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Sábado, Maio 29, 2004
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9:09 PM by Cassiano Leonel Drum
CVM libera Caixa para oferta de novo fundo imobiliário
NATHALIA BARBOZA
da Folha Online
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) deu hoje o sinal verde para que a Caixa Econômica Federal inicie a oferta de cotas do novo Fundo de Investimento Imobiliário (FII) Torre Almirante. Cada cota do novo fundo terá valor de face mínimo de R$ 1.000.
Segundo Alexandre Parisi, superintendente nacional de mercado de capitais do banco, a CEF está finalizando os preparativos dos prospectos para distribuir por suas agências e espera começar a venda ainda na primeira quinzena de junho.
Além das agências da Caixa em todo o país, as cotas também serão oferecidas pelo internet banking da CEF a seus clientes e por nove corretoras independentes, cujos nomes estão sendo mantidos em segredo.
Segundo Parisi, a expectativa da Caixa é que o novo fundo repita o sucesso de vendas de seu antecessor, que esgotou seus cotas em 75 dias. Pelas regras da CVM, o banco tem 180 dias para vender os papéis. Só assim o FII se consolida e pode passar a comercializar as cotas no mercado secundário da Soma (Sociedade Operadora do Mercado de Ativos), ligada à Bovespa.
A previsão é que cada investidor adquira "até um pouco mais" do que os cerca de R$ 20 mil verificados no FII Almirante Barroso. Segundo estudo da Colliers International, empresa de consultoria imobiliária internacional, a rentabilidade das cotas, lastreadas no aluguel --que será corrigido pelo IGP-M-- dos espaços do edifício poderá chegar a 13% ao ano. O cálculo é baseado num rendimento de 1% ao mês.
"Triple A"
O novo FII é lastreado no empreendimento Torre Almirante, que fica no centro do Rio de Janeiro, a uma quadra do Almirante Barroso. O novo edifício comercial é um "triple A" (de altíssimo padrão), com 41 mil metros quadrados de área privativa --há um edifício-garagem anexo com 400 vagas. Segundo Parisi, a expectativa é que o prédio seja inaugurado no dia 6 de outubro.
A CEF mantém no novo produto a parceria com o Banco Ourinvest na administração condominial do prédio.
O FII será dono de 40% da fração ideal do prédio, cujo valor patrimonial foi orçado em R$ 269 milhões. Os outros 60% são de propriedade da Hines, responsável pela incorporação do empreendimento. Com isso, o fundo nasce com patrimônio de R$ 104,7 milhões. A remuneração dos cotistas virá do ganho com a locação das lajes, que já está sendo ofertada a várias empresas.
O superintendente da Caixa ressalta que, neste quesito, o FII Torre Almirante será diferente de seu antecessor, já que os cotistas do fundo Almirante Barroso recebem os ganhos da locação de todo o prédio de mesmo nome feita à própria Caixa.
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9:31 AM by Cassiano Leonel Drum
Ponto de vista: Lya Luft
Nós, os Picassos
"Não falo em sermos Picassos-artistas, mas Picassos da vida. Para esse homem maravilhoso, o tempo não existia. E não existe,
mesmo. Picasso não se aposentou da existência, como em geral fazemos aos 50 anos, aos 60 ou pouco mais, se é que não nascemos já aposentados"
Todos somos Picassos. Só não sabemos disso. Foi o que descobri ao visitar a bela exposição de obras do pintor espanhol, em cartaz na Oca do Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Tudo lindamente organizado, uma guia tranqüila falando baixo, dando-nos tempo de olhar, refletir, sentir. Perfeito.
Ilustração Ale Setti
Simplesmente sonhar para que outros sonhem junto, não é isso o que fazem em boa parte os artistas? Bom, eu pensava enquanto apreciava a mostra, a gente é uma multidão de picassinhos, mas bobos demais para nos darmos conta disso, prisioneiros da nossa cotidiana mediocridade, jogando fora a nossa vida. Que pena, que pena...
Um dia desses, estressada, resolvi fazer aquarela. Pois é, logo aquarela, que é tão difícil. Tive aulas com uma amiga, grande pintora, mas, quando ouvi as explicações e abri os belos livros que ela me emprestou, constatei mais uma vez que não queria aprender teoria nenhuma (a esta altura da vida, ando empenhada em desaprender uma porção de coisas). Fiz umas aquarelas ruins, desobedecendo propositadamente às instruções mais elementares.
Mas os títulos eram bem bonitos: Flores Espantadas ao Sol, Olho Azul Aguardando o Amanhecer, Ascensão Perplexa. Percebi que meu território continuava sendo o das palavras e desisti de pintar. Não sem antes combinar com minha amiga que um dia faríamos uma exposição (ela como curadora), em que minhas poucas aquarelas ficariam voltadas para a parede, só os títulos à vista. A exposição se chamaria Versos de Aquarelas. Demos boas risadas: grande terapia.
De modo que não falo em sermos Picassos-artistas, mas Picassos da vida. Para esse homem maravilhoso, o tempo não existia. E não existe, mesmo: funciona para demarcarmos o horário de nossas atividades, como alimentar as crianças ou matar o semelhante, contemplar ou criar a beleza, atormentar alguém de quem queremos nos vingar (essa é mais comum do que imaginamos, ai de nós).
Para Picasso, que enfrentou grandes conflitos pessoais e mundiais, a vida era um dom precioso demais para ser desperdiçado. Ele a valorizou, apreciou, respeitou. Soube ser sério, soube ser doido, soube ser humano, soube ser brincalhão, soube ser igual aos mais simples. Criou obras incríveis, cometeu erros como todo mundo, foi amigo, apaixonou-se e fez filhos mesmo numa idade que, para a maioria de nós, os acovardados, é o começo do fim, é a morte antecipada pelo preconceito ou pela acomodação.
Picasso não se aposentou da existência, como em geral fazemos aos 50 anos, aos 60 ou pouco depois, se é que não nascemos já aposentados. Vestimos o pijama ainda que metafórico, arrastamos as pantufas pelo corredor da vida, para nos sentarmos na cadeira de balanço da amargura, abraçados à almofada das eternas lamentações ¿ ah, como fomos injustiçados, como nada deu certo para nós, que tanto nos sacrificamos...
Nem imaginamos que poderíamos, ainda, ou pela primeira vez, tomar nas mãos as rédeas da nossa sorte e criar: se não quadros maravilhosos, pelo menos a nossa própria vida ¿ enquanto palpita em nossa alma alguma emoção, e brilha alguma inquietação em nosso pensamento.
Lya Luft é escritora
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9:29 AM by Cassiano Leonel Drum
Jorge Mattoso
Social com lucro
Presidente da CEF investe pesado na inclusão dos sem banco, busca atrair a classe média e aumentar os
rendimentos da instituição
Ana Carvalho, Célia Chaim
e Florência Costa
Terceiro maior banco do País, a Caixa Econômica Federal (CEF), uma das instituições mais históricas do País, vive uma experiência nada ortodoxa no governo Lula: está sob a guarda de um ex-comunista que há 30 anos lutava contra a ditadura, chegando a ser preso, torturado e exilado. Mas o economista gaúcho Jorge Mattoso formado pelo Instituto Universitário de Estudos do Desenvolvimento, em Genebra, com mestrado pela Sorbonne e doutorado na Unicamp , hoje com 54 anos, faz questão de mostrar seu lado capitalista também.
Sua meta é conciliar valores aprendidos na cartilha ideológica esquerdista (igualdade e justiça social) com os do livre mercado: a competitividade e a busca do lucro. Sua tarefa não é pequena à frente da CEF, nascida há 143 anos, por decisão do imperador dom Pedro II, com o intuito de oferecer empréstimos e incentivar a poupança popular. Como bom revolucionário, Mattoso segue à sua maneira a máxima de Che Guevara (Hay que endurecer sin perder la ternura jamás).
Endurece na guerra da selva capitalista, buscando aumentar seu espaço e melhorar cada vez mais sua performance no ranking financeiro, oferecendo produtos atraentes para o público de classe média que quer atrair. Mas, ao mesmo tempo, não perde a ternura, ao manter e até aumentar a função social, que no passado fez com que os escravos depositassem suas parcas economias para comprar a alforria. Na segunda-feira 31, Mattoso anuncia um novo passo, fora do Brasil: lança o cartão da CEF para que os brasileiros que moram nos EUA possam remeter dinheiro para o País.
ISTOÉ Como a Caixa está ajudando no espetáculo do crescimento?
Jorge Mattoso A Caixa tem tido um desempenho muito positivo em todas as áreas, eu diria até inovador. No primeiro trimestre de 2004, a Caixa teve o maior lucro líquido de sua história (R$ 404 milhões) e colocou recursos de crédito na área de habitação e saneamento como em nenhum outro momento. Aumentamos em 30,6% o crédito comercial e de desenvolvimento urbano (R$ 6,4 bilhões), em comparação a março de 2003. Investiremos 70% a mais do que no ano passado em habitação e saneamento. Portanto, a CEF tem feito o possível para alavancar recursos, de diferentes fontes do FGTS, FAT, Orçamento Geral da União, de outros ministérios e recursos próprios , para favorecer a expansão do crescimento econômico e da atividade produtiva.
ISTOÉ Essa lentidão na retomada do crescimento não é um complicador?
Mattoso Nossa tendência é de olhar para trás. O processo de recuperação da atividade produtiva e da atividade econômica foi no ano passado. Em 2004, não está sendo lento. Os dados de emprego, do PIB, que serão anunciados, vão mostrar que o crescimento tem sido acentuado neste primeiro trimestre. Houve uma lentidão maior do que a esperada no ano passado, a partir da redução da taxa de juros em julho, mas esse processo foi retomado, o que deverá garantir os 3,5% de crescimento. Nossa expectativa, e esse é o grande desafio, é tornar esse crescimento sustentado em taxas de investimentos apropriadas. Isso significa, além do esforço feito na área comercial, acelerar o processo da Parceria Público-Privada (PPP) e criar mecanismos de investimentos.
ISTOÉ Esses dados não chegaram à opinião pública...
