência de 72 cv com álcool e 71 cv na gasolina, o desempenho deixa a desejar. Completo, traz como principais itens direção hidráulica, ar-condicionado, vidros travas e retrovisores elétricos, freios ABS, airbags, sistema de som com CD, rodas de liga leve aro 15, volante com regulagem de altura e profundidade.
FOX PLUS 1.6 R$ 29.570 - Básico, o Fox 1.6 traz apenas direção hidráulica como item de destaque. Mas os 101 cv na gasolina e 103 cv só com álcool conferem a esperteza que beira a esportividade. Equipado com ar-condicionado, o preço pula para R$ 33.299. Para chegar próximo ao preço do 1.0 top, é possível colocar ainda freios ABS, abertura interna do porta-malas, travas e vidros elétricos (R$ 38.113).
Devagar e sempre ou quanto antes, melhor? Essas duas máximas se aplicam aos consumidores que balançam entre comprar um modelo 1.0 com todos os acessórios disponíveis ou, por um valor próximo e até menor, uma versão mais simples de motor forte. E o que é mais indicado? Para o cidadão que passa manhãs e tardes agarrado em engarramentos intermináveis, é melhor o conforto do ar-condicionado, um sistema de som e tudo o mais que amenize o sofrimento momentâneo do que possuir uma respeitável cavalaria sob o capô para, no máximo, chegar mais rápido à traseira do carro da frente.
Se o comprador é daqueles que gostam de uma estrada e não abre mão do bom desempenho, os vidros e travas elétricos não amenizarão a tristeza de subir uma serra em segunda, às vezes em primeira, nas viagens de férias.
Para facilitar a escolha, aí estão alguns dos principais modelos do mercado em suas versões mais potentes (e básicas) e os top de linha com motorização 1.0. Todos os preços são para a configuração quatro portas, a preferida pelos brasileiros.
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5:41 AM by Cassiano Leonel Drum
Aposentado com crédito fácil
Caixa libera, a partir de hoje, empréstimo a inativos do INSS com desconto na folha de benefícios e juros até 2,80
Cristiane Campos
Aposentados e pensionistas da Previdência Social podem pegar empréstimo na Caixa Econômica Federal a partir de hoje. As prestações serão descontadas na folha de pagamento do INSS. Os juros variam de 1,75% a 2,80% ao mês. O prazo do crédito é de seis a 36 meses. A medida beneficia 2,6 milhões de pessoas que recebem os benefícios na Caixa.
Um aposentado que recebe salário mínimo (R$ 260) terá condições de obter empréstimo máximo de R$ 1.700. Nesse caso, a prestação será de R$ 78, com pagamento em três anos e taxa de juros de 2,80%. No fim do período, o aposentado terá desembolsado R$ 2.808.
As prestações só poderão comprometer até 30% do valor do beneficio do INSS. Os interessados podem procurar qualquer agência da Caixa para assinar o contrato de empréstimo. Quem não recebe a aposentadoria ou pensão no banco oficial poderá solicitar a transferência para ter acesso ao empréstimo.
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Quarta-feira, Maio 19, 2004
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10:47 PM by Cassiano Leonel Drum
Brasil usa uniforme inspirado em 1914 contra a França nesta quinta-feira
Uniforme inspirado no usado na primeira partida oficial da Seleção Brasileira em 1914
10:25 19/05
Da Redação do DIA para o iG editorultimosegundo@ig.com
RIO - Brasil e França fazem um amistoso nesta quinta-feira, no Stade de France, em Paris, para comemorar os 100 anos da FIFA e a seleção comandada por Carlos Alberto Parreira usará um novo uniforme, o Centennial. A novidade é inspirada na roupa usada em 1914, na primeira partida oficial da Seleção Brasileira, contra a equipe inglesa do Exeter City, no Rio de Janeiro, por ocasião da fundação da CBF.
Neste jogo, disputado no dia 21 de julho no estádio das Laranjeiras, a equipe brasileira venceu por 2 x 0. O mesmo uniforme foi usado no primeiro jogo internacional da seleção, contra a Argentina em Buenos Aires, em setembro daquele ano (os brasileiros ganharam dos rivais sul-americanos por 1 a 0).
Para este jogo comemorativo, a FIFA solicitou à CBF que o Brasil se apresentasse com um uniforme histórico. A camisa é branca, assim como o calção, tem gola pólo, cordões no decote e será usada apenas no primeiro tempo do amistoso (no segundo, o time brasileiro voltará a vestir seu uniforme atual, da linha Total 90).
As duas mangas possuem listras azuis, sendo que na manga direita está o selo comemorativo dos 100 anos da FIFA e, na esquerda, o logo da Nike. Do lado esquerdo do peito, encontra-se o logo da extinta CBD (Confederação Brasileira de Desportos), confeccionado em feltro, como nos uniformes antigos. Os números são feitos de tecido e recortados e costurados nas costas.
O uniforme todo branco da Seleção Brasileira foi usado até a Copa de 1950, realizada no Brasil. Na Copa de 1954, na Suíça, o país usou a camisa amarela pela primeira vez e, a partir daí, a fez conhecida no mundo todo como símbolo do futebol brasileiro, o único que venceu cinco campeonatos mundiais.
"Me orgulho de fazer parte desta festa em Paris, na equipe que representa o futebol mais vitorioso dos 100 anos da FIFA, vestindo a primeira camisa da história da Seleção Brasileira", ressaltou Ronaldo "Fenômeno", atacante do Real Madrid.
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9:42 PM by Cassiano Leonel Drum
Aos 62 anos, Aracy Balabanian se surpreende com a própria capacidade de recordar todos os personagens vividos na tevê e no teatro durante seus 41 anos de carreira. E também relembra com detalhes as histórias marcantes de bastidores das novelas desde os tempos em que atuou tanto na extinta TV Tupi quanto na Globo. Antes de interpretar a governanta Germana de "Da Cor do Pecado", a atriz esteve em outras 33 novelas. Por isso mesmo, não são poucos os "causos" engraçados na trajetória dessa filha de armênios, nascida em Campo Grande, Mato Grosso do Sul.
Entre eles, os momentos hilários vividos ao lado das "filhinhas" interpretados por Gerson Brenner, Jandir Ferrari e Marcello Novaes. O ano era 1990 quando Aracy interpretou a indefectível Dona Armênia na novela "Rainha da Sucata". Sem dúvida, uma das personagens mais populares da carreira da atriz. "Além de me divertir bastante, pude prestar uma homenagem aos meus pais, que eram armênios", recorda.
O sucesso estrondoso fez com que Aracy repetisse a dose dois anos mais tarde em "Deus Nos Acuda", também escrita por Silvio de Abreu. "Senti receio em reviver uma personagem de tanto sucesso. Mas acabou dando certo", lembra. O clima descontraído era o mesmo nos bastidores. Tanto que mesmo depois do "corta", Aracy continuava literalmente no colo das "filhinhas". "Em uma das brincadeiras, acabei quebrando o braço. Passei parte da novela com aquele gesso. Foi hilário", garante.
Mas muitos anos antes de viver Dona Armênia, Aracy já fazia a alegria das crianças no infantil "Vila Sésamo", exibido entre os anos de 72 e 77, em uma co-produção da TV Cultura e Globo. Ao lado de personagens marcantes, como o boneco Garibaldo, vivido por Laerte Morrone, Aracy interpretava a bondosa Gabriela. "Foi muito marcante. Era considerada a Xuxa da época", compara. Antes disso, porém, a atriz lembra a dificuldade para convencer o pai Rafael a aceitar a escolha pela profissão. Foi quando surgiu a oportunidade de contracenar com Sérgio Cardoso - de quem o senhor Rafael era fã -, na novela "Antônio Maria", de Geraldo Vietri, em 1968.
Apesar de constantemente se dividir entre personagens cômicos e dramáticos, como a Filomena de "A Próxima Vítima", a atriz é rápida ao apontar sua preferência. "Gosto mais de rir. Sou uma verdadeira palhaçona", define. E foram justamente os papéis humorísticos interpretados por Aracy, os que mais caíram no gosto do público. Em especial, a cobradora de ônibus Maria Faz Favor da novela "Coração Alado", escrita por Janete Clair, em 1980. "O jargão um passinho à frente ficou marcado na época", lembra a atriz, que contracenava com Jardel Filho. Mais tarde, a impagável Cassandra do seriado "Sai de Baixo", exibido entre os anos de 96 a 2002.
Segundo a atriz, a convivência com os colegas de profissão é sempre a melhor recordação de trabalho desde a estréia na tragédia grega "Antígona", de Sófocles, exibida na TV Tupi, em 1965. Entre elas, a amizade com Paulo Gracindo na época das gravações em Guaratiba, no Rio, de "O Casarão", exibida em 76.
"O Paulo chegava mais cedo nas externas para gelar o vinho e as ostras que comeríamos no almoço", recorda. Ou no período de "Locomotivas", no ar em 77. Na história, Aracy era Milena, filha de Kiki Blanche, papel de Eva Todor, e dona de um salão de beleza. "Sempre tinha algum arranca-rabo com cabeleireiro", entrega. Agora na pele da governanta Germana em "Da Cor do Pecado", Aracy planeja ainda muitos anos de atividade.
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6:46 AM by Cassiano Leonel Drum
Vinte pelo preço de um
Sistema de alimentação contínua permite impressão mais econômica
Julio Preuss
Wilson usa o sistema há um ano e só precisou comprar tinta uma vez
Mais de seis meses imprimindo 100 páginas por dia sem trocar o cartucho parece um sonho impossível. Parece. Com a chegada ao País dos sistemas de alimentação contínua de tinta, que comentamos aqui no Caderno em abril de 2001, o sonho virou realidade. E a um custo bem em conta. O preço, R$ 150, é próximo ao de um jogo de cartuchos. E com mais R$ 100 por 800 ml de tinta é possível imprimir o equivalente a mais de 20 cartuchos.
Meu primeiro contato com o produto foi há cinco anos, quando buscava uma opção econômica de impressão para a empresa onde trabalhava, diz André Magalhães, gerente comercial da Estampa Personalizada, empresa que comercializa o CIS no Rio. Achei o sistema em um site americano e, no fim de 2002, decidimos vendê-lo, conta. Os clientes ficam satisfeitos, pois a economia é grande e a qualidade, excelente, em especial com as tintas corantes fotográficas Formulabs, completa.
Foi a melhor coisa que fiz na vida. Estou satisfeito mesmo, comprova o empresário Wilson Celeste, que acoplou o CIS a uma Epson C80 há um ano, para imprimir os pedidos da sua loja virtual, a Bitcão. Como estava gastando muito com cartuchos, passei a usar os compatíveis, mas tive muitos problemas de entupimento. Um dia, ao levar a impressora para desentupir, vi o sistema contínuo na loja e decidi experimentar, conta Wilson.
Desde então, ele só precisou reabastecer uma vez os reservatórios de tinta, que ficam em um suporte externo e são conectados aos cartuchos por tubos de silicone. O único problema é que o trambolhinho do lado fica feio, admite. Pode parecer estranho, mas os plotters já funcionam assim há tempos. Sem falar que a própria Epson usa sistemas semelhantes em suas fábricas, durante os testes de qualidade das impressoras.
Embora o produto seja muito mais difundido entre usuários de impressoras Epson (as únicas em que a cabeça de impressão nunca é descartada com os cartuchos), acabam de chegar ao mercado brasileiro versões para modelos da HP e da Canon. Esses sistemas não existem em nenhum país do mundo, são lançamentos nossos, comemora Magalhães.