Mattoso O primeiro semestre do ano passado foi muito difícil. Foi necessário, em razão do legado, tomar atitudes drásticas do ponto de vista fiscal e monetário. É óbvio que teve efeito no crescimento, que foi de zero. Passou um ano e todos sabem que o período de graça dura um tempo, mas acredito que as expectativas, que são muito grandes, serão cumpridas. As pessoas vão ver o crescimento, vão ver as taxas de desemprego baixarem.
ISTOÉ Quanto a Caixa pensa em investir para aquecer a construção civil?
Mattoso No ano passado investimos R$ 5 bilhões em habitação e mais de R$ 1,7 bilhão em saneamento. Os gastos de saneamento foram os maiores já realizados nos últimos dez anos. Na semana passada, assinamos contratos de mais R$ 2 bilhões com Estados, municípios e empresas de saneamento. Isso já se reflete no emprego. A Caixa é responsável por 91% dos financiamentos de habitação e saneamento. Isso só é bom se eu olhar para o umbigo da Caixa porque demonstra a responsabilidade social da instituição e do governo.
Para que a construção civil tenha o desempenho que teve no passado, com relação à geração de emprego e renda, é indispensável uma maior participação do setor privado. Por isso estamos apostando nos fundos imobiliários e de direitos creditórios. Estamos inclinados a mexer com mercado de capitais a partir de uma maior participação privada.
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9:07 AM by Cassiano Leonel Drum
Revista Veja
Edição 1856 . 2 de junho de 2004
Diogo Mainardi
No chiqueiro de Jiangsu
"A soja brasileira é empregada pelos chineses sobretudo como ração para porcos e frangos.
Em matéria de ração para porcos e frangos, não tememos a competição de ninguém"
A China é tão boa assim para o Brasil? Então por que Lula não toma coragem e assina um acordo de livre-comércio entre os dois países? Poderíamos vender ainda mais soja para lá. A soja brasileira é empregada pelos chineses sobretudo como ração para porcos e frangos. Em matéria de ração para porcos e frangos, não tememos a competição de ninguém. O Brasil pode não ter se transformado no celeiro do mundo, como esperávamos algumas gerações atrás, mas o que plantamos dá e sobra para engordar os animais dos chineses. O Brasil é o rei do chiqueiro de Jiangsu. O Brasil é o rei do galinheiro de Zhejiang.
Outro dia dois carregamentos de soja brasileira foram interditados pelas autoridades sanitárias chinesas. O produto era impróprio para o consumo. Tinha fungicida demais. O problema, segundo o ministro da Agricultura, foi causado pela "má-fé, ganância e imediatismo" das empresas nacionais. Se o Brasil vende comida contaminada lá fora, com cotação em dólar, imagine o que comemos aqui dentro, com pagamento em real.
A soja brasileira é tratada com muito fungicida para combater pragas como a ferrugem asiática. Curiosamente, a ferrugem asiática é originária da própria China. Deve ser isso que os economistas chamam de indústria de transformação: a gente vende matérias-primas como soja e ferro para os chineses, eles mandam de volta o produto acabado, a ferrugem asiática.
A China pediu o apoio do Brasil na Organização Mundial do Comércio. Quer receber o título de economia de mercado, a fim de evitar a imposição de barreiras comerciais aos seus produtos. O pleito dos chineses não tem nada de escandaloso. Afinal, até o Brasil é considerado uma economia de mercado pela OMC. O principal acordo assinado na viagem de Lula à China foi entre a estatal brasileira Petrobras e a estatal chinesa Sinopec.
Outro acordo importante foi entre o banco estatal brasileiro BNDES e o banco estatal chinês Citic. A estatal brasileira Ctsul e a estatal chinesa Cmec também ratificaram um acordo para construir uma termelétrica a carvão em Cachoeira do Sul, que venderá energia ao governo do Estado do Paraná. Como se pode perceber, trata-se de duas vigorosas e convictas economias de mercado.
O Brasil está analisando a possibilidade de apoiar a China na OMC, mas a contrapartida deverá ser o apoio da China às nossas pretensões de obter uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. Caso isso aconteça, o Brasil sairá perdendo. As resoluções da ONU tendem a criar atritos, e os atritos prejudicam os negócios. Lula sabe disso, tanto que, em seus discursos na China, jamais mencionou as violações dos direitos humanos no país.
A propósito, o Brasil terá problemas no ano que vem. Faremos parte da Comissão de Direitos Humanos da ONU. Algumas semanas atrás, México e Peru condenaram o regime de Cuba, desencadeando a ira de Fidel Castro. Como se comportará o Brasil quando tiver de votar uma resolução desse tipo? Com Fidel ou contra Fidel? Com a China ou contra a China?
O Brasil sempre atraiu investimentos dos retardatários do capitalismo. Na década passada, Portugal e Espanha. Agora, China. Quem sabe um dia o capitalismo também chegue por aqui, mesmo que depois do último retardatário.
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8:59 AM by Cassiano Leonel Drum
Cigarro mata oito por hora
Dia Mundial sem Tabaco, segunda-feira, terá ações contra o hábito de fumar
Daniella Daher
Das pessoas que adoecem de diferentes tipos de cânceres, 90% são fumantes e 3%, fumantes passivos. No Brasil 33 milhões de pessoas fumam, e o cigarro mata, em média, oito brasileiros por hora, com quase 200 mil mortes por ano. Ficou impressionado? Pois é para ficar mesmo.
Segunda-feira é comemorado o Dia Mundial Sem Tabaco. Este ano, a data traz o tema Tabagismo e Pobreza: um ciclo vicioso. O Brasil foi escolhido pela Organização Mundial de Saúde como sede das atividades em reconhecimento ao trabalho no controle do tabagismo.
Para marcar a data, o Ministério da Saúde apresentará dados do Inquérito Nacional sobre Tabagismo, que aponta diminuição no consumo de tabaco entre os brasileiros nos últimos 20 anos. Também serão mostrados resultados de pesquisa sobre hábitos relacionados ao tabaco de jovens entre 13 e 15 anos.
Para reforçar a campanha antitabagismo, o Ministério da Saúde assinará portaria incluindo o tratamento da dependência do tabagismo no âmbito da atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS).
O País também está organizando uma associação que engloba todas as instituições nacionais que realizam trabalhos voltados ao tratamento do tabagismo a Associação Brasileira para Tratamento e Controle do Tabagismo (AbraTT) para padronizar os trabalhos e unir forças contra o mal.
Atividades do Dia Mundial sem Tabaco
Mais de 50 crianças e adolescentes, pacientes do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), serão os atores principais das comemorações do Dia Mundial sem Tabaco. Para dar aos fumantes bons motivos para abandonar o cigarro, pacientes de enfermarias e ambulatórios de Pediatria e de Adolescentes fizeram desenhos e escreveram mensagens que integram a exposição pare de fumar.
O objetivo da exposição, que fica aberta até sexta-feira, é fortalecer, no público infanto-juvenil, a consciência antitabagista. De acordo com a OMS, 99% das pessoas que dão as primeiras tragadas durante a adolescência se tornam fumantes.
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8:49 AM by Cassiano Leonel Drum
O mal do século
Inimiga número um das mulheres, a celulite ameaça a auto-estima feminina. Conheça as causas, como prevenir e os tratamentos que funcionam
A descoberta de que até Juliana Paes, que tem o corpo que toda mulher pediu a Deus, tem celulite, é o sinal dos céus de que não importa o número do manequim nem a idade: cuidar e prevenir o mal feminino do século é fundamental para qualquer mortal.
E maneiras de tratar é o que não faltam. Drenagem linfática, ultra-som, vácuo e mesoterapia, cremes e extratos de alcachofra e um aparelho chamado Manthus são alguns dos tratamentos que podem ajudar no combate à celulite.
Todas reclamam desse problema. Tanto as magras quanto as gordinhas, da adolescência à velhice, conta a médica especializada em estética Anna Verônica Ziccarelli, da clínica La Belle, que aposta na combinação de extrato de alcachofra com o Manthus. Manthus é o ultra-som combinado com correntes estéreo-dinâmicas, que fragmenta a gordura mais rápido e libera o sistema linfático, explica.
Na clínica Hagla, a novidade do momento é a mesoterapia com iohimbina no combate à celulite
A dica é não parar nunca de prevenir. Isso quer dizer beber muita água, fazer atividade física, evitar o estresse e o cigarro e, claro, tentar manter uma alimentação balanceada. Se levarmos em conta que o fator genético e o hormonal são grandes atuantes nesse caso, é bom investir nessa listinha de aliados.
Associado a isso, a mesoterapia também pode ajudar a enfrentar a guerra. Qualquer coisa que atrapalhe a circulação ajuda a desenvolver a celulite. A culpa não é do refrigerante ou do salgadinho, mas da dosagem. Cada coisa dá sua contribuição, diz a especialista em Medicina Estética Morgana Waked, da HAGLA, que investe na mesoterapia com injeções de iohimbina, que estimula a lipase, substância que quebra a gordura.
Só não dá para abrir mão de uma avaliação médica antes, para definir medicamentos e dosagens. O ideal é combinar algumas técnicas, como a drenagem, ultra-som, mesoterapia e a vacuoterapia, que atua com ventosas na produção de colágeno, aconselha Luciene Godoi, fisioterapeuta da Le Ru.
Não existe milagre, mas há boas condutas que podem melhorar em até 70% o quadro. A celulite tem estágios e quanto mais você tem, mais você vai ter. Então, quanto antes começar a tratar, melhor, avisa a dermatologista Mônica Azulay, que vê nos cremes uma boa opção, com eficácia de até 30%. Mãos à obra.
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8:43 AM by Cassiano Leonel Drum
Pura sedução
Todos os tons de batom vermelho deixam o outono mais sexy
Marcia Disitzer
Fatal, o batom vermelho recupera o posto de queridinho nessa estação. Para mostrar todas as nuances dessa cor, o Caderno D+Mulher convidou o cabeleireiro e maquiador Mauro Brettas, do Crystal Hair, para revelar os truques dessa arma de sedução. O batom vermelho está em alta porque, na moda, esse momento é de muito glamour, analisa ele.
Mas deve ser usado com muita cautela. Batom vermelho é batom vermelho e mais nada, só rímel, emenda Mauro. A cor da pele e a do cabelo determinam o tom adequado para cada mulher. O vermelho aberto combina com as clarinhas; as negras devem optar pelo vermelho que puxa para o vinho e uva, diz Brettas. Já as morenas devem escolher o batom cor de cereja, resume.