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6:41 AM by Cassiano Leonel Drum
O retorno do capitão Galvão
Botafogo recorre às raízes alvinegras do ex-zagueiro para confirmar Mauro Galvão como novo comandante da equipe
Rodrigo Lima
Após muito mistério, Mauro Galvão foi apresentado ontem, no CT de General Severiano, como o novo técnico do Botafogo. Depois de flertar com Leão, o presidente Bebeto de Freitas optou por uma solução sem muita experiência, mas com raízes alvinegras. O ex-capitão participou como jogador da campanha do bi-campeonato Estadual de 89/90, após 21 anos de jejum de títulos.
Mauro Galvão chegou ao clube muito confiante. É uma satisfação e uma responsabilidade muito grande voltar ao Botafogo, pois fui campeão como jogador. Talvez por causa dessas raízes tenha sido chamado", afirmou Galvão, revelando que sua passagem pelo clube foi fundamental para chegar à Seleção, onde conquistou a Copa América e disputou Mundial de 90, na Itália.
A conquista do título de 89 foi algo tão forte que acabei sendo convocado para a Seleção. Isso dá uma noção do que significou jogar no Botafogo, revelou o treinador, de 42 anos, que assinou contrato até o fim do ano.
O novo técnico alvinegro trabalhará com jogadores que já conhece, como Valdo e Luizão, com quem jogou no Grêmio, e Jorginho Paulista, que foi seu companheiro no Vasco. É bom ter jogadores conhecidos por perto, isso ajuda a unir o grupo, afirmou Galvão, ressaltando a importância de todo o elenco. Já vinha acompanhando o trabalho do Bebeto desde que assumiu a presidência, seu esforço e o dos jogadores para voltar à Primeira Divisão, lembrou.
Apesar do mau momento do time no Campeonato Brasileiro, onde é o 22º colocado, o novo treinador garantiu que o Botafogo tem condições de fazer uma boa campanha. O fundamental é ter tranqüilidade para trabalhar. Para isso, conto com o apoio dos torcedores, declarou Galvão, sem fazer promessas. "Ainda faltam 40 jogos e o Botafogo tem toda chance de subir na tabela. Não posso prometer nada, mas vamos tentar chegar o mais longe possível. A competição é a nivelada e motivação dos jogadores é que fará a diferença", disse.
O técnico interino Luiz Matter continuará no clube como auxiliar de Mauro Galvão. Vou avaliar as condições de trabalho antes de indicar reforços ou algum membro da comissão técnica, completou o novo comandante.
Funcionários reclamam de atraso de salários
Mas nem tudo era alegria, ontem, em General Severiano. Vários funcionários do clube reclamam de salários atrasados. Isso é uma vergonha. Eles pagam os jogadores e a gente está há três meses sem receber, desabafou um dos funcionários que não quis se identificar, com medo de ser demitido. Não pagaram os meses de março, abril e maio. Enquanto isso ficam dizendo para torcida que está tudo bem, reclamou outro funcionário.
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6:38 AM by Cassiano Leonel Drum
Caixa engrossa fila do FGTS
Correção do Fundo de Garantia não será mais creditada em conta. Idosos a partir dos 60 anos vão precisar ir às agências para sacar
Cristiane Campos e Neylor Toscan
A Caixa Econômica Federal anunciou que idosos com mais de 60 anos e que recebiam em conta corrente as parcelas semestrais dos créditos complementares do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) vão precisar enfrentar filas nas agências para sacar em parcela única os atrasados a partir de amanhã. Nem mesmo correntistas da Caixa vão escapar desse desconforto. A explicação da instituição é que não haveria tempo hábil para o processamento dos dados nos computadores internos e repasse às contas até amanhã. A Caixa então optou por pagar o mais rápido possível, informou a assessoria do banco oficial do FGTS.
Até agora, as pessoas que informaram número de conta corrente no ato da adesão ao acordo do FGTS encerrado em dezembro , recebiam as correções semestralmente nos respectivos bancos. Com a falta de agilidade no processamento do setor de informática da Caixa, esse mesmo público terá desta vez que enfrentar filas para retirar ou transferir o dinheiro.
Denúncia de insegurança e cobrança de tarifa
A possibilidade de ficar horas em filas nos guichês da Caixa não é a única preocupação dos idosos. O aposentado Jorge Moreira do Couto Filho, de 65 anos, vê interesses da instituição para obrigar idosos a comparecer às agências. Eles só podem estar de olho na cobrança de tarifa para transferir o dinheiro a outros bancos ou forçar a barra para tentar manter os recursos na instituição, analisou Jorge.
A aposentada Matilde Andrade do Couto (foto), 61, critica o fato de a Caixa não transferir o dinheiro diretamente para os bancos. Sem crédito em conta, será um prato cheio para os bandidos, pois todo mundo que estiver lá terá pelo menos R$ 2 mil para receber, preocupa-se. Ela se refere ao fato de todas as pessoas com crédito inferior a esse valor já terem recebido a diferença dos planos Verão e Collor 1.
A partir de amanhã, poderão sacar os trabalhadores com mais de 60 anos com direito a atrasados do FGTS, oriundos de expurgos referentes aos dois planos econômicos. Também recebem sucessores de titulares de contas que já tenham morrido independentemente da idade da pessoa morta. O pagamento será liberado amanhã mesmo e não é necessário levar novamente documentos do FGTS até a Caixa. O dinheiro será liberado mediante a apresentação de documento de identidade.
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6:33 AM by Cassiano Leonel Drum
Martha Medeiros
19/05/2004
Dúvidas absolutas
Se eu disser que desmaio de emoção quando leio alguma coisa a respeito de Ayrton Senna, estarei mentindo. Reconheço-o como um grande ídolo do nosso esporte e lamento sua morte precoce, mas termina aí. Do que mais tenho saudade, na verdade, é do tempo em que ver uma corrida de Fórmula-1 era emocionante porque ninguém sabia quem iria vencer. Havia favoritos, mas não havia monotonia: a incógnita estava sempre presente no grid. Hoje acabou a graça da Fórmula-1. Schumacher é o campeão dos desmancha-prazeres.
Outro dia perguntei pro meu marido qual a razão de ele ainda acompanhar as corridas, já que o vencedor é sempre o alemão. Ele respondeu que era pra ver quem tirava o segundo lugar. O vice passou a ser a grande novidade do pódio. É o que salva a Fórmula-1 da mesmice.
Imagino que até o Schumacher deva estar desanimado diante da banalização dos resultados. Mas nem por isso ele aliviará o pé do acelerador, ainda há um recorde a quebrar: o de o único piloto a vencer todas as corridas de um campeonato. Se ele for vitorioso em todos os Grandes Prêmios de 2004, aí não haverá triunfo maior. Torço para que isso aconteça logo e ele se aposente, para a gente voltar a ter aquilo que nos mantém acordados nesta vida: dúvidas!
Certezas são anestesiantes, sonolentas. Metade da população do planeta desligou a tevê antes de terminar a festa de premiação do Oscar porque não havia mais dúvida: O Senhor dos Anéis havia virado o Schumacher daquela noite. Sem a dúvida, bye, bye emoção. Por que as pessoas economizam seus "eu te amo"? Para valorizá-los. Para que ele não perca jamais o caráter de surpresa. É ótimo ouvir uma primeira vez, e uma segunda, e uma terceira, mas com um certo espaçamento entre as declarações. A todo minuto e instante, cai na trivialidade. "Alô, você vem almoçar em casa hoje ou vai ficar no escritório? Pra variar, né? Então vou almoçar fora também, não esquece de pagar a conta da luz, e vê se não chega atrasado de noite, que a gente tem reunião de condomínio, compra pão no caminho, tchau, tchau, te amo."
Dúvidas, cada um com as suas. Ainda me apaixonarei nesta vida? Quando reconhecerão meu talento para a música? Conhecerei a Austrália um dia? Estarei vivo para ver o Brasil ter educação, emprego e saúde? Morrerei mesmo, não serei uma exceção? Neste caso, quem irá ao meu enterro?
Manter a audiência não é coisa para principiantes. Vale pra novela, pra Fórmula-1, pra relacionamentos amorosos, vale para cada dia vivido: ou nossas dúvidas funcionam como um estimulante natural, ou nossas certezas terminarão com qualquer interesse pelo que vem pela frente.
martha.medeiros@zerohora.com.br
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6:31 AM by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
19/05/2004
Nua, numa cama estranha
Letícia acordou completamente nua numa casa estranha. Não conhecia a cama em que estava deitada de costas, nem o fino lençol enrolado em sua cintura. Não se lembrava de algum dia ter visto o quarto em que havia dormido. Sentia-se mareada. Bebera demais na noite anterior. Tequila. Disso se lembrava - tequila. Sentou-se com alguma dificuldade. Uma rápida vertigem fez com que desistisse de se levantar. Apoiou as mãos no colchão. Fechou os olhos. Abriu-os.
- Ohhhh - gemeu. - Tequila...
Levou a mão à testa. Massageou as têmporas. Tentou recordar o que tinha acontecido. A última imagem que lhe vinha à mente era da festa que fora com a turma do clube, num karaoquê. Que idéia, ela nem gostava de karaoquê. Mas naquela noite havia se liberado. Era a comemoração da conquista do título, tudo valia. Aí, cantou, dançou, bebeu... Tequila. Como bebeu tequila. Com foguinho e vira-vira. Oh, Jesus... De mais não se lembrava. O que havia acontecido?
Levantou-se, enfim. Depois de uma leve tontura, reassumiu o equilíbrio do corpo. Percebeu que trazia algo preso entre o canino e o segundo pré-molar. Levou a mão à boca. Retirou o objeto que lhe fazia pressão: um pequeno pedaço de pano branco. Estranho... Caminhou nua pelo corredor, até a sala. Que casa era aquela, Jesus Cristo? Começou a achar suas roupas, espalhadas por toda parte. A calcinha estava em cima do abajur.
Um dos sapatos ela não encontrou. Na cozinha, a mesa do café posta e um bilhete debaixo da manteigueira: "Obrigado pela noite mais louca da minha vida. W." Dáblio? Não conhecia ninguém que tivesse Dáblio no nome. Será que passara a noite com algum Wilson? Ou, pior, um Wellington? Virgem Santíssima! Tinha de ir embora dali de uma vez. Saiu, mancando por calçar apenas um sapato. Que rua era aquela? Por sorte, passou um táxi. Tomou-o. Perguntou ao motorista onde estavam: Parque Minuano. Com mil martelinhos de trigo velho, ela não conhecia ninguém que sequer morasse perto do Parque Minuano!
O resto do dia, um domingo, ela consumiu intrigada: o que tinha acontecido? Não conseguia recordar. Só recordava dos copos chamejantes de tequila. Maldita tequila.
Na segunda-feira, notou que as conversas cessaram quando entrou na secretaria do clube. Todos a olhavam. Os boys comentaram algo, diante da máquina de xerox. Um grupinho de repórteres parou de discutir sobre quem era o melhor lateral-direito. Letícia tentou manter a dignidade ao caminhar até sua mesa. Sentou-se. Que vergonha, que vergonha!
O que a tequila fizera com ela? Precisava se concentrar no trabalho. Mas, antes que ligasse o computador, Danúbio, o meia-esquerda goleador, o galã do time, que não entrava em campo sem alisar bem os cabelos alourados com gel, Danúbio, o camisa 10, se aproximou e, disfarçadamente, fez pousar um Amor Carioca sobre sua mesa, bem em cima do mouse pad. Sorriu um sorriso de 64 dentes, o mesmo sorriso que abria para as câmeras quando fazia seus gols, e sussurrou:
- Queres almoçar comigo?