Para o dia, Mauro recomenda o vermelho-gloss. É preciso sempre ter cuidado. Batom vermelho usado de maneira equivocada pode vulgarizar a mulher, ensina.(Fotos Isabela Kassow)
Mauro escolheu fazer uma maquiagem básica na morena Mariah Smigay. A pele ganhou um ar saudável e nos lábios, batom cereja fosco. Um truque legal é usar o batom no centro da boca e espalhar, ensina o maquiador.
Mauro transformou a modelo Letícia Wohlers numa lolita moderna. No estilo anos 50, ela usa batom vermelho aberto, opaco, que realça os lábios. Na pele, apenas blush e nos olhos, muito rímel. Repare que a maquiagem é nada. Quem usa batom vermelho deve ser comedido, resume Brettas.
FICHA TÉCNICA: MODELOS Tatiana Macei e Letícia Wohlers (Ag.Ford) e Mariah Smigay (Ag.Mega); CABELO E MAQUIAGEM Mauro Brettas (Crystal Hair: 2267-7486); PRODUÇÃO Mariana Salim.
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8:38 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
29/05/2004
Um pedido de socorro social
O Pão dos Pobres completará, em 15 de agosto, 109 anos. A que se deve essa longa duração no tempo? Cremos piamente ter sido a fidelidade à vontade de seu fundador, o cônego Marcelino de Souza Bittencourt. Recolher as crianças pobres e órfãs, em tenra idade, com intuito de ALIMENTAR-LHES O CORPO, ILUMINAR-LHES A MENTE, EDUCAR-LHES O CORAÇÃO E TREINAR-LHES AS MÃOS (profissionalizando-as).
Há mais de 108 anos o Pão dos Pobres abriga 300 crianças e adolescentes, órfãos e pobres, com uma tênue referência familiar que os expõe, não fossem recolhidos, a um convívio social de alto risco para a construção de sua personalidade.
Permanecem no Pão dos Pobres até completarem um curso profissionalizante, que se inicia quando atingem a idade de 16 anos. Após o curso e já com a maturidade dos 18 anos, são devolvidos à sociedade como BONS profissionais e profissionais BONS. O processo é longo, mas não se faz, absolutamente, educação em curto prazo. Ao iniciarem sua profissionalização, outros adolescentes, também pobres, associam-se aos internos, e constituem um grupo de 400 adolescentes em regime de profissionalização.
Durante todo esse tempo, não se tem conhecimento de uma rebelião ocorrida no Pão dos Pobres, nem da queima de um colchão sequer. É fácil entender: não lhes foi roubada sua infância; usufruíram um dos direitos fundamentais preconizados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. O direito de terem limites. Esses limites são-lhes e foram-lhes impostos pelos educadores, obedecendo a um princípio pedagógico de São João Batista de La Salle: "Os mestres amarão ternamente seus alunos. No trato com eles, deverão sempre associar a ternura da mãe e a firmeza do pai".
A casa que abriga essas crianças e adolescentes, bem como os prédios em que se localizam as oficinas e laboratórios da profissionalização, clamam por socorro, e socorro urgente. Construídos na década de 20, carecem de uma reestruturação e modernização em todos os capítulos, desde a parte estrutural, de revestimento, de elétrica, de hidrossanitária, até o que hoje se torna imprescindível, o capítulo da lógica para uso e ensino da computação.
Quem construiu o Pão dos Pobres foi a sociedade porto-alegrense, representada por milhares de pessoas físicas e jurídicas, bem como do apoio do poder público. A todos esses homens e mulheres de boa vontade, nós chamamos de benfeitores. Nossas crianças, nada podendo retribuir, renovam diariamente o propósito de aproveitarem a oportunidade, e religiosamente erguem a Deus suas preces, nas intenções dos benfeitores vivos e falecidos.
Visto que o Pão dos Pobres pertence à sociedade porto-alegrense, e o Pão dos Pobres necessita reestruturar-se e modernizar-se para enfrentar mais cem anos de benemerência, é a esta mesma sociedade que fazemos nosso apelo de apiedar-se dos desvalidos e abandonados, apiedar-se na concepção aristotélica de piedade. Piedade para Aristóteles significou sempre SOLIDARIEDADE, e uma das características do nosso povo, em relação ao Pão dos Pobres, nos mais de cem anos, incontestavelmente foi a solidariedade que nele a Instituição sempre encontrou.
O texto acima não é meu. É do irmão Valério Menegat, que dirige o Pão dos Pobres. Trata-se de um pedido de socorro social, que tem preferência absoluta nesta coluna. Doando um pouquinho de nós, estaremos contribuindo para esta gigantesca obra.
Para doar R$ 10, disque 0500 2004 010. Para doar R$ 20, disque 0500 2004 020. Para doar R$ 30, disque 0500 2004 030.
Vamos dar força para esta estupenda realização!
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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8:36 AM by Cassiano Leonel Drum
Cláudio Moreno
29/05/2004
Migrações
Às vezes sonhamos com a possibilidade de acompanhar o trajeto de uma palavra sobre o mapa do mundo, como se ela tivesse um passaporte onde ficasse registrado seu ponto de origem e seu ponto de destino. Existe, no entanto, uma verdadeira rede de contatos entre as línguas do mundo, tornando, muitas vezes, quase impossível saber quem contribuiu com o quê - quem é pai, quem é filho, quem é irmão, quem é sobrinho.
Por exemplo: boucanier, no Francês, designava os habitantes das ilhas de Hispaniola e Tortuga que caçavam bois selvagens e defumavam sua carne numa espécie de grelha conhecida em Francês por boucan, que veio do moquém dos nossos indígenas. Com o tempo, esses boucaniers encontraram uma atividade mais lucrativa na pirataria, levando o nome com eles. Em 1661, registra-se o uso de buccaneer no Inglês no primeiro sentido; em 1690, já aparece para designar os piratas das Antilhas. Finalmente, no século 19 entrou na nossa língua como bucaneiro!
Este é um caso especial: uma palavra nossa, nativa, produziu uma derivada francesa, que se tornou comum nas Antilhas, ingressando no Inglês, no Espanhol e - lá vamos nós! - no Português moderno. É um caso de influência Tupi no Inglês? Ou influência francesa? E no caso da nossa língua, não conta como importada, porque saiu do nosso próprio quintal?
Se o Português hoje é francamente importador, já foi fornecedor de vocábulos novos para o léxico do Inglês e das demais línguas modernas. Não podemos esquecer que, no século 16, no seu impressionante avanço pela África e pela Ásia, Portugal tornou-se os olhos e os ouvidos de toda a Europa, trazendo do Oriente especiarias, frutas, animais e costumes exóticos, todos eles acompanhados pelas palavras que os denominavam. Foi pela mão portuguesa que entraram nas línguas ocidentais termos como macaco, chimpanzé, manga, banana, mosquito, quimono, mandarim.
Com a descoberta e a ocupação do Brasil, os portugueses espalharam no continente europeu os nomes das plantas e animais do novíssimo mundo: não há bom dicionário de Inglês que não inclua piranha, tapioca, caju (cashew, escrevem eles), curare, jaguar, entre muitos termos oriundos de nossas línguas indígenas. Além dessas, algumas palavras realmente portuguesas terminaram sendo incorporadas pelo léxico do Inglês. Por exemplo:
negro - (igual, com a pronúncia /nigro/) Infelizmente, Portugal também ficou famoso pelo domínio mundial do tráfico negreiro, e não é de espantar que o termo negro tenha sido adotado pelo Inglês para designar especificamente o africano escravizado.
albino - (igual, no Ing.) O termo vem de albo, forma antiga de alvo, sinônimo de branco; o termo foi usado por um explorador português do século 17 para designar os primeiros negros-aças que ele avistou na África. Depois, generalizou-se para qualquer ser vivo despigmentado, inclusive animais - entre os quais se incluem o elefante branco da Tailândia, a vaca branca da Índia e, possivelmente, a baleia Moby Dick.
cobra - (igual, com a pronúncia /coubra/) Ao lado do genérico snake, usam cobra para designar aquelas serpentes que têm a capacidade de inflar a pele do pescoço, formando uma espécie de sinistro capuz, como a naja. Quando os portugueses chegaram à Índia em 1496, deram a este estranho animal o nome de "cobra de capelo" (cobra de capuz); os ingleses importaram o nome, mas reduziram-no para cobra.
casta - (no Ing., caste) Casta é o feminino de casto, adjetivo que significa "puro, intacto"; como substantivo, designa uma linhagem vegetal ou animal com origem comum e caracteres semelhantes. Os portugueses usaram-no para designar os fechados grupos sociais em que se dividia a sociedade da Índia; logo o Inglês e a maioria das língua européias adotaram o vocábulo.
tanque - (no Ing., tank) No início, significava apenas "reservatório". Durante a I Guerra, contudo, quando os ingleses secretamente desenvolveram os primeiros carros de combate que rodavam sobre esteiras, espalharam o boato de que estavam construindo reservatórios de água motorizados para a campanha na Mesopotâmia, escrevendo "tank" nos engradados de madeira que levaram as peças para o solo francês, onde foram montados para entrar em ação.
marmelada - (no Ing., marmalade) Na tradição culinária portuguesa, é o tradicional doce de marmelo (sólido ou em forma de geléia), que acabou sendo suplantado, no Brasil, pela invencível goiabada.
O termo foi levado para a Inglaterra, no entanto, para designar o doce feito com a polpa de qualquer fruta, especialmente as cítricas; basta ver que a campeã inglesa de preferência é a orange marmalade, uma "marmelada" de laranja. "Marmelada de banana, bananada de goiaba, goiabada de marmelo" - escreveu Gilberto Gil, na música do Pica-Pau Amarelo. Nada mais britânico!
claudio.moreno@zerohora.com.br
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8:34 AM by Cassiano Leonel Drum
Clima
O Sul enregelado
Geada da manhã seguinte à noite mais fria do ano congelou até galhos de árvores, como em São Joaquim (foto Susi Padilha, Agência RBS/ZH)
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12:37 AM by Cassiano Leonel Drum
Sociedade
Lugar de homem é na cozinha
Pesquisa mostra que o altar não é mais o principal objetivo das mulheres, que não se conformam com a falta de divisão das tarefas em casa
Celina Côrtes
A idéia de que o casamento é o sonho dourado da mulher, enquanto o homem foge do altar como o diabo da cruz, prevalece desde a invenção das alianças e ainda inspira quase todas as comédias românticas. Mas tudo indica que essa idéia está com os dias contados. Uma pesquisa recém-concluída com dois mil homens e mulheres no Brasil mostra que, como fonte de felicidade, o casamento já é menos importante para elas do que para eles. O levantamento é parte de um estudo feito em 38 países e coordenado pela International Serving Social Program, entidade que mensura o impacto da entrada da mulher no mercado de trabalho.