Letícia grunhiu um arran, boquiaberta e encantada. Ia almoçar com o Danúbio! Olhou em volta. As colegas faiscavam de inveja. Piscou, surpresa, e o telefone tocou. O presidente a convocava ao gabinete. Letícia levantou-se. Alisou a saia. Foi, sestrosa. A secretária abriu a porta para ela, prestativa. Seu Leopoldo, o presidente, a esperava de pé. Apontou-lhe uma poltrona.
- Dona Letícia - começou. - Quero, antes de mais nada, ressaltar que nossas relações profissionais continuam inalteradas. Inalteradas! - fez um gesto decidido com a mão. - E para lhe provar isso, estou lhe comunicando que aquela promoção que a senhorita reivindicava é sua. - Letícia abriu a boca, perplexa. - E mais - prosseguiu o chefe. - A senhorita terá 50% de aumento salarial. Certo? Tudo bem?
Letícia balançou a cabeça, pasmada: certo, claro que estava certo, claro que estava tudo bem. Levantou-se. Estava saindo da sala, e o presidente a chamou de novo:
- Ah, dona Letícia: conto com sua discrição sobre tudo aquilo, sim?
Letícia balançou a cabeça outra vez, em concordância. Voltou para a mesa flutuando, como se estivesse num sonho. Agarrou o encosto da cadeira com ambas as mãos. Olhou para o bombom do meia-esquerda de gel, ainda oferecido sobre o mouse pad. Calculou mentalmente quanto ganharia com os 50% de aumento. Sorriu. Notou que, em volta, as mulheres continuavam a fitá-la com inveja e que, nos cantos da sala, os boys e os repórteres ainda falavam sobre ela. Sentou-se, enfim. Suspirou. E tomou a decisão: na próxima festa do clube, ia beber muitos, muitos copos de tequila.
david.coimbra@zerohora.com.br
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6:29 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
19/05/2004
Há saída para o IPE?
Uma carta que expõe o drama dos segurados do IPE: "Caro Sant'Ana. Escrevo-te esta carta para que, através de todos os meios de comunicação a que tens acesso, alertes os funcionários públicos do Estado sobre a extorsão a que são submetidos. Extorsão compulsória, que vai aumentar neste mês com o patrocínio do governo do Estado e da Assembléia Legislativa. Estou me referindo ao desconto obrigatório para o Instituto de Previdência do Estado. Os funcionários são obrigados a aceitar um plano de saúde que lhes nega atendimento na hora crucial, ou seja, necessidade de internação hospitalar, seja em enfermarias ou UTI.
No dia 13 próximo passado, minha mãe apresentou vômito e diarréia intensos. Idosa, 87 anos, cardíaca, portadora de cinco pontes de safena e seqüelada por um acidente vascular cerebral, foi atendida pela ECCO Salva, cuja médica diagnosticou hemorragia interna alta, recomendando internação urgente em UTI ou mesmo enfermaria. Iniciou-se então nosso martírio. Os médicos da ECCO Salva se revezavam e, durante sete longas e intermináveis horas, tentaram interná-la sem conseguir. Nenhum dos hospitais contatados, todos credenciados pelo IPE, aceitou a internação.
A resposta de todos, como o Hospital Divina Providência, Hospital São Lucas (PUC), Hospital Beneficência Portuguesa, Santa Casa, Hospital da Ulbra e Hospital Ernesto Dornelles, era a de que não internavam pelo IPE. Insistíamos, então, em que queríamos internação particular, com pagamento completo. Não aceitavam, porque era segurada do IPE. Não internavam nem em UTI nem em enfermarias. Só nos restava o SUS, ou ela morreria sem atendimento.
Fiquei sabendo por médicos conhecidos que os hospitais não aceitam internação pelo IPE porque o referido instituto não cumpre o acordo e não paga os hospitais, e os mesmos não aceitam internar os segurados do IPE como particular com medo de ações judiciais. Como vês não temos saída!
Minha mãe, Mary Monteiro Quites, contribuiu durante mais de 50 anos como professora com dois cargos e há quase 30 anos como pensionista, sendo esta contribuição de valor bem maior, pagando ainda o Pames, para ter direito ao que chamam de 'primeira classe'.
Após sete horas de angústia, a médica da ECCO Salva conseguiu, por intermédio do chefe da Emergência do Hospital Ernesto Dornelles, que lá fosse atendida. E lá ficou 24 horas.
Embora tivesse atendimento adequado pelo médico e sua equipe, a idosa de 87 anos, que tanto já contribuiu para o IPE, permaneceu 24 horas em uma maca apertada e dura, pois não havia cama disponível, o que lhe resultou dores na coluna, sem o conforto e a qualidade de atendimento pela qual já tanto pagou ao IPE. Lá permaneceu 24 horas, em meio a vários pacientes, alguns gemendo, sem divisórias. Também não contou com o acompanhamento e carinho de seus familiares, pois estava na emergência!
A sensação de impotência, o pavor do risco da falta de atendimento, a humilhação de necessitar implorar, chorando, a médicos e funcionários de hospitais, a tristeza de ver minha velhinha desamparada, no ambiente de uma emergência, são sentimentos que não posso passar para ninguém.
E junta-se a isso a revolta por saber que seus direitos não foram respeitados, que muito pagou e agora não tem retorno, que qualquer outro plano que agora contratar, pela idade que tem, cobrará mensalidade altíssima e ainda terá que cumprir seis meses de carência para internações hospitalares. Revolta pelo IPE ser compulsório e abandonar seus segurados quando correm risco de morte. Obrigada (ass.) Aleiza Quites, professora aposentada do Estado, nutricionista do Grupo Hospitalar Conceição".
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:26 AM by Cassiano Leonel Drum
Questão Agrária
Cruzada pelo Estado
Em seu primeiro dia, marcha dos produtores rurais, que abrangerá 29 municípios, cruzou por Pelotas (foto Nauro Júnior/ZH)
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Terça-feira, Maio 18, 2004
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10:16 PM by Cassiano Leonel Drum
autor@paulocoelho.com.br
Gengis Khan e seu falcão
Em recente visita ao Cazaquistão, na Ásia Central, tive a oportunidade de acompanhar caçadores que usam o falcão como arma. Não quero entrar aqui no mérito de discutir a palavra ¿caçada¿; apenas dizer que, neste caso, é a natureza cumprindo o seu ciclo.
Eu estava sem intérprete e o que poderia ser um problema terminou como uma bênção. Impedido de conversar com eles, prestava mais atenção no que faziam: vi nossa pequena comitiva parar, o homem com o falcão no braço distanciar-se um pouco, retirar a pequena viseira de prata da cabeça da ave. Não sei por que decidiu parar ali e não tinha como perguntar.
A ave levantou vôo, traçou alguns círculos no ar e depois, em um bote certeiro, desceu em direção à ravina e não se moveu mais. Chegamos perto, e uma raposa estava presa em suas garras. A mesma cena ocorreu mais uma vez, durante aquela manhã.
De volta à aldeia, encontrei-me com as pessoas que me esperavam e perguntei como é que conseguiam domesticar o falcão para fazer tudo aquilo que vi inclusive ficar docilmente no braço de seu dono (e no meu também; colocaram-me umas braçadeiras de couro e pude ver de perto suas garras afiadas).
Pergunta inútil. Ninguém sabe explicar: dizem que esta arte passa de geração para geração, o pai ensina para o filho e assim por diante. Mas ficarão para sempre gravados em minhas retinas as montanhas nevadas ao fundo, a silhueta do cavalo e o cavaleiro, o falcão saindo do seu braço e o bote certeiro.
Fica também uma lenda que uma das pessoas me contou, enquanto almoçávamos:
Certa manhã, o guerreiro mongol Gengis Khan e sua corte saíram para caçar. Enquanto seus companheiros levavam flechas e arcos, Gengis Khan carregava seu falcão favorito no braço que era melhor e mais preciso que qualquer flecha, porque podia subir aos céus e ver tudo aquilo que o ser humano não consegue ver.
Entretanto, apesar de todo o entusiasmo do grupo, não conseguiram encontrar nada. Decepcionado, Gengis Khan voltou para seu acampamento mas, para não descarregar sua frustração em seus companheiros, separou-se da comitiva e resolveu caminhar sozinho.
Tinham permanecido na floresta mais tempo que o esperado e Khan estava morto de cansaço e de sede. Por causa do calor do verão, os riachos estavam secos, não conseguia encontrar nada para beber até que milagre! viu um fio de água descendo de um rochedo a sua frente.
Na mesma hora, retirou o falcão do seu braço, pegou o pequeno cálice de prata que sempre carregava consigo, demorou um longo tempo para enchê-lo e, quando estava prestes a levá-lo aos lábios, o falcão levantou vôo e arrancou o copo de suas mãos, atirando-o longe.
Gengis Khan ficou furioso, mas era seu animal favorito, talvez estivesse também com sede. Apanhou o cálice, limpou a poeira e tornou a enchê-lo. Com o copo pela metade, o falcão de novo atacou-o, derramando o líquido.
Gengis Khan adorava seu animal, mas sabia que não podia deixar-se desrespeitar em nenhuma circunstância, já que alguém podia estar assistindo à cena de longe e mais tarde contaria aos seus guerreiros que o grande conquistador era incapaz de domar uma simples ave.
Desta vez, tirou a espada da cintura, pegou o cálice, recomeçou a enchê-lo mantendo um olho na fonte e outro no falcão. Assim que viu ter água suficiente e quando estava pronto para beber, o falcão de novo levantou vôo e veio em sua direção. Khan, em um golpe certeiro, atravessou o seu peito.
Mas o fio de água havia secado. Decidido a beber de qualquer maneira, subiu o rochedo em busca da fonte. Para sua surpresa, havia realmente uma poça dágua e, no meio dela, morta, uma das serpentes mais venenosas da região. Se tivesse bebida a água, já não estaria mais no mundo dos vivos.
Khan voltou ao acampamento com o falcão morto em seus braços. Mandou fazer uma reprodução em ouro da ave e gravou em uma das asas:
Mesmo quando um amigo faz algo que você não gosta, ele continua sendo seu amigo.
Na outra asa, mandou escrever:
Qualquer ação motivada pela fúria é uma ação condenada ao fracasso.
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10:13 PM by Cassiano Leonel Drum
Rio, 18 de maio de 2004 Versão impressa
Gol fecha a compra de 15 aviões da Boeing
Wagner Gomes
Do Globo Online
SÃO PAULO. A Gol Transportes Aéreos vai comprar 15 aeronaves Boeing 737-800 Next Generation, com opção de compra de mais 28 unidades. No total, as 43 aeronaves representam um negócio de R$ 8 bilhões. Segundo a empresa, trata-se de um dos maiores pedidos de aeronaves já realizados na América Latina. O financiamento deverá ser garantido pelo Eximbank dos Estados Unidos. Cada avião custará US$ 64 milhões.
As primeiras 15 aeronaves, que representam um pedido firme, devem ser entregues entre 2007 e 2009. A transação das demais 28 unidades, que estão numa opção de compra, deverá ser concluída entre 2005 e 2010. Esta é a primeira compra de aviões feita pela empresa. A frota atual é integrada por 18 aeronaves 737-700 e quatro 737-800 adquiridas por contrato de leasing.
O presidente da Gol, Constantino de Oliveira Júnior, não sabe se vai acrescentar as aeronaves à atual frota ou simplesmente substituí-las quando os contratos de leasing terminarem. O empresário não deu detalhes do financiamento, mas disse que o contrato não deve fugir aos que a instituição fechou com outras empresas, com prazo de pagamento de 12 anos.
Posso dizer que a compra foi conservadora. Tudo vai depender do mercado. Atualmente, temos 18 aeronaves 737-700 e quatro aeronaves 737-800, todas adquiridas por leasing. Os contratos vencem entre 2007 e 2009. Se o mercado estiver aquecido, vamos acrescentar essas novas aquisições à frota atual. Do contrário, vamos apenas substituir os aviões velhos pelos novos afirmou.
Constantino Júnior disse estar confiante no crescimento do país e na previsão de aumento do mercado nos próximos cinco anos. Ele acredita que no período a participação da empresa no mercado interno passe de 22% para algo entre 30% e 35%. Na avaliação da Gol, o mercado doméstico deverá crescer entre 7% e 10% ao ano até 2009. As aeronaves encomendadas deverão operar até 2020.
Estamos fechando um contrato mais flexível para tentar adaptar a realidade da empresa à do mercado. O ideal é ter mesmo um mix de produtos alugados ou próprios. A compra de aviões garante a solidez de uma empresa afirmou, acrescentando que a Gol recebeu autorização do Departamento de Aviação Comercial (DAC) para alugar três aeronaves 737-300 por dois anos.
A Gol começará a fazer vôos internacionais a partir de 2007. Constantino Júnior explicou que não é intenção da empresa criar muitas rotas para os Estados Unidos e Europa. Num primeiro momento, o objetivo é criar percursos para países da América Latina.
Constantino considerou legítima a decisão do DAC de suspender a promoção de venda de passagens a R$ 50, lançada pela companhia. Segundo ele, as planilhas de custos foram enviadas para análise do DAC, e a Gol espera autorização para retomar a promoção ainda esta semana.
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10:02 PM by Cassiano Leonel Drum
Rio está fora da disputa para sediar as Olimpíadas de 2012
Da Redação do DIA para o iG (editorultimosegundo@ig.com)
RIO - Mais uma vez o Rio de Janeiro está fora da disputa para sediar as Olimpíadas. O Comitê Olímpico Internacional decidiu que Madri, Londres, Paris, Moscou e Nova York continuam na disputa para sediar os Jogos de 2012. (Atualizada às 16h13(
Além do Rio, Leipzig, Istambul e Havana estavam entre as concorrentes. O anúncio foi feito no Palácio de Congressos de Beaulieu, em Lausanne, na manhã desta terça-feira.
O secretário de Esportes e Lazer, Ruy Cesar e o coordenador de operações do Cob, Leslei Kikoler, assistiram ao resultado das finalistas no Palácio da Cidade, em Botafogo, e disseram estar decepcionados com a exclusão do Rio. "O fato de não dar a oportunidade a outros continentes foi observada, mas o Rio segue na sua firme determinação de fazer os melhores jogos panamericanos e continuar sendo candidato. Ficamos muito decepcionados. Em termos de conteúdo, o dossiê do Rio estava imbatível. vamos em frente", afirmou Ruy Cesar.
O Rio chegou a ser apontado pelo site americano Gamesbids.com, especializado em prever quem leva a sede da Olimpíada, utilizando uma fórmula com critérios técnicos, econômicos e geopolíticos, como a segunda cidade mais cotada para sediar os Jogos.
Em janeiro, as noves cidades aspirantes encaminharam ao COI um questionário com respostas a 25 itens sobre o seu projeto. As cidades que continuaram na disputa terão de elaborar um dossiê a ser entregue ao Comitê até o dia 15 de novembro, detalhando cada um dos 19 temas que compõem o documento. A votação final será em julho de 2005, em Cingapura.
Cidade amarga a quarta derrota
Esta foi a quarta vez que o Rio perdeu a disputa para sediar os jogos olímpicos. A cidade já havia se candidatado para as Olimpíadas de 1936, 1960 e 2004. Na penúltima tentativa, em março de 1997, O Rio concorria outras dez cidades: Istambul (Turquia), Buenos Aires (Argentina), Roma (Itália), Lille (França), Cidade do Cabo (África do Sul), Estocolmo (Suécia), Sevilha (Espanha), San Juán (Porto Rico), São Petersburgo (Rússia) e Atenas (Grécia).
Na época, a poluição da Baía de Guanabara, a falta de segurança e problemas no sistema de transporte foram apontados como pontos negativos para a cidade.
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8:24 AM by Cassiano Leonel Drum
Para manter os alunos em forma
Academias investem em novidades para evitar a queda da freqüência no outono
Silvana Caminiti
A queda na temperatura é um dos fatores que ajudam a afastar boa parte dos freqüentadores de academias de ginástica. Justamente por isso, nesta época do ano os donos de estabelecimentos do setor procuram incrementar os serviços oferecidos e investir em mais atrativos e diferenciais. Inaugurada recentemente na Tijuca, a By Fit Club resolveu apostar na inovação em termos de conceito: montou churrasqueira, campo de futebol de grama sintética, sauna, piscina aquecida e um espaço específico para recreação infantil. Funciona como um clube e os freqüentadores podem usufruir do espaço como se fossem sócios e passar ali boa parte do dia, fazendo as mais diferentes atividades.
O empresário Agnaldo Roberto da Silva, sócio do empreendimento, lembra que a empresa é dona de outra academia, a By Fit, instalada no mesmo bairro há 10 anos, e explica que a novidade no novo negócio é justamente funcionar como uma espécie de clube. A academia antiga ocupa uma área bem menor, mas a By Fit Club ocupa um espaço de mais de três mil metros quadrados de área, sendo que, desse total, 600 metros quadrados são ocupados por uma sala de musculação equipada com aparelhos de última geração, conta.
De acordo com Silva, a sala de recreação infantil pode ser usada pelas mães para deixar os filhos, enquanto malham ou fazem outra atividade qualquer. Além das atividades encontradas em qualquer academia, nossos alunos têm à sua disposição um salão de cabeleireiro, uma butique/bar e um cybercafé, diz Silva, que ressalta que a nova academia também oferece algumas atividades exclusivas e voltadas para públicos específicos, como a terceira idade.
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8:20 AM by Cassiano Leonel Drum
Sexo e caratê
Celebridade alçança picos de audiência abusando de cenas fortes. Próxima atração é a nudez de Juliana Paes
Clarissa Monteagudo
Briga de mulher: sucesso de público que valeu até repetição
Não é só a ninfomaníaca Laura (Cláudia Abreu) que aguça seu lado voyeur no horário nobre. Cachorra assumidíssima (e na seca), a vilã tem se insinuado de lingerie até cansar para o não menos cobiçado Renato Mendes (Fábio Assunção), mas o máximo que consegue é assistir às transas do marido com prostitutas. O espectador de Celebridade não fica atrás. No jogo da audiência, Gilberto Braga vem batendo um bolão com dupla de pivôs de respeito: Darlene (Deborah Secco) e Jacqueline Joy (Juliana Paes), vira e mexe em cenas sensuais.
Darlene e Inácio na praia: um realismo de fantásticos resultados
Seja nas apimentadas transas com o michê Marcos (Márcio Garcia) ou apanhando da insossa Maria Clara Diniz (Malu Mader), Laura também oferece um banquete de pratos quentes ao público, que se divide quanto ao bom gosto da trama. A novela já rendeu uma amarga liderança à Rede Globo: o primeiro lugar no VI ranking da campanha Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania, organizada pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, em Brasília. É a campeã das reclamações por abuso de cenas de sexo e violência. Deixou para trás até o Programa do Ratinho, que ficou em terceiro lugar.
Juliana se mostrou tanto na novela que a Playboy foi atrás. Agora é a vez de a fição imitar a realidade
Agora todo mundo vai querer tirar uma casquinha da minha nudez? Juliana Paes, sobre a cena do próximo dia 25 em Celebridade
Sexo não deveria ser mostrado com caráter banalizador, pejorativo e pornográfico. Isso influencia os jovens, assim como as cenas de violência que acabam sendo reproduzidas, como pesquisas já comprovaram. São sempre os mais bonitos, os espelhos da sociedade envolvidos nessas tramas, reclama o coordenador da campanha, deputado Orlando Fantazzini.
A novela tem muita baixaria. É um horário em que as crianças estão assistindo à TV Trícia Xavier, estudante
A gente fica com vergonha de assistir ao lado do genro, dos netos Ilka Santos, dona de casa
As altas temperaturas da trama das oito também já azedaram o humor de Juliana Paes, que fez exigências para gravar a cena em que sua personagem vai ficar nua na praia. Em mais uma tentativa de chamar atenção da mídia, a moça simula o roubo de seu biquíni. O corpão de Juliana, que mobilizou as atenções nacionais nas páginas da Playboy, será coberto por sutiã cor da pele e uma toalhinha mínima no capítulo que vai ao ar dia 25. Agora, todo mundo vai querer tirar uma casquinha da minha nudez, protestou.
Márcio e Cláudia: tela quente
Os espectadores admitem que as cenas ousadas estão longe de espantar o público, mas confessam constrangimento. A novela tem muita baixaria. Não é preciso ver personagem tirar sutiã. É um horário em que as crianças estão assistindo à TV, preocupa-se a estudante Trícia Xavier, 22 anos. A gente fica com vergonha de assistir ao lado do genro, dos netos, assume a dona-de-casa Ilka Santos, 70. Foi-se o tempo em que novela era programa da vovó.
Barraco: especialidade da casa administrada por Gilberto Braga
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8:13 AM by Cassiano Leonel Drum
Ana Amélia Lemos
18/05/2004
Pacto nacional
A proposta de pacto nacional feita pelo ministro José Dirceu não encontrou respaldo na esquerda do PT. O economista Plínio Arruda Sampaio Jr. conclamou ontem o presidente Lula a "enfrentar o FMI, os banqueiros e a impor limites, porque a sociedade e, em especial, os trabalhadores fazem sacrifício enorme para garantir superávits comerciais e fiscais que beneficiam apenas o capital". O povo que elegeu Lula está aguardando a nova política econômica, que requer coragem para enfrentar as imposições do mercado. O economista que lidera corrente a favor de redução de juros, mais crescimento e menos dependência externa não acredita que nesta semana o Copom seja mais ousado em relação à taxa básica de juros.
Foto(s): Edison Castêncio, especial/ZH
Com Lula
O presidente Lula receberá hoje à tarde a deputada Maria do Rosário (PT, foto). Relatora da CPI sobre abusos contra crianças e adolescentes, a parlamentar petista, que neste final de semana foi confirmada como candidata a vice na chapa de Raul Pont à sucessão de João Verle, definirá com o presidente a celebração do dia nacional de combate aos crimes sexuais contra crianças e adolescentes.
Zona Sul
Érico Ribeiro (PP) não economizou elogios ao governador Germano Rigotto por estar incentivando grandes investimentos na Metade Sul. O deputado assistiu à assinatura de acordos, em Rio Grande, entre o governo gaúcho e o grupo norueguês que vai instalar estaleiro no município.
Profissionalizante
Serão assinados hoje convênios entre o MEC e instituições de ensino de Santo Augusto, Santa Rosa e Pontão no Programa de Reforma e Expansão da Educação Profissional. O deputado Orlando Desconsi (PT), que tratou dos convênios, chamou atenção para a importância na região, especialmente no treinamento de mão-de-obra para o pólo metalmecânico.