A pesquisa deixa claro ainda que, para ela, o marido é cada vez menos importante do que a carreira. No Brasil, os pesquisadores detectaram motivos bem racionais para o desencanto da mulher com a idéia do doce lar. Um deles é a resistência dos homens em dividir os afazeres domésticos com uma parceira que trabalha fora de casa. Para ambos, no entanto, há uma incontestável fonte de realização pessoal, que a correria dos novos tempos atrapalha: acompanhar o crescimento dos filhos.
O estudo foi realizado no Brasil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pelo Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). Os números mostram que as mulheres já representam metade da população economicamente ativa. Também contabilizam 50% das matrículas da escola básica às universidades. Chefiam uma em cada quatro famílias e aumentam sua participação nos cargos eletivos. Ao mesmo tempo, continuam reinando como donas-de-casa.
O paradoxo explica uma das maiores descobertas da pesquisa: a maioria dos homens (57%) acha que os casados são mais felizes do que os solteiros. De outro lado, apenas 44% das mulheres consideram que as casadas são mais felizes do que as solteiras. O casamento deixou de ser central na vida da mulher, sentencia a socióloga baiana Clara Maria Araújo, uma das coordenadoras do estudo.
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Sexta-feira, Maio 28, 2004
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7:09 PM by Cassiano Leonel Drum
Caixa fêz hoje sorteio do PAR
O ministro das Cidades, Olívio Dutra, o prefeito de Porto Alegre, João Verle, o superintendente institucional da Caixa Econômica Federal/RS, Valdemir Colla, e o diretor do Demhab, Flávio Helmann, participaram hoje, às 16h, no auditório da Caixa, do sorteio que permitiu o ordenamento dos 3.280 inscritos para o Programa de Arrendamento Residencial.
O resultado esta divulgado nos murais em frente à Prefeitura (Siqueira Campos, 1300).
Parabens aos contemplados.
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6:59 PM by Cassiano Leonel Drum
Paim diz que governo será derrotado no Senado se insistir no mínimo de R$ 260
15:46 28/05
Agencia Brasil
O senador Paulo Paim (PT-RS) afirmou hoje que o governo será derrotado no Senado, se insistir na proposta de salário mínimo de R$ 260, e contabilizou 53 votos, dentre os diversos partidos, inclusive da base governista, favoráveis a um valor maior para o mínimo.
Paim advertiu sobre o perigo que poderá representar um fechamento de questão, dentro da bancada do Partido dos Trabalhadores, em torno da medida provisória do mínimo de R$ 260. Segundo ele, a decisão poderá gerar a desobediência "de muitos deputados e senadores" e conseqüente expulsão desses parlamentares, o que representaria "um sério desgaste político para o governo Lula".
Pelos cálculos de Paim, haveria hoje no Senado 53 votos contra a proposta do governo, sendo três do PT (o próprio Paim, Serys Slhessarenko (MT) e Flávio Arns (PR); 17 do PFL; 12 do PSDB, 3 do PSB, 5 do PDT, 3 do PL, 2 do PPS e 7 do PMDB (um terço da bancada), além do voto da senadora Heloísa Helena (sem partido-AL), expulsa do PT por divergir de orientações partidárias. Na Câmara, são 21 os deputados "rebeldes" do PT, que se manifestaram por meio de nota ontem (27).
Paulo Paim garantiu que, se a proposta do salário mínimo do governo passar na Câmara, será rejeitada no Senado, e calculou que haverá número suficiente no Senado, mesmo que haja uma desistência de até 15% dentre os senadores, que ele conta que votarão contra o governo. O senador gaúcho disse que, como aliado do governo, tem procurado ajudar ao governo, advertindo seus dirigentes sobre determinadas posições, como fez ao chamar a atenção para a inconstitucionalidade da contribuição dos inativos, que está sendo julgada no Supremo Tribunal Federal. Um pedido de vistas suspendeu o julgamento, quando estava em dois votos a um, pela inconstitucionalidade.
Segundo Paim, o governo tem três alternativas na votação do salário mínimo: fechar questão e expulsar os rebeldes; não fechar questão e perder a votação, que imporia outro valor para o minimo; ou, segundo ele, "construir uma saída negociada com outro valor que não o de R$ 260 e que pode ser o de R$ 275 proposto pelo relator da medida provisória". O relator da MP do mínimo foi o deputado Rodrigo Maia (PFL-RJ).
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7:53 AM by Cassiano Leonel Drum
Sem parar
No corre-corre do dia-a-dia pode até passar batido, mas opção de lazer é o que não falta na centenária Avenida Rio Branco, que se orgulha do charme de cafés, livrarias e edifícios históricos
Tatiana Contreiras
A livraria da Travessa , no número 44, fica no térreo do edifício do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e ainda abriga o Bazzar Café, no mezanino
Quem passa apressado pela Avenida Rio Branco, entre a multidão que parece não ter fim, nem sempre se dá conta de que a antiga Avenida Central, outrora passarela da elegância carioca, abriga entre seus 25 cruzamentos verdadeiras preciosidades urbanas. Entre os modernos arranha-céus, ainda há espaço para lugares e hábitos tradicionais e novidades, por que não?
Na via que completa este ano 100 anos de construção. Criada inicialmente para facilitar o contato direto com o Porto, a Avenida Central foi aberta em tempo recorde: de 8 de março de 1904, quando a primeira casa veio abaixo, a 7 de setembro do mesmo ano, quando foi liberada para o trânsito. A inauguração oficial foi em 15 de novembro de 1905. Centro nervoso da cidade, a Rio Branco hoje tem opções que nem sempre aparecem à primeira vista, mas valem ser procuradas.
Logo ali, na Praça Mauá, o moderno RB1 abriga de academia de ginástica a restaurantes. Mas poucos estabelecimentos são mais tradicionais do que a Leiteria Mineira, que oficialmente fica na Rua da Ajuda há mais de 40 anos mas vá dizer isso para o passantes da Rio Branco e os freqüentadores que não deixam o sanduíche americano e a coalhada da casa há anos. A Leiteria ficava na Galeria Cruzeiro, onde hoje é o Edifício Avenida Central, explica João da Silva Costa, 77 anos, sócio da Leiteria Mineira desde 1950. Quando cheguei, a Avenida tinha duas mãos, árvores no meio... Carlos Lacerda, Café Filho e Juscelino Kubitschek vinham sempre, antes de ocuparem os cargos que chegaram a ter, relembra.
O Café Gioconda (E) fica em frente à Da Vinci e tem café exclusivo da casa. Já o Theatro Municipal (acima) dispensa apresentação: o prédio é dos mais bonitos da área
Além da Leiteria, do Museu Nacional de Belas Artes, da Biblioteca Nacional e do Teatro Municipal, tradição também não falta na Livraria Leonardo Da Vinci, no subsolo do número 185, o Edifício Marquês do Herval. Criada em 1952 pela italiana Vanna Piraccini, a Da Vinci tem o que ninguém gosta de vender, como dizem os vendedores. Livros raros, importados, de assuntos difíceis: estão todos lá, no acervo de 80 mil publicações. O número 185, aliás, esconde entre consultórios e escritórios um charmoso recanto, formado pela Da Vinci, pelo sebo de livros e CDs Berinjela e o Café Gioconda.
Já o Edifício Avenida Central (D) tem restaurantes, lojas e muito movimento
Tem gente que vem aqui todos os dias, revela Sílvia Chomski, sócia da Berinjela. Entre as estantes, dá para garimpar bons livros e CDs por preços bem em conta. Garimpar é também o que muita gente faz na Gibiteria e Bárbaras Magias, loja de RPG, quadrinhos e plastimodelismo, que consegue juntar desde senhores apaixonados por miniaturas a jovens como o office-boy Danilo Pugliese, 15 anos, aficionado por RPG. É a única loja que conheço por aqui, elogia o menino. Uma prova de que a Rio Branco atravessa gerações. (fotos Isabela Kassow)
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7:44 AM by Cassiano Leonel Drum
Fenômeno ou Santo?
Tratado como divindade pela comunidade da Cidade de Deus, Ronaldo dá esperança de dias melhores para moradores do bairro
Mauro Leão
A Cidade é de Deus, mas o atacante Ronaldo ganhou status de santo na comunidade de Jacarepaguá, depois que desceu do seu pedestal de maior ídolo do futebol mundial e esteve no bairro, na quarta-feira, doando R$ 160 mil para a restauração do teatro no Espaço Cultural. Ontem, dia seguinte da visita fenomenal, Ronaldo ainda era o assunto pelas esquinas. O gesto generoso do maior jogador do mundo era elogiado pelos moradores.
Jorge Washington de Souza Barros, 32 anos, porteiro da Associação de Moradores da Cidade de Deus, onde o Fenômeno foi homenageado, garante que um milagre aconteceu durante a aparição do atacante do Real Madrid.
Foi por milagre que o portão da associação não desabou. Tinha gente demais pendurada, todos querendo ver o Ronaldo de perto, afirma Jorge Washington, mostrando os estragos provocados pela multidão, na tentativa de tocar na careca do novo padroeiro gesto que passou a ser considerado como de boa sorte na comunidade.
Para a rubro-negra Fabíola de Oliveira Conceição, 21 anos, moradora na Travessa Cirene, Ronaldo deveria ser beatificado por ter se lembrado da comunidade carente: Só pode ser obra divina. Até agora a ficha não caiu. Jamais vou me esquecer do dia em que o Ronaldo se lembrou da gente.