Salário
O senador Paulo Paim (PT) é só sorrisos. A pesquisa CNT/Sensus revelou que o senador gaúcho está sintonizado com as aspirações da população, já que 95% defende reajuste do mínimo, além dos R$ 260 fixados pelo governo. Paim enfrentará o governo, porque votará salário maior.
Aeroporto
Florianópolis conhecerá em junho o projeto arquitetônico do novo aeroporto Hercílio Luz. A Infraero selecionou três dos 151 projetos, um deles do arquiteto catarinense Sérgio Parada.
Argentina
Eduardo Duhalde, ex-presidente argentino, fala na reunião-almoço da Câmara de Indústria e Comércio Uruguai-Brasil (RS) em Porto Alegre, quinta-feira, sobre os desafios do Mercosul.
Saúde
O coordenador da bancada gaúcha, Pastor Reinaldo (PTB), marcou audiência com o ministro da Saúde, Humberto Costa, para tratar da liberação de recursos para o hospital de Barra do Ribeiro, cidade cujo prefeito, Carlos Cesar Albuquerque (PSDB), foi ministro da Saúde. O deputado Júlio Redecker (PSDB) acompanhou a audiência.
ana.amelia@zerohora.com.br
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8:07 AM by Cassiano Leonel Drum
Liberato Vieira da Cunha
18/05/2004
Pare, olhe, escute
Na distante época dos trens havia, em cruzamentos das rodovias com os trilhos, uma sábia advertência gravada num letreiro de cinco pontas: Pare, Olhe, Escute. Lembrei disso na sexta, quando enfrentei um dia de cão (sem qualquer sombra de ofensa a essa nobre estirpe). Duas pessoas-chave em um projeto no qual me meti de graça não apareceram para uma reunião decisiva. Minha agenda estava lotada de compromissos, dentre os quais uma visita ao dentista. Precisava completar e entregar um texto com prazo inadiável de publicação. Num acidente tecnológico que suponho raríssimo, o celular e o carregador de bateria enguiçaram em uníssono. Com pontual solidariedade, o sistema de informática deu o prefixo e saiu do ar.
Aí me bateu uma lucidez. Larguei o batente e adentrei o vetusto prédio da Biblioteca Pública. Pedi o Rubaiyát, a obra-prima de Omar Kháyyám, e fugi do cotidiano abrigado em suaves páginas que tratavam de lindas mulheres, vinhos capitosos, rosas orvalhadas, plenitude e ventura e prazer.
Meu exílio do trabalho não provocou nenhuma catástrofe planetária. Apaziguou-se meu coração, calmaram-se meus neurônios, minha alma mergulhou em doce paz. À noite, dormi como um menino.
Não estou aviando aqui espécie alguma de receita de validade universal. Narro apenas, segundo é o trivialíssimo ofício dos cronistas, uma experiência individual.
É provável, contudo, que a leiam, no intervalo do almoço, dois ou três executivos estressados, quatro secretárias momentaneamente libertas do telefone, um gerente de banco, um vereador, um advogado, por uns minutos dispensados de vãos sorrisos e promessas.
A esses e a quantos mais percorrerem estas linhas deixo de brinde um palpite banal. Volta e meia esqueçam a urgência das horas, a ditadura da rotina, a tirania das obrigações ou do conformismo. Não é mister que abram o Rubaiyát. Basta que parem, olhem, escutem.
Parar o quê? As enormes engrenagens que nos aprisionam no chamado senso do dever, que muitas vezes é, na real, a compulsão do não-ser. Olhar o quê? O vôo de um pássaro, a dança das árvores ao ritmo das aragens de outono, as cambiantes de azul dos céus de maio. Escutar o quê? A voz de uma pessoa amiga, um trecho repousante de música, o riso de crianças em uma praça.
Mas se nada disso adiantar, sugiro uma incursão ao passado, ao tempo em que existiam trens de passageiros, segurança nas ruas, namoros de matinê. Pois o passado que adquire vocação à permanência é apenas a soma de cada presente em que fomos felizes.
liberato.vieira@zerohora.com.br
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8:05 AM by Cassiano Leonel Drum
Moacyr Scliar
18/05/2004
Linhas tortas
Médico recém-formado, fui trabalhar num posto de atendimento da Grande Porto Alegre. Uma senhora a quem atendi quis fazer-me uma homenagem e me ofereceu dinheiro, o equivalente hoje a uns cinqüenta centavos. Sou pobre, ela disse, mas peço que aceite este presente. O que me colocou num dilema: se eu recusasse, a senhora certamente ficaria magoada; mas se eu aceitasse, ficaria configurado um pagamento ilegal.
Desconversei, a coisa ficou por isso mesmo, mas lembrei do episódio a propósito da notícia, mais uma, acerca de pagamento feito a médico depois de atendimento no SUS. Isto é proibido por lei; configura um delito chamado concussão, que é a exigência de vantagem indevida. Agora vejam que coisa curiosa: concussão também é um termo médico; designa todo traumatismo craniano que produz alterações neurológicas temporárias, como confusão e desorientação.
Confusão e desorientação, no caso do SUS, resultam em coisas como cobrança indevida. De acordo com a Constituição, a saúde é direito de todos e dever do Estado; para isto foi criado o Sistema Único de Saúde. Mas esta não é a única forma de assistência médica; existe o seguro-saúde, existe a clínica particular. Ou seja, há todo um território entre o público e o privado, e este é um território conflagrado, que às vezes lembra o faroeste dos filmes.
O SUS paga pouco. Mas os pagamentos do SUS refletem a situação de um país pobre, de salários baixos (quando existem salários, quando a pessoa não está desempregada). Avaliada por pessoas da classe média, a tabela do SUS parece ridícula. E isto origina coisas como a cobrança por fora. Trata-se, aparentemente, de uma correção; trata-se de escrever direito por linhas tortas. Só que não funciona: a escrita acaba saindo, ela própria, torta, confusa. Como se sofresse de concussão.
Não é por aí. A questão é regulamentar bem a relação entre público e privado no Brasil. Nada impede que uma pessoa consulte um profissional do SUS e depois consulte um profissional privado. A confusão ocorre quando o profissional trabalha até certa hora no SUS e depois atende, no consultório, em caráter particular. A diferença precisa ficar bem clara para o paciente e para todo mundo. Tornar clara a diferença significa informar corretamente.
Mas a fórmula não pode se restringir à informação; a fórmula tem de ser informação mais transparência. Transparência, sim. Por que não documentar a situação da consulta privada a um profissional que também atende pelo SUS? Nos hospitais as pessoas assinam um termo declarando-se cientes dos riscos do procedimento a que serão submetidas. Por que a pessoa, devidamente informada, não pode assinar um termo de opção por tratamento particular? Será que esta providência não evitaria um bocado de concussão?
scliar@zerohora.com.br
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8:03 AM by Cassiano Leonel Drum
Luís Augusto Fischer
18/05/2004
Em plena atividade
Ano passado, Donaldo Schüler concluiu a tradução do intraduzível Finnegans Wake, de James Joyce (Ateliê), completando a façanha que iguala o Português às poucas línguas que dispõem de traduções integrais desse ícone do século 20. Mês passado, José Hildebrando Dacanal publicou seu Eu Encontrei Jesus -
Viagem às Origens do Ocidente (EST/Século XXI), iluminador ensaio que passa em revista, com olho destro e intenção crítica, vida e obra do Jesus histórico. Semana passada, Cláudio Moreno autografou Tróia - O Romance de uma Guerra (L&PM), um daqueles atingimentos raros e desejados por muita gente, recontando ordenadamente (e com enorme talento narrativo) a guerra de Tróia, assunto de tantos escritores e pensadores clássicos, de Homero em diante.
Não precisaria mais que essas evidências para dizer que a vida mental do Rio Grande do Sul está num grande momento. Porque não é em qualquer sistema cultural, especificamente literário (os três mencionados escritores são formados em Letras, o primeiro tendo sido professor dos dois outros, que também são professores, aposentados do Instituto de Letras da UFRGS), que se encontra essa coincidência cronológica.
Alguém poderá objetar que qualquer um dos três dependeu muito mais de seu próprio talento e eventual genialidade para fazer o que fez, e estará certo; mas não será razoável negar a evidência de que os talentos dependem também de condições objetivas. Como dizia Nelson Rodrigues num exemplo extremado, um Jesus morto aos seis anos, de caxumba, não seria Jesus jamais; mas Donaldo, Dacanal e Moreno não só não morreram antes da hora como encontraram (e ajudam a perpetuar) as condições para apresentar ao mundo suas capacidades.
O gênio, como o espírito, sopra onde quer, por isso é autônomo, está fora dos esquemas condicionantes, não é definido por planejamento; mas as condições ambientes são fruto de trabalho e planejamento, daquela lenta acumulação de ações e reflexões que caracterizam um ambiente cultural.
E olha que nem falamos que a Lya Luft foi alçada, com justos méritos, ao patamar alto da crônica brasileira, lá onde está Luis Fernando Verissimo. Nem lembramos o fenômeno da eleição de Moacyr Scliar para a Academia. Não falamos que Amílcar Bettega Barbosa vem de publicar ótimo livro de contos, Os Lados do Círculo, pela mesma Cia. das Letras que lançou a também ótima novela de Michel Laub Longe da Água. Faltaria falar do anunciado romance histórico Getúlio, de Juremir Machado da Silva, empreitada de fôlego, fruto de muita pesquisa direta.
Quer dizer: este aqui, o do Sul, é um sistema cultural que, ao menos na área da literatura, está numa atividade plena e madura. E esta constatação deve servir para uma reflexão mais funda, que diagnostique as razões e as estruturas desse quadro e, o quanto possa, indique as providências para a manutenção disso. A começar de melhores escolas, competentes e mais bem remunerados professores desde a base do sistema, bibliotecas públicas que recebam dinheiro para comprar novos livros, o incremento do debate público (jornais, tevê, rádio), a permanência da Feira do Livro em seu patamar de excelência.
fischer@zerohora.com.br
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8:01 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
18/05/2004
A prova da maldade
Esses dias, não sei onde, li de uma pessoa famosa mais ou menos a seguinte frase: "Só não calcula o que seja o inferno quem não conhece a velhice".
Pior que ser velho é não ser velho e ser considerado velho. Ou ultrapassado.
É o caso deste leitor que me escreveu e simboliza outras milhares de pessoas condenadas ao desemprego por não serem jovens.
Ele tem 48 anos, trabalhou durante 18 anos numa empresa, é analista de recursos humanos, foi gerente desse setor, até que há três anos acabou desempregado.
De lá para cá enviou seu currículo para diversas empresas e até contratou uma consultoria de recolocação.
Em vão, não consegue recolocação em lugar algum. Foi empobrecendo, tem apenas 48 anos e não consegue emprego, o que dificulta até a angústia a sua possibilidade de aposentadoria: durante os 18 anos de atividade contribuiu para a Previdência com salários superiores ao teto máximo, o que poderia mais tarde garantir-lhe uma aposentadoria de R$ 1,5 mil.
Hoje, por estar desempregado, não tem recursos para continuar descontando a contribuição previdenciária, nem nos valores mínimos.
Conhecedor dos preconceitos do mercado de trabalho para com as pessoas de mais de 40 anos, resolveu certificar-se disso: enviou currículo profissional para diversas empresas, trocando o seu nome e idade pelos de sua filha.
Em seguida, duas empresas responderam ao envio do seu currículo, ou melhor, de sua filha. Ela naturalmente tergiversou, disse que já estava trabalhando, mas aceitaria fazer uma entrevista mediante uma proposta concreta.
Foi-lhe acenado por uma empresa que, se gostassem dela na entrevista, poderiam contratá-la por R$ 7 mil mensais, mais as mordomias do cargo.
Evidentemente que ela não foi à entrevista, o currículo não era dela, era de seu pai.
Mas o infeliz desempregado assegurou-se assim de que o motivo de não conseguir emprego é a sua idade.
Quem tem 48 anos é considerado inútil por um grande número de empresas.
Eu pergunto: como podem atirar um homem assim com essa vitalidade e essa experiência à inutilidade existencial?
Quem conseguirá chegar à idade da aposentadoria, 60 ou 65 anos, se depois dos 40 anos as pessoas são recusadas assim para o trabalho.
E quantos párias o país fabrica assim, recusando emprego às pessoas por não serem jovens?
É de cortar o coração.
E depois se vê tanta gente contrária às lei de cotas! Chega a um ponto em que só compulsoriamente podem ter oportunidades de estudo e de trabalho pessoas que são simplesmente eliminadas pelo mercado de trabalho ou de estudo por serem velhas, negras, deficientes físicas etc.
Um último apelo eu faria desta coluna aos empresários que empregam: saibam ou não dessas exigências cruéis de suas empresas, façam uma verificação em seus departamentos pessoais e revoguem essa crueldade de veto contra pessoas de idade mais madura e que, no entanto, são competentes.
Elas só querem o direito de competir. E de viver.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:59 AM by Cassiano Leonel Drum
Município
Tampas à prova de furto
Peça instalada na articulação dos bueiros da Capital vai evitar que tampões sejam retirados para venda do ferro (foto Júlio Cordeiro/ZH)
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12:05 AM by Cassiano Leonel Drum
O Empréstimo
Na casa de chá um homem dizia aos amigos:
- Emprestei uma moeda de prata a uma pessoa e não tenho testemunhas. Receio que quem recebeu negue que a pus em suas mãos.
Os amigos ficaram com pena dele, um sufi que estava sentado num canto ergueu a cabeça e disse:
- Convide-o para tomar chá aqui e diga-lhe, na presença de todas estas pessoas, que você lhe emprestou vinte moedas de ouro.
- Como posso fazer isso se só lhe emprestei uma moeda de prata?
- É exatamente isso o que ele vai responder indignado - disse o sufi - e todos poderão ouvi-lo de seus lábios. Você não queria testemunhas???
Autor desconhecido
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Segunda-feira, Maio 17, 2004
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11:51 PM by Cassiano Leonel Drum
Harvard Business Review: Alavancando o poder da comunicação não-verbal
12:07 11/05
Gary Genard, da Harvard Business Review
Não importa quão entendido seja o orador e quão sofisticada seja sua platéia, discursos esbarram no aspecto primitivo da comunicação. Experiências humanas básicas e reações viscerais sinalizam seu recebimento por outros seres humanos. Essa é a razão que conduz nossa importância como pessoas; nós sabemos instintivamente contar com a evolução de pistas que nos ajudam a tomar decisões, nos preocupando com a honestidade e lealdade das pessoas.
Em outras palavras, nós estamos prestando mais atenção na comunicação não-verbal. Quão confortável o orador está consigo mesmo, como ele se porta e se movimenta, como ele olha para as outras pessoas da sala, seu tom de voz, até mesmo as roupas que ele usa. Juntas, essas variáveis constituem um fluxo constante de dados correndo debaixo do que o orador está dizendo.
Conseqüentemente, é útil fazer uma apresentação em termos de performance física, porque, assim com um ator, um orador comunica-se muito mais do que com palavras. Então as saídas para uma pessoa de negócio são: a disposição da sua performance na mesa principal da conferência ou atrás do pódio reforçam as mensagens que você quer conduzir? Como você pode assegurar que as mensagens que você transmite fisicamente, totalmente aparte do que você diz, aumentam sua credibilidade, autoridade e persuasão na lembrança das pessoas?
As respostas situam-se nessas três áreas de comunicação não-verbal para oradores.
1. Dinâmicas vocais
Poucas coisas funcionam melhor em fazer com que o público ouça sua mensagem que um discurso vivo, dinâmico e simpático. Simpatia, nesse sentido, é uma "qualidade do momento" que diz a seus ouvintes que você está se conectando com eles em um nível emocional e individual. E é nossa voz que leva a mensagem alta e claramente - ou não - para nossa platéia.
Ouvintes usam essas pistas da voz para julgar se eles devem confiar em nós quando falamos. Susan Berkley fala desse ponto claramente em seu livro "Falar para influenciar: como abrir o poder escondido da sua voz" (Campbell Hall Press, 1999): "O cérebro das pessoas que ouvem responde ao tom e inflexão da voz", escreveu ela. E você perderá seus ouvintes "se qualquer coisa em sua voz pareça chata, hostil, falsa e ameaçadora."
Então, estar em sintonia com a platéia é permitir que sua voz reflita sua boa vontade voltada para eles e seu comprometimento com a mensagem. Preste atenção em quatro informações importantes sobre a voz: ênfase, ritmo, variação de tons e compasso. Você não estará concentrado somente na mensagem, você também estará mostrando para seus ouvintes o quanto que a opinião deles lhe interessa.
Para imaginar como isso vai funcionar em uma situação de discurso, ouça a diferença entre o que você ouve nessas duas frases: "Nós pensamos que essa é exatamente a mensagem que nossos clientes querem ouvir." E: "Nós pensamos que essa é exatamente a mensagem que nossos clientes QUEREM ouvir."
Não seria benéfico usar a voz como no segundo exemplo, não como no primeiro, quando falar com as pessoas?
2. Pensamento visual
Em nossos anos de saturação da mídia, todos os discursos e apresentações devem incluir o componente visual. Mas isso vai além do comum e embrutecido Power Point, além das amostras e outras coisas. O que é necessário agora, dando resumos aos ouvintes e algumas horas de imersão nas imagens midiáticas, é um "terceiro olho" com o qual você, como apresentador, vê-se comandando o espaço em volta de você e movimentando-se com poder e graça.
O que significa comandar o espaço em volta de você, e como você executa isso? Antes de tudo, tenha em mente que os membros da platéia tomam decisões sobre sua credibilidade e profissionalismo somente vendo como você se porta e como você age fisicamente com a presença deles. Eles sabem que essas coisas são parte do seu "show" e estão condicionados pela televisão e pelos filmes a considerar o elemento visual como aspecto central na mensagem.
Pergunte-se, então, como você se movimenta pelo espaço. Você domina o território, tornando-se um componente físico e visual? Isto é, você é expansivo o suficiente em seus movimentos e gestos para parecer confiante - não só requer ocupar o espaço fisicamente, mas exige que a região em volta de você seja compatível com seu status de líder? Líderes sabem como se mover decisiva e corajosamente. Não há tentativa de movimentos e gestos - em vez disso, eles literalmente comandam o espaço pelo qual se movem.
Confiança e tranqüilidade física também são marcados pela fluidez de movimento, particularmente mais que a rigidez, estremecimentos e imobilidade. Quando os ouvintes fazem perguntas, por exemplo, você dá boas vindas a seu espaço com seus gestos - com a palma da mão aberta - ou você aponta para eles com seu dedo estendido, que parece ser um golpe no ar entre vocês?
Outras expressões físicas que podem ser entendidas com mensagem hostil incluem:
balançar a cabeça repetidamente enquanto um ouvinte pergunta alguma coisa. Isso indica impaciência de sua parte e um desejo de dar logo a resposta.
tomar uma postura defensiva nas reuniões. Isso demonstra que você está desconfortável com aquele tópico.
usar movimentos bruscos e grandes. Isso reduz a confianças dos ouvintes que você seja um líder que possa ficar firmemente no controle.
Incorporar consciência visual e comando físico em seu estilo de apresentação vai melhorar sua confiança como orador - e sua presença no palco deverá melhorar. Use essa nova consciência combinada com o velho conselho sobre manter contato visual com seus ouvintes. A maioria de nós parece ser mais verdadeiro quando estamos simplesmente conversando com outra pessoa, e o sentido da relação criada permitirá a seus ouvintes se sentirem mais confortáveis para perguntarem quando eles precisarem fazer isso. É somente mais um aspecto no seu foco de pensar visualmente.
3. Gestos e expressão facial
Um oceano de idéias foi dado sobre gestos apropriados para se falar em público. E são geralmente bons conselhos. Expressão física não é algo que possa ser usado somente para satisfazer um pedido dos ouvintes. Em vez disso, é um comportamento que nós naturalmente e inconscientemente empregamos para amplificar nossa mensagem.
Para demonstrar a importância do aspecto da comunicação não-verbal, pense nas pessoas que você considera ser oradores verdadeiramente dinâmicos. Agora, quantas delas não são adeptas a se expressarem usando gestos? Ser bem definido (com começo e final claros), forte, não repetitivo e o usar gestos manuais são componentes essenciais para você como comunicador. Eles devem ser usados livre e confiantemente.
Um jeito de construir esse nível de confiança é reconhecer que os gestos significam muito mais que simplesmente permitir que suas mãos entrem em ação. Usando todo o braço, dos ombros até embaixo, e ampliar um gesto, por exemplo, você incluirá a platéia em todos os cantos da sala ou do auditório.
Desde que nós tendemos a inclinar em direção aqueles que nós estamos tentando persuadir, faça isso nos momentos importantes da apresentação. Se você quer indicar espanto, não conte só com palavras. Encolha seus ombros - é um gesto que representa volume. Se você quer mostrar sua frustração com o status quo, vá em frente e balance sua cabeça como se descrevesse que há algo errado com o jeito que as coisas estão no momento.
Isso significa que você precisa tornar-se um perfeito mímico assim como orador? Claro que não. Isso simplesmente significa usar gestos físicos para expressar seu completo comprometimento com as idéias e emoções inerentes a seu discurso. Poucas pessoas entendem que seus pensamentos e sentimentos são importantes para a mensagem a ser passada.
Ainda que muitos encontrem dificuldade em transformar um nível alto de comprometimento pessoal em uma performance de discurso efetivo.Lembrar você mesmo que você pode se expressar com toda sua personalidade, e usando gestos específicos para isso, vão ajudar você a atingir a transformação.
Finalmente, não esqueça das suas expressões faciais. Seu rosto geralmente reflete o que você está pensando e sentindo, coisas ainda mais reveladoras que seus gestos. Essa é uma realização que qualquer orador ignora para seu próprio perigo. O rosto humano é um mar de expressividade, então coloque isso em evidência. Como a especialista em discursos Sue Gaulke descreve o processo em seu livro, "101 maneiras de cativar a atenção dos homens de negócio (Amacom,1997): "Anime seu rosto. Use suas sobrancelhas, olhos, bochecha, boca, lábios, nariz, pescoço e dentes para expressar sua emoção."
Gary Genard é orador e orientador de mídia em Boston
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6:47 AM by Cassiano Leonel Drum
Quanta pobreza !
LEANDRO BEHS
O Grêmio voltou a tropeçar em casa. Ainda que o adversário tenha sido o Botafogo, ocupante assíduo da zona de rebaixamento do Brasileirão, a equipe teve que fazer um grande esforço para buscar a igualdade em 2 a 2, nos últimos minutos de jogo. Com o empate, o Grêmio é o 15º colocado, com sete pontos.