Para moradora, é Deus no céu e Ronaldo na terra
Ela diz que a atitude do artilheiro foi de coração. Ele é uma pessoa famosa, não precisa aparecer. O curioso é que, mesmo ele tendo nascido numa região carente (Bento Ribeiro), doou um dinheiro importante para a Cidade de Deus. Para mim, é Deus no céu e Ronaldo na terra, assegura Fabíola.
Mesmo sem ter conseguido se aproximar de Ronaldo, ela garante que firmou o pensamento com a mente do ídolo. Mentalizei com muita fé e pedi para que ele, com a sua luz, me ajude a realizar o meu sonho de ser professora de dança. Quero ensinar às crianças pobres. Com a recuperação do Centro Cultural da comunidade, quem sabe não posso me tornar uma bailarina e me transformar numa ótima professora, sonha a fã.
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7:42 AM by Cassiano Leonel Drum
David Coimbra
28/05/2004
A vizinha pelada
Eu tinha uma vizinha pelada. Por Deus. Todas as noites, depois do boa-noite do Jornal Nacional, ela dançava diante do espelho. Ia tirando a roupa até ficar nua, nuinha. Morava no prédio bem em frente ao meu. Era legal. Quando chegava a hora, eu abria uma garrafa de vinho e me aboletava à janela. Dali a pouco, lá vinha a morena, ondulando feito uma Salomé.
Tempo bom aquele. Tempo em que vivia uma fase, digamos, de repleta agenda social. Caía na esbórnia todas as noites, chegava em casa de manhã, a zeladora varrendo o corredor, as velhinhas do edifício saindo para ir à missa, e eu zonzão, a um minuto de me enrolar no edredom. Um dia, minha madrinha Sônia, ao saber dessa rotina, balançou a cabeça, fazendo tsc tsc:
- Que vão pensar os vizinhos...
De fato, não deviam acalentar pensamentos airosos a respeito da minha pessoa. Mas, também, de que adiantaria mudar de hábitos? Alguém, em algum lugar, consegue controlar a opinião que os outros têm dos outros? Não, óbvio que não. Então, deixe estar, como cantavam os Beatles.
Assim a história da imagem do Brasil no Exterior. As pessoas se preocupam bastante com a imagem do Brasil no Exterior. O que é bonito, aliás. E bem patriótico. Mas adianta? Todo o alvoroço com a publicação daquela pífia matéria a respeito de o Lula estar bebendo demais ou não, tudo aquilo foi feito para preservar a imagem do Brasil no Exterior. Ora, tenho alguma experiência em imagens exteriores: a que eu mesmo faço de outros países. Pois a experiência me sugere que construo tal imagem a partir do interior desses países. Quer dizer: se tudo estiver bem dentro do país, o que vier de fora não será problema.
Foi por isso que continuei na pândega durante algum tempo, ainda, naquela época da vida. Dos vizinhos, para mim, só importava mesmo a pelada do prédio em frente. Por ela, e só por ela, faria um esforço pela minha imagem. Mas justamente ela, quanta ironia, jamais levantou os olhos do espelho diante do qual dançava nua, nuinha. Justamente ela pouco se importava se eu chegasse às quatro, às seis ou às oito da manhã. Minha vizinha pelada, eu a via como nós, no arrabalde do mundo, vemos os americanos: distante, superior, indiferente, quiçá arrogante. Ela era tudo isso, mas que saudade da minha vizinha pelada.
david.coimbra@zerohora.com.br
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7:40 AM by Cassiano Leonel Drum
Mauren Motta
28/05/2004
Um mais um
Maio é o mês das noivas, junho é o mês dos namorados, e para quem está SEM, pode até ser o mês do pânico! Mesmo que a gente queira esquecer o fatídico dia 12, sempre tem um anúncio de jornal ou uma propaganda de rádio pra lembrar. Não acho que todo mundo esteja desesperado, mas duvido de quem se diz totalmente completo sem um par do lado.
E não me venha com esse papinho de que você se basta e é feliz sozinho. Sempre tem alguém que se encaixa com a gente. Por isso mesmo que é bom. Quando juntos viramos um, e cada pedaço do corpo parece pouco, é que tudo fica lindo. Essa combinação, além de fazer muito bem pra pele, incendeia o coração.
O problema é quando a gente não se encaixa com ninguém. Se começar a procurar então, aí sim é que não pinta. E a reclamação é geral: mulheres decepcionadas, homens insatisfeitos. O Estar Só parece até uma patologia que toma conta do mundo. Mesmo que você esteja na "guerra", é dureza encontrar um parceiro. Quando um quer o outro não pode, quando o outro quer o primeiro já se cansou, e por aí vai...
Tranqüilidade é fundamental, ansiedade estraga tudo. Uma amiga me contou uma história que se não fosse cômica seria muito triste. Rafaela andava tão doida por um namorado que nem conseguia disfarçar. Suas reações eram patéticas. Se visse na rua um casal abraçado ia logo resmungando: "Odeio casais felizes!". Assim ela nunca iria arranjar ninguém! No auge da loucura, passou a tirar satisfações dos homens. Numa festa, um gatíssimo ouviu: "Você não tem direito de ficar sozinho com tanta mulher dando sopa! Que coragem a sua olhar e não atacar ninguém!". Ora, a Rafaela estava "desês", e o garoto não tinha culpa disso. Portanto, muita calma nessa hora.
Agora se você está feliz com seu par, não esqueça de se preparar para o dia dos namorados. Um mimo cai tri bem, nem que seja uma florzinha arrancada do jardim da casa da sua tia. Pra quem está sem, cair na balada pode ser uma bela oportunidade de conhecer alguém. Até porque não tem hora marcada pra gente ser feliz.
Beijolas apaixonadas.
mauren@rbstv.com.br
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7:38 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
28/05/2004
No tempo de Dondon
Deve ser do grande Nei Lopes o clássico samba: "No tempo que Dondon jogava no Andaraí/ nossa vida era mais fácil de viver/ não tinha tanto miserê/ nem tinha tanto tititi/ no tempo que Dondon jogava no Andaraí".
Resta-nos agora o saudosismo. Os jovens de hoje devem ser mais felizes do que nós, exatamente porque não possuem o parâmetro.
Esses jovens já deram de cara com este mundo agressivo que está aí, sem empregos, com criminalidade em níveis assustadores, uma informalidade acirrada que foge dos impostos carnívoros e arrasta desesperadamente os camelôs para as calçadas.
No tempo em que Dondon jogava no Andaraí, nossa vida era mais fácil de viver.
Havia empregos, todos possuíam de alguma forma um lugar decente para morar, arroz, feijão e carne, depois de uma taça com pão e manteiga, às vezes um mineiro quente com mata-fome, as pessoas tinham esperança nos políticos, a mesma esperança que nos últimos meses desapareceu por completo e arrasta as multidões para o desânimo.
Era o tempo em que Dondon jogava no Andaraí, o tempo em que os impostos eram tão honrados e humanos que não havia sonegadores.
Era o tempo da esperança. Os jovens que conseguiam penetrar na universidade tinham a garantia do futuro.
Hoje, os jovens que ingressam nos cursos universitários fazem-no dominados pela incerteza, esvoaça sinistramente sobre seus espíritos a perspectiva sombria do desperdício do diploma.
No tempo em que Dondon jogava no Andaraí, o salário mínimo era o máximo. Eu era adolescente e ganhava salário mínimo de menor, a metade do salário mínimo.
O salário mínimo de maior era de Cr$ 1.800, dava para comer, dava para alugar duas peças, dava para assistir a O Ébrio no cinema de domingo, havia só o Centro e os arrabaldes, gastava-se só uma passagem, no máximo duas para ir até o serviço, hoje, nas regiões metropolitanas, desumanamente, as pessoas gastam quatro horas por dia para irem e voltarem do trabalho, quem trabalha oito ou nove horas por dia e ainda gasta quatro horas de transporte não é gente, é um farrapo humano.
Escapa a dignidade de quem trabalha numa cidade e é obrigado a morar noutra. Não há vida no tempo que não sobra.
No entanto, no tempo em que Dondon jogava no Andaraí, em vez dos passantes se esquivarem dos camelôs e dos assaltantes, tinham que somente de modo cordial driblar as cadeiras preguiçosas nas calçadas, era concedido aos solteiros e às famílias o direito de um churrasquinho de quintal no fim de semana, de regalito um violão, pandeiro e cavaquinho.
Mas isso era no tempo em que Dondon jogava no Andaraí, quando os salários não pagavam imposto de renda e nos grupos escolares a educação era na maioria das vezes mais perfeita que a dos colégios particulares.
Havia namoro, havia noivado e havia casamento. Hoje é uma barafunda que ninguém mais entende, há mais separações que casamentos, não há mais namoro e nunca mais se ouviu falar sequer de um noivado.
No tempo em que Dondon jogava no Andaraí, não havia fila nos hospitais, que eram lugares somente destinados aos grandes galhos de saúde, os postos de saúde davam conta antes de toda a demanda.
Imaginem, os partos eram feitos em casas pelas parteiras. Hoje, o INSS brada contra a indústria da cesariana!
Foi-se o tempo em que Dondon jogava no Andaraí.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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7:35 AM by Cassiano Leonel Drum
Diplomacia
Emoção na partida para o Haiti
Doze militares gaúchos se despediram de familiares e embarcaram em missão de paz para Porto Príncipe (foto Ronaldo Bernardi/ZH)
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Quinta-feira, Maio 27, 2004
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7:11 PM by Cassiano Leonel Drum
Casar, tomar sorvete ou comprar uma bicicleta?
Seu córtex orbitofrontal avalia as chances de você se arrepender de uma decisão
Como seria sua vida hoje se você tivesse feito outra faculdade, casado com a primeira namorada ou comprado aquele apartamento mais feinho, mas muito mais barato? Talvez melhor, talvez pior, mas você nunca saberá ao certo. O que é ótimo, aliás: segundo um estudo francês publicado em 21 de maio na revista Science, descobrir que as coisas poderiam ter sido melhores é um grande estraga-prazeres -- e o culpado é o córtex orbitofrontal (COF), região situada na porção mais frontal do cérebro, entre os olhos.
O estudo mostra que o COF é necessário para a sensação de arrependimento, aquela emoção indesejada que só aparece quando se compara o que é com o que poderia ter sido. Em um jogo simplificado de roleta, a equipe de Angela Sirigu, no Centro Nacional de Pesquisas Científicas francês, pediu a 18 voluntários saudáveis que avaliassem sua satisfação com o resultado da escolha de rodar uma de duas roletas, cada uma com chances diferentes de fazer o jogador ganhar ou perder dinheiro.
Se apenas a roleta escolhida era rodada, os voluntários ficavam felizes de ganhar dinheiro e tristes de perdê-lo, como seria de se esperar. No entanto, quando a outra roleta também era rodada -- 'só para saber o que daria' --, conhecer o resultado podia acabar com a alegria de um pequeno prêmio em dinheiro. Bastava o prêmio máximo equivalente a 40 reais ser sorteado na roleta não escolhida, e o jogador, arrependido, se dizia até triste de ter ganhado 10 reais na sua roleta.
O estudo avaliou 5 pacientes com lesões no córtex orbitofrontal, representadas em rosa no esquema acima (imagem: Science)
Os cinco pacientes com lesões no COF que participaram do mesmo jogo ficavam igualmente alegres ou tristes com o resultado de suas decisões. Mas não sentiam arrependimento: para eles, o resultado da roleta não escolhida era indiferente. Sem o COF, o cérebro não tem mais como comparar o que foi com o que poderia ter sido, e 10 reais na mão serão sempre melhores do que 40 voando na roleta não escolhida.
Poderia até parecer uma benção, se não fosse um problema -- e os problemas aparecem com a repetição do jogo. Ao longo de 30 rodadas, os jogadores normais acumularam em média (e levaram para casa!) mais de 70 reais, mas os pacientes com lesão no COF só conseguiram ganhar dívidas, de 20 reais aproximadamente.
Um modelo matemático do jogo e das escolhas de cada jogador indica a razão. Embora a expectativa de maximizar os ganhos e minimizar as perdas seja o fator mais importante na hora de tomar decisões financeiras, como minha irmã economista já havia me ensinado, jogadores normais também levam em consideração a chance de arrepender-se, dependendo dos resultados possíveis da opção alternativa. Sem o COF, e desse modo sem a chance de arrepender-se, os pacientes contavam apenas com a decisão racional de maximizar os ganhos -- e acabavam se endividando.
Tomar boas decisões, portanto, é maximizar os ganhos mas também evitar arrependimentos. E evitar arrependimentos, como o estudo mostra, é algo que só se aprende... se arrependendo ocasionalmente, até que o cérebro passe a antecipar hoje o seu arrependimento de amanhã, antes de tomar uma decisão. Tudo isso graças ao COF, estrutura por sinal muito bem relacionada: conversa com regiões dorso-laterais do córtex pré-frontal, que cuidam do raciocínio e do planejamento; com estruturas do sistema límbico, responsáveis pela expressão das várias emoções; e participa da avaliação de recompensas e resultados como bons ou ruins.
Não é à toa que o COF é o último pedaço do córtex a ficar 'pronto' na adolescência, como mostra um estudo a ser publicado em 25 de maio nos Proceedings of the National Academy of Sciences dos EUA. Faz sentido: ser adulto é tomar decisões dezenas de vezes por dia, e o COF dos adolescentes deve mesmo estar em franco aprendizado, à medida que eles se apaixonam pelas pessoas erradas, bebem demais, e com um pouco de sorte começam logo a se arrepender de não ir à escola ou gastar dinheiro com besteiras.
Sorte têm as crianças, que não precisam decidir grandes coisas além do sabor do sorvete...
Fonte:
Camille N, Coricelli G, Sallet J, Pradat-Diehl P, Duhamel, JR, Sirigu, A. The involvement of the orbitofrontal cortex in the experience of regret. Science 304, 1167-1170 (2004).
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6:57 PM by Cassiano Leonel Drum
27/05/2004 - 16h30m
Meteorologia: cidade está em alerta
Túlio Brandão - O Globo
RIO - O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos emitiu um alerta para o litoral do estado do Rio de Janeiro válido desta quinta-feira até domingo. Segundo o meteorologista Valdir Innocentini, a pista de ventos gerada por um ciclone extra-tropical no Sul do país sopra na direção norte, o que favorece a propagação de ondas para o litoral do Rio. Os modelos climáticos do centro indicam ondas com alturas superiores a três metros na tarde de quinta-feira, que chegam em intervalos de 12 segundos à costa. A situação não deve se alterar até domingo, quando a ressaca perderá energia lentamente.
Nesta sexta-feira, a previsão do Climatempo é de que uma frente fria deixe o céu com muitas nuvens no norte fluminense. Nas outras regiões o dia começa nublado com névoa, mas o sol aparece entre nuvens logo pela manhã. A temperatura sobe, mas ainda faz frio. No sábado, o tempo quase não muda e a temperatura continua em elevação. No domingo, o sol brilha mais forte, com neblina ao amanhecer. A partir de segunda, uma nova frente fria provoca chuva no Estado.
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6:49 PM by Cassiano Leonel Drum
27/05/2004 - 18h38m
Rio Grande do Sul deve ter o dia mais frio do ano nesta sexta-feira
O Globo
RIO - O Rio Grande do Sul terá nesta sexta-feira o dia mais frio do ano, com temperaturas que poderão chegar a três graus negativos nos Campos de Cima da Serra, região que abrange os municípios do estado onde faz mais frio: São José dos Ausentes, Bom Jesus, Cambará do Sul e São Francisco de Paula.
O ciclone extratropical que causou forte turbulência no mar e rajadas de vento de até 119 quilômetros por hora em Santa Maria, na região central do estado, e de 133 quilômetros por hora em Siderópolis, no sul de Santa Catarina, na quarta-feira, seguiu para o Atlântico. Agora é uma massa de ar polar que provoca queda acentuada da temperatura.
As temperaturas que chegaram a 3 graus em São José dos Ausentes e entre 4 e 5 graus na fronteira com o Uruguai e a Argentina. Na região dos planalto gaúchos, deve cair para 0 a 3 graus negativos nos Campos de Cima da Serra, um grau negativo a dois graus positivos na Serra (Gramado, Canela, Caxias do Sul e cidades próximas) e 1 a 2 graus positivos na Grande Porto Alegre.
Com a normalização das condições atmosféricas, a barra do Porto de Rio Grande foi reaberta no início da manhã desta quinta-feira, permitindo o ingresso de navios que se encontravam em alto-mar e também a saída dos navios que já estavam carregados. Anteontem, as ondas em alto-mar, na costa gaúcha, chegavam a seis metros de altura, tornando impraticável o acesso ao porto, que é o mais importante do Mercosul.
Bom embora não creia muito nestas previsões de tempo, talvez assim como nos horóscopos a vivência diária com este friozinho tem me feito crer.
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6:41 AM by Cassiano Leonel Drum
Ela quer ficar nua
Vera Fischer fez questão e cena de nudez está em A Primeira Noite de um Homem, que estréia na semana que vem
Rubia Mazzini
Olhando a imagem desta página dá para acreditar que um dos passatempos preferidos de Vera Fischer ultimamente é fazer palavras-cruzadas em seu sítio em Guaratiba? Pois é. Mas para deleite dos admiradores de sua beleza e talento a estrela resolveu dar um tempo na vidinha pacata que vem levando para voltar ao batente na pele de uma personagem poderosa que só ela. Com direito a uma já comentadíssima cena de nu, Vera interpreta a voluptuosa Sra. Robinson, a responsável pela iniciação sexual do jovem franguinho Benjamim Bratt na peça A Primeira Noite de um Homem, que estréia quinta-feira no Teatro Clara Nunes.
Adepta do lema em nome da arte, vale tudo e, além disso, super em forma aos 52 anos, Vera fez questão de manter a nudez da Sra. Robinson na cena em que ela seduz Benjamim papel do novato Armando Babaioff , mesmo depois do diretor, Miguel Falabella, ter hesitado. Tudo, diz Vera, para ser fiel ao espírito da personagem. É uma cena de conquista, ultra-rápida, mas fundamental, em que ela quer amedrontar o garoto. Quer fazer com que ele se sinta desse tamanhinho. Então acho que colabora com a cena ela ficar nua, observa a musa, que apesar da certeza e da experiência em tirar a roupa profissionalmente diz sentir uma certa timidez.
É uma cena ultra-rápida, mas fundamental, em que ela quer amedrontar o garoto
Todo mundo já está cansado de me ver nua. Mas é claro que fico meio envergonhada. Só que uma atriz precisa fazer de tudo. E eu nunca tive medo de nada, afirma a estrela. Com a mesma segurança, ela jura que não precisou usar nenhum artifício para se despir sem culpa. Não faço essas coisas. Tem que ficar magra, então estou magra. Parei com remédio, médico, há meses. Consegui fechar a boca, me disciplinar. Isso é uma coisa muito boa que aprendi.
Já estão cansados de me ver nua. É claro que fico meio envergonhada. Mas uma atriz precisa fazer tudo
Disciplinada e em paz. Solteira, Vera diz que cansou da badalação e, além da peça, só pensa na criação do filho, Gabriel, de 11 anos, da união com Felipe Camargo Falo mais com a namorada dele (Kelen Varella), do que com ele mesmo. Mulher se entende, né? e no sítio de Guaratiba, para onde foge sempre que dá. Perdeu a graça sair. Os lugares, as coisas que acontecem, é muita multidão. Vou a festa em casa de amigos, porque aí posso dançar, curtir. Fico mais curtindo meu filho, meu sítio, meus cachorros. Acho que isso tem muito mais a ver atualmente na minha vida.
A Sra. Robinson da peça, adaptada e dirigida pelo amigo Miguel Falabella, também tem tudo a ver com Vera. Se existe uma atriz no Brasil que pode fazer a Sra. Robinson e ficar nua, é a Vera Fischer, baba o diretor. A Sra. Robinson é poderosa e verdadeira. Mas a verdade dela dói, porque diz as coisas nuas e cruas para as pessoas. É uma alcoólatra, uma mulher entediada, que não sabe o que fazer da vida. Daí tem a idéia de atrair esse menino, filho dos melhores amigos dela. Ela é cruel, amoral, observa a musa, que não tem dúvidas ao responder sobre sua posição predileta nos jogos do amor. Prefiro seduzir. Isso está em mim, eu sou como sou.