Desta vez, o time-camaleão de Adilson Batista - aquele que muda a cada partida - foi a campo no 4-3-3, um esquema com dois ponteiros e um armador, em desuso há duas décadas. Contra um Botafogo comandado por Valdo e com cinco homens no meio, o Grêmio perdeu o setor. O ataque, formado por Marcelinho, Christian e Fábio Pinto, ficou isolado, sem conexão com o meio de Cocito, Leanderson e Ratinho, o armador.
Com dificuldades na criação, Marcelinho e Christian viveram de lampejos. Aos 26 minutos, a estrutura começou a desmoronar. Numa bola que viajou desde a defesa do Botafogo até a área gremista, Baloy, atônito, deu condições a dois adversários. Sandro matou a bola no peito e acertou um voleio no canto de Tavarelli.
Surgiram as vaias. Michel, Ratinho e Élton eram os alvos favoritos da torcida, por causa de seus erros de passes. Até Christian recebeu apupos. Sobrou também para o treinador do Grêmio, chamado de "burro" pelos torcedores. Não faltou nem mesmo o velho pedido para que George entrasse.
Afobado, o Grêmio buscou o empate em chutes de Christian, Cocito e Fábio Pinto, mas a pontaria não ajudou. Aos 41, Marcelinho estava invadindo a área quando foi derrubado por Sandro, o último marcador. O zagueiro recebeu apenas o cartão amarelo. Aos 44, Christian perdeu diante de Max.
No intervalo, o Olímpico entrou em ebulição. A torcida pediu demissão de Adilson.
Acossado pelas vaias, o Grêmio partiu para cima do Botafogo. Aos 13, Rico entrou no lugar de Fábio Pinto e Pitbull substituiu Marcelinho. Seis minutos depois, foi a vez da troca de Ratinho por Léo Inácio. Mudaram apenas os nomes. Aos 26, outro contra-ataque, o Botafogo fez 2 a 0. Luizão, execrado pela torcida do Grêmio, tabelou com Ruy e concluiu de cabeça da marca do pênalti.
A partir daí o Grêmio levou "olé" da sua torcida, a cada troca de bola do Botafogo. Humilhados, os jogadores despertaram. Salvaram a pele de Adilson. A reação veio aos 35 minutos. Élton bateu cruzado da entrada da área e Rico desviou para o gol.
O 2 a 1 deu novo ânimo ao Grêmio, que partiu para cima dos cariocas. Aos 41, Cocito sofreu falta na intermediária. Léo Inácio levantou para a área, Baloy cabeceou para o gol, a zaga afastou mal e Tiago Prado, no rebote, marcou o gol de empate. Aos 48, o zagueiro Gustavo ainda foi expulso. Mesmo com a reação, Adilson e o time saíram de campo sob vaias.
( leandro.behs@zerohora.com.br )
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6:42 AM by Cassiano Leonel Drum
Piscinão de Cannes
Praia do Festival tem topless, cadeiras confortáveis para ver filmes e é cara para chuchu
Ana Lúcia do Vale
CANNES - FRANÇA - Olha a água, olha a água, água mineral. A gritaria tão normal aos ouvidos brasileiros é impensável nas areias de Cannes, na Franca, onde acontece até domingo o 57º festival de cinema da cidade. Praia à francesa tem que ter conforto. Que custa caro, é verdade.
Enquanto no Brasil o aperta daqui que cabe dali rola solto com a cerveja e as cadeiras liberadas pelos quiosques, em Cannes quase tudo é pago. Alugar um guarda-sol com cadeira (acolchoada) fica em média a R$ 60. Isso porque a praia da cidade, que tem metade dos habitantes da Rocinha, ou seja 60 mil cannois, é quase toda dividida entre os restaurantes e hotéis. O luxo comporta até tapete, para que os vips não sujem os pés.
Em compensação, tirar a parte de cima do biquíni ou até a parte de baixo é permitido. E ninguém olha. Ou, pelo menos, finge muito bem. A argentina Marcela Jourchadjikian, 28 anos, está pela primeira vez na cidade dos parentes do namorado, Lucas Paragamian, 27. Mas já está totalmente adaptada aos costumes locais: Cannes e uma mistura.
Significa liberdade. E o mar Mediterrâneo e maravilhoso. A romena Alexandra Mandru, 30, não só faz topless ao lado do marido, Octavian Mandru, 36, como é adepta do fio dental. Praia é para se queimar. Não tem graça se for de outro jeito.
Roberto Javid, 33 anos, era pedreiro e pintor na Espanha, mas encontrou uma maneira mais aventureira de viver. Há um ano começou a fazer esculturas na areia, iguais as de Ipanema. Diz-se autoditada. Um dia, usei a imaginação. Não gosto de rotina, justifica. Roberto jura que fala seis línguas, entre elas o português.
É na praia também que acontece o cineminha noturno em Cannes, tão conhecido dos cariocas. Só que tudo muito organizadinho. Para entrar, tem que se retirar uma entrada antes, no centro de informação turística. Mas vale o estresse. A tela é gigantesca, o som, perfeito, tem segurança, fila sem empurra-empurra e cadeiras acolchoadas.
Só que hoje a praia de Cannes perde o sotaque francês para ganhar o brasileiro. É que tem exibição de Dona Flor e Seus Dois Maridos, o filme de Bruno Barreto, com Sônia Braga, com presença garantida do diretor, que está na cidade para o tributo ao cinema brasileiro. Vai dar até para ouvir olha a água, olha a água mineral.
Acompanhe o festival no blog: http://www.odia.com.br/sites/cannes
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6:36 AM by Cassiano Leonel Drum
Preparação para turbinar o currículo
Com oportunidades de trabalho em oficinas, montadoras, concessionárias ou no próprio negócio, mecânicos precisam se qualificar mais do que nunca, devido à tecnologia
Marcella Franco
Sheila revela que o Senai tem alunos até com 30 anos de profissão
A figura do mecânico tradicional está bem mudada. Foi-se o tempo em que, para diagnosticar um problema, esse profissional tinha que se ajoelhar ao lado do carro e colar o ouvido à lataria. Agora, com o avanço da tecnologia na indústria automobilística, a profissão ganha contornos de modernidade e cria uma nova exigência: para ser um bom mecânico, é preciso buscar capacitação.
Oliveira exibe com orgulho o certificado da ASE: referência no mercado
Isso porque cada vez mais os carros, tanto nacionais quanto importados, vêm apresentando em sua composição um percentual elevado de elementos eletrônicos, diferentemente do que acontecia antigamente, quando mais de 70% do motor se baseava na mecânica. Ficou mais difícil diagnosticar defeitos sem a aparelhagem adequada. Sem o conhecimento dos computadores você não é nada, assegura Wagner de Oliveira, 38 anos, mecânico da concessionária Gastal, em Botafogo.
Na profissão desde os 11 anos de idade, Oliveira já trabalhou na Fiat, e foi através da empresa que ele conseguiu fazer alguns cursos de especialização, como o do Senai. É muito importante estudar. Gostaria de ter feito o Ensino Médio, porque essa profissão exige muitos conceitos de matemática e química, conta o mecânico, que cursou até a 5ª série do Ensino Fundamental. Mas não desisti, ainda vou completar os estudos.
Oliveira é um dos dois funcionários da Gastal que possuem certificado da Automotive Service Excellence (ASE), empresa criada em 1972 nos Estados Unidos. A organização, que hoje serve como referência no mercado da mecânica, também foi introduzida no Brasil com o objetivo de aprimorar a qualidade dos serviços de reparo em veículos.
Para obter esse diploma, você tem que acertar, no mínimo, 55 das 70 questões da prova, explica Oliveira. E, com esse certificado em mãos, é muito mais fácil encontrar emprego.
A Associação de Oficinas acredita que existam pelo menos 18 mil postos de trabalho no Rio, somente no reparo de automóveis
A Associação das Oficinas Reparadoras de Veículos do Rio de Janeiro (Assoverj) tem 3.500 empresas cadastradas. Mas o número de empresas que realmente existem é bem maior, já que a maioria trabalha na informalidade. A Assoverj estima que essas oficinas gerem um total de 18 mil postos de trabalho.
E ainda há espaço para muitos outros profissionais. Um mecânico pode trabalhar, entre outros lugares, em montadoras de veículos, concessionárias, estações de diagnóstico e, claro, dentro da sua própria oficina.
O piso salarial de um mecânico de automóveis é de R$ 400, valor estipulado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do Rio. Quem entra no mercado costuma receber, em média, esse valor, mais bonificações por produtividade. Já profissionais com experiência podem chegar a ganhar de R$ 1.500 a R$ 2 mil.
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6:30 AM by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
17/05/2004
O inimigo
A França se prepara para o ataque do inimigo. Sabe que ele se aproxima mas não sabe exatamente quando aparecerá: até agora, não há sinal dele. Seu último ataque foi arrasador: 15 mil mortos, uma cifra que fica mais espantosa a cada repetição. Mas dizem que é isso mesmo, 15 mil velhinhos morreram de calor, ou conseqüências do calor, no último verão, na França. Pois o inimigo que se aproxima não é o Bin Laden ou similar, e só tem nome de imperador romano psicopata: Canícola.
"La canicule" virá, mas até agora se disfarçou bem. As temperaturas iam começar a subir no meio da semana passada mas até então os dias tinham estado frios e o tempo bom, ruim, bom, ruim, bom, ruim, dependendo da hora em que se olhasse pela janela. O verão do ano passado foi excepcional, mortal como nenhum outro na memória dos franceses, mas a verdade é que o verão sempre foi quente na França, o que torna ainda mais inexplicável seu despreparo diante do inimigo. Canícola nunca atacou com a força do ano passado mas não se pode dizer que seja um traiçoeiro. Sua invasão anual tem até data marcada e se ele demora a aparecer isto não quer dizer que desistiu.
E, no entanto, ventilador é um conceito que recém começa a se banalizar na França. Cinemas e lojas com ar refrigerado são coisas relativamente recentes. Canícola, o Terrível, contou com a cumplicidade de alguns costumes e esquisitices franceses na sua avassaladora campanha geriatricida.
Parece que a maioria das vítimas do último verão não era de velhos que moravam sozinhos, como se pensava, mas de velhos em abrigos e clínicas mal equipados para enfrentar o calor. A nação se mobilizou para que a tragédia não se repita e o governo diz que Canícola, desta vez, encontrará uma defesa alerta e os velhos franceses bem protegidos, alguns até querendo que ele ataque com tudo para ver o que o espera.
Os meteorologistas ainda não sabem qual será a força do calor este ano, mas a França tudo fará para evitar piadas de ingleses, como aquela que dizia que as estradas na França eram arborizadas para o exército alemão poder marchar na sombra. Já teria inglês espalhando que a mortandade do verão passado foi tão grande porque os franceses tratavam os efeitos do calor nos velhinhos com panos quentes.
Tudo isto valeu para que os franceses pelo menos reconhecessem que o verão existe e não é apenas uma anomalia passageira que, coincidentemente, volta todos os anos. Ouvi dizer que já não se encontram ventiladores à venda em Paris. Enquanto isto, Canícola nos espreita de trás dos Pirineus. Não se sabe quais são suas intenções. E eu é que não vou ficar aqui para saber.
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6:28 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
17/05/2004
A séria alta do petróleo
Escândalo Waldomiro Diniz, expulsão e volta atrás na expulsão do jornalista norte-americano, todas estas trivialidades cheiram como perfumaria para o governo perto da grande ameaça para Lula em que se constitui a alta inesperada do preço do petróleo internacional.
O barril do petróleo bateu em US$ 41,38 na sexta-feira passada, o nível mais alto em 21 anos.
Nem no governo Fernando Henrique, que se assombrou com várias crises financeiras internacionais durante seus oito anos de mandato, o petróleo alcançou um tão alto preço na sua cotação internacional.
A Petrobras resiste, mas até o mês que vem terá de reajustar o preço interno dos combustíveis. Isso acarretará um forte impacto sobre a inflação.
É que o preço do petróleo não vai baixar tão cedo, dizem os observadores.
Como o grande e talvez único mérito da administração Lula é a gestão macroeconômica, que se divide entre o Banco Central e o Ministério da Fazenda, não há pior notícia para a relativa estabilidade que vínhamos tendo do que esta alta assustadora do petróleo.
Se o Brasil não ostentasse já a marca de 90% do petróleo que consome sendo produzido no país, esta alta do petróleo significaria para nós uma crise insustentável.
Mesmo assim, a meta da inflação deverá ser atingida em uns três pontos percentuais para cima, o que é trágico.
Isso deverá significar redução do PIB brasileiro e do superávit comercial em cerca de 0,4 ponto em 2004.
Só posso calcular, pelo que sempre li, que os juros serão elevados ou se manterão nesse patamar desanimador.
Daí para o agravamento do desemprego em 2004 é um passo.
Este é portanto o mais sério embaraço para o governo Lula nesses seus quase 17 meses de mandato.
Se os combustíveis forem reajustados aqui dentro do Brasil nos próximos dias, somados aos reajustes das tarifas de energia e telefonia que se anunciam sombriamente para junho e julho, teremos um quadro terrível para o governo descascar até o fim do ano.
Sem falar na alta que logo se verificará nos produtos baseados no petróleo ou que precisam de uso intensivo de energia, como químicos, metais e plásticos.
Não há portanto pior notícia para o Brasil, conseqüentemente para o governo Lula, do que esta alta intempestiva do petróleo.
Pensava-se que a invasão aliada no Iraque fosse aplacar a Opep. Ao contrário, enraiveceu-a.
Os países exportadores de petróleo festejam essa especulação obscena nos preços do produto. Os países importadores amargam-na profundamente.
Digamos assim que o Brasil nem é exportador nem é importador, mas se torna obrigado a cobrar pelos combustíveis aqui dentro o que eles valem lá fora, o que quer dizer para nós, brasileiros, que pagamos o dobro do que vale realmente a gasolina em impostos, que os meses que faltam até o fim de 2004 serão de choro e ranger de dentes.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:25 AM by Cassiano Leonel Drum
Clima
A força das ondas em Tramandaí
Ciclone extratropical que passou pelo Estado no fim de semana agitou o mar, produzindo ondas de até três metros, que invadiram o calçadão de Imbé (foto André Soares, especial/ZH)
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Domingo, Maio 16, 2004
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7:23 PM by Cassiano Leonel Drum
Pantaneiro, um ser em extinção
Os animais estão protegidos. Mas quem vai salvar a cultura do homem do Pantanal?
por Luiz Henrique Fruet, de Aquidauana
fotos Valdemir Cunha
Fazendo água
Só cavalgar não basta nas lidas do Pantanal, é preciso ser vaqueiro até debaixo d'água
Os estudiosos já conseguiram identificar 650 diferentes espécies de aves, 262 de peixes, 1100 de borboletas, 80 de mamíferos e 50 de répteis no Pantanal. Sem contar as mais de 1 700 diferentes espécies de plantas que cobrem esses 140 mil quilômetros quadrados de cerrado, entre o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul, considerado um dos lugares mais exuberantes de natureza em todo o mundo.
Se há até alguns anos várias dessas espécies corriam - e algumas ainda correm - o risco de extinção, a conscientização das populações e dos visitantes e leis rígidas de proteção vêm salvando onças-pintadas, jacarés, veados, araras, quatis e inumeráveis outros tipos de bichos. Há uma espécie, porém, cuja sobrevivência preocupa.
É o homem pantaneiro. Diante da baixa produtividade da pecuária, muitos proprietários de fazendas buscam novos usos para suas terras, arrendando-as ou até trocando a criação de gado pela atividade turística. Em muitos casos, isso significa uma mudança radical na lida dos peões, que não têm outra saída senão se transformar em guias para os visitantes. Quem não se adapta vai procurar emprego em outra fazenda ou, medida extrema, troca o campo pela cidade.
O homem pantaneiro descende dos bandeirantes e dos garimpeiros que, no século 18, cortavam os rios em frágeis canoas, desde as vizinhanças de São Paulo, em direção às minas de ouro da região de Cuiabá. As canoas partiam na época das cheias, no início do ano, para aproveitar o volume de água dos rios. No segundo semestre, durante o período seco, a maioria dos rios desaparecia - como ocorre até hoje. Esgotadas as minas de ouro, alguns garimpeiros partiram para outros lugares, mas muitos, desiludidos, resolveram ficar e praticar a única atividade possível na região: criar gado.
Os rebanhos viviam de acordo com o movimento das águas. Na época da enchente, eram levados para as áreas mais altas. Quando as águas baixavam, vinham comer o pasto dos campos baixos. Os índios praticamente desapareceram, mas até hoje a criação de gado no Pantanal exige grandes áreas para o manejo das boiadas. Se no resto do país um hectare é suficiente para criar um boi, no Pantanal é necessário pelo menos o dobro do espaço.
Não foi por outra razão que as fazendas pantaneiras sempre se caracterizaram por suas grandes extensões. Até poucas décadas atrás, fazendeiro que se prezasse não tinha menos que 50 mil hectares.
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7:12 PM by Cassiano Leonel Drum
A terceira idade das aves
A idade avançada não significa necessariamente sofrimento para o pet nem para o dono. Os cuidados básicos durante a vida são a receita para uma velhice feliz
Por Oswaldo L. Pasqualin (*)
Ao contrário de cães e gatos, a terceira idade não costuma ser cruel com as aves. Os sinais de que a ave está envelhecendo são bastante discretos. Torna-se uma tarefa bastante difícil adivinhar a idade do pássaro por sua aparência. Normalmente, o veterinário só tem idéia de quantos anos o animal tem por meio das informações dadas pelo dono.
Não se verificam alterações de comportamento, mudança de cor ou perda de brilho da plumagem, nem espessamento da pele das patas. O único sinal perceptível é a falha da plumagem, que pode significar carência do hormônio masculino, provocado por falha no testículo ou ainda do hormônio tireoideano, por insuficiência da tireóide, que acontece com maior freqüência em aves mais idosas. Esse problema pode ser resolvido com terapia de reposição hormonal.
Como nada é perfeito, problemas também podem acontecer. Um mal que acomete as aves mais idosas é o derrame cerebral. Ao contrário dos mamíferos, o derrame costuma deixar poucas seqüelas nas aves. Na grande maioria dos casos, a ave não morre e, com o tratamento prescrito pelo veterinário, a chance de recuperação é bastante alta, desde que o derrame não seja muito extenso.
A idade, no entanto, não altera o comportamento, pois continuam a cantar com a mesma freqüência, salvo em casos de hormônios desregulados. Em comum com os amigos de pêlos, as aves apresentam diminuição da atividade e tendem a ficar mais calmas. Aves idosas, assim como cães e gatos, podem sofrer de catarata. Como o aparelho visual das aves é muito especializado e suas proporções muito reduzidas, uma intervenção cirúrgica não é exeqüível.
Independente da idade da ave, se ela estiver imóvel dentro da gaiola, apática, acocorada no poleiro ou com a plumagem arrepiada, leve-a ao veterinário. Esses sinais, na grande maioria das vezes, significam alteração na saúde. Não espere que ela pare de comer para procurar orientação especializada. A inapetência é sinal de que o estado da ave está ruim e merece maior atenção, qualquer que seja a doença. Prestar atenção no estado geral e manter os cuidados básicos de saúde e higiene são as melhores formas de garantir longa vida a seu pet de asas.
Tempo de vida das aves
Agapórnis 12 anos
Arara 60 anos
Cacatua 60 anos
Calopsita 20 anos
Canário 15 anos
Cisne 50 anos
Coruja 27 anos
Diamante de Gould 10 anos
Galinha 12 anos
Loris 20 anos
Papagaio 60 anos
Pássaro preto 10 anos
Periquito Australiano 8 anos
Pomba 20 anos
Fonte: Aviarian News
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7:09 PM by Cassiano Leonel Drum
Terceira idade - O que fazer quando seu amigo se transforma num velho amigo
Trate bem do velhinho
Por Oswaldo L. Pasqualin
A teoria de que cada ano do animal corresponde a sete do humano é infundada. O mais aceito é que o primeiro ano do animal corresponde a uma pessoa com 15 anos, um adulto jovem. Daí pra frente, para cada ano do bicho, contam-se quatro anos, segundo alguns autores americanos. O ciclo de vida médio de cães e gatos varia de 10 a 14 anos e pode ser dividido em cinco fases: a infância até os 6 meses, a adolescência até 1 ano, a juventude até 1 ano e meio. A partir daí, eles entram na maturidade, com seus problemas específicos. Se a cadela não procriou até os 6 anos, uma primeira gestação a partir desta idade é desaconselhável.
Depois dos 7 anos, começaria o que podemos chamar de "terceira idade" do animal. As doenças mais comuns que afetam cães e gatos a partir dessa fase são: renais, de tireóide, de visão, cardíacas, respiratórias, de diabetes e a redução da audição. As artroses na coluna e em outras articulações também são freqüentes, gerando incapacidades de graus variados. Nas raças de cães que têm patas curtas, como o basset e o pequinês, os problemas na coluna podem aparecer mais cedo. E nos gatos elas são mais intensas a partir dos 12 anos.
Fisicamente, a pelagem embranquece, principalmente na região da cabeça. Podem aparecer anormalidades de útero nas fêmeas que tomaram muito anticoncepcional ou não tiveram filhotes. E os machos, por volta dos 9, 10 anos, podem apresentar problemas de próstata.
Cães e gatos, se forem alimentados em excesso, acabam por desenvolver problemas de obesidade. Do ponto de vista comportamental, com a idade avançada - e por uma série de fatores, como as dores -, o cão e o gato podem tornar-se mais ranzinzas e agressivos. No geral, os animais "velhinhos" são bastante parecidos com o humanos "velhinhos".
Se o animal for sempre bem tratado, alimentado e vacinado, as alterações de saúde vão demorar mais a aparecer na velhice.
É importante saber que, ao entrar na terceira idade, há uma natural redução das atividades, quando cães e gatos passam a andar menos e dormir mais, e devem ser respeitados.
Seu pet idoso deve ser submetido a avaliações médicas periódicas e realizar perfis bioquímico e hormonal: exames de dosagem de hormônios, de tireóide, avaliação das funções renal e cardíaca, entre outros. Problemas de pele devem ser tratados o mais rápido possível, para preservar a convivência familiar. Muitas vezes o animal acaba afastado da família por exalar cheiro forte.
Os animais de pelagem longa já têm um cobertor natural contra o frio, mas os cães de pelo curto devem ser agasalhados com roupas quentes, assim como ter suas casinhas colocadas em locais protegidos do vento.
Os cuidados alimentares também são importantes e devem ser adequados conforme as características da doença que o animal apresenta. No caso de distúrbios renais, deve-se diminuir a quantidade de proteína e de sal. Os diabéticos devem evitar açúcares. Para os alérgicos, o recomendável são dietas de baixo potencial alergênico.
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