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6:37 AM by Cassiano Leonel Drum
Vantagem é do 15
GÉSSICA TRINDADE/ Enviada Especial/São Paulo
Pacaembu vazio, gramado repleto de jogadas engenhosas do 15 de Novembro e do Santo André desde os instantes iniciais da partida. O time gaúcho consagrou-se com o placar de 4 a 3 no primeiro confronto pela semifinal da Copa do Brasil, na capital paulista, com lances e cruzamentos ininterruptos na área adversária. Ao final do segundo tempo, o jogo evoluiu para uma disputa dramática. Ainda assim, o time de Campo Bom tem vantagem para o jogo de volta, dia 9 de junho, no Olímpico.
Apontada pelo técnico do Santo André, Péricles Chamusca, como a mais temida característica de seu rival, ainda na chegada ao estádio, a velocidade do 15 na armação das jogadas revelou-se o pior tormento do time do ABC paulista. Apenas quatro minutos depois de perder uma chance diante do goleiro Júnior, o atacante Bebeto marcou de cabeça, aos 21.
A pequena torcida do 15 no Pacaembu, em sua maioria proveniente de Cândido Mota, terra do meia Canhoto, a 450 quilômetros de São Paulo, não sentou mais nas arquibancadas. Avô do meia, Benedito Paes, 75 anos, e a avó, Terezinha, 65, encarangados de frio e envoltos em mantas, vibraram de pé a cada lance do neto e de seus colegas.
- Eu nunca esperava ver um neto jogando no Pacaembu, ainda mais ganhando - contou com lágrimas nos olhos o avô, torcendo para o jogo terminar.
O time paulista empatou aos 33, de pênalti, com Barbieri. Na segunda etapa, aos seis minutos, Patrício arrancou, pela direita, e Dauri marcou de cabeça. Dois minutos depois, Patrício marcou o terceiro, aproveitando a falha do goleiro Júnior. Aos 13, os 4 a 1: gol de Bebeto, seu segundo na partida.
Não se passaram dois minutos da comemoração quando o Santo André começou a reviravolta. Tássio descontou aos 15 minutos, em uma saída atrasada do goleiro Pitol. Sob os gritos de Mano Menezes, Osmar fez o terceiro do Santo André, aos 24. Somente depois da expulsão deste atacante, já no fim da partida, Campo Bom respirou com alívio.
( gessica.trindade@zerohora.com.br )
Creio que só milagre mesmo para o Sto André conseguir reverter esta vantagem adquirida ontem a noite pelo XV.
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6:32 AM by Cassiano Leonel Drum
Nilson Souza
27/05/2004
Múltipla escolha
A Unisinos resolveu adotar um novo modelo de vestibular este ano, substituindo as tradicionais provas de cruzinhas por questões dissertativas. Ou seja: a garotada terá que se comunicar por escrito. Alguns jovens certamente tirarão de letra, mas será um desafio e tanto para quem está acostumado a usar apenas gírias e interjeições nos seus diálogos. Só a redação deverá ter entre 60 e 75 linhas. E outros cinco temas da atualidade serão propostos aos candidatos, para que eles mostrem se são capazes de interpretar textos, desenvolver um raciocínio lógico e expressar adequadamente suas idéias.
Escrever sempre dói um pouco, mesmo para quem passa a vida juntando letrinhas por dever de ofício. Mas é uma dor prazerosa, pois possibilita a imediata visão da obra realizada. Quando a gente termina uma frase ou um parágrafo - e gosta do que escreveu -, é muito gratificante. Quando o leitor gosta também, ou é tocado pela mensagem, a realização é maior ainda.
Equivoca-se, porém, quem pensa que a dissertação elimina totalmente a múltipla escolha. Escrever é sempre uma escolha múltipla, que envolve, entre outras ações, a seleção das palavras a serem utilizadas, a decisão prévia de ler bons textos e bons livros, a coragem de divulgar idéias e sentimentos e, principalmente, a persistência de tentar até acertar. Não é um dom reservado apenas para seres especiais. Qualquer pessoa alfabetizada e com domínio da língua pode se comunicar por escrito.
E bem - se tiver humildade para se corrigir, para fazer um bom planejamento, para mostrar o trabalho a pessoas mais experientes e para reescrever quantas vezes for preciso. Obviamente, não é possível fazer isso numa prova de vestibular, com limitação de tempo. Mas dá para começar bem antes, com boas leituras e, principalmente, com o exercício da escrita.
Outro dia vi numa reportagem de televisão que está virando moda entre os jovens a troca de bilhetinhos nas festas. É uma brincadeira, provavelmente as mensagens sejam até cifradas, com símbolos e abreviações da linguagem informática. Mas não deixa de ser um exercício promissor de comunicação. O que importa, na verdade, é ser compreendido pelo próximo.
A vida também é uma prova de múltipla escolha, para a qual nem sempre temos conhecimento suficiente acumulado. Muitas vezes, como nos testes de cruzinhas, temos que apelar para a intuição - que, em última análise, é uma forma de pensar com o coração.
nilson.souza@zerohora.com.br
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6:30 AM by Cassiano Leonel Drum
Leticia Wierzchowski
27/05/2004
Verdadeira história de pescador
Estive no médico dia desses, e o doutor, mapeando meu passado, quis saber se eu ainda tinha os avós vivos e, se não os tinha mais, qual havia sido o motivo das suas mortes, e em que idade. Fiquei ali uns minutos rememorando as desditas familiares (meus quatro avôs já são falecidos), e por alguns instantes me senti traçando as linhas gerais de um romance.
Fui embora um pouco pesarosa de saudades. Meu avô materno morreu aos 65 anos. Minha avó materna eu não conheci, morreu antes do casamento dos meus pais, e deixou certa aura de "santa", como todas as pessoas que morriam cedo nos antigamentes.
Minha avó paterna era uma senhora que viu de tudo neste mundo para morrer por engano aos 87, quando baixou hospital para fazer uns exames, e uma enfermeira desatenta ministrou-lhe o remédio da paciente da cama ao lado. Disso eu já era moça, e lembro bem do desconsolo - a avó Maria certamente chegaria aos 100.
Meu avô paterno era catarinense e tinha um nome que sempre me evocou fantasias. Bertuíno. Apesar do nome que faz lembrar aqueles homens do deserto, nada tinha de brutal ou selvagem; ao contrário, era calado, custando para cuspir uma palavra, mas olhava o mundo com uns olhos meio tristes. Gostava mesmo era de pescar, e foi pescando, desde cedo, que teve a premonição de que ia morrer no próximo inverno. Bertuíno pescava de tarrafa, aquelas redes circulares que se lançam à mão; todo verão, ao final de março, ele chamava um dos netos e dizia "meu filho, pegue esta tarrafa pra ti, o avô está velho e não passa deste inverno".
No verão seguinte, estava o avô lá outra vez, e sem tarrafa - lá se ia meu pai a comprar-lhe outra para as pescarias. Foi assim durante muitos anos: ao final do verão, o avô Bertuíno chamava um neto e passava adiante a rede, porque estava velho e, para ele, tempo de velho morrer era no inverno. Distribuiu fartamente as suas tarrafas, pois tinha dezenas de netos, dos seis filhos que fez na mulher (eram sete, mas um deles, em criança, afogou-se num açude).
Em certa pescaria noturna, no final de um verão, uma veia se lhe rebentou dentro do nariz, e ele prosseguiu pescando, pescando, enquanto seu sangue se esvaía no escuro e ia tingindo o mar. O avô caiu na água sem sentir, depois de muito sangue perdido, e foi levado ao pequeno hospital praiano, onde, já em estado de choque, recebeu precário atendimento. Não iria morrer ali, mas aquele foi o começo da sua morte. Para um velho pescador, tinha lá o seu encanto, derramar o sangue no mar... Ele morreu alguns anos depois, num começo de outono; depois de tantos verões, não teve decerto paciência de esperar a chegada do inverno.
leticia.wierz@zerohora.com.br
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6:28 AM by Cassiano Leonel Drum
Luis Fernando Verissimo
27/05/2004
O modelo
Notícias de gripes na China são duplamente preocupantes: porque as gripes podem ser epidêmicas e porque elas possibilitam uma hipótese temida pela ciência há anos: a de que um dia todos os chineses espirrem ao mesmo tempo e desviem a Terra da sua órbita na direção do Sol e da extinção certa.
Na verdade, a China pode mudar a história do mundo de várias outras maneiras. Já está mudando conceitos econômicos e preconceitos políticos, pois não há ortodoxia que resista à idéia de uma população de mais de 1 bilhão - de consumidores ou de inimigos, dependendo de quem está pensando. Seja como for, com a sua modernização e seu crescimento explosivos, a China é hoje um modelo triunfante. Resta saber, exatamente, de quê.
Guardadas as óbvias desproporções, China é para os liberais um pouco o que Cuba é para a esquerda: o problema é saber até onde elogiar. Cuba é um exemplo de independência dos Estados Unidos e de prioridades sociais mantidas apesar da penúria e do boicote. Quanto à restrição de direitos políticos, a repressão a dissidentes e a eternização do Fidel, é melhor mudar de assunto.
A nova China é um exemplo das vantagens da abertura econômica e da competição capitalista, mas nenhum liberal pode usar seu governo comunista como exemplo da sua ortodoxia preferida, o Estado mínimo. E na China também se desrespeitam direitos humanos. Mas, neste caso, o pragmatismo empresarial vence qualquer prurido. O que é um pouco de hipocrisia diante das possibilidades de um mercado desse tamanho?
Na sua busca de um modelo de país grande para ser e para conviver com os Estados Unidos, já que ainda não pode ser o Canadá, a Rússia ou a Austrália, o Brasil tem três escolhas: a Índia, a Indonésia e a China. Este último é o modelo mais entusiasmante, mas é preciso pensar no que se está recomendando. A China atual é produto de uma transformação violenta, o que está aí é o que sobreviveu a uma processo cruel como não se conhece outro igual, uma guerra contra a fome e contra o seu próprio passado que atravessou algumas gerações.
O exemplo da China é o desta transformação e o seu efeito, ou é apenas o de uma americanização tardia sem antecedentes? Ignorando a sua história, alguns empresários brasileiros podem voltar da China convencidos de que o que o Brasil precisa mesmo é não de uma transformação social parecida, mas de um governo comunista que não se meta muito.
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6:26 AM by Cassiano Leonel Drum
Paulo Sant'ana
27/05/2004
O homem é mau
Uma velha discussão: o ser humano é bom ou mau? Nascemos bons e nos tornamos maus ou nascemos maus e a educação e a religião nos tornam bons?
Há pessoas que acreditam no ser humano e apostam que, apesar de todas as crueldades, torturas e guerras que ele patrocina, o bem acaba sempre triunfando sobre o mal e a humanidade caminha para a perfeição.
Só que de repente deparamos com uma notícia arrasadora: uma pequena multidão se organizou em Sapucaia do Sul e montou um rinhadeiro, onde cães da raça pitbull travavam batalhas de sangue até a morte.
Quem leu essa notícia em Zero Hora ficou estupefato. Na volta do tambor da rinha, de altura de mais de um metro, o que quer dizer que se por acaso algum dos cães quisesse fugir do combate não poderia fazê-lo, sendo estraçalhado pelo outro, situavam-se os assistentes, muitos deles apostadores em dinheiro, exatamente como acontece com a luta entre galos.
Alguns espectadores deviam ir até esse rinhadeiro de Sapucaia do Sul por mera curiosidade? Acho que não, todos que iam até lá eram pessoas sádicas, sedentas de sangue, sentiam prazer em assistir à dor dos animais litigantes.
Um amigo meu me alerta para os combates de luta vale-tudo que são exibidos na televisão. Segundo ele, o movimento do pay-per-view dessas lutas, isto é, das pessoas que contratam esses espetáculos para assistir a eles privadamente em suas casas, pela televisão, é maior do que a compra de jogos do campeonato brasileiro pelo mesmo sistema.
E já viram os leitores essas lutas de vale-tudo entre humanos? É quase uma carnificina, apenas se diferencia da rinha de pitbulls de Sapucaia porque há um juiz que impede que um lutador mate o outro quando o combate se desequilibra para um lado.
Mas o princípio é o mesmo na luta entre homens e animais: o espectador se delicia com a dor e o massacre que sofrem os lutadores.
Alguém tem dúvida de que, se a lei permitisse, nós teríamos ainda hoje em nosso meio as lutas entre gladiadores que se verificavam no Coliseu da Roma Antiga? Não tenham dúvidas, os estádios estariam mais lotados que os do futebol.
Se a lei permitisse, eu imagino só a sofisticação dos combates que se travariam no Olímpico e no Beira-Rio entre homens e animais selvagens, de homens contra homens e de animais contra animais. E os domingos seriam preenchidos pela emoção dos espectadores com essas lutas.
Não há hoje essas refregas porque a lei não permite. Então definitivamente fica claro, mais ainda por esse exemplo da rinha entre cães pitbulls de Sapucaia, que a índole do ser humano é má.
Pior que isso ou igual a isso acontece atualmente - e diariamente - no Iraque, em Israel, na Palestina: os homens fazendo verter o sangue dos outros homens.
No Iraque, em Israel e na Palestina, os homens passaram por cima das leis e foram caçar os outros homens.
Em Sapucaia do Sul, os sedentos de sangue estavam driblando a lei e satisfazendo suas taras no rinhadeiro clandestino.
A lei é que contém a maldade do homem. Ou seja, o homem é naturalmente mau, intrinsecamente mau, só a lei pode contrariá-lo e impor limites para a sua maldade.
A lei é o instrumento principal da civilização. Por isso é que no Iraque, em Israel e na Palestina, com a lei vencida e desprezada pelos homens, a civilização entrou num bárbaro retrocesso, o mesmo retrocesso da rinha de cães de Sapucaia.
Basta um descuido, que as feras humanas se soltam.
psantana.colunistas@zerohora.com.br
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6:22 AM by Cassiano Leonel Drum
Previdência
Relatora vota contra desconto de inativos e STF adia sessão
Considerada pilar da reforma da Previdência, a taxação dos servidores inativos sofreu um grande revés no Supremo Tribunal Federal (STF), com o voto contrário da relatora Ellen Gracie. A medida havia sido aprovada em 2003 pelo Congresso. O pleno do STF está julgando duas ações de associações de integrantes do Ministério Público.
Um dos ministros pediu vistas do processo, o que provocou a interrupção da sessão no momento em que o desconto estava sendo derrubado por dois a um. A ministra argumentou que um tributo só pode ser criado se houver um benefício correspondente. Seis ministros ainda não se pronunciaram.
Acredito que ninguém pensasse diferente e para isso existe o judiciário, não é assim?
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6:20 AM by Cassiano Leonel Drum
Atletismo
Os jovens heróis da maratona
Três irmãos do bairro Cohab, de Porto Alegre, apostam na corrida de rua como forma de melhorar de vida (foto Júlio Cordeiro/ZH)
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Quarta-feira, Maio 26, 2004
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7:22 PM by Cassiano Leonel Drum
Celebridade: Darlene é bonitinha, mas ordinária
A coisa que mais me irrita ultimamente ao assistir "Celebridade" é o fato de todo mundo ter peninha da ex-manicure Darlene (Deborah Secco). A garota, que é obcecada pela fama, sempre recebe olhares condescendentes dos demais personagens, mesmo tendo sacaneado muita gente para atingir seus objetivos muito pouco nobres.
Logo nos primeiros capítulos, a gata-garota ferrou seu namorado, Vladimir (Marcelo Faria), ao fazê-lo posar nu para uma revista gay -o que acabou fazendo com que ele fosse expulso do Corpo de Bombeiros.
Depois, crente que ia ganhar um programa de TV, ela enganou sua própria tia para ajudar Laura (Cláudia Abreu). Com isso, acabou prejudicando terrivelmente sua ídola, a insuportável Maria Clara Diniz (Malu Mader). Com as provas que Laura e Darlene levantaram, a superhipermegaprodutora perdeu os direitos sobre a canção "Musa do Verão" e os royalties dos produtos com a marca Summer Spell. Para piorar, isso acabou sujando a barra de Ademar (Daniel Dantas), pai de Darlene.
Na sequência, a sonsinha do Andaraí tentou enganar a família de Renato Mendes (Fábio Assunção) inseminando-se com material que Caio (Théo Becker) havia depositado em uma clínica de fertilização. Aí, quando os filhinhos nasceram e ficou provado que tudo era mais uma farsa, todo mundo foi lá e passou a mão na cabeça da moça, até mesmo Yolanda (Nathália Timberg), que seria tia bisavó dos rebentos, no maior estilo "me engana que eu gosto".
Aí, para completar, a piranha do Piscinão de Ramos resolveu dar o que tem de melhor -se é que vocês me entendem- para o rico e manipulável Inácio (Bruno Gagliasso). Com isso, ela conseguiu abrir algumas portas no grupo Vasconcellos, ganhou a promessa de que seria capa da revista "Fama" e muito mais. Quando teve dificuldades para emplacar seu programa de TV, não hesitou em chantagear sua sogra, a frágil e insegura Beatriz (Deborah Evelyn). Tudo bem que a Marilyn Manson do Leme entrou para o Guinness Book como a perua mais chantageada do planeta, mas Darlene faz suas exigências de uma maneira tão natural que parece até que essa atitude abominável é a coisa mais aceitável e normal do mundo...
E assim vai a nossa heroína que pode até ser bonitinha, mas é ordinária como poucas. O público não aprova as atitudes de Darlene, pois a popularidade da personagem é inferior à de Maria Clara, de Eliete (Isabela Garcia) e de Jaqueline Joy (Juliana Paes). É duro engolir as maldades que a moça pratica em nome de uma causa absolutamente egoísta e impulsionada pela vaidade.
As outras vilãs -Darlene é uma vilã, não tentem me convencer de que ela é uma "vítima do sistema", por favor- têm motivações mais complexas e até mais "compreensíveis". Darlene não. Ela só quer saber de se dar bem e pronto, mesmo que isso acabe prejudicando seu pai, seu namorado e outras pessoas próximas.
E o pior é que, ao que tudo indica, no final da trama Darlene terá uma redenção, vai se arrepender de seus golpes baixos e terá um final feliz ao lado de Vladimir, que voltará a ser bombeiro graças à interferência de um advogado contratado por sua ex-namorada junto à cúpula da corporação dos combatentes do fogo. Era só o que faltava, né não?
A mensagem transmitida às telespectadoras pela personagem Darlene é aquela coisa bagaceira de Marlene Mattos, Carla Perez, Gugu e cia. Quando ela surge na novela comandando seu programa de TV, o "Darlene Star", parece que fica piscando um luminoso na cara do público com os dizeres: "Talento não é nada, o importante é ser gostosa e transar com as pessoas certas. Faça o que for preciso para ficar famosa porque vale tudo nessa luta, minha amiga. Força, você ainda vai ser uma Kelly Key, com certeza!"
E você, leitor? Acha que Darlene é uma coitada que merece mesmo se dar bem no final de "Celebridade" ou a vê como uma piranha de quinta que é tão ou mais peçonhenta do que Laura e os demais vilões da trama de Gilberto Braga?
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7:08 PM by Cassiano Leonel Drum
NET investe R$ 3 milhões em campanha promocional do Vírtua
18:53 26/05
Valor Online
SÃO PAULO _ A NET Serviços de Comunicação vai investir R$ 3 milhões em uma campanha promocional, com anúncios nos canais da Globosat e na TV Globo, para estimular as vendas do Vírtua, seu serviço de acesso em banda larga pela rede de cabos.
No final do primeiro trimestre, a operadora tinha 113 mil assinantes do Vírtua. O número, apesar de representar apenas 10% do total de assinantes de banda larga do país, teve um crescimento de 94,6% sobre o primeiro trimestre de 2003.
Pela promoção, que entra em vigor hoje até o final de junho, o novo assinante do Vírtua recebe o modem e a instalação gratuitamente, além de pagar a mensalidade de R$ 49,90 (na velocidade de 128 kbps). O assinante de Vírtua que optar pelo provedor Globo.com pagará R$ 9,90 nas duas primeiras mensalidades, quase metade do valor normal que é de R$ 19,90 por mês, graças a uma parceria entre as duas companhias.
